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Sistemas Prediais 
Hidráulico-Sanitários 
 
 
 
Wellington Luiz Borges 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Belo Horizonte, 2010. 
 
 
 
 2 
SUMÁRIO 
 
1.1 - PERSPECTIVA DOS SISTEMAS HIDRÁULICO-SANITÁRIOS NO BRASIL .... 5 
1.2 - SISTEMAS HIDRÁULICO-SANITÁRIOS MÍNIMOS .......................................... 5 
1.3 - SISTEMAS PREDIAIS E RESPECTIVAS NORMAS ......................................... 6 
1.3.1 - SISTEMAS PREDIAIS DE ÁGUA FRIA ...................................................... 6 
1.3.2 - INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA QUENTE ....................................... 10 
1.3.3 - SISTEMAS PREDIAIS DE ESGOTO SANITÁRIO – PROJETO E 
EXECUÇÃO ........................................................................................................ 13 
1.3.4 - SISTEMAS PREDIAIS DE ÁGUAS PLUVIAIS .......................................... 14 
2. SISTEMAS PREDIAIS DE ÁGUA FRIA .................................................................. 16 
2.1 - PRINCÍPIOS GERAIS PARA ÁGUA FRIA ...................................................... 16 
2.2 – RESERVATÓRIOS......................................................................................... 16 
2.2.1 - PRESCRIÇÕES PARA RESERVATÓRIOS .............................................. 16 
2.2.2 - CONSUMO DIÁRIO .................................................................................. 16 
2.2.3 - DIMENSIONAMENTO DOS RESERVATÓRIOS .................................... 19 
2.3 - DIMENSIONAMENTO DO ALIMENTADOR PREDIAL E DO RAMAL PREDIAL
 ................................................................................................................................ 21 
2.4 - LIGAÇÃO PREDIAL ...................................................................................... 23 
2.5 - DIMENSIONAMENTO DO EXTRAVASOR E LIMPEZA .................................. 26 
2.6 - CONDUÇÃO DE ÁGUA FRIA ....................................................................... 28 
2.6.1 - QUANTO À PRESSÃO MÁXIMA E MÍNIMA ........................................... 28 
2.6.2 - QUANTO À VELOCIDADE MÁXIMA DO FLUXO ................................... 29 
2.6.3 - QUANTO AO GOLPE DE ARIETE ......................................................... 29 
2.6.4 - QUANTO À PERDA DE CARGA ............................................................ 30 
2.6.5 - CÁLCULO DAS PERDAS DE CARGA ..................................................... 31 
2.6.6 - QUANTO À VAZÃO E DIÂMETROS MÍNIMOS ........................................ 43 
2.7 - SISTEMA ELEVATÓRIO ............................................................................... 46 
2.7.1 - TUBULAÇÃO DE SUCÇÃO ...................................................................... 46 
2.7.2 - TUBULAÇÃO DE RECALQUE ............................................................... 47 
2.7.3 - VAZÃO A CONSIDERAR PARA A BOMBA .............................................. 47 
2.7.4 - DIMENSIONAMENTO DE RECALQUE E DE SUCÇÃO ........................... 48 
2.7.5 - BOMBAS .................................................................................................. 52 
SISTEMA ELEVATÓRIO ESQUEMÁTICO .......................................................... 56 
2.8 - DIMENSIONAMENTO DOS SUB-RAMAIS ................................................... 61 
2.9 - DIMENSIONAMENTO DOS RAMAIS DE ALIMENTAÇÃO ........................... 61 
 
 3 
2.10 - DIMENSIONAMENTO DO BARRILETE ...................................................... 71 
PLANILHA DE CÁLCULO DE INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA ......... 79 
2.11 - DIMENSIONAMENTO DAS COLUNAS DE DISTRIBUIÇÃO ........................ 80 
- MÉTODO DE HUNTER - ...................................................................................... 80 
PLANILHA DE CÁLCULO DE INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA ......... 82 
3. SISTEMAS PREDIAIS DE ÁGUA QUENTE............................................................ 83 
3.1 - PRINCÍPIOS GERAIS PARA ÁGUA QUENTE .............................................. 83 
3.2 - TIPOS DE SISTEMAS DE AQUECIMENTO ................................................. 83 
3.3 - CONSUMO PREDIAL ................................................................................... 84 
3.4 - CONDUÇÃO DE ÁGUA QUENTE ................................................................. 84 
3.4.1 - QUANTO À PRESSÃO MÁXIMA E MÍNIMA ........................................... 85 
3.4.2 - QUANTO AS VAZÕES E VELOCIDADES MÁXIMAS DE FLUXO .......... 85 
3.4.3 - QUANTO ÁS PERDAS DE CARGA ........................................................ 85 
3.4.4 - QUANTO À VAZÃO E DIÂMETRO MÍNIMOS ......................................... 85 
3.5 - DIMENSIONAMENTO PARA A DISTRIBUIÇÃO DA ÁGUA QUENTE ............ 87 
3.5.1 - SUB-RAMAIS ......................................................................................... 87 
3.5.2 - RAMAIS DE ALIMENTAÇÃO .................................................................. 87 
3.5.3 - COLUNAS DE DISTRIBUIÇÃO .............................................................. 87 
3.6 - PRODUÇÃO DE ÁGUA QUENTE ................................................................... 88 
3.6.1 - ELETRICIDADE E GÁS ............................................................................ 88 
3.6.2 - ENERGIA SOLAR .................................................................................. 95 
4. SISTEMAS PREDIAIS DE ESGOTO SANITÁRIO .................................................. 97 
4.1 - PRINCÍPIOS GERAIS PARA ESGOTO SANITÁRIO ...................................... 97 
4.1.1 - ESGOTO SECUNDÁRIO E ESGOTO PRIMÁRIO .................................... 97 
4.2 - DIMENSIONAMENTO DA TUBULAÇÃO DE ESGOTO SANITÁRIO .............. 97 
4.2.1 - RAMAIS DE DESCARGA E RAMAIS DE ESGOTO ................................. 97 
POLEGADA ............................................................................................................ 99 
4.2.2 - TUBOS DE QUEDA TQ .......................................................................... 102 
4.2.3 - COLETOR PREDIAL, SUBCOLETOR OU REDE HORIZONTAL ........... 105 
4.3 - TUBULAÇÃO DE VENTILAÇÃO ................................................................... 107 
4.3.1 - OBJETIVO DA VENTILAÇÃO ................................................................. 107 
4.3.2 - PRESCRIÇÕES BÁSICAS ..................................................................... 107 
4.3.3 - DIMENSIONAMENTO DA TUBULAÇÃO DE VENTILAÇÃO................... 112 
4.4 - DIMENSIONAMENTO DAS CAIXAS ............................................................ 115 
4.4.1 - CAIXA COLETORA (CC) ........................................................................ 115 
4.4.2 - CAIXA DE INSPEÇÃO (C I) .................................................................... 115 
 
 4 
4.4.3 - CAIXA DE PASSAGEM (C P) ................................................................. 118 
4.4.4 - CAIXA RETENTORA DE GORDURA (CG) ............................................ 119 
4.4.5 - CAIXA SIFONADA (CS) ......................................................................... 121 
4.4.6 - POÇO DE VISITA (PV) ........................................................................... 122 
4.5 - FOSSAS SÉPTICAS ..................................................................................... 123 
4.5.1 - TERMINOLOGIA .................................................................................... 123 
4.5.2 - PRINCÍPIOS GERAIS PARA FOSSAS SÉPTICAS ................................ 127 
4.5.3 - TIPOS DE FOSSAS SÉPTICAS ............................................................. 127 
4.5.4 - DIMENSIONAMENTO DAS FOSSAS SÉPTICAS .................................. 133 
4.5.5 - DISPOSIÇÃO DO EFLUENTE ................................................................ 139 
4.5.6 - OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO .............................................................. 144 
4.6 ANEXOStubulação derivada da coluna de distribuição e destinada a alimentar 
os sub-ramais. 
 
 62 
 No dimensionamento dos ramais de alimentação são considerados os 
seguintes sistemas: 
 
a) Máximo Possível 
 
 Neste sistema considera-se que todas as peças de utilização alimentadas pelo 
ramal funcionem, simultaneamente, em locais onde há horários rigorosos para a 
utilização da água, como por exemplo: indústrias, estabelecimentos de ensino, 
quartéis etc. O dimensionamento é feito usando o método das seções equivalentes, 
onde os diâmetros serão expressos em função de ½” (15 mm). A correspondência dos 
diversos diâmetros com o de 1/2” (15 mm) encontra-se na tabela 2.13. 
 
 
Tabela 2.13 - CORRESPONDÊNCIA DE TUBOS DE DIVERSOS DIÂMETROS COM O DE 15 
mm (1/2”) 
Diâmetro do encanamento Número de encanamentos 
mm polegadas de 15 mm (1/2”) com a 
mesma capacidade 
15 ½ 1 
20 3/4 2,9 
25 1 6,2 
32 1 1/4 10,9 
40 1 1/2 17,4 
50 2 37,8 
60 2 1/2 65,5 
75 3 110,5 
100 4 189,0 
150 6 527,0 
200 8 1.200,0 
 
b) Máximo Provável 
 
 Este método já considera difícil que todas as peças de utilização, alimentadas 
pelo mesmo ramal, funcionem simultaneamente e que a probabilidade de uso 
simultâneo decresce com o acréscimo do número de peças. 
 
 63 
 Para este sistema o método de dimensionamento adotado pela NBR 
5626/1998 é baseado na probabilidade do uso simultâneo das peças de utilização. 
 A tabela 2.14 fornece os pesos correspondentes a cada peça de utilização, que 
serão usados no cálculo da vazão, empregando a fórmula: 
 
Q = 0,30 P 
 Sendo: 
Q - vazão, em l/s 
P - Peso, adimensional 
 O ábaco da figura 2.16 fornece o diâmetro do ramal de alimentação em função 
da vazão calculada 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 64 
Tabela 2.14 - VAZÕES E PESOS, NBR 5626/98 
 
Aparelho 
sanitário 
 Peça de utilização Vazão de 
projeto 
(L/s) 
Peso 
relativo 
 
Bacia Sanitária 
Caixa de descarga 0,15 0,3 
Válvula de descarga 1,70 32,0 
Banheira Misturador (água fria) 0,30 1,0 
Bebedouro Registro de pressão 0,10 0,1 
Bidê Misturador (água fria) 0,10 0,1 
Chuveiro ou 
ducha 
 Misturador (água fria) 0,20 0,4 
Chuveiro elétrico Registro de pressão 0,10 0,1 
Lavadora de pratos ou de 
roupas 
Registro de pressão 0,30 1,0 
Lavatório Torneira ou misturador 
(água fria) 
0,15 0,3 
 
 
Mictório cerâmico 
Com sifão 
integrado 
Válvula de descarga 2,8 
Sem sifão 
integrado 
Caixa de descarga, 
registro de pressão ou 
válvula de descarga para 
mictório 
0,15 0,3 
Mictório tipo 
calha 
 Caixa de descarga ou 
registro de pressão 
0,15 
por metro 
de calha 
0,3 
 
Pia 
 Torneira ou misturador 
(água fria) 
0,25 0,7 
 Torneira elétrica 0,10 0,1 
Tanque Torneira 0,25 0,7 
Torneira de 
jardim ou 
lavagem em 
geral 
 Torneira 0,20 0,4 
 
 
 65 
 A figura 2.17 representa um isométrico onde é possível distinguir os ramais e 
sub-ramais de alimentação. 
 
 
 
Figura 2.16 - DIÂMETRO E VAZÕES EM FUNÇÃO DA SOMA DOS PESOS 
 
 
 
 66 
 
Figura 2.17 - RAMAIS E SUB-RAMAIS 
 
 Exemplo 2.18 
 
 Dimensionar os sub-ramais do isométrico representado na figura 2.17. 
 O dimensionamento dos sub-ramais é muito simples; na tabela 2.10 faz-se a 
leitura direta do diâmetro mínimo para cada peça de utilização. 
 No exemplo temos: 
 3 sub-ramais de vaso ou bacia sanitária com válvula de descarga (1 1/2”) -  
40 mm 
 1 sub-ramal para o lavatório -  15 mm 
 1 sub-ramal para o chuveiro -  15 mm 
 Terminado o dimensionamento anota-se no desenho os diâmetros 
correspondentes. 
 
 
 67 
 
OBS.: Os diâmetros estão expressos em mm 
 
 
 Exemplo 2.19 
 
 Dimensionar os ramais do isométrico representado na figura 2.17. 
 Para dimensionar os ramais é importante observar as peças de utilização a 
serem alimentadas para definir qual o processo será utilizado. Neste caso temos três 
vasos ou bacias sanitárias com possibilidade de uso simultâneo, devemos então 
dimensionar pelo sistema máximo possível, utilizando o método das seções 
equivalentes. 
 Divide-se o ramal em trechos e o dimensionamento é feito trecho a trecho. 
 O isométrico apresenta quatro trechos (I; II; III; IV), conforme a figura abaixo. 
 
 
 68 
 
OBS.: Os diâmetros estão expressos em mm. 
 
 Para cada diâmetro de sub-ramal alimentado pelo trecho considerado, anota-se 
da tabela 2.13 a equivalência de tubos de 15 mm correspondente, soma-se estes 
valores e na mesma tabela, no sentido inverso, faz-se a leitura do diâmetro 
correspondente ao trecho do ramal. 
 
 Trecho I Tabela 2 
 Chuveiro,  15 mm 1 
 Lavatório,  15 mm 1 
 2   20 mm 
 
 Trecho II 
 Trecho I, 2 
 1 vaso sanitário,  40 mm 17,4 
 19,4   50 mm 
 
 Trecho III 
 
 69 
 Trecho II 19,4 
 1 vaso sanitário,  40 mm 17,4 
 36,8   50 mm 
 
 Trecho IV 
 Trecho III 36,8 
 1 vaso sanitário,  40 mm 17,4 
 54,2   60 mm 
 
 Terminado o dimensionamento anota-se no desenho os diâmetros 
correspondentes. 
 
 Exemplo 2.20 
 
 Dimensionar o isométrico abaixo considerando um edifício residencial. 
 
 
OBS.: Os diâmetros estão expressos em mm. 
 
 70 
 O edifício é residencial, portanto, de uso privado e, neste caso, o 
dimensionamento dos ramais é pelo sistema máximo provável. O ramal apresenta dois 
trechos e o dimensionamento é trecho a trecho, determinando os pesos (tabela 2.14), 
a vazão e, em função destes valores, o diâmetro correspondente no ábaco da figura 
2.16. 
 
 Trecho I Peso (Tabela 2.14) 
 1 chuveiro 0,5 
 2 lavatório 0,5 
 _____ 
 1,0 
 
 
Q = 0,301,0 = 0,30 l/s   20 mm 
 
 Trecho II 
 Trecho I 1,0 
 1 Vaso sanitário,  40 mm 40,0 
 ____ 
 41,0 
 
 Q = 0,3041,0 = 1,92 l/s   no ábaco da figura 2.16 os diâmetros 
correspondentes são 32 mm e 40 mm, estão dentro da chamada faixa de transição e 
sempre que isto ocorrer, recomendamos adotar o maior diâmetro. Neste exemplo o  
32 mm não pode ser adotado pois é menor que o diâmetro do sub-ramal do vaso 
sanitário. 
 
 Terminando o dimensionamento anota-se no desenho os diâmetros 
correspondentes. 
 Trecho I   20 mm 
 Trecho II   40 mm 
 
 
 
 
 71 
2.10 - DIMENSIONAMENTO DO BARRILETE 
 
MÉTODO DE HUNTER 
 
 Barrilete é a tubulação que interliga o reservatório superior às colunas de 
distribuição de água fria, Figura 2.18. 
 
 
Figura 2.18 – BARRILETE 
 
 O dimensionamento do barrilete poderá ser feito pelo sistema máximo provável 
porém, neste manual será desenvolvido o método de Hunter. 
 
 No método de Hunter é atribuído um “peso” para cada tipo de peça de 
utilização. Estabelece também dependência entre as descargas das peças de 
utilização e a soma total dos pesos de todas as peças. Para se determinar os “pesos”, 
Hunter considerou o seguinte: 
 
- consumo da peça de utilização; 
- se a instalação é de uso privado ou de uso público; 
- se as peças contêm válvulas de descarga ou não; 
- se as peças estão agrupadas em compartimentos ou se localizadas isoladamente; 
- se há água fria ou quente que possam ser utilizadas simultaneamente. 
 
 Para o cálculo observar o seguinte roteiro: 
 
 72 
 
a) desenhar o barrilete, colocando as cotas, colunas a alimentar e trechos a 
dimensionar; 
b) relacionar as colunas demais empregado do 
dimensionamento é o de Hunter. 
 Para o cálculo pelo método de Hunter, observar o seguinte roteiro: 
a) desenha-se a coluna, colocando as cotas, ramais a alimentar e trechos a 
dimensionar. É preferível a criação de novas colunas para evitar que os ramais se 
 
 81 
alonguem. A coluna que alimenta aparelhos que utilizam válvulas de descarga deverá 
ser independente das demais; 
b) relacionar os ramais que serão alimentados por cada coluna; 
c) pela tabela 2.15 obtém-se os pesos das peças de utilização por pavimento; 
d) após determinados os pesos por pavimento faz-se a soma, de baixo para cima, 
encontrando assim os pesos acumulados em cada trecho da coluna; 
e) encontrados os pesos acumulados em cada trecho da coluna, determina-se as 
vazões, em l/s, através da tabela 2.16; 
f) conhecida a vazão determina-se o diâmetro dos trechos da coluna de acordo com a 
tabela 2.18; 
g) conhecida a vazão e o diâmetro, entra-se com estes dados num dos ábacos de 
Fair-Whipple-Hsiao, que estão reproduzidos nas figuras 2.6 e 2.7, determina-se a 
perda de carga unitária e a velocidade que deve ser comparada aos valores da tabela 
2.18. Pode-se usar também os ábacos de Flamant e de Hazem-Williams, figuras 2.5 e 
2.9 respectivamente; 
h) determina-se o comprimento total da tubulação, valor este que é a soma do 
comprimento real mais o comprimento equivalente que é obtido nas tabelas 2.5; 2.6; 
2.7 e 2.8; 
i) conhecidos o comprimento total e a perda de carga unitária, determina-se a perda de 
carga total, de cada trecho da tubulação (J = L x Ju); 
j) determina-se então as pressões disponíveis nas derivações da coluna de 
distribuição. 
 
 Exemplo 2.2 
 
 Calcular as pressões disponíveis nas derivações dos ramais da coluna AF-5, 
do exemplo 2.21. 
 O material empregado é o PVC. 
 
 Seguindo o roteiro sugerido para o dimensionamento, pelo método de Hunter, e 
utilizando a planilha de cálculo, temos: 
 
 Do exemplo 2.21: 
 Peso por pavimento = 10 
 Pressão disponível  P (G) = 2,05 m H2O 
 
 82 
 
 
PLANILHA DE CÁLCULO DE INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA 
 
OBS: Foram necessárias mudanças de diâmetros para atender o valor da 
velocidade máxima (3,0 m/s). 
 
 
 
 
 
 83 
3. SISTEMAS PREDIAIS DE ÁGUA QUENTE 
 
3.1 - PRINCÍPIOS GERAIS PARA ÁGUA QUENTE 
 
 As instalações prediais de água quente são regidas pela NBR 7198/93 da 
ABNT que fixa as exigências técnicas mínimas para criar um ambiente de maior 
conforto aos usuários. 
 O uso da água quente é comum em quase todas as atividades humanas e as 
instalações hidráulicas para a sua condução podem ser específicas para indústrias, 
hospitais, hotéis, motéis e residências. A demanda de água quente e as instalações 
hidráulicas industriais não serão abordadas neste manual. 
 
 As temperaturas mais usuais da água quente, são as seguintes: 
- uso pessoal em banhos: ........................................................................35 a 50oC 
- em cozinhas (gorduras): ........................................................................60 a 75oC 
- lavanderias:............................................................................................ 75 a 80oC 
- finalidades hospitalares: ........................................................................100oC ou mais. 
 
 Para reduzir as perdas de calor no sistema de distribuição de água quente, 
costuma-se envolver as tubulações com material isolante, tais como: lã de vidro; 
amianto em pó ou cortiça moída, em mistura com leite de cal; vermiculita; etc. 
 
 Já existem tubos e conexões de materiais com propriedades termoplásticas 
que são isolantes térmicos. Tais produtos dispensam o revestimento utilizado com a 
finalidade de diminuir a perda de calor; porém alguns fabricantes recomendam 
envolver as tubulações para minimizar os efeitos da dilatação térmica. 
 
3.2 - TIPOS DE SISTEMAS DE AQUECIMENTO 
 
 O sistema de aquecimento poderá ser: 
 
a) Individual 
 
 O sistema de aquecimento é individual quando alimenta uma única peça de 
utilização. Ex.: chuveiros, torneiras. 
 
 
 84 
 
b) Central Privado 
 
 O sistema de aquecimento é central privado, quando alimenta várias peças de 
utilização de um único domicílio. Ex.: aquecedor de acumulação. 
 
c) Central Coletivo 
 
 O sistema de aquecimento é central coletivo, quando alimenta peças de 
utilização de vários domicílios. Ex.: Hotel, Motel, Hospital. 
 
3.3 - CONSUMO PREDIAL 
 
 A NBR 7198/93 dita as bases para se determinar o consumo predial. 
Conhecida a população da edificação, calcula-se o consumo predial através da tabela 
3.1. 
 
Tabela 3.1 - ESTIMATIVA DE CONSUMO DE ÁGUA QUENTE 
 
PRÉDIO CONSUMO LITROS/DIA 
Alojamento provisório de obra 24 por pessoa 
Casa popular ou rural 36 por pessoa 
Residência 45 por pessoa 
Apartamento 60 por pessoa 
Quartel 45 por pessoa 
Escola (internato) 45 por pessoa 
Hotel (sem incluir cozinha e lavanderia) 36 por hóspede 
Hospital 125 por leito 
Restaurantes e similares 12 por refeição 
Lavanderia 15 por kg de roupa seca 
 
OBS: No caso da água ser aquecida por energia solar recomenda-se considerar uma 
estimativa de consumo de 120L/pessoa/dia. 
 
3.4 - CONDUÇÃO DE ÁGUA QUENTE 
 
 
 85 
3.4.1 - QUANTO À PRESSÃO MÁXIMA E MÍNIMA 
 
 A pressão estática máxima para as peças de utilização e para os aquecedores 
é de 400 Kpa (40,00 mH2O). 
 As pressões mínimas nas torneiras e nos chuveiros são 10 Kpa e 5 Kpa (1,00 
m H2O e 0,50 m H2O), respectivamente. 
 
