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Conteudista
Prof.ª Dra. Vivian Fiori
Revisão Textual
Aline de Fátima Camargo da Silva
Sociedade, Política e Ideologia
Sumário
Objetivos da Unidade ........................................................................................................... 3
Introdução .............................................................................................................................. 4
Política, Poder e Ideologia ................................................................................................... 4
O que é ideologia ................................................................................................................................9
 
O Estado Moderno e o Governo ........................................................................................ 11
 
Resumo da Trajetória das Formas de Política no Brasil ..............................................20
A Questão da Escravidão ...................................................................................................21
Material Complementar ................................................................................................... 28
Referências .......................................................................................................................... 29
3
Objetivos da Unidade
Atenção, estudante! Aqui, reforçamos o acesso ao conteúdo on-line para 
que você assista à videoaula. Será muito importante para o entendimento 
do conteúdo.
Este arquivo PDF contém o mesmo conteúdo visto on-line. Sua disponibili-
zação é para consulta off-line e possibilidade de impressão. No entanto, re-
comendamos que acesse o conteúdo on-line para melhor aproveitamento.
• Analisar alguns conceitos e estudos sobre Sociologia e Política; 
• Discutir algumas formas de poder e ideologia;
• Evidenciar a trajetória política do Brasil.
4
VOCÊ SABE RESPONDER?
Qual é a influência das formas de poder e ideologia nos estudos sociológicos sobre 
a trajetória política do Brasil?
Introdução
Nesta Unidade vamos abordar o ramo da Sociologia Política, que trata da questão 
da política e de suas formas de poder. Para isso, abordaremos alguns estudos e con-
ceitos a respeito do tema, bem como trataremos, brevemente, de alguns eventos e 
processos da história política no Brasil. 
Política, Poder e Ideologia
A Sociologia Política é um ramo da Sociologia que estuda as formas de poder, cons-
tituídas formalmente ou não. Podemos estudar política atrelando-a a um determina-
do contexto social. Por exemplo, no governo Vargas (1930-1945) foi instituída uma 
política trabalhista que culminou com a criação da Consolidação das Leis do Traba-
lho (CLT), lei trabalhista que ainda rege parte dos trabalhadores do Brasil. 
Logo, tal atividade pública é uma forma de política. A política acontece de diferentes 
maneiras, por meio de um partido político, mediante políticas públicas, a partir das re-
lações internacionais, por intermédio dos movimentos sociais e políticos, entre outros. 
É um ato social que tem a premissa de discutir e compreender as relações 
de poder, bem como as atividades que buscam uma finalidade sociopolítica, 
a arte de negociação com vistas a compatibilizar determinados interesses 
da sociedade ou de suas parcelas. A política é um tema antigo na histó-
ria humana, anterior à própria Sociologia. Na Grécia antiga muitos autores, 
como Aristóteles e Platão, já abordavam esse tema.
5
Com o aparecimento do Estado Moderno, surgiram teorias específicas acerca das 
formas políticas do Estado, em suas diversas facetas. Tais estudos de política, na 
maioria dos casos, convergem para a finalidade de desvendar a vida estatal, sua 
estrutura, funções, maneiras de atuar e suas relações. 
Reflita
Mas o que é política? A origem etimológica da palavra vem do 
grego “politeia”, por sua vez derivado do termo “polis”, que era 
o termo usado para designar a cidade grega, e o que se destina 
para a Polis, de sua vida em coletividade.
Na Ciência Política há vários conceitos para essa categoria, mas prevalecem estu-
dos em relação às formas de atuação do governo, mediante as políticas públicas 
(educação, saúde, assistência social, meio ambiente etc.), bem como das formas de 
sistemas políticos existentes (parlamentarismo, presidencialismo, monarquia etc.) e 
suas relações de poder. 
Ao abordarmos questões sobre política, estamos, portanto, tratando de relações 
de poder. O poder, seja ele formal ou informal, diz respeito a um grupo ou relação 
interpessoal, não existindo, assim, poder em uma só pessoa, que viva isolada. Como 
explica a filósofa Hannah Arendt:
 
O poder jamais é propriedade de um indivíduo, pertence ele a um grupo 
e existe apenas enquanto o grupo se mantiver unido. Quando dizemos 
alguém está ‘no poder’ estamos na realidade nos referindo ao fato de en-
contrar-se esta pessoa investida de poder, por um certo número de pes-
soas para atuar em seu nome. No momento em que o grupo – de onde 
se originara o poder – desaparece, desaparece também o seu poder. [...] 
Fonte: Arendt, 1985, p. 24
 
