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APOSTILA DIREITO ADMINISTRATIVO II
1. Administração Pública: 
1 Administração Pública: 
	Conceito, elementos, poderes, organização, natureza, fins e princípios da Administração Pública. 
Fins da Administração Pública 
Os fins da Administração Pública são: 
· Trabalhar em favor do interesse público
· Direcionar os recursos públicos de acordo com o interesse da sociedade
· Visar o bem-estar comum
· Defender os direitos e interesses dos cidadãos
A Administração Pública é o conjunto de órgãos, entidades e agentes instituídos pelo Estado para gerir áreas da sociedade, como a saúde, a educação e a cultura. 
A Administração Pública deve seguir um regime jurídico diferenciado, o regime de direito público, que é composto por um conjunto de normas que asseguram prerrogativas e cominam sujeições. A Administração Pública tem como objetivo trabalhar em favor do interesse público e dos direitos dos cidadãos. A finalidade da Administração Pública é buscar sempre o interesse público e a finalidade determinada pela lei. 
	A finalidade da atuação administrativa será sempre de satisfação e tutela do interesse público. Qualquer atuação que buscar finalidade diversa caracterizará desvio de finalidade.
Natureza: 
	A natureza da Administração Pública é de "múnus" público, ou seja, um dever de guarda, conservação e aprimoramento dos bens, serviços e interesses públicos. A atividade administrativa traduz-se no gerenciamento dos bens e interesses públicos. Logo, concluímos que a natureza da Administração sob esse aspecto é de “múnus” público para quem exerce, i. e., dever de guarda, conservação e aprimoramento dos bens, serviços e interesses públicos. O administrador não é o proprietário dos bens, serviços e interesses públicos, mas mero gerenciador, não podendo, portanto, abrir mão desse patrimônio sem que exista lei autorizativa.
Conceito:
A administração pública pode ser definida: 
a. objetivamente (material ou funcional) - a atividade concreta e imediata que o Estado desenvolve para a consecução dos interesses coletivos e;
b. subjetivamente (formal ou orgânico) - conjunto de órgãos e de pessoas jurídicas aos quais a lei atribui o exercício da função administrativa do Estado.
	A categoria Administração Pública compreende os órgãos públicos, as autarquias e as fundações públicas da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
· Critérios:
· Legalista: Direito Administrativo é a interpretação das leis. 
	Limitação: desconsidera outras fontes, como doutrina e jurisprudência.
· Técnico Científico: Inclui aplicação de leis, doutrina e jurisprudência. 
	Limitação: Não abrange toda complexidade do Direito Administrativo.
· Relações Jurídicas: Foca nas relações entre a administração pública e outras pessoas. 	Limitação: Não é exclusivo do Direito Administrativo.
·  Residual ou Negativista: Identifica o Direito Administrativo por eliminação. 
	Limitação: Não oferece uma definição concreta.
· Poder Executivo (Italiano ou Subjetivista): Vê o Direito Administrativo como regulador da atividade do Executivo. 
	Limitação: Não abrange todas as atividades administrativas.
· Teleológico ou Finalista: Consiste em princípios e normas para satisfazer a finalidade do Estado. 	Limitação: Deve atender ao interesse público, nem sempre alinhado ao interesse do 
	Estado.
· Da Distinção Entre Atividade Jurídica E Social Do Estado: é apenas um desdobramento do critério da Administração Pública, já que leva em consideração a Administração em seus sentidos objetivo (atividade exercida) e subjetivo (órgãos do Estado que exercem a atividade administrativa).
· Distinção entre Atividades de Autoridade e Atividades de Gestão (Escola Da Potestade Pública - Puissance Publique): distinção entre atividades de autoridade e atividades de gestão. No primeiro caso, o Estado atua com autoridade sobre os particulares, com poder de império, por um direito exorbitante do comum; por outro lado, nas atividades de gestão, o Estado atua em posição de igualdade com os cidadãos, regendo-se pelo direito privado.
· Administração Pública: Mais aceito. Engloba organização e agentes da administração pública e suas obrigações.
→ FCC e CESPE gostam bastante - Escola do Serviço Público (Escola de Bordeaux) x Puissance Publique: 
Escola do Serviço Público - não se faz a diferença entre ato de gestão e ato de império - o serviço público é a atividade ou organização em sentido amplo, que abrange todas as funções do Estado, sem distinguir o regime jurídico a que se sujeita tal atividade.
Puissance Publique - há a distinção entre as atividades de autoridade e atividades de gestão. No primeiro caso, o Estado atua com autoridade sobre os particulares, com poder de império, por um direito exorbitante do comum. Por outro lado, nas atividades de gestão, o Estado atua em posição de igualdade com os cidadãos, regendo-se pelo direito privado.
Elementos: 
· Povo: As pessoas que compõem a sociedade.
· Governo: Exerce a função de administrar e gerir os interesses coletivos.
· Território: Espaço físico onde o povo está inserido.
· Soberania: Autonomia política dos entes federativos e capacidade de se relacionar com outros países.
Poderes:
Funções estatais = Poderes do Estado ▻ Legislativo, Executivo e Judiciário
· Evolução do modelo monárquico absolutista para a separação dos poderes, proposta por Montesquieu.
· Tripartição dos poderes: Executivo (função administrativa), Legislativo (criar leis e fiscalizar) e Judiciário (julgar conflitos).
· O Legislativo edita atos gerais, impostos de forma isonômica a todos. Esse Poder é o que, por excelência, representa a vontade do povo. É o povo, por meio de um mandato conferido a seus representantes, quem edita as leis que limitarão até mesmo o exercício das demais funções estatais. 
· O Executivo atua por meio de atos específicos na gestão da coisa pública, visando uma situação concreta, dentro dos limites previamente estabelecidos pela lei e agindo em prol do interesse público. 
· O Judiciário, por fim, exerce a jurisdição (= dizer o direito). Isso quer dizer que é dele a função precípua de resolver os conflitos existentes entre os indivíduos, entre estes e o Estado ou entre os entes que compõem o Estado, bem como é dele a função de interpretar a lei para julgar os casos e aplicar o direito.
· Cada poder pode exercer funções atípicas - sistema de freios e contrapesos. Exemplos: 
O Executivo cria normas e o Legislativo julga em casos de impeachment. 
A função legislativa, por exemplo, pode ser exercida, nos casos definidos na Constituição, por meio de medidas provisórias editadas pelo chefe do Executivo. 
O Poder Judiciário, do mesmo modo, possui instrumentos para sanar a omissão do Legislativo, como a ADI por omissão e o mandado de injunção (foi o que decidido pelo STF nos MI 670, MI 708 e MI 712). Também o Poder Judiciário pode, em hipóteses excepcionais, interferir no mérito administrativo, ou seja, interferir nas razões de conveniência e oportunidade que levaram o Executivo a praticar determinado ato. Assim, nenhuma das funções é “exclusiva”, mas sim “precípua” de cada um dos Poderes.
Organização: 
	Inicialmente, constata-se que a Administração Pública é dividida em direta e indireta.
	A Administração Pública Direta é composta pelas pessoas políticas: União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Essas entidades são conhecidas por entes políticos, na medida em que possuem capacidade política (de elaborar leis), além da capacidade administrativa (de auto-gestão).
	A Administração Indireta é composta pelas autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista.
▪ Administração Direta
	A Administração Direta se faz presente em todos os Poderes e, segundo José dos Santos Carvalho Filho, corresponde ao “conjunto de órgãos que integram as pessoas federativas, aos quais foi atribuída a competência para o exercício, de forma centralizada, das atividades administrativas do Estado”.
 
