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DIREITO PROCESSUAL PENAL
TEORIA GERAL DAS PROVAS
	
Por Nathália Trindade
Sumário
PROVAS	3
1. NOMENCLATURAS INICIAIS, NATUREZA JURÍDICA E OBJETO	3
2. TERMINOLOGIA DA PROVA	6
2.1 Prova emprestada	6
2.2 Prova Nominada e Inominada	6
2.3 Prova Típica e Atípica	7
3. PRINCÍPIOS RELATIVOS ÀS PROVAS	9
3.1 Princípio da presunção de inocência	9
3.2 Princípio do nemo tenetur se detegere	10
3.2.1 Desdobramentos do Nemo Tenetur:	11
3.3 Princípio da inadmissibilidade das provas obtidas por meios ilícitos (Art. 5°, LVI, CF)	12
3.3.1 Teoria da prova ilícita por derivação	14
4. ÔNUS DA PROVA	22
* Ônus perfeito (absoluto): a inação causa inevitavelmente o prejuízo.	22
5. SISTEMAS DE AVALIAÇÃO DA PROVA	23
5.1 Sistema da intima convicção do magistrado (da certeza moral do juiz)	23
5.2 Sistema da prova tarifada (da certeza moral do legislador)	23
5.3 Sistema do livre convencimento motivado (da persuasão racional do juiz)	24
6. DISPOSITIVOS PARA CICLOS DE LEGISLAÇÃO	24
7. BIBLIOGRAFIA UTILIZADA	24
ATUALIZADO EM 23/11/2023[footnoteRef:1] [1: ] 
PROVAS
1. NOMENCLATURAS INICIAIS, NATUREZA JURÍDICA E OBJETO
	Segundo Guilherme Nucci, a palavra prova, na análise conceitual, admite três acepções, quais sejam:
a) Ato de provar: envolve o próprio procedimento probatório, onde se verifica a exatidão e a verdade do fato que se pretende provar;
b) Meio probatório: instrumento utilizado para demonstração do que foi alegado; testemunha, perícia, etc. 
c) Resultado da ação de provar: a prova representa a própria finalidade almejada, qual seja, o convencimento do julgador; é o resultado da atividade probatória. Resultado do contraditório e da ampla defesa.
	A prova, segundo Denilson Feitosa, é um verdadeiro direito subjetivo, umbilicalmente ligado ao direito de ação (atividade acusatória) ou ao exercício da defesa. Não significa apenas o direito de propor ou ver produzidos meios de prova, mas, efetivamente, na possibilidade de influir no convencimento do juiz. Esse direito não é absoluto, devendo obedecer aos limites da licitude da prova e do devido processo legal.
	Prova é aquilo que é levado ao processo judicial, passa pelo crivo do contraditório e da ampla defesa. 
Para Paulo Rangel devemos promover a seguinte distinção: 
a) Objeto da prova: está vinculado à ideia de relevância (o que é relevante provar). São os fatos que pautam a imputação acusatória. Fatos que interessam à solução do conflito. CASO CONCRETO – DA prova. Artigo A individualiza. 
b) Objeto de prova: está vinculado à ideia de pertinência (o que é necessário provar). Logo, a dispensa probatória é formada pelo direito federal, os fatos notórios (verdades sabidas), os fatos axiomáticos ou intuitivos, as presunções legais, os fatos inúteis. “Não precisa ser objeto de prova”. ABSTRATO – sempre é assim. 
#SELIGA: O direito estadual, municipal, estrangeiro, consuetudinário, portarias, decretos (salvo aqueles que complementarem norma penal em branco) são objeto de prova, não só quanto à existência, como também quanto à vigência. Frise-se que os Direitos estadual e municipal devem ser objeto de prova apenas quando se referir a localidade diversa daquela onde o juiz exerce a sua jurisdição.
	Os fatos notórios são aqueles dominados por parcela significativa da população medianamente informada (exemplo: feriados nacionais). Os fatos notórios são também chamados de verdades sabidas. 
Obs. No Processo penal os fatos incontroversos ou não contestados devem ser objeto de prova. Presunção de inocência. Ainda que seja réu confesso ou revel. Não se aplicam os efeitos materiais da revelia. Ao contrário do processo civil, no processo penal os fatos incontroversos devem ser provados, afinal os interesses em jogo são indisponíveis.
	Agora, #SELIGA em algumas nomenclaturas importantes:
· Fatos axiomáticos são aqueles fatos evidentes. 
· Prova plena: é aquela que imprime no julgador a certeza. Para condenação é sempre necessária a plenitude da prova.
· Prova não plena ou indiciária: é aquela limitada quanto à profundidade e não imprime no julgador um juízo de certeza. É suficiente para a decretação de medidas cautelares, para imprimir justa causa à inicial acusatória e para embasar eventual absolvição.
 
· Prova anômala: tem meio de obtenção de prova previsto em lei, mas deixa de lado esse meio para valer-se de outro meio de prova inominado. Pode até servir de prova, mas não pode ter o mesmo valor dado ao meio de prova previsto em lei, adequado ao caso. 
· Prova irritual: desobedece a forma como deveria ter sido produzida. É ilegítima, eivada de nulidade. 
· Prova irrelevante: apesar de versar sobre o fato em discussão, não tem o condão de influir no julgamento da causa.
· A prova impertinente: aquela que não visa provar qualquer fato em discussão no processo. 
· Prova protelatória: visa apenas procrastinar o feito. 
O Prof. RENATO BRASILEIRO DE LIMA traz os seguintes ensinamentos sobre as provas atípicas, irrituais e anômalas (Manual de processo penal: volume único. 4. ed. Salvador: JusPodivm, 2016. p. 786-ss):
[…] Prova anômala é aquela utilizada para fins diversos daqueles que lhe são próprios, com características de outra prova nominada. Em outras palavras, existe meio de prova legalmente previsto para a colheita da prova. Todavia, deixa-se de lado esse meio de prova nominado, valendo-se de outro meio de prova.
[…] Por sua vez, tem-se como prova irritual a prova típica colhida sem a observância do modelo previsto em lei. Como essa prova irritual é produzida sem obediência ao modelo legal previsto em lei, trata-se de prova ilegítima, passível de declaração de nulidade.
A prova irritual não se confunde com a prova anômala. Como aponta GUILHERME MADEIRA DEZEM, a prova anômala é produzida segundo o modelo legal. Seu problema consiste em que o modelo legal utilizado não é o adequado para o caso, não é o que o caso requer. Já a prova irritual não é produzida segundo o modelo legal. Em verdade, utiliza-se o meio adequado, mas sem a observância dos elementos típicos previstos em lei […]”.
#CONCLUSÃO: na prova anômala segue-se o procedimento previsto em lei, mas não o procedimento previsto para aquele meio de prova. Na irritual segue-se o procedimento previsto para o meio de prova, mas sem a observância do previsto em lei.
2. TERMINOLOGIA DA PROVA
2.1 Prova emprestada
	Consiste na utilização em um processo de prova que foi produzida em outro feito. A prova emprestada tem forma documental. Quanto ao seu valor probatório, a prova emprestada tem o mesmo valor da prova originalmente produzida no outro processo. 
#DEOLHONAJURIS
INFORMARTIVO 543 (STJ): a prova pode ser emprestada mesmo que a parte contra a qual será utilizada não tenha participado do processo originário onde foi produzida. É admissível, assegurado o contraditório, a prova emprestada vinda de processo do qual não participaram as partes do processo para o qual a prova será trasladada. A prova emprestada não pode se restringir a processos em que figurem partes idênticas, sob pena de se reduzir excessivamente sua aplicabilidade sem justificativa razoável para isso. Quando se diz que deve assegurar o contraditório, significa que a parte deve ter o direito de se insurgir contra a prova trazida e de impugná-la. Corte Especial. EREsp 617.428-SP, Rel. Min. Nancy, j. em 4/6/2014. 
OBS.: interceptação telefônica – somente é autorizada para fins de investigação criminal ou para fins de instrução processual penal. Porém, a título de prova emprestada, a interceptação pode ser utilizada em processo civil e administrativo (STF, Pet. 3683 QO-MG). 
*#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STF: 1. É constitucional o compartilhamento dos relatórios de inteligência financeira da UIF e da íntegra do procedimento fiscalizatório da Receita Federal do Brasil (RFB), que define o lançamento do tributo, com os órgãos de persecução penal para fins criminais, sem a obrigatoriedade de prévia autorização judicial, devendo ser resguardado o sigilo das informações em procedimentos formalmente instaurados e sujeitos a posteriormesmo que para refutá-las. 
(iii) somente serão consideradas válidas as provas constantes dos autos.
*(Atualizado em 17/12/2021) #DEOLHONAJURIS É possível a juntada de documentos novos, quando destinados a fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados ou para contrapô-los aos que foram produzidos nos autos.
