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1 2 Olá, pessoal! Tudo bem? Parabéns, você está na segunda fase! Significa que você já percorreu uma boa parte do caminho. Agora vamos iniciar um estudo direcionado para a segunda fase e para auxiliar elaborei esse material com a matéria de processo do trabalho, modelo de peças e esquemas para facilitar a memorização do assunto. Espero que ele lhe seja útil. Estaremos juntos e tudo vai dar certo. Não esqueça que sua dedicação será recompensada. A sensação de ver o nome na lista não tem preço! Respira... Não pira... E olhe os artigos! Prof.ª Cleize Kohls | @prof.cleizekohls 3 Olá, pessoal! Tudo bem? Meu/minha querido(a)! Segue o material do nosso curso da 2ª fase de Direito do Trabalho. Ele foi pensado para que você aluno(a) consiga resolver todas as provas já realizadas, bem como as provas que ainda irão acontecer. Logo, ao fazer a leitura desse material - com atenção -, você terá acesso a todo conteúdo necessário para a sua aprovação. Vem comigo nessa disciplina incrível que é o Direito do Trabalho! Prof. Luiz Henrique I @prof.luiz.henrique 4 2ª FASE OAB | TRABALHO | 41º EXAME Direito do Trabalho Direito Processual e Material Aulas Gravadas Prof.ª Dra. Cleize Kohls Prof.º Me. Luiz Henrique Dutra SUMÁRIO 01. Direito Constitucional do Trabalho 6 02. Princípios, Fontes e Aplicação da norma jurídica trabalhista 9 03. Princípios do Processo do Trabalho, Fontes – Aplicabilidade do CPC 15 04. Empregados Especiais 20 05. Partes e Procuradores 38 06. Empregado Doméstico 45 07. Terceirização e trabalho temporário 51 08. Organização e Competência da Justiça do Trabalho 56 09. Medicina e Segurança doTrabalho 66 10. Contrato de Trabalho 69 11. Decisões ao longo do processo de conhecimento 72 12. Atos, Prazos e Nulidades 74 13. Manifestações ao longo do processo 79 14. Alegações finais/Sentença e coisa julgada. Responsabilidade por dano processual 82 15. FGTS 87 16. Força Maior 91 17. Calculando Verbas Rescisórias e Entendendo Reflexos 92 18. Dissídio Coletivo, Ação de Cumprimento 100 19. Reclamação Constitucional e Correição Parcial 107 20. Ação de Exibição de Documentos. Produção antecipada de provas. 111 21. MPT | ACP | ACC 116 22. Procedimentos 122 23. Ação Monitória 126 24. Possessória 129 25. Ação Anulatória 132 5 26. Ação de Exigir Contas 135 27. Habeas Corpus e Habeas Data 138 28. LGPD 143 29. Execução contra a Massa Falida | contra a empresa em recuperação judicial | em face da Fazenda Pública | de Contribuição Previdenciária 175 Olá, aluno(a). Este material de apoio foi organizado com base nas aulas do curso preparatório para a 2ª Fase OAB e deve ser utilizado como um roteiro para as respectivas aulas. Além disso, recomenda-se que o aluno assista as aulas acompanhado da legislação pertinente. Bons estudos, Equipe Ceisc. Atualizado em maio de 2024. 6 01. Direito Constitucional do Trabalho Prof. Luiz Henrique Dutra @prof.luiz.henrique Importante a leitura dos arts. 7ª ao 11ª da CF, ao qual segue a transcrição abaixo: Art. 7º - São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: I - Relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos. II - Seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário. Ver Lei 7.998/90 III - fundo de garantia do tempo de serviço; Ver Lei 8.036/90, em especial os arts. 15, 18 e 20. IV - Salário-mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim. V - Piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho. VI - Irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo. Ver art. 611-A, §3ºda CLT. VII - Garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem remuneração variável. Ver. Art. 466 da CLT VIII - Décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria. Ver Lei 4.749/65 e Lei 4.090/62. IX – Remuneração do trabalho noturno superior à do diurno. Ver art. 73 da CLT. X - Proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa. XI – Participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Ver Súmula n. 451 do TST e Lei 10.101-2000. XII - Salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos da lei. Ver Lei 4.266/63 XIII - Duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho. Ver art. 58 a 62 da CLT. XIV - Jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento, salvo negociação coletiva. Ver Súmula n. 423 do TST e OJ n. 420 e 275 da SDI-1 do TST. XV - Repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos. Ver art. 385 e 67 da CLT. XVI - Remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinquenta por cento à do normal. Ver art. 59, §1º da e Súmula 146 do TST. XVII - Gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal. https://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_451_600.html http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l10101.htm#:~:text=LEI%20No%2010.101%2C%20DE%2019%20DE%20DEZEMBRO%20DE%202000.&text=Disp%C3%B5e%20sobre%20a%20participa%C3%A7%C3%A3o%20dos,empresa%20e%20d%C3%A1%20outras%20provid%C3%AAncias. 7 XVIII - Licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte dias. Ver arts. 392 e seguintes da CLT. XIX - Licença-paternidade, nos termos fixados em lei; XX - Proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei. Ver art. 372 a 401 da CLT. XXI - Aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos termos da lei. Ver art. 487 a 491 da CLT. XXII - Redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança. Ver art. 154 a 200 da CLT. XXIII - Adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei. ATENÇÃO: Não existe regulamentação para atividades penosas, logo, tal direito não é devido. Ver arts. 189 a 197 da CLT. XXIV – Aposentadoria. XXV - Assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5 (cinco) anos de idade em creches e pré-escolas. XXVI - Reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho. Ver arts. 611 a 625 da CLT. XXVII - Proteção em face da automação, na forma da lei. XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa. XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho. Ver art. 11 e 11-A da CLT. XXX - Proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil. Ver art. 461 da CLT. XXXI - Proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência. Ver art. 461para a parte concedente (CAIRO Jr., 2015, P. 160): Estudante Parte concedente Instituição de Ensino 35 • Limitação do número de estagiários por estabelecimento, salvo no caso de estudantes de nível superior e de nível profissional: de 1 a 5 empregados – 1 estagiário | de 6 a 10 empregados – até 2 estagiários | de 11 a 25 empregados – até 5 estagiários; • Prazo máximo de dois anos, salvo quando se tratar de estagiário portador de necessidades especiais; • Reserva de 10% das vagas de estágio para estudantes portadores de necessidades especiais; • Obrigações especificas para a parte concedente, como por exemplo: a indicação de empregado de seu quadro pessoal, com formação ou experiência profissional na área de conhecimento desenvolvida no curso do estágio, para orientar e supervisionar até 10 estagiários simultaneamente, e o envio à instituição de ensino, com periodicidade mínima de 6 meses, de relatório de atividades, com vista obrigatória ao estagiário. 11.2 Trabalho Voluntário A Lei n. 9.608/98 disciplina o exercício do trabalho voluntário, conceituando-o no artigo 1º: Art. 1º - Considera-se serviço voluntário, para fins desta Lei, a atividade não remunerada, prestada por pessoa física à entidade pública de qualquer natureza, ou à instituição privada de fins não lucrativos, que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência social, inclusive mutualidade. Trata-se de contrato formal efetivado por instrumento escrito, denominado pela lei de termo de adesão, entre a entidade e o prestador de serviço voluntário, com o registro do objeto e as condições de seu exercício. A entidade que se beneficia do serviço voluntário fica obrigada a ressarcir o trabalhador pelas despesas necessárias à sua consecução, desde que haja comprovação do desembolso respectivo. (CAIRO Jr., 2015, p. 169). ATENÇÃO: O trabalho voluntário é admitido em entidades privadas, desde que não possuem fins lucrativos e tenham objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência social, inclusive mutualidade. 36 11.3 Autônomo A prestação de serviços autônomos é aquela que é executada por conta e risco da pessoa do trabalhador, ou simplesmente trabalho por conta própria. Representa uma das espécies do gênero relação de trabalho lato sensu, da qual faz parte, também, as relações derivadas do contrato de empreitada, do contrato de representação comercial, da prestação de serviços dos profissionais liberais, como advogados, médicos, dentistas, engenheiros, arquitetos, desde que não haja subordinação. (CAIRO Jr., 2015, p. 148) Para Sérgio Pinto Martins (2005, P. 186), trabalhador autônomo é “a pessoa física que presta serviços habitualmente por conta própria a uma ou mais de uma pessoa, assumindo os riscos de sua atividade econômica”. SINTETIZANDO: Existe ausência de subordinação jurídica para o trabalhador autônomo. Art. 442-B da CLT - A contratação do autônomo, cumpridas por este todas as formalidades legais, com ou sem exclusividade, de forma contínua ou não, afasta a qualidade de empregado prevista no art. 3o desta Consolidação. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) 11.4 Eventual Como já exposto, a não-eventualidade na prestação de serviços constitui elemento caracterizador da relação empregatícia. Se o empresário necessita por em marcha uma atividade eventual, qual seja, que não tenha caráter de permanência, no que se refere ao objeto do seu empreendimento e necessita de trabalhadores para executar as tarefas ligadas a essa atividade, não haverá relação empregatícia, mas sim uma outra, de relação de trabalho, e os trabalhadores serão denominados eventuais. Ex.: Um empresário necessita realizar obras de construção civil para uma reforma. Se essa atividade não for objeto do seu contrato social, a prestação de serviços daí decorrente será do tipo eventual. 11.5 Avulso Trabalhador avulso é aquele que presta serviços para terceiros, por intermédio de uma terceira pessoa. Maurício Godinho Delgado (2011, p. 338), afirma que o trabalhador avulso se assemelha ao trabalhador eventual “que oferta sua força de trabalho, por curtos períodos de tempo, a 37 distintos tomadores, sem se fixar especificamente a qualquer deles”, com a particularidade de que, no primeiro caso, existe uma entidade que faz a intermediação de mão-de-obra. O art. 7º, XXXIV da CF, garante “igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso”. De acordo com os arts. 643, § 3º da CLT e 652, V da CLT, a Justiça do Trabalho é competente para julgar as ações dos trabalhadores avulsos. Art. 643 da CLT - Os dissídios, oriundos das relações entre empregados e empregadores bem como de trabalhadores avulsos e seus tomadores de serviços, em atividades reguladas na legislação social, serão dirimidos pela Justiça do Trabalho, de acordo com o presente Título e na forma estabelecida pelo processo judiciário do trabalho. § 3º - A Justiça do Trabalho é competente, ainda, para processar e julgar as ações entre trabalhadores portuários e os operadores portuários ou o Órgão Gestor de Mão-de-Obra - OGMO decorrentes da relação de trabalho. Art. 652 da CLT - Compete às Juntas de Conciliação e Julgamento: V - as ações entre trabalhadores portuários e os operadores portuários ou o Órgão Gestor de Mão-de-Obra - OGMO decorrentes da relação de trabalho. 38 05. Partes e Procuradores Prof.ª Dra. Cleize Kohls @prof.cleizekohls * Para todos verem: esquema 1.1 Capacidade Postulatória Diferente do Processo Civil, no Processo do Trabalho, nos termos do artigo 791 e 839, “a”, da CLT, o empregado e o empregador também tem capacidade postulatória, isto é, podem demandar na Justiça do Trabalho, princípio do jus postulandi. * Para todos verem: esquema 1.2 Litisconsórcio Quando duas ou mais pessoas figuram no polo ativo e/ou no polo passivo da lide. Lembrar das regras de litisconsórcio previstas no CPC: a) Litisconsórcio necessário: Art. 114 CPC - Por disposição de lei. - Em razão da natureza da relação jurídica controvertida a eficácia da sentença depende da cita ção de todos que devam ser litisconsortes. Polo ativo Polo passivo CAPACIDADE DE SER PARTE Aptidão de ser titular de direitos e deveres. CAPACIDADE PROCESSUAL Aptidão para a prática de atos processuais sem a necessidade de assistência ou representação. 39 b) Litisconsórcio unitário: art. 116 CPC - Quando o juiz precisar decidir de modo uniforme para todos os litisconsortes. c) Número excessivo de litisconsortes: poderá o juiz limitar o litisconsórcio facultativo quando o número de litigantes comprometer a rápida solução do litígio ou dificultar a defesa e o cumprimento da sentença. Na CLT encontramos que: Os Juízos e Tribunais do Trabalho terão ampla liberdade na direção do processo e velarão pelo andamento rápido das causas, podendo determinar qualquer diligência necessária ao esclarecimento delas (Art. 765). ATENÇÃO: Quanto ao prazo em dobro para procuradores distintos, no processo do Trabalho não se aplica: OJ 310 SDI-I LITISCONSORTES. PROCURADORES DISTINTOS. PRAZO EM DOBRO. ART. 229, CAPUT E §§ 1º E 2º, DO CPC DE 2015. ART. 191 DO CPC DE 1973. INAPLICÁVEL AO PROCESSO DO TRABALHO (atualizada em decorrência do CPC de 2015) – Inaplicável ao processo do trabalho a norma contida no art. 229, caput e §§ 1º e 2º, do CPC de 2015 (art. 191 do CPC de 1973), em razão de incompatibilidade com a celeridade que lhe é inerente. 1.3 Ações Plúrimas Sendo várias as reclamações e havendo identidade de matéria, poderão ser acumuladas num só processo, se se tratar de empregados da mesma empresa ou estabelecimento (Art. 842 CLT). 1.4 Das partes e representantes a) Representaçãox assistência: A representação ocorre para os absolutamente incapazes (art. 3º do CC), já a assistência para os relativamente incapazes (art. 4º do CC). 40 Art. 793 da CLT - A reclamação trabalhista do menor de 18 anos será feita por seus representantes legais e, na falta destes, pela Procuradoria da Justiça do Trabalho, pelo sindicato, pelo Ministério Público estadual ou curador nomeado em juízo. b) Pessoas jurídicas (CPC, art. 75, VIII): Terão representantes designados nos estatutos ou, se não designado, por seus diretores. c) Pessoas jurídicas de direito público: * Para todos verem: esquema Autarquia não pode ser representada pelos procuradores dos Estados ou Municípios. OJ 318. AUTARQUIA. FUNDAÇÃO PÚBLICA. LEGITIMIDADE PARA RECORRER. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. (Incluído o item II e alterada em decorrência do CPC de 2015) - Res. 220/2017, DEJT divulgado em 21, 22 e 25.09.2017 I - Os Estados e os Municípios não têm legitimidade para recorrer em nome das autarquias e das fundações públicas. II – Os procuradores estaduais e municipais podem representar as respectivas autarquias e fundações públicas em juízo somente se designados pela lei da respectiva unidade da federação (art. 75, IV, do CPC de 2015) ou se investidos de instrumento de mandato válido. a) Sucessão das partes no Processo do Trabalho: acontece quando há a extinção da pessoa natural (morte), que será pelo espólio; ou sucessão de empresas quando há transferência para outra empresa ou alteração na sua estrutura jurídica (art. 10 e 448 da CLT). PJ de Direito Público Representante União/ Estados/DF Procuradores Municipios Prefeitos e Procuradores Autarquias e Fundações Procuradores 41 b) Substituição processual: possibilidade de alguém estar em juízo postulando em nome alheio. Sindicato: art. 8º, III, CF e OJ 121 do TST. c) Responsabilidade Solidária e Subsidiária Sucessão de empregadores: transferência de titularidade de empresa ou estabelecimento. Grupo econômico: caso de responsabilidade solidária, devendo ser incluídas no polo passivo (abrindo-se tópico para fundamentação na peça), e é definido pelo art. 2º, §2º da CLT: Art. 2º da CLT - Considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, ou ainda quando, mesmo guardando cada uma sua autonomia, integrem grupo econômico, serão responsáveis solidariamente pelas obrigações decorrentes da relação de emprego. Súmula nº 129 do TST - CONTRATO DE TRABALHO. GRUPO ECONÔMICO (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003] A prestação de serviços a mais de uma empresa do mesmo grupo econômico, durante a mesma jornada de trabalho, não caracteriza a coexistência de mais de um contrato de trabalho, salvo ajuste em contrário. Terceirização: situação em que a empresa prestadora do serviço realiza determinado serviço para a empresa tomadora (incluir no polo passivo: responsabilidade subsidiária, se for lícita; responsabilidade solidária, se for ilícita). Empreitada e subempreitada: necessidade de inclusão no polo passivo. Art. 455 da CLT - Nos contratos de subempreitada responderá o subempreiteiro pelas obrigações derivadas do contrato de trabalho que celebrar, cabendo, todavia, aos empregados, o direito de reclamação contra o empreiteiro principal pelo inadimplemento daquelas obrigações por parte do primeiro. Parágrafo único - Ao empreiteiro principal fica ressalvada, nos termos da lei civil, ação regressiva contra o subempreiteiro e a retenção de importâncias a este devidas, para a garantia das obrigações previstas neste artigo. OJ 191 SDI-I: CONTRATO DE EMPREITADA. DONO DA OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE. (nova redação) - Res. 175/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011 Diante da inexistência de previsão legal específica, o contrato de empreitada de construção civil entre o dono da obra e o empreiteiro não enseja responsabilidade solidária 42 ou subsidiária nas obrigações trabalhistas contraídas pelo empreiteiro, salvo sendo o dono da obra uma empresa construtora ou incorporadora. Massa falida: Indicar, na qualificação, o nome do administrador judicial e o endereço. Art. 75, V CPC. Advogado: A constituição de procurador com poderes para o foro em geral poderá ser efetivada, mediante simples registro em ata de audiência, a requerimento verbal do advogado interessado, com anuência da parte representada (art. 791, §3). Ademais a súmula nº 436 estabelece como será a representação processual da União, Estados, Municípios e Distrito Federal: Súmula nº 436 do TST. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. PROCURADOR DA UNIÃO, ESTADOS, MUNICÍPIOS E DISTRITO FEDERAL, SUAS AUTARQUIAS E FUNDAÇÕES PÚBLICAS. JUNTADA DE INSTRUMENTO DE MANDATO (conversão da Orientação Jurisprudencial nº 52 da SBDI-I e inserção do item II à redação) - Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012 I - A União, Estados, Municípios e Distrito Federal, suas autarquias e fundações públicas, quando representadas em juízo, ativa e passivamente, por seus procuradores, estão dispensadas da juntada de instrumento de mandato e de comprovação do ato de nomeação. II - Para os efeitos do item anterior, é essencial que o signatário ao menos declare-se exercente do cargo de procurador, não bastando a indicação do número de inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil. Já a Súmula nº 395 estabelece regras sobre mandato e substabelecimento, sendo importante lembrar que o advogado atua por instrumento de mandato (procuração), sendo que pode substabelecer (com ou sem reserva) os poderes que lhe foram outorgados. Súmula nº 395 do TST. MANDATO E SUBSTABELECIMENTO. CONDIÇÕES DE VALIDADE (nova redação dos itens I e II e acrescido o item V em decorrência do CPC de 2015) - Res. 211/2016, DEJT divulgado em 24, 25 e 26.08.2016 I - Válido é o instrumento de mandato com prazo determinado que contém cláusula estabelecendo a prevalência dos poderes para atuar até o final da demanda (§ 4º do art. 105 do CPC de 2015). (ex -OJ nº 312 da SBDI-1 – DJ 11.08.2003) II – Se há previsão, no instrumento de mandato, de prazo para sua juntada, o mandato só tem validade se anexado ao processo o respectivo instrumento no aludido prazo. (ex-OJ nº 313 da SBDI-1 - DJ 11.08.2003) III - São válidos os atos praticados pelo substabelecido, ainda que não haja, no mandato, poderes expressos para substabelecer (art. 667, e parágrafos, do Código Civil de 2002). (ex-OJ nº 108 da SBDI-1 - inserida em 01.10.1997). 43 IV - Configura-se a irregularidade de representação se o substabelecimento é anterior à outorga passada ao substabelecente. (ex-OJ nº 330 da SBDI-1 - DJ 09.12.2003) V – Verificada a irregularidade de representação nas hipóteses dos itens II e IV, deve o juiz suspender o processo e designar prazo razoável para que seja sanado o vício, ainda que em instância recursal (art. 76 do CPC de 2015). ATENÇÃO: Art. 104 do CPC: para evitar decadência, prescrição ou ato urgente: ato condicional (prazo 15 dias, prorrogável por mais 15). Cuidado se a questão versar sobre a juntada de procuração na fase recursal, pois para tanto deve-se observar o que determina a súmula nº 383 do TST: RECURSO. MANDATO. IRREGULARIDADE DE REPRESENTAÇÃO. CPC DE 2015, ARTS. 104 E 76, § 2º (nova redação em decorrência do CPC de 2015) - Res. 210/2016, DEJT divulgado em 30.06.2016 e 01 e 04.07.2016 I – É inadmissível recurso firmado por advogado sem procuração juntada aos autos até o momento da sua interposição, salvo mandato tácito. Em caráter excepcional (art. 104 do CPC de 2015), admite-se que o advogado, independentemente de intimação, exibaa procuração no prazo de 5 (cinco) dias após a interposição do recurso, prorrogável por igual período mediante despacho do juiz. Caso não a exiba, considera-se ineficaz o ato praticado e não se conhece do recurso. II – Verificada a irregularidade de representação da parte em fase recursal, em procuração ou substabelecimento já constante dos autos, o relator ou o órgão competente para julgamento do recurso designará prazo de 5 (cinco) dias para que seja sanado o vício. Descumprida a determinação, o relator não conhecerá do recurso, se a providência couber ao recorrente, ou determinará o desentranhamento das contrarrazões, se a providência couber ao recorrido (art. 76, § 2º, do CPC de 2015). Assim: * Para todos verem: esquema NÃO PODE Recurso por advogado sem procuração na fase recursal. PODE Se for mandato tácito. 44 São devidos honorários de sucumbência na reconvenção. 1.5 Honorários advocatícios Atualmente o tema é disciplinado pelo artigo 791-A da CLT, que dispõe que o advogado, ainda que atue em causa própria, serão devidos honorários de sucumbência, fixados entre o mínimo de 5% (cinco por cento) e o máximo de 15% (quinze por cento) sobre o valor que resultar da liquidação da sentença, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa. Ademais, o parágrafo 1º refere que os honorários são devidos também nas ações contra a Fazenda Pública e nas ações em que a parte estiver assistida ou substituída pelo sindicato de sua categoria. E, conforme § 2º , ao fixar os honorários, o juízo observará: I - o grau de zelo do profissional; II - o lugar de prestação do serviço; III - a natureza e a importância da causa; IV - o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço. Na hipótese de procedência parcial, o juízo arbitrará honorários de sucumbência recíproca, vedada a compensação entre os honorários. Vencido o beneficiário da justiça gratuita as obrigações decorrentes de sua sucumbência ficarão sob condição suspensiva de exigibilidade e somente poderão ser executadas se, nos dois anos subsequentes ao trânsito em julgado da decisão que as certificou, o credor demonstrar que deixou de existir a situação de insuficiência de recursos que justificou a concessão de gratuidade, extinguindo-se, passado esse prazo, tais obrigações do beneficiário. ATENÇÃO: O STF declarou inconstitucional o pagamento por quem tem JG com eventuais créditos naquele processo ou em outro. ATENÇÃO: 45 06. Empregado Doméstico Prof. Luiz Henrique Dutra @prof.luiz.henrique 1. Lei Complementar 150/2015 Art. 1o Ao empregado doméstico, assim considerado aquele que presta serviços de forma contínua, subordinada, onerosa e pessoal e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família, no âmbito residencial destas, por mais de 2 (dois) dias por semana, aplica-se o disposto nesta Lei. Parágrafo único. É vedada a contratação de menor de 18 (dezoito) anos para desempenho de trabalho doméstico, de acordo com a Convenção no 182, de 1999, da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e com o Decreto no 6.481, de 12 de junho de 2008 Art. 2o A duração normal do trabalho doméstico não excederá 8 (oito) horas diárias e 44 (quarenta e quatro) semanais, observado o disposto nesta Lei. § 1o A remuneração da hora extraordinária será, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) superior ao valor da hora normal. § 2o O salário-hora normal, em caso de empregado mensalista, será obtido dividindo-se o salário mensal por 220 (duzentas e vinte) horas, salvo se o contrato estipular jornada mensal inferior que resulte em divisor diverso. § 3o O salário-dia normal, em caso de empregado mensalista, será obtido dividindo-se o salário mensal por 30 (trinta) e servirá de base para pagamento do repouso remunerado e dos feriados trabalhados. § 4o Poderá ser dispensado o acréscimo de salário e instituído regime de compensação de horas, mediante acordo escrito entre empregador e empregado, se o excesso de horas de um dia for compensado em outro dia. § 5o No regime de compensação previsto no § 4o: I - será devido o pagamento, como horas extraordinárias, na forma do § 1o, das primeiras 40 (quarenta) horas mensais excedentes ao horário normal de trabalho; II - das 40 (quarenta) horas referidas no inciso I, poderão ser deduzidas, sem o correspondente pagamento, as horas não trabalhadas, em função de redução do horário normal de trabalho ou de dia útil não trabalhado, durante o mês; III - o saldo de horas que excederem as 40 (quarenta) primeiras horas mensais de que trata o inciso I, com a dedução prevista no inciso II, quando for o caso, será compensado no período máximo de 1 (um) ano. § 6o Na hipótese de rescisão do contrato de trabalho sem que tenha havido a compensação integral da jornada extraordinária, na forma do § 5o, o empregado fará jus ao pagamento das horas extras não compensadas, calculadas sobre o valor da remuneração na data de rescisão. § 7o Os intervalos previstos nesta Lei, o tempo de repouso, as horas não trabalhadas, os feriados e os domingos livres em que o empregado que mora no local de trabalho nele permaneça não serão computados como horário de trabalho. § 8o O trabalho não compensado prestado em domingos e feriados deve ser pago em dobro, sem prejuízo da remuneração relativa ao repouso semanal. Art. 3o Considera-se trabalho em regime de tempo parcial aquele cuja duração não exceda 25 (vinte e cinco) horas semanais. § 1o O salário a ser pago ao empregado sob regime de tempo parcial será proporcional a sua jornada, em relação ao empregado que cumpre, nas mesmas funções, tempo integral. § 2o A duração normal do trabalho do empregado em regime de tempo parcial poderá ser acrescida de horas suplementares, em número não excedente a 1 (uma) hora diária, https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Decreto/D6481.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Decreto/D6481.htm 46 mediante acordo escrito entre empregador e empregado, aplicando-se-lhe, ainda, o disposto nos §§ 2o e 3o do art. 2o, com o limite máximo de 6 (seis) horas diárias. § 3o Na modalidade do regime de tempo parcial, após cada período de 12 (doze) meses de vigência do contrato de trabalho, o empregado terá direito a férias, na seguinte proporção: I - 18 (dezoito) dias, para a duração do trabalho semanal superior a 22 (vinte e duas) horas, até 25 (vinte e cinco) horas; II - 16 (dezesseis) dias, para a duração do trabalho semanal superior a 20 (vinte) horas, até 22 (vinte e duas) horas; III - 14 (quatorze) dias, para a duração do trabalho semanal superior a 15 (quinze) horas, até 20 (vinte) horas; IV - 12 (doze) dias, para a duração do trabalho semanal superior a 10 (dez) horas, até 15 (quinze) horas; V - 10 (dez) dias, para a duração do trabalho semanal superior a 5 (cinco) horas, até 10 (dez) horas; VI - 8 (oito) dias, para a duração do trabalho semanal igual ou inferior a 5 (cinco) horas. Art. 4o É facultada a contratação, por prazo determinado, do empregado doméstico: I - mediante contrato de experiência; II - para atender necessidades familiares de natureza transitória e para substituição temporária de empregado doméstico com contrato de trabalho interrompido ou suspenso. Parágrafo único. No caso do inciso II deste artigo, a duração do contrato de trabalho é limitada ao término do evento que motivou a contratação, obedecido o limite máximo de 2 (dois) anos. Art. 5o O contrato de experiência não poderá exceder 90 (noventa) dias. § 1o O contrato de experiência poderá ser prorrogado 1 (uma) vez, desde que a soma dos 2 (dois) períodos não ultrapasse 90 (noventa) dias. § 2o O contrato de experiência que, havendo continuidade do serviço, não for prorrogado após o decurso de seu prazo previamente estabelecido ou que ultrapassar o período de90 (noventa) dias passará a vigorar como contrato de trabalho por prazo indeterminado. Art. 6o Durante a vigência dos contratos previstos nos incisos I e II do art. 4o, o empregador que, sem justa causa, despedir o empregado é obrigado a pagar-lhe, a título de indenização, metade da remuneração a que teria direito até o termo do contrato. Art. 7o Durante a vigência dos contratos previstos nos incisos I e II do art. 4o, o empregado não poderá se desligar do contrato sem justa causa, sob pena de ser obrigado a indenizar o empregador dos prejuízos que desse fato lhe resultarem. Parágrafo único. A indenização não poderá exceder aquela a que teria direito o empregado em idênticas condições. Art. 8o Durante a vigência dos contratos previstos nos incisos I e II do art. 4o, não será exigido aviso prévio. Art. 9o A Carteira de Trabalho e Previdência Social será obrigatoriamente apresentada, contra recibo, pelo empregado ao empregador que o admitir, o qual terá o prazo de 48 (quarenta e oito) horas para nela anotar, especificamente, a data de admissão, a remuneração e, quando for o caso, os contratos previstos nos incisos I e II do art. 4o. Art. 10. É facultado às partes, mediante acordo escrito entre essas, estabelecer horário de trabalho de 12 (doze) horas seguidas por 36 (trinta e seis) horas ininterruptas de descanso, observados ou indenizados os intervalos para repouso e alimentação. § 1o A remuneração mensal pactuada pelo horário previsto no caput deste artigo abrange os pagamentos devidos pelo descanso semanal remunerado e pelo descanso em feriados, e serão considerados compensados os feriados e as prorrogações de trabalho noturno, quando houver, de que tratam o art. 70 e o § 5º do art. 73 da https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5452.htm#art70 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5452.htm#art73 47 Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1o de maio de 1943, e o art. 9o da Lei no 605, de 5 de janeiro de 1949. § 2o (VETADO). Art. 11. Em relação ao empregado responsável por acompanhar o empregador prestando serviços em viagem, serão consideradas apenas as horas efetivamente trabalhadas no período, podendo ser compensadas as horas extraordinárias em outro dia, observado o art. 2o. § 1o O acompanhamento do empregador pelo empregado em viagem será condicionado à prévia existência de acordo escrito entre as partes. § 2o A remuneração-hora do serviço em viagem será, no mínimo, 25% (vinte e cinco por cento) superior ao valor do salário-hora normal. § 3o O disposto no § 2o deste artigo poderá ser, mediante acordo, convertido em acréscimo no banco de horas, a ser utilizado a critério do empregado. Art. 12. É obrigatório o registro do horário de trabalho do empregado doméstico por qualquer meio manual, mecânico ou eletrônico, desde que idôneo. Art. 13. É obrigatória a concessão de intervalo para repouso ou alimentação pelo período de, no mínimo, 1 (uma) hora e, no máximo, 2 (duas) horas, admitindo-se, mediante prévio acordo escrito entre empregador e empregado, sua redução a 30 (trinta) minutos. § 1o Caso o empregado resida no local de trabalho, o período de intervalo poderá ser desmembrado em 2 (dois) períodos, desde que cada um deles tenha, no mínimo, 1 (uma) hora, até o limite de 4 (quatro) horas ao dia. § 2o Em caso de modificação do intervalo, na forma do § 1o, é obrigatória a sua anotação no registro diário de horário, vedada sua prenotação. Art. 14. Considera-se noturno, para os efeitos desta Lei, o trabalho executado entre as 22 horas de um dia e as 5 horas do dia seguinte. § 1o A hora de trabalho noturno terá duração de 52 (cinquenta e dois) minutos e 30 (trinta) segundos. § 2o A remuneração do trabalho noturno deve ter acréscimo de, no mínimo, 20% (vinte por cento) sobre o valor da hora diurna. § 3o Em caso de contratação, pelo empregador, de empregado exclusivamente para desempenhar trabalho noturno, o acréscimo será calculado sobre o salário anotado na Carteira de Trabalho e Previdência Social. § 4o Nos horários mistos, assim entendidos os que abrangem períodos diurnos e noturnos, aplica-se às horas de trabalho noturno o disposto neste artigo e seus parágrafos. Art. 15. Entre 2 (duas) jornadas de trabalho deve haver período mínimo de 11 (onze) horas consecutivas para descanso. Art. 16. É devido ao empregado doméstico descanso semanal remunerado de, no mínimo, 24 (vinte e quatro) horas consecutivas, preferencialmente aos domingos, além de descanso remunerado em feriados. Art. 17. O empregado doméstico terá direito a férias anuais remuneradas de 30 (trinta) dias, salvo o disposto no § 3o do art. 3o, com acréscimo de, pelo menos, um terço do salário normal, após cada período de 12 (doze) meses de trabalho prestado à mesma pessoa ou família. § 1o Na cessação do contrato de trabalho, o empregado, desde que não tenha sido demitido por justa causa, terá direito à remuneração relativa ao período incompleto de férias, na proporção de um doze avos por mês de serviço ou fração superior a 14 (quatorze) dias. § 2o O período de férias poderá, a critério do empregador, ser fracionado em até 2 (dois) períodos, sendo 1 (um) deles de, no mínimo, 14 (quatorze) dias corridos. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5452.htm#art73 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5452.htm#art73 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L0605.htm#art9 48 § 3o É facultado ao empregado doméstico converter um terço do período de férias a que tiver direito em abono pecuniário, no valor da remuneração que lhe seria devida nos dias correspondentes. § 4o O abono de férias deverá ser requerido até 30 (trinta) dias antes do término do período aquisitivo. § 5o É lícito ao empregado que reside no local de trabalho nele permanecer durante as férias. § 6o As férias serão concedidas pelo empregador nos 12 (doze) meses subsequentes à data em que o empregado tiver adquirido o direito. Art. 18. É vedado ao empregador doméstico efetuar descontos no salário do empregado por fornecimento de alimentação, vestuário, higiene ou moradia, bem como por despesas com transporte, hospedagem e alimentação em caso de acompanhamento em viagem. § 1o É facultado ao empregador efetuar descontos no salário do empregado em caso de adiantamento salarial e, mediante acordo escrito entre as partes, para a inclusão do empregado em planos de assistência médico-hospitalar e odontológica, de seguro e de previdência privada, não podendo a dedução ultrapassar 20% (vinte por cento) do salário. § 2o Poderão ser descontadas as despesas com moradia de que trata o caput deste artigo quando essa se referir a local diverso da residência em que ocorrer a prestação de serviço, desde que essa possibilidade tenha sido expressamente acordada entre as partes. § 3o As despesas referidas no caput deste artigo não têm natureza salarial nem se incorporam à remuneração para quaisquer efeitos. § 4o O fornecimento de moradia ao empregado doméstico na própria residência ou em morada anexa, de qualquer natureza, não gera ao empregado qualquer direito de posse ou de propriedade sobre a referida moradia. Art. 19. Observadas as peculiaridades do trabalho doméstico, a ele também se aplicam as Leis nº 605, de 5 de janeiro de 1949, no 4.090, de 13 de julho de 1962, no 4.749, de 12 de agosto de 1965, e no 7.418, de 16 de dezembro de 1985, e, subsidiariamente, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Parágrafo único. A obrigação prevista no art. 4º da Lei nº 7.418, de 16 de dezembro de 1985, poderá ser substituída, a critério do empregador, pela concessão, mediante recibo, dos valores para a aquisição das passagens necessárias ao custeio das despesas decorrentes do deslocamento residência-trabalho e vice-versa. Art. 20. O empregado doméstico é seguradoobrigatório da Previdência Social, sendo- lhe devidas, na forma da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, as prestações nela arroladas, atendido o disposto nesta Lei e observadas as características especiais do trabalho doméstico. Art. 21. É devida a inclusão do empregado doméstico no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), na forma do regulamento a ser editado pelo Conselho Curador e pelo agente operador do FGTS, no âmbito de suas competências, conforme disposto nos arts. 5o e 7o da Lei no 8.036, de 11 de maio de 1990, inclusive no que tange aos aspectos técnicos de depósitos, saques, devolução de valores e emissão de extratos, entre outros determinados na forma da lei. Parágrafo único. O empregador doméstico somente passará a ter obrigação de promover a inscrição e de efetuar os recolhimentos referentes a seu empregado após a entrada em vigor do regulamento referido no caput. Art. 22. O empregador doméstico depositará a importância de 3,2% (três inteiros e dois décimos por cento) sobre a remuneração devida, no mês anterior, a cada empregado, destinada ao pagamento da indenização compensatória da perda do emprego, sem justa causa ou por culpa do empregador, não se aplicando ao https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L0605.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4090.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4749.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4749.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7418.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5452.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5452.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7418.htm#art4 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7418.htm#art4 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8213cons.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8036consol.htm#art5 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8036consol.htm#art5 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8036consol.htm#art7 49 empregado doméstico o disposto nos §§ 1o a 3o do art. 18 da Lei no 8.036, de 11 de maio de 1990. § 1o Nas hipóteses de dispensa por justa causa ou a pedido, de término do contrato de trabalho por prazo determinado, de aposentadoria e de falecimento do empregado doméstico, os valores previstos no caput serão movimentados pelo empregador. § 2o Na hipótese de culpa recíproca, metade dos valores previstos no caput será movimentada pelo empregado, enquanto a outra metade será movimentada pelo empregador. § 3o Os valores previstos no caput serão depositados na conta vinculada do empregado, em variação distinta daquela em que se encontrarem os valores oriundos dos depósitos de que trata o inciso IV do art. 34 desta Lei, e somente poderão ser movimentados por ocasião da rescisão contratual. § 4o À importância monetária de que trata o caput, aplicam-se as disposições da Lei no 8.036, de 11 de maio de 1990, e da Lei no 8.844, de 20 de janeiro de 1994, inclusive quanto a sujeição passiva e equiparações, prazo de recolhimento, administração, fiscalização, lançamento, consulta, cobrança, garantias, processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários federais. Art. 23. Não havendo prazo estipulado no contrato, a parte que, sem justo motivo, quiser rescindi-lo deverá avisar a outra de sua intenção. § 1o O aviso prévio será concedido na proporção de 30 (trinta) dias ao empregado que conte com até 1 (um) ano de serviço para o mesmo empregador. § 2o Ao aviso prévio previsto neste artigo, devido ao empregado, serão acrescidos 3 (três) dias por ano de serviço prestado para o mesmo empregador, até o máximo de 60 (sessenta) dias, perfazendo um total de até 90 (noventa) dias. § 3o A falta de aviso prévio por parte do empregador dá ao empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período ao seu tempo de serviço. § 4o A falta de aviso prévio por parte do empregado dá ao empregador o direito de descontar os salários correspondentes ao prazo respectivo. § 5o O valor das horas extraordinárias habituais integra o aviso prévio indenizado. Art. 24. O horário normal de trabalho do empregado durante o aviso prévio, quando a rescisão tiver sido promovida pelo empregador, será reduzido de 2 (duas) horas diárias, sem prejuízo do salário integral. Parágrafo único. É facultado ao empregado trabalhar sem a redução das 2 (duas) horas diárias previstas no caput deste artigo, caso em que poderá faltar ao serviço, sem prejuízo do salário integral, por 7 (sete) dias corridos, na hipótese dos §§ 1o e 2o do art. 23. Art. 25. A empregada doméstica gestante tem direito a licença-maternidade de 120 (cento e vinte) dias, sem prejuízo do emprego e do salário, nos termos da Seção V do Capítulo III do Título III da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943. Parágrafo único. A confirmação do estado de gravidez durante o curso do contrato de trabalho, ainda que durante o prazo do aviso prévio trabalhado ou indenizado, garante à empregada gestante a estabilidade provisória prevista na alínea “b” do inciso II do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Art. 26. O empregado doméstico que for dispensado sem justa causa fará jus ao benefício do seguro-desemprego, na forma da Lei no 7.998, de 11 de janeiro de 1990, no valor de 1 (um) salário-mínimo, por período máximo de 3 (três) meses, de forma contínua ou alternada. § 1o O benefício de que trata o caput será concedido ao empregado nos termos do regulamento do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat). § 2o O benefício do seguro-desemprego será cancelado, sem prejuízo das demais sanções cíveis e penais cabíveis: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8036consol.htm#art18%C2%A73 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8036consol.htm#art18%C2%A73 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8036consol.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8844.