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CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM TENDÊNCIAS 
DA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 
 
 
 
 
 
 
 
Sobral-Ce 
2023 
 
 
 
UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ - UVA 
PRÓ-REITORIA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA - PROED 
NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - NEaD 
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO LATO SENSU - UAB/UVA 
 
 
 
 
 
Disciplina: 
Seminário de pesquisa em Ensino 
da Matemática. 
 
Carga Horária: 30 horas (2 créditos) 
 
Período: 23/10/2023 a 19/11/2023 
 Formador: Prof. Bergson Rodrigo Siqueira de Melo 
 
 
 
 
BLOCO 1 
e 
BLOCO 2 
 
APRESENTAÇÃO 
 
 
Caro(a) Cursista, 
 
 
Estamos iniciando a disciplina Seminário de Pesquisa em Ensino da Matemática. 
Nesta disciplina, estudaremos as bases do raciocíno científico e as metodologias 
de pesquisas no Ensino da Matemática. Além disso, vamos estudar os principais 
componentes de um projeto de pesquisa 
 
Dentre os objetivos desta disciplina destacamos: 
 
-Compreender as baases do raciocínio científico no Ensino da Matemática; 
-Identificar como acontece o processo de pesquisa e seu significado; 
-Conhecer os tipos de pesquisas que podem ser utilizadas no Ensino da 
Matemática. 
 
Organizamos os estudos desta disciplina em dois blocos de conhecimentos, 
sendo eles: Bloco 1: Bases do raciocínio científico: teroria, hipótese, dedução, 
indução, análise e síntese. O processo de pesquisa e seu significado. Tipos de 
Pesquisa. 
Bloco 2: Metodologias de pesquisa para o Ensino da Matemática. Principais 
componentes do Projeto de Pesquisa. 
 
Para subsidiar os estudos do Bloco 1 e Bloco 2, propomos a leitura dos tópicos do 
texto, que segue logo abaixo. 
Após a leitura dos textos, convidamos os(as) cursistas para um debate no fórum 
de discussão. 
 
Desejamos a todos(as) uma boa leitura e bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Bases do raciocínio científico: teoria, hipótese, dedução, 
indução, análise e síntese. 
 
 O raciocínio científico é a forma de pensamento aplicada na ciência para se 
estudar fenômenos e obter conhecimento confiável sobre o mundo. Ele tem 
como base princípios fundamentais que norteiam o trabalho do cientista. 
Um desses princípios é a observação metódica da realidade. O cientista precisa 
observar de forma cuidadosa e sistemática os fenômenos que deseja estudar, 
coletando dados de maneira imparcial e organizada. A observação é a matéria-
prima da investigação científica. 
 Outro princípio importante é a experimentação controlada. Por meio de 
experimentos bem planejados e com variáveis controladas, o cientista pode 
estabelecer relações de causa e efeito entre os fenômenos. Isso permite testar 
hipóteses e teorias de forma objetiva. 
 A dedução lógica também é fundamental. O cientista precisa fazer 
inferências e conclusões com base nos dados coletados, de forma racional e 
lógica. Isso permite chegar a generalizações e leis que explicam os fenômenos 
estudados. 
 A Indução em Ciências é conhecida como sendo um processo de se 
descobrir e justificar leis universais ou gerais a partir da observação e 
combinação de casos singulares. 
 O conceito de Indução surgiu na Grécia com Aristóteles (384 – 322 a.C). 
Aristóteles em oposição aos sofistas estabeleceu a regra do silogismo, que 
consiste em uma argumentação lógica dedutiva de se obter verdades 
particulares a partir de verdades universais. Como o conhecido silogismo: 
• Todos os homens são mortais. 
• Sócrates é homem. 
• Sócrates é mortal. 
 
 Para resolver a questão de certa forma inversa ao silogismo, isto é, como se 
obter verdade universal a partir do particular, Aristóteles apresenta a indução, 
chamada de indução enumerativa, que estabelece uma verdade universal 
baseada na observação e enumeração de casos particulares semelhantes. A 
indução apresentada por Aristóteles não teve ressonância na cultura grega que 
valorizava o rigor lógico. 
 
