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1 SISTEMAS ESTRUTURAIS II Profª. Esp. Renata de Oliveira Marinho 2 SISTEMAS ESTRUTURAIS II PROFª. ESP. RENATA DE OLIVEIRA MARINHO 3 © 2024, Editora Prominas. Este livro ou parte dele não podem ser reproduzidos por qualquer meio sem Autoriza- ção escrita do Editor. Ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária Melina Lacerda Vaz CRB – 6/2920. Diretor Geral: Prof. Esp. Valdir Henrique Valério Diretor Executivo: Prof. Dr. William José Ferreira Ger. do Núcleo de Educação a Distância: Profa Esp. Cristiane Lelis dos Santos Coord. Pedag. da Equipe Multidisciplinar: Profa. Me. Cristiane Lelis dos Santos Revisão Gramatical e Ortográfica: Profª. Elislaine Santos Revisão Técnica: Lívia Pimenta Revisão/Diagramação/Estruturação: Bruna Luiza Mendes Lorena Oliveira Silva Portugal Design: Bárbara Carla Amorim O. Silva Daniel Guadalupe Reis Élen Cristina Teixeira Oliveira Maria Eliza Perboyre Campos 4 SISTEMAS ESTRUTURAIS II 1° edição Ipatinga, MG Editora Prominas 2024 5 Graduada em Engenharia Ci- vil pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), bacharelada em Ciência e Tecnologia na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA). Especialista em cálculo estrutural e fundações pela Faculdade Integrada de Patos (FIP). Desenvolvi atividades junto a Empresa Júnior de Engenha- ria Civil da UFERSA, Pilares Engenha- ria Júnior, como Membro da Diretoria de Recursos Humanos e na execução de projetos. Fiz parte do programa de monitoria no ano de 2017. Atuei no GPE (Grupo de Pesquisa em Eletroquímica) com trabalhos sobre Galvanoplastia, do GEEP (Grupo de Engenharia de Es- truturas e Pavimentação) e desenvolvi pesquisa em patologias de estrutu- ras, principalmente, com estruturas de concreto armado. Participei de obras de energia eólica - obra LDB ? amplia- ção de SE coletora e RMT- atuando no acompanhamento e gestão das ativi- dades desenvolvidas para a amplia- ção do parque eólico em Lagoa do Barro ? PI. Também atuei como pro- fessora substituta no IFPB ? Campus Guarabira, lecionando no curso técni- co em edificações. , RENATA DE OLIVEIRA MARINHO Para saber mais sobre a autora desta obra e suas qua- lificações, acesse seu Curriculo Lattes pelo link : http://lattes.cnpq.br/2220076890879510 Ou aponte uma câmera para o QRCODE ao lado. 6 LEGENDA DE Ícones Trata-se dos conceitos, definições e informações importantes nas quais você precisa ficar atento. Com o intuito de facilitar o seu estudo e uma melhor compreensão do conteúdo aplicado ao longo do livro didático, você irá encontrar ícones ao lado dos textos. Eles são para chamar a sua atenção para determinado trecho do conteúdo, cada um com uma função específica, mostradas a seguir: São opções de links de vídeos, artigos, sites ou livros da biblioteca virtual, relacionados ao conteúdo apresentado no livro. Espaço para reflexão sobre questões citadas em cada unidade, associando-os a suas ações. Atividades de multipla escolha para ajudar na fixação dos conteúdos abordados no livro. Apresentação dos significados de um determinado termo ou palavras mostradas no decorrer do livro. FIQUE ATENTO BUSQUE POR MAIS VAMOS PENSAR? FIXANDO O CONTEÚDO GLOSSÁRIO 7 UNIDADE 1 UNIDADE 2 SUMÁRIO 1.1 Objetivo da análise estrutural ..................................................................................................................................................................................................................................................10 1.2 Noções preliminares das estruturas em barras ........................................................................................................................................................................................................10 1.3 Componentes e sistemas estruturais ...............................................................................................................................................................................................................................13 1.4 Condições básicas da análise estrutural .......................................................................................................................................................................................................................16 1.5 Métodos básicos da análise estrutural ............................................................................................................................................................................................................................16 1.6 Comportamento linear e superposição de efeitos .................................................................................................................................................................................................18 FIXANDO O CONTEÚDO ........................................................................................................................................................................................................................................................................20 2.1 Trabalho de forças externas e energia de deformação .....................................................................................................................................................................................24 2.2 Princípio dos Trabalhos Virtuais ..........................................................................................................................................................................................................................................25 2.3 Princípio das Forças Virtuais ..................................................................................................................................................................................................................................................26 2.4 Princípio dos Deslocamentos Virtuais ............................................................................................................................................................................................................................29 FIXANDO O CONTEÚDO ........................................................................................................................................................................................................................................................................33 CONCEITOS BÁSICOS DE ANÁLISE ESTRUTURAL PRINCÍPIO DOS TRABALHOS VIRTUAIS UNIDADE 3 3.1 Aplicação do teorema dos trabalhos virtuais aos corpos elásticos .........................................................................................................................................................37 3.2 Uso de tabelas para os cálculos dos momentos reais e virtuais ...............................................................................................................................................................38 FIXANDO O CONTEÚDO .......................................................................................................................................................................................................................................................................42 CÁLCULO DE DESLOCAMENTOS EM ESTRUTURAS UNIDADE 4 4.1 Conceitos introdutórios ..............................................................................................................................................................................................................................................................467. São três as equações fundamentais para garantir o equilíbrio global da estrutura no plano: ΣFx = 0 → o resultado da soma das forças na direção horizontal é nulo; ΣFy = 0 → o resultado da soma das forças na direção vertical é nulo; ΣMo = 0 → o resultado da soma dos momentos em relação a um ponto qualquer é nulo. Dada a hiperestaticidade da estrutura, a determinação das reações de apoio não é viável mediante as apenas três equações de equilíbrio disponíveis. O excesso de incógnitas em relação ao número de equações de equilíbrio é expresso como (SUSSEKIND, 1980): g → grau de hiperestaticidade No exemplo mencionado, tem-se g = 2. Para empregar o método das forças, escolhe-se um conjunto de redundantes estáticas Xi, cuja remoção da estrutura hiperestática a converte em isostática. Esse modelo isostático é identificado como o sistema principal e designado neste compêndio por SP (SORIANO; LIMA, 2004). Na Figura, podemos observar uma viga hiperestática e suas várias opções de Sistemas Principais. Após a seleção de um sistema principal, este método implica na formulação de equações de compatibilidade de deslocamentos nas direções das redundantes estáticas escolhidas, por meio de um procedimento de superposição de esforços (LOPEZ, Figura 11: Viga hiperestática e sistemas principais Fonte: Soriano e Lima (2004) 48 2018). Note na Figura 9 o SP respectivo a estrutura apresentada na Figura. Na Figura, nota-se a remoção de dois vínculos externos da estrutura original, onde a ausência da imposição de rotação θA no apoio à esquerda e a inexistência de deslocamento horizontal no apoio à direita. O número de vínculos a serem eliminados para converter a estrutura hiperestática original em uma estrutura isostática é igual ao grau de hiperestaticidade, g. A seleção do Sistema Principal (SP) é arbitrária; qualquer estrutura isostática escolhida é válida, desde que demonstre estabilidade estática (LOPEZ, 2018; MARTHA, 2022). Figura 12: Sistema Principal adotado para solução da estrutura Fonte: Martha (2022) A resolução do problema através do método das forças consiste em determinar os valores que X1 e X2 devem assumir para, em conjunto com a carga aplicada, restaurar os vínculos de apoio que foram removidos. Em outras palavras, busca-se os valores dos hiperestáticos que, ao lado das condições de compatibilidade violadas durante a criação do Sistema Principal (SP), θA = 0 e ΔHB = 0, restabeleçam tais condições. A determinação de X1 e X2 ocorre por meio da sobreposição de cenários fundamentais, utilizando o Sistema Principal (SP) como estrutura para as soluções fundamentais. O número de cenários fundamentais é sempre equivalente ao grau de hiperestaticidade acrescido de um (g + 1). Para o exemplo da Figura, tal dinâmica resulta nos cenários (0), (1) e (2). Caso (0) – Solicitação externa (carregamento) isolada no SP O cenário fundamental ou caso (0), apresentado na Figura 10, isola o impacto da solicitação externa (carregamento aplicado) no Sistema Principal (SP). A representação visual exibe a conformação deformada (com fator de amplificação igual a 20) do SP no cenário (0). A rotação δ10 e o deslocamento horizontal δ20, nas direções dos vínculos eliminados para a criação do SP, são designados como termos de carga. Formalmente, um termo de carga é definido como: δi0 → termo de carga: deslocamento ou rotação na direção do vínculo eliminado associado ao hiperestático Xi quando a solicitação externa atua isoladamente no SP (com hiperestáticos com valores nulos). Neste exemplo, os dois termos de carga podem ser calculados utilizando o princípio das forças virtuais (PFV). 4.3 DETERMINAÇÃO DOS TERMOS DE CARGA E COEFICIENTES DE FLEXIBILIDADE 49 Caso (1) – Hiperestático X1 isolado no SP Na Figura 11, vislumbra-se a representação deformada do SP no contexto do caso (1). Destaca-se o hiperestático X1, pois ele figura como uma incógnita na resolução do problema. Adota-se um valor unitário para X1, e o efeito resultante de X1 = 1 é multiplicado pelo valor final que X1 deve alcançar. Os efeitos na rotação δ11 e no deslocamento horizontal δ21, causados por X1 = 1, nas direções dos vínculos previamente eliminados para criar o SP, são denominados coeficientes de flexibilidade. Formalmente, define-se um coeficiente de flexibilidade como (SUSSEKIND, 1980). Δij → coeficiente de flexibilidade: deslocamento ou rotação na direção do vínculo eliminado associado ao hiperestático xi, provocado por um valor unitário do hiperestático Xj atuando isoladamente no SP. Os valores dos coeficientes de flexibilidade do caso (1), são calculados pelo PFV. Figura 13: Caso (0) Fonte: Martha (2022) Figura 14: Caso (1) Fonte: Martha (2022) Neste cenário específico, a indicação negativa da rotação δ10 denota que a rotação ocor- re no sentido oposto ao inicialmente considerado para o hiperestático X1 no caso (1) sub- sequente. Analogamente, a expressão positiva de δ20 evidencia que esse deslocamento ocorre na mesma direção inicialmente considerada para o hiperestático X2 no caso (2) a seguir. FIQUE ATENTO 50 A partir dos resultados obtidos nos cenários apresentados, emprega-se a superposição de efeitos para restaurar as condições de compatibilidade infringidas durante a criação do SP. Este procedimento é executado da seguinte maneira. • Superposição das rotações no ponto inferior esquerdo (ponto A): δ10 + δ11 X1 + δ12 X2 = 0 • Superposição dos deslocamentos horizontais no ponto inferior direito (ponto B): δ20 + δ21 X1 + δ22 X2 = 0 • Conjunto de equações de compatibilidade: A resolução deste conjunto de equações de compatibilidade fornece os seguintes valores para as reações de apoio X1 e X2: X1 = +13.39 kNm X2 = −17.29 kN 4.4 FORMULAÇÃO DO SISTEMA DE EQUAÇÕES DE COMPATIBILIDADE E OBTENÇÃO DOS HIPERESTÁTICOS Caso (2) – Hiperestático X2 isolado no SP De forma análoga ao exemplo anterior, destaca-se o hiperestático X2, considerando um valor unitário multiplicado pelo seu valor final. As consequências na rotação δ12 e no deslocamento horizontal δ22, provocados por X2 = 1, nas direções dos vínculos removidos para a formação do SP, também são considerados como coeficientes de flexibilidade. As unidades desses coeficientes, por definição, correspondem a unidades de deslocamento ou rotação divididas pela unidade do hiperestático X2. Figura 15: Caso (2) Fonte: Martha (2022) Por que os valores de δ12 e δ21 são iguais? Isso não é coincidência. Os coeficientes δ ij e δ ji, sendo i e j índices de hiperestáticos, sempre serão iguais. Isso é demonstrado pelo teore- ma de Maxwell – versão para forças generalizadas unitárias impostas. VAMOS PENSAR? 51 De acordo com Martha (2022), a conclusão da análise estrutural não se encerra com a determinação dos valores dos hiperestáticos X1 e X2. A obtenção dos diagramas de esforços internos e dos deslocamentos da estrutura também se mostra imperativa. Existem duas abordagens distintas para alcançar tal objetivo: • Desenvolver o cálculo em uma estrutura isostática (o sistema principal) enquanto o carregamento é aplicado simultaneamente aos hiperestáticos, considerando os valores corrigidos encontrados. Nessa abordagem, os hiperestáticos são tratados como forças e momentos inerentes ao carregamento. • Utilizar a superposição dos casos básicos para determinar os esforços internos (ou deslocamentos) finais. Embora a primeira opção possa aparentar simplicidade, a segunda é, de fato, a preferida na maioria das soluções. A razão para tal preferência reside no fato de que o cálculo dos termos de carga e dos coeficientes de flexibilidade, por meio do Princípio das Forças Virtuais (PFV), exige o conhecimento dos diagramas de esforços internos dos casos básicos (0), (1) e (2). Assim, uma vez que esses diagramas já estão disponíveis, os esforços internos finais da estrutura hiperestática original são determinados pela superposição dos esforços internos dos casos básicos. A título de exemplo, os momentos fletoresfinais (M) podem ser obtidos pela soma dos diagramas de momentos fletores (Mi) dos casos básicos: M=M0+M1⋅X1+M2⋅X2 4.5 REAÇÕES DE APOIO E ESFORÇOS EXTERNOS Figura 16: Valores e sentidos dos hiperestáticos Fonte: Martha (2022) O sinal de X1 é positivo, indicando a mesma direção (anti-horário) escolhida para X1 = 1 no caso (1), enquanto o sinal de X2 é negativo, representando a direção oposta (da direita para a esquerda) àquela estabelecida para X2 = 1 no caso (2). No livro de Soriano e Lima (2004), no qual retrata sobre análise de estruturas – método das forças e dos deslocamentos, possui um amplo conteúdo sobre o tema abordado e sugiro a leitura dos capítulos referentes ao mesmo, pois irá agregar muito ao conhecimento prático do método apresentado. Disponível em: https://l1nq.com/CJ4Py. Acesso em 20 fev. 2024. BUSQUE POR MAIS 52 O diagrama M0 corresponde ao caso (0), enquanto os diagramas M1 e M2 são ocasionados por valores unitários dos hiperestáticos nos casos (1) e (2), respectivamente. 