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1 SAÚDE DA FAMÍLIA E EPIDEMIOLOGIA 1 Sumário 1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 2 2. EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA CONCEPÇÃO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA ..................... 4 2.1 A Descentralização Da Vigilância Epidemiológica ..................................................... 7 2.2 Planejamentos e Ações Usados na Saúde para Epidemiologia ................................. 9 2.3 A Descentralização da Vigilância Epidemiológica para as Equipes de Saúde da Família .............................................................................................................................. 14 3. AVALIANDO A EFICÁCIA DAS MEDIDAS DE CONTROLE .................................................. 16 3.1 Diagnóstico da Situação de Saúde .......................................................................... 20 3.2 Investigação Etiológica ........................................................................................... 21 3.3 Determinação de Risco .......................................................................................... 23 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................................ 25 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................... 27 2 1 INTRODUÇÃO Conforme o contexto, o objeto a implantação da descentralização da vigilância epidemiológica (VE) para a Equipe de Saúde da Família (ESF). Assume como referência a evolução histórica e conceitual da vigilância epidemiológica, a descentralização da saúde, e os aspectos conceituais da avaliação. O Sistema Único de Saúde (SUS) tem como uma das suas diretrizes a descentralização, com vistas à reorientação do modelo de atenção e gestão. Nesta direção, a estratégia da Saúde da Família foi concebida com o propósito de reordenar os serviços da rede básica e implantar um novo modelo de atenção. Portanto, descentralizar a VE para a ESF implica valorizar a realidade locorregional, identificando problemas e criando possibilidades de aumentar a capacidade de intervenção sobre estes. A VE, segundo a Lei Orgânica de Saúde , é o conjunto de ações que proporciona o conhecimento, a detecção e a prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes da saúde individual ou coletiva. Tem como finalidade recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle de doenças ou agravos. Essa concepção rompe com um modelo de atenção à saúde com enfoque biológico e centrado na atenção à doença. Adota como paradigma conhecer os fatores que determinam e condicionam o aparecimento de um agravo nos espaços coletivos para implementar medidas eficazes de controle. Segundo o Ministério da Saúde, são funções da vigilância epidemiológica: A coleta e processamento de dados; Análise e interpretação dos dados processados; Recomendação das medidas de controle apropriadas; 3 Promoção das ações de controle indicadas; Avaliação da eficácia e efetividade das medidas adotadas e divulgação das informações pertinentes. Portanto, as funções da VE estão pautadas na tríade informação-decisão-ação. Para o seu fortalecimento, é preciso ampliar o seu escopo de atuação para além do controle das doenças transmissíveis, com a inclusão de outros agravos relevantes para a saúde da população. Assim, a atuação da VE deve ultrapassar o enfoque da doença, procurando identificar os fatores que determinam o processo saúde-doença e, assim, desenvolver práticas voltadas para a promoção da saúde. Neste campo, a Programa de Saúde da Família (PSF) assume papel fundamental, na medida em que deve se constituir na porta de entrada do SUS. Dado que o PSF foi implementado para modificar as práticas sanitárias, na medida em que as ações operadas estariam direcionadas para as famílias de cada território, permitindo conhecer mais de perto o estado de saúde da população local, existem maiores possibilidades da ESF desenvolver com eficácia as funções inerentes à VE, implicando a melhoria dos indicadores de saúde dos grupos populacionais. Parte-se do pressuposto de que a ESF convive mais de perto com os problemas de saúde da população e tem condições de intervir oportunamente sobre os fatores determinantes do processo saúde-doença. Assim, um grande passo para a reorientação das práticas de saúde é a descentralização da VE para a Equipe de Saúde da Família, à medida que os profissionais incorporarem-na como uma atividade cotidiana do trabalho e desde que o contexto político local seja favorável a este processo de mudanças. A descentralização da VE para os municípios ocorre de forma gradual, com repasse das responsabilidades e também dos recursos da esfera federal para a esfera municipal. Na verdade, este processo representa muito mais uma desconcentração de ações, haja vista que a maioria dos municípios não está estruturado para assumir efetivamente a descentralização da VE. Devido às diferenças políticas regionais, alguns municípios avançam mais do que outros na implantação da descentralização. Do ponto de vista financeiro, em muitos municípios, os recursos são escassos ou mal utilizados, produzindo como consequência ações incipientes e de baixo impacto. 