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PSICOLOGIA DO 
DESENVOLVIMENTO – 
ADULTO 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Rafael A. Cazuza 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Como vimos em momento anterior, a psicologia do desenvolvimento 
estuda como, onde e por que ocorrem as mudanças psicológicas que ocorrem 
ao longo da vida do ser humano. Dessa forma, podemos dizer que a psicologia 
do desenvolvimento é um ramo complexo e interdisciplinar que se preocupa com 
fatores de normalidade e adoecimento, aprendizagem, memória, afeto, 
envelhecimento e morte. Além disso, uma perspectiva interdisciplinar é essencial 
para a compreensão do desenvolvimento. Ainda, o desenvolvimento é um 
processo constante, existindo peculiaridades tanto no desenvolvimento infantil 
quanto no adulto. 
A vida humana oferece diversos desafios em seu percurso, apresentando 
questões existenciais e sociais complexas que envolvem habilidades cognitivas 
e afetivas na tomada de decisão e motivação. Nesta aula, abordaremos os 
principais aspectos do desenvolvimento na vida adulta. Abordaremos como as 
relações afetivas, sociais, de trabalho e produtividade afetam o ciclo vital na fase 
adulta. 
O objetivo desta aula será o de apresentar os diversos aspectos da vida 
adulta de modo que seja possível identificar como estressores relacionados a 
esses aspectos podem prejudicar o ciclo vital normal no adulto, afetando cada 
fase de desenvolvimento. Não trataremos especificamente de nenhum tipo de 
transtorno, o objetivo é o destacar alguns dos obstáculos presentes na vida 
adulta que podem prejudicar a saúde mental do indivíduo. 
TEMA 1 – O QUE É A VIDA ADULTA? 
Como abordamos em momento anterior, algumas teorias modernas 
tentam especificamente lidar com a problemática do que é a vida adulta e como 
esta se desenvolve no ciclo vital. A ideia de estágios na idade adulta ou mesmo 
estruturas no desenvolvimento como sugeria Piaget são difíceis de defender e 
encontram inúmeros problemas. Neste tema, discutiremos um pouco mais sobre 
isso. 
1.1 Vida adulta a começar da adolescência 
Abordamos em momento anterior que Levinson (1986) sugere que a fase 
adulta é dividida em era, separadas por períodos de transição entre elas. Nessa 
 
 
3 
perspectiva, o primeiro estágio adulto é identificado aos 22 anos, logo após o 
período pós-adolescência (até 17 anos) e pré-adulto (de 17 a 22). A fase adulta 
jovem iria então de 22 a 45 anos aproximadamente, com uma transição de 40 a 
45. A meia idade partiria daí até 65 anos e de 65 em diante seria considerado a 
fase final do desenvolvimento adulto. 
1.2 Fases da vida adulta e a problemática dos estágios 
Para Levinson (1986), a concepção de desenvolvimento adulto é possível 
e apresenta evidentes características relacionadas à idade e ao envelhecimento 
no ciclo vital, entretanto, com algumas considerações em relação à definição de 
estruturas nos estágios. Ele as enumera como seis grandes questões. 
1. Quais são as formas alternativas de definir uma estrutura de estágio ou 
período? 
2. Que ênfase relativa é dada às estruturas e períodos ou fases de 
construção de estruturas, em comparação com os períodos de transição 
e de mudança de estrutura? 
3. Como podemos fazer o melhor uso da distinção entre níveis hierárquicos 
e épocas de desenvolvimento? 
4. Existem períodos de desenvolvimento ligados à idade na fase adulta? 
5. Quais são os méritos e limitações relativos de vários métodos de 
pesquisa? 
6. Como podemos unir a perspectiva desenvolvimentista e a perspectiva 
social? 
Seguindo esses questionamentos, Levinson propõe uma concepção de 
desenvolvimento adulto que ainda carece de evidências experimentais e 
confirmação filosófica para que se torne uma teoria concreta. 
Respondendo a cada problema, ele faz as proposições a seguir. 
1. Contrapondo-se à ideia inicial de Piaget, é difícil propor que haja 
estruturas de estágios na idade adulta. Para isso, necessitamos buscar 
formas alternativas de explicar as mudanças que ocorrem na fase adulta. 
O autor sugere que definamos cada estágio por suas tarefas exigidas em 
cada fase da vida adulta (trabalho e produtividade, habilidades com 
criação de filhos etc.). 
 
