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Fernanda Rodrigues 
DOR VISCERAL 
 
 
1. Sobre a dor Visceral, entenda: 
a) Conceito. 
 
DOR VISCERAL 
 
A dor advinda de diferentes vísceras do 
abdome e do tórax é um dos critérios que 
podem ser utilizados para diagnosticar 
inflamação visceral, doença infecciosa visceral 
e outras condições das vísceras. Com 
frequência, os receptores sensoriais viscerais 
servem apenas para perceber a dor. Ademais, 
a dor visceral difere da dor superficial em 
muitos aspectos importantes. 
 
Uma das diferenças mais importantes entre a 
dor superficial e a dor visceral é que lesões 
altamente localizadas nas vísceras não 
costumam causar dor grave. Por exemplo, o 
cirurgião pode seccionar completamente uma 
alça intestinal de um paciente acordado em 
duas partes sem que ocorra dor significativa. 
Em contrapartida, qualquer estímulo que 
cause estimulação difusa de terminações 
nociceptivas ao longo de uma víscera causa 
dor de intensidade grave. Por exemplo, a 
isquemia ocasionada pela obstrução do fluxo 
sanguíneo a uma grande região do intestino 
estimula muitas fibras nociceptivas difusas ao 
mesmo tempo, podendo resultar em extrema 
dor. 
 
 
Causas da dor visceral verdadeira 
 
Qualquer estímulo que excite as 
terminações nervosas da dor em áreas 
difusas das vísceras pode causar dor grave. 
Esses estímulos incluem isquemia do tecido 
visceral, lesão química das superfícies da 
víscera, espasmo do músculo liso de uma 
víscera oca, distensão excessiva de uma 
víscera oca e estiramento do tecido 
conjuntivo externo ou interno de uma 
víscera. Essencialmente, toda dor visceral 
originada nas cavidades torácica e 
abdominal é transmitida por fibras 
pequenas tipo C, as quais podem transmitir 
somente o tipo crônico, profundo e sofrível 
de dor. 
 
Isquemia: A isquemia causa dor visceral 
assim como o faz em outros tecidos, 
presumivelmente devido à formação de 
produtos metabólicos ácidos ou 
degenerativos dos tecidos, como 
bradicinina, enzimas proteolíticas ou outras 
substâncias capazes de estimular 
terminações nervosas nociceptivas. 
 
Estímulos químicos: Ocasionalmente, 
substâncias nocivas extravasam do trato 
gastrointestinal para a cavidade peritoneal. 
Por exemplo, o suco gástrico ácido 
proteolítico pode extravasar através de uma 
úlcera gástrica ou duodenal e causar 
digestão generalizada do peritônio visceral, 
estimulando amplas áreas de fibras 
nervosas. A dor geralmente tem caráter 
excruciante e grave. 
 
 
 
 
 
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Fernanda Rodrigues 
Espasmo de víscera oca: O espasmo de uma 
porção do intestino, da vesícula biliar, do 
ducto biliar, do ureter ou de qualquer outra 
víscera oca pode causar dor, possivelmente 
devido à estimulação mecânica das 
terminações nervosas de dor. Outra 
possibilidade é que o espasmo reduza o 
fluxo sanguíneo para o músculo e aumente 
o requerimento metabólico desse músculo 
por nutrientes, ocasionando dor grave. 
 
Com frequência, a dor oriunda de uma 
víscera espástica ocorre como cólica, com 
aumento até um grau intenso de gravidade 
seguido de amenização da dor. Esse 
processo continua de maneira intermitente 
a cada período de alguns minutos. Os ciclos 
intermitentes resultam de períodos de 
contração do músculo liso. Por exemplo, a 
cada vez que uma onda peristáltica 
percorre uma alça intestinal espástica, 
ocorre cólica. A dor do tipo cólica ocorre 
frequentemente em indivíduos com 
apendicite, gastrenterite, constipação 
intestinal, menstruação, trabalho de parto, 
doença da vesícula biliar ou obstrução 
ureteral. 
 
Distensão excessiva de uma víscera oca: O 
enchimento extremo de uma víscera oca 
pode resultar em dor, presumivelmente em 
razão do estiramento dos próprios tecidos. 
É possível a distensão também causar 
colabamento de vasos sanguíneos que 
circundam a víscera ou que passam através 
de suas paredes, talvez provocando 
também dor isquêmica. 
 
Vísceras insensíveis: Algumas vísceras são 
quase completamente insensíveis a 
qualquer tipo de dor. Essas regiões incluem 
o parênquima do fígado e alvéolos 
pulmonares. Contudo, a cápsula do fígado é 
extremamente sensível a traumatismo 
direto e estiramento, e os ductos biliares 
também são sensíveis à dor. Nos pulmões, 
embora os alvéolos sejam insensíveis, os 
brônquios e a pleura parietal são muito 
sensíveis à dor. 
DOR PARIETAL CAUSADA POR DOENÇA 
VISCERAL 
 
Quando uma doença acomete uma víscera, 
seu processo frequentemente se distribui 
para o peritônio, a pleura ou pericárdio 
parietais. Essas superfícies parietais, assim 
como a pele, são inervadas com muitas fibras 
nociceptivas dos nervos espinhais periféricos. 
Portanto, a dor que advém da região parietal 
que circunda uma víscera normalmente tem 
caráter agudo. 
 
Um exemplo enfatizando a diferença entre 
essa dor e a verdadeira dor visceral seria uma 
incisão através do peritônio parietal, que é 
muito dolorosa, ao passo que a mesma incisão 
no peritônio visceral ou na parede da víscera 
não causa dor significativa ou mesmo nem 
causa dor. 
 
b) Etiologia. 
 
Considerações gerais 
 
A. INESPECIFICIDADE DOS SINTOMAS 
A dor crônica localizada no tórax, no abdome 
ou na pelve pode ter várias etiologias, desde 
focos inflamatórios localizados até as doenças 
sistêmicas idiopáticas e os proces- sos 
secundários ao câncer. Esse tipo de dor é 
encontrado nas práticas de quase todas as 
especialidades médicas e está entre os 
sintomas iniciais mais comumente relatados 
ao médico de atenção primária. Quando os 
órgãos internos do corpo são as estruturas 
nas quais a sensação dolorosa tem origem, a 
dor é definida como visceral. 
 
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Fernanda Rodrigues 
Em virtude da natureza difusa da organização 
das vias sensoriais viscerais, as sensações 
viscerais podem ser percebidas como se 
estivessem localizadas nas regiões gerais do 
corpo, ou nas estruturas não-viscerais (dor 
referida). Os estímulos viscerais podem 
desencadear respostas emocionais mais 
intensas do que o comum, mas alguns 
transtornos psicológicos também podem 
evidenciar-se em forma de queixas de 
desconforto abdominal ou torácico. Em 
muitos casos, a localização do órgão 
específico só é possível com a estimulação 
direta da víscera durante o exame físico. 
Outro indício de acometimento visceral é a 
associação da dor com alguma função 
fisiológica, inclusive a micção. 
 