Viola o princípio constitucional da ampla defesa o indeferimento de prova nova sem a demonstração de seu caráter manifestamente protelatório ou meramente tumultuário, especialmente quando esta teve como causa situação processual superveniente. É possível a aplicação ao processo penal, por analogia, do art. 435 do CPC. STJ. 6ª Turma. HC 545.097-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 28/09/2021 (Info 711).
6. DISPOSITIVOS PARA CICLOS DE LEGISLAÇÃO
	DIPLOMA
	DISPOSITIVOS
	Código de Processo Penal
	Art. 155 a 157
image1.jpeg
image2.jpegcontrole jurisdicional. 
2. O compartilhamento pela UIF e pela RFB, referente ao item anterior, deve ser feito unicamente por meio de comunicações formais, com garantia de sigilo, certificação do destinatário e estabelecimento de instrumentos efetivos de apuração e correção de eventuais desvios. STF. Plenário. RE 1055941/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 4/12/2019 (repercussão geral – Tema 990) (Info 962).
*(Atualizado em 14/03/2021): A quebra do sigilo de dados armazenados não obriga a autoridade judiciária a indicar previamente as pessoas que estão sendo investigadas, até porque o objetivo precípuo dessa medida é justamente de proporcionar a identificação do usuário do serviço ou do terminal utilizado. Logo, a ordem judicial para quebra do sigilo dos registros, delimitada por parâmetros de pesquisa em determinada região e por período de tempo, não se mostra medida desproporcional, porquanto, tendo como norte a apuração de gravíssimos crimes, não impõe risco desmedido à privacidade e à intimidade dos usuários possivelmente atingidos por tal diligência. STJ. 3ª Seção. RMS 61.302-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 26/08/2020 (Info 678).
2.2 Prova Nominada e Inominada
	É prova nominada aquela que está prevista em lei. Ex.: reprodução simulada dos fatos (art. 7, CPP). A inominada é aquela que não tem previsão legal, mas é admitida em virtude do princípio da busca da verdade real, desde que não seja ilícita nem imoral. 
2.3 Prova Típica e Atípica
	Típica é aquela que tem seu procedimento probatório previsto em lei, enquanto a atípica não tem. Uma prova pode ser nominada e típica ou nominada e atípica. Ex.: reconhecimento de pessoas é prova nominada e típica (art. 226, CPP). Ex.2: reprodução simulada dos fatos é prova nominada, mas atípica (art. 7º, CPP).
#DEOLHONAJURIS. O art. 226 do CPP estabelece formalidades para o reconhecimento de pessoas (reconhecimento pessoal). Vale ressaltar, no entanto, que as disposições contidas no art. 226 do CPP configuram uma recomendação legal, e não uma exigência absoluta. Assim, a inobservância das formalidades legais para o reconhecimento pessoal do acusado não enseja nulidade, por não se tratar de exigência, mas apenas recomendação, sendo válido o ato quando realizado de forma diversa da prevista em lei. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1444634/SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 01/06/2017. STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 1054280/PE, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 06/06/2017. 
#SELIGA: para alguns autores, a exemplo de Nucci, típica e atípica são sinônimos de prova nominada e inominada, respectivamente.
#MAISCLASSIFICAÇÃO
· Quanto ao objeto: 
1. Prova direta: é aquela que incide diretamente no fato probando (exemplo: uma testemunha que presenciou o crime, uma perícia realizada). Não exige necessidade de concatenação lógica.
2. Prova indireta: é aquela que se refere a outro fato e que, por raciocínio lógico, nos permitirá ratificar ou ilidir o fato principal. Testemunha que viu o acusado em outro lugar na hora do crime.
· Quanto ao sujeito ou a causa:
1. Prova real: é aquela que emerge do próprio fato, caracterizando a sua evidência ou materialidade (exemplo: uma fotografia, uma filmagem, uma pegada).
2. Prova pessoal: é aquela que depende do conhecimento e apreciação sensorial de alguém (exemplo: testemunha).
· Quanto à forma ou aparência:
1. Testemunhal: é aquela que depende da declaração de alguém, independente desta pessoa ser tecnicamente uma testemunha (exemplo: declaração do ofendido).
2. Documental: documento é o elemento que representa graficamente o pensamento de alguém (exemplo: carta, desenho, pintura).
3. Material: é o elemento que corporifica o próprio fato, como ocorre com a perícia no instrumento do crime.
#OLHAOGANCHO. Princípio da verdade real. 
1º CORRENTE: no processo penal é reconstruída a realidade dos fatos. Para Ada Pellegrini, o processo penal almeja reconstruir o que de fato ocorreu quando da prática do crime, e o juiz criminal não se conforma com meras especulações de verdade. Essa é a posição majoritária.
2ª CORRENTE: Princípio da verdade processual ou verdade humanamente possível: Luigi Ferrajoli defende que o princípio da verdade real é inalcançável, é uma farsa, pois se discute um fato passado, em uma audiência presente, idealizando uma sanção futura. Para ele, a verdade real é dogma que só acredita quem tem fé. Assim, o processo constrói a verdade dele, uma verdade processual, dentro da dialética entre as partes, em que se respeita a paridade das armas e é presidido por um juiz imparcial. Constrói-se apenas uma verdade aproximada, dentro das nossas expectativas. “A doutrina mais moderna entende que a verdade real é um dogma inalcançável e o processo constrói uma verdade pautada nas limitações dos protagonistas processuais, respeitando-se a paridade de armas, a imparcialidade do juiz e as garantias funcionais.” Contudo, o entendimento majoritário é pautado na verdade real.
TERCEITA CORRENTE: Para Aury Lopes Jr, a finalidade do processo é resolver a demanda e não se deve ter mais no discurso que o objetivo do manancial probatório é alcançar a verdade. Se no provimento final há verdade ou não, não interessa, pois o processo é uma ferramenta de contenção de conflitos. “O processo é uma ferramenta de resolução de demandas e as provas contribuem no convencimento do julgador quanto a esta solução, e a ‘verdade’ não deve ser trazida com o objetivo primário do processo e da produção probatória.”
3. PRINCÍPIOS RELATIVOS ÀS PROVAS
3.1 Princípio da presunção de inocência
 	É o direito de não ser declarado culpado senão mediante sentença condenatória transitada em julgado, após o devido processo legal, no qual o acusado tenha exercido o contraditório e a ampla defesa. 
→ REGRAS FUNDAMENTAIS: 
a) regra probatória: recai sobre a acusação o ônus de provar a culpabilidade do acusado, e não do réu provar sua inocência. Logo, em caso de dúvida razoável, o acusado deve ser absolvido (princípio do in dubio pro reo).
*#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STF: A Lei de Drogas prevê, em seu art. 33, § 4º, a figura do “traficante privilegiado”, também chamada de “traficância menor” ou “traficância eventual”: § 4º Nos delitos definidos no caput e no § 1º deste artigo, as penas poderão ser reduzidas de um sexto a dois terços, vedada a conversão em penas restritivas de direitos, desde que o agente seja primário, de bons antecedentes, não se dedique às atividades criminosas nem integre organização criminosa. A habitualidade no crime e o pertencimento a organizações criminosas deverão ser comprovados pela acusação, não sendo possível que o benefício seja afastado por simples presunção. Assim, se não houver prova nesse sentido, o condenado fará jus à redução da pena. A quantidade e a natureza são circunstâncias que, apesar de configurarem elementos determinantes na definição do quanto haverá de diminuição, não são elementos que, por si sós, possam indicar o envolvimento com o crime organizado ou a dedicação a atividades criminosas. Vale ressaltar, por fim, que é possível a aplicação deste benefício mesmo para condenados por tráfico transnacional de drogas. STF. 2ª Turma. HC 152001 AgR/MT, rel. orig. Min. Ricardo Lewandowski, red. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em 29/10/2019 (Info 958).
b) regra de tratamento: a regra é a permanência do acusado em liberdade. Eventual restrição à liberdade de locomoção pode ser determinada apenas em situações excepcionais, demonstrada à necessidade da medida à luz do art. 282, I, CPP. A medida deve ser fundamentada pelo juiz competente (princípio da individualização da prisão cautelar – STF).
#DEOLHONAJURIS
* Não cabe habeas corpus para o STF contra decisão monocrática do Ministro do STJ que negou o pedido da defesa formulado em ação cautelar (medida cautelar) proposta com o objetivo de conferir efeito suspensivo ao recurso especial. Incide, no caso, o óbice previsto na Súmula 691 do STF. STF. 1ª Turma. HC 138633/RJ, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,julgado em 8/8/2017 (Info 872).
#DEOLHONASÚMULA
Súmula 691-STF: Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus impetrado contra decisão do Relator que, em habeas corpus requerido a Tribunal Superior, indefere a liminar. 
#OLHAOGANCHO:
	Convenção Americana de Direitos Humanos – Decreto 678/98
	Constituição Federal
	Art. 8, §2°: “toda pessoa acusada de um delito tem direito a que se presuma sua inocência”. 
	Art. 5°, LVII: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença condenatória”. 