3.4.2 - QUANTO AS VAZÕES E VELOCIDADES MÁXIMAS DE FLUXO 
 
 A tabela 3.2 fornece as vazões e velocidades máximas de fluxo para 
tubulações de água quente. A NBR 7198/93, em vigor, adota o valor máximo de 3,0 
m/s. 
3.4.3 - QUANTO ÁS PERDAS DE CARGA 
 
 O cálculo das perdas de carga é idêntico ao do item 2.6.5, de água fria. 
3.4.4 - QUANTO À VAZÃO E DIÂMETRO MÍNIMOS 
 
a) Vazão Mínima 
 
 A NBR 7198/93 fornece a vazão mínima das peças de utilização, conforme a 
tabela 3.3 para que elas tenham um perfeito desempenho. 
 
b) Diâmetro Mínimo 
 
 A NBR 7198/82 recomenda também que os diâmetros mínimos das tubulações 
não sejam inferiores aos da tabela 3.4. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 86 
Tabela 3.2 - VELOCIDADES E VAZÕES MÁXIMAS PARA ÁGUA QUENTE 
 
DIÂMETRO NOMINAL VELOCIDADES 
MÁXIMAS 
VAZÕES 
MÁXIMAS 
DN (DIÂMETRO NOMINAL) REFERÊNCIA 
 (mm) (Polegada) m/s l/s 
15 ½ 3,00 0,5 
20 ¾ 3,00 0,7 
25 1 3,00 1,2 
32 1 1/4 3,00 1,8 
40 1 1/2 3,00 2,9 
50 2 3,00 4,5 
60 2 1/2 3,00 6,7 
75 3 3,00 10,4 
100 4 3,00 23,5 
 
 
 
Tabela 3.3 - VAZÃO MÍNIMA E PESO DAS PEÇAS DE UTILIZAÇÃO 
PEÇAS DE UTILIZAÇÃO VAZÃO l/s PESO 
Banheira 0,3 1,0 
Bidê 0,10 0,1 
Chuveiro 0,20 0,4 
Lavatório 0,15 0,3 
Pia de cozinha 0,25 0,7 
Pia de despejo - 1,0 
Lavadora de roupa 0,30 1,0 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 87 
Tabela 3.4 - DIÂMETRO MÍNIMO DOS SUB-RAMAIS 
 
PEÇAS DE UTILIZAÇÃO DIÂMETRO (mm) 
Banheira 15 
Bidê 15 
Chuveiro 15 
Lavatório 15 
Pia de cozinha 15 
Pia de despejo 20 
Lavadora de roupa 20 
 
 
3.5 - DIMENSIONAMENTO PARA A DISTRIBUIÇÃO DA ÁGUA QUENTE 
 
 O dimensionamento para a distribuição da água quente segue o mesmo 
raciocínio empregado para a água fria, porém fazendo as devidas alterações quanto 
ao consumo, conforme a NBR 7198/93. 
3.5.1 - SUB-RAMAIS 
 A NBR 7198/93 recomenda os diâmetros mínimos para os sub-ramais 
conforme a tabela 3.4. 
3.5.2 - RAMAIS DE ALIMENTAÇÃO 
 
 A NBR 7198/93 recomenda o sistema de funcionamento máximo provável das 
peças de utilização. Em casos especiais poderá ser usado o sistema máximo possível. 
 O dimensionamento dos ramais de alimentação de água quente, pelo sistema 
máximo provável é feito conforme o item 2.9 de água fria. 
3.5.3 - COLUNAS DE DISTRIBUIÇÃO 
 
 Quando o sistema de aquecimento utilizado for do tipo central coletivo a 
distribuição da água quente se faz pelas colunas e podeser ascendente; descendente 
ou mista. O sistema pode ser projetado com sentido unidirecional de fluxo da água ou 
com o retorno da mesma. O retorno pode ser feito com ou sem bombeamento 
independente do tipo de sistema de distribuição de água quente adotado, a 
 
 88 
alimentação com água fria do sistema de aquecimento deve ser totalmente separada 
da tubulação que distribui água fria para a edificação. Deve ser colocada uma válvula 
de retenção junto a saída do reservatório de água fria para evitar o acesso de água 
quente neste. O diâmetro da coluna deve ser calculado pelo sistema máximo provável. 
 
3.6 - PRODUÇÃO DE ÁGUA QUENTE 
 
 A produção de água quente se dá pela transferência de calorias de uma fonte 
de calor para que a água alcance a temperatura desejada. Estas calorias poderão ser 
obtidas através de diversas fontes de energia térmica, dentre as quais temos: 
 
- combustíveis sólidos, líquidos e gasosos; 
- energia elétrica; 
- energia solar; 
- vapor. 
 
3.6.1 - ELETRICIDADE E GÁS 
 
 Os aquecedores de água residenciais normalmente utilizam eletricidade ou gás 
como fonte de energia térmica. Podem ser de dois tipos: 
a) de passagem contínua da água, que são os aquecedores individuais ou 
central privado. A figura 3.1 ilustra os aquecedores de passagem. 
 
 
a) individual 
 
 
 
 89 
 
 
 
 
b) central privado 
MODELO - 4000 B MODELO - 6000 B 
 
4000 B - BAIXA PRESSÃO 
 
 
6000 B - ALTA PRESSÃO 
Para casas térreas e sobrados: Para prédios de apartamentos: 
. Pressão mínima: 1,1 m H2O . Pressão mínima: 7 m H2O 
. Pressão máxima: 7 m H2O . Pressão máxima: 70 m H2O 
. Resistência Standard com regulagem 
de temperatura 
 . Resistência Standard ou blindada (sem 
regulagem de temperatura 
 
 
 90 
 
Figura 3.1 - AQUECEDORES DE PASSAGEM 
 
 
b) de acumulação, aparelho no qual a água acumulada é aquecida. É constituído de 
dois reservatórios: um interno, de aço ou cobre, no qual a água é acumulada e 
aquecida; outro externo, de aço, criando assim uma camada de ar entre os dois 
tambores, necessária para isolação térmica do sistema. Os aquecedores são 
fabricados para atender a baixa pressão de serviço, 20 Kpa (2 m H2O) e alta 
pressão, acima de 20 Kpa (2 m H2O). 
 
A tabela 3.5 é utilizada para o dimensionamento dos aquecedores de acumulação. 
 
 A figura 3.2 ilustra um aquecedor de acumulação e a figura 3.3 mostra um isométrico 
utilizando aquecedor de acumulação. 
 
 
 
 
 
 
 
 91 
Tabela 3.5 - DIMENSIONAMENTO INDICADO PARA AQUECEDORES ELÉTRICOS DE 
ACUMULAÇÃO 
 
CONSUMO DIÁRIO 
A 70oC 
CAPACIDADE DO 
AQUECEDOR (LITROS) 
POTÊNCIA 
(kw) 
60 50 0,75 
95 75 0,75 
130 100 1,0 
200 150 1,25 
260 200 1,50 
330 250 2,0 
430 300 2,5 
570 400 3,0 
700 500 4,0 
850 600 4,5 
1.150 750 5,5 
1.500 1.000 7,0 
1.900 1.250 8,5 
2.300 1.500 10,0 
2.900 1.750 12,0 
3.300 2.000 14,0 
4.200 2.500 17,0 
5.000 3.000 20,0 
 
 
 
a) Horizontal 
 
 
 92 
 
b) Vertical 
 
Figura 3.2 - AQUECEDOR DE ACUMULAÇÃO 
 
a) DETALHE, EM PLANTA 
 
 
 93 
 
b) DETALHE DA BANDEJA 
Posição de montagem dos aquecedores 
 
c) ISOMÉTRICO 
 
Figura 3.3 - BANHEIRO COM AQUECEDOR DE ACUMULAÇÃO 
 
 
 94 
Exemplo 3.1 
 
 Determinar o volume de um aquecedor de acumulação para atender a uma 
residência com 5 pessoas. 
 
 Resolução: 
 
 Da tabela 3.1 tem-se que o consumo “per capita” é de 45 litros/dia. 
 O consumo diário será: 5 x 45 = 225 litros. 
 Na tabela 3.5 verifica-se que o aquecedor deverá ter capacidade para 200 
litros. 
 
Exemplo 3.2 
 
 Calcular o volume do reservatório de água quente para um sistema de 
aquecimento solar de um edifício residencial, com oito apartamentos de dois quartos e 
dependência de empregada. 
 
 Resolução: 
 
 Da tabela 3.1  consumo “per capita” = 45 litros. 
 População do prédio: o procedimento é análogo ao de água fria, então 
teremos: 2 pessoas por quarto mais uma empregada, por apartamento. 
 População do prédio: 5 x 8 = 40 pessoas. 
 Volume do reservatório: 
 40 pessoas x 45 litros/pessoa = 1.800 litros 
 
Exemplo 3.3 
 
 Determinar o volume do reservatório de água quente do sistema de 
aquecimento solar, para atender a um hospital com cinqüenta leitos. 
 
 Resolução: 
 Da tabela 3.1  125 litros por leito 
 Volume do reservatório: 
 50 (leitos) x 125 (litros/leito) = 6.250 litros. 
 
 95 
3.6.2 - ENERGIA SOLAR 
 
 O aquecimento da água utilizando a energia solar é um processo muito 
econômico de se obter maior conforto nas residências. Apenas o investimento inicial 
do sistema pode ser considerado elevado, mas não o é, e a manutenção é 
praticamente inexistente e a fonte de energia é considerada inesgotável. Não produz 
qualquer forma de poluição ambiental. O sistema de aquecimento solar sofre 
interferências das variações meteorológicas. Em dias de chuva ou mesmo nublados a 
eficiência do sistema é bastante reduzida, sendo necessário a utilização de um 
sistema misto, com energia solar e elétrica, por exemplo. 
 O sistema de aquecimento da água através da energia solar consta de: 
a) coletor solar. 
b) reservatório de água quente. 
c) distribuição. 
 A figura 3.4 ilustra de forma esquemática uma instalação de aquecimento solar. 
As placas deverão ser direcionadas para o norte a fim de obter melhor exposição ao 
sol. A inclinação do coletor solar para a cidade de Belo Horizonte é da ordem de 30o a 
35o. A tabela 3.6 indica as inclinações recomendáveis para algumas cidades 
brasileiras. 
 
Tabela 3.6 - INCLINAÇÃO DOS COLETORES SOLARES EM RELAÇÃO À HORIZONTAL 
LUGAR LATITUDE  (RECOMENDADO) 
Belém 2oS 12o à 17o 
Manaus 3oS 13o à 18o 
Fortaleza 4oS 14o à 19o 
Recife 8oS 18o à 23o 
Salvador 13oS 23o à 28o 
Brasília 16oS 26o à 31o 
Belo Horizonte 20oS 30o à 35o 
Rio de Janeiro 23oS 33o à 38o 
Campinas 23oS 33o à 38o 
São Paulo 23oS 33o à 38o 
Curitiba 26oS 36o à 41o 
Porto Alegre 30oS 40o à 45o 
 
 
 96 
 
 
Figura 3.4 - INSTALAÇÃO ESQUEMÁTICA DE AQUECIMENTO SOLAR 
LEGENDA 
1 - RESERVATÓRIO DE ÁGUA FRIA 
2 - ALIMENTAÇÃO DO AQUECEDOR 
3 - VÁLVULA DE ALÍVIO OU SEGURANÇA 
4 - DRENO DO AQUECEDOR 
5 - RESERVATÓRIO DE ÁGUA QUENTE 
6 - COLETORES SOLARES 
7 - RETORNO DOS COLETORES 
8 - ALIMENTAÇÃO DOS COLETORES 
9 - ALIMENTAÇÃO DE ÁGUA QUENTE AOS PONTOS DE CONSUMO 
10 - ALIMENTAÇÃO DE ÁGUA FRIA AOS PONTOS DE CONSUMO 
11 - DRENO DOS COLETORES 
 
 
 
 
 97 
4. SISTEMAS PREDIAIS DE ESGOTO SANITÁRIO 
 
4.1 - PRINCÍPIOS GERAIS PARA ESGOTO SANITÁRIO 
 
 A NBR 8160/99 da ABNT prescreve as condições mínimas para o projeto e 
execução das instalações prediais de esgoto sanitário de modo a: 
- permitir rápido escoamento dos despejos e fáceis desobstruções; 
- não permitir vazamento, escapamento de gases ou formação de depósitos no interior 
das tubulações; 
- vedar a passagem de gases e de animais das tubulações para o interior dos 
edifícios; 
- impedir a contaminação da água potável. 
 O esgoto sanitário coletado pela instalação predial deverá ser lançado na rede 
pública ou em sistema particular quando não houver a rede pública. O esgoto deve ser 
submetido a algum processo de tratamento antes de ser lançado nos cursos d’água. 
Esta medida evita a poluição das águas. Como exemplo de sistema particular de 
disposição final dos esgotos podemos citar a fossa séptica que será estudada no item 
4.5. 
4.1.1 - ESGOTO SECUNDÁRIO E ESGOTO PRIMÁRIO 
 
 Esgoto secundário compreende as canalizações e as peças de utilização que 
não têm acesso de gases provenientes do coletor público, isto é, as descargas vão até 
as caixas sifonadas, ralos sifonados, sifões e demais desconectores. 
 Esgoto primário compreende as canalizações que possam ter acesso de 
gases, isto é, as descargas que vão dos desconectores até o coletor público. 
 
4.2 - DIMENSIONAMENTO DA TUBULAÇÃO DE ESGOTO SANITÁRIO 
 
4.2.1 - RAMAIS DE DESCARGA E RAMAIS DE ESGOTO 
 
RAMAL DE DESCARGA- RD 
 
 Tubulação que recebe diretamente efluentes de aparelhos sanitários. 
 
 
 98 
RAMAL DE ESGOTO - RE 
 
 Tubulação que recebe efluentes de ramais de descarga. 
 
 O dimensionamento da tubulação de esgoto sanitário é em função das 
“Unidades Hunter de Contribuição - UHC” que foram atribuídas aos aparelhos 
sanitários. As unidades Hunter de contribuição - UHC e os diâmetros mínimos dos 
ramais de descarga estão relacionados na tabela 4.1. O esgotamento sanitário é feito 
por conduto livre (por gravidade) e os ramais de descarga e de esgoto devem 
obedecer as declividades da tabela 4.2. Os diâmetros dos ramais de esgoto estão 
relacionados na tabela 4.3. 
 
Tabela 4.1 - UNIDADES HUNTER DE CONTRIBUIÇÃO - UHC - DOS APARELHOS 
SANITÁRIOS E DIÂMETRO DOS RAMAIS DE DESCARGA 
 
APARELHO 
 
UHC 
DIÂMETRO NOMINAL 
DO RAMAL DE 
DESCARGA - DN 
(mm) 
Bacia sanitária 6 100
(1)
 
Banheira de residência 2 40 
Bebedouro 0,5 40 
Bidê 1 40 
Chuveiro De residência 2 40 
Coletivo 4 40 
 De residência 1 40 
Coletivo 2 40 
Mictório Válvula de descarga 6 75 
Caixa de descarga 5 50 
Descarga automática 2 40 
De calha 2
(2)
 50 
Pia de cozinha residencial 3 50 
Pia de cozinha Preparação 3 50 
Lavagem de panelas 4 50 
Tanque de lavar roupas 3 40 
Máquina de lavar louças 2 50
(3)
 
Máquina de lavar roupas 3 50
(3)
 
 
 99 
(1) O diâmetro nominal DN mínimo para o ramal de descarga de bacia sanitária 
pode ser reduzido para DN75, caso justificado pelo cálculo de 
dimensionamento efetuado pelo método hidráulico apresentado no anexo B da 
NBR8160/99 e somente depois da revisão da NBR 6452/1985 (aparelhos 
sanitários de material cerâmico), pela qual os fabricantes devem confeccionar 
variantes das bacias sanitárias com saída própria para ponto de esgoto de 
DN75, sem necessidade de peça especial de adaptação. 
(2) Por metro de calha – considerar como ramal de esgoto. 
(3) Devem ser consideradas as recomendações dos fabricantes. 
 
 Tabela 4.3 
 Tabela 4.2 DIMENSIONAMENTO DE 
 DECLIVIDADES MÍNIMAS RAMAIS DE ESGOTO 
DIÂMETRO DECLIVIDADE DIÂMETRO NÚMERO 
MÁXIMO 
POLEGADA mm % NOMINAL DO DE UNIDADES 
1 ¼” 30 3 TUBO HUNTER DE 
1 ½” 40 3 DN CONTRIBUIÇÃO 
2” 50 3 (mm) 
3” 75 2 30 * 1 
4” 100 1 40 3 
5” 125 1,2 50 6 
6” 150 0,7 75 20 
8” 200 0,5 100 160 
10” 250 0,5 150 620 
12” 300 0,5 *o diâmetro DN 30 não é fabricado 
16” 400 0,5 atualmente 
 
Exemplo 4.1 
 
Dimensionar os ramais de descarga e ramais de esgoto da figura abaixo. O banheiro é 
residencial. 
 
 100 
 
a) Ramais de descarga 
 
Os diâmetros dos RD são anotados diretamente da tabela 4.1, bem como as 
respectivas declividades da tabela 4.2. 
 
Observação importante: quando utilizar tubulações de PVC o menor diâmetro 
fabricado atualmente é DN 40; para ferro fundido o menor diâmetro é DN 50. 
 
Na figura temos: 
 Tabela 4.1 
 
 DN DN - adotado 
RD do lavatório 30 40 
RD do bidê 30 40 
RD do chuveiro 40 40 
RD do vaso sanitário 100 100 
 
 101 
 A declividade para o diâmetro DN 40 é de 3% e para DN 100 é de 1%, de 
acordo com a tabela 4.2. 
 Terminado o dimensionamento anotamos os valores no desenho. 
 
 
b) Ramais de esgoto 
 
No desenho temos dois trechos de ramais de esgoto: RE-1 e RE-2. 
O dimensionamento é feito trecho a trecho, considerando o total de UHC para cada 
trecho e em função deste valor faz-se a leitura direta do diâmetro na tabela 4.3 e a 
declividade na tabela 4.2. 
 UHC (Tabela 4.1) 
 RE-1, esgota os aparelhos: Lavatório 1 
 Bidê 2 
 Chuveiro 2 
 ______ 
 5 UHC   50 mm 
 
 102 
 
 O RE - 1 terá DN 50 e i = 3%. 
 RE-2, esgota: RE-1 5 UHC 
 Vaso Sanitário 6 
 ________ 
 11 UHC   75 mm 
 
O RE - 2 terá DN 100 e i = 2%. O valor encontrado ( 75 mm) não pode ser usado 
porque o ramal esgota vaso sanitário que exige diâmetro mínimo de 100 mm. 
 
4.2.2 - TUBOS DE QUEDA TQ 
 
 É a tubulação vertical que recebe efluentes de subcoletores, ramais de esgoto 
e ramais de descarga. 
 Os tubos de queda deverão, segundo a NBR 8160/83 da ABNT: 
- ser o mais vertical possível; 
- empregar sempre curvas de raio longo nas mudanças de direção, quando estas se 
fizerem necessárias; 
- nas mudanças de direção, colocar uma visita junto às curvas, sempre que estas 
forem inatingíveis por varas de limpeza, introduzidas através das caixas de inspeção; 
- ser prolongados com o mesmo diâmetro, até a cobertura da edificação, para fins de 
ventilação. 
 Para o dimensionamento dos tubos de queda a NBR 8160/83 recomenda a 
tabela 4.4, com as seguintes restrições: 
1. Nenhum vaso sanitário poderá descarregar em um tubo de queda de diâmetro 
inferior a DN 100; 
2. Nenhum tubo de queda deve ter diâmetro inferior ao da tubulação a ele ligada. 
3. Nenhum tubo de queda que receba descargas de pias de cozinha ou pias de 
despejo deve ter diâmetro inferior a DN 75, excetuando o caso de tubos de queda que 
recebam até seis unidades Hunter de contribuição em prédios de até dois pavimentos, 
quando pode então ser usado o diâmetro nominal DN-50. 
 Quando forem necessários os desvios dos tubos de queda estes devem ser 
dimensionados da seguinte forma: 
a) desvios com ângulos menores que 45o com a vertical, o TQ é dimensionado pela 
tabela 4.4. 
 
 103 
b) desvios com ângulos maiores que 45o: 
b.1 - Trecho acima do desvio, tabela 4.4; 
b.2 - Trecho horizontal, funciona como subcoletor e é dimensionado pela tabela 4.5; 
b.3 - Trecho abaixo do desvio, tabela 4.4, considerando o número de Unidades Hunter 
de contribuição de todos os aparelhos que são esgotados pelo TQ, não podendo este 
trecho ter DN menor que o trecho anterior. 
 
 Exemplo 4.2 
 
 Dimensionar o tubo de queda representado na figura abaixo. O edifício é 
residencial com cinco pavimento tipo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 104 
 
 
 
 
 
 
 PLANTA ESQUEMA VERTICAL 
OBS.: DIÂMETROS EM mm. 
 
 
 
 
 
 105 
Tabela 4.4 - DIMENSIONAMENTO DE TUBOS DE QUEDA 
DIÂMETRO NOMINAL NÚMERO MÁXIMO DE UNIDADES HUNTER DE CONTRIBUIÇÃO 
DO TUBO PRÉDIO DE ATÉ PRÉDIO COM MAIS DE 3 PAVIMENTOS 
DN 3 PAVIMENTOS EM 1 PAVIMENTO EM TODO O TUBO 
 40 4 2 8 
 50 10 6 24 
 75 30 16 70 
100 240 90 500 
150 960 350 1.900 
200 2.200 600 3.600 
250 3.800 1.000 5.600 
300 6.000 1.500 8.400 
 
 Para dimensionar o tubo de queda precisamos determinar o total de UHC em 
um pavimento e em todo o tubo. 
 
 Da figura temos os seguintes aparelhos: 
 
 UHC (Tabela 4.1) 
 Bidê 2 
 Chuveiro 2 
 Lavatório 1 
 Vaso Sanitário 6 
 _____ 
 11 UHC, por pavimento 
 
11 (UHC/Pav) x 5 (Pav) = 55 UHC, em todo o tubo. 
 
 Com estes valores, verificando para um pavimento e em todo o tubo, o 
diâmetro encontrado na tabela 4.4 é DN 75 que deve ser substituído pelo DN 100 
porque o tubo de queda esgota vaso sanitário. 
 
4.2.3 - COLETOR PREDIAL, SUBCOLETOR OU REDE HORIZONTAL 
 
COLETOR PREDIAL 
 
 106 
 Trecho de tubulação compreendido entre a última inserção de subcoletor, 
ramal de esgoto ou de descarga e coletor público ou sistema particular. 
 
SUBCOLETOR (SC) 
 Tubulação que recebe efluentes de um ou mais tubos de queda ou ramais de 
esgoto. 
 
 Os coletores prediais, subcoletores ou redes horizontais de esgoto sanitário 
deverão: 
- sempre que possível ser construído em área não edificada; 
- na impossibilidade da construção em área não edificada, as caixas de inspeção 
deverãoser localizadas em áreas abertas e de fácil acesso; 
- ter traçado retilíneo; 
- ter, nas mudanças de direção, caixas de inspeção; 
- ter diâmetro mínimo de 4” (100 mm). 
 
 As interligações de ramais de descarga, ramais de esgoto e subcoletores 
devem ser feitas através de caixas de inspeção sempre que as tubulações forem 
enterradas. 
 Para o dimensionamento dos coletores prediais e subcoletores deve ser 
considerado apenas o aparelho sanitário de maior contribuição para cada banheiro de 
prédio residencial, para o cálculo do número de UHC. A NBR - 8160/83 da ABNT 
recomenda a tabela 4.5 para este dimensionamento. 
 
Tabela 4.5 - DIMENSIONAMENTO DE COLETORES PREDIAIS E SUBCOLETORES 
DIÂMETRO NÚMERO MÁXIMO DE UNIDADES HUNTER DE CONTRIBUIÇÃO 
NOMINAL DO DECLIVIDADES MÍNIMAS (%) 
TUBO DN (mm) 0,5 1 2 4 
100 - 180 216 250 
150 - 700 840 1.000 
200 1.400 1.600 1.920 2.300 
250 2.500 2.900 3.500 4.200 
300 3.900 4.600 5.600 6.700 
400 7.000 4.300 10.000 12.000 
 
 
 107 
 
4.3 - TUBULAÇÃO DE VENTILAÇÃO 
 
4.3.1 - OBJETIVO DA VENTILAÇÃO 
 
 É obrigatório, pela NBR 8160/99, a ventilação das instalações prediais de 
esgoto sanitário. Esta obrigatoriedade tem por objetivo conduzir os gases para a 
atmosfera evitando o acesso dos mesmos ao interior das edificações, bem como a 
ruptura do fecho-hídrico dos desconectores. 
 
4.3.2 - PRESCRIÇÕES BÁSICAS 
 
 A NBR 8160/99 estabelece as seguintes prescrições para a tubulação de 
ventilação: 
 
- toda instalação predial de esgoto sanitário deverá compreender, no mínimo, um tubo 
de ventilação primária com diâmetro não inferior a DN 75 se o prédio for residencial 
e tiver no máximo três vasos sanitários; nos demais casos, DN 100, ligado 
diretamente a caixa de inspeção e prolongado até acima da cobertura do prédio. 
Em edificações de dois ou mais pavimentos a ventilação se faz pelo prolongamento 
vertical dos tubos de queda até a cobertura, sendo todos os desconectores ligados 
por ramal de ventilação à coluna de ventilação e esta ligação deverá ter, no mínimo, 
0,15 m acima do nível máximo da água do mais elevado aparelho sanitário. Figura 
4.1; 
 
- deverá, no caso de telhados e lajes de cobertura, elevar-se, no mínimo, 0,30m acima 
destes e, no caso de terraços, 2,00m. Figura 4.2. Se a tubulação de ventilação 
estiver a menos de 4,00m de janelas ou portas, esta elevar-se-á a 1,00m acima das 
vergas. Figura 4.3. 
 
- deverá ser instalada de modo a possibilitar o escoamento, por gravidade, de 
qualquer líquido que porventura tenha acesso à mesma. 
 
