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1 GESTÃO DE PROCESSO E PROJETOS AULA 1 Profª Manon Garcia 2 CONVERSA INICIAL Há algum tempo discutíamos sobre os desafios e impactos da globalização e avanços tecnológicos nas empresas, no planejamento estratégico, na administração e gestão, no mercado, na concorrência, no ambiente organizacional, nos processos, nas finanças, na perenidade e longevidade das empresas e dos negócios. De fato, a realidade da globalização e dos avanços tecnológicos trouxe muitos impactos que refletiram na ausência de barreiras geográficas e socioeconômicas, no aumento de concorrência e mercado, na modificação no comportamento e processos de compra e consumo, na modernização dos processos e na produção, inovações de produtos e serviços, novos conceitos de qualidade, inovações na cadeia logística, nas relações de trabalho, agilidade nos processos decisórios, entre tantos outros. O resultado foi um cenário empresarial em que as estruturas organizacionais estão cada vez mais reduzidas e temos demanda por processos decisórios mais ágeis, gestão dos custos proporcional aos resultados, redução dos desperdícios, consolidação da qualidade como condição e não como objetivo, evolução tecnológica acelerada, redução do ciclo de vida dos produtos e serviços no mercado, aumento do nível de exigência dos mercados, clientes e consumidores, reestruturação da estrutura de poder, gestão de risco, implementação de práticas de responsabilidade socioambiental, práticas de governança, compliance e accountability. Em meio a esse cenário, vivemos uma das maiores crises do mundo contemporâneo, a pandemia da Covid-191. Segundo historiadores, filósofos e sociólogos, a guerra, a revolução e a pandemia são os três fatores que fazem a história acelerar os processos já em curso, e com a pandemia do Covid-19, não foi diferente. Diante das complexidades apresentadas, atravessando as economias mundiais, os efeitos colaterais sociais, econômicos, ambientais, organizacionais e tecnológicos são eminentes. Nesse contexto do “novo normal”, as organizações precisam se reinventar: de um lado as transformações tecnológicas, com destaque à 11 Em 30 de janeiro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que o surto do novo coronavírus constitui uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) – o mais alto nível de alerta da Organização, conforme previsto no Regulamento Sanitário Internacional. Disponível em: . Acesso em: 10 mar. 2023. 3 aceleração da automatização dos processos, da inteligência artificial e da digitalização. De outro lado, novo formato de trabalho, a cultura organizacional e o comprometimento dos indivíduos em trabalho remoto e como gerir isso tudo. Por vezes, ambos os conceitos de projetos e processo causam confusão entre si, todavia, não há uma organização, no desempenho de suas atividades, sem que existam em processos e projetos, e por esse motivo é necessário o entendimento de suas características para compreendermos a diferença entre ambos. Vamos iniciar com conceitos, definições e relevância dessas duas atividades organizacionais que são fundamentais para que as empresas alcancem o sucesso em seus resultados. Na sequência, vamos abordar o gerenciamento dos processos e projetos e as competências necessárias para a gestão dessas atividades. Trataremos das certificações em processos e projetos e, depois, como funcionam as organizações orientadas por processos e projetos. CONTEXTUALIZANDO Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Esses são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão contribuindo a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 no Brasil2. Os ODS buscam redirecionar os fluxos de investimento público e privado globais em direção aos desafios que representam. Isso, ainda, aumentará os mercados e facilitará o acesso ao capital para as empresas que podem oferecer tecnologias e soluções relevantes por meio de modelos de negócios sustentáveis e inclusivos. Com base nos ODS, as empresas podem traçar estratégias para ampliar o alcance de sua responsabilidade social, entendendo que aquelas companhias que não se comprometerem a ações efetivas correm o risco de perder oportunidades de investimento e participação no mercado. Vamos, agora, analisar a situação que se segue. As empresas estão sendo convocadas a incluírem em seu planejamento estratégico atividades e ações de responsabilidade para o ODS. Dentro dessa perspectiva, a empresa X 2 Nações Unidas no Brasil, 2022. Disponível em: . Aceso em: 10 mar. 2023. 4 decide incluir o ODS 5 – Igualdade de gênero em seu planejamento estratégico. Analisando as ações a seguir, quais dessas ações a empresa poderá realizar? I. A empresa poderá desenvolver um projeto para elaborar uma política organizacional de gestão de pessoas para a igualdade de gênero. II. Para implantar política de igualdade de gênero em gestão de pessoas, a empresa deverá rever seus processos e realizar as alterações necessárias e novos processos para atender a essa nova política organizacional de gestão de pessoas para a igualdade de gênero. III. O gestor do departamento de pessoas da empresa poderá calcular quantas líderes femininas precisa ter na sua empresa para igualdade de gênero na liderança e, na semana seguinte, criar novos cargos para contratar líderes femininas. Analise as proposições e assinale a alternativa correta. a. Apenas a afirmativa I. b. Apenas as afirmativas II e III. c. Apenas a afirmativa I e III. d. Apenas as afirmativas I e II. e. Apenas a afirmativa III. Resposta correta: D. A empresa deverá criar um projeto que vai desenvolver a inclusão das mulheres na liderança, considerando todos as normas e procedimentos organizacionais e estrutura organizacional, e após o projeto entregar uma política organizacional de gestão de pessoas para a igualdade de gênero para essa ação, deverá rever seus processos de recrutamento e seleção e plano de cargos e salários para adoção da nova política empresarial. TEMA 1 – PROCESSOS Vamos imaginar uma organização qualquer em um dia comum de trabalho, em pleno funcionamento. As pessoas estão executando suas atividades em seus setores, encaminham e respondem e-mails de clientes ou de outros setores, recebem materiais, vendem e entregam seus produtos, executam serviços, fazem solicitações a outros setores, respondem chamados internos e externos, atendem clientes, e assim por diante. 