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CENTRO UNIVERSITÁRIO IBMR Bruno Assad - 2019203026 Fabienne Oliveira - 2019102700 Neusemary Carneiro - 2019104162 DESAFIOS E PERSPECTIVAS DOS ALIMENTOS TRANSGÊNICOS RIO DE JANEIRO / 2022 DESAFIOS E PERSPECTIVAS DOS ALIMENTOS TRANSGÊNICOS Bruno Assad Fabienne Oliveira Neusemary Carneiro Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Coordenação do Curso de Nutrição do Centro Universitário IBMR do Rio de Janeiro para obtenção do título de Bacharel em Nutrição. Orientador: Prof. Omara Machado A. de Oliveira Co-Orientador: Juliana dos Santos Vilar Rio de Janeiro/2022 2 RESUMO Por muito tempo na agricultura, já se utilizavam técnicas convencionais de melhoramento como, a reprodução seletiva e a reprodução por mutação, que envolvia o cruzamento entre organismos com o intuito de selecionar características combinadas relevantes, fortalecendo as espécies cultivadas. Com a evolução da ciência, mudanças climáticas e aumento na demanda de alimentos, novas ferramentas de biotecnologia surgiram para superarem as limitações das técnicas convencionais de plantio: a tecnologia do DNA recombinante e as aplicações de técnicas de edição de genoma, dando origem aos organismos geneticamente modificados (OGMs) ou ainda chamados, transgênicos. Essas inovações no campo da biotecnologia fornecem ferramentas para melhorar ainda mais o rendimento, qualidade, durabilidade e a resiliência das culturas em relação às variações climáticas e pragas. No entanto, a aceitação dessa biotecnologia ainda é questionada em relação a biossegurança.O presente trabalho tem como objetivo apresentar o que são os alimentos geneticamente modificados, ressaltando os aspectos positivos e negativos relativos ao consumo do ser humano e o impacto ambiental . A metodologia utilizada foi por meio de uma revisão narrativa em diferentes bases de dados de artigos científicos. A utilização desse método permitiu apresentar como resultados a evolução tecnológica de melhoramento na agricultura, passando pela Revolução verde até as inovações da tecnologia de DNA recombinante e técnicas de edição de genes na Revolução genética, destacando suas aplicações, motivações, desafios, possíveis benefícios, bem como, algumas preocupações sobre a segurança alimentar e possíveis riscos à saúde associados ao seu consumo. Por fim, pode-se concluir que os alimentos transgênicos vieram para agregar mais nutrientes que o melhoramento genético convencional, revolucionando a área científica e forçando-a, cada vez mais, a buscar mais estudos para aprofundar o conhecimento sobre o consumo dos alimentos transgênicos e seus efeitos na saúde humana, para que se possa evitar o sentimento de desconfiança sobre esse alimento e garantir a segurança ao consumidor. Palavras-chave: alimentos transgênicos, benefícios e riscos, organismos geneticamente modificados, segurança alimentar. 3 CHALLENGES AND PERSPECTIVES OF TRANSGENIC FOODS ABSTRACT For a long time in agriculture, conventional breeding techniques were already used, such as selective breeding and reproduction by mutation, which involved the crossing of organisms in order to select relevant combined characteristics, strengthening the cultivated species. With the evolution of science, climate change and increased demand for food, new biotechnology tools have emerged to overcome the limitations of conventional planting techniques: recombinant DNA technology and applications of genome editing techniques, giving rise to genetically engineered organisms. (GMOs) or still called, transgenics. These innovations in the field of biotechnology provide tools to further improve crop yields, quality, durability and resilience to climate change and pests. However, the acceptance of this biotechnology is still questioned in relation to biosafety. This work aims to present what genetically modified foods are, highlighting the positive and negative aspects related to human consumption and the environmental impact. The methodology used was through a narrative review in different databases of scientific articles. The use of this method allowed us to present as results the technological evolution of improvement in agriculture, through the Green Revolution