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Secretaria de Estado da Educação seDUC So ci ol og ia 169 Capítulo 01 HABILIDADES DA BNCC (EM13CHS603) OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DO DC-GOEM (GO-EM- CHS603D) Comparar o processo de formação política do Brasil com o dos demais países da América Latina, aplicando os con- ceitos da Ciência Política como Estado, poder, sistemas, regimes de governo, soberania etc. para analisar os limites da construção da cidadania nestas experiências políticas. O populismo e a política brasileira Por Carlos César Higa (Professor da Seduc/Goiás) Certa vez, um político foi fazer campanha em uma cidade e começou a cumprimentar as pessoas que o aguardavam para dar início ao comício. Sempre atento aos sentimentos dos seus eleitores, ele perguntava da família, se estavam bem, se precisavam de alguma coisa. Ao cumprimentar um eleitor, o político perguntou como estava seu pai: - Meu pai morreu! O político mudou o semblante do rosto e respondeu: - Morreu para você, filho ingrato! Seu pai está vivo em meu coração! Este “causo” é a melhor forma de ilustrar o que é o populismo. O político se coloca de igual para igual perante seus eleitores ou seus governados. A liturgia do cargo é posta de lado e a camaradagem e o companhei- rismo ganham espaço na cultura política. Não existe mais intermediários entre governantes e populares. Há uma sintonia entre ambos. O sentimentalismo supera a racionalidade. Getúlio Vargas é o maior exemplo de líder populista. Ao longo do século passado, o populismo se tor- nou cada vez mais presente na política brasileira não importando o espectro político. O que importava era a identificação do eleitor com o seu candidato. A imagem do político também ganhou espaço com a ascensão do populismo, em especial durante a década de 1930. As propagandas foram elaboradas para mostrar à opinião pública o quão popular era o governante. As Ciências Humanas têm dado especial atenção a este fenômeno político. Vários estudos foram feitos para compreender a influência do populismo na esco- lha de um candidato ou no jeito de um governante administrar. Apesar do aumento no número de pes- quisas sobre este tema, o estudo do populismo exige cuidado por conta das dificuldades em delimitá-lo. Devemos lembrar que esse fenômeno político não é uma especialidade brasileira, mas sim algo visto em vários países não importando seu grau de desenvolvi- mento econômico social. O populismo é compreendido a partir da liderança política carismática, ou seja, aquela que consegue arre- banhar para si uma grande quantidade de pessoas inte- ressadas em seu discurso, atraídas por algum talento particular ou pela crença em seus ideais Getúlio Vargas é o principal exemplo quando o assunto é populismo. Ele chegou ao poder logo após a Revolução de 1930 e investiu nas indústrias de base. Isso fez com que se formasse uma classe trabalhadora que aderiu ao dis- curso varguista e aos direitos trabalhistas concedidos por ele. Não é atoa que a ditadura do Estado Novo, do qual Vargas governou o Brasil de forma autoritária e violenta, os trabalhadores se mantiveram ao seu lado e muito agradecidos pela Consolidação das Leis Traba- lhistas (CLT). Outra característica do populismo é o nacionalismo. O líder das massas se torna também o líder salvacio- nista, ou seja, o único que possui credenciais suficientes para defender sua nação dos inimigos (sejam eles reais ou imaginários). A Constituição de 1937, outorgada por Vargas e que vigorou no Brasil durante o Estado Novo, é categórica em seu perambulo: “Resolve assegurar à Nação a sua unidade, o respeito à sua honra e à sua independência, e ao povo brasileiro, sob um regime de paz política e social, as condições necessárias à sua segurança, ao seu bem-estar e à sua prosperidade, decretando a seguinte Constituição, que se cumprirá desde hoje em todo o País”. Vargas assumiu o papel de grande líder, o único que poderia garantir ao povo brasileira a paz social que tanto almejava. Ao longo da nossa História republicana, o populismo se estabeleceu. Entre os anos de 1946 até 1964, tive- mos Presidentes que governaram o país com caracterís- ticas semelhantes ao populismo. Juscelino Kubitschek (1956-1960) era visto em festas dançando valsa. O can- tor