	O limite temporal da presunção da inocência perdura “enquanto não for legalmente comprovada a culpa”. Nos termos do art. 8, §2°, “h”, essa presunção seria até a prolação de acórdão condenatório por um tribunal, em virtude do exercício do duplo grau de jurisdição. 
	O limite temporal da presunção da não culpabilidade seria o trânsito em julgado da sentença condenatória.
Obs.: deve prevalecer sobre a Convenção Americana de Direitos Humanos (norma mais benéfica) – art. 29, “b”. 
	Preferível falar em presunção de inocência. 
	Preferível falar em presunção da não culpabilidade. 
3.2 Princípio do nemo tenetur se detegere
 	Ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo. Está previsto no Art. 8º, §2°, “g”, da CADH e art. 5°, LXIII, CF.
	Pela interpretação gramatical do art. 5º, LXIII, da CF, apenas o preso seria o titular do direito de não produzir prova contra si mesmo. Mas tal interpretação não é a mais adequada, devendo ser considerado titular desse direito qualquer pessoa que possa se autoincriminar.
#SELIGA: enquanto terceiro desinteressado, a testemunha tem a obrigação de dizer a verdade, sob pena de responder pelo crime de falso testemunho (art. 342, CP). No entanto, se das perguntas formuladas puder resultar autoincriminação, a testemunha também passa a ter direito ao “nemo tenetur se degetere” (STF, HC 73035).
	Quanto ao dever de advertência do direito à não autoincriminação, o acusado deve ser advertido, sob pena de ilicitude de eventuais provas por ele produzidas auto incriminando-se.
#SELIGA: o STF, no HC 80.949, considerou prova ilícita uma gravação clandestina de policiais com o acusado sem prévia advertência quanto ao direito ao silêncio. 
*#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STF: É nula a “entrevista” realizada pela autoridade policial com o investigado, durante a busca e apreensão em sua residência, sem que tenha sido assegurado ao investigado o direito à prévia consulta a seu advogado e sem que ele tenha sido comunicado sobre seu direito ao silêncio e de não produzir provas contra si mesmo. 
Trata-se de um “interrogatório travestido de entrevista”, havendo violação do direito ao silêncio e à não autoincriminação. 
STF. 2ª Turma. Rcl 33711/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/6/2019 (Info 944). 
* Aviso de Miranda: no direito norte americano, nenhuma validade pode ser conferida às declarações de um preso à polícia se não houver previa advertência de que: 
(i) o cidadão tem o direito de não responder;
(ii) tudo que disser pode ser usado contra ele; 
(iii) tem o direito à assistência de defensor escolhido ou nomeado.
	Destaque-se que a doutrina ensina que esse dever de advertência também se aplica à imprensa, mas para o STF, o dever de advertência quanto ao direito ao silêncio aplica-se apenas ao Poder Público (HC, 99.558).
3.2.1 Desdobramentos do Nemo Tenetur:
a) direito de permanecer calado (art. 186, CPP):
Art. 186. Depois de devidamente qualificado e cientificado do inteiro teor da acusação, o acusado será informado pelo juiz, antes de iniciar o interrogatório, do seu direito de permanecer calado e de não responder perguntas que lhe forem formuladas. Parágrafo único. O silêncio, que não importará em confissão, não poderá ser interpretado em prejuízo da defesa. 
*(Atualizado em 23/11/2023) #DEOLHONAJURIS
O interrogatório do réu é o último ato da instrução criminal.
A inversão da ordem prevista no art. 400 do CPP tangencia somente à oitiva das testemunhas e não ao interrogatório.
O eventual reconhecimento da nulidade se sujeita:
• à preclusão, na forma do art. 571, I e II, do CPP, e
• à demonstração do prejuízo para o réu.
STJ. 3ª Seção.REsps 1.933.759-PR e 1.946.472-PR, Rel. Min. Messod Azulay Neto, julgado em 13/9/2023 (Recurso Repetitivo – Tema 1114) (Info 787).
(*) Atualizado em 17/08/2021 #DEOLHONAJURIS: Não se admite condenação baseada exclusivamente em declarações informais prestadas a policiais no momento da prisão em flagrante. A CF/88 determina que as autoridades estatais informem os presos que eles possuem o direito de permanecer em silêncio (art. 5º, LXIII).
Esse alerta sobre o direito ao silêncio deve ser feito não apenas pelo Delegado, durante o interrogatório formal, mas também pelos policiais responsáveis pela voz de prisão em flagrante. Isso porque a todos os órgãos estatais impõe-se o dever de zelar pelos direitos fundamentais.
A falta da advertência quanto ao direito ao silêncio torna ilícita a prova obtida a partir dessa confissão. STF. 2ª Turma. RHC 170843 AgR/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 4/5/2021 (Info 1016).
b) inexigibilidade de dizer a verdade:
	→ posição doutrinária: o acusado tem direito a mentira (Luiz Flávio Gomes). 
	→ mentira agressiva: acusado incrimina terceiro inocente (denunciação caluniosa). 
#SELIGA: o STF entendeu que como no ordenamento pátrio não há previsão para o crime de perjúrio, não pode ser exigida a verdade do acusado (STF, HC 68.929). 
c) direito de não praticar qualquer comportamento ativo que possa incriminá-lo:
Ex.: o sujeito não é obrigado fornecer material para exame grafotécnico, reconstituição do crime, fornecimento de padrões vocais para espectrograma da voz, nem soprar no bafômetro. Mas se a produção da prova não depender de comportamento ativo, não estará protegida pelo nemo tenetur. Ex.: para reconhecimento de pessoas.
d) direito de não produzir nenhuma prova incriminadora invasiva:
Prova invasiva: pressupõe penetração no organismo humano implicando na extração ou utilização de alguma parte dele. Está protegida pelo nemo tenetur. 
Prova não invasiva: não há penetração no organismo humano. Não está protegida pelo nemo tenetur, logo pode ser produzida mesmo contra a vontade do investigado. 
STJ, HC 149.146: raio-X é prova incriminadora NÃO invasiva. 
3.3 Princípio da inadmissibilidade das provas obtidas por meios ilícitos (Art. 5°, LVI, CF)
	 	O direito à prova não tem natureza absoluta. As limitações ao direito de prova visam preservar direitos e garantias fundamentais. É também um fator de dissuasão de práticas probatórias das autoridades públicas.
	Segundo Ada Pellegrini (baseada na doutrina francesa), há um gênero chamado de prova vedada ou proibida que é dividido em provas ilícitas e provas ilegítimas. As provas ilícitas são aquelas que ofendem o direito material, ou seja, o Código Penal, a legislação penal especial e os princípios constitucionais penais. Prova ilegítima é a que ofende o direito processual, ou seja, o Código de Processo Penal, a legislação processual especial ou os princípios constitucionais processuais. 
	 Atualmente, o art. 157, CPP, trata do tema, não adotando a diferenciação doutrinária e enquadrando como ilícita a prova que viola a norma constitucional ou infraconstitucional, pouco importa se de direito material ou processual.
Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. 
 	Ainda assim, embora o CPP não faça distinção entre prova ilícita e ilegítima, como a doutrina diferente as duas, vamos esquematizar. #VAIQUECAI. 
	PROVAS OBTIDAS POR MEIOS ILÍCITOS
	PROVAS OBTIDAS POR MEIOS ILEGÍTIMOS
	É produzida mediante violação de normas de direito material previstas na CF ou na legislação ordinária.
Em regra, é obtida em momento anterior ou concomitante ao processo, mas fora dele. Ex.: confissão mediante tortura, violação de domicílio. 
Reconhecida a ilicitude, surge o direito de exclusão da prova, com oconsequente desentranhamento dos autos. 
Art. 157, §3°: “Preclusa a decisão de desentranhamento da prova declarada inadmissível, esta será inutilizada por decisão judicial facultado às partes acompanhar o incidente”. 
Se a decisão declaratória da inadmissibilidade da prova se der por decisão interlocutória, cabe RESE (art. 581, XIII). Se por sentença, cabe apelação (art. 593, §4°). Ademais, sempre poderá ser utilizado MS (MP) e HC (Acusado).
	É produzida mediante violação de normas de direito processual. É produzida dentro do processo. 
Ex.: art. 479, CPP – “durante o julgamento não será permitida a leitura de documento ou a exibição de objeto que não tiver sido juntado aos autos com antecedência mínima de 03 dias uteis, dando-se ciência à outra parte”. 
Como se trata de prova obtida mediante violação a regra de direito processual, deve ser declarada a nulidade absoluta ou relativa da prova ilegítima. 
Ex.: perícia realizada por apenas um perito não oficial – nulidade relativa. 
#DEOLHONAJURIS. 
As peças processuais que fazem referência à prova declarada ilícita não devem ser desentranhadas do processo. Se determinada prova é considerada ilícita, ela deverá ser desentranhada do processo. Por outro lado, as peças do processo que fazem referência a essa prova (ex.: denúncia, pronúncia etc.) não devem ser desentranhadas e substituídas. A denúncia, a sentença de pronúncia e as demais peças judiciais não são "provas" do crime e, por essa razão, estão fora da regra que determina a exclusão das provas obtidas por meios ilícitos, prevista no art. 157 do CPP. Assim, a legislação, ao tratar das provas ilícitas e derivadas, não determina a exclusão de "peças processuais" que a elas façam referência. STF. 2ª Turma. RHC 137368/PR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 29/11/2016 (Info 849).
