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Aparentemente, quase todos os seres humanos apresentam essas duas tendências fundamentais. A partici- pação em nosso grupo provoca sentimentos de segurança e bem-estar, pois supomos entender que os que falam a nossa língua têm um passado em comum conosco, e também sabem que esperar de nós. Mesmo quando nos desentendemos, sabemos por que isso ocorre, podemos esperar que nosso interlocutor acabe por nos entender e aceitar. E nisso talvez a linguagem desempenhe um papel fundamental, pois os homens geralmente são incapazes de utilizar perfeitamente mais que uma língua, e só naquela aprendida na cia somos capazes de exprimir todas as sutilezas do pensamento, todas as formas de ódio e amor. Além disso, O local em que nascemos e crescemos, a paisagem que conhecemos, tudo isso parece constituir um universo próximo e amigo, cujo reencontro é sempre uma alegria e uma consolação. No outro extremo, O estrangeiro provoca a nossa desconfiança, às vezes nosso medo. Nem sempre entendemos os seus gestos e certamente não compreendemos a sua língua. Ele não se veste como nós, a sua fisionomia pode ser diferente da nossa e não adora nossos deuses. Entre os primitivos, O estrangeiro passava por uma complexa cerimônia, destinada a afastar os malefícios que trouxesse de seus demônios; ao voltar de uma viagem, as pessoas deveriam permanecer isoladas por algum tempo, até que delas se afastassem os demônios estranhos, acaso encontrados pelos caminhos. E, no entanto, sentimos que O contrário também é verdade. Frequentemente sonhamos com país distante, a terra prometida onde possamos realizar nossos desejos. Sentimos que aqueles que mais nos conhecem são também capazes de ignorar O que de melhor trazemos conosco. E provérbio "ninguém é profeta em sua terra" traduz precisamente essa ideia de que não podemos compreender integralmente quem está muito próximo de nós. As situações novas, além disso, são atraentes e provocantes: O novo ou O desconhecido parece, pelo menos durante algum tempo, mais belo e atraente do que O velho; os nossos olhos parecem mais penetrantes ao observar a nova paisagem, ao admirar outras figuras humanas. O caráter nacional brasileiro, SP. Pioneira, 1976. p.11. 1. O texto pode ser predominantemente classificado como: a) descritivo. b) narrativo. c) argumentativo. d) conversacional. e) didático. Texto XXXI Um novo fantasma ronda os consultórios pediátricos: as lesões musculoesqueléticas. O alerta vem do médico Clóvis Artur Almeida da Silva, responsável pela Unidade de Reumatologia Pediátrica, do Insti- tuto da Criança, do Hospital das Clínicas (HC), em São Paulo. Segundo especialista, é cada vez maior número de pacientes com dores e lesões musculoesqueléticas provocadas pelo uso excessivo de video- games e computadores. Os sintomas da doença são dores nas mãos e nos punhos, fadiga, comportamen- to agressivo, cefaleia e dores no abdômen, na coluna e no tórax. Além disso, médico alerta para outros problemas que podem estar associados ao uso de computadores e videogames: a obesidade, O desinteres- se pelo alimento (anorexia) e as convulsões por fotoestimulação, que acontecem em crianças já propen- sas ao problema. 1. Pelo conteúdo e estrutura do texto, pode-se dizer que sua preocupação maior é: a) ensinar. b) informar. c) prever. 644d) prevenir. e) atemorizar. Texto XXXII POR QUE BUDISMO ENCANTA O OCIDENTE? Frei Betto O budismo faz tanto sucesso no Ocidente porque possui características que correspondem às tendências da pós-modernidade neoliberal. Num mundo em que muitas religiões se sustentam em estruturas auto- ritárias e apresentam desvios fundamentalistas, budismo apresenta-se como uma não religião, uma fi- losofia de vida que não possui hierarquias, estruturas nem códigos canônicos. No budismo não há a ideia de Deus, nem de pecado. Centrado no indivíduo e baseado na prática da yoga e da meditação, budis- mo não exige compromissos sociais de seus adeptos, nem submissão a uma comunidade ou crença em verdades reveladas. Há, contudo, muitos budistas engajados em lutas sociais e políticas. Nessa cultura do elixir da eterna juventude, em que envelhecimento e morte são encarados, não como destinos, mas como fatalidades, o budismo oferece a crença na reencarnação. Acreditar que será possível viver outras vidas além dessa é sempre consolo e esperança para quem se deixa seduzir pela ideia da imortalidade e não se sente plenamente realizado nessa existência. Outro aspecto do budismo que torna tão palatável no Ocidente é a sua adequação a qualquer tendên- cia religiosa. Pode-se ser católico ou protestante e abraçar budismo como disciplina mental e espiritual, sem conflitos. Mesclar diferentes tradições religiosas é uma tendência crescente para quem respira a ideologia pós-moderna do individualismo exacerbado, segundo a qual cada um de nós pode ser seu próprio papa ou pastor, sem necessidade de referências objetivas. Como método espiritual, budismo é de grande riqueza, pois nos ensina a lidar, sem angústia, com o sofrimento; a limpar a mente de inquie- tações; a adotar atitudes éticas; a esvaziar coração de vaidades e ambições desmedidas; a ao encontro do mais íntimo de nós mesmos, lá onde habita aquele Outro que funda a nossa verdadeira identidade. 