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5452.htm#tituloiicapituloiiisecaov https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7998.htm 50 I - pela recusa, por parte do trabalhador desempregado, de outro emprego condizente com sua qualificação registrada ou declarada e com sua remuneração anterior; II - por comprovação de falsidade na prestação das informações necessárias à habilitação; III - por comprovação de fraude visando à percepção indevida do benefício do seguro- desemprego; ou IV - por morte do segurado. Art. 27. Considera-se justa causa para os efeitos desta Lei: I - submissão a maus tratos de idoso, de enfermo, de pessoa com deficiência ou de criança sob cuidado direto ou indireto do empregado; II - prática de ato de improbidade; III - incontinência de conduta ou mau procedimento; IV - condenação criminal do empregado transitada em julgado, caso não tenha havido suspensão da execução da pena; V - desídia no desempenho das respectivas funções; VI - embriaguez habitual ou em serviço; VII - (VETADO); VIII - ato de indisciplina ou de insubordinação; IX - abandono de emprego, assim considerada a ausência injustificada ao serviço por, pelo menos, 30 (trinta) dias corridos; X - ato lesivo à honra ou à boa fama ou ofensas físicas praticadas em serviço contra qualquer pessoa, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem; XI - ato lesivo à honra ou à boa fama ou ofensas físicas praticadas contra o empregador doméstico ou sua família, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem; XII - prática constante de jogos de azar. Parágrafo único. O contrato de trabalho poderá ser rescindido por culpa do empregador quando: I - o empregador exigir serviços superiores às forças do empregado doméstico, defesos por lei, contrários aos bons costumes ou alheios ao contrato; II - o empregado doméstico for tratado pelo empregador ou por sua família com rigorexcessivo ou de forma degradante; III - o empregado doméstico correr perigo manifesto de mal considerável; IV - o empregador não cumprir as obrigações do contrato; V - o empregador ou sua família praticar, contra o empregado doméstico ou pessoas de sua família, ato lesivo à honra e à boa fama; VI - o empregador ou sua família ofender o empregado doméstico ou sua família fisicamente, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem; VII - o empregador praticar qualquer das formas de violência doméstica ou familiar contra mulheres de que trata o art. 5o da Lei no 11.340, de 7 de agosto de 2006. Art. 28. Para se habilitar ao benefício do seguro-desemprego, o trabalhador doméstico deverá apresentar ao órgão competente do Ministério do Trabalho e Emprego: I - Carteira de Trabalho e Previdência Social, na qual deverão constar a anotação do contrato de trabalho doméstico e a data de dispensa, de modo a comprovar o vínculo empregatício, como empregado doméstico, durante pelo menos 15 (quinze) meses nos últimos 24 (vinte e quatro) meses; II - termo de rescisão do contrato de trabalho; III - declaração de que não está em gozo de benefício de prestação continuada da Previdência Social, exceto auxílio-acidente e pensão por morte; e IV - declaração de que não possui renda própria de qualquer natureza suficiente à sua manutenção e de sua família. Art. 29. O seguro-desemprego deverá ser requerido de 7 (sete) a 90 (noventa) dias contados da data de dispensa. Art. 30. Novo seguro-desemprego só poderá ser requerido após o cumprimento de novo período aquisitivo, cuja duração será definida pelo Codefat. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm#art5 51 07. Terceirização e trabalho temporário Prof. Luiz Henrique Dutra @prof.luiz.henrique 1. Relação de Trabalho/Terceirização A terceirização ocorre quando uma empresa contrata outra para prestar determinado tipo de serviço, sem prazo determinado ou qualquer motivo que justifique a contratação. A terceirização foi regulamente recentemente com a atualização da Lei 6.019/74, dentre ao qual trouxe as seguintes novidades sobre a terceirização, vejamos o art. 4º-A e seguintes: Art. 4º-A. Considera-se prestação de serviços a terceiros a transferência feita pela contratante da execução de quaisquer de suas atividades, inclusive sua atividade principal, à pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviços que possua capacidade econômica compatível com a sua execução. § 1º A empresa prestadora de serviços contrata, remunera e dirige o trabalho realizado por seus trabalhadores, ou subcontrata outras empresas para realização desses serviços. § 2º Não se configura vínculo empregatício entre os trabalhadores, ou sócios das empresas prestadoras de serviços, qualquer que seja o seu ramo, e a empresa contratante. Art. 4º-B. São requisitos para o funcionamento da empresa de prestação de serviços a terceiros: I - Prova de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ); II - Registro na Junta Comercial; III - Capital social compatível com o número de empregados, observando-se os seguintes parâmetros: a) Empresas com até dez empregados - capital mínimo de R$ 10.000,00 (dez mil reais). b) Empresas com mais de dez e até vinte empregados - capital mínimo de R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais). c) Empresas com mais de vinte e até cinquenta empregados - capital mínimo de R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais). d) Empresas com mais de cinquenta e até cem empregados - capital mínimo de R$ 100.000,00 (cem mil reais); e e) empresas com mais de cem empregados - capital mínimo de R$ 250.000,00 (duzentos e cinquenta mil reais). Art. 4º-C. São asseguradas aos empregados da empresa prestadora de serviços a que se refere o art. 4º-A desta Lei, quando e enquanto os serviços, que podem ser de qualquer uma das atividades da contratante, forem executados nas dependências da tomadora, as mesmas condições: I - Relativas a: a) Alimentação garantida aos empregados da contratante, quando oferecida em refeitórios. b) Direito de utilizar os serviços de transporte. c) Atendimento médico ou ambulatorial existente nas dependências da contratante ou local por ela designado. d) Treinamento adequado, fornecido pela contratada, quando a atividade o exigir. 52 II - Sanitárias, de medidas de proteção à saúde e de segurança no trabalho e de instalações adequadas à prestação do serviço. §1º Contratante e contratada poderão estabelecer, se assim entenderem, que os empregados da contratada farão jus a salário equivalente ao pago aos empregados da contratante, além de outros direitos não previstos neste artigo. § 2º Nos contratos que impliquem mobilização de empregados da contratada em número igual ou superior a 20% (vinte por cento) dos empregados da contratante, esta poderá disponibilizar aos empregados da contratada os serviços de alimentação e atendimento ambulatorial em outros locais apropriados e com igual padrão de atendimento, com vistas a manter o pleno funcionamento dos serviços existentes. Art. 5º-A. Contratante é a pessoa física ou jurídica que celebra contrato com empresa de prestação de serviços relacionados a quaisquer de suas atividades, inclusive sua atividade principal. § 1º É vedada à contratante a utilização dos trabalhadores em atividades distintas daquelas que foram objeto do contrato com a empresa prestadora de serviços. § 2º Os serviços contratados poderão ser executados nas instalações físicas da empresa contratante ou em outro local, de comum acordo entre as partes. § 3º É responsabilidade da contratante garantir as condições de segurança, higiene e salubridade dos trabalhadores, quando o trabalho for realizado em suas dependências ou local previamente convencionado em contrato. § 4º A contratante poderá estender ao trabalhador da empresa de prestação de serviços o mesmo atendimento médico, ambulatorial e de refeição destinado aos seus empregados, existente nas dependências da contratante, ou local por ela designado. § 5º A empresa contratante é subsidiariamente responsável pelas obrigações trabalhistas referentes ao período em que ocorrer a prestação de serviços, e o recolhimento das contribuições previdenciárias observará o disposto no art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Art. 5º-B. O contrato de prestação de serviços conterá: I - Qualificação das partes. II - Especificação do serviço a ser prestado. III - Prazo para realização do serviço, quando for o caso. IV - Valor. Art. 5º-C. Não pode figurar como contratada, nos termos do art. 4º-A desta Lei, a pessoa jurídica cujos titulares ou sócios tenham, nos últimos dezoito meses, prestado serviços à contratante na qualidade de empregado ou trabalhador sem vínculo empregatício, exceto se os referidos titulares ou sócios forem aposentados. Art. 5º-D. O empregado que for demitido não poderá prestar serviços para esta mesma empresa na qualidade de empregado de empresa prestadora de serviços antes do decurso de prazo de dezoito meses, contados a partir da demissão do empregado. 2. Contrato Temporário – Lei nº 6.019/74 Já o trabalhador temporário é aquele contratado para prestar serviço a uma empresa que possui uma demanda extraordinária de serviço e tem uma redução temporária de funcionários, através de uma empresa específica de trabalho temporário, por um tempo determinado. 53 Art. 1º. As relações de trabalho na empresa de trabalho temporário, na empresa de prestação de serviços e nas respectivas tomadoras de serviço e contratante regem-se por esta Lei.Art. 2º. Trabalho temporário é aquele prestado por pessoa física contratada por uma empresa de trabalho temporário que a coloca à disposição de uma empresa tomadora de serviços, para atender à necessidade de substituição transitória de pessoal permanente ou à demanda complementar de serviços. § 1° É proibida a contratação de trabalho temporário para a substituição de trabalhadores em greve, salvo nos casos previstos em lei. § 2º Considera-se complementar a demanda de serviços que seja oriunda de fatores imprevisíveis ou, quando decorrente de fatores previsíveis, tenha natureza intermitente, periódica ou sazonal. Art. 3º. É reconhecida a atividade da empresa de trabalho temporário que passa a integrar o plano básico do enquadramento sindical a que se refere o art. 577, da Consolidação da Leis do Trabalho. Art. 4º. Empresa de trabalho temporário é a pessoa jurídica, devidamente registrada no Ministério do Trabalho, responsável pela colocação de trabalhadores à disposição de outras empresas temporariamente. Art. 5º. Empresa tomadora de serviços é a pessoa jurídica ou entidade a ela equiparada que celebra contrato de prestação de trabalho temporário com a empresa definida no art. 4º desta Lei. Art. 6º. São requisitos para funcionamento e registro da empresa de trabalho temporário no Ministério do Trabalho: I - Prova de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), do Ministério da Fazenda; II - Prova do competente registro na Junta Comercial da localidade em que tenha sede; III - Prova de possuir capital social de, no mínimo, R$ 100.000,00 (cem mil reais). Art. 7º. A empresa de trabalho temporário que estiver funcionando na data da vigência desta Lei terá o prazo de noventa dias para o atendimento das exigências contidas no artigo anterior. Parágrafo único. A empresa infratora do presente artigo poderá ter o seu funcionamento suspenso, por ato do Diretor Geral do Departamento Nacional de Mão-de-Obra, cabendo recurso ao Ministro de Estado, no prazo de dez dias, a contar da publicação do ato no Diário Oficial da União. Art. 8º. A empresa de trabalho temporário é obrigada a fornecer ao Departamento Nacional de Mão-de-Obra, quando solicitada, os elementos de informação julgados necessários ao estudo do mercado de trabalho. Art. 9º. O contrato celebrado pela empresa de trabalho temporário e a tomadora de serviços será por escrito, ficará à disposição da autoridade fiscalizadora no estabelecimento da tomadora de serviços e conterá: I - Qualificação das partes; II - Motivo justificador da demanda de trabalho temporário; III - Prazo da prestação de serviços; IV - Valor da prestação de serviços; V - Disposições sobre a segurança e a saúde do trabalhador, independentemente do local de realização do trabalho. § 1º É responsabilidade da empresa contratante garantir as condições de segurança, higiene e salubridade dos trabalhadores, quando o trabalho for realizado em suas dependências ou em local por ela designado. 54 § 2º A contratante estenderá ao trabalhador da empresa de trabalho temporário o mesmo atendimento médico, ambulatorial e de refeição destinado aos seus empregados, existente nas dependências da contratante, ou local por ela designado. § 3º O contrato de trabalho temporário pode versar sobre o desenvolvimento de atividades-meio e atividades-fim a serem executadas na empresa tomadora de serviços. Art. 10. Qualquer que seja o ramo da empresa tomadora de serviços, não existe vínculo de emprego entre ela e os trabalhadores contratados pelas empresas de trabalho temporário. § 1º O contrato de trabalho temporário, com relação ao mesmo empregador, não poderá exceder ao prazo de cento e oitenta dias, consecutivos ou não. § 2º O contrato poderá ser prorrogado por até noventa dias, consecutivos ou não, além do prazo estabelecido no § 1º deste artigo, quando comprovada a manutenção das condições que o ensejaram. § 3º (VETADO). § 4º Não se aplica ao trabalhador temporário, contratado pela tomadora de serviços, o contrato de experiência previsto no parágrafo único do art. 445 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1o de maio de 1943. § 5º O trabalhador temporário que cumprir o período estipulado nos §§ 1º e 2º deste artigo somente poderá ser colocado à disposição da mesma tomadora de serviços em novo contrato temporário, após noventa dias do término do contrato anterior. § 6º A contratação anterior ao prazo previsto no § 5º deste artigo caracteriza vínculo empregatício com a tomadora. § 7º A contratante é subsidiariamente responsável pelas obrigações trabalhistas referentes ao período em que ocorrer o trabalho temporário, e o recolhimento das contribuições previdenciárias observará o disposto no art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Art. 11. O contrato de trabalho celebrado entre empresa de trabalho temporário e cada um dos assalariados colocados à disposição de uma empresa tomadora ou cliente será, obrigatoriamente, escrito e dele deverão constar, expressamente, os direitos conferidos aos trabalhadores por esta Lei. Parágrafo único. Será nula de pleno direito qualquer cláusula de reserva, proibindo a contratação do trabalhador pela empresa tomadora ou cliente ao fim do prazo em que tenha sido colocado à sua disposição pela empresa de trabalho temporário Art. 12. Ficam assegurados ao trabalhador temporário os seguintes direitos: a) remuneração equivalente à percebida pelos empregados de mesma categoria da empresa tomadora ou cliente calculados à base horária, garantida, em qualquer hipótese, a percepção do salário mínimo regional; b) jornada de oito horas, remuneradas as horas extraordinárias não excedentes de duas, com acréscimo de 20% (vinte por cento); c) férias proporcionais, nos termos do artigo 25 da Lei nº 5.107, de 13 de setembro de 1966; d) repouso semanal remunerado; e) adicional por trabalho noturno; f) indenização por dispensa sem justa causa ou término normal do contrato, correspondente a 1/12 (um doze avos) do pagamento recebido; g) seguro contra acidente do trabalho; h) proteção previdenciária nos termos do disposto na Lei Orgânica da Previdência Social, com as alterações introduzidas pela Lei nº 5.890, de 8 de junho de 1973 (art. 5º, item III, letra "c" do Decreto nº 72.771, de 6 de setembro de 1973). § 1º Registrar-se-á na Carteira de Trabalho e Previdência Social do trabalhador sua condição de temporário. § 2º A empresa tomadora ou cliente é obrigada a comunicar à empresa de trabalho temporário a ocorrência de todo acidente cuja vítima seja um assalariado posto à sua disposição, considerando-se local de trabalho, para efeito da legislação específica, tanto 55 aquele onde se efetua a prestação do trabalho, quanto a sede da empresa de trabalho temporário. Art. 13. Constituem justa causa para rescisão do contrato do trabalhador temporário os atos e circunstâncias mencionados nos artigos 482 e 483, da Consolidação das Leis do Trabalho, ocorrentes entre o trabalhador e a empresa de trabalho temporário ou entre aquele e a empresa cliente onde estiver prestando serviço. Art. 14. As empresas de trabalho temporário são obrigadas a fornecer às empresas tomadoras ou clientes, a seu pedido, comprovante da regularidade de sua situação com o Instituto Nacional de Previdência Social. Art. 15. A Fiscalização do Trabalho poderá exigir da empresa tomadora ou cliente a apresentação do contrato firmado com a empresa de trabalho temporário, e, desta última o contrato firmado com o trabalhador, bem como a comprovação do respectivo recolhimento das contribuições previdenciárias. Art. 16. No caso de falência da empresa de trabalho temporário,a empresa tomadora ou cliente é solidariamente responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, no tocante ao tempo em que o trabalhador esteve sob suas ordens, assim como em referência ao mesmo período, pela remuneração e indenização previstas nesta Lei. Art. 17. É defeso às empresas de prestação de serviço temporário a contratação de estrangeiros com visto provisório de permanência no País. Art. 18. É vedado à empresa do trabalho temporário cobrar do trabalhador qualquer importância, mesmo a título de mediação, podendo apenas efetuar os descontos previstos em Lei. Parágrafo único. A infração deste artigo importa no cancelamento do registro para funcionamento da empresa de trabalho temporário, sem prejuízo das sanções administrativas e penais cabíveis. Art. 19. Competirá à Justiça do Trabalho dirimir os litígios entre as empresas de serviço temporário e seus trabalhadores. Art. 19-A. O descumprimento do disposto nesta Lei sujeita a empresa infratora ao pagamento de multa. Parágrafo único. A fiscalização, a autuação e o processo de imposição das multas reger- se-ão pelo Título VII da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1o de maio de 1943. Art. 19-B. O disposto nesta Lei não se aplica às empresas de vigilância e transporte de valores, permanecendo as respectivas relações de trabalho reguladas por legislação especial, e subsidiariamente pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. 56 08. Organização e Competência da Justiça do Trabalho Prof.ª Dra. Cleize Kohls @prof.cleizekohls 1. Organização e Competência da Justiça do Trabalho 1.1 Órgãos que compõem a Justiça do Trabalho (art. 111 da CF) a) Tribunal Superior do Trabalho –TST (Brasília): 27 ministros, escolhidos entre brasileiros com mais de 35 anos e menores de 65 anos, nomeados pelo Presidente da República após aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal. É composto pelo Tribunal Pleno, Órgão especial, Seção Especializadas em Dissídios Coletivos, Seção Especializada em Dissídios Individuais e Turmas. b) Tribunais Regionais do Trabalho – TRTs (região): no mínimo 7 juízes recrutados e nomeados pelo Presidente da República, entre brasileiros com mais de 30 e menos de 65 anos. c) Juízes do Trabalho (Varas do Trabalho); d) Na CLT e nos Regimentos internos estão definidas as competências internas dos Tribunais, e) Juiz de Direito – localidades onde não haja vara do trabalho - art.112 da CF: A lei criará varas da Justiça do Trabalho, podendo, nas comarcas não abrangidas por sua jurisdição, atribuí-la aos juízes de direito, com recurso para o respectivo Tribunal Regional do Trabalho. 1.2 Varas do Trabalho A grande maioria das ações terá início nas Varas do Trabalho. Nelas temos a figura do juiz do trabalho. São exemplos de ações que são ajuizadas na Vara do Trabalho: Reclamação Trabalhista, Inquérito Judicial para apuração de falta grave, Ação de Consignação em Pagamento. Na CLT encontramos a competência da Vara do Trabalho: Art. 652. Compete às Varas do Trabalho: (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017) a) conciliar e julgar: I - os dissídios em que se pretenda o reconhecimento da estabilidade de empregado; II - os dissídios concernentes a remuneração, férias e indenizações por motivo de rescisão do contrato individual de trabalho; III - os dissídios resultantes de contratos de empreitadas em que o empreiteiro seja operário ou artífice; 57 IV - os demais dissídios concernentes ao contrato individual de trabalho; Art. 653 - Compete, ainda, às Juntas de Conciliação e Julgamento: a) requisitar às autoridades competentes a realização das diligências necessárias ao esclarecimento dos feitos sob sua apreciação, representando contra aquelas que não atenderem a tais requisições; b) realizar as diligências e praticar os atos processuais ordenados pelos Tribunais Regionais do Trabalho ou pelo Tribunal Superior do Trabalho; c) julgar as suspeições arguidas contra os seus membros; d) julgar as exceções de incompetência que lhes forem opostas; e) expedir precatórias e cumprir as que lhes forem deprecadas; f) exercer, em geral, no interesse da Justiça do Trabalho, quaisquer outras atribuições que decorram da sua jurisdição. Art. 659 - Competem privativamente aos Presidentes das Juntas, além das que lhes forem conferidas neste Título e das decorrentes de seu cargo, as seguintes atribuições: I - presidir às audiências das Juntas; II - executar as suas próprias decisões, as proferidas pela Junta e aquelas cuja execução lhes for deprecada; III - dar posse aos vogais nomeados para a Junta, ao Secretário e aos demais funcionários da Secretaria; IV - convocar os suplentes dos vogais, no impedimento destes; V - representar ao Presidente do Tribunal Regional da respectiva jurisdição, no caso de falta de qualquer vogal a 3 (três) reuniões consecutivas, sem motivo justificado, para os fins do art. 727; VI - despachar os recursos interpostos pelas partes, fundamentando a decisão recorrida antes da remessa ao Tribunal Regional, ou submetendo-os à decisão da Junta, no caso do art. 894; VII - assinar as folhas de pagamento dos membros e funcionários da Junta; VlIl - apresentar ao Presidente do Tribunal Regional, até 15 de fevereiro de cada ano, o relatório dos trabalhos do ano anterior; IX - conceder medida liminar, até decisão final do processo, em reclamações trabalhistas que visem a tornar sem efeito transferência disciplinada pelos parágrafos do artigo 469 desta Consolidação. X - conceder medida liminar, até decisão final do processo, em reclamações trabalhistas que visem reintegrar no emprego dirigente sindical afastado, suspenso ou dispensado pelo empregador. 1.3 TRT Os Tribunais Regionais serão competentes para processar e julgar as ações de competência originárias, a exemplo da ação rescisória. E, também terá competência recursal. São recursos que são direcionados para o TRT: recurso ordinário e agravo de petição. Art. 115. Os Tribunais Regionais do Trabalho compõem-se de, no mínimo, sete juízes, recrutados, quando possível, na respectiva região, e nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros com mais de trinta e menos de sessenta e cinco anos, sendo: I um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade profissional e membros do Ministério Público do Trabalho com mais de dez anos de efetivo exercício, observado o disposto no art. 94; II os demais, mediante promoção de juízes do trabalho por antiguidade e merecimento, alternadamente. 58 § 1º Os Tribunais Regionais do Trabalho instalarão a justiça itinerante, com a realização de audiências e demais funções de atividade jurisdicional, nos limites territoriais da respectiva jurisdição, servindo-se de equipamentos públicos e comunitários. § 2º Os Tribunais Regionais do Trabalho poderão funcionar descentralizadamente, constituindo Câmaras regionais, a fim de assegurar o pleno acesso do jurisdicionado à justiça em todas as fases do processo. Art. 678 - Aos Tribunais Regionais, quando divididos em Turmas, compete: I - ao Tribunal Pleno, especialmente: a) processar, conciliar e julgar originariamente os dissídios coletivos; b) processar e julgar originariamente: 1) as revisões de sentenças normativas; 2) a extensão das decisões proferidas em dissídios coletivos; 3) os mandados de segurança; 4) as impugnações à investidura de vogais e seus suplentes nas Juntas de Conciliação e Julgamento; c) processar e julgar em última instância: 1) os recursos das multas impostas pelas Turmas; 2) as ações rescisórias das decisões das Juntas de Conciliação e Julgamento, dos juízes de direito investidos na jurisdição trabalhista, das Turmas e de seus próprios acórdãos; 3) osconflitos de jurisdição entre as suas Turmas, os juízes de direito investidos na jurisdição trabalhista, as Juntas de Conciliação e Julgamento, ou entre aqueles e estas; d) julgar em única ou última instâncias: 1) os processos e os recursos de natureza administrativa atinentes aos seus serviços auxiliares e respectivos servidores; 2) as reclamações contra atos administrativos de seu presidente ou de qualquer de seus membros, assim como dos juízes de primeira instância e de seus funcionários. II - às Turmas: a) julgar os recursos ordinários previstos no art. 895, alínea a; b) julgar os agravos de petição e de instrumento, estes de decisões denegatórias de recursos de sua alçada; c) impor multas e demais penalidades relativas e atos de sua competência jurisdicional, e julgar os recursos interpostos das decisões das Juntas dos juízes de direito que as impuserem. Parágrafo único. Das decisões das Turmas não caberá recurso para o Tribunal Pleno, exceto no caso do item I, alínea "c", inciso 1, deste artigo. 1.4 TST O TST também possui competência para processar e julgar ações de competência originárias, a exemplo da ação rescisória. E, os recursos de revista e de embargos ao TST, são por ele analisados. Art. 111-A. O Tribunal Superior do Trabalho compor-se-á de vinte e sete Ministros, escolhidos dentre brasileiros com mais de trinta e cinco anos e menos de sessenta e cinco anos, de notável saber jurídico e reputação ilibada, nomeados pelo Presidente da República após aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal, sendo: I um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade profissional e membros do Ministério Público do Trabalho com mais de dez anos de efetivo exercício, observado o disposto no art. 94; II os demais dentre juízes dos Tribunais Regionais do Trabalho, oriundos da magistratura da carreira, indicados pelo próprio Tribunal Superior. 59 § 1º A lei disporá sobre a competência do Tribunal Superior do Trabalho. § 2º Funcionarão junto ao Tribunal Superior do Trabalho: I a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho, cabendo-lhe, dentre outras funções, regulamentar os cursos oficiais para o ingresso e promoção na carreira; II o Conselho Superior da Justiça do Trabalho, cabendo-lhe exercer, na forma da lei, a supervisão administrativa, orçamentária, financeira e patrimonial da Justiça do Trabalho de primeiro e segundo graus, como órgão central do sistema, cujas decisões terão efeito vinculante. § 3º Compete ao Tribunal Superior do Trabalho processar e julgar, originariamente, a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões. 1.5 Competência Após saber como é composta a Justiça do Trabalho, necessário se faz analisar quais as demandas que poderão ser apreciadas nessa justiça, e, para tanto, o art. 114 da CF nos dá as diretrizes necessárias. Art. 114 da CF - Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: I as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; II as ações que envolvam exercício do direito de greve; D e s ig n a ç ã o d e C o m p e tê n c ia Em razão do TERRITÓRIO Em razão da MATÉRIA D e s ig n a ç ã o d e C o m p e tê n c ia Em razão da MATÉRIA Definida em razão da lide descrita na petição inicial. Competência para julgar ações oriundas das relações de trabalho (gênero). Em razão do TERRITÓRIO Em regra, é o local da prestação de serviço ou da contratação. 60 III as ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, e entre sindicatos e empregadores; IV os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data, quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição; V os conflitos de competência entre órgãos com jurisdição trabalhista, ressalvado o disposto no art. 102, I, o; VI as ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relação de trabalho; VII as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de trabalho; VIII a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a, e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir; IX outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na forma da lei. 1.6 Competência Material Inicialmente, atente que a Justiça do Trabalho é competente para dirimir as questões relativa à relação de trabalho e não somente a relação de emprego. ATENÇÃO: Diferença entre relação de emprego e relação de trabalho. A primeira é espécie, enquanto a segunda é gênero. A segunda inclui qualquer vínculo jurídico por meio do qual uma pessoa executa obra ou serviço à outra (trabalho autônomo, eventual, avulso, estágio, etc). ATENÇÃO: Justiça do trabalho é incompetente para: ações acidentárias (previdenciárias) decorrentes do acidente de trabalho; e ações envolvendo servidores públicos estatutários. E para processar e julgar ações decorrentes de cobranças de honorários advocatícios (súmula 363 do STJ: Compete à Justiça estadual processar e julgar a ação de cobrança ajuizada por profissional liberal contra cliente). É competente para processar e julgar ações que envolvem exercício de direito de greve, inclusive ações possessórias, a teor da Súmula Vinculante 23 do STF: Súmula Vinculante 23 STF A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar ação possessória ajuizada em decorrência do exercício do direito de greve pelos trabalhadores da iniciativa privada. É competente também para processar e julgar ações sobre representação sindical. Nessa situação enquadram-se disputas de base territorial de representação de categoria. 61 Incluem-se ainda os Habeas Corpus, Habeas Datas e Mandado de Segurança, quando o ato questionado envolver a matéria sujeita à sua jurisdição. Ações de indenização por dano moral ou patrimonial também se incluem na competência da Justiça do Trabalho. Súmula nº 392 do TST DANO MORAL E MATERIAL. RELAÇÃO DE TRABALHO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO (redação alterada em sessão do Tribunal Pleno realizada em 27.10.2015) - Res. 200/2015, DEJT divulgado em 29.10.2015 e 03 e 04.11.2015 Nos termos do art. 114, inc. VI, da Constituição da República, a Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar ações de indenização por dano moral e material, decorrentes da relação de trabalho, inclusive as oriundas de acidente de trabalho e doenças a ele equiparadas, ainda que propostas pelos dependentes ou sucessores do trabalhador falecido. Súmula Vinculante 22 do STF A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar as ações de indenização por danos morais e patrimoniais decorrentes de acidente de trabalho propostas por empregado contra empregador, inclusive aquelas que ainda não possuíam sentença de mérito em primeiro grau quando da promulgação da Emenda Constitucional nº 45/04. Súmula 368 do TST DESCONTOS PREVIDENCIÁRIOS. IMPOSTO DE RENDA. COMPETÊNCIA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. FORMA DE CÁLCULO. FATO GERADOR (aglutinada a parte final da Orientação Jurisprudencial nº 363 da SBDI-I à redação do item II e incluídos os itens IV, V e VI em sessão do Tribunal Pleno realizada em 26.06.2017) - Res. 219/2017, republicada em razão de erro material – DEJT divulgado em 12, 13 e 14.07.2017 I - A Justiça do Trabalho é competente para determinar o recolhimento das contribuições fiscais. A competência da Justiça do Trabalho, quanto à execução das contribuições previdenciárias, limita-se às sentenças condenatórias em pecúnia que proferir e aos valores, objeto de acordo homologado,que integrem o salário de contribuição. (ex-OJ nº 141 da SBDI-1 - inserida em 27.11.1998). II - É do empregador a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e fiscais, resultantes de crédito do empregado oriundo de condenação judicial. A culpa do empregador pelo inadimplemento das verbas remuneratórias, contudo, não exime a responsabilidade do empregado pelos pagamentos do imposto de renda devido e da contribuição previdenciária que recaia sobre sua quota-parte. (ex-OJ nº 363 da SBDI-1, parte final) III – Os descontos previdenciários relativos à contribuição do empregado, no caso de ações trabalhistas, devem ser calculados mês a mês, de conformidade com o art. 276, § 4º, do Decreto n º 3.048/1999 que regulamentou a Lei nº 8.212/1991, aplicando-se as alíquotas previstas no art. 198, observado o limite máximo do salário de contribuição (ex- OJs nºs 32 e 228 da SBDI-1 – inseridas, respectivamente, em 14.03.1994 e 20.06.2001). IV - Considera-se fato gerador das contribuições previdenciárias decorrentes de créditos trabalhistas reconhecidos ou homologados em juízo, para os serviços prestados até 4.3.2009, inclusive, o efetivo pagamento das verbas, configurando-se a mora a partir do dia dois do mês seguinte ao da liquidação (art. 276, “caput”, do Decreto nº 3.048/1999). Eficácia não retroativa da alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, que deu nova redação ao art. 43 da Lei nº 8.212/91. V - Para o labor realizado a partir de 5.3.2009, considera-se fato gerador das contribuições previdenciárias decorrentes de créditos trabalhistas reconhecidos ou homologados em juízo a data da efetiva prestação dos serviços. Sobre as contribuições 62 previdenciárias não recolhidas a partir da prestação dos serviços incidem juros de mora e, uma vez apurados os créditos previdenciários, aplica-se multa a partir do exaurimento do prazo de citação para pagamento, se descumprida a obrigação, observado o limite legal de 20% (art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/96). VI – O imposto de renda decorrente de crédito do empregado recebido acumuladamente deve ser calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito, nos termos do art. 12-A da Lei nº 7.713, de 22/12/1988, com a redação conferida pela Lei nº 13.149/2015, observado o procedimento previsto nas Instruções Normativas da Receita Federal do Brasil. Súmula nº 454 do TST COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. EXECUÇÃO DE OFÍCIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL REFERENTE AO SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT). ARTS. 114, VIII, E 195, I, “A”, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. (conversão da Orientação Jurisprudencial nº 414 da SBDI-1) – Res. 194/2014, DEJT divulgado em 21, 22 e 23.05.2014 Compete à Justiça do Trabalho a execução, de ofício, da contribuição referente ao Seguro de Acidente de Trabalho (SAT), que tem natureza de contribuição para a seguridade social (arts. 114, VIII, e 195, I, “a”, da CF), pois se destina ao financiamento de benefícios relativos à incapacidade do empregado decorrente de infortúnio no trabalho (arts. 11 e 22 da Lei nº 8.212/1991). OJ 376 SDI-I CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ACORDO HOMOLOGADO EM JUÍZO APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA CONDENATÓRIA. INCIDÊNCIA SOBRE O VALOR HOMOLOGADO. (DEJT divulgado em 19, 20 e 22.04.2010) É devida a contribuição previdenciária sobre o valor do acordo celebrado e homologado após o trânsito em julgado de decisão judicial, respeitada a proporcionalidade de valores entre as parcelas de natureza salarial e indenizatória deferidas na decisão condenatória e as parcelas objeto do acordo. OJ 398 SDI-I CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ACORDO HOMOLOGADO EM JUÍZO SEM RECONHECIMENTO DE VÍNCULO DE EMPREGO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RECOLHIMENTO DA ALÍQUOTA DE 20% A CARGO DO TOMADOR E 11% A CARGO DO PRESTADOR DE SERVIÇOS. (DEJT divulgado em 02, 03 e 04.08.2010) Nos acordos homologados em juízo em que não haja o reconhecimento de vínculo empregatício, é devido o recolhimento da contribuição previdenciária, mediante a alíquota de 20% a cargo do tomador de serviços e de 11% por parte do prestador de serviços, na qualidade de contribuinte individual, sobre o valor total do acordo, respeitado o teto de contribuição. Inteligência do § 4º do art. 30 e do inciso III do art. 22, todos da Lei n.º 8.212, de 24.07.1991. Súmula nº 401 do TST AÇÃO RESCISÓRIA. DESCONTOS LEGAIS. FASE DE EXECUÇÃO. SENTENÇA EXEQÜENDA OMISSA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA À COISA JULGADA (conversão da Orientação Jurisprudencial nº 81 da SBDI-2) - Res. 137/2005 – DJ 22, 23 e 24.08.2005 Os descontos previdenciários e fiscais devem ser efetuados pelo juízo executório, ainda que a sentença exequenda tenha sido omissa sobre a questão, dado o caráter de ordem pública ostentado pela norma que os disciplina. A ofensa à coisa julgada somente poderá ser caracterizada na hipótese de o título exequendo, expressamente, afastar a dedução dos valores a título de imposto de renda e de contribuição previdenciária. (ex-OJ nº 81 da SBDI-2 - inserida exequendo, expressamente, afastar a dedução dos valores a título de imposto de renda e de contribuição previdenciária. 63 Ainda: A ação que tenha por finalidade a indenização pelo não fornecimento de guias para encaminhar seguro-desemprego também é de competência da Justiça do Trabalho, conforme Súmula 389, I, TST: Súmula nº 389 do TST SEGURO-DESEMPREGO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. DIREITO À INDENIZAÇÃO POR NÃO LIBERAÇÃO DE GUIAS (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 210 e 211 da SBDI-1) - Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005 I - Inscreve-se na competência material da Justiça do Trabalho a lide entre empregado e empregador tendo por objeto indenização pelo não-fornecimento das guias do seguro- desemprego. (ex-OJ nº 210 da SBDI-1 - inserida em 08.11.2000) II - O não-fornecimento pelo empregador da guia necessária para o recebimento do seguro-desemprego dá origem ao direito à indenização. (ex-OJ nº 211 da SBDI-1 - inserida em 08.11.2000) E, assim também é para o caso de cadastramento no PIS, consoante Súmula 300 TST: Súmula nº 300 do TST COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. CADASTRAMENTO NO PIS (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar ações ajuizadas por empregados em face de empregadores relativas ao cadastramento no Programa de Integração Social (PIS). Por fim, não esqueça que a justiça do trabalho não tem competência criminal. Súmula 62 do STJ Compete a justiça estadual processar e julgar o crime de falsa anotação na carteira de trabalho e previdência social, atribuído a empresa privada. 1.7 Conflitos de Competência O conflito de competência se dá quando houver dois tribunais ou juízes dizendo-se competentes ou incompetentes para apreciar determinada demanda. Para a análise deste tema é indispensável a análise dos seguintes dispositivos da Constituição Federal e da CLT: Art. 803 da CLT Os conflitos de jurisdição podem ocorrer entre: a) Juntas de Conciliação e Julgamento e Juízes de Direito investidos na administração da Justiça do Trabalho. b) Tribunais Regionais do Trabalho. c) Juízos e Tribunais do Trabalho e órgãos da Justiça Ordinária. d) Câmaras do Tribunal Superior do Trabalho. 64 Assim, podemos ter conflitos de: Art. 808 da CLT Os conflitos de jurisdição de que trata o art. 803 serão resolvidos: a) pelos Tribunais Regionais, os suscitados entre Juntas e entre Juízos de Direito, ou entre uma e outras, nas respectivas regiões; b) pela Câmara de Justiça do Trabalho, os suscitados entre Tribunais Regionais, ou entre Juntas e Juízos de Direito sujeitos à jurisdição deda CLT. XXXII - Proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os profissionais respectivos. Ver art. 461 da CLT. XXXIII - Proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos. Ver art. 402 a 440 da CLT. XXXIV - igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso. Ver lei 12.023-2009 Parágrafo único. São assegurados à categoria dos trabalhadores domésticos os direitos previstos nos incisos IV, VI, VII, VIII, X, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XXI, XXII, XXIV, XXVI, XXX, XXXI e XXXIII e, atendidas as condições estabelecidas em lei e observada a simplificação do cumprimento das obrigações tributárias, principais e acessórias, decorrentes da relação de trabalho e suas peculiaridades, os previstos nos incisos I, II, III, IX, XII, XXV e XXVIII, bem como a sua integração à previdência social. 8 Art. 8º - É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte: I - A lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato, ressalvado o registro no órgão competente, vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização sindical. II - É vedada a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau, representativa de categoria profissional ou econômica, na mesma base territorial, que será definida pelos trabalhadores ou empregadores interessados, não podendo ser inferior à área de um Município. III - Ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas. IV - A assembleia geral fixará a contribuição que, em se tratando de categoria profissional, será descontada em folha, para custeio do sistema confederativo da representação sindical respectiva, independentemente da contribuição prevista em lei. Ver arts. 578 e 579 da CLT e Súmula 666 do STF e Súmula Vinculante n. 40 do STF. V - Ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato. VI - É obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho. VII - O aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas organizações sindicais. VIII - É vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo de direção ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o final do mandato, salvo se cometer falta grave nos termos da lei. Parágrafo único. As disposições deste artigo aplicam-se à organização de sindicatos rurais e de colônias de pescadores, atendidas as condições que a lei estabelecer. Art. 9º - É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender. § 1º A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade. § 2º Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas da lei. Art. 10 - É assegurada a participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos órgãos públicos em que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão e deliberação. Art. 11 - Nas empresas de mais de duzentos empregados, é assegurada a eleição de um representante destes com a finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os empregadores. Ver Arts. 510-A até 510-D da CLT. 9 02. Princípios, Fontes e Aplicação da norma jurídica trabalhista Prof. Luiz Henrique Dutra @prof.luiz.henrique 1 Princípios 1.1 Princípios do direito individual do trabalho O direito é composto por regras e princípios. Por princípio entende-se tudo aquilo que orienta o operador do direito na sua atividade interpretativa. Em alguns casos, o princípio jurídico assume as feições da própria regra jurídica ao estabelecer normas de conduta a serem observadas pelas pessoas. (CAIRO Jr., 2015, p. 87) O Direito Individual do Trabalho tem os seus princípios próprios, dos quais destacamos os principais, relacionados nos subcapítulos a seguir. 1.1.1. Princípio da Proteção Surge para proteger a parte vulnerável, hipossuficiente, nas relações laborais, típicas relações assimétricas. O Estado cria mecanismo limitadores à autonomia privada, na busca de um equilíbrio contratual entre os desiguais, o qual é alcançado a partir de três variáveis (MARTINEZ, 2012, p. 84-89): a) Manutenção da condição mais benéfica (ou inalterabilidade contratual in pejus): Somente é possível a alteração do contrato se for uma condição mais benéfica ao empregado – ver arts. 468 e 469 da CLT. Art. 468 da CLT - Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, e ainda assim desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia. § 1º - Não se considera alteração unilateral a determinação do empregador para que o respectivo empregado reverta ao cargo efetivo, anteriormente ocupado, deixando o exercício de função de confiança. § 2º - A alteração de que trata o § 1º deste artigo, com ou sem justo motivo, não assegura ao empregado o direito à manutenção do pagamento da gratificação correspondente, 10 que não será incorporada, independentemente do tempo de exercício da respectiva função. Art. 469 da CLT - Ao empregador é vedado transferir o empregado, sem a sua anuência, para localidade diversa da que resultar do contrato, não se considerando transferência a que não acarretar necessariamente a mudança do seu domicílio. § 1º - Não estão compreendidos na proibição deste artigo: os empregados que exerçam cargo de confiança e aqueles cujos contratos tenham como condição, implícita ou explícita, a transferência, quando esta decorra de real necessidade de serviço. § 2º - É licita a transferência quando ocorrer extinção do estabelecimento em que trabalhar o empregado. § 3º - Em caso de necessidade de serviço o empregador poderá transferir o empregado para localidade diversa da que resultar do contrato, não obstante as restrições do artigo anterior, mas, nesse caso, ficará obrigado a um pagamento suplementar, nunca inferior a 25% (vinte e cinco por cento) dos salários que o empregado percebia naquela localidade, enquanto durar essa situação. b) Aplicação da fonte jurídica mais benéfica: Havendo previsão de um direito em mais de uma fonte, (ex. Acordo Coletivo, Convenção Coletiva, CLT, Sentença Normativa), aplica-se aquela que foi mais benéfica. Art. 620 da CLT - As condições estabelecidas em acordo coletivo de trabalho sempre prevalecerão sobre as estipuladas em convenção coletiva de trabalho. c) In Dubio Pró-operário: Na dúvida de interpretação de uma norma jurídica, deve ocorrer da maneira que favoreça o empregado. 