Juca Chaves o chamou de “Presidente Bossa Nova”. Jânio Quadros (1961) fazia questão das suas caspas serem vistas em seu paletó escuro para demonstrar sua “simplicidade”. O político populista se aproxima do povo e usa de seu carisma para atrair não apenas a atenção, mas a lealdade do povo. Dessa maneira, ele pode governar como líder das massas, aquele que traz para si o apoio popular. Assim, suas decisões não neces- sitam de amparo legal, mas a sua garantia é a aceitação do povo sobre todas as medidas adotadas. Atividade de Apredizagem Faça uma pesquisa sobre as principais lideranças políti- cas do país e aponte se existe alguém que age conforme os padrões populistas. 170 Material de Audiovisual Assista o documentário “Por que o Brasil odiava Carmem Miranda e como ela se tornou um ícone da cultura pop” (Link: https://www.youtube.com/ watch?v=tcW9AGAFq7g) e faça uma roda de con- versa discutindo a relação dela com Getúlio Vargas e como a arte pode estar a serviço de um gover- nante populista. Sugestão de Atividade 1. (Fuvest) “Bota o retrato do velho outra vez Bota no mesmo lugar O sorriso do velhinho Faz a gente se animar, oi Eu já botei o meu E tu não vais botar? Já enfeitei o meu E tu vais enfeitar? O sorriso do velhinho Faz a gente trabalhar” (RETRATO DO VELHO, de Mário Pinto e Haroldo Lobo) Esse samba, muito popular na época, foi utilizado como instrumento de propaganda pelo movimento político que visava o retorno do seu líder. Identifique esse movi- mento e seu líder. (A) Jacobinismo e Floriano Peixoto. (B) Monarquismo e D. Pedro II. (C) Janismo e Jânio Quadros. (D) Queremismo e Getúlio Vargas. (E) Tenentismo e Luís Carlos Prestes. 2. (FACERES) Pode-se afirmar que as políticas sociais adotadas pelos governos brasileiros entre 1930 e 1964 tinham um forte caráter populista. A forma como os governantes buscaram conquistar o apoio popular e o paternalismo excessivo, em alguns momentos, cons- truíram no Brasil uma imagem deturpada, por parte de alguns setores da sociedade, de participação política e reivindicação de direitos. A partir do exposto e de conhecimentos referentes à República Populista, assinale a alternativa correta. (A) O populismo, fenômeno típico e exclusivo do Brasil, demonstra acima de tudo uma continuidade histórica no país, em que as práticas protecionistas existentes entre coronéis e seus afilhados políticos apenas se revestiram de uma roupagem nova. (B) A submissão dos sindicatos ao governo, ocorrida na Era Vargas, além de ser uma prática populista, serve como fonte explicativa da ineficiência e da pouca influ- ência dessas instituições classistas no Brasil até os dias atuais, comprovada pelo fracasso dos movimentos gre- vistas ocorridos nos últimos anos. (C) A camada de intelectuais e artistas brasileiros mais expoentes no período em questão incorporou a mentalidade governamental, limitando-se a cooperar com os projetos políticos que visavam, grosso modo, diminuir as desigualdades sociais e beneficiar as cama- das mais necessitadas da população. (D)Na análise do comportamento sócio político de grande parte da população brasileira, nos dias atu- ais, percebe-se uma clara ruptura com o passado histórico da nação. Práticas como o assistencialismo e o comodismo perante a luta pelos direitos – tarefa relegada à ação governamental no passado – não são mais perceptíveis em diversos setores da sociedade nacional, podendo-se afirmar que estas ficaram enter- radas na história. (E) No Brasil, o populismo revestiu-se do caráter traba- lhista e assistencialista, no qual o governo tornou-se o mais poderoso porta-voz do povo, usando às vezes de violência e às vezes de políticas de favorecimento tem- porárias e superficiais para conquistaro apoio popular, não significando, no entanto, que neste período medi- das de grande importância para o direito dos trabalha- dores não tivessem sido conquistadas. 3. (Fatec) “O populismo manifesta-se já no fim da dita- dura e permanecerá uma constante no processo político até 1964.” (Francisco Weffort, O POPULISMO NO BRASIL) O fenômeno político conhecido sob o nome de “popu- lismo” no Brasil e na América Latina caracteriza-se: (A) como fenômeno político desvinculado do processo de urbanização e industrialização. (B) como um poder político das massas e suas reivindicações. (C) por movimento de massas sem lideran- ças carismáticas. (D) por grupos políticos identificados exclusivamente com as elites econômicas. (E) como um estilo de governo sempre sensível às pres- sões populares, principalmente as rurais. 