Prévia do material em texto
1) Conhecer os conceitos de distanasia, eutanásia, ortotanásia, suicidio assistido e mistanasia, discutindo a autonomia do paciente em relação aos atos Art. 1o É permitido ao médico limitar ou suspender procedimentos e tratamentos que prolonguem a vida do doente em fase terminal, de enfermidade grave e incurável, respeitada a vontade da pessoa ou de seu representante legal. §1o O médico tem a obrigação de esclarecer ao doente ou a seu representante legal as modalidades terapêuticas adequadas para cada situação. §2o A decisão referida no caput deve ser fundamentada e registrada no prontuário. §3o É assegurado ao doente ou a seu representante legal o direito de solicitar uma segunda opinião médica. Art. 2oO doente continuará a receber todos os cuidados necessários para aliviar os sintomas que levam ao sofrimento, assegurada a assistência integral, o conforto físico, psíquico, social e espiritual, inclusive assegurando-lhe o direito da alta hospitalar. DISTANASIA É o prolongamento artificial do processo de morte e por consequência prorroga também o sofrimento da pessoa. Muitas vezes o desejo de recuperação do doente a todo custo, ao invés de ajudar ou permitir uma morte natural, acaba prolongando sua agonia. Quando há investimento à cura, diante de um caso de incurabilidade, trata-se de agressão à dignidade dessa pessoa. É o processo pelo qual se prolonga meramente o processo de morrer, e não a vida propriamente dita, tendo como consequência morte prolongada, lenta e, com frequência, acompanhada de sofrimento, dor e agonia. A Distanásia significa a prática de atos pelos quais se prolonga, por meio de meios artificiais e desproporcionais, a vida de um enfermo incurável. A prática em comento é extremamente repudiada pela Resolução no 1931/2009 do CFM. O budismo vê o prolongamento da vida como interferência divina e o catolicismo há equilíbrio entre o respeito á vida e a aceitação da morte como parte de aceitação do plano divino, no entanto eles rejeitam a distanasia considerando como um desrespeito A autonomia é limitada na pediatria, pois é substitiuida por uma autonomia representativa EUTANÁSIA A Eutanásia refere-se a prática de atos pelos quais se abrevia a vida de um enfermo incurável, de maneira controlada e assistida por um especialista. Não obstante, a Resolução no 1.931/2009 do CFM veda a prática mencionada. Atualmente, é entendida como uma prática para abreviar a vida, a fim de aliviar ou evitar sofrimento para os pacientes. É um ato ilícito → Crime de homicídio (art. 120 do código penal) Voluntária: morte provocada atendendo a vontade do paciente. Involuntária: morte é consentida pela família e não há vontade do paciente. Eutanásia ativa — Ato deliberado de provocar a morte sem sofrimento do paciente, por fins humanitários (por exemplo, utilizando uma injeção letal); Eutanásia passiva — Quando a morte ocorre por omissão proposital em se iniciar uma ação médica que garantiria a perpetuação da sobrevida (por exemplo, deixar de se iniciar aminas vasoativas no caso de choque não responsivo à reposição volêmica) Eutanásia de duplo efeito — Nos casos em que a morte é acelerada como consequência de ações médicas não visando ao êxito letal, mas sim, ao alívio do sofrimento de um paciente (por exemplo, emprego de morfina para controle da dor, gerando, secundariamente, depressão respiratória e óbito). Documento de diretivas antecipadas de vontade, são documentos legais em que uma pessoa esquanto está em pleno uso de suas faculdades mentais, especifica os cuidados médicos que deseja ou não receber caso venha enfrentar uma situação de incapacidade física ou mental no futuro Em países como Japão, Holanda, o debate sobre a eutanásia é impulsionado pelo aumento de doenças crônicas e pela incapacidade de os sistemas de saúde atenderem essa demanda de maneira sustentável. Até 2050 22% da população vai ser de idosos por isso eles estão considerando a liberação em outros países ORTOTANÁSIA A Ortotanásia refere-se ao termo utilizado pelos médicos para definir a morte natural, sem interferência da ciência, permitindo ao paciente morte digna, sem sofrimento, deixando a evolução e percurso da doença. Portanto, nota-se que, neste caso, evitam-se métodos extraordinários de suporte de vida, como medicamentos e aparelhos, em pacientes irrecuperáveis e que já foram submetidos a suporte avançado de vida. Salienta-se que o Conselho Federal de Medicina aprova esse ato, como conduta ética do médico. Por sua vez, nosso ordenamento jurídico estipula que tal omissão pode ser enquadrada como crime. SUICÍDIO ASSISTIDO É resultado da própria ação do paciente que, com