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TUBERCULOSE - MATERIAL COMPLETO PARA CLÍNICA MÉDICA 1. DEFINIÇÃO A tuberculose (TB) é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium tuberculosis (bacilo de Koch - BK). Transmissão: ocorre via aérea, por meio de partículas eliminadas na tosse, espirro ou fala de pessoas com TB pulmonar ativa. Principal acometimento: pulmões, mas pode afetar outros órgãos (TB extrapulmonar). 2. EPIDEMIOLOGIA • Doença infecciosa com alta morbimortalidade no mundo. • Segundo principal agente infeccioso causador de mortes, atrás apenas da COVID-19. • Dados globais (2022): • 10,6 milhões de novos casos. • 1,3 milhão de mortes (167 mil em pessoas com HIV). • Brasil (2022): • 5 mil mortes registradas (maior número da última década). Grupos de risco: • Pessoas em situação de rua, presidiários, usuários de drogas. • Pacientes imunossuprimidos (HIV, diabetes, uso de corticoides ou imunossupressores). • Trabalhadores da saúde com contato frequente com pacientes com TB. 3. FISIOPATOLOGIA O Mycobacterium tuberculosis atinge os pulmões e desencadeia uma resposta inflamatória intensa, resultando na formação dos granulomas tuberculosos, que são compostos por: • Necrose caseosa central. • Células epitelioides e células gigantes de Langhans. • Reação linfocitária circunjacente. Dependendo da resposta imunológica do indivíduo, a infecção pode evoluir para cura, latência ou progressão da doença. 4. FORMAS CLÍNICAS DA TUBERCULOSE A. TB Primária (Primoinfecção) • Ocorre nos primeiros 3 a 12 meses após a infecção. • Acomete principalmente crianças e imunossuprimidos. • 5% dos infectados desenvolvem TB primária ativa. B. TB Latente (LTBI) • Organismo infectado pelo bacilo, mas sem sintomas. • Pode permanecer latente por anos e reativar em imunossupressão. • Risco de progressão para TB ativa: 5-10% ao longo da vida. C. TB Pós-Primária (Secundária) • Reativação da TB latente ou reinfecção por nova exposição. • Mais comum em adultos. • Apresentação clássica: TB pulmonar cavitária nos lobos superiores. D. TB Extrapulmonar • Acomete qualquer órgão. • Formas mais comuns: • TB ganglionar (linfonodos cervicais). • TB pleural. • TB meningoencefálica. • TB óssea (Mal de Pott - acometimento da coluna vertebral). • TB miliar (disseminação hematogênica, acometendo múltiplos órgãos). 5. QUADRO CLÍNICO A. TB Pulmonar (Forma Mais Comum) • Tosse crônica (> 3 semanas). • Expectoração (pode ser hemoptoica). • Febre vespertina. • Sudorese noturna. • Perda de peso e anorexia. • Fadiga. B. TB Extrapulmonar • TB ganglionar → Linfonodos aumentados, indolores, podendo fistulizar. • TB pleural → Derrame pleural exsudativo. • TB meningoencefálica → Cefaleia intensa, sinais de irritação meníngea. • TB óssea (Mal de Pott) → Dor lombar, deformidade vertebral. • TB miliar → Quadro sistêmico grave com febre alta e comprometimento multiorgânico. 6. DIAGNÓSTICO A. Anamnese • História de contato com TB ativa. • Fatores de risco: imunossupressão, etilismo, desnutrição. • Sintomas compatíveis com TB pulmonar ou extrapulmonar. B. Exame Físico • Inspeção: perda de peso, sudorese, linfadenomegalia. • Percussão: macicez pulmonar se houver derrame pleural. • Ausculta: estertores ou redução do murmúrio vesicular. C. Exames Complementares 1. Teste Rápido Molecular para TB (TRM-TB) • Detecta DNA do M. tuberculosis e resistência à rifampicina. • Primeira escolha no diagnóstico. 2. Baciloscopia do Escarro (Ziehl-Neelsen) • Pesquisa de bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR). • Dois exames positivos confirmam TB pulmonar bacilífera. 3. Cultura para M. tuberculosis • Padrão-ouro para diagnóstico. • Mais sensível, mas demora semanas para o resultado. 4. Prova Tuberculínica (PPD) • Detecta infecção latente pelo bacilo. • Induração ≥ 5 mm em imunossuprimidos já indica positividade. • Induração ≥ 10 mm em indivíduos saudáveis sugere exposição prévia. 5. Radiografia de Tórax • Achados sugestivos: • Cavidades nos lobos superiores (TB secundária). • Consolidação apical. • Padrão miliar (TB disseminada). 7. TRATAMENTO O tratamento é dividido em duas fases: A. Fase de Ataque (2 meses) • Esquema RIPE: • Rifampicina. • Isoniazida. • Pirazinamida. • Etambutol. B. Fase de Manutenção (4 meses) • Rifampicina + Isoniazida (RH). Duração Total: • 6 meses para TB pulmonar sensível. • 12 meses para TB extrapulmonar grave (meningite, óssea, etc.). Efeitos Adversos dos Medicamentos: Droga Efeito colateral principal Rifampicina Hepatotoxicidade, coloração alaranjada da urina. Isoniazida Hepatotoxicidade, neuropatia periférica (suplementar piridoxina - B6). Pirazinamida Hiperuricemia (gota), hepatotoxicidade. Etambutol Neurite óptica (visão borrada, discromatopsia). 8. SEGUIMENTO • Consultas mensais para avaliação clínica e adesão ao tratamento. • Controle bacteriológico: baciloscopia mensal. • Exame radiológico após 2 meses e no final do tratamento. 9. NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA • Todo caso de TB deve ser notificado às autoridades de saúde. • Testagem obrigatória para HIV em pacientes com TB. 10. QUANDO INTERNAR O PACIENTE? • TB meningoencefálica. • Insuficiência respiratória grave. • Intolerância medicamentosa grave. • Fatores sociais que aumentam o risco de abandono do tratamento.