Trata-se de uma habilidade social humana de agir de comum acordo, de imposição de 
sua vontade contra ou com apoio de outros. Este poder pode ser exercido pelo Esta-
do em suas variadas formas, mas também por pessoas e/ou instituições de diversos 
tipos. Logo, nem sempre o poder é fruto da violência, do abuso de poder e da força.
6
Cite-se, o caso de Gandhi, que sem utilizar métodos de violência, produziu uma onda 
social e política em torno de sua figura que culminou com a obtenção, pela Índia, de 
sua independência da Inglaterra. Poder, nesse caso, que lhe foi conferido por milhares 
de indianos que apoiaram suas ideias e, em alguns casos, seguiram suas propostas.
Figura 1 – Retrato de Gandhi, 1931 
Fonte: Wikimedia Commons
#ParaTodosVerem: a foto apresenta um retrato de Gandhi. A imagem está em preto e branco e destaca o rosto 
de Gandhi. No retrato, ele está usando óculos e o seu rosto está ligeiramente inclinado para baixo. Seus olhos 
são visíveis através dos óculos. Seu cabelo e barba são visíveis. Fim da descrição.
Para que o poder seja legítimo, ele deve ser fundado na liberdade de escolha daque-
les que serão investidos de poder no Estado, tendo consentimento da população. 
Se não é nessa condição, então, há o uso da força, da violência, como poderíamos 
exemplificar inúmeros governos ditatoriais pelo mundo.
Cabe lembrar que não é só o Estado que tem poder, mas também, diver-
sos grupos, instituições, organizações tanto formais e criadas legalmente, 
quanto as existentes de maneira ilegal ou informal. Assim como tais grupos 
e instituições, também podem usar de violência e força física, moral ou de 
infraestrutura para produzir coerção e violência, ultrapassando o consenso. 
7
Poderíamos trazer como exemplos os grupos de narcotráfico e de redes de trafican-
tes, os quais se espalham pela América Latina, e especificamente no Brasil, e que usam 
da persuasão, da violência e da força para dominar territórios e parte da sociedade.
Figura 2 – Narcotraficante na América Latina 
Fonte: Getty Images
#ParaTodosVerem: no centro da figura, há a representação de um homem com o rosto tampado, indicando o ano-
nimato e a clandestinidade associados ao narcotráfico. O homem está segurando uma arma, que simboliza o uso 
da violência e o poder exercido por esses criminosos. Essa descrição busca transmitir uma noção geral da imagem 
acadêmica relacionada ao narcotráfico na América Latina, destacando a representação de um narcotraficante com 
o rosto tampado e uma arma, símbolos frequentemente associados a esse contexto específico. Fim da descrição.
Logo, tratam-se de formas de poder paralelos ao do Estado, mas, muitas vezes, 
com o apoio de algumas pessoas inseridas dentro do próprio Estado. Há, também, o 
poder econômico que ocorre por pressão das grandes corporações, e mesmo o po-
der ideológico, que pode ser propagado por agentes hegemônicos, pela mídia, por 
grandes corporaçõesou partidos. A ideologia pode estar em um discurso, em uma 
ideia, em uma concepção ou visão de mundo que ganha força, tornando-se assim a 
“verdade”, ainda que não seja necessariamente.
Em um mundo atual, cada vez mais global, há uma ideologia dominante e um dis-
curso de que se todos se esforçarem o mundo ficará melhor, que basta trabalhar e 
as situações serão melhores. Isso é um discurso tornado verdade, porém, ao mesmo 
tempo, sabemos por meio de dados que oito pessoas do mundo detêm a mes-
ma renda de quase 50% da população mundial. Então, basta nos esforçarmos ou 
8
o mundo precisa ser menos desigual? Todos têm as mesmas condições de poder? 
Todos os agentes? Todas as instituições? Sabemos que não.
Logo, há um poder ideológico, dominante, mesclado com um poder econômico, expli-
citado, por exemplo, pela alta renda de 8 pessoas, empresários de megacorporações, 
em detrimento de mais da metade da população, muitos vivendo de maneira indigna.
Leitura
Leia o texto Uma Economia para os 99% a res-
peito da desigualdade global, disponível no 
QR Code.
 
Em nosso cotidiano, estamos impregnados de ideologias de diversos tipos. Há uma 
ideologia dominante capitalista, global, conservadora, neoliberal, que cada vez mais 
adentra as nossas vidas, em todo o mundo. Esses discursos aparecem no nosso co-
tidiano mediante as mídias em geral, na escola, no mundo acadêmico, nas ruas, na 
propaganda, entre outros meios. Marilena Chauí explica as contradições da ideologia 
burguesa por meio de um exemplo:
 
Assim, por exemplo, faz parte da ideologia burguesa afirmar que a edu-
cação é um direito de todos os homens. Ora, na realidade sabemos que 
isto não ocorre. Nossa tendência, então, será a de dizer que há uma 
contradição entre a idéia de educação e a realidade. Na verdade, porém, 
essa contradição existe porque simplesmente exprime, sem saber, uma 
outra: a contradição entre os que produzem a riqueza material e cultural 
com seu trabalho e aqueles que usufruem dessas riquezas, excluindo 
delas os produtores. Porque estes se encontram excluídos do direito de 
usufruir os bens que produzem, estão excluídos da educação, que é um 
desses bens. Em geral, o pedreiro que faz a escola; o marceneiro que 
faz as carteiras, mesas e lousas, são analfabetos e não têm condições 
de enviar seus filhos para a escola que foi por eles produzida. Essa é a 
contradição real, da qual a contradição entre a idéia de “direito de todos 
â educação” e uma sociedade de maioria analfabeta é apenas o efeito 
ou a consequência. 
Fonte: Chauí, 2004, p. 26
https://bit.ly/47i0Sag
9
O que é Ideologia?
Trata-se de uma categoria que possui vários significados e começou a ser usada a 
partir do século XIX. Aqui, trazemos uma dessas concepções: é o conjunto de ideias e 
formas de pensamento de um grupo de pessoas, organizações e/ou instituições que 
se manifestam e legitimam por meio de formas de poder, por condutas de grupos 
ou organizações. É um sistema ordenado de pensamento e ideias, mas é comum, 
num mundo cheio de contradições, que exista uma diferença entre o que é posto por 
uma determinada ideologia e o que ocorre na prática. Existem ideologias de diferentes 
tipos, de esquerda e de direita, neoliberal, socialista, capitalista etc. Na ideologia capi-
talista, por exemplo, a classe social dominante, tanto política quanto econômica, torna 
suas ideias dominantes para toda a sociedade, como dizia Marx e Engels: 
 
