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Fernanda Rodrigues DOR VISCERAL 1. Sobre a dor Visceral, entenda: a) Conceito. DOR VISCERAL A dor advinda de diferentes vísceras do abdome e do tórax é um dos critérios que podem ser utilizados para diagnosticar inflamação visceral, doença infecciosa visceral e outras condições das vísceras. Com frequência, os receptores sensoriais viscerais servem apenas para perceber a dor. Ademais, a dor visceral difere da dor superficial em muitos aspectos importantes. Uma das diferenças mais importantes entre a dor superficial e a dor visceral é que lesões altamente localizadas nas vísceras não costumam causar dor grave. Por exemplo, o cirurgião pode seccionar completamente uma alça intestinal de um paciente acordado em duas partes sem que ocorra dor significativa. Em contrapartida, qualquer estímulo que cause estimulação difusa de terminações nociceptivas ao longo de uma víscera causa dor de intensidade grave. Por exemplo, a isquemia ocasionada pela obstrução do fluxo sanguíneo a uma grande região do intestino estimula muitas fibras nociceptivas difusas ao mesmo tempo, podendo resultar em extrema dor. Causas da dor visceral verdadeira Qualquer estímulo que excite as terminações nervosas da dor em áreas difusas das vísceras pode causar dor grave. Esses estímulos incluem isquemia do tecido visceral, lesão química das superfícies da víscera, espasmo do músculo liso de uma víscera oca, distensão excessiva de uma víscera oca e estiramento do tecido conjuntivo externo ou interno de uma víscera. Essencialmente, toda dor visceral originada nas cavidades torácica e abdominal é transmitida por fibras pequenas tipo C, as quais podem transmitir somente o tipo crônico, profundo e sofrível de dor. Isquemia: A isquemia causa dor visceral assim como o faz em outros tecidos, presumivelmente devido à formação de produtos metabólicos ácidos ou degenerativos dos tecidos, como bradicinina, enzimas proteolíticas ou outras substâncias capazes de estimular terminações nervosas nociceptivas. Estímulos químicos: Ocasionalmente, substâncias nocivas extravasam do trato gastrointestinal para a cavidade peritoneal. Por exemplo, o suco gástrico ácido proteolítico pode extravasar através de uma úlcera gástrica ou duodenal e causar digestão generalizada do peritônio visceral, estimulando amplas áreas de fibras nervosas. A dor geralmente tem caráter excruciante e grave. 1 Fernanda Rodrigues Espasmo de víscera oca: O espasmo de uma porção do intestino, da vesícula biliar, do ducto biliar, do ureter ou de qualquer outra víscera oca pode causar dor, possivelmente devido à estimulação mecânica das terminações nervosas de dor. Outra possibilidade é que o espasmo reduza o fluxo sanguíneo para o músculo e aumente o requerimento metabólico desse músculo por nutrientes, ocasionando dor grave. Com frequência, a dor oriunda de uma víscera espástica ocorre como cólica, com aumento até um grau intenso de gravidade seguido de amenização da dor. Esse processo continua de maneira intermitente a cada período de alguns minutos. Os ciclos intermitentes resultam de períodos de contração do músculo liso. Por exemplo, a cada vez que uma onda peristáltica percorre uma alça intestinal espástica, ocorre cólica. A dor do tipo cólica ocorre frequentemente em indivíduos com apendicite, gastrenterite, constipação intestinal, menstruação, trabalho de parto, doença da vesícula biliar ou obstrução ureteral. Distensão excessiva de uma víscera oca: O enchimento extremo de uma víscera oca pode resultar em dor, presumivelmente em razão do estiramento dos próprios tecidos. É possível a distensão também causar colabamento de vasos sanguíneos que circundam a víscera ou que passam através de suas paredes, talvez provocando também dor isquêmica. Vísceras insensíveis: Algumas vísceras são quase completamente insensíveis a qualquer tipo de dor. Essas regiões incluem o parênquima do fígado e alvéolos pulmonares. Contudo, a cápsula do fígado é extremamente sensível a traumatismo direto e estiramento, e os ductos biliares também são sensíveis à dor. Nos pulmões, embora os alvéolos sejam insensíveis, os brônquios e a pleura parietal são muito sensíveis à dor. DOR PARIETAL CAUSADA POR DOENÇA VISCERAL Quando uma doença acomete uma víscera, seu processo frequentemente se distribui para o peritônio, a pleura ou pericárdio parietais. Essas superfícies parietais, assim como a pele, são inervadas com muitas fibras nociceptivas dos nervos espinhais periféricos. Portanto, a dor que advém da região parietal que circunda uma víscera normalmente tem caráter agudo. Um exemplo enfatizando a diferença entre essa dor e a verdadeira dor visceral seria uma incisão através do peritônio parietal, que é muito dolorosa, ao passo que a mesma incisão no peritônio visceral ou na parede da víscera não causa dor significativa ou mesmo nem causa dor. b) Etiologia. Considerações gerais A. INESPECIFICIDADE DOS SINTOMAS A dor crônica localizada no tórax, no abdome ou na pelve pode ter várias etiologias, desde focos inflamatórios localizados até as doenças sistêmicas idiopáticas e os proces- sos secundários ao câncer. Esse tipo de dor é encontrado nas práticas de quase todas as especialidades médicas e está entre os sintomas iniciais mais comumente relatados ao médico de atenção primária. Quando os órgãos internos do corpo são as estruturas nas quais a sensação dolorosa tem origem, a dor é definida como visceral. 