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1 
 
Disciplina: Teoria do currículo 
Autora: M.e Kellin Cristina Melchior Inocêncio 
Revisão de Conteúdos: M.e Leandra Martins 
Designer Instrucional: Sérgio Antonio Zanvettor Júnior 
Revisão Ortográfica: Esp. Alexandre Kramer Morgentem 
Ano: 2020 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Copyright © - É expressamente proibida a reprodução do conteúdo deste material integral ou de suas
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Marketing da Faculdade UNINA. O não cumprimento destas solicitações poderá acarretar em cobrança
de direitos autorais.
 
2 
 
Kellin Cristina Melchior Inocêncio 
 
 
 
 
 
Teoria do currículo 
1ª Edição 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2020 
Curitiba, PR 
Faculdade UNINA 
 
3 
 
Faculdade UNINA 
Rua Cláudio Chatagnier, 112 
Curitiba – Paraná – 82520-590 
Fone: (41) 3123-9000 
 
 
 
 
 
Coordenador Técnico Editorial 
Marcelo Alvino da Silva 
 
Conselho Editorial 
D.r Alex de Britto Rodrigues / D.ra Diana Cristina de Abreu / 
D.r Eduardo Soncini Miranda / D.ra Gilian Cristina Barros / 
D.r João Paulo de Souza da Silva / D.ra Marli Pereira de Barros Dias / 
D.ra Rosi Terezinha Ferrarini Gevaerd / D.ra Wilma de Lara Bueno /
D.ra Yara Rodrigues de La Iglesia 
 
Revisão de Conteúdos 
Leandra Martins 
 
Designer Instrucional 
Sérgio Antonio Zanvettor Júnior 
 
Revisão Ortográfica 
Alexandre Kramer Morgentem 
 
Desenvolvimento Iconográfico 
Juliana Emy Akiyoshi Eleutério 
 
 
FICHA CATALOGRÁFICA 
INOCÊNCIO, Kellin Cristina Melchior. 
Teoria do currículo / Kellin Cristina Melchior Inocêncio. – Curitiba: Faculdade 
UNINA, 2020. 
94 p. 
ISBN: 978-65-990214-4-2 
1. Dinamização. 2. Organização. 3. Planejamento. 
Material didático da disciplina de Teoria do currículo – Faculdade UNINA, 2020. 
Natália Figueiredo Martins – CRB 9/1870 
 
4 
 
PALAVRA DA INSTITUIÇÃO 
 
Caro(a) aluno(a), 
Seja bem-vindo(a) à Faculdade UNINA! 
 
 Nossa faculdade está localizada em Curitiba, na Rua Cláudio Chatagnier, 
nº 112, no Bairro Bacacheri, criada e credenciada pela Portaria nº 299 de 27 de 
dezembro 2012, oferece cursos de Graduação, Pós-Graduação e Extensão
Universitária. 
 A Faculdade assume o compromisso com seus alunos, professores e 
comunidade de estar sempre sintonizada no objetivo de participar do 
desenvolvimento do País e de formar não somente bons profissionais, mas 
também brasileiros conscientes de sua cidadania. 
 Nossos cursos são desenvolvidos por uma equipe multidisciplinar 
comprometida com a qualidade do conteúdo oferecido, assim como com as 
ferramentas de aprendizagem: interatividades pedagógicas, avaliações, plantão 
de dúvidas via telefone, atendimento via internet, emprego de redes sociais e 
grupos de estudos o que proporciona excelente integração entre professores e 
estudantes. 
 
 
 Bons estudos e conte sempre conosco! 
 Faculdade UNINA 
 
 
 
 
5 
 
Sumário 
Prefácio.......................................................................................................... 07 
Aula 1 – O currículo ....................................................................................... 08 
Apresentação da Aula 1 ................................................................................ 08 
 1.1 - Concepções e histórico do currículo ............................................... 08 
 1.2 - Aspectos históricos e culturais que permeiam o currículo ............... 12 
 1.3 - As dimensões da reflexão, da estratégia e da ação no currículo .... 14 
Conclusão da aula 1 ...................................................................................... 16 
Aula 2 – Caracterização e fundamentos do currículo ..................................... 17 
Apresentação da aula 2 ................................................................................. 17 
 2.1 - Caracterização e fundamentos do currículo .................................... 17 
 2.2 - Como pode ser visto, vivido e caracterizado um currículo? ............. 19 
 2.3 - Os fundamentos curriculares .......................................................... 22 
 2.4 - Analisando e refletindo sobre o currículo como proposta ................ 23 
Conclusão da aula 2 ...................................................................................... 26 
Aula 3 – Processo metodológico da organização curricular ........................... 27 
Apresentação da aula 3 ................................................................................. 27 
 3.1 - Refletindo sobre a organização curricular ....................................... 27 
 3.2 - O currículo disciplinar linear ............................................................ 30 
 3.3 - O currículo integrado ...................................................................... 32 
 3.4 - Regime seriado e regime ciclado .................................................... 33 
 3.5 - O Projeto Político Pedagógico na organização curricular .............. 36 
Conclusão da aula 3 ...................................................................................... 38 
Aula 4 – A relação entre currículo e cultura escolar ....................................... 38 
Apresentação da Aula 4 ................................................................................ 38 
 4.1 - A cultura e a cultura escolar ............................................................ 38 
 4.2 - As diversas influências sobre a cultura escolar ............................... 42 
 4.3 - Cultura escolar e o currículo ........................................................... 43 
Conclusão da aula 4 ...................................................................................... 45 
Aula 5 – O currículo e a organização do trabalho pedagógico ........................ 46 
Apresentação da aula 5 ................................................................................. 46 
 5.1 - A gestão democrática e o currículo ................................................. 46 
 5.2 - A sala de aula, o professor e o currículo ......................................... 49 
 5.3 - O currículo tradicional ..................................................................... 51 
 5.4 - O currículo escolanovista ............................................................... 53 
 
6 
 
 5.5 - O currículo tecnicista ...................................................................... 55 
Conclusão da aula 5 ...................................................................................... 57 
Aula 6 – O currículo, a escola e algumas políticas que o embasam ............... 58 
Apresentação da aula 6 ................................................................................. 58 
 6.1 - A escola brasileira e a equidade ..................................................... 58 
 6.2 - A relevância das políticas curriculares ............................................ 61 
 6.3 - PCN – (Parâmetros Curriculares Nacionais) ................................... 63 
 6.4 - RCN – (Referencial Curricular Nacional) ........................................ 66 
 6.5 - Uma escola sem políticas curriculares: é possível? ........................ 68 
Conclusão da aula 6 ...................................................................................... 70 
Aula 7 – O currículo como construção do conhecimento ............................... 71 
Apresentação da aula 7 ................................................................................. 71 
 7.1 - Concepções e perspectivas curriculares: as opções teóricas ......... 71 
 7.2 - Vamos falar sobre o processo de conhecimento? ........................... 74 
 7.3 - Quais as relações que existem entre a construção do 
conhecimento e o currículo? ..........................................................................a cultura escolar e o 
currículo. Nesse pensamento precisamos compreender que a escola é um 
ambiente riquíssimo de cultura e que, necessariamente, a comunidade escolar 
contribui para a aquisição e transformações culturais, relacionando assim a 
comunidade, a comunicação entre ela e a instituição, a escola e o sistema 
educativo, bem como as práticas escolares. 
 
 
40 
 
 Importante
A cultura escolar envolve diversos e significativos aspectos que vão muito além 
de questões burocráticas e de conteúdo para a formação da criança. A escola é 
composta pelos programas curriculares e educacionais que determinam e 
orientam as questões que envolvem o processo de ensino-aprendizagem, assim, 
naturalmente, a formação global do educando e, também a cultura que envolve 
diretamente os resultados atingidos por ações realizadas pela instituição escolar, 
colocando assim a cultura escolar como indispensável ao homem moderno e 
que vive em uma sociedade democrática e ativa. 
 
Nessa perspectiva, a escola seguramente se relaciona com uma cultura 
social e, até mesmo, com um cunho maternal e assistencial. Mas isso não 
significa que ela deixe de ser escola, de ser uma instituição de educação formal, 
para então, tornar-se uma organização social. Por isso, é relevante que 
tenhamos sempre em mente que a cultura está diretamente relacionada as 
ações que acontecem diariamente no chão da escola, contemplando as 
estratégias e desenvolvimento dentro e fora da sala de aula, independentemente 
de estarem relacionadas a um ou outro aspecto escolar, ou seja, a gestão, a sala 
de aula, ao currículo e assim sucessivamente, uma vez que contemple as 
estratégias 
Nessa vertente, a cultura escolar se distancia de uma função meramente 
de englobar os distintos valores, mas sim englobar as ideias e as diferentes 
maneiras de planejar, fazer, recriar e refazer a escola como um todo, envolvendo 
toda a comunidade escolar, além dos aspectos sociais, afetivos, emocionais e
dos conteudistas. Da mesma maneira, a comunicação, não somente oral, mas 
as diversas maneiras de se comunicar no ambiente escolar, estão inclusas nesse 
processo cultural da educação, abrangendo os discursos e, até mesmo, os 
pensamentos e as ações. Dessa forma caro aluno, esse comunicar, pensar, 
planejar, agir e reconstruir estão interligados com a educação formal e com todo 
o processo de ensino, alterando as relações e construções sociais. 
 
 
 
41 
 
 Saiba mais 
Vamos aprofundar os conhecimentos adquiridos até o momento lendo o livro 
Escola e Cultura: as bases sociais e epistemológicas do conhecimento escolar 
de Jean-Claude Forquin. 
 
Outro ponto significativo, é observarmos que alguns autores se diferem 
quanto a concepção de cultura escolar, porém, há pontos que, seguramente se 
entrelaçam. Vamos acompanhar na tabela abaixo a visão de dois relevantes 
autores e estudiosos dessa temática: 
 
 
Cultura escolar segundo 
Viñao Frago 
(1998, p. 169) 
Ideias, pautas e práticas relativamente 
consolidadas, como modo de hábitos. Os 
aspectos organizativos e institucionais 
contribuem [...] a conformar uns ou outros 
modos de pensar e atuar e, por sua vez, estes 
modos conformam as instituições num outro 
sentido. 
 
Cultura escolar segundo
Forquin 
(1993, p. 168) 
Conjunto de características do cotidiano. A 
cultura escolar é o mundo humanamente 
construído, mundo das instituições e dos signos 
no qual, desde a origem, se banha o indivíduo 
humano, tão somente por ser humano, e que 
constitui como que sua segunda matriz. 
As diferentes visões de cultura escolar 
Fonte: elaborado pelo autor (2017), adaptado pelo DI (2019). 
 
Dessa maneira, é possível perceber que tudo aquilo que permeia o 
ambiente escolar, que gera comunicação, que se relaciona com as atividades 
dos partícipes da educação e que, naturalmente, interfere na construção e 
reconstrução das relações estabelecidas na instituição escolar e também nos 
processos de ensino-aprendizagem, se entrelaçam a cultura e, certamente, as 
questões curriculares que permeiam a educação básica.
 
 Saiba mais
A cultura escolar organiza didaticamente a base que trabalham professores e 
alunos? Isso mesmo! Esse pensamento também é embasado nos aportes 
teóricos de Forquin (1993), e, envolvem, seguramente, a cultura humana, 
 
42 
 
científica e de massas. E a escola nesse envolvimento coletivo se transforma por 
meio de seus processos pedagógicos, determinado como mundo social da 
escola. O mundo social da escola, por sua vez, é o conjunto de “características
de vida próprias, seus ritmos e ritos, sua linguagem, seu imaginário, seus modos 
próprios de regulação e de transgressão, seu regime próprio de produção e de 
gestão de símbolos” (FORQUIN, 1993, p. 167). 
 
4.2 As diversas influências sobre a cultura escolar 
 
Seguindo acerca do currículo e a cultura escolar, embasados em um 
conceito de cultura escolar que se entrelaça com as questões históricas e 
também com as normativas curriculares, bem como com a relação entre teoria e 
prática e as relações sociais que permeiam a escola, pode-se, seguramente,
perceber que há influências significativas que interferem na cultura do ambiente 
escolar, afinal, ela é um conjunto, a soma de vários fatores que se entrelaçam e 
permitem a troca e a construção de saberes acadêmicos, experiências empíricas 
e os envolvimentos comportamentais. A tabela abaixo explanará alguns 
aspectos que exercem influência sobre a cultura escolar, conforme transcritas 
acima: 
 
 
CULTURA CRÍTICA
Alta cultura ou cultura intelectual, o conjunto de 
significados e produções que, nos diferentes âmbitos do 
saber e do fazer, os grupos humanos foram acumulando 
ao longo da história. 
 
CULTURA SOCIAL 
Conjunto de significados e comportamentos 
hegemônicos no contexto social, composto por valores, 
normas, ideias, instituições e comportamentos que 
dominam os intercâmbios humanos em sociedades 
formalmente democráticas, regidas pelas leis do livre 
mercado e percorridas e estruturadas pela onipresença 
dos poderosos meios de comunicação de massa. 
 
CULTURA 
INSTITUCIONAL 
As tradições, os costumes, as rotinas, os rituais e as 
inércias que a escola estimula e se esforça em 
conservar e reproduzir condicionam claramente o tipo 
de vida que nela se desenvolve e reforçam vigência de 
valores. 
 
CULTURA 
EXPERIENCIAL 
Configuração de significados e comportamentos que os 
alunos e alunas elaboram de forma particular, induzido 
por seu contexto, em sua vida prévia e paralela à escola, 
mediante os intercâmbios “espontâneos” com os meios
familiares e sociais que rodeiam a sua existência. 
 
 
CULTURA ACADÊMICA 
Desde o currículo como transmissão de conteúdos 
disciplinares selecionados externamente à escola, 
desgarrados das disciplinas científicas e culturais, 
 
43 
 
organizados em pacotes didáticos e oferecidos 
explicitamente de maneira prioritária e quase exclusiva 
pelos livros-didáticos, ao currículo como construção e 
elaboração compartilhada no trabalho escolar por 
docentes e estudantes. 
A influências sobre a cultura escolar 
Fonte: elaborado pelo autor (2017), embasado na obra de Pérez-Gomez (2001), 
adaptado pelo DI (2019). 
 
Com embasamento nos conceitos propostos por Pérez-Gomez (2001), é 
possível perceber que diferentes aspectos culturais interferem de maneira ativa 
e significativa na cultura escolar, alguns com maior influência e outros com 
menor, porém, todos, a sua maneira, interferem e, naturalmente caro aluno, 
alteram questões comportamentais e curriculares que envolvem o espaço 
escolar. 
 
4.3 Cultura escolar e o currículo 
Agora, prezado estudante, que já exploramos e conceituamos a temática 
da cultura escolar, vamos adentrar em particularidades significativas que 
envolvem o currículo e a cultura. Perceba que a cultura escolar se relaciona com 
tudo o que faz parte da escola e, também, com a sociedade. 
 
Reflita 
Será que ela, direta ou indiretamente, estáagregada às questões curriculares?
É preciso refletirmos e então, de fato, constataremos uma resposta afirmativa. 
Seguindo esse pensamento, vamos nos remeter a escola básica brasileira que 
temos hoje. Reflita: “De qual maneira a cultura escolar influência nas questões 
curriculares ou, indo mais adiante, a cultura escolar embasa transformações 
curriculares”? Percebeu como uma questão está entrelaçada a outra? É nítida a 
relação que a cultura escolar e o currículo escolar se estabelecem. 
 
Pensando em nosso país, nas diferentes culturas e nas particularidades 
de cada região, somos um país riquíssimo culturalmente e, igualmente, essa 
pluralidade se reflete em diversos ambientes e, seguramente, no espaço da 
educação formal e, mais precisamente, dentro da sala de aula. Essa imensidão 
cultural interfere de maneira muito significativa nas questões curriculares e, de 
 
44 
 
fato, interferem no trabalho docente, gerando grandes desafios diários dentro da 
escola. 
Mas caro aluno, certamente há um outro olhar para a mesma situação que 
é justamente utilizar dessa pluralidade cultural para contemplar um currículo que 
auxilie na reflexão e nas transformações didático-pedagógicas, capaz de 
interferirem positivamente na formação integral do aluno da educação básica 
brasileira. 
Pensando nessa junção de currículo, escola, cultura e formação integral 
do aluno, é relevante que consideremos o currículo como um leque de opções,
oportunidades e possibilidades culturais, envolvendo práticas que realmente 
tenham significado para o educando. Assim, caro estudante, naturalmente o 
currículo abordará diversas questões que vão além das conteudistas, passando 
pelo âmbito social, econômico e até mesmo, político. 
Seguindo esse pensamento, prezado estudante, pode-se nos certificar de 
que o currículo é essencial no processo cultural do aluno, pois ele permite essa 
relação significativa entre a escola, os saberes empíricos e os espaços sociais e 
culturais de maneira global, auxiliando na construção de seus valores e sua 
própria identidade. Assim, pode-se acreditar que pelo currículo as diversas 
culturas são manifestadas e o currículo nessa condição, não pode assumir um 
papel de transmissor, mas sim, de reprodutor de cultura, cultura social e cultura 
escolar. 
O currículo, prezado estudante, deve ser analisado nessa vertente, como 
aquele capaz de orientar e reconhecer as identidades culturais, mesmo dentro 
de uma significativa diversidade. Afinal, todos que adentram à escola já chegam 
com suas culturas pré-determinadas e, consequentemente, desenvolverão 
outras culturas escolares. O currículo norteia todo esse processo, sobretudo, ao 
proporcionar situações que favoreçam a construção da identidade cultural de 
todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, ou seja, não somente 
ao aluno, mas também ao corpo docente e demais funcionários da instituição. 
Observe a imagem abaixo, ela nos permite compreender as relações 
estabelecidas entre o currículo e a cultura: 
 
 
45 
 
 
Currículo e cultura 
Fonte: elaborado pelo autor (2017), adaptado pelo DI (2019). 
 
Seguindo com os processos que envolvem a cultura, social e escolar, 
juntamente com o currículo e, realizando uma análise de situações já 
presenciadas no processo de escolarização, bem como de ensino-
aprendizagem, ficou nítido a necessidade da escola realmente valorizar a 
cultura, as experiências que acontecem fora dos muros escolares e, sobretudo, 
relaciona-las com os conteúdos e com as práticas metodológicas e curriculares, 
justamente para auxiliar o educando em sua formação global, bem como, uma 
maneira de respeitar esse aluno e suas particularidades, além, é claro, das 
relações essenciais nos processos socioculturais e histórica que evolve nosso 
país. 
Dessa maneira, não pode-se separar cultura do currículo cultura escolar 
do respeito e valorização ao educando. São duas situações que se entrelaçam 
ao longo de todo o processo escolar e que não devem se dissociar. A cultura, 
oriunda da sociedade e do meio, auxiliam na construção da cultura escolar e, por 
meio do currículo e de suas determinações, constroem a formação do aluno. 
 
Conclusão da aula 4 
 
Em nossa aula, conhecemos sobre diversas particularidades que 
envolvem o termo cultura, bem como as suas influências. Conseguimos 
Curriculo
Valores
Cultura
Comunidade
Escola
 
46 
 
compreender diversas especificidades e explorar novas temáticas que, 
certamente, enriqueceram nossa compreensão sobre a disciplina de Teoria do 
Currículo. 
 
Atividade de aprendizagem
Antonio Nóvoa é um crítico e estudioso de alguns aspectos que envolvem a 
educação. Sugiro que você assista ao vídeo em que ele fala da cultura escolar, 
Do reforço da cultura escolar à educação como espaço público. Entrelace os 
principais apontamentos com os conteúdos que vimos na aula de hoje. 
Disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=W4iNrDTqEQ0 
 
 
 
 
Aula 5 – O currículo e a organização do trabalho pedagógico 
 
Apresentação da aula 5 
 
Caro aluno, vamos seguindo a busca de construir sólidos e significativos 
aprendizados acerca do currículo e de todas as particularidades que envolvem 
nossa disciplina. Dessa maneira, percebemos que o currículo é o centro de 
grandes estudos e discussões e, por que não afirmar, que é ele quem “semeia”
e “permeia” diversas e significativas mudanças no ambiente escolar? Ressalto
que o mesmo não se refere apenas a questões conteudistas, mas também
envolve os aspectos históricos, sociais, políticos, econômicos e culturais. 
Assim, conforme Moreira e Silva (2002), o currículo se constitui em uma 
arena política e contestada, ou seja, ele juntamente com as políticas públicas 
educacionais serve como embasamento para a estrutura social, agregando 
valores e a cultura social, orientando, muitas vezes o quê e como deve ser 
ensinado. 
 