 A indução surge novamente no início do século XVII durante a Revolução 
Científica com Francis Bacon (1561- 1627) que rejeita a indução de Aristóteles e 
expõe o seu método de “indução legítima e verdadeira” baseada nas famosas 
tábuas de presença (registro de ocorrência do evento em estudo), ausência 
(registro de não ocorrência do evento estudado) e graduação registro das 
variações graduais de ocorrências do evento). Essas tábuas deixam evidente 
que Bacon era empirista. 
 Para Bacon a indução é um método de descoberta que parte de noções 
confusas do senso comum para observações de casos particulares e por etapas 
as eleva até generalizações racionais e bem ordenadas. E que uma indução em 
que as regularidades são explicitamente observadas e anotadas, e na quais 
variações apropriadas de experimentos são feitas, serviria não apenas para 
descobrir, mas também para justificar uma lei hipotética. 
 As críticas a indução começam com David Hume (1711-1756) que 
apresenta uma teoria questionando o problema lógico da indução. Hume afirma 
que uma conclusão indutiva jamais será justificada, usando o argumento da 
regressão infinita: 
“...todas as nossas conclusões experimentais decorrem da suposição 
que o futuro estará em conformidade com o passado. Portanto tentar 
provar a última suposição, por argumentos prováveis, por argumentos 
referentes à existência, consiste certamente, em girar num círculo 
vicioso e dar por admitido o que precisamente se problematiza (Hume, 
1972, p.39)”. 
 
 Ou seja, segundo Hume, não existe argumento racional que justifique que 
o futuro continuará o mesmo por maior e mais uniforme que seja o número dos 
experimentos. 
 Na tentativa de reconstruir a indução. Stuart Mill (1806-1873) na obra A 
System of Logic, conceitua a indução como “a operação de descoberta e prova 
de proposições gerais”, acrescentando “a indução é um processo de inferência 
que vai do conhecido para o desconhecido”. (MILL, 1879 apud VELOSO, 2004). 
 Apresentando o princípio supremo de indução baseado no pressuposto da 
regularidade do universo segundo o qual o que ocorreu uma vez voltará a 
ocorrer novamente desde que sejam mantidas as mesmas condições. 
 Segundo Mill, esse princípio é obtido por meio de uma lei, que ele entende 
como uma lei universal, a Lei de Casualidade: “todo evento, ou o começo de 
todo fenômeno, tem uma causa, um antecedente, sobre a existência 
do qual ele é invariavelmente e incondicionalmente consequente” (MILL, apud 
GRÁCIO, p.6). 
 O método de investigação experimental que Mill propõe para descobrir a 
causa de um evento ou fenômeno é uma adaptação das tábuas apresentadas 
por Bacon, a quem Mill considera o “fundador da Filosofia Indutiva”. 
 No século XIX, assistiu-se à consolidação do empirismo-indutivismo, onde 
a prática científica baseava-se na observação dos fenômenos segundo Bacon 
seguida da aplicação do método indutivo de acordo com a metodologia 
apresentada por Mill. 
 Bertand Russel (1872-1970) na tentativa de resolver o problema da 
justificação na indução, afirmou: 
“... a verdadeira questão é esta: um número qualquer de casos em que 
se cumpriu uma lei no passado proporciona evidência de que se 
cumprirá no futuro? Em caso negativo, é evidente que não temos base 
alguma para esperar que o sol nasça amanhã, nem para esperar que o 
pão que comemos em nossa próxima refeição não nos envenene, nem 
para nenhuma das expectativas conscientes que regulam a nossa vida 
cotidiana. Pode-se observar que todas essas expectativas são apenas 
prováveis; assim não devemos procurar uma prova de que elas devem 
ser cumpridas, mas apenas alguma razão a favor da opinião segundo a 
qual é provável que se cumpram.” (RUSSEL, p.50). 
 