1. Pela estrutura e conteúdo, a melhor definição para esse tipo de texto é: a) narrativo didático, pois ensina e mostra diferentes aspectos em ordem cronológica. b) expositivo preditivo, pois antecipa situações futuras das relações entre as crenças. c) argumentativo polêmico, pois apresenta ideias que defendem uma posição contra outras possíveis. d) descritivo informativo, pois informa características novas sobre o budismo, que são de interesse geral. e) dissertativo normativo, pois visa dar normas de conduta aos leitores. Texto XXXIII A CIÊNCIA NO SÉCULO XXI Noventa e sete por cento das espécies vivas, 80.000 proteínas produzidas pelo corpo e bilhões de galáxias ainda não foram identificados. Quase nada sabemos da natureza do Universo, da origem da Vida, do funcionamento dos climas, do desenvolvimento do embrião e do cérebro. Provavelmente não se descobrirá ainda no século XXI de onde surgiu Universo, nem como começou a vida na Terra, nem como cérebro engendra o pensamento e a consciência, nem se outras formas de vida existem em outros lugares. Em compensação, outras questões que hoje não são formuladas serão resolvidas, pois se descobrirá que certas respostas consideradas definitivas estavam totalmente equivocadas. (Dicionário do século XXI Jacques Attali) 1. O livro de onde foi retirado esse texto é um dicionário sobre O século XXI, publicado no século XX, que mostra como um livro de profecias. 645Analise os itens a seguir: I. "Noventa e sete por cento das espécies vivas, 80.000 proteínas produzidas pelo corpo e bilhões de galáxias ainda não foram identificados." II. "Quase nada sabemos da natureza do Universo, da origem da Vida, do funcionamento dos climas, do desenvolvimento do embrião e do cérebro." III. "Provavelmente não se descobrirá ainda no século XXI de onde surgiu Universo, nem como começou a vida na Terra." IV. "Em compensação, outras questões que hoje não são formuladas serão resolvidas." O(s) item(s) que melhor mostra(m) a presença desse discurso preditivo é/são: a) I II b) III IV c) IV d) II - III IV Texto XXXIV A ARTE NA NOSSAVIDA Oliveira e Lucília Garcez Você pode pensar que não conhece arte, que não convive com objetos artísticos, mas estamos todos muito próximos da arte. Nossa vida está cercada dela por todos os lados. Ao acordar pela manhã e olhar o relógio para saber a hora, você tem primeiro contato do dia com a arte. O relógio, qualquer que seja seu desenho, passou por um processo de produção que exigiu planejamento visual. Especialistas estu- daram e aplicaram noções de arte. A forma do seu relógio é resultado de uma longa história da imagi- nação humana e das suas preferências. A cor, a forma, volume, material que foram escolhidos estão testemunhando tempo e a transformação do gosto e da técnica. Ao observá-lo, você observa que é um objeto antigo ou moderno, você reconhece que quem desenhou preferia formas curvas ou retas, ou ainda dourado, e até pedrinhas brilhantes. Quem escolhe um relógio para comprar decide com base em suas preferências pessoais. Alguns preferem os mais elaborados, outros preferem os mais simples. É gosto pessoal que predomina, e este pode variar infinitamente. Varia porque recebe influências de acor- do com a idade, com a época, com meio social em que a pessoa vive. E, como nos diz a sabedoria popular: "gosto não se discute" Mas, quem sabe, possamos discutir gosto? Em outros objetos do seu quarto e de seu cotidiano você pode observar a presença da arte: na estampa de seu lençol, no desenho da sua cama, no formato da sua escova de dentes, no desenho da torneira e da pia do banheiro, na ra que você toma leite, nos talheres, no modelo do carro, no formato do telefone. Em todos os objetos há um pouco de arte aplicada. Esse esforço para produzir objetos bonitos, agradáveis ao olhar atraentes e harmoniosos, está em todas as culturas, em todas as civilizações. E em nosso dia a dia. 1. Pela leitura do texto, podemos classificá-lo como: a) informativo. b) didático. c) publicitário. d) instrucional. e) normativo. 