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CADERNO DE QUESTÕES 
 AGEPEN MG 
 
 
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que não conseguimos escolher com calma. Medicados como somos (a pressão, a 
gordura, a fadiga, a insônia, o sono, a depressão e a euforia, a solidão e o medo tratados 
a remédio), [...] a alegria, de tanta tensão, nos escapa. [...] 
 Parece que do começo ao fim passamos a vida sendo cobrados: O que você vai ser? O 
que vai estudar? Como? Fracassou em mais um vestibular? [...] Treze anos e ainda não 
ficou? [...] Já precisa trabalhar? Que chatice! E depois: Quarenta anos ganhando tão 
pouco e trabalhando tanto? E não tem aquele carro? Nunca esteve naquele resort? 
 Talvez a gente possa escapar dessas cobranças sendo mais natural, cumprindo 
deveres reais, curtindo a vida sem se atordoar. Nadar contra toda essa correnteza. Ter 
opiniões próprias, amadurecer ajuda. Combater a ânsia por coisas que nem queremos, 
ignorar ofertas no fundo desinteressantes, como roupas ridículas e viagens sem graça, 
isso ajuda. Descobrir o que queremos e podemos é um aprendizado, mas leva algum 
tempo: não é preciso escalar o Himalaia social nem ser uma linda mulher nem um 
homem poderoso. É possível estar contente e ter projetos bem depois dos 40 anos, sem 
um iate, físico perfeito e grande fortuna. Sem cumprir tantas obrigações fúteis e inúteis, 
como nos ordenam os mitos e mentiras de uma sociedade insegura, desorientada, em 
crise. Liberdade não vem de correr atrás de “deveres” impostos de fora, mas de 
construir a nossa existência, para a qual, com todo esse esforço e desgaste, sobra tão 
pouco tempo. Não temos de correr angustiados atrás de modelos que nada têm a ver 
conosco, máscaras, ilusões e melancolia para aguentar a vida, sem liberdade para 
descobrir o que a gente gostaria mesmo de ter feito. 
(LUFT, Lya. Veja, 25/03/09, adaptado) 
As conjunções contribuem para a progressão das ideias e podem estabelecer relações 
semânticas. Nesse sentido, em “não é preciso escalar o Himalaia social nem ser uma linda 
mulher nem um homem poderoso.” (4°§), a conjunção em destaque classifica-se como: 
a) conclusiva 
b) aditiva 
c) explicativa 
d) adversativa 
e) alternativa 
 
Questão 55 
No primeiro parágrafo do texto, a autora lista uma série de “medos”. Todos os termos 
indicados abaixo estão regidos por esse substantivo, EXCETO: 
a) “de não estar bem enquadrados,” 
b) “de não ser suficientemente ricos, magros, musculosos” 
c) “de não ter feito a viagem certa” 
d) “de um clube mais chique,” 
e) “de não ser livres.” 
 
Questão 56 
 
Texto 
A mentirosa liberdade 
 Comecei a escrever um novo livro, sobre os mitos e mentiras que nossa cultura 
expõe em prateleiras enfeitadas, para que a gente enfie esse material na cabeça e, pior, 
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na alma - como se fosse algodão-doce colorido. Com ele chegam os medos que tudo 
isso nos inspira: medo de não estar bem enquadrados, medo de não ser valorizados pela 
turma, medo de não ser suficientemente ricos, magros, musculosos, de não participar da 
melhor balada, de um clube mais chique, de não ter feito a viagem certa nem possuir a 
tecnologia de ponta no celular. Medo de não ser livres. 
 Na verdade, estamos presos numa rede de falsas liberdades. Nunca se falou tanto em 
liberdade, e poucas vezes fomos tão pressionados por exigências absurdas, que 
constituem o que chamo a síndrome do “ter de”. Fala-se em liberdade de escolha, mas 
somos conduzidos pela propaganda como gado para o matadouro, e as opções são tantas 
que não conseguimos escolher com calma. Medicados como somos (a pressão, a 
gordura, a fadiga, a insônia, o sono, a depressão e a euforia, a solidão e o medo tratados 
a remédio), [...] a alegria, de tanta tensão, nos escapa. [...] 
 Parece que do começo ao fim passamos a vida sendo cobrados: O que você vai ser? 
O que vai estudar? Como? Fracassou em mais um vestibular? [...] Treze anos e ainda 
não ficou? [...] Já precisa trabalhar? Que chatice! E depois: Quarenta anos ganhando tão 
pouco e trabalhando tanto? E não tem aquele carro? Nunca esteve naquele resort? 
 Talvez a gente possa escapar dessas cobranças sendo mais natural, cumprindo 
deveres reais, curtindo a vida sem se atordoar. Nadar contra toda essa correnteza. Ter 
opiniões próprias, amadurecer ajuda. Combater a ânsia por coisas que nem queremos, 
ignorar ofertas no fundo desinteressantes, como roupas ridículas e viagens sem graça, 
isso ajuda. Descobrir o que queremos e podemos é um aprendizado, mas leva algum 
tempo: não é preciso escalar o Himalaia social nem ser uma linda mulher nem um 
homem poderoso. É possível estar contente e ter projetos bem depois dos 40 anos, sem 
um iate, físico perfeito e grande fortuna. Sem cumprir tantas obrigações fúteis e inúteis, 
como nos ordenam os mitos e mentiras de uma sociedade insegura, desorientada, em 
crise. Liberdade não vem de correr atrás de “deveres” impostos de fora, mas de 
construir a nossa existência, para a qual, com todo esse esforço e desgaste, sobra tão 
pouco tempo. Não temos de correr angustiados atrás de modelos que nada têm a ver 
conosco, máscaras, ilusões e melancolia para aguentar a vida, sem liberdade para 
descobrir o que a gente gostaria mesmo de ter feito. 
 (LUFT, Lya. Veja, 25/03/09, 
adaptado) 
As conjunções contribuem para a progressão das ideias e podem estabelecer relações 
semânticas. Nesse sentido, em “não é preciso escalar o Himalaia social nem ser uma linda 
mulher nem um homem poderoso.” (4°§), a conjunção em destaque classifica-se como: 
a) conclusiva 
b) aditiva 
c) explicativa 
d) adversativa 
e) alternativa 
 