 De acordo com sua argumentação ele substitui a justificativa da indução 
pela justificativa da probabilidade da indução. 
 Por fim, a ciência se apoia na verificação pública e independente dos 
resultados. Qualquer conhecimentoproduzido deve poder ser testado e 
verificado por outros cientistas, assegurando a objetividade. Por meio da 
replicação, as teorias e leis científicas se solidificam. 
 Esses são alguns dos pilares que sustentam o raciocínio científico, 
permitindo a geração de conhecimento confiável e o avanço da ciência. A 
rigorosa aplicação do método científico é o que distingue a ciência de outras 
formas de obter conhecimento. 
 O raciocínio científico faz uso de vários tipos de pensamento lógico em 
suas investigações. As teorias científicas são explicações gerais e abrangentes 
de fenômenos, baseadas em leis e princípios comprovados. Já as hipóteses 
são suposições específicas que ainda requerem testes para serem verificadas. 
 A dedução parte de premissas e teorias aceitas para chegar a conclusões 
específicas por meio da lógica, ao passo que a indução usa observações e 
dados para inferir padrões e leis gerais. 
 
 Na análise, um problema complexo é dividido em partes menores para 
facilitar sua compreensão. Já a síntese reúne essas partes, combinando tudo 
que foi aprendido na análise para gerar explicações completas. 
 No processo de pesquisa científica, o pesquisador tipicamente começa 
com observações, levanta hipóteses explicativas e realiza experimentos 
controlados para testá-las. Os dados coletados são analisados buscando 
padrões. O conhecimento é sintetizado em teorias abrangentes, que são 
continuamente refinadas com novas pesquisas. 
 Assim, teorias, hipóteses, dedução, indução, análise e síntese têm papéis 
complementares no raciocínio científico, permitindo a construção do 
conhecimento de forma lógica e sistemática. A correta aplicação desses 
princípios e métodos é o que garante a objetividade e confiabilidade da ciência. 
O raciocínio científico envolve diferentes formas de pensamento lógico. 
 As teorias científicas são sistemas amplos de explicação sobre fenômenos 
naturais baseados em leis e princípios bem fundamentados. Como Einstein's 
theory of relativity que revolucionou nosso entendimento sobre gravidade e o 
espaço-tempo (EINSTEIN, 1905). 
 Já as hipóteses são suposições específicas e testáveis que tentam 
predizer determinados resultados. Como a hipótese de Higgs sobre a partícula 
que dá massa às outras partículas elementares (HIGGS, 1964). 
 A dedução parte de verdades aceitas para chegar a conclusões 
específicas através do raciocínio lógico, como na Matemática e Lógica. Já a 
indução segue o caminho inverso, usando observações de casos individuais 
para derivar leis e teorias gerais, como em Galileu's studies of falling objects (os 
estudos de Galileu sobre objetos em queda) (HOSSENFELDER, 2017). 
 Na análise, um problema complexo é dividido em partes menores para 
melhor examiná-lo, enquanto a síntese junta essas partes para gerar uma 
compreensão global. Como na anatomia, onde o corpo é analisado em sistemas, 
ou na química, onde compostos são sintetizados a partir de elementos 
(CASSELMAN & TOPPER, 2011). 
 Assim, esses diferentes tipos de raciocínio se complementam no método 
científico, permitindo a constante expansão do conhecimento. 
O processo de pesquisa científica e seu significado 
 
