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MASTER OF SCIENCE IN EMERGENT TECHNOLOGIES IN EDUCATION EDLENI BASTOS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS EM SALA DE RECURSOS MULTIFUNCIONAIS, PARA ACESSIBILIDADE DOS ESTUDANTES COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA FLÓRIDA-USA 2022 EDLENI BASTOS TECNOLOGIAS ASSISTIVAS EM SALA DE RECURSOS MULTIFUNCIONAIS, PARA ACESSIBILIDADE DOS ESTUDANTES COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA Trabalho de Conclusão Final apresentado como requisito parcial para obtenção do título de Mestre do Curso de Master of Science in Emergent Technologies in Education da Must University - Flórida -USA. Orientador: Profº. Drº. Luis Gustavo Dias da Silva FLÓRIDA -USA 2022 FOLHA DE APROVAÇÃO Edleni Bastos TECNOLOGIAS ASSISTIVAS EM SALA DE RECURSOS MULTIFUNCUINAIS, PARA ACESSIBILIDADE DOS ESTUDANTES COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA Trabalho de Conclusão Final apresentado como requisito parcial para obtenção do título de Mestre do Curso de Master of Science in Emergent Technologies in Education da Must University - Flórida USA. Comissão Julgadora ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ FLÓRIDA -USA 2022 Agradecimentos Primeiramente a Deus, que é meu amparo e meu refúgio, tanto por permitir que todos os meus projetos se concretizem quanto por ser uma fonte de inspiração em minha vida, dando- me forças para não desanimar e saúde para continuar lutando por um futuro melhor. Ao meu esposo Charles Pires, e ao meu filho Eduardo Bastos dos Santos, por terem suportado minhas ausências em momentos importantes, meu mau humor em algumas situações, pela paciência e carinho que demonstraram durante todo esse tempo de Mestrado. Aos meus colegas de Mestrado meu carinho, respeito e consideração ao longo dessa caminhada. Aos Professores/Tutores da Must University, que se dedicaram e repassaram seus conhecimentos nesses dois anos de Curso. Lista de Tabelas e Quadros Quadro 1. CID 11..................................................................................................................20 Quadro 2. Níveis de gravidade para o TEA..........................................................................23 Quadro 3. Teses e dissertações .............................................................................................49 Quadro 4. Resumo do estudo dos autores pesquisados na revisão de literatura ..................52 Quadro 5. Resumo do estudo dos autores pesquisados na revisão de literatura .................. 52 Quadro 6. Resumo dos jogos usados em alfabetização para atender as pessoas com autismo ................................................................................................................ 56 Lista de Abreviaturas AEE CAT Atendimento Educacional Especializado Comitê de Ajudas Técnicas CID Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde ECA Estatuto da Criança e do Adolescente IA Inteligência Artificial IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística LDB Lei de Diretrizes e Bases OMS Organização Mundial da Saúde OPAS Organização Pan-Americana as Saúde PcD Pessoa com Deficiência PNEEPI Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva SRM Salas de Recursos Multifuncionais TEA Transtorno do Espectro Autista TDIC Tecnologia Digital da Informação e Comunicação TID Transtornos Invasivos de Desenvolvimento UNESCO Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura Resumo O presente trabalho tem por escopo as tecnologias assistivas utilizadas na prática pedagógica em sala de recursos multifuncionais para os estudantes de Transtorno do Espectro Autista (TEA). A pergunta norteadora desta investigação centra-se na tentativa de compreender quais as tecnologias assistivas são utilizadas na prática pedagógica nas salas de recursos multifuncionais para atender significativamente as necessidades diárias dos estudantes com espectro autista, a fim de contribuir com a sua acessibilidade e inclusão social. Definiu-se como objetivo geral da pesquisa: Estabelecer uma revisão de literatura afim de refletir as tecnologias assistivas na educação para a inclusão digital e acessibilidade dos estudantes com Transtorno do Espectro Autista. A pesquisa possui caráter exploratório, de cunho qualitativo, e a metodologia aplicada foi a revisão de literatura, por meio de artigos científicos, publicados em sites e revistas nacionais. Os dados foram coletados no google acadêmico e no portal de periódicos da capes, foram levantados dados sobre as tecnologias assistivas e seu uso na educação, no Atendimento Educacional Especializado nas Salas de Recursos Multifuncionais, para inclusão dos estudantes com Transtorno do Espectro Autista, tal pesquisa tem a vantagem de possibilitar uma análise qualitativa e discutir a temática com base em pesquisas atualizadas. Os principais resultados encontrados identificaram que as tecnologias assistivas cumprem o seu papel, no que consiste em propiciar os estudantes com TEA melhora significativa da sua comunicação, aprendizado e interação social, por meio de softwares adequados à especificidade de cada necessidade de público. Portanto, as tecnologias assistivas, estão em constante evolução, e desta forma os profissionais envolvidos na idealização, criação e equipe pedagógica podem futuramente desenvolver novos produtos. Palavras-chave: Tecnologias Assistivas; Transtorno do Espectro Autista; Sala de Recursos Multifuncionais; Inclusão digital; Acessibilidade. Abstract The present paper aims to comprehensively approach the assistive technologies used in the pedagogical contexts specifically those that take place in the multifunctional resource classroom whose work is mostly dedicated to students with Autist Spectrum Disorder (ASD). The research leading question focused upon the understanding of which assistive technologies are used in the pedagogical practice led by those involved with the multifunctional resource classrooms created to assist significantly the daily needs of the students with the Autist Spectrum Disorder, in order to contribute with their accessibility and social inclusion. It was established as the main objective for the research the discussion upon the assistive technologies in Education in order to achieve digital inclusion and the accessibility of students with Autist Spectrum Disorder. The research was classified as exploratory, of qualitative approach, and its applied methodology was based on literature review of papers published in websites of journals and bulletins as well. The collected data had as a common point the assistive technologies and their use in the educational field regarding the Specialized Educational Assistance in the Multifunctional Resource Classrooms dedicated to the inclusion of students with the Autist Spectrum Disorder. Such research had the advantage of making a qualitative analysis possible as well as a discussion upon the theme based on other up-dated researches. The main found results showed that the assistive technologies accomplish with their purposes with a significant increase on social interaction, learning and communication carried out by the students with the Autist Spectrum Disordersobre um tema ou assunto considerando as publicações em um campo (Vosgerau & Romanowski, 2014, p.3). Conforme o disposto na Lei 13.146, a pessoa com deficiência seria aquela que, em razão de algum limite sensorial, físico (orgânico) e mesmo cognitivo, tem necessidade de serviços de apoio, de geração de tecnologia assistiva, tecnologias educacionais e outros recursos de acessibilidade que garantam a plena participação no convívio social e no mundo do trabalho. Todavia, ao buscar um referencial teórico usufruindo do método de Revisão Bibliográfica, foi possível perceber que essas discussões, educação especial e educação 42 mediada por tecnologias têm sido realizadas de maneira tímida, sendo ainda tenra a literatura que conecta esses dois campos teóricos, com vista a uma prática integradora, com real interação entre o sujeito e o conhecimento, havendo a necessidade de um aprofundamento nessa relação. É certo que, para que se possa realizar essa junção, é importante conhecer bem cada temática, compreendê-la nesse paradigma educacional. Para tal, no referencial teórico versa sobre o transtorno do espectro autista, e a educação especial inclusiva, discutindo sobre a sala de recursos multifuncionais e seus serviços, como o atendimento educacional especializado, seus recursos, como a tecnologia assistiva e sua função, como a acessibilidade, em suas múltiplas facetas. Na intenção de conhecer o que já vem sendo discutido no meio acadêmico e aprofundar as discussões referentes ao assunto, realizei uma busca por produções acadêmicas no Brasil entre 2008 e 2022, período entre a implementação da PNEEPEI (Brasil, 2008) e a realização desta pesquisa. Para realizar a procura das produções, foram utilizadas como referenciais de busca as palavras-chave da pesquisa, cruzadas com os seguintes descritores: Tecnologia Assistiva, Educação Inclusiva, Tecnologia Educacional. A busca realizou-se através de artigos disponíveis no Google Acadêmico e de teses e dissertações disponíveis no Catálogo de Teses e Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (CTD-CAPES), durante o período do ano de 2021 a 2008. Ao pesquisar os descritores selecionados, encontrei 284 trabalhos que abordaram diversos temas. Visando uma seleção que trouxesse maior proximidade ao tema desta pesquisa, realizei uma triagem através da leitura dos títulos dos 284 artigos, teses e dissertações encontradas, o que me levou à um número de 120 trabalhos selecionados. Com essa abertura mais focada, dei início à leitura dos resumos das 120 produções, o que me possibilitou verificar que 19 trabalhos, sendo 10 dissertações de mestrado, 6 teses de 43 doutorado e 3 artigos estavam adequados para serem utilizados como parte do referencial teórico sobre as produções científicas já realizadas na área. Desses 19 trabalhos, todos eles tratam sobre a questão da tecnologia assistiva e do transtorno do espectro autista, porém, 16 trabalhos focaram nas tecnologias assistivas de uma forma geral, trazendo outras necessidades específicas. Desta forma, foquei nos trabalhos que abordaram a temática tecnologia assistiva e transtorno do espectro autista. Assim, a partir das leituras foi possível fazer uma análise macro sobre o assunto, concatenando-se os pensamentos dos autores, de modo a criar, assim, um quadro comparativo sobre a visão dos autores, identificando-se por eixo os temas que necessitam ser explorados. Desta forma, pretende-se contribuir para futuras pesquisas acadêmicas, além de fazer uma reflexão e análise qualitativa acerca dos principais pontos sobre tecnologias assistivas para inclusão digital e acessibilidade da pessoa com espectro autista. A pesquisa foi realizada a partir de artigos científicos, teses e dissertações, tem por finalidade a busca de dados sobre as tecnologias assistivas para uso na educação e inclusão da pessoa com Transtorno do Espectro Autista. Os dados encontrados auxiliaram na compreensão da abrangência e complexidade do tema e a identificar demandas para novas pesquisas. A produção de um trabalho científico, como se sabe, tem como ponto focal o estabelecimento dos objetivos de pesquisa. São os objetivos que determinam o posicionamento inicial do pesquisador. Estabelecidos os objetivos é forçoso reconhecer o aspecto cumulativo do conhecimento científico, ou seja, é necessário tomar como base os avanços já realizados e, por que não, as limitações dos estudos anteriormente dedicados ao tema. Por esta razão é quase impossível pensar uma monografia, uma dissertação, uma tese ou outro trabalho acadêmico ou científico sem a necessária revisão de literatura (Moreira, 2004, p. 22). O autor supramencionado faz um destaque sobre os objetivos da pesquisa, que, segundo ele, “determinam o posicionamento inicial do pesquisador”, e é com base no objetivo proposto 44 que a pesquisa faz a abordagem do tema, por meio da revisão de literatura, para conhecer as abordagens dos autores. Por conseguinte, faz-se um contraponto de suas ideias, realizando-se um diálogo por meio dos conhecimentos obtidos e, ao final da pesquisa, identificam-se os temas que precisam ser mais detalhados, visando contribuir com a produção do conhecimento. Revisar significa olhar novamente, retomar os discursos de outros pesquisadores, mas não no sentido de somente visualizar, mas de criticar. Só pode haver crítica se, como descrito acima, os objetivos estiverem claros e bem formulados (Moreira, 2004, p. 22). Para o autor da pesquisa, a revisão de literatura tem um papel importante, pois amplia seu arcabouço teórico, desenvolvendo a sua criticidade e mantendo-lhe focado no objetivo do seu trabalho. “O contato com os desenvolvimentos já alcançados por outras pesquisas pode reforçar a necessidade do cumprimento dos objetivos anteriormente propostos ou, pode, ao contrário, torná-lo insignificante em função dos mesmos avanços mencionados” (Moreira, 2004, p. 23). Portanto, pretende-se, com a revisão de literatura, reconhecer o que diz a produção do conhecimento sobre as ferramentas tecnológicas assistivas contempladas nas políticas educacionais inclusivas e que estão sendo utilizadas na prática pedagógica com os estudantes com Autismo, Transtorno do Espectro Autista. Como explicitado, as discussões tanto quanto à educação especial inclusiva quanto ao uso das tecnologias digitais na educação se desdobram. Permeando tudo isso, a formação de professores agrega um novo campo e, ao mesmo tempo, intercala relações e propõe novas discussões sobre as possibilidades que as tecnologias assistivas em Salas de Recursos Multifuncionais podem somar à mediação. Ciente de que o público atendido na SRM é bastante amplo e diversificado, esse estudo se limitou a investigar o uso das Tecnologias Assistivas em Sala de Recursos Multifuncionais para acessibilidade dos estudantes com Transtorno do Espectro Autista. 