5.1 A gestão democrática e o currículo 
 
Pode-se então perceber que a construção de um currículo refere-se a 
diversos aspectos, como conteúdos básicos e obrigatórios, passando da esfera 
 
47 
 
formal de “ensinar” e adentrando às questões de cunho social, envolvendo uma 
intensa diversidade de valores relacionando à visão de mundo, à cultura, as 
ideologias e à formação dos sujeitos envolvidos no processo de ensino-
aprendizagem, seguindo para os recursos, embasamento teórico, infraestrutura, 
livros didáticos, as políticas públicas educacionais e tantas outras 
especificidades que permeiam o currículo, a escola, os docentes e discentes, a 
sociedade e todo o processo de aprender e ensinar. 
Ao pensarmos em currículo e toda essa esfera que o cerca, é inevitável 
não nos atermos às teorias que cada instituição constrói como verdade absoluta, 
utilizada muitas vezes com modelos engessados e não passíveis de 
modificações e melhorias, além das políticas públicas educacionais com 
sistemas de avaliação e diretrizes normativas. 
 
Reflita 
Onde fica o aluno e sua realidade? Sua criticidade? Seu senso para atuar na 
sociedade, ser crítico e reflexivo? Será ele uma “simples” peça que compõe o 
ensino e que deve, como tal, se adaptar a tantas teorias da educação? 
 
Nesse rico contexto do currículo nos deparamos com a gestão 
democrática. Afinal, qual a relação dessa forma de fazer gestão com o currículo 
escolar? A possibilidade dos profissionais da educação em questionarem 
colocando suas posições e opiniões, sabendo o que, para quê e por que tornam-
se essenciais, isso é possível com as políticas públicas educacionais, com o 
currículo vigente e com as ideologias de cada instituição escolar? 
As questões que permeiam a formação integral do sujeito correlacionam 
à existência de uma gestão democrática à um modelo de gestão que permita 
questionamentos e interferências e que leve em consideração o ser histórico, 
social e cultural do sujeito e do saber. Veja abaixo a figura que nos orienta quanto 
à relevânciada gestão democrática para a formação integral do aluno: 
 
 
48 
 
 
Gestão democrática 
Fonte: autor (2017), adaptado pelo DI (2019). 
 
Assim, conseguimos perceber que a gestão democrática envolve outros 
aspectos que influenciam na formação do aluno, inclusive pela participação nos 
conselhos, pela autonomia e a valorização dos sujeitos partícipes no processo 
de ensino-aprendizagem. Seguindo em nossa exploração acerca da gestão 
democrática e do currículo, pode-se perceber que todo esse cenário permite que 
o educando passe a ser sujeito ativo no processo de ensino-aprendizagem, 
conforme Paro (2008) menciona, “a aquisição do saber historicamente 
acumulado só se dá na escola”, porém, para isso é necessário que o aluno não 
seja tomado apenas como objeto, mas também como sujeito da educação”. 
 
 Importante
É preciso articular a gestão democrática aos processos de ensino-
aprendizagem, ao currículo, aos parâmetros obrigatórios que permeiam a 
educação, sobretudo as políticas públicas educacionais e a formação crítica 
integral dos educandos. E, para tal fato, os professores, como ativos e sujeitos 
partícipes da construção de uma educação de qualidade, bem como da maneira 
de gerir os currículos na prática, tornam-se essenciais, sobretudo, em sua 
atuação em sala de aula, bem como em suas opiniões referente ao currículo. 
 
 
 
GESTÃO DEMOCRÁTICA
AUTONOMIA
TRANSPARÊNCIA
VALORIZAÇÃO DOS 
SUJEITOS 
PARTICIPAÇÃO
(Conselhos)
 
49 
 
5.2 A sala de aula, o professor e o currículo 
 
 
Fonte: http://2.bp.blogspot.com/-P9JKUqS_QnE/UU9nOpIFuII/AAAAAAAAADE/A7FN 
4-FIv-k/s1600/232.jpg 
 
Nesse contexto devemos então, caro estudante, perceber que os 
aspectos descritos acima interferem ao processo didático, modificam as teorias 
e suas aplicações, envolvendo a sala de aula e o currículo, afinal, estamos nos 
referindo a conceitos de ensinar, de aprender, de método, de ação docente, de 
processo avaliativo e outros sistemas que compõem o processo de ensino-
aprendizagem, que, diretamente, influenciam a formação do sujeito e a forma de 
se relacionar com os elementos básicos que constituem o currículo. Pensando 
exatamente nesse cenário e nessa afirmativa, remetemos aos estudos de 
Moreira e Candau acerca do currículo, veja: 
Estamos entendendo currículo como as experiências escolares que se
desdobram em torno do conhecimento, em meio a relações sociais, e 
que contribuem para a construção das identidades de nossos/as 
estudantes. Currículo associa-se, assim, ao conjunto de esforços 
pedagógicos desenvolvidos com intenções educativas. (MOREIRA; 
CANDAU, 2008, p. 18). 
 
 
50 
 
 
Fonte: http://3.bp.blogspot.com/-_dn1c-La4Ww/UH386FhTwEI/AAAAAAAAAC0/pJm7n 
wTZi7k/s1600/nuvem_curriculo.jpg 
 
Nesse contexto, ao nos referirmos à sala de aula e ao currículo, 
inevitavelmente estamos buscando compreender o currículo em seus desafios e 
possibilidades de construção, envolvendo aspectos sólidos e complexos. O 
cotidiano escolar aponta o professor como aquele que sabe utilizar técnicas e 
métodos de ensino e que domina o saber acadêmico, porém, a sala de aula vai 
muito além de como é visto o professor, por isso, ela torna-se um espaço tão 
significativo, ao ponto de considerarmos essencial na busca e construção das 
relações pessoais, interpessoais, coletivas e de aprendizado, ou seja, envolve 
os aspectos curriculares de uma educação formal e informal, da formação 
totalitária do sujeito como partícipe de um currículo crítico. 
É válido ressaltar que o currículo juntamente com as políticas públicas 
direciona uma série de questões para a educação em relação as colocando 
normas, ações, práticas docentes, diretrizes e tendências de trabalho em busca 
da educação de qualidade, que, conforme informado anteriormente, permitem, 
por meio das perspectivas e teorias pedagógicas, adequações tanto na atuação 
do professor em sala, de aula, como no currículo como um todo. 
Quando colocamos a sala de aula justaposta ao currículo, os objetivos, os 
conteúdos, as metodologias, as didáticas, as ações e as avaliações não se 
separam. Não há como pensar em currículo, educação e sala de aula sem 
analisar os aspectos descritos acima, eles compõem, quase que em sua 
 
51 
 
totalidade, o processo de aprendizagem, com o desenvolvimento de diversos 
projetos e metas que permeiam a normatização para a educação. A didática 
utilizada em sala de aula é um dos norteadores e relevantes que englobam esse 
cenário: 
 
A didática é reflexivo-aplicativa que se ocupa dos processos de 
formação em contextos deliberadamente organizados com vistas ao 
crescimento pessoal e desenvolvimento social. Esses crescimento 
e desenvolvimento se manifestam ante as mudanças em 
conhecimentos, habilidades ou atitudes, assim como na melhora 
das condições. Esses ideais se operacionalizam formalmente 
mediante propostas curriculares nas quais se concretizam as 
intenções, os conteúdos, os métodos, os recursos e a avaliação, 
adaptando-as aos contextos e aos sujeitos. (TORRE, 1993, p.7). 
 
Nesse viés, a construção do currículo em sala de aula torna-se um imenso 
desafio ao professor, sobretudo aquele que pretende contribuir para a formação 
totalitária, que leva o educando ao pensamento crítico, colocando em prática um 
trabalho docente em uma vertente crítica e emancipatória. 
Dessa maneira, fica constatado a relevância da sala de aula, da 
dialogicidade e da relação professor e aluno para a construção do currículo com 
indícios de autonomia e emancipação. 
 
5.3 O currículo tradicional 
 
Um dos mais relevantes níveis de concretização de um currículo está 
ligado diretamente à sala de aula e à sua aplicação. Nesse ponto, relacionamos 
o currículo a diversos aspectos, como a função do aluno, do professor, da escola, 
da metodologia e da avaliação. Além desses aspectos, não pode-se deixar de 
mencionar as interferências externas, como os aspectos históricos, políticos e 
econômicos que permeiam o tempo e o espaço. Algumas concepções permeiam 
os currículos, denominadas conservadoras, além disso, encontram-se as teorias 
tradicionais, escolanovista e tecnicista, em que os elementos didáticos e 
metodológicos influenciaram desde muito tempo e deixaram suas influências até 
a contemporaneidade. 
Quando remetemos ao currículo tradicional, pensamos de imediato em 
questões conteudistas, pensando sempre no acúmulo de conhecimento e 
levando o currículo a ser uma imensa lista dos conteúdos que devem ser 
 
52 
 
transmitidos aos alunos, por meio do conhecimento do professor. Esse modelo 
tradicional de currículo nos remete a Paulo Freire e à sua educação bancária, 
sendo os alunos uma tabula rasa pronta para receber conhecimentos, sem 
refleti-los, sem dialogicidade, sem comunicação e sem troca, apenas recebe-los. 
Abaixo você poderá visualizar algumas especificidades que permeiam o 
currículo na concepção tradicional: 
 
ALUNO 
➢ Ser receptivo e passivo; 
➢ Depósito de informações, conhecimentos e fatos cabe 
a ele acumular as informações; 
➢ Repete informações a outros que ainda não as 
possuem; 
➢ Remete ao processo de educação bancária 
apresentado por Paulo Freire. 
PROFESSOR 
➢ Autoritário, severo, rigoroso e objetivo; 
➢ Tem o conhecimento como absoluto e inquestionável; 
➢ Mediador entre o aluno e os modelos; 
➢ Detentor da metodologia, conteúdo, avaliação e forma 
de interação na aula. 
METODOLOGIA 
➢ A ênfase ao ensinar não obriga o aprender; 
➢ Fundamenta-se em quatro pilares: escute, leia, 
memorize e repita; 
➢ Privilegia a lógica, a sequenciação e a ordenação dos 
conteúdos; 
➢ Ensino centrado no professor; aula expositiva; o 
professor é o agente e o aluno é o ouvinte; 
➢ A educação é um produto; 
➢ Tarefas padronizadas, implicando recorrer-se à rotina 
para se conseguir a fixação de 
conhecimentos/conteúdos/informações. 
AVALIAÇÃO 
➢ Busca respostas prontas e não possibilita a formulação 
de perguntas; 
➢ Envolve areprodução dos conteúdos propostos, 
valorizando a memorização, a repetição e a exatidão; 
➢ Visa a exatidão da reprodução do conteúdo. Provas, 
exames, chamadas orais e exercícios;
ESCOLA 
➢ Ambiente físico austero, conservador e cerimonioso; 
➢ Tem como função preparar intelectual e moralmente; 
➢ Seu compromisso social é a reprodução da cultura; 
➢ Local de apropriação do conhecimento. 
Particularidades do currículo tradicional 
Fonte: elaborado pelo autor (2017), adaptado pelo DI (2019). 
 
Assim caro aluno, após explorarmos a tabela acima descrita e 
observarmos atentamente tais características, nos deparamos também com a 
 
53 
 
atualidade. É perceptível que o currículo tradicional ainda se encontra presente 
em muitas instituições escolares da contemporaneidade. Vamos conhecer 
outras particularidades curriculares? 
 
5.4 O currículo escolanovista 
 
 Nesse tópico adentraremos nas especificidades do currículo 
escolanovista. Veja, para iniciar esse novo tema é preciso refletir sobre o 
significado de escolanovista, afinal, a que esse termo se refere? Quando ele 
surgiu e por qual motivo se originou? São indagações essenciais que nos levam 
a refletir sobre concepções da educação contemporânea. O movimento, 
denominado Escola Nova, foi o grande percursor do currículo escolanovista, 
visando a modificação de alguns aspectos oriundos da escola que traziam sua 
concepção e currículo fundamentados no tradicionalismo. As ideias da Escola 
Nova surgiram com o filósofo norte americano, John Dewey, que via a educação 
como uma necessidade social. E foi essa ideia de Dewey que influenciou, na 
década de 1882, as ideias de uma nova forma de fazer a escola brasileira. 
 
 Mídias 
Assista ao vídeo sobre Dewey, seu movimento, a mudança de foco entre ensinar 
e aprender, professor e aluno, sua visão, a Democracia e a educação, disponível 
no link: https://www.youtube.com/watch?v=ebATm489IiQ 
 
Com o avanço cronológico atingindo a década de 1932, no governo de 
Getúlio Vargas, surge de maneira efetiva, por meio do Manifesto dos Pioneiros, 
o movimento de renovação da educação brasileira, denominado 
“Escolanovismo”. Nesse período histórico o Brasil sofria transformações
políticas, econômicas e sociais, consideradas relevantes, como por exemplo o 
início do processo de urbanização, pelo progresso industrial e, 
consequentemente, econômico. Tal situação ainda sem um planejamento 
adequado gerou conflitos e desordens sociais e políticas, interferindo, inclusive, 
na sociedade civil e na educação. 
 
54 
 
Com essa sucessão de acontecimentos políticos, a escola, juntamente 
com o currículo escolanovista, passa a ideia central de liberdade, de uma 
educação que é totalmente responsável para que a democracia se instalasse na 
nação, mesmo com uma divergência econômica e social imensa, mas capaz de 
respeitar a individualidade do cidadão, tornando-os críticos e reflexivos, 
passando o Brasil a possuir uma sociedade escolarizada. 
 
Vocabulário 
Escolanovista: proposta pedagógica de caráter humanista. 
 
Nesse “novo” modelo de educação, algumas especificidades foram
criadas, diferenciando-a do currículo tradicional e, ainda embasada na ideia 
central de Dewey, essa concepção curricular deveria trazer a escola não como 
uma “preparação para a vida, mas sim, a própria vida”, ou seja, eram
consideradas as experiências de vida e aprendizagens em geral como o grande 
direcionamento educacional. Nessa maneira de ver e vivenciar a educação, a 
escola passou a ocupar uma nova função, sendo então responsável por 
intermediar uma reconstrução permanente da experiência e da aprendizagem na 
vida dos educandos, apresentando um cunho democrático frente à igualdade de 
oportunidades. Na concepção do currículo escolanovista, nos deparamos com 
as seguintes especificidades, acompanhe na tabela que segue: 
 
ALUNO 
➢ Figura central do processo ensino-aprendizagem, 
sendo levado em conta seus fatores psicológicos; 
➢ É considerado em processo contínuo de descoberta 
de seu próprio ser, ligando-se a outras pessoas e 
grupos; 
➢ Arquiteto de si mesmo; 
➢ Tem papel central e primordial na elaboração e 
criação do conhecimento. Deve ser compreendido 
como um ser que se autodesenvolve e cujo processo 
de aprendizagem deve-se facilitar. 
PROFESSOR 
➢ Facilitador da aprendizagem, auxilia o 
desenvolvimento livre e espontâneo do aluno. Positivo 
e acolhedor, propõe a vivência democrática. 
Aconselha e orienta os alunos; 
 
55 
 
➢ Facilitador da comunicação do estudante consigo 
mesmo; 
➢ Autêntico e congruente, condições facilitadoras de 
aprendizagem. 
METODOLOGIA 
➢ Dá importância aos métodos e aos trabalhos em 
grupo, oferecendo atividades livres que atendam ao 
ritmo do aluno; 
➢ Ensino centrado no aluno. Dá-se ênfase à vida 
psicológica e emocional do indivíduo e à preocupação 
com a sua orientação interna; 
➢ Crescimento pessoal, interpessoal ou intergrupal e 
educacional; 
➢ Busca progressiva de autonomia; 
➢ Ensino centrado na pessoa; 
➢ Principal característica: liberdade para aprender. A 
transmissão de conteúdos deve ser significativa para 
os alunos e percebidas como mutáveis. 
AVALIAÇÃO 
➢ Despreza a padronização de produtos. Defende a 
autoavaliação, em que a aprendizagem autoiniciada 
se torna aprendizagem responsável. 
ESCOLA 
➢ Significativa. O ensino centrado no aluno levando em 
conta os interesses dos alunos e provocando 
experiências de aprendizagem; 
➢ Forte influência da psicologia e da biologia, busca o 
autodesenvolvimento e a realização pessoal do aluno. 
Respeita a personalidade do educando e as 
diferenças individuais; 
➢ Respeita a criança tal como ela é. Possibilita a 
autonomia do aluno; 
Particularidades do currículo escolanovista 
Fonte: elaborado pelo autor (2017), adaptado pelo DI (2019). 
 
Contudo, percebe-se a necessidade de no período da Escola Nova 
considerar as estruturas cognitivas prévias dos alunos, o processo de 
associação e acomodação na construção da aprendizagem do indivíduo. Assim, 
fica claro que o currículo escolanovista preocupa-se, sobretudo, com o aluno 
como cerne do processo educacional, norteando todas as demais estruturas que 
o cerca. 
 
5.5 O currículo tecnicista 
 
Perceba, caro aluno, que o currículo tecnicista se difere significativamente 
de uma visão escolanovista de educação. Pode-se considerar que ambos os 
currículos surgiram em momentos econômicos, sociais e políticos distintos e que 
 
56 
 
tanto teórica quanto em sua prática, interferiram significativamente na educação 
brasileira. 
 
 Importante 
A educação tecnicista visava não mais o aluno como sujeito em formação, em 
que a escola levava em consideração suas experiências de vida e, tão pouco, 
um currículo que buscava a formação integral e democrática do aluno como 
sujeito atuante na sociedade civil, mas, visava aplicar um currículo que levasse 
o aluno a uma formação técnica. 
 
 A educação tecnicista realmente foi aplicada em meados da década de 
1970 e enaltecia a autoridade, deixando de lado todos os aspectos sociais 
possíveis, oriundos da escola nova. Assim, tanto educadores quanto educandos, 
passavam a ser executores e receptores das normas e regras, sem criticidade, 
reflexão e construção da democracia, buscando apenas a competência e o
mercado de trabalho. 
 Esse processo nos distancia da educação da escola nova e do que Paulo 
Freire instituiu como educação como prática para a liberdade, fundamentada em 
uma construção dialógica, contrário do currículo tecnicista e de sua autoridade 
tão presente como característica curricular. Acompanhe abaixo as principais 
especificidades da concepção que permeia o currículo tecnicista: 
 
ALUNO 
➢ A aprendizagem decorre da modificação dos 
comportamentos observáveis e mensuráveis; 
➢ O estímulo e o esforço são indispensáveis para o aluno 
aprender; 
➢ Exige respostas prontas e corretas; 
➢ Passivo, acrítico, obediente e ingênuo;➢ O aluno é considerado como recipiente de informações 
e reflexões; 
➢ A cooperação entre os alunos não é enfatizada. 
PROFESSOR 
➢ Transmite e reproduz conhecimento; 
➢ Elo entre a verdade científica e o aluno; 
➢ Planejador e engenheiro comportamental. Deverá 
dispor e planejar melhor as contingências dos reforços 
em relação às respostas desejadas. 
METODOLOGIA 
➢ Modelos a serem seguidos; 
➢ Ensino repetitivo e mecânico; 
➢ O erro é sancionado com rigorosidade; 
 
57 
 
➢ O planejamento das atividades é composto por 
objetivos, procedimentos, recursos e avaliação; 
➢ O sistema educacional tem como finalidade básica 
promover mudanças nos indivíduos; 
➢ Depende de elementos observáveis no 
comportamento; 
➢ Ensino para a competência; 
➢ Fornecer ao aluno uma tecnologia que seja capaz de 
explicar como fazer o estudante estudar e que seja 
eficiente na produção de mudanças comportamentais; 
➢ Ênfase à programação. A matéria a ser aprendida seja 
dividida em pequenos passos. 
AVALIAÇÃO
➢ Visa ao produto; 
➢ Constatar se o aluno aprendeu e atingiu os objetivos 
propostos; 
➢ A avaliação é parte integrante das próprias condições 
para a ocorrência da aprendizagem, pois os 
comportamentos dos alunos são modelados à medida 
em que têm conhecimento dos resultados de seu 
comportamento. 
ESCOLA 
➢ Papel fundamental em treinar os alunos e modeladora 
do comportamento humano; 
➢ À escola compete organizar o processo de aquisição 
de habilidades, atitudes e conhecimentos específicos, 
para que o indivíduo se integre na máquina do sistema 
social global; 
➢ Está ligada a outras agências controladoras da 
sociedade e do sistema social. Procura direcionar o 
comportamento humano às finalidades de caráter 
social, o que é condição para sua sobrevivência como 
agência. 
Particularidades do currículo tecnicista
Fonte: elaborado pelo autor (2017), adaptado pelo DI (2019). 
 
Dessa maneira, percebe-se que, ao professor, caberia não mais o 
planejamento e desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem, mas sim 
comportamental. Na escola tecnicista o planejamento era de responsabilidade 
dos especialistas, ficando ao professor a transferência desses planejamentos já 
realizados. 
 
