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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS
Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo
CASSIANO DA SILVA ZAGO
ANÁLISE COMPARATIVA DOS MÉTODOS DE
DIMENSIONAMENTO DE LAJES ALVEOLARES EM
SITUAÇÃO DE INCÊNDIO
CAMPINAS
2016
CASSIANO DA SILVA ZAGO
ANÁLISE COMPARATIVA DOS MÉTODOS DE
DIMENSIONAMENTO DE LAJES ALVEOLARES EM
SITUAÇÃO DE INCÊNDIO
Dissertação de Mestrado apresentada a
Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura
e Urbanismo da Unicamp, para obtenção do
título de Mestre em Engenharia Civil, na
área de Estruturas e Geotécnica.
Orientador: Prof. Dr. Armando Lopes Moreno Júnior
ESTE EXEMPLAR CORRESPONDE À VERSÃO FINAL DA
DISSERTAÇÃO DEFENDIDA PELO ALUNO CASSIANO DA
SILVA ZAGO E ORIENTADA PELO PROF. DR. ARMANDO
LOPES MORENO JÚNIOR.
ASSINATURA DO ORIENTADOR
CAMPINAS
2016
FICHA CATALOGRÁFICA
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS
FACULDADE DE ENGENHARIA CIVIL, ARQUITETURA E
URBANISMO
ANÁLISE COMPARATIVA DOS MÉTODOS DE
DIMENSIONAMENTO DE LAJES ALVEOLARES EM
SITUAÇÃO DE INCÊNDIO
CASSIANO DA SILVA ZAGO
Dissertação de Mestrado aprovada pela Banca Examinadora, constituída por:
Prof. Dr. Armando Lopes Moreno Júnior
Presidente e Orientador / UNICAMP
Prof. Dr. Luiz Carlos Marcos Vieira Junior
UNICAMP
Prof. Dr. Marcelo de Araújo Ferreira
UFSCAR
A Ata da defesa com as respectivas assinaturas dos membros encontra-se
no processo de vida acadêmica do aluno.
Campinas, 03 de Agosto de 2016
AGRADECIMENTOS
Meus mais sinceros agradecimentos...
... a Deus, por mais este objetivo alcançado. Por me iluminar em minhas
decisões, por ser minha fortaleza e por sempre colocar em meu caminho pessoas
tão maravilhosas.
... a minha esposa Thayane, pela paciência, pelas ideias e pela grande
ajuda, tanto nesse trabalho quanto em minha vida. Agradeço muito por você existir
em minha vida e completá-la de forma tão sincera e amorosa. Obrigado do fundo do
meu coração. Eu te amo.
... aos meus pais, Oswaldo e Ruth, por sempre me apoiarem nos estudos
e de serem minha fonte de inspiração de vida. Obrigado pelos conselhos. Espero
retribuir com a mesma intensidade que vocês contribuíram em minha vida.
... ao meu irmão Rodrigo, minha cunhada/irmã Fabrina e ao meu sobrinho
Murilo pelo apoio e pelos momentos felizes que passamos quando estamos juntos.
Em destaque eu agradeço a Fabrina pelo trabalho exemplar de revisão do texto
dessa dissertação. Muito obrigado a vocês por me ajudarem e a estarem em minha
vida.
... aos meus amigos pelas conversas, pela convivência e pelos momentos
de descontração.
... a Universidade Estadual de Campinas e a Universidade Federal de
Viçosa, em especial aos docentes que ajudaram na minha formação acadêmica.
Muito obrigado pelas ótimas contribuições neste trabalho.
... ao Professor Armando Lopes Moreno Junior, por ter aceitado me
orientar. Muito obrigado professor pela paciência em ensinar o que aprendeu nestes
anos de docência.
... a empresa Leonardi Construção Industrializada pela oportunidade do
conhecimento obtido ao longo destes anos de trabalho e por permitir que eu fizesse
esse mestrado. Um agradecimento especial ao colegas de trabalho que sempre
contribuíram positivamente em minha vida.
... enfim, a todos aqueles não mencionados aqui que de alguma maneira
contribuíram para a conclusão deste trabalho, deixo meu eterno agradecimento.
“O único homem que está isento de erros
é aquele que não arrisca acertar."
(Albert Einstein)
“A prática sem teoria é cega,
a teoria sem prática é estéril.”
(Desconhecido)
RESUMO
Esse trabalho tem o objetivo de apresentar e comparar metodologias para
avaliação estrutural de lajes alveolares protendidas em situação de incêndio. Assim,
questões importantes devem ser abordadas no que diz respeito à análise desse
elemento quando submetido a altas temperaturas. São elas: o comportamento
quanto à flexão; o comportamento quanto ao cisalhamento; a aderência da
armadura protendida no concreto; o efeito do confinamento da laje por meio da capa
estrutural de concreto armado; a influência das características geométricas da seção
no gradiente de temperatura; as perdas de protensão e o efeito do lascamento
explosivo.
Para alcançar esse objetivo, foi realizado um estudo do estado da arte da
segurança contra incêndios, visando o comportamento estrutural e as diretrizes de
projeto atualmente utilizados no meio técnico e acadêmico. Em seguida, dois
estudos sobre ensaios de lajes alveolares, publicados em artigos científicos, foram
selecionados e na sequência foram apresentadas metodologias a fim de avaliar
teoricamente, por meio de equações matemáticas, os resultados publicados. Como
complemento, foi executada uma modelagem computacional por meio de elementos
finitos, com a ajuda do software ABAQUS®, buscando simular o gradiente de
temperatura das lajes alveolares ensaiadas nos artigos publicados.
O desenvolvimento do trabalho apontou que o método simplificado do
Eurocode para a análise a flexão é mais conservador, com valor 1,9 vezes superior
que o encontrado no ensaio, seguido pelos métodos dos 500 oC e das Zonas (1,7
vezes superior). Já o método do PCI apresentou valores mais próximos que os
encontrados no ensaio (1,4 vezes superior). Para a análise ao cisalhamento, o
método simplificado do Eurocode mostrou-se mais conservador, com valores
variando de 1,3 a 2,0 vezes superiores ao encontrado no ensaio. Este, seguido pelo
método tabular da ABNT, com valores variando entre 1,2 a 2,3, e depois pelo
método tabular do Eurocode, com valores variando de 1,1 a 2,4.
Com relação a modelagem computacional, destacou-se que certos
aspectos, próprios do ensaio em escala real, interferem na resposta final do software
de elementos finitos com relação ao gradiente da temperatura na seção transversal.
Palavras-Chave: Laje alveolar; Incêndio; Elementos Finitos; Concreto Pré-Fabricado.
ABSTRACT
The aim of the current study is to present and compare methodologies for
the structural assessment of prestressed hollow-core slabs subjected to fire. Thus,
important issues regarding the analysis of this element must be addressed whenever
it is subjected to high temperatures, namely: its bending and shear behaviors; the
prestressed reinforcement adhesion to the concrete; the slab confinement effect
through the reinforced-concrete cover; the influence of the geometrical features of
the section on temperature gradient; the loss of prestressing; and the explosive
spalling effect.
A study of the fire safety state of art was conducted to assess the
structural behavior and the guidelines of projects, which are currently accepted within
the technical and academic environments. Subsequently, two studies about trials
performed in hollow-core slab, which were published in scientific papers, were
selected. Then, methodologies were presented in order to theoretically assess the
published results through mathematical equations. In addition, the ABAQUS®
software was used to perform a computer modeling by means of finite elements as a
way to simulate temperature gradient in the hollow-core slabs tested in the published
articles.
The current study found that the simplified Eurocode method used in the
bending analysis was more conservative, and its value was 1.9 times higher than that
found in the aforementioned assays. It was followed by methods such as the 500°C
and the Zones (1.7 times higher). However, the PCI method showed values closer to
those found in the assay (1.4 times higher). The simplified Eurocode method was
more conservative in the shear analysis, and its values were 1.3 to 2.0 times higher
than that found in the assay.um abrangente
conhecimento sobre o comportamento de lajes alveolares em situação de incêndio a
partir de análises de dados de 162 resultados de testes de incêndio, realizados
desde a década de 1960 (no ano de 1966, até 2010.
Os resultados apresentados foram os seguintes:
91 testes (56%) não apresentaram qualquer falha;
71 testes (44%) apresentaram algum tipo de falha, prematura ou
deliberada:
37
falhas por flexão devido a uma deflexão excessiva: 11x
(6,8%);
falhas por cisalhamento e ancoragem: 42x (26%);
falhas pela combinação cisalhamento-flexão: 6x (3,7%);
ruptura explosiva (spalling): 5x (3,1%);
fissuras horizontais na alma: 4x (2,5%);
outros tipos: 3x (1,9%).
A Figura 9 da esquerda resume a quantidade de testes de incêndio
realizados em períodos de cinco anos. No gráfico da direita é apresentado o
quantitativo de lajes com seu respectivo tempo de resistência ao incêndio.
Pode-se notar que em 46 ensaios as lajes superaram a resistência para
120 minutos, e, em 104 ensaios, para tempos compreendidos entre 30 e 120
minutos Apenas 12 ensaios apresentaram resistências inferiores a 30 minutos.
Figura 9 - Banco de dados do projeto HOLCOFIRE (JANSZE et. al, 2014)
Na Figura 10 é apresentada a relação de espessuras de lajes utilizadas
nos ensaios.
Com base nesses dados, o autor realizou uma comparação com a
metodologia empregada nas normas europeias e, por meio de avaliações
estatísticas em conjunto com métodos de máxima verossimilhança,5 mostrou que os
modelos analíticos de dimensionamento são consistentes.
5 O método da máxima verossimilhança (MMV) procura a obtenção de valores que possibilitem realizar
inferências com propriedades desejáveis.
Anos Tempo de resistência ao fogo (min.)
38
Figura 10 - Banco de dados do projeto HOLCOFIRE (JANSZE et al., 2014; adaptado)
Os resultados obtidos foram:
A relação entre a resistência à flexão experimental e a calculada foi de
106,1%, com coeficiente de variação de 22,8%.
A relação entre a resistência ao cisalhamento experimental e a
calculada foi de 129%, com coeficiente de variação de 24,3%.
Os resultados dos testes com relação à ruptura explosiva e fissuras
horizontais na alma não puderam ser explicadas por meios normativos.
Figura 11 - Exemplo de ruptura por cisalhamento e ancoragem (JANSZE et al., 2014)
39
2.3 DESEMPENHO DOS COMPONENTES ESTRUTURAIS
2.3.1 ANCORAGEM DA ARMADURA
Em temperatura ambiente os coeficientes de dilatação térmica do
concreto e do aço são similares, resultando em uma pequena variação de tensões
entre esses materiais. Quando submetido a altas temperaturas, esses coeficientes
distanciam-se em até 30 vezes, causando tensões que podem levar a fissuras e à
perda do elemento concreto armado (CÁNOVAS, 1988).
Uma forma de contabilizar esse efeito é a definição de coeficientes
redutores da resistência de contato entre o aço e o concreto.
Um estudo abrangente foi realizado por Caetano (2008), no qual a autora
propõe a elaboração de um modelo analítico para o comportamento de aderência de
barras de aço passivas em peças submetidas a elevadas temperaturas. De acordo
com o manual da FIB 46 (2008), a resistência de contato entre esses materiais é
reduzida a uma taxa semelhante à redução por tração do concreto.
Ainda de acordo com o manual, experiências reais mostram que o
problema é mais crítico para elementos protendidos. Como exemplo, testes feitos
em uma série de lajes alveolares protendidas a altas temperaturas apresentaram
falhas devido ao “escorregamento” da armadura, aliviando assim sua protensão
(ANDERSEN e LAURISDEN, 1999 apud BUCHANAN, 2002). Devido a esse
problema, houve uma diminuição de resistência ao cisalhamento, causando a falha
prematura.
Resultados semelhantes foram observados em outros testes (FONTANA
e BORGOGNO, 1995 apud BUCHANAN, 2002). Contudo, isso não tem sido
verificado em situações reais de incêndio. A consideração do comportamento do
plano de laje como um septo rígido (ou diafragma rígido), com a utilização de barras
de reforço longitudinais e transversais na capa e alvéolos, torna os elementos mais
resistentes ao incêndio, atenuando assim seu colapso (FIB 43, 2008).
Lennon (2003 apud CHANG, 2007) defende que a falha de ancoragem
relatada por Andersen e Laurisden é causada pela natureza do ensaio. Levando em
conta a continuidade estrutural da laje alveolar, o autor mostra que esse tipo de falha
dificilmente ocorre, motivo pelo qual o problema não é observado na prática.
Tendo isso em vista, além da análise do histórico de dados descrito no
item anterior, foram realizados no programa Holcofire ensaios que verificassem as
40
propostas fornecidas no texto da norma europeia EN1168:2011 com relação ao
cisalhamento e à ancoragem.
A falta de padronização dos ensaios anteriores foi o motivador para a
realização de sete ensaios para a verificação do modelo analítico fornecido pela
norma.
Denominados como “série de testes G”, estes foram organizados da
seguinte forma (Figuras 12 e 13):
Teste G1: verificou a influência do teor de umidade presente na laje na
questão do lascamento explosivo, denominado como spalling. Como
nota, este ensaio foi realizado isento de carga.
Teste G2/G3: estudou o efeito do confinamento da laje por meio de
vigas perimetrais solidarizadas sob efeito de altas temperaturas.
Teste G4/G5: verificou o cisalhamento sob condições de incêndio
considerando uma seção composta pela laje mais a capa estrutural.
Teste G6/G7: estudou o efeito do confinamento da laje por meio de
elementos de alvenaria ao longo do perímetro sob efeito de altas
temperaturas.
Os autores concluíram que a capacidade das lajes alveolares frente ao
cisalhamento/ancoragem em situação de incêndio foi suficiente para um tempo de
120 minutos, com base na curva ISO 834.
Figura 12 – Série de testes G realizados pela Holcofire (JANSZE et al., 2014; adaptado)
Ø10 nos alvéolos
Estribos: Ø8 c/ 15cm
Estribos: Ø8 c/ 15cm
Ensaio de lascamento
explosivo (Spalling)
Viga longitudinal de
confinamento da laje
Ø12 nas chaves de cisalhamento
Barra longitudinal: Ø25
41
Figura 13 – Série de testes G realizados pela Holcofire (JANSZE et al., 2014; adaptado)
2.3.2 CONTRIBUIÇÃO DA CAPA ESTRUTURAL DE CONCRETO
A capa estrutural possui a função de conectar os diversos elementos
alveolares, formando um sistema único de laje, que, por sua vez, é responsável pela
transmissão de esforços horizontais para os pilares, efeito denominado diafragma
rígido.
Em situação de incêndio, a capa estrutural armada, em conjunto com as
vigas de borda, traz um incremento de resistência ao fogo pelo efeito do
confinamento. Esse conceito é abordado em pesquisas acadêmicas que envolvem
Estribos: Ø8 c/ 15cm
Estribos: Ø8 c/ 15cm
Capa estrutural: 5cm
Capa estrutural: 5cm
Viga longitudinal de
confinamento da laje
Tela: Ø4,5 - 20x20cm
Tela: Ø7 - 15x15cm
Ancoragem da cordoalha na
capa estrutural: 17cm
Viga longitudinal de
confinamento da laje
Barra longitudinal: Ø25
Estribos: Ø8 c/ 15cm
Viga longitudinal de
confinamento da laje
Armadura em forma de
grampo nos alvéolos: Ø12
Armadura em forma de
grampo nos alvéolos: Ø12
Não foram utilizados
estribos para o
confinamento da laje
42
ensaios em escala real. Dentre elas, pode-se citar (CHANG, 2007; JANSZE et al.,
2014):
FeBe Studiecommissie SSTC – University of Ghent, 1998
Neste trabalho foram estudados os parâmetros principais que
envolvem o confinamento de um conjunto de lajes alveolares em
situação de incêndio. Para isso, foi analisada a contribuição oferecida
pelos elementos de confinamento (vigas perimetriais) e a contribuição
das armaduras, tanto nas vigas perimetrais,quanto no capeamento. Os
resultados obtidos foram positivos e mostraram que todos os
parâmetros foram favoráveis ao aumento de resistência ao fogo;
Lim, 2003
Estudos realizados pelo autor mostraram que a resistência ao fogo de
lajes armadas nas duas direções é aumentada pelo efeito de
membrana. Além disso, o autor conclui que esse conceito pode ser
expandido para lajes alveolares com capa estrutural;
Lennon – BRE (Building Research Establishment), 2003
Neste trabalho o autor realiza uma série de ensaios que busca analisar
o benefício do capeamento estrutural. O objetivo de sua pesquisa foi de
realizar uma comparação entre um elemento com e outro sem o
capeamento. Os resultados mostraram que a não utilização desse
componente estrutural gerou maiores deformações no elemento e uma
redução na resistência ao fogo;
Holcofire, 2010
Como descrito anteriormente – nos testes G4 e G5, foram obtidos
resultados positivos com relação à utilização da capa estrutural.
2.3.3 EFEITO DO CONFINAMENTO
A norma NBR 15200:2012 propõe que os esforços decorrentes de
deformações impostas pelo incêndio, com base na curva padrão, podem ser
desprezados. Essa hipótese é adotada como sendo favorável à segurança para as
simplificações impostas quanto à dilatação; no entanto, sem demonstrações (SILVA,
2012).
De acordo com o manual da FIB n. 43 (2008), uma situação crítica ocorre
quando o fogo cobre uma larga superfície resultando em grandes deformações
43
acumuladas. Nesse caso, é possível assumir que, tomando uma grande área de
piso, a deformação longitudinal acumulada em tramos sucessivos pode chegar a
100 mm. ou mais. Esse tipo de análise é recomendável quando utilizados modelos
mais realistas de incêndio.
Como mostrado na Figura 14, esforços decorrentes do alongamento
térmico podem surgir em elementos que confinam o ambiente do sinistro.
Figura 14 – Ilustração de esforços decorrentes de deformações térmicas (FIB 43, 2008; adaptado)
Neste contexto, o programa Holcofire realizou quatro testes de carga com
a finalidade de avaliar as condições de confinamento em pisos alveolares. Dentre
outros objetivos, os ensaios procuraram mostrar o efeito das deformações e o nível
de esforço causado nos elementos de confinamento.
Denominados como “série de testes R”, foram organizados da seguinte
forma (Figuras 15 e 16):
Série R1: espessura de laje de 255 milímetros e 100 mm de espessura
de capa;
Série R2: espessura de laje de 260 milímetros e 100 mm de espessura
de capa;
Série R3: espessura de laje de 200 milímetros e uma faixa de
espessura de capa entre 50 e 70 milímetros;
Série R4: espessura de laje de 265 milímetros sem capa estrutural, no
entanto, com confinamento nos apoios.
A partir desses ensaios, foi possível obter resultados de esforços de
confinamento na laje na ordem de 100-200N/mm em regiões localizadas a 1 m do
apoio e 50 N/mm no meio do vão. Nos apoios, os esforços foram na ordem de 500-
750 N/mm devido ao comprimento da viga de suporte.
44
Na Figura 17 são mostrados os resultados de deformações nos apoios
para o ensaio R3.
De acordo com os autores, esse confinamento pode acarretar em
fragmentações na mesa inferior da laje e fissurações horizontais na alma do
elemento. No entanto, concluiu-se que estas patologias não se mostraram como
mecanismos de falha estrutural.
Figura 15 - Série de testes R realizados pela Holcofire (JANSZE et al., 2014; adaptado)
Estribos: Ø8 c/ 15cm
Estribos: Ø8 c/ 15cm
Capa estrutural: 10cm
Tela: Ø7 - 15x15cm
Tela: Ø7 - 15x15cm
Capa estrutural: 10cm
Ø12 nas chaves de cisalhamento
Ø12 nas chaves de cisalhamento
Solidarização da viga
Viga longitudinal
Viga longitudinal
Solidarização da viga
Espessura da Laje: 26cm
Espessura da Laje: 25,5cm
Viga de apoio
Viga de apoio
45
Figura 16 - Série de testes R realizados pela Holcofire (JANSZE et al., 2014; adaptado)
Figura 17 – Expansão do piso R3 em 30 min e cálculo das restrições no centroide da mesa inferior
(JANSZE et al., 2014; adaptado)
Tela: Ø7 - 15x15cm
Espessura da Laje: 26,5cm
Espessura da Laje: 20cm
Ø12 nas chaves de cisalhamento
Estribos: Ø8 c/ 15cm
Estribos: Ø8 c/ 15cm
Viga de apoio
Viga de apoio
Solidarização da viga
Sem capa estrutural
Ø12 nas chaves
de cisalhamento
Solidarização da viga
Solidarização da viga
Capa estrutural: 7 – 5 – 7cm
Restrição
Expansão
Expansão livre para a laje de 20cm: 10,33mm
46
2.3.4 EFEITO DO LASCAMENTO EXPLOSIVO (SPALLING)
O lascamento explosivo que ocorre nas faces do elemento de concreto
exposto a altas temperaturas é denominado como efeito spalling. Landi (1986)
apresenta cinco razões para seu desenvolvimento:
o coeficiente de dilação térmica da pasta de cimento (com valores
apresentados pelo autor em torno de 20 x 10-6 oC-1) é o dobro dos
agregados. Essa diferença faz com que ocorra uma microfissuração na
interface desses dois componentes quando aquecidos;
com temperaturas a partir dos 100 oC ocorrem as evaporações da água
livre e de hidratação do concreto. Com isso, há um aumento de
pressão interna nos vasos capilares confinados pelo concreto;
o coeficiente de dilatação térmica do concreto sofre um aumento
brusco acima de 450 oC devido à perda de água de hidratação;
as camadas mais externas possuem um maior aquecimento que
camadas internas, causando assim tensões internas diferenciais;
o quartzo apresenta um aumento de volume quando aquecido a 500
oC.
Como regra, esse efeito deve ser evitado em elementos de concreto por
meio de medidas apropriadas. Em caso contrário, sua influência deve ser levada em
conta quando analisados os requisitos de resistência ao fogo (R, E e I).
Khoury (2008 apud FIB 38, 2007) resume as diferentes formas de spalling
que podem ocorrer em um elemento de concreto – mostrado na Tabela 1.
Os requisitos para a prevenção do spalling em lajes alveolares são
apresentados no Eurocode, que recomenda um teor de umidade no concreto abaixo
de 3%. Abaixo desse valor, portanto, considera-se que existe pouca probabilidade
de ocorrência desse efeito.
Para a realização de ensaios, o teor de umidade de 3% é conseguido a
partir de três meses de armazenamento em temperaturas de aproximadamente 20
oC e teor de umidade relativa do ar de aproximadamente 50%.
A obtenção de valores em torno de 3% em uma estrutura já construída é
conseguida a partir de um equilíbrio com o ambiente na qual a estrutura está
inserida. Jansze et al. (2014) relata que a estrutura de concreto encontra um
equilíbrio quando a média anual de teor de umidade do ambiente encontra-se entre
47
40% e 50% – valores encontrados normalmente no interior dos edifícios fechados.
Para valores maiores que os relatados pelo autor, podem-se esperar valores
maiores de teor de umidade para o elemento estrutural.
Com base no banco de dados fornecido pelo projeto Holcofire, em 45
anos de testes, apenas cinco ensaios chegaram a ruptura devido o lascamento
explosivo, mostrando assim que um armazenamento adequado reduz
significativamente o feito de lascamento explosivo em lajes alveolares.
Tabela 1 – Características das diferentes formas de spalling (KHOURY, 2008 apud FIB 38, 2007, adaptado)
Spalling Tempo de formação Natureza Danos Influências
Agregado 7 – 30 min Fissuração Superficial H, A, S, D, W
Aresta do
elemento
30 – 90 min
Não
violenta
Eventualmente
séria
T, A, Ft, R
Face do
elemento
7 – 30 min Violenta
Eventualmente
séria
H, W, P, Ft
Explosivo 7 – 30 min Violenta Séria
H, A, S, Fs, G, L, O,
P, Q, R, S, W, Z
Desprendimento
Quando ocorre o
enfraquecimento do concreto
Não
violenta
Eventualmente
séria
T, Fs, L, Q, R
Pós-resfriamento
Durante ou após o resfriamento
durante a reidratação
Não
violenta
Eventualmente
séria
T, Fs, L, Q, R, W1, ATLegenda:
A = Expansão térmica do agregado
D = Difusidade térmica do agregado
Fs = Resistência ao cisalhamento do concreto
Ft = Resistência à tração do concreto
G = Idade do concreto
H = Taxa de aquecimento
L = Carregamento e confinamento
O = Aquecimento
AT = Tipo de agregado
P = Permeabilidade
Q = Forma da seção
R = Armadura
S = Tamanho do agregado
T = Máxima temperatura
W = Teor de umidade
Z = Tamanho da seção
W1 = Teor de umidade absorvida
Uma forma de evitar o problema é a utilização de fibras de polipropileno
na mistura de concreto, já que em altas temperaturas ocorre a degradação dessas
fibras criando canais para o alívio da pressão interna causada pela umidade interna.
Castro et al. (2011) faz uma revisão abrangente em seu trabalho sobre a utilização
dessas fibras em concreto de alto desempenho submetido a altas temperaturas.
48
2.3.5 FISSURAS DEVIDO AS TENSÕES TÉRMICAS
As tensões térmicas são originadas a partir das deformações mecânicas,
que por sua vez se desenvolvem a fim de neutralizar as deformações térmicas na
seção transversal, buscando assim satisfazer os requisitos de compatibilidade de
esforços.
Na Figura 18 é mostrada uma representação gráfica do cálculo das
tensões térmicas em elementos biapoiados submetidos à flexão.
O cálculo da distribuição das tensões térmicas ao longo da seção
transversal é baseado em três princípios: as condições da cinemática, as leis
constitutivas e as leis de equilíbrio (FELLINGER, 2004).
Figura 18 – Representação gráfica do cálculo das tensões térmicas em elementos biapoiados submetidos
à flexão e a altas temperaturas
No que diz respeito aos requisitos da cinemática, as deformações devem
satisfazer as condições de contorno. Para o caso de lajes alveolares biapoiadas, as
condições de contorno devem permitir a livre expansão e a livre rotação.
Como proposto por Kok (1991 apud FELLINGER, 2004), os campos de
tensões devem satisfazer as restrições de compatibilidade em função das seis
componentes de deformação (𝜀𝑥𝑥, 𝜀𝑦𝑦, 𝜀𝑧𝑧, 𝜀𝑥𝑦, 𝜀𝑦𝑧, 𝜀𝑧𝑥) que são obtidas a partir de
apenas três campos de deslocamento (𝑢𝑥, 𝑢𝑦, 𝑢𝑧). Para a análise em duas
dimensões, segue a eq. (2.5):
𝑑²𝜀𝑥𝑥
𝑑𝑢𝑧
2
+
𝑑²𝜀𝑧𝑧
𝑑𝑢𝑥
2
= 2
𝑑²𝜀𝑥𝑧
𝑑𝑢𝑥𝑑𝑢𝑧
(2.5)
Logo, conclui-se que as deformações axiais (𝜀𝑥𝑥), que variam com a altura
(𝑧), devem ser acompanhadas por deformações verticais ou de cisalhamento,
buscando assim satisfazer o requisito de compatibilidade.
49
Para elementos que possuam uma relação entre a altura útil e o vão
elevada, a hipótese de Bernoulli é considerada válida, implicando dessa forma que a
seção transversal deve se manter plana após a solicitação térmica. Com relação às
leis constitutivas, a deformação total em qualquer posição da seção transversal é
composta pela soma das deformações térmicas e mecânica (eq. 2.6):
𝜀𝑡𝑜𝑡 = 𝜀𝑇 + 𝜀𝑀 (2.6)
As deformações térmicas não dependem do nível de tensão aplicada
pelas cargas atuantes e são calculadas diretamente em função do aumento de
temperatura e do coeficiente de expansão térmica do material.
Em alguns materiais, a deformação térmica pode ser considerada como
sendo reversível. Para o caso do concreto, por ser um material heterogêneo,
apresenta uma parcela reversível e outra irreversível. Esse fato se deve aos danos
irreversíveis causados pelas altas temperaturas, tais como: fissuração, spalling e
plastificação.
Com relação às leis de equilíbrio, a compatibilização dos esforços
internos da seção, assim como realizado em temperatura ambiente, deve atender
aos requisitos de equilíbrio da estática. Para isso, a capacidade resistiva do
elemento deve ser balanceada com os esforços solicitantes. Nesse contexto,
deformações limites são atribuídas aos materiais constituintes de forma a evitar a
sua ruína.
Como mostrado na Figura 18, as tensões térmicas de compressão
ocorrem na parte inferior e na parte superior da seção, enquanto que as de tração
ocorrem na alma dos alvéolos. O resultado dessa distribuição de tensões não
uniforme é a formação de fissuras verticais ao longo do elemento, espaçadas em
150 a 200 mm, que diminuem a capacidade de suporte do elemento frente ao
cisalhamento. Esse efeito foi citado por Borgogno e comprovado experimentalmente
por Fellinger (FIB 46, 2008) (Figura 19).
50
Figura 19 – Fissuração vertical na alma de uma laje alveolar devido ao efeito das tensões térmicas (FIB
46, 2008)
2.3.6 PERDA DE PROTENSÃO DURANTE E PÓS INCÊNDIO
Um estudo sobre o comportamento de armaduras protendidas sob altas
temperaturas foi conduzido por Atienza e Elices (2009), onde os autores procuraram
analisar dois aspectos principais:
as propriedades mecânicas do material após o incêndio;
Para isso, o ensaio consistiu em uma aplicação de carga na armadura
com ciclos de aquecimento e resfriamento. Os resultados de tração à
temperatura ambiente, após os ciclos de aquecimento, podem ser
observados na Figura 20.
as perdas de relaxamento de tensão no aço sob altas temperaturas.
De acordo com os autores, um incremento de temperatura produz um
grande aumento nas perdas de relaxamento de tensão. Os resultados
são apresentados na Figura 22 por meio de curvas em função do
tempo.
Além disso, os autores apresentaram resultados (Figura 21) da evolução
da força de protensão antes, durante e após um cenário de incêndio simulado. Os
resultados mostram que durante o aquecimento há uma redução na força de
protensão. Quando resfriado, parte dessa perda é recuperada. No entanto, as
perdas de relaxação de tensão são irreversíveis.
Como ressalva, os autores advertem que a segurança contra o incêndio
não deve considerar apenas o desempenho da estrutura durante um incêndio, mas
também seu comportamento após o resfriamento.
51
Figura 20 - Resultados de tração à temperatura ambiente após os ciclos de aquecimento (ATIENZA e
ELICES, 2009; adaptado)
Figura 21 - Evolução da força de protensão antes, durante e depois de um cenário de incêndio. Dados
experimentais são comparados com método conservativo (ATIENZA e ELICES, 2009; adaptado)
Temperatura (oC)
R
el
aç
ão
e
n
tr
e
as
t
en
sõ
es
d
o
a
ço
n
o
p
ó
s
e
n
o
p
ré
a
q
u
ec
im
en
to
Te
m
p
er
at
u
ra
(
o
C
)
C
ar
re
ga
m
en
to
(
kN
)
Tempo (min.)
Tempo (min.)
Força de protensão inicial
0,7 Pmáx
(min.)
