Prévia do material em texto
ECZEMAS Eczema e dermatite atópica são termos sinônimos. Eles designam a inflamação da pele que podem ter várias etiologias. Todos os eczemas são dermatites, mas nem toda dermatite é um eczema. Porque o eczema tem eczema tem características clínicas próprias, pápulas, pode ter pústulas, pode ter vesículas, secreção ou liquenificação que já é a forma mais crônica do eczema. E nem toda dermatite tem todo esse conjunto de coisas. Todas essas lesões elementares podem acontecer continuamente – aparece uma, depois outra, e depois mais outra. Ou então, todas associadas e simultaneamente. E formam a característica muito comum do eczema que é aquilo: ele não muda muito, é algo fácil de ver. É tudo junto: tem pápula que normalmente forma uma placa, mas com tudo junto; todas essas características juntas - eritema, edema, tem bastante escama, crostas, tudo na fase mais crônica. Na liquenificação, os sulcos ficam extremamente evidentes – parece a mão enrugada de uma pessoa mais velha. Você percebe uma pele mais brilhante e mais enrugada que é a característica da liquenificação. Essas são imagens do eczema clássico: tem pápulas, eritema, vesículas, crostas. Isso é uma dermatite eczematosa. Nem toda dermatite é um eczema, mas todo eczema é uma dermatite. Aqui você tem fissuras, rágades, uma lesão mais crônica (abaixo). Elas são sempre acompanhadas do prurido (eczemas). O eczema (ou dermatite) pode ser atópico, de contato. O prurido é pela liberação dessas substâncias nas terminações nervosas.... isso vocês estudem. A síndrome eczematosa pode ser classificada em aguda, subaguda e crônica, dependendo do tempo de evolução e do que você está vendo clinicamente. No eczema agudo tem mais edema, vesiculação, sempre vai ter eritema (aliás, em todos tem eritema, embora o que menos tenha eritema é na fase crônica que tem mais liquenificação, mas ainda assim tem eritema). No subagudo, vai predominar mais as crostas, mas também tem secreção. O eritema é menos do que na fase aguda. Na fase crônica, continua com eritema, mas é mais clarinho, menos evidente; o que é mais importante é a descamação, crosta e a liquenificação. (já teve questão pedindo pra diferenciar a fase só pela clínica) Eczema subagudo com um eritema não tão intenso. Você vê crostas e eritema, então uma lesão eritemato-crostosa. Você ve muitas pápulas, tendendo a se agrupar. Mas ainda tem eritema. Didaticamente, quando há um eczema com eritema muito intenso se chama de eritema rubro. Ou ainda chama-se de eczema secretante ou vesiculoso quando sai muita secreção. E o liquenificado que é a fase crônica dos eczemas. Na autoeczematização acontece do processo que era na mão se espalhar para outras áreas. Isso acontece na dermatite de contato alérgica e na fototóxica. Mas na dermatite de contato por irritante primário não é comum de acontecer porque não tem mecanismo imunológico. Mas se acredita que a autoeczematização pode acontecer em outras áreas que não aquela área em que houve o contato do alérgeno que fez o processo de alergia. Clinicamente são a mesma coisa (pápulas eritematosas e edematosas que evoluem placas eczematosas ou eritemato-urticadas). Acreditam que esse processo está relacionado aos antígenos que são liberados pelo processo inflamatório, então esses autoantígenos (da própria pessoa) e vão para outros locais através da corrente sanguínea e fazem lesão em outras áreas. Esse aqui é bem clássico, em que você tem uma placa com eritema, com crostas, tem até áreas já liquenificadas (sulco bem mais visível). Ou seja, é um eczema tendendo a ser mais subagudo a crônico. Esse do punho, típico de relógio, pulseira – a lesão fica localizada onde tem o contato. As outras hipóteses para autoeczematização são antígenos originados de exsudatos, participação de medicamentos (até os medicamentos tópicos utilizados, podem levar a antígenos que acabam liberando citocinas inflamatórias e fazem lesões em outras áreas), infecções. DERMATITE DE CONTATO Também é chamada de Hipersensibilidade de contato. É uma reação inflamatória, devido a componente de exposição que causa processo de irritação e inflamação na pele. Hoje, se acredita que existam fatores genéticos, de suscetibilidade individual que facilitam isso. Antigamente não se falava em genética na dermatite de contato. Clinicamente já falou como é. A dermatite de contato pode aparecer na primeira vez que houve o contato, ou aparecer depois de vários outros contatos. Se no primeiro contato já ocorrer lesão, vai ter a Dermatite de Contato por Irritante Primário (alguns livros chamam de dermatite de contato irritativa). Quanto mais tempo de uma exposição (mais de uma exposição) - Dermatite de Contato Alérgica Mas as vezes na prática nem dá para fazer essa diferença. Mesmo depois de retirar o contato, pode ter a dermatite. A dermatite de contato por irritante primário também ocorre por exposições, ou seja, mais de uma exposição, não precisa ser só em uma. A diferença é o mecanismo fisiopatológico porque na dermatite de contato alérgica há mecanismo imunológico envolvido. Na por irritante primário não tem mecanismo imunológico envolvido. Apesar de que a pessoa fazer a hipersensibilidade depois de vários outros contatos e aí pode ser um contato único ou pode ser repetidos contatos. Por exemplo, quem lava louça o tempo inteiro com sabão. Essa repetição, ao longo dos anos, pode levar uma hora a quebra do equilíbrio e a pessoa fazer um processo “alérgico” (por irritante primário ou alérgico). A dermatite de contato alérgica sempre vai ser induzida pelo contato na pele. As substâncias (o hapteno) vão levar a uma hipersensibilidade do tipo tardio, mediada por células T hapteno específicas. Vão requerer a ativação da imunidade adquirida, antígeno-específica. Na dermatite de contato por irritante primário, os efeitos são tóxicos e pró-inflamatórios de xenobióticos capazes de ativar a imunidade inata, que é a primeira defesa. A adquirida precisa de um tempo maior para acontecer. Os xenobióticos é tudo que a gente usa que podem dar doenças porque alteram o sistema, principalmente endócrino. Falamos que alguns alimentos podem levar a câncer, etc, porque esses xenobióticos são compostos químicos estranhos ao nosso organismo. Alguns exemplos são os inseticidas, pesticidas, produtos de limpeza, medicamentos que podem vir da indústria ou até mesmo da natureza, ou seja, os fungos, vegetais podem ser xenobióticos para nós. Como são estranhos ao nosso organismo, podem desenvolver alterações endócrinas (mas não só endócrinas). Essa síndrome eczematosa que é uma das mais frequentes na dermatologia, pode ser causada por agentes exógenos que são os externos (contactantes) ou endógenos (endoctantes), ou seja, os agentes podem vir tanto de dentro para fora como de fora para dentro. CLASSIFICAÇÃO DOS ECZEMAS 1. Eczema ou Dermatite eczematosa de Contato 2. Eczema ou Dermatite Eczematosa Atópica 3. Eczema ou Dermatite de Estase 4. Eczema Disidrótico ou Disidrose 5. Eczema ou Dermatite Eczematosa decorrente de uma farmacodermia: alergia a medicamentos, qualquer um (seja oral, injetável, inalado) que faz um processo eczematoso em cima das lesões normalmente aguda de farmacodermia. 6. Líquen Simples crônico ou Neurodermite circunscrita: mesma coisa 7. Dermatite Eczematoide Infecciosa ou Eczema Microbiano: a pessoa faz um processo eczematoso causado por uma bactéria O eczema ou dermatite de contato é causado por substâncias que estão no meio ambiente e vamos entrar em contato por meio de alguma forma (origem exógena). A localização da lesão no corpo é naquele local que entra em contato com a substância. Quem usa muito com sabão, detergente, materiais de limpeza normalmente vai ter na mão, no pé, nos locais de maior contato. Quem tem alergia à esmalte, vai ter próximo da unha. Uma característica de dermatite de contato por esmalteé ter dermatite perto do olho ou na face, próximo da boca, porque coloca a mão próximo. Os agentes responsáveis podem estar relacionado com trabalho, quando chamamos de dermatose ou dermatite ocupacional, que é muito frequente. É um problema de saúde pública, gerando problemas pra empresa e pro funcionário, muitos atestados, assim como gera também um maior número de demissões. DERMATITE DE CONTATO POR IRRITANTE PRIMÁRIO A dermatite de contato por irritante primário é causada pela exposição de agentes que vão provocar um dano tecidual localizado, não passa para outro local, é só onde teve o contato. Os agentes mais comuns são sabão, detergente, xampus... temos que ter ideia do que é para saber o que perguntar ao paciente. Tipo de trabalho, tipo de hobbie, se é costureiro, mecânico, pedreiro que tem muita dermatite de contato por causa do cimento (mas não só dele). De acordo com o tipo de irritante, a dermatite de contato por irritante primário se divide em: 1. Dermatite de contato por irritante primário absoluto - 80%. Faz um processo de inflamação na pele quase que imediato (pode levar 2h ou menos, ou até 24h), mas causa relativamente rápido. No primeiro contato. Clinicamente é uma lesão de queimadura – dói mais do que coça. 