45 5. As Tecnologias Assistivas na Prática Pedagógica para a Inclusão e Aprendizagem do estudante com TEA: Contribuições da Revisão de Literatura A prática pedagógica merece ser analisada sob a perspectiva da Lei nº 12.764/2012, art. 2º, VII, que dispõe sobre “o incentivo à formação e à capacitação dos profissionais especializados no atendimento à pessoa com Transtorno do Espectro Autista [...]” (Brasil, 2012). Corroborando a referida Lei, a Nota Técnica nº. 24/2013/MEC/SECADI/ DPEE aponta que a “formação dos profissionais da educação possibilitará a construção de conhecimento para práticas educacionais que propiciem o desenvolvimento sociocognitivo dos estudantes com Transtorno do Espectro Autista.” (Brasil, 2013). Em face a essa perspectiva, se torna evidente que a prática pedagógica deve ser organizada para atender as especificidades dos estudantes com TEA. Assim, o AEE (Atendimento Educacional Especializado) precisa desenvolver meiose atividades que lhe possibilitem a melhoria nas áreas em que os estudantes apresentam dificuldades, tais como: “comportamento, comunicação, interação social”, o que requer consistência ancorada em abordagens condizentes com o TEA e com perspectivas educacionais que percebam este estudante como construtor de conhecimento, inserido em contextos históricos e sociais (França & Pinho, 2020, p.66). Diante dessas necessidades dos estudantes com TEA, é necessário capacitar os docentes para o AEE de forma abrangente, principalmente na área das tecnologias assistivas, uma vez que tais profissionais precisam ser especializados para compreender e acompanhar o desenvolvimento pedagógico e cognitivo desses estudantes, garantindo sua inclusão na educação regular. 46 A formação docente, por meio do AEE, deve dar conta de garantir posturas inclusivas, currículo e práticas pensadas para todos os estudantes e suas especificidades, assim, a sala de aula passará a ser inclusiva, respeitando os direitos dos estudantes da educação especial. Os pontos evidenciados traduzem a importância da formação docente inicial e continuada, que possibilitem a materialização dos propósitos da docência: a mediação de saberes escolares. São inúmeras as possibilidades de conformação de processos educacionais que direcionem a transformação da escola em espaço de um fazer docente que efetivamente garanta acessibilidade aos estudantes com TEA. Para isso, é necessário que se perceba que inclusão é um processo que implica compromisso com a própria formação, em percepções adequadas sobre as diversas formas de construção de conhecimento e que as necessidades dos estudantes sejam a referência para essas construções (França & Pinho, 2020, p. 70). Ressalta-se que os autores Fernandes, Silveira e Prsybyciem (2020) alertam que a inclusão e acessibilidade digital ainda não alcançam uma significativa parcela da população autista, principalmente os estudantes das escolas públicas, além disso, os professores necessitam de treinamento adequado para recepcionar esse público e suas particularidades. Diante disso, verifica-se que o processo de inclusão dos estudantes com TEA é uma missão que requer comprometimento de todo o corpo pedagógico, para escolher as melhores estratégias de inclusão e acessibilidade que possibilitem a esses sujeitos o seu protagonismo social. Durante a pesquisa, utilizou-se o filtro por meio de palavras chaves, tais como Autismo e Tecnologia Assistiva, optando-se por buscar artigos publicados a partir do ano de 2020, período em que as tecnologias assistivas passaram a ser usadas com maior intensidade na educação e por uma significativa parcela da população, em virtude da pandemia da Covid-19. No entanto, pesquisas constataram que muitos estudantes, principalmente de escolas públicas, foram excluídos do acesso às aulas remotas pela falta de recursos tecnológicos e de acesso à Internet. Conforme revelam de Fontana, Rosa e Kauchakje (2020): 47 O sistema de ensino remoto desencadeou problemas de natureza socioeconômica, política, pedagógica, tecnológica e de saúde, no contexto da nova configuração da educação básica e superior. Entre os problemas, são enfatizados: a falta de acesso às tecnologias digitais e rede de internet; a intensificação do trabalho dos profissionais da educação; políticas não democráticas de ensino remoto adotadas pelos sistemas de ensino; desigualdade social em relação às políticas de avaliação em larga escala; os investimentos na substituição do sistema presencial pelo ensino a distância; as dificuldades das famílias na tutoria dos estudos das crianças e adolescentes de forma remota e no acesso aos meios virtuais de comunicação, além da tensão e do adoecimento emocional de professores, familiares e alunos (Fontana, Rosa & Kauchakje, 2020, p.99). Ao se filtrar a palavra “Tecnologias Assistivas”, a partir do ano 2008, foram encontrados mais de 3.810, optando-se por analisar 40 artigos, porém verificou-se que eram voltados às Tecnologias Assistivas para múltiplas deficiências e idosos. No entanto, ao filtrar as duas palavras “Autismo + Tecnologias Assistivas”, sem filtrar por ano, haja vista que o interesse nesse momento consiste em saber se já havia estudos anteriores a 2020, foram encontrados 1.550 artigos, todavia, se refinou o filtro usando as palavras: Transtorno do Espectro Autista + tecnologias assistivas + criação de jogos digitais + pessoas, em que foram encontrados 416 artigos. Por meio desta pesquisa direcionada, foi possível identificar o tema alvo da revisão de literatura, uma vez que o cenário pandêmico que se vivencia alavancou pesquisas sobre a inclusão digital, principalmente sobre a realidade do ensino remoto na escola pública, que de certa forma sofreu a exclusão digital, como supramencionado por Fontana, Rosa e Kauchakje (2020). Para a revisão de literatura proposta, com essa abertura mais focada, foi dado ênfase em 120 trabalhos, entre eles: artigos, teses e dissertações, dos quais foram escolhidos 3 trabalhos, que apresentaram dados concisos. Desta forma, tais artigos trouxeram luz à temática pesquisada. 48 Os autores selecionados publicaram seus artigos acerca das tecnologias emergentes voltadas pessoas com TEA e que trazem na sua formatação meios para a melhoria do aprendizado, desenvolvimento dos saberes e do cognitivo. Quadro 3. Teses e dissertações selecionadas Ano IES Título Autor 2008 Universidade Católica Dom Bosco - UCDB Informática educativa e a concepção dos professores das salas de recursos de deficiência auditiva da rede municipal de ensino de Campo Grande/MS Vera Lúcia Gomes Carbonari 2010 Universidade Estadual Paulista - UNESP Processo de prescrição e confecção de recursos de tecnologia assistiva na educação infantil. Aila Narene Dahwache Criado Rocha 2012 Universidade Estadual Paulista - UNESP Formação de Professores de Salas de Recursos Multifuncionais Para o Uso de Tecnologia Assistiva Eromi Izabel Hummel 2014 Universidade de Brasília - UnB A política educacional do Distrito Federal e o uso de tecnologias no apoio a inclusão escolar de estudantes com deficiência. Patrícia Augusta Ferreira Vilas Boas 2014 Universidade de Brasília - UnB Educação Inclusiva: Um olhar sobre a formação de professores para o uso das tecnologias nas salas de recursos multifuncionais de escolas públicas estaduais de Campos Belos – Goiás Leiva Márcia Rodrigues de Almeida 2014 Universidade Federal do Piauí - UFPI A Tecnologia Assistiva nas Salas de Atendimento Educacional Especializado - AEE no Município de Teresina– PI Cleudia Maria Ferreira da Silva 2015 Universidade de Brasília - UnB Tecnologias Assistivas e Inclusão Escolar: o uso do software GRID2 no Atendimento Educacional Especializado a estudante com autismo em escola pública do Distrito Flávia Ramos Cândido 49 Federal 2015 Universidade de Brasília - UnB O Atendimento Educacional Especializado e o Uso das Tecnologias nas Salas de Recursos Multifuncionais no Ensino Médio Público do Distrito Federal Janini Galvão Fonseca 2015 Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS Processos Educacionais na Perspectiva da Inclusão de Alunos com Deficiência Pela Interface das Tecnologias Digitais Berenice de Fátima da Silva Moresco 2015 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC-MG Uso de tecnologias na sala de recursos multifuncionais: atendimento ao estudante com necessidades educacionais especiais Maria de Lourdes Teixeira 2015 Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - UFRRJ Políticas Públicas de Educação Inclusiva: Estudo Sobre acessibilidade e Tecnologias Assistivas na Rede Municipalde Nova Iguaçu/RJ Nely Monteiro dos Santos Carvalho 2019 Universidade do Oeste Paulista - UNOESTE O uso das Tecnologias de Informação e Comunicação aplicadas como Tecnologia Assistiva na construção do conhecimento dos alunos com deficiência visual que frequentam as Salas de Recursos Multifuncionais Jessé Pessoa da Silva 2019 Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais - CEFET-MG O uso das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação no Processo de Ensino e Aprendizagem de Pessoas com Deficiência Patrick Medeiros de Jesus 2020 Universidade Federal de Pelotas - UFPEL A Seara das Práticas Pedagógicas Inclusivas com Tecnologias: com a palavra as Professoras de Salas de Recursos Multifuncionais Claudete da Silva Lima Martins 2020 Universidade Estadual Paulista - UNESP Formação de Professores de Salas de Recursos Multifuncionais Para o Uso de Tecnologia Assistiva Eromi Izabel Hummel 2020 Universidade Federal do Rio O Programa Um Computador por Melânia de Melo 50 Grande do Sul - UFRGS Aluno (PROUCA) e a Inclusão de Alunos com Deficiência. Casarin 2020 Universidade Federal do Espírito Santo - UFES Tecnologia Assistiva e Computacional: Contribuições para o Atendimento Educacional Especializado e Desafios na Formação de Professores Wagner Kirmse Caldas 2021 Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS Formação de professores em sistema de comunicação alternativa para pessoas com Transtorno do Espectro Autista - TEA: uma inserção das tecnologias assistivas em contextos escolares Maranhenses. Francisca Keyle de Freitas Vale Monteiro 2021 Universidade Federal do Maranhão - UFMA O uso das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação no Atendimento Educacional Especializado: Estudo das Salas de Recursos Multifuncionais na Rede Pública Municipal de São Luís/MA Mozanilde Santos Nunes Cabral Assim, apresenta-se no Quadro 4, a seguir, a visão dos autores selecionados nesta revisão de literatura dos artigos selecionados no Google Acadêmico, cujos pontos destacados se referem aos resultados de suas pesquisas acerca das tecnologias assistivas voltadas para as pessoas com TEA e os benefícios que tais tecnologias trouxeram para a melhoria da qualidade de vida dessas pessoas. Os apontamentos destacados no Quadro 4 foram retirados dos artigos respectivamente indicados, os quais trazem alguns dos resultados apontados pelos autores e considerados significativos para esta pesquisa. 51 Quadro 4. Resumo do estudo dos autores pesquisados na revisão de literatura Título/ periódico Autor(s) Objetivo Resultado Jogos Digitais para Pessoas com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA): Uma Revisão Sistemática. Revista Iberoamericana de Tecnología en Educación y Educación en Tecnología N°26 Ano 2020 Maicris Fernandes e Percy Nohama Este estudo objetivou apresentar o estado da arte em jogos digitais enquanto tecnologias assistivas que promovam as habilidades nas áreas em que as pessoas com TEA apresentam maiores dificuldades. Pretendeu também identificar as tecnologias e plataformas utilizadas para o desenvolvimento de jogos assistivos, bem como avaliar a efetividade dos jogos digitais no desenvolvimento de crianças com TEA. A partir desta revisão, pode-se concluir que o uso de jogos digitais como tecnologia assistiva para pessoas com TEA mostra-se efetivo pelo número de estudos encontrados. A abordagem lúdica vem sendo aplicada de forma incremental cada vez mais ao longo do tempo. Os estudos fazem uso de diversas formas de obtenção de dados do jogador, seja a partir de recursos dos próprios dispositivos (câmeras, sensores, microfones, entre outros), seja com auxílio de recursos externos (sensores de movimento, rastreadores de olhos, detectores de gestos). Quadro 5. Resumo do estudo dos autores pesquisados na revisão de literatura conclusão Título/ periódico Autor(s) Objetivo Resultado O Jogo Digital em Tecnologia Touch como Instrumento de Aprendizagem para Criança Autista Revista Espacios n º38, Ano 2017 Jéssica Cristina Goulart; Marília Bazan Blanco; João Coelho Neto O objetivo geral da pesquisa foi analisar quais são os instrumentos digitais que podem ser utilizados para auxiliar crianças com TEA, nas salas de recursos multifuncionais, de modo mais específico, os instrumentos que utilizam da tecnologia Touch, sendo selecionado como norte da pesquisa o problema: Quais são os instrumentos tecnológicos com tecnologia Touch que estão sendo utilizados no tratamento de crianças com TEA e quais são as habilidades que podem ser desenvolvidas com o auxílio destas ferramentas O estudo mostrou que o uso da tecnologia Touch Screen, por meio do tablet, possibilitou novas aprendizagens nos sujeitos da pesquisa. Também é importante analisar que a inserção deste tipo de tecnologia fez com que as crianças criassem uma forma de pensar, entraram em contato com um novo estímulo que exigiu delas o desenvolvimento de habilidades que não possuíam anteriormente. Além disso, não se pode desconsiderar o fator da interação entre os sujeitos e os pesquisadores que ocorreu durante os encontros, também pode ter influenciado na mudança de comportamento. 