4. “Em primeiro lugar, o populismo é uma política de massas, vale dizer, ele é um fenômeno vinculado à pro- letarização dos trabalhadores na sociedade complexa moderna, sendo indicativo de que tais trabalhadores não adquiriram consciência e sentimento de classe: não estão organizados e participando da política como classe. As massas, interpeladas pelo populismo, são originárias do proletariado, mas dele se distinguem por sua inconsciência das relações de espoliação sob as quais vivem.” (GOMES, Angela de Castro. O populismo e as ciências sociais no Brasil: no- tas sobre a trajetória de um conceito. Revista Tempo, Rio de Janeiro, vol. 1, nº. 2, 1996, p.31-58) Partindo da definição de populismo dada por Angela de Castro Gomes, é possível afirmar que: (A) o populismo é um fenômeno político no qual as massas de trabalhadores protagonizam a luta contra a exploração de sua força de trabalho. (B) do populismo nasceu a consciência de classe dos trabalhadores. So ci ol og ia 171 (C) o populismo indica que os trabalhadores que por ele foram submetidos não tinham consciência de classe e, portanto, não se organizavam com consciência política. (D) a perspectiva política do populismo não estava ligada necessariamente à classe trabalhadora. (E) o populismo era um tipo de política praticada inicial- mente nos Estados Unidos da América, no século XIX. Capítulo 02 HABILIDADES DA BNCC (EM13CHS603)OBJETIVOS DE APREN- DIZAGEM DO DC-GOEM (GO-EMCHS603D) Comparar o pro- cesso de formação política do Brasil com o dos demais países da América Latina, aplicando os conceitos da Ciência Política como Estado, poder, sistemas, regimes de governo, soberania etc. para analisar os limites da construção da cidadania nestas experiências políticas. Poder do estado Do site Politize Em primeiro lugar, é importante destacarmos o conceito de poder para que entendamos o papel do Estado na vida dos cidadãos e nas relações existen- tes entre ambos. Quando tratamos da vida em sociedade e, portanto, das relações que os seres humanos estabelecem entre si, a definição mais próxima dos nossos objetivos é a de que o poder representa a capacidade que as pes- soas têm de influenciar às demais e de alterar o seu comportamento. É o caso, por exemplo, das campanhas publicitárias. Através delas, empresas buscam despertar em seus públicos-alvos a necessidade de que adquiram um produto ou serviço, transformando os gostos de seus clientes e, até mesmo, determinando os seus hábitos após a aquisição. Logo, observamos que o poder reflete não apenas a capacidade do ser humano de promover uma deter- minada ação que terá consequências sobre a vida de outras pessoas, mas também de ser afetado pelas ações de outros indivíduos. Assim como declara o autor Mario Stoppino, em sua contribuição à obra Dicionário de política (Editora Universidade de Brasília, 1998), essa relação expressa o poder do homem sobre o homem. Ao colocarmos em evidência as interações entre os indivíduos, ou seja, de que forma ocorre a convi- vência entre as pessoas dentro da sociedade, pode- mos destacar a importância da ação social para a expressão do poder. A definição de ação social foi desenvolvida pelo soci- ólogo alemão Max Weber em sua obra Economia e sociedade (Editora Universidade de Brasília; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 1999). Para o autor, toda ação individual ou coletiva expressa uma intenção do agente que a pratica direcionada para o outro. Dessa maneira, Weber delineou formas funda- mentais das ações humanas, compreendidas em dois eixos distintos: ações sociais racionais e ações sociais irracionais. Em primeiro lugar, as ações sociais racionais são aquelas que envolvem intenções ou convicções dos agentes e, por isso, podem ser classificadas como ações com relação a fins ou ações com relação a valores. As ações com relação a fins são motivadas por obje- tivos claros e por estratégias bem estabelecidas para o cumprimento de tais objetivos. É o caso da prestação de serviços públicos pelo Estado (como o atendimento gratuito em