646Texto XXXV AS TARTARUGAS DE HERON Heloísa Seixas Amanhece na ilha de Heron. Sobre a imensa faixa de areia, que se estende em curva até desaparecer na bruma da despeja-se uma lua violácea, que pouco a pouco se encorpa. Mas é somente quando sol oblíquo já incide sobre as areias e a água, sobre a vegetação rasteira e os tufos de algas que brilham nas pedras com a maré baixa, é só então nunca antes - que se pode notar O primeiro movimento na praia. De início, quase Alguns grãos de areia deslocados, apenas. Depois um movimento um pouco mais brusco, mais ousado, pequeno terremoto subterrâneo que suga a areia para dentro de si mesma. Os grãos estremecem, revoltam-se, até que, finalmente, após longa luta, uma forma de cor es- cura irrompe à superfície. É a cabecinha de uma tartaruga. Logo, surgem outras. E mais outras, por toda parte. Ao longo de uma enorme extensão de areia, as tartarugas recém-nascidas caminham com seus passos incertos em direção ao mar da Austrália. Nem todas conseguirão alcançá-lo. Muitas morrerão ao longo do caminho até as ondas, levadas por aves pre- dadoras, ou se perderão, confundidas pelo sol. Outras, tenazes, resistirão. Serão mais rápidas ou terão mais sorte e logo seus pequenos corpos escuros serão apenas uma nódoa no mar de esmeralda líquida. Estarão salvas para cumprir seu destino. E esse destino é nadar, seguir em frente. As tartarugas de Heron, assim que mergulham no mar, nadam incansavelmente em direção à Nova Zelândia, atravessando as águas do Mar da por anos a fio. Levam praticamente a vida toda nessa travessia, apenas para, um dia, voltar. Então, descrevem uma lon- ga curva e atravessam de volta oceano, rumo à mesma praia da ilha de Heron onde nasceram. Ali, já adultas, vão pôr seus ovos na areia para que ciclo da vida recomece. Soube de tudo isso ao assistir a um documentário na televisão. E fiquei pensando. As tartarugas de Heron se parecem um pouco conosco. Elas, como nós, atravessam O longo arco da vida tão atribulada, tão cheia de batalhas - e, no fim das contas, vão parar no mesmo lugar. São navegantes sem sentido, mas que continuam, sempre e sempre, nadando rumo a seu destino. Nadam com grande afinco, empregando nas braças toda a sua energia, ano após ano, sem saber bem por que fazem, talvez sem sequer pensar no sentido dessa trajetória. Mas vão em frente, navegam como nós. Porque é preciso. 1. O texto começa pela descrição da ilha de Heron. Um texto descritivo é caracterizado fundamental- mente por: a) ações que ocorrem em uma sequência cronológica. b) reflexões sobre aspectos problemáticos da vida. c) registro de elementos caracterizadores de uma realidade. d) citação de informações sobre determinado objeto. e) conjunto de pensamentos inacabados. 2. Fernando Pessoa, grande poeta português, disse em um de seus poemas que "Navegar é preciso, mas viver não é preciso"; as últimas palavras do texto: a) demonstram que a autora do texto plagiou poeta. b) mostram que Fernando Pessoa conhecia a vida das tartarugas. c) indicam a presença de um texto em outro. 647d) documentam uma paródia das palavras do poeta. e) ironizam as belas palavras do poema. Texto XXXVI PRISÃO DEVENTRE NA ALMA (fragmento) Leandro Konder Todos estamos nos tornando, hoje, mais desconfiados do que no passado. Com exceção das pessoas que se dispõem a pagar um preço altíssimo por uma unidade monolítica, somos todos bastante divididos interiormente. Para bem ou para O mal, vão rareando as inabaláveis. Uma parte de nós quer acreditar, outra é descrente. Gostaríamos de ter segurança para acreditar em coisas que ninguém pode assegurar que são inteiramente dignas de nossa confiança. As verdades do crente dependem da fé, enquanto a fé existe. Mas a fé também pode deixar de existir; ela não depende da razão, nem da ciência; depende de Deus, que a deu e pode tirá-la. O filósofo Pascal já no século XVII afirmava que a nossa razão serve, no máximo, para nos ajudar a fazer apostas mais convenientes. As verdades científicas, por sua vez, dependem da história, são periodicamente revistas, reformuladas. As novas descobertas e as novas invenções não se limitam a complementar os conhecimentos já adquiridos: exigem que eles sejam rediscutidos e às vezes drasticamente modificados. E as verdades filosóficas? Quanto maiores forem os pensadores que as enunciam, mais acirrada será a controvérsia entre eles. As verdades filosóficas se contradizem, umas questionam as outras. Somos envolvidos, então, por uma onda de ceticismo. É possível que essa onda já tenha tido alguns efeitos favoráveis à liberdade espiritual dos indivíduos, ao