 A pesquisa científica consiste em um processo sistemático e organizado de 
busca por conhecimento confiável sobre questões, fenômenos e problemas no 
mundo natural e social (DEMO, 1985). Ela se apoia no pensamento racional, na 
objetividade e no rigor metodológico para investigar fatos e relações, testar 
hipóteses e desenvolver teorias explicativas. 
 O processo típico de pesquisa científica inicia com a observação atenta da 
realidade. O pesquisador observa fatos e fenômenos, identifica lacunas no 
conhecimento existente e formula questões ou problemas que servirão como 
ponto de partida da investigação (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007). 
 Definido o problema, o passo seguinte é desenvolver hipóteses, que são 
possíveis respostas ou explicações teóricas para o problema. As hipóteses 
apresentam relações entre variáveis que devem ser testadas. A formulação de 
hipóteses exige conhecimento prévio do assunto e capacidade criativa e lógica 
do pesquisador (RUDIO, 1978). 
 Em posse das hipóteses, o pesquisador planeja experimentos ou estudos 
para testá-las empiricamente. Essas investigações envolvem coleta rigorosa 
de dados, com controle de variáveis que podem influenciar os resultados. Os 
métodos quantitativos e qualitativos devem ser adequados ao problema 
estudado e permitir análise estatística dos dados (SEVERINO, 1996). Os dados 
coletados passam por análise e interpretação à luz do conhecimento prévio da 
área. O pesquisador verifica se confirmam ou refutam as hipóteses 
originalmente propostas. As conclusões obtidas contribuem para validar, refinar 
ou refutar teorias e modelos existentes. Novos conhecimentos são assim 
gerados e integrados ao acervo da ciência (DEMO, 1985). 
 O rigor metodológico é essencial em todas as etapas, para que os 
resultados sejam confiáveis e as conclusões válidas. A pesquisa requer 
planejamento cuidadoso, habilidades de pensamento crítico e analítico, 
perseverança na coleta de dados e ética na interpretação dos achados. 
 A pesquisa científica possui grande valor na sociedade. Ela expande os 
horizontes do conhecimento em todas as áreas, permite compreender melhor a 
natureza e a vida humana e fornece evidências para solucionar problemas 
práticos de forma inovadora. A busca contínua por novas respostas e soluções 
por meio da investigação científica é uma grande conquista da humanidade em 
sua trajetória histórica. 
 
 Portanto, o processo de pesquisa científica, com suas etapas e 
características, é a base para a construção consistente de conhecimento 
confiável sobre o universo natural e social. Esse conhecimento sustenta o 
progresso da ciência, da tecnologia e da melhoria das condições de vida. A 
pesquisa científica é, sem dúvida, uma conquista fundamental da civilização. 
 
Tipos de pesquisa científica 
 
 Existem várias formas de classificar os diferentes tipos de pesquisa 
científica. Essas classificações levam em conta o objetivo, a abordagem, os 
procedimentos e outros critérios adotados pelo pesquisador (CERVO; BERVIAN; 
SILVA, 2007). Conhecer os principais tipos de pesquisa e suas características é 
fundamental para delimitar adequadamente qualquer projeto de investigação 
científica. 
 Um dos critérios mais comuns é a natureza da pesquisa. Nesse sentido, 
destacam-se os tipos: pesquisa básica e pesquisa aplicada (RUDIO, 1978). A 
pesquisa básica busca gerar novos conhecimentos sobre fundamentos, 
estruturas e relações de fenômenos e fatos. Seu foco está na teoria, sem 
objetivar aplicações práticas imediatas. Já a pesquisa aplicada tem como 
propósito gerar conhecimentos para aplicação prática, visando contribuir para 
fins específicos ligados à solução de problemas concretos. Ela envolve 
fortemente o uso do conhecimento científico já existente. 
 Outra classificação importante diz respeito à abordagem em relação aos 
dados: pesquisa qualitativa e quantitativa (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 
2013). A abordagem qualitativa coleta e analisa dados não numéricos, 
explorando características, experiências, comportamentos e os significados 
subjetivos das pessoas. Entre seus principais métodos estão as entrevistas, 
observação participante, análise de conteúdo e etnografia. Já a abordagem 
quantitativa coleta e analisa dados numéricos com o uso de recursos estatísticos. 
Busca testar hipóteses e modelos teóricos de relações entre variáveis. Seus 
métodos incluem experimentos controlados, levantamentos e outros 
procedimentos quantitativos. 
 No que se refere aos objetivos, destacam-se a pesquisa exploratória e a 
descritiva (GIL, 2007). A primeiravisa proporcionar maior familiaridade com um 
fenômeno ainda pouco conhecido, pouco estudado. Ela pode envolver 
levantamentos bibliográficos, entrevistas e estudos de caso. Sua finalidade é 
desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias, para a formulação de 
problemas ou hipóteses pesquisáveis para estudos futuros. Já a pesquisa 
descritiva tem como propósito descrever as características de pessoas, grupos, 
comunidades ou fenômenos. Pode fazer uso de levantamentos, estudos de 
caso, análise documental e outros métodos. 
 A definição clara do tipo de pesquisa, dentro dessas e outras 
classificações, orienta suas etapas, os métodos e técnicas mais adequados para a 
coleta e análise dos dados e o alcance dos resultados. Os diversos tipos de 
investigação científica se complementam para a construção sólida, abrangente e 
multidimensional do conhecimento. 
 
