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AMBIENTES LEAN MANUFACTURING Prof. Miguel Arantes Normanha Filho AULA 4 A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 2 INTRODUÇÃO Nesta abordagem, o conteúdo será desmembrado, para uma ampla compreensão, nos seguintes tópicos: 1 – Medição de desempenho em indústria; 2 – Diferença do processo de medição de desempenho nos sistemas de manufaturas; 3 – Criando indicadores; 4 – Indicadores de desempenho lean e; 5 – Cultura de produção lean. Um sistema de medição de desempenho como aquele que contempla um conjunto de indicadores utilizados para quantificar a eficiência ou a eficácia de um processo de produção em uma organização de negócios industrial. Sistemas de medição podem ser estruturados de várias maneiras, sendo que seus indicadores podem ser estabelecidos de forma meramente intuitiva ou amparados em metodologias de mensuração de desempenho. Existem fatores que contemplam a necessidade de se aferir necessidades de ter-se métricas como: financeira, abertura dos mercados, proporcionando novos concorrentes e detalhes aprofundados dos clientes quanto aos seus direitos. É certo que cada organização de negócios, dependendo de sua atividade econômica ou porte, possui forma específica para coleta, análise e interpretação de dados para tomada de decisões. Compromete, também, em tal contexto, os recursos disponibilizados: humanos, físicos, tecnológicos e financeiros. No que se refere ao lean manufacturing, temos que a cultura organizacional torna-se uma barreira para a implementação de programas de melhorias, com especial destaque no estágio inicial. Os conteúdos que serão desenvolvidos ao longo desta abordagem proporcionarão aplicação prática para os que irão ou estão com indicadores de desempenho lean. Por último, é importante frisar que as competências (conhecimentos, habilidades e atitudes) desenvolvidas serão importantes para o profissional que deseja trabalhar em área estratégica para o crescimento e desenvolvimento do Brasil, que envolva Lean Manufacturing. Um excelente aproveitamento nos estudos! A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 3 TEMA 1 – MEDIÇÃO DE DESEMPENHO EM INDÚSTRIA Podemos definir um sistema de medição (Figura 1) de desempenho como aquele que contempla um conjunto de indicadores utilizados para quantificar a eficiência ou a eficácia de um processo de produção em uma organização de negócios industrial. Figura 1 - Medição Créditos: TarikVision/ Shutterstock. Portanto, entende-se que para realizar a medição de desempenho, compreende-se que é o processo de quantificar, de medir uma determinada ação, uma vez que a medição é o processo de quantificação e o desempenho do processo de produção é aquele derivado de ações propiciadas pela gestão, sendo que, uma vez que não é concretizada a medida de desempenho, torna-se impossível ter o controle das operações de forma contínua (Röder; Röder, 2016). Temos, assim, que o controle tem como finalidade medir e avaliar os resultados e as ações, por meio da comparação de padrões pré-estabelecidos pela organização de negócios, para realimentar os tomadores de decisão, de forma que possam corrigir ou reforçar o desempenho desejado e, também, ingerir em outras funções do processo administrativo, propiciando, assim, que os resultados alcancem os objetivos e as metas estabelecidas em planejamento. Tornando-se possível verificar que a relevante finalidade do controle de desempenho é proporcionar suporte para que os resultados das estratégias, ações de gestão, políticas e diretrizes, planos táticos e operacionais A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 4 se ajustem aos objetivos e metas estabelecidos no planejamento (Röder; Röder, 2016). 1.1 Sistema de medições de desempenho No que tange a abordar sistema de medições de desempenho de uma organização de negócios, contempla-se um conjunto de indicadores de desempenho organizados de forma a propiciar a gestão de processos de forma integrada (Röder; Röder, 2016). Sistemas de medição podem ser estruturados de várias maneiras, sendo que seus indicadores podem ser estabelecidos de forma meramente intuitiva ou amparados em metodologias de mensuração de desempenho, de última geração. Medições de desempenho contemplam vários aspectos do desempenho organizacional, entre eles: rentabilidade, competitividade, eficiência, eficácia, qualidade, inovação, produtividade e mesmo qualidade de vida no trabalho (Röder; Röder, 2016). Com o início do desenvolvimento do Balanced Scorecard (BSC), um método eficiente e eficaz de avaliação de desempenho, que contempla quatro perspectivas no âmbito da organização de negócios: financeiro, cliente, processos internos e crescimento e aprendizagem, contemplou-se