Conclusão da aula 5 
 
Estamos chegando ao final de mais uma aula, em que pode-se explorar 
significativos aspectos curriculares, como a relação entre a gestão democrática 
 
58 
 
e o currículo, além do tripé: sala de aula, professor e currículo. Finaliza-se essa 
aula compreendendo as principais características dos currículos: tradicional, 
escolanovista e tecnicista. 
 
Atividade de aprendizagem
Para maior compreensão e complementação dos assuntos abordados em 
nossa aula, acesse ao vídeo que nos apresenta como tema principal o 
currículo nacional, por meio das metas da BNCC, disponível no link: 
https://www.youtube.com/watch?v=ioM313JW3ME 
Após assisti-lo, escreva uma resenha apontando os principais tópicos 
apresentados. 
 
 
 
 
Aula 6 – O currículo, a escola e algumas políticas que o embasam 
 
Apresentação da aula 6 
 
Caro aluno, vamos seguindo acerca das principais temáticas que 
envolvem a disciplina da Teoria do Currículo. Para darmos prosseguimento, é 
relevante que tenhamos conhecimento sobre o processo da construção da 
escola brasileira e de sua relação com a equidade, ou seja, com a educação de 
qualidade para todos. Vamos retornar no tempo, traçando um pensamento 
cronológico de todo esse cenário. 
A educação brasileira, desde o tempo do império, passou por intensas 
transformações e, em sua maioria, aconteceram por meio do binômio: interesses 
políticos e o processo de ensino-aprendizagem, ou seja, as modificações que 
permeiam o histórico da educação brasileira estão diretamente relacionadas aos 
aspectos políticos e sociais vigente de cada época. 
 
6.1 A escola brasileira e a equidade 
 
Inicialmente a escola brasileira foi elitizada, sendo destinada para uma 
pequena parcela de brasileiros, sobretudo aos herdeiros do poder econômico e 
 
59 
 
político, principalmente ao sexo masculino. Com o passar das décadas e com a 
instituição de algumas reformas educacionais, adentrou-se à 
contemporaneidade e às políticas públicas curriculares e educacionais que hoje 
se evidenciam. 
Antigamente um dos objetivos a serem alcançados, e que ainda pode-se 
trazê-lo para a contemporaneidade, era a aquisição de uma escola pública, laica 
e de qualidade para todos, sem distinção de raça, credo ou questões sociais e 
políticas. Partindo desse pressuposto, naturalmente, e adentrando no tempo 
histórico, a igreja católica deixou de ter uma atuação significativa na educação 
básica brasileira, passando ao estado as responsabilidades educacionais. 
 
 Importante 
Atualmente encontra-se uma educação estabilizada em alguns importantes 
aspectos, porém, em outros diversos há muito o que progredir, mesmo que 
ocorra em passos lentos. Nesse cenário de progressão, unindo as questões de 
igualdade da educação básica, bem como o objetivo de qualidade da educação, 
diversos fatores são levados em consideração, não somente os aspectos 
cognitivos, mas também aqueles de cunho social e que se relacionam com o 
educando e com a comunidade escolar, como a questão socioeconômica, a 
desnutrição, a utilização de drogas lícitas e ilícitas e o núcleo familiar, por 
exemplo. 
 
Alguns aspectos interferem significativamente na qualidade da educação 
básica brasileira, igualmente, em seus propósitos na busca de uma educação 
igualitária e de acesso para todos os cidadãos brasileiros, independente de 
classe social, credo, raça e religião. Além disso, a escola, corpo docente e 
políticas curriculares educacionais também influenciam na qualidade da 
educação e, fundamentalmente, com as políticas públicas, tanto curriculares 
educacionais como as de financiamento. 
 
 
60 
 
 
Equidade 
Fonte: https://definicao.net/wp-content/uploads/2018/09/significado-de-equidade.jpg 
 
Nesse contexto escolar, o Projeto Político Pedagógico e a concepção da 
escola, como vimos em aulas anteriores, interferem de maneira significativa no 
avanço da educação básica, e, naturalmente, de todo o processo de cidadania 
do educando. Uma escola que contempla políticas curriculares efetivas, que 
apresenta como um de seus objetivos o educando e a qualidade do processo 
educacional, entrelaça as políticas curriculares à própria instituição como um 
todo. 
Esse entrelaçamento não deve ocorrer somente por questões burocráticas 
legais, mas sim no aspecto de consciência crítica de sua própria função perante 
a sociedade: qual aluno eu desejo formar? Como é a escola que eu desejo ter 
em minha comunidade, bairro ou município? Como é o cidadão que nossa nação 
precisa? Como diminuir as lacunas das desigualdades sociais? Esses são 
apontamentos que, sem dúvidas, permeiam a escola, a qualidade da educação 
e a equidade, vai além dos muros escolares, adentrando e interferindo na 
sociedade como um todo. 
Nesse cenário, tanto a sociedade quanto o poder político e público devem 
ter em mente a função da escola básica, o que exigir e o que esperar dessa 
formação. Para tanto, mudanças significativas devem ocorrer, sobretudo, 
aquelas que interferirão em problemas educacionais considerados mais graves. 
A educação brasileira precisa construir suas identidades, agregando aspectos 
 
61 
 
políticos, sociais, assistencialistas e de formação e aprendizagem, porém, 
intercalando-os em uma escala horizontal, determinando os aspectos de maior 
relevância e enaltecendo as questões que permeiam o processo de ensino-
aprendizagem, pois trata-se da base do processo escolar brasileiro. 
 
6.2 A relevância das políticas curriculares 
 
 
Já pensou em mudar o mundo? 
Fonte: https://nathanalacerda.com.br/wp-content/uploads/2017/01/capa-1-1024x538. 
png 
 
Você já parou e pensou como seria a educação básica e o currículo sem 
as políticas que a direcionam? Comoseria o dia a dia da escola? E os seus 
objetivos? O corpo docente, como conduziriam o seu próprio trabalho? Como 
aconteceria a produção do Projeto Político Pedagógico? Ele existiria? O 
currículo, o que seria de cunho determinado e obrigatório e o que não? 
Essas questões são apenas algumas que os profissionais e estudiosos da 
educação pensam e repensam quando se trata da educação brasileira, de 
currículo e aspectos legais que norteiam toda a educação. E para determinar 
todos esses apontamentos, as políticas curriculares educacionais surgem 
determinando um direcionamento específico a diversos pontos que envolvem a 
educação básica brasileira e suas etapas. 
Pensando na relevância das políticas educacionais curriculares, da 
mesma maneira que verificamos em aulas anteriores, fica estabelecido um 
conceito acerca do termo “currículo”, justamente por esse ser flexível e mutável.
Dessa maneira, o currículo e suas questões políticas e sociais foram levados ao 
 
62 
 
cenário de inúmeras pesquisas e discussões acerca da educação básica 
brasileira. 
Nessa perspectiva as reformas educacionais passaram a levar em 
consideração os apontamentos que permeiam o cenário curricular, sendo visto 
como um campo composto por diversos conhecimentos, focados em tempos e 
espaços específicos, movimentando-se entre as relações de poder e que permita 
a escola a percepção de sua relevância para a formação de educandos críticos 
e reflexivos, que sejam capazes de contribuir no âmbito social. 
Seguindo essa vertente, pensando nas esferas federal, estadual e 
municipal, é perceptível a alteração nas legislações educacionais, na gestão das 
escolas, no controle e maturidade educacional e até na formação de professores, 
a fim de contemplar um currículo que abranja o objetivo de uma educação 
igualitária e de qualidade para todos. Assim, Jallade (2000) afirma que não há 
uma política educacional satisfatória sem que ela perpasse pelo currículo, sendo 
ele considerado o coração da educação. 
Em suma, pode-se considerar que o cenário que envolve a educação 
brasileira, sobretudo a educação pública, enfrenta problemas na qualidade
educacional e que muitos deles ainda não foram passíveis de solução. Esse é 
considerado um dos grandes motivos pelas transformações políticas curriculares 
educacionais e a justificativa por modificações na organização das escolas e do 
sistema educacional brasileiro, abrangendo, naturalmente e de forma relevante, 
os aspectos curriculares. 
Além dos apontamentos já descritos referente a busca da qualidade 
educacional e das transformações escolares por meio das políticas curriculares 
educacionais, elas se fazem relevantes em dois aspectos que se diferenciam. O 
primeiro deles, pode-se associar ao trabalho docente realizado dentro e fora dos 
espaços escolares que, em sua maioria, surgem por propostas oriundas das 
Ongs (Organização não governamental) que, conforme seus próprios interesses 
lutam pela busca de uma educação laica, gratuita, de qualidade e para todos, 
interferindo nas questões pedagógicas e curriculares e na formação e atuação 
do professor. 
 
 
63 
 
 Importante 
Um segundo apontamento pode ser considerado apenas de cunho 
mercadológico, ou seja, são políticas curriculares oriundas de Empresas do 
próprio mercado da educação, que elaboram programas curriculares 
relacionados aos seus produtos e interesses específicos. 
 
De acordo com as transformações, algumas práticas curriculares que 
antes eram abordadas, deixaram de existir e passam a contemplar novas 
práticas e metodologias, a fim de buscar uma nova perspectiva e construir um 
novo currículo, gerando sua legitimidade. De fato, independente da vertente 
assumida, as políticas curriculares educacionais são extremamente relevantes
para a melhoria da educação brasileira. 
 
6.3 PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) 
 
Os Parâmetros Curriculares Nacionais também são conhecidos pela sigla 
PCNS e são referências, construídas pelo Governo Federal, a fim de orientar o 
ensino fundamental e o ensino médio. Tais orientações são destinadas aos 
educadores, diretores e coordenadores pedagógicos e são fragmentados por 
disciplinas, ou seja, com as diretrizes e normatizações específicas para cada 
matéria. 
 
Curiosidade 
Os PCNs não são obrigatórios, mas são orientações ao trabalho pedagógico, 
diferenciando-se, por exemplo, das Diretrizes Curriculares Nacionais, que possui 
o cunho de legislação, sendo uma lei, e, naturalmente, devendo ser cumprida 
em todos os seus aspectos. 
 
Um detalhe bastante significativo é que os PCNs não são de exclusividade 
da educação básica pública, mas também é um documento que abrange a rede 
privada de ensino de todo o país, independente de fatores sociais, políticos e 
econômicos. Permeando esse cenário de igualdade e equidade, um ponto 
relevante aos PCNs é a sua função, o motivo pelo qual ele foi criado, que é 
 
64 
 
exatamente a busca pela qualidade e igualdade da educação brasileira, ou seja, 
que todos os cidadãos brasileiros em idade escolar, que compreenda o ensino 
fundamental I e II e o ensino médio possam usufruir de um apanhado de 
conhecimentos apontados como essenciais e obrigatórios para o seu próprio 
exercício da cidadania. Essa igualdade vai além das condições apresentadas no 
cenário socioeconômico, de região, do país, de raça, cor ou credo, ela se 
estende a todos os cidadãos brasileiros. 
Um segundo aspecto significativo é a flexibilidade dos PCNs, ele não 
adquiriu uma característica obrigatória, permitindo que as instituições de ensino 
modifiquem alguns aspectos conforme as necessidades locais e as 
particularidades de cada comunidade escolar. Assim, não pode-se caracterizar 
os PCNs como um mero conjunto de regras, de referências e de normas que 
visam a transformação, que ditam o que deve ser norteado como objetivo e o 
que não deve se ter atenção, porém, ele orienta para uma reflexão quanto aos 
objetivos educacionais, bem como para uma possível transformação, 
envolvendo questões conteudistas, metodologias e práticas de ensino. 
Nessa vertente, é perceptível um desejo por melhorias na educação 
básica brasileira, que é refletida nos próprios PCNs, permitindo de forma a ser 
construída a autonomia, a criticidade, a reflexão e o exercício da cidadania por 
meio dos educandos. Para atingir tais objetivos naturalmente novas 
metodologias se instalam, ou até mesmo utilizar dos mesmos recursos didático 
pedagógicos, porém, de maneira diferenciada e que permita atingir os objetivos 
propostos. Um exemplo disso é fazer uso de recursos que fazem parte do dia a 
dia do aluno, que esteja presente na comunidade escolar e que permeie a 
realidade do educando, o que promoverá maior reflexão, criticidade e construção 
da aprendizagem por parte do próprio aluno. 
Uma característica que ilustra esse processo e que está presente nos 
PCNs é a relação interdisciplinar, o que interfere diretamente no currículo escolar 
e na concepção educacional adotada pela escola, promovendo reflexões acerca 
de outras significativas temáticas, como os recursos e inovações didáticas e os 
projetos interdisciplinares, por exemplo, que revelam uma preocupação em 
relação a qualidade de ensino e a quais características de alunos se deseja 
formar. Acompanhe a tabela abaixo que explana a divisão dos cadernos 
presentes nos PCNs e suas normativas: 
 
65 
 
ENSINO FUNDAMENTAL I ENSINO FUNDAMENTAL II 
Introdução aos PCN Introdução aos PCN 
Língua Portuguesa Língua Portuguesa 
Matemática Matemática 
Ciências Naturais Ciências Naturais 
História e Geografia I Geografia 
História e Geografia II História 
Arte Arte 
Educação Física Educação Física 
Temas Transversais — 
Apresentação 
Língua Estrangeira 
Temas Transversais — Ética Temas Transversais — Apresentação 
Meio Ambiente Temas Transversais — Ética 
Saúde Temas Transversais — Pluralidade 
Cultural 
Pluralidade CulturalTemas Transversais — Meio Ambiente 
Orientação Sexual Temas Transversais — Saúde 
 Temas Transversais — Orientação 
Sexual 
 Temas Transversais — Trabalho e 
Consumo 
 Temas Transversais — Bibliografia 
PCNS e normativas 
Fonte: elaborado pelo autor (2017), adaptado pelo DI (2019). 
 
Já para o Ensino Médio, os PCNs orientam quanto à prática docente, o
ser, estar e realizar em sala de aula entrelaçando essa dinâmica com o
desenvolvimento curricular da escola. E se divide em “Bases legais”, que
apresentam as linguagens, códigos e suas tecnologias, abordando a Língua 
Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna, Educação Física, Arte e Informática, 
as ciências da natureza e ciências humanas que englobam, respectivamente, a 
Biologia, Física, Química, Matemática, História, Geografia, Sociologia, 
Antropologia, Filosofia e Política. 
 
66 
 
Ao final, os Parâmetros Curriculares Nacionais são relevantes e devem 
permear o ambiente educacional, orientando em toda a prática educativa, 
levando o professor a refletir sobre sua própria dinâmica em sala de aula, bem 
como de seus resultados e das transformações necessárias e cabíveis a ele, 
claro, relacionando-as com as questões curriculares da instituição de ensino. 
 
6.4 RCN (Referencial Curricular Nacional) 
 
Nesse nosso próximo item de estudo, é relevante que você, aluno, 
perceba e estabeleça relações com as questões curriculares já estudadas. Veja 
que até mesmo as normativas não obrigatórias pertinentes à educação básica 
brasileira se entrelaçam com o cenário do currículo e, de fato, com a nossa 
disciplina. O surgimento dos Referenciais Curriculares Nacionais se deu por 
meio da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a lei nº 9394/96, 
ficando assim instituídas inúmeras reflexões educacionais no âmbito nacional, 
referente aos objetivos, conteúdos e orientações metodológicas e didáticas. 
Essas diretrizes, precisamente voltadas aos professores da etapa inicial da 
educação básica, compreendendo crianças da faixa etária de 0 até 04 anos, 
possuem o cunho de integralizar as Diretrizes Curriculares Nacionais com a 
prática escolar, ou seja, com o chão da escola, com o dia a dia escolar e o 
processo de ensino-aprendizagem que permeia essa etapa da educação 
brasileira. 
Os Referenciais Curriculares Nacionais são indissociáveis da questão 
curricular, eles se entrelaçam, se subsidiam e se complementam, pois trata-se 
de um documento com outras contribuições e não apenas normatizações, como 
as Diretrizes Curriculares Nacionais, pois concede indicações que perpassam a 
ideia de propostas curriculares, auxiliando o corpo docente na realização de suas 
funções, bem como na aquisição dos objetivos propostos. 
Dessa maneira, o documento possui o intuito de atender as crianças em 
diversos anseios, realizando a integração entre o cuidar e o pedagógico, 
instituindo metas significativas e voltadas a busca da educação de qualidade, 
permitindo o desenvolvimento pleno do educando. Segundo o Ministério da 
Educação e Cultura, os Referenciais Curriculares Nacionais apresentam como 
principais objetivos: 
 
67 
 
Considerando a fase transitória pela qual passam creches e pré-
escolas na busca por uma ação integrada que incorpore às atividades 
educativas os cuidados essenciais das crianças e suas brincadeiras, o 
Referencial pretende apontar metas de qualidade que contribuam para 
que as crianças tenham um desenvolvimento integral de suas 
identidades, capazes de crescerem como cidadãos cujos direitos à 
infância são reconhecidos. Visa, também, contribuir para que possa 
realizar, nas instituições, o objetivo socializador dessa etapa 
educacional, em ambientes que propiciem o acesso e a ampliação, 
pelas crianças, dos conhecimentos da realidade social e cultural. 
(MEC/SEF, 1998. p. 05). 
 
Nesse contexto, os Referenciais Curriculares Nacionais elaborados na 
década de 1999, são vistos como um recurso, um complemente e, jamais, devem 
ser considerados como uma regra ou um manual normativo. O documento está 
dividido em três volumes que contribuem significativamente para aspectos como, 
planejar, desenvolver, avaliar as práticas educativas e construir propostas 
pedagógicas. Nesse cenário, o intuito é de atender às demandas das crianças e 
comunidade escolar, independente da região brasileira e das questões 
socioeconômicas e políticas. Que tal observarmos juntos as especificidades 
apontadas pelo Ministério da Educação e Cultura para os três volumes que 
compõem o RCN? Vamos lá:
RCNS TEMÁTICA OBJETIVO 
Volume I Introdução 
Promover reflexões acerca das creches e pré-
escolas brasileiras, situando e 
fundamentando concepções de criança, de 
educação, de instituição e do profissional, que 
foram utilizadas para definir os objetivos 
gerais da educação infantil e orientaram a 
organização dos documentos de eixos de 
trabalho. Estão agrupados em duas 
temáticas: formação pessoal e social e 
conhecimento de mundo. 
Volume II 
Formação 
pessoal e 
social 
Relativo aos processos de construção da 
identidade e autonomia das crianças. 
Volume III 
Conhecimento 
de mundo 
Apresenta seis documentos referentes aos 
eixos de trabalho orientados para a 
construção das diferentes linguagens pelas 
crianças e para as relações que estabelecem 
com os objetos de conhecimento: Movimento, 
Música, Artes Visuais, Linguagem Oral e 
Escrita, Natureza e Sociedade e Matemática. 
RCN e seus volumes 
Fonte: elaborado pelo autor (2017), adaptado pelo DI (2019). 
 
68 
 
De acordo com o RCN, aluno, a primeira etapa da educação básica 
brasileira deve apresentar alguns objetivos, tais como, permitir ao educando 
ainda pequeno noções de seu próprio corpo, estabelecer a interação e os 
vínculos afetivos com todos ao seu redor, ampliando suas relações sociais, 
observar e explorar os ambientes, utilizar da brincadeira para expressar suas 
emoções, fazer uso das linguagens corporal, musical, plástica, oral e escrita, 
assim como ter conhecimento de manifestações culturais. 
É importante ressaltar que mesmo com as diretrizes e objetivos referente 
aos RCNs, o respeito à criança e ao seu tempo de desenvolvimento das 
habilidades e competências deve ser respeitado, bem como as diferenças 
sociais, históricas e políticas. 
 
6.5 Uma escola sem políticas curriculares: é possível? 
 
Agora, os apontamentos e reflexões acerca de algumas políticas 
curriculares abordadas anteriormente é possível pensar em uma escola sem 
política curricular? Em caso afirmativo, como seria essa instituição de ensino? 
Sem regras e normas? Sem diretrizes? Sem construção curricular? Sem 
objetivos e, tão pouco, sem qualidade? 
Essas indagações permitem a dimensão da relevância das políticas 
públicas curriculares e de sua efetiva participação no chão da escola e de qual 
maneira ela realmente é colocada em prática. As políticas curriculares, mesmo 
em alguns aspectos, atreladas às necessidades políticas do momento, procuram 
contemplar a educação em sua totalidade, visando o principal objetivo que é a 
qualidade e gratuidade do ensino. 
Quando pensamos em políticas curriculares nacionais, pensamos em 
diretrizes, em orientação, em documentos normativos que vão direcionar as 
instituições de ensino, inclusive no que tange as próprias práticas e processo de 
ensino-aprendizagem. É importante elevarmos nossos pensamentos a relação 
já construída e estabelecida por um longo caminho histórico e que, positiva ou 
negativamente, permanecem na educação como uma herança. Diversas 
situações já foram modificadas e que interferiram diretamente no chão da escola 
e, de maneira satisfatória e positiva, tornando a relação menos verticalizada 
 
69 
 
possível, adentrando com a participação da comunidade escolar, inclusive nos 
apontamentos curriculares. 
Esses processos históricos da educação brasileira interferem 
significativamente na definição e controle das políticas curriculares que 
atualmente sãoenglobadas no ambiente escolar, o que, infelizmente, ainda 
exercem uma certa autonomia e autoridade sobre as escolas. Bem, isso não 
significa que as escolas não precisam de normativas e políticas, muito pelo 
contrário, as diretrizes são essenciais, porém, é preciso cautela, afetividade, 
qualidade e democracia ao pensar e estabelecer certos critérios e políticas, 
sobretudo as curriculares. 
Nesse cenário e, embasados nos pensamentos de Paulo Freire e em sua 
gestão, sobre a educação e as políticas curriculares, é preciso buscar 
argumentos e evidências que, mesmo com as políticas públicas curriculares a 
frente da educação, seja permitido uma maior autonomia as escolas e a alguns 
processos. 
 