 
4 
2. Nesse ponto, o autor propõe um olhar mais cuidadoso pelos períodos de 
transição mais que pelos períodos em si. Dessa forma, se foca nas 
problemáticas de aprendizado em crises vitais que nas próprias 
características de cada fase. 
3. Geralmente utilizam-se de hierarquias nas fases do desenvolvimento 
infantil em que cada fase é superior à outra em níveis de habilidades. Para 
Levinson, cada fase estaria diferenciada somente em nível qualitativo e 
não hierárquica. 
4. O autor argumenta sobre a dificuldade de encontrar relação entre a idade 
e a fase do desenvolvimento, propondo que essas mudanças estariam 
mais associadas aos papéis sociais em uma ordem de desenvolvimento. 
Isso estaria associado a mudanças na personalidade, eventos isolados da 
vida, biologia e cultura. 
5. Nesse aspecto, aborda as dificuldades metodológicas no estudo do 
desenvolvimento adulto, sugerindo uma interseção entre métodos 
longitudinais (coleta de dados em tempos diferentes ao longo da vida) e o 
método biográfico, baseado em entrevistas sobre a vida pregressa do 
indivíduo. 
6. Nesse último ponto, é interessante ressaltar o contraponto entre 
perspectivas ontológicas e perspectivas socioconstrutivistas. O autor 
tenta propor uma teoria integral e multifatorial em que aspectos 
ontogenéticos relacionados à maturação epigenética é multiafetada pela 
composição social do contexto em que se insere o indivíduo. Dessa 
maneira, a evolução do fluxo vital segue uma afetação do meio social 
sobre características intrínsecas a cada indivíduo adulto. 
Abordamos também em momento anterior a proposta de Dale Dannefer 
(1984) para uma perspectiva sociogenética do desenvolvimento adulto. Nesse 
sentido, há uma concordância com a teoria anteriormente citada já que Dannefer 
propõe um modelo biopsicossocial no desenvolvimento adulto. Além disso, 
outras abordagens trouxeram considerações sobre o desenvolvimento adulto, 
como vimos anteriormente. O ponto de partida teórico que tomaremos ao longo 
dos próximos temas será o de que existem papéis sociais e exigências 
ambientais específicas de cada etapa da vida adulta (jovem adulto, meia-idade 
e fase adulta tardia). 
 
 
5 
Segundo Schaie, há estágios identificáveis de desenvolvimento na idade 
adulta e que são separados pelos níveis de capacidade exigidas por cada 
período (Schaie; Parham, 1977). Essas habilidades exigidas pelo meio não se 
diferenciam em nível quantitativo, como propunha Piaget, mas em nível 
qualitativo. As cinco fases – aquisitivo, realizador, responsável, executivo e 
reintegrativo – são conectadas por períodos intervalares e apresentam 
características próprias. 
De maneira mais específica, Papalia e Feldman (2013) apresentam o 
modelo mais atualizado da teoria de Schaie dos estágios da vida adulta. 
1. Estágio aquisitivo (infância e adolescência). As crianças e os 
adolescentes adquirem informação e habilidades principalmente 
por seu próprio valor ou como preparação para participação na 
sociedade. 
2. Estágio realizador (final da adolescência ou início dos 20 anos até 
o início dos 30). Os jovens adultos não adquirem mais o 
conhecimento por seu próprio valor: utilizam o que sabem para 
atingir metas como carreira profissional e família. 
3. Estágio responsável (final dos 30 anos até início dos 60). As 
pessoas de meia-idade utilizam a mente para resolver problemas 
práticos associados a responsabilidades com os outros, como os 
membros da família ou empregados. 
4. Estágio executivo (dos 30 ou 40 anos até a meia-idade). As pessoas 
no estágio executivo, que pode sobrepor-se aos estágios realizador 
e responsável, são responsáveis por sistemas sociais 
(organizações governamentais ou comerciais) ou movimentos 
sociais. Lidam com relacionamentoscomplexos em múltiplos níveis. 
5. Estágio reorganizativo (final da meia-idade e início da vida adulta 
tardia). As pessoas que entram na aposentadoria reorganizam suas 
vidas e energias intelectuais em torno de propósitos significativos 
que ocupem o lugar do trabalho remunerado. 
6. Estágio reintegrativo (vida adulta tardia). Adultos mais velhos 
podem estar vivenciando mudanças biológicas e cognitivas e 
tendem a ser mais seletivos em relação às tarefas a que dedicarão 
esforço. Concentram-se no propósito do que fazem e nas tarefas 
que têm mais significado para eles. 
7. Estágio de criação de herança (velhice avançada). Próximo do fim 
da vida, tão logo a reintegração tenha sido concluída (ou juntamente 
com ela), as pessoas muito idosas podem criar instruções para a 
distribuição das posses de valor, tomar providências para o funeral, 
contar histórias oralmente ou escrever a autobiografia como um 
legado para seus entes queridos. 
Nesse modelo atualizado, mesmo que encontremos falta de evidências 
experimentais sobre o modelo, é evidente que o ser humano adulto apresenta 
claras questões que são singulares a cada período da vida adulta. Utilizaremos 
cada fase dessas mais adiante enquanto tratamos de questões de sexualidade, 
trabalho e envelhecimento. 
 