1.1.2. Princípio da indisponibilidade de direitos (ou da irrenunciabilidade de direitos) A lei presume o vício na manifestação da vontade do empregado quando se manifesta no sentido de renunciar determinado direito trabalhista, desde que isso ocorra na formação ou na execução do contrato (CAIRO Jr., 2015, p. 92). Logo, o empregado não pode dispor de direito trabalhista, sob pena de nulidade do ato (MARTINEZ, 2012, p. 90). Por exemplo, não querer usufruir das suas férias (Ver art. 9 da CLT): Art. 9º da CLT - Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. 11 1.1.3. Princípio da Continuidade da Relação de Emprego O contrato de trabalho, ordinariamente, é celebrado por tempo indeterminado. Só em casosTribunais Regionais diferentes; c) pelo Conselho Pleno, os suscitados entre as Câmaras de Justiça do Trabalho e de Previdência Social; d) pelo Supremo Tribunal Federal, os suscitados entre as autoridades da Justiça do Trabalho e as da Justiça Ordinária. Na Constituição Federal: Art. 105 da CF Compete ao Superior Tribunal de Justiça: I - processar e julgar, originariamente: d) os conflitos de competência entre quaisquer tribunais, ressalvado o disposto no art. 102, I, "o", bem como entre tribunal e juízes a ele não vinculados e entre juízes vinculados a tribunais diversos; Também é importante observar que: Art. 102 da CF Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I - processar e julgar, originariamente: o) os conflitos de competência entre o Superior Tribunal de Justiça e quaisquer tribunais, entre Tribunais Superiores, ou entre estes e qualquer outro tribunal; Súmula n. 420 do TST Vara do Trabalho Vara do Trabalho TRT TRT Vara do Trabalho TRT TST STJ 65 COMPETÊNCIA FUNCIONAL. CONFLITO NEGATIVO. TRT E VARA DO TRABALHO DE IDÊNTICA REGIÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO (conversão da Orientação Jurisprudencial nº 115 da SBDI-2) - Res. 137/2005, DJ 22, 23 e 24.08.2005 Não se configura conflito de competência entre Tribunal Regional do Trabalho e Vara do Trabalho a ele vinculada. (ex-OJ nº 115 da SBDI-2 - DJ 11.08.2003) Assim, para a solução do conflito de competência entre órgãos com jurisdição trabalhista, devemos observar: 1. Os TRTs são competentes para resolver os casos de conflito de competência entre Varas do Trabalho da mesma região. b) O TST é competente nos casos de conflito de competência entre TRTs; entre Varas do Trabalho de regiões diversas; e entre TRT e Vara do Trabalho a ele não vinculada. c) o STJ resolverá os casos de conflito de competência entre TRT e TJ, TRT e TRF; entre juiz do trabalho e juiz de direito não investido na jurisdição trabalhista (juiz estadual ou juiz federal); entre juiz do trabalho e TJ OU TRF; entre juiz estadual ou federal e TRT. VT (mesma região) VT (mesma região) TRT TRT TRT TST VT (região X) VT (outra região Y) TST TRT VT (outra região) TST TRT TJ STJ TRT TRF STJ VT TJ STJ 66 09. Medicina e Segurança doTrabalho Prof. Luiz Henrique Dutra @prof.luiz.henrique 1.1 Considerações Iniciais A segurança do trabalhador é um dever do empregador, desdobrando em quatro deveres específicos: ► Organização racional do trabalho; ► Higiene e segurança dos locais de trabalho; ► Preservação de acidentes; ► Reparação de sinistro ou incapacidades Prevê a Constituição Federal: Art. 7º - São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XXII – Redução dos riscos inerente ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança; XXIII – Adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei; XXVIII – Seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa. 1.2 Da inspeção prévia, embargo ou interdição Art. 160 da CLT - Nenhum estabelecimento poderá iniciar suas atividades sem prévia inspeção e aprovação das respectivas instalações pela autoridade regional competente em matéria de segurança e medicina do trabalho. § 1º - Nova inspeção deverá ser feita quando ocorrer modificação substancial nas instalações, inclusive equipamentos, que a empresa fica obrigada a comunicar, prontamente, à Delegacia Regional do Trabalho. § 2º - É facultado às empresas solicitar prévia aprovação, pela Delegacia Regional do Trabalho, dos projetos de construção e respectivas instalações. Art. 161 da CLT - O Delegado Regional do Trabalho, à vista do laudo técnico do serviço competente que demonstre grave e iminente risco para o trabalhador, poderá interditar estabelecimento, setor de serviço, máquina ou equipamento, ou embargar obra, indicando na decisão, tomada com a brevidade que a ocorrência exigir, as providências que deverão ser adotadas para prevenção de infortúnios de trabalho. § 1º - As autoridades federais, estaduais e municipais darão imediato apoio às medidas determinadas pelo Delegado Regional do Trabalho. 67 § 2º - A interdição ou embargo poderão ser requeridos pelo serviço competente da Delegacia Regional do Trabalho e, ainda, por agente da inspeção do trabalho ou por entidade sindical. § 3º - Da decisão do Delegado Regional do Trabalho poderão os interessados recorrer, no prazo de 10 (dez) dias, para o órgão de âmbito nacional competente em matéria de segurança e medicina do trabalho, ao qual será facultado dar efeito suspensivo ao recurso. § 4º - Responderá por desobediência, além das medidas penais cabíveis, quem, após determinada a interdição ou embargo, ordenar ou permitir o funcionamento do estabelecimento ou de um dos seus setores, a utilização de máquina ou equipamento, ou o prosseguimento de obra, se, em consequência, resultarem danos a terceiros. § 5º - O Delegado Regional do Trabalho, independente de recurso, e após laudo técnico do serviço competente, poderá levantar a interdição. § 6º - Durante a paralisação dos serviços, em decorrência da interdição ou embargo, os empregados receberão os salários como se estivessem em efetivo exercício. 1.3 Do equipamento de proteção individual O EPI deve ser adequado ao risco, estar em perfeito estado de conservação e funcionamento, bem como ter certificado de aprovação no Ministério do Trabalho. A regulamentação dos EPIs encontra-se na NR-6 da Portaria do Ministério do Trabalho n. 3.214/78, segundo o qual se considera equipamento de proteção individual todo dispositivo ou produto, de uso individual, utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e saúde no trabalho. Art. 166 da CLT - A empresa é obrigada a fornecer aos empregados, gratuitamente, equipamento de proteção individual adequado ao risco e em perfeito estado de conservação e funcionamento, sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção contra os riscos de acidentes e danos à saúde dos empregados. Art. 167 da CLT - O equipamento de proteção só poderá ser posto à venda ou utilizado com a indicação do Certificado de Aprovação do Ministério do Trabalho. Súmula nº 289 do TST. INSALUBRIDADE. ADICIONAL. FORNECIMENTO DO APARELHO DE PROTEÇÃO. EFEITO (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 O simples fornecimento do aparelho de proteção pelo empregador não o exime do pagamento do adicional de insalubridade. Cabe-lhe tomar as medidas que conduzam à diminuição ou eliminação da nocividade, entre as quais as relativas ao uso efetivo do equipamento pelo empregado. 1.4 Das medidas de proteção A NR-7 da Portaria do Ministério do Trabalho n. 3.214/78, que estabelece a obrigatoriedade dos empregadores elaborarem e implementarem um Programa de Controle 68 Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), com o objetivo de promoção e preservação da saúde do conjunto de seus trabalhadores. O PCMSO deve ter caráter de prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce dos agravos à saúde relacionados ao trabalho. Art. 168 da CLT - Será obrigatório exame médico, por conta do empregador, nas condições estabelecidas neste artigo e nas instruções complementares a serem expedidas pelo Ministério do Trabalho: I - a admissão; II - na demissão; III - periodicamente. § 1º - O Ministério do Trabalho baixará instruções relativas aos casos em que serão exigíveis exames: a) por ocasião da demissão; b) complementares. § 2º - Outros exames complementarespoderão ser exigidos, a critério médico, para apuração da capacidade ou aptidão física e mental do empregado para a função que deva exercer. § 3º - O Ministério do Trabalho estabelecerá, de acordo com o risco da atividade e o tempo de exposição, a periodicidade dos exames médicos. § 4º - O empregador manterá, no estabelecimento, o material necessário à prestação de primeiros socorros médicos, de acordo com o risco da atividade. § 5º - O resultado dos exames médicos, inclusive o exame complementar, será comunicado ao trabalhador, observados os preceitos da ética médica. § 6º Serão exigidos exames toxicológicos, previamente à admissão e por ocasião do desligamento, quando se tratar de motorista profissional, assegurados o direito à contraprova em caso de resultado positivo e a confidencialidade dos resultados dos respectivos exames. § 7º Para os fins do disposto no § 6o, será obrigatório exame toxicológico com janela de detecção mínima de 90 (noventa) dias, específico para substâncias psicoativas que causem dependência ou, comprovadamente, comprometam a capacidade de direção, podendo ser utilizado para essa finalidade o exame toxicológico previsto na Lei no 9.503, de 23 de setembro de 1997 - Código de Trânsito Brasileiro, desde que realizado nos últimos 60 (sessenta) dias. Competência para apreciar e julgar questões relacionadas ao meio ambiente do trabalho. Súmula n. 736 do STF - Compete à Justiça do Trabalho julgar as ações que tenham como causa de pedir o descumprimento de normas trabalhistas relativas à segurança, higiene e saúde dos trabalhadores. 69 10. Contrato de Trabalho Prof. Luiz Henrique Dutra @prof.luiz.henrique 1. Contrato Descontínuos Se o empregador pedir demissão do emprego e depois voltar para a empresa, poderá ser somado para fins de cálculos de benefício como multa dos 40% do FGTS e aviso prévio o tempo de ambos contratos. Não existe um lapso temporal definido entre o pedido de demissão e a recontratação. Art. 453 - No tempo de serviço do empregado, quando readmitido, serão computados os períodos, ainda que não contínuos, em que tiver trabalhado anteriormente na empresa, salvo se houver sido despedido por falta grave, recebido indenização legal ou se aposentado espontaneamente. (Redação dada pela Lei nº 6.204, de 29.4.1975) § 1º (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997) (Vide ADIN 1.770-4) § 2º O ato de concessão de benefício de aposentadoria a empregado que não tiver completado 35 (trinta e cinco) anos de serviço, se homem, ou trinta, se mulher, importa em extinção do vínculo empregatício. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997) (Vide ADIN 1.721) ((Vide ADIN 1.770-3) 1.2. Propriedade Intelectual Art. 454 - Na vigência do contrato de trabalho, as invenções do empregado, quando decorrentes de sua contribuição pessoal e da instalação ou equipamento fornecidos pelo empregador, serão de propriedade comum, em partes iguais, salvo se o contrato de trabalho tiver por objeto, implícita ou explicitamente, pesquisa científica. (Vide Lei nº 9.279, de 14.5.1996) Parágrafo único. Ao empregador caberá a exploração do invento, ficando obrigado a promovê-la no prazo de um ano da data da concessão da patente, sob pena de reverter em favor do empregado da plena propriedade desse invento. (Vide Lei nº 9.279, de 14.5.1996) 70 O Dono da Obra contrata o empreiteiro principal. O empreiteiro principal contrata o subempreiteiro para fazer efetivamente o serviço. O subempreiteiro que contrato os empregados que vão fazer o serviço, por isso que ele é o responsável principal. 1.3. Contrato de Empreitada EXPLICANDO: Art. 455 - Nos contratos de subempreitada responderá o subempreiteiro pelas obrigações derivadas do contrato de trabalho que celebrar, cabendo, todavia, aos empregados, o direito de reclamação contra o empreiteiro principal pelo inadimplemento daquelas obrigações por parte do primeiro. Parágrafo único - Ao empreiteiro principal fica ressalvada, nos termos da lei civil, ação regressiva contra o subempreiteiro e a retenção de importâncias a este devidas, para a garantia das obrigações previstas neste artigo. Dono da obra Não tem responsabilidade Empreiteiro principal Responsável subsidiário Subempreiteiro Responsável principal. 71 1.4. Acúmulo e Desvio de Função Professor eu nunca sei a diferença entre eles ACÚMULO DE FUNÇÃO DESVIO DE FUNÇÃO É quando o empregado acumula mais de uma função. É quando o empregado tem a função desviada, ou seja, contratado para uma função e faz outra. Aqui se utiliza o § único do art. 456 da CLT. Aqui não temos uma fundamentação específica. Art. 456. A prova do contrato individual do trabalho será feita pelas anotações constantes da carteira profissional ou por instrumento escrito e suprida por todos os meios permitidos em direito. (Vide Decreto-Lei nº 926, de 1969) Parágrafo único. A falta de prova ou inexistindo cláusula expressa e tal respeito, entender-se-á que o empregado se obrigou a todo e qualquer serviço compatível com a sua condição pessoal. 72 11. Decisões ao longo do processo de conhecimento Prof.ª Dra. Cleize Kohls @prof.cleizekohls 1.1 Aditamento da Petição Inicial O art. 329 do CPC, aplicado subsidiariamente, versa que o autor poderá: I – até a citação, aditar ou alterar o pedido ou a causa de pedir, independentemente de consentimento do réu; II – até o saneamento do processo, aditar ou alterar o pedido e a causa de pedir, com consentimento do réu, assegurado o contraditório mediante a possibilidade de manifestação deste no prazo mínimo de 15 (quinze) dias, facultado o requerimento de prova suplementar. 1.2 Emenda à Petição Inicial Não tendo a petição inicial atendido os requisitos legais, com defeitos ou irregularidades que podem trazer dificuldades ao julgamento, o juiz poderá determinar que o autor emende a inicial no prazo de 15 dias. Tal previsão está no CPC, no art. 321, determinando ao juiz que, ao verificar que a petição inicial não preenche os requisitos dos arts. 319 e 320 ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, determinará que o autor, no prazo de 15 (quinze) dias, a emende ou a complete, indicando com precisão o que deve ser corrigido ou completado. Também o TST reconhece a possibilidade: Súmula nº 263 do TST: Salvo nas hipóteses do art. 330 do CPC de 2015 (art. 295 do CPC de 1973), o indeferimento da petição inicial, por encontrar-se desacompanhada de documento indispensável à propositura da ação ou não preencher outro requisito legal, somente é cabível se, após intimada para suprir a irregularidade em 15 (quinze) dias, mediante indicação precisa do que deve ser corrigido ou completado, a parte não o fizer (art. 321 do CPC de 2015). 73 1.3 Indeferimento da Petição Inicial O Indeferimento da petição inicial está previsto no art. 330 do CPC, aplicado ao processo do trabalho: Art. 330. A petição inicial será indeferida quando: I – for inepta; II – a parte for manifestamente ilegítima; III – o autor carecer de interesse processual; IV – não atendidas as prescrições dos arts. 106 e 321 1.4 Julgamento liminar improcedente Conforme a IN 39 do TST, em seu art. 7º, aplicam-se ao Processo do Trabalho as normas do art. 332 do CPC, com as necessárias adaptações à legislação processual trabalhista, cumprindo ao juiz do trabalho julgar liminarmente improcedente o pedido que contrariar: I – enunciado de súmula do Supremo Tribunal Federal ou do Tribunal Superior do Trabalho (CPC, art. 927, inciso V); II – acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Tribunal Superior doTrabalho em julgamento de recursos repetitivos (CLT, art. 896-B; CPC, art. 1.046, § 4º); III – entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de competência; IV – enunciado de súmula de Tribunal Regional do Trabalho sobre direito local, convenção coletiva de trabalho, acordo coletivo de trabalho, sentença normativa ou regulamento empresarial de observância obrigatória em área territorial que não exceda à jurisdição do respectivo Tribunal (CLT, art. 896, “b”, a contrario sensu). Parágrafo único. O juiz também poderá julgar liminarmente improcedente o pedido se verificar, desde logo, a ocorrência de decadência. 1.5 Desistência da ação Oferecida a contestação, ainda que eletronicamente, o reclamante não poderá, sem o consentimento do reclamado, desistir da ação (Art. 841, § 3º da CLT). 74 12. Atos, Prazos e Nulidades Prof.ª Dra. Cleize Kohls @prof.cleizekohls 1. Atos Processuais e Prazos Os prazos podem ser suspensos ou interrompidos, sendo que há diferença quanto a consequência, veja: Os atos e prazos processuais estão disciplinados pela CLT, sendo relevante observar que: Art. 770 - Os atos processuais serão públicos salvo quando o contrário determinar o interesse social, e realizar-se-ão nos dias úteis das 6 (seis) às 20 (vinte) horas. Parágrafo único - A penhora poderá realizar-se em domingo ou dia feriado, mediante autorização expressa do juiz ou presidente. Logo: 1) Atos são realizados das 6h às 20h. Não pode ser depois desse horário. 2) Penhora pode ser em domingo e feriado, mas desde que autorizado pelo juiz. Fique atento, pois seguimos regras próprias para a contagem dos prazos: Art. 774 - Salvo disposição em contrário, os prazos previstos neste Título contam- se, conforme o caso, a partir da data em que for feita pessoalmente, ou recebida a notificação, daquela em que for publicado o edital no jornal oficial ou no que publicar o expediente da Justiça do Trabalho, ou, ainda, daquela em que for afixado o edital na sede da Junta, Juízo ou Tribunal. Parágrafo único - Tratando-se de notificação postal, no caso de não ser encontrado o destinatário ou no de recusa de recebimento, o Correio ficará obrigado, sob pena de responsabilidade do servidor, a devolvê-la, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, ao Tribunal de origem. Art. 775. Os prazos estabelecidos neste Título serão contados em dias úteis, com exclusão do dia do começo e inclusão do dia do vencimento. § 1º Os prazos podem ser prorrogados, pelo tempo estritamente necessário, nas seguintes hipóteses: I - quando o juízo entender necessário; II - em virtude de força maior, devidamente comprovada. 75 § 2º Ao juízo incumbe dilatar os prazos processuais e alterar a ordem de produção dos meios de prova, adequando-os às necessidades do conflito de modo a conferir maior efetividade à tutela do direito. Art. 776 - O vencimento dos prazos será certificado nos processos pelos escrivães ou secretários. Logo: Além dos artigos da CLT, temos também entendimentos sumulados do TST: Súmula nº 1 do TST- PRAZO JUDICIAL Quando a intimação tiver lugar na sexta- feira, ou a publicação com efeito de intimação for feita nesse dia, o prazo judicial será contado da segunda-feira imediata, inclusive, salvo se não houver expediente, caso em que fluirá no dia útil que se seguir. Súmula nº 385 do TST FERIADO LOCAL. I – Incumbe à parte o ônus de provar, quando da interposição do recurso, a existência de feriado local que autorize a prorrogação do prazo recursal (art. 1.003, § 6º, do CPC de 2015). No caso de o recorrente alegar a existência de feriado local e não o comprovar no momento da interposição do recurso, cumpre ao relator conceder o prazo de 5 (cinco) dias para que seja sanado o vício (art. 932, parágrafo único, do CPC de 2015), sob pena de não conhecimento se da comprovação depender a tempestividade recursal; II – Na hipótese de feriado forense, incumbirá à autoridade que proferir a decisão de admissibilidade certificar o expediente nos autos; III – Admite-se a reconsideração da análise da tempestividade do recurso, mediante prova documental superveniente, em agravo de instrumento, agravo interno, agravo regimental, ou embargos de declaração, desde que, em momento anterior, não tenha havido a concessão de prazo para a comprovação da ausência de expediente forense. Súmula nº 262 do TST PRAZO JUDICIAL. I - Intimada ou notificada a parte no sábado, o início do prazo se dará no primeiro dia útil imediato e a contagem, no subsequente. II - O recesso forense e as férias coletivas dos Ministros do Tribunal Superior do Trabalho suspendem os prazos recursais. Prazos Dias úteis Exclui o dia do começo e inclui o dia do fim 76 Os prazos podem ser suspensos ou interrompidos, sendo que há diferença quanto a consequência, veja: SUSPENSÃO: a contagem é paralisada e retoma de onde parou. Ex: férias forenses. INTERRUPÇÃO: a contagem é inutilizada e recomeça-se a contagem do início. Ex: Embargos de Declaração. Também é importante lembrar do Decreto 779/69, pois ele traz um prazo diferenciado para a Fazenda Pública: Art. 1º Nos processos perante a Justiça do Trabalho, constituem privilégio da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e das autarquias ou fundações de direito público federais, estaduais ou municipais que não explorem atividade econômica: II - o quádruplo do prazo fixado no artigo 841, "in fine", da Consolidação das Leis do Trabalho; III - o prazo em dobro para recurso; A Lei nº 11.419/06 estabelece regras para o processo eletrônico, sendo relevante destacar a assinatura eletrônica que pode ser adotada e a prática dos prazos processuais que pode se dar até as 24h do dia: Art. 1º O uso de meio eletrônico na tramitação de processos judiciais, comunicação de atos e transmissão de peças processuais será admitido nos termos desta Lei. § 1º Aplica-se o disposto nesta Lei, indistintamente, aos processos civil, penal e trabalhista, bem como aos juizados especiais, em qualquer grau de jurisdição. § 2º Para o disposto nesta Lei, considera-se: I - meio eletrônico qualquer forma de armazenamento ou tráfego de documentos e arquivos digitais; II - transmissão eletrônica toda forma de comunicação a distância com a utilização de redes de comunicação, preferencialmente a rede mundial de computadores; III - assinatura eletrônica as seguintes formas de identificação inequívoca do signatário: a) assinatura digital baseada em certificado digital emitido por Autoridade Certificadora credenciada, na forma de lei específica; b) mediante cadastro de usuário no Poder Judiciário, conforme disciplinado pelos órgãos respectivos. Art. 2º O envio de petições, de recursos e a prática de atos processuais em geral por meio eletrônico serão admitidos mediante uso de assinatura eletrônica, na forma do art. 1º desta Lei, sendo obrigatório o credenciamento prévio no Poder Judiciário, conforme disciplinado pelos órgãos respectivos. § 1º O credenciamento no Poder Judiciário será realizado mediante procedimento no qual esteja assegurada a adequada identificação presencial do interessado. § 2º Ao credenciado será atribuído registro e meio de acesso ao sistema, de modo a preservar o sigilo, a identificação e a autenticidade de suas comunicações. 77 § 3º Os órgãos do Poder Judiciário poderão criar um cadastro único para o credenciamento previsto neste artigo. Art. 3º Consideram-se realizados os atos processuais por meio eletrônico no dia e hora do seu envio ao sistema do Poder Judiciário, do que deverá ser fornecido protocolo eletrônico. Parágrafo único. Quando a petição eletrônica for enviada para atender prazo processual, serão consideradas tempestivas as transmitidas até as 24 (vinte e quatro) horas do seu último dia. Art. 5º As intimações serão feitas por meioeletrônico em portal próprio aos que se cadastrarem na forma do art. 2º desta Lei, dispensando-se a publicação no órgão oficial, inclusive eletrônico. § 1º Considerar-se-á realizada a intimação no dia em que o intimando efetivar a consulta eletrônica ao teor da intimação, certificando-se nos autos a sua realização. § 2º Na hipótese do § 1º deste artigo, nos casos em que a consulta se dê em dia não útil, a intimação será considerada como realizada no primeiro dia útil seguinte. § 3º A consulta referida nos §§ 1º e 2º deste artigo deverá ser feita em até 10 (dez) dias corridos contados da data do envio da intimação, sob pena de considerar-se a intimação automaticamente realizada na data do término desse prazo. § 4º Em caráter informativo, poderá ser efetivada remessa de correspondência eletrônica, comunicando o envio da intimação e a abertura automática do prazo processual nos termos do § 3º deste artigo, aos que manifestarem interesse por esse serviço. § 5º Nos casos urgentes em que a intimação feita na forma deste artigo possa causar prejuízo a quaisquer das partes ou nos casos em que for evidenciada qualquer tentativa de burla ao sistema, o ato processual deverá ser realizado por outro meio que atinja a sua finalidade, conforme determinado pelo juiz. § 6º As intimações feitas na forma deste artigo, inclusive da Fazenda Pública, serão consideradas pessoais para todos os efeitos legais. Art. 10. A distribuição da petição inicial e a juntada da contestação, dos recursos e das petições em geral, todos em formato digital, nos autos de processo eletrônico, podem ser feitas diretamente pelos advogados públicos e privados, sem necessidade da intervenção do cartório ou secretaria judicial, situação em que a autuação deverá se dar de forma automática, fornecendo-se recibo eletrônico de protocolo. § 1º Quando o ato processual tiver que ser praticado em determinado prazo, por meio de petição eletrônica, serão considerados tempestivos os efetivados até as 24 (vinte e quatro) horas do último dia. § 2º No caso do § 1º deste artigo, se o Sistema do Poder Judiciário se tornar indisponível por motivo técnico, o prazo fica automaticamente prorrogado para o primeiro dia útil seguinte à resolução do problema. § 3º Os órgãos do Poder Judiciário deverão manter equipamentos de digitalização e de acesso à rede mundial de computadores à disposição dos interessados para distribuição de peças processuais. Art. 11. Os documentos produzidos eletronicamente e juntados aos processos eletrônicos com garantia da origem e de seu signatário, na forma estabelecida nesta Lei, serão considerados originais para todos os efeitos legais. 2. Nulidades A nulidade absoluta é imposta quando determinado ato fere norma fundamentada no interesse público, de ordem pública absoluta. As partes não têm o poder de dispor em relação a um interesse público e, se assim o fizerem, restará configurada a nulidade absoluta, ou seja, 78 mesmo estando às partes de acordo com o ato praticado, versando este sobre norma de interesse público, de ordem pública absoluta, estará presente tal nulidade. Esta nulidade compromete todo o processo. Como exemplo de fato que acarretaria a nulidade absoluta podemos citar as regras de competência funcional. Caso as partes não observem tais regras haverá a nulidade absoluta. Desta forma, se o juiz não decretar esta nulidade de ofício, o processo estará viciado pela nulidade absoluta e, por isso, não poderá ser apreciado pelo juízo incompetente. Já a nulidade relativa representa um vício sanável, posto que decorre da ofensa ao interesse da parte, isto é, quando a norma desrespeitada tiver por base o interesse da parte e não o público. Sendo assim, esta nulidade desaparecerá se a parte interessada sanar o vício que a determina. Por exemplo, não estando a parte devidamente representada, o juiz designará um prazo para que este vício seja sanado e, o sendo, o processo prosseguirá normalmente. Art. 794 - Nos processos sujeitos à apreciação da Justiça do Trabalho só haverá nulidade quando resultar dos atos inquinados manifesto prejuízo às partes litigantes. Art. 795 - As nulidades não serão declaradas senão mediante provocação das partes, as quais deverão argui-las à primeira vez em que tiverem de falar em audiência ou nos autos. § 1º Deverá, entretanto, ser declarada ex officio a nulidade fundada em incompetência de foro. Nesse caso, serão considerados nulos os atos decisórios. § 2º O juiz ou Tribunal que se julgar incompetente determinará, na mesma ocasião, que se faça remessa do processo, com urgência, à autoridade competente, fundamentando sua decisão. Art. 796 - A nulidade não será pronunciada: a) quando for possível suprir-se a falta ou repetir-se o ato; b) quando arguida por quem lhe tiver dado causa. Art. 797 - O juiz ou Tribunal que pronunciar a nulidade declarará os atos a que ela se estende. Art. 798 - A nulidade do ato não prejudicará senão os posteriores que dele dependam ou sejam consequência. Súmula nº 427 do TST. Havendo pedido expresso de que as intimações e publicações sejam realizadas exclusivamente em nome de determinado advogado, a comunicação em nome de outro profissional constituído nos autos é nula, salvo se constatada a inexistência de prejuízo. 79 13. Manifestações ao longo do processo Prof.ª Dra. Cleize Kohls @prof.cleizekohls Após a contestação, o autor poderá se manifestar nos seguintes casos, conforme o CPC: Art. 350. Se o réu alegar fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, este será ouvido no prazo de 15 (quinze) dias, permitindo-lhe o juiz a produção de prova. Art. 351. Se o réu alegar qualquer das matérias enumeradas no art. 337 , o juiz determinará a oitiva do autor no prazo de 15 (quinze) dias, permitindo-lhe a produção de prova. O objetivo da réplica é buscar a procedência dos pedidos, demonstrando que as alegações do réu não procedem. Ademais, as partes podem se manifestar para apresentar quesitos – perguntas ao perito – e indicar assistente técnico para acompanhar a perícia. No CPC encontramos que: Art. 465. O juiz nomeará perito especializado no objeto da perícia e fixará de imediato o prazo para a entrega do laudo. § 1º Incumbe às partes, dentro de 15 (quinze) dias contados da intimação do despacho de nomeação do perito: II - indicar assistente técnico; III - apresentar quesitos. E, após apresentado o laudo, as partes poderão manifestar-se quanto ao laudo pericial, impugnando-o. 80 1.1 Modelo de Réplica à Contestação AO JUÍZO DA ...VARA DO TRABALHO DE... Processo nº ... NOME DO AUTOR, já qualificado nos autos do processo em epígrafe, vem à presença de Vossa Excelência, por seu advogado, com fundamento no artigo 351 do CPC, apresentar RÉPLICA À CONTESTAÇÃO apresentada por NOME DO RÉU, já qualificado nos autos, pelas razões que passa a expor: DA PRELIMINAR A reclamada alega que .... Porém .... Diante do exposto, requer seja julgado procedente. Pedido do autor DOS PEDIDOS Diante do exposto, reitera os termos da inicial, pugnando pela procedência dos pedidos. 81 1.2 Modelo de Petição para apresentação de quesitos e indicar assistente técnico AO JUÍZO DA ...VARA DO TRABALHO DE... Processo nº ... NOME DA PARTE, já qualificado nos autos do processo em epígrafe em que contende com NOME DA PARTE ADVERSA, vem à presença de Vossa Excelência, por seu advogado, com fundamento no artigo 465 do CPC, apresentar QUESITOS E INDICAR ASSISTENTE TÉCNICO. DOS QUESITOS Perguntas ao perito. DO ASSISTENTE TÉCNICO Indica nome e qualificação do assistente. DOS PEDIDOS Diante do exposto, requer sejam recebidos os quesitos e encaminhados ao perito, bem como aceita a indicação do assistente técnico. Nestes termos, pede deferimento. Local..., Data... Advogado... OAB... 8214. Alegações finais/Sentença e coisa julgada. Responsabilidade por dano processual Prof.ª Dra. Cleize Kohls @prof.cleizekohls 1. Alegações Finais e Acordo Alegações Finais: serão apresentadas em audiência por 10 min. Art. 850 - Terminada a instrução, poderão as partes aduzir razões finais, em prazo não excedente de 10 (dez) minutos para cada uma. Em seguida, o juiz ou presidente renovará a proposta de conciliação, e não se realizando esta, será proferida a decisão. Acordo: sempre é possível de ser feito. Da decisão que homologa o acordo, não cabe recurso. Art. 764 - Os dissídios individuais ou coletivos submetidos à apreciação da Justiça do Trabalho serão sempre sujeitos à conciliação. § 1º - Para os efeitos deste artigo, os juízes e Tribunais do Trabalho empregarão sempre os seus bons ofícios e persuasão no sentido de uma solução conciliatória dos conflitos. § 2º - Não havendo acordo, o juízo conciliatório converter-se-á obrigatoriamente em arbitral, proferindo decisão na forma prescrita neste Título. § 3º - É lícito às partes celebrar acordo que ponha termo ao processo, ainda mesmo depois de encerrado o juízo conciliatório. Art. 846 - Aberta a audiência, o juiz ou presidente proporá a conciliação. § 1º Se houver acordo lavrar-se-á termo, assinado pelo presidente e pelos litigantes, consignando-se o prazo e demais condições para seu cumprimento. § 2º Entre as condições a que se refere o parágrafo anterior, poderá ser estabelecida a de ficar a parte que não cumprir o acordo obrigada a satisfazer integralmente o pedido ou pagar uma indenização convencionada, sem prejuízo do cumprimento do acordo. Art. 831 - A decisão será proferida depois de rejeitada pelas partes a proposta de conciliação. Parágrafo único. No caso de conciliação, o termo que for lavrado valerá como decisão irrecorrível, salvo para a Previdência Social quanto às contribuições que lhe forem devidas. É possível que o acordo seja parcial, como por exemplo, quanto ao pagamento de adicional de insalubridade, visando evitar-se gastos desnecessários com perícia. Pode o acordo ser realizado com um dos reclamantes, ou entre o reclamante e uma ou algumas empresas do polo passivo da ação. 83 De acordo com a lei o juiz não está obrigado a homologar o acordo celebrado entre as partes, principalmente se entender que o acordo é prejudicial a uma das partes ou é contrário a lei. Havendo acordo, este será lavrado como decisão irrecorrível, só podendo ser atacado por ação rescisória, conforme dispõem a Súmula 259 do TST. Súmula nº 259 do TST TERMO DE CONCILIAÇÃO. AÇÃO RESCISÓRIA (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 Só por ação rescisória é impugnável o termo de conciliação previsto no parágrafo único do art. 831 da CLT. 2.Sentença 2.1 Classificação DEFINITIVA: é aquela que acolhe ou rejeita o pedido. Art. 487 do CPC. TERMINATIVA: é a que extingue o processo sem resolução de mérito. Art. 485 do CPC. DECLARATÓRIAS: é a que se limita a declarar a existência de um fato, a autenticidade ou não de um documento ou a existência ou não de uma relação jurídica. Ex: declaração de vínculo ou de validade de documento. CONSTITUTIVA: cria, modifica ou extingue uma relação jurídica. EX: sentença em inquérito para apuração de falta grave e que reconhece a rescisão indireta. CONDENATÓRIAS: impõe uma obrigação ao réu de pagar, dar, fazer ou não fazer. EX: condenação em horas extras, aviso-prévio, danos morais, etc. MANDAMENTAL: além de declarar o direito e condenar a prestar uma obrigação, expede uma ordem para cumprimento imediato. Ex: sentença em MS. Art. 832 - Da decisão deverão constar o nome das partes, o resumo do pedido e da defesa, a apreciação das provas, os fundamentos da decisão e a respectiva conclusão. § 1º - Quando a decisão concluir pela procedência do pedido, determinará o prazo e as condições para o seu cumprimento. § 2º - A decisão mencionará sempre as custas que devam ser pagas pela parte vencida. § 3o As decisões cognitivas ou homologatórias deverão sempre indicar a natureza jurídica das parcelas constantes da condenação ou do acordo homologado, inclusive o limite de responsabilidade de cada parte pelo recolhimento da contribuição previdenciária, se for o caso. § 3º-A. Para os fins do § 3º deste artigo, salvo na hipótese de o pedido da ação limitar- se expressamente ao reconhecimento de verbas de natureza exclusivamente 84 indenizatória, a parcela referente às verbas de natureza remuneratória não poderá ter como base de cálculo valor inferior: I - ao salário-mínimo, para as competências que integram o vínculo empregatício reconhecido na decisão cognitiva ou homologatória; ou II - à diferença entre a remuneração reconhecida como devida na decisão cognitiva ou homologatória e a efetivamente paga pelo empregador, cujo valor total referente a cada competência não será inferior ao salário-mínimo. § 3º-B Caso haja piso salarial da categoria definido por acordo ou convenção coletiva de trabalho, o seu valor deverá ser utilizado como base de cálculo para os fins do § 3º-A deste artigo § 4º A União será intimada das decisões homologatórias de acordos que contenham p arcela indenizatória, na forma do art. 20 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, facultada a interposição de recurso relativo aos tributos que lhe forem devido. § 5º Intimada da sentença, a União poderá interpor recurso relativo à discriminação de que trata o § 3o deste artigo. § 6º O acordo celebrado após o trânsito em julgado da sentença ou após a elaboração dos cálculos de liquidação de sentença não prejudicará os créditos da União. § 7º O Ministro de Estado da Fazenda poderá, mediante ato fundamentado, dispensar a manifestação da União nas decisões homologatórias de acordos em que o montante da parcela indenizatória envolvida ocasionar perda e escala decorrente da atuação do órgão jurídico. Art. 833 - Existindo na decisão evidentes erros ou enganos de escrita, de datilografia ou de cálculo, poderão os mesmos, antes da execução, ser corrigidos, ex officio, ou a requerimento dos interessados ou da Procuradoria da Justiça do Trabalho. Art. 834 - Salvo nos casos previstos nesta Consolidação, a publicação das decisões e sua notificação aos litigantes, ou a seus patronos, consideram-se realizadas nas próprias audiências em que forem as mesmas proferidas. Art. 835 - O cumprimento do acordo ou da decisão far-se-á no prazo e condições estabelecidas. SENTENÇA CITRA PETITA: A jurisprudência tem entendido ser nula essa sentença, cabendo Embargos de Declaração: OJ 41SDI 2. AÇÃO RESCISÓRIA. SENTENÇA "CITRA PETITA". CABIMENTO (atualizada em decorrência do CPC de 2015) – Res. 208/2016, DEJT divulgado em 22, 25 e 26.04.2016 Revelando-se a sentença "citra petita", o vício processual vulnera os arts. 141 e 492 do CPC de 2015 (arts. 128 e 460 do CPC de 1973), tornando-a passível de desconstituição, ainda que não interpostos embargos de declaração. SENTENÇA ULTRA PETITA: A jurisprudência tem entendido ser nula essa sentença, cabendo Embargos de Declaração: SENTENÇA EXTRA PETITA: A jurisprudência tem entendido ser nula essa sentença, cabendo Embargos de Declaração: Obs.: lembrar princípio da ultrapetição. Súmula nº 396 do TST ESTABILIDADE PROVISÓRIA. PEDIDO DE REINTEGRAÇÃO. CONCESSÃO DO SALÁRIO RELATIVO AO PERÍODO DE ESTABILIDADE JÁ EXAURIDO. INEXISTÊNCIA DE JULGAMENTO "EXTRA PETITA" (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 106 e 116 da SBDI-1) - Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005 85 I - Exaurido o período de estabilidade, são devidos ao empregado apenas os salários do período compreendido entre a data da despedida e o final do período de estabilidade, não lhe sendo assegurada a reintegração no emprego. (ex-OJ nº 116 da SBDI-1 - inserida em 01.10.1997) II - Não há nulidade por julgamento “extra petita”da decisão que deferir salário quando o pedido for de reintegração, dados os termos do art. 496 da CLT. (ex-OJ nº 106 da SBDI-1 - inserida em 20.11.1997) 3. Coisa Julgada CF: Art. 5º XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; Coisa julgada formal: tanto as sentenças terminativas quanto as definitivas atingem o estado de coisa julgada formal, quando há como consequência a preclusão recursal. Coisa julgada material: resulta da sentença que julga total ou parcialmente a lide. Abrange a coisa julgada formal. Efeito: imutabilidade da decisão. Art. 502. Denomina-se coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso. Art. 503. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida. § 1o O disposto no caput aplica-se à resolução de questão prejudicial, decidida expressa e incidentemente no processo, se: I - dessa resolução depender o julgamento do mérito; II - a seu respeito tiver havido contraditório prévio e efetivo, não se aplicando no caso de revelia; III - o juízo tiver competência em razão da matéria e da pessoa para resolvê-la como questão principal. 4. Da Responsabilidade por Dano Processual Art. 793-A. Responde por perdas e danos aquele que litigar de má-fé como reclamante, reclamado ou interveniente.’ Art. 793-B. Considera-se litigante de má-fé aquele que: I - deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato incontroverso; II - alterar a verdade dos fatos; III - usar do processo para conseguir objetivo ilegal; IV - opuser resistência injustificada ao andamento do processo; V - proceder de modo temerário em qualquer incidente ou ato do processo; VI - provocar incidente manifestamente infundado; VII - interpuser recurso com intuito manifestamente protelatório. Art. 793-C. De ofício ou a requerimento, o juízo condenará o litigante de má-fé a pagar multa, que deverá ser superior a 1% (um por cento) e inferior a 10% (dez por cento) do valor corrigido da causa, a indenizar a parte contrária pelos prejuízos que esta sofreu e a arcar com os honorários advocatícios e com todas as despesas que efetuou. § 1º Quando forem dois ou mais os litigantes de má-fé, o juízo condenará cada um na proporção de seu respectivo interesse na causa ou solidariamente aqueles que se coligaram para lesar a parte contrária. 86 § 2º Quando o valor da causa for irrisório ou inestimável, a multa poderá ser fixada em até duas vezes o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social. § 3º O valor da indenização será fixado pelo juízo ou, caso não seja possível mensurá- lo, liquidado por arbitramento ou pelo procedimento comum, nos próprios autos.’ Art. 793-D. Aplica-se a multa prevista no art. 793-C desta Consolidação à testemunha que intencionalmente alterar a verdade dos fatos ou omitir fatos essenciais ao julgamento da causa. Parágrafo único. A execução da multa prevista neste artigo dar-se-á nos mesmos autos. 87 15. FGTS Prof. Luiz Henrique Dutra @prof.luiz.henrique O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) foi instituído pela Lei n. 5.108/66, como regime alternativo ao sistema da estabilidade decenal assegurado pelo CLT. A CF/88 tornou obrigatório o regime do FGTS, eliminando do ordenamento jurídico o sistema de estabilidade após 10 anos de serviço. Art. 7º da CF - São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social; III – Fundo de garantia por tempo de serviços. O valor do FGTS é de 8% sobre a remuneração do empregado e no caso do empregado aprendiz é no valor de 2%. Súmula nº 63 do TST - FUNDO DE GARANTIA (mantida). A contribuição para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço incide sobre a remuneração mensal devida ao empregado, inclusive horas extras e adicionais eventuais. Súmula nº 305 do TST - FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA SOBRE O AVISO PRÉVIO (mantida) O pagamento relativo ao período de aviso prévio, trabalhado ou não, está sujeito a contribuição para o FGTS. OJ. n. 232 da SDI-1 do TST - FGTS. INCIDÊNCIA. EMPREGADO TRANSFERIDO PARA O EXTERIOR. REMUNERAÇÃO (inserida em 20.06.2001). O FGTS incide sobre todas as parcelas de natureza salarial pagas ao empregado em virtude de prestação de serviços no exterior. Previsão: Lei nº 8.036/90 e Art. 7º, III da CF/88 O FGTS é impenhorável nos termos do art. 2 da Lei 8.036/90. EM SÍNTESE: Quem tem direito: 1) Empregados 2) Avulsos 3) Aprendizes 4) Empregado Doméstico 88 1.1 Regras para depósito de FGTS Art. 15 da Lei nº 8.036/90 - Para os fins previstos nesta Lei, todos os empregadores ficam obrigados a depositar, até o vigésimo dia de cada mês, em conta vinculada, a importância correspondente a oito por cento da remuneração paga ou devida, no mês anterior, a cada trabalhador, incluídas na remuneração as parcelas de que tratam os art. 457 e art. 458 da Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1943, e a Gratificação de Natal de que trata a Lei nº 4.090, de 13 de julho de 1962. (Redação dada pela Medida Provisória nº 1,107, de 2022) (Produção de efeitos) § 1º - Entende-se por empregador a pessoa física ou a pessoa jurídica de direito privado ou de direito público, da administração pública direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, que admitir trabalhadores a seu serviço, bem assim aquele que, regido por legislação especial, encontrar-se nessa condição ou figurar como fornecedor ou tomador de mão-de-obra, independente da responsabilidade solidária e/ou subsidiária a que eventualmente venha obrigar-se. § 2º - Considera-se trabalhador toda pessoa física que prestar serviços a empregador, a locador ou tomador de mão-de-obra, excluídos os eventuais, os autônomos e os servidores públicos civis e militares sujeitos a regime jurídico próprio. § 3º - Os trabalhadores domésticos poderão ter acesso ao regime do FGTS, na forma que vier a ser prevista em lei. § 4º - Considera-se remuneração as retiradas de diretores não empregados, quando haja deliberação da empresa, garantindo-lhes os direitos decorrentes do contrato de trabalho de que trata o art. 16. § 5º - O depósito de que trata o caput deste artigo é obrigatório nos casos de afastamento para prestação do serviço militar obrigatório e licença por acidente do trabalho. § 6º - Não se incluem na remuneração, para os fins desta Lei, as parcelas elencadas no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. § 7º - Os contratos de aprendizagem terão a alíquota a que se refere o caput deste artigo reduzida para dois por cento. 