	A Administração Direta corresponde a todos os órgãos, desprovidos de personalidade, que sejam ligados à própria pessoaVI - readaptação;
        VII - aposentadoria;
        VIII - posse em outro cargo inacumulável;
        IX - falecimento.
        Art. 34.  A exoneração de cargo efetivo dar-se-á a pedido do servidor, ou de ofício.
        Parágrafo único.  A exoneração de ofício dar-se-á:
        I - quando não satisfeitas as condições do estágio probatório;
        II - quando, tendo tomado posse, o servidor não entrar em exercício no prazo estabelecido.
        Art. 35.  A exoneração de cargo em comissão e a dispensa de função de confiança dar-se-á
        I - a juízo da autoridade competente;
        II - a pedido do próprio servidor.
Da Remoção
 Art. 36. Remoção é o deslocamento do servidor, a pedido ou de ofício, no âmbito do mesmo quadro, com ou sem mudança de sede.
 Parágrafo único. Para fins do disposto neste artigo, entende-se por modalidades de remoção
 I - de ofício, no interesse da Administração
 II - a pedido, a critério da Administração;
 III - a pedido, para outra localidade, independentemente do interesse da Administração
 a) para acompanhar cônjuge ou companheiro, também servidor público civil ou militar, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, que foi deslocado no interesse da Administração; 
 b) por motivo de saúde do servidor, cônjuge, companheiro ou dependente que viva às suas expensas e conste do seu assentamento funcional, condicionada à comprovação por junta médica oficial
 c) em virtude de processo seletivo promovido, na hipótese em que o número de interessados for superior ao número de vagas, de acordo com normas preestabelecidas pelo órgão ou entidade em que aqueles estejam lotados. 
Da Redistribuição
        Art. 37.  Redistribuição é o deslocamento de cargo de provimento efetivo, ocupado ou vago no âmbito do quadro geral de pessoal, para outro órgão ou entidade do mesmo Poder, com prévia apreciação do órgão central do SIPEC, observados os seguintes preceitos:             
        I - interesse da administração;     
   II - equivalência de vencimentos;   
        III - manutenção da essência das atribuições do cargo;     
        IV - vinculação entre os graus de responsabilidade e complexidade das atividades;  
        V - mesmo nível de escolaridade, especialidade ou habilitação profissional; 
        VI - compatibilidade entre as atribuições do cargo e as finalidades institucionais do órgão ou entidade.                
        § 1o  A redistribuição ocorrerá ex officio para ajustamento de lotação e da força de trabalho às necessidades dos serviços, inclusive nos casos de reorganização, extinção ou criação de órgão ou entidade
        § 2o  A redistribuição de cargos efetivos vagos se dará mediante ato conjunto entre o órgão central do SIPEC e os órgãos e entidades da Administração Pública Federal envolvidos
        § 3o  Nos casos de reorganização ou extinção de órgão ou entidade, extinto o cargo ou declarada sua desnecessidade no órgão ou entidade, o servidor estável que não for redistribuído será colocado em disponibilidade, até seu aproveitamento na forma dos arts. 30 e 31
        § 4o  O servidor que não for redistribuído ou colocado em disponibilidade poderá ser mantido sob responsabilidade do órgão central do SIPEC, e ter exercício provisório, em outro órgão ou entidade, até seu adequado aproveitamento.     
Da Substituição
        Art. 38.  Os servidores investidos em cargo ou função de direção ou chefia e os ocupantes de cargo de Natureza Especial terão substitutos indicados no regimento interno ou, no caso de omissão, previamente designados pelo dirigente máximo do órgão ou entidade.
        § 1o O substituto assumirá automática e cumulativamente, sem prejuízo do cargo que ocupa, o exercício do cargo ou função de direção ou chefia e os de Natureza Especial, nos afastamentos, impedimentos legais ou regulamentares do titular e na vacância do cargo, hipóteses em que deverá optar pela remuneração de um deles durante o respectivo período. 
        § 2o O substituto fará jus à retribuição pelo exercício do cargo ou função de direção ou chefia ou de cargo de Natureza Especial, nos casos dos afastamentos ou impedimentos legais do titular, superiores a trinta dias consecutivos, paga na proporção dos dias de efetiva substituição, que excederem o referido período. 
        Art. 39.  O disposto no artigo anterior aplica-se aos titulares de unidades administrativas organizadas em nível de assessoria.
Das Vantagens
        Art. 49.  Além do vencimento, poderão ser pagas ao servidor as seguintes vantagens:
        I - indenizações;
        II - gratificações;
        III - adicionais.
        § 1o  As indenizações não se incorporam ao vencimento ou provento para qualquer efeito.
        § 2o  As gratificações e os adicionais incorporam-se ao vencimento ou provento, nos casos e condições indicados em lei.
        Art. 50.  As vantagens pecuniárias não serão computadas, nem acumuladas, para efeito de concessão de quaisquer outros acréscimos pecuniários ulteriores, sob o mesmo título ou idêntico fundamento.
Das Indenizações
        Art. 51.  Constituem indenizações ao servidor:
        I - ajuda de custo;
        II - diárias;
        III - transporte.
        IV - auxílio-moradia
        Art. 52.  Os valores das indenizações estabelecidas nos incisos I a III do art. 51, assim como as condições para a sua concessão, serão estabelecidos em regulamento.
Da Ajuda de Custo
       Art. 53.  A ajuda de custo destina-se a compensar as despesas de instalação do servidor que, no interesse do serviço, passar a ter exercício em nova sede, com mudança de domicílio em caráter permanente, vedado o duplo pagamento de indenização, a qualquer tempo, no caso de o cônjuge ou companheiro que detenha também a condição de servidor, vier a ter exercício na mesma sede.  
Das Diárias
        Art. 58.  O servidor que, a serviço, afastar-se da sede em caráter eventual ou transitório para outro ponto do território nacional ou para o exterior, fará jus a passagens e diárias destinadas a indenizar as parcelas de despesas extraordinária com pousada, alimentação e locomoção urbana, conforme dispuser em regulamento.
Da Indenização de Transporte
        Art. 60.  Conceder-se-á indenização de transporte ao servidor que realizar despesas com a utilização de meio próprio de locomoção para a execução de serviços externos, por força das atribuições próprias do cargo, conforme se dispuser em regulamento.
Do Auxílio-Moradia
        Art. 60-A.  O auxílio-moradia consiste no ressarcimento das despesas comprovadamente realizadas pelo servidor com aluguel de moradia ou com meio de hospedagem administrado por empresa hoteleira, no prazo de um mês após a comprovação da despesa pelo servidor.
Das Gratificações e Adicionais
        Art. 61.  Além do vencimento e das vantagens previstas nesta Lei, serão deferidos aos servidores as seguintes retribuições, gratificações e adicionais
        I - retribuição pelo exercício de função de direção, chefia e assessoramento
        II - gratificação natalina;
        IV - adicional pelo exercício de atividades insalubres, perigosas ou penosas;
        V - adicional pela prestação de serviço extraordinário;
	    Art. 73.  O serviço extraordinário será remunerado com acréscimo de 50% (cinqüenta por cento) em relação à hora normal de trabalho.
   	     Art. 74.  Somente será permitido serviço extraordinário para atender a situações excepcionais e temporárias, respeitado o limite máximo de 2 (duas) horas por jornada.
 VI - adicional noturno;
  Art. 75.  O serviço noturno, prestado em horário compreendido entre 22 (vinte e duas) horas de um dia e 5 (cinco) horas do dia seguinte, terá o valor-hora acrescido de 25% (vinte e cinco por cento), computando-se cada hora como cinqüenta e dois minutos e trinta segundos.
        Parágrafo único.  Em se tratando de serviço extraordinário, o acréscimo de que trata este artigo incidirá sobre a remuneração prevista no art. 73.VII - adicional de férias;
     VIII - outros, relativos ao local ou à natureza do trabalho.
     IX - gratificação por encargo de curso ou concurso.  
Das Licenças
   Art. 81.  Conceder-se-á ao servidor licença:
        I - por motivo de doença em pessoa da família;
        II - por motivo de afastamento do cônjuge ou companheiro;
        III - para o serviço militar;
        IV - para atividade política;
        V - para capacitação;              
        VI - para tratar de interesses particulares;
        VII - para desempenho de mandato classista.
        § 1o  A licença prevista no inciso I do caput deste artigo bem como cada uma de suas prorrogações serão precedidas de exame por perícia médica oficial, observado o disposto no art. 204 desta Lei
        § 3o  É vedado o exercício de atividade remunerada durante o período da licença prevista no inciso I deste artigo.
    Art. 82.  A licença concedida dentro de 60 (sessenta) dias do término de outra da mesma espécie será considerada como prorrogação.
Dos Afastamentos - Das Concessões
       Art. 97.  Sem qualquer prejuízo, poderá o servidor ausentar-se do serviço:
        I - por 1 (um) dia, para doação de sangue;
        II - pelo período comprovadamente necessário para alistamento ou recadastramento eleitoral, limitado, em qualquer caso, a 2 (dois) dias
        III - por 8 (oito) dias consecutivos em razão de :
        a) casamento;
        b) falecimento do cônjuge, companheiro, pais, madrasta ou padrasto, filhos, enteados, menor sob guarda ou tutela e irmãos.
        Art. 98.  Será concedido horário especial ao servidor estudante, quando comprovada a incompatibilidade entre o horário escolar e o da repartição, sem prejuízo do exercício do cargo.
Do Tempo de Serviço
        Art. 100.  É contado para todos os efeitos o tempo de serviço público federal, inclusive o prestado às Forças Armadas.
Do Direito de Petição
        Art. 104.  É assegurado ao servidor o direito de requerer aos Poderes Públicos, em defesa de direito ou interesse legítimo.
Do Regime Disciplinar
Dos Deveres
        Art. 116 - Capítulo II 
São deveres do servidor:
        I - exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo;
        II - ser leal às instituições a que servir;
        III - observar as normas legais e regulamentares;
        IV - cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais;
        V - atender com presteza:
        a) ao público em geral, prestando as informações requeridas, ressalvadas as protegidas por sigilo;
        b) à expedição de certidões requeridas para defesa de direito ou esclarecimento de situações de interesse pessoal;
        c) às requisições para a defesa da Fazenda Pública.
        VI - levar as irregularidades de que tiver ciência em razão do cargo ao conhecimento da autoridade superior ou, quando houver suspeita de envolvimento desta, ao conhecimento de outra autoridade competente para apuração;                
        VII - zelar pela economia do material e a conservação do patrimônio público;
        VIII - guardar sigilo sobre assunto da repartição;
        IX - manter conduta compatível com a moralidade administrativa;
        X - ser assíduo e pontual ao serviço;
        XI - tratar com urbanidade as pessoas;
        XII - representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder.
        Parágrafo único.  A representação de que trata o inciso XII será encaminhada pela via hierárquica e apreciada pela autoridade superior àquela contra a qual é formulada, assegurando-se ao representando ampla defesa.
Das Proibições
        Art. 117.  Ao servidor é proibido
        I - ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia autorização do chefe imediato;
        II - retirar, sem prévia anuência da autoridade competente, qualquer documento ou objeto da repartição;
        III - recusar fé a documentos públicos;
        IV - opor resistência injustificada ao andamento de documento e processo ou execução de serviço;
        V - promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição;
        VI - cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos casos previstos em lei, o desempenho de atribuição que seja de sua responsabilidade ou de seu subordinado;
        VII - coagir ou aliciar subordinados no sentido de filiarem-se a associação profissional ou sindical, ou a partido político;
        VIII - manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro ou parente até o segundo grau civil;
        IX - valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da função pública;
        X - participar de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não personificada, exercer o comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista ou comanditário
        XI - atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo quando se tratar de benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes até o segundo grau, e de cônjuge ou companheiro;
        XII - receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie, em razão de suas atribuições;
        XIII - aceitar comissão, emprego ou pensão de estado estrangeiro;
        XIV - praticar usura sob qualquer de suas formas;
        XV - proceder de forma desidiosa;
        XVI - utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou atividades particulares;
        XVII - cometer a outro servidor atribuições estranhas ao cargo que ocupa, exceto em situações de emergência e transitórias;
        XVIII - exercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis com o exercício do cargo ou função e com o horário de trabalho;
        XIX - recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando solicitado
        Parágrafo único.  A vedação de que trata o inciso X do caput deste artigo não se aplica nos seguintes casos:        
        I - participação nos conselhos de administração e fiscal de empresas ou entidades em que a União detenha, direta ou indiretamente, participação no capital social ou em sociedade cooperativa constituída para prestar serviços a seus membros; e    
        II - gozo de licença para o trato de interesses particulares, na forma do art. 91 desta Lei, observada a legislação sobre conflito de interesses.    
O prazo de prescrição da ação disciplinar começa a contar da data que o fato se tornou conhecido.
Art. 142. A ação disciplinar prescreverá:
I - em 5 (cinco) anos, quanto às infrações puníveis com demissão, cassação de aposentadoria ou disponibilidade e destituição de cargo em comissão;
II - em 2 (dois) anos, quanto à suspensão;
III - em 180 (cento e oitenta) dias, quanto á advertência
 Macete: A S D
Advertência-------180 dias (Obs. Se a banca colocar 6 meses, está errado.)
Suspensão-------2 anos
Demissão--------5 anos
▪ Da acumulação
	De acordo com a CF/88, é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver compatibilidade de horários, acumulação :
a) de dois cargos de professor; 
b) de um cargo de professor com outro técnico ou científico; 
c) de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde com profissões regulamentadas. 
	Ademais, a proibição de acumular se estende a cargos, empregos e funções em autarquias, fundações públicas, empresas públicas, sociedades de economia mista da Uniao, do Distrito Federal, dos Estados, dos Territorios e dos MunicÌpios (art. 118, ß1º). 
	A acumulação lícita deve possuir compatibilidade de horários. É proibida a acumulação de cargo ou emprego público em que se tenha a percepção de vencimento e de proventos da inatividade, exceto quando os cargos de que decorram essas remunerações forem acumuláveis na atividade. 
	Prosseguindo, o art. 119 da Lei dispõe que o servidor não poderá exercer mais de um cargo em comissão, exceto quando for nomeado para ter exercício, interinamente, em outro cargo de confiança, devendo optar pela remuneração de um deles durante o período da interinidade. O servidor também não poderá ser remunerado pela participaçãoem órgão de deliberação coletiva. Todavia, isso não se aplica à remuneração devida pela participação em conselhos de administração e fiscal das empresas públicas e sociedades de economia mista, suas subsidiárias e controladas. O mesmo é válido para quaisquer empresas ou entidades em que a União, direta ou indiretamente, detenha participação no capital social, observado o que, a respeito, dispuser legislação específica. 
	Nas hipóteses que a acumulação é permitida, quando o servidor estiver investido em cargo de provimento em comissão, deverá ficar afastado de ambos os cargos efetivos, salvo o caso em que houver compatibilidade de horário e local com o exercício de um deles, declarada pelas autoridades máximas dos órgãos ou entidades envolvidos (art. 120). Exemplo: Pedro acumula licitamente dois cargos efetivos e foi designado para ocupar cargo em comissão de diretor de uma unidade administrativa. Nessa situação, a regra é que Pedro fique afastado dos dois cargos efetivos, ou seja, ele ocupará unicamente o cargo em comissão. No entanto, o Estatuto permite que Pedro acumule o cargo em comissão com um único cargo efetivo, desde que exista compatibilidade de horário e local com o exercício, declarada pelas autoridades máximas dos órgãos ou entidades envolvidas.
4. Poderes Administrativos: 
A - Poder hierárquico
	Poder hierárquico é o de que dispõe a Administração para distribuir e escalonar as funções de seus órgãos, ordenar e rever a atuação de seus agentes, estabelecendo a relação de subordinação entre os servidores do seu quadro de pessoal.
	A DELEGAÇÃO e a AVOCAÇÃO são dois institutos relacionados ao poder hierárquico:
 	A DELEGAÇÃO distribui temporariamente a competência, representando um movimento centrífugo. Delegar consiste na transferência do exercício de atribuições de um órgão a outro no aparelho administrativo. Não é admitida com relação a atos políticos, bem como de um Poder para outro, salvo nos casos constitucionalmente previstos.
	Nos termos do art. 12 da Lei n. 9.784/99, um órgão administrativo ou seu titular poderão delegar parte da sua competência a outros órgãos ou titulares, ainda que estes não lhe sejam hierarquicamente subordinados, quando for conveniente, em razão de circunstâncias de índole técnica, social, econômica, jurídica ou territorial.
	A legislação assevera que três competências administrativas são indelegáveis:
▪ EDIÇÃO DE ATO DE CARÁTER NORMATIVO: os atos normativos inerentes às funções de comando dos órgãos públicos baixam regras gerais válidas para todo o quadro de agentes. Sua natureza é incompatível com a possibilidade de delegação; 
▪ DECISÃO EM RECURSOS ADMINISTRATIVOS: a justificativa é a preservação da garantia do duplo grau, impedindo que a mesma autoridade que praticou a decisão recorrida receba, por delegação, a competência para analisar o recurso; 
▪ MATÉRIAS DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO ÓRGÃO OU AUTORIDADE: são casos em que a própria natureza da matéria recomenda o exercício da competência somente pelo órgão habilitado diretamente pela legislação.
	
	A AVOCAÇÃO concentra a competência de maneira centrípeta. Avocar é a possibilidade que tem o superior de trazer para si as funções exercidas por um subalterno. É medida excepcional, que só pode ser realizada à luz de permissivo legal e que desonera o subordinado com relação a qualquer responsabilidade referente ao ato praticado pelo superior.
	Ao contrário da delegação, a avocação só pode ser realizada dentro de uma mesma linha hierárquica, denominando-se avocação vertical.
B – Disciplinar
	O poder disciplinar consiste na possibilidade de a Administração aplicar punições aos agentes públicos que cometam infrações funcionais. Trata-se de poder interno, não permanente e discricionário.
- Interno porque somente pode ser exercido sobre agentes público, nunca em relação a particulares, exceto quando estes forem contratados da Administração.
- É não permanente à medida que é aplicável apenas se e quando o servidor cometer falta funcional. 
- É discricionário porque a Administração pode escolher, com alguma margem de liberdade, qual a punição mais apropriada a ser aplicada ao agente público.
	Importante frisar que, constatada a infração, a Administração é obrigada a punir seu agente. É um dever vinculado. Mas a escolha da punição é discricionária. Assim, o poder disciplinar é vinculado quanto ao dever de punir e discricionário quanto à escolha da pena aplicável. Vejamos um exemplo na Lei 8.112/1990.
	O art. 127 da Lei 8.112/1990 prevê seis penalidades diferentes para faltas funcionais cometidas por servidores públicos federais:
a) advertência;
b) suspensão;
c) demissão;
d) cassação da aposentadoria ou disponibilidade;
e) destituição de cargo em comissão;
f) destituição de função comissionada.
	A aplicação de qualquer uma dessas penalidades EXIGE instauração de prévio processo administrativo com garantia de contraditório e ampla defesa, sob pena de nulidade da punição.
	Note que uma das punições previstas pela lei é a demissão. Dentre as hipóteses para aplicação desta, encontra-se a insubordinação grave em serviço (inc. VI do art. 132). Mas o que seria uma insubordinação “grave”? A lei não a define, tratando-se de um conceito jurídico indeterminado, o que gera a discricionariedade da Administração ao interpretá-lo.
	Noutra passagem (art. 130), a lei diz que a suspensão será aplicada nos casos de reincidência das faltas puníveis com advertência e de violação das demais proibições que não tipifiquem infração sujeita a penalidade de demissão, não podendo exceder de 90 dias. No entanto, quantos seriam os dias para cada infração? É nesse sentido que, mais uma vez, existe discricionariedade no exercício do poder disciplinar.
	Determinada empresa é prestadora de serviços de limpeza no prédio de um órgão da Administração Pública. Após várias paralisações na execução do contrato, o órgão público decidiu pela aplicação de multa à empresa. Teremos, nesse caso, um particular sendo sancionado com base no poder disciplinar, embora não componha o quadro administrativo do Estado.
C - Regulamentar 
	O poder regulamentar típico é a atribuição da Administração Pública de editar atos normativos com a finalidade de complementação de leis, visando a que elas sejam efetivamente aplicadas. A estes atos normativos damos o nome de regulamentos executivos.
	É a hipótese de a Administração agir em movimentação atípica de suas atribuições para assegurar a efetividade de certas normas válidas, mas sem a prerrogativa de normatividade propriamente dita.
	Não existe regulamento executivo sem uma lei anterior a qual ele deseje regular - é de natureza derivada (ou secundária): somente é exercido à luz de lei existente. Já as leis constituem atos de natureza originária (ou primária), emanando diretamente da Constituição.
	Não se trata de poder para a edição de leis, mas apenas um mecanismo para a edição de normas complementares à lei. Geralmente ocorre por decreto do chefe do poder executivo. NÃO PODE:
· a)   Inovar no ordenamento jurídico;
· b)   Alterar a lei;
· c)   Criar ou extinguir direitos e/ou obrigações
	
