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Secretaria de Estado
da Educação
seDUC
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169
Capítulo 01
HABILIDADES DA BNCC (EM13CHS603)
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DO DC-GOEM (GO-EM-
CHS603D) Comparar o processo de formação política do Brasil 
com o dos demais países da América Latina, aplicando os con-
ceitos da Ciência Política como Estado, poder, sistemas, regimes 
de governo, soberania etc. para analisar os limites da construção 
da cidadania nestas experiências políticas.
O populismo e a política brasileira
Por Carlos César Higa (Professor da Seduc/Goiás)
Certa vez, um político foi fazer campanha em uma 
cidade e começou a cumprimentar as pessoas que o 
aguardavam para dar início ao comício. Sempre atento 
aos sentimentos dos seus eleitores, ele perguntava 
da família, se estavam bem, se precisavam de alguma 
coisa. Ao cumprimentar um eleitor, o político perguntou 
como estava seu pai:
 - Meu pai morreu!
O político mudou o semblante do rosto e respondeu:
 - Morreu para você, filho ingrato! Seu pai está 
vivo em meu coração!
Este “causo” é a melhor forma de ilustrar o que é 
o populismo. O político se coloca de igual para igual 
perante seus eleitores ou seus governados. A liturgia do 
cargo é posta de lado e a camaradagem e o companhei-
rismo ganham espaço na cultura política. Não existe 
mais intermediários entre governantes e populares. Há 
uma sintonia entre ambos. O sentimentalismo supera 
a racionalidade.
Getúlio Vargas é o maior exemplo de líder populista.
Ao longo do século passado, o populismo se tor-
nou cada vez mais presente na política brasileira não 
importando o espectro político. O que importava era a 
identificação do eleitor com o seu candidato. A imagem 
do político também ganhou espaço com a ascensão do 
populismo, em especial durante a década de 1930. As 
propagandas foram elaboradas para mostrar à opinião 
pública o quão popular era o governante. 
As Ciências Humanas têm dado especial atenção 
a este fenômeno político. Vários estudos foram feitos 
para compreender a influência do populismo na esco-
lha de um candidato ou no jeito de um governante 
administrar. Apesar do aumento no número de pes-
quisas sobre este tema, o estudo do populismo exige 
cuidado por conta das dificuldades em delimitá-lo. 
Devemos lembrar que esse fenômeno político não é 
uma especialidade brasileira, mas sim algo visto em 
vários países não importando seu grau de desenvolvi-
mento econômico social. 
O populismo é compreendido a partir da liderança 
política carismática, ou seja, aquela que consegue arre-
banhar para si uma grande quantidade de pessoas inte-
ressadas em seu discurso, atraídas por algum talento 
particular ou pela crença em seus ideais Getúlio Vargas 
é o principal exemplo quando o assunto é populismo. 
Ele chegou ao poder logo após a Revolução de 1930 
e investiu nas indústrias de base. Isso fez com que se 
formasse uma classe trabalhadora que aderiu ao dis-
curso varguista e aos direitos trabalhistas concedidos 
por ele. Não é atoa que a ditadura do Estado Novo, do 
qual Vargas governou o Brasil de forma autoritária e 
violenta, os trabalhadores se mantiveram ao seu lado 
e muito agradecidos pela Consolidação das Leis Traba-
lhistas (CLT). 
Outra característica do populismo é o nacionalismo. 
O líder das massas se torna também o líder salvacio-
nista, ou seja, o único que possui credenciais suficientes 
para defender sua nação dos inimigos (sejam eles reais 
ou imaginários). A Constituição de 1937, outorgada por 
Vargas e que vigorou no Brasil durante o Estado Novo, 
é categórica em seu perambulo: “Resolve assegurar à 
Nação a sua unidade, o respeito à sua honra e à sua 
independência, e ao povo brasileiro, sob um regime 
de paz política e social, as condições necessárias à sua 
segurança, ao seu bem-estar e à sua prosperidade, 
decretando a seguinte Constituição, que se cumprirá 
desde hoje em todo o País”. Vargas assumiu o papel 
de grande líder, o único que poderia garantir ao povo 
brasileira a paz social que tanto almejava. 