5 Nessa cena, percebemos uma organização em funcionamento por meio da realização de seus processos (operações), que são executados sequencialmente na rotina organizacional, por todas as pessoas, em todos os setores, para atingir um resultado específico e recorrente aos seus clientes internos e externos. Podemos definir que processos são “uma ordenação específica das atividades de trabalho no tempo e no espaço, com um começo, um fim, entradas e saídas, claramente identificados” (Davenport, 1994, p. 55). Notamos que diariamente as pessoas nas organizações executam inúmeros processos, que são realizados em forma de atividades e tarefas de forma interativa e interligadas com outros processos de outros setores, áreas, departamentos, filiais ou até de outras organizações. Esses processos têm por objetivo a execução das atividades organizacionais e envolvem pessoas, equipes, setores, áreas, procedimentos, equipamentos, insumos e matéria- prima, recursos, informações e comunicação, e essas atividades entregam ao cliente (interno ou externo) um produto ou serviço. Os processos são constituídosde elementos conforme o Quadro 1. Quadro 1 – Elementos dos processos Elemento Descrição Objetivos É a razão, a finalidade para a qual o processo será realizado, é o que fundamenta a entrega que será realizada, o conjunto de requisitos (características) do resultado que será entregue. Fontes de entradas São as fontes que fornecem ao processo o material e a informação para operação ou processo. Entradas (input) São matérias-primas, equipamentos, informações e conhecimento, além de outros bens tangíveis ou intangíveis, necessários para ser utilizados no processo. Processo É um conjunto estruturado de atividades sequenciais que apresentam relação lógica entre si. Saídas (outputs) São os resultados do processo de transformação, as finalidades para as quais o processo é realizado e que devem atender aos requisitos definidos para esse resultado, bem como produtos ou serviços em seu formato final, da maneira como são comercializados. Receptores das saídas São os clientes internos ou externos que receberão o resultado do processo. Fonte: Elaborado com base em Oliveira, 2019; Brito, 2012. Resumimos processos organizacionais como “um conjunto estruturado de atividades sequenciais que apresentam relação lógica entre si, com a finalidade 6 de atender e, preferencialmente, suplantar as necessidades e as expectativas dos clientes externos e internos da empresa” (Oliveira, 2019, p. 9). Desse modo, em cada organização haverá um conjunto de processos de inúmeras naturezas que são realizados de forma encadeada e organizada, cada qual em seu setor ou área, pelos integrantes dessa organização, até que os objetivos para os quais foram executados sejam alcançados e os resultados finais propostos sejam entregues para o cliente ou mercado. 1.1 Classificação dos processos Conhecer e compreender quais os diferentes tipos de processos de uma organização, quais suas finalidades e propósitos e como eles interagem, se interrelacionam e se retroalimentam formando um sistema de processos é imprescindível para garantir e assegurar a melhor maneira de gerar resultados organizacionais de modo organizado, integrado, sistematizado e gerenciável. Os processos podem ser classificados segundo a finalidade, seu propósito e objetivos da sua atividade em processos primários, processos de apoio e processos gerenciais (Porter, 1989; Oliveira, 2019; Brito, 2012). • Processos primários, ou atividades-fim: são processos relacionados ao resultado, o que a empresa produz e realiza, é a sua atividade principal o objetivo do negócio. São realizados para gerar benefícios, atender às necessidades e às expectativas do cliente, mercado e do ambiente externo. Exemplo: logística inbound, ou logística de aquisição; operações; marketing; vendas; logística outbound, ou logística de saída. • Processos de apoio, ou atividade-meio: são executados para atender às necessidades e às expectativas das atividades-fim da empresa; não têm relação direta com o objetivo final, são processos operacionais e de apoio, essenciais para manutenção das atividades organizacionais. Por exemplo, infraestrutura, financeiro, jurídico, recursos humanos, tecnologia, compras. • Processos gerenciais, ou atividades de gestão: referem-se a gestão e administração, organização, planejamento, monitoramento, controle e execução dos processos em uma organização. Por exemplo, direção, gerência, coordenação, supervisão, CEO. 7 Os processos de apoio, ou atividades-meio, de suporte e atendimento assumem especial importância para a organização. Eles dão subsídios a todos os demais processos organizacionais e, apesar de serem imperceptíveis para os clientes externos, são responsáveis por incorporar e agregar valor ao resultado final que será entregue ao cliente. No entanto, os processos não são classificados apenas segundo sua finalidade; podem ter classificação segundo o seu nível de complexidade e de sua execução dentro da hierarquia organizacional, desde a visão macro da organização até a operacional. Podemos