Os indivíduos que constituem a classe dominante possuem, entre outras 
coisas, também consciência e, por isso, pensam. Na medida em que domi-
nam como classe e determinam todo o âmbito de uma época histórica, é 
evidente que o façam em toda a sua extensão e, conseqüentemente, entre 
outras coisas, dominem também como pensadores, como produtores de 
idéias; que regulem a produção e distribuição das idéias de seu tempo e 
que suas idéias sejam, por isso mesmo, as idéias dominantes da época 
Fonte: Marx; Engels, 2002, p. 37
 
Há o poder das mídias em geral, como transmissor de informação e formador de 
opinião. No caso brasileiro, a título de exemplo, a televisão ainda tem um papel cru-
cial na formação da opinião da população. As redes sociais da internet vêm se dis-
seminando mais recentemente como outra forma importante. Tratam-se de formas 
de poder, de persuasão. Influenciando em comportamentos, na opinião política e 
social, nos hábitos do cotidiano.
10
Figura 3 – Diversas Mídias 
Fonte: Adaptado de Getty Images
#ParaTodosVerem: a figura é composta por quatro fotos que mostram uma variedade de meios de comunicação e 
dispositivos utilizados para transmitir informações. As fotos retratam os seguintes elementos: Câmeras e Microfo-
nes: a primeira e a segunda foto exibem câmeras fotográficas e microfones. Revistas: a terceira foto mostra várias 
revistas empilhadas ou dispostas em uma superfície. As revistas são uma forma de mídia impressa que aborda 
uma ampla variedade de tópicos, como notícias, entretenimento, moda, saúde e estilo de vida. Computador: a 
última foto apresenta um computador, que representa a mídia digital e a tecnologia moderna de comunicação. 
Os computadores são usados para acessar a internet, enviar e-mails, criar conteúdo, realizar pesquisas e consumir 
uma variedade de mídias digitais, como notícias on-line, vídeos e redes sociais. Fim da descrição.
Há que se estabelecer um contraponto em relação às informações selecionadas e 
divulgadas pela mídia em geral (jornais e revistas impressos; blogs, sites pessoais e 
de empresas de comunicação; televisão, rádio etc.). Todos sempre devem ser ques-
tionados, mas no Brasil há uma crença generalizada de que se foi divulgado na mídia 
não precisa ser questionado.
Há fatos, mas, igualmente, muita manipulação e intencionalidades por trás de in-
formações, além de uma seleção que é feita pelas grandes agências de notícias 
que são internacionais, caso da Reuters, por exemplo. A seleção do que deve virar 
notícia e os fatos que devem ser ignorados não deixa de ser ideológica, também.
Na produção acadêmica, na história que nos contam, nas publicações científicas, 
em tudo há ideologia, embora para alguns a ciência seja neutra. Mas será que é? 
Chauí (2004) chama atenção para a produção do conhecimento e sobre a história. 
Ela aponta que:
11
Não é, assim, por exemplo, que os estudantes negros ficam sabendo que 
a Abolição foi um feito da Princesa Isabel? As lutas dos escravos estão 
sem registro e tudo que delas sabemos está registrado pelos senhores 
brancos. Não há direito à memória para o negro. Nem para o índio. Nem 
para os camponeses. Nem para os operários. História dos “grandes ho-
mens”, dos “grandes feitos”, das “grandes descobertas”, dos “grandes 
progressos”, a ideologia nunca nos diz o que são esses “grandes”. Gran-
des em quê? Grandes por quê? Grandes em relação a quê? No entan-
to, o saber histórico nos dirá que esses “grandes”, agentes da história e 
do progresso, são os “grandes e poderosos”, isto é, os dominantes, cuja 
“grandeza” depende sempre da exploração e dominação dos “pequenos”, 
aliás, a própria idéia de que os outros são os “pequenos” já é um pacto que 
fazemos com a ideologia dominante.
Fonte: Chauí, 2004, p. 47
 