1.2 Da multa dos 40% sobre o FGTS Quando é do empregador a iniciativa de extinguir o contrato de trabalho sem opor qualquer motivo, fenômeno também denominado de despedida sem justa causa, deverá arcar com o pagamento de uma quantia equivalente a 40% do saldo existente na conta vinculada do seu empregado. Apesar de ser devido ao empregado quando da extinção do pacto laboral, ainda assim dever ser depositado em sua conta vinculada, para saque posterior juntamente com o saldo disponível. (CAIRO Jr., 2015, p. 795) Essa multa vai de encontro com a aplicação do princípio da continuidade da relação do emprego e da finalidade do FGTS em substituir o sistema de estabilidade decimal anteriormente existente, visando dificultar a extinção do pacto laboral sem justo motivo, e é regulamentada pelo art. 18 da Lei 8.036/90: 89 Art. 18. Ocorrendo rescisão do contrato de trabalho, por parte do empregador, ficará este obrigado a depositar na conta vinculada do trabalhador no FGTS os valores relativos aos depósitos referentes ao mês da rescisão e aoimediatamente anterior, que ainda não houver sido recolhido, sem prejuízo das cominações legais. § 1º Na hipótese de despedida pelo empregador sem justa causa, depositará este, na conta vinculada do trabalhador no FGTS, importância igual a quarenta por cento do montante de todos os depósitos realizados na conta vinculada durante a vigência do contrato de trabalho, atualizados monetariamente e acrescidos dos respectivos juros. § 2º Quando ocorrer despedida por culpa recíproca ou força maior, reconhecida pela Justiça do Trabalho, o percentual de que trata o § 1º será de 20 (vinte) por cento. § 3° As importâncias de que trata este artigo deverão constar da documentação comprobatória do recolhimento dos valores devidos a título de rescisão do contrato de trabalho, observado o disposto no art. 477 da CLT, eximindo o empregador, exclusivamente, quanto aos valores discriminados. OJ n. 42. da SBDI-1 do TST. FGTS. MULTA DE 40% I - É devida a multa do FGTS sobre os saques corrigidos monetariamente ocorridos na vigência do contrato de trabalho. Art. 18, § 1º, da Lei nº 8.036/90 e art. 9º, § 1º, do Decreto nº 99.684/90. II - O cálculo da multa de 40% do FGTS deverá ser feito com base no saldo da conta vinculada na data do efetivo pagamento das verbas rescisórias, desconsiderada a projeção do aviso prévio indenizado, por ausência de previsão legal. 90 1.3 Hipóteses de Saque As hipóteses de saques estão previstas no art. 20 e seguintes, da mesma Lei, ao qual destacam-se as seguintes situações: *Para todos verem: esquema. Despedida sem justa causa; Despedida indireta; Extinção da empresa; Aposentadoria do INSS; Desastre natural com autorização do governo Aquisição de moradia; Conta inativa por mais de 3 anos; HIV ou câncer; Avulso, sem trabalhar por 90 dias; Idade superior a 70 anos; Extinção normal do contrato a termo; Falecimento do empregado; Portador de deficiência para aquisição órtese ou prótese para promoção de acessibilidade e de inclusão social; No mês de aniversário. 91 16. Força Maior Prof. Luiz Henrique Dutra @prof.luiz.henrique Art. 501 da CLT - Entende-se como força maior todo acontecimento inevitável, em relação à vontade do empregador, e para a realização do qual este não concorreu, direta ou indiretamente. § 1º - A imprevidência do empregador exclui a razão de força maior. § 2º - À ocorrência do motivo de força maior que não afetar substancialmente, nem for suscetível de afetar, em tais condições, a situação econômica e financeira da empresa não se aplicam as restrições desta Lei referentes ao disposto neste Capítulo. Art. 502 da CLT - Ocorrendo motivo de força maior que determine a extinção da empresa, ou de um dos estabelecimentos em que trabalhe o empregado, é assegurada a este, quando despedido, uma indenização na forma seguinte: I - Sendo estável, nos termos dos arts. 477 e 478: II - Não tendo direito à estabilidade, metade da que seria devida em caso de rescisão sem justa causa. III - Havendo contrato por prazo determinado, aquela a que se refere o art. 479 desta Lei, reduzida igualmente à metade. Art. 503 da CLT - É lícita, em caso de força maior ou prejuízos devidamente comprovados, a redução geral dos salários dos empregados da empresa, proporcionalmente aos salários de cada um, não podendo, entretanto, ser superior a 25% (vinte e cinco por cento), respeitado, em qualquer caso, o salário-mínimo da região. Parágrafo único - Cessados os efeitos decorrentes do motivo de força maior, é garantido o restabelecimento dos salários reduzidos. Art. 504 da CLT - Comprovada a falsa alegação do motivo de força maior, é garantida a reintegração aos empregados estáveis, e aos não-estáveis o complemento da indenização já percebida, assegurado a ambos o pagamento da remuneração atrasada. 92 17. Calculando Verbas Rescisórias e Entendendo Reflexos Prof. Luiz Henrique Dutra @prof.luiz.henrique 1.1 Considerações Iniciais A rescisão do contrato está regulamentada no artigo 477 e seguintes da CLT. Quando da rescisão do contrato de trabalho deverá ocorrer a baixa da CTPS do empregado e comunicação dos órgãos competentes, com a devida realização do Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho (TRCT), o qual deve conter, de forma discriminada, todas as parcelas pagas ao empregado no ato da rescisão (§2º e caput do art. 477 da CLT). Cumpridas as exigências, basta para o empregado sacar os valores relativos ao saldo de FGTS e pedido de seguro-desemprego a apresentação de sua CTPS (§10º do art. 477 da CLT). Importante frisar que, caso esteja o empregado devendo ao empregador valores referentes ao contrato de trabalho, poderá ocorrer a compensação dos valores, limitado a uma remuneração do empregado. O empregador possui um prazo de 10 dias do término do contrato de trabalho para efetuar o pagamento das verbas rescisórias (§6º do art. 477 da CLT), sendo que não sendo respeitado esse prazo, terá que pagar uma multa ao empregado no valor de um salário (§8º do art. 477 da CLT). Em caso de rescisão de contrato de trabalho, havendo controvérsia sobre o montante das verbas rescisórias, o empregador é obrigado a pagar ao trabalhador, na data do comparecimento à Justiça do Trabalho, a parte incontroversa dessas verbas, sob pena de pagá- las acrescidas de 50% (art. 467 da CLT). Acerca do pagamento das verbas rescisórias, importante a leitura das seguintes Súmulas do TST: Súmula nº 69 do TST - RESCISÃO DO CONTRATO (nova redação) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 - A partir da Lei nº 10.272, de 05.09.2001, havendo rescisão do contrato de trabalho e sendo revel e confesso quanto à matéria de fato, deve ser o empregador condenado ao pagamento das verbas rescisórias, não quitadas na primeira audiência, com acréscimo de 50% (cinquenta por cento). Súmula nº 388 do TST - MASSA FALIDA. ARTS. 467 E 477 DA CLT. INAPLICABILIDADE - A Massa Falida não se sujeita à penalidade do art. 467 e nem à 93 multa do § 8º do art. 477, ambos da CLT. (ex-Ojs da SBDI-1 nºs 201 - DJ 11.08.2003 - e 314 - DJ 08.11.2000) Súmula nº 462 do TST - MULTA DO ART. 477, § 8º, DA CLT. INCIDÊNCIA. RECONHECIMENTO JUDICIAL DA RELAÇÃO DE EMPREGO - A circunstância de a relação de emprego ter sido reconhecida apenas em juízo não tem o condão de afastar a incidência da multa prevista no art. 477, §8º, da CLT. A referida multa não será devida apenas quando, comprovadamente, o empregado der causa à mora no pagamento das verbas rescisórias. 1.2 Formas de Verbas Rescisórias 1.2.1. Definitivo À todas as rescisões: a) saldo de salário; b) férias vencidas. 1.2.2. Proporcional Não é devido na justa causa, conforme prevê o art. 486 da CLT: Art. 486 - No caso de paralisação temporária ou definitiva do trabalho, motivada por ato de autoridade municipal, estadual ou federal, ou pela promulgação de lei ou resolução que impossibilite a continuação da atividade, prevalecerá o pagamento da indenização, que ficará a cargo do governo responsável. (Redação dada pela Lei nº 1.530, de 26.12.1951) (Vide Medida Provisória nº 1.045, de 2021) §1º Sempre que o empregador invocar em sua defesa o preceito do presente artigo, o tribunal do trabalho competente notificará a pessoa de direito público apontada como responsável pela paralisação do trabalho, para que, no prazo de 30 (trinta) dias, alegue o que entender devido, passando a figurar no processo como chamada à autoria. (Incluído pelo Decreto-lei nº 6.110, de 16.12.1943) §2º Sempre que a parte interessada, firmada em documento hábil, invocar defesa baseada na disposição deste artigo e indicar qual o juiz competente, será ouvida a parte contrária, para, dentro de 3 (três) dias, falar sobre essa alegação. (Redação dada pela Lei nº 1.530, de 26.12.1951) §3º Verificada qual a autoridade responsável, a Junta de Conciliação ou Juiz dar-se-á por incompetente, remetendoos autos ao Juiz Privativo da Fazenda, perante o qual correrá o feito nos termos previstos no processo comum. (Incluído pela Lei nº 1.530, de 26.12.1951) Verbas Rescisórias: a) férias proporcionais – pela metade na culpa recíproca (art. 484 da CLT): Art. 484 - Havendo culpa recíproca no ato que determinou a rescisão do contrato de trabalho, o tribunal de trabalho reduzirá a indenização à que seria devida em caso de culpa exclusiva do empregador, por metade. b) 13º salário 94 1.2.3. Indenizatório Não é devido quando o empregado deu causa a rescisão: a) morte, b) pedido e c) justa causa (art. 482 da CLT). Verbas Rescisórias: a) Aviso prévio; b) Multa de 40%; c) Arts. 479 e 480 da CLT – devido pela metade quando por culpa recíproca (art. 484 da CLT) ou por acordo (art. 484-A da CLT). * Mapa Mental disponível em uma maior resolução no E-book de Mapas Mentais. Art.482 da CLT https://ceisc.com.br/LINK_PODCAST_AQUI 95 1.3 Esquema das Verbas Rescisórias Término do prazo Rescisão antecipada (empresa) Rescisão antecipada (funcionário) Justa Causa Indireta ou sem justa causa Culpa Recíproca Acordo Fato do Príncipe Pedido de Demissão Saldo Salário ☺ ☺ ☺ ☺ ☺ ☺ ☺ ☺ ☺ Férias vencidas ☺ ☺ ☺ ☺ ☺ ☺ ☺ ☺ ☺ Férias proporcionais ☺ ☺ ☺ X ☺ 50% ☺ ☺ ☺ 13º salário proporcional ☺ ☺ ☺ X ☺ 50% ☺ ☺ ☺ Aviso prévio | 479 | 480 X 479 480 X ☺ 50% 50% ☺ empregado dá o aviso Multa FGTS X ☺ X X ☺ 50% 50% ☺ X 1.4 Verbas Rescisórias Demissão sem Justa Causa ou Demissão Indireta: - É devido tudo. Demissão por Justa Causa, art. 482 da CLT: - Saldo de salário. - Férias vencidas 96 Acordo, art. 484 a da CLT: - 100% definitivo - 100% proporcional - 50% indenizatório Culpa recíproca, art. 484 da CLT: - 100% definitivo - 50% proporcional - 50% indenizatório 1.5 Calculando Verbas Rescisórias 1.5.1 Exemplo 1 Período Aquisitivo:12 meses Período Concessivo: 12 meses 1) 21/22 - vencimento em dobro (fora do prazo) 2) 22/23 - vencimento siples (dentro do prazo) 3) Proporcional – 10/12 avos 03/01/2021 03/01/2022 03/01/2023 03/10/2023 97 1.5.2 Exemplo 2 Empregado admitido em 05/01/2021 Aviso prévio em 31/10/2023 Obs: teve 1 período de férias 1) Saldo de Salários: 31 dias 2) Férias vencidas simples 22/23 Férias proporcionais 11/12 3) Aviso prévio mínimo: 30 dias Aviso prévio máximo: 90 dias 3 dias / ano = 36 dias 4) 13º salário 11/ 12 avos 1.5.3 Exemplo 3 De 06/06/2023 até 31/10/2023 1) 5/12 avos 13º salário 2) 5/12 avos férias proporcionais 3) 31 Saldo de salário. 4) 30 dias de aviso prévio. 5) Multa do FGTS 98 1.6 Reflexos Recalcular Sempre que aumentar o salário. R$ 2.000,00 13º salário INSS Férias FGTS Descanso Semanal Remunerado Aviso Prévio +R$ 500,00 Reflexos 13º salário INSS Férias FGTS Descanso Semanal Remunerado Aviso Prévio Exemplo: R$ 2.000,00 1) Insalubridade +R$ 500,00 Verba de Natureza Salarial Reflexo 2) Intervalo não concedido +R$ 600,00 Verba de Naturea Indenizatória Não tem Reflexo 99 1.7 Remuneração = Salário + Gorjetas Artigo 457CLT § 1º Salário Salário Base – Negociado Hora Extra Hora Noturna Comissões Transferência Adicionais Insalubridade Complementos Salariais Periculosidade Reflexos Gratificações Função Natalina Tempo de Serviço 1.8 Não possui Reflexos Não possui reflexos quando for de natureza indenizatória. Artigo 457, § 2º da CLT Auxílio Alimentação Prêmio Abono Diárias Ajuda de Custo Outras: 1) Participação nos Lucros ou Resultados 2) Vale Transporte 3) Salário Família 4) Intervalo Intrajornada Interjornada 100 18. Dissídio Coletivo, Ação de Cumprimento Prof. Luiz Henrique Dutra @prof.luiz.henrique 1. Dissídio Coletivo As ações de Dissídio Coletivo e ação de cumprimento estão previstas nos art. 856 até 875, conforme segue a transcrição abaixo: Art. 856 - A instância será instaurada mediante representação escrita ao Presidente do Tribunal. Poderá ser também instaurada por iniciativa do presidente, ou, ainda, a requerimento da Procuradoria da Justiça do Trabalho, sempre que ocorrer suspensão do trabalho. Art. 857 - A representação para instaurar a instância em dissídio coletivo constitui prerrogativa das associações sindicais, excluídas as hipóteses aludidas no art. 856, quando ocorrer suspensão do trabalho. (Redação dada pelo Decreto-lei nº 7.321, de 14.2.1945) Parágrafo único. Quando não houver sindicato representativo da categoria econômica ou profissional, poderá a representação ser instaurada pelas federações correspondentes e, na falta destas, pelas confederações respectivas, no âmbito de sua representação. (Redação dada pela Lei nº 2.693, de 23.12.1955) Art. 858 - A representação será apresentada em tantas vias quantos forem os reclamados e deverá conter: a) designação e qualificação dos reclamantes e dos reclamados e a natureza do estabelecimento ou do serviço; b) os motivos do dissídio e as bases da conciliação. Art. 859 - A representação dos sindicatos para instauração da instância fica subordinada à aprovação de assembléia, da qual participem os associados interessados na solução do dissídio coletivo, em primeira convocação, por maioria de 2/3 (dois terços) dos mesmos, ou, em segunda convocação, por 2/3 (dois terços) dos presentes. (Redação dada pelo Decreto-lei nº 7.321, de 14.2.1945) Parágrafo único. (Revogado pelo Decreto-lei nº 7.321, de 14.2.1945) Art. 860 - Recebida e protocolada a representação, e estando na devida forma, o Presidente do Tribunal designará a audiência de conciliação, dentro do prazo de 10 (dez) dias, determinando a notificação dos dissidentes, com observância do disposto no art. 841. Parágrafo único - Quando a instância for instaurada ex officio, a audiência deverá ser realizada dentro do prazo mais breve possível, após o reconhecimento do dissídio. Art. 861 - É facultado ao empregador fazer-se representar na audiência pelo gerente, ou por qualquer outro preposto que tenha conhecimento do dissídio, e por cujas declarações será sempre responsável. Art. 862 - Na audiência designada, comparecendo ambas as partes ou seus representantes, o Presidente do Tribunal as convidará para se pronunciarem sobre as 101 bases da conciliação. Caso não sejam aceitas as bases propostas, o Presidente submeterá aos interessados a solução que lhe pareça capaz de resolver o dissídio. Art. 863 - Havendo acordo, o Presidente o submeterá à homologação do Tribunal na primeira sessão. Art. 864. Não havendo acordo, ou não comparecendo ambas as partes ou uma delas, o presidente submeterá o processo a julgamento, depois de realizadas as diligências que entender necessárias e ouvida a Procuradoria. (Redação dada pelo Decreto- lei nº 8.737, de 19.1.1946) Art. 865 - Sempre que, no decorrer do dissídio, houver ameaça de perturbação da ordem, o presidente requisitará à autoridade competente as providências que se tornarem necessárias. Art. 866 - Quando o dissídio ocorrer fora da sede do Tribunal, poderá o presidente, se julgar conveniente, delegar à autoridade local as atribuições de que tratam os arts. 860 e 862. Nesse caso, não havendo conciliação, a autoridade delegada encaminhará o processo ao Tribunal, fazendo exposição circunstanciada dos fatos e indicando a solução que lhe parecer conveniente. Art. 867 - Da decisão do Tribunal serão notificadasas partes, ou seus representantes, em registrado postal, com franquia, fazendo-se, outrossim, a sua publicação no jornal oficial, para ciência dos demais interessados. Parágrafo único - A sentença normativa vigorará: (Incluído pelo Decreto- lei nº 424, de 21.1.1969) a) a partir da data de sua publicação, quando ajuizado o dissídio após o prazo do art. 616, § 3º, ou, quando não existir acordo, convenção ou sentença normativa em vigor, da data do ajuizamento; (Incluída pelo Decreto-lei nº 424, de 21.1.1969) b) a partir do dia imediato ao termo final de vigência do acordo, convenção ou sentença normativa, quando ajuizado o dissídio no prazo do art. 616, § 3º. (Incluída pelo Decreto-lei nº 424, de 21.1.1969) Art. 868 - Em caso de dissídio coletivo que tenha por motivo novas condições de trabalho e no qual figure como parte apenas uma fração de empregados de uma empresa, poderá o Tribunal competente, na própria decisão, estender tais condições de trabalho, se julgar justo e conveniente, aos demais empregados da empresa que forem da mesma profissão dos dissidentes. Parágrafo único - O Tribunal fixará a data em que a decisão deve entrar em execução, bem como o prazo de sua vigência, o qual não poderá ser superior a 4 (quatro) anos. Art. 869 - A decisão sobre novas condições de trabalho poderá também ser estendida a todos os empregados da mesma categoria profissional compreendida na jurisdição do Tribunal: a) por solicitação de 1 (um) ou mais empregadores, ou de qualquer sindicato destes; b) por solicitação de 1 (um) ou mais sindicatos de empregados; c) ex officio, pelo Tribunal que houver proferido a decisão; d) por solicitação da Procuradoria da Justiça do Trabalho. Art. 870 - Para que a decisão possa ser estendida, na forma do artigo anterior, torna-se preciso que 3/4 (três quartos) dos empregadores e 3/4 (três quartos) dos empregados, ou os respectivos sindicatos, concordem com a extensão da decisão. § 1º - O Tribunal competente marcará prazo, não inferior a 30 (trinta) nem superior a 60 (sessenta) dias, a fim de que se manifestem os interessados. 102 § 2º - Ouvidos os interessados e a Procuradoria da Justiça do Trabalho, será o processo submetido ao julgamento do Tribunal. Art. 871 - Sempre que o Tribunal estender a decisão, marcará a data em que a extensão deva entrar em vigor. Art. 872 - Celebrado o acordo, ou transitada em julgado a decisão, seguir-se-á o seu cumprimento, sob as penas estabelecidas neste Título. Parágrafo único - Quando os empregadores deixarem de satisfazer o pagamento de salários, na conformidade da decisão proferida, poderão os empregados ou seus sindicatos, independentes de outorga de poderes de seus associados, juntando certidão de tal decisão, apresentar reclamação à Junta ou Juízo competente, observado o processo previsto no Capítulo II deste Título, sendo vedado, porém, questionar sobre a matéria de fato e de direito já apreciada na decisão. (Redação dada pela Lei nº 2.275, de 30.7.1954) Art. 873 - Decorrido mais de 1 (um) ano de sua vigência, caberá revisão das decisões que fixarem condições de trabalho, quando se tiverem modificado as circunstâncias que as ditaram, de modo que tais condições se hajam tornado injustas ou inaplicáveis. Art. 874 - A revisão poderá ser promovida por iniciativa do Tribunal prolator, da Procuradoria da Justiça do Trabalho, das associações sindicais ou de empregador ou empregadores interessados no cumprimento da decisão. Parágrafo único - Quando a revisão for promovida por iniciativa do Tribunal prolator ou da Procuradoria, as associações sindicais e o empregador ou empregadores interessados serão ouvidos no prazo de 30 (trinta) dias. Quando promovida por uma das partes interessadas, serão as outras ouvidas também por igual prazo. Art. 875 - A revisão será julgada pelo Tribunal que tiver proferido a decisão, depois de ouvida a Procuradoria da Justiça do Trabalho. Agora, após o estudo da matéria, vamos analisar os modelos de cada uma das ações ESTRUTURA BÁSICA: 5) Endereçamento 6) Nome e qualificação do autor 7) Nome e fundamentação da peça 8) Nome e qualificação do réu 9) TESES (requisitos, fatos e fundamentos 10) Pedidos 11) Valor da causa 12) Fechamento 103 MODELO DE DISSÍDIO COLETIVO DE NATUREZA ECONÔNICA: EXMO. SR. DR. JUIZ PESIDENTE DO E. TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA ...ª REGIÃO SINDICATO DAS EMPRESAS ..., qualificação completa..., endereço completo..., por seu advogado que esta subscreve (endereço completo...), vem à presença de Vossa Excelência ajuizar DISSÍDIO COLETIVO Em face de SINDICATO DOS EMPREGADOS ..., qualificação completa..., endereço completo..., nos termos a seguir aduzidos. DOS FATOS E FUNDAMENTOS: O requerente detém a base territorial em relação às empresas, conforme documento em anexo. A data-base da categoria é .... Foi feita assembleia geral para efeito da instauração do dissídio coletivo. O edital de convocação foi publicado na imprensa local. Foi realizada a assembleia geral no dia .... As partes já fizeram várias negociações coletivas, mas não se chega a um resultado, em razão do impasse da parte contrária, que prefere que a questão seja discutida na Justiçado Trabalho. O suscitante apresenta as bases para a conciliação, nos termos do art. 858 da CLT, sendo mantidas as condições de trabalho fixadas em instrumentos normativos anteriores: 1. Reajuste salarial de ...; 2) Produtividade de; 3) Piso salarial de…; 1. Garantia do salário-substituição para o empregado que substituir temporariamente outro, em caso de férias, licença-maternidade, doença do trabalho; 2. Carta-aviso: as empresas se comprometem a fornecer carta-aviso, indicando os motivos pelos quais está havendo a dispensa; 3. Adicional de horas extras de 60%; 4. Adicional noturno de 50%; 104 5. Creches: as empresas que não tiverem creche própria pagarão o auxílio-creche no valor de 20% do salário normativo, por mês e por filho até cinco anos de idade; 6. As empresas ficam obrigadas a lavar o uniforme dos empregados; 7. Mora salarial: as empresas que não observarem o prazo para pagamento de salários deverão pagar ao empregado multa de 5% do valor do salário; 8. Férias: o início das férias não pode coincidir com sábados, domingos e feriados; 9. Multa Normativa: em caso de descumprimento de qualquer cláusula normativa, as empresas pagarão ao empregado multa de 5% sobre o piso salarial. DOS PEDIDOS: Diante do exposto, requer sejam mantidas as condições de trabalho das normas coletivas anteriores, acrescidas das acima indicadas. Requer a citação do réu para contestar sob pena de revelia e confissão. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos. Valor da causa: R$... Nestes termos, Pede deferimento. Local... Data... Advogado... OAB... 2. Ação de Cumprimento Celebrado o acordo, ou transitada em julgado a decisão, seguir-se-á o cumprimento. Quando os empregadores deixarem de satisfazer o pagamento de salários, na conformidade da decisão proferida, poderão os empregados ou seus sindicatos, independentes de outorga de poderes de seus associados, juntando certidão de tal decisão, apresentar reclamação ao juízo competente, sendo vedado, porém, questionar sobre a matéria de fato e de direito já apreciada na decisão (parágrafo único do art. 872 da CLT). O parágrafo único do art. 872 da CLT retrata hipótese de substituição processual, pois o sindicato em nome próprio postula direito dos substituídos, os empregados. 105 Importante destacar que nos termos da Súmula n. 350 do TST, a prescrição pra fins de ajuizamento da ação de cumprimento começa a fluir apenas após o transito em julgado do dissídio coletivo. ESTRUTURABÁSICA: 1. Endereçamento 2. Nome e qualificação do autor 3. Nome e fundamentação da peça 4. Nome e qualificação do réu 5. TESES (requisitos, fatos e fundamentos) 6. Pedidos 7. Valor da causa 8. Fechamento MODELO DE AÇÃO DE CUMPRIMENTO AO JUÍZO DA … VARA DO TRABALHO …. NOME, qualificação completa..., endereço completo..., por seu advogado que esta subscreve, vem à presença de Vossa Excelência propor AÇÃO DE CUMPRIMENTO Em face de NOME, com fundamento no parágrafo único do art. 872 da CLT, de acordo com as razões a seguir aduzidas. 106 Dos fatos e fundamentos O autor é empregado da reclamada desde ..., continuando a trabalhar na empresa normalmente. O dissídio coletivo da categoria concedeu um aumento real de ...% sobre o salário de .... Ocorre que a reclamada concedeu apenas ...% de aumento sobre o salário e ainda mais uma antecipação de...% em.... No entanto, até a presente data não reajustou o salário do autor na conformidade do dissídio coletivo, nem pagou as diferenças devidas e repercussões no 13º salário e incidências do FGTS. Dos pedidos Diante do exposto, requer o pagamento de: a) diferenças salariais – R$ ... b) diferenças de 13º salário – R$ ... c) incidências do FGTS – R$... As verbas acima deverão ser corrigidas e acrescidas dos juros legais. Requer a citação da ré para contestar a presente postulação, sob pena de revelia e confissão. Protesta pela produção de provas em direito admitidas. Valor da causa: R$... Nestes termos, Pede deferimento. Local... Data... 107 19. Reclamação Constitucional e Correição Parcial Prof. Luiz Henrique Dutra @prof.luiz.henrique Reclamação Constitucional Prevista no CPC: Art. 988. Caberá reclamação da parte interessada ou do Ministério Público para: I - preservar a competência do tribunal; II - garantir a autoridade das decisões do tribunal; III - garantir a observância de enunciado de súmula vinculante e de decisão do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade; IV - garantir a observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de resolução de demandas repetitivas ou de incidente de assunção de competência; §1º A reclamação pode ser proposta perante qualquer tribunal, e seu julgamento compete ao órgão jurisdicional cuja competência se busca preservar ou cuja autoridade se pretenda garantir. §2º A reclamação deverá ser instruída com prova documental e dirigida ao presidente do tribunal. §3º Assim que recebida, a reclamação será autuada e distribuída ao relator do processo principal, sempre que possível. §4º As hipóteses dos incisos III e IV compreendem a aplicação indevida da tese jurídica e sua não aplicação aos casos que a ela correspondam. Art. 989. Ao despachar a reclamação, o relator: I - requisitará informações da autoridade a quem for imputada a prática do ato impugnado, que as prestará no prazo de 10 (dez) dias; II - se necessário, ordenará a suspensão do processo ou do ato impugnado para evitar dano irreparável; III - determinará a citação do beneficiário da decisão impugnada, que terá prazo de 15 (quinze) dias para apresentar a sua contestação. Art. 990. Qualquer interessado poderá impugnar o pedido do reclamante. Art. 991. Na reclamação que não houver formulado, o Ministério Público terá vista do processo por 5 (cinco) dias, após o decurso do prazo para informações e para o oferecimento da contestação pelo beneficiário do ato impugnado. Art. 992. Julgando procedente a reclamação, o tribunal cassará a decisão exorbitante de seu julgado ou determinará medida adequada à solução da controvérsia. Art. 993. O presidente do tribunal determinará o imediato cumprimento da decisão, lavrando-se o acórdão posteriormente. Nos termos do RITST: Caberá reclamação para: I - preservar a competência do Tribunal; II - garantir a autoridade das decisões do Tribunal; III - garantir a observância de acórdão proferido em incidentes de assunção de competência, de resolução de demandas repetitivas e de julgamento de recursos de revista e embargos à Subseção I da Seção Especializada em Dissídios Individuais repetitivos. 108 Ademais, nos termos do §3º do Art. 111-A da Constituição Federal, compete ao Tribunal Superior do Trabalho processar e julgar, originariamente, a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões. ESTRUTURA BÁSICA: 13) Endereçamento 14) Nome e qualificação da parte 15) Nome e fundamentação da peça 16) Nome e qualificação da parte adversa 17) TESES (fatos e fundamentos 18) Pedidos 19) Fechamento MODELO DE RECLAMAÇÃO CONSTITUCIONAL EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR PRESIDENTE DO TRIBUNAL... Nome, qualificação completa... endereço completo..., vem à presença de Vossa Excelência, propor, com fundamento no art. 988 do CPC RECLAMAÇÃO C/C PEDIDO LIMINAR, Em face da decisão do Juiz da ... Vara do Trabalho de ..., nos autos do processo… pelas razões que passa a expor: Cabimento Falar de uma das hipóteses do art. 988 do CPC TESE: Fatos e Fundamentos Ex: cabe reclamação por usurpação de competência do Tribunal Superior do Trabalho contra decisão que determina o processamento, no Tribunal Regional, de dissídio coletivo de abrangência nacional. Ex: caberá reclamação quando o mandado de segurança contra ato de juiz, cujo processamento é determinado na primeira instância. 109 Pedidos Diante do exposto, requer seja modificada a decisão para... Nestes termos, pede deferimento. Local... Data...Advogado... OAB... 2. Correição Parcial A correição parcial não tem previsão na lei, mas sim nos regimentos internos, sendo cabível contra atos que tumultuam o processo praticados pelo juiz. ESTRUTURA BÁSICA: 1. Endereçamento 2. Nome e qualificação da parte 3. Nome e fundamentação da peça 4. Nome e qualificação da parte adversa 5. TESES (fatos e fundamentos 6. Pedidos 7. Fechamento MODELO DE CORREIÇÃO PARCIAL EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ CORREGEDOR REGIONAL NOME, já qualificado nos autos do processo nº..., que tramita na ... Vara do Trabalho de ..., em que contende com Nome, igualmente já qualificado, vem à presença de Vossa Excelência, interpor: 110 CORREIÇÃO PARCIAL, contra ato do MM Juiz da ... Vara do Trabalho de ..., pelas razões que passa a expor: Fatos e Fundamentos Ex: juiz manda desmembrar em dois processos a causa, mas estão preenchidos os requisitos para que tramitem em um só. Ex: juiz indefere oitiva de testemunhas e o advogado protesta e pede para consignar em ata, mas o juiz se nega a fazer isso. Pedidos Diante do exposto, requer seja modificada a decisão para... Nestes termos, pede deferimento. Local... Data...Advogado... OAB... 111 20. Ação de Exibição de Documentos. Produção antecipada de provas. Prof. Luiz Henrique Dutra @prof.luiz.henrique 1. Ação de exibição de documentos As Ações de exibição de documentos estão previstas nos arts. 396 a 404 do CPC, conforme segue a transcrição abaixo: Art. 396. O juiz pode ordenar que a parte exiba documento ou coisa que se encontre em seu poder. Art. 397. O pedido formulado pela parte conterá: I - a descrição, tão completa quanto possível, do documento ou da coisa, ou das categorias de documentos ou de coisas buscados; (Redação dada pela Lei nº 14.195, de 2021) II - a finalidade da prova, com indicação dos fatos que se relacionam com o documento ou com a coisa, ou com suas categorias; (Redação dada pela Lei nº 14.195, de 2021) III - as circunstâncias em que se funda o requerente para afirmar que o documento ou a coisa existe, ainda que a referência seja a categoria de documentos ou de coisas, e se acha em poder da parte contrária. (Redação dada pelaexcepcionais admite-se o ajuste de um contrato de trabalho a termo. Por conta dessa circunstância, presume-se que a intenção dos contratantes e principalmente do empregado é de protrair indefinitivamente, no tempo, a execução do pacto laboral (CAIRO Jr., 2015, p. 93). Exemplos: Súmula n. 32 do TST; Súmula n. 212 do TST; Art, 482, “i” da CLT: Súmula nº 32 do TST –ABANDONO DE EMPREGO. Presume-se o abandono de emprego se o trabalhador não retornar ao serviço no prazo de 30 (trinta) dias após a cessação do benefício previdenciário nem justificar o motivo de não o fazer. Súmula nº 212 do TST – DESPEDIMENTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus de provar o término do contrato de trabalho, quando negados a prestação de serviço e o despedimento, é do empregador, pois o princípio da continuidade da relação de emprego constitui presunção favorável ao empregado. Art. 482 da CLT - Constituem justa causa para rescisão do contrato de trabalho pelo empregador: i) abandono de emprego; 1.1.4. Princípio da primazia da realidade A realidade dos fatos prevalece sobre meras cláusulas contratuais ou registros documentais, ainda que em sentido contrário. Aplicação a favor ou contra o empregado. (MARTINEZ, 2012, p. 98). Não importa o que está no papel, mas sim o que de fato realmente aconteceu. Exemplos: Súmula n. 338 do TST e Súmula n. 225 do STF. Súmula nº 338 do TST – JORNADA DE TRABALHO. REGISTRO. ÔNUS DA PROVA. I - É ônus do empregador que conta com mais de 10 (dez) empregados o registro da jornada de trabalho na forma do art. 74, § 2º, da CLT. A não-apresentação injustificada dos controles de frequência gera presunção relativa de veracidade da jornada de trabalho, a qual pode ser elidida por prova em contrário. II - A presunção de veracidade da jornada de trabalho, ainda que prevista em instrumento normativo, pode ser elidida por prova em contrário. III - Os cartões de ponto que demonstram horários de entrada e saída uniformes são inválidos como meio de prova, invertendo-se o ônus da prova, relativo às horas extras, que passa a ser do empregador, prevalecendo a jornada da inicial se dele não se desincumbir. 12 SÚMULA 225 DO STF - Não é absoluto o valor probatório das anotações da carteira profissional. 1.1.5. Princípio da não discriminação O direito do trabalho não admite qualquer forma de discriminação. Assim, o empregado não pode ser discriminado, em razão de cor, raça, credo, idade, sexo ou opinião, tanto no momento da sua admissão quanto durante a execução do contrato. Exemplos: Art. 442-A da CLT e Art. 461 da CLT. Art. 442-A da CLT - Para fins de contratação, o empregador não exigirá do candidato a emprego comprovação de experiência prévia por tempo superior a 6 (seis) meses no mesmo tipo de atividade. Art. 461 da CLT - Sendo idêntica a função, a todo trabalho de igual valor, prestado ao mesmo empregador, no mesmo estabelecimento empresarial, corresponderá igual salário, sem distinção de sexo, etnia, nacionalidade ou idade. § 1º - Trabalho de igual valor, para os fins deste Capítulo, será o que for feito com igual produtividade e com a mesma perfeição técnica, entre pessoas cuja diferença de tempo de serviço para o mesmo empregador não seja superior a quatro anos e a diferença de tempo na função não seja superior a dois anos. § 2º - Os dispositivos deste artigo não prevalecerão quando o empregador tiver pessoal organizado em quadro de carreira ou adotar, por meio de norma interna da empresa ou de negociação coletiva, plano de cargos e salários, dispensada qualquer forma de homologação ou registro em órgão público. § 3º - No caso do § 2º deste artigo, as promoções poderão ser feitas por merecimento e por antiguidade, ou por apenas um destes critérios, dentro de cada categoria profissional. § 4º - O trabalhador readaptado em nova função por motivo de deficiência física ou mental atestada pelo órgão competente da Previdência Social não servirá de paradigma para fins de equiparação salarial. § 5º - A equiparação salarial só será possível entre empregados contemporâneos no cargo ou na função, ficando vedada a indicação de paradigmas remotos, ainda que o paradigma contemporâneo tenha obtido a vantagem em ação judicial própria. § 6º Na hipótese de discriminação por motivo de sexo, raça, etnia, origem ou idade, o pagamento das diferenças salariais devidas ao empregado discriminado não afasta seu direito de ação de indenização por danos morais, consideradas as especificidades do caso concreto. (Redação dada pela Lei nº 14.611, de 2023) § 7º Sem prejuízo do disposto no § 6º, no caso de infração ao previsto neste artigo, a multa de que trata o art. 510 desta Consolidação corresponderá a 10 (dez) vezes o valor do novo salário devido pelo empregador ao empregado discriminado, elevada ao dobro, no caso de reincidência, sem prejuízo das demais cominações legais. (Redação dada pela Lei nº 14.611, de 2023) 13 EM SÍNTESE: • Princípio da Proteção • Princípio da aplicação da fonte jurídica mais benéfica. • Princípio da manutenção da condição mais benéfica. • In dubio pro operário • Princípio da Indisponibilidade de direito • Princípio da Continuidade da Relação de Emprego • Princípio da Primazia da Realidade • Princípio da não discriminação 2. Fontes 2.1. Fontes Autônomas Produzidas pelas partes. Ex: Acordo coletivo, convenção coletiva, regimento interno, contrato de trabalho, etc. 2.2. Fontes Heterônomas Produzidas por terceiros. Ex: CF, CLT, Normas Internacionais, sentenças, etc. 3. Aplicação da norma jurídica trabalhista Em regra, o direito se aplica para os empregados contratado via regime CLT, não sendo aplicado para estatutários, conforme art. 7 da CLT: Art. 7º Os preceitos constantes da presente Consolidação salvo quando for em cada caso, expressamente determinado em contrário, não se aplicam: a) aos empregados domésticos, assim considerados, de um modo geral, os que prestam serviços de natureza não-econômica à pessoa ou à família, no âmbito residencial destas; b) aos trabalhadores rurais, assim considerados aqueles que, exercendo funções diretamente ligadas à agricultura e à pecuária, não sejam empregados em atividades 14 que, pelos métodos de execução dos respectivos trabalhos ou pela finalidade de suas operações, se classifiquem como industriais ou comerciais; c) aos funcionários públicos da União, dos Estados e dos Municípios e aos respectivos extranumerários em serviço nas próprias repartições; d) aos servidores de autarquias paraestatais, desde que sujeitos a regime próprio de proteção ao trabalho que lhes assegure situação análoga à dos funcionários públicos. f) às atividades de direção e assessoramento nos órgãos, institutos e fundações dos partidos, assim definidas em normas internas de organização partidária. Na omissão da legislação trabalhista, pode ser resolvido o conflito através de princípios, normas gerais de direito, analogia por equidade, conforme Caput do art. 8 da CLT: Art. 8º - As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência, por analogia, por equidade e outros princípios e normas gerais de direito, principalmente do direito do trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse público. O direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho (§ 1º do art. 8 da CLT); Súmulas e outros enunciados de jurisprudência editados pelo Tribunal Superior do Trabalho e pelos Tribunais Regionais do Trabalho não poderão restringir direitos legalmente previstos nem criar obrigações que não estejam previstas em lei (§ 2º do art. 8 da CLT).Lei nº 14.195, de 2021) Art. 398. O requerido dará sua resposta nos 5 (cinco) dias subsequentes à sua intimação. Parágrafo único. Se o requerido afirmar que não possui o documento ou a coisa, o juiz permitirá que o requerente prove, por qualquer meio, que a declaração não corresponde à verdade. Art. 399. O juiz não admitirá a recusa se: I - o requerido tiver obrigação legal de exibir; II - o requerido tiver aludido ao documento ou à coisa, no processo, com o intuito de constituir prova; III - o documento, por seu conteúdo, for comum às partes. Art. 400. Ao decidir o pedido, o juiz admitirá como verdadeiros os fatos que, por meio do documento ou da coisa, a parte pretendia provar se: I - o requerido não efetuar a exibição nem fizer nenhuma declaração no prazo do art. 398 ; II - a recusa for havida por ilegítima. Parágrafo único. Sendo necessário, o juiz pode adotar medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias para que o documento seja exibido. Art. 401. Quando o documento ou a coisa estiver em poder de terceiro, o juiz ordenará sua citação para responder no prazo de 15 (quinze) dias. Art. 402. Se o terceiro negar a obrigação de exibir ou a posse do documento ou da coisa, o juiz designará audiência especial, tomando-lhe o depoimento, bem como o das partes e, se necessário, o de testemunhas, e em seguida proferirá decisão. 112 Art. 403. Se o terceiro, sem justo motivo, se recusar a efetuar a exibição, o juiz ordenar- lhe-á que proceda ao respectivo depósito em cartório ou em outro lugar designado, no prazo de 5 (cinco) dias, impondo ao requerente que o ressarça pelas despesas que tiver. Parágrafo único. Se o terceiro descumprir a ordem, o juiz expedirá mandado de apreensão, requisitando, se necessário, força policial, sem prejuízo da responsabilidade por crime de desobediência, pagamento de multa e outras medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias necessárias para assegurar a efetivação da decisão. Art. 404. A parte e o terceiro se escusam de exibir, em juízo, o documento ou a coisa se: I - concernente a negócios da própria vida da família; II - sua apresentação puder violar dever de honra; III - sua publicidade redundar em desonra à parte ou ao terceiro, bem como a seus parentes consanguíneos ou afins até o terceiro grau, ou lhes representar perigo de ação penal; IV - sua exibição acarretar a divulgação de fatos a cujo respeito, por estado ou profissão, devam guardar segredo; V - subsistirem outros motivos graves que, segundo o prudente arbítrio do juiz, justifiquem a recusa da exibição; VI - houver disposição legal que justifique a recusa da exibição. Parágrafo único. Se os motivos de que tratam os incisos I a VI do caput disserem respeito a apenas uma parcela do documento, a parte ou o terceiro exibirá a outra em cartório, para dela ser extraída cópia reprográfica, de tudo sendo lavrado auto circunstanciado. Artigo 769 da CLT, conforme a transcrição: Art. 769 - Nos casos omissos, o direito processual comum será fonte subsidiária do direito processual do trabalho, exceto naquilo em que for incompatível com as normas deste Título. Agora, após o estudo da matéria, vamos analisar o modelo da ação. MODELO DE AÇÃO DE EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS EXMO. SR. DR. JUIZ DA VARA DO TRABALHO DE SÃO PAULO J. S., brasileiro, casado, prensista, residente na Rua das Flores, n. 32, por seu advogado que esta subscreve (doc. 1), vem, mui respeitosamente, à presença de V. Exa. ajuizar tutela cautelar de EXIBIÇÃO com fundamento nos arts. 396 e seguintes do CPC e art. 769 da CLT, contra EMPRESA INDL. P. LTDA., de acordo com as razões a seguir expostas. O reclamante é empregado da empresa desde 1º-1-1963, exercendo a função de prensista. Vinha recebendo regularmente os extratos dos depósitos fundiários. 113 No entanto, ultimamente tem verificado que a reclamada tem recolhido o FGTS com atraso em alguns meses ou não fez o recolhimento. Requer, assim, se digne V. Exa. determinar a citação da reclamada para exibir em juízo os pagamentos dos depósitos fundiários durante toda a relação de emprego. Nestes termos, Pede deferimento Local..., data... Advogado... OAB... • Produção Antecipada de Provas A produção antecipada da prova pode consistir em interrogatório da parte, inquirição de testemunhas e exame pericial, conforme art. 381 do CPC. Vai ser feito o interrogatório da parte ou a inquirição das testemunhas antes da propositura da ação, ou na pendencia desta, mas antes da audiência de instrução se tiver de ausentar-se ou se, por motivo de idade o de moléstia grave, houver justo receio de que ao tempo da prova já não existia, ou esteja impossibilidade de depor. O requerente precisa justificar a necessidade da antecipação. A produção antecipada de prova está prevista nos arts. 381 a 383 do CPC, conforme segue a transcrição abaixo: Art. 381. A produção antecipada da prova será admitida nos casos em que: I - haja fundado receio de que venha a tornar-se impossível ou muito difícil a verificação de certos fatos na pendência da ação; II - a prova a ser produzida seja suscetível de viabilizar a autocomposição ou outro meio adequado de solução de conflito; III - o prévio conhecimento dos fatos possa justificar ou evitar o ajuizamento de ação. § 1º O arrolamento de bens observará o disposto nesta Seção quando tiver por finalidade apenas a realização de documentação e não a prática de atos de apreensão. § 2º A produção antecipada da prova é da competência do juízo do foro onde esta deva ser produzida ou do foro de domicílio do réu. § 3º A produção antecipada da prova não previne a competência do juízo para a ação que venha a ser proposta. 