Força de
protensão após
aquecimento
Modelo experimental
Modelo conservador
5 dias
5 dias
5 dias
5 dias
52
Figura 22 - Perdas de relaxamento de tensão sob altas temperaturas em função da tensão inicial
(ATIENZA e ELICES, 2009; adaptado)
P
er
d
a
d
e
p
ro
te
n
sã
o
P
er
d
a
d
e
p
ro
te
n
sã
o
P
er
d
a
d
e
p
ro
te
n
sã
o
P
er
d
a
d
e
p
ro
te
n
sã
o
P
er
d
a
d
e
p
ro
te
n
sã
o
Ten
são
(M
P
a)
Ten
são
(M
P
a)
Ten
são
(M
P
a)
Ten
são
(M
P
a)
Ten
são
(M
P
a)
53
3 FUNDAMENTOS DA SEGURANÇA CONTRA
INCÊNDIOS
3.1 FUNDAMENTOS: DEFINIÇÃO DE FOGO
Por ser uma ciência complexa, não há ainda um consenso mundial na
definição do efeito denominado “fogo”. Esse fato pode ser percebido nas diferentes
definições encontradas no Brasil e em textos normativos de outros países (SEITO,
2008):
Brasil – NBR 13860: fogo é o processo de combustão caracterizado
pela emissão de calor e luz;
Estados Unidos da América – NFPA: fogo é a oxidação rápida
autossustentada acompanhada de evolução variada da intensidade de
calor e de luz;
Internacional – ISO 8421-1: fogo é o processo de combustão6
caracterizado pela emissão de calor acompanhado de fumaça, chama
ou ambos;
Inglaterra – BS 4422: parte 1: fogo é o processo de combustão
caracterizado pela emissão decalor acompanhado de fumaça, chama
ou ambos.
Segundo Melhado e Souza (1988): “A combustão é uma reação
extremamente complexa, a qual pode, no entanto ser considerada preliminarmente
como uma série de reações de oxi-redução [sic] que, dentro de condições propícias,
se processam de forma bastante violenta [...]”.
Complementando essa definição, temos que as reações de oxirredução
são aquelas onde ocorre a troca de elétrons entre um agente oxidante
(principalmente oxigênio livre ou combinado) e um agente redutor (combustível) em
reação exotérmica autocatalisada. Lembrando de que um agente oxidante é uma
substância responsável pela perda de elétrons de outra substância, denominada
agente redutor (LANDI, 1986).
6 Reação exotérmica de uma substância combustível com um oxidante usualmente acompanhada por chamas e
ou abrasamento e ou emissão de fumaça.
54
Realizando uma síntese dessas definições, podemos utilizar o seguinte
significado: o fogo em si não é composto por matéria, mas sim pelo efeito visível e
sensível da matéria em modificação, sendo ocasionado por uma reação química em
cadeia de oxirredução, com características exotérmicas, acompanhada por emissão
de gases e luz e alimentada por um combustível com capacidade finita.
O início do fogo ocorre devido a um dispositivo primário, em forma de
calor, que seja suficiente para inflamar o combustível, ação denominada ignição.
São necessários alguns fatores que proporcionem tal efeito:
combustível: madeira, papel, álcool, gasolina, butano ou propano;
comburente: oxigênio;
calor: faísca, chamas ou superaquecimento do equipamento.
3.2 FUNDAMENTOS: DEFINIÇÃO DE INCÊNDIO
Incêndio é a reação em cadeia do fogo, ou seja, após a ignição, o
combustível gera calor com sua queima, causando uma crescente liberação de
gases e tendo como consequência o aumento da temperatura no ambiente. Esses
gases quentes apenas com o contato do comburente inflamam-se, provocando uma
reação em cadeia que dará o início ao incêndio, momento denominado como
flashover.
Além da compreensão do mecanismo do incêndio, é fundamental a
compreensão gerada pelos estudos sobre a propagação do incêndio.
Uma comparação pode ser realizada para evidenciar esse fato. Mesmo
para edificações idênticas e com materiais combustíveis semelhantes armazenados,
a propagação de um incêndio em um edifício não ocorre do mesmo modo. Isso se
deve a diversos fatores geográficos e climáticos, como umidade relativa do ar,
temperatura ambiente, massas de ar diferenciadas e pressão atmosférica.
Segundo Buchanan (2002), Purkiss (2007), Seito (2008), Silva (2012) e
Zago (2015), os principais fatores para o desenvolvimento de um incêndio são:
a forma geométrica e as dimensões do edifício ou do ambiente: como
exemplo, um edifício de pequena altura e com grande área de piso
possui uma maior propagação de incêndio que um edifício com
múltiplos pavimentos e com compartimentações internas;
55
aberturas entre ambientes ou externamente a edificação: disposição,
tamanho e posição das aberturas, podendo ser janelas, portas, shafts,
lanternins e poço de elevador;
O fato de haver aberturas em um ambiente, tanto na lateral quanto no
teto, potencializam a propagação de um incêndio (Figura 23). A
presença da abertura no teto permite que os gases saiam, aliviando a
pressão do ambiente e possibilitando a entrada de comburente pelas
aberturas laterais.
Figura 23 – Compartimento com aberturas no teto em situação de incêndio (BUCHANAN, 2002)
isolamento térmico entre os ambientes: quanto mais isolante os
materiais das paredes, teto e piso (elementos de compartimentação),
menor a transferência de calor entre ambientes separados por esses
elementos, reduzindo assim a possibilidade de propagação do
incêndio;
superfície específica dos materiais combustíveis envolvidos;
características de queima dos materiais envolvidos;
distribuição dos materiais combustíveis no local;
carga de incêndio: todos os tipos de materiais combustíveis
armazenados na edificação, como mobiliário, equipamentos,
revestimentos da edificação e produtos armazenados;
condições climáticas no momento do sinistro;
local do início do incêndio no ambiente;
medidas de proteção contra incêndio instaladas: a probabilidade de
início de um incêndio é reduzida em edifícios com detectores de
fumaça, sistema de chuveiros automáticos, brigada contra incêndio e
compartimentação adequada.
Fogo
56
3.3 CURVAS DE INCÊNDIO
A ação térmica em uma estrutura pode ser representada por meio de
modelos matemáticos que descrevem o aumento de temperatura por meio de uma
curva gráfica em função do tempo de ocorrência de um incêndio idealizado.
Normalmente esses modelos consideram incêndios totalmente
desenvolvidos7 em ambientes compartimentados (ou enclausurados) com condições
de temperatura dos gases internos uniforme. Além disso, todos os materiais
combustíveis contribuem para a intensidade e duração do incêndio (SFPE, 2004).
Dentre os possíveis modelos, podem-se citar as curvas de incêndio
(MORENO JR. e MOLINA, 2012):
natural: retratam o aumento de temperatura pelo tempo de forma real;
padrão: padronizadas por normas técnicas geralmente representadas
por equações;
de projeto ou paramétrica: curvas de evolução da temperatura, geradas
através de modelos matemáticos, com base no conhecimento do
comportamento dos materiais ao fogo e em fatores intrínsecos ao
ambiente onde esses materiais estão inseridos.
3.3.1 CURVA DE INCÊNDIO NATURAL
A representação de um incêndio pode ser demonstrada na Figura 24 por
meio de um gráfico de temperatura v. tempo, na qual são caracterizadas três fases
distintas.
Na primeira fase, a partir do ponto de ignição, é representada uma
elevação da temperatura gradual, no entanto, passível de ser controlada por meio de
alguma intervenção ativa, tais como: chuveiros, detecção automática, brigada de
incêndio, dentre outros.
Na segunda fase, ocorre a generalização do fogo a partir do ponto
denominado flashover e o desenvolvimento do incêndio até seu o ápice (caso não
haja nenhum tipo de intervenção). Essa fase termina com o consumo de todo o
material combustível.
Após esse consumo, começa a terceira fase, com o resfriamento do
ambiente devido à diminuição gradual da temperatura pelo tempo (MORENO JR. e
7 Quando ocorre o flashover, ou seja, quando o fogo foge do controle, tornando-se um incêndio.
57
MOLINA, 2012). Nesta última fase, um fenômeno de atraso no início do resfriamento
pode ocorrer. Isso se deve à inércia térmica dos elementos estruturais e de
compartimentação que mantém o ambiente aquecido mesmo após a queima total do
material combustível (PURKISS, 2007).
Figura 24 – Estágios principais de um incêndio natural (SILVA, 2008)
Devido ao grande número de variáveis envolvidas no processo do
desenvolvimento do incêndio, a tarefa de discretizar essa curva torna-se muito difícil
e trabalhosa. Para isso, outros modelos matemáticos foram desenvolvidos de forma
a facilitar o trabalho do engenheiro.
Dentre os possíveis modelos, podem-se citar o método da curva de
incêndio padrão e o método de incêndio de projeto ou também chamada de curva
paramétrica.
3.3.2 CURVAS DE INCÊNDIO PADRÃO
A complexidade da determinação do uso da Curva de Incêndio Natural
justifica a necessidade da utilização de curvas mais simplificadas que busquem
representar o efeito da evolução da temperatura. Para isso, os códigos normativos
apresentam curvas padronizadas que normalmente são expressas por meio de
equações.
A principal característica dessas curvas é a de possuir apenas o ramo
ascendente, ou seja, apresentando apenas a fase de crescimento da temperatura do58
ambiente e omitindo a fase de decaimento. Outra característica, também importante,
é que esse crescimento de temperatura independe das dimensões do ambiente e
das características do clima no momento do sinistro.
Com relação às cargas de incêndio, cada curva possui sua simplificação,
sendo descritas nos itens seguintes.
3.3.2.1 Curva Padrão ISO 834
A curva padrão adotada desde 1975 pela International Organization for
Standardization (ISO), denominada como ISO 834, fundamenta-se no aumento de
temperatura pelo tempo, tendo como base os combustíveis materiais celulósicos.
A construção matemática dessa curva dá-se pela eq. (3.1):
𝑇 − 𝑇amb = 345 log(8 𝑡 + 1) (3.1)
Onde:
𝑇 é a temperatura dos gases atmosféricos no compartimento no instante t
[oC];
𝑇amb é a temperatura dos gases atmosféricos no compartimento no
instante t = 0 [oC]8;
𝑡 é o tempo considerado [min].
Na Figura 25, é mostrada a curva ISO 834 utilizada pelas normas
brasileiras.
Figura 25 – Curva de Incêndio Padrão ISO 834
8 Como simplificação, este valor pode ser tomado igual a 20 oC.
738,56
841,80
902,34
945,34
1.005,99
1.049,04
1.082,44
1.109,74
1.152,82
300
400
500
600
700
800
900
1000
1100
1200
0 50 100 150 200 250
Te
m
p
e
ra
tu
ra
(
0 C
)
Tempo (min.)
ISO 834 TRRF = 15min TRRF = 30min TRRF = 45min TRRF = 60min
TRRF = 90min TRRF = 120min TRRF = 150min TRRF = 180min TRRF = 240min
59
Apesar da adoção da curva ISO 834 nas normas brasileiras, há a
possibilidade da utilização de procedimentos ou normas internacionais que possuem
outras curvas padrões, tais como: Curva ASTM E119, Curva BS EN 1363, Curva
“H”9 (EN 1991-1-2:2002), Curva de incêndio externa (EN 1991-1-2:2002), Curvas de
incêndio de projeto etc., desde que aplicáveis e aceitáveis pela comunidade técnica
e científica.
3.3.2.2 Curva padrão ASTM
É uma curva padrão adotada nos Estados Unidos, denominada como
ASTM E119. Essa curva possui a seguinte relação de tempo-temperatura, descrita
na Tabela 2.
Tabela 2 – Curva Padrão ASTM E119
Tempo (min) Temperatura (oC) Tempo (min) Temperatura (oC)
0 20 55 916
5 538 60 927
10 704 65 937
15 760 70 946
20 795 75 955
25 821 80 963
30 843 85 971
35 862 90 978
40 878 120 1010
45 892 240 1093
50 905 480 1260
Lie (1995, apud BUCHANAN, 2002) apresenta várias equações que
procuram se aproximar da curva ASTM E119 de modo a facilitar o desenvolvimento
do gráfico de temperatura v. tempo. Dentre elas, pode-se destacar:
𝑇 = 750(1 − e−3,79553√t) + 170,41√t + 𝑇amb (3.2)
Onde:
𝑇 é a temperatura dos gases atmosféricos no compartimento no instante t
[oC];
𝑇amb é a temperatura dos gases atmosféricos no compartimento no
instante t = 0 [oC];
𝑡 é o tempo considerado [h].
9 Curva padrão para materiais a base de hidrocarbonetos.
60
3.3.2.3 Curva padrão de hidrocarbonetos (H) – Hydrocarbon curve
Fundamentada em combustíveis à base de hidrocarbonetos, dada pelo
Eurocode 1 (EN 1991-1-2:2002), é regida pela eq. (3.3):
𝑇 − 𝑇amb = 1080 (1 − 0,33 𝑒−0,17𝑡 − 0,68 𝑒−2,5𝑡) (3.3)
Segundo Costa (2008), a curva “H’ foi desenvolvida, a priori, para projetos
de segurança contra incêndio de indústrias petroquímicas e offshore; atualmente ela
tem sido recomendada para projeto de túneis e outras vias de transporte de veículos
movidos a combustíveis inflamáveis.
3.3.2.4 Curva padrão de incêndio externo – External fire curve
Para condições em que elementos construtivos externos ao
compartimento são aquecidos pelas chamas, o Eurocode (EN 1991-1-2:2002)
fornece a eq. (3.4):
𝑇 − 𝑇amb = 660 (1 − 0,687 𝑒−0,32𝑡 − 0,313 𝑒−3,8𝑡) (3.4)
3.3.3 CURVA DE INCÊNDIO DE PROJETO
As curvas que representam a evolução da temperatura com o tempo por
meio de modelos matemáticos buscando a realidade do incêndio natural são
denominadas como Curva de Incêndio de Projeto.
Para a simulação dessas curvas, deve-se ter o conhecimento do
comportamento dos materiais ao fogo (composição química, forma física, área
superficial exposta e inércia térmica) e dos fatores intrínsecos ao ambiente onde
esses materiais estão inseridos (tipo de uso da edificação, ventilação e elementos
de compartimentação) (MORENO JR. e MOLINA, 2012).
A adoção de curvas de incêndio de projeto é uma alternativa para
grandes edificações que possuem compartimentações de usos diferenciados e que
buscam uma maior economia de materiais, utilizando, assim, para cada ambiente,
uma curva específica.
Como exemplo, pode-se citar uma grande edificação em concreto pré-
moldado com áreas de escritório, depósito, indústria, almoxarifado e vestiário, todas
compartimentadas com paredes ou painéis corta-fogo, tendo, desse modo, uma
Curva de Incêndio de Projeto para cada ambiente.
61
Atualmente existem diversos modelos matemáticos que simulam um
incêndio real através da geração de curvas específicas para cada situação. Dentre
eles, podem-se destacar os Modelos Analíticos e as Curvas Naturais Avançadas.
3.3.3.1 Modelo analítico
São modelos simplificados para análise da evolução da temperatura no
compartimento.
As curvas geradas a partir desse modelo são denominadas curvas de
incêndio paramétricas. Segue abaixo alguns exemplos:
Curva paramétrica de Law, 1983
Supõe que a temperatura possa ser considerada constante no ambiente
durante todo o período da combustão dos materiais, conforme Figura 26. No
entanto, esse método possui certa imprecisão, motivo pelo qual é adequado utilizá-lo
apenas em projetos mais simplificados.
Ensaios conduzidos por Thomas e Heselden forneceram dados
importantes sobre a máxima temperatura alcançada internamente no ambiente,
através de estudos de queimas de pilhas de madeira em compartimentos de
pequena dimensão. Tendo como base esses dados, uma equação empírica foi
desenvolvida por Law e posteriormente resumida por Walton e Thomas
(BUCHANAN, 2002).
Figura 26 – Curva paramétrica proposta por Law
62
Dessa forma, a máxima temperatura pode ser calculada utilizando a eq.
(3.5):
𝑇𝑚á𝑥 =
6000 [1 − 𝑒
−0,1(
𝐴𝑡−𝐴𝑣
𝐴𝑣√𝐻𝑣
)
]
√
𝐴𝑡 − 𝐴𝑣
𝐴𝑣√𝐻𝑣
(3.5)
𝐴𝑡 é a área interna total das superfícies delimitadoras, incluindo aberturas
[m²];
𝐴𝑣 é a área de aberturas do ambiente [m²];
𝐻𝑣 é a altura média ponderada das aberturas [m].
Curvas paramétricas de Magnusson e Thelandersson, 1970
A abordagem do problema consiste em realizar comparações entre
algumas informações intrínsecas ao ambiente, realizando uma aproximação com
curvas já publicadas no meio técnico. Como exemplo, destacam-se as curvas
idealizadas por Magnusson e Thelandersson, também chamadas de curvas suecas
(Figura 27).
Como alternativa, podem-se utilizar um conjunto de curvas em situação
de pós-flashover desenvolvido no trabalho realizado por Feasey e Buchanan (2000
apud BUCHANAN, 2002) (Figura 28), com a ajuda do software COMPF2. Nesse
trabalho, as curvas foram calculadas a partir de um ambiente que possuía as
mesmas características daquelas usadas na composição das curvas suecas.
A quantidade de ventilação de um compartimento em situação de
incêndio pode ser descrita pelo “fator de ventilação” (ou fator de abertura), conforme
eq. (3.6):
𝐹𝑣 =
𝐴𝑣√𝐻𝑣
𝐴𝑡
[√𝑚] (3.6)
Apesar de sua simplicidade, esse método não dispõe de equações para a
determinação precisa das curvas, tornando dessa forma um problema de solução
gráfica apenas.
Neste método, interpolações podem ser utilizadas quando necessário.
63
Figura 27 – Curvas de tempo temperatura para diferentes fatores de ventilação e carga de incêndio
(BUCHANAN, 2002; adaptado)
Figura 28 – Curvas de tempo v. temperatura a partir do software COMPF2 (BUCHANAN, 2002; adaptado)
Curva paramétricado Eurocode, 2002
É a equação de Curva de Incêndio Parametrizada proposta no Anexo A
do Eurocode (EN 1991-1-2:2002) para compartimentos de até 500 m² de área de
piso sem aberturas na cobertura e para alturas máximas de compartimento de 4 m,
onde é assumido que a carga de incêndio do compartimento é totalmente
consumida. Dá-se pela eq. (3.7):
Te
m
p
er
at
u
ra
(
o
C
)
Te
m
p
er
at
u
ra
(
o
C
)
Te
m
p
er
at
u
ra
(
o
C
)
Te
m
p
er
at
u
ra
(
o
C
)
Tempo (hr.) Tempo (hr.)
Tempo (min.) Tempo (min.)
Carga de incêndio
(MJ/m²)
[área total]
Carga de incêndio
(1200 MJ/m²)
[área total]
Te
m
p
er
at
u
ra
(
o
C
)
Te
m
p
er
at
u
ra
(
o
C
)
64
𝑇 = 20 + 1325(1 − 0,324𝑒−0,2𝑡∗
− 0,204𝑒−1,7𝑡∗
− 0,472𝑒−19𝑡∗
) (3.7)
Onde o tempo fictício é dado por:
𝑡∗ = Γ𝑡 =
(Fv/Fref)²
(b/bref)²
𝑡 (3.8)
Em que 𝑡 é expresso em horas.
A inércia térmica é expressa em:
b = √λ ρ cp [Ws0,5/m²K] 100 ≤ b ≤ 2200 (3.9)
O fator de ventilação (ou fator de abertura):
𝐹𝑣 =
𝐴𝑣√𝐻𝑣
𝐴𝑡
[√𝑚] 0,02 ≤ 𝐹𝑣 ≤ 0,20 (3.10)
A norma europeia recomenda os seguintes valores das variáveis de
referência: Fref = 0,04 e bref = 1160, dessa forma:
Γ =
(Fv/0,04)²
(b/1160)²
(3.11)
Pesquisas conduzidas por Feasey e Buchanan (2000, apud BUCHANAN,
2002), utilizando o software COMPF2 (este calibrado por meio de testes reais de
incêndio), mostraram que a fórmula proposta pelo Eurocode levava a valores
menores que os reais. Com isso, os autores propuseram um novo valor de inércia
térmica de referência como sendo bref = 1900 Ws0,5/m²K, definindo a eq. (3.12):
Γ =
(Fv/0,04)²
(b/1900)²
(3.12)
Os autores complementam que esse valor de inércia térmica de
referência foi baseado a partir dos valores das propriedades térmicas do concreto
propostos pelo Eurocode condutividade térmica: λ = 1,6 W/mK , densidade: ρ =
2300 kg/m³ e calor específico: cp = 980 J/kg K .
O tempo em que ocorre a máxima temperatura na fase de aquecimento
também é fornecido pelo Eurocode e corresponde à eq. (3.13):
𝑡𝑚á𝑥 = 0,00013
𝑞𝑓𝑖
𝐹𝑣
≥ 𝑡𝑙𝑖𝑚 (3.13)
Onde, 𝑞𝑓𝑖 é a carga de incêndio em [MJ/m²] e o 𝑡𝑙𝑖𝑚, de acordo com a
Tabela 3.
65
Tabela 3 – Valores de tlim
Taxa de crescimento
do incêndio
Baixa Média Rápida
𝑡𝑙𝑖𝑚 25 min. 20 min. 15 min.
A fase de resfriamento representada na curva temperatura v. tempo é
dada por:
𝑇 = 𝑇𝑚á𝑥 − 625(t∗ − tmáx
∗ x) Para tmáx
∗ ≤ 0,5 (3.14)
𝑇 = 𝑇𝑚á𝑥 − 250(3 − tmáx
∗ )(t∗ − tmáx
∗ x) Para 0,5 𝑡𝑙𝑖𝑚 (3.17)
x =
𝑡𝑙𝑖𝑚Γ
tmáx
∗ Se 𝑡𝑚á𝑥 = 𝑡𝑙𝑖𝑚 (3.18)
Curvas auxiliares
Além dessas curvas citadas, podem-se encontrar na literatura exemplos
de curvas propostas por outros autores, possibilitando assim comparações entre os
modelos.
Dentre elas, podem-se citar os métodos: proposto pela CIB (1958); de Lie
(1974); de Tanaka (1996); de Harmathy (1972); de Brabauskas (1975); de Barnett
(1989); de Ma e Mäkeläinen (2000); Curva BFD (2001); de Cadorin (2003); iBMB
(2007) (MA E MÄKELÄINEN, 2000; CADORIN e FRANSSEN, 2003; CADORIN et
al., 2003; SFPE, 2004).
3.3.3.2 Curvas naturais avançadas
A finalidade deste tipo de curva é a de simular o incêndio em sua
totalidade, ou seja, iniciando na ignição, o seu desenvolvimento, o ponto de
flashover, a temperatura máxima atingida e, por último, a fase de decaimento das
temperaturas.
Por meio dos fenômenos da transferência de calor e da termodinâmica, é
possível desenvolver modelagens numéricas que levem em conta as propriedades
térmicas dos gases e as trocas de massa e energia liberada na combustão do
material.
66
Dentre os possíveis modelos, podem-se citar: modelos de zonas (zone
models) e modelos de campo (field models).
Modelos de zonas (zone models)
É um modelo numérico que consiste em uma divisão do compartimento
em volumes horizontais, de modo a compreender a troca de calor entre elas.
Nesse modelo são assumidas as seguintes premissas:
as características térmicas dessas camadas subdivididas são
constantes;
o cone de incêndio funciona como um projetor de fumaça e calor
para a zona superior;
o cone de incêndio possui pequena dimensão quando comparado
com as dimensões do ambiente, sendo dessa forma ignorado
para manter a primeira premissa verdadeira;
o calor no ambiente não é absorvido pelos materiais combustíveis
(ou materiais que compõem o mobiliário do ambiente), ou seja, o
calor é apenas absorvido pelos elementos de isolamento;
existe um equilíbrio térmico entre o interior do ambiente e a região
externa ao ambiente;
existe um equilíbrio de massas dos gases que saem do ambiente
e dos gases que entram através das aberturas.
De maneira geral, são aceitos dois tipos de modelos: de uma zona e de
duas zonas.
A utilização da análise do modelo de uma zona dá-se para incêndios
totalmente desenvolvidos, ou seja, em situação de pós-flashover. Nesse estágio do
incêndio, é razoável considerar que o ambiente possui apenas uma camada
homogênea com características térmicas semelhantes (Figura 29).
Neste modelo, o código normativo europeu (EN 1991-1-2:2002) fornece
equações para a avaliação do ambiente, considerando a conservação de massa e
energia.
Para a análise de incêndio no estágio de pré-flashover, é recomendada a
utilização de modelos de duas zonas (Figura 30), onde o ambiente em situação de
incêndio é dividido em dois volumes horizontais que possuem características
térmicas constantes.
67
Figura 29 – Modelo de uma zona (one-zone model) (COSTA, 2008)
Figura 30 – Modelo de duas zonas (two-zone model) (COSTA, 2008)
Apesar de o Eurocode apresentar um equacionamento simplificado, a
análise termodinâmica do problema requer recursos mais refinados. Para isso, é
necessário utilizar os recursos das equações diferenciais ordinárias para a
conservação de massa e energia.
Diversos softwares possibilitam a modelagem matemática com o conceito
dos modelos de zonas. Entre eles, podem-se citar: COMPF2 do National Institute of
Standards and Technology – NIST (BABRAUSKAS, 1979 apud BUCHANAN, 2002),
OZone da Université de Liège (CADORIN e FRANSSEN, 2003; CADORIN et al.,
2003) e SFIRE-4 da Lund University (OLENICK e CARPENTER, 2003 apud COSTA,
2008).
Modelo de campo (field model)
Neste tipo de modelo o incêndio pode ser considerado como um fluido,
tendo como consequência uma avaliação no âmbito da dinâmica dos fluidos. Nesta
68
abordagem, é utilizado o conceito de um modelo em CFD (Computational Fluid
Dynamics).
Considerada como uma técnica avançada, esse método constitui-se em
uma análise de uma grelha tridimensional de elementos de volume de controle. O
ambiente modelado computacionalmente é divido em centenas de milhares de
volumes de controle, semelhante à análise do modelo de zonas. Assim, é permitido
aplicar o modelo em geometrias de compartimentos mais complexas.
A partir dos dados de entrada – geometria do ambiente, materiais de
constituintes do ambiente, aberturas, características dos materiais combustíveis,
características da combustão, parâmetros de turbulência e de radiação – são
encontrados resultados de temperatura, propagação dos gases (velocidade,
movimento e espessura), previsão do tempo de resposta das proteções ativas e
tempo necessário para o flashover.
Devido à grande dificuldade de manipulação dessa teoria, o seu uso só é
viável por meio de softwares específicos. Além disso, o assunto pode ser
considerado como em pleno desenvolvimento, por ser muito recente, com ainda um
pequeno número de estudos sobre, motivo pelo qual ainda não foi utilizado de forma
ampla em algum documento normativo (FRASSEN e ZAHARIA, 2005 apud COSTA,
2008).
Nas Tabelas 4e 5 são apresentados os softwares que utilizam esse
conceito.
Tabela 4 – Softwares utilizados no mundo para a modelagem em CFD
Software País Descrição
CFX Reino Unido De uso geral.
FDS EUA Código CFD específico para fluxos relacionados com incêndio.
FIRE Austrália
Modelo CFD para avaliação de proteções ativas no processo de extinção de
um incêndio.
FISCO-3L
Alemanha /
Noruega
Modelo de campo para um compartimento para descrever a interação da
proteção ativa com os gases do incêndio com ventilação forçada ou natural.
FLUENT EUA De uso geral.
JASMINE Reino Unido Modelo CFD para propagação de gases e fogo.
KOBRA-3D Alemanha Modelo CFD para transferência de calor e propagação de gases.
MEFE Portugal
Modelo CFD para um ou dois compartimentos. Inclui a resposta no tempo dos
termopares.
Fonte: Dissemination of Fire Safety Engineering Knowledge – Difisek.
69
Tabela 5 – Softwares utilizados no mundo para a modelagem em CFD (cont.)
Software País Descrição
PHOENICS Reino Unido Software de uso geral.
RMFIRE Canadá
Modelo bidimensional para o cálculo em regime transiente do movimento dos
gases.
SMARTFIRE Reino Unido Modelo de campo.
SOFIE
Reino Unido /
Suécia
Modelo CFD para propagação dos gases e do fogo.
SPLASH Reino Unido
Modelo de campo para descrever a interação entre a água pulverizada pelos
sprinklers e os gases do incêndio.
STAR-CD Reino Unido Software CFD de uso geral
Fonte: Dissemination of Fire Safety Engineering Knowledge – Difisek
3.4 TRANSFERÊNCIA DE ENERGIA (FLUXO DE CALOR)
A transferência de energia, ou fluxo de calor – como é denominada pela
norma ABNT NBR 15200:2012 –, é um fenômeno a nível molecular que ocorre
devido à diferença de temperatura de dois corpos. As partículas com maior energia
(onde se registra grande temperatura) transferem parte dessa energia por meio
eletromagnético, vibracional, rotacional e translacional para partículas com menor
energia (onde se registra menor temperatura).
Esse processo pode ser elucidado a partir da soma de três processos
diferentes: radiação, convecção e condução.
𝜑 = 𝜑𝑟 + 𝜑𝑐 + 𝜑𝑐𝑜𝑛𝑑 (3.19)
Onde:
φ é o fluxo total de calor por unidade de área [W/m²];
𝜑𝑟 é o fluxo de calor radiante absorvido pela superfície por unidade de
área [W/m²];
𝜑𝑐 é o fluxo de calor convectivo por unidade de área [W/m²];
𝜑𝑐𝑜𝑛𝑑 é o fluxo de calor condutivo por unidade de área [W/m²].
Em uma análise de transferência de energia de um incêndio para a
estrutura, a parcela do fluxo de calor condutivo é omitida do modelo por não
apresentar valores significativos. Assim, utiliza-se a eq. (3.20):
𝜑 = 𝜑𝑟 + 𝜑𝑐 (3.20)
70
3.4.1 RADIAÇÃO
Radiação é o processo de transmissão de energia por ondas
eletromagnéticas de corpos que possuem movimento molecular. Essa transmissão
de energia não necessita de um meio material para que ocorra: como exemplo, o
Sol, quando aquece a Terra.
Um modo de medir a energia de radiação emitida de um corpo para outro
pode ser explicada pela lei de Stefan-Boltzmann (1884), a qual estabelece que a
energia total radiada por unidade de área superficial de um corpo negro é
diretamente proporcional à quarta potência da sua temperatura termodinâmica T. De
forma geral, essa lei pode ser expressa pela eq. (3.21):
𝜑𝑟 = 𝜎𝑆𝐵 𝑇4 (3.21)
Onde:
𝜎𝑆𝐵 é a constante de Stefan-Boltzmann;
𝑇 é a temperatura termodinâmica absoluta [K].
Devido às características do material, pode-se dizer que parte da energia
de radiação incidente é absorvida e parte é refletida. Portanto, a eq. (3.21) pode ser
reescrita da seguinte forma:
𝜑𝑟 = 𝜙 𝜀𝑓𝜀𝑟[(𝜎𝑆𝐵 𝑇4)𝑔 − (𝜎𝑆𝐵 𝑇4)𝑎] = 𝜙 𝜀𝑓𝜀𝑟 𝜎𝑆𝐵 [(𝑇 + 273)4 − (𝑇𝑐 + 273)4] (3.22)
Onde:
𝜙 é o fator de configuração, geralmente adotado igual a 1,0;
𝜀𝑓 emissividade do fogo, geralmente adotado igual a 1,0;
𝜀𝑟 emissividade resultante do elemento aquecido, podendo ser tomada
para efeitos práticos igual a 0,7.
𝜎𝑆𝐵 = 5,67 𝑥 10−8 𝑊/(𝑚2𝐾4)
𝑇 temperatura dos gases quentes (atmosfera) do compartimento em
chamas [K];
𝑇𝑐 temperatura na superfície do elemento [K].