B. ESTÍMULOS QUE PRODUZEM DOR 
VISCERAL 
 
Os estímulos viscerais que desencadeiam 
queixas de dor podem ser classificados em 
quatro grupos principais: 
1. Estímulos químicos secundários aos 
processos inflamatórios localizados. 
2. Estímulos químicos secundários à 
isquemia. 
3. Estímulos mecânicos desencadeados por 
processos compressivos e obstrutivos, que 
podem ser modificados por inflamação ou 
isquemia. 
 
4. Estímulos “funcionais”, que são mecânicos 
ou químicos e ocorrem naturalmente; em 
geral, quando são avaliados, esses estímulos 
estão dentro da faixa fisiológica, mas por 
motivos desconhecidos causam desconforto 
intenso. 
 
c) Fisiopatologia (Vias) 
 
LOCALIZAÇÃO DA DOR VISCERAL | VIAS DE 
TRANSMISSÃO DAS DORES VISCERAL E 
PARIETAL 
 
A dor de diferentes vísceras é geralmente de 
difícil localização, por muitas razões. A 
primeira delas é que o encéfalo do paciente 
não tem conhecimento acerca da existência 
de órgãos internos por experiência direta. 
Portanto, qualquer dor que se origine 
internamente só poderá ser localizada de 
maneira geral. 
 
A segunda razão é que sensações do abdome 
e tórax são transmitidas por duas vias para o 
sistema nervoso central: a via visceral 
verdadeira e a via parietal. A primeira é 
transmitida por fibras sensoriais nociceptivas 
dos feixes nervosos do sistema nervoso 
autônomo, cujas sensações são referidas a 
áreas da superfície do corpo geralmente 
distantes do órgão de origem da dor. Já as 
sensações parietais são conduzidas 
3 
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diretamente para nervos espinhais locais do 
peritônio, da pleura ou do pericárdio 
parietais, sendo geralmente localizadas 
diretamente sobre a área dolorosa. 
 
Localização da dor referidade origem 
visceral: 
 
Quando a dor visceral é referida à superfície 
do corpo, o indivíduo tende a localizar a dor 
em um dermátomo a partir do qual aquela 
víscera se originou na vida embrionária, não 
necessariamente onde a víscera se encontra 
na fase adulta. 
 
Por exemplo, o coração origina-se no pescoço 
e na porção superior do tórax, de modo que as 
fibras nociceptivas viscerais do coração 
ascendem ao longo de nervos sensoriais 
simpáticos e adentram a medula espinhal nos 
segmentos C3 a T5. 
 
Portanto, conforme demonstrado na Figura 
49.6, a dor advinda do coração é referida para 
a lateral do pescoço, do ombro, dos músculos 
peitorais e do braço, chegando à região 
subesternal do tórax. Essas são as regiões da 
superfície corporal que enviam fibras 
nervosas somatossensoriais para os 
segmentos C3 a T5. 
A dor ocorre geralmente do lado esquerdo, 
em vez do direito, porque em geral é o lado 
esquerdo do coração que está mais 
frequentemente relacionado às doenças 
coronarianas. 
 
 
Figura 49.6 Áreas da superfície da dor 
referida advinda de diferentes órgãos 
viscerais. 
 
O estômago origina-se aproximadamente do 
sétimo ao nono segmento torácico do 
embrião. Portanto, a dor no estômago é 
referida à região epigástrica anterior acima 
do umbigo, que corresponde à área de 
superfície corporal suprida pelos segmentos 
torácicos sete a nove. 
 
OBS: A Figura 49.6 demonstra diversas outras 
áreas de superfície às quais é referida a dor 
visceral de outros órgãos, geralmente 
representando áreas do embrião onde esses 
órgãos foram originados. 
 
 
Via de transmissão das dores parietais 
abdominal e torácica: 
 
A dor das vísceras costuma localizar-se em 
duas áreas da superfície do corpo ao mesmo 
tempo, em razão da transmissão dupla da dor 
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Fernanda Rodrigues 
através da via visceral de dor referida e da via 
parietal direta. 
 
Nesse sentido, a Figura 49.7 demonstra a 
transmissão dupla de um apêndice inflamado. 
 
Impulsos de dor passam primeiro pelo 
apêndice por meio de fibras nociceptivas 
viscerais localizadas dentro de feixes 
simpáticos e depois chegam à medula 
espinhal na altura de T10 ou T11. 
 
Essa dor é referida a uma área ao redor do 
umbigo e tem caráter profundo e de cólica. 
Impulsos de dor também são originados 
muitas vezes no peritônio parietal da região 
onde o apêndice inflamado toca ou se adere à 
parede abdominal. 
 
Esses impulsos causam dor do tipo agudo 
diretamente sobre a região peritoneal 
inflamada no quadrante inferior direito do 
abdome. 
 
Figura 49.7 Transmissão de sinais de dor 
visceral e parietal a partir do apêndice. 
 
 
d) Quadro clínico. 
A dor visceral tem uma evolução temporal e 
em seu estágio inicial pode ser insidioso e 
difícil de identificar. A dor é vaga, difusa, além 
de pobremente definida. 
 
Independentemente do órgão específico de 
origem, é usualmente percebida na linha 
mediana no nível inferior do esterno ou 
abdômen superior. Se a origem da dor é do 
coração, esôfago, estômago, duodeno, vesícula 
biliar ou pâncreas, a dor visceral na fase 
inicial pode ser percebida em geral no mesmo 
local. 
 
A dor visceral pode ser minimizada e 
negligenciada quando não é claramente 
descrita ou então quando descrita como 
sendo vaga, com sensação de desconforto, 
mal-estar ou opressão. Com frequência, é 
tipicamente associada com fenômenos 
autonômicos como: palidez, sudorese, náusea, 
vômito, alteração da pressão arterial e da 
frequência cardíaca, distúrbios 
gastrointestinaís (por exemplo: diarreia) e 
alterações na temperatura corporal. 
 
Fortes reações emocionais estão comumente 
presentes, tais como: ansiedade, angústia e 
algumas vezes até mesmo sensação iminente 
de morte. 
 
Algumas enfermidades viscerais podem se 
manifestar principalmente através de reações 
vegetativas e emocionais, com mínima dor e 
desconforto. Um exemplo típico é o infarto do 
miocárdio sem dor, que pode se apresentar 
com sensação de plenitude gástrica, peso, 
pressão, compressão ou dispneia. 
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Fernanda Rodrigues 
Estes sintomas podem levar a um incorreto 
diagnóstico de doenças gastrointestinais, 
principalmente quando acompanhados de 
náuseas e vômitos. 
 
Sendo assim, a dor visceral deve ser sempre 
suspeitada, quando sensações vagas de 
mal-estar na linha média são relatados pelos 
pacientes, especialmente se forem idosos. 
 