53 FIXANDO O CONTEÚDO 1. (Adaptada de Objetiva Concursos – 2019) A respeito do Método das Forças, assinalar a alternativa que preenche as lacunas abaixo CORRETAMENTE: A metodologia utilizada pelo Método das Forças para analisar uma estrutura __________ é somar uma série de soluções básicas que satisfazem as condições de ___________, mas não satisfazem as condições de ___________ da estrutura original. a) hiperestática - equilíbrio - compatibilidade b) hiperestática - compatibilidade - equilíbrio c) isostática - estaticidade - equilíbrio d) hiperestática - estaticidade – compatibilidade e) hipostática - equilíbrio - compatibilidade 2. Calcule as reações de apoio da viga hiperestática apresentada na figura a seguir e assinale a alternativa que apresenta Va, Vb e Vc, respectivamente. a) Va = 5,667 kN; Vb = 45 kN; Vc = 16,800 kN b) Va = 5,667 kN; Vb = 42,133 kN; Vc = 16,200 kN c) Va = 5,447 kN; Vb = 42,133 kN; Vc = 16,800 kN d) Va = 5,667 kN; Vb = 42,133 kN; Vc = 16,845 kN e) Va = 5,447 kN; Vb = 41,133 kN; Vc = 16,200 kN 3. (ESAF – 2013) Através do Método das Forças, calcular a reação de apoio (V4) do nó 4, da treliça abaixo (existem outras reações: H1, H5 e V5). Considere os nós como rótulas perfeitas. Todas as barras têm inércia EA. A redundante escolhida foi a reação vertical do nó 4, V4. Note que os esforços normais nas barras foram fornecidos. As barras são identificadas pelos seus nós iniciais Ni e nós finais Nf. Na tabela abaixo: N0 são os esforços nas barras para os carregamentos originais e N1 são os esforços para uma força unitária para cima aplicada no nó 4 (todos os esforços sem a redundante escolhida) e L são os comprimentos das barras. 54 a) V4= 0,304 kN. b) V4= 3,71 kN. c) V4= 3,29 kN. d) V4= 5,71 kN. e) V4= 4,00 kN. 4. (Adaptada de UECE – 2008) No estudo da Análise Estrutural há o “Método das Forças” e o “Método dos Deslocamentos”. Nos itens que se seguem, existem definições de algumas propriedades de cada método. I. Metodologia: Superpor uma série de soluções estaticamente determinadas (isostáticas), que satisfazem às condições de equilíbrio da estrutura, para obter uma solução final que, também, satisfaz às condições de compatibilidade. II. Número de incógnitas: É o número de incógnitas excedentes das equações de compatibilidade, denominado grau de hipergeometria. III. Ideia básica: Determinar, dentro do conjunto de soluções em forças que satisfazem as condições de equilíbrio, qual a solução que faz com que as condições de compatibilidade também sejam satisfeitas. Temos propriedade do Método dos Deslocamentos: a) Apenas, no item I. b) Apenas, no item II. c) Apenas, nos itens I e III. d) Apenas nos itens II e III. e) Apenas, no item III. 55 5. (IFES – 2023) Conhecer a estabilidade estática de uma estrutura é importante, pois orienta o método de análise a se empregar e contribui para a compreensão do comportamento físico estrutural. A identificação do grau de indeterminação estática (𝑔𝑇) depende dos vínculos com o meio exterior e dos vínculos internos. Para a estrutura seguinte, composta por nove elementos de pórtico plano, pode-se afirmar sobre sua estabilidade estática: a) Isostática, com 𝑔𝑇 igual 1 b) Hiperestática, com 𝑔𝑇 igual a 3 c) Isostática, com 𝑔𝑇 igual a 0 d) Hipostática, com 𝑔𝑇 igual a -2 e) Hiperestática, com 𝑔𝑇 igual a 2 6. (CESPE – 2023) A figura anterior apresenta uma estrutura que, em função do número de reações de apoio ou vínculos que possui, pode ser classificada como a) Hipostática. b) Isostática. c) Treliça plana. d) Hiperestática. e) Estaticamente indeterminada. 56 7. (FCC – 2022) A viga hiperestática da figura está submetida a uma carga uniformemente distribuída de 40kN/m ao longo de seus dois tramos. A reação no apoio intermediário é a) 290 kN. b) 250 kN. c) 310 kN. d) 180 kN. e) 200 kN. 8. Assinale a alternativa correta a respeito do Método das forças. a) Somar uma série de soluções básicas que satisfazem as condições de equilíbrio, mas não satisfazem as condições de compatibilidade da estrutura original, para, na superposição, restabelecer as condições de compatibilidade b) Somar uma série de soluções básicas que satisfazem as condições de compatibilidade, mas não satisfazem as condições de equilíbrio da estrutura original, para, na superposição, restabelecer as condições de compatibilidade c) Somar uma série de soluções básicas que satisfazem as condições de compatibilidade, mas não satisfazem as condições de equilíbrio da estrutura original, para, na superposição, restabelecer as condições de equilíbrio d) Somar uma série de soluções básicas que satisfazem as condições de equilíbrio, mas não satisfazem as condições de compatibilidade da estrutura original, para, na superposição, restabelecer as condições de equilíbrio e) Nenhuma das opções 57 MÉTODO DOS DESLOCAMENTOS 58 O procedimento dos deslocamentos, dada sua extensa aplicação em programações automáticas, configura-se como o método preponderante na análise estrutural. Nesse enfoque, as incógnitas primordiais consistem nos deslocamentos nos pontos nodais criteriosamente selecionados na estrutura em estudo. Esses deslocamentos, reconhecidos como graus de liberdade, são adquiridos por meio da solução de um sistema de equações algébricas lineares de equilíbrio. A quantidade destes deslocamentos é denominada grau de indeterminação cinemática (SORIANO; LIMA, 2004; CUNHA, 2018). Ao contrário do método das forças, as incógnitas se revelam como redundâncias estáticas, sendo discernidas por meio da solução de um sistema de equações de compatibilidade de deslocamentos. Os deslocamentos, nesse método específico, são frequentemente selecionados nas extremidades das barras, demarcados de 1 a 4 no pórtico plano de 3 barras representado na Figura 14 (SORIANO; LIMA, 2004). Nessa representação visual, p e P denotam forças externas aplicadas nas barras, enquanto f, e fi expressam forças externas aplicadas diretamente nos pontos nodais, seguindo as direções positivas do referencial (global) XYZ (SUSSEKIND, 1980). Os deslocamentos dos pontos nodais não restritos são ilustrados na Figura b em relação a esse referencial. No ponto nodal 1, encontramos três deslocamentos, sendo dois lineares e um de rotação. A rotação nesse ponto é equivalente à rotação da seção extrema de cada barra conectada a esse nó. Isso ocorre porque esse ponto simboliza a conexão rígida entre os eixos geométricos das barras 1 e 2, resultando em rotações idênticas ao redor do eixo Z. Contrariamente, no ponto nodal 2, identificado como uma articulação, optou-se por considerar apenas dois deslocamentos lineares. Isso ocorre porque as extremidades das barras ligadas a este ponto possuem liberdade de giro, com rotações que não são necessariamente incógnitas primárias (MARTHA, 2022). 5.1 CONCEITOS INTRODUTÓRIOS Figura 17: Pórtico plano de três barras e quatro pontos nodais Fonte: Soriano e Lima (2004) 59 A resolução através do métododos deslocamentos pode ser interpretada como uma sobreposição de soluções cinematicamente determinadas, ou seja, de configurações deformadas conhecidas, conforme ilustrado na Figura. Podemos notar que, evidencia-se a configuração deformada de um pórtico plano resultante da superposição de configurações deformadas elementares, cada qual associada a um efeito específico que é isolado. 5.2 SISTEMA HIPERGEOMÉTRICO Com o propósito de operar com um reduzido nível de incerteza cinemática, em uma abordagem manual de cálculos, as rotações nas extremidades das barras com liberdade de giro não são consideradas como incógnitas (SUSSEKIND, 1980; SORIANO; LIMA, 2004). Para diminuir ainda mais esse grau, ao longo da maior parte deste capítulo, restringe-se a análise a estruturas em que a deformação de força normal pode ser desconsiderada. Isso implica, no caso do pórtico da Figura B, que os deslocamentos dl e da são considerados iguais, enquanto os deslocamentos d2 e d5 são nulos. Dessa forma, obtém-se o modelo ilustrado na Figura c, no qual há apenas dois deslocamentos a serem determinados. Para simplificar ainda mais o esforço computacional, opta-se por desconsiderar o efeito da deformação de força cortante, embora essa escolha não reduza o grau de incerteza cinemática (SUSSEKIND, 1980). O método dos deslocamentos aborda a resolução do problema ao considerar os conjuntos de requisitos do modelo estrutural de forma inversa em relação ao método das forças (Martha, 2022): 1º: Condições de compatibilidade; 2º: Leis constitutivas dos materiais; 3º: Condições de equilíbrio. A dualidade entre esses dois métodos torna-se evidente ao examinar a metodologia empregada pelo método dos deslocamentos para analisar uma estrutura. A abordagem analítica desse método envolve agregar uma série de soluções fundamentais (denominadas casos básicos) que satisfazem as condições de compatibilidade, porém não atendem às condições de equilíbrio da estrutura original. Isso é feito para, por meio de superposição, restabelecer as condições de equilíbrio (MARTHA, 2022). Figura 18: Configuração deformada de um pórtico plano Fonte: Martha (2022) 60 A disposição deformada elementar do cenário (0) isola o impacto da demanda externa (carregamento), sendo que essa conformidade deformada se caracteriza pelos nós (extremidades das barras) da estrutura exibindo deslocamentos e rotações nulos (CUNHA, 2018). Nesse contexto, a conformidade deformada, para o caso (0), representa o cenário de engastamento perfeito da viga (barra horizontal) diante da aplicação da demanda externa (força uniformemente distribuída). As demais conformidades deformadas apresentadas nesta representação, dos casos (1) a (7), correspondem a imposições de deslocamentos e rotações nodais isolados, ou seja, cada caso revela uma conformidade deformada elementar onde apenas uma componente de deslocamento ou rotação nodal possui um valor não nulo (CUNHA, 2018; MARTHA, 2022). A sobreposição de configurações deformadas ilustrada na Figura 15 evidencia que a configuração deformada final de uma estrutura reticulada pode ser parametrizada pelas componentes de deslocamentos e rotações dos nós da estrutura. Isso torna-se viável porque é possível determinar a conformidade deformada de uma barra a partir dos deslocamentos e rotações dos nós extremos da barra e do seu carregamento. Martha (2022) diz que a elasticidade final da barra é derivada pela sobreposição exclusiva do efeito da solicitação externa no caso (0). Com base nisso, apresenta-se a seguinte definição: • Deslocabilidades são as componentes de deslocamentos e rotações nodais que permanecem livres, ou seja, devem ser conhecidas para determinar a configuração deformada de uma estrutura. Dessa forma, as deslocabilidades constituem os parâmetros que delineiam (completamente) a configuração deformada de uma estrutura. As deslocabilidades emergem como as incógnitas intrínsecas ao método dos deslocamentos. A seguinte notação será empregada: Di → deslocabilidade de uma estrutura: componente de deslocamento ou rotação livre (não restringida por apoio) em um nó da estrutura, ao longo da direção de um dos eixos globais. A deslocabilidade Di também é denominada deslocabilidade global, diferenciando- se da deslocabilidade local de uma barra isolada. Para entender a montagem do Sistema Hipergeométrico, vamos analisar o pórtico da figura 14. Identificados os deslocamentos da estrutura em análise, considera-se como sistema principal do método dos deslocamentos o modelo com esses deslocamentos restringidos. Desse modo, excluindo a deformação de força normal e retornando ao exemplo de pórtico, adota-se como sistema principal o modelo representado na Figura 16, onde o símbolo □, no ponto nodal 1, expressa a restrição da rotação nodal d2, indicada em tracejado, e o apoio do primeiro gênero introduzido nesse mesmo ponto limita o deslocamento d1, também indicado em tracejado (SORIANO; LIMA, 2004). O comportamento do mencionado pórtico pode ser deduzido por meio da combinação linear dos estados de esforços e deslocamentos, conforme ilustrado na Figura B, mediante a imposição de condições de equilíbrio nas direções dos deslocamentos d1 e d2, como será detalhadamente abordado posteriormente. 61 Figura 19: Método dos deslocamentos – Sistema Hipergeométrico Fonte: Soriano e Lima (2004). Na figura anterior, o estado E0 representa o sistema principal sob a influência das for- ças aplicadas às barras, sendo f1 e f2 as forças reativas nas restrições introduzidas na elaboração desse sistema. O estado E1 é caracterizado pelo sistema principal quando os deslocamentos d1=1 e d2=0 são impostos. Nesse cenário, k11 é numericamente equi- valente à força necessária para impor um deslocamento unitário segundo d1 (no sentido de d1=1), enquanto k21 é numericamente equivalente à força de restrição correspondente à rotação d2, que permanece nula. O estado E2 descreve o sistema principal quando os deslocamentos d1=0 e d2=1rad são aplicados. Aqui, k22 é numericamente igual à força de momento necessária para impor uma rotação unitária segundo d2, e k12 é numerica- mente equivalente à força restritiva associada ao deslocamento d1, que é mantido nulo. Todos esses coeficientes e forças são considerados positivos quando alinhados com os sentidos positivos escolhidos para os deslocamentos d1 e d2. FIQUE ATENTO Dentro da abordagem metodológica do método dos deslocamentos, vamos analisar o exemplo apresentado na Figura 17, soluções fundamentais (casos primordiais) isolam o impacto da solicitação externa (carregamento) e os efeitos individuais de cada uma das deslocabilidades. 