114 § 4º O juízo estadual tem competência para produção antecipada de prova requerida em face da União, de entidade autárquica ou de empresa pública federal se, na localidade, não houver vara federal. § 5º Aplica-se o disposto nesta Seção àquele que pretender justificar a existência de algum fato ou relação jurídica para simples documento e sem caráter contencioso, que exporá, em petição circunstanciada, a sua intenção. Art. 382. Na petição, o requerente apresentará as razões que justificam a necessidade de antecipação da prova e mencionará com precisão os fatos sobre os quais a prova há de recair. § 1º O juiz determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a citação de interessados na produção da prova ou no fato a ser provado, salvo se inexistente caráter contencioso. § 2º O juiz não se pronunciará sobre a ocorrência ou a inocorrência do fato, nem sobre as respectivas consequências jurídicas. § 3º Os interessados poderão requerer a produção de qualquer prova no mesmo procedimento, desde que relacionada ao mesmo fato, salvo se a sua produção conjunta acarretar excessiva demora. § 4º Neste procedimento, não se admitirá defesa ou recurso, salvo contra decisão que indeferir totalmente a produção da prova pleiteada pelo requerente originário. Art. 383. Os autos permanecerão em cartório durante 1 (um) mês para extração de cópias e certidões pelos interessados. Parágrafo único. Findo o prazo, os autos serão entregues ao promovente da medida. MODELO DE PRODUÇÃO DE PROVA ANTECIPADA AO JUÍZO DA ... VARA DO TRABLHO DE ... NOME, qualificação completa..., endereço completo..., vem à presença de Vossa Excelência, propor ação de PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS contra B. LTDA., com fundamento no art. 381 do CPC, em face de NOME, qualificação completa..., endereço completo..., pelas razões a seguir aduzidas. A requerente pretende ajuizar reclamação trabalhista contra a requerida, pedindo horas extras e outras verbas. No entanto, é preciso a oitiva da testemunha NOME, que está gravemente enferma, mas tem condições de prestar depoimento. Caso a testemunha não seja ouvida de imediato, receia que não mais poderá prestar depoimento.Assim, requer seja determinada a oitiva da referida testemunha, designando-se a intimação e oitiva da testemunha no hospital ..., quarto .... 115 Nestes termos, Pede deferimento. Local... Data... Advogado... OAB... 116 21. MPT | ACP | ACC Prof.ª Dra. Cleize Kohls @prof.cleizekohls 1. Ministério Público do Trabalho Conforme a o Art. 127 da CRFB, o Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. Ademais, Art. 128. O Ministério Público abrange: I - o Ministério Público da União, que compreende: a) o Ministério Público Federal; b) o Ministério Público do Trabalho; c) o Ministério Público Militar; d) o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios; II - os Ministérios Públicos dos Estados. São funções institucionais do Ministério Público (Art. 129): I - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei; II - zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados nesta Constituição, promovendo as medidas necessárias a sua garantia; III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos; IV - promover a ação de inconstitucionalidade ou representação para fins de intervenção da União e dos Estados, nos casos previstos nesta Constituição; V - defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas; VI - expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência, requisitando informações e documentos para instruí-los, na forma da lei complementar respectiva; VII - exercer o controle externo da atividade policial, na forma da lei complementar mencionada no artigo anterior; VIII - requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial, indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais; IX - exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que compatíveis com sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas. Assim, é competência do MPT: 117 • Promover Ação Civil Pública (e TAC – Direitos Coletivos); • Instaurar Inquérito Civil; • Propor ações para declaração de nulidade de normas coletivas (contrato, acordo ou convecção coletiva de trabalho) que viole as liberdades individuais ou coletivas ou os direitos individuais indisponíveis; • Propor ações de direitos de menores, incapazes e índios; • Instaurar instância em caso de greve, quando a defesa da ordem jurídica ou o interesse público assim o exigir; • Promover Mandado de Injunção; • Manifestar-se nos processos de interesse público; • Recorrer quando for parte ou quando for fiscal da lei e pedir revisão de Súmulas do TST; • Funcionar nas seções dos Tribunais, com direito a vista, requisições e diligências; • Atuar como árbitro, se assim for solicitado pelas partes, nos dissídios de competência da Justiça do Trabalho; • Combate ao trabalho degradante e infantil; • Combate às cooperativas fraudulentas; • Proteção do meio ambiente do trabalho; • Combate ao desvirtuamento da relação de emprego. Fique atendo a essas duas possibilidades: Art. 793 da CLT – representação do menor. Art. 114, parágrafo 3 da CF – dissídio de greve. ATENÇÃO: MPT na CLT = arts. 736 a 762 Entendimentos jurisprudenciais: AÇÃO CIVIL PÚBLICA TRABALHISTA. MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO. LEGITIMIDADE. O Ministério Público do Trabalho possui legitimidade para propor ação civil trabalhista para a defesa de interesses (direitos) transindividuais, de natureza indivisível, relacionados a pessoas indeterminadas (interesses difusos) ou integrantes de determinada categoria ou grupo (interesses coletivos), ou mesmo individuais de origem comum (interesses individuais homogêneos). Em seara trabalhista, interesses coletivos 118 são todos aqueles que dizem respeito tanto aos direitos de uma determinada categoria profissional como aos empregados, ou parte deles, de uma empresa. (TRT-1 - RO: 01007165820165010022 RJ, Relator: VALMIR DE ARAUJO CARVALHO, Data de Julgamento: 28/11/2018, Segunda Turma, Data de Publicação: 25/01/2019) RECURSO DE REVISTA DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO. ILEGITIMIDADE ATIVA DE SINDICATO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. A matéria diz respeito à legitimidade ad causam do Sindicato dos Empregados em Empresas de Segurança e Vigilância do Estado de Sergipe - SINDIVIGILANTE para a propositura da presente ação civil pública. Trata-se de ação em que o sindicato pretende, dentre outras parcelas, o pagamento de diferenças de horas extras decorrentes da inobservância da hora ficta noturna e do adicional noturno aos vigilantes. A Suprema Corte, em face do disposto no art. 8º, III, da Constituição Federal, já se manifestou que "os sindicatos têm legitimidade processual para atuar na defesa de todos e quaisquer direitos subjetivos individuais e coletivos dos integrantes da categoria por ele representada [CB/88, art. 8º, III]". A legitimidade extraordinária do sindicato para a propositura da referida ação também decorre da aplicação dos artigos 129, § 1º, da CR, 5º, V, da Lei 7.347/1985 e 82, IV, da Lei 8.078/90. Assim, resta legítima a sua atuação do sindicato em Juízo para a defesa de direito dos trabalhadores, conforme, inclusive, reiterada jurisprudência desta Corte. Recurso de revista de que se conhece e a que se dá provimento. RECURSO DE REVISTA DA RECLAMADA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. SINDICATO AUTOR SUCUMBENTE. A condenação em honorários advocatícios, na ação civil pública, é disciplinada por legislação específica, e não pela Súmula 219/TST, nos termos do art. 18 da Lei 7.347/85, que estabelece que o autor somente será condenado ao seu pagamento quando comprovada a má-fé. No caso, consta do v. acórdão regional que foi afastada a multa por litigância de má-fé imputada ao sindicato, ante a não configuração das condutas tipificadas no art. 80 do CPC/15. Assim, a decisão do eg. TRT em afastar os honorários advocatícios da condenação está de acordo com a referida legislação. Precedentes da SBDI-1 e de Turmas desta Corte. Recurso de revista de que não se conhece. (TST - RR: 9787920145200009, Data de Julgamento: 27/02/2019, Data de Publicação: DEJT 01/03/2019) 2. Ação Civil Pública A ação tem previsão na Lei 7.347 – Lei da Ação Civil Pública. Possui como finalidade a proteção ao patrimônio público e social, ao meio ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à livre concorrência, aos direitos de grupos raciais, étnicos ou religiosos ou ao patrimônio artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico. Ainda, busca responsabilizar pessoa física ou jurídica por danos morais ou patrimoniais. Quem possui legitimidade para a propositura da Ação Civil Pública? • Ministério Público; • União, Estados, Distrito Federal e Municípios; • Autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de economia mista; • Associação que, concomitantemente esteja constituída há pelo menos 1 (um) ano nos termos da lei civil e inclua, entre suas finalidades institucionais, a proteção ao 119 patrimônio público e social, ao meio ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à livre concorrência, aos direitos de grupos raciais, étnicos ou religiosos ou ao patrimônio artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico. Competência – Local do dano (art. 2º da Lei 7.347) Súmula 736 do STF: Compete à Justiça do Trabalho julgar as ações que tenham como causa de pedir o descumprimento de normas trabalhistas relativas à segurança, higiene e saúde dos trabalhadores. OJ 130. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. COMPETÊNCIA. LOCAL DO DANO. LEI Nº7.347/1985, ART. 2º. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR, ART. 93 (redação alterada na sessão do Tribunal Pleno realizada em 14.09.2012) – Res. 186/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012. A competência para a Ação Civil Pública fixa-se pela extensão do dano. Em caso de dano de abrangência regional, que atinja cidades sujeitas à jurisdição de mais de uma Vara do Trabalho, a competência será de qualquer das varas das localidades atingidas, ainda que vinculadas a Tribunais Regionais do Trabalho distintos. Em caso de dano de abrangência suprarregional ou nacional, há competência concorrente para a Ação Civil Pública das varas do trabalho das sedes dos Tribunais Regionais do Trabalho. Art. 12. Poderá o juiz conceder mandado liminar, com ou sem justificação prévia, em decisão sujeita a agravo. § 1º A requerimento de pessoa jurídica de direito público interessada, e para evitar grave lesão à ordem, à saúde, à segurança e à economia pública, poderá o Presidente do Tribunal a que competir o conhecimento do respectivo recurso suspender a execução da liminar, em decisão fundamentada, da qual caberá agravo para uma das turmas julgadoras, no prazo de 5 (cinco) dias a partir da publicação do ato. § 2º A multa cominada liminarmente só será exigível do réu após o trânsito em julgado da decisão favorável ao autor, mas será devida desde o dia em que se houver configurado o descumprimento. A sentença faz coisa julgada erga omnes, nos limites da competência territorial do prolator, nos termos do art. 16 da Lei 7.347: Art. 16. A sentença civil fará coisa julgada erga omnes, nos limites da competência territorial do órgão prolator, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento, valendo-se de nova prova. 120 3. Ação Civil Coletiva A ação civil pública e a ação civil coletiva são espécies do gênero "ação coletiva" e se destinam à proteção dos interesses e direitos metaindividuais, do qual fazem parte os direitos difusos, os coletivos em sentido estrito e os individuais homogêneos+ Serão cabíveis as ações coletivas na esfera trabalhista quando se verificar lesão ou ameaça a direito difuso, coletivo ou individual homogêneo decorrente da relação de trabalho, ou seja, direitos metaindividuais relacionados com as matérias constantes dos incisos do art. 114 da Constituição Federal. ACC é destinada à tutela dos interesses individuais homogêneos. Alguns autores não reconhecem autonomia da ACC. AÇÃO CIVIL COLETIVA. INCOMPETÊNCIA FUNCIONAL DA SDC DO TST. COMPETÊNCIA DA 23ª VARA DO TRABALHO DE PORTO ALEGRE/RS. DECLARAÇÃO DE OFÍCIO. O Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados no Estado do Rio Grande do Sul ajuizou ação civil coletiva em face da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social - DATAPREV. O Juízo da 23ª Vara do Trabalho de Porto Alegre/RS acolheu a preliminar de incompetência daquele órgão para julgar a ação civil coletiva, arguida pela DATAPREV, sob o fundamento de que houve "plena estabilização de instância e fixação de competência" no acordo homologado nos autos do processo TutCautAnt 1000051-71.2020.5.00.0000. A ação civil pública e a ação civil coletiva (caso dos autos) são espécies do gênero "ação coletiva" e se destinam à proteção dos interesses e direitos metaindividuais, do qual fazem parte os direitos difusos, os coletivos em sentido estrito e os individuais homogêneos. Serão cabíveis as ações coletivas na esfera trabalhista quando se verificar lesão ou ameaça a direito difuso, coletivo ou individual homogêneo decorrente da relação de trabalho, ou seja, direitos metaindividuais relacionados com as matérias constantes dos incisos do art. 114 da Constituição Federal. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar ações que tenham por objetivo tutelar direitos metaindividuais trabalhistas. É do Juízo de primeiro grau de jurisdição a competência funcional originária para apreciar ação civil coletiva que envolve matéria trabalhista, porquanto, embora a pretensão contida nessa espécie de ação tenha cunho coletivo, não se trata de postulação para criação de norma aplicável às categorias, e sim de pretensão de aplicação de direito preexistente. A jurisprudência desta Corte Superior, consubstanciada na Orientação Jurisprudencial nº 130 da SBDI-2, segue no sentido de que, por aplicação analógica do art. 93 do CDC, e considerando a similitude com o dissídio individual plúrimo, o foro de competência originária para apreciar ação civil coletiva é da Vara do Trabalho. Declara-se, de ofício, a competência do Juízo da 23ª Vara do Trabalho de Porto Alegre/RS para apreciar o feito. Por consequência, determina- se o retorno dos autos à origem, para examinar a ação civil coletiva ajuizada pelo sindicato como entender de direito. (TST - PetCiv: 00204271520205040023, Relator: Katia Magalhaes Arruda, Data de Julgamento: 13/06/2022, Seção Especializada em Dissídios Coletivos, Data de Publicação: 24/06/2022) 121 3.1 Modelo de Ação Civil Pública ESTRUTURA BÁSICA: 1. Endereçamento 2. Nome e qualificação do autor 3. Nome e fundamentação da peça 4. Nome e qualificação do réu 5. Teses – fatos e fundamento 6. Pedidos 7. Valor da Causa 8. Fechamento AO JUÍZO DA ... VARA DO TRABALHO DE... NOME DO AUTOR, qualificação completa..., endereço completo..., vem à presença de Vossa Excelência, por seu advogado (procuração em anexo), propor: AÇÃO CIVIL PÚBLICA Em face de ...., qualificação completa..., endereço completo..., de acordo com as razões de fato e de direito a seguir aduzidas. DOS FATOS DOS REQUISITOS DO DIREITO DOS PEDIDOS Diante do exposto, requer: A citação do demandado para responder a ação, querendo; A procedência da ação para...; Protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas; A condenação ao pagamento de honorários de sucumbência, com fundamento no art. 791-A da CLT. Valor da causa R$... Nestes termos, pede deferimento. Local..., Data..., Advogado..., OAB... 122 22. Procedimentos Prof.ª Dra. Cleize Kohls @prof.cleizekohls Na justiça do trabalho temos 3 procedimentos, a saber: * Para todos verem: esquema Basicamente, a principal diferença entre eles se dá quanto ao valor da causa. No Sumário, são possíveis demandas de até 2 Salários Mínimos, no Sumaríssimo de até 40 Salários Mínimos e no Ordinário as demandas que ultrapassam esse valor ou que por algum outro motivo não possam ser processadas pelos outros dois ritos. Além deles, há também os procedimentos especiais, para ações específicas, tais como: inquérito judicial para apuração de falta grave, ação de consignação em pagamento, ação rescisória, ação possessória, entre outras. 1.1 Procedimento Sumário O rito sumário é o procedimento previsto na Lei nº 5584/70, para ações cujo valor da causa não exceda dois salários mínimos (art. 2º, §§ 3º e 4º). É também conhecido como rito de alçada e, o mais importante, é que neste procedimento não há possibilidade de recurso. Salvo, se versar sobre matéria constitucional e embargos de declaração. 1.2 Procedimento Sumaríssimo O procedimento sumaríssimo foi introduzido no processo do trabalho pelo advento da Lei n. 9.957, de 12-1-2000, que incluiu os arts. 852-A a 852-I na CLT. a) Sumário b) Sumaríssimo c) Ordinário 123 Segundo o diploma consolidado alterado, os dissídios individuais, cujo valor não exceda a quarenta vezes o salário mínimo vigente na data do ajuizamento da ação, serão processados pelo rito sumaríssimo (CLT, art. 852-A). Muita atenção com a petição inicial pelo rito sumaríssimo, pois a CLT elenca alguns requisitos específicos para ela: Art. 852-B da CLT. Nas reclamações enquadradas no procedimento sumaríssimo: I - O pedido deveráser certo ou determinado e indicará o valor correspondente. II - Não se fará citação por edital, incumbindo ao autor à correta indicação do nome e endereço do reclamado. Então, não poderá a parte atribuir pedidos sem especificar o valor correspondente (a calcular), e tampouco poderá pedir a citação por edital. Isso porque o §1º refere que não atendimento, pelo reclamante, do disposto nos incisos I e II deste artigo importará no arquivamento da reclamação e condenação ao pagamento de custas sobre o valor da causa. Ainda, consoante o §2º, as partes e advogados comunicarão ao juízo as mudanças de endereço ocorridas no curso do processo, reputando-se eficazes as intimações enviadas ao local anteriormente indicado, na ausência de comunicação. E, no inciso III encontramos o prazo de apreciação da reclamação feita por esse rito: III - A apreciação da reclamação deverá ocorrer no prazo máximo de quinze dias do seu ajuizamento, podendo constar de pauta especial, se necessário, de acordo com o movimento judiciário da Junta de Conciliação e Julgamento. Outro detalhe importante, quando se trata do o rito sumaríssimo, diz respeito à audiência: Art. 852-C da CLT - As demandas sujeitas a rito sumaríssimo serão instruídas e julgadas em audiência única, sob a direção de juiz presidente ou substituto, que poderá ser convocado para atuar simultaneamente com o titular. Art. 852-D da CLT - O juiz dirigirá o processo com liberdade para determinar as provas a serem produzidas, considerado o ônus probatório de cada litigante, podendo limitar ou excluir as que considerar excessivas, impertinentes ou protelatórias, bem como para apreciá-las e dar especial valor às regras de experiência comum ou técnica. 124 Sempre se iniciará a audiência com o questionamento das partes sobre a possibilidade de conciliação, sendo que não sendo obtido acordo passará para a produção das provas. Art. 852-E da CLT - Aberta a sessão, o juiz esclarecerá as partes presentes sobre as vantagens da conciliação e usará os meios adequados de persuasão para a solução conciliatória do litígio, em qualquer fase da audiência. Art. 852-F da CLT - Na ata de audiência serão registrados resumidamente os atos essenciais, as afirmações fundamentais das partes e as informações úteis à solução da causa trazidas pela prova testemunhal. Art. 852-G da CLT - Serão decididos, de plano, todos os incidentes e exceções que possam interferir no prosseguimento da audiência e do processo. As demais questões serão decididas na sentença. Por fim, quanto à audiência nesse rito, é importante ficar atento ao número de testemunhas por parte, que será de apenas 2 (duas), e que estas deverão comparecer ao ato independentemente de intimação. Art. 852-H da CLT - Todas as provas serão produzidas na audiência de instrução e julgamento, ainda que não requeridas previamente. § 1º Sobre os documentos apresentados por uma das partes manifestar-se- á imediatamente a parte contrária, sem interrupção da audiência, salvo absoluta impossibilidade, a critério do juiz. § 2º As testemunhas, até o máximo de duas para cada parte, comparecerão à audiência de instrução e julgamento independentemente de intimação. § 3º Só será deferida intimação de testemunha que, comprovadamente convidada, deixar de comparecer. Não comparecendo a testemunha intimada, o juiz poderá determinar sua imediata condução coercitiva. É possível a produção de prova técnica, mas somente quando a prova do fato efetivamente exigir, primando-se sempre pela celeridade. § 4º Somente quando a prova do fato o exigir, ou for legalmente imposta, será deferida prova técnica, incumbindo ao juiz, desde logo, fixar o prazo, o objeto da perícia e nomear perito. § 6º As partes serão intimadas a manifestar-se sobre o laudo, no prazo comum de cinco dias. E, sendo a audiência interrompida (intimação de testemunha ou outro motivo) a solução do processo deve se dar no máximo em 30 dias. 125 § 7º Interrompida a audiência, o seu prosseguimento e a solução do processo dar-se-ão no prazo máximo de trinta dias, salvo motivo relevante justificado nos autos pelo juiz da causa. Não diferentemente, este rito também traz peculiaridades para a sentença, em especial por dispensar o relatório e que a intimação das partes se dará na própria audiência (quando for a sentença prolatada neste ato). Art. 852-I da CLT - A sentença mencionará os elementos de convicção do juízo, com resumo dos fatos relevantes ocorridos em audiência, dispensado o relatório. § 1º O juízo adotará em cada caso a decisão que reputar mais justa e equânime, atendendo aos fins sociais da lei e as exigências do bem comum. § 3º As partes serão intimadas da sentença na própria audiência em que prolatada. NÃO ESQUECER: Peculiaridades • Audiência Una; • Sentença não precisa de relatório; • São ouvidas apenas duas testemunhas por parte; • Petição Inicial deve indicar obrigatoriamente o valor de cada pedido na ação; • Não se admite a citação por edital. 1.3 Procedimento Ordinário O procedimento ordinário dos dissídios individuais, no processo trabalhista, está regulado, de forma esparsa entre o art. 763 e o art. 852 da CLT, ou seja, não há um artgo específico sobre ele. As reclamatórias trabalhistas que se submetem ao rito ordinário são as de valores que ultrapassem 40 (quarenta) salários-mínimos, na data de seu ajuizamento ou que por algum outro motivo não puderam tramitar em outro rito. 126 23. Ação Monitória Prof.ª Dra. Cleize Kohls @prof.cleizekohls A ação monitória está precisa no CPC, no Art. 700, o qual menciona que ela pode ser proposta por aquele que afirmar, com base em prova escrita sem eficácia de título executivo, ter direito de exigir do devedor capaz: I - o pagamento de quantia em dinheiro; II - a entrega de coisa fungível ou infungível ou de bem móvel ou imóvel; III - o adimplemento de obrigação de fazer ou de não fazer. Conforme os parágrafos do citado artigo, a prova escrita pode consistir em prova oral documentada, produzida antecipadamente nos termos do art. 381. Além disso, na petição inicial, incumbe ao autor explicitar, conforme o caso: I - a importância devida, instruindo-a com memória de cálculo; II - o valor atual da coisa reclamada; III - o conteúdo patrimonial em discussão ou o proveito econômico perseguido. O valor da causa deverá corresponder à importância prevista no § 2º, incisos I a III. Além das hipóteses do art. 330, a petição inicial será indeferida quando não atendido o disposto no § 2º deste artigo. Havendo dúvida quanto à idoneidade de prova documental apresentada pelo autor, o juiz intimá-lo-á para, querendo, emendar a petição inicial, adaptando-a ao procedimento comum. Sobre a citação do réu: Art. 701. Sendo evidente o direito do autor, o juiz deferirá a expedição de mandado de pagamento, de entrega de coisa ou para execução de obrigação de fazer ou de não fazer, concedendo ao réu prazo de 15 (quinze) dias para o cumprimento e o pagamento de honorários advocatícios de cinco por cento do valor atribuído à causa. § 1º O réu será isento do pagamento de custas processuais se cumprir o mandado no prazo. § 2º Constituir-se-á de pleno direito o título executivo judicial, independentemente de qualquer formalidade, se não realizado o pagamento e não apresentados os embargos previstos no art. 702, observando-se, no que couber, o Título II do Livro I da Parte Especial. § 3º É cabível ação rescisória da decisão prevista no caput quando ocorrer a hipótese do § 2º. 127 § 4º Sendo a ré Fazenda Pública, não apresentados os embargos previstos no art. 702, aplicar-se-á o disposto no art. 496 , observando-se, a seguir, no que couber, o Título II do Livro I da Parte Especial. § 5º Aplica-se à ação monitória, no que couber, o art. 916. Art. 702. Independentemente de prévia segurançado juízo, o réu poderá opor, nos próprios autos, no prazo previsto no art. 701, embargos à ação monitória. § 1º Os embargos podem se fundar em matéria passível de alegação como defesa no procedimento comum. § 2º Quando o réu alegar que o autor pleiteia quantia superior à devida, cumprir-lhe-á declarar de imediato o valor que entende correto, apresentando demonstrativo discriminado e atualizado da dívida. § 3º Não apontado o valor correto ou não apresentado o demonstrativo, os embargos serão liminarmente rejeitados, se esse for o seu único fundamento, e, se houver outro fundamento, os embargos serão processados, mas o juiz deixará de examinar a alegação de excesso. § 4º A oposição dos embargos suspende a eficácia da decisão referida no caput do art. 701 até o julgamento em primeiro grau. § 5º O autor será intimado para responder aos embargos no prazo de 15 (quinze) dias. § 6º Na ação monitória admite-se a reconvenção, sendo vedado o oferecimento de reconvenção à reconvenção. § 7º A critério do juiz, os embargos serão autuados em apartado, se parciais, constituindo-se de pleno direito o título executivo judicial em relação à parcela incontroversa. § 8º Rejeitados os embargos, constituir-se-á de pleno direito o título executivo judicial, prosseguindo-se o processo em observância ao disposto no Título II do Livro I da Parte Especial, no que for cabível. § 9º Cabe apelação contra a sentença que acolhe ou rejeita os embargos. § 10. O juiz condenará o autor de ação monitória proposta indevidamente e de má-fé ao pagamento, em favor do réu, de multa de até dez por cento sobre o valor da causa. § 11. O juiz condenará o réu que de má-fé opuser embargos à ação monitória ao pagamento de multa de até dez por cento sobre o valor atribuído à causa, em favor do autor. Entendimentos jurisprudenciais: AÇÃO MONITÓRIA. CABIMENTO. Há compatibilidade da utilização da ação monitória no processo do trabalho, na medida em a matéria é essencialmente trabalhista e o documento contém prova inequívoca da dívida e de seu reconhecimento pelo devedor. O termo de confissão constitui título executivo extrajudicial, nos termos do art. 784, III, do CPC/2015, de aplicação subsidiária ao processo trabalhista por força do disposto no art. 769 da CLT e no art. 15, do CPC/2015. Apelo negado. (TRT-2 10011364520205020030 SP, Relator: FRANCISCO FERREIRA JORGE NETO, 14ª Turma - Cadeira 1, Data de Publicação: 23/05/2022) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. AÇÃO MONITÓRIA. CONVERSÃO EM PROCEDIMENTO COMUM. AUSÊNCIA DE OFENSA A DIREITO LÍQUIDO E CERTO DO IMPETRANTE. Não se vislumbra ilegalidade da decisão que, verificando a necessidade de ampla dilação probatória, e com fundamento no artigo 700, § 5º, do CPC/2015, determina a conversão da ação monitória ao procedimento comum. Além disso, nos termos da jurisprudência do STJ, a oposição de embargos do réu em face da ação monitória possibilita a conversão do procedimento. Por fim, nos termos do artigo 765 da CLT, o juiz terá ampla liberdade na direção do processo, podendo, inclusive, alterar o rito processual inicialmente escolhido pela parte. Constatada a ausência de ofensa a direito líquido e certo do impetrante, afasta-se a pretensão de reforma do julgado. Recurso ordinário conhecido e desprovido. 128 (TST - ROT: 00071721920215150000, Relator: Liana Chaib, Data de Julgamento: 13/06/2023, Subseção II Especializada em Dissídios Individuais, Data de Publicação: 16/06/2023) 1.1 Modelo de Ação Monitória AO JUIZO DA ... VARA DO TRABALHO DE ... NOME DO AUTOR, qualificação e endereço completos..., vem, perante Vossa Excelência, por intermédio de seu advogado (procuração anexa, com escritório profissional no endereço completo...), com fulcro nos arts. 700 do CPC e 769 da CLT, propor: AÇÃO MONITÓRIA Em face de NOME DO RECLAMADO, qualificação e endereço completos…, pelas razões de fato e de direito a seguir expostas. DOS FATOS DOS REQUISITOS DO MÉRITO Sustentar que, à luz do Art. 700 do CPC, a ação monitória é cabível por aquele que afirmar, com fulcro em prova escrita sem eficácia de título executivo, ter direito de exigir do devedor capaz o pagamento de quantia em dinheiro, a entrega de coisa fungível ou infungível, ou de bem móvel ou imóvel, ou o adimplemento de obrigação de fazer ou de não fazer. Mencionar o direito assegurado na prova escrita sem eficácia de título executivo que possui. DOS PEDIDOS Diante do exposto, requer: a) A citação do réu, nos termos do art. 701 do CPC; b) A produção de todos os meios de provas em direito admitidos, em especial a prova documental; c) A procedência da ação com a constituição da prova escrita em título executivo judicial, seguindo a execução pelas regras da CLT (arts. 701, § 2 e 702, § 8, do CPC), bem como a condenação do reclamado em custas e honorários advocatícios, com fundamento no art. 791- A da CLT. Valor da causa: R$.... Nestes termos, pede deferimento. Local... Data... Advogado... OAB.... 129 24. Possessória Prof.ª Dra. Cleize Kohls @prof.cleizekohls As ações possessórias podem ser utilizadas pelos empregadores para manter ou retomar a posse. Vale destacar que, como já comentado, a Justiça do Trabalho é competente para processar estas ações, conforme determina a Súmula Vinculante 23 do STF: Súmula Vinculante 23 do STF: A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar ação possessória ajuizada em decorrência do exercício do direito de greve pelos trabalhadores da iniciativa privada. 1.1 Da manutenção e da Reintegração de Posse A manutenção deve ser utilizada em caso de turbação da posse, ou seja, uma interferência, mas de maneira que o possuidor ainda permanece na posse. Já a reintegração é adotada quando o possuidor precisa voltar/retomar a posse. Já quanto à petição inicial, a legislação estabelece o que deve ser observado pelo autor: Art. 561. Incumbe ao autor provar: I - a sua posse; II - a turbação ou o esbulho praticado pelo réu; III - a data da turbação ou do esbulho; IV - a continuação da posse, embora turbada, na ação de manutenção, ou a perda da posse, na ação de reintegração. 130 Outro detalhe que pode ser requerido na petição inicial é a expedição do mandado liminar de manutenção ou de reintegração, conforme art. 562 do CPC: Art. 562. Estando a petição inicial devidamente instruída, o juiz deferirá, sem ouvir o réu, a expedição do mandado liminar de manutenção ou de reintegração, caso contrário, determinará que o autor justifique previamente o alegado, citando-se o réu para comparecer à audiência que for designada. Parágrafo único. Contra as pessoas jurídicas de direito público não será deferida a manutenção ou a reintegração liminar sem prévia audiência dos respectivos representantes judiciais. Art. 563. Considerada suficiente a justificação, o juiz fará logo expedir mandado de manutenção ou de reintegração. No entanto, independente da expedição do mandado liminar, o autor deverá promover, nos 5 dias subsequentes, a citação do réu para, querendo, contestar a ação no prazo de 15 dias, conforme art. 564 do CPC: Art. 564. Concedido ou não o mandado liminar de manutenção ou de reintegração, o autor promoverá, nos 5 (cinco) dias subsequentes, a citação do réu para, querendo, contestar a ação no prazo de 15 (quinze) dias. Parágrafo único. Quando for ordenada a justificação prévia, o prazo para contestar será contado da intimação da decisão que deferir ou não a medida liminar. O art. 565 do CPC dispõe a respeito da realização da audiência de mediação: Art. 565. No litígio coletivo pela posse de imóvel, quando o esbulho ou a turbação afirmada na petição inicial houver ocorrido há mais de ano e dia, o juiz, antes de apreciar o pedido de concessão da medida liminar, deverá designar audiência de mediação, a realizar-se em até 30 (trinta) dias, queobservará o disposto nos §§ 2º e 4º. § 1º Concedida a liminar, se essa não for executada no prazo de 1 (um) ano, a contar da data de distribuição, caberá ao juiz designar audiência de mediação, nos termos dos §§ 2º a 4º deste artigo. § 2º O Ministério Público será intimado para comparecer à audiência, e a Defensoria Pública será intimada sempre que houver parte beneficiária de gratuidade da justiça. § 3º O juiz poderá comparecer à área objeto do litígio quando sua presença se fizer necessária à efetivação da tutela jurisdicional. § 4º Os órgãos responsáveis pela política agrária e pela política urbana da União, de Estado ou do Distrito Federal e de Município onde se situe a área objeto do litígio poderão ser intimados para a audiência, a fim de se manifestarem sobre seu interesse no processo e sobre a existência de possibilidade de solução para o conflito possessório. § 5º Aplica-se o disposto neste artigo ao litígio sobre propriedade de imóvel. Utilizar-se-á o interdito proibitório quando houver justo receio, ou seja, uma ameaça, relacionada ao exercício da posse, sendo nesse caso requerido ao juiz a expedição de mandado proibitório advertindo quem põe em risco. Art. 567. O possuidor direto ou indireto que tenha justo receio de ser molestado na posse poderá requerer ao juiz que o segure da turbação ou esbulho iminente, mediante mandado proibitório em que se comine ao réu determinada pena pecuniária caso transgrida o preceito. Art. 568. Aplica-se ao interdito proibitório o disposto na Seção II deste Capítulo 131 2.2 Modelo de Ação de Interdito Proibitório AO JUIZO DA ...VARA DO TRABALHO DE ... NOME DO AUTOR, qualificação completa ... e endereço completo..., vem perante esse juízo, por seu advogado (procuração em anexo), com fundamento no art. 567 do CPC, propor: AÇÃO DE INTERDITO PROIBITÓRIO Em face de SINDICATO, qualificação completa..., endereço completo..., e EMPREGADOS, qualificação completa..., endereço completo..., pelas razões de fato e de direito que passa a expor: DOS FATOS DOS REQUISITOS ESPECÍFICOS DO MÉRITO Fundamentos do receio/ameaças da posse. DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE SUCUMBÊNCIA DOS PEDIDOS Diante do exposto, requer: a) A citação do demandado para responder a presente ação; b) A produção de provas em direito admitidas; c) Seja julgada procedente a ação para a concessão de mandado proibitório, fixando multa em caso de nova ameaça... d) A condenação do demandado ao pagamento de honorários de sucumbência, nos termos do art. 791- da CLT. Valor da causa: R$.... Nestes termos, pede deferimento. Local... Data... Advogado... OAB.... 132 25. Ação Anulatória Prof.ª Dra. Cleize Kohls @prof.cleizekohls A ação de anulação pode ser utilizada nos termos do art. 966, § 4º do CPC: Os atos de disposição de direitos, praticados pelas partes ou por outros participantes do processo e homologados pelo juízo, bem como os atos homologatórios praticados no curso da execução, estão sujeitos à anulação, nos termos da lei. Há as ações anulatórias de cláusulas convencionais é usada para anular determinada cláusula convencional, como a que exige contribuição confederativa ou assistencial para não associados do sindicato. Entendimentos jurisprudenciais: AÇÃO ANULATÓRIA DE AUTO DE INFRAÇÃO. RECONHECIMENTO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO PELO AUDITOR FISCAL DO TRABALHO. NULIDADE. Embora não se negue a competência do fiscal de trabalho na apuração de eventual burla à legislação trabalhista, a constatação da relação empregatícia não permite um exame genérico e amplo, pois ainda que as circunstâncias averiguadas possam indicar indício de fraude, em situações como a ora sob análise tais elementos podem, ao contrário, caracterizar uma contratação verdadeiramente lícita, como típica prestação de serviços autônomos, máxime quando existe norma coletiva amparando contratação dessa espécie. Assim, ao pressupor a existência de fraude em todos os contratos de prestação de serviços firmados entre os farmacêuticos e a empresa, a fiscalização do trabalho ignorou as especificidades de cada um dos profissionais, sendo imperiosa a declaração de nulidade do auto de infração. (TRT-11 00005124020195110016, Relator: FRANCISCA RITA ALENCAR ALBUQUERQUE, 1ª Turma) RECURSO ORDINÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA DE CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO PROPOSTA POR EMPRESA. 1) ILEGITIMIDADE ATIVA PARA A CAUSA. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. A jurisprudência desta SDC posiciona-se no sentido de que a legitimidade para o ajuizamento de ação anulatória de convenção coletiva de trabalho (ou acordo coletivo) está adstrita, essencialmente, ao Ministério Público do Trabalho, consoante previsão legal (art. 83, IV, da LC 75/93), e, excepcionalmente, aos sindicatos convenentes e à empresa signatária (no caso de acordo coletivo de trabalho), quando demonstrado vício de vontade ou alguma das hipóteses do art. 166 do CCB. Portanto, a empresa, de forma individual, não é parte legítima para ajuizar ação anulatória visando à declaração da nulidade de cláusulas constantes em convenção coletiva de trabalho , em face da natureza dos direitos envolvidos - direitos coletivos da categoria. Recurso ordinário desprovido, no aspecto. 2) HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. O art. 791-A, caput , da CLT estabelece que os honorários de sucumbência serão fixados entre o mínimo de 5% (cinco por cento) e o máximo de 15% (quinze por cento) sobre o valor que resultar da liquidação da sentença, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa , atendidos os seguintes critérios (§ 2º): I - o grau de zelo do 133 profissional; II - o lugar de prestação do serviço; III - a natureza e a importância da causa; IV - o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço. No caso concreto , pela regra celetista, em que não houve condenação em pecúnia ou a obtenção de qualquer proveito econômico direto quantificável, a regra aplicável é a de que os honorários de sucumbência sejam calculados sobre o valor atualizado da causa (art. 791-A, caput , in fine , da CLT). Ocorre que, como o valor da causa é muito baixo (R$1.000,00), não deve servir de base para a fixação da verba honorária. Nessas situações, o art. 85, § 8º, do CPC/15 (aplicável subsidiariamente ao processo do trabalho) autoriza que o Julgador fixe o valor dos honorários por apreciação equitativa, observando o disposto nos incisos do § 2º do art. 85 do CPC/15 (correspondente ao § 2º do art. 791-A da CLT). Nesse contexto, com apoio nos parâmetros estipulados na Lei, fixam-se os honorários advocatícios de sucumbência no importe R$5.000,00 (cinco mil reais), a cargo da Empresa Autora. Recurso ordinário parcialmente provido. (TST - ROT: 14183520195090000, Relator: Mauricio Godinho Delgado, Data de Julgamento: 13/06/2022, Seção Especializada em Dissídios Coletivos, Data de Publicação: 24/06/2022) AÇÃO ANULATÓRIA DE AUTO DE INFRAÇÃO TRABALHISTA. REGULARIDADE DA AÇÃO FISCAL. NULIDADE NÃO CONFIGURADA. VALOR DA MULTA. REDUÇÃO. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. Constatada pelo auditor-fiscal do trabalho, de forma justificada e a partir de verificações in loco da dinâmica laboral, a existência violação à lei trabalhista, é seu dever lavrar o auto de infração nos termos do art. 628 da CLT pelo descumprimento de normas protetivas do trabalhador, inexistindo nos autos provas de irregularidades capazes de afastar a presunção de legitimidade e veracidade do ato administrativo praticado, não havendo que se falar em nulidade do auto de infração. Contudo, o conjunto probatório dos autos evidencia que a multa imposta à autora não observou o caráter pedagógico da medida, aproximando-se de um caráter confiscatório, já que fixou o valor da multa em 10 vezes o valor mínimo estipulado apesar de ser a autuada primária e a infração ter sido em relação a um trabalhador. De acordo coma jurisprudência pátr... (TRT-11 00019907220195110052, Relator: MARIA DE FATIMA NEVES LOPES, 3ª Turma) ESTRUTURA BÁSICA: 1. Endereçamento 2. Nome e qualificação do autor 3. Nome e fundamentação da peça 4. Nome e qualificação do réu 5. Teses – requisitos, fatos e fundamentos 6. Pedidos 7. Valor da Causa 9. Fechamento 134 1.1 Modelo de Ação Anulatória AO JUÍZO DA ...VARA DO TRABALHO DE... NOME DA PARTE, qualificação completa..., endereço completo..., vem perante esse juízo, por seu procurador infra-assinado (procuração em anexo) propor AÇÃO ANULATÓRIA Em face do NOME DA PARTE, qualificação completa..., endereço completo..., pelas razões de fato e de direito que passa a expor: DOS FATOS DOS REQUISITOS DOS FUNDAMENTOS Dos pedidos: Diante do exposto, requer: a) A citação da parte adversa par responder a ação, querendo; b) produção de todas as provas em direito admitidas; c) procedência da ação para... d) condenação da parte adversa o pagamento de honorários de sucumbência, nos termos do art. 791-A da CLT. Valor da causa; R$ Nestes termos, pede deferimento. Local..., Data... Advogado... 135 26. Ação de Exigir Contas Prof.