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LEI DE EXECUÇÃO PENAL (LEI 7.210/84) – LEP 
1. Objeto e Aplicação da LEP e princípios 
 
 
PRINCÍPIOS PRINCÍPIO da LEGALIDADE 
Ao condenado/internado serão assegurados TODOS os direitos NÃO 
atingidos pela sentença ou pela lei. 
PRINCÍPIO da IGUALDADE/ISONOMIA 
 NÃO haverá qualquer distinção de natureza racial, social, religiosa ou 
política. 
 PRINCÍPIO da INDIVIDUALIZAÇÃO da EXECUÇÃO PENAL 
Os condenados serão classificados, segundo os seus antecedentes e 
personalidade, para orientar a individualização da execução penal. 
PRINCÍPIO da JURISDICIONALIDADE 
Os incidentes na execução penal serão decididos pelo Poder 
Judiciário (Juiz da Execução). 
 PRINCÍPIO do DEVIDO PROCESSO LEGAL 
O preso será ouvido e terá direito de defesa no procedimento de 
apuração de falta disciplinar. 
 PRINCÍPIO DA HUMANIDADE/ HUMANIZAÇÃO DAS PENAS 
Garantia constitucional a ser observada na execução da pena 
(dignidade da pessoa humana + vedação tratamento desumano ou 
degradante). 
PRINCÍPIO DA RESSOCIALIZAÇÃO 
LEP declara com como objetivo a ressocialização. 
 
 
 
 
 
2. Do Condenado e do Internado 
2.1 Da Classificação 
  Os condenados serão classificados pelos: ANTECEDENTES e 
PERSONALIDADE. 
 Quem faz essa classificação? 
A CTC (Comissão Técnica de Classificação). 
 
 ACTCpoderá: (i) entrevistarpessoas; (ii)requisitar, de repartições ou 
estabelecimentos privados, dados e informações a respeito do 
condenado e; (iii) realizar outras diligências/ exames. 
  Exame CRIMINOLÓGICO: 
 
 IDENTIFICAÇÃO do PERFIL GENÉTICO pela extração de DNA. ATENÇÃO para recente 
alteração legislativa no dispositivo da LEP: 
 
 A RECUSA do condenado em submeter-se ao procedimento de 
identificação do perfil genético configura FALTA GRAVE!!! (PACOTE 
ANTICRIME). 
 O perfil genético será armazenado em BANCO DE DADOS com as 
seguintes características: 
 
 
 A amostra biológica coletada (por perito) só poderá ser utilizada para o 
único e exclusivo fim de identificação pelo perfil genético, NÃO estando 
autorizadas as práticas de fenotipagem genética ou de busca familiar. 
 
  Após identificação do perfil genético (laudo perito), a amostra 
biológica recolhida deverá ser correta e imediatamente descartada. 
 
 2.2 Da Assistência 
 
  A ASSISTÊNCIA ao preso (cumpre pena) e ao internado (cumpre 
medida de segurança) é DEVER do Estado, objetivando prevenir o crime 
(prevenção) e orientar o retorno à convivência em sociedade 
(ressocialização) 
 
 
 
 
 
 
2.3 Do Trabalho 
  O TRABALHO do condenado, como DEVER social e condição de 
DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA, terá finalidade EDUCATIVA e 
PRODUTIVA. A LEP prevê ainda: 
 
Principais características do TRABALHO do PRESO: 
 
Tem natureza DÚPLICE: é um DIREITO e também um DEVER do preso. Exceção: preso 
provisório e preso político: NÃO estão obrigados a trabalhar! Obs.: preso provisório 
(somente trabalho interno). 
NÃO está sujeito à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) REMUNERADO, mediante 
prévia tabela, NÃO podendo ser inferior a 3/4 do salário mínimo. 
Produto da remuneração pelo trabalho destinado: 
(i) indenização dos danos; 
(ii) assistência à família; 
(iii) pequenas despesas pessoais; 
(iv) ao ressarcimento ao Estado das despesas. 
 