5.3 DETERMINAÇÃO DOS TERMOS DE CARGA, COEFICIENTES DE RIGIDEZ E DESLOCABILIDADES 62 Cada efeito isolado influencia o equilíbrio do nó interno, sendo que, na superposição dos casos fundamentais, é rigorosamente imposto o equilíbrio do referido nó. O sistema hipergeométrico (SH) destinado à estrutura do exemplo é minuciosamente delineado na Figura. Os casos fundamentais utilizam esse SH como estrutura auxiliar, por meio da qual os efeitos isolados são meticulosamente aplicados. Como foi dito por Martha (2022), a configuração deformada da estrutura fica parametrizada pelas deslocabilidades. Note que há infinitos valores possíveis para D1, D2 e D3 que atendem às condições de compatibilidade. Em outras palavras, existem inúmeras configurações deformadas que satisfazem as condições de compatibilidade em relação aos vínculos externos (apoios), garantindo a continuidade do campo de deslocamentos no interior das barras, bem como a manutenção da continuidade de ligação entre as barras (que permanecem conectadas e com o mesmo ângulo entre si no nó interno). De acordo com Martha (2022), “o método dos deslocamentos tem como estratégia procurar, dentre todas as configurações deformadas que satisfazem a compatibilidade, aquela que também faz com que o equilíbrio seja satisfeito.” No âmbito da abordagemdo método dos deslocamentos conforme exemplificado na Figura 16, as soluções fundamentais, também denominadas de casos primordiais, segregam a influência da solicitação externa, ou seja, do carregamento, bem como os efeitos inerentes a cada uma das deslocabilidades. Cada efeito singular, quando isolado, repercute no equilíbrio do nó interno. Ao se sobrepor esses casos fundamentais, é inculcada a estabilidade do referido nó (CUNHA, 2018). O sistema hipergeométrico (SH) referente à estrutura exemplificada é explicitado na Figura. Os cenários basilares utilizam esse SH como uma estrutura acessória, por meio da qual os efeitos isolados são compulsoriamente impostos. Figura 20: Estrutura a ser analisada pelo método das forças Fonte: Martha (2022) Figura 21: Sistema Hipergeométrico Fonte: Martha (2022) 63 No exemplo em análise, identificam-se quatro cenários fundamentais, rotulados como casos (0), (1), (2) e (3), conforme delineado a seguir. Caso (0) — Singularidade da Solicitação Externa (Carga) no Sistema Hipergeométrico (SH) O caso (0), ilustrado na Figura 19, isola de modo singular a influência da solicitação externa, ou seja, da carga aplicada. Nessa configuração, a carga externa é aplicada no SH com D1 = 0, D2 = 0 e D3 = 0. Sob essas condições, as forças e os momentos que surgem nos suportes fictícios do SH são designados como termos de carga β10. Um termo de carga é formalmente definido como a reação no suporte fictício associado à deslocabilidade D1, destinada a equilibrar o SH quando a solicitação externa atua de maneira isolada, ou seja, com deslocabilidades de valores nulos. Neste exemplo específico, são identificados três elementos de carga, conforme evidenciado na Figura, onde β10 representa a reação horizontal, β20 corresponde à reação vertical, e β30 denota a reação de momento nos três suportes fictícios do nó interno. Estas respostas estão associadas a uma condição de engastamento perfeito no Sistema Hipergeométrico (SH) e são calculadas de maneira precisa para equilibrar o nó interno, considerando a carga uniformemente distribuída atuante na barra horizontal. As reações de engastamento para barras isoladas são previamente conhecidas, sendo assim consideradas soluções fundamentais para uma análise pelo método dos deslocamentos (CUNHA, 2018). Caso (1) — Deslocabilidade D1 isolada no Sistema Hipergeométrico (SH) O cenário (1), apresentado na Figura 20, isola o impacto da deslocabilidade D1, ao manter nulos os valores das deslocabilidades D2 e D3. A deslocabilidade D1 é destacada. Assume-se um valor unitário para D1, sendo o efeito de D1 = 1 multiplicado pelo valor final que D1 deverá alcançar. Para impor a configuração deformada na qual D1 = 1, enquanto as demais deslocabilidades permanecem nulas, torna-se imperativo aplicar um conjunto específico de forças e momentos nodais que preserve o equilíbrio do SH nessa configuração, como explicitado na Figura. Figura 22: Caso (0) – carregamento Fonte: Martha (2022) Figura 23: Caso (1) – deslocabilidade D1 Fonte: Martha (2022) 64 As forças e momentos que surgem nos apoios fictícios do Sistema Hipergeométrico (SH) para equilibrá-lo quando uma configuração com D1 = 1 é imposta são denominados coeficientes de rigidez globais Kij (SORIANO; LIMA, 2004; MCCORMAC, 2009). Formalmente, o coeficiente de rigidez global é definido como: Kij → coeficiente de rigidez global: força ou momento que deve atuar na direção de Di para manter a estrutura (na verdade, o SH) em equilíbrio quando uma configuração deformada é imposta onde Dj = 1, e as demais deslocabilidades são nulas. No caso (1), os coeficientes de rigidez globais são a força horizontal K11, a força vertical K21, e o momento K31. Por definição, as unidades dos coeficientes de rigidez correspondem às unidades de força ou momento divididas pela unidade da deslocabilidade em questão. O caso (2) e o caso (3), segue da mesma forma apresentada para o caso 1 e seus resultados estão apresentados na Figura. Figura 24: Caso (2) e Caso (3) – deslocabilidade D2 e D3 Fonte: Martha (2022) Na Figura podemos observar a deslocabilidade 3, já que ela é uma deslocabilidade do tipo de rotação, como ficaria sua unidade? Observe que as unidades desses coeficientes são unidades de força ou momento divididas por radiano, pois a deslocabilidade D3 é uma rotação. VAMOS PENSAR? Mc Cormac (2009) e Soriano e Lima (2004), retratam que o restabelecimento do equilíbrio na estrutura original ocorre quando os efeitos dos apoios fictícios do Sistema Hipergeométrico (SH) são anulados. Através dos resultados adquiridos nos casos previamente apresentados, é possível empregar a técnica de superposição para restituir as condições de equilíbrio no nó interno. As resultantes de forças e momentos externos neste nó devem ser nulas, conforme segue. • Soma das forças externas horizontais atuando no nó interno: 0 = β11D1+β12D2+β13D3 5.4 RESTABELECIMENTO DAS CONDIÇÕES DE EQUILÍBRIO 65 • Soma das forças externas verticais atuando no nó interno: 0 = β21D1+β22D2+β23D3 • Soma dos momentos externos atuando no nó interno: 0 = β31D1+β32D2+β33D3 Esses resultados podem ser generalizados, originando uma equação de equilíbrio na direção da deslocabilidade Di para uma estrutura com n deslocabilidades apresentada a seguira. Uma vez que os valores das deslocabilidades são determinados, é possível obter os diagramas finais de esforços para a estrutura em análise através da superposição dos diagramas de cada um dos casos fundamentais, conforme delineado na continuidade deste capítulo. A título exemplificativo, os momentos fletores finais (M) podem ser derivados pela sobreposição dos diagramas de momentos fletores (Mi) correspondentes aos casos básicos: Aqui, o diagrama M0 refere-se ao caso (0), enquanto os diagramas M1, M2 e M3 resultam de deslocabilidades unitárias nos casos (1), (2) e (3), respectivamente. Esse desfecho pode ser generalizado para todos os esforços internos finais - esforços normais (N), esforços cortantes (Q) e momentos fletores (M) - de uma estrutura com n deslocabilidades: Onde: N0 representa o diagrama de esforços normais no caso (0); • Nj é o diagrama de esforços normais no caso (j); • Q0 é o diagrama de esforços cortantes no caso (0); • Qj é o diagrama de esforços cortantes no caso (j); • M0 é o diagrama de momentos fletores no caso (0); • Mj é o diagrama de momentos fletores no caso (j). 5.5 OBTENÇÃO DAS REAÇÕES E ESFORÇOS INTERNOS 66 Em resumo, Soriano e Lima (2004), aborda que o método dos deslocamentos é delineado da seguinte maneira: I. Seleção de um sistema principal no qual os deslocamentos, considerados como graus de liberdade da estrutura, encontram-se restringidos. Esses deslocamentos representam as incógnitas primárias a serem determinadas. II. Computação dos esforços de engastamento perfeito e combinação destes esforços, com sinais opostos, às forças aplicadas diretamente ao longo dos mencionados deslocamentos, visando a obtenção das forças nodais combinadas. III. Determinação dos coeficientes de rigidez das barras e, a partir destes, inferência dos coeficientes de rigidez globais da estrutura. IV. Formulação e resolução do sistema de equações de equilíbrio para a determinação dos deslocamentos mencionados. V. Aquisição dos esforços finais. Este método, intrincado em sua execução, revela-se fundamental na análise estrutural, requerendo a aplicação meticulosa de princípios matemáticos e conceitos específicos da engenharia. O resultado desvela os deslocamentos significativos da estrutura, fornecendo insights valiosos sobre o comportamento dela sob diversas condições. Aprofunde seu conhecimento e treine realizando exercícios propostos que po- dem ser encontrados no livro de Martha (2022), disposto na biblioteca no link: https://encurtador.com.br/hGR13. Acesso em 24 fev. 2024. Vá além e busque outras bibliografias, além disso, segue uma lista de reprodu- ção sobre a aplicação prática do método dos deslocamentospara auxiliar no ensino-aprendizagem. Link: https://encurtador.com.br/bchw5. Acesso em 24 fev. 2024. BUSQUE POR MAIS 67 FIXANDO O CONTEÚDO 1. (Adaptada de CESPE – 2008). O método dos deslocamentos, ou método da rigidez, é um dos principais métodos da mecânica estrutural. A respeito desse método, assinale a opção correta. a) Ele é aplicável apenas a estruturas hiperestáticas. b) O sistema de equações finais desse método é um sistema de equações de equilíbrio. c) A matriz dos coeficientes do sistema de equações finais é chamada de matriz de flexibilidade. d) As incógnitas principais do método são forças. e) Nenhuma das opções. 2. (ESAF – 2013). Através do Método dos Deslocamentos, foram calculadas as reações de apoio verticais da viga contínua de seção transversal com rigidez constante, sendo carregada por uma força uniformemente distribuída, vista na figura abaixo. As reações verticais em A e D são iguais e valem 15,13 kN. As reações verticais em B e C são iguais e valem 48,87 kN. Analise os itens que se seguem e assinale a opção incorreta a) O momento fletor máximo positivo (tração nas fibras inferiores) no trecho AB ocorre a 1,89 m de A. b) O momento fletor máximo negativo (tração nas fibras superiores) ocorre em B e C é igual a 24,4 kN.m. c) O momento fletor máximo positivo (tração nas fibras inferiores) no trecho BC é igual a 11,6 kN.m. d) O esforço cortante máximo ocorre nos apoios centrais e é igual à 24,9 kN. e) O momento fletor máximo positivo (tração nas fibras inferiores) no trecho AB é igual a 13,3 kN.m. 3. (Adaptada de CESPE – 2006). 68 A figura acima representa um pórtico plano, submetido a uma carga horizontal de 1 kN, aplicada em B. São indicadas, ainda, as reações de apoio correspondentes à carga aplicada. Considerando essa figura e sabendo que AB = 4,0 m, BC = 6,0 m e CD = 3,0 m, julgue os itens a seguir e assinale corretamente. a) O método dos deslocamentos poderia ser corretamente utilizado para obter os diagramas de esforços nas barras do pórtico. b) O método dos deslocamentos só pode ser utilizado para estruturas do tipo pórtico simples. c) O método dos deslocamentos só pode ser utilizado para estruturas do tipo pórtico simples e composto. d) O método dos deslocamentos só pode ser utilizado em estruturas do tipo viga. e) O método dos deslocamentos só pode ser utilizado em estruturas isostáticas. 4. (FGV – 2018). Assinale a opção que apresenta o diagrama de momentos fletores (DMF) correspondente à viga contínua hiperestática representada a seguir. a) b) c) d) e) 5. (CETREDE – 2022). Analise a estrutura apresentada a seguir 69 É CORRETO afirmar que esta é uma estrutura a) Hiperestática, pois possui 9 vínculos. b) Hiperestática, pois possui 6 vínculos. c) Isostática, pois possui 3 vínculos. d) Hiperestática, pois possui 5 vínculos. e) Isostática, pois possui 6 vínculos. 6. (QUADRIX – 2022). Para a viga da seguinte figura, que é uma estrutura hiperestática, são conhecidos os valores das reações nos apoios A e B. Com base nessas informações, a partir da determinação das demais reações de apoio, é correto afirmar que o momento máximo é da ordem de a) 48 kNm. b) 64 kNm. c) 79 kNm. d) 90 kNm. e) Nenhuma das opções. 7. (FGV – 2022) A figura a seguir ilustra um pórtico plano com três nós engastados e uma rótula. 70 O grau hiperestático total desse pórtico é a) 3. b) 4. c) 5. d) 6. e) 7. 8. (VUNESP – 2019) A viga hiperestática da figura, com vão de 8 m, está submetida a uma carga uniformemente distribuída de 2 kN/m em todo o vão. O esforço cortante máximo no apoio A, em kN, é a) 6. b) 8. c) 9. d) 10. e) 16. 71 PROCESSO DE CROSS E EFEITOS DE CARGAS MÓVEIS EM ESTRUTURAS 72 6.1 DEFINIÇÃO DO FUNCIONAMENTO DA METODOLOGIA DE CROSS O procedimento de Cross, ou método da distribuição de momentos representa uma abordagem relativamente simples para determinar os momentos fletores em vigas contínuas, pórticos planos, grelhas e mesmo em pórticos espaciais (EDMUNGO; GUIMARÃES; ROJAS, 2018). Essa técnica se fundamenta no método dos deslocamentos e é aplicável somente a estruturas que não possuem deslocamentos externos (do tipo translação), ou seja, é exclusiva para estruturas com barras inextensíveis e que apresentam apenas deslocamentos do tipo rotação. Apesar dessa restrição, o método desenvolvido por Hardy Cross na década de 1930 (“Análise de Estruturas Contínuas pela Distribuição de Momentos nos Extremos Fixos”, Transações, ASCE, Paper n. 1793, vol. 96, 1936) ainda é empregado para a análise de estruturas. De acordo com Edmungo, Guimarães e Rojas (2018), considera-se, então, que os pontos de conexão da estrutura estão, de alguma maneira, imobilizados ou fixos e incapazes de sofrer qualquer forma de rotação. Após a aplicação das cargas sobre a estrutura, os pontos de conexão são gradualmente liberados, permitindo que cada um deles sofra rotações sequenciais. Uma vez liberado um ponto, ele é novamente imobilizado antes de passar para o próximo. Esse procedimento é repetido até que as liberações não resultem mais em rotações, alcançando assim o equilíbrio estático da estrutura (vide Figura). Ainda de acordo os mesmos autores, o método de Cross é essencialmente dependente da resolução de 3 desafios: a determinação dos momentos de engastamento perfeito, a avaliação da rigidez de cada viga e a identificação do fator de distribuição em cada componente da estrutura. O momento de engastamento perfeito é estabelecido com base nas condições de contorno da estrutura. Figura 25: Bloqueio de nós para equilibrar as rotações Fonte: Edmungo, Guimarães e Rojas (2018) 6.2 INTERPRETAÇÃO FÍSICA DO PROCESSO DE CROSS Os fundamentos do método são baseados em dois pontos essenciais (MARTHA, 2022): • A alocação de um momento aplicado em um nó de um pórtico em parcelas de momentos fletores balanceadores nas barras adjacentes; • A resolução iterativa do sistema de equações de equilíbrio do método dos deslocamentos para uma estrutura que possui apenas rotações como deslocabilidades. 73 Alguns aspectos importantes deste experimento merecem destaque (EDMUNGO; GUIMARÃES; ROJAS, 2018; MARTHA, 2022; SUSSEKIND, 1980): • Em cada iteração do processo, apenas um nó tem sua rotação liberada, enquanto os demais permanecem fixos. • Quando um nó tem sua rotação liberada, as barras adjacentes sofrem deformações, o que resulta na redistribuição dos momentos fletores e afeta o equilíbrio dos nós vizinhos. • Após cada iteração, a rotação do nó liberado é fixada com o valor acumulado dos incrementos de rotação das iterações anteriores. • O equilíbrio de um nó com rotação fixa é artificialmente alcançado por meio da aplicação de um momento externo. Quando os momentos fletores nas seções transversais adjacentes a um nó estão em equilíbrio, não é necessário fixar o nó, pois a liberação da fixação não exerce momento externo sobre o nó. Com base no experimento, destacam-se dois pontos chave do método Cross. O primeiro é a distribuição de momentos fletores nas barras adjacentes a um nó com rotação liberada. Na próxima seção, será analisada essa redistribuição. O segundo ponto chave é o processo iterativo e incremental de determinação das rotações nodais. Após a análise desses dois pontos chave, o método Cross será formalizado. Figura 26: Representação esquemática da interpretação física do método de cross Fonte: Martha (2022) 6.3 DESCRIÇÃO DA DISTRIBUIÇÃO DOS MOMENTOS FLETORES EM UM NÓ Com a imobilização do nó, impedindo sua rotação, é possível analisar a distribuição dos momentos nas proximidades desse ponto e sua relação com o coeficiente de rigidez das barras (EDMUNGO; GUIMARÃES; ROJAS, 2018). Podemos observar isto na Figura. Verifica-se, portanto, que a aplicação do momento no nó afeta todas as barras adjacentes a esse ponto, transferindo sua magnitude de forma proporcional à rigidez Quando os momentos fletores adjacentes ao nó estão em equilíbrio não é necessário travar o nó. Nesses casos, não hámomentos externos exercidos pela trava. FIQUE ATENTO 74 das barras. Neste contexto, uma vez que os valores de rigidez permanecem constantes entre as barras, o momento exerce influência de maneira uniforme em todas elas. Isso ocorre se dá por A determinação dos momentos de flexão finais nas barras é estabelecida por meio de uma superposição de efeitos entre o sistema principal (sem o bloqueio do nó) e o sistema secundário (onde o nó é bloqueado), isto é, o momento de flexão no nó é determinado pela soma das contribuições de equilíbrio ao longo do processo iterativo, acrescido do necessário para o equilíbrio inicial do nó (SUSSEKIND, 1981). Para melhor entender, vamos acompanhar um exemplo resolvido a seguir. Determine os momentos fletores nos nós A e B, levando em consideração que EJ=2J Cross. 