Prévia do material em texto
Storybrand Prof.ª Natália Gabrich de Oliveira Descrição O desenvolvimento do roteiro de marca e seu diferencial em um mercado competitivo. Propósito Entender o novo formato de propaganda e marketing para a sociedade atual por meio da técnica de storybrand, a qual visa facilitar a comunicação com cliente, construindo e deixando claro o propósito da marca para seus consumidores. Objetivos Módulo 1 Storytelling: definição e estrutura Reconhecer o conceito de storytelling e seus termos, com foco na construção de Módulo 2 O que é uma história de marca: o cliente como o herói narrativas atraentes e instigantes. Identificar a importância das histórias como transmissoras de conhecimento. Módulo 3 Golden Circle e o Método dos 7 Passos do Storybrand Reconhecer cada um dos sete passos para a criação de um roteiro de marca. Módulo 4 O roteiro storybrand: redigindo uma narrativa de marca Empregar o roteiro de storybrand de forma eficiente em uma marca e redigir uma narrativa corretamente. Introdução O conceito de marca deve estar cada vez mais próximo da sociedade e de seus clientes, gerando vínculos mais sólidos. Para tanto, neste estudo, abordaremos a importância das histórias na sociedade e o cliente como herói da história da marca. Por fim, iremos compreender os passos para a construção de um storybrand – um roteiro de marca – de forma eficiente, atendendo aos objetivos da empresa e explorando seu propósito como diferencial. 1 - Storytelling: definição e estrutura No fim deste módulo, você será capaz de reconhecer o conceito de storytelling e seus termos, com foco na construção de narrativas atraentes e instigantes. Ligando os pontos Sabendo da importância das narrativas na vida de seus consumidores, a marca britânica de cartões de crédito Barclaycard produziu em 2019 um dos melhores exemplos de storytelling: a campanha audiovisual na qual um casal procura o seu “lugar feliz” ou “espaço de conforto” no mundo, cada uma à sua própria perspectiva. Para dar vazão à história multifacetada, a Barclaycard criou dois filmes contados a partir de dois pontos de vista diferentes. A ideia era mostrar como um casal acaba “suportando” as manias e desejos um do outro por meio do amor. Assim, o primeiro vídeo acontece em uma partida de luta livre, onde um casal demonstra experiências diametralmente opostas sobre o evento. Logo, é possível ver que a mulher é claramente uma grande fã de wrestling, mas seu parceiro, ao contrário, nitidamente deseja poder estar em outro lugar, em seu "lugar feliz": um festival de música colorido, com muita gente dançando e ao ar livre. No segundo anúncio, por sua vez, a situação oposta se desenrola. O personagem principal, agora, é o homem que está tendo um momento fantástico em um festival de música, enquanto a atenção da mulher, entediada, se desvia para seu “sonho de consumo”: ela começa a fantasiar que está em um ringue de luta livre, não apenas assistindo, mas atuando na partida televisionada para milhares de pessoas, isto é, o seu verdadeiro “espaço de conforto” idealizado. Ambos os vídeos comunicam a mensagem de que o Barclaycard é o aliado do amor deste casal justamente por oferecer economia em milhares de eventos quando os ingressos são comprados via o cartão da marca. Portanto, nem o homem nem sua parceira desistem de sua vida a dois, mesmo tendo gostos diferentes, por saberem que ao frequentar um evento que não é o melhor de todos, consequentemente, terão desconto para poderem ir ao evento que verdadeiramente gostam. Sobre a estratégia de storytelling, Alex Naylor (Diretor Geral de Comunicação de Marketing do Barclays, Reino Unido) disse ao site “Campaign”: "Quando se trata de nosso amor pelo entretenimento, nossas paixões e preferências são todas únicas - quer seja assistir a uma partida de luta livre ou dançar na multidão em um festival musical. Por isso, estamos entusiasmados em poder dar vida a isto de uma forma inovadora, usando a narração de histórias ‘espelhadas’ por perspectivas diferentes”. Depois dessa discussão, que tal ligarmos os pontos de maneira prática para entender um pouco mais sobre o assunto? Questão 1 Se ao contar uma boa história, antes de tudo, é preciso saber qual a mensagem pretendemos transmitir, igualmente necessário é também entender como a estrutura narrativa do storytelling está bem encadeada de modo a ser clara a interpretação por parte do receptor. Desse modo, se você estivesse na posição de apresentar um relatório sobre a mensagem e a estrutura discutidas no case Barclaycard, seria possível afirmar que: A mensagem é clara (o cartão Barclaycard auxilia os casais a compartilharem momentos que realmente fazem sentido em suas vidas por meio da compra de ingressos com descontos a eventos diversos), porém, a estrutura não é de A fácil interpretação (ou seja, as duas perspectivas não mostram claramente a percepção de cada personagem e nem como o cartão da Barclaycard proporcionaria o encontro desses personagens com o seu “lugar feliz” no mundo). B A mensagem é confusa (o cartão Barclaycard não mostra como é possível auxiliar os casais a compartilharem momentos que realmente possam fazer sentido em suas vidas por meio da compra de ingressos), porém, a estrutura é de fácil interpretação (já que as duas perspectivas mostram a percepção de cada personagem, mas deixam de fora os motivos que fariam o cartão da Barclaycard proporcionar o encontro desses personagens com o seu “lugar feliz” no mundo). C A mensagem é clara (o cartão Barclaycard auxilia os casais a compartilharem momentos que realmente fazem sentido em suas vidas por meio da compra de ingressos com descontos a eventos diversos) e a estrutura também é de fácil interpretação (as duas perspectivas mostram a percepção de cada personagem e como o cartão da Barclaycard proporciona o encontro desses personagens com o seu “lugar feliz” no mundo). D A mensagem é confusa (o cartão Barclaycard não explicita como os casais precisam de seu serviço para compartilharem momentos que realmente façam sentido em suas vidas) e a estrutura também é confusa (já que as duas perspectivas mostram a percepção conflitante de cada personagem e, assim, não especificam como o cartão da Barclaycard poderia Parabéns! A alternativa C está correta. Como o case demonstra, a mensagem da marca ao apresentar sua estratégia de storytelling do cartão Barclaycard é clara: o cartão auxilia as pessoas (no vídeo específico, o casal) a compartilharem bons momentos juntas por meio da compra de ingressos com desconto. Igualmente, a estrutura narrativa também é clara pois ela deixa explícito ao cliente/espectador que, ao tomar contato com as perspectivas do homem e da mulher, o cartão os auxilia não apenas a ter vantagem financeira com impactos na vida cotidiana, como também a “suportar” um evento que não gostariam de estar, mas que pode render descontos na compra de outro ingresso para um evento realmente excitante. Questão 2 A partir da leitura do texto, foi possível entender como o storytelling dá corpo e vida à experiência que a marca de cartões Barclaycard pretende oferecer aos seus clientes. Em relação à empatia criada por meio da história narrada no comercial, o que você destacaria como o principal elemento que proporciona esse movimento de projeção e também identificação do público com o casal em cena? proporcionar o encontro desses personagens com o seu “lugar feliz” no mundo). E A mensagem é confusa (o cartão Barclaycard não consegue demonstrar como pode auxiliar os casais a compartilharem momentos que realmente façam sentido em suas vidas) e, igualmente, a estrutura traz uma interpretação enviesada (já que as duas perspectivas mostram a percepção de cada personagem em conflito com a escolha ou não de usar o cartão da Barclaycard na busca pelo seu “lugar feliz” no mundo). A O storytelling tem a força de trazer, orgânica e naturalmente, a imagem de que aspelos quais pensa que o que está comprando é melhor. (SINEK, 2018, p. 61) Um conhecido caso estudado em faculdades de administração relembra as grandes ferrovias americanas que surgiram em 1800 e que focaram cada vez mais e mais em trilhos, motores e trens, deixando de lado o seu por quê, já que se sentiam seguras no mercado de transportes, afinal, eram potências financeiras da época. Porém, no início do século XX, uma nova tecnologia aparece no mundo dos transportes: o avião. A partir deste momento, temos a queda de todas estas grandes empresas ferroviárias e uma mudança permanente no mercado. Esse acontecimento nos deixa então com a seguinte pergunta: se as companhias ferroviárias, com todos os recursos financeiros que tinham, tivessem focado em transporte de massa, e não em trens, não seriam elas as detentoras das tecnologias de transporte aéreo nos dias de hoje? O Método dos 7 Passos Donald Miller, em seu outro livro Storybrand (2019), reforça que, mesmo que uma empresa gaste enormes quantias em marketing e campanhas publicitárias, pode não obter os resultados esperados. Ele questiona: e se o problema nestes resultados não estiver no produto? E se o problema estiver na maneira como falamos sobre ele? O fato é que somente a beleza de um layout não vende, pois precisamos de palavras e argumentos, como vimos anteriormente. Além disso, acima de tudo, devemos tornar a mensagem clara para nosso cliente, e isso não é uma tarefa nada fácil. Para tornar a mensagem, suas palavras, um texto organizado e claro, a melhor maneira de construí-lo é no formato de uma história, pois a história é um dispositivo que faz sentido e se aproxima de seu espectador. Quando definimos os elementos de uma história em relação à nossa marca, criamos um roteiro que os clientes podem seguir para se envolver com nossos produtos e serviços. (MILLER, 2019, p. 9) Miller afirma ter criado uma fórmula que facilita o desenvolvimento de um roteiro para as marcas, auxiliando o desenvolvimento do enredo que será contado do cliente. Ele chama essa fórmula de 7 passos do storybrand. Segundo a sua técnica, a estrutura ideal é: “Um PERSONAGEM que deseja alguma coisa encontra um PROBLEMA antes que a possa obter. No auge de seu desespero, um GUIA entra em sua vida, lhe dá um PLANO e O CONVIDA A AGIR. Tal ação o ajuda a não FRACASSAR e termina em um SUCESSO” (MILLER, 2019, p. 9). Cartaz do filme Alice no País das Maravilhas (2010). Exemplo “João precisa resolver o problema de manter a sua casa limpa e cheirosa antes que uma visita chegue. No auge de seu desespero, ele vê um comercial do produto SuperLimpo, que mostra como ele conseguiria, de forma rápida e eficiente, concluir aquela limpeza. O comercial o incentiva a comprar o produto, que é vendido online e com entrega rápida, bastando pagar com seu cartão de crédito. Com isso, ele sabe que não terá mais uma casa suja e com cheiro ruim, e terá garantida uma ótima impressão para suas visitas.” Estes 7 pontos (personagem, problema, guia, plano, convite a agir, fracasso e sucesso) são adaptados então para um enredo em que a empresa possa desenvolver um roteiro para sua fala e argumentos. Desvendando cada ponto dos 7 passos Vamos, então, explorar e entender cada um desses 7 pontos, de forma rápida, antes de explorarmos suas particularidades e técnicas de desenvolvimento. Personagem Como já vimos anteriormente, o cliente deve ser o herói de sua história, não a marca. A marca representa o guia deste herói (voltaremos a isso em breve) e, como tal, deve guiar o cliente como um instrumento confiável para superar seus desafios. A empresa de cosméticos Avon atualmente utiliza bastante seus clientes como personagens principais de seus conteúdos. Em suas mídias sociais é comum observarmos postagens com os clientes como protagonistas, sugerindo dicas de beleza para outros consumidores. Dessa forma, a empresa demonstra o seu consumidor como aquele que está apto a resolver os seus desafios de beleza. A especialista em comunicação Nancy Duarte fez extensas pesquisas sobre como criar apresentações poderosas. A estratégia que ela recomenda a seus clientes é simples: ao discorrer, posicione-se como Yoda e, a sua audiência, como Luke Skywalker. Dessa forma, nos posicionamos como um líder sábio, que fornece produtos e serviços que o herói precisa para prosperar. Atenção! É importante entender que todo herói tem um objetivo. Ele quer algo e o resto de sua jornada é descobrir se ele efetivamente vai conseguir o que quer. Temos que descobrir o objetivo desse cliente para criarmos uma história em que ele se sinta convidado a participar. O problema Os clientes procuram, bem como os heróis das histórias, resolver um problema que interrompeu a sua vida tranquila. Ao falarmos sobre os problemas que nossos clientes enfrentam, aprofundamos seu interesse em tudo o que oferecemos. (MILLER, 2019, p. 31) Um bom exemplo disso é a empresa Polishop, especializada em produtos diferenciados, e que destaca, em muitos de seus vídeos promocionais, os problemas que seus produtos resolvem. Dessa forma, ela cria um vínculo com seus clientes e com seus problemas, externos e internos. Miller afirma que a maioria das empresas tenta vender soluções para problemas externos, quando, na verdade, a maioria dos clientes procura soluções para problemas internos. Mais à frente, vamos compreender como abordar corretamente os problemas desses clientes, tocando-os de forma profunda e gerando apaixonados pela marca. O guia Os clientes, como heróis em sua jornada, não estão procurando por outro herói, mas sim por um guia para orientá-los. Se os heróis fossem sempre capazes de resolver por si só os próprios problemas, nunca se encontrariam em situações difíceis, por exemplo: Em Guerra nas Estrelas temos Obi Wan e Yoda como guias de Luke. Em Jogos Vorazes temos Haymitch como guia de Katniss. Atenção! Caso a marca, erroneamente, se posicione como herói, o cliente tende a se distanciar. Ele passa inconscientemente a ver a marca como um competidor ou alguém que está somente contando uma história que toma o seu precioso tempo. O plano O herói, ou cliente, sempre vai confiar em um guia com um plano. Esse plano é um condutor para esse cliente chegar mais perto do ato de compra. Comprar sempre será uma decisão importante e, por conta disso, os clientes esperam que seu guia os indique uma forma fácil e simples de fazer negócios, orientando o caminho de maneira clara e objetiva, o que chamamos aqui de plano. Um bom exemplo de um plano são orientações simples de como realizar a compra em um site ou como agendar uma visita ou serviço. Tutorial de compra segura no site da empresa Magazine Luiza. O convite para agir Miller (2019) afirma que os clientes não agem, a não ser que sejam devidamente estimulados para isso. Podemos observar que os heróis das histórias precisam ser estimulados e desafiados para agirem; eles simplesmente não tomam atitudes do nada. O autor afirma inclusive que os seres humanos agem somente quando suas histórias os desafiam a isso. A inércia faz com que os clientes se tornem observadores e, portanto, devem ser estimulados a agir para gerar um engajamento. Caso não haja uma clara chamada para a ação, as pessoas tendem a não se envolver com a empresa. Fracasso A história do cliente precisa evitar um final trágico. Precisa haver algo a ser perdido, pois, caso contrário, não haverá interesse algum pela história. Por que você assistiria a um filme em que o herói não tem nada a perder com seu fracasso? Precisamos demonstrar ao cliente que há um custo em não comprar aquele produto ou serviço, que há um prejuízo em não fazer negócios com sua empresa. O cliente definitivamente precisa saber o que está em jogo, de forma bem clara, para assim valorizar ainda mais a aquisição do seu produto. Sucesso Todo cliente quer ser levado ao momento de sucesso, em que seu problema será resolvidoe sua vida será tranquila novamente. Este é o objetivo de sua jornada. Caso você não deixe claro que você está levando o cliente para este caminho de sucesso, outra marca poderá fazê-lo. Mostre a ele o quanto sua vida será boa por adquirir o seu produto e serviço, de forma clara e objetiva, sem rodeios. Dica É fundamental deixar claro para seus clientes o quanto sua marca pode mudar a vida delas. Nunca presuma que eles já sabem disso. Os arquétipos no storybrand: um diferencial competitivo Confira agora alguns arquétipos na construção de marcas, tendo como base a aplicação do Círculo Dourado (Golden Circle) para estabelecer uma conexão eficiente com o público. Vamos assistir! Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 O autor Simon Sinek, criador da teoria do Círculo Dourado, afirma que sua teoria é um ponto fundamental para que uma empresa/marca se direcione no sentido de compreender os anseios de seus clientes. Para ele, a teoria é como uma fórmula matemática que possibilita compreender o comportamento humano. Seguindo essa afirmativa, podemos afirmar que a utilização do Círculo Dourado Parabéns! A alternativa B está correta. Ao utilizar o Círculo Dourado e responder suas perguntas, a empresa passa a compreender melhor seu posicionamento e propósito. Com seu propósito definido, é importante posicionar-se de dentro para fora do Círculo em seus discursos, criando um vínculo com seus clientes e com a sociedade. Questão 2 O autor Donald Miller afirma que os clientes não agem, a não ser que sejam devidamente estimulados. Dentro dos 7 passos da jornada criada por Miller, A contribui efetivamente para definir um preço de produto para o consumidor que seja justo e de acordo com suas expectativas. B permite definir posicionamento, propósito e causa da empresa, alinhando seu discurso com seus clientes. C proporciona maior probabilidade de divulgação espontânea na mídia, tornando a empresa mais conhecida para potenciais clientes. D permite a empresa conseguir elencar seus produtos ou serviços prioritários, decidindo em quais vale a pena focar sua publicidade. E promove a melhor comunicação com o cliente, facilitando o serviço de atendimento ao consumidor da empresa. qual deles representa essa afirmação do autor? Parabéns! A alternativa C está correta. Podemos observar que os heróis das histórias precisam ser estimulados e desafiados para agirem, eles simplesmente não tomam atitudes do nada. Dessa forma, entendemos que os clientes também precisam de um incentivo para praticar uma ação. A O plano. B O personagem. C O convite para agir. D O fracasso. E O sucesso. 4 - O roteiro storybrand: redigindo uma narrativa de marca Ao final deste módulo, você deverá ser capaz de empregar o roteiro de storybrand de forma eficiente em uma marca e redigir uma narrativa corretamente. Ligando os pontos A partir da ideia de que existe o monomito, isto é, uma estrutura narrativa cíclica visível e aplicável em muitas histórias encontradas desde períodos folclóricos remotos até ao mais recente lançamento cinematográfico, a concepção de storybrand começou a chamar a atenção das marcas. Já afeitas à ideia de criar narrativas para vender seus produtos e serviços por meio do storytelling, agora, as marcas começam a vender suas “próprias narrativas” de marca, isto é, sua própria visão de storybrand. Diferentemente de se colocar no papel de herói do cliente, a perspectiva de storybrand discutida por Donald Miller (criador do conceito), traz a concepção de que é necessário destacar que o herói é o próprio cliente e que há um vilão (nítido, indiscutível e que precisa ser combatido) que atrapalha este herói de viver uma boa experiência de consumo com a marca. Assim, a estrutura que se dá a ver é: (1) um personagem entra na história (que é seu cliente), (2) eles têm um problema (eles precisam de ajuda para resolvê-lo), (3) eles encontram um guia (que são os benefícios que a marca oferece), (4) o guia deles lhes dá um plano (como resolver o problema deles) e, finalmente, (5) esse plano os chama à ação (para comprar o que sua marca oferece e resolver o problema deles). Um exemplo recente e próximo ao público brasileiro é a campanha “Destrave”, da Vivo Fibra, criada pela agência África, em 2019. Com um tom jovem e uma linguagem mais próxima à internet, uma série de vídeos de 15 segundos destaca o verdadeiro vilão de todas as situações nas quais o usuário faz uso dos serviços on-line: a internet lenta e que constantemente trava. Assim, momentos importantes como um chá on-line de revelação do gênero do bebê, um lance decisivo de uma partida do jogo em rede ou mesmo a parte mais importante da consulta com um terapeuta feita por vídeo chamada são interrompidos pela internet de baixa qualidade. A saída? Um plano de internet com Vivo Fibra para “destravar” a vida dos clientes. Porém, quem é o verdadeiro herói é justamente o cliente, que vê a necessidade de combater o vilão (internet lenta) por meio da ajuda de um guia sagaz a orientá-lo nesse combate (a própria Vivo). Logo, a prática de storybrand permite que as empresas mudem o foco de suas próprias realizações para que elas realmente possam ajudar o cliente, transformando-o no personagem heroico e a empresa no guia útil. Após a leitura do case, vamos ligar os pontos? Questão 1 Sobre o chamado para a ação no storybrand, é possível destacar que o herói da marca necessita se ver impelido a agir seguindo a ajuda proposta pela própria marca. Pensando na situação de que você precise explicar o roteiro criado para a marca, de modo claro, você arriscaria dizer que o chamado para a ação no caso da campanha “Destrave” se mostra visível quem mais momentos da história? A De modo claro, o chamado para a ação se dá na sequência de quando o problema (corte abrupto do momento importante vivenciado pelo usuário) é causado pelo vilão (internet travada), ou seja, a ajuda oferecida pelo guia (Vivo Fibra) chama a ação para o contrato de um serviço que dá ao herói da marca (o cliente) a possibilidade de eliminar o vilão e trazer o objeto desejado (uma internet de qualidade que dê continuidade às experiências rompidas). Além disso, metalinguística e secundariamente, é possível dizer que o nome da própria campanha se mostra como um chamado à ação pelo uso do verbo no imperativo: “Destrave”. De modo claro, o chamado para a ação se dá no começo da narrativa quando o problema (internet travada) é causado pelo vilão (pandemia), ou seja, a ajuda oferecida pelo guia (Vivo Fibra) chama a ação para o contrato de B seu serviço que, assim, elimina o vilão (herói da marca) e traz o objeto desejado (uma internet de pouca qualidade para dar continuidade às experiências rompidas). Além disso, metalinguística e secundariamente, é possível dizer que o nome da própria campanha se mostra como um chamado à ação pelo uso do verbo no imperativo: “Destrave”. C De modo claro, o chamado para a ação se dá na sequência de quando o problema (corte abrupto do momento importante vivenciado pelo usuário) é causado pelo vilão (internet travada), ou seja, a ajuda oferecida pelo guia (o próprio herói da marca) chama a ação para o contrato de seu serviço que, assim, elimina o vilão e traz o objeto desejado (uma internet de qualidade mediana para dar continuidade às experiências rompidas). Apenas nesse momento existe um chamado para ação durante toda a campanha. D De modo claro, o chamado para a ação se dá na sequência de quando o problema (corte abrupto do momento importante vivenciado pelo usuário) é causado pelo vilão (internet travada), ou seja, a ajuda oferecida pelo guia (a pandemia, no caso) chama a ação para o contrato de seu serviço, que, assim, elimina o vilão e traz o objeto desejado (uma internet de baixa qualidade para dar continuidade às experiências rompidas). Além disso, metalinguística e secundariamente, é possível dizerque o nome da própria campanha se mostra como um chamado à ação pelo uso do verbo no passado: “Destravei”. De modo claro, o chamado para a ação se dá apenas no fim da narrativa, quando o problema (corte abrupto do momento importante Parabéns! A alternativa A está correta. O chamado para a ação ocorre, no contexto da narrativa e de modo claro, a partir da sequência de quando o problema (corte abrupto do momento importante) é causado pelo vilão (internet travada). Dessa forma, a ajuda oferecida pelo guia (Vivo Fibra) chama a ação para o contrato de um serviço que dá ao herói da marca (o próprio cliente) a possibilidade de eliminar o vilão e trazer o objeto desejado. Ou seja, uma internet de qualidade que dê continuidade às experiências rompidas previamente. Metalinguística e secundariamente, também se pode afirmar que o roteiro destaca e antecipa no nome da própria campanha um chamado à ação pelo uso do verbo no imperativo: “Destrave”. Questão 2 Acerca do papel da marca na posição de um guia que auxilia e não necessariamente de um herói que salva o cliente em apuros, vê-se que a estratégia parece trocar os papeis de importância na relação entre marca e consumidor. Essa troca, via as práticas de storybrand, na sua leitura da campanha apresentada pela Vivo Fibra, coloca o cliente e a marca, respectivamente, em que posições narrativas dentro do roteiro? E vivenciado pelo usuário) é causado pelo vilão (internet travada), ou seja, a ajuda oferecida pelo guia (o próprio herói da marca) que chama a ação para o contrato de seu serviço (Vivo Fibra) e, assim, o vilão é eliminado e o objeto de desejo é conquistado (isto é, uma internet de qualidade discutível que dará continuidade às experiências rompidas). A Protagonista (Cliente) – Coadjuvante (Vivo Fibra) B Parabéns! A alternativa A está correta. Com papeis bem definidos, de modo a não criar confusão na cabeça de quem consome a peça publicitária, é possível afirmar que o papel de protagonista cabe ao cliente, isto é, o herói da marca. Com importância secundária, no papel de coadjuvante, a posição narrativa adotada pela marca é de um guia que irá auxiliar o herói em sua jornada na busca pelo objeto de desejo e na luta contra o vilão. Logo, nessa troca de papeis, o cliente se vê numa posição de maior prestígio. Questão 3 Em relação ao vilão apresentado no storybrand da Vivo Fibra, o que você considera ser essencial na construção dessa “figura” que atrapalha a vida dos usuários e perpassa a narrativa de todos os vídeos da marca na campanha “Destrave”? Digite sua resposta aqui Protagonista (Vivo Fibra) – Coadjuvante (Cliente) C Protagonista (Cliente) – Antagonista (Vivo Fibra) D Antagonista (Cliente) – Protagonista (Vivo Fibra) E Coadjuvante (Cliente) – Antagonista (Vivo Fibra) Chave de resposta A principal aposta do storybrand apresentado pela campanha “Destrave” é a construção do vilão como a internet lenta, de baixa qualidade e que, tal qual o título da campanha já adianta, vive travando e atrapalhando os usuários da rede. Desse modo, pode-se dizer que, seguindo os princípios descritos por Donal Miller acerca do storybrand, o vilão é bem construído, de forma a criar fácil interpretação por parte do público sobre quem ele é, o que ele faz de ruim e o porquê é preciso buscar na marca uma resolução possível contra tais vilanias. O vilão não é dúbio, não é multifacetado e, especialmente, não se confunde com a qualidade máxima buscada pelo herói da marca (uma internet de boa qualidade, rápida e que não trave à toa). Herói Disposições gerais Para desenvolvermos o roteiro do storybrand, precisamos analisar mais detalhadamente cada um dos 7 passos que acabamos de ver. O criador do modelo, Donald Miller, propõe que primeiro seja desenvolvido um roteiro geral da marca e posteriormente de cada produto. Este roteiro esclarece tudo sobre produtos e serviços e dá argumentos poderosos para a conquista de seu público-alvo. Vamos conferir! O roteiro de storybrand de Donald Miller e seus 7 passos. O cliente é o herói de sua marca A primeira pergunta a ser respondida: O que o cliente quer? Toda história se inicia com um herói em busca de alguma coisa e, desta forma, a marca precisa descobrir os anseios desse herói. É importante que a marca compreenda se ela pode, e como deve, atender às necessidades do herói. Quando a marca encontrar como atender a essas necessidades, deve informar de forma clara e objetiva, convidando o cliente a participar da jornada. Miller (2019) cita alguns exemplos: Planejador financeiro “Um plano para sua aposentadoria.” Associação de ex-alunos da faculdade “Deixe um legado cheio de significado.” Restaurante de pratos finos “Uma refeição da qual todos se recordarão.” Corretor imobiliário “O lar que você sempre sonhou.” Uma empresa que possui várias divisões de serviços e vende produtos para vários setores pode acabar por diluir o desejo de seu cliente se tratar este desejo com muita abrangência. Concentre-se em um desejo único, pelo menos no primeiro momento, enquanto desenvolver o roteiro geral da marca. Sendo assim, reafirmando o que falamos anteriormente, a clareza e o foco no desejo do cliente são fundamentais para definir o que ele busca. Atenção! É importante pensar que o cliente não pode ter uma ideia vaga do que se está oferecendo. Em vez de direcionar as ambições do cliente para algo muito aberto e genérico, tente direcionar a um único foco, um único desejo. O problema As empresas vendem soluções para problemas externos, mas os clientes buscam soluções para problemas internos. Quando identificamos os maiores problemas que os nossos clientes enfrentam, eles veem a marca como uma empresa que os compreende. Consequentemente, quanto mais falamos dos problemas que os clientes vivem em seu dia a dia, mais interesse eles têm na marca. Livraria “Uma história na qual se perder.” Lanchonete “Um início de dia saudável.” Para falarmos dos problemas, precisamos compreender o seguinte: toda história possui um vilão, e este vilão causa problemas externos, internos e filosóficos ao herói. Este vilão não precisa ser uma pessoa real. Exemplo Se estamos vendendo um software para a gestão de tarefas, o vilão pode ser a ideia de distrações. Com isso, precisamos entender: qual é a principal fonte de conflito que os seus produtos ou serviços derrotam? É sobre este vilão que você vai falar! Agora que compreendemos que temos um vilão na história, temos que entender que este vilão causa tipos de problema e conflitos diferentes. Segundo Miller, estes conflitos se dividem em problemas internos, externos e filosóficos: Em uma história, um vilão inicia um problema externo, que faz com que o personagem experimente uma frustração interna, que é, simplesmente, filosoficamente equivocada. Esses são também os três níveis de problemas que um cliente espera resolver quando compra um produto. (MILLER, 2019, p. 60) Vejamos acerca desses três tipos de problemas: Muitas vezes, é algo comum e tangível, com o qual estamos acostumados a nos relacionar. Geralmente é algo bastante óbvio: no caso de um restaurante, o problema que ele irá resolver é a fome; para Problema externo um encanador, um vazamento; e para um dedetizador, uma infestação de cupins. Geralmente é manifestado pelos problemas externos, ou seja, são uma consequência de um problema externo. É neste momento que o herói duvida de si e pergunta: “Será que sou suficiente?”. As histórias sempre nos ensinam que os problemas internos dão uma motivação maior ao herói do que os externos. Se você resolve um problema interno do cliente, causado por um externo, com certeza ele vai enxergar sua empresa com outros olhos. Refere-se a algo muito maior do que toda a história em si. Tem a ver com o por quê da marca. Um problema filosófico geralmente é mais fácil de ser encontrado quando usamos as palavras deveria ou não deveria, por exemplo: “Não deveria ser permitidoque pessoas ruins vençam no final”, “Todas as pessoas deveriam ter direito a uma moradia”, “As pessoas deveriam ter como se comunicar com seus parentes distantes”. Como podemos ver nos exemplos acima, os problemas filosóficos dizem respeito a algo maior do que a necessidade momentânea do cliente: dizem respeito a como o mundo funciona ou não. Para a marca realmente satisfazer seus clientes, deve tentar resolver os problemas internos, externos e filosóficos de sua vida de uma só vez, sempre que envolverem os seus negócios. Isso gera a atenção do público e o leva ao clímax em qualquer filme. Já que compreendemos os três tipos de problemas a serem resolvidos, vejamos a seguir dois exemplos aplicados a marcas. É desta forma que as perguntas devem ser respondidas em seu roteiro: Problema interno Problema filosófico Tesla Motor Cars – fabricante de carros elétricos Vilão: consumo voraz de gasolina mundial, tecnologia inferior. Externo: preciso de um carro. Interno: quero ser um dos primeiros a adotar essa nova tecnologia. Filosófico: minha escolha de carro deve ajudar a salvar o meio ambiente. Nespresso - máquinas de café domésticas Vilão: máquinas de café que fazem um café ruim. Externo: quero saborear um bom café em casa. Interno: quero que minha máquina de fazer café em casa faça com que eu me sinta sofisticado. Filosófico: eu não deveria precisar ser um barista para fazer um café gourmet em casa. Esses são os desafios que você deve ajudar o seu cliente a superar, nestes três níveis, de acordo com o vilão definido. O guia Todo herói está à procura de um guia, e não de outro herói. É isso que a marca deve ser para ele, um guia. Se pensarmos bem, se o próprio herói tivesse a habilidade de resolver o seu problema sozinho, o público de uma história não iria se interessar por ele. Sabemos intuitivamente que, se ele tivesse essa capacidade, consequentemente não teria tido o problema. Acaba aí o interesse por aquela história. Em uma história, o personagem com mais autoridade sobre um assunto é o guia, e não o herói. Mas dificilmente o protagonista da história seria o guia. O guia, neste caso, a empresa, deve somente cumprir o seu papel. Cena do filme Matrix (1999) em que Morpheus oferece ao protagonista Neo as duas opções de escolha: tomar a pílula vermelha ou a pílula azul. Uma marca precisa de duas coisas para poder se posicionar como guia: Empatia Para expressar a empatia, um guia deve demonstrar compreensão da dor e da frustação de seu herói. Seguindo esta lógica na prática, quando somos receptivos aos problemas de nossos clientes criamos um vínculo de confiança, e as pessoas só confiam em quem as entendem. Uma vez que identifiquemos os problemas internos de nosso cliente/herói, só precisamos que saibam que os entendemos e que estamos ao seu lado para encontrar a solução. Autoridade Em relação à autoridade, devemos pensar que esta autoridade não deve ser colocada como imposição ou superioridade. Isso distancia as pessoas. Quando nos referimos à autoridade estamos falando de competência. Em nossa história, um guia não precisa ser a pessoa mais perfeita do mundo, mas precisa ser experiente para conseguir auxiliar o herói em sua jornada. Uma vez que identifiquemos os problemas internos de nosso cliente/herói, só precisamos que saibam que os entendemos e que estamos ao seu lado para encontrar a solução. Existem formas de adicionar autoridade a um discurso, sem parecer uma imposição, como por exemplo: A utilização de depoimentos de clientes de confiança na empresa. Demonstrar dados estatísticos, de clientes satisfeitos ao porcentual de crescimento da empresa. Listar prêmios conquistados pelo trabalho. Exemplificar empresas para as quais prestou serviço, usando seus logotipos. A professora Amy Cuddy, da Harvard Business, em seu livro O Poder da Presença (2016), afirma que a primeira impressão realmente pode fazer a diferença e coloca duas perguntas básicas que definem uma boa impressão: “Posso confiar nessa pessoa?” Quando expressamos empatia, ajudamos nossos clientes a responder a esta primeira pergunta. “Posso respeitar essa pessoa?” A comprovação de competência ajuda nossos clientes a responder a segunda pergunta. Resumindo, deve-se então formular declarações empáticas da empresa/marca, demonstrando que você compreende e se importa com o problema de seus clientes, bem como formas de demonstrar competência e autoridade no que faz. Uma vez que expressemos empatia e demonstremos autoridade, podemos posicionar nossa marca como o guia que nossos clientes procuram. Isso fará uma diferença significativa na forma como eles se lembram de nós, nos entendem e, em última instância, se envolvem com nossos produtos e serviços. (CUDDY, 2016, p. 84) O plano Definitivamente, o herói precisa de um guia que tenha um plano; caso contrário, não haverá confiança entre eles. O cliente deve acreditar na empresa ao nível de se arriscar, deve confiar o suficiente para separar seu dinheiro suado. Porém, a maioria dos clientes ainda não vai assumir este risco, pois precisam de mais segurança. Antes de se arriscar, fazendo negócio com a empresa, o cliente vai argumentar para si: “E se isso não funcionar? E se eu estiver fazendo papel de bobo?”. Para amenizar as dúvidas dos clientes, o guia (empresa/marca) deve dar argumentos de confiança. O plano gera clareza e demonstra como alguém pode fazer negócio com a marca, ou pelo menos, elimina a sensação de risco do cliente. O ideal é que o plano, ou seja, este caminho para a realização do negócio, seja explicado em no mínimo três etapas para facilitar o entendimento do cliente. Este tipo de plano é chamado de plano de processo. O plano de processo descreve as etapas, passo a passo e de forma didática, que o cliente precisa cumprir para comprar e usar um produto, até mesmo misturando ambas as informações. Inclusive, o plano pode incluir etapas pós compra. Veja um exemplo de uma concessionária de automóveis: Faça um test drive do carro. Compre o carro. O objetivo de qualquer plano é diminuir a confusão do cliente, reduzindo dúvidas e gerando mais confiança de compra/contratação. Dica Recomenda-se que este plano de processo tenha pelo menos três itens e no máximo seis para evitar causar novamente confusão no cliente. Além do plano de processos, temos o plano de concordância, uma ferramenta para aliviar medos internos do cliente, como instruções de instalação, contrato de satisfação de cliente e garantia interna de qualidade. Este plano vem como um “bônus”, dando uma segurança extra para o comprador. A melhor maneira de descrever um plano de concordância é listar todas as possíveis preocupações de seu cliente, no que se refere a seu produto ou serviço, e depois contrapor essas informações com acordos que aliviam os medos dele, como, por exemplo, um “contrato de garantia de qualidade”. Resumindo, você deve se perguntar: quais medos seus clientes têm com relação a sua empresa, produto ou ramo? Que acordos e contratos você poderia fazer com eles para aliviar esses receios? O convite O herói/cliente não age se não houver um estímulo para isso. De forma geral, todo herói precisa ser desafiado por forças externas para tomar uma atitude. Com nossos clientes isso não será diferente: por mais que você já tenha dado argumentos suficientes para que ele realize uma compra, é preciso ainda incentivá-lo de forma bem clara e óbvia. Usufrua de manutenção grátis por tempo determinado. Este “convite para agir” do qual falamos é o que Miller denomina como chamada para ação. Essas chamadas para ação são divididas em dois tipos: Chamadas de ação diretas Chamadas de ação transitórias Chamadas de ação diretas Chamadas de ação diretas, como o próprio nome sugere, são chamadas mais óbvias, como “compre agora”, “ligue hoje mesmo”, “peça já”, “agende uma consulta”, “registre-se hoje”. Banner no site das Casas Bahia. Com certeza, você já viu uma chamada de açãocomo essa em algum site, correto? Uma chamada direta é algo que representa um passo a mais para a conclusão de uma venda. É um estímulo. É comum encontrarmos esse tipo de chamada em e-mails, sites, anúncios de rádio e tv e até cartões de visita, eventualmente. Chamadas de ação transitórias As chamadas de ação transitórias são mais suaves e indiretas. Elas funcionam como um incentivo e geralmente fornecem algo de graça ao cliente. Comentário Se formos comparar os dois tipos de chamadas, a chamada direta seria como “quer casar comigo?”, enquanto a chamada transitória seria “vamos sair um dia desses?”. Existem chamadas de ação transitórias de vários tipos, tais como: 1. Informações gratuitas, como vídeos educacionais, podcasts e textos técnicos. 2. Depoimentos de clientes satisfeitos. 3. Amostras grátis de produtos ou serviço. 4. Avaliações gratuitas de um produto, por um período. Estas chamadas de ação transitórias promovem para a marca o reconhecimento em determinado território, a criação de reciprocidade com o cliente, além de posicionar a marca como guia. Resumindo Podemos observar o quanto é importante uma chamada para ação para que um cliente dê um passo a mais em relação à compra. Vimos também que existem dois tipos de chamadas de ação (direta e transitória) e são elas que você deve definir para estimular essa ação dos clientes. O fracasso Todo ser humano, em sua essência, tenta evitar um final trágico em sua história. Pensando nisso, as marcas que não avisam a seus clientes o que pode acontecer se eles não comprarem seus produtos não respondem à pergunta básica - “e daí?” - que todo cliente faz. Podemos então compreender que é fundamental perguntarmos a nós mesmos o que o cliente perde por não comprar nosso produto ou adquirir nosso serviço. Donald Miller (2019), afirma que, nesse ponto, devemos explorar, de forma mediana (nem excessiva e nem leve), o medo do cliente sobre fracassos que podem ocorrer decorrentes de problemas que nossos produtos resolvem. No livro Construção da Teoria da Comunicação (tradução livre), de Dominic Infante, Andrew Ranger e Deanna Womack, é proposto um processo de quatro etapas, que eles chamam de “apelo do medo”. Veja a seguir: Devemos fazer o leitor (ou ouvinte) saber que está vulnerável a uma ameaça “Quase 30% de todas as casas têm evidências de infestação de cupins.” Devemos informar ao leitor que, uma vez que está vulnerável, deve agir para reduzir sua vulnerabilidade “Como ninguém quer cupins, é preciso que você faça alguma coisa para proteger sua casa.” Devemos avisá-lo sobre uma chamada para ação específica, capaz de protegê- lo do risco “Oferecemos um tratamento domiciliar completo, que garantirá que sua casa se livre de cupins.” Devemos desafiar as pessoas a tomar essa ação específica “Li ó h j d i ” É necessário, então, refletir sobre que tipo de problema ou fracasso a empresa está ajudando o cliente a evitar, como: Os clientes poderiam perder dinheiro? Qual é o custo de não fazer negócios com você? Eles poderiam economizar mais dinheiro com você do que com um concorrente? Sua qualidade de vida diminuiria se não utilizarem seus produtos ou serviços? Aplicando isso à concessionária de carros usados, teríamos as seguintes respostas: Ser ludibriado por um vendedor de carros usados; Comprar um carro defeituoso; Sentir-se explorado. Resumindo Para compreender que fracassos, derrotas ou frustações podem ser exemplificados para seus clientes, pense em listar pelo menos três situações, como no exemplo anterior. Esse conteúdo, aplicado a uma marca, vai ilustrar aos clientes o que a empresa faz para ajudá-lo. O sucesso Todas as pessoas querem ser levadas a algum lugar que traga felicidade, plenitude, conforto e realização. “Ligue para nós hoje e agende o serviço.” Neste momento, deve-se questionar para onde a marca pretende levar seus clientes: para a casa dos sonhos? Para a segurança financeira? Para um passeio divertido com os amigos? Todo cliente, mesmo que inconscientemente, quer ter esta pergunta respondida. Ryan Deiss, da empresa Digital Marketer, criou uma tabela que ajuda a compreender esta questão do final perfeito para a história dos clientes. Ele propõe que algumas perguntas sejam respondidas, sinalizando as diferenças para a vida dos clientes, antes e depois de se envolverem com a marca/empresa. Veja a seguir: ANTES DE SUA MARCA DEPOIS DE SUA MARCA O QUE ELES TÊM? O QUE ELES SENTEM? COMO É UM DIA TÍPICO? QUAL É O STATUS DELE? Por Ryan Deiss, da Digital Marketer MILLER, 2019, P.119. Os clientes precisam ser informados do futuro que a marca vê para eles ao comprarem seus produtos. Isso os motiva profundamente. Uma das melhores formas de ilustrar isso é de forma visual: se você está vendendo uma cozinha, pode utilizar uma foto de uma família feliz brincando com seu filho em uma cozinha brilhante e nova em folha. Atenção! Independentemente do que a empresa venda, é importante mostrar pessoas felizes/satisfeitas com o produto ou serviço que adquiriram. Miller (2019, p. 120) afirma que existem modos corretos de concluir uma história e ele cita três modos que considera dominantes na maioria dos roteiros: O herói obtém algum tipo de poder ou posição. Una-se a alguém ou algo que o faça se sentir completo. Experimente algum tipo de autorrealização que também tenha o condão de o fazer se sentir inteiro. Segundo Miller (2019), cada um desses três pontos complexos pode ser dividido em variações específicas, facilitando alinhar isso a uma história de marca. Vamos então ver cada um deles individualmente e suas subdivisões de caminhos. Obter poder e posição (necessidade de status) Nosso cérebro tem como função nos ajudar a prosperar e sobreviver, e parte do conceito de sobrevivência é possuir status. Quando a marca contribui para tornar seus clientes mais respeitados socialmente, estamos oferecendo algo que eles desejam. Para a marca oferecer status a seus clientes, existem vários caminhos: Oferecer acesso Um cartão fidelidade pode oferecer algum tipo de acesso exclusivo, filas especiais, acúmulo de pontos. União que faz o herói se sentir inteiro(necessidade de algo externo para alcançar a completude) Miller (2019) afirma que a razão pela qual as histórias geralmente terminam com a união dos amantes, como se estes se completassem em totalidade, tem a ver com o desejo. O mesmo acontece com um herói com alguma deficiência, ou quando o herói é resgatado por alguém no final: a sensação de completar-se. De que maneira, então, uma empresa pode ajudar os seus clientes a se tornarem completos? Vejamos: Criar escassez Oferecer um número limitado de um item específico, com exclusividade, gera um símbolo de status. Categoria premium Sistemas categorizados que dividem seus clientes por categorias, como membros platinum de um cartão de crédito ou empresa aérea, ganham vantagem e consequentemente status. Oferecer identificação por associação Marcas com prestígio e luxo agregado, como Rolex e Mercedes. Não podemos afirmar se valem o que custam, mas a associação de luxo que promovem é indiscutível. O produto pode aliviar o cliente do estresse e levá-lo à sensação de perfeição. A sensação de um trabalho bem-feito, uma casa limpa ou uma noite de sono mais tranquila. Aqueles que não têm as ferramentas certas trabalham mais, se cansam mais. As ferramentas certas, conforme normalmente é prometido pelas empresas, sejam elas tesouras, softwares, ou varas de pesca, dão ao cliente um poder “sobre-humano”. Para o ser humano de uma forma geral, e na maioria das colocações, o tempo é um inimigo implacável. Qualquer ferramenta, sistema ou serviço que economize tempo, a ser utilizado de forma melhor, proporciona uma sensação de plenitude ao cliente. Reduzindo a ansiedade Reduzindo a carga de trabalho Proporcionando mais tempo Autorrealização ou aceitação (necessidadede alcançar nosso potencial) Heróis/clientes enfrentam várias dificuldades em sua jornada tentando provar a si próprios. Ao atingirem seu potencial, eles encontram a paz interior e conseguem se aceitar. Para que uma marca promova essa sensação de autorrealização, existem algumas formas: Inspiração Explore características da marca que podem estar associadas a um acontecimento inspirador, como um testemunhal. Aceitação Promova a autorrealização e aceitação do público. Transcendência Ofereça aos clientes uma forma de viver a vida com mais relevância. Ao definir estes pontos de sucesso, a empresa consegue efetivamente demonstrar essas possibilidades a seus clientes, a fim de destiná-los a uma realização. Resumindo Observamos que é necessário demonstrar de forma repetitiva e clara que o produto ou serviço da empresa pode mudar a vida de seu cliente. Devemos demonstrar que o objetivo da empresa é levar as pessoas a algum lugar. O próximo passo As pessoas procuram resoluções para seus problemas externos, internos e filosóficos, e podem conseguir isso por meio de status, autorrealização, autoaceitação e transcendência. Se a empresa conseguir que seus produtos ajudem as pessoas a alcançar essas coisas, deve-se, então, fazer disso um aspecto central da promessa da marca. Agora que compreendemos como produzir o roteiro de marca, é necessário e fundamental que isso seja implementado formalmente na empresa, atingindo principalmente seus colaboradores. Toda a organização deve estar integrada e assimilar esse roteiro internamente para que a mensagem passada esteja unificada, verdadeira e engajada. Atenção! Devemos lembrar que a eficiência dos membros de uma empresa está sempre alinhada ao orgulho que eles têm de estarem fazendo parte daquilo. Dessa forma, a missão da empresa ganhará vida e criará ligações com seus clientes, mas somente se seus colaboradores realmente acreditarem no que dizem. Propósito de marca serve para quê? Confira agora a importância do propósito da marca, a partir dos 7 passos do storybrand, a fim de refletir sobre o impacto positivo ou negativo de uma marca na sociedade. Vamos assistir! Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Ao construir um roteiro de marca (storybrand), um dos pontos mais importantes é compreender que a função da empresa é de guia, e não de herói. Sua função é mostrar para o herói o plano que ele utilizará para atingir seu objetivo e resolver seu problema. Além disso, para se colocar efetivamente como um guia, a marca precisa demonstrar autoridade e empatia. Nas opções abaixo, qual podemos classificar como uma demonstração eficiente de autoridade da marca? A Quantidade de clientes insatisfeitos com a marca que entraram em contato pelo SAC. B A demonstração que o preço de seus produtos é superior ao dos concorrentes. C A utilização de depoimentos de clientes de forma pública, demonstrando o quanto gostam de seus produtos/serviços. Parabéns! A alternativa C está correta. A utilização de depoimentos são incentivos para potenciais clientes. Eles conferem, além de autoridade no assunto, confiança. Os depoimentos, porém, devem ser utilizados de forma controlada para que a empresa não se coloque no lugar de herói. Questão 2 Dentro do roteiro de marca, um dos principais passos é o do problema, e é neste passo que identificamos o vilão da história do cliente. Porém, para que este vilão seja eficiente em nossa história de marca, ele precisa seguir algumas regras. Qual dos atributos abaixo deve ser obrigatório em um vilão no storybrand? D A realização de uma grande redução de preços na fachada da loja. E O investimento massivo em publicidade a fim de aparecer em meios de grande visibilidade. A O vilão deve ser o concorrente. B O vilão deve ser o preço. C O vilão sempre será alguém próximo ao cliente. D O vilão só aparece no final da história. E O vilão deve ser um só. Parabéns! A alternativa E está correta. No storybrand, acredita-se que a história precisa ter apenas um vilão para que não haja confusão no entendimento e seja um roteiro atraente. O cliente precisa lidar de forma clara com um problema para ter uma boa compreensão de como resolvê-lo. Considerações finais Podemos concluir que o roteiro de marca, proposto por Miller, tem como objetivo descomplicar as mensagens que a marca trocará ao longo de sua vida com seus clientes, aumentando sua possibilidade de sucesso e tornando-a, consequentemente e se possível, uma referência no que faz. Ao compreendermos que as empresas devem estar alinhadas aos anseios de uma sociedade e, consequentemente, de seus clientes, a posicionamos de forma ideal em sua linguagem, como guia e não protagonista, tornando a comunicação mais eficaz e fluida e atingindo melhor o seu alvo. Devemos acima de tudo entender que o lucro, financeiro ou de marca, será somente uma consequência, e deve ser algo conquistado com verdade e clareza, promovendo o bem-estar, atendendo aos anseios e ajudando pessoas a resolverem seus problemas. Não há melhor forma de concluir uma história se não for com um final feliz! Podcast Ouça agora algumas estratégias para o desenvolvimento de um roteiro eficiente, tendo em vista a análise dos principais concorrentes. Vamos ouvir! Explore + Confira as indicações que separamos especialmente para você! Pesquise no Youtube por Story brand | Construa a história da sua marca, vídeo de Frederico Braga em que ele analisa os processos propostos por Donald Miller em seu livro. Veja como o processo de storytelling pode mudar uma apresentação lendo o artigo Storytelling: tudo o que você precisa saber, da Endeavor Brasil. Leia o artigo Clientes: como colocá-los no topo da pirâmide, e veja como Erica Martin sinaliza a importância de colocar o cliente como centro dos negócios de uma empresa. Leia o texto de Renato Mesquisa, O Círculo Dourado: o segredo dos grandes líderes para inspirar seus apoiadores, sobre a teoria de Simon Sinek. Confira como a empresa Soap, especializada em apresentações, conta algumas técnicas essenciais na matéria 5 dicas de como fazer um storytelling. Referências CAMPBELL, J. O Herói de Mil Faces. São Paulo: Pensamento, 2008. CASCUDO, L. da C. Made in África. São Paulo: Global, 2002 COUTO, A. Branding. Consultado na internet em: 10 mar. 2022. DAMÁSIO, A. António Damásio explica comportamento humano. Consultado na internet em: 10 mar. 2022. DENNING, S. O poder das narrativas nas organizações: o guia para líderes sobre o uso da técnica de narrativas. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. DOMINGOS, A. A. Storytelling: evolução, novas tecnologias e mídia. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, XXXII, 2009. Anais [...] Curitiba, PR: Comunicação, Educação e Cultura na Era Digital, 2009. FRANCO. Storytelling e suas aplicações no mundo dos negócios. São Paulo: Grupo Gen, 2015. GASPAR, M. O poder do storytelling na publicidade. Public 2015. Consultado na internet em: 10 mar. 2022. JUNG, C. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. Rio de Janeiro: Vozes, 2000. p. 12-84. KOTLER, P.; KARTAJAYA, H.; SETIWAN, I. Marketing 4.0: do tradicional ao digital. Rio de Janeiro: Sextante, 2017. KOTLER, P. Marketing 3.0: as forças que estão definindo o novo marketing centrado no ser humano. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. KOTLER, P. Marketing de A a Z: 80 conceitos que todo profissional precisa saber. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003. MILLER, D. Storybrand. São Paulo: Alta Books, 2019. PEARSON, C. O despertar do herói interior: a presença dos doze arquétipos nos processos de autodescoberta e de transformação no mundo. Rio de Janeiro: Pensamento, 1994. SINEK, S. Comece pelo por quê. Rio de Janeiro: Sextante, 2018. VOGLER, C. A Jornada do Escritor. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. XAVIER, A. Storytelling: histórias que deixam marcas. 5 ed. Rio de Janeiro: Best Business, 2017. Material para download Clique no botão abaixo para fazero download do conteúdo completo em formato PDF. Download material O que você achou do conteúdo? Relatar problema javascript:CriaPDF() Branding e suas interfaces Profª. Fabiana Motroni Descrição O branding na era da convergência on-line e off-line para a criação de experiências de fortalecimento da relação entre marcas e consumidores e a otimização dos resultados das empresas. Propósito O branding é orientado por dois grandes pilares: conexão e experiência. Isso significa desenvolver e gerenciar estratégias com o objetivo de construir um relacionamento entre marcas e consumidores no qual off- line, on-line, físico, digital, racional e emocional se integram em um processo de consumo que vai além da venda de produtos e serviços. Objetivos Módulo 1 Branding experience Identificar os conceitos do marketing de experiência e o uso de recursos sensoriais como estratégia de branding. Módulo 2 Pontos de contato do cliente com a marca Reconhecer a forma de impacto do cenário figital na construção da jornada de consumo do cliente e no mapeamento dos pontos de contato da marca. Módulo 3 Branding na era da convergência Analisar os novos paradigmas no contexto da convergência do off-line com o on-line e as novas estratégias que as marcas precisam adotar no mundo figital. Introdução Desde o final do século passado até os dias de hoje, o branding vem se transformando nesse cenário da economia 4.0, isto é, do mundo figital (físico-digital) e pós-pandêmico. Viemos, afinal, de uma abordagem de gestão de marca focada em suas camadas estéticas (design, aplicação e comunicação) para um trabalho de branding que representa a empresa- marca em todas as dimensões em que haja contato e relacionamento com seus consumidores. Desse modo, o branding ainda se trata do conjunto de ações estratégicas relacionado à construção e à comunicação de propósito, valores, identidade e posicionamento de uma marca no mercado consumidor, mas essa definição se estende a um mundo cujas fronteiras do viver e do consumir - mais do que se redefinirem constantemente - se fundem na dimensão da experiência. Além do ato de compra de um bem de consumo ou serviço, o consumidor está em busca de entretenimento, conhecimento, prazer e escapismo - e tudo ao mesmo tempo, seja adquirindo um refrigerante, um curso ou uma viagem, seja comprando em uma loja física ou on-line. Nesse contexto de convergências, as interfaces e os pontos de contato não estão apenas em lugares, espaços e mídias em que a marca pode se manifestar e se comunicar, mas também nas formas com que ela se conecta com seus clientes, o que definitivamente vai além da comunicação tradicional, com foco no audiovisual, nas imagens e nos textos publicitários. Atualmente, o branding explora todas as conexões multissensoriais possíveis (som, cheiros, texturas e emoções) para alcançar o que realmente interessa no processo de consumo: um conjunto de vivências, aprendizados e prazeres que é entregue e se dá por meio de produtos e serviços que se somam e se realizam na experiência da marca. 1 - Branding experience Ao final deste módulo, você será capaz de identificar os conceitos do marketing de experiência e o uso de recursos sensoriais como estratégia de branding. Ligando os pontos O branding sensorial é uma estratégia de marketing que consiste em explorar os sentidos humanos para criar e fortalecer a conexão entre as marcas e os consumidores. Essa estratégia é utilizada no início ou no meio da jornada de compra. Porém, como já aprenderam que a todo momento é possível oferecer uma experiência arrebatadora, as grandes marcas começaram a explorar também o final da jornada como um momento para a criação de experiências sensoriais da marca. Uma dessas marcas é a Visa, que criou uma experiência sensorial específica: o Visa Sensory Branding. Nesse caso, quando a transação de um cliente é finalizada, o dispositivo no qual a compra foi realizada emite um som único - um som que a empresa trabalhou muito para aperfeiçoar. Ao ouvi-lo (somado à animação que aparece na tela e à vibração do dispositivo), ele sabe que sua compra foi finalizada. Esse tipo de branding sensorial proporciona conforto e consistência para os portadores de cartões Visa. O som do projeto Visa Sensory Branding no Visa Checkout promove um sentimento de confiança e segurança que os consumidores associam à marca: os pilares de percepção de marca que a Visa trabalha por meio desse projeto são velocidade, segurança e confiança. Segundo a pesquisa que orientou a estratégia realizada pela empresa em oito países, 81% dos participantes disseram que "os sons de sinos e assobios da notificação me fazem realmente prestar atenção”, enquanto 83% atestaram que as dicas de som ou de animação impactaram positivamente sua percepção da marca, pois, com menos de um segundo de duração, o som foi percebido como uma sinalização de velocidade e conveniência. Na ocasião do lançamento do projeto, o CMO da Visa, Lynne Biggar, descreveu a conexão que o Visa Sensory Branding queria construir com seus clientes: os três atributos sensoriais trabalhados pela marca (visão, tato e som) se somam a uma experiência maior: a sensação de conclusão, de completude, isto é, de que algo foi bem finalizado. Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos? Questão 1 A partir do caso de branding sensorial Visa Sensory Branding, considere estas informações: I. Segundo o CMO da Visa, Lynne Biggar, os três atributos escolhido pela marca para o Visa Sensory Branding foram o som, a visão e o olfato, pois são os sentidos mais fortes nos seres humanos. II. Durante a pesquisa realizada pela Visa para definir o sentido humano mais importante a ser trabalhado no Visa Sensory Branding, um entrevistado destacou que o som de uma notificação é importante porque passa uma sensação de que ele está alerta, prestando atenção ao ato da compra, já que o cliente não quer comprar nada de maneira distraída. III. O Visa Sensory Branding usa um som especial que, desenvolvido para o projeto, se diferencia por durar três segundos acima do tempo médio de outras notificações, o que passa uma sensação de segurança para os clientes. Considerando as afirmativas acima e sua experiência, qual você considera a opção correta? A As afirmativas I e II são verdadeiras. B Apenas a afirmativa I é verdadeira. C As afirmativas II e III são falsas. D Apenas a afirmativa II é verdadeira. E Apenas a afirmativa III é falsa. Parabéns! A alternativa D está correta. A pesquisa realizada pela Visa para definir os estímulos sensoriais importantes para o cliente durante sua jornada de compra foi fundamental para a estratégia sensorial do Visa Sensory Branding. Foram três os sentidos humanos escolhidos: o sentido priorizado foi a audição – por meio de um som de notificação desenvolvido especialmente para o projeto – foi adicionado à visão (animação de tela) e ao tato (vibração dos dispositivos), que acontecem simultaneamente no momento que a transação financeira é realizada. Questão 2 Apesar de ser comum as marcas realizarem ações de branding sensoriais em momentos de início e meio de funil (jornada de compra do consumidor), a Visa decidiu colocar o Visa Sensory Branding bem no fim da jornada, em uma etapa específica. Sobre esse fato, marque a alternativa cuja frase resume o caso apresentado. A Na jornada de compra do cliente Visa, a última e mais importante etapa da jornada é o momento da entrega do produto físico, quando o cliente o leva pessoalmente ou o recebe em casa. B A etapa da jornada de compra que a Visa escolheu para realizar a ação sensorial é a do fechamento da compra, chamado de checkout, pois se trata do momento mais importante para a marca reforçar valores, como segurança e completude de uma ação para o cliente. C O sentido escolhido como estratégia sensorial prioritária do Visa Sensory Branding foi a visão, que aparece natela do dispositivo onde a Parabéns! A alternativa B está correta. A partir de uma pesquisa realizada pela empresa com seus consumidores, identificou-se que o som (de notificação) era um elemento na hora do fechamento de uma compra e que gerava nos clientes uma sensação de segurança e completude. A etapa da jornada de compra escolhida para a realização da ação foi a etapa de fechamento da compra (checkout) por ela se tratar da etapa na qual a entrega da marca Visa acontece, ou seja, quando o cliente decide qual meio de pagamento/marca financeiro ele vai utilizar naquela transação. Questão 3 Entre as várias características do Visa Sensory Branding, duas se destacam: a etapa na jornada de compra do cliente Visa escolhida para a realização da ação compra foi realizada, na forma de animação de um personagem (representando o cliente) pulando de alegria pela compra realizada. D Inicialmente, o Visa Sensory Branding só funciona nos dispositivos de lojistas parceiros, ou seja, o cliente só consegue vivenciar a experiência sensorial quando realiza as compras presenciais. A partir do sucesso da iniciativa, a Visa pretende expandir o Visa Sensory Branding para as compras realizadas pelos clientes nos próprios dispositivos, como smartphones, tablets e computadores. E Para definir a estratégia sensorial do Visa branding, a empresa utilizou como motivação a relação que os consumidores têm com o consumo de música por meio de dispositivos móveis. e o sentido humano priorizado como foco dessa experiência sensorial. Quais são os principais motivos das escolhas que a Visa fez para essa estratégia? Digite sua resposta aqui Chave de resposta Você deve saber que como a Visa é uma empresa de operações financeiras, o momento da compra (checkout), que se localiza no final da toda jornada de compra, constitui, em si, a principal expressão do produto/serviço da empresa - daí se justifica a importância de investir nessa etapa da jornada, funcionando como um reforço positivo do ato da compra e aumentando a conexão entre os valores da marca e o cliente. Além disso, a Visa realizou uma pesquisa que identificou que o som de notificação é um estímulo sensorial que funciona como uma sinalização de que algo importante - e que merece atenção - está acontecendo. Por isso, a companhia desenvolveu um som cujo consumidor, conforme o ouve em cada compra realizada, passa a associar a valores/percepções, como velocidade, segurança, credibilidade e sensação de completude. Marketing experience “Branding experience” ou experiência da marca é uma expressão que ganhou força como vários outros termos em negócios e marketing, embora tenha por trás de si uma estratégia e um propósito: construir e fortalecer a identidade de uma marca, estabelecendo uma conexão de diversas camadas com seu consumidor por meio de uma história tão real para e sobre a marca (e seus produtos/serviços) quanto para o seu cliente. Essa conexão, além disso, é multidimensional - como toda experiência de vida, aliás. Estamos falando, afinal, das dimensões da vivência humana, sejam elas físicas, espirituais, emocionais, filosóficas, dimensões sensoriais e intelectuais: quanto mais real e profunda for essa dimensão na marca, mais forte e permanente será a conexão entre ela e seu cliente. Não é possível, contudo, abordar esse tema sem falar sobre marcas icônicas. Alcançar o patamar de ícone é o objetivo de toda marca, assim como fazer de seus consumidores algo maior do que um mero cliente: a ideia é transformá-lo em fã, torcedor e defensor da marca não só no contexto do consumo, mas também - e principalmente - fora dele, em qualquer outra dimensão do dia a dia. Motocicleta da marca Harley-Davidson. Esse é o caso da Harley-Davidson, que, mais do que vender motos, entrega uma filosofia de vida, um jeito de estar e agir no mundo. Mais do que clientes, a marca possui seguidores e adoradores. Na construção de sua narrativa de marca, a Harley-Davidson aborda histórias de vida, todas elas construídas na estratégia clássica do storytelling e da jornada do herói, em que, claro, o herói somos nós, os apaixonados pela marca. A Harley- Davidson fez em 2016 uma campanha cujo lema era Live your legend (em português, viva a sua lenda). Comentário Se você ficar adiando seus planos, se esperar muito para viver seus sonhos, seus filhos não vão poder ver e aprender essa lição. Vamos combinar que, com uma “promessa de marca” dessa, você nem precisa saber pilotar uma motocicleta para ser um defensor dela, certo? A empresa usa todos os pontos de contato com o cliente para desenvolver uma experiência de marca holística. A jornada pode ser diferente de cliente para cliente, mas a experiência, não, pois é ela que resulta no desenvolvimento da imagem da marca. De modo geral, o primeiro contato que temos com ela já configura por si só uma experiência de várias dimensões em nível cognitivo e sensorial. A marca, afinal, chega para nós por meio de algo mais imediato e tangível, como sua aparência visual, seu logotipo, uma campanha, seu site ou uma loja de rua. A partir daí, essa primeira experiência se expande para algo além de comunicação visual, textos e campanhas publicitárias - ou do próprio produto ou serviço comprado. A marca é toda uma experiência sensorial projetada para evocar e provocar emoções e criar conexões. Sabemos que uma decisão no processo de compra não é feita apenas ou prioritariamente em função de motivos lógicos ou racionais. Na verdade, as decisões que tomamos sobre quais produtos comprar e em quais empresas confiar são baseadas e impulsionadas por fatores subconscientes, instintivos e emocionais. Decidimos quais empresas e marcas merecem nosso dinheiro e nossa fidelidade com base não apenas no que vemos e lemos sobre elas. A sobrecarga de logotipos e de propaganda, desde a era da comunicação de massa até a superexposição que se reinventou agora, na era digital, gera hoje mais distração, desinteresse e desconfiança do que uma conexão imediata. Times Square, em Nova Iorque. O branding do século 21 leva em conta esse cenário para se manter competitivo e relevante. Seu desejo é de realmente construir uma relação multidimensional com seu consumidor - e os sentidos têm um papel fundamental nessa construção. Branding sensorial O branding sensorial se trata de se conectar com seu cliente em um nível que não se limite ao visual, que é o sentido mais imediato na conexão com uma marca. Ao envolver todos os canais de branding sensoriais disponíveis, as empresas e suas marcas podem estimular e trabalhar vários sentidos ao mesmo tempo, ajudando seus clientes a experimentar e experienciar a marca, assim como sua identidade e seus valores, de uma forma mais profunda e memorável. Reconhecimento, diferencial, relevância e reputação são fatores que todas as marcas buscam. Para alcançarem o sucesso em um ambiente de negócios tão competitivo e indiferenciado, elas precisam de uma maneira de capturar a atenção dos clientes. Atenção! Isso não significa apenas escolher a comunicação certa ou fazer campanhas publicitárias memoráveis e premiadas. Construir relacionamentos sustentáveis com um cliente é fazer com que ele se apaixone pela sua marca. As marcas se constroem e se conectam com seus consumidores por meio de conceitos emocionais enraizados em percepção, emoção, crenças e atitudes humanas. À medida que mais empresas aparecem no cenário competindo pela atenção de seus clientes, aumentam os obstáculos e, como consequência, o desafio de causar a impressão certa e de se destacar em meio à concorrência. Nada mais certeiro e poderoso do que se conectar com os clientes por meio de seus sentidos, criando uma experiência que vai além do produto ou serviço. Uma experiência que todo mundo já viveu alguma vez: lojas de grandes marcas ou hotéis de luxo usam aromas exclusivos como parte de seu trabalho de branding há décadas. Outros varejistas também adotamuma abordagem semelhante, utilizando o perfume para ativar o sistema límbico do cérebro - a parte mais ligada à memória e ao comportamento. Saiba mais Um estudo famoso realizado pela Nike descobriu que, quando adicionavam aromas às suas lojas, a intenção de compra entre os clientes aumentava em até 80%. Da mesma forma que as lojas de conveniências de posto de gasolina descobriram que, ao adicionar o cheiro de café aos espaços ao redor de seus postos de gasolina, as vendas do produto subiam em 300%, além de, com isso, ancorarem o aumento de venda de outros itens de alimentação. As marcas que usam o branding sensorial sabem que, se quiserem construir conexões duradouras com seu público, terão de gerenciar suas mensagens sensoriais com o mesmo compromisso estratégico que investem na dimensão visual ou verbal da marca, isto é, em seu trabalho de comunicação e publicidade. Isso significa pensar além do impacto que o design de um logotipo, uma embalagem, um site ou um aplicativo terá no seu público: trata-se de considerar como se pode criar outros pontos de contato entre a marca e o consumidor a partir dos sentidos. Cada cheiro, gosto, som e textura é responsável por fazer o cliente se lembrar de uma marca e de uma empresa é uma nova oportunidade de alimentar essa afinidade e fortalecer tal relação. Quanto mais o cliente perceber a identidade de uma marca por meio de vários sentidos, mais fácil será criar conexões fortes que falam e se espalham por todo o cérebro. Interfaces sensoriais para cada estratégia de branding Estamos vivendo em uma era na qual os clientes são movidos pela experiência, e não apenas pelas necessidades que um produto ou serviço atende. Isso significa que as marcas de hoje precisam criar o maior número possível de oportunidades de contato e engajamento. No mundo da superexposição de tudo, desde a comunicação das marcas até o próprio conteúdo produzido pelos consumidores, o qual, aliás, se divide entre o FOMO e a sensação de ansiedade, estresse e sobrecarga que esse ambiente gera, as marcas precisam encontrar caminhos autênticos e relevantes para se destacarem no meio de todo esse ruído, fazendo a diferença para o consumidor. FOMO Sigla de fear of missing out (medo de perder algo, em português). O branding sensorial é um caminho para isso, pois permite que as marcas ofereçam aos seus clientes experiências memoráveis e envolventes que façam sentido para eles, acolhendo-os nesse cenário ruidoso e criando uma conexão sem serem sufocantes, exageradas e cansativas. Com o objetivo de explorar esses caminhos possíveis, diferenciaremos a seguir as potencialidades de cada tipo de interface sensorial: É fácil supor que ela seria o canal de branding sensorial mais fácil de aperfeiçoar. Afinal, são tantos os ativos visuais associados a uma marca, desde o logotipo até o design do site, passando ainda por embalagem, folhetos e anúncios. No entanto, a visão pode ser uma das coisas mais desafiadoras na era moderna, principalmente quando você está competindo com o estímulo e as telas de um mundo over (em excesso). Uma das melhores maneiras de otimizar a estratégia de branding sensorial baseada nela é criar uma história a partir dos elementos que seu cliente vê. Visão Ao criar seu logotipo, não pense apenas em quais cores você precisa usar ou em como tornar seu ícone responsivo em uma variedade de telas. Considere como certos tons despertam as emoções do seu cliente e o que as formas que você escolher dirão sobre seus negócios em longo prazo. Embora muitas vezes esquecido, ele é um dos sentidos mais influentes para qualquer empresa usar em sua estratégia de branding. Seu olfato, afinal, está diretamente ligado ao seu sistema límbico. Isso significa que é muito mais provável que você se lembre de algo que cheira do que de algo que vê. Uma pesquisa recente mostrou que mais de 80% dos consumidores se decidiam por produtos quando podiam cheirá- los em vez de somente vê-los. Existem muitos exemplos de branding sensorial que usam o cheiro em uma variedade de indústrias. Você provavelmente já sentiu os aromas personalizados em lobbies de hotéis ou lojas. A Disney World é particularmente conhecida por seu método de injetar certos cheiros em seus parques temáticos para incentivar o comportamento do comprador. Quando o mundo visual é muito barulhento, uma das melhores maneiras de amplificar sua marca é com o som. O chamado audio branding é uma subseção crucial do mundo do branding sensorial. Durante anos, Olfato Audição gerentes de marca e especialistas em marketing usaram o som para ajudá-los a capturar a atenção de seu público. Estamos bem habituados ao poder dos jingles. Quem não se lembra das campanhas “Coca-Cola é isso aí” ou não é capaz de recitar a musiquinha que descreve a receita do hambúrguer mais famoso do McDonald’s? Mas o branding sonoro vai além disso. Ele engloba desde projetos sonoros para envolver clientes em lojas cuja playlist eles podem continuar ouvindo no Spotify até assinaturas sonoras específicas das marcas e dos seus produtos, como os efeitos sonoros do iPhone da Apple que viraram um sinônimo de som de chamada telefônica ou de notificação de celular. Logotipos auditivos e sons específicos gerados de verdade por um produto fazem parte dos projetos de branding sensorial de empresas conhecidas. Ao ouvir a abertura da Netflix ou o motor V-Twim da Harley você provavelmente as identificaria em qualquer lugar de olhos bem fechados, concorda? A pele é uma coisa incrível, sendo composta por milhares de receptores sensoriais que alteram a forma como um ser humano responde a certos estímulos. Por isso, as marcas podem usar diversos materiais, texturas e formatos para proporcionar a seus clientes uma experiência completamente diferente a cada contato e engajamento para momentos diferentes e produtos distintos. A indústria de cosméticos (especialmente a de perfumes) faz isso há bastante tempo. A Dove usa curvas suaves em suas latas de desodorante para lembrar aos clientes que eles estão manuseando um produto feminino. Tato Até o peso e a textura de um produto são capazes de interferir na nossa percepção sobre qual deles é um item de alta qualidade (o que justifica o preço cobrado), tornando-nos capazes de distinguir até quais são os itens mais econômicos na escolha do material de suas embalagens ou na composição do produto. A diferença entre o frasco de um xampu de marca e outro produzido com a marca do seu supermercado. O paladar é um sentido difícil para as empresas se envolverem quando procuram exemplos de branding sensorial. Nas indústrias de alimentos e bebidas, o sabor se trata de parte real do produto; logo, ele é uma maneira natural de interagir com os clientes. No entanto, é possível adicionar “gosto” à identidade de uma marca, mesmo que seus produtos não sejam necessariamente comestíveis. Um exemplo clássico é a oferta de biscoitos, balas, bombons e café em escritórios e lojas. Esse gesto atencioso é uma tática simples e clássica de branding sensorial via paladar, que começa pelo acolhimento a que um tipo de Paladar sabor e de alimento remete - desde o biscoito feito em casa até o chocolate comprado para presentear, passando pelo café oferecido a uma visita que se valoriza - e termina na associação da qualidade de uma marca a partir dos itens sensoriais que ela oferece. Do bombom da Garoto ao chocolate Godiva, a presença de um sabor querido e satisfatório é capaz de interferir na maneira como as pessoas percebem uma marca e a desejam. Construir experiências por meio do branding sensorial se trata de envolver o consumidor, e não inundar seus sentidos e se tornar mais um ruído no mundo barulhento do marketing e da comunicação. Como qualquer outra parte da criação de uma estratégia de experiência de marca, trata-se de oferecer aos clientes a visão perfeita sobre em que, como e por que ela é diferente e se destaca da concorrência. Dessa forma,aos olhos (e ouvidos, nariz, boca, pele etc.) dele, tal marca será tão unicamente incrível que, para ele, não haverá concorrência mesmo. Experiência da marca Veja como ocorre a construção e o fortalecimento da identidade de uma marca pelo uso de recursos sensoriais, como estratégia de branding. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Marque a opção correta sobre a construção de experiências relevantes e marcantes para o cliente por meio do branding experience. Parabéns! A alternativa E está correta. A experiência da marca é, acima de tudo, sobre emoções e conexões que a experiência gera no cliente. Tal conexão acontece independentemente de essa experiência ter sido on-line ou off-line, sendo percebida pelo consumidor de forma integrada (físico e digital ao mesmo tempo). Nesse contexto, a imagem da marca e a sua identidade precisam estar sempre relacionadas, em primeiro lugar, porque a imagem dela vai além das questões estéticas e abrange uma percepção cognitiva e sensorial do cliente sobre a marca, incluindo sua identidade, a qual, por sua vez, reflete as necessidades ou os A Construir relacionamentos sustentáveis com um cliente é fazer com que ele se apaixone pela marca, embora ele seja conquistado graças a uma conexão lógica e racional entre ele e a marca, os seus produtos e os seus serviços. B A imagem da marca não precisa estar alinhada à sua identidade. Essa imagem está relacionada à sua comunicação, ou seja, a embalagens e outros aspectos visuais com os quais o consumidor tem o primeiro contato e interfere no processo de compra. C Por meio da experiência da marca, as empresas procuram orquestrar um conjunto de emoções que provoca uma identificação entre o consumidor e a marca, mas esse resultado só será alcançado se ela ativar os sentidos humanos nessa experiência. D A identidade da marca diz respeito à capacidade do consumidor em saber identificar como os produtos ou serviços de determinada marca devem ser utilizados. E A estratégia da experiência da marca se baseia na construção de uma experiência sensorial holística capaz de estabelecer um relacionamento mais amplo e mais profundo entre os clientes e uma marca. sentimentos do consumidor sobre o que um produto ou um serviço da marca precisa ser capaz de atender. Questão 2 Sobre as estratégias de branding sensorial, considere as afirmativas abaixo e diferencie as verdadeiras e as falsas: I. O branding sensorial é usado para envolver os consumidores e pode contar com o impacto de um ou mais sentidos. No entanto, para ser considerado uma estratégia sensorial, basta a ele trabalhar ao menos um dos sentidos de forma planejada com as dimensões de branding e marketing. II. O uso de uma abordagem de branding sensorial destina-se a evocar uma resposta cognitiva, emocional, comportamental e memorável nos consumidores, usando os sentidos como catalisadores na construção de afinidade com a marca. III. A estimulação dirigida dos sentidos como estratégia de marca é uma ferramenta antiga. No entanto, atualmente, com as tecnologias digitais, esses sentidos não têm mais impacto entre os consumidores, que hoje são orientados pelos estímulos audiovisuais. A As afirmativas I e III são verdadeiras. B As afirmativas I e II são falsas. C Apenas a afirmativa I é verdadeira. D Apenas a afirmativa III é falsa. E As afirmativas II e III são falsas. Parabéns! A alternativa D está correta. O uso de estratégias de marketing sensorial tem o potencial de melhorar a fidelidade do cliente e fortalecer a defesa da marca. Dessa maneira, o uso de estratégias sensoriais em diversos pontos de contato na jornada de consumo do cliente pode ajudar a criar um senso de confiança e oferecer uma sensação de conforto e satisfação do início até o momento da finalização da compra. 2 - Pontos de contato do cliente com a marca Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer a forma de impacto do cenário figital na construção da jornada de consumo do cliente e no mapeamento dos pontos de contato da marca. Ligando os pontos A Starbucks pode não ter inventado o branding experience, mas com certeza é uma das suas representantes mais icônicas. Especialmente por já ter nascido não somente como uma marca de produtos ou serviços excelentes, mas também como uma de experiência por excelência, essa empresa tangibilizou o conceito de experiência da marca como ninguém. O logotipo de ar mitológico, o ambiente verde e marrom, a variedade no menu, a disposição informal e aconchegante dos sofás, o wi-fi gratuito, as máquinas elegantes de café, as pessoas conversando... embrulhado no conceito de experiência da Starbucks, tudo isso representa o seu diferencial: o terceiro lugar. Trata-se daquele local que não é a casa do cliente nem seu local de trabalho, e sim um terceiro lugar, onde ele pode encontrar os amigos, ficar sozinho, trabalhar ou ler um livro. E tudo isso com o cheiro maravilhoso de café e de gostosuras por todo lado. Mas ainda há outros pontos de contato no mapa de interações da marca. A experiência de poder selecionar um café especial, um blend e uma mistura com outros ingredientes, assim como o charme de personalizar o copo com o nome (ou apelido) que você informar para o atendente, o balcão rápido e o sofá confortável (e sem pressa de ter que levantar). Nessa malha de pontos de contato bem planejados somada a vivências e sensações cultivadas, a marca garante que todas as experiências, ou melhor, que a experiência da marca Starbucks seja consistente e permaneça a mesma em todos as conexões e para todos os tipos de clientes (A, B, C e D) dela. Isso resulta na construção de uma percepção padronizada por meio dos atributos dessa experiência, como conforto, personalização, informalidade, aconchego, conversa e cultura. Junto com o conceito de terceiro lugar, a marca também entrega a sensação de “sentir-se bem” como sua experiência de marca, além, é claro, de alcançar a desejada categoria: naquele estabelecimento, o cliente não compra um café - ele adquire, na verdade, um “Starbucks”. Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos? Questão 1 Com mais de 30 mil lojas em 80 países, o Starbucks não só é hoje a maior rede de cafeterias do mundo. Ela também popularizou uma cultura sobre o que uma cafeteria pode ser e oferecer. A partir da história do nascimento e do posicionamento dela como marca e negócio, marque a opção que traduz da melhor forma a Starbucks experience: A A empresa Starbucks não promove experiência com seus clientes, pois trata-se de um serviço de entregas de café. B O nome “Starbucks” vem de um livro da mitologia nórdica que conta a história de Melusina, a sereia de duas caudas representada no famoso símbolo da marca. C São três os principais diferenciais da marca Starbucks em relação à concorrência: um cardápio com a maior diversidade de cafés do mundo todo, o balcão de atendimento rápido e o wi-fi gratuito em todas as lojas da rede no planeta. D O conceito de terceiro lugar que fundamenta o posicionamento da Starbucks está relacionado à decoração e à ambientação das lojas da marca: em todas elas, existe um canto mais afastado e silencioso, sempre com três poltronas aconchegante, cujo foco está na experiência do encontro e na socialização com amigos e desconhecidos. Parabéns! A alternativa E está correta. O diferencial de Starbucks foi ter transformado uma rede de cafeterias e um negócio de café em um ramo de negócio com foco no consumidor, assim como a excelência de sua experiência com a marca em todos os pontos de contato, de forma que a experiência permaneça a mesma em todas as interfaces de construção de conexão e relacionamento com seus clientes. Questão 2 Ocupando atualmente o cargo de presidente emérito e dono de boa parte da rede de lojas da marca, o executivo Howard Schultz é um dos principais responsáveis pela marcasituações vivenciadas pelo casal são verossímeis e passíveis de serem vivenciadas por qualquer pessoa em qualquer parte do mundo, ainda que com temáticas diferentes, já que o centro da narrativa está na ideia de se ver “obrigado” a estar num lugar por conta de seu parceiro ou parceira. B O storytelling tem a força de trazer, de modo abrupto e sem preparo, a imagem de que as situações vivenciadas pelo casal são inverossímeis e, logo, improváveis de serem vivenciadas por qualquer pessoa em qualquer parte do mundo, ainda que com temáticas diferentes, já que o centro da narrativa está na ideia de se ver “obrigado” a se casar para a existência de uma vida feliz ao lado de seu parceiro ou parceira. C O storytelling tem a força de trazer, orgânica e naturalmente, a imagem de que as situações vivenciadas pelo casal são verossímeis e passíveis de serem vivenciadas por qualquer pessoa que vive apenas no Ocidente, ou seja, o centro da sua narrativa está na ideia de se ver “obrigado” a estar num lugar por conta de seu parceiro ou parceira apenas experimentada nesta parte do mundo. D O storytelling tem a força de trazer, orgânica e naturalmente, a imagem de que as situações vivenciadas pelo casal são atípicas e nunca experimentadas por nenhuma pessoa normal em qualquer parte do mundo, ou seja, cria-se uma empatia parcial já que o centro da narrativa está na ideia de se ver “obrigado” a estar num Parabéns! A alternativa A está correta. A capacidade de criar empatia que o storytelling demonstra no vídeo em questão se dá pela quase universalização da ideia de que praticamente todo mundo, em algum momento da vida, se viu “obrigado” a participar ou estar em um evento sem muita vontade, apenas para agradar o seu parceiro ou parceira. Essa sensação, produzida de modo orgânico, natural e compartilhada pelas pessoas, é o gatilho que dispara a primeira centelha de empatia entre o casal da campanha e os clientes e espectadores que consomem a produção. Questão 3 Imagine uma situação na qual você precise fazer uma sequência de vídeos para dar continuidade à ideia da campanha do Barclaycards. Seguindo o mesmo princípio de histórias “espelhadas”, qual o nível de importância (pequena, média ou grande) você daria ao espaço na construção do storytelling no qual se passam as histórias contadas? casamento infeliz com seu parceiro e sua parceira. E O storytelling tem a força de trazer, de forma abrupta e sem naturalidade, a imagem de que as situações vivenciadas pelo casal são inverossímeis, porém passíveis de serem vivenciadas por qualquer pessoa em qualquer parte do mundo, ou seja, o centro da narrativa está na ideia de “impossibilidade de vida a dois” que o vídeo demonstra em relação ao parceiro ou parceira que não gosta de determinado evento. Digite sua resposta aqui Chave de resposta O espaço deveria ter uma importância muito grande pois é por meio dele que o cliente/espectador consegue se localizar junto à história que está sendo contada. Ainda mais relevante é o espaço quando a questão de trabalhar com a ideia de pontos de vista distintos é colocada em cena. Em outras palavras, no caso de um storytelling com perspectivas conflitantes, como é o fio narrativo principal da campanha, o espaço serve para dar o tom narrativo de cada personagem, suas ambições e seus desejos. Por fim, o espaço serve para explicar a questão de qual evento é narrado, posto que o cartão vende a ideia não apenas de comprar ingressos com desconto, mas de comprar uma experiência que faça sentido real para quem vivencia aquele evento. Definição de storytelling Ao traduzirmos o termo story para o português, chegaremos à palavra história, substantivo originado do latim para se referir a um conto ou narrativa. No entanto, há uma diferença entre “story” e “history”: Story History Apresenta uma estrutura narrativa no estilo ficcional, como um conto de fadas dos irmãos Grimm. É relacionada a fatos, como, por exemplo, a queda do Muro de Berlim ou algum acontecimento cotidiano. O sufixo telling, do inglês arcaico, remete a um verbo que significa contar ou narrar. Desse modo, storytelling é o ato de contar histórias (story + telling). Essas histórias podem ser reais ou ficcionais, mas apresentam uma estrutura narrativa no estilo ficcional. A diferença do storytelling para uma história comum é que, no storytelling, há um propósito de provocar determinadas reações e sentimentos no público. Xavier (2015, p. 11-12) sugere três definições distintas para a assimilação de seu conceito: Definição pictórica (imagética) Técnica artística de moldar e juntar as peças de um quebra-cabeça, formando um quadro memorável. Definição poética (metafórica) Técnica artística de empilhar tijolos narrativos, construindo monumentos imaginários repletos de significado. Definição pragmática (objetiva) Técnica artística de elaborar cenas, dando- lhes um sentido envolvente que capte a atenção das pessoas e enseje a assimilação de uma ideia central. É possível dizer que o termo “storytelling” passou a ser utilizado a partir da criação de teorias acerca da Poética de Aristóteles. O filósofo grego sustenta a tese de que “o homem é um animal social” e que nossas habilidades racionais se manifestam na comunicação com o outro à medida que exercitamos a linguagem e partilhamos conhecimento na forma de histórias. Domingos (2009) afirma que a prática de contar histórias está diretamente relacionada à necessidade de os indivíduos se relacionarem e pertencerem a um grupo. Algo inerente ao ser humano, tal necessidade contribuiu para a formação das culturas. No Brasil, a contação de histórias tem origens folclóricas e mescla características de indígenas, africanos e portugueses, três povos que contribuíram muito na formação da cultura nacional. O antropólogo Câmara Cascudo (2002) atesta que as nossas narrativas são expressas na oralidade e representadas por meio de cantigas, canções de ninar, causos e lendas. Curiosidade A cantiga de ninar Boi da cara preta surgiu no Maranhão; apesar de lúdica, ela trata indiretamente das experiências de africanos vindos para o Brasil na condição de escravizados. A canção foi uma forma de os descendentes de africanos tornarem mais leves e fantasiosas as dores do passado. Dessa forma, as histórias, sejam elas reais ou imaginárias, são mensagens que podem ser aspiracionais, reflexivas, informativas ou meramente recreativas. A contação de histórias, contudo, não se limita às narrativas impressas e orais. É possível desenvolver narrativas por meio do corpo, dos gestos e dos objetos. Veja o seguinte caso: No ano 121 a.C., o imperador chinês Wu Ti lamentou profundamente a morte da sua bailarina favorita. O líder, assim, ordenou que o mago da Corte a trouxesse de volta do “Reino das Sombras”; caso contrário, ele seria decapitado. A salvação do mago estava na sua criatividade: utilizando uma pele de peixe, confeccionou a silhueta de uma bailarina e inseriu uma cortina branca contra a luz do Sol, fazendo o desenho transparecer na luz do tecido. Assim surgiu o teatro de sombras, uma das mais antigas manifestações artísticas de que se tem notícia. Ao longo do tempo, a invenção de novos recursos possibilitou que as histórias pudessem ser contadas de outras maneiras. Hoje em dia, é possível criar uma narrativa em suas redes sociais, mas, para isso acontecer, inúmeros experimentos foram realizados para que as histórias pudessem ser contadas por meio do movimento. Em 1878, o inglês Eadweard Muybridge utilizou 24 câmeras fotográficas para registrar uma série de imagens estereoscópicas de um homem montado em um cavalo a galope. A partir disso, as narrativas animadas se popularizaram, possibilitando o surgimento do cinema. O ato de contar histórias é um assunto de pesquisa de diversas áreas, como a Comunicação, a Filosofia, a Sociologia, a Psicologia e a Neurociência. De acordo com o Laboratório da DinâmicaStarbucks como a conhecemos hoje em dia. Em uma de suas frases famosas, ele descreve o seguinte: “Nós não estamos no ramo do café servindo pessoas: estamos no ramo de pessoas servindo café”. Marque a alternativa que você usaria para explicar o significado dessa frase. E A experiência Starbucks engloba, entre outros itens, o design da loja, o nome do cliente escrito no copo, as cores da marca, os cantos com sofá, o cardápio com todas as formas possíveis de se tomar café e o ambiente físico repleto de estímulos de branding sensorial: visão, olfato, paladar, som e tato. A marca garante, assim, a consistência e a excelência na conexão com os seus tipos diferentes de clientes, seja qual for a demografia, a geografia, a língua e a cultura deles. A Diz respeito especificamente ao papel importante do setor de RH na gestão das lojas da Starbucks: a qualidade do atendimento dos funcionários que servem o café, afinal, é a preocupação número 1. B Está relacionada à variedade de cafés e produtos que compõem o cardápio: uma das maiores ofertas em termos de variedade de cafés, com qualidades de vários países, blends e formas variadas de servir o produto, seja ele puro ou com outros produtos, de maneira que todos os tipos possíveis de pessoas e consumidores de café se sintam atendidos. C O foco da Starbucks são as pessoas e sua experiência com a marca em todos os pontos de contato dela. Esse foco no relacionamento vale não só para seus consumidores, mas também para outros públicos dela, como os funcionários, os parceiros, os fornecedores e a comunidade de cada bairro e cidade onde a marca está presente. D Contextualiza o momento em que a Starbucks deixou de ser uma loja que vendia apenas grãos de café e se tornou uma rede de lojas que vende o produto de todas as formas possíveis de consumo. E Descreve uma característica da operação: diferentemente de outras cafeterias, não existem funcionários, garçons ou garçonetes para atender um cliente ou um grupo. É o cliente que vai ao balcão se servir: ele fica em uma fila, faz o pedido, paga primeiro e só então pega seu Parabéns! A alternativa C está correta. A Starbucks é, acima de tudo, uma empresa que vende e entrega experiências para seus clientes. O ponto de partida é o consumidor, seu cliente, assim como todos os públicos direta ou indiretamente relacionados à operação. Por isso, a companhia diz que o negócio da marca não é café: o negócio são as pessoas para quais a Starbucks serve – também, e não apenas – café. Questão 3 Além de ser uma marca de café, seja ele o produto em si ou todos aqueles adicionais, além dos serviços e da cultura associada a ele, a Starbucks nasceu com o propósito de ser uma marca de experiência. Para isso, ela construiu sua marca em torno do conceito de terceiro lugar. A partir da sua experiência, explique esse conceito do ponto de vista do posicionamento e da identidade da marca Starbucks. Digite sua resposta aqui Chave de resposta Você deve saber que uma das grandes inovações da empresa foi a popularização da cafeteria, uma “lanchonete” sofisticada para vender cafés e produtos associados, à maneira dos cafés italianos e europeus, com sua cultura de um lugar charmoso para socializar e relaxar enquanto se degusta um bom café. Nos EUA, o norte-americano comum tinha a cultura de fazer e beber café em casa (que podia ser ou não um produto sofisticado) e no trabalho (basicamente, o de cafeteira ou de máquina, cujo café ou outro produto, retornando para sua mesa ou seu sofá com o pedido dele. foco era oferecer ao funcionário uma pequena pausa e energia extra para o trabalho). Com isso, a Starbucks se posicionou como o terceiro lugar para se tomar café, isto é, um lugar que não é nem a casa, nem o trabalho, embora seu ambiente possa ter as coisas boas de ambos (da casa, o