4 2 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA CONCEPÇÃO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA “Epidemiologia é o estudo da frequência, da distribuição e dos determinantes dos problemas de saúde em populações humanas, bem como a aplicação desses estudos no controle dos eventos relacionados com saúde. É a principal ciência de informação de saúde, sendo a ciência básica para a saúde coletiva.” A epidemiologia descritiva estuda o comportamento das doenças em uma comunidade, em função de variáveis ligadas ao tempo (quando), ao espaço físico ou lugar (onde) e à pessoa (quem). O seu objetivo é responder onde, quando e sobre quem ocorre determinado problema de saúde, fornecendo elementos importantes para se decidir quais medidas de prevenção e controle são mais indicadas, além de avaliar se as estratégias utilizadas diminuíram ou controlaram a ocorrência de determinada doença. O objetivo geral da epidemiologia é reduzir os problemas de saúde na população. Na prática, ela estuda principalmente a ausência de saúde sob as formas de doenças e agravos. 5 Aplicações da Epidemiologia 1. Informar a situação de saúde da população: Determinar as frequências, o estudo da distribuição dos eventos e o diagnóstico consequente dos principais problemas de saúde verificados, identificando também as partes da população que foram afetadas, em maior ou menor proporção; 2. Investigar os fatores determinantes da situação de saúde: Realizar estudo científico das determinantes do aparecimento e manutenção dos danos à saúde na população; 3. Avaliar o impacto das ações para alterar a situação encontrada: Determinar a utilidade e a segurança das ações isoladas dos programas de serviço de saúde. O objetivo geral da epidemiologia é reduzir os problemas de saúde na população. Na prática, ela estuda principalmente a ausência de saúde sob as formas de doenças e agravos. Quanto aos estudos de campo pode ser definida como a aplicação dos princípios e métodos da pesquisa epidemiológica para o estudo de problemas de saúde inesperados, para os quais é demandadas uma resposta imediata e uma intervenção oportuna na população. A demanda por uma resposta imediata significa que o estudo opera no terreno onde ocorre o problema; o imperativo pela intervenção oportuna significa que essa investigação tem duração e extensão limitadas no tempo. Nas primeiras décadas do século XX, o Brasil apresentava um crescimento econômico ao mesmo tempo em que convivia com as doenças pestilenciais que ameaçavam aprodução e trocas no campo da economia. O caráter agro-exportador da economia vigente sofria os efeitos do panorama sanitário da época, principalmente porque os navios estrangeiros não atracavam nos portos brasileiros evitando que seus tripulantes contraíssem doenças. Buscando reverter esta situação, surgem, como principal medida de intervenção, as campanhas de vacinação, com um caráter de controle de polícia e a obrigatoriedade da vacinação. Na década de 1920, foi criado o Departamento 6 Nacional de Saúde Pública, sob a direção de Oswaldo Cruz. Este adotou um modelo campanhista de atenção à saúde, direcionado para as camadas mais pobres da população, na tentativa de resolver os problemas de saúde pública5 , modelo esse ainda presente nos dias atuais. A VE adotava a vigilância de pessoas através do isolamento e quarentena, não considerando os fatores determinantes e condicionantes das doenças. A concepção inicial de vigilância epidemiológica era, portanto, a “observação sistemática e ativa de casos suspeitos ou confirmados de doenças transmissíveis e de seus contatos”. A partir da década de 1960, a VE foi solidificada internacionalmente e compreendida como o conhecimento da história natural da doença, assim como dos seus fatores condicionantes, permitindo indicar medidas eficazes e eficientes para prevenir e controlar determinadas doenças. No Brasil, o Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica é referendado na V Conferência Nacional de Saúde e formalizado através da Lei no 6.259/75 e suas ações