equilíbrio na mensuração estratégica. Para serem bem-sucedidas na era da informação, dos avanços tecnológicos, as organizações de negócios devem utilizar sistemas de medição de desempenho oriundos de suas estratégias e competências gerenciais (Röder; Röder, 2016). Sabe-se, portanto, que o controle e avaliação de desempenho podem ser aplicados como instrumento administrativo, para corrigir ou colaborar para o desempenho já contemplado, informando sobre necessidade de alterações das funções administrativas, garantir a manutenção e o aumento da eficiência, eficácia e efetividade para o alcance dos objetivos e metas planejados, informar se os recursos: humanos, físicos, financeiros e tecnológicos estão sendo aplicados da melhor forma possível (Röder; Röder, 2016). 1.2 Gestão e avaliação do desempenho na organização Na medição do desempenho da indústria é vital o entendimento da gestão e avaliação do desempenho humano na organização de negócios, que é uma A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 5 forma especializada de se fazer gestão de pessoas dos diversos níveis da estrutura organizacional, com alinhamento estratégico à missão e visão do negócio. A gestão ocorre após análise do desempenho individual ou de uma equipe de funcionários em contexto organizacional. Pereira (2014) ensina que a abrangência do capitalismo e a globalização econômica obrigaram às organizações de negócios busca constante de competitividade, tendo a criatividade e a inovação como condições de sobrevivência e para o alcance dos objetivos organizacionais e pela sustentabilidade dos negócios. Mesmo ocorrendo acentuados avanços tecnológicos, o ser humano é o maior recurso de uma organização de negócios, a partir de desempenhos melhores que os concorrentes. Em tal situação, torna- se obrigatório avaliar e gerenciar o desempenho das pessoas da estrutura organizacional, uma vez que é a única possibilidade de ter-se o controle entre o previsto e real, das ações e processos planejados para que se possa atingir os objetivos e metas para o sucesso do negócio. Hipólito e Reis (2002, p. 73) contemplam que “A prática da avaliação de pessoas no ambiente empresarial é frequentemente associada a um instrumento específico de gestão: a avaliação de desempenho”. Os autores de forma complementar expõem que “[...] tal instrumento, cujo propósito é verificar quanto o profissional se adapta aos objetivos da empresa e as demandas e exigências do trabalho”. Assim sendo, “[...] configurando-se, portanto, em um sistema de gestão de desempenho”. 1.3 Objetivos Na medição do desempenho da indústria existe a necessidade de que os objetivos no planejamento sejam definidos de forma a propiciar bons resultados para os negócios. Os objetivos organizacionais são situações ou condições planejadas para o fim desejado que a organização pretende atingir em dadasituação e horizonte de tempo, de forma que ocorra orientação de suas ações e comportamentos que irão impactar tanto no ambiente externo como interno. Os objetivos representam a razão da existência da organização, sendo alinhados com a sua missão e visão. Podem ser estratégicos, que produzem as ações que, feitas hoje, refletirão no futuro, ou mesmo de pequeno e médio alcance, no A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 6 âmbito das ações táticas e operacionais. Os objetivos de sucesso inserem-se sempre em um contexto de ações planejadas. Wright, Kroll e Parnell (2000, p. 98) ensinam que “Enquanto a missão é a razão de existir da empresa, os objetivos gerais representam fins genéricos desejados, para os quais são orientados os esforços da empresa”. No que tange aos objetivos específicos, os autores contemplam que “[...] são versões mais restritas e frequentemente quantificadas dos objetivos gerais [...] são focalizados e verificáveis”. Os autores são enfáticos quanto aos objetivos específicos na questão de serem verificáveis, “Sem verificabilidade e especificidade, os objetivos específicos não fornecerão uma orientação clara para a tomada de decisão administrativa, nem permitirão uma avaliação do desempenho da empresa”. Temos assim que considerar, também, que a medição do desempenho da indústria por meio de indicadores deve considerar a produtividade dos processos organizacionais. Podemos conceituar que produtividade é a condição nos processos organizacionais de se gerar bens ou serviços, com a máxima eficiência e eficácia, no menor tempo, com menos recursos, mas com a qualidade percebida pelo cliente, com aumento da margem de contribuição. TEMA 2 – DIFERENÇA DO PROCESSO DE MEDIÇÃO DE DESEMPENHO NOS SISTEMAS DE MANUFATURA Entende-se como medição de desempenho a promoção de mudanças. Assim sendo, quando se contempla de uma nova