aconchego; do trabalho, a socialização). Sobre conexões e experiências Se o branding do ambiente 4.0, da economia da experiência e do cenário figital e pós-pandêmico fala sobre conexões e experiências, nada mais óbvio que a importância dos pontos de contato de uma marca com seu consumidor. Esse ponto pode ser definido por um local ou momento em que o cliente fala com a marca, ela fala com ele ou, mais importante, quando ambos conversam e se conectam. Essa conexão não se exprime apenas no fato de que houve uma interação entre marca e cliente, como seria uma comunicação ou uma compra, mas também de que se deu uma conexão no sentido de identificação, uma conexão de princípios e propósitos. Por conta disso, nunca foi tão importante entender, conhecer e construir pontos de contato da marca. Ao criarmos o mapa da jornada do cliente, procuramos identificar as principais áreas nas quais seus clientes estão focados. Aliás, fazer isso com a jornada de consumo significa mapear pontos de contato e poder antecipar desafios, preocupações e dores do cliente, assim como obstáculos e oportunidades, no processo de venda e de construção de relacionamento com ele. Desse modo, ao se construir uma forte conexão entre cliente e marca por meio da excelência na experiência, cada um dos pontos de contato importa. No marketing, tradicionalmente considera-se necessária uma média de interação com o consumidor de sete vezes, no mínimo, para que a marca se torne conhecida, interessante e relevante o suficiente para que o cliente decida comprar. Assim, para mapear e construir pontos de contato, é preciso entender as variadas formas com que o consumidor se conecta a uma marca. Elas podem ser tangíveis e intangíveis ou materiais e imateriais, assim como podem ser definidas por um lugar ou um momento. No mapeamento da jornada do cliente, as marcas dedicam um tempo para determinar seus principais pontos de contato com a marca. Em tais momentos, se alcança o consumidor para realizar uma destas ações: Fornecer valor Compartilhar um novo produto Vender mais que a concorrência Além disso, esses momentos podem estar focados em vendas ou ser mais gerais, sendo projetados para criar uma impressão positiva da marca. Alguns pontos de contato dela são conhecidos. Exemplo Comerciais de TV, presença da marca nas mídias sociais, anúncios pagos no Google ou no Facebook e posts no Instagram. Trata-se de tudo aquilo do universo da comunicação, além das outras dimensões físicas da marca, como a embalagem, o ambiente da loja, o patrocínio de um evento e o atendimento na hora da compra, no pré-venda para tirar dúvidas e no pós-venda para reclamar ou realizar alguma troca, seja presencialmente, no off-line ou no on-line. De qualquer forma, no contexto de um trabalho de branding e marketing cujo foco são o cliente e sua experiência, é importante lembrar que nem todos os pontos de contato da marca são adequados para todos os públicos. Além disso, isso tampouco ocorre a todo momento. Daí se justifica a importância de conhecer seus consumidores e construir suas buyer personas (personas compradoras) no processo de mapeamento. Lembre-se de que esse mapeamento é tão dinâmico quanto o mercado, o comportamento do consumidor e os próprios contextos sociais, considerando, para isso, as características do chamado mundo BANI, em que as coisas e os entendimentos sobre elas não se mantêm no mesmo lugar por muito tempo. BANI Trata-se de um mundo frágil: B de brittle (frágil, em português), A de ansioso, N de não linear e I de incompreensível. Desse modo, é necessário possuir um processo de pesquisa e monitoramento para que o entendimento sobre o consumidor e o mapeamento da sua jornada possam evoluir junto com essas mudanças. Nesse mapeamento, os pontos de contato podem ser acompanhados dentro da jornada de forma cronológica e separados pelo momento que ocupam no processo de venda. É bom frisar que o poder de ação de um ponto de contato não está preso à uma única etapa da jornada: ele pode estar prioritariamente em uma etapa, mas, mesmo assim, se fazer presente nas outras. Esse éo caso, por exemplo, da comunicação da marca nas mídias sociais ou em um site. No entanto, existe um checklist básico desse mapeamento por onde podemos começar. É o que veremos à frente. Mapeamento dos pontos de contato do cliente com a marca Mídias sociais Embora a mídia social não seja necessariamente um canal de vendas, ela ainda é uma maneira forte de construir relacionamentos. Os pontos de contato nas redes sociais incluem anúncios pagos, as famosas collabs com influenciadores ou outras marcas, e o social CRM, que toma o lugar quando os clientes definem que querem usar os chats e o inbox para tirar dúvidas, reclamar ou até resolver questões sobre compras. Afinal, não é mais a marca que define como ela vai atender o cliente. Collabs Parceria ou colaboração. Tal fato constitui um dos motivos pelo qual o monitoramento das demandas de clientes por meio dos canais de atendimento deve ser realizado. Além disso, é na mídia social que se forma a comunidade em torno da marca, pois ela se trata da principal arena dos defensores de uma marca (e de seus haters, ou seja, odiadores). É nela que seus esforços de ação e gestão da marca (e de seus pontos de contato) têm de estar. Conteúdo institucional Seja em um site, blog ou podcast, o conteúdo e a comunicação institucional da marca e da empresa são um ponto de contato da marca. Afinal, o consumidor pesquisa tudo de forma on-line - incluindo o site da organização - antes de decidir realizar sua compra, seja ela on-line, seja na loja física. Por isso, esse conteúdo deve ser forte, consistente e integrado com as demais comunicações de marca ao longo de todas as plataformas de comunicação dela. Pense em todas estas possibilidades: Atendimento ao cliente Postagens no blog. Episódios de podcast. Vídeos. Pesquisas on-line de satisfação. E-books. E-mail marketing. FAQs. A interação direta com os representantes da empresa da área de vendas ou da central de atendimento são pontos de contato valiosíssimos, especialmente porque podemos explorar aí a força de um contato H2H, ou seja, a interação humana, pessoa a pessoa. Cada vez que um cliente interage com uma equipe de vendas, de atendimento ou de suporte, sua experiência precisa ser eficiente e satisfatória. Com isso, o cliente sabe que a marca assume a responsabilidade pelos problemas e age de forma proativa para resolvê-los. Mesmo nos casos em que ele “não tem razão”, ela sempre pode resolver a situação a fim de que o cliente perceba a ocorrência de uma atenção honesta à sua demanda, o que converte um problema em uma oportunidade. A loja Seja na rede ou na rua, em um quiosque ou em um e-commerce, o ponto de venda é o lugar para a experiência marca-cliente. Trata-se, portanto, de uma oportunidade permanente de causar um impacto positivo nele. Para o cliente, a loja é um lugar, a casa da marca, e ele quer ser recebido como uma visita importante. O consumidor quer poder sentir tudo quando está lá dentro - e isso inclui a decoração e a forma como as coisas estão dispostas e organizadas. De preferência, tudo precisa estar embalado em táticas sensoriais que façam a marca se conectar por meio de todos os sentidos. Exemplo Um aroma que só a loja tem, uma playlist personalizada, a oferta de café e refrescos, algum biscoitinho ou salgado. Trata-se de algo cuja característica e sabor façam sentido e tenham a cara da marca, como é o caso da barbearia moderna que oferece cerveja artesanal. O mesmo se espera da loja on-line: os sentidos que ela não pode atender pelas limitações tecnológicas precisam ser compensados por um ambiente on-line amigável, receptivo, responsivo e eficiente, com uma informação clara e um processo de compra e de entrega o mais perfeito possível. O momento de fechar a compra Em toda finalização da compra, seja no ambiente físico ou no on-line, existe o risco da desistência. Sendo assim, quaisquer lugares e momentos devem ser pensados para causar um impacto positivo no cliente. Filas rápidas e processos simples para finalizar a compra são fundamentais, valendo tanto para o modo off-line quanto para o on-line. Quanto mais rápida e fácil for uma compra, menor será a probabilidade de um cliente abandonar o carrinho e pular para o site concorrente. Saiba mais A otimização de checkout (presencial e on-line) pode aumentar as conversões em 35%. Quando os consumidores são bem-informados sobre cada etapa do processo de compra, havendo comunicação e dinâmica (seja na loja ou no site) claras e voltadas para eles, os clientes percebem isso e se sentem motivados e confiantes para finalizar a compra - eventualmente até adicionando um ou outro produto de última hora. Por outro lado, se enfrentarem cobranças inesperadas, sistemas confusos e serviços ruins, eles simplesmente gastarão seu dinheiro em outro lugar. Pesquisas de satisfação pós-venda É importante reconhecer que os pontos de contato da marca não terminam depois que o usuário faz uma compra. Pesquisas de satisfação pós-venda têm um papel importante, pois o feedback do cliente é a base de qualquer processo de monitoramento, avaliação estratégica e tomada de decisão para uma marca. Por que adivinhar se podemos perguntar, ainda mais com os custos reduzidos que a digitalização dessas atividades oferece hoje em dia? Depois que seus clientes fizerem uma compra, envie um e-mail ou faça um acompanhamento, fazendo perguntas claras sobre o atendimento, o processo de compra ou os produtos e serviços adquiridos. Quanto mais bem feitas forem tais perguntas, mais a pesquisa ajudará a marca a entender seu público-alvo, incluindo o que os clientes pensam de seus negócios. Se algum desses feedbacks se transformar em ações visíveis, o ciclo se fechará perfeitamente na percepção do cliente, que passa a se sentir ouvido e considerado. Planejando os pontos de contato Embora cada marca tenha de personalizar sua estratégia para um público único, há algumas etapas que você pode seguir. Vimos que, quando você se concentra nos pontos de contato listados acima, a experiência geral do cliente é aumentada. Porém, ao planejar os pontos de contato da marca, você precisa considerar as etapas elencadas a seguir: Separe seu público-alvo em grupos Para começar, separe seus leads (clientes já interessados em seu produto ou serviço) e seus contatos em grupos. Você pode ter leads frios e quentes, novos clientes e aqueles já existentes. Cada jornada de consumo e mapa de pontos de contato devem ser um pouco diferentes dependendo do tipo de cliente. Identifique seus pontos de contato existentes Dentro desses grupos, anote os seus pontos de contato existentes. Você já pode ter um funil de vendas por e-mail ou uma presença ativa nas mídias sociais. Caso tenha uma vitrine física, seus pontos de contato existentes podem incluir a visita presencial na loja ou a participação em eventos locais. Faça uma relação das maneiras pelas quais a marca interage com diferentes grupos, conceito que pode englobar desde lugares até momentos. Uma das melhores maneiras de saber mais sobre seus pontos de contato atuais é conversar com seus clientes. Sempre que possível, peça para eles descreverem a experiência que tiveram com as próprias palavras. Quem sabe eles já têm ideias de como cada ponto de contato pode melhorar? Encontre os pontos fracos Avalie o ponto no qual você já está atendendo bem seus leads ou clientes no que você considera seus principais pontos de contato. Você pode descobrir que tem muita atenção no processo de pré-venda, por exemplo. Considere seus clientes passados, atuais e futuros. Quais partes da jornada têm o maior potencial de impacto em longo prazo? Preste atenção nos pontos de contato de atendimento sobre dúvidas, informações e reclamações, especialmente se você automatiza esses processos. Faça uma revisão de roteiro da parte automatizada e da parte de atendimento humano. Isso precisa ser realizado nos diferentes canais por meiodos quais o cliente pode querer fazer contato: Telefone, WhatsApp, chat das redes sociais que você utiliza, site, e-mail. O atendimento, a convergência e o alinhamento entre variados canais, assim como as narrativas, os discursos, as políticas e os protocolos de atendimento, permanecem um gargalo clássico em empresas de vários setores. Se o cliente encontra desinteresse e confusão especialmente após a compra, todo o trabalho excelente que a marca fez até ali se dilui em decepção, tempo de espera e problemas não resolvidos. Construa um novo plano Agora que você sabe onde precisa fazer melhor, comece a fazer um plano. Esse é o melhor momento para implementar o rastreamento de dados a fim de considerar como seus sistemas atuais funcionam e de que modo você pode melhorá-los. Se você ainda não está usando uma ferramenta de CRM, considere experimentar uma. Seu novo plano de ponto de contato precisa incluir suas novas áreas, bem como as antigas que tiveram sucesso no passado. Ajuste com o tempo Por fim, os pontos de contato da sua marca estão longe de serem únicos. Esse é um processo que você continuará a adaptar ao longo do tempo. Afinal, no mundo da experiência do cliente, você nunca pode estar muito confortável. Continue a crescer, aprenda com seus erros e se adapte para atender às novas expectativas dos clientes. Coisas que funcionaram no passado poderão não funcionar no futuro. A jornada de compra do cliente e os pontos de contato da marca Não existe uma boa jornada de consumo sem um bom planejamento de pontos de contato da marca. Um bom plano significa estar à frente das necessidades, ser proativo em relação às interações com os clientes, identificar obstáculos e resolvê-los rapidamente: é assim que os clientes têm sempre uma experiência melhor com a marca. Ampliar o público de uma marca também está ligado ao planejamento da jornada e dos pontos de contato, pois é necessário segmentar o público de maneiras diferentes ao longo de sua jornada. Trata-se ainda de monitorar e adaptar a estratégia ao longo do tempo para atender os clientes onde eles já estão. Os pontos de contato com o cliente: um estudo de caso Veja a proposta de uma marca em seus diversos pontos de contato com o cliente. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Dentro de uma estratégia de branding, marketing e comunicação, devemos mapear e construir pontos de contato entre a marca e o consumidor em sua jornada de compra e relacionamento. Marque a opção que contém a definição de pontos de contato da marca. Parabéns! A alternativa C está correta. Pontos de contato são as interações entre empresas e clientes que ocorrem durante a jornada do cliente. Trata-se de toda e qualquer interação que os consumidores podem ter com a marca ao longo da jornada de consumo: desde quando eles a conhecem pela primeira vez até os momentos e lugares aonde passaram para decidirem realizar uma compra. Ao mapear e construir A São os diversos canais de atendimento que uma empresa pode oferecer para o cliente, como um canal de telefone 0800, um e-mail de contato direto ou até uma plataforma de mensagem de texto, como o WhatsApp. B São os chamados pontos de venda, sejam eles lojas e quiosques, entre outros exemplos, onde os clientes podem ter um contato presencial com a marca por meio de seus ambientes, seus vendedores e seus produtos ou serviços. C São os pontos de encontro entre os consumidores e a marca. Trata-se de todo tipo de espaço, momento, ação de marketing, fluxos comunicacionais, on-line ou off-line, lojas e eventos, sites e redes sociais, embalagens, produtos e serviços em si ou funcionários das empresas. Engloba, enfim, tudo que é a marca e com o qual o cliente pode se conectar. D É nome dado aos quiosques que as marcas montam em eventos de terceiros para a distribuição de brindes ou a venda exclusiva de produtos cooperados desenvolvidos especialmente para a ocasião. E É a estratégia de patrocinar programas ou eventos de grande audiência nos quais a marca aparece de forma ostensiva em formatos variados de merchandising e inserção pontual. os principais pontos de contato e mensurar o comportamento dos clientes, a marca aprende sobre eles e capitaliza oportunidades. Questão 2 Um dos pontos de contato mais sensíveis a erros de gestão das marcas é aquele relacionado ao atendimento ao cliente, seja antes, durante e depois da finalização da compra. Identifique, entre os erros listados, um problema que não está relacionado ao atendimento. A O cliente quer tirar uma dúvida e opta pelo 0800. O telefone primeiramente não atende; depois, só dá ocupado. Quando finalmente consegue completar a ligação, o cliente fica escutando aquela música típica de PABX durante horas e desiste. B O cliente quer fazer uma solicitação de mudança de endereço. Ele tenta pelo site, mas não consegue. Tenta pelo aplicativo, que diz que a senha não confere; mesmo assim, ele não recebe a senha nova pelo e-mail. Finalmente, ele consegue falar com um atendente pelo WhatsApp, que informa que essa alteração só pode ser feita pelo site. C O cliente entra na loja. Os vendedores estão na porta: distraídos, eles olham para fora. Quando encontra o que deseja, chama um vendedor, perguntando se tem o produto na cor que ele viu no site. O funcionário informa que o item não foi fabricado naquela cor. O cliente abre o site e confronta o vendedor, que então responde que “deve ser” por só estar à venda no site. D O cliente vê na TV uma campanha de uma marca que ainda não conhecia, se interessa e procura o site. Quando vai acessá-lo pelo smartphone, o site não é responsivo, não se ajusta ao formato da tela e fica minúsculo e desalinhado. Ele Parabéns! A alternativa D está correta. Na opção correta, o problema é da estrutura do site, uma clássica negligência de lançar uma marca com um site apenas para navegação em computadores, em vez de se construir um site responsivo e adaptável para plataformas móveis que também funcione em computadores. Em todos as outras opções, há problemas graves de roteiro e protocolos de atendimento, incluindo problemas de convergência de canais em termos de políticas de preço, autonomia de solução de problemas e até mesmo posturas de atendimento não centradas no consumidor. insiste e tenta navegar, mas, depois da página principal, nenhuma outra página do site carrega direito. E A marca divulga uma promoção nas mídias sociais, mas, entrando no site, o preço não é igual ao da promoção. Mesmo assim, o cliente decide comprar o produto. Porém, na hora de finalizar a transação, o site não informa o cálculo do frete. Desse modo, o cliente resolve comprar pelo televendas, embora o atendimento informe que não pode vender por aquele preço, mesmo estando escrito no post que a promoção vale para todos os canais. 3 - Branding na era da convergência Ao final deste módulo, você será capaz de analisar os novos paradigmas no contexto da convergência do off-line com o on-line e as novas estratégias que as marcas precisam adotar no mundo figital. Ligando os pontos Quando pensamos em uma marca que domina a experiência omnicanal do cliente, a Disney logo vem à nossa mente. No ambiente superintegrado, controlado e conectado da Disney World, tudo é organizado desde o momento da reserva: o engajamento pré-experiência, sua chegada, o primeiro contato no aeroporto, o check-in em seu hotel e, claro, toda experiência nos próprios parques temáticos. Os dois principais canais antes de se iniciar toda a experiência de visita à Disney World são o site e o aplicativo da empresa. Você explora os parques e revisa sua programação de atrações, restaurantes e entretenimento. Tudo organizado e sincronizado no app exclusivo da Disney Experience. Até aqui, pode ser que os concorrentes tenham algo parecido. Mas ninguém possui a Disney Magic Band, a pulseira mágica que todos os visitantes recebem na chegada.Cada membro da família fica com uma pulseira, que pode ser personalizada em cores e vai muito além de um mero dispositivo vestível de pagamento. A Magic Band é uma chave para o Magical Kingdom, ajudando em todas as transações locais. Ela é a chave de acesso aos parques; com seu pacote Disney carregado, a chave diminui os tempos de fila. Da mesma forma, também é o principal método de pagamento nos parques temáticos da Disney, oferecendo comodidade e segurança, sem dinheiro vivo ou cartões de crédito. A pulseira se conecta e se sincroniza com o aplicativo, o que indica um esforço de gestão de banco de dados. Desse modo, as fotos que os profissionais do parque tiraram de você e registraram no seu Disney PhotoPass aparecem ali também! Um dos efeitos colaterais de toda grande experiência omnicanal é a sensação de que a marca está o vigiando. Mas a Disney neutraliza essa sensação ao oferecer o máximo de informações úteis sobre sua experiência para você mesmo usá-las e se organizar melhor. Além disso, toda essa interação permite que a empresa peça opinião e sugestões sobre tudo. A lição da experiência omnicanal da Disney é o foco na compreensão profunda sobre seu público, que ela conhece e com quem interage muito antes de alguém pegar o avião e chegar a seus parques. Afinal, a Disney é a experiência de todos os seus canais, pontos de contatos, marcas, conteúdo, TV, cinema, Pixar, Star Wars e Marvel. Nela, conteúdo e contexto são rei; a experiência, a rainha. Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos? Questão 1 No contexto de marcas que oferecem o mais inovador de um branding experience, o universo Disney sempre se destaca por se tratar de uma marca construída a partir dos elementos de múltiplas experiências. Se já oferecia uma experiência multicanal no mundo pré-digital, ela, com o advento no mundo figital, só poderia se tornar a referência. Assinale a alternativa que mais se aproxima da definição de marketing omnicanal. A Conjunto de estratégias voltado para a promoção de uma marca na internet por meio do uso de diferentes canais on-line e métodos que permitem a análise dos resultados em tempo real. B Estratégia de marketing voltada para a criação e a distribuição de conteúdo digital relevante para a construção de reputação com foco em reconhecimento e sem o uso de táticas promocionais. Parabéns! A alternativa D está correta. O marketing omnicanal é uma estratégia que visa criar uma experiência de compra do primeiro ao último ponto de contato da marca independentemente do canal que seu cliente esteja usando, seja ele on-line ou off-line. As marcas mapeiam cada etapa da jornada de consumo e de relacionamento, aprendendo sobre o perfil e os hábitos de seus cliente com o objetivo tanto de rever estratégias e formatos quanto de orientar produtos e serviços, mantendo seu foco na construção de um relacionamento contínuo e em longo prazo. Questão 2 A Disney cria projetos e soluções para conciliar a excelência no atendimento ao cliente às possibilidades de novas e eficientes ações de vendas, marketing e relacionamento para a marca. C Reunião das estratégias de solidificação, divulgação, prospecção, fidelização e construção de reputação da marca com foco na conquista de novos clientes por meio de canais on-line e off-line. D Conjunto de estratégias e táticas de vendas e marketing que se concentra em se conectar e atender às necessidades dos clientes em todos os pontos de contato para que a marca e seus valores estejam presentes em cada etapa da jornada de compra. E Uma estratégia que integra os canais e os pontos de contato que podem ser utilizados pelo consumidor em sua jornada, sejam eles on- line ou off-line, mas que o incentive a manter sua jornada de compra uma vez iniciada. Tudo isso é potencializado por meio do uso de tecnologia, como é o caso da Disney Magic Band. Sobre tal aparelho ou facilidade que a Disney disponibiliza para seus clientes, podemos afirmar que A ele possui formato de pulseira, podendo ser utilizado em todos os parques temáticos da Disney e nos hotéis do complexo Disney com duas funções únicas: substituir os ingressos em todas as diversões e eventos e a chave do quarto do cliente no hotel. B a Disney Magic Band é um dispositivo digital de pulso que cada cliente adulto recebe quando chega ao hotel ou ao parque Disney. Ele não pode ser perdido com o risco de gerar custos extras. Para evitar que seja tirado do pulso, ele é a prova d’água, feito com material hipoalergênico. C como as crianças não podem usar a Disney Magic Band, o controle de acesso delas a parques, eventos e quartos de hotel é feito por meio da pulseira dos adultos que as acompanham com o objetivo de garantir a segurança e a conveniência da experiência em família. D a Disney Magic Band é uma chave completa para toda experiência de parques, hotéis e eventos Disney. Além de ser chave de acesso aos parques, ela também dá acesso aos quartos de hotel; como as crianças recebem a própria Magic Band, isso oferece flexibilidade e conveniência para todos os membros da família ou do grupo. A Disney Magic Band também é um dispositivo de pagamento digital e pode centralizar a operação de todos os pagamentos Parabéns! A alternativa D está correta. As Disney Magic Bands são pulseiras à prova d'água que funcionam de maneira similar à de um cartão por aproximação. Com a Magic Band, o cliente integra seus pacotes, seus acessos e sua experiência em um dispositivo exclusivo, o qual, além de tudo, é prático e evita que o cliente tenha de levar dinheiro ou cartões. No contexto da experiência omnicanal, a Disney Magic Band oferece à empresa o mapeamento e o acompanhamento da qualidade da experiência que o cliente da Disney está vivenciando em tempo real. Questão 3 Com o funcionamento das Disney Magic Bands associado ao programa My Disney Experience, identifique e descreva, na sua opinião e do ponto de vista de marketing de experiência e da jornada do cliente Disney, o que a Magic Band oferece para o cliente como ferramenta e experiência e o que ela dá de retorno para própria Disney. e compras realizados, evitando que o cliente precise transportar consigo cartões de crédito ou dinheiro. E Além de ser um smart watch que permite transações financeiras em todo Magical Kingdom, a Disney Magic Band funciona como aparelho celular, permitindo que o cliente a use para ligações, troca de mensagens e até para tirar fotos e gravar vídeos durante sua experiência Disney. Digite sua resposta aqui Chave de resposta Você deve saber que a Magic Band representa praticidade, conveniência, segurança, autogestão e controle de todas as atividades que acontecem na viagem e nas atrações. Esse investimento em tecnologia e integração é, por assim dizer, mágico para o cliente, que pode concentrar sua atenção e emoção na experiência Disney - e não na burocracia e no gerenciamento de atividades de risco que uma viagem e uma jornada em parques e hotéis pode demandar. A Magic Band transforma o cliente em um dispositivo móvel, mapeando e acompanhando em tempo real suas interações com todos os pontos de contato, assim como suas transações e experiência da marca. Ela o coloca em modo ao vivo na experiência omnicanal da marca, otimizando a gestão do Big Data que essas interações alimentam, além de permitir igualmente que a empresa possa melhorar seu tempo e sua qualidade de respostas e soluções às demandas e às necessidades dos clientes. Branding na era da convergência Vivemos em um mundo no qual os consumidores são bombardeados com todo tipo de propaganda e táticas de marketing: Eles veem um outdoor na estrada, ouvem anúncios no som do carro e recebem ofertas e promoções nas suas redes sociais ou mensagens em seus celulares - e tudo ao mesmo tempo. Por isso, nenhuma empresa ou marca que queira ter sucesso no cenário atual de sociedade e mercado ainda podeestar perdida na separação entre on-line e off-line, encontrando-se em um ponto comum. Embora seja uma prática habitual das empresas ter uma equipe separada para esforços on-line e off-line, o público não poderia se importar menos com isso. Os clientes não exigem apenas eficiência em ambas as frentes: eles esperam por isso, pois sabem que é o tipo de atendimento e atenção que seu dinheiro e sua fidelidade merecem. É preciso haver uma abordagem e um trabalho de branding, marketing e comunicação que considere tudo de forma contínua, estando integrado à vida do consumidor como ela é. No início dos anos 1990, com o aprofundamento da globalização, a internet se popularizou e o universo digital ganhou cada vez mais relevância. No entanto, ainda parecia haver uma grande distância e diferença de contexto entre os mundos digital e físico. Evolução dos smartphones da marca Apple. O boom dos smartphones é um dos principais motivos pelos quais o mundo se transformou totalmente no que conhecemos como a era digital. Desde então, toda a praticidade e o conforto proporcionados por essas conexões passaram também a nortear o que se entende como a rotina off- line dos consumidores, fazendo com que tais realidades e seus canais convergissem em uma realidade figital. O termo “figital” vem da fusão das palavras físico e digital, que nada mais é do que a integração entre o mundo físico e o digital. Existe, assim, uma incorporação de funcionalidades digitais dentro da experiência física do cliente, mas o contrário também ocorre. Trata-se, em suma, de um processo que integra os dois de forma a impactar as abordagens do marketing. Exemplo Nos planos de UX (user experience ou experiência do usuário), agora existe uma jornada de consumo com um caminho igualmente híbrido, figital e omnicanal. Benefícios dos centros de contato omnicanal. A era da convergência representa um cenário de vida em sociedade e de mercado de consumo no qual tudo está conectado: o que move o consumidor é a experiência. Exemplo A televisão pode até ser uma mídia tradicional, mas ela precisou se atualizar, apresentando um conteúdo integrado entre plataformas de streaming, nomes de séries com hashtags, QR codes com promoções e convites para seguir no Twitter ou em outras redes sociais aparecendo na tela durante um programa. Anúncios de jornal e rádio também não podem viver sem convites de mídia social. Convergir estratégias de marketing on-line e off-line é crucial, porque os profissionais de marketing precisam lidar com um público muito distraído. Se um consumidor típico gasta em média menos de 30 segundos para absorver um conteúdo de marketing digital, imagine o tempo que alguém com um celular na mão gastaria olhando um outdoor na rua. Ainda assim, mesmo com o digital tão onipresente, é importante não perder de vista a força que a presencialidade pode proporcionar em um trabalho de branding, criando relevância e envolvimento da marca com os clientes. Em Marketing 4.0 e Marketing 5.0, seus dois últimos livros, Philip Kotler apresenta caminhos palpáveis para essa convergência e explora o quanto os consumidores gostam de misturar compras virtuais e físicas. Do ponto de vista das empresas, o desafio é conciliar as ações da marca para atingir diferentes canais e oferecer a experiência que o cliente procura. Ele, portanto, precisa ter suas necessidades atendidas em todos os canais - e de forma integrada. Hoje, com as tecnologias disponíveis, não é mais aceitável, do ponto de vista do consumidor, ser obrigado a realizar uma tarefa em apenas um canal específico. Exemplo Quando procura uma solução e é direcionado para um serviço de chat automatizado, o cliente fica frustrado. O mesmo ocorre quando ele precisa resolver um problema que um simples e-mail daria conta, sendo solicitado a aparecer em uma loja física. Ou quando quer perguntar algo rápido em uma ligação telefônica, mas o obrigam a fazer esse contato por mensagem. O consumidor precisa poder fazer o que quiser por meio de qualquer canal de atendimento, seja ele físico ou digital. Essa opção simples torna a experiência mais fluida e o atendimento mais ágil e qualificado. Se seus clientes estão em toda parte e são ninjas das multitarefas (eles, afinal, ouvem música em um streaming enquanto assistem à tv ou navegam nas redes sociais enquanto cozinham), você tem de estar onde eles estão. Se eles estão hiperconectados e interconectados, a sua marca precisa ter igualmente um ciclo de marketing ininterrupto, ubíquo e multicanal. E a estratégia figital é que permite uma experiência com o melhor desses dois mundos. Hoje em dia, os clientes esperam que toda marca esteja acessível no on-line e no off-line. Com certeza, eles supõem que uma loja de rua tenha, no mínimo, uma presença on-line em mídias sociais, um site e ao menos algum tipo de serviço simples de vendas on-line - nem que seja um delivery! Os clientes querem poder acessar a marca da maneira que funciona melhor para eles, pelo caminho e da forma que eles acreditam ser a mais eficiente e confortável, desenhando eles mesmos sua jornada de compra. Exemplo É comum o consumidor visitar o site ou e-commerce de uma empresa e usar esse ponto de contato para pesquisar o preço e estudar o produto como se fosse uma vitrine. Porém, em vez de realizar a compra on-line, ele vai à loja física finalizar a compra. E o contrário também acontece: o consumidor confere o produto na loja física, testa e experimenta no off-line, mas volta para realizar a compra no on-line e ainda aproveita alguma promoção ou desconto promocional exclusivo para compras on-line. O fato é que o tráfego on-line impulsiona o tráfego na loja física - e vice-versa. Atualmente, uma empresa que ainda tem toda sua operação focada em lojas físicas e que ainda pergunta por que precisa “estar na internet” é claramente um negócio que, se não tem problemas agora, terá em breve. Aumentar o tráfego em uma loja física hoje em dia tem tudo a ver com mídia social: transformar leads em tráfego e tráfego de cliente em compras efetivas também se trata de saber converter “compartilhamentos” e “curtidas” em visitas e vendas na própria loja. Integração de estratégias de marketing on-line e off-line Nesse cenário de convergência, a integração de estratégias de marketing on-line e off-line é fundamental. É aí que entram as atividades de monitoramento e mensuração, as quais vão fornecer os dados que indicam os caminhos que os clientes estão seguindo - e os caminhos que a marca tem de seguir. Os esforços de marketing tradicionais podem ser medidos, por exemplo, em visitas ao site ou em compras on-line ao se identificar a fonte do tráfego. O mesmo vale para as mídias sociais. Curiosidade A implementação de processos de monitoramento e mensuração é importante para medir as campanhas de marketing multicanal em relação aos objetivos e às metas de negócios. Quanto maior for a mensuração eficiente de dados dos esforços off-line e on-line, melhores serão a segmentação do mercado e a identificação de diferentes públicos. Sobre o público-alvo, nunca assuma que os clientes mais jovens só apreciam o conteúdo on-line, enquanto os mais velhos são atraídos apenas por anúncios impressos e de TV. Ainda hoje, muitas marcas e profissionais de marketing cometem esse erro. A diferença existe, é claro, mas diminui cada vez mais. Atualmente, mais da metade da população adulta na faixa de 65 anos ou mais usa a internet, incluindo o WhatsApp e outros aplicativos de mensagem, além de acessar pelo menos uma rede social e apreciar no modo on-line algum tipo de conteúdo informativo ou de entretenimento. No cenário de convergência das campanhas de comunicação de marca, o que diferenciava os clientes on-line dos off-line vai sumindo até que eles se unifiquem em um único público, cujo recorte não é mais sociodemográfico, e sim de comportamento de compra e de acesso a canais e pontos de contato, o que nos ajudaa desenhar os chamados buyer personas. Não podemos esquecer também que, para essa integração, a tecnologia atua como nossa aliada. Desde as centrais de monitoramento até o CRM Social, dos QR codes nas telas aos chatbots e do marketing data-driven à inteligência artificial dos assistentes virtuais, todos são valiosos pontos de contato e de comunicação. Todos eles, na verdade, constituem uma oportunidade para a marca promover não só a conexão entre o físico e o digital, mas também a conectividade dela com os consumidores e a imersão necessária para mantê-los interessados, envolvidos, encantados, dispostos a comprar de novo e motivados a ser um defensor da marca. Marketing data-driven Trata-se de um conceito estratégico baseado em análise e interpretação de dados. Ele é usualmente aplicado na área de marketing. Desafios no cenário: construindo melhores relacionamentos As empresas buscam construir uma rede de relacionamentos, seja ela off-line ou on-line. Na integração de ambos, tais relacionamentos são fortalecidos. Perder um ou outro significa abrir mão da oportunidade de: Construir uma comunidade maior de seguidores. Explorar novas redes. Diversificar seu mercado. Lembre-se de que a rede de seguidores de uma marca é um patrimônio - e é dali que surgem os clientes que se tornam fãs e defensores da marca. Assim como o off-line se beneficia das mídias sociais e das campanhas de marketing digital, o on-line também usufrui da publicidade tradicional e dos eventos promocionais. No mundo figital, o marketing e a comunicação da marca dependem de uma abordagem integrada e não linear. É por meio dessa convergência que uma marca pode criar experiências mais marcantes e se conectar de maneira mais eficiente com seus clientes independentemente de que eles sejam e de onde estejam. Mundo figital: os desafios de uma abordagem integrada e não linear Veja os elementos desafiadores na construção de relacionamentos eficientes com clientes. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Sobre o conceito de convergência do on-line e do off-line, podemos afirmar que: I. É o nome dado, no mapa da jornada de consumo, para o momento em que o cliente, após pesquisar o produto na loja on-line, decide finalizar a sua compra na loja física. II. Para oferecer a qualidade de experiência que se espera de uma marca no cenário atual e no mercado competitivo e indiferenciado, é fundamental que as empresas ofereçam a possibilidade de contato por vários tipos de canais on-line e off-line em qualquer hora e dia da semana e em qualquer plataforma. III. A integração do on-line e off-line nas campanhas de marketing e no atendimento ao consumidor só interessa ao público mais jovem, já que o segmento mais velho do mercado do consumidor usa muito pouco a internet. Indique a resposta correta. Parabéns! A alternativa C está correta. Uma das maiores potências da convergência entre on-line e off-line é a possibilidade de colocar todas as atividades de marketing e pontos de contato da marca para convergir simultaneamente na construção de uma experiência ampla e marcante o suficiente para impactar os clientes e influenciar sua percepção sobre a marca. A convergência é uma visão estratégica alinhada às mudanças que sociedade e mercado viveram por meio do advento da internet, da expansão das tecnologias de informação e comunicação e das disrupturas. Hoje em dia, ela também é sociodemográfica e etária: a partir do momento que se integram e passam a oferecer um ambiente de convergência, as marcas ainda fortalecem a cultura e o comportamento entre consumidores mais velhos ou menos conectados, incentivando, educando e acelerando seu processo de inclusão digital. Questão 2 Um dos elementos mais importantes para o branding na era da convergência é a estratégia omnicanal. Sobre isso, podemos dizer que: I. A estratégia omnicanal tem por objetivo integrar os canais de contato com A Apenas a afirmação I é verdadeira. B Apenas a afirmação III é falsa. C Apenas a afirmação II é verdadeira. D As afirmações I e III são verdadeiras. E As afirmações II e III são falsas. o cliente sem haver a necessidade, entretanto, de integrar atividades de marketing e de comunicação da marca com o público, que permanecem gerenciadas em suas dimensões on-line ou off-line de forma separada. II. O foco por excelência de uma estratégia omnicanal é, sem dúvida, a experiência física e presencial com a marca, além de centrada nos pontos de venda off-line. Toda a estrutura digital da marca é secundária, tendo como propósito apoiar os esforços de geração de tráfego para as vendas presenciais, que é o lugar no qual a mágica da marca acontece de fato. III. O omnicanal é uma estratégia de marketing, de vendas e de relacionamento da marca para integrar os canais de comunicação e divulgação, os pontos de contato e as atividades dela a fim de oferecer aos clientes uma experiência de marca unificada na qual todos os atributos dela apareçam alinhados e consistentes no ponto em que eles estejam. Identifique as afirmações verdadeiras e falsas e marque a opção correta. Parabéns! A alternativa D está correta. Para o branding, a era da convergência é um cenário no qual o que mais importa para a conquista de clientes fiéis são a experiência da marca e a conexão entre ela e seus consumidores. Se esses consumidores fluem entre o mundo off-line e o on-line de uma maneira contínua, ubíqua e indiferenciada, vivendo e consumindo a partir de uma abordagem figital do A V - V - F B V - F - V C F - V - F D F - F - V E V - F - F mercado, as marcas não podem tratar seus pontos de contatos, seus canais e suas atividades de marketing e comunicação de outra forma que não seja integrada. Hoje em dia, a estratégia omnicanal no trabalho de branding não é mais nem um diferencial de marca: trata-se de uma questão de sobrevivência. Considerações finais Vimos neste conteúdo que o branding, na era da convergência, se realiza por meio da conexão, da experiência e de um olhar sobre estratégias e táticas de marketing e comunicação que considerem o que nosso mundo é hoje: figital. Os consumidores, afinal, existem nos mundos físico e digital, já que o mundo é físico e digital ao mesmo tempo. A despeito de quaisquer diferenças materiais e experienciais que esses dois mundos ainda comportem e expressem, o consumidor vai se mover entre eles de uma forma tão fluida, natural e instantânea que suas fronteiras se tornarão indefinidas tanto em termos de espaço como de tempo, ocorrendo de maneira exatamente igual à forma como uma realidade ubíqua (palavra que define tão bem o mundo pós-digital e pós-pandêmico) deve ser. Destacamos ainda que uma marca, se quiser se conectar de fato com seus consumidores, construindo relações autênticas e lucrativas para ambos, atualmente precisa ser capaz de ser e estar nesse mundo figital e de economia das experiências. Frisamos, por fim, que um branding com processos fortes orientados para e pelo cliente requer estratégias que reflitam os paradigmas desse cenário para que todos tenham clareza sobre suas responsabilidades. Com isso, o trabalho final expressa em cada ponto de contato da marca com o cliente a forma de experiências que atendam a demandas e desejos dos consumidores e criem um relacionamento duradouro. Podcast Para encerrar, ouça os casos de sucesso apoiados em uma experiência impactante, transformadora e criativa com o cliente. Explore + Confira as indicações que separamos especialmente para você! Pesquise na internet sobre branding sensorial, sobre as maiores marcas brasileiras de branding e sobre interbrand. Você também pode pesquisar especialistas no assunto, como as profissionais Martha Gabriel e Ana Couto. Referências AAKER, D. On branding: 20 princípios que decidem o sucesso das marcas. São Paulo: Bookman, 2015. CONRADO, A. 8 Ps do marketing digital. São Paulo: Novatec, 2011. GABRIEL,M. C. C. Marketing na era digital: conceitos, plataformas e estratégias. São Paulo: Novatec, 2014. GILMORE, J.; PINE, J. The experience economy. Updated edition. Harvard: Harvard Business School Press, 2011. GODIN, S. Marketing de permissão - transformando desconhecidos em amigos e amigos em clientes. São Paulo: Campus, 2000. HOULIND, R.; SHEARER, C. Make it all about me: leveraging omnichannel and AI for marketing success. LidPublishing, 2019. KOTLER, P. Marketing para o século XXI: como criar, conquistar e dominar mercados. São Paulo: Futura, 1999. KOTLER, P.; KARTAJAYA, H.; SETIAWAN, I. Marketing 4.0: do tradicional ao digital. Rio de Janeiro: Sextante, 2017. KOTLER, P.; KARTAJAYA, H.; SETIAWAN, I. Marketing 3.0: as forças que estão definindo o novo marketing centrado no ser humano. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. KOTLER, P.; KARTAJAYA, H.; SETIAWAN, I. Marketing 5.0: tecnologia para a humanidade. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. KRAMER, B. There is no B2B or B2C - human to human: H2H. Purematter, 2014. LIMA-CARDOSO, A; SALVADOR, D.; SIMONIADES, R. Planejamento de marketing digital. Rio de Janeiro: Brasport, 2015. PORTER, M. E. Estratégia competitiva: técnicas para análise de indústrias e da concorrência. Rio de Janeiro: Elsevier, 1986. RAPP, S.; COLLINS, T. A grande virada do marketing. São Paulo: Futura, 1999. Material para download Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato PDF. Download material javascript:CriaPDF() O que você achou do conteúdo? Relatar problema Brand publishing na era digital Prof. Jorge Fernandes Amanda Yara Generozo Descrição Apresentação dos componentes principais de uma estratégia de brand publishing para uma organização dentro do contexto digital. Propósito A estratégia de brand publishing é uma ferramenta valiosa para os profissionais de marketing independentemente do porte ou do setor de atuação da organização, ainda mais no ambiente digital, pois as marcas podem atrair e fidelizar consumidores ao estabelecer uma relação por meio da criação de conteúdo. Objetivos Módulo 1 Estratégia de brand publishing Módulo 2 White label e inbound marketing Descrever uma estratégia de brand publishing. Reconhecer os conceitos de white label e inbound marketing. Módulo 3 Redação publicitária e métricas de engajamento Identificar os componentes da redação publicitária e das métricas de engajamento. A era digital desencadeou uma mudança no modo como os consumidores se relacionam com as marcas. Não faz muito tempo, um consumidor interessado em um produto pesquisaria as opções disponíveis no mercado até encontrar a que melhor atendesse às suas necessidades. Depois da compra, o relacionamento dele com o revendedor e o fabricante se dispersaria até praticamente terminar. Contudo, hoje em dia, os consumidores têm mais caminhos para estabelecer um relacionamento direto com uma marca de forma contínua. Com isso, surgem diversas possibilidades de interação com os clientes. Neste conteúdo, exploraremos a criação de conteúdo com uma ferramenta de marketing das organizações chamada de brand publishing (em português, publicação de marca). Afinal - não importa o momento, seja antes ou depois de uma compra -, é vantajoso para uma empresa que seus consumidores permaneçam engajados, colaborando ativamente no desenvolvimento de valor da marca. Introdução 1 - Estratégia de brand publishing Ao final deste módulo, você será capaz de descrever uma estratégia de brand publishing. Ligando os pontos As mudanças no comportamento dos consumidores na sociedade da informação e o advento dos meios digitais, provocaram uma transição midiática na qual as mensagens publicitárias, com distribuição em meios de comunicação de massa, encontram obstáculos para atrair e persuadir audiências cada vez mais fragmentadas em múltiplos canais, ávidas por informação e adeptas aos conteúdos segmentados e especializados. Nesse novo cenário, as empresas identificaram, no brand publishing, uma oportunidade para fortalecer a reputação da marca, criar autoridade no segmento de atuação e conquistar mais credibilidade junto aos clientes e stakeholders. Diferentemente do branded content cuja tática é criar conteúdo personalizado para cada etapa da jornada do cliente, no ambiente digital, e distribuí-los por meio de mídia orgânica e mídia paga para gerar conversão, o brand publishing é uma estratégia de longo prazo focada em conteúdos de cunho jornalístico distribuídos por meio de um sistema de mídias proprietárias da marca. O Além da Energia (plataforma na internet) da ENGIE Brasil, maior empresa privada do país em geração de energia elétrica, transporte de gás e soluções energéticas é um exemplo de brand publishing. Para desenvolver o hub de notícias, a empresa investiu no jornalismo especializado para produzir um grande volume de conteúdos consistentes e com profundidade de informação relevantes para o setor de energia, estando em linha com os interesses da audiência. Lançada em 2020, a plataforma proprietária da marca disponibiliza,, gratuitamente, conteúdos multimídias como podcast, videocast, artigos e entrevistas, tratando de pautas relacionadas à transição energética, às energias renováveis, ao mercado livre de energia e às cidades sustentáveis, além de realizar a cobertura jornalística sobre esses temas. Como detentora da plataforma, a marca tem liberdade para construir seu posicionamento editorial e pode coletar e analisar os dados primários da audiência, sem desrespeitar a LGPD. De acordo com Gil Maranhão, diretor de Comunicação e Responsabilidade Social Corporativa da empresa, o objetivo do hub é posicionar a ENGIE Brasil na liderança do setor de energia e fornecer informações qualificadas sobre transição energética. Para vencer o desafio de construir uma audiência proprietária, os conteúdos editoriais produzidos para o hub são distribuídos também, de maneira orgânica, nas redes sociais da marca - Instagram, LinkedIn, Twitter e Facebook -, no perfil do Spotify e no canal no Youtube da ENGIE Brasil, visando converter audiências de plataformas terceiras em audiência primária. Agora que você já conhece o caso da Além da Energia, vamos ligar os pontos! Questão 1 Como você observou no caso, branded content e brand publishing são abordagens distintas para impactar a audiência no ambiente digital. Pensando nos objetivos dessas duas estratégias, o Além da Energia é considerado um projeto de brand publishing porque: A A plataforma proprietária visa fortalecer a reputação da ENGIE Brasil, posicionando-a na liderança do setor de energia como autoridade em transição energética. Parabéns! A alternativa A está correta. As táticas de branded content são alinhadas à jornada do consumidor e ao funil de vendas e, em síntese, visam à efetivação de uma venda. A plataforma proprietária Além da Energia tem como objetivo construir autoridade, no segmento da energia no Brasil, e fortalecer a reputação da marca – objetivos comuns à estratégia de brand publishing. O posicionamento editorial e a produção de conteúdos relevantes para o setor são o meio pelo qual a marca atinge seus objetivos. O compartilhamento de conteúdo, em plataformas terceiras (redes sociais não são proprietárias), é uma maneira de converter as audiências desses canais em audiência proprietária. Questão 2 B A plataforma permite à ENGIE Brasil coletar e analisar dados de sua audiência primária para estreitar o relacionamento com os potenciais clientes no momento da conversão. C O hub possibilita à marca acompanhar clientes atuais e potenciais do setor de energia, em todas as etapas da jornada do consumidor, no ambiente digital. D A ENGIE Brasil investiu no desenvolvimento da plataforma proprietária e na produção de conteúdo jornalístico especializado relevante para o setor de energia. E O Além da Energia compartilha conteúdo informativo multimídia em outros canais proprietários da marcacomo Instagram, LinkedIn, Spotify e YouTube. O brand publishing encontrou, na sociedade da informação, espaço para se consolidar como uma estratégia de marca, atendendo às demandas de audiências fragmentadas que buscam por informação de qualidade a respeito de um segmento específico de mercado. Nesse cenário, o hub de notícias, Além da Energia, é considerado um projeto de brand publishing porque apresenta as seguintes características: I - Trata-se de uma plataforma proprietária com liberdade para estabelecer o posicionamento editorial da marca. II - Transição energética, energias renováveis e cidades sustentáveis são pautas jornalísticas relevantes para o setor de energia. III - Permite à ENGIE Brasil inserir produtos e serviços em conteúdos multimídias para diferenciá-los da concorrência. É correto o que se afirma em: Parabéns! A alternativa C está correta. O Além da Energia se caracteriza como um projeto de brand publishing porque consiste em uma plataforma proprietária da ENGIE Brasil, com liberdade para definir seu posicionamento editorial e estabelecer o nível de qualidade de seus conteúdos direcionados ao setor de energia, com ênfase na transição A II, apenas. B III, apenas. C I e II, apenas. D II e III, apenas. E I, II e III. energética. Portanto, são pautas de cunho jornalístico relevantes para um segmento específico e de interesse de uma audiência qualificada. Dentro do conceito de brand publishing, não há a inserção de produtos ou serviços em conteúdos editoriais porque tais conteúdos jornalístico são de natureza informativa e não visam fazer propaganda, mas criar autoridade da marca em determinado setor, fortalecer sua reputação e gerar credibilidade junto à audiência. Questão 3 Como observamos no caso, os conteúdos produzidos para as estratégias de branded content e brand publishing se diferenciam em termos de objetivos e tipo de informação. Enquanto o branded content visa criar conteúdos personalizados para atrair, envolver e converter potenciais clientes; no brand publishing a estratégia é focada em conteúdos jornalísticos. Caso a ENGIE Brasil decidisse investir também, em uma estratégia de branded content, para aumentar a número de clientes B2B, os conteúdos produzidos para o hub, Além da Energia, poderiam ser reutilizados na etapa de atração da estratégia de branded content? Elabore a sua resposta pontuando as razões pelas quais essa prática seria viável ou inviável. Digite sua resposta aqui Chave de resposta Não. Embora o branded content não faça uso da estrutura tradicional do texto publicitário, os conteúdos produzidos para atrair potenciais clientes abordam temas diretamente relacionados às soluções (produtos e serviços) fornecidos pela marca. As matérias publicadas na plataforma, Além da Energia, têm caráter estritamente jornalístico e visam criar autoridade no segmento de energia, sendo referência nos temas transição energética, energias renováveis, mercado livre de energia e cidades sustentáveis. Além disso, os conteúdos publicados no hub possuem uma profundidade de informação adequada à audiência proprietária e qualificada da plataforma; e os conteúdos da etapa de atração do branded content devem ser sucintos e objetivos uma vez que o público impactado ainda não estabeleceu um relacionamento com a marca. O que é brand publishing? Publicação de marca não é um conceito que surgiu com a chegada da internet. É uma estratégia de marketing em que as marcas tratam a si mesmas não somente como anunciantes, mas também como editores/criadores de conteúdo (MARKMAKING, 2013). O termo é frequentemente confundido com branded content (marketing de conteúdo, em português), uma técnica de criação e distribuição de conteúdo para atrair e adquirir um público claramente definido com o objetivo de impulsionar uma ação (STEIMLE, 2014). Mas a publicação de marca vai além disso. Segundo Peczan (2018), CEO da Fluent (empresa especialista em inteligência de conteúdo), o brand publishing é uma evolução do branded content. Para ele, a marca não deve se posicionar na frente do conteúdo, e sim como um elemento que agrega valor para o cliente, entendendo o que o público dela está buscando e em quais plataformas, assim como de que maneira o conteúdo é consumido em cada uma delas e como funcionam os algoritmos que vão distribuí-lo. O conteúdo agora pode estar entrelaçado com a marca e se tornou uma parte fundamental de como expressar a identidade do seu negócio para o seu público-alvo. Como resultado, qualquer organização que pretende gerar valor por intermédio da geração de conteúdo deve se comprometer a pensar, a agir e a operar como uma empresa de mídia. Isso traz a criação de novas funções para o marketing. Apontaremos duas delas a seguir: Editor de marca Os profissionais de marketing estão gerando quantidades cada vez maiores de conteúdo, muitas vezes tornando-se editores - às vezes, editores de multimídia em tempo real - em escala global. Sem uma coordenação cuidadosa, a produção desse volume de material pode gerar mensagens inconsistentes que prejudicariam a marca com a paralisação da jornada de decisão do consumidor. O papel do editor de marca é racionalizar a criação e o fluxo de conteúdo para o produto; assim, os consumidores desenvolvem um senso mais claro da marca, agilizando a jornada de decisão. Líder de inteligência de mercado À medida que mais pontos de contato se tornam digitais, as oportunidades de coletar e usar informações do cliente para entender a jornada de decisão do consumidor estão aumentando. No entanto, em muitas empresas, a TI controla a coleta, o gerenciamento de dados e o orçamento digital. Com seu foco tradicional na eficiência operacional, essa área muitas vezes carece de uma perspectiva estratégica que a inclinaria a direcionar seus recursos para as metas de marketing. O papel do líder de inteligência de mercado é fazer um link entre o marketing e a TI e, sob o controle dos dados de marketing, agir de acordo com os insights fornecidos pelos clientes no aprimoramento da estratégia de publicação de marca. Para o brand publishing dar certo Além de uma restruturação das funções de marketing, alguns dos pontos-chave para ser bem-sucedidos em uma estratégia de publicação de marca são: Comprometer-se a pensar e agir como uma empresa de mídia O sucesso da estratégia exige mais do que apenas abordar projetos específicos como uma “empresa de mídia” ou que a equipe de marketing junte algum conteúdo no estilo de sua publicação favorita. As operações de publicação de marcas devem se comprometer a adotar uma mentalidade de empresa de mídia e aplicá-la às suas operações diárias, às suas decisões táticas e até mesmo à linguagem que usam. Modelar suas operações e seus processos de publicações como uma empresa de mídia A estruturação de redações e outras operações jornalísticas são necessárias. Editores de marcas de sucesso contratam editores gerentes e editores-chefes; falam em termos de histórias, fontes de informação e evidências; e organizam seus fluxos de trabalho diários em torno de reuniões de pauta, prazos de publicação e processos de edição. Atender ao público em primeiro lugar As operações de publicação de marcas sempre têm de pensar no público em primeiro lugar, como todas as d ídi d O i i i d empresas de mídia de sucesso. Os interesses comerciais da editora devem sempre ser considerados, é claro, mas editores de marcas experientes trabalham de trás para frente a partir dos interesses e das necessidades de seu público-alvo, encontrando maneiras de conectá-los aos das próprias empresas. Fornecer conteúdo jornalístico, não de marketing O conteúdo está passando por uma mudança drástica na forma como é criado e consumido. As empresas agora têm a capacidade de “ir direto” ao público com seu conteúdo e não precisam mais depender de terceiros para contar as histórias que acreditam ser importantes. Ao mesmo tempo, o públicotambém está se tornando muito mais exigente sobre o conteúdo que consome e suas origens. Na maioria dos casos, as pessoas ficam felizes em se envolver com o conteúdo produzido por empresas de mídia “não tradicionais”, mas também são muito mais capazes de identificar aqueles produzidos apenas para “empurrar” um produto. Concentrar-se em propriedades e canais próprios Os editores de marcas devem se esforçar para possuir suas plataformas de publicação e relacionamentos com seu público, sempre que possível. Na maioria dos casos, isso significa possuir e operar os próprios sites de publicação, boletins informativos, blogs da empresa, podcasts e séries de vídeo em vez de simplesmente criar conteúdo a ser publicado ou distribuído por meio de plataformas e canais de terceiros que não se controla. Como construir uma operação de publicação de marca Grandes empresas que já perceberam o valor da publicação de marca estão construindo estruturas comparáveis às de grandes editoras do mercado. Isso lhes possibilita uma autonomia na estratégia de publicação de marca muito maior do que ocorreria se elas dependessem de editoras tradicionais. Construir uma operação de publicação de marca do zero pode parecer uma tarefa difícil, mas esse processo é possível. Basta dividi-lo nas oito etapas a seguir: Como primeiro passo, as empresas devem identificar quais são suas metas e objetivos, qual é seu público-alvo e que valor pretendem fornecer. A capacidade de encontrar, identificar e contratar grandes escritores, editores e criadores de conteúdo é crucial para o sucesso de longo prazo de qualquer operação de publicação de marcas. Isso pode ser alcançado com a garantia de que as funções serão definidas e articuladas com precisão, conduzindo processos de entrevista eficazes e garantindo que os sistemas estejam implementados para avaliar os candidatos com eficácia. Desenvolva uma estratégia de publicação de marca Contrate redatores e editores de publicações de marcas Estruture uma equipe de publicação de marcas de maneira eficaz As equipes de publicação de marcas devem considerar cuidadosamente qual estrutura organizacional mais atende às suas necessidades e se ela será mais eficaz para ajudar a alcançar seus objetivos e resultados desejados. Sistemas e processos editoriais robustos são essenciais para permitir que as equipes produzam um fluxo constante de conteúdo de alta qualidade. As principais considerações incluem a definição de um processo de argumento de venda para ideias de conteúdo, a execução de reuniões de planejamento de conteúdo eficazes e a manutenção de listas de trabalho em andamento e calendários de conteúdo. Princípios, hábitos e melhores práticas coletados de redações e empresas de mídia podem ser usados para garantir a qualidade e a consistência da produção de uma operação de publicação de marca. Isso inclui entender o que constitui um conteúdo atraente para um público- alvo específico, empregar táticas inteligentes e bons hábitos para gerar um fluxo constante de ideias de conteúdo e, por fim, selecionar cuidadosamente os formatos que ajudam na criação de forma regular. Os funcionários precisam compreender a mecânica por trás de um ótimo conteúdo, incluindo itens, como, por exemplo, estruturar e escrever com eficácia, como apresentar informações de maneira ideal e maneiras de atribuir informações de forma precisa e responsável. Instale processos editoriais e sistemas robustos Crie conteúdo de publicação de marca atraente de forma consistente Adote as melhores práticas de redação e reportagem do jornalismo Certifique-se de que o conteúdo seja editado e revisado de forma eficaz A maioria das operações de publicação de marcas tem de adotar três etapas e processos principais de edição para ajudar a garantir uma saída de alta qualidade: edição de conteúdo; edição estrutural e estilística; e edição e revisão cuidadosas de cópias. Inclui operações de publicação de marca, as quais muitas vezes estendem os seus esforços por vários meios, como, por exemplo, conteúdo de eventos ao vivo da marca, rádio podcast e canal de streaming próprio. Como construir uma operação de publicação de marca Neste bate-papo, você verá um especialista relatando um caso hipotético ou real de uma empresa que está implementando uma estratégia de brand publishing. Crie conteúdo em várias mídias Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Qual das opções a seguir descreve da melhor maneira a diferença entre brand publishing e branded content? No brand publishing, a estratégia de marketing cria e distribui conteúdo para posicionar a marca como referência em seu Parabéns! A alternativa D está correta. A estratégia de branded content tem o seu foco na produção de conteúdo de qualidade para posicionar a marca como modelo de excelência no mercado. A estratégia de brand publishing vai além disso, já que visa a estruturar um processo de editoração de conteúdo para a marca. Questão 2 O processo de brand publishing deve se comprometer a adotar uma mentalidade de empresa de mídia e aplicá-la às suas operações diárias, às A setor de atuação. Já no branded content, essa estratégia torna a própria empresa uma editora de conteúdo para a marca. B No brand publishing, a estratégia de marketing cria e distribui conteúdo para posicionar a marca como referência em seu setor de atuação. No branded content, essa estratégia torna a marca uma editora de conteúdo para a empresa. C No brand publishing, a estratégia de marketing posiciona a marca na frente do conteúdo. No branded content, essa estratégia a torna uma editora de conteúdo para a empresa. D No brand publishing, a estratégia de marketing torna a própria empresa uma editora de conteúdo para a marca. Enquanto, no branded content, essa estratégia cria e distribui conteúdo para posicionar a marca como referência em seu setor de atuação. E No brand publishing, a estratégia de marketing cria e distribui conteúdo para posicionar a marca como referência em seu setor de atuação. No branded content, essa estratégia a posiciona na frente do conteúdo. decisões táticas tomadas e até mesmo à linguagem que usam. Com base na frase anterior, o que as empresas que pretendem possuir um processo de brand publishing precisam fazer? Parabéns! A alternativa D está correta. As empresas que pretendem possuir um processo de brand publishing precisam pensar e agir como uma empresa de mídia para que possam alcançar resultados realmente satisfatórios. Isso significa incorporar o conceito de editoração de marca a cada decisão estratégica da empresa. A Comprar uma empresa de mídia. B Contratar uma empresa de mídia. C Oferecer serviços de mídia. D Pensar como uma empresa de mídia. E Adquirir um processo de brand publishing. 2 - White label e inbound marketing Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer os conceitos de white label e inbound marketing. Ligando os pontos Os meios digitais e a adesão à cultura digital criaram oportunidades de comunicação em termos de conteúdo e mídia. No ambiente digital, o inbound marketing se firma como uma estratégia para atrair e converter potenciais clientes por meio de conteúdos de qualidade, distribuídos ao longo da jornada do cliente, gerando valor para uma audiência segmentada, cujo resultado - além da venda -, é a construção de um relacionamento sólido entre a marca e o seu público. A MLabs, plataforma para gestão de redes sociais, elaborou sua estratégia de inbound marketing com base em uma demanda latente do mercado: a profissionalização de iniciantes no mundo do marketing digital. Para atrair potenciais clientes, a MLabs disponibiliza, gratuitamente, materiais educativos, ensinando como implementar estratégias no ambiente digital. Um exemplo é o “kit planejamento de campanha para redes sociais por nicho de mercado”, incluindo videoaulas, e-books, pesquisas de tendências eoutros recursos que auxiliam os usuários a planejar, executar e mensurar campanhas nos canais digitais. Além disso, o blog da MLabs é rico em conteúdos didáticos para empreendedores, freelancers e profissionais de marketing e comunicação. Por conta da relevância do conteúdo e da estratégia de SEO bem executada, a marca se tornou referência no marketing digital e alcançou boa posição nos resultados de buscas orgânicas. Para ampliar o alcance e reconhecimento da marca e impactar uma audiência maior, a MLabs está presente nas principais redes sociais - Instagram, Facebook, LinkedIn, TikTok e YouTube -, nas quais compartilha resumos dos conteúdos educativos, visando gerar tráfego nas mídias proprietárias para captar leads qualificados -; para acessar os materiais os usuários fornecem, voluntariamente, dados para nutrir o relacionamento com o público. Para envolver o potencial cliente e convertê-lo em assinante, a MLabs intensifica a comunicação, apresentando de maneira objetiva as soluções para a gestão de redes sociais. O disparo de e-mail marketing e o período gratuito de teste, para experimentar as funcionalidades da plataforma, são recursos utilizados para estimular a efetivação da assinatura com preço a partir de R$19,90/mês. Após a conversão, para encantar os clientes, a MLabs continua nutrindo a base de CRM com conteúdos de marketing digital atualizados e pesquisas de satisfação. Um exemplo é a newsletter “Emeião da MLabs” enviado periodicamente aos assinantes. Com o inbound marketing, alinhado a outras estratégias de comunicação, a MLabs conquistou mais de 200 mil clientes. Agora que você viu como implementar a estratégia de inbound marketing, vamos ligar os pontos! Questão 1 O inbound marketing é uma estratégia focada em conteúdo que possibilita à marca estabelecer um relacionamento sólido com seu público-alvo por meio de três pilares: Marketing de Conteúdo, SEO e Estratégias em Redes Sociais. Considerando o caso estudado, avalie as asserções a seguir: I - A estratégia de SEO da MLabs, que a coloca nas primeiras posições da busca orgânica, é favorecida pela qualidade e relevância de seus conteúdos. II - Os posts com conteúdo educativo, publicados nas redes sociais da MLabs, contribuem para aumentar o alcance da marca e a audiência nas mídias proprietárias. III - O marketing de conteúdo da MLabs acompanha a jornada do cliente no ambiente digital e é a principal forma de captação de leads qualificados. É correto o que se afirma em: Parabéns! A alternativa E está correta. A estratégia de inbound marketing, da MLabs, é focada em conteúdo para iniciantes no marketing digital e tem como finalidade convertê-los em assinantes da plataforma de gestão de redes sociais. Para isso, a marca utiliza conteúdos personalizados para cada etapa da jornada do cliente, começando com a oferta de materiais educativos gratuitos e, à medida que o potencial cliente avança no funil de vendas, o conteúdo passa a apresentar as soluções de gestão disponíveis na plataforma. Os conteúdos educativos para atrair potenciais clientes são a principal ferramenta para captação de lead qualificado, porque para ter acesso ao material é preciso fornecer os dados de cadastro, servindo para nutrir a régua de relacionamento. Como o SEO é um conjunto de técnicas para otimização de sites e blogs, a qualidade e relevância do conteúdo da MLabs e seu status de referência, no segmento, favorecem o posicionamento orgânico da marca em buscadores como o Google. Por fim, a presença digital, em diferentes redes sociais, é responsável por ampliar a A I, apenas. B II, apenas. C I e II, apenas. D I e III, apenas. E I, II e III. abrangência da marca e dos seus conteúdos, resultando no aumento do alcance da marca e da audiência direcionada para as mídias proprietárias. Questão 2 Para implementar o inbound marketing uma marca deve seguir três passos: atrair, envolver e encantar os clientes, e para cada uma dessas etapas um conjunto de ações é executado a fim de que a estratégia seja bem-sucedida. A partir da leitura do caso, avalie as asserções abaixo: I - Para atrair potenciais clientes a MLabs produz e distribui, gratuitamente, conteúdos educativos em linha com os interesses do público que busca por conhecimento para desenvolver estratégias de marketing no ambiente digital. II - As redes sociais da MLabs e as técnicas de SEO utilizadas pela marca são as principais responsáveis pela geração de leads qualificados que possibilitam nutrir o relacionamento com o público-alvo e converter a venda de assinaturas da plataforma. III - A newsletter “Emeião da MLabs”, as pesquisas de satisfação e a atualização constante dos conteúdos relacionados ao marketing digital são ações utilizadas pela marca para assegurar a satisfação dos clientes no pós-venda. É correto o que se afirma em: A I, apenas. B III, apenas. C I e II, apenas. D I e III, apenas. Parabéns! A alternativa D está correta. A MLabs utiliza os conteúdos educativos para atrair a audiência e captar leads qualificados, servindo para nutrir o relacionamento com potenciais clientes. As técnicas de SEO são úteis para gerar tráfego nas mídias proprietárias nas quais ocorre a coleta de dados dos usuários. Na estratégia de inbound marketing, o papel das redes sociais é aumentar a audiência e o alcance da marca e, consequentemente, gerar tráfego para as mídias proprietárias, transformando as audiências desses canais em audiência primária. Para encantar os clientes, após a conversão da venda, é importante consolidar o relacionamento e, para isso, a MLabs utiliza ações de e-mail marketing e pesquisas de satisfação, além de se dedicar a produzir conteúdos atualizados e relevantes sobre marketing digital. Questão 3 Como observamos no caso, a MLabs segue, com rigor, os três pilares da estratégia de inbound marketing, investindo em marketing de conteúdo, técnicas de SEO e estratégias em redes sociais. Esse conjunto de estratégias e táticas visam amplificar o resultado em termos de conversão de vendas e aquisição de novos clientes. Caso a MLabs deixasse de investir nas redes sociais haveria impacto negativo na aquisição de clientes? Como as redes sociais contribuem para otimizar o resultado das estratégias de inbound marketing? Digite sua resposta aqui Chave de resposta E I, II e III. Sim, dentro das estratégias de inbound marketing, os conteúdos publicados nas redes sociais, sejam de maneira orgânica ou mídia paga, têm a função de ampliar o alcance da marca e impactar um número maior de potenciais clientes para aumentar o tráfego nas mídias proprietárias da marca. Como o inbound marketing atua em linha com o funil de vendas, quanto mais tráfego no site ou blog da MLabs, mais chances de captar leads qualificados; quanto mais leads qualificados mais chances de converter a venda - é a lógica de topo, meio e fundo de funil. Portanto, ao excluir as redes sociais da estratégia de inbound marketing haverá redução de tráfego nas mídias proprietárias e, consequentemente, menos vendas concluídas, impactando diretamente na aquisição de novos clientes. White label Você já ouviu falar em “marca branca”? Denominamos white label (marca branca, em português) a prática de utilizar bens ou serviços de outra empresa e rebatizá- los como se fossem seus. Exemplo O proprietário de uma sorveteria deseja começar a vender sorvetes com o nome de sua marca. Ao adquirir o produto de uma fabricante de sorvetes e imprimir a própria marca nele, ele comercializa um produto white label. O marketing white label possui o mesmo princípio. Significa ter seus esforços de marketing terceirizados para uma agência especializada em marketing, enquanto os bens e os serviços de marketing digital resultantes são renomeados com o nome de sua empresa. Esse tipo de marketing é um dos grandes segredos da era digital. Você provavelmente não percebe como o marketing white label é realmente comum e quantos produtosda Linguagem, na França, o cérebro humano é empático por natureza. Ou seja, quando um indivíduo lê um romance, ele é capaz de se colocar no lugar dos personagens; com isso, várias regiões do cérebro são ativadas, como se o leitor estivesse fazendo as mesmas coisas que o personagem da narrativa. “Se o leão não contar a própria história, o caçador o fará”, diz um provérbio africano. Todos nós contamos histórias. Cada indivíduo narra um acontecimento de determinada maneira a partir da perspectiva que imaginou e vivenciou ou de acordo com os próprios interesses. Isso nos faz entender como o storytelling surgiu no mundo dos negócios e do marketing, já que, para se relacionar, convencer e vender, é preciso saber contar uma boa história. Estrutura narrativa De acordo com Denning (2007), as histórias são capazes de: Unir gerações; Gerar empatia; Conectar pessoas; Transmitir informações; Preservar a memória; Reforçar crenças e valores; Definir os caminhos da linguagem. Ao contar uma história, estamos transmitindo uma mensagem, certo? Porém, para que ela tenha o efeito desejado, é necessário que todos que participam do processo comunicativo assimilem o conteúdo transmitido. O que possibilita uma história ser produzida (por parte do emissor) e compreendida (pelo receptor) é a sua estrutura. A estrutura narrativa é inicialmente formada por: Personagens São aqueles que fazem a história acontecer. Batman é um exemplo de personagem. O super-herói criado pela DC Comics em 1939 surgiu nos quadrinhos, mas teve seu universo expandido para os jogos e as grandes telas, fazendo sucesso até os dias de hoje. Enredo Indica as ações que guiarão os personagens na narrativa. A história de Batman é movida pelo assassinato dos pais quando o personagem ainda era criança. O acontecimento floresceu um espírito vingativo em Bruce Wayne - nome original do bilionário americano -, o que o levou a criar Batman, persona inspirada em um morcego que combate crimes e enfrenta inimigos na cidade de Gotham City. Narrador É quem conta a história. Como exemplo, podemos citar Scherazade, uma personagem da lendária obra As mil e uma noites. No enredo, o rei da Pérsia, que havia sido traído pela esposa, decide passar cada noite da sua vida com uma mulher diferente, sendo que, na manhã seguinte, ela seria degolada. Scherazade foi uma dessas mulheres. Como forma de preservar sua vida, passa a contar histórias instigantes durante mil e uma noites para o rei não mandar matá-la. Nesse caso, a moça era personagem e narradora, já que as histórias persas e egípcias eram contadas por ela. Espaço É onde a história se passa. O cenário das narrativas da obra As mil e uma noites é o Oriente Médio - mais especificamente, na região que cerca o Egito e a Pérsia. Uma estrutura narrativa necessita ainda de outros dois elementos fundamentais: Cronologia O pensamento narrativo precisa organizar os eventos por episódios, ordenando os acontecimentos. Ou seja, uma história precisa ter três atos: começo, meio e fim. Por exemplo, quando você está assistindo a um filme e há uma cena em flashback, ela normalmente apresenta uma fotografia diferenciada para que as situações do presente e do passado não sejam confundidas durante a assimilação da narrativa. Causalidade As relações entre os elementos narrativos geram inferências causais, o que sugere que contextos devem ser criados para que os episódios da narrativa se relacionem com o todo. O contexto é formado pela junção de tempo e espaço, e isso permite que o público entenda a narrativa de maneira mais detalhada e assertiva. Por exemplo, espera-se que um romance do século XVIII abordando a relação entre uma mulher escravizada e um senhor de engenho apresente como contexto o período do Brasil Colônia, retratando os modos de vida daquela época. O figurino, a linguagem e os cenários fazem parte desse contexto. Ao criarmos uma narrativa, encadeamos os eventos de forma lógica e estruturada, seguindo determinados padrões, como: A quebra de rotina O que motiva uma narrativa é um acontecimento extraordinário. A presença de um protagonista A presença de um personagem principal, que é movido por um acontecimento e desperte a empatia do público. A presença de um antagonista Pode ser um inimigo físico ou subjetivo, como uma doença, por exemplo. É o vilão que cria os obstáculos enfrentados pelo protagonista. O conflito São os momentos de embate entre protagonista e antagonista. A tensão gerada na narrativa é importante para prender a atenção da audiência. O monomito (jornada do herói) Elementos de uma boa história A estrutura narrativa e a popularização do termo “storytelling” também estão relacionadas ao monomito (ou jornada do herói), de Joseph Campbell, teoria apresentada na obra O herói de mil faces (1989). Campbell, que se interessava pela relação da psicologia com os mitos, analisa nessa obra várias lendas e fábulas, identificando elementos em comum nas histórias. O que o autor percebeu no experimento foi que o personagem central de uma narrativa passa por uma série de etapas até se tornar, de fato, um herói. Chistopher Vogler (1997) estruturou o pensamento de Campbell em 12 etapas. Confira! Ciclo representativo da jornada do herói. Adaptado de: VOGLER, 1997. Os três atos representam as etapas cronológicas da narrativa: 1º ato - começo É a introdução da narrativa, quando são apresentados o contexto, o tempo, o espaço e os personagens protagonistas. 2º ato - meio É o desenvolvimento da narrativa, quando os principais problemas são expostos e os conflitos acontecem. 3º ato - fim É a conclusão da narrativa, na qual o público toma ciência dos desfechos dos personagens Vamos compreender o que acontece, segundo Vogler (1997), em cada uma das 12 etapas: Mundo comum Apresenta o personagem, o universo em que ele vive e como são suas relações. A partir das características demonstradas, que podem ser positivas ou negativas, o público começa a identificar aspectos em comum com esse personagem. A aventura é algum evento que acontece na vida do personagem, que o tira de sua zona de conforto, o coloca em uma situação que o obriga a agir. Como no exemplo anterior da história de Batman, foi o assassinato dos pais que o levou a sair do seu lugar comum e se tornar um justiceiro que combate os crimes. O personagem resiste a sair do seu mundo para enfrentar o conflito, pois o novo causa dúvida, medo e insegurança. O personagem se depara com uma figura física ou sobrenatural que o faz refletir sobre o chamado e o incentiva a seguir na aventura. O momento em que, de fato, o personagem sai do seu mundo para enfrentar o conflito, que pode ser tanto externo quanto interno. No exemplo de Batman, é nesse momento que Bruce Wayne se transforma no super-herói e parte para Gotham em busca dos vilões. Chamado à aventura Recusa do chamado Encontro com o mentor (ajuda sobrenatural) Travessia do primeiro limiar Durante a trajetória, o personagem se depara com uma série de obstáculos e provações. É o momento em que ele define melhor as suas relações com os outros e consigo mesmo, proporcionando uma identificação do público ainda maior. A caverna é uma metáfora para o esconderijo do personagem. Trata-se do momento no qual ele decide se recolher e volta a refletir sobre o conflito, encarando novamente seus medos e as inseguranças. Isso acontece porque ele está próximo de enfrentar um desafio maior ainda. No exemplo de Batman, a caverna oculta é literalmente uma caverna: a batcaverna se torna uma espécie de quartel-general, um espaço que representa o ventre da baleia na narrativa do super-herói. O personagem passa pelo teste mais difícil até o momento, que pode ser uma provação física, uma luta com seu maior inimigo ou um conflito interno severo. Batman, por exemplo, tem como provação suprema o duelo com o Coringa, seu antagonista na narrativa. Após vencer todos os desafios, ooferecidos o tempo todo vêm dele. Praticamente qualquer serviço de marketing digital pode ser encontrado na forma de white label. Elencaremos alguns deles adiante: influenciadores de mídia social; blogs externos; link building; serviços de reputação comercial; fotografia profissional; design de infográfico. Entretanto, esses serviços não costumam ser contratados individualmente. Em geral, é contratada uma agência de marketing digital, que oferece um amplo portfólio de serviços digitais disponibilizados de acordo com as necessidades do cliente. Principais benefícios do marketing white label Feito por especialistas O marketing white label permite que você trabalhe com especialistas em cada área que têm acesso às melhores ferramentas e técnicas. Isso é benéfico quando você precisa de um anúncio em vídeo com aparência profissional para um de seus clientes, mas suas habilidades não são particularmente fortes no campo da videografia profissional. Trabalhar com uma empresa especializada em videografia profissional que ofereça serviços de marketing white label resultará em um produto final de alta qualidade desenvolvido por especialistas. Portfólio ampliado Na maior parte das vezes, o cliente busca uma solução completa de marketing digital: ele, afinal, não quer despender seu tempo lidando com vários especialistas. Se a empresa não oferece tudo de que ele precisa, o cliente pode não fechar um contrato. Parcerias com empresas especializadas por meio de marketing white label podem fornecer uma ótima maneira de expandir suas ofertas e atender às solicitações de seus clientes. Economia de tempo e recursos Otimizar seu negócio é a melhor maneira de se manter competitivo e eficiente. É importante continuar desenvolvendo produtos ou serviços para ficar à frente da concorrência e seguir tendências ou novas tecnologias. Entretanto, o desenvolvimento de tecnologias exige tempo e recursos. Parcerias por meio do marketing white label possibilitam a oferta de serviços atualizados sem a necessidade de contratar funcionários e desenvolver produtos. Realizar grandes projetos O marketing white label permite que você assuma projetos maiores. Sua equipe, porém, tem um limite de clientes com os quais ela pode trabalhar ao mesmo tempo. Se um de seus clientes precisar de centenas de postagens em mídias sociais inesperadamente, o que você pode fazer? Ao trabalhar com o marketing white label, você pode se adaptar facilmente a pedidos maiores. Não importa se você precisa de 50 ou 500 peças. Seus parceiros de marketing white label poderão encontrar quantos redatores forem necessários para fazer o trabalho a tempo. Isso ajuda você a se sentir confortável em assumir grandes projetos. Sinais de que você deve considerar o marketing white label Agora, veja três razões para considerar o marketing white label: Você notou recentemente que seus clientes precisam de produtos ou serviços adicionais. Como os dispositivos móveis já são responsáveis por mais da metade de todo o tráfego global de sites, você começa a receber mais solicitações de clientes para o desenvolvimento de sites responsivos. Essa é uma grande oportunidade de entrar em contato com empresas especializadas nesse tipo de sites. Com isso, você pode atender aos desejos do seu cliente sem precisar contratar uma nova equipe interna de desenvolvimento de sites. Solicitações de serviços adicionais Capacitar um funcionário para torná-lo um especialista em determinado aspecto do marketing exige tempo, recurso e dedicação. Talvez você tenha percebido que não possui funcionários com habilidades em certas áreas. Para oferecer aos seus clientes o melhor serviço, pode valer a pena considerar uma agência de marketing white label a fim de concluir as tarefas para as quais sua empresa não possui as habilidades necessárias. Isso significa que você pode fornecer ao seu cliente um serviço completo sem ter de dominar todos os aspectos do marketing. Se sua empresa está enfrentando uma queda nas vendas, isso é um sinal de alerta. Em um mercado que cresce a cada ano, ter queda nas vendas sinaliza um descasamento entre a estratégia de negócios da empresa e o andamento do mercado. As agências de marketing white label podem ajudá-lo com sua estratégia e garantir que você esteja no caminho certo para o seu negócio. Elas fornecerão uma perspectiva externa que poderá auxiliá-lo em uma estratégia de mercado mais assertiva. Inbound marketing Para entender o que é o inbound marketing e como ele funciona, vamos propor uma reflexão: o que você faz quando tem interesse em comprar alguma coisa? Provavelmente, você começa com uma simples pesquisa na web. Falta de especialização Vendas em declínio Em muitos casos, você terá uma ideia do que precisa, mas não saberá o que realmente deseja. Por conta disso, provavelmente pesquisará coisas, como, por exemplo, “melhores smartphones lançados este ano”, se desejar trocar de celular” ou “como funciona um serviço de hospedagem na web” (no caso de sua empresa precisar de um site). Fazendo isso, você aprende mais sobre o problema que deseja resolver ou sobre o produto que deseja comprar. Em seguida, você considerará as opções pela: Comparação Estabelece comparações entre marcas e modelos. Análise Analisa os prós e os contras para entender em detalhes quais produtos estão disponíveis no mercado. Esse é o momento em que você restringe esses produtos a algumas opções até finalmente decidir comprar um produto ou serviço. O caminho é basicamente o mesmo para quase todos os consumidores no mundo da internet - um caminho tão importante que o marketing atribuiu um nome para ele: jornada do cliente. Quando as empresas e as agências começaram a perceber essa tendência, buscaram formas que pudessem aproveitar esse hábito de consumo. São elas: estratégias; técnicas; metodologias. O resultado desse esforço é o chamado inbound marketing, uma estratégia de marketing para atrair consumidores. A ideia essencial do inbound marketing é fornecer valor primeiramente e converter os clientes depois. Essa estratégia aumenta a confiança do cliente. Se você apresentar sua empresa como uma fonte confiável em seu setor, é mais provável que os consumidores escolham comprar com você. O inbound marketing em três passos Fazer sua organização crescer por meio da construção de relacionamentos duradouros com consumidores é uma das formas mais eficientes de possuir clientes leais. Quando os clientes ficam encantados com o seu produto, eles compartilham com outras pessoas. Isso atrai novos consumidores para a sua organização, impulsionando suas vendas em um círculo virtuoso. De acordo com Peczan (2018), o método utilizado para isso é aplicado em três passos. 1. atração; 2. envolvimento; 3. encantamento. A seguir, veremos cada passo com mais detalhes. Atração Você não quer que qualquer pessoa visite seu site. Seu desejo é por consumidores com maior probabilidade de se tornarem clientes e, em última análise, clientes satisfeitos. Mas como se atrai esse tipo de consumidor? Você faz isso com conteúdo que seu potencial cliente considere relevante. Para alcançá-lo, comece criando e publicando conteúdo (em sites, blogs e mídias sociais) que agregue valor. Exemplo Artigos sobre como usar seus produtos, informações sobre como sua solução pode resolver seus desafios, depoimentos de clientes e detalhes sobre promoções ou descontos. Para atrair o público em um nível mais profundo por meio do inbound marketing, otimize todo esse conteúdo com uma estratégia de SEO. Ela exigirá que você segmente palavras-chave e frases específicas relacionadas aos seus produtos ou serviços, aos problemas que você soluciona para os clientes e às formas que você pode ajudar seu consumidor. Isso permite que o seu conteúdo seja divulgado organicamente na página de resultados dos mecanismos de pesquisa, alcançando exatamente os seus consumidoresem especial que estão procurando por essas informações - também conhecido como seu público-alvo da sua organização. SEO SEO significa search engine optimization (em português, otimização para mecanismos de busca). Trata de um conjunto de técnicas de otimização para sites, blogs e páginas na web. Envolvimento Ao usar estratégias de inbound marketing para envolver seu consumidor, certifique-se de estar se comunicando e lidando com potenciais clientes de uma forma que faça com que eles queiram construir relacionamentos de longo prazo com você. Ao empregar estratégias de envolvimento, apresente informações sobre o valor que sua empresa lhes proporcionará. As estratégias de envolvimento incluem, principalmente, a forma com que você lida e gerencia os contatos realizados pelos consumidores para eles saberem mais sobre suas soluções. Concentre-se neste ponto: como os responsáveis pelo atendimento ao cliente lidam com clientes em potencial. Além disso, certifique-se de estar sempre vendendo soluções em vez de produtos. Isso garantirá que todos os negócios terminem em acordos mutuamente benéficos entre sua empresa e seus clientes. Para criar relacionamentos duradouros com clientes em potencial, use: e-mail; bots; chat ao vivo; aplicativos de mensagens. Empregue também as ferramentas de conversão (CTAs, formulários e fluxos de leads) para capturar as informações dos clientes em potencial que visitam seu site. CTAs É a sigla para a expressão em inglês call to action, que, traduzida para o português, significa “chamada para a ação”. Os CTAs, portanto, levam o seu visitante a realizar uma ação, expressando o que você deseja que ele faça. Inclua todas as informações do cliente potencial no CRM da sua organização para personalizar a experiência dele com a empresa. Desse modo, você poderá usar um conteúdo inteligente e mais alinhado ao seu consumidor em toda a jornada do cliente. Ao mirar consumidores específicos com seu conteúdo em artigos, redes sociais ou anúncios, você ainda será capaz de gerar mais envolvimento do cliente com a sua marca. Encantamento Estratégias de inbound marketing encantadoras garantem que os clientes fiquem felizes e satisfeitos muito tempo depois de terem feito uma compra. Incorporar contatos bem planejados e oportunos na jornada do cliente para ajudar, apoiar e solicitar o feedback dele é uma ótima maneira de encantá- lo. Os contatos precisam ser feitos em momentos específicos ao longo da jornada do cliente para garantir que eles façam sentido e tenham valor. Para esse passo ser eficiente, os membros de sua equipe precisam se tornar consultores e especialistas que os auxiliam a qualquer momento. Os contatos podem ajudar os clientes atuais a conhecer uma nova técnica ou tática que você começou a oferecer e que facilitaria na solução das necessidades deles. Além disso, uma pesquisa de satisfação pode ser enviada seis meses após os clientes terem adquirido seu produto para obter um feedback e revisar ideias para melhorias. Segundo Peczan (2018): [...] as mídias sociais é outra estratégia importante quando se trata de encantar os clientes. Seguidores de mídia social podem usar um de seus perfis para fornecer feedback, fazer perguntas ou compartilhar sua experiência com seus produtos ou serviços. Responda a essas interações com informações que ajudem, apoiem e incentivem os seguidores - isso mostra que você ouve e se importa com eles. (PECZAN, 2018, n. p.) Os três passos do inbound marketing Neste bate-papo, você verá uma revisão dos três passos do inbound marketing e ofereceremos exemplos reais ou fictícios de organizações que implementaram essa estratégia. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Qual das opções a seguir descreve o significado de marketing white label? A Contratar uma agência especializada em marketing digital que possui como prática a inclusão da marca da empresa contratante nos serviços que oferece. B Significa marca branca em português, etapa em que o consumidor participa do processo de criação da marca da empresa. Parabéns! A alternativa A está correta. A prática de marketing white label é pré-acordada entre as partes (empresa contratante e a contratada para desenvolver o serviço); em muitos casos, a empresa contratada já incluiu automaticamente a marca da contratante durante o desenvolvimento do serviço. Questão 2 Qual é a definição correta para a estratégia de inbound marketing? C É um processo no marketing em que duas empresas do mesmo segmento constroem suas marcas isentas de competitividade. D Terceirização dos próprios serviços de marketing digital, respeitando-se as exigências definidas em contrato. E Aquisição do serviço de uma empresa especializada em marketing digital com os devidos créditos. A Estratégia de comunicação constante com o consumidor por meio de todos os meios de comunicação disponíveis. B Usar representantes de venda (presenciais e pela internet) para atrair o consumidor. C Marketing focado no status social dos usuários do produto ou serviço. D Parabéns! A alternativa D está correta. O inbound marketing é uma estratégia que se fundamenta na criação e no compartilhamento de conteúdo relevante para consumidores-alvo, conseguindo, assim, a confiança deles para ofertar seu produto, além de criar um relacionamento favorável a novos negócios. 