Ao longo da nossa História republicana, o populismo 
se estabeleceu. Entre os anos de 1946 até 1964, tive-
mos Presidentes que governaram o país com caracterís-
ticas semelhantes ao populismo. Juscelino Kubitschek 
(1956-1960) era visto em festas dançando valsa. O can-
tor Juca Chaves o chamou de “Presidente Bossa Nova”. 
Jânio Quadros (1961) fazia questão das suas caspas 
serem vistas em seu paletó escuro para demonstrar 
sua “simplicidade”. O político populista se aproxima 
do povo e usa de seu carisma para atrair não apenas a 
atenção, mas a lealdade do povo. Dessa maneira, ele 
pode governar como líder das massas, aquele que traz 
para si o apoio popular. Assim, suas decisões não neces-
sitam de amparo legal, mas a sua garantia é a aceitação 
do povo sobre todas as medidas adotadas. 
Atividade de Apredizagem
Faça uma pesquisa sobre as principais lideranças políti-
cas do país e aponte se existe alguém que age conforme 
os padrões populistas. 
170
Material de Audiovisual
Assista o documentário “Por que o Brasil odiava 
Carmem Miranda e como ela se tornou um ícone 
da cultura pop” (Link: https://www.youtube.com/
watch?v=tcW9AGAFq7g) e faça uma roda de con-
versa discutindo a relação dela com Getúlio Vargas 
e como a arte pode estar a serviço de um gover-
nante populista.
Sugestão de Atividade
1. (Fuvest)
“Bota o retrato do velho outra vez
Bota no mesmo lugar
O sorriso do velhinho
Faz a gente se animar, oi
Eu já botei o meu
E tu não vais botar?
Já enfeitei o meu
E tu vais enfeitar?
O sorriso do velhinho
Faz a gente trabalhar”
(RETRATO DO VELHO, de Mário Pinto e Haroldo Lobo)
Esse samba, muito popular na época, foi utilizado como 
instrumento de propaganda pelo movimento político 
que visava o retorno do seu líder. Identifique esse movi-
mento e seu líder.
(A) Jacobinismo e Floriano Peixoto.
(B) Monarquismo e D. Pedro II.
(C) Janismo e Jânio Quadros.
(D) Queremismo e Getúlio Vargas.
(E) Tenentismo e Luís Carlos Prestes.
2. (FACERES) Pode-se afirmar que as políticas sociais 
adotadas pelos governos brasileiros entre 1930 e 1964 
tinham um forte caráter populista. A forma como os 
governantes buscaram conquistar o apoio popular e o 
paternalismo excessivo, em alguns momentos, cons-
truíram no Brasil uma imagem deturpada, por parte de 
alguns setores da sociedade, de participação política e 
reivindicação de direitos.
A partir do exposto e de conhecimentos referentes à 
República Populista, assinale a alternativa correta.
(A) O populismo, fenômeno típico e exclusivo do Brasil, 
demonstra acima de tudo uma continuidade histórica 
no país, em que as práticas protecionistas existentes 
entre coronéis e seus afilhados políticos apenas se 
revestiram de uma roupagem nova.
(B) A submissão dos sindicatos ao governo, ocorrida na 
Era Vargas, além de ser uma prática populista, serve 
como fonte explicativa da ineficiência e da pouca influ-
ência dessas instituições classistas no Brasil até os dias 
atuais, comprovada pelo fracasso dos movimentos gre-
vistas ocorridos nos últimos anos.
(C) A camada de intelectuais e artistas brasileiros 
mais expoentes no período em questão incorporou a 
mentalidade governamental, limitando-se a cooperar 
com os projetos políticos que visavam, grosso modo, 
diminuir as desigualdades sociais e beneficiar as cama-
das mais necessitadas da população.