	Agora veremos como esta espécie normativa se comporta em sua função atípica, ou seja, criando normas/obrigações de fato, agindo como fonte de Direito.
	A primeira manifestação desse fenômeno se dá pelo decreto regulamentar, pela regulamentação técnica. Basicamente, a lei delega a prerrogativa de criação de normas para entidades especializadas devido à complexidade técnica da matéria. De maneira geral, essa competência é dada às Agências Reguladoras do Estado. O produto normativo dessa delegação administrativa será de normas secundárias.
	A segunda manifestação acontece através do regulamento autônomo ou decreto autônomo. Diferentemente da regulamentação técnica, nesta hipótese, não há lei que autorize a regulamentação e por isso ela manifesta-se como se lei fosse,  explorando matéria ainda não disciplinada. 
	A Constituição autoriza determinados órgãos a produzir atos que, tanto quanto as leis, emanam diretamente da Carta e têmnatureza primária. Apesar da autorização, a Constituição impõe condições à realização do ato a fim de garantir a excepcionalidade dele e de impedir sua utilização com fins arbitrários e ilegais.
	
	Tipos de controle podem ser exercidos sobre o Poder Regulamentar:
- controle legislativo - fruto do sistema de freios e contrapesos que gerenciam a dinâmica das funções típicas e atípicas dos Poderes Estatais Legislativo, Executivo e Judiciário.
- controle judicial - sempre quando houver ofensa à lei. Deverá ser um juízo de simplesmente legalidade sobre a situação, e nunca à materialidade do ato administrativo.
- controle administrativo - manifesta-se também pelo poder de autotutela, que permite a revisão dos atos de ofício pela própria Administração Pública.
	
D - Polícia. 
	O poder de polícia consiste na atividade da administração pública de limitar ou condicionar, por meio de atos normativos, a liberdade e a propriedade dos indivíduos em geral. Em outras palavras, poder de polícia é uma expressão que se refere aos atos legislativos e aos atos administrativos que limitam direitos individuais em favor do bem comum. 
	Exemplos de poder de polícia na função legislativa: o Estatuto do Desarmamento restringe o direito de o cidadão portar arma de fogo para proteção da segurança pública. 
	Exemplo de poder de polícia na função administrativa: pedido de autorização para portar arma de fogo (porte de arma);
	Note que, em regra, o poder de polícia possui características negativas, ou seja, proíbe, restringe ou limita a atuação do particular.  Essa proibição visa, sobretudo, ao bem-estar social, ou seja, o bem comum. Trata-se da finalidade principal da atuação da administração pública. 
	A previsão legal do poder de polícia está no Código Tributário Nacional:
Art. 78. Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos.
	O poder de polícia (administrativo) tem caráter eminentemente preventivo (como a limitação de velocidade, fiscalização por radar, colocação de placas nas ruas), com o objetivo de evitar o dano ao interesse público. Dessa forma, incide sobre bens e direitos, e não sobre pessoas. Normalmente o caráter preventivo se dá pela prática de atos normativos (poder regulamentar), que define regras na busca de compatibilização do interesse público com o interesse particular. Exemplo: normas de vigilância sanitária. 
	Outras vezes o poder de polícia também aparece em seu caráter fiscalizador (ex.: agente de vigilância sanitária frequente locais para verificar quais estabelecimentos estão cumprindo as regras estabelecidas). 
	Por fim, quando o poder se manifesta repressivamente, estamos diante de atos administrativos de caráter repressivo, como seria o caso do fechamento do estabelecimento comercial que não obedeceu às regras de vigilância sanitária 
E - Uso e abuso do poder. 
	De início, é importante entendermos que qualquer uso anormal dos poderes administrativos configura abuso de poder. Abuso de poder é, em outras palavras, o exercício ilegal de prerrogativas públicas. Trata-se de gênero do qual são espécies o excesso de poder e o desvio de finalidade (ou desvio de poder). 
	O abuso de poder pode decorrer tanto de condutas comissivas quanto de condutas omissivas. 
	Antes de estudar as espécies de abuso de poder, vamos recordar que o ato administrativo é a declaração de vontade do Estado. Este ato tem 05 elementos: sujeito, forma, objeto, motivo e finalidade. 
	Sujeito é o agente competente para declarar a vontade. Forma é o meio pelo qual o ato se exterioriza. Objeto é o resultado jurídico produzido pelo ato. Motivo é o fato/direito que enseja a prática do ato. Finalidade é o objetivo do ato, descrito pela lei.
	O abuso de poder na espécie excesso de poder ocorre quando o agente público atua “fora” dos limites de sua competência legalmente definida, ou seja, o excesso de poder consiste em um vício do elemento competência do ato administrativo. Em regra, o vício de competência é sanável pela convalidação do ato por parte da autoridade competente, desde que não se refira a uma situação de competência exclusiva.
	Por outro lado, o abuso de poder na espécie desvio de poder representa um vício de finalidade. Ou seja, o agente público contraria a finalidade definida na lei, consistindo, portanto, em situação insanável e um motivo para anulação do ato.
Abuso de Poder (gênero):
(espécie) Desvio de poder: refere-se a Finalidade do ato – insanável – anulação
(espécie) Excesso de poder: refere-se a Competência – sanável – convalidação (não sendo de comp.excl.)
5. Responsabilidade Civil do Estado: 
	A responsabilidade do Estado pode ser contratual ou extracontratual. O que isso significa? Na primeira, existe um vínculo contratual entre o Estado e o terceiro. Por isso, o Estado será responsabilizado quando a administração descumprir os termos desse contrato. A lei 8.666/1993 regula esse tipo de responsabilidade.
	Por outro lado, na responsabilidade extracontratual não há vínculo contratual entre as partes. Portanto, a obrigação de reparação do dano independe de contrato firmado. 
	É a teoria mais utilizada na administração pública brasileira.
	A responsabilidade extracontratual do Estado (também chamada de responsabilidade civil da administração) trata do dever do Poder Público em reparar danos causados à terceiros, através de seus agentes públicos. O dano deve ser realizado através de um comportamento unilateral, lícito ou ilícito, comissivo ou omissivo, material ou jurídico e se exaure com o pagamento da indenização.
	Tal noção – que obteve grande desenvolvimento teórico através do Direito francês e da construção pretoriana do Conselho do Estado - é fundamental hoje no Direito Público de todos os povos, sendo adotada por todas as legislações mundiais.
	Três teses para resolução de casos envolvendo a responsabilidade extracontratual do Estado foram desenvolvidas, sendo a teoria da culpa administrativa, teoria do risco administrativo e a teoria do risco integral.
	Quando a responsabilidade é por omissão do Estado, deve ser levada em consideração Teoria da Culpa Administrativa (teoria subjetiva). Quando o ato que determinou a responsabilização for uma ação do Estado, é usado a Teoria do risco administrativo (teoria objetiva).
● Responsabilidade Subjetiva:
	Teoria da Culpa Administrativa - Trata-se de responsabilidade subjetiva do Estado, em que os danos são causados por uma ausência de serviço deste (omissão). Para tanto, é preciso que além
dos elementos objetivos – omissão, dano e nexo causal – é necessário que o
Estado deixe de cumprir um dever legal de agir, falhando, ao menos por culpa,na prestação do serviço.
		Exemplo: um dano causado à carro de terceiro, após a queda de uma árvore. Tendo em vista que o município possui o dever de conservação das árvores localizadas em via pública, o que não ocorreu neste caso, foi concedido à vítima o direito de ser indenizada.
Omissões genéricas e omissões específicas
Mas, deve-se considerar dois tipos de omissões: a genérica (imprópria) e específica (própria):
	No caso da omissão genérica, o Estado tem o dever genericamente de realizar determinadas ações. Por exemplo, o Estado tem obrigação de fiscalizar as vias de trânsito. 
	Quando há uma batida de carro, não necessariamente a omissão da fiscalização vai ser a causa da batida. Nesse caso o dever de fiscalizar as vias é genérico. Portanto, nas omissões genéricas, a responsabilização só ocorre com a comprovação de culpa ou dolo (teoria subjetiva).
	Já no caso de apresentação de certos documentos para se proceder uma licença, em caso de não pedir certo documento, será uma omissão em uma situaçãoem que o agente público deveria agir. 	Considera-se omissão específica e por isso deve-se utilizar a teoria objetiva. Ou seja, havendo conduta ou falta de conduta, dano e nexo causal, o Estado deverá indenizar terceiro prejudicado.
A responsabilidade é subjetiva quando necessária a demonstração de culpa. Atente-se que somente a responsabilidade objetiva se despe da necessidade de comprovar a culpa ou dolo.
Necessidade de comprovação = resp. subjetiva
Desnecessidade de comprovação = resp. objetiva
 - REGRA no Estado brasileiro: Responsabilidade OBJETIVA!
  EXCEÇÕES: 1ª) Omissão estatal que cause algum dano 
                         2ª) A responsabilidade do agente público        
                                                          V   
                                  Responsabilidade SUBJETIVA
● Responsabilidade Civil Objetiva – TEORIA aceita pela jurisprudência e pela doutrina.
 
	Teoria do Risco Administrativo - Segundo a Teoria do Risco Administrativo, há o dever de indenizar terceiro quando há simplesmente a relação causal entre a ação realizada pelo Estado e o dano causado à vítima. Não é necessário que esta comprove se houve culpa ou dolo por parte da Administração ou de seus agentes. 
	Esta teoria é baseada no risco que o Estado toma para si ao prestar determinados serviços, devendo indenizar em caso de danos causados à terceiros. O risco e a solidariedade social são pilares e conduzem à justiça distributiva, razão pela qual o direito brasileiro a adotou em seu artigo 37, § 6º, da Constituição Federal de 1988:
§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.”
	A vítima fica dispensada de comprovação de dolo ou culpa, todavia, o Estado poderá diminuir o valor indenizatório, ou até mesmo eliminar este direito se comprovar força maior, atos de terceiros e culpa da vítima (sendo, portanto, excludentes de responsabilidade). 
	O Estado, após condenação, poderá realizar ação de regresso contra o agente que causou o dano. Neste caso, terá de comprovar dolo ou culpa deste. Ou seja, a responsabilidade do agente público é sempre subjetiva.
	Os elementos que compõem a estrutura e delineiam o perfil da responsabilidade civil objetiva do Poder Público compreendem:
(a) a alteridade do dano, 
(b) a causalidade material entre o eventus damni e o comportamento positivo (ação) ou negativo (omissão) do agente público, 
(c) a oficialidade da atividade causal e lesiva imputável a agente do Poder Público que tenha, nessa específica condição, incidido em conduta comissiva ou omissiva, independentemente da licitude, ou não, do comportamento funcional e 
(d) a ausência de causa excludente da responsabilidade estatal. 
	A ação ou a omissão do Poder Público, quando lesiva aos direitos de qualquer pessoa, induz à responsabilidade civil objetiva do Estado, desde que presentes os pressupostos primários que lhe determinam a obrigação de indenizar os prejuízos que os seus agentes, nessa condição, hajam causado a terceiros.
	A teoria do risco administrativo admite algumas hipóteses de exclusão de responsabilidade civil: 
▪ casos fortuitos ou força maior  → eventos humanos ou da natureza dos quais não se poderia prever ou evitar. Por exemplo: enchentes, terremotos, tsunamis, entre outros. Porém, vale ressaltar que em casos de omissões culposas do Estado, pode-se haver responsabilização subjetiva da administração.
▪ culpa exclusiva da vítima → o ônus da prova é do Estado. Há que se destacar que a culpa pode ser exclusiva da vítima, o que não há que se falar em responsabilidade do Estado. Ou atenuação da responsabilidade, quando há concorrência de culpa.
▪ atos exclusivos de terceiros → eventos com multidões ou muitas pessoas e não há controle da situação. Nesse caso, o Estado só poderá ser responsabilizado de forma subjetiva (com comprovação de culpa ou dolo) em casos de omissões. Por exemplo, se em um show de música houver violência durante o evento, não há que se responsabilizar o Estado pelo caso. O Estado só poderia ser responsabilizado, se houvesse possibilidade do controle da situação pelos policiais e os agentes se omitiram.
OBS: Teoria do Risco Integral - Por fim, segundo a Teoria do Risco Integral, o Estado fica obrigado a reparar todo dano causado à terceiro, mesmo que com dolo ou culpa da vítima comprovada. 
	A teoria do risco integral também exige responsabilidade objetiva do Estado. Porém, diferencia-se da teoria do risco administrativo, já que neste caso não aceita excludentes na responsabilidade da administração. Por isso, o Estado deve suportar os danos sofridos por terceiros em qualquer hipótese.
	Assim, mesmo que se comprove culpa exclusiva de terceiro ou força maior, o Estado deverá ressarcir o particular pelos danos sofridos. Por ser extremista, é pouco utilizada no Brasil, conforme nos explica Hely Lopes Meirelles:
“A teoria do risco integral é a modalidade extremada da doutrina do risco administrativo, abandonada na prática, por conduzir ao abuso e à iniquidade social. Por essa fórmula radical, a Administração ficaria obrigada à indenizar todo e qualquer dano suportado por terceiros, ainda que resultante de culpa ou dolo da vítima”
	