ª Dra. Cleize Kohls @prof.cleizekohls A ação de exigir contas competirá a quem tiver o direito de exigi-las ou a obrigação de prestá-las. Aquele que afirmar ser o titular do direito de exigir contas requererá a citação do réu para, no prazo de 15 dias, apresentá-las ou contestar a postulação (art. 550 do CPC). Entendimentos jurisprudenciais: Art. 550. Aquele que afirmar ser titular do direito de exigir contas requererá a citação do réu para que as preste ou ofereça contestação no prazo de 15 (quinze) dias. § 1º Na petição inicial, o autor especificará, detalhadamente, as razões pelas quais exige as contas, instruindo-a com documentos comprobatórios dessa necessidade, se existirem. § 2º Prestadas as contas, o autor terá 15 (quinze) dias para se manifestar, prosseguindo- se o processo na forma do Capítulo X do Título I deste Livro. § 3º A impugnação das contas apresentadas pelo réu deverá ser fundamentada e específica, com referência expressa ao lançamento questionado. § 4º Se o réu não contestar o pedido, observar-se-á o disposto no art. 355. § 5º A decisão que julgar procedente o pedido condenará o réu a prestar as contas no prazo de 15 (quinze) dias, sob pena de não lhe ser lícito impugnar as que o autor apresentar. § 6º Se o réu apresentar as contas no prazo previsto no § 5º, seguir-se-á o procedimento do § 2º, caso contrário, o autor apresentá-las-á no prazo de 15 (quinze) dias, podendo o juiz determinar a realização de exame pericial, se necessário. Art. 551. As contas do réu serão apresentadas na forma adequada, especificando-se as receitas, a aplicação das despesas e os investimentos, se houver. § 1º Havendo impugnação específica e fundamentada pelo autor, o juiz estabelecerá prazo razoável para que o réu apresente os documentos justificativos dos lançamentos individualmente impugnados. § 2º As contas do autor, para os fins do art. 550, § 5º , serão apresentadas na forma adequada, já instruídas com os documentos justificativos, especificando-se as receitas, a aplicação das despesas e os investimentos, se houver, bem como o respectivo saldo. Art. 552. A sentença apurará o saldo e constituirá título executivo judicial. Art. 553. As contas do inventariante, do tutor, do curador, do depositário e de qualquer outro administrador serão prestadas em apenso aos autos do processo em que tiver sido nomeado. Parágrafo único. Se qualquer dos referidos no caput for condenado a pagar o saldo e não o fizer no prazo legal, o juiz poderá destituí-lo, sequestrar os bens sob sua guarda, glosar o prêmio ou a gratificação a que teria direito e determinar as medidas executivas necessárias à recomposição do prejuízo. Entendimentos jurisprudenciais: 136 AÇÃO DE PRESTAÇÃO DE CONTAS. O fato de ter sido reconhecida a existência de vínculo de emprego entre as partes, não afasta o dever do empregado prestar contas quando o empregador for titular do direito de exigir contas, nos termos do art. 550 do CPC. (TRT-4 - ROT: 00212786920155040301, Data de Julgamento: 10/12/2021, 5ª Turma) AÇÃO DE PRESTAÇÃO DE CONTAS. Sendo incontroverso que o Sindicato-réu recebeu valores provenientes de acordo judicial em que atuava como substituto processual e não prestou contas das quantias recebidas aos substituídos, deve ser julgada procedente a ação de prestação de contas. (TRT 17ª R., RO 0030300-20.2012.5.17.0003, Rel. Desembargador Jailson Pereira da Silva, DEJT 13/06/2013). (TRT-17 - RO: 00303002020125170003, Relator: DESEMBARGADOR JAILSON PEREIRA DA SILVA, Data de Julgamento: 27/05/2013, Data de Publicação: 13/06/2013) ESTRUTURA BÁSICA: 1. Endereçamento 2. Nome e qualificação do autor 3. Nome e fundamentação da peça 4. Nome e qualificação do réu 5. Teses – requisitos, fatos e fundamentos 6. Pedidos 7. Valor da Causa 8. Fechamento 9. Fechamento 137 1.1 Modelo de Ação de Exigir Contas AO JUÍZO DA ...VARA DO TRABALHO DE... NOME DA PARTE, qualificação completa..., endereço completo..., vem perante esse juízo, por seu procurador infra-assinado (procuração em anexo) propor AÇÃO DE EXIGIR CONTAS, com fundamento no art. 550 do CPC, Em face do NOME DA PARTE, qualificação completa..., endereço completo..., pelas razões de fato e de direito que passa a expor: DOS FATOS DOS REQUISITOS DOS FUNDAMENTOS DOS PEDIDOS: Diante do exposto, requer: a) A citação da parte adversa par responder a ação, querendo; b) produção de todas as provas em direito admitidas; c) procedência da ação para... d) condenação da parte adversa o pagamento de honorários de sucumbência, nos termos do art. 791-A da CLT. Valor da causa; R$ Nestes termos, pede deferimento. Local..., Data... Advogado... 138 27. Habeas Corpus e Habeas Data Prof.ª Dra. Cleize Kohls @prof.cleizekohls 1. Habeas Corpus O Habeas Corpus é previsto no art. 5, LXVIII da CRFB: conceder-se-á "habeas- corpus" sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder. Embora não seja uma peça muito usada, há previsão expressa no art. 114 da CRFB de que a Justiça do Trabalho tem competência para processar e julgar quando o ato questionado compreender matéria sujeita à sua competência. O Habeas corpus pode ser impetrado por qualquer pessoa, em seu favor ou de outrem. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS - HABEAS CORPUS - CABIMENTO - RETENÇÃO DE CNH - RETENÇÃO DE PASSAPORTE - VIOLAÇÃO DO DIREITO DE LOCOMOÇÃO - MEDIDA EXECUTIVA ATÍPICA - POSSIBILIDADE - LIMITES - NECESSIDADE, RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. 1. O habeas corpus é instrumento constitucional para o resguardo do direito físico de locomoção (ir, vir e ficar) em decorrência da prática de ato ilegal ou com abuso de poder. 2. O habeas corpus não é a via adequada para se discutir a legalidade ou a justiça da decisão de primeiro grau que determinou a retenção da Carteira Nacional de Habilitação. O bloqueio da CNH do paciente não afeta direta e irremediavelmente a sua liberdade de locomoção. 3. Por outro lado, a retenção do passaporte, em tese e potencialmente, ameaça e limita diretamente o direito de ir e vir do paciente, estando ele impedido de se locomover livremente para localidades onde é obrigatória a apresentação do passaporte para ingresso, ficando a sua mobilidade restrita ao território nacional. 4. O ato judicial que determinou a retenção do passaporte do paciente é passível de impugnação por meio do habeas corpus , sendo adequada a via eleita. 5. O art. 139, IV, do CPC/2015 confere poderes ao juiz para adotarmedidas executivas atípicas (indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias), inclusive nas ações que tenham por objeto o pagamento em dinheiro. 6. Entretanto, a aplicação das medidas executivas atípicas não é irrestrita e absoluta. Se o executado , efetiva e realmente , não possui bens para saldar a execução, a utilização das medidas atípicas contra ele passa a ter caráter apenas punitivo , e não alcança a sua finalidade de satisfazer o crédito. 7. As medidas executivas atípicas têm lugar principalmente quando o devedor possui patrimônio capaz de suportar a execução, mas injustificadamente se opõe ao pagamento da dívida, postergando ardilosamente a execução e frustrando a satisfação do crédito. A ordem executiva tem que ser realmente necessária para garantir o cumprimento da decisão judicial, devendo ser adequada, proporcional e razoável no caso concreto. 8. Na presente situação, não há no decisum impugnado fundamentos jurídicos suficientes e relevantes para justificar tal medida extrema - retenção do passaporte do paciente. Não foi indicada a existência de provas ou indícios nos autos de que o devedor tem patrimônio para quitar a dívida, mas maliciosamente oculta e blinda os seus bens, impedindo a constrição, ou ainda que o executado mantém estilo de vida incompatível com o seu estado de insolvência e incapacidade econômica. 9. No caso, a liberdade física de locomoção do paciente (deslocamentos internacionais) foi ilicitamente restringida pela decisão arbitrária e ilegal 139 de retenção do passaporte do devedor, sendo necessária a concessão da ordem de habeas corpus para liberar o passaporte do paciente. Recurso ordinário conhecido e parcialmente provido. (TST - RO: 87900420185150000, Relator: Luiz Philippe Vieira De Mello Filho, Data de Julgamento: 18/08/2020, Subseção II Especializada em Dissídios Individuais, Data de Publicação: 26/03/2021) 1.1 Modelo de Habeas Corpus ESTRUTURA BÁSICA: 1. Endereçamento 2. Nome e qualificação do autor 3. Nome e fundamentação da peça 4. Nome e qualificação do réu 5. Teses – título, fato, fundamento e pedido 6. Pedidos 7. Valor da Causa 8. Fechamento EXMO. SR. DR. DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA … REGIÃO. NOME DO IMPETRANTE, qualificação completa… endereço completo…., recluso na cadeia de ..., por intermédio de seu advogado (procuração em anexo), vem respeitosamente, nos autos de reclamatória trabalhista em que contende com NOME DA PARTE, à presença de Vossa Excelência impetrar HABEAS CORPUS, com fundamento no art. 5, LXVIII da CRFB contra ato do juiz do trabalho da … Vara do Trabalho de…., pelos motivos de fato e de direito a seguir aduzidos. 140 DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO O art. 114, IV da CF, estabelece que compete à Justiça do Trabalho processar e julgar, habeas corpus quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição. Assim, a Justiça do Trabalho é competente para apreciar. DOS FATOS O impetrante está preso por ordem juiz da Vara do Trabalho que o condenou à prisão como depositário infiel, conforme processo número…. DO MÉRITO Como mencionado, o impetrante encontra-se preso, sob o argumento de depositário infiel. Ocorre que, o Supremo Tribunal Federal já entendeu que não existe possibilidade de prisão de depositário infiel, conforme súmula vinculante 25 do STF. Assim, a prisão se mostra ilegal, razão pela qual requer a imediata soltura. DOS PEDIDOS Diante do exposto, requer o deferimento do "habeas corpus", ordenando-se a imediata soltura do paciente com a consequente expedição do Alvará de Soltura, por ser de direito e justiça. Protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas. Valor da causa R$... Nesses Termos, Pede Deferimento. Local... Data... Advogado... OAB... 141 2. Habeas Data Conforme a Constituição, em seu art. 5º, LXXII, conceder-se-á "habeas-data": a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público; b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo; Embora não seja uma peça muito usada, há previsão expressa no art. 114 da CRFB de que a Justiça do Trabalho tem competência para processar e julgar quando o ato questionado compreender matéria sujeita à sua competência. ESTRUTURA BÁSICA: 9. Endereçamento 10.Nome e qualificação do autor 11.Nome e fundamentação da peça 12.Nome e qualificação do réu 13.Teses – título, fato, fundamento e pedido 14.Pedidos 15.Valor da Causa 16.Fechamento 142 2.1 Modelo de Habeas Data AO JUÍZO DA… VARA DO TRABALHO DE… NOME DO IMPETRANTE, qualificação completa…, endereço completo…, vem perante esse juízo, por seu advogado (procuração em anexo), impetrar HABEAS DATA, com fundamento no art. 5º, LXXII, da CRFB, em face do MUNICÍPIO DE TÃO TÃO DISTANTE, pelas razões de fato e de direito que passa a expor: DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO O art. 114, IV da CF, estabelece que compete à Justiça do Trabalho processar e julgar, habeas data quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição. Assim, a Justiça do Trabalho é competente para apreciar. DOS FATOS: O impetrante constatou que no banco de dados do município réu, consta que tem curso superior incompleto, porém, o impetrante é formado no curso de direito, conforme diploma em anexo. O impetrante tentou administrativamente retificar esse dado, pois com isso poderá receber gratificação prevista para quem tem curso superior. DO DIREITO A Constituição em seu art. 5º, LXXII, conceder-se-á "habeas-data": para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo. DOS PEDIDOS Diante do exposto, requer o deferimento do presente habeas data para ordenar a imediata anotação no banco de dados de que possui curso superior completo. Protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas. Valor da causa: R$... Nestes termos, pede deferimento. Local… Data… Advogado… OAB... 143 28. LGPD Prof. Luiz Henrique Dutra @prof.luiz.henrique Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018 1.1 Disposições Iniciais Embora muitas pessoas tenham o pensamento que a regulamentação de dados no Brasil somente teve início com a Lei Geral de Proteção de Dados, importante destacar que esse não é um tema novo na Legislação. Assim a proteção de dados é voltada apenas para a personalidade das pessoas naturais, não sendo aplicado a proteção de dados de pessoas jurídicas. E, o tema da personalidade da pessoa natural é explicado no Código Civil em seus artigos 11ª ao 21ª. As normas gerais contidas na LGPD são de interesse nacional e devem ser observadas pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Nesse sentido, temos a aplicação da lei de maneira harmônica em todos os entes da federação brasileira. 1.1.1 Dos Princípios e Fundamentos A disciplina da proteção de dados pessoais nos termos do art. 2º da LGPD tem como princípios e fundamentos: I – o respeito a privacidade A constituição em seu art. 5º, X, não fala em privacidade, mas sim intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas. II - a autodeterminação informativa; III - a liberdade de expressão, de informação, de comunicação e de opinião; IV - a inviolabilidade da intimidade, da honra e da imagem; Nos termos do art. 5º, X da CF “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”. 144 V - o desenvolvimento econômico e tecnológico e a inovação;VI - a livre iniciativa, a livre concorrência e a defesa do consumidor; e A livre iniciativa e a livre concorrência, além de serem princípios da LGDP também são considerados princípios da República Federativa do Brasil, nos termos do art. 1°, IV da CF. VII - os direitos humanos, o livre desenvolvimento da personalidade, a dignidade e o exercício da cidadania pelas pessoas naturais. 1.1.2 Da aplicação da LGPD Conforme disposto no art. 3º a LGPD aplica-se a qualquer operação de tratamento realizada por pessoa natural ou por pessoa jurídica de direito público ou privado, independentemente do meio, do país de sua sede ou do país onde estejam localizados os dados, desde que: I - a operação de tratamento seja realizada no território nacional; Excetua-se do disposto no inciso I o tratamento de dados provenientes de fora do território nacional e que não sejam objeto de comunicação, uso compartilhado de dados com agentes de tratamento brasileiros ou objeto de transferência internacional de dados com outro país que não o dê proveniência, desde que o país de proveniência proporcione grau de proteção de dados pessoais adequado ao previsto nesta Lei. Consideram-se coletados no território nacional os dados pessoais cujo titular nele se encontre no momento da coleta. II - a atividade de tratamento tenha por objetivo a oferta ou o fornecimento de bens ou serviços ou o tratamento de dados de indivíduos localizados no território nacional; ou III - os dados pessoais objeto do tratamento tenham sido coletados no território nacional. Antes de entrar no disposto do art. 4º da LGPD, que indica quando não se aplica tratamento de dados, importante esclarecer os conceitos de pessoas físicas e jurídicas previsto no ordenamento jurídico brasileiro. As pessoas jurídicas encontram-se regulamentadas no art. 40º ao 52º do Código Civil. Assim, tanto a pessoa física como a pessoa jurídica possuem direitos e obrigações previstas no ordenamento jurídico. E, quanto a pessoas jurídicas, a legislação ainda estabelece os diferentes tipos e formas de constituição. 145 Já o art. 4º informa que a LGPD não se aplica ao tratamento de dados pessoais: I - realizado por pessoa natural para fins exclusivamente particulares e não econômicos; II - realizado para fins exclusivamente: a) jornalístico e artísticos; ou b) acadêmicos, aplicando-se a esta hipótese os arts. 7º e 11 desta Lei; III - realizado para fins exclusivos de: a) segurança pública; b) defesa nacional; c) segurança do Estado; ou d) atividades de investigação e repressão de infrações penais; ou OBSERVAÇÕES: O tratamento de dados pessoais previsto no item III será regido por legislação específica, que deverá prever medidas proporcionais e estritamente necessárias ao atendimento do interesse público, observados o devido processo legal, os princípios gerais de proteção e os direitos do titular previstos nesta Lei. É vedado o tratamento dos dados a que se refere o item III do caput deste artigo por pessoa de direito privado, exceto em procedimentos sob tutela de pessoa jurídica de direito público, que serão objeto de informe específico à autoridade nacional e que deverão observar limitações. A autoridade nacional emitirá opiniões técnicas ou recomendações referentes às exceções previstas no item III do caput e deverá solicitar aos responsáveis relatórios de impacto à proteção de dados pessoais. Em nenhum caso a totalidade dos dados pessoais de banco de dados de que trata o item III poderá ser tratada por pessoa de direito privado, salvo por aquela que possua capital integralmente constituído pelo poder público. IV - provenientes de fora do território nacional e que não sejam objeto de comunicação, uso compartilhado de dados com agentes de tratamento brasileiros ou objeto de transferência internacional de dados com outro país que não o de proveniência, desde que o país de proveniência proporcione grau de proteção de dados pessoais adequado ao previsto na LGPD. 146 1.1.3 Novos conceitos O art. 5º da LGPD traz alguns conceitos importantes para o entendimento da matéria relativa a proteção de dados: I - Dado pessoal: informação relacionada a pessoa natural identificada ou identificável; II - Dado pessoal sensível: dado pessoal sobre origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião política, filiação a sindicato ou a organização de caráter religioso, filosófico ou político, dado referente à saúde ou à vida sexual, dado genético ou biométrico, quando vinculado a uma pessoa natural; III - Dado anonimizado: dado relativo a titular que não possa ser identificado, considerando a utilização de meios técnicos razoáveis e disponíveis na ocasião de seu tratamento; IV - Banco de Dados: conjunto estruturado de dados pessoais, estabelecido em um ou em vários locais, em suporte eletrônico ou físico; V - Titular: pessoa natural a quem se referem os dados pessoais que são objeto de tratamento; VI - Controlador: pessoa natural ou jurídica, de direito público ou privado, a quem competem as decisões referentes ao tratamento de dados pessoais; VII - Operador: pessoa natural ou jurídica, de direito público ou privado, que realiza o tratamento de dados pessoais em nome do controlador; VIII - Encarregado: pessoa indicada pelo controlador e operador para atuar como canal de comunicação entre o controlador, os titulares dos dados e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD); IX - Agentes de tratamento: o controlador e o operador; X - Tratamento: toda operação realizada com dados pessoais, como as que se referem a coleta, produção, recepção, classificação, utilização, acesso, reprodução, transmissão, distribuição, processamento, arquivamento, armazenamento, eliminação, avaliação ou controle da informação, modificação, comunicação, transferência, difusão ou extração; XI - Anonimização: utilização de meios técnicos razoáveis e disponíveis no momento do tratamento, por meio dos quais um dado perde a possibilidade de associação, direta ou indireta, a um indivíduo; 147 XII - Consentimento: manifestação livre, informada e inequívoca pela qual o titular concorda com o tratamento de seus dados pessoais para uma finalidade determinada; XIII - Bloqueio: suspensão temporária de qualquer operação de tratamento, mediante guarda do dado pessoal ou do banco de dados; XIV - Eliminação: exclusão de dado ou de conjunto de dados armazenados em banco de dados, independentemente do procedimento empregado; XV - Transferência Internacional de Dados: transferência de dados pessoais para país estrangeiro ou organismo internacional do qual o país seja membro; XVI - Uso compartilhado de dados: comunicação, difusão, transferência internacional, interconexão de dados pessoais ou tratamento compartilhado de bancos de dados pessoais por órgãos e entidades públicos no cumprimento de suas competências legais, ou entre esses e entes privados, reciprocamente, com autorização específica, para uma ou mais modalidades de tratamento permitidas por esses entes públicos, ou entre entes privados; XVII - Relatório de impacto à proteção de dados pessoais: documentação do controlador que contém a descrição dos processos de tratamento de dados pessoais que podem gerar riscos às liberdades civis e aos direitos fundamentais, bem como medidas, salvaguardas e mecanismos de mitigação de risco; XVIII - Órgão de pesquisa: órgão ou entidade da administração pública direta ou indireta ou pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos legalmente constituída sob as leis brasileiras, com sede e foro no País, que inclua em sua missão institucional ou em seu objetivo social ou estatutário a pesquisa básica ou aplicada de caráter histórico, científico, tecnológico ou estatístico; e XIX - Autoridade Nacional: órgão da administração pública responsávelpor zelar, implementar e fiscalizar o cumprimento desta Lei em todo o território nacional. 1.2 Do Tratamento dos Dados 1.2.1 Princípios e hipóteses de realização As atividades de tratamento de dados pessoais deverão observar a boa-fé e os seguintes princípios, nos termos do art. 6º da LGPD: I - Finalidade: realização do tratamento para propósitos legítimos, específicos, explícitos e informados ao titular, sem possibilidade de tratamento posterior de forma incompatível com essas finalidades; 148 II - Adequação: compatibilidade do tratamento com as finalidades informadas ao titular, de acordo com o contexto do tratamento; III - Necessidade: limitação do tratamento ao mínimo necessário para a realização de suas finalidades, com abrangência dos dados pertinentes, proporcionais e não excessivos em relação às finalidades do tratamento de dados; IV - Livre acesso: garantia, aos titulares, de consulta facilitada e gratuita sobre a forma e a duração do tratamento, bem como sobre a integralidade de seus dados pessoais; V - Qualidade dos dados: garantia, aos titulares, de exatidão, clareza, relevância e atualização dos dados, de acordo com a necessidade e para o cumprimento da finalidade de seu tratamento; VI - Transparência: garantia, aos titulares, de informações claras, precisas e facilmente acessíveis sobre a realização do tratamento e os respectivos agentes de tratamento, observados os segredos comercial e industrial; VII - Segurança: utilização de medidas técnicas e administrativas aptas a proteger os dados pessoais de acessos não autorizados e de situações acidentais ou ilícitas de destruição, perda, alteração, comunicação ou difusão; VIII - Prevenção: adoção de medidas para prevenir a ocorrência de danos em virtude do tratamento de dados pessoais; IX - Não discriminação: impossibilidade de realização do tratamento para fins discriminatórios ilícitos ou abusivos; X - Responsabilização e prestação de contas: demonstração, pelo agente, da adoção de medidas eficazes e capazes de comprovar a observância e o cumprimento das normas de proteção de dados pessoais e, inclusive, da eficácia dessas medidas. 1.2.2 Das hipóteses de tratamento de dados O tratamento de dados pessoais conforme disposto no art. 7º da LGPD somente poderá ser realizado nas seguintes hipóteses: I - Mediante o fornecimento de consentimento pelo titular; O controlador que obteve o consentimento do titular que necessitar comunicar ou compartilhar dados pessoais com outros controladores deverá obter consentimento específico 149 do titular para esse fim, ressalvadas as hipóteses de dispensa do consentimento previstas nesta Lei. Levando em consideração as mudanças estabelecidas com o GDPR tem-se que as condições de consentimento foram reforçadas e as empresas não podem mais usar termos e condições longos e ilegíveis, cheios de legalistas. O pedido de consentimento deve ser dado de uma forma inteligível e de fácil acesso, com o propósito de processamento de dados anexado a esse consentimento. O consentimento deve ser claro e distinguível de outros assuntos e ser fornecido de uma forma inteligível e de fácil acesso, usando linguagem clara e objetiva. Deve ser tão fácil retirar o consentimento quando dar. (TEIXEIRA; ARMELIN. 2020, pg. 56) II - Para o cumprimento de obrigação legal ou regulatória pelo controlador; O tratamento de dados pessoais cujo acesso é público deve considerar a finalidade, a boa-fé e o interesse público que justificaram sua disponibilização. O cumprimento de uma obrigação legal ou regulatória consiste no controlador poder tratar dados pessoais, mesmo sem o consentimento do titular, quando tiver que cumprir alguma determinação legal ou regulamentação. Pode-se citar, por exemplo, o caso de um empregador que necessite informar os dados do seu empregado para fins da seguridade social ou mesmo em casos de fiscalização do Ministério do Trabalho. O empregador não precisará de consentimento do seu empregado para tratar dados pessoais de seus empregados. Nesse caso, porém, quando da contratação de seu funcionário o empregador terá que informá-lo dentro de quais possibilidades seus dados poderão tratados. (TEIXEIRA; ARMELIN. 2020, pg. 56-57) III - Pela administração pública, para o tratamento e uso compartilhado de dados necessários à execução de políticas públicas previstas em leis e regulamentos ou respaldadas em contratos, convênios ou instrumentos congêneres; O inciso III possibilita que a Administração Pública trate dados, mas delimita esse tratamento a utilização do mesmo para a consecução de políticas públicas previstas em lei ou regulamentos. A realidade é que o Poder Público é um dos grandes agentes de tratamento de dados e isso se deve ao fato de que visa o bem coletivo, demandando a coleta de dados 150 pessoais para a consecução de políticas públicas, o que justifica a ausência de consentimento para esse fim. (TEIXEIRA; ARMELIN. 2020, pg. 57) IV - Para a realização de estudos por órgão de pesquisa, garantida, sempre que possível, a anonimização1 dos dados pessoais; Uma empresa poderá utilizar-se da base legal prevista no inciso IV quando, por exemplo, tratar dados pessoais para efetuar a entrega de uma mercadoria, já que está um contrato. Ou, para consultar o CEP de um cliente visando o cálculo de frete, por ser um procedimento preliminar relacionado a um contrato, a pedido do titular de dados. (TEIXEIRA; ARMELIN. 2020, pg. 57) V - Quando necessário para a execução de contrato ou de procedimentos preliminares relacionados a contrato do qual seja parte o titular, a pedido do titular dos dados; VI - Para o exercício regular de direitos em processo judicial, administrativo ou arbitral, esse último nos termos da Lei nº 9.307, de 23 de setembro de 1996 (Lei de Arbitragem); VII - Para a proteção da vida ou da incolumidade física do titular ou de terceiro; Nesse inciso, temos uma flexibilização do princípio da privacidade face ao princípio da preservação da vida. VIII - para a tutela da saúde, exclusivamente, em procedimento realizado por profissionais de saúde, serviços de saúde ou autoridade sanitária; Esse inciso complementar o anterior, porém sendo específica para uma situação de tutela de saúde do titular dos dados. IX - Quando necessário para atender aos interesses legítimos do controlador ou de terceiro, exceto no caso de prevalecerem direitos e liberdades fundamentais do titular que exijam a proteção dos dados pessoais; ou X - Para a proteção do crédito, inclusive quanto ao disposto na legislação pertinente. 1.2.3 Do consentimento e acesso aos dados pelo titular O fornecimento de consentimento pelo titular deverá ser fornecido por escrito ou por outro meio que demonstre a manifestação de vontade do titular. 1 Dado relativo a titular que não possa ser identificado, considerando a utilização de meios técnicos razoáveis e disponíveis na ocasião de seu tratamento; 151 Deve existir um consentimento para cada fim específico ao qual poderá ser realizado o tratamento de dados, sendo que essa regra, também irá valer, para a revogação do consentimento. Caso o consentimento seja fornecido por escrito, esse deverá constar de cláusula destacada das demais cláusulas contratuais. Importante frisar que cabe ao controlador o ônus da prova de que o consentimento foi obtido em conformidade com o disposto na LGPD. É vedado o tratamento de dados pessoais mediante vício de consentimento. O consentimento deverá referir-se a finalidades determinadas, e as autorizações genéricas para o tratamento de dados pessoais serão nulas. O consentimento pode ser revogado a qualquer momento mediante manifestação expressa do titular, por procedimento gratuito e facilitado, ratificados os tratamentos realizados sob amparo do consentimento anteriormente manifestado15 03. Princípios do Processo do Trabalho, Fontes – Aplicabilidade do CPC Prof.ª Dra. Cleize Kohls @prof.cleizekohls 1. Princípios Princípios O direito processual do trabalho possui princípios próprios que irão regular todas as regras que tratam deste ramo do direito, ao qual citamos os seguintes: a) Oralidade: prevalência da palavra como meio de expressão. A oralidade pressupõe outro princípio: imediação ou imediatidade, isto é, o contato direto do juiz com as partes e com as provas. As impressões colhidas pelo juiz no contato direto com as partes, provas e fatos são elementos decisivos no julgamento. Localiza-se na CLT, art. 840, § 2º, 846, 848 e 850. b) Celeridade: Significa que todos os sujeitos processuais (partes, advogado, juízes, auxiliares, perito, intérprete, testemunhas etc.) devem agir de modo a que se chegue rapidamente ao deslinde da controvérsia com o menor dispêndio de atos, energia e custo e com o maior grau de justiça e de segurança na entrega da prestação jurisdicional. Localiza-se na CLT, arts. 765, 768 (nos casos de falência) e 843 a 852. c) Irrecorribilidade das decisões interlocutórias: visa impedir, tanto quanto possível, interrupções da marcha processual; motivadas por recursos opostos pelas partes das decisões do juiz. A matéria fica imune à preclusão, sendo apreciada depois, pelo Tribunal. Atende ao princípio da celeridade processual. Localiza-se na CLT: arts. 799, § 2º e 893, § 1º. d) Pagamento imediato das parcelas salariais incontroversas: Impõe pesados encargos ao empregador que protela pagamento de verbas salariais incontroversas. O art. 467 da CLT manda pagar acrescidas de cinquenta por cento as verbas salariais incontroversas. e) Princípio da informalidade - o processo do trabalho é menos burocrático que o processo comum,buscando uma linguagem mais acessível, e atos mais simples, como por exemplo com apossibilidade de petição inicial e contestação verbal, comparecimento das testemunhas independentemente de intimação, entre outros. f) Igualdade ou Isonomia – todos são iguais perante a lei. Porém, o sistema estabelece exceções, a exemplo das prerrogativas da Fazenda Pública e MP (prazos diferenciados), além 16 da dispensa de custas para carentes e do duplo grau obrigatório para as condenações de pessoas jurídicas de direito público. g) Princípio da Conciliação – tradicionalmente a Justiça do Trabalho é conhecida por ser uma justiça que busca a conciliação. E, tal objetivo está estampado no art. 764 da CLT que refere que: “Os dissídios individuais ou coletivos submetidos à apreciação da Justiça do Trabalho serão sempre sujeitos à conciliação” h) Princípio da majoração dos poderes do juiz: Em alguns artigos a CLT autoriza o juiz a dotar medidas que entender necessário, como no art. 765, que refere que: Os Juízos e Tribunais do Trabalho terão ampla liberdade na direção do processo e velarão pelo andamento rápido das causas, podendo determinar qualquer diligência necessária ao esclarecimento delas. E, também se observa essa majoração na possibilidade de iniciar o incidente de desconsideração da personalidade jurídica e a execução, de ofício, quando a parte não estiver representada por advogado. i) Princípio da função social do processo do trabalho: Busca-se um processo célere, justo e confiável, sendo que o art. 8º da CLT, destaca que: “As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência, por analogia, por equidade e outros princípios e normas gerais de direito, principalmente do direito do trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse público”. j) Princípio da normatização coletiva: advém da possibilidade da Justiça do Trabalho cria, dentro dos limites constitucionais, normas aplicáveis no âmbito das categorias profissionais e econômicas envolvidas no conflito coletivo. k) Princípio da impugnação específica – O réu/reclamada precisa se manifestar precisamente sobre os fatos, caso contrário há presunção de veracidade dos fatos não impugnados. l) Princípio da eventualidade – as partes devem utilizar todas as matérias de defesa ou interesse no momento próprio. m) Princípio da preclusão – a nulidade deve ser alegada na primeira oportunidade, sob pena de preclusão (art. 795 CLT). n) Princípio da economia processual – busca evitar o dispêndio desnecessário de tempo e de dinheiro. Aproveitamento dos atos processuais. 17 o) Princípio da busca da verdade real - art. 765 CLT: Art. 765 - Os Juízos e Tribunais do Trabalho terão ampla liberdade na direção do processo e velarão pelo andamento rápido das causas, podendo determinar qualquer diligência necessária ao esclarecimento delas. p) Princípio da boa-fé: processual: também chamado de princípio da probidade e da lealdade, trata do dever das partes de não agir com má-fé. Está estampado no art. 5º do CPC. Art. 793-A. Responde por perdas e danos aquele que litigar de má-fé como reclamante, reclamado ou interveniente. q) Contraditório e ampla defesa – art. 5º, LV CF. aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; r) Imparcialidade do juiz - ou seja, sem tendências que possam macular o processo. Lembrar que imparcialidade não se confunde com neutralidade; s) Devido processo legal – trata-se de princípio base, pois nele se sustentam todos os demais princípios do processo do trabalho. Dele extraem-se os princípios do Juiz e promotor natural, proibição de tribunais de exceção, duplo grau de jurisdição, entre outros. t) Jus postulandi: Significa que, na Justiça do Trabalho, as partes (tanto reclamante como reclamada) podem litigar pessoalmente, sem patrocínio de advogados. O art. 133 da CF/88 não revogou a CLT. O TST já se pronunciou sobre o assunto, firmando esse entendimento. Localiza- se na CLT, arts. 791, 839, a, 840 e 846. Mas fique atento, pois de acordo com a Súmula n. 425 do TST, o Jus Postulandi se restringe as Varas do Trabalho e Tribunais Regionais do Trabalho, não abrangendo as instâncias extraordinárias: Súmula n. 425 do TST. Jus Postulandi na Justiça do Trabalho. Alcance. O jus postulandi das partes, estabelecido no art. 791 da CLT, limita-se às Varas do Trabalho e aos Tribunais Regionais do Trabalho, não alcançando a ação rescisória, a ação cautelar, o mandado de segurança e os recursos de competência do Tribunal Superior do Trabalho. u) Princípio Inquisitivo ou impulso oficial – o processo começa por iniciativa da parte, mas se desenvolve por impulso oficial. Ex: Execução de ofício. 18 2 Fontes São fontes do Direito Processual do Trabalho: a) Lei: 1. Constituição Federal 2. Leis Processuais Trabalhistas 3. Código de Processo Civil e Leis Processuais Civis b) Regimentos Internos dos Tribunais; c) Costume; d) Princípios; e) Jurisprudência; f) Equidade; g) Doutrina. Art. 769 DA CLT - Nos casos omissos, o direito processual comum será fonte subsidiária do direito processual do trabalho, exceto naquilo em que for incompatível com as normas deste Título. IN 39 Art. 1° Aplica-se o Código de Processo Civil, subsidiária e supletivamente, ao Processo do Trabalho, em caso de omissão e desde que haja compatibilidade com as normas e princípios do Direito Processual do Trabalho, na forma dos arts. 769 e 889 da CLT e do art. 15 da Lei nº 13.105, de 17.03.2015. § 1º Observar-se-á, em todo caso, o princípio da irrecorribilidade em separado das decisões interlocutórias, de conformidade com o art. 893, § 1º da CLT e Súmula nº 214 do TST. § 2º O prazo para interpor e contra-arrazoar todos os recursos trabalhistas, inclusiveenquanto não houver requerimento de eliminação. Em caso de alteração de informação referida nos incisos I, II, III ou V do art. 9º desta LGPD, o controlador deverá informar ao titular, com destaque de forma específica do teor das alterações, podendo o titular, nos casos em que o seu consentimento é exigido, revogá-lo caso discorde da alteração. 1.2.4 Do consentimento e acesso aos dados pelo titular da informação Nos termos do art. 9º da LGPD, o titular tem direito ao acesso facilitado às informações sobre o tratamento de seus dados, que deverão ser disponibilizadas de forma clara, adequada e ostensiva acerca de, entre outras características previstas em regulamentação para o atendimento do princípio do livre acesso: I - finalidade específica do tratamento; II - forma e duração do tratamento, observados os segredos comercial e industrial; III - identificação do controlador; IV - informações de contato do controlador; V - informações acerca do uso compartilhado de dados pelo controlador e a finalidade; VI - responsabilidades dos agentes que realizarão o tratamento; e VII - direitos do titular, com menção explícita aos direitos contidos no art. 18 da LGPD. Na hipótese em que o consentimento é requerido, esse será considerado nulo caso as informações fornecidas ao titular tenham conteúdo enganoso ou abusivo ou não tenham sido apresentadas previamente com transparência, de forma clara e inequívoca. 152 Já na situação em que o consentimento é requerido, se houver mudanças da finalidade para o tratamento de dados pessoais não compatíveis com o consentimento original, o controlador deverá informar previamente o titular sobre as mudanças de finalidade, podendo o titular revogar o consentimento, caso discorde das alterações. Quando o tratamento de dados pessoais for condição para o fornecimento de produto ou de serviço ou para o exercício de direito, o titular será informado com destaque sobre esse fato e sobre os meios pelos quais poderá exercer os direitos do titular elencados no art. 18 da LGPD. 1.2.5 Do legítimo interesse O legítimo interesse do controlador previsto no art. 10 da LGPD somente poderá fundamentar tratamento de dados pessoais para finalidades legítimas, consideradas a partir de situações concretas, que incluem, mas não se limitam a: I - apoio e promoção de atividades do controlador; e II - proteção, em relação ao titular, do exercício regular de seus direitos ou prestação de serviços que o beneficiem, respeitadas as legítimas expectativas dele e os direitos e liberdades fundamentais, nos termos da LGPD. Quando o tratamento for baseado no legítimo interesse do controlador, somente os dados pessoais estritamente necessários para a finalidade pretendida poderão ser tratados. O controlador deverá adotar medidas para garantir a transparência do tratamento de dados baseado em seu legítimo interesse. A autoridade nacional poderá solicitar ao controlador relatório de impacto à proteção de dados pessoais, quando o tratamento tiver como fundamento seu interesse legítimo, observados os segredos comercial e industrial. Assim, temos que o legítimo interesse foi instituído como uma possibilidade de tratamento de dados, para cumprir a ideia que a LPGD trará ao país desenvolvimento econômico e tecnológico. 1.2.6 Do tratamento de dados pessoais sensíveis O tratamento de dados pessoais sensíveis previsto no art. 11 da LGPD somente poderá ocorrer nas seguintes hipóteses: I - quando o titular ou seu responsável legal consentir, de forma específica e destacada, para finalidades específicas; 153 II - sem fornecimento de consentimento do titular, nas hipóteses em que for indispensável para: a) cumprimento de obrigação legal ou regulatória pelo controlador; b) tratamento compartilhado de dados necessários à execução, pela administração pública, de políticas públicas previstas em leis ou regulamentos; c) realização de estudos por órgão de pesquisa, garantida, sempre que possível, a anonimização dos dados pessoais sensíveis; d) exercício regular de direitos, inclusive em contrato e em processo judicial, administrativo e arbitral, este último nos termos da Lei nº 9.307, de 23 de setembro de 1996 (Lei de Arbitragem); e) proteção da vida ou da incolumidade física do titular ou de terceiro; f) tutela da saúde, exclusivamente, em procedimento realizado por profissionais de saúde, serviços de saúde ou autoridade sanitária; ou g) garantia da prevenção à fraude e à segurança do titular, nos processos de identificação e autenticação de cadastro em sistemas eletrônicos, resguardados os direitos mencionados no art. 9º da LGPD e exceto no caso de prevalecerem direitos e liberdades fundamentais do titular que exijam a proteção dos dados pessoais. Aplica-se as regras acima mencionadas a qualquer tratamento de dados pessoais que revele dados pessoais sensíveis e que possa causar dano ao titular, ressalvado o disposto em legislação específica. Nos casos de aplicação do disposto nas alíneas “a” e “b” do inciso II2 do art. 11º da LGPD, pelos órgãos e pelas entidades públicas, será dada publicidade à referida dispensa de consentimento, nos termos do inciso I do caput do art. 23º da LGPD. A comunicação ou o uso compartilhado de dados pessoais sensíveis entre controladores com objetivo de obter vantagem econômica poderá ser objeto de vedação ou de regulamentação por parte da autoridade nacional, ouvidos os órgãos setoriais do Poder Público, no âmbito de suas competências. É vedada a comunicação ou o uso compartilhado entre controladores de dados pessoais sensíveis referentes à saúde com objetivo de obter vantagem econômica, exceto nas hipóteses relativas a prestação de serviços de saúde, de assistência farmacêutica e de assistência à saúde, desde que observado o § 4º do art. 11 da LGPD, incluídos os serviços auxiliares de diagnose e terapia, em benefício dos interesses dos titulares de dados, e para permitir: I - a portabilidade de dados quando solicitada pelo titular; ou II - as transações financeiras e administrativas resultantes do uso e da prestação dos serviços de que trata este parágrafo. 2 II - sem fornecimento de consentimento do titular, nas hipóteses em que for indispensável para: a) cumprimento de obrigação legal ou regulatória pelo controlador; b) tratamento compartilhado de dados necessários à execução, pela administração pública, de políticas públicas previstas em leis ou regulamentos; 154 1.2.7 Dos dados aninimizados Os dados anonimizados previstos no art. 12 da LGPD, não serão considerados dados pessoais para os fins desta Lei, salvo quando o processo de anonimização ao qual foram submetidos for revertido, utilizando exclusivamente meios próprios, ou quando, com esforços razoáveis, puder ser revertido. A determinação do que seja razoável deve levar em consideração fatores objetivos, tais como custo e tempo necessários para reverter o processo de anonimização, de acordo com as tecnologias disponíveis, e a utilização exclusiva de meios próprios. Poderão ser igualmente considerados como dados pessoais, para os fins desta Lei, aqueles utilizados para formação do perfil comportamental de determinada pessoa natural, se identificada. A autoridade nacional poderá dispor sobre padrões e técnicas utilizados em processos de anonimização e realizar verificações acerca de sua segurança, ouvido o Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais. 1.2.8 Do tratamento de dados para estudos em saúde pública Conforme art. 13 da LGPD, na realização de estudos em saúde pública, os órgãos de pesquisa poderão ter acesso a bases de dados pessoais, que serão tratados exclusivamente dentro do órgão e estritamente para a finalidade de realização de estudos e pesquisas e mantidos em ambiente controlado e seguro, conforme práticas de segurança previstas em regulamento específicoe que incluam, sempre que possível, a anonimização ou pseudonimização dos dados, bem como considerem os devidos padrões éticos relacionados a estudos e pesquisas. A divulgação dos resultados ou de qualquer excerto do estudo ou da pesquisa de que trata o caput deste artigo em nenhuma hipótese poderá revelar dados pessoais. O órgão de pesquisa será o responsável pela segurança da informação, não permitida, em circunstância alguma, a transferência dos dados a terceiro. O acesso aos dados será objeto de regulamentação por parte da autoridade nacional e das autoridades da área de saúde e sanitárias, no âmbito de suas competências. Ainda, deve-se considerar que a pseudonimização é o tratamento por meio do qual um dado perde a possibilidade de associação, direta ou indireta, a um indivíduo, senão pelo uso de 155 informação adicional mantida separadamente pelo controlador em ambiente controlado e seguro. 1.2.9 Do tratamento de dados pessoais de crianças e de adolescentes O tratamento de dados pessoais de crianças e de adolescentes deverá ser realizado em seu melhor interesse, nos termos do art. 14 da LGPD. No Brasil, existem vários dispositivos de proteção à criança e adolescente, como por exemplo o art. 227 da CF-88 e o Estatuto da Criança e do Adolescente. O tratamento de dados pessoais de crianças deverá ser realizado com o consentimento específico e em destaque dado por pelo menos um dos pais ou pelo responsável legal. Poderão ser coletados dados pessoais de crianças sem o consentimento de um dos seus pais quando a coleta for necessária para contatar os pais ou o responsável legal, utilizados uma única vez e sem armazenamento, ou para sua proteção, e em nenhum caso poderão ser repassados a terceiro sem o consentimento do responsável pela criança. Os controladores não deverão condicionar a participação de crianças e adolescentes em jogos, aplicações de internet ou outras atividades ao fornecimento de informações pessoais além das estritamente necessárias à atividade. O controlador deve realizar todos os esforços razoáveis para verificar que o consentimento foi dado pelo responsável pela criança, consideradas as tecnologias disponíveis. As informações sobre o tratamento de dados de crianças e adolescentes deverão ser fornecidas de maneira simples, clara e acessível, consideradas as características físico- motoras, perceptivas, sensoriais, intelectuais e mentais do usuário, com uso de recursos audiovisuais quando adequado, de forma a proporcionar a informação necessária aos pais ou ao responsável legal e adequada ao entendimento da criança. 