Apresentação clínica da dor visceral: 
 
a) Dor visceral verdadeira: dor usualmente 
vaga, difusa e de localização imprecisa. Ocorre 
devido à baixa densidade de inervação 
sensorial visceral e à extensiva divergência de 
entrada dos estímulos com o sistema nervoso 
autônomo. Tem uma evolução temporal e 
pode ser dificil de identificar no estágio 
inicial. Algumas vezes apresenta-se somente 
como uma vaga sensação de desconforto, 
mal-estar ou opressão. Pode estar associada 
com marcados fenômenos autonômicos e com 
fortes reações emocionais, conforme descrito 
anteriormente. Um exemplo típico é a dor do 
infarto agudo do miocárdio. Não tem 
correlação direta entre a intensidade da dor e 
a extensão da injúria. A correlação entre dor 
visceral e emoções negativas pode aumentar a 
ocorrência de dor relacionada à memória de 
dor- ~sensibilização central. 
 
b) Dor referida e hiperalgesia (convergência 
viscerossomática): a dor visceral pode se 
apresentar numa localização somática. Ocorre 
devido à convergência da inervação dos 
órgãos viscerais e áreas somáticas no mesmo 
neurônio sensorial espinhal. Esta dor se 
apresenta tipicamente como somática 
profunda, mais localizada e não acompanhada 
de francas reações simpáticas e emocionais. 
Pode estar associada com hiperalgesia e é 
usualmente limitada aos músculos, mas pode 
se estender superficialmente para 0 tecido 
subcutâneo e pele. A hiperalgesia referida de 
órgãos internos resulta provavelmente de um 
processo de sensibilização central, 
envolvendo neurônios da convergência 
viscerossomática (facilitação da 
convergência). Pode persistir até mesmo após 
o estímulo primário ter cessado. Hiperalgesia 
referida é com frequência acompanhada por 
alterações tróficas, tipicamente um 
espessamento do tecido subcutâneo e algum 
grau de atrofia muscular local. Estes eventos 
são presumidamente decorrentes da ativação 
de reflexos viscerossomáticos. 
 
c) Hiperalgesia visceral: definida como um 
aumento da sensibilidade de um órgão 
interno, de tal modo que até mesmo um 
estímulo não patológico ou normal pode 
produzir dor desse órgão. Isto é comumente 
associado com dor visceral e acredita-se ser 
decorrente de sensibilização periférica e 
central. Exemplo: dor após a ingestão de 
comida ou líquido em um esôfago ou 
estômago quando a mucosa está inflamada, 
ou dor na bexiga devido à distensão de um 
grau normal durante um processo 
inflamatório do trato urinário baixo. 
 
d) Hiperalgesia víscero-visceral: é o aumento 
da dor devido à interação sensorial entre dois 
diferentes órgãos internos que dividem pelo 
menos parte de seus circuitos aferentes. 
Consiste de um aumento de ambos: sintomas 
diretos e referidos de toda a víscera 
envolvida, produzindo um quadro clínico 
complexo. Por exemplo: pacientes com 
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Fernanda Rodrigues 
doença cardíaca coronariana associada a 
cálculo biliar podem experimentar crises 
mais frequentes de angina e cólica biliar em 
comparação com pacientes com uma 
condição única. Isso ocorre devido à 
sobreposição parcial de vias aferentes em T5 
do coração e da vesícula biliar. Hiperalgesia 
viscero-visceral é provavelmente produzida 
por processo de sensibilização, envolvendo 
neurônios em convergência víscero-visceral 
no SNC. 
 
A dor crônica visceral também pode ser 
considerada como orgânica ou funcional 
dependendo se o fator etiológico da patologia 
específica pode ser identificado”. A dor 
funcional visceral se refere à dor sem 
evidência de anormalidades anatômicas, 
inflamatórias, metabólicas ou neoplásicas. O 
exemplo mais prevalente de dor funcional 
visceral é a Sll. 
 
Tipos Específicos de Dor 
 
1⃣ Dora amônia. A 
síndrome metabólica está associada a maior 
prevalência de cálculos de ácido úrico. 
OBS: O principal fator para a formação de 
cálculos de ácido úrico é o baixo pH na urina, 
mas outros fatores incluem excesso de 
excreção urinária de ácido úrico 
(hiperuricosúria) e baixo volume urinário. 
 
Cálculos de fosfato amônio magnésio 
(estruvita ou triplo fosfato) crescem 
rapidamente e podem ocupar toda a pelve 
urinária, muitas vezes apresentando uma 
aparência coraliforme. Estão associados a 
infecções urinárias recorrentes, abscessos 
perirrenais, sepse e insuficiência renal 
progressiva. A formação desses cálculos está 
relacionada à presença de bactérias 
produtoras de urease, geralmente do gênero 
Proteus ou Klebsiella. Essas bactérias 
degradam a ureia em amônia, elevando o pH 
da urina e favorecendo a cristalização com 
fosfato e magnésio. 
 
c) Fisiopatologia. 
 
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Fernanda Rodrigues 
A nefrolitíase se inicia com a formação de 
cristais em urina supersaturada. Esta é 
conceituada como um estado em que os 
solutos estão presentes em concentrações 
que excedem sua solubilidade. Os cristais 
assim formados aderem ao urotélio, criando o 
núcleo para o subsequente crescimento do 
cálculo. Os processos biológicos que ancoram 
os cristais ao urotélio não são totalmente 
compreendidos. Muitos, mas não todos, 
cálculos de oxalato de cálcio se desenvolvem 
em estruturas denominadas de placas de 
Randall, localizadas nas papilas renais e 
compostas por cristais de fosfato de cálcio 
(hidroxiapatita). Esses cristais crescem 
erodindo o urotélio, formando um núcleo 
para a deposição de oxalato de cálcio. 
 
 
Um componente genético na formação de 
cálculos renais é reconhecido há décadas. 
Estudos confirmaram a hereditariedade dos 
padrões de excreção urinária de cálcio, 
citrato, oxalato e ácido úrico. Muitos loci 
genéticos foram implicados na modificação do 
risco de doença e causas monogênicas de 
nefrolitíase existem e incluem, por exemplo, a 
cistinúria e a hiperoxalúria primária. 
 
Anormalidades anatômicas, como rim 
espongiomedular ou doença renal policística, 
estão associadas a um aumento no risco de 
cálculos renais. A estase urinária é 
provavelmente o principal mecanismo 
envolvido. 
 
d) Quadro Clínico. 
 