Pesquisa básica 
 
 A pesquisa básica, também chamada de pesquisa pura ou fundamental, 
tem como objetivo gerar novos conhecimentos sobre fundamentos, estruturas e 
relações referentes a fenômenos e fatos. Seu foco está na teoria, sem visar 
aplicações práticas imediatas. Envolve estudos teóricos, experimentais ou 
observacionais para ampliar a compreensão de fenômenos físicos, biológicos ou 
sociais. Contribui para o avanço da ciência, sem compromisso com fins práticos. 
 
Pesquisa aplicada 
 
 A pesquisa aplicada tem como propósito gerar conhecimentos para 
aplicação prática e solução de problemas específicos. Busca utilizar o 
conhecimento científico já existente para contribuir com fins práticos, como o 
desenvolvimento de produtos, processos, tecnologias ou metodologias. Parte de 
teorias e métodos estabelecidos para encontrar soluções viáveis para demandas 
sociais, organizacionais ou tecnológicas bem delimitadas. 
 
Pesquisa qualitativa 
 
 A pesquisa qualitativa coleta e analisa dados não numéricos, explorando 
aspectos mais subjetivos como características, experiências, sentimentos, 
opiniões e significados dados pelas pessoas a eventos e fenômenos. Utiliza 
métodos como entrevistas abertas, observação participante, histórias de vida e 
análise de conteúdo para compreender a complexidade de fenômenos 
individuais e sociais de modo aprofundado. 
 
Pesquisa quantitativa 
 
 A pesquisa quantitativa coleta e analisa dados numéricos sobre variáveis 
previamente definidas, utilizando recursos estatísticos. Busca testar teorias e 
hipóteses, estudar relações entre variáveis e fazer previsões. Seus métodos 
incluem experimentos controlados, questionários fechados, modelos estatísticos e 
outras formas sistemáticas de coleta numérica, para encontrar padrões e 
relações causais entre fenômenos. 
 
Pesquisa exploratória 
 
 A pesquisa exploratória visa proporcionar maior familiaridade com um 
fenômeno ainda pouco conhecido ou explorado cientificamente. Envolve 
levantamentos bibliográficos, entrevistas e estudos de caso com o objetivo de 
tornar o problema mais explícito. Pode-se dizer que ela desenvolve, esclarece e 
modifica conceitos e ideias para formulação de problemas ou hipóteses 
pesquisáveis para estudos posteriores. 
 
Pesquisa descritiva 
 
 A pesquisa descritiva tem como objetivo descrever características de uma 
população, fenômeno ou experiência. Pode fazer uso de levantamentos, 
estudos de caso, análise documental e observação sistemática para apresentar 
descrições precisas sobre como as coisas são e como funcionam. Fornece 
dados sobre a prevalência, incidência, extensão de um fenômeno, mas não 
sobre suas causas. 
 
Metodologias de pesquisa para o ensino da Matemática 
 
 As pesquisas em Educação Matemática vêm buscando continuamente 
aprimorar as metodologias de ensino, de forma a promover uma aprendizagem 
significativa e efetiva para os alunos. Diversos métodos de investigação 
qualitativos e quantitativos têm sido empregados para estudar os processos de 
ensino e aprendizagem matemática dentro e fora da sala de aula. 
 De acordo com Fiorentini e Lorenzato (2012), abordagens etnográficas 
vêm sendo utilizadas para compreender em profundidade a cultura escolar e os 
processos sociais e culturais que permeiam a construção do conhecimento 
matemático nas escolas. Essas pesquisas envolvem observação participante, 
entrevistas, registros de campo e análise detalhada para descrever e interpretar 
os significados que docentes e discentes atribuem à Matemática no contexto 
educacional. 
 Borba e Araújo (2013) destacam as pesquisas de cunho qualitativo que 
utilizam entrevistas abertas, questionários e observação participante para 
investigar e entender as concepções, percepções e representações que os 
alunos constroem sobre conceitos e processos matemáticos ao longo de sua 
trajetória escolar. Essas abordagens buscam captar as perspectivas dos 
próprios sujeitos da aprendizagem. 
 Além disso, como ressalta Garnica (2014), estudos do tipo "estado da arte" 
vêm sendo muito relevantes para mapear e categorizar as diferentes produções 
acadêmicas já realizadas sobre o ensino e a aprendizagem de Matemática no 
Brasil. Eles sintetizam o conhecimento já construído e apontam lacunas a serem 
preenchidas por novas pesquisas. 
 Entre outras metodologias comumente aplicadas, encontram-se pesquisas 
quantitativas baseadas em levantamentos e tratamento estatístico de dados, 
estudos comparativos, pesquisas do tipo intervenção ou pesquisa-ação, e 
pesquisas bibliográficas para construção de referenciais teóricos consistentes. 
 