Dessa forma, o poder tem relação intrínseca com a política, a ideologia, a economia. 
Todos esses campos têm relação, influenciando e sendo influenciados pela sociedade.
O Estado Moderno e o Governo
Na Europa, no período da Idade Média, as divisões territoriais eram baseadas em uni-
dades políticas que não se constituam em Estados, e sim principados, bispados, em 
feudos. A partir do século XVI, alguns destes feudos foram se unificando em torno de 
reis, formando gradativamente grandes reinos unificados sob a égide da centralização 
do poder na mão de uma só pessoa, de um território igualmente unificado, cujo poder 
era personificado por um rei, cujo poder se atribuía originado de direito divino. 
A forma de poder do governo, nesse caso, era a monarquia absolutista, na qual o 
poder estavacentralizado nas mãos do rei ou da rainha. 
De um lado, emerge a figura do rei ou da rainha absolutista, contudo, ao longo dos 
séculos XVII e XVIII, outro agente social surge como importante figura: trata-se da 
burguesia mercantil, que se beneficia da ampliação dos ganhos dos Estados euro-
peus com o comércio colônia, substituindo a antiga nobreza absolutista no domínio 
do aparato do Estado.
Ao longo do século XIX e começo do século XX, há a expansão capitalista, uma nova 
fase de colonização na África e Ásia empreendida pelos europeus, conhecida como 
fase imperialista, pois os impérios europeus partilharam politicamente várias regiões 
destes continentes. 
12
Figura 4 – Mapa da África durante a Colonização Européia 
Fonte: Getty Images
#ParaTodosVerem: a figura é um mapa da África durante o período de colonização europeia. O mapa mostra o 
continente africano dividido em diferentes áreas que foram colonizadas por potências europeias. No mapa, é 
possível identificar as fronteiras desenhadas pelos colonizadores europeus. Fim da descrição.
Mediante este processo imperialista, países como Inglaterra, França, Espanha, Bélgica 
e Portugal partilharam regiões da África, criando Estado-Nações, definindo fronteiras 
conforme os seus próprios interesses. 
A exploração capitalista em relação às formas de trabalho, no final do século XIX e 
começo do XX, levou milhares de trabalhadores a morarem em cortiços, em condi-
ções sub-humanas e com condições de trabalho bastante degradantes. 
Muitas leis trabalhistas surgiram a partir daí, como forma do Estado procurar conter 
os interesses da classe dominante (nesse caso, a burguesia industrial), pois seu avan-
ço sucedia de maneira desenfreada e sem regulamentações nas formas de trabalho.
13
Após a crise mundial de 1929, na qual a Bolsa de Valores de Nova York quebrou, 
alguns Estados procuraram desenvolver políticas de bem-estar social que ficaram 
conhecidas como “Estado do Bem-Estar Social” (Welfare State). Tais políticas já 
existiam em países como Finlândia e Suécia, no norte da Europa, e após a crise in-
fluenciaram as políticas de proteção social em outros países do mundo.
Importante
A ideia por trás destas políticas era criar condições mínimas de 
apoio à população, com programas sociais, legislações que be-
neficiassem os trabalhadores, serviços públicos gratuitos etc. A 
crítica que muitos fazem a elas é que o estabelecimento dessa 
proteção social serve de apoio ao surgimento de ideias populis-
tas por parte de grupos oportunistas que queiram se perpetuar 
no poder. 
 
Tais condições ficaram restritas mais aos países desenvolvidos, mas no Brasil, a par-
tir de 1930, algumas destas benesses, caso das legislações trabalhistas, foram incor-
poradas à política brasileira. 
Para alguns autores, como Marx, no século XIX e ao longo do século XX, dois agen-
tes, o Estado – que para Marx era a classe dominante no poder – coaduna-se em 
muitos casos com os interesses da burguesia, produzindo uma política para poucos, 
uma oligarquia de poder.
O Estado Moderno diverge das antigas formas de poder, pois se constitui em três 
pilares básicos: o território delimitado, o governo e o povo. Se no passado os reis 
eram reis dos ingleses, passaram, com o tempo da criação das monarquias abso-
lutistas, a serem reis da Inglaterra. Um Estado constituído formalmente, soberano, 
definido formalmente.
Já o governo tem um aparato técnico-administrativo, com vistas a exercer o poder, 
delegado ou não pela população. Esse aparato é formado por um conjunto de insti-
tuições públicas cuja finalidade é a gestão administrativa e jurídica. Como explica a 
socióloga Eloísa de Mattos Hofling (2001): 
14
Torna-se importante aqui ressaltar a diferenciação entre Estado e governo. 
Para se adotar uma compreensão sintética compatível com os objetivos 
deste texto, é possível se considerar Estado como o conjunto de institui-
ções permanentes – como órgãos legislativos, tribunais, exército e outras 
que não formam um bloco monolítico necessariamente – que possibilitam 
a ação do governo; e Governo, como o conjunto de programas e projetos 
que parte da sociedade (políticos, técnicos, organismos da sociedade ci-
vil e outros) propõe para a sociedade como um todo, configurando-se a 
orientação política de um determinado governo que assume e desempe-
nha as funções de Estado por um determinado período.
Fonte: Höfling, 2001, p. 30
 
