Prévia do material em texto
Créditos: Universidade Federal de Pelotas Reitora da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Isabela Fernandes Andrade Pró-Reitor de Extensão e Cultura da UFPel Eraldo dos Santos Pinheiro Pró-Reitora de Ensino da UFPEL Maria de Fátima Cóssio Coordenador do Instituto de Biologia da UFPel Luis Fernando Minello Coordenadora Geral dos Cursos de Serviço em Atendimento Educacional Especializado da UFPel Rita de Cássia Cóssio Moren Rodriguez Coordenadoras Adjuntas dos Cursos de Serviço em Atendimento Educacional Especializado da UFPel Raquel Lüdtke Rita de Cássia Cóssio Moren Rodriguez Equipe de Apoio à Coordenação dos Cursos de Serviço em Atendimento Educacional Especializado da UFPel Francele de Abreu Carlan Lidiane Bilhalva Maria Teresa Nogueira Michele Peper Cerqueira Nádia Porto Verônica Porto Gayer Equipe do Curso de Aperfeiçoamento em Gestão da Educação Especial na Perspectiva Inclusiva Professor(a) Formador(a) Anelise Cóssio Professor(a) Pesquisador(a) Clarissa Bilhalva Giovana Cóssio Supervisor(a) Cleisson Schossler Garcia Secretário(a) Thiago Ribeiro Soares Equipe Técnica dos Cursos de Serviço em Atendimento Educacional Especializado da UFPel Revisor(a) Pedagógico Clarissa Bilhalva e Giovana Cóssio Revisor(a) Linguístico André Rodrigues da Silva Design Educacional Verônica Porto Gayer Design Gráfico Verônica Porto Gayer Diagramação Verônica Porto Gayer Apoio Acessibilidade Maximira Rockemback da Porciuncula Tecnologias de Informação Rogério Matos Produção audiovisual Rogério Matos Streaming Daniel Porto Fábio Nora Tiago Louzada Teles Apoio: SEMESP-MEC Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional Sumário INTRODUÇÃO 6 Avaliação 8 ROTEIRO DE ATIVIDADES 9 DESENHO UNIVERSAL 10 DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM 19 Como Funciona o Currículo Pedagógico no DUA? 22 Diretrizes Para o DUA 2.2 23 CONSIDERAÇÕES FINAIS 64 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 65 https://docs.google.com/document/d/1Gj3Jnk1AVzejwsTBTQGhw0Nr_1BbuMQ3/edit#heading=h.2et92p0 INTRODUÇÃO A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI), N.º 13.146, de 06 de julho de 2015, garante aos alunos com deficiência o acesso e a permanência na escola regular. Portanto, o ensino e a aprendizagem desses alunos relacionam-se à Educação Especial, por meio do Serviço de Atendimento Educacional Especializado (BRASIL, 2015). De acordo com Mantoan (2004), a mudança na perspectiva educacional, que se preocupa em alcançar o sucesso de todos os alunos, e estrutura a educação com base nas suas necessidades individuais, está de fato a implementar a inclusão, pois busca a qualidade do ensino e entende que todos possuem a capacidade de aprender. Dessa forma - e para compreender todos os alunos, sem exceção - algumas estratégias são necessárias para a prática pedagógica na sala de aula, como o DUA (ZERBATO; MENDES, 2018). Com base na Educação Inclusiva, os investigadores do Center for Applied Special Technology1 (CAST), desenvolveram o DUA. Essa metodologia possui como objetivos: potencializar as capacidades e oportunidades de aprendizagem de todos os alunos; e proporcionar metodologias de aprendizagem adequadas, eficientes e ajustadas para a promoção do desenvolvimento de todos os alunos (CAST, 2011). A universalização do acesso à educação propõe mudanças no Projeto Político-Pedagógico, de maneira a abarcar a diversidade presente na sala de aula. Assim, os investigadores Meyer e Rose, do CAST, propuseram a ideia de flexibilidade curricular educacional, de maneira que o processo de 1 Tradução: “Centro de Tecnologia Especial Aplicada”. ensino-aprendizagem seja realizado pelo uso de múltiplos meios, recursos e estratégias (COSTA-RENDERS; AMARA; OLIVEIRA, 2020). Nesse sentido, foram selecionados alguns aspectos positivos a respeito do DUA (Adaptado de MEYER; ROSE; GORDON, 2014): ✔ O DUA propõe a renovação das práticas educativas, propondo um modelo de ensino flexível ao invés da sua padronização, engessamento e imposição; ✔ Os alunos possuem oportunidades de experienciar e explorar o conhecimento de diferentes formas (e. g., vídeos, áudios, escrita, performance, entre outros). ✔ O DUA propõe que as aprendizagens sejam relacionadas aos contextos naturais, permitindo a compreensão de como se aplicar na realidade de cada aluno; ✔ São aprimorados os desafios e a estabilidade emocional dos alunos, por meio do planejamento das aulas baseado nas redes neuronais (afetivas, reconhecimento e estratégicas); ✔ Os alunos que possuem inclinação para a liderança são orientados e motivados a desenvolvê-la; ✔ A entreajuda, aprendizagem cooperativa e a tutoria por pares proporciona a inclusão, a equidade, a socialização e a participação ativa dos alunos; ✔ Ao construir o Projeto Político-Pedagógico juntamente com a equipe multiprofissional, as famílias e os alunos, os objetivos são traçados de forma clara e precisa; ✔ Ao “dar voz” ao aluno sobre as suas prioridades, beneficia-o dos seus direitos e decisões sobre o seu aprendizado; ✔ O aluno percebe que possui responsabilidade no seu processo de ensino-aprendizagem, tornando-se proativo e autônomo. Portanto, nessa disciplina serão abordados os seguintes aspectos: ● A história, o conceito e os princípios do Desenho Universal; ● A história, o conceito e os princípios do Desenho Universal da Aprendizagem; ● A importância do Desenho Universal da Aprendizagem na prática da sala de aula. Avaliação As avaliações serão realizadas por meio do cumprimento das seguintes atividades propostas: ● Leitura dos Slides; ● Participação no Fórum; ● Atividade - Quiz; ● Leitura do Caderno de Estudos. ROTEIRO DE ATIVIDADES CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO Data Tópicos Abordados Carga Horária 01/10/22 Aula assíncrona 1: Desenho Universal 1h 01/10/22 Aula assíncrona 2: Desenho Universal para a Aprendizagem 2h 5/10/22 Fórum de discussão: Nas suas palavras, defina o que você entendeu sobre Desenho Universal para a Aprendizagem. Compartilhe as suas impressões com os seus colegas 3h Leitura do caderno de estudos 4h 15/10/22 Aula síncrona 1: DUA na Prática 2h Atividade - Quiz 3h 1. DESENHO UNIVERSAL O Desenho Universal foi um conceito criado em meados dos anos 1960 por Ronald L. Mace, arquiteto, designer e educador na Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Teve como objetivo o desenvolvimento de métodos que garantem a possibilidade de qualquer pessoa, com ou sem deficiência, ter acesso, mobilidade e permanência em todos os espaços (SILVA, GOMES, SOUZA, 2017). No Brasil, ganhou espaço nos anos 1990, quando Docentes Universitários retornaram do exterior após os seus estudos de Pós-Graduação e incorporaram o Desenho Universal nas grades curriculares (GEIA; BERNARDI, 2020). O Desenho Universal tem como objetivos (ABNT, 2015, p. 139): ● Propor uma Arquitetura e um Design centrados no ser humano e na sua diversidade. ● Estabelecer critérios para que as edificações, os ambientes internos, urbanos e produtos atendam a um maior número de usuários, independentemente de suas características físicas, habilidades e faixa etária; favorecendo a biodiversidade humana e proporcionando uma melhor ergonomia para todos. De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN), o curso de Graduação em Arquitetura deve considerar a elaboração de projetos com base nos regulamentos legais, de modo a satisfazer as exigências culturais, econômicas, estéticas, técnicas, ambientais e de acessibilidade de todos os cidadãos (BRASIL, 2010, Art. 5º) (GEIA; BERNARDI, 2020). O Desenho Universal está previsto em diversas áreas, como, no Urbanismo, na construção, no Design de produtos, na Comunicação e nas demais áreas que necessitem de algum tipo de adaptação (GEIA; BERNARDI, 2020). Os designers e os arquitetos utilizam dois tipos de medidas para orientar os seus projetos. São eles (OLIVEIRA; FERREIRA, 2019): ● Estruturais: dimensões das diversas áreas do corpo humano e suasda Silva; OLIVEIRA, Fátima Satin Pretti de. Desenho universal para aprendizagem: um percurso investigativo sobre a educação inclusiva. Revista Intersaberes, vol.15, n. 34, 2020, pp. 147-164. FROLLI, A.; VALENZANO, L.; LOMBARDI, A.; CAVALLARO, A.; RICCI, M. Universal Design for Learning and Intellectual Disabilities. Global Journal of Intellectual & Developmental Disabilities, vol. 6, n. 5, p. 555-696, 2020. http://dx.doi.org/10.19080/GJIDD.2020.06.555696. GEIA, M. L.; BERNARDI, N. Inclusão de parâmetros de desenho universal em arquitetura e urbanismo: análise iconográfica de cartilhas de acessibilidade, ergonomia e inclusão (Dissertação de Mestrado Arquitetura, Tecnologia e Cidade, na área de Arquitetura Tecnologia e Cidade, Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp), 2020. MANTOAN, M. T. E. O direito de ser, sendo diferente, na escola. Revista Centro de Estudos Judiciários, vol. 26, 2004, pp. 36-44. Acesso em 26 de agosto de 2021. Disponível em: https://revistacej.cjf.jus.br/cej/index.php/revcej/article/view/622 MEYER, A.; ROSE, D. H.; GORDON, D. Universal Design for Learning: