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Doenças Exantemáticas Marc 4: Coisa de pele. Objetivos: 1. Revisar as principais doenças exantemáticas virais e quais são de notificação compulsória. 2. Compreender o diagnóstico diferencial de cada doença exantemática viral. 3. Entender as principais características de cada doença exantemática viral. 4. Esquematizar o diagnóstico e tratamento de cada doença exantemática. 5. Descrever o manejo do abscesso. OBJETIVO 1 · REVISÃO DOENÇAS EXANTEMÁTICAS VIRAIS Doenças exantemáticas são doenças em que ocorrem lesões que florescem na pele, lesões em que a erupção cutânea é a característica dominante na evolução. Cabe lembrar que febre e exantema são apresentações de vários tipos de doença, sendo que em criança a etiologia infecciosa é a predominante e dentre os agentes infecciosos, as viroses são a causa mais comum de exantemas febris em pediatria e elas podem agredir a pele por vários mecanismos que, frequentemente, coexistem. Tipos de exantema Mácula: lesão plana, não palpável. Pápulas: lesões pequenas perceptíveis ao tato que quando maiores são chamadas de nódulos. Vesículas: pequenas lesões que contêm líquido, que quando maiores são chamadas de bolhas. Pústulas: quando o líquido é purulento. .Placas: são lesões planas, mas elevadas, perceptíveis ao tato e grandes. As lesões podem ainda ter cor eritematosa, que quando desaparece com a vitropressão são devidas a vasodilatação e, quando não, o extravasamento de sangue do vaso, quando são chamadas de purpúricas e que podem ser pequenas, petequiais ou maiores, equimóticas. Ainda podem ser divididas em morbiliformes quando existem áreas de pele sã entre as lesões e escarlatiniformes quando o acometimento é difuso. PRINCIPAIS VIROSES EXANTEMÁTICAS DA INFÂNCIA 1. SARAMPO Altamente contagiosa; Possui vacina eficaz; Família do vírus: Paramyxovirus. Transmitido por via aérea, através de aerosol. Tempo de incubação varia de oito a doze dias. Tempo de contágio – desde dois dias antes do início do pródromo até quatro dias após o aparecimento do exantema. Isolamento – respiratório (uso de máscara) até quatro dias após o início do exantema. Quadro clínico: · Inicia com pródromo que dura de três a quatro dias · Febre · Tosse · Cefaleia · Mal-estar · Prostração intensa · Conjuntivite com fotofobia A febre é elevada atingindo o seu pico na época do aparecimento do exantema. A tosse é seca, intensa e está presente desde o inicio da doença e é a última a desaparecer; Os olhos ficam hiperemiados com lacrimejamento e fotofobia e, nos casos mais graves, ocorre edema bipalpebral. O enantema é a primeira manifestação mucocutânea a aparecer, e é característico. Manchas de Koplik: A orofaringe fica hiperemiada e na região oposta aos dentes molares aparecem manchas branco-azuladas, pequenas, de cerca de 1 mm de diâmetro. Surgem, um ou dois dias antes do exantema e desaparecem dois ou três dias após. Exantema do sarampo: O exantema do sarampo é maculopapular eritematoso e morbiliforme de coloração avermelhada. Inicia atrás do pavilhão auricular, disseminando-se rapidamente para o pescoço, face, tronco e atinge a extremidade dos membros por volta do terceiro dia. Na fase do exantema a doença atinge o seu auge, ficando o paciente toxemiado, febril, com os olhos hiperemiados, queixando-se da claridade, com intensa rinorreia e tosse implacável. O exantema começa a esmaecer em torno do terceiro ou quarto dia, na mesma sequência que apareceu, deixando manchas acastanhadas. Na fase de convalescência surge descamação furfurácea - com um aspecto de farinha. Antes da descamação as lesões mudam de cor, onde as mais eritematosas tornam mais escurecidas e aí que finalmente surge a descamação. Além do sarampo clássico, há mais duas formas de apresentação: (1) sarampo modificado e (2) sarampo atípico. Sarampo modificado: acontece quando o vírus acomete pessoas que têm imunidade relativa, ou pela aquisição intrauterina de anticorpos (portanto ocorre apenas em crianças pequenas), ou por terem tomado gamaglobulina. Nesses casos o tempo de incubação é maior, de mais de três semanas, pródromos mais leves, raramente se observa mancha de Koplik e o exantema é leve. Sarampo atípico: que ocorreu em crianças que previamente tinham tomado vacina de vírus morto, não mais disponível, apresenta-se como quadro mais grave, com febre alta, cefaleia, mialgia, pneumonite grave, derrame pleural, sendo o exantema bastante variável, macular, vesicular ou petequial. 