(D)Na análise do comportamento sócio político de 
grande parte da população brasileira, nos dias atu-
ais, percebe-se uma clara ruptura com o passado 
histórico da nação. Práticas como o assistencialismo 
e o comodismo perante a luta pelos direitos – tarefa 
relegada à ação governamental no passado – não são 
mais perceptíveis em diversos setores da sociedade 
nacional, podendo-se afirmar que estas ficaram enter-
radas na história.
(E) No Brasil, o populismo revestiu-se do caráter traba-
lhista e assistencialista, no qual o governo tornou-se o 
mais poderoso porta-voz do povo, usando às vezes de 
violência e às vezes de políticas de favorecimento tem-
porárias e superficiais para conquistaro apoio popular, 
não significando, no entanto, que neste período medi-
das de grande importância para o direito dos trabalha-
dores não tivessem sido conquistadas.
3. (Fatec) “O populismo manifesta-se já no fim da dita-
dura e permanecerá uma constante no processo político 
até 1964.” (Francisco Weffort, O POPULISMO NO BRASIL)
O fenômeno político conhecido sob o nome de “popu-
lismo” no Brasil e na América Latina caracteriza-se:
(A) como fenômeno político desvinculado do processo 
de urbanização e industrialização.
(B) como um poder político das massas e suas 
reivindicações.
(C) por movimento de massas sem lideran-
ças carismáticas.
(D) por grupos políticos identificados exclusivamente 
com as elites econômicas.
(E) como um estilo de governo sempre sensível às pres-
sões populares, principalmente as rurais.
4. “Em primeiro lugar, o populismo é uma política de 
massas, vale dizer, ele é um fenômeno vinculado à pro-
letarização dos trabalhadores na sociedade complexa 
moderna, sendo indicativo de que tais trabalhadores 
não adquiriram consciência e sentimento de classe: 
não estão organizados e participando da política como 
classe. As massas, interpeladas pelo populismo, são 
originárias do proletariado, mas dele se distinguem por 
sua inconsciência das relações de espoliação sob as 
quais vivem.” 
(GOMES, Angela de Castro. O populismo e as ciências sociais no Brasil: no-
tas sobre a trajetória de um conceito. Revista Tempo, Rio de Janeiro, vol. 1, 
nº. 2, 1996, p.31-58)
Partindo da definição de populismo dada por Angela de 
Castro Gomes, é possível afirmar que:
(A) o populismo é um fenômeno político no qual as 
massas de trabalhadores protagonizam a luta contra a 
exploração de sua força de trabalho.
(B) do populismo nasceu a consciência de classe dos 
trabalhadores.
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(C) o populismo indica que os trabalhadores que por ele 
foram submetidos não tinham consciência de classe e, 
portanto, não se organizavam com consciência política.
(D) a perspectiva política do populismo não estava 
ligada necessariamente à classe trabalhadora.
(E) o populismo era um tipo de política praticada inicial-
mente nos Estados Unidos da América, no século XIX.
Capítulo 02
HABILIDADES DA BNCC (EM13CHS603)OBJETIVOS DE APREN-
DIZAGEM DO DC-GOEM (GO-EMCHS603D) Comparar o pro-
cesso de formação política do Brasil com o dos demais países 
da América Latina, aplicando os conceitos da Ciência Política 
como Estado, poder, sistemas, regimes de governo, soberania 
etc. para analisar os limites da construção da cidadania nestas 
experiências políticas.
Poder do estado
Do site Politize
Em primeiro lugar, é importante destacarmos o 
conceito de poder para que entendamos o papel do 
Estado na vida dos cidadãos e nas relações existen-
tes entre ambos.
Quando tratamos da vida em sociedade e, portanto, 
das relações que os seres humanos estabelecem entre 
si, a definição mais próxima dos nossos objetivos é a 
de que o poder representa a capacidade que as pes-
soas têm de influenciar às demais e de alterar o seu 
comportamento.
É o caso, por exemplo, das campanhas publicitárias. 
Através delas, empresas buscam despertar em seus 
públicos-alvos a necessidade de que adquiram um 
produto ou serviço, transformando os gostos de seus 
clientes e, até mesmo, determinando os seus hábitos 
após a aquisição.