forma de gestão da produção (Figura 2) por meio de mudança, trata-se de uma forma de empreender. Então, avaliar a eficiência e eficácia dessas mudanças é função do sistema que providencia a medição de desempenho. Assim sendo, define-se a medição de desempenho como [...] o conjunto de processos que uma organização usa para gerenciar a implementação da sua estratégia, comunicar sua posição e progresso, e influenciar o comportamento e ações dos seus funcionários. Isso requer a identificação dos objetivos estratégicos, medidas de desempenho multidimensionais, metas e o desenvolvimento de uma infraestrutura de suporte. (Franco-Santos et al., 2004, p. 401, citados por Lorenzon; Martins, 2006) A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 7 Figura 2 - Gestão da produção Créditos: Atitaph_StockPHoTo/ Shutterstock. É importante considerar que a desvantagem de usar apenas medidas de desempenho financeiras para analisar o desempenho contempla-se diante da necessidade de informações, entre elas, a qualidade dos produtos em termos de durabilidade, flexibilidade, disponibilidade, agregação de valor e, também, satisfação dos clientes, técnicas, procedimentos ou considerações de mensuração da produtividade (Lorenzon; Martins, 2006). 2.1 Sistemas de medição Existem fatores que contemplam a necessidade de se aferir necessidades de ter-se métricas como: financeira, abertura dos mercados, proporcionando novos concorrentes e detalhes aprofundados dos clientes quanto aos seus direitos. Tal situação desencadeou por parte de praticantes e pesquisadores por novas formas de medição do desempenho, face tal contexto, surge um movimento migratório por parte das organizações de negócios no alcance de novos sistemas de medição para aferição de seus desempenhos (Lorenzon; Martins, 2006). Neely (1999, citado por Lorenzon; Martins, 2006) contempla tal situação como uma revolução, e relaciona sete razões: transformação da natureza do trabalho; aumento da competição; iniciativas de melhorias específicas; prêmio A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 8 da qualidade nacional e internacional; mudança nos papéis das organizações; mudanças nas demandas externas e; tecnologia da informação. Ohashi e Melhado (2004, citados por Lorenzon; Martins, 2006) sustentam que a métrica de desempenho propicia um papel estratégico nas organizações de negócios, uma vez que contempla um processo de autocrítica e de acompanhamento dos processos e das estratégias e ações que são tomadas durante sua execução. Sendo que as medidas primárias de desempenho devem ser analisadas de forma individual, atreladas com os objetivos, metas e estratégia. No complemento são reunidas de forma a gerar um conjunto de medidas de desempenho. Assim, o desenvolvimento de um sistema de desempenho condiciona-se à existência de uma lógica que agregue essas medidas individuais. Neely et al. (1997, citados por Lorenzon; Martins, 2006) se posicionam sobre uma estrutura para o projeto de indicadores de desempenho, contendo os seguintes componentes: título, finalidade, fundamentação, meta, fórmula, frequência de medição, frequência de revisão, quem irão medir, fonte de dados, a quem deve ser destinados os dados e o uso deles. Observa-se, entretanto, que muitas organizações de negócios, nas quais se inclui o setor industrial, não contemplam qualquer tipo de sistema estruturado de medição de desempenho. E mesmo quando possuem, ocorrem deficiências em muitos dos sistemas implementados. Situação decorrente de alguns fatores, entre eles: a dificuldade das organizações de negócios em definir o que medir e como medir, uma vez que nem sempre é clara quais medidas de desempenho as organizações de negócios devem adotar e quais são as mais relevantes; as medidas de desempenho nem sempre são integradas ou alinhadas com o processo de negócio; ocorrem entraves para implementação do sistema de medição de desempenho tanto de caráter estrutural, referente a deficiências no projeto do sistema e forma de implementação, quanto entraves comportamentais, relacionadas às formas de pensar e agir dos gestores, baseadas na intuição, impulso e experiência ao processo de tomada de decisões (Costa et al., 2002, citados por Lorenzon; Martins, 2006). Lantelme (1994, citado por Lorenzon; Martins, 2006) ensina que o setor da construção civil, não habituado à prática da métrica de desempenho, é carente de dados que possam propiciar informações quanto ao desempenho das A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 9 organizações de negócios e quanto às ações e estratégias que devem ser tomadas para a melhoria da qualidade e produtividade. 