1.2 Diagnóstico: Dosagem de anticorpos pela inibição de hemaglutinação (IH), neutralização, fixação de complemento (RFC), colhida na fase inicial e duas a três semanas após com aumento de quatro vezes o título, ou pela pesquisa de anticorpos da classe IgM que se positivam a partir do 60 dia do exantema. A pesquisa do RNA viral pode ser obtida do sangue, do swab da nasofaringe, orofaringe ou da urina a partir do primeiro dia do exantema até o terceiro dia. 1.3 Tratamento: Tratamento é sintomático Boa hidratação e alimentação adequada Antipiréticos ou antitérmicos Vitamina A (palmitato de retinol) – OMS recomenda o seu uso em todas as crianças menores de 5 anos e em quadro grave, como os hospitalizados. Utilizado para diminuir a gravidade e a xeroftalmia e consequentes déficits visuais. Faixa etária Tratamento - Vitamina A Via adm 12 meses 200.000 UI Oral Serão 3 doses: uma no dia do diagnóstico, uma um dia após e a terceira dose em 4 a 6 semanas. OBS: Os pacientes que apresentem sinais ou sintomas de hipovitaminose A devem tomar uma terceira dose 4 a 6 semanas após. Antibiótico** É contraindicado, exceto se houver indicação médica pela ocorrência de infecções secundárias. Quando ocorrerem complicações bacterianas como otite e pneumonia, lembrando que os germes a serem combatidos são os prevalentes na comunidade e segundo o grupo etário e história de vacinação contra patógenos bacterianos. 1.4 Prevenção: · Vacina tríplice viral Vacina de vírus vivo e atenuado, aplicada a partir do 12º mês de vida, e dose de reforço entre 4 e 5 anos. Como após 10 anos muitas pessoas perdem os anticorpos, podendo contrair a doença durante e após a adolescência, em uma idade de maior risco de complicações, recomenda-se que se aplique mais um reforço neste grupo etário. 1.5 Prevenção pós-exposição: Nos suscetíveis, aplicar a vacina contra o sarampo até 72 horas após o contágio; após esse período, até seis dias, aplicar a imunoglobulina humana normal, solução a 16% para uso intramuscular. Para crianças normais, a dose é de 0,25 mL/kg e nos imunodeprimidos, 0,5 mL/kg, até 15 mL máximo, ou caso não esteja disponível esta apresentação pode-se utilizar a gamaglobulina endovenosa na dose de 400 mg/kg. 2. ROSÉOLA OU EXANTEMA SÚBITO Etiologia: Herpes vírus humano 6 e 7. Transmissão provavelmente por gotículas Tempo de incubação de 5 a 15 dias. O contágio ocorre durante a fase de viremia, sobretudo no período febril. Cuidados com os contactantes – observação. Isolamento é desnecessário. Acomete, apenas crianças entre os 6 meses e os 6 anos de idade, predominando nas menores de dois anos. Quadro clínico: · Início súbito · Febre alta e contínua · Irritabilidade · Perda de peso (anorética) · Linfonodomegalia cervical · Hiperemia de cavum: alteração da circulação em que há aumento do fluxo sanguíneo para um órgão ou tecido. Após três a quatro dias de febre, quando esta cessa bruscamente, aparece o exantema, de modo súbito, constituído por erupções cutâneas maculopapulares rosadas localizada centralmente que se espalha perifericamente. Exantema da roséola O exantema da roséola são lesões maculopapulares rosadas. A erupção é de curta duração, de algumas horas a dois ou três dias, desaparecendo sem deixar descamação ou hiperpigmentação. 2.2 Diagnóstico: Presença do herpes vírus humano 6 ou 7 no sangue periférico fornece o diagnóstico de uma infecção primária. Podem ser realizados testes para detecção de anticorpos e também através de biologia molecular em sangue, líquor. OBS: Na interpretação dos resultados deve-se considerar que a maioria das pessoas já tiveram esta infecção até os dois anos de idade e também que este vírus pode permanecer latente. 