1º Passo: determinação dos momentos de engastamento perfeito conforme a figura anterior. Deve-se dividir a estrutura em trechos conforme as figuras abaixo. Figura 27: Deformação da Estrutura devido a rotação do nó Fonte: Edmungo, Guimarães e Rojas (2018). 75 2º Passo: determinação do coeficiente de rigidez conforme a figura, segundo a tabela de Sussekind. Para uma barra biengastada, deve-se fazer J/L = 2/6 = 0,333. Para uma barra apoiada-engastada, deve fazer 3/4 × J/L = 3/4 × 2/2 = 0,75. Para uma barra biengastada, deve-se fazer J/L = 2/4 = 0,5. 3º Passo: determinação do fator de distribuição. Levando-se em consideração que o somatório dos coeficientes de rigidez em cada nó é igual a 1,58, proporcionalmente tem-se então: Sabe-se que o desequilíbrio nos nós é a soma dos momentos de engastamento perfeito nos nós, ou seja, -10 +60 = 50, então multiplica-se o desequilíbrio pelos coeficientes de rigidez de cada parte no nó e tem-se, no nó A: 50 × 0,48 = 24 50 × 0,32 = 16 50 × 0,20 = 10 No nó B, repete-se o mesmo processo. Fazendo-se uma iteração de 0,5, o desiquilíbrio foi para 55. Dessa forma, multiplica-se de novo todos os coeficientes de rigidez. Tem-se então a seguinte distribuição: M = -10 kNm M = 60 kNm M = -60 kNm M = 10 kNm 76 55 × 0,48 = 26,4 55 × 0,32 = 17,6 55 × 0,20 = 11 Faz-se outra iteração de 0,5. 5,5 × 0,48 = 2,64 5,5 × 0,32 = 1,76 5,5 × 0,20 = -1,1 Faz-se outra iteração de 0,5. 0,55 × 0,48 = 0,264 0,55 × 0,32 = 0,176 0,55 × 0,20 = 0,11 Utilizando esses coeficientes para distribuir proporcionalmente os desequilíbrios dos nós, podemos chegar aos seguintes valores: Onde pode-se observar que, com os valores encontrados no método iterativo somados aos momentos de engastamento perfeito, tem-se aproximadamente os momentos fletores da estrutura. Assim, somam-se aos valores de engastamento perfeito os valores obtidos pelo desequilíbrio dos nós, então: -10-26,4 = -36,4 60-5,55 = 54,1 6.4 DEFINIÇÃO DE CARGAS MÓVEIS – TRENS-TIPO As cargas que incidem sobre uma estrutura podem ser divididas em dois amplos grupos: as cargas permanentes e as cargas acidentais. As cargas permanentes referem-se àquelas que exercem uma pressão constante sobre a estrutura ao longo do tempo, resultantes do peso próprio da estrutura e dos revestimentos e materiais de enchimento que ela suporta (SUSSEKIND, 1981). 77 O estudo dos esforços causados por essas cargas não apresenta grandes dificuldades, uma vez que são cargas cuja posição e magnitude são conhecidas e imutáveis, e já foram abordadas nos capítulos anteriores. Por sua vez, as cargas acidentais, como sugere o nome, são aquelas que podem ou não ocorrer na estrutura e são ocasionadas por diversos fenômenos, tais como ventos, pressões do solo ou da água, impactos laterais, forças centrífugas, frenagens ou acelerações de veículos, sobrecargas em edifícios, peso de materiais que serão adicionados à estrutura (como reservatórios de água, silos, etc.), efeitos de terremotos (de extrema relevância para projetos em regiões sísmicas), peso da neve acumulada em regiões frias e, por fim, as chamadas cargas móveis, originadas pelo tráfego de veículos sobre a estrutura (como pontes rodoviárias ou ferroviárias, viadutos e pontes rolantes industriais) (SUSSEKIND, 1981). Para efeitos de análise estática, as cargas acidentais, à exceção das cargas móveis, são aquelas que possuem posição e magnitude conhecidas na estrutura, podendo ou não agir ao longo do tempo. Seus esforços são calculados da mesma forma que os gerados pelas cargas permanentes; trata-se, portanto, de um problema já solucionado. Para as cargas móveis, a situação é diferente, pois, quando ocorrem (embora tenham valores conhecidos), suas posições na estrutura variam à medida que os veículos por elas representados a atravessam. Se tentássemos analisá-las usando o método até então empregado, teríamos que calcular os esforços para cada uma das infinitas posições que podem ocupar enquanto percorrem a estrutura (EDMUNGO; GUIMARÃES; ROJAS, 2018). Para entender o deslocamento da carga em um pavimento, é vantajoso empregar o conceito das linhas de influência para simplificar os cálculos. Tentar calcular o efeito da carga em todos os pontos da estrutura seria uma tarefa extremamente complexa e laboriosa. Na Figura podemos observar as cargas exercidas em um pavimento. Ao definirmos o conceito de carga móvel, deparamo-nos com a complexidade inerente à sua aplicação em diferentes cenários práticos. Imagine-se encarregado do projeto de um viaduto. Que tipos de veículos (cargas móveis) devemos considerar? E em que ordem? Figura 28: Tensões e deformações exercidos por cargas móveis em pavimentos Fonte: Edmungo, Guimarães e Rojas (2018) apud Franco (2011). 78 Percebendo, portanto, que há uma infinidade de combinações de veículos possíveis, qual delas é a mais adequada, isto é, qual representaria de forma fiel as diversas situações reais de cargas móveis que o viaduto poderá enfrentar ao longo de sua vida útil? A essa questão, pesquisadores de diferentes países responderam criando veículos ideais, co- nhecidos como trens-tipo (inspirados nas pontes ferroviárias), definidos pelas normas de projeto de cada nação e variando de acordo com a natureza e o uso previsto da estrutura. Os trens-tipo têm uma característica comum: são compostos por cargas (concentradas e/ou uniformemente distribuídas), com valores conhecidos e mantendo uma distância constante entre si. Dessa forma, ao conhecermos a posição de uma das cargas do trem- -tipo, conhecemos imediatamente a posição de todas as outras. VAMOS PENSAR? Sussekind (1981), apresenta um exemplo ilustrativo de trem-tipo é disposto na Figura (observe-se que q1, q2, P1, P2, ... , Ps, a, ... , f, são variáveis conhecidas e de valor constante). Os padrões de trens-tipos mais comuns referem-se às estruturas de pontes rodoviárias e ferroviárias. No contexto das obras realizadas no Brasil, esses padrões são estabelecidos pelas normas NB-6 e NB-7 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), sendo exemplificados esquematicamente pelas Figuras para pontes rodoviárias e ferroviárias, respectivamente (SUSSEKIND, 1981). A questão que precisamos abordar é como determinar os esforços máximos e mínimos induzidos nas estruturas pelas cargas móveis. Ao obter esses valores e compreender os esforços resultantes das cargas permanentes (sejam elas realmente permanentes ou acidentais não móveis), teremos uma compreensão dos limites extremos dentro dos quais os esforços variarão em cada seção da estrutura, Figura 29: Representação de trens-tipos Fonte: Sussekind (1981) Figura 30: Trens-tipos para pontes rodoviárias Fonte: Sussekind (1981) Figura 31: Trens-tipos para pontes ferroviárias Fonte: Sussekind (1981) 79 Figura 32: Sistema estático equivalente Fonte: Edmungo, Guimarães e Rojas (2018) estabelecendo assim sua faixa de trabalho. 6.5 LINHAS DE INFLUÊNCIA Sussekind (1981), define a linha de influência como um efeito elástico E em uma determinada seção S é a representação gráfica ou analítica do valor desse efeito, naquelaseção S, causado por uma carga concentrada unitária, aplicada de cima para baixo, que percorre a estrutura. Em todos os cenários em que as cargas móveis entram em ação, é imprescindível determinar cada uma das suas posições para avaliar os esforços, reações e deslocamentos resultantes. Essa análise é fundamental para identificar a posição mais crítica da carga móvel. Em estruturas caracterizadas por um comportamento elástico linear, como é o caso do aço, quando sujeitas a pequenos deslocamentos, é empregado o teorema da sobreposição de efeitos na análise. Essa abordagem se revela essencial, uma vez que compreender o comportamento das estruturas diante das cargas móveis permite identificar sua resposta às forças em ação (EDMUNGO; GUIMARÃES; ROJAS, 2018). Ao conceber um projeto para um elemento estrutural ou mecânico, é imperativo compreender a carga que atua sobre ele, garantindo assim sua capacidade de resistência. Considera-se, então, o equilíbrio do corpo e os esforços que incidem sobre ele os esforços Normal (N), Cortante (Q) e Momento fletor (M). A componente normal (N), também referida como força axial, representa a soma algébrica das projeções das forças atuantes em um dos lados na direção do eixo (perpendicular à seção) da estrutura. Essa força é responsável pela tração ou compressão do elemento, seguindo a convenção de sinais: N é positivo se causa tração e negativo se causa compressão. O momento fletor (M), representa a soma algébrica das projeções das forças atuantes de um dos lados da seção na direção perpendicular ao eixo da estrutura. Ele é responsável pela tendência de "flexão" da viga, sendo adotada a convenção de sinais: M é positivo se causa flexão no sentido horário e negativo se causa flexão no sentido anti-horário. O momento, denominado momento flexor, constitui a soma algébrica dos momentos das forças em ação de um dos lados da secção em relação ao seu centro de gravidade. Ele é responsável pela curvatura da viga, seguindo a convenção de sinais: M é positivo se induz curvatura para cima e negativo se induz curvatura para baixo. A definição das curvas de influência em qualquer estrutura está sujeita a 80 determinadas condições. Essas incluem: a exigência de equilíbrio do sistema estrutural, que implica o cálculo das reações de apoio; e a necessidade de conhecer todos os esforços aplicados (ativos e passivos), a fim de determinar o ponto ou a seção onde se pretende calcular os esforços solicitantes, que constituem as incógnitas (MARTHA, 2022). Assista ao vídeo disposto no link a seguir, para melhor entender a aplicação das cargas móveis junto as linhas de influência. Nele você aprenderá a resolver um elemento estrutural submetido a cargas móveis e entender o seu funcionamento. Disponivel em: https://abre.ai/jMhe. Acesso em: 20 set. 2023. BUSQUE POR MAIS 81 1. (VUNESP – 2019) Traçando a linha de influência para a viga simplesmente apoiada com balanço à direita, submetida ao carregamento representado pela multidão e o trem tipo indicados na figura, e calculando o valor do máximo momento fletor no meio do vão entre A e B, obtém-se a) 360 kNm b) 420 kNm. c) 480 kNm. d) 520 kNm. e) 600 kNm. 2. (VUNESP – 2016). Para responder à questão, considere a figura em que a viga esquematizada é simplesmente apoiada em A e B. Esboce a linha de influência do momento fletor em B para a viga, com o trem tipo indicado. O máximo valor absoluto do momento fletor em B é a) 750 kN·m. b) 720 kN·m. FIXANDO O CONTEÚDO 82 c) 640 kN·m. d) 575 kN·m. e) 525 kN·m. 3. (IFTO – 2023) Obtidas por interpolação de valores máximos e mínimos, respectivamente, de esforços calculados em determinado número de seções transversais ao longo da estrutura. Descrevem para um conjunto de cargas móveis ou acidentais, os valores máximos e mínimos desse esforço em cada uma das seções da estrutura, de forma análoga a que descreve o diagrama de esforços para um carregamento fixo. As informações acima referem-se a uma característica de uma ponte, indique a alterativa correta a seguir: a) Cargas móveis. b) Envoltórios de esforços. c) Estrutura de concreto protendido. d) Cargas distribuídas. e) Linhas de influência. 4. (CESGRANRIO – 2011) A linha de influência do momento fletor na seção S é a esquematizada em a) 83 b) c) d) e) 5. (IFSULDEMINAS – 2013) Sobre linhas de influência em sistemas hiperestáticos o que é verdadeiro? I. As linhas de influência dos efeitos (esforços ou deslocamentos) causados por uma ação de qualquer tipo (carga ou deformação) numa estrutura podem ser obtidas de uma forma direta. Repete-se a análise supondo que uma ação unitária que percorre a estrutura ocupa várias posições. Como cada condição de carregamento permite apenas obter uma ordenada da linha de influência, este método direto só é conveniente quando se pretendem estudar várias secções e se utiliza um computador. II. Para desenhar uma linha de influência particular impõe-se um deslocamento unitário na direção da força positiva. A deformada daí resultante tem de ser consistente com as restrições impostas na estrutura. Para a viga contínua representada na figura abaixo, a linha de influência da reação R1 que corresponde a uma carga unitária que se desloca entre 2 e 3 pode ser determinada substituindo o apoio por uma carga unitária 84 a) I e II estão corretas b) I e II estão incorretas c) I está correta e a II incorreta d) I está incorreta e a II correta e) nenhuma das alternativas 6. (Adaptada de CESPE – 2007) Sob o ponto de vista da engenharia, pontes são estruturas complexas que têm como função primordial transpor vãos. Por sua responsabilidade na integração com outras obras de infraestrutura, a concepção, o projeto e a execução dessas construções devem atender a padrões técnicos rigorosos. Com relação a esse tema e considerando a figura acima, julgue os itens seguintes. As cargas móveis em pontes são responsáveis pela força longitudinal aplicada à superestrutura. A respeito da afirmação em destaque assinale a alternativa correta. a) a afirmação está incorreta b) a afirmação está parcialmente correta c) a afirmação não retrata sobre o contexto d) a afirmação está correta e) a afirmação não corresponde a imagem apresentada 7. (CESGRANRIO – 2011). A NBR 7188/1984 (Carga Móvel em Ponte Rodoviária e Passarela de Pedestre) divide as pontes, quanto às cargas móveis, em três classes. A classe 45 é aquela na qual a base do sistema é um veículo-tipo, de peso total igual a a) 45 kN b) 45 MN c) 450 N d) 450 kN 85 e) 450 MN 8. (FCC – 2017) Considere a viga de uma ponte sobre a qual deve passar a carga móvel, como ilustrado na figura abaixo. A carga móvel é formada por três forças concentradas P = 140 kN e pela carga uniformemente distribuída q = 20 kN/m. Ao se utilizar linhas de influência, verifica-se que o momento fletor na seção C é, em kNm, a) 2.455. b) 2.190. c) 2.480. d) 2.524. e) 2.536. 86 RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO UNIDADE 1 UNIDADE 3 UNIDADE 5 UNIDADE 2 UNIDADE 4 UNIDADE 6 QUESTÃO 1 C QUESTÃO 2 C QUESTÃO 3 B QUESTÃO 4 B QUESTÃO 5 A QUESTÃO 6 C QUESTÃO 7 D QUESTÃO 8 E QUESTÃO 1 E QUESTÃO 2 B QUESTÃO 3 E QUESTÃO 4 D QUESTÃO 5 A QUESTÃO 6 D QUESTÃO 7 C QUESTÃO 8 A QUESTÃO 1 A QUESTÃO 2 B QUESTÃO 3 B QUESTÃO 4 D QUESTÃO 5 D QUESTÃO 6 C QUESTÃO 7 A QUESTÃO 8 B QUESTÃO 1 A QUESTÃO 2 B QUESTÃO 3 C QUESTÃO 4 B QUESTÃO 5 E QUESTÃO 6 B QUESTÃO 7 B QUESTÃO 8 A QUESTÃO 1 B QUESTÃO 2 E QUESTÃO 3 A QUESTÃO 4 B QUESTÃO 5 D QUESTÃO 6 D QUESTÃO 7 B QUESTÃO 8 D QUESTÃO 1 B QUESTÃO 2 A QUESTÃO 3 B QUESTÃO 4 E QUESTÃO 5 A QUESTÃO 6 D QUESTÃO 7 D QUESTÃO 8 B 87 ADORNA, D. L. Estruturas. [Digite o Local da Editora]: Grupo A, 2017. E-book. ISBN 9788595022010. Disponível em: https://abre.ai/jMnv. Acesso em: 26 out. 2023. CAMPANARI, F. A. Teoria das Estruturas. Rio de Janeiro: Guanabara Dois, 1985. V 1, 2, 3 e 4. EDMUNGO, Douglas A.; GUIMARÃES, Diego; ROJAS, Fernando C.; e outros. Teoria das Estruturas . [Digite o Local da Editora]:Grupo A, 2018. E-book. ISBN 9788595023550. Disponível em: https://abre.ai/jMna. Acesso em: 25 jan. 2024. EDMUNGO, D. A.; GUIMARÃES, D; ROJAS, F. C.; et al. Teoria das estruturas. Grupo A, 2018. E-book. ISBN 9788595023550. Disponível em: https://abre.ai/jMnd. Acesso em: 25 jan. 2024. GARRISON, F. Fundamentos de Estruturas . [Digite o Local da Editora]: Grupo A, [Inserir ano de publicação]. E-book. ISBN 9788582604816. Disponível em: https://abre.ai/jMnf. Acesso em: 25 jan. 2024. HIBBELER, R. C. Análise das Estruturas, Ed. 8, Editora Pearson, 2013. KASSIMALI, A. Análise Estrutural - Tradução da 5ª edição norte-americana. Cengage Learning Brasil, 2016. E-book. ISBN 9788522124985. Disponível em: https://abre.ai/jMnj. Acesso em: 18 jan. 2024. MARTHA, L. F. Análise de Estruturas: Conceitos e Métodos Básicos. [Digite o Local da Editora]: Grupo GEN, 2022. E-book. ISBN 9788521638216. Disponível em: https://abre.ai/ jMnm. Acesso em: 25 jan. 2024. MCCORMAC, J. C. Análise Estrutural Usando Métodos Clássicos e Métodos Matriciais, 4ª edição. Grupo GEN, 2009. E-book. ISBN 978-85-216-2496-7. Disponível em: https:// abre.ai/jMno. Acesso em: 22 jan 2024. MCGUIRE, W; GALLANGHER, R. H.; ZIEMIAN, R. D. Matrix Structural Analisys. 