regulamentadas em 1976 para todo o território nacional. Com a promulgação da Lei Orgânica da Saúde (Lei no 8.080/90), o conceito de VE foi ampliado, envolvendo um “conjunto de saberes e campos de ação de epidemiologia (vigilância epidemiológica, vigilância sanitária, programação em saúde, etc.), no sentido de redimensionar o escopo das intervenções sanitárias”. Essa nova abordagem transcende o fazer baseado na história natural da doença, em que se busca apenas conhecer os integrantes da cadeia epidemiológica. Este novo conceito exige o monitoramento constante dos fatores determinantes e condicionantes do processo saúde-doença. Esta concepção de VE acompanha o contexto da reorganização do modelo de atenção à saúde, pautado nos princípios doutrinários do SUS - a universalidade, integralidade e equidade no acesso aos serviços e à atenção à saúde – assumindo como princípios organizacionais a descentralização dos serviços e ações de saúde, a regionalização e a hierarquização da rede e a participação popular. 7 2.1 A Descentralização Da Vigilância Epidemiológica Ao resgatar a história do processo de descentralização na área de saúde no Brasil, reportamos ao período compreendido entre o pós 1964 até o início da década de 1980, período esse marcado pela forte centralização no processo de tomada de decisão. A política social desta época era caracterizada pela excessiva fragmentação das ações, privatização e maximização de interesses particulares em detrimento dos interesses coletivos. Entre o período de 1969 a 1984, com a expansão de subsídios do governo federal através de financiamento do Banco Mundial, o setor privado, especialmente na área hospitalar, cresceu em 465%10. Essa aceleração do setor privado reforçou as propostas do projeto neoliberal também no setor saúde, que estão pautadas na tríade: privatização, focalização e pouca regulação por parte do Estado. O setor privado passou a exercer forte pressão no processo de tomada de decisão do governo, estabelecendo um hiato entre o que era realmente necessário para a população e o que era definido como prioridade na política governamental, gerando forte exclusão e marginalidade social. A década de 1980 foi marcada por uma grave crise econômica no país e por forte tensão entre a população, originando movimentos sociais que provocaram grandes repercussões na área de saúde, o que culminou com o movimento da Reforma Sanitária. Este movimento buscava superar a crise no setor, que não resolvia os problemas de saúde da população, impulsionando a realização da VIII Conferência Nacional de Saúde em Brasília, em 1986, com a formulação e aprovação de um sistema de saúde universal, integral, igualitário, descentralizado e com controle social. A maioria das propostas da VIII Conferência Nacional de Saúde foi referendada na Constituição Federal de 1988 e Leis Orgânicas da Saúde (no 8.080/90 e no 8.142/90). A descentralização passou a ser entendida como uma prioridade para a consolidação do SUS, uma vez que permitiria o controle social e romperia com a centralização das políticas governamentais, envolvendo redistribuição de poder, competências e recursos. Portanto, a descentralização não se constitui em desconcentração de recursos, pulverização e segmentação das ações governamentais. Há de se considerar que a 8 descentralização via municipalização da gestão dos serviços de saúde ao longo da década de 1990 se configurou como elemento central na agenda do governo federal, sendo que 99% dos municípios em 2000 estavam habilitados no Sistema Único de Saúde. Neste aspecto, a descentralização da saúde pode ser considerada como uma experiência bem-sucedida, uma vez que transferiu aos municípios responsabilidades de gestão na prestação de serviços. Entretanto, as disputas de poder e os diferentes interesses político-partidários, tanto nos estados como nos municípios, geraram distorções na organização dos serviços, reproduzindo práticas sanitárias focalizadas e burocratizantes, muitas vezes distantes das reais necessidades da população. Ainda que a descentralização na saúde seja uma possibilidade de ruptura de um modelo de atenção fragmentado e de baixa resolutividade, é preciso superar algumas contradições explícitas ou implícitas nesse processo. No que diz respeito à descentralização da VE, observa-se que foi necessária a publicação de uma portaria para a adesão dos municípios, o que implica no cumprimento de uma série de requisitos (formalização do pleito pelo gestor municipal, comprovação de estrutura e equipe, etc.) para a liberação do financiamento. Assim, pode afirmar que o processo de descentralização de VE assume certa verticalidade e centralidade, dado que não é concebida pelo município, ou seja, alguns gestores municipais acabam aderindo aos requisitos da Portaria no 1.399/99 para assegurar mais recursos e, não necessariamente, com uma intenção real de desenvolver com efetividade as ações de VE que estão sob a sua responsabilidade. 