classificar em quatro níveis, como apresentamos no Quadro 2. Quadro 2 – Classificação de processos Fonte: Elaborado por com base em Oliveira, 2019; Brito, 2012. Podemos também classificar os processos industriais, de atacado e de varejo, conforme a sua capacidade de proporcionar valor ao cliente, sobrevivência e crescimento de mercado. Segundo Adair e Murray (1996), os processos podem ser agrupados em quatro categorias centrais: • processos de desenvolvimento de produto – são processos executados no projeto de desenvolvimento de produtos e serviços; Classificação Descrição Nível de complexidade Tarefas Estão relacionadas à rotina de trabalho, são sequências de etapas que executadas e desenvolvidas para fornecer subsídios às atividades e aos processos. Baixo Atividades São atividades de rotina, administrativas ou técnicas; é a ação executada dentro dos processos e subprocessos, dando suporte e subsídio ao longo dos processos e subprocessos. Média Subprocessos São operações que ocorrem dentro do processo e têm como objetivo dar apoio e subsídio aos processos. Média/Alta Processos São as atividades sequenciais que agregam valor, recebem entradas, transformando-as em resultados para a empresa. São compostos por um conjunto de atividades, subprocessos e tarefas que se retroalimentam entre si. Alta Macroprocessos São grandes processos que apresentam impacto significativo na organização, relacionados diretamente ao produto ou serviço da empresa, sendo os processos primários. Alta 8 • processos de geração de pedidos – são os processos que abrangem as atividades de marketing, vendas, publicidade e propaganda, gerando no cliente o desejo de compra; • processo de execução do pedido – engloba as atividades de entrada do pedido, produção e de entrega ao cliente; • processo de atendimento ao cliente – são as atividades relacionadas ao pós-venda, como assistência técnica e atendimento e solução das reclamações ou sugestões dos clientes. Além dessas classificações, Kaplan e Norton (1997) identificam que existem três processos críticos capazes de gerar valor para o cliente e produzir resultados financeiros para a organização: • Processo de inovação – realizam as atividades de pesquisa de mercado e desenvolvimento de projetos de novos do produto e serviço; • Processo de operações – executam as atividades que se referem à produção e entrega de produtos/serviços aos clientes; • Processo de serviço pós-venda – estão relacionados às atividades de suporte ao cliente após a entrega do produto ou serviço. Todos os tipos de processos são essenciais para a funcionalidade de uma organização. O desafio para a gestão organizacional é saber organizá-los, coordená-los e estruturá-los de forma a diminuir o desperdício, reduzir custos. Por isso, essas classificações de processos serão úteis à gestão dos processos, que veremos em nossos estudos. TEMA 2 – PROJETOS Embora os processos e projetos sejam constantemente confundidos nas organizações, são atividades organizacionais distintas entre si. Podemos definir projeto como uma “sequência de atividades programadas, com compromisso de fornecer um resultado que produz mudanças” (Maximiano, 2017, p. 5) O Project Management Institute (PMI) em Gestão de Projetos define projeto como “um esforço temporário para criar um produto, serviço ou resultado único” (PMI, 2021, p. 3). Um projeto é uma organização de pessoas dedicadas que visam atingir um propósito e um objetivo específico. Os projetos geralmente 9 envolvem gastos, ações únicas ou empreendimentos de altos riscos, e têm de ser completados numa certa data por um montante de dinheiro, dentro de alguma expectativa de desempenho. No mínimo, todos os projetos necessitam ter seus objetivos bem-definidos e recursos suficientes parapoderem desenvolver as tarefas requeridas (Tuman, 1983, p. 26) A International Organization for Standardization (ISO) – NBR 10006, define projeto como “um processo único, consistindo de um grupo de atividades coordenadas e controladas com datas para início e término, empreendido para alcance de um objetivo conforme requisitos específicos, incluindo limitações de tempo, custo e recursos” (ABNT, 2000, p. 2). Há três características básicas de um projeto (Adams; Bamdt, 1978). • Temporariedade: um projeto obrigatoriamente deve ter, em seu planejamento, um início e um fim, além de ser sempre realizado dentro da linha de tempo. Quando o objetivo específico é atingido, o projeto deve ser encerrado, deixando o projeto de existir e os recursos mobilizados têm sua demanda cessada. • Serviço ou resultado: a execução de um projeto objetiva a entrega de um serviço ou de um resultado sempre exclusivos e únicos. O resultado ou o serviço implantado pelo projeto é consequência da realização adequada do projeto. Quando há ausência de um serviço ou de um resultado, podemos afirmar que o projeto não teve sucesso e não foi finalizado. • Elaboração progressiva: todo projeto tem recursos humanos, materiais, econômicos finitos. Os projetos devem ser mensuráveis, por meio de métodos de controle preestabelecidos. Sua progressão e desenvolvimento devem considerar a finitude dos recursos sobre o cronograma estabelecido. 