to the innovations of recombinant DNA technology and gene editing techniques in the Genetic Revolution, highlighting their applications, motivations, challenges, possible benefits, as well as such as, some concerns about food safety and possible health risks associated with its consumption. Finally, it can be concluded that transgenic foods came to add more nutrients than conventional genetic improvement, revolutionizing the scientific area and forcing it, more and more, to seek more studies to deepen the knowledge about the consumption of transgenic foods and its effects on human health, in order to avoid the feeling of mistrust about this food and guarantee consumer safety. Keywords: transgenic foods, benefits and risks, genetically modified organisms, food safety. 4 1. INTRODUÇÃO Por muitos séculos, o homem em seu cultivo já selecionava plantas específicas e realizava cruzamentos entre as mesmas, com o objetivo de que suas características fossem repassadas para suas futuras gerações e fortalecessem as espécies cultivadas. Essa técnica, realizada de forma “caseira”, ficou conhecida como “melhoramento genético clássico ou convencional”. Com a evolução da ciência, esse “melhoramento genético convencional” passou a ser realizado pela transgenia, ou seja, o que era feito de forma primitiva pelo homem, evoluiu para um processo executado somente em laboratório. Através dessa nova técnica de transgenia, surgiram os alimentos transgênicos, que são alimentos geneticamente modificados em laboratório, tendo seu DNA modificado pela inserção de um ou mais genes oriundos de outro organismo (SYNGENTA, 2020). O alimento transgênico é o cruzamento desses genes mencionados acima, com maior precisão que o método convencional, pois ele não dá (ou deu ao longo dos tempos) tal precisão genética, que potencializam algumas particularidades suas, como resistência às pragas, durabilidade e/ou tornando-os mais nutritivos (CAVALLI, 2001). Devido a isto, acelerou-se as mudanças desejadas pelos geneticistas nos alimentos. Tais mudanças fizeram com que esses mesmos alimentos apresentassem características que não continham ou até poderiam conter, porém de forma mais enfraquecida (SANTOS, 2017). Vale ressaltar que tudo isso só foi possível graças aos estudos de Gregor Johann Mendel, considerado o pai da genética, por conta de seus experimentos (principalmente com ervilhas) e se descobriu vários pontos referente a hereditariedade e suas características dominantes e recessivas, concluindo que existem características se sobressaem mais que as outras, sempre na proporção de 3:1. Isso resultou na Lei de Mendel ( MORAES, 2022 ). No Brasil, a atual regulamentação da rotulagem de transgênicos é normatizada 5 pela Lei de Biossegurança nº 1.105/2005, pelo Decreto nº 4.680/2003e pela Portaria nº 2.658/2003. A identificação desses alimentos se dá apenas na descrição de seus respectivos rótulos. Assim, o homem criou um método que pode apressurar anos e anos na potencialização de determinadas espécies de alimentos, contribuindo, principalmente, para a preservação do meio ambiente (uma vez que o uso de agrotóxicos foi diminuído pelos agricultores, por exemplo) e combate à fome. Por isso, os alimentos transgênicos vêm ganhando cada vez mais espaço nas prateleiras dos mercados, e novos estudos surgem sobre alimentos (SYNGENTA, 2020). No entanto, ainda existem muitas dúvidas em relação aos benefícios ou malefícios causados pelo consumo dos alimentos transgênicos. Pouco se sabe sobre seus efeitos a longo prazo nos seres humanos. Como os efeitos na saúde são desconhecidos, muitas pessoas não se arriscam a consumí-los. O motivo de tanta polêmica é a falta de dados científicos que permitam uma avaliação conclusiva sobre a segurança alimentar desses alimentos. Essa desconfiança levantada pela população e comunidades mundiais sem fundamentação científica, faz com que outras pessoas deixem de usufruir de alimentos que contém nutrientes fortificados e trazem a essas mesmas pessoas receio de adoecerem com o passar dos anos, uma vez que os cientistas não conseguem comprovar que os alimentos transgênicos irão ou não fazer mal no futuro. Logo, o presente trabalho visa apresentar o que são os alimentos geneticamente modificados, bem como ressaltar suas vantagens, benefícios e possíveis riscos ao ser humano e ao meio ambiente. 