Theory and Practice. Wakefield. MA: CAST, 2014. RIBEIRO, Glaucia Roxo de Pádua Souza; AMATO, Cibelle Albuquerque de la Higuera. Análise da utilização do Desenho Universal para Aprendizagem. Cadernos de Pós-Graduação em Distúrbios do Desenvolvimento, vol. 18 n. 2, p. 125-151, 2018. http://dx.doi.org/10.5935/cadernosdisturbios.v18n2p125-151. SEBASTIÁN-HEREDERO, E. Diretrizes para o Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA). Revista Brasileira de Educação Especial, vol. 26, n. 4, 2020, 733-768. https://doi.org/10.1590/1980-54702020v26e0155. SILVA, Viviane; GOMES, Maria: SOUZA, Ranniéry. Desenho universal para aprendizagem, acessibilidade web, usabilidade no e-learning e usabilidade pedagógica. Revista de estudios e investigación en psicología y educación, vol. 13, p. 13-287, 2017. ZERBATO, A. P.; MENDES, E. G. Desenho universal para a aprendizagem como estratégia de inclusão escolar. Educação Unisinos, vol. 22, n. 2, 2018, pp. 147-155. Universidade do Vale do Rio dos Sinos. https://doi.org/10.4013/edu.2018.222.04. https://doi.org/10.4013/edu.2018.222.04constituições (e. g., peso, altura quando está sentado, largura dos quadris e cotovelos, etc.); ● Funcionais: dimensões do exercício e da movimentação do corpo ou de suas determinadas partes para que cumpram um objetivo. Exemplos são as medidas lineares e áreas de circulação (e. g., corredores, medidas entre os mobiliários); dimensão de organização espacial de mobiliários (e. g., mesa, prateleira, balcão, etc.). No Brasil, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI), assegura uma educação inclusiva em que sejam promovidas as potencialidades físicas, sensoriais, intelectuais e sociais do aluno, de acordo com os seus interesses e necessidades educacionais. Nesse sentido, o Projeto Político Pedagógico deve disponibilizar nas escolas regulares: acessibilidade; serviço de atendimento educacional especializado; elaboração do plano de atendimento educacional especializado; tecnologia assistiva; e Desenho Universal (BRASIL, 2019). O Desenho Universal está baseado em sete princípios para a sua implementação (Adaptado de ABNT, 2015., p. 139; CARLETTO; CAMBIAGHI, 2007): 1. Uso equitativo: Descrição: Característica do ambiente ou elemento espacial que faz com que ele possa ser usado por diversas pessoas, independentemente de idade ou habilidade. Exemplo: Portas com sensores de presença, que abrem sem a necessidade de força física ou alcance das mãos. Figura 1: Uso equitativo. Fonte: CARLETTO; CAMBIAGHI (s/d, p.12). Disponível em: 2. Uso flexível: Descrição: Característica que faz com que o ambiente ou elemento espacial atenda a uma grande parte das preferências e habilidades das pessoas. Exemplos: Computador com teclado ou mouse; Computador com o programa do tipo “DosVox”; Tesoura que se adapte a destros e canhotos, etc. Figura 2: Uso Flexível. Fonte: CARLETTO; CAMBIAGHI (s/d, p.13). Disponível em: 3. Uso simples e intuitivo: Descrição: Característica do ambiente ou elemento espacial que possibilita que seu uso seja de fácil compreensão, dispensando, para tal, experiência, conhecimento, habilidades linguísticas ou grande nível de concentração por parte das pessoas. Exemplos: Banheiros femininos e masculinos adaptados a pessoas com deficiência. Figura 3: Uso Simples e Intuitivo. Fonte: (CARLETTO; CAMBIAGHI (s/d, p.14). Disponível em: 4. Informação de fácil percepção: Descrição: Característica do ambiente ou elemento espacial faz com que seja redundante e legível quanto a apresentações de informações vitais. Exemplos: Utilização de diferentes maneiras de comunicação e informação (símbolos e letras em relevo, braille e sinalização auditiva). Figura 4: Informação de Fácil Percepção. Fonte: CARLETTO; CAMBIAGHI (s/d, p.14 e 15). Disponível em: 5. Tolerância ao erro: Descrição: Uma característica que possibilita que se minimizem os riscos e consequências adversas de ações acidentais ou não intencionais na utilização do ambiente ou elemento espacial. Exemplos: Elevadores com sensores em diversas alturas que permitam às pessoas entrarem sem riscos de a porta ser fechada no meio do procedimento, e escadas e rampas com corrimão. Figura 5: Tolerância ao Erro. Fonte: CARLETTO; CAMBIAGHI (s/d, p.15). Disponível em: 6. Baixo esforço físico: Descrição: O ambiente ou o elemento espacial deve oferecer condições de ser usado de maneira eficiente e confortável, com o mínimo de fadiga muscular do usuário. Exemplos: Torneiras com sensor ou alavanca que minimizam o esforço e a torção das mãos para acioná-las; maçanetas do tipo alavanca, podendo ser acionada com o cotovelo. Figura 6: Baixo Esforço Físico. Fonte: CARLETTO; CAMBIAGHI (s/d, p.16). Disponível em: 7. Dimensão e espaço para aproximação e uso: Descrição: O ambiente ou o elemento espacial deve ter dimensão e espaço apropriado para aproximação, alcance, manipulação e uso, independentemente de tamanho de corpo, postura e mobilidade do usuário. Exemplos: Poltronas para pessoas obesas e com nanismo em cinemas e teatros; banheiros com dimensões adequadas para pessoas em cadeira de rodas ou as que estão com bebês em seus carrinhos, etc. Figura 7: Dimensão e Espaço para Aproximação e Uso. Fonte: CARLETTO; CAMBIAGHI (s/d, p.17). Disponível em: 2. DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM O Desenho Universal migrou para a educação em meados do ano de 1999, passando a chamar-se Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA). Foi desenvolvido por David Rose, Anne Meyer e demais colegas do Center for Applied Special Technology (CAST), nos Estados Unidos (ZERBATO; MENDES, 2018). O ensino tradicional pressupõe que todos os alunos aprendem da mesma forma, porém não tem mostrado resultados significativos, porque se pauta, sobretudo, na compreensão de que todos os alunos possuem as mesmas necessidades e que a aquisição do conhecimento ocorre de maneira passiva (CAST, 2014; FROLLI; VALENZANO; LOMBARDI; CAVALLARO; RICCI, 2020). Por outro lado, o DUA define-se como uma proposta contemporânea de aprendizagem em que o plano de ensino é definido sob medida para cada aluno, pois cada indivíduo possui sua maneira de aprender. Dessa forma, o DUA apoia-se em estratégias alternativas no processo de ensino-aprendizagem, o qual compreende a metodologia, a concepção pedagógica, os recursos didáticos, etc. (RIBEIRO; AMATO, 2018). Esse sistema inclusivo educacional tem como objetivos (CAST, 2011; ZERBATO; MENDES, 2018): ● Estimular as competências e oportunidades de aprendizagem de todos os alunos; ● Auxiliar os professores e demais profissionais a utilizarem metodologias de aprendizagem que sejam apropriadas, efetivas e ajustadas para proporcionar o desenvolvimento de todos os alunos. Não existe uma fórmula de ensinar e aprender que seja igual para todos. Existem diferentes métodos e recursos que podem ser utilizados pelos professores para diversificar as aulas (ZERBATO; MENDES, 2018). Em resumo, o DUA (SEBASTIÁN-HEREDERO, 2020, p. 737): 1. Reduz as barreiras na forma de ensinar; 2. Proporciona adaptações, apoios/ajudas e desafios apropriados; 3. Mantêm altas expectativas de êxito para todos os estudantes, incluindo aqueles com deficiências e os que se encontram limitados por sua competência linguística no idioma da aprendizagem. Nessa premissa, os alunos devem tornar-se especialistas na experiência da sua aprendizagem. Baseia-se nos pressupostos da neurociência, em que a aprendizagem ocorre por meio de redes cerebrais como, Redes Afetivas; Redes de Reconhecimento; e Redes Estratégicas (CAST, 2014): ● Redes Afetivas (o porquê da aprendizagem): Desafia, motiva e mantêm os alunos interessados pela aprendizagem por meio dos seus interesses e motivações; ● Redes de Reconhecimento (o quê da aprendizagem): Reúne fatos, categoriza o conhecimento daquilo que vemos, ouvimos e lemos. Apresenta os conteúdos de diferentes formas; ● Redes Estratégicas (o como da aprendizagem): Planeja, organiza e executa as tarefas por meio da diferenciação das formas de aprendizagem individuais. De acordo com o CAST (2014), estas redes cerebrais de aprendizagem estão localizadas em áreas específicas do cérebro, e trabalham em conjunto, de forma conectada (Figura 1). Figura 8: Redes cerebrais de aprendizagem do DUA. Fonte: CAST (2013). Disponível em: . As dificuldades sentidas em sala de aula são percebidas como oportunidades de aprendizagem. Assim, o DUA possui os princípios(Figura 2): proporcionar múltiplos significados de representação; proporcionar múltiplos significados de ação e expressão; e proporcionar múltiplos significados de envolvimento (CAST, 2013). As aulas deverão ser planejadas com base nos princípios do DUA para que todos os alunos se sintam estimulados a aprender, obtenham os conteúdos de modos variados, alcancem a compreensão dos conteúdos e exponha-os de acordo com as suas necessidades e possibilidades (CAST, 2018). Figura 9: Princípios do DUA. Fonte: CAST (2013). Disponível em: . Por meio desse método, o ensino-aprendizagem é planejado de forma individualizada e flexível. Os alunos com deficiência também são contemplados, excluindo-se qualquer tipo de barreira (CAST, 2018). 