Logo, observamos que o poder reflete não apenas 
a capacidade do ser humano de promover uma deter-
minada ação que terá consequências sobre a vida de 
outras pessoas, mas também de ser afetado pelas ações 
de outros indivíduos. Assim como declara o autor Mario 
Stoppino, em sua contribuição à obra Dicionário de 
política (Editora Universidade de Brasília, 1998), essa 
relação expressa o poder do homem sobre o homem.
Ao colocarmos em evidência as interações entre 
os indivíduos, ou seja, de que forma ocorre a convi-
vência entre as pessoas dentro da sociedade, pode-
mos destacar a importância da ação social para a 
expressão do poder.
A definição de ação social foi desenvolvida pelo soci-
ólogo alemão Max Weber em sua obra Economia e 
sociedade (Editora Universidade de Brasília; Imprensa 
Oficial do Estado de São Paulo, 1999). Para o autor, toda 
ação individual ou coletiva expressa uma intenção do 
agente que a pratica direcionada para o outro.
Dessa maneira, Weber delineou formas funda-
mentais das ações humanas, compreendidas em 
dois eixos distintos: ações sociais racionais e ações 
sociais irracionais.
Em primeiro lugar, as ações sociais racionais são 
aquelas que envolvem intenções ou convicções dos 
agentes e, por isso, podem ser classificadas como ações 
com relação a fins ou ações com relação a valores.
As ações com relação a fins são motivadas por obje-
tivos claros e por estratégias bem estabelecidas para o 
cumprimento de tais objetivos. É o caso da prestação 
de serviços públicos pelo Estado (como o atendimento 
gratuito em hospitais pelo Sistema Único de Saúde – 
SUS), pois representa a tentativa do poder público de 
promover o bem-estar da população e, portanto, exige 
uma complexa capacidade de organização e vontade 
política para a sua plena execução. 
As ações com relação a valores são ações motiva-
das por convicções em valores e/ou crenças, como é o 
caso da escolha de um partido político por um candi-
dato. Afinal, espera-se que o candidato concorde com 
as diretrizes partidárias e com a ideologia que as serve 
de fundamento no âmbito político.
Em segundo lugar, as ações sociais irracionais refle-
tem reações emocionais ou habituais dos agentes 
que respeitam a determinados padrões do convívio 
humano. Sendo assim, podem ser classificadas como 
ações afetivas ou tradicionais.
As ações afetivas são motivadas por emoções des-
pertadas nos agentes envolvidos, como é o caso das 
comemorações populares quando da aprovação de um 
projeto de lei ou da vitória de um candidato nas eleições.
As ações tradicionais são motivadas por hábitos e 
costumes tradicionalmente estabelecidos na conduta 
dos indivíduos. É o caso do descanso semanal remu-
nerado que deve acontecer, preferencialmente, aos 
domingos (conforme a Consolidação das Leis Traba-
lhistas – CLT) e que foi estabelecido pelo Estado através 
do império da Lei.
Além de fundamentar o conceito de ação social, 
Weber também contribuiu para a construção de expli-
cações para o funcionamento da sociedade através dos 
tipos-ideais de dominação.
Em seus estudos, Weber estabeleceu que, depen-
dendo do tipo de ação praticada pelo indivíduo ou pela 
172
coletividade, deve existir uma forma de dominação se 
houver a probabilidade de encontrar obediência por 
parte daqueles a quem foi direcionada.
Para tanto, podem ocorrer três formas distintas de 
dominação: a dominação carismática, a dominação tra-
dicional e a dominação racional-legal.
A dominação tradicional é condicionada, sobretudo, 
por ações com relação a valores e/ou ações tradicio-
nais. Ou seja, é exercida por figuras legitimadas pelas 
tradições e costumes para o exercício de algum nível de 
autoridade, como líderes comunitários (meio social) ou 
como os próprios pais (meio familiar).