	No Direito Ambiental, é utilizado com mais frequência, com jurisprudência consolidada junto ao Superior Tribunal de Justiça. Todavia, no âmbito administrativo, a teoria do risco integral somente se aplica em casos de acidentes nucleares, indo ao encontro do artigo 21, XXIII, d, da Constituição Federal:
“Art. 21. Compete à União:
(...)
XXIII - explorar os serviços e instalações nucleares de qualquer natureza e exercer monopólio estatal sobre a pesquisa, a lavra, o enriquecimento e reprocessamento, a industrialização e o comércio de minérios nucleares e seus derivados, atendidos os seguintes princípios e condições:
(...)
d) a responsabilidade civil por danos nucleares independe da existência de culpa;”
Sujeitos da responsabilidade civil do Estado
	No Brasil vigora a teoria da responsabilidade objetiva do Estado na modalidade do risco administrativo. Portanto, a Constituição Federal define quem deve seguir essa teoria: as pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.
► Responsabilidade direta
Portanto, os ditames constitucionais alcançam:
· Autarquias e fundações públicas de direito público;
· Empresas públicas e sociedades de economia mista quando prestarem serviço público;
· Pessoas privadas que prestam serviço público por delegação do Estado.
	Logo, ressalta-se que Sociedade de economia mista exploradora de atividade econômica será regida pelas normas do direito privado.
	Quanto à responsabilidade objetiva das pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviço público, o entendimento atual do STF é que ela alcança os usuários e os não usuários do serviço.
►Responsabilidade indireta
	Segundo a teoria do órgão, a atuação do agente público deve ser imputada ao órgão que ele 
representa. Portanto, o terceiro que se sentir prejudicado diante da atitude de um agente, deve procurar o Estado para reaver os seus direitos.
	Porém, o Estado tem o direito de regresso contra o agente público. Mas, só pode ocorrer o direito de regresso no caso de o agente público ter agido com culpa ou dolo. Ou seja, a responsabilidade do agente público é sempre subjetiva.
	Vamos exemplificar: no caso de um carro da polícia ter batido no carro de José. José deve solicitar a responsabilização do Estado pelos danos ocorridos na batida. E em caso de o Estado conseguir provar que houve culpa ou dolo do agente público que estava dirigindo a viatura, pode entrar com direito de regresso contra o agente. Resumindo: a responsabilidade do Estado é objetiva.O agente público responde subjetivamente.
● Reparação de danos causados por agentes públicos. 
	A responsabilidade extracontratual do Estado é utilizada no Brasil com base na teoria do risco administrativo, que consta de forma expressa em nossa Constituição Federal, conforme art. 37, § 6º. 
	A responsabilidade civil das pessoas jurídicas de direito público e das pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviço público baseia-se no risco administrativo, sendo objetiva, exige os seguintes requisitos: 
- ocorrência do dano; 
- ação ou omissão administrativa; 
- existência de nexo causal entre o dano e 
- a ação ou omissão administrativa e ausência de causa excludente da responsabilidade estatal. 
	A jurisprudência desta CORTE (STF), inclusive, entende ser objetiva a responsabilidade civil decorrente de omissão, seja das pessoas jurídicas de direito público ou das pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviço público. 
	Entretanto, o princípio da responsabilidade objetiva não se reveste de caráter absoluto, eis que admite o abrandamento e, até mesmo, a exclusão da própria responsabilidade civil do Estado, nas hipóteses excepcionais configuradoras de situações liberatórias como o caso fortuito e a força maior ou evidências de ocorrência de culpa atribuível à própria vítima. 
	Em caso de danos à terceiros, estes podem solicitar indenização, mas o Estado, caso comprove que o dano ocorreu por força maior, atos de terceiros ou culpa da vítima, podem se eximir da indenização ou diminuir seu valor.
6. Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/92 e alterações). 
Alterações à Lei de Improbidade Administrativa com maior incidência em provas:
	
· Retirada da Improbidade Culposa
· Taxatividade do rol de atos que atentam contra os princípios da Administração
· Mudança das Sanções dos artigos 9o, 10 e 11
Primeira alteração à Lei de Improbidade – Retirada da Improbidade Culposa
	No texto original da Lei de Improbidade Administrativa, as condutas previstas no artigo 10, que causam lesão ao erário, admitiam expressamente as modalidades culposa ou dolosa. Contudo, vejamos a nova redação trazida pelo art. 1o, §§1o e 3o:
“Art. 1º (…) § 1º Consideram-se atos de improbidade administrativa as condutas dolosas tipificadas nos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei, ressalvados tipos previstos em leis especiais. (…) § 3º O mero exercício da função ou desempenho de competências públicas, sem comprovação de ato doloso com fim ilícito, afasta a responsabilidade por ato de improbidade administrativa. “
	Portanto, o elemento subjetivo exigido pela norma passou a ser somente o dolo, extinguindo a figura de improbidade administrativa por conduta culposa. 
	De igual forma entendeu o STF, ao definir tese de repercussão geral (Tema 1199), no sentido de exigir a responsabilidade subjetiva para tipificação dos atos de improbidade administrativa pelo elemento doloso, sendo, ainda irretroativa a revogação da modalidade culposa de improbidade, não tendo incidência em relação à eficácia da coisa julgada, tampouco durante o processo de execução das penas e seus incidentes.
	Assim, se já transitada em julgado a condenação por ato ímprobo culposo, deve assim permanecer, ainda que esteja em fase de execução, para que a lei não prejudique a coisa julgada, em obediência à Constituição Federal em seu artigo 5o, XXXVI. A lei posterior que beneficia o acusado pode ser aplicada nos casos em que não haja a condenação transitada em julgado.
	Ademais, o referido elemento volitivo doloso é específico, porquanto o §2o do art. 1o prevê que se considera dolo “a vontade livre e consciente de alcançar o resultado ilícito tipificado nos arts. 9o, 10 e 11 da lei, não bastando a voluntariedade do agente”.
Segunda alteração à Lei de Improbidade – Taxatividade do rol de atos que atentam contra os princípios da Administração
	Importante alteração textual do artigo 11 (Dos Atos de Improbidade Administrativa que Atentam Contra os Princípios da Administração Pública) substituiu a expressão “notadamente”, por “caracterizada por uma das seguintes condutas”. 
	A expressão “notadamente”, aparentemente simples, é fundamento para sustentar a natureza exemplificativa da lista, ainda presente nos artigos referentes aos atos que causam prejuízo ao erário, bem como àqueles que importam enriquecimento ilícito. 	
A interpretação adotada tem sido no sentido de que, ante o novo texto legal, a estrutura aberta anteriormente prevista passou a ser taxativa quanto aos atos atentatórios aos princípios da administração pública, posto que elencou expressamente quais condutas incidem na hipótese ímproba.
Terceira alteração à Lei de Improbidade – Sanções dos artigos 9o, 10 e 11
	As sanções dos atos de improbidade administrativa foram alteradas quase em sua totalidade. Por exemplo, não há mais a possibilidade de aplicar-se a sanção de perda da função pública ou suspensão dos direitos políticos para os atos que atentam contra os princípios da administração pública. 
	Além disso, os parâmetros para aplicação de Multa civil, do tempo de suspensão dos direitos políticos e da proibição de contratar e receber benefícios da administração pública foram igualmente retocados.
	Conforme artigo 12 e incisos da referida Lei, vejamos a tabela esquematizada das sanções aplicáveis:
	
	Perda dos bens e valores
	Perda da Função Pública
	Suspensão dos direitos políticos
	Multa civil
	Proibição de contratar e receber benefícios
	Atos que importam enriquecimento ilícito (artigo 9o)
	Sim
	Sim
	Até 14 anos
	Equivalente ao acréscimo patrimonial
	Até 14 anos
	Atos que causam prejuízo ao erário (artigo 10)
	Sim, se houver
	Sim
	Até 12 anos
	Equivalente ao valor do dano
	Até 12 anos
	Atos que atentam contra os princípios da Administração Pública (artigo 11)
	Não
	Não
	Não
	24 vezes o valor da remuneração
	Até 4 anos
	
	De igual forma, é importante estar atento também à previsão dos §§2o e 4o do artigo 12 da Lei de Improbidade Administrativa.
	A primeira diz respeito à multa civil, que poderá ser aumentada até o dobro, se o juízo considerar que o valor arbitrado é ineficaz para reprovação e prevenção do ato de improbidade, considerada a situação econômica do réu. 
	O segundo ponto versa sobre a possibilidade de estender os efeitos da sanção de proibição de contratar com o Poder Público. Como regra, a punição atinge tão somente a esfera do Ente Federativo lesado. Todavia, excepcionalmente e por motivos relevantes justificados, em observância aos impactos econômicos e sociais das sanções, poderá extrapolar essa esfera.
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image4.emfpolítica, seja ela federal, estadual, distrital ou municipal.
 	Os órgãos públicos pertencem a pessoas jurídicas, mas não são pessoas jurídicas. São divisões internas, partes de uma pessoa governamental, daí receberem também o nome de repartições públicas.
 	Todos os órgãos têm, necessariamente, cargos, funções e agentes, sendo certo que esses elementos podem ser alterados, substituídos ou retirados, sem que isso importe a extinção do órgão.
 	Como não possuem personalidade própria, os órgãos não podem ser acionados judicialmente para responder por prejuízos causados por seus agentes. Cabe à pessoa jurídica a que o órgão pertence ser acionada judicialmente para reparação de danos.
 	No entanto, a doutrina e a jurisprudência reconhecem casos raros de alguns órgãos públicos dotados de capacidade processual especial. É o caso da Presidência da República e da Mesa do Senado. Essa capacidade processual especial restringe-se basicamente à possibilidade de tais órgãos realizarem a defesa de suas prerrogativas em juízos, especialmente em sede de mandado de segurança.
 
CLASSIFICAÇÃO DOS ÓRGÃOS PÚBLICOS:
 - Quanto à posição estatal ou hierárquica:
a) independentes ou primários: aqueles originários da Constituição Federal e representativos da cúpula dos Poderes Estatais, não sujeitos a qualquer subordinação hierárquica ou funcional. Exemplos: Casas Legislativas, Chefias do Executivo, Tribunais do Poder Judiciário, Ministério Público e Tribunais de Contas;
b) autônomos: estão situados imediatamente abaixo dos órgãos independentes, gozando de ampla autonomia administrativa, financeira e técnica e dotados de competências de planejamento, supervisão e controle sobre outros órgãos. Exemplos: Ministérios, Secretarias e Advocacia-Geral da União;
c) superiores: possuem competências diretivas e decisórias, mas se encontram subordinados a uma chefia superior. Não têm autonomia administrativa ou financeira. Exemplos: Gabinetes, Secretarias-Gerais, Procuradorias Administrativas e Coordenadorias;
d) subalternos: são os órgãos comuns dotados de atribuições predominantemente executórias. Exemplo: protocolos.
 
- Quanto à estrutura:
a) simples ou unitários: constituídos somente por um centro de competências. Exemplo: Presidência da República;
b) compostos: constituídos por diversos órgãos menores. Exemplo: Secretarias.
 
- Quanto à atuação funcional:
a) singulares ou unipessoais: compostos por um único agente. Exemplo: Prefeitura Municipal;
b) colegiados ou pluripessoais: constituídos por vários membros. Exemplo: tribunal administrativo.
 
- Quanto às funções exercidas:
a) ativos: são os que produzem ações, os atos necessários para o cumprimento dos fins da pessoa jurídica da qual fazem parte. Exemplos: Ministérios e Secretarias.
b) de consulta: produzem os pareceres e as opiniões necessárias para a tomada de decisão por parte dos órgãos ativos. Exemplo: assessoria jurídica integrante da estrutura de Ministério.
c) de controle: são aqueles responsáveis por acompanhar e fiscalizar outros órgãos. Exemplo: Tribunal de Contas da União.
 
- Quanto à esfera de ação:
a) centrais: são aqueles que exercem atribuições em todo o território nacional, estadual ou municipal. Exemplos: Casas Legislativas, Ministérios, Secretarias de Estado e de Município.
b) locais: atuam apenas sobre uma parte do território, como as Delegacias Regionais da Receita Federal, as Delegacias de Polícia, os Postos de Saúde.
 