hospitais pelo Sistema Único de Saúde – SUS), pois representa a tentativa do poder público de promover o bem-estar da população e, portanto, exige uma complexa capacidade de organização e vontade política para a sua plena execução. As ações com relação a valores são ações motiva- das por convicções em valores e/ou crenças, como é o caso da escolha de um partido político por um candi- dato. Afinal, espera-se que o candidato concorde com as diretrizes partidárias e com a ideologia que as serve de fundamento no âmbito político. Em segundo lugar, as ações sociais irracionais refle- tem reações emocionais ou habituais dos agentes que respeitam a determinados padrões do convívio humano. Sendo assim, podem ser classificadas como ações afetivas ou tradicionais. As ações afetivas são motivadas por emoções des- pertadas nos agentes envolvidos, como é o caso das comemorações populares quando da aprovação de um projeto de lei ou da vitória de um candidato nas eleições. As ações tradicionais são motivadas por hábitos e costumes tradicionalmente estabelecidos na conduta dos indivíduos. É o caso do descanso semanal remu- nerado que deve acontecer, preferencialmente, aos domingos (conforme a Consolidação das Leis Traba- lhistas – CLT) e que foi estabelecido pelo Estado através do império da Lei. Além de fundamentar o conceito de ação social, Weber também contribuiu para a construção de expli- cações para o funcionamento da sociedade através dos tipos-ideais de dominação. Em seus estudos, Weber estabeleceu que, depen- dendo do tipo de ação praticada pelo indivíduo ou pela 172 coletividade, deve existir uma forma de dominação se houver a probabilidade de encontrar obediência por parte daqueles a quem foi direcionada. Para tanto, podem ocorrer três formas distintas de dominação: a dominação carismática, a dominação tra- dicional e a dominação racional-legal. A dominação tradicional é condicionada, sobretudo, por ações com relação a valores e/ou ações tradicio- nais. Ou seja, é exercida por figuras legitimadas pelas tradições e costumes para o exercício de algum nível de autoridade, como líderes comunitários (meio social) ou como os próprios pais (meio familiar). Por sua vez, a dominação carismática é caracteri- zada por ações afetivas, nas quais a legitimidade da autoridade é dada pelo carisma, ou seja, pela crença na natureza extraordinária do agente. É o caso de indi- víduos considerados profetas ou heróis. Por fim, a dominação racional-legal é expressa pela legitimidade conferida ao Estado pelo Direito, ou seja, pela comum aceitação das regras estabelecidas social- mente para a manutenção da ordem. É motivada, sobretudo, por ações sociais racionais com relação a fins, pois são cumpridos requisitos defini- dos pelo contrato social (como competências, estatutos e convenções) e por aqueles que ocupam posições no âmbito do poder público para o exercício de algum tipo de autoridade. Conforme visto, o Estado, devido à sua autoridade condicionada pela dominação racional-legal, detém a capacidade de determinar as normas coletivas da vida emsociedade. Logo, essa legitimidade conferida ao poder público é o que assegura com que os cidadãos tenham uma estrutura comum a qual devem recorrer sempre que necessário. Além disso, subentende-se que o poder público é mantido pela totalidade dos membros civis de um Estado, o que implica a necessidade de que, para a sua plena manutenção, sejam aplicados princípios como o da isonomia – que, perante a Lei, posiciona os cidadãos sob as mesmas regras de convivência e também sob as mesmas possibilidades de sanções. Essa conflitante relação entre direitos e deveres é exposta por algumas das ideias desenvolvidas por Jean-Jacques Rousseau em sua obra Do Contrato Social (Hunter Books, 2014). De acordo com o autor, as leis que regem a vida das pessoas em uma sociedade são leis convencionadas pelos próprios seres humanos com a finalidade máxima de preservar a ordem social. Trata-se de uma relação fundamentada na necessi- dade de que a justiça e a utilidade apresentem sempre uma mesma direção, guiando as convenções humanas e as cláusulas do contrato social para a sua preservação e levando a humanidade à plena liberdade, conquistada através da independência de cada indivíduo. Atividade de Apredizagem 1. Vocês que fazem parte dessa massa, Que passa nos projetos do futuro, É duro tanto ter que caminhar, E dar muito mais do que receber, Ê, ô, ô, vida de gado, Povo marcado Ê, povo feliz! ZÉ RAMALHO. A peleja do diabo com o dono do céu. Rio de Janeiro: Sony, 1979 (fragmento). Qual comportamento coletivo é criticado no trecho da letra da canção lançada em 1979? Alternativas (A) Militância política. (B) Passividade social. (C) Altruísmo religioso. (D) Autocontrole moral. (E) Inconformismo eleitoral. 