Por sua vez, a dominação carismática é caracteri-
zada por ações afetivas, nas quais a legitimidade da 
autoridade é dada pelo carisma, ou seja, pela crença 
na natureza extraordinária do agente. É o caso de indi-
víduos considerados profetas ou heróis.
Por fim, a dominação racional-legal é expressa pela 
legitimidade conferida ao Estado pelo Direito, ou seja, 
pela comum aceitação das regras estabelecidas social-
mente para a manutenção da ordem.
É motivada, sobretudo, por ações sociais racionais 
com relação a fins, pois são cumpridos requisitos defini-
dos pelo contrato social (como competências, estatutos 
e convenções) e por aqueles que ocupam posições no 
âmbito do poder público para o exercício de algum tipo 
de autoridade.
Conforme visto, o Estado, devido à sua autoridade 
condicionada pela dominação racional-legal, detém a 
capacidade de determinar as normas coletivas da vida 
emsociedade. Logo, essa legitimidade conferida ao 
poder público é o que assegura com que os cidadãos 
tenham uma estrutura comum a qual devem recorrer 
sempre que necessário.
Além disso, subentende-se que o poder público 
é mantido pela totalidade dos membros civis de um 
Estado, o que implica a necessidade de que, para a sua 
plena manutenção, sejam aplicados princípios como o 
da isonomia – que, perante a Lei, posiciona os cidadãos 
sob as mesmas regras de convivência e também sob as 
mesmas possibilidades de sanções.
Essa conflitante relação entre direitos e deveres 
é exposta por algumas das ideias desenvolvidas por 
Jean-Jacques Rousseau em sua obra Do Contrato Social 
(Hunter Books, 2014). De acordo com o autor, as leis 
que regem a vida das pessoas em uma sociedade são 
leis convencionadas pelos próprios seres humanos com 
a finalidade máxima de preservar a ordem social.
Trata-se de uma relação fundamentada na necessi-
dade de que a justiça e a utilidade apresentem sempre 
uma mesma direção, guiando as convenções humanas 
e as cláusulas do contrato social para a sua preservação 
e levando a humanidade à plena liberdade, conquistada 
através da independência de cada indivíduo.
Atividade de Apredizagem
1. Vocês que fazem parte dessa massa, Que passa nos 
projetos do futuro, É duro tanto ter que caminhar, E dar 
muito mais do que receber, Ê, ô, ô, vida de gado, Povo 
marcado Ê, povo feliz! ZÉ RAMALHO. A peleja do diabo 
com o dono do céu. 
Rio de Janeiro: Sony, 1979 (fragmento).
Qual comportamento coletivo é criticado no trecho da 
letra da canção lançada em 1979?
Alternativas
(A) Militância política.
(B) Passividade social.
(C) Altruísmo religioso.
(D) Autocontrole moral.
(E) Inconformismo eleitoral.
2. Numa democracia representativa, como é o Brasil, 
o direito de votar para escolha dos governantes, que 
irão ocupar os cargos do Executivo e do Legislativo, é 
um dos direitos fundamentais da cidadania. Na impos-
sibilidade de participação direta do povo nas decisões 
que deverão ser tomadas a respeito de questões da 
máxima relevância para o interesse público, a escolha 
de representantes para o desempenho dessas tarefas 
foi o caminho encontrado para que as opções reflitam 
a vontade do povo.
DALLARI, D. Em busca da democracia representativa. Disponível em: www.
jb.com.br. Acesso em: 2 fev. 2015.
Na perspectiva apontada no texto, a consolidação da 
democracia no Brasil baseia-se na representação popu-
lar por meio dos (as) Alternativas:
(A) partidos políticos.
(B) fóruns sociais.
(C) conselhos federais.
(D) entidades de classe.
(E) organizações não governamentais.
3. Max Weber (1864-1920) afirma que “devemos con-
ceber o Estado contemporâneo como uma comunidade 
humana que, dentro dos limites de determinado ter-
ritório […], reivindica o monopólio do uso legítimo da 
violência física”
(Weber, Ciência e Política: duas vocações. São Paulo: Cultrix, 2006, p. 56).