2. METODOLOGIA Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, que consiste em sintetizar os estudos sobre os desafios e perspectivas dos alimentos transgênicos, sob o 6 ponto de vista teórico e contextual, objetivando a interpretação e a análise crítica do autor, a partir de fontes de informações bibliográficas ou digitais da literatura. As bases de dados utilizadas foram: Scielo, Pubmed e Science Direct, nos idiomas português e inglês, entre o período de 2001 e 2022. Os descritores da saúde utilizados foram: alimentos transgênicos, benefícios e riscos, organismos geneticamente modificados, segurança alimentar. Os critérios de inclusão utilizados para a busca das fontes de dados, foram artigos de periódicos, que englobam fontes relacionadas aos alimentos geneticamente modificados e suas implicações positivas e negativas em relação à saúde humana. 3. RESULTADOS 3.1 A ORIGEM DOS TRANSGÊNICOS A biotecnologia alimentar é uma técnica de melhoria de plantio que vem sendo utilizada pela agricultura há bastante tempo (Figura 1 ) . Desde que a agricultura começou há doze mil anos, praticamente é feita a partir de tecnologias genéticas como a mutação e relação sexual. A mutação é uma mudança aleatória na sequência de um gene e o cruzamento por meio da relação sexual, deriva de duas espécies distintas que busca isolar as melhores características de ambos em seu descendente (RAMÓN VIDAL, 2018). Os cientistas reconheceram a limitação das mutações naturais em plantas que ocorrem por acaso e as possibilidades das características superiores emergirem era limitado. Assim, a criação de mutações foram introduzidas para imitar e acelerar o processo. 7 Figura 1. História do melhoramento genético de Plantas. Fonte: https://alavoura.com.br/pesquisa-inovacao/biotecnologia/a-hora-e-a-vez-da-biotecnolo gia-no-agro/ Com o aumento da população e as preocupações com a escassez de recursos surgiu a necessidade da modernização da agricultura em escala global, efetivada pela inovação das técnicas convencionais na reprodução seletiva e modernização agrícola que resultou em variedades de plantas de alto rendimento em trigo e arroz, conhecida como Revolução verde na década de 50 (HAMDAN et al. , 2022). A revolução verde fundamentava-se na produção de larga escala com alta tecnologia e excelente produtividade (CAVALLI, 2001). As melhorias constantes nas técnicas de reprodução seletiva e práticas agrícolas como melhoria nos sistemas de irrigação, inovações em fertilizantes químicos, etc aumentaram a produção global de alimentos nas últimas décadas (HAMDAN et al. , 2022). 8 Em 1968, Gregor Mendel, daria início a pesquisa de introdução de novos genes nas plantas, através da descoberta dos princípios fundamentais da herança de organismo vivo da ervilha comum (pisum sativum), um dos marcos da aplicação da biotecnologia na agricultura (HAMDAN et al. , 2022). Seguindo em ordem cronológica, em 1970 uma praga fúngica dizimou a colheita de milho nos Estados Unidos, tornando-se uma epidemia que refletiu na preocupação dos cientistas com a perda da diversidade genéticas das plantas cultivadas, tanto nos Estados Unidos quanto no exterior, motivando alguns pesquisadores sobre a necessidade de aumentarem a diversidade genética de cultivares com uma biotecnologia totalmente nova: o DNA recombinante (técnicas de biologia molecular que facilitam a combinação de material genético de múltiplas fontes) (GARLAND; CURRY, 2022). Na década de 80, pesquisadores transferiram um gene responsável por uma característica desejada de uma planta para outra, surgindo os alimentos transgênicos ou também chamados organismos geneticamente modificados (OGM) (RAMÓN VIDAL, 2018). Os transgênicos são organismos que sofreram uma mudança em seu genoma, por introdução de um gene de espécies diferentes (SANTOS, 2017). Em 1983, três grupos de cientistas conseguiram adicionar genes de uma bactéria em duas plantas, desenvolvendo, assim, os primeiros vegetais transgênicos. Anos depois, foram realizados os primeiros testes de campo com plantas transgênicas (BAWA; ANILAKUMAR, 2013). Em 1994, o primeiro alimento