2 Fernanda Rodrigues Em virtude da natureza difusa da organização das vias sensoriais viscerais, as sensações viscerais podem ser percebidas como se estivessem localizadas nas regiões gerais do corpo, ou nas estruturas não-viscerais (dor referida). Os estímulos viscerais podem desencadear respostas emocionais mais intensas do que o comum, mas alguns transtornos psicológicos também podem evidenciar-se em forma de queixas de desconforto abdominal ou torácico. Em muitos casos, a localização do órgão específico só é possível com a estimulação direta da víscera durante o exame físico. Outro indício de acometimento visceral é a associação da dor com alguma função fisiológica, inclusive a micção. B. ESTÍMULOS QUE PRODUZEM DOR VISCERAL Os estímulos viscerais que desencadeiam queixas de dor podem ser classificados em quatro grupos principais: 1. Estímulos químicos secundários aos processos inflamatórios localizados. 2. Estímulos químicos secundários à isquemia. 3. Estímulos mecânicos desencadeados por processos compressivos e obstrutivos, que podem ser modificados por inflamação ou isquemia. 4. Estímulos “funcionais”, que são mecânicos ou químicos e ocorrem naturalmente; em geral, quando são avaliados, esses estímulos estão dentro da faixa fisiológica, mas por motivos desconhecidos causam desconforto intenso. c) Fisiopatologia (Vias) LOCALIZAÇÃO DA DOR VISCERAL | VIAS DE TRANSMISSÃO DAS DORES VISCERAL E PARIETAL A dor de diferentes vísceras é geralmente de difícil localização, por muitas razões. A primeira delas é que o encéfalo do paciente não tem conhecimento acerca da existência de órgãos internos por experiência direta. Portanto, qualquer dor que se origine internamente só poderá ser localizada de maneira geral. A segunda razão é que sensações do abdome e tórax são transmitidas por duas vias para o sistema nervoso central: a via visceral verdadeira e a via parietal. A primeira é transmitida por fibras sensoriais nociceptivas dos feixes nervosos do sistema nervoso autônomo, cujas sensações são referidas a áreas da superfície do corpo geralmente distantes do órgão de origem da dor. Já as sensações parietais são conduzidas 3 Fernanda Rodrigues diretamente para nervos espinhais locais do peritônio, da pleura ou do pericárdio parietais, sendo geralmente localizadas diretamente sobre a área dolorosa. Localização da dor referidade origem visceral: Quando a dor visceral é referida à superfície do corpo, o indivíduo tende a localizar a dor em um dermátomo a partir do qual aquela víscera se originou na vida embrionária, não necessariamente onde a víscera se encontra na fase adulta. Por exemplo, o coração origina-se no pescoço e na porção superior do tórax, de modo que as fibras nociceptivas viscerais do coração ascendem ao longo de nervos sensoriais simpáticos e adentram a medula espinhal nos segmentos C3 a T5. Portanto, conforme demonstrado na Figura 49.6, a dor advinda do coração é referida para a lateral do pescoço, do ombro, dos músculos peitorais e do braço, chegando à região subesternal do tórax. Essas são as regiões da superfície corporal que enviam fibras nervosas somatossensoriais para os segmentos C3 a T5. A dor ocorre geralmente do lado esquerdo, em vez do direito, porque em geral é o lado esquerdo do coração que está mais frequentemente relacionado às doenças coronarianas. Figura 49.6 Áreas da superfície da dor referida advinda de diferentes órgãos viscerais. O estômago origina-se aproximadamente do sétimo ao nono segmento torácico do embrião. Portanto, a dor no estômago é referida à região epigástrica anterior acima do umbigo, que corresponde à área de superfície corporal suprida pelos segmentos torácicos sete a nove. OBS: A Figura 49.6 demonstra diversas outras áreas de superfície às quais é referida a dor visceral de outros órgãos, geralmente representando áreas do embrião onde esses órgãos foram originados. Via de transmissão das dores parietais abdominal e torácica: A dor das vísceras costuma localizar-se em duas áreas da superfície do corpo ao mesmo tempo, em razão da transmissão dupla da dor 4 Fernanda Rodrigues através da via visceral de dor referida e da via parietal direta. Nesse sentido, a Figura 49.7 demonstra a transmissão dupla de um apêndice inflamado. Impulsos de dor passam primeiro pelo apêndice por meio de fibras nociceptivas viscerais localizadas dentro de feixes simpáticos e depois chegam à medula espinhal na altura de T10 ou T11. Essa dor é referida a uma área ao redor do umbigo e tem caráter profundo e de cólica. Impulsos de dor também são originados muitas vezes no peritônio parietal da região onde o apêndice inflamado toca ou se adere à parede abdominal. Esses impulsos causam dor do tipo agudo diretamente sobre a região peritoneal inflamada no quadrante inferior direito do abdome. Figura 49.7 Transmissão de sinais de dor visceral e parietal a partir do apêndice. d) Quadro clínico. A dor visceral tem uma evolução temporal e em seu estágio inicial pode ser insidioso e difícil de identificar. A dor é vaga, difusa, além de pobremente definida. Independentemente do órgão específico de origem, é usualmente percebida na linha mediana no nível inferior do esterno ou abdômen superior. Se a origem da dor é do coração, esôfago, estômago, duodeno, vesícula biliar ou pâncreas, a dor visceral na fase inicial pode ser percebida em geral no mesmo local. A dor visceral pode ser minimizada e negligenciada quando não é claramente descrita ou então quando descrita como sendo vaga, com sensação de desconforto, mal-estar ou opressão. Com frequência, é tipicamente associada com fenômenos autonômicos como: palidez, sudorese, náusea, vômito, alteração da pressão arterial e da frequência cardíaca, distúrbios gastrointestinaís (por exemplo: diarreia) e alterações na temperatura corporal. Fortes reações emocionais estão comumente presentes, tais como: ansiedade, angústia e algumas vezes até mesmo sensação iminente de morte. Algumas enfermidades viscerais podem se manifestar principalmente através de reações vegetativas e emocionais, com mínima dor e desconforto. Um exemplo típico é o infarto do miocárdio sem dor, que pode se apresentar com sensação de plenitude gástrica, peso, pressão, compressão ou dispneia. 