Assinale a alternativa CORRETA, a respeito do signifi-
cado da afirmação de Weber.
(A) Para Weber, no caso do Estado contemporâneo, 
apenas seus agentes podem utilizar a violência de modo 
legítimo dentro dos limites do seu território.
(B) O Estado foi sempre o único agente que pode utilizar 
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legalmente a violência com o consentimento dos cida-
dãos – a violência dos pais contra os filhos, por exemplo, 
sempre foi ilegal. 
(C) Atualmente, o Estado é o único agente que utiliza a 
violência (ameaças, armas de fogo, coação física) como 
meio de atingir seus fins – assim a segurança de todos 
os cidadãos está garantida. 
(D) Outros grupos também podem utilizar a violên-
cia como recurso – por exemplo, as empresas pri-
vadas de vigilância – independente da autorização 
legal do Estado. 
(E) Todos os cidadãos reconhecem como legítima qual-
quer violência praticada pelos agentes do Estado con-
temporâneo – por exemplo, quando a polícia usa balas 
de borracha contra grevistas. 
Capítulo 03
HABILIDADES DA BNCC (EM13CHS603)
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DO DC-GOEM (GO-EM-
CHS603D). Comparar o processo de formação política do Brasil 
com o dos demais países da América Latina, aplicando os con-
ceitos da Ciência Política como Estado, poder, sistemas, regimes 
de governo, soberania etc. para analisar os limites da construção 
da cidadania nestas experiências políticas.
Cidadania
Do site Toda Matéria
Cidadania é um conceito que possibilita uma série 
de significados que, de modo geral, refere-se a tudo 
aquilo que está relacionado aos direitos e deveres de 
uma pessoa ou povo num território.
A cidadania é a expressão máxima do direito, pois 
este existe para os cidadãos, e pode ser dividida em:
• Cidadania política - garantia de direitos à participa-
ção política (votar, ser votado, organização em sindi-
catos e movimentos sociais, etc.)
• Cidadania civil - garantia de direitos relativos á liber-
dade (liberdade de expressão, de locomoção, de cre-
do e outras liberdades individuais)
• Cidadania social - garantia de direitos relativos à dig-
nidade da vida humana (respeito aos direitos huma-
nos, direito ao trabalho, à alimentação, à moradia, 
ao lazer, à saúde, à educação, etc.)
 
Contudo, cidadania também significa obedecer às 
leis e às normas que se relacionam com a vida em socie-
dade e o bem comum.
A palavra “cidadania” vem do latim civitas, que sig-
nifica “cidade”. Portanto, os cidadãos são aqueles e 
aquelas que coabitam e dividem os espaços públicos. 
Para isso, possuem os direitos civis, políticos e sociais 
que se desenvolvem a partir da ideia do que é melhor 
para o grupo social.
É importante notar que a cidadania é um processo 
contínuo e em constante transformação (quase sempre 
cumulativas). O poder emana do povo, que se submete 
à organização do Estado para que esse possa garantir 
os seus direitos e o bem de todos.
Para o efetivo direito à cidadania, muitas vezes, os 
indivíduos devem cumprir alguns requisitos como:
• Nacionalidade - ter nascido ou estar equiparado aos 
nascidos em determinado território. Por exemplo, 
no Brasil, todas as pessoas nascidas no Brasil ou de 
pais brasileiros são consideradas cidadãos, o mesmo 
acontece com estrangeiros que pedem sua naturali-
zação.
• Idade - alguns direitos e deveres estão de acordo 
com a idade do cidadão. Por exemplo, obrigatorie-
dade da educação dos 4 aos 17, o direito ao voto nas 
eleições aos 16 anos e a maioridade civil aos 18.
• Estar em conformidade com a lei - os condenados à 
prisão possuem seus direitos políticos suspensos e 
são restritos os seus direitos à liberdade.
Por estar intrinsecamente ligada à noção de direi-
tos, a cidadania pressupõe, em contrapartida, deveres. 