a colaboração de terceiros, acarreta o resultado morte. Difere-se da eutanásia, pois a ação que gera a morte é perpetrada pelo próprio paciente, e não por terceiro. No Código Penal Brasileiro, a conduta está tipificada no artigo 122, com o seguinte teor: Art. 122 - Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça: Pena - reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave. Parágrafo único - A pena é duplicada: Aumento de pena I - se o crime é praticado por motivo egoístico; II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência. O ato causador da morte é de autoria daquele que põe termo à própria vida. O terceiro colabora com o ato, quer prestando informações, quer colocando à disposição do paciente os meios e condições necessárias à prática MISTANASIA O termo vem do grego (mys=infeliz; thanathos= morte; “morte infeliz”), ou seja, morte miserável, precoce e evitável (Ferreira, 2019). A diminuição sistemática do financiamento da saúde, o mau uso do dinheiro disponível no orçamento, o fechamento de leitos, serviços e unidades de saúde, a abertura indiscriminada de escolas médicas, o desprezo e desvalorização dos gestores pelo médico e demais profissionais da área, a falta de compromisso dos três poderes com a vida da população, corroídos pela corrupção, incompetência e desumanidade, são facetas da mistanásia que condicionam a vida e a morte, aumentando a vulnerabilidade dos mais necessitados O conceito de mistanásia pode ser aplicado também ao orçamento da educação, área que se interconecta diretamente com a saúde, pois ambas estão ligadas ao processo contínuo de fomentar a cidadania. Educação é a chave para o crescimento social e econômico, para a supressão da iniquidade, a conquista definitiva e palpável dos direitos fundamentais da pessoa. Tanto que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entrelaça três dimensões básicas: renda, educação e saúde Covid- 19, a distanásia foi acentuada durante a pandemia, principalmente em países de baixa renda, a falta de acesso a vacinas levou um aumento significativo de mortes AUTONOMIA DO PACIENTE EM RELAÇÃO AOS ATOS No decorrer das suas atualizações, constata-se uma evolução na valorização dos pacientes, bem como o acréscimo de novos assuntos pertinentes a cada época, visando auxiliar os profissionais médicos em suas condutas e comportamentos, mas protegendo também o paciente de abusos feitos pelo profissional: CEM 2018 – Princípios fundamentais: No processo de tomada de decisões profissionais, de acordo com seus ditames de consciência e as previsões legais, o médico aceitará as escolhas de seus pacientes, relativas aos procedimentos diagnósticos e terapêuticos por eles expressos, desde que adequadas ao caso e cientificamente reconhecidas. É vedado ao médico: CEM de 2018: Artigo 22o – Deixar de obter consentimento do paciente ou de seu representante legal após esclarecê-lo sobre o procedimento a ser realizado, salvo em caso de risco iminente de morte. Artigo 23onão-oferta de suporte vital (NSV) → por sua vez, significa o não-emprego desses mecanismos. D) Ordem de não-ressuscitação ou de não-reanimação (ONR) Resolução CFM n. 1931/2009. Que em pelo menos duas passagens impõe o dever de e garante ao médico a liberdade para acatar os desejos dos pacientes em relação às terapias a serem adotadas em si – Sendo vedado ao médico: • Art. 24. Deixar de garantir ao paciente o exercício do direito de decidir livremente sobre sua pessoa ou seu bem estar, bem como exercer sua autoridade para limitá- lo. • Art. 41. Abreviar a vida do paciente, ainda que a pedido deste ou de seu representante legal. Nos casos de doença incurável e terminal, deve o médico oferecer todos os cuidados paliativos disponíveis sem empreender ações diagnósticas ou terapêuticas inúteis ou obstinadas, levando sempre em consideração a vontade expressa do paciente ou, na sua impossibilidade, a de seu representante legal. Delas se extrai que há permissão legal para que os médicos acatem os desígnios dos pacientes – no que aqui é mais pertinente – manifestados em seus testamentos vitais, à exceção explícita da eutanásia, que não é uma das possíveis hipóteses a serem trazidas por um testamento vital. 