9 2.2 Planejamentos e Ações Usados na Saúde para Epidemiologia No decorrer da trajetória da evolução histórica do planejamento de saúde, desde o método Cendes-OPS (OPS, 1965), até o mais recente debate no âmbito do chamado "pensamento estratégico", a epidemiologia comparece como uma disciplina subsidiária, basicamente instrumental. Isto é, era utilizada na elaboração dos diagnósticos de saúde ao lado de outras disciplinas como a economia, a administração e as ciências políticas, bem como na formulação dos objetivos e metas, expressos em forma de redução de taxas e coeficientes de morbimortalidade, na programação de ações e nas propostas de acompanhamento e avaliação. “No Brasil, a utilização da epidemiologia no processo de formulação de políticas e estratégias no plano de "macro-sistemas" vem, recentemente, se expressando no debate sobre a utilização de critérios epidemiológicos para repartição de recursos federais no âmbito do SUS”. (Ugá,1994). No plano operacional, o desenvolvimento de experiências de reorganização de serviços e implantação de distritos sanitários vem contribuindo para uma reflexão crítica acerca dos "Modelos Assistenciais" do SUS (Gonçalves, 1986, Schraiber, 1990, Mendes,1993, Paim,1994) colocando-se a possibilidade de construção de uma novaprática sanitária entendida como uma forma de organização e operacionalização do 10 sistema que enfatize as ações intersetoriais de promoção da saúde e as ações e serviços de prevenção de riscos e agravos junto a grupos populacionais priorizados. Nessa perspectiva, vários avanços metodológicos e instrumentais vêm sendo propostos e aperfeiçoados, notadamente no que se refere aos Sistemas de Informação em Saúde (Tasca, 1993; Morais, 1994) aos processos de análise da situação (Castellanos,1991, 1991b, 1994) ao planejamento de ações da chamada vigilância da saúde (Teixeira, 1994; Sá & Artmann, 1994). Portanto a reorientação da gestão, do financiamento, da organização e, em última análise, do "modelo assistencial" do sistema são processos que não podem prescindir da epidemiologia, enquanto saber científico e prática instrumental que confere especificidade aos objetos de conhecimento e de intervenção no âmbito da saúde em sua dimensão populacional, ou seja, coletiva. Se este pressuposto é válido para países que já atravessaram a chamada "transição epidemiológica" e enfrentam uma situação de saúde em que prevalecem problemas derivados das modernas condições de vida típicas das sociedades urbano- industriais, é ainda mais pertinente em países como o Brasil, em que a situação de saúde reflete as extremas desigualdades sociais diante das condições de vida, definindo padrões heterogêneos no adoecer e morrer. É colocada no âmbito deste trabalho como uma hipótese geral, a ser testada pelo confronto com o debate científico e com a prática social e histórica que vem sendo desenvolvida, principalmente no período mais recente, no qual, enquanto a implementação do SUS caminha para um cenário em que predominam as propostas basicamente racionalizadoras, em consonância com os processos de "reforma da reforma" (Almeida, 1995) que se desenvolveram nos países centrais nos anos 80, a epidemiologia apresenta, enquanto campo de saber e práticas, um grande dinamismo, expresso no crescimento da produção científica na área (Teixeira, 1996). De acordo a perspectiva, a redefinição das funções e competências das três esferas de governo do SUS ganha transcendência, constituindo-se um espaço de reflexão e experimentação política-organizacional em torno da nova "missão" do Ministério da Saúde, das SES e das SMS, por referência ao processo de descentralização e reorientação dos modelos assistenciais. 