Se sobrar: pecúlio (poupança) a ser entregue ao preso quando for posto em 
liberdade. 
 Limitação do trabalho artesanal: deverá ser limitado, tanto quanto possível, o 
artesanato sem expressão econômica, SALVO nas regiões de turismo. 
 Idosos, doentes e deficientes: atividades apropriadas à sua idade/estado. 
 Jornada normal de trabalho NÃO será inferior a 6 nem superior a 8 horas, com 
descanso nos domingos e feriados. 
 Exceção: horário especial preso que faz serviços de manutenção do estabelecimento 
prisional 
 Quanto ao TRABALHO EXTERNO do preso: 
 
2.4 Dos Deveres, dos Direitos e da Disciplina 
 
DEVERES : 
I - comportamento disciplinado e cumprimento fiel da sentença; 
II - obediência ao servidor e respeito a qualquer pessoa com quem deva relacionar-
se; 
III - urbanidade e respeito no trato com os demais condenados; 
 IV - conduta oposta aos movimentos individuais ou coletivos de fuga ou de 
subversão à ordem ou à disciplina; 
 V - execução do trabalho, das tarefas e das ordens recebidas; 
VI - submissão à sanção disciplinar imposta; 
VII - indenização à vitima ou aos seus sucessores; 
VIII - indenização ao Estado, quando possível, das despesas realizadas com a sua 
manutenção, mediante desconto proporcional da remuneração do trabalho; 
 IX - higiene pessoal e asseio da cela ou alojamento; 
X - conservação dos objetos de uso pessoal. 
 
 
DIREITOS: 
I - alimentação suficiente e vestuário; 
 II - atribuição de trabalho e sua remuneração; 
 III - Previdência Social; 
IV - constituição de pecúlio; 
V - proporcionalidade na distribuição do tempo para o trabalho, o descanso e a 
recreação; 
 VI - exercício das atividades profissionais, intelectuais, artísticas e desportivas 
anteriores, desde que compatíveis com a execução da pena; 
 VII - assistência material, à saúde, jurídica, educacional, social e religiosa; 
 VIII - proteção contra qualquer forma de sensacionalismo; 
IX - entrevista pessoal e reservada com o advogado; 
 X - visitado cônjuge, da companheira, de parentes e amigos em dias determinados; 
XI - chamamento nominal; (direito ao nome e não ser chamado por um número). 
 XII - igualdade de tratamentosalvo quanto às exigências da individualização da pena; 
XIII - audiência especial com o diretor do estabelecimento; 
XIV - representação e petição a qualquer autoridade, em defesa de direito; 
 XV - contato com o mundo exterior por meio de correspondência escrita, da leitura e 
de outros meios de informação que não comprometam a moral e os bons costumes. 
 XVI – atestado de pena a cumprir, emitido anualmente, sob pena da 
responsabilidade da autoridade judiciária (juiz) competente 
 
 IMPORTANTE: Os direitos previstos nos incisos V,XeXV 
(proporcionalidade distribuição do tempo, visitas e contato mundo 
exterior) poderão ser SUSPENSOS (restringidos) mediante ato motivado 
do DIRETOR do estabelecimento. 
 
  A DISCIPLINA consiste na COLABORAÇÃO com a ORDEM, na 
OBEDIÊNCIA às determinações das autoridades e seus agentes e no 
DESEMPENHO do TRABALHO. 
 
 Quem está sujeito à disciplina? O condenado (PPL ou PRD) e o preso 
provisório. 
 Quanto às SANÇÕES: 
 
 Classificação das FALTAS disciplinares: 
 
 A TENTATIVA da prática de falta disciplinar é PUNIDA com a sanção da falta 
CONSUMADA. 
  IMPORTANTE: Rol de faltas GRAVES: 
Art. 50. Comete FALTA GRAVE o condenado à pena privativa de liberdade 
que: 
 I - incitar ou participar de movimento para SUBVERTER a ORDEM ou a 
DISCIPLINA; 
II - FUGIR; III - possuir, indevidamente, INSTRUMENTO capaz de ofender 
a INTEGRIDADE FÍSICA de outrem; 
IV - PROVOCAR acidente de trabalho; 
V - descumprir, no regime aberto, as condições impostas; 
VI - INOBSERVAR os deveres previstos nos incisos 
 II (obediência/respeito), e V (execução trabalho/tarefas/ordens) do 
artigo 39, desta Lei. 
 VII – tiver em sua posse, utilizar ou fornecer APARELHO TELEFÔNICO, de 
rádio ou similar, que permita a comunicação com outros presos ou com o 
ambiente externo. 
VIII - RECUSAR submeter-se ao procedimento de identificação do PERFIL 
GENÉTICO. 
 Art.52: A prática de fato previsto como CRIME DOLOSO constitui falta 
grave. 
 