3 - Redação publicitária e métricas de engajamento Ao final deste módulo, você será capaz de identificar os componentes da redação publicitária e das métricas de engajamento. Ligando os pontos Compartilhamento de conteúdo relevante para atrair consumidores. E Técnica focada em consumidores recentes que não necessariamente repetirão a experiência de compra. A expressão “uma imagem vale mais que mil palavras” definitivamente não se aplica ao brand publishing. Em estratégias de conteúdo, o texto é responsável pelo envolvimento e engajamento do público, e redigir para um projeto de brand publishing requer atenção ao estilo editorial e sua aderência à audiência. O Beleza Extraordinária, mídia proprietária da L'Oréal Paris, traz boas práticas de redação. Luther Peczan, um dos envolvidos na criação do blog, afirma que o diferencial da plataforma é permitir à L’Oréal criar a própria comunidade e falar diretamente com o seu público sobre os assuntos que interessam a ele, com mais frequência e liberdade de tom. A missão editorial do Beleza Extraordinária está alinhada ao posicionamento da L'Oréal Paris. De acordo com a marca, o slogan “Porque a gente vale muito” é uma declaração de que a beleza e o poder são acessíveis a todos. Em linha com a missão editorial, as publicações trazem dicas de cuidados faciais e com o cabelo para estimular a autoconfiança e o empoderamento feminino, por meio da beleza em suas diversas formas. Para compreendermos algumas das características da redação, para o brand publishing, vamos analisar o trecho de uma matéria extraída do blog: “20 dicas para cabelos crespos: veja cortes, penteados e cuidados para o dia a dia Tem cabelos crespos e está sempre em busca de inspirações de corte, dicas de finalização e ideias de penteado? Então pode aproveitar cada linha dessa matéria! O que não faltam são jeitos de estilizar as madeixas, mudar o visual e intensificar os cuidados no dia a dia para driblar o ressecamento e manter os fios crespos impecáveis. Confira as 20 dicas da matéria e anote todos os segredinhos!” O objetivo geral dos conteúdos é inspirar o autocuidado feminino e estimular a autoconfiança e o empoderamento, formando uma comunidade em torno desses temas, e reafirmar a missão editorial de democratização da beleza. A matéria que vimos, especificamente, tem o objetivo de educar sobre os cuidados diários com o cabelo e fala diretamente com as consumidoras que têm cabelos crespos. Por trás do conteúdo, existe a intenção da marca de se aproximar desse público, reforçada pelo tom de conversado texto. A forma da escrita próxima da fala emprega ao texto certo nível de informalidade – o conteúdo é iniciado com uma pergunta para gerar empatia e incentivar a leitura. O texto utiliza, ainda, termos que são referência no segmento de beleza como, por exemplo, a palavra “madeixas”, substituindo “cabelos”. Em síntese, o texto passa a impressão de um diálogo entre amigas. Agora que você conhece mais sobre redação para brand publishing, vamos ligar os pontos! Questão 1 Para se conectar ao público e fortalecer o posicionamento da marca, a escrita para o brand publishing requer atenção ao estilo editorial. A partir da leitura do caso, avalie as asserções a seguir: I - As matérias publicadas no Beleza Extraordinária reforçam a missão editorial do blog e o posicionamento da marca. II - A liberdade editorial, característica do brand publishing, permite à marca adotar um tom de conversa para a escrita. III - Empoderar e educar as consumidoras são objetivos dos conteúdos que favorecem a formação de comunidade em torno da L'Oréal Paris. É correto o que se afirma em: Parabéns! A alternativa E está correta. As publicações, em linha com a missão editorial, trazem dicas de autocuidado que podem ser utilizadas no dia a dia por A I, apenas. B b) III, apenas. C I e II, apenas. D I e III, apenas. E I, II e III. mulheres de diferentes idades, etnias e culturas, portanto, reforçam o propósito da marca de democratizar a beleza e valorizá-la em suas diferentes formas. O controle editorial é uma das principais características do brand publishing, assim, a escolha do tom da escrita, nesse caso, a conversa informal, é possível por conta dessa liberdade editorial. A formação de comunidade em torno da marca é uma das vantagens da plataforma proprietária, a L'Oréal Paris utiliza temas em pauta na sociedade, como o autocuidado e o empoderamento feminino, para se conectar à audiência. Questão 2 Os objetivos, o tipo de conteúdo, os temas abordados e o estilo editorial são alguns dos aspectos que influenciam a redação para o brand publishing. A publicação precisa unir a essência da marca e as informações relevantes ao público e, sobretudo, falar a mesma língua da audiência para gerar identificação. Com base no trecho da matéria publicada no Beleza Extraordinária, avalie as asserções a seguir: I - O título da matéria e a frase “Confira as 20 dicas da matéria e anote todos os segredinhos!” revelam o objetivo da publicação de educar para o autocuidado feminino. II - A frase interrogativa “Tem cabelos crespos e está sempre em busca de inspirações de corte, dicas de finalização e ideias de penteado?” tem a função de abrir o diálogo com o público e gerar identificação com a audiência. III - O uso de termos que são referência no segmento, como a palavra “madeixas”, é um erro comum da escrita para o brand publishing porque faz com que a marca perca sua identidade. É correto o que se afirma em: A I, apenas. B II, apenas. Parabéns! A alternativa C está correta. O objetivo da publicação de educar para o autocuidado está implícito no conteúdo e reforçado no título e no texto, em expressões como: “cuidados para o dia a dia” e “confira as 20 dicas”. Iniciar o texto com uma pergunta para estabelecer o contato com o público é uma técnica empregada com frequência na escrita informal, ou seja, é o uso da função fática da linguagem, objetivando estabelecer e manter ativos os vínculos com a audiência. A frase passa, ainda, a ideia de que a marca sabe como as mulheres se sentem em relação aos cuidados com os cabelos crespos. O uso de termos referência no segmento é uma técnica correta para contextualizar a audiência no assunto, as consumidoras adeptas ao universo dos cosméticos e da beleza e se interessam pelo tema, dominam o vocabulário do segmento. Questão 3 No estudo de caso, analisamos o trecho de uma matéria publicada no blog Beleza Extraordinária, plataforma proprietária da L'Oréal Paris. A partir desse trecho, observamos algumas características da redação para o brand publishing. Com base no texto analisado e em sua experiência profissional, quais diferenças podem ser apontadas entre os textos redigidos para o brand publishing e para a publicidade tradicional. C I e II, apenas. D II e III, apenas. E I, II e III. Digite sua resposta aqui Chave de resposta Enquanto o texto publicitário utiliza o discurso persuasivo para incentivar a adesão à marca ou a aquisição de um produto ou serviço, os textos para o brand publishing seguem o gênero informativo. Os textos publicitários enfatizam os atributos e benefícios de produtos e serviços ou o estilo de vida do público-alvo, quanto trata-se de propagandas com apelo emocional; já no brand publishing a intenção da publicação é a prestação de um serviço para a audiência, no caso da L'Oréal Paris, fornecer dicas para o autocuidado feminino. Em relação à estrutura, os textos publicitários são mais enxutos e objetivos porque o público impactado foi interrompido pela propaganda e não está com a atenção totalmente voltada para o conteúdo; enquanto no brand publishing a audiência proprietária buscou pelo conteúdo por inciativa própria e está focada na leitura, possibilitando que o texto seja mais extenso e tenha profundidade de informação. Nos dois tipos de conteúdos, a linguagem e o tom devem ser alinhados ao tom de voz da marca, no entanto, no brand publishing existe uma liberdade maior na escrita uma vez que o conteúdo é direcionado a um nicho e publicado em mídia proprietária, enquanto a propaganda tradicional é, geralmente, voltada a um segmento e veiculada em diferentes canais de comunicação. A redação publicitária para brand publishing A redação publicitária para brand publishing estabelece processos que permitem que sua equipe crie conteúdo de marca de forma reproduzível e escalonável. Afinal, até mesmo revistas e jornais, como a Forbes e o The New York Times, não funcionam exatamente como relógios suíços, com suas engrenagens perfeitas. Nem sempre se consegue publicar um conteúdo relevante, possuir todos os recursos necessários em uma redação ou seguir todas as suas diretrizes. Muitas marcas, porém, estão se esforçando para criar a melhor redação publicitária possível dentro de suas condições ao estabelecer os respectivos aspectos: Melhor estrutura interna Para desenvolver conteúdo. Colaboradores necessários Para a divisão editorial da marca. Tempo exigido Para a criação de um conteúdo qualitativo. Montando uma equipe de brand publishing Agora, compreenderemos as etapas que você precisa seguir para ter uma redação publicitária para brand publishing de sucesso. Segundo Lee (2015), tais etapas ajudarão a estabelecer uma base em termos de funções, processos e diretrizes para dar suporte ao seu content house conforme você escala de pequeno a grande porte. Equipe Comece pequeno (pode ser duas pessoas) e amplie a partir daí. Trata-se apenas de uma questão de compreender os conjuntos de habilidades e funções. Quando você dispuser de mais colaboradores, apenas será necessário dividir a função de uma pessoa entre os novos. As três funções essenciais em uma equipe de brand publishing são: Idealmente adequada para o mais experiente da equipe em brand publishing, a função desse editor é supervisionar a direção criativa de todo o conteúdo de sua marca. Caso o editor-chefe ainda não possua muito conhecimento sobre o mercado em que a marca atua, você também precisará de alguém com experiência prática nos negócios da empresa para criar conteúdos de melhor qualidade e mais informativos. A pessoa na função de editor-chefe deve ser bem versada nas técnicas de brand publishing a fim de que cada conteúdo criado em uma redação publicitária, além de informativo e relevante, inspire o envolvimento do consumidor com a marca. Essa pessoa também orquestra o calendário editorial e estabelece as atribuições de cada colaborador. Condição essencial para o sucesso:o editor-chefe precisa trabalhar com a equipe executiva da marca para entender a estratégia e as metas de negócios da empresa e, em seguida, alinhar o conteúdo a esses objetivos. Pense no escritor (escritores conforme você escala) como o jornalista da marca, alguém que encontra e conta as histórias que estão acontecendo na sua empresa. Esse jornalista sai a campo sob a orientação do editor- chefe, encontrando-se com as pessoas, ouvindo-as e observando-as nas reuniões e extraindo as histórias sobre os temas atribuídos. Editor-chefe Escritor Com o acesso às pessoas e aos recursos certos, os jornalistas de marcas precisam ser capazes de comunicar bem um assunto - mesmo que não tenham um experiência direta no setor. No entanto, o conhecimento dele certamente os ajudará. Condição essencial para o sucesso: o jornalista da marca deve ser apresentado a todos os colaboradores da empresa, explicando-se ainda qual é a sua função, para que todos entendam por que esse profissional está presente em reuniões e para que aceitem seu pedido de entrevistas e informações. Uma redação publicitária para brand publishing envolve bastante trabalho administrativo e operacional. Você precisará de alguém que possa ajudar a gerenciar as atividades do dia a dia. Entre outras atividades burocráticas, incluem-se: definir reuniões, enviar e publicar postagens em blog, fazer edições no calendário editorial, coordenar o trabalho de design e gerenciar pessoas e papelada. Condição essencial para o sucesso: não permita que a pessoa a executar a função de editor ou escritor seja responsável pelo suporte administrativo. Marcas que estão iniciando sua redação publicitária para brand publishing costumam cometer esse erro. Perceba como todas essas responsabilidades administrativas podem prejudicar a produtividade de um bom editor ou escritor. Essas são as funções básicas exigidas para a fundação de uma equipe de redação publicitária para brand publishing. Conforme os escala, você pode adicionar mais colaboradores para expandir a produtividade e outras posições com responsabilidades mais específicas, como editores assistentes e assistentes de pesquisa. Diretrizes Depois de criar uma equipe, a primeira coisa que um editor de marca precisa fazer é estabelecer diretrizes para a criação de conteúdo. Isso significa: Suporte administrativo Criação de um processo de publicação. Estabelecimento de um dicionário de termos. Definição de normas e procedimentos do estilo editorial. Descreveremos essas três diretrizes a seguir. Processo de publicação O fluxo de trabalho tem de ser estabelecido, indicando quem faz o quê, quando e como. O editor ou a pessoa designada mapeia cada fase da criação do conteúdo desde a pesquisa até a redação, a revisão e a publicação. O processo deve ser capaz de responder perguntas sobre os seguintes assuntos: Escrita Como é o processo de escrita? Informação Como o redator consegue as informações de que precisa? Reunião Onde e quando o redator participa das reuniões? Entrevista Como os escritores agendam entrevistas? Rascunho Quem obtém o primeiro rascunho e quem o revisa? Revisão e edição Como funciona o processo de revisão e edição? Regras Que tipo de regras existem para edição entre a redação e as outras partes interessadas internas? Conclusão O que acontece quando uma peça concluída está pronta para publicação? Considere designar redatores para que eles atuem nos moldes de uma redação tradicional: dê a eles um “furo jornalístico”, um setor ou um tópico pelo qual eles sejam responsáveis pela cobertura. Estabelecer um processo de publicação, porém, não é um evento único. O método se desenvolve ao longo do tempo por tentativa e erro dentro de cada cultura empresarial única. Dicionário de termos Você sabe o que um CEO quer dizer quando pede um white paper? Será que ele realmente sabe o que isso significa? Se não houver uma padronização sobre o que determinado elemento significa dentro da empresa, as pessoas poderão ter noções discrepantes que podem se tornar problemáticas. É extremamente importante esclarecer desde o início um dicionário de termos. Crie um dicionário de termos de conteúdo para cada ativo de conteúdo que possa ser criado para a marca. Com cada tipo de conteúdo, anote os seguintes itens: Nome do ativo de conteúdo; Objetivo desse tipo de conteúdo; Comprimento geral; Abordagem; Tom; Estrutura de estilo; Casos em que poderá ser usado. O dicionário de termos ajudará na padronização dos ativos de conteúdo, evitando desentendimentos e agilizando o processo de redação. Normas e procedimentos do estilo editorial Toda revista ou jornal considerado de qualidade possui normas e procedimentos para o seu estilo editorial. Seria muito difícil dar “a cara da marca” a todos os conteúdos publicados sem estabelecer as normas e os procedimentos do estilo editorial da empresa. No Brasil, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) pode facilitar essa etapa, sendo um ponto de partida para a definição de padrões e de consistência para a escrita. Entretanto, mesmo a ABNT não possui todas as normas necessárias para a padronização do estilo editorial de uma redação. Mesmo que ABNT os tivesse, aliás, não conseguiria dar “a cara da marca”. Sua marca, afinal, tem um estilo próprio. Para o estilo da marca sobressair em seu conteúdo, você precisa de normas e procedimentos editoriais próprios. Isso ajuda a gerar um processo consistente de criação de conteúdo em que todos identificam o “espírito” da marca. Ao criar as normas e os procedimentos para o estilo editorial dela, você deve trabalhar com os responsáveis pela marca para definir o que fazer e o que não fazer, como por exemplo nunca mencionar o nome desse concorrente em nenhum conteúdo. A seguir, veja uma lista de exemplos de quais informações podem estar contidas nas normas e nos procedimentos editoriais. Marca e missão editorial; Guia de estilo profissional usado; Guia de estilo da marca, incluindo: Informações que podem estar contidas nas normas e procedimentos editoriais Termos comuns usados no mercado de atuação; Ortografia e pontuação preferidas (que diferem da ABNT); Referências preferidas de produtos e serviços da marca. Documentação para todos os procedimentos de conteúdo, como, por exemplo: Como criar um boletim informativo; Como escrever para o blog; Como formatar o blog; Como criar um comunicado à imprensa; Como publicar um estudo de caso; Como garantir revisão e aprovação. Coleção de biografias dos executivos da empresa (versões curtas e longas); Logotipo da marca e diretrizes de uso; Diretrizes geográficas específicas se isso for aplicável (caso a empresa seja multinacional). As normas e os procedimentos do estilo editorial precisam ser considerados um documento vivo. Eles não devem pertencer a nenhum departamento. O objetivo, afinal, é que ambos possam ser um registro básico na comunicação da empresa independentemente de qual departamento esteja executando a comunicação. Exemplos de redação publicitária para brand publishing Apresentaremos agora duas empresas que desenvolvem um excelente trabalho de redação publicitária para as suas marcas. Em 2017, a empresa lançou a revista física Airbnbmag, publicada pela Hearst, e uma versão digital hospedada no Medium. A publicação teria Airbnb como objetivo a celebração do elemento humano das viagens e da cultura dos lugares. O Brand Publishing Brasil (2019) a apresentou como case. Como revista de viagens, a Airbnbmag, afinal, tem tudo: capa atraente, belas imagens e uma linda diagramação. Trata-se de uma mistura interessante de artigos, que vão desde um guia de informações privilegiadas sobre Nashville, nos Estados Unidos, até a cena da música eletrônica em São Petersburgo, na Rússia, passando pela evolução da pimenta como um produto básico da culinária em diversos países. Essa publicação é um belíssimo trabalho deconteúdo que não é feito por tradicionais veículos de imprensa especializados em viagens, como Travel + Leisure ou Condé Nast Traveler. Tal trabalho, na verdade, é realizado por uma marca. Eis uma forma de se fazer marketing por meio do conteúdo para a Airbnb, que está presente em todos os países do mundo (com exceção de Coréia do Norte, Síria e Irã). O caso da Red Bull é ainda mais emblemático em termos de importância do brand publishing. Afinal de contas, estamos falando de uma empresa que essencialmente vende apenas um produto. Eis que surge a questão: quanto você poderia ler sobre bebidas energéticas? Pensando nisso, em vez de estabelecer um foco comercial, a publicação The red bulletin se concentra no slogan da marca: “Red Bull te dá asas”. Resultado: ela fala com seu público-alvo sobre esportes, cultura, aventura e conquistas. The red bulletin faz parte da Red Bull Media House, a própria empresa de mídia multiplataforma da empresa, o que mostra a importância da criação de conteúdo para a marca Red Bull. Métricas de engajamento Red Bull Os consumidores de hoje vivem em um mundo digital. A vantagem é que isso torna mais fácil medir o engajamento deles com a marca - especialmente quando as interações ocorrem em canais próprios da empresa. Entretanto, tal facilidade possui como contraponto a enorme quantidade de conteúdo disponível para se consumir nos dias de hoje. Assim, vem a necessidade cada vez maior de ofertar conteúdos envolventes. Mas como saber se um conteúdo é envolvente? Segundo o site de notícias What’s new in publishing: Os editores mais bem-sucedidos são aqueles que investem mais em suas estratégias de engajamento. (WNIP, 2019) Já se foi o tempo em que simplesmente rastrear o número de visualizações de página era suficiente. Hoje em dia, os editores precisam rastrear, na verdade, o envolvimento real de seus leitores. Ainda segundo a WNIP (2019), essa necessidade de melhores métricas levou Carla Zanoni, do The Wall Street Journal, a passar seis meses viajando pelo mundo para treinar cada repórter e editor da empresa em suas métricas e estratégias de engajamento. O desafio é identificar métricas que reflitam como seus conteúdos estão prendendo a atenção do consumidor e gerando resultados de negócios reais. Monitorar as métricas corretas ajuda os editores a mostrar a qualidade e o envolvimento do conteúdo em suas postagens patrocinadas. Da mesma forma, essas métricas podem permitir que os profissionais de marketing de agências e marcas avaliem se seus investimentos geram os resultados desejados. Não existe, contudo, uma métrica única que determina se um conteúdo é bem-sucedido; portanto, os profissionais de marketing que esperam obter soluções milagrosas ficarão desapontados. Na realidade, uma combinação de métricas de engajamento é necessária, pois isso fornece uma visão holística do desempenho do conteúdo. A combinação exata de métricas usadas se difere com base em: Negócio; Campanha; Canal; Formato; Dispositivo. As métricas de engajamento procuram avaliar basicamente dois grupos principais: O tempo gasto com o conteúdo Os responsáveis pelas métricas de engajamento precisam encontrar a maneira mais confiável e precisa de medir o tempo que os consumidores gastam com o conteúdo. O envolvimento com o conteúdo Como os consumidores se envolvem com conteúdo, ou seja, precisam avaliar se estão interagindo com ele. Como ponto de partida para medir o sucesso dos seus conteúdos, você pode começar com o conjunto de métricas de engajamento apresentado adiante: Tempo na visualização Mede a quantidade média de tempo que os usuários passam visualizando um conteúdo. É uma métrica de atenção básica. Taxa de interação Analisa o engajamento, revelando a porcentagem de cliques em links que um usuário realiza em um conteúdo. Tempo de interação Mede quanto tempo, em média, a interação dura. É bastante utilizado com a taxa de interação. Taxa de rolagem Contabiliza a porcentagem de visualizações na qual os usuários rolaram a página, indicando que eles estão i d úd Para entender o desempenho geral do conteúdo, é preciso pesquisar e comparar essas métricas com os mais recentes benchmarks do setor. Isso permite que você veja como cada métrica se compara em relação ao setor de atuação da sua marca. À medida que for se familiarizando com o benchmarking do setor de atuação da sua marca, você poderá definir os próprios benchmarks para comparar as métricas. Com isso, é possível comparar o desempenho a cada mês ou ano em campanhas, regiões geográficas, redes de editores e assim por diante. Isso permite que você obtenha um verdadeiro entendimento do desempenho do conteúdo e, ao mesmo tempo, acompanhe o progresso ao longo do tempo, levando a um entendimento profundo dos conteúdos que fazem mais sucesso e dos produtos com melhor retorno sobre o investimento. Benchmarks Benchmark ou benchmarking é uma análise estratégica das melhores práticas usadas por empresas do mesmo setor que o seu. interessados no conteúdo. Profundidade de rolagem Analisa a porcentagem do comprimento total da página que os usuários rolaram. Esta métrica é, portanto, outro indicador de engajamento. Quanto mais os usuários percorrerem uma página, mais engajados estarão. Métricas de engajamento bem estruturadas ajudarão a garantir que sua estratégia de medição permaneça no caminho certo e gere resultados para o seu negócio ao longo do tempo. Uma estratégia de medição também auxiliará no andamento da campanha e na alocação do orçamento, permitindo que você seja mais preciso e eficaz com seus gastos com publicidade. Meça cada conteúdo da marca. A medição levará aos melhores resultados. Sua estratégia de medição, porém, não pode ser segmentada, sendo realizada por campanhas ou canais isolados. Em vez disso, tenha uma visão holística do desempenho para determinar até que ponto seus conteúdos estão impulsionando os negócios. Métricas de engajamento Neste bate-papo, você verá um especialista que falará sobre as métricas de engajamento. Além disso, comentará como uma empresa pode detectar problemas no conteúdo produzido. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Qual das opções adiante apresenta as funções mínimas de uma equipe de redação publicitária? A Editor-chefe, escritor e suporte. B Editor-chefe, jornalista e escritor. C Redator, escritor e suporte. Parabéns! A alternativa A está correta. As funções mínimas de uma equipe de redação publicitária são editor-chefe, escritor e suporte. No início, as funções de editor e escritor podem ser realizadas pela mesma pessoa. Mas é preciso evitar que a função de suporte seja feita pela mesma que realiza a função de editor ou escritor para não se perder produtividade. Questão 2 Qual das opções a seguir é a métrica que analisa o engajamento, revelando a porcentagem de cliques em links que um usuário realiza em um conteúdo? Parabéns! A alternativa D está correta. D Uma gestão de pontos de contato. E Editor-chefe, designer gráfico e suporte. A Profundidade de rolagem. B Taxa de rolagem. C Tempo de interação. D Taxa de interação. E Tempo na visualização. Uma das mais importantes métricas de engajamento é a taxa de interação: ela permite que você saiba quais conteúdos são mais acessados pelos seus potenciais consumidores. Considerações finais Neste conteúdo, falamos sobre conceitos, como branded content, white label, inbound marketing e redação publicitária. Nosso foco, porém, sempre esteve voltado para o brand publishing. Como vimos, muitas empresas que optam por implementar uma estratégia de brand publishing geralmente pretendem criar um relacionamento de longo prazo da sua marca com seus clientes. Ao definir bem quem faz parte do seu público- alvo, elas podem ter clareza para saber quais são os temas e os assuntos pelos quais sua marca gostaria de ser reconhecida como referência. Uma estratégiade brand publishing, portanto, está ligada diretamente ao marketing de conteúdo. Não se esqueça de que, ao produzir textos para um blog, criar infográficos, realizar webinars ou gravar podcasts ou qualquer outra forma de transmissão de conteúdo, o importante é que eles sejam relevantes e ofereçam valor para os clientes da marca. Podcast Ouça o podcast e entenda como as organizações fazem o uso do brand publishing na era digital. Explore + Leia um artigo que traz um exemplo da Ambev, destacando a parceria que a empresa fez com a liga de basquete dos EUA, a NBA. VIEIRA, E. O voo do brand publishing. LinkedIn. Publicado em: 12 mar. 2021. Referências BRAND PUBLISHING. Brand publishing na veia: como Airbnb, Casper e Red Bull pegaram o espírito da coisa. Publicado em: 31 jan. 2019. EDELMAN, D. C. Branding in the digital age: you’re spending your money in all the wrong places. Havard business review. dez. 2010. HUBSPOT. What is inbound marketing? Consultado na internet em: 25 nov. 2021. LEE, J. A step-by-step guide to becoming a brand publisher. Content Marketing Institute. Publicado em: 22 mar. 2015. MARKMAKING. An introduction to brand publishing. Publicado em: 17 maio 2013. MAYDAY, M. Five marketing metrics vou need to measure return on engagement. ON24. Publicado em: 10 jun. 2021. PECZAN, L. Brand publishing é uma evolução do branded content. Meio & mensagem. Publicado em: 21 jun. 2018. ROCK CONTENT. What is inbound marketing and how you can use it to attract clients. Publicado em: 11 mar. 2020. STEIMLE, J. What is content marketing?. Forbes. Publicado em: 19 set. 2014. TENNISON, M. What is white label marketing? Boostability. Publicado em: 1. mar. 2021. TOOLKITS. Introduction to brand publishing. Publicado em: 5 set. 2021. WHAT’S NEW IN PUBLISHING (WNIP). Why leading publishers invest more in engagement than acquisition. Publicado em: 4 fev. 2019. Material para download Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato PDF. Download material O que você achou do conteúdo? Relatar problema javascript:CriaPDF() Coolhunting como estratégia de inovação para marca Prof.ª Liz Hassad de Andrade Descrição Coolhunting: principais teorias, conceitos e ferramentas de pesquisa. Propósito Compreender o conceito de coolhunting para fins de conhecimento das suas principais teorias e das ferramentas empregadas no processo de coleta de dados, análise, formulação da tese, definição da tendência e suporte à inovação de novos produtos e ideias. Preparação Antes de iniciar este conteúdo, certifique-se de ter papel e lápis por perto para acompanhar e fazer anotações quando precisar. Objetivos Módulo 1 Definição de coolhunting Módulo 2 Coolhunting e a pesquisa de tendências Definir coolhunting, além de suas aplicações e teorias Descrever os conceitos de coolhunting e o processo de uma pesquisa de tendências Módulo 3 Tendências Descrever o processo de análise, edição, formulação e formatação de uma tendência Módulo 4 Laboratório de tendências Descrever um laboratório de tendências Introdução No cenário competitivo em que vivemos, as empresas precisam encontrar novas formas de inovar e de se diferenciar para conquistar os consumidores. Nesse contexto, o coolhunting se destaca como um tipo de pesquisa que pode auxiliar nesse processo de identificar novas tendências e traduzi-las para o ambiente de negócios. Aprenderemos a realizar uma pesquisa de tendências. Para isso, primeiramente definiremos o significado do coolhunting e entenderemos as suas principais teorias e conceitos. Em seguida, demonstraremos o que é necessário para se fazer uma pesquisa do tipo. Ainda veremos todas as etapas da pesquisa de tendências: definição do universo, coleta de sinais, análise, edição, formulação e formatação de uma tendência. Por fim, descreveremos como é feito um laboratório de tendências, aprendendo como ele pode dar suporte para a inovação. 1 - Definição de coolhunting Ao final deste módulo, você deverá ser capaz de definir coolhunting, além de suas aplicações e teorias. Ligando os pontos A inovação se difunde com a chegada de novos produtos e processos no mercado, mas, para que eles alcancem várias camadas sociais, precisam passar por uma série de grupos e serem, aos poucos, adotados por cada um deles. Quando falamos de grupos sociais, não nos referimos às classes sociais, já que as tendências podem emergir de baixo para cima e vice-versa ou atingir várias classes sociais ao mesmo tempo. O funk, por exemplo, é um movimento artístico e musical que tem uma influência direta na moda. No funk ostentação, oriundo das “quebradas” de São Paulo, tornou-se uma tendência os funkeiros usarem marcas de roupas consideradas de elite, como a Lacoste e a Tommy Hilfiger. O comportamento de consumo passou então a ser retratado nas músicas, que citavam essas marcas nas letras mesmo sem patrocínio ou contrato publicitário. Quando a marca Lacoste lançou seu perfil brasileiro no Instagram, em 2021, contratou diversas personalidades para promover o lema “Seja um crocodilo brasileiro”, mas nenhum funkeiro estava na campanha, o que incomodou os usuários das redes, que repercutiram a questão de forma negativa para a marca. Com a polêmica, a Lacoste contratou a funkeira MC Dricka para divulgar sua nova coleção. A reivindicação se deve ao fato de que os artistas do funk não só fizeram uma divulgação espontânea da marca, mas foram responsáveis por criar uma tendência de consumo nas favelas e comunidades do país. Do mesmo modo que a moda da elite econômica estimula comportamentos e tendências nas classes menos privilegiadas, o estilo oriundo das favelas não só alcança os lugares mais altos da pirâmide social, como subiu as passarelas dos desfiles de alta costura. No desfile da estilista francesa Isabel Marant, em 2017, o estilo inspirado em moda das ruas apresentava peças que faziam alusão ao ritmo brasileiro. Além disso, o desfile foi embalado pela trilha sonora Jonathan da nova geração, do funkeiro Jonathan Costa. Agora que você já leu e refletiu sobre o case das tendências do universo do funk, vamos ligar os pontos? Questão 1 Conforme apontado no caso, as tendências podem surgir do topo da pirâmide social e seguir para baixo, podem nascer na base da pirâmide social e subir ou podem ser adotadas por vários grupos socioeconômicos simultaneamente. No caso das roupas da marca Lacoste, que passaram a ser utilizadas pelos funkeiros e retratadas nas músicas, que processo você imagina que esteja ocorrendo? A Gotejamento B Ebulição C Fluxo horizontal D Late majority Parabéns! A alternativa A está correta. Segundo Alves e Liedke (2016) as tendências que surgem nas camadas sociais mais altas e depois são adotadas pela massa fazem parte de um processo chamado de gotejamento (em inglês, trickle down). Questão 2 Caso um coolhunter esteja interessado em explorar o mercado do funk para gerar novos insights para marcas que desejam investir nesse nicho, é necessário, antes de mais nada, que E Early adopters A ele se concentre no mercado interno, pois todos os insights virão de informações do nicho funk, sendo desnecessário se voltar para o mercado externo. B ele observe o mercado da elite econômica, pois está claro que o interesse de consumo dos funkeiros está nos produtos e serviços voltados para essa classe. C ele olhe para o passado, pois as tendências de consumo estão todas alocadas nas décadas anteriores. D ele analise o sentimento dos funkeiros, extraindo, qualificando e quantificando o que eles sentem com relação a um determinado assunto, visando compreender seus comportamentos de compra. Parabéns! A alternativa D está correta. A alternativa A está incorreta pois o mercado externo deve ser observado atentamente e é capaz de gerar vários insights. Os interesses de consumo dos funkeiros não se limitam aos produtos da elite econômica, por isso a alternativa B está incorreta.A alternativa C está incorreta pois as respostas não estão no passado, ele pode ser apenas uma referência, o objetivo aqui é focar o futuro. Uma cópia fidedigna de um produto não é uma estratégia a ser considerada no ramo da inovação, o que faz da alternativa E incorreta. Questão 3 O efeito de rede é uma teoria elaborada por Gloor e Cooper (2007) que justifica o aumento da demanda de fornecedores e usuários à medida que ele passa a ser adotado por mais consumidores. No caso das roupas da marca Lacoste, de que forma você acha que ocorreu o processo do efeito em rede pelos funkeiros? Digite sua resposta aqui Chave de resposta Esse processo pode ter se dado por meio do boca a boca entre os membros da comunidade funkeira; por intermédio das redes sociais, como E ele sugira desenvolver produtos exatamente iguais aos da Lacoste, pois já se sabe que os funkeiros consomem esse tipo de bens de consumo. o Facebook e o Instagram; e mediante as próprias músicas, que retratam a utilização da marca Lacoste. Conceitos Contextualização de coolhunting No vídeo a seguir, vamos apresentar o conceito de coolhunting, suas explicações técnicas e as teorias importantes para a pesquisa de tendências. O que é coolhunting? O termo “coolhunting”, que vem do inglês, pode ser traduzido como pesquisa ou caça de tendências. Ele surgiu em uma reportagem da revista norte-americana The New Yorker, de 1997, sobre um fenômeno que estava emergindo: jovens saindo às ruas em busca de insights para o desenvolvimento de produtos para grandes empresas como, por exemplo, a Nike. Utilizaremos os conceitos elencados por Gloor e Cooper (2007), assim como por Alves e Liedke (2016), para descrevermos cinco características definidoras do coolhunting: Busca de informações para observações e previsões de tendências - trata-se de um sinal de mudança, do início de um novo padrão. Forma de captura do pensamento coletivo e do seu uso como uma vantagem competitiva para uma empresa. Contextualização, interpretação e tradução de informações para a identificação de movimentos de mudanças nos mais diferentes campos. Encontrar tendências e trendsetters - pessoas que apontam tendências, adotando primeiramente a inovação e convencendo outros indivíduos a fazerem o mesmo. O convencimento pode ser feito com o “boca a boca” ou servir como um modelo para outros consumidores. Busca pelo original, autêntico, diferente, novo e pouco explorado - a expressão em inglês cool (em português, “legal”), atualmente, remete a algo divertido e com uma atitude particular - mesmo no caso de objetos inanimados como produtos. Por exemplo, muitas pessoas consideram os produtos da empresa norte-americana Apple como algo cool. O coolhunting é diferente de pesquisa de mercado, pois ela costuma ser mais orientada ao que já existe no mercado, contribuindo para um ciclo de retroalimentação. Já na pesquisa de tendências, o estudo da concorrência direta é apenas um dos aspectos analisados. Exemplo Na pesquisa de mercado, é feita uma entrevista (qualitativa ou quantitativa) que aborda produtos já existentes no mercado. A pesquisa de tendências analisa o que já existe, mas se concentra nas lacunas entre o que o consumidor precisa e o que ainda não é ofertado. Aplicações O coolhunting tem muitas aplicações em diversas áreas de negócio. Por exemplo, a pesquisa pode ser usada para identificar o que passageiros frequentes gostariam de ter em uma companhia aérea, quais conteúdos de entretenimento uma produtora poderia lançar ou qual seria a melhor linguagem para se comunicar com o seu público. Para entender o que os consumidores pensam em relação a seus produtos e serviços - e, com isso, gerar inovações -, as empresas, com base nessas conclusões, precisam identificar os principais clientes dos novos produtos, assim como os inovadores e early adopters da categoria. Veja dois exemplos a seguir: Early adopters Primeiros adeptos. Logotipo da empresa 3M na sede do edifício em Praga, República Checa. Exemplo 1 O professor Erich von Hippel, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), uma das principais universidades do mundo, descobriu que novos produtos propostos por consumidores da 3M têm uma receita oito vezes maior do que aqueles desenvolvidos pela equipe interna de pesquisa e desenvolvimento da empresa. Vista exterior do edifício-sede da Hewlett-Packard na França. Exemplo 2 Os laboratórios da Hewlett-Packard (HP), uma multinacional americana de tecnologia de informação, empregam o coolhunting para prever as vendas, descobrindo, com isso, que as previsões de vendas melhoraram. Para isso, a empresa utilizou a previsão de mercados, uma ferramenta da pesquisa de tendências que usa a inteligência coletiva para prever o que vai acontecer. Participantes na previsão de mercados compram e vendem ações. Já o valor financeiro que o participante recebe está atrelado a algum acontecimento ou parâmetro especificado pelo coolhunter. Na HP, os participantes do jogo eram todos os membros do departamento de vendas, além de alguns pesquisadores do seu laboratório. Nesse jogo, cada pessoa podia comprar e vender ações da empresa com base em suas vendas. Os participantes faziam previsões sobre a receita de vendas do mês seguinte e o número de unidades vendidos no trimestre seguinte. A HP garantia que nenhum deles perderia dinheiro no jogo, mas eles poderiam ganhar se as previsões deles fossem precisas. Dessa forma, todos tinham um incentivo para fazer boas previsões. Além disso, por mais que uma pessoa, por si só, não fosse capaz de fazer boas previsões com frequência, a soma de todos os membros gerava previsões melhores do que o emprego dos métodos convencionais. 3M Conglomerado multinacional americano que opera na indústria química e tecnológica. Destacaremos a seguir as duas principais aplicações da pesquisa de tendências segundo Gloor e Cooper (2007): ing Observar o mercado externo Impulsionar inovação Veremos melhor essas duas aplicações. Observar o mercado externo Observando o mercado externo, o coolhunter pode detectar tendências e trendsetters. Com isso, ele consegue fazer estudos em profundidade de: Por meio das análises de mídias sociais, é possível receber informações em tempo real e gerar insights, observando a relação de pessoas e o surgimento de novas ideias. O coolhunter pode descobrir novas tendências, quem as está criando e qual conhecimento está sendo compartilhada em determinados grupos sociais. Exemplo Uma empresa farmacêutica analisou o perfil de usuários de drogas e conheceu melhor as substâncias que eles usam (além das possíveis formas de tratamento) analisando as mensagens de um fórum de discussão on-line. Forças de mercado Ações de compradores e vendedores que causam a variação de preço de produtos e serviços. Padrão de consumo Trata-se daquilo que influencia os hábitos de consumo. Análises de sentimento Extração, quantificação e identificação do que o consumidor sente em relação a determinado tema. Tendências de mercado Identificam-se os movimentos dos consumidores. Impulsionar inovação A pesquisa de tendências pode impulsionar a inovação dentro da empresa e, como consequência, melhorar a sua performance e eficiência. Nesse aspecto, vejamos o seguinte exemplo: A Siemens (conglomerado multinacional alemão de tecnologia e engenharia) tem usado a previsão de mercados para melhorar a sua habilidade de criar metas reais e de prever o sucesso de seus projetos de tecnologia da informação. A iniciativa teve início quando foi dada uma oportunidade para que 200 membros da equipe de projetos de software comprassem as participações da empresa com base nas apostas deles sobre o seguinte tópico: os projetos atingiriam suas metas no tempo correto? Eles investiam o próprio dinheiro no jogo, mas a Siemens triplicava o valor investido como uma forma de incentivar sua participação. Com isso, a empresa observou que osparticipantes do jogo antecipavam informações sobre o desenvolvimento de projetos de software bem antes de eles estarem disponíveis em fontes oficiais, observando rumores e usando a intuição deles em suas atividades de previsão. Os princípios de coolhunting, portanto, podem ser aplicados em diversas áreas: Investidores Gestores da área comercial Gerentes de projetos Siemens Para descobrir novas oportunidades. Para criar uma melhor previsão de venda. Para melhorar a performance de softwares. Analistas financeiros Para identificar tendências de mercado. Gerentes de marketing Para prever tendências de consumo e conhecer os trendsetters. Ou seja, o coolhunting é a matéria-prima para:1. Inovação; 2. Lançamentos de produtos; 3. Posicionamento de marca; 4. Estratégia de comunicação; 5. Atualização de linguagem da empresa; 6. Antecipação de comportamentos. Teorias importantes para a pesquisa de tendências Tendência e inovação são conceitos interligados: tendência pode gerar uma inovação, embora a inovação também possa criar uma tendência. Por conta disso, para entendermos como as tendências circulam pela sociedade, veremos a seguir de que modo as inovações são aceitas pelos consumidores e como ocorre o processo de adoção da inovação. Segmentos de consumidores do processo de adoção da inovação Segundo Rogers (1983), há cinco segmentos de consumidores do processo de adoção da inovação: Esse é o primeiro segmento da população a adotar a inovação. Quase obsessivos por inovação, os inovadores gostam muito de experimentar novos produtos e serviços. Consumidores aventureiros, precipitados e ousados, eles têm um comportamento arriscado. Geralmente, os inovadores possuem melhor condição financeira; por isso, não se preocupam com uma possível perda ao consumir uma inovação. Eles possuem a habilidade de entender e aplicar um conhecimento técnico complexo, conseguindo lidar com o alto grau de incerteza de uma inovação. Os inovadores possuem um importante papel na incorporação de inovações, que é trazer uma nova ideia para seu sistema social. Esse segmento é formado pelos formadores de opinião. Eles são respeitados pelos seus pares, servem de modelo para outros membros da comunidade e são mais integrados ao seu sistema social local que os inovadores. Os indivíduos que pensam em adotar uma inovação procuram os early adopters para pedir conselhos e percepções sobre o produto ou o serviço. Eles são importantes para acelerar esse processo de adoção, já que diminuem a incerteza sobre os produtos ou serviços e fazem uma avaliação respeitada, que é assimilada pelos futuros consumidores. Esses consumidores adotam a inovação antes da maioria da sociedade. Geralmente, eles interagem com frequência com seus pares, mas não costumam ser líderes. Inovadores (innovators) Primeiros adeptos (early adopters) Maioria inicial (early majority) Eles discutem por um tempo sobre a inovação para conhecê-la melhor, avaliando seus prós e contras antes de adotar uma nova ideia. Seu período de decisão é relativamente mais longo que o dos inovadores e o dos primeiros adeptos. Eles não querem ser os primeiros a testar uma inovação, mas também não querem ser os últimos, pois, assim como os dois primeiros segmentos, atribuem um status ao fato de se consumir uma inovação. Esse segmento adota a inovação depois da maioria da sociedade devido à pressão de pares ou às necessidades econômicas. Esses consumidores são céticos e cautelosos; por isso, o sistema de normas sociais (expectativas de determinado grupo sobre o que é adequado) precisa estar a favor da inovação antes de eles adotarem uma nova ideia. Esses consumidores podem ter sido persuadidos da utilidade da inovação, porém só decidem adotá-la por pressão social ou econômica. Geralmente, eles possuem recursos econômicos escassos (uma renda menor); com isso, toda incerteza sobre uma nova ideia precisa ser removida antes de eles se sentirem confortavelmente seguros para adotá-la. Esses consumidores são os últimos a adotar uma inovação, já que eles suspeitam de novidades. Esse segmento não é composto por líderes de opinião. Os retardatários tendem a ficar isolados, interagindo mais com outras pessoas que também dão valor à tradição. Eles têm o passado como ponto de referência, ou seja, suas decisões são tomadas com base no que foi feito pelas gerações passadas. Seu processo de decisão para adquirir novidades é demorado; portanto, quando adotam a ideia, frequentemente ela já foi suplantada por outra inovação que já está sendo usada pelos inovadores. Seus recursos são Maioria tardia (late majority) Retardatários (laggards) limitados; por isso, eles precisam ser extremamente cautelosos ao adotar uma inovação, tendo a certeza de que a nova ideia não vai falhar. Observe a seguir o ciclo com os cinco segmentos de consumidores do processo de adoção da inovação: Ciclo de adoção de novos produtos pelos consumidores. O processo de adoção da inovação Durante a pesquisa de tendências, o coolhunter deve procurar pessoas com o perfil de inovadores e primeiros adeptos e, em seguida, acompanhá-los nos estágios do processo da adoção da inovação. Segundo Rogers (1983), existem cinco estágios do processo de adoção: Conhecimento O indivíduo é exposto à inovação e recebe algumas informações sobre o funcionamento dela. Persuação Ele forma uma atitude favorável ou desfavorável em relação a ela. Decisão Ele se engaja em uma atividade que leve à seguinte escolha: adotar ou rejeitar uma inovação. Implementação Ele começa a utilizá-la. Confirmação O indivíduo procura o reforço de uma decisão que ele já tomou em relação à inovação, embora possa revertê-la se for exposto a mensagens conflituosas sobre ela. Veja a seguir o processo de adoção da inovação: O processo de adoção da inovação. Teoria do gotejamento, ebulição e fluxo horizontal A disseminação de inovações e tendências não tem relação com a pirâmide socioeconômica. Para Alves e Liedke (2016), certas tendências surgem na elite econômica e depois são adotadas pela massa. Trata-se de um processo chamado de gotejamento (em inglês, trickle down). Pirâmide socioeconômica Representação na qual as classes mais altas (de maior poder aquisitivo) da sociedade ficam no topo da pirâmide, enquanto as mais baixas (de menor poder aquisitivo) estão na base dela. Gotejamento (trickle down) Ebulição (bubble up ou trickle up) Fluxo horizontal Para Alves e Liedke (2016), certas tendências surgem na elite econômica e depois são adotadas pela massa. Trata-se de um processo chamado de gotejamento (em inglês, trickle down). No entanto, existem tendências com o movimento inverso: elas surgem na base da pirâmide social e vão para o topo. Isso é conhecido como ebulição (em inglês, bubble up, trickle up). (trickle across) Por fim, o fluxo horizontal (em inglês, trickle across) ocorre quando as tendências são adotadas ao mesmo tempo por diversos grupos socioeconômicos. Teoria do efeito de rede A teoria do efeito de rede, de acordo com Gloor e Cooper (2007), foi popularizada por Bob Metcalfe, fundador da corporação 3Com (fabricante de eletrônicos). Ela é a característica da inovação que faz com que o produto ou o serviço aumente seu valor para potenciais consumidores com base na elevação do número de usuários. Exemplo O aparelho de fax só teria importância para uma pessoa se ela conhecesse outras para quem pudesse enviar um fax. Exemplos mais recentes são o WhatsApp e o sistema de pagamentos do Banco Central do Brasil conhecido como Pix. Geralmente, a divulgação boca a boca gera o efeito de rede. Uma pessoa começa a utilizar o produto e convence outras a usá-lo. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Vimos que coolhunting é a busca de informações para fazer observações e previsões de tendências, constituindo um sinal de mudança e o início de um novo padrão. Outradefinição de coolhunting é: Parabéns! A alternativa C está correta. Coolhunting é uma forma de capturar o pensamento coletivo e usá-lo como uma vantagem competitiva para uma empresa. Trata-se da contextualização, da interpretação e da tradução de informações para identificar movimentos de mudanças nos mais diferentes campos. É o ato de encontrar tendências e trendsetters, ou seja, pessoas que apontam tendências. Questão 2 Rogers (1983) categorizou os consumidores em quatro segmentos em relação ao processo de adoção da inovação. Indique a alternativa com uma proposição verdadeira. A Uma pesquisa qualitativa baseada em um grupo de discussão mediado por um moderador contratado por uma empresa. B Uma pesquisa quantitativa de análise de posts nas mídias sociais que agrupa as conversar em categorias. C Uma forma de capturar o pensamento coletivo para identificar movimentos de mudanças que apontem tendências. D Uma forma de gerar insights para criar um banco de dados quantitativos e, assim, gerar tendências. E A contextualização de uma entrevista em profundidade com um especialista que gere vantagem competitiva para a empresa. Parabéns! A alternativa B está correta. Os cinco segmentos de consumidores do processo de adoção da inovação são: inovadores (innovators), primeiros adeptos (early adopters), maioria inicial (early majority), maioria tardia (late majority) e retardatários (laggards). Essa também é a sequência de novais ideias. Portanto, os inovadores consomem uma inovação antes dos early adopters. Pode-se dizer que a adoção nesse modelo é de cima para baixo (trickle down), já que os inovadores possuem uma melhor condição financeira (então não se preocupam tanto com uma possível perda ao consumir uma inovação), enquanto os retardatários possuem recursos limitados. Os efeitos de rede e trickle across não possuem relação com os cinco segmentos de consumidores do processo de adoção da inovação de Rogers. A Os early adopters consomem uma inovação antes dos inovadores. B Os inovadores possuem uma melhor condição financeira; por isso, eles não se preocupam tanto com uma possível perda ao consumir uma inovação. C Os cinco segmentos de consumidores do processo de adoção da inovação são: conhecedores, persuasivos, decididos, implementadores e confirmadores. D Nos segmentos de consumidores do processo de adoção da inovação de Rogers, há a influência de uma adoção da inovação de baixo para cima, o que é conhecido como trickle up ou bubble up. E O efeito de rede faz com que os inovadores adotem um novo produto ou serviço, o que é chamado de trickle across. 