5 Fernanda Rodrigues Estes sintomas podem levar a um incorreto diagnóstico de doenças gastrointestinais, principalmente quando acompanhados de náuseas e vômitos. Sendo assim, a dor visceral deve ser sempre suspeitada, quando sensações vagas de mal-estar na linha média são relatados pelos pacientes, especialmente se forem idosos. Apresentação clínica da dor visceral: a) Dor visceral verdadeira: dor usualmente vaga, difusa e de localização imprecisa. Ocorre devido à baixa densidade de inervação sensorial visceral e à extensiva divergência de entrada dos estímulos com o sistema nervoso autônomo. Tem uma evolução temporal e pode ser dificil de identificar no estágio inicial. Algumas vezes apresenta-se somente como uma vaga sensação de desconforto, mal-estar ou opressão. Pode estar associada com marcados fenômenos autonômicos e com fortes reações emocionais, conforme descrito anteriormente. Um exemplo típico é a dor do infarto agudo do miocárdio. Não tem correlação direta entre a intensidade da dor e a extensão da injúria. A correlação entre dor visceral e emoções negativas pode aumentar a ocorrência de dor relacionada à memória de dor- ~sensibilização central. b) Dor referida e hiperalgesia (convergência viscerossomática): a dor visceral pode se apresentar numa localização somática. Ocorre devido à convergência da inervação dos órgãos viscerais e áreas somáticas no mesmo neurônio sensorial espinhal. Esta dor se apresenta tipicamente como somática profunda, mais localizada e não acompanhada de francas reações simpáticas e emocionais. Pode estar associada com hiperalgesia e é usualmente limitada aos músculos, mas pode se estender superficialmente para 0 tecido subcutâneo e pele. A hiperalgesia referida de órgãos internos resulta provavelmente de um processo de sensibilização central, envolvendo neurônios da convergência viscerossomática (facilitação da convergência). Pode persistir até mesmo após o estímulo primário ter cessado. Hiperalgesia referida é com frequência acompanhada por alterações tróficas, tipicamente um espessamento do tecido subcutâneo e algum grau de atrofia muscular local. Estes eventos são presumidamente decorrentes da ativação de reflexos viscerossomáticos. c) Hiperalgesia visceral: definida como um aumento da sensibilidade de um órgão interno, de tal modo que até mesmo um estímulo não patológico ou normal pode produzir dor desse órgão. Isto é comumente associado com dor visceral e acredita-se ser decorrente de sensibilização periférica e central. Exemplo: dor após a ingestão de comida ou líquido em um esôfago ou estômago quando a mucosa está inflamada, ou dor na bexiga devido à distensão de um grau normal durante um processo inflamatório do trato urinário baixo. d) Hiperalgesia víscero-visceral: é o aumento da dor devido à interação sensorial entre dois diferentes órgãos internos que dividem pelo menos parte de seus circuitos aferentes. Consiste de um aumento de ambos: sintomas diretos e referidos de toda a víscera envolvida, produzindo um quadro clínico complexo. Por exemplo: pacientes com 6 Fernanda Rodrigues doença cardíaca coronariana associada a cálculo biliar podem experimentar crises mais frequentes de angina e cólica biliar em comparação com pacientes com uma condição única. Isso ocorre devido à sobreposição parcial de vias aferentes em T5 do coração e da vesícula biliar. Hiperalgesia viscero-visceral é provavelmente produzida por processo de sensibilização, envolvendo neurônios em convergência víscero-visceral no SNC. A dor crônica visceral também pode ser considerada como orgânica ou funcional dependendo se o fator etiológico da patologia específica pode ser identificado”. A dor funcional visceral se refere à dor sem evidência de anormalidades anatômicas, inflamatórias, metabólicas ou neoplásicas. O exemplo mais prevalente de dor funcional visceral é a Sll. Tipos Específicos de Dor 1⃣ Dora amônia. A síndrome metabólica está associada a maior prevalência de cálculos de ácido úrico. OBS: O principal fator para a formação de cálculos de ácido úrico é o baixo pH na urina, mas outros fatores incluem excesso de excreção urinária de ácido úrico (hiperuricosúria) e baixo volume urinário. Cálculos de fosfato amônio magnésio (estruvita ou triplo fosfato) crescem rapidamente e podem ocupar toda a pelve urinária, muitas vezes apresentando uma aparência coraliforme. Estão associados a infecções urinárias recorrentes, abscessos perirrenais, sepse e insuficiência renal progressiva. A formação desses cálculos está relacionada à presença de bactérias produtoras de urease, geralmente do gênero Proteus ou Klebsiella. Essas bactérias degradam a ureia em amônia, elevando o pH da urina e favorecendo a cristalização com fosfato e magnésio. c) Fisiopatologia. 