 
6 
TEMA 2 – RELAÇÕES AFETIVAS E SEXUALIDADE NA VIDA ADULTA 
As relações de afeto são fatores de extrema importância no 
desenvolvimento saudável do ser humano tanto na infância quanto na fase 
adulta. As relações de afetos são o que constroem a sociedade humana tal qual 
a vemos hoje em dia. Desde o cuidado parental e amizades até relações afetivo-
sexuais é o que mantém a sobrevivência da espécie humana ao longo dos 
séculos. Além disso, a sexualidade e o afeto são fatores de extrema importância 
na constituição da identidade pessoal e desenvolvimento saudável tanto para 
adultos jovens quanto idosos (Papalia; Feldman, 2013). Ao longo deste tema, 
abordaremos as principais questões relacionadas ao afeto familiar e não familiar 
e a sexualidade na vida do adulto jovem e de meia-idade. 
2.1 Afetividade na formação da personalidade 
Os relacionamentos íntimos fazem parte do desenvolvimento humano e 
exigem uma diversidade de habilidades para adquiri-los e mantê-los, como 
autoconsciência, empatia, comunicação, controle emocional, resolução de 
conflitos, decisão sexual, entre muitos outros (Lambeth; Hallett, 2002). Sendo 
assim, a formação de vínculos exige capacidades e habilidades intrínsecas de 
um adulto ou jovem adulto que são de extrema importância para a formação da 
sua personalidade. Ainda, a formação da personalidade pela formação de 
vínculos afetivos também pode afetar os próprios vínculos em uma lógica circular 
(Neyer; Lehnart, 2007). 
Um vínculo importante para a vida adulta é a amizade. Elas contribuem 
tanto para o bem-estar e a colaboração como para a própria formação de 
personalidade na vida do jovem adulto (Hartup, 1996). O número de amigos e a 
quantidade de tempo passado com eles geralmente diminuem no decorrer do 
período adulto jovem. As amizades são importantes tanto para os adultos jovens 
quanto para os adultos mais velhos. A quantidade de amizades tende a se 
reduzir ao longo da vida do adulto, mantendo somente os amigos mais próximos 
(Hartup; Stevens, 1999). 
2.2 Fator sexualidade no desenvolvimento adulto 
O entendimento de si mesmo como um corpo sexual e o reconhecimento 
da própria orientação e expressão sexual fazem parte do primeiro passo para a 
 
 
7 
formação de vínculos afetivo-sexuais na vida adulta e da própria identidade e 
personalidade. A sexualidade também está associada ao bem-estar com a 
autoimagem e com a formação de relacionamentos saudáveis. 
Além disso, assim como outros fatores da vida adulta, a sexualidade é 
multiafetada, estando sujeita a determinações biológicas, históricas e culturais 
(Papalia; Feldman, 2013). Apesar das relações afetivas começarem muito 
precocemente na vida humana, a vida sexual ativa começa no final da 
adolescência e início da vida adulta, como vimos no modelo de desenvolvimento 
adulto de Schaie. Entretanto, o desenvolvimento cognitivo do adulto ocorre 
posteriormente ao desenvolvimento sexual, estando em desacordo a 
compreensão de sua sexualidade da expressão da sexualidade em si. 
Na era contemporânea, temos a prevalência do sexo casual, o que 
impacta na formação de personalidade e conhecimento de si. Jovens adultos 
cada vez mais se abrem à possibilidade do sexo casual, sem, no entanto, formar 
relações de afetos. Entretanto, ainda há uma prevalência de um duplo padrão na 
sociedade que inclui uma expectativa de que homens tenham mais liberdade 
sexual e que as mulheres se preservem a menos parceiros sexuais ou de 
preferência somente um (Papalia; Feldman, 2013). 
A sexualidade se expressa de múltiplas formas e a orientação sexual é 
uma delas. A diferença entre a escolha pelo parceiro sexual também faz parte 
do desenvolvimento humano e da identidade pessoal (Papalia; Feldman, 2013). 
Nessa perspectiva, o desenvolvimento sexual apresenta variações tanto normais 
quanto patológicas. 
Comportamentos sexuais humanos são diversos e podem incluir tanto 
questões comuns de orientação sexual como parafilias, definidas como interesse 
focal de maneira igual a um interesse normofílico (comportamento sexual genital) 
(Lopes, 2018). Ainda, o manual de medicina diagnóstica define o transtorno 
parafílico como uma parafilia que causa prejuízos a si ou danos pessoais a 
outros (APA, 2014). Nesse aspecto, o psicólogo deve ter ferramentas de 
identificação do que é normal e patológico em uma espécie que apresenta um 
comportamento sexual tão diverso, separando bem o que é um comportamento 
sexual parafílico variado ou um transtorno parafílico. Importante ressaltar que 
todo transtorno parafílico se refere a uma parafilia, mas nem toda parafilia pode 
se enquadrar como transtorno (Lopes, 2018). 
 