2.2 Medição na lean construction Howell (2001, citado por Lorenzon; Martins, 2006) aborda que o sistema de medição tradicional contempla como um problema na introdução dos conceitos lean e sugerem um modelo que identifica três elementos críticos para o seu sucesso: tempo gasto com a melhoria; melhoria das habilidades e; mecanismos e perspectiva da melhoria e metas. Cabe contemplar que este foi o único trabalho que foca no tema de medição de desempenho na adoção da lean construction. Godinho Filho e Fernandes (2004, citados por Lorenzon; Martins, 2006) propõem uma classificação dos artigos sobre a produção enxuta, contemplando 82 (oitenta e dois) artigos. Eles propuseram um sistema de classificação baseado em quatro parâmetros: método, abrangência, princípios e capacitadores. A resultante em percentual mostra a frequência que consta nos trabalhos. No que se refere aos capacitadores: o trabalho em equipes, o kanban e a tecnologia de grupo constam, respectivamente, em 41,5%, 30,5% e 28% dos trabalhos pesquisados. Outros capacitadores bastante estudados são: o trabalho em fluxo contínuo/reduçãodo tamanho de lote (26,8%); trabalhador multiespecializado/rodízio de funções e treinamento de pessoal (tratados em 22%); e melhoria na relação cliente–fornecedor/redução do número de fornecedores e kaizen (tratados em 20,7%). Alguns capacitadores são contemplados em um número extremamente reduzido de trabalhos, como é o caso dos gráficos de controle visuais (3,6%) e da utilização de medidas de desempenho enxutas (1,2%). Ressalta-se que o capacitador medidas de desempenho enxutas obteve um reduzido índice de aparição, isto é, para a manufatura. Cardoza e Carpinetti (2005, citador por Lorenzon; Martins, 2006) produziram um conjunto de itens contemplando as diferenças que existem no sistema de medição de desempenho da produção em massa e da produção enxuta. Sendo a produção em massa baseada na previsão da demanda, na produção enxuta a produção é puxada, isto é, só é produzido quando ocorre uma demanda real. O sistema ressalta apenas os índices específicos locais, A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 10 desconsiderando a visão global do processo produtivo. Em tal sistema de produção é comum utilizar meios informais para medir o desempenho dos processos produtivos. Sendo que, na maioria das ocasiões, os dados divulgados nos setores da organização de negócios são desatualizados e, também, falham na integração (Lorenzon; Martins, 2006). TEMA 3 – CRIANDO INDICADORES Entende-se que os indicadores de desempenho (Figura 3) são essenciais nas organizações de negócios, pois colaboram para medir os resultados e buscar melhorias. Com um panorama real do momento do negócio, os erros e os problemas podem ser identificados, e isso facilita muito a busca por soluções. Quando se contempla sobre indicadores de desempenho sabemos que eles se comportam como estratégicos meios para mensuração do nível de desempenho das organizações de negócios, e, como elementos importantes para a tomada de decisão, proporcionam melhorias significativas tanto nos ambientes interno da organização como no ambiente externo, portanto aliados às estratégias e objetivos e metas da organização. Figura 3 - Indicadores de desempenho Créditos: Sammby/ Shutterstock. 3.1 Indicadores-chave de desempenho (KPIs) Baltazan (2016) observa que Peter Drucker, o renomado escritor de administração, contemplou que se você̂ não pode medir algo, você não pode gerenciá-lo. Como os gestores medem o progresso de um projeto de negócios complexo? Assim, devemos considerar as métricas, que são medidas que avaliam resultados de forma que um projeto possa concretizar seus objetivos e A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 11 metas. O autor define duas importantes condições, que são: os fatores críticos de sucesso e os indicadores-chave de desempenho. Fatores críticos de sucesso são as fases cruciais que as organizações realizam para alcançar suas metas e objetivos e, consequentemente, implementar suas estratégias para o sucesso do negócio. Indicadores-chave de desempenho, conhecidos também por KPI – Key Performance Indicator, são as métricas quantificáveis que a organização utiliza para avaliar o progresso na concretização dos fatores críticos de sucesso. Os KPIs são muito mais específicos do que os fatores críticos de sucesso (Baltazan, 2016). Indicadores-chave de desempenho representam os dados estratégicos utilizados pelos gestores e diretores de organizações para acompanhar a evolução dos processos e operações do negócio. Assim sendo, ao definir os indicadores-chave de desempenho que serão monitorados na organização de negócios é fundamental observar a relevância que eles possuem para os objetivos e metas estratégicos da organização, que indicam o futuro, sendo geralmente identificados ao crescimento