	Os agentes públicos são verdadeiros veículos da expressão do Estado. Toda a conduta dos agentes é imputada ao órgão. Assim, surgem as 4 (quatro) teorias principais:
 
I) teoria da identidade - afirmava que órgão e agente formam uma unidade inseparável, de modo que o órgão público é o próprio agente. O equívoco dessa concepção - implica concluir que a morte do agente público causa a extinção do órgão;
 
II) teoria da representação: influenciada pela lógica do Direito Civil, a teoria da representação defende que o Estado é como um incapaz, não podendo defender pessoalmente seus próprios interesses. Assim, o agente público atuaria exercendo uma espécie de curatela dos interesses governamentais suprindo a incapacidade - também falha na tentativa de explicar o problema, pois, sendo incapaz, o Estado não poderia nomear seu representante, como ocorre com os agentes públicos;
 
III) teoria do mandato - entre o Estado e agente público haveria espécie de contrato de representação, com o agente recebendo delegação para atuar em nome do Estado. O erro dessa concepção - não conseguir apontar em qual momento e quem realizaria a outorga do mandato;
 
IV) teoria da imputação volitiva ou do órgão: aceita pela unanimidade dos doutrinadores modernos - sustenta que o agente público atua em nome do Estado, titularizando o órgão público (conjunto de competências), de modo que a atuação ou o comportamento do agente no exercício da função pública é juridicamente atribuída(o) – imputada(o) – ao Estado.
OBS.:Delegação / colaboração = particular/ mediante contrato/ transferência da execução e não a
 Titularidade.
 Outorga - na autarquia - lei específica determina sua competência, especialidade, especificidade.
OBS 2.: Súmula 510 do STF: "Praticado o ato por autoridade, no exercício de competência delegada, contra ela cabe o mandado de segurança ou a medida judicial."
▪ Administração Indireta
	DIREITO PÚBLICO (AFA)
	DIREITO PRIVADO
	Autarquias
(lei especifica)
	Empresas públicas
(autorização leg.)
	Fundações públicas
(lei especifica + LC)
(sp de autarquias)
	Sociedades de economia mista
(autorização leg.)
	Associações públicas
	Fundações governamentais
(autorização leg.)
	Nos termos da CF/1988 (inc. XIX do art. 37), a Administração Indireta ou Descentralizada do Estado é composta por: autarquias, sociedades de economia mista, empresas públicas e fundações públicas. Acrescenta-se que, com a Lei 11.107/2005 (Lei dos Consórcios Públicos), o inc. IV do art. 41 do Código Civil de 2002 foi alterado, para inserir, ao lado das autarquias, as associações públicas.
 “Art. 37. (...)
XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação;”
 
Autarquias
	O conceito doutrinário para as autarquias pode ser sintetizado como o de pessoas jurídicas de direito público interno, pertencentes à Administração Pública Indireta, criadas por lei específica para o exercício de atividades típicas da Administração Pública. 
	O conceito legislativo de autarquia é apresentado pelo art. 5º, I, do Decreto-Lei 200/67:
 
Serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada.
 
As autarquias possuem as seguintes características:
a) SÃO PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO;
b) SÃO CRIADAS E EXTINTAS POR LEI ESPECÍFICA;
c) SÃO DOTADAS DE AUTONOMIA GERENCIAL, ORÇAMENTÁRIA E PATRIMONIAL (capacidade de autogoverno);
d) NÃO EXERCEM ATIVIDADE ECONÔMICA;
e) SÃO IMUNES A IMPOSTOS;
OBS.: TESE DE REPERCUSSÃO GERAL -TEMA 385
A imunidade recíproca, prevista no art. 150, VI, a, da Constituição não se estende a empresa privada arrendatária de imóvel público, quando seja ela exploradora de atividade econômica com fins lucrativos. Nessa hipótese é constitucional a cobrança do IPTU pelo Município
f) SEUS BENS SÃO PÚBLICOS (impenhorabilidade, inalienabilidade e imprescritibilidade);
i) O REGIME NORMAL DE CONTRATAÇÃO É ESTATUTÁRIO;
j) POSSUEM AS PRERROGATIVAS ESPECIAIS DA FAZENDA PÚBLICA (privilégios processuais);
k) RESPONSABILIDADE OBJETIVA E DIRETA;
l) OUTRAS CARACTERÍSTICAS: sofrem controle dos tribunais de contas, têm o dever de observar as regras de contabilidade pública, estãosujeitas à vedação de acumulação de cargos e funções públicas, devem realizar licitação e seus dirigentes ocupam cargos em comissão de livre provimento e exoneração.
DL 200/67 - Art. 26. No que se refere à Administração Indireta, a supervisão ministerial visará a assegurar, essencialmente: (...)
d) aprovação anual da proposta de orçamento-programa e da programação financeira da entidade, no caso de autarquia;
Categorias de autarquias:
a) autarquias assistenciais: visam a promover auxílio a regiões menos desenvolvidas ou a categorias sociais específicas, para o fim de diminuir as desigualdades regionais e sociais. Exemplo: SUDENE – Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste;
b) autarquias previdenciárias: voltadas para a atividade de previdência social oficial. Exemplo: INSS (Instituto Nacional do Seguro Social);
c) autarquias culturais: dirigidas à educação e ao ensino. Exemplo: UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina);
d) autarquias profissionais (ou corporativas): incumbidas da inscrição de certos profissionais e de fiscalização de suas atividades. Exemplo: CRM (Conselho Regional de Medicina). O STF confirma a natureza autárquica dos Conselhos de fiscalização profissional. No entanto, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) é um caso todo particular. Na visão do STF, a OAB não é autarquia.
e) autarquias de controle: nessa categoria estão as agências reguladoras, que, regularmente, possuem natureza autárquica. Têm a função primordial de controle sobre as pessoas que prestam serviços públicos ou atuam na área econômica por força de concessões e permissões de serviços públicos. Exemplo: ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações);
OBS.: Agências reguladoras - autarquias especiais - entidades públicas com personalidade jurídica própria e autonomia administrativa e financeira, criadas para regular e fiscalizar setores específicos. Elas combinam as características típicas das autarquias com uma autonomia adicional voltada para suas funções regulatórias e supervisórias, criadas por lei específica que define sua estrutura e competências. Agências reguladoras que atuam sob essa forma jurídica são responsáveis por estabelecer normas e supervisionar setores especializados, garantindo a conformidade e protegendo o interesse público.
OBS2 - As agências reguladoras de serviços públicos não se restringem apenas às empresas privatizadas. Elas também têm o papel de regular e fiscalizar as empresas estatais que prestam serviços públicos. Essa regulação é necessária para garantir a eficiência, qualidade e equidade na prestação desses serviços, independentemente da natureza da empresa que os oferece.
OBS.:3 - As agências reguladoras são de criação recente no Brasil. Surgiram na última metade da década de 90, fruto das transformações do Estado brasileiro que passou a dar ênfase à sua função reguladora, interferindo indiretamente na ordem econômica, ao invés da função de Estado produtor, intervindo diretamente nessa mesma ordem. No modelo de intervenção direta, quem fixa a política é o Poder Executivo, por meio de seus ministérios. No modelo regulatório, a política é fixada pelo Congresso Nacional por meio de lei.
OBS 4.: As agências reguladoras:	
· Organizadas em colegiados (membros detém mandato fixo);
· Possuem maior autonomia decisória, administrativa e financeira;
· Direção por membros que são nomeados por prazo determinado pelo Presidente da República, após prévia aprovação pelo Senado Federal, vedada a exoneração ad nutum (demissão de um servidor público ocupante de cargo em comissão ou função de confiança, sem necessidade de justificativa ou processo administrativo disciplinar - perda do cargo de direção em uma agência reguladora só pode ocorrer em 3 casos: 1) com o encerramento do mandato; 2) por renúncia; 3) por sentença judicial transitada em julgado - Lei 13.848/19: Art. 3º: A natureza especial conferida à agência reguladora é caracterizada pela ausência de tutela ou de subordinação hierárquica, pela autonomia funcional, decisória, administrativa e financeira e pela investidura a termo de seus dirigentes e estabilidade durante os mandatos,(...));
· Não se submetem, em regra, ao controle hierárquico do ente central;
· Encontram-se vinculadas (não subordinadas) ao Ministério do Setor correspondente, para fins de tutela, supervisão ou controle finalístico;
OBS 5.: agências executivas PODEM ser autarquias ou fundações.
f) autarquias associativas: são as “associações públicas”, ou seja, os consórcios públicos, regidos pela Lei 11.107/2005. Exemplos: consórcios públicos intermunicipais;
g) autarquias administrativas: essa é uma categoria residual, a ser composta pelas entidades que se destinam a várias atividades administrativas, inclusive de fiscalização, quando essa atribuição for da pessoa federativa a que estejam vinculadas. Exemplo: INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial).
 
Fundações públicas
	Fundações públicas são pessoas jurídicas de direito público interno, instituídas por lei específica mediante a afetação de um acervo patrimonial do Estado a uma dada finalidade pública. Exemplos: FUNAI e IBGE.
Decreto-Lei 200/67 conceitua a fundação pública :
Art. 5º, IV - A entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, criada em virtude de autorização legislativa, para o desenvolvimento de atividades que não exijam execução por órgãos ou entidades de direito público, com autonomia administrativa, patrimônio próprio gerido pelos respectivos órgãos de direção, e funcionamento custeado por recursos da União e de outras fontes.
	Grifou-se, pois, de acordo com o entendimento adotado pela maioria da doutrina e pela totalidade dos concursos públicos, as fundações públicas são espécies de autarquias – autarquias fundacionais ou fundações autárquicas (direito público) - revestindo-se das mesmas características jurídicas aplicáveis às entidades autárquicas. Podem exercer todas as atividades típicas da Administração Pública, como prestar serviços públicos e exercer poder de polícia.
 
	Sobre a área de atuação das fundações, diz a Constituição Federal :
Art. 37, XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação.
 
Associações públicas
	O art. 241 da Constituição Federal prescreve que a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios disciplinarão por meio de lei os consórcios públicos e os convênios de cooperação entre os entes federados, autorizando a gestão associada de serviços públicos, bem como a transferência total ou parcial de encargos, serviços, pessoal e bens essenciais à continuidade dos serviços transferidos.
 
	Regulamentando a citada norma constitucional, a Lei 11.107/2005 disciplinou o instituto do consórcio público. Consórcio público é o negócio jurídico plurilateral de direito público que tem por objeto medidas de mútua cooperação entre entidades federativas, resultando na criação de uma pessoa jurídica autônoma com natureza de direito privado ou de direito público.
 
	As entidades consorciadas podem optar entre duas naturezas distintas para a pessoa jurídica criada após a celebração do contrato (art. 6º):
a) CONSÓRCIO COM NATUREZA DE DIREITO PRIVADO SEM FINS ECONÔMICOS: basicamente submete-se às regras da legislação civil. Os consórcios de direito privado não integram a Administração;
b) ASSOCIAÇÃO PÚBLICA: se as entidades consorciadas optarem por conferir natureza jurídica de direito público, a nova pessoa jurídica recebe a denominação de associação pública. De acordo com a regra prevista no art. 6º da Lei 11.107/2005, a associação pública integra a Administração Pública Indireta de todos os entes consorciados.
As associações públicas possuem alguns privilégios:
a) poder de promover desapropriações e de instituir servidões – art. 2º, § 1º, II;
b) possibilidade de serem contratadas pela Administração Direta ou Indireta, comdispensa de licitação – art. 2º, § 1º, III;
c) o dobro do limite para contratação direta por dispensa de licitação em razão do valor – art. 24, I e II, Lei n. 8.666/93.
Empresas públicas
	O conceito legislativo de empresas públicas está previsto no art. 5º, II, do Decreto-Lei 200/1967:
 	Entidades dotadas de personalidade jurídica de direito privado, com patrimônio próprio e capital exclusivo da União, criadas por lei para exploração de atividade econômica que o Governo seja levado a exercer por força de contingência, ou de conveniência administrativa, podendo revestir-se de quaisquer das formas admitidas em direito.
Lei 13.303/2016 (Estatuto das Estatais):
"Art. 3º Empresa pública é a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com criação autorizada por lei e com patrimônio próprio, cujo capital social é integralmente detido pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios.
 	Segundo a doutrina, empresas públicas são pessoas jurídicas de direito privado, criadas por autorização legislativa, com totalidade de capital público e regime organizacional livre. Exemplos: Empresa de Correios e Telégrafos – ECT e Caixa Econômica Federal – CEF.
 
	Apesar de o conceito legal ser bastante incidente em provas, é preferível o conceito doutrinário pelas seguintes razões:
a) o capital de empresa pública dever ser exclusivamente público, e não “exclusivo da União”, podendo sua origem ser federal, distrital, estadual ou municipal;
b) empresas públicas não são criadas por lei, mas mediante autorização legislativa;
c) atualmente, empresas públicas podem desempenhar dois tipos diferentes de atuações: exercer atividades econômicas ou prestar serviços públicos.
 
Possui a empresa pública as seguintes características:
· criação autorizada por lei específica;
· todo capital é público;
· forma organizacional livre;
· demandas de competência da Justiça Federal, se empresa pública federal;
· sofre controle pelos Tribunais de Contas, Poder Legislativo e Judiciário;
· dever de contratar mediante prévia licitação;
· obrigatoriedade de realização de concurso público;
· proibição de acumulação de cargos, empregos ou funções públicas;
· contratação de pessoal pelo regime celetista de emprego público;
· remuneração dos empregos não sujeita ao teto constitucional;
· impossibilidade de falência.
OBS.: as entidades de direito privado também desempenham atividades oriundas da outorga (transferência da titularidade do serviço) e não apenas pela delegação (serviço permitido ou autorizado). 
Sociedades de economia mista
	O conceito legal de sociedade de economia mista está previsto no art. 5º, III, do Decreto-Lei 200/1967:
 A entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, criada por lei para a exploração de atividade econômica, sob a forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a voto pertençam em sua maioria à União ou à entidade da Administração Indireta.
Lei 13.303/2016 (Estatuto das Estatais):
Art. 4º Sociedade de economia mista é a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com criação autorizada por lei, sob a forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a voto pertençam em sua maioria à União, aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios ou a entidade da administração indireta.
	Pelo conceito doutrinário, as sociedades de economia mista são pessoas jurídicas de direito privado, criadas mediante autorização legislativa, com maioria de capital público e organizadas obrigatoriamente como sociedades anônimas. Exemplos: Petrobras e Banco do Brasil.
 