	*Antes da Lei nº 13.964/2019
	Depois da Lei nº 13.964/2019
	Sem parágrafo correspondente
	“Art. 157...
§ 5º O juiz que conhecer do conteúdo da prova declarada inadmissível não poderá proferir a sentença ou acórdão”.
	
	*#ATENÇÃO Nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade 6298, 6299, 6300 e 6305 o ministro Luiz Fux concedeu Medida Cautelar para suspender a eficácia do artigo 157, §5º, do Código de Processo Penal (Inconstitucionalidade material):
“Os princípios da legalidade, do juiz natural e da razoabilidade restam violados pela proibição de o juiz que conheceu a prova declarada inadmissível proferir sentença. A ausência de elementos claros e objetivos para a seleção do juiz sentenciante permite eventual manipulação da escolha do órgão julgador, conduzindo à inconstitucionalidade a técnica eleita legislativamente;”[footnoteRef:2] [2: http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/ADI6298.pdf] 
	*Antes da Lei nº 13.964/2019
	Depois da Lei nº 13.964/2019
	Sem artigo correspondente
	“Art. 158-A. Considera-se cadeia de custódia o conjunto de todos os procedimentos utilizados para manter e documentar a história cronológica do vestígio coletado em locais ou em vítimas de crimes, para rastrear sua posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o descarte.
§ 1º O início da cadeia de custódia dá-se com a preservação do local de crime ou com procedimentos policiais ou periciais nos quais seja detectada a existência de vestígio.
§ 2º O agente público que reconhecer um elemento como de potencial interesse para a produção da prova pericial fica responsável por sua preservação.
§ 3º Vestígio é todo objeto ou material bruto, visível ou latente, constatado ou recolhido, que se relaciona à infração penal.’
 
	Sem artigo correspondente
	Art. 158-B. A cadeia de custódia compreende o rastreamento do vestígio nas seguintes etapas:
I - reconhecimento: ato de distinguir um elemento como de potencial interesse para a produção da prova pericial;
II - isolamento: ato de evitar que se altere o estado das coisas, devendo isolar e preservar o ambiente imediato, mediato e relacionado aos vestígios e local de crime;
III - fixação: descrição detalhada do vestígio conforme se encontra no local de crime ou no corpo de delito, e a sua posição na área de exames, podendo ser ilustrada por fotografias, filmagens ou croqui, sendo indispensável a sua descrição no laudo pericial produzido pelo perito responsável pelo atendimento;
IV - coleta: ato de recolher o vestígio que será submetido à análise pericial, respeitando suas características e natureza;
V - acondicionamento: procedimento por meio do qual cada vestígio coletado é embalado de forma individualizada, de acordo com suas características físicas, químicas e biológicas, para posterior análise, com anotação da data, hora e nome de quem realizou a coleta e o acondicionamento;
VI - transporte: ato de transferir o vestígio de um local para o outro, utilizando as condições adequadas (embalagens, veículos, temperatura, entre outras), de modo a garantir a manutenção de suas características originais, bem como o controle de sua posse;
VII - recebimento: ato formal de transferência da posse do vestígio, que deve ser documentado com, no mínimo, informações referentes ao número de procedimento e unidade de polícia judiciária relacionada, local de origem, nome de quem transportou o vestígio, código de rastreamento, natureza do exame, tipo do vestígio, protocolo, assinatura e identificação de quem o recebeu;
VIII - processamento: exame pericial em si, manipulação do vestígio de acordo com a metodologia adequada às suas características biológicas, físicas e químicas, a fim de se obter o resultado desejado, que deverá ser formalizado em laudo produzido por perito;
IX - armazenamento: procedimento referente à guarda, em condições adequadas, do material a ser processado, guardado para realização de contraperícia, descartado ou transportado, com vinculação ao número do laudo correspondente;
X - descarte: procedimento referente à liberação do vestígio, respeitando a legislação vigente e, quando pertinente, mediante autorização judicial.’
	Sem artigo correspondente
	Art. 158-C. A coleta dos vestígios deverá ser realizada preferencialmente por perito oficial, que dará o encaminhamento necessário para a central de custódia, mesmo quando for necessária a realização de exames complementares.
§ 1º Todos vestígios coletados no decurso do inquérito ou processo devem ser tratados como descrito nesta Lei, ficando órgão central de perícia oficial de natureza criminal responsável por detalhar a forma do seu cumprimento.
§ 2º É proibida a entrada em locais isolados bem como a remoção de quaisquer vestígios de locais de crime antes da liberação por parte do perito responsável, sendo tipificada como fraude processual a sua realização.’
	Sem artigo correspondente
	Art. 158-D. O recipiente para acondicionamento do vestígio será determinado pela natureza do material.
§ 1º Todos os recipientes deverão ser selados com lacres, com numeração individualizada, de forma a garantir a inviolabilidade e a idoneidade do vestígio durante o transporte.
§ 2º O recipiente deverá individualizar o vestígio, preservar suas características, impedir contaminação e vazamento, ter grau de resistência adequado e espaço para registro de informações sobre seu conteúdo.
§ 3º O recipiente só poderá ser aberto pelo perito que vai proceder à análise e, motivadamente, por pessoa autorizada.
§ 4º Após cada rompimento de lacre, deve se fazer constar na ficha de acompanhamento de vestígio o nome e a matrícula do responsável, a data, o local, a finalidade, bem como as informações referentes ao novo lacre utilizado.
§ 5º O lacre rompido deverá ser acondicionado no interior do novo recipiente.’
	Sem artigo correspondente
	Art. 158-E. Todos os Institutos de Criminalística deverão ter uma central de custódia destinada à guarda e controle dos vestígios, e sua gestão deve ser vinculada diretamente ao órgão central de perícia oficial de natureza criminal.
§ 1º Toda central de custódia deve possuir os serviços de protocolo, com local para conferência, recepção, devolução de materiais e documentos, possibilitando a seleção, aclassificação e a distribuição de materiais, devendo ser um espaço seguro e apresentar condições ambientais que não interfiram nas características do vestígio.
§ 2º Na central de custódia, a entrada e a saída de vestígio deverão ser protocoladas, consignando-se informações sobre a ocorrência no inquérito que a eles se relacionam.
§ 3º Todas as pessoas que tiverem acesso ao vestígio armazenado deverão ser identificadas e deverão ser registradas a data e a hora do acesso.
§ 4º Por ocasião da tramitação do vestígio armazenado, todas as ações deverão ser registradas, consignando-se a identificação do responsável pela tramitação, a destinação, a data e horário da ação.’
	Sem artigo correspondente
	‘Art. 158-F. Após a realização da perícia, o material deverá ser devolvido à central de custódia, devendo nela permanecer.
Parágrafo único. Caso a central de custódia não possua espaço ou condições de armazenar determinado material, deverá a autoridade policial ou judiciária determinar as condições de depósito do referido material em local diverso, mediante requerimento do diretor do órgão central de perícia oficial de natureza criminal
*(Atualizado em 27/01/2023) #DEOLHONAJURIS #IMPORTANTE – 
Mesmo se ausente coação direta e explícita sobre o acusado, as circunstâncias de ele já haver sido preso em flagrante pelo porte da arma de fogo em via pública e estar detido, sozinho - sem a oportunidade de ser assistido por defesa técnica e sem mínimo esclarecimento sobre seus direitos -, diante de dois policiais armados, poderiam macular a validade de eventual consentimento para a realização de busca domiciliar, em virtude da existência de um constrangimento ambiental/circunstancial. 