do negócio, às estratégias no ambiente competitivo ou às finanças - manutenção dos recursos financeiros, como também aos recursos: humanos, físicos e tecnológicos. Os indicadores-chave de desempenho (KPIs) são importantes métricas para a gestão dos negócios em contexto de grande competitividade no ambiente concorrencial. Por meio deles, torna-se possível o direcionamento do negócio da organização, avaliando de forma rápida se os objetivos e metas estão sendo alcançados ou quais os desvios constatados do planejado para o alcance do objetivo estratégico. Em tal contexto, um dashboard de indicadores de desempenho estabelece um patamar de excelência na gestão dos negócios, porque reúne todos os indicadores-chave de desempenho (KPIs) em um só lugar. Propiciando visualização da evolução dos diferentes processos do negócio lado a lado. Os indicadores- chave de desempenho se concentram em medidas internas e externas. No que tange ao externo se refere, por exemplo, à participação no mercado (market share), quer dizer, à fatia do mercado que uma organização possui em dado período. A participação no mercado de uma organização mede o seu desempenho externo em relação ao de seus concorrentes (Baltazan, 2016). Um indicador-chave de desempenho interno, por exemplo, é o retorno sobre o investimento (ROI – Return on Investment), que indica o poder de A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 12 ganhos de um projeto. Medimos o ROI dividindo a rentabilidade de um projeto pelos custos. Uma situação simples, que para muitos departamentos torna os projetos tangíveis e autossuficientes (Baltazan, 2016). Entre muitas separações de indicadores-chave de desempenho (KPIs) podemos identificar alguns importantes, entre eles: indicadores-chave de desempenho de produtividade. Referem-se à produtividade de cada recurso humano na produção de bens ou serviço, por exemplo, hora trabalhada; indicadores-chave de desempenho de qualidade. Permite compreender qualquer desvio ou não conformidade ocorrida durante um processo produtivo; Indicadores-chave de capacidade. Referem-se à mensuração da capacidade de resposta de um processo produtivo; indicadores-chave estratégicos. São os indicadores que servem de orientação ao alcance do objetivo estratégico. Permitem aos gestores saberem como a organização está em relação aos objetivos já estabelecidos no planejamento. Alguns instrumentos de gestão que proporcionam boa sustentação ao processo decisório inerente às informações são as várias técnicas de análise de posição competitiva existentes. Os gestores devem considerar as prioridades das informações para que se dimensione indicadores-chave de desempenho (KPIs). Também deve-se considerar as fontes geradoras de informações. Porque, embora toda organização apresente a predisposição de ter alguma forma de informações diretas e estruturadas sobre as intenções e o desempenho dos seus concorrentes, o gestor deve considerar que isso normalmente é impossível. Assim sendo, ocorre a necessidade de a organização recorrer a indicadores secundários que permitam inferir essas informações. Em tal procedimento, os gestores devem tomar determinados cuidados, pois os indicadores não são sempre diretos e, na maioria dos casos, são bastante ambíguos, exigindo a sua correlação com outros indicadores de desempenho, tornado o trabalho de análise, em algumas situações, nem sempre simples (Oliveira, 2018). A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 13 3.2 Indicador-chave de desempenho dashboard O indicador-chave de desempenho (KPI) dashboard deve ser considerado uma possibilidade de unir os indicadores com a gestão à vista, facilitando o acesso de todos os analistas, gestores e demais recursos humanos da organização às informações pertinentes à boa performance da organização. Assim, dashboard é a forma com a qual os KPIs serão visualizados pelosanalistas, gestores e demais recursos humanos da organização. A relevância aqui é compartilhar os indicadores-chave de desempenho que vão medir o sucesso de um processo, de um projeto e/ou dos negócios com a organização como um todo, de forma que todos saibam o que realmente é relevante para a gestão do negócio. O dashboard de indicadores de desempenho é uma ferramenta que permite monitorar, em tempo real, o andamento e a evolução de diferentes demandas e projetos da organização. Por meio dele, analistas, gestores, líderes e os recursos humanos da organização passam a ter acesso, de forma objetiva, a dados e informações relacionadas à gestão e à performance do negócio da organização. Ele pode ser um mural, um quadro, uma TV ou qualquer outro formato. Mas deve estar em local de fácil visualização. TEMA 4 – INDICADORES DE DESEMPENHO LEAN Quando abordamos