 A coluna de ventilação deverá ter: 
 
 108 
 
- o diâmetro uniforme; 
- a extremidade inferior ligada a um subcoletor ou a um tubo de queda, em ponto 
situado abaixo da ligação do primeiro ramal de esgoto ou de descarga, ou neste 
ramal; 
- a extremidade superior ou a ligação em tubos de ventilação primária nas mesmas 
condições prescritas para as tubulações de ventilação. 
 
 Os tubos ventiladores individuais poderão ser interligados a um barrilete de 
ventilação, evitando com isso o elevado número de tubulações na cobertura, sendo 
que suas extremidades deverão ter, como recomendação prática, no mínimo 2,00m 
acima da mesma e diâmetro DN 150, conforme ilustrado na figura 4.4. 
 
 
 
Figura 4.1 - ESGOTO SANITÁRIO, VENTILAÇÃO 
 
 
 
 109 
 
Telhado 
 
 
Laje Terraço 
 
Figura 4.2 - EXTREMIDADE DO VENTILADOR PRIMÁRIO. CASOS DE TELHADO, LAJE E 
TERRAÇO 
 
 110 
 
Figura 4.3 - AFASTAMENTO DE VENTILADOR PRIMÁRIO DE PRÉDIO VIZINHO 
 
 
Figura 4.4 - BARRILETE DE VENTILAÇÃO 
 
Todo desconector deverá ser ventilado obedecendo os valores da tabela 4.6, que fixa 
a distância máxima de interligação do mesmo ao tubo ventilador. São considerados 
devidamente ventilados os desconectores de pias, lavatórios e tanques, quando 
ligados a um tubo de queda que não receba despejos de bacias sanitárias e mictórios, 
observando os valores da tabela 4.6. Considera-se também devidamente ventilados os 
desconectores instalados no último pavimento, ou pavimento único, quando o número 
 
 111 
de UHC for menor ou igual a quinze e, ainda, quando a distância do desconector a 
uma canalização ventilada não exceder os valores da tabela 4.6. 
 Os sistemas de ventilação podem ser individuais ou em circuitos, podendo o 
sistema individual ser contínuo ou não. 
 Na ventilação contínua permite-se o emprego de um único tubo ventilador para 
sifões instalados em dois ramais de descarga ou de esgoto que se ligam num único 
tubo de queda. 
 Na ventilação em circuito, um tubo ventilador serve, no máximo, a oito 
aparelhos sanitários. É necessária a inclusão de um tubo ventilador suplementar, se 
houver aparelho sanitário, em pavimento superposto, ligado ao mesmo tubo de queda. 
O tubo ventilador suplementar deverá ter a extremidade inferior ligada ao ramal de 
esgoto, entre o tubo de queda e o primeiro dos aparelhos a ventilar, e a extremidade 
superior ligada ao tubo ventilador do circuito. Figura 4.5. 
 A ligação do tubo ventilador a uma rede horizontal, será feita acima do eixo da 
tubulação, no sentido vertical, ou com desvio máximo de 45o da vertical, até 0,15m 
acima do nível máximo da água no mais elevado aparelho servido, antes de ser 
desenvolvida horizontalmente ou ser ligada a outro tubo ventilador. 
 
 
Tabela 4.6 - DISTÂNCIA MÁXIMA DE UM DESCONECTOR AO TUBO VENTILADOR 
 
DIÂMETRO NOMINAL DO RAMAL DE 
DESCARGA DN (mm) 
DISTÂNCIA MÁXIMA (m) 
40 1,00 
50 1,20 
75 1,80 
100 2,40 
 
 
 
 112 
 
Figura 4.5 - VENTILAÇÃO EM CIRCUITO 
 
4.3.3 - DIMENSIONAMENTO DA TUBULAÇÃO DE VENTILAÇÃO 
 
 A NBR 8160/99 fixa para o dimensionamento da ventilação, além das 
prescrições já citadas, o seguinte: 
 
 
 
 
 113 
a) ramal de ventilação 
 
 Os ramais de ventilação deverão ter diâmetro mínimo de acordo com os limites 
fixados na tabela 4.7. 
 
Tabela 4.7 - DIMENSIONAMENTO DE RAMAIS DE VENTILAÇÃO 
GRUPO DE APARELHOS SEM VASOS 
SANITÁRIOS 
GRUPO DE APARELHOS COM VASOS 
SANITÁRIOS 
NÚMERO DE 
UNIDADES HUNTER 
DE CONTRIBUIÇÃO 
DIÂMETRO NOMINAL 
DO RAMAL DE 
VENTILAÇÃO - mm 
NÚMERO DE 
UNIDADES HUNTER 
DE CONTRIBUIÇÃO 
DIÂMETRO NOMINAL 
DO RAMAL DE 
VENTILAÇÃO - mm 
 até 12 40 até 17 50 
 13 a 18 50 18 a 60 75 
19 a 36 75 - - 
 
 
b) Tubos Ventiladores em Circuito 
 
 Os tubos ventiladores em circuito terão, no mínimo, diâmetro igual ao do ramal 
de esgoto ou da coluna de ventilação a que estiverem ligados. 
 
c) Tubos Ventiladores Suplementares 
 
 Os tubos ventiladores suplementares terão, no mínimo, diâmetro igual à 
metade do diâmetro do ramal de esgoto a que estiver ligado. 
 
d) Colunas de Ventilação e barriletes 
 
 As colunas de ventilação e barriletes terão os seus diâmetros de acordo com 
os valores da tabela 4.8. 
 
 
 
 
 
 
 114 
Tabela 4.8 - DIMENSIONAMENTO DE COLUNAS E BARRILETES DE VENTILAÇÃO 
 
Diâmetro 
nominal do tubo 
de queda ou do 
ramal de esgoto 
DN 
 
Número de 
unidades 
Hunter de 
contribuição 
 
 
Diâmetro nominal mínimo do tubo de ventilação 
40 50 75 100 150 200 250 300 
Comprimento permitido 
m 
40 8 46 - - - - - - - 
40 10 30 - - - - - - - 
50 12 23 61 - - - - - - 
50 20 15 46 - - - - - - 
75 10 13 46 317 - - - - - 
75 21 10 33 247 - - - - - 
75 53 8 29 207 - - - - - 
75 102 8 26 189 - - - - - 
100 43 - 11 76 299 - - - - 
100 140 - 8 61 229 
100 320 - 7 52 195 - - - - 
100 530 - 6 48 177 - - - - 
150 500 - - 10 40 305 - - - 
150 1100 - - 8 31 238 - - - 
150 2000 - - 7 26 201 - - - 
150 2900 - - 6 23 183 - - - 
200 1800 - - - 10 73 286 - - 
200 3400 - - - 7 57 219 - - 
200 5600 - - - 6 49 186 - - 
200 7600 - - - 5 43 171 - - 
250 4000 - - - - 24 94 293 - 
250 7200 - - - - 18 73 225 - 
250 11000 - - - - 16 60 192 - 
250 15000 - - - - 14 55 174 - 
300 7300 - - - - 9 37 116 287 
300 13000 - - - - 7 29 90 219 
300 20000 - - - - 6 24 76 186 
300 26000124 
CÂMARA DE ESCUMA 
Espaço da fossa séptica destinado à acumulação e digestão de escuma. 
 
ESGOTO 
Refugo líquido dos prédios, excluídas as águas pluviais e despejos industriais. 
 
DESPEJO INDUSTRIAL 
Despejo decorrente de operações industriais. 
 
DIÂMETRO NOMINAL 
Número que classifica, em dimensão, os tubos e acessórios e que corresponde 
aproximadamente ao diâmetro interno em milímetros das referidas peças, expresso 
em DN. 
 
DIGESTÃO 
Decomposição bioquímicas da matéria orgânica em substâncias e compostos mais 
simples e estáveis. 
 
DISPOSITIVO DE DESCARGA DE LODO 
Instalação hidráulica para descarga por pressão hidrostática do lado da fossa séptica. 
 
DISPOSITIVO DE ENTRADA E SAÍDA 
Peças instaladas no interior da fossa séptica à entrada e à saída dos despejos, 
destinadas a garantir a distribuição uniforme do líquido e impedir a saída da escuma. 
 
ESCUMA 
Substância constituída por material graxo, sólidos em mistura com gases, que ocupa a 
superfície do líquido na fossa séptica. 
 
EFLUENTE 
Substância predominantemente líquida que flui, em condições normais, através do 
dispositivo de saída da fossa séptica. 
 
FILTRO ANAERÓBIO 
Unidade de tratamento biológico do efluente da fossa séptica de fluxo ascendente em 
condições anaeróbias, cujo meio filtrante mantém-se afogado. 
 
 125 
 
FOSSA SÉPTICA 
Unidade de sedimentação e digestão, de fluxo horizontal, destinada ao tratamento dos 
esgotos. 
 
FOSSA SÉPTICA DE CÂMARAS EM SÉRIE 
Aquela constituída de compartimentos interligados, nos quais se processam, 
conjuntamente, os fenômenos de decantação e digestão, com predominância da 
digestão no primeiro compartimento. 
 
FOSSA SÉPTICA DE CÂMARAS SOBREPOSTAS 
Aquela em que os despejos e o lodo digerido são separados em câmaras distintas, 
nos quais se processam independentemente, os fenômenos de decantação e 
digestão. 
 
FOSSA SÉPTICA DE CÂMARA ÚNICA 
Aquela constituída de um só compartimento no qual se processam, conjuntamente, os 
fenômenos de decantação e digestão. 
 
LODO 
Substancia acumulada por sedimentação de sólidos contidos nos esgotos frescos ou 
digeridos nas câmaras de acumulação e digestão das fossas sépticas. 
 
LODO DIGERIDO 
Lodo resultante da digestão completa das matérias decantadas na fossa séptica. 
 
LODO FRESCO 
Lodo instável cujo processo de digestão não foi iniciado. 
 
PERÍODO DE ARMAZENAMENTO DO LODO DIGERIDO 
Intervalo de tempo entre duas operações consecutivas de remoção de lodo da fossa 
séptica, excluído o período de digestão. 
 
PERÍODO DE DETENÇÃO DO ESGOTO 
Intervalo de tempo médio de permanência dos esgotos no interior da fossa séptica. 
 
 
 126 
PERÍODO DE DIGESTÃO 
Intervalo de tempo estimado para a digestão do lodo fresco. 
 
PERÍODO DE LIMPEZA 
Intervalo de tempo entre duas operações consecutivas de remoção do lodo da fossa 
séptica. 
 
PROFUNDIDADE ÚTIL 
Distância vertical entre o nível do líquido e o fundo da fossa. 
 
SEÇÃO TRANSVERSAL ÚTIL 
Área obtida pelo produto da largura da fossa pela altura útil. 
 
SUMIDOURO 
Poço destinado a receber o efluente da fossa séptica e a facilitar sua infiltração 
subterrânea. 
 
TUBO DE LIMPEZA 
Tubo instalado na fossa séptica com a finalidade de permitir o fácil acesso dos 
dispositivos de remoção do lodo. 
 
VALAS DE FILTRAÇÃO 
Unidade complementar de tratamento do efluente da fossa séptica, por filtração 
biológica, constituída de tubulação e leito filtrante. 
 
VALAS DE INFILTRAÇÃO 
Valas destinadas a receber o efluente da fossa séptica, através de tubulação 
convenientemente instalada e a permitir sua infiltração em camadas subsuperficiais do 
terreno. 
 
VOLUME ÚTIL 
Capacidade útil calculada com o emprego de fórmulas. 
 
ZONA NEUTRA 
Espaço da fossa séptica de câmaras sobrepostas destinado a reduzir a turbulência do 
material em digestão. 
 
 127 
 
4.5.2 - PRINCÍPIOS GERAIS PARA FOSSAS SÉPTICAS 
 
 O afastamento e o tratamento dos despejos domésticos devem ser realizados 
visando o atendimento às seguintes condições: 
- nenhum manancial destinado ao abastecimento d’água fique poluído; 
- não cause poluição do solo; 
- a qualidade de vida nas águas receptoras não seja prejudicada; 
- não prejudique as praias e outros locais de recreio e esporte; 
- não sejam observados odores desagradáveis, bem como a presença de insetos. 
 
 A NBR 7229/82 estabelece que o uso das fossas sépticas somente será 
admissível para o tratamento de esgotos domésticos em edificações que possuam 
instalação predial de água. A capacidade máxima de contribuição de esgotos é de 
75.000 litros/dia. As águas pluviais não devem ser lançadas nas fossas sépticas. 
 A localização da fossa séptica e a disposição do efluente devem ser de tal 
maneira que atenda às condições: 
- afastamento mínimo de 20,00 m de qualquer fonte de abastecimento d’água; 
- facilidade de ligação futura do coletor predial ao coletor público, porque o emprego 
das fossas sépticas em áreas urbanas é considerado como solução provisória; 
- facilidade de acesso devido à remoção do lodo digerido. 
 
4.5.3 - TIPOS DE FOSSAS SÉPTICAS 
 
 A NBR 7229/82 recomenda a utilização dos seguintes tipos de fossas sépticas: 
 
a) Fossas de Câmara Única 
 
 São constituídas de compartimento único, cilíndrico ou prismático, no qual 
ocorrem os fenômenos de decantação e digestão das partículas sólidas. A figura 4.11 
ilustra os dois formatos de fossas de câmara única e a tabela 4.10 fornece as 
dimensões internas da fossa. 
 
Tabela 4.10 - DIMENSÕES DE FOSSAS SÉPTICAS 
 
 128 
 
CONTRIBUIÇÃO DIMENSÕES INTERNAS (m) 
N C (LITROS/DIA) COMPRIMENTO LARGURA ALTURA 
750 1,60 0,80 1,00 
1500 2,30 1,10 1,00 
2250 2,45 1,10 1,40 
3000 3,00 1,30 1,30 
4300 3,15 1,50 1,60 
6000 3,20 1,50 2,10 
 
 
 
a) Prismática retangular 
 
 
 129 
 
b) Cilíndrica 
 
Figura 4.11 - FOSSA SÉPTICA DE CÂMARA ÚNICA 
 
b) Fossa de câmaras em série 
 
 São constituídas de dois ou mais compartimentos interligados, nos quais 
ocorrem conjuntamente os fenômenos de decantação e digestão dos sólidos, com 
predominância da digestão no primeiro compartimento. É indicada quando o efluente 
exige baixo teor de sólidos em suspensão. Figura 4.12. 
 
 130 
 
 
c) Fossas de Câmaras Sobrepostas 
 
 São constituídas de compartimentos distintos, nos quais ocorrem 
independentemente a decantação e a digestão das partículas sólidas. Figura 4.12. 
 
 
a) Prismática retangular de três compartimentos 
 
 
 131 
 
b) Cilíndrica de dois compartimentos 
 
Figura 4.12 - FOSSA SÉPTICA DE CÂMARAS EM SÉRIE 
 
 
 132 
 
Figura 4.13 - FOSSAS SÉPTICAS DE CÂMARAS SOBREPOSTAS 
 
 Observações para as fossas sépticas: 
1 - Sempre que L (comprimento longitudinal) ou d (diâmetro interno) for maior que 2,00 
m a fossa levará no mínimo duas chaminés de acesso, uma sobre o dispositivo de 
entrada e outra sobre o de saída; 
2 - Nas fossas com capacidade superior a 6.000 l e o fundo deverá ser inclinado 3:1 
na direção do tubo de limpeza. 
 
 
 
 133 
4.5.4 - DIMENSIONAMENTO DAS FOSSAS SÉPTICAS 
 
 Para dimensionar uma fossa séptica é necessário conhecer os parâmetros 
fixados pela NBR 7229/82, descritos a seguir: 
 
 
a) Contribuição (C) 
 
 Para o cálculo da contribuição de despejos, é necessário levar em 
consideração o seguinte: 
- o número de pessoas a serem atendidas, não podendo ser inferior a cinco, produzirá 
uma contribuição mínima de 75 l/dia; 
- o consumo local da água, sendo que, na falta deste, poderão ser adotados os valores 
da tabela 4.11. 
- nas edificações em que houver, ao mesmo tempo, ocupantes permanentes e 
temporários, a contribuição total será a soma das contribuições correspondentes a 
cada um destes casos, sendo o período de detenção usado para ambos os casos o 
correspondente à contribuição total. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 134 
 Tabela 4.11 - CONTRIBUIÇÕESUNITÁRIAS DE ESGOTOS ( C ) E DE LODO 
FRESCO (Lf) POR TIPO DE PRÉDIOS E DE OCUPANTES 
 
 CONTRIBUIÇÃO (LITROS/DIA) 
PRÉDIO UNIDADE ESGOTOS ( C 
) 
LODO FRESCO 
(Lf) 
1-Ocupantes permanentes 
Hospitais leito 250 1 
Apartamentos pessoa 200 1 
Residências pessoa 150 1 
Escolas - internatos pessoa 150 1 
Casas populares - rurais pessoa 120 1 
Hotéis (sem cozinha e lavanderia) pessoa 120 1 
Alojamentos provisórios pessoa 80 1 
2-Ocupantes temporários 
Fábrica em geral operário 70 0,30 
Escritórios pessoa 50 0,20 
Edifícios públicos ou comerciais pessoa 50 0,20 
Escolas - Externatos pessoa 50 0,20 
Restaurantes e similares refeição 25 0,10 
Cinema, teatro e templos lugar 2 0,02 
 
 
b) Períodos de Contribuição dos Despejos 
 
 São considerados os seguintes períodos: 
- Edificações residenciais, hotéis, hospitais e quartéis: 24 horas; 
- Outros tipos de edificações: os regimes próprios de funcionamento. 
 
 
c) Contribuição de Lodo Fresco (L) 
 
 Na ausência de dados locais, adota-se os valores mínimos relacionados na 
tabela 4.11. 
 
 
 135 
d) Período de Detenção dos Despejos (T) 
 
 As fossas sépticas são projetadas considerando os seguintes períodos 
mínimos de detenção: 
- fossas de câmara única e de câmaras em série: observar os valores constantes da 
tabela 4.12. 
- fossas de câmaras sobrepostas: considerar o valor de 2h, para efeito de cálculo. 
 
e) Câmara de Decantação 
 
 O volume mínimo da câmara de decantação nas fossas sépticas de câmaras 
sobrepostas é de 500 litros. 
 
f) Período de Armazenamento de Lodo Digerido (Ta) 
 
 As fossas sépticas deverão ter capacidade para armazenar o lodo digerido 
durante um período de 10 meses, no mínimo. 
 
g) Período de Digestão do Lodo (Td) 
 
 Para efeito de cálculo, o período de digestão do lodo é estimado em 50 dias. 
 
h) Coeficiente de Redução do Volume de Lodo ( R ) 
 
 Considerando a redução do volume de lodo fresco devido aos fenômenos de 
digestão e adensamento, são adotados os seguintes coeficientes, para cálculo do 
volume de lodo a ser armazenado: 
 Lodo digerido: R1 = 0,25. 
 Logo em digestão: R2 = 0,50. 
 
 
i) Formato das Fossas 
 
 As formas cilíndricas e prismáticas retangulares são as mais recomendadas. 
 
 
 
 136 
Tabela 4.12 - PERÍODO DE DETENÇÃO (T) 
 PERÍODO DE DETENÇÃO 
CONTRIBUIÇÃO (LITROS/DIA) HORAS DIAS (T) 
até 6.000 24 1 
6.000 a 7.000 21 0,875 
7.000 a 8.000 19 0,79 
8.000 a 9.000 18 0,75 
9.000 a 10.000 17 0,71 
10.000 a 11.000 16 0,67 
11.000 a 12.000 15 0,625 
12.000 a 13.000 14 0,585 
13.000 a 14.000 13 0,54 
Acima de 14.000 12 0,50 
 
 
4.5.4.1 - DIMENSIONAMENTO DAS FOSSAS SÉPTICAS DE CÂMARA ÚNICA 
 
 As fossas sépticas de câmara única são calculadas com o emprego da fórmula: 
 
V = N ( CT + 100 Lf ) 
 
Sendo: 
V = volume útil, em litros. 
N = número de contribuintes. 
C = contribuição de despejos, em l/pessoa x dia, conforme a tabela 4.11. 
T = período de detenção, em dias, conforme a tabela 4.12 
Lf = contribuição de lodos frescos, em l/pessoa/dia, conforme a tabela 4.11. 
- o volume útil mínimo admissível para fossas sépticas de câmara única é de 
1250 litros. 
- As fossas sépticas de formato cilíndrico deverão ter diâmetro interno de 
1,10m e profundidade útil de 1,10m, no mínimo. O diâmetro interno não 
poderá ser superior a duas vezes a profundidade. 
- As fossas sépticas de formato prismático retangular deverão ter largura 
interna mínima de 0,70m. Deverá ocorrer uma relação entre o comprimento 
(L) e a largura (b), conforme: 
 
 137 
 
2 4 
L
b
 
 
- A profundidade útil mínima deverá ser de 1,10m. A largura não poderá ser 
superior a duas vezes a profundidade. 
 
 
4.5.4.2 - DIMENSIONAMENTO DAS FOSSAS SÉPTICAS DE CÂMARAS 
SOBREPOSTAS 
 
 O volume útil das fossas sépticas de câmaras sobrepostas é calculado com o 
emprego das fórmulas: 
 
a) Volume da câmara de decantação (V1): 
 
V1 = NCT 
 
b) Volume decorrente do período de armazenamento de lodo digerido (V2): 
 
V2 = R1NLfTa 
 
c) Volume correspondente ao lodo em digestão (V3): 
 
V3 = R2NLfTd 
 
d) Volume correspondente à zona neutra (V4): 
 
V4 = 0,30 S 
 
 Sendo o valor 0,30 correspondente à altura da zona neutra da fossa, em m. 
 
e) Volume correspondente à Zona de escuma (V5): 
 
V5 = hdS - V1 
 
 
 138 
f) Volume útil (V) 
 
V = V1 + V2 + V3 + V4 + V5 
Sendo: 
V = volume, em litros. 
N = número de contribuintes. 
C = contribuição de despejos, em l/pessoa/dia, conforme a tabela 4.11. 
T = período de detenção, em dias, conforme a tabela 4.12. 
Lf = contribuição de lodos frescos, em l/pessoa/dia, conforme a tabela 4.11. 
R1 = coeficiente de redução de volume do lodo digerido (R1 = 0,25). 
R2 = coeficiente de redução de volume do lodo em digestão (R2 = 0,50). 
Ta = período de armazenamento de lodo digerido, em dias (aproximadamente 300). 
Td = período de digestão do lodo, em dias (aproximadamente 50). 
S = área da seção transversal da fossa, em m2. 
Hd = distância vertical entre a geratriz inferior interna da câmara de decantação e o 
nível do líquido, em m. 
 
- O volume útil mínimo admissível para as fossas sépticas de câmaras 
sobrepostas é de 1350 litros. 
- As fossas sépticas de formato cilíndrico deverão ter diâmetro interno e 
profundidade útil de 1,20m, no mínimo. 
- As fossas sépticas de formato prismático retangular deverão ter largura 
interna de 0,80m e profundidade útil de 1,20m, no mínimo. 
- Inclinação 1,2:1 para as abas inferiores da câmara de decantação. 
- Espaçamento mínimo de 0,10m para as fendas de saída da câmara de 
decantação. 
 
4.5.4.3 - DIMENSIONAMENTO DAS FOSSAS SÉPTICAS DE DUAS CÂMARAS EM 
SÉRIE 
 
 O volume útil das fossas sépticas de duas câmaras em série é calculado com o 
emprego da fórmula: 
 
V = 1,3 N (CT + 100Lf) 
Sendo: 
V = volume, em litros. 
 
 139 
N = número de contribuintes. 
C = contribuição de despejos, em l/pessoa/dia, conforme a tabela 4.11. 
T = período de detenção, em dias, conforme a tabela 4.12. 
Lf = contribuição de lodos frescos, em l/pessoa/dia, conforme a tabela 4.11. 
 
- O volume útil admissível para as fossas sépticas de duas câmaras em série é de 
1650 litros. 
- As fossas sépticas de forma prismática retangular terão largura interna mínima 
de 0,80m e profundidade útil mínima de 1,20m. A largura interna não deve 
ultrapassar a duas vezes a profundidade. 
- A relação entre o comprimento (L) e a largura interna (b) deverá ser: 
 
2 4 
L
b
 
 
- O comprimento da primeira câmara é 2/3L e o da segunda, 1/3L. 
- O volume útil da primeira e segunda câmaras devem ser, respectivamente, 2/3 e 
1/3 do volume útil total. 
 
