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Odontopediatria – 09 de Novembro de 2022 Estomatologia em Odontopediatria ➢ Introdução: • Muito se é falado de infecções e em pouco de afecções. Afecção é um termo com conceitos de anomalia, disfunção, lesão, doença e síndrome. • As afecções podem ser específicas e as sistêmicas ou nutritivas (que não veremos nessa aula). ➢ Tipos de Afecção: • Na odontopediatria dividimos as afecções pela etiologia: viróticas, bacterianas, fúngicas e traumáticas. ➢ Vacinas: • Quando realizamos a anamnese de uma criança, nós precisamos perguntar sobre a carteira vacinal dela. • Se a criança tiver 4 anos ou mais, ou se ela estiver frequentando a escola, ela deverá estar com a carteira vacinal em dia, adequada. • Existem também aquelas crianças que não vão à escola, as crianças que fazem parte de uma família que não acredita em vacina e as famílias que, simplesmente, esquecem de vacinar seus filhos. ➢ O dentista e as doenças da infância: • Muitas vezes as mães trazem as crianças ao consultório com manifestações orais de alguma doença da infância. Isso acontece, pois, as manifestações orais podem ocorrer até 48 horas das demais manifestações, em pele, por exemplo. • Temos sempre que avaliar tecido mole. ➢ Afecções virais: 1. Sarampo: ▪ Doença altamente transmissível; ▪ Não podemos atender a criança; ▪ Muitas mães vão trazer a criança por desconhecer que a criança está doente. ▪ Sinal de Koplik – manchas coalescentes, no fundo da cavidade, próximo ao trígono retromolar. É descrito como pontos vermelhos brilhantes com centro branco ou branco-azulado que podem se assemelhar a grãos de areia. ▪ O sinal de Koplik aparece até 24 horas antes de aparecerem os exantemas do sarampo, as manifestações cutâneas. 2. Rubéola: ▪ Existe um sinal bem descrito, onde observamos uma transição mais inflamatória entre palato duro e palato mole e, o que chamamos de rash cutâneo (Forchleimer) que começa na cabeça e vai para todo corpo. ▪ Devemos fazer o encaminhamento ao médico para tratar a sintomatologia da rubéola. 3. Varicela (catapora): ▪ Doença infecciosa, febre, dor de cabeça; ▪ Pode haver a ocorrência de bolhas que se rompem na cavidade oral. ▪ A criança pode ter a doença e o médico encaminhar a criança para o dentista. Pois devido às vesículas que se rompem, a criança pode ter dor e dificuldade de se alimentar, levando a uma piora do estado geral. 4. Caxumba: ▪ O sinal mais importante da caxumba é o inchaço e dor nas glândulas salivares, podendo ser em ambos os lados ou em apenas um deles. Esse sinal pode ser facilmente confundido com um edema causado por um abcesso. ▪ É uma doença infecciosa, altamente transmissível, principalmente no inverno. E, o paciente vai apresentar dor e febre. ▪ Cuidado para não confundir com obesidade ou abcessos, precisamos abrir a boca. ▪ Se for uma família que não adere o calendário de vacinação, temos que conversar com estes pais de forma respeitável e de forma a entender a família. Se tivermos dificuldades, encaminhamos para o médico. 5. GEHA (Gengivoestomatite Herpética Aguda): ▪ Das viróticas, é a mais complexa e a que mais impacta a criança. ▪ É a primeira e pior manifestação da herpes. É a herpes na primeira infância. Acontece de crianças de 2 a 5 anos. Tríplice viral – Sarampo, caxumba e rubéola; Tetraviral – Sarampo, caxumba, rubéola e varicela; Pentaviral – Sarampo, caxumba, rubéola, varicela e Prescrição (VASA) – afecções de manifestação bucal: Violeta de genciana – 600mg; Anestésico (xilestesin 2% sem vasoconstritor) – 1,5ml; Sacarina – 0,5ml; Água – 30ml. Posologia: 4 gotas, 4 vezes ao dia. Antes das refeições. Conta gotas ou em forma de caneta. ▪ A sistema sem o sistema imune completo fica mis prostrada, não consegue se alimentar, sente dor e febre. ▪ Toque entre as crianças na escola, beijos e contaminação de brinquedos que são compartilhados. ▪ Extremamente doloroso, forma úlceras e crostas. ▪ A GEHA pode se desenvolver para uma infecção bacteriana secundária, com secreção purulenta. Nesse caso, realizamos a prescrição de um antibiótico. ▪ Devemos fazer contato com o pediatra para saber sobre possíveis alergias. ▪ Explicar que antibióticos e analgésicos são dados nas unidades básicas de saúde, são distribuídos gratuitamente. 