O termo emissividade resultante refere-se a uma grandeza adimensional
relacionada à reflexão de energia infravermelha na superfície do corpo. Essa
grandeza está compreendida entre 0não pode ser confundido com o tempo de
evacuação do local, ou do tempo de colapso do edifício, nem do tempo real em que
a edificação esteve em situação de incêndio, mas sim um valor que equivale, em
cálculo e com base na curva-padrão, ao tempo em que os gases do ambiente
alcançam aquela temperatura.
Tendo como base uma curva padronizada e os valores de TRRF
fornecidos pelos códigos normativos, é possível avaliar o elemento estrutural de
forma que este não chegue a sua temperatura crítica, isto é, à máxima temperatura
na qual o elemento continua com sua capacidade de suporte sem iniciar a ruína.
A curva oficial adotada nos códigos normativos internacionais e no código
nacional é a curva padrão ISO 834:1975 (BS 8110-2:1985; ACI 216R, 1989; NZS
3101:1995; AS 3600-2001; EN 1992-1-2:2004; NBR 15200:2012) (COSTA, 2008).
3.5.2 TEMPO DE RESISTÊNCIA AO FOGO – TRF
De acordo com a norma ABNT NBR 15200:2012, é o tempo durante o
qual um elemento estrutural, estando sob a ação do incêndio padrão (definido na
ABNT NBR 5628), não sofre colapso estrutural.
Ou seja, este é o tempo máximo de cálculo que uma estrutura ou
elemento estrutural pode manter a sua função quanto a sua resistência e
estabilidade.
De maneira geral, deve-se respeitar a seguinte premissa:
𝑇𝑅𝐹 ≥ 𝑇𝑅𝑅𝐹 (3.27)
3.5.3 TEMPO EQUIVALENTE
Devido à complexidade do uso da curva de incêndio natural, buscou-se
uma simplificação a partir das curvas padrões. Isso tornou possível a execução de
74
ensaios padronizados em série sem a necessidade de inúmeros cenários de
incêndios iminentes (COSTA e SILVA, 2003).
No entanto, com a adoção desse procedimento, a variável “tempo”
utilizada para medir a capacidade da estrutura perdeu seu significado. Logo, para
corrigir tal fato, criou-se o conceito do tempo equivalente.
A análise do tempo equivalente consiste em:
1) determinar a temperatura máxima do elemento com base em uma
resposta à curva natural de incêndio;
2) traduzir esse valor para a curva que representa o aumento da
temperatura do elemento com base na curva padrão.
Esse procedimento é denominado como método do tempo equivalente
(Figura 31).
Figura 31 – Conceito do método do tempo equivalente (COSTA, 2008)
Este conceito do método do tempo equivalente vem sendo estudado
desde a década de 1920, tendo como contribuições estudos de Ingberg, seguida
pelas contribuições de Law e Pettersson, na década de 1970; a normalização do
método pela DIN 18230-1:1998-05, nos anos 1990, até a versão mais recente do
Eurocode (COSTA, 2008).
75
3.5.3.1 Equivalência de Ingberg, 1928
Ingberg (1928 apud SFPE, 2004) realizou estudos baseados na
comparação das áreas sob as curvas de incêndio reais e de incêndio padrão (Figura
32), buscando assim uma correspondência entre as respectivas curvas. A partir
desse estudo, o autor propôs a seguinte relação:
𝑡𝑒 = 𝑘1𝑞𝑓𝑖 (3.28)
Onde:
𝑞𝑓𝑖 é o valor da carga de incêndio expressa em quilograma de madeira
equivalente por unidade de área [kg de madeira/m²];
𝑘1 = 1 quando 𝑞 é expresso em kg de madeira/m²;
𝑘1 = 5 quando 𝑞 é expresso em lb de madeira/ft².
A vantagem deste método dá-se na simplicidade de sua aplicação; no
entanto, tem pouca justificativa teórica, uma vez que não é considerado o efeito da
ventilação (ROBERTSON e GROSS, 1970 apud PURKISS, 2007). Além disso, o
produto entre a temperatura e o tempo não fornece a quantidade de calor liberado.
Figura 32 – Comparação entre curvas de incêndio proposta por Ingberg (1928 apud SFPE, 2004;
adaptado)
3.5.3.2 Equivalência de Kawagoe e Sekine, 1964
Buscando aperfeiçoar o método de Ingberg, Kawagoe e Sekine
introduziram o parâmetro de ventilação na avaliação do tempo equivalente (COSTA,
2008).
𝑡𝑒 = 0,06𝑞𝑓𝑖 (
𝐴𝑡
𝐴𝑣
√𝐻𝑣)
0,23
𝑜𝑛𝑑𝑒 5 𝑚1/2 ≤
𝐴𝑡
𝐴𝑣
√𝐻𝑣 ≤ 30 𝑚1/2 (3.29)
𝑞𝑓𝑖 é o valor de carga de incêndio por área de piso [MJ/m²];
Te
m
p
er
at
u
ra
Tempo
Incêndio real
Incêndio padrão
76
𝐴𝑡 é a área interna total das superfícies delimitadoras, incluindo aberturas
[m²];
𝐴𝑣 é a área de aberturas do ambiente [m²];
𝐻𝑣 é a altura média ponderada das aberturas [m].
3.5.3.3 Método do tempo equivalente (ABNT NBR 15200:2012)
Edificações de grande porte, sobretudo mais altas ou contendo maior carga
de incêndio, devem atender as exigências mais severas para cumprir com
os requisitos gerais. Projetos que favoreçam a prevenção ou a proteção
contra o incêndio, em termos desses requisitos gerais, reduzindo o risco de
incêndio ou sua propagação e especialmente facilitando a fuga dos usuários
e a operação de combate, podem ter aliviadas as exigências em relação à
resistência de sua estrutura ao fogo, conforme previsto na ABNT NBR
14432, ou seja, o método do tempo equivalente conforme detalhado no
Anexo A (ABNT NBR 15200:2012, pg. 6).
Tendo como base a norma europeia, a norma brasileira ABNT NBR
15200:2012 apresenta o cálculo do tempo equivalente a partir da eq. (3.30):
𝑡𝑒 = 0,07 𝑞𝑓𝑖 𝑊 𝛾𝑛𝛾𝑠 (3.30)
Onde:
𝑞𝑓𝑖 é o valor característico de carga de incêndio específica por área de
piso, determinado conforme ABNT NBR 14432:2001 [MJ/m²];
𝑊 é o fator que considera a influência da ventilação e da altura do
compartimento, conforme a equação apresentada a seguir.
Para a próxima equação, 𝐴𝑣𝑒𝑟𝑡 é a área de ventilação vertical para o
ambiente externo do compartimento. Admitindo-se a quebra dos vidros das janelas
no incêndio, 𝐴𝑓 é a área do piso do compartimento e 𝐻 é a altura do compartimento
(distância do piso ao teto), em metros.
𝑊 = (
6
𝐻
)
0,3
{0,62 + 90 (0,4 −
𝐴𝑣𝑒𝑟𝑡
𝐴𝑓
)
4
} ≥ 0,5, 𝑝𝑎𝑟𝑎
𝐴𝑣
𝐴𝑓
≤ 0,30 (3.31)
Para 𝐴𝑣 𝐴𝑓⁄ > 0,30, tomar 𝐴𝑣 𝐴𝑓⁄ = 0,30. Em qualquer caso, 𝐴𝑣 𝐴𝑓⁄ ≥ 0,025.
𝛾𝑛 é o fator de ponderação determinado por 𝛾𝑛 = 𝛾𝑛1 𝑥 𝛾𝑛2 𝑥 𝛾𝑛3 (Ver
Tabela 6).
77
Tabela 6 – Fatores de ponderação das medidas de segurança contra incêndio
Valores de 𝛾𝑛1, 𝛾𝑛2 e 𝛾𝑛3
Existência de chuveiros automáticos
𝛾𝑛1
Brigada contra incêndio
𝛾𝑛2
Existência de detecção automática
𝛾𝑛3
0,60 0,90 0,90
Na ausência de algum meio de proteção adota-se 𝛾𝑛 igual a 1
𝛾𝑠 é o fator de ponderação determinado por 𝛾𝑠 = 𝛾𝑠1 𝑥 𝛾𝑠2 (Ver Tabela 7 e
Eq. 3.32)
𝛾𝑠1 = 1 +
𝐴𝑓(ℎ𝑒𝑑𝑖𝑓 + 3)
105
(3.32)
Nesta, 𝐴𝑓 é a área do piso do compartimento, em metros quadrados, e
ℎ𝑒𝑑𝑖𝑓 é a altura do piso habitável mais elevado da edificação, em metros,
considerando que 𝛾𝑠1 não pode ser inferior a 1 e não precisa ser superior a 3.
Tabela 7 – Valores de 𝜸𝒔𝟐em função do risco de ativação do incêndio (r)
𝛾𝑠2 r Exemplos de ocupação
0,85 Pequena Escola, galeria de arte, parque aquático, igreja, museu.
1,0 Normal
Biblioteca, cinema, correio, consultório médico, escritório, farmácia, frigorífico, hotel, livraria,
hospital, laboratório fotográfico, indústria de papel, oficina elétrica ou mecânica, residência,
restaurante, supermercado, teatro, depósitos (produtos farmacêuticos, bebidas alcoólicas,
venda de acessórios de automóveis) e depósitos em geral.
1,2 Média Montagem de automóveis, hangar, indústria mecânica.
1,5 Alta Laboratório químico, oficina de pintura de automóveis.
Além das formulações propostas pela norma, há ainda as seguintes
limitações para o uso do método:
o tempo determinado por meio do método apresentado não pode ser
inferior ao determinado pela tabela A.1, ABNT NBR 14432:2001,
reduzido de 30 min;
o tempo determinado por meio do método apresentado não pode ser
inferior a 15 min;
deve-se respeitar o valor mínimo de carga de incêndio:
𝑞𝑓𝑖 𝛾𝑛 𝛾𝑠 ≥ 300 𝑀𝐽/𝑚² (3.33)
78
3.5.4 MÉTODO DE GRETENER PARA AVALIAÇÃO DE RISCO
Métodos de avaliação de risco têm a finalidade de possibilitar uma
verificação sobre a segurança global da edificação.Assim, podem ser usados para
determinar o nível de segurança da estrutura frente às possíveis solicitações
impostas.
No âmbito da segurança contra incêndio, o denominado Método de
Gretener vem sendo uma opção para avaliação de risco, inclusive aplicado em
normatizações estrangeiras, tais como: na norma suíça SIA‐81, “Método de
avaliação de risco de incêndio” pela SIA (Societé Suisse des Ingénieurs et dês
Architectes), em 1984, e revisada em 1996; nas normas austríacas TRVB A‐100
(cálculo) e TRVB A‐126 (parâmetros para o cálculo), publicadas pela Liga Federal de
Combate a Incêndio da Áustria, em 1987 (GILL e SILVA, 2011).
Tendo isso em vista, o Comitê Brasileiro de Segurança Contra Incêndio
da ABNT (CB 24), por meio da sua Comissão de Estudos da ABNT CE‐ 24:201‐03,
propôs a utilização do Método de Gretener como uma opção para a avaliação de
risco em uma estrutura em situação de incêndio.
Desenvolvido pelo engenheiro Max Gretener, em 1960, e publicado em
1965, esse método busca avaliar a possibilidade de calcular o risco de incêndio em
indústrias e grandes edifícios. Segue sua formulação:
𝛾 = 1,3
𝑁 𝑆 𝐸
𝑅 𝐴 𝑀
≥ 1 (3.34)
A variável 𝛾 é utilizada como um coeficiente global de segurança para
determinar o tempo equivalente com base no tempo requerido de resistência ao
fogo:
𝑡𝑒 =
𝑇𝑅𝑅𝐹
𝛾
(3.35)
A vantagem do uso desse método dá-se na possibilidade de avaliações
globais de risco, ou seja, é possível variar os fatores de segurança desde que seja
mantido o mesmo índice de segurança 𝛾.
Por exemplo: na avaliação, é possível que duas edificações situadas em
diferentes cidades possuam índices também diferentes devido à existência de um
Corpo de Bombeiros. Além disso, outros fatores podem ser avaliados de forma
separada, tais como: modos de detecção do incêndio, de transmissão do aviso, área
79
de ventilação de um recinto, relação largura/comprimento da área em análise,
toxicidade e corrosividade da fumaça.
Em um trabalho realizado por Silva e Coelho Filho (2007), é apresentado
o procedimento de cálculo desse método, sendo possível avaliar cada variável. No
final de seu trabalho, são apresentados também exemplos e comparações entre
diferentes estruturas.
80
4 DIMENSIONAMENTO EM SITUAÇÃO DE
INCÊNDIO
4.1 ESTRUTURAS EM CONCRETO PRÉ-MOLDADO EM SITUAÇÃO DE
INCÊNDIO
A pré-moldagem é caracterizada como um processo de construção em que
a obra, ou parte dela, é moldada fora de seu local de utilização definitivo.
Frequentemente a pré-moldagem é relacionada a outros dois termos: a pré-
fabricação e a industrialização da construção (EL DEBS, 2000, pg. 5).
Diferentemente das construções de concreto moldado no local, o pré-
moldado merece uma atenção especial quanto a sua análise e ao seu
dimensionamento. Isso se deve às condições impostas ao elemento desde sua
fabricação, passando por transportes e montagem, até sua utilização.
Na fase de utilização da estrutura, as verificações adotadas são: o
dimensionamento das ligações entre os elementos, o comportamento dos elementos
isoladamente e no conjunto global, a verificação frente ao colapso progressivo da
estrutura com possíveis mudanças no esquema estático e a incerteza quanto às
transmissões de forças nas ligações entre elementos (EL DEBS, 2000). Além
dessas verificações, o responsável técnico deve ainda somar as de caráter
excepcional, como ações sísmicas e as devidas ao incêndio.
De acordo com Vargas e Silva (2003), uma estrutura segura em situação
de incêndio “é aquela que, com ou sem proteção contra incêndio, tem grande
probabilidade de resistir aos esforços solicitantes em temperatura elevada, de forma
a evitar o seu colapso”.
Van Acker, em sua contribuição para o manual da FIB, comenta que os
métodos de cálculo e de projeto relacionados à análise local e global da estrutura de
concreto em situação de incêndio estão ainda em processo de desenvolvimento (FIB
38, 2007). O motivo relatado é atribuído à complexidade da análise do
comportamento estrutural frente a essa solicitação, uma vez que existe um grande
número de parâmetros envolvidos no problema (FIB 46, 2008), tais como:
materiais: propriedades térmicas em função da temperatura
(aquecimento, resfriamento e reaquecimento); tipos de agregados e
cimento utilizados na mistura; influência da adição de fibras (metálicas,
81
fibras inorgânicas ou poliméricas); parâmetros de fratura em altas
temperaturas;
análise estrutural: avaliação dos modos de falha de seções de concreto
armado feitas de diferentes compósitos cimentícios (flexão,
compressão, cisalhamento, torção e possíveis combinações); validade
da abordagem de seção reduzida ou das propriedades mecânicas
reduzidas, com base em uma temperatura de referência e sob uma
força axial normal ou excêntrica à elevada temperatura e após
resfriado; análise do efeito de fluência e o seu papel no comportamento
estrutural sob altas temperaturas; efeitos da expansão térmica contida;
efeito do spalling em concreto de alto desempenho com e sem sílica
ativa;
avaliações pós-incêndio: métodos não destrutivos para análise de
resistência residual do concreto, tais como resistência à perfuração e
métodos baseados na coloração do concreto; avaliação na resistência
residual do aço passivo e do aço protendido; análise das perdas de
protensão;
ensaios em larga escala e validações de modelos: validações das
metodologias empregadas até o momento, tais como: os modos de
falha; análises de expansão térmica com possíveis perdas de vínculo
entre elementos e do comportamento global em estruturas sob altas
temperaturas; análises em lajes alveolares (distribuição de
temperaturas ao longo da seção, flexão, cisalhamento e análise
conjunta da contribuição da capa de solidarização) e de perdas de
protensão em elementos protendidos.
4.2 CRITÉRIOS DE DESEMPENHO
O sistema de classificação estrutural, do ponto de vista de seu
desempenho em situação de incêndio, pode ser dividido em três categorias:
resistência (R): diz respeito à estabilidade estrutural frente ao incêndio,
sendo esta capaz de suportar as variações de temperatura, dilatações
inferidas e alterações nas propriedades mecânicas dos materiais;
estanqueidade (E): para não ocorrer o alastramento tanto dos gases
tóxicos quanto das chamas para outras regiões da edificação;
82
isolamento (I): para manter as altas temperaturas confinadas no
ambiente do sinistro.
A verificação desses três aspectos fundamentais garante que a estrutura
é capaz de resistir a um incêndio. No entanto, são admissíveis plastificações e
ruínas locais, desde que não comprometam a estabilidade global da estrutura.
4.3 RESISTÊNCIA ESTRUTURAL
Em situação normal de utilização da estrutura, a premissa fundamental
que rege a estabilidade estrutural é representada pela seguinte relação, onde 𝑆𝑑 é o
esforço solicitante de cálculo e 𝑅𝑑 é o esforço resistente de cálculo:
𝑆𝑑 ≤ 𝑅𝑑 (4.1)
Quando é realizada uma análise estrutural em situação de incêndio,
podem-se adotar as seguintes premissas de verificação:
A. 𝑆𝑑,𝑓𝑖 ≤ 𝑅𝑑,𝑓𝑖 (4.2)
Onde 𝑆𝑑,𝑓𝑖 é o esforço solicitante de cálculo em situação de incêndio, e
𝑅𝑑,𝑓𝑖 é o esforço resistente residual de cálculo em situação de incêndio;
B. 𝑡𝑟𝑒𝑞,𝑓𝑖, ≤ 𝑡𝑑,𝑓𝑖 (4.3)
Onde 𝑡𝑟𝑒𝑞,𝑓𝑖, é o tempo resistente requerido de cálculo em situação de
incêndio, e 𝑡𝑑,𝑓𝑖 é o tempo resistente de cálculo em situação de incêndio;
C. 𝜃𝑐𝑟,𝑑 ≥ 𝜃𝑑 (4.4)
Onde 𝜃𝑐𝑟,𝑑 é a temperatura crítica, ou temperatura limite, que um
elemento pode alcançar, e 𝜃𝑑 é a temperatura de cálculo no elemento
encontrada a partir de uma análise térmica.
4.3.1 MÉTODOS DE DIMENSIONAMENTO
O dimensionamento de uma estrutura em situação de incêndio começa
pela sua análisetérmica, tendo como base as curvas de incêndio normativas
preestabelecidas ou curvas de projetos especificadas pelo engenheiro.
Essa análise inicial tem o objetivo de quantificar a transmissão de
temperatura, desde a face exposta às altas temperaturas até o interior do elemento.
Dessa forma, a resposta obtida pode ser resumida por meio de linhas denominadas
isotérmicas, que têm por definição a função de ligar os pontos de iguais
temperaturas (Figura 33).
83
Figura 33 – Exemplo de distribuição de temperaturas em uma laje alveolar (KAKOGIANNIS et al., 2013)
Em seguida, são propostos métodos de cálculo para a determinação do
esforço resistente da estrutura frente à solicitação imposta.
Em situação de incêndio, as teorias de estática e de resistência dos
materiais continuam válidas e aplicáveis, tendo como diferença as ponderações de
ações em caráter excepcional e as características físicas, químicas e mecânicas em
que os materiais dos elementos estruturais se encontram.
De acordo com as normatizações brasileira e europeia, a análise na
estrutura será apenas em situação de Estado Limite Último (ELU), não sendo
necessárias verificações em Estado Limite de Serviço (ELS), como deformações10 e
aberturas de fissuras.
Para o dimensionamento estrutural, os códigos normativos europeus e a
norma brasileira recomendam a utilização dos seguintes métodos de
dimensionamento:
tabular;
de cálculo simplificado;
de cálculo computacional11;
experimental.
O experimental é considerado o melhor modo de validar a estrutura e os
métodos de cálculos encontrados na literatura, motivo pelo qual é mais utilizado no
meio acadêmico. Entretanto, por motivos financeiros, não é considerado ainda uma
boa opção de dimensionamento no setor privado.
No setor privado, é mais comum a utilização dos métodos tabulares e de
cálculo simplificado, sendo necessário apenas um entendimento básico sobre o
desenvolvimento do incêndio, um software de análise térmica e as teorias da
mecânica, tais como utilizadas no dimensionamento em temperatura ambiente.
10 Esta análise é adotada apenas para determinar o ponto de parada em ensaios laboratoriais.
11 Neste trabalho optou-se em adotar a nomenclatura “computacional” ao invés de “avançado”, uma vez que, não
é correto afirmar que essa metodologia de análise é mais completa ou mais assertiva que as outras.
84
4.3.1.1 MÉTODO TABULAR
Este método utiliza tabelas preestabelecidas fornecidas pelos códigos
normativos que são baseadas em experiências anteriores e na avaliação teórica de
testes (NARAYANAN e BEEBY, 2009). A partir de parâmetros, como função
estrutural do elemento e o tempo requerido de resistência ao fogo (TRRF), essas
tabelas fornecem as dimensões mínimas do elemento (largura, altura e espessura) e
o posicionamento da armadura em seu interior.
Essa abordagem permite uma resposta rápida em casos com condições
de contorno bem definidas. Por outro lado, é um método limitado por ser baseado
em concreto de características comuns e por utilizar apenas a curva ISO 834 como
padrão de incêndio (FIB 46, 2008). Além do mais, nem o aspecto mecânico, nem o
aspecto térmico do problema são abordados de forma explícita, sendo apenas um
método de verificação estrutural.
Para esse método, serão abordados os seguintes documentos:
ABNT NBR 9062:2016 (Projeto de revisão);
Código normativo europeu BS EN 1168:2005+A3:2011;
Manual americano PCI, 1998.
4.3.1.1.1 ABNT NBR 9062:2016 (Projeto de revisão)
Seguem as seguintes condições, que serão atribuídas pelo novo código
normativo nacional, com relação às lajes alveolares em situação de incêndio:
Na falta de dados experimentais que comprovem sua resistência, o
dimensionamento das lajes alveolares – no caso de lajes biapoiadas –
será regido de acordo com os valores fornecidos na Tabela 8, em que
c1 é a distância da face do elemento estrutural ao eixo da armadura em
milímetros.
A espessura indicada nas tabelas 8 e 9 pode ser considerada a soma
da laje mais a capa de concreto.
Para a capacidade à cortante da laje alveolar, devem-se seguir as
reduções, conforme a Tabela 10, independentemente de a laje ser confinada ou não.
85
Tabela 8 – Características para lajes biapoiadas (ABNT NBR 9062:2016 – Projeto de revisão)
TRRF
Espessura mínima da laje (mm) / distância c1 mínima (mm)
MSd,incêndio / MRd (%)
30 – 39 40 - 49 50 - 59 >60
30 - - - Todas as lajes / 30
60 - - - 150 / 30
90 -
200 / 35
265 / 35
320 / 35
400 / 35
200 / 40
265 / 40
320 / 40
400 / 40
200 / 40
120 -
200 / 40
265 / 40
320 / 40
400 / 40
- 200 / 50
180
200 / 50
265 / 50
320 / 50
400 / 50
200 / 60
265 / 60
320 / 60
400 / 60
-
Tabela 9 – Características para lajes contínuas e confinadas (ABNT NBR 9062:2016 – Projeto de revisão)
TRRF
Espessura mínima da laje (mm) / distância c1 mínima (mm)
MSd,incêndio / MRd (%)
30 - 39 40 – 49 50 – 59 >60
30 - - - Todas as lajes / 25
60 - - - 150 / 25
90 - -
200 / 25
265 / 25
320 / 25
400 / 25
200 / 30
120 -
200 / 25
265 / 25
320 / 25
400 / 25
- 250 / 35
180
200 / 30
265 / 30
320 / 30
400 / 30
265 / 35
320 / 40
400 / 40
300 / 45
86
Tabela 10 – Redução de cortante (ABNT NBR 9062:2016 – Projeto de revisão)
TRRF
Espessura de lajes (com ou sem capa) (mm)
VRd,incêndio / Vrd (%)
≤ 200 220 – 320 > 350
30 100 100 100
60 80 75 70
90 75 70 65
120 70 60 55
180 50 45 45
As espessuras das lajes alveolares sem capa nas Tabelas 8 e 9 se
referem ao índice de vazio, definido por espessura média sobre h da laje, ≥ 0,5.
4.3.1.1.2 Código Normativo Europeu BS EN 1168:2005+A3:2011
Este código normativo foi desenvolvido pelo comitê técnico CEN/TC
Precast Concrete Products, e tem como objetivo apresentar os requisitos e os
critérios básicos de desempenho das lajes alveolares pré-moldadas de concreto
protendido, com peso específico normal, de acordo com a EN 1992-1-1:2004.
Substituindo a edição anterior, o Eurocode EN 1168:2005+A1:2008, é
possível perceber mudanças importantes no que diz respeito às lajes alveolares em
situação de incêndio. Além de apresentar uma tabela (Tabela 11) com as dimensões
mínimas que a laje deve obedecer, é fornecida uma tabela adicional (Tabela 12) de
resistência residual ao cisalhamento da mesma em função de suas dimensões
quando submetida a altas temperaturas.
Tabela 11 – Valores tabelados para a espessura mínima das lajes relacionada com a resistência de
isolamento ao fogo (EN 1168:2005+A3:2011)
Dimensões
mínimas
Classe de resistência ao fogo exigida
REI 60 REI 90 REI 120 REI 180
Espessura mínima
da laje (mm)
130 160 200 250
Notas:
A espessura mínima da laje baseia-se numa área mínima de concreto de 0,4 bh.
Quando for utilizada uma camada não combustível sobre o piso (camada de concreto ou de argamassa), sua
espessura pode ser levada em conta na resistência ao incêndio como função de compartimentação.
87
A tabela 11 tem como base a tabela 5.8 da EN1992-1-2:2004 para lajes
maciças. A conversão foi estabelecida a partir de uma espessura equivalente, que
pode ser calculada de acordo com a seguinte expressão:
ℎ𝑒𝑞𝑢𝑖𝑣 = ℎ√
𝐴𝑐
𝑏𝑤 ℎ
(4.5)
Onde:
ℎ𝑒𝑞𝑢𝑖𝑣 é a espessura equivalente de laje maciça;
ℎ é a espessura da laje alveolar;
𝐴𝑐 é a área da seção transversal de concreto;
𝑏𝑤 é a largura da laje.
Além disso, o texto traz esta tabela adicional para a verificação do
elemento frente ao cisalhamento (Tabela 12):
Tabela 12 – Dados tabelados para a resistência ao cisalhamento 𝑽𝑹𝒅,𝒇𝒊 (EN 1168:2005+A3:2011)
𝑽𝑹𝒅,𝒊𝒏𝒄ê𝒏𝒅𝒊𝒐
𝑽𝑹𝒅
(%) Espessura da laje (mm)
Classe de resistência ao fogo 160 200 240 – 280 320 360 – 400
REI60 70% 65% 60% 60% 55%It was followed by the ABNT tabular method, which
presented values ranging from 1.2 to 2.3, as well as by the Eurocode tabular method,
which values ranged from 1.1 to 2.4.
With respect to computer modeling, it was highlighted that certain aspects,
due the full-scale trial, interfere with the final response of the finite element software
with respect to the temperature gradient in the cross section.
Keywords: Hollow-core slab; Fire; Finite Elements; Precast Concrete.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 – Dimensões de uma laje alveolar ......................................................................... 32
Figura 2 – Exemplos de formatos de alvéolos...................................................................... 32
Figura 3 - Ruptura por flexão (WALRAVEN E MERCX, 1983) ............................................. 33
Figura 4 - Ruptura por falha de ancoragem (WALRAVEN E MERCX, 1983) ....................... 33
Figura 5 - Ruptura por cisalhamento na região comprimida (WALRAVEN E MERCX, 1983)33
Figura 6 - Ruptura por cisalhamento na região tracionada (WALRAVEN E MERCX, 1983) . 33
Figura 7 - Transição entre ruptura frágil e dúctil entre a interface aço concreto (FELLINGER,
2004; adaptado) ................................................................................................................... 34
Figura 8 – Modelo proposto por Kani (1964 apud CHANG, 2007; adaptado) ....................... 35
Figura 9 - Banco de dados do projeto HOLCOFIRE (JANSZE et. al, 2014) ......................... 37
Figura 10 - Banco de dados do projeto HOLCOFIRE (JANSZE et al., 2014; adaptado) ....... 38
Figura 11 - Exemplo de ruptura por cisalhamento e ancoragem (JANSZE et al., 2014) ....... 38
Figura 12 – Série de testes G realizados pela Holcofire (JANSZE et al., 2014; adaptado) ... 40
Figura 13 – Série de testes G realizados pela Holcofire (JANSZE et al., 2014; adaptado) ... 41
Figura 14 – Ilustração de esforços decorrentes de deformações térmicas (FIB 43, 2008;
adaptado) ............................................................................................................................ 43
Figura 15 - Série de testes R realizados pela Holcofire (JANSZE et al., 2014; adaptado) .... 44
Figura 16 - Série de testes R realizados pela Holcofire (JANSZE et al., 2014; adaptado) .... 45
Figura 17 – Expansão do piso R3 em 30 min e cálculo das restrições no centroide da mesa
inferior (JANSZE et al., 2014; adaptado).............................................................................. 45
Figura 18 – Representação gráfica do cálculo das tensões térmicas em elementos
biapoiados submetidos à flexão e a altas temperaturas ....................................................... 48
Figura 19 – Fissuração vertical na alma de uma laje alveolar devido ao efeito das tensões
térmicas (FIB 46, 2008) ....................................................................................................... 50
Figura 20 - Resultados de tração à temperatura ambiente após os ciclos de aquecimento
(ATIENZA e ELICES, 2009; adaptado) ................................................................................ 51
Figura 21 - Evolução da força de protensão antes, durante e depois de um cenário de
incêndio. Dados experimentais são comparados com método conservativo (ATIENZA e
ELICES, 2009; adaptado) .................................................................................................... 51
Figura 22 - Perdas de relaxamento de tensão sob altas temperaturas em função da tensão
inicial (ATIENZA e ELICES, 2009; adaptado) ...................................................................... 52
Figura 23 – Compartimento com aberturas no teto em situação de incêndio (BUCHANAN,
2002) ................................................................................................................................... 55
Figura 24 – Estágios principais de um incêndio natural (SILVA, 2008) ................................ 57
Figura 25 – Curva de Incêndio Padrão ISO 834 ................................................................... 58
Figura 26 – Curva paramétrica proposta por Law ................................................................ 61
Figura 27 – Curvas de tempo temperatura para diferentes fatores de ventilação e carga de
incêndio (BUCHANAN, 2002; adaptado).............................................................................. 63
Figura 28 – Curvas de tempo v. temperatura a partir do software COMPF2 (BUCHANAN,
2002; adaptado) ................................................................................................................... 63
Figura 29 – Modelo de uma zona (one-zone model) (COSTA, 2008) ................................... 67
Figura 30 – Modelo de duas zonas (two-zone model) (COSTA, 2008) ................................ 67
Figura 31 – Conceito do método do tempo equivalente (COSTA, 2008) .............................. 74
Figura 32 – Comparação entre curvas de incêndio proposta por Ingberg (1928 apud SFPE,
2004; adaptado) ................................................................................................................... 75
Figura 33 – Exemplo de distribuição de temperaturas em uma laje alveolar (KAKOGIANNIS
et al., 2013) .......................................................................................................................... 83
Figura 34 – Gráficos para o dimensionamento de lajes alveolares (PCI, 1998; adaptado) ... 88
Figura 35 – Diagrama de esforços em uma viga submetida à flexão simples ...................... 89
Figura 36 – Método dos 500 oC aplicado a uma seção retangular aquecida em três faces .. 90
Figura 37 – Distribuição das tensões no estado limite último de uma seção transversal
retangular de concreto com armadura de compressão sob ação de altas temperaturas (EN
1992-1-2:2004; PURKISS, 2007) ......................................................................................... 94
Figura 38 – Aplicações do método das faixas ...................................................................... 94
Figura 39 – Redução de resistência à compressão de seções transversais utilizando
concreto agregado silicioso (EN 1991-1-2:2004) ................................................................. 96
Figura 40 – Seção reduzida dos elementos expostos ao fogo, desprezando uma espessura
fictícia 𝑎𝑧 (COSTA, 2008) .................................................................................................... 96
Figura 41 – Fator de redução da resistência do aço (ACI216R-89, 2007; Adaptado) ........... 97
Figura 42 – Diagrama de momento para elementos biapoiados antes e durante a exposição
ao incêndio .......................................................................................................................... 98
Figura 43 – Diagrama de momentos para vigas contínuas, antes e durante um incêndio .. 100
Figura 44 – Influência do apoio da viga na posição da força de compressão ..................... 100
Figura 45 – Diagrama do corpo livre para uma laje de concreto armado isostática com
restrição à dilatação térmica (COSTA e SILVA, 2006 apud COSTA, 2008) ....................... 101
Figura 46 – Nomogramas para determinar a intensidade da força de reação "T" devido à
restrição à dilatação térmica das lajes de concreto (ACI216R-89, 2007; adaptado) ........... 102
Figura 47 – Área onde as temperaturas da laje maciça podem ser assumidas (FIB 74, 2014)
.......................................................................................................................................... 103
Figura 48 – Perfil de temperatura ao longo da profundidade "x" em uma laje maciça (FIB 74,
2014) ................................................................................................................................. 104
Figura 49 – Modelo para o cálculo da resistênciaREI90 65% 60% 60% 55% 50%
REI120 60% 60% 55% 50% 50%
REI180 45% 50% 50% 45% 45%
Nota:
Tabela utilizada para lajes alveolares com protensão inicial com cordoalhas cortadas em sua extremidade.