2. ed.: John Wiley & Sons, 1999. 480 p. SORIANO, H. L. Análise de Estruturas: Método das forças e método dos deslocamentos. Editora Ciência Moderna. v.1. 2004. SUSSEKIND, J. C. Curso de Análise Estrutural. Rio de Janeiro: Globo, 2ª ed. 1981. V 1. SUSSEKIND, J. C. Curso de Análise Estrutural. Rio de Janeiro: Globo, 1980. V 2. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 88 graduacaoead.faculdadeunica.com.br4.2 Grau de hiperestaticidade e Sistema Principal .......................................................................................................................................................................................................46 4.3 Determinação dos termos de carga e coeficientes de flexibilidade .......................................................................................................................................................48 4.4 Formulação do sistema de equações de compatibilidade ...........................................................................................................................................................................50 4.5 Obtenção dos hiperestáticos, reações de apoio e esforços externos .....................................................................................................................................................51 FIXANDO O CONTEÚDO ........................................................................................................................................................................................................................................................................53 MÉTODO DAS FORÇAS 5.1 Conceitos introdutórios ............................................................................................................................................................................................................................................................58 5.2 Sistema Hipergeométrico .......................................................................................................................................................................................................................................................59 5.3 Determinação dos termos de carga, coeficientes de rigidez e deslocabilidades ..........................................................................................................................61 5.4 Restabelecimento das condições de equilíbrio .....................................................................................................................................................................................................64 5.5 Obtenção das reações e esforços internos ...............................................................................................................................................................................................................65 FIXANDO O CONTEÚDO ........................................................................................................................................................................................................................................................................67 MÉTODO DOS DESLOCAMENTOS UNIDADE 5 6.1 Definição do funcionamento da metodologia de Cross ....................................................................................................................................................................................72 6.2 Interpretação física do processo de Cross .................................................................................................................................................................................................................72 6.3 Descrição da distribuição dos momentos fletores em um nó .....................................................................................................................................................................73 6.4 Definição de cargas móveis – trens-tipo ....................................................................................................................................................................................................................76 6.5 Linhas de influência .....................................................................................................................................................................................................................................................................79 FIXANDO O CONTEÚDO..........................................................................................................................................................................................................................................................................81 RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO........................................................................................................................................................................86 REFERÊNCIAS ....................................................................................................................................................................................................................87 PROCESSO DE CROSS E EFEITOS DE CARGAS MÓVEIS EM ESTRUTURAS UNIDADE 6 8 UNIDADE 1 A unidade I retrata os conceitos primordiais que envolvem a análise estrutural, bem como, aqueles que são relevantes para a análise de estruturas hiperestáticas que serão retratadas nas próximas unidades. UNIDADE 2 A unidade II retrata sobre o Princípio dos Trabalhos Virtuais e a importância desta metodologia para o cálculo de deslocamentos em estruturas. UNIDADE 3 Na unidade III vamos entender sobre o princípio que gerou a metodologia das forças e deslocamentos virtuais aplicados a corpos elásticos. Além disso, há a apresentação de tabelas usuais para o cálculo de integrais de momento. UNIDADE 4 Nesta unidade você entenderá como funciona a metodologia do método das forças para resolver estruturas hiperestáticas, assim como, quais as condições que se aplica esta metodologia. UNIDADE 5 Nesta unidade entenderemos a metodologia aplicada no método dos deslocamentos e a sua importância, bem como, sua aplicação funcional para o cálculo de deslocamentos em estruturas, principalmente, as hiperestáticas. C O NF IR A NO LI VR O UNIDADE 6 Na unidade VI iremos entender o que é uma carga móvel e como ela se comporta em estruturas do tipo ponte, assim como, entender o cálculo envolvendo as linhas de influência e trens-tipo. 9 CONCEITOS BÁSICOS DE ANÁLISE ESTRUTURAL 10 A engenharia estrutural engloba a concepção, planejamento, ereção e manutenção de sistemas estruturais destinados a transporte, habitação, laboração e entretenimento. A expertise dos engenheiros estruturais transcende a simples erudição teórica, envolvendo a aplicação prática de princípios científicos e tecnológicos. O planejamento minucioso, a utilização de materiais avançados e a implementação de técnicas inovadoras são elementos fundamentais que delineiam o trabalho desses profissionais. A engenharia estrutural propõe-se à elaboração de um projeto estrutural que atenda exaustivamente a todas as exigências para as quais se destina, contemplando condições de segurança, usabilidade, viabilidade econômica, apelo estético, considerações ambientais, requisitos construtivos e conformidade legal. O desfecho derradeiro do projeto estrutural consiste na delimitação minuciosa de uma estrutura de modo abrangente, ou seja, englobando todos os aspectos de ordem geral, como a localização, e todos os pormenores imprescindíveis para a execução. De acordo com Martha (2022), a etapa de análise estrutural constitui o momento no qual se concebe o comportamento projetado da estrutura no âmbito do projeto estrutural. Esse comportamento se manifesta através de variados parâmetros, abrangendo os campos de tensões, deformações e deslocamentos na estrutura. De modo geral, a análise estrutural objetiva determinar os esforços internos e externos, como cargas e reações de apoio, juntamente com as tensões correspondentes. Além disso, visa identificar os deslocamentos e as deformações correspondentes na estrutura em processo de concepção. Essa avaliação é conduzida levando em consideração os possíveis estágios de carregamentos e solicitações, os quais precisam ser previamente definidos. Ainda de acordo comMartha (2022), a elaboração das teorias que descrevem o comportamento estrutural teve seu início voltado, primariamente, para estruturas reticuladas, ou seja, aquelas constituídas por barras (elementos estruturais que possuem um eixo claramente definido). Essas estruturas abrangem os tipos mais usuais, como a configuração de uma cobertura ou a estrutura básica de um edifício metálico. Mesmo em situações em que nem todos os elementos de uma estrutura podem ser categorizados como barras, como é o caso de edifícios de concreto armado, é comum realizar uma análise simplificada do comportamento global ou parcial da estrutura, utilizando-se um modelo baseado em barras. Devido à complexidade presente na análise de sistemas estruturais integrando todos os seus componentes, utiliza-se de hipóteses simplificadoras na construção dos modelos matemáticos para se analisar uma estrutura (SORIANO, 2013). Ainda de acordo com o mesmo autor, uma das simplificações mais utilizadas é a decomposição da estrutura em partes para se realizar sua análise, com a transmissão de esforços ocorrendo entre essas partes. Além disso, para facilitar a análise, as estruturas são consideradas como barras e estruturas contínuas. 1.1 OBJETIVO DA ANÁLISE ESTRUTURAL 1.2 NOÇÕES PRELIMINARES DAS ESTRUTURAS EM BARRAS 11 As estruturas precisam ser concebidas de maneira a suportar as cargas às quais estão expostas, sem comprometer a segurança e a funcionalidade do edifício. Para atingir o objetivo, o projetista deve ter a capacidade de identificar todas as forças que atuam de forma regular ou excepcional sobre a estrutura ao longo de sua vida útil (ADORNA, 2017). Segundo Soriano (2013), as ações podem ser externas (ativas e reativas) e esforços seccionais ou transações internas, onde as ações externas ativas referem-se às forças que atuam sobre a estrutura devido a agentes externos e são subdivididas em permanentes, acidentais e especiais. As ações permanentes operam de maneira contínua ao longo de toda a vida útil da estrutura, como o peso próprio da estrutura e dos elementos estruturais fixos. Já as ações acidentais, também chamadas de variáveis, ocorrem esporadicamente ao longo da vida útil, incluindo exemplos como o peso de pessoas e veículos estacionados, bem como a ação do vento na estrutura. As ações ordinárias são de curta duração, alta intensidade e baixa probabilidade de ocorrência, englobando eventos como explosões, incêndios, choques de veículos, impactos de projetos e sismos. Por fim, as ações externas reativas manifestam-se nos vínculos externos, ou apoios, impedindo movimentos estruturais e equilibrando as ações externas ativas. De acordo com Martha (2022), um modelo estrutural apresenta condições de contorno em termos de deslocamentos e rotações, que representam as conexões do modelo com o meio externo, como as fundações da estrutura ou outra estrutura conectada a ela. A ligação entre um modelo estrutural e o meio externo é expressa por meio de apoios, que representam condições de suporte nos pontos de contato externo. Na Figura 1, podemos observar os principais apoios utilizados em modelos estruturais. Estruturas em barras ou estruturas reticuladas são aquelas nas quais uma das dimen- sões é preponderante em relação às suas demais dimensões. Estruturas contínuas são aquelas formadas por um ou mais componentes em que não se caracteriza uma única dimensão preponderante. FIQUE ATENTO 12 Figura 1: Condições de apoio com suas respectivas reações Fonte: Martha (2022) Figura 2: Esforços internos em uma barra Fonte: Soriano (2013) Adorna (2017) diz que, “os esforços solicitantes internos são resultantes da ação mútua entre as partes das seções, sendo causados também indiretamente pela ação das variações de temperatura, pela retração e por outros fenômenos de comportamento do material.” Os esforços internos atuantes em uma barra são classificados em: esforço normal (N), esforço cortante (V), momento de flexão (M) e momento de torção (T). Na Figura 2, nota-se os esforços internos atuantes em uma barra. Além disso, as estruturas em barras podem ser classificadas quanto à geometria e esforços seccionais, ao equilíbrio, ao material utilizado, à finalidade e ao processo de fabricação. Quanto a geometria e aos esforços seccionais, temos os elementos do tipo viga, pórtico – no qual pode ser plano ou espacial –, grelha, treliça – que também pode 13 Quadro 1: Tipos de estrutura quanto ao equilíbrio estático Fonte: Disponível em: https://abrir.link/FCuZk. Acesso em: 20 fev.(2024) Outra classificação importante dentro do estudo de elementos de barra é quanto ao equilíbrio estático, onde as mesmas podem ser ditas como hipostáticas, isostáticas e hiperestáticas. Estruturas hipostáticas são aquelas em que o número de suportes e reações é menor do que o número de equações de equilíbrio disponíveis. Nessas estruturas, não há membros ou elementos suficientes para garantir a estabilidade e equilíbrio somente com as equações de equilíbrio. Geralmente, essas estruturas são instáveis ou colapsam sem suportes adicionais. Estruturas isostáticas são aquelas em que o número de suportes e reações é igual ao número de equações de equilíbrio disponíveis. Essas estruturas podem ser comprovadas usando apenas equações de equilíbrio de forças e momentos. Cada elemento da estrutura contribui para a determinação das reações sem criar redundâncias. Estruturas hiperestáticas são aquelas em que o número de suportes e reações é maior do que o número de equações de equilíbrio disponíveis. Essas estruturas têm membros ou elementos redundantes, o que significa que uma análise tradicional usando apenas as equações de equilíbrio não é suficiente. É necessário considerar também as deformações ou deslocamentos para obter soluções consistentes (SUSSEKIND, 1981). No Quadro 1, podemos observar cada tipo de estrutura citada acima. ser plana ou espacial –, mista com arcos, escoras, membranas e cabos e/ou tirantes (SORIANO, 2013). No livro Estática das Estruturas de Soriano (2013) você irá conseguir aprofundar sobre o conteúdo já abordado e, essencialmente, sobre as classificações que envolvem os elementos de barra. Link de acesso: https://abrir.link/wZTUd. Acesso em: 20 fev. 2024. BUSQUE POR MAIS Hipostática Isostática Hiperestática Estrutura onde o número de reações de apoio é menor do que o número de equações de equilíbrio. Estrutura onde o número de reações de apoio é menor do que equações de equilíbrio. Estrutura onde o número de reações de apoio é menor do que equações de equilíbrio. As estruturas compostas por uma ou mais barras são conhecidas como estruturas lineares. Cruciais na indústria da construção, destacam-se nessa categoria as vigas, pilares, treliças, arcos, pórticos, entre outros. Os elementos estruturais cujo comprimento longitudinal é pelo menos três vezes superior à maior dimensão de sua seção transversal são designados como barras (EDMUNGO; GUIMARÃES; ROJAS, 2018). No Quadro 2, podemos observar os componentes de um sistema estrutural. 