 Em todos os casos, porém, o rigor metodológico é fundamental para 
validar os conhecimentos gerados a partir da investigação científica. 
As diferentes abordagens metodológicas fornecem lentes complementares para 
estudar a complexa realidade do Ensino da Matemática e encontrar caminhos 
para o seu contínuo aprimoramento. Cada método apresenta pontos fortes e 
limitações. Pesquisas quantitativas, por exemplo, permitem levantamentos 
amplos para testar relações entre variáveis, porém não captam com profundidade 
os significados subjetivos dos participantes. Já pesquisas qualitativas viabilizam 
uma compreensão profunda das perspectivas dos sujeitos, porém em amostras 
mais reduzidas. 
 A combinação dos resultados de pesquisas com diferentes metodologias 
possibilita obter uma visão muito mais rica, completa e multifacetada da 
realidade estudada. As diferentes lentes e enfoques se complementam, 
permitindo enxergar ângulos da questão que uma única abordagem não 
alcançaria. Essa pluralidade metodológica fortalece o campo da Educação 
Matemática em suas múltiplas dimensões. 
 
Componentes de um projeto de pesquisa 
 
 O projeto de pesquisa consiste em um documento que apresenta o 
planejamento de uma investigação científica a ser realizada. Ele deve conter 
elementos que propiciem entendimento amplo sobre o estudo proposto e 
viabilizem sua efetiva realização. A literatura destaca uma série de componentes 
essenciais que, quando adequadamente detalhados, resultam em um projeto 
consistente e com maiores chances de obter apoio institucional e sucesso. 
 
Introdução 
 
 A introdução situa o leitor no contexto do tema e apresenta elementos 
centrais como o problema de pesquisa, objetivos, relevância do estudo e otras 
informações introdutórias. Ela delimita o foco da investigação e expõe de forma 
clara e objetiva o que se pretende estudar e os propósitos do trabalho. 
 De acordo com Gil (2008), a introdução deve necessariamente conter a 
formulação explicita e precisa do problema que se busca investigar, as razões 
de sua escolha e a sua relevância científica e social. Também é parte importante 
da introdução a apresentação dos objetivos gerais e específicos da pesquisa, 
indicando o que ela pretende alcançar. Outros aspectos opcicionaissão o 
esclarecimento sobre a motivação do pesquisador e a contextualização histórica 
da temática. 
 
Revisão de Literatura 
 
 A revisão de literatura, também chamada de referencial teórico, consiste na 
etapa de pesquisa bibliográfica sobre o tema. Reúne e analisa as principais 
contribuições científicas já existentes, situando o problema dentro do 
conhecimento disponível. 
 Essa revisão cumpre papéis essenciais, como destacam Lakatos e 
Marconi (2003): a) fornece instrumental teórico-analítico para interpretar os 
resultados; b) fundamenta ou refuta opiniões e informações; c) explicita 
conceitos utilizados na pesquisa. Ao final, o leitor deve compreender em que 
medida a investigação proposta dialoga, complementa ou avança em relação ao 
conhecimento prévio sobre a temática. 
 