2. Dermatite de contato por irritante primário relativo FATORES QUE INFLUENCIAM A DERMATITE DE CONTATO: Natureza da substância – dependendo do tipo da substância, quanto maior ou menor o pH vai influenciar no processo Idade: quanto mais jovem ou mais idoso a pele é mais vulnerável a agressões. A pele do bebê é muito mais fina. A dermatite de contato neles (bb e idoso) tende a ser mais grave. Ambiente: com altas temperaturas e umidade baixa favorece piora ou desencadeamento da dermatite A dermatite de contato por irritante primário relativo é a mais comum e temos que saber um pouco mais. Ela pode surgir dias, semanas ou até anos depois do contato. Ela é parecida com a alérgica porque precisa de vários outros contatos com a substância, mas o mecanismo não é imunológico. Os contatos múltiplos e frequentes vão ultrapassar o limiar de tolerância da pele, desregula e faz um eczema. 80% das dermatites das mãos são ocasionadas por dermatite de contato por irritante primário relativo e 20% acomete a face. Na face é exatamente o inverso da mão: 80% é dermatite de contato alérgica e 20% de dermatite de contato por irritante primário relativo Nos eczemas por irritante primário o teste de contato é inútil porque não tem atividade imunológica envolvida. Na dermatite de contato alérgica é que se faz teste de contato. Se tem uma lesão de eczema na mão, vou pensar primeiro em dermatite de contato por irritante primário – não penso que é alérgica, embora 20% possa ser alérgica. Como investigamos isso? Exclui o agente suspeito, com melhora. E vai haver piora se usar de novo. Mas nem sempre conseguimos identificar o agente. Independente do tipo, a gente trata, porque é igual. Na dermatite de contato por irritante primário, quanto a patogenia, estão envolvidos a remoção de lípides da superfície cutânea, então uma pele mais ressecada, atópica tem mais facilidade de fazer dermatite de contato por irritante porque a pele é mais seca. Há também alteração na retenção da água, ressecamento; dano aos queratinócitos, efeito citotóxico, liberação de citocinas, apesar de não haver participação imunológica. Mas daqui a um tempo, a ciência pode até dizer que tem; até pela liberação das citocinas, que claro, podem aparecer em inflamações simples, mas normalmente são muito ligadas aos fenômenos imunológicos. Além disso, as características dos agentes, como concentração, pH, a duração da exposição atuando sobre a pele tudo isso interfere na resposta, na manifestação clínica da dermatite. Hoje, se admite que fatores genéticos também estão relacionados a suscetibilidade individual para fazer dermatite. As raças caucasianas tem mais; nas mulheres a mão é o local mais frequente – se acredita que tem algum fator genético envolvido nesses padrões. Outro fator é a pele ressecada (xerose) que no final vai levar a perda de água e vai facilitar – por isso que o atópico tem facilidade de fazer lesões atópicas, porque ele tem ressecamento importante. Um tipo de dermatite de contato por irritante primário traumática é a dermatite de fraldas, muito comum em bebês. Eles ficam bem vermelhos, cheio de vesículas, com placas, dos dois lados da fralda, porque além da oclusão que a fralda causa, tem o atrito da fralda sobre a pele que fica regularmente atritando com a pele. Tem ainda o xixi e cocô que sensibilizam a pele. A dermatite de contato por irritante primário obstrutiva que dá tipo acne. Muitas substâncias oleosas utilizadas na face, nas costas, nas mãos, podem fazer esse tipo de dermatite, ocluindo o folículo, fazendo uma lesão tipo acne (que também é uma lesão de folículo). Essa dermatite de contato sensorial ou subjetiva é quando a pessoa tem muita facilidade, tem pele sensível que arde, queima rápido. Tem substâncias que fazem isso com mais facilidade (se a pele é seborreica, se tem rosácea facilita). As substâncias que usamos para acne podem causar alterações numa pele sensível. A pessoa faz processo eczematoso porque a pele dela não consegue aguentar determinadas substâncias. DERMATITE DE CONTATO ALÉRGICA A dermatite de contato alérgica é mediada por mecanismos imunológicos, podendo ser causada por substâncias inorgânicas, orgânicas, vegetais ou sintéticas – qualquer coisa. A pessoa se sensibiliza com material X – ela tem uma suscetibilidade/vulnerabilidade para determinado material. E a reação é imunológica, tipo 4. Fatores predisponentes: fatores genéticos de caráter não mendeliano e questiona-se se é uma atopia. Não se sabe com clareza se é. Qual mecanismo imunológico da dermatite de contato alérgica? Tipo