11 A nova missão das instâncias de governo do SUS deveria, como assinala Mendes (1996), contemplar o desenvolvimento da capacidade de análise da situação de saúde e da intervenção sobre problemas e grupos populacionais prioritários, em uma perspectiva territorializada, isto é, com ênfase na montagem de sistemas de vigilância da saúde cujas ações fossem operacionalizadas a partir do "mapeamento inteligente" de danos e riscos que afetam a população ao nível local, em regiões, municípios e distritos sanitários delimitados. Pode-se considerar, todavia, a possibilidade de articulação das distintas contribuições a um processo de recomposição política e operacional da prática de P&G no âmbito do SUS, que contemple tanto os aspectos políticos quanto técnicos, voltados à construção de novas bases na definição do sujeito, do objeto, dos métodos, técnicas e instrumentos de planejamento, programação, organização e gestão, em todos os níveis do sistema de saúde. A epidemiologia, nessa perspectiva, é um campo de saber e práticas necessário ao processo de formulação de políticas, definição de prioridades, organização de serviços e avaliação de ações, tanto ao nível de "macro-sistemas" quanto e principalmente, ao nível "micro", nos sistemas locais, especialmente no que diz respeito à redefinição dos "modelos assistenciais" do SUS e reorganização dos processos de trabalho em saúde. Considerando o nível "macro", o grande desafio, sem dúvida, é a formulação e implementação de políticas de financiamento e gestão do SUS que tenham como propósito a promoção da equidade, isto é, a redução das desigualdades sociais expressas em termos de indicadores epidemiológicos e sócio sanitários. Do ponto de vista político-institucional este seria um movimento "contra hegemônico", na medida em que iria de encontro às tendências predominantes na atual política de saúde, que privilegia a reprodução de um sistema em que a distribuição territorial da infraestrutura de recursos reforça as desigualdades no acesso aos serviços e na quantidade e qualidade da atenção recebida pela população. Conforme perspectiva, algumas propostas já vêm sendo elaboradas e discutidas, embora sem alcançarem grande repercussão a ponto de influenciar as decisões políticas dos gestores do sistema. Com relação à utilização de critérios 12 epidemiológicos para repartição de recursos no SUS, por exemplo, chegou a ser realizada uma Oficina de Trabalho durante o Congresso da Abrasco, em julho de 1994, e outra semelhante durante o terceiro Congresso de Epidemiologia, sem que, entretanto, tivesse sido formulada uma proposta consensual entre os participantes. Recentemente, com a implementação da Norma Operacional Básica 001/96, foi estabelecido o PAB - Piso Assistencial Básico, calculado a partir de um valor mínimo definido por habitante e transferido aos municípios que ingressam no processo de municipalização, que, entretanto, privilegia o aspecto demográfico Lembrando que, a formação de epidemiologistas privilegia, tendencialmente, a qualificação de "epidemiologistas do singular", especializados no campo da investigação causal ou na vigilância epidemiológica e controle de problemas singulares. Uma nova formação e capacitação, que implicasse em um outro perfil dos epidemiologistas, ao tempo em que enfatizaria o conteúdo da prática epidemiológica na formação de todo e qualquer profissional de saúde, implica em mudanças no processo formal de ensino universitário, técnico e, principalmente, no curto prazo, nos programas de educação continuada ou permanente dos profissionais e trabalhadores de saúde. Em relação à redefinição das funções e competências de cada esfera de governo do SUS, algumas Secretarias de Estado, a exemplo da do Paraná, Minas Gerais, Ceará e outras, vem avançando na reorientação de sua estrutura político- organizacional e da sua missão estratégica. Enquanto isso, o próprio MS não se reatualizou, pelo contrário, fortaleceu um processo de centralização das decisões de caráter financeiro na atual Secretaria de Assistência à Saúde, responsável pelos pagamentos dos serviços prestados através do sistema SIA-SUS e AIH. Sendo assim, consolidou a utilização de uma lógica de mercado ao interior do próprio sistema público, que passou a se reger pelas mesmas regras da relação do SUS com o setor privado contratado e conveniado, reproduzindo o modelo médico assistencial de alto custo e baixa eficácia, no qual aproximadamente 70% dos recursos são gastos com atenção hospitalar (Buss, 1995). Relatando a relação à redefinição das funções e competências de cada esfera de governo do SUS, algumas Secretarias de Estado, a exemplo da do Paraná, Minas Gerais, Ceará e outras, vem avançando na reorientação de sua estrutura político- 13 organizacional e da sua missão estratégica. Enquanto isso, o próprio MS não se reatualizou, pelo contrário, fortaleceu um processo de centralização das decisões de caráter financeiro na atual Secretaria de Assistência à Saúde, responsável pelos pagamentos dos serviços prestados através do sistema SIA-SUS e AIH. Ou seja, consolidou a utilização de uma lógica de mercado ao interior do próprio sistema público, que passou a se reger pelas mesmas regras da relação do SUS com o setor privado contratado e conveniado, reproduzindo o