2.1. Como Funciona o Currículo Pedagógico no DUA? O currículo pedagógico possui quatro componentes, as quais devem ser atingidas: objetivos; avaliação; métodos; e materiais (MEYER; ROSE; GORDON, 2014). ● Objetivos: os professores planejam os meios pelos quais os alunos podem aprender (e. g., escrita, vídeo, performance, relatório, entre outros); ● Avaliação: por meio de diferentes avaliações, o professor recolhe informações sobre o progresso do aluno e define os ajustes na aprendizagem. O aluno pode ser ensinado a monitorar o seu próprio progresso, a fim de desenvolver autonomia no processo de ensino-aprendizagem; ● Métodos: são ajustados continuamente e de maneira individual para atender às necessidades do aluno. Todos os alunos são envolvidos em um ambiente colaborativo; ● Materiais: alinham-se aos objetivos e são os meios pelos quais os professores apresentam os conteúdos, assim como os meios pelos quais os alunos expressam os seus conhecimentos. 2.2. Diretrizes Para o DUA 2.2 (CAST, 2018) Para que o DUA seja implementado de maneira otimizada e estruturada, a equipe do CAST atualizou, no ano de 2018, as Diretrizes para o DUA, com base nas experiências de educadores e pesquisadores. Nesse sentido, esse documento foi traduzido pela formadora dessa disciplina e disponibilizado na íntegra2. As Diretrizes possuem o objetivo de fornecer um conjunto de sugestões que poderão ser aplicadas em qualquer disciplina ou domínio para 2 Para mais informações, acesse: CENTER FOR APPLIED SPECIAL TECHNOLOGY - CAST. Universal Design for Learning Guidelines Version 2.2., 2018. . Acesso em 14 de julho de 2022. garantir que todos os alunos possam acessar e participar de oportunidades de aprendizagem significativas e desafiadoras. Portanto, podem ser utilizadas por educadores, desenvolvedores de currículos, pesquisadores, pais e qualquer outra pessoa que queira implementar a estrutura do DUA em um ambiente de aprendizagem As Diretrizes estão organizadas de acordo com os três princípios do DUA, como sejam, proporcionar múltiplos significados de representação; proporcionar múltiplos significados de ação e expressão; e proporcionar múltiplos significados de envolvimento. Cada uma dessas Diretrizes possuem “pontos de verificação” que fornecem sugestões mais detalhadas. Entretanto, as Diretrizes não devem ser encaradas como uma “prescrição”, mas um conjunto de sugestões que podem ser aplicadas para reduzir barreiras e maximizar as oportunidades de aprendizagem para todos os alunos. São ferramentas que podem auxiliar o desenho de metas, avaliações, métodos e materiais que levam a experiências de aprendizagem acessíveis, significativas e desafiadoras para todos. Princípio I: proporcionar múltiplos significados de representação (o que da aprendizagem) Os alunos diferem na forma como percebem e compreendem informações que lhes são apresentadas. Por exemplo, aqueles com deficiências sensoriais (e. g., deficiência visual ou auditiva); deficiências de aprendizagem (e. g., dislexia); diferenças linguísticas ou culturais, e assim por diante, podem exigir diferentes formas de abordar o conteúdo. Outros podem simplesmente compreender informações mais rápidas ou eficientes por meio de recursos visuais ou auditivos em vez de texto impresso. Também a aprendizagem e a transferência de aprendizagem, ocorrem quando múltiplas representações são usadas, pois permitem que os alunos façam conexões internas, bem como entre conceitos. Em suma, não há um meio de representação que seja ideal para todos os alunos; fornecer opções de representação é essencial. Diretriz 1 - Oferecer opções diferentes para a percepção Interaja com um conteúdo flexível que não dependa de um único sentido, como, visão, audição, movimento ou toque. Ponto de verificação 1.1 - Oferecer opções que permitam personalização na apresentação de informações Nos materiais de impressão, a exibição das informações é fixa e permanente. Em materiais digitais devidamente preparados, a exibição das mesmas informações é bastante maleável e personalizável. Por exemplo, uma caixa de chamada de informações prévias pode ser exibida em um local diferente ou ampliada ou enfatizada pelo uso de cor ou excluída inteiramente. Tal maleabilidade oferece opções para aumentar a clareza perceptiva e a saliência das informações para uma ampla gama de alunos e ajustes para as preferências dos outros. Embora essas personalizações sejam difíceis com materiais de impressão, elas são comumente disponíveis automaticamente em materiais digitais, embora não se possa supor que, por ser digital, é acessível, pois muitos materiais digitais são igualmente inacessíveis. Educadores e alunos devem trabalhar juntos para alcançar a melhor combinação de recursos de acordo com as necessidades de aprendizagem. Exemplos de como implementá-lo: Exibir informações em um formato flexível para que os seguintes recursos perceptivos possam ser variados: ● O tamanho do texto, imagens, gráficos, tabelas ou outros conteúdos visuais; ● O contraste entre fundo e texto ou imagem; ● A cor usada para informação ou ênfase; ● O volume ou taxa de fala ou som; ● A velocidade ou o tempo do vídeo, animação, som, simulações, etc.; ● O layout de elementos visuais ou outros; ● A fonte usada para materiais de impressão. Ponto de verificação 1.2 - Oferecer alternativas para as informações auditivas O som é uma maneira particularmente eficaz de transmitir o impacto da informação, e é por isso que o design de som é tão importante nos filmes e porque a voz humana é particularmente eficaz para transmitir emoção e significado. No entanto, as informações transmitidas apenas pelo som não são igualmente acessíveis a todos os alunos e são especialmente inacessíveis para alunos com deficiência auditiva, para alunos que precisam de mais tempo para processar informações ou para os alunos que têm dificuldades de memória. Além disso, ouvir-se é uma habilidade estratégica complexa que deve ser aprendida. Para garantir que todos os alunos tenham acesso ao aprendizado, as opções devem estar disponíveis para qualquer informação, incluindo ênfases apresentadas aditivamente. Exemplos de como implementá-lo: ● Utilize equivalentes de texto na forma de legendas ou text-to-text automatizado (reconhecimento de voz) para linguagem falada; ● Forneça diagramas visuais, gráficos, anotações de música ou som; ● Forneça transcrições escritas para vídeos ou clipes auditivos; ● Forneça a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) para português falado; ● Use análogos visuais para representar ênfase e prosódia (e. g., emoticons, símbolos ou imagens); ● Forneça equivalentes visuais ou táteis (e. g., vibrações) para efeitos sonoros ou alertas; ● Forneça a descrição visual e/ou emocional para a interpretação musical. Ponto de verificação 1.3 - Oferecer alternativas para as informações visuais Imagens, gráficos, animações, vídeos ou textos são muitas vezes as maneiras ideais de apresentar informações, especialmente quando a informação é sobre as relações entre objetos, ações, números ou eventos. Mas tais representações visuais não são igualmenteacessíveis a todos os alunos, especialmente aos alunos com deficiência visual ou àqueles que não estão familiarizados com o tipo de gráfico que está sendo usado. As informações visuais podem ser bastante densas, particularmente com a arte visual, que pode ter múltiplos significados e interpretações complexas dependendo de fatores contextuais e da base de conhecimento do espectador. Para garantir que todos os alunos tenham acesso igualitário às informações, é essencial fornecer alternativas não visuais. Exemplos de como implementá-lo: ● Forneça descrições (textos ou faladas) para todas as imagens, gráficos, vídeos ou animações; ● Utilize equivalentes de toque (gráficos táteis ou objetos de referência) para chaves-visuais que representam conceitos; ● Forneça objetos físicos e modelos espaciais para transmitir perspectiva ou interação; ● Forneça dicas auditivas para conceitos-chave e transições em informações visuais. O Texto é um caso especial de informações visuais. A transformação do texto em áudio está entre os métodos mais facilmente realizados para aumentar a acessibilidade. A vantagem do texto sobre o áudio é a sua permanência, mas fornecer o texto que é facilmente transformado em áudio realiza essa permanência sem sacrificar as vantagens do áudio. O software text-to-speech é cada vez mais eficaz, mas ainda decepciona em sua capacidade de levar as informações valiosas em prosódia. ● Siga as normas de acessibilidade (Balabolka, DoxVox, etc.) ao criar texto digital; ● Permita que um assessor, parceiro ou "interventor" competente leia o texto em voz alta; ● Forneça o acesso ao software text-to-speech. Diretriz 2 - Fornecer várias opções para a linguagem, as expressões matemáticas e os símbolos Comunique-se por meio de linguagens que criam uma compreensão compartilhada. Ponto de verificação 2.1 - Esclarecer vocabulários e símbolos Os elementos semânticos por meio dos quais