Apoio mínimo de 70 milímetros de cada lado.
Área de aço mínima de 1,88 cm²/m à meia altura da laje.
A influência dos alvéolos preenchidos com concreto e com reforço deve ser desprezada neste modelo.
𝑽𝑹𝒅,𝒊𝒏𝒄ê𝒏𝒅𝒊𝒐 é a resistência ao cisalhamento sob situação de incêndio.
𝑽𝑹𝒅 é a resistência ao cisalhamento na temperatura ambiente dada pelo modelo de tensão de cisalhamento
simplificada.
4.3.1.1.3 Manual americano do PCI, 1998
Como alternativa de análise, encontram-se no manual do PCI (1998)
algumas recomendações auxiliares quanto ao projeto e ao dimensionamento das
lajes alveolares.
De acordo com o manual, as lajes alveolares possuem excelente
resistência a altas temperaturas, podendo chegar a uma classificação de até quatro
horas, dependendo de sua espessura e da capa de concreto.
88
As tabelas, os gráficos e os conceitos teóricos apresentados que auxiliam
no dimensionamento foram fundamentados nas publicações fornecidas pela
Underwriters Laboratories, Inc.
Assim como o Eurocode, o dimensionamento tem como base a utilização
de uma espessura equivalente para as lajes alveolares. Essa espessura equivalente
é calculada dividindo a área líquida da seção transversal da laje alveolar pela sua
largura.
Na Figura 34 são apresentadas as informações referentes ao tempo de
resistência das lajes alveolares.
O gráfico da esquerda representa o tempo de resistência ao fogo de lajes
sem qualquer tipo de proteção, e, no gráfico da direita, os tempos de resistência de
lajes com a adição de capas de concreto moldadas in loco.
Figura 34 – Gráficos para o dimensionamento de lajes alveolares (PCI, 1998; adaptado)
Nota: 1 pol = 2,54 cm
89
4.3.1.2 MÉTODO SIMPLIFICADO DE CÁLCULO
O dimensionamento da estrutura com base neste método é equivalente
ao realizado à temperatura ambiente, com a ressalva de considerar os efeitos da
temperatura sobre os materiais.
Dessa forma, as hipóteses de dimensionamento à temperatura ambiente
continuam válidas. São elas:
As seções transversais mantêm-se planas após deformação (Hipótese
de Bernoulli).
As armaduras aderentes têm a mesma deformação que o concreto em
seu entorno.
A resistência à tração do concreto é nula.
As tensões são proporcionais às deformações específicas (Lei de
Hooke).
O máximo encurtamento do concreto varia de acordo com a
temperatura (Tabela 34 – Anexo A).
O máximo alongamento do aço se limita em seu patamar de
escoamento (Tabelas 37 e 38 – Anexo A).
A distribuição de tensões de compressão nos elementos estruturais
submetidos à flexão pode ser representada por um diagrama
retangular, conforme Figura 35.
Figura 35 – Diagrama de esforços em uma viga submetida à flexão simples
Devido à temperatura na seção transversal do concreto não ser uniforme,
a grande dificuldade na análise dá-se na consideração das propriedades térmicas e
mecânicas dos materiais, que, por sua vez, variam de acordo com a temperatura.
90
Com isso, as simplificações desses métodos podem ser de duas formas: pela
consideração de uma temperatura média uniforme em camadas predefinidas ou pela
redução da área transversal do elemento.
Com relação aos coeficientes adotados, Hosser et al. (1994) adverte que
é necessário aplicar os coeficientes próprios de cada método para que os resultados
tornem-se similares quando se realizarem comparações.
4.3.1.2.1 Método dos 500 OC, 1982
Tendo como base uma série de testes de flexão em elementos de
concreto armado submetidos a altas temperaturas, Anderberg (1978) propôs o
método da “referência-térmica”, ou também conhecido como “seção-eficaz”, para
temperaturas abaixo de 500 oC.
Esse método consiste na afirmativa de que o concreto estará totalmente
danificado quando sua temperatura superar os 500 oC. Assim, pode-se desprezar a
contribuição dessa camada para a capacidade de suporte do elemento, tendo como
resultado uma nova forma da seção transversal do elemento dentro da linha
isotérmica de 500 oC (Figura 36).
Sua aplicação pode ser realizada no contexto da análise não linear, tal
como utilizado na análise à temperatura ambiente – onde é assumida a curva tensão
v. deformação parábola-retângulo, com as limitações habituais de deformações
limites, e a consideração de que as camadas que atingem temperaturas inferiores
aos 500 oC não necessitem de reduções nas suas propriedades mecânicas (FIB 46,
2008).
Figura 36 – Método dos 500 oC aplicado a uma seção retangular aquecida em três faces
91
O método dos 500 oC é o único que serve tanto à curva ISO 834, como às
curvas naturais (COSTA, 2008).
As curvas paramétricas podem ser utilizadas como alternativa (EN 1992-
1-2:2004), e as premissas básicas para a sua utilização são:
fator de abertura do ambiente: 𝐹𝑣 ≥ 0,14m1/2;
dimensões mínimas adotadas em projeto de acordo com a tabela 13.
Tabela 13 - Dimensões mínimas para adotar o método dos 500 oC (EN 1992-1-2:2004)
Para utilização das curvas padrões (ISO 834)
Classe R60 R90 R120 R180 R240
Dimensão mínima da seção transversal (mm) 90 120 160 200 280
Para utilização das curvas paramétricas
Carga de incêndio (MJ/m²) 200 300 400 600 800
Dimensão mínima da seção transversal (mm) 100 140 160 200 240
O dimensionamento para elementos de concreto armado sob flexão é
realizado da seguinte maneira (PURKISS, 2007):
1. Determina-se a posição da isoterma de 500 oC. O concreto dentro
dessa região permanece inalterado pelo calor12.
2. A redução da resistência do aço segue as seguintes relações (Tabelas
14 e 15):
armadura passiva
Tabela 14 – Fator de redução da resistência do aço à temperatura θ para deformação específica ≤ 2%
Deformação específica em situação de
incêndio (𝜀𝑠,𝑓𝑖)
Faixa de
temperatura
Fator de redução da resistência do aço à
temperatura 𝜃
𝜀𝑠,𝑓𝑖 ≤ 2%
20 ≤ θ ≤ 100 𝑘𝑠,𝜃 = 1,0
100 ≤ θ ≤ 400 𝑘𝑠,𝜃 = 0,7 − 0,3
𝜃 − 400
300
400 ≤ θ ≤ 500 𝑘𝑠,𝜃 = 0,57 − 0,13
𝜃 − 500
100
500 ≤ θ ≤ 700 𝑘𝑠,𝜃 = 0,10 − 0,47
𝜃 − 700
200
700 ≤ θ ≤ 1200 𝑘𝑠,𝜃 = 0,10
1200 − 𝜃
500
12 Este método não esclarece o comportamento entre a interface aço v. concreto; no entanto, as barras que se
encontrarem fora da seção reduzida podem ser levadas em conta no cálculo.
92
Tabela 15 – Fator de redução da resistência do aço à temperatura θ para deformação específica > 2%
Deformação específica em situação de
incêndio (𝜀𝑠,𝑓𝑖)
Faixa de
temperatura
Fator de redução da resistência do aço à
temperatura θ
𝜀𝑠,𝑓𝑖 > 2%
20 ≤ θ ≤ 400 𝑘𝑠,𝜃 = 1,0
400 ≤ θ ≤ 500 𝑘𝑠,𝜃 = 0,78 − 0,22
𝜃 − 500
200
500 ≤ θ ≤ 600 𝑘𝑠,𝜃 = 0,47 − 0,31
𝜃 − 600
100
600 ≤ θ ≤ 700 𝑘𝑠,𝜃 = 0,23 − 0,24
𝜃 − 700
100
700 ≤ θ ≤ 800 𝑘𝑠,𝜃 = 0,11 − 0,12
𝜃 − 800
100
800 ≤ θ ≤ 1200 𝑘𝑠,𝜃 = 0,11
1200 − 𝜃
400
armadura ativa
Os coeficientes redutores adotados para armaduras protendidas são os
prescritos pela Tabela 42, apresentada no Anexo A.
1. A altura da linha neutra (LN) é tomada como 𝜆𝑥, onde x é a altura da
linha neutra em temperatura ambiente e 𝜆 é determinada a partir da
seguinte relação:
𝜆 = 0,8 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑓𝑐𝑘 ≤ 50𝑀𝑃𝑎 (4.6)
𝜆 = 0,8 −
𝑓𝑐𝑘 − 50
400
≤ 0,8 𝑝𝑎𝑟𝑎 50𝑀𝑃𝑎em 10%.
3. O momento resistido limite pode ser determinado da seguinte forma:
𝑀𝑅𝑑,𝑖𝑛𝑐ê𝑛𝑑𝑖𝑜 = 𝑀𝑈1 + 𝑀𝑈2 = 𝐴𝑠1𝑓𝑠𝑑,𝑓𝑖 𝑧 + 𝐴𝑠2𝑓𝑠𝑐𝑑,𝑓𝑖 𝑧′ (4.10)
Os valores de 𝑓𝑠𝑑,𝑓𝑖 e 𝑓𝑠𝑐𝑑,𝑓𝑖 são a resistência do aço tracionado e
comprimido, respectivamente.
93
Para o caso do uso de concreto de alta resistência em altas temperaturas,
deve-se utilizar um coeficiente redutor do momento de acordo com a equação.
𝑀𝑅𝑑,𝑖𝑛𝑐ê𝑛𝑑𝑖𝑜 = 𝑀500𝑘𝑚 (4.11)
𝑀500 é o momento calculado baseado na seção transversal efetiva,
definida pela isoterma de 500 oC;
𝑘𝑚 é o coeficiente redutor, de acordo com a Tabela 16.
Tabela 16 – Coeficiente redutor do momento em situação de incêndio para vigas e lajes (EN 1992-1-
2:2004)
Elemento 𝑘𝑚
Classe de resistência C55/67 e C60/75 C70/85 e C80/95
Vigas 0,98 0,95
Lajes expostas ao fogo na zona comprimida 0,98 0,95
Lajes expostas ao fogo na zona tracionada, para h≥120mm 0,98 0,95
Lajes expostas ao fogo na zona tracionada, para h=50mm 0,95 0,85
Onde: h é a altura da laje de concreto.
Quando o aço é disposto em camadas, a temperatura média da força
reduzida 𝑘𝑠,𝜃 𝑓𝑠𝑑,𝑓𝑖 é dado por:
𝑘𝑠,𝜃 𝑓𝑠𝑑,𝑓𝑖 =
∑[𝑘𝑠(𝜃𝑖) 𝑓𝑠𝑑,𝑖𝐴𝑠,𝑖]
∑ 𝐴𝑠,𝑖
(4.12)
A distância axial efetiva é:
∑[𝑎𝑖𝑘𝑠(𝜃𝑖)𝑓𝑠𝑑,𝑖 𝐴𝑠,𝑖]
𝑘𝑠(𝜃𝑖)𝑓𝑠𝑑,𝑖𝐴𝑠,𝑖
(4.13)
Na Figura 37, segue a proposta de Purkiss (2007) do diagrama de
distribuição de esforços na seção transversal.
Este método mostra-se muito prático e com suposições razoáveis; porém,
por ser baseado inicialmente para elementos submetidos somente à flexão, ainda
ocorrem discussões sobre a sua utilização quando o elemento está submetido a
uma força axial excêntrica, como em pilares ou em elementos protendidos
(BAMONTE e MEDA, 2005 apud FIB 46, 2008).
Contrariando essa advertência mencionada, de acordo com o Eurocode,
esse método pode ser utilizado neste contexto (EN 1992-1-2:2004).
94
Figura 37 – Distribuição das tensões no estado limite último de uma seção transversal retangular de
concreto com armadura de compressão sob ação de altas temperaturas (EN 1992-1-2:2004; PURKISS,
2007)
4.3.1.2.2 Método das zonas (Método das faixas), 1981
O método da zona foi elaborado na década de 1980 por Hertz (1981) e
adotado como uma alternativa de cálculo no Eurocode. A partir de um programa
experimental, foi possível criar uma metodologia que busca avaliar a capacidade
resistente à flexão simples de lajes e vigas de concreto armado e protendido e à
flexão composta de pilares de concreto armado, além da capacidade de suporte ao
cisalhamento em vigas.
Esse método pode ser utilizado em elementos sujeitos a um momento de
flexão e à força normal de compressão.
Nesta abordagem, a seção é dividida em uma série de cortes (faixas),
com um número mínimo de três partes, cada corte possuindo uma temperatura
média em seu centroide (Figura 38). Dessa forma, pode-se especificar em cada fatia
o fator de redução da resistência do concreto.
Figura 38 – Aplicações do método das faixas
95
É mais complexo em comparação com o método dos 500 oC. No entanto,
produz melhores resultados, especialmente no caso de compressão pura
(NARAYANAN e BEEBY, 2005 apud FIB 46, 2008). Além disso, permite a
consideração de efeitos de segunda ordem através da introdução de coeficientes de
correção adequados (FIB 46, 2008).
Segue a metodologia empregada (PURKISS, 2007):
Determinar o fator redutor do concreto, segundo a seguinte relação
(Tabela 17):
Tabela 17 – Fator de redução da resistência do concreto à temperatura θ
Faixa de temperatura Fator de redução da resistência do aço à temperatura θ
20 ≤ θ ≤ 100 𝑘𝑐,𝜃 = 1,0
100 ≤ θ ≤ 200 𝑘𝑐,𝜃 = 0,95 − 0,05
𝜃 − 200
100
200 ≤ θ ≤ 400 𝑘𝑐,𝜃 = 0,75 − 0,20
𝜃 − 400
200
400 ≤ θ ≤ 800 𝑘𝑐,𝜃 = 0,15 − 0,60
𝜃 − 800
400
800 ≤ θ ≤ 900 𝑘𝑐,𝜃 = 0,08 − 0,07
𝜃 − 900
100
900 ≤ θ ≤ 1000 𝑘𝑐,𝜃 = 0,04 − 0,04
𝜃 − 1000
100
1000 ≤ θ ≤ 1100 𝑘𝑐,𝜃 = 0,01 − 0,03
𝜃 − 1100
100
1100 ≤ θ ≤ 1200 𝑘𝑐,𝜃 = 0,10
1200 − 𝜃
100
O fator médio de redução da resistência do concreto será determinado a
partir da eq. (4.14):
𝑘𝑐,𝑚 =
1 −
0,2
𝑛
𝑛
∑ 𝑘𝑐(𝜃𝑖)
𝑛
𝑖=1
(4.14)
Onde 𝑛 é a quantidade de faixas das divisões da seção ao longo da altura
efetiva 𝑤.
Determinar a espessura fictícia 𝑎𝑧 que será descartada para a
realização do cálculo:
para pilares
𝑎𝑧 = 𝑤 [1 − (
𝑘𝑐,𝑚
𝑘𝑐(𝜃𝑚)
)
1,3
] (4.15)
para vigas e lajes
𝑎𝑧 = 𝑤 [1 − (
𝑘𝑐,𝑚
𝑘𝑐(𝜃𝑚)
)] (4.16)
96
Onde, 𝑘𝑐(𝜃𝑚) é o fator de redução de resistência do elemento, encontrado
utilizando a Figura 39, e 𝑤 é a altura efetiva do elemento em função da quantidade
de faces aquecidas (Tabela 18 e Figura 40).
Figura 39 – Redução de resistência à compressão de seções transversais utilizando concreto agregado
silicioso (EN 1991-1-2:2004)
Tabela 18 – Largura w da seção transversal dos elementos estruturais, onde bw corresponde à largura,
considerada como a menor dimensão (bw≤h) dessa seção (EN 1991-1-2:2004 apud COSTA, 2008)
Laje
Viga Parede ou Pilar
1 face
exposta
2 faces
expostas
1 face
exposta
2 faces expostas 4 faces expostas
𝑤 = ℎ𝑙𝑎𝑗𝑒 𝑤 =
1
2
𝑏𝑤 𝑤 = 𝑏𝑤 𝑤 = 𝑏𝑤 𝑤 =
1
2
𝑙𝑎𝑟𝑔𝑢𝑟𝑎 𝑑𝑜 𝑝𝑖𝑙𝑎𝑟 𝑤 =
1
2
𝑚𝑒𝑛𝑜𝑟 𝑑𝑖𝑚𝑒𝑛𝑠ã𝑜
Figura 40 – Seção reduzida dos elementos expostos ao fogo, desprezando uma espessura fictícia 𝒂𝒛
(COSTA, 2008)
Os fatores de redução da resistência do aço são os mesmos que os
utilizados no Método dos 500 oC.
De acordo com o código normativo europeu, este método só pode ser
utilizado quando o elemento está exposto à curva de incêndio padrão ISO 834.
Porém, a razão para essa imposição não fica clara, uma vez que Hertz não faz
objeções em seu trabalho quanto ao uso de curvas paramétricas.
97
4.3.1.2.3 Método do PCI, 1977 e ACI, 1989
Este método simplificado, elaborado pela Portland Cement Industry, nos
Estados Unidos, é composto por equações analíticas da Teoria de Barra e um
conjunto de ábacos complementares elaborados a partir de ensaios experimentais
em lajes – inclusive em lajes alveolares – e vigas de concreto armado e protendido
(PCI, 2011).
O manual do PCI fornece três situações de dimensionamento para
elementos submetidos à flexão. A primeira, para elementos simplesmente apoiados;
a segunda, para elementos contínuos, e a terceira, para elementos com situação de
restrição nos apoios.
Os fatores de redução de resistência do aço em função da temperatura
são determinados a partir da Figura 41.
Figura 41 – Fator de redução da resistência do aço (ACI216R-89, 2007; Adaptado)
Elementos simplesmente apoiados
Esta análise admite que a laje de concreto protendida esteja
simplesmente apoiada, exposta a altas temperaturas pela face inferior, com
extremidades livres para rotacionar, sem restrição de deformações, e que as
cordoalhas sejam retas posicionadas no fundo da laje.
98
Como a face inferior estará exposta às altas temperaturas, a parte de
baixo expandirá mais que a parte de cima. Além disso, as resistências do concreto e
do aço diminuem conforme aumenta a temperatura no elemento.
Quando a resistência do aço é diminuída, com relação ao limite de
suporte, ocorrerá o colapso por flexão. Resumindo, em sua essência, o momento
aplicado permanece constante durante a exposição ao incêndio, mas a capacidade
de momento resistente é reduzida, visto que o aço enfraquece frente a altas
temperaturas.
Como as cordoalhas estão paralelas ao eixo da laje, a capacidade última
de momento é constante durante todo o comprimento (Figura 42).
Figura 42 – Diagrama de momento para elementos biapoiados antes e durante a exposição ao incêndio
Em temperatura ambiente, o momento resistente é determinado a partir
da seguinte equação:
∅𝑀𝑛= ∅𝐴𝑝𝑠𝑓𝑝𝑠(𝑑 − 𝑥/2) (4.17)
Onde:
𝑀 é o momento atuante;
𝑀𝑛 é o momento resistente último do elemento;
𝑀𝑛,𝜃 é o momento resistente último do elemento em situação de incêndio;
∅ é o fator de redução; para flexão ∅ = 0,90;
𝐴𝑝𝑠 é a área da seção transversal do aço de protensão;
𝑓𝑝𝑠 é a resistência à tração no aço de protensão em estado limite último;
𝑑 é a distância entre o centroide do aço de protensão e a fibra comprimida
mais externa da seção;
99
𝑥 é a altura da seção comprimida retangular equivalente ao carregamento
último, determinada a partir da eq. (4.18):
𝑥 =
𝐴𝑝𝑠𝑓𝑝𝑠
0,85 𝑓𝑐 𝑏𝑤
(4.18)
𝑓𝑐 é a resistência a compressão do concreto;
𝑏𝑤 é a largura da laje.
O valor 𝑓𝑝𝑠 pode ser assumido como sendo:
𝑓𝑝𝑠 = 𝑓𝑝𝑢 (1 −
0,5 𝐴𝑝𝑠𝑓𝑝𝑢
𝑏𝑑𝑓𝑐
) (4.19)
𝑓𝑝𝑢 é a resistência a tração do aço de protensão.
Para considerar os efeitos das altas temperaturas, o método recomenda a
seguinte modificação da equação anterior:
𝑀𝑛𝜃 = 𝐴𝑝𝑠𝑓𝑝𝑠𝜃(𝑑 − 𝑥𝜃/2) (4.20)
Nesta, o subíndice 𝜃 significa o efeito das altas temperaturas.
A resistência do concreto no topo da laje, 𝑓𝑐, geralmente não reduz
significativamente devido à distribuição de temperatura nessa região ser baixa. No
entanto, se a zona de compressão do concreto aquecer acima de 480 oC (900 oF),
uma adequada redução deverá ser incluída no cálculo de 𝑥.
A falha por flexão durante um incêndio ocorrerá quando 𝑀𝑛𝜃resistente último:
𝑀𝑅𝑑,𝑖𝑛𝑐ê𝑛𝑑𝑖𝑜 = 𝑁𝑝𝜃 𝑧 (4.31)
b) Cisalhamento e ancoragem da armadura
De acordo com Fellinger (2004), a partir de inúmeros testes de incêndio
realizados nos últimos 30 anos em lajes alveolares, verificou-se que existe uma
maior probabilidade de ruptura por cisalhamento ou falhas de ancoragem da
armadura do que ruptura por flexão.
A resistência ao cisalhamento pode ser alcançada tanto para seções já
fissuradas quanto para seções não fissuradas. Este fato ocorre devido às parcelas
resistentes referentes ao engrenamento dos agregados e efeito pino da armadura
longitudinal.
Em elementos protentidos, que não são utilizadas armaduras
transversais, a resistência ao cisalhamento pode ser calculada utilizando expressões
que levam em conta as fissuras devido à flexão.
A resistência ao incêndio em relação ao cisalhamento e a ancoragem da
armadura podem ser determinadas utilizando métodos de cálculo simplificado (EN
1992-1-2: 2004) e as seguintes premissas:
temperatura na seção transversal de acordo com os conceitos
apresentados anteriormente para a análise a flexão;
não é necessário realizar verificações adicionais ao cisalhamento e
ancoragem para classe de resistência ao incêndio menor que 60 min.;
verificações ao cisalhamento e a ancoragem acima, e iguais, a 60 min
deverão ser realizadas;
106
as variáveis do método proposto pela norma seguem de acordo com a
Figura 49.
Figura 49 – Modelo para o cálculo da resistência ao cisalhamento e ancoragem (EN1168, 2011)
Legenda:
1. seção considerada;
2. armadura interna aos alvéolos;
3. cordoalha;
4. concreto moldado in loco.
A equação empírica para verificação ao cisalhamento em situação de
incêndio é descrita da seguinte forma:
𝑉𝑅𝑑,𝑖𝑛𝑐ê𝑛𝑑𝑖𝑜 = (𝐶𝜃,1 + 𝛼𝑘𝐶𝜃,2)𝑏𝑤 𝑑 (4.32)
Onde:
𝐶𝜃,1 é a parcela resistente ao cisalhamento referente ao concreto;
𝐶𝜃,1 = 𝑚𝑖𝑛 [0,15 𝑘𝑝𝑠,𝜃 𝜎𝑐𝑝,20𝑜𝐶 ; 0,15
𝐹𝑅,𝑎,𝑓𝑖,𝑝
𝐴𝑐
]
(4.33)
𝐶𝜃,2 é a parcela resistente ao cisalhamento referente a armadura
longitudinal;
𝐶𝜃,2 = √(
𝐹𝑅,𝑎,𝑓𝑖,𝑝
𝑓𝑝𝑘
+
𝐹𝑅,𝑎,𝑓𝑖,𝑠
𝑓𝑦𝑘
)
0,58
𝑏𝑤 𝑑
𝑓𝑐,𝑓𝑖
3
(4.34)
𝛼𝑘 = 1 + √
200
𝑑
≤ 2,0 → 𝑜𝑛𝑑𝑒 "𝑑" é 𝑑𝑎𝑑𝑜 𝑒𝑚 𝑚𝑖𝑙í𝑚𝑒𝑡𝑟𝑜 (4.35)
107
𝜎𝑐𝑝,20𝑜𝐶 é a tensão média no concreto devido à força de protensão à
temperatura ambiente;
𝐴𝑐 é a área da seção transversal do concreto;
𝑓𝑐,𝑓𝑖 é a resistência média do concreto à temperatura elevada. Por
simplificação, pode ser tomada igual à resistência do concreto para a
temperatura à meia altura da parede dos alvéolos;
𝑏𝑤 é a largura total efetiva da seção;
𝑑 é a altura útil do elemento em temperatura ambiente;
𝑓𝑐𝑘 é a resistência característica à compressão do corpo de prova de
concreto com 28 dias;
𝐹𝑅,𝑎,𝑓𝑖 é a soma da parcela de força de ancoragem da armadura ativa e da
armadura passiva;
𝐹𝑅,𝑎,𝑓𝑖 = 𝐹𝑅,𝑎,𝑓𝑖,𝑝 + 𝐹𝑅,𝑎,𝑓𝑖,𝑠 (4.36)
𝐹𝑅,𝑎,𝑓𝑖,𝑝 = capacidade de força de protensão do aço ancorado na seção
considerada;
𝐹𝑅,𝑎,𝑓𝑖,𝑝 = 𝑚𝑖𝑛 [𝐴𝑝𝑠
𝑥𝑝𝑟 𝑓𝑏𝑝𝑑𝑝𝑟,𝑓𝑖 + 𝑥 𝑓𝑏𝑝𝑑,𝑓𝑖
𝛼2 𝜙
; 0,9 𝐴𝑝𝑠 𝑓𝑝𝑘 𝑘𝑝𝑠,𝜃] (4.37)
𝛼2 , 𝜙 são coeficientes definidos em EN 1992-1-1:2004, 8.10.2.2;
𝑥 é o comprimento de ancoragem da cordoalha na seção considerada;
𝑥𝑝𝑟 é o comprimento de acoragem da cordoalha no concreto moldado in
loco;
𝑓𝑏𝑝𝑑,𝑓𝑖 é a força de ancoragem para a fixação das corodoalhas no
elemento à temperatura elevada;
𝑓𝑏𝑝𝑑,𝑓𝑖 = 𝜂𝑝2𝜂1
0,7 𝑓𝑐𝑡𝑚𝑘𝑐,𝑡,𝜃
𝛾𝑐,𝑓𝑖
(4.38)
𝑓𝑏𝑝𝑑𝑝𝑟,𝑓𝑖 é a parcela de ancoragem das cordoalhas no concreto moldado
in loco;
𝑓𝑏𝑝𝑑𝑝𝑟,𝑓𝑖 = 𝜂𝑝2𝜂1
0,7 𝑓𝑐𝑡𝑚,𝑖𝑛𝑠𝑖𝑡𝑢 𝑘𝑐,𝜃,𝑖𝑛𝑠𝑖𝑡𝑢
𝛾𝑐,𝑓𝑖
(4.39)
𝐹𝑅,𝑎,𝑓𝑖,𝑠 é a capacidade de ancoragem da armadura passiva;
𝐹𝑅,𝑎,𝑓𝑖,𝑠 = 𝐴𝑠𝑓𝑦𝑘𝑘𝑠,𝜃 (4.40)
108
𝑘𝑝𝑠,𝜃 é o fator de redução de resistência para o aço ativo à temperatura 𝜃,
de acordo com a EN 1992-1-2: 2004, 4.2.4.3;
𝑘𝑠,𝜃 é o fator de redução de resistência para o aço passivo à temperatura
𝜃, de acordo com a EN 1992-1-2: 2004, 4.2.4.313;
𝑘𝑐,𝑡,𝜃 é o fator de redução média de resistência a tração do concreto ao
longo da ancoragem, com uma média de temperatura 𝜃, de acordo com a
EN 1992-1-2: 2004, 3.2.2.2;
𝑘𝑐,𝜃,𝑖𝑛𝑠𝑖𝑡𝑢 é o fator de redução de resistência à tração do concreto moldado
in loco, de acordo com a EN 1992-1-2: 2004, 3.2.2.2;
𝜂𝑝2 , 𝜂1 são definidos em EN 1992-1-1:2004, 8.10.2.3.
4.3.1.3 MÉTODO COMPUTACIONAL DE CÁLCULO
Os métodos de cálculo computacional devem procurar apresentar uma
análise realista das estruturas expostas ao fogo. Para isso, devem se basear nos
comportamentos físicos fundamentais, com o objetivo de proporcionar uma
aproximação confiável do comportamento estrutural sob altas temperaturas.
Os métodos de cálculo computacionais podem avaliar os seguintes
pontos:
desenvolvimento da curva de incêndio (modelo de ações térmicas);
distribuição da temperatura no interior dos elementos estruturais
(modelo de resposta térmica);
comportamento mecânico da estrutura, ou de qualquer parte dela, em
função da temperatura (modelo de resposta mecânica):
esforços solicitantes decorrentes dos efeitos das deformações
térmicas restringidas, possíveis por meio de modelos não lineares
capazes de considerar as profundas redistribuições de esforços;
esforços resistentes, que devem ser calculados considerando as
distribuições de temperatura conforme o TRRF.
De forma resumida, todas as simplificações impostas nos métodos
tabulares e simplificados deverão ser suprimidas.
13 Se as barras longitudinais estão situadas à meia altura da laje, o fator de redução de resistência 𝑘𝑠,𝜃 pode
serconsiderado igual a 1.
109
Neste trabalho será realizada a modelagem de resposta térmica do
elemento. Para maiores informações, ver Capítulo 5, onde será explicado o modelo
computacional adotado.