A apresentação característica da nefrolitíase é 
a chamada cólica ureteral, nefrética ou cólica 
renal aguda. Surge como uma dor súbita e 
intensa em um dos flancos, que aumenta e 
diminui em intensidade, irradiando-se 
anterior e inferiormente em direção à região 
inguinal e à genitália externa. Está 
relacionada à obstrução aguda do trato 
urinário e frequentemente se acompanha de 
náuseas, vômitos, disúria e hematúria 
macroscópica. Ao exame físico, notam-se 
taquicardia, palidez, sudorese, dor à palpação 
em região de ângulo costovertebral (sinal de 
Giordano) e distensão abdominal leve, porém 
não associada a sinais de irritação peritoneal. 
 
O diagnóstico diferencial deve ser feito com 
patologias gastrintestinais (apendicite aguda, 
diverticulite, colecistite, pancreatite aguda), 
ginecológicas (cisto ovariano, anexite, 
gravidez ectópica), urológicas (orquite, 
epididimite, prostatite), afecções vasculares 
(infarto intestinal, aneurisma de aorta 
abdominal) e algumas causas médicas 
(cetoacidose diabética, infarto agudo do 
miocárdio). 
 
OBS: Cólica nefrética é uma dor súbita e 
intensa em um dos flancos, que irradia em 
direção à região inguinal e à genitália externa. 
 
Outras formas de manifestação da nefrolitíase 
incluem a hematúria microscópica isolada e a 
eliminação espontânea de cálculos, muitas 
vezes sem dor associada. Deve-se também 
suspeitar de cálculos urinários na presença de 
infecções urinárias de repetição, 
especialmente quando causadas por bactérias 
do gênero Proteus. Nos últimos anos, o uso de 
imagens de alta resolução, como a tomografia 
computadorizada, tem levado a um aumento 
11 
Fernanda Rodrigues 
nas taxas de detecção incidental de cálculos 
renais. 
 
e) Diagnóstico. 
 
O diagnóstico clínico, metabólico e o 
seguimento do paciente com nefrolitíase é 
feito por uma combinação de história médica 
e exame físico, análise do cálculo urinário 
(quando disponível), exames bioquímicos 
séricos e urinários e estudos de imagem. 
 
Os pacientes devem ser orientados a filtrar a 
urina nos primeiros dias após um episódio de 
cólica renal para que, na eventualidade de 
eliminação espontânea de um cálculo, possam 
recuperá-lo para análise. Os procedimentos 
analíticos preferidos para determinar a 
composição do cálculo são a espectroscopia 
infravermelha ou a difração de raios X, 
infelizmente pouco disponíveis em nosso 
meio. Os métodos físico-químicos, não 
cristalográficos, são menos precisos. 
 
Deve-se obter um perfil bioquímico de rotina, 
incluindo a medição de eletrólitos, creatinina 
e cálcio séricos. Os resultados podem ajudar a 
identificar certas condições, como 
hiperparatireoidismo primário, hiperuricemia 
e acidose tubular renal distal, condições 
associadas à nefrolitíase. 
 
A análise de urina deve incluir a 
determinação do pH, uma vez que um pH 
superior a 7,5 aumenta a possibilidade de um 
cálculo devido a bactérias produtoras de 
urease, enquanto um pH inferior a 5,5 
favorece a litíase de ácido úrico. Hematúria 
micro ou macroscópica é regra na cólica 
nefrética, ocorrendo em 80 a 90% dos casos. 
Leucócitos podem ser encontrados na urina 
tipo I, porém a presença de bactérias no 
exame do sedimento deve levantar a suspeita 
de infecção associada. O sedimento urinário 
também deve ser examinado em busca de 
cristalúria, uma vez que tipos particulares de 
cristais podem fornecer pistas sobre a 
composição dos cálculos. Cristais de cistina, 
hexagonais, podem ser observados em 
portadores de cistinúria, e são considerados 
diagnósticos, porém com baixa sensibilidade. 
Os cristais de estruvita assumem a forma de 
“tampa de caixão” (coffin lid) e, quando 
associados à urina de pH fortemente alcalino, 
ao redor de 7-8, são altamente sugestivos de 
infecção por bactérias produtoras de urease. 
O achado de cristais de oxalato de cálcio ou de 
ácido úrico em grande quantidade sugere 
doença litiásica. Podem ser observados na 
urina em dietas ricas em oxalato, como 
consumo excessivo de chocolate, espinafre, 
vitamina C ou ainda em urinas com pH muito 
ácido (cristais de ácido úrico). No entanto, 
deve-se observar que a maioria dos 
indivíduos com cristais de oxalato de cálcio na 
urina nunca desenvolverá cálculos renais. 
 
A abordagem diagnóstica do paciente que 
formou o primeiro (e único) cálculo é assunto 
controverso. Recomenda-se que, em adultos, a 
investigação consista ao menos em dosagens 
séricas de cálcio, fósforo, ácido úrico, 
creatinina, sódio, cloro, potássio e 
bicarbonato. Do mesmo modo, sugere-se a 
solicitação de urina tipo I e de um exame de 
imagem. Contudo, é fundamental que essa 
estratégia seja adaptada de maneira 
individualizada e discutida com o paciente. 
Como no caso de pacientes que 
desempenhem atividades profissionais de 
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Fernanda Rodrigues 
alto risco (piloto de avião, por exemplo) e 
idosos que estejam mais suscetíveis a 
complicações durante a crise aguda. 
 
Existem vários estudos sugerindo que a 
probabilidade de formação de cálculos pode 
ser prevista de maneira razoável a partir dos 
valores da urina de 24 horas. Uma avaliação 
metabólica completa, que inclua análise de 
pelo menos duas amostras de urina de 24 
horas, é indicada em pacientes com múltiplos 
cálculos no primeiro diagnóstico, com 
histórico familiar de cálculos recidivantes, 
pacientes com baixa densidade mineral óssea 
e indivíduos com doença litiásica ativa 
(definida como formação recorrente de 
cálculos ou aumento de cálculos existentes). 
Nessa categoria se incluem também as 
crianças e os portadores de litíase em rim 
único. 
A avaliação metabólica dos fatores de risco 
urinários deve ser adiada por um período de 
3 a 4 semanas após episódio de cólica 
nefrética, eliminação do cálculo ou de 
intervençãocirúrgica/endoscópica em trato 
urinário. Essa medida permite a reintrodução 
da dieta e das atividades físicas habituais do 
paciente e um retorno da função renal a seu 
valor habitual no pós-crise. O Quadro 1 
demonstra os valores de referência para os 
principais elementos associados à litogênese 
no sangue e na urina de 24 horas. 
 
Entretanto, algumas observações devem ser 
feitas em relação à urina de 24 horas. 
Admite-se que os limites são arbitrários e 
sabe-se que várias dessas substâncias 
excretadas na urina seguem distribuição 
gaussiana na população. Muitos dos 
classificados como portadores de alterações 
metabólicas não desenvolvem nefrolitíase, e 
alguns trabalhos observacionais não 
demonstraram, por exemplo, diferença 
significativa na calciúria dos portadores de 
cálculos renais e controles. Portanto, é mais 
correto considerar a maioria dos elementos 
como variáveis de distribuição contínua. 
 