Assim podemos ter uma monarquia absolutista, na qual o poder é exercido, mas 
sem escolha livre e direta da população; como podemos ter uma ditadura presi-
dencialista em que, embora a escolha não seja hereditária, igualmente não é uma 
democracia.
Glossário
• Monarquia: regime de governo no qual o poder é trans-
mitido segundo os princípios de hereditariedade a um 
monarca, podendo ser rei ou rainha, ficando no poder em 
geral até sua morte ou abdicação;
• Parlamentarismo: regime político no qual o parlamento 
(poder legislativo) apoia diretamente o governo, o primei-
ro ministro é responsável por governar. Pode ser usado em 
monarquias e em regime presidencialista. Nele, o rei ou o 
presidente é somente chefe de Estado, mas quem gover-
na é o Primeiro Ministro. Isso ocorre, por exemplo, no Reino 
Unido, que é uma monarquia parlamentarista;
• Ditadura: forma de governo no qual o poder está nas mãos 
de uma só pessoa ou de um grupo, que não foi eleito pelo 
povo;
• República: Forma de governo na qual, em geral, o eleito 
governará por um tempo determinado como presidente, 
tornando-se chefe de Estado.
15
A democracia requer que exista liberdade de escolha dos representantes do grupo 
político (agente social político) que irá representar toda a sociedade civil em prin-
cípio. Ocorre, que na prática, nem sempre as formas denominadas de democracia 
efetivamente o são, ou são parcialmente. 
Contudo, sabemos que por conta das contradições inerentes ao processo político, 
esta representação nem sempre se faz de forma adequada, já que existem diferen-
tes intencionalidades dos diferentes partidos políticos existentes. Bem como, para 
além disso, existe também interesse dos agentes do sistema econômico, dos atores 
hegemônicos que, muitas vezes, apoiam os governos e, posteriormente, acabam 
ganhando benefícios pessoais em detrimento da maioria da população. 
Conforme afirma Cornelius Castoriadis (SOUZA, 2006), na verdade, muito 
do que temos no mundo hoje, não são democracias de fato e, sim, oligar-
quias liberais. Muitos países que se auto definem como democratas, muitas 
vezes, na verdade, a gestão pública está voltada primordialmente a alguns 
grupos e classes sociais, por isso são denominados de oligarquias (poder de 
poucos). 
 
Ao mesmo tempo, conforme afirma o autor, há também uma alienação dos dirigi-
dos, ou seja, quase sempre a sociedade é muito mal informada, alienada e pouco 
preocupada com as questões políticas. 
Isso faz com que os dirigentes acabem se aproveitando dessa alienação para definir 
as políticas públicas conforme seus próprios interesses e não conforme os interes-
ses de toda sociedade. 
Ocorrem assimetrias de acessos aos proces-
sos decisórios e informações. Quando afir-
mamos que existem assimetrias, estamos 
nos referindo ao fato de que poucos têm in-
formações sobre o que acontece no seu país, 
na sua cidade, com a sua classe social.
16
Cornelius Castoriadis (1995) diz que o poder de alguns cria as “oligarquias no poder” 
(poucos detém o poder) tanto nos países chamados de democráticos quanto nos 
que se autodenominam socialistas: 
 