4.3.1.4 MÉTODO EXPERIMENTAL
Devido a seu alto custo, este método é normalmente utilizado para
análises de elementos isolados. É possível encontrar recomendações relevantes em
diferentes códigos normativos referentes a ensaios em escala real. Dentre eles, a
norma europeia (EN 1168:2011), em seu anexo G, oferece importantes
recomendações com relação ao ensaio de lajes alveolares.
A consideração do confinamento das lajes nas duas direções no ensaio
merece um destaque para a análise de sua capacidade frente ao incêndio (Figura
50).
Figura 50 – Tirantes longitudinais na viga e tirantes longitudinais nas articulações (EN 1168, 2011)
Legenda:
1. largura mínima de 2,4 m;
2. viga de borda;
3. armadura longitudinal;
4. armadura transversal;
5. capeamento.
Em uma situação real de incêndio, o confinamento das lajes é
proporcionado pelos elementos estruturais (lajes ou vigas) circundantes ao ambiente
que está sofrendo o sinistro. Além do mais, é recomendável a utilização da capa de
solidarização para a realização do ensaio, uma vez que é usual a sua utilização em
estruturas de concreto pré-moldado.
110
A realização de ensaios com essa configuração tem a finalidade buscar
alcançar resultados mais próximos das condições reais encontradas nas edificações.
Tendo o conhecimento do efeito benéfico do confinamento, a norma
brasileira ABNT NBR 9062:2016 (Projeto de revisão) irá apresentar recomendações
(Figura 51) a seu respeito, como a utilização de estribos de solidarização das vigas e
capa de concreto armado no detalhamento estrutural.
Figura 51 – Laje confinada (ABNT NBR 9062:2016 – Projeto de revisão)
De acordo com a norma europeia, o limite do ensaio é determinado a
partir dos seguintes limites de deformação:
Limite de deslocamento
𝛿 =
𝑙²
400𝑑
[𝑚𝑚] (4.41)
Limite dataxa de deslocamento
𝑑𝛿
𝑑𝑡
=
𝑙²
9000𝑑
[𝑚𝑚/𝑚𝑖𝑛]
(4.42)
Onde, 𝑙 é o vão da laje e 𝑑 é a sua altura útil.
4.4 ESTANQUEIDADE
A estanqueidade é exigida em todos os tipos de construções e tem a
função de evitar o alastramento tanto dos gases tóxicos quanto das chamas para
outras regiões da edificação.
Aberturas que estão desprotegidas podem reduzir a resistência ao fogo
do ambiente, fornecendo caminhos para o alastramento do incêndio. Alguns códigos
de construção sugerem requisitos para esses casos.
As juntas estruturais entre os elementos pré-moldados devem ser
concebidas e detalhadas de tal forma a respeitar as condições impostas ao incêndio.
111
Para isso, o Eurocode 1 (EN 1991-1-2:2002) recomenda que as larguras nas juntas
não excedam o limite de 20 mm e não tenham mais que a metade da espessura do
elemento, como mostrado na Figura 52.
Figura 52 – Dimensões das aberturas das juntas (EN 1991-1-2:2002)
Tendo como principais pesquisadores Gustaferro e Martin (PCI, 2011), o
manual do PCI aborda esse assunto de maneira mais abrangente do que a norma
europeia.
A resistência ao fogo das juntas é influenciada pelo tipo da junta, o tipo de
material utilizado na junta, sua largura e a espessura do painel. De acordo com
ensaios comprobatórios, os pesquisadores citados mostraram que, ao fornecer a
espessura apropriada dos materiais de isolamento no interior da junta, é possível
atingir as mesmas classes de resistência ao fogo que a dos painéis corta-fogo.
Gráficos de requisitos mínimos de espessura e tipos de materiais são encontrados
de forma detalhada no manual.
Outro fator abordado no manual diz respeito às juntas entre lajes
alveolares. A utilização das capas de concreto moldadas in loco traz um grande
benefício para a resistência ao fogo, uma vez que o concreto sela a chave de
cisalhamento14.
Para o caso de pavimentos que não utilizam a capa de concreto moldada
in loco, as juntas podem ser preenchidas com argamassa, sendo que não há a
necessidade do preenchimento completo, apenas da espessura da mesa superior da
laje alveolar.
14 Chave de cisalhamento é o elemento estrutural formado por concreto, graute ou argamassa para o
preenchimento da junta longitudinal entre as lajes alveolares, promovendo a solidarização e transmissão de
esforços entre as mesmas.
112
4.5 ISOLAMENTO
Para este requisito, o elemento construtivo deverá ter a capacidade de
impedir, em sua face não exposta ao fogo, um incremento de temperatura maior que
140 oC na média dos pontos de medida, ou temperaturas maiores que 180 oC em
qualquer ponto de medida (NBR 14432, 2001).
No sistema construtivo em concreto pré-moldado, os elementos que
possuem maior preocupação quanto a esta imposição são os painéis e as lajes
alveolares. Desde que dimensionados para esse fim, todas as opções de painéis
podem ser utilizadas como elementos corta-fogo, internamente ou externamente à
edificação.
O painel sanduíche é composto por duas placas de concreto que envolve
um material isolante. Esse material isolante pode ser um composto resistente ao
fogo ou apenas um espaço vazio, desde que o conjunto atenda aos requisitos de
isolamento. O manual do PCI (2011) sugere a seguinte equação, na qual levam em
conta o comportamento ao incêndio de diversos tipos de materiais em conjunto:
𝑅 = (𝑅1
0,59 + 𝑅2
0,59 + ⋯ + 𝑅𝑛
0,59)
1,7
(4.43)
𝑅 é a resistência ao fogo do conjunto em minutos;
𝑅1, 𝑅2 e 𝑅𝑛 são as resistências individuais de cada elemento em minutos.
As tabelas fornecidas pelos códigos normativos apresentam uma
espessura mínima para o atendimento da resistência ao fogo. Para este requisito,
essa espessura fornecida é suficiente para atender o isolamento.
De acordo com a EN 1992-1-2:2004, é possível levar em conta na
espessura final do elemento camadas não combustíveis, conforme a Figura 53.
Este artifício é utilizado quando se necessita de uma melhoria na função
de compartimentação do elemento, ou seja, no critério estanqueidade (E) e no
critério isolamento (I).
Com relação ao critério resistência (R), devem-se utilizar apenas as
camadas com funções estruturais do elemento, ou seja, para o caso da laje alveolar,
apenas o próprio corpo da laje e sua capa de solidarização poderão ser utilizados
para esta avaliação estrutural.
113
Legenda
[1] laje de concreto;
[2] camada não combustível;
[3] camada combustível.
Figura 53 - Laje de concreto com piso acabado
Com relação à classificação ao fogo de elementos de concreto de
fachada, o manual IBC (IBC, 2006) fornece tabelas (como exemplo a Tabela 20)
com valores de tempo de resistência mínimo em função da distância de separação
entre edificações adjacentes. Esse manual defende que um elemento de fachada
pode ter uma classificação mais branda quando as edificações em seu entorno
estiverem em uma distância aceitável.
Tabela 20 - Resistência ao fogo para paredes externas sem função estrutural (IBC, 2006; adaptado)
Distância de separação das edificações
adjacentes (X)
Tipo de
construção
Gupo de ocupação
Grupo H
Grupo F-1, M,
S-1
A, B, E, F-2, I, R,
S-2, U
Xedificações isentas de verificação de resistência ao fogo (NBR
14432:2001)
Área total do piso
da edificação
Uso
Carga de
incêndio
específica
Altura
Meios de
proteção
Obs.
≤ 750 m² Qualquer Qualquer Qualquer Mínimo8
≤ 1500 m² Qualquer ≤ 1000 MJ/m² ≤ 2pav. Mínimo8
Qualquer
Centros esportivos
Terminais de
passageiros
Construções provisórias1
Qualquer ≤ 23 m Mínimo8 Nota 2
Qualquer Garagens Abertas3 Qualquer ≤ 30 m Mínimo8
Qualquer Depósitos Baixa4 ≤ 30 m Mínimo8
Qualquer Qualquer ≤ 500 MJ/m² ≤ 30 m Mínimo8
Qualquer Industrial5 ≤ 1200 MJ/m² Térrea Mínimo8
Qualquer Depósitos5 ≤ 2000 MJ/m² Térrea Mínimo8
Qualquer Qualquer Qualquer Térrea
Chuveiros
Automáticos6
≤ 5000 m² Qualquer Qualquer Térrea Mínimo8 Nota 7
Notas:
1 – Circo e assemelhados.
2 – As cargas de incêndio específicas para uso conjunto com as prescrições do anexo A encontram-se no anexo
C da NBR 14432:2001.
3 – Ver item 3.8 da NBR 14432:2001.
4 – Edificações que armazenam tijolos, pedras, areias, cimentos, metais e outros materiais incombustíveis.
5 – Observados os critérios de compartimentação constantes nas normas brasileiras em vigor ou, na sua falta,
regulamentos de órgãos públicos.
6 – Dimensionado conforme as normas NBR 10897 e NBR 13792.
7 – Com pelo menos duas fachadas de aproximação que perfaçam no mínimo 50% do perímetro. Segundo Silva
e Vargas (2003), a fachada de aproximação é a fachada da edificação localizada ao longo de uma via pública ou
privada, com largura livre maior ou igual a 6 m, sem obstrução, possibilitando o acesso e o posicionamento
adequado dos equipamentos de combate. A fachada deve possuir pelo menos um meio de acesso ao interior do
edifício e não ter obstáculos.
8 – Meios de proteção mínimos por lei ou regulamento vigente.
Observações gerais:
As estruturas térreas, ou os elementos estruturais, estão isentas da verificação frente ao incêndio, exceto
quando:
i – Os elementos de cobertura da edificação tiverem função de piso, mesmo que seja para saída de emergência.
ii – A estrutura da edificação, a critério do responsável técnico pelo projeto estrutural, for essencial à estabilidade
de um elemento de compartimentação.
As estruturas em geral estão isentas da verificação frente ao incêndio, exceto quando não atenderem as
exigências listadas acima e quando os ocupantes tenham restrição de mobilidade, como no caso de hospitais,
asilos e penitenciárias.
Edificações abrangidas pela norma NBR 14432 devem possuir saídas de emergência conforme a norma NBR
9077.
O elemento estrutural confinado está livre da ação do incêndio, desde que o confinamento tenha resistência ao
fogo pelo menos igual à que seria exigida para o elemento.
116
5 MODELAGEM COMPUTACIONAL
5.1 SOBRE O SOFTWARE
Originalmente lançado em 1978, pela HKS Inc de Rhode Island nos
Estados Unidos, e agora comercializado pela SIMULIA – marca da Dassault
Systemes S.A. – o ABAQUS® é um pacote de software utilizado para modelagens,
análise e visualização de resultados por meio de elementos finitos.
O conjunto de produtos ABAQUS® consiste em:
ABAQUS/CAE, ou "Complete Abaqus Environment", é um aplicativo de
software utilizado para criar, editar, monitorar e visualizar uma análise
por meio de elementos finitos;
ABAQUS/Standard é um solver utilizado para analisar eventos
estáticos e dinâmicos de baixa velocidade, empregando um esquema
de integração implícito (tradicional);
ABAQUS/Explicit é um solver utilizado para análises dinâmicas
empregando esquema de integração explícita para resolver sistemas
altamente não lineares. Como exemplo, pode-se citar: impactos
balísticos e testes de colisão;
ABAQUS/CFD é um solver aplicado a dinâmica dos fluidos, na qual
emprega simulação CFD para problemas não lineares.
5.2 VISÃO GERAL DA MODELAGEM
O método dos elementos finitos (MEF ou FEM em inglês) tem a função de
solucionar problemas que envolvam um sistema de equações diferenciais parciais
(EDP) com base em um conjunto de restrições (condições de contorno).
Independentemente de sua categoria, ou de sua complexidade, devem-se
seguir os seguintes passos para a modelagem do problema, descritos por
Yamassaki (2014):
1) Avaliar o problema e levantar hipóteses – nesta etapa, são observadas as
características do problema e com base nelas, são definidas as condições
de contorno, tipos de materiais e simplificações na análise que não
comprometam a qualidade dos resultados.
117
2) Discretização – cabe ao analista subdividir a estrutura ou espaço de
solução em unidades menores, denominadas elementos finitos, a partir das
quais a solução global é obtida, como resultado da combinação dos
resultados individuais dos elementos.
3) Aplicação das condições de contorno – são inseridas no modelo numérico
as condições de contorno as quais o modelo está sujeito, inclusive aquelas
oriundas de simplificações adotadas na primeira etapa.
4) Cálculo da solução global – são calculados os resultados individuais dos
elementos e, então, combinados a fim de se formar a solução global do
modelo. O modo como este procedimento é executado depende da
categoria e de outros aspectos intrínsecos do problema.
5) Avaliação dos resultados – os resultados obtidos através do método devem
ser verificados pelo analista a fim de se constatar que a resposta do modelo
é fisicamente coerente e plausível.
5.3 ELEMENTOS FINITOS DISPONÍVEIS
No ABAQUS® cada elemento utilizado na composição da malha é
reconhecido em função de sua família (casca, membrana e meio contínuo), número
de nós (forma do elemento e ordem geométrica), graus de liberdade (deslocamento
e rotação), a formulação empregada e ao modo de integração (redução e integração
parcial). Como exemplo, segue a Figura 54.
Figura 54 - Exemplos de elementos finitos disponíveis no ABAQUS® (DASSAULT SYSTÈMES, 2013)
Neste trabalho foi utilizado o Elemento tipo DC3D6 (um elemento
triangular prismático tridimensional contínuo de transferência de calor com seis nós)
para a modelagem da laje alveolar (Figura 55). Para o fluido, no interior dos
118
alvéolos e na camada de ar abaixo da laje, foi utilizado o Elemento tipo FC3D6 (um
elemento triangular prismático tridimensional contínuo para fluidos com seis nós).
Figura 55 - Exemplo de modelagem de uma laje alveolar no ABAQUS®
A verificação da distribuição da malha foi realizada a partir de uma
ferramenta disponível pelo software. Como resultado, não foram apresentadas
advertências (warnings) na discretização do modelo.
5.4 ANÁLISE TÉRMICA
Como dito anteriormente, a transferência de energia, ou fluxo de calor –
como é denominada pela norma ABNT NBR 15200:2012 –, é um fenômeno a nível
molecular que ocorre devido à diferença de temperatura de dois corpos. As
partículas com maior energia (onde se registra grande temperatura) transferem parte
dessa energia por meio eletromagnético, vibracional, rotacional e translacional para
partículas com menor energia (onde se registra menor temperatura).
Tem-se como base a primeira lei da termodinâmica que: “O aumento na
quantidade de energia armazenada em um volume de controle deve ser igual à
quantidade de energia que entra no volume de controle menos a quantidade de
energia que deixa o volume de controle.” (INCROPERA et al., 2007). Então,
equacionando o problema, com base na Figura 56:
�̇�𝑎𝑟𝑚𝑎𝑧𝑒𝑛𝑎𝑑𝑎 = �̇�𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎 − �̇�𝑠𝑎í𝑑𝑎 (5.1)
Figura 56 – Conservação de energia para um volume de controle em um instante (INCROPERA et al.,
2007; adaptado)
119
Para o caso de transferência de calor por diferenças de temperatura,
tendo como base a Figura 57:
𝜑𝑐𝑜𝑛𝑑 + 𝜑𝑐 + 𝜑𝑟 = 0 (5.2)
Figura 57 – Transferência de calor por diferenças de temperatura
Utilizando as equações mostradas no capítulo 2.3 deste trabalho e
substituindo na equação (5.2):
−𝜆𝑐
(𝑇𝑖− 𝑇𝑠)
ℎ
+ 𝛼𝑐(𝑇𝑠 − 𝑇𝑎𝑚𝑏) + 𝜀𝑟𝜎𝑆𝐵[(𝑇4)𝑠 − (𝑇4)𝑎𝑚𝑏] = 0 (5.3)
Logo, conclui-se que o problema possui duas variáveis (𝑇𝑖 e 𝑇𝑠) e apenas
uma equação para sua solução. Logo, o problema possui um grau de liberdade. A
solução desse equacionamento é alcançada substituindo a variável 𝑇𝑖 por uma carga
térmica, que para este caso é a própria curva de incêndio, definindo assim a
condição de contorno do problema.
Os outros componentes do equacionamento são atribuições necessárias
para a modelagem e podem ser encontradas em códigos normativos, como
mostrado no capítulo 3.4.
5.5 MODELAGEM
5.5.1 MODELAGEM DA INTERFACE AÇO-CONCRETO
Em uma análise térmica é comum adotar a simplificação de que a
armadura está em equilíbrio térmico com o concreto em seu entorno. Além disso, é
aceito que suas dimensões não interferem nos resultados, logo, não é necessário
introduzi-la no modelo.
120
No entanto, caso haja a necessidade, o software ABAQUS® permite a
modelagem de um fluxo de calor através da interface de dois materiais tanto por
condução quanto por radiação.
Para o caso do contato entre o aço e o concreto no interior do elemento, a
componente de transferência por radiação terá uma menor importância em
comparação com o efeito de transferência de calor por condução.
A transferência de calor por condução segue a seguinte relação:
𝑞 = 𝑘 (𝜃𝐴 − 𝜃𝐵) (5.4)
Onde 𝑞 é o fluxo de calor por unidade de área de uma superfície A para
uma superfície B, 𝜃𝐴 e 𝜃𝐵 são as temperaturas das superfícies A e B
respectivamente e 𝑘 é o valor de condutância entre as superfícies A e B, conforme
equação:
𝑘 = (�̅�, 𝑑, 𝑝, 𝑓�̅� , |�̅̇�|) (5.5)
Onde:
�̅� é a média das temperaturas entre a superfície A e B;
�̅� =
1
2
(𝜃𝐴 − 𝜃𝐵)
(5.6)
𝑑 é a distância livre entre as superfícies A e B;
𝑝 é a pressão de contato entre as superfícies A e B;
𝑓�̅� é a média de qualquer variável de campo pré-definidas em A e B;
|�̅̇�| é a média das magnitudes de taxa de fluxo de massa por unidade de
área das superfícies de contato entre A e B.
Essa propriedade pode ser introduzida no modelo de forma tabular com
pares de valores de 𝑘 e 𝑑. O padrão do ABAQUS® é atribuir valores de 𝑑,
começando com 𝑑 = 0, conforme for variando o valor 𝑘.
Em elementos estruturais mistos de aço-concreto, é possível encontrar
valores de condutância entre esses materiais de 𝑘 = 200 𝑊/𝑚²𝐾.
121
5.5.2 MODELAGEM DAS PROPRIEDADES TÉRMICAS DO CONCRETO
5.5.2.1 DENSIDADE
Devido a sua heterogeneidade, a densidade15 do concreto endurecido é
determinada em função da densidade dos agregados e do teor de umidade livre em
sua constituição, tendo como limite temperaturas que compreendem os valores de
20 oC ≤ θc ≤ 150 oC.
Para temperaturas superiores a 150 oC, a densidade do concreto
endurecido sofre alterações, que podem ser explicadas a partir de dois processos. O
primeiro é devido à evaporação da água livre, causando uma rápida redução nesta
propriedade, e o segundo, pelo aumento do volume causado pela expansão térmica.
Em situação de incêndio, a norma ABNT NBR 152100:2012 propõe os
seguintes valores de densidade para concretos derivados de agregado calcário ou
silicoso, compreendidos no intervalo de 20 oC ≤ θc ≤ 1200 oC.
𝜌𝑐,𝜃 = 𝜌𝑐 para 20 oC ≤ 𝜃𝑐 ≤ 115 oC (5.7)
𝜌𝑐,𝜃 = 𝜌𝑐 [1 − 0,02 (
𝜃𝑐 − 115
85
)] , para 115 oC 4%, nem
mesmo para concretos de estruturas mistas de aço e concreto, porque a
durabilidade, tanto à temperatura ambiente, como em situação de incêndio, pode ser
comprometida para U > 3% (KHOURY e ANDERBERG, 2000; EN 1992-1-2:2004).
124
De forma simplificada, apresentado pela norma ABNT NBR 15200:2012, a
relação entre o calor específico do concreto e a temperatura pode ser considerada
constante. Nesse caso, pode ser considerada igual a 1000 J/(kg oC).
A variação do calor específico do concreto com a temperatura pode ser
vista na Figura 59.
O pico retratado no gráfico, em torno dos 115 oC, é devido à evaporação
da água livre no elemento. Tal evaporação é responsável pela falta de aumento de
temperatura no elemento quando atinge essa temperatura.
Para a modelagem foi utilizada a curva com um teor deumidade U =
1,5%.
Figura 59 – Calor específico do concreto
5.5.2.3 CONDUTIVIDADE TÉRMICA
A condutividade térmica é uma grandeza física capaz de medir a
habilidade dos materiais de conduzir o calor. De maneira geral, o concreto torna-se
menos condutor com o aumento da temperatura.
A condutividade térmica do concreto de densidade normal com agregado
silicoso, em watts por metro e por grau Celsius [W/(m oC)], pode ser determinada,
para 20 oC ≤ θc ≤ 1200 oC, pelas seguintes equações.
Limite inferior:
𝜆𝑐 = 1,36 − 0,136
𝜃𝑐
100
+ 0,0057 (
𝜃𝑐
100
)
2
(5.16)
850
950
1050
1150
1250
1350
1450
1550
1650
1750
1850
1950
2050
0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 1100 1200
C
al
o
r
Es
p
e
cí
fi
co
(
J/
(k
g
o
C
)
Temperatura (oC)
U = 0% U = 1,5% U = 3%
125
Limite superior:
𝜆𝑐 = 2 − 0,2451
𝜃𝑐
100
+ 0,0107 (
𝜃𝑐
100
)
2
(5.17)
Onde:
𝜆𝑐 é a condutividade térmica do concreto [W/(m oC)];
𝜃𝑐 é a temperatura do concreto no instante considerado para o cálculo
[oC].
A norma ABNT NBR 15200:2012 apresenta, de forma simplificada, a
consideração da relação entre a condutividade térmica do concreto e a temperatura
como sendo constante e igual a 1,3 W/(m oC).
A variação da condutividade térmica do concreto com a temperatura pode
ser vista na Figura 60.
Para a modelagem, foi utilizada a curva representada pelo limite inferior.
Figura 60 – Condutividade térmica do concreto
5.5.3 MODELAGEM DAS PROPRIEDADES TÉRMICAS DO AÇO
As propriedades térmicas do aço podem ser utilizadas tanto em perfis de
aço estrutural (Perfis I, W, Z etc.), quanto de armaduras que compõem o concreto
armado (CA25, CA50 e CA60) ou protendido (CP190-RB, dentre outros).
5.5.3.1 DENSIDADE
De acordo com norma ABNT NBR 14323:2012, para qualquer
temperatura imposta ao aço pode-se tomar como valor constante a densidade de:
𝜌𝑎,𝜃 = 𝜌𝑎 = 7850 𝑘𝑔/𝑚³
0,5
0,6
0,7
0,8
0,9
1
1,1
1,2
1,3
1,4
1,5
1,6
1,7
1,8
1,9
2
0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 1100 1200
C
o
n
d
u
ti
vi
d
ad
e
t
é
rm
ic
a
(W
/(
m
o
C
)
Temperatura (oC)
Limite inferior Limite Superior
126
5.5.3.2 CALOR ESPECÍFICO
Determinado conforme as equações que seguem:
para temperaturas entre 20 oC ≤ 𝜃𝑎e mecânicas da laje alveolar
Os dados do ensaio podem ser consultados a partir da tabela 25.
Tabela 25 - Dados do ensaio
Ensaio
Vão de
cálculo
(cm)
Capa
estrutural
(cm)
Local de aplicação da carga (2,5 h)
(cm)
Carga de
teste
(kN/laje)
Peso Próprio
(kN/m/laje)
G2 340 0 66,25 113,4 4,60
G3 340 0 66,25 183,5 4,60
G4 350 5 78,75 194,9 6,10
G5 340 5 78,75 105,7 6,10
G6 342 0 66,25 176,4 4,60
G7 342 0 66,25 121,0 4,60
Nota: Diagramas de esforços no Anexo C
Seguem as conclusões dos autores:
comprovou-se que a utilização de vigas e barras de reforço de 25
mm no modelo aumentam a capacidade resistente ao
cisalhamento da laje devido ao efeito de confinamento no sentido
longitudinal;
em todos os casos foi possível prever a ruptura por cisalhamento
com o modelo analítico empregado;
Um resumo dos resultados é mostrado na Tabela 26:
132
Tabela 26 - Resumo dos resultados encontrados no ensaio
Ensaio
Tipo de
Ruptura
Mensaio
(kNm/laje)
Vensaio
(kN/laje)
Temperatura máxima (oC) TRF
(min.) na cordoalha em h/2
G2 Cisalhamento 64,5 99,2 322 – 398 134 – 238 128
G3 Cisalhamento 101,8 155,7 335 – 462 165 – 212 128
G4 Cisalhamento 125,7 161,6 301 – 517 158 – 197 121
G5 Cisalhamento 70,4 91,5 167 – 369 169 – 218 121
G6 Cisalhamento 98,1 150,2 394 – 434 167 – 210 122
G7 Cisalhamento 68,6 105,5 408 – 480 149 – 186 122
6.2 RESULTADOS PARCIAIS
Devido à natureza dos ensaios, as verificações pelo método tabular
serão feitas por meio de tabelas destinadas a lajes biapoiadas e sem
continuidades.
Com relação à classificação de resistência ao fogo (TRRF), serão
adotados valores imediatamente inferiores18 aos tempos resistentes ao
fogo (TRF) encontrados nos ensaios.
Para a comparação entre os resultados teóricos e os resultados dos
testes, serão utilizados apenas os valores característicos, ou seja, não
serão adotados coeficientes ponderadores de ação e resistência dos
materiais.
Foi estimada uma perda de protensão de 20% em temperatura
ambiente.
Os valores destacados em vermelho indicam a não conformidade da
laje.
Os conceitos teóricos para a avaliação a flexão da laje alveolar em
temperatura ambiente podem ser encontrados em Petrucelli (2009).
As formulações para a análise ao cisalhamento em temperatura
ambiente podem ser encontradas na ABNT NBR14861:2011 (item 7.3)
e na EN 1168:2011 (item 4.3.3.2.2.3).
Os parâmetros adotados podem ser vistos na Tabela 27:
18 Escala de classificação de resistência ao fogo: 15 min., 30 min., 60 min., 90 min., 120 min. e 180 min.
133
Tabela 27 – Parâmetros de acordo com a EN 1168:2005+A3:2011 e EN 1992.1.1.2004
Parâmetro Valor Significado
α1 1,0 Para liberação de protensão gradual
α2 0,19 Para cordoalhas compostas por 3 ou 7 fios
ηp1 3,2 Para cordoalhas compostas por 3 ou 7 fios
ηp2 1,2 Para cordoalhas compostas por 7 fios
η1 0,7 Para condições de má aderência
γc,fi 1,0 Coeficiente minorador da resistência do concreto
γs,fi 1,0 Coeficiente minorador da resistência do aço
6.2.1 MÉTODO TABULAR
Abaixo, nas tabelas 28 e 29, seguem os resultados do dimensionamento
utilizando o método tabular:
Tabela 28 – Resultados da análise por métodos tabulares para o ensaio de Torić et al. (2012)
Método tabular para a verificação a flexão
Normas e manuais técnicos
ABNT NBR9062:2016 (Projeto
de revisão)
EN1168:2005 +A3:2011
Classe de resistência ao fogo REI60 REI60
Msk,incêndio / MRk 86,7 / 114,1 = 0,76 = 76% -
Altura mínima da laje (mm) 150 Laje atende 130 Laje atende
Distância do eixo da armadura até a face exposta
ao incêndio (mm)
30 Laje não atende - -
Método tabular para a verificação ao cisalhamento
Normas e manuais técnicos
ABNT NBR9062:2016
(Projeto de revisão)
EN1168:2005 +A3:2011
Classe de resistência ao fogo REI60 REI60
Resistência ao cisalhamento
VRk (kN/laje) 124,9 117,4
VRk,incêndio / VRk 80% 65%
VRk,incêndio (kN/laje) 99,9
VRk,incêndio > VSk,incêndio
Laje atende
76,3 VRk,incêndio >
VSk,incêndio
Laje atende VSk,incêndio (kN/laje) 35,5 35,5
Método por meio de ábaco para a verificação do tempo resistente a fogo
Método
Espessura equivalente da
laje alveolar
Resistência ao fogo (TRRF) Verificação
PCI 12,8 cm 5,0 pol 120 min 2 h TRRF > TRF
134
Conclusão parcial:
O método de ruptura previsto é devido à flexão, uma vez que os
valores de resistência ao cisalhamento em situação de incêndio são
superiores aos valores dos esforços cortantes solicitantes.
A análise realizada pela norma da ABNT mostra que a posição da
cordoalha não está de acordo, falhando assim no requisito resistência
(R) à flexão. A exigência é uma distância de c1 = 30 mm, no entanto, a
armadura está locada a 25 mm.
Pelo método do PCI a laje não atende, uma vez que é atribuída uma
resistência ao fogo de 120 min, ou seja, acima do alcançado que foi de
78 min.
No requisito resistência (R), apenas o método proposto pelo Eurocode
consegue validar a utilização da laje. No entanto não é fornecida a
distância mínima que a armadura deve ser locada.
No requisito estanqueidade (E) e isolamento (I), a laje não atende
apenas no método do PCI.
Abaixo, na Figura 66, é mostrada a condição da laje no final do teste.
Figura 66 - Condição da laje no final do teste (TORIĆ et al., 2012)
135
Tabela 29 – Resultados da análise por métodos tabulares para o ensaio de Jansze et al. (2014)
Método tabular para a verificação a flexão
Normas e manuais técnicos ABNT NBR9062:2016 (Projeto de revisão)
EN1168:2005
+A3:2011
Classe de resistência ao fogo REI120 REI120
Msk,incêndio / MRk Valores entre 30% a 39% e entre 50% a 59% -
Altura mínima da laje (mm) 200 Laje atende 200
Laje
atende
Distância do eixo da armadura até a
face exposta ao incêndio (mm)
50 Laje atende - -
Método tabular para verificação ao cisalhamento
Normas e manuais técnicos
ABNT NBR9062:2016
(Projeto de revisão)
EN1168:2005
+A3:2011
Classe de resistência ao fogo REI120 REI120
Resistência ao
cisalhamento
VRk
(kN/laje)
G2
G3
G4
G5
G6
G7
111,7
111,7
125,9
125,9
111,7
111,7
116,5
116,5
146,1
146,1
116,5
116,5
VRk,incêndio / VRk 60% 55%
VRk,incêndio
(kN/laje)
G2
G3
G4
G5
G6
G7
67,0
67,0
75,5
75,5
67,0
67,0
64,1
64,1
80,4
80,4
64,1
64,1
VSk,incêndio
(kN/laje)
G2
G3
G4
G5
G6
G7
99,2
155,7
161,6
91,5
150,2
105,5
99,2
155,7
161,6
91,5
150,2
105,5
Método por meio de ábaco para a verificação do tempo resistente a fogo
Método Espessura equivalente da laje alveolar
Resistência ao fogo
(TRRF)
Verificação
PCI 13,3 cm 5,2 pol 120 min 2,00 h
TRF > TRRF
Laje atende
136
Conclusão parcial:
O método de ruptura previsto para este caso é devido ao cisalhamento.
Para critério de avaliação a flexão pelo método tabular da norma
brasileira, foram adotados os valores mais conservadores.
No requisito estanqueidade (E) e isolamento (I), a laje atende em todos
os métodos tabulares.