Questão 57 
 
Texto I 
Rito de Passagem 
 Um dia seu filho se aproxima e diz, assim como quem não quer nada: “Pai, fiz a 
barba”. E, a menos que se trate de um pai desnaturado ou de um barbeiro cansado da 
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profissão, a emoção do pai será inevitável. E será uma complexa emoção essa, um misto 
de assombro, de orgulho, mas também de melancolia. O seu filho, o filhinho que o pai 
carregou nos braços, é um homem. O tempo passou. 
 Barba é importante. Sempre foi. Patriarca bíblico que se prezasse usava barba. Rei 
também. E um fio de barba, ou de bigode, tradicionalmente se constitui numa garantia 
de honra, talvez não aceita pelos cartórios, mas prezada como tal. Fazer a barba é um 
rito de passagem. 
 Como rito de passagem, ele não dura muito. Fazer a barba. No início, é uma 
revelação; logo passa à condição de rotina, e às vezes de rotina aborrecida. Muitos, 
aliás, deixam crescer a barba por causa disto, para se ver livre do barbeador ou da 
lâmina de barbear. Mas, quando seu filho se olha no espelho, e constata que uns poucos 
e esparsos pelos exigem - ou permitem - o ato de barbear-se, ele seguramente vibra de 
satisfação. 
 Nenhum de nós, ao fazer a barba pela primeira vez, pensa que a infância ficou pra 
trás. E, no entanto, é exatamente isto: o rosto que nos mira do espelho já não é mais o 
rosto da criança que fomos. É o rosto do adulto que seremos. E os pelos que a água 
carrega para o ralo da pia levam consigo sonhos e fantasias que não mais voltarão. 
 É bom ter barba? Essa pergunta não tem resposta. Esta pergunta é como a própria 
barba: surge implacavelmente, cresce não importa o que façamos. Cresce mesmo depois 
que expiramos. E muitos de nós expiramos lembrandocertamente o rosto da criança 
que, do fundo do espelho, nos olha sem entender. 
 (SCLIAR, Moacyr et al. Histórias de grandeza e de miséria. Porto Alegre: L&PM, 
2003) 
No trecho “Barba é importante. Sempre foi.” (2°§), o autor apresenta duas afirmações que 
assumem um sentido generalizante, podendo ser entendidas como verdades absolutas. 
Contribuíram para esse valor os seguintes recursos linguísticos: 
a) O substantivo “Barba”, na primeira oração e sua omissão na segunda. 
b) O emprego do adjetivo “importante” e as frases curtas. 
c) O uso do presente do indicativo e do advérbio “sempre”. 
d) A omissão do sujeito e do predicativo na segunda oração. 
e) A construção de períodos simples e a omissão de um dos sujeitos. 
 
Questão 58 
 Aprendendo a pensar 
 (Frei Beto) 
 
 Nosso olhar está impregnado de preconceitos. Uma das miopias que carregamos é 
considerar criança ignorante. Nós, adultos, sabemos; as crianças não sabem. 
 O educador e cientista Glenn Doman se colocou a pergunta: em que fase da vida 
aprendemos as coisas mais importante que sabemos? 
 As coisas mais importantes que todos sabemos é falar, andar, movimentar-se, 
distinguir olfatos, cores, fatores que representam perigo, diferentes sabores etc. Quando 
aprendemos isso? Ora, 90% de tudo que é importante para fazer de nós seres humanos, 
aprendemos entre zero e seis anos, período que Doman considera “a idade do gênio”. 
 Ocorre que a educação não investe nessa idade. Nascemos com 86 bilhões de 
neurônios em nosso cérebro. As sinapses, conexões cerebrais, se dão de maneira 
acelerada nos primeiros anos da vida.

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