 RDD (Regime Disciplinar Diferenciado): é uma espécie de SANÇÃO 
disciplinar. Pode ser aplicado ao condenado ou preso provisório, 
independente da nacionalidade. 
HIPÓTESES APLICAÇÃO RDD: 
Art. 52. A prática de fato previsto como crime DOLOSO constitui falta 
grave E, quando ocasionar SUBVERSÃO da ORDEM ou DISCIPLINA 
internas, sujeitará o preso provisório, ou condenado, nacional ou 
estrangeiro, sem prejuízo da sanção penal, ao regime disciplinar 
diferenciado,com as seguintes características: 
como crime DOLOSO constitui falta grave E, quando ocasionar 
SUBVERSÃO da ORDEM ou DISCIPLINA internas, sujeitará o preso 
provisório, ou condenado, nacional ou estrangeiro, sem prejuízo da 
sanção penal, ao regime disciplinar diferenciado, com as seguintes 
características: § 1º O regime disciplinar diferenciado também será 
aplicado aos presos provisórios ou condenados, nacionais ou 
estrangeiros: (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019) I - que 
apresentem ALTO RISCO para a ordem e a segurança do estabelecimento 
penal ou da sociedade; 
II - sob os quais recaiam fundadas suspeitas de envolvimento ou 
participação, a qualquer título, em ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA, 
ASSOCIAÇÃO criminosa ou MILÍCIA privada, independentemente da 
prática de falta grave. 
 
 Cumprimento do RDD em estabelecimento prisional FEDERAL: 
Existindo indícios de que o preso exerce liderança em organização 
criminosa, associação criminosa ou milícia privada, OU que tenha 
atuação criminosa em 2 (dois) ou mais Estados da Federação, o RDD será 
obrigatoriamente cumprido em estabelecimento prisional federal. 
CARACTERÍSTICAS DO RDD 
- Duração máxima de ATÉ 2 anos; 
 - Recolhimento em cela INDIVIDUAL; 
- Visitas QUINZENAIS, de 2 pessoas por vez, a serem realizadas em 
instalações equipadas para impedir o contato físico e a passagem de 
objetos, por pessoa da FAMÍLIA ou TERCEIRO (autorizado judicialmente), 
com duração de 2 horas. Visitas serão gravadas (áudio e vídeo) + 
fiscalizadas por agente penitenciário (se houver autorização judicial). 
- direito do preso à saída da cela por 2 horas diárias para BANHO DE SOL, 
em grupos de ATÉ 4 presos, 
desde que NÃO haja contato com presos do MESMO grupo criminoso; 
- Entrevistas sempre monitoradas, EXCETO aquelas com seu defensor, em 
instalações equipadas para 
impedir o contato físico e a passagem de objetos. 
Exceção: expressa autorização judicial (pode monitorar conversa com 
defensor/advogado). 
- Fiscalização do conteúdo da correspondência; 
- Participação em audiências judiciais PREFERENCIALMENTE por 
videoconferência, garantindo-se a 
participação do defensor no mesmo ambiente do preso. 
 
 
 
  PRORROGAÇÃO do RDD: 
 Poderá ser prorrogado sucessivamente, por períodos de 1 ano, existindo indícios: 
(i) continua apresentando alto risco para a ordem e a segurança ou 
(ii) mantém os vínculos com organização criminosa, associação criminosa ou 
milícia privada, considerados também o perfil criminal e a função 
desempenhada por ele no grupo criminoso, a operação duradoura do grupo, 
a superveniência de novos processos criminais e os resultados do tratamento 
penitenciário. 
 
 CONTATO TELEFÔNICO: Somente para preso em RDD que está SEM receber 
visitas por 6 meses: poderá, após prévio agendamento, ter contato telefônico, 
que será gravado, com uma pessoa da família, 2 vezes por mês e por 10 
minutos. 
 
  Espécies de SANÇÕES DISCIPLINARES: 
 
 
 
 Na APLICAÇÃO das SANÇÕES disciplinares, levar-se-ão em conta: natureza, 
os motivos, as circunstâncias e as consequências do fato, bem como a pessoa 
do faltoso e seu tempo de prisão. 
 
 INSTAURAÇÃO de PROCEDIMENTO DISCIPLINAR: Praticada a falta 
disciplinar será instaurado o procedimento para sua apuração, assegurado o 
direito de defesa. 
 