1.2.10 Do término do tratamento de dados Nos ermos do art. 15 da LGPD, o término do tratamento de dados pessoais ocorrerá nas seguintes hipóteses: I - verificação de que a finalidade foi alcançada ou de que os dados deixaram de ser necessários ou pertinentes ao alcance da finalidade específica almejada; II - fim do período de tratamento; III - comunicação do titular, inclusive no exercício de seu direito de revogação do consentimento conforme disposto no § 5º do art. 8º desta Lei, resguardado o interesse público; ou 156 IV - determinação da autoridade nacional, quando houver violação ao disposto nesta Lei. Já nos termos do art. 16 da LGPD, os dados pessoais serão eliminados após o término de seu tratamento, no âmbito e nos limites técnicos das atividades, autorizada a conservação para as seguintes finalidades: I - cumprimento de obrigação legal ou regulatória pelo controlador; II - estudo por órgão de pesquisa, garantida, sempre que possível, a anonimização dos dados pessoais; III - transferência a terceiro, desde que respeitados os requisitos de tratamento de dados dispostos nesta Lei; ou IV - uso exclusivo do controlador, vedado seu acesso por terceiro, e desde que anonimizados os dados. 1.3 Dos Direitos do Titular Nos termos do art. 17 da LGPD, toda pessoa natural tem assegurada a titularidade de seus dados pessoais e garantidos os direitos fundamentais de liberdade, de intimidade e de privacidade, nos termos da LGPD. Se observa, na análise do artigo, a preocupação do legislador em deixar claro, que independentemente do local onde se encontram os dados e está sendo realizado seu tratamento, o titular das informações é a pessoa natural, visto se tratar de seu direito de personalidade. Conforme o art. 18 da LGPD, o titular dos dados pessoais tem direito a obter do controlador, em relação aos dados do titular por ele tratados, a qualquer momento e mediante requisição: I - confirmação da existência de tratamento; II - acesso aos dados; III - correção de dados incompletos, inexatos ou desatualizados; IV - anonimização, bloqueio ou eliminação de dados desnecessários, excessivos ou tratados em desconformidade com o disposto da LGPD; V - portabilidade dos dados a outro fornecedor de serviço ou produto, mediante requisição expressa, de acordo com a regulamentação da autoridade nacional, observados os segredos comercial e industrial; VI - eliminação dos dados pessoais tratados com o consentimento do titular, exceto nas hipóteses previstas no art. 16 da LGPD; VII - informação das entidades públicas e privadas com as quais o controlador realizou uso compartilhado de dados; VIII - informação sobre a possibilidade de não fornecer consentimento e sobre as consequências da negativa; IX - revogação do consentimento, nos termos do § 5º do art. 8º da LGPD. 157 O titular dos dados pessoais tem o direito de peticionar em relação aos seus dados contra o controlador perante a autoridade nacional. O titular pode opor-se a tratamento realizado com fundamento em uma das hipóteses de dispensa de consentimento, em caso de descumprimento ao disposto da LGPD. Os direitos previstos no art. 18 da LGPD serão exercidos mediante requerimento expresso do titular ou de representante legalmente constituído, a agente de tratamento. Em caso de impossibilidade de adoção imediata da providência de que trata o § 4º do art. 18 da LGPD, o controlador enviará ao titular resposta, em que poderá: I - comunicar que não é agente de tratamento dos dados e indicar, sempre que possível, o agente; ou II - indicar as razões de fato ou de direito que impedem a adoção imediata da providência. O requerimento referido no § 3º do art. 18 da LGPD será atendido sem custos para o titular, nos prazos e nos termos previstos em regulamento. O responsável deverá informar, de maneira imediata, aos agentes de tratamento com os quais tenha realizado uso compartilhado de dados a correção, a eliminação, a anonimização ou o bloqueio dos dados, para que repitam idêntico procedimento, exceto nos casos em que esta comunicação seja comprovadamente impossível ou implique esforço desproporcional. A portabilidade dos dados pessoais a que se refere o inciso V do art. 18 da LGPD não inclui dados que já tenham sido anonimizados pelo controlador. A confirmação de existência ou o acesso a dados pessoais serão providenciados, mediante requisição do titular: I - em formato simplificado, imediatamente; ou II - por meio de declaração clara e completa, que indique a origem dos dados, a inexistência de registro, os critérios utilizados e a finalidade do tratamento, observados os segredos comercial e industrial, fornecida no prazo de até 15 (quinze) dias, contado da data do requerimento do titular. Os dados pessoais serão armazenados em formato que favoreça o exercício do direito de acesso. As informações e os dados poderão ser fornecidos, a critério do titular: I - por meio eletrônico, seguro e idôneo para esse fim; ou II - sob forma impressa. 158 Quando o tratamento tiver origem no consentimento do titular ou em contrato, o titular poderá solicitar cópia eletrônica integral de seus dados pessoais, observados os segredos comercial e industrial, nos termos de regulamentaçãoda autoridade nacional, em formato que permita a sua utilização subsequente, inclusive em outras operações de tratamento. A autoridade nacional poderá dispor de forma diferenciada acerca dos prazos previstos nos incisos I e II do do artigo 19 da LGPD para os setores específicos. O titular dos dados tem direito a solicitar a revisão de decisões tomadas unicamente com base em tratamento automatizado de dados pessoais que afetem seus interesses, incluídas as decisões destinadas a definir o seu perfil pessoal, profissional, de consumo e de crédito ou os aspectos de sua personalidade. O controlador deverá fornecer, sempre que solicitadas, informações claras e adequadas a respeito dos critérios e dos procedimentos utilizados para a decisão automatizada, observados os segredos comercial e industrial. Em caso de não oferecimento de informações de que trata o § 1º do art. 20 da LGPD baseado na observância de segredo comercial e industrial, a autoridade nacional poderá realizar auditoria para verificação de aspectos discriminatórios em tratamento automatizado de dados pessoais. Os dados pessoais referentes ao exercício regular de direitos pelo titular não podem ser utilizados em seu prejuízo. Nos termos do art. 22 da LGPD, a defesa dos interesses e dos direitos dos titulares de dados poderá ser exercida em juízo, individual ou coletivamente, na forma do disposto na legislação pertinente, acerca dos instrumentos de tutela individual e coletiva. Ou seja, conforme acima exposto por Leonardi, algumas irregularidades são pensadas de maneira econômica pelas empresas, visto que no Brasil, tal decisão gera lucro, face a maioria das ações judiciais serem de cunho individuais, não alcançando assim, a totalidade de pessoas lesadas. 1.4 Dos Tratamento de dados pessoais pelo Poder Público De acordo com o art. 23 da LGPD, o tratamento de dados pessoais pelas pessoas jurídicas de direito público referidas no parágrafo único do art. 1º da Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011 (Lei de Acesso à Informação), deverá ser realizado para o atendimento de 159 sua finalidade pública, na persecução do interesse público, com o objetivo de executar as competências legais ou cumprir as atribuições legais do serviço público, desde que: I - sejam informadas as hipóteses em que, no exercício de suas competências, realizam o tratamento de dados pessoais, fornecendo informações claras e atualizadas sobre a previsão legal, a finalidade, os procedimentos e as práticas utilizadas para a execução dessas atividades, em veículos de fácil acesso, preferencialmente em seus sítios eletrônicos; III - seja indicado um encarregado quando realizarem operações de tratamento de dados pessoais, nos termos do art. 39 desta Lei; e A autoridade nacional poderá dispor sobre as formas de publicidade das operações de tratamento. O disposto na LGPD não dispensa as pessoas jurídicas mencionadas no caput do art. 23 de instituir as autoridades de que trata a Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011 (Lei de Acesso à Informação). Os prazos e procedimentos para exercício dos direitos do titular perante o Poder Público observarão o disposto em legislação específica, em especial as disposições constantes da Lei nº 9.507, de 12 de novembro de 1997 (Lei do Habeas Data), da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 (Lei Geral do Processo Administrativo), e da Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011 (Lei de Acesso à Informação). Os serviços notariais e de registro exercidos em caráter privado, por delegação do Poder Público, terão o mesmo tratamento dispensado às pessoas jurídicas referidas no caput deste artigo, nos termos da LGPD. Os órgãos notariais e de registro devem fornecer acesso aos dados por meio eletrônico para a administração pública, tendo em vista as finalidades de que trata o caput do art. 23 da LGPD. O art. 24 da LGPD menciona que as empresas públicas e as sociedades de economia mista que atuam em regime de concorrência, sujeitas ao disposto no art. 173 da Constituição Federal, terão o mesmo tratamento dispensado às pessoas jurídicas de direito privado particulares, nos termos da LGPD. As empresas públicas e as sociedades de economia mista, quando estiverem operacionalizando políticas públicas e no âmbito da execução delas, terão o mesmo tratamento dispensado aos órgãos e às entidades do Poder Público. 160 Os dados deverão ser mantidos em formato interoperável e estruturado para o uso compartilhado, com vistas à execução de políticas públicas, à prestação de serviços públicos, à descentralização da atividade pública e à disseminação e ao acesso das informações pelo público em geral. Conforme disposto no art. 26 da LGPD, o uso compartilhado de dados pessoais pelo Poder Público deve atender a finalidades específicas de execução de políticas públicas e atribuição legal pelos órgãos e pelas entidades públicas, respeitados os princípios de proteção de dados pessoais elencados no art. 6º da LGPD. É vedado ao Poder Público transferir a entidades privadas dados pessoais constantes de bases de dados a que tenha acesso, exceto: I - em casos de execução descentralizada de atividade pública que exija a transferência, exclusivamente para esse fim específico e determinado, observado o disposto na Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011 (Lei de Acesso à Informação); II - (VETADO); III - nos casos em que os dados forem acessíveis publicamente, observadas as disposições desta Lei. IV - quando houver previsão legal ou a transferência for respaldada em contratos, convênios ou instrumentos congêneres; ou V - na hipótese de a transferência dos dados objetivar exclusivamente a prevenção de fraudes e irregularidades, ou proteger e resguardar a segurança e a integridade do titular dos dados, desde que vedado o tratamento para outras finalidades. A comunicação ou o uso compartilhado de dados pessoais de pessoa jurídica de direito público a pessoa de direito privado será informado à autoridade nacional e dependerá de consentimento do titular, exceto: I - nas hipóteses de dispensa de consentimento previstas na LGPD; II - nos casos de uso compartilhado de dados, em que será dada publicidade nos termos do inciso I do caput do art. 23 da LGPD; ou III - nas exceções constantes do § 1º do art. 26 da LGPD. A autoridade nacional poderá solicitar, a qualquer momento, aos órgãos e às entidades do poder público a realização de operações de tratamento de dados pessoais, informações específicas sobre o âmbito e a natureza dos dados e outros detalhes do tratamento realizado e poderá emitir parecer técnico complementar para garantir o cumprimento da LGPD. A autoridade nacional poderá estabelecer normas complementares para as atividades de comunicação e de uso compartilhado de dados pessoais. 161 1.4.1 Da Responsabilidade Quando houver infração a esta Lei em decorrência do tratamento de dados pessoais por órgãos públicos, a autoridade nacional poderá enviar informe com medidas cabíveis para fazer cessar a violação. A autoridade nacional poderá solicitar a agentes do Poder Público a publicação de relatórios de impacto à proteção de dados pessoais e sugerir a adoção de padrões e de boas práticas para os tratamentos de dados pessoais pelo Poder Público. 1.5 Da transferência internacional de dados Conforme disposto no art. 33 da LGPD, a transferência internacional de dados pessoais somente é permitida nos seguintes casos: I - para países ou organismos internacionais que proporcionem grau de proteção de dados pessoais adequado ao previsto na LGPD; As pessoas jurídicas de direito público referidas no parágrafo único do art. 1º da Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011 (Lei de Acesso à Informação), no âmbito de suas competências legais, e responsáveis, no âmbito de suas atividades, poderão requerer à autoridade nacionala avaliação do nível de proteção a dados pessoais conferido por país ou organismo internacional. II - quando o controlador oferecer e comprovar garantias de cumprimento dos princípios, dos direitos do titular e do regime de proteção de dados previstos nesta Lei, na forma de: a) cláusulas contratuais específicas para determinada transferência; b) cláusulas-padrão contratuais; c) normas corporativas globais; d) selos, certificados e códigos de conduta regularmente emitidos; III - quando a transferência for necessária para a cooperação jurídica internacional entre órgãos públicos de inteligência, de investigação e de persecução, de acordo com os instrumentos de direito internacional; IV - quando a transferência for necessária para a proteção da vida ou da incolumidade física do titular ou de terceiro; V - quando a autoridade nacional autorizar a transferência; VI - quando a transferência resultar em compromisso assumido em acordo de cooperação internacional; VII - quando a transferência for necessária para a execução de política pública ou atribuição legal do serviço público, sendo dada publicidade nos termos do inciso I do caput do art. 23 da LGPD. VIII - quando o titular tiver fornecido o seu consentimento específico e em destaque para a transferência, com informação prévia sobre o caráter internacional da operação, distinguindo claramente esta de outras finalidades; ou 162 IX - quando necessário para atender as hipóteses previstas nos incisos II, V e VI do art. 7º desta Lei. O nível de proteção de dados do país estrangeiro ou do organismo internacional mencionado no inciso I do caput do art. 33 da LGPD será avaliado pela autoridade nacional, que levará em consideração: I - as normas gerais e setoriais da legislação em vigor no país de destino ou no organismo internacional; II - a natureza dos dados; III - a observância dos princípios gerais de proteção de dados pessoais e direitos dos titulares previstos nesta Lei; IV - a adoção de medidas de segurança previstas em regulamento; V - a existência de garantias judiciais e institucionais para o respeito aos direitos de proteção de dados pessoais; e VI - outras circunstâncias específicas relativas à transferência. A definição do conteúdo de cláusulas-padrão contratuais, bem como a verificação de cláusulas contratuais específicas para uma determinada transferência, normas corporativas globais ou selos, certificados e códigos de conduta, será realizada pela autoridade nacional. Na análise de cláusulas contratuais, de documentos ou de normas corporativas globais submetidas à aprovação da autoridade nacional, poderão ser requeridas informações suplementares ou realizadas diligências de verificação quanto às operações de tratamento, quando necessário. A autoridade nacional poderá designar organismos de certificação para a realização do previsto no caput deste artigo, que permanecerão sob sua fiscalização nos termos definidos em regulamento. Os atos realizados por organismo de certificação poderão ser revistos pela autoridade nacional e, caso em desconformidade com a LGPD submetidos a revisão ou anulados. As garantias suficientes de observância dos princípios gerais de proteção e dos direitos do titular referidas no caput deste artigo serão também analisadas de acordo com as medidas técnicas e organizacionais adotadas pelo operador, de acordo com o previsto nos §§ 1º e 2º do art. 46 da LGPD. 163 1.6 Dos agentes de Tratamento de Dados Pessoais 1.6.1 Do controlador e operador O controlador e o operador devem manter registro das operações de tratamento de dados pessoais que realizarem, especialmente quando baseado no legítimo interesse. A autoridade nacional poderá determinar ao controlador que elabore relatório de impacto à proteção de dados pessoais, inclusive de dados sensíveis, referente a suas operações de tratamento de dados, nos termos de regulamento, observados os segredos comercial e industrial. O relatório deverá conter, no mínimo, a descrição dos tipos de dados coletados, a metodologia utilizada para a coleta e para a garantia da segurança das informações e a análise do controlador com relação a medidas, salvaguardas e mecanismos de mitigação de risco adotados. A autoridade nacional poderá dispor sobre padrões de interoperabilidade para fins de portabilidade, livre acesso aos dados e segurança, assim como sobre o tempo de guarda dos registros, tendo em vista especialmente a necessidade e a transparência. 1.6.2 Do Encarregado pelo Tratamento de Dados Pessoais O controlador deverá indicar encarregado pelo tratamento de dados pessoais. A identidade e as informações de contato do encarregado deverão ser divulgadas publicamente, de forma clara e objetiva, preferencialmente no sítio eletrônico do controlador. As atividades do encarregado consistem em: I - aceitar reclamações e comunicações dos titulares, prestar esclarecimentos e adotar providências; II - receber comunicações da autoridade nacional e adotar providências; III - orientar os funcionários e os contratados da entidade a respeito das práticas a serem tomadas em relação à proteção de dados pessoais; e IV - executar as demais atribuições determinadas pelo controlador ou estabelecidas em normas complementares. A autoridade nacional poderá estabelecer normas complementares sobre a definição e as atribuições do encarregado, inclusive hipóteses de dispensa da necessidade de sua indicação, conforme a natureza e o porte da entidade ou o volume de operações de tratamento de dados. 164 1.6.3 Da Responsabilidade e do Ressarcimento de Danos O controlador ou o operador que, em razão do exercício de atividade de tratamento de dados pessoais, causar a outrem dano patrimonial, moral, individual ou coletivo, em violação à legislação de proteção de dados pessoais, é obrigado a repará-lo. A fim de assegurar a efetiva indenização ao titular dos dados: I - o operador responde solidariamente pelos danos causados pelo tratamento quando descumprir as obrigações da legislação de proteção de dados ou quando não tiver seguido as instruções lícitas do controlador, hipótese em que o operador equipara-se ao controlador, salvo nos casos de exclusão previstos no art. 43 desta Lei; II - os controladores que estiverem diretamente envolvidos no tratamento do qual decorreram danos ao titular dos dados respondem solidariamente, salvo nos casos de exclusão previstos no art. 43 da LGPD. O juiz, no processo civil, poderá inverter o ônus da prova a favor do titular dos dados quando, a seu juízo, for verossímil a alegação, houver hipossuficiência para fins de produção de prova ou quando a produção de prova pelo titular resultar-lhe excessivamente onerosa. Aquele que reparar o dano ao titular tem direito de regresso contra os demais responsáveis, na medida de sua participação no evento danoso. Nos termos do art. 43 da LGPD, os agentes de tratamento só não serão responsabilizados quando provarem: I - que não realizaram o tratamento de dados pessoais que lhes é atribuído; II - que, embora tenham realizado o tratamento de dados pessoais que lhes é atribuído, não houve violação à legislação de proteção de dados; ou III - que o dano é decorrente de culpa exclusiva do titular dos dados ou de terceiro. O tratamento de dados pessoais será irregular quando deixar de observar a legislação ou quando não fornecer a segurança que o titular dele pode esperar, consideradas as circunstâncias relevantes, entre as quais: I - o modo pelo qual é realizado; II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam; III - as técnicas de tratamento de dados pessoais disponíveis à época em que foi realizado. 165 Responde pelos danos decorrentes da violação da segurança dos dados o controlador ou o operador que, ao deixar de adotar as medidas de segurança previstas noart. 46 da LGPD, der causa ao dano. As hipóteses de violação do direito do titular no âmbito das relações de consumo permanecem sujeitas às regras de responsabilidade previstas na legislação pertinente. 1.7 Da segurança e das boas práticas 1.7.1 Da segurança e do sigilo de dados Os agentes de tratamento devem adotar medidas de segurança, técnicas e administrativas aptas a proteger os dados pessoais de acessos não autorizados e de situações acidentais ou ilícitas de destruição, perda, alteração, comunicação ou qualquer forma de tratamento inadequado ou ilícito. A autoridade nacional poderá dispor sobre padrões técnicos mínimos para tornar aplicável o disposto no caput deste artigo, considerados a natureza das informações tratadas, as características específicas do tratamento e o estado atual da tecnologia, especialmente no caso de dados pessoais sensíveis, assim como os princípios previstos no caput do art. 6º da LGPD. Os agentes de tratamento ou qualquer outra pessoa que intervenha em uma das fases do tratamento obriga-se a garantir a segurança da informação prevista na LGPD em relação aos dados pessoais, mesmo após o seu término. O controlador deverá comunicar à autoridade nacional e ao titular a ocorrência de incidente de segurança que possa acarretar risco ou dano relevante aos titulares. A comunicação será feita em prazo razoável, conforme definido pela autoridade nacional, e deverá mencionar, no mínimo: I - a descrição da natureza dos dados pessoais afetados; II - as informações sobre os titulares envolvidos; III - a indicação das medidas técnicas e de segurança utilizadas para a proteção dos dados, observados os segredos comercial e industrial; IV - os riscos relacionados ao incidente; V - os motivos da demora, no caso de a comunicação não ter sido imediata; e VI - as medidas que foram ou que serão adotadas para reverter ou mitigar os efeitos do prejuízo. 166 A autoridade nacional verificará a gravidade do incidente e poderá, caso necessário para a salvaguarda dos direitos dos titulares, determinar ao controlador a adoção de providências, tais como: I - ampla divulgação do fato em meios de comunicação; e II - medidas para reverter ou mitigar os efeitos do incidente. No juízo de gravidade do incidente, será avaliada eventual comprovação de que foram adotadas medidas técnicas adequadas que tornem os dados pessoais afetados ininteligíveis, no âmbito e nos limites técnicos de seus serviços, para terceiros não autorizados a acessá-los. Os sistemas utilizados para o tratamento de dados pessoais devem ser estruturados de forma a atender aos requisitos de segurança, aos padrões de boas práticas e de governança e aos princípios gerais previstos nesta Lei e às demais normas regulamentares. 1.7.2 Das Boas Práticas e da Governança Nos termos do art. 50 da LGPD, os controladores e operadores, no âmbito de suas competências, pelo tratamento de dados pessoais, individualmente ou por meio de associações, poderão formular regras de boas práticas e de governança que estabeleçam as condições de organização, o regime de funcionamento, os procedimentos, incluindo reclamações e petições de titulares, as normas de segurança, os padrões técnicos, as obrigações específicas para os diversos envolvidos no tratamento, as ações educativas, os mecanismos internos de supervisão e de mitigação de riscos e outros aspectos relacionados ao tratamento de dados pessoais. Ao estabelecer regras de boas práticas, o controlador e o operador levarão em consideração, em relação ao tratamento e aos dados, a natureza, o escopo, a finalidade e a probabilidade e a gravidade dos riscos e dos benefícios decorrentes de tratamento de dados do titular. Na aplicação dos princípios indicados nos incisos VII e VIII do caput do art. 6º da LGPD, o controlador, observados a estrutura, a escala e o volume de suas operações, bem como a sensibilidade dos dados tratados e a probabilidade e a gravidade dos danos para os titulares dos dados, poderá: Art. 50 da Lei 13.709 I - implementar programa de governança em privacidade que, no mínimo: 167 a) demonstre o comprometimento do controlador em adotar processos e políticas internas que assegurem o cumprimento, de forma abrangente, de normas e boas práticas relativas à proteção de dados pessoais; b) seja aplicável a todo o conjunto de dados pessoais que estejam sob seu controle, independentemente do modo como se realizou sua coleta; c) seja adaptado à estrutura, à escala e ao volume de suas operações, bem como à sensibilidade dos dados tratados; d) estabeleça políticas e salvaguardas adequadas com base em processo de avaliação sistemática de impactos e riscos à privacidade; e) tenha o objetivo de estabelecer relação de confiança com o titular, por meio de atuação transparente e que assegure mecanismos de participação do titular; f) esteja integrado a sua estrutura geral de governança e estabeleça e aplique mecanismos de supervisão internos e externos; g) conte com planos de resposta a incidentes e remediação; e h) seja atualizado constantemente com base em informações obtidas a partir de monitoramento contínuo e avaliações periódicas; II - demonstrar a efetividade de seu programa de governança em privacidade quando apropriado e, em especial, a pedido da autoridade nacional ou de outra entidade responsável por promover o cumprimento de boas práticas ou códigos de conduta, os quais, de forma independente, promovam o cumprimento desta Lei. As regras de boas práticas e de governança deverão ser publicadas e atualizadas periodicamente e poderão ser reconhecidas e divulgadas pela autoridade nacional. A autoridade nacional estimulará a adoção de padrões técnicos que facilitem o controle pelos titulares dos seus dados pessoais. 1.8 Da fiscalização 1.8.1 Das sanções administrativas Conforme previsão no art. 52 da LGPD, os agentes de tratamento de dados, em razão das infrações cometidas às normas previstas na LGPD, ficam sujeitos às seguintes sanções administrativas aplicáveis pela autoridade nacional: Art. 52 da Lei 13.709 I - advertência, com indicação de prazo para adoção de medidas corretivas; II - multa simples, de até 2% (dois por cento) do faturamento da pessoa jurídica de direito privado, grupo ou conglomerado no Brasil no seu último exercício, excluídos os tributos, limitada, no total, a R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais) por infração; III - multa diária, observado o limite total a que se refere o inciso II; IV - publicização da infração após devidamente apurada e confirmada a sua ocorrência; V - bloqueio dos dados pessoais a que se refere a infração até a sua regularização; VI - eliminação dos dados pessoais a que se refere a infração; VII - (VETADO); VIII - (VETADO); IX - (VETADO). X - suspensão parcial do funcionamento do banco de dados a que se refere a infração pelo período máximo de 6 (seis) meses, prorrogável por igual período, até a regularização da atividade de tratamento pelo controlador; 168 XI - suspensão do exercício da atividade de tratamento dos dados pessoais a que se refere a infração pelo período máximo de 6 (seis) meses, prorrogável por igual período; XII - proibição parcial ou total do exercício de atividades relacionadas a tratamento de dados. As sanções serão aplicadas após procedimento administrativo que possibilite a oportunidade da ampla defesa, de forma gradativa, isolada ou cumulativa, de acordo com as peculiaridades do caso concreto e considerados os seguintes parâmetros e critérios: I - a gravidade e a natureza das infrações e dos direitos pessoais afetados; II - a boa-fé do infrator; III - a vantagem auferida ou pretendida pelo infrator; IV - a condição econômica do infrator; V - a reincidência; VI - o grau do dano; VII - a cooperação do infrator; VIII - a adoção reiterada e demonstrada de mecanismose procedimentos internos capazes de minimizar o dano, voltados ao tratamento seguro e adequado de dados, em consonância com o disposto no inciso II do § 2º do art. 48 da LGPD; IX - a adoção de política de boas práticas e governança; X - a pronta adoção de medidas corretivas; e XI - a proporcionalidade entre a gravidade da falta e a intensidade da sanção. A autoridade nacional definirá, por meio de regulamento próprio sobre sanções administrativas a infrações a LGPD, que deverá ser objeto de consulta pública, as metodologias que orientarão o cálculo do valor-base das sanções de multa. As metodologias a que se refere o caput deste artigo devem ser previamente publicadas, para ciência dos agentes de tratamento, e devem apresentar objetivamente as formas e dosimetrias para o cálculo do valor-base das sanções de multa, que deverão conter fundamentação detalhada de todos os seus elementos, demonstrando a observância dos critérios previstos na LGPD. O regulamento de sanções e metodologias correspondentes deve estabelecer as circunstâncias e as condições para a adoção de multa simples ou diária. O valor da sanção de multa diária aplicável às infrações a esta Lei deve observar a gravidade da falta e a extensão do dano ou prejuízo causado e ser fundamentado pela autoridade nacional. A intimação da sanção de multa diária deverá conter, no mínimo, a descrição da obrigação imposta, o prazo razoável e estipulado pelo órgão para o seu cumprimento e o valor da multa diária a ser aplicada pelo seu descumprimento. 169 1.9 Da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e do Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade 1.9.1 Da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) O artigo 55-A da LGPD criou, sem aumento de despesa, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), autarquia de natureza especial, dotada de autonomia técnica e decisória, com patrimônio próprio e com sede no Distrito Federal. A natureza jurídica da ANPD é transitória e poderá ser transformada pelo Poder Executivo em entidade da administração pública federal indireta, submetida a regime autárquico especial e vinculada à Presidência da República. O provimento dos cargos e das funções necessários à criação e à atuação da ANPD está condicionado à expressa autorização física e financeira na lei orçamentária anual e à permissão na lei de diretrizes orçamentárias. Art. 55-C A ANPD é composta de: I - Conselho Diretor, órgão máximo de direção; II - Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade; III - Corregedoria; IV - Ouvidoria; V - órgão de assessoramento jurídico próprio; e VI - unidades administrativas e unidades especializadas necessárias à aplicação do disposto nesta Lei. O Conselho Diretor da ANPD será composto de 5 (cinco) diretores, incluído o Diretor- Presidente. Os membros do Conselho Diretor da ANPD serão escolhidos pelo Presidente da República e por ele nomeados, após aprovação pelo Senado Federal, nos termos da alínea ‘f’ do inciso III do art. 52 da Constituição Federal, e ocuparão cargo em comissão do Grupo- Direção e Assessoramento Superiores - DAS, no mínimo, de nível 5. Os membros do Conselho Diretor serão escolhidos dentre brasileiros que tenham reputação ilibada, nível superior de educação e elevado conceito no campo de especialidade dos cargos para os quais serão nomeados. O mandato dos membros do Conselho Diretor será de 4 (quatro) anos. Os mandatos dos primeiros membros do Conselho Diretor nomeados serão de 2 (dois), de 3 (três), de 4 (quatro), de 5 (cinco) e de 6 (seis) anos, conforme estabelecido no ato de nomeação. 170 Na hipótese de vacância do cargo no curso do mandato de membro do Conselho Diretor, o prazo remanescente será completado pelo sucessor. Os membros do Conselho Diretor somente perderão seus cargos em virtude de renúncia, condenação judicial transitada em julgado ou pena de demissão decorrente de processo administrativo disciplinar. Nos termos do caput deste artigo, cabe ao Ministro de Estado Chefe da Casa Civil da Presidência da República instaurar o processo administrativo disciplinar, que será conduzido por comissão especial constituída por servidores públicos federais estáveis. Compete ao Presidente da República determinar o afastamento preventivo, somente quando assim recomendado pela comissão especial de que trata o § 1º deste artigo, e proferir o julgamento. A estrutura regimental da ANPD, será atribuição de ato do Presidente da República, já o regimento será de atribuição do Conselho Diretor. Até a data de entrada em vigor de sua estrutura regimental, a ANPD receberá o apoio técnico e administrativo da Casa Civil da Presidência da República para o exercício de suas atividades. Os cargos em comissão e as funções de confiança da ANPD serão remanejados de outros órgãos e entidades do Poder Executivo federal. Os ocupantes dos cargos em comissão e das funções de confiança da ANPD serão indicados pelo Conselho Diretor e nomeados ou designados pelo Diretor-Presidente. Compete à ANPD: I - zelar pela proteção dos dados pessoais, nos termos da legislação; II - zelar pela observância dos segredos comercial e industrial, observada a proteção de dados pessoais e do sigilo das informações quando protegido por lei ou quando a quebra do sigilo violar os fundamentos do art. 2º desta Lei; III - elaborar diretrizes para a Política Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade; IV - fiscalizar e aplicar sanções em caso de tratamento de dados realizado em descumprimento à legislação, mediante processo administrativo que assegure o contraditório, a ampla defesa e o direito de recurso; V - apreciar petições de titular contra controlador após comprovada pelo titular a apresentação de reclamação ao controlador não solucionada no prazo estabelecido em regulamentação; VI - promover na população o conhecimento das normas e das políticas públicas sobre proteção de dados pessoais e das medidas de segurança; VII - promover e elaborar estudos sobre as práticas nacionais e internacionais de proteção de dados pessoais e privacidade; VIII - estimular a adoção de padrões para serviços e produtos que facilitem o exercício de controle dos titulares sobre seus dados pessoais, os quais deverão levar em consideração as especificidades das atividades e o porte dos responsáveis; 171 IX - promover ações de cooperação com autoridades de proteção de dados pessoais de outros países, de natureza internacional ou transnacional; X - dispor sobre as formas de publicidade das operações de tratamento de dados pessoais, respeitados os segredos comercial e industrial; XI - solicitar, a qualquer momento, às entidades do poder público que realizem operações de tratamento de dados pessoais informe específico sobre o âmbito, a natureza dos dados e os demais detalhes do tratamento realizado, com a possibilidade de emitir parecer técnico complementar para garantir o cumprimento desta Lei; XII - elaborar relatórios de gestão anuais acerca de suas atividades; XIII - editar regulamentos e procedimentos sobre proteção de dados pessoais e privacidade, bem como sobre relatórios de impacto à proteção de dados pessoais para os casos em que o tratamento representar alto risco à garantia dos princípios gerais de proteção de dados pessoais previstos nesta Lei; XIV - ouvir os agentes de tratamento e a sociedade em matérias de interesse relevante e prestar contas sobre suas atividades e planejamento; XV - arrecadar e aplicar suas receitas epublicar, no relatório de gestão a que se refere o inciso XII do caput deste artigo, o detalhamento de suas receitas e despesas; XVI - realizar auditorias, ou determinar sua realização, no âmbito da atividade de fiscalização de que trata o inciso IV e com a devida observância do disposto no inciso II do caput deste artigo, sobre o tratamento de dados pessoais efetuado pelos agentes de tratamento, incluído o poder público; XVII - celebrar, a qualquer momento, compromisso com agentes de tratamento para eliminar irregularidade, incerteza jurídica ou situação contenciosa no âmbito de processos administrativos, de acordo com o previsto no Decreto-Lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942; XVIII - editar normas, orientações e procedimentos simplificados e diferenciados, inclusive quanto aos prazos, para que microempresas e empresas de pequeno porte, bem como iniciativas empresariais de caráter incremental ou disruptivo que se autodeclarem startups ou empresas de inovação, possam adequar-se a esta Lei; XIX - garantir que o tratamento de dados de idosos seja efetuado de maneira simples, clara, acessível e adequada ao seu entendimento, nos termos desta Lei e da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 (Estatuto do Idoso); XX - deliberar, na esfera administrativa, em caráter terminativo, sobre a interpretação desta Lei, as suas competências e os casos omissos; XXI - comunicar às autoridades competentes as infrações penais das quais tiver conhecimento; XXII - comunicar aos órgãos de controle interno o descumprimento do disposto nesta Lei por órgãos e entidades da administração pública federal; XXIII - articular-se com as autoridades reguladoras públicas para exercer suas competências em setores específicos de atividades econômicas e governamentais sujeitas à regulação; e XXIV - implementar mecanismos simplificados, inclusive por meio eletrônico, para o registro de reclamações sobre o tratamento de dados pessoais em desconformidade com esta Lei. Ao impor condicionantes administrativas ao tratamento de dados pessoais por agente de tratamento privado, sejam eles limites, encargos ou sujeições, a ANPD deve observar a exigência de mínima intervenção, assegurados os fundamentos, os princípios e os direitos dos titulares previstos no art. 170 da Constituição Federal. Os regulamentos e as normas editados pela ANPD devem ser precedidos de consulta e audiência públicas, bem como de análises de impacto regulatório. 172 A ANPD e os órgãos e entidades públicos responsáveis pela regulação de setores específicos da atividade econômica e governamental devem coordenar suas atividades, nas correspondentes esferas de atuação, com vistas a assegurar o cumprimento de suas atribuições com a maior eficiência e promover o adequado funcionamento dos setores regulados, conforme legislação específica, e o tratamento de dados pessoais, na forma desta Lei. A ANPD manterá fórum permanente de comunicação, inclusive por meio de cooperação técnica, com órgãos e entidades da administração pública responsáveis pela regulação de setores específicos da atividade econômica e governamental, a fim de facilitar as competências regulatória, fiscalizatória e punitiva da ANPD. No exercício das competências de que trata o caput do art. 55-J, a autoridade competente deverá zelar pela preservação do segredo empresarial e do sigilo das informações, nos termos da lei. As reclamações colhidas conforme o disposto no inciso V do caput do artigo 55-J da LGPD poderá ser analisado de forma agregada, e as eventuais providências delas decorrentes poderão ser adotadas de forma padronizada. A aplicação das sanções previstas na LGPD compete exclusivamente à ANPD, e suas competências prevalecerão, no que se refere à proteção de dados pessoais, sobre as competências correlatas de outras entidades ou órgãos da administração pública. A ANPD articulará sua atuação com outros órgãos e entidades com competências sancionatórias e normativas afetas ao tema de proteção de dados pessoais e será o órgão central de interpretação desta Lei e do estabelecimento de normas e diretrizes para a sua implementação. Nos termos do art. 55-L da LGPD, constituem receitas da ANPD: I - as dotações, consignadas no orçamento geral da União, os créditos especiais, os créditos adicionais, as transferências e os repasses que lhe forem conferidos; II - as doações, os legados, as subvenções e outros recursos que lhe forem destinados; III - os valores apurados na venda ou aluguel de bens móveis e imóveis de sua propriedade; IV - os valores apurados em aplicações no mercado financeiro das receitas previstas neste artigo; V - (VETADO); VI - os recursos provenientes de acordos, convênios ou contratos celebrados com entidades, organismos ou empresas, públicos ou privados, nacionais ou internacionais; VII - o produto da venda de publicações, material técnico, dados e informações, inclusive para fins de licitação pública. 173 1.9.2 Do Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade Nos termos do art. 58-A da LGPD, o Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade será composto de 23 (vinte e três) representantes, titulares e suplentes, dos seguintes órgãos: I - 5 (cinco) do Poder Executivo federal; II - 1 (um) do Senado Federal; III - 1 (um) da Câmara dos Deputados; IV - 1 (um) do Conselho Nacional de Justiça; V - 1 (um) do Conselho Nacional do Ministério Público; VI - 1 (um) do Comitê Gestor da Internet no Brasil; VII - 3 (três) de entidades da sociedade civil com atuação relacionada a proteção de dados pessoais; VIII - 3 (três) de instituições científicas, tecnológicas e de inovação; IX - 3 (três) de confederações sindicais representativas das categorias econômicas do setor produtivo; X - 2 (dois) de entidades representativas do setor empresarial relacionado à área de tratamento de dados pessoais; e XI - 2 (dois) de entidades representativas do setor laboral. Os representantes serão designados por ato do Presidente da República, permitida a delegação. Os representantes de que tratam os incisos I, II, III, IV, V e VI do caput do art. 58-A da LGPD e seus suplentes serão indicados pelos titulares dos respectivos órgãos e entidades da administração pública. (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) Os representantes de que tratam os incisos VII, VIII, IX, X e XI do caput do art. 58-A da LGPD e seus suplentes: I - serão indicados na forma de regulamento; II - não poderão ser membros do Comitê Gestor da Internet no Brasil; III - terão mandato de 2 (dois) anos, permitida 1 (uma) recondução. A participação no Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade será considerada prestação de serviço público relevante, não remunerada. Nos termos do art. 58-B da LGPD, compete ao Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade: I - propor diretrizes estratégicas e fornecer subsídios para a elaboração da Política Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade e para a atuação da ANPD; II - elaborar relatórios anuais de avaliação da execução das ações da Política Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade; III - sugerir ações a serem realizadas pela ANPD; 174 IV - elaborar estudos e realizar debates e audiências públicas sobre a proteção de dados pessoais e da privacidade; e V - disseminar o conhecimento sobre a proteção de dados pessoais e da privacidade à população. 175 29. Execuçãocontra a Massa Falida | contra a empresa em recuperação judicial | em face da Fazenda Pública | de Contribuição Previdenciária Prof.