 
8 
Na vida adulta tardia, a sexualidade ainda se expressa como forma de 
bem-estar e identidade. Sabe-se que, a partir dos 45-50 anos, existe uma 
limitação biológica ao corpo humano em relação à produção hormonal tanto para 
homens quando para mulheres. Para as mulheres, a fase da menopausa é uma 
crise vital muito importante que representa não somente um impacto reprodutivo, 
mas sexual. Para os homens, há uma queda de testosterona que provoca 
diversos efeitos sobre a libido e desempenho sexual (Papalia; Feldman, 2013). 
Essas alterações hormonais e corporais levam a diversas crises na percepção 
de si como corpo sexual. O manejo dessas situações e o amortecimento do 
impacto que as mudanças com a idade provocam são essenciais para a 
manutenção da saúde mental e do bem-estar. 
TEMA 3 – RELAÇÕES SOCIAIS 
As relações sociais parecem ser vitais para a saúde e o bem-estar. O ser 
humano é um ser social. Relações de trabalho, afetivas, de amizade ou sexuais 
também são relações sociais. Entretanto, neste tema abordaremos a função do 
ser humano adulto em sua comunidade, como impacto socializante e 
socializado. 
A integração social e apoio social são grandes promotores de saúde e 
bem-estar (Cohen, 2004). Ou seja, desempenhar papéis sociais saudáveis, 
como amigo, marido e afins, promove a integração do indivíduo e acesso ao 
suporte social. Além disso, a rede de apoio social ou redes colaborativas são 
amplamente associadas à sobrevivência do ser humano, reduzindo índices de 
mortalidade (Berkman et al., 2000). Nesse sentido, uma rede de apoio social 
bem articulada e ampla pode reduzir a probabilidade de transtornos ansiosos ou 
depressivos (Cohen; Gottlieb; Underwood, 2000). 
Redes de apoio social englobam uma variedade de recursos materiais e 
de suporte à saúde física e mental em que o objetivo é reduzir a exposição a 
estressores ou dar suporte médico e social a quem sofre de algum transtorno. 
Sendo assim, o suporte social funciona como uma redeprotetora da saúde 
mental do indivíduo e um propulsor de bem-estar (Cohen, 2004). 
 