2 - Coolhunting e a pesquisa de tendências Ao final deste módulo, você deverá ser capaz de descrever os conceitos de coolhunting e o processo de uma pesquisa de tendências. Ligando os pontos As gerações dos millenials e nativos digitais, também conhecidas por gerações Y e Z, respectivamente, são grupos sociais com facilidade para se adaptar a determinadas tendências. Por serem mais conectadas ao universo da diversidade, essas gerações acabam formando movimentos que estimulam o desenvolvimento de produtos e serviços de informação voltados às causas sociais. É possível citar como exemplo os movimentos da primavera feminista e o Girl Power; o blog Hel Mother, desconstruindo a maternidade; o movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) e o movimento LGBTQIA+. Tais movimentos sociais, engajados por indivíduos ativos das gerações Y e Z, se tornaram um nicho em potencial para marcas que desejam atuar com propósito. A Minka é uma marca de camisetas e vestidos criada em 2016 com o objetivo de “empoderar mulheres”. Os produtos da Minka contêm estampas que trazem símbolos feministas e mensagens como “Liberte-se” e “Lute como uma garota”. Com a tendência em ascensão, os movimentos sociais considerados minoritários ainda têm espaço para impulsionar novos produtos e serviços. De acordo com uma pesquisa da InSearch Tendências e Estudos de Mercado, o potencial de consumo do público LGBTQIA+ ainda é pouco explorado pelas marcas. Conectada às questões sociais, a marca de cosméticos Natura criou em 2018 uma linha de maquiagem também destinada aos homens. A Natura apresenta a linha dizendo que ela foi feita para “pessoas de espírito livre, ligadas aos movimentos sociais e culturais das grandes cidades”. A questão da diversidade necessita ser vista como tendência e não como modismo, já que não se trata de um movimento popular que surge e desaparece com rapidez, mas sim de movimentos que se amplificam em longo prazo, ganham força e promovem uma mudança profunda, que permanece ao longo do tempo. Agora que você já leu e refletiu sobre a temática das tendências vinculadas à diversidade social, é hora de ligar os pontos. Questão 1 Uma tendência pode surgir a partir de uma descoberta, um dado ou uma reportagem. Pode ter caráter tecnológico, social, ambiental, político, científico ou econômico e direta ou indiretamente, irá afetar a cultura, o comportamento e os modos de consumo de alguns grupos sociais. Algumas tendências afetam uma camada ampla da sociedade; outras, segmentos sociais específicos. No caso das tendências relacionadas à diversidade social, citadas no texto acima, em qual das alternativas abaixo elas se enquadram? A Macrotendências B Microtendências C Reincidência D Diacronia Parabéns! A alternativa A está correta. Trata-se de uma macrotendência, pois abarca um público amplo, como as mulheres e a população preta, além de outros grupos sociais que são simpatizantes desses e de outros movimentos. À medida que a diversidade avança como tendência, os mercados mudam seus comportamentos; até mesmo a empregabilidade é afetada, ampliando o número de vagas para indivíduos pertencentes a esses grupos. Questão 2 O mercado LGBTQIA+, apesar de crescente, ainda carece de produtos e serviços específicos. Caso um coolhunter esteja interessado em explorar esse mercado, quais são as etapas técnicas que ele precisará cumprir para coletar os sinais para a pesquisa de tendências, respectivamente? E Clássico A 1. entrevistas com o consumidor; 2. observação da concorrência; 3. desk research, 4. painel de especialistas; 5. análise socio-histórica. B 1. desk research; 2. observação da concorrência; 3. painel de especialistas; 4. análise socio-histórica; 5. entrevistas com o consumidor. C 1. desk research ; 2. entrevistas com o consumidor; 3. observação da concorrência; 4. análise socio-histórica; 5. painel de especialistas. Parabéns! A alternativa B está correta. A coleta de sinais tem início com a desk research, pesquisa de dados secundários em mídia impressa, mídias sociais e mídias audiovisuais. Em seguida, é realizada uma observação da concorrência, mapeando negócios que atuam no mesmo segmento. A terceira etapa é pesquisar o painel de especialistas, isto é, pessoas que fizeram uma investigação profunda sobre o tema. Logo após é feita a análise socio- histórica, que investiga a evolução do tema ao longo dos anos. Por fim, são realizadas as entrevistas com o consumidor para compreender melhor a percepção deles sobre o tema. Questão 3 Do mesmo modo que existem as tendências, as contratendências agem de forma simultânea, opondo-se às tendências em voga. Diante das tendências vinculadas à diversidade social, como o empoderamento feminino, o movimento negro e o movimento LGBTQIA+, que contratendências surgem em paralelo? Aponte e comente duas contratendências. Digite sua resposta aqui Chave de resposta D 1. painel de especialistas; 2. desk research; 3. observação da concorrência; 4. análise socio- histórica; 5. entrevistas com o consumidor. E 1. painel de especialistas; 2. entrevistas com o consumidor; 3. desk research; 4. observação da concorrência; 5. análise socio-histórica. Como contratendências, é possível citar o conservadorismo político, moral e religioso; o reacionarismo, o isolacionismo, as resistências a políticasprogressistas, entre outros. Pesquisa de tendências Ferramentas da pesquisa de tendências Neste vídeo, apresentaremos o que é necessário para fazer uma pesquisa de tendências, além de explicarmos como nascem as tendências e como é feita a coleta de sinais. Vamos assistir! No módulo anterior, vimos o significado do termo coolhunting, apontando ainda as aplicações da pesquisa de tendências e as importantes teorias acerca desse tema. Neste módulo, entenderemos conceitos importantes para a atividade de coolhunting, estabelecendo, nesse processo, o que é preciso para fazer uma pesquisa de tendências e como é feita a primeira etapa dela: a coleta de sinais. Conceitos Segundo Alves e Liedke (2016), existem quatro conceitos importantes: Cross-category Modismo Tendência Clássico Vejamos melhor esses conceitos a seguir. Cross-category Por que as tendências mais ricas são chamadas de cross-category? Porque elas transitam por mais de uma categoria. Ou seja, a mesma tendência pode se expressar em muitos segmentos e influenciar diferentes assuntos. Por conta disso, é importante cruzar categorias em busca de: 1. Inspirações; 2. Sinergia de estilos (formas de expressão que unam essas categorias); 3. Funções; 4. Códigos. Comentário Primeiramente, a moda era uma lançadora de tendências para outras categorias; depois, essa função passou a ser do design; atualmente, ela pertence ao digital. Partindo de diferentes polos, elas podem dialogar e se reforçarem mutuamente. Modismo, tendência e o clássico É preciso separar as tendências dos modismos. A velocidade de adoção e difusão de um movimento determina seu impacto e sua consistência. Há três conceitos importantes que devemos saber identificar e diferenciar: Modismo (em inglês, fad) Comportamentos e estilos que rapidamente tornam-se populares, embora desapareçam com a mesma velocidade. Tendência Movimento que representa uma mudança mais profunda, permanecendo ao longo do tempo. Clássico Produtos básicos e atemporais que persistem no tempo. Vejamos um gráfico ilustrativo: Retromania e contratendência Há dois movimentos possíveis nesse processo: Atenção! Reincidência A tendência não volta, mas se reconfigura. Diacronia Alternância de tendências opostas, ou seja, fenômenos sociais ou culturais distintos que ocorrem e se desenvolvem ao longo do tempo. Deve-se tomar cuidado com a retromania, que diz respeito às tentações da nostalgia. Uma tendência geralmente tem a sua contratendência, porque a primeira sempre nasce do embate de forças e nunca se comporta de forma isolada. A tendência e a contratendência coexistem. Trata-se do fenômeno chamado de sincronia. Por exemplo, ao mesmo tempo que se vive na tendência digital, há uma contratendência que, segundo Bona (2018), dá valor à simplicidade, à desconexão, à meditação e ao autoconhecimento. Como começar uma pesquisa de tendências? Agora que já conhecemos os principais conceitos de coolhunting, veremos as atitudes que devem ser colocadas em prática para uma pesquisa de tendências. De acordo com Alves e Liedke (2016), para fazer uma pesquisa de tendências, é preciso: Manter o olhar inspirado como o de um artista criando a sua obra A pesquisa deve estimular o desejo e o prazer da descoberta. Se algo parecer errado, mude a pergunta, o foco e a tática, diversificando os assuntos. Procure o que te emocione. Assim, pode surgir algo comovente e original tanto para você quanto para os outros. Ser flexível Cada pessoa tem seu gosto pessoal: preferências, estilos, hábitos e crenças. No entanto, os tempos mudam. Portanto, é importante deixar algumas coisas mudarem também. Permanecer sempre o mesmo é limitar o seu campo de visão, não admitindo que o mundo mudou. Superar os preconceitos A fonte do preconceito é a ignorância e o desconhecimento - e essa atitude pode prejudicar o pesquisador. Julgar sem conhecer e avaliar com superficialidade são riscos comuns ao se deparar com o que é novo e diferente. Entre de cabeça aberta no processo, do contrário você o terminará com as mesmas convicções que você já tinha. Exercitar a temperança - autocontrole, renúncia e moderação Pesquisar tendências é se impressionar com tudo e, ao mesmo tempo, não se encantar com nada. Trata-se de uma prática que pede equilíbrio e moderação - e sem radicalismos. Escolher a premissa Tenha objetivos claros para cada etapa de pesquisa. A pesquisa de tendências é uma combinação de pesquisa, análise e criação. Ter sempre em mente que o significado de uma tendência é aberto Cada grupo pode considerá-la uma coisa diferente. Da mesma forma, diferentes grupos podem ter leituras distintas de uma mesma tendência. Saber que uma tendência é sempre uma direção, e nunca uma resposta Por isso, devemos ter cuidado com o dualismo, sem simplesmente considerarmos que algo deu certo ou errado. A pesquisa é um ótimo recurso, mas é preciso tomar cuidado com a armadilha de se precisar comprovar tudo. Como nascem as tendências Vimos que o coolhunter precisa colocar em prática diferentes atitudes para fazer uma pesquisa de tendências. Além disso, ele deve estar atento a tudo que ocorre antes de uma tendência e observar o que ocasionou o surgimento dela. Alves e Liedke (2016) especificam a existência de três tipos de influência para uma tendência: Fatores (drivers) São formados por: Dados, descobertas, acontecimentos, notícias locais e globais; Fatos novos tecnológicos, ambientais, científicos, políticos e econômicos que, de alguma forma, afetam a cultura, o comportamento e o consumo. São tendências de larga escala com força para impactar diferentes grupos de pessoas e segmentos do mercado durante um longo período; Comportamentos e movimentos mais abrangentes que, de alguma forma, impactam a sociedade como um todo, como, por exemplo, o envelhecimento da população. São reações de determinado segmento de mercado - ou grupo de pessoas - ao cruzamento de diferentes macrotendências; Macrotendências (macrotrends) Microtendências (microtrends) Novas estéticas ou comportamentos mais específicos que mudam suas expressões com maior rapidez, como, por exemplo, os aposentados que continuam trabalhando. Coleta de sinais O que é imprescindível antes de iniciar uma pesquisa? Definir o universo ao qual pertence a tendência que você gostaria de pesquisar. Essa é a hora de fazer escolhas e de definir um campo de estudo, ou seja, qual é o assunto principal e quais são os subtemas a serem investigados. Por exemplo, se a tendência fosse uma revista, quais assuntos não poderiam faltar nela. Tenha clareza sobre os objetivos do estudo e qual tipo de informação que você busca. Defina as perguntas nas quais a tendência pode estar fundamentada. A coleta de sinais é a etapa de pesquisa para estudar o universo em questão. Trata-se de uma análise dos sinais da cultura, observando-se quem os produziu, de onde vieram e por que estão acontecendo. Ela pode ser feita diariamente: basta guardar as informações da forma que você preferir. Por exemplo, pastas no computador, boards no Pinterest e no Tumblr. Site de pesquisa Pinterest Listaremos a seguir as cinco técnicas que, segundo Alves e Liedke (2016), são úteis para a coleta de sinais. Desk research Trata-se da pesquisa de dados secundários - referências e cases - que ajudam a enxergar movimentos de mudança. Ela pode ser feita em: Sites Blogs Jornais Revistas Mídias sociais Documentários Livros Relatórios Qualquer informação que tenha qualidade e ineditismo pode ser usada. O desk research é um bom ponto de partida, servindo como inspiração para as próximas etapas da pesquisa. O que é preciso para fazer o desk research? Delimitar objetivos, fontes e pessoas que gostaria de consultar. Pensar onde se pode buscar cada tema e subtema. Definir o prazo e quanto tempo deve ser gasto em cada etapa. Criar uma lista das palavras-chave para a pesquisa do assunto. Prezar pelapersonagem merece ser recompensado. É o momento de conquistar algo de muito valor ou até mesmo se reconciliar com alguém importante para ele. O ventre da baleia (testes, aliados e inimigos) Aproximação da caverna oculta Provação suprema Recompensa Caminho de volta O retorno para o seu mundo acontece sem perigos dessa vez, mas com muitas reflexões, a partir dos aprendizados vivenciados durante a jornada. Aqui está o clímax da história. É quando o inimigo ressurge repentinamente e o personagem precisa batalhar em sua melhor versão, pois a perda pode ser fatal e prejudicar toda a comunidade à sua volta. No caso de Batman, a maior luta enfrentada por ele é contra os próprios medos, como, por exemplo, o medo da morte. Caso vença a batalha, esse é o momento do retorno definitivo ao seu mundo. O personagem é reconhecido e apresenta a todos a sua transformação. Acredita-se que, quando um autor constrói uma narrativa, cumprindo todas essas fases, torna-se mais fácil a aceitação da audiência, pois a jornada do herói é considerada uma espécie receita de sucesso. Isso ocorre porque o público se identifica com o personagem durante várias dessas etapas e com seus conflitos pessoais, refletindo ao lado dele sobre os desafios internos e externos que a jornada da vida apresenta. Isso resulta em empatia e admiração pelo personagem por parte da audiência. Viu como é possível criar conexões emocionais com as narrativas? Isso explica ainda o imenso mercado criado em torno de personagens de super- heróis e contos de fadas. A magia está em ser capaz de criar laços afetivos com o público, que se envolve nas etapas dessa jornada. Ao adquirir um produto derivado da narrativa, como um brinquedo ou uma miniatura, o consumidor se conecta novamente àquela experiência. Dessa maneira, o storytelling transforma produtos em itens de alto valor agregado. Ressurreição Retorno com o elixir A jornada do herói: uma narrativa de sucesso A professora e mestre em Criação e Produção de Conteúdos Digitais Bia Galvão apresenta produtos audiovisuais (jornalísticos e publicitários), reconhecendo como uma narrativa envolvente pode tornar-se um hit no mercado. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 No contexto da estrutura narrativa, assinale o elemento responsável pela organização da história e ordenamento dos fatos: A Cronologia B Personagem C Espaço D Causalidade Parabéns! A alternativa A está correta. A cronologia é o alinhamento dos acontecimentos, que precisam apresentar uma ordem lógica para que o público seja capaz de compreender a narrativa. Questão 2 Associe corretamente as diferentes etapas da jornada do herói. I - O personagem retorna para o seu mundo reconhecido e transformado. II - Retorno do inimigo principal, clímax da narrativa. III - O personagem se recolhe e reflete sobre seu conflito. IV - Apresentação do personagem e do mundo em que ele vive. V - O personagem se recusa a sair da sua zona de conforto. a. Ressurreição b. Mundo comum c. Retorno com o elixir d. Recusa do chamado e. Aproximação da caverna oculta E Enredo A I-c, II-a, III-d, IV-b, V-e. B I-c, II-a, III-e, IV-b, V-d. C I-a, II-c, III-e, IV-d, V-b. D I-a, II-c, III-d, IV-e, V-b. Parabéns! A alternativa B está correta. O personagem retorna para o seu mundo reconhecido e transformado na última etapa chamada de retorno com o elixir. O retorno do inimigo principal, considerado o clímax da narrativa, ocorre na fase da ressurreição. A aproximação da caverna oculta é quando o personagem se recolhe e reflete sobre seu conflito. Tanto ele quanto o mundo em que vive são apresentados na primeira etapa denominada mundo comum. Por fim, na fase da recusa do chamado, ele se recusa a sair da sua zona de conforto. 2 - O que é uma história de marca: o cliente como o herói Ao final deste módulo, você deverá ser capaz de identificar a importância das histórias como transmissoras de conhecimento. Ligando os pontos E I-c, II-b, III-e, IV-a, V-d. O ser humano é um sujeito que vive e se relaciona por meio da linguagem. Parte importante da esfera linguística, as histórias servem como ponte nas relações entre os seres e “seus mundos”. Interessado em conectar pessoas em seu serviço, o conteúdo da Airbnb é totalmente focado nelas: as pessoas que possuem as casas listadas no site e os viajantes que irão para esses espaços. Como uma marca disruptiva que criou uma espécie de “antes” e “depois” no setor de turismo, hotelaria e serviço de bem-estar, Airbnb tem mostrado como a conexão com o “outro” é importante para sua marca e como ela acaba tornando isso possível e palpável. Em uma abordagem muito humana, o site dispõe de uma página inteira dedicada a contar as inspiradoras “Histórias de anfitriões” de sua marca. Com vídeos e pequenas biografias sobre os anfitriões da Airbnb em todo o mundo, a página acaba por dar espaço a um tipo de stroybrand que coloca as pessoas como os “heróis” da marca. Outro exemplo do apreço em compilar histórias foi a experiência de branding da revista “Pineapple”, uma publicação própria da marca. Descrita pelo site como "uma revista feita para que as incríveis histórias da grande família da Airbnb sejam compartilhadas, esse é também um lugar para os leitores verem como as pessoas vivem e criam conexões nas cidades de hoje". Com lançamento trimestral, sem anúncios e tiragem inicial de 18 mil exemplares, a “Pineapple” foi distribuída entre os anfitriões trazendo reportagens sobre as cidades e as pessoas de San Francisco (EUA), Londres (Reino Unido) e Seul (Coreia do Sul). Mais do que mero interesse editorial, os destinos narrados estão entre os mais procurados pelos clientes da plataforma. Dessa forma, é possível observar que uma marca, com foco na humanização de sua narrativa e não apenas em si, é capaz de provocar mudanças na sociedade e demonstrar que são as pessoas as verdadeiras protagonistas desse momento de disrupção no mercado - como é o caso da marca Airbnb. Assim, o usuário da plataforma (tanto do lado de quem oferece a acomodação quanto do lado de quem se hospeda) condensa em si as informações necessárias para a marca compreender melhor as suas demandas, se adaptar e também se vender enquanto um serviço diferencial frente à concorrência. Após a leitura, é hora de aplicar seus conhecimentos e se aprofundar um pouquinho mais! Vamos conectar esses pontos? Questão 1 O case da Airbnb destaca o cliente como o verdadeiro herói da sua marca. É por meio dele que se visualiza não apenas o sucesso da empreitada iniciada pela marca, mas como ele é continuado pelos clientes nas práticas cotidianas de hospedagem e bem-estar no turismo. A partir dessa reflexão, o que você acredita ser o maior desafio da marca ao selecionar as narrativas que irão compor a página “Histórias de anfitriões”? A Encontrar histórias que consigam juntar a ideia de que a narrativa tem um tom particular, próprio do anfitrião que a conta, e também um tom de experiência comum apenas entre os usuários premium da plataforma, ou seja, é por meio dessas pessoas de alta qualificação que se torna possível encontrar as melhorias constantes já que suas visões “são mais relevantes”. B Encontrar histórias que consigam juntar a ideia de que a narrativa tem um tom particular, próprio do anfitrião que a conta, e também um tom de experiência comum entre os usuários da plataforma, ou seja, é por meio das próprias pessoas que fazem uso do Airbnb que se torna possível encontrar as melhorias constantes já que suas visões “vêm de dentro”. C Encontrar histórias que consigam separar nitidamente a ideia de que a narrativa tem um tom particular, próprio do anfitrião que a conta, mas também um tom de experiência comum entre os usuários da plataforma, ou seja, é por meio da separação clara dessas narrativas que se torna possível encontrar as melhorias constantes, já que suas visões são “diametralmentequalidade (cinco casos aprofundados podem ser mais úteis do que 20 links superficiais). Uma boa forma de começar essa pesquisa é fazer um brainstorming estruturado. Exemplo Se você trabalha com uma equipe, compartilhe o tema da pesquisa com ela e dê um tempo adequado (podendo variar de 1h a até 2 dias) para que cada pessoa faça uma pesquisa individual. Em seguida, realize uma sessão de trabalho para compartilhar as referências encontradas, bem como para listar as fontes e as palavras-chave da pesquisa. Observação de concorrência (mapeamento dos concorrentes da categoria ou segmento) É a análise das iniciativas das empresas mais relevantes da concorrência. Nessa etapa, traça-se um mapa dos esforços de produto, comunicação e ativação de cada concorrente. Esse exercício serve para alinhar visões. Com ele, é possível saber o que é: 1. Novidade para você e sua equipe; 2. Inédito para o cliente; 3. Novo para o consumidor; 4. Realmente disruptivo para o segmento. Para observar os concorrentes, é preciso realizar uma: Análise Da concorrência e estabelecer, com isso, pelo menos dois ou três benchmarks (melhores práticas) realmente inovadores. Observação Em campo tirando fotos e fazendo anotações para ver o que as pessoas estão fazendo, quais são as emoções mais frequentes, o que estão escolhendo e quais são os produtos-chave. Investigação Digital com o mapeamento dos diferentes canais da marca, com o objetivo de levantar as ações e o movimento aos quais o player está associado. Painel de especialistas Painel de pessoas que investigam determinado assunto, o que ajuda a dar mais profundidade à investigação, além de acrescentar insights e credibilidade. Idealmente, esse painel é formado pelos nomes que surgem no desk research, como, por exemplo, estudiosos do tema. Eles precisam fazer parte de diferentes disciplinas e áreas, já que o objetivo é estudar partes distintas do tema. Atenção! Deve-se, antes disso, pesquisar o trabalho dessas pessoas e verificar se elas são citadas como fonte no assunto em questão. Defina em quais etapas do projeto os especialistas serão consultados. Para encontrá-los, onde podemos realizar essas consultas? Google Acadêmico Livros Jornais Relatórios Revistas Canais sobre livros Publicações acadêmicas Ciclo de palestras Blogs especializados Análise sócio-histórica Diz respeito à análise de como determinado assunto evoluiu ao longo do tempo. Ela utiliza a mídia de massa para identificar códigos, valores e signos, sendo importante para compreender as razões da incidência e da reincidência de certos movimentos. Para fazer uma análise sócio-histórica, é preciso: Fazer o levantamento de matérias, propagandas e outros insumos referentes a determinado recorte de tempo. Realizar uma análise semiótica de códigos e signos ao longo do tempo, definindo “eras”. Entrevistas com o consumidor Nessa fase, devem ser empregadas diferentes metodologias para se obter a visão dos consumidores: Entrevistas em profundidade Discussões em grupo Etnografia Invasão de cenários Atenção! É muito importante definir previamente o perfil das pessoas com que queremos falar, distinguindo a amostra da pesquisa de mercado (volume de vendas) com a pesquisa de tendências (influência). O que é necessário para fazer uma entrevista com o consumidor? Analisar portais de notícias, arquivos de grandes jornais, arquivos de revistas e livros sobre períodos históricos. Mapear os lugares a serem visitados por meio de brainstorming e desk research. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 As tendências mais ricas transitam por mais de uma categoria, podendo se expressar em muitos segmentos e influenciar diferentes assuntos. Em relação à pesquisa de tendências, pode-se afirmar que: Ser neutro nas entrevistas, sem medo de fazer perguntas e inserindo-as na conversa - e não em um questionário. Observar, fotografar, filmar e fazer uma lista mental dos principais objetos, cores e cheiros do ambiente, prestando atenção na atitude das pessoas A a moda é a única verdadeira lançadora de tendências. B as tendências não se reforçam. C recentemente, o ambiente digital tem sido um grande inspirador de tendências. D as tendências não podem dialogar. Parabéns! A alternativa C está correta. A moda já foi a grande lançadora de tendências para as outras categorias, sendo seguida pelo design. Atualmente, o ambiente digital é um local muito favorável para a imposição de tendências. Cabe lembrar que elas dialogam e se reforçam nos mais diversos ambientes. Questão 2 A coleta de sinais é a etapa de pesquisa que analisa os sinais da cultura, quem os produziu, de onde eles vieram e por que estão acontecendo. Sobre essa coleta, não se pode afirmar que: E o design só cria tendências para a arquitetura. A a coleta de sinais estuda o universo ao qual pertence a tendência que você gostaria de pesquisar. Nessa fase, é importante definir os temas e os subtemas a serem investigados, os objetivos do estudo e o tipo de informação buscada. B cinco técnicas podem ser realizadas na fase da coleta de sinais: pesquisa de dados secundários, entrevistas com o consumidor, painel de especialistas, análise sócio-histórica e observação da concorrência. C na entrevista do consumidor, podem ser empregadas diferentes metodologias, como, por exemplo, etnografia, discussões em grupo, entrevistas em profundidade e invasão de cenários. D na análise sócio-histórica, verifica-se como determinado assunto evoluiu ao longo do tempo com base na mídia de massa, identificando códigos, signos e valores, além de Parabéns! A alternativa E está correta. No painel de especialistas, entrevistam-se estudiosos do tema e outras pessoas que possam ter aparecido na pesquisa de dados secundários e que sejam citadas como fontes naquele assunto. 3 - Tendências Ao final deste módulo, você deverá ser capaz de descrever o processo de análise, edição, formulação e formatação de uma tendência. Ligando os pontos compreender as razões de incidência e reincidência desses movimentos. E para fazer um painel de especialistas, é necessário realizar uma análise da concorrência, uma observação em campo – tirando fotos e fazendo anotações – e uma investigação digital com o mapeamento dos diferentes canais da marca. Diante dos riscos à saúde e das limitações estabelecidas por programas estaduais e municipais para evitar a proliferação da covid-19, a prática de atividades físicas e de recreação em lugares abertos, com a liberação gradual, se tornou ainda mais frequente e tende a permanecer dessa forma por um bom tempo. A procura por lugares ao ar livre e a necessidade de se afastar da multidão é tanta que cresce a procura por moradias em regiões rurais, como sítios, chácaras e fazendas. Com isso, empresas que colocarem seus esforços em desenvolver produtos visando melhorar a qualidade de vida no campo podem ser beneficiadas. Com a retomada dos eventos, vai ser recorrente a busca por lugares abertos para a sua realização, assim, os frequentadores tenderão a se sentir mais seguros e aproveitarão melhor a experiência. Os estabelecimentos de áreas fechadas, como restaurantes e academias, podem adaptar os serviços oferecendo espaços ao ar livre (vale até aproveitar os estacionamentos ao ar livre). Observa-se, ainda, uma forte tendência para os meios de hospedagem que são os chalés isolados, onde os hospedes de cada quarto se mantêm distantes uns dos outros, separados por uma área verde. Aos mais aventureiros, tende o aumento das práticas de glamping (glamour + camping), que são os acampamentos “gourmetizados”, mais confortáveis, similares a um bangalô de luxo. A conexão com a natureza também está mais presente no cotidiano das pessoas, mesmo para as impossibilitadas de acessar as áreas ao ar livre todos os dias. Para compensar, é forte o aumento no consumo de produtos dejardinagem, pois as pessoas passaram a investir mais no cuidado com as plantas. Outra opção de atividade ao ar livre são as caminhadas em caso de necessidade de deslocamento, já que muitas pessoas evitaram usar o transporte público diariamente como medida preventiva. A compra por bicicletas também aumentou exponencialmente nos últimos meses e tende a se manter crescente. Após a leitura do trecho de um relatório de tendências sobre o período pós- pandemia, vamos ligar os pontos? Questão 1 O termo glamping foi citado no texto como uma tendência de meio de hospedagem que une o glamour com os acampamentos. A técnica para a criação do nome da tendência é chamada de Parabéns! A alternativa B está correta. Aglutinação é a junção de dois ou mais termos, caso de glamping (glamour + camping). Essa é uma das técnicas para dar nome a uma tendência. Questão 2 Após analisar, editar e qualificar as informações; organizar, aproximar e reconhecer padrões; editar e criar um cartograma visual, é hora de elaborar o relatório de tendências. O documento é produzido a partir do briefing e reúne as informações mais amplas da pesquisa. Você é responsável por elaborar o documento. Como você deve estruturá-lo? A adjetivação. B aglutinação. C quebra de lógica. D justaposição. E trocadilho. A Começando pela apresentação da tendência mais forte. Parabéns! A alternativa D está correta. As alternativas A e B estão incorretas porque não se deve começar pela tendência mais forte e nem pela mais fraca, e sim pelas mais fundamentais e estruturais, para sustentar as informações apresentadas em seguida. A alternativa C está incorreta porque o ideal é apresentar uma tendência ou um mapa com 4 a 8 tendências, conforme afirmado na alternativa D. A alternativa E está incorreta porque os assuntos mais parecidos devem vir em sequência para pontuar as diferenças e evitar confusão. Questão 3 Durante a coleta da informação sobre uma tendência, sugere-se a busca de hashtags para identificar hipóteses e padrões. Considerando uma pesquisa de tendências sobre lazer e turismo para o período pós-pandemia, quais hashtags você utilizaria para qualificar essa informação? B Começando pela apresentação da tendência mais fraca. C Apresentando 2 tendências ou um mapa com 6 a 10 tendências. D Apresentando 1 tendência ou um mapa com 4 a 8 tendências. E Separando os assuntos mais parecidos para evitar qualquer tipo de confusão. Digite sua resposta aqui Chave de resposta São hashtags possíveis para qualificar tais informações: #eventos2022; #meiosdehospedagem; #arlivre; #ondepassear; #turismo; #viagens, entre outras. Tendências e seus respectivos processos Análise, edição e formulação Neste vídeo, vamos descrever como é feita a análise e edição da pesquisa e o conceito de formulação. Além disso, vamos abordar as técnicas para criar o nome da tendência e como deve ser feita a formatação do relatório de tendências. Vamos assistir! Análise e edição Os pensamentos divergentes e convergentes são aliados, devendo ser intercalados em diferentes momentos da pesquisa e da análise. Para Alves e Liedke (2016), a pesquisa é, em si, um exercício predominantemente divergente. Afinal, podemos nos perder na nossa busca. Portanto, repensar a amplitude da pergunta se trata de um processo essencial. Uma técnica que enriquece as questões e as hipóteses é a descoberta de informações que ampliam uma discussão em vez de não a confirmarem, não a responderem ou encerrarem a conversa. No entanto, os dois autores (2016) também apontam que a necessidade de se chegar a uma tendência com base no conteúdo pesquisado exige um pensamento convergente. A análise semiótica, afinal, acontece o tempo todo em nossa leitura do mundo. Devemos, portanto, descobrir: Semiótica Semiótica é o estudo dos signos, dos significados. É o estudo de qualquer atividade, conduta, processo que comunique um significado.O que falta descobrir; Se eles estão ajudando a responder à questão; Como os conteúdos encontrados convergem entre si; Se estamos cobrindo todas as áreas do universo definido. A seleção do que faz mais sentido e o agrupamento de informações são tão importantes quanto a coleta. Por isso, a análise e a edição precisam ser feitas em quatro etapas: Etapa 1 - Qualificação da informação Verifica-se o que está por trás de cada sinal e qual é a unidade da informação coletada. O uso da lógica de hashtags e de quadro (ou post-its) oxigena o pensamento analítico. A seguir, veja um exemplo no qual as hashtags são atribuídas às fotos até se encontrar um padrão entre elas: #móveis urbanos #espaço público #ar livre #estado de espíritos #faça você mesmo #mistura de materiais #ar livre #paisagem natural #natureza #mistura de materiais #estado bruto #estado da arte/design #paisagem natural #natureza #ar livre Qualificar as informações e escolher os critérios constituem apenas o primeiro passo, pois isso só aumenta as possibilidades de identificar códigos emergentes e possíveis tendências. Essa é a melhor hora de: Voltar para a coleta Fazer novos direcionamentos Testar hipóteses Etapa 2 - Clusterização (organizar, aproximar e reconhecer padrões) Deve-se agrupar os cases e os exemplos em clusters para começar a filtrar as informações. É preciso pensar em temas semelhantes e iniciar o cruzamento de ideias. Uma possiblidade que sempre ajuda nesse processo é a de desenhar associações com o objetivo de reconhecer, analisar e comparar padrões segundo uma ótica organizadora. Clusters Segmentos com características similares. Atenção! Existem várias formas de se encontrar uma similaridade entre as informações. Temos de estruturar a informação da forma que faça mais sentido e atribuir o peso para cada uma. Por exemplo, utilizar um mind map (mapa mental) é uma boa forma de agrupar as informações: Etapa 3 - Edição Descobrir a força de cada hashtag ou de uma combinação delas Trata-se da definição do que deve sair, ou seja, do que não faz sentido. Como esse é o momento de síntese da pesquisa, deve-se: Organizar os sinais coletados. Eliminar aquilo que não dialoga com a tendência delineada (ou que não é relevante no contexto da pesquisa). Etapa 4 - Cartograma de tendências É o espaço visual onde o pesquisador compila imagens, materiais e anotações. Trata-se de um mapa que ajuda a visualizar e compreender possíveis conexões entre assuntos, ideias e produtos diferentes. O que pode conter no cartograma? Amostras de tecido; Recortes de revista; Imagens de rua; Anotações em post-it. Devendo ser organizado por tema, o cartograma ainda pode ser modificado à medida que encontramos novos sinais. Formulação Para Alves e Liedke (2016), na etapa da formulação, ocorre o desenvolvimento de uma tese com uma dose de intuição. Uma tendência, afinal, não deve ser apresentada ou encarada como uma certeza, muito menos como senso comum. É necessário contar uma história, fazendo um recorte ou uma A tese de uma tendência precisa estimular uma Trata-se de um exercício definitivamente capaz fotografia. Não se pode, em suma, falar sobre tudo aquilo que foi descoberto na pesquisa. Deve-se, na verdade, fazer escolhas e renúncias para se criar um discurso sólido, coeso e inspirador. mudança de percepção da realidade. Ela deve contribuir na construção de um novo jeito de se encarar o mercado, o consumidor ou o mundo em que estamos vivendo. de estimular no outro a criação de novas realidades. Uma boa tese especifica o que, quem, quando, em que e por que uma tendência está acontecendo. Veremos a seguir um modelo que pode ser usado para a redação da tese da tendência: Assumir uma parte pelo todo configura um risco. Porém, a intenção não é generalizar, e sim expandir as possibilidades. De todos os insights dos consumidores, dos cases do mercado e dos movimentos culturais estudados, deve-se pensar o seguinte: Quais são as descobertas mais significativas? Terrelevância quantitativa (não pode Quais delas devem sustentar a tese da tendência? Ser um fator novidade e ter capacidade de gerar O que dever ser levado em conta nesse processo? Conter uma boa probabilidade de seguir ser algo isolado nem massificado). impacto, sendo visto como uma diferenciação. em expansão no curto ou no longo prazo. Escolhendo o nome da tendência A formulação da tese precisa ter fundamentação, originalidade e um nome de peso. Portanto, é preciso expor fatos e exemplos, sendo criativo ao se batizar uma tendência. De acordo com Alves e Liedke (2016), um nome forte tem de ser autoexplicativo, sendo uma palavra nova e fácil de se pronunciar. Para ajudar a batizar uma tendência, pode-se combinar criativamente as cinco perguntas a seguir: Delinearemos algumas técnicas para a criação do nome da tendência: Adjetivação Busca do melhor adjetivo para caracterizar a evolução da categoria. Exemplo: Cidades inteligentes (em inglês, smart cities). Aglutinação União de duas ou mais palavras que se subordinam a um único acento tônico. Exemplo: InclUnião. Troca Combinação de palavras-chave e de hashtags da sua tendência para desenhar um conceito. Exemplo: Design livre. Quebra da lógica Quebra de uma convenção para gerar impacto. Exemplo: Classe antissocial. Uso de sufixos Combinação de palavras com outros sufixos (-ismo, -isto, -oso etc.) para inventar uma nova palavra. Exemplo: Naturalismo. Justaposição Junção de palavras pequenas ligadas por hífen, formando a ideia de uma palavra nova. Exemplo: Faça-seu-móvel. Trocadilho Altere uma letra ou a palavra de uma expressão que já é muito conhecida. Exemplo: Procure-você-mesmo. Primeiro encontro Ligação de dois conceitos contraditórios que raramente estariam lado a lado. Exemplo: Transparência tirana. Acronímia Palavras formadas por letras ou sílabas de palavras sucessivas. Exemplo: FEC (fique em casa). Derivado Palavra formada a partir de um substantivo primitivo. Exemplo: Designification. Formatação Características Depois de desenvolver a ideia, começa a etapa da formatação do relatório de tendências (em inglês, trend report). Existem muitos formatos e estilos de apresentação de uma tendência. Conforme frisam Alves e Liedke (2016), é importante adequá-la à sua audiência. Exemplo Cliente, equipe, CEO da empresa ou consumidor final. Para falar com esse público, deve-se escolher: melhor linguagem, assim como formatos e tipos de conteúdo. O desafio do relatório de tendências é trazer à tona um formato lógico, atraente, de fácil absorção e capaz de criar um insight legítimo no leitor. Trata-se de um processo relativamente flexível, em que o mais importante é que o autor esteja confortável com a narrativa gerada com base em sua pesquisa. Esse relatório pode ter diferentes formatos: Apresentação (PDF, Power Point ou Keynote); Blog; Newsletter; Posts; Vídeos; Impresso; Exposições; Eventos Estrutura O relatório de tendências deve conter a seguinte estrutura: Introdução Ela começa retomando o briefing, o objetivo da pesquisa e o universo da tendência. Depois, deve-se explicar quais metodologias foram utilizadas e expor os detalhes sobre o público da pesquisa e o painel de especialistas. Contexto Ela começa retomando o briefing, o objetivo da pesquisa e o universo da tendência. Depois, deve-se explicar quais metodologias foram utilizadas e expor os detalhes sobre o público da pesquisa e o painel de especialistas. Tendências U l ó i d dê i d ú i Um relatório com menos de quatro aumenta o risco de uma comparação direta, de um favoritismo ou de uma interpretação precipitada. Já um mapa com mais de oito tendências eleva o risco de se dissolver a relevância de cada tendência, virando apenas uma lista de conceitos. Cada tendência sempre possui muitos níveis de informação. Por exemplo, macro e microtendências, título, teorias, benchmarks, infográficos, campanhas, perfis, insights, ilustrações, vídeos, fotos, diagramas, produtos, ideias e citações. Vejamos agora observações importantes: Mais importante do que a quantidade e a diversidade das informações é elas estarem conectadas entre si. As tendências precisam ter pesos e padrões de informação semelhantes dentro de um mesmo report. Ao listar as tendências, não se deve começar pela mais forte e nem pela mais fraca. É preciso trazer aquelas mais fundamentais e estruturais no início para sustentar o discurso a seguir. Além disso, os assuntos mais parecidos têm de ficar em sequência para pontuar as diferenças, evitando qualquer tipo de confusão. Também é importante finalizar com a melhor tendência. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Durante a análise e a edição da pesquisa de tendências, devemos escolher informações que ampliam a discussão. Além disso, precisamos ver se os Um relatório de tendência pode apresentar uma única tendência ou um mapa entre quatro e oito tendências. conteúdos estão convergindo entre si. Em relação à análise e à edição da pesquisa, podemos afirmar que Parabéns! A alternativa A está correta. A seleção do que faz mais sentido e o agrupamento de informações são tão importantes quanto a coleta. A análise e a edição da pesquisa são feitas em quatro etapas: qualificação da informação, clusterização, edição e cartograma de tendências. Na qualificação da informação, deve-se verificar o que está por trás de cada sinal e qual é a unidade da informação coletada. Na clusterização, é preciso organizar, aproximar e reconhecer os padrões da informação. Ne edição, define-se o que deve sair, ou seja, o que não faz sentido. No cartograma de tendências, por sua vez, compilam-se imagens, materiais e anotações. Questão 2 A elas devem ser feitas em quatro etapas: qualificação da informação, clusterização, edição e cartograma de tendências. B na qualificação da informação, deve-se organizar, aproximar e reconhecer os padrões da informação. C na clusterização, deve-se verificar o que está por trás de cada sinal e qual é a unidade da informação coletada. D a seleção do que faz mais sentido é mais importante do que a coleta e o agrupamento da informação. E pode-se fazer um cartograma de tendências com a definição do que deve sair, ou seja, do que não faz sentido. Na etapa da formulação, desenvolve-se uma tese com uma dose de intuição. Uma tendência não deve ser apresentada ou encarada como uma certeza, muito menos como senso comum. Em relação à etapa da formulação, não se pode afirmar que Parabéns! A alternativa C está correta. As descobertas que sustentam a tese da tendência devem ter relevância quantitativa, não podendo estar isoladas nem massificadas. A é necessário estimular uma mudança de percepção da realidade, contribuindo para a construção de um novo jeito de encarar o mercado. B é preciso fazer escolhas e renúncias para criar um discurso sólido, coeso e inspirador, expandindo possibilidades. C é necessário encontrar uma tendência isolada ou já massificada (que atingiu a maior parte da população) com uma relevância quantitativa que gere impacto. D é necessário contar uma história, fazendo um recorte ou uma fotografia. Não se pode falar sobre tudo o que foi descoberto na pesquisa. E é um exercício capaz de estimular no outro a criação de novas realidades, especificando o que, quem, quando, em que e por que uma tendência está acontecendo. 