geneticamente modificado – o tomate Flavr Savr ' (tomate cereja; Lycopersicon esculentum) , que foi criado na Califórnia, apresentou maior durabilidade e chegou aos consumidores norte-americanos. Mediante o progresso tecnológico no melhoramento de culturas da era da Revolução verde, nos anos 90, surge uma nova revolução verde: A revolução genética, que une a biotecnologia a engenharia genética, promovendo transformações na agricultura mundial (Figura 2) (CAVALLI, 2001). Na era da 'Revolução Genética', inovações rápidas no campo da biotecnologia fornecem 9 estratégias alternativas para melhorar ainda mais o rendimento, a qualidade e a resiliência das culturas em relação a estresses bióticos e abióticos, bem como alterações climáticas. Essas inovações incluem a introdução da tecnologia de DNA recombinante e aplicações de técnicas de edição de genoma, como efetor semelhante ao ativador de transcrição (TALEN), nucleases de dedo de zinco (ZFN) e sistemas de repetições palindrômicas curtas/CRISPR associados (CRISPR/Cas) agrupados regularmente interespaçados (HAMDAN et al., 2022). Figura 2. Era da evolução dos genes, Fonte: HAMDAN, MF; MOHD NOOR, SN; ABD-AZIZ, N.; PUA, T.-L.; TAN, BC Revolução Verde à RevoluçãoGenética: Avanços Tecnológicos na Agricultura para Alimentar o Mundo. Disponível em: . . A produção de transgênicos gerou um crescimento na produtividade agrícola, proporcionando um aumento quantitativo e qualitativo de alimentos geneticamente modificados (SANTOS, 2017). Nesse contexto, através da evolução da engenharia transgênica houve uma contribuição no cultivo mundial para conservação e amplificação da diversidade genética, especialmente em cultivos industriais, aumentando a produtividade das lavouras. Segundo Ramón Vidal (2018), em 2016 praticamente 10% da área cultivada mundial já era transgênica e era cultivada em 26 países, sendo 19 países em desenvolvimento (54% da área transgênica) e 7 industrializados (Tabela 1). 10 Neste mesmo período, o valor do mercado de transgênicos foi representado por 22% do mercado mundial de produtos fitossanitários e 35% do mercado mundial de sementes comerciais. Tabela 1 - Países que cultivam transgênicos/2006. Fonte:https://www.nutricionhospitalaria.org/index.php/articles/02121/show 11 As aplicações da biotecnologia na agricultura trouxeram benefícios econômicos para numerosos pequenos proprietários de terras em países em desenvolvimento. Além disso, a tecnologia GM beneficia não apenas os agricultores e as agroindústrias, mas também os consumidores por meio de custos mais baixos de suprimentos de alimentos (HAMDAN et al, 2022). 3.2. O QUE SÃO ALIMENTOS GENETICAMENTE MODIFICADOS Segundo Bawa e Anilakumar (2013), a modificação genética é um conjunto de tecnologia genética que modifica os genes de organismos vivos de animais, plantas ou micro-organismos. A combinação desses genes de diferentes espécies é conhecida como tecnologia de DNA recombinante e o organismo resultante é denominado “geneticamente modificado (GM) ” ou “transgênico”. Ou ainda, transgênicos são organismos em que o genoma foi modificado com o objetivo de introduzir ou adicionar novas características à nova espécie, por meio de uma inserção ou eliminação de um ou mais genes através de técnicas da engenharia genética (SANTOS, 2017). De acordo com ALVES (2004), utilizam-se os termos OGMs e transgênicos como sinônimos, sendo que existe uma diferença entre ambos. Os OGMs foram modificados através da introdução de um ou mais genes provenientes de um ser vivo da mesma espécie do organismo alvo. Já os transgênicos são um tipo de OGMs que se refere à transferência de material genético de uma espécie para outra (SANTOS, 2017). Para a produção de plantas transgênicas é importante que se tenha disponível um sistema de cultura de tecidos que possibilita a regeneração de plantas e de um sistema de transformação genética que permita a adição de genes com eficiência. A transferência de genes na transformação genética pode ser por técnicas de forma direta ou indireta. A transferência indireta é aquela que utiliza um vetor para intermediar a transformação, como Agrobacterium tumefaciens ou Agrobacterium rhizogenes. Esse método também conhecido como engenharia natural é