 
 
4.5.5 - DISPOSIÇÃO DO EFLUENTE 
 
 Ao efluente da fossa séptica deve ser dada uma disposição que atenda às 
finalidades do tratamento de esgotos e esteja de acordo com a realidade local. Vários 
fatores interferem na escolha do processo de disposição do efluente, tais como a 
existência de curso d’água receptor, a permeabilidade do solo, áreas disponíveis etc. 
A capacidade de absorção do solo é determinada através do ensaio de infiltração, 
descrito na NBR 7229/82, conforme tabela 4.13. 
 A NBR 7229/82 recomenda que a disposição do efluente das fossas sépticas 
seja no solo ou em águas de superfície, das seguintes maneiras: 
 
 
 
 
 
 140 
Tabela 4.13 - POSSÍVEIS FAIXAS DE VARIAÇÃO DE COEFICIENTE DE INFILTRAÇÃO 
 
 
FAIXA 
 
CONSTITUIÇÃO APROVÁVEL DOS SOLOS 
COEFICIENTE 
DE 
INFILTRAÇÃO 
lm2 x dia 
1 Rochas, argilas compactas de cor branca, cinza ou preta, variando as 
rochas alteradas e argilas medianamente compactas de cor 
avermelhada 
menor que 20 
2 Argilas de cor amarela, vermelha ou marrom medianamente compacta, 
variando as argilas pouco siltosas e/ou arenosas. 
20 a 40 
3 Argilas arenosas e/ou siltosa, variando a areia argilosa ou silte argiloso 
de cor amarela, vermelha ou marrom. 
40 a 60 
4 Areia ou silte poucoSISTEMAS PREDIAIS ESGOTO SANITÁRIO ................................. 145 
4.6.1 DISPOSITIVOS DE ADMISSÃO DE AR ................................................... 145 
4.6.2 LIGAÇÃO DO RAMAL DE VENTILAÇÃO ................................................. 146 
4.6.3 DESVIO DO TUBO DE QUEDA ................................................................ 148 
4.6.4 ZONAS DE SOBREPRESSÃO ................................................................. 149 
5. SISTEMAS PREDIAIS DE ÁGUAS PLUVIAIS ...................................................... 150 
5.1 - PRINCÍPIOS GERAIS PARA ÁGUAS PLUVIAIS .......................................... 150 
5.2 - DIMENSIONAMENTO PARA ÁGUAS PLUVIAIS .......................................... 150 
5.2.1 - FATORES METEOROLÓGICOS ............................................................ 151 
5.2.2 - ÁREA DE CONTRIBUIÇÃO .................................................................... 155 
5.2.3 - VAZÃO DE PROJETO ............................................................................ 155 
5.2.4 - CALHAS ................................................................................................. 156 
5.2.5 - CONDUTORES VERTICAIS ................................................................... 159 
5.2.6 - CONDUTORES HORIZONTAIS ............................................................. 162 
5.2.7 - CAIXA DE AREIA E CAIXA DE INSPEÇÃO ........................................... 167 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 5 
1.1 - PERSPECTIVA DOS SISTEMAS HIDRÁULICO-SANITÁRIOS NO BRASIL 
 
 Os sistemas prediais hidráulico-sanitários são regidos por normas da ABNT e 
estão em constante evolução, portanto sujeitos a alterações visando adequá-los à 
realidade. As normas são dinâmicas, precisam de constantes revisões. 
 Os projetos de sistemas prediais precisam ser integrados aos projetos 
estruturais e as interferências devem ser analisadas e reduzidas ao mínimo. 
 Os projetos devem ter um nível de detalhamento que garantam a execução na 
obra, sem improvisações; esta é a solução mais econômica e eficaz. 
 Na prática verifica-se um certo desprezo para com os projetos de sistemas 
prediais e mais tarde, após a implantação da obra, vários problemas irão surgir, 
relacionados com a hidráulica e estes poderiam ter sido eliminados se fosse dada a 
devida importância que o assunto requer. 
 Faz-se necessário obrigar a incorporação da ART (Anotação de 
Responsabilidade Técnica) ao projeto, bem como instituir uma fiscalização deste e de 
sua execução. 
 
 
1.2 - SISTEMAS HIDRÁULICO-SANITÁRIOS MÍNIMOS 
 
 Os sistemas prediais de água e esgotos têm como finalidades fazer a 
distribuição da água, em quantidade suficiente, e promover o afastamento adequado 
das águas servidas, criando, desta forma, condições favoráveis ao conforto e 
segurança dos usuários. 
 Toda habitação, por mais simples que seja, deve possuir sistema de 
abastecimento de água e condições satisfatórias de esgotamento dos resíduos. 
Atendendo às exigências sanitárias mínimas, consegue-se atenuar o perigo das 
contaminações; mas este perigo não é eliminado completamente, razão pela qual é 
necessário que as populações e os governos adotem critérios nos quais as atividades 
sanitárias sobreponham às de ordem econômica. 
 Os sistemas podem ser classificados em internos, quando estiverem no interior 
das edificações; e externos, que são as obras públicas de saneamento. 
 Os sistemas hidráulico-sanitários residenciais mínimos compreendem os 
seguintes aparelhos sanitários: um vaso ou bacia sanitária, um lavatório, um chuveiro, 
uma pia de cozinha e um tanque. É necessário ainda que se instale uma caixa de 
gordura, uma caixa sifonada e caixa de inspeção para ligar o esgoto predial à rede 
 
 6 
pública. Em projetos especiais podem ser suprimidos e/ou acrescentados alguns 
aparelhos sanitários, obedecendo, porém, as recomendações das Tabelas 1.1 e 1.2 
 A distribuição da água quente em sistemas prediais tem por finalidade atender 
aos usos domésticos como banho, lavagem de roupas e utensílios de cozinha, 
tornando-se indispensável em ambiente de maior conforto. O seu emprego é muito 
difundido em indústrias, lavanderias, laboratórios e hospitais. É utilizada também para 
a calefação, mas este fim não é de corrente uso no Brasil e sim em países de clima 
frio. 
 As águas pluviais deverão ser conduzidas, por sistemas especiais, aos cursos 
d’água disponíveis na região. A ligação do esgotamento das águas pluviais das 
edificações à rede pública é feita através de uma caixa de areia ou de um poço de 
visita. É comum também o lançamento direto em sarjetas de vias públicas. 
 
1.3 - SISTEMAS PREDIAIS E RESPECTIVAS NORMAS 
 
1.3.1 - SISTEMAS PREDIAIS DE ÁGUA FRIA 
 
NBR 5626/1998 DA ABNT. 
 
 A distribuição de água fria potável poderá ser feita através dos seguintes 
maneiras: 
 
a) Distribuição Direta 
 
 Os pontos de saída de água serão alimentados diretamente da rede 
pública, quando houver pressão suficiente e continuidade no sistema público 
de abastecimento de água. Neste caso não existe reservatório domiciliar e a 
distribuição da água no interior da edificação é ascendente (Figura 1.1). 
 
b) Distribuição Indireta 
 
 Este sistema de distribuição exige o uso de reservatórios de acumulação para 
atender às eventuais interrupções de fornecimento de água ou quando a pressão da 
rede pública não for suficiente para elevar a água até o reservatório superior. 
 
 7 
 
Tabela 1.1 – Número mínimo de aparelho sanitário 
Tipo de edifício 
ou ocupação 
Lavatórios Banheiras ou 
Chuveiros 
Bebedouros 
instalados fora 
dos 
compartimentos 
sanitários 
Vasos sanitários Mictórios 
Residências ou 
apartamentos 
1 p/ cada 
residência ou 
apartamento 
1 p/ cada 
residência ou 
apartamento e 
chuveiro para 
serviço 
 1 p/ cada 
residência ou 
apartamento e 1 
para serviço 
 
Escolas 
Primárias 
1 p/ cada 60 
pessoas 
1 p/ cada 20 
alunos (caso haja 
Educação Física) 
1 p/ cada 75 
alunos 
Meninos: 1 p/ 
cada 100 
Meninas: 1 p/ 
cada 25 
1 para cada 30 
meninos e/ou 
rapazes 
Escolas 
Secundárias 
1 p/ cada 100 
pessoas 
 Rapazes: 1 p/ 
cada 100 
Moças: 1 para 
cada 45 
 
Escritórios ou 
Edifícios 
Públicos 
Nº de 
pessoa
s 
Nº de 
aparel
hos 
 Nº de 
pessoa
s 
Nº de 
aparelh
os 
Quando há 
mictórios 
instalar 1 vaso 
sanitário 
 1 - 15 
16-35 
36-60 
61-90 
91-125 
1 
2 
3 
4 
5 
 1 para cada 75 
pessoas 
1-15 
16-35 
36-55 
56-80 
81-110 
111-
150 
1 
2 
3 
4 
5 
6 
para cada 
mictório, 
contanto que o 
número de 
vasos não seja 
reduzido a 
 Acima de 125, 
adicionar 1 
aparelhos p/ 
cada 45 
pessoas a mais 
 Acima de 150, 
adicionar 1 
aparelhos p/ 
cada 40 pessoas 
a mais 
menos de 2/3 
do especificado 
Estabelecimento
s industriais 
Nº de 
pesso
Nº de 
aparelh
1 chuveiro para 
cada 15 pessoas 
1 para cada 75 
pessoas 
Nº de 
pesso
Nº de 
aparelh
Mesma 
especificação 
 
 8 
as os dedicadas a as os feita para os 
 1-100 1 para 
cada 
10 
pessoa
s 
atividades 
contínuas ou 
expostas a calor 
excessivo ou 
contaminação da 
 1-9 
10-24 
25-49 
50-74 
75-100 
1 
2 
3 
4 
5 
escritórios ou 1 
p/ cada 50 
operários 
 Mais 
de 
100 
1 para 
cada 
15 
pessoa
s 
pele com 
substâncias 
venenosas, 
infecciosas ou 
irritantes 
 Acima de 100, 
adicionar 1 
aparelho para 
cada 30 
empregados 
 
 
Tabela 1. 2 – Número mínimo de aparelho sanitário 
Tipo de 
edifício ou 
ocupação 
Lavatórios Banheiras ou 
Chuveiros 
Bebedouros 
instalados 
fora dos 
compartime
ntos 
sanitários 
Vasos sanitários Mictórios 
Cinemas, 
teatros, 
auditórios e 
Nº de 
pessoa
s 
Nº de 
aparel
hos 
 Nº de 
pessoas 
Nº de 
aparelhos 
Nº de 
pessoas 
Nº de 
aparelhos 
locais de 
reunião 
 1 para cada mas
c 
fem MASC 
 1-200 
201-
400 
401-
750131 161 (9) 
22 - Cruz Alta/RS 204 246 347 (14) 
23 - Cuiabá/MT 144 190 230 (12) 
24 - Curitiba/PR 132 204 228 
25 - Encruzilhada/RS 106 126 158 (17) 
26 - Fernando de Noronha/FN 110 120 140 (6) 
27 - Florianópolis/SC 114 120 144 
28 - Formosa/GO 136 176 217 (20) 
29 - Fortaleza/CE 120 156 180 (21) 
30 - Goiana/GO 120 178 192 (17) 
31 - Guaramiranga/CE 114 126 152 (19) 
32 - Iraí/RS 120 198 228 (16) 
33 - Jacarezinho/PR 115 122 146 (11) 
34 - Juaretê/AM 192 240 288 (10) 
35 - João Pessoa/PB 115 140 163 (23) 
36 - Km 47 - Rodovia Presidente Dutra/RJ 122 164 174 (14) 
37 - Lins/SP 96 122 137 (13) 
38 - Maceió/AL 102 122 174 
39 - Manaus/AM 138 180 198 
40 - Natal/RN 113 120 143 (19) 
41 - Nazaré/PE 118 134 155 (19) 
42 - Niteroi/RJ 130 183 250 
43 - Nova Friburgo/RJ 120 124 156 
44 - Olinda/PE 115 167 173 (20) 
45 - Ouro Preto/MG 120 211 - 
46 - Paracatu/MG 122 233 - 
47 - Paranaguá/PR 127 186 191 (23) 
48 - Paratins/AM 130 200 205 (13) 
 
 153 
 INTENSIDADE PLUVIOMÉTRICA (mm/h) 
LOCAL PERÍODO DE RETORNO (anos) 
 1 5 25 
49 - Passa Quatro/MG 118 180 192 (10) 
50 - Passo Fundo/RS 110 125 180 
51 - Petrópolis/RJ 120 126 156 
52 - Pinheiral/RJ 142 214 244 
53 - Piracicaba/SP 119 122 151 (10) 
54 - Ponta Grossa/PR 120 126 148 
55 - Porto Alegre/RS 118 146 167 (21) 
56 - Porto Velho/RO 130 167 184 (10) 
57 - Quixeramobim/CE 115 121 126 
58 - Resende/RJ 130 203 264 
59 - Rio Branco/AC 126 139 (2) - 
60 - Rio de Janeiro/RJ (Bangu) 122 156 174 (20) 
61 - Rio de Janeiro/RJ (Ipanema) 119 125 160 (15) 
62 - Rio de Janeiro/RJ (Jacarepaguá) 120 142 152 (6) 
63 - Rio de Janeiro/RJ (Jardim Botânico) 122 167 227 
64 - Rio de Janeiro/RJ (Praça XV) 120 174 204 (14) 
65 - Rio de Janeiro/RJ (Praça Saenz 
Peña) 
125 139 167 (18) 
66 - Rio de Janeiro/RJ (Santa Cruz) 121 132 172 (20) 
67 - Rio Grande/RS 121 204 222 (20) 
68 - Salvador/BA 108 122 145 (24) 
69 - Santa Maria/RS 114 122 145 (16) 
70 - Santa Maria Madalena/RJ 120 126 152 (7) 
71 - Santa Vitória do Palmar/RS 120 126 152 (18) 
72 - Santos/Itapema/SP 120 174 204 (21) 
73 - Santos/SP 136 198 240 
74 - São Carlos/SP 120 178 161 (10) 
75 - São Francisco do Sul/SC 118 132 167 (18) 
76 - São Gonçalo/PB 120 124 152 (15) 
77 - São Luiz/MA 120 126 152 (21) 
78 - São Luiz Gonzaga/RS 158 209 253 (21) 
79 - São Paulo/SP (Congonhas) 122 132 - 
 
 154 
 INTENSIDADE PLUVIOMÉTRICA (mm/h) 
LOCAL PERÍODO DE RETORNO (anos) 
 1 5 25 
80 - São Paulo/SP (Mirante Santana) 122 172 191 (7) 
81 - São Simão 116 148 175 
82 - Sena Madureira/AC 120 160 170 (7) 
83 - Sete Lagoas/MG 122 182 281 (19) 
84 - Soure/PA 149 162 212 (18) 
85 - Taperinha/PA 149 202 241 
86 - Taubaté/SP 122 172 208 (6) 
87 - Teófilo Otoni/MG 108 121 154 (6) 
88 - Teresina/PI 154 240 262 (23) 
89 - Terezópolis/RJ 115 149 176 
90 - Tupi/SP 122 154 - 
91 - Turiassu/MG 126 162 230 
92 - Uaupés/AM 144 204 230 (17) 
93 - Ubatuba/SP 122 149 184 (7) 
94 - Uruguaiana/RS 120 142 161 (17) 
95 - Vassouras/RS 125 179 222 
96 - Viamão/RS 114 126 152 (15) 
97 - VItória/RS 102 156 210 
98 - Volta Redonda/RJ 156 216 265 (13) 
 
 
Nota: 
a) Para locais não mencionados nesta Tabela, deve-se procurar correlação com dados 
dos postos mais próximos que tenham condições meteorológicas semalhantes às 
do local em questão. 
b) Os valores entre parênteses indicam os períodos de retorno, a que se referem as 
intensidades pluviométricas, em vez de 5 ou 25 anos, em virtude dos períodos de 
observação dos postos não terem sido suficientes. 
 
 
 
 
 155 
5.2.2 - ÁREA DE CONTRIBUIÇÃO 
 
 No cálculo da área de contribuição, além da área plana horizontal, deve-se 
considerar os incrementos devidos à inclinação da cobertura e às paredes que 
interceptem água de chuva que também deve ser drenada pela cobertura, tal como 
ilustrado na figura 5.1. 
 
5.2.3 - VAZÃO DE PROJETO 
 
 A vazão de projeto é calculada pela fórmula 
 
Q
IxA

60
 
Sendo, 
Q = Vazão de projeto, em l/min 
I = intensidade pluviométrica, em mm/h 
A = área de contribuição, em m2 
 
 
 
 
 156 
 
Figura 5.1 - INDICAÇÕES PARA CÁLCULOS DA ÁREA DE CONTRIBUIÇÃO 
 
5.2.4 - CALHAS 
 
 Quando a saída da calha estiver a menos de 4,00 m de uma mudança de 
direção, a vazão de projeto deve ser multiplicada pelos coeficientes da tabela 5.2. Os 
coeficientes de rugosidade dos materiais normalmente utilizados na confecção estão 
reproduzidos na tabela 5.3. 
 
Tabela 5.2 - COEFICIENTES MULTIPLICATIVOS DA VAZÃO DE PROJETO 
 
TIPO DE CURVA CURVA A MENOS DE 2 m DA 
SAÍDA DA CALHA 
CURVA ENTRE 2 E 4 m DA 
SAÍDA DA CALHA 
 
canto reto 
 
1,2 
 
1,1 
 
canto arredondado 
 
1,1 
 
1,05 
 
 
 157 
 Para o dimensionamento das calhas a NB 611/81 recomenda o emprego da 
fórmula de Manning-Strickler, ou qualquer outra equivalente da hidráulica. 
 
Q Kx
S
n
xR xih
2
3
1
2
 
 Sendo, 
Q = vazão de projeto, em l/min 
S = área de seção molhada, em m2 
n = coeficiente de rugosidade, conforme a tabela 5.3 
RH = S/P raio hidráulico, em m 
P = perímetro molhado, em m 
i = declividade da calha, em m/m 
K = 60.000 
 
 A tabela 5.4 permite o dimensionamento de calhas semicirculares cujos 
diâmetros foram calculados utilizando a fórmula de Manning-Strickler, com a lâmina 
d’água a meia seção do tubo. 
 
Tabela 5.3 - COEFICIENTE DE RUGOSIDADE 
 
MATERIAL n 
plástico, fibrocimento, aço, metais não ferrosos 
ferro fundido, concreto alisado, alvenaria revestida 
cerâmica, concreto não alisado 
alvenaria de tijolos não revestida 
0,011 
0,012 
0,013 
0,015 
 
Tabela 5.4 - CAPACIDADE DE CALHAS SEMICIRCULARES COM COEFICIENTE DE 
RUGOSIDADE 
n = 0,011 (Vazões em l/min) 
DIÂMETRO INTERNO DECLIVIDADE 
(mm) 0,5% 1% 2% 
100 130 183 256 
125 236 333 466 
150 384 541 757 
200 829 1167 1634 
 
 
 158 
 As calhas de concreto fundidas “in loco” em geral apresentam seção 
retangular, devido à facilidade de execução. Para o seu dimensionamento utiliza-se as 
equações da hidráulica. 
 
 Q = S V  equação da continuidade 
 
 V R x i n 23 /  equação de Manning 
 
Sendo, 
Q = vazão de projeto, em m3/s 
S = área da seção molhada, em m2 
V = velocidade de escoamento, em m/s 
R = raio hidráulico, em m 
i = declividade, em mm/m 
n = coeficiente de rugosidade. 
 
 A figura 5.2 ilustra uma calha de seção retangular. O cálculo do raio hidráulico 
é obtido dividindo-se a área molhada pelo perímetro molhado. 
 
R
axb
b a


( )
( )2
 
 
 A seção retangular mais favorável ao escoamento ocorre quando a base é o 
dobro da altura d’água no canal, isto é, para valores de b = 2a. 
 
 
 
 159 
 
Figura 5.2 - CALHA DE SEÇÃO RETANGULAR 
 
5.2.5 - CONDUTORES VERTICAIS 
 
 O dimensionamento dos condutores verticais pode ser feito com o emprego da 
tabela 5.5 que fornece o diâmetro do condutor e o valor máximo da área de telhado 
drenada pelo tubo. 
 
Tabela 5.5 - ÁREA MÁXIMA DE COBERTURA PARA CONDUTORES VERTICAIS DE SEÇÃO 
CIRCULAR 
 
DIÂMETRO NOMINAL 
DN (mm) 
ÁREA MÁXIMA DE COBERTURA 
(m2) 
 50 
 75 
100 
150 
 13,6 
 42,0 
 91,0 
275,0 
 
 
 
 160 
 O dimensionamento dos condutores verticais para grandes áreas é feito a partir 
dos seguintes dados: 
 
Q = vazão de projeto, em l/min. 
H = altura da lâmina d’água na calha, em mm. 
L = comprimento do condutor vertical, em m. 
 
 O diâmetro do condutor vertical é obtido através dos ábacos da figura 5.3 
confeccionado com dois desvios na base e coeficiente de atrito f = 0,04. O 
procedimento paraa utilização dos ábacos é o seguinte: 
 
1. Levanta-se uma perpendicular por Q até interceptar as curvas H e L 
correspondentes; caso não haja curvas nos valores de H e L, deve-se interpolar entre 
as curvas existentes; 
 
2. Transportar a interseção mais alta até o eixo D; 
 
3. Adotar o diâmetro nominal (DN) cujo diâmetro interno seja superior ou igual ao valor 
encontrado. 
 
Exemplo 5.1 
 
 Determinar o diâmetro do condutor vertical para as seguintes condições: 
 
. calha com saída em aresta viva 
. Vazão: Q = 1300 l/min 
. comprimento: L = 2,00 m 
. altura da lâmina d’água na calha: H = 80 mm 
 
 Com estes dados, no ábaco da figura 5.3a conclui-se que o condutor vertical 
deve ter DN 100. 
 
 
 161 
 
a) Calha com saída em aresta viva 
 
b) Calha com funil de saída 
 
Figura 5.3 - ÁBACOS PARA A DETERMINAÇÃO DE DIÂMETROS 
DE CONDUTORES VERTICAIS 
 
 162 
Exemplo 5.2 
 
 Qual o valor de DN para o condutor vertical de águas pluviais que atende as 
condições: 
 
. calha com funil de saída 
. Q = 1010 l/min 
. L = 6,00 m 
. H = 70 mm 
 
 No ábaco da figura 5.3b conclui-se que DN 75 atende às condições descritas. 
 
5.2.6 - CONDUTORES HORIZONTAIS 
 
 Para o dimensionamento dos condutores horizontais de seção circular 
emprega-se a fórmula de Manning-Strickler, com altura de lâmina d’água igual a 2/3 do 
diâmetro interno do tubo. A tabela 5.6 fornece o diâmetro interno dos condutores 
horizontais calculados com o emprego da fórmula recomendada. 
 
Tabela 5.6 - CAPACIDADE DE CONDUTORES HORIZONTAIS DE SEÇÃO CIRCULAR 
(vazões em l/min) 
DIÂMETR
O 
n = 0,011 n = 0,012 n = 0,013 
INTERNO 
(D) (mm) 
0,5% 1% 2% 4% 0,5% 1% 2% 4% 0,5% 1% 2% 4% 
50 32 45 64 90 29 41 59 83 27 38 54 76 
63 59 84 118 168 55 77 108 154 50 71 100 142 
75 95 133 188 267 87 122 172 245 80 113 159 226 
100 204 287 405 575 187 264 372 527 173 243 343 486 
125 370 521 735 1040 339 478 674 956 313 441 622 882 
150 602 847 1190 1690 552 777 1100 1550 509 717 1010 1430 
200 1300 1820 2570 3650 1190 1670 2360 3350 1100 1540 2180 3040 
250 2350 3310 4660 6620 2150 3030 4280 6070 1990 2800 3950 5600 
300 3820 5380 7590 10800 3500 4930 6960 9870 3230 4550 6420 9110 
 
 
 163 
Exemplo 5.3 
 
 Projetar e dimensionar o esgotamento pluvial para o telhado indicado na figura 
abaixo, sendo dados: 
 
. casa de dois pavimentos 
. intensidade pluviométrica: I = 160 mm/h 
. material empregado: PVC 
 
OBS.: DIMENSÕES EM m. 
 
 O telhado é simétrico, basta calcular para uma água. 
 