Apesar do conceito de cidadania definir-se na Grécia 
clássica e na Roma antiga, podemos notar os atributos 
embrionários em várias sociedades da Antiguidade.
Do mesmo modo que a cidadania tem sua origem na 
palavra latina civitas, que significa cidade, para os gre-
gos as cidades eram as pólis e deram origem à palavra 
política. De toda forma, em Atenas a prática cidadã deu 
início à democracia, regime político que favorece a par-
ticipação política e a cidadania. É importante destacar 
que em toda Grécia, assim como Atenas, somente os 
homens livres e nascidos na cidade podiam ser consi-
derados cidadãos (a minoria da população).
O que é a Pós-modernidade
Pós-modernidade é um conceito que representa 
toda a estrutura sócio-cultural desde o fim dos anos 
80 até os dias atuais. Em suma, a pós-modernidade 
consiste no ambiente em que a sociedade pós-moderna 
está inserida, caracterizada pela globalização e domínio 
do sistema capitalista.
Vários autores dividem a pós-modernidade em dois 
principais períodos. A primeira fase teria começado 
com o fim da Segunda Guerra Mundial e se desenvol-
vido até o declínio da União Soviética (fim da Guerra 
Fria). Já a segunda e derradeira etapa teve início no fim 
da década de 1980, com a quebra da bipolaridade vivida 
no mundo durante a Guerra Fria.
Características da pós-modernidade
A pós-modernidadeé caracterizada pela ruptura 
com os ideais iluministas que eram defendidos durante 
a era moderna, como os sonhos utópicos da construção 
de uma sociedade perfeita com base em princípios tidos 
como verdadeiros e únicos.
174
Entre outras características de destaque, ên-
fase para:
• Substituição do pensamento coletivo, e emersão do 
sentimento de individualismo, representado pelo 
narcisismo, hedonismo e consumismo;
• Valorização do “aqui e agora” (Carpe Diem);
• Hiper-realidade (mistura entre o real e o imaginário, 
principalmente com o auxílio das tecnologias e am-
bientes online);
• Subjetividade (nada é concreto e fixo. A ideia antes 
tida como verdadeira passa a ser interpretada ape-
nas como mais uma no conjunto das hipóteses);
• Multiculturalismo e Pluralidade (fruto da globaliza-
ção e mistura entre características típicas de cada 
cultura, por exemplo);
• Fragmentação (mistura e união de vários fragmentos 
de diferentes estilos, tendências, culturas, etc);
• Descentralização;
• Banalização ou ausência de valores.
• Etapas da Pós-modernidade
• Primeira etapa da Pós-Modernidade
De modo geral, a pós-modernidade representa a 
“quebra” com antigos modelos de pensamento linear 
defendidos na era moderna pelos iluministas. Estes eram 
baseados na defesa da razão e ciência como parte de 
um plano em prol do desenvolvimento da humanidade.
Porém, com os horrores presenciados na Segunda 
Guerra Mundial, começou a crescer um forte senti-
mento de insatisfação e decepção na sociedade, visto 
que todo o “plano” moldado com base nos ideais ilu-
ministas havia falhado.
De acordo com Jean François Lyotard (1924 - 1998), 
um dos mais importantes filósofos a conceituar a pós-
-modernidade, esta pode ser claramente exemplificada 
como a total falência das ideias tidas como certas e 
verdadeiras em outrora pelos pensadores modernos.
A pós-modernidade questiona as grandes utopias 
e antigas certezas que antes eram defendidas pelos 
iluministas. Desta forma, passa a considerar tudo como 
um conjunto de meras hipóteses ou especulações.
Segunda etapa da Pós-Modernidade: conso-
lidação
Muitos estudiosos consideram o fim da década de 
1980 como a consolidação definitiva da Pós-Moderni-
dade como uma estrutura social, política e econômica 
no mundo. Com o fim da bipolaridade imposta pela 
Guerra Fria, o mundo passou a viver sob uma Nova 
Ordem, baseada na ideia de pluralidade e globalização 
entre quase todas as nações.