52 Tecnologias Assistivas para Alfabetização de Crianças com TEA: Uma Análise de Aplicativos da Plataforma Google Play Anais do XXVII Workshop de Informática na Escola (p. 255-266). SBC. Danielle A. Silva; Leticia C. Farias; Lia X. Pimentel et al. Este artigo realizou a análise de quatro aplicativos voltados para a alfabetização de crianças autistas, destacando “Lina Educa”, “ABC Autismo”, “Aprendendo com Biel e seus amigos” e “Livox”, analisando suas funcionalidades e as possibilidades de uso, juntamente com um quadro comparativo evidenciando as características semelhantes e diferentes entre eles. Os dois principais métodos de ensino abordados foram TEACCH e ABA, sendo que estes têm se mostrado abrangentes e eficazes, segundo psicólogos e psicopedagogos, para o ensino-aprendizagem de crianças em processos de aprendizagem e domínio do código alfabético. Portanto, essas técnicas implementadas aos aplicativos validam a aplicabilidade para alfabetização de criança ̧as com TEA. Os resultados deste trabalho possibilitaram a análise de tecnologias assistivas que permitem dar um feedback positivo no desenvolvimento educacional quanto a alfabetização. Assim foi verificado que os aplicativos destacados nesta pesquisa cumprem essa função, mas possuem vários déficits que podem ser melhorados ou aprimorados se levado em conta as análises dadas por este artigo e pelos usuários. Fonte: Elaborado pela autora com base nos artigos indicados no quadro. A partir deste ponto, passa-se a destacar a visão de cada autor mencionado no Quadro 5, a fim de conhecer os apontamentos e destacar os pertinentes, bem como contribuir com futuras ilações sobre a temática referente a TICs e seu maior benefício na inclusão dos estudantes com TEA, a melhoria da sua compreensão e aprendizado, ou seja, seu protagonismo social. Fernandes e Nohama (2020) pesquisaram sobre como os jogos digitais poderiam melhorar a qualidade de vida das pessoas com TEA, realizando a sua pesquisa por meio da revisão sistemática de 62 textos acadêmicos voltados para as pessoas com TEA. Os resultados encontrados foram que os jogos especialmente criados para esse público trouxeram melhoria na capacidadede compreensão, auxiliando significativamente na inclusão deste público. Os jogos digitais analisados foram desenvolvidos para plataforma mobile, desktop e tablet top, de acordo com o levantamento de Fernandes e Nohama (2020, p.77): 53 [...] há consenso dos autores consultados de que o uso de jogos digitais no tratamento ou no treinamento de habilidades de indivíduos com TEA é efetivo. Todas as abordagens que apresentaram resultados quantitativos comparativos com métodos tradicionais relataram que há Jogos em maior ou menor intensidade um ganho com o uso de jogos digitais como tecnologia assistiva para indivíduos com TEA. Relatam que, nos resultados qualitativos obtidos pelos pesquisadores que embasaram os seus estudos, os melhores resultados de aprendizado foram obtidos por meio das tecnologias digitais, ou seja, o desenvolvimento da aprendizagem por meio dos jogos digitais foi superior ao da abordagem com o uso dos meios tradicionais. Fernandes e Nohama (2020) concluíram que os trabalhos sobre o tema jogos digitais precisam ser expandidos, a fim de que tecnologias assistivas auxiliem nas atividades diárias e na qualidade de vida das pessoas com TEA, uma vez que tais jogos conseguiram desenvolver as capacidades de aprendizagem desse público. [...] existe uma forte tendência ao crescimento da área de desenvolvimento de jogos digitais com características assistivas com foco em dispositivos móveis, sendo que os mesmos devem cada vez mais integrar-se às atividades cotidianas das pessoas com necessidades e habilidades especiais, em particular, as pessoas com TEA. Além disso, vários autores mencionam que seus trabalhos podem ser expandidos ou que pretendem expandir seus estudos fazendo uso ainda dos jogos digitais, como no caso dos jogos desenvolvidos por Aburukba et al. [37], Weiss et al. [32], Kamaruzaman e Jomhari [25] e Weilun et al. [28] (Fernandes & Nohama, 2020, p.78). Denota-se que os estudos dos autores Fernandes e Nohama (2020) conseguiram identificar que jogos digitais são fundamentais para o desenvolvimento cognitivo das pessoas com TEA. A contribuição é importante por detectar que as novas tecnologias possuem o caráter inclusivo a que se propuseram e, além disso, ficou evidenciado que se necessita de mais estudos sobre o tema e o desenvolvimento de projetos que estejam voltados para jogos digitais interativos, possibilitando aos autistas acessibilidade e inclusão. 54 Diante dessa premissa, verificou-se, no estudo de Goulart, Blanco e Neto (2017), que primeiramente teceram considerações sobre uma pré-avaliação do estudante, atentando-se para o diagnóstico apresentado pelas pessoas com TEA, pois somente assim se consegue fazer um trabalho com eficiência, voltado para as particularidades desses indivíduos e não focando apenas em suas dificuldades. Deve-se “levar em consideração que um autista não é igual ao outro, cada um tem características próprias e demandas diferenciadas. Assim, o professor deve estar sempre atento, observando a especificidade de cada estudante, a fim de desenvolver estratégias de ensino que sejam capazes de atendê-la” (Goulart, Blanco & Neto, 2017, p. 2). Para os autores, o diferencial ao se criarem jogos para o público autista, embora considerem as características principais das pessoas com TEA, é que o desenvolvimento cognitivo será efetivo. Quanto ao uso dos jogos por meio da tecnologia touch, ficou evidenciado que “auxilia no processo de neuroplasticidade cerebral, e mesmo não sendo efetuadas intervenções comportamentais, foram constatadas mudanças no comportamento dos sujeitos como: sorrir ao se relacionar com as pessoas e passar a dormir sozinho” (Goulart, Blanco & Neto, 2017, p.7). Assim, tal interatividade propiciou o desenvolvimento educativo e comportamental, ao passo que foi evidenciado no trabalho de pesquisa que outras habilidades foram desenvolvidas, “como maior autonomia e melhora da fala; alteração de humor tornando-os mais tolerantes; diminuição de estereotipias; mobilização afetiva/cognitiva” (Goulart, Blanco & Neto, 2017, p.7). Por ter conseguido desenvolver novas habilidades no campo pessoal, o estímulo cognitivo da tecnologia conseguiu atingir diretamente as mudanças comportamentais que esses estudantes não possuíam antes de ter acesso à tecnologia Touch. 55 Quadro 6. Resumo dos jogos usados em alfabetização para atender as pessoas com autismo APLICATIVOS PONTOS POSITIVOS PONTOS NEGATIVOS Lina Educa Reforço de atividades de alfabetização e da vida diária. O software pode ser usado em casa, sala de recursos multifuncionais ou terapia. Pontos Positivos: desenvolver o intelecto, associando-se a organização em que a criança autista possa se acostumar a uma rotina educacional. Apesar de ser um aplicativo muito completo e mostrar um bom desempenho, a plataforma não possui um design, nem versão mobile, dificultando o público que não possui desktop ou tablet. ABC Autismo Aplicativo móvel, usado em smartphones e tablets. Auxilia no processo de alfabetização, serve de ferramenta de apoio na educação de crianças e adolescentes com autismo. Metodologia baseada TEACCH. Pontos positivos: Os educadores podem utilizar o aplicativo em sala de aula e sala de recursos multifuncionais, como ferramenta de apoio e ajudar em atividades de emparelhamento, além de desenvolver habilidades para leitura e usar em atividades remotas, no atendimento educacional especializado. Travamento no decorrer do jogo, não reproduz o nome dos objetos, o que dificulta à criança aprender a falar. Em alguns dispositivos, o aplicativo não instala. Aprendendo com Biel. Aplicativo indicado para crianças de 2 a 8 anos de idade, mas não somente para crianças autistas, como também para aquelas que apresentam outros atrasos no desenvolvimento. O aplicativo visa facilitar o aprendizado e a interação da criança em seu dia a dia. Ponto Positivo: estimular a coordenação motora e de percepção. O fato de o aplicativo possuir fases pagas, o que dificulta na evolução de aprendizagem das crianças e a liberação de tarefas com erros. Livox Criado por pais de uma criança com paralisia cerebral. O aplicativo utiliza figuras como elemento de comunicação, possui cerca de 12 mil símbolos e variadas frases e expressões comuns no cotidiano. O aplicativo também permite converter texto em voz, podendo ser utilizado por qualquer pessoa que tenha dificuldade de fala. Pontos positivos: A utilização de figuras como meio de comunicação desenvolve rotina diária e converte texto em voz. Para o uso do aplicativo, é necessário que se tenha uma chave de acesso, a qual é paga e chega a um valor acima de R$600 reais. Fonte: Elaborado pela autora com base no artigo citado (Silva, Farias & Pimentel et al., 2021). As informações constantes no quadro foram extraídas do texto de Silva et al. (2021), com a realização de um levantamento dos pontos positivos e negativos destacados pelos autores durante a avaliação dos softwares utilizados na alfabetização, para atender os estudantes com TEA. Neste sentido, consideram os softwares em destaque no quadro muito importantes para o desenvolvimento social e cognitivo dos estudantes com deficiência, contudo, para que os aplicativos consigam atingir o máximo de sua efetividade, ao utilizá-los como ferramenta educativa os profissionais precisam estar capacitados e conhecer todas as suas funcionalidades, 56 bem como ter a didática necessária para repassar, da melhor forma possível, o conhecimento aos estudantes da educação especial. Aliado a isso, devem se atentar para as particularidades cognitivas de aprendizado dos usuários. Além disso, Silva et al. (2021) citaram que, em virtude de os aplicativos possuírem custos, pode ocorrer que uma determinada parcela do públicocom TEA não consiga acessá-los ou usufruir de todas as suas fases, principalmente no que se refere aos estudantes advindos das escolas públicas. Os resultados da pesquisa dos autores citados possibilitaram tecer uma análise acerca das tecnologias assistivas, que permitem dar um feedback positivo no desenvolvimento educacional quanto à alfabetização. Assim, foi verificado que os aplicativos destacados nesta pesquisa cumprem essa função, mas possuem alguns problemas que podem vir a ser aprimorados a partir dos pontos positivos e negativos levantados no artigo e pelos usuários. Sendo assim, tal pesquisa possibilitou a aquisição de mais conhecimento sobre o tema, pois constatou as práticas de uso de tecnologias assistivas e sobre os aplicativos utilizados pelo público com TEA, contribuindo para a compreensão sobre tecnologias desenvolvidas, suas finalidades e seus impactos para os estudantes. Verificou-se que, além do uso de jogos, é necessário investir na diversificação de tecnologias assistivas, como o uso Inteligência Artificial (IA) com programação de redes neurais, que conecta informações relacionadas por meio de algoritmos específicos elaborados para esse fim, ou seja, a IA poderá aprender a identificar os padrões de comportamento dos usuários e evoluir conforme a sua utilização (Lima, 2020). Os “recursos educativos digitais são instrumentos em suporte digital destinados ao contexto da aprendizagem” (FRANCO, 2013, p. 3). Normalmente os recursos educativos digitais englobam diversificadas mídias digitais, que podem ser interativas ou não, que vão desde “histórias em quadrinhos, desenhos animados, vídeos, imagens, figuras, gráficos, áudios, 57 apresentações multimídia, jogos, entre outros”, que são utilizados com o objetivo de ensino aprendizagem de conteúdos escolares (JORDÃO, 2009, p. 1). Os recursos serão considerados educacionais se trabalhados a partir de uma intencionalidade pedagógica. Assim, a utilização das TDICs, como uma inovação e melhoria da educação (SANCHO; HERNANDEZ, 2006), acontece, a partir dessa intencionalidade, podendo evoluir para um círculo virtuoso, pois, a partir da própria evolução da tecnologia e do encontro das pesquisas pela busca de soluções para os problemas da educação, surgem novos meios e objetos versáteis de aplicação tecnológica e o seu caráter transformador. São vários os avanços tecnológicos e científicos apoiados nas TDICs que favorecem a educação. Diante do reconhecimento do uso das tecnologias assistivas na educação e dos recursos educacionais digitais, ainda é importante considerarmos os usos e as possibilidades desses recursos no processo de ensino e aprendizagem quanto ao desenvolvimento dos alunos com deficiência. [...] a escolha mais adequada da estratégia possibilita o sucesso da aprendizagem, pois amplia suas experiências e a criatividade e flexibilidade. Para esse autor, as estratégias podem permitir a motivação e participação do aluno, além de atender às diferenças individuais, o que potencializa as experiências de aprendizagem desses alunos (PEDRO, 2011, p. 19). Desta forma, as atividades presentes nos softwares que utilizam as ferramentas de IA, quando desenvolvidas para atender as necessidades singulares dos estudantes com deficiência (TEA), irão estimular a concentração, o foco e o raciocínio lógico. Tal software tem por função simular a capacidade humana de assimilação, tomada de decisão, buscar resolver problemas, ou seja, o Machine Learning se torna um sistema inteligente que aprende e se adapta, por meio dos conjuntos de símbolos que podem ser usados no processo de comunicação, que deve vir fazer sentido ao autista. Dessa forma, o software aprende, por meio dos movimentos realizados, adaptando-se às necessidades e à individualidade do estudante com transtorno do espectro autista, estimulando seu interesse e podendo prover sua inclusão soc 58 6 Considerações Finais No decorrer da revisão