1.3 COMPONENTES E SISTEMAS ESTRUTURAIS 14 Componente Conceito Representação Vigas Elementos lineares em que a flexão é o esforço preponde- rante. Pilares Elementos lineares de eixo reto, usualmente dispostos na verti- cal, em que as forças normais de compressão são prepon- derantes. Tirantes Elementos lineares de eixo reto em que as forças normais de tração são preponderantes. Arcos Esses são elementos lineares que possuem eixos curvos e estão principalmente sujeitos a forças de revisão normais, podendo ou não ser afetados simultaneamente por esforços de flexão, com todas as ações planejadas dentro de seu pla- no. Placas Estes são elementos de su- perfície plana que estão sujei- tos principalmente às forças normais em seu próprio plano. As placas feitas de concreto são frequentemente chama- das de lajes. Placas com uma espessura que excede 1/3 do vão devem ser tratadas como placasespessas durante o estudo estrutural. 15 Chapas São elementos de superfície plana que estão principal- mente sujeitos a forças conti- das em seu próprio plano. As chapas de concreto, quando o vão é inferior a três vezes a maior dimensão da seção transversal, são comumente referidas como vigas-parede. Quadro 2: Componentes de um sistema estrutural Fonte: Disponível em: https://abrir.link/OHSoj. Acesso em: 22 fev. (2024) Quadro 3: Tipos de sistemas estruturais Fonte: Sales, Malite e Gonçalves (2020) Um elemento estrutural é um componente individual de uma estrutura, como uma viga ou coluna, responsável por desempenhar uma função específica na resistência e transferência de cargas. Já um sistema estrutural refere-se ao conjunto de elementos estruturais interconectados que, juntos, trabalham para suportar e transferir cargas coletivamente para as fundações. Enquanto um elemento foca em funções individuais, um sistema considera a interação e cooperação entre esses elementos. Os principais sistemas estruturais estão dispostos no Quadro 3. Sistema estrutural Conceito Representação Sistemas lineares São aqueles compostos por vigas simples, vigas contínuas, vigas contínuas rotuladas. Sistemas Planos Os sistemas planos são os pórticos, arcos, treli- ças, grelhas, vigas-balcão, dentre outros. Sistemas Espaciais Os sistemas espaciais são suportados em duas estru- turas funcionais. Um exem- plo comum são as estrutu- ras de edifícios, compostas por pórticos espaciais de vários andares e múltiplos andares. 16 No âmbito da análise estrutural, o cálculo refere-se à obtenção dos esforços internos na estrutura, das respostas nos apoios, dos deslocamentos e rotações, bem como das tensões e deformações. As metodologias de design representam procedimentos matemáticos resultantes das suposições propostas na concepção do modelo estrutural. Martha (2022, p. 77) disserta que, A fundamentação dos métodos de análise estrutural reside na imposição dessas condições. Em outras palavras, as metodologias dos métodos denominados fundamentais de análise estrutural são delineadas pela maneira como essas condições são impostas. 1.4 CONDIÇÕES BÁSICAS DA ANÁLISE ESTRUTURAL As condições matemáticas que o modelo estrutural tem de satisfazer para representar adequadamente o comportamento da estrutura real podem ser divididas nos seguintes grupos: •condições de equilíbrio; •condições de compatibilidade entre deslocamentos e deformações; •condições sobre o comportamento dos materiais que compõem a estrutura (leis constitutivas dos materiais). Aprofunde o conhecimento a respeito das condições básicas da análise estru- tural que são apresentadas no livro Análise de Estruturas: Conceitos e Métodos básicos de Luiz Fernando Martha, disposto na biblioteca virtual. Disponível em: https://abre.ai/jKyc. Acesso em: 24 fev. 2024. BUSQUE POR MAIS Os métodos básicos para a análise estrutural são: método das forças e método dos deslocamentos. Tais métodos auxiliam, essencialmente, no estudo e análise de estruturas hiperestáticas, onde o primeiro método desenvolvido foi o método das forças. Neste método específico, as incógnitas primordiais do problema residem nas forças e momentos, os quais podem ser traduzidos em respostas de apoio ou esforços internos. Todas as demais incógnitas são expressas em termos das incógnitas primárias eleitas e, posteriormente, inseridas nas equações de compatibilidade, as quais, por conseguinte, são devidamente solucionadas (SUSSEKIND, 1981). A essência do método das forças relativas à determinação, dentro do conjunto de soluções em forças que atendem às condições de equilíbrio, da solução que simultaneamente satisfez as condições de compatibilidade (SUSSEKIND, 1981). O segundo método fundamental na análise de estruturas é conhecido como o método dos deslocamentos. Neste método, as incógnitas primordiais do problema consistem em deslocamentos e rotações. Todas as demais incógnitas são expressas em termos das incógnitas principais escolhidas e, posteriormente, maximizadas em 1.5 MÉTODOS BÁSICOS DA ANÁLISE ESTRUTURAL 17 equações de equilíbrio, as quais são então resolvidas (SORIANO; LIMA, 2004). A ideia central do método dos deslocamentos reside em determinar, entre o conjunto de soluções em deslocamentos que satisfaçam as condições de compatibilidade, qual solução proporciona também a satisfação das condições de equilíbrio (SORIANO; LIMA, 2004). No Quadro 4, podemos observar a comparação entre parâmetros dos métodos apresentados. Método das forças Método dos deslocamentos Ideia básica: Determinar, dentro do con- junto de soluções em forças que satisfa- zem as condições de equilíbrio, qual das soluções faz com que as condições de compatibilidade também sejam satisfei- tas. Ideia básica: Determinar, dentro do conjunto de soluções em desloca- mentos que satisfazem as condições de compatibilidade, qual das soluções faz com que as condições de equilíbrio também sejam satisfeitas. Metodologia: Superpor uma série de soluções estaticamente determinadas (isostáticas) que satisfazem as condições de equilíbrio da estrutura para obter uma solução final que também satisfaz as condições de compatibilidade. Metodologia: Superpor uma série de soluções cinematicamente determina- das (configurações deformadas co- nhecidas) que satisfazem as condições de compatibilidade da estrutura para obter uma solução final que também satisfaz as condições de equilíbrio. Incógnitas: Hiperestáticos: forças e mo- mentos associados a vínculos exceden- tes à determinação estática da estrutura. Incógnitas: Deslocabilidades: compo- nentes de deslocamentos e rotações nodais que definem a configuração deformada da estrutura Número de incógnitas: É o número de incógnitas excedentes das equações de equilíbrio, denominado grau de hiperes- taticidade Número de incógnitas: É o número de incógnitas excedentes das equações de compatibilidade, denominado grau de hipergeometria. Estrutura auxiliar utilizada nas soluções básicas: Sistema principal (SP): estrutura estaticamente determinada (isostática) obtida da estrutura original pela elimina- ção dos vínculos excedentes associados aos hiperestáticos. Essa estrutura auxiliar viola condições de compatibilidade da estrutura original. Estrutura auxiliar utilizada nas soluções básicas: Sistema hipergeométrico (SH): estrutura cinematicamente determina- da (estrutura com configuração defor- mada conhecida) obtida da estrutura original pela adição dos vínculos ne- cessários para impedir as desloca- bilidades. Essa estrutura auxiliar viola condições de equilíbrio da estrutura original. Equações finais: São equações de com- patibilidade expressas em termos dos hiperestáticos. Essas equações recom- põem as condições de compatibilidade violadas nas soluções básicas. Equações finais: São equações de equilíbrio expressas em termos das deslocabilidades. Essas equações re- compõem as condições de equilíbrio violadas nas soluções básicas. 18 Termos de carga das equações finais: Deslocamentos e rotações nos pontos dos vínculos liberados no SP provocados pela solicitação externa (carregamento). Termos de carga das equações finais: Forças e momentos (reações) nos vín- culos adicionados no SH provocados pela solicitação externa (carregamen- to) Coeficientes das equações finais: Coefi- cientes de flexibilidade: deslocamentos e rotações nos pontos dos vínculos libera- dos no SP provocados por hiperestáticos com valores unitários atuando isolada- mente Coeficientes das equações finais: Coe- ficientes de rigidez: forças e momentos nos vínculos adicionados no SH para impor configurações deformadas com deslocabilidades isoladas com valores unitários. Quadro 4: Comparação entre o método das forças e o método dos deslocamentos Fonte: Martha (2022). Na formalização dos princípios fundamentais da análise estrutural, utiliza-se o princípio da superposição de efeitos. Esse princípio estabelece que asobreposição dos campos de deslocamento causados por vários sistemas de forças que atuam isoladamente é equivalente ao campo de deslocamento gerado pelos mesmos sistemas de forças estimuladas simultaneamente (GARRISON, 2018). Veja na Figura 2, como funciona a superposição de efeitos. 1.6 COMPORTAMENTO LINEAR E SUPERPOSIÇÃO DE EFEITOS Figura 3: Combinação linear de duas forças e os correspondentes deslocamentos Fonte: Martha (2022) O princípio da superposição de efeitos pode ser utilizado em qualquer tipo de estrutura e em qualquer condição imposta? Martha (2022) diz que a aplicação desse princípio exige que a estrutura apresente um comportamento linear, fundamentado em duas condições essenciais. A primeira delas é que o material está operando no regime elástico-linear. A segunda condição é a validade das hipóteses de pequenos posicionamentos. VAMOS PENSAR? 19 Em muitas situações, as estruturas civis apresentam deslocamentos pequenos em rela- ção às dimensões características de seus elementos, como o comprimento da barra ou a altura da seção transversal. 20 FIXANDO O CONTEÚDO 1. (CESGRANRIO – 2010). O princípio da superposição de efeitos, que permite combinar os efeitos de carregamentos distintos sobre uma estrutura, se aplica a estruturas a) Em catenária. b) Com efeitos de segunda ordem. c) Com comportamento elástico-linear e a pequenas deformações. d) Com comportamento elástico-plástico e a grandes deformações. e) Calculadas empregando-se o método . 2. (AVANÇA SP – 2023). Em edifícios, pontes e outras instalações mais comuns de engenharia civil, dois ou mais tipos estruturais básicos, tais como vigas, pilares, lajes e treliças etc. são montados em conjunto para formar um sistema estrutural que pode transmitir as cargas aplicadas para o solo através da fundação. Dentre os diversos tipos de cargas aplicadas à estrutura temos: I. __________ são as cargas de grandezas e/ou posições diferentes provenientes pela utilização da estrutura. Às vezes, estas termo é usado para se referir a toda a carga sobre a estrutura que não sejam as cargas permanentes, incluindo as cargas ambientais, tais como as cargas de neve ou de vento. II. __________ são produzidas pelo seu fluxo em torno da estrutura. Suas magnitudes dependem da localização geográfica da estrutura, obstruções no seu terreno circundante, tais como edifícios próximos, e da geometria e das características vibracionais da própria estrutura. III. Em alguns países de clima frio, as __________ devem ser consideradas no projeto de estruturas. Este tipo de carga pode ser obtida nas normas de construção ou nos dados meteorológicos para a região específica. Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do texto: a) Cargas acidentais – cargas de terremoto – cargas de vento. b) Cargas de vento – cargas acidentais – cargas de neve. c) Cargas acidentais – cargas de vento – cargas de neve. d) Cargas de vento – cargas de neve – cargas acidentais. e) Cargas acidentais – cargas de vento – cargas de terremoto. 3. (CEBRASPE – 2023). 21 A figura anterior apresenta uma estrutura que, em função do número de reações de apoio ou vínculos que possui, pode ser classificada como a) Hipostática. b) Isostática. c) Treliça plana. d) Hiperestática. e) Estaticamente indeterminada. 4. (IFTO – 2023). Grelha é considerada uma estrutura plana onde as cargas atuam na direção perpendicular ao seu plano. Considere as afirmativas a seguir: I. Grelhas são estruturas reticuladas. II. As barras das grelhas estão submetidas a 3 esforços simples: Esforço Normal (N), Momento Fletor (M) e Momento Torsor (Mt). III. As grelhas para serem consideradas isostáticas, o número de reações de apoio ou vínculos deverá ser igual ao número de equações fornecidas pelas condições de equilíbrio da estática. Estão corretas apenas as afirmativas: a) II e III; b) I e III; c) I e II; d) I,II e III; e) I, apenas. 5. A respeito do método das forças, assinale a alternativa correta a) Determinar o conjunto de solução em forças que satisfazem as condições de equilíbrio, onde uma das soluções irá satisfazer as condições de compatibilidade. b) Determinar o conjunto de solução em forças que satisfazem as condições de compatibilidade, onde uma das soluções irá satisfazer as condições de equilíbrio. c) O número de incógnitas excedentes das equações de equilíbrio, denominado grau de hipergeometria. d) A estrutura auxiliar básica é o sistema hipergeométrico. e) Os coeficientes de rigidez são os coeficientes das equações finais. 6. A respeito do método dos deslocamentos, assinale a alternativa correta. 22 a) Determinar o conjunto de solução em forças que satisfazem as condições de equilíbrio, onde uma das soluções irá satisfazer as condições de compatibilidade. b) Determinar o conjunto de solução em forças que satisfazem as condições de equilíbrio, onde uma das soluções irá satisfazer as condições de apoio. c) O número de incógnitas excedentes das equações de equilíbrio, denominado grau de hipergeometria. d) A estrutura auxiliar básica é o sistema principal. e) Os coeficientes de flexibilidade são os coeficientes das equações finais. 7. Qual das condições a seguir faz parte das condições básicas da análise estrutural? a) Condições de elasticidade. b) Condições de movimentação. c) Condições sobre o comportamento dos materiais que não compõe a estrutura. d) Condições sobre o comportamento dos materiais que compõe a estrutura. e) Nenhuma das opções. 8. (NUCEPE – 2012). Para a análise de estruturas hiperestáticas têm-se dois métodos principais: o Método das Forças e o Método dos Deslocamentos. A esse respeito, analise as proposições a seguir. 1) No Método das Forças, conhecido também como Método da Flexibilidade, as incógnitas primárias são as reações de apoio e/ou esforços seccionais. 2) O Método dos Deslocamentos, também conhecido por Método das Deformações, tem como incógnitas primárias os deslocamentos e rotações em pontos escolhidos na estrutura. 3) O Método da Rigidez é uma combinação dos métodos clássicos (o das Forças e o dos Deslocamentos), no qual se introduzem incrementos matriciais para o cálculo com computadores. 4) O Método das Forças pode ser resumido de acordo com a seguinte sistemática: I- Escolha de um sistema isostático (ou principal) pela retirada das restrições de um conjunto de redundantes estáticas da estrutura inicial. II- Cálculo dos coeficientes de flexibilidade e de cargas. III-Montagem e resolução do sistema de equações de compatibilidade e IV- Obtenção dos esforços finais. 5) O Processo de Cross é um caso particular do Método dos Deslocamentos. Estão corretas, apenas: a) 2, 3 e 4. b) 1, 3 e 5. c) 1, 3 e 4. d) 2, 3 e 5. e) 1, 2 e 4. 23 PRINCÍPIO DOS TRABALHOS VIRTUAIS 24 Vamos analisar uma barra com seção transversal constante sujeita a uma força axial, conforme apresentada na Figura 3. Podemos notar que l e δ são, respectivamente, o comprimento inicial e o alongamento da barra devido à aplicação da força P (SORIANO; LIMA, 2004). A força P é assumida como aumentando gradualmente de zero até seu valor final, sem a presença de forças de inércia e amortecimento. Para um material elástico linear, e desconsiderando o efeito do tempo, o diagrama força-alongamento resultante é mostrado na Figura 3. Assume-se que, em compressão, o diagrama força-encurtamento possui a mesma inclinação que em tração (SORIANO; LIMA, 2004). Devido à aplicação da força normal P, há um afastamento entre duas seções transversais adjacentes, resultando na tensão normal σ = P/A. O trabalho mecânico realizado pela força P é expresso por: onde isto também representa a área sob o segmento linear força-alongamento representado na Figura 3. 