ª Dra. Cleize Kohls @prof.cleizekohls 1. Execução contra a Massa Falida e a Empresa em Recuperação Judicial Quando se tratar de execução contra a Massa Falida, deve-se observar as disposições da Lei 11.101/05. Destaca-se as seguintes regras: Onde o processo vai tramitar? Art. 6º A decretação da falência ou o deferimento do processamento da recuperação judicial implica: (Redação dada pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) I - suspensão do curso da prescrição das obrigações do devedor sujeitas ao regime desta Lei; (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) II - suspensão das execuções ajuizadas contra o devedor, inclusive daquelas dos credores particulares do sócio solidário, relativas a créditos ou obrigações sujeitos à recuperação judicial ou à falência; (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) III - proibição de qualquer forma de retenção, arresto, penhora, sequestro, busca e apreensão e constrição judicial ou extrajudicial sobre os bens do devedor, oriunda de demandas judiciais ou extrajudiciais cujos créditos ou obrigações sujeitem-se à recuperação judicial ou à falência. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) § 1º Terá prosseguimento no juízo no qual estiver se processando a ação que demandar quantia ilíquida. § 2º É permitido pleitear, perante o administrador judicial, habilitação, exclusão ou modificação de créditos derivados da relação de trabalho, mas as ações de natureza trabalhista, inclusive as impugnações a que se refere o art. 8º desta Lei, serão processadas perante a justiça especializada até a apuração do respectivo crédito, que será inscrito no quadro-geral de credores pelo valor determinado em sentença. § 3º O juiz competente para as ações referidas nos §§ 1º e 2º deste artigo poderá determinar a reserva da importância que estimar devida na recuperação judicial ou na falência, e, uma vez reconhecido líquido o direito, será o crédito incluído na classe própria. § 4º Na recuperação judicial, as suspensões e a proibição de que tratam os incisos I, II e III do caput deste artigo perdurarão pelo prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contado do deferimento do processamento da recuperação, prorrogável por igual período, uma única vez, em caráter excepcional, desde que o devedor não haja concorrido com a superação do lapso temporal. 176 Qual o prazo para pagamento dos créditos trabalhista quando há recuperação judicial? Art. 54. O plano de recuperação judicial não poderá prever prazo superior a 1 (um) ano para pagamento dos créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho vencidos até a data do pedido de recuperação judicial. Como são pagos os créditos na falência? Quadro geral de credores. Art. 83. A classificação dos créditos na falência obedece à seguinte ordem: I - os créditos derivados da legislação trabalhista, limitados a 150 (cento e cinquenta) salários-mínimos por credor, e aqueles decorrentes de acidentes de trabalho; (Redação dada pela Lei nº 14.112, de 2020) Art. 151. Os créditos trabalhistas de natureza estritamente salarial vencidos nos 3 (três) meses anteriores à decretação da falência, até o limite de 5 (cinco) salários-mínimos por trabalhador, serão pagos tão logo haja disponibilidade em caixa. 2. Execução contra a Fazenda Pública: Precatório e Requisição de Pequeno Valor A execução em face da Fazenda Pública segue regras diferentes, pois seus pagamentos são feitos por precatórios e RPVs, conforme art. 100 da CF, não havendo necessidade de garantia do juízo para embargar. Art. 100. Os pagamentos devidos pelas Fazendas Públicas Federal, Estaduais, Distrital e Municipais, em virtude de sentença judiciária, far-se-ão exclusivamente na ordem cronológica de apresentação dos precatórios e à conta dos créditos respectivos, proibida a designação de casos ou de pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para este fim. § 1º Os débitos de natureza alimentícia compreendem aqueles decorrentes de salários, vencimentos, proventos, pensões e suas complementações, benefícios previdenciários e indenizações por morte ou por invalidez, fundadas em responsabilidade civil, em virtude de sentença judicial transitada em julgado, e serão pagos com preferência sobre todos os demais débitos, exceto sobre aqueles referidos no § 2º deste artigo. O ADCT estabelece que: Art. 87. Para efeito do que dispõem o § 3º do art. 100 da Constituição Federal e o art. 78 deste Ato das Disposições Constitucionais Transitórias serão considerados de pequeno valor, até que se dê a publicação oficial das respectivas leis definidoras pelos entes da Federação, observado o disposto no § 4º do art. 100 da Constituição Federal, os débitos ou obrigações consignados em precatório judiciário, que tenham valor igual ou inferior a: I - quarenta salários-mínimos, perante a Fazenda dos Estados e do Distrito Federal; II - trinta salários-mínimos, perante a Fazenda dos Municípios. Parágrafo único. Se o valor da execução ultrapassar o estabelecido neste artigo, o pagamento far-se-á, sempre, por meio de precatório, sendo facultada à parte exeqüente a renúncia ao crédito do valor excedente, para que possa optar pelo pagamento do saldo sem o precatório, da forma prevista no § 3º do art. 100. 177 Ademais, o prazo para embargos será de 30 dias, conforme tema 137 do STF e art. -B da Lei 9494/97. 3. Execução das Contribuições Previdenciárias A Justiça do Trabalho executará, de ofício, as contribuições sociais previstas na alínea a do inciso I e no inciso II do caput do art. 195 da Constituição Federal, e seus acréscimos legais, relativas ao objeto da condenação constante das sentenças que proferir e dos acordos que homologar. (parágrafo único do art. 876 da CLT). 178agravo interno e agravo regimental, é de oito dias (art. 6º da Lei nº 5.584/70 e art. 893 da CLT), exceto embargos de declaração (CLT, art. 897-A). 19 DIFERENÇAS CLT CPC PRAZOS PARA RECURSOS 8 DIAS PRAZOS PARA RECURSOS 15 DIAS AGRAVO DE INSTRUMENTO – DESTRANCA RECURSOS AGRAVO DE INSTRUMENTO – DECISÃO INTERLOCUTÓRIA CONTESTAÇÃO - AUDIÊNCIA CONTESTAÇÃO APÓS A AUDIÊNCIA – 15 DIAS HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA 5%-15% HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA – 10%-20% DEPÓSITO PRÉVIO DA AÇÃO RESCISÓRIA – 20% DEPÓSITO PRÉVIO DA AÇÃO RESCISÓRIA – 5% EMBARGOS À EXECUÇÃO – GARANTIA DO JUÍZO EMBARGOS À EXECUÇÃO – NÃO PRECISAGARANTIA DO JUÍZO 20 04. Empregados Especiais Prof. Luiz Henrique Dutra @prof.luiz.henrique 1. Bancários (art. 224 à 226 da CLT) A jornada de trabalho do empregado que presta serviços para as instituições financeiras bancárias é de seis horas diárias. Por conta disso, a jornada semanal é de 30 horas, confira o quadro abaixo: Art. 224 - A duração normal do trabalho dos empregados em bancos, casas bancárias e Caixa Econômica Federal será de 6 (seis) horas continuas nos dias úteis, com exceção dos sábados, perfazendo um total de 30 (trinta) horas de trabalho por semana. (Redação dada pela Lei nº 7.430, de 17.12.1985) § 1º A duração normal do trabalho estabelecida neste artigo ficará compreendida entre sete e vinte e duas horas, assegurando-se ao empregado, no horário diário, um intervalo de quinze minutos para alimentação. (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 229, de 28.2.1967) § 2º As disposições dêste artigo não se aplicam aos que exercem funções de direção, gerência, fiscalização, chefia e equivalentes ou que desempenhem outros cargos de confiança desde que o valor da gratificação não seja inferior a um terço do salário do cargo efetivo. (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 754, de 1969) Art. 225 - A duração normal de trabalho dos bancários poderá ser excepcionalmente prorrogada até 8 (oito) horas diárias, não excedendo de 40 (quarenta) horas semanais, observados os preceitos gerais sobre a duração do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 6.637, de 8.5.1979) Art. 226 - O regime especial de 6 (seis) horas de trabalho também se aplica aos empregados de portaria e de limpeza, tais como porteiros, telefonistas de mesa, contínuos e serventes, empregados em bancos e casas bancárias. (Redação dada pela Lei nº 3.488, de 12.12.1958) Parágrafo único - A direção de cada banco organizará a escala de serviço do estabelecimento de maneira a haver empregados do quadro da portaria em função, meia hora antes e até meia hora após o encerramento dos trabalhos, respeitado o limite de 6 (seis) horas diárias. (Incluído pela Lei nº 3.488, de 12.12.1958) 21 ATENÇÃO: O Gerente Geral de Agência não possui controle de jornada (art. 62, II da CLT). Já o Gerente de Agência sim, tendo inclusive direito às horas extras excedentes a 8ª hora diária (art. 224, §2º da CLT). É o entendimento da Súmula 287 do TST: Súmula nº 287 do TST - JORNADA DE TRABALHO. GERENTE BANCÁRIO A jornada de trabalho do empregado de banco gerente de agência é regida pelo art. 224, § 2º, da CLT. Quanto ao gerente-geral de agência bancária, presume-se o exercício de encargo de gestão, aplicando-se lhe o art. 62 da CLT. Por fim, destaca-se o disposto na Súmula 102 do TST, que regula o exercício de cargo de confiança do bancário. Súmula n. 102 do TST. Bancário. Cargo de confiança. I - A configuração, ou não, do exercício da função de confiança a que se refere o art. 224, § 2º, da CLT, dependente da prova das reais atribuições do empregado, é insuscetível de exame mediante recurso de revista ou de embargos. II - O bancário que exerce a função a que se refere o § 2º do art. 224 da CLT e recebe gratificação não inferior a um terço de seu salário já tem remuneradas as duas horas extraordinárias excedentes de seis. III - Ao bancário exercente de cargo de confiança previsto no artigo 224, § 2º, da CLT são devidas as 7ª e 8ª horas, como extras, no período em que se verificar o pagamento a menor da gratificação de 1/3. IV - O bancário sujeito à regra do art. 224, § 2º, da CLT cumpre jornada de trabalho de 8 (oito) horas, sendo extraordinárias as trabalhadas além da oitava. V - O advogado empregado de banco, pelo simples exercício da advocacia, não exerce cargo de confiança, não se enquadrando, portanto, na hipótese do § 2º do art. 224 da CLT. VI - O caixa bancário, ainda que caixa executivo, não exerce cargo de confiança. Se perceber gratificação igual ou superior a um terço do salário do posto efetivo, essa remunera apenas a maior responsabilidade do cargo e não as duas horas extraordinárias além da sexta. VII - O bancário exercente de função de confiança, que percebe a gratificação não inferior ao terço legal, ainda que norma coletiva contemple percentual superior, não tem direito a sétima e oitava hora como extras, mas tão somente às diferenças de gratificação de função, se postuladas. Temos ainda os chamados BANCÁRIOS POR EQUIPARAÇÃO. As empresas financeiras e de processamento de dados que prestam serviços aos bancos também são equiparadas aos estabelecimentos bancários, para efeito de fixação da jornada normal de trabalho, conforme dispõem as Súmulas n.º 55 e 239 do TST: 22 Súmula nº 55 do TST - FINANCEIRAS (mantida) As empresas de crédito, financiamento ou investimento, também denominadas financeiras, equiparam-se aos estabelecimentos bancários para os efeitos do art. 224 da CLT. Súmula nº 239 do TST - BANCÁRIO. EMPREGADO DE EMPRESA DE PROCESSAMENTO DE DADOS (incorporadas as Orientações Jurisprudenciais nºs 64 e 126 da SBDI-1) É bancário o empregado de empresa de processamento de dados que presta serviço a banco integrante do mesmo grupo econômico, exceto quando a empresa de processamento de dados presta serviços a banco e a empresas não bancárias do mesmo grupo econômico ou a terceiros. Já não ocorre o mesmo com os empregados de empresas distribuidoras e corretoras de título e de cooperativas de crédito, conforme explicita a Súmula n. 119 e a OJ n. 379 da SDI-1 do TST: Súmula nº 119 do TST - JORNADA DE TRABALHO (mantida) Os empregados de empresas distribuidoras e corretoras de títulos e valores mobiliários não têm direito à jornada especial dos bancários. OJ N. 379 SBDI-1 DO TST - EMPREGADO DE COOPERATIVA DE CRÉDITO. BANCÁRIO. EQUIPARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os empregados de cooperativas de crédito não se equiparam a bancário, para efeito de aplicação do art. 224 da CLT, em razão da inexistência de expressa previsão legal, considerando, ainda, as diferenças estruturais e operacionais entre as instituições financeiras e as cooperativas de crédito. Inteligência das Leis n.os 4.594, de 29.12.1964, e 5.764, de 16.12.1971. 2. Telefonistas (art. 227 à 231 da CLT) Nas empresas que explorem os serviços de telefonia, telegrafia submarina ou subfluvial, da radiotelegrafia ou de radiotelefonia, fica estabelecida para os respectivos operadores a duração máxima de seis horas contínuas de trabalho por dias ou trinta e seis horas semanais. EM SÍNTESE: • Jornada 6 horas diárias e 36 horas semanais; • Horários variáveis – Jornada máxima de 7 horas diárias; • Para cada 3 horas de trabalho deve ter um descanso de 20 minutos. Art. 227 da CLT - Nas empresas que explorem o serviço de telefonia, telegrafia submarina ou subfluvial, de radiotelegrafia ou de radiotelefonia, fica estabelecida para os respectivos operadores a duração máxima de seis horas contínuas de trabalho por dia ou 36 (trinta e seis) horas semanais. 23 § 1º - Quando, em caso de indeclinável necessidade, forem os operadores obrigados a permanecer em serviço além do período normal fixado neste artigo, a empresa pagar- lhes-á extraordinariamente o tempo excedente com acréscimode 50% (cinquenta por cento) sobre o seu salário-hora normal. § 2º - O trabalho aos domingos, feriados e dias santos de guarda será considerado extraordinário e obedecerá, quanto à sua execução e remuneração, ao que dispuserem empregadores e empregados em acordo, ou os respectivos sindicatos em contrato coletivo de trabalho. Art. 228 da CLT- Os operadores não poderão trabalhar, de modo ininterrupto, na transmissão manual, bem como na recepção visual, auditiva, com escrita manual ou datilográfica, quando a velocidade for superior a 25 (vinte e cinco) palavras por minuto. Art. 230 da CLT - A direção das empresas deverá organizar as turmas de empregados, para a execução dos seus serviços, de maneira que prevaleça sempre o revezamento entre os que exercem a mesma função, quer em escalas diurnas, quer em noturnas. § 1º - Aos empregados que exerçam a mesma função será permitida, entre si, a troca de turmas, desde que isso não importe em prejuízo dos serviços, cujo chefe ou encarregado resolverá sobre a oportunidade ou possibilidade dessa medida, dentro das prescrições desta Seção. § 2º - As empresas não poderão organizar horários que obriguem os empregados a fazer a refeição do almoço antes das 10 (dez) e depois das 13 (treze) horas e a de jantar antes das 16 (dezesseis) e depois das 19:30 (dezenove e trinta) horas. Art. 231 da CLT - As disposições desta Seção não abrangem o trabalho dos operadores de radiotelegrafia embarcados em navios ou aeronaves. ATENÇÃO: É aplicável à telefonista de mesa de empresa que não explora o serviço de telefonia o que está disposto no artigo 227 e seus parágrafos da CLT. Súmula nº 178 do TST - TELEFONISTA. ART. 227, E PARÁGRAFOS, DA CLT. APLICABILIDADE É aplicável à telefonista de mesa de empresa que não explora o serviço de telefonia o disposto no art. 227, e seus parágrafos, da CLT. Telefonista com horários variáveis: Fica estabelecida a duração máxima de sete horas diárias de trabalho e dezessete horas de folga, deduzindo-se deste tempo vinte minutos para descanso, de cada um dos empregados, sempre que se verificar um esforço contínuo de mais de três horas. Art. 229 da CLT - Para os empregados sujeitos a horários variáveis, fica estabelecida a duração máxima de 7 (sete) horas diárias de trabalho e 17 (dezessete) horas de folga, deduzindo- se deste tempo 20 (vinte) minutos para descanso, de cada um dos empregados, sempre que se verificar um esforço contínuo de mais de 3 (três) horas. § 1º - São considerados empregados sujeitos a horários variáveis, além dos operadores, cujas funções exijam classificação distinta, os que pertençam a seções de técnica, telefones, revisão, expedição, entrega e balcão. § 2º - Quanto à execução e remuneração aos domingos, feriados e dias santos de guarda e às prorrogações de expediente, o trabalho dos empregados a que se refere o parágrafo anterior será regido pelo que se contém no § 1º do art. 227 desta Seção 24 3. Músicos (Lei nº 3.857/1960 e art. 232 à 233 da CLT) Se trabalhar em teatro e congêneres terá jornada de 6 horas diárias. Art. 232 da CLT - Será de seis horas a duração de trabalho dos músicos em teatro e congêneres. Parágrafo único. Toda vez que o trabalho contínuo em espetáculo ultrapassar de seis horas, o tempo de duração excedente será pago com um acréscimo de 25 % (vinte e cinco por cento) sobre o salário da hora normal. Art. 233 da CLT - A duração normal de trabalho dos músicos profissionais poderá ser elevada até oito horas diárias, observados os preceitos gerais sobre duração do trabalho. 4. Dos operadores cinematográficos (art. 234 à 235 da CLT) A duração normal do trabalho dos operadores cinematográficos e seus ajudantes não excederão 6 horas diárias, sendo 5 horas de gravação e 1 hora para ajustes dos equipamentos. Art. 234 da CLT - A duração normal do trabalho dos operadores cinematográficos e seus ajudantes não excederá de seis horas diárias, assim distribuídas: a) 5 (cinco) horas consecutivas de trabalho em cabina, durante o funcionamento cinematográfico; b) 1 (um) período suplementar, até o máximo de 1 (uma) hora para limpeza, lubrificação dos aparelhos de projeção, ou revisão de filmes. Art. 235 da CLT- Nos estabelecimentos cujo funcionamento normal seja noturno, será facultado aos operadores cinematográficos e seus ajudantes, mediante acordo ou contrato coletivo de trabalho e com um acréscimo de 25% (vinte e cinco por cento) sobre o salário da hora normal, executar o trabalho em sessões diurnas extraordinárias e, cumulativamente, nas noturnas, desde que isso se verifique até 3 (três) vezes por semana e entre as sessões diurnas e as noturnas haja o intervalo de 1 (uma) hora, no mínimo, de descanso. § 1º - A duração de trabalho cumulativo a que alude o presente artigo não poderá exceder de 10 (dez) horas. § 2º - Em seguida a cada período de trabalho haverá um intervalo de repouso no mínimo de 12 (doze) horas. 5. Dos motoristas profissionais (art. 235-A à 235-H da CLT) O Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucionais 11 pontos da Lei dos Caminhoneiros (Lei 13.103/2015), referentes a jornada de trabalho, pausas para descanso e repouso semanal. Outros pontos da lei, contudo, foram validados, como a exigência de exame toxicológico de motoristas profissionais. A decisão, por maioria, foi tomada no julgamento da 25 Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5322, ajuizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes (CNTT). 5.1 Fracionamento de períodos de descanso Foram considerados inconstitucionais os dispositivos que admitem a redução do período mínimo de descanso, mediante seu fracionamento, e sua coincidência com os períodos de parada obrigatória do veículo estabelecidos pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Segundo o relator, ministro Alexandre de Moraes, o descanso entre jornadas diárias, além do aspecto da recuperação física, afeta diretamente a segurança rodoviária, uma vez que permite ao motorista manter seu nível de concentração e cognição na condução do veículo. Ainda foram declarados inconstitucionais outros dispositivos que tratam do descanso entre jornadas e entre viagens. No mesmo sentido, o fracionamento e acúmulo do descanso semanal foi invalidado por falta de amparo constitucional. “O descanso tem relação direta com a saúde do trabalhador, constituindo parte de direito social indisponível”, explicou o relator. 5.2 Tempo de espera O Plenário também derrubou ponto da lei que excluía da jornada de trabalho e do cômputo de horas extras o tempo em que o motorista ficava esperando pela carga ou pela descarga do veículo nas dependências do embarcador ou do destinatário e o período gasto com a fiscalização da mercadoria. Para o relator, a inversão de tratamento do instituto do tempo de espera representa uma descaracterização da relação de trabalho, além de causar prejuízo direto ao trabalhador, porque prevê uma forma de prestação de serviço que não é computada na jornada diária normal nem considerada jornada extraordinária. Segundo o ministro, o motorista está à disposição do empregador durante o tempo de espera, e a retribuição devida por força do contrato de trabalho não poderia se dar em forma de 'indenização', por se tratar de tempo efetivo de serviço. 5.3 Descanso em movimento A possibilidade de descanso com o veículo em movimento, quando dois motoristas trabalharem em revezamento, foi invalidada. “Não há como se imaginar o devido descanso do trabalhador em um veículo em movimento, que, muitas das vezes, sequer possui acomodação adequada”, afirmou o relator, lembrando a precariedade de boa parte das estradas brasileiras. 26 “Problemas de trepidação do veículo, buracos nas estradas, ausência de pavimentação nas rodovias, barulho do motor, etc., são situações que agravariam a tranquilidade que o trabalhador necessitaria para um repouso completo”.Art. 235-A. Os preceitos especiais desta Seção aplicam-se ao motorista profissional empregado: I - de transporte rodoviário coletivo de passageiros; II - de transporte rodoviário de cargas. Art. 235-B. São deveres do motorista profissional empregado: I - estar atento às condições de segurança do veículo; II - conduzir o veículo com perícia, prudência, zelo e com observância aos princípios de direção defensiva; III - respeitar a legislação de trânsito e, em especial, as normas relativas ao tempo de direção e de descanso controlado e registrado na forma do previsto no art. 67-E da Lei no 9.503, de 23 de setembro de 1997 - Código de Trânsito Brasileiro; IV - zelar pela carga transportada e pelo veículo; V - colocar-se à disposição dos órgãos públicos de fiscalização na via pública; VI - (VETADO); VII - submeter-se a exames toxicológicos com janela de detecção mínima de 90 (noventa) dias e a programa de controle de uso de droga e de bebida alcoólica, instituído pelo empregador, com sua ampla ciência, pelo menos uma vez a cada 2 (dois) anos e 6 (seis) meses, podendo ser utilizado para esse fim o exame obrigatório previsto na Lei no 9.503, de 23 de setembro de 1997 - Código de Trânsito Brasileiro, desde que realizado nos últimos 60 (sessenta) dias. Parágrafo único. A recusa do empregado em submeter-se ao teste ou ao programa de controle de uso de droga e de bebida alcoólica previstos no inciso VII será considerada infração disciplinar, passível de penalização nos termos da lei. Art. 235-C. A jornada diária de trabalho do motorista profissional será de 8 (oito) horas, admitindo-se a sua prorrogação por até 2 (duas) horas extraordinárias ou, mediante previsão em convenção ou acordo coletivo, por até 4 (quatro) horas extraordinárias. § 1º Será considerado como trabalho efetivo o tempo em que o motorista empregado estiver à disposição do empregador, excluídos os intervalos para refeição, repouso e descanso e o tempo de espera. (VIDE ADI 5322 – CONSIDEROU INCONTITUCIONAL) § 2º Será assegurado ao motorista profissional empregado intervalo mínimo de 1 (uma) hora para refeição, podendo esse período coincidir com o tempo de parada obrigatória na condução do veículo estabelecido pela Lei no 9.503, de 23 de setembro de 1997 - Código de Trânsito Brasileiro, exceto quando se tratar do motorista profissional enquadrado no § 5o do art. 71 desta Consolidação. § 3º Dentro do período de 24 (vinte e quatro) horas, são asseguradas 11 (onze) horas de descanso, sendo facultados o seu fracionamento e a coincidência com os períodos de parada obrigatória na condução do veículo estabelecida pela Lei no 9.503, de 23 de setembro de 1997 - Código de Trânsito Brasileiro, garantidos o mínimo de 8 (oito) horas ininterruptas no primeiro período e o gozo do remanescente dentro das 16 (dezesseis) horas seguintes ao fim do primeiro período (VIDE ADI 5322 – CONSIDEROU INCONTITUCIONAL) § 4º Nas viagens de longa distância, assim consideradas aquelas em que o motorista profissional empregado permanece fora da base da empresa, matriz ou filial e de sua residência por mais de 24 (vinte e quatro) horas, o repouso diário pode ser feito no veículo ou em alojamento do empregador, do contratante do transporte, do embarcador ou do destinatário ou em outro local que ofereça condições adequadas. § 5º As horas consideradas extraordinárias serão pagas com o acréscimo estabelecido na Constituição Federal ou compensadas na forma do § 2o do art. 59 desta Consolidação. § 6º À hora de trabalho noturno aplica-se o disposto no art. 73 desta Consolidação. 27 § 7º (VETADO). § 8º São considerados tempo de espera as horas em que o motorista profissional empregado ficar aguardando carga ou descarga do veículo nas dependências do embarcador ou do destinatário e o período gasto com a fiscalização da mercadoria transportada em barreiras fiscais ou alfandegárias, não sendo computados como jornada de trabalho e nem como horas extraordinárias. (VIDE ADI 5322 – CONSIDEROU INCONTITUCIONAL) § 9º As horas relativas ao tempo de espera serão indenizadas na proporção de 30% (trinta por cento) do salário-hora normal. (VIDE ADI 5322 – CONSIDEROU INCONTITUCIONAL) § 10. Em nenhuma hipótese, o tempo de espera do motorista empregado prejudicará o direito ao recebimento da remuneração correspondente ao salário-base diário. § 11. Quando a espera de que trata o § 8o for superior a 2 (duas) horas ininterruptas e for exigida a permanência do motorista empregado junto ao veículo, caso o local ofereça condições adequadas, o tempo será considerado como de repouso para os fins do intervalo de que tratam os §§ 2º e 3º, sem prejuízo do disposto no § 9º. § 12. Durante o tempo de espera, o motorista poderá realizar movimentações necessárias do veículo, as quais não serão consideradas como parte da jornada de trabalho, ficando garantido, porém, o gozo do descanso de 8 (oito) horas ininterruptas aludido no § 3º. (VIDE ADI 5322 – CONSIDEROU INCONTITUCIONAL) § 13. Salvo previsão contratual, a jornada de trabalho do motorista empregado não tem horário fixo de início, de final ou de intervalos. § 14. O empregado é responsável pela guarda, preservação e exatidão das informações contidas nas anotações em diário de bordo, papeleta ou ficha de trabalho externo, ou no registrador instantâneo inalterável de velocidade e tempo, ou nos rastreadores ou sistemas e meios eletrônicos, instalados nos veículos, normatizados pelo Contran, até que o veículo seja entregue à empresa. § 15. Os dados referidos no § 14 poderão ser enviados a distância, a critério do empregador, facultando-se a anexação do documento original posteriormente. § 16. Aplicam-se as disposições deste artigo ao ajudante empregado nas operações em que acompanhe o motorista. § 17. O disposto no caput deste artigo aplica-se também aos operadores de automotores destinados a puxar ou a arrastar maquinaria de qualquer natureza ou a executar trabalhos de construção ou pavimentação e aos operadores de tratores, colheitadeiras, autopropelidos e demais aparelhos automotores destinados a puxar ou a arrastar maquinaria agrícola ou a executar trabalhos agrícolas. Art. 235-D. Nas viagens de longa distância com duração superior a 7 (sete) dias, o repouso semanal será de 24 (vinte e quatro) horas por semana ou fração trabalhada, sem prejuízo do intervalo de repouso diário de 11 (onze) horas, totalizando 35 (trinta e cinco) horas, usufruído no retorno do motorista à base (matriz ou filial) ou ao seu domicílio, salvo se a empresa oferecer condições adequadas para o efetivo gozo do referido repouso. (VIDE ADI 5322 – CONSIDEROU INCONTITUCIONAL) I – revogado; II – revogado; III – revogado. § 1º É permitido o fracionamento do repouso semanal em 2 (dois) períodos, sendo um destes de, no mínimo, 30 (trinta) horas ininterruptas, a serem cumpridos na mesma semana e em continuidade a um período de repouso diário, que deverão ser usufruídos no retorno da viagem. (VIDE ADI 5322 – CONSIDEROU INCONTITUCIONAL) § 2º A cumulatividade de descansos semanais em viagens de longa distância de que trata o caput fica limitada ao número de 3 (três) descansos consecutivos. (VIDE ADI 5322 – CONSIDEROU INCONTITUCIONAL) § 3º O motorista empregado, em viagem de longa distância, que ficar com o veículo parado após o cumprimento da jornada normal ou das horas extraordinárias fica dispensado do serviço, exceto se for expressamente autorizada a sua permanência junto ao veículo pelo empregador, hipótese em que o tempo será considerado de espera. 28 § 4º Não será considerado como jornada de trabalho, nem ensejará o pagamento de qualquer remuneração, o período em que o motorista empregado ou o ajudante ficarem espontaneamente no veículo usufruindo dos intervalos de repouso. § 5º Nos casos em que o empregador adotar 2 (dois) motoristas trabalhandono mesmo veículo, o tempo de repouso poderá ser feito com o veículo em movimento, assegurado o repouso mínimo de 6 (seis) horas consecutivas fora do veículo em alojamento externo ou, se na cabine leito, com o veículo estacionado, a cada 72 (setenta e duas) horas. (VIDE ADI 5322 – CONSIDEROU INCONTITUCIONAL) § 6º Em situações excepcionais de inobservância justificada do limite de jornada de que trata o art. 235-C, devidamente registradas, e desde que não se comprometa a segurança rodoviária, a duração da jornada de trabalho do motorista profissional empregado poderá ser elevada pelo tempo necessário até o veículo chegar a um local seguro ou ao seu destino. § 7º Nos casos em que o motorista tenha que acompanhar o veículo transportado por qualquer meio onde ele siga embarcado e em que o veículo disponha de cabine leito ou a embarcação disponha de alojamento para gozo do intervalo de repouso diário previsto no § 3o do art. 235-C, esse tempo será considerado como tempo de descanso. § 8º Para o transporte de cargas vivas, perecíveis e especiais em longa distância ou em território estrangeiro poderão ser aplicadas regras conforme a especificidade da operação de transporte realizada, cujas condições de trabalho serão fixadas em convenção ou acordo coletivo de modo a assegurar as adequadas condições de viagem e entrega ao destino final Art. 235-E. Para o transporte de passageiros, serão observados os seguintes dispositivos: I - é facultado o fracionamento do intervalo de condução do veículo previsto na Lei no 9.503, de 23 de setembro de 1997 - Código de Trânsito Brasileiro, em períodos de no mínimo 5 (cinco) minutos; II - será assegurado ao motorista intervalo mínimo de 1 (uma) hora para refeição, podendo ser fracionado em 2 (dois) períodos e coincidir com o tempo de parada obrigatória na condução do veículo estabelecido pela Lei no 9.503, de 23 de setembro de 1997 - Código de Trânsito Brasileiro, exceto quando se tratar do motorista profissional enquadrado no § 5o do art. 71 desta Consolidação; III - nos casos em que o empregador adotar 2 (dois) motoristas no curso da mesma viagem, o descanso poderá ser feito com o veículo em movimento, respeitando-se os horários de jornada de trabalho, assegurado, após 72 (setenta e duas) horas, o repouso em alojamento externo ou, se em poltrona correspondente ao serviço de leito, com o veículo estacionado. § 1º a 12 (Revogados). (VIDE ADI 5322 – CONSIDEROU INCONTITUCIONAL) Art. 235-F. Convenção e acordo coletivo poderão prever jornada especial de 12 (doze) horas de trabalho por 36 (trinta e seis) horas de descanso para o trabalho do motorista profissional empregado em regime de compensação. Art. 235-G. É permitida a remuneração do motorista em função da distância percorrida, do tempo de viagem ou da natureza e quantidade de produtos transportados, inclusive mediante oferta de comissão ou qualquer outro tipo de vantagem, desde que essa remuneração ou comissionamento não comprometa a segurança da rodovia e da coletividade ou possibilite a violação das normas previstas nesta Lei. Art. 235-H. (Revogado). 29 EM SÍNTESE: Jornada de 8 horas diárias, com prorrogação de 2 horas diárias ou 4 horas (se houver previsão no instrumento normativo); • A partir do julgamento da ADI 5322, tempo de espera passou a ser considerado tempo à disposição; • Salvo previsão contratual, não tem o motorista horário fixo de entrada e saída do serviço. 6. Minas e Subsolo (art. 293 a 295 da CLT) A duração normal do trabalho efetivo no subsolo poderá ser elevada até 8 horas diárias ou 48 horas semanais, mediante acordo escrito entre empregado e empregador ou contrato coletivo de trabalho, sujeita essa prorrogação à prévia licença da autoridade competente em matéria de higiene do trabalho. Art. 293 da CLT - A duração normal do trabalho efetivo para os empregados em minas no subsolo não excederá de 6 (seis) horas diárias ou de 36 (trinta e seis) semanais. Art. 294 da CLT - O tempo despendido pelo empregado da boca da mina ao local do trabalho e vice-versa será computado para o efeito de pagamento do salário. Art. 295 da CLT - A duração normal do trabalho efetivo no subsolo poderá ser elevada até 8 (oito) horas diárias ou 48 (quarenta e oito) semanais, mediante acordo escrito entre empregado e empregador ou contrato coletivo de trabalho, sujeita essa prorrogação à prévia licença da autoridade competente em matéria de higiene do trabalho. Art 296 da CLT - A remuneração da hora prorrogada será no mínimo de 25% (vinte e cinco por cento) superior à da hora normal e deverá constar do acordo ou contrato coletivo de trabalho. Art. 298 - Em cada período de 3 (três) horas consecutivas de trabalho, será obrigatória uma pausa de 15 (quinze) minutos para repouso, a qual será computada na duração normal de trabalho efetivo. EM SÍNTESE: • Regra geral: Jornada de 6 horas diárias e 36 horas semanais; • O deslocamento da boca da mina ao local de trabalho e vice-versa conta tempo de serviço; • A jornada poderá ser prorrogada para 8 horas diárias, desde que ocorra acréscimo de 25% para 7ª e 8ª hora; • Para cada período de 3 horas, terá direito o empregado a um intervalo de 15 minutos; • Somente pode trabalho com mina de subsolo o maior de 21 anos e menor de 50 anos de idade. 30 7. Dos Jornalistas (art. 302 à 316 da CLT) Jornada de 5 horas diárias, podendo ser aumentada para 7 horas se houver acordo escrito. Art. 302 da CLT - Os dispositivos da presente Seção se aplicam aos que nas empresas jornalísticas prestem serviços como jornalistas, revisores, fotógrafos, ou na ilustração, com as exceções nela previstas. § 1º - Entende-se como jornalista o trabalhador intelectual cuja função se estende desde a busca de informações até a redação de notícias e artigos e a organização, orientação e direção desse trabalho. § 2º - Consideram-se empresas jornalísticas, para os fins desta Seção, aquelas que têm a seu cargo a edição de jornais, revistas, boletins e periódicos, ou a distribuição de noticiário, e, ainda, a radiodifusão em suas seções destinadas à transmissão de notícias e comentários. Art. 303 da CLT - A duração normal do trabalho dos empregados compreendidos nesta Seção não deverá exceder de 5 (cinco) horas, tanto de dia como à noite. Art. 304 da CLT - Poderá a duração normal do trabalho ser elevada a 7 (sete) horas, mediante acordo escrito, em que se estipule aumento de ordenado, correspondente ao excesso do tempo de trabalho, em que se fixe um intervalo destinado a repouso ou a refeição. Parágrafo único - Para atender a motivos de força maior, poderá o empregado prestar serviços por mais tempo do que aquele permitido nesta Seção. Em tais casos, porém o excesso deve ser comunicado à Divisão de Fiscalização do Departamento Nacional do Trabalho ou às Delegacias Regionais do Ministério do Trabalho, Industria e Comercio, dentro de 5 (cinco) dias, com a indicação expressa dos seus motivos. Art. 305 da CLT - As horas de serviço extraordinário, quer as prestadas em virtude de acordo, quer as que derivam das causas previstas no parágrafo único do artigo anterior, não poderão ser remuneradas com quantia inferior à que resulta do quociente da divisão da importância do salário mensal por 150 (cento e cinqüenta) para os mensalistas, e do salário diário por 5 (cinco) para os diaristas, acrescido de, pelo menos, 25% (vinte e cinco por cento). Art. 306 da CLT - Os dispositivos dos arts. 303, 304 e 305 não se aplicam àqueles que exercem as funções de redator-chefe, secretário, subsecretário, chefe e subchefe de revisão, chefe de oficina, de ilustração e chefe de portaria. Parágrafo único - Não se aplicam, do mesmo modo, os artigos acima referidos aos que se ocuparem unicamente em serviços externos. Art. 307 da CLT - A cada 6 (seis) dias de trabalho efetivo corresponderá1 (um) dia de descanso obrigatório, que coincidirá com o domingo, salvo acordo escrito em contrário, no qual será expressamente estipulado o dia em que se deve verificar o descanso. Art. 308 da CLT - Em seguida a cada período diário de trabalho haverá um intervalo mínimo de 10 (dez) horas, destinado ao repouso. Art. 309 da CLT - Será computado como de trabalho efetivo o tempo em que o empregado estiver à disposição do empregador. 31 8. Dos professores (art. 317 à 323 da CLT) EM SÍNTESE: • Pode o professor trabalhar mais de um turno no mesmo estabelecimento; • Não tem desconto a ausência de 9 dias por motivo de casamento ou falecimento de parente; • No período de férias escolares é garantido o pagamento integral ao professor. Art. 317 da CLT - O exercício remunerado do magistério, em estabelecimentos particulares de ensino, exigirá apenas habilitação legal e registro no Ministério da Educação. Art. 318 da CLT - O professor poderá lecionar em um mesmo estabelecimento por mais de um turno, desde que não ultrapasse a jornada de trabalho semanal estabelecida legalmente, assegurado e não computado o intervalo para refeição. Art. 319 da CLT - Aos professores é vedado, aos domingos, a regência de aulas e o trabalho em exames. Art. 320 da CLT - A remuneração dos professores será fixada pelo número de aulas semanais, na conformidade dos horários. § 1º - O pagamento far-se-á mensalmente, considerando-se para este efeito cada mês constituído de quatro semanas e meia. § 2º - Vencido cada mês, será descontada, na remuneração dos professores, a importância correspondente ao número de aulas a que tiverem faltado. § 3º - Não serão descontadas, no decurso de 9 (nove) dias, as faltas verificadas por motivo de gala ou de luto em consequência de falecimento do cônjuge, do pai ou mãe, ou de filho. Art. 321 da CLT - Sempre que o estabelecimento de ensino tiver necessidade de aumentar o número de aulas marcado nos horários, remunerará o professor, findo cada mês, com uma importância correspondente ao número de aulas excedentes. Art. 322 da CLT - No período de exames e no de férias escolares, é assegurado aos professores o pagamento, na mesma periodicidade contratual, da remuneração por eles percebida, na conformidade dos horários, durante o período de aulas. § 1º - Não se exigirá dos professores, no período de exames, a prestação de mais de 8 (oito) horas de trabalho diário, salvo mediante o pagamento complementar de cada hora excedente pelo preço correspondente ao de uma aula. § 2º No período de férias, não se poderá exigir dos professores outro serviço senão o relacionado com a realização de exames. § 3º - Na hipótese de dispensa sem justa causa, ao término do ano letivo ou no curso das férias escolares, é assegurado ao professor o pagamento a que se refere o caput deste artigo. Art. 323 da CLT - Não será permitido o funcionamento do estabelecimento particular de ensino que não remunere condignamente os seus professores, ou não lhes pague pontualmente a remuneração de cada mês. Parágrafo único - Compete ao Ministério da Educação e Saúde fixar os critérios para a determinação da condigna remuneração devida aos professores bem como assegurar a execução do preceito estabelecido no presente artigo. 32 9. Empregado Rural (Lei nº 5.889/73) O empregado rural com a CF/88 passou a ter equiparação de direito com os empregados urbanos, inclusive no que se refere a prescrição. SÚMULA 196 DO STF - Ainda que exerça atividade rural, o empregado de empresa industrial ou comercial é classificado de acordo com a categoria do empregador. Peculiaridades: a) Aviso-Prévio: O empregado rural quando notificado pelo empregador do aviso-prévio tem direito a redução de 1 dia por semana para buscar novo emprego. b) Intervalo Intrajornada: Será dado de acordo com os usos e costumes da região, não sendo, porém inferior a uma hora no caso de jornada superior a 6 horas diárias. c) Trabalho noturno: Trabalho noturno do empregado rural difere nos seguintes quesitos do trabalhador urbano: *Para todos verem: esquema ** Para ambos conta-se hora cheia (60min). d) Salário utilidade: há possibilidade de pagamento do salário com utilidades, respeitando o seguinte: 20% para moradia e 25% para alimentação. 10. Advogado (Lei nº 8.906/94) Art. 20. A jornada de trabalho do advogado empregado, quando prestar serviço para empresas, não poderá exceder a duração diária de 8 (oito) horas contínuas e a de 40 (quarenta) horas semanais. (Redação dada pela Lei nº 14.365, de 2022) § 1º Para efeitos deste artigo, considera-se como período de trabalho o tempo em que o advogado estiver à disposição do empregador, aguardando ou executando ordens, no HORA NOTURNA DO TRABALHADOR RURAL Lavoura Entre 21h e 5h Pecuária Entre 20h e 4h 33 seu escritório ou em atividades externas, sendo-lhe reembolsadas as despesas feitas com transporte, hospedagem e alimentação. § 2º As horas trabalhadas que excederem a jornada normal são remuneradas por um adicional não inferior a cem por cento sobre o valor da hora normal, mesmo havendo contrato escrito. § 3º As horas trabalhadas no período das vinte horas de um dia até as cinco horas do dia seguinte são remuneradas como noturnas, acrescidas do adicional de vinte e cinco por cento. Art. 21. Nas causas em que for parte o empregador, ou pessoa por este representada, os honorários de sucumbência são devidos aos advogados empregados. Parágrafo único. Os honorários de sucumbência, percebidos por advogado empregado de sociedade de advogados são partilhados entre ele e a empregadora, na forma estabelecida em acordo. OJ n. 403 da SDI-1 do TST - ADVOGADO EMPREGADO. CONTRATAÇÃO ANTERIOR A LEI Nº 8.906, de 04.07.1994. JORNADA DE TRABALHO MANTIDA COM O ADVENTO DA LEI. DEDICAÇÃO EXCLUSIVA. CARACTERIZAÇÃO. O advogado empregado contratado para jornada de 40 horas semanais, antes da edição da Lei nº 8.906, de 04.07.1994, está sujeito ao regime de dedicação exclusiva disposto no art. 20 da referida lei, pelo que não tem direito à jornada de 20 horas semanais ou 4 diárias. 11. Outras espécies de relação de trabalho 11.1 Estágio a) Conceito O estágio é o ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho que visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos que estejam frequentando o ensino regular em instituições de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, de educação especial e dos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos (CAIRO Jr., 2015). A relação, nesse caso, é triangular, com a participação da empresa, do órgão público ou do profissional liberal, denominada de parte concedente; do estudante e da instituição de ensino, mediante ajuste de termo de compromisso. Existe, ainda, a figura dos agentes de integração (Ex. CIEE), que podem ser públicos ou privados, e atuam com o propósito de intermediar a inserção dos estudantes nos estágios oferecidos pelas partes concedentes. (CAIRO Jr., 2015, p. 161). 34 *Para todos verem: esquema b) Requisitos de validade O estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, desde que observados os seguintes requisitos: REQUISITOS DE VALIDADE: • Matrícula e frequência regular do educando no curso; • Celebração de termo de compromisso entre o educando, a parte concedente do estágio e a instituição de ensino; • Compatibilidade entre as atividades desenvolvidas no estágio e aquelas previstas no termo de compromisso; • Acompanhamento efetivo pelo professor orientador da instituição de ensino e por supervisor da parte concedente, comprovado por meios de visto e relatórios obrigatórios. c) Principais obrigações Listam-se as principais obrigações e restrições instituídas pela Lei n. 11. 788/2008, principalmente