1) Área de contribuição 
Da figura 5.1 (b) tem-se a indicação para o cálculo da área de contribuição. 
A = (a + h/2) b 
A = (5 + 2/2) 15 
A = 90,00 m2 
 
2) Vazão de projeto 
Q = (I x A)/60 
Q = (160 x 90)/60 
 
 164 
Q = 240 l/min 
 
3) Calhas 
Da tabela 5.3 tem-se que o coeficiente de rugosidade para o PVC é igual a 0,011. O 
diâmetro da calha será determinado pela tabela 5.4, em função da vazão de 
projeto. 
Q = 240 l/min 
Na tabela 2.4, diâmetro 100 mm e declividade 2% ou diâmetro 125 mm e 
declividade 1%. 
 
4) Condutores verticais 
Podem ser analisadas duas situações: 
a) um condutor 
A = 90,00 m2 na tabela 5.5, DN 100 (na prática será adotado DN 75) 
b) dois condutores 
A = 90/2 = 45,00 m2 na tabela 5.5, DN 75. 
 
 
a) 1 condutor para cada água b) 2 condutores para cada água 
 
 165 
 
 Outro processo para o dimensionamento dos condutores verticais, muito 
utilizado na prática, é fixar o diâmetro e calcular o número de condutores necessários 
em função da água a ser esgotada. 
 
5) Condutores horizontais e caixas 
Os condutores verticais deságuam nas caixas de inspeção e a interligação destas 
caixas é feita através dos condutores ou redes horizontais que devem ser 
dimensionadas para drenar também o piso das áreas externas da edificação. 
Para o caso ilustrado em b, temos 
 
 
OBS.: DIMENSÕES EM m. 
 
 A área de contribuição para cada caixa é de, aproximadamente, 94,00 m2 e a 
vazão correspondente é: 
 
Q = (160 x 94)/60 = 250 l/min 
 
O dimensionamento é feito por trechos utilizando a tabela 5.6. 
 
 166 
 
Trecho CI 1 a CI 3 é igual ao trecho CI 2 a CI 4 com a vazão de 250 l/min, na tabela 
5.6 encontra-se o diâmetro 100 mm e declividade mínima de 1%. 
 
Trecho CI 4 a CI 3 
 
A área de contribuição é 188,00 m2 e a vazão correspondente é de 500 l/min, 
encontrando-se na tabela 5.6 o diâmetro 125 mm com declividade de 1%. 
 
Trecho CI3 à rede pluvial 
 
Este trecho esgota toda a área de 375,00 m2, cuja vazão é 1000 l/min e o que leva a 
um diâmetro de 150 mm e declividade de 2%. 
 
Terminado o dimensionamento, anota-se no desenho os valores encontrados. 
 
 
 
 167 
5.2.7 - CAIXA DE AREIA E CAIXA DE INSPEÇÃO 
 
 É uma caixa detentora de areia e/ou de inspeção que permite a junção de 
coletores, mudança de seção ou mudança de declividade e de direção. 
 As caixas de areia e/ou de inspeção, deverão ser executadas em anéis de 
concreto, alvenaria de tijolo maciço ou blocos de concreto, com paredes mínimas de 
0,10m quando feitas no local. A caixa de areia é empregada quando ocorre a 
possibilidade do arrastamento de lama e de areia para a tubulação, em caso contrário, 
é suficiente o emprego da caixa de inspeção. A figura 5.4 ilustra uma caixa de areia e 
uma caixa de inspeção, ambas dotadas de grelha. 
 Pode-se adotar também a caixa coletora de águas pluviais ilustrada na figura 
5.5, com enchimento de brita e cascalho, no mesmo nível do piso ou acima deste com 
altura variável a critério do projetista. Nestes casos os condutores verticais podem ser 
substituídos por correntes que são usadas para direcionar o fluxo da água. 
 As caixas de areia ou de inspeção deverão ter: 
- seção circular de 0,60m de diâmetro ou quadrada de 0,60m de lado, no mínimo; 
- profundidade máxima de 1,00m; 
- distância máxima entre as caixas de 20,00m. 
 
 
 
Figura 5.4.a - CAIXA DE AREIA 
 
 
 168 
 
Figura 5.4.b - CAIXA DE INSPEÇÃO 
 
 
OBS.: DIMENSÕES EM mm. 
 
Figura 5.5 - CAIXA COLETORA DE ÁGUA PLUVIAL1 
2 
3 
 100 pessoas 1-100 
101-200 
201-440 
1 
2 
3 
1 
2 
3 
1-100 
101-200 
201-400 
 
1 
2 
3 
 Acima de 750, 
adicionar 1 
aparelho para 
cada 500 
pessoas a mais 
 Acima de 400, 
adicionar 1 aparelho 
para cada 500 
homens ou 300 
mulheres a mais 
Acima de 400, 
adicionar 1 aparelho 
para cada 300 
homens a mais 
Dormitórios 1 para cada 12 
pessoas. Acima 
1 para cada 8 
pessoas. No 
1 para cada 
75 pessoas 
Nº de 
pessoas 
Nº de 
aparelho
s 
1 para cada 25 
homens. 
Acima de 150 
pessoas 
 
 9 
 de 12 adicionar 
1 
caso de 
dormi- 
 mas
c 
fem. mas
c 
fe
m 
adicionar 1 aparelho 
 lavatório para tórios de mu- 1-10 1-8 1 1 para cada 20 
pessoas 
 cada 20 
homens ou 
para cada 15 
mulheres a 
mais 
lheres, 
adicionar 
banheiras na 
razão de 1 
para cada 30 
pessoas a 
mais 
 Acima de 10 homens 
adicionar um aparelho 
para cada 25 homens 
a mais e acima de 8 
mulheres 1 aparelho 
para cada 20 
mulheres a mais 
a mais. 
Acampament
os e 
instalações 
provisórias 
 1 para cada 
30 operários 
 1 para cada 30 
operários 
1 para cada 30 
operários 
 
 
 
 
 Podem ser adotados três casos: 
 
b.1 - Distribuição indireta, sem recalque 
 
 A água potável vem diretamente da rede pública, quando houver pressão 
suficiente até o reservatório superior, que alimenta por gravidade os pontos de saída 
de água. Este reservatório fica situado acima do pavimento mais elevado do prédio. 
(Figura 1.2). 
 
b.2 - Distribuição indireta, com recalque 
 
 Quando a pressão da rede pública não for suficiente para alimentar o 
reservatório superior, utiliza-se um outro de cota reduzida, geralmente localizado no 
pavimento térreo ou no sub-solo, denominado reservatório inferior ou subterrâneo, de 
onde a água é recalcada, por meio de bombas, para o reservatório superior ou 
elevado e a partir deste é feita a distribuição por gravidade para o interior da 
edificação. (Figura 1.3). 
 
 
 10 
b.3 - Distribuição indireta, hidropneumática 
 
 Este processo dispensa o reservatório superior e a distribuição é ascendente, a 
partir de um reservatório de aço onde a água fica pressurizada. Este reservatório 
hidropneumático é alimentado por bombeamento a partir do reservatório inferior. Estes 
equipamentos requerem manutenção preventiva periódica. (Figura 1.4). 
 
c) Distribuição Mista 
 
 Trata-se de uma associação dos sistemas direto e indireto, ou seja, parte da 
edificação tem os pontos de saída de água alimentados diretamente pela rede pública 
e parte alimentada pelo reservatório superior ou através do sistema hidropneumático. 
(Figura 1.5). 
 Cada um dos sistemas relacionados apresentam vantagens e desvantagens, 
que devem ser analisadas pelo projetista, conforme a realidade local em que esteja 
trabalhando. 
 A NBR 5626/98 recomenda que a utilização dos sistemas de distribuição de 
água direto ou hidropneumático sejam devidamente justificados. 
1.3.2 - INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA QUENTE 
 
NBR 7198/1993, DA ABNT. 
 
 Projeto e execução de Sistemas Prediais de Água Quente. 
 
 O aquecimento da água para fins domésticos normalmente é realizado pelos 
seguintes sistemas: 
 
 
a) Instantâneo ou Individual 
 
 O sistema de aquecimento é instantâneo ou individual quando alimenta uma 
única peça de utilização. Ex.: chuveiros, torneiras. 
 
 
 
 
 11 
b) Central Privado 
 
 O sistema de aquecimento é central privado quando alimenta várias peças de 
utilização de um único domicílio, podendo ser instantâneo ou de acumulação. Ex.: 
aquecedor de acumulação e reservatório de água quente. 
 
c) Central Coletivo 
 
 O sistema de aquecimento é central coletivo quando alimenta peças de 
utilização de vários domicílios ou várias unidades. Ex.: Prédio de apartamentos, hotéis, 
motéis, hospitais, etc. 
 
Figura 1.1 – Distribuição Direta 
 
Figura 1. 2 – Distribuição Indireta, sem recalque 
 
 
 12 
 
 
Figura 1. 3 – Distribuição indireta, com recalque 
 
 
 
 
Figura 1. 4 – Distribuição indireta, hidropneumática 
 
 
 
 13 
 
Figura 1. 5 – Distribuição mista 
 
1.3.3 - SISTEMAS PREDIAIS DE ESGOTO SANITÁRIO – PROJETO E EXECUÇÃO 
 
NBR 8160/1999 DA ABNT 
 
 O despejo de esgoto sanitário poderá ser feito através das seguintes formas: 
 
 
a) Direto 
 
 O esgoto é lançado diretamente do coletor predial ao coletor público, quando a 
profundidade do mesmo não exceder à do coletor público. (Figura 1.6) 
 
 
b) Indireto 
 
 O esgoto é recolhido em caixa coletora quando a profundidade do coletor 
predial exceder à do coletor público e, em seguida, por meio de uma elevatória, é 
recalcado para esse coletor. (Figura 1.7) 
 
 
 
 14 
1.3.4 - SISTEMAS PREDIAIS DE ÁGUAS PLUVIAIS 
 
NBR 10844/1989 DA ABNT. 
 
 O esgotamento das águas pluviais poderá ser direto ou indireto (tal qual o de 
esgoto sanitário) para os coletores públicos de águas pluviais ou sarjetas dos 
logradouros. O mesmo deverá ser projetado através do menor percurso e 
conseqüentemente ser feito no menor tempo possível. 
 O esgotamento das águas pluviais deverá ser independente do esgoto 
sanitário, eliminando assim a possibilidade de penetração de gases ao interior 
das edificações. 
 Além da NBR 10844/1989 da ABNT, os sistemas prediais de águas pluviais 
são regidos também pelos códigos de Obras Municipais, que normalmente proíbem a 
queda livre das águas dos telhados das edificações, bem como em terrenos vizinhos. 
 
 
Figura 1. 6 – Esgotamento Direto 
 
 
 15 
 
 
Figura 1.7 – Esgotamento Indireto 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 16 
2. SISTEMAS PREDIAIS DE ÁGUA FRIA 
 
2.1 - PRINCÍPIOS GERAIS PARA ÁGUA FRIA 
 
 As Normas NBR 5626/98 prescreve os requisitos técnicos mínimos para que as 
instalações prediais de água fria sejam projetadas e construídas de tal maneira que: 
- garantam o fornecimento suficiente de água; 
- minimizam os ruídos; 
- tenham pressão mínima necessária; 
- mantenham a qualidade da água. 
 
2.2 – RESERVATÓRIOS 
2.2.1 - PRESCRIÇÕES PARA RESERVATÓRIOS 
 
 Segundo a Norma NBR 5626/98 os reservatórios devem ser projetados e 
construídos de maneira que: 
- sejam perfeitamente estanques; 
- possuam paredes lisas, executadas com materiais que não alterem a qualidade da 
água e que resistam ao ataque da mesma; 
- impossibilitem o acesso de elementos que poluam ou contaminem a água; 
- possuam abertura para inspeção, limpeza e eventuais reparos; 
- sejam dotados de extravasor; 
- tenham canalização para esgotamento e, quando a área do fundo for superior a 2m2, 
esta deverá ser inclinada a fim de permitir o seu perfeito esvaziamento. 
OBS.: Alguns Códigos Municipais estabelecem que os reservatórios com capacidade 
superior a 4.000 litros devem ser divididos em dois compartimentos iguais, 
sendo estes interligados através de um barrilete. 
 
2.2.2 - CONSUMO DIÁRIO 
 
 Quando não for conhecida a população da edificação, para fins de cálculo 
determina-se a mesma através da Tabela 2.1. 
 
 17 
 Em caso de residências normalmente estima-se duas pessoas para cada 
quarto e uma pessoa para quarto de empregada. Depois de conhecida a população, 
calcula-se o consumo diário através da Tabela 2.2. 
 
Cd = P x q 
Sendo, 
Cd - consumo diário, em l/dia. 
P - população. 
q - consumo “per capita”, em l/dia. 
 
 
Tabela 2.1 – Taxa de ocupação de acordo com a natureza do local 
Natureza do local Taxa de ocupação 
Prédio de apartamentos Duas pessoas por quarto e 200 l/pessoa/dia 
Prédio de escritórios de 
- uma só entidade locadora Uma pessoa por 7,0 m2 de área 
- mais de uma entidade locadora Uma pessoa por 5,0 m2 de área 
Restaurantes Uma pessoa por 1,5 m2 de área 
Teatros e cinemas Uma cadeira para cada 0,7 m2 de área 
Lojas (pavimento térreo) Uma pessoa por 2,5 m2 de área 
Lojas (pavimentos superiores) Uma pessoa por 5,0 m2 de área 
Supermercados Uma pessoa por(quatro) economias. A TAB.6 é da CEDAE-RJ, com diâmetro mínimo de 3/4” (20 mm). 
 
2.4 - LIGAÇÃO PREDIAL 
 
 Se compararmos as Tabelas 2.3 e 2.4 vamos observar que os diâmetros do 
ramal predial variam para cada região. Recomendamos que o projetista consulte 
sempre as normas da concessionária de água local para detalhar a ligação predial. 
 
Tabela 2.3 – Diâmetro do Ramal Predial – COPASA - MG 
 
 
 
 24 
Tabela 2.4 – Diâmetro do Ramal Predial – CEDAE - RJ 
Número de economias Diâmetro do Ramal Predial 
Polegada (mm) 
de 1 a 5 
de 6 a 10 
de 11 a 20 
de 21 a 80 
de 81 a 400 
de 401 a 600 
¾ (20) 
1 (25) 
1 ½ (40) 
2 (50) 
3 (75) 
4 (100) 
 
 
 A Figura 2.2 exemplifica a ligação predial de acordo com as recomendações da 
COPASA-MG. 
 
 
 
 
 25 
A - Para a instalação predial, utilize o material adequado de maneira a evitar 
vazamentos. Não recomendamos o uso de mangueiras; 
B - O tubo de ferro galvanizado deve ter 60cm, sendo 40cm acima do piso e o 
restante enterrado e fixado na base de concreto; 
C - O tubo(gabarito) deve ficar perfeitamente nivelado. Este tubo será 
posteriormente substituído pelo hidrômetro; 
D - O tubo de ferro galvanizado deve ter 75cm, sendo 40cm acima do piso e o 
restante enterrado e fixado na base de concreto; 
E - O padrão deve ter um afastamento de, no máximo, 1,50m (um metro e 
meio)em relação à testada do lote (muro de frente); 
F- A tubulação que vai até o passeio deve ser de PEAD(Polietileno de alta 
densidade), flexível, cor azul, DN 20; 
G - Deixe a ponta do tubo PEAD no passeio(tubo de espera), com uma 
distância de 25cm para fora da testada do lote(muro de frente) e a 38cm de 
profundidade, para receber a ligação. Você deve arrolhar a ponta com bucha 
de papel e cobrir com terra, até que seja executada a ligação. 
H - Deve ser utilizada uma das divisas laterais do lote para a instalação do 
padrão. Caso não seja possível, consulte a COPASA. 
 
Figura 2.2 – Cavalete Padrão COPASA – MG 
 
 26 
2.5 - DIMENSIONAMENTO DO EXTRAVASOR E LIMPEZA 
 
 O diâmetro do extravasor e da tubulação de limpeza é determinado adotando-
se uma bitola comercial imediatamente superior à bitola do alimentador predial ou da 
tubulação de recalque. (Figura 2.3). 
 
 
Figura 2.3 – Extravasor e tubulação de limpeza 
 
 Exemplo 2.3 
 
 Dimensionar o alimentador predial, o diâmetro do extravasor e a tubulação de 
limpeza da residência do exemplo 2.1. 
 
a) Cálculo do alimentador predial 
1º processo: pela vazão mínima 
Q min = Cd/86400 
do exemplo 2.1: Cd = 3.000 l 
Q min = 3.000/86400 = 0,035 l/s 
Conhecida a vazão e limitando a velocidade na faixa de 0,60 a 1,00 m/s, na figura 
2.6 tiramos o diâmetro correspondente: 
 
 min = 1/2” (15 mm) 
 
2º processo: pelo número de economias 
No presente caso temos apenas uma economia ou ligação predial. 
 
 27 
A COPASA-MG adota o diâmetro mínimo de 1/2”, conforme a tabela 2.3. 
A CEDAE-RJ adota o diâmetro mínimo de 3/4”, conforme a tabela 2.4. 
Conclusão: Adotar o diâmetro de acordo com a concessionária local. 
 
b) Cálculo do extravasor e tubulação de limpeza 
 
Adota-se uma bitola comercial imediatamente superior ao diâmetro do alimentador 
predial. 
COPASA-MG   3/4” 
CEDAE-RJ   1” 
 
 Exemplo 2.4 
 
 Determinar o diâmetro do alimentador predial, do extravasor e da tubulação de 
limpeza para o edifício residencial do exemplo 2.2. 
 
 O alimentador predial neste caso é a tubulação que alimenta apenas o 
reservatório inferior. 
 
a) Cálculo do alimentador predial. 
 
1º processo: pela vazão mínima 
 
Qmin = Cd/86400 
 
do exemplo 2.2: Cd: Cd = 32000 l 
 
Qmin = 32.000/86.400 = 0,37 l/s 
 
Para v = 0,60 m/s e Q = 0,37 l/s, nos ábacos das figuras 2.6 e 2.7, o diâmetro 
encontrado é de 1”, independente do material empregado. 
 
2º processo: pelo número de economias 
 
 
 28 
do exemplo 2.2: o edifício possui 32 apartamentos o que corresponde a 32 
economias. 
 
Pelas tabelas 2.3 e 2.4 o diâmetro correspondente é de 2” (50 mm). 
 
Conclusão: O dimensionamento pelas tabelas das companhias de saneamento 
leva a diâmetros maiores que o calculado com a vazão mínima. 
b) Cálculo do extravasor e tubulação de limpeza 
 
Para o reservatório inferior: 
adotar uma bitola comercial imediatamente superior ao diâmetro do alimentador 
predial.  2 1/2” 
 
Para o reservatório superior: 
após dimensionar o diâmetro de recalque, que será visto no item 2.7.4, adotar 
uma bitola comercial imediatamente superior a este. 
 
2.6 - CONDUÇÃO DE ÁGUA FRIA 
 
2.6.1 - QUANTO À PRESSÃO MÁXIMA E MÍNIMA 
 
a) Pressão Máxima 
 
 Admite-se uma pressão estática máxima de serviço de 400 Kpa (40,00 mH2O). 
Em edificações onde a pressão de serviço ultrapasse este valor utiliza-se caixas 
intermediárias ou válvulas redutoras de pressão. O segundo método é o mais 
econômico, sendo, geralmente, o mais utilizado nas edificações. 
 
b) Pressão Mínima 
 
 Para que as peças de utilização tenham um funcionamento perfeito, 
necessitam de uma pressão mínima de serviço. Esta pressão mínima oscila entre os 
valores 5 Kpa (0,50 mH2O) a 20 Kpa (2,00 mH2O). 
 Normalmente, os aparelhos sanitários funcionam com pressões que variam de 
24 Kpa (2,40 mH2O) a 28 Kpa (2,80 mH2O) de pressão do ramal. 
 
 29 
2.6.2 - QUANTO À VELOCIDADE MÁXIMA DO FLUXO 
 
 De acordo com a NBR 5626/98, a velocidade máxima do fluxo não poderá 
ultrapassar a 3,0 m/s, porque acima desse valor provoca um ruído desagradável, 
podendo, além disto, chegar a ocasionar o golpe de ariete. A velocidade de fluxo não 
deve ultrapassar também o valor encontrado pela fórmula 
 
V = 14 D 
Sendo, 
V - velocidade de fluxo, em m/s 
D - diâmetro nominal, em m. 
 
2.6.3 - QUANTO AO GOLPE DE ARIETE 
 
 Quando um líquido escoa numa calha e é parado bruscamente, ele sobre de 
nível podendo até causar o seu transbordamento. Ora, quando isto ocorre num tubo, o 
líquido não tendo por onde sair, aumenta de forma elevada a pressão em seu interior, 
forçando as paredes do tubo e demais peças que compõem a tubulação. 
 
 Denomina-se golpe de ariete ao choque violento produzido sobre as paredes 
da tubulação quando o escoamento do líquido é interrompido bruscamente. 
 
 O golpe de ariete origina depressões e sobrepressões que são prejudiciais ao 
desempenho das tubulações. As depressões podem permitir infiltrações de fora para 
dentro, enquanto que as sobrepressões forçam as juntas quanto a sua estanqueidade. 
A sobrepressão, além de causar barulho excessivo, pode chegar até ao rompimento 
da tubulação. 
 
 Alguns recursos podem ser adotados para atenuar os efeitos do golpe de 
ariete: 
 
a) limitação da velocidade nas tubulações (NBR 5626/98 da ABNT); 
b) fechamento lento das válvulas e registros; 
c) emprego de válvulas anti-golpe; 
d) emprego de válvula de alívio; 
 
 30 
e) emprego de caixa de quebra-pressão. 
 
 Tubos, conexões e outros acessórios devem ser criteriosamente selecionados, 
a fim de garantir que o material de que são fabricados, resistirá aos impactos 
resultantes do golpe de ariete. A escolha do material é de fundamental importância. 
 
2.6.4 - QUANTO À PERDA DE CARGA 
 
 A diferença de energia inicial e a energia final de um líquido, quando o mesmo 
flui numa tubulação de um ponto ao outro, denomina-se perda de carga. Esta 
diferença de energia é dissipada sob a forma de calor. Observa-se que junto às 
paredes da tubulação não há movimento do líquido e que a velocidade é máxima no 
eixo da tubulação criando várias camadas em movimento com velocidades diferentes, 
ocasionando a dissipação de energia. 
 
 As perdas de carga poderão ser: 
 
a) Distribuídas 
 
 As perdas de carga distribuídas são ocasionadas pelo movimento da água na 
tubulação. 
 
b) Localizadas 
 
 As perdas de carga localizadas são ocasionadas pelas conexões, válvulas, 
registros, medidores etc., que, pela formae disposição, elevam a turbulência, 
provocando, assim, atrito e choque de partículas. 
 
 A perda de carga é função dos elementos que interferem no deslocamento do 
líquido, como por exemplo: 
 
- rugosidade da tubulação; 
- viscosidade e densidade do líquido; 
- velocidade de escoamento; 
- grau de turbulência do fluxo; 
 
 31 
- distância percorrida pelo fluido; 
- mudança de direção do fluxo. 
2.6.5 - CÁLCULO DAS PERDAS DE CARGA 
 
 No cálculo das instalações de recalque e da rede de distribuição de água de 
uma edificação é indispensável a determinação das perdas de carga. 
 A perdas de carga são de fundamental importância no cálculo de bombas e em 
todos os itens implicados no escoamento de fluidos em tubulações. 
 O cálculo das perdas de carga será subdividido em: 
 
a) Perdas de Carga Distribuídas 
 
 A Norma NBR 5626/82 recomenda as fórmulas de Flamant e de Fair-Whipple-
Hsiao para o cálculo das perdas de carga nas tubulações. 
 A Fórmula de Flamant para as tubulações é 
 
4
7
4 D
V
b
DJ
 
 
 Sendo: 
b = 0,0023 - para tubos de aço galvanizado e ferro fundido, em uso. 
b = 0,000185 - para tubos de aço galvanizado e ferro fundido, novos. 
b = 0,000135 - para tubos de PVC. 
D = diâmetro das tubulações, em m. 
J - perda de carga unitária, em mH2O/m. 
V - velocidade de fluxo, em m/s. 
 
 Para a fórmula de Flamant temos o ábaco da figura 2.5 para o cálculo de 
perdas de carga em tubulações de PVC rígido. Este ábaco foi desenvolvido no Centro 
de Computação Eletrônica e no Departamento de Hidráulica e Saneamento da Escola 
de Engenharia de São Carlos - Universidade de São Paulo, sob encomenda da Tubos 
e Conexões Tigre. O referido ábaco é para tubos soldáveis, podendo ser empregado 
também para os tubos roscáveis. 
 
