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Ciclos da vida e Saúde Pública Aula.4 para USTM - Saúde e Ciclos de Vida 1 2024 Aparicio Francisco Nhacole i Ciclo de vida (também chamado curso de vida) compreende o processo de transformação do ser humano desde seu início até o fim da vida que pode ser subdividido em ciclos específicos. Esses ciclos são as expressões das interações do biológico com o sócio-ambiental, interações essas que condicionam o processo saúde e doença. Conceitos CICLO DE VIDA - I 3 A bordagem do curso de vida "se concentra nas trajectórias do indivíduo por meio da vida e sobre como os principais eventos de vida e transições afectam essas trajectórias (Elder 1998) Podemos tomar conhecimento da necessidade de indivíduos em diferentes estágios do ciclo de vida para melhor compreender as suas necessidades especificas . M o r t e (inexistência) Ciclos de vida, curso de vida Ciclos específicos ou fases c r i a n ça i d o s o adoles cente jovem adulto Meia idade con- cepto recém- nas- cido CICLO DE VIDA - I ATENÇÃO!!! É preciso relativizar estes ciclos, podem variar muito (jovens dependentes, velhos independentes, sexualidade e reprodução até tarde etc.) Sem se esquecer que os ciclos específicos/fases são as “expressões das interações do biológico com o sócio-ambiental, interações essas que condicionam o processo saúde e doença” eles começam com a concepção e assim portanto temos toda a fase intrauterina que é a gestacional que se finaliza com o nascimento, seguindo com a extrauterina. A vida extrauterina pode possuir sete ciclos/ fases que são a do recém-nascido, seguido pela criança, pelo adolescente, pelo jovem, pelo adulto, pelo adulto na transição de sua vida reprodutiva e pelo idoso. Estes ciclos/fases sofreram grande influência de acordo com o desenvolvimento socioeconômico de cada país áo longo dos séculos. A este fenômeno denominamos de Transição Demográfica. 5 Ciclo como teoria analitica o desenvolvimento humano e o envelhecimento são processos que interligam as diferentes fases da vida; os indivíduos constroem seus próprios cursos de vida através de suas ações e escolhas, que são tomadas em uma estrutura de constrangimentos e oportunidades situadas historicamente; o curso de vida individual é enraizado e diretamente influenciado pelo lugar e tempo histórico em que sua vida ocorre; Permite compreender: 6 (4) os antecedentes e as consequências de certas transições, eventos e padrões de comportamento variam a partir do entendimento de quando elas acontecem no curso de vida individual; (5) as vidas são estruturadas de forma interconectada e interdependente e devem ser entendidas por sua expressão em uma rede de relacionamentos compartilhados. 7 Dois exemplos, ilustram a potencialidade da perspectiva dos ciclos de vida 8 Esse estudo demonstrou como uma crise macroeconômica influenciava o ambiente familiar, que por sua vez influenciava a socialização das crianças e suas orientações com o mundo do trabalho. Em termos mais técnicos, foi um dos primeiros estudos a demonstrar sistematicamente como certos efeitos de exposição que uma coorte vivencia têm consequências na estruturação de diversos âmbitos da vida dos indivíduos 9 VANDECASTEELE, L. Life Course Risks or Cumulative Disadvantage? The Structuring Effect of Social Stratification Determinants and Life Course Events on Poverty Transitions in Europe 10 Interessou em entender como trajetórias individuais marcadas pela entrada e saída de situações de pobreza influencia o estado de saúde das pessoas na Europa. O trabalho se preocupou em ver como certos riscos do curso de vida dos indivíduos, como divórcio ou perda de um emprego, os deixam mais ou menos vulneráveis à vivência da pobreza. 11 A perspectiva do curso de vida académica nos diz para olhar para vidas em um contexto mais amplo, permitindo a agência individual, mas entendendo vidas como parte de um tempo histórico e local, uma série de redes sociais e incorporada em instituições sociais que moldam experiências de vida. Isso nos permite ir além dos modelos individualizados simplistas e para uma compreensão mais nuançada de indivíduos que reflictam melhor as realidades sociais. 12 Curso de vida é uma estrutura de pesquisa analítica que permite a ligação do contexto de vida e as complicadas inter-relações de experiências, transições e conexões do quotidiano das pessoas. 13 A aplicação da abordagem do Curso de Vida na saúde pública 14 1. A abordagem do curso de vida nos permite compreender melhor como as iniquidades sociais em saúde são perpetuadas e transmitidas e como elas podem ser mitigadas ou atenuadas ao longo das gerações. 15 2. Uma abordagem de curso de vida fornece estratégias de alto impacto, baseadas em evidências e em direitos, que aplica a perspectiva da compreensão da saúde no contexto actual, priorizando a saúde daqueles que foram deixados para trás. 16 3. A abordagem do curso de vida considera a saúde como uma capacidade em evolução que se desenvolve dinamicamente ao longo do tempo e através das gerações. 17 4. Uma perspectiva de curso de vida ajuda a explicar os padrões de saúde e doença. Embora enfatize um início de vida saudável, também explica que nunca é tarde para melhorar a saúde. 18 5. Os profissionais de saúde pública podem aplicar a abordagem do curso de vida para fornecer uma perspectiva abrangente para políticas, programas e intervenções. 19 Depois de entender a relevância da abordagem do curso de vida ena Saúde Publica , faça a seguinte actividade: Identifique um problema de saúde pública na actualidade; Identifique o público alvo; Explica como é que a abordagem Curso de vida pode operacionalizar o problema. Bibliografia sugerida Gonçalves, G. Q., de Carvalho, J. A. M., Wong, L. L. R., & Turra, C. M. (2019). A transição da fecundidade no Brasil ao longo do século XX–uma perspectiva regional. Revista Brasileira De Estudos De População, 36, 1-34. Faleiro, J. C., Giatti, L., Barreto, S. M., Camelo, L. D. V., Griep, R. H., Guimarães, J., ... & Chagas, M. D. C. A. (2017). Posição socioeconômica no curso de vida e comportamentos de risco relacionados à saúde: ELSA-Brasil. Cadernos de Saúde Pública, 33, e00017916. Siviero, P. C. L., Turra, C. M., & Rodrigues, R. D. N. (2011). Diferenciais de mortalidade: níveis e padrões segundo o sexo no município de São Paulo de 1920 a 2005. Revista Brasileira de Estudos de População, 28(2), 283-301. 20 image1.png image2.jpeg