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UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAPÁ CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE SANTANA CURSO LICENCIATURA EM FILOSOFIA DISCIPLINA: LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS FILOSÓFICOS DOCENTE: ANTÔNIO ALMEIDA DISCENTE: LUANA DA SILVA BAGATA Comparação de conhecimento verdadeiro para Sócrates e a noção de retórica para Górgias Macapá-AP 2023 LUANA DA SILVA BAGATA LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS FILOSÓFICOS Trabalho apresentado a Universidade federal do Amapá, como parte das atividades leitura e produção de textos filosóficos do 7° semestre noturno. Prof.: Antônio Almeida Macapá-AP 2023 COMPARAÇÃO DE CONHECIMENTO VERDADEIRO PARA SÓCRATES E A NOÇÃO DE RETÓTICA PARA GORGIAS Discente: Luana da silva Bagata 1. A noção de retórica para Górgias A palavra “sofista” (sophistés), no verbete que usei como base o Dicionário de filosofia, a sofística se divide em dois modos, como movimento intelectual, surgindo assim na primeira Grécia por volta do século V a.C., na primeira aparição se caracteriza por serem ‘mestres do saber’, ou seja, eram pensadores sábios que por conta da primeira crise da filosofia, foi convertido para clássico planeamento de Windelband, o chamado lapso cosmológico antropológico. Anos mais tarde, por parte da imagem de representação deixada pelos pensadores Aristóteles, Platão e Sócrates, que os viam como hipócritas, e falsos filósofos, a palavra ‘sofista’ só foi utilizada para se ter o intuito de insultar, pode se dizer que embora não sejam considerados filósofos pelos princípios, a impotência que se dá na medida em que se põem entre os primórdios a incitar a ideia a qual a sabedoria poderia ser recebida dos deuses, baseavam-se assim eles através de retórica e de oratória, de momento podemos citar alguns representas da sofistica: Protágoras, Górgias de Leontinos, Isócatres, Hípias, Pródico, Crítias, Antifonte, Trasímaco, dentre outros. Tratando especificamente do sofista Górgias de Leontinos (485 a.C -380 a.C), sendo ele um dos mais importantes pensadores/filósofos da escola logística e tendo ele a fama de pai da “arte dos sofistas” e “fundador da antiga sofistica”, tendo ele comprovação com relação a isto: Em FILÓSTRATO, op. cit. (p. 12). Ele liderou o movimento dos sofistas pela sua maneira assombrosa de falar, pela sua inspiração e interpretação grandiosa de grandiosos assuntos, pelas suas interrupções bruscas e pela ausência de transição, que tornava o discurso mais agradável e mais incisivo, e ornamentou-o, além disso, com nomes poéticos para lhe conferir beleza e gravidade. nasceu na Sicília, nas colônias gregas da Itália (Bem interessante saber pois é bem próximo onde um outro sofista chamado Protágoras fugiu de Atenas e se exilou, por não crer nos deuses gregos), Górgias viajou para buscar conhecimento e levou também seu conhecimento para ática e indo assim parar em Atenas, onde ele ficou conhecido principalmente por seus discursos/sua oratória performática e teatral, aqui digo que o filósofo ele não é somente uma pessoa que “falava”, mas falava de uma forma teatral. Ainda sobre Górgias, o pouco da escrita dele em prosa do que se foi registrado, mostra esse lado teatral, não somente com as palavras, e nas escritas, porém também fisicamente enquanto ele discursava, e por conta dessa “malemolência” a quem diga naquele período que você está “Gorgiando” ou dando uma de Górgias (Era o ato de sair andando e falando, convencendo as pessoas), diferente de Protágoras, ele discursava em público, nos teatros, nas arenas sempre de forma performática, e isso tem um sentindo na obra dele... Parte do pensamento dele, tinha um Ceticismo em relação a razão. Górgias não acreditava na razão como grande guia de descoberta, como outros filósofos socráticos compreendiam. Lá numa obra que é base do pensamento dele, ele vai afirmar lá no “O tratado do não ser”, ele vai falar que nada existe ou nenhum ser existe, e se existe é incognoscível (Significado ser impossível de compreender/saber sobre), mas se for cognoscível (Possível de saber), é possível de transmitir, ou seja, mesmo que soubéssemos sobre algo, nós não conseguiríamos transmitir a outras pessoas, esse conhecimento como de fato seria, para o filósofo, tudo que vemos ao redor são representações (E isto quer dizer que, é possível representar o que não existe), e parte dessa representação vem da linguagem/da fala, mas mesmo assim isso não expressa o conhecimento da realidade. Sendo básica, ele é um filósofo cético em relação a razão, cético em relação a ciência, para o Górgias, a nossa alma é como se fosse um campo aberto, passiva de ser persuadida, ou seja, toda a alma é fácil de ser enganada, por isso ele vai ter essa arte da retórica, ele vai entrar naquela ideia de que “eu posso colocar algo na sua alma”, através da própria linguagem (Lembrando que essa linguagem não expressa a realidade), ou seja, naquela momento as pessoas que estivessem ali presentes ouvindo Górgias falar, com sua forma performática/teatral, estariam lá absorvendo alguma coisa que o filósofo estivesse passando, que seria um discurso mas que não expressaria de fato a realidade. É muito importante saber que, estamos entrando numa questão de Górgias em relação ao relativismo (Não expressa a realidade), e que é uma característica básica e geral dos sofistas, (quando o Protágoras diz: “o que é para mim é para mim, o que é para ti é para ti.”), o Górgias está pegando um pouco disso, mas ele faz uma diferenciação de Protágoras, que afirmava que tudo era verdadeiro em particularidades, de pessoa para pessoa. O Geórgia, como ele afirma anteriormente a isso que “nada existe”, ele vai falar que não é a verdade, e que estamos trabalhando com o falso (Ele vai se distanciar nesse sentido do Protágoras). Com esta mudança, o objetivo de estudo deixou de ser a natureza e para assim se tornar a arte da persuasão/discurso, que para eles teria muito mais relevância a partir de então, homens que tinham grande poder de induzir/persuadir, ficavam disponíveis para qualquer cidadão que desejasse aprender, para que assim pudesse se candidatar a algum cargo público disponível na cidade ou para se defender de algum processo contencioso, os sofistas usavam suas artimanhas em Atenas (sociedade democrática), que lá o povo exercia o poder político ou seja nas decisões o voto da minoria era levada em conta, exceto mulheres, escravos, homens menores de 18 anos e estrangeiros porque não eram considerados cidadãos. É neste momento de surge os sofistas, que por serem sábios manipulavam o voto de outras pessoas, através da linguagem, das frases bem boladas e de técnicas do discurso, eles chegaram à conclusão de que a verdade era o que podia ser “provado” que era de fato verdade, não existe verdade se não num discurso, e sendo assim estaria na “boca” de quem sabe articular melhor as palavras, logo a “verdade” está na mão dos sofistas, sendo assim por serem mestres dos discursos, eles começaram a vender defesas, como por exemplo um advogado nos dias atuais, vendendo conhecimento, cobrando caro por aulas de retórica, ou seja, a arte do discurso para jovens aprendizes. Entrando a fundo, para Aristóteles, os sofistas ensinavam argumentação a respeito de qualquer tema, mesmo que os argumentos não fossem válidos, ou seja, não estavam interessados pela procura da verdade e sim pelo refinamento pela arte de vencer discursões, trazendo como exemplo Górgias de Leontinos, que proferiu um discurso, convencendo a todos que Helena era única culpada pela guerra de Tróia, o que não era de fato verdade, pois ela foi apenas estopim da guerra, o rei Agamenon precisava de uma justificativa para poder atacar e destruir Tróia, uma importante rota comercialna época, o rapto da princesa foi o estímulo. Com isto foi o pretexto para poder assim entrar em guerra com os troianos, no dia seguinte o mesmo sofista Górgias, convidou os mesmos ouvintes para ouvir outro discurso, e dessa vez ele convenceu aqueles que Helena era inocente, o que vale ressalta é a verdade do discurso, não acreditando em uma verdade universal qualquer coisa pode ser verdade, desde que olhada pelo ângulo certo, trazendo