fortalecimento neles do espírito crítico. É possível que ela tenha de algum modo "limpado O terreno" para um diálogo mais desenvolto entre as criaturas, para valores mais comprometidos com pluralismo, contribuindo para a superação de algumas formas rígidas e dogmáticas de pensar. Dentro de limites razoáveis, ceticismo atenua certezas, suaviza conclusões peremptórias e abre brechas no fanatismo. Na medida em que se espraia indefinidamente, contudo, ele traz riscos graves. A própria dinâmica de um ceticismo ilimitado apresenta uma contradição insuperável. O poeta Brecht expressou esse impasse num poeminha que tem apenas três versos e que não pode dei- xar de ser reproduzido aqui: "Só acredite no que seus olhos veem e no que seus ouvidos escutam. Não acredite nem no que seus olhos veem e seus ouvidos escutam. E saiba que, afinal, não acreditar ainda é acreditar." Realmente, quem não acredita, para estar convencido de que não está acreditando, precisa acreditar em seu poder de não acreditar. Aquele que não crê, curiosamente, está crendo na sua descrença. 1. O texto de Leandro Konder deve ser considerado como: a) didático. b) informativo. c) argumentativo. d) expressivo. e) narrativo. 2. Característica abaixo que marca predominantemente os textos descritivos é: a) a atenção às ações ou acontecimentos. 648b) a sucessão temporal. c) uso do pretérito perfeito do indicativo. d) a presença marcante de substantivos e adjetivos. e) pretende discutir, informar ou expor. Gabarito comentado: Textos I e II 1.D. Ambos os textos apresentam linguagem formal, sem apresentarem discurso coloquial. Texto III 1. D. O texto "Protesto tímido" é um exemplo de crônica, por ser narrativo, com aspectos dissertativos. O autor vem relatar que lhe aconteceu certo dia ao se deparar com um menor abandonado. Ao longo do texto, ele descreve características do menor, bem como das cenas em que se envolveu, te- cendo também comentários sobre problema que a narração ilustra. A letra A, portanto, é eliminada, já que se trata de narração e não de registros históricos; a letra B não deve ser considerada, já que estilo a predominar é narrativo. Quanto à letra C, não se trata necessariamente de uma coluna de jornal. No entanto, a letra D diz que este é um pequeno conto, fato que pode se perceber pela ex- tensão do texto, que não é verdadeiro. 2. B. Os tempos verbais pretérito imperfeito e pretérito perfeito são características dos modos des- critivo e narrativo, respectivamente. A descrição indica ações contínuas, duradouras representadas pelo pretérito imperfeito. Já pretérito perfeito evidencia ações que se sucederam em uma evolução cronológica característica do texto narrativo. 3. D. O uso da primeira pessoa do plural é uma forma de narrador se incluir no texto, manifestar sua opinião. Nesse caso, eliminam-se automaticamente as outras opções da questão. 4. B. Ainda que o narrador manifeste comiseração ("escurinho, de seis ou sete anos, não mais"), certa revolta ("vinte e cinco milhões de menores um dado abstrato, que a imaginação não alcança"), desprezo ("Imagino que ele venha a ser um desses que se esgueiram como ratos em trono aos botequins e lanchonetes e nos importunam cutucando-nos de leve gesto que nos desperta mal contida irrita- ção") e tristeza ("Para entender, só mesmo imaginando meu filho largado no mundo..."), tom predominante no texto, que aparece fortemente ao final do texto é de remorso ("Mas a verdade é que hoje eu vi meu filho dormindo na rua, exposto ao frio da noite, e além de nada ter feito por ele, ainda o confundi com um monte de lixo."). 5. A. Pergunta retórica é aquela que não busca resposta por parte do interlocutor, muitas vezes por ser esta óbvia, que é que ocorre com a letra A. As outras perguntas não são retóricas por suscitarem reflexão por parte do leitor do texto suas respostas são importantes para a compreensão da mensagem do texto. Texto IV 1. D. O título do texto apresenta tom irônico. O autor, com uso das aspas, já indica sua opinião - o ato de pichar é mais um comportamento vândalo do que um ato de livre manifestação. 2. A. O texto IV é dissertativo polêmico, pois apresenta duas formas de se encarar a mesma questão: o ato de pichar como resultado da liberdade de expressão ou como vandalismo. Quanto à letra B, que se tem é a inversão das características: a liberdade de expressão é legal e vandalismo é ilegal. Já letra C não está correta porque só primeiro argumento é a favor do aparecimento das pichações, não os dois. No entanto, a letra D extrapola texto, pois não se tratou do pensamento das autorida- 649

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