10 Quadro 3 – Características conceituais de processos e projetos Processos Projetos Atividade contínua e rotineira Temporários e únicos Resultados constantes e padronizados Possuem início, meio e fim São permanentes e replicáveis Alteram o estado atual das atividades organizacionais Agregam valor às entregas para clientes Resultado único Produzem o mesmo produto ou serviço ininterruptamente Produzem um só produto e serviço Correspondem à forma pela qual a organização trabalha Elaboração progressiva Objetivos atualizados periodicamente Está relacionado a um ou mais processos da organização Objetivos únicos Possuem um escopo e recursos definidos Fonte: Manon Garcia, 2023. Entender as razões e saber diferenciar um projeto de outra atividade rotineira é fundamental. Essa diferenciação nos possibilitará escolher um método e uma ferramenta mais adequados para trabalhar com uma situação ou com outra. Dessa forma, poderemos obter a melhor relação custo-benefício no uso de ferramentas específicas para o gerenciamento de sistemas produtivos tão específicos. Os projetos existem nas organizações para promover ou impulsionar mudanças organizacionais para atender às demandas de melhoria dos seus processos, produtos ou serviços com o objetivo de manter a organização viável, sustentável e competitiva. Eles estão presentes em toda organização, setor e nível organizacional, seja público ou privado, e ocorrem em um ambiente interno ou externo à organização. Existem inúmeras razões que impulsionam o desenvolvimento de projetos. Todas as razões devem, ou deveriam, ser definidas com base na estratégia de negócio da organização e sua relação com o mercado e os diversos fatores nos ambientes de negócio. Os motivos que são relacionados diretamente com os objetivos estratégicos da organização e ao valor de negócio de cada projeto, segundo o PMI (2017), são: • cumprir requisitos regulatórios, legais ou sociais; • criar, melhorar ou corrigir produtos, processos ou serviços; • implementar ou alterar estratégias de negócios ou tecnologias; • atender a pedidos ou necessidades das partes interessadas. 11 Já em relação ao ambiente dos negócios, os projetos podem ser realizados em razão de mudanças sociais, econômicas, internacionais, políticas, tecnológicas e ambientais. Para Menezes (2018), os fatores ambientais que impulsionam a geração de projetos são parcerias, crise do estado, iniciativa privada, distribuição de renda, desintermediação, desverticalização, preservação ambiental, competitividade e globalização. Mas não é só isso; após a pandemia de Covid-19, houve muitas outras demandas a serem atendidas, em especial no que diz respeito a questões de saúde e relações trabalhistas, provocando a necessidade de projetos nas organizações. Os processos são, em sua maioria, resultado dos projetos, e não existem projetos sem processos. Isso porque os projetos são atividades programadas, são um conjunto de processos realizados em determinado período, com começo, meio e fim determinados pela entrega do resultado, que é necessariamente um produto ou serviço único, diferentemente de todos os produtos e serviços similares feitos anteriormente. Desse modo, o resultado de um projeto será entregue e incorporado em uma organização e, a partir de então, passam a integrar o cotidiano das organizações seus processos e atividades. Na verdade, não existem projetos se não houver processos e vice-versa, é uma relação intrínseca em que a incorporação de um novo produto e serviço é resultado de um projeto, que vai gerar um novo projeto para elaborar novos processos destinados a incorporar esse produto e serviço na rotina organizacional, e assim sucessivamente. 2.2 Classificação dos projetos Conhecer e compreender a classificação e o tipo de projetos possibilitará uma melhor avaliação de qual ferramenta e técnica serão adotadas para o gerenciamento, a administração e a antecipação de questões específicas e que podem impactar na gestão de todo projeto. Podemos classificar os projetos organizacionais de acordo o segmento, a área ou setor responsável pelo seu desenvolvimento e objetivos. A exemplo, temos a seguir algumas classificações. 12 Quadro 4 – Tipos de projetos de acordo com seu segmento Área ou segmento Objetivo Sociais Melhorar a qualidade de vida das pessoas ou de um grupo de pessoas. Culturais Proporcionar arte e cultura para a sociedade. Pesquisa Promover a pesquisa e desenvolvimento de conhecimento, produtos e serviços. Empresariais Otimizar os resultados de uma empresa, aumentar a competitividade no mercado ou implantar um novo negócio. Pessoais Realizações pessoais individuais ou de um grupo de pessoas. Públicos Desenvolvidos pelo setor público para atender demandas sociais da população. TI Aquisição, implementação ou desenvolvimento de tecnologia. Educação Projetos desenvolvidos em instituições de ensino para ensino e aprendizagem. Ambientais Realizados para atender a demandas do meio ambiente, climáticas, geográficas etc. Fonte: Manon Garcia, 2022. Também é possível classificar os projetos segundo sua natureza, ou seja, complexidade, incerteza, inerentes e fundamentais. O nível de complexidade de um projeto está relacionado à especificidade técnica e à multidisciplinariedade do projeto necessárias para a sua execução, ao volume e à diversidade de informações que demandam ser processadas, ao contingente de pessoas e processos com alto nível de conhecimentos técnicos que precisam ser empregados, à quantidade de organizações e setores que serão envolvidos, entre outros critérios. Sendo assim, quanto maior o grau de desconhecimento das variáveis de um projeto, maior a incerteza, e quanto maior a incerteza, consequentemente, maior o risco do projeto (Maximiano, 1997). A classificação de um projeto também poderá ser por seu objetivo no processo de planejamento estratégico organizacional (Woiler; Mathias, 1996). • Projetos segundo setores de atividades econômicas: projetos agrícola, industrial e de serviços. • Projetos do ponto de vista microeconômico, ou de impacto na empresa: de implantação, de expansão, de modernização, realocação e de diversificação. • Projetos em função da empregabilidade que trará para a empresa ao longo do processo decisório: de viabilidade, de financiamento e final. Quanto à classificação de projetos segundo sua dimensão, é importante