Abaixo, na Figura 67, é mostrada a condição da laje no final do teste.
Figura 67 - Condição da laje no final do teste (JANSZE et al., 2014)
137
6.2.2 MÉTODO SIMPLIFICADO
Abaixo, nas tabelas 30 a 32, seguem os resultados do dimensionamento
utilizando o método simplificado.
Os resultados apresentados para o método dos 500 oC e para o método
das zonas serão idênticos, uma vez que a área de concreto aquecida se encontra na
região tracionada. Outro fator para que isso ocorra é a consideração da diminuição
das propriedades mecânicas do aço, já que ambos os métodos utilizam valores
iguais.
Tabela 30 - Resultados da análise por métodos simplificados para o ensaio de Torić et al. (2012)
Métodos simplificadospara a verificação a flexão
Método kp(ϴ)
fp,fi
(MPa)
X
(mm)
εp
(‰)
εc
(‰)
Npϴ
(kN)
Z
(mm)
MRk,incêndio
(kNm/laje)
Mensaio
(kNm/laje)
500 oC e
Zonas
0,436 655,31 5,75 20 0,68 287,29 172,7 49,61 86,7
PCI 0,500 812,61 5,37 20 0,63 356,25 172,3 61,39 86,7
Eurocode 0,436 655,31 - - - 287,29 157,5 45,25 86,7
Métodos simplificados para a verificação ao cisalhamento
Método kc(ϴ) kp(ϴ) ks(ϴ) kc,t(ϴp,m)
FR,a,fi
(kN)
Cϴ,1
(MPa)
Cϴ,2
(MPa)
VRk,incêndio
(kN/laje)
Vensaio
(kN/laje)
Eurocode 0,940 0,436 - 0,380 39,4 0,04 0,24 38,8 35,5
Conclusão parcial:
De acordo com o método dos 500 oC, das Zonas e do Eurocode, o
método de ruptura previsto é devido a flexão.
A presença de fissuras de cisalhamento relatada pelo autor pode ser
atribuída ao fato da força de cisalhamento atuante na laje apresentar
valores próximos aos da resistência ao cisalhamento teórico.
Os métodos simplificados não avaliam os requisitos estanqueidade (E)
e isolamento (I).
138
Tabela 31 - Resultados da análise de flexão por métodos simplificados para o ensaio de Jansze et al.
(2014)
Métodos simplificados para a verificação da flexão
Ensaio G2/G3/G6/G7
Método kp(ϴ)
fp,fi
(MPa)
x
(mm)
εp
(‰)
εc
(‰)
Npϴ
(kN)
Z
(mm)
MRk,incêndio
(kNm/laje)
Mensaio
(kNm/laje)
500 oC e
Zonas
0,486 853,37 9,74 20 0,95 476,18 211,1 100,52 Ver Tab. 26
PCI 0,550 1030,23 10,66 20 1,04 574,87 209,7 120,53 Ver Tab. 26
Eurocode 0,486 853,37 - - - 476,18 193,5 92,14 Ver Tab. 26
Ensaio G4
Método kp(ϴ)
fp,fi
(MPa)
x
(mm)
εp
(‰)
εc
(‰)
Npϴ
(kN)
Z
(mm)
MRk,incêndio
(kNm/laje)
Mensaio
(kNm/laje)
500 oC e
Zonas
0,486 853,37 9,72 20 0,76 476,18 261,1 124,34 125,7
PCI 0,550 1038,31 10,74 20 0,85 579,38 259,6 150,42 125,7
Eurocode 0,486 853,37 - - - 476,18 238,5 113,57 125,7
Ensaio G5
Método kp(ϴ)
fp,fi
(MPa)
x
(mm)
εp
(‰)
εc
(‰)
Npϴ
(kN)
z
(mm)
MRk,incêndio
(kNm/laje)
Mensaio
(kNm/laje)
500 oC e
Zonas
0,486 853,37 5,41 20 0,42 476,18 262,8 125,16 70,4
PCI 0,550 1038,31 10,74 20 0,85 579,38 259,6 150,42 70,4
Eurocode 0,486 853,37 - - - 476,18 238,5 113,57 70,4
Conclusão parcial:
Nos ensaios G3, G4 e G6, as lajes não atenderam por pouco a
resistência a flexão, com base nos resultados dos métodos dos 500 oC,
Zonas e Eurocode. Nestes casos pode-se esperar uma ruptura do tipo
cisalhamento na região comprimida, porém os autores não fizeram
distinção entre os dois tipos de cisalhamento (na região comprimida ou
na região tracionada).
139
Tabela 32 - Resultados da análise de cisalhamento por métodos simplificados para o ensaio de Jansze et
al. (2014)
Métodos simplificados para a verificação ao cisalhamento
Método kc(ϴ) kp(ϴ) ks(ϴ) kc,t(ϴp,m)
FR,a,fi
(kN)
Cϴ,1
(MPa)
Cϴ,2
(MPa)
VRk,incêndio
(kN/laje)
Vensaio
(kN/laje)
Ensaio G2
Eurocode 0,957 0,564 1,000 0,828 189,3 0,10 0,45 82,3 99,2
Ensaio G3
Eurocode 0,956 0,463 1,000 0,822 171,3 0,10 0,42 77,9 155,7
Ensaio G4
Eurocode 0,961 0,438 - 0,844 238,5 0,13 0,35 81,0 161,6
Ensaio G5
Eurocode 0,953 0,768 - 0,812 108,7 0,07 0,27 59,0 91,5
Ensaio G6
Eurocode 0,956 0,426 1,000 0,822 171,3 0,10 0,42 77,9 150,2
Ensaio G7
Eurocode 0,966 0,354 1,000 0,864 177,0 0,10 0,43 79,0 105,5
Conclusão parcial:
O modo de ruptura previsto para todas as lajes será por cisalhamento.
Neste método é possível notar que a grande parcela de resistência ao
cisalhamento da laje se dá pela armadura longitudinal. Este fato pode
ser atribuído ao efeito pino da armadura e pela protensão ocasionada
pela armadura ativa.
O ensaio G4 apresentou o maior valor de resistência ao cisalhamento.
Esta laje possui as seguintes características: capa estrutural armada de
50 mm; ligação com estribos externos da viga de apoio e ancoragem
da armadura ativa na capa estrutural sobre a viga de apoio.
O ensaio G7 apresentou valor intermediário de resistência ao
cisalhamento. Esta laje possui as seguintes características: ligação
com estribos externos da viga de apoio e reforço com armadura
passiva na chave de cisalhamento.
O ensaio G5 apresentou o menor valor de resistência ao cisalhamento.
Esta laje possui as seguintes características: capa estrutural armada de
50 mm e ligação com estribos externos da viga de apoio. Não foram
utilizadas armaduras passivas tanto nos alvéolos quanto na chave de
cisalhamento entre as lajes.
140
6.2.3 MÉTODO COMPUTACIONAL
Nesta etapa do trabalho será apresentada a modelagem em elementos
finitos das lajes ensaiadas, buscando avaliar o gradiente de temperatura no interior
da seção.
A Figura 68 ilustra a configuração adotada para a modelagem da laje
alveolar.
Figura 68 – Configuração da modelagem da laje alveolar adotada
Etapa 1. Local de aplicação da curva de aquecimento
Para que a modelagem computacional possa reproduzir os ensaios
realizados, é necessária a informação da distância (dtermopar) que o termopar,
responsável pelo controle de temperatura do forno, está da face do elemento em
estudo. Esta distância resultará na necessidade de uma homogeneização de uma
camada de ar abaixo da laje, tendo como consequência um atraso no aquecimento
em sua camada inferior e também no aquecimento da armadura.
Com isso em vista, foi adotada uma simulação por meio de CFD de uma
camada de ar abaixo da laje. As propriedades do ar adotadas podem ser
encontradas no Anexo B.
Para o ensaio de Torić et al. (2012), os dados de entrada de aquecimento
da face inferior da camada de ar seguiu conforme curva de aquecimento informada
pelos autores. Essa curva de aquecimento ocorreu a uma distância de 15 cm da
face da laje.
Para os ensaios de Jansze et al. (2014), foi adotada a própria curva
ISO834 na face da laje, uma vez que não foi informado pelos autores a distância do
termopar.
Ambas as curvas de aquecimento são mostradas na Figura 69.
141
Figura 69 – Curvas de aquecimento adotadas para as modelagens
Na Figura 70, seguem os resultados da curva de aquecimento da camada
de ar abaixo da laje para diferentes distâncias do termopar (dtermpopar).
Figura 70 – Resultados de aquecimento na laje alveolar para diferentes distâncias de leitura do termopar
Etapa 2. Análise térmica da laje alveolar
Nesta etapa, foi realizada uma análise térmica por condução em conjunto
com a análise térmica por CFD. Para o corpo sólido da laje e da armadura, foi
adotada uma modelagem de sólidos, enquanto que os alvéolos foi adotado um
volume de controle por meio de CFD.
0
200
400
600
800
1000
1200
0 10 20 30 40 50 60 70 80
Te
m
p
er
at
u
ra
(
o
C
)
Tempo (min.)
Torić et al. (2012)
ISO834
0
100
200
300
400
500
600
700
800
900
1000
0 10 20 30 40 50 60 70
Te
m
p
er
at
u
ra
(
o
C
)
Tempo (min.)
10cm 15cm 20cm Torić et al. (2012)
142
As propriedades térmicas dos materiais e da interface entre o aço e
concreto foram descritas no item 5.5 deste trabalho.
As ações de radiação e convecção para o meio externo, e no interior dos
alvéolos, foram adotadas conforme detalhado no item 3.4 deste trabalho.
Outro problema abordado será o local de medição da temperatura na
cordoalha, pois, nas camadas inferiores da laje o gradiente de temperatura varia
com grande intensidade para pequenas distâncias.
Tendo isso em vista, serão apresentados quatro pontos de medida no
modelo para comparação com as temperaturas medidas no ensaio. Os pontos de
medida são mostrados na Figura 71. Os resultados são mostrados nas Figuras 72 a
78 e na Tabela 33.
Figura 71 – Locais de medição da temperatura na modelagem computacional
Figura 72 – Resultados de aquecimento na cordoalha da laje alveolar para o ensaio de Torić et al. (2012)
0
100
200
300
400
500
600
700
0 10 20 30 40 50 60 70
Teao cisalhamento e ancoragem (EN1168,
2011) ................................................................................................................................. 106
Figura 50 – Tirantes longitudinais na viga e tirantes longitudinais nas articulações (EN 1168,
2011) ................................................................................................................................. 109
Figura 51 – Laje confinada (ABNT NBR 9062:2016 – Projeto de revisão) ......................... 110
Figura 52 – Dimensões das aberturas das juntas (EN 1991-1-2:2002) .............................. 111
Figura 53 - Laje de concreto com piso acabado ................................................................. 113
Figura 54 - Exemplos de elementos finitos disponíveis no ABAQUS® (DASSAULT
SYSTÈMES, 2013) ............................................................................................................ 117
Figura 55 - Exemplo de modelagem de uma laje alveolar no ABAQUS® ........................... 118
Figura 56 – Conservação de energia para um volume de controle em um instante
(INCROPERA et al., 2007; adaptado) ................................................................................ 118
Figura 57 – Transferência de calor por diferenças de temperatura .................................... 119
Figura 58 – Densidade do concreto ................................................................................... 122
Figura 59 – Calor específico do concreto ........................................................................... 124
Figura 60 – Condutividade térmica do concreto ................................................................. 125
Figura 61 – Calor específico do aço ................................................................................... 126
Figura 62 – Condutividade térmica do aço ......................................................................... 127
Figura 63 - Características geométricas e mecânicas da laje alveolar ............................... 129
Figura 64 – Resultados de flecha e temperatura na armadura com relação ao tempo (TORIĆ
et al., 2012; adaptado) ....................................................................................................... 130
Figura 65 - Características geométricas e mecânicas da laje alveolar ............................... 131
Figura 66 - Condição da laje no final do teste (TORIĆ et al., 2012) ................................... 134
Figura 67 - Condição da laje no final do teste (JANSZE et al., 2014) ................................. 136
Figura 68 – Configuração da modelagem da laje alveolar adotada .................................... 140
Figura 69 – Curvas de aquecimento adotadas para as modelagens .................................. 141
Figura 70 – Resultados de aquecimento na laje alveolar para diferentes distâncias de leitura
do termopar ....................................................................................................................... 141
Figura 71 – Locais de medição da temperatura na modelagem computacional ................. 142
Figura 72 – Resultados de aquecimento na cordoalha da laje alveolar para o ensaio de Torić
et al. (2012) ....................................................................................................................... 142
Figura 73 – Resultados de aquecimento na cordoalha da laje alveolar para o ensaio G2 de
Jansze et al. (2012) ........................................................................................................... 143
Figura 74 – Resultados de aquecimento na cordoalha da laje alveolar para o ensaio G3 de
Jansze et al. (2012) ........................................................................................................... 144
Figura 75 – Resultados de aquecimento na cordoalha da laje alveolar para o ensaio G4 de
Jansze et al. (2012) ........................................................................................................... 144
Figura 76 – Resultados de aquecimento na cordoalha da laje alveolar para o ensaio G5 de
Jansze et al. (2012) ........................................................................................................... 145
Figura 77 – Resultados de aquecimento na cordoalha da laje alveolar para o ensaio G6 de
Jansze et al. (2012) ........................................................................................................... 145
Figura 78 – Resultados de aquecimento na cordoalha da laje alveolar para o ensaio G7 de
Jansze et al. (2012) ........................................................................................................... 146
Figura 79 – Transformações físico-químicas do concreto endurecido em altas temperaturas
(KHOURY, 2000; adaptado apud COSTA e SILVA, 2002) ................................................. 165
Figura 80 – Alongamento do concreto ............................................................................... 167
Figura 81 – Diagrama tensão v. deformação idealizado (ABNT NBR 6118:2014) .............. 168
Figura 82 – Redução da resistência do concreto com agregado calcáreo sob diversas
condições de carregamento (BAZANT, 1996 apud CHANG, 2007, adaptado) ................... 171
Figura 83 – Valores de coeficiente de Poisson para diferentes temperaturas (MARECHAL,
1972 apud CHANG, 2007) ................................................................................................. 175
Figura 84 – Aspecto do diagrama tensão v. deformação dos aços a altas temperaturas ... 178
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 – Características das diferentes formas de spalling (KHOURY, 2008 apud FIB 38,
2007, adaptado) ................................................................................................................... 47
Tabela 2 – Curva Padrão ASTM E119 ................................................................................. 59
Tabela 3 – Valores de tlim ..................................................................................................... 65
Tabela 4 – Softwares utilizados no mundo para a modelagem em CFD .............................. 68
Tabela 5 – Softwares utilizados no mundo para a modelagem em CFD (cont.) ................... 69
Tabela 6 – Fatores de ponderação das medidas de segurança contra incêndio .................. 77
Tabela 7 – Valores de 𝛾𝑠2em função do risco de ativação do incêndio (r) ........................... 77
Tabela 8 – Características para lajes biapoiadas (ABNT NBR 9062:2016 – Projeto de
revisão) ................................................................................................................................ 85
Tabela 9 – Características para lajes contínuas e confinadas (ABNT NBR 9062:2016 –
Projeto de revisão) ............................................................................................................... 85
Tabela 10 – Redução de cortante (ABNT NBR 9062:2016 – Projeto de revisão) ................. 86
Tabela 11 – Valores tabelados para a espessura mínima das lajes relacionada com a
resistência de isolamento ao fogo (EN 1168:2005+A3:2011) ............................................... 86
Tabela 12 – Dados tabelados para a resistência ao cisalhamento 𝑉𝑅𝑑, 𝑓𝑖 (EN
1168:2005+A3:2011) ........................................................................................................... 87
Tabela 13 - Dimensões mínimas para adotar o método dos 500 oC (EN 1992-1-2:2004) .... 91
Tabela 14 – Fator de redução da resistência do aço à temperatura θ para deformação
específica ≤ 2% ................................................................................................................... 91
Tabela 15 – Fator de redução da resistência do aço à temperatura θ para deformação
específica > 2% ...................................................................................................................m
p
er
at
u
ra
(
o
C
)
Tempo (min.)
T ensaio T Armadura T Acima
T Abaixo T Lateral Eurocode
143
Para o ensaio de Jansze et al. (2014) abaixo (Tabela 33) seguem os
resultados de temperatura na armadura fornecidos pelo autor e os resultados a partir
da análise simplificada do Eurocode, mostrada no item 4.3.1.2.4 deste trabalho
(coluna 8 da Tabela 33).
Tabela 33 - Resultados do ensaio de aquecimento na cordoalha da laje alveolar de Jansze et al. (2014)
G2
(oC)
G3
(oC)
G4
(oC)
G5
(oC)
G6
(oC)
G7
(oC)
Anexo G do Eurocode
(oC)
30 min. 101 – 120 101 - 145 67 - 174 100 - 104 103 - 105 100 – 104 110
60 min. 146 - 208 158 - 267 119 - 314 147 - 255 209 - 239 215 – 242 230
90 min. 245 - 315 251 - 371 174 - 428 189 - 295 308 - 350 323 – 381 320
120 min. 322 - 398 335 - 462 301 - 517 167 - 369 394 - 434 408 – 480 390
Figura 73 – Resultados de aquecimento na cordoalha da laje alveolar para o ensaio G2 de Jansze et al.
(2012)
0
50
100
150
200
250
300
350
400
450
500
0 30 60 90 120
Te
m
p
er
at
u
ra
(
o
C
)
Tempo (min.)
Ensaio G2
T ensaio,inf T ensaio,sup Eurocode T Armadura
T Acima T Abaixo T Lateral
144
Figura 74 – Resultados de aquecimento na cordoalha da laje alveolar para o ensaio G3 de Jansze et al.
(2012)
Figura 75 – Resultados de aquecimento na cordoalha da laje alveolar para o ensaio G4 de Jansze et al.
(2012)
0
50
100
150
200
250
300
350
400
450
500
0 30 60 90 120
Te
m
p
er
at
u
ra
(
o
C
)
Tempo (min.)
Ensaio G3
T ensaio,inf T ensaio,sup Eurocode T Armadura
T Acima T Abaixo T Lateral
0
50
100
150
200
250
300
350
400
450
500
0 30 60 90 120
Te
m
p
er
at
u
ra
(
o
C
)
Tempo (min.)
Ensaio G4
T ensaio,inf T ensaio,sup Eurocode T Armadura
T Acima T Abaixo T Lateral
145
Figura 76 – Resultados de aquecimento na cordoalha da laje alveolar para o ensaio G5 de Jansze et al.
(2012)
Figura 77 – Resultados de aquecimento na cordoalha da laje alveolar para o ensaio G6 de Jansze et al.
(2012)
0
50
100
150
200
250
300
350
400
450
500
0 30 60 90 120
Te
m
p
er
at
u
ra
(
o
C
)
Tempo (min.)
Ensaio G5
T ensaio,inf T ensaio,sup Eurocode T Armadura
T Acima T Abaixo T Lateral
0
100
200
300
400
500
600
0 30 60 90 120
Te
m
p
er
at
u
ra
(
o
C
)
Tempo (min.)
Ensaio G6
T ensaio,inf T ensaio,sup Eurocode T Armadura
T Acima T Abaixo T Lateral
146
Figura 78 – Resultados de aquecimento na cordoalha da laje alveolar para o ensaio G7 de Jansze et al.
(2012)
6.3 ANÁLISE DOS RESULTADOS
A partir das análises realizadas foi possível identificar os seguintes
aspectos:
Em todos os casos foi possível prever o modo de ruptura da laje pelos
métodos tabulares do Eurocode, da ABNT, pelos métodos simplificados
aceitos pelo Eurocode (Método dos 500 oC e Método das Zonas) e pelo
método simplificado do PCI.
Em alguns ensaios (G3, G4 e G6) conduzidos por Jansze et al. (2014),
os Métodos dos 500 oC e das Zonas apresentaram valores de
resistência à flexão inferiores ao solicitantes no ensaio. Nesses casos
poderia se esperar rupturas do tipo cisalhamento na região
comprimida, porém, não foi mostrada a distinção entre os dois tipos de
cisalhamento em seu trabalho.
Os ensaios G3, G4 e G6 apresentaram resistências ao cisalhamento
superiores com relação aos ensaios G1, G2 e G7. Os autores
defendem que as armaduras longitudinais complementares utilizadas
0
50
100
150
200
250
300
350
400
450
500
0 30 60 90 120
Te
m
p
er
at
u
ra
(
o
C
)
Tempo (min.)
Ensaio G7
T ensaio,inf T ensaio,sup Eurocode T Armadura
T Acima T Abaixo T Lateral
147
na capa são responsáveis por esse acréscimo. No entanto, não foram
mostrados ensaios com lajes sem nenhum reforço adicional. Em todo
caso, o modelo analítico apresentado pelo Eurocode e pela ABNT
conseguiu prever o modo de ruptura dos ensaios.
Para a análise a flexão, o método simplificado do Eurocode se mostrou
mais conservador, seguido pelos métodos dos 500 oC e das Zonas. O
método do PCI apresentou valores mais próximos dos encontrados no
ensaio.
O método tabular utilizado pela ABNT apresentou valores de c1
mais conservadores, inviabilizando assim a utilização da laje para
o ensaio de Torić et al. (2012).
O método tabular para a análise da flexão utilizado pelo Eurocode
apresenta apenas a espessura mínima da laje, dessa forma, é
possível apenas a avaliação nos quesitos estanqueidade (E) e
isolamento (I).
Com base nos resultados, o método adotado pelo PCI, com a
utilização do ábaco, não foi capaz de prever o modo de ruptura do
elemento ensaiado a flexão.
Os resultados experimentais no ensaio de Torić et al. (2012) para
a flexão apresentaram valores 1,9 vezes superiores ao
encontrado pelo método simplificado do Eurocode.
Os resultados experimentais no ensaio de Torić et al. (2012) para
a flexão apresentaram valores 1,7 vezes superiores ao
encontrado pelos métodos dos 500 oC e das Zonas.
Os resultados experimentais no ensaio de Torić et al. (2012) para
a flexão apresentaram valores 1,4 vezes superiores ao
encontrado pelo método simplificado do PCI.
Não serão apresentadas as avaliações da flexão dos ensaios de
Jansze et al. (2014), uma vez que o modo de ruptura foi devido ao
cisalhamento.
Para a análise do cisalhamento, o método simplificado do Eurocode se
mostrou mais conservador, seguido pelo método tabular da ABNT, e
depois pelo método tabular do Eurocode.
148
Os resultados experimentais nos ensaios G apresentaram valores
de resistência de 1,3 a 2,0 vezes superiores ao encontrado no
método simplificado do Eurocode.
Os resultados experimentais nos ensaios G apresentaram valores
de resistência de 1,2 a 2,3 vezes superiores ao encontrado no
método tabular utilizado pela ABNT.
Os resultados experimentais nos ensaios G apresentaram valores
de resistência de 1,1 a 2,4 vezes superiores ao encontrado no
método tabular utilizado pelo Eurocode.
No manual do PCI não constam metodologias próprias para
avaliações ao cisalhamento.
Não serão trazidas as avaliações do cisalhamento do ensaio de
Torić et al. (2012), uma vez que o modo de ruptura foi devido à
flexão.
Com relação à análise computacional, destacam-se ainda dois
importantes aspectos que influenciam na análise de dados da modelagem do
problema: o primeiro, que diz respeito a localização do termopar no controle de
medição de temperatura do forno; e o segundo, com relação a localização de
aferição de temperatura na armadura da laje.
Tendo isso em vista, os seguintes resultados puderam ser obtidos:
A resposta do modelo numérico computacional do trabalho de Torić et
al. (2012) apresentou valores de temperaturas superiores ao aferido no
ensaio. No tempo final de ensaio, esta variação foi em torno de 120 oC,
com base na temperatura no interior da armadura. Considerando que o
termopar poderia estar localizado na parte superior da cordoalha, essa
variação cai para valores em torno de 65 oC.
Outra explicação para a diferença encontrada no item anterior pode ser
atribuída na simplificação das propriedades térmicas do concreto, uma
vez que não foi realizada a caracterização do material.
Com relação ao modelo de Jansze et al. (2014), os valores de
temperatura medidos no interior da armadura não apresentaram
grande variação com os medidos experimentalmente. Abaixo seguem
149
as variações encontradas, tendo como base a temperatura no centro
da armadura:
Ensaio G2: 55 oC acima do aferido no ensaio;
Ensaio G3: temperatura medida no modelo computacional
encontra-se dentro da faixa de temperaturas aferidas no ensaio;
Ensaio G4: temperatura medida no modelo computacional
encontra-se dentro da faixa de temperaturas aferidas no ensaio;
Ensaio G5: 84 oC acima do aferidono ensaio;
Ensaio G6: 19 oC acima do aferido no ensaio;
Ensaio G7: temperatura medida no modelo computacional
encontra-se dentro da faixa de temperaturas aferidas no ensaio.
Os valores de temperatura avaliados no corpo da laje, em h/2,
apresentaram a mesma ordem de grandeza de variação das
encontradas na cordoalha.
A metodologia apresentada pelo Eurocode apresentou valores
inferiores de temperatura comparada com o modelo numérico
computacional. Porém, com relação aos resultados do ensaio, mostrou-
se eficaz e com boa previsibilidade.
150
7 CONCLUSÃO
Esta dissertação assumiu como objetivo apresentar e comparar
metodologias para a avaliação estrutural de lajes alveolares protendidas em situação
de incêndio. Portanto, as seguintes questões foram levantadas:
1) Com base nos modelos analíticos, é possível prever o modo de ruptura
que ocorrerá em uma laje alveolar protendida quando submetida ao
incêndio?
2) Qual a precisão dos resultados dos modelos analíticos quando
comparados com resultados encontrados em ensaios em escala real?
3) Com base no modelo numérico computacional, é possível prever o
gradiente de temperatura no interior do elemento, de modo a respaldar
os modelos analíticos?
Para respondê-las, foram abordados os aspectos que interferem
diretamente no dimensionamento desse elemento estrutural. São eles: o
comportamento quanto à flexão; o comportamento quanto ao cisalhamento; a
aderência da armadura protendida no concreto; o efeito do confinamento da laje por
meio da capa estrutural de concreto armado; a influência das características
geométricas da seção no gradiente de temperatura; as perdas de protensão e o
efeito do lascamento explosivo.
Além disso, para se ter uma base comparativa entre resultados teóricos e
experimentais, foram apresentados dois trabalhos sobre ensaios em escala real de
lajes alveolares em situação de incêndio.
No primeiro trabalho Torić et al. (2012) fizeram um estudo experimental do
comportamento de lajes alveolares biapoiadas submetidas ao incêndio por meio de
uma curva que se assemelhava a curva padrão ISO834. Neste ensaio, o modo de
ruptura alcançado foi devido à flexão.
No segundo, Jansze et al. (2014) realizaram uma bateria de testes em
lajes alveolares em situação de incêndio para comprovar as teorias propostas no
código normativo europeu, no que diz respeito à resistência ao cisalhamento
utilizando a curva ISO834. Em todos os testes a ruptura alcançada foi devida ao
cisalhamento.
151
Com relação ao comportamento quanto à flexão e o comportamento
quanto ao cisalhamento, foram propostas metodologias que preveem a capacidade
de suporte desse elemento em situação de incêndio. A partir dos resultados teóricos
confrontados com os resultados de ensaios, pode-se dizer que as metodologias
empregadas pela norma europeia e as que serão empregadas na norma brasileira
são capazes de subsidiar o dimensionamento desse elemento estrutural.
Dessa forma, foi possível classificar quais metodologias se mostraram
mais conservadoras quando comparadas entre si. Os resultados apontaram que o
método simplificado do Eurocode para a análise da flexão é o mais conservador,
com valor de Mensaio/MRk,incêndio = 1,9, seguido pelos métodos dos 500 oC e das Zonas
(Mensaio/MRk,incêndio = 1,7). Já o método do PCI apresentou valores mais próximos que
os encontrados no ensaio (Mensaio/MRk,incêndio = 1,4).
Para a análise ao cisalhamento, o método simplificado do Eurocode
mostrou-se mais conservador, com valores de Vensaio/VRk,incêndio variando de 1,3 a
2,0, seguido pelo método tabular da ABNT, com valores variando entre 1,2 a 2,3 e
em seguida pelo método tabular do Eurocode, com valores variando de 1,1 a 2,4.
As metodologias tabulares empregadas pela ABNT e Eurocode
apresentaram respostas mais conservadoras para a análise da flexão. Para o caso
das tabelas empregadas pela ABNT, é possível atribuir um valor de resistência
residual à flexão em situação de incêndio, com base na altura da laje e na posição
da cordoalha. Já com a tabela do Eurocode, não é possível atribuir valores de
resistência residual, logo, pode-se concluir que é possível avaliar a laje apenas nos
requisitos estanqueidade (E) e isolamento (I).
Com base nos resultados, o método adotado pelo PCI, com a utilização
do ábaco, não foi capaz de prever o modo de ruptura do elemento ensaiado à flexão.
Além disso, este documento não apresenta metodologias próprias para avaliações
ao cisalhamento. Portanto, apenas a metodologia simplificada adotada no manual foi
capaz de prever a ruína do elemento.
No decorrer das análises ao cisalhamento levantou-se outra questão:
Qual o motivo dos coeficientes (VRd,incêndio / Vrd) fornecidos pela norma brasileira
(Tabela 10) serem superiores do que os fornecidos pela norma europeia (Tabela
12)?
152
Isso pode ser atribuído à análise desses elementos em situação de
temperatura ambiente e ao fato de que essas metodologias se baseiam em
resultados empíricos. Quando realizada a análise teórica do problema em
temperatura ambiente com a norma europeia, constatam-se valores de resistência
ao cisalhamento superiores aos valores de resistência pela norma brasileira. Logo,
pode-se deduzir que os coeficientes redutores de resistência apresentados pela
norma europeia sejam mais rigorosos que os apresentados pela norma brasileira.
Com isso, os valores de resistência residual ao cisalhamento para altas
temperaturas irão apresentar valores semelhantes quando comparados entre si.
Do fato de os métodos tabulares do Eurocode, da ABNT e o método
simplificado do Eurocode para a análise ao cisalhamento serem baseados em
resultados empíricos, pode-se concluir que os aspectos referentes à aderência da
armadura protendida no concreto e às perdas de protensão já são levadas em conta.
Ou seja, os coeficientes redutores de resistência, para os métodos tabulares, e as
formulações propostas, para o método simplificado, foram calibrados para levar em
consideração todos os aspectos negativos com relação à capacidade de suporte do
elemento.
Comparando os resultados dos ensaios G, é possível notar que o ensaio
G5 apresentou os menores valores de resistência ao cisalhamento, mesmo com a
utilização da capa estrutural. Isso pode ser atribuído ao fato desse elemento não
apresentar armaduras passivas nos alvéolos e na chave de cisalhamento. Os
resultados evidenciam que o efeito do confinamento da laje é alcançado quando
utilizam-se armaduras de reforço, tanto nos alvéolos quanto na chave de
cisalhamento entre as lajes; ou seja, apenas a utilização da capa estrutural não é
capaz de proporcionar um incremento de resistência na capacidade de suporte
desse elemento.
Com base na revisão bibliográfica apresentada no capítulo 2, e nos
resultados dos ensaios, apresentados no Capítulo 6, o efeito do lascamento
explosivo não oferece grande prejuízo para as lajes alveolares, uma vez que este
elemento possui um baixo teor de umidade. No entanto, para os casos em que se
observa um teor de umidade elevado (U > 3%) é necessário que medidas corretivas
sejam adotadas.