o mais estudado e usado na transgenia vegetal devido 12 seu custo ser relativamente baixo, sua simplicidade e eficiência. Na transferência direta não há uso de vetores intermediários de transferência de genes, ou seja, essa técnica é baseada em métodos físicos ou químicos, em que se destacam a eletroporação de Protoplastos, aceleração de partículas (biobalística) e microinjeção, conforme demonstrado na Figura 3. (SANTOS, 2017). Figura 3. Técnica de Transformação indireta e direta. Fonte:http://transgeniaemvegetais.blogspot.com/2010/08/tecnicas-de-transformacao-d e-dna.html Com os avanços da biotecnologia e engenharia genética, incluindo a técnica do DNA recombinante e transgenia, é possível introduzir características desejáveis em plantas como a tolerância e a resistência às mudanças climáticas e doenças, maior tempo de prateleira, produtividade, bem como agregar benefícios aos animais e diversos alimentos, produzir vacinas e medicamentos humanos e animais, inseticidas, produtos de uso agrícolas, por meio de bactérias, leveduras e microrganismos geneticamente modificados. 13 Sabe-se, no entanto, que o cultivo das plantas transgênicas e seus produtos, tanto para consumo humano quanto para consumo animal, vem gerando diversos conflitos de opiniões entre órgãos públicos, ambientalistas, comunidade científica, empresa e produtores no que tange a segurança alimentar, riscos associados, benefícios e impactos ambientais. 3.3 POSSÍVEIS RISCOS A grande questão que vem sendo levantada é o quão seguras são as tecnologias do DNA recombinante (ou engenharia genética), se elas estão de acordo com o Guia Internacional para Segurança em Biotecnologia (IGSB) aceito pelo Programa Ambiental das Nações Unidas. Os argumentos dos partidários do princípio da precaução forçam os governos de muitos países na União Europeia, Ásia e África a modificar suas políticas e desistir da produção de variedades GM1 (COSTA et al., 2007). Por conta da situação do crescimento exponencial da população, há uma grande preocupação relacionada à precaução e à segurança alimentar. Suas interfaces estão ligadas a outros valores como à proteção ambiental relacionada ao desenvolvimento sustentável e à dignidade humana com uma qualidade de vida saudável. Ao analisarmos os artigos referentes aos alimentos transgênicos, verificamos que há diversos benefícios, porém pode haver riscos. Benefícios referentes à proteção da plantação contra pragas e variações climáticas, diminuição da fome da população, menos intolerâncias alimentares, riscos ainda não definidos. Em relação aos OGM, uma das possibilidades é a melhora da qualidade nutricional, o que é muito importante para a segurança alimentar (SANTOS, 2017) Os riscos ainda não são conclusivos, mas estão relacionados, por exemplo, a 14 possíveis reações alérgicas, toxicidade, contaminação da biodiversidade e diminuição dos efeitos de alguns medicamentos (COSTA et al, 2011). Neto (2014) fala sobre os riscos à segurança alimentar: (...) no plano alimentar, cujo consumo frequente e em maior escala desses alimentos, há que se observar os possíveis riscos à segurança alimentar e nutricional dos consumidores, que têm o direito de saber quais os riscos que estarão sujeitos com a ingestão de tais alimentos, o que exigirá uma considerável bateria de testes de curta, média e principalmente de longa duração para aferir o grau de segurança desses produtos. Com isso, deve-se considerar que existe uma relação jurídica entre as biotecnologias agrícolas com a crescente importância global de atenção ao valor jurídico da segurança alimentar, levando a importantes pontos de interface com o atendimento a função social desses exclusivos e o interesse público do desenvolvimento tecnológico e econômico, sem falar de que o direito de propriedade industrial biotecnológico tem natureza de direito fundamental, mas que deverásofrer ponderações necessárias a melhor conformação jurídica e das interações com a academia. As plantas geneticamente modificadas resistentes aos insetos oferecem benefícios à agricultura moderna, porém esta tecnologia pode afetar o controle biológico natural e a biodiversidade por meio de efeitos diretos e indiretos das plantas transgênicas sobre o valor adaptativo