 
9 
TEMA 4 – TRABALHO E PRODUTIVIDADE 
O envelhecimento e desenvolvimento adulto trazem desafios de 
características sociais, entre eles, a relação com o trabalho de produtividade. 
Podemos dizer que a personalidade é afetada pelo trabalho e pelo que a pessoa 
produz como adulto. Além disso, a complexidade do trabalho parece exercer um 
papel fundamental no desenvolvimento intelectual adulto (Kohn, 1980). De 
maneira bem curiosa, o adulto jovem em início de idade produtiva acaba por 
desenvolver os lobos frontais do cérebro, contribuindo para uma grande 
capacidade intelectual e reflexiva em relação ao trabalho (Luciana, 2010). 
Teorias sobre o desenvolvimento adulto propõem que determinadas fases 
podem estimular a motivação ao trabalho. No modelo de Kanfer e Ackerman 
(2004) há fases no desenvolvimento adulto e que alguns podem estar 
relacionados à motivação ao trabalho e produtividade. A perda está associada 
ao declínio das capacidades cognitivas com o envelhecimento; o crescimento 
associado à aquisição de conhecimento com o tempo; a reorganização se refere 
à mudança qualitativa de personalidade e emoções ao longo da vida adulta, 
incluindo as motivações de cada ação; e por fim, a troca que se refere ao 
autoconhecimento, traços de personalidade e aspectos emocionais na tomada 
de decisão ao longo da vida. Todas essas teorias modernas propõem 
interessantes aspectos que possibilitam a compreensão mais detalhada sobre o 
desenvolvimento adulto, e as tomaremos por base em aulas futuras. 
Por fim, um aspecto importante relacionado ao trabalho é a 
aposentadoria, que está relacionada diretamente à redução da produtividade. 
Segundo o discutimos no parágrafo anterior, o adulto mais velho é mais expert 
que o mais jovem em um modelo ideal hipotético. O que acontece é que, quanto 
mais velho, mais especialista, mas com uma redução grande no desempenho do 
produto final, mesmo que o alcance com muito menos esforço intelectual (Kanfer; 
Ackerman, 2004). Além disso, discutimos que o trabalho é um grande formador 
intelectual e de personalidade e que o desenvolvimento é um processo 
constante. Entretanto, o envelhecimento acarreta uma queda intelectual e de 
produtividade, o que sugere que o desenvolvimento não é uma evolução 
majorante, e que pode ter decréscimos. Nesse sentido, é importante comentar 
que a saída de uma atividade executada ao longo da vida, que formou sua 
personalidade, pode gerar efeitos deletérios importantes (Papila; Feldman, 
 
 
10 
2013). Em momentos futuros, abordaremos o tema da aposentadoria e seus 
impactos para a saúde mental. 
TEMA 5 – CLASSES SOCIAIS E RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS 
As relações sociais tem grande impacto na formação da personalidade e 
suporte social, como discutimos anteriormente. Nesse contexto, as relações 
étnico-raciais apresentam características próprias que devemos abordar no meio 
social. Ainda, a sociedade desigual promove diferentes tipos de abordagens de 
apoio e cuidado com classes sociais menos favorecidas economicamente. 
Fazer parte de uma comunidade étnico-racial produz implicações 
identitárias muito singulares. Identidade étnica é definida como a “identidade da 
pessoa como membro de um determinado grupo étnico” (Papila; Feldman, 2013) 
e é parte da identidade social mais ampla de um indivíduo. Em países desiguais, 
grupos étnico-raciais se apresentam como minorias mesmo que ainda sejam 
maioria numérica (Sodré, 2005). Isso significa dizer que, mesmo numericamente 
superiores, a concentração de recursos econômicos se encontra sob controle de 
outros grupos sociais. 
Os efeitos econômicos e sociais que ocorrem sobre esses grupos étnico-
raciais acabam por impactar o desenvolvimento normal no ciclo vital adulto. 
Entretanto, outros fatores se apresentam nessas relações como questões de 
identidade especiais relativas à sua etnia (Phinney, 2006). Como discutimos na 
em momento anterior, o contexto histórico-cultural pode causar diversos efeitos 
sobre a formação do pensamento e linguagem, o que justifica grandes alterações 
sobre populações distintas. Além de grupos étnicos que costumam estar em 
desvantagem social, outras classes sociais também se encontram em situação 
similar. 
Em relação às classes sociais, as camadas mais pobres da população 
geralmente estão mais susceptíveis a ambientes de risco. A pobreza produz 
restrições econômicas, baixo nível de escolaridade e desemprego que, por sua 
vez, contribuem para o aparecimento de transtornos mentais comuns que 
interferem diretamente na economia geral do país pelo impacto na saúde pública. 
 No Brasil, mulheres sofrem com maior prevalência de transtornos 
mentais comuns, com grande contribuição de fatores como a baixa escolaridade 
associada à pobreza (Silva; Santana, 2012). Sendo assim, o desenvolvimento 
de políticas públicas de saúde voltadas à prevenção deve levar em consideração 
 