modelo médico assistencial de alto custo e baixa eficácia, no qual aproximadamente 70% dos recursos são gastos comatenção hospitalar (Buss, 1995). À medida que ocorra a expansão e consolidação de um processo com estas características pode vir a acontecer à redefinição das práticas de vigilância epidemiológica e sanitária, numa perspectiva renovada. Isto pressupõe a ampliação e capacitação das equipes profissionais e a reorganização do processo de trabalho em si, com o desenvolvimento de métodos e técnicas adequados à especificidade dos problemas e dos grupos populacionais sobre os quais se exercerá o trabalho de vigilância. Necessária também seria a institucionalização da prática de avaliação de tecnologias, programas e serviços, tanto visando a melhoria da qualidade da atenção médica assistencial ambulatorial e hospitalar, quanto e principalmente como subsídios ao aperfeiçoamento permanente das ações de vigilância da saúde sobre problemas e grupos populacionais prioritários. 14 2.3 A Descentralização da Vigilância Epidemiológica para as Equipes de Saúde da Família O PSF, assume, no atual cenário de saúde, papel de destaque, desenhado com a pretensão de reestruturar o modelo de atenção à saúde hegemônico, predominantemente centrado no hospital e na prática médica, com características assistencial individualizada e curativa. O PSF só poderá causar mudanças se for concebido realmente como uma estratégia, onde os atores sociais sejam coparticipantes no modo de fazer saúde. Nessa direção, é interessante citar Campos, quando propõe uma gestão colegiada na saúde, com a democratização do poder, descentralização sem burocratização e manutenção de espaços permanentes de negociação. No entanto, o PSF também pode ser operado para atender aos ajustes neoliberais, de forma focalizada e concebido como uma medicina de pobres para pobres. Direcionando para a especificidade do sistema de saúde do município deste estudo, esse apresenta uma lógica de funcionamento fragmentado, caracterizado pela dicotomia entre o público e privado, não diferindo do sistema de saúde brasileiro, haja vista que a oferta e a produção de serviços ocorrem de forma “discriminatória, seletiva e centrada na atenção médica”, possuindo caráter focal. 15 A implantação do Programa de Agentes Comunitários (PACS) no referido município ocorreu em 1992, sendo priorizados para implantação os bairros situados na periferia e zona rural, onde a população convive com situações bastante adversas para a saúde. O Programa começa a ser implantado no município com utilização de baixa tecnologia e sem assegurar um sistema de referência e contra-referência às ações de média e alta complexidade. Em 2000, também o ESF é implantado no município, adotando como critério para definição da área de implantação grupos mais pobres da população e com uma proposta focalizada de intervenção. O Ministério da Saúde estabelece dentre as atribuições dos trabalhadores das ESF: Conhecer a realidade das famílias pelas quais são responsáveis, com ênfase nas suas características sociais, demográficas e epidemiológicas; Identificar os problemas de saúde prevalentes e situações de risco; Executar ações básicas de vigilância epidemiológica e sanitária na sua área de abrangência. Entende-se que não trata apenas de repassar mais uma função para as equipes do ESF, e sim de assumir a responsabilidade sanitária sobre a área de abrangência, realizando intervenções através da articulação intersetorial. Compreendendo também que os problemas de saúde da área de abrangência deverão ser direcionados conforme a complexidade e disponibilidade de recursos, assegurando a integralidade da atenção e a melhoria dos indicadores de saúde. No entanto, algumas questões são cruciais para o êxito da descentralização: A participação dos cidadãos no sistema de saúde, através dos conselhos municipal e local; A autonomia dos profissionais na realização das ações, avaliando sistematicamente seus resultados; A utilização de protocolos para situações previamente definidas pelo Ministério da Saúde e Secretaria Municipal da Saúde, agregando o conhecimento da clínica; 16 Educação permanente das equipes e, sobretudo, vontade política do gestor local. Trata-se de um processo que envolve a dimensão administrativa, técnica e política da organização do SUS municipal. Isto implica assumir que são muitos os desafios para a efetivação da descentralização da VE para a ESF. 3 AVALIANDO A EFICÁCIA DAS MEDIDAS DE CONTROLE No Brasil, a década de 90 avança na descentralização das ações, tomando o saber epidemiológico na orientação dos investimentos na promoção da saúde e prevenção das