 
 32 
 
Figura 2.5 - ÁBACO DE FLAMANT PARA CÁLCULO DAS PERDAS DE CARGA EM 
CANALIZAÇÕES DE PVC RÍGIDO PARA INSTALAÇÕES PREDIAIS 
 
 As fórmulas de Fair-Whipple-Hsiao são usadas para tubulações de diâmetro 
até 4” (100 mm). 
 Para tubos de aço galvanizado e ferro fundido a fórmula de Fair-Whipple -Hsiao 
é 
 
 Q 1,88 
J = 0,002021 ___________ 
 d 4,88 
 
 
 33 
 Para tubos de cobre e PVC a fórmula de Fair-Whipple-Hsiao é 
 
 Q 1,75 
J = 0,00086 ___________ 
 d 4,75 
 
 Sendo: 
J - perda de carga unitária, em mH2O/m 
Q - vazão de água, em m3/s. 
d - diâmetro das tubulações, em m.. 
 
 A Norma NBR 5626/98 adota para transporte de água em condições normais 
os ábacos representados nas figuras 2.6 e 2.7 - referentes às fórmulas de Fair-
Whipple-Hsiao. 
 Já o Professor Azevedo Netto recomenda a fórmula de Hazen-Williams para 
diâmetros acima de 2” (50 mm). 
 A fórmula de Hanzen-Williams é 
 
Q = 0,278531.C.D2,63 . J0,51 
 
ou 
 
V = 0,355 . C . D0,63 J0,54 
 
 Sendo: 
Q = vazão da água, em m3/s. 
V = velocidade média do fluxo, em m/s. 
D = diâmetro das tubulações, em m. 
J = perda de carga unitária, em mH2O/m 
C = coeficiente que depende da natureza (material e estado) das paredes dos tubos. 
 
 A seguir os valores de C para a água em condições normais: 
 
C = 125 - Aço galvanizado 
C = 135 - Cimento amianto 
C = 130 - Cobre 
 
 34 
C = 130 - Concreto, com bom acabamento 
C = 120 - Concreto, com acabamento comum 
C = 130 - Ferro fundido (novo) 
C = 100 - Ferro fundido (após 15 a 20 anos de uso) 
C = 90 - Ferro fundido (usado) 
C = 130 - Ferro fundido, com revestimento de cimento 
C = 110 - Manilhas de barro vidrado 
C = 140 – Plástico 
 
 
Figura 2.6 - ÁBACO DE FAIR-WHIPPLE-HSIAO PARA TUBULAÇÕES DE AÇO 
GALVANIZADO E FERRO FUNDIDO 
 
 
 35 
 
 
Figura 2.7 - ÁBACO DE FAIR-WHIPPLE-HSIAO PARA TUBULAÇÕES DE COBRE E 
PLÁSTICO 
 
 A figura 2.8 é referente ao ábaco da fórmula de Hazen-Williams, para C = 100. 
Quando o valor de C for diferente de 100, basta multiplicar a perda de carga pelo valor 
de K correspondente. Este ábaco é de autoria do professor José Augusto Martins, da 
Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. 
 
 
 
 
 
 36 
 
Figura 2.8 - ÁBACO DE HAZEN-WILLIAMS, PARA C = 100 
PARA C  100, MULTIPLICAR A PERDA DE CARGA PELO K CORRESPONDENTE 
 
b) Perdas de Carga Localizadas 
 
 As perdas de carga localizadas poderão ser calculadas utilizando-se diferentes 
métodos. Adotaremos o método dos comprimentos equivalentes, ou seja, cada 
conexão, válvula etc., produz uma perda de carga semelhante à que seria produzida 
num determinado comprimento de tubulação de mesmo diâmetro. Este é o método 
recomendado pela Norma NBR 5626/82. Se somarmos os comprimentos equivalentes 
de todas as peças ao comprimento real da tubulação, obteremos o comprimento total. 
 
 37 
A partir daí procedemos como se tivéssemos somente tubulações retas, sem peças 
especiais, donde caímos no cálculo de perdas de carga distribuídas. 
 Para a determinação dos comprimentos equivalentes utiliza-se o ábaco 
reproduzido na Figura 2.9 ou as Tabelas 2.5; 2.6 e 2.7 dependendo do caso a ser 
calculado. 
 Além das tabelas citadas anteriormente, temos a tabela 2.8, que foi 
determinada através de ensaios efetuado pelo Departamento de Hidráulica e 
Saneamento da Escola de Engenharia de São Carlos - Universidade de São Paulo, 
para a Indústria de Fundição Tupy Ltda, para o cálculo das perdas de carga 
localizadas, através dos comprimentos equivalentes em metros de tubulação de aço 
galvanizado, para as conexões BSP - baixa pressão. 
 
 Exemplo 2.5 
 
 Calcular a perda de carga distribuída em 4,00 m de tubo de PVC com 75 mm 
de diâmetro e vazão de 5,5 l/s. 
 Pode-se utilizar o ábaco de Flamant para PVC, Figura 2.5. 
 Marca-se no eixo horizontal a vazão, em l/s; traça-se uma linha vertical até 
encontrar o ponto de cruzamento com a linha do diâmetro, em mm; a partir deste 
ponto faz-se a leitura da velocidade em m/s e da perda de carga unitária, em m/m. 
 Os valores encontrados foram: 
 V = 1,6 m/s 
 Ju = 0,038 m/m (em 1,00 m de tubo) 
 Para calcular a perda de carga em L = 4,00 m, basta multiplicar pela perda de 
carga unitária: 
 J = Ju x L 
 J = 0,038 x 4,00 
 J = 0,152 mH2O 
 
 Exemplo 2.6 
 
 Calcular a perda de carga unitária para um diâmetro de 25 mm e vazão de 0,22 
l/s, para os materiais: 
 a) aço galvanizado. 
 b) PVC. 
 
 
 38 
 Utilizando os ábacos de Fair-Whipple-Hsiao, figuras 2.6 e 2.7, respectivamente, 
teremos o seguinte procedimento: 
 Na coluna DN marca-se o diâmetro do tubo e na coluna Q marca-se a vazão, 
em l/s; traça-se uma reta unindo estes dois pontos até interceptar as outras colunas, 
onde se lê a velocidade, em m/s e a perda de carga unitária, em m/m. É importante 
verificar se a velocidade está compatível com o valor fixado na NBR 5626/82. 
 
 a) aço galvanizado - Figura 2.6 
V = 0,43 m/s 
Ju = 0,016 m/m 
 
Figura 2.9 - PERDAS DE CARGA LOCALIZADAS 
(GRÁFICO DA CRANE CO.) 
 
 39 
 
Tabela 2.5 – Perdas de Carga Localizadas 
Sua equivalência em metros de tubulação de aço galvanizado ou ferro fundido 
 
 
Tabela 2.6 – Perdas de Carga Localizadas 
Sua equivalência em metros de tubulação de PVC Rígido ou cobre 
 
 
 
 40 
Tabela 2.7 – Perdas de Carga Localizadas 
Sua equivalência em metros de tubulação de aço galvanizado para bocais e válvulas 
 
 b) PVC - Figura 2.7 
V = 0,42 m/s 
Ju = 0,013 m/m 
 
 Exemplo 2.7 
 
 Utilizando o ábaco de Hazen-Williams determine a perda de carga unitária para 
um tubo de ferro fundido usado com diâmetro 75 mm e vazão 4,0 l/s. 
 O procedimento para utilizar o ábaco de Hazen-Williams, figura 2.8, é 
semelhante ao exemplo anterior, observar porém que a perda de carga é dada em 
metro por mil metros e o ábaco é para o coeficiente C = 100. 
 Valor encontrado: 
 Ju = 21 m/1000 
 J = 0,021 m/m 
 para ferro fundido usado, C = 90  K = 1,22 
 a perda de carga será: 
 0,021 x 1,22 = 0,026 m/m 
 
 
 41Exemplo 2.8 
 
 Determinar o comprimento equivalente para um tê de saída lateral com 
diâmetro 1 1/4” (32 mm), utilizando o gráfico da Crane CO, figura 2.9. 
 
 Para utilizar o gráfico, na linha A localiza-se o ponto correspondente à peça; 
une-se este ponto ao diâmetro correspondente na linha B; na interseção desta reta 
com a linha C, determina-se o comprimento equivalente da canalização reta, em m. 
 Comprimento equivalente = 2,3 m. 
 
 Exemplo 2.9 
 
 Determinar o comprimento equivalente para um registro de gaveta totalmente 
aberto, com diâmetro de 50 mm, em aço galvanizado. 
 Utilizando a tabela 2.5 basta localizar a linha horizontal correspondente ao 
diâmetro da peça e procurá-la na coluna vertical; a leitura do comprimento equivalente 
é direta, em m. 
 Valor encontrado: 0,4 m 
 
 Exemplo 2.10 
 
 Determinar o comprimento equivalente em tubo de PVC para um joelho 90o 
com diâmetro 1” (25 mm). 
 
 Utilizando a tabela 2.6: 
 Valor encontrado: 1,5 m. 
 
 Exemplo 2.11 
 
 Empregando a tabela 2.8 determine o comprimento equivalente para o tê de 
curva dupla com saída na bolsa central e diâmetro de 1/2” (15 mm), em aço 
galvanizado. 
 Valor encontrado: 0,28 m. 
 
 Exemplo 2.12 
 
 
 42 
 Calcular a perda de carga do trecho RA da tubulação indicada na figura abaixo, 
sabendo-se que o material empregado é aço galvanizado e que o diâmetro é de 3/4” 
(20 mm), para uma vazão de 0,13 l/s. 
 
 
OBS.: DIMENSÕES EM m. 
 
 No dimensionamento de uma tubulação é preciso determinar o valor da perda 
de carga total nos diversos trechos. Se ao comprimento real da tubulação somarmos 
os comprimentos equivalentes das conexões, válvulas, etc, teremos um comprimento 
total equivalente. A perda de carga total será este comprimento multiplicado pela 
perda de carga unitária. 
 
 No ábaco da figura 2.6 
 temos: 
 V = 0,43 m/s 
 Ju = 0,02 m/m 
 
 Na tabela 2.5 tiramos o comprimento equivalente a perdas de carga 
localizadas: 
 Entrada normal: .........................................................................................0,20 m 
 Registro gaveta, aberto: ............................................................................0,10 m 
 Cotovelo 90o raio curto: ............................................................................0,70 m 
 Válvula de retenção (Pesada): ..................................................................2,40 m 
 Comprimento equivalente: ........................................................................ 3,40 m 
 Comprimento real da tubulação: ............................................................... 3,50 m 
 
 43 
 Comprimento total equivalente: ................................................................ 6,90 m 
 
 A perda de carga total será: 
 J = 6,90 x 0,02 = 0,14 mH2O 
 
2.6.6 - QUANTO À VAZÃO E DIÂMETROS MÍNIMOS 
 
a) Vazão Mínima 
 
 A Norma NBR 5626/98 fornece a vazão mínima das peças de utilização, 
conforme a tabela 2.9 para que elas tenham um perfeito desempenho. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 44 
Tabela 2.9 - VAZÕES MÍNIMAS DAS PEÇAS DE UTILIZAÇÃO 
Aparelho sanitário Peça de utilização Vazão de projeto 
(L/s) 
 
Bacia Sanitária 
Caixa de descarga 0,15 
Válvula de descarga 1,70 
Banheira Misturador (água fria) 0,30 
Bebedouro Registro de pressão 0,10 
Bidê Misturador (água fria) 0,10 
Chuveiro ou ducha Misturador (água fria) 0,20 
Chuveiro elétrico Registro de pressão 0,10 
Lavadora de pratos ou de roupas Registro de pressão 0,30 
Lavatório Torneira ou misturador (água fria) 0,15 
 
 
Mictório cerâmico 
Com sifão 
integrado 
Válvula de descarga 
Sem sifão 
integrado 
Caixa de descarga, registro de pressão 
ou válvula de descarga para mictório 
0,15 
Mictório tipo calha Caixa de descarga ou registro de pressão 0,15 
por metro de 
calha 
 
Pia 
 Torneira ou misturador (água fria) 0,25 
 Torneira elétrica 0,10 
Tanque Torneira 0,25 
Torneira de jardim ou 
lavagem em geral 
 Torneira 0,20 
 
 
 
 
 
 45 
b) Diâmetros Mínimos 
 
 A Norma NBR 5626/98 recomenda também que o diâmetro mínimo das 
tubulações não seja inferior aos da tabela 2.10. 
 
Tabela 2.10 - DIÂMETROS MÍNIMOS DOS SUB-RAMAIS 
 Diâmetro nominal 
Peças de utilização DN (diâmetro nominal) Referência 
 (mm) (polegada) 
Aquecedor de baixa pressão 15 ½ 
Aquecedor de alta pressão 20 ¾ 
Bacia sanitária com caixa de descarga 20 ¾ 
Bacia sanitária com válvula de descarga de DN 20 mm 
(3/4) 
32 1 ¼ 
Bacia sanitária com válvula de descarga de DN 25 mm (1) 32 1 ¼ 
Bacia sanitária com válvula de descarga de DN 32 mm (1 
1/4) 
40 1 ½ 
Bacia sanitária com válvula de descarga de DN 38 mm (1 
1/2) 
40 1 ½ 
Banheira 15 ½ 
Bebedouro 15 ½ 
Bidê 15 ½ 
Chuveiro 15 ½ 
Filtro de pressão 15 ½ 
Lavatório 15 ½ 
Máquina de lavar pratos 20 ¾ 
Máquina de lavar roupa 20 ¾ 
Mictório de descarga contínua por metro ou aparelho 15 ½ 
Mictório auto-aspirante 25 1 
Pia de cozinha 15 ½ 
Pia de despejo 20 ¾ 
Tanque de lavar roupa 20 3/4 
 
 
 
 46 
2.7 - SISTEMA ELEVATÓRIO 
 
 Para a elevação da água do reservatório inferior até o reservatório superior 
utiliza-se a bomba, que é uma máquina geratriz hidráulica. A operação realizada pela 
bomba, em virtude da energia transmitida pela mesma ao líquido, deslocando-o de um 
reservatório a outro, denomina-se bombeamento. 
 O bombeamento será realizado através do sistema elevatório, mostrado na 
figura 2.10, que se constitui de: 
a) Tubulação de sucção. 
b) Conjunto motor bomba. 
c) Tubulação de recalque. 
 
Figura 2.10 - SISTEMA ELEVATÓRIO 
 
2.7.1 - TUBULAÇÃO DE SUCÇÃO 
 
 As linhas de sucção deverão ser projetadas e construídas obedecendo os 
requisitos técnicos mínimos, conforme abaixo: 
 
 47 
- a sucção deve ser a mais curta possível, nunca ultrapassando a 7,50 m, que é o 
limite prático. Sempre que possível deve ser inferior a 5,00 m; 
- à altura de sucção somadas as perdas de carga e a pressão do vapor d’água não 
deverão ultrapassar os limites práticos de capacidade de sucção das bombas, 
indicados pelos fabricantes; 
- deverá ser estanque, evitando assim a entrada e formação de bolhas de ar; 
- a redução entre a bomba e a tubulação de sucção deverá ser excêntrica, evitando 
assim a formação de bolhas de ar; 
- o registro de gaveta deverá ser colocado na horizontal (haste na horizontal), para 
evitar também a formação de bolhas de ar; 
- a válvula de pé deverá ser bem dimensionada e especificada; 
- para impedir que objetos estranhos danifiquem a bomba, um crivo deverá ser 
instalado no início da sucção, tendo 3 a 4 vezes a área da tubulação. 
 
2.7.2 - TUBULAÇÃO DE RECALQUE 
 
 As linhas de recalque deverão ser projetadas e construídas obedecendo aos 
requisitos técnicos mínimos, conforme abaixo: 
- colocar na saída da bomba, em primeiro lugar, uma válvula de retenção e depois um 
registro de gaveta. 
 A válvula de retenção irá proteger a bomba contra: 
- pressão excessiva; 
- efeito do golpe de ariete, quando da parada da bomba; 
- a possibilidade da mesma girar em sentido contrário. 
 
 O registro de gaveta tem por finalidade possibilitar a manutenção e poderá 
ainda ser usado para a regulagem da vazão. 
 
2.7.3 - VAZÃO A CONSIDERAR PARA A BOMBA 
 
 O sistema elevatório deverá ter, segundo a Norma NBR 5626/82, uma vazão 
mínima horária igual a 15% do consumo diário, ou seja, o sistema deverá funcionar 
durante 6,66 horas por dia. 
 
 48 
 Baseando em inúmeras instalações executadas, adotaremos como base os 
seguintes tempos de funcionamento diário: 
- prédios de apartamentos e hotéis: três períodos de 1 hora e 30 minutos cada; 
- prédios de escritórios: dois períodos de 2 horas cada; 
- hospitais: três períodos de 2 horas cada. 
 
 A vazão da bomba será: 
 
Q = 0,15 Cd ou Q = Cd/h 
 
 Sendo: 
Cd = Consumo diário, em l 
h = horas de funcionamento da bomba.A vazão (Q) pode ser expressa em várias unidades, sendo as mais 
empregadas: l/s; m3/s; l/h e m3/h. 
 
2.7.4 - DIMENSIONAMENTO DE RECALQUE E DE SUCÇÃO 
 
 Na teoria, o diâmetro da tubulação de recalque pode ser qualquer um. Se for 
escolhido um diâmetro relativamente grande, tem-se perdas de carga pequenas, e em 
conseqüência, um conjunto elevatório com uma potência instalada pequena. Neste 
caso as bombas para o sistema elevatório terão um custo baixo e as tubulações um 
custo elevado. Se ao contrário do que foi visto anteriormente, for escolhido um 
diâmetro pequeno, as perdas de carga serão significativas, exigindo com isto bombas 
para o sistema elevatório com uma potência maior. Já neste caso, o custo das 
tubulações será baixo, com as bombas a um custo de instalação e funcionamento 
altos. 
 O ideal é que o sistema elevatório seja eficaz a um custo de instalação e 
funcionamento mínimo. 
 Para alcançar este objetivo em instalações prediais de recalque e a fim de 
reduzir as perdas de cargas nas tubulações de sucção e recalque, adota-se valores 
reduzidos para as velocidades de escoamento dos líquidos. Geralmente as 
velocidades nas tubulações de sucção e recalque oscilam entre 0,55 m/s e 2,40 m/s, 
 
 49 
sendo que, nas tubulações de recalque com grandes extensões, a velocidade deve ser 
baixa, oscilando entre 0,65 m/s a 1,30 m/s. 
 A Norma NBR 5626/98 recomenda a utilização da fórmula de Forchheimmer 
para o dimensionamento da tubulação de recalque. 
 A fórmula de Forchheimmer é 
 
Dr = 1,3 Q 4x 
 Sendo: 
Dr - diâmetro nominal da tubulação de recalque, em m. 
Q - vazão da bomba, em m3/s. 
h - horas de funcionamento da bomba no período de 24 horas. 
X - h/24 horas. 
 
 O gráfico de Forchheimmer para o dimensionamento de recalque está 
reproduzido na figura 2.11. 
 
Figura 2.11 - GRÁFICO DE FORCHHEIMMER PARA DETERMINAÇÃO DO DIÂMETRO DA 
TUBULAÇÃO DE RECALQUE 
 
 
 50 
 A tubulação de sucção é determinada, adotando-se uma bitola comercial 
imediatamente superior à bitola da tubulação de recalque. 
 Calculado os diâmetros de recalque e de sucção, o ideal é que as perdas de 
carga não sejam superiores a 15% da altura manométrica. No caso das perdas de 
carga ultrapassarem a 15% da altura manométrica, pode-se usar o gráfico da Sulzer 
para a escolha dos diâmetros de recalque e de sucção, porque o mesmo leva a 
diâmetros relativamente grandes, se comparados com os diâmetros obtidos com o 
método de Forchheimmer. 
 O gráfico da Sulzer está reproduzido na figura 2.12. 
 
 
Figura 2.12 - GRÁFICO DE SULZER, PARA ESCOLHA DOS DIÂMETROS DE ASPIRAÇÃO E 
DE RECALQUE 
Exemplo 2.13 
 
 Calcular a vazão a considerar para a bomba do sistema elevatório do exemplo 
2.2. 
 Pela NBR 5626/98 da ABNT a vazão mínima de bombeamento deve ser 15% 
Cd. 
 Do exemplo 2.2: Cd = 32.000 l 
 
Q min (bomba) = 0,15 x 32.000 = 4.800 l/h = 4,8 m3/h 
 
 Na prática o tempo de funcionamento da bomba, para edifícios residenciais, é 
de 3 períodos de 1 hora e 30 minutos cada período, então: h = 4 horas e 30 minutos = 
4,5 horas = 16.200 segundos. 
 
 51 
Q (bomba) = 32.000/4,5 = 7.111 l/h = 7,11 m3/h 
ou 
Q (bomba) = 32.000/16.200 = 1,98 l/s = 0,00198 m3/s 
 
 Conclusão: O valor comumente empregado na prática está acima do mínimo 
recomendado pela norma. Nos próximos exemplos usaremos o valor prático que nos 
garante um bom funcionamento do sistema elevatório. 
 
Exemplo 2.14 
 
 Calcular os diâmetros de recalque e sucção para o exemplo 2.2. 
 
 1º processo: fórmula de Forchheimmer 
 Para utilizar a fórmula, observar as unidades a serem adotadas. Do exemplo 
2.13: Q = 0,00198 m3/s h = 4,5 horas  X = 4,5/24 = 0,19 
Substituindo estes valores na fórmula de Forchheimmer: 
 
Dr = 1,3 x 0,00198 x 40,19 
 
Dr = 0,038 m = 38 mm 
 
 O diâmetro comercial de recalque é 40 mm. 
 O diâmetro comercial da sucção é de 50 mm, ou seja, uma bitola 
imediatamente superior ao recalque. 
 
 2º processo: ábaco de Forchheimmer. Figura 2.11. O procedimento para a 
utilização do ábaco é simples e direto. Marca-se o valor h = 4,5 h na linha horizontal 
correspondente e Q = 7,11 m3/h ou 1,98 l/s nas respectivas linhas verticais. A partir 
destes pontos marcados traça-se as retas que se cruzam no interior de uma faixa 
delimitada por duas retas inclinadas que expressam os diâmetros de recalque e 
sucção. Os valores encontrados no ábaco são: 
 
  rec = 1 1/2” (40 mm) 
  suc = 2” (50 mm) 
 
 
 52 
2.7.5 - BOMBAS 
 
 Normalmente o bombeamento de água nas edificações é feito através de 
bombas centrífugas acionadas por motores elétricos. 
 Além das bombas centrífugas, empregam-se também as seguintes: 
- bombas rotativas; 
- bombas de êmbolo ou de pistão; 
- bombas de poço profundo (tipo turbina). 
 Ao se dimensionar uma bomba, é preciso conhecer a vazão e a altura 
manométrica. 
 
2.7.5.1 - Altura Manométrica 
 
 A altura manométrica é a soma das alturas manométricas de recalque e de 
sucção 
 
H man = H man (rec.) + H man (suc.) 
 Sendo: 
H man - altura manométrica, em m. 
H man (rec) - altura manométrica de recalque, em m. 
H man (suc) - altura manométrica de sucção, em m. 
 
a) Altura Manométrica de Recalque 
 
 A altura manométrica de recalque é a diferença das cotas entre os níveis de 
saída do líquido no reservatório superior e do centro da bomba acrescida das perdas 
de carga entre os níveis citados. 
 
H man (rec.) = H est (rec.) + J (rec.) 
 
 Sendo: 
H man (rec) - altura manométrica de recalque, em m. 
H est (rec) - altura estática de recalque, em m. 
J (rec) - perdas de carga no recalque, em mH2O/m. 
 
 
 
 53 
b) Altura Manométrica de Sucção 
 
 A altura manométrica de sucção é a diferença das cotas do nível do centro da 
bomba e o nível da superfície livre do reservatório inferior, acrescida das perdas de 
carga entre os níveis citados. 
 
H man (suc.) = H est (suc.) + J (suc) 
 
 Sendo: 
H man (suc) - altura manométrica de sucção, em m. 
H est (suc) - altura estática de sucção, em m. 
J (suc) - perdas de carga na sucção, em mH2O/m. 
 
2.7.5.2 - Rendimento do Conjunto Motor-Bomba 
 
 Rendimento é a relação entre a potência aproveitável pelo líquido no 
escoamento e a potência do motor que aciona a bomba. 
 