compreenderque os projetos são únicos, mas em uma organização pode ocorrer 13 de existir mais que um projeto em atividade. Necessariamente, esses projetos podem ou não estar relacionados entre si com um objetivo maior, bem como podem ser projetos singulares entre si, mas a soma do resultado de cada um responde a uma estratégia da organização ou do negócio. O PMI (2017, p. 4) define que os projetos podem ser simplesmente projetos, mas também podem ser projetos que incorporam a soma de outros projetos menores, e assim sucessivamente, variando a dimensão dos projetos, conforme definido e conceituado a seguir. • Portfólio: projetos, programas, subportfólios e operações gerenciadas em grupo para alcançar objetivos estratégicos. Trata-se de um desmembramento da estratégia de negócio, em que projetos e programas subsidiarão o alcance dos objetivos estratégicos macro, um objetivo maior para a organização e negócio. • Programa: grupo de projetos, subprogramas e atividades de programas relacionados, gerenciados de modo coordenado visando à obtenção de benefícios que não estariam disponíveis se eles fossem gerenciados individualmente. Um projeto pode ou não ser parte de um programa, mas um programa sempre terá projetos. • Subprojetos: uma parte menor do projeto total, criada quando um projeto é subdividido em componentes ou partes mais facilmente gerenciáveis. Figura 1 – Dimensões dos projetos Fonte: PMO, [S.d.]. 14 É importante compreendermos que portfólios, programas e projetos são alinhados e direcionados segundo as estratégicas organizacionais. Eles se diferem na maneira como cada um contribui para a realização dos objetivos estratégicos. Além dessas classificações, existem outras que variam de acordo com outros critérios, a depender da metodologia que será aplicada na gestão do projeto. Por esse motivo, trouxemos para este estudo as mais relevantes para uma organização; entretanto, ao longo de nossos estudos, veremos outras possibilidades que podem ser aplicadas à classificação e que melhoram os resultados na gestão. TEMA 3 – GESTÃO DE PROCESSOS Gestão é um termo oriundo do latim gestio ou gestione e configura o ato de administrar ou gerir bens, objetos, recursos e pessoas, que possam ser administrados com a finalidade de atingir objetivos, metas e propósitos, previamente estabelecidos, a serem alcançados em determinado período ou permanentemente. A gestão de processos é um conjunto de atividades que são realizadas para a administração e gestão dos processos, e que tem como objetivo melhorar todos os processos organizacionais. Consiste em aplicar os conceitos, metodologias e ferramentas de gestão, especificamente de processos, para realizá-los e manter o foco em todos os elementos internos e externos ao ambiente de negócios que podem contribuir ou impedir o bom desempenho do processo para aumentar a performance dos seus resultados. Administração de processos é o conjunto estruturado e intuitivo das funções de planejamento, organização, direção e avaliação das atividades sequenciais, que apresentam relação lógica entre si, com a finalidade de atender e, preferencialmente, suplantar, com minimização dos conflitos interpessoais, as necessidades e expectativas dos clientes externos e internos das empresas. (Oliveira, 2019, p. 58) Vimos que não faz nenhum sentido uma organização realizar um processo sem que ele seja útil e necessário; isso significaria desperdício. Desse modo, uma organização com uma gestão centrada em processos proporciona a realização periódica de diagnóstico das atividades e tarefas, verificando não só os seus resultados, mas também a sua utilidade para os clientes internos e externos e para os demais processos, gerando resultados em melhora no 15 desempenho das atividades, na produtividade, na eficiência e eficácia e na sua gestão estratégica para os objetivos e metas definidos como resultados. Os benefícios internos de uma gestão de processos relacionados à eficiência são: redução de custos; melhoria da produtividade; redução de setup; redução de tempo de ciclo e tempo de parada de equipamentos; menores tempos de entrega; menores taxas de defeitos; redução de etapas desnecessárias de processos; eliminação de movimentações desnecessárias de produto/pessoal; e redução de reclamações dos consumidores. Já os relacionados à natureza gerencial são: melhoria do ambiente de trabalho; melhoria do sistema de documentação; clareza na distribuição de responsabilidades. Para assegurar a eficiência dos processos, é preciso realizar constantemente monitoramento e controle na especificação e execução do processo em si (Maekawa; Carvalho; Oliveira, 2013). Segundo a Association of Business Process Management Professionals International – ABPMP (2023), a gestão de processos em negócios tem por finalidade: Transformar as organizações brasileiras públicas e privadas em organizações de classe mundial para oferecer melhores produtos e serviços, com maior produtividade, maior eficiência, menor desperdício, menos defeitos, considerando a real geração de valor para o cliente e para a sociedade, de forma sustentável. (ABPMP, 2022) Além dos ganhos na produtividade, a gestão por processos tem a capacidade de contribuir com a inovação e a transformação continuada do negócio e, consequentemente, melhoras na cadeia de valor interorganizacional (Brocke; Rosemann, 2013). Mas não é só isso; a forma pela qual as empresas organizam suas atividades e processos também deve ser objeto de muita atenção na gestão de processos. Segundo Porter (1989), a forma como os processos são organizados está relacionada diretamente a sua vantagem competitiva, com o valor que uma empresa consegue criar e entregar para seus clientes e para o mercado. Isso consequentemente impacta os resultados financeiros e de continuidade dos negócios no mercado. Vamos estudar, a seguir, como tratarmos de processo como estratégica de negócios. 