2.3 Tratamento: Sintomático Hidratação Antitérmicos Se atentar para ocorrência de convulsão febril · Embora um curso benigno da doença seja típico da roséola, existe uma forte associação com convulsões febris e, em casos raros, podem ocorrer sequelas neurológicas significativas em pessoas imunocomprometidas. 2.4 Prevenção: Não existe. 3. RUBÉOLA Geralmente não grave Família viral é o Togavírus. Alta contagiosidade Transmitido por via aérea, através de gotículas. Tempo de incubação de 14 a 21 dias. Tempo de contágio – desde poucos dias antes até cinco a sete dias depois da erupção. Cuidados com os contactantes – observação. Isolamento – respiratório e de contato para os casos adquiridos pós-parto, até sete dias após o exantema. As crianças com infecção congênita são consideradas infectantes até um ano de idade ou até que a pesquisa de vírus na nasofaringe e na urina se negative. Quadro clínico: · Em crianças é incomum a fase pródromo; · Linfadenopatia localizada - retroauricular, occipital ou cervical · Sinal de Forschheimer · Adenomegalia · Esplenomegalia discreta 1. Período prodômico As manifestações prodrômicas duram de 1 a 5 dias e variam de acordo com a idade da criança. Nos lactentes, geralmente essas manifestações são inexistentes ou podem ocorrer sob a forma de sintomas catarrais leves e diarreia. Nos adolescentes e adultos, as manifestações são mais evidentes, e as que mais se destacam são a conjuntivite moderada, cefaleia, astenia, anorexia, náuseas, febre baixa ou ausente, calafrios, dor de garganta, coriza, tosse, às vezes esplenomegalia e linfadenopatia occipital, retroauricular e cervical. A linfadenopatia é o sinal mais característico da doença, é dolorosa e surge até 7 dias antes do exantema, persistindo por 1 semana ou mais. O enantema (manchas de Forcheimer, róseas, no palato mole, que podem coalescer em uma grande mancha ver-melha e estender-se) ocorre em 20% dos pacientes, pouco antes do início do exantema. 2. Período exantemático O exantema ocorre em 50% a 70% dos casos e pode ser o primeiro indício da doença; Febre baixa por 1 a 3 dias pode acompanhar o exantema maculopapular, róseo, que se inicia na face, generalizando-se rapidamente por todo o corpo em 24-48 horas. Sua evolução é tão rápida que o exantema começa a esvaecer na face, quando as lesões atingem o tronco, podendo arrastar-se até o 5° dia. Em alguns casos, o exantema da rubéola é do tipo escarlatiniforme e em outros se assemelha ao do eritema infeccioso, com aspectos rendilhados, podendo ser confluente, sobretudo na face, e apresentar leve prurido e descamação. OBS: Há relato de casos de rubéola sem exantema e infecção rubéolica subclínica em 25% a 50% dos casos, e esse fato é de grande importância du-rante a gestação. Exantema da rubéola O exantema se inicia em face, espalhando-se rapidamente para o pescoço, tronco e atinge os membros já em 24 horas. O exantema é maculopapular róseo, eventualmente pode coalescer no tronco, e tem curta duração, de três ou menos dias. 3.1 Diagnóstico: Diagnóstico laboratorial: Hemograma mostra leucopenia discreta ou número normal de leucócitos; neutropenia relativa, plasmocitose, eosinófilos normais e linfócitos aumentados com velocidade de hemossedimentação (VSH) aumentada na 1° semana de doença. Isolamento do vírus: do material de nasofaringe ou da urina é método padrão ouro, mas não é exame de rotina. Pesquisa de anticorpos da classe IgM e de IgG contra rubéola no soro (mais utilizado), sempre considerar duas amostras, uma na fase aguda e outra na fase de convalescência. Detecção do RNA viral em amostra de orofaringe pela técnica de biologia molecular, o qual dará o diagnóstico já no primeiro dia dos sintomas, sendo útil até o sétimo dia, no caso de rubéola aguda. 3.2 Diagnostico diferencial Nas suas formas mais intensas, a rubéola pode ser confundida com os tipos leves de escarlatina e sarampo e ainda com a toxoplasmose, mononucleose, enteroviroses, escarlatina, quadros alérgicos, doença do soro, eritema infeccioso (parvovirose) e exantema súbito. Tratamento: Sintomático Repouso geralmente desnecessário Na encefalite, o tratamento é de suporte, sendo contraindicado o uso de corticoide. Nos casos de trombocitopenia, a corticoterapia não traz benefícios. 