 
11 
as peculiaridades de grupos menos favorecidos economicamente e a questão 
de gênero associada a fatores de risco. 
NA PRÁTICA 
A vida adulta é multiafetada. Fatores de relacionamento, sexo, trabalho e 
relações sociais fazem parte da vida adulta e moldam a nossa personalidade e 
cognição como adultos. É evidente diversos exemplos práticos quando o assunto 
são os fatores que fazem parte do desenvolvimeto adulto. 
Na prática, a identificação da contribuição de cada fator é de extrema 
importância na manutenção da saúde mental,visto que o bem-estar e garantia 
dos direitos humanos dependem dessa análise. O uso prático dessas análises 
se apresenta no tratamento de um paciente adulto hipotético que apresenta 
alguma queixa de sofrimento de maneira genérica. O psicólogo na sua profissão 
consegue identificar que diversos aspectos da vida desse paciente podem ser 
causadores de angustia e sofrimento. Ainda, fatores podem se interrelacionar. 
Fatores sexuais podem afetar a vida no trabalho ou na família, e vice-versa. 
Nesse sentido, cabe ao psicólogo compreender as múltiplas facetas da 
vida adulta para identificar surgimento de relações patológicas em algum dos 
fatores abordados. Além disso, a prevenção do aparecimento de transtornos 
mentais se baseia nessas análises. Alguns fatores de risco associados a 
aspectos da vida adulta podem ter sua gênese nas relações com o meio. Sendo 
assim, questões de identidade sexual, satisfação com o trabalho ou o padrão de 
relação social e familiar devem ser abordadas de forma a promover a saúde 
mental e a qualidade de vida. 
Por exemplo, uma mulher de meia-idade passando por período de 
menopausa, sendo hipertensa e se preparando para a aposentadoria apresenta 
questões pertinentes ao seu desenvolvimento em seu contexto que são 
diferentes da de um jovem adulto que começou a vida sexual recentemente, está 
em fase reprodutiva e precisa pensar no fim da faculdade e na entrada no 
mercado de trabalho. O conhecimento dessas peculiaridades pessoais, 
contextuais e biológicas são essenciais na compreensão do desenvolvimento 
adulto de maneira integral. 
 
 
12 
FINALIZANDO 
Nesta aula, abordamos diversos aspectos do desenvolvimento na vida 
adulta. Abordamos os principais fatores que impactam questões no ciclo vital 
adulto. Além disso, vimos que é importante a compreensão multifatorial de 
afetações e a abordagem interdisciplinar, incluindo estudos de sociologia, 
neurobiologia e psicologia no desenvolvimento humano no adulto. 
Vimos ainda que há aspectos intrínsecos à vida adulta, como o 
desenvolvimento sexual, as relações com o trabalho e produtividade, vida social 
e relações de afetos. Nesse sentido, retomamos algumas teorias modernas do 
desenvolvimento adulto para compreender e justificar essas mudanças. O adulto 
tem períodos em que são necessárias determinadas habilidades que se dividem 
de forma qualitativa e não quantitativa. 
Em relaçãoao aspecto sexual, vimos que a expressão da sexualidade é 
de extrema importância na formação do adulto, tanto nos estágios iniciais 
quando na terceira idade. Vimos que a sexualidade é variada na espécie humana 
e pode se desenvolver de forma saudável ou patológica (parafilias). Além disso, 
tem grande papel na função reprodutiva e de formação de identidade. 
Sobre o aspecto afetivo, vimos que está presente desde as fases iniciais 
da vida até a morte, bem como se inicia principalmente com a família até a 
relação com o meio social, amizades e parceiros sexuais. O afeto é importante 
na saúde e no bem-estar, estando associado ao suporte social e ao 
desenvolvimento saudável. Ainda, assumimos que o afeto contribui para a 
formação da personalidade, identidade e relações que o indivíduo mantêm com 
a sociedade. 
Quanto ao trabalho, vimos que é uma parte importante na vida adulta 
desde os estágios iniciais até a aposentadoria. Discutiremos futuramente com 
mais detalhes a questão da aposentadoria, entretando, o que se pode afirmar é 
que a atividade produtiva na vida adulta é de extrema importância na formação 
de identidade, qualidade de vida, suporte social e saúde mental. 
Por fim, no que se refere às relações étnico-raciais e diferença de classes 
sociais, estas impactam fortemente na formação do “Eu” e fazem parte de 
políticas de garantias de direitos humanos. É de extrema importância a análise 
de variações étnicas e sociais no sentido de identificar variabilidades no 
desenvolvimento e possível exposição de grupos menos favorecidos a um 
 
 
13 
ambiente saudável. Vimos que populações minoritárias expostas a riscos de 
saúde e físicos podem apresentar graves problemas na vida social adulta e em 
seu desenvolvimento saudável, visto que isso impacta diretamente na saúde 
mental e na qualidade de vida. 
 
 
 
14 
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