153
Para a avaliação do gradiente de temperatura na seção transversal foi
utilizado o software de análise de elementos finitos ABAQUS®. Nessa avaliação,
destacaram-se dois aspectos a respeito dos dados da modelagem do problema: o
primeiro, com relação a localização do termopar no controle de medição de
temperatura do forno; e o segundo, com relação a localização de aferição de
temperatura na armadura da laje.
Com relação ao primeiro aspecto, constatou-se que a distância do
termopar responsável pelo controle de temperatura no interior do forno, com relação
à face do elemento, interfere diretamente na resposta do problema.
Torić et al. (2012) apresentou um controle de temperatura no interiordo
forno com base em um termopar distante da laje em torno de 15 cm. Com isso, é
necessário modelar uma curva de aquecimento com a mesma distância apresentada
de forma que a modelagem fique consistente com o ensaio.
Já o segundo aspecto diz respeito ao ponto de aferição de temperatura,
uma vez que, nas camadas inferiores da laje o gradiente de temperatura varia com
grande intensidade para pequenas distâncias.
Em ambos os trabalhos analisados não foi possível encontrar a
metodologia adotada com relação a essa aferição. Para contornar esse problema, foi
proposto na modelagem quatro pontos de medidas. São elas: o ponto superior, o
lateral, o inferior e o centro da armadura.
As respostas encontradas no modelo nem sempre foram capazes de
apresentar os mesmos resultados dos ensaios. Isso se deve aos aspectos descritos
anteriormente e ao fato dos materiais componentes desses elementos não terem
sido caracterizados com relação às propriedades térmicas.
Por último, a metodologia apresentada pelo Eurocode para análise do
gradiente de temperatura apresentou valores inferiores quando comparado com o
modelo numérico computacional. Porém, com relação aos resultados do ensaio,
mostrou-se eficaz e com boa previsibilidade.
154
Por fim, respondendo às questões:
1) Com base nos modelos analíticos, é possível prever o modo de ruptura
que ocorrerá em uma laje alveolar protendida quando submetida ao
incêndio?
Limitado aos ensaios analisados nesse trabalho, a resposta é sim.
Desde que levado em conta os aspectos que interfiram na análise
estrutural desse elemento.
2) Qual a precisão dos resultados dos modelos analíticos quando
comparados com resultados encontrados em ensaios em escala real?
Para análise a flexão é possível encontrar valores de Mensaio/MRk,incêndio
variando de 1,4 a 1,9. Já para a análise ao cisalhamento, é possível
encontrar valores de Vensaio/VRk,incêndio variando de 1,1 a 2,4.
3) Com base no modelo numérico computacional, é possível prever o
gradiente de temperatura no interior do elemento, de modo a respaldar
os modelos analíticos?
As respostas encontradas no modelo nem sempre foram capazes de
apresentar os mesmos resultados dos ensaios. Em todo caso, os
resultados teóricos não apresentaram valores que comprometam a
segurança da análise teórica do elemento estrutural. Portanto, pode-se
afirmar que os resultados encontrados podem ser considerados
válidos.
As respostas encontradas nessa pesquisa possuem grande relevância
sobre o tema, pois elucida diversos problemas observados a respeito do
dimensionamento desse elemento estrutural sob altas temperaturas. Portanto, é de
grande importância que o meio acadêmico e o meio privado façam bom uso desse
material e proporcionem maiores avanços nos pontos não abordados.
O presente autor espera que esse trabalho traga subsídios para as
revisões normativas futuras e para trabalhos de pesquisas que envolvam ensaios
em escala real em laboratórios nacionais.
155
7.1 TRABALHOS FUTUROS
Abaixo seguem sugestões de temas de pesquisa complementares a esse
trabalho:
Realização de uma série de ensaios de caracterização de materiais
levando em conta a variação de temperatura. Podem-se apontar:
caracterização mecânica do aço das cordoalhas e do concreto
utilizado nas lajes alveolares;
caracterização das propriedades térmicas, tanto do aço quanto do
concreto;
As recomendações utilizadas nas normatizações brasileiras são
baseadas em recomendações de normas estrangeiras, que por sua vez
são frutos de ensaios realizados com materiais que não foram
fabricados no Brasil. Portanto, a finalidade desse tema, será de
responder se os coeficientes e as propriedades térmicas adotados
apresentam valores representativos para os materiais nacionais.
Além disso, é necessário propor e discutir as formas de realização
desses ensaios, sugerindo metodologias que visam orientar
pesquisadores da área a reproduzirem os ensaios em questão.
Com isso, é possível elaborar uma série de padrões de ensaios com o
intuito de subsidiar futuras normas brasileiras sobre o tema.
Ensaios em escala real de lajes alveolares em situação de incêndio.
É fundamental que existam pesquisas que realizem ensaios em lajes
alveolares fabricadas nacionalmente, com o intuito de comprovar a
eficácia das metodologias apresentadas nesse trabalho.
Pode-se acrescentar que é necessário propor discussões sobre as
metodologias de ensaios e a forma de aquisição de dados. Como
mostrado nesse trabalho, alguns aspectos intrínsecos aos testes
interferem na análise de distribuição de temperatura e de coleta de
dados na situação final do estudo.
Além dos ensaios em lajes alveolares isoladas, pode-se também
realizar uma bateria de testes que visam avaliar o comportamento de
156
lajes trabalhando em conjunto. Nesse contexto, os seguintes estudos
podem ser abordados:
Ensaios que visam medir o nível de confinamento de uma laje
alveolar no plano do pavimento. Conferir se as diversas formas de
armar a capa contribuem de forma significativa para a resistência
da laje em altas temperaturas.
Avaliar o efeito da expansão do plano composto pelo conjunto de
lajes alveolares nos elementos estruturais periféricos.
Avaliar lajes com continuidade, uma vez que há a inversão de
esforços de momento próximo ao apoio, que combinado com os
esforços de cisalhamento, pode ocorrer uma ruptura inesperada
no elemento.
Ensaios em escala real de lajes alveolares no pós incêndio.
Ao longo do trabalho foi levantado a questão sobre o desempenho da
laje em situação de incêndio. No entanto, pouco se falou sobre o
desempenho da laje no pós incêndio. Portanto, é necessário a
realização de estudos sobre o tema a fim de responder uma série de
questões. Pode-se citar: como avaliar a resistência residual desse
elemento; quais as formas de recuperação estrutural e quais os
impactos negativos com relação a análise global da estrutura.
Um estudo aprofundado sobre o efeito das altas temperaturas nas
cordoalhas de um elemento protendido.
Avaliar e quantificar a tensão residual de contato entre o aço e o
concreto sob altas temperaturas.
Avaliar a variação da força de protensão durante e pós aquecimento. A
finalidade deste tema é a de averiguar as formas de perdas de
protensão sob altas temperaturas e procurar quantificá-las.
Propor estudos de modelagem computacional de uma laje alveolar
protendida sob altas temperaturas. Para isso, deve-se levar em conta
os efeitos de perdas de protensão durante o aquecimento, a perda de
resistência do contato entre o aço e o concreto e a forma de modelar
as propriedades mecânicas e térmicas dos materiais.
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http://hrcak.srce.hr/index.php?show=clanak&id_clanak_jezik=137716
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http://www.hindawi.com/journals/amse/2013/712953/
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http://seer.ufrgs.br/index.php/ambienteconstruido/article/view/44934
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http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/3/3151/tde-24122014-120113/pt-br.php
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/3/3151/tde-24122014-120113/pt-br.php
http://repository.tudelft.nl/view/ir/uuid%3A6aa92993-c77e-4bcd-bbda-f740ad6952b9/
http://repository.tudelft.nl/view/ir/uuid%3A6aa92993-c77e-4bcd-bbda-f740ad6952b9/
ANEXOS
165
ANEXO A - COMPORTAMENTO DOS
MATERIAIS A ALTAS TEMPERATURAS DE
ACORDO COM A ABNT NBR 15200:2012
A.1 CONCRETO
Em sua constituição, esse material é composto por uma mistura
heterogênea de aglomerante, agregado graúdo, agregado miúdo, água e aditivos.
Devido a essa heterogeneidade, seu comportamento em situação de
incêndio ocorre de maneira bem complexa. De acordo com Costa e Silva (2002), o
concreto comporta-se da seguinte maneira em situação de incêndio, mostrado na
Figura 79:
Figura 79 – Transformações físico-químicas do concreto endurecido em altas temperaturas (KHOURY,
2000; adaptado apud COSTA e SILVA, 2002)
166
A.1.1 ALONGAMENTO
O alongamento de um material é causado pela deformação (𝜀) que este
apresenta devido a uma solicitação imposta. Essa propriedade é definida pela
relação entre variação de comprimento e o comprimento inicial, como mostrado na
equação:
𝜀 =
∆𝐿
𝐿
(A.1)
Em temperatura ambiente, o concreto é considerado um material
isotrópico; assim, a tensão térmica produzida é a mesma em todas as direções. No
entanto, quando a seção possui uma variação de temperatura ao longo de sua
espessura, esse gradiente térmico irá produzir deformações não uniformes, gerando
tensões mecânicas que podem levar a fissuração (BAZANT et al., 1996 apud
CHANG, 2007).
O alongamento específico do concreto de densidade normal em situação
de incêndio é determinado a partir das seguintes equações:
Agregado a base de sílica:
temperaturasentre 20 oC ≤ θcsendo esta definida da seguinte
forma:
𝑓𝑐,𝜃 = 𝑘𝑐,𝜃𝑓𝑐𝑘 (A.17)
Onde:
𝑓𝑐,𝜃 é a resistência residual à compressão do concreto em temperatura θ
[MPa];
𝑓𝑐𝑘 é a resistência característica à compressão do concreto à temperatura
ambiente [MPa];
𝑘𝑐,𝜃 é o fator de redução da resistência do concreto na temperatura θ,
conforme tabela 35.
Nota-se que a normatização brasileira não fornece valores para
agregados calcários e agregados leves. Para isso, devem-se consultar as normas
europeias.
173
Tabela 35 – Valores das relações 𝒌𝒄,𝜽 =
𝒇𝒄,𝜽
𝒇𝒄𝒌
⁄ , para concretos (ABNT NBR 15200:2012; EN 1992-1-
2:2004)
Temperatura do
concreto (oC)
𝑘𝑐,𝜃 =
𝑓𝑐,𝜃
𝑓𝑐𝑘
⁄
Agregado silicoso* Agregado Calcário** Agregado Leve***
20 1,00 1,00 1,00
100 1,00 1,00 1,00
200 0,95 0,97 1,00
300 0,85 0,91 1,00
400 0,75 0,85 0,88
500 0,60 0,74 0,76
600 0,45 0,60 0,64
700 0,30 0,43 0,52
800 0,15 0,27 0,40
900 0,08 0,15 0,28
1000 0,04 0,06 0,16
1100 0,01 0,02 0,04
1200 0,00 0,00 0,00
Fonte: * ABNT NBR 15200:2012; EN 1992-1-2:2004
** EN 1992-1-2:2004
*** EN 1994-1-2:2005
Para concretos de alta resistência, o Eurocode posiciona-se da seguinte
forma:
o efeito do spalling deve ser levado em conta no dimensionamento do
elemento estrutural;
a classificação adotada é:
classe 1: C55/67 e C60/75;
classe 2: C70/85 e C80/95;
classe 3: C90/105.
quando a resistência característica do concreto for maior que a sua
classificação em projeto, deve-se adotar o menor coeficiente redutor;
os coeficientes constam na Tabela 36 e são baseados na curva padrão
ISO 834.
174
Tabela 36 – Coeficientes redutores para concreto de alta resistência sob altas temperaturas (EN 1992-1-
2:2004)
Temperatura do
concreto (oC)
𝑘𝑐,𝜃 =
𝑓𝑐,𝜃
𝑓𝑐𝑘
⁄
Classe 1 Classe 2 Classe 3
20 1,00 1,00 1,00
50 1,00 1,00 1,00
100 0,90 0,75 0,75
200 0,70
250 0,90
300 0,85 0,65
400 0,75 0,75 0,45
500 0,30
600 0,25
700
800 0,15 0,15 0,15
900 0,08 0,08
1000 0,04 0,04
1100 0,01 0,01
1200 0,00 0,00 0,00
A.1.4 RESISTÊNCIA À TRAÇÃO
A resistência à tração no concreto não deve ser levada em conta no
dimensionamento, buscando assim uma situação mais conservadora. No entanto,
quando necessário, é utilizada a seguinte relação:
𝑓𝑐𝑡,𝜃 = 𝑘𝑐𝑡,𝜃𝑓𝑐𝑘,𝑡 (A.18)
Onde:
𝑓𝑐𝑡,𝜃 é a resistência residual à tração do concreto em temperatura θ [MPa];
𝑓𝑐𝑘,𝑡 é a resistência característica à tração do concreto à temperatura
ambiente [MPa];
𝑘𝑐𝑡,𝜃 é o fator de redução da resistência do concreto na temperatura θ,
conforme as expressões abaixo:
𝑘𝑐𝑡,𝜃 = 1,0 para 20 oC ≤ θ ≤ 100 oC (A.19)
𝑘𝑐𝑡,𝜃 = 1,0 − 1,0
𝜃−100
500
para 100 oCTemperatura
do aço
(oC)
𝑘𝐸𝑠,𝜃 =
𝐸𝑠,𝜃
𝐸𝑠
Temperatura
do aço
(oC)
𝑘𝐸𝑠,𝜃 =
𝐸𝑠,𝜃
𝐸𝑠
CA50 CA60 CA50 CA60
20 1,00 1,00 700 0,13 0,08
100 1,00 1,00 800 0,09 0,06
200 0,90 0,87 900 0,07 0,05
300 0,80 0,72 1000 0,04 0,03
400 0,70 0,56 1100 0,02 0,02
500 0,60 0,40 1200 0,00 0,00
600 0,31 0,24
179
b) ARMADURA ATIVA
Os diagramas tensão v. deformação dos aços da armadura ativa a
temperaturas elevadas podem ser elaborados a partir das mesmas equações
indicadas para a armadura passiva, alterando-se:
Deformações Resistências Módulo de elasticidade
𝜀𝑝,𝜃 por 𝜀𝑝𝑝,𝜃
𝜀𝑠,𝜃 por 𝜀𝑠𝑝,𝜃
𝜀𝑡,𝜃 por 𝜀𝑝𝑡,𝜃
𝜀𝑢,𝜃 por 𝜀𝑝𝑢,𝜃
𝑓𝑝,𝜃 por 𝑓𝑝𝑝,𝜃
𝑓𝑦,𝜃 por 𝑓𝑝𝑦,𝜃
𝐸𝑠,𝜃 por 𝐸𝑝,𝜃
A partir da equação e da tabela apresentados a seguir, é determinado o
módulo de elasticidade da armadura ativa em temperatura de estudo:
𝐸𝑝,𝜃 = 𝑘𝐸𝑝,𝜃𝐸𝑝 (A.27)
Onde:
𝐸𝑝,𝜃 é o módulo de elasticidade do aço da armadura ativa à temperatura θ
[MPa];
𝑘𝐸𝑝,𝜃 é o fator de redução do módulo de elasticidade do aço de armadura
ativa na temperatura θ, conforme tabela 40;
𝐸𝑝 é o módulo de elasticidade do aço de armadura ativa à temperatura
ambiente [MPa].
Tabela 40 – Valores da relação 𝒌𝑬𝒑,𝜽 =
𝑬𝒑,𝜽
𝑬𝒑 ⁄ para fios e cordoalhas de armadura ativa
Temperatura
do aço
(oC)
𝑘𝐸𝑝,𝜃 =
𝐸𝑝,𝜃
𝐸𝑝
Temperatura
do aço
(oC)
𝑘𝐸𝑝,𝜃 =
𝐸𝑝,𝜃
𝐸𝑝
Fios e cordoalhas Fios e cordoalhas
20 1,00 700 0,10
100 0,98 800 0,07
200 0,95 900 0,03
300 0,88 1000 0,00
400 0,81 1100 0,00
500 0,54 1200 0,00
600 0,41
180
A.2.3 RESISTÊNCIA A TRAÇÃO
a) ARMADURA PASSIVA
A partir da equação e da tabela apresentados a seguir, é determinada a
resistência da armadura passiva em temperatura de estudo:
𝑓𝑦,𝜃 = 𝑘𝑠,𝜃𝑓𝑦𝑘 (A.28)
Onde:
𝑓𝑦,𝜃 é a resistência do aço de armadura passiva à temperatura θ [MPa];
𝑘𝑠,𝜃 é o fator de redução da resistência do aço de armadura passiva na
temperatura θ, conforme tabela 41, onde:
curva cheia: 𝑘𝑠,𝜃 aplicável quando 𝜀𝑦𝑖 ≥ 2%, usualmente
armaduras tracionadas de vigas, lajes ou tirantes;
curva tracejada: 𝑘𝑠,𝜃 aplicável quando 𝜀𝑦𝑖92
Tabela 16 – Coeficiente redutor do momento em situação de incêndio para vigas e lajes (EN
1992-1-2:2004) .................................................................................................................... 93
Tabela 17 – Fator de redução da resistência do concreto à temperatura θ .......................... 95
Tabela 18 – Largura w da seção transversal dos elementos estruturais, onde bw corresponde
à largura, considerada como a menor dimensão (bw≤h) dessa seção (EN 1991-1-2:2004
apud COSTA, 2008) ............................................................................................................ 96
Tabela 19 – Altura da linha de ação da força "𝑇𝑃𝐶𝐼" para lajes de concreto moldadas in loco
(CRSI, 1980 apud COSTA, 2008) ...................................................................................... 101
Tabela 20 - Resistência ao fogo para paredes externas sem função estrutural (IBC, 2006;
adaptado) .......................................................................................................................... 113
Tabela 21 – Características das edificações isentas de verificação de resistência ao fogo
(NBR 14432:2001) ............................................................................................................. 115
Tabela 22 – Valor de pico do calor específico do concreto situado entre 100 0C e 115 0C (EN
1992-1-2:2004) .................................................................................................................. 123
Tabela 23 - Dados do ensaio ............................................................................................. 129
Tabela 24 – Resumo dos resultados encontrados no ensaio ............................................. 130
Tabela 25 - Dados do ensaio ............................................................................................. 131
Tabela 26 - Resumo dos resultados encontrados no ensaio .............................................. 132
Tabela 27 – Parâmetros de acordo com a EN 1168:2005+A3:2011 e EN 1992.1.1.2004 .. 133
Tabela 28 – Resultados da análise por métodos tabulares para o ensaio de Torić et al.
(2012) ................................................................................................................................ 133
Tabela 29 – Resultados da análise por métodos tabulares para o ensaio de Jansze et al.
(2014) ................................................................................................................................ 135
Tabela 30 - Resultados da análise por métodos simplificados para o ensaio de Torić et al.
(2012) ................................................................................................................................ 137
Tabela 31 - Resultados da análise de flexão por métodos simplificados para o ensaio de
Jansze et al. (2014) ........................................................................................................... 138
Tabela 32 - Resultados da análise de cisalhamento por métodos simplificados para o ensaio
de Jansze et al. (2014) ...................................................................................................... 139
Tabela 33 - Resultados do ensaio de aquecimento na cordoalha da laje alveolar de Jansze
et al. (2014) ....................................................................................................................... 143
Tabela 34 – Deformação específica do concreto em função da temperatura elevada (ABNT
NBR 15200:2012; EN 1992-1-2:2004) ............................................................................... 172
Tabela 35 – Valores das relações 𝑘𝑐, 𝜃 = 𝑓𝑐, 𝜃𝑓𝑐𝑘, para concretos (ABNT NBR 15200:2012;
EN 1992-1-2:2004) ............................................................................................................ 173
Tabela 36 – Coeficientes redutores para concreto de alta resistência sob altas temperaturas
(EN 1992-1-2:2004) ........................................................................................................... 174
Tabela 37 – Parâmetros de acordo com a classe do aço ................................................... 176
Tabela 38 – Relação tensão v. deformação do aço ........................................................... 177
Tabela 39 – Valores da relação 𝑘𝐸𝑠, 𝜃 = 𝐸𝑠, 𝜃𝐸𝑠 para aços de armadura passiva ............. 178
Tabela 40 – Valores da relação 𝑘𝐸𝑝, 𝜃 = 𝐸𝑝, 𝜃𝐸𝑝 para fios e cordoalhas de armadura ativa
.......................................................................................................................................... 179
Tabela 41 – Valores da relação 𝑘𝑠, 𝜃 = 𝑓𝑦, 𝜃𝑓𝑦𝑘 para aço de armadura passiva ............... 180
Tabela 42 – Valores da relação 𝑘𝑝𝑦, 𝜃 = 𝑓𝑝𝑦, 𝜃0,9 𝑓𝑝𝑦𝑘 e 𝑘𝑝𝑝, 𝜃 = 𝑓𝑝𝑝, 𝜃0,9 𝑓𝑝𝑦𝑘 para fios e
cordoalhas da armadura ativa ............................................................................................ 181
Tabela 43 - Propriedade termofísica dos gases a pressão atmosférica (INCROPERA et al.,
2007) ................................................................................................................................. 182
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas
CEB Comité Euro-International du Betón
CFD Computational Fluid Dynamics
CG Centro Geométrico
EC Eurocode (European Standard)
EDP Equações Diferenciais Parciais
ELS Estado Limite de Serviço
ELU Estado Limite Último
EN Euronormme (European Standard)
EUA Estados Unidos da América
eq. Equação
eqs. Equações
FCI Fábrica de Concreto Internacional
FEM Finite Element Method
FIB Fédération Internationale du Betón
FIP Fédération Internationale de la Précontrainte
LN Linha Neutra
ineq. Inequação
ineqs. Inequações
ISO International Organization for Standardization
IT Instrução Técnica
MEF Método dos Elementos Finitos
NB Norma Brasileira
NBR Norma Brasileira Regulamentada
PCI Portland Cement Industry
REI Resistência, Estanqueidade e Isolamento
SCI Segurança Contra Incêndio
SFPE Society of Fire Protection Engineers
TEMP Temperatura
TRF Tempo de Resistência ao Fogo
TRRF Tempo Requerido de Resistência ao Fogo
UE União Europeia
USA United States of America (Estados Unidos da América)
LISTA DE SÍMBOLOS
LETRAS LATINAS MAIÚSCULAS
𝐴 Área da seção transversal
𝐴𝑐 Área da seção transversal de concreto
𝐴𝑓 Área do piso do compartimento
𝐴𝑝𝑠 Área da seção transversal do aço de protensão
𝐴𝑠 Área transversal da armadura de aço tracionado
𝐴′𝑠 Área transversal da armadura de aço comprimido
𝐴𝑡 Área interna total das superfícies delimitadoras, incluindo aberturas
𝐴𝑣 Área de aberturas do ambiente
𝐴𝑣𝑒𝑟𝑡 Área de ventilação vertical para o ambiente externo do compartimento
𝐸𝑐 Módulo de elasticidade do concreto
𝐸𝑝 Módulo de elasticidade do aço de protensão
𝐸𝑠 Módulo de elasticidade do aço
𝐹𝑣 Fator de ventilação
𝐻 Altura do compartimento
𝐻𝑣 Altura média ponderada das aberturas
𝐼𝑦 Momento de inércia
𝐿 Espessura do material
𝑀 Momento atuante para o método do PCI
𝑀500 Momento calculado baseado na seção transversal efetiva, definida pela
isoterma de 500 oC
𝑀𝑛 Momento resistente último do elemento para o método do PCI
𝑀𝑛,𝜃 Momento resistente último do elemento em situação de incêndio para o
método do PCI
𝑀𝑒𝑛𝑠𝑎𝑖𝑜 Momento atuante no elemento durante o teste de incêndio
𝑀𝑅𝑑 Momento resistente de cálculo em temperatura ambiente
𝑀𝑅𝑑,𝑖𝑛𝑐ê𝑛𝑑𝑖𝑜 Momento resistente de cálculo em situação de incêndio
𝑀𝑅𝑘 Momento resistente característico em temperatura ambiente
𝑀𝑅𝑘,𝑖𝑛𝑐ê𝑛𝑑𝑖𝑜 Momento resistente característico emsituação de incêndio
𝑀𝑆𝑑 Momento solicitante de cálculo em temperatura ambiente
𝑀𝑆𝑑,𝑖𝑛𝑐ê𝑛𝑑𝑖𝑜 Momento solicitante de cálculo em situação de incêndio
𝑀𝑆𝑘 Momento solicitante característico em temperatura ambiente
𝑀𝑆𝑘,𝑖𝑛𝑐ê𝑛𝑑𝑖𝑜 Momento solicitante característico em situação de incêndio
𝑁𝑝𝜃 Força aplicada pela protensão
𝑃 Força normal de protensão
𝑅 Resistência ao fogo
𝑅𝑐 Força de reação no concreto comprimido
𝑅𝑑 Esforço resistente de cálculo
𝑅𝑑,𝑓𝑖 Esforço resistente residual de cálculo em situação de incêndio
𝑅𝑠 Força de reação no aço tracionado
𝑅′𝑠 Força de reação no aço comprimido
𝑆𝑑 Esforço solicitante de cálculo
𝑆𝑑,𝑓𝑖 Esforço solicitante de cálculo em situação de incêndio
𝑆𝑦 Momento estático em relação a fibra da seção transversal
𝑇 Temperatura dos gases atmosféricos
𝑇amb Temperatura ambiente dos gases atmosféricos
𝑇𝑐 Temperatura na superfície do concreto
𝑇𝑖 Temperatura na face exposta ao incêndio
𝑇𝑚á𝑥 Temperatura máxima no ambiente
𝑇𝑃𝐶𝐼 Reação de confinamento definido no método do PCI
𝑇𝑠 Temperatura na face contrária a exposta ao incêndio
U Umidade interna do concreto
𝑉 Esforço cortante atuante
𝑉𝑒𝑛𝑠𝑎𝑖𝑜 Esforço cortante atuante no elemento durante o teste de incêndio
𝑉𝑅𝑑 Esforço cortante resistente de cálculo em temperatura ambiente
𝑉𝑅𝑑,𝑖𝑛𝑐ê𝑛𝑑𝑖𝑜 Esforço cortante resistente de cálculo em situação de incêndio
𝑉𝑅𝑘 Esforço cortante resistente característico em temperatura ambiente
𝑉𝑅𝑘,𝑖𝑛𝑐ê𝑛𝑑𝑖𝑜 Esforço cortante resistente característico em situação de incêndio
𝑉𝑆𝑑 Esforço cortante solicitante de cálculo em temperatura ambiente
𝑉𝑆𝑑,𝑖𝑛𝑐ê𝑛𝑑𝑖𝑜 Esforço cortante solicitante de cálculo em situação de incêndio
𝑉𝑆𝑘 Esforço cortante solicitante característico em temperatura ambiente
𝑉𝑆𝑘,𝑖𝑛𝑐ê𝑛𝑑𝑖𝑜 Esforço cortante solicitante característico em situação de incêndio
𝑊 Fator que considera a influência da ventilação e da altura do
compartimento
𝑋 Distância de separação das edificações adjacentes
LETRAS LATINAS MINÚSCULAS
𝑎50% Camada onde a largura total efetiva da laje é igual à soma da largura
dos alvéolos, de acordo com o método do Eurocode
𝑎𝑧 Espessura fictícia para o método das zonas
𝑏 Inércia térmica
𝑏𝑐 Largura dos alvéolos
𝑏𝑤 Largura da seção transversal
c1 Distância da face do elemento estrutural ao eixo da armadura
𝑐𝑝 Calor específico à temperatura ambiente
𝑐𝑝,𝑎,𝜃 Calor específico do aço em função da temperatura 𝜃
𝑐𝑝,𝑐,𝜃 Calor específico do concreto em função da temperatura 𝜃
𝑐𝑝,𝑝𝑖𝑐𝑜 Valor de pico do calor específico em função da umidade de equilíbrio
do concreto e da temperatura 𝜃
𝑑 Distância entre o centroide do aço de protensão e a fibra comprimida
externa da seção
𝑑′ Distância entre o centroide do aço comprimido e a fibra comprimida
externa da seção
𝑑𝑡𝑒𝑟𝑚𝑜𝑝𝑎𝑟 Distância do termopar responsável pelo controle de aquecimento do
forno com relação face inferior da laje alveolar
𝑒𝑝 Distância entre a face externa da seção transversal e a armadura de
protensão
𝑓𝑐 Resistência à compressão do concreto
𝑓𝑐𝑘 Resistência característica à compressão do concreto
𝑓𝑐𝑡 Resistência à tração do concreto
𝑓𝑐,𝑓𝑖 Resistência à compressão do concreto em situação de incêndio
𝑓𝑝𝑘 Resistência característica a tração do aço de protensão
𝑓𝑝𝑠 Resistência à tração no aço de protensão em estado limite último
𝑓𝑝𝑢 Resistência a tração do aço de protensão
𝑓𝑠𝑐𝑑,𝑓𝑖 Resistência do aço comprimido em situação de incêndio
𝑓𝑠𝑑 Resistência à tração de cálculo da armadura
𝑓𝑠𝑑,𝑓𝑖 Resistência à tração de cálculo da armadura em situação de incêndio
𝑓𝑝𝑘 Resistência característica a tração da armadura ativa
𝑓𝑦𝑘 Resistência característica a tração da armadura passiva
ℎ Espessura da laje alveolar
ℎ𝑒𝑑𝑖𝑓 Altura do piso habitável mais elevado da edificação
ℎ𝑒𝑞𝑢𝑖𝑣 Espessura equivalente de laje maciça
𝑙 Comprimento da laje
𝑘𝑐,𝜃 Fator de redução da resistência do concreto à temperatura 𝜃
𝑘𝑐,𝜃,𝑖𝑛𝑠𝑖𝑡𝑢 Fator de redução de resistência à tração do concreto moldado in loco
𝑘𝑐,𝑡,𝜃 Fator de redução média de resistência à tração do concreto
𝑘𝑐,𝑚 Fator médio de redução da resistência do concreto para o método das
zonas
𝑘𝑐(𝜃𝑚) Fator de redução de resistência do elemento para o método das zonas
𝑘𝑠,𝜃 Fator de redução da resistência do aço à temperatura 𝜃
𝑘𝑝𝑠,𝜃 Fator de redução da resistência do aço de protensão à temperatura 𝜃
𝑘𝑚 Coeficiente redutor do concreto de alta resistência para o método dos
500 oC
𝑛 Quantidade total de almas na seção
𝑚 Quantidade total de alvéolos na seção
𝑞𝑓𝑖 Carga de incêndio
𝑠 Perímetro aquecido da seção transversal de concreto
𝑡 Tempo
𝑡∗ Tempo fictício
𝑡𝑑,𝑓𝑖 Tempo resistente de cálculo em situação de incêndio
𝑡𝑒 Tempo equivalente
𝑡𝑚á𝑥 Tempo em que ocorre a máxima temperatura na fase de aquecimento
𝑡𝑟𝑒𝑞,𝑓𝑖, Tempo resistente requerido de cálculo em situação de incêndio
𝑢 Deslocamento
𝑤 Altura efetiva do elemento em função da quantidade de faces
aquecidas
𝑥 Altura da Linha Neutra (LN)
𝑧 Distância entre a reação de compressão concentrada do concreto e da
reação de tração do aço
LETRAS GREGAS
𝛼𝑐 Coeficiente de transferência de calor por convecção
𝛿 Deslocamento, ou flecha, no meio do vão
𝛾 Coeficiente global de segurança para o Método de Gretener
𝛾𝑐 Coeficiente ponderador da resistência do concreto em temperatura
ambiente
𝛾𝑐,𝑓𝑖 Coeficiente ponderador da resistência do concreto em situação de
incêndio
𝛾𝑠 Coeficiente ponderador da resistência do aço em temperatura ambiente
𝛾𝑠,𝑓𝑖 Coeficiente ponderador da resistência do aço em situação de incêndio
𝛾𝑛 Fator de ponderação determinado por 𝛾𝑛 = 𝛾𝑛1 𝑥 𝛾𝑛2 𝑥 𝛾𝑛3
𝛾𝑠 Fator de ponderação determinado por 𝛾𝑠 = 𝛾𝑠1 𝑥 𝛾𝑠2
𝜀 Deformação específica
𝜀𝑐 Deformação específica do concreto
𝜀𝑓 Emissividade do fogo
𝜀𝑀 Deformação mecânica
𝜀𝑟 Emissividade resultante do elemento aquecido
𝜀𝑠 Deformação específica do aço tracionado
𝜀′𝑠 Deformação específica do aço comprimido
𝜀𝑠,𝑓𝑖 Deformação específica do aço em situação de incêndio
𝜀𝑇 Deformação térmica
𝜀𝑡𝑜𝑡 Deformação total
𝜂 Fator relacionado ao coeficiente de Rüsch
𝜃 Temperatura no elemento em estudo
𝜃𝑐𝑟,𝑑 Temperatura crítica, ou temperatura limite, que um elemento pode
alcançar
𝜃𝑑 Temperatura de cálculo no elemento a partir de uma análise térmica
𝜆 Fator relacionado ao grupo de concreto para a determinação da altura
da LN
𝜆𝑎 Condutividade térmica do aço
𝜆𝑐 Condutividade térmica do concreto
𝜌𝑎 Densidade do aço à temperatura ambiente
𝜌𝑐 Densidade do concreto à temperatura ambiente
𝜌𝑐,𝜃 Densidade do concreto em função da temperatura 𝜃
𝜎 Tensão normal
𝜎1 Tensão principal
𝜎𝑐𝑝,20𝑜𝐶 Tensão média no concreto devido à força de protensão à temperatura
ambiente
𝜎𝑆𝐵 Constante de Stefan-Boltzmann;
𝜏 Tensão de cisalhamento
𝜑 Fluxo total de calor por unidade de área
𝜑𝑟 Fluxo de calor radiante absorvido pela superfície por unidade de área
𝜑𝑐 Fluxo de calor convectivo por unidade de área
𝜑𝑐𝑜𝑛𝑑 Fluxo de calor condutivo por unidade de área
∅ Fator de redução para o método do PCI
SUMÁRIO
RESUMO ............................................................................................................................... 7
ABSTRACT ...........................................................................................................................8
LISTA DE FIGURAS .............................................................................................................. 9
LISTA DE TABELAS ............................................................................................................ 12
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ............................................................................... 14
LISTA DE SÍMBOLOS ......................................................................................................... 16
1 INTRODUÇÃO.............................................................................................................. 26
1.1 ASPECTOS GERAIS ............................................................................................. 26
1.2 OBJETIVO DA ANÁLISE ....................................................................................... 28
1.3 JUSTIFICATIVAS .................................................................................................. 29
1.4 METODOLOGIA .................................................................................................... 30
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.......................................................................................... 32