4) Destacar a importância da comunicação do médico com o familiar e com o paciente (protocolo SPIKES, cuidados paliativos) e discutir sobre a política nacional de cuidados paliativos Existem recursos que auxiliam o profissional de saúde a estabelecer uma comunicação assertiva, como o protocolo “spikes”. O protocolo “spikes” descreve seis passos de maneira didática para comunicar más notícias. O primeiro passo (setting up) se refere à preparação do médico e do espaço físico para o evento; o segundo (perception) verifica até que ponto o paciente tem consciência de seu estado; o terceiro (invitation) procura entender quanto o paciente deseja saber sobre sua doença; o quarto (knowledge) será a transmissão da informação propriamente dita. Neste ponto, são ressaltadas algumas recomendações, como: utilizar frases introdutórias que indiquem ao paciente que más notícias virão, não usar palavras técnicas em excesso e checar a compreensão do paciente. O quinto passo (emotions) é reservado para responder empaticamente à reação demonstrada pelo paciente; o sexto (strategy and summary) diminui a ansiedade do paciente ao lhe revelar o plano terapêutico e o que pode vir a acontecer. S (setting up the interview): preparação. É fundamental nesta fase estar familiarizado com a informação clínica relevante e antecipar as possíveis reações do paciente. Isso inclui preparar-se emocionalmente antes de chamar o paciente e/ou familiares e organizar o tempo disponível para a comunicação. Deve-se preparar um ambiente acolhedor e privativo, evitando-se interrupções. O local deve ser adequado, evitando que a comunicação seja feita no corredor ou via telefone, preferindo-se sempre que possível a comunicação pessoal. É possível envolver pessoas importantes, se este for o desejo do paciente. Se houver mais alguém na consulta, é preciso verificar se o paciente não se importa que essa terceira pessoa esteja presente no momento da notícia. Nesta etapa, faz-se necessário alertar o paciente para o fato de que serão dadas notícias difíceis, a fim de diminuir o choque que se segue à revelação dos dados e facilitar o processamento da informação. P (assessing the patient’s perception):perceber o que o paciente sabe. É fortemente recomendado que o profissional use questões abertas e que se crie uma imagem aproximada do que o paciente entende sobre a sua situação médica. Nesta fase, é necessário corrigir as informações equivocadas e adequar as notícias difíceis aos conhecimentos dos pacientes. I (obtaining the patient’s invitation): determinar quanto o paciente quer saber. Por exemplo: “Quer que eu lhe explique com profundidade o que o Sr. tem?”. Embora a maioria dos pacientes expresse a vontade de saber toda a informação acerca do seu diagnóstico, prognóstico e detalhes da doença, alguns preferem não o saber. É importante reconhecer que a recusa de informação é um mecanismo psicológico de coping válido e manifesta- se mais frequentemente nas fases iniciais e avançadas da doença. Caso o paciente não pretenda saber detalhes sobre a sua doença, é preciso oferecer-se para responder às questões que possam surgir no futuro ou prestar esclarecimentos à família. K (giving the knowledge and information to the patient): a partilha de informação. É essencial adequar o nível de compreensão e vocabulário. Deve-se falar com franqueza, evitando uma comunicação sem afeto e com excesso de termos técnicos. Não se deve ter receio de utilizar as palavras “câncer” ou “morte”. Deve-se fornecer a informação de maneira gradativa, em pequenas porções, e confirmar periodicamente que o paciente compreendeu a informação, com pausas para avaliar a reação dele, respeitando seu ritmo e possibilitando que ele faça perguntas. Por exemplo: “Os exames vieram com uma alteração importante” (pausa). É preciso dar tempo para que o paciente possa digerir a notícia e respeitar o ritmo dele perguntando: “Quer me fazer alguma pergunta?”. Deve-se evitar a urgência de falar de forma a abreviar o próprio desconforto, permitindo o silêncio e as lágrimas, sempre oferecendo uma esperança realista. Quando o prognóstico for desfavorável, é melhor evitar frases como “Não há nada que se possa fazer por você”. Também é importante evitar culpabilizações, como “Se tivesse vindo antes...”, bem como seguranças precoces, como “Fique tranquilo, que tudo vai dar certo...”. Deve-se preferir frases do tipo “Eu gostaria...” a frases com “Eu lamento...”. Embora “Eu lamento” seja uma expressão empática, é também uma expressão que pode ser confundida com pena e que pode até mesmo desviar o foco do paciente e da família para o médico. Frases como “Eu gostaria que as coisas fossem diferentes” ou “Eu gostaria que pudéssemos oferecer um tratamento mais fácil e com resultados melhores para a sua doença” podem ter melhor aceitação. E (adressing the patient’s emotions): responder às emoções dos pacientes. Nesta fase da comunicação, o médico pode oferecer apoio e solidariedade ao paciente por meio de uma resposta empática. É fundamental tentar identificar a razão para aquela emoção e entender as crenças do paciente sobre a notícia: por exemplo, “O que significa para você ser portador de HIV?”