 Pa 
R = _______ 
 Pm 
 
 
 Sendo: 
R - rendimento do conjunto motor-bomba. 
Pa - potência aproveitável pelo líquido no escoamento, em CV. 
Pm - potência do motor que aciona a bomba, em CV. 
 
 O rendimento é função da vazão, da altura manométrica e do número de 
rotações. O valor do rendimento é obtido nos catálogos dos fabricantes. Como 
estimativa de potência motriz, adota-se para bombas pequenas de 40 a 60% e para as 
médias de 70 a 75% de rendimento. 
 
 
 
 
 54 
2.7.5.3 - Cálculo da Potência 
 
a) Potência Necessária ao Acionamento da Bomba 
 
 Para se ter a potência necessária ao acionamento da bomba, em C.V., usa-se 
a fórmula: 
 
 Q x Hman 
P = ______________ 
 75 x R 
 Sendo: 
P - potência necessária ao acionamento da bomba, em CV. 
Q - vazão do sistema elevatório, em l/s. 
R - rendimento do conjunto motor-bomba. 
 
 Quando não se tem catálogos de fabricantes, calcula-se a potência aproximada 
com o emprego da fórmula dada, porque o valor do rendimento será arbitrado. 
 
b) Potência Instalada 
 
 Na prática é recomendável que a potência instalada seja a potência do motor 
comercial imediatamente superior à potência necessária ao acionamento da bomba. 
 Desta forma será dada uma margem de segurança para evitar que o motor 
venha a operar em sobrecarga. A margem de segurança é de fundamental 
importância, e alguns projetistas recomendam que a mesma tenha as proporções 
citadas na tabela 2.11. 
Tabela 2.11 - MARGEM DE SEGURANÇA 
 
Potência calculada Margem de segurança 
(recomendável) 
até 2 CV 50 % 
de 2 a 5 CV 30 % 
de 5a 10 CV 20 % 
de 10 a 20 CV 15 % 
acima de 20 CV 10 % 
 
 
 55 
c) Potência Comercial de Motores Elétricos Nacionais 
 
 Para facilitar a indicação da potência instalada, na falta de catálogos de 
fabricantes, segue abaixo a relação dos motores elétricos nacionais, dada sua 
potência em CV, até 250 CV. 
 
POTÊNCIA DOS MOTORES NACIONAIS (EM CV) 
¼ 1 ½ 7 ½ 25 50 150 
1/3 2 10 30 60 200 
½ 3 12 35 80 250 
¾ 5 15 40 100 - 
1 6 20 45 125 - 
 
 Exemplo 2.15 
 
 Calcular a altura manométrica do sistema elevatório do exemplo 2.2, sabendo-
se que a tubulação é de aço galvanizado. 
 Para calcular a altura manométrica faz-se primeiro um esboço isométrico do 
sistema elevatório, indicando as diferenças de níveis e o comprimento das tubulações 
entre conexões, registros e válvulas. 
 Pronto o isométrico cotado, dimensiona-se a tubulação de sucção e recalque 
conforme o item 2.7.4. Logo em seguida determina-se a altura manométrica. 
 Do exemplo 2.13: Q = 1,98 l/s 
 Do exemplo 2.14:  sucção = 2” (50 mm) 
  recalque = 1 ½” (40 mm) 
 
 
 
 56 
SISTEMA ELEVATÓRIO ESQUEMÁTICO 
 
 
 Dados tirados do desenho: 
 Tubulação de sucção  2” (50 mm) 
Comprimento real da sucção 
0,70 + 1,00 + 1,20 + 0,55 = 3,45 m 
 altura estática da sucção = 0,60 m 
 Peças de sucção: Tabelas 2.7 e 2.8 
 1 válvula de pé com crivo 14.0 m 
 1 cotovelo 90o, raio curto 1,88 m 
 2 registros gaveta, abertos (2 x 0,4) 0,8 m 
 2 tê 90o, saída lateral (2 x 2,74) 5,48 m 
 22,16 m 
 
 57 
 Relacionadas as peças da sucção, das tabelas 2.7 e 2.8 anota-se o 
comprimento equivalente em canalização retilínea, a seguir somam-se estes valores 
ao comprimento real da tubulação para o cálculo da perda de carga total. 
 
22,16 + 3,45 = 25,61 m 
 
 Conhecidos os diâmetros de sucção e de recalque e a vazão, no ábaco de 
Fair-Whipple-Hsiao determinam-se as perdas de carga e as velocidades 
 
 Sucção: Ju = 0,036 m/m 
V = 0,98 m/s 
 
 Recalque: Ju = 0,11 m/m 
V = 1,5 m/s 
 
 A perda de carga da sucção será: 
 
J(suc) = 25,61 x 0,036 = 0,92 m 
 
 Tubulação de recalque  1 1/2” (40 mm) 
 
  comprimento real do recalque 
0,60 + 1,80 + 0,30 + 3,60 + 4,80 + 63,20 + 0,30 = 74,60 m 
 
  altura estática do recalque 
1,50 + 63,20 = 64,70 
 
  peças de recalque: Tabelas 2.7 e 2.8 
 1 válvula de retenção (vertical) 4,80 m 
 1 registro gaveta, aberto 0,30 m 
 1 tê 45o 1,31 m 
 2 cotovelos 45o (2 x 0,65) 1,30 m 
 3 cotovelos 90o, raio curto (3 x 1,41) 4,23 m 
 1 saída de canalização 12,94 m 
 
12,94 + 74,60 = 87,54 m 
 
 58 
 
 A perda de carga do recalque será: 
 
J(sec) = 87,54 x 0,11 = 8,754 m 
 
 Cálculo da altura manométrica: 
 
 H man suc = 0,60 + 0,92 = 1,52 m 
 H man rec = 64,70 + 8,75 = 73,45 m 
 H man = 1,52 + 73,45 = 74,97 m 
 
H man = 75 m 
 
 Exemplo 2.16 
 
 Calcular a potência necessária para acionar a bomba e a potência a ser 
instalada para o exemplo 2.13. 
 Para instalações prediais as bombas são consideradas pequenas e o 
rendimento oscila na faixa de 40 a 60%. Neste exemplo adotaremos R = 50% = 0,50. 
 Dos exemplos anteriores: Q(bomba) = 1,98 l/s 
H man = 75 m 
 
 Substituindo estes valores na fórmula de potência, temos: 
 
 1,98 x 75 
 P = ____________ = 3,96 C.V. 
 75 x 0,50 
 
 Da tabela 2.11 tiramos 30% como valor recomendado para a margem de 
segurança da bomba e a potência instalada será: 
 
P = 3,96 x 1,30 = 5,14 C.V. 
 
 Conclusão: a potência calculada, acrescida de 30% de segurança atende ao 
funcionamento de uma bomba, porém devem ser instaladas duas bombas de 5 CV 
 
 59 
(potência comercial) o que possibilita a manutenção do equipamento sem prejudicar o 
abastecimento de água do prédio. 
 
 Exemplo 2.17 
 
 Escolher, utilizando catálogos de fabricantes, o modelo das bombas que 
atendem ao conjunto elevatório do exemplo 2.15. São conhecidas a vazão e altura 
manométrica 
 
 Q = 1,98 l/s 
 Hman = 75 m 
H man = 75,00 m 
 
Q = 1,98 l/s  7.128 l/h  7,13 m3/h 
 
 A partir do momento em que são conhecidas a altura manométrica e a vazão 
de um sistema elevatório, normalmente recorre-se a catálogos de fabricantes. 
 
 Neste exemplo, vamos utilizar o gráfico para escolha prévia de bombas da 
Indústria Metalúrgica Castro Alves S.A., ilustrado na figura 2.14b. Entrando com os 
valores da Hman = 75,00 m e da Q = 7,13 m3/h, na figura 2.14b, na página 283, 
encontramos como resultado a bomba K - 50 - 40 - 238 com n = 3.500 RPM. 
 
 Após a escolha prévia da bomba, deve-se recorrer às curvas características da 
mesma, que está ilustrada na figura 2.15b, na página 286. 
 
 O gráfico da figura 2.15b nos fornece que a bomba KING, modelo K - 50 - 40, 
para os valores de H man = 75,00 m e Q = 7,13 m3/h terá rotor de  205 mm, motor de 
7,5 CV, rendimento de 41% e n = 3.500 RPM. 
 
2.7.5.4 - NPSH (Net Positive Suction Head) 
 
 NPSH é a altura de sucção total, referida à pressão absoluta (pressão 
atmosférica no local das instalações), determinada no centro de sucção, menos a 
tensão de vapor do líquido. Temos o NPSH requerido e o NPSH disponível. 
 
 
 60 
a) NPSH requerido 
 
 É uma característica de projeto da bomba. É determinado por testes de 
laboratório ou cálculos e consta normalmente das curvas de desempenho das 
bombas. 
 NPSH requerido é a energia necessária ao líquido para vencer as perdas de 
carga, dentro da bomba, e chegar ao ponto de ganho de energia e ser recalcado como 
líquido e não como vapor. 
 
b) NPSH disponível 
 
 É uma característica do sistema, considerando o local, temperatura do líquido e 
da instalação em que trabalha a bomba. 
 NPSH disponível é a energia que um líquido possui, num ponto anterior a 
entrada de sucção da bomba, acima de sua pressão de vapor. 
 O NPSH disponível é dado pela fórmula: 
 
NPSHd = HEST(SUC) + (Pa - Pv)/ x 10 - J(SUC) 
 
 Sendo, 
NPSHd = NPSH disponível, em mH2O. 
HEST(SUC) = Altura estática da sucção, em m. 
Pa = Pressão atmosférica local, em kg/cm3. 
PV = Pressão de vapor, na temperatura de bombeamento, em kg/cm3. 
 = peso específico do líquido, em kg/cm3. 
J(SUC) = perda de carga na sucção, em m H2O/m. 
 
 Resumindo, o NPSHd é a energia disponível que o líquido possui na entrada 
de sucção da bomba e o NPSHr é a energia do líquido que a bomba necessita para 
funcionar satisfatoriamente. Para que a bomba tenha um bom funcionamento é 
necessário que: 
 
NPSHd  NPSHr 
 
 
 
 61 
2.7.5.5 - Cavitação 
 
 A cavitação ocorre quando a pressão de um líquido na tubulação de sucção se 
encontra abaixo da pressão de vapor, ocasionando a formação de bolhas de vapor, 
que desaparecem bruscamente em zonas de alta pressão dentro da bomba. 
 Os efeitos que evidenciam o processo de cavitação se caracterizam pelo ruído 
e por meio de vibrações. 
 O processo de cavitação em tubulações de sucção, por muito tempo, ocasiona: 
. a formação de “pequenos buracos” nas pás do rotor; 
. no desaparecimento das bolhas de ar, a introdução do líquido em altas velocidades, 
nos poros do metal, dando ao mesmo uma aparência esponjosa; 
. ruído e vibração que provoca avarias nos rolamentos, quebrando o eixo; 
. falhas da bomba por fadiga de materiais; 
. diminuição de vazão. 
 
 A cavitação indica: 
. NPSH disponível insuficiente; 
. perda de carga elevada, na sucção; 
. baixa altura estática; 
. alta temperatura. 
 
 A solução deve ser a modificação do sistema elevatório; caso não seja possível 
esta modificação, deve-se escolher outra bomba com NPSH requerido menor. 
 
2.8 - DIMENSIONAMENTO DOS SUB-RAMAIS 
 
 Sub-ramal é a tubulação que liga o ramal à peça de utilização ou à ligação do 
aparelho sanitário. 
 A NBR 5626/98 recomenda os diâmetros mínimos para os sub-ramais segundo 
a tabela 2.10. 
 
2.9 - DIMENSIONAMENTO DOS RAMAIS DE ALIMENTAÇÃO 
 
 Ramal é aUNITÁRIAS DE ESGOTOS ( C ) E DE LODO 
FRESCO (Lf) POR TIPO DE PRÉDIOS E DE OCUPANTES 
 
 CONTRIBUIÇÃO (LITROS/DIA) 
PRÉDIO UNIDADE ESGOTOS ( C 
) 
LODO FRESCO 
(Lf) 
1-Ocupantes permanentes 
Hospitais leito 250 1 
Apartamentos pessoa 200 1 
Residências pessoa 150 1 
Escolas - internatos pessoa 150 1 
Casas populares - rurais pessoa 120 1 
Hotéis (sem cozinha e lavanderia) pessoa 120 1 
Alojamentos provisórios pessoa 80 1 
2-Ocupantes temporários 
Fábrica em geral operário 70 0,30 
Escritórios pessoa 50 0,20 
Edifícios públicos ou comerciais pessoa 50 0,20 
Escolas - Externatos pessoa 50 0,20 
Restaurantes e similares refeição 25 0,10 
Cinema, teatro e templos lugar 2 0,02 
 
 
b) Períodos de Contribuição dos Despejos 
 
 São considerados os seguintes períodos: 
- Edificações residenciais, hotéis, hospitais e quartéis: 24 horas; 
- Outros tipos de edificações: os regimes próprios de funcionamento. 
 
 
c) Contribuição de Lodo Fresco (L) 
 
 Na ausência de dados locais, adota-se os valores mínimos relacionados na 
tabela 4.11. 
 
 
 135 
d) Período de Detenção dos Despejos (T) 
 
 As fossas sépticas são projetadas considerando os seguintes períodos 
mínimos de detenção: 
- fossas de câmara única e de câmaras em série: observar os valores constantes da 
tabela 4.12. 
- fossas de câmaras sobrepostas: considerar o valor de 2h, para efeito de cálculo. 
 
e) Câmara de Decantação 
 
 O volume mínimo da câmara de decantação nas fossas sépticas de câmaras 
sobrepostas é de 500 litros. 
 
f) Período de Armazenamento de Lodo Digerido (Ta) 
 
 As fossas sépticas deverão ter capacidade para armazenar o lodo digerido 
durante um período de 10 meses, no mínimo. 
 
g) Período de Digestão do Lodo (Td) 
 
 Para efeito de cálculo, o período de digestão do lodo é estimado em 50 dias. 
 
h) Coeficiente de Redução do Volume de Lodo ( R ) 
 
 Considerando a redução do volume de lodo fresco devido aos fenômenos de 
digestão e adensamento, são adotados os seguintes coeficientes, para cálculo do 
volume de lodo a ser armazenado: 
 Lodo digerido: R1 = 0,25. 
 Logo em digestão: R2 = 0,50. 
 
 
i) Formato das Fossas 
 
 As formas cilíndricas e prismáticas retangulares são as mais recomendadas. 
 
 
 
 136 
Tabela 4.12 - PERÍODO DE DETENÇÃO (T) 
 PERÍODO DE DETENÇÃO 
CONTRIBUIÇÃO (LITROS/DIA) HORAS DIAS (T) 
até 6.000 24 1 
6.000 a 7.000 21 0,875 
7.000 a 8.000 19 0,79 
8.000 a 9.000 18 0,75 
9.000 a 10.000 17 0,71 
10.000 a 11.000 16 0,67 
11.000 a 12.000 15 0,625 
12.000 a 13.000 14 0,585 
13.000 a 14.000 13 0,54 
Acima de 14.000 12 0,50 
 
 
4.5.4.1 - DIMENSIONAMENTO DAS FOSSAS SÉPTICAS DE CÂMARA ÚNICA 
 
 As fossas sépticas de câmara única são calculadas com o emprego da fórmula: 
 
V = N ( CT + 100 Lf ) 
 
Sendo: 
V = volume útil, em litros. 
N = número de contribuintes. 
C = contribuição de despejos, em l/pessoa x dia, conforme a tabela 4.11. 
T = período de detenção, em dias, conforme a tabela 4.12 
Lf = contribuição de lodos frescos, em l/pessoa/dia, conforme a tabela 4.11. 
- o volume útil mínimo admissível para fossas sépticas de câmara única é de 
1250 litros. 
- As fossas sépticas de formato cilíndrico deverão ter diâmetro interno de 
1,10m e profundidade útil de 1,10m, no mínimo. O diâmetro interno não 
poderá ser superior a duas vezes a profundidade. 
- As fossas sépticas de formato prismático retangular deverão ter largura 
interna mínima de 0,70m. Deverá ocorrer uma relação entre o comprimento 
(L) e a largura (b), conforme: 
 
 137 
 
2 4 
L
b
 
 
- A profundidade útil mínima deverá ser de 1,10m. A largura não poderá ser 
superior a duas vezes a profundidade. 
 
 
4.5.4.2 - DIMENSIONAMENTO DAS FOSSAS SÉPTICAS DE CÂMARAS 
SOBREPOSTAS 
 
 O volume útil das fossas sépticas de câmaras sobrepostas é calculado com o 
emprego das fórmulas: 
 
a) Volume da câmara de decantação (V1): 
 
V1 = NCT 
 
b) Volume decorrente do período de armazenamento de lodo digerido (V2): 
 
V2 = R1NLfTa 
 
c) Volume correspondente ao lodo em digestão (V3): 
 
V3 = R2NLfTd 
 
d) Volume correspondente à zona neutra (V4): 
 
V4 = 0,30 S 
 
 Sendo o valor 0,30 correspondente à altura da zona neutra da fossa, em m. 
 
e) Volume correspondente à Zona de escuma (V5): 
 
V5 = hdS - V1 
 
 
 138 
f) Volume útil (V) 
 
V = V1 + V2 + V3 + V4 + V5 
Sendo: 
V = volume, em litros. 
N = número de contribuintes. 
C = contribuição de despejos, em l/pessoa/dia, conforme a tabela 4.11. 
T = período de detenção, em dias, conforme a tabela 4.12. 
Lf = contribuição de lodos frescos, em l/pessoa/dia, conforme a tabela 4.11. 
R1 = coeficiente de redução de volume do lodo digerido (R1 = 0,25). 
R2 = coeficiente de redução de volume do lodo em digestão (R2 = 0,50). 
Ta = período de armazenamento de lodo digerido, em dias (aproximadamente 300). 
Td = período de digestão do lodo, em dias (aproximadamente 50). 
S = área da seção transversal da fossa, em m2. 
Hd = distância vertical entre a geratriz inferior interna da câmara de decantação e o 
nível do líquido, em m. 
 
- O volume útil mínimo admissível para as fossas sépticas de câmaras 
sobrepostas é de 1350 litros. 
- As fossas sépticas de formato cilíndrico deverão ter diâmetro interno e 
profundidade útil de 1,20m, no mínimo. 
- As fossas sépticas de formato prismático retangular deverão ter largura 
interna de 0,80m e profundidade útil de 1,20m, no mínimo. 
- Inclinação 1,2:1 para as abas inferiores da câmara de decantação. 
- Espaçamento mínimo de 0,10m para as fendas de saída da câmara de 
decantação. 
 
4.5.4.3 - DIMENSIONAMENTO DAS FOSSAS SÉPTICAS DE DUAS CÂMARAS EM 
SÉRIE 
 
 O volume útil das fossas sépticas de duas câmaras em série é calculado com o 
emprego da fórmula: 
 
V = 1,3 N (CT + 100Lf) 
Sendo: 
V = volume, em litros. 
 
 139 
N = número de contribuintes. 
C = contribuição de despejos, em l/pessoa/dia, conforme a tabela 4.11. 
T = período de detenção, em dias, conforme a tabela 4.12. 
Lf = contribuição de lodos frescos, em l/pessoa/dia, conforme a tabela 4.11. 
 
- O volume útil admissível para as fossas sépticas de duas câmaras em série é de 
1650 litros. 
- As fossas sépticas de forma prismática retangular terão largura interna mínima 
de 0,80m e profundidade útil mínima de 1,20m. A largura interna não deve 
ultrapassar a duas vezes a profundidade. 
- A relação entre o comprimento (L) e a largura interna (b) deverá ser: 
 
2 4 
L
b
 
 
- O comprimento da primeira câmara é 2/3L e o da segunda, 1/3L. 
- O volume útil da primeira e segunda câmaras devem ser, respectivamente, 2/3 e 
1/3 do volume útil total. 
 
 
 
4.5.5 - DISPOSIÇÃO DO EFLUENTE 
 
 Ao efluente da fossa séptica deve ser dada uma disposição que atenda às 
finalidades do tratamento de esgotos e esteja de acordo com a realidade local. Vários 
fatores interferem na escolha do processo de disposição do efluente, tais como a 
existência de curso d’água receptor, a permeabilidade do solo, áreas disponíveis etc. 
A capacidade de absorção do solo é determinada através do ensaio de infiltração, 
descrito na NBR 7229/82, conforme tabela 4.13. 
 A NBR 7229/82 recomenda que a disposição do efluente das fossas sépticas 
seja no solo ou em águas de superfície, das seguintes maneiras: 
 
 
 
 
 
 140 
Tabela 4.13 - POSSÍVEIS FAIXAS DE VARIAÇÃO DE COEFICIENTE DE INFILTRAÇÃO 
 
 
FAIXA 
 
CONSTITUIÇÃO APROVÁVEL DOS SOLOS 
COEFICIENTE 
DE 
INFILTRAÇÃO 
lm2 x dia 
1 Rochas, argilas compactas de cor branca, cinza ou preta, variando as 
rochas alteradas e argilas medianamente compactas de cor 
avermelhada 
menor que 20 
2 Argilas de cor amarela, vermelha ou marrom medianamente compacta, 
variando as argilas pouco siltosas e/ou arenosas. 
20 a 40 
3 Argilas arenosas e/ou siltosa, variando a areia argilosa ou silte argiloso 
de cor amarela, vermelha ou marrom. 
40 a 60 
4 Areia ou silte poucoargiloso, ou solo arenoso com humos e turfas, 
variando os solos constituídos predominantemente de areias e siltes. 
60 a 90 
5 Areia bem selecionada e limpa, variando a areia grossa com cascalhos. Maior que 90 
Nota: Os dados se referem, numa primeira aproximação, aos coeficientes que variam 
segundo o tipo dos solos não saturados. Em qualquer dos casos é 
indispensável a confirmação por meio dos ensaios de infiltração do solo 
descritos na norma NBR 7229/82. 
 
a) Sumidouros 
 
 Devem ter as paredes revestidas de alvenaria de tijolos, com juntas livres, ou 
anéis de concreto convenientemente furados e o fundo com enchimento de cascalho 
ou pedra britada. Sempre que possível devem ser construídos dois sumidouros para 
uso alternado. Figura 4.14. 
 
 
 141 
 
Figura 4.14 - SUMIDOURO 
 
b) Valas de infiltração 
 
 Devem ser previstas no mínimo duas valas de infiltração para a disposição do 
efluente de uma fossa séptica. A profundidade das valas varia de 0,60 a 1,00m, com 
largura mínima de 0,50m e máxima de 1,00m. O comprimento máximo de cada vala é 
de 30,00m. O diâmetro mínimo da tubulação de distribuição do efluente é DN 100. 
Figura 4.15. 
 
 
 142 
 
Figura 4.15 - VALAS DE INFILTRAÇÃO 
 
c) Valas de filtração 
 
 Devem ser previstas no mínimo duas valas de filtração para a disposição do 
efluente de uma fossa séptica. A profundidade das valas varia de 1,20 a 1,50m, com 
largura mínima de 0,50m. No fundo da vala é assentada a tubulação receptora com 
DN 100, envolvida por uma camada de brita nº 1 e uma camada de areia grossa com 
0,50m, no mínimo, que constitui o leito filtrante. A tubulação de distribuição do efluente 
da fossa deve ser assentada sobre a camada de areia que é recoberta com brita ou 
escória e uma camada superior de terra para completar o enchimento da vala. Nos 
terminais das valas devem ser instaladas caixas de inspeção, que devem ser 
interligadas para facilitar o lançamento do efluente filtrado no corpo d’água receptor. 
Figura 4.16. 
 
 143 
 
 
Figura 4.16 - VALAS DE FILTRAÇÃO 
d) Filtro anaeróbio 
 
 O filtro apresenta um fundo falso por meio do qual se faz a distribuição do 
efluente. O leito filtrante deve ter altura de 1,20m, constante para qualquer volume 
obtido no dimensionamento e profundidade útil de 1,80m. O volume útil mínimo é de 
1250 litros. São construídos tantos filtros quantos forem necessários, funcionando em 
paralelo. Figura 4.17. 
 