10 Fernanda Rodrigues A nefrolitíase se inicia com a formação de cristais em urina supersaturada. Esta é conceituada como um estado em que os solutos estão presentes em concentrações que excedem sua solubilidade. Os cristais assim formados aderem ao urotélio, criando o núcleo para o subsequente crescimento do cálculo. Os processos biológicos que ancoram os cristais ao urotélio não são totalmente compreendidos. Muitos, mas não todos, cálculos de oxalato de cálcio se desenvolvem em estruturas denominadas de placas de Randall, localizadas nas papilas renais e compostas por cristais de fosfato de cálcio (hidroxiapatita). Esses cristais crescem erodindo o urotélio, formando um núcleo para a deposição de oxalato de cálcio. Um componente genético na formação de cálculos renais é reconhecido há décadas. Estudos confirmaram a hereditariedade dos padrões de excreção urinária de cálcio, citrato, oxalato e ácido úrico. Muitos loci genéticos foram implicados na modificação do risco de doença e causas monogênicas de nefrolitíase existem e incluem, por exemplo, a cistinúria e a hiperoxalúria primária. Anormalidades anatômicas, como rim espongiomedular ou doença renal policística, estão associadas a um aumento no risco de cálculos renais. A estase urinária é provavelmente o principal mecanismo envolvido. d) Quadro Clínico. A apresentação característica da nefrolitíase é a chamada cólica ureteral, nefrética ou cólica renal aguda. Surge como uma dor súbita e intensa em um dos flancos, que aumenta e diminui em intensidade, irradiando-se anterior e inferiormente em direção à região inguinal e à genitália externa. Está relacionada à obstrução aguda do trato urinário e frequentemente se acompanha de náuseas, vômitos, disúria e hematúria macroscópica. Ao exame físico, notam-se taquicardia, palidez, sudorese, dor à palpação em região de ângulo costovertebral (sinal de Giordano) e distensão abdominal leve, porém não associada a sinais de irritação peritoneal. O diagnóstico diferencial deve ser feito com patologias gastrintestinais (apendicite aguda, diverticulite, colecistite, pancreatite aguda), ginecológicas (cisto ovariano, anexite, gravidez ectópica), urológicas (orquite, epididimite, prostatite), afecções vasculares (infarto intestinal, aneurisma de aorta abdominal) e algumas causas médicas (cetoacidose diabética, infarto agudo do miocárdio). OBS: Cólica nefrética é uma dor súbita e intensa em um dos flancos, que irradia em direção à região inguinal e à genitália externa. Outras formas de manifestação da nefrolitíase incluem a hematúria microscópica isolada e a eliminação espontânea de cálculos, muitas vezes sem dor associada. Deve-se também suspeitar de cálculos urinários na presença de infecções urinárias de repetição, especialmente quando causadas por bactérias do gênero Proteus. Nos últimos anos, o uso de imagens de alta resolução, como a tomografia computadorizada, tem levado a um aumento 11 Fernanda Rodrigues nas taxas de detecção incidental de cálculos renais. e) Diagnóstico. O diagnóstico clínico, metabólico e o seguimento do paciente com nefrolitíase é feito por uma combinação de história médica e exame físico, análise do cálculo urinário (quando disponível), exames bioquímicos séricos e urinários e estudos de imagem. Os pacientes devem ser orientados a filtrar a urina nos primeiros dias após um episódio de cólica renal para que, na eventualidade de eliminação espontânea de um cálculo, possam recuperá-lo para análise. Os procedimentos analíticos preferidos para determinar a composição do cálculo são a espectroscopia infravermelha ou a difração de raios X, infelizmente pouco disponíveis em nosso meio. Os métodos físico-químicos, não cristalográficos, são menos precisos. Deve-se obter um perfil bioquímico de rotina, incluindo a medição de eletrólitos, creatinina e cálcio séricos. Os resultados podem ajudar a identificar certas condições, como hiperparatireoidismo primário, hiperuricemia e acidose tubular renal distal, condições associadas à nefrolitíase. A análise de urina deve incluir a determinação do pH, uma vez que um pH superior a 7,5 aumenta a possibilidade de um cálculo devido a bactérias produtoras de urease, enquanto um pH inferior a 5,5 favorece a litíase de ácido úrico. Hematúria micro ou macroscópica é regra na cólica nefrética, ocorrendo em 80 a 90% dos casos. Leucócitos podem ser encontrados na urina tipo I, porém a presença de bactérias no exame do sedimento deve levantar a suspeita de infecção associada. O sedimento urinário também deve ser examinado em busca de cristalúria, uma vez que tipos particulares de cristais podem fornecer pistas sobre a composição dos cálculos. Cristais de cistina, hexagonais, podem ser observados em portadores de cistinúria, e são considerados diagnósticos, porém com baixa sensibilidade. Os cristais de estruvita assumem a forma de “tampa de caixão” (coffin lid) e, quando associados à urina de pH fortemente alcalino, ao redor de 7-8, são altamente sugestivos de infecção por bactérias produtoras de urease. O achado de cristais de oxalato de cálcio ou de ácido úrico em grande quantidade sugere doença litiásica. Podem ser observados na urina em dietas ricas em oxalato, como consumo excessivo de chocolate, espinafre, vitamina C ou ainda em urinas com pH muito ácido (cristais de ácido úrico). No entanto, deve-se observar que a maioria dos indivíduos com cristais de oxalato de cálcio na urina nunca desenvolverá cálculos renais. A abordagem diagnóstica do paciente que formou o primeiro (e único) cálculo é assunto controverso. Recomenda-se que, em adultos, a investigação consista ao menos em dosagens séricas de cálcio, fósforo, ácido úrico, creatinina, sódio, cloro, potássio e bicarbonato. Do mesmo modo, sugere-se a solicitação de urina tipo I e de um exame de imagem. Contudo, é fundamental que essa estratégia seja adaptada de maneira individualizada e discutida com o paciente. Como no caso de pacientes que desempenhem atividades profissionais de 12 Fernanda Rodrigues alto risco (piloto de avião, por exemplo) e idosos que estejam mais suscetíveis a complicações durante a crise aguda. Existem vários estudos sugerindo que a probabilidade de formação de cálculos pode ser prevista de maneira razoável a partir dos valores da urina de 24 horas. Uma avaliação metabólica completa, que inclua análise de pelo menos duas amostras de urina de 24 horas, é indicada em pacientes com múltiplos cálculos no primeiro diagnóstico, com histórico familiar de cálculos recidivantes, pacientes com baixa densidade mineral óssea e indivíduos com doença litiásica ativa (definida como formação recorrente de cálculos ou aumento de cálculos existentes). Nessa categoria se incluem também as crianças e os portadores de litíase em rim único. A avaliação metabólica dos fatores de risco urinários deve ser adiada por um período de 3 a 4 semanas após episódio de cólica nefrética, eliminação do cálculo ou de intervençãocirúrgica/endoscópica em trato urinário. Essa medida permite a reintrodução da dieta e das atividades físicas habituais do paciente e um retorno da função renal a seu valor habitual no pós-crise. O Quadro 1 demonstra os valores de referência para os principais elementos associados à litogênese no sangue e na urina de 24 horas. Entretanto, algumas observações devem ser feitas em relação à urina de 24 horas. Admite-se que os limites são arbitrários e sabe-se que várias dessas substâncias excretadas na urina seguem distribuição gaussiana na população. Muitos dos classificados como portadores de alterações metabólicas não desenvolvem nefrolitíase, e alguns trabalhos observacionais não demonstraram, por exemplo, diferença significativa na calciúria dos portadores de cálculos renais e controles. Portanto, é mais correto considerar a maioria dos elementos como variáveis de distribuição contínua. A avaliação radiológica da nefrolitíase acontece em dois momentos: durante a cólica nefrética, em nível de pronto-socorro (PS), e em nível ambulatorial. No PS, a realização imediata de exames de imagem é aconselhada em pacientes com febre, naqueles com alteração de função renal ou com apenas um rim funcional e quando o diagnóstico não é conclusivo. A radiografia simples de abdome (RUB) é baseada no fato de que cerca de 90% dos cálculos renais são radiopacos. No entanto, é importante observar que as radiografias simples têm limitações em sua capacidade de detectar cálculos ureterais, com alguns estudos relatando uma sensibilidade inferior a 50%. A ultrassonografia (US) é capaz de identificar todos os tipos de cálculos renais, independentemente de sua densidade, e permite a avaliação da presença e do grau de hidronefrose. No entanto, a US possui sensibilidade reduzida na detecção de 13 Fernanda Rodrigues cálculos ureterais (com sensibilidade de 45% e especificidade de 94%), e sua eficácia está sujeita à qualidade do equipamento e à habilidade do operador em interpretar as imagens. A tomografia computadorizada é considerada o padrão ouro para o diagnóstico de litíase urinária, com sensibilidade e especificidade superior a 90%. Além disso, permite análise abrangente do abdome em poucos minutos, pode ser realizada sem a necessidade de contraste e tem a capacidade de visualizar todos os tipos de cálculos, independentemente de serem radiopacos ou não. Suas desvantagens são o maior custo e a maior carga de radiação. A monitorização radiológica ambulatorial da nefrolitíase inclui os mesmos exames citados acima. Contudo, algumas observações quanto à indicação de qual exame a ser utilizado são pertinentes. Se os cálculos eram previamente visíveis por US ou por raios X, o uso respectivo da modalidade minimizará a exposição cumulativa à radiação. Para permitir comparações da carga de cálculos ao longo do tempo, deve-se escolher um método que avalie o número e o tamanho dos cálculos anteriores e comparar os achados com o mesmo método, achados de US com nova US, por exemplo. A tomografia computadorizada sem contraste continua sendo o teste mais sensível para detectar cálculos, especialmente cálculos pequenos, mas é uma opção cara e com exposição à radiação para ser utilizada rotineiramente no monitoramento da carga total de cálculos. OBS: A tomografia computadorizada é considerada o padrão ouro para o diagnóstico de litíase urinária. f) Tratamento. Deve ser dividido em três partes: tratamento da cólica renal, tratamento do cálculo e terapêutica da doença litiásica. Tratamento da cólica renal As principais classes de medicações utilizadas para analgesia na cólica renal são os anti-inflamatórios não hormonais (AINH), analgésicos e os opioides. Os AINH, ao inibirem a síntese de prostaglandinas, reduzem a inflamação e a hiperatividade muscular ureteral. Deve-se lembrar, entretanto, que os AINH apresentam contraindicação absoluta ou relativa em situações como insuficiência renal, doença péptica grave e gestação – nesses casos, devem-se considerar os opioides. A morfina é o representante clássico dessa classe de medicamentos. Apesar de não atuar na fisiopatologia da cólica ureteral, apresenta ação analgésica rápida, potente e titulável. Os analgésicos paracetamol e dipirona intravenosos podem ser uma alternativa segura aos AINH e aos opióides. Os antiespasmódicos, como a hioscina, apresentam efeito controverso e limitado, mesmo quando utilizados em associação a outros analgésicos. Os bloqueadores de receptores alfa-1-adrenérgicos (p. ex., tansulosina) têm sido utilizados como facilitadores da passagem espontânea de cálculos ureterais, principalmente aqueles localizados no ureter distal e menores que 1 14 Fernanda Rodrigues cm, na chamada