4 - Laboratório de tendências Ao final deste módulo, você deverá ser capaz de descrever um laboratório de tendências. Ligando os pontos A Casa Firjan é um núcleo de empreendedorismo voltado para a criação de inovações baseadas em propostas e soluções para os desafios da sociedade contemporânea. Anualmente, os profissionais da Casa Firjan se reúnem para elaborar o report das macrotendências dos anos posteriores. O evento se chama Lab de Tendências da Casa Firjan e tem como finalidade a construção de um documento comprevisões de cenários possíveis para os próximos dois anos. A partir do material, que é publicamente divulgado, as empresas podem se planejar de forma mais estratégica para desenvolverem produtos, serviços e processos mais assertivos e se manterem firmes e relevantes em mercados cada vez mais competitivos. Os cenários previstos para 2022 e 2023 no Lab de Tendências da Casa Firjan foram baseados em duas vertentes de mudanças: uma delas foi chamada de “a lógica da escassez”, que seria o resultado do impacto da pandemia na cadeia de suprimentos e na logística de fornecedores, visto que as empresas perceberam que não podem contar com os demais países como antes. Isso implicará um redesenho no ramo da logística para os próximos anos. A segunda vertente foi chamada de “reconstrução” e ela tem a ver com o solucionismo tecnológico, isto é, em como a tecnologia pode ser capaz de reconstruir o mundo. Essas duas vertentes geraram três macrotendências: a primeira é a CyberTopia, que fala de um mundo descentralizado no âmbito das finanças, da internet e das relações. A segunda tendência é o AlterMundo, que relata sobre como a tecnologia pode nos ajudar a ter um mundo mais habitável e por mais tempo. A terceira se chama PluriDiverso, que é a tecnologia focada na transformação do trabalho e da performance. O grande objetivo é fazer com que as microtendências possam ser exploradas, analisadas e aplicadas às empresas, independentemente do porte, olhando para as suas realidades e para as suas necessidades. Agora que você já conheceu um laboratório de tendências, vamos ligar os pontos com o conteúdo da disciplina! Questão 1 Diante da pesquisa de tendências realizada pelo Lab de Tendências da Casa Firjan, foi possível identificar que a pandemia da covid-19 gerou inúmeras implicações no ramo da logística, e essas transformações continuarão se perpetuando pelos próximos anos. Nesse sentido, entre as alternativas abaixo qual é a adequada para classificar a pandemia como um fator de mudança imediata? A Frameworks B Insights C Inspirações D Substituições Parabéns! A alternativa E está correta. As substituições são macromudanças de longo prazo que surgem durante vários anos ou décadas. Já os gatilhos são mudanças repentinas que levam a uma nova tendência de consumo, caso da pandemia da covid-19, que em poucos meses, impactou inúmeros setores em todo o mundo. Questão 2 Um laboratório de tendências tem como objetivo, além da criação do documento de tendencias, o compartilhamento de visões do futuro a partir do alinhamento da equipe. É o momento de os membros envolvidos apresentarem insights, trocarem aprendizados, elaborarem o _________________ e _________________. Preencha as lacunas de acordo com a sua experiência: E Gatilhos A cartograma visual - conversarem com consumidores B cartograma visual - conversarem com empreendedores C mapa de empatia - conversarem com consumidores D mapa de empatia - conversarem com empreendedores Parabéns! A alternativa C está correta. O mapa de empatia é uma técnica que permite identificar o que o consumidor sente, pensa, vê, fala, faz, ouve; quais são suas reais dores e desejos. Para elaborar o mapa, é importante que sejam realizadas conversas com os consumidores de modo a compreender melhor seus anseios e comportamentos. Questão 3 Diante das três macrotendências apontadas no Lab de Tendências da Casa Firjan — CyberTopia, AlterMundo e PluriDiverso —, eleja uma empresa e explique de que forma uma dessas tendências poderá impactá-la nos próximos anos e quais as possíveis soluções para adotá-la de forma assertiva nas estratégias de negócios e no desenvolvimento de produtos, serviços e processos inovadores. Digite sua resposta aqui Chave de resposta É possível citar a empresa e explicar de que forma uma gestão descentralizada pode beneficiar os negócios, por exemplo, por meio da ampliação da participação dos colaboradores e clientes externos, utilizando, para isso, ferramentas digitais, como as próprias mídias sociais (CyberTopia); ou argumentar o benefício de estratégias tecnológicas que apoiam a sustentabilidade, como a gestão digital de documentos, que evita a utilização de folhas de papel (AlterMundo); ainda, é possível abordar a adaptação dos colaboradores ao home office e de que forma as empresas estão utilizando as ferramentas como Teams, Zoom e Google Meet para E mapa de empatia - conversarem com fornecedores otimizar as reuniões e construir um ambiente de trabalho híbrido (PluriDiverso). Primeiras palavras Painel de tendências No vídeo a seguir, veremos um painel de tendências e apresentaremos o estágio da inspiração e da tradução. Além disso, vamos explicar como deve ser feita a conceituação, prototipação e acompanhamento. Um painel de tendências é um dos melhores pontos de partida para um laboratório de tendências - um workshop de estratégia e inovação. Trata-se de um conteúdo de inspiração com potencial para estimular, por exemplo: Novos modelos de negócios Posicionamento de marca Lançamento de produtos Design de serviço Ideias para a comunicação Como podem ser realizados os laboratórios de tendências (em inglês, trends labs)? Por meio de uma sessão de trabalho ou de um workshop, para gerar inovações a partir do estudo de tendências. Exemplo O relatório de tendências pode ser a abertura de um workshop, com o objetivo de desenhar cenários hipotéticos ou até de chegar ao protótipo de um novo produto ou serviço. Laboratório de tendências Composição O laboratório de tendências é composto por dois momentos: Ideação Processo criativo com o objetivo de desenvolver novas possibilidade e conceitos. Inovação Desenvolvimento de novos produtos ou serviços que sejam percebidos por outros indivíduos como opções inéditas. Inspiração rata-se do momento de compartilhar o conteúdo desenvolvido ao longo do projeto, alinhando o time e provocando-o a entender o futuro do tema em questão. Alves e Liedke (2016) salientam que essa é a hora de apresentar: Relatório de tendência; Vivências; Conversa com os consumidores; Mapa de empatia; Insights; Aprendizados. Vamos ver o significado dos triângulos e retângulos do mapa de empatia: O que ele pensa e sente (triângulo superior) Exemplo: “Sinto-me muito cansado após estudar a noite toda.” O que ele vê (triângulo à esquerda) Exemplo: “Pessoas distraídas no computador.” O que ele fala e faz (triângulo inferior) Exemplo: “Faço muita pesquisa na biblioteca.” O que ele ouve (triângulo à direita) Exemplo: “O meu telefone não para de tocar.” Quais são suas necessidades (retângulo à esquerda) Exemplo: “Notas boas.” Quais são suas dores (retângulo à direita) Exemplo: “Ficar distraída o tempo todo.” Outra técnica importante para essa fase é o planejamento de cenários, que consiste em desenhar possíveis cenários de mercado a partir das tendências estipuladas. Por exemplo, esse planejamento configura uma boa ferramenta para o pensamento em longo prazo quando se deseja pensar em um cenário positivo, negativo, utópico, distópico ou impossível. Tradução É o momento de mapear os pontos que podem gerar:Novos negócios; Fatores de mudança; Expectativas do consumidor. Deve-se escolher as tendências sem se limitar a uma única tendência nem àquela mais segura ou familiar para o momento atual do cliente. Em seguida, completam Alves e Liedke (2016), é preciso refinar a tendência e alcançar um conceito que represente a sua tradução para a linguagem e os valores da marca. Exemplo Uma boa ferramenta para essa etapa é o consumer trend canvas (painel de tendências de consumo) da Trend Watching, um framework que pode ajudar não somente a traduzir e entender uma tendência de consumo, mas também a lançar inovações. Vejamos agora o passo a passo do framework estruturado pelo Trend Watching (2021): 1º Análise Adicione insights, dados e exemplo. Volte sempre para reexaminar como os segmentos se relacionam.Os insights de um segmento podem ressaltar outros elementos da tendência e ajudar a traduzir novos conceitos como: Necessidades básicas As tendências e o comportamento de consumo são guiados pelos desejos e necessidades humanas básicas. Identifique quais dessas necessidades são centrais para se entender a tendência de consumo. Exemplos: Status social, autoaperfeiçoamento, entretenimento, entusiasmo, conexão, seguranças, identidade, relevância, interação social, criatividade, justiça, honestidade, liberdade, reconhecimento, simplicidade e transparência. Fatores de mudança A análise de mudanças inclui substituições (shifts) e gatilhos (trigggers). Substituições São macromudanças de longo prazo que apareceram há anos ou décadas. Mesmo que elas não sejam tendências de consumo, podem servir para direcionar uma tendência. Exemplo: Problemas urbanos, envelhecimento da população e aquecimento global. Gatilhos São as mudanças mais imediatas que levam a uma nova tendência de consumo. Exemplo: Eles podem incluir uma tecnologia específica, um evento específico, um choque econômico ou um incidente ambiental. Procure olhar os dados por trás da tendência. Crescimentos rápidos e mudanças ligeiras podem ser um sinal de tendências, mesmo que seus números absolutos sejam pequenos. Novas expectativas do consumidor Novas tendências de consumo emergem quando as necessidades humanas básicas se chocam com mudanças externas para criar necessidades e desejos. Identificar essas necessidades não atendidas é o objetivo das tendências, gerando, com isso, grandes oportunidades de inovação. Para identificar novas necessidades e desejos, observe as lacunas entre o que o consumidor quer e o que ele tem. Pergunte a si mesmo o que os consumidores dessas marcas, desses produtos e desses serviços querem e o que esperam deles. É importante prestar atenção em outros setores. A expectativa de qualidade ou de serviço pode ter sido criada em outro setor e migrar para o da sua marca. Inspiração Observar o que outros negócios, empreendedores, ONGs e governos estão fazendo com a tendência é uma boa forma de entendê-la e se inspirar. Poucas inovações são novas para todos os setores. A maioria das inovações de sucesso combina elementos que não haviam se relacionado ou foram aplicados a outro contexto. Desse modo, observe aquelas existentes em outros negócios, entenda-as e as adapte ao seu. Para ganhar uma perspectiva mais ampla, analise também outras indústrias, regiões, culturas ou tipos de negócios (corporações versus start-ups). 2º Aplicação Identifique como, em que e para que os consumidores podem aplicar essa tendência. Saber como e onde ela será aplicada dependerá do seu negócio. As tendências, afinal, não são aplicadas da mesma forma em todas as empresas e regiões. Por isso, é preciso analisar: Potencial de inovação Nessa etapa, é importante considerar como a inovação pode impactar o seu negócio em quatro áreas: Modelo de negócios Como aplicá-la para criar um modelo de negócio ou de marca? Visão Como as substituições profundas que envolvem essa tendência podem mudar a visão de longo prazo da sua empresa? Produto Quais produtos e serviços você pode criar com base nela? Como você pode adaptar seus atuais produtos e serviços? Campanha Como você pode incorporá-la nas suas campanhas, mostrando aos consumidores que você utiliza a linguagem dele? Quem Consumidores que possuem as mesmas características (idade, renda, estilo de vida, grupo social, localização etc.) possuem gostos e preferências parecidas. No entanto, para a aplicação das tendências de consumo, precisamos pensar além daquelas pessoas que já estão vivendo-as. Para a criação de inovações, devemos analisar o que deve ser feito a fim de que essa tendência seja relevante para novos perfis demográficos. Para nos inspirarmos, precisamos observar ainda o que as margens e os extremos do consumo estão fazendo. Exemplo Em geral, novos comportamentos de consumo começam em nichos antes de evoluírem para a massa. 3º Criação da própria ideia inovadora Suas ideias já estão fundamentadas no que os consumidores querem; por isso, elas têm maior uma probabilidade de ter sucesso. Tendências de consumo Canvas. Conceituação, prototipação e acompanhamento Alves e Liedke (2016) elencam três etapas a serem seguidas no processo de desenvolvimento de um laboratório de tendências: 1ª Conceituação Nesse estágio, escolhemos as ideias que mais fazem sentido para o grupo. Em seguida, criamos um cartograma ou uma apresentação com diversos itens. Listaremos alguns deles a seguir: Detalhamento do conceito; Exemplos; Inspirações; Como ele pode virar um produto; Como será tratado na comunicação. Nosso próximo passo é vender o conceito internamente. Para isso, o que precisamos mostrar? Precisamos mostrar, qual é: Sua essência; Sua mensagem; Sua imagem mais icônica; Seu fit com o consumidor da marca. 2ª Prototipação Nesse estágio, desenhamos um protótipo levando em conta um conceito de curto e outro de longo prazo para o produto, assim como as tendências que ele aborda e o que convence o seu consumidor. Será interessante apresentarmos a inovação em uma academia de ideias para que deixemos os conceitos mais fortes por meio da inteligência coletiva. Em seguida, devemos desenvolver mock-ups (maquetes e modelos), fazer testes de usabilidade e, por fim, realizar um lançamento beta. 3ª Acompanhamento (Follow-up) A tendência pode aparecer e se confirmar cada vez mais a ponto de você se questionar se ela já não ficou convencional (mainstream) demais. No entanto, lembre-se de que, além de sempre ser uma tendência para alguém, novos cases podem abrir diferentes expressões da sua. Dica Continue acompanhando os termos-chave do movimento estudado, mas tenha cuidado para não se distrair demais com a sua criação. Evite o olhar “viciado” e saiba a hora de abandonar a tendência. Ciclos de seis meses a um ano trazem muitas novas possibilidades, mas nem tudo é uma questão de tempo, e sim de senso de oportunidade. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Na etapa da tradução, deve-se mapear os pontos que podem gerar novos negócios, bem como os fatores de mudança e as expectativas do consumidor, escolhendo as tendências sem se limitar a uma única tendência e nem escolher a mais segura ou familiar para o momento atual do cliente. Em relação à etapa da tradução, é falso afirmar a necessidade de Parabéns! A alternativa D está correta. A observar o que outros negócios, empreendedores, ONGs e governos estão fazendo com a tendência estudada. B refinar a tendência e chegar a um conceito que represente a sua tradução para a linguagem e os valores da marca. C analisar as macromudanças de longo prazo que surgiram há anos ou décadas e que direcionarão uma tendência. D encontrar as tendências que sejam aplicadas da mesma forma em todas as empresas e regiões. E identificar as necessidades humanas básicas que se chocam com mudanças externas a fim de criar necessidades e desejos. Como e onde a tendência será aplicada dependem do seu negócio. As tendências, afinal, não são aplicadas da mesma forma em todas as empresas e regiões. Questão 2 Após a etapa de tradução das tendências, o coolhunter tem de ajudar na conceituação e na prototipação ainda no trend lab, devendo posteriormente fazer o acompanhamento da tendência. Em relação as essas etapas, é falso afirmar que: A No estágio da conceituação, escolhemos as ideias que mais fazem sentido para o grupo e criamos um cartograma ou uma apresentação com detalhamento do conceito, exemplos, inspirações etc. B No estágio da conceituação, devemos continuar acompanhando os termos-chave do movimento estudado, porque a tendência vai aparecer e se confirmar cada vez mais até virar algo convencional. C No estágio da conceituação, devemos vender o conceito internamente, mostrando qual éa sua essência, sua mensagem, sua imagem mais icônica e seu fit com o consumidor da marca. D No estágio da prototipação, podemos desenhar um protótipo levando em conta um conceito de curto e outro de longo prazo para o produto, assim como as tendências que ele aborda e o que convence o seu consumidor. Parabéns! A alternativa B está correta. No estágio da conceituação, escolhemos as ideias que mais fazem sentido para o grupo e criamos um cartograma ou uma apresentação com detalhamento do conceito, exemplos, inspirações, como ele pode virar um produto, como será tratado na comunicação etc. Ainda nesse estágio, precisamos vender o conceito internamente, mostrando qual é a sua essência, sua mensagem, sua imagem mais icônica e seu fit com o consumidor da marca. Já no estágio da prototipação, podemos desenhar um protótipo levando em conta um conceito de curto e outro de longo prazo para o produto, assim como as tendências que ele aborda e o que convence o seu consumidor. Também podemos apresentar a inovação em uma academia de ideias para deixar os conceitos mais fortes, desenvolver mock-ups, fazer testes de usabilidade e realizar um lançamento beta. Após o trend lab, precisamos continuar acompanhando os termos-chave do movimento estudado, já que a tendência vai aparecer e se confirmar cada vez mais até virar algo convencional. Considerações finais Conhecemos os conceitos de coolhunting, verificando suas aplicações e as teorias mais importantes para quem realiza uma pesquisa de tendências. Também vimos que, para fazer uma pesquisa do tipo, é preciso manter o olhar inspirado, ser flexível, superar os preconceitos, exercitar a temperança, escolher a premissa, ter em mente que cada grupo possui uma definição própria sobre a tendência e que, por fim, ela sempre indica uma direção - e nunca uma resposta. E No estágio da prototipação, podemos apresentar a inovação em uma academia de ideias para deixar os conceitos mais fortes, desenvolver mock-ups, fazer testes de usabilidade e realizar um lançamento beta. Além disso, apresentamos o fluxo de tendências e observamos como é realizada uma coleta de sinais, ressaltando, nesse processo, suas cinco principais técnicas: desk research, observação da concorrência, painel de especialistas, análise sócio-histórica e entrevistas com o consumidor. Aprendemos ainda como é feita a análise e a edição de uma tendência, sobretudo a qualificação da informação, a clusterização, a edição e o cartograma de tendências. Em seguida, verificamos como são realizadas a formulação, a escolha do nome e a formatação de uma tendência. Observamos também a feitura de um laboratório de tendências, incluindo as etapas de inspiração, tradução, conceituação, prototipação e acompanhamento da tendência. Por fim, compreendemos a importância de se continuar acompanhando a tendência por determinado tempo Podcast Agora, o especialista fará um resumo do que vimos ao longo dos módulos, detalhando as seguintes questões: as macrotendências que os bureaus estão apontando; as microtendências que as marcas devem aproveitar; e a vantagem da pesquisa de tendências frente às demais metodologias de pesquisa. Vamos ouvir! Explore + Conheça bureaus de tendências acessando estes sites: Trendwatching; WGSN; The future laboratory; Edelkoort; The wire; Cifs; Box 1824; Envisioning. Listaremos agora bons lugares para se iniciar um desk research: Think with people; Ponto eletrônico; Comunicadores; Projeto Pulso; TED; Vice; Dazedigital; Dezeen; B9; Wallpaper; Chikenorpasta; Notcot; Bamboonet; Mashable; Wired; FastCompany; Trend Central; PFSK; Intelligence Wunderman Thompson; WGSN; Cifs; Trendwatrching; Trendhunter. Para observar o exemplo de um relatório de tendências, leia este artigo: YOUPIX. O futuro da influência: estudo realizado pela Box 1824 e Youpix. Publicado em: 27 set. 2019. Observe exemplos de macrotendências mundiais no site da Bain&Company. Para conhecer exemplos de atividade para o laboratório de tendência, leia os seguintes livros: MARTIN, B.; HANINGTON, B. Universal methods of design: 100 ways to research complex problems, develop innovative ideas, and design effective solutions. Beverly: Rockport Publishers, 2012. OSTERWALDER, A; PIGNEUR, Y. Business model generation: inovação em modelos de negócios. 1. ed. Rio de Janeiro: Alta Books, 2011. OSTERWALDER, A. ; PIGNEUR, Y.; BERNARD, G.; SMITH, A. Value proposition design: como construir propostas de valor inovadoras. 1. ed. Rio de Janeiro: Alta Books, 2014. Os sites dispostos a seguir também contêm exemplos de um laboratório de tendência: Businessmodelalchemist.com; Designthinking.ideo; Toolbox.hyperisland.com. Referências ALVES, A.; LIEDKE, L. Rise: como pesquisar tendências. Perestroika. Publicado em: 16 out. 2016. BONA, S. F. Sabina Deweik, pioneira do coolhunting no Brasil. In: ModaPalavra. v. 11. n. 22. 2018. p. 483-489. GLOOR, P. A.; COOPER, S. M. Coolhunting: chasing down the next big thing. In: American Management Association. 2007. RASQUILHA, L. Coolhunting e pesquisa de tendências: observar, identificar e mapear as tendências e mentalidades emergentes do consumidor. São Paulo: Actual, 2015. ROGERS, E. M. Diffusion of innovations. 3 ed. New York: Free Press of Glencoe, 1983. TRENDNOTES. Pesquisa de tendências: o que você precisa saber para entrar nessa. Consultado em meio eletrônico em: 19 mar. 2021. TREND WATCHING. Consumer trend canvas. Consultado em meio eletrônico em: 19 mar. 2021. Material para download Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato PDF. Download material O que você achou do conteúdo? Relatar problema javascript:CriaPDF() Comunicação de crise Prof.ª Maira de Figueiredo Cunha da Costa Prof. Anderson Lopes da Silva Descrição Características de uma crise de imagem e reputação, seus desdobramentos, possíveis impactos e melhores práticas de gestão. Plano de crise com seus principais elementos: cenário, mensagens- chave, preparação do porta-voz, contato com jornalistas, mensuração dos resultados. Gestão da crise, imagem de marca e opinião pública. Propósito Compreender a importância de estruturar estratégias, desde a criação do time de gestão de crises até a preparação do plano de emergência para um eficiente gerenciamento de crise, para o desenvolvimento de uma gestão de crise de reputação e imagem, considerando os elementos envolvidos e escolhendo as melhores estratégias e ferramentas para mitigar o seu impacto na vida de uma empresa ou de uma pessoa. Objetivos Módulo 1 O que é uma crise de imagem? Identificar os principais elementos que definem uma crise de imagem. Módulo 2 Soluções que precedem a crise Definir estratégias prévias a uma crise. Módulo 3 Estruturando um plano de ação Esquematizar o plano de ação. Módulo 4 Gestão de crise e seu impacto na imagem de marca Reconhecer a importância da gestão de crise no contexto das marcas. Introdução Nunca a reputação foi tão importante e estratégica para indivíduos e empresas e, ao mesmo tempo, nunca foi tão fácil comprometê-la. Mário Rosa, consultor de imagem, sintetiza bem esse cenário, em que reputações e marcas construídas ao longo de décadas desabam em segundos, “reduzindo a nada a credibilidade, a honra, a imagem de pessoas públicas ou privadas, empresas ou instituições.” (ROSA, 2017, p. 23). Na configuração de comunicação e informação atual, absolutamente ninguém está protegido. A reputação, aliás, se tornou um dos ativos mais valiosos para as empresas. Uma pesquisa do Fórum Econômico Mundial (World Economic Forum) afirma que nada menos que 25% do valor de mercado de uma empresa está relacionado com a sua reputação. É fácil, até intuitivo, entender por quê. Uma boa reputação cria confiança entre os clientes, orgulho entre os colaboradores, gera novos negócios, abre novos mercados e reduz o risco de crises de imagem. Quando algo inesperado acontece,a reputação bem construída ajuda a minimizar os impactos negativos e permite que a empresa supere as dificuldades e obstáculos com menos esforço e de maneira mais rápida. Ao mesmo tempo, em um mercado cada vez mais competitivo, em que produtos viajam entre países a custos inacreditavelmente baixos e consumidores têm o mundo do consumo à sua disposição pelo computador ou celular, uma crise de reputação tem um poder devastador. Neste conteúdo, vamos ver as características de uma crise de imagem, como ela se forma, como preveni-la e, caso ela aconteça, o que fazer para gerenciá-la. 1 - O que é uma crise de imagem? Ao final deste módulo, você será capaz de identificar os principais elementos que definem uma crise de imagem. Ligando os pontos Você sabe quais são as melhores estratégias para a comunicação em um momento de crise? Antes considerada uma bebida “popularesca” e inferior, a Catuaba vem passando, há alguns anos, por um processo de rebranding que a coloca no mercado, agora, como uma bebida jovem, descolada e “brasileira”. Nesse processo de conquista de novos públicos, a bebida é presença constante em festas como o Carnaval, mas as crises também se fizeram notar. A maior delas ficou a cargo de uma fake news, em janeiro de 2017, difundida por um youtuber que acusava levianamente a marca de conter larvas e vermes em suas garrafas. A saída tomada pela Catuaba é digna de nota. Um youtuber, junto de suas amigas, fez um vídeo no qual supunha ter encontrado vermes dentro de garrafas da marca. Com a viralização quase instantânea, a reposta da Catuaba precisou ser rápida e clara também nas redes sociais. Antes de tudo, a marca fez um post dois dias depois da publicação do youtuber. Em vez de apenas se defender de maneira formal, como em um comunicado institucional, o post da marca procurava encontrar o autor da denúncia para convidá-lo a conhecer as fábricas da bebida e, então, ao lado de seus amigos, ter a possibilidade de conhecer o processo de fabricação da Catuaba. Imediatamente, o “buzz” gerado pelo post se viu representado por comentários e menções positivas, engajamento de seguidores e, por fim, o próprio jovem que começou a fake news foi encontrado. Sem ameaças ou intimidação, a proposta da Catuaba demonstrou que uma crise de imagem pode ser contornada de modo criativo e conectado aos mesmos espaços nos quais o boato surgiu. Assim, depois de toda a exposição, o youtuber se desculpou oficialmente em seu canal, aceitou o convite para conhecer as instalações da marca e, de maneira brilhante, a Catuaba ainda fez questão de postar uma videoaula contando de seu processo de controle de qualidade para todo o público. Catuaba Selvagem. Após a leitura do caso, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos? Questão 1 A resposta rápida e conectada às redes da Catuaba foi uma das melhores saídas de crise de imagem dos últimos anos. Sem tempo para manchar a imagem da marca, a gestão de crises da Catuaba não apenas conseguiu contornar a situação, como também gerou um “buzz” positivo em relação a algo pretensamente negativo sobre sua qualidade. Nesse contexto, se você fosse convidado a fazer parte dos trabalhos de gestão de crise e, durante o processo de integração com a equipe, fosse perguntado sobre a importância de atuação da marca nos canais digitais e não em outras publicações como jornais e televisão, que argumentos usaria para justificar sua fala? A Partindo do princípio de que a crise se instalou fora das redes sociais, a saída encontrada pela marca foi pouco acertada, pois, acima de tudo, não capturou a atenção do público que, naquele momento, se mostrava atrelado à viralização da fake news. B Partindo do princípio de que a crise se instalou nas redes sociais, a saída encontrada pela marca foi não apenas acertada, como, acima de tudo, capturou a atenção do público que, Parabéns! A alternativa B está correta. Para justificar a importância de atuação da Catuaba nas redes sociais, é preciso entender que a fake news nasce nesse espaço de imediatismo, pouca responsabilidade factual e viralização. Desse modo, ao agir no mesmo espaço em que a crise foi criada, a gestão de crises da marca conseguiu se aproveitar da atenção demandada por seu público e, assim, atraí-lo para a sua estratégia de amenização da crise de imagem. naquele momento, se mostrava atrelado à viralização da fake news. C Partindo do princípio de que a crise se instalou nas redes sociais, a saída encontrada pela marca foi parcialmente acertada porque, acima de tudo, era preciso uma atuação também nos meios tradicionais de comunicação para chamar a atenção ao caso da viralização da fake news. D Partindo do princípio de que a crise se instalou nas redes sociais, a saída encontrada pela marca foi muito errada porque, entre outros pontos, parte do público da marca estava fora desse espaço e, assim, não teria contato com a resolução da crise motivada pela fake news. E Partindo do princípio de que a crise se instalou nas redes sociais, a saída encontrada pela marca foi não apenas acertada, como, acima de tudo, capturou a atenção do público que, naquele momento, ignorava completamente a viralização da fake news. Questão 2 Colocando-se na posição de um membro que atua na gestão de crise da Catuaba, como você definiria a diferença entre “notícia ruim” e “crise de imagem” no caso em questão? A A notícia ruim seria se, simplesmente, o boato acabasse por si só sem maiores problemas para a marca, porém, ao contrário, o que se viu foi uma crise de imagem, já que a fake news, muito mais do que mero boato, também poderia atingir a reputação e a confiança na qualidade das bebidas. B Não existe a possibilidade de diferenciação porque, no caso em questão, as fronteiras entre a notícia ruim e a crise de imagem estão borradas, logo fica pouco provável que a marca consiga fazer tal separação. C Como membro atuante na gestão de crise do caso, certamente a melhor opção seria discutir que a situação se configura como apenas uma notícia ruim, ou seja, não daria muita atenção ao assunto e esperaria que o “buzz” gerado na internet logo se dissipasse. D Não pensaria na possibilidade de diferenciar as duas coisas, mas, ao contrário, atuaria dentro da gestão de crise para evitar que o público tomasse contato com o assunto, ou seja, iria tentar abafar a cobertura por meio de profissionais de relações públicas. Parabéns! A alternativa A está correta. A diferença básica entre a notícia ruim e a crise de imagem diz respeito à duração dos danos perpetrados pela situação. Assim, uma notícia ruim passa, acaba e não necessariamente traz um dano a longo prazo à marca. Uma crise de imagem, como é o caso em questão, tem uma natureza diferente, já que algo acontece e, temporariamente, abala-se a expectativa que as pessoas têm da empresa, sua qualidade, reputação e confiança. Assim, a saída encontrada pela Catuaba foi a melhor resposta em tempo hábil e certeiro. Questão 3 A partir da leitura do texto, foi possível entender que a Catuaba agiu de modo muito produtivo na sua resposta ao youtuber e à fake news. Desse modo, é válido pensar que uma crise de reputação e imagem sempre tem por trás uma quebra de expectativa relacionada à identidade da empresa. Tal quebra de expectativa não apenas está direcionada à perda do volume de vendas, mas também está conectada à ideia de a marca potencialmente perder credibilidade e confiança por parte do público, algo que dificilmente se reconquista em pouquíssimo tempo. Por isso, pensando na possibilidade de registro da situação para estudos futuros de crises, como você orientaria uma pessoa com pouca proximidade no assunto a responder ativa e rapidamente a um caso parecido com esse também nas redes sociais? Digite sua resposta aqui Chave de resposta E Nesse contexto, diria que a situação não se configura nem como notícia ruim nem como crise de imagem. A melhor opçãoseria, como parte da gestão de crise, classificar o assunto como “mentira”, isto é, iria ignorar porque, no fim, a verdade da marca sempre prevalece. Você deve saber que, antes de tudo, é preciso pensar que o registro e o estudo de crises facilitam a tomada de decisão no futuro breve ou em potenciais crises que virão acontecer ao longo dos anos. Assim, é possível orientar a observação de três passos rápidos para a resposta desejada: (1) ficar atento ao meio em que nasce a crise de imagem para se aproveitar das características e linguagens da plataforma em sua resposta; (2) responder de modo ágil e amigável, chamando ao diálogo e não ameaçando; (3) ter calma e controle da situação porque, no fim do dia, se a qualidade do produto é atestável por meios referendados, há meios possíveis de se contrapor uma situação mentirosa como foi o caso da Catuaba. Aprendendo com os erros Warren Buffett, um dos maiores investidores de todos os tempos, tem uma frase famosa que sintetiza essa realidade: Se você perder dinheiro de uma empresa minha por uma decisão ruim, eu entenderei. Mas, se você comprometer a sua reputação, eu serei impiedoso. (BUFFET, 2009) Sua postura se deve ao poder devastador de uma crise de imagem nos dias de hoje. Clientes podem abandonar um fornecedor com muita facilidade. Seja por questões reais, seja por associações simbólicas, uma crise de reputação e imagem pode fazer amargar prejuízos financeiros muito concretos da noite para o dia. Prevenir é fundamental. Mas quando uma crise de reputação se instala, saber gerenciar a situação de maneira adequada pode ser a diferença entre sobreviver ou sair do mercado. Atenção! Em crises de imagem, cada caso é um caso. Não há uma receita para todas as situações. Muitos fatores interferem no desdobramento de uma crise, desde o desempenho do porta-voz até o contexto em que a crise se desenrola. Há empresas que saem devastadas de uma crise de imagem. Outras, depois de passado o furacão, podem até sair fortalecidas. Crise de reputação da imagem O que é uma crise de reputação e imagem, afinal? Muitos profissionais cometem o erro de achar que se trata de uma notícia ruim, mas não é bem assim. Notícias ruins, ou negativas, têm um alcance limitado. Elas não colocam, necessariamente, em xeque os valores básicos das empresas e nem os questionam. Elas relatam algo que aconteceu, mas não afetam a identidade das partes envolvidas. Notícias ruins, acidentes e incidentes podem gerar sentimentos como tristeza ou dor, mas não fazem as pessoas questionarem a ética, a moralidade, a credibilidade de quem está envolvido no fato. Crises de imagem têm outra natureza. Uma crise de reputação e imagem sempre tem por trás uma quebra de expectativa relacionada à identidade da empresa. Em uma crise de imagem o que está sendo questionado não é o que aconteceu, mas sim quem as partes envolvidas são. Não apenas o que elas fizeram. Notícias ruins têm início, meio e fim mais concentrados. Elas duram enquanto durar a geração de novos fatos. Uma crise de imagem tem um comportamento diferente. Algo acontece e a resposta ao que aconteceu não corresponde à expectativa que as pessoas têm das partes envolvidas. Vamos agora entender a diferença entre uma notícia ruim e uma crise de imagem, utilizando como exemplo a explosão de uma caldeira numa refinaria de petróleo. Notícia ruim Uma explosão em uma caldeira em uma refinaria dura enquanto durar o fluxo de informações novas sobre o incidente. O que aconteceu? Como está a situação? Quantas pessoas feridas? Há vítimas fatais? O que está sendo feito para resolver o problema? Enquanto durar o “incêndio” e enquanto houver perguntas não respondidas, a notícia se sustenta, afinal há interesse público sobre o tema. Uma vez terminado, não importa o quanto o fato tenha sido devastador, a notícia acaba. Crise de imagem Uma caldeira explode em uma refinaria, há feridos, a empresa se recusa a passar informações para as famílias e a imprensa e dois dias depois descobre-se que a empresa não seguia as normas de segurança. Funcionários compartilham fotos de equipamentos enferrujados. Outros compartilham que são obrigados a trabalhar em turnos dobrados, ou com equipes desfalcadas. Agora a notícia ruim virou uma crise de imagem. Embora o fato (o que aconteceu) seja o gerador da crise, o que transforma uma notícia ruim em uma crise de reputação é o contraste entre o que se espera que uma empresa seja ― ou como se espera que ela se comporte frente a uma situação ― e o que ela realmente é ou faz. A diferença parece sutil, mas ela desencadeia dinâmicas bastante distintas de comunicação. Com base no que vimos, vamos recapitular as principais diferenças entre notícia ruim e crise de imagem: Notícia ruim/negativa Possui alcance limitado; Não coloca em xeque os valores básicos das empresas e nem os questiona; Não afeta a identidade das partes envolvidas; Não provoca questionamento ético; Tem início, meio e fim mais concentrados. Crise de imagem/reputação Possui alcance mais amplo; Coloca em xeque os valores básicos da empresa e os questiona; Há quebra de expectativa relacionada à identidade da empresa. Leva a questionar não o que aconteceu, mas o que as partes envolvidas são; Pode perdurar indefinidamente. As pessoas esperam que as empresas sejam responsáveis. Além de ser lei, a responsabilidade das empresas é parte de um acordo com a sociedade. Muitas vezes, é parte do que está implícito nas missões e visões da empresa, nos valores que ela declara, e até no marketing e na propaganda. Uma crise de imagem não se alimenta de novos fatos ― ela se alimenta da opinião das pessoas. A falta de responsabilidade, de ética, de princípios viram tema de interesse da opinião pública. De maneira geral, há uma sensação de satisfação coletiva em compartilhar a indignação com algo considerado errado, ou inaceitável na sociedade. Por isso uma crise de reputação e imagem nem sempre é desencadeada por um fato imensamente grave. Pode ser uma gafe, uma frase infeliz, um incidente comum do dia a dia. Quebra de expectativa e suas consequências Vamos olhar dois casos que ilustram bem essa dinâmica da quebra de expectativa e suas consequências: o de uma profissional de relações públicas estadunidense, Justine Sacco, e o de uma multinacional, a Arthur Andersen Consulting. Caso Justine Sacco Em 2013, Justine Sacco, uma executiva da área de comunicações da InterActiv Corporation (IAC), tirou férias e marcou uma viagem para a África do Sul. No seu caminho entre a cidade de Nova York, onde morava, e Cidade do Cabo, ela começou a mandar mensagens na sua conta pessoal do Twitter, com comentários sarcásticos, em tom de brincadeira, sobre a sua viagem. No primeiro, ela digitou: “Caro sr. alemão esquisito, estamos na primeira classe. É 2014. Use algum desodorante!” Quando chegou a Londres, antes de pegar o último voo que a levaria ao seu destino final, ela escreveu e publicou na sua conta do Twitter: “Indo para a África. Espero não pegar AIDS. Brincadeira. Sou branca!” Justine não era uma celebridade. Era uma pessoa comum, com 170 seguidores em sua conta no Twitter. Mas quando seu voo chegou à Cidade do Cabo, 11 horas depois, seu mundo tinha virado de cabeça para baixo. Ela liderava o Trending Topics no Twitter e seus comentários racistas eram contra- atacados por milhões de pessoas em todo o mundo, indignadas com as mensagens escritas por ela. Enquanto ela viajava, com o celular desligado, a hashtag #HasJustineLandedYet (A Justine já pousou?) ganhava o mundo. Pessoas acompanhavam o caso como quem acompanha uma novela. Justine Sacco, ex-executiva da área de comunicações. Semanas depois, entrevistada por jornalistas, ela disse que sua intenção era ser sarcástica, e sua mensagem tinha a intenção de ser uma crítica à bolha de privilégio dos americanos brancos, porém não foi assim que ela foi interpretada. Além de perder seu emprego,Justine teve que abreviar suas férias e voltar mais cedo para casa. Os funcionários dos hotéis em que ela tentava se hospedar durante sua estada na África do Sul ameaçavam entrar em greve caso fosse recebida. Caso Arthur Andersen Consulting Dentre os seus muitos clientes, a Arthur Andersen era responsável pela auditoria da contabilidade da Enron, uma grande multinacional de petróleo e energia. A Enron tinha um complexo modelo de negócios, com várias empresas em diversos países. Tirando proveito dessa complexidade, a companhia começou um processo de fraudar sua contabilidade, registrando receitas não existentes e repassando perdas entre as empresas do grupo, mascarando ano após ano os seus balanços contábeis. A Arthur Andersen, responsável pela auditoria dos balanços da Enron, não acusou essas fraudes, e por vários anos deu o seu aval para as contas da petroleira. O escândalo começou a se delinear em setembro de 2000, quando um repórter do The Wall Street Journal fez uma matéria discorrendo sobre o quão complicados tinham se tornado os balanços das empresas de energia, e o quão difícil era avaliar sua verdadeira situação de mercado. Em fevereiro de 2001, a revista Fortune escreveu uma matéria sobre inconsistências nas práticas da Enron, que ― embora reportando grandes ganhos no mercado ― seguia assumindo novas e grandes dívidas junto às instituições financeiras. Em agosto do mesmo ano, o presidente da companhia, Jeffrey Skilling, deixou subitamente o cargo, alegando razões pessoais. A combinação desses sinais começou a disparar o alarme da credibilidade, e o mercado de ações passou a levantar bandeiras vermelhas. Em vez de trazer explicações convincentes e confiáveis ― ainda que fossem para admitir fraudes ou erros passados, a Enron e as empresas de auditoria ― entre elas a Arthur Andersen ― seguiram garantindo ao mercado que tudo estava bem e que as contas eram sólidas. O chairman da Enron, Kenneth Lay, que assumiu a presidência, evitava perguntas complexas de analistas e jornalistas, até que ele e todos os executivos da Enron pararam de dar entrevistas e só respondiam por escrito a qualquer pergunta feita. A crise de reputação estava instalada. A falta de transparência, em si, tornou-se mais uma evidência para os investidores de que a Enron não era confiável. Continuando a análise sobre o Caso Arthur Andersen constatou-se que: Quanto mais a empresa se fechava, mais os analistas de mercado questionavam a sua saúde financeira e as suas contas, e mais as ações desabavam. No final da década de 90 elas eram negociadas a até 90 dólares por ação. Em novembro de 2001, elas valiam 7 dólares cada, como mostra a figura ao lado. Notem que nada dramático havia acontecido no mercado de energia. A desvalorização das ações da Enron era reflexo única e exclusivamente da perda da confiança do mercado nas contas da empresa e da falta de uma explicação convincente sobre como ela esperava lidar com o problema. Após poucas semanas, depois de uma fracassada tentativa de fusão com outra empresa, a Enron decretou falência. Ilustração da queda das ações da Arthur Andersen. O fim da Enron não é surpreendente, e é consistente com a situação financeira precária que a empresa tentava esconder. Mas a Arthur Andersen foi engolfada e varrida do mercado exclusivamente pelo fato de sua reputação ter ficado profundamente abalada. Embora a Arthur Andersen tivesse uma ótima saúde financeira, uma grande capacidade técnica, excelentes profissionais, ativos imóveis portentosos e uma vasta carteira de clientes, e embora os empregados envolvidos no caso Enron não representassem nem 1% de toda a equipe da empresa, ninguém mais queria trabalhar com ela. Os clientes abandonaram a poderosa Arthur Andersen, os empregados também. O mercado não julgou a Arthur Andersen por erros técnicos de contabilidade, mas por falta de ética. Na esteira do escândalo, descobriu-se que a Enron correspondia a 25% do faturamento da Arthur Andersen e a empresa foi acusada de fazer vista grossa para as manobras contábeis para não perder o cliente e manter seus contratos multimilionários. Descobriu-se que os executivos que tinham tentado avisar sobre a situação da Enron tinham sido ou demitidos ou ignorados. A pá de cal foi lançada sobre a reputação da Andersen quando seus auditores foram flagrados, durante as investigações, com milhares de páginas de documentos da Enron, tentando freneticamente destruí-los nas máquinas de picar papel da empresa. A Andersen perdeu praticamente todos os seus clientes, não porque eles duvidassem das habilidades técnicas dos auditores, mas porque não queriam ver a marca das suas empresas misturadas e associadas com o nome da consultoria. A marca, que por anos representou sucesso, solidez, confiabilidade, passou a ser associada com fraude e desonestidade. De repente, todos os associados à Andersen estavam sob suspeita pela ótica da opinião pública. Os clientes da Andersen não queriam que suas marcas sofressem esse desgaste por associação, e romperam seus contratos. O estrago foi tão grande, que os profissionais da Arthur Andersen que deixavam a empresa ― mesmo sem nunca terem se envolvido com nenhuma prática ilícita e nunca terem trabalhado no contrato da Enron ― tinham dificuldade para conseguir se recolocar no mercado, tamanha era a aversão à marca. Como resultado, a Arthur Andersen também foi dissolvida e vários de seus executivos foram, junto com executivos da Enron, condenados a pagar pesadas multas e, no caso dos líderes, vários foram para a cadeia. Estratégicas equivocadas na praça pública O que há em comum entre Justine Sacco e a Arthur Andersen? Nos dois casos, tudo começa quando as pessoas envolvidas fazem algo considerado inaceitável. Veja abaixo, algumas considerações sobre os dois casos: Caso Justine Sacco x Caso Arthur Andersen Fato 1 No caso de Justine, escrever e publicar em sua modesta conta do Twitter comentários racistas. Ser uma profissional de relações públicas só agravou o julgamento das pessoas sobre seus tuítes. Fato 2 No caso da Arthur Andersen, ser paga para garantir a confiabilidade de balanços e estar disposta a quebrar essa promessa em troca de ganhos financeiros de curto prazo. Fato 3 Nos dois casos, vemos que a crise se instala quando as atitudes inaceitáveis se tornam públicas e despertam o interesse de um grande número de pessoas, criando um sentimento comum de indignação ou raiva. Fato 4 Mesmo quem nunca conheceu Justine e quem não tem nenhum interesse por petróleo ou contabilidade, se interessa pela trama e pelo drama do escândalo. As pessoas se sentem pessoalmente envolvidas, indignadas, e começam a acompanhar o desdobramento desses casos como quem assiste ao Big Brother ou a uma novela. Fato 5 Com o uso das redes sociais, as pessoas têm o sentimento de que podem contribuir com a punição das partes envolvidas. Há uma sensação reconfortante de insultar alguém considerado culpado em praça pública. Quando uma situação chega nesse ponto, a dinâmica da crise de reputação está instalada. O seu desdobramento está fortemente relacionado à estratégia criada para enfrentá-la. A estratégia correta ameniza a crise e cria um caminho de saída, minimizando ao máximo os prejuízos, que a essa altura são quase sempre inevitáveis. Uma estratégia equivocada agrava a crise, aumentando o clamor público e o dano à imagem e à marca. Nos dois casos, os envolvidos adotaram estratégias equivocadas como você pode conferir a seguir: Pressionada no Twitter, Justine primeiro tentou apagar sua conta, apagar o comentário (Quantas vezes não vimos o mesmo acontecer em relação a pessoas públicas no Brasil?), mas era tarde demais. Como disse uma das milhões de pessoas que tomaram algum tempo do seu dia para Estratégia de Justine Sacco criticar Justine: “Não adianta querer apagar, seu comentário estará conosco para sempre.” Depois, Justine se defendeu dos ataques hostis,afirmando que o texto era irônico e que sua intenção real era denunciar o privilégio branco. Essa justificativa, embora possa ser verdadeira, não muda o fato de que a frase efetivamente escrita no Twitter era racista, inaceitável e ofensiva. Desculpas sinceras no início da crise, quando ela pousou na Cidade do Cabo, poderiam ter economizado parte do sofrimento e diminuído o impacto da crise. Os executivos da Enron e da Arthur Andersen, vendo o cerco do interesse público se fechar, buscaram até o fim ocultar os fatos e se explicar, mesmo quando mais ninguém acreditava nas duas empresas. Nenhum pedido de desculpas, nenhum movimento de assumir a responsabilidade e de se comprometer com ajustes imediatos. Apenas justificativas e tentativas de se eximir da responsabilidade. Mesmo depois das evidências, os executivos da Arthur Andersen seguiam repetindo que não sabiam de nada ― o que só piorava a percepção do público. A afirmação, considerada entre ridícula e ultrajante, era a manchete dos jornais. Ou seja, eles conseguiram gerar ainda mais repercussão negativa. Plano de ação Neste vídeo, a especialista Maira da Costa analisa como se forma uma crise de imagem corporativa. Aperte o play! Estratégia da Arthur Andersen Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 O que alimenta uma crise de imagem? Parabéns! A alternativa C está correta. Não são fatos em si que geram e alimentam uma crise de imagem, mas uma repercussão que toma outro caminho para além das respostas às perguntas objetivas sobre o que aconteceu e gerou aquela má notícia. Uma crise de imagem se alimenta da opinião das pessoas em relação aos temas sociais da falta de responsabilidade, ética e princípios. Questão 2 A A falta de princípios da empresa B A falta de comunicação da empresa C A opinião pública D A opinião do diretor da empresa E A opinião dos acionistas Quando um problema ou erro empresarial passa a ser uma crise de imagem para a empresa? Parabéns! A alternativa B está correta. A crise imagem se caracteriza pela quebra de expectativa quanto à imagem da empresa. Como ocorreu, nos casos estudados: o erro inicial da funcionária da IAC e as falhas da Arthur Andersen em relação aos problemas da Enrol foram mal conduzidos na comunicação com a mídia. A Em nenhum momento, caso a empresa tenha uma boa assessoria de comunicação. B Quando a notícia ruim se transforma em quebra de expectativa em relação à imagem da empresa. C Assim que o erro acontece e os funcionários descobrem, podendo potencialmente “vazar” a informação. D Quando a notícia do problema é veiculada na mídia e atinge o grande público. E Empresas com boa reputação não enfrentam crises de imagem. 