 Importante 
Se analisarmos a educação e seu processo histórico, a escola já ganhou voz em 
diversos momentos e, na contemporaneidade, pode-se afirmar que, em diversos 
aspectos, a escola caminha por si. Um exemplo disso é o próprio Projeto Político 
Pedagógico que, mesmo se tratando de questões curriculares, possui uma 
liberdade significativa para estabelecer as concepções da escola e seus 
objetivos específicos. Da mesma maneira, os Parâmetros Curriculares Nacionais 
e os Referenciais Curriculares Nacionais da Educação Infantil, que instruem e 
orientam, porém, com a liberdade de escolha da instituição escolar. 
 
 É impossível pensarmos em escola sem direcionamento específico, sem 
uma política curricular que a oriente e que a direcione. A escola precisa de 
condução e diversos encaminhamentos, mas não de limitações. As instituições 
escolares têm buscado assumir a legitimação da democracia por meio daqueles 
profissionais que fazem a escola e que atuam na busca de uma instituição que 
seja capaz de refletir e atuar efetivamente, bem como de formar cidadãos críticos 
que saibam se posicionar perante as inúmeras situações sociais, sejam elas 
políticas ou não, e que exerçam de maneira positiva a democracia em sua 
totalidade, liberta de interesses pessoais. 
 
70 
 
 Em suma, é possível concluir que a escola não sobrevive sem a política 
curricular, sem uma organização e sistematização curricular, porém, é preciso 
concomitantemente gerar autonomia e voz às instituições escolares, a fim de, 
mesmo com suas particularidades, trabalharem em prol do educando, do 
educador e da comunidade escolar, visando uma educação igualitária e de 
qualidade, independente das diversidades que as contemplam. 
 
Conclusão da aula 6 
 
Prezado estudante, assim chegamos ao final de mais uma aula sobre a 
Teoria do Currículo e, de fato, houve momentos enriquecedores, os quais nos 
permitiram refletir sobre a escola e a educação básica brasileira, bem como sua 
qualidade, além, é claro, de discutirmos e analisarmos se realmente ela é para 
todos. Para tanto, retornamos no tempo e no processo histórico de construção 
da educação básica brasileira, a fim de contemplar esses e outros aspectos 
envoltos com a temática central. Compreendemos também algumas 
particularidades que evolvem os Parâmetros Curriculares Nacionais e os 
Referenciais curriculares. Espero que você tenha aproveitado nossa aula para 
construir mais aprendizados significativos. 
 
Atividade de aprendizagem
Nesse momento, caro aluno, é pertinente que você participe da atividade de 
aprendizagem, a fim de enriquecer e solidificar as temáticas que abordamos 
na aula de hoje e, para que isso aconteça, sugiro que assista ao vídeo: 
“Organização Curricular no Ensino Fundamental”, disponível no link: 
https://www.youtube.com/watch?v=HhRNVzRgFRY 
Ao final, prezado estudante, realize anotações e reescreva os principais 
apontamentos que se entrelaçam com essa aula. 
 
 
 
 
 
 
 
 
71 
 
Aula 7 – O currículo como construção do conhecimento 
 
Apresentação da aula 7 
 
Conforme estudo anteriormente, percebemos que as ações teóricas que 
permeiam nossas escolhas acerca da escola e do processo de aprendizagem 
definem muitas das concepções e perspectivas curriculares. Segundo o autor 
espanhol, Sacristán (2000), a “compreensão que perfizemos da realidade, é
fundamental e depende da escolha que fazemos, das competências destinadas 
ao corpo docente e as escolas em si”. 
 
 Saiba mais 
De acordo com os pensamentos de Sacristán, o currículo apresenta oito 
concepções importantes: o currículo como fenômeno prático complexo; como
práxis; como construção social; como construção da cultura; como campo de 
investigação; como guia de experiência; como definidor dos conteúdos e como 
conjunto de conhecimentos. 
 
7.1 Concepções e perspectivas curriculares: as opções teóricas 
 
Primeiramente falaremos sobre o currículo como fenômeno prático 
complexo que é exatamente a junção entre as atividades e iniciativas que são 
realizadas por meio do planejamento curricular, além, é claro, das atividades que 
envolvem diretamente o corpo docente, como o planejamento escolar e os 
recursos didático-pedagógico que serão utilizados. 
Já o currículo como práxis, integra a teoria e a prática, uma expressão 
da função socializadora e cultural que é incumbência da escola. A palavra práxis, 
que deriva do grego, apresenta como significado a ação concreta e está 
diretamente relacionada às relações sociais. 
Para Sacristán, o currículo como práxis aborda as questões da prática 
pedagógica pertinentes ao ensino em si. Seguindo esse raciocínio, percebemos 
que o currículo como práxis, além de observar as ações pedagógicas, o 
significado, resultado e os processos de ensino, também precisa levar em 
consideração os contextos políticos e administrativos que o cercam. 
 
72 
 
O currículo como construção social é uma análise inicial de conteúdos 
e orientações, antes mesmo de ser colocadas aos alunos e às realidades 
específicas e vivenciadas. Considera-se a dinâmica interna da própria escola 
para depois adapta-lo à prática pedagógica. 
O currículo como construção da cultura não diz respeito a um conceito
propriamente dito, mas sim à construção cultural que visa organizar as práticas 
educativas. 
O currículo como campo de investigação, nessa formação, relaciona-
se também à prática, o currículo é visto como aquele que é, até certo ponto, 
interdependente de outros campos da educação e que deve, necessariamente, 
observar qualquer elemento que o componha como algo que pode ser alterado 
e modificado, pois encontra-se em constante reconfiguração.
O currículo como guia de experiência é uma concepção relevante ao 
pensarmos nas relações entre escola e as relações sociais, pois é visto como 
uma espécie de “guia da experiência” que os educandos adquirem no espaço
escolar. Assim, essa concepção curricular atribui à escola a responsabilidade em 
promover distintas e diversas experiências, consciente e intencionalmente, com 
planejamento e direcionamento pedagógico a fim de atingir determinados 
resultados. 
O currículo como definidor dos conteúdos, essa concepção curricular 
é bastante usual, pois, ele é compreendido como conceituação da educação 
mediante planos ou propostas, especificação de objetivos, reflexo da herança 
cultural, mudança de comportamentos e atitudes, programa da escola que 
contenha conteúdos e atividades, soma de aprendizagens ou resultados ou 
todas as experiências que o aprendiz pode obter. (EYNG, 2010, p. 28). 
O currículo como conjunto de conhecimentos é uma concepção muito 
utilizada na contemporaneidade, mesmo sendo relacionado a um modelo 
tradicional de escola. Essa concepção aborda o currículo como conjunto de 
conhecimentos ou materiais que os educandos devem compreender no ano ou 
série que frequenta. Para que ele siga adiante no nível ou modalidade de ensino, 
é preciso a mínima compreensão desse conteúdo específico. 
Diante das concepções curriculares, alguns aspectos relevantes são 
abordados para a utilização delas, como o levar em consideração todo o 
processo histórico pertencente à sociedade, as questões culturais construídas 
 
73na escola em específico são capaz de promover a interação entre as ideias e as 
práticas que envolva o docente e sua profissionalidade, tornando-o flexível ao 
ponto de interferência na planificação. 
Ao pensar em adotar uma ou outra concepção de ensino, além dos itens 
observados acima, é preciso que exista um questionamento consciente acerca 
da realidade, do contexto, da escola, da cultura, e, sobretudo, do processo de 
ensino-aprendizagem e do conhecimento, que se está inserido. Dessa maneira, 
ao realizar tais questionamentos, as reflexões acerca da concepção curricular 
atual adotada é capaz de analisar a construção, o desenvolvimento e a avaliação 
do currículo, o que devem permear os seguintes itens: 
 
➢ Atendemos o que deve ensinar e o que os alunos devem aprender? 
➢ Pensamos no que deveria ser ensinado ou aprendido e no que realmente se 
ensina e se aprende? 
➢ Limitamos o currículo aos conteúdos ou abrangemos também as estratégias, 
os métodos e os processos de ensino-aprendizagem? 
➢ Entendemos o currículo como uma realidade estanque, predeterminada,
algo especificado, delimitado e acabado que será meramente aplicado ou 
como algo aberto, que se configura e delimita na aplicação e no seu próprio 
processo de desenvolvimento, no qual é significado e ressignificado? 
Fonte: (EYNG, ANA MARIA, 2010), elaborado pelo autor (2017), adaptado pelo DI 
(2019). 
 
 
José Gimeno Sacristán 
Fonte: acervo do autor (2017). 
 
 
74 
 
Concluímos que as reflexões acima podem e devem ser realizadas sem 
ordem aleatória, a fim de atender a forma de pensar e fazer o currículo, conforme 
os diferentes contextos vivenciados. 
 
 Saiba mais 
José Gimeno Sacristán é um grande estudioso da área da educação e, 
certamente, um de seus focos de pesquisa é o currículo. Vale a pena conferir 
algumas de suas obras e parte de suas escritas acerca dessa temática. Sugiro 
que, além do livro já citado em nossa aula, que observe a obra: “Saberes e 
Incertezas sobre o currículo”. 
7.2 Vamos falar sobre o processo de conhecimento? 
 
As particularidades que envolvem o processo de escolarização e, 
naturalmente, o processo de ensino, aprendizagem e de construção dos 
conhecimentos. Reflita sobre a seguinte indagação: o que é conhecimento? 
Agora pensando sobre isso, considere que há saberes e conhecimentos 
acadêmicos e oriundos dos bancos escolares, como há aqueles que são 
construídos pelas vivências e experimentações da vida, que denominamos de 
empíricas. Muitas escolas ignoram os saberes que são construídos além dos 
muros escolares e não permitem, independente de sua concepção curricular, 
bem como do Projeto Político Pedagógico, uma prática que entrelace os dois 
conhecimentos, ou seja, aquela que se assemelhe à realidade do educando. 
Pensando nesse cenário, prezado estudante, devemos sempre nos 
atentar em uma educação que de fato agregue significado aos nossos alunos. 
Dessa maneira, certamente o corpo docente, coordenadores e diretores 
pedagógicos devem alinhar o Projeto Político Pedagógico à concepção 
curricular, às questões conteudistas, à relação teoria e prática e à formação 
integral do aluno, a fim de proporcionar situações que auxiliem na construção do 
conhecimento dos alunos. 
 
 
75 
 
 Importante 
Você acredita que há construção de conhecimento sem um currículo adequado? 
Essa é uma reflexão relevante e que, certamente, com o embasamento teórico 
e as aulas ocorridas até o momento, levarão a outras compreensões acerca da 
temática. Veja, se o conhecimento está atrelado à escola e ao Projeto Político 
Pedagógico, necessariamente ele se encontra relacionado ao currículo, sua 
concepção, sua prática, sua aplicabilidade e funcionalidade no dia a dia da 
instituição escolar. Assim, pode-se afirmar que não há construção e inter-relação 
de saberes empíricos e educacionais, dissociados do próprio currículo. 
 
Seguindo esse pensamento, vamos adentrar em outras questões que 
envolvem nossa temática, porém, é necessário ter a compreensão de que o 
currículo está associado ao respeito ao educando e à construção de seu 
conhecimento, e, por sua vez, entrelaçado à formação total do aluno, envolvendo 
não somente aspectos conteudistas, mas também contemplando outros 
conhecimentos, como os emocionais, sociais, econômicos e até os políticos. 
 
7.3 Quais as relações que existem entre a construção do conhecimento e o 
currículo? 
 
Em análise às normativas apresentadas pelo Ministério da Educação e 
Cultura (MEC), tem uma relação significativa entre o currículo e o processo de 
conhecimento e formação do educando. Nesse momento, vamos juntos 
sintetizar as questões postas pelo MEC e nos aprofundarmos um pouco mais
nessa temática. 
O currículo é flexível e respeita as particularidades de cada região e 
instituição de ensino, incluindo nesse processo as questões sociais, políticas e 
econômicas, porém, sabe-se que há especificidades que são imutáveis, ou seja, 
são fixas e não se alteram. Assim, há legislações que possibilitam o que são 
conteúdos de cunho obrigatório e outros que possuem liberdade de organização. 
Em sua maioria, ambos estão relacionados em sua seleção de conteúdos e 
conhecimentos da base nacional comum do currículo. Conforme a LDBEN, (Lei 
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), nº 9394/1996, apresenta uma 
significativa orientação, veja: 
 
76 
 
Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base 
nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e 
estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas 
características regionais e locais da sociedade, da cultura, da 
economia e da clientela (BRASIL, 1996). 
 
 Importante 
Perceba, caro estudante, a importância que o currículo tem em relação ao 
conhecimento. O conhecimento em si está intimamente relacionado à formação 
totalitária do educando e a formação integral do aluno está entrelaçada ao 
currículo e às práticas educativas e curriculares postas na escola. Dessa forma, 
o currículo e o conhecimento não se dissociam, estão lado a lado, caminhando 
juntos em todos os aspectos e, certamente, essa situação nos leva a desafios 
intensos que exigem um olhar criterioso para a escola, a fim de atender as 
particularidades educacionais e regionais, incluindo a comunidade escolar e, 
também, atender as orientações, normativas e leis educacionais. 
 
Esse olhar certamente inclui a escola como um todo, inclusive os sujeitos 
que fazem parte do processo de escolarização, como todos os funcionários da 
escola, de cunho pedagógico ou não. Além dos sujeitos, é necessário observar 
as complexidades que envolvem toda a formação, as complexidades e as rotinas 
que envolvem esse processo e o chão da escola, permitindo reflexões acerca de 
todo esse processo, além do conhecimento e do currículo em si. 
Caro estudante, seguindo essa vertente nos deparamos com o 
conhecimento sendo o foco de muito processo de formação do educando e, de 
fato, envolvendo o processo curricular em diferentes níveis da educação 
brasileira. Nesse mesmo pensamento, a escola assume diversas funções 
significativas e, sem dúvida, uma delas é de estar apta a socializar os 
conhecimentos escolares, que naturalmente, proporciona o acesso do aluno a 
outros campos do conhecimento e a outros saberes, que não somente, os 
educacionais, assim como os que se constroem além dos muros escolares e, 
também, os conhecimentos oriundos das relações sociais. 
Assim, ao pensarmos em conhecimento escolar, devemos seguir as 
orientações do próprio MEC que coloca o processo de conhecimento como um: 
 
elemento central do currículo e que sua aprendizagem constitui 
condição indispensável para que os conhecimentos socialmente 
 
77 
 
produzidos possam ser apreendidos, criticados e reconstruídos por 
todos/as os/as estudantes do país (2007). 
 
Agora, prezado estudante, com esse conceito formado e com noções 
significativas acerca do conhecimentoapresentado pelo MEC, pode-se 
entrelaçar a essa temática a relevância de uma escola bem estruturada e 
pensada para a formação dos conhecimentos do aluno, envolvendo, de fato, o 
currículo e suas concepções e aplicabilidades. Vamos observar a imagem abaixo 
e refletir acerca das relações que são necessárias, envolvendo a escola e o 
currículo para, ao final do produto, gerar conhecimentos: 
 
 
Currículo e conhecimento 
Fonte: elaborado pelo autor (2017). 
 
Assim, prezado aluno, é possível percebermos que certamente o 
processo que se estabelece entre o currículo e que, ao final, promova 
conhecimento, certamente envolve um corpo docente comprometido, ativo e 
afetivo para a escola e os educandos de maneira geral. Conhecer, escolher, 
organizar e relacionar teoria, prática e aprendizagem significativa é seguramente 
essencial para o desenvolvimento pleno dos alunos e de seu processo de 
construção de conhecimentos. 
Conhecimento
Educação
ativa e
autonoma
Dialogicidade
Organização
curricular
Corpo
docente
 
78 
 
Nessa diretriz, é importante que a escola e seus dirigentes pedagógicos 
tenham consciência de selecionar os conteúdos que se relacionem com a 
realidade dos alunos e da comunidade, dessa maneira é preciso visar uma 
educação realmente de qualidade e para todos. E, para que isso aconteça, se 
faz necessário, conforme indicações do Ministério da Educação e Cultura (2007), 
propiciar ao estudante ir além dos referentes presentes em seu mundo cotidiano, 
assumindo-o e ampliando-o, transformando-se assim em um sujeito ativo na 
mudança de seu contexto, ou seja, prezado estudante, um currículo que 
contemple os conteúdos obrigatórios, a realidade em que o aluno está inserido 
e, indo além, proporcionando conhecimentos extras para que ele consiga 
compreender a sua própria realidade e que seja, por meio da autonomia, 
criticidade e conhecimento, capaz de altera-la se preciso for. 
Assim, conseguimos perceber que o currículo e o conhecimento se 
entrelaçam em diversos aspectos e não somente no que os bancos escolares 
são obrigatoriamente destinados a ensinar. O conhecimento se constrói por meio 
de um conjunto específico e não pode e nem deve ser atribuída única e somente 
a responsabilidade a sociedade ou a escola. É preciso unir forças e aspectos 
relevantes que constroem os saberes, os conhecimentos, o processo de 
escolarização e a formação integral do aluno. 
 
Conclusão da aula 7 
 
Assim, caro estudante, vamos finalizando nossa aula. Certamente você 
compreendeu outros aspectos que envolvem o currículo, o conhecimento e a 
educação básica. Conseguimos transitar entre concepções curriculares 
diversas, além de compreender o que, de fato, consideramos como 
conhecimento escolar e conhecimento empírico e, para finalizar, adentramos em 
particularidades que entrelaçam o currículo e o processo de conhecimento. 
Atividade de aprendizagem
Sugiro a leitura de um dos cadernos apresentados pelo Ministério da 
Educação e Cultura, que apresenta uma relação significativa entre o currículo 
e o conhecimento. Para ter acesso ao escrito, você pode acessar o link: 
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Ensfund/indag3.pdf 
Após esse momento de leitura, é interessante que realize algumas reflexões 
pessoais acerca da temática e, até mesmo, de seu próprio aprendizado. 
 
79 
 
Aula 8 – As teorias curriculares
 
Apresentação da aula 8 
 
Prezado estudante, até o momento trilhamos sólidos caminhos 
contemplando em nossas aulas aspectos relevantes para compreendermos 
ainda mais as temáticas abordadas. Antes de adentrarmos nos tópicos que 
refletiremos e discutiremos diretamente sobre as teorias curriculares, é relevante
que tenhamos conhecimento sobre os processos formativos. Perceba caro aluno 
que os estudos acerca dos processos formativos estão cada vez mais presentes 
e com apontamentos mais significativos, relacionando-os à cultura e à realidade 
educacional brasileira. Nesse viés, temas relevantes são abordados e, 
concomitantemente, propostos desafios à educação básica e à formação 
totalitária para os dias atuais. 
 
8.1 O currículo e os processos formativos: nascem as teorias 
 
Os processos formativos, oriundo do currículo e suas determinações, 
incluem questões epistemológicas e metodológicas, pautadas nos objetivos e 
formações que se desejam obter, observando e trabalhando com 
problematizações que permeiam a construção do conhecimento e suas 
implicações, sobretudo sociais. 
 
 
Construindo o conhecimento? 
Fonte: acervo do autor (2017). 
 
