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70 BA N CO D O B RA SI L 8. Resposta: Letra D. Para responder à questão, faz-se necessário ter em conta que se trata de uma questão com mais de um ponto de vista. Normalmente, essa situação seria con- siderada um tipo de assédio, porém, há sentenças nesse sentido dada por Varas de Trabalho que já fo- ram reformuladas pelo TRT e TST, justificando que a conduta se revelou “mera estratégia para incremento da produtividade”, ou seja, divulgar internamente que um funcionário não atingiu meta de produtividade não gera automaticamente direito de indenização, se o ato for feito sem exageros e sem humilhar o traba- lhador, não há ilegalidade. Para que possa entender melhor, e para que não haja dúvidas, faz-se necessário rever o conceito de assédio moral. Vejamos: Assédio moral ou violência moral no trabalho não é um fenômeno novo. Pode-se dizer que ele é tão antigo quanto o trabalho. A novidade reside na intensificação, gravidade, amplitude e banalização do fenômeno e na abordagem que tenta estabelecer o nexo-causal com a organização do trabalho e tratá-lo como não inerente ao trabalho. É necessário distinguir o conceito de humilhação. Dessa maneira, trata-se de um sentimento de ser ofendido/a, menosprezado/a, rebaixado/a, inferiorizado/a, submetido/a, vexado/a, constrangido/a e ultrajado/a pelo outro/a. É sentir-se um ninguém, sem valor, inútil. Magoado/a, revoltado/a, perturbado/a, mortificado/a, traído/a, envergonhado/a, indignado/a e com raiva. A humilhação causa dor, tristeza e sofrimento. Agora, quanto ao assédio moral no trabalho, também vale alguns apontamentos. Vejamos: É a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humi- lhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais comuns em relações hierárqui- cas autoritárias e assimétricas, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e aéticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s), desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organiza- ção, forçando-o a desistir do emprego. Caracteriza- -se pela degradação deliberada das condições de trabalho em que prevalecem atitudes e condutas ne- gativas dos chefes em relação a seus subordinados, constituindo uma experiência subjetiva que acarreta prejuízos práticos e emocionais para o trabalhador e a organização. A vítima escolhida é isolada do grupo sem explicações, passando a ser hostilizada, ridicu- larizada, inferiorizada, culpabilizada e desacreditada diante dos pares. Estes, por medo do desemprego e a vergonha de serem também humilhados associado ao estímulo constante à competitividade, rompem os laços afetivos com a vítima e, frequentemente, re- produzem e reatualizam ações e atos do agressor no ambiente de trabalho, instaurando o ’pacto da tole- rância e do silêncio’ no coletivo, enquanto a vítima vai gradativamente se desestabilizando e fragilizando, ’perdendo’ sua autoestima. Conhecendo os conceitos acima, você verá que um ato isolado de humilhação, como propõe a questão acima, não é assédio moral. Para que seja considerado assédio moral é preciso que haja: – repetição sistemática – intencionalidade (forçar o outro a abrir mão do em- prego) – direcionalidade (uma pessoa do grupo é escolhida como bode expiatório) – temporalidade (durante a jornada, por dias e meses) – degradação deliberada das condições de trabalho Entretanto, quer seja um ato ou a repetição deste ato, devemos combater firmemente por constituir uma violência psicológica, causando danos à saúde física e mental, não somente daquele que é excluído, mas de todo o coletivo que testemunha esses atos. O desabrochar do individualismo reafirma o perfil do ’novo’ trabalhador: ’autônomo, flexível’, capaz, com- petitivo, criativo, agressivo, qualificado e empregável. Estas habilidades o qualificam para a demanda do mercado que procura a excelência e saúde perfeita. Estar ’apto’ significa responsabilizar os trabalhado- res pela formação/qualificação e culpabilizá-los pelo desemprego, aumento da pobreza urbana e miséria, desfocando a realidade e impondo aos trabalhadores um sofrimento perverso. A humilhação repetitiva e de longa duração interfere na vida do trabalhador e trabalhadora de modo direto, comprometendo sua identidade, dignidade e relações afetivas e sociais, ocasionando graves danos à saúde física e mental*, que podem evoluir para a incapacida- de laborativa, desemprego ou mesmo a morte, consti- tuindo um risco invisível, porém concreto, nas rela- ções e condições de trabalho. Enfim, trata-se de assunto complexo, no entanto, o enunciado cita o código de ética do BB, portanto, no momento nossa analise se pautará no dispositivo in- terno citado, que rege: [...] 3.2. Alta Administração, Funcionários e Colaboradores 3.2.1. Zelamos pelo estabelecimento de um ambiente de trabalho digno e saudável, pautando as relações en- tre superiores hierárquicos, subordinados, pares e cola- boradores pelo respeito e pela cordialidade. 3.2.2. Repudiamos condutas que possam caracterizar assédio de qualquer natureza [...] Dessa forma, temos como gabarito a alternativa D. 9. Resposta: Letra B. O enunciado por si só já direciona à resposta, no tre- cho: “a quantidade e as características dos valores mo- biliários” , que automaticamente nos remete à CVM. Mas temos também o estatuto, conforme indicado no enunciado, que rege: Art. 17. Sem prejuízo dos procedimentos de autorre- gulação atualmente adotados, os membros do Con- selho de Administração e da Diretoria Executiva do Banco deverão: I – comunicar ao Banco, à CVM – Comissão de Valores Mobiliários e à bolsa de valores : a) imediatamente após a investidura no cargo, a quan- tidade e as características dos valores mobiliários ou derivativos de que sejam titulares, direta ou indireta- mente, de emissão do Banco, de suas controladas ou