IV. Aqui tem a diferença da dermatite de contato alérgica da dermatite de contato por irritante primário. Vão ver a frequência, aqui é 20 e aqui 80. As causas mais comuns... a concentração do agente na dermatite de contato alérgica é menor; na dermatite de contato por irritante primário é maior. O mecanismo imunológico tipo IV na dermatite de contato alérgica e a sensibilização é necessária e na outra é desnecessária. DERMATITE DE CONTATO FOTOTÓXICA Aqui precisa de um agente, que pode ser um remédio (em contato direto com a pele, tópico ou sistêmico) e teve contato com o sol (raios UV). É a fotodermatite, fotodermatose causada pelo limão, as manchas de limão. Nesse caso, a pessoa espreme o limão e fica cheia de pontinhos – primeiro bem eritematoso e depois, com o passar dos dias, fica arroxeado até ficar marrom. Não é imediato, passa uns 3-4 dias. Questionamos se a pessoa teve contato com limão, laranja, abacaxi, perfume e a pessoa normalmente nem lembra. E não precisa nem ser muito sol, só numa área aberta, mesmo que coberta já pode fazer o que chamam de fitofotodermatose ou fitofotodermatite. Se lavar as mãos antes de pegar sol adianta? Sim, porque não pode se expor ao sol depois de pegar essas substâncias. Também tem fase aguda, subaguda e crônica. Nesse caso parece uma queimadura às vezes, faz uma queimadura, faz uma bolha, fica mais vermelha e depois muda de cor (mais escura). DERMATITE DE CONTATO FOTOALÉRGICA Na fotoalérgica, o mecanismo é parecido com a dermatite de contato alérgica – é o mesmo mecanismo imunológico e a reação é desencadeada pelo agente irritante, que também é o hapteno, pela radiação UVA. Também precisa do sol para acontecer – ou seja, pode tomar um remédio, pode passar. A diferença, clinicamente, é que na anterior tem a história mais condizente (expremeu um limão...). Na dermatite de contato fotoalérgica, nem sempre tem essa história. Primeiro que não é por limão ou substâncias desse tipo. Conta de um paciente que fez reação em ambos os lados da face, muito eritematosacom pápulas hiperemiadas e tinha relação com piora com o sol. Por isso, a história tem que ser muito bem feita. Fazer diagnóstico de dermatite fotoalérgica não é fácil, tem que ter experiência de ver. E uma história bem feita facilita muito porque é muito parecido. Não pode dizer nenhuma característica específica de dermatite fotoalérgica porque não tem. Tem uma história que chega nisso. Clinicamente, é tudo que tem um eczema e depende da fase (aguda, subaguda, crônica). Pensar em uma alergia relacionada ao sol, se ele tem exposição maior ao sol, se houve piora das lesões quando se expõe. A dermatite de contato de estase vocês já devem ter visto aquelas pessoas com lesões nos MMII que tem concomitantemente alteração venosa (varizes). Normalmente, tratamos como dermatite de contato, mas trata junto a estase venosa, senão não resolve. ECZEMA DESIDRÓTICO O eczema desidrótico ou desidrose são aquelas lesões vesiculosas que se agrupam em mãos e pés. tem relação direta com a hiperidrose, aumento do suor; o suor fecha tudo e a oclusão faz as lesões. Mas pode estar relacionada, além de uma dermatite de contato que a pessoa pega uma substância, mas pode estar relacionada a hiperidrose ou ainda a fatores emocionais. A desidrose é sempre crônica como as dermatites de contato, ela vai e volta e melhora com tratamento... Uma coisa que pode ser causa de desidrose nas mãos é micose no pé. Uma onicomicose ou uma micose entre os dedos pode ocasionar desidrose na mão. Nas dermatites de contato alérgica e fototóxica, as lesões podem ir para outro local, por autossensibilização. DIAGNÓSTICO O mais importante aqui é a história clínica. A pessoa vai dizer o que ela é, o que ela faz, o que ela usa mais. Ou ela já sabe ou você acaba descobrindo o que está relacionado. Podemos fazer biopsia se tiver dúvida ou se a pessoa tem aquilo há muitos anos sem diagnóstico. Com a história você vai definir se a lesão é aguda, crônica, quantas vezes ela já teve, se já teve antes, qual sua atividade, hobbies. Manifestações clínicas das dermatites de contato: Os testes de contato só servem para dermatite de contato alérgica. Nos casos ocupacionais é importante porque tem o respaldo para dizer para o empregador que a pessoa tem alergia ao componente de trabalho. O dermatologista pode fazer o teste de contato. Exemplos de alérgenos mais comuns TEM QUE SABER PELO MENOS 2 OU 3 Cosmético: esmalte de unha (que faz muito no rosto), cremes diversos, perfume, água de colônia, batons, antisudorais, desodorantes, depilatórios, sombra, tinta