. Também é essencial facilitar a expressão dos pacientes e familiares sobre o impacto da notícia difícil: “Como se sente?”. Nesta fase, é importante transmitir ao paciente que o médico estabeleceu conexão entre a emoção e o fato, demonstrar que entende o paciente e se colocar à sua disposição: “Conte comigo para enfrentar essa situação”. Oferecer respostas de reconhecimento e sintonia afetiva é de grande importância. S (strategy and summary): plano e seguimento. Antes de discutir um plano terapêutico, é preciso perceber se o paciente está preparado para a discussão. É essencial neste momento uma comunicação assertiva, em que se planejam ajuda de seguimento, planos para o futuro e se discutem expectativas irrealistas. Nesta fase, pode ajudar o reforço de estratégias de enfrentamento do paciente, abordando a superação de crises anteriores e a rede de apoio. O profissional de saúde deve deixar claro que estará ativamente envolvido no plano contínuo de ajuda. É importante explicar como o paciente e a família podem entrar em contato com o profissional para dúvidas e colocar-se à disposição para suporte. Antes de liberar o paciente, deve- se avaliar o estado emocional do paciente, se há risco de suicídio e se ele está em condições de voltar para casa sozinho ou se é preciso contatar alguém da família para apoio. Em caso de comunicação de morte, além de seguir os passos antes detalhados, háum guia mnemônico específico de notificação de morte: o GRIEV_ING. CUIDADO PALIATIVO O cuidado paliativo vem para sustentar e nortear essa atenção, preocupando-se e tratando dos sintomas físicos (como dor, dispneia, náuseas), psíquicos (ansiedade, depressão) e espirituais (questões existenciais sobre vida, morte e doenças). A fim de oferecer esses cuidados, além do olhar para o sofrimento, é imprescindível que se estabeleça uma relação humana com respeito, empatia e compaixão. Nesta perspectiva, a OMS definiu esses cuidados: [...] uma abordagem que visa melhorar a qualidade de vida dos doentes – e suas famílias – que enfrentam problemas decorrentes de uma doença incurável e/ou grave e com prognóstico limitado, através da prevenção e alivio do sofrimento, com recurso à identificação precoce “Cuidados paliativos consistem na assistência promovida por uma equipe multidisciplinar, que objetiva a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares, diante de uma doença que ameace a vida, por meio da prevenção e alívio do sofrimento, da identificação precoce, avaliação impecável e tratamento de dor e demais sintomas físicos, sociais, psicológicos e espirituais.” Cuidado paliativo diz respeito a uma prática que visa aliviar o sofrimento em um contexto de adoecimento grave e de potencial ameaça à vida, por meio de um olhar técnico e humanizado sobre todas as necessidades e dimensões do ser humano. Os princípios de atuação dos CP, desde a definição da OMS de 2002, podem ser definidos como:Promover alívio da dor e de outros sintomas responsáveis por sofrimento ❖ Afirmar a vida e reconhecer a morte como um processo natural. ❖ Não antecipar, nem prolongar ou adiar a morte. ❖ Integrar aspectos psicológicos e espirituais ao cuidado. ❖ Oferecer um conjunto de cuidados e suporte para ajudar o paciente a viver da maneira mais ativa possível até a morte. ❖ Oferecer suporte para a família compreender o quadro do familiar e se organizar durante o processo de doença e de luto. ❖ Acessar, por meio de uma equipe multiprofissional, as necessidades do paciente e da família, incluindo assistência ao luto, se necessário. ❖ Melhorar a qualidade de vida, influenciando positivamente a evolução da doença. ❖ Instituir cuidados paliativos precocemente no curso de evolução da doença em conjunto com tratamentos modificadores da doença responsáveis por prolongar a vida (como quimioterapia ou radioterapia). ❖ Incluir investigações diagnósticas necessárias para melhor compreensão e manejo das complicações clínicas que possam gerar sofrimento. De maneira prática, o cuidado é estabelecido por meio de uma relação que envolve boa comunicação, vínculo, responsabilização, respeito e empatia com o paciente, a família e a rede de apoio. Nessa prática, os profissionais trabalham em conjunto, integrando conhecimentos técnicos e particularidades pessoais com foco na prevenção e no cuidado do sofrimento humano. A assistência é focada na pessoa e não na doença. Por esse motivo não se pode cuidar adequadamente de alguém que não se conheça bem como pessoa. Na conceituação, a OMS indica que o cuidado paliativo deve ocorrer de maneira continuada