 
80 
 
Mas, se justapor esse pensamento à própria etimologia da palavra, pode 
sofrer algumas alterações, afinal, o que realmente significa o “processo
formativo”? O processo formativo de forma generalizada é tudo o que engloba a
formação total do sujeito, indo além do que conhecemos como passar de nível 
ou adquirir um diploma. O processo formativo engloba o sujeito, o cidadão, seus 
projetos de vida e seus progressos. 
Como foi visto ao longo das aulas, o currículo, por si só, não apresenta 
uma conceituação fixa, mas sim diferentes conceitos que se entrelaçam e se 
relacionam com os objetivos individuais de cada instituição de ensino, porém, há 
aspectos relevantes e que podem ser inclusive, considerados fixos, pois 
contribuem diretamente ao processo formativo dos educandos e educadores, ou 
seja, o processo de ensino que envolve toda a escola. 
A cada época surge um cenário novo, uma exigência social e 
mercadológica nova que obriga, de certa forma, a novas percepções 
educacionais, incluindo novas práticas formativas direcionadas, em grande 
maioria, por transformações oriundas de novos governos e novas políticas 
públicas educacionais. 
Seguindo a vertente “formativa”, pode-se associar que o currículo é 
proposto e utilizado muitas vezes de forma equivocada e ambígua, pois, em 
muitas situações, ele é proposto apenas como um apanhado de conteúdos que 
designa os programas de disciplinas ou dos anos escolares e, naturalmente, 
incluem uma infinidade de atividades educativas, métodos, metodologias e 
didáticas que surgem como um recurso à proposta conteudista colocada . 
O currículo e a sua função formativa deve ir além dessa visão de 
“enformar”, de incluir conteúdos nos sujeitos, mas sim, a um direcionamento que
permita ao educando construir os seus próprios conhecimentos, um currículo 
que seja entendido como aquele que leva ao pensar e ao agir e que promova, 
ao mesmo tempo, uma alteração formativa docente, ou seja, que o próprio 
professor desenvolva a sua capacidade de percepção de sua própria 
responsabilidade social e que sua prática, juntamente ao currículo, o leve a 
refletir e a responder questões, tais como: O que ensinar? Como ensinar? 
Seguindo nessa vertente, pode-se constatar que o próprio currículo visto 
como processo formativo leva o educando a se desenvolver de maneiras 
específicas e determinada por eles, levando-os a um posicionamento específico 
 
81 
 
sobre visão de homem, de mundo e de sociedade. Esse processo formativo é 
antigo, não se refere à contemporaneidade e tão pouco relacionava-se apenas 
à formação do sujeito e de um modelo específico de cidadão, mas a questões 
de formação em relação ao conteúdo. 
Dessa maneira, o currículo não deve ser o único direcionamento 
formativo, pois é perceptível a falta da neutralidade ao pensarmos em um 
currículo, pois aqueles que o constroem apresentam suas bases 
epistemológicas, suas diretrizes acadêmicas, suas ideologias, suas escolhas por 
determinadas teorias e concepções, pelas questões políticas e pelo modelo de 
homem que desejam formar. 
 
8.2 Teoria tradicional 
 
O cenário que envolveu as teorias tradicionais do currículo envolvera um 
contexto puramente industrial e científico da primeira metade do século XX. As 
disciplinas eram atreladas ao aspecto de aprendizagem mecânica e ao 
movimento industrial denominado Taylorismo.75 
Conclusão da aula 7 ...................................................................................... 78 
Aula 8 – As teorias curriculares ..................................................................... 79 
Apresentação da aula 8 ................................................................................. 79 
 8.1 - O currículo e os processos formativos: nascem as teorias .............. 79 
 8.2 - Teoria tradicional ............................................................................ 81 
 8.3 - Teoria crítica ................................................................................... 83 
 8.4 - Teoria pós-crítica ............................................................................ 85 
Conclusão da aula 8 ...................................................................................... 87 
Índice Remissivo ........................................................................................... 89 
Referências ................................................................................................... 92 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
 
Prefácio 
 
Olá estudante, está preparado para fazermos uma viagem histórica pela 
educação básica brasileira e pelos principais aspectos curriculares que 
marcaram diversas épocas? 
Assim, em nossa primeira aula conheceremos situações particulares que, 
certamente, lhe permitirá compreender a escola que temos hoje, bem como os 
modelos e concepções curriculares. 
É importante que você percebera, caro estudante, que o tempo e algumas 
situações políticas e econômicas estão diretamente relacionadas às mudanças 
curriculares que aconteceram ao longo do tempo. 
Conforme vamos viajando, muito conhecimento será construindo, e, para 
lhe auxiliar a sanar possíveis dúvidas, sugiro que sempre consulte e explore o 
ambiente virtual, que, certamente, com seus recursos disponíveis, contribuirá 
significativamente para fazermos uma viagem perfeita. 
Aproveite nossos momentos e acesse as indicações e mídias 
disponibilizadas ao longo de nossa aula, como os vídeos, sites e artigos, que lhe 
permitirá a construir sólidos apontamentos. 
Se prepare e vamos lá! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8 
 
Aula 1 – O currículo 
 
Apresentação da aula 1 
 
Caro estudante, nossa primeira aula nos permitirá conceituar o currículo, 
afinal, será que ele tem um conceito único e imutável? É exatamente esse e 
outros apontamentos que permearão o nosso ponto de partida. Veja que o 
currículo, desde o início das possibilidades de sua conceituação, gerou e segue 
gerando até a atualidade diferentes conceitos. 
 
 
Fonte: acervo do autor (2017). 
 
1.1 Concepções e histórico do currículo 
 
Assim, pode-se nos ater ao currículo apenas como definição de conjunto 
de disciplinas ou conteúdos detalhados? Ou ainda, pode-se colocar o currículo 
escolar como único responsável por relacionar os conteúdos aos objetivos e 
atividades que permeiam o processo de ensino-aprendizagem? 
 
9 
 
Com certeza o currículo é muito mais, do que apenas definir e selecionar 
uma sequência de anos e modalidades de ensino com os conteúdos específicos. 
O currículo é essencial e interfere em diversos segmentos e aspectos da 
educação como um todo. Caro estudante, observe a imagem abaixo para 
criarmos uma ideia da importância do currículo para a escola: 
 
 
A importância do currículo para a educação 
Fonte: elaborado pelo autor (2017). 
 
Agora que já começamos a compreender a importância do currículo, 
vamos seguir analisando sobre as concepções do termo currículo, vamos nos 
deparar com diversos significados, afinal, para conceitua-lo necessariamente 
estaremos atrelados a uma ou outra teoria, as quais diferem entre as
possibilidades e funções. As discussões acerca do currículo apontam uma 
gradativa, porém, significativa relevância e, passaram a ocupar cada vez mais o 
espaço no campo das pesquisas em educação no Brasil. O autor Demerval 
Saviani é um grande estudioso das questões que envolve o currículo e a escola. 
Assim, leia o que ele disse sobre a dificuldade em conceituar o currículo que, 
seguramente, está relacionada a sua complexidade e delimitação: 
 
Currículo
Pedagógico
Aprendizagem
Ensino
Social
Emocional
Psicológico
Afetivo
 
10 
 
 
Demerval Saviani 
Fonte: acervo do autor (2017).
 
Palavras e expressões como currículo, grade curricular, atividades 
curriculares, materiais de estudo ou matérias de ensino, disciplinas 
escolares, componentes curriculares, programas fazem parte da rotina 
de quem atua com educação escolar. Seu emprego em textos, 
documentos diversos e no discurso de educadores, nas mais diferentes 
situações, parece algo tão “natural” que raramente as pessoas se dão
conta da carga histórica e conceitual que cada termo comporta. No 
entanto, são notórias as mudanças no conjunto das matérias que vêm 
compondo os currículos dos níveis, graus e modalidades de ensino, na 
sua distribuição pelas séries, na sua carga horária, nos conteúdos e 
métodos prescritos em seus programas. Mudam também as 
concepções, e isso nem sempre é tão perceptível (SAVIANI, 2005, p. 
05). 
 
Acerca do currículo, pode-se referenciar aos primeiros registros sobre a 
concepção curricular da década de 1918, com a obra O Currículo, de Bobbitt 
(2004). Assim, ao escolhermos uma única conceituação ao termo currículo, 
necessariamente define-se suas especificidades e funções próprias, 
relacionadas ao conceito escolhido e, dessa maneira, acabamos recaindo nas 
palavras de Saviani (2005), no aspecto do currículo se relacionar a diversos 
contextos da escola com a cultura da época. 
 
11 
 
Seguindo nesse viés, surge Rué (1996), que faz uma relação simplificada 
entre a história do currículo, a história da escola e as questões histórico-sociais, 
conforme o material abaixo: 
 
Currículo e campo social 
O campo do currículo é um 
campo social enraizado em 
valores, propósitos, crenças 
e teorias sociais. 
Fundamenta-se nos 
conhecimentos 
acadêmicos e nas 
ciências da educação. 
Fundamenta-se, também, 
nas atuações pessoais 
dos docentes em uma 
diversidade de situações. 
Currículo e ação educativa 
A atuação educativa, 
compreendida em um 
sentido amplo, realiza-se por
meio de experiências e 
atividades. 
Visam o 
desenvolvimento 
pessoal e coletivo dos
sujeitos. 
Promovem desenvolver o 
sujeito também no âmbito 
da diferenciação e
projeção social. 
Currículo e prática escolar 
No campo do currículo e na prática
escolar, conjugam-se interesses e 
realidades diferentes. 
Esse processo se dá por meio da
socialização, integração e de 
classificação e separação. 
Fonte: elaborado pelo autor (2017), embasada na obra de Eyng (2010), adaptado pelo 
DI (2019). 
 
Sendo assim, consideramos o currículo como um processo educativo 
relacionado ao projeto pedagógico, sendo proposto nesse conjunto da trajetória 
histórica, o âmbito social e a dinâmica da escola, além das questões 
relacionadas às disciplinas e conteúdo. Dessa maneira, o currículo se refere aos 
caminhos que percorre a formação integral dos alunos, sendo observado e 
tomado como parâmetro o contexto histórico e social, ou seja, aquele que se 
está inserido e, naturalmente, as práticas educativas do cotidiano escolar 
mediante as quais se expressa, considerando o projeto pensado e escrito, 
denominado currículo proposto e aquele, igualmente importante, denominado de 
prática, de projeto aplicado, avaliado e pensado, levando assim, o currículo a ser 
aquele que contempla o proposto e a prática, possuindo diferentes e específicos 
significados, desempenhando funções diversificadas, conforme o contexto e 
histórico social. 
 
 
 
 
12 
 
1.2 Aspectos históricos e culturais que permeiam o currículo 
 
Como já foi falado, o currículo tem uma significância imensa na educação 
brasileira, sendo considerado uma diretriz fundamental para queO Taylorismo ou administração 
científica, surgiu após a segunda revolução industrial e era gerida por princípios 
que determinavam o comportamento dos trabalhadores, estabelecendo um 
padrão específico. 
 
 Importante 
Devido a necessidade de alterações sociais, políticas e, sobretudo, econômicas, 
as teorias técnicas ou teorias tradicionais, uma vez relacionadas a administração 
científica, incluiria uma educação ao contexto de educação para a massa, 
buscando um currículo padrão, o qual apresentava o intuito de construir um 
ambiente produtivo, com repetição e fragmentação. Assim, ele enaltecia uma 
aprendizagem teórica e mecânica, com conteúdo específicos e fixados, a fim de 
serem memorizados pelos educandos. 
 
Assim caro aluno, nesse embasamento teórico, o professor apresentava-
se como detentor do saber, sendo o ensino e o próprio currículo apenas um ato 
burocrático que deveria ser cumprido. Os alunos, por sua vez, na mesma 
condição bancária de educação, como folhas em branco, aptos e receptores dos 
 
82 
 
conteúdos transmitidos pelos professores. Em outras palavras, eles não 
aprendiam, apenas memorizavam e repetiam esses conteúdos fixos. 
Dessa maneira, os alunos não faziam parte do processo educacional, não 
era uma figura relevante no processo de ensino-aprendizagem que, 
teoricamente, havia sido criado para eles e sua educação como um todo, de 
maneira laica, gratuita e de qualidade. Assim, a escola então ocupava o 
significativo papel de educar para a sociedade que, naquele momento, era 
puramente industrial. 
Esse conceito americano também chegou ao Brasil, nos remetendo 
inclusive à educação tecnicista, apresentando como objetivo primordial o formar 
para o mercado de trabalho industrial, em que o trabalhador era adaptado às 
máquinas e apto a cumprir com suas obrigações profissionais. Nesse cenário a 
escola não era visto como um local de formação integral do sujeito, mas sim 
como uma empresa e, como tal, na era industrial, deveria tratar seus funcionários 
ou estudantes, nesse contexto de indústria. 
Nas teorias tradicionais, seguindo os pensamentos de Bobbit (1918), um 
dos grandes homens que difundiram essa teoria curricular, a escola deveria, 
inicialmente, estabelecer de maneira bastante objetiva e clara quais os 
resultados que pretendia atingir, estabelecendo métodos a fim de atingi-los, 
tratando como uma das principais características do currículo a organização e a 
mecanicidade em relação ao processo de ensino-aprendizagem, atribuindo ao 
currículo uma característica técnica. 
Outro embasamento teórico importante é oriundo das contribuições de 
Tyler (1949) que apontava algumas questões básicas referente ao currículo 
escolar que atendesse a demanda industrial da época, sendo necessário realizar 
apontamentos sobre os objetivos escolares, a relação entre as experiências dos 
estudantes, aquelas adquiridas na escola, eram suporte para a obtenção dos 
conteúdos propostos, a forma de organização que fosse eficiente para entrelaçar 
as experiências com os objetivos e uma forma eficaz de perceber a obtenção 
dos objetivos inicialmente propostos. 
O que percebe-se tanto no currículo de uma teoria tradicional embasada 
nos principais autores, é que se trata do princípio básico em que a escola 
caminha e se transforma conforme as necessidades econômicas e políticas, ora 
 
83 
 
o aluno sendo o cerne do processo ora o professor e, até mesmo, outros 
requisitos como centro e diretriz de toda a educação. 
Para a teoria tradicional, o currículo é um sistema de produção em que o 
aluno poderia ser comparado à matéria e à mão de obra, que se transformaria 
em produto, sendo utilizado no mercado industrial. A escola era uma indústria e 
o processo de ensino-aprendizagem comparado ao processo de produção em 
que a avaliação seria o controle de qualidade e a obtenção de todos os objetivos 
anteriormente propostos. 
 
8.3 Teoria crítica 
 
Conforme nossos estudos, prezado estudante, ficou perceptível a relação 
conceitual do currículo a uma teoria tradicional, que fragmentava o saber e 
colocava o aluno, de maneira muito presente, na prática da educação bancária. 
Indo de encontro a essa perspectiva curricular educacional, surge a teoria 
crítica, com um currículo que ampliava as possibilidades de metodologia e com 
os objetivos específicos para a escola, denominado como currículo subjetivo. O 
currículo subjetivo colocava em questão a prática do professor, diferentemente 
da teoria tradicional. Era então analisado sua maneira de ensinar e, igualmente, 
se essa metodologia realmente permitiria o aprendizado e a construção do saber 
por parte dos educandos. 
 
 
Fonte: https://i.ytimg.com/vi/SX7BdbrGRDc/maxresdefault.jpg
 
84 
 
Nesse cenário, em que a prática educativa era meio para a obtenção dos 
resultados e objetivos da escola, era primordial a inter-relação com o currículo e 
com a ideia de qual cidadão se queria formar, (claro, novamente, retornamos ao 
currículo como maneira de atender à demanda social, econômica e política), 
assim, conforme nos apresentou Demerval Saviani (1989), o ensino possibilitava 
ao educando a análise das relações sociais de forma crítica, ressaltando à escola 
a sua função e intensa responsabilidade no que se refere aos conteúdos e ao 
processo de transmissão e assimilação do saber sistematizado, levando a escola 
a exercer exatamente a sua função de escola, colocando todos os objetivos e 
atividades no espaço e tempo escolares, preocupando-se assim, com a 
qualidade do saber, abrangendo nesse sentido como está sendo ensinado os 
conteúdos e como é feito essa separação: 
 
[...] para existir a escola não basta a existência do saber sistematizado. 
É necessário viabilizar condições de sua transmissão e assimilação. 
Isso implica dosá-lo e sequenciá-lo de modo que a criança passe 
gradativamente do seu não domínio ao seu domínio. Ora, o saber 
dosado e sequenciado para efeitos de sua transmissão assimilação no 
espaço escolar, ao longo de um tempo determinado, é o que nós 
convencionamos chamar de “saber escolar” (SAVIANI, 2003, p.18). 
 
Contemplando a teoria crítica, em que o aluno é relevante no processo de 
ensino-aprendizagem, bem como as questões metodológicas e a prática docente 
e pedagógica, ela (a teoria crítica) faz uma relação social com todos esses 
apontamentos, tornando-se um elo entre eles e abordando discussões que 
permeiam o dia a dia do educando, como as questões étnico raciais, as religiões, 
as questões políticas e ideológicas, por exemplo.
Nesse contexto, a teoria crítica apresenta o objetivo de redução da lacuna 
que envolve as desigualdades sociais, levando a pedagogia a ser denominada 
como pedagogia das oportunidades, aquela capaz de emancipar e libertar o 
sujeito, ou seja, embasada em Paulo Freire, leva o educando a construir o 
aprendizado, considerando suas próprias experiências e favorecendo a sua 
comunicação, dando a ele voz, reflexão e criticidade. 
Mas claro, não obstante, a sociedade é capitalista e o currículo cuja teoria 
é crítica. Dessa maneira, as relações constituídas na escola devem ir além dos 
conteúdos propostos, devem permitir a construção da socialização, porém, há 
 
85 
 
um impasse significativo que adentra a teoria crítica, que é exatamente a questão 
da sociedade vigente. 
A sociedade capitalista, por si só, apresenta características que 
enaltecem um modelo específico de saber e de sujeitos, dependendo 
exclusivamente de suas atividades, sua capacidade de reprodução e suas 
práticas econômicas. Ao contrário é a escola, que na contramão, com uma teoria 
tradicional, encontra um outro modelo social e passa a se adequar a ele por meio 
da criação da teoria crítica e suas especificidades no ensino. 
Nesse viés, a escola torna-se um meio relevante para sustentar a própria 
ideia capitalista, transmitindo por intermédio do próprio currículo suas ideias e 
ideologias, utilizando-sedas disciplinas e dos conteúdos. Outro ponto importante 
dessa transmissão do capitalismo na teoria crítica é, por meio das próprias 
relações constituídas na escola, diferenciando instituições e o próprio processo 
do ensino-aprendizagem, classificando-os entre opressores e oprimidos. 
Dessa maneira, pensando no poder da sociedade capitalista, da influência 
do poder da classe dominante e de uma pedagogia que proporcione 
oportunidades, a teoria crítica surgiu exatamente para contrapor a teoria 
tradicional, está em seu currículo, diretamente relacionada a apontamentos que 
permitem reflexões sobre a ideologia e a reprodução cultural e social, a classe 
social e ao capitalismo, as relações sociais de produção, ao currículo oculto, a 
resistência e a conscientização, emancipação e libertação dos educandos. 
 
8.4 Teoria pós-crítica 
 
A Teoria pós-crítica foi iniciada entre as décadas de 1970 e 1980, 
realizando uma dura crítica à teoria tradicional e, até mesmo, à própria teoria 
crítica, elevando o currículo ao campo moral e ético, colocando o aluno como a 
essência do processo de ensino-aprendizagem e não pura e simplesmente as 
questões relacionadas às classes sociais e aos processos econômicos. 
 Em diversos eixos, a teoria pós-crítica se diferencia da teoria crítica, 
sobretudo no que tange as questões sociais de uma política economicamente 
capitalista, pois, para a teoria pós-crítica, não há um núcleo de subjetividade a 
ser libertado da alienação causada pelo capitalismo. 
 