2.1 TRABALHO DE FORÇAS EXTERNAS E ENERGIA DE DEFORMAÇÃO 𝑊 = � 𝑃𝑑𝛿 𝛿 0 = 1 2 𝑃𝛿 O termo elástico quer dizer que o material consegue retornar ao seu estado original, após sofrer algum carregamento externo, sem deformações residuais, isto é, recuperando-sedo trabalho realizado. FIQUE ATENTO Figura 4: Tração em barra de material elástico linear Fonte: Soriano e Lima (2004) 25 Isso é uma manifestação específica do princípio da conservação de energia, pois reflete que o trabalho realizado pela força externa P é armazenado como trabalho das forças internas na barra, conhecido como trabalho de deformação ou energia de deformação. As forças internas são compostas por componentes de tensão multiplicados por elementos infinitesimais de área. As resultantes dessas forças em cada seção transversal da barra são os esforços solicitantes descritos, os quais, no caso da barra da Figura 3, se reduzem à força normal (SORIANO; LIMA, 2004). Com isso, vamos ter que a energia de deformação da barra será: onde V é o volume da barra e ε=δ/l é a deformação específica (longitudinal). Dessa mesma equação, podemos extrair a energia de deformação por unidade de volume ou densidade da energia de deformação. Ainda de acordo com Soriano e Lima (2004), ao aplicar simultaneamente diversas forças concentradas em uma estrutura de comportamento linear, de acordo com o princípio da superposição de efeitos e levando em consideração a equação descrita acima, a expressão para o trabalho dessas forças é: onde δi, é o deslocamento do ponto de aplicação e na direção da i-ésima força, e onde o símbolo Σ indica o somatório dos produtos de 1 até o número total de forças. Outro ponto importante é que a taxa de variação da densidade energética em relação a uma componente específica de deformação revela a respectiva tensão associada. Já a variação da energia de deformação em relação a uma força externa concentrada oferece o deslocamento do ponto de aplicação dessa força, seguindo sua própria direção. Este fenômeno constitui o segundo teorema de Carlo Alberto Pio Castigliano. Em contrapartida, a derivada dessa energia em relação a tal deslocamento fornece a força correspondente, caracterizando o primeiro teorema de Castigliano (MARTHA, 2022). 𝑈 = 1 2𝑃𝛿 = 1 2� 𝑃𝛿 𝐴ℓ 𝑑𝑉 � 𝑉 = 1 2�𝜎𝜀𝑑𝑉 � 𝑉 𝑈 = �𝑈∗𝑑𝑉 � 𝑉 𝑈∗ = 1 2𝜎𝜀 𝑊 = 1 2�𝑃𝑖𝛿𝑖 � 𝑖 O axioma da conservação de energia se apresenta de maneira altamente intuitiva, entretanto, sua aplicabilidade se restringe consideravelmente quando se trata de calcular deslocamentos em estruturas. Fundamentalmente, conforme elucidado na seção anterior, esse axioma apenas viabiliza o cálculo de deslocamentos no caso de uma carga concentrada, exigindo que o deslocamento calculado ocorra no ponto de aplicação da força e na direção dela. De modo análogo, é factível calcular a rotação na 2.2 PRINCÍPIO DOS TRABALHOS VIRTUAIS 26 direção de um momento concentrado aplicado (MARTHA, 2022). Ainda de acordo com Martha (2022), a generalização proposta em relação ao princípio da conservação de energia destaca que, atualmente, não se estabelece nenhuma conexão entre o sistema de forças e a configuração deformada, a menos que ambos ajam sobre uma mesma estrutura. Em outras palavras, não existe uma relação direta de causa e efeito entre o sistema de forças A e a configuração deformada B. As únicas condições impostas são as seguintes: (FA, σA) deve satisfazer o equilíbrio, e (DB, εB) deve atender à compatibilidade, de maneira isolada. A equação harmoniosa entre o trabalho externo e a energia de deformação interna, conciliando esses dois sistemas autônomos, culmina no estabelecimento do princípio dos trabalhos virtuais (PTV): em que: 𝑊�𝐸 = �𝐹𝐴 � 𝐷𝐵 � � → trabalho virtual das forças externas (FA) com os correspondentes deslocamentos externos (DB); 𝑈� = �𝜎𝐴 � 𝜀𝐵 � � → energia de deformação interna virtual armazenada em uma estrutura, combinando as tensões internas (σA) com as correspondentes deformações internas (εB). A energia de deformação interna vai relacionar os esforços internos que ocorrem nas estruturas, isto é, terá as parcelas referentes ao esforço normal, cortante, momento fletor e momento torsor. Entretando, em análise no plano, não há a parcela do momento torsor e o PTV só é válido quando se sistema de forças satisfazer as condições de equilíbrio e se a configuração deformada satisfizer as condições de compatibilidade (SUSSEKIND, 1981). Com isso, temos que: Assim, esse princípio pode ser empregado para estabelecer condições de compatibilidade em relação a uma configuração deformada (D, d) qualquer. É suficiente selecionar de forma arbitrária um sistema de forças (F, f), denominado virtual, do qual se saiba que atende às condições de equilíbrio. Essa variante do PTV é designada como princípio das forças virtuais e será abordada na seção subsequente. 𝑊�𝐸 = 𝑈�→�𝐹𝐴 � 𝐷𝐵 = �𝜎𝐴 � 𝜀𝐵 � � � � 𝑈� = � 𝑁�𝑁 𝐸𝐴 𝑑𝑠+ �𝑥 𝑄�𝑄 𝐺𝐴 𝑑𝑠 + � 𝑀�𝑀 𝐸𝐼 𝑑𝑠 � 𝑙 � 𝑙 � 𝑙 PTV = Princípio dos Trabalhos Virtuais. GLOSSÁRIO Em uma estrutura de material elástico linear, o teorema das forças virtuais se 2.3 PRINCÍPIO DAS FORÇAS VIRTUAIS 27 Os deslocamentos que delineiam a deformação inicial da viga podem ser interpretados como deslocamentos virtuais em tais vigas auto equilibradas. Contrariamente, considerando que os sistemas de forças em equilíbrio são arbitrários, podem ser denominados virtuais, e esses deslocamentos, reais, deduz-se da equação que: configura como uma expressão alternativa do teorema dos deslocamentos virtuais. O propósito é otimizar a aplicação desse teorema em cenários específicos (SORIANO; LIMA, 2004). Considere-se uma estrutura de comportamento linear sob a influência de forças externas e deslocamentos prescritos, tal como a representada na Figura 4, uma viga contínua. Desconsiderando essas ações e as condições de apoio da viga, analisemos sistemas de forças externas em equilíbrio, como demonstrado pelas vigas auto equilibradas na Figura. Figura 5: Viga contínua Fonte: Soriano e Lima (2004) �𝑃�𝑖𝛿𝑖 � 𝑖 + �𝑅�𝑖𝛿𝑖 � 𝑖 = � 𝑁� 𝑑𝛿 𝑑𝑥 + 𝑀� 𝑑𝜑 𝑑𝑥 + � 𝑥 𝑉� 𝑑𝜆 𝑑𝑥 + 𝑇� 𝑑𝜃 𝑑𝑥 Na formulação apresentada, a barra sobre a notação indica uma magnitude virtual. Nesta equação, δi representa deslocamentos predefinidos, onde são arbitradas forças virtuais 𝑅�𝑖 , enquanto δi, simboliza deslocamentos reais, presumindo-se forças virtuais 𝑃�𝑖 em equilíbrio com 𝑅�𝑖 . Sem a notação virtual, temos que: Essa equação expressa o teorema ou princípio das forças virtuais da seguinte maneira: ao considerar em uma estrutura um sistema de forças equilibradas quaisquer, �𝑃�𝑖𝛿𝑖 � 𝑖 + �𝑅�𝑖𝛿𝑖 � 𝑖 = � 𝑁�𝑁 𝐸𝐴 𝑑𝑥 + �𝑥 𝑄�𝑄 𝐺𝐴𝑣 𝑑𝑥 + � 𝑀�𝑀 𝐸𝐼 𝑑𝑥 + � 𝑇�𝑇 𝐺𝐽 𝑑𝑥 � 𝑙 � 𝑙 � 𝑙 � 𝑥 28 chamadas de virtuais, o trabalho virtual das forças externas é igual ao trabalho virtual das forças internas. Ao considerar o momento como uma força virtual, o trabalho correspondente é o produto deste momento pela rotação real no ponto correspondente da estrutura em questão. Devido à semelhança entre o teorema dos deslocamentos virtuais e o teorema das forças virtuais anteriores, ambos podem ser referidos como Princípio dos Trabalhos Virtuais. Vamos solucionar o problema a seguir para melhor entender o método abordado. Considere a viga apresentada e calcule o deslocamento vertical do ponto B da estrutura, desprezando-se o efeito das deformações devidas à força cortante. EI = 2x10^5 kN.m² (constante). Como visto, deve-se adicionar uma força virtual unitária no ponto onde se quer descobrir o deslocamento e montar o Estado de Forças (Virtual), como mostrado a seguir. Deve-se calcular as reações para o estado de forças e seu respectivo diagrama de momento fletor (DMF) como aprendido em disciplinas anteriores. Aprofunde seu conhecimento no capítulo 7 do livro de Luiz Fernando Martha que retrata da metodologia adotada para o cálculo do PTV e está disponível no link: https://encurtador.com.br/uzMUW. Acesso em: 20 set. 2023. BUSQUE POR MAIS 29 Em seguida, determina-se o Estado de Deslocamento (Real), isto é, o estado decomportamento real da estrutura, calculando-se suas reações e diagrama de momento fletor. Logo após, aplica-se o Princípio dos Trabalhos Virtuais para determinar o deslocamento. Em várias situações durante a análise estrutural, torna-se imperativo estabelecer condições de congruência para uma configuração deformada. Por exemplo, ao calcular uma componente de deslocamento em um ponto específico de uma estrutura, almeja- se determinar o valor do deslocamento que esteja alinhado com a configuração 2.4 PRINCÍPIO DOS DESLOCAMENTOS VIRTUAIS 30 deformada da estrutura, a qual é induzida por alguma forma de solicitação (HIBBELER, 2013). Martha (2022) retrata que o princípio dos deslocamentos virtuais (PDV) se destaca como uma das principais ferramentas para a determinação das forças (e momentos) necessárias para impor uma configuração deformada específica, compatível com uma estrutura. Da mesma forma que o PFV, o Princípio dos Deslocamentos Virtuais (PDV) faz uso de um sistema auxiliar virtual completamente independente do sistema real. Neste caso, o sistema real representa a estrutura para a qual se deseja estabelecer uma condição de equilíbrio. O sistema virtual opera com a mesma estrutura, mas assume uma configuração deformada (D, d) escolhida de forma arbitrária. Essa escolha é feita de modo a garantir que uma única força (ou momento) desconhecida, aquela que se deseja calcular, execute trabalho externo. Vale ressaltar que a configuração deformada do sistema virtual não tem existência real, sendo chamada de "virtual" por ser uma abstração exclusivamente utilizada para fins de cálculo. Na Figura, podemos observar a representação de um modelo real e de um modelo respectivo virtual. PFV = Princípio das Forças Virtuais e PDV = Princípio dos Deslocamentos Virtuais. GLOSSÁRIO Figura 6: Representação do PDV Fonte: Martha (2022) Observando a Figura 5, nota-se um sistema isostático, pode-se afirmar que a energia de deformação virtual é nula? Dado que a viga em questão é isostática, a distribuição de deslocamentos virtuais, resultante da aplicação de um deslocamento virtual unitário no ponto de apoio à esquerda, se assemelha a um movimento de corpo rígido. Tal condição acarreta a observação de que a energia associada à deformação virtual é nula (U = 0). VAMOS PENSAR? Nota-se, que o conjunto de deslocamentos externos virtuais não necessita atender às condições de compatibilidade, sejam elas externas ou internas, da estrutura 31 real. Conforme mencionado, a única restrição em relação à configuração deformada virtual consiste na compatibilidade dos deslocamentos externos virtuais com os deslocamentos relativos (ou deformações). Para a mesma estrutura já apresentada anteriormente e que está exposta a seguir, vamos calcular a rotação no ponto B, desprezando-se o efeito das deformações devidas à força cortante. Para o cálculo da rotação, deve-se adicionar um momento virtual unitário no ponto onde se quer descobrir a rotação e montar o Estado de Forças (Virtual), como mostrado a seguir. Deve-se calcular as reações para o estado de forças e seu respectivo diagrama de momento fletor (DMF). Em seguida, determina-se o Estado de Deslocamento (Real), isto é, o estado de comportamento real da estrutura, calculando-se suas reações e diagrama de momento fletor. Para aprofundar seu conhecimento e entendimento da aplicação do PDV, assista ao vídeo referente ao conteúdo, no qual apresenta partes teóricas e práticas da aplicação deste método e está disponível no link: https://encr.pw/wmcpb. Acesso em 20 fev. 2024. BUSQUE POR MAIS 32 Logo após, aplica-se o Princípio dos Trabalhos Virtuais para determinar a rotação. 33 FIXANDO O CONTEÚDO 1. (COPEVE-UFMS – 2015). O Princípio dos Trabalhos Virtuais (PTV), desenvolvido em 1717 por John Bernoulli, no qual se considera uma carga virtual unitária aplicada à estrutura é também conhecido como “Método da Carga Unitária”. Com base nesse método, sendo o módulo de Elasticidade Longitudinal E = 200GPa, Momento de Inércia da Seção I = 500x106 mm^4, e, considerando apenas a parcela devido à flexão, o valor do deslocamento vertical (ΔB) na extremidade livre da viga em balanço é de: a) ΔB = 407,50mm b) ΔB = 350,40mm c) ΔB = 130,75mm d) ΔB = 250,15mm e) ΔB = 102,40 mm 2. (Adaptada de FUNDEP UFMG – 2018) O princípio dos trabalhos virtuais (PTV) permite ao engenheiro calcular uma única componente de deflexão a cada aplicação do método. Sobre a aplicação do PTV para cálculo de deflexões em estruturas isostáticas (vigas, pórticos e treliças), é incorreto afirmar: a) Com base no princípio da conservação de energia, o trabalho virtual presume que as cargas são aplicadas lentamente para que nem energia cinética nem calorífica sejam produzidas. b) Se uma deflexão tem componentes vertical e horizontal, apenas uma análise em uma dessas direções é necessária para encontrá-la, pois a deflexão real é a soma vetorial das duas componentes ortogonais. c) O PTV é útil no estabelecimento do método da carga unitária, que permite o cálculo de deslocamentos na análise linear de estruturas, recorrendo apenas a soluções equilibradas complementadas com as apropriadas leis constitutivas. d) Para um corpo elástico, que atingiu sua configuração de equilíbrio, o trabalho virtual total das forças externas que nele atuam é igual ao trabalho virtual das forças internas nele atuantes, para todos os deslocamentos virtuais arbitrários, compatíveis com os vínculos do corpo, que lhe sejam impostos. e) nenhuma das opções. 3. (FGV – 2023) Sobre o conjunto de deslocamentos impostos a estruturas na aplicação do princípio dos trabalhos virtuais, ou seja, os deslocamentos virtuais, analise as 34 afirmativas a seguir. I. Os deslocamentos são grandes, isto é, são parcelas de primeira ordem. II. Os deslocamentos são arbitrários, mas compatíveis com os vínculos internos e externos do sistema mecânico. III. Os deslocamentos são diferenciais, pois satisfazem as regras de diferenciação, comuns ao cálculo infinitesimal. Está correto o que se afirma em a) I, apenas. b) II, apenas. c) III, apenas. d) I e III, apenas. e) II e III, apenas. 4. (IBFC – 2020). O princípio do trabalho virtual foi desenvolvido por John Bernoulli em 1717 e, como outros métodos de análise, baseia-se na conservação de energia. A respeito do estudo sobre o deslocamento e a inclinação de um ponto sobre um corpo deformável, assinale a alternativa correta. a) O princípio do trabalho virtual pode ser usado para determinar o deslocamento, mas não a inclinação em qualquer ponto sobre um corpo deformável b) O princípio do trabalho virtual não pode ser usado para determinar o deslocamento nem a inclinação em qualquer ponto sobre um corpo deformável c) O princípio do trabalho virtual pode ser usado para determinar o deslocamento e a inclinação em qualquer ponto sobre um corpo deformável, desde que não haja nenhuma força atuando sobre ele d) O princípio do trabalho virtual pode ser usado para determinar o deslocamento e a inclinação em qualquer ponto sobre um corpo deformável e) O princípio do trabalho virtual deixou de ser utilizado após a adoção do Sistema Internacional de Unidades 5. Qual das alternativas a seguir representa o Princípio das Forças Virtuais? a) O princípio das forças virtuais (PFV) é uma das principais ferramentas para a determinação de deslocamentos em estruturas. b) O princípio das forças virtuais (PFV) é uma das principais ferramentas para a determinação de forças em estruturas. c) O princípio das forças virtuais (PFV) é uma das principais ferramentas para a determinação de apoios em estruturas. d) O princípio dos deslocamentos virtuais (PFV) é uma das principais ferramentas para a determinação de deslocamentos em estruturas. e) nenhuma das alternativas. 