cabelo, laquê, bronzeadores. Produtos ocupacionais: sabões, detergentes, óleos lubrificantes, benzina, gasolina, xampu, removedor esmalte, perfumes, batom, reveladores, fixadores, filme, plantas, madeira (amoreira), inseticida, borracha, couro, cola, plástico, acrílico TRATAMENTO Evitar contato com o que causa. Nos quadros agudos, pode fazer compressão de água boricada, de solução de Burow. Os medicamentos que atuam na inflamação: corticoide, imunomoduladores. Corticoides Como a dermatite de contato é mais frequente em adultos que em crianças, usa corticoide de alta ou média potente (primeiro tópico). Quando é muito intenso, muito agudo, lesão importante, tem que ser sistêmico, associado ao tópico. Comenta sobre o uso de corticoide inadequado feito por médicos clínicos, pediatras. Os corticoides têm efeitos colaterais na pele como atrofia, telangiectasias. Imunomoduladores Pimecrolimo e Tacrolimo, derivados do fungo Streptomyces hygnoscopicus e são inibidores da calcineurina. Ciclosporina e Metotrexato São usados nos casos que não respondem ao tratamento normal. Fototerapia: também quando não responde ao tratamento. Ação anti-inflamatória. DERMATITE ATÓPICA Vocês vão ver na frente de vocês crianças com dermatite atópica em qualquer área que escolherem, porque essa é a idade mais frequente. A dermatite atópica tem a fase infantil, pré-puberal e a do adulto, mas a mais frequente é a da criança, que vai de 2 a 12 anos. Conforme a idade passa, pode ir melhorando (mas nem sempre). Também chamada de eczema constitucional ou neurodermite disseminada, é uma doença indlamatória, crônica, recidivante, de etiologia multifatorial. A manifestação eczematosa é muito frequente junto com asma e rinite. Urticária aparece em 15-20% dos casos. 50% dos indivíduos de dermatite atópica tem asma 75% tem rinite alérgica Vocês veem isso na prática. A grande maioria também tem rinite e quando não tem, a mãe, pai ou avô tem rinite ou asma. São termos que vão designar manifestações inflamatórias cutâneas associada a atopia. Hoje, existe uma visão do que é atopia. Na verdade, a atopia não é sinônimo de alergia. Atopia é uma facilidade, pré- disposição de ser alérgico, de fazer alergia, que não é só de pele – asma, rinite, alimentar. A pessoa tem características imunológicas, bioquímicas, que facilitam a pré-disposição. DEFINIÇÃO 1: Atopia então é a pré-disposição hereditária do sistema imune a privilegiar reações de sensibilidade mediadas pela IgE em resposta a antígenos comuns, da alimentação, meio ambiente, domiciliar, que vão situar a dermatite atópica dentro das manifestações de rinite e asma. Faz uma tríade rinite-asma-dermatite atópica. DEFINIÇÃO 2: Atipia é uma doença inflamatória cutânea crônica de caráter genético, caracterizada pela presença de episódios recorrentes de eczema, associada a prurido intenso, apresentando como substrato alterações imunológicas cutâneas que produzem inflamação, podendo estar eventualmente associada a doença respiratória, como asma e rinite. Ela acha que é frequentemente associado a essas manifestações. Quem falou que a atopia era uma pré-disposição hereditária foi Coca em 1923. A primeira definição apresenta dermatite como uma das manifestações clínicas da síndrome atópica. E a segunda é uma doença cutânea que eventualmente se associa a doença respiratória. Ela é resultado dessa herança multifatorial, associada a essas alterações ambientais – tem tudo a ver com o ambiente. Quando você melhora o ambiente, educa os familiares do paciente com dermatite atópica, ele já melhora 30%. Quando eles não são bem orientados, a criança tem surtos de dermatite atópica cada vez piores. Pode parecer pouco, mas não é. Ela leva a problemas sérios na escola, ela não dorme direito porque a coceira é insuportável e as lesões na pele, dependendo do grau da dermatite, é muito ruim. As principais disfunções da dermatite atópica são alterações da barreira cutânea, o que leva a facilidade de infecções. Esse paciente tem uma facilidade de 50-70% de fazer infecção secundária na pele, principalmente pelo Staphylococcus aureus. Os dois distúrbios principais são disfunção da barreira epidérmica e disfunção imunológica (PARA PROVA e para vida). Os mecanismos envolvidos nessa barreira são: barreira mecânica, os corneócitos, o manto lipídico, o manto ácido e a flora residente – tudo isso são proteções da pele às agressões do meio ambiente. A flora que temos na pele nos protege porque “brigam” com os patógenos que querem nos agredir. Tudo isso junto é o sistema que mantém o