86 
 
Dessa maneira, o currículo não é uma questão política ou partidária, mas 
sim a construção do próprio sujeito, estando envolvido de maneira direta e 
significativa na formação totalitária do cidadão. As teorias pós‐críticas surgiram 
para repensar o papel de neutralidade política em relação à própria concepção 
de currículo, buscando contrariar a relação bancária e a transmissão de 
conhecimento, fortemente pertencente ao processo educacional brasileiro, 
sobretudo na teoria tradicional. 
O conceito de “multiculturalismo” (currículo multicultural) está intimamente 
relacionado à teoria pós-crítica, englobando um currículo capaz de respeitar as 
diversas formas de cultura presentes no mundo, independente de poder e 
sociedade dominante. Nesse viés, todas as culturas são vistas igualmente, não 
havendo separação ou uma visão verticalizada e hierárquica. 
Essa visão de igualdade cultural e, naturalmente, curricular, surgiu na 
teoria pós-crítica em relação à cultura dominante, inclusive no que se refere a 
uma educação de qualidade, que vinha privilegiando somente a cultura branca, 
masculina e europeia. A escola assim, por meio do currículo, incluiu a 
diversidade cultural (o multiculturalismo), que abrangeram para demais 
perspectivas, denominadas humanista e liberal. 
De maneira geral, essas perspectivas trabalhavam com a convivência e 
respeito entre a diversidade cultural, porém, sem realizar alterações para a 
classe dominante, apenas abrindo mais espaço às demais culturas. Há uma 
questão bastante pontual quando remetemos às diversidades culturais e à 
educação curricular, afinal, muitas situações conflitantes e de desigualdades que 
envolvem o processo de escolarização estão entrelaçados às questões raciais e
de sexo e gênero, não apenas de poder econômico e político. 
Um aspecto relevante e com enfoque significativo na teoria pós-crítica e 
que se refere às questões de desigualdades apontadas acima, é o próprio 
gênero, enaltecendo o feminismo com o intuito questionador sobre uma cultura 
patriarcal, que predomina o sexo masculino e gera infinitas desigualdades entre 
homens e mulheres. Nesses aspectos de desigualdades, a educação está 
inclusa, inclusive dentro do próprio currículo, fazendo distinção do que eram 
disciplinas masculinas e aquelas direcionadas as mulheres. 
A intenção de promover a igualdade entre os gêneros, no âmbito 
curricular, era exatamente de que eles reconhecessem os apontamentos 
 
87 
 
femininos como necessários, igualmente aos masculinos, deixando para trás a 
relevância apenas aos conhecimentos pertinentes ao homem. 
Nesse viés, fica perceptível, por meio da teoria pós-crítica, que para 
ocorrer um currículo multicultural não basta incluir informações de culturas 
diversas, mas passar a verdadeiramente considerar as diferenças, sejam elas 
raciais, sexuais, socioeconômicas ou de ordem política. 
Amplamente, pode-se enfatizar que a teoria pós-crítica é uma crítica às 
teorias anteriores, colocando-as sob suspeita, tanto no aspecto político quanto 
educacional. Referente à teoria crítica, a pós-crítica desconfia sobretudo de seus 
aspectos emancipadores e libertadores que são enaltecidos nessa concepção 
teórica. 
Outro aspecto relevante ao pensarmos em especificidade da teoria pós-
crítica é a radicalização que ela realiza sobre os questionamentos acerca do 
currículo, colocados pela própria teoria crítica. É essencial perceber que a teoria 
pós-crítica prioriza o discurso sobre a realidade realmente concreta, enfatizando, 
sobretudo, o currículo multiculturalista, conforme descrito acima. 
 
 
 Saiba mais 
As teorias curriculares são focos de diversos estudos, inclusive acadêmicos, 
envolvendo pesquisadores de mestrado e doutorado, além de renomados 
escritores de temas educacionais. Para ampliar seus conhecimentos acerca das 
teorias curriculares, sugiro que você realize a leitura do artigo “Teoria do 
Currículo: o que é e por que é importante”, disponível no link: 
http://www.scielo.br/pdf/cp/v44n151/10.pdf 
 
Conclusão da aula 8 
 
Prezado aluno, chegamos ao final de nossa disciplina e, mais 
precisamente, na exploração da aula atual, conseguimos compreender diversos 
apontamentos que envolvem o currículo, seus aspectos e histórico para, então, 
adentrarmos nas teorias curriculares que enfocamos na concepção das teorias: 
tradicional, crítica e pós-crítica, entrelaçando seus apontamentos históricos e 
políticos, bem como suas especificidades que geraram a construção de uma 
sobreposição teórica. Certamente todo o caminho que trilhamos até aqui foi 
 
88 
 
essencial para essa compreensão e, seguramente, para a construção de 
conhecimentos relevantes. 
 
Atividade de aprendizagem
Para que possamos compreender ainda mais sobre a educação e a 
sociedade, que aborda as questões curriculares entrelaçadas a própria 
cidadania, acesse ao vídeo disponível no link: 
, e faça alguns 
apontamentos sobre questões que você achar relevante. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
89 
 
Índice Remissivo 
A cultura e a cultura escolar ........................................................................... 
(Ambiente de educação; metodologias; práticas educacionais) 
 
38 
A escola brasileira e a equidade .................................................................... 
(Função básica; poder econômico; poder político) 
 
58 
A gestão democrática e o currículo ................................................................ 
(Autonomia; participação; valorização dos sujeitos) 
 
46 
A relação entre Currículo e Cultura escolar ................................................... 
(Considerações; necessidades sociais; transformações) 
 
38 
A relevância das políticas curriculares ........................................................... 
(Legitimidade; políticas educacionais; qualidade educacional) 
 
61 
A sala de aula, o professor e o currículo ........................................................ 
(Desafios; possibilidades; processo didático) 
 
49 
Analisando e refletindo sobre o currículo como proposta ............................... 
(Conteúdo; planificação; realidade interativa) 
 
23 
As dimensões da reflexão, da estratégia e da ação no currículo .................... 
(Dinamização; organização; planejamento) 
 
14 
As diversas influências sobre a cultura escolar ..............................................(Cultura acadêmica; cultura experiencial; cultura social) 
 
42 
As teorias curriculares ................................................................................... 
(Cultura; processos formativos; realidade educacional) 
 
79 
Aspectos históricos e culturais que permeiam o currículo .............................. 
(Fundamental; momentos vivenciados; transformando) 
 
12 
Caracterização e fundamentos do currículo .................................................. 
(Currículo escolar; processo histórico; transformação) 
 
17 
Como pode ser visto, vivido e caracterizado um currículo? ........................... 
(Ambiente escolar; formalizações didáticas; modalidades curriculares) 
19 
Concepções e histórico do currículo .............................................................. 
(Afetivo; emocional; social) 
 
08 
Concepções e perspectivas curriculares: as opções teóricas ........................ 
(Campo de investigação; complexo; experiência) 
 
71 
Cultura escolar e o currículo .......................................................................... 
(Cultura; comunidade; escola) 
 
43 
O currículo ..................................................................................................... 
(Atualização; Conceito; Possibilidades) 
 
08 
 
90 
 
O currículo como construção do conhecimento ............................................. 
(Construção social e cultural; fenômeno prático; práxis) 
 
71 
O currículo disciplinar linear .......................................................................... 
(Aprendizagem; avaliação; metodologia) 
 
30 
O currículo e a organização do trabalho pedagógico ..................................... 
(Diversas Mudanças; Permeia; Semeia) 
 
46 
O currículo e os processos formativos: nascem as teorias ............................ 
(Epistemológica; função formativa; metodologia) 
 
79 
O currículo escola-novista ............................................................................. 
(Diferença; educação contemporânea; processo educacional)
 
53 
O currículo integrado ..................................................................................... 
(Conhecimento construído; modalidade integrada; reflexão) 
 
32 
O currículo tecnicista ..................................................................................... 
(Autoritária; executores; receptores) 
55 
O currículo tradicional .................................................................................... 
(Aluno; avaliação; metodologia) 
 
51 
O currículo, a escola e algumas políticas que o embasam ............................. 
(Escola brasileira; equidade; modificações) 
 
58 
O Projeto Político Pedagógico na organização curricular .............................. 
(Educação igualitária; norteador; recursos pedagógicos) 
 
36 
Os fundamentos curriculares ......................................................................... 
(Aspectos sociais; base de sustento; fundamento) 
 
22 
PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) .................................................... 
(Essencial; igualdade; qualidade)
 
63 
Processo metodológico da organização curricular ........................................ 
(Cunho obrigatório; organização; planejamento) 
 
27 
Quais as relações que existem entre a construção do conhecimento e o 
currículo? ...................................................................................................... 
(Conhecimento; corpo docente; educação ativa e autônoma)
 
 
75 
RCN (Referencial Curricular Nacional) .......................................................... 
(conteúdos; didáticas; metodologia) 
 
66 
Refletindo sobre a organização curricular ..................................................... 
(Currículo centro da escola; direito inalienável; perfil socioeconômico) 
 
27 
Regime seriado e regime ciclado ................................................................... 
(Escola tradicional; fenômenos repetitivos; organização curricular) 
 
33 
Teoria crítica ................................................................................................. 
(Assimilação; currículo subjetivo; teoria crítica) 
 
83 
 
91 
 
Teoria pós-crítica .......................................................................................... 
(Humanista e liberal; multiculturalismo; radicalização) 
 
85 
Teoria tradicional ........................................................................................... 
(Taylorismo; teorias técnicas; teorias tradicionais) 
 
81 
Uma escola sem políticas curriculares: é possível? ....................................... 
(Contempla a educação; diretrizes; processos históricos) 
 
68 
Vamos falar sobre o processo de conhecimento? ......................................... 
(Conhecimentos acadêmicos; experiencias; vivências) 
 
74 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
92 
 
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Copyright © - É expressamente proibida a reprodução do conteúdo deste material integral ou de suas
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Marketing da Faculdade UNINA. O não cumprimento destas solicitações poderá acarretar em cobrança
de direitos autorais.ocorra o 
trabalho e a coleta de resultados pela busca por uma educação de qualidade, 
porém, o que é perceptível, é que esse currículo não chegou a 
contemporaneidade pronto e acabado, ele possui um caminho histórico 
percorrido e transformações culturais, sociais e políticas, que o permearam ao 
longo de décadas. 
Nesse pensamento, o currículo não pode ser visto pura e simplesmente 
como um apanhado de conteúdo a ser trabalhado nos tempos e espaços 
escolares, com normas e regras pré-estabelecidas tanto ao docente quanto à 
comunidade escolar, direcionando somente como será a escola e as questões 
conteudistas. O currículo e todo o seu processo histórico vai muito além desse 
cenário, ele é uma construção social, histórica e cultural. 
 
 Saiba mais 
Afinal, o que pode-se entender por comunidade escolar? Comunidade escolar 
é o conjunto das pessoas envolvidas diretamente no processo educativo da 
escola e responsáveis pelo seu êxito; é o corpo social da escola composta por 
docentes, discentes, outros profissionais da escola e pais ou responsáveis pelos 
alunos, disponível no link: http://www.fundacaobunge.org.br/biblioteca-bunge/ 
glossario/ 
 
Isso significa que o currículo e toda a sua estrutura é um reflexo dos 
momentos vivenciados pela sociedade, englobando diversos aspectos. Suas 
transformações ao longo do tempo se deram exatamente nesse contexto,
proporcionando ao docente um saber muito mais do que técnico, é preciso saber 
mais do que os conteúdos que são de cunho obrigatório, mas entrelaçar o 
currículo como um todo, em um viés que apresente significado com sua própria 
orientação curricular. 
Ao decorrer do processo histórico que cerca a educação, diferentes 
maneiras de pensar o currículo e fazer a escola foram surgindo, e, 
consequentemente, novas concepções e teorias pedagógicas. As concepções 
 
13 
 
pedagógicas determinaram por um período específico, toda a educação básica 
e suas particularidades, envolvendo a relação professor e aluno, a forma de 
ensinar e aprender, o processo avaliativo e outros. Dessa maneira, o currículo 
torna-se mutável e passível de transformações, não sendo fixo, ele é práxis e 
apresenta uma função social e cultural significativa para a educação e, 
sobretudo, ao educando e sua formação totalitária, não apenas ao processo de 
escolarização. 
Nesse viés, as questões que envolvem o processo histórico e cultural se 
dão pelas funções do currículo, por meio de projetos e socializações presentes 
nos próprios conteúdos, pelas concepções que o cercam e suas práticas 
educativas. A história presente nas próprias concepções curriculares engloba 
diversos momentos significativos e norteadores, que apresentaram como cunho 
principal a adequação da gestão curricular conforme as necessidades 
econômicas, sociais e culturais da época, bem como a compreensão de sua 
atuação e a proposta de uma escola igualitária. 
Pelos motivos acima descritos, pode-se compreender facilmente esse 
processo histórico que há no currículo que permeia a educação brasileira, desde 
o início do processo de escolarização, com os próprios Jesuítas, caminhando 
historicamente até a contemporaneidade. 
 
Reflita
Acerca de currículos e concepções que anteriormente direcionaram a escola, é 
possível que retornem no processo histórico, social e político que vivenciamos 
nesse momento? 
 
Vamos nos recordar do currículo e suas contribuições quando a 
necessidade de mão de obra foi colocada em questão, ou ainda, no período em 
que apenas o professor era visto como o detentor do conhecimento e o aluno 
era apenas formado no âmbito da obediência e da reprodução. São 
apontamentos que percebemos o quanto foram significativos para a época, 
inclusive no cenário político e que determinaram muitas funções para a escola e 
todos aqueles que faziam a escola. 
 
14 
 
Seguindo essa vertente, o processo histórico curricular está também 
diretamente relacionado a questão formadoras, tanto dos educandos quanto dos 
docentes. Conforme as alterações históricas e sociais aconteciam, o professor 
também se modificava. Tais alterações eram realizadas desde a sua formação 
inicial até as suas atribuições e metodologias. 
O currículo e seus processos históricos, envolvendo as questões culturais, 
sociais, econômicas e políticas, ditaram e construíram a educação brasileira ao 
longo de décadas, deixando como herança a responsabilidade de trabalhar em 
prol de uma significativa educação, permeando as leis que direcionam todo o 
processo educacional brasileiro. 
 
1.3 As dimensões da reflexão, da estratégia e da ação no currículo 
Ao pensarmos em currículo na amplitude de suas estratégias e de suas 
concepções, é relevante incluir três aspectos: reflexão, estratégia e ação. 
Segundo Torre (1993), tais conceitos estão divididos a fim de contemplar a 
organização e a dinamização curricular, incluindo a ideia de plano, processo e 
ação, subdividindo-os da seguinte maneira: 
 
Reflexão/Planejamento Estratégia/Processo Ação 
O conceito se orienta em 
uma dimensão reflexiva, 
enfatizando teorias, 
fontes, funções e 
conceitualização. 
Refere-se a elementos 
estratégicos e técnico-
processuais, envolve os 
componentes curriculares, 
níveis, modalidades ou 
organização. 
Apresenta um caráter 
operativo, como a 
implementação, tipos de 
currículo, aspectos 
especiais e diferenciais e 
adaptações curriculares. 
Organização e dinamização curricular 
Fonte: elaborado pelo autor (2017), embasada na obra de Eyng (2010), adaptado pelo 
DI (2019). 
 
Dessa maneira, pode-se perceber que o currículo ocupa as três 
dimensões descritas acima, diferenciando suas concepções e sendo composto 
pelo planejamento, pelo processo e pela ação. Assim, pensando nessa 
estruturação do currículo, há pontos distintos a serem conhecidos: 
 
➢ Conteúdos curriculares; 
➢ Proposta pedagógica; 
 
15 
 
➢ Modalidades curriculares; 
➢ Modelos curriculares; 
➢ Inovação curricular; 
➢ Níveis de concretização. 
 
 Importante 
Para Sacristán (2000, p. 15), “o currículo é uma prática na qual se estabelece 
diálogo, por assim dizer, entre agentes sociais, elementos técnicos, alunos que 
reagem frente a ele, professores que o modelam”. O próprio termo concepção 
curricular refere-se à maneira de entender ou conceber o currículo em si, ou 
seja, a análise referente aos fundamentos epistemológicos,
ciência/conhecimento e aos fundamentos ideológicos, ideia humana e 
percepção de mundo. Nesse viés, o currículo se apoia em abordagens 
tecnológicas, psicológicas, antropológicas e sociológicas. 
 
Os conteúdos curriculares diretamente se relacionam aos 
conhecimentos, aos elementos da cultura que foram socialmente organizados, 
como foi determinado as competências, habilidades, atitudes e valores. 
A proposta curricular, também denominada por proposta pedagógica, é 
um plano que tem como objetivo descrever as ações didáticas que serão 
realizadas. Assim como demais planejamentos, ela é flexível sendo passível a 
alterações. É importante considerar alguns aspectos, tais como os conteúdos, 
métodos e avaliação, entre outros. 
As modalidades curriculares compõem outro aspecto fundamental do
currículo. Esse termo é utilizado para indicar as possíveis diferenças em relação 
ao currículo de uma modalidade de ensino, diferenciando-as e inserindo as 
especificidades de cada uma. Nela abrangem os instrumentos pedagógicos ou 
estratégias reflexivo aplicativas destinadas a melhorar ou dar conta das 
atividades formativas que atendam a diversidade. 
Os modelos curriculares se diferenciam das modalidades curriculares, 
pois, quando remetemos ao modelo de um currículo, estamos pensando em 
linhas e paradigmas que são adotados pela escola. Uma escola pode escolher 
entre uma vertente tradicional de ensino, escolanovista, tecnicista, crítica ou pós-
 
16 
 
crítica e, essa escolha, com certeza, interfere no modelo curricular de ensino, 
tanto no quetange sua proposta quanto sua aplicação. 
O termo denominado inovação curricular é fundamental para a 
construção do currículo, pois nele algumas alterações significativas podem 
acontecer. É nela que alterações de práticas de currículo acontecem, sempre 
com o intuito de melhoria da qualidade de ensino. 
Os níveis de concretização curricular envolvem aspectos relevantes que 
atuam em diferentes esferas administrativas. Pode-se considerar três níveis de 
concretização, sendo o primeiro, aquele que envolve a União, Município e 
Estado, ou seja, é o primeiro nível de concretização e regido pelas políticas 
curriculares, pelos parâmetros e diretrizes que são determinadas para cada 
modalidade de ensino. O segundo nível relaciona-se ao Projeto Político 
Pedagógico e sua construção, enquanto o terceiro e último nível de 
concretização corresponde à sala em que são desenvolvidos os planos e 
projetos de ensino-aprendizagem. 
 
 Saiba mais 
Para uma melhor compreensão das concepções de currículo e políticas 
curriculares, acesse ao vídeo Política Educacional – O direito de aprender (Mário 
Sérgio Cortela), disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=P5APS 
WWOxfo 
 
Conclusão da aula 1 
 
Bem estudante, estamos chegando ao final dessa nossa primeira aula e 
pode-se perceber que muitos termos são utilizados ao se remeter ao currículo, 
a fim de gerar a reflexão, a estratégia e a ação, sendo todos imprescindíveis a 
fim de, pelo conhecimento, gerar a melhoria da qualidade da educação. Essa 
aula nos permitiu conceituar o currículo, afinal, ele tem um conceito único e 
imutável. Foi visto o currículo, desde o início das possibilidades de sua 
conceituação, até os dias atuais, gerando diferentes conceitos. 
 
 
 
17 
 
Atividade de aprendizagem
Prezado estudante, nesse momento é importante que você reflita sobre os 
principais pontos abordados em nossa aula e, para fixação, sugiro que confira 
em uma escola que você tenha acesso, como ocorre a relação teoria e prática 
entre o currículo e a escola. Depois transcreva os principais apontamentos 
relacionando-os com nossos aprendizados. 
 
 
 
 
Aula 2 – Caracterização e fundamentos do currículo 
 
Apresentação da aula 2 
Olá aluno, nesta aula vamos refletir um pouco mais sobre o currículo 
escolar, suas características e fundamentos. Inicialmente é importante que você 
perceba que a escola, seguramente, passou por transformações significativas 
ao longo de seu processo histórico, político e social, e que está em constante 
modificação que, naturalmente, envolveram o currículo em um passado não tão 
distante e envolverão o currículo escolar em todas as suas etapas de alterações 
e melhorias da instituição escolar. 
 
2.1 Caracterização e fundamentos do currículo 
 
Para uma melhor compreensão dessa realidade, vamos regressar na 
história e perceber que as funções e características escolares mudaram, e muito, 
de décadas atrás, até a contemporaneidade. Anteriormente não existia um 
conflito ou reflexão sobre o que deveria ser ensinado nas escolas, ou melhor, 
em determinados períodos, embasados em uma educação tradicional e 
bancária, não se refletia sobre o que seria “transmitido” aos alunos. 
 
18 
 
 
Paulo Freire 
Fonte: https://envolverde.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/paulo-freire-padago 
go-educador-escritor-pensador-educacao.jpg 
A escola então assumia um papel apenas de transmissora do 
conhecimento científico e não era voltada para alguns aspectos que envolviam 
muito mais do que o saber, como a formação integral do sujeito que, certamente, 
relacionariam os aspectos sociais, psicológicos, emocionais, afetivos e outros, 
além dos conteudistas. Com o passar do tempo, a sociedade se transformou e 
passou a exigir da escola muito mais do que uma formação de conteúdos e 
saberes dos livros didáticos, o que gerou, certamente, algumas transformações 
muito significativas na função escolar, que passou não somente a trabalhar 
conteúdos, mas também à formação do aluno como um todo, buscando formar 
um cidadão democrático, autônomo e crítico. 
 
Curiosidade 
Afinal, o que significa a educação bancária? Paulo Freire define como "bancário" 
a pedagogia burguesa, comparando os educandos a meros depositários de uma 
bagagem de conhecimentos que deve ser assimilada sem discussão. Essa 
modalidade de educação teria como objetivo não equalizar os conhecimentos 
entre educador e educando, mas sim "manter a divisão entre os que sabem e os 
que não sabem, entre os oprimidos e os opressores". 
 
Ilustrando esse conceito, pode-se compreender a educação bancária pela
seguinte imagem: 
 
19 
 
 
Fonte: elaborado pelo autor (2017). 
 