2 - Soluções que precedem a crise Ao final deste módulo, você será capaz de definir estratégias prévias a uma crise. Ligando os pontos Onde alguns viam uma verdadeira ameaça, a conhecida marca de palitos Gina, de modo único, viu uma grande oportunidade. Trata-se da prevenção de crises produzida pela marca cuja percepção de que um perfil de humor que levava o nome “Gina”, de modo não autorizado, poderia ser um grande aliado na exposição da marca para novos públicos. Com uma tradição que remonta ao fim dos anos 40, Gina tem feito parte da vida de praticamente todos os brasileiros ao redor do país, quase sem distinção de classe. Porém, no ano de 2012, um espaço ainda não havia sido conquistado de maneira efetiva: o universo digital das redes. Isso se dava porque, no auge dos memes registrados em plataformas como Facebook, Instagram e Twitter, um perfil com a logo e o nome da marca já havia tomado conta desse espaço. Chamado de Gina Indelicada, o perfil publicava memes, piadas e, não raras vezes, fazia jus ao nome: com comentários ácidos, sarcásticos e nada delicados, o conteúdo não tinha tantos limites éticos na escolha das palavras, expressões ou mesmo imagens que usava em seus posts bem-humorados. Zofia Burk, modelo que deu rosto à marca de palitos Gina. Logo, não era incomum que muita gente pensasse que o perfil de humor Gina Indelicada falava em nome da marca. Prevendo que a situação poderia ser resolvida de modo litigioso, a marca Gina escolheu a saída menos custosa e mais aceita até mesmo pelo público que já seguia Gina Indelicada: decidiu aliar- se ao perfil, convidou o criador para uma reunião e, oficialmente, passou a fazer parte dos memes produzidos, agora, com um ajuste de tom menos ofensivo, mas, ainda assim, totalmente conectado à linguagem da rede. Tal ação, finalmente, colocou a marca Gina de vez nas mídias sociais e, de forma inusitada para a gestão de crises, preveniu dois grandes problemas: a confusão entre a marca oficial e um perfil homônimo e, o mais importante, retomou o controle de tom sobre o que era produzido em uma página digital sob o seu nome. Após a leitura do caso, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos? Questão 1 É possível dizer que a tradição, o bom histórico de comunicação e a ausência de polêmicas ou problemas significativos pavimentaram o processo de prevenção de crises da marca Gina muito antes do surgimento potencial de alguma situação complicada com o perfil Gina Indelicada. Nesse contexto, se você fosse chamado a opinar sobre o processo “prévio” à prevenção de crise, seria correto afirmar que as principais características da marca Gina que lhe foram úteis no processo “prévio” à prevenção de crise com Gina Indelicada A estavam localizadas na ideia de que a marca já era respeitada nacionalmente porque demonstrava consistência, alinhamento e coerência em sua estratégia de comunicação. B não é possível, infelizmente, definir as principais características da marca Gina que lhe foram úteis no processo “prévio” à prevenção de crise porque, entre outros pontos, a marca não foi capaz de contornar a situação em tempo rápido, ou seja, a marca ser ou não ser respeitada nacionalmente antes não mudou em nada o caso em questão. C a relação da marca Gina com a crise advinda da página Gina Indelicada, no caso em questão, foi algo muito complicado, logo o processo prévio da prevenção de crise foi tão malfeito desde o início que nem mesmo a consistência, o alinhamento e a coerência da marca foram fortes o suficiente para resolver a questão em sua estratégia de comunicação. D as principais características de longa data da marca Gina estavam, paradoxalmente, alinhadas com as próprias características recém-adquiridas pela página Gina Indelicada, ou seja, tanto a marca quanto a página conseguiram se utilizar do humor para comunicar suas ideias, produtos e serviços no espaço on-line. E ideias como imediatismo, improvisação e incoerência em sua estratégia de comunicação foram fundamentais para que a marca Gina soubesse lidar com a situação em questão, ou seja, não necessariamente foi preciso um Parabéns! A alternativa A está correta. Partindo da ideia de que a marca sempre demonstrou consistência, alinhamento e coerência em sua estratégia de comunicação, foi possível perceber a experiência de longa data da marca Gina para lidar com situações que anteviam e geravam prevenção à crise. Certamente, o seu bom histórico comunicacional ajudou nesse processo. Questão 2 Ao pensar nos processos de comunicação interna em casos de prevenção às crises futuras, imagine a situação hipotética na qual a marca Gina precisasse marcar uma reunião com seus colaboradores para compartilhar a ideia de aliar-se ao perfil Gina Indelicada. Nesse cenário, qual seria o primeiro elemento a ser discutido com o público interno? planejamento de crise para que evitar envolvimentos legais e jurídicos futuros com a página Gina Indelicada. A Com o público interno em situações de crise, sem sombra de dúvida, o primeiro estímulo é exigir que seus colabores produzam discursos de ódio sobre o criador do perfil e, por fim, consigam chamar a atenção para como o youtuber em questãoopostas”. Encontrar histórias que consigam juntar a ideia de que a narrativa tem um tom particular, Parabéns! A alternativa B está correta. Partindo do princípio que as histórias são contadas por anfitriões, pessoas que hospedam outras pessoas em seus espaços, a questão principal a ser levada em consideração é tentar encontrar boas histórias que juntem a particularidade de cada anfitrião que conta a história e, de modo a compartilhar experiências comuns, entender como aquela narrativa também possui laços com outras potenciais histórias. Logo, por meio do storytelling, a marca toma contato com as experiências que “vêm de dentro”, ou seja, de pessoas que vivenciam diariamente os serviços, desafios, problemas e diferenciais da própria plataforma da Airbnb. Questão 2 Em relação à concepção de que toda boa história de uma marca precisa trazer suas “ideias elementares” para, assim, dar forma à narrativa, o que você consegue destacar da experiência relatada da Airbnb com a criação de sua própria revista “Pineapple”? Ou seja, na sua opinião, qual é a ideia elementar D próprio do usuário que se hospeda na casa, e também um tom de experiência comum entre os anfitriões da plataforma que apenas leem essas histórias, ou seja, é por meio da junção de usuários que se torna possível encontrar as melhores narrativas a contar “experiências de dentro”. E Encontrar histórias que consigam separar a ideia de que a narrativa tem um tom genérico, replicável por qualquer anfitrião, sem nenhuma particularidade, e também a ideia de que as histórias não necessariamente precisam ter um tom de experiência comum entre os usuários, ou seja, são narrativas sem muita importância porque elas não “vêm de dentro” da empresa. traçada pela marca na criação de uma publicação destinada aos usuários da plataforma? A Trazer para mais perto da marca os melhores e mais bem qualificados anfitriões, humanizando sua participação não apenas como cliente, mas como um coprodutor de conteúdos da publicação desde a sua colaboração na criação de relatos advindos da sua experiência em recepcionar hóspedes até a distribuição gratuita deste material exclusivamente para anfitriões premium. B Trazer o público que se hospeda para mais perto da marca, humanizando sua participação não apenas como cliente da plataforma, mas como um leitor voraz dos conteúdos publicados por meio de jornalistas especializados em hotelaria até a distribuição gratuita deste material para anfitriões e pessoas que se hospedam via o serviço da Airbnb. C Trazer o público para mais perto da marca, humanizando sua participação não apenas como cliente, mas como um coprodutor de conteúdos pagos na publicação, isto é, desde a sua colaboração na criação de relatos advindos dos próprios usuários até a venda por assinatura deste material para anfitriões e pessoas que se hospedam via o serviço da Airbnb. D Trazer o público para mais perto da marca, humanizando sua participação não apenas como cliente, mas como um coprodutor de conteúdos da publicação, isto é, desde a sua colaboração na criação de relatos advindos dos próprios usuários até a distribuição gratuita Parabéns! A alternativa D está correta. Sem sombra de dúvida, a estratégia criada pela Airbnb ao criar sua própria revista era que ela pudesse ser um veículo de encontro entre as histórias, experiências e relatos dos usuários e anfitriões ligados ao serviço ofertado pela plataforma. Logo, é possível destacar que a ideia elementar foi humanizar ainda mais a participação dos usuários coprodutores de conteúdos da publicação e também leitores do material que era distribuído gratuitamente. Questão 3 Como um exemplo bem contemporâneo de serviço disruptivo nos setores de hospitalidade e viagens, a grande disrupção da marca Airbnb foi colocar na mão do usuário comum o poder de transformar seu lar em um local de hospedagem privada e segura, com toques personalizados e a oferta de uma experiência menos distante, fria ou formal demais tal qual as tradicionais redes de hotéis já fazem há anos. Pensando na possibilidade de criar um storybrand para a marca Airbnb, o que você destacaria como a principal diferença da marca em termos de ser um guia ou um serviço de auxílio aos clientes? deste material para anfitriões e pessoas que se hospedam via o serviço da Airbnb. E Trazer o público para mais perto da marca, humanizando sua participação não apenas como usuário da plataforma, mas como um coprodutor de conteúdos da publicação, isto é, desde a sua colaboração na criação de relatos ficcionais sobre experiências falsas inventadas pelos usuários até a distribuição gratuita deste material para a imprensa especializada no assunto. Digite sua resposta aqui Chave de resposta A principal diferença que a marca Airbnb traz aos usuários é a capacidade de criar um serviço de hospedagem prático, seguro, confiável e, acima de tudo, com a possibilidade de humanização na relação entre anfitrião e hóspede. Por isso, um diferencial ao dar a visão de que a marca serve como um auxílio aos clientes seria focar na concepção de que uma viagem turística é mais do que um passeio para conhecer paisagens, ao contrário, é também um momento de conhecer pessoas, suas histórias e vivências. Logo, a experiência do serviço Airbnb dá a possibilidade de que o viajante crie, caso queira, novos laços de amizade já dentro do próprio espaço onde se hospeda. A marca e o storytelling Quantas marcas participam da sua vida? As marcas habitam a nossa mente, fazem parte da nossa construção e demonstração de valor. Muitas vezes, são responsáveis pela realização dos nossos sonhos e desejos, companheiras e testemunhas de momentos marcantes na nossa vida. No dicionário, a palavra marca é definida como um traço; sinal é a impressão que alguém ou algo deixa com suas ações. Na publicidade, o fruto dessas ações forma um conjunto de significados capaz de representar o produto ou serviço para o consumidor. Mais do que uma representação, a marca também é um organismo vivo. Sofre transformações e ressignificações, caminhando junto com a sociedade. Ana Couto, empresária e renomada especialista em branding, CEO da empresa que leva seu nome, utiliza com frequência a afirmação: “A marca é, faz, fala e transforma” (COUTO, 2021). Philip Kotler, escritor e professor universitário, considerado o maior especialista na prática do marketing, define marca como a união do nome, termo ou símbolo, com o intuito de criar diferencial entre produtos e empresas. Kotler aponta que esses diferenciais são apoiados na construção de pilares que interagem com todos os setores da empresa e formam o importante conceito de comunicação denominado branding, responsável por entregar valores tangíveis e intangíveis ao consumidor. Philip Kotler. Ainda sob essa perspectiva, o professor afirma que uma das ferramentas mais poderosas na entrega desses valores é o storytelling. Desde seu livro anterior, Marketing 3.0, ele demonstra que as histórias de marca são fundamentais para tocar o espírito do consumidor (KOTLER, 2010). A linha do tempo da publicidade demonstra que as histórias sempre tiveram um lugar de importância na construção da imagem da marca, mas, segundo Franco, em seu livro Storytelling e suas aplicações no mundo dos negócios (2015), a necessidade eminente dessa ferramenta se dá em um cenário desgastado em que a propaganda se baseava na frase imperativa “Sou melhor, me compre” (FRANCO, 2015, p. 157). Famosa propaganda da Volkswagen nos anos 80. Esse tipo de discurso foi perdendo credibilidade e dando espaço ao posicionamento da marca e do produto, transformando o diálogo com o consumidor em algo envolvente, arquetípico e inteligente. Um diferencial da contação de histórias é o acesso ao inconsciente e ao emocional das pessoas. A teoria está ancorada no estudo realizado pelo psicólogo Carl Jung, discípulo de Freud e defensor da Psicologia Analítica. Onão tem legitimidade alguma para criar notícias sobre a marca. Logo, o público interno é uma arma poderosa de contra-ataque. B Nessa situação, a primeira discussão é evitar dar mais detalhes dos motivos que dispararam a crise. Isso se justifica porque, quando o público interno tem muitas informações, de modo imediato, as chances de esse público ampliar a situação de crise são maiores. Logo, reduzir informações é assegurar que o público interno não prejudique ainda mais a problemática em questão. C De maneira clara, o público interno tem importância muito reduzida na gestão de crise. Em termos mais explícitos, é claro que eles precisam ser informados sobre a problemática da crise, porém eles não têm atuação forte o suficiente para que os protocolos de ação os envolvam. Logo, com o público interno, o foco deve ser discutir a temática com o objetivo apenas de fazê-lo saber que a situação de crise está ou estará instalada futuramente. D No caso em questão, antes de tudo, seria necessário trazer ao centro das discussões internas um olhar mais descompromissado com a situação, não no sentido de ignorar por completo o problema, mas de não dar uma atenção midiática de modo exacerbado ao caso. Ou seja, deve-se levar o assunto de maneira mais tranquila, não se preocupar em produzir posts explicativos e, por fim, deixar que a situação se resolva do mesmo jeito que começou: ao acaso. Parabéns! A alternativa E está correta. De maneira coordenada, a primeira ação com os colaboradores internos em uma situação hipotética como essa deve ser criar protocolos, treinamentos e processos preestabelecidos para que as pessoas que trabalham na Gina soubessem defendê-la on-line. Nesse sentido, dicas sobre como demonstrar diferenças entre a linguagem dos perfis e como chamar a atenção para as respostas oficiais da marca seriam boas soluções de ajuda interna. Questão 3 No caso da prevenção de crise produzida pela marca Gina em relação ao perfil Gina Indelicada, é possível dizer que a empresa conseguiu criar um “colchão de boa vontade”? Por quê? Digite sua resposta aqui Chave de resposta E A primeira discussão deveria estar centrada na criação de protocolos, treinamentos e processos preestabelecidos para que, caso uma crise acontecesse entre a marca e o perfil que usava o nome indevidamente, todos soubessem o que fazer, como e quando. Ou seja, ao público interno, precisa-se explicar como defender a marca, como demonstrar diferenças de linguagem dos perfis e como chamar a atenção para as respostas oficiais da marca em situações hipotéticas como essa. Você deve saber que sim, sem sombra de dúvida a marca Gina conseguiu criar um “colchão de boa vontade” quando mostrou que seu trabalho de prevenção foi feito de maneira constante e competente. Desse modo, pode-se dizer que a empresa criou uma espécie de “poupança de credibilidade”, isto é, algo que se acumula em tempos positivos ou neutros, que a empresa pode usar quando algo dá errado. No caso em questão, ao antecipar-se à crise potencial, a marca Gina criou um “colchão de boa vontade” para lidar com problemas futuros (que sequer podem vir a se realizar). Antes da crise Diante do que vimos, é inevitável perguntar como, então, devemos nos comportar em um mercado em que notícias ruins são parte do dia a dia e crises de imagem são um risco iminente para pessoas e empresas. No que diz respeito a empresas, ter uma estratégia de comunicação adequada para a realidade atual é indispensável, e esta tem três elementos fundamentais: Prevenção. Processos e estruturas para monitorar e lidar com notícias negativas. Plano de ação para o caso de uma crise de imagem. Construir uma reputação positiva no mercado é a melhor ação de prevenção de crises de imagem. Para isso, é preciso ter clareza do posicionamento da empresa, seu propósito, seus valores, suas práticas e, a partir disso, montar uma estratégia de comunicação proativa, que considere todos os públicos de interesse da empresa e todos os possíveis formatos. Vale pontuar que, tão importante quanto a diversidade e a criatividade no formato das mensagens, alguns elementos do conteúdo da mensagem são fundamentais para garantir a construção de uma imagem positiva para as pessoas. Confira a seguir: Consistência Alinhamento Coerência Atualmente, é comum que empresas tenham a sua comunicação dividida em várias áreas, como demonstra a figura a seguir. Embora todas as áreas contribuam para a construção da reputação de uma empresa, é a área de assessoria de imprensa, ou assessoria de comunicação (chamada no jargão de “ascom”), que lida mais diretamente com crises de imagem. Isso acontece porque a assessoria de imprensa é a área especializada em lidar com o conteúdo editorial, que é diferente do conteúdo publicitário. Para o bem e para o mal, a assessoria de imprensa lida com a chamada mídia espontânea. Vejamos as características de cada um destes conteúdos: Conteúdo editorial Gratuito; Não depende da iniciativa da empresa, pode acontecer à sua revelia; Conteúdo e distribuição completamente fora do controle da empresa; Tem grande impacto na opinião pública e na formação da opinião das pessoas. Conteúdo publicitário Pago; Gerado pela própria empresa, que tem total controle sobre ele; Conteúdo e distribuição completamente controlados pela empresa nos canais escolhidos por ela; Tem menor capacidade de convencimento já que é sempre a empresa falando de si ou de seus produtos. As redes sociais são um canal de comunicação que veicula os dois conteúdos descritos e mais um: a opinião das pessoas, sem filtros e sem intermediários. Tempos atrás a imprensa era o principal foco da assessoria, afinal, a empresa não tinha controle sobre ela. Nos dias atuais, soma-se à importância de comunicação com a imprensa a comunicação com as redes sociais e o grande público numa relação muito mais direta, ou seja, sem intermediações. Como a empresa não tem controle sobre as redes sociais (como tem sobre a publicidade) e elas têm um alto impacto potencial, as assessorias de comunicação incorporaram a tarefa de lidar com as redes sociais no âmbito das crises de imagem. Colchão de boa vontade Quando o trabalho de prevenção é feito de maneira constante e competente, a empresa cria o que podemos chamar de um “colchão de boa vontade”, uma poupança de credibilidade que se acumula em tempos positivos ou neutros, a qual a empresa pode usar quando alguma coisa dá errado. Muitas vezes a qualidade desse colchão de boa vontade é a diferença entre uma notícia ruim ficar no âmbito da notícia ruim ou se tornar uma crise de imagem. Vejamos o seguinte exemplo ocorrido com a empresa Johnson & Johnson: Tylenol. Em 1982, a empresa sofreu um duro golpe, quando sete pessoas morreram depois de tomar cápsulas envenenadas de Tylenol extraforte, um dos principais produtos da empresa. Uma investigação foi iniciada para saber se a adulteração tinha acontecido na fábrica da Johnson & Johnson ou fora dela, mas se defender não foi o foco da empresa. Logo depois das primeiras mortes, e antes dos resultados das investigações, a própria J&J fez um recall de todos os remédios da empresa vendidos em cápsulas nas prateleiras, o que nos Estados Unidos equivale a remédios que não precisam de receita médica para serem comprados. Milhões de caixas de remédios foram recolhidas em poucos dias. Para quem tinha o Tylenol em casa, a empresa ofereceu substituição gratuita pela versão em comprimidos, mais segura. Em seguida, anunciou que a partir daquele momento, toda a linha de remédios de prateleira vendidos em cápsulas seria descontinuada e substituída pela versão em tabletes. A operação custou mais de 100 milhões de dólares. O CEO permaneceu disponível para entrevistas durante todo o episódio. Em uma delas, quando um repórter perguntou se ele gostaria que a empresa tivesse agido mais cedo, respondeu simplesmente “com certeza”. Apesarstorytelling faz uso da teoria de Jung que aponta a existência de um inconsciente coletivo, capaz de guardar todo material herdado ao longo da existência humana. Segundo Carl Jung (2000), o inconsciente coletivo é comum e inerente a todos os seres humanos, o que ele chama de “ideias elementares”. Carl Gustav Jung. As ditas “ideias elementares” dão forma às histórias, e, quando elas se aproximam desse “molde”, conquistam e encantam os espectadores, justamente por dialogar com algo que mexe com suas emoções e sentimentos. Vale ressaltar que o ser humano se conecta às histórias desde os primórdios. Ouvir e contar estão entre os passatempos preferidos dos homens, presentes em todos os povos e culturas. Todos nós temos memórias ancestrais de narrativas que encantam e estimulam comportamentos e, sem perceber, repassamos os valores aprendidos nessas histórias. São doutrinas, ditos e preceitos transmitidos por gerações, ao redor do mundo inteiro. Podemos afirmar também, seguindo este raciocínio, que todo o conhecimento é fixado com muito mais eficiência quando ele está relacionado a uma história. Como se constrói uma história de marca? A história de uma marca se desenvolve por meio de um enredo, um roteiro, e tem início no motivo pelo qual a marca começou, desenrolando-se nas lembranças desse começo. Este roteiro está alinhado às ações e aos planejamentos que podem levar a marca onde ela gostaria de chegar. Uma boa história oferece muito mais que argumentos funcionais. Seu papel é explicar e atuar no posicionamento da marca. O ser humano cria histórias para estabelecer fechamentos e enredos a fatos aleatórios, ajudando nossa mente em busca de sentido. Ter uma história de marca é fornecer argumento ao consumidor, é proporcionar uma conexão poderosa, baseada em valores mútuos, demostrando os valores intrínsecos da marca e criando uma relação que vai além do produto ou serviço, meramente. Para ter uma boa história, uma marca deve ter propósito. Essa é uma demanda da atualidade que aponta a necessidade eminente de transformação. A publicitária Ana Couto afirma que estamos passando pela terceira onda do branding, cujo objetivo é a construção de valor, sendo essa construção orientada pelo propósito. Ana Couto, referência em branding no Brasil. Ana explica que abandonamos o antigo modelo, focado apenas na construção da marca, chamado de brand driven, para o novo modelo de branding chamado purpose driven, que tem o propósito como centro da gestão de marca. O propósito tem seu início com a idealização da marca e deve ser definido nos planejamentos integrados com todos os setores da empresa. É no dia a dia de sua gestão que se constrói uma comunicação eficaz, capaz de consolidar a imagem desejada. Podemos afirmar que uma história sólida demanda tempo, coerência e persistência. Simon Sinek, conhecido autor e consultor de liderança e gerenciamento, frequentemente expõe o diferencial da Apple por ser uma marca que se mantém inovadora, atraindo cada vez mais fãs. Em sua análise, Sinek sempre aponta uma preferência exclusiva pela marca por parte dos seus seguidores, que chegam a defender o uso dos produtos e muitas vezes se denominam “Applemaníacos”. Essa demonstração de afeto exemplifica a entrega de valor pela marca e demonstra a afirmação do consultor: “As pessoas não compram o que você faz, mas por que você faz” (SINEK, 2018, p 59). Baseado no que vimos, podemos afirmar que “o propósito conduz as ações”. O primeiro passo para construir uma história eficaz é antes de tudo encontrar o seu propósito e verificar se ele está alinhado aos anseios e desejos do público-alvo da empresa. Além disso, é fundamental considerar as transformações da sociedade em seu âmbito político, social e ambiental e se adaptar às suas mudanças no dia a dia. Para exemplificar, podemos citar a Coca-Cola, que há muito tempo reafirma a sua posição de liderança no mercado de refrigerantes apostando na associação da marca a eventos esportivos, festivais de música e shows. Com essas ações, a marca demonstra a importância de construir sua história junto ao consumidor, proporcionando algo que vai além do produto em si. O foco da empresa prioriza ações que despertam emoção e sentimento, o que, segundo o professor e neurocientista da University of Southern Califórnia, Antonio Damásio, nos torna capazes de tomar decisões racionais; ou seja, entre duas opções racionalmente parecidas, escolhemos a que oferece emoções com origem em experiências passadas. Campanha “Juntos em todas as copas” promovida pela empresa Coca-Cola. Podemos observar que uma marca com foco no consumidor (e não apenas em si) é capaz de passar pelas mudanças da sociedade de forma mais assertiva. O cliente como protagonista pode fornecer todas as informações necessárias para a marca compreender melhor suas demandas e se adaptar. Exemplo Uma forma eficiente de incentivar o protagonismo do cliente é a oferta de wi-fi dentro de estabelecimentos privados. Esse é o caso dos parques do Walt Disney World. A iniciativa simples proporciona a divulgação de momentos especiais vividos pelos clientes dentro dos parques, conectando e inspirando milhares de pessoas que gostariam de usufruir da mesma experiência. Em 2020, o Itaú modificou a tradicional assinatura da marca, utilizada por mais de 20 anos, para iniciar uma nova abordagem, alinhada com a necessidade da comunicação atual. O banco passa a assinar em suas peças a frase: “Feito com você” no lugar de “Feito para você”. Essa abordagem é o discurso central de todas as plataformas de comunicação do banco, e o conceito ganha o potencial de se multiplicar e reforçar o branding da marca. Imagem com novo branding da empresa Itaú. Transformar o consumidor em protagonista gera uma conexão com a marca, e um consumidor conectado a ela se sente engajado, contribui para seu crescimento, além de atuar como protagonista da sua história. Marcas como Harley-Davidson, Apple e Twitter souberam engajar o consumidor, dando voz para seus clientes além da própria marca. A partir desse momento, eles começam juntos a construir histórias memoráveis. É nesse alinhamento entre marca e consumidor que a empresa irá prosperar por décadas: branding + propósito + consumidor. O cliente como o herói Qual é o seu herói favorito? Os heróis têm o poder de nos inspirar a transformar o mundo em um lugar melhor. Eles simbolizam a superação, a união de todas as forças e a busca de novos desafios. Quando o herói está em cena, tudo é possível! Todo aquele que empreende uma jornada já é um herói. (PEARSON, 1994, p. 19) O herói é um protagonista muito importante na contação de histórias, é uma figura que ocupa um lugar desejado. Ele tem o poder de gerar empatia no público e é frequentemente utilizado em campanhas publicitárias com o intuito de pedir ajuda e inspirar as pessoas a tomarem determinadas atitudes em prol de uma causa. Campanha promovida pela Secretaria da Saúde do Estado do Mato Grosso do Sul reforçando poder da solidariedade na doação de órgãos. Na história das marcas, a imagem do herói pode ser encontrada sob diferentes perspectivas. A marca pode incorporar esse papel, centralizando o discurso nela mesmo. O líder da marca pode se tornar o herói, o cliente pode se tornar o herói. Quando a marca coloca o cliente como herói, o protagonismo é dele. As histórias dos clientes estão acima daquelas da marca, e isso contribui para delimitar toda a experiência de valor que falamos anteriormente. Uma marca que é exemplo desse modelo é a Harley-Davidson. A história da Harley rende um ótimo roteiro. A narrativa da sua criação, com todos os obstáculos e as superações, foi responsável por tornar a marca icônica e referência de qualidade e durabilidade. No início de sua história, o produto e seus fundadores ocupavam o maior papel na narrativa, a ponto de o próprio fundador participar de uma ousada estratégia em que ele era o piloto responsávelpor competir em uma importante corrida de moto daquela época. Com o passar do tempo, a marca percebe que as melhores e mais interessantes histórias são as contadas pelos seus consumidores. Começa então a focar seu branding em dar ênfase às boas histórias vividas por eles. Isso torna a marca referência em experiência. As histórias contadas conectam seus clientes, completamente envolvidos com a marca, ao ponto de virarem verdadeiros fãs. Essa conquista se comprova na quantidade de fãs clubes, vestuário, clientes tatuados com a marca e defensores do seu estilo de vida. A Harley transcendeu a fabricação de motocicletas e se tornou um ícone de liberdade e estilo de vida em todo o mundo. Um filme publicitário chamado “Oração”, lançado pela Harley, demonstra a construção desses valores. Vejamos mais sobre esse vídeo: O vídeo em preto e branco foi criado com base no tema “Viva por isso”, e começa com a imagem de um motociclista em uma bela estrada, com roupas e acessórios que fazem parte do imaginário popular de como se veste um motociclista da Harley. Rapidamente, outro motociclista se junta a ele. A locução em off nos dá a sensação de que o personagem principal está refletindo sobre liberdade, conceito principal na essência da marca. Fica claro também o conceito de família; à medida que o filme acontece mais motociclistas entram em cena e as vozes vão se multiplicando. Como vimos anteriormente, Yung desenvolveu o conceito de “ideias elementares”. Dentro desta teoria, ocorre o estudo das imagens primitivas que ele acreditou estarem inseridas no inconsciente coletivo. Um exemplo seria afirmar que o conceito de herói está embutido em toda a sociedade, sem a necessidade de uma explicação formal. Esse inconsciente coletivo é uma espécie de recipiente, onde histórias universais estariam guardadas e seriam embaladas por roteiros que são representações dessas narrativas, presentes em todos os nossos sentimentos, intuições, pensamentos e atitudes. Para entender sua importância na construção das narrativas, precisamos conhecer a teoria desenvolvida pelo mitólogo e antropólogo Joseph Campbell denominada “A jornada do herói”. Joseph escreveu um livro chamado Herói de mil faces (2008) (The hero with a thousand faces), em que define herói como um mito e defende que todos seguem o mesmo padrão. São histórias sobre a verdade, de sentido e significado; histórias imortais e imemoráveis que atravessam épocas e lugares. Joseph Campbell. Seguindo os estudos de Yung, Campbell traçou a jornada do herói como uma sequência comum e inerente da psique humana. Nessa sequência, o herói passa por três grandes estágios: Em todo o enredo, podemos perceber o cliente como protagonista. A preparação A jornada Sua jornada está repleta de atos de coragem e provações, que atribuem à sua história identificação e empatia do leitor, pois de alguma forma nos sentimos vivenciando esses acontecimentos. Esses elementos tornam a história memorável. Podemos identificar também várias biografias de celebridades e narrativas dentro desse contexto. A marca de produtos de higiene pessoal Dove, por exemplo, utiliza o propósito de elevar a autoestima para se conectar com o público-alvo. Dentre várias ações, podemos destacar o filme publicitário Retratos da Beleza: por meio de uma dinâmica, a marca pede para as pessoas se descreverem para um artista que irá desenhá-las. A pessoa descreve cada detalhe do seu rosto, como: pintas, rugas, manchas, entre outros. Cena do fime publicitário Retratos da Beleza, da marca Dove. Logo após, foi pedido que descrevessem outras pessoas que estavam na dinâmica: o resultado mostrou que as pessoas se enxergavam sempre mais negativamente do que as outras. A Dove utiliza pessoas como protagonista da marca em toda a sua comunicação. Com esta ação, ela conseguiu demonstrar seus valores tangíveis e intangíveis, reforçar os benefícios dos produtos, criar uma experiência emocional por meio da empatia. Outro caso de sucesso em que a marca coloca o cliente como protagonista é o da campanha da rede social Twitter, chamada de #ComecePelasPessoas. No vídeo da campanha, a empresa mostra uma série de clientes, hoje reconhecidos Captura de tela da campanha #comecepelaspessoas, do Twitter. O entorno como referência no que fazem, por demonstrarem sua voz, seus argumentos e posicionamento por meio do Twitter. No vídeo com imagens dessas pessoas, a narradora fala sobre como eles moldam a cultura, orientam outros e inspiram transformações. Dentre vários usuários apresentados na campanha, estão Salem Mitchel, que incentiva a autoaceitação, a autoestima e a transformação dos padrões de beleza, e Nancy Baker, treinadora londrina que, em um trabalho voluntário, treina meninas para serem as próximas craques do futebol, incentivando a quebra do estereótipo e o aumento das mulheres no esporte. Baseado nesses posicionamentos, podemos observar que, quando se trata do papel da marca para um cliente, ela é a mentora e será a condutora da história, com o propósito de responder por sua existência. Uso da emoção pelas marcas Confira agora a influência das propostas emocionais no desempenho de uma marca a partir de exemplos e seus respectivos impactos. Vamos assistir! Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 O marketing pode utilizar o storytelling para se aproximar das pessoas, o que o torna uma ferramenta imprescindível para alcançar de forma eficiente os clientes de uma marca. Sendo assim, podemos afirmar que a principal função do storytelling é: Parabéns! A alternativa A está correta. O storytelling tem por premissa, bem como as histórias tradicionais, criar um vínculo com o espectador, fazendo com que ele se emocione e se envolva com os personagens da história. Questão 2 Segundo o autor Simon Sinek, “as pessoas não compram o que uma empresa faz, elas compram o porquê ela faz” (SINEK, 2018, p. 59). Baseado nessa afirmativa, podemos afirmar que este “porquê” está relacionado: A Divulgar mensagens, gerar envolvimento e emoção. B Demonstrar as vantagens sobre o concorrente. C Facilitar a visibilidade do produto no ponto de venda. D Gerar confiança no cliente promovendo a compra. E Fazer o cliente assistir por mais tempo o comercial da marca. A à promoção de vendas. B ao preço final do produto. C à campanha publicitária. Parabéns! A alternativa D está correta. Podemos afirmar que o propósito de uma marca, conduz às ações. Dessa forma, uma marca que explora o seu propósito tem a maior possibilidade de possuir clientes seguidores fiéis. 3 - Golden Circle e o Método dos 7 Passos do Storybrand Ao final deste módulo, você deverá ser capaz de reconhecer cada um dos sete passos para a criação de um roteiro de marca. Ligando os pontos D ao propósito da marca. E à satisfação do cliente. Mais do que vender um produto ou serviço, o que as marcas na contemporaneidade têm reforçado é que elas vendem “ideias” e “experiências”. Porém, além de um mero discurso de marketing, como é possível colocar isso em prática? A resposta para esta questão fica a cargo do uso que a marca europeia Vodafone, especializada em telecomunicações móveis, tem feito das práticas de storytelling por meio da apropriação das noções trazidas do chamado “Círculo Dourado”. Criado por Simon Sinek, a ideia central do “Círculo Dourado” é tentar criar ordem e prever o comportamento humano, logo, uma tentativa de compreensão de entender o porquê fazemos o que fazemos. Com três perguntas que se desenvolvem na seguinte ordem “por quê?”, “como?” e “o quê?”, o Círculo Dourado é usado em estratégias de storytelling para dar forma à narrativa de uma marca que se mostra necessária ao público. É justamente isso que a Vodafone fez, em 2017, com seu comercial na campanha “Unlimit Yourself” (Não se limite). Assim, para o lançamento de seus novos planos de dados 5G e ilimitados, a Vodafone fezuma parceria com a agência Ogilvy UK para criar uma dança coreografada executada por uma mulher e mais de 25 de seus “sósias”. Todas as mulheres estão vestidas com a assinatura da marca em tons de vermelho, com cabelos curtos quase idênticos, mas em trajes diferentes. Desse modo, a história principal dá conta de mostrar os lados "ilimitados" que a protagonista multifacetada vivencia na sua vida: da festa com os amigos à maternidade, do trabalho ao lazer, do lar à rua, do privado ao público. Trazendo em seu bojo a discussão sobre o “Círculo Dourado”, a marca conseguiu demonstrar que era necessária na vida da mulher para que ela pudesse experimentar todas os seus inúmeros ângulos e peculiaridades cotidianas sem se limitar a um determinado lado ou momento da vida (ou seja, responde à questão de “por que preciso da marca?”). Igualmente, importante, ao acompanhá-la na rotina diária por meio de aparelhos móveis, a marca demonstra como isso é possível de ser executado na correria de quem experimenta a vida urbana dos grandes centros (ou seja, responde à questão do “como?”). Por fim, quando tudo está à vista dos consumidores já envolvidos na narrativa, a marca explica o que é o seu plano de 5g com dados ilimitados para uso em comunicações móveis (ou seja, responde à pergunta final sobre “o quê?” se propõe a vender como produto, serviço, ideia ou experiência). Depois da discussão do case, pensando de modo prático, que tal ligarmos os pontos agora? Questão 1 A personagem principal da campanha da Vodafone desempenha o papel de uma pessoa com várias atividades durante o dia, com focos diversos e, especialmente, alguém que valoriza muito o tempo de cada atividade em sua vida. Em termos gerais (especialmente, vinculando estereótipos tão arraigados na publicidade aos seus usos na criação de narrativas de marca), como você explicaria que a escolha de uma mulher (e seus vários sósias) e não de um personagem homem como o exemplo trazido no storytelling? A A escolha da mulher para representar uma personagem multifacetada e constantemente conectada às várias partes de um mesmo ser, que, literalmente, se desdobra em muitos, parte do estereótipo de que a mulher é um sujeito multitarefas (multitask), logo, uma personagem feita sob medida para se aliar à ideia dos dados ilimitados oferecidos na campanha. B A escolha da mulher para representar uma personagem limitada, atarefada e nem sempre conectada à tecnologia, de forma direta, parte do estereótipo de que a mulher é um sujeito que atua apenas em uma tarefa por vez (multitask), logo, uma personagem feita sob medida para se aliar à ideia do pacote de dados limitados que é oferecido na campanha. C A escolha da mulher para representar uma personagem multifacetada e constantemente conectada às várias partes de um mesmo ser, que, literalmente, se desdobra em muitos, parte do estereótipo de que a mulher é um sujeito que atua apenas em uma tarefa por vez (single- task), logo, uma personagem feita sob medida Parabéns! A alternativa A está correta. Ainda que a campanha não problematize o quanto as mulheres se veem muito mais sobrecarregadas de atividades nos espaços públicos e privados por onde vivem e transitam em relação aos homens, mesmo assim, a marca apropria-se do estereótipo de mulher multitarefas (multitask) para vender a ideia de que os dados ilimitados da Vodafone se conectam à essa perspectiva de vida sempre agitada, conectada e ágil. Algo que não seria efetivamente tão bem demonstrado na narrativa caso um homem fosse escolhido para o papel do personagem principal do storytelling usado pela marca. Por exemplo, as questões do cuidado dos filhos e do lar são elementos que, infelizmente, acabam por passar ao largo das responsabilidades cotidianas de muitos homens que trabalham para se aliar à ideia dos dados ilimitados na campanha. D A escolha da mulher para representar uma personagem single-task e, simultaneamente, multitask, ou seja, limitada, mas também conectada às várias partes de um mesmo ser que se desdobra em muitos, parte do estereótipo de que a mulher é um sujeito complexo, logo, uma personagem feita sob medida para se aliar à ideia dos dois pacotes de dados (limitados e ilimitados) na campanha. E A escolha da mulher para representar uma personagem multifacetada e constantemente perdida em relação às questões tecnológicas, parte do estereótipo de que a mulher é um sujeito multitarefas (multitask), mas, ao mesmo tempo, padece de conhecimentos relacionados ao mundo virtual, logo, uma personagem feita sob medida para se aliar à ideia de um pacote de dados voltado para iniciantes. fora, ao contrário do que se vê na vida da mulher, que se desdobra em muitas no comercial. Questão 2 Responsável por criar uma apresentação que venderá a estratégia de contar uma narrativa para oferecer, ao fim, os serviços de 5G e dados ilimitados da Vodafone, você foi selecionado para abrir a mesa de debates falando sobre a conexão entre a venda de produtos e serviços aliada à venda de ideias e experiências. De modo bem prático, quais os principais pontos de contato entre o serviço/produto e a ideia/experiência apresentados no storytelling da Vodafone você consegue elencar? A Serviço/produto: dados ilimitados, internet para uso apenas no trabalho e nos negócios. Ideia/experiência: conexão e integração das várias etapas, momentos e pessoas que compõem o seu complexo e singular dia a dia no trabalho. B Serviço/produto: dados ilimitados, cobertura 5G, internet para uso apenas no lazer e no cotidiano do lar. Ideia/experiência: conexão, agilidade e integração das várias etapas, momentos e pessoas que importam no contexto da sua vida privada e familiar. C Serviço/produto: dados limitados, cobertura 4G, internet para uso no lazer e em momentos fora de casa. Ideia/experiência: conexão e integração dos momentos alegres e de pessoas do seu círculo de amizades que compõem o seu dia a dia nos fins de semana. Parabéns! A alternativa D está correta. De modo claro, a conexão entre serviço/produto e ideia/experiência que o storytelling da Vodafone promove se estabelece com base na seguinte combinação: (I) Serviço/produto: dados ilimitados, cobertura 5G, internet para uso no trabalho, no lazer e no cotidiano do lar. (II) Ideia/experiência: conexão, agilidade e integração das várias etapas, momentos e pessoas que importam e compõem o seu complexo e singular dia a dia. Em outras palavras, a campanha “Unlimit Yourself” propõe pensar nas variadas facetas que compõem a vida diária de uma pessoa e nos muitos afazeres de ordem pessoal, profissional, familiar e de lazer que perpassam essa rotina. Questão 3 Imaginando a situação hipotética de que você foi escalado para explicar o motivo de Vodafone apresentar a venda de seu serviço apenas no fim do comercial e não logo no comecinho, como muito se faz, como você defenderia a ideia de que o uso do Círculo Dourado se mostra relevante na construção da campanha “Unlimit Yourself”? D Serviço/produto: dados ilimitados, cobertura 5G, internet para uso no trabalho, no lazer e no cotidiano do lar. Ideia/experiência: conexão, agilidade e integração das várias etapas, momentos e pessoas que importam e compõem o seu complexo e singular dia a dia. E Serviço/produto: dados limitados, cobertura 4G, internet para uso no cotidiano do lar e para questões familiares. Ideia/experiência: conexão, agilidade e integração das várias etapas, momentos e pessoas que compõem apenas o seu espaço doméstico. Digite sua resposta aqui Chave de resposta A principal aposta do Círculo Dourado é demonstrar, antes de tudo, a razão pela qual a marca, potencialmente, deve fazer parte da sua vida. Na sequência, ao entender como isso se mostra de modo prático, o círculo chega à etapa final que é justamente demonstrar aquilo ou o que se propõe a vender (produto, serviço, ideia ou experiência). Isso se mostra importante no caso emestudo por conta da estratégia narrativa de contar a história de uma mulher multifacetada que, metaforicamente, ilustra a vida cotidiana de pessoas que precisam de dados ilimitados para darem conta de todas as suas múltiplas funções no dia a dia. Logo, oferecer apenas ao fim a solução para os problemas demonstrados no decorrer da história solidifica, organicamente, que a narrativa consegue angariar, primeiramente, o interesse do cliente/espectador e, só a partir daí, já com ele envolto na narrativa, ela oferece um bem significável. O Círculo Dourado (Golden Circle) O autor Simon Sinek afirma em seu livro Comece Pelo Porquê (2018) que alguns poucos líderes, diferentemente da maioria das pessoas, preferem inspirar a manipular para motivar aqueles que os rodeiam. Ele chama esse padrão de atitude e comunicação tão diferente de “Círculo Dourado”. Esse conceito é inspirado na proporção áurea, uma relação matemática que sustenta um padrão em diversos elementos da natureza, criando ordem em meio ao caos. Dessa forma, o Círculo Dourado seria uma maneira de criar ordem e prever o comportamento humano; ou seja, ele ajuda a compreender por que fazemos o que fazemos. Segundo ele, o Círculo Dourado também é uma forma de compreender como alguns líderes e algumas organizações atingiram um grau superior de influência. Para compreendermos tudo isso, primeiro precisamos entender como o círculo é formado: são três círculos, um dentro do outro, do maior para o menor. Cada círculo representa uma questão importante, sendo elas, do maior para o menor: O quê Toda empresa e organização sabe o quê faz, independentemente do ramo de atividade. Ela também é capaz de explicar seus produtos e serviços, vendidos de forma fácil e rápida. Este o quê é o ponto mais fácil de identificar de todos os outros círculos. Como Algumas empresas e pessoas sabem explicar como fazem o quê fazem. Este como geralmente é utilizado para explicar porque alguma coisa é melhor ou diferente de outras, sendo um valor agregado daquele produto ou serviço. Muitas vezes as pessoas acreditam que este fator é o suficiente para justificar uma decisão de compra ou aquisição de um serviço, mas isso não é tudo. Por quê O mais profundo e interno dos círculos é o do por quê. Poucas empresas e pessoas conseguem argumentar com clareza o por quê do que fazem o quê fazem. Quando falamos do por quê não estamos nos referindo a ganhar dinheiro e lucrar somente. O ganho financeiro é uma consequência disso. O por quê tem relação com o propósito da empresa/pessoa, tem relação direta com suas crenças e causas. Tente imaginar uma resposta para essas perguntas: Por que sua empresa existe? Por que você levanta da cama todos os dias? Por que o seu produto contribui para um mundo melhor? A maioria das empresas e pessoas tem a tendência de pensar e agir de fora para dentro do Círculo Dourado, ou seja, do o quê para o por quê, mas isso não é comum à toa. É mais fácil trabalharmos o que é mais simples e depois o mais complicado. Conforme diz Sinek, em seu livro: Nós dizemos o quê fazemos, às vezes dizemos como o fazemos, mas raramente dizemos por quê fazemos o quê fazemos. (SINEK, 2018, p. 50) Já os líderes e as empresas inspiradoras, que se tornam influentes e servem de referência, pensam e agem na forma inversa do círculo, de dentro para fora, do por quê para o quê. Um ótimo exemplo disso é a Apple, não somente pelo seu sucesso, mas por continuar, após tantos anos, sendo uma companhia inovadora e atraindo seguidores fiéis. Se a Apple fosse uma empresa típica e comum, como tantas que vemos por aí, ela se comportaria em relação ao Círculo Dourado como as outras, de fora para dentro. No seu discurso, teríamos uma explicação de o quê ela fabrica e de como acham que são diferentes, como se isso fosse o bastante para convencer alguém a comprar seus produtos, mesmo possuindo um valor elevado. Conforme afirma Sinek, o discurso da empresa Apple, se fosse igual a todos os outros, seria mais ou menos assim: “Fazemos ótimos computadores. Eles são lindos, bem projetados e simples de utilizar. Quer comprar um?” (SINEK, 2018, p. 52). Não é muito convincente, correto? Você acha que esse discurso é suficiente para convencê-lo a pagar o valor de um novo computador? Mas é assim que a maioria das empresas se coloca atualmente, acreditando que basta isso para vender. O quê Explicam o quê fazem – “Esse é nosso novo carro”. Esse modelo, de fora para dentro do círculo (o quê > como > por quê), é comum em todos os tipos de empresas e nichos, tanto em produtos quanto em serviços, tanto direcionado ao consumidor final quanto a outras empresas. Exemplo Esse modelo pode ser encontrado inclusive na política: “Esse é o candidato Fulano e sua posição em relação aos impostos é essa. Viu como ele é inovador? Vote nele!”. Em todos esses exemplos, podemos observar uma tentativa de convencer de que existe algo de diferente e com maior valor, como se esse argumento fosse sempre o suficiente. Além disso, não podemos esquecer de que todos os concorrentes também estão utilizando discursos similares, correto? Agora, vamos pensar em como a Apple faz as coisas e como ela realmente se posiciona. Desta vez, nosso caminho vai de dentro para fora do círculo, sendo primeiro o por quê: Como Dizem como fazem e como são bons nisso – “Ele tem bancos de couro, é econômico e com grande facilidade de pagamento”. Por quê Depois disso, incentivam uma ação do consumidor (compre!) e esperam um comportamento no momento seguinte. “Em tudo que fazemos queremos pensar de modo diferente, ‘fora da caixa’. A forma com que mudamos o mundo é criando produtos bonitos, simples de utilizar e intuitivos, facilitando o seu uso. O resultado disso são ótimos computadores. Que tal comprar um?” (SINEK, 2018, p. 53) Neste caso, temos uma mensagem diferente da que vimos anteriormente. A Apple inverte a ordem das informações utilizando o círculo de dentro para fora, começando pelo por quê, ou seja, por seu propósito, que não tem nada a ver com o quê eles fazem. Seus produtos e serviços na verdade são uma prova de seu propósito. Comentário Mesmo que concorrentes copiem o que a Apple faz, não conseguirão copiar o seu propósito, o que sempre irá torná-la uma empresa única. Isso comprova que seus consumidores não compram o quê ela produz, e sim por quê ela produz. No sentido contrário, podemos utilizar a Dell como exemplo. Em 2002 e 2003, a Dell lançou no mercado seus palmtops e tocadores de MP3, ambos os produtos de boa qualidade. Porém, a empresa era focada na fabricação de computadores e se definia somente por o quê fazia. Não havia muito sentido para nós comprar um palmtop ou um tocador de mp3 deles. Parecia, inclusive, não ser correto ou justificável. Diferente do ocorrido com a Apple, não havia razão para ficar seis horas em uma fila na porta de uma loja, no dia do lançamento, para comprar o novo aparelho da Dell, como ocorreu com o primeiro dia de vendas do Iphone. Algumas pessoas atribuem o sucesso da Apple à sua habilidade com o marketing, afirmando que ela vende um “estilo de vida”. Essa afirmação não está correta, pois a Apple não inventou um estilo de vida. O correto neste caso seria afirmar que pessoas que vivem de certa maneira se sentem atraídas pela Apple e gostariam de incorporar seus produtos em sua vida. Os produtos que as pessoas escolhem podem ser uma forma concreta e física de seu estilo de vida, algo que reafirme a sua causa e por quê fazem o que fazem. Podemos dizer então que esses produtos endossam suas escolhas. O autor Simon Sinek, autor da teoria do Círculo Dourado, afirma que: Uma simples alegação de que um computador é melhor, mesmo com uma evidência racional para sustentá-la, pode até criar o desejo e até motivar uma decisão de compra, mas não cria fidelidade. Se um consumidor se sentir inspirado a comprar um produto, e não manipulado, ele será capaz de verbalizar os motivos