equilíbrio para não ficar doente. Isso tudo junto faz nossa pele ser hidratada. Quebrou algum mecanismo desse, muda completamente a barreira – facilita a entrada de patógenos, facilita que a pele seja ressecada. O manto lipídico é importantíssimo na hidratação. No idoso o manto lipídico é menor, a flora bacteriana não é mais tão efetiva. E na criança é porque está em formação. A disfunção da barreira pode ser adquirida, por exemplo, por irritantes que usamos. É o caso de uma pessoa que toma muito banho quente, diminui a barreira, usa muito sabão e bucha. Ela está tirando toda a proteção natural da pele. Primeiro que não tem que usar bucha. Se você tomar banho com um monte de coisa junto, quebra a barreira. A piscina pelo cloro, pode quebrar a barreirae facilita o processo inflamatório. 70% dos pcts com dermatite atópica referem antecedentes de asma, rinite, eczema ou urticária. Ela diz que o que vê mais é rinite. A primeira manifestação de atopia na criança é a dermatite atópica. Depois aparece asma ou rinite ou ainda os três. Epidemiologicamente, a prevalência no Mundo é de 0,6 até 20,5%. Fatores de risco para dermatite atópica Pessoas que tem alergia ao ovo, látex, pelos de animais, contato com material áspero – isso tudo facilita em quem tem pré-disposição. Ou seja, facilitam o aparecimento de lesões de dermatite atópica no pré-disposto. Ainda há muita controvérsia em relação aos alimentos, mas ela considera que eles pioram as lesões sim, ou até mesmo desencadeia lesões sim, principalmente derivados do leite. Os corantes não fazem tanta dermatite atópica, podem fazer alergia alimentar. Na fase infantil, de 3 meses a 2 anos de idade, clinicamente, tem prurido intenso, eritema, vesícula. As lesões são eczematosas, tem crosta, pode fazer crosta melicérica (teve pus e faz uma crosta amarelada por cima). Fase pré-puberal, vai de 2 aos 12 anos. São aquelas lesões que vemos na prática, nas flexuras, joelho, pescoço. E a fase adulta, a partir dos 12 anos. Muitas mulheres tem lesões perimamilares, próximas ao mamilo. Pode ter também lesões nas áreas dorsais, não só flexurais. Vejam que são lesões eczematosas, são eczemas, o que isso quer dizer? Tem pápulas, placas, tem exsulceração, tem eritema. Na fase crônica tem liquenificação. Mas tem manifestações de dermatite atópica que não são eczemas. DIAGNÓSTICO Critérios maiores e menores para dermatite atópica. O primeiro é o prurido, é a manifestação mais frequente e mais dolorosa. A distribuição morfológica típica: Na criança: face, fronte, região malar Adulto: carac liquenificação nas áreas flexurais, dobras antecubitais, poplítea e pescoço Sintomas crônicos ou recorrentes História familiar ou pessoal de rinite, asma ou dermatite Para o diagnóstico tem que ter prurido e mais 2. Outros critérios: positividade dos testes, dermografismo branco, xerose/ictiose, linhas palmares (ficam muito visíveis na criança que tem dermatite atópica), a ptiríase alba (que são manchas brancas, mas não são eczema, é uma manifestação menor de dermatite atópica), queratose pilar (que são lesões tipo acne que ficam no braço, pápulas foliculares) e prega de Dennie-Morgan (prega branca embaixo do olho). A complicação mais frequente é a infecção bacteriana, causada pelo Staphylococcus aureus, o que é muito comum; até 40% das crianças fazem pelo menos uma vez. Outra coisa que também é comum é infecção viral, principalmente molusco contagioso (o atópico faz muito e até mesmo na lesão de ptiríase alba). E as fúngicas que são menos frequentes. A forma mínima de dermatite atópica é a ptiríase alba/eczemátide. Pode se associar com condições genéticas, como ictiose vulgar autôssomica dominante, surdez familiar, Síndrome de Wiskott-Aldrich ( alt crom X, infecção recorrente, trombocitopenia e lesões eczematosas), Genes por defeito na barreira cutânea- gene codifica a filagrina. Fatores não imunológicos da dermatite atópica são alterações psicofisiológicas. A indústria farmacêutica que faz o Pimecrolimo patrocina um ambiente lúdico para que a criança e a família da criança sejam orientados pelos profissionais médicos, assistentes sociais e psicólogos em relação a operação psicofisiológica que acontece nas crianças com dermatite atópica. Se você pesquisar bem, normalmente, tem problemas familiares importantes para desenvolver dermatite atópica. Muitas vezes ela tem que ir no psicólogo para melhorar, não é só o tratamento medicamentoso que resolve. Fatores imunológicos: imunidade humoral, cujos argumentos favoráveis a explicação alérgica da dermatite atópica são a