2. Numa democracia representativa, como é o Brasil, o direito de votar para escolha dos governantes, que irão ocupar os cargos do Executivo e do Legislativo, é um dos direitos fundamentais da cidadania. Na impos- sibilidade de participação direta do povo nas decisões que deverão ser tomadas a respeito de questões da máxima relevância para o interesse público, a escolha de representantes para o desempenho dessas tarefas foi o caminho encontrado para que as opções reflitam a vontade do povo. DALLARI, D. Em busca da democracia representativa. Disponível em: www. jb.com.br. Acesso em: 2 fev. 2015. Na perspectiva apontada no texto, a consolidação da democracia no Brasil baseia-se na representação popu- lar por meio dos (as) Alternativas: (A) partidos políticos. (B) fóruns sociais. (C) conselhos federais. (D) entidades de classe. (E) organizações não governamentais. 3. Max Weber (1864-1920) afirma que “devemos con- ceber o Estado contemporâneo como uma comunidade humana que, dentro dos limites de determinado ter- ritório […], reivindica o monopólio do uso legítimo da violência física” (Weber, Ciência e Política: duas vocações. São Paulo: Cultrix, 2006, p. 56). Assinale a alternativa CORRETA, a respeito do signifi- cado da afirmação de Weber. (A) Para Weber, no caso do Estado contemporâneo, apenas seus agentes podem utilizar a violência de modo legítimo dentro dos limites do seu território. (B) O Estado foi sempre o único agente que pode utilizar So ci ol og ia 173 legalmente a violência com o consentimento dos cida- dãos – a violência dos pais contra os filhos, por exemplo, sempre foi ilegal. (C) Atualmente, o Estado é o único agente que utiliza a violência (ameaças, armas de fogo, coação física) como meio de atingir seus fins – assim a segurança de todos os cidadãos está garantida. (D) Outros grupos também podem utilizar a violên- cia como recurso – por exemplo, as empresas pri- vadas de vigilância – independente da autorização legal do Estado. (E) Todos os cidadãos reconhecem como legítima qual- quer violência praticada pelos agentes do Estado con- temporâneo – por exemplo, quando a polícia usa balas de borracha contra grevistas. Capítulo 03 HABILIDADES DA BNCC (EM13CHS603) OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DO DC-GOEM (GO-EM- CHS603D). Comparar o processo de formação política do Brasil com o dos demais países da América Latina, aplicando os con- ceitos da Ciência Política como Estado, poder, sistemas, regimes de governo, soberania etc. para analisar os limites da construção da cidadania nestas experiências políticas. Cidadania Do site Toda Matéria Cidadania é um conceito que possibilita uma série de significados que, de modo geral, refere-se a tudo aquilo que está relacionado aos direitos e deveres de uma pessoa ou povo num território. A cidadania é a expressão máxima do direito, pois este existe para os cidadãos, e pode ser dividida em: • Cidadania política - garantia de direitos à participa- ção política (votar, ser votado, organização em sindi- catos e movimentos sociais, etc.) • Cidadania civil - garantia de direitos relativos á liber- dade (liberdade de expressão, de locomoção, de cre- do e outras liberdades individuais) • Cidadania social - garantia de direitos relativos à dig- nidade da vida humana (respeito aos direitos huma- nos, direito ao trabalho, à alimentação, à moradia, ao lazer, à saúde, à educação, etc.) Contudo, cidadania também significa obedecer às leis e às normas que se relacionam com a vida em socie- dade e o bem comum. A palavra “cidadania” vem do latim civitas, que sig- nifica “cidade”. Portanto, os cidadãos são aqueles e aquelas que coabitam e dividem os espaços públicos. Para isso, possuem os direitos civis, políticos e sociais que se desenvolvem a partir da ideia do que é melhor