Isso porque a prova do consentimento do morador para a realização de busca domiciliar é um requisito necessário, mas não suficiente, por si só, para legitimá-la, porquanto deve ser assegurado que tal consentimento, além de existente, seja válido, isto é, livre de vícios aptos a afetar a manifestação de vontade. HC 762.932-SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 22/11/2022, DJe 30/11/2022. (Info 760 - STJ)
O simples fato de o acusado ter antecedente por tráfico de drogas não autoriza a realização de busca domiciliar, porquanto desacompanhado de outros indícios concretos e robustos de que, nesse momento específico, ele guarda drogas em sua residência. HC 762.932-SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 22/11/2022, DJe 30/11/2022. (Info 760 - STJ)
Havendo controvérsia entre as declarações dos policiais e do flagranteado, e inexistindo a comprovação de que a autorização do morador foi livre e sem vício de consentimento, impõe-se o reconhecimento da ilegalidade da busca domiciliar. AgRg no HC 766.654-SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 13/09/2022, DJe 19/09/2022. (Info 759 - STJ)
*(Atualizado em 27/01/2023) #DEOLHONAJURIS - A abordagem policial em estabelecimento comercial, ainda que a diligência tenha ocorrido quando não havia mais clientes, é hipótese de local aberto ao público, que não recebe a proteção constitucional da inviolabilidade do domicílio. HC 754.789-RS, Rel. Ministro Olindo Menezes (Desembargador convocado do TRF 1ª Região), Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 6/12/2022. (Info 760 - STJ)
*(Atualizado em 28/12/2021) É lícita a entrada de policiais, sem autorização judicial e sem o consentimento do hóspede, em quarto de hotel não utilizado como morada permanente, desde que presentes as fundadas razões que sinalizem a ocorrência de crime e hipótese de flagrante delito. O quarto de hotel constitui espaço privado que, segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, é qualificado juridicamente como “casa” (desde que ocupado) para fins de tutela constitucional da inviolabilidade domiciliar. No entanto, o STJ fez uma interessante ressalva. O STJ afirmou que, embora o quarto de hotel regularmente ocupado seja, juridicamente, qualificado como “casa” para fins de tutela constitucional da inviolabilidade domiciliar (art. 5o, XI), a exigência, em termos de standard probatório, para que policiais ingressem em um quarto de hotel sem mandado judicial não pode ser igual às fundadas razões exigidas para o ingresso em uma residência propriamente dita, a não ser que se trate (o quarto de hotel) de um local de moradia permanente do suspeito. Isso porque é diferente invadir uma casa habitada permanentemente pelo suspeito e até por várias pessoas (crianças e idosos, inclusive) e um quarto de hotel que, como no caso, é aparentemente utilizado não como uma morada permanente, mas para outros fins, inclusive, ao que tudo indica, o comércio de drogas. No caso concreto, o STJ afirmou que, antes do ingresso no quarto, os policiais realizaram diligências investigativas para apurar a veracidade da informação recebida no sentido de que havia entorpecentes no local. STJ. 6a Turma. HC 659.527-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 19/10/2021 (Info 715). 
*#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STJ É ilícita a prova obtida por meio de revista íntima realizada com base unicamente em denúncia anônima. Caso concreto: a diretora da unidade prisional recebeu uma ligação anônima dizendo que Rafaela, que iria visitar seu marido João, tentaria entrar no presídio com droga. Diante disso, a diretora ordenou que a agente penitenciária fizesse uma revista minuciosa em Rafaela. Na revista íntima efetuada, a agente penitenciária encontrou droga escondida na vagina da visitante. Rafaela confessou que estava levando a droga para seu marido. A prova colhida é ilícita. STJ. 6ª Turma. REsp 1.695.349-RS, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 08/10/2019 (Info 659). #IMPORTANTE
Embora não possua caráter vinculante, a realização de perícia antropológica constitui-se em importante instrumento para assistir as partes nos debates em plenário e também o julgador na imposição de eventual reprimenda, podendo, no caso, ser realizado após a pronúncia do réu, sem prejuízo ao andamento processual. STJ. 6ª Turma. RHC 86.305-RS, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 01/10/2019 (Info 659). #IMPORTANTE #CONCURSOSFEDERAIS
*(Atualizado em 06.07.2020) #DEOLHONAJURIS: Denúncias anônimas não podem embasar, por si sós, medidas invasivas como interceptações telefônicas, buscas e apreensões, e devem ser complementadas por diligências investigativas posteriores. Se há notícia anônima de comércio de drogas ilícitas numa determinada casa, a polícia deve, antes de representar pela expedição de mandado de busca e apreensão, proceder a diligências veladas no intuito de reunir e documentar outras evidências que confirmem, indiciariamente, a notícia. Se confirmadas, com base nesses novos elementos de informação o juiz deferirá o pedido. Se não confirmadas, não será possível violar o domicílio, sendo a expedição do mandado desautorizada pela ausência de justa causa. O mandado de busca e apreensão expedido exclusivamente com apoio em denúncia anônima é abusivo. STF. 2ª Turma. HC 180709/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 5/5/2020 (Info 976).
(*) Atualizado em 17/08/2021 #DEOLHONAJURIS: É lícito o compartilhamento de dados bancários feito por órgão de investigação do país estrangeiro para a polícia brasileira, mesmo que, no Estado de origem, essas informações não tenham sido obtidas com autorização judicial, já que isso não é exigido naquele país. Caso concreto: a Procuradoria de Nova Iorque (EUA) compartilhou com a Polícia Federal do Brasil uma relação de brasileiros que mantinham contas bancárias nos EUA. A partir dessa informação, a Polícia Federal instaurou inquérito para apurar os fatos e representou pela quebra do sigilo bancário dos investigados. O juiz federal deferiu o pedido e expediu um MLAT aos EUA solicitando todos os detalhes das contas bancárias mantidas naquele país. Esses dados foram enviados. O compartilhamento de dados feito pela Procuradoria de Nova Iorque com a Polícia Federal foi realizado sem autorizaçãojudicial. Mesmo assim, não há nulidade e tais elementos informativos podem ser utilizados no Brasil, já que, no Estado de origem, não era necessária autorização judicial. Assim, não viola a ordem pública brasileira o compartilhamento direto de dados bancários pelos órgãos investigativos, mesmo que, no Estado de origem, sejam obtidos sem prévia autorização judicial, se a reserva de jurisdição não é exigida pela legislação daquele local. Ainda neste mesmo caso concreto, o STJ decidiu que a cooperação internacional feita pelo MLAT não será nula, ainda que não tenha sido concretizada com a intermediação das autoridades centrais do Brasil e dos EUA. Respeitadas as garantias processuais do investigado, não há prejuízo na cooperação direta entre as agências investigativas, sem a participação das autoridades centrais. A ilicitude da prova ou do meio de sua obtenção somente poderia ser pronunciada se o réu demonstrasse alguma violação de suas garantias ou das específicas regras de produção probatória. STJ. 5ª Turma. AREsp 701.833/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 04/05/2021 (Info 695).
* HIPÓTESE EM QUE A PROVA ILÍCITA NÃO SERÁ DESTRUÍDA:
a) quando se tratar de objeto lícito pertencente a alguém. Ex.: carta.
b) quando a prova ilícita constituir o corpo de delito em relação ao responsável por sua produção. 
#UMPOUCOMAISDEDOUTRINA: a descontaminação do julgado estava prevista no art. 157, §4°, CPP – o juiz que tivesse contato com a prova ilícita seria afastado do processo. Esse parágrafo foi vetado pelo Presidente da República, pois poderia gerar manobras fraudulentas. 
3.3.1 Teoria da prova ilícita por derivação 
	Essa teoria surgiu por ocasião do julgamento do caso Silverthorne Lumber Co vs. USA (1920).
	Frutos da árvore envenenada (Fruits of the poisonous tree): são os meios probatórios que, não obstante produzidos validamente em momento posterior, encontram-se afetados pelo vício da ilicitude originária, que a eles se transmite em virtude do nexo causal. 
	No Brasil, temos como precedente o HC 74.530 (1996).
	Em 2008, a Lei n. 11.690 positivou essa teoria no art. 157, §1°, CPP, in verbis: “são também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras”. 
3.3.3.1 Limitações à prova ilícita por derivação:
a) Teoria da fonte independente: Teve origem no caso Bynum Vs. US (1960).
- Foi criada com o nome “independente source doctrine”.
- No Brasil, teve como precedente o HC 83.921 (STF). 
	Em seguida, foi incluído pela Lei n. 11.690/2008, que prevê no art. 157, §1°, CPP: são também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras. 
	Se o órgão da persecução penal demonstrar que obteve legitimamente novos elementos de informação a partir de uma fonte autônoma de prova, que não foi contaminada pelo vício da ilicitude originária, esses dados probatórios devem ser considerados válidos.
b) Teoria da descoberta inevitável: Será aplicada se se demonstrar que a prova derivada da ilícita acabaria sendo produzida de qualquer maneira, independentemente da prova ilícita originária. Para a aplicação dessa teoria, NÃO BASTA UM JUÍZO DO POSSÍVEL, sendo necessária a existência de DADOS CONCRETOS demonstrando que a descoberta seria inevitável. 
	
	A doutrina tem sustentado que essa teoria, outrora adotada apenas no âmbito dos tribunais, passou a constar no próprio CPP. Vejamos: 
Art. 157, §2°, CPP: Considera-se fonte independente aquela que por si só, seguindo os tramites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova. 
c) Teoria da limitação da mancha purgada (dos vícios sanados ou da tinta diluída): Não se aplica a teoria da prova ilícita por derivação se o nexo causal entre a prova ilícita primária e a secundária for atenuado em virtude do decurso do tempo, de circunstâncias supervenientes na cadeira probatória, da menor relevância da ilegalidade ou da vontade de um dos envolvidos em colaborar com a persecução penal. 
	Para alguns autores, a teoria pode ser extraída de uma interpretação do art. 157, §1, CPP. 