Quer o regime interno da organização seja “democrático” como nos refor-
mistas, quer seja ditatorial, como nos estalinistas, a massa dos militantes 
não pode absolutamente influir em sua orientação, que é determinada sem 
apelação por uma burocracia cuja estabilidade nunca é questionada; pois 
mesmo quando o núcleo dirigente chega a ser substituído, ele o é em pro-
veito de um outro não menos burocrático. 
Fonte: Castoriadis, 1995, p. 5
Portanto, na visão do autor,nem as ditas democracias são de fato democracias, 
nem o socialismo implantado em países como a antiga União Soviética levou a uma 
maior equidade social e política.
Por outro lado, não é possível separarmos a política da economia, na sociedade con-
temporânea. Quando observamos as relações internacionais, por exemplo: se um 
presidente viaja para estabelecer melhores relações com outros países está fazendo 
diplomacia, política; de outro, leva junto inúmeros empresários interessados em re-
lações econômicas. 
Cabe ressalvar que os regimes políticos e 
econômicos ditos socialistas, caso da antiga 
União Soviética, entre outros, também cria-
ram uma classe de dirigentes e burocratas 
tanto quanto no capitalismo, e que, por isso, 
não tornou a sociedade menos desigual. 
Muitas vezes as pessoas desconhecem por 
completo qual é o papel do governo em seus 
diferentes níveis de atuação (municipal, esta-
dual e federal), qual o papel do prefeito, do 
governador, do presidente e acabam con-
fundindo também de quem é a competência 
para fazer e decidir sobre o que. 
17
A ideologia do liberalismo econômico é antiga. A concepção de que o Estado em 
suas diferentes formas de governo deveria dar liberdade ao mercado na velha má-
xima “o mercado se autorregula” ou ainda “o mercado não precisa de normas e leis”. 
Mais recentemente, principalmente após os anos 1980-90 temos a doutrina 
do neoliberalismo, que se coaduna com o interesse de um Estado mínimo, 
com poucas regulamentações e que sirvam para a expansão do capitalismo, 
representados principalmente pelas megacorporações. 
A política neoliberal prega a abertura das fronteiras do ponto de vista do mercado, 
da diminuição das leis e normas que regulam o mercado econômico, com vistas a 
ampliar as fronteiras do capitalismo.
Em 1989, um grupo de organizações multilaterais, como o Banco Mundial e o Fundo 
Monetário Internacional, criam uma recomendação internacional principalmente aos 
países subdesenvolvidos latino-americanos chamada de “Consenso de Washington”, 
no qual definiu algumas medidas a serem tomadas, a saber:
• Reforma fiscal - buscando diminuir impostos para as grandes empresas;
• Redução fiscal e do aparelho estatal, cortando gastos e funcionários do gover-
no, terceirizando parte da mão de obra;
• Política de privatização de órgãos, empresas e instituições públicas.
Tal política seria um parâmetro mundial para os países que necessitassem de em-
préstimos mundiais, caso do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mun-
dial entre outros.
18
Figura 5 – Sede do Fundo Monetário Internacional, Washington D.C. 
Fonte: Wikimedia Commons
#ParaTodosVerem: a imagem é uma fotografia da sede do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington 
D.C. A sede do FMI é um edifício moderno e imponente, com arquitetura contemporânea. O edifício possui uma 
fachada de vidro e aço, com vários andares e linhas arquitetônicas. Ao redor da sede, é possível observar áreas 
ajardinadas e uma paisagem urbana típica de Washington D.C., com ruas, calçadas e outros edifícios ao fundo. 
Fim da descrição.
Tais medidas vêm sendo criticadas por entidades sociais e políticas de esquerda, 
pois afirmam ser uma política de arrocho salarial, de interesse das grandes corpora-
ções econômicas. 
Por outro lado, existem os movimentos sociais, que são agentes sociais de diferen-
tes tipos, que buscam se contrapor ao atual processo de globalização, almejando 
maior equidade social, bem como reduzir desigualdades de natureza política, racial, 
sexual, entre outras dimensões. 
Entende-se por movimento social um grupo de pessoas, organizados, com uma in-
tenção específica de alcançar transformações sociais e políticas de forma coletiva. 
19
Há diferentes maneiras de se expressarem: por meio de artigos, passeatas, mani-
festações, denúncias, ocupações, entre outras. 
Figura 6 - Fórum Social Mundial 2009, painel América Latina e o Desafio da Crise Internacional 
Fonte: ebc.com.br
#ParaTodosVerem: é uma fotografia que captura a cena de uma palestra ou debate, na qual várias pessoas estão 
presentes. A sala em que o painel ocorre pode ter uma decoração simples, com paredes neutras ou decoradas 
com pôsteres relacionados ao tema do evento. Pode haver também telas ou projeções exibindo informações 
visuais ou gráficos relevantes para a discussão. Fim da descrição.
Este é o caso do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terras (MST), do Movi-
mento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), do Fórum Social Mundial (que engloba 
inúmeros movimentos contra o atual processo de globalização), dos movimentos es-
tudantis de diferentes países, dos movimentos negros, entre tantos outros. A seguir, 
vamos evidenciar de forma resumida, alguns eventos e períodos da política brasileira.
20
Resumo da Trajetória das Formas 
de Política no Brasil
O Brasil se constitui como Estado com a independência formal de Portugal, em 1822, 
e com a Constituição de 1824 delineia sua forma de governo, que naquela época era 
o Império, uma forma de monarquia. 
Assim, em vários momentos do período imperial, houve conflitos regionais, geral-
mente relacionados à excessiva intervenção do governo central na vida das provín-
cias. Foram estes os casos da Guerra da Cisplatina, que resultou na independência 
do Uruguai, em 1827; da Guerra dos Farrapos, no Rio Grande do Sul (1835-1845); e 
da Revolução Praieira1, em Pernambuco, em 1849. 
Figura 7 - Revoltas Nativistas do Brasil Império 
Fonte: Adaptado Acervo do Conteudista
#ParaTodosVerem: a imagem é um mapa do Brasil, destacando diferentes regiões do país durante o período 
do Brasil Império, em que ocorreram revoltas nativistas. O mapa apresenta diferentes cores ou símbolos para 
representar as regiões envolvidas nas revoltas. É possível observar as fronteiras do Brasil, bem como os estados 
ou províncias que compunham o país na época. Há também indicações de cidades ou pontos específicos nos 
quais ocorreram as revoltas. A representação gráfica das revoltas nativistas é feita por meio de números que 
indicam os locais onde esses movimentos de resistência ocorreram. Fim da descrição. 
21
Como explica o historiador Boris Fausto (1994), a chegada da metade do século XIX 
é marcada por uma busca por modernização, que pode ser verificada principalmen-
te pelas mudanças nas leis:
 
[...] 1850 não assinalou no Brasil apenas a metade do século. Foi o ano de 
várias medidas que tentavam mudar a fisionomia do país, encaminhando-o 
para o que então se considerava modernidade. Extinguiu-se o tráfico de 
escravos, promulgou-se a Lei de Terras, centralizou-se a Guarda Nacional 
e foi aprovado o primeiro Código Comercial. Este trazia inovações e ao 
mesmo tempo integrava os textos dispersos que vinham do período colo-
nial. Entre outros pontos, definiu os tipos de companhias que poderiam ser 
organizadas no país e regulou suas operações. Assim como ocorreu com a 
Lei de Terras, tinha como ponto de referência a extinção do tráfico.
Fonte: Fausto, 1994, p. 197
 