 
 
A avaliação radiológica da nefrolitíase 
acontece em dois momentos: durante a cólica 
nefrética, em nível de pronto-socorro (PS), e 
em nível ambulatorial. No PS, a realização 
imediata de exames de imagem é aconselhada 
em pacientes com febre, naqueles com 
alteração de função renal ou com apenas um 
rim funcional e quando o diagnóstico não é 
conclusivo. 
 
A radiografia simples de abdome (RUB) é 
baseada no fato de que cerca de 90% dos 
cálculos renais são radiopacos. No entanto, é 
importante observar que as radiografias 
simples têm limitações em sua capacidade de 
detectar cálculos ureterais, com alguns 
estudos relatando uma sensibilidade inferior 
a 50%. 
A ultrassonografia (US) é capaz de identificar 
todos os tipos de cálculos renais, 
independentemente de sua densidade, e 
permite a avaliação da presença e do grau de 
hidronefrose. No entanto, a US possui 
sensibilidade reduzida na detecção de 
13 
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cálculos ureterais (com sensibilidade de 45% 
e especificidade de 94%), e sua eficácia está 
sujeita à qualidade do equipamento e à 
habilidade do operador em interpretar as 
imagens. 
 
A tomografia computadorizada é considerada 
o padrão ouro para o diagnóstico de litíase 
urinária, com sensibilidade e especificidade 
superior a 90%. Além disso, permite análise 
abrangente do abdome em poucos minutos, 
pode ser realizada sem a necessidade de 
contraste e tem a capacidade de visualizar 
todos os tipos de cálculos, 
independentemente de serem radiopacos ou 
não. Suas desvantagens são o maior custo e a 
maior carga de radiação. 
A monitorização radiológica ambulatorial da 
nefrolitíase inclui os mesmos exames citados 
acima. Contudo, algumas observações quanto 
à indicação de qual exame a ser utilizado são 
pertinentes. Se os cálculos eram previamente 
visíveis por US ou por raios X, o uso 
respectivo da modalidade minimizará a 
exposição cumulativa à radiação. Para 
permitir comparações da carga de cálculos ao 
longo do tempo, deve-se escolher um método 
que avalie o número e o tamanho dos cálculos 
anteriores e comparar os achados com o 
mesmo método, achados de US com nova US, 
por exemplo. A tomografia computadorizada 
sem contraste continua sendo o teste mais 
sensível para detectar cálculos, especialmente 
cálculos pequenos, mas é uma opção cara e 
com exposição à radiação para ser utilizada 
rotineiramente no monitoramento da carga 
total de cálculos. 
 
OBS: A tomografia computadorizada é 
considerada o padrão ouro para o diagnóstico 
de litíase urinária. 
 
f) Tratamento. 
 
Deve ser dividido em três partes: tratamento 
da cólica renal, tratamento do cálculo e 
terapêutica da doença litiásica. 
 
Tratamento da cólica renal 
As principais classes de medicações utilizadas 
para analgesia na cólica renal são os 
anti-inflamatórios não hormonais (AINH), 
analgésicos e os opioides. Os AINH, ao 
inibirem a síntese de prostaglandinas, 
reduzem a inflamação e a hiperatividade 
muscular ureteral. Deve-se lembrar, 
entretanto, que os AINH apresentam 
contraindicação absoluta ou relativa em 
situações como insuficiência renal, doença 
péptica grave e gestação – nesses casos, 
devem-se considerar os opioides. A morfina é 
o representante clássico dessa classe de 
medicamentos. Apesar de não atuar na 
fisiopatologia da cólica ureteral, apresenta 
ação analgésica rápida, potente e titulável. Os 
analgésicos paracetamol e dipirona 
intravenosos podem ser uma alternativa 
segura aos AINH e aos opióides. Os 
antiespasmódicos, como a hioscina, 
apresentam efeito controverso e limitado, 
mesmo quando utilizados em associação a 
outros analgésicos. Os bloqueadores de 
receptores alfa-1-adrenérgicos (p. ex., 
tansulosina) têm sido utilizados como 
facilitadores da passagem espontânea de 
cálculos ureterais, principalmente aqueles 
localizados no ureter distal e menores que 1 
14 
Fernanda Rodrigues 
cm, na chamada terapia expulsiva médica 
(TEM). 
 
Tratamento do cálculo 
Aproximadamente 10 a 20% de todos os 
cálculos requerem remoção cirúrgica, 
dependendo da presença de sintomas, do 
tamanho e de sua localização. 
 
A descompressão urgente do sistema coletor 
é indicada em pacientes com cálculos 
obstrutivos e suspeita ou confirmação de 
infecção do trato urinário; na obstrução 
ureteral bilateral acompanhada de lesão renal 
aguda e em pacientes com obstrução 
unilateral em rim único. 
 
A cirurgia é recomendada: 
 
Nos cálculos ureterais maiores que 10 mm. 
Em cálculos ureterais distais não complicados 
com ≤ 10 mm que não tenham sido 
eliminados após 4 a 6 semanas de 
observação, com ou sem TEM. 
Em cálculos renais sintomáticos em pacientes 
que não apresentam nenhuma outra causa 
para a dor. 
Em gestantes com persistência de sintomas 
após período de observação e tratamento 
clínico. 
Na obstrução renal persistente ou em 
infecções do trato urinário recorrentes 
relacionadas à presença dos cálculos. 
 
Terapêutica da doença litiásica 
A terapêutica médica específica da doença 
litiásica pode ser dividida em medidas 
dietéticas e farmacológicas. 
 
A modificação de estilo de vida mais 
importante para prevenir a recorrência de 
cálculos renais é aumentar a ingestão de 
líquidos para 2,5 a 3 L por dia, a fim de 
garantir uma diurese de pelo menos 2 a 2,5 L. 
Idealmente, os fluidos devem ser ingeridos ao 
longo do dia. A dieta deve ser rica em fibras, 
frutas e vegetais, com teor normal de cálcio (1 
a 1,2 g por dia), limitando o sódio (4 a 5 g por 
dia) e a proteína animal (0,8 a 1 g por kg por 
dia). Pacientes obesos ou com excesso de 
peso devem buscar um peso corporal normal 
por meio de modificações dietéticas e 
aumento da atividade física. Embora haja 
evidências limitadas que respaldem as 
modificações no estilo de vida para a 
prevenção da recorrência de cálculos renais, 
essas mudanças são importantes para evitar 
comorbidades. 
 
A terapêutica farmacológica é baseada na 
provável composição do cálculo. 
15 
Fernanda Rodrigues 
 
 
g) Complicações. 
 
HIDRONEFROSE - refere-se à dilatação das 
vias urinárias. 
 