outro sofista da época Protágoras, que ensinava a arte do discurso, em uma de suas visitas a Atenas ele foi nomeado por Péricles para redigir uma constituição de uma colônia grega. No diálogo Platônico Teeteto, Platão discorreu um grande pensamento de Protágoras de Abdera “O homem é a medida de todas as coisas, das que são como são, das que não são como são”, isso significa que se uma pessoa pensa que uma coisa é verdade, tal coisa é verdade para ela, seja isso então a verdade seria relativa e individual, e para Protágoras a verdade sempre seria ligada aos indivíduos, ele foi o primeiro homem a dizer que em relação a qualquer assunto, existem sempre duas afirmações contraditórias. Vejamos o que Marcondes (2001, p. 43) fala sobre a tese de Protágoras: Protágoras parece assim valorizar um tipo de explicação do real a partir de seus aspectos fenomenais apenas, sem apelo a nenhum elemento externo ou transcendente. Isto é, as coisas são como nos parecem ser, como se mostram à nossa percepção sensorial, e não temos nenhum outro critério para decidir essa questão. Portanto, nosso conhecimento depende sempre das circunstâncias em que nos encontramos e pode, por isso mesmo, variar de acordo com a situação. Mas adiante Platão questionaria tal conceito de verdade relativa dizendo que: “Se todas as crenças são verdadeiras, a crença que nem todas as crenças são verdadeiras, também é”, a técnica dos sofistas foi registrada por Protágoras na sua obra a Antilogia, para ele era preciso argumentar “pró e contra” contra determinada posição, pois todas elas são verdadeiras. Falando ainda sobre os sofistas, além de terem sido reconhecidos na arte da oratória, também tinham um pensamento sobre conhecimento verdadeiro que surgiu na era da antiguidade clássica um século depois dos filósofos naturalistas Heráclito e Parmênides, os pré- socráticos tinham uma vida de estudos baseada nas forças da natureza, por isso são conhecidos como já dito filósofos naturalistas. Para os sofistas, esses assuntos eram coisas ignorantes/tolas, que para melhor se dizer, não tinham influências diretas na hora de ajudar um cidadão grego a se livrar de qualquer tipo de problema pessoal. 2. O conhecimento verdadeiro para Sócrates Saindo da antiguidade clássica, e entrando agora um século antes, onde existiram os pré- socráticos, Filósofos naturalistas Heráclito e Parmênides, que usavam como base a natureza, trazendo um dos grandes pensadores Sócrates que nasceu na Grécia, lá por 470 a.C e é visto como um dos mentores da filosofia ocidental. Filho de um escultor de mármore e de uma parteira, Sócrates foi soldado, escultor e senador, mas deixou tudo para trás para se tornar filósofo, dizendo que deste a infância ouvia a voz e Deus que o estimulava a divulgar seus pensamentos, passou a andar por Atenas como evangelizador. Ele tinha o intuito de ajudar a fazer com que as pessoas descobrissem nelas própria o conhecimento que as levasse a praticar o bem, dentre várias de suas ideologias, a algumas que irei citar as principais que estava à pergunta “O que é a essência do homem?”, que tinha como resposta: “O homem é a sua alma”, ou seja, a alma é sua razão (psyché), é a consciência que cada um tem de si mesmo, é a personalidade intelectual e moral, é a razão, o que diferencia o ser humano de todos os seres viventes, ex: Cachorro, gato, girafa, etc. Ele e outros filósofos e sofistas abandonaram a preocupação em explicar a natureza para se dedicarem ao universo humano. Porém Sócrates não concordava com as definições de valores éticos e morais que os sofistas tinham, ele não deixou nada por escrito, tendo suas ideias divulgadas em textos militares de Xenofonte, os cômicos de Aristófanes e principalmente nos textos filosóficos de Platão, Sócrates se tornou personagem central de suas obras, dentre elas “Banquete” (385-380 a.C) e “Apologia de Sócrates” (424/423 a.C – 348/347 a.C.), trazendo o conhecimento verdadeiro que ele defendia, vamos dizer que ele acreditava que todos já nascem com o conhecimento e dizia que: “só o conhecimento que vem da alma é capaz de revelar o verdadeiro sentido do que é