 
 144 
 
Figura 4.17 - FILTRO ANAERÓBIO 
 
4.5.6 - OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO 
 
 A cada período de um ano de uso da fossa séptica deve ser removido o lodo 
digerido, que pode ser enterrado. A remoção normalmente é realizada por meio de 
bombas, através da tubulação de limpeza. 
 Para evitar odores decorrentes do início do tratamento dos esgotos na fossa 
séptica, o processo de decomposição deve ser ativado introduzindo de 50 a 100 litros 
de lodo em digestão, proveniente de outra fossa ou a mesma quantidade de solo rico 
em humos. 
 
 145 
 Quando a fossa séptica em funcionamento apresentar maus odores deve ser 
colocada uma substância alcalinizante, a cal por exemplo. 
 As valas de filtração, as valas de infiltração e os sumidouros devem ter 
inspeção semestral. 
 Quando constatar redução da capacidade de absorção das valas de infiltração 
ou sumidouros, novas unidades devem ser construídas, para a recuperação da 
capacidade perdida. 
 
4.6 ANEXOS SISTEMAS PREDIAIS ESGOTO SANITÁRIO 
 
4.6.1 DISPOSITIVOS DE ADMISSÃO DE AR 
Exemplos de sistemas prediais de esgoto sanitário com ventilação secundária 
– dispositivos de admissão de ar. 
 
Figura 4.18 – Exemplo 1 
 
 
 146 
 
Figura 4.19 – Exemplo 2 
4.6.2 LIGAÇÃO DO RAMAL DE VENTILAÇÃO 
 
Figura 4.20 – Exemplo Ligação 1 
 
 
 147 
A Figura 4.21 apresenta a ligação do ramal de ventilação que ocorre dentro do shaft, 
quando da impossibilidade de ventilação do ramal de descarga da bacia sanitária. 
 
Figura 4.21 – Exemplo Ligação 2 
A Figura 22 apresenta exemplo quando da dispensa de ventilação de ramal de 
descarga de bacia sanitária. 
 
Figura 4.22 – Exemplo Ligação 3 
 
 
 148 
4.6.3 DESVIO DO TUBO DE QUEDA 
 
 
Figura 4.23 – Desvio Tubo de queda (NBR8160/99) 
 
 149 
4.6.4 ZONAS DE SOBREPRESSÃO 
 
 
 
Figura 4.24 – Zonas de sobrepressão (NBR8160/99) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 150 
5. SISTEMAS PREDIAIS DE ÁGUAS PLUVIAIS 
 
5.1 - PRINCÍPIOS GERAIS PARA ÁGUAS PLUVIAIS 
 
 O esgotamento das águas pluviais deverá ser projetado e executado de 
maneira tal que permita a rápida coleta e escoamento das águas para córregos, rios, 
lagos ou oceanos, a fim de evitar inundações em edificações e logradouros públicos. 
 A Norma que rege as instalações prediais de águas pluviais é a NB 611/81 da 
ABNT que estabelece as seguintes prescrições básicas: 
- uso exclusivo para recolhimento e condução de água pluvial, não sendo permitidas 
quaisquer interligações com outras instalações prediais; 
- permitir a limpeza e desobstrução de qualquer ponto no interior da tubulação; 
- inclinação mínima de 0,5% nas superfícies horizontais das lajes, a fim de garantir o 
escoamento das águas pluviais até os pontos previstos de drenagem; 
- as calhas e condutores horizontais deverão ter declividade uniforme, com valor 
mínimo de 0,5%; 
- os condutores verticais devem ser projetados, sempre que possível, em uma só 
prumada. Os desvios são permitidos, quando necessários, se providos de peças de 
inspeção; 
- nos condutores horizontais aparentes devem ser previstas inspeções a cada trecho 
de 20,00 m, em percurso retilíneo e quando houver: 
. conexão com outra tubulação; 
. mudança de declividade; 
. mudança de direção; 
- nos condutores horizontais enterrados devem ser previstas caixa de areia a cada 
trecho de 20,00m, nos percursos retilíneos e quando houver: 
. conexão com outra tubulação; 
. mudança de declividade; 
. mudança de direção; 
- a ligação entre os condutores verticais e horizontais é sempre feita por curva de raio 
longo com inspeção ou caixa de areia, segundo o condutor horizontal esteja 
aparente ou enterrado. 
 
5.2 - DIMENSIONAMENTO PARA ÁGUAS PLUVIAIS 
 
 
 151 
5.2.1 - FATORES METEOROLÓGICOS 
 
 Os fatores meteorológicos que interferem no cálculo da vazão de projeto são a 
intensidade pluviométrica (“I”) e o período de retorno (“T”), cujos valores, 
recomendados pela Norma, foram obtidos do trabalho “Chuvas Intensas no Brasil” de 
Otto Pfafstetter, do Ministério de Viação e Obras Públicas, DNOS, 1957, que estão 
reproduzidos na tabela 5.1. 
 O período de retorno deve ser fixado segundo as características da área a ser 
drenada, obedecendo os valores: 
T = 1 ano, para áreas pavimentadas, onde empoçamentos possam ser tolerados; 
T = 5 anos, para coberturas e/ou terraços; 
T = 25 anos, para coberturas e áreas onde empoçamentos ou extravasamento não 
possa ser tolerado. 
 
 
Tabela 5.1 - CHUVAS INTENSAS NO BRASIL (DURAÇÃO: 5 MIN) 
 INTENSIDADE PLUVIOMÉTRICA (mm/h) 
LOCAL PERÍODO DE RETORNO (anos) 
 1 5 25 
 1 - Alegrete/RS 174 238 313 (17) 
 2 - Alto Itatiaia/RJ 124 164 240 
 3 - Alto Tabajós/PA 168 229 267 (21) 
 4 - Alto Terezópolis/RJ 114 137 (3) - 
 5 - Aracaju/SE 116 122 126 
 6 - Avaré/SP 115 144 170 
 7 - Bagé/RS 126 204 234 (10) 
 8 - Barbacena/MG 156 222 265 (12) 
 9 - Barra do Corda/MA 120 128 152 (20) 
10 - Bauru/SP 110 120 148 (9) 
11 - Belém/PA 138 157 185 (20) 
12 - Belo Horizonte/MG 132 227 230 (12) 
13 - Blumenau/SC 120 125 152 (15) 
14 - Bonsucesso/MG 143 196 - 
15 - Cabo Frio/RJ 113 146 218 
16 - Campos/RJ 132 206 240 
 
 152 
 INTENSIDADE PLUVIOMÉTRICA (mm/h) 
LOCAL PERÍODO DE RETORNO (anos) 
 1 5 25 
17 - Campos do Jordão/SP 122 144 164 (9) 
18 - Catalão/GO 132 174 198 (22) 
19 - Caxambu/MG 106 137 (3) - 
20 - Caxias do Sul/RS 120 127 218 
21 - Corumbá/MT 120131 161 (9) 
22 - Cruz Alta/RS 204 246 347 (14) 
23 - Cuiabá/MT 144 190 230 (12) 
24 - Curitiba/PR 132 204 228 
25 - Encruzilhada/RS 106 126 158 (17) 
26 - Fernando de Noronha/FN 110 120 140 (6) 
27 - Florianópolis/SC 114 120 144 
28 - Formosa/GO 136 176 217 (20) 
29 - Fortaleza/CE 120 156 180 (21) 
30 - Goiana/GO 120 178 192 (17) 
31 - Guaramiranga/CE 114 126 152 (19) 
32 - Iraí/RS 120 198 228 (16) 
33 - Jacarezinho/PR 115 122 146 (11) 
34 - Juaretê/AM 192 240 288 (10) 
35 - João Pessoa/PB 115 140 163 (23) 
36 - Km 47 - Rodovia Presidente Dutra/RJ 122 164 174 (14) 
37 - Lins/SP 96 122 137 (13) 
38 - Maceió/AL 102 122 174 
39 - Manaus/AM 138 180 198 
40 - Natal/RN 113 120 143 (19) 
41 - Nazaré/PE 118 134 155 (19) 
42 - Niteroi/RJ 130 183 250 
43 - Nova Friburgo/RJ 120 124 156 
44 - Olinda/PE 115 167 173 (20) 
45 - Ouro Preto/MG 120 211 - 
46 - Paracatu/MG 122 233 - 
47 - Paranaguá/PR 127 186 191 (23) 
48 - Paratins/AM 130 200 205 (13) 
 
 153 
 INTENSIDADE PLUVIOMÉTRICA (mm/h) 
LOCAL PERÍODO DE RETORNO (anos) 
 1 5 25 
49 - Passa Quatro/MG 118 180 192 (10) 
50 - Passo Fundo/RS 110 125 180 
51 - Petrópolis/RJ 120 126 156 
52 - Pinheiral/RJ 142 214 244 
53 - Piracicaba/SP 119 122 151 (10) 
54 - Ponta Grossa/PR 120 126 148 
55 - Porto Alegre/RS 118 146 167 (21) 
56 - Porto Velho/RO 130 167 184 (10) 
57 - Quixeramobim/CE 115 121 126 
58 - Resende/RJ 130 203 264 
59 - Rio Branco/AC 126 139 (2) - 
60 - Rio de Janeiro/RJ (Bangu) 122 156 174 (20) 
61 - Rio de Janeiro/RJ (Ipanema) 119 125 160 (15) 
62 - Rio de Janeiro/RJ (Jacarepaguá) 120 142 152 (6) 
63 - Rio de Janeiro/RJ (Jardim Botânico) 122 167 227 
64 - Rio de Janeiro/RJ (Praça XV) 120 174 204 (14) 
65 - Rio de Janeiro/RJ (Praça Saenz 
Peña) 
125 139 167 (18) 
66 - Rio de Janeiro/RJ (Santa Cruz) 121 132 172 (20) 
67 - Rio Grande/RS 121 204 222 (20) 
68 - Salvador/BA 108 122 145 (24) 
69 - Santa Maria/RS 114 122 145 (16) 
70 - Santa Maria Madalena/RJ 120 126 152 (7) 
71 - Santa Vitória do Palmar/RS 120 126 152 (18) 
72 - Santos/Itapema/SP 120 174 204 (21) 
73 - Santos/SP 136 198 240 
74 - São Carlos/SP 120 178 161 (10) 
75 - São Francisco do Sul/SC 118 132 167 (18) 
76 - São Gonçalo/PB 120 124 152 (15) 
77 - São Luiz/MA 120 126 152 (21) 
78 - São Luiz Gonzaga/RS 158 209 253 (21) 
79 - São Paulo/SP (Congonhas) 122 132 - 
 
 154 
 INTENSIDADE PLUVIOMÉTRICA (mm/h) 
LOCAL PERÍODO DE RETORNO (anos) 
 1 5 25 
80 - São Paulo/SP (Mirante Santana) 122 172 191 (7) 
81 - São Simão 116 148 175 
82 - Sena Madureira/AC 120 160 170 (7) 
83 - Sete Lagoas/MG 122 182 281 (19) 
84 - Soure/PA 149 162 212 (18) 
85 - Taperinha/PA 149 202 241 
86 - Taubaté/SP 122 172 208 (6) 
87 - Teófilo Otoni/MG 108 121 154 (6) 
88 - Teresina/PI 154 240 262 (23) 
89 - Terezópolis/RJ 115 149 176 
90 - Tupi/SP 122 154 - 
91 - Turiassu/MG 126 162 230 
92 - Uaupés/AM 144 204 230 (17) 
93 - Ubatuba/SP 122 149 184 (7) 
94 - Uruguaiana/RS 120 142 161 (17) 
95 - Vassouras/RS 125 179 222 
96 - Viamão/RS 114 126 152 (15) 
97 - VItória/RS 102 156 210 
98 - Volta Redonda/RJ 156 216 265 (13) 
 
 
Nota: 
a) Para locais não mencionados nesta Tabela, deve-se procurar correlação com dados 
dos postos mais próximos que tenham condições meteorológicas semalhantes às 
do local em questão. 
b) Os valores entre parênteses indicam os períodos de retorno, a que se referem as 
intensidades pluviométricas, em vez de 5 ou 25 anos, em virtude dos períodos de 
observação dos postos não terem sido suficientes. 
 
 
 
 
 155 
5.2.2 - ÁREA DE CONTRIBUIÇÃO 
 
 No cálculo da área de contribuição, além da área plana horizontal, deve-se 
considerar os incrementos devidos à inclinação da cobertura e às paredes que 
interceptem água de chuva que também deve ser drenada pela cobertura, tal como 
ilustrado na figura 5.1. 
 
5.2.3 - VAZÃO DE PROJETO 
 
 A vazão de projeto é calculada pela fórmula 
 
Q
IxA

60
 
Sendo, 
Q = Vazão de projeto, em l/min 
I = intensidade pluviométrica, em mm/h 
A = área de contribuição, em m2 
 
 
 
 
 156 
 
Figura 5.1 - INDICAÇÕES PARA CÁLCULOS DA ÁREA DE CONTRIBUIÇÃO 
 
5.2.4 - CALHAS 
 
 Quando a saída da calha estiver a menos de 4,00 m de uma mudança de 
direção, a vazão de projeto deve ser multiplicada pelos coeficientes da tabela 5.2. Os 
coeficientes de rugosidade dos materiais normalmente utilizados na confecção estão 
reproduzidos na tabela 5.3. 
 
Tabela 5.2 - COEFICIENTES MULTIPLICATIVOS DA VAZÃO DE PROJETO 
 
TIPO DE CURVA CURVA A MENOS DE 2 m DA 
SAÍDA DA CALHA 
CURVA ENTRE 2 E 4 m DA 
SAÍDA DA CALHA 
 
canto reto 
 
1,2 
 
1,1 
 
canto arredondado 
 
1,1 
 
1,05 
 
 
 157 
 Para o dimensionamento das calhas a NB 611/81 recomenda o emprego da 
fórmula de Manning-Strickler, ou qualquer outra equivalente da hidráulica. 
 
Q Kx
S
n
xR xih
2
3
1
2
 
 Sendo, 
Q = vazão de projeto, em l/min 
S = área de seção molhada, em m2 
n = coeficiente de rugosidade, conforme a tabela 5.3 
RH = S/P raio hidráulico, em m 
P = perímetro molhado, em m 
i = declividade da calha, em m/m 
K = 60.000 
 
 A tabela 5.4 permite o dimensionamento de calhas semicirculares cujos 
diâmetros foram calculados utilizando a fórmula de Manning-Strickler, com a lâmina 
d’água a meia seção do tubo. 
 
Tabela 5.3 - COEFICIENTE DE RUGOSIDADE 
 
MATERIAL n 
plástico, fibrocimento, aço, metais não ferrosos 
ferro fundido, concreto alisado, alvenaria revestida 
cerâmica, concreto não alisado 
alvenaria de tijolos não revestida 
0,011 
0,012 
0,013 
0,015 
 
Tabela 5.4 - CAPACIDADE DE CALHAS SEMICIRCULARES COM COEFICIENTE DE 
RUGOSIDADE 
n = 0,011 (Vazões em l/min) 
DIÂMETRO INTERNO DECLIVIDADE 
(mm) 0,5% 1% 2% 
100 130 183 256 
125 236 333 466 
150 384 541 757 
200 829 1167 1634 
 
 
 158 
 As calhas de concreto fundidas “in loco” em geral apresentam seção 
retangular, devido à facilidade de execução. Para o seu dimensionamento utiliza-se as 
equações da hidráulica. 
 
 Q = S V  equação da continuidade 
 
 V R x i n 23 /  equação de Manning 
 
Sendo, 
Q = vazão de projeto, em m3/s 
S = área da seção molhada, em m2 
V = velocidade de escoamento, em m/s 
R = raio hidráulico, em m 
i = declividade, em mm/m 
n = coeficiente de rugosidade. 
 
 A figura 5.2 ilustra uma calha de seção retangular. O cálculo do raio hidráulico 
é obtido dividindo-se a área molhada pelo perímetro molhado. 
 
R
axb
b a


( )
( )2
 
 
 A seção retangular mais favorável ao escoamento ocorre quando a base é o 
dobro da altura d’água no canal, isto é, para valores de b = 2a. 
 
 
 
 159 
 
Figura 5.2 - CALHA DE SEÇÃO RETANGULAR 
 
5.2.5 - CONDUTORES VERTICAIS 
 
 O dimensionamento dos condutores verticais pode ser feito com o emprego da 
tabela 5.5 que fornece o diâmetro do condutor e o valor máximo da área de telhado 
drenada pelo tubo. 
 
Tabela 5.5 - ÁREA MÁXIMA DE COBERTURA PARA CONDUTORES VERTICAIS DE SEÇÃO 
CIRCULAR 
 
DIÂMETRO NOMINAL 
DN (mm) 
ÁREA MÁXIMA DE COBERTURA 
(m2) 
 50 
 75 
100 
150 
 13,6 
 42,0 
 91,0 
275,0 
 
 
 
 160 
 O dimensionamento dos condutores verticais para grandes áreas é feito a partir 
dos seguintes dados: 
 
Q = vazão de projeto, em l/min. 
H = altura da lâmina d’água na calha, em mm. 
L = comprimento do condutor vertical, em m. 
 
 O diâmetro do condutor vertical é obtido através dos ábacos da figura 5.3 
confeccionado com dois desvios na base e coeficiente de atrito f = 0,04. O 
procedimento paraa utilização dos ábacos é o seguinte: 
 
1. Levanta-se uma perpendicular por Q até interceptar as curvas H e L 
correspondentes; caso não haja curvas nos valores de H e L, deve-se interpolar entre 
as curvas existentes; 
 
2. Transportar a interseção mais alta até o eixo D; 
 
3. Adotar o diâmetro nominal (DN) cujo diâmetro interno seja superior ou igual ao valor 
encontrado. 
 
Exemplo 5.1 
 
 Determinar o diâmetro do condutor vertical para as seguintes condições: 
 
. calha com saída em aresta viva 
. Vazão: Q = 1300 l/min 
. comprimento: L = 2,00 m 
. altura da lâmina d’água na calha: H = 80 mm 
 
 Com estes dados, no ábaco da figura 5.3a conclui-se que o condutor vertical 
deve ter DN 100. 
 
 
 161 
 
a) Calha com saída em aresta viva 
 
b) Calha com funil de saída 
 
Figura 5.3 - ÁBACOS PARA A DETERMINAÇÃO DE DIÂMETROS 
DE CONDUTORES VERTICAIS 
 
 162 
Exemplo 5.2 
 
 Qual o valor de DN para o condutor vertical de águas pluviais que atende as 
condições: 
 
. calha com funil de saída 
. Q = 1010 l/min 
. L = 6,00 m 
. H = 70 mm 
 
 No ábaco da figura 5.3b conclui-se que DN 75 atende às condições descritas. 
 
5.2.6 - CONDUTORES HORIZONTAIS 
 
 Para o dimensionamento dos condutores horizontais de seção circular 
emprega-se a fórmula de Manning-Strickler, com altura de lâmina d’água igual a 2/3 do 
diâmetro interno do tubo. A tabela 5.6 fornece o diâmetro interno dos condutores 
horizontais calculados com o emprego da fórmula recomendada. 
 
Tabela 5.6 - CAPACIDADE DE CONDUTORES HORIZONTAIS DE SEÇÃO CIRCULAR 
(vazões em l/min) 
DIÂMETR
O 
n = 0,011 n = 0,012 n = 0,013 
INTERNO 
(D) (mm) 
0,5% 1% 2% 4% 0,5% 1% 2% 4% 0,5% 1% 2% 4% 
50 32 45 64 90 29 41 59 83 27 38 54 76 
63 59 84 118 168 55 77 108 154 50 71 100 142 
75 95 133 188 267 87 122 172 245 80 113 159 226 
100 204 287 405 575 187 264 372 527 173 243 343 486 
125 370 521 735 1040 339 478 674 956 313 441 622 882 
150 602 847 1190 1690 552 777 1100 1550 509 717 1010 1430 
200 1300 1820 2570 3650 1190 1670 2360 3350 1100 1540 2180 3040 
250 2350 3310 4660 6620 2150 3030 4280 6070 1990 2800 3950 5600 
300 3820 5380 7590 10800 3500 4930 6960 9870 3230 4550 6420 9110 
 
 
 163 
Exemplo 5.3 
 
 Projetar e dimensionar o esgotamento pluvial para o telhado indicado na figura 
abaixo, sendo dados: 
 
. casa de dois pavimentos 
. intensidade pluviométrica: I = 160 mm/h 
. material empregado: PVC 
 
OBS.: DIMENSÕES EM m. 
 
 O telhado é simétrico, basta calcular para uma água. 
 
1) Área de contribuição 
Da figura 5.1 (b) tem-se a indicação para o cálculo da área de contribuição. 
A = (a + h/2) b 
A = (5 + 2/2) 15 
A = 90,00 m2 
 
2) Vazão de projeto 
Q = (I x A)/60 
Q = (160 x 90)/60 
 
 164 
Q = 240 l/min 
 
3) Calhas 
Da tabela 5.3 tem-se que o coeficiente de rugosidade para o PVC é igual a 0,011. O 
diâmetro da calha será determinado pela tabela 5.4, em função da vazão de 
projeto. 
Q = 240 l/min 
Na tabela 2.4, diâmetro 100 mm e declividade 2% ou diâmetro 125 mm e 
declividade 1%. 
 
4) Condutores verticais 
Podem ser analisadas duas situações: 
a) um condutor 
A = 90,00 m2 na tabela 5.5, DN 100 (na prática será adotado DN 75) 
b) dois condutores 
A = 90/2 = 45,00 m2 na tabela 5.5, DN 75. 
 
 
a) 1 condutor para cada água b) 2 condutores para cada água 
 
 165 
 
 Outro processo para o dimensionamento dos condutores verticais, muito 
utilizado na prática, é fixar o diâmetro e calcular o número de condutores necessários 
em função da água a ser esgotada. 
 
5) Condutores horizontais e caixas 
Os condutores verticais deságuam nas caixas de inspeção e a interligação destas 
caixas é feita através dos condutores ou redes horizontais que devem ser 
dimensionadas para drenar também o piso das áreas externas da edificação. 
Para o caso ilustrado em b, temos 
 
 
OBS.: DIMENSÕES EM m. 
 
 A área de contribuição para cada caixa é de, aproximadamente, 94,00 m2 e a 
vazão correspondente é: 
 
Q = (160 x 94)/60 = 250 l/min 
 
O dimensionamento é feito por trechos utilizando a tabela 5.6. 
 
 166 
 
Trecho CI 1 a CI 3 é igual ao trecho CI 2 a CI 4 com a vazão de 250 l/min, na tabela 
5.6 encontra-se o diâmetro 100 mm e declividade mínima de 1%. 
 
Trecho CI 4 a CI 3 
 
A área de contribuição é 188,00 m2 e a vazão correspondente é de 500 l/min, 
encontrando-se na tabela 5.6 o diâmetro 125 mm com declividade de 1%. 
 
Trecho CI3 à rede pluvial 
 
Este trecho esgota toda a área de 375,00 m2, cuja vazão é 1000 l/min e o que leva a 
um diâmetro de 150 mm e declividade de 2%. 
 
Terminado o dimensionamento, anota-se no desenho os valores encontrados. 
 
 
 
 167 
5.2.7 - CAIXA DE AREIA E CAIXA DE INSPEÇÃO 
 
 É uma caixa detentora de areia e/ou de inspeção que permite a junção de 
coletores, mudança de seção ou mudança de declividade e de direção. 
 As caixas de areia e/ou de inspeção, deverão ser executadas em anéis de 
concreto, alvenaria de tijolo maciço ou blocos de concreto, com paredes mínimas de 
0,10m quando feitas no local. A caixa de areia é empregada quando ocorre a 
possibilidade do arrastamento de lama e de areia para a tubulação, em caso contrário, 
é suficiente o emprego da caixa de inspeção. A figura 5.4 ilustra uma caixa de areia e 
uma caixa de inspeção, ambas dotadas de grelha. 
 Pode-se adotar também a caixa coletora de águas pluviais ilustrada na figura 
5.5, com enchimento de brita e cascalho, no mesmo nível do piso ou acima deste com 
altura variável a critério do projetista. Nestes casos os condutores verticais podem ser 
substituídos por correntes que são usadas para direcionar o fluxo da água. 
 As caixas de areia ou de inspeção deverão ter: 
- seção circular de 0,60m de diâmetro ou quadrada de 0,60m de lado, no mínimo; 
- profundidade máxima de 1,00m; 
- distância máxima entre as caixas de 20,00m. 
 
 
 
Figura 5.4.a - CAIXA DE AREIA 
 
 
 168 
 
Figura 5.4.b - CAIXA DE INSPEÇÃO 
 
 
OBS.: DIMENSÕES EM mm. 
 
Figura 5.5 - CAIXA COLETORA DE ÁGUA PLUVIAL

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