Hidronefrose é o termo usado para descrever 
a dilatação da pelve renal e cálices associada a 
uma atrofia progressiva do rim devido à 
obstrução do fluxo de saída da urina. Mesmo 
com a obstrução completa, a filtração 
glomerular persiste por algum tempo, porque 
o filtrado subsequentemente se difunde de 
volta para o interstício renal e para os espaços 
perirrenais, de onde ele, por fim, retorna aos 
sistemas linfático e venoso. Devido a essa 
filtração contínua, os cálices e a pelve 
afetados se tornam dilatados, frequentemente 
de modo significativo. A alta pressão na pelve 
é transmitida de volta através dos ductos 
coletores para o córtex, causando atrofia 
renal, mas ela também comprime a 
vasculatura renal da medula, causando uma 
diminuição no fluxo sanguíneo medular. Os 
defeitos vasculares medulares são 
inicialmente reversíveis, mas levam a 
distúrbios funcionais medulares. A obstrução 
também dispara uma reação inflamatória 
intersticial, levando eventualmente a fibrose 
intersticial. 
 
– A obstrução aguda: podeprovocar dor 
atribuída à distensão do sistema coletor ou da 
cápsula renal. 
– A obstrução unilateral parcial ou completa: 
pode permanecer silenciosa por longos 
períodos, já que o rim não afetado pode 
manter uma função renal adequada. 
– Na obstrução parcial bilateral: a primeira 
manifestação é a incapacidade de concentrar 
a urina, refletida por poliúria e nictúria. 
– A obstrução bilateral completa: de começo 
rápido resulta em oligúria ou anúria e é 
incompatível com a sobrevivência a menos 
que a obstrução seja aliviada. 
 
Obs. Hidronefrose, refere-se à dilatação das 
vias urinárias – não é sinônimo de uropatia 
obstrutiva, já que a primeira pode ocorrer 
sem obstrução funcional do trato urinário e 
pode estar ausente em casos de obstrução 
estabelecida. 
 
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO - pode 
ocorrer quando as bactérias ficam presas na 
urina que se acumula acima de um bloqueio. 
Este mesmo bloqueio no trato urinário, 
durante um longo período de tempo, faz com 
que a urina reflui em direção aos tubos no 
interior do rim e provoca uma pressão 
excessiva que pode dilatá-lo resultando na 
hidronefrose, como citado acima. A estase 
urinária resultante da obstrução predispõe a 
infecções do trato urinário, e os pacientes 
podem desenvolver cistite, com disúria e 
frequência, ou pielonefrite, com dor lombar e 
sintomas sistêmicos. A infecção ocorre com 
mais frequência em pacientes com obstrução 
do trato urinário inferior que entre aqueles 
com obstrução do trato urinário superior. 
Episódios de infecção do trato urinário em 
homens ou crianças de ambos os sexos, 
infecções recorrentes ou persistentes em 
mulheres, infecções por micro-organismos 
incomuns, como espécies de Pseudomonas, e 
mesmo um único episódio de pielonefrite 
aguda exigem investigação mais aprofundada 
para se excluir quadros de obstrução. Além 
disso, a presença de obstrução dificulta a 
16 
Fernanda Rodrigues 
erradicação eficaz da infecção. As infecções do 
trato urinário por micro-organismos 
produtores de urease, como Proteus mirabilis, 
predispõem à formação de cálculos. Esses 
micro-organismos produzem amônia, 
resultando em alcalinização da urina e 
favorecendo o desenvolvimento de cálculos 
de fosfato de amônio e magnésio (estruvita). 
Os cálculos de estruvita podem preencher 
toda a pelve renal, formando um cálculo 
coraliforme que, se não for adequadamente 
tratado, eventualmente leva à perda renal. 
Portanto, a formação de cálculos e a necrose 
papilar podem ser causas e consequências da 
obstrução do trato urinário. 
 
 
 
 
1⃣ O que é Nefrolitíase? 🏔💧 
🔹 Imagine que seu rim é um filtro de água. 
Se a água (urina) estiver muito concentrada 
com sais e minerais, os resíduos podem 
formar pequenas pedras (cálculos renais). 
🔹 Essa condição é chamada nefrolitíase ou 
cálculo renal. As pedras podem ficar paradas 
ou se mover pelos rins, ureteres e bexiga, 
causando dor intensa. 
🔹 Cuidado! Nefrolitíase não é a mesma coisa 
que nefrocalcinose, que é um acúmulo difuso 
de cálcio nos rins, afetando o tecido renal. 
 
2⃣ O que causa pedras nos rins? ⚠🥤 
👉 Falta de água 💧: Pouca ingestão de 
líquidos deixa a urina mais concentrada e 
facilita a formação de cálculos. 
👉 Alimentação rica em sais e proteínas 
🍖🧂: Pode aumentar substâncias que 
favorecem os cálculos. 
👉 Distúrbios metabólicos ⚡: Como excesso 
de cálcio na urina (hipercalciúria) ou oxalato 
(hiperoxalúria). 
👉 Infecções urinárias 🔥: Podem levar à 
formação de cálculos de estruvita. 
👉 Doenças genéticas 🧬: Como a cistinúria, 
que causa cálculos de cistina. 
Tipos de cálculos renais: 
🟡 Oxalato de cálcio (80% dos casos) – O 
mais comum! Relacionado a hipercalciúria, 
hiperoxalúria e hipocitratúria. 
🟠 Ácido úrico – Ocorre em urina muito ácida 
(pH baixo) e pode estar associado à síndrome 
metabólica. 
⚪ Fosfato de amônio e magnésio (estruvita) 
– Associado a infecções urinárias por 
bactérias produtoras de urease (Proteus e 
Klebsiella). 
🟣 Cistina – Raro, ocorre por defeito genético 
no transporte de aminoácidos. 
 
3⃣ Como as pedras se formam? 🏗🔬 
🔹 Os cálculos começam com cristais 
microscópicos que se agrupam na urina 
supersaturada. 
🔹 Placas de Randall são depósitos de cálcio 
nas papilas renais que servem como ponto de 
partida para os cálculos. 
🔹 Além da genética, fatores anatômicos 
como rim esponjoso e doença renal policística 
aumentam o risco. 
 
4⃣ Como a Nefrolitíase se manifesta? 😱🔥 
🔹 Cólica renal (nefrética) 🚑 – Dor súbita, 
intensa e em ondas, começando nas costas e 
17 
Fernanda Rodrigues 
irradiando para a virilha/genitália. Pode vir 
com: 
✅ Náuseas e vômitos 🤢 
✅ Sangue na urina (hematúria) 🔴 
✅ Vontade frequente de urinar 🚽 
🔹 Outros sinais: infecções urinárias de 
repetição, eliminação espontânea de cálculos 
sem dor. 
 