2.1 DESEMPENHO ESTRUTURAL EM TEMPERATURA AMBIENTE ........................ 33
2.1.1 RUPTURA POR FLEXÃO ............................................................................... 34
2.1.2 RUPTURA POR FALHA DE ANCORAGEM ................................................... 34
2.1.3 RUPTURA POR CISALHAMENTO NA REGIÃO COMPRIMIDA .................... 35
2.1.4 RUPTURA POR CISALHAMENTO NA REGIÃO TRACIONADA .................... 35
2.2 DESEMPENHO ESTRUTURAL SOB ALTAS TEMPERATURAS .......................... 36
2.3 DESEMPENHO DOS COMPONENTES ESTRUTURAIS ...................................... 39
2.3.1 ANCORAGEM DA ARMADURA ..................................................................... 39
2.3.2 CONTRIBUIÇÃO DA CAPA ESTRUTURAL DE CONCRETO ........................ 41
2.3.3 EFEITO DO CONFINAMENTO....................................................................... 42
2.3.4 EFEITO DO LASCAMENTO EXPLOSIVO (SPALLING) ................................. 46
2.3.5 FISSURAS DEVIDO AS TENSÕES TÉRMICAS ............................................ 48
2.3.6 PERDA DE PROTENSÃO DURANTE E PÓS INCÊNDIO .............................. 50
3 FUNDAMENTOS DA SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIOS ........................................ 53
3.1 FUNDAMENTOS: DEFINIÇÃO DE FOGO ............................................................ 53
3.2 FUNDAMENTOS: DEFINIÇÃO DE INCÊNDIO ...................................................... 54
3.3 CURVAS DE INCÊNDIO ....................................................................................... 56
3.3.1 CURVA DE INCÊNDIO NATURAL ................................................................. 56
3.3.2 CURVAS DE INCÊNDIO PADRÃO ................................................................ 57
3.3.2.1 Curva Padrão ISO 834 ............................................................................ 58
3.3.2.2 Curva padrão ASTM ................................................................................ 59
3.3.2.3 Curva padrão de hidrocarbonetos (H) – Hydrocarbon curve .................... 60
3.3.2.4 Curva padrão de incêndio externo – External fire curve ........................... 60
3.3.3 CURVA DE INCÊNDIO DE PROJETO ........................................................... 60
3.3.3.1 Modelo analítico ...................................................................................... 61
3.3.3.2 Curvas naturais avançadas ..................................................................... 65
3.4 TRANSFERÊNCIA DE ENERGIA (FLUXO DE CALOR)........................................ 69
3.4.1 RADIAÇÃO ..................................................................................................... 70
3.4.2 CONVECÇÃO ................................................................................................ 71
3.4.3 CONDUÇÃO................................................................................................... 72
3.5 CLASSICAÇÃO DE RESISTÊNCIA AO FOGO ..................................................... 73
3.5.1 TEMPO REQUERIDO DE RESISTÊNCIA AO FOGO – TRRF ....................... 73
3.5.2 TEMPO DE RESISTÊNCIA AO FOGO – TRF ................................................ 73
3.5.3 TEMPO EQUIVALENTE ................................................................................. 73
3.5.3.1 Equivalência de Ingberg, 1928 ................................................................ 75
3.5.3.2 Equivalência de Kawagoe e Sekine, 1964 ............................................... 75
3.5.3.3 Método do tempo equivalente (ABNT NBR 15200:2012) ......................... 76
3.5.4 MÉTODO DE GRETENER PARA AVALIAÇÃO DE RISCO ............................ 78
4 DIMENSIONAMENTO EM SITUAÇÃO DE INCÊNDIO ................................................. 80
4.1 ESTRUTURAS EM CONCRETO PRÉ-MOLDADO EM SITUAÇÃO DE INCÊNDIO
80
4.2 CRITÉRIOS DE DESEMPENHO ........................................................................... 81
4.3 RESISTÊNCIA ESTRUTURAL .............................................................................. 82
4.3.1 MÉTODOS DE DIMENSIONAMENTO ........................................................... 82
4.3.1.1 MÉTODO TABULAR ............................................................................... 84
4.3.1.1.1 ABNT NBR 9062:2016 (Projeto de revisão) .......................................... 84
4.3.1.1.2 Código Normativo Europeu BS EN 1168:2005+A3:2011 ...................... 86
4.3.1.1.3 Manual americano do PCI, 1998 .......................................................... 87
4.3.1.2 MÉTODO SIMPLIFICADO DE CÁLCULO ............................................... 89
4.3.1.2.1 Método dos 500 OC, 1982 ..................................................................... 90
4.3.1.2.2 Método das zonas (Método das faixas), 1981 ...................................... 94
4.3.1.2.3 Método do PCI, 1977 e ACI, 1989 ........................................................ 97
4.3.1.2.4 Método do Eurocode, 2011 ................................................................ 103
4.3.1.3 MÉTODO COMPUTACIONAL DE CÁLCULO ....................................... 108
4.3.1.4 MÉTODO EXPERIMENTAL .................................................................. 109
4.4 ESTANQUEIDADE .............................................................................................. 110
4.5 ISOLAMENTO ..................................................................................................... 112
4.6 ESTRUTURAS ISENTAS DE VERIFICAÇÕES DE SEGURANÇA CONTRA
INCÊNDIO ..................................................................................................................... 114
5 MODELAGEM COMPUTACIONAL ............................................................................. 116
5.1 SOBRE O SOFTWARE ....................................................................................... 116
5.2 VISÃO GERAL DA MODELAGEM ....................................................................... 116
5.3 ELEMENTOS FINITOS DISPONÍVEIS ................................................................ 117
5.4 ANÁLISE TÉRMICA ............................................................................................ 118
5.5 MODELAGEM ..................................................................................................... 119
5.5.1 MODELAGEM DA INTERFACE AÇO-CONCRETO ..................................... 119
5.5.2 MODELAGEM DAS PROPRIEDADES TÉRMICAS DO CONCRETO .......... 121
5.5.2.1 DENSIDADE ......................................................................................... 121
5.5.2.2 CALOR ESPECÍFICO ............................................................................ 122
5.5.2.3CONDUTIVIDADE TÉRMICA ................................................................ 124
5.5.3 MODELAGEM DAS PROPRIEDADES TÉRMICAS DO AÇO ....................... 125
5.5.3.1 DENSIDADE ......................................................................................... 125
5.5.3.2 CALOR ESPECÍFICO ............................................................................ 126
5.5.3.3 CONDUTIVIDADE TÉRMICA ................................................................ 127
6 RESULTADOS ........................................................................................................... 128
6.1 TRABALHOS ANALISADOS ............................................................................... 128
6.2 RESULTADOS PARCIAIS ................................................................................... 132
6.2.1 MÉTODO TABULAR .................................................................................... 133
6.2.2 MÉTODO SIMPLIFICADO ............................................................................ 137
6.2.3 MÉTODO COMPUTACIONAL ...................................................................... 140
6.3 ANÁLISE DOS RESULTADOS ............................................................................ 146
7 CONCLUSÃO ............................................................................................................. 150
7.1 TRABALHOS FUTUROS ..................................................................................... 155
8 BIBLIOGRAFIA ........................................................................................................... 157
ANEXO A - COMPORTAMENTO DOS MATERIAIS A ALTAS TEMPERATURAS DE
ACORDO COM A ABNT NBR 15200:2012 ........................................................................ 165
A.1 CONCRETO ........................................................................................................ 165
A.1.1 ALONGAMENTO .......................................................................................... 166
A.1.2 DIAGRAMA TENSÃO v. DEFORMAÇÃO ..................................................... 168
A.1.3 RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO ................................................................ 172
A.1.4 RESISTÊNCIA À TRAÇÃO ........................................................................... 174
A.1.5 COEFICIENTE DE POISSON E ELASTICIDADE TRANSVERSAL .............. 175
A.2 AÇO .................................................................................................................... 175
A.2.1 ALONGAMENTO .......................................................................................... 175
A.2.2 DIAGRAMA TENSÃO v. DEFORMAÇÃO ..................................................... 176
A.2.3 RESISTÊNCIA A TRAÇÃO ........................................................................... 180
ANEXO B - COMPORTAMENTO TERMOFÍSICO DOS GASES A ALTAS
TEMPERATURAS ............................................................................................................. 182
ANEXO C - DIAGRAMA DE ESFORÇOS DAS LAJES ENSAIADAS .............................. 183
26
1 INTRODUÇÃO
1.1 ASPECTOS GERAIS
A industrialização da construção civil tornou-se um tópico recorrente
quando se trata de construções de grande porte. Os principais motivadores dessa
pauta são os fatores relacionados aos avanços tecnológicos e ao controle de
qualidade do produto final.
Melo (2004 apud MIGLIORE, 2008) afirma que a industrialização
progressiva dos processos executivos da construção civil é uma tendência
irreversível no Brasil, a exemplo do que já ocorreu nos países da América do Norte e
da Europa.
A forma mais efetiva de industrializar o setor da construção civil é
transferir o trabalho realizado nos canteiros para fábricas permanentes e modernas
(ACKER, 2003). Essa mudança possibilita o desenvolvimento de processos de
produção que acarreta naturalmente em produtos de melhor qualidade técnica e
visual.
A indústria do pré-moldado assimilou esse conceito e esta vem crescendo
no decorrer dos anos, trazendo novos processos e tecnologias em seus produtos.
Um exemplo claro é a aplicação da laje alveolar protendida como um elemento
estrutural de compartimentação de ambientes.
Segundo Camillo (2012), o principal benefício em utilizar a laje alveolar
para estruturar um pavimento está no baixo custo da mão de obra utilizada em
canteiro, baixo peso próprio, alta qualidade final, a não necessidade de estruturas de
escoramento e o baixo consumo de cimento.
Empresas especializadas na sua fabricação também garantem sua
eficiência, uma vez que, com baixo quantitativo de material, é possível conseguir
elementos que possuem a capacidade de vencer grandes vãos. Uma comparação
apresentada por Fellinger (2004) mostra que as lajes alveolares podem chegar a
utilizar 50% menos de aço e 30% menos de concreto com relação às lajes maciças.
Quanto ao seu dimensionamento, é necessário prever adequadamente as
solicitações impostas, fazendo com que a resistência do elemento seja suficiente
27
para evitar sua ruína. Porém, mesmo uma estrutura com resistência admissível em
situações de temperatura normal tem seu quadro alterado em situações de incêndio.
Quando um elemento estrutural é submetido a altas temperaturas, as suas
características mecânicas sofrem alterações, podendo ocasionar danos estruturais
com possível risco de colapso.
No que diz respeito ao sistema estrutural em concreto pré-moldado, suas
principais características – espaços amplos, materiais combustíveis armazenados e
ventilação apropriada – tornam o ambiente um cenário ideal para a propagação de
um incêndio e consequente perda da capacidade de suporte da estrutura. Dessa
forma, é necessário que haja estudos aprofundados desse sistema construtivo em
situação de incêndio com base em textos técnicos normativos e acadêmicos.
De acordo com o código do consumidor, Lei n.º 8.0781, Art. 39, Seção IV
– Das Práticas Abusivas, é vedado ao fornecedor de produtos ou serviços:
[...] colocar, no mercado de consumo, qualquer produto ou serviço em
desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes ou,
se normas específicas não existirem, pela Associação Brasileira de
Normas Técnicas ou outra entidade credenciada pelo Conselho Nacional
de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (CONMETRO).
Com a publicação da nova norma ABNT NBR 15200:2012 (Projeto de
estruturas de concreto em situação de incêndio), torna-se indispensável o estudo do
comportamento dos elementos de concreto em situação de incêndio, principalmente
os destinados a edificações industriais e comerciais, nos quais usualmente é
utilizado o concreto pré-moldado.
Vale advertir sobre a referência ao emprego desse sistema construtivo na
norma citada:
Para estruturas ou elementos estruturais pré-moldados ou pré-fabricados de
concreto aplicam-se as exigências das Normas Brasileiras específicas. Na
ausência de Norma Brasileira específica, aplicam-se as recomendações
desta Norma (ABNT NBR 15200:2012, pg. 1).
Verificando a norma específica sobre esse sistema construtivo, a ABNT
NBR 9062:20162, obtém-se a seguinte referência:
A estrutura como um todo, incluindo o projeto dos seus elementos, das
ligações e as especificações de cobrimentos, deve ser projetada atendendo
aos requisitos das ABNT NBR 15200 e ABNT NBR 14432, quanto ao
projeto de estruturas de concreto em situação de incêndio, bem como da
ABNT NBR 8681 quanto às combinações de ações a serem consideradas
(ABNT NBR 9062:2016 – Projeto de revisão, pg. 13).
1 Disponível em: . Acesso em: 23 jan. 2016.
2 Código normativo em processo de revisão.
28
Examinando a norma de lajes alveolares,a ABNT NBR 14861:2011, tem-
se:
Para determinação da resistência ao fogo de sistemas estruturais de pisos
formados por lajes alveolares, podem ser adotados os métodos de
verificação prescritos em Normas Brasileiras específicas e também a
literatura consagrada na área e normalização internacional ou estrangeira
de referência (ABNT NBR 14861:2011, pg. 26).
1.2 OBJETIVO DA ANÁLISE
Esse trabalho tem o objetivo de apresentar e comparar metodologias para
avaliação estrutural de lajes alveolares protendidas pré-moldadas em situação de
incêndio. Para isso, serão abordadas as seguintes questões:
1) Com base nos modelos analíticos, é possível prever o modo de
ruptura que ocorrerá em uma laje alveolar protendida quando
submetida ao incêndio?
2) Qual a precisão dos resultados dos modelos analíticos quando
comparados com resultados encontrados em ensaios em escala real?
3) Com base no modelo numérico computacional, é possível prever o
gradiente de temperatura no interior do elemento, de modo a respaldar
os modelos analíticos?
Para responder esses questionamentos, será realizada inicialmente uma
apresentação do estado da arte da segurança contra incêndios com foco nas lajes
alveolares protendidas, visando o comportamento estrutural e as diretrizes de
projeto atualmente utilizados no meio técnico e acadêmico.
Uma análise será apresentada comparando resultados de ensaios em
escala real publicados com os resultados obtidos por meio dos modelos analíticos
aceitos atualmente para o dimensionamento, gerando assim discussões sobre as
metodologias e sobre os valores encontrados.
Complementando os modelos analíticos, será realizada uma modelagem
computacional por meio de elementos finitos, com ajuda do software ABAQUS®,
buscando-se analisar a distribuição de temperatura ao longo da seção transversal
dos elementos ensaiados nos artigos publicados.
Por fim, esta pesquisa busca como propósito trazer subsídios para as
revisões normativas futuras e para trabalhos que envolvam ensaios em escala real.
29
1.3 JUSTIFICATIVAS
Del Carlo (2008) relata, em sua contribuição no livro “A Segurança Contra
Incêndio no Brasil”, que a SCI3 é tratada como uma ciência, possuindo assim áreas
de pesquisas, desenvolvimento e ensino. Este conceito apresenta-se em países da
Europa, nos EUA, no Japão e, com menor intensidade, em outros países.
No Brasil, o desenvolvimento das pesquisas e as divulgações de
materiais ainda não acompanham o crescimento da infraestrutura no país,
ocasionando problemas, como o relatado por Del Carlo:
Algumas edificações, tais como edifícios altos, grandes depósitos, centros
de compras, instalações industriais e tantas outras necessitam de projetos
diferenciados, pois envolvem grandes riscos, sendo que no Brasil essas
construções não têm obedecido a todas as exigências, falhando em algum
ponto do projeto, da construção ou da operação, colocando em risco, em
caso de sinistro, ocupantes e bombeiros envolvidos (DEL CARLO, 2008, pg.
12).
Esses obstáculos também são mencionados por Costa (2008):
O objetivo primário da segurança contra incêndio nas edificações é proteger
a vida humana. Mas, a proteção ao patrimônio, de objetivo secundário, tem
sido requerida em algumas edificações comerciais, uma vez que os danos
estruturais resultantes do sinistro podem levar à paralisação das atividades
econômicas e afetar a imagem das empresas, onerando significativamente
seus proprietários (COSTA, 2008, pg. 57).
Dessa forma, são necessários estudos diversificados e aprofundados
sobre o tema, visando diminuir sua carência e, como consequência, trazer subsídio
para textos normativos futuros.
Mantendo esse foco, pesquisas sobre elementos estruturais pré-
moldados em situação de incêndio devem ser propostas. Neste caminho, justifica-se
a realização de análises sobre o tema lajes alveolares protendidas pré-moldadas em
situação de incêndio.
Abaixo segue uma síntese das justificativas para o estudo do tema
proposto:
limitar o risco à vida humana, tanto dos ocupantes quanto da equipe de
salvamento, pela diminuição da exposição severa à fumaça ou ao calor
e o eventual desabamento de elementos construtivos;
reduzir a perda patrimonial – destruição total ou parcial da edificação,
estoques, documentos, equipamentos ou dos acabamentos dos
edifícios da vizinhança;
3 SCI – Segurança Contra Incêndio.
30
respeitar os aspectos legais e normativos aplicados à construção civil,
tais como:
Lei n˚ 8.078, de 11 de setembro de 1990 – sobre os direitos dos
consumidores;
Lei n˚ 4.150, de 21 de novembro de 1962 – institui o regime
obrigatório de preparo e observância das normas técnicas nos
contratos de obras e compras do serviço público de execução
direta, concedida, autárquica ou de economia mista, através da
associação Brasileira de Normas Técnicas;
Decreto n˚ 56.819, de 10 de março de 2011 – institui o
regulamento de segurança contra incêndio das edificações e
áreas de risco no estado de São Paulo e estabelece outras
providências;
NBR 15200:2012 – Projeto de Estruturas de Concreto em
Situação de Incêndio;
NBR 14432:2001 – Exigências de resistência ao fogo de
elementos construtivos de edificações – Procedimento.
Esses documentos, dentre outros não citados, são exemplos da
preocupação atual referente a estruturas em situação de incêndio. Desse modo, é
de interesse profissional e acadêmico que este tema seja abordado com a ênfase
que merece.
1.4 METODOLOGIA
O dimensionamento de uma estrutura em situação de incêndio começa
pela sua análise térmica. Para isso, levam-se em conta as ações térmicas do
problema. Essas ações podem ser traduzidas como curvas de aumento de
temperatura pelo tempo na face exposta do elemento.
Essa análise inicial tem o objetivo de quantificar a transmissão de
temperatura, desde a face exposta às altas temperaturas até o interior do elemento.
Dessa forma, a resposta obtida pode ser resumida por meio de linhas denominadas
isotérmicas, que têm por definição a função de ligar os pontos de iguais
temperaturas.
31
Em seguida, são propostos métodos de cálculo para a determinação do
esforço resistente da estrutura frente à solicitação imposta. Essa análise deve levar
em conta as propriedades mecânicas dos materiais, que por sua vez, varia em
função de sua temperatura.
A metodologia adotada neste trabalho se baseou nas seguintes etapas:
1) Foram selecionados dois trabalhos publicados em revistas
especializadas, sobre ensaios em escala real em lajes alveolares em
situação de incêndio. O primeiro com foco no comportamento efetivo
do elemento frente à flexão, e o segundo no comportamento efetivo
frente ao cisalhamento.
2) Tendo como base os dados fornecidos pelos artigos – como
propriedades mecânicas do material, curva de incêndio adotada, tempo
de ensaio, temperatura na armadura e carga de ensaio aplicada –
foram realizados os dimensionamentos utilizando os modelos analíticos
recomendados por textos normativos.
3) A partir dos resultados teóricos obtidos e dos resultados dos ensaios,
foi realizada uma análise comparativa que validasse os modelos
empregados.
4) Em seguida, compararam-se os modelos analíticos para verificar qual
deles se mostrou mais preciso para determinar o modo de ruptura.
Concluída a primeira fase da pesquisa, iniciou-se a segunda, que
consistiu na modelagem computacional do problema. Esta fase foi realizada com o
objetivo de comprovar que é possível obter um perfil térmico teórico próximo ao
encontrado nos ensaios em escala real.
Abaixo a descrição das etapas da segunda fase realizadas:
5) Com a ajuda do software de elementos finitos ABAQUS®, foram
realizadas modelagens computacionais de forma a obter o perfil de
temperatura ao longo da seção do elemento. Como simplificação,foram adotadas as propriedades térmicas descritas em documentos
normativos nacional e europeu.
6) Por fim, foram apresentadas as conclusões finais do trabalho
procurando evidenciar as restrições e as condições de uso de cada
método de dimensionamento.
32
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Lajes alveolares são placas de concreto protendido utilizadas
principalmente para a compartimentação de ambientes, podendo ser tanto
horizontal, como laje de piso, ou vertical, como painéis.
Esses elementos estruturais possuem normalmente 1,25 m de largura e
espessuras que variam de acordo com o vão e com sua capacidade de suporte,
podendo apresentar valores de 16 cm a 50 cm (Figura 1).
Figura 1 – Dimensões de uma laje alveolar
Com relação aos alvéolos, cada fabricante apresenta um formato
específico. Esse formato é em função do processo de fabricação e dos maquinários
utilizados (Figura 2).
Figura 2 – Exemplos de formatos de alvéolos
O principal diferencial desse elemento é a utilização apenas de
armaduras ativas ao longo de sua extensão. Essas armaduras são responsáveis
tanto pela capacidade de suporte à flexão quanto à capacidade de suporte ao
33
cisalhamento4, motivo pelo qual apresenta grande preocupação quanto ao
desempenho sob altas temperaturas.
Questões importantes devem ser abordadas no que diz respeito à análise
desse elemento quando submetido a altas temperaturas. São elas: o comportamento
à flexão; o comportamento ao cisalhamento; a aderência da armadura protendida no
concreto; a influência do confinamento da laje por meio da capa estrutural de
concreto armado; a influência das características geométricas da seção no gradiente
de temperatura; as perdas de protensão, e o efeito do lascamento explosivo.
2.1 DESEMPENHO ESTRUTURAL EM TEMPERATURA AMBIENTE
A partir de resultados obtidos em ensaios de capacidade de carga em
temperatura ambiente, definiram-se quatro possíveis modos de ruptura em lajes
alveolares: por flexão (Figura 3), por falha de ancoragem (Figura 4), por
cisalhamento na região comprimida (Figura 5), e por cisalhamento na região
tracionada (Figura 6) (WALRAVEN E MERCX, 1983).
Figura 3 - Ruptura por flexão (WALRAVEN E
MERCX, 1983)
Figura 4 - Ruptura por falha de ancoragem
(WALRAVEN E MERCX, 1983)
Figura 5 - Ruptura por cisalhamento na região
comprimida (WALRAVEN E MERCX, 1983)
Figura 6 - Ruptura por cisalhamento na região
tracionada (WALRAVEN E MERCX, 1983)
4 Além das armaduras ativas, é comum o preenchimento dos alvéolos com concreto com a utilização de
armaduras passivas para o aumento da resistência ao cisalhamento.
34
2.1.1 RUPTURA POR FLEXÃO
Quando o elemento é submetido a carregamentos de flexão, ocorre uma
distribuição de esforços em seu interior. A parte inferior sofre trações, enquanto a
parte superior sofre compressões.
No estado limite último, o concreto situado acima da linha neutra sofre
compressões, enquanto a armadura, situada na região abaixo da linha neutra, sofre
tração.
O limite de resistência à flexão dá-se a partir da evolução de fissuras
verticais, que, por sua vez, diminui a zona de compressão, até a desestabilização
das forças internas da seção. No final, a seção alcança seu colapso pelo
escoamento excessivo da armadura ou pela compressão excessiva no concreto.
2.1.2 RUPTURA POR FALHA DE ANCORAGEM
Este tipo de ruptura está relacionada principalmente à interface de ligação
entre o aço e o concreto; dependendo da configuração do carregamento e da
localização da ruptura no elemento, pode ocorrer de forma frágil ou dúctil.
Ambas as rupturas são alcançadas quando a tensão de tração resistida
pela interface aço-concreto não é suficiente devido à área de contato entre os
materiais ser pequena, ocorrendo dessa forma o escorregamento da armadura.
A transição entre a ruptura frágil e a dúctil é determinada pela posição das
fissuras de flexão. Com base na Figura 7, é possível prever o tipo de ruptura por
escorregamento que poderá ocorrer no elemento.
Figura 7 - Transição entre ruptura frágil e dúctil entre a interface aço concreto (FELLINGER, 2004;
adaptado)
Se as fissuras de flexão ocorrem na região delimitada pela distância Lcr, a
partir do início da laje, a tensão de contato entre a cordoalha e o concreto é
insuficiente, causando assim uma ruptura frágil. A ruptura dúctil geralmente se situa
em uma região delimitada entre Lcr e Ld. Estudos mais aprofundados sobre o tema
podem ser encontrados em Fellinger (2004).
35
2.1.3 RUPTURA POR CISALHAMENTO NA REGIÃO COMPRIMIDA
Esta falha só é possível a partir do desenvolvimento das fissuras verticais
de flexão, motivo de também ser denominada como “ruptura de cisalhamento de
flexão” ou simplesmente mecanismo “flexo-cortante”.
Em elementos submetidos à flexão, fissuras verticais e inclinadas são
desenvolvidas ao longo do vão. Essas fissuras são devidas à combinação do
momento de flexão e do esforço de cisalhamento que ocorrem na seção.
Como mostrado na Figura 8, o limite das fissuras verticais está limitada a
zona de compressão, formando assim um plano de cisalhamento.
Figura 8 – Modelo proposto por Kani (1964 apud CHANG, 2007; adaptado)
Nos elementos de concreto armado, a resistência ao cisalhamento é
proporcionada pelos estribos verticais que interceptam esse plano. Como as lajes
alveolares não utilizam esse tipo de reforço, o mecanismo de resistência é a
combinação do engrenamento dos agregados e o efeito pino da armadura
longitudinal.
2.1.4 RUPTURA POR CISALHAMENTO NA REGIÃO TRACIONADA
A ruptura por cisalhamento na região tracionada, ou também chamada de
mecanismo de “tração diagonal”, ocorre devido à combinação de altas cargas de
cisalhamento e baixa carga de momento. Esse efeito normalmente é localizado
próximo aos apoios.
Com base na hipótese de Bernoulli, onde a seção transversal mantém-se
plana após a deformação, a tensão normal e a de cisalhamento são computadas
pela teoria elementar de viga, de acordo com as equações (2.1) e (2.2) (MARQUESI
et al., 2014).
𝜎𝑥 = −
𝑃(𝑥)
𝐴
𝑒 𝜏 =
𝑆𝑦(𝑧)
𝑏𝑤(𝑧) 𝐼𝑦
𝑉 (2.1) e (2.2)
Onde: 𝑃 é a força normal de protensão; 𝐴 é a área da seção transversal; 𝑥
é a posição longitudinal da seção analisada a partir do centro do apoio; 𝑆𝑦(𝑧) é o
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momento estático em relação à fibra da seção transversal, localizada na altura 𝑧;
𝑏𝑤(𝑧) é a largura da seção transversal na altura 𝑧; 𝐼𝑦 é o momento de inércia, e 𝑉 é
o esforço cortante atuante.
Analisando as tensões principais da seção e igualando a tensão principal
(𝜎1) à resistência à tração do concreto (𝑓𝑐𝑡) (eq 2.3):
𝑓𝑐𝑡 = 𝜎1 = −
𝜎𝑥
2
+ √(−
𝜎𝑥
2
)
2
+ (−𝜏)2 (2.3)
Substituindo as equações elementares de viga (2.1 e 2.2) em (2.3):
𝑉 =
𝑏𝑤(𝑧) 𝐼𝑦
𝑆𝑦(𝑧)
√𝑓𝑐𝑡
2 +
𝑃(𝑥)
𝐴
𝑓𝑐𝑡 (2.4)
Ao comparar os dois tipos de ruptura por cisalhamento, Marquesi et al.
(2014) defende: “As resistências obtidas por meio de mecanismo de tração diagonal,
podem ser significativamente superiores aos valores obtidos pelo mecanismo flexo-
cortante”.
2.2 DESEMPENHO ESTRUTURAL SOB ALTAS TEMPERATURAS
Na primeira década de 2000, foram determinados alguns casos de falhas
prematuras por cisalhamento em testes normatizados de incêndio [...].
Colocou-se a questão se este seria efetivamente um problema de natureza
estrutural deste tipo de piso, ou se, em vez disso, os motivos estariam
implícitos na falta de compreensão do comportamento das lajes alveolares
protendidas em caso de incêndio [...]. (JANSZE, 2014, p. 34)
O trecho relatado, retirado de um artigo publicado na FCI (Fábrica de
Concreto Internacional) por Jansze (2014), foi o motivador para a criação do projeto
denominado Holcofire.
Esse projeto, iniciado em 2010, teve como objetivo obter