O conceito de sociedade de economia mista apresentado pelo Decreto-Lei 200/1967 exige dois reparos:
a) é criada mediante autorização legislativa, e não por lei;
b) além de explorar atividades econômicas, podem também prestar serviços públicos.
A sociedade de economia mista possui as seguintes características:
· criação autorizada por lei;
· a maioria do capital é público;
· forma de sociedade anônima;
· demandas são julgadas na justiça comum estadual;
· sofre controle pelos Tribunais de Contas, Poder Legislativo e Judiciário;
· dever de contratar mediante prévia licitação;
· obrigatoriedade de realização de concurso público;
· proibição de acumulação de cargos, empregos ou funções públicas;
· contratação de pessoal pelo regime celetista de emprego público;
· remuneração dos empregos não sujeita ao teto constitucional;
· impossibilidade de falência.
 
Empresas subsidiárias e empresas controladas
· Empresas subsidiárias são criadas por autorização legislativa e integram a Administração Pública indireta na qualidade de empresas públicas ou sociedades de economia mista, conforme estabelecido em seus atos institutivos.
· Empresas controladas são pessoas jurídicas de direito privado adquiridas integralmente ou com parcela de seu capital social assumido por empresa estatal. Nesse caso, como a sua instituição realiza-se independentemente de autorização legislativa, as empresas controladas não integram a Administração Pública.
 
Fundações governamentais
	Em conformidade com § 3º do art. 5.º do Decreto-lei 200/1967, as fundações públicas de Direito Privado adquirem sua personalidade com a inscrição da escritura pública de sua constituição no Registro Civil de Pessoas Jurídicas. Enfim, a lei autoriza a instituição, e o registro consolida o início da personalidade jurídica.
 
	As fundações governamentais são conceituadas como pessoas jurídicas de direito privado, criadas mediante autorização legislativa, com a afetação de um acervo de bens à determinada finalidade pública. Exemplo: Fundação Padre Anchieta, fundação governamental do Estado de São Paulo mantenedora da Rádio e TV Cultura.
OBS.: OS - ORGANIZAÇÕES SOCIAIS: (PARAESTATAIS)
· Personalidade jurídica de direito privado;
· Contrato de Gestão;
· Entidade sem fins lucrativos;
· Não há prazo mínimo;
· Qualificada pelo Min. do Estado;
· Ministério competente (ato discricionário);
· Pode ser contratada com dispensa de licitação;
· Cessão de servidores públicos; permissão de uso de bens públicos; repasses orçamentários;
· Deve atuar nas atividades de ensino, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, proteção e preservação do meio ambiente, cultura ou saúde;
· Não integra a Administração Indireta.
DESCONCENTRAÇÃO e DESCENTRALIZAÇÃO
	A organização administrativa estuda a estrutura interna da Administração Pública, os órgãos e pessoas jurídicas que a compõem. Para cumprir suas competências constitucionais, a Administração dispõe de duas técnicas diferentes: a Desconcentração (órgãos) e a Descentralização (entes)..
	
	A descentralização política, também chamada de vertical, decorre da própria repartição de competências estabelecidas pela Constituição, partindo-se da União (ente maior) até os Municípios (entes menores). A descentralização administrativa, também chamada de horizontal, ocorre quando o ente político transfere competências no âmbito administrativo de mesmo nível, como por exemplo, a criação de uma autarquia.
	DESCONCENTRAÇÃO
	DESCENTRALIZAÇÃO
	Técnica administrativa
	 Distribuição de competência
	Ocorre no interior de uma pessoa jurídica
	Existe mais de uma pessoa jurídica ou física
	ÓRGÃOS
	ENTIDADES
	Nem todos gozam de autonomia
	Todos têm autonomia administrativa
	Não têm patrimônio próprio
	Têm patrimônio próprio
	Regra: não têm capacidade processual, por serem despersonalizados.
Exceção: alguns possuem personalidade jurídica (ex.: órgãos independentes e autônomos)
	Possuem capacidade processual e personalidade jurídica
 	Na subordinação ocorre a sujeição hierárquica. Vigora o poder de autotutela, que é o poder decorrente da hierarquia existente nas relações de subordinação entre os órgãos integrantes de uma mesma estrutura de Poder. 
	Na vinculação, a relação existente entre o órgão supervisor e a entidade supervisionada é de mera vinculação. Vigora o que a doutrina chama de tutela administrativa (supervisão ministerial ou controle finalístico).
	RELAÇÕES ENTRE DESCONCENTRAÇÃO E DESCENTRALIZAÇÃO
	I) Centralização concentrada:quando a competência é exercida por uma única pessoa jurídica sem divisões internas. Seria o caso, improvável na prática, de uma entidade federativa que desempenhasse diretamente todas as suas competências sem divisão em órgãos públicos;
II) Centralização desconcentrada: a atribuição administrativa é cometida a uma única pessoa jurídica dividida internamente em diversos órgãos públicos. É o que ocorre, por exemplo, com as competências da União Federal exercidas pelos Ministérios;
III) Descentralização concentrada: ocorre quando são atribuídas competências administrativas a pessoa jurídica autônoma sem divisões internas. Exemplo: autarquia sem órgãos internos;
IV) Descentralização desconcentrada: é a situação surgida quando as competências administrativas são atribuídas a pessoa jurídica autônoma dividida em órgãos internos. Exemplo: autarquia estruturada internamente em diversos órgãos e repartições.
 
A avocação e a delegação são termos jurídicos que se referem à transferência de competências entre órgãos ou agentes, mas com características diferentes: 
· Avocação
	A avocação é o ato de um agente superior chamar para si uma atribuição que era de responsabilidade de um agente inferior. É um movimento inverso à delegação, e só pode ocorrer quando há uma relação de hierarquia. A avocação é uma medida excepcional, que só pode ser tomada por uma motivação relevante e justificada.
	A avocação pode ocorrer em diferentes contextos legais, como no âmbito administrativo, civil ou penal. 
	É DISCRICIONÁRIA e REVOGÁVEL a QUALQUER TEMPO.  Deve ser feita com PRAZO DETERMINADO. Deve ser feita de apenas PARTE DAS ATRIBUIÇÕES DO AGENTE que AVOCA (não podem se avocar tudo). NÃO pode avocar Competência Exclusiva.
· Delegação
	A delegação é o ato de um agente transferir a outro agente, normalmente de um nível hierárquico inferior, as funções que lhe são atribuídas - Atribuir competência a terceiro - Não transfere a titularidade. A delegação pode ser feita por convênio ou contrato com outros entes, e não é obrigatória a existência de uma relação de hierarquia.
É DISCRICIONÁRIA e REVOGÁVEL a QUALQUER TEMPO. Não é excepcional.  Deve ser feita com PRAZO DETERMINADO. Deve ser feita de apenas PARTE DAS ATRIBUIÇÕES DO AGENTE DELEGANTE (não podem se delegar tudo). É a REGRA, exceto por vedação legal. Autoridade DELEGADA é responsável pela prática do ATO.
	NÃO PODE SER DELEGADO: CENORA: Competência Exclusiva / Atos NOrmativos. / Recursos Administrativos.
Descentralização Administrativa: 
Adm. Direta para Adm. Indireta: Forma: Lei - Por Serviços ou Outorga Legal -Transfere: Execução + Titularidade
Adm. Direta para Partic: Forma: Contrato Administrativo ou Ato Administrativo - Por Delegação ou Por Colaboração - Transfere: Apenas a Execução
 Princípios da Administração Pública. 
▪ Princípio da Legalidade 
	O Princípio da legalidade é fundamento do Estado democrático de direito, todos estão submetidos ao império da lei: 
CF, art. 5º, II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; 
	A lei reina para todos, sejam particulares, seja a administração pública, no entanto, o princípio da legalidade terá significados bastante diferentes nestas duas situações: para os particulares, é lícito fazer tudo aquilo que a lei não vedar, havendo autonomia e liberdade para agir, desde que não exista proibição legal. 
	Para a administração pública, por força do princípio da legalidade, só poderá agir quando houver determinação ou, pelo menos, autorização legal. Ausente a previsão legal, não será possível a atuação administrativa. Portanto, no meio administrativo, a legalidade é muito mais restritiva que no âmbito privado.
	Assim sendo, A lei condiciona a ação estatal, seja determinando que a administração pública tome uma providência (atuação vinculada), seja a autorizando a agir (atuação discricionária).
→ Princípios relacionados à legalidade:
- Princípio da juridicidade administrativa - o administrador público deve obedecer à ordem jurídica como um todo, reduzindo ainda mais a discricionariedade do administrador, pois DEVE OBSERVAR O ORDENAMENTO JURÍDICO como um todo.
- Princípio da primazia da lei - consiste na face negativa da legalidade, em que a administração pública não pode agir contrariamente à lei, bastando que o administrador não contrarie a lei. → NÃO CONTRARIAR A LEI
- Princípio da reserva legal - de conteúdo mais restritivo, traz o lado positivo da legalidade e reforça a ideia de que somente a lei inova o ordenamento jurídico. Neste sentido, não bastaria ao administrador público não contradizer a lei. Os atos administrativos só podem ser praticados secundum legem, mediante autorização ou determinação legal. → SÓ FAZER O QUE A LEI DETERMINA
Exceções ao Princípio Da Legalidade:
- Medidas provisórias (CF, art. 62) - atos praticados pelo chefe do Poder Executivo, em situações de relevância e urgência, com força de lei temporária, podendo ser convertidas em lei pelo Poder Legislativo, mas não é uma lei propriamente dita. Por isso, parte da doutrina a inclui como exceção ao princípio da legalidade.
- Estado de defesa (CF, art. 136) - medida decretada pelo Presidente da República, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, com a finalidade de “preservar ou prontamente restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza” É estabelecido mediante decreto e restringe direitos sem a necessidade de uma lei, também incluído como exceção ao princípio da legalidade.
- Estado de sítio (CF, arts. 137-139) - decretado pelo Presidente da República, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional. É medida mais gravosa que o estado de defesa, exigindo-se autorização do Congresso Nacional. Por restringir direitos sem uma lei, é incluído como exceção ao princípio da legalidade.
▪ Princípio da Impessoalidade 
	O princípio da impessoalidade possui, principalmente, duas dimensões:
- finalidade da atuação estatal 
- vedação da promoção pessoal dos agentes públicos às custas dos feitos da Administração.
→ Princípio da finalidade - exige que a atuação administrativa sempre tenha como fim o interesse público. 	Assim, o gestor não deve buscar o interesse próprio ou de terceiros, mas apenas a finalidade pública, sendo proibido favoritismos ou perseguições por parte do gestor público, entrelaçando-se com o princípio da isonomia (ou da igualdade), em que parte da doutrina considera a isonomia como um terceiro sentido do princípio da impessoalidade. 
	Se o ato é praticado com finalidade diversa do interesse público, previsto no ordenamento jurídico, para satisfazer um interesse pessoal do agente público, será nulo, pois foi praticado com desvio de finalidade.
→ Principio da vedação à promoção pessoal - nesta dimensão do princípio da impessoalidade, veda-se que as realizações da Administração Pública sejam utilizadas como instrumento para promoção pessoal dos agentes públicos. Segundo Marcelo Alexandrino, trata-se da “vedação à pessoalização das realizações da administração pública”.
	Trata-se de noção extraída a partir do próprio texto constitucional: 
CF, art. 37, § 1º A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.
	Entendimento do STF, de maio de 2021, de que a vedação a que se refere o art. 37, §1º, não admite flexibilização por norma infraconstitucional, não se admitindo delegação a cada Poder para definir, por norma interna, as hipóteses pelas quais a publicidade oficial não constituirá promoção pessoal (ADI 6522/DF).
	A partir da Lei 14.230/2021, a promoção pessoal de agentes públicos por meio da publicidade oficial, além de ser conduta ilícita, passou a ser enquadradacomo ato de improbidade administrativa, na modalidade violação a princípio: 
art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública a ação ou omissão dolosa que viole os deveres de honestidade, de imparcialidade e de legalidade, caracterizada por uma das seguintes condutas: (..)
XII - praticar, no âmbito da administração pública e com recursos do erário, ato de publicidade que contrarie o disposto no § 1º do art. 37 da Constituição Federal, de forma a promover inequívoco enaltecimento do agente público e personalização de atos, de programas, de obras, de serviços ou de campanhas dos órgãos públicos
	Como esclarece Lucas Rocha Furtado, o princípio da impessoalidade admite seu exame sob os seguintes aspectos:
· Dever de isonomia por parte da Administração Pública;
· Dever de conformidade ao interesse público;
· Imputação dos atos praticados pelos agentes públicos diretamente às pessoas jurídicas em que atuam.
	
	Exemplos clássicos do princípio da impessoalidade são o concurso público e a licitação. Ambos os procedimentos visam objetivar as contratações da administração pública e impedir o subjetivismo na escolha de quem irá fornecer ou prestar serviços à administração pública.
▪ Princípio da Moralidade 
	O princípio da moralidade administrativa está ligado à ideia de honestidade e exige a observância de padrões éticos por parte dos agentes públicos. Impõe aos agentes públicos uma atuação pautada pela boa-fé e pela lealdade. Este princípio é explicitado também na Lei 9.784/1999: 
art. 2º, parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: 
(..) IV - atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-fé;
: 
A moralidade administrativa constitui requisito de validade do ato administrativo.
A boa-fé subjetiva, ou boa-fé crença ou boa-fé convicção consiste na investigação sobre vontade e intenção do indivíduo, especialmente para apurar o conhecimento ou o desconhecimento da ilicitude da conduta praticada. Fala-se que o agente atuou “de boa-fé”, tendo como noção contraposta a “má-fé”.
 