3.3 Prevenção · Vacina tríplice viral Vacina de vírus vivo e atenuado que é aplicada aos 12 meses de idade, sendo que o Plano Nacional de Imunizações preconiza uma dose de reforço entre 4 e 6 anos; Orientação para se evitar o contato de pacientes com mulheres grávidas suscetíveis, sobretudo no 1° trimestre de gestação. 3.4 Prevenção pré-exposição Indicar a vacina antirrubéola, prevenindo assim a infecção materna e a subsequente anormalidade fetal. O esquema básico da vacina contra rubéola monovalente ou combinada (dupla ou tríplice viral) corresponde a uma dose, a partir dos 12 meses de idade, de preferência com a vacina combinada (tríplice viral), que produz sorocon-versão em 99% dos indivíduos, com uma eficácia protetora em mais de 90% dos casos. O vírus vacinal pode ser excretado na nasofaringe em baixos títulos por até 18 a 25 dias após a vacinação, porém não há evidência de contagiosidade. Os anticorpos maternos são protetores para o lactente durante o 1° semestre de vida. 3.5 Prevenção pós exposição Crianças ou mulheres grávidas suscetíveis que tiveram contato com rubéola devem ser vacinadas, pois embora essa medida não previna a infecção, protege contra a exposição futura à rubéola. A gestante exposta à rubéola, com estado imune desconhecido, deve realizar imediatamente teste de anticorpos, não receber a vacina e, após resultado dos testes sorológicos, se constatada soroconversão, deve ser aconselhada sobre o risco de transmissão para o feto e as anomalias resultantes; e se a opção de aborto for descartada, administrar gamaglobulina comum ou padrão, na dose de 0,55mL/kg, que reduz a taxa de ataque, mas não elimina o risco de infecção fetal. 4. VARICELA Etiologia: vírus da varicela zóster, do grupo herpes vírus. Transmissão ocorre por aerossol, contágio direto e raramente transmissão vertical. Tempo de incubação de 10 a 21 dias. Tempo de contágio a partir do décimo dia após o contato até a formação de crostas de todas as lesões. Isolamento – respiratório e de contato. Quadro clínico: Exantema - primeiro sinal da doença Febre baixa Mal-estar A erupção inicia-se na face, como máculas eritematosas que rapidamente se tornam pápulas, vesículas, pústulas e finalmente crostas. Essas lesões aparecem em surtos, em geral por três a cinco dias, antecedidas por febre (viremia), promovendo um aspecto polimórfico do exantema. O envolvimento do couro cabeludo, das mucosas orais e genitais é frequente. As crostas permanecem por cinco a sete dias e depois caem, deixando uma mácula branca, que não é permanente. 4.1 Diagnóstico: Na fase de vesícula, o exame do líquido da lesão pela microscopia eletrônica ou por PCR fornece o diagnóstico imediato. Anticorpos podem ser detectados pelo método de IFI. 4.2 Tratamento: Pacientes imunossuprimidos ou com risco de doença grave com acometimento visceral, há indicação de tratamento antiviral com o uso de aciclovir. Aciclovir: indicado para o tratamento de infecções na pele causadas pelo vírus Herpes simplex. É de uso tópico que deve ser aplicado sobre as lesões já existentes ou lesões emergentes, preferencialmente no início da infecção. Modo de uso: deve ser aplicado cinco vezes ao dia, em intervalos de aproximadamente quatro horas, pulando a aplicação no período noturno. 4.3 Prevenção: · Vacina tríplice viral + varicela monovalente, ou tetra viral, se disponível Vacina de vírus vivo atenuado. Esquema: 1ª dose aos 15 meses de idade (tríplice viral + varicela monovalente, ou tetra viral, quando disponível) e a 2ª dose é varicela monovalente, aos quatro anos de idade. 4.4 Complicações: Costuma ser uma doença benigna; entretanto, complicações às vezes muito sérias são observadas. 