 RECOMPENSAS: visam o BOM COMPORTAMENTO do condenado, sua 
COLABORAÇÃO com a DISCIPLINA e sua DEDICAÇÃO ao trabalho. A LEP prevê 
2 recompensas: (i) ELOGIO e (ii) REGALIAS. 
 
 
 
 
 
ÓRGÃOS PRINCIPAIS CARATERÍSTICAS 
 
Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPC) Sede na Capital 
da República. 
Subordinado ao MJ. Composição: 13 membros nomeados pelo MJ (professores e 
profissionais da área do Direito Penal, Processual Penal, Penitenciário e ciências 
correlatas, representantes da comunidade e dos Ministérios da área social). 
 Mandato: 2 anos, renovado 1/3 em cada ano. Principais atividades: propor 
diretrizes da política criminal; contribuir na elaboração de planos nacionais de 
desenvolvimento; avaliação periódica do sistema criminal; pesquisa criminológica; 
elaborar programa nacional penitenciário de formação e aperfeiçoamento do 
servidor; estabelecer regras sobre a arquitetura e construção de estabelecimentos; 
estabelecer os critérios para estatística criminal; inspecionar e fiscalizar os 
estabelecimentos penais; representar ao Juiz da execução ou à autoridade 
administrativa para instauração de sindicância/procedimento administrativo; 
representar à autoridade competente para a interdição de estabelecimento penal. 
Compete ao CNCPC determinar o limite máximo de capacidade do estabelecimento 
penal, atendendo a sua natureza e peculiaridades. 
 
 
 
Juízo da Execução Principais atribuições do juiz: aplicar aos casos julgados lei 
posterior mais benéfica; declarar extinta a punibilidade; decidir sobre soma ou 
unificação de penas; progressão/regressão nos regimes; detração e remição da 
pena; suspensão condicional da pena; livramento condicional; incidentes da 
execução; autorizar saídas temporárias; inspecionar, mensalmente, os 
estabelecimentos penais; interditar estabelecimento penal; compor e instalar o 
Conselho da Comunidade, emitir anualmente atestado de pena a cumprir, etc. 
 
Ministério Público (MP) Fiscaliza a execução da pena e da medida de segurança, 
oficiando no processo executivo e nos incidentes da execução. 
Visita mensalmente os estabelecimentos penais, etc. 
 
Conselho Penitenciário Órgão CONSULTIVO e fiscalizador da execução da pena. 
Membros nomeados pelo Governador(dentre professores e profissionais da área do 
Direito Penal, Processual Penal, Penitenciário e ciências correlatas, bem como por 
representantes da comunidade). Mandato: 4 anos. Atribuições: Emitir parecer sobre 
indulto e comutação de pena, exceto de pedido de indulto com base no estado de 
saúde do preso; inspecionar os estabelecimentos e serviços penais; apresentar, no 
1º trimestre de cada ano, ao CNPCP, relatório dos trabalhos efetuados no exercício 
anterior; supervisionar os patronatos, bem como a assistência aos egressos. 
 
Departamentos Penitenciários Divide em: Departamento Penitenciário Nacional 
(DEPEN) e Departamentos Penitenciários locais (âmbito estadual). 
 
 
Patronato 
Patronato pode ser público ou particular. Objetivo: prestar assistência2 aos 
albergados e aos EGRESSOS. Atividades: orientar os condenados à pena restritiva de 
direitos; fiscalizar o cumprimento das penas de prestação de serviço à comunidade e 
de limitação de fim de semana e colaborar na fiscalização do cumprimento das 
condições da suspensão e do livramento condicional. 
 
 
 Conselho da Comunidade 
 01 Conselho da Comunidade em cada Comarca. Composição (no mínimo): 1 
representante de associação comercial/ industrial, 1 advogado, 1 Defensor Público e 
1 assistente social. Atividades: visitar, pelo menos mensalmente, os 
estabelecimentos penais; entrevistar presos; apresentar relatórios mensais ao Juiz e 
ao Conselho Penitenciário; diligenciar a obtenção de recursos materiais e humanos 
para melhor assistência ao preso. 
 
 Defensoria Principais atribuições DP: 
Vela pela regular execução da pena/medida de segurança, oficiando, no processo 
executivo e nos incidentes da execução, para a defesa dos necessitados em todos os 
graus e instâncias, de forma individual e coletiva. Requer a concessão de benefícios 
aos presos (detração, remição, progressão, suspensão da pena, indulto, etc). Visita 
periodicamente os estabelecimentos penais.

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