Já a boa-fé objetiva ou boa-fé conduta manifesta-se externamente por meio da investigação do comportamento do agente, sendo irrelevante sua intenção. Fala-se que o agente atuou “segundo a boa-fé”, tendo como noção contraposta a “ausência de boa-fé”, e não a “má-fé”.
Moralidade administrativa → dever de probidade – descumprimento = atos de improbidade administrativa, implicam em penalidades legais, nos termos do art. 37, §4º CF/88:
∙ suspensão dos direitos políticos 
∙ perda da função pública
∙ indisponibilidade dos bens 
∙ ressarcimento ao erário, sem prejuízo da ação penal cabível
Regulamentação Lei 8.429/1992 - três conjuntos de atos de improbidade: 
(i) atos de improbidade administrativa que importam enriquecimento ilícito; 
(ii) atos que causam prejuízo ao erário; 
(iii) atos que atentam contra os princípios da administração pública.
A partir da Lei 14.230, de outubro de 2021 → o nepotismo prescrito como ato de improbidade administrativa, na modalidade violação a princípio.
Previsão constitucional – ação popular - garantia constitucional que legitima o cidadão a provocar o controle de legalidade e legitimidade dos atos administrativos por parte do Estado:
CF, art. 5º,
 LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio públicoM(...).
▪ Princípio da Publicidade 
	Ampla divulgação dos atos praticados pela administração pública, tornando-os transparentes aos administrados, à exceção das hipóteses de sigilo previstas em lei. A partir da divulgação oficial do ato, tem início o cômputo dos prazos e o ato começa a produzir efeitos externos.
Exceções ao princípio da publicidade - Autorizado o sigilo nos casos de risco para:
I) a segurança do Estado (art. 5º, XXXIII). Exemplo: informações militares;
II) a segurança da sociedade (art. 5º, XXXIII). Exemplo: sigilo das informações sobre o interior de usina nuclear para evitar atentados terroristas;
III) a intimidade dos envolvidos (art. 5º, X). Exemplo: processos administrativos disciplinares.
→ doutrina moderna: publicação é requisito de eficácia dos atos administrativos (e não requisito de validade). Segundo tal entendimento, sendo obrigatória a divulgação oficial, um ato que não tenha sido publicado, é considerado válido, tão-somente deixa de produzir efeitos perante terceiros, podendo a falha ser suprida mediante posterior divulgação oficial do ato.
→ corrente mais antiga: o ato somente é considerado perfeito (concluído) quando ocorrer sua publicação.
	Consoante leciona José dos Santos Carvalho Filho, há várias outras formas de concretização do princípio da publicidade: 
➢ direito de petição: os administrados podem formular qualquer tipo de postulação perante os órgãos e entidades públicas (Constituição Federal, art. 5º, XXXIV, ‘a’) 
➢ certidões: expedidas pela administração pública para viabilizar defesa de direitos ou esclarecimentos de certas situações (Constituição Federal, art. 5º, XXXIV, ‘b’) 
➢ divulgação de ofício de informações de interesse público, como a publicação de informações na internet, consoante regulamentado pela Lei 12.527/2011 – Lei de Acesso à Informação (LAI)
	Entendimentos jurisprudenciais fundados no princípio da publicidade: 
1) A jurisprudência brasileira considera legítima a divulgação eletrônica do valor das remunerações dos servidores de forma individualizada, sem que isto viole a intimidade dos servidores públicos: 
2) As verbas para exercício da atividade parlamentar, até mesmo aquelas de natureza indenizatória, estão sujeitas à publicidade.
3) Apesar de não estar diretamente relacionada ao direito administrativo, o STF entendeu que, no processo do impeachment, a votação não pode ser sigilosa, devendo-se dar publicidade aos votos de cada parlamentar.
4) Se são concedidas verbas públicas a particulares, ainda que seja por meio de empréstimos bancários subsidiados, os Bancos devem divulgar as informações ao Ministério Público, em prol do princípio da publicidade.
5) O STF entendeu que o TCU poderia criar sítio eletrônico, denominado Contas Públicas, para a divulgação de dados tributários e financeiros dos entes federados.
▪ Princípio da Eficiência
	Economicidade, redução de desperdícios, qualidade, rapidez, produtividade e rendimento funcional - valores encarecidos pelo princípio da eficiência.
	EFICIÊNCIA, EFICÁCIA e EFETIVIDADE são conceitos que não se confundem:
● EFICIÊNCIA seria o modo pelo qual se exerce a função administrativa. 
● EFICÁCIA diz respeito aos meios e instrumentos empregados pelo agente. 
● EFETIVIDADE é voltada para os resultados de sua atuação.
	A eficiência é condição de validade da atuação administrativa, de sorte que um ato administrativo comprovadamente ineficiente é nulo, devendo ser declarado como tal pela administração pública.
	Incontroversa é a possibilidade de os Tribunais de Contas, enquanto auxiliares do Controle Externo, realizarem o controle da eficiência da atuação administrativa.
PRINCÍPIOS IMPLÍCITOS
2. Atos Administrativos: 
▪ Conceito: 
	Ato administrativo é a declaração do Estado ou de quem o represente, que produz efeitos jurídicos imediatos, com observância da lei, sob o regime jurídico de direito público e sujeita ao controle pelo Poder Público, no exercício de prerrogativas públicas, praticada enquanto comando complementar de lei e sempre passível de reapreciação pelo Poder Judiciário.
	Ato Administrativo é toda manifestação unilateral de vontade da Administração Pública que, agindo nessa qualidade, com o fim imediato de adquirir, resguardar, transferir, modificar, extinguir e declarar direitos, ou impor obrigações aos administrados ou a si próprio. A condição primeira para o seu surgimento é que a Administração aja nessa qualidade, usando de sua supremacia de Poder Público, visto que algumas vezes se nivela ao particular e o ato perde a característica administrativa. Ato administrativo é uma manifestação devontade funcional apta a gerar efeitos jurídicos, produzida no exercício de função administrativa. 
	Em sede de direito administrativo, embora haja divergência, prevalece que o ato administrativo é válido quando preenche os requisitos legais e é eficaz quando produz os seus efeitos. PERFEIÇÃO: ato perfeito é aquele que consumou seu ciclo de formação, por ter encerrado todas as fases necessárias à sua produção. O ato pode, então, ser:
a) Perfeito, válido e eficaz – concluiu o ciclo de formação, encontra-se ajustado às exigências legais e está disponível para deflagrar seus efeitos típicos;
b) Perfeito, inválido e eficaz – conclui o ciclo de formação e apesar de não se achar conformado às exigências normativas, encontra-se produzindo os efeitos que lhe seriam inerentes;
c) Perfeito, válido e ineficaz (pendente) – conclui o ciclo de formação, está ajustado às exigências legais, mas não está pronto para a eclosão de seus efeitos típicos, por depender de um termo inicial ou de uma condição suspensiva, ou autorização, aprovação ou homologação, a serem manifestadas por uma autoridade controladora;
d) Perfeito, inválido e ineficaz – esgotou o ciclo de formação, está em desconformidade com a ordem jurídica e seus efeitos ainda não podem fluir.
Elementos Vinculados nos Atos Administrativos Vinculados = TODOS
Elementos Vinculados nos Atos Administrativos Discricionários = COMPETÊNCIA, FORMA, FINALIDADE
Assim não existe ato 100% discricionário (com competência, forma, finalidade, objeto e motivo, todos discricionários)
Motivo e Objeto podem ser vinculados ou discricionários e os demais são sempre vinculados.
▪ Requisitos (ou Elementos) de Validade (Requisitos para o ato existir).
Competência: É o poder decorrente da lei que dá ao agente administrativo a capacidade de exercer suas atribuições e praticar o ato administrativo. Tem que confirmar que o agente e o órgão a onde ele é vinculado pode praticar o ato. É um elemento vinculado;
Finalidade: É o objetivo que a Administração quer atingir com a prática do ato. Tem efeito jurídico mediato O ato deve alcançar a finalidade expressa prevista na lei que atribuiu a competência para o agente e este não deve mudar esta finalidade correndo o risco de nulidade por desvio de finalidade. A finalidade deve sempre buscar o interesse público. É um elemento vinculado.
Forma: É como o ato deve ser praticado. É a materialização do ato. Todos os atos devem ser escritos, mas raramente, podem ser praticado por gestos, símbolos ou voz como no transito com apito ou semáforos. É um elemento vinculado.
Motivo: Consiste na situação de fato e de direito que gera a necessidade da Administração em praticar o ato administrativo. A justificativa deve corresponder aos acontecimentos que levaram a administração pública a praticar o ato administrativo. Pode ser:
- Obrigatória (explicita): Se a situação já está prevista em lei. Pratica o ato conforme o motivo. Ato vinculado.
- Facultativa (implícita): Se a situação não está prevista em lei. O agente escolhe ou indica o motivo, devidamente justificado. Ato discricionário.
Objeto: É o conteúdo do ato. É a modificação realizada pelo ato no mundo jurídico. Segundo Fernanda Marinela, o objeto corresponde ao efeito jurídico imediato do ato, ou seja, o resultado prático causado em uma esfera de direitos. Representa uma consequência para o mundo fático em que vivemos e, em decorrência dele, nasce, extingue-se, transforma-se um determinado direito. É um elemento vinculado e discricionário
▪ Eficácia: há possibilidade da imediata deflagração dos efeitos do ato - é uma qualidade da norma que se refere à possibilidade de produção concreta de efeitos, porque estão presentes as condições fáticas exigíveis para sua observância, espontânea ou imposta, ou para a satisfação dos objetivos visados (efetividade ou eficácia social), ou porque estão presentes as condições técnico-normativas exigíveis para sua aplicação (eficácia técnica).
Já vigência é o período em que o ato permanece no ordenamento jurídico. Um ato pode ter vigência, ou seja, pode estar no ordenamento, e não ser eficaz se algo (como, p. ex., termo inicial ou condição suspensiva) impedir o início da produção das suas consequências.
▪ Atributos (ou Características)
Presunção de legitimidade e veracidade: Os atos administrativos são presumidos que são legais e verdadeiros até que se prove o contrário, ou seja, caso o destinatário do ato acreditar que o ato é ilegal cabe a ele provar e não o agente administrativo. Este atributo consta em todos os atos administrativos. Este atributo agiliza a execução dos atos administrativos.
Imperatividade: Os atos administrativos são obrigatórios a todos, mesmo contra a vontade do destinatário, ou seja, o agente público pode criar obrigações ou impor restrições ao destinatário buscando somente seus interesses. Ex.: interdição de locais.
Autoexecutoriedade: É a possibilidade de a administração pública executar seus próprios atos administrativos diretamente sem precisar de autorização de outros poderes. Ela não está presente em todos os atos administrativos.
Exemplo: Interditar uma ponte que existem grandes chances de cair (urgência)
Tipicidade: É o atributo que deve corresponder a figuras e modelos definidos por lei. Este atributo evita que a administração aja de forma discricionária prejudicando o particular. A administração deve agir rigorosamente o que a lei determina.
Exigibilidade: A administração pode exigir de terceiros o cumprimento de obrigações. Diferente da imperatividade que impõe uma obrigação.
▪ Classificação
- Quanto ao seu regramento:
Atos vinculados: De acordo com a lei. A lei determina o momento e as condições
Atos discricionários: O agente público pode escolher quando e modo de executar. Seu conteúdo e quem será o destinatário.
- Quanto ao destinatário:
Atos individuais: dirigido para determinada pessoa. Por ser subjetivo pode haver contestação.
Atos gerais: Dirigido à coletividade. Atinge várias pessoas com a mesma situação jurídica. Por ser coletiva não pode ter contestação individual.
- Quanto ao seu alcance:
Atos internos: Praticados dentro da administração, atingindo seus órgãos e agentes.
Atos externos: Praticados fora da administração, atingindo os contratados e administrados.
- Quanto ao objeto:
Atos de império: praticado pelos agentes públicos e obriga seus administrados a obedecer. Praticado com supremacia do interesse público ao particular.
Atos de gestão: Praticado na mesma condição do particular afastando sua prerrogativa de supremacia.
Atos de expediente: São atos internos de rotina para dar andamento aos documentos e papeis que tramitam em seus órgãos.
Quanto à formação (processo de elaboração):
Ato simples: Vontade de apenas um órgão ou agente
Ato Complexo: Vontade de mais de um órgão ou agente
Ato composto: Vontade de mais de um órgão ou agente, mas depende da ratificação de outra vontade para ter efeito.
▪ Espécies e exteriorização;:
Atos normativos - Efeitos gerais e abstratos atingindo a todos que são regulamentados por ele, visando a aplicação correta da lei:
Decreto: atos normativos exclusivos do chefe do executivo;
Regulamento: visa especificar um ato normativo superior;
Regimento: tem força normativa interna e objetiva disciplinar o funcionamento de órgãos;
Resolução: Ato normativo de autoridades superiores para disciplinar matérias de sua competência exclusiva.
Deliberação: São decisões que partem de órgãos colegiados.
Atos ordinários - Objetiva disciplinar a conduta dos agentes públicos e o funcionamento da administração.
Instruções: Orientações do superior aos seus subordinados
Circulares: Ordem escrita
Avisos: Atos de ministros dentro de seu ministério
Portarias: Atos dos chefes de órgãos públicos
Ofícios: Comunicação oficial para terceiros
Despacho administrativo: Decisões tomadas pela administração.
Atos negociais - declaração de vontade da administração para fazer negócios com particulares produzindo efeito concreto e individual para o destinatário.
Licença: Ato vinculado concedidopela administração para que o destinatário execute uma atividade
Autorização: Ato discricionário concedido pela administração para que o destinatário exerça alguma atividade.
Permissão: Ato discricionário concedido pela administração para que o destinatário exerça alguma atividade 
 estabelecida por ela.
Temos também outros atos negociais como aprovação, visto, homologação, dispensa e renúncia.
Atos enunciativos - administração atesta um fato sem vincular seu conteúdo, ou seja, emite uma opinião.
Atestado: Atos que comprovam que órgão está ciente da situação
Certidão: Cópia fiel e autenticada de fatos que se encontrem em repartição pública.
Pareceres: Opinião de órgão técnico sobre assuntos submetidos a eles.
Atos punitivos: Atos que visam punir particulares ou servidores que infringirem disposição legal, regulamentar ou 
 ordinária dos bens ou serviços públicos.
▪ Anulação, invalidação e revogação (Extinção dos atos administrativos) 
LEI Nº 9.784/99 – 
Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos.
Anulação ou invalidação
	Anulação é a remoção do ato administrativo em decorrência da invalidação (ilegalidade). Ela pode ser feita pelo judiciário ou pela administração pública. Quando o ato é anulado ele retroage à data que o originou. Quando a administração reconhece que praticou um ato ilegal ela deve anular este ato para restabelecer a legalidade administrativa. Caso não o faça o interessado pode pedir ao judiciário a verificação da ilegalidade do ato e declare a sua invalidade através da anulação.
	A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos:
Súmula 346: O Supremo Tribunal já assentou que diante de indícios de ilegalidade, a Administração deve exercer seu poder-dever de anular seus próprios atos, sem que isso importe em contrariedade ao princípio da segurança jurídica. Nesse sentido, as súmulas 346 e 473 deste Supremo Tribunal:
Súmula 346: A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos.
Súmula 473: A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.
Revogação:
	Revogação é o ato onde a administração pública retira o ato devido a sua inconveniência em relação ao interesse público. Ela pode ser total (ab-rogação) ou parcial (derrogação). O ato revogatório não retroage para atingir efeitos passados, ele apenas para de surtir efeito, ou seja, cessa as consequências do ato revogado.
	A diferença principal da revogação e da anulação: A anulação extingue atos ilegais, já a revogação cancela um ato legítimo (sem defeito), mas que não é mais conveniente para a Administração Pública.
Prescrição
LEI Nº 9.784/99. (Regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal):
Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé.
	Segundo HELY LOPES MEIRELLES: "A prescrição administrativa opera a preclusão da oportunidade de atuação do Poder Público sobre a matéria sujeita à sua apreciação (...). O instituto da prescrição administrativa encontra justificativa na necessidade de estabilização das relações entre o administrado e a Administração e entre esta e seus servidores. Transcorrido o prazo prescricional fica a Administração, o administrado ou o servidor impedido de praticar o ato prescrito, sendo inoperante o extemporâneo.
	Portanto, o ente público possui, como regra legal, a faculdade de rever os seus atos administrativos dentro de cinco anos, sob pena de, não o fazendo nesse aprazamento legal, precluir o direito de autotutela em outra oportunidade.
	Esse raciocínio lógico depreende-se do próprio texto legal, visto que o artigo 2º do Decreto 20.910/32 impõe o prazo prescricional de 5 (cinco) anos para o exercício de "todo o direito", sem exceção. O que leva o intérprete a concluir que pela dicção do sadio princípio da igualdade, norma assente no caput do artigo 5º da Constituição Federal, a consumação do lapso prescricional é endereçada tanto para o ente público como também para o administrado.
	O art. 54, in fine da Lei no 9.784/99 combinado com o art. 37, são os dois únicos casos de imprescritibilidade em Direito Administrativo. Falam do prazo que a Administração tem de exercer seu direito de regresso contra o servidor, em caso de responsabilidade por dano. Para os direitos reais, o prazo é diferente, incidindo dez anos entre presentes e quinze anos entre ausentes. A enorme maioria dos atos diz respeito a ações pessoais. Nesse sentido aplica-se o prazo da regra geral, que é de cinco anos.
	Não há prescrição em relação à revogação de ato administrativo, pois a Administração Pública pode rever o mérito de um ato administrativo a qualquer momento. É necessário que se faça distinção entre a prescrição administrativa e a decadência, pois através desta última perde-se o próprio direito e pode ser decretada pelo Juiz de ofício, enquanto a prescrição pode ser somente alegada pelo interessado. 	
	A admInistração Pública tem o prazo decadencial de cinco anos para anular qualquer ato nulo, mesmo que este cause um benefício ao administrado, exercendo, assim, sua prerrogativa de autotutela, prevista no art. 54 da Lei no 9.784/99. 
	No que taine a benefícios previdenciários não se fala em devolução porque o STF tem entendido em variadas ocasiões que no recebimento de benefícios previdenciários recebido de boa-fé, a não ser que prove dolo ou culpa da parte favorecida.
	Na prescrição há a perda do direito de ação. Na preclusão há a perda da oportunidade de volver-se àquele momento do processo, operando-se depois do início e no transcorrer do processo. Na decadência, temos a perda do direito substantivo, enquanto na preclusão temos a perda do direito subjetivo. Cabe lembrar que o não-exercício do direito no tempo devido causa a prescrição em duas espécies: prescrição administrativa e prescrição judicial.
3. Agentes Públicos: 
	 