terapia expulsiva médica (TEM). Tratamento do cálculo Aproximadamente 10 a 20% de todos os cálculos requerem remoção cirúrgica, dependendo da presença de sintomas, do tamanho e de sua localização. A descompressão urgente do sistema coletor é indicada em pacientes com cálculos obstrutivos e suspeita ou confirmação de infecção do trato urinário; na obstrução ureteral bilateral acompanhada de lesão renal aguda e em pacientes com obstrução unilateral em rim único. A cirurgia é recomendada: Nos cálculos ureterais maiores que 10 mm. Em cálculos ureterais distais não complicados com ≤ 10 mm que não tenham sido eliminados após 4 a 6 semanas de observação, com ou sem TEM. Em cálculos renais sintomáticos em pacientes que não apresentam nenhuma outra causa para a dor. Em gestantes com persistência de sintomas após período de observação e tratamento clínico. Na obstrução renal persistente ou em infecções do trato urinário recorrentes relacionadas à presença dos cálculos. Terapêutica da doença litiásica A terapêutica médica específica da doença litiásica pode ser dividida em medidas dietéticas e farmacológicas. A modificação de estilo de vida mais importante para prevenir a recorrência de cálculos renais é aumentar a ingestão de líquidos para 2,5 a 3 L por dia, a fim de garantir uma diurese de pelo menos 2 a 2,5 L. Idealmente, os fluidos devem ser ingeridos ao longo do dia. A dieta deve ser rica em fibras, frutas e vegetais, com teor normal de cálcio (1 a 1,2 g por dia), limitando o sódio (4 a 5 g por dia) e a proteína animal (0,8 a 1 g por kg por dia). Pacientes obesos ou com excesso de peso devem buscar um peso corporal normal por meio de modificações dietéticas e aumento da atividade física. Embora haja evidências limitadas que respaldem as modificações no estilo de vida para a prevenção da recorrência de cálculos renais, essas mudanças são importantes para evitar comorbidades. A terapêutica farmacológica é baseada na provável composição do cálculo. 15 Fernanda Rodrigues g) Complicações. HIDRONEFROSE - refere-se à dilatação das vias urinárias. Hidronefrose é o termo usado para descrever a dilatação da pelve renal e cálices associada a uma atrofia progressiva do rim devido à obstrução do fluxo de saída da urina. Mesmo com a obstrução completa, a filtração glomerular persiste por algum tempo, porque o filtrado subsequentemente se difunde de volta para o interstício renal e para os espaços perirrenais, de onde ele, por fim, retorna aos sistemas linfático e venoso. Devido a essa filtração contínua, os cálices e a pelve afetados se tornam dilatados, frequentemente de modo significativo. A alta pressão na pelve é transmitida de volta através dos ductos coletores para o córtex, causando atrofia renal, mas ela também comprime a vasculatura renal da medula, causando uma diminuição no fluxo sanguíneo medular. Os defeitos vasculares medulares são inicialmente reversíveis, mas levam a distúrbios funcionais medulares. A obstrução também dispara uma reação inflamatória intersticial, levando eventualmente a fibrose intersticial. – A obstrução aguda: podeprovocar dor atribuída à distensão do sistema coletor ou da cápsula renal. – A obstrução unilateral parcial ou completa: pode permanecer silenciosa por longos períodos, já que o rim não afetado pode manter uma função renal adequada. – Na obstrução parcial bilateral: a primeira manifestação é a incapacidade de concentrar a urina, refletida por poliúria e nictúria. – A obstrução bilateral completa: de começo rápido resulta em oligúria ou anúria e é incompatível com a sobrevivência a menos que a obstrução seja aliviada. Obs. Hidronefrose, refere-se à dilatação das vias urinárias – não é sinônimo de uropatia obstrutiva, já que a primeira pode ocorrer sem obstrução funcional do trato urinário e pode estar ausente em casos de obstrução estabelecida. INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO - pode ocorrer quando as bactérias ficam presas na urina que se acumula acima de um bloqueio. Este mesmo bloqueio no trato urinário, durante um longo período de tempo, faz com que a urina reflui em direção aos tubos no interior do rim e provoca uma pressão excessiva que pode dilatá-lo resultando na hidronefrose, como citado acima. A estase urinária resultante da obstrução predispõe a infecções do trato urinário, e os pacientes podem desenvolver cistite, com disúria e frequência, ou pielonefrite, com dor lombar e sintomas sistêmicos. A infecção ocorre com mais frequência em pacientes com obstrução do trato urinário inferior que entre aqueles com obstrução do trato urinário superior. Episódios de infecção do trato urinário em homens ou crianças de ambos os sexos, infecções recorrentes ou persistentes em mulheres, infecções por micro-organismos incomuns, como espécies de Pseudomonas, e mesmo um único episódio de pielonefrite aguda exigem investigação mais aprofundada para se excluir quadros de obstrução. Além disso, a presença de obstrução dificulta a 16 Fernanda Rodrigues erradicação eficaz da infecção. As infecções do trato urinário por micro-organismos produtores de urease, como Proteus mirabilis, predispõem à formação de cálculos. Esses micro-organismos produzem amônia, resultando em alcalinização da urina e favorecendo o desenvolvimento de cálculos de fosfato de amônio e magnésio (estruvita). Os cálculos de estruvita podem preencher toda a pelve renal, formando um cálculo coraliforme que, se não for adequadamente tratado, eventualmente leva à perda renal. Portanto, a formação de cálculos e a necrose papilar podem ser causas e consequências da obstrução do trato urinário. 