Art. 157, §1, CPP: “são também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não for evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras”. 
d) Teoria do encontro fortuito de provas: No cumprimento de uma diligência, é extremamente comum a descoberta de elementos probatórios de outro delito, que não estavam na linha de desdobramento normal da investigação. Nesse caso, se demonstrado que o encontro foi casual, fortuito, a prova será considerada válida. Se demonstrado que houve desvio de finalidade na produção da prova, esta deve ser considerada ilícita. 
#DELHONAJURIS: é lícita a apreensão, em escritório de advocacia, de drogas e de arma de fogo, em tese pertencentes a advogado, na hipótese em que outro advogado tenha presenciado o cumprimento da diligência por solicitação dos policiais, ainda que o mandado de busca e apreensão tenha sido expedido para apreender arma de fogo supostamente pertencente a estagiário do escritório – e não ao advogado – e mesmo que no referido mandado não haja expressa indicação de representante da OAB local para o acompanhamento da diligência. STJ. 5ª Turma. RHC 39.412-SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 3/3/2015 (Info 557). 
e) Teoria da Serendipidade: Encontro fortuito de elementos probatórios relacionados a outros delitos e outras pessoas no curso de interceptação telefônica judicialmente autorizada.
- descoberta fortuita de novos infratores (serendipidade subjetiva): neste caso, segundo o entendimento prevalente, a interceptação valerá contra todos, desde que haja conexão. 
- descoberta fortuita de novas infrações (serendipidade objetiva):
· Serendipidade objetiva de primeiro grau: se as infrações são conexas, a interceptação vale como prova para todos os delitos, mesmo quando o delito conexo seja apenado com detenção. 
· Serendipidade objetiva de segundo grau: se as infrações não são conexas, a interceptação funcionará como mera notícia crime, permitindo a instauração de inquérito policial.
#DEOLHONAJURIS:
Info 581 do STJ: não configura quebra de sigilo bancário e fiscal o acesso do MP a recibos e comprovantes de depósitos bancários entregues espontaneamente pela ex-companheira do investigado os quais foram voluntariamente deixados sob a responsabilidade dela pelo próprio investigado. STJ. 5ª Turma. RHC 34.799-PA, Rel. Reynaldo Soares da Fonseca, j. em 17/3/2016.
CRIME DE ACHADO (#SELIGANOSINÔNIMO). SERENDIPIDADE. ECONTRO FORTUITO DE PROVAS. O réu estava sendo investigado pela prática do crime de tráfico de drogas. Presentes os requisitos constitucionais e legais, o juiz autorizou a interceptação telefônica para apurar o tráfico. Por meio dos diálogos, descobriu-se que o acusado foi o autor de um homicídio. A prova obtida a respeito da prática do homicídio é LÍCITA, mesmo a interceptação telefônica tendo sido decretada para investigar outro delito que não tinha relação com o crime contra a vida. Na presente situação, tem-se aquilo que o Min. Alexandre de Moraes chamou de “crime achado”, ou seja, uma infração penal desconhecida e não investigada até o momento em que, apurando-se outro fato, descobriu-se esse novo delito. Para o Min. Alexandre de Moraes, a prova é considerada lícita, mesmo que o “crime achado” não tenha relação (não seja conexo) com o delito que estava sendo investigado, desde que tenham sido respeitados os requisitos constitucionais e legais e desde que não tenha havido desvio de finalidade ou fraude. STF. 1ª Turma. HC 129678/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 13/6/2017 (Info 869)
*#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STJ:Situação concreta: durante uma investigação para apurar tráfico de drogas, o juiz da vara criminal decretou a interceptação telefônica dos suspeitos. Durante os diálogos, constatou-se a participação de um militar. O militar foi, então, denunciado na Justiça Militar. Os diálogos interceptados foram juntados aos autos do processo penal militar como prova emprestada, oriundos da vara criminal. Ocorre que o juiz da vara criminal não remeteu à Justiça Militar a integralidade dos áudios, mas apenas os trechos em que se entendia que havia a participação do militar. O STJ entendeu que esse procedimento não foi correto. Isso porque houve “quebra da cadeia de custódia da prova”. A cadeia de custódia da prova consiste no caminho que deve ser percorrido pela prova até a sua análise pelo magistrado, sendo certo que qualquer interferência indevida durante esse trâmite processual pode resultar na sua imprestabilidade (RHC 77.836/PA, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 05/02/2019). A defesa deve ter acesso à integralidade das conversas advindas nos autos de forma emprestada, sendo inadmissível que as autoridades de persecução façam a seleção dos trechos que ficarão no processo e daqueles que serão extraídos. A apresentação de somente parcela dos áudios, cuja filtragem foi feita sem a presença do defensor, acarreta ofensa ao princípio da paridade de armas e ao direito à prova, porquanto a pertinência do acervo probatório não pode ser realizada apenas pela acusação, na medida em que gera vantagem desarrazoada em detrimento da defesa. STJ. 6ª Turma. REsp 1.795.341-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 07/05/2019 (Info 648). Obs: vale ressaltar que o caso acima explicado trata sobre falta de acesso à integralidade da interceptação telefônica e não sobre falta de transcrição ou degravação integral das conversas obtidas. O entendimento da jurisprudência do STF e do STJ é o de que não é obrigatória a transcrição integral do conteúdo das interceptações telefônicas. Isso não foi alterado pelo julgado acima, que trata sobre hipótese diferente.
*#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA
As comunicações telefônicas do investigado legalmente interceptadas podem ser utilizadas para formação de prova em desfavor do outro interlocutor, ainda que este seja advogado do investigado. STJ. 5ª Turma. RMS 33.677-SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 27/05/2014 (Info 541). 
* PROVAS x ACESSO AO CELULAR: 
- Sem prévia autorização judicial, são nulas as provas obtidas pela polícia por meio da extração de dados e de conversas registradas no whatsapp presentes no celular do suposto autor de fato delituoso, ainda que o aparelho tenha sido apreendido no momento da prisão em flagrante. STJ. 6ª Turma. RHC 51.531-RO, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 19/4/2016 (Info 583).
* #IMPORTANTE: Não há ilegalidade na perícia de aparelho de telefonia celular pela polícia, sem prévia autorização judicial, na hipótese em que seu proprietário - a vítima - foi morto, tendo o referido telefone sido entregue à autoridade policial por sua esposa. STJ. 6ª Turma. RHC 86.076-MT, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. Acd. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 19/10/2017 (Info 617).
#Obs: NÃO CONFUNDIR com o julgado acima transcrito no Info 853 STJ. 5ª Turma. RHC 67.379-RN, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 20/10/2016 (Info 593). STJ. 6ª Turma. RHC 51.531-RO, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 19/4/2016 (Info 583). Vamos entender o motivo?
#AJUDAMARCINHO: Acesso ao celular do investigado X acesso ao celular da vítima: Os precedentes do STJ que reconheceram a ilegalidade da prova envolviam acesso às conversas do Whatsapp no celular do investigado. Aqui, a leitura das conversas ocorreu no celular da vítima, tendo o aparelho sido entregue voluntariamente pela esposa do falecido. Assim, no segundo caso, não há prova ilícita, considerando que não houve uma violação à intimidade do investigado, titular de garantias no processo penal. Na segunda situação, o detentor do direito ao sigilo estava morto. Não havia mais sigilo algum a proteger o titular daquele direito e a sua esposa, totalmente interessada no esclarecimento dos fatos, entregou o celular à Polícia com o objetivo de elucidar os fatos. Logo, neste segundo caso, não havia necessidade de uma ordem judicial porque, no processo penal, o que se protege são os interesses do acusado. Seria irrazoável e impróprio proteger-se a intimidade de quem foi vítima do homicídio, sendo que a finalidade da investigação é esclarecer o homicídio e punir aquele que, teoricamente, foi o responsável pela morte.
(*) Atualizado em 17/08/2021 #DEOLHONAJURIS: É ilegal a quebra do sigilo telefônico mediante a habilitação de chip da autoridade policial em substituição ao do investigado titular da linha. A Lei nº 9.296/96 não autoriza a suspensão do serviço telefônico ou do fluxo da comunicação telemática mantida pelo usuário, tampouco a substituição do investigado e titular da linha por agente indicado pela autoridade policial. STJ. 6ª Turma. REsp 1.806.792-SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 11/05/2021 (Info 696).
* ACESSO AO WHATSAPP DE APARELHO CELULAR COLETADO EM BUSCA E APREENSÃO
- Na ocorrência de autuação de crime em flagrante, ainda que seja dispensável ordem judicial para a apreensão de telefone celular, as mensagens armazenadas no aparelho estão protegidas pelo sigilo telefônico, que compreende igualmente a transmissão, recepção ou emissão de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza, por meio de telefonia fixa ou móvel ou, ainda, por meio de sistemas de informática e telemática. STJ. 5ª Turma. RHC 67.379-RN, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 20/10/2016 (Info 593).
* Se o telefone celular foi apreendido em busca e apreensão determinada por decisão judicial, não há óbice para que a autoridade policial acesse o conteúdo armazenado no aparelho, inclusive as conversas do Whatsapp. Para a análise e a utilização desses dados armazenados no celular não é necessária nova autorização judicial. A ordem de busca e apreensão determinada já é suficiente para permitir o acesso aos dados dos aparelhos celulares apreendidos. STJ. 5ª Turma. RHC 77.232/SC, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 03/10/2017.