6. Herpes Simples: ▪ Após já ter entrado em contato com o vírus e ter tido a primeira manifestação (GEHA), vai existir outras manifestações. As manifestações posteriores à GEHA são chamadas de herpes simples. ▪ Manifestação recorrente, principalmente em períodos de estresse e em pessoas com a imunidade reduzida. ➢ Afecções bacterianas: 1. Escarlatina: ▪ Infecção bacteriana, estreptocócica; ▪ Acomete língua e palato. Prescrição: Predinisolona (0,1%) – corticoide; Lidocaína (2%) - anestésico; Veículo aromatizado – 60ml. Forma de usar: Pincelar nos locais afetados antes e após as refeições; + Bochecho com colutórios sem álcool (1 colher de sopa) – 12h/12h por 5 dias. Não substitui a escovação. Prescrição: Amoxicilina – 250mg/suspensão Dose inicial 25mg/kg. Dose de manutenção 12,5mg/kg de 8 em 8 horas, por 7 dias. Para pacientes alérgicos à penicilina, prescrever estearato de eritromicina. Prescrição: Tratamento sintomático: Analgésico (dipirona e paracetamol); Tratamento sistêmico-tópico: Aciclovir – dificuldade de aplicar sobre a lesão. ▪ Tem uma caraterística específica de língua saborosa (morango com creme). ▪ Se escovamos a língua e quando destacamos ela está despapilada, é escarlatina. ▪ Camada esbranquiçada sobre a língua, não podemos confundir com língua saburrosa. ▪ Não podemos menosprezar nenhum sintoma. ▪ Tratamento: o Antibiótico; o Sintomático (prescrever analgésicos); o Encaminhar para o médico. 2. Impetigo: ▪ Também bacteriana, causada pelo Streptococcus pyogenes; ▪ Apresenta edema, linfoadenopatias regionais, exantemas importantes; ▪ Quando a linha da mucosa com a pele se mistura, dificulta a abertura de boca e a alimentação da criança. ▪ Tratamento: o Devemos encaminhar a criança para um médico; o Podemos prescrever sabonetes antibacterianos, 2x ao dia. o Compressas. ➢ Afecções fúngicas: 1. Candidíase: ▪ Doença causada por fungo; ▪ Muito frequente em crianças; ▪ Mães tem sido mais protetoras com seus bebês, o que tem diminuído a incidência. ▪ Placas esbranquiçadas, removidas por raspagem, sedem a remoção. ▪ Localizam-se em língua e palato. ▪ Tratamento: o Nistatina – óxido de zinco para melhor fixação. o Laser de baixa potência. ➢ Afecções traumáticas: 1. Úlcera traumáticas – mais comuns em crianças: ▪ Podem ser causadas por mordidas, restaurações inadequadas, dente fraturado, objetos, trauma, queda, queimadura etc. ▪ Isso pode ser causado por acidentes domésticos ou, até mesmo, ao sair anestesiada do consultório odontológico. ▪ Devemos avisar aos pais para terem atenção as crianças quando estas estiverem anestesiadas, elas podem se coçar, morder e se ferir. ▪ A criança sente dor , o aspecto clínico é uma lesão ovoide e circundada por uma área eritematosa. ▪ Tratamento: o Precisamos ajudar a criança a se alimentar, diminuir a dor e que a mãe se sinta segura de onde está passando. o Prescrevemos o VASA. 2. Afta: ▪ Bastante comuns em crianças, provocadas por ação mecânica; ▪ Podem ser únicas ou múltiplas; ▪ É como uma úlcera, mas é uma lesão elíptica e bem definida. ▪ Para a acriança é muito ruim, pois quando a criança sente dor, principalmente na boca, ela não se alimenta e se prostra muito rapidamente. ▪ Tratamento: o Remover agente causador (alimentos ácidos); o Alívio da dor: ✓ Omcilon – A em orobase; ✓ Albocresil – Aplicar sobre a lesão, por 1 min, 2xao dia; ✓ Benzitrat – 3 bochechos por dia (1 colher de sopa). 3. Mucocele: ▪ Também conhecida por cisto de retenção.; ▪ Ação traumática sob ductos salivares; ▪ Comum em lábio inferior; ▪ Aspecto bolhoso, circular, superfície lisa, líquido no interior. ▪ Tratamento: o Podemos apenas acompanhar; o Podemos fazer a cirurgia para remoção; o Devemos informar a mãe que pode e é comum ter recidiva. 4. Hematoma de erupção: ▪ Lesão cística; ▪ As famílias vêm assustadas, principalmente, quando o conteúdo extravasa. ▪ Superficialmente podemos observar a coroa do dente em erupção; ▪ Frequente nos incisivos; ▪ Tratamento: o Acompanhar par ver se o dente erupciona sem intervenção; o Podemos fazer a ulectomia (todo cuidado porque o formato da ulectomia está intimamente ligado ao contorno periodontal); ➢ Indicação: • Terapêutica medicamentosa em odontopediatria. ➢ Anquiloglossia: • Hoje em dia, antes da criança sair da maternidade ela faz o teste do pezinho (fenilcetonúria, se não tratada leva a atrasos cognitivos e neurológicos), teste da orelhinha (teste auditivo), teste do olhinho (teste de visão) e, existe uma lei (2014) que exige que seja realizado o teste da linguinha, para avaliação de freio. • Atualmente, também, existe uma parcela muito grande da população que busca por cirurgia de frenectomia. • O teste Martinelli (linguinha), que é obrigatório, é alvo de muita oposição pelos pediatras e odontopediatras do Brasil. • Existe também o teste de Bristoll, o teste mundialmente utilizado para avaliação de freios linguais, que foi adaptado para ser aplicado no Brasil. • Em agosto deste ano foi publicado o relatório da tradução do teste Bristoll, e é ele que irá valer no Brasil. • Isso é muito importante pois alterações de fala dificulta a alfabetização das crianças que não conseguem pronunciar os fonemas corretamente. • Se aplicarmos o teste da Martinelli e o de Bristoll na mesma criança, a chance de indicar a cirurgia é 4x maior com o teste da Martinelli. • Uma das críticas do teste da Martinelli é que ele é feito nas primeiras 48 horas de vida, quando a mãe nem sabe amamentar seu bebê, ainda. Dessa forma, estão sendo realizadas muitas cirurgias em crianças pequenas desnecessariamente.