5. MONONUCLEOSE INFECCIOSA A mononucleose infecciosa hoje é considerada uma síndrome, sendo que o vírus Epstein-Barr é o responsável por cerca de 80% dos casos. Outros agentes a serem considerados são o citomegalovírus, o vírus da imunodeficiência adquirida, o vírus da Hepatite B e, dentre os não virais, o Toxoplasma gondii. Quadro clínico: Febre Cefaleia Mal-estar Lassidão Linfonodomegalia Hepatoesplenomegalia Faringoamigdalite. Amigdalas e os adenoides podem ficar tão hipertrofiadas que causam obstrução aérea alta. Intensa leucocitose vista no sangue periférico com a presença marcante de linfócitos atípicos. Exantema da mononucleose infecciosa A erupção cutânea ocorre somente em 10 a 15% dos casos, e pode ser desencadeada pela administração de penicilina ou ampicilina ao paciente. O tipo de exantema é variável, sendo na maioria das vezes, maculopapular, mas podem ocorrer erupções petequiais, papulovesiculares, escarlatiniformes e urticariformes e são mais evidentes na presença dos citados antibióticos. 5.1 Diagnóstico: Os anticorpos IgM e IgG costumam ser já presentes no início do quadro clínico, assim como a detecção do genoma viral por PCR (polymerase chain reaction). 5.2 Tratamento: Sintomáticos Corticoides: na presença de obstrução importante das vias aéreas superiores como a dexametasona (0,25mg/kg a cada 6 horas), Aciclovir: em alguns casos excepcionais, pode-se tentar o seu uso, apesar de a sua eficácia não ser bem estudada. 6. ESCARLATINA A escarlatina é uma infecção do trato respiratório superior associada a exantema cutâneo. Acomete em geral crianças em idade escolar entre 5 e 10 anos Agente etiológico: estreptococo beta-hemolítico do grupo A (Streptococcus pyogenes). Transmissão ocorre através de gotículas e secreções infectadas e em geral cessa com 24 h de antibioticoterapia. Quadro clínico: Febre Amigdalite purulenta Exantema A criança pode se apresentar toxemiada Sinal de Pastia Sinal de Filatov Amigdalas hiperemiadas Língua em framboesa O exantema ocorre entre 24 e 48 h após o início dos sintomas com distribuição centrífuga, ou seja, inicia-se em pescoço e tronco e se espalha para membros. Exantema da escarlatina O rash é micropapular de coloração avermelhada, o que dá o aspecto áspero ou em lixa, como é conhecido. Apresenta aspecto grosseiro (“pele de lixa” ou “pele de galinha”). Desaparece à compressão e é mais intenso em dobras como axilas, virilha e pregas dos cotovelos (sinal de Pastia). Em geral há palidez perioral importante, pois o exantema poupa essa região (sinal de Filatov) Após 3 a 4 dias o exantema desaparece associado a uma descamação de toda a pele, notadamente em leito ungueal. À oroscopia, encontram-se amígdalas hiperemiadas. A língua inicialmente apresenta-se com uma placa esbranquiçada, formada por exsudato, e as papilas edemaciadas, o que dá o aspecto de língua em morango branco. Quando o exsudato desaparece percebe-se apenas o edema das papilas e a hiperemia global da língua, dando o aspecto de morango vermelho ou língua em framboesa Diagnóstico diferencial: 1. Doença de Kawasaki (DK): importante diagnóstico diferencial que deve ser descartado devido a semelhança de sintomas e gravidade de suas complicações. Na DK, não ocorre língua em morango branco e a descamação de extremidades é mais discreta, geralmente periungueal, ao contrário da descamação em dedo de luva da escarlatina. Além disso, o edema de extremidades e a conjuntivite não ocorrem na escarlatina. Diagnóstico: Diagnóstico é clínico Alguns métodos laboratoriais podem auxiliar na detecção do estreptococo, como (1) cultura de swab de orofaringe e (2) ASLO (titulação de anticorpos contra o estreptococo), porém são inespecíficos. Tratamento: O tratamento visa diminuir o tempo de doença e evitar complicações imediatas, como choque tóxico e otite média aguda, e a longo prazo, como febre reumática. O tratamento de escolha é o uso de penicilinas, sendo a penicilina benzatina por via intramuscular dose única ou amoxicilina por via oral por 10 dias os fármacos preferenciais. Para alérgicos a penicilinas o tratamento com macrolídios é uma opção. Não é necessário profilaxia com antibioticoterapia para os contactuantes domiciliares ou escolares. Essa ação, além de não trazer benefícios comprováveis, pode aumentar a resistência bacteriana às penicilinas naquela comunidade. Prevenção: Deve-se evitar o contato com pessoas infectadas com a bactéria. Porém, a prevenção é difícil já que algumas pessoas podem ser portadoras assintomáticas. 