asma e a rinite que são basicamente doenças com fatores imunológicos comprovados na sua gênese. As reações imediatas positivas a alimentos e inalantes, o aumento dos níveis de IgE. Para a imunidade celular, tem um infiltrado cutâneo que é constituído por células T helper (CD4). O diagnóstico diferencial em criança é basicamente dermatite seborreica. Mas tem outras também. No adulto pode ser dermatite seborreica, de contato, liquen simples crônico, eczema numular, escabiose eczematizada, eczema secundário a picada de inseto, psoríase, dermatofitose, liquen plano. TRATAMENTO O objetivo primordial do tratamento é controle da doença. Não há cura, mas tem como controlar. Educação e Autocuidados/Hidratação pele/Controle desencadeantes/medicamento tópico e oral Orientações exposição frio, calor, alimentos, psicológico, vestiário Todos que cuidam dessa criança tem que saber tudo em relação a dermatite atópica porque, por exemplo, se ele for para casa do pai que é separado da mãe e tomar muito banho de piscina, as lesões vão piorar. O banho dessa criança tem que ser muito rápido, não pode ser nem muito quente, mas nem muito frio, morno, tem que tomar poucos banhos (1 a 2 por dia), usar sabonete suave, principalmente líquidos, mais em áreas de dobras, não usar muito sabonete porque interfere (se interfere na barreira normal, muito mais na que está com a barreira comprometida; é como se tivesse um monte de buraco na barreira cutânea). Lembrar que uma pele que está com a barreira comprometida, cheia de buracos, tudo que passar, vai entrar, até mesmo medicamentos, então se usar muito corticoides, de forma inadequada, vai ter absorção sistêmica na pele. Melhor usar roupas de algodão. Tem que cortar bem a unha da criança, porque ela se traumatiza demais por causa da coceira. O ambiente tem que ser sem cortinas, sem tapete, bichos de pelúcia, lavar o ar condicionado muitas vezes. Normalmente, se tira mais o ovo e o leite e derivados que são os que mais tem relação com a dermatite atópica. Hoje, os testes imunoenzimáticos não tem utilidade prática. Todos esses testes foram pesquisados na Sociedade brasileira de alergia e imunologia – pede para estudar isso. O tratamento básico são duas coisas, corticoide e hidratação, sendo que o mais importante é a hidratação. A pele do atópico precisa de hidratação. Quando fala que há uma disfunção da barreira cutânea, epidérmica, diz que todos aqueles sistemas estão comprometidos. Como vou restaurar o sistema? Hidratando a pele, porque permite que o sistema se recupere e haja restauração da pele. Então o mais importante é hidratação. Corticoides O corticoide também é importante e nas crianças sempre de baixa potência, nunca de alta potência, o de média às vezes e por tempo curto, com observação do médico. Tem que saber o tempo que vai usar, a idade da criança, como a pele está pra receber o corticoide (se muito danificada, ele vai ter maior ação, mesmo que seja de baixa potência), saber como retirar o corticoide – até o tópico, como usa cronicamente, também vai tirando aos poucos. Imunomoduladores Também se usa imunomoduladores, tacrolimo ou pimecrolimo. O pimecrolimo, farmacologicamente, é um creme 1% (Elidel®), usado em bebês (os outros não), de 3 a 23 meses e de 2 a 11 anos, adolescentes. Sempre usar o hidratante depois de usar pimecrolimo. Se der banho, não é para passar o pimecrolimo primeiro – você hidrata e depois passa. É usado por até 6 semanas, 2x ao dia. O tacrolimo (Protopic®) é usado a partir dos 2 anos de idade (não pode se menor), 2x ao dia. Tem interação medicamentosa com eritromicina, itraconazol, cetoconazol, fluconazol. Se ela estiver com a pele toda vermelha, infeccionada, você não vai passar os imunomoduladores, até porque no início irritam um pouco a pele, dão um certo ardor ou sensação de queimação, que passa com o tempo. Alcatrões Também pode usarAlcatrões, como coaltar que manda manipular. Antibiótico tópicos, em caso de infecção, como a Mupirocina, ácido fusídico, gentamicina, antissépticos, compressas. Tratamento sistêmico com corticoides, apenas em casos extremos, é raro. Não se deve usar corticoide oral em dermatite atópica. Quando tem infecção, ocorre aumento do eritema, da secreção, aparecimento de pústula. Os anti-histamínicos é para controle do prurido. Tem os sedativos e não sedativos, todos podem ser usados. Se tiver asma costuma usar o Cetotifeno, para controle. Psicoterapia muito importante E às vezes se faz imunossupressão. Suplementação dietética com pré ou probióticos ainda tem discussão se tem ou não