de literatura, foi possível analisar e identificar que as tecnologias assistivas na educação possibilitam, para os estudantes com TEA, melhora em sua qualidade, no seu desenvolvimento cognitivo e interação social. A inclusão e acessibilidade digital ainda não alcançam uma significativa parcela da população autista, principalmente os estudantes das escolas públicas, além disso, os professores necessitam de treinamento adequado para recepcionar esse público e suas particularidades (Fernandes, Silveira & Prsybyciem, 2020). A proposta deste trabalho, de revisão de literatura, consistiu em discutir as tecnologias assistivas na educação para a inclusão digital e acessibilidade no Atendimento Educacional Especializado em Sala de Recursos Multifuncionais, dos estudantes com Transtorno do Espectro Autista. O objetivo foi alcançado, uma vez que, no decorrer da pesquisa, foram apresentados autores que embasaram o estudo, dentre os quais destaca-se Pereira (2018), cuja reflexão volta-se sobre a inclusão das pessoas com TEA, que foi viabilizada em virtude das leis criadas para incluí-los no ambiente escolar, oportunizando-lhes, dessa forma, não somente a convivência com outras pessoas, mas se tornarem partícipes do ambiente escolar e da sociedade. O desenvolvimento dos objetivos específicos envolveu o estudo da fundamentação legal que ampara a inclusão digital e a acessibilidade das pessoas com Transtorno do Espectro Autista; a caracterização da pessoa com TEA e seu desenvolvimento e aprendizagem; e, por fim, identificar, por meio da revisão de literatura, as tecnologias assistivas adequadas ao desenvolvimento e aprendizagem do estudante com transtorno espectro autista. Por meio desta revisão, com respaldo nos Autores Fernandes e Nohama (2020), Goulart, Blanco e Neto (2017) e Silva et al. (2021), foi possível conhecer que algumas tecnologias de inclusão digital desenvolvidas para as pessoas com TEA, por meio dos aplicativos, promovem a acessibilidade aos usuários que têm a oportunidade de utilizá-las. 59 A acessibilidade aos aplicativos pedagógicos promove o desenvolvimento cognitivo, a melhora da interatividade, da comunicação, ou seja, o público autista consegue melhoria em sua qualidade de vida, por meio dessas ferramentas, especialmente criadas para atender à especificidade de cada usuário. Desse modo, é propiciando ao público autista um meio adequado para sua educação. Se observa que as políticas públicas de acessibilidade precisam ser constantemente revistas. A Lei 12.764/2012, conhecida como a Lei Berenice Piana, que dispõe sobre a Política Nacional de Proteção dos Direitos da pessoa com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), passa a reconhecê-los como pessoas com deficiência, ou seja, eles passam a ter os mesmos direitos que os demais PcD. A referida Lei precisa ser cobrada pelos familiares e por entidades que os representam, no que tange à educação inclusiva e a acessibilidade dessas pessoas à educação. Com respaldo nos estudos de Silva et al. (2021), foi possível compreender que, para a educação inclusiva, os futuros aplicativos poderão trazer uma contribuição importante não somente para as pessoas com TEA, como para os seus familiares e professores. As novas tecnologias poderão aproveitar os recursos atuais e contribuir com o desenvolvimento de softwares mais modernos, o que possibilitará um desenvolvimento significativo, com uma metodologia moderna, adaptativa e inclusiva, cuja abordagem pedagógica é especial e dinâmica. É adequado que tais softwares se apresentem com acesso gratuito ou de baixo custo, a fim de que uma significativa parcela de usuários possa vir a ser beneficiada, e não excluída da educação assistiva, haja vista que, atualmente, os aplicativos de boa qualidade possuem um custo elevado. O que se almeja para as futuras criações é que os aplicativos voltados para a educação assistiva do público autista tragam, em seuconteúdo, maior interatividade, dinâmica, atenção às especificidades individuais desse público, baixo custo, acessibilidade e qualidade, a fim de 60 fomentar uma inclusão significativa das pessoas com TEA. É possível intensificar, nesse software, o uso da inteligência artificial (IA), que é capaz de criar algoritmos que identificam as necessidades dos usuários e evolui de acordo com a utilização. Esta proposta está baseada na afirmativa de Lima (2020, p.2), “o software aprende com os movimentos realizados e se adapta às necessidades e personalidades de cada um dos usuários, o que facilita na aproximação e no interesse do autista criando até mesmo uma inclusão social”. O desenvolvimento do presente estudo possibilitou analisar como as tecnologias assistivas contribuem para acessibilidade dos estudantes com Transtorno do Espectro Autista, no Atendimento Educacional Especializado, ofertado em Sala de Recursos Multifuncionais. Além disso, a Tecnologia Assistiva potencializa as capacidades desses sujeitos que sofrem constantemente com uma sociedade que inferioriza, discrimina e excluí. A tecnologia é uma aliada no processo de inclusão escolar destes sujeitos, como diz Radabaugh (1993), “para as pessoas sem deficiência a tecnologia torna as coisas mais fáceis. Para as pessoas com deficiência, a tecnologia torna as coisas possíveis.” A dialética entre as necessidades reais dos estudantes e o currículo, entre as necessidades dos estudantes e o plano de desenvolvimento individual e pedagógico, em que as práticas pedagógicas do professor não se concretizam, é importante reconsiderar a relevância formativa aos estudantes, além de o fato de ponderar a atuação do AEE como uma política pública educacional mais abrangente. É indiscutível que a eficiência da sala de recursos multifuncionais, enquanto política educacional promotora da inclusão, deve visar, em primeiro lugar, à aprendizagem, como meio para a promoção da igualdade e equidade, eliminando práticas tradicionalistas que não visualizam as necessidades do sujeito e da sociedade e, como o contexto da escola regular e especial está passando por mudanças, torna-se necessário rever as finalidades e representações para a proposição de ações que respondam às necessidades dos estudantes. 61 Se as estratégias estabelecidas, para as metas de educação especial inclusiva do Plano Nacional de Educação, não forem conquistadas, a política não será efetivada com qualidade. O que se pode evidenciar, sem a pretensão de concluir, é que a inclusão escolar, com o foco no uso das Tecnologias Assistivas, apesar de longe do ideal, está dando passos grandes e efetivos em direção a tornar o acesso e a participação de todos os estudantes a todas as possibilidades ofertadas pela escola. E a mais importante lição que podemos tirar da situação atual diz respeito à própria ideia de inclusão e do conceito da deficiência. De acordo com a Convenção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Brasil, de 2009, que em nosso país tem força de lei, a deficiência é definida única exclusivamente pelas barreiras a que os sujeitos enfrentam para bem viver na sociedade. A pandemia que vivemos atualmente nos impôs uma série de barreiras e nos levou, a todos, a experimentar, nos mais diversos momentos, a vida em situação de inclusão. Que a vivência traga a reflexão positiva a respeito da ampliação do olhar inclusivo. Por fim, podemos constatar que a Tecnologia Assistiva é uma aliada para o desenvolvimento e participação plena dos estudantes com Transtorno do Espectro Autista. Assim, os softwares criados utilizando a Inteligência Artificial (IA) possuem grande potencial para realizar a inclusão social das pessoas com TEA. Logo, as pesquisas que virão a ser realizadas necessitam se voltar para investigar se os aplicativos estão cumprindo o papel no campo da educação, assim como no contexto da inclusão social, um viés de extrema importância para que os autistas possam conviver em sociedade e alcançar o seu protagonismo social. As crenças limitantes sempre irão existir, e por isso é fundamental que a família e a sociedade civil estejam atentas para que as políticas públicas previstas em lei atendam os estudantes com o Transtorno do Espectro Autista de forma integral. 62 Referências Bibliográficas Alves, A. J. (1991). O Planejamento de Pesquisas Qualitativas na Educação. 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Keywords: Assistive Technologies; Autist Spectrum Disorder; Multifunctional Resource Classrooms; Digital Inclusion; Accessibility. SUMÁRIO 1 Introdução.......................................................................................................................9 2 O Transtorno do Espectro Autista..............................................................................17 2.1 Considerações sobre o diagnóstico do TEA................................................................19 2.2 O papel da família da pessoa com TEA......................................................................23 3 Inclusão Digital e a Acessibilidade das Pessoas com TEA........................................26 3.1 A política nacional de proteção dos direitos da pessoa com o TEA.........................29 3.2 Tecnologias Digitais na educação: uma breve exposição...........................................34 3.3 Tecnologias Assistivas, Educação Inclusiva e o AEE na SRM.................................37 4 Aspectos Metodológicos................................................................................................41 5 As Tecnologias Assistivas na prática pedagógica para a inclusão............................46 6 Considerações Finais....................................................................................................59 Referencias Bibliográficas.....................................................................................................63 9 1 Introdução A proposta deste trabalho tomou forma, com base em minhas experiências cotidianas, enquanto professora de Educação Básica, na Rede Municipal de Educação de Florianópolis, atuando no Atendimento Educacional Especializado, em Sala de Recursos Multifuncionais. Posso dizer que não escolhi o tema e, sim, que fui escolhida por ele. Rosa (2017, p. 16), também, como professora, descreve muito bem o espírito dessa busca, ao afirmar que é a partir da inquietação, quanto ao processo de ensino, que “nossa trajetória profissional se entrelaça com o processo de ensino e aprendizagem vivenciado e às buscas de conhecimento por meio de aprendizado”. Segundo a autora, “procuramos aprofundar nossos conhecimentos também no contexto educacional” (ROSA, 2017, p. 16). A inclusão é um movimento amplo e de natureza diferente ao da integração de estudantes com deficiência, Transtorno do Espectro Autista (TEA). Na integração, o foco de atenção tem sido transformar a educação inclusiva para apoiar a integração de estudantes com deficiência e TEA na escola regular de ensino. A inclusão é um sistema educacional híbrido que alia a educação regular com a educação especial, isto é, os estudantes com algum tipo de deficiência ou TEA são inseridos no ambiente escolar regular, eliminando todos os tipos de barreiras para que não haja o comprometimento do rendimento escolar desses estudantes. Temas relacionados a Educação Especial e a inclusão escolar têm sido alvos de muitas pesquisas no Brasil, há interesse em investigar como tem ocorrido o acesso e a permanência dos estudantes com deficiência, transtorno do espectro autista e altas habilidades/superdotação no âmbito escolar. No entanto, existe um desafio em efetivar a articulação dessas pesquisas com a realidade educacional brasileira, de modo a impactar os encaminhamentos políticos e práticos que possam favorecer o processo de escolarização de estudantes com deficiência (NERES; CORRÊA, 2015). 10 A instituição de documentos nacionais que preconizam práticas inclusivas tem colaborado para acelerar o referido processo. O discurso da “educação inclusiva” teve início a partir da década de 1990 fundamentada em princípios da igualdade de direitos postulada em documentos internacionais como a Declaração de Jomtien (1990) e a Declaração de Salamanca (1994). Esses documentos contribuíram com a discussão de políticas educacionais brasileiras que acarretaram em transformações no âmbito educacional (MENDES; ALMEIDA; TOYODA, 2011). Entre os documentos mais relevantes para o processo de inclusão escolar estão a Constituição Federal (1988) ao promulgar que a educação é direito de todos e que é dever do Estado garanti-la, foi assegurado pela primeira vez o direito da pessoa com deficiência à educação na rede regular de ensino (BRASIL, 1988, p. 35). Em 1996 a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB/9394) apresentou um capítulo voltado para a Educação Especial. Entre seus preceitos está a garantia de atendimento especializado aos estudantes com deficiência na escola regular. A seguir, a resolução CNE/CEB nº 2/2001 institui diretrizes nacionais para a Educação Especial na Educação Básica e a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (PNEE-PEI, 2008) propuseram orientar os sistemas de ensino para promoção do “acesso, participação e aprendizagem dos estudantes com deficiência, transtorno do espectro autista e altas habilidades/superdotação nas escolas regulares” (p. 8). Ainda que a inclusão escolar de estudantes com deficiência esteja assegurada em preceitos legais, caminha a passos lentos no Brasil. Várias medidas têm sido tomadas com o intuito de efetivar a escolarização desses estudantes, como o Atendimento Educacional Especializado (AEE), que deve ser ofertado obrigatoriamente nos sistemas de ensino, instituído com a função de complementar e/ou suplementar sua formação. Busca organizar recursos e 11 planos pedagógicos e de acessibilidade para a plena participação dos estudantes com deficiência, considerando suas competências e limitações (BRASIL, 2008). Dentre os elementos que compõe o processo e inclusão, destaca-se eliminar as barreiras tecnológicas torna-se essencial oferecer possibilidades ao educador para atender às necessidades específicas de seus estudantes. O Brasil vivencia um novo momento na área da educação, uma vez que a partir da pandemia da COVID-19, a educação mediada pelas tecnologias digitais da informação e comunicação passaram a permear o mundo escolar de forma definitiva. As escolas, principalmente as públicas, não estavam preparadas com computadores e internet para que as aulas presenciais passassem repentinamente a atuar de forma híbrida. O corpo docente e os estudantes precisaram se reinventar e aprender a desenvolver um novo conhecimento por meio das tecnologias digitais de informação e comunicação (TDICs). Foi nesse momento que as instituições que ainda não haviam experimentado as tecnologias emergentes precisaram se adequar a tais mudanças, pois era necessário e urgente resolver o problema. Logo, foi preciso conhecer, se adaptar, rever o planejamento, inovar, qualificar a equipe pedagógica, professores e adequar as atividades pedagógicas para atender os estudantes da melhor forma possível. Entretanto, os estudantes também tiveram que se adequar a essa nova modalidade de ensino, inúmeros desafios surgiram e precisaram ser resolvidos. Esses desafios se tornaram ainda maiores, quando as tecnologias assistivas precisaram atender e ser adaptadas aos estudantes com deficiência, entre elas o Autismo - Transtorno do Espectro Autista (TEA), foco da presente pesquisa. O Autismo, Transtorno do Espectro Autista se caracteriza por déficits persistentes na comunicação social e na interação social em múltiplos contextos. Conforme Moresi et al. (2018, p. 37), as tecnologias assistivas compreendem produtos,recursos, metodologias, estratégias, 12 práticas e serviços, cujo objetivo é promover a funcionalidade relacionada à atividade e à participação de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida. Desta forma, estas ferramentas contribuem para a autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social. As tecnologias assistivas cooperam para o processo de democratização e inclusão da educação no Brasil, que se fortaleceu a partir da promulgação da Constituição Federal de 1988, a qual dispõe que a educação é direito de todos e que é dever do Estado e da família promovê-la, do mesmo modo que o ensino deve seguir o princípio da igualdade de condições de acesso e garantir a permanência de todos na escola. Além disso, existe o amparo legal por meio da Declaração de Salamanca (UNESCO, 1994) da Lei de Diretrizes e Bases nº 9.394/1996 (LDB) e de outras legislações específicas, tais como: 1) a Lei 12.764/2012, que não apenas reconheceu o autista como pessoa com deficiência, mas criou a política de proteção das pessoas com deficiência; 2) a Lei 13.861/2019, que determina a inclusão de questões sobre especificidades inerentes ao Transtorno do Espectro Autista; e, mais recentemente, 3) a Lei 13.977/2020, que agregou mais direitos e inclusão social das pessoas com TEA mediante a instituição da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. O planejamento pedagógico pensado por meio de Tecnologias Assistivas potencializa a inclusão e participação das pessoas que apresentam dificuldades cognitiva, motora, sensorial ou mesmo de comunicação como falar, escrever, comer, ouvir, e de locomoção, enfim, as ferramentas devem ser desenvolvidas para atendê-las, e por certo serão de importância para a educação e socialização desse público. Na Educação contemporânea, torna-se um compromisso para com a sociedade proporcionar uma educação que responda às necessidades dos educandos, indo além dos processos de ensino e aprendizagem, “com práticas que respeitem as diferenças, oferecendo o que não é próprio dos currículos da base nacional comum, mas próprio da realidade e do 13 contexto do educando” (MORAN, 1999, p. 2), fundando-se na construção da identidade do estudante, princípio esse que norteia o processo de desenvolvimento psicossocial do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Ainda que a inclusão escolar de estudantes com deficiência e TEA esteja assegurada em preceitos legais, caminha a passos lentos no Brasil. Várias medidas têm sido tomadas com o intuito de efetivar a escolarização desses estudantes, como o Atendimento Educacional Especializado (AEE), que deve ser ofertado obrigatoriamente nos sistemas de ensino, instituído com a função de complementar e/ou suplementar sua formação. Busca organizar recursos e planos pedagógicos e de acessibilidade para a plena participação dos estudantes com deficiência, considerando suas competências e limitações (BRASIL, 2008). Para a legislação e as políticas públicas educativas entende-se o Atendimento Educacional Especializado (AEE) como conjunto de atividades direcionadas ao estudante com deficiência, TEA e altas habilidades/superdotação, desenvolvida por profissionais capacitados para exercer tal função, ele auxilia o sujeito envolvido na formação de habilidades necessárias para o seu desenvolvimento pleno, passando a ter autonomia e independência nos espaços que ocupar dentro da sociedade. Pode ser desenvolvido em unidades chamadas de Centros de AEE e em Salas de Recursos Multifuncionais (SRM), as SRM ficam localizadas em uma escola de ensino regular. O Atendimento Educacional Especializado identifica, elabora e organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos estudantes, considerando as suas necessidades específicas. As atividades desenvolvidas no atendimento educacional especializado diferenciam-se daquelas realizadas na sala de aula comum, não sendo substitutivas à escolarização. Esse atendimento complementa e/ou suplementa a formação dos estudantes com vistas à autonomia e independência na escola e fora dela. (BRASIL, 2008). 14 O AEE é realizado prioritariamente, na sala de recursos multifuncionais da própria escola ou em outra escola de ensino regular, no turno inverso da escolarização, não sendo substitutivo às classes comuns, podendo ser realizado, também em centro de atendimento educacional especializado da rede pública ou de instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, conveniadas com a Secretaria de Educação ou órgão equivalente dos Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (BRASIL, 2009). Entre os serviços que o AEE oferta, destacam-se as Salas de Recursos Multifuncionais. Esse espaço tem sido responsável por oferecer o atendimento aos estudantes com deficiência, transtorno do espectro autista e altas habilidades/superdotação, considerados como o Público Alvo da Educação Especial (PAEE) e busca desenvolver estratégias, atividades e adequações pedagógicas que favoreçam a inclusão escolar. Com esse objetivo, tais salas utilizam-se de recursos, como a Tecnologia Assistiva, com o intuito de contribuir com o processo. Os recursos digitais utilizados nas Salas de Recursos Multifuncionais (SRM), são postos como ferramentas com potencial para promover a inclusão dos estudantes com deficiência e desenvolver suas potencialidades de forma ativa, no contexto em que estão inseridos. A partir desse pressuposto, a intencionalidade do professor de sala de recursos multifuncionais, na mediação tecnológica, possui influência no processo de ensino aprendizagem, tanto como ferramenta de ensino quanto estratégia de apropriação e construção do conhecimento. Assim, se faz necessário conhecer as políticas públicas voltadas ao direito de acessibilidade e inclusão. É de fundamental importância que a escola possa acolher com qualidade os estudantes com Transtorno do Espectro Autista e contribuir para que suas limitações sejam amenizadas e até mesmo superadas, a partir do planejamento de uma educação inclusiva, com o suporte que atenda as especificidades desses atores sociais. O documento da Subsecretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência – PcD apresenta o conceito de Tecnologias Assistivas, o qual foi definido pelo 15 Comitê de Ajudas Técnicas – CAT como sendo uma área do conhecimento que objetiva promover a autonomia, qualidade de vida e inclusão social de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida (Brasil, 2009b). Os recursos digitais já estão em uso nas Salas de Recursos Multifuncionais (SRM), como ferramentas com potencial para promover a inclusão dos estudantes com deficiência e desenvolver suas potencialidades de forma ativa, no contexto em que estão inseridos. A partir desse pressuposto, a intencionalidade do professor, na mediação tecnológica, possui influência no processo de ensino aprendizagem, tanto como ferramenta de ensino quanto estratégia de apropriação e construção do conhecimento. Dessa forma, este trabalho tem como investigação: como são utilizadas as tecnologias assistivas na sala de recurso multifuncional, para acessibilidade do estudante com transtorno do espectro autista? Tem-se como objetivo geral da pesquisa: Discutir as tecnologias assistivas na educação para a inclusão digital e acessibilidade dos estudantes com Transtorno do Espectro Autista. Os objetivos específicos são: 1. Caracterizar o estudante com Transtorno do Espectro Autista e seu desenvolvimento e aprendizagem; 2. Apresentar a fundamentação legal que ampara a inclusão digital e a acessibilidade das pessoas com Transtorno do Espectro Autista; 3. Identificar, por meio da revisão de literatura, as tecnologias assistivas utilizadas na educação e adequação ao desenvolvimento e aprendizagem da pessoa comTranstorno do Espectro Autista. O trabalho está estruturado em seis capítulos. O primeiro capítulo apresenta a Introdução deste trabalho. O segundo capítulo apresenta o Transtorno do Espectro Autista (TEA), considerações sobre o diagnóstico do TEA e o papel da família da pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O terceiro capítulo trata da fundamentação legal que ampara a inclusão digital e a acessibilidade da pessoa com Transtorno do Espectro Autista, e considerações a este 16 respeito. Aborda-se uma breve exposição das tecnologias digitais na educação. Apresenta uma breve consideração sobre a Lei 12.764/2012 e seus desdobramentos legais. O quinto capítulo trata das tecnologias assistivas na prática pedagógica para a inclusão e aprendizagem do estudante com TEA, a educação inclusiva e o atendimento educacional especializado nas Salas de Recursos Multifuncuionais, utilizando-se como fonte a revisão de literatura. O sexto capítulo aborda as considerações finais deste trabalho. O objetivo foi discutir as tecnologias assistivas utilizadas na SRM, para inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista na educação e analisar se as ferramentas tecnológicas utilizadas contribuem para a acessibilidade desses estudantes. De acordo com Neres e Corrêa (2015) a Tecnologia Assistiva (TA) utilizada no espaço escolar busca apoiar o trabalho didático, envolvendo metodologias, estratégias e práticas que viabilizam acessibilidade, autonomia, qualidade de vida e inclusão do estudante com deficiência, conforme as autoras: A disponibilização da Tecnologia Assistiva no processo de inclusão escolar é importante, considerando-se que são instrumentos que podem favorecer aos alunos com deficiência o acesso às atividades escolares, aos conteúdos e aos conhecimentos necessários ao seu desempenho acadêmico e social. (p. 293). Diante disso, a pesquisa de Revisão Bibliográfica, se justifica em virtude de o tema proposto ser instigante, uma vez que analisa, por meio de uma revisão de literatura, a contribuição das tecnologias junto aos estudantes com Transtorno do Espectro Autista, e tem por premissa vislumbrar o direito à inclusão digital e acessibilidade no campo da educação, no AEE em Salas de Recursos Multifuncionais. 17 2. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) A proposta deste capítulo consiste em caracterizar o TEA, realizar considerações sobre o diagnóstico e analisar o papel da família da pessoa com TEA. Além disso, verificar-se-á quais são as tecnologias assistivas para o desenvolvimento e a aprendizagem do estudante com TEA. O termo autismo, que significa voltar-se para si, surgiu de acordo Brites (2019), em 1911, e foi utilizado pelo psiquiatra suíço Eugen Bleuer para nomear indivíduos que apresentavam características de esquizofrenia, como de se isolar e viver em seu “mundo” interior. Em 1906, o psiquiatra Plouller utilizou o mesmo conceito para se referir aos pacientes que apresentavam demência. Todavia, foi com Leo Kanner que o termo autismo foi usado pela primeira vez ao se referir ao TEA, conforme explicita Ezidro e Cabral (2021), em conformidade com pensamento de Gauderer (1993). O autismo clássico foi descrito por Leo Kanner, em 1943, como: “Distúrbios autísticos do contato afetivo”, a partir da análise de 11 casos com patologia grave e condições singulares, que englobavam, além da inabilidade para estabelecer contato afetivo, comportamentos obsessivos, ecolalia e estereotipia (Ezidro & Cabral, 2020, p. 1,). Facion (2005) citado por Fernandes, Tomazelli e Girianelli (2020, p. 1) entende que Kanner apresentou indicações ambíguas quanto à origem do autismo: [...] articulação com a personalidade dos pais e o tipo de relações precoces estabelecidas entre eles e as crianças; forma precoce de esquizofrenia; e entidade nosológica específica diferente da esquizofrenia infantil, pois o rompimento com a realidade ocorria desde o início da vida. A hipótese de incapacidade inata abriu espaço para concepção organicista, cuja origem das doenças está relacionada à disfunção de natureza bioquímica, genética ou neuropsicológica (Facion 2005, citado por Fernandes, Tomazelli & Girianelli, 2020, p.1). 