Metodologia 
 
 A metodologia descreve e justifica de forma detalhada os métodos e 
técnicas que serão empregados na pesquisa para alcançar os objetivos 
propostos. Deve deixar claro o tipo de pesquisa, a população e amostra, 
instrumentos de coleta de dados, formas de tratamento dos dados e outros 
procedimentos necessários para obtenção de resultados confiáveis. 
 Segundo Gil (2008), a metodologia deve permitir a um leitor avaliar a 
consistência dos procedimentos utilizados e, se for o caso, reproduzi-los em 
novas pesquisas. Portanto, requer detalhamento rigoroso de como todas as 
etapas serão conduzidas, desde a coleta até a análise dos dados. 
 
Resultados esperados 
 
 Nos resultados esperados, delineia-se as descobertas e avanços para a 
área de conhecimento que se ambiciona alcançar com a realização da pesquisa 
proposta. Busca-se prever como o estudo poderá contribuir para preencher 
lacunas teóricas e/ou práticas no campo investigado. 
 Conforme Lakatos e Marconi (2003), esse tópico responde à pergunta: o 
que o pesquisador espera conseguir ao final? Ele conecta os objetivos e 
procedimentos de potenciais implicações para o avanço do saber. Ajuda a 
explicitar a relevância da investigação planejada. 
 
Discussão dos resultados 
 
 A discussão dos resultados é a seção onde o pesquisador analisa, 
interpreta e contextualiza os achados obtidos. Relaciona os dados às teorias e 
conhecimentos prévios, indicando concordâncias, contradições, lacunas e 
avanços. 
 De acordo com Gil (2008), é o momento de estabelecer relações entre os 
resultados e o conhecimento teórico reunido na revisão bibliográfica. Também 
cabe retomar os objetivos, confirmando ou rejeitando as hipóteses e/ou 
perguntas de partida. Assim, consolida-se o caráter inédito e a contribuição da 
pesquisa. 
Cronograma - Planeja a distribuição das atividades ao longo do tempo previsto 
para realização da pesquisa. Viabiliza a execução do projeto. 
Orçamento - Previsão dos recursos financeiros necessários para cobrir os 
custos. 
Referências - Lista das obras citadas no texto, de acordo com normas de 
citação científica como ABNT. Concede crédito aos autores consultados. 
O detalhamento adequado desses componentes resulta em um projeto 
consistente, ampliando as chances de apoio institucional e sucesso da 
investigação planejada. 
Referências 
 
 
ALVES-MAZZOTTI, Alda Judith; GEWANDSZNAJDER, Fernando. O método 
nas ciências naturais e sociais: pesquisa quantitativa e qualitativa. 2 ed. São 
Paulo: Pioneira, 1998. 
ANDRÉ, Marli Eliza Dalmazo Afonso de. Etnografia da prática escolar. 18 ed. 
Campinas: Papirus, 2012. 
BORBA, M.C; ARAÚJO, J. L. (Orgs.). Pesquisa Qualitativa em Educação 
Matemática. 5. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2013. 
Casselman, B., & Cohen, P. (2020, 02 de abril). A widening toll on jobs: this thing 
is going to come for us all. The New York Times Recuperado 
dehttps://www.nytimes.com/2020/04/02/business/economy/coronavirus- 
unemployment-claims.html 
CERVO, A. L.; BERVIAN, P. A.; SILVA, R. Metodologia científica. 6. ed. São 
Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. 
CHALMERS, A.F.. O que é Ciência Afinal? 2.ed. Editora Brasiliense, 1993. 
DEMO, Pedro. Introdução à metodologia da ciência. 2. ed. São Paulo: Atlas, 
1987. 
DIAS, A.; SILVA, A.P, O Indutivismo no ensino de Ciências e a Inconsistência do 
argumento indutivista. VII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em 
Ciências. 2009. 
FIORENTINI, D.; LORENZATO, S. Investigação em Educação Matemática: 
percursos teóricos e metodológicos. Campinas: Autores Associados, 2012. 
GARNICA, Antonio Vicente Marafioti. Cartografias Contemporâneas: Mapear a 
Formação de Professores de Matemática. In GARNICA, A. V. M. (org.). 
Cartografias Contemporâneas: Mapeando a Formação de Professores de 
Matemática no Brasil. Curitiba-PR: Appris, 2014. 
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2007. 
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: 
Atlas, 2008. 
GRÁCIO, Ma C. C. Sobre a Indução. Disponível em 
. Acesso em 
20/05/2023. 
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