as informações são apresentadas — as palavras, símbolos, números e ícones — são acessíveis diferencialmente aos alunos com diferentes origens, idiomas e conhecimento léxico. Para garantir acessibilidade para todos, o vocabulário chave, rótulos, ícones e símbolos devem ser vinculados ou associados a representações alternativas de seu significado (e. g., um glossário ou definição incorporada, um equivalente gráfico, um gráfico ou um mapa). Expressões, expressões arcaicas, frases culturalmente exclusivas e gírias devem ser traduzidas. Exemplos de como implementá-lo: ● Vocabulários e símbolos pré-ensinados, especialmente de maneiras que promovam a conexão com a experiência dos alunos e o conhecimento prévio; ● Forneça símbolos gráficos com descrições alternativas de texto; ● Destaque como termos, expressões ou equações complexas são compostas de palavras ou símbolos mais simples; ● Incorpore suporte para vocabulários e símbolos dentro do texto (por exemplo, hiperlinks ou notas de rodapé para definições, explicações, ilustrações, cobertura prévia, traduções); ● Incorpore suporte para referências desconhecidas dentro do texto (e. g., notação específica de domínio, propriedades e teoremas menos conhecidos, expressões, linguagem acadêmica, linguagem figurativa, linguagem matemática, jargão, linguagem arcaica, coloquialismo e dialeto). Ponto de verificação 2.2 - Esclarecer a sintaxe e a estrutura Elementos únicos de significado (i. e., palavras ou números) podem ser combinados para fazer novos significados. Esses novos significados, no entanto, dependem da compreensão das regras ou estruturas (i. e., a sintaxe em uma frase ou as propriedades das equações) de como esses elementos são combinados. Quando a sintaxe de uma frase ou a estrutura de uma representação gráfica não é óbvia ou familiar para os alunos, a compreensão sofre. Para garantir que todos os alunos tenham acesso igualitário à informação, forneça representações alternativas que esclareçam ou explicitem as relações sintáticas ou estruturais entre os elementos de significado. Exemplos de como implementá-lo: Esclarecer a sintaxe desconhecida (em linguagem ou em fórmulas matemáticas) ou a estrutura subjacente (em diagramas, gráficos, ilustrações, exposições estendidas ou narrativas) por meio de alternativas que: ● Destaquem as relações estruturais ou torná-las mais explícitas; ● Façam conexões com estruturas previamente aprendidas; ● Tornem as relações entre elementos explícitas (e. g., destacando as palavras de transição em um ensaio, ligações entre ideias em um mapa conceitual, etc.). Ponto de verificação 2.3 - Facilitar a decodificação de textos, notações matemáticas e símbolos A capacidade de decodificar fluentemente palavras, números ou símbolos que foram apresentados em um formato codificado (e. g., símbolos visuais para texto, símbolos hápticos para Braille, expressões algébricas para relacionamentos) requer prática para qualquer aluno, mas alguns alunos alcançarão automaticamente mais rápido do que outros. Os alunos precisam de exposição consistente e significativa aos símbolos para que possam compreendê-los e usá-los efetivamente. A falta de fluência ou automaticidade aumenta bastante a carga cognitiva de decodificação, reduzindo, assim, a capacidade de processamento e compreensão das informações. Para garantir que todos os alunos tenham acesso igual ao conhecimento, pelo menos quando a capacidade de decodificar não é o foco da instrução, é importante fornecer opções que reduzam as barreiras que a decodificação levanta para os alunos que não são familiares ou que não tenham fluência com os símbolos. Exemplos de como implementá-lo: ● Permita o uso de text-to-speech; ● Utilize voicing automático com notação matemática digital (TuxMath) ● Utilize o texto digital com uma gravação de voz humana que acompanha (e. g., Google Docs, SpeechTexter); ● Permita a flexibilidade e o fácil acesso a múltiplas representações de notação quando apropriado (e. g., fórmulas, problemas de palavras, gráficos); ● Ofereça o esclarecimento de notação por meio de listas de termos-chave. Ponto de verificação 2.4 - Promover a compreensão entre os diferentes idiomas A linguagem dos materiais curriculares é geralmente monolíngue, mas muitas vezes os alunos em sala de aula não são, por isso, a promoção da compreensão interlinguística é especialmente importante. Para os novos alunos da língua dominante (e. g., português nas escolas brasileiras) ou para os alunos de língua acadêmica (o discurso dominante na escola), a acessibilidade da informação é muito reduzida quando não há alternativas linguísticas disponíveis. Fornecer alternativas, especialmente para informações-chave ou vocabulário, é um aspecto importante da acessibilidade. Exemplos de como implementá-lo: ● Faça todas as informações-chave na língua dominante (e. g., português), também disponíveis nos primeiros idiomas (e. g., espanhol) para alunos com proficiência em português limitado e em LIBRAS para alunos com deficiência auditiva; ● Vincule palavras-chave do vocabulário às definições e pronúncias em línguas dominantes e patrimoniais; ● Defina o vocabulário específico do domínio (e. g., "chave de mapa" em estudos sociais) usando termos específicos de domínio e comuns; ● Forneça ferramentas de tradução eletrônica ou links para glossários multilíngues na web; ● Incorpore suportes visuais e não linguísticos para esclarecimento de vocabulário (e. g., fotos, vídeos, etc.). Ponto de verificação 2.5 - Complementar uma informação com outras formas de apresentação Os materiais de sala de aula são frequentemente dominados por informações em texto. Mas o texto é um formato fraco para apresentar muitos conceitos e para explicar a maioria dos processos. Além disso, o texto é uma forma particularmente fraca de apresentação para alunos que têm deficiências relacionadas ao texto ou à linguagem. Fornecer alternativas — especialmente ilustrações, simulações, imagens ou gráficos interativos — pode tornar as informaçõesem texto mais compreensíveis para qualquer aluno e acessíveis para quem a acharia completamente inacessível no texto. Exemplos de como implementá-lo: ● Apresenta conceitos-chave em uma forma de representação simbólica (e. g., um texto expositivo ou uma equação matemática) com uma forma alternativa (e. g., uma ilustração, dança/movimento, diagrama, tabela, modelo, vídeo, tira de quadrinhos, storyboard, fotografia, animação, manipulador físico ou virtual); ● Faça links explícitos entre as informações fornecidas em textos e qualquer representação que acompanhe essas informações em ilustrações, equações, gráficos ou diagramas. Diretriz 3 - Oferecer opções para a compreensão Construa significado e gere novos entendimentos. Ponto de verificação 3.1 - Ativar ou substituir os conhecimentos anteriores As informações são mais acessíveis e provavelmente serão assimiladas pelos alunos quando são apresentadas de uma forma que destaque, ative ou forneça qualquer conhecimento pré-requisito. Barreiras e iniquidades existem quando alguns alunos não têm o conhecimento prévio que é fundamental para assimilar ou usar novas informações. No entanto, há também barreiras para os alunos que têm o conhecimento prévio necessário, mas podem não saber o que é relevante. Essas barreiras podem ser reduzidas quando estão disponíveis opções que fornecem ou ativam conhecimentos prévios relevantes, ou vinculam-se às informações previamente necessárias em outros lugares. Exemplos de como implementá-lo: ● Utilize a instrução de ancoragem ligando e ativando conhecimentos prévios relevantes (e. g., usando imagens visuais, ancoragem de conceitos ou rotinas de domínio de conceitos); ● Utilize organizadores avançados (e. g., mapas conceituais); ● Ensine previamente conceitos críticos de pré-requisitos por meio de demonstração ou modelos; ● Aponte conceitos com analogias e metáforas relevantes; ● Faça conexões interdisciplinares explícitas (e. g., ensinar estratégias de alfabetização na sala de aula de estudos sociais). Ponto de verificação 3.2 - Destacar modelos, características fundamentais, principais ideias e relacionamentos Uma das grandes diferenças entre especialistas e novatos em qualquer domínio é a facilidade com a qual eles distinguem o que é crítico do que é sem importância ou irrelevante. Uma vez que os especialistas reconhecem rapidamente as características mais importantes da informação, eles alocam seu tempo de forma eficiente, identificando rapidamente o que é valioso e encontrando os "ganchos" certos com os quais assimilam as informações mais valiosas ao conhecimento existente. Como consequência, uma das formas mais eficazes de tornar as informações mais acessíveis é fornecer pistas explícitas ou solicitações que auxiliem os indivíduos a atender esses recursos que mais importam, evitando aqueles que menos importam. Exemplos de como implementá-lo: ● Destaque ou enfatize elementos-chave em textos, gráficos, diagramas, fórmulas; ● Use esquemas, organizadores gráficos, rotinas de organizador de unidades, rotinas de organizadores de conceitos, e