*(Atualizado em 25/09/2022) O acesso ao chip telefônico descartado pelo acusado em via pública não se qualifica como quebra de sigilo telefônico. (...) Verifique-se que, durante a fuga, o acusado dispensou um simulacro de arma de fogo, um aparelho celular e um chip de operadora de telefonia, objetos esses encontrados em via pública.
Conforme vivência prática, relataram os policiais militares que é muito comum a retirada do chip dos celulares roubados, para dificultar a identificação dos proprietários. Assim sendo, apreendido o chip descartado pelo acusado, houve a inserção em outro aparelho telefônico pela polícia para fins de possível identificação da vítima lesada, o que de fato ocorreu. Ocorre que a vítima não era proprietária do celular descartado, mas somente do chip.
A defesa sustenta que o aparelho pertencia ao próprio acusado. Atente-se, porém, que o aparelho telefônico não foi examinado. Assim, ainda que o celular seja de propriedade do acusado, saliente-se que não houve extração de nenhum dado do aparelho, pois o alvo de análise foi apenas o chip telefônico descartado, que de fato era de uma das vítimas. Hipótese distinta seria se o celular fosse acessado pelos policiais e alguma informação retirada e utilizada em desfavor do acusado, o que não ocorreu. Dessa forma, torna-se inócua a tese defensiva no sentido de suposta violação de sigilo telefônico, afinal, não encontra amparo no contexto fático narrado nos autos. STJ, HC 720.605-PR, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 09/08/2022, Info 744.
*#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STJ #IMPORTANTE Não tendo a autoridade policial permissão do titular da linha telefônica, ou mesmo da Justiça, para ler mensagens nem para atender ao telefone móvel da pessoa sob investigação e travar conversa por meio do aparelho com qualquerinterlocutor que seja se passando por seu dono, a prova obtida dessa maneira arbitrária é ilícita. No caso concreto, o policial atendeu ao telefone do condutor, sem autorização para tanto, e passou-se por ele para fazer a negociação de drogas e provocar o flagrante. Esse policial também obteve acesso, sem autorização pessoal nem judicial, aos dados do aparelho de telefonia móvel em questão, lendo as mensagens. STJ. 6ª Turma. HC 511.484-RS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 15/08/2019 (Info 655).
f) Teoria da proporcionalidade, razoabilidade ou teoria do sacrifício: Entre o status libertatis do réu e a legalidade da prova, o primeiro deve prevalecer e a prova ilícita será utilizada em favor da defesa. É a proporcionalidade pro reo aceita ante a prevalência do direito de defesa e o princípio da presunção de inocência em confronto com a o direito de punir. 
g) Teoria da exclusão da ilicitude da prova: Quando acusado produz prova ilícita ao seu favor está acobertado pela legítima defesa.
	Aquele que transgride a lei para produzir prova, demonstrando a inocência, está em estado de necessidade e o estado desta colheita será considerado como prova lícita. Quando acusado produz prova ilícita está acobertado pela legítima defesa. Obs. Se o meio ilícito for a tortura, não pode ser utilizado pelo juiz, ainda mais porque não se poderia atestar a veracidade dos fatos nessa condição.
h) Teoria da boa-fé: A transgressão à lei na produção probatória pode ser afastada, desde que o agente produtor estivesse de boa-fé. Os dois critérios para sua aplicação seriam a boa-fé e a crença razoável na legalidade da conduta do agente. O STF já aplicou essa teoria. 
i) Teoria do Risco: Limitação ao direito à intimidade. É lícita a prova fruto de revelações espontâneas de um delito a outrem que não tenha dever legal de não contar o segredo. Praticar crimes em locais públicos com câmeras. A pessoa assume o risco. Aplicações: gravação clandestina, crimes praticados em vias públicas. 
	TEORIA DA FONTE INDEPENDENTE
TEORIA DA DESCOBERTA INEVITÁVEL
TEORIA DA LIMITAÇÃO DA MANCHA PURGADA
TEORIA DO ENCONTRO FORTUITO
TEORIA DA SERENDIPIDADE
TEORIA DA PROPORCIONALIDADE, RAZOABILIDADE OU TEORIA DO SACRIFÍCIO.
TEORIA DA EXCLUSÃO DA ILICITUDE DA PROVA.
TEORIA DA BOA-FÉ.
TEORIA DO RISCO.
#DEOLHONAJURIS #AJUDAMARCINHO #DIZERODIREITO
Não há ilegalidade na perícia de aparelho de telefonia celular pela polícia, sem prévia autorização judicial, na hipótese em que seu proprietário - a vítima - foi morto, tendo o referido telefone sido entregue à autoridade policial por sua esposa. STJ. 6ª Turma. RHC 86076-MT, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. Acd. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 19/10/2017 (Info 617). Cuidado para não confundir: Sem prévia autorização judicial, são nulas as provas obtidas pela polícia por meio da extração de dados e de conversas registradas no Whatsapp presentes no celular do suposto autor de fato delituoso, ainda que o aparelho tenha sido apreendido no momento da prisão em flagrante. STJ. 5ª Turma. RHC 67379-RN, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 20/10/2016 (Info 593). STJ. 6ª Turma. RHC 51531-RO, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 19/4/2016 (Info 583).
A ausência de lacre em todos os documentos e bens - que ocorreu em razão da grande quantidade de material apreendido - não torna automaticamente ilegítima a prova obtida. STJ. 5ª Turma. RHC 59414-SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 27/6/2017 (Info 608).
Sem consentimento do réu ou prévia autorização judicial, é ilícita a prova, colhida de forma coercitiva pela polícia, de conversa travada pelo investigado com terceira pessoa em telefone celular, por meio do recurso "viva-voz", que conduziu ao flagrante do crime de tráfico ilícito de entorpecentes. STJ. 5ª Turma. REsp 1630097-RJ, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 18/4/2017 (Info 603).
A obtenção do conteúdo de conversas e mensagens armazenadas em aparelho de telefone celular ou smartphones não se subordina aos ditames da Lei nº 9.296/96. O acesso ao conteúdo armazenado em telefone celular ou smartphone, quando determinada judicialmente a busca e apreensão destes aparelhos, não ofende o art. 5º, XII, da CF/88, considerando que o sigilo a que se refere esse dispositivo constitucional é em relação à interceptação telefônica ou telemática propriamente dita, ou seja, é da comunicação de dados, e não dos dados em si mesmos. Assim, se o juiz determinou a busca e apreensão de telefone celular ou smartphone do investigado, é lícito que as autoridades tenham acesso aos dados armazenados no aparelho apreendido, especialmente quando a referida decisão tenha expressamente autorizado o acesso a esse conteúdo. STJ. 5ª Turma. RHC 75800-PR, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 15/9/2016 (Info 590).
Na ocorrência de autuação de crime em flagrante, ainda que seja dispensável ordem judicial para a apreensão de telefone celular, as mensagens armazenadas no aparelho estão protegidas pelo sigilo telefônico, que compreende igualmente a transmissão, recepção ou emissão de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza, por meio de telefonia fixa ou móvel ou, ainda, por meio de sistemas de informática e telemática. STJ. 5ª Turma. RHC 67379-RN, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 20/10/2016 (Info 593). Sem prévia autorização judicial, são nulas as provas obtidas pela polícia por meio da extração de dados e de conversas registradas no WhatsApp presentes no celular do suposto autor de fato delituoso, ainda que o aparelho tenha sido apreendido no momento da prisão em flagrante. STJ. 6ª Turma. RHC 51531-RO, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 19/4/2016 (Info 583).
Os dados bancários entregues à autoridade fiscal pela sociedade empresária fiscalizada, após regular intimação e independentemente de prévia autorização judicial, podem ser utilizados para subsidiar a instauração de inquérito policial para apurar suposta prática de crime contra a ordem tributária. STJ. 5ª Turma. RHC 66520-RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 2/2/2016 (Info 577).
*(Atualizado em 18/06/2022) #DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO 
Não há ilicitude das provas por violação ao sigilo de dados bancários, em razão do compartilhamento de dados de movimentações financeiras da própria instituição bancária ao Ministério Público. STJ. 6ª Turma. RHC 147.307-PE, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador convocado do TRF 1ª Região), julgado em 29/03/2022 (Info 731)
4. ÔNUS DA PROVA
→ Espécies 
* Ônus Objetivo: regra de julgamento a ser aplicada pelo juiz quando permanecer em dúvida no momento do julgamento. A regra a ser aplicada pelo juiz é a do “in dubio pro reo”. 
* Subjetivo: encargo que recai sobre as partes de provar a veracidade das afirmações por elas formuladas ao longo do processo, resultando de sua inatividade uma situação de desvantagem perante o direito. 
* Ônus perfeito (absoluto): a inação causa inevitavelmente o prejuízo. 