Espécies e classificação
	Para a Lei de Improbidade → considera-se agente público o agente político, o servidor público e todos aqueles que exercem, ainda que sem remuneração ou apenas transitoriamente, mandato, cargo, emprego ou função nos órgãos e entidades públicas. Ela indica que a investidura no mandato, emprego, cargo ou função, para fins de enquadramento no conceito de agente público, pode ser de qualquer tipo, por exemplo, eleição, nomeação, designação, contratação etc.
	Dessa forma, devemos ressaltar que nas provas de concursos públicos, geralmente o termo agente público é utilizado da forma mais ampla possível, de maneira similar ao conceito supracitado.
	Conforme a doutrina de Hely Lopes Meirelles, os agentes públicos abrangem os agentes políticos, os agentes administrativos, os agentes honoríficos, os agentes delegados e os agentes credenciados. 
- agentes políticos - consistem nos agentes públicos não submetidos à estrutura hierárquica, ou seja, atuam com respaldo nas suas competências legais e constitucionais, com plena liberdade → chefe do Poder Executivo, os membros eleitos do Poder Legislativo, os membros do Poder Judiciário, os Conselheiros dos Tribunais de Contas dos Estados e os Ministros do Tribunal de Contas da União (TCU). A ideia de agente político liga-se, indissociavelmente, à de governo e à de função política, a primeira dando ideia de órgão (aspecto subjetivo: Administração Pública) e, a segunda, de atividade (aspecto objetivo: administração pública).
- agentes administrativos - estão vinculados ao serviço público por remuneração, atuando conforme a estrutura hierárquica do setor público. Portanto, os agentesadministrativos ocupam cargos, empregos e funções públicas. São três subclassificações de agentes administrativos:
· SERVIDORES PÚBLICOS: ocupam cargo público de provimento efetivo/ comissão e se submetem a regramento estatutário. Respectivamente, foram aprovados em concurso público ou foram livremente nomeados para exercício de uma função de chefia, assessoramento ou direção. Submetem-se ao regime jurídico estatutário → vínculo de natureza legal.
· EMPREGADOS PÚBLICOS: ocupam emprego público, ou seja, não têm direito à estabilidade e são regidos por CLT. Ou seja, são aqueles que foram aprovados em processos seletivos e que se submetem tanto a normas de direito público quanto a normas de direito privado. Nesse sentido, os empregados públicos não são regidos por um estatuto, mas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).  Também podem ser chamados de “servidores celetistas”. Integram, principalmente, as empresas estatais (empresas públicas e sociedades de economia mista) → possuem vínculo de natureza contratual.
· AGENTES TEMPORÁRIOS: ocupam função pública (sem cargo) e a sua contratação ocorre por tempo determinado para suprir excepcional interesse público - possuem vínculo de natureza contratual, porém não celetista → submetem-se a regime jurídico especial.
- agentes honoríficos – cidadãos convocados por requisição, nomeação ou designação para exercer determinada função de interesse público, porém de forma transitória e geralmente sem remuneração → não possuem vínculo formal com a Administração Pública → mesários, jurados, membros dos conselhos tutelares. São equiparados a funcionários públicos apenas para fins penais.
- agentes delegados - particulares incumbidos da execução de determinada atividade de interesse público, por sua conta e risco. Nesse sentido a atuação dos agentes delegados se submete a acompanhamento e fiscalização da Administração Pública → agentes das concessionárias de serviços públicos - descentralização por delegação (ou colaboração) →  PJ ou PF.
- agentes credenciados - particulares com relevante influência / conhecimento em alguma área que recebem a incumbência de representar a Administração Pública em determinada situação. Geralmente essa representação é remunerada pela Administração Pública → atleta designado para representar o Brasil em evento esportivo internacional.
- Agentes de fato - particulares que exercem funções públicas sem vínculos formais com o Estado. Podem ser putativos, quando exercem a função de forma normal, ou necessários, quando exercem em situações de emergência ou calamidade. Mesmo não possuindo vínculo com a Administração, atuam com presunção de legitimidade de que é a Administração que pratica aquele ato. 
- Militares - Abrangem as pessoas físicas que prestam serviços às forças armadas, marinha, exército e aeronáutica, art. 142, caput e § 3º da CF e também as policias militares e corpo de bombeiros militares dos Estados, Distrito federal e Territórios, art.42 da CF, com vínculo estatutário sujeito a regime jurídico próprio, com a EC nº 18/98 são denominados servidores públicos militares.
Regime jurídico único: 
▪ provimento
	É o ato pelo qual o se efetua o preenchimento do cargo público, com a designação de seu titular. 
	O art. 8º da Lei n. 8.112/90 faz referência a sete formas de provimento: a) nomeação; b) promoção; c) readaptação; d) reversão; e) aproveitamento; f) reintegração; g) recondução
Pode ser originário ou autônomo ou derivado:
	Provimento originário (nomeação) é o vínculo inaugural entre administração e o servidor, considerando determinado cargo, pode ocorrer para quem era servidor público e quem não era servidor e passou a ser → o que se considera é o cargo.
	
	Provimento derivado é o que se faz por transferência, promoção, remoção, acesso, reintegração, readmissão, enquadramento, aproveitamento ou reversão, é sempre uma alteração na situação de serviço do provido. Pode ser vertical (promoção por merecimento ou antiguidade), horizontal (readaptado) ou por reingresso (restabelece situação anterior).
	
	Promoção - A promoção é uma forma de provimento derivado vertical nos cargos da administração pública. É quando ocorre o provimento na carreira de cargos sucessivos e ascendentes. É visto então, que a promoção ocorre quando há uma evolução na própria carreira. A Constituição Federal traz a necessidade de manter escolas de governo para aperfeiçoamento dos servidores públicos - a participação em cursos constitui requisito para promoção na carreira.
	Readaptação - é a forma de provimento no caso de limitação física ou mental sofrida e que o servidor se torna inapto para exercer funções do cargo que ocupa, sendo possível exercer função em outro cargo, não havendo invalidez permanente - exerce atividades condizentes com a limitação sofrida. O cargo provido por readaptação deve ter atribuições, nível de escolaridade e vencimento equivalentes ao cargo ocupado anteriormente e independe da estabilidade do servidor.
	Reversão - é o retorno à atividade do servidor aposentado, sob duas possibilidades: de ofício e a pedido. Ocorre de ofício, quando junta médica oficial declarar que requisitos de aposentadoria por invalidez deixaram de existir . Neste caso, é um ato vinculado (obrigatório) para administração e para o servidor, independente da estabilidade dele. Se o cargo estiver ocupado, deverá exercer suas atribuições como excedente até ocorrência de vaga. A reversão a pedido ocorre em pedido voluntario do aposentado para a reversão. Esta é uma decisão discricionária por parte da administração, exercendo-a conforme interesse da administração - neste caso, servidor deve ser estável e o tempo entre a aposentadoria e a solicitação da reversão não deve exceder cinco anos, além de existir cargo vago, não sendo possível 
Entrar como excedente. Em ambos os casos, a lei traz a impossibilidade de reversão do aposentado com idade superior a setenta anos. Esse artigo não foi revogado mesmo com a alteração da idade da aposentadoria compulsória para setenta e cinco anos. Por isso, considera-se ainda em vigor essa regra da reversão.
	Aproveitamento - forma de provimento derivado que trata do retorno do servidor posto em disponibilidade. Logo, esse aproveitamento deve ser a um cargo com atribuições e vencimentos compatíveis com o anteriormente ocupado. Se o cargo é extinto, o servidor estável não é demitido - é colocado à disposição da administração pública para ocupar e realizar atividades compatíveis com o cargo anterior, assegurada remuneração proporcional ao tempo de serviço.
	Reintegração - ocorre quando sentença judicial ou administrativa invalida demissão do servidor público.
Em caso de cargo extinto, o servidor ficará em disponibilidade até o aproveitamento. Se o cargo estiver ocupado por outro servidor, a preferência é do servidor reintegrado, sendo o atual ocupante reconduzido ao cargo de origem ou aproveitado em outro cargo ou posto em disponibilidade. Por fim, o texto da constituição e da Lei 8.112/90 afirmam que a reintegração se aplica apenas aos servidores estáveis. 
	Recondução - é o retorno de servidor estável ao cargo anteriormente ocupado. Pode ocorrer por inabilitação em estágio probatório relativo a outro cargo ou em reintegração do anterior ocupante do cargo. Ressalta-se que o servidor estável que saiu do serviço público atual para outro cargo do serviço público pode, durante estágio probatório, retornar ao cargo anteriormente ocupado.
OBS.: ascensão e transferência foram consideradas inconstitucionais pelo STF por permitir o preenchimento de vagas de cargos diferentes em complexidade e remuneração sem a exigência de concurso público.
reINtegração - > demitido INjustamente ... (decisão adm para o retorno da atividade!)
reVErsão - > retorno de atividade de servidor VElho (aposentado)
reAdaptação - > Servidor Alejado (sofreu limitação)
reCONdução -> CONduzido a cargo anterior
 
Da vacância
   Art. 33.  A vacância do cargo público decorrerá de:
        I - exoneração;
        II - demissão;
        III - promoção;

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