benefícios. Ela evita de recomendar pelo preço. O hidratante também é muito caro. EXTRA SOBRE CORTICOIDES O dermatologista usa mesmo muito corticoide, mas eles são extremamente importantes não só na dermato, mas como na medicina com um todo – vocês viram a importância dele no COVID. Se bem utilizado, ele salva vidas, controla doenças. Tem efeitos colaterais, mas até vitamina tem efeitos colaterais. Saber manipular corticoide é uma arte. Fazer corticoide de forma correta sem efeitos colaterais é o que queremos. São conhecidos como glicocorticoides, corticoesteroides, anti-inflamatórios esteroidais. São extremamente potentes, mas não agem somente no que queremos, agem no organismo como um todo, até mesmo o tópico pode ser absorvido sistemicamente. Orientação quanto a posologia e a retirada do corticoide. Eles são divididos em... mas principalmente o cortisol que é o corticoide mais importante do corpo. As vias farmacológicas podem ser xarope, comprimido, spray, oral, injetável, colírio – em todas as vias. Os corticoide tópicos são em gel, creme, pomadas... O que é uma pomada? O que a pomada tem mais que o creme? Mais água na pomada e menos óleo no creme. No creme tem 50% de óleo e 50% de água – é mais fácil de ser aplicado. A pomada é mais difícil de aplicar – ela gruda mais. A pomada tem dura mais tempo na eficácia. O creme atua mais rápido e deixa de atuar mais rápido também. O gel é uma mistura de água e substancias gelatinosas. É muito fácil de ser absorvido. Tem a refrescância na pele. Como o creme, também tem duração menor. As loções são emulsões que tem percentual elevado de água, por isso são mais líquidas e são indicadas em áreas corporais maiores. São não gordurosas, pela elevada quantidade de água. E o unguento (?) que é uma consistência mais pastosa, lembra uma pomada. Ele tem uma resina, é gordura. Mas não se usa muito. Contraindicações de corticoides Não tem absoluta, mas paciente diabético, hipertenso, na menopausa, osteoporose tem que utilizar com critério, porque ele vai influenciar nessas comorbidades. Crianças, idosos e mulheres na menopausa tem que ser monitoradas durante o uso de corticoides O corticoide interfere nas pílulas anticoncepcionais. Reações adversas Retenção de líquido Aumento da glicemia Podem provocar overdose (como todo remédio), por isso ver dose, posologia, como está utilizando, como tira, tempo de uso, dose exata em relação ao quilo de peso O uso inadequado pode até levar a supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal Sistemicamente, normalmente se usa Prednisona 0,5mg/kg que é uma dose anti-inflamatória ou de 1 a 2mg/kg que é uma dose imunossupressora. Tem a tabela de equivalência. Os efeitos colaterais – que vocês têm que estudar – existem em cada sistema. Na cutânea, atrofia, telangiectasia, purpura, hirsutismo, retardo na cicatrização de feridas. Se você usar corticoide tópico em criança, você vai ver que a ferida da criança vai demorar mais tempo para sarar, porque você está afinando aquela pele, modificando a barreira. A dose preferencial é pela manhã, as vezes precisa fazer de 6h/6h ou 8h/8h. é importante diminuir a ingesta de sal e alimentos gordurosos, avaliar a curva de crescimento das crianças. Quando usar corticoide por muito tempo, em doenças crônicas que você não tem opção, sempre ver isso aqui... pênfigo as vezes faz até 90mg/dia e preventivamente já trata estrongiloides, porque passar essa quantidade de corticoide em alguém que tem estrongiloides ou diabetes é um problema sério. Aferir pressão arterial, intraocular, pesquisar se tem tuberculose. Tem ação rápida, são bem tolerados, pouco sensibilizantes. As pomadas, cremes, medicações tópicas também levam a dermatite de contato, tanto a substância química como outras substâncias que têm dentro. Quanto a potência, são classificados em corticoides fluorados e não fluorados. Os fluorados têm potência maior e não-fluorados tem potência menor. TÓPICOS Propionato de Clobetazona: é super potente Grupo 2: potentes Potência média: mometasona, desonida. E formas clínicas no grupo 5, 6 e 7 Saber um de cada (potente, superpotente, leve, moderado) porque você vai usar isso em criança o tempo todo (que tem que ser de baixa potência, então os não-fluorados). Como já comentou, até pode usar os de alta potência em criança, mas sempre muito bem orientado, não pode usar por tempo indeterminado e a mãe usar porque quer. Duração dos corticoides – isso é mais relacionado aos sistêmicos, mas os tópicos também... Não tenho slides dessa parte, então ficou um pouco bagunçado, sorry