e comportamental de predadores, parasitóides, polinizadores e outros artrópodes não-alvo. Algumas dúvidas em relação à entomofauna têm despertado o interesse dos pesquisadores e dos órgãos de regulamentação. Os principais questionamentos são referentes a possibilidade de as plantas transgênicas afetarem os organismos não-alvo de diferentes níveis tróficos (principalmente parasitóides, predadores, polinizadores e lepidópteros não-alvo) e à possibilidade de evolução de resistência de pragas às proteínas de B. thuringiensis, expressas pelas plantas continuamente durante todo o ciclo da cultura (FRIZZAS; OLIVEIRA, 2006). Quando se comparam campos não-transgênicos tratados com o inseticida piretróide lambda-cialotrina, a sobrevivência da borboleta monarca é drasticamente reduzida, e muitas lagartas morrem poucas horas após a 15 alimentação (STANLEY-HORN et al., 2001). Por outro lado, segundo Pimentel (2000), além dos aspectos considerados, outros fatores são de grande importância, por exemplo, como a destruição de seu habitat no México e as frequentes aplicações de inseticidas. Nesse contexto, acredita-se que o efeito das plantas geneticamente modificadas sobre a borboleta monarca pode ser muito menor quando comparado com o uso indiscriminado de inseticidas. Segundo Camara et al (2009); Ribeiro (2012) apud Santos (2017, p.15), apesar de muitos benefícios, há ainda incerteza sobre a segurança do consumo dos alimentos transgênicos, pela falta de informação sobre os riscos. Isso faz com que sejam gerados debates tanto no meio científico quanto no político. Sabe-se que os comerciantes têm como objetivo aumentar a produção (com melhor durabilidade, qualidade e resistência do produto) e melhorar a competitividade no mercado consequentemente, gerando aumento do lucro. A procura deles por alimentos transgênicos acontece pelos benefícios já conhecidos, como a melhoria da resistência das plantas a variações climáticas, que necessitem de menor quantidade de agrotóxicos/pesticidas, mais resistentes a danos causados por insetos/pragas. De acordo com Cavalli (2001), o Instituto Brasileiro de Defesa (1999), salienta os riscos dos alimentos transgênicos, para a saúde da população e para o meio ambiente: ● Pode ocorrer aumento das alergias com o consumo dos Organismos Geneticamente Modificados (OGM), pois novos compostos são formados no novo organismo, como proteínas e aminoácidos que ingeridos poderão desencadear processos alérgicos; ● Pode haver aumento de resistência aos antibióticos, pois são inseridos nos alimentos transgênicos genes que podem ser bactérias usadas na produção de antibióticos. Com o consumo pela população desses alimentos, poderá ocorrer resistência a esses medicamentos, reduzindo 16 ou anulando a eficácia dos mesmos. ● Pode ser desencadeado também, um aumento das substâncias tóxicas quando o gene de uma planta ou de um microrganismo for utilizado em um alimento, e é possível que o nível dessas toxinas aumente inadvertidamente, causando mal às pessoas, aos insetos benéficos e aos animais, citando que já foi constatado com o milho transgênico “Bt”, levando a Áustria a proibir o seu plantio. ● Estudos a respeito têm demonstrado que a inserção de genes resistentes aos agrotóxicos em alguns alimentos transgênicos conferem às pragas e às ervas daninhas maior resistência, tornando-se super-pragas, e com isso, desequilibrando os ecossistemas, implicando uso de uma maior quantidade de agrotóxicos, que resultará no aumento de resíduos nos alimentos, rios e solos. São necessários mais estudos sobre os possíveis riscos à saúde humana e ao meio ambiente causados pelos organismos geneticamente modificados, principalmente porque houve um grande crescimento na produção desses alimentos, por causa do aumento do consumo. Em síntese, avalia-se que a problemática é deveras preocupante, pois foi constatada a ocorrência de uma redução na sobrevida dos ratos dos sexos masculino e feminino que ingeriram o cereal transgênico, inclusive havia a presença de grandes tumores mamários malignos e com significativas interferências hormonais nas fêmeas. Foram constatadas congestões hepáticas e necroses mais elevadas nos machos, comparados aos animais que não ingeriram esses alimentos, além de nefropatias (problemas renais graves), tumores palpáveis (quatro vezes mais) e deficiências renais crônicas para ambos os sexos (SÉRALINI, 2012). 