Foram mudanças importantes na sociedade brasileira, uma vez que acabou a escra-
vidão negra formalmente no país e toda uma nova ideologia é elaborada para este 
novo momento da história social do Brasil. 
Se antes o trabalho era visto como algo que o escravo deveria fazer, no final do sé-
culo XIX, funda-se a ideologia de que o trabalho dignifica o homem e os imigrantes 
vão ser trazidos para trabalharem, especialmente, nas lavouras do Sul-Sudeste.
A Questão da Escravidão
As leis que promoveram a abolição, começando pela Lei de Proibição do Tráfico, de 
1850; a Lei do Ventre Livre, de 1871; a Lei do Sexagenário, de 1886; e, finalmente, a 
Lei Áurea, de 1888; levaram a imensa mão de obra representada pelos escravos a uma 
situação precária, visto que não foram seguidas por leis que promovessem o acesso à 
terra por parte desta população. Grandes nomes dentre os abolicionistas, destacando-se 
Joaquim Nabuco, André Rebouças e João Alfredo, lutavam para aprovar leis que dessem 
terrase garantissem crédito agrícola, para fazer dos ex-escravos pequenos produtores 
rurais, dando-lhes garantia de segurança alimentar e evitando desordens sociais.
Em 1889, o Brasil se torna uma República presidencialista e federalista. Em 1889, com 
a Proclamação da República, o Brasil seguiu o modelo norte-americano de federalis-
mo, transformando as então províncias em Estados. Entretanto, na história brasileira 
houve vários períodos de governos ditatoriais, nos quais, na prática, o poder centrali-
zador foi grande em detrimento da descentralização do poder dos Estados-membros.
22
Tivemos, por exemplo, a ditadura Vargas, no período de 1930-1945, os governos 
militares, de 1964-1985, períodos nos quais a liberdade de expressão e política fo-
ram suprimidas e alguns partidos políticos foram proibidos de exercer sua atuação 
política. 
No começo do século XX, o poder central passou a ter uma influência 
maior dos poderes regionais, dentro de uma composição hierárquica, liga-
da principalmente ao poder econômico das elites locais, que num primeiro 
momento ficou conhecida como café com leite, pois parte de tal elite era 
produtora de café e de gado leiteiro, em Minas e em São Paulo.
 