Reflita 
Você conseguiu compreender e refletir acerca dessa transformação? Afinal, a 
escola assumiu um posicionamento que antes era considerado somente da 
família. Então pode-se perguntar: “e o currículo nesse cenário, quais são suas 
características e fundamentos”? 
 
Essa é uma ótima reflexão que, seguramente, faremos e esclareceremos 
ao longo de nossa viagem pela temática de nossa aula de hoje. Assim, pensando 
no cenário de agregar funções sociais e de formação integral para a escola, o 
currículo, suas pesquisas e discussões, estão relacionadas a um suporte 
essencial para a escola e para a comunidade escolar, como os docentes, 
coordenadores e diretores pedagógicos. Assim, tudo o que ocorre dentro e fora 
dos muros escolares passam a ser organizados para que sejam utilizadas e 
relacionadas as questões de formação integral do aluno e de maneira contínua 
e significativa a esse processo de ensino-aprendizagem. 
 
2.2 Como pode ser visto, vivido e caracterizado um currículo? 
 
Refletindo sobre os aspectos de características do currículo, ele não pode 
ser entendido e nem conceituado como uma segregação de áreas e de 
conhecimentos específicos, envolvendo metodologias e conteúdo. Assim, 
Educação
Bancária
Transmissão
de saber
Falta de
autonomia do
educando
Professor era o
detentor do
conhecimento
Recepção de
conteúdos
transferidos
 
20 
 
precisamos nos atentar a um currículo que englobe de maneira coletiva os 
saberes e todos os aspectos que envolvem a formação totalitária do educando. 
Dessa maneira, vamos sempre nos atentar a um currículo que aborde uma 
cultura embasada na realidade, que surge de uma série de processos e que não 
se limita e, tão pouco, que seja imutável, distante da realidade da comunidade 
escolar, sobretudo do educando e de suas experiências.
Os aspectos que envolvem a exploração dessa segunda aula são a 
relação entre o currículo e a escola atual. Nessa perspectiva, a escola deverá 
promover situações, as quais permitam que esse currículo tão pensado e 
estruturado realmente aconteça na prática, promovendo um ambiente e uma 
educação de qualidade e prazerosa, levando a escola a ser vista não somente 
como um local de educação formal, mas também de relações sociais, 
estabelecendo vínculos afetivos sólidos e permitindo ao educando dialogar, 
compartilhar, retribuir e construir relações significativas que vão além dos 
conteúdos propostos em sala de aula, e, ao professor, a reflexão e alteração de 
suas práticas metodológicas sempre que necessário. 
Assim caro aluno, vamos refletir sobre a caracterização e função 
curricular, colocando-o como vimos em nossa primeira aula, como um 
instrumento essencial para a construção de saberes, de identidade dos alunos e 
da própria instituição escolar, bem como da formação que se deseja construir. 
Dessa maneira, pode-se afirmar que o currículo se torna a base de toda a escola 
e de todo o processo educacional, envolvendo as experiências de vida, as 
situações empíricas e as vivências pedagógicas, sociais e culturais. 
E assim, estudante, você deve refletir sobre a “neutralidade” curricular,
afinal, se ele é envolto por experiências de vida pedagógica, levandoem 
consideração situações que vão além dos muros escolares, poderá então ser 
caracterizado como neutro ou até mesmo passivo? Acredito que tenha 
respondido que “jamais”, pois o currículo representa força, autonomia,
legitimidade, ideologias, sistemas sociais, políticos e econômicos que envolvem 
não somente o espaço da escola, mas da comunidade, do bairro e até do 
município que está inserida. 
Uma característica significativa do currículo e que se entrelaçará com a 
sua concepção, vista em nossa primeira aula, é acerca da relevância que ele 
apresenta frente ao trabalho docente. É um orientador de todo o caminho a ser 
 
21 
 
percorrido ao longo da formação do sujeito, bem como, do direcionamento do 
professor em suas atividades e práticas pedagógicas, porém, ele não deve 
assumir uma caracterização imutável, mas sim, ser visto como um recurso 
flexível que busque atender as demandas tanto da escola quanto do professor e 
também dos educandos.
Agora, vamos conhecer, na temática da caracterização curricular, três 
modalidades fundamentais que se inter-relacionam com o currículo escolar. O 
primeiro dele é o currículo formal, seguido pelo currículo oculto e finalizando, 
o currículo nulo. Acompanhe as tabelas explicativas que abordam as principais 
características de cada modalidade: 
 
Currículo Formal 
Conjunto dos conteúdos culturais explicitamente declarados nas diretrizes 
curriculares, estabelecido pelos sistemas de ensino, expresso em diretrizes 
curriculares, objetivos e conteúdo das áreas ou disciplinas de estudos; encontrado 
nas leis, e nos parâmetros.
Currículo Oculto 
Conjunto de situações escolares não publicamente declaradas, isto é, aquilo que os 
alunos aprendem no cotidiano escolar, mas que não é ensinado pela escola. 
Currículo Nulo 
Currículo que a escola não ensina. Trata-se da ausência da oportunidade de 
aprender. 
Modalidades curriculares 
Fonte: elaborado pelo autor (2017), adaptado pelo DI (2019). 
 
No processo de compreensão das particularidades de cada modalidade é 
importante ressaltar alguns pontos fundamentais. Veja, o currículo formal é 
exatamente aquele determinado pelas legislações educacionais brasileiras, ou 
seja, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a nossa LDBEN nº 
9394/1996, por nossas Diretrizes Curriculares, pelos Parâmetros Curriculares 
Nacionais, pelos Referenciais Curriculares Nacionais e outras políticas e 
normativas curriculares de nossa educação. Em sua maioria, elas são 
determinações fixas que devem ser seguidas, já outros, apenas orientam e 
sugerem à escola o que podem contemplar no âmbito curricular para auxiliar na 
formação totalitária do educando. Com a modalidade do currículo formal, a 
 
22 
 
cultura é sempre levada em consideração, além de direcionar os principais e 
necessários assuntos e conteúdo a serem abordados, conforme a realidade e a 
atualidade, realizando, certamente, as decodificações e formalizações didáticas 
correspondentes. 
Já o currículo oculto, é exatamente aquele que está entrelaçado de 
maneira muito significativa com as experiências empíricas do aluno e que, 
certamente, contribuem para a sua formação enquanto cidadão ativo, crítico e 
reflexivo. Pode-se nos ater nessa modalidade curricular aos temas transversais, 
pois são situações que ocorrem em ambiente escolar, porém, não fazem parte 
exatamente de uma disciplina ou conteúdo explícito, porém, estão presentes na 
formação totalitária do aluno. As suposições em sala de aula não podem ser 
planejadas, pelo próprio fato de serem silenciosas e incidentais. Assim, para se 
tratar de algum tema específico e, seguramente, relevante, é preciso que alguma 
situação em especial aconteça, justamente para que o docente levante o 
ocorrido, o tema e as aprendizagens que se relacionam a ele. 
Finalizando as modalidades, vamos agora pensar no currículo nulo, que 
é exatamente a ausência de oportunidades para aprender determinadas 
situações que fazem parte da formação integral do cidadão. Claro, essa 
modalidade curricular não substitui um docente jamais, mas é como um auxílio 
em relação às regras e às necessidades da escola e da comunidade como um 
todo. O currículo nulo é relativo à todas as atividades relacionadas ao 
aprendizado do aluno, sejam elas científicas ou sociais. 
 
2.3 Os fundamentos curriculares 
 
Seguindo nossa viagem pelos principais aportes que embasam o currículo 
e compreendendo algumas particularidades que envolvem os fundamentos 
curriculares. Você sabe exatamente o que esse termo significa? Veja, a palavra 
fundamento se relaciona exatamente a alicerce e, em nossos estudos, torna-se 
precisamente a base que sustenta um currículo. Então você deve estar se 
perguntando: “O que exatamente embasa um currículo”? Na verdade, um 
currículo é formado por um conjunto de ideias e aspectos, além das questões 
políticas e econômicas vigente. 
 
23 
 
Ao pensarmos em currículo no sentido dessa junção de aspectos e 
valores, ele assume, necessariamente, um âmbito articulado e com atividades 
que realmente são direcionadas, intencionadas e interdisciplinares, abordando, 
seguramente, questões como a visão do homem e de mundo, a sociedade, a 
cultura, trabalho e educação, atreladas às práticas pedagógicas que permitam 
construir e reconstruir as bases da formação integral do aluno. E, ressalto a você 
aluno que essa formação, essencialmente, deve permitir que, em fase adulta, o 
educando se coloque como capaz de contribuir social e economicamente para o
desenvolvimento de sua sociedade. 
Seguindo esse pensamento, pode-se então nos permitir compreender o 
currículo, voltado para a educação básica brasileira e seus fundamentos, como 
um apanhado de valores e questões conteudistas que relacionam a teoria e a 
prática, a fim de auxiliar a escola e a comunidade escolar na promoção da 
formação global do educando, envolvendo aspectos sociais, culturais, físicos, 
emocionais, psicológicos, além, é claro, de seu próprio processo de 
escolarização e de ensino-aprendizagem. 
Assim, certamente, o currículo deverá ser embasado em questões que 
reafirmem a necessidade de uma implementação que permita intercruzar as 
áreas de conhecimento e, não somente, de conhecimentos fragmentados, afinal, 
como auxiliar a formação totalitária do sujeito com um currículo que valoriza um 
saber repartido? Isso nos parece contraditório e, até certo ponto, realmente o é. 
Ao contemplarmos um currículo embasado em fundamentos que nos permitam 
interagir e articular entre os diferentes saberes científicos, permitimos aos 
nossos alunos uma compreensão significativa da realidade que nos cerca e, 
naturalmente, a estabelecermos positivamente os processos que envolvem a 
construção dos saberes. 
 
2.4 Analisando e refletindo sobre o currículo como proposta 
 
Seguindo, percebemos que o currículo envolve diversos aspectos para 
então definir sua conceituação e suas características e fundamentos. Para nos 
aprofundarmos em nossa temática, exploraremos o currículo como proposta, 
conteúdo, planificação e realidade interativa. Assim, é importante entendermos 
 
24 
 
que as concepções e características que apresentam o currículo como proposta, 
se refere diretamente ao processo de educação dos alunos. 
Para Rasco e Garcia (1994, p. 18), esse aspecto se diferencia por 
questões bastante singulares, pois o currículo como proposta é aquele que está 
diretamente ligado à educação dos educandos, que “adquire, inevitavelmente,
um significado prescritivo. Currículo é, então, o que deve ser desenvolvido nas 
escolas”, ou seja, aqui os autores se referem ao planejamento que organiza
todos os processos escolares de ensino-aprendizagem. Se tratando do currículo 
como proposta, deparamo-nos com três aspectos: 
 
➢ O currículo como conteúdo; 
➢ O currículo como planificação; 
➢ O currículo como realidade interativa. 
 
O currículo como conteúdo, apesar das variações,fica então definido 
como aquele que se encontra como uma sequência de unidades de conteúdo e 
aquele capaz de promover um conjunto de resultados de aprendizagem, sempre 
apoiadas em atividades anteriores, como uma sequência de anos e 
aprendizagens. Nessa forma curricular, Rasco e Garcia afirmam que o currículo 
“é uma questão de definir a sequência de atividades apoiadas e pré-requisitos 
desenvolvidos nas atividades anteriores”. 
 
 Importante 
Para Sacristán (2000), o currículo “é uma práxis antes que um objeto estático
emanado de um modelo coerente de pensar a educação ou as aprendizagens 
necessárias das crianças e dos jovens, que tampouco se esgota na parte 
explicita do projeto de socialização cultural nas escolas”. 
 
Essa concepção de currículo nos remete a uma prática extremamente 
antiga que relaciona a prática pedagógica ao cumprimento de conteúdos 
obrigatórios, levando o professor a uma preocupação excessiva de cumprir com 
a transferência dos conteúdos, como foi visto acerca da educação bancária,
 
25 
 
levando o próprio currículo à conceituação que se refere ao conjunto de 
conteúdos organizados em uma sequência gradativa de aprendizagem. 
Sobretudo, o currículo abordado como conjunto de conteúdo, também 
possui a vertente de ressaltar o papel da escola, quando atribuímos a ela a 
função de educação formal, atingindo os objetivos referente aos conteúdos 
propostos em currículo. 
O currículo como planificação é muito próximo ao currículo como 
conteúdo. O termo planificação significa planejar, assim, pode-se entender o 
currículo como planificação, aquele que indica e define os marcos das ações 
educativas de uma escola. Dessa forma, ele apresenta não somente conteúdos, 
o que precisa ser aprendido e ensinado, mas também os materiais e métodos de 
ensino. Nessa forma de currículo é preciso ficar atento para não os deixar 
apenas no planejamento, seguindo os marcos definidos, porém, apenas na 
intenção de colocá-lo em prática, é preciso ir além, se faz necessário que o 
currículo apresente intenções justificadas que sirvam de referenciais no 
detalhamento dos planos que os professores desenvolverão e que devem, por 
sua vez, caminhar conforme a realidade educacional que será desenvolvido. 
O currículo como realidade interativa aproxima-se da concepção 
prevista pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira, lei nº 9394/96 da 
elaboração participativa do projeto pedagógico curricular da escola, ou seja, 
nesta perspectiva de currículo é uma construção realizada na interação entre 
professores, alunos e de todos os que participam, direta ou indiretamente da vida 
da escola. 
Nesse viés, Rasco e Garcia apontam que o currículo com a proposta de 
realidade interativa, assemelha-se, fundamentalmente, na relação dinâmica 
entre o planejamento da escola, da aula e as considerações das divergências ou 
convergências existentes entre o currículo pensado e aquele realmente colocado 
em prática. Dessa maneira, o professor assume um papel principal, ele é visto 
como um agente curricular, é ele que, com sua formação, compreende, planeja 
e adequa a gestão ao currículo. 
É válido ressaltar que os autores Rasco e Garcia (1996, p. 27), dentro das 
concepções, caracterização e fundamentos curriculares descritas acima, 
apresentam como o termo “representação” aquilo que “representamos o mundo,
compreendê-lo e interpretá-lo.” Já a ação, refere-se à “atuação que temos sobre
 
26 
 
o próprio currículo, para muda-lo e transforma-lo.” Mediante a explanação das 
concepções curriculares, é importante percebermos que voltamos ao que 
Saviani nos aponta, de que não há um currículo certo ou uma definição 
engessada. Precisamos observar o contexto e qual a melhor representação e 
ação educativa deverá ser validada. 
 
 Saiba mais 
Saviani é um grande estudioso sobre o currículo e suas particularidades voltadas 
para a educação formal. Para que se compreenda sobre o cenário e 
pensamentos do autor, bem como as concepções de currículo e políticas 
curriculares, acesse ao vídeo de Saviani, que trata da temática das políticas 
educacionais brasileiras, disponível no link: 
https://www.youtube.com/watch?v=uhomL5IUoFk 
 
Conclusão da aula 2 
 
Nessa perspectiva caro estudante, em nossa segunda parte dessa incrível 
viagem, nos aprofundamos significativamente nas particularidades que 
envolvem o currículo, conhecendo termos específicos e necessários para a 
compreensão de diversos aspectos que envolvem nossa disciplina. Conhecer 
um pouco mais da história do currículo, bem como sua caracterização e seus 
fundamentos contribuíram para avançarmos ainda mais em nossa temática e na 
construção de nosso conhecimento, levando a compreender a relevância da 
relação estabelecida entre a teoria e a prática, entre os saberes diversos e o 
processo de ensino-aprendizagem, bem como entre as metodologias 
pedagógicas e os recursos didático-pedagógicos e, certamente, no trinômio 
sólido que é composto pela escola, comunidade escolar e o currículo, a fim de 
contemplar uma educação básica de qualidade e integral. 
 
Atividade de aprendizagem
Gostaria que você, caro estudante, após assistir ao vídeo de Saviani, escreva 
uma resenha apontando os principais conhecimentos solidificados por meio 
do vídeo. Vale a pena conferir e agregar mais saberes ao nosso conhecimento 
acerca da aula de hoje! Posteriormente, sugiro que retorne no início de nossa 
aula para refazer a leitura, de fato, essa ação lhe auxiliará ainda mais nas 
compreensões acerca do currículo e seu processo histórico. 
 
27 
 
Aula 3 – Processo metodológico da organização curricular 
 
Apresentação da aula 3 
 
Olá aluno, vamos refletir acerca da organização curricular? Perceba, para 
iniciarmos vamos pensar na própria expressão: “organização curricular”, o que
lhe vem à mente? Possivelmente uma organização de conteúdo, correto? Mas 
será que organizar um currículo é somente pensar e separar o que será ensinado 
e em qual ano ou série determinados conteúdos devem aparecer, sendo de 
cunho obrigatório? A prática, o planejamento, as atividades pedagógicas e o 
direcionamento do professor, fazem parte da organização curricular? 
Com certeza, afirmamos que organizar um currículo vai muito além desse 
pensamento e dessa ação. Organiza-lo é pensar na escola e na educação como 
um todo, ampliando os horizontes e adentrando os muros escolares, porém, não 
nos prendendo apenas em questões que envolvem a sala de aula, é preciso ir 
além, pensar no aluno, na educação com qualidade e direitos, na escola, na 
comunidade escolar e seus entornos. 
 
3.1 Refletindo sobre a organização curricular 
 
Nessa perspectiva, ao referirmos a organização curricular, precisa-se, 
inicialmente, recorrer à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) 
que apresenta alguns apontamentos acerca da organização curricular. Ressalto 
que o currículo é o centro da escola e da educação, tornando-se um ponto 
relevante para a sua organização, devendo ser refletido e planejado, pensando 
na realidade da escola e de sua comunidade escolar, a fim de, juntamente com 
a legislação e esferas de governo, garantir uma educação de qualidade, 
considerando que a educação é um direito inalienável de todos os cidadãos, 
sendo essa condição nata para o exercício dos direitos humanos, sociais, 
políticos e econômicos. 
O currículo escolar e sua organização permeiam o ambiente escolar e 
interferem em significativos processos e procedimentos que envolvem o dia a 
dia da escola e da comunidade escolar. A organização curricular deve estar 
voltada ao sistema de ensino, a concepção adotada pela escola o que, 
 
28 
 
naturalmente, já envolve aspectos específicos, como o perfil socioeconômico, a 
localização, a cultura regional entre outros, que contemplem toda a dimensão da 
construção das competências e habilidades que envolvem o processo de ensino-
aprendizagem compreendido naeducação básica. Assim, voltamos ao estudioso
Saviani, que apresenta a organização curricular, também conhecida como grade 
curricular, ficando definida da seguinte maneira: 
 
Organização curricular 
O conjunto de atividades 
desenvolvidas pela 
escola, na distribuição das 
disciplinas/áreas de 
estudo (as matérias ou 
componentes 
curriculares), por série, 
grau, nível, modalidade de 
ensino e respectiva carga 
horária, aquilo que se 
convencionou chamar de 
“grade curricular. 
Compreende também 
os programas, que 
dispõem os conteúdos 
básicos de cada 
componente e as 
indicações 
metodológicas para seu 
desenvolvimento. 
A organização curricular 
supõe a organização do 
trabalho pedagógico. 
Isso quer dizer que o saber 
escolar, organizado e 
disposto especificamente 
para fins de ensino 
aprendizagem, compreende 
não só aspectos ligados à 
seleção dos conteúdos, mas 
também os referentes a 
métodos, procedimentos, 
técnicas, recursos 
empregados na educação 
escolar. 
Consubstancia-se, pois, tanto 
no currículo quanto na 
didática. 
Organização Curricular segundo Saviani 
Fonte: elaborado pelo autor (2017), adaptado pelo DI (2019). 
 
Nesse viés, é perceptível a importância da organização curricular, ela está 
diretamente ligada a qualidade de ensino, assim, as diretrizes curriculares 
apontam para um planejamento e desenvolvimento do currículo que supere a 
fragmentação de disciplinas, enaltecendo a articulação dos conhecimentos. 
O currículo e sua organização, além de contemplar os aspectos descritos 
acima, precisam inserir o educando na sociedade da qual faz parte, tornando-o 
um cidadão crítico e conhecedor de seus direitos e deveres e, para atingir esse 
fim, a escola que possui sua consciência social, deve inserir na organização 
curricular aspectos que gerem a base nacional comum e os temas transversais, 
comprometendo-se com a cidadania e a formação integral do sujeito. Os 
Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNS) apresentam alguns aspectos 
 
29 
 
também norteadores que auxiliam na organização curricular. Vamos ver esses 
parâmetros na tabela abaixo:
 
OS PCNS E ASPECTOS TAMBÉM NORTEADORES NA ORGANIZAÇÃO 
CURRICULAR 
Respeito aos direitos humanos e exclusão de qualquer tipo de discriminação, nas 
relações interpessoais, públicas e privadas de igualdade de direitos, de forma a 
garantir a equidade em todos os níveis 
Participação como elemento fundamental à democracia 
Corresponsabilidade pela vida social como compromisso individual e coletivo 
A inclusão de temas socioculturais no currículo transcende o âmbito das 
diversas disciplinas e corresponde aos Temas Transversais, preconizados 
pelos PCNs para o Ensino fundamental e que se caracterizam por: 
Urgência social Abrangência 
nacional 
Possibilidade de 
ensino-
aprendizagem 
Favorecimento na 
compreensão da 
realidade social 
Na forma de: 
Ética, diversidade cultural, meio-
ambiente, saúde e orientação sexual 
Trabalho e consumo 
Aspectos norteadores para a organização curricular 
Fonte: elaborado pelo autor (2017), adaptado pelo DI (2019). 
 