18 Leo Kanner foi considerado o descobridor do autismo, suas pesquisas ocorreram nos Estados Unidos; no entanto, no mesmo período, na Alemanha, Hans Asperger também dava sua contribuição sobre o tema, ao estudar sobre um grupo de meninos. Na conclusão da sua pesquisa, verificou que eles apresentavam a forma suave do autismo, ou seja, os estudos dos pesquisadores trouxeram para o campo da psicanálise uma grande contribuição, uma vez que um pesquisador identificou os casos graves e o outro os casos leves, haja vista que as crianças do século passado que apresentavam problemas psicológicos ou atípicos eram genericamente rotuladas como deficientes. Inúmeras crianças, ao receberem tais diagnósticos, eram encaminhadas pelos médicos para a internação em hospícios, sendo separadas dos seus pais, o que gerava um sofrimento emocional desnecessário às famílias (Ezidro & Cabral, 2020). As pesquisas foram de fundamental importância, sendo um norte para que outros pesquisadores desenvolvessem trabalhos sobre o tema, alcançando-se, desta maneira, resultados satisfatórios para o diagnóstico das pessoas com TEA. De acordo com Fernandes et al. (2020, p.1): Os critérios que subsidiaram o diagnóstico do autismo passaram por diversas mudanças ao longo dos anos e foram descritos nos manuais de categorização nosológica. Os mais conhecidos e utilizados são o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) e a Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID), particularmente a partir da década de 1980. Estes manuais apresentam diferenças nas nomenclaturas, características e códigos utilizados para fins de diagnóstico, mas convergem nos pressupostos conceituais que embasaram a classificação nosológica, hegemônicos no período em que foram publicados (Fernandes et al., 2020, p.1). Os referidos manuais, como citado pelos autores, têm como premissa identificar a evolução do diagnóstico do autismo no século XXI. De acordo com Fernandes et al. (2020), na primeira década do século XXI foram realizadas inúmeras conferências para tratar sobre a 19 temática, bem como rever a literatura referente aos transtornos mentais, a fim de se produzirem novos conhecimentos que colaborassem com o tema. Desses estudos, em 2014 foi produzido o desenvolvimento da quinta edição do DSM (American Psychiatric Association). O DSM-5 rompe com modelo multiaxial, embora mantenha a recomendação de avaliar fatores psicossociais e ambientais; também é retirada a escala de Avaliação Global do Funcionamento, mas sem contraindicar a utilização de diversas escalas para auxiliar o diagnóstico. Nessa categorização nosológica, o autismo passa a ser considerado um transtorno do neurodesenvolvimento (Araújo; Neto, 2014) e denominado Transtorno do Espectro Autista (TEA) (Fernandes et al., 2020, p.2). Pelo exposto, essa categoria passa a considerar como único diagnóstico os demais transtornos invasivos de desenvolvimento (TID), distinguindo a gravidade apenas em relação à interação e comunicação dos pacientes. Cabe destacar que o CID-11, cuja publicação foi feita em 2018, continua mantendo a terminologia (TEA), bem como as alterações feitas no DSM-5. 2.1 Considerações sobre o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista Os manuais diagnósticos utilizados para avaliar o TEA são o DSM-5, tendo como organizadora a Associação Americana de Psiquiatria (APA), ao passo que o Manual CID-11 fica sobre a coordenação da Organização Mundial de Saúde (OMS). Esses documentos sofreram mudanças importantes, o que ocasionou discussões no que se refere “à sensibilidade e especificidadedestes manuais, bem como alterações na prevalência do autismo” (Fernandes, Tomazelli & Girianelli, 2020, p. 2). De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-V (2014), a mensuração do grau de autismo é feita conforme a gravidade e o comprometimento do sujeito, e isso se dá por meio da mensuração dos graus, variando de grau leve (nível 1), grau 20 moderado (nível 2), grau severo (nível 3). Assim, “quanto menor o grau de comprometimento do nível, melhor tende a ser o prognóstico do paciente” (Fernandes, Tomazelli & Girianelli, 2020, p. 3). A CID-11 tem por premissa considerar de forma mais clara a deficiência intelectual e a linguagem funcional, isso ocorre a partir dos níveis de diagnósticos identificados, nos quais se identificam os prejuízos diante das habilidades cognitivas. Cada pessoa com autismo irá apresentar limitações específicas e identificá-las com precisão auxilia significativamente no futuro do seu desenvolvimento intelectual, suas habilidades, entre outros. A atual classificação da CID 11 foi apresentada em maio de 2019, durante a Assembleia Mundial da Saúde, e passa a vigorar a partir de 1º de janeiro de 2022. A versão apresentada permitiu com que os países pudessem se planejar para utilizá-la, preparar as traduções e capacitar os profissionais de saúde que estarão na linha de frente (OPAS – Organização Pan Americana de Saúde, 2018), conforme demonstra o Quadro 1. Quadro 1. CID-11 - versão apresentada na Assembleia Mundial da Saúde 21 Fonte: Portal Tismoo, 2018. Conforme o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-V, o Transtorno do Espectro Autista não é considerado um transtorno degenerativo, é comum que a aprendizagem e a compensação se estendam com o passar dos anos. Uma alta proporção de pacientes com TEA têm uma ou mais comorbidades neurológicas ou psiquiátricas, que podem comprometer a precisão do diagnóstico. Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), depressão e distúrbios de ansiedade estão entre as condições mais comuns que ocorrem juntamente ao TEA (Instituto Inclusão Brasil, 2019). De acordo com o Instituto Inclusão Brasil (2019), o sistema atual faz o diagnóstico de autismo conjuntamente com a outras condições (Síndrome de Asperger e o Distúrbio Persuasivo de Desenvolvimento Sem Outra Especificação e a criação de um domínio amplo denominado Transtorno do Espectro Autista), já as versões mais antigas dos manuais, recomendavam o estabelecimento de um único diagnóstico. O novo sistema diagnóstico ainda propõe o agrupamento dos critérios que estejam vinculados à comunicação e à sociabilidade em uma única categoria, assim como, a inclusão de sintomas. Entende-se que a verificação realizada por este novo prisma é de suma importância, uma vez que se obterá um diagnóstico que avaliará os sinais e sintomas, atentando-se para a individualidade de cada pessoa com TEA, o que possibilita identificar a comorbidade. As características do espectro autista são mais visíveis e acentuadas na infância e nos primeiros anos da vida escolar. O Manual esclarece que os indivíduos tendem a ter um agravamento comportamental no período da adolescência, contudo, se acompanhados e estimulados corretamente, a maioria desses adolescentes apresenta melhora comportamental. Uma minoria de indivíduos com Transtorno do Espectro Autista vive e trabalha de forma independente na fase adulta; aqueles que o fazem tendem a ter linguagem e capacidades intelectuais superiores, conseguindo encontrar um nicho que combine com seus interesses e 22 habilidades especiais (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais - DSM-5, 2014, p.56). Assim, conforme o DSM-5, 2014, pelo que se denota, no aspecto geral, pessoas com Transtorno do Espectro Autista com grau mais leve são capazes de ser independentes, mas podem ter problemas com organização e planejamento. O sujeito com grau de autismo leve necessita de pouco suporte e, não obstante ocorram dificuldades na comunicação, isso não limita a sua interação social. Muitos adultos informam usar estratégias compensatórias e mecanismos de enfrentamento para mascarar suas dificuldades em público, mas sofrem com o estresse e os esforços para manter uma fachada socialmente aceitável. Quase nada se sabe sobre a fase da velhice no Transtorno do Espectro Autista (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais - DSM-5, 2014, p. 56). No que se refere ao grau moderado, segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (2014), as pessoas com espectro autista apresentam déficits persistentes em suas habilidades de comunicação e interação social, verbal e não verbal, e necessitam de suporte para o aprendizado e interação social em múltiplos contextos. Quanto às pessoas com grau severo de autismo, elas precisam de maior apoio familiar e de um profissional especializado, pois apresentam déficits de comunicação graves. Possuem inúmeras dificuldades de interação social e de capacidade cognitiva, tendem ao isolamento social, têm um comportamento restrito, repetitivo, e demonstram inflexibilidade comportamental. A gravidade baseia-se em prejuízos na comunicação social e em padrões de comportamento restritos e repetitivos, interesses ou atividades, conforme os exemplos ilustrativos, e não exaustivos. 23 Quadro 2. Níveis de Gravidade para Transtorno do Espectro Autista. Fonte: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais - DSM-5, 2014, p. 50 2.2 O papel da família da pessoa com TEA Os indivíduos com TEA necessitam de atenção e de apoio familiar, uma vez que a sua rotina altera a estrutura da família. Por sua vez, os pais necessitam de apoio psicológico para entender essa dinâmica, bem como reconhecer o indivíduo com TA e aceitá-lo com suas particularidades. Cabe aos pais administrar a conduta para com seu filho, por meio da correta compreensão do diagnóstico, que irá direcionar o acompanhamento psicológico e educacional 24 ideal. A partir desse reconhecimento, avaliará cada tratamento proposto, uma vez que cada autista tem suas particularidades e o tratamento que pode funcionar para um, pode não ter o mesmo êxito para outro. Faz-se necessário que haja a avaliação, por parte da família, dos custos e das vantagens dos tratamentos, considerando-se a escolha e o método a ser aplicado. De acordo com Onzi e Gomes (2015, p. 196), “a família, ao se deparar com o diagnóstico de TEA, tende a buscar e coletar mais informações sobre o diagnóstico estabelecido”. A questão em tela envolve primeiramente aceitar o diagnóstico e buscar os profissionais especializados para auxiliar a família e a pessoa com TEA nessa jornada. Nesse sentido, escolher os melhores tratamentos e buscar desenvolver a capacidade intelectual, física e psíquica do autista por toda a sua vida. O autista é um ser singular, ou seja, cada um responde de maneira diferente aos mais variados estímulos referentes aos inúmeros tratamentos que estão no mercado, e é justamente nesse momento que adentra o comprometimento da família, no sentido de acompanhar esse indivíduo, a fim de que tenha meios de se desenvolver e ocupar seu lugar na sociedade. O diagnóstico precoce é essencial para a família acolher a pessoa com TEA e, a partir disso, buscar formas de tratamento que contribuam com o seu desenvolvimento e qualidade de vida. “Não existem métodos únicos ou engessados que possibilitem um desenvolvimento regular em todos os autistas, independente de gênero ou idade cronológica'' (Onzi & Gomes, 2015, p. 196). Assim, mediante um diagnóstico que identifique o grau de autismo das pessoas com TEA, é possível contar com a educação inclusiva, que, atualmente, pode oferecer a acessibilidade por meio das novas tecnologias, que disponibilizam meios para a construçãodo conhecimento, tudo isso atrelado a uma interação social de excelência, pois todo ser humano necessita se sentir parte do meio social no qual está inserido. 25 Segundo Martins (1997, p.114), para a Teoria de Lev Vygotsky, “[...] o desenvolvimento humano baseado na ideia de um organismo ativo cujo pensamento é constituído em um ambiente histórico e cultural: a criança reconstrói internamente uma atividade externa, como resultado de processos interativos que se dão ao longo do tempo”. Neste pensamento, se verifica que, ao nascer, toda criança está inserida em um meio social, que é a sua família, e tal interação com os outros membros é que vai estabelecer suas primeiras relações com a linguagem. Sendo o homem um ser social, ele precisa estabelecer essa interação para construir todo e qualquer tipo de aprendizagem, seja afetiva, sensorial, motora ou cognitiva. Assim, a inclusão é uma prática social que agrega valores por meio da compreensão e do respeito às diferenças, da identificação das semelhanças e da compreensão das desigualdades. 26 3 Inclusão Digital e a Acessibilidade das Pessoas com Transtorno do Espectro Autista: Aspectos Legais e Teóricos Neste capítulo, a proposta consiste em apresentar o estudo da fundamentação legal que ampara a inclusão digital e a acessibilidade das pessoas com Transtorno do Espectro Autista. Nos subcapítulos, se faz uma breve consideração sobre a Lei 13.977/2020 - Lei Romeu Mion (BRASIL, 2021), a fim de verificar se as políticas públicas de inclusão digital e de acessibilidade estão sendo efetivadas e se alcançam o público a que se destinam. No que tange à fundamentação legal referente à inclusão e acessibilidade das pessoas com Transtorno do Espectro Autista, inicia-se a análise nos termos do art. 205§2º, inciso III da Constituição Federal de 1988, que assim estabelece: “III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência1 , preferencialmente no software de regular de ensino.” (BRASIL,1988). Essa fundamentação legal possibilitou às pessoas com necessidades especiais a oportunidade de ter acesso a uma educação inclusiva e acessibilidade. Sobre a educação inclusiva dos estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Pereira (2018) explica que a inclusão no ambiente escolar ultrapassa a oportunidade do convívio com outras pessoas, “trata-se também de uma luta de uma classe negligenciada por muito tempo e que teve seus direitos garantidos graças à construção de leis que possibilitaram isso” (Pereira, 2018, citado por Cunha, 2020, p.5). A inclusão escolar “consiste em uma maneira de oportunizar às crianças autistas a convivência com outras crianças da mesma idade, num mesmo espaço de aprendizagem e desenvolvimento da competência social.” (Cunha, 2020, p.5). 