* Ônus menos perfeito (relativo): os prejuízos dependem da avaliação judicial ou podem ser supridos por outra pessoa. Também chamado de relativo.
	ÔNUS DA PROVA DA ACUSAÇÃO
	ÔNUS DA PROVA DA DEFESA
	Fato Típico. Autoria e Participação. Nexo causal. 
Dolo e Culpa. 
* Grau de convencimento do juiz: juízo de certeza. 
	Excludente de ilicitude e de culpabilidade
Extinção da punibilidade 
Álibi: prova de que o acusado estava em outro local à época do crime. 
* Grau de convencimento do juiz: dúvida razoável – art. 386, VI, CPP. 
· Pode haver inversão do ônus da prova? Para uma condenação criminal não, mas para os efeitos secundários, civis sim. Exemplo de sequestro de bens ilícitos na posse do acusado. Para o MP pedir a medida assecuratória basta a existência de indícios, enquanto para a defesa pedir a restituição dos bens precisa provar (prova plena) a sua licitude. Atenção: essa regra só vale para o pedido de liberação formulado antes da sentença. Se for decidido em sentença recai sobre o MP provar a ilicitude dos bens.
CLEBER MASSON: em suma, para a procedência do pedidode restituição dos bens formulado antes da sentença condenatória, o ônus probatório recai sobre a defesa, que deverá comprovar a ilicitude da origem do patrimônio. Por outro lado, quando da sentença condenatória, o ônus da prova quanto à demonstração da ilicitude recairá sobre o Ministério Público.
#SELIGA: Não tem espaço no nosso ordenamento a fórmula autoritária “male captum, bene retentum” – mal colhida, mas bem conservada.
#OLHAOGANCHO:
· Princípio da autorresponsabilidade das partes: por ele, as partes nutrem o ônus da demonstração probatória e se submetem às consequências da sua omissão.
· Princípio da audiência contraditória: por ele, toda prova admite contraprova e, antes da valoração, as provas necessariamente se submetem à dialética das partes.
· Princípio da aquisição ou da comunhão: só atinge as provas já produzidas, de forma que não há óbice à desistência de testemunha arrolada sem a concordância da parte contrária, podendo o juiz, no entanto, insistir na oitiva.
 
· Princípio da identidade física do juiz: ressalvadas as hipóteses de caso fortuito, força maior e as exceções conjugadas no CPC (aposentadoria, promoção, férias). Aplicam-se as ressalvas ao processo penal. Não impede a realização de atos por carta precatória ou videoconferência quando o caso concreto exigir tais medidas.
#DEOLHONAJURIS
A tradução para o vernáculo de documentos em idioma estrangeiro juntados nos autos só deverá ser realizada se tal providência for absolutamente “necessária”. É o que prevê o CPP: “Art. 236. Os documentos em língua estrangeira, sem prejuízo de sua juntada imediata, serão, se necessário, traduzidos por tradutor público, ou, na falta, por pessoa idônea nomeada pela autoridade”. A decisão sobre a necessidade ou não de tradução dos documentos cabe ao juiz da causa. STJ. Corte Especial. AgRg na APn 675/GO, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 17/06/2015. STF. Plenário. Inq 4146/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 22/06/2016 (Info 831).
*(Atualizado em 21/10/2020) #DEOLHONAJURIS: Caso concreto: o Tribunal de Paris solicitou cooperação jurídica em matéria penal, na modalidade auxílio direto, a fim de que fossem realizadas diversas diligências no Brasil, dentre as quais a oitiva de investigado e busca e apreensão no seu endereço, para subsidiar apuração criminal que ocorre na Justiça da França. O pedido da autoridade francesa foi embasado em Acordo de Cooperação Judiciária em Matéria Penal, na Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção e na Convenção das Nações Unidas contra a Criminalidade Organizada Transnacional. O pleito foi encaminhado ao Ministério da Justiça do Brasil, que o remeteu ao Procurador-Geral da República o qual, por sua vez, designou Procurador da República atuante no Rio de Janeiro para a execução das diligências. O Membro do Ministério Público Federal requereu o deferimento das medidas assecuratórias ao Juízo da 9ª Vara Federal do Rio de Janeiro, no que foi atendido. O investigado impetrou habeas corpus sustentando a nulidade de sua oitiva porque todas as perguntas foram formuladas direta e exclusivamente pela Autoridade Judiciária francesa que acompanhava o Membro do Ministério Público Federal nomeado para realizar as diligências. O STJ concordou com o pedido da defesa. O ato de delegação da condução e direção de produção de prova oral à autoridade estrangeira, a fim de que esta proceda diretamente à inquirição da testemunha ou do investigado, não encontra qualquer tipo de respaldo constitucional, legal ou jurisprudencial. Trata-se de ato eivado de nulidade absoluta, por ofensa à soberania nacional, o qual não pode produzir efeitos dentro de investigações penais que estejam dentro das atribuições das autoridades brasileiras. STJ. 6ª Turma. RHC 102.322-RJ, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 12/05/2020 (Info 672).
*(Atualizado em 28/12/2020) Não é lícita a prova obtida por meio de abertura de carta, telegrama ou qualquer encomenda postada nos Correios, ante a inviolabilidade do sigilo das correspondências. Sem autorização judicial ou fora das hipóteses legais, é ilícita a prova obtida mediante abertura de carta, telegrama, pacote ou meio análogo. STF. Plenário. RE 1116949, Rel. Min. Marco Aurélio, Rel. p/ Acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 18/08/2020 (Repercussão Geral – Tema 1041) (Info 993).
*(Atualizado em 12/06/2022). #DEOLHONAJURIS: Para que os policiais façam o ingresso forçado em domicílio, resultando na apreensão de material apto a configurar o crime de tráfico de drogas, isso deve estar justificado com base em elementos prévios que indiquem que havia um estado de flagrância ocorrendo no local. No caso em tela, a violação de domicílio teve como justificativa o comportamento suspeito do acusado – que empreendeu fuga ao ver a viatura policial –, circunstância fática que não autoriza a dispensa de investigações prévias ou do mandado judicial para a entrada dos agentes públicos na residência, acarretando a nulidade da diligência policial. Além disso, a alegação de que a entrada dos policiais teria sido autorizada pelo agente não merece acolhimento. Isso, porque não há outro elemento probatório no mesmo sentido, salvo o depoimento dos policiais que realizaram o flagrante, tendo tal autorização sido negada em juízo pelo réu. Segundo entende o STJ, é do estado acusador o ônus de comprovar que houve consentimento válido do morador para que os policiais entrem na casa. Assim, o estado acusador é quem deve provar que o morador autorizou a entrada, não sendo suficiente a mera palavra dos policiais. STJ. 6ª Turma. HC 695.980-GO, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 22/03/2022 (Info 730).
5. SISTEMAS DE AVALIAÇÃO DA PROVA
5.1 Sistema da íntima convicção do magistrado (da certeza moral do juiz)
 	 O juiz é livre para valorar as provas, mas não é obrigado a fundamentar o seu convencimento. Daí porque pode se valer inclusive de provas que não constam dos autos do processo. Em regra, esse sistema não é adotado pelo ordenamento brasileiro. Excepcionalmente é adotado em relação aos jurados no Tribunal do Júri. 
5.2 Sistema da prova tarifada (da certeza moral do legislador)
 	Os meios de prova têm valor probatório fixado em abstrato pelo legislador, cabendo ao juiz tão somente apreciar o conjunto probatório e a ele atribuir o valor fixado em lei. Em regra, esse sistema não é adotado pelo CPP. 
Limitações na liberdade de produzir provas: demonstração do estado civil das pessoas e da menoridade pressupõe documentação hábil – não necessariamente certidão de nascimento.
Obs.: art. 155, parágrafo único, CPP: “toda e qualquer prova relacionada ao estado de pessoas sofrerá as restrições da lei civil”. Ex.: casamento, idade, morte, etc. 
Súmula 74, STJ: “para efeitos penais, o reconhecimento da menoridade do réu requer prova por documento hábil”. 
OBS.: art. 158, CPP: “quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, direito ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado”. 
5.3 Sistema do livre convencimento motivado (da persuasão racional do juiz)
 	O juiz tem ampla liberdade na valoração das provas constantes dos autos, que têm abstratamente o mesmo valor, mas é obrigado a fundamentar o seu convencimento. Esse sistema é adotado pela CF (art. 93, IX) e pelo CPP (art. 155, caput).
Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.
DO SISTEMA DA PERSUASÃO RACIONAL DERIVAM 3 EFEITOS IMPORTANTES:
(i) não há prova com valor absoluto (nem mesmo a confissão)[footnoteRef:3]. [3: Art. 197. O valor da confissão se aferirá pelos critérios adotados para os outros elementos de prova, e para a sua apreciação o juiz deverá confrontá-la com as demais provas do processo, verificando se entre ela e estas existe compatibilidade ou concordância.] 
(ii) o juiz é obrigador a valorar todas as provas constantes do processo,

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