7. ERITEMA INFECCIOSO OU QUINTA DOENÇA Etiologia: parvovírus humano B19 Mais comum na população pediátrica na faixa etária dos 5 aos 14 anos. Período de incubação: de 4 a 20 dias desde a infecção até o aparecimento das lesões cutâneas e/ou outras manifestações clínicas. É uma doença aguda, benigna e autolimitada. Pacientes imunodeprimidos, pode se tornar crônica, e nos portadores de anemia hemolítica crônica (destaque para os falciformes) pode evoluir com crise aplásica medular. A infecção intraútero resulta em infecção fetal, com hidropisia e frequentemente aborto. Quadro clínico: 1. Fase de viremia Alguns pacientes apresentam sintomas prodrômicos nessa fase, tais como: · Febre · Cefaleia · Mialgia · Calafrios · Mal-estar · Sintomas do sistema respiratório alto. Essa fase pode durar em média 2 a 3 dias. Segue-se um período de 7 dias livres de sintomas que antecede a fase exantemática. Exantema do eritema infeccioso O exantema se caracteriza por três estágios clássicos e bem definidos. 1° - Primeiro estágio: Caracterizado por um rash vermelho maculopapular, que conflui formando placas avermelhadas, tipicamente observadas na região das bochechas, conferindo o aspecto típico da doença de “face esbofeteada”, ou “asa de borboleta”. As áreas afetadas podem apresentar ligeiro relevo e há palidez nas áreas que circundam as lesões. As regiões perioral, fronte e dorso nasal geralmente são poupadas. O exantema se agrava com exposição ao sol e calor, e regride em 1 a 4 dias. 2° - Segundo estágio: Ocorre 1 a 4 dias após o acometimento facial. Caracteriza-se por um exantema maculopapular em tronco e membros, inicialmente discreto, mas pode acometer grandes áreas. Tipicamente evolui com clareamento central, conferindo o aspecto rendilhado, reticular, o qual pode se assemelhar a um quadro alérgico. 3° - Terceiro estágio: Tem duração variável de em média 1 a 3 semanas. Caracteriza-se por mudança na intensidade do rash com períodos de completa evanescência e recrudescência. As flutuações estão relacionadas a fatores como exposição solar, temperatura (banho quente), atividade física e situações de estresse. O rash do eritema infeccioso é pouco pruriginoso, mais proeminente em superfícies extensoras. Palmas e plantas são raramente acometidas, e uma descamação leve pode ser observada em alguns pacientes. Outras manifestações clínicas podem ser observadas e são mais frequentes em adultos, e incluem artralgia, artrites, mialgia, cefaleia, adenomegalias e edema. Exantemas atípicos, como papular, purpúrico e vesicular, também foram descritos. Diagnostico diferencial: É diagnóstico diferencial de outras doenças exantemáticas, principalmente rubéola e escarlatina. Outros diferenciais incluem farmacodermias, vasculites, artrite idiopática juvenil, lúpus eritematoso sistêmico e doenças do soro. Diagnóstico: O diagnóstico é comumente clínico, baseado na observação do rash típico, e raramente requer confirmação laboratorial. Diagnóstico laboratorial: estabelecido com testes sorológicos específicos ou por meio da identificação do antígeno no sangue ou nos tecidos. Testes sorológicos para o diagnóstico de uma infecção pelo parvovírus B19 estão disponíveis. O anti-B19 IgM específico se desenvolve rapidamente após a infecção e persiste detectável por 6 a 8 semanas. Anti-B19 IgG serve como um marcador de infecção passada ou imunidade. Detectar o anti-B19 IgM e a viragem sorológica para IgG é a melhor forma de confirmar a infecção aguda. Identificar somente o IgG, sem a presença do IgM, mesmo que em títulos altos, não faz o diagnóstico da infecção aguda. Para a detecção de partículas virais ou do DNA viral, foram descritos métodos como reação em cadeia da polimerase (PCR) e hibridização do ácido nucleico. Esses testes não estão disponíveis fora de centros de pesquisa ou laboratórios de referência. Tratamento: Não existe tratamento