16 3.1 Metodologias de gestão de processos As técnicas, a metodologia e os modelos de gerenciamento de processos disponíveis são variados. Cada organização deverá adotar a que melhor adaptar e trouxer resultados efetivos para o seu negócio. Qualquer iniciativa para a gestão de processos em uma organização deverá começar com um diagnóstico – para compreender o negócio – da situação atual da organização, seus objetivos, processos, infraestrutura, pessoas e tecnologia envolvidas. Após a identificação dessas informações e dados, vem a etapa de mapeamento e modelagem dos processos, que consiste em identificar o que está sendo feito, por que está sendo feito, onde, por quem, quando e de que forma é feito. A seguir, vem a etapa de análise e desenvolvimento de processos ideais, com foco no resultado esperado para a organização. Na sequência, a formalização dos processos organizacionais com a representação de cada um e suas interrelações por meio de uma linguagem comum e de entendimento uniforme. Além da modelagem dos processos, a gestão de processos deverá controlar todo e qualquer resultado de um processo, ou de um conjunto de processos, bem como deverá existir um processo de controle, avaliação e monitoramento que será transversal, ou seja, que deverá ocorrer sistematicamente em conjunto com cada processo, assegurando que a entrega que será realizada atenderá aos requisitos, aos anseios, às necessidades ou à demanda necessária. Para identificar quais os controles necessários, é preciso identificar qual o resultado esperado, quais são os requisitos do resultado esperado, qual o objetivo do processo e quais os objetivos dos processos subsequentes. Os controles podem ser intermediários ou de saída, sendo os intermediários aqueles que assegurarão que, durante a realização do processo, ele possa ser avaliado e monitorado, possibilitando a realização de ajustes ecorreções antes de chegar ao resultado para o cliente. Já os controles de saída são a avaliação do resultado, se está de acordo o esperado, se atende aos requisitos solicitados. A metodologia mais adotada para o gerenciamento de processos é a Business Process Management (BPM), que busca gerenciar com foco em aperfeiçoamento em processos de negócios por meio de técnicas, ferramentas, sistemas e métodos para identificar falhas, gargalos e ineficiências, e, com isso, 17 reduzir ações manuais, desnecessárias e repetitivas, com o objetivo de melhorar a condução das tarefas e atividades para auxiliar no alcance dos melhores resultados, e que vamos estudar mais detalhadamente ao longo de nossos estudos. Contudo, não existe somente a BPM. O importante é que a escolha e definição da metodologia para a gestão dos processos deve ter um único foco: a produção de produtos e serviços que atendam às necessidades dos clientes, com qualidade e otimização dos recursos e satisfação dos clientes, assegurando a longevidade dos negócios e sua vantagem competitiva. TEMA 4 – GESTÃO DE PROJETOS A gestão de um projeto organizacional é um processo de tomar decisões para a realização dos objetivos do projeto. Corresponde à utilização de técnicas, ferramentas e modelos de gerenciamento empregadas em determinadas situações para assegurar a orientação dos esforços com vistas a atingir de forma eficiente o resultado do projeto, dentro das restrições de tempo e custos, independentemente da natureza do projeto e do contexto em que são realizados. Isso envolve definir quais projetos serão executados e que direção será seguida para atingir os objetivos e metas estratégicos dos negócios, como a empresa será estruturada organizacionalmente para executar e gerenciar os projetos, fazendo uso correto de técnicas e ferramentas apropriadas de forma eficiente. Os projetos podem ser realizados internamente ou externamente às organizações e cada empresa poderá adotar o modo como fazer a sua gestão a depender de suas condições estruturais e operacionais e das práticas estabelecidas pela organização, mas sempre alinhada aos objetivos estratégicos do negócio. Temos projetos que são realizados externamente por pessoas que estão fora da organização e não fazem parte do conjunto de colaboradores de uma empresa. Nesse caso, será contratado um escritório de projetos, Project Management Office (PMO), que será supervisionado e coordenado por uma pessoa, ou uma equipe de pessoas, da organização que se destina o projeto. Já quando é o caso da gestão interna do projeto, ela poderá ocorrer de duas formas: a primeira é quando a organização tem um setor, área, departamento, diretoria ou unidade de negócio dentro de sua estrutura 18 organizacional especificamente para projetos; nesse caso, o PMO é uma unidade estratégica ou operacional que faz parte da organização. De outra forma, ocorre a gestão interna de um projeto por pessoas que são alocadas temporariamente nas atividades do projeto, designadas temporariamente para essa finalidade, podendo ou não ter responsabilidades conjunta com a execução de suas atividades funcionais rotineiras. Os fatores relacionados ao ambiente de gerenciamento de projeto influenciam o projeto e seus resultados; a gestão de projetos é executada em um ambiente mais amplo que o do projeto propriamente dito e que pode ter influência favorável ou desfavorável sobre eles. Existem duas categorias para influências do ambiente na gestão de projetos: Fatores Ambientais da Empresa (FAEs) e Ativos dos Processos Organizacionais (APOs) (PMI, 2017). As FAEs são fatores internos e externos à organização, e podem ser uma causa de origem externo ao projeto, mas dentro da organização (interna), bem como muitas vezes