doenças. Visualizando os princípios epidemiologia, é importante distinguir os enfoques estratégicos básicos para a prevenção e o controle de doenças: o enfoque de nível individual e o enfoque de nível populacional. Essa distinção fundamental em saúde pública, originalmente proposta por Rose (1981), ganha importância sob o modelo de determinantes da saúde, no qual, como vimos, a doença na população é um produto de uma complexa interação de fatores proximais e distais ao indivíduo, em interdependência com seu contexto biológico, físico, social, econômico, ambiental e histórico. Como o próprio nome indica, o enfoque individual enfatiza a prevenção e o controle das causas da doença nas pessoas, em particular, naquelas com alto risco de adoecer, enquanto o enfoque populacional enfatiza as causas das doenças na população. Ou seja, reconhecer que um fator que seja causa importante de doença nas pessoas, não é necessariamente o mesmo fator que determina primariamente a taxa de doença na população. Rose fez a distinção entre as “causas dos casos” e as “causas da incidência” de uma doença na população. No enfoque individual, a intervenção de controle está voltada a esse grupo de alto risco e seu sucesso total envolve o truncamento distribuição de risco. A frequência de exposição e o risco de adoecer do resto da população, que é a grande maioria, não se modificam. No enfoque individual, a intervenção de controle está voltada a esse grupo de alto risco e seu sucesso total envolve o truncamento da distribuição de risco em seu extremo, conforme ilustrado esquematicamente no Gráfico 6.1A. A frequência de 17 exposição e o risco de adoecer do resto da população, que é a grande maioria, não se modificam. Gráfico 6.1B. A frequência de exposição e o risco de adoecer do resto da população diminuem coletivamente. Gráfico 6.1 Enfoques estratégicos de prevenção e controle prevalência nível de exposição A. intervenção em grupos de alto risco B. intervenção populacional risco nível de exposição prevalência Adaptado de Rose G, 1992. MEDIDAS DE PREVENÇÃO À luz dos princípios da epidemiologia revisados nos módulos anteriores, é importante distinguir os enfoques estratégicos básicos para a prevenção e o controle de doenças: o enfoque de nível individual e o enfoque de nível populacional. Essa distinção fundamental em saúde pública, originalmente proposta por Rose (1981), ganha importância sob o modelo de determinantes da saúde, no qual, como vimos, a doença na população é um produto de uma complexa interação de fatores proximais e distais ao indivíduo, em interdependência com seu contexto biológico, físico, social, econômico, ambiental e histórico. Como o próprio nome indica, o enfoque individual enfatiza a prevenção e o controle das causas da doença nas pessoas, em particular, naquelas com alto risco de adoecer, enquanto o enfoque populacional enfatiza as causas das doenças na população. Isso implica em reconhecer que um fator que seja causa importante de doença nas pessoas, não é necessariamente o mesmo fator que determina primariamente a taxa de doença na população. Rose fez a distinção entre as “causas dos casos” e as “causas da incidência” de uma doença na população. No enfoque individual,a intervenção de controle está voltada a esse grupo de alto risco e seu sucesso total envolve o truncamento da distribuição de risco em seu extremo, conforme ilustrado esquematicamente no Gráfico 6.1A. A frequência de exposição e o risco de adoecer do resto da população, que é a grande maioria, não se modificam. Por outro lado, no enfoque populacional, a intervenção de controle está voltada a toda a população e seu sucesso total envolve o deslocamento para a esquerda da distribuição em conjunto, conforme ilustrado 18 esquematicamente no Gráfico 6.1B. A frequência de exposição e o risco de adoecer do resto da população diminuem coletivamente. De acordo as estratégias de prevenção e controle têm vantagens e desvantagens e seus enfoques são complementares. Em geral, se o risco de adoecer ou apresentar um dano à saúde se concentrar em um grupo específico e identificável da população, como costuma ocorrer numa situação de epidemia, o enfoque individual é o mais apropriado. Se, pelo contrário, o risco está amplamente distribuído entre toda a população, é necessário aplicar um enfoque populacional. De fato, a resposta sanitária desejável significa que os indivíduos em maior risco possam se beneficiar de intervenções intensivas, no marco de aplicação de uma estratégia populacional que beneficie a população em seu conjunto. 