rotinas de domínio de conceitos para enfatizar ideias; ● Use vários exemplos e não-exemplos para enfatizar recursos críticos; ● Use pistas e solicitações para chamar a atenção para os recursos críticos; ● Destaque habilidades aprendidas anteriormente que podem ser usadas para resolver problemas desconhecidos. Ponto de verificação 3.3 - Orientar o processamento, a visualização e a manipulação de informações A transformação bem-sucedida de informações em conhecimentos utilizados muitas vezes requer a aplicação de estratégias mentais e habilidades para o "processamento" de informações. Essas estratégias cognitivas ou metacognitivas, envolvem a seleção e manipulação da informação para que ela possa ser mais bem resumida, categorizada, priorizada, contextualizada e lembrada. Embora alguns alunos em qualquer sala de aula possam ter um repertório completo dessas estratégias, juntamente com o conhecimento de quando aplicá-las, a maioria dos alunos não tem. Materiais bem projetados podem fornecer modelos personalizados e incorporados, o sca�olding e o feedback podem ser estratégias que ajudam de forma eficaz os alunos que têm habilidades muito diversas. Exemplos de como implementá-lo: ● Dê avisos explícitos para cada etapa em um processo sequencial; ● Forneça opções para métodos e abordagens organizacionais (tabelas e algoritmos para processamento de operações matemáticas); ● Forneça modelos interativos que orientem a exploração e novos entendimentos; ● Introduza sca�olding graduados que suportam as estratégias de processamento de informações; ● Forneça múltiplos pontos de início para uma aula e caminhos opcionais por meio do conteúdo (e. g., explorando grandes ideias por meio de obras dramáticas, artes e literatura, cinema e mídia); ● Fragmente as informações; ● Libere informações progressivamente (e. g., destaque sequencial); ● Remova distrações desnecessárias, a menos que sejam essenciais para o objetivo instrutivo. Ponto de verificação 3.4 - Maximizar a transferência e a generalização Todos os alunos precisam ser capazes de generalizar e transferir o seu aprendizado para novos contextos. Os alunos variam na quantidade de sca�olding que precisam para a memória e a transferência, a fim de melhorar a capacidade de acessar o aprendizado prévio. É claro que todos os alunos podem se beneficiar da assistência na transferência das informações que têm para outras situações, já que a aprendizagem não é sobre fatos individuais isolados, e os alunos precisam de múltiplas representações para que isso ocorra. Sem esse suporte e o uso de múltiplas representações, informações podem ser aprendidas, mas são inacessíveis em novas situações. Os suportes à memória, generalização e transferência incluem técnicas projetadas para aumentar a memorização das informações, bem como aquelas que solicitam e orientam os alunos a empregar estratégias explícitas. Exemplos de como implementá-lo: ● Forneça listas de verificação, organizadores, post-it, lembretes eletrônicos; ● Solicite o uso de estratégias e dispositivos mnemônicos (e. g., imagens visuais, estratégias de paráfrase, método de Loci, etc.); ● Incorpore oportunidades explícitas para a revisão e a prática; ● Forneça modelos, organizadores gráficos, mapas conceituais para apoiar a anotação; ● Forneça sca�olding que conectam novas informações a conhecimentos prévios (e. g., jogos de palavras, mapas conceituais parcialmente preenchidos); ● Incorpore novas ideias em contextos familiares (e. g., uso de analogia, metáfora, drama, música, cinema, etc.); ● Proporcione oportunidades explícitas e apoiadas para generalizar o aprendizado para novas situações (e. g., diferentes tipos de problemas que podem ser resolvidos com equações lineares, usando princípios da física para construir um playground); ● Ofereça oportunidades ao longo do tempo para revisitar ideias-chave e ligações entre ideias. Princípio II: proporcionar múltiplos significados de ação e expressão (o como da aprendizagem) Os alunos diferem da maneira que podem navegar em um ambiente de aprendizagem e expressar aquilo que sabem. Por exemplo, indivíduos com prejuízos significativos de movimento (e. g., paralisia cerebral), aqueles que lutam com habilidades estratégicas e organizacionais (distúrbios da função executiva), aqueles que têm barreiras linguísticas, e assim por diante, abordam tarefas de aprendizagem de forma muito diferente. Alguns podem ser capazes de se expressar bem em texto escrito, mas não na fala, e vice-versa. Deve-se reconhecer também que a ação e a expressão exigem muita estratégia, prática e organização, e esta é outra área em que os alunos podem diferir. Na realidade, não há um meio de ação e expressão que será ideal para todos os alunos; fornecer opções de ação e expressão é essencial. Diretriz 4 - Fornecer opções para a interação física Interajacom materiais e ferramentas acessíveis. Ponto de verificação 4.1 - Variar os métodos de resposta e navegação Os alunos diferem amplamente em sua capacidade de navegar em seu ambiente físico. Para reduzir as barreiras ao aprendizado que seriam introduzidas pelas demandas motoras de uma tarefa, forneça meios alternativos de resposta, seleção e composição. Além disso, os alunos diferem amplamente em seus meios ideais para navegar através de informações e atividades. Para proporcionar igualdade de oportunidades de interação com experiências de aprendizagem, um instrutor deve garantir que existam múltiplos meios de navegação e controle acessíveis. Exemplos de como implementá-lo: ● Forneça alternativas nos requisitos para a taxa, o tempo, a velocidade e o alcance da ação motora necessária para interagir com materiais instrucionais, manipuladores físicos e tecnologias; ● Forneça alternativas para responder fisicamente ou indicar seleções (e. g., alternativas à marcação com caneta e lápis, alternativas ao controle do mouse); ● Forneça alternativas para interagir fisicamente com materiais à mão, voz, interruptor único, joystick, teclado ou teclado adaptado. Ponto de verificação 4.2 – Otimizar o acesso a ferramentas, produtos e tecnologias de apoio Fornecer a um aluno uma ferramenta muitas vezes não é suficiente. Precisamos fornecer o suporte para usar a ferramenta de forma eficaz. Muitos alunos precisam de ajuda para navegar pelo seu ambiente (tanto em termos de espaço físico quanto no currículo), e todos os alunos devem ter a oportunidade de usar ferramentas que possam ajudá-los a cumprir o objetivo de participação plena na sala de aula. No entanto, um número significativo de alunos com deficiência tem que usar tecnologias assistivas regularmente para a navegação, a interação e a composição. É fundamental que as tecnologias e currículos instrutivos não imponham barreiras inadvertidas ao uso dessas tecnologias assistivas. Uma consideração importante do design, por exemplo, é garantir que haja comandos de teclado para qualquer ação do mouse para que os alunos possam usar tecnologias assistivas comuns que dependem desses comandos. Também é importante, no entanto, garantir que ao tornar uma lição fisicamente acessível não seja removida inadvertidamente o seu desafio ao aprendizado. Exemplos de como implementá-lo: ● Forneça comandos de teclado alternativos para a ação do mouse; ● Crie opções de switch e digitalização para aumentar o acesso independente e as alternativas de teclado; ● Forneça o acesso aos teclados alternativos; ● Personalize sobreposições para telas sensíveis ao toque e teclados; ● Selecione o software que funcione perfeitamente com as alternativas de teclado e teclas alt. Diretriz 5 - Proporcionar opções para a expressão e a comunicação Compor e compartilhar ideias usando ferramentas que ajudem a alcançar objetivos de aprendizagem. Ponto de verificação 5.1 - Usar múltiplos meios de comunicação A menos que a mídia e os materiais específicos sejam críticos para o objetivo (e. g., aprender a pintar especificamente com óleos, aprender a escrever à mão com caligrafia) é importante fornecer mídia alternativa para a expressão. Tais alternativas reduzem as barreiras específicas da mídia à expressão entre os alunos com uma variedade de necessidades especiais, mas também aumentam as oportunidades para todos os alunos desenvolverem uma gama mais ampla de expressão em um mundo rico em mídia. Por exemplo, é importante que todos os alunos aprendam composição, não apenas escrevendo, e aprendam o meio ideal para qualquer conteúdo específico de expressão e performance. Exemplos de como implementá-lo: ● Componha em várias mídias, como, texto, fala, desenho, ilustração, quadrinhos, storyboards, design, cinema, música, dança/movimento, arte visual, escultura ou vídeo; ● Use manipuladores físicos (e. g., blocos, modelos 3D, blocos base-dez); ● Use mídias sociais e ferramentas web interativas (e. g., fóruns de discussão, chats, web design, ferramentas de anotação, storyboards, tiras de quadrinhos, apresentações de animação); ● Resolva problemas usando uma variedade de estratégias. Ponto de verificação 5.2 – Usar ferramentas variadas para a construção e a composição Há uma