17 3.4 BENEFÍCIOS Pensando em uma população pobre advinda da Índia, por exemplo, foram realizados testes criados por Stein et al (2006) de forma empírica, para diminuir os impactos causados por: deficiências nutricionais, como a da vitamina A, problemas socioeconômicos e de sustentabilidade. A deficiência de vitamina A (DVA) é um problema de saúde pública em muitos países em desenvolvimento, onde as dietas são predominantemente feitas com alimentos básicos, de valor nutricional relativamente baixo. O arroz dourado foi geneticamente modificado para produzir beta-caroteno no grão, e consequentemente, intervir no controle de deficiência de vitamina A. Isso faz com que diminua a mortalidade infantil, os problemas visuais (como cegueira) e a incidência de doenças infecciosas. O consumo generalizado de arroz dourado promete melhorar a situação das populações que se alimentam de arroz (STEIN et al, 2006). Isso acaba sendo mais uma estratégia para contribuir na redução da pobreza e na melhoria da nutrição e, consequentemente, da saúde. É preciso enfatizar que as culturas geneticamente modificadas (GM) não são uma solução mágica para os problemas dos países em desenvolvimento. Essas tecnologias GM podem ser muito diversas, e um exemplo, é que pode-se ter tanto uma solução para deficiência de vitamina, como maior resistência à herbicidas de outros tipos de alimentos e resistência à insetos advindos de outros. O enriquecimento de alimentos transgênicos em produtos alimentícios específicos resulta em tais alimentos frequentemente tendo um valor de utilidade muito maior do que os produtos alimentícios tradicionais. Além disso, fornece uma fonte concentrada de nutracêuticos, ou substâncias de alto valor terapêutico e pró-saúde, representando um elemento desejável de uma dieta diferenciada. O grupo dos nutracêuticos contém, em primeiro lugar, vitaminas A, C, E, pigmentos vegetais, ácidos graxos insaturados indispensáveis (IUFA), celulose alimentar e pré e probióticos (KRAKOWSKA et al , 2013). 18 3.5 BIOSSEGURANÇA No processo de avaliação de biossegurança deve haver todo um rigor estrutural que possa ser executado, para que se siga padrõesde qualidade rígidos, devido à jovialidade das tecnologias agrícolas voltadas para esse fim e de todas as suas consequências relacionadas às questões sociais, econômicas e de saúde pública (NETO, 2014). Nodari (2003) fala sobre biossegurança: (...) em janeiro de 2000, na cidade de Montreal, o Protocolo Internacional de Biossegurança foi acordado. Os dois principais pontos são: (i) o princípio da precaução deve ser adotado em caso de dúvida ou falta de conhecimento científico e (ii) os produtos transgênicos devem ser rotulados (art. 18a). O referido protocolo tem cerca de 40 artigos e trata basicamente da movimentação de transgênicos entre países, com atribuição de responsabilidades em caso de danos. Ele dá garantias, ainda, ao país importador de recusar o produto caso não esteja acompanhado de estudo de risco adequado. A FAO considera biossegurança a correlação do uso sadio e sustentável do meio ambiente, dos produtos biotecnológicos e as intercorrências para a saúde da população: biodiversidade e sustentabilidade ambiental, com vistas à segurança alimentar global (NODARI; GUERRA, 2000). No que diz respeito à biossegurança, a Comunidade Europeia aprovou o Protocolo de Cartagena sobre Segurança Biológica através da Decisão do Conselho 2002/628/CE , de 25 de Junho. Foi ratificado por Portugal através do Decreto n.º 7/2004 , de 17 de abril, que aprovou o Protocolo de Cartagena sobre Segurança Biológica à Convenção sobre a Diversidade Biológica e depositou o seu instrumento de adesão nas Nações Unidas, em 30 de setembro de 2004, tendo entrado em vigor a 29 de dezembro de 2004. 