a partir do diagnóstico e em paralelo ao tratamento modificador da doença (aquele que busca a cura ou o controle da doença). Nesse processo, com a evolução do quadro, a importância do cuidado paliativo aumenta proporcionalmente até que se torne a única terapêutica cabível durante o processo ativo de morte. No Brasil apenas 10% da pouplacao tem acesso aos cuidados paliativos, sendo que a grande concetracao de serviços esta no sudeste e menos de 2% dos médicos no Br tem especialização em cuidados paliativos, ainda tem uma grande limitação, tem uma grande falta de suporte financeiro e uma não aceitação desses cuidados, pois pela maioria é vista como uma desistência por isso que que hoje em dia a gente tem uma maior concentizacao sobre issoum guia mnemônico específico de notificação de morte: o GRIEV_ING. CUIDADO PALIATIVO O cuidado paliativo vem para sustentar e nortear essa atenção, preocupando-se e tratando dos sintomas físicos (como dor, dispneia, náuseas), psíquicos (ansiedade, depressão) e espirituais (questões existenciais sobre vida, morte e doenças). A fim de oferecer esses cuidados, além do olhar para o sofrimento, é imprescindível que se estabeleça uma relação humana com respeito, empatia e compaixão. Nesta perspectiva, a OMS definiu esses cuidados: [...] uma abordagem que visa melhorar a qualidade de vida dos doentes – e suas famílias – que enfrentam problemas decorrentes de uma doença incurável e/ou grave e com prognóstico limitado, através da prevenção e alivio do sofrimento, com recurso à identificação precoce “Cuidados paliativos consistem na assistência promovida por uma equipe multidisciplinar, que objetiva a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares, diante de uma doença que ameace a vida, por meio da prevenção e alívio do sofrimento, da identificação precoce, avaliação impecável e tratamento de dor e demais sintomas físicos, sociais, psicológicos e espirituais.” Cuidado paliativo diz respeito a uma prática que visa aliviar o sofrimento em um contexto de adoecimento grave e de potencial ameaça à vida, por meio de um olhar técnico e humanizado sobre todas as necessidades e dimensões do ser humano. Os princípios de atuação dos CP, desde a definição da OMS de 2002, podem ser definidos como:Promover alívio da dor e de outros sintomas responsáveis por sofrimento ❖ Afirmar a vida e reconhecer a morte como um processo natural. ❖ Não antecipar, nem prolongar ou adiar a morte. ❖ Integrar aspectos psicológicos e espirituais ao cuidado. ❖ Oferecer um conjunto de cuidados e suporte para ajudar o paciente a viver da maneira mais ativa possível até a morte. ❖ Oferecer suporte para a família compreender o quadro do familiar e se organizar durante o processo de doença e de luto. ❖ Acessar, por meio de uma equipe multiprofissional, as necessidades do paciente e da família, incluindo assistência ao luto, se necessário. ❖ Melhorar a qualidade de vida, influenciando positivamente a evolução da doença. ❖ Instituir cuidados paliativos precocemente no curso de evolução da doença em conjunto com tratamentos modificadores da doença responsáveis por prolongar a vida (como quimioterapia ou radioterapia). ❖ Incluir investigações diagnósticas necessárias para melhor compreensão e manejo das complicações clínicas que possam gerar sofrimento. De maneira prática, o cuidado é estabelecido por meio de uma relação que envolve boa comunicação, vínculo, responsabilização, respeito e empatia com o paciente, a família e a rede de apoio. Nessa prática, os profissionais trabalham em conjunto, integrando conhecimentos técnicos e particularidades pessoais com foco na prevenção e no cuidado do sofrimento humano. A assistência é focada na pessoa e não na doença. Por esse motivo não se pode cuidar adequadamente de alguém que não se conheça bem como pessoa. Na conceituação, a OMS indica que o cuidado paliativo deve ocorrer de maneira continuada a partir do diagnóstico e em paralelo ao tratamento modificador da doença (aquele que busca a cura ou o controle da doença). Nesse processo, com a evolução do quadro, a importância do cuidado paliativo aumenta proporcionalmente até que se torne a única terapêutica cabível durante o processo ativo de morte. No Brasil apenas 10% da pouplacao tem acesso aos cuidados paliativos, sendo que a grande concetracao de serviços esta no sudeste e menos de 2% dos médicos no Br tem especialização em cuidados paliativos, ainda tem uma grande limitação, tem uma grande falta de suporte financeiro e uma não aceitação desses cuidados, pois pela maioria é vista como uma desistência por isso que que hoje em dia a gente tem uma maior concentizacao sobre isso