justo, bom e certo”. Pra ser aplicado isto, elaborou um método dialético que chamou de Maiêutico ou parto das ideias, (do grego maieutiké, que significa técnica de realizar um parto), pois é semelhante a um parto de uma gestante, ou seja, não é a parteira quem gera o bebê, ela apenas ajuda aquelas que já o trazem dentro de si e precisam de amparo para fazê-lo vir à luz, lembrando que a mãe de Sócrates era parteira e ao que se parece ser, ele trouxe com sigo um pouco da aptidão da mesma, Sócrates questionava as pessoas disposto a ouvir seus argumentos. Por isso, quando estavam errados, com seu senso de humor desorientava o ouvinte tentando o convencer de sua contrariedade em suas reflexões, levando a pessoa a admitir sua falta de conhecimento. O filósofo elaborava essas perguntas por acreditar que só existia um único jeito de conhecer a verdade, conhecendo-se a si mesmo, para ele só quem conhece a si mesmo sabe que não sabe, e esta para ele é a grande virtude, “A virtude moral não consiste em seguir os costumes nem em fazer aquilo que a maioria aprova e nem mesmo em obedecer a preceitos religiosos.” (autor desconhecido, Os sofistas e socráticos, Artigo: Joinville.ifsc.edu.br, p.06.). “Quanto mais sabe que não sabe, mais sábio é o homem”, já os que pensam ao contrário, na sua concepção, seriam os mais tolos, ele também foi considerado o homem mais sábio de todos, em revolta, Sócrates teria procurado políticos, poetas e artífices para assim provar que eles, por seus ofícios eram mais sábios, mas decepcionado por seu orgulho e arrogância, confessou ter entendido o que significa ser sábio “Sábio é aquele que é capaz de perceber suas imperfeições, compreender as ilusões das aparências, perceber seus limites, e com a razão, controlar-se.”. Sendo assim ele saberá purificar o seu coração, a sua alma e agir com honestidade, a crítica feita. Às três categorias de cidadãos resultou em ódio e vingança, por este motivo Sócrates foi condenado à morte por envenenamento decidido por um tribunal, condenado por 2 crimes: corromper os jovens com suas ideias revolucionárias e negar a existência dos deuses de sua terra. Vejamos o que Sócrates teria dito de ante da morte, em uma resenha Apologia de Anderson Nogueira (2005 – 2012 p.49): “A morte é precisamente uma mudança de existência e, para a alma, uma migração deste lugar para outro. Se, de fato, não há sensação alguma, mas é como um sono, a morte seria um maravilhoso presente. Creio que, se alguém escolhesse esta noite às outras noites e dias de sua vida e tivesse de dizer quantos dias e noites na sua vida haviam vivido melhores, e mais docemente do que naquela noite, creio que não somente qualquer indivíduo, mas até um grande rei acharia fácil escolher a esse respeito, lamentando todos os outros dias e noites. Assim, se a morte é isso, eu por mim a considero um presente, porquanto, desse modo todo, todo o tempo se resume a uma única noite”. Tendo em vista todos os aspectos aqui que foram lembrados e mencionados sobre Comparação de conhecimento verdadeiro para Sócrates e a noção de retórica para Górgias, uma que os sofistas defendiam a ideia do conhecimento verdadeiro do indivíduo o qual sabe articular com as palavras, chegando ao ponto que este usaria da mesma para se sobressair de umproblema pessoal do dia a dia, Sócrates trouxe o conhecimento que vem da alma (psyché), que é o quê se é gerado, entende-se que para se obtenha ambos, é preciso da existência do homem, para que assim se tenha o conhecimento do que é de fato para ele, e também o conhecimento do que se é dito (oratória), se o mesmo não existe, não há possibilidade das duas ideologias aqui mencionadas, por tanto, este e aquele necessitam do ser no sentido da sua presença. REFERÊNCIAS: Autor desconhecido, Os sofistas e socráticos, Artigo: Joinville.ifsc.edu.br, p.06. FERRATER MORA, José, Dicionário de filosofia Tomo IV, São Paulo: Ipiranga, Loyola, 2001. MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editores, 2001. Cf. FILÓSTRATO, Manuel BARBOSA e Inês ORNELLAS E CASTRO, Górgias: testemunhos e fragmentos, p. 12 1. A noção de retórica para Górgias