1 O termo Portador de Necessidade Especiais (PNE) surgiu na década de 90, sendo utilizado por alguns anos. Todavia, no dia 3 de novembro de 2010, a partir da Portaria 2.344/2010 da Secretaria dos Direitos Humanos, o termo PNE foi oficialmente alterado para PcD (Pessoa com Deficiência). A mudança ocorreu ao se observar que a deficiência não se porta, não é um objeto, uma vez que a deficiência faz parte da pessoa. Portanto, o termo portador de necessidades especiais aparece em documentos anteriores à referida Portaria, os quais são citados no decorrer deste trabalho, justificando o uso do termo. 27 A educação das pessoas com TEA é um direito que lhes assiste, conforme já explicitado, a Carta Magna (art. 205 § 2º, inciso III) lhes garante a efetivação dessas políticas públicas, contudo o texto proposto teve como desdobramento vários outros documentos que embasaram os constituintes sobre o direito à inclusão social das pessoas com deficiência. Esses documentos, segundo Cunha (2020, p. 5), evidenciam a igualdade e o direito à educação para todos, e é dever do Estado garantir o Atendimento Educacional Especializado (AEE), realizado na salas de recursos multifuncuionais com o seguinte respaldo: a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), a Declaração de Salamanca (1994) e a Lei nº 9394/1996, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), a Lei nº 7611/11, como também consta no artigo 54 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei nº 8.069/1990. O amparo legal ora mencionado, para dar vez e voz aos PcD no século XX fez emergir outras legislações no Brasil, voltadas para a temática educação especial, até culminar em políticas e legislações direcionadas aos autistas e as tecnologias assistivas. A atual política de Educação Especial do Ministério da Educação foca o direito de todos à educação e garante o atendimento educacional especializado aos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e com altas habilidades/superdotação. Para isso, instituiu o Programa Sala de Recursos Multifuncionais e implementa, nas escolas públicas, um local dotado de recursos pedagógicos e de acessibilidade, com uma lista básica de itens de Tecnologia Assistiva. (Brasil, 2009a). O marco referencial de que trata os sistemas educacionais inclusivos ocorreu a partir da Declaração de Salamanca - Unesco (Brasil, 1994), a qual trata sobre princípios, políticas e práticas na área das necessidades educativas especiais. Tal documento tem como objetivo fundamental reforçar o direito a uma educação inclusiva e de qualidade, explicitando as características e os interesses únicos de cada estudante especial, de modo a orientar para que 28 não ocorram discriminações e a exclusão escolar. Nesse sentido, propõe que as escolas se organizem e se capacitem para atendê-los de forma integral, devendo a escola acolhê-los e realizar adaptações para sua aprendizagem e desenvolvimento. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394/1996 (LDB) veio para consolidar o direito da pessoa com deficiência (PcD) de frequentar o ensino regular. O art. 58 da referida Lei garantiu o direito ao Atendimento Educacional Especializado (AEE), além de uma prática pedagógica especializada para atendê-los nas especificidades de aprendizado desses indivíduos. Assim, a educação especial, em face do art. 58 da Lei nº 9.394/96, substituiu a educação comum, passando a ser uma “modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência.” (Brasil, 1996). Desta forma, entende-se que a educação especial veio para trazer ao estudante com deficiência a educação inclusiva, na qual ele terá acesso a todos os níveis, etapas e modalidades; por esse motivo, deve contemplar a proposta pedagógica das escolas, ou seja, conforme o Decreto 3.298/99, que veio regulamentar a Lei nº 7.853/89, “a Educação Especial é uma modalidade transversal a todos os níveis e modalidades de ensino e a destaca como complemento do ensino regular.” (Brasil, 1999). As tecnologias assistivas utilizadas para inclusão dos estudantes PcD têm em vista a sua formação humana e profissional e “se destina ao apoio e acompanhamento da pessoa com deficiência em sua formação acadêmica, garantindo-lhe o acesso, a participação e as condições igualitárias de oportunidades.” (Brasil, 2009a). A indicação das tecnologias assistivas em relação aos equipamentos e materiais constam no Decreto nº 3.298 de 1999, no artigo 19, que trata do direito do cidadão brasileiro com deficiência às Ajudas Técnicas, atualmente referida como Tecnologia Assistiva. O documento apresenta uma lista de “equipamentos e materiais pedagógicos especiais para educação; os 29 elementos especiais para facilitar a comunicação, a informação e a sinalização, entre outros” (BRASIL, 1999). Portanto, a educação inclusiva é um direito de todas as pessoas com deficiência, e é dever do Estado prover, bem como acompanhar se essa concessão está chegandoaos seus destinatários, todavia cabe também à sociedade civil fiscalizar e cobrar a efetividade de tais políticas públicas. 3.1 A política nacional de proteção dos direitos da pessoa com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) Antes de uma legislação específica voltada para esse público, as pessoas com deficiência possuíam uma grande limitação e até mesmo segregação, no âmbito social e familiar, mesmo os que possuíam condições cognitivas e de trabalho, não lhes era dada a oportunidade de estudar e trabalhar, pois eram considerados totalmente incapazes. Contudo, a Lei Federal nº 10.098/2000, em seu Art. 1º, estabeleceu normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, mediante a supressão de barreiras e de obstáculos nas vias e espaços públicos, no mobiliário urbano, na construção e reforma de edifícios e nos meios de transporte e de comunicação (Brasil, 2000). Assim, a legislação nacional fomenta os direitos às pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, oportunizando-lhes condições de se tornarem protagonistas do seu destino e de exercer a sua plena cidadania. No âmbito da educação, as pessoas com deficiência puderam ter acesso a uma escola inclusiva, que respeitasse as suas limitações, superando o preconceito e consequentemente a exclusão. Foi através da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva – PNEEPEI (BRASIL, 2008) que o processo de democratização das escolas se tornou ainda mais evidente. Ao explicitar a dicotomia inclusão-exclusão, em que, ao mesmo tempo em 30 que as legislações e políticas públicas universalizam o acesso à escola, continuam excluindo alguns indivíduos por considerá-los participantes de grupos fora dos padrões da sociedade, reconhecem a importância de se discutir o papel da escola na superação da exclusão. Além disso, é nesse documento regulamentador que a amplitude do AEE é apresentada, perpassando desde a educação infantil até o ensino médio (Cordeiro & Souza, 2020, p.70745). O Decreto nº 5.296/2004 trata da Política Nacional para a Integração da Pessoa com deficiência. A redação desse decreto traz o termo Ajudas Técnicas para referir-se à Tecnologias Assistivas (TA): “Art. 61: Para fins deste Decreto, consideram-se ajudas técnicas os produtos, instrumentos, equipamentos ou tecnologia adaptados ou especialmente projetados para melhorar a funcionalidade da pessoa com de deficiência ou com mobilidade reduzida, favorecendo a autonomia pessoal, total ou assistida” (Brasil, 2004). Assim, existem recursos, produtos, metodologias, estratégias, práticas e serviços oferecidos pela Tecnologia Assistiva (TA) que potencializam a inclusão e participação de pessoas que apresentam algum tipo de dificuldade motora, sensorial, cognitiva ou de comunicação em atividades do dia a dia, referentes à fala, à escrita, entre outros, ampliando os objetivos da Tecnologia Assistiva (TA), no que se refere às capacidades funcionais e melhorando a qualidade de vida e inclusão social (Cordeiro & Souza, 2020). Em face das mudanças no cenário da educação do PcD no Brasil, a Resolução nº 04/2009 veio instituir, através das suas diretrizes operacionais, a efetivação das Salas de Recursos Multifuncionais (SRM), que podem ser ofertadas na própria escola ou em outra escola de ensino regular, proporcionando um atendimento educacional especializado (AEE) ao PcD. No Atendimento Educacional Especializado (AEE), é possível identificar, elaborar e organizar os recursos que contribuam para tornar acessíveis determinadas situações, espaços, serviços e atividades escolares, objetivando minimizar barreiras, a participação dos estudantes PcD, bem como das pessoas com transtorno do espectro autista e altas 31 habilidades/superdotação. Esses grupos são o público alvo da educação especial, no contexto escolar. A fim de que se tenha qualidade nesse processo, os professores que atuam no AEE devem possuir formação adequada, inicial e continuada (Brasil, 2008). A Lei 12.764/2012, conhecida como a Lei Berenice Piana, foi sancionada no dia 27 de dezembro de 2012 e dispõe sobre a Política Nacional de Proteção dos Direitos da pessoa com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), reconhecendo o autista como pessoa com deficiência (Brasil, 2012). Anteriormente, o autismo era classificado como Transtorno Global do Desenvolvimento, a partir da promulgação da Lei Berenice Pina, em que as pessoas com TEA passam a ter os mesmos direitos previstos na Lei nº. 13.146 /15 - Lei da Inclusão da Pessoa com Deficiência ou Estatuto da Pessoa com Deficiência (Brasil, 2015). O legislador buscou trazer proteção previdenciária e/ou assistencial à pessoa com Transtorno do Espectro Autista, ou seja, assim como a PcD, o autista passou a ter direito a um diagnóstico precoce, tratamento, terapias e medicamento pelo Sistema Único de Saúde; o acesso à educação e à proteção social; ao trabalho e a serviços que propiciem a igualdade de oportunidades. O fundamento legal objetivou proporcionar qualidade de vida e respeito ao princípio da dignidade da pessoa humana as pessoas com TEA. Sendo assim, compreender as características do Transtorno de Espectro Autista (TEA) e reconhecer as inúmeras dificuldades desses indivíduos é possibilitar a essas pessoas uma inclusão social efetiva, uma vez que seu cotidiano é perpassado por exclusão e adversidades, e o papel fundamental da Lei 12.764/2012 é lhes dar garantia aos direitos fundamentais da pessoa humana (Brasil, 2012). Segundo Valente (2017, p.7), “a lei é expositiva e traz com coerência todo o suporte necessário para prestar e garantir os direitos da pessoa com Transtorno do Espectro Autista”. Entre os direitos, o autor destaca que o gestor escolar não poderá se recusar a fazer a matrícula de um estudante com TEA, sob pena de incorrer no pagamento de multa de 3 a 20 salários 32 mínimos. A efetivação desses direitos fundamentais visa assegurar a sua inclusão na sociedade sem que ocorra discriminação em virtude da sua deficiência Analisando-se o pensamento de Valente (2017), entende-se que a Lei 12.764/2012 veio para amparar e salvaguardar o direito dos autistas que sofrem discriminação e exclusão social em virtude das alterações comportamentais. A referida lei dispõe sobre os direitos da pessoa com TEA, no art. 3º, incisos I a IV (Brasil, 2012): Art. 3º São direitos da pessoa com Transtorno do Espectro Autista: I - a vida digna, a integridade física e moral, o livre desenvolvimento da personalidade, a segurança e o lazer; II - a proteção contra qualquer forma de abuso e exploração; III - o acesso a ações e serviços de saúde, com vistas à atenção integral às suas necessidades de saúde, incluindo: a) o diagnóstico precoce, ainda que não definitivo; b) o atendimento multiprofissional; c) a nutrição adequada e a terapia nutricional; d) os medicamentos; e) informações que auxiliem no diagnóstico e no tratamento; IV - o acesso: a) à educação e ao ensino profissionalizante; b) à moradia, inclusive à residência protegida; c) ao mercado de trabalho; d) à previdência social e à assistência social. A Lei 12.764/2012, no artigo 3º, assegura à pessoa com TEA a educação e o ensino profissionalizante, porém, o atual cenário pandêmico causado pela Covid-19, no qual a educação precisou se adaptar por meio do ensino remoto, fez com que as pessoas com TEA, que deveriam ter seus direitos assegurados no que se refere à oportunidade de aprender e se desenvolver por meio das tecnologia assistivas, tiveram prejuízos, dados os aspectos que envolvem o grau de Autismo dessas pessoas e a necessidade de recursos específicos e profissionais especializados. 