Embasados na LDB 9394/96 e nos PCNS, é perceptível a relevância da 
conscientização ao construir a organização curricular de uma escola. A escola 
vai além de questões conteudistas, ela envolve aspectos da formação do 
educando que devem, obrigatoriamente, contemplar o processo de ensino-
aprendizagem, juntamente com a dialogicidade e com os saberes 
interdisciplinares. 
 
Vocabulário 
Dialogicidade: característica do que é dialógico, dialogal, daquilo que se efetua 
por meio do diálogo, de uma interação comunicativa, da conversa. Qualidade do 
que propõe acordo ou se efetiva por meio de um acordo: a dialogicidade entre 
nações conflitantes. 
 
30 
 
3.2 O currículo disciplinar linear 
 
Seguindo em nossa viagem pelos estudos acerca do currículo e de suas 
particularidades, vamos adentrar em uma temática extremamente significativa 
em todo esse processo. Conforme acompanhamos em aula anterior, a discussão 
acerca do currículo e seus modelos não é algo recente, sendo muitas vezes, o 
centro de intensas discussões, tanto no âmbito social e educacional, quanto no 
cenário político. Dessa maneira, ao refletir sobre a organização curricular, deve-
se ter em mente os aspectos que permeiam o currículo linear, também 
denominado como disciplinar. 
 
Reflita 
Mas, afinal, do que se trata essa forma de currículo? Quais suas finalidades e 
especificidades? 
 
Veja, o currículo disciplinar é aquele que atende à demanda das escolas 
na contemporaneidade e, a princípio, esse permanecerá em nossa educação 
brasileira por tempo indeterminado. Pensando em uma mudança significativa, 
envolvendo a alteração da espécie de currículo adotada, traria, sem dúvidas, 
intensas modificações, inclusive na prática pedagógica do professor. 
 
 Importante
O currículo está diretamente relacionado à concepção teórica que o fundamenta, 
assim, conforme a teoria, um estilo específico de currículo. O currículo disciplinar 
relaciona-se com as teorias reprodutoras, ou seja, as conservadoras e 
tradicionais. 
 
Pensando no próprio nome do currículo: “disciplinar”, pode-se buscar seu 
significado no latim, que indica à palavra disciplina, como doutrina e instrução 
a um pessoal, englobando os aspectos morais, artísticos e 
acadêmicos/escolares. Seguindo pela busca da etimologia da palavra, a 
disciplina escolar também pode ser vista como uma mera obrigação imposta 
aos educadores no âmbito conteudista, ou seja, o conteúdo que o professor 
precisa transferir ao seu aluno e esse, por sua vez, precisa absorve-lo e 
memoriza-lo. 
 
31 
 
Como uma de suas principais características, pode-se relacionar esse 
currículo a uma linha de montagem, como um sistema de produção, sendo 
bastante objetivo e direcionado, não há o que pode-se classificar como 
aprofundamento, levando as disciplinas que contemplam cada ano escolar, a 
seguir uma ordem e uma sequência, o que, em grande maioria, nos leva a nos 
deparamos com disciplinas fragmentadas, como se fossem criadas bifurcações 
de uma mesma matéria. 
Essa fragmentação também ocorre no momento que pensamos em teoria 
e prática, separando e classificando as disciplinas e conteúdo. Esse pensamento 
pode nos remeter a alguns equívocos que permeiam a própria disciplina, como 
a distinção clara que há entre os assuntos abordados na parte teórica, não os 
relacionando com a prática, bem como no aspecto de distanciar a aprendizagem 
da realidade do educando, não atribuindo significado ao que ele aprende na 
educação formal, com a sua vivência, sua prática e sua vida. 
Nessa perspectiva, o currículo disciplinar acredita que o aluno já possua 
um acúmulo de conhecimentos e que o próprio conhecimento é como um produto 
que deve apenas ser consumido, não havendo modificações, ele já está pronto, 
já é acabado, feito e concluído, precisando apenas ser transferido. 
Nesse aspecto, alguns termos e ações são comumente utilizados ao se 
tratar da teoria curricular tradicional e, naturalmente, no modelo linear disciplinar 
de um currículo, como: aprendizagem, avaliação, metodologia, organização, 
planejamento e os objetivos. Termos e aplicabilidade tal que levam o currículo 
disciplinar a relacionar-se diretamente ao mercado de trabalho e pela escola 
tradicional, nova e tecnicista, visando a memorização do conteúdo que já está 
acabado. 
Esse modelo curricular cabe exatamente ao que Freire denominou como 
prática de uma educação bancária. Nela, o aluno não possui voz ativa, não 
produz, apenas reproduz, não aponta, não instiga, não registra, não reflete e, tão 
pouco, desenvolve a criatividade e a criticidade. Assim, o educando, é 
comparado a uma espécie de folha em branco, que apenas recebe os conteúdos 
repassados pelo professor, a fim de memoriza-los e não de construí-los. 
 
 
 
 
32 
 
3.3 O currículo integrado 
 
Agora caro aluno, vamos conhecer sobre o currículo integrado. Vamosjuntos explorando essa forma curricular? Veja, ao ir de encontro ao modelo do 
currículo linear tradicional, nos depararemos com o surgimento do currículo que 
se refere à modalidade interdisciplinar ou também, aquele que é conhecido como 
currículo integrado. O termo interdisciplinar, etimologicamente, se refere a 
junção, a estabelecer relações entre duas ou mais disciplinas ou ramos do
conhecimento, trabalhando o que há de comum entre elas, ou seja, unir os 
objetos e formar os conhecimentos. 
Quando remetemos a alguns pontos específicos do currículo, sobressai, 
como uma de suas especificidades, a desfragmentação da educação, 
envolvendo questões conteudistas, bem como os aspectos da construção do 
conhecimento que, nessa visão, não é um saber já pronto e sem alterações, 
podendo ser visto como a construção de conhecimento de maneira integrada. 
Dessa maneira caro estudante, o currículo interdisciplinar aborda essa 
integração de saberes, rompendo com a ideia da divisão da educação e as áreas 
de conhecimento, tão aplicadas e utilizadas até a contemporaneidade. Nessa 
perspectiva, algumas características básicas são atribuídas a essa concepção 
curricular, destacando a inter-relação entre a teoria e a prática no processo 
formativo, ou seja, as disciplinas em si se complementam e se integram. 
A favor do pensamento Freireano da educação, a modalidade integrada 
ressalta o conhecimento construído pelo educando, nele o aluno não é mais uma 
folha em branco, ele possui suas experiências e vivências além, é claro, da 
capacidade de reflexão, de pensamento, de ação, de sistematização e de 
comunicação. Nesse contexto, o currículo interdisciplinar relaciona-se com a 
teoria crítica e construtivista, que serão aprofundadas em aulas seguintes, pois 
são capazes de interferir de maneira direta e significativa na formação integral 
do sujeito, tornando-o um cidadão crítico, autônomo e reflexivo, capaz de 
dialogar e se posicionar na sociedade que faz parte. 
Outra característica significativa nessa modalidade curricular e que 
merece destaque é a relação dos diferentes componentes curriculares 
englobados na própria rotina escolar, ou seja, para que os conhecimentos
construídos pelo educando tenham significado é preciso ficar atento a alguns 
 
33 
 
pontos como as temáticas abordadas e a realidade socioeconômica da escola e 
da sua clientela. 
Com esses apontamentos, percebemos que nessa formação curricular o 
conhecimento é o objetivo e o resultado de um processo que foi pensado, 
refletido, analisado e construído, não está pronto ou acabado e, todo esse 
processo é mediado pela própria percepção do aluno frente aos objetos de 
estudo, bem como pela metodologia utilizada, ocorrendo assim uma relação 
relevante entre o aluno, o objeto, o pensamento e a interação, promovendo a 
construção de um conhecimento significativo. 
Quando pensamos na atualidade e, sobretudo em alguns aspectos que 
envolvem a educação brasileira, como as políticas educacionais, fica claro a 
necessidade de implementação totalitária de um currículo integrado, que 
contemple o educando e seus pensamentos, bem como promova a 
interdisciplinaridade entre os conteúdos. Para tal fato, é preciso uma 
remodelagem dos próprios profissionais da educação, além dos recursos e 
objetivos educacionais afinal, o currículo integrado vai além da junção de 
conteúdos e disciplinas, ele visa a formação integral do sujeito, abrangendo 
aspectos sociais, políticos e econômicos, permitindo ao educando transformar-
se em um cidadão crítico, reflexivo e atuante na sociedade, com seus 
pensamentos e reflexões, utilizando-se de sua própria fala e comunicação e, não 
apenas, um mero transmissor de saberes. 
 
3.4 Regime seriado e regime ciclado 
 
A escola tradicional esteve presente por muitas décadas na educação 
brasileira, contemplando assim o regime seriado, que abrangeu o final do século 
XIX até meados da década de 1980. Sabe-se que a educação tradicional, em 
diversos aspectos, não contemplava o aluno e a sua própria construção do 
conhecimento, sendo conhecida como aquela pedagogia que se centrava na 
transmissão do saber, daqueles conhecimentos até então considerados 
essenciais para a formação do educando, sobretudo no aspecto social e ao 
mercado de trabalho. 
 
 
34 
 
 
A escola tradicional 
Fonte: https://aviagemdosargonautasdotcom.files.wordpress.com/2012/11/248508_361 
451710603541_546128288_n.jpg 
 
Nesse viés, contemplando a pedagogia tradicional, a forma de 
organização curricular seriada ocorria por meio da segregação dos componentes 
curriculares para cada campo do conhecimento e, posteriormente, para a divisão 
de séries. Nessa forma de organização curricular fica determinado aspectos 
temporais, sendo então, pela própria legislação escolar, estabelecido períodos 
específicos para ensinar e para aprender, bem como o que deve ser transmitido 
e o que deve ser memorizado e absorvido em cada ano ou série escolar, não 
havendo distinção para esse tempo assim, não se leva em consideração 
questões peculiares como as dificuldades de aprendizagem ou necessidades 
especiais. 
Outra forma de organização curricular frequente na educação brasileira, 
embasada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, é o regime 
ciclado. Existem algumas diferenças significativas ao compara-lo ao regime 
seriado, sobretudo no que se refere ao tempo, ao processo de ensino-
aprendizagem e ao educando. 
Na organização curricular por ciclos, a idade dos alunos é determinante 
para o agrupamento e organização do ensino fundamental, almejando a 
formação totalitária do sujeito, abordando valores fundamentais e que são 
essenciais para além dos muros escolares. Esse processo se dá então por 
diversas metodologias e atividades que contemplam as experiências do 
 
35 
 
educando, sua participação social, o contexto do qual faz parte, a diversidade da 
turma e demais aspectos que interferem no processo de ensino-aprendizagem. 
Uma das características essenciais do modelo curricular em ciclo e que 
se diferencia significativamente da organização curricular seriada, é a 
aprendizagem que, mesmo abordando questões conteudistas essenciais para 
cada ciclo, apresenta o conhecimento como inacabado e passível de construção 
pelo próprio educando, deixando de ser uma mera transmissão de saberes e 
memorizações, sendo o aluno capaz de se apropriar de seu próprio saber, 
denominado assim por um processo sociointeracionista. 
Dessa maneira, nos deparamos com uma organização curricular que 
valoriza o educando e suas construções individuais e coletivas, abordando não 
somente um campo do conhecimento, uma área ou uma disciplina, mas 
contemplando e sistematizando os saberes. 
Assim caro estudante, pensando inclusive no próprio conceito etimológico 
do termo ciclo, o qual nos deparamos com um significado de série de 
fenômenos que se repetem em uma determinada ordem, é relevante 
apontarmos que, juntamente com a organização curricular, o ensino em ciclo 
compreende a busca pela oportunidade de maior tempo e contato do educando 
com os saberes, ou seja, que ele tenha maior disponibilidade para compreender 
os assuntos propostos pelo currículo e que, por meio das interferências da 
escola, construa o seu aprendizado e o seu conhecimento. Nesse contexto, o 
tempo deverá ser o suficiente para que cada educando usufrua da escola como 
um todo até a finalização dos processos, ou seja, da conclusão dos ciclos. 
Nesse viés, é perceptível a relação entre o binômio organização curricular 
e o Projeto Político Pedagógico, em que a instituição de ensino possui a sua 
autonomia na escolha de sua organização individual curricular. Ambas maneiras 
de organização curricular podem coexistir ainda na educação nacional, não há 
determinado aquela que é classificada como correta e incorreta, porém, há 
diversos estudos que permeiam essas formas mais comuns da educaçãobásica 
brasileira. Essa abertura para a organização curricular está presente em nossa 
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a lei 9394/96 em seu artigo 23: 
 
A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos 
semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos 
não-seriados, com base na idade, na competência e em outros 
critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse 
 
36 
 
do processo de aprendizagem assim o recomendar. (LDBEN, 
9394/96). 
 
A escola deverá ter em mente exatamente seus objetivos frente à 
formação do sujeito, para então, definir a forma de sua organização curricular. 
Embasada nesses objetivos de formação totalitária do educando, é possível 
reconhecer a organização que melhor se enquadra e que visa intermediar a 
obtenção dos resultados desejados. 
 
3.5 O Projeto Político Pedagógico na organização curricular 
 
Vamos partir para uma exploração ainda mais significativa, nos 
remetendo ao binômio: Projeto Político Pedagógico e a organização curricular. 
 
 Importante
É importante que você reflita acerca dessa relação e de sua influência exata na 
prática educacional. Veja, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, 
9394/96, permitiu um significativo avanço quando pensamos em organização 
curricular e o Projeto Político Pedagógico, determinando que cada instituição de 
ensino, juntamente com seu corpo docente e comunidade escolar, construa o 
seu próprio PPP, respeitando as especificidades de cada região, inclusive os 
aspectos socioeconômicos e políticos que permeiam a escola. 
 
Seguindo nessa vertente de um currículo e PPP construído coletivamente, 
de maneira natural haverá uma saudável discussão acerca de pontos essenciais 
que permeiam o currículo, como concepções de homem, de mundo, de 
sociedade, de conhecimento e de avaliação, por exemplo, aspectos os quais 
contemplam o currículo e sua organização. 
Dessa maneira, o currículo escolar e sua organização, englobando o 
Projeto Político Pedagógico, se relaciona diretamente com os objetivos 
individuais de cada instituição de ensino, contemplando além das metas 
estabelecidas nacionalmente pela busca da educação igualitária e de qualidade, 
às metas da própria escola, seus próprios objetivos e desejos a serem atingidos, 
dividindo assim suas dimensões em três tipos de organização relevantes e 
significativas para a organização curricular, sendo: 
 
37 
 
PROJETO – PLANEJAMENTO 
Junção de propostas, reflexões e ações a serem 
executadas em determinado período. 
POLÍTICO 
Aborda aspectos da formação dos educandos, 
tornando-os conscientes e críticos, sendo 
capazes de atuar e modificar o cenário social. 
PEDAGÓGICO 
Planejamento acerca das questões 
conteudistas, englobando todos os aspectos que 
envolvem o processo de ensino-aprendizagem. 
Organização curricular 
Fonte: elaborado pelo autor (2017), adaptado pelo DI (2019). 
 
Nesse contexto, o Projeto Político Pedagógico se torna um norteador para 
todos os contextos que envolve a escola, indo além do próprio corpo docente, 
dos educandos e das suas interações e aprendizagens, mas também, 
englobando a comunidade escolar como um todo e a formação totalitária que
permeia um ser humano. O Projeto Político Pedagógico de uma escola deve 
abordar temas relevantes como a missão da escola, a clientela que a frequenta, 
seus aspectos socioeconômicos, os recursos didáticos pedagógicos, os planos 
de ação, as diretrizes pedagógicas e os aspectos relativos ao processo de 
ensino-aprendizagem , que direciona e organiza o currículo de maneira intensa, 
abordando questões do processo de avaliação, da forma curricular adotada pela 
escola e das questões conteudistas e metodológicas. 
O Projeto Político Pedagógico está intimamente relacionado à 
organização curricular. Ele engloba a escola em todos os seus aspectos, 
contemplando não somente as questões relacionadas ao conteúdo. Assim, ao 
nos remetermos ao projeto político e pedagógico de uma escola, é indissociável 
a reflexão acerca da organização curricular do tempo e espaço em que serão 
desenvolvidos aspectos como os valores e a formação do educando, além do 
processo escolar. 
 
 Saiba mais 
Para ampliar os conhecimentos acerca das modalidades de organização 
curricular, ressaltamos a leitura do artigo: A organização do ensino fundamental 
em ciclos: algumas questões, disponível no link: 
http://www.scielo.br/pdf/rbedu/v14n40/v14n40a04.pdf 
 
 
 
38 
 
Conclusão da aula 3 
 
Caro aluno, finalizando a nossa terceira aula da disciplina de Teoria do 
currículo. Você está a cada dia construindo e aprimorando seus conhecimentos 
por meio das temáticas propostas em nossas aulas. Pudemos conhecer um 
pouco mais sobre alguns tipos de currículo e suas particularidades, além do 
ensino ciclado, do seriado e de todos os aspectos que permeiam a organização 
curricular, como o Projeto Político Pedagógico e alguns apontamentos oriundos 
da legislação curricular brasileira. 
 
Atividade de aprendizagem
Vamos refletir um pouco mais acerca de alguns aspectos abordados em nossa 
aula? Para tanto, é preciso que você solidifique alguns conceitos e, sobretudo, 
absorva ainda mais as particularidades que envolve a organização curricular 
do ensino fundamental, diferenciando o ensino ciclado do seriado. Dessa 
maneira, assista ao vídeo Ciclo X Seriação, disponível no link: 
https://www.youtube.com/watch 
?v=c81s-0WenC8 
 
 
 
 
Aula 4 – A relação entre currículo e cultura escolar 
 
Apresentação da aula 4 
 
Olá aluno, vamos iniciar nossas reflexões e explorações da aula 4 
pensando sobre a cultura. O que será que consideramos como cultura? Afinal, 
os conceitos de cultura e de cultura escolar possuem os mesmos significados? 
Á palavra cultura sofreu transformações conforme o passar do tempo e pelas 
necessidades sociais. 
 
4.1 A cultura e a cultura escolar 
 
Ainda por volta do século XV, o termo cultura se relacionava apenas ao 
ato de cultivar, como por exemplo, cultivar animais e plantios, o que pode-se 
 
39 
 
claramente observar com os sufixos das palavras agricultura ou suinocultura. Um 
século depois, a cultura foi associada à mente humana, como se fosse 
considerada o cultivo da mente e, esse conceito, conseguiu segregar as 
sociedades e suas classes econômicas, pois, somente algumas, poucas por 
sinal, eram consideradas sociedades de cultura e civilização. Avançando 
cronologicamente, já adentrando ao século XVIII, a cultura tornou-se relativo à 
Europa e suas sociedades, pois se destacavam e passaram a ser consideradas 
cultas. E, é exatamente nessa linha de raciocínio, que o sinônimo de cultura de 
hoje traz como herança, relacionando-a a artes diversas, como música, 
literatura, obras de arte, filosofia, entre tantas outras. Além dessa concepção, já 
no século XX, foi mesclado a esse conceito a questão da cultura popular que, 
em nossa atualidade, certamente, fazem alusão aos meios de comunicação, 
segregando a cultura em primeiro e terceiro mundo, bem como em cultura culta 
e cultura popular, regionais, religiosas, de gênero e outras. 
Agora que você já sabe o que é considerado como cultura, vamos 
associa-la à cultura escolar. Veja, a cultura escolar será aqui definida como um 
conjunto que engloba as práticas educativas e as metodologias utilizadas pelo 
corpo docente, além das relações sociais e das normativas implementadas no 
ambiente de educação formal, a escola. Aqui, conseguimos transpor as relações 
entre o conceito de cultura e o de cultura escolar, afinal, ambos estão 
direcionados às relações sociais e aos conhecimentos empíricos ou acadêmicos. 
Seguindo essa concepção, partiremos agora, prezado estudante, a 
explorar em nossa viagem acerca da disciplina da Teoria do Currículo, sobre a 
escola e essa cultura escolar, propriamente dita. Dessa maneira, posteriormente 
em nossa aula, faremos significativas relações entre

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