específico para infecção pelo parvovírus B19. Sintomáticos raramente é necessário. Analgésicos e anti-inflamatórios podem ser usados para tratar artralgias ou artrites. Patogênese e fisiopatologia: O receptor celular para o parvovírus humano B19 é o antígeno sanguíneo P, encontrado em eritroblastos, megacarioblastos, células endoteliais e miócitos fetais. O vírus somente se replica no interior de células em divisão, sobretudo eritroblastos. É transmitido através de gotículas do sistema respiratório e menos comumente através da transfusão de hemoderivados. Após a inoculação, segue a fase de replicação viral, com produção de inúmeras cópias virais (viremia) e infecção sistêmica; neste momento, observa-se uma profunda reticulopenia. Sabe-se que o dano celular é causado por citotoxicidade mediada por proteínas virais. A viremia termina no momento em que aparecem anticorpos IgM específicos. Os anticorpos IgG surgem aproximadamente 2 semanas após a exposição e logo se tornam a maior classe de anticorpos (Figura 137.1). A transmissão vertical durante a gestação está associada com hidropsia fetal não imune e natimorto, apesar de o vírus não ter potencial teratogênico. O mecanismo de surgimento das lesões ainda não está totalmente elucidado. Anticorpos IgM estão presentes no momento em que o rash típico surge. Postula-se que haja um componente imunomediado. Porém, a presença de infiltrado perivascular e o isolamento de DNA viral e proteínas do capsídio do vírus em biopsias de pele com rash, de pacientes com eritema infeccioso, sugerem que a lesão seja efeito direto do vírus. OBJETIVO 2 · Diagnósticos diferenciais das doenças exantemáticas 1. Diagnóstico diferencial sarampo Rubéola, infecção por adenovírus, enteroviroses, eritema infeccioso e doença de Kawasaki produzem exantemas semelhantes ao sarampo e são diagnósticos diferenciais dessa doença. 2. Diagnóstico diferencial do exantema súbito ou roséola Os diagnósticos diferenciais no primeiro momento são as doenças virais comuns da infância devido ao quadro febril agudo. Quando presente a roséola, os diagnósticos diferenciais são principalmente: citomegalovírus, sarampo, varicela, adenovírus e rubéola. 3. Diagnóstico diferencial da rubéola Nas suas formas mais intensas, a rubéola pode ser confundida com os tipos leves de escarlatina e sarampo e ainda com a toxoplasmose, mononucleose, enteroviroses, escarlatina, quadros alérgicos, doença do soro, eritema infeccioso (parvovirose) e exantema súbito. 4. Diagnóstico diferencial da varicela O diagnóstico diferencial da varicela inclui erupções vesiculares causadas por outros agentes infecciosos, como herpes-vírus simples, enterovírus (síndrome mão-pé-boca), rickéttsia e S. aureus; reações farmacológicas; dermatite de contato; herpes-zóster disseminado; e picadas de insetos. Antes da erradicação da varíola, casos de varicela grave podiam ser confundidos com varíola. 5. Diagnóstico diferencial monocleose infecciosa Dentre os principais diagnósticos diferenciais, destacam-se: Infecção por citomegalovírus (CMV) Toxoplasmose aguda. 6. Diagnóstico diferencial da escarlatina Doença de Kawasaki (DK): importante diagnóstico diferencial que deve ser descartado devido a semelhança de sintomas e gravidade de suas complicações. Na DK, não ocorre língua em morango branco e a descamação de extremidades é mais discreta, geralmente periungueal, ao contrário da descamação em dedo de luva da escarlatina. Além disso, o edema de extremidades e a conjuntivite não ocorrem na escarlatina. 7. Diagnóstico diferencial do eritema infeccioso É diagnóstico diferencial de outras doenças exantemáticas, principalmente rubéola e escarlatina. Outros diferenciais incluem farmacodermias, vasculites, artrite idiopática juvenil, lúpus eritematoso sistêmico e doenças do soro. OBJETIVO 5 · Manejo do abscesso image4.tmp image5.tmp image6.tmp image7.tmp image8.tmp image9.tmp image10.tmp image11.tmp image12.tmp image13.tmp image14.tmp image15.tmp image16.tmp image17.tmp image18.tmp image19.tmp image20.tmp image21.tmp image22.tmp image1.tmp image2.tmp image3.tmp