Já com o final da ditadura de Getúlio Vargas (1930-1945), alguns partidos ressur-
giram e outros novos foram criados. No final da década de 1950, a ideologia por 
trás do governo JK (1956-1961) consistia num programa de desenvolvimento rápido, 
cujo lema era “50 anos em 5”. Juscelino havia sido governador de Minas Gerais, ten-
do promovido amplas reformas, especialmente, no que se refere à infraestrutura. 
Construiu estradas, usinas hidrelétricas, além de ter trazido uma indústria siderúrgi-
ca para o seu Estado.
Ficou conhecido pela sua gestão desenvolvimentista, o que o credenciou à candida-
tura presidencial. Sua eleição foi apoiada por seis partidos, embora houvesse muita 
desconfiança, sobretudo, por parte dos militares, com relação a um possível apoio 
comunista à sua candidatura.
23
Dentre os atos institucionais promulgados pelos governos militares, o Ato Institu-
cional número 5, de 1968, conhecido como AI-5, tornou-se o mais importante ato 
na supressão da liberdade no Brasil, que perdurou até 1978.
De modo a reduzir o poder do presi-
dente, a oposição conseguiu passar no 
Congresso Nacional uma emenda que 
instituía o parlamentarismo no Brasil. 
Assim, ao tomar posse, João Goulart 
tinha seus poderes limitados à che-
fia do Estado, sendo que a chefia de 
governo caberia ao primeiro ministro. 
Com o golpe militar em 1964, um novo 
período de ditadura se estabelece no 
Brasil. Em 1967, Castello Branco outor-
ga a Constituição, institucionalizando 
as práticas já adotadas pelo governo, 
o que de certa forma conferia legiti-
midade a suas ações. Por essa Cons-
tituição, passou a existir uma ditadura 
impessoal, em que os chefes militares 
revezavam-se no poder.
24
Glossário
AI- 5
[...] Art. 4º. No interesse de preservar a Revolução, o 
Presidente da República, ouvido o Conselho de Se-
gurança Nacional, e sem as limitações previstas na 
Constituição, poderá suspender os direitos políticos 
de quaisquer cidadãos pelo prazo de 10 anos e cassar 
mandatos eletivos federais, estaduais e municipais. 
Parágrafo único. Aos membros dos Legislativos 
federal, estaduais e municipais, que tiverem seus 
mandatos cassados, não serão dados substitutos, 
determinando-se o quorum parlamentar em função 
dos lugares efetivamente preenchidos. 
Art. 5º. A suspensão dos direitos políticos, com base 
neste Ato, importa, simultaneamente, em: 
I - cessação de privilégio de foro por prerrogativa de 
função; 
II - suspensão do direito de votar e de ser votado nas 
eleições sindicais; 
III - proibição de atividades ou manifestação sobre 
assunto de natureza política; 
IV - aplicação, quando necessária, das seguintes me-
didas de segurança: 
a) liberdade vigiada; 
b) proibição de freqüentar determinados lugares; 
c) domicílio determinado [...] 
Leitura
Conheça mais o que foi o Ato Institucional n.º 5 
lendo o texto disponível no QR Code ao lado.
http://http://google.com.br
https://bit.ly/44SEti6
25
Em 1978, começa a primeira mudança no campo político, com a anistia para alguns 
brasileiros que haviam sido exilados do Brasil por conta da ditadura. Apesar de um 
avanço no campo político, no começo dos anos 1980, o Brasil ainda estava assolado 
pela hiperinflação, desemprego e estagnação econômica. 
Em 1985, alguns setores da sociedade brasileira criaram uma grande campanha pe-
las eleições diretas, movimento conhecido como “Diretas Já”, do qual participavam 
políticos de oposição e também artistas e pessoas famosas. Houve comícios, prin-
cipalmente, nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, com a participação de 
milhões de pessoas. Esse amplo movimento social e político redundou no final dos 
governos militares em 1985 e em um novo período de redemocratização. 
Figura 8 – Diretas Já 
Fonte: ebc.com.br
#ParaTodosVerem: a imagem retrata uma manifestação histórica conhecida como “Diretas Já”. A fotografia 
está em preto e branco, e mostra um grupo de pessoas segurando uma faixa com os dizeres “Diretas Já – Ar-
tistas e Intelectuais”. Na imagem, é possível ver uma multidão reunida em um espaço público, como uma praça 
ou uma rua. As pessoas estão aglomeradas. Embora a imagem esteja em preto e branco, é possível inferir a 
presença de diferentes indivíduos, provavelmente, com vestimentas diversas e expressões faciais variadas, que 
demonstram apoio e entusiasmo pela causa política. Fim da descrição.
26
A partir daí, o Congresso elaborou uma nova Constituição em 1988, tornando-se 
um marco político importante neste novo período de redemocratização no Brasil. 
Apesar dos avanços no campo político com novas eleições presidenciais diretas, 
num primeiro momento a questão social e econômica ainda se encontrava bastante 
debilitada, com grande inflação, desemprego e inúmeros planos econômicos que 
buscavam sem sucesso equilibrar as finanças do país. 
Para se ter uma ideia, em 1988 a inflação anual chegou ao patamar de 1.037,53% 
em um ano (só para comparação, a inflação de 2016 foi 6,2%). Tal condição fez com 
que a década de 1980 e começo de 1990 como período de aumento da pobreza, do 
desemprego, das desigualdades sociais ampliadas no Brasil. 
Um novo momento social e econômico ocorreu com a estabilização eco-
nômica e monetária no Brasil, com o Plano Real de 1994, que permitiu uma 
melhoria na condição socioeconômica do Brasil, ainda muito desigual so-
cialmente, mas em condições melhores do que nas décadas anteriores. 
Nos anos 1990, com a implantação de políticas neoliberais, vários setores e empre-
sas estatais foram privatizadas dentro da lógica do “Consenso de Washington”. Ao 
mesmo tempo, nos anos 2000, voltam a ser de crescimento econômico no Brasil 
com novas políticas sociais em voga. 
Já no século XXI, entramos num momento de crescimento econômico e depois 
com grandes escândalos de corrupção, envolvendo políticos de diversos partidos 
e grandes empresas (principalmente do setor de construção civil) denunciados por 
um sistema chamado de “Delação Premiada”. 
Para alguns, era o “fim do Brasil”; para outros, um momento histórico importante, no 
qual alguns políticos que estavam envolvidos em irregularidades e fraudes econômi-
cas foram presos ou denunciados, situação incomum em nossa história.
27
Reflita
É fundamental que se analise sempre as implicações de tais 
eventos. Estão todos sendo efetivamente punidos, ou há um 
componente ideológico que está sendo explorado por alguns 
setores políticos?
É essencial lembrar que não se faz política sem poder, sem ideologias, sem rela-
ção entre a dimensão econômica e política e tudo isso afeta o Brasil, o mundo e a 
sociedade. 
Apesar de tantas desigualdades sociais, assimetrias de acesso, de alienação, cer-
tamente se compararmos o Brasil hoje ao do período da escravidão, por exemplo, 
podemos afirmar que avançamos positivamente, mas, sem dúvidas,ainda há muito 
para ser questionado, discordado, repensado do ponto de vista social e político no 
país. 
Material Complementar
28
História do Brasil: Política e Economia 
OLIVEIRA, D. História do Brasil: política e economia. Curitiba: Intersaberes, 
2012. (e-book). 
Políticas Públicas: Definições, Interlocuções e Experiências 
OLIVEIRA, M.; BERGUE, S. T. (orgs.). Políticas públicas: definições, interlocu-
ções e experiências. Caxias do Sul: Educs, 2012. (e-book). 
Relações Internacionais 
SEITENFUS, R. Relações internacionais. Barueri: Manole, 2013. (e-book). 
Livros
Palestra Antonio Carlos Robert Moraes
https://youtu.be/fqTBx6v7uFY 
Engenheiros do Hawaii – Toda Forma de Poder
https://youtu.be/_Aj8oWL_uNQ
Vídeos
https://youtu.be/fqTBx6v7uFY 
https://youtu.be/_Aj8oWL_uNQ
Referências
29
ANDRADE, M. C. A questão do território no Brasil. São Paulo: HUCITEC, 2004. 
ARENDT, H. Da Violência. Trad. Maria Cláudia Drummond Trindade. Brasília: Ed. Uni-
versidade de Brasília, 1985. 
CASTORIADIS, C. Sobre o conteúdo do socialismo. Socialismo ou Barbárie, nº 17 
julho de 1955. Disponível em: .
CHAUÍ, M. O que é ideologia? Revisão José E. A. publicação digital, 2004. Disponível 
em:.
FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo: EDUSP, 1994.
HÖFLING, E. M. Estado e políticas públicas sociais. Cadernos Cedes, ano XXI, nº 55, 
novembro, 2001, p. 30-41. 
MARX, K.; ENGELS, F. A ideologia alemã. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
SKIDMORE, T. E. Brasil: de Getúlio a Castello (1930-64). São Paulo: Companhia das 
Letras, 2010.
SOUZA, M. L. A prisão e a ágora: reflexões em torno da democratização do planeja-
mento e da gestão das cidades. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006. 
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