sobre apoio à tomada de decisão (Figura 4) no contexto do ambiente de negócios, isto é, ambientes estratégicos da organização, tudo se refere aos processos planejados que existem para coletar dados mediante usos de metodologias das transações da organização, de como interpretá-los e direcioná-los para que possam ser usados como informações pelo corpo gerencial, em tempo válido para a eficiência e eficácia das decisões. As transações se referem aos registros feitos pela organização, tanto no seu ambiente interno como externo. A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 14 Figura 4 - Tomada de decisão Créditos: T.Dallas/ Shutterstock. Portanto, atenção deve ser dada ao ambiente externo, pois é nele que avaliamos, por exemplo, o ambiente operacional - concorrencial, o conhecimento dos possíveis clientes e as variáveis que influenciam o processo de aquisição de um produto ou serviço, como também os fatores do ambiente geral que impactam na organização, como as forças: política, legal, social e cultura, econômica e tecnológica. 4.1 Informação estratégica Podemos afirmar que a informação gerada é estratégica para as tomadas de decisões da organização. Portanto, para comunicação em todos os níveis organizacionais, informando o desempenho das operações atuais, previsão das operações futuras e para gerar estratégias em relação ao seu funcionamento no ambiente de negócios. No campo da gestão criam-se perspectivas por saber quando os gestores podem usar as informações certas no tempo correto, para a eficácia das decisões. A competência específica para entender, digerir, analisar e filtrar informações é a chave para o sucesso do gestor (Baltzan, 2016). A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 15 É certo que cada organização de negócios, dependendo de sua atividade econômica ou porte, possui forma específica para coleta, análise e interpretação de dados para tomada de decisões. Compromete, também, em tal contexto, os recursos disponibilizados: humanos, físicos, tecnológicos e financeiros. Quando contemplamos a inteligência de negócios no âmbito de tomada de apoio à decisão, podemos dizer que a inteligência se refere à resultante do processo que tem seu início no planejamento para obtenção ou coleta de dados, que depois são organizados, analisados e interpretados, resultando em informações para uso nas decisões gerenciais. Assim, inteligência de negócios é o conhecimento e previsão dos ambientes estratégicos onde se insere a organização, o interno e externo, de forma a direcionar as ações gerenciais objetivando o alcance de posicionamento de marketing e vantagem competitiva do negócio (Wanderley, 1999). A inteligência de negócios comporta processos e tecnologias que propiciam a aquisição, organização e análise de dados para melhorar a performance na tomada de decisão, em todas as etapas do negócio da organização. Estas condições permitem às organizações armazenar, recuperar, modelar, simular e analisar quantidades significativas de dados e informações, entre eles, entender as percepções, hábitos de compra e consumo de clientes, importantes para a vendas de produtos e serviços que melhoram o desempenho e resultados do negócio (Silva; Silva; Gomes, 2016). Em um mundo globalizado, no que se refere à variável econômica, ressalta-se a promoção de um ambiente de acirrada competição entre as organizações, institutos de ciência, tecnologia e inovação, governos e países. Entre as dimensões no âmbito da competição, destaca-se a dimensão da informação. Assim, a passagem da era industrial para sociedade da informação destacou para primeiro plano a informação e o conhecimento, sendo a informação alavancada em proporções exponenciais no século XX, com o advento da internet. Temos, assim, um massivo de sistemas informacionais por toda da sociedade, com ênfase no ambiente organizacional, onde também se observou redução de custos de hardware, software e acesso à internet. Em tal contexto podemos observar que: a informação é importante para que se possa alcançar a vantagem competitiva – sendo a inteligência dos dados obtidos, convertidos em conhecimento; obtenção de dados que transformados em A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 16 informações tornam-se estratégicos para tomada de decisões (Todesco et al., (2007, citados por Lucas; Café; Vieira, 2016). 