19 https://eur-lex.europa.eu/legal-content/PT/TXT/?uri=OJ%3AJOL_2002_201_R_0048_01&qid=1621498799328 https://eur-lex.europa.eu/legal-content/PT/TXT/?uri=OJ%3AJOL_2002_201_R_0048_01&qid=1621498799328 https://dre.pt/web/guest/pesquisa/-/search/223587/details/normal?q=7%2F2004 O Protocolo de Cartagena sobre Segurança Biológica, estabelecido no quadro da Convenção sobre Diversidade Biológica, foi adotado, em Montreal, Canadá, em 2000 e entrou em vigor a 11 de setembro de 2003. Este protocolo tem como objetivo assegurar um nível adequado de proteção no domínio da transferência, manipulação e utilização seguras de organismos vivos modificados (OVM) resultantes da biotecnologia moderna, que possam ter efeitos adversos sobre a diversidade biológica, tendo em conta os riscos para a saúde humana e centrando-se especificamente nos movimentos transfronteiriços. O Protocolo de Cartagena sobre Segurança Biológica (ASSUNTOS INTERNACIONAIS - Protocolo de Cartagena sobre Segurança Biológica, 2021) para cumprir os objetivos, estabelece o seguinte: ● um procedimento por consentimento prévio fundamentado antes do primeiro movimento transfronteiriço deliberado de OVM para introdução intencional no ambiente da parte de importação; ● um Centro de Intercâmbio de Informação ( Biosafety Clearing House ), com o objetivo de facilitar o intercâmbio e experiência científica, técnica, ambiental e jurídica sobre OVM. O BCH é essencial para a efetiva implementação do Protocolo, pois promove a transparência e fácil acesso às informações relacionadas com a segurança biológica pelas Partes, público, sociedade civil e instituições científicas; ● a documentação que acompanha o movimento transfronteiriço de OVM deve conter os requisitos de informação necessários à sua identificação, nomeadamente identidade do organismo (identificador único) e finalidade a que se destina o produto; ● uma avaliação do risco no sentido de identificar e avaliar os potenciais efeitos adversos dos OVM para a conservação e a utilização sustentável da diversidade biológica, tendo igualmente em conta os riscos para a saúde humana; ● disposições sobre a gestão do risco de modo a permitir às partes a 20 criação e manutenção de mecanismos, medidas e estratégias adequados para regulamentar, gerir e controlar os riscos, identificados nas disposições na avaliação de riscos, associados à utilização, à manipulação e aos movimentos transfronteiriços de OVM; ● as partes devem promover a sensibilização, educação e participação do público quanto à transferência, manipulação e utilização seguras de OVM, fomentando o acesso à informação nomeadamente ao BCH. Este protocolo foi reforçado através da criação do Protocolo Suplementar Nagoia-Kuala Lumpur que estabelece regras e procedimentos em matéria de responsabilidade civil e indemnização por danos resultantes do movimento transfronteiriço de OVM. O Protocolo Suplementar foi adotado, em Nagoia, Japão, em 2010 e entrou em vigor a 5 de março de 2018. A União Europeia aprovou o Protocolo Suplementar de Nagoia-Kuala Lumpur, sobre Responsabilidade Civil e Indenização, ao Protocolo de Cartagena sobre Segurança Biológica através da Decisão do Conselho 2013/86/UE , de 12 de fevereiro. 4. CONCLUSÃO A verdade, embora muitos estudos e argumentos levam a nos convencer que os alimentos transgênicos tragam maiores e diversos benefícios para a população com a sua ingestão, é que só saberemos realmente se haverá tais benefícios (ou malefícios) com o passar dos anos. As incógnitas que pairam sobre o assunto em questão, principalmente no que diz respeito a longo prazo, serão determinadas pelo mundo científico ainda em décadas, pois, até lá, aumentarão os dados científicos na biossegurança e, sobretudo, testes na absorção dos alimentos transgênicos pelo organismo dos seres humanos. 21 https://eur-lex.europa.eu/legal-content/PT/TXT/?uri=CELEX%3A32013D0086&qid=1621415393698 Todavia, uma coisa não pode ser negada: a transgenia veio para ficar e agregar em seus alimentos mais nutrientes que o “melhoramento genético convencional”, revolucionando a área científica e forçando-a, cada vez mais, a buscar meios para erradicar a fome através da genética. 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ● ASSUNTOS INTERNACIONAIS. Agência Portuguesa do Ambiente , 2021. Disponível em: Assuntos internacionais - Protocolo de Cartagena sobre Segurança Biológica | Agência Portuguesa do Ambiente (apambiente.pt) . Acesso em: 24 nov. 2022. ● BAWA, A. S.; ANILAKUMAR, K. R. 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