tendência na escolaridade em focar nas ferramentas tradicionais ao invés das contemporâneas. Essa tendência possui vários desafios: 1) não prepara os alunos para o seu futuro; 2) limita a gama de conteúdos e métodos de ensino que podem ser implementados; 3) restringe a capacidade dos alunos em expressar o conhecimento sobre o conteúdo (avaliação); e, mais importante, 4) pressiona os alunos que podem ser bem-sucedidos. As ferramentas de mídia atuais fornecem um kit de ferramentas mais flexíveis e acessíveis com as quais os alunos podem participar com mais sucesso no seu aprendizado e articular o que sabem. A menos que uma lição seja focada em aprender a usar uma ferramenta específica (e. g., aprender a desenhar com um compasso), os currículos devem permitir muitas alternativas. Como qualquer artesão, os alunos devem aprender a usar ferramentas que são uma combinação ideal entre as suas habilidades e as demandas da tarefa. Exemplos de como implementá-lo: ● Forneça verificadores ortográficos, verificadores de gramática, software de previsão de palavras; ● Forneça o software text-to-speech (reconhecimento de voz), ditado humano, gravação; ● Forneça calculadoras, calculadoras de gráficos, blocos geométricos ou papel gráfico pré-formatado; ● Forneça títulos de sentenças ou tiras de sentença; ● Use sites de histórias, delineando ferramentas ou ferramentas de mapeamento de conceitos; ● Forneça CAD (Computer-Aided-Design, design auxiliado por computador), software de notação de música (escrita) ou software de notação matemática; ● Forneça manipuladores matemáticos virtuais ou concretos (e. g., blocos base-10, blocos de álgebra); ● Use aplicativos web (e. g., wikis, animação, apresentação). Ponto de verificação 5.3 – Definir competências com níveis de suporte graduados para a prática e a execução Os alunos devem desenvolver uma variedade de fluências (e. g., visuais, auditivas, matemáticas, leituras, etc.). Isso significa que eles muitas vezes precisam de vários sca�olding para ajudá-los à medida que praticam e desenvolvem a independência. Os currículos devem oferecer alternativas nos graus de liberdade disponíveis, com oportunidades apoiadas e proporcionadas a alguns, e amplos graus de liberdade para outros que estejam prontos para a independência. A fluência também é construída por meio de muitas oportunidades de desempenho, seja na forma de um ensaio ou de uma produção dramática. O desempenho ajuda os alunos porque permite que eles sintetizem seu aprendizado de maneiras pessoalmente relevantes. No geral, é importante oferecer opções que construam as fluências dos alunos. Exemplos de como implementá-lo: ● Forneça modelos diferenciados para emular (i. e., modelos que demonstrem os mesmos resultados, mas usam abordagens, estratégias, habilidades, etc.); ● Forneça mentores diferenciados (i. e., professores/tutores que usam diferentes abordagens para motivar, orientar, dar feedback ou informar); ● Forneça sca�olding que podem ser gradualmente liberados com independência e habilidades crescentes (e. g., incorporados em software de leitura e escrita digital); ● Forneça feedback diferenciado (e. g., feedback acessível porque pode ser personalizado para alunos individuais); ● Forneça vários exemplos de novas soluções para problemas autênticos. Diretriz 6 - Fornecer opções para funções executivas Desenvolver e conduzir planos para aproveitar ao máximo o aprendizado. Ponto de verificação 6.1 - Orientar o estabelecimento adequado de metas Não se pode supor que os alunos estabeleçam metas adequadas para orientar o seu trabalho, mas a resposta não deve ser fornecer metas para os alunos. Tal remédio de curto prazo faz poucopara desenvolver novas habilidades ou estratégias em qualquer aluno. Por isso, é importante que os alunos desenvolvam a habilidade de estabelecer metas eficazes. A estrutura do DUA incorpora sca�olding graduados para aprender a estabelecer metas pessoais que são ao mesmo tempo desafiadoras e realistas. Exemplos de como implementá-lo: ● Forneça alertas e sca�olding para estimar o esforço, os recursos e as dificuldades; ● Forneça modelos ou exemplos do processo e produto da definição de metas; ● Forneça guias e listas de verificação para a definição de metas de sca�olding; ● Metas, objetivos e horários em um lugar óbvio. Ponto de verificação 6.2 – Apoiar o planejamento e o desenvolvimento da estratégia Uma vez estabelecida uma meta, aprendizes efetivos e solucionadores de problemas planejam uma estratégia, incluindo as ferramentas que usarão para atingir esse objetivo. Para crianças pequenas em qualquer domínio, alunos mais velhos em um novo domínio, ou qualquer aluno com uma das deficiências que comprometem funções executivas (e. g., deficiência intelectual), a etapa de planejamento estratégico é frequentemente omitida, e tentativas de tentativa e erro tomam seu lugar. Para ajudar os alunos a se tornarem mais planejadores e estratégicos, uma variedade de opções são necessárias, como, "lombadas" cognitivas que os levam a "parar e pensar", sca�olding graduados que os ajudam a realmente implementar estratégias; ou engajamento na tomada de decisões com mentores competentes. Exemplos de como implementá-lo: ● Incorpore a solicitação "parar e pensar" antes de agir, bem como o espaço adequado; ● Incorpore as solicitações para "mostrar e explicar o seu trabalho" (e. g., revisão de portfólio, críticas de arte); ● Forneça checklists e modelos de planejamento de projetos para entender o problema, configurando priorização, sequências e cronogramas de etapas; ● Incorpore treinadores ou mentores que modelam o “pensar em voz alta” do processo; ● Forneça guias para quebrar metas de longo prazo em objetivos de curto prazo alcançáveis. Ponto de verificação 6.3 - Facilitar o gerenciamento de informações e recursos Um dos limites da função executiva é a imposição das limitações da chamada: memória de trabalho. Este scratch pad para manter pedaços de informação onde eles podem ser acessados como parte da compreensão e resolução de problemas é muito limitado para qualquer aprendiz e ainda mais severamente limitado para muitos alunos com aprendizado e deficiências cognitivas. Como resultado, muitos desses alunos parecem desorganizados, esquecidos e despreparados. Sempre que a capacidade de memória de trabalho não for relevante para construir em uma aula, é importante fornecer uma variedade de sca�olding internos e auxílios organizacionais externos — exatamente aqueles tipos que os executivos usam — para manter as informações organizadas e "em mente''. Exemplos de como implementá-lo: ● Forneça organizadores gráficos e modelos para a coleta de dados e informações de organização; ● Incorpore solicitações para categorizar e sistematizar; ● Forneça listas de verificação e guias para anotações. Ponto de verificação 6.4 – Aumentar a capacidade de acompanhar os progressos Aprender não pode acontecer sem feedback, e isso significa que os alunos precisam de uma visão clara do progresso que estão (ou não) fazendo. Quando avaliações e feedbacks não fornecem instruções ou quando não são dadas aos alunos em tempo hábil, a aprendizagem não pode mudar porque os alunos não sabem o que fazer de diferente. Essa falta de conhecimento sobre o que melhorar pode fazer com que alguns alunos pareçam "perseverantes", descuidados ou desmotivados. Para esses alunos o tempo todo, e para a maioria dos alunos algumas vezes, é importante garantir que as opções possam ser personalizadas para fornecer feedback mais explícito, oportuno, informativo e acessível. Especialmente importante é fornecer feedback "formativo" que permita aos alunos monitorar o seu próprio progresso de forma eficaz e usar essas informações para orientar o seu próprio esforço e prática. Exemplos de como implementá-lo: ● Faça perguntas para orientar o automonitoramento e a reflexão; ● Mostre representações de progresso (e. g., fotos, gráficos de antes e depois mostrando o progresso ao longo do tempo, portfólios de processos); ● Solicite aos alunos que identifiquem o tipo de feedback ou conselho que estão buscando; ● Use modelos que guiem a autorreflexão sobre a qualidade e a completude; ● Forneça modelos diferenciados de estratégias de autoavaliação (e. g., role-playing, avaliações de vídeo, feedback por pares); ● Use listas de verificação de avaliação, rubricas de pontuação e várias anotações de exemplos de trabalho/desempenho do aluno. Princípio III: Proporcionar múltiplos significados de envolvimento (o porquê da aprendizagem) O afeto representa um elemento crucial para a aprendizagem, e os alunos diferem significativamente das maneiras pelas quais podem ser engajados ou motivados a aprender. Há uma variedade de fontes que podem influenciar a variação individual no afeto, incluindo a neurologia, a cultura, a relevância pessoal, a subjetividade e o conhecimento prévio, juntamente com uma variedade de outros fatores. Alguns alunos são altamente engajados pela espontaneidade e novidade, enquanto outros são desengajados, mesmo assustados, por esses aspectos, preferindo uma rotina