4.2 Inteligência de negócios A inteligência de negócios possui importância para organizações de negócios que objetivam ter posicionamento de marketing e vantagens competitivas em suas operações de forma a contribuir com o sucesso da gestão do negócio. Em um ambiente de negócios com concorrência agressiva e incertezas, com inovações constantes e velocidade no uso de novas tecnologias, como também, quebras de paradigmas de gestão, a inteligência de negócios é uma ferramenta poderosa que se oferece para o sucesso das organizações. As transformações no mundo dos negócios obrigam as mudanças das estruturas organizacionais, inovação dos negócios por meio de produtos e serviços ofertados. Em tal contexto, a tecnologia da informação se tornou vital e estratégica para as informações que impactam nos negócios, proporcionando novos processos, produtos e serviços e novas formas de gestão e estruturas organizacionais. Assim, a tecnologia da informação no contexto da inteligência de negócios trouxe novas perspectivas nos hábitos e formas de gerenciar, tornando as organizações mais ágeis e eficazes no ambiente concorrencial (Silva; Silva; Gomes, 2016). Organização de negócio competitiva, que possui de forma consolidada a inteligência de negócios, é aquela que consegue lidar com seus ativos informacionais e interpretar os dados oriundos do ambiente externo com eficiência e eficácia. A tomada de decisão deixou de ser nas organizações um ato único exclusivo da vontade e experiência vivencial de um gestor. Hoje sabe-se que sem informações confiáveis, baseadas em planejamento, metodologias de coleta de dados, organização e análise não é possível que ela possa sobreviver ao ambiente de negócios, com alta concorrência, incerto e com eventos turbulentos, tudo se transforma muito rapidamente. É importante entendermos que hoje pode ser usado dados de pesquisa primária e secundária, e a tecnologia da informação e os programas computacionais permitem que sejam feitas previsões e simulações de forma rápida, além de que o preparo hoje dos gestores, por meio de instituições de A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 17 ensino, em nível de graduação e pós-graduação, fornece ao mundo do trabalho pessoas com competências para análise de dados e informações e, também, no processo decisório. Também, disponibiliza pesquisas e teses avançadas das práticas de gestão. Podemos,assim, entender que a base de tomada de decisões é um campo em profunda transformação, importante para a dinâmica dos negócios. Validação, sempre, nos processos de coleta, organização e análise de dados para informações que serão a base de tomada de decisão. Inteligência de negócios não permite o uso de ferramentas e processos imprecisos. Assim como, recursos humanos não capacitados. A capacitação deve ser constante. TEMA 5 – CULTURA DA PRODUÇÃO LEAN No âmbito da cultura da produção lean (Figura 5) devemos compreender o que é cultura organizacional. Marras (2002, p. 290) citando Schein (1997) aborda a seguinte definição de cultura organizacional: Cultura organizacional é o modelo de pressupostos básicos que um grupo assimilou na medida em que resolveu seus problemas de adaptação externa e integração interna e que, pode ter sido suficientemente eficaz, foi considerado válido e repassado (ensinado) aos demais (novos) membros como a maneira correta de perceber, pensar e sentir a aqueles problemas. Figura 5 - Lean Créditos: SWKStock/ Shutterstock. A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 18 Cultura organizacional significa o conjunto de valores, crenças, procedimentos e normas adotadas por uma organização, que impactam na sua forma de gestão e socialização dos novos membros – é construção feita por um grupo e um contexto organizacional. Não é um conceito estático, é complexo e sofre ao longo do tempo por influência do ambiente onde insere-se a organização. 5.1 Clima organizacional No âmbito da cultura organizacional, deve ser entendido o que seja clima organizacional. Quando abordamos clima organizacional, estamos contemplando a percepção do coletivo da organização representado pelos seus colaboradores – recursos humanos que trabalham na organização. Percepção é uma função cerebral que atribui significado a estímulos sensoriais, a partir de histórico de vivências passadas no ambiente de trabalho, que envolvem as atribuições de tarefas, a liderança dos processos, a forma de tratamento dado aos colaboradores, as formas de avaliações feitas, as remunerações e benefícios, o ambiente de trabalho, entre outros fatores. Por meio da percepção das pessoas no trabalho, organiza-se e interpreta-se as suas impressões sensoriais, dando significado as suas interpretações do ambiente em que trabalha e, também, à organização como um todo. A gestão estratégica de recursos humanos deve, de tempo em tempo, fazer pesquisa de clima organizacional, procurando por meio de instrumentos de coletas de informações, bem dimensionados, saber os sentimentos, necessidades e desejos dos colaboradores, pois gerenciar pessoas motivadas facilita o alcance dos objetivos e metas, ao menor custo, maior qualidade e segurança. 