externas às organizações. • Fatores ambientais internos da empresa: cultura, estrutura e governança organizacionais; distribuição geográfica de instalações e recursos; infraestrutura; tecnologia da informação; disponibilidade de recursos; e capacidade de funcionários. • Fatores ambientais externos da empresa: condições de mercado; influências e questões sociais e culturais; restrições legais; bancos de dados comerciais; pesquisa acadêmica; padrões governamentais e setoriais; considerações financeiras; elementos ambientais físicos (condições de trabalho, climáticas e restrições). Os Ativos dos Processos Organizacionais (APOs) que influenciam o gerenciamento do projeto são fatores internos da organização: planos, processos, políticas, procedimentos e bases de conhecimento específicos da organização que são por ela utilizados. O nível de dificuldade da gestão de um projeto, e consequentemente de risco, está relacionado ao contexto no qual o projeto está inserido. Para Maximiano (2017, p. 9), “todos os projetos são únicos e se diferenciam uns dos outros em função do contexto e do grau de dificuldade que impõem aos seus gestores”, de forma que dois projetos distintos, mas que fornecem o mesmo produto, a depender do contexto em que estão sendo realizados e gerenciados, 19 terão graus de dificuldades distintos entre si. As variáveis intervenientes no contexto que está inserido o projeto são: • Geográficas: são as condições geográficas em que o projeto será realizado, podendo ser as questões climáticas, do solo, da topografia etc.; • Socioeconômicas: são as condições de cenário, o contexto da situação econômica, política, social e cultural onde será realizado o projeto. A depender dessas variáveis, a gestão de projetos poderá avaliar e definir o grau de dificuldade do projeto e, consequentemente, o grau de risco ao qual o projeto está submetido. Quanto mais elevado o nível de complexidade técnica e relacional, incerteza com o produto e métodos, maior será a dificuldade e risco, entretanto, quanto menor o nível de complexidade técnica e relacional, incerteza com o produto e métodos, menor será a dificuldade e risco do projeto. Por sua vez, quanto maior o grau de maturidade e familiaridade com o projeto, menor será a dificuldade e o risco desse projeto, no entanto, quanto menor o grau de maturidade e familiaridade, maior será o risco e a dificuldade (Maximiano, 2017). A gestão de projetos, segundo o Project Management Institute (PMI), é a “aplicação de conhecimentos, habilidades, ferramentas e técnicas às atividades de projeto a fim de atender aos seus requisitos definidos” (PMI, 2021, p. 4). Seguindo o Project Management Body of Knowledge (PMBOK), uma coletânea de melhores práticas sobre gerenciamento de projetos, cada equipe de gestão de projetos é responsável por decidir quais conhecimentos e práticas da administração de projetos são mais apropriados para a gestão de cada projeto. Ele deixa claro que podem ser aplicados a todos os tipos de projetos, independentemente do nicho e da dimensão. Além do modelo de gestão de projetos do PMBOK, veremos em nossos estudos outros modelos, técnicas e ferramentas. TEMA 5 – GESTOR DE PROCESSOS E PROJETOS Conhecer técnicas, modelos e ferramentas para a gestão de projetos é uma habilidade importante e necessária para todas as pessoas que administram e gerenciam projetos ou que vão desempenhar atividades na equipe de realização de um projeto. Mas, além disso, são necessárias outras competências, habilidades e conhecimentos. 20 Para otimizar e conferir qualidade na gestão de projetos e processos, a figura do gerente é fundamental, pois atua como facilitador, realizando integrações entre as áreas do conhecimento, construindo elos entre os processos envolvidos e stakeholders, administrando recursos materiais, humanos e financeiros disponíveis para entregar o produto e o serviço à gestão. A necessidade de dominar os princípios e as técnicas de gestão eficiente de um projeto passa a ser um imperativo nos dias de hoje. Tanto as empresas que fazemdos projetos a essência de seus produtos ou serviços (construção civil, engenharia consultiva, consultoria de organização etc.) como as que empreendem projetos internos devem estar capacitadas para conseguir qualidade de resultados e cumprimento de metas físicas e financeiras. (Menezes, 2018, p. vii) A integridade profissional do gestor e sua conduta são peças fundamentais para excelência em gestão de processos e projetos. Por meio dessas ideias, temos os valores fundamentais e essenciais para a prática do gerenciamento: responsabilidade, respeito, equidade e honestidade. As principais responsabilidades de um gerente de projetos e processos definem sete papéis principais para a atuação desse profissional, com suas devidas incumbências e atribuições (Maximiano, 2017, p. 2453): • planejador – deve assegurar a preparação do projeto e execução do processo, com garantia de qualidade técnica, recursos aprovados e consenso dos stakeholders; • organizador – deve mobilizar os meios e recursos para realizar o projeto e processo de forma organizada; • administrador de pessoas – administrar, gerenciar, liderar, motivar, treinar a equipe; • administrador de interfaces – administrar e articular as interfaces para elevar a probabilidade de êxito do projeto e processo; • administrador de tecnologia – executar tarefas de responsabilidade e decisões dentro do campo técnico e tecnológico do projeto e processo; • implementador – executar e corrigir os planos, cuidar dos suprimentos e recursos, fornecer informações, avaliar desempenhos e cobrar providencias. 3 Adequado para o contexto de processos. 