5⃣ Como diagnosticar? 🏥🔍 
✅ Exames de urina – pH, presença de cristais 
e infecção. 
✅ Exames de sangue – Avaliação de cálcio, 
ácido úrico, creatinina. 
✅ Exames de imagem: 
🩻 Raio-X de abdome – Detecta cálculos 
radiopacos, mas pode não ver os menores. 
🩺 Ultrassom – Boa opção para gestantes e 
crianças, mas pode falhar na detecção de 
cálculos pequenos. 
🖥 Tomografia sem contraste (padrão-ouro) – 
Detecta todos os tipos de cálculos com alta 
precisão. 
 
6⃣ Como tratar? 💊🛑 
🔹 Cólica renal: 
💉 Anti-inflamatórios (AINH) → Melhoram a 
dor e reduzem a inflamação. 
💊 Opioides (morfina) → Para casos de dor 
intensa. 
💊 Tansulosina (bloqueador alfa-1) → Ajuda 
na eliminação de cálculos menores. 
🔹 Remoção do cálculo: 
🔸 Espontânea – Pequenos cálculos (cólica . 
 ✅ Distensão excessiva – Exemplo: bexiga 
muito cheia ou gases presos no intestino. 
 ✅ Estiramento de tecido conjuntivo – 
Exemplo: cápsula do fígado esticada por 
inchaço. 
💡 Exemplo prático: 
 A dor da cólica renal vem de um espasmo no 
ureter tentando expulsar um cálculo. 
c) Fisiopatologia (Como a dor é transmitida) 
🧠⚡ 
A dor visceral chega ao cérebro por duas vias: 
 ✔ Via visceral verdadeira → Transmitida 
pelo sistema nervoso independente . Como os 
nervos não são bem organizados, a dor é 
difusa e mal localizada . 
 ✔ Via parietal → Quando a inflamação atinge 
o peritônio ou pleura, a dor é mais localizada 
e intensa . 
📌 Exemplo: 
 Na apendicite , a dor começa difusa no 
umbigo (via visceral), mas depois se torna 
intensa no quadrante inferior direito quando 
inflama o peritônio (via parietal). 
 
 
 
 
19 
Fernanda Rodrigues 
d) Quadro Clínico (Como a dor visceral se 
manifesta?) 🏥 
➡ Fases da dor visceral: 
 ✔ inicialmente vaga e difusa . 
 ✔Pode-se associar a náusea, sudorese e 
alterações na pressão arterial . 
 ✔Evolui para dor intensa , podendo se tornar 
referido. 
💡 Exemplo prático: 
 O infarto pode causar dor no peito , mas 
também ser sentido no braço esquerdo, 
mandíbula ou estômago. 
2⃣ Diferença entre Dor Referida e Dor 
Irradiada 🔄📍 
✔ Dor referida → Parece vir de outra região 
do corpo. 
 💡 Exemplo: A dor da vesícula biliar pode ser 
sentida no ombro direito . 
✔ Dor irradiada → A dor se espalha pelo 
trajeto de um nervo . 
 💡 Exemplo: A dor da hérnia de disco pode 
começar na lombar e descer pela perna. 
📌 Resumo rápido: 
 ➡ Dor referida = Origem visceral, 
localização errada. 
 ➡ Dor irradiada = Origem nervosa, segue 
um trajeto. 
 
 
 
 
3⃣ Nefrolitíase (Pedra nos Rins) 🏔💧 
a) Conceito 
➡ Acúmulo de sais e minerais forma cálculos 
nos rins, ureteres e bexiga. 
 ➡ Pode ser silencioso ou causar dor intensa 
(cólica renal). 
b) Etiologia (O que causa pedras nos Rins?) 
⚠🥤 
✅ Baixa ingestão de água 💧 → Urina fica 
muito técnica. 
 ✅ Alimentação rica em sal e proteína 🧂🥩 
→ Aumenta a excreção de cálcio e ácido úrico. 
 ✅ Infecções urinárias 🔥 → Podem levar a 
cálculos de estruvita. 
 ✅ Doenças metabólicas ⚡ → Hipercalciúria, 
gota, hiperoxalúria. 
 ✅ Fatores genéticos 🧬 → Como a cistinúria. 
📌 Tipos de cálculos: 
 🟡 Oxalato de cálcio (80%) → O mais 
comum! 
 🟠 Ácido úrico → Associado a urina ácida e 
gota. 
 ⚪ Estruvita → Relacionado a infecção 
urinária. 
 🟣 Cistina → Raro, tem origem genética. 
c) Fisiopatologia (Como os cálculos se 
formam?) 🏗🔬 
➡ A urina supersaturada forma cristais 
microscópicos , que se unem para formar o 
cálculo. 
 ➡ Placas de Randall são depósitos de cálcio 
nas papilas renais que servem como ponto de 
partida. 
 
20 
Fernanda Rodrigues 
📌Exemplo prático: 
 Se você bebe pouca água , sua urina 
concentrada sais que se cristalizam e viram 
pedras nos enxágues. 
d) Quadro Clínico (Sintomas da 
Nefrolitíase)🔥 
✅ Cólica renal intensa 🚑 → Dor em ondas, 
irradiando das costas para a virilha. 
 ✅ Sangue na urina 🔴 (hematúria). 
 ✅ Náusea e vômito 🤢. 
 ✅ Vontade frequente de urinar 🚽. 
e) Diagnóstico 🏥🔍 
✔ Urina → Análise de pH, presença de cristais 
e infecção. 
 ✔ Sangue → Avaliação de cálcio, ácido úrico, 
creatinina. 
 ✔ Imagens: 
 🩻 Raio-X → Detecta cálculos grandes. 
 🖥 Tomografia (Padrão-ouro) → Detecta 
qualquer tipo de desenho! 
f) Tratamento 💊🛑 
✔ Cólica renal: 
 💉 Anti-inflamatórios (AINH) → Melhoram a 
dor. 
 💊 Opioides (morfina) → Para dor intensa. 
 💊 Tansulosina → Ajuda cálculos pequenos a 
saírem sozinhos. 
✔ Remoção do cálculo: 
 🔸 Espontânea – Pequenos cálculos (cólica . 
 ✅ Distensão excessiva – Exemplo: bexiga 
muito cheia ou gases presos no intestino. 
 ✅ Estiramento de tecido conjuntivo – 
Exemplo: cápsula do fígado esticada por 
inchaço. 
💡 Exemplo prático: 
 A dor da cólica renal vem de um espasmo no 
ureter tentando expulsar um cálculo. 
c) Fisiopatologia (Como a dor é transmitida) 
🧠⚡ 
A dor visceral chega ao cérebro por duas vias: 
 ✔ Via visceral verdadeira → Transmitida 
pelo sistema nervoso independente . Como os 
nervos não são bem organizados, a dor é 
difusa e mal localizada . 
 ✔ Via parietal → Quando a inflamação atinge 
o peritônio ou pleura, a dor é mais localizada 
e intensa . 
📌 Exemplo: 
 Na apendicite , a dor começa difusa no 
umbigo (via visceral), mas depois se torna 
intensa no quadrante inferior direito quando 
inflama o peritônio (via parietal). 
 