1⃣ O que é Nefrolitíase? 🏔💧 🔹 Imagine que seu rim é um filtro de água. Se a água (urina) estiver muito concentrada com sais e minerais, os resíduos podem formar pequenas pedras (cálculos renais). 🔹 Essa condição é chamada nefrolitíase ou cálculo renal. As pedras podem ficar paradas ou se mover pelos rins, ureteres e bexiga, causando dor intensa. 🔹 Cuidado! Nefrolitíase não é a mesma coisa que nefrocalcinose, que é um acúmulo difuso de cálcio nos rins, afetando o tecido renal. 2⃣ O que causa pedras nos rins? ⚠🥤 👉 Falta de água 💧: Pouca ingestão de líquidos deixa a urina mais concentrada e facilita a formação de cálculos. 👉 Alimentação rica em sais e proteínas 🍖🧂: Pode aumentar substâncias que favorecem os cálculos. 👉 Distúrbios metabólicos ⚡: Como excesso de cálcio na urina (hipercalciúria) ou oxalato (hiperoxalúria). 👉 Infecções urinárias 🔥: Podem levar à formação de cálculos de estruvita. 👉 Doenças genéticas 🧬: Como a cistinúria, que causa cálculos de cistina. Tipos de cálculos renais: 🟡 Oxalato de cálcio (80% dos casos) – O mais comum! Relacionado a hipercalciúria, hiperoxalúria e hipocitratúria. 🟠 Ácido úrico – Ocorre em urina muito ácida (pH baixo) e pode estar associado à síndrome metabólica. ⚪ Fosfato de amônio e magnésio (estruvita) – Associado a infecções urinárias por bactérias produtoras de urease (Proteus e Klebsiella). 🟣 Cistina – Raro, ocorre por defeito genético no transporte de aminoácidos. 3⃣ Como as pedras se formam? 🏗🔬 🔹 Os cálculos começam com cristais microscópicos que se agrupam na urina supersaturada. 🔹 Placas de Randall são depósitos de cálcio nas papilas renais que servem como ponto de partida para os cálculos. 🔹 Além da genética, fatores anatômicos como rim esponjoso e doença renal policística aumentam o risco. 4⃣ Como a Nefrolitíase se manifesta? 😱🔥 🔹 Cólica renal (nefrética) 🚑 – Dor súbita, intensa e em ondas, começando nas costas e 17 Fernanda Rodrigues irradiando para a virilha/genitália. Pode vir com: ✅ Náuseas e vômitos 🤢 ✅ Sangue na urina (hematúria) 🔴 ✅ Vontade frequente de urinar 🚽 🔹 Outros sinais: infecções urinárias de repetição, eliminação espontânea de cálculos sem dor. 5⃣ Como diagnosticar? 🏥🔍 ✅ Exames de urina – pH, presença de cristais e infecção. ✅ Exames de sangue – Avaliação de cálcio, ácido úrico, creatinina. ✅ Exames de imagem: 🩻 Raio-X de abdome – Detecta cálculos radiopacos, mas pode não ver os menores. 🩺 Ultrassom – Boa opção para gestantes e crianças, mas pode falhar na detecção de cálculos pequenos. 🖥 Tomografia sem contraste (padrão-ouro) – Detecta todos os tipos de cálculos com alta precisão. 6⃣ Como tratar? 💊🛑 🔹 Cólica renal: 💉 Anti-inflamatórios (AINH) → Melhoram a dor e reduzem a inflamação. 💊 Opioides (morfina) → Para casos de dor intensa. 💊 Tansulosina (bloqueador alfa-1) → Ajuda na eliminação de cálculos menores. 🔹 Remoção do cálculo: 🔸 Espontânea – Pequenos cálculos (cólica . ✅ Distensão excessiva – Exemplo: bexiga muito cheia ou gases presos no intestino. ✅ Estiramento de tecido conjuntivo – Exemplo: cápsula do fígado esticada por inchaço. 💡 Exemplo prático: A dor da cólica renal vem de um espasmo no ureter tentando expulsar um cálculo. c) Fisiopatologia (Como a dor é transmitida) 🧠⚡ A dor visceral chega ao cérebro por duas vias: ✔ Via visceral verdadeira → Transmitida pelo sistema nervoso independente . Como os nervos não são bem organizados, a dor é difusa e mal localizada . ✔ Via parietal → Quando a inflamação atinge o peritônio ou pleura, a dor é mais localizada e intensa . 📌 Exemplo: Na apendicite , a dor começa difusa no umbigo (via visceral), mas depois se torna intensa no quadrante inferior direito quando inflama o peritônio (via parietal). 19 Fernanda Rodrigues d) Quadro Clínico (Como a dor visceral se manifesta?) 🏥 ➡ Fases da dor visceral: ✔ inicialmente vaga e difusa . ✔Pode-se associar a náusea, sudorese e alterações na pressão arterial . ✔Evolui para dor intensa , podendo se tornar referido. 💡 Exemplo prático: O infarto pode causar dor no peito , mas também ser sentido no braço esquerdo, mandíbula ou estômago. 2⃣ Diferença entre Dor Referida e Dor Irradiada 🔄📍 ✔ Dor referida → Parece vir de outra região do corpo. 💡 Exemplo: A dor da vesícula biliar pode ser sentida no ombro direito . ✔ Dor irradiada → A dor se espalha pelo trajeto de um nervo . 💡 Exemplo: A dor da hérnia de disco pode começar na lombar e descer pela perna. 📌 Resumo rápido: ➡ Dor referida = Origem visceral, localização errada. ➡ Dor irradiada = Origem nervosa, segue um trajeto. 3⃣ Nefrolitíase (Pedra nos Rins) 🏔💧 a) Conceito ➡ Acúmulo de sais e minerais forma cálculos nos rins, ureteres e bexiga. ➡ Pode ser silencioso ou causar dor intensa (cólica renal). b) Etiologia (O que causa pedras nos Rins?) ⚠🥤 ✅ Baixa ingestão de água 💧 → Urina fica muito técnica. ✅ Alimentação rica em sal e proteína 🧂🥩 → Aumenta a excreção de cálcio e ácido úrico. ✅ Infecções urinárias 🔥 → Podem levar a cálculos de estruvita. ✅ Doenças metabólicas ⚡ → Hipercalciúria, gota, hiperoxalúria. ✅ Fatores genéticos 🧬 → Como a cistinúria. 📌 Tipos de cálculos: 🟡 Oxalato de cálcio (80%) → O mais comum! 🟠 Ácido úrico → Associado a urina ácida e gota. ⚪ Estruvita → Relacionado a infecção urinária. 🟣 Cistina → Raro, tem origem genética. c) Fisiopatologia (Como os cálculos se formam?) 🏗🔬 ➡ A urina supersaturada forma cristais microscópicos , que se unem para formar o cálculo. ➡ Placas de Randall são depósitos de cálcio nas papilas renais que servem como ponto de partida. 