rigorosa. Alguns alunos podem gostar de trabalhar sozinhos, enquanto outros preferem trabalhar com seus pares. Na realidade, não há um meio de engajamento que será ideal para todos os alunos em todos os contextos; fornecer múltiplas opções de engajamento é essencial. Diretriz 7 - Proporcionar opções para promover o interesse por parte dos estudantes Despertar excitação e curiosidade para aprender. Ponto de verificação 7.1 – Otimizar a escolha individual e a autonomia Em um ambiente instrutivo, muitas vezes é inapropriado fornecer a escolha do objetivo de aprendizagem em si, mas muitas vezes é apropriado oferecer escolhas sobre como esse objetivo pode ser alcançado, no contexto para alcançar o objetivo, nas ferramentas ou suportes disponíveis, e assim por diante. Oferecer escolhas aos alunos pode desenvolver autodeterminação, orgulho na realização e aumentar o grau em que se sentem conectados ao seu aprendizado. No entanto, é importante notar que os indivíduos diferem em quantidade e que tipo de escolhas preferem ter. Portanto, não basta simplesmente dar escolha. O tipo certo de escolha e nível de independência deve ser otimizado para garantir o engajamento. Exemplos de como implementá-lo: ● Forneça aos alunos o máximo de discrição e autonomia possível, fornecendo escolhas em coisas como: ▪ O nível de desafio percebido; ▪ O tipo de recompensas ou reconhecimento disponíveis; ▪ O contexto ou conteúdo utilizado para a prática e avaliação de habilidades; ▪ As ferramentas utilizadas para a coleta ou produção de informações; ▪ A cor, o design ou os gráficos dos layouts, etc. ● A sequência ou o tempo para a conclusão de subcomponentes das tarefas; ● Permita que os alunos participem do projeto de atividades em sala de aula e tarefas acadêmicas; ● Envolva os alunos, onde e sempre que possível, na definição de seus próprios objetivos acadêmicos e comportamentais pessoais. Ponto de verificação 7.2 - Otimizar a relevância, o valor e a utilidade das atividades Os indivíduos são motivados pelas informações e atividades relevantes e valiosas para os seus interesses e objetivos. Isso não significa necessariamente que a situação tem que ser equivalente à vida real, já que a ficção pode ser tão envolvente para os alunos quanto a não-ficção, mas tem que ser relevante e autêntica para os objetivos individuais dos alunos e os objetivos instrutivos. Os indivíduos raramente se interessam por informações e atividades que não têm relevância ou valor. Em um ambiente educacional, uma das formasmais importantes para os professores conquistarem o interesse é destacar a utilidade e a relevância de aprender, e demonstrar essa relevância por meio de atividades autênticas e significativas. É um erro, é claro, assumir que todos os alunos encontrarão as mesmas atividades ou informações igualmente relevantes ou valiosas para os seus objetivos. Para atrair todos os alunos de forma igual, é fundamental fornecer opções que otimizem o que é relevante, valioso e significativo para cada aluno. Exemplos de como implementá-lo: ● Varie atividades e fontes de informação para que possam ser: ▪ Personalizados e contextualizados para a vida dos alunos; ▪ Culturalmente relevante e responsivo; ▪ Socialmente relevante; ▪ Idade e habilidade apropriadas; ▪ Apropriados para diferentes grupos raciais, culturais, étnicos e de gênero. ● Projete atividades para que os resultados de aprendizagem sejam autênticos, comunique-se com o público real e reflita um propósito que é claro para os participantes; ● Forneça tarefas que permitam a participação ativa, exploração e experimentação; ● Convide ao feedback pessoal, a avaliação e a autorreflexão para os conteúdos e as atividades; ● Inclua atividades que fomentem o uso da imaginação para resolver problemas novos e relevantes, ou fazer sentido as ideias complexas de maneiras criativas. Ponto de verificação 7.3 - Minimizar a sensação de insegurança e as distrações Uma das coisas mais importantes que um professor pode fazer é criar um espaço seguro para os alunos. Para isso, os professores precisam reduzir potenciais ameaças e distrações no ambiente de aprendizagem. Quando os alunos precisam focar a sua atenção nas suas necessidades básicas ou evitar alguma experiência negativa, eles não conseguem se concentrar no processo de aprendizagem. Embora a segurança física de um ambiente de aprendizagem seja naturalmente necessária, tipos mais sutis de ameaças e distrações também devem ser atendidos; o que é ameaçador ou potencialmente distrativo depende das necessidades individuais e dos antecedentes dos alunos. Um aprendiz da língua portuguesa pode achar a experimentação do idioma ameaçadora, enquanto alguns alunos podem achar muita estimulação sensorial a ponto de se distraírem. O ambiente de instrução ideal oferece opções que reduzem as ameaças e as distrações negativas para que todos criem um espaço seguro no qual o aprendizado possa ocorrer. Exemplos de como implementá-lo: ● Crie um clima de sala de aula de aceitação e suporte; ● Varie o nível de novidade ou risco. ▪ Gráficos, calendários, horários, temporizadores visíveis, pistas, etc., que possam aumentar a previsibilidade das atividades diárias e transições; ▪ Criação de rotinas de aula; ▪ Alertas e pré-visualizações que possam ajudar os alunos a antecipar e se preparar para mudanças nas atividades, horários e novos eventos; ▪ Opções que possam, ao contrário do que foi descrito acima, maximizar o inesperado, surpreendente ou novo em atividades altamente rotinizadas; ● Varie o nível de estimulação sensorial; ▪ Variação na presença de ruído prévio ou estimulação visual, bu�ers de ruído, número de recursos ou itens apresentados de cada vez; ▪ Variação no ritmo de trabalho, duração das sessões de trabalho, disponibilidade de intervalos, ou tempo, ou sequência de atividades. ● Varie as demandas sociais necessárias para o aprendizado ou o desempenho, o nível percebido de apoio e a proteção, e os requisitos para exibição, e a avaliação pública; ● Envolva todos os participantes em discussões de classe inteiras. Diretriz 8 - Proporcionar opções para manter o esforço e a persistência Enfrente desafios com foco e determinação. Ponto de verificação 8.1- Ressaltar a relevância de metas e objetivos Ao longo de qualquer projeto sustentado ou prática sistemática, existem muitas fontes de interesse e engajamento que competem por atenção e esforço. Para alguns alunos, eles precisam de apoio para lembrar o objetivo inicial ou para manter uma visão consistente das recompensas ao atingir esse objetivo. Para esses alunos, é importante construir "lembretes" periódicos ou persistentes tanto do objetivo quanto do seu valor para que eles assegurem o esforço e a concentração diante dos distrativos. Exemplos de como implementá-lo: ● Solicite ou exija que os alunos formem explicitamente ou reafirmem o objetivo; ● Exiba o objetivo de várias maneiras; ● Incentive a divisão de metas de longo prazo em objetivos de curto prazo; ● Demonstre o uso de ferramentas de agendamento portáteis ou de suporte informático; ● Use prompts ou sca�olding para visualizar o resultado desejado; ● Engaje os alunos em discussões de avaliação do que constitui excelência, e gere exemplos relevantes que se conectam às suas formações culturais e interesses. Ponto de verificação 8.2 - Variar as exigências e os recursos para otimizar os desafios Os alunos variam não apenas em suas habilidades, mas também nos tipos de desafios que os motivam a fazer o seu melhor trabalho. Todos os alunos precisam ser desafiados, mas nem sempre da mesma maneira. Além de fornecer níveis e tipos de demandas adequadamente variados, os alunos também precisam ser abastecidos com os tipos certos de recursos necessários para o sucesso da conclusão da tarefa. Os alunos não podem atender a uma demanda sem recursos apropriados e flexíveis. Fornecer uma gama de demandas, e uma gama de recursos possíveis, permite que todos os alunos encontrem desafios que sejam otimizados. Equilibrar os recursos disponíveis para enfrentar o desafio é vital. Exemplos de como implementá-lo: ● Diferencie o grau de dificuldade ou complexidade dentro do qual as atividades principais podem ser concluídas; ● Forneça alternativas nas ferramentas e sca�olding permitidos; ● Varie os graus de liberdade para um desempenho aceitável; ● Enfatize o processo, o esforço, a melhoria no cumprimento de normas, como alternativas à avaliação externa e à concorrência. Ponto de verificação 8.3 – Fomentar a colaboração e a cooperação No século 21, todos os alunos devem ser capazes de se comunicar e colaborar efetivamente dentro de uma comunidade de alunos. Isso é mais fácil para alguns do que para outros, mas continua sendo um objetivo para todos os alunos. A distribuição de mentorias por pares pode aumentar muito as oportunidades de suporte um-a-um. Quando cuidadosamente estruturada, essa cooperação por pares pode aumentar significativamente o suporte disponível para um engajamento sustentado. O agrupamento flexível ao invés de fixo permite melhor diferenciação e múltiplas funções, além de