5.2 Cultura organizacional no âmbito do lean manufacturing Schein (1984, citado por Bento; Gomes; Tontini, 2019) ensina cultura organizacional como equacionamentos de um grupo para operar com seus problemas de adaptação externa e integração interna, que operam bem o suficiente para serem considerados eficientes, e, portanto, serem ensinados aos novos recursos humanos como a forma certa de equacionar com esses problemas. A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 19 No que se refere ao lean manufacturing, temos que a cultura organizacional torna-se uma barreira para a implementação de programas de melhorias, com especial destaque no estágio inicial (Crandall; Crandall, 2011, citados por Bento; Gomes; Tontini, 2019). Em algumas situações os recursos humanos de uma organização de negócios não conseguem entender a relevância de se implementar novos programas como o lean manufacturing, porque não conseguem entender essa importância refletida nas ações da gestão do negócio. O lean deve ser entendido como uma filosofia praticada a todo e qualquer momento e por todos, sem exceção, de forma que se torne parte da cultura (Bento; Gomes; Tontini, 2019). Pode-se entender que a cultura organizacional deve ser contemplada como a cola social e mesmo normativa, que propicia que uma organização se mantenha unida (Tichy, 1982, citado por Bento; Gomes; Tontini, 2019) Ela reflete os valores, ou ideais sociais, e as crenças que os membros da organização passam a compartilhar (Smircich, 1983, citado por Bento; Gomes; Tontini, 2019). Considera-se, assim, um conjunto que contempla suposições e crenças compartilhadas por todos os membros da organização de negócios, que, de fato, influenciam a forma como os recursos humanos percebe, pensa e age (Schein, 1996, citado por Bento; Gomes; Tontini, 2019). Pesquisas e estudos têm analisado o impacto das diferenças culturais entre países na implementação do lean (Bortolotti; Boscari; Danese, 2015; Glaser-Segura; Peinado; Graeml, 2011; Kull et al., 2014, citados por Bento; Gomes; Tontini, 2019). Hofstede (1984, citado por Bento; Gomes; Tontini, 2019) contempla a cultura sob a perspectiva nacional, contemplada em quatro dimensões: individualismo versus coletivismo; distância do poder; aversão à incerteza e; masculinidade versus feminilidade. Temos que o Global Leadership and Organisational Behavior Effectiveness é um outro modelo para a métrica da cultura organizacional e nacional, desenvolvido no contexto do estudo de Hofstede (Kull et al., 2014 citados por Bento; Gomes; Tontini, 2019). As dimensões do Global Leadership and Organisational Behavior Effectiveness contemplam: distância do poder; coletivismo institucional; coletivismo no grupo; orientação para o futuro; orientação ao desempenho; A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 20 igualitarismo de gênero; assertividade; aversão à incerteza e; orientação humana (House et al., 2004 citados por Bento; Gomes; Tontini, 2019). Schein (1996, citado por Bento; Gomes; Tontini, 2019) enfatiza a importância da cultura para que ocorra a aprendizagem organizacional, e pondera que as organizações e negócios necessitam compreender que executivos, engenheiros e operários usam linguagens diferenciadas e contemplam suposições diferenciadas sobre o que é relevante. Se não aprenderem a tratar as outras culturas como válidas e aceitáveis, os esforços de aprendizagem organizacional irão falhar. Filosofia lean - produção enxuta, e mesmo, Sistema Toyota de Produção, deve ser considerada como uma abordagem multidimensional que abarca uma ampla variedade de práticas de gestão no contexto de um sistema integrado (Shah; Ward, 2003, citados por Bento; Gomes; Tontini, 2019). Lean é resultante de uma ampla pesquisa e estudos de benchmarking entre organizações de negócios fabricantes de veículos ocidentais e japoneses conduzida pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) num período de cinco anos (Bhasin, 2011, citado por Bento; Gomes; Tontini, 2019). Womack, Jones e Roos (1990, citados por Bento; Gomes; Tontini, 2019) detalham as técnicas de manufatura enxuta aplicadas pela Toyota, identificadas de lean na obra A máquina que mudou o mundo. Temos que o lean é considerado "enxuto" porque aplica menos recursos em comparação com a produção em massa (Womack; Jones; Roos, 1990, citados por Bento; Gomes; Tontini, 2019). A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 21 REFERÊNCIAS ARRUDA, H. J. de; GOMES, K. C. A. L. Qualidade e produtividade: um estudo de caso na empresa Sonergia. E-Faceq, ano 3, n. 3, maio de 2014. Disponível em: . Acesso em: 18 jul. 2022. BALTZAN, P. Tecnologia orientada para gestão. 6. ed. 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