20 Fernanda Rodrigues 📌Exemplo prático: Se você bebe pouca água , sua urina concentrada sais que se cristalizam e viram pedras nos enxágues. d) Quadro Clínico (Sintomas da Nefrolitíase)🔥 ✅ Cólica renal intensa 🚑 → Dor em ondas, irradiando das costas para a virilha. ✅ Sangue na urina 🔴 (hematúria). ✅ Náusea e vômito 🤢. ✅ Vontade frequente de urinar 🚽. e) Diagnóstico 🏥🔍 ✔ Urina → Análise de pH, presença de cristais e infecção. ✔ Sangue → Avaliação de cálcio, ácido úrico, creatinina. ✔ Imagens: 🩻 Raio-X → Detecta cálculos grandes. 🖥 Tomografia (Padrão-ouro) → Detecta qualquer tipo de desenho! f) Tratamento 💊🛑 ✔ Cólica renal: 💉 Anti-inflamatórios (AINH) → Melhoram a dor. 💊 Opioides (morfina) → Para dor intensa. 💊 Tansulosina → Ajuda cálculos pequenos a saírem sozinhos. ✔ Remoção do cálculo: 🔸 Espontânea – Pequenos cálculos (cólica . ✅ Distensão excessiva – Exemplo: bexiga muito cheia ou gases presos no intestino. ✅ Estiramento de tecido conjuntivo – Exemplo: cápsula do fígado esticada por inchaço. 💡 Exemplo prático: A dor da cólica renal vem de um espasmo no ureter tentando expulsar um cálculo. c) Fisiopatologia (Como a dor é transmitida) 🧠⚡ A dor visceral chega ao cérebro por duas vias: ✔ Via visceral verdadeira → Transmitida pelo sistema nervoso independente . Como os nervos não são bem organizados, a dor é difusa e mal localizada . ✔ Via parietal → Quando a inflamação atinge o peritônio ou pleura, a dor é mais localizada e intensa . 📌 Exemplo: Na apendicite , a dor começa difusa no umbigo (via visceral), mas depois se torna intensa no quadrante inferior direito quando inflama o peritônio (via parietal). 19 Fernanda Rodrigues d) Quadro Clínico (Como a dor visceral se manifesta?) 🏥 ➡ Fases da dor visceral: ✔ inicialmente vaga e difusa . ✔Pode-se associar a náusea, sudorese e alterações na pressão arterial . ✔Evolui para dor intensa , podendo se tornar referido. 💡 Exemplo prático: O infarto pode causar dor no peito , mas também ser sentido no braço esquerdo, mandíbula ou estômago. 2⃣ Diferença entre Dor Referida e Dor Irradiada 🔄📍 ✔ Dor referida → Parece vir de outra região do corpo. 💡 Exemplo: A dor da vesícula biliar pode ser sentida no ombro direito . ✔ Dor irradiada → A dor se espalha pelo trajeto de um nervo . 💡 Exemplo: A dor da hérnia de disco pode começar na lombar e descer pela perna. 📌 Resumo rápido: ➡ Dor referida = Origem visceral, localização errada. ➡ Dor irradiada = Origem nervosa, segue um trajeto. 3⃣ Nefrolitíase (Pedra nos Rins) 🏔💧 a) Conceito ➡ Acúmulo de sais e minerais forma cálculos nos rins, ureteres e bexiga. ➡ Pode ser silencioso ou causar dor intensa (cólica renal). b) Etiologia (O que causa pedras nos Rins?) ⚠🥤 ✅ Baixa ingestão de água 💧 → Urina fica muito técnica. ✅ Alimentação rica em sal e proteína 🧂🥩 → Aumenta a excreção de cálcio e ácido úrico. ✅ Infecções urinárias 🔥 → Podem levar a cálculos de estruvita. ✅ Doenças metabólicas ⚡ → Hipercalciúria, gota, hiperoxalúria. ✅ Fatores genéticos 🧬 → Como a cistinúria. 📌 Tipos de cálculos: 🟡 Oxalato de cálcio (80%) → O mais comum! 🟠 Ácido úrico → Associado a urina ácida e gota. ⚪ Estruvita → Relacionado a infecção urinária. 🟣 Cistina → Raro, tem origem genética. c) Fisiopatologia (Como os cálculos se formam?) 🏗🔬 ➡ A urina supersaturada forma cristais microscópicos , que se unem para formar o cálculo. ➡ Placas de Randall são depósitos de cálcio nas papilas renais que servem como ponto de partida. 20 Fernanda Rodrigues 📌Exemplo prático: Se você bebe pouca água , sua urina concentrada sais que se cristalizam e viram pedras nos enxágues. d) Quadro Clínico (Sintomas da Nefrolitíase)🔥 ✅ Cólica renal intensa 🚑 → Dor em ondas, irradiando das costas para a virilha. ✅ Sangue na urina 🔴 (hematúria). ✅ Náusea e vômito 🤢. ✅ Vontade frequente de urinar 🚽. e) Diagnóstico 🏥🔍 ✔ Urina → Análise de pH, presença de cristais e infecção. ✔ Sangue → Avaliação de cálcio, ácido úrico, creatinina. ✔ Imagens: 🩻 Raio-X → Detecta cálculos grandes. 🖥 Tomografia (Padrão-ouro) → Detecta qualquer tipo de desenho! f) Tratamento 💊🛑 ✔ Cólica renal: 💉 Anti-inflamatórios (AINH) → Melhoram a dor. 💊 Opioides (morfina) → Para dor intensa. 💊 Tansulosina → Ajuda cálculos pequenos a saírem sozinhos. ✔ Remoção do cálculo: 🔸 Espontânea – Pequenos cálculos (<10 mm) podem ser eliminados com hidratação. 🔸 Cirurgia: 🛠 Ureteroscopia → Para cálculos no ureter. 💥 Litotripsia extracorpórea → Quebra cálculos menores. 🔪 Nefrolitotomia percutânea → Para cálculos grandes. ✔ Prevenção: 💧 Beba muita água! (2,5 a 3 litros/dia) 🍏 Dieta equilibrada → Reduzir sal, proteínas e oxalato (espinafre, chocolate). g) Complicações ⚠❌ 🚨 Hidronefrose → Dilatação do aro por obstrução. 🚨 Infecção urinária → Urina parada favorecendo bactérias. 🚨 Insuficiência renal crônica → Se houver recorrência frequente. 21 1️⃣ Dor no Sistema Cardiovascular ❤️🫀 2️⃣ Dor no Sistema Respiratório 🫁 3️⃣ Dor no Sistema Digestório 🍽️ 4️⃣ Dor no Sistema Urinário 🚽 5️⃣ Dor no Sistema Reprodutor 🚺🚹 1️⃣ O que é Nefrolitíase? 🏔️💧 2️⃣ O que causa pedras nos rins? ⚠️🥤 3️⃣ Como as pedras se formam? 🏗️🔬 4️⃣ Como a Nefrolitíase se manifesta? 😱🔥 5️⃣ Como diagnosticar? 🏥🔍 6️⃣ Como tratar? 💊🛑 🔹 Cólica renal: 🔹 Remoção do cálculo: 🔹 Prevenção: 7️⃣ Quais as complicações? ⚠️❌ 🎯 Resumo rápido para lembrar na prova: 1️⃣ Sobre a Dor Visceral 🤕🫁🫀 a) Conceito b) Etiologia (Causas da dor visceral) ⚠🩸 c) Fisiopatologia (Como a dor é transmitida) 🧠⚡ d) Quadro Clínico (Como a dor visceral se manifesta?) 🏥 2️⃣ Diferença entre Dor Referida e Dor Irradiada 🔄📍 3️⃣ Nefrolitíase (Pedra nos Rins) 🏔💧 a) Conceito b) Etiologia (O que causa pedras nos Rins?) ⚠🥤 c) Fisiopatologia (Como os cálculos se formam?) 🏗🔬 d) Quadro Clínico (Sintomas da Nefrolitíase)🔥 e) Diagnóstico 🏥🔍 f) Tratamento 💊🛑 g) Complicações ⚠❌