6. Qual das alternativas a seguir representa o Princípio dos Deslocamentos Virtuais? 35 a) O princípio dos deslocamentos virtuais (PDV) é uma das principais ferramentas para adeterminação de deslocamentos em estruturas. b) O princípio dos deslocamentos virtuais (PDV) é uma das principais ferramentas para a determinação de forças em estruturas. c) O princípio dos deslocamentos virtuais (PDV) é uma das principais ferramentas para a determinação de apoios em estruturas. d) O princípio dos deslocamentos virtuais (PDV) é uma das principais ferramentas para a determinação de forças (e momentos) necessárias para impor uma determinada configuração deformada compatível com uma estrutura e) nenhuma das alternativas. 7. Assim como o _____, o _____ utiliza um sistema auxiliar virtual que é completamente independente do sistema real, sendo este a estrutura da qual se quer estabelecer uma condição de equilíbrio. Assinale a alternativa que substitui adequadamente os espaços em branco e respectivamente. a) PDV e PFV b) PDV e PTV c) PFV e PDV d) PDD e PDT d) PVV e PDT 8. O ______ utiliza um sistema auxiliar, chamado sistema virtual, completamente independente do sistema real, sendo este a estrutura da qual se quer calcular um deslocamento ou rotação (ou estabelecer uma condição de ______). Assinale a alternativa que substitui adequadamente os espaços em branco e respectivamente. a) PDV e compatibilidade b) PFV e equilíbrio c) PDV e PFV d) PFV e compatibilidade e) compatibilidade e PFV 36 CÁLCULO DE DESLOCAMENTOS EM ESTRUTURAS 37 O Teorema dos Trabalhos Virtuais é baseado no princípio de d’Alembert e Jean d'Alembert introduziu na Mecânica Racional os conceitos de deslocamento e trabalho virtual, explorando o seguinte cenário apresentado na Figura. Se considerarmos um ponto material m em equilíbrio, ou seja, sujeito a um conjunto de forças Pi cuja resultante é nula, como indicado na Figura 6. Suponhamos que a este ponto seja aplicado um deslocamento δ sem a introdução de novas forças no sistema, ou seja, mantendo a resultante igual a 0. Esse deslocamento não pode ser atribuído a nenhuma causa física real, pois para que ocorra um deslocamento real do ponto, seria necessário introduzir uma nova força no sistema, permitindo esse deslocamento real do ponto m. Portanto, tratemos esse deslocamento δ, dado nessas condições da resultante igual a 0, como uma entidade puramente matemática, à qual chamaremos de deslocamento virtual (Sussekind, 1980). Ainda de acordo com Sussekind (1980), ao considerarmos o trabalho virtual W realizado pelo conjunto de forças Pi que atuam sobre o ponto m quando ele sofre o deslocamento virtual δ, temos que W= R⃗∙δ⃗=0. Concluímos, portanto, que quando um ponto material está em equilíbrio (R⃗=0), o trabalho virtual realizado pelo sistema de forças reais em equilíbrio que atua sobre o ponto, quando este sofre qualquer deslocamento virtual arbitrário, é nulo. Esse princípio é conhecido como o princípio de d'Alembert. Isso assegura a aceitação do novo conceito (trabalhos virtuais), pois mantém, para o ponto que experimentou um deslocamento virtual, suas duas condições de equilíbrio: a estática (expressa pela resultante nula) e a energética (expressa pelo trabalho virtual realizado nulo). Para um ponto material em estado de equilíbrio, é sabido que o "trabalho efetivamente realizado pelo conjunto de forças atuando sobre ele é nulo"; segundo o princípio de d'Alembert, "o trabalho virtual realizado pelo conjunto de forças atuando 3.1 APLICAÇÃO DO TEOREMA DOS TRABALHOS VIRTUAIS AOS CORPOS ELÁSTICOS Figura 7: Ponto material em equilíbrio Fonte: Sussekind (1980). 38 sobre ele é nulo para qualquer deslocamento virtual arbitrário imposto". Assim, ao substituirmos a palavra "efetivamente" no enunciado da proposição da Mecânica sobre o trabalho (efetivo) realizado por um ponto em equilíbrio por "virtual", obtemos a proposição sobre o trabalho virtual realizado por um ponto material em equilíbrio, quando este sofre um deslocamento virtual arbitrário (SUSSEKIND, 1980; SORIANO; LIMA, 2004). Sussekind (1980) ainda reforça que considerando que corpos rígidos e elásticos são, em essência, uma agregação infinita de pontos materiais, podemos prontamente enunciar os teoremas sobre trabalhos virtuais aplicáveis a eles, substituindo a palavra "real" nos enunciados dos teoremas de trabalhos reais relacionados a esses dois tipos de corpos pela palavra "virtual". Dessa forma, temos: a) Para corpos rígidos: "Para um corpo rígido em estado de equilíbrio, a soma algébrica dos trabalhos virtuais de todas as forças (reais) que agem sobre ele é nula, para todos os deslocamentos virtuais arbitrários (compatíveis com os vínculos do corpo) que lhe impusermos." b) Para corpos elásticos: "Para um corpo elástico que alcançou sua configuração de equilíbrio, o trabalho virtual total das forças externas que agem sobre ele é igual ao trabalho virtual das forças internas (esforços simples) que nele atuam, para todos os deslocamentos virtuais arbitrários (compatíveis com os vínculos do corpo) que lhe impusermos." Para melhor entender sobre as formulações que envolvem o teorema dos traba- lhos virtuais para corpos elásticos, sugiro a leitura do capítulo 1 do livro de Sus- sekind (1980), que trata sobre análise estrutural e abrange muito bem diversos conceitos importantes. Disponível em: https://acesse.dev/aFozz. Acesso em 20 fev. 2024. BUSQUE POR MAIS O uso de tabelas como auxílio nas integrais geradas no Princípio dos trabalhos Virtuais é uma prática comum dentro da análise de estruturas, na Figura, podemos notar uma das tabelas usuais. 3.2 USO DE TABELAS PARA OS CÁLCULOS DOS MOMENTOS REAIS E VIRTUAIS E A APLICAÇÃO EM ESTRUTURAIS USUAIS NA PRÁTICA 39 Para melhor entender seu uso, observe o exemplo que se segue abaixo. Calcular a rotação da tangente à elástica em B, para a estrutura da Figura. Dado: EJc = 2 x 10^4 tm². Temos: a) Estado de carregamento Para o estado de carregamento, é inserido um momento unitário no ponto B, montado o sistema de carregamento ou de forças, isto é, o virtual, calculado suas reações de apoio e determinado o seu diagrama de momento fletor que está apresentado a seguir. Figura 8: Tabelas de momentos Fonte: Disponível em: https://encr.pw/EbI4O. Acesso em: 20 set. 2023. Figura 9: Exemplo de estrutura usual na prática Fonte: Sussekind (1980). 40 b) Estado de deformação Para o estado de deformação, isto é, o real, calcula-se suas reações de apoio e determina-se o seu diagrama de momento fletor que está apresentado a seguir. c) Cálculo de δ: Temos, empregando a tabela: Com auxílio da Tabela 7, identifica-se qual figura geométrica representa o comportamento do momento fletor para cada barra e aplica-se a equação apresentada. Por exemplo, para a barra 1, vamos ter um triângulo e um triângulo somado a uma parábola. Portanto, terá a equação determinada na tabela 7 para dois triângulos e para um triângulo e uma parábola, onde irá somar esses valores no final. Para os dois triângulos iremos ter que será um terço do comprimento (1/3.l) vezes o momento do diagrama do estado de deslocamento (real) vezes diagrama do estado de carregamento (virtual). Isso resultará em 1 3 ∙3 (comprimento da barra)×9(momento estado real)×0,5(momento estado virtual)=-4,5. Note que o valor é negativo, já que o diagrama no estado virtual é negativo e no estado real é positivo. Por fim, aplica- se a integral do resultado ao longo da barra. Ele irá se seguir para determinar os deslocamentos nas outras barras. 41 δ = - 1,4 x 10^-4 rad (O sentido correto é, pois, o anti-horário.) Por que o sentido correto seria o anti-horário para o resultado do deslocamento final? Veja que o resultado deu negativo e isso indica que o sentido horário adotado inicialmen- te para desenvolvimento dos cálculos, não é o sentido no qual a estrutura está realmente se deslocando. VAMOS PENSAR? No caso deste exemplo, a combinação dos diagramas poderia ter sido feita diretamente, pois as parábolas terminam com tangente horizontal (já que o esforço cortante é nulo), e este caso está tabelado; não o fizemos, entretanto,para ilustrar o procedimento a adotar no caso de tal não ocorrer. FIQUE ATENTO 42 FIXANDO O CONTEÚDO 1. (CESGRANRIO – 2011). A lei de Hooke, a respeito dos corpos elásticos submetidos a tensão, enuncia-se como: a) tensão é diretamente proporcional à deformação. b) A temperatura aumentando, diminui a deformação para dada tensão. c) A temperatura aumentando, diminui a tensão necessária para obter certa deformação. d) A tensão de cisalhamento deforma apenas a superfície do corpo. e) A tração provoca deformação maior que a compressão. 2. (Adaptada de FUNDEP – 2018). O princípio dos trabalhos virtuais (PTV) permite ao engenheiro calcular uma única componente de deflexão a cada aplicação do método. Sobre a aplicação do PTV para cálculo de deflexões em estruturas isostáticas (vigas, pórticos e treliças), é incorreto afirmar: a) Com base no princípio da conservação de energia, o trabalho virtual presume que as cargas são aplicadas lentamente para que nem energia cinética nem calorífica sejam produzidas. b) Se uma deflexão tem componentes vertical e horizontal, apenas uma análise em uma dessas direções é necessária para encontrá-la, pois a deflexão real é a soma vetorial das duas componentes ortogonais. c) O PTV é útil no estabelecimento do método da carga unitária, que permite o cálculo de deslocamentos na análise linear de estruturas, recorrendo apenas a soluções equilibradas complementadas com as apropriadas leis constitutivas. d) Para um corpo elástico, que atingiu sua configuração de equilíbrio, o trabalho virtual total das forças externas que nele atuam é igual ao trabalho virtual das forças internas nele atuantes, para todos os deslocamentos virtuais arbitrários, compatíveis com os vínculos do corpo, que lhe sejam impostos. e) todas estão incorretas. 3. Se considerarmos um ponto material m em equilíbrio e que a este ponto seja aplicado um deslocamento δ sem a introdução de novas forças no sistema, ou seja, mantendo a resultante igual a 0. Esse deslocamento não pode ser atribuído a nenhuma causa física real, pois para que ocorra um deslocamento real do ponto, seria necessário introduzir _______. Assinale a alternativa correta a) um deslocamento no espaço b) uma força no sistema c) um apoio d) um tirante e) um arco 43 4. Ao considerarmos o trabalho virtual W realizado pelo conjunto de forças Pi que atuam sobre o ponto m quando ele sofre o deslocamento virtual δ, temos que a) 𝑊 = 𝑅 � 𝛿 = 10. b) 𝑊 = 𝑅 � 𝛿 = 1. c) 𝑊 = 𝑅 � 𝛿 = 11. d) 𝑊 = 𝑅 � 𝛿 = 0. e) nenhuma das alternativas. 5. Para um ponto material em estado de equilíbrio, é sabido que a) "trabalho efetivamente realizado pelo conjunto de forças atuando sobre ele não é nulo". b) "trabalho efetivamente realizado pelo conjunto de forças atuando sobre ele é unitário". c) "trabalho efetivamente realizado pelo conjunto de momentos atuando sobre ele é unitário". d) "trabalho efetivamente realizado pelo conjunto de forças atuando sobre ele é nulo". e) nenhuma das opções. 6. Segundo o princípio de d'Alembert, assinale a alternativa correta. a) "O trabalho virtual realizado pelo conjunto de forças atuando sobre ele não é nulo para qualquer deslocamento virtual arbitrário imposto". b) "O trabalho virtual realizado pelo conjunto de forças atuando sobre ele é unitário para qualquer deslocamento virtual arbitrário imposto". c) "O trabalho virtual realizado pelo conjunto de forças atuando sobre ele é nulo para qualquer deslocamento virtual arbitrário imposto". d) "O trabalho virtual realizado pelo conjunto de forças atuando sobre ele é positivo para qualquer deslocamento virtual arbitrário imposto". e) "O trabalho virtual realizado pelo conjunto de forças atuando sobre ele é negativo para qualquer deslocamento virtual arbitrário imposto". 7. Para os corpos rígidos, em relação aos trabalhos virtuais, assinale a alternativa correta. a) "Para um corpo rígido em estado de equilíbrio, a soma algébrica dos trabalhos virtuais de todas as forças (reais) que agem sobre ele é nula, para todos os deslocamentos virtuais arbitrários (compatíveis com os vínculos do corpo) que lhe impusermos." b) "Para um corpo rígido em estado de desorganização, a soma algébrica dos trabalhos virtuais de todas as forças (reais) que agem sobre ele é unitária, para todos os deslocamentos virtuais arbitrários (compatíveis com os vínculos do corpo) que lhe impusermos." c) "Para um corpo rígido em estado de equilíbrio, a soma algébrica dos trabalhos virtuais de todas as forças (reais) que agem sobre ele é unitária, para todos os deslocamentos 44 virtuais arbitrários (compatíveis com os vínculos do corpo) que lhe impusermos." d) "Para um corpo rígido em estado de equilíbrio, a soma algébrica dos trabalhos virtuais de todas as forças (reais) que agem sobre ele é negativa, para todos os deslocamentos virtuais arbitrários (compatíveis com os vínculos do corpo) que lhe impusermos." e) "Para um corpo rígido em estado de desorganização, a soma algébrica dos trabalhos virtuais de todas as forças (reais) que agem sobre ele é negativa, para todos os deslocamentos virtuais arbitrários (compatíveis com os vínculos do corpo) que lhe impusermos." 8. Para os corpos elásticos, em relação aos trabalhos virtuais, assinale a alternativa que preenche a afirmação corretamente. "Para um corpo elástico que alcançou sua configuração de ______, o trabalho virtual total das forças ______ que agem sobre ele é igual ao trabalho _____ das forças internas (esforços simples) que nele atuam, para todos os deslocamentos virtuais arbitrários (compatíveis com os vínculos do corpo) que lhe impusermos." a) equilíbrio; internas; virtual. b) equilíbrio; externas; virtual. c) equilíbrio; externas; real. d) equilíbrio; internas; real. e) compatibilidade; externas; virtual. 45 MÉTODO DAS FORÇAS 46 Soriano e Lima (2004), diz que o propósito do método das forças consiste em determinar um conjunto de reações ou esforços solicitantes excedentes ao equilíbrio estático de uma estrutura hiperestática. Isso viabiliza o cálculo de outras reações ou esforços por meio das equações da estática. O método das forças aborda a resolução do problema considerando grupos específicos de condições a serem atendidas pelo modelo estrutural, seguindo uma ordem cuidadosamente delineada: 1º: Condições de equilíbrio. 2º: Condições relacionadas ao comportamento dos materiais (leis constitutivas). 3º: Condições de compatibilidade. Na prática, entretanto, a metodologia empregada pelo método das forças para analisar uma estrutura hiperestática é agregar uma série de soluções fundamentais que satisfaçam as condições de equilíbrio, mas que não atendam às condições de compatibilidade da estrutura original. Posteriormente, através da superposição, restabelecer as condições de compatibilidade (SUSSEKIND, 1980). Cada solução fundamental (designada como caso essencial) não atende, de forma isolada, todas as condições de compatibilidade da estrutura original. Tais condições são restauradas por meio da sobreposição de todos os casos fundamentais (MARTHA, 2022). A estrutura empregada para a superposição das soluções fundamentais é, comumente, uma estrutura isostática acessória derivada da estrutura original pela remoção de vínculos. Essa estrutura isostática é denominada sistema principal (SP). As forças ou momentos vinculados liberados, conhecidos como hiperestáticos, constituem as incógnitas do problema (MARTHA, 2022). Uma estrutura se diz hiperestática quando as equações de equilíbrio da estática não são suficientes para solucioná-la, isto é, o número de equações é menor do que o número de incógnitas. Vamos observar a estrutura disposta na Figura. 4.1 CONCEITOS INTRODUTÓRIOS 4.2 GRAU DE HIPERESTATICIDADE E SISTEMA PRINCIPAL Figura 10: Componentes de reações de apoio da estrutura Fonte: Martha (2022) 47 Para investigar a estrutura quanto às condições de equilíbrio, as cinco componentes das reações de apoio da estrutura são apresentadas na Figura