21 • formulador de métodos – formulação de metodologias, procedimentos, estruturas e sistemas de gestão de projetos e processos. Para desempenhar os papéis de gestor, são definidas algumas competências e habilidades necessárias: competências técnicas; conhecimento e habilidade com os conceitos e ferramentas de administração de projetos e processos; saber lidar com o contexto organizacional, cultural e social das pessoas e organizações envolvidas; capacidade de lidar com diferentes contextos físicos e como afetam os projetos e processos; habilidades interpessoais e intrapessoais (Maximiano, 2017; Oliveira, 2019). Usualmente, as organizações, na sua maioria, não contratam ou definem um gestor de projetos e processos especialista na área. Por vezes, escolhem um profissional de dentro da organização que esteja em um outro cargo para assumir esse papel de gestor temporariamente. Com isso, algumas dificuldades serão enfrentadas pelo profissional: falta de domínio com as ferramentas gerenciais; medo da perda da identidade técnica como se estivessem abandonando sua profissão original; falta de motivação; tendência a um comportamento metódico, analítico e racional; e introspeção. Os níveis de gerenciamento de processos e projetos vão depender da estrutura organizacional e, acima de tudo, do tamanho e dimensão do projeto e processo a ser gestado. TROCANDO IDEIAS Agora, propomos que vá ao fórum e conversar com os colegas descrevendo o volume de processos e sistemas de processos que existem na organização de que você faz parte, se há projetos sendo realizados e se são tratados como projetos. NA PRÁTICA Nesse momento, teremos de analisar um estudo de caso proposto de acordo com os critérios preestabelecidos com o que vimos nesta etapa. Orientações: ler o estudo de caso e contextualizá-lo atentamente; identificar, neste texto, os conceitos-chaves que podemos usar para a análise. 22 Vamos imaginar uma cena para compreendermos, na prática, os temas discutidos: a realização de um pedido de uma comida no iFood4 e o que isso tem a ver com processos e projetos. Quando realizamos um pedido de uma refeição ou lanche, estamos enxergando apenas um processo de venda de alimento, mas, se formos mapear esse processo, vamos verificar que existem outros processos que acontecem de forma simultânea, sistemática ou encadeada, que se retroalimentam. Estudo de caso proposto: tomando como base o que aprendemos sobre processos e o conteúdo estudado, descreva os possíveis processos que estão relacionados com o fornecedor da refeição, o aplicativo de venda de alimentos e refeições e a compra do alimento. Além disso, vemos aqui que, além do cliente externo, o cliente final que vai consumir o alimento adquirido, temos outros clientes dos processos, que vão utilizar e consumir o resultado do processo anterior e gerar resultado para o processo subsequente, podendo ser da mesma empresa ou de outras empresas, e simplesmente o cliente final. O gabarito com uma resposta sugerida pode ser encontrado ao final deste texto, após as referências. FINALIZANDO Estudamos os processos e projetos nas organizações, compreendemos os conceitos e as definições de cada um e que os distinguem entre si. Vimos também o papel de cada um nas organizações e como são importantes para os objetivos estratégicos, manutenção no mercado, posicionamento da marca, melhoria na lucratividade, entre outros. Além disso, mais do que conhecer os processos e projetos, apresentamos como é possível realizar a gestão de cada um e como isso é relevante para a eficiência organizacional. Por fim, falamos das responsabilidades do papel do gestor de projetos e processo e como ele poderá contribuir para o sucesso de ambos. Compreendemos que a gestão de processos e projetos requer técnicas, metodologias e ferramentas que serviram como modelos e instrumentos para a administração e gestão para resultados eficazes. 4 iFood é uma empresa brasileira atuante no ramo de entregas de refeição por meio da internet. 23 REFERÊNCIAS ADAIR, C. B.; MURRAY, B. A. Revolução total dos processos. São Paulo: Nobel, 1996. ADAMS, J. R.; BAMDT, S. Organizational life cycle implications for major projects. Project Leana Gement Quarterly, Chicago, p. 32-39, 1978. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR ISO 10006: Gestão da qualidade – Diretrizes para a qualidade no gerenciamento de Projetos. Rio de Janeiro, 2000. ASSOCIATION OF BUSINESS PROCESS MANAGEMENT PROFESSIONALS INTERNATIONAL – ABPMP. Disponível em: . Acesso em: 10 mar. 2023. BRITO, G. C. de. 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Guia de Conhecimento em Gerenciamento de Projetos (Guia PMBOK). 6. ed. Pensilvânia, 2017. _____. Guia de Conhecimento em Gerenciamento de Projetos (Guia PMBOK). 7. ed. Pensilvânia, 2021. 24 PORTER, M. E. Vantagem competitiva: criando e sustentando um desempenho superior. 13 ed. Rio de Janeiro: Campos, 1989. TUMAN, G. J. Development and implementation of effective project management information and control systems. In: CLELAND, D. I.; KING, W. R. Project management handbook. New York: Van Nostrand Reinhold, 1983. WOILER, S.; MATHIAS, W. F. Projetos: planejamento, elaboração, análise. São Paulo: Atlas, 1996. 25 GABARITODesagrupamentos possíveis: processos de elaboração do cardápio, processo de alimentos, processo produção do prato/comida, processo de embalagem, processo de entrega, processo de avaliação do fornecedor. Se realizarmos mais um desagrupamento, verificamos o processo de adesão do restaurante ao iFood, o processo de elaboração das imagens e conteúdo para a página do restaurante, o processo de gestão desse canal de venda. Em cada nova análise (mapeamento) que realizarmos, vamos encontrar outros processos e subprocessos que têm interação entre si, em que um fornece informação, produto ou serviço para o outro que vem antes ou que virá a seguir.