para o grupo social. É importante notar que a cidadania é um processo contínuo e em constante transformação (quase sempre cumulativas). O poder emana do povo, que se submete à organização do Estado para que esse possa garantir os seus direitos e o bem de todos. Para o efetivo direito à cidadania, muitas vezes, os indivíduos devem cumprir alguns requisitos como: • Nacionalidade - ter nascido ou estar equiparado aos nascidos em determinado território. Por exemplo, no Brasil, todas as pessoas nascidas no Brasil ou de pais brasileiros são consideradas cidadãos, o mesmo acontece com estrangeiros que pedem sua naturali- zação. • Idade - alguns direitos e deveres estão de acordo com a idade do cidadão. Por exemplo, obrigatorie- dade da educação dos 4 aos 17, o direito ao voto nas eleições aos 16 anos e a maioridade civil aos 18. • Estar em conformidade com a lei - os condenados à prisão possuem seus direitos políticos suspensos e são restritos os seus direitos à liberdade. Por estar intrinsecamente ligada à noção de direi- tos, a cidadania pressupõe, em contrapartida, deveres. Apesar do conceito de cidadania definir-se na Grécia clássica e na Roma antiga, podemos notar os atributos embrionários em várias sociedades da Antiguidade. Do mesmo modo que a cidadania tem sua origem na palavra latina civitas, que significa cidade, para os gre- gos as cidades eram as pólis e deram origem à palavra política. De toda forma, em Atenas a prática cidadã deu início à democracia, regime político que favorece a par- ticipação política e a cidadania. É importante destacar que em toda Grécia, assim como Atenas, somente os homens livres e nascidos na cidade podiam ser consi- derados cidadãos (a minoria da população). O que é a Pós-modernidade Pós-modernidade é um conceito que representa toda a estrutura sócio-cultural desde o fim dos anos 80 até os dias atuais. Em suma, a pós-modernidade consiste no ambiente em que a sociedade pós-moderna está inserida, caracterizada pela globalização e domínio do sistema capitalista. Vários autores dividem a pós-modernidade em dois principais períodos. A primeira fase teria começado com o fim da Segunda Guerra Mundial e se desenvol- vido até o declínio da União Soviética (fim da Guerra Fria). Já a segunda e derradeira etapa teve início no fim da década de 1980, com a quebra da bipolaridade vivida no mundo durante a Guerra Fria. Características da pós-modernidade A pós-modernidadeé caracterizada pela ruptura com os ideais iluministas que eram defendidos durante a era moderna, como os sonhos utópicos da construção de uma sociedade perfeita com base em princípios tidos como verdadeiros e únicos. 174 Entre outras características de destaque, ên- fase para: • Substituição do pensamento coletivo, e emersão do sentimento de individualismo, representado pelo narcisismo, hedonismo e consumismo; • Valorização do “aqui e agora” (Carpe Diem); • Hiper-realidade (mistura entre o real e o imaginário, principalmente com o auxílio das tecnologias e am- bientes online); • Subjetividade (nada é concreto e fixo. A ideia antes tida como verdadeira passa a ser interpretada ape- nas como mais uma no conjunto das hipóteses); • Multiculturalismo e Pluralidade (fruto da globaliza- ção e mistura entre características típicas de cada cultura, por exemplo); • Fragmentação (mistura e união de vários fragmentos de diferentes estilos, tendências, culturas, etc); • Descentralização; • Banalização ou ausência de valores. • Etapas da Pós-modernidade • Primeira etapa da Pós-Modernidade De modo geral, a pós-modernidade representa a “quebra” com antigos modelos de pensamento linear defendidos na era moderna pelos iluministas. Estes eram baseados na defesa da razão e ciência como parte de um plano em prol do desenvolvimento da humanidade. Porém, com os horrores presenciados na Segunda Guerra Mundial, começou a crescer um forte senti- mento de insatisfação e decepção na sociedade, visto que todo o “plano” moldado com base nos ideais ilu- ministas havia falhado. De acordo com Jean François Lyotard (1924 - 1998), um dos mais importantes filósofos a conceituar a pós- -modernidade, esta pode ser claramente exemplificada como a total falência das ideias tidas como certas e verdadeiras em outrora pelos pensadores modernos. A pós-modernidade