 
 
 
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Fernanda Rodrigues 
d) Quadro Clínico (Como a dor visceral se 
manifesta?) 🏥 
➡ Fases da dor visceral: 
 ✔ inicialmente vaga e difusa . 
 ✔Pode-se associar a náusea, sudorese e 
alterações na pressão arterial . 
 ✔Evolui para dor intensa , podendo se tornar 
referido. 
💡 Exemplo prático: 
 O infarto pode causar dor no peito , mas 
também ser sentido no braço esquerdo, 
mandíbula ou estômago. 
2⃣ Diferença entre Dor Referida e Dor 
Irradiada 🔄📍 
✔ Dor referida → Parece vir de outra região 
do corpo. 
 💡 Exemplo: A dor da vesícula biliar pode ser 
sentida no ombro direito . 
✔ Dor irradiada → A dor se espalha pelo 
trajeto de um nervo . 
 💡 Exemplo: A dor da hérnia de disco pode 
começar na lombar e descer pela perna. 
📌 Resumo rápido: 
 ➡ Dor referida = Origem visceral, 
localização errada. 
 ➡ Dor irradiada = Origem nervosa, segue 
um trajeto. 
 
 
 
 
3⃣ Nefrolitíase (Pedra nos Rins) 🏔💧 
a) Conceito 
➡ Acúmulo de sais e minerais forma cálculos 
nos rins, ureteres e bexiga. 
 ➡ Pode ser silencioso ou causar dor intensa 
(cólica renal). 
b) Etiologia (O que causa pedras nos Rins?) 
⚠🥤 
✅ Baixa ingestão de água 💧 → Urina fica 
muito técnica. 
 ✅ Alimentação rica em sal e proteína 🧂🥩 
→ Aumenta a excreção de cálcio e ácido úrico. 
 ✅ Infecções urinárias 🔥 → Podem levar a 
cálculos de estruvita. 
 ✅ Doenças metabólicas ⚡ → Hipercalciúria, 
gota, hiperoxalúria. 
 ✅ Fatores genéticos 🧬 → Como a cistinúria. 
📌 Tipos de cálculos: 
 🟡 Oxalato de cálcio (80%) → O mais 
comum! 
 🟠 Ácido úrico → Associado a urina ácida e 
gota. 
 ⚪ Estruvita → Relacionado a infecção 
urinária. 
 🟣 Cistina → Raro, tem origem genética. 
c) Fisiopatologia (Como os cálculos se 
formam?) 🏗🔬 
➡ A urina supersaturada forma cristais 
microscópicos , que se unem para formar o 
cálculo. 
 ➡ Placas de Randall são depósitos de cálcio 
nas papilas renais que servem como ponto de 
partida. 
 
20 
Fernanda Rodrigues 
📌Exemplo prático: 
 Se você bebe pouca água , sua urina 
concentrada sais que se cristalizam e viram 
pedras nos enxágues. 
d) Quadro Clínico (Sintomas da 
Nefrolitíase)🔥 
✅ Cólica renal intensa 🚑 → Dor em ondas, 
irradiando das costas para a virilha. 
 ✅ Sangue na urina 🔴 (hematúria). 
 ✅ Náusea e vômito 🤢. 
 ✅ Vontade frequente de urinar 🚽. 
e) Diagnóstico 🏥🔍 
✔ Urina → Análise de pH, presença de cristais 
e infecção. 
 ✔ Sangue → Avaliação de cálcio, ácido úrico, 
creatinina. 
 ✔ Imagens: 
 🩻 Raio-X → Detecta cálculos grandes. 
 🖥 Tomografia (Padrão-ouro) → Detecta 
qualquer tipo de desenho! 
f) Tratamento 💊🛑 
✔ Cólica renal: 
 💉 Anti-inflamatórios (AINH) → Melhoram a 
dor. 
 💊 Opioides (morfina) → Para dor intensa. 
 💊 Tansulosina → Ajuda cálculos pequenos a 
saírem sozinhos. 
✔ Remoção do cálculo: 
 🔸 Espontânea – Pequenos cálculos (<10 
mm) podem ser eliminados com hidratação. 
 🔸 Cirurgia: 
 🛠 Ureteroscopia → Para cálculos no ureter. 
 💥 Litotripsia extracorpórea → Quebra 
cálculos menores. 
 🔪 Nefrolitotomia percutânea → Para 
cálculos grandes. 
✔ Prevenção: 
 💧 Beba muita água! (2,5 a 3 litros/dia) 
 🍏 Dieta equilibrada → Reduzir sal, proteínas 
e oxalato (espinafre, chocolate). 
g) Complicações ⚠❌ 
🚨 Hidronefrose → Dilatação do aro por 
obstrução. 
 🚨 Infecção urinária → Urina parada 
favorecendo bactérias. 
 🚨 Insuficiência renal crônica → Se houver 
recorrência frequente. 
 
 
 
 
 
 
 
21 
	1️⃣ Dor no Sistema Cardiovascular ❤️🫀 
	2️⃣ Dor no Sistema Respiratório 🫁 
	3️⃣ Dor no Sistema Digestório 🍽️ 
	4️⃣ Dor no Sistema Urinário 🚽 
	5️⃣ Dor no Sistema Reprodutor 🚺🚹 
	1️⃣ O que é Nefrolitíase? 🏔️💧 
	2️⃣ O que causa pedras nos rins? ⚠️🥤 
	3️⃣ Como as pedras se formam? 🏗️🔬 
	4️⃣ Como a Nefrolitíase se manifesta? 😱🔥 
	5️⃣ Como diagnosticar? 🏥🔍 
	6️⃣ Como tratar? 💊🛑 
	🔹 Cólica renal: 
	🔹 Remoção do cálculo: 
	🔹 Prevenção: 
	7️⃣ Quais as complicações? ⚠️❌ 
	🎯 Resumo rápido para lembrar na prova: 
	1️⃣ Sobre a Dor Visceral 🤕🫁🫀 
	a) Conceito 
	b) Etiologia (Causas da dor visceral) ⚠🩸 
	c) Fisiopatologia (Como a dor é transmitida) 🧠⚡ 
	d) Quadro Clínico (Como a dor visceral se manifesta?) 🏥 
	2️⃣ Diferença entre Dor Referida e Dor Irradiada 🔄📍 
	 
	 
	 
	 
	3️⃣ Nefrolitíase (Pedra nos Rins) 🏔💧 
	a) Conceito 
	b) Etiologia (O que causa pedras nos Rins?) ⚠🥤 
	c) Fisiopatologia (Como os cálculos se formam?) 🏗🔬 
	d) Quadro Clínico (Sintomas da Nefrolitíase)🔥 
	e) Diagnóstico 🏥🔍 
	f) Tratamento 💊🛑 
	g) Complicações ⚠❌

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