oferecer oportunidades para aprender a trabalhar de forma mais eficaz com os outros. Opções devem ser fornecidas na forma como os alunos constroem e utilizam essas habilidades importantes. Exemplos de como implementá-lo: ● Crie grupos de aprendizagem cooperativos com objetivos, papéis e responsabilidades claros; ● Crie programas escolares de suporte a comportamentos positivos com objetivos e suportes diferenciados; ● Forneça solicitações que orientem os alunos sobre quando e como pedir ajuda aos colegas e/ou professores; ● Incentive e apoie as oportunidades para as interações e os suportes de pares (e. g., tutoria por pares); ● Construa comunidades de alunos engajados em interesses ou atividades comuns; ● Crie expectativas para o trabalho em grupo (e. g., rubricas, normas, etc.). Ponto de verificação 8.4 - Utilizar o retorno (feedback) orientado para o domínio em uma tarefa A avaliação é mais produtiva para sustentar o engajamento quando o feedback é relevante, construtivo, acessível, consequente e oportuno. Mas o tipo de feedback também é fundamental para ajudar os alunos a sustentar a motivação e o esforço essenciais para o aprendizado. O feedback domínio-orientado é o tipo de feedback que orienta os alunos em direção ao domínio, em vez de uma noção fixa de desempenho ou conformidade. Também enfatiza o papel do esforçoe da prática em vez de "inteligência" ou "habilidade" inerente como um fator importante na orientação dos alunos para hábitos e práticas de aprendizagem bem-sucedidas a longo prazo. Essas distinções podem ser particularmente importantes para os alunos cujas deficiências tenham sido interpretadas, por si ou por seus cuidadores, como permanentemente restritivas e fixas. Exemplos de como implementá-lo: ● Forneça feedback que incentive a perseverança, enfoque no desenvolvimento da eficácia e autoconsciência, e incentiva o uso de suportes e estratégias específicas diante do desafio; ● Forneça feedback que enfatize o esforço, a melhoria e alcance um padrão em vez de um desempenho relativo; ● Forneça feedbacks frequentes, oportunos e específicos; ● Forneça feedbacks substantivos e informativos, em vez de comparativos ou competitivos; ● Forneça feedback que modele como incorporar a avaliação, incluindo a identificação de padrões de erros e respostas erradas, em estratégias positivas para o sucesso futuro. Diretriz 9 - Proporcionar opções para a autorregulação Aproveite o poder das emoções e motivações no aprendizado. Ponto de verificação 9.1 - Promover expectativas e crenças que otimizem a motivação Um aspecto importante da autorregulação é o conhecimento pessoal que cada aluno tem sobre o que ele ou ela acha motivador, seja intrínseco ou extrínseco. Para isso, os alunos precisam ser capazes de estabelecer metas pessoais que possam ser alcançadas de forma realista, bem como promover crenças positivas de que seus objetivos possam ser alcançados. No entanto, os alunos também precisam ser capazes de lidar com a frustração e evitar a ansiedade quando estão em processo de cumprimento de suas metas. Várias opções precisam ser dadas aos alunos para ajudá-los a se manterem motivados. Exemplos de como implementá-lo: ● Forneça avisos, lembretes, guias, rubricas, listas de verificação com foco em: ▪ Metas autorregulatórias, como, reduzir a frequência de explosões agressivas em resposta à frustração; ▪ Aumentando a duração da orientação na tarefa frente a distrações; ▪ Elevando a frequência de autorreflexão e auto reforços. ● Forneça coaches, mentores ou agentes que modelem o processo de definição de metas pessoalmente apropriadas que levem em conta pontos fortes e fracos; ● Apoie as atividades que incentivam a autorreflexão e a identificação de objetivos pessoais. Ponto de verificação 9.2 - Facilitar estratégias e habilidades pessoais para lidar com os problemas da vida cotidiana Fornecer um modelo de habilidades de autorregulação não é suficiente para a maioria dos alunos. Eles precisarão de aprendizes sustentados que incluem sca�olding. Lembretes, modelos, checklists, etc. podem auxiliar os alunos na escolha e na tentativa de uma estratégia adaptativa para gerenciar e direcionar as suas respostas emocionais a eventos externos (e. g., estratégias para lidar com as configurações sociais produtoras de ansiedade ou para reduzir os distrativos de tarefas) ou eventos internos (e. g., estratégias para diminuir a ruminação sobre ideação depressiva ou produtora de ansiedade). Esses sca�olding devem fornecer alternativas suficientes para enfrentar o desafio das diferenças individuais nos tipos de estratégias que podem ser bem-sucedidas e na independência com as quais podem ser aplicadas. Exemplos de como implementá-lo: Forneça modelos diferenciados, sca�olding e feedback para: ● Gerenciamento de frustração; ● Buscar apoio emocional externo; ● Desenvolvimento de controles internos e habilidades de enfrentamento; ● Lidar adequadamente com fobias específicas do assunto e julgamentos de aptidão "natural" (e. g., "Como posso melhorar as áreas em que tenho dificuldades? " em vez de "Eu não sou bom em matemática"); ● Use situações ou simulações da vida real para demonstrar habilidades de enfrentamento. Ponto de verificação 9.3 - Desenvolver a autoavaliação e a reflexão Para desenvolver uma melhor capacidade de autorregulação, os alunos precisam aprender a monitorar as suas emoções e a reatividade com cuidado e precisão. Os indivíduos diferem consideravelmente em sua capacidade e propensão à metacognição, e alguns alunos precisarão de uma grande quantidade de instruções e modelagem explícitas para aprender como fazer isso com sucesso. Para muitos alunos, apenas reconhecer que eles estão progredindo em direção a uma maior independência é altamente motivador. Alternativamente, um dos fatores-chave para os alunos perderem a motivação é a sua incapacidade de reconhecer o seu próprio progresso. É importante, além disso, que os alunos tenham múltiplos modelos e sca�olding de diferentes técnicas de autoavaliação para que possam identificar e escolher aqueles que são ótimos. Exemplos de como implementá-lo: ● Ofereça dispositivos, auxílios ou gráficos para auxiliar os indivíduos na aprendizagem para coletar, mapear e exibir dados de seu próprio comportamento, com o objetivo de monitorar mudanças nesses comportamentos; ● Use atividades que incluam um meio pelo qual os alunos obtenham feedback e tenham acesso a sca�olding alternativos (e. g., gráficos, modelos, displays de feedback) que suportem a compreensão do progresso de uma maneira compreensível e oportuna. CONSIDERAÇÕES FINAIS O DUA é uma abordagem que procura tornar o currículo acessível a todos os alunos. As metodologias de aprendizagem utilizadas possibilitam a adoção de diversos recursos (pedagógicos e tecnológicos) para apresentar e executar os conteúdos (materiais, técnicas, estratégias), de forma que o aluno se sinta motivado a realizar as atividades propostas. Os alunos possuem a opção de executar e apresentar as atividades de diferentes maneiras, com base nos seus interesses e potencialidades (RIBEIRO; AMATO, 2018). Importa que o aluno faça parte da construção do currículo pedagógico, pois ao respeitar os seus interesses e competências, favorecerá o sucesso educativo e individual. Além disso, a escola deve assegurar a colaboração entre os pais e professores para evitar que existam barreiras impeditivas, como sejam, obstáculos à participação, exercício dos direitos, comunicação, acesso à informação, liberdade de movimentação, entre outros (BRASIL, 2015). A educação inclusiva tem o propósito de atender a diversidade por meio das respostas as necessidades de cada aluno. Nesse sentido, o DUA é um método que permite a participação e a aprendizagem de todos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT. Norma NBR 9050. Acessibilidade a Edificações, Mobiliário, Espaços e Equipamentos Urbanos. Rio de Janeiro, 2020. BRASIL. Estatuto da Pessoa com Deficiência. – 3ª. ed. Senado Federal, Coordenação de Edições Técnicas, 2019. BRASIL. Lei 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Brasília, Presidência da República, Casa Civil, 2015. BRASIL. RESOLUÇÃO CNE/CEB Nº 4, DE 13 DE JULHO DE 2010. Define Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica. Brasília, Presidência da República, Casa Civil, 2010. CARLETTO, Ana Claudia; CAMBIAGHI, Silvana. Desenho Universal: Um Conceito Para Todos. Fundação Mara Gabrilli. Disponível em: CENTER FOR APPLIED SPECIAL TECHNOLOGY - CAST. National Center on Universal Design for Learning, 2011. Acesso em 25 de maio de 2020. Disponível em: http://www.udlcenter.org/aboutudl/udlguidelines/prin ciple3. ____________________. About Universal Design for Learning, 2013. Acesso em 25 de maio de 2020. Disponível em: http://www.udlcenter.org/aboutudl/whatisudl. ____________________. Guidelines Developed and Researched, 2014. ____________________. Universal Design for Learning Guidelines Version 2.2., 2018. Acesso em 14 de julho de 2022. Disponível em: http://udlguidelines.cast.org COSTA-RENDERS, Elizabete Cristina; AMARA, Mara Solange