questiona as grandes utopias e antigas certezas que antes eram defendidas pelos iluministas. Desta forma, passa a considerar tudo como um conjunto de meras hipóteses ou especulações. Segunda etapa da Pós-Modernidade: conso- lidação Muitos estudiosos consideram o fim da década de 1980 como a consolidação definitiva da Pós-Moderni- dade como uma estrutura social, política e econômica no mundo. Com o fim da bipolaridade imposta pela Guerra Fria, o mundo passou a viver sob uma Nova Ordem, baseada na ideia de pluralidade e globalização entre quase todas as nações. Os avanços tecnológicos e nos meios de comuni- cação, o boom da internet e o monopólio do sistema capitalista são algumas das características que ajuda- ram a consolidar os princípios que definem a socie- dade pós-moderna. A definição de pós-modernidade é complexa e existem diferentes pontos de vista sobre a sua forma- ção e significado. Vários sociólogos, filósofos, críticos e estudiosos buscam explicar esse fenômeno que “substituiu” os princípios que em outrora marcaram a modernidade. Diferença entre Modernidade e Pós-moder- nidade Para muitos estudiosos, a chamada “era moderna” teria se iniciado a partir da Revolução Francesa (século XVIII), quando houve o rompimento com os pensamen- tos que vigoravam no período medieval para ascender os ideais iluministas. Segundo os princípios do Iluminismo, durante a Modernidade predominava a razão e a ciência como meios exclusivos de conquistar a verdade absoluta de todas as coisas. Durante a era moderna também teve início da Revo- lução Industrial, que se desenvolvia enquanto a socie- dade vivia em meio a um grande conflito ideológico. Vale ressaltar que naquela época era assimilada a ideia da existência de uma verdade derradeira e definitiva. Diferente do estado fragmentado da pós-moder- nidade, na modernidade predominava o pensamento linear e cartesiano, onde a sociedade se reunia sob o manto de um propósito em comum. Os "planos" em prol de construir estruturas sociais utópicas era o que motivava a humanidade durante esse período. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, houve uma profunda crise na sociedade que começa a abandonar os antigos "planos" fracassados da era moderna. Assim, emerge, aos poucos, todas as características que defi- nem a atual sociedade pós-moderna: o individualismo, o predomínio do capitalismo, o consumismo, a valori- zação do prazer individual, etc. Atividade de Aprendizagem 1. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman discorre sobre as relações humanas em tempos atuais. A “vida líquida” e a “modernidade líquida” estão intimamente ligadas. A “vida líquida” é uma forma de vida que tende a ser levada adiante numa sociedade líquido-moderna. “‘Líquido-moderna’ é uma sociedade em que as con- dições sob as quais agem seus membros mudam num tempo mais curto do que aquele necessário para a con- solidação, em hábitos e rotinas, das formas de agir” So ci ol og ia 175 (BAUMAN, 2009, p. 7). As mudanças a que se refere Bauman são causadas por diversos fatores, entre os quais a tecnologia e seus recursos. Abaixo encontram- -se manchetes de periódicos jornalísticos. Assinale aquela que revela um EFEITO POSITIVO da relação supramencionada. (A) “Instagram é a pior rede para a saúde mental dos adolescentes – Estudo britânico atribui a pior nota ao aplicativo por sua capacidade de gerar ansiedade entre os jovens” (El País – maio de 2017); (B) “Mãe de adolescente autista e estudantes de infor- mática criam jogo para ensinar matemática – Alternativa foi pensada para unir tecnologia e educação e sobre- por dificuldades de aprendizado do filho. Jogo deve ser distribuído para outras escolas” (G1 – maio de 2017); (C) “Novas tecnologias? Brasil corre o risco de se tornar irrelevante – Num estudo que avalia o grau de inovação de 140 nações, o Brasil ocupa a 69ª posição, atrás de todas as grandes economias emergentes. ” (Exame – maio de 2017); (D) “Desemprego entre idosos e busca por vagas aumentam, diz pesquisa – Levantamento inédito do Vagas.com mostra maior procura por colocação por pessoas com mais de 60 anos, mesmo aposentadas, e vagas em queda” (Veja – maio de 2017); (E) “Negligência dos pais no mundo virtual expõe criança a efeitos nocivos da rede” (CONJUR – abril de 2017)