Os avanços tecnológicos e nos meios de comuni-
cação, o boom da internet e o monopólio do sistema 
capitalista são algumas das características que ajuda-
ram a consolidar os princípios que definem a socie-
dade pós-moderna.
A definição de pós-modernidade é complexa e 
existem diferentes pontos de vista sobre a sua forma-
ção e significado. Vários sociólogos, filósofos, críticos 
e estudiosos buscam explicar esse fenômeno que 
“substituiu” os princípios que em outrora marcaram 
a modernidade.
Diferença entre Modernidade e Pós-moder-
nidade
Para muitos estudiosos, a chamada “era moderna” 
teria se iniciado a partir da Revolução Francesa (século 
XVIII), quando houve o rompimento com os pensamen-
tos que vigoravam no período medieval para ascender 
os ideais iluministas.
Segundo os princípios do Iluminismo, durante a 
Modernidade predominava a razão e a ciência como 
meios exclusivos de conquistar a verdade absoluta de 
todas as coisas.
Durante a era moderna também teve início da Revo-
lução Industrial, que se desenvolvia enquanto a socie-
dade vivia em meio a um grande conflito ideológico. 
Vale ressaltar que naquela época era assimilada a ideia 
da existência de uma verdade derradeira e definitiva.
Diferente do estado fragmentado da pós-moder-
nidade, na modernidade predominava o pensamento 
linear e cartesiano, onde a sociedade se reunia sob o 
manto de um propósito em comum. Os "planos" em 
prol de construir estruturas sociais utópicas era o que 
motivava a humanidade durante esse período.
Com o fim da Segunda Guerra Mundial, houve uma 
profunda crise na sociedade que começa a abandonar 
os antigos "planos" fracassados da era moderna. Assim, 
emerge, aos poucos, todas as características que defi-
nem a atual sociedade pós-moderna: o individualismo, 
o predomínio do capitalismo, o consumismo, a valori-
zação do prazer individual, etc.
Atividade de Aprendizagem
1. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman discorre 
sobre as relações humanas em tempos atuais. A “vida 
líquida” e a “modernidade líquida” estão intimamente 
ligadas. A “vida líquida” é uma forma de vida que tende 
a ser levada adiante numa sociedade líquido-moderna. 
“‘Líquido-moderna’ é uma sociedade em que as con-
dições sob as quais agem seus membros mudam num 
tempo mais curto do que aquele necessário para a con-
solidação, em hábitos e rotinas, das formas de agir” 
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175
(BAUMAN, 2009, p. 7). As mudanças a que se refere 
Bauman são causadas por diversos fatores, entre os 
quais a tecnologia e seus recursos. Abaixo encontram-
-se manchetes de periódicos jornalísticos. Assinale 
aquela que revela um EFEITO POSITIVO da relação 
supramencionada.
(A) “Instagram é a pior rede para a saúde mental dos 
adolescentes – Estudo britânico atribui a pior nota ao 
aplicativo por sua capacidade de gerar ansiedade entre 
os jovens” (El País – maio de 2017);
(B) “Mãe de adolescente autista e estudantes de infor-
mática criam jogo para ensinar matemática – Alternativa 
foi pensada para unir tecnologia e educação e sobre-
por dificuldades de aprendizado do filho. Jogo deve ser 
distribuído para outras escolas” (G1 – maio de 2017);
(C) “Novas tecnologias? Brasil corre o risco de se tornar 
irrelevante – Num estudo que avalia o grau de inovação 
de 140 nações, o Brasil ocupa a 69ª posição, atrás de 
todas as grandes economias emergentes. ” (Exame – 
maio de 2017);
(D) “Desemprego entre idosos e busca por vagas 
aumentam, diz pesquisa – Levantamento inédito do 
Vagas.com mostra maior procura por colocação por 
pessoas com mais de 60 anos, mesmo aposentadas, e 
vagas em queda” (Veja – maio de 2017);
(E) “Negligência dos pais no mundo virtual expõe criança 
a efeitos nocivos da rede” (CONJUR – abril de 2017)

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