33 A educação inclusiva, no contexto da pandemia, se tornou excludente, uma vez que a maioria das escolas não estavapreparada para vivenciar essa situação. Porém, passada a fase inicial da pandemia, foi necessário que as escolas, por meio dos Governos Federal, Estadual e Municipal, buscassem estratégias para que os estudantes com TEA fossem atendidos e não tivessem prejuízos no seu desenvolvimento cognitivo e social. Conforme argumentam Dias, Santos e Abreu (2021), ao tratar das necessidades educativas das crianças com TEA, na educação infantil: Pensar em uma proposta curricular especializada para a educação infantil, neste contexto de pandemia, contendo as alterações necessárias para que possa atender às necessidades educativas das crianças com TEA, proporcionando-lhes, assim, um desenvolvimento satisfatório, é voltar-se, sobretudo, para a construção de orientações de atividades lúdicas e interativas no âmbito familiar de modo a possibilitar que essas atividades se deem em ambientes que favoreçam o desenvolvimento pessoal, cognitivo e social dessas crianças. (Dias, Santos & Abreu, 2021, p.118). A Lei 12.764/2012 nasceu para criar a política de proteção da pessoa com Transtorno do Espectro Autista, pois as necessidades das pessoas com TEA se ampliaram, e para que tivessem maior proteção social surgiram alterações na Lei supramencionada. Em 2019, foi promulgada a Lei 13.861/2019, que dispôs sobre a inclusão de informações específicas sobre pessoas com autismo nos censos demográficos realizados a partir deste ano pelo IBGE, o qual determina a inclusão de questões sobre especificidades inerentes ao Transtorno do Espectro Autista, pois não existiam dados oficiais sobre as pessoas com TEA. Mais recentemente, a Lei 13.977/2020 agregou mais direitos e inclusão social das pessoas com TEA, ao instituir a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, possibilitando a identificação de pessoas com TEA, tendo em vista que esta condição, 34 diferentemente de outras deficiências, nem sempre é visível, além de auxiliar na hora de exigir os direitos das pessoas autistas. Além da carteira, que possui validade de 5 anos, a nova lei determina a garantia de vaga em escolas para estudantes com TEA, prioridade no atendimento público e privado para pessoas com autismo, bem como obriga os cinemas a oferecer, mensalmente, sessões específicas para as pessoas com TEA (Brasil, 2019). Então, partindo dessa premissa, é dever de todo cidadão cuidar do bem comum e lutar para que os direitos sociais, dispostos na legislação vigente, sejam efetivados, principalmente quando se trata da proteção das pessoas com vulnerabilidade social, como é o caso das pessoas com TEA. Neste sentido, ressalta-se a importância das Tecnologias Assistivas na prática pedagógica do Atendimento Educacional Especializado, realizado na Sala de Recursos Multifuncionais, e como os softwares educativos contribuem para a aprendizagem e o desenvolvimento dos estudantes com TEA. Por meio da interatividade desses recursos assistivos, é possível atingir resultados superiores aos alcançados na educação tradicional, desta forma, é importante conhecer as tecnologias assistivas que estão sendo usadas atualmente na prática pedagógica, tema a ser abordado no próximo capítulo. 3.2 Tecnologias digitais na educação: uma breve exposição O desenvolvimento e a transformação da sociedade contemporânea conectaram-se à evolução da tecnologia e de seus recursos de tal forma que nós mesmos, indivíduos socialmente ativos, não conseguimos acompanhar. O impacto da inserção e do avanço tecnológico interfere diretamente nas relações dos indivíduos consigo mesmos, com os outros, com a sociedade, 35 levando consigo as mais diversas interpretações sociais, culturais e tecnológicas sobre esses novos recursos e seu uso (BELLONI, 2009). Giroto destacou que a incorporação das tecnologias da informação e comunicação era uma mudança importante e que precisava acontecer na escola, por constituir um “diversificado conjunto de recursos” que, quando utilizados no contexto educacional, possibilitavam o favorecimento da aprendizagem dos estudantes de modo geral (GIROTO; POKER; OMOTE, 2012, p. 15). A educação escolar é uma prática social complexa, que aporta consigo a função socializadora ao responder à premissa básica de articulação entre o mundo do trabalho e a prática social (GOMES, 2017). Assim, em suas bases normativas, apresenta competências a serem desenvolvidas nos estudantes, inclusive, a competência digital como componente geral do currículo da escola. Nesse cenário, o estudante necessita: Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva (GOMES, 2017, p. 9). O uso da tecnologia é apresentado, para além do direito de acesso, é apresentado também como um artefato ou um instrumento em favor do desenvolvimento social e cultural dos educandos na e para a sociedade em que estão inseridos. Mas, como explicita Coscarelli (2016, p. 26), “incorporar inovações nas instituições de ensino não é tarefa fácil, sejam elas tecnológicas ou não”. Mesmo com as várias revoluções tecnológicas presentes na história do homem, por consequência na sociedade e na educação em si, a incorporação das tecnologias digitais na educação não se deu e nem se dá nos dias atuais de forma heterogênea. 36 Atualmente, já existem tecnologias pensadas e criadas somente para fins educacionais, tais como as tecnologias assistivas, os objetos de aprendizagem e os jogos educacionais digitais. E a cada dia mais novos artefatos aparecem nessa esfera. Moran, Masetto e Behrens (2013) aprofundam a reflexão sobre o tema e tecem uma introdução, a respeito das tecnologias digitais da informação e comunicação na educação, sob diversos ângulos, incluindo a sua ausência ou presença no processo educativo, nos seus sistemas escolares, seu uso no processo de ensino aprendizagem e, ainda, na atualidade da tecnologia. “A escola precisa reaprender a ser uma organização efetivamente significativa, inovadora, empreendedora” e, por isso, necessita de uma abordagem que perceba ambos os lados, para avaliar a educação atual quanto à sua situação, na alfabetização digital, tanto dos alunos quanto dos professores e, mais importante ainda, quanto ao letramento digital, pois é tão importante para o discente quanto para o docente e, além disso e reciprocamente essas demandas, “focar mais a construção de pessoas cada vez mais livres, evoluídas, independentes e responsáveis socialmente” (MORAN; MASETTO; BEHRENS, 2013, p. 12/16). Em suma, a tecnologia tem suas potencialidades, em múltiplas facetas, mas se faz mais importante saber o uso que se faz dela, das possibilidades que podem ser criadas com sua ajuda, sem mecanização ou domesticação. Essa é a transformação educacional que vislumbramos ao longe e queremos analisar, para que possamos, ao menos um pouco, contribuir para que se efetive, em experiências concretas e satisfatórias, para o processo de aprendizagem dos estudantes da educação especial inclusiva. De fato, vimos até o momento que as tecnologias foram inseridas no processo educacional, tanto pelo seu potencial em auxiliar no processo de aprendizagem quanto pela própria necessidade de a escola acompanhar o processo de evolução socio-histórico na sociedade em que está inserida e de acompanhar o próprio processo evolutivo do ser humano, auxiliando-o. 37 3.3 Tecnologias Assistivas, Educação Inclusiva e o Atendimento Educacional Especializado na Sala de Recursos Multifuncionais O estudante com o Transtorno do Espectro Autista conta atualmente com diversos meios de tecnologias que contribuem para o seu desenvolvimentosocial, cognitivo, físico e motor. O cenário atual foi positivamente invadido pelas tecnologias, devido à pandemia da Covid-19, que acelerou o processo de inclusão digital. Esta condição ainda não ocorreu com a totalidade de estudantes e professores, principalmente nas escolas e faculdades públicas, que precisaram se adequar e se adaptar às novas modalidades de ensino remoto. Apesar dos inúmeros avanços evidenciados na educação e na sociedade que corroboraram para que a pessoa com deficiência venha ocupar seu espaço na sociedade, assim como a implementação de leis que reforçam os direitos do cidadão e direcionam os mecanismos de atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos, muito ainda há que se caminhar para a efetivação da inclusão educacional (Fernandes, Silveira & Prsybyciem, 2020, p.78). No campo da educação, as tecnologias digitais promoveram novas possibilidades de se obter e produzir conhecimento, não obstante a resistência de alguns profissionais moldados pelas escolas tradicionais. Nesse sentido, não se pode retroceder, tendo em vista que as tecnologias digitais chegaram e trouxeram sua expertise para aqueles que a desconheciam, e para os estudantes um novo despertar para o conhecimento e uma nova forma de interagir e aprender. O Comitê de Ajudas Técnicas - CAT, instituído pela Portaria nº 142, de 16 de novembro de 2006, assim conceitua a tecnologia assistiva: Tecnologia Assistiva é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam 38 promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social (Brasil, 2009b). O objetivo da Tecnologia Assistiva consiste em proporcionar à pessoa com deficiência maior independência, qualidade de vida e inclusão social, mediante a ampliação da sua comunicação, mobilidade, controle de seu ambiente, habilidades de seu aprendizado, trabalho e a sua integração com a família e sociedade. Recentemente, em 2021, o Governo Federal assinou o Decreto nº 10.645, que dispõe sobre as diretrizes, os objetivos e os eixos do Plano Nacional de Tecnologia Assistiva. O documento é resultante das ações dos Ministérios da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) e da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). (Brasil, 2021). A assinatura visa regulamentar o artigo 75 do Estatuto da Pessoa com Deficiência, que dispõe sobre o desenvolvimento de um plano específico de medidas que facilitam o acesso a crédito especializado para aquisição dessa tecnologia e tem como premissa nortear os trabalhos do Comitê Interministerial de Tecnologia Assistiva, criado em 2019. O Plano pode chegar a 46 milhões de pessoas, de acordo com o Censo Demográfico de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo como o texto, que se fundamenta no conceito da CAT, a tecnologia assistiva ou ajuda técnica é definida como: [...] produtos, os equipamentos, os dispositivos, os recursos, as metodologias, as estratégias, as práticas e os serviços que promovem a funcionalidade, relacionada à atividade e à participação da pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida, com vistas à sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social (Brasil, 2021). Diante desse olhar para a importância das tecnologias assistivas no cotidiano educacional e social, busca-se minimizar as dificuldades de acesso e inclusão, principalmente no ambiente escolar. 39 Embora já se trabalhe na perspectiva de uma educação inclusiva, ainda hoje os professores, de um modo geral, são refratários em aceitar estudantes com perfil de inclusão. A segregação social e a marginalização dos indivíduos com supostas deficiências têm raízes históricas profundas, e a sua integração escolar não pode ser vista apenas como um problema de políticas públicas, pois envolve, sobretudo, o significado ou a representação que as pessoas (no caso, os professores) têm sobre o deficiente, e como esse significado determina o tipo de relação que se estabelece com ele (Conte & Basegio, 2015, p. 34). É por isso que o papel das tecnologias assistivas é fundamental no âmbito da interatividade que provoca no campo educacional, mas por meio das suas ferramentas pedagógicas, dando suporte ao processo de ensino e aprendizagem, promovendo inclusão, inovação, criatividade, desenvolvimento cognitivo, de professores e estudantes que estejam dispostos a aprender e a desenvolver suas potencialidades. Em face dessa questão social é que a família e a sociedade devem atuar/fiscalizar para que as pessoas com Transtorno de Espectro Autista tenham seus direitos devidamente assegurados, uma vez que há leis, portarias e decretos governamentais que asseguram o direito à educação inclusiva, dotada de acessibilidade por meio das ferramentas provenientes das novas tecnologias implantadas, que favorecem o desenvolvimento social e também cognitivo desses indivíduos, seja por meio de jogos, aulas interativas e integrativas, entre outros. As tecnologias da informação e comunicação (TICs), bem como os avanços nesse setor, por meio dos programas criados para público com TEA, possibilitam a melhoria da comunicação, uma vez que são capazes de transformar as palavras impressas, imagens e símbolos em forma de fala, conforme aduz Whitman (2015). Segundo as autoras Onzi e Gomes, 2015, p. 195), isso pode “colaborar também com os outros materiais pedagógicos desenvolvidos para tornar a educação acessível e ainda mais inclusiva”. A tecnologia pode contribuir para a vida produtiva e convívio social do autista, conforme explicam Conte e Basegio (2015, p. 33): 40 Em relação à acessibilidade, acreditamos que, para a maioria das pessoas, a tecnologia torna a vida mais fácil. Entretanto, para as que têm deficiência, torna a vida possível, produtiva e melhora significativamente seu convívio social. Percebemos que a inclusão tecnológica só é viável quando, através da participação em ações coletivas, os excluídos são capazes de recuperar sua dignidade na vida em sociedade. As tecnologias assistivas vem cumprindo o seu papel social no que concerne à inclusão digital e à acessibilidade das pessoas com deficiência. A importância das ferramentas metodológicas desenvolvidas, direcionadas especialmente às pessoas com Transtorno do Espectro Autista, assegura-lhes o direito à cidadania. 41 4. Aspectos Metodológicos Este trabalho se caracteriza como uma pesquisa de Revisão Bibliográfica. Ainda, a pesquisa possui caráter exploratório, de cunho qualitativo, e a metodologia aplicada foi a revisão de literatura, por meio de artigos científicos, teses e dissertações, publicados em sites e revistas nacionais Os dados foram levantados sobre as tecnologias assistivas e seu uso nas salas de recursos multifuncionais, para inclusão do estudante com Transtorno do Espectro Autista, tal pesquisa tem a vantagem de possibilitar uma análise qualitativa e discutir a temática com base em pesquisas atualizadas. Sobre a pesquisa qualitativa, Alves (1991, p.57) dispõe que estas “ se propõem a preencher lacunas no conhecimento, sendo muito poucas as que se originam no campo teórico”. A revisão de literatura busca obter um panorama atualizado sobre o assunto, com base em publicações pertinentes à área de conhecimento, conforme explicam as autoras: Os estudos de revisão consistem em organizar, esclarecer e resumir as principais obras existentes, bem como fornecer citações completas abrangendo o espectro de literatura relevante em uma área. As revisões de literatura podem apresentar uma revisão para fornecer um panorama histórico