19 Tendo como ponto de vista estratégico, a operação das ações de saúde pública é realizada através de ações estratégicas ou campanhas específicas, com foco na população como um todo. Como exemplo de programas habitualmente executados nos níveis locais de saúde, temos o programa de imunizações e o programa de saúde da família. Há ocasiões nas quais a ocorrência de uma epidemia, ou uma situação de emergência, obriga a concentrar a utilização de recursos humanos e materiais de forma intensa e por um período limitado de tempo. Isso é o que caracteriza uma campanha. A campanha é, portanto, uma medida temporal com fim determinado e específico, como por exemplo, uma campanha de vacinação. Em geral, as campanhas são executadas ou para prevenir um possível surto (por exemplo, quando a cobertura vacinal está em níveis que não garantem a imunidade de grupo), ou para tentar controlar rapidamente um surto quando é tecnicamente indicado. Tradicionalmente, tanto os programas, como as campanhas, foram executados de modo isolado e independente entre si. A tendência atual é buscar integração, principalmente em nível local, de tal forma que se facilite a utilização comum e a potencialização dos recursos disponíveis. Um aspecto de particular relevância é a adequada coordenação com o sistema local de vigilância em saúde pública. 20 3.1 Diagnóstico da Situação de Saúde O diagnóstico da situação de saúde consiste na coleta sistemática de dados sobre a saúde da população, informações demográficas, econômicas, sociais, culturais e ambientais, que servirão para compor os indicadores de saúde. Apesar de parecer uma tarefa simples, o diagnóstico da situação de saúde apresenta minúcias importantes para a sua realização (PEREIRA, 2013). O epidemiologista ou profissional de saúde que pretenda realizar tal diagnóstico deve dominar a fundo conceitos e ferramentas da epidemiologia para que sua avaliação não apresente erro metodológico (ROUQUAYROL; GURGEL, 2013): 21 O diagnóstico de situação de saúde tem como principais objetivos a construção de um plano de ação em saúde que venha a minimizar os problemas identificados e a formulação de hipóteses sobre os fatores envolvidos na construção e manutenção de um cenário epidemiológico. Tais hipóteses poderão e deverão ser testadas. Portanto, o diagnóstico da situação de saúde é o primeiro passo para se compreender e se atuar sobre os problemas de saúde encontrados em qualquer coletividade (PEREIRA, 2013). 3.2 Investigação Etiológica A investigação dos agentes etiológicos das doenças sempre foi, desde os seus primórdios, um objetivo prioritário da epidemiologia. No final do século XIX até meados do século XX, foi dado um grande enfoque às doenças infectocontagiosas, tendo em vista a evolução da microbiologia e a grande prevalência de doenças infecciosas no mundo (PEREIRA, 2013). Inicialmente, foi adotada uma abordagem unicausal para o processo de adoecimento, ou seja, toda doença apresentava um agente etiológico que, uma vez 22 identificado, poderia ser combatido. Tal abordagem solucionou vários problemas de saúde pública: Os numerosos fatores associados à ocorrência da asma brônquica. Exemplos: Infecções, Exercício; Estresse emocional; Exposição a alérgicos; etc. A etologia das doenças coronarianas. Exemplos: Obesidade; Níveis de colesterol; Sedentarismo; Tabagismo; etc. 23 3.3 Determinação de Risco O conceito de risco na epidemiologia está diretamente associado à ocorrência de doenças na população, fugindo um pouco das concepções de causalidade individual apresentadas acima. Em epidemiologia, o risco pode ser definido como “o grau de probabilidade da ocorrência de um determinado evento” (PEREIRA, 2013); ou como “a probabilidade de ocorrência de um resultado desfavorável, um dano ou um fenômeno indesejado. Deste modo, estima-se o risco ou probabilidade de que uma doença exista por meio dos coeficientes de incidência e prevalência” (CLAP- OPAS/OMS, 1988). Existem várias derivações do conceito de risco na epidemiologia, mas as duas mais importantes são as seguintes medidas de associação: Risco Relativo ou Razão de Risco (RR) e Razão de Chances ou Odds Ratio (OR). O risco relativo responde à seguinte pergunta (KALE; COSTA; LUIZ, 2013): Em outras palavras, o RR “é a razão de dois riscos; a razão entre duas taxas de incidência ou de mortalidade. Corresponde ao risco da doença entre os indivíduos que tenham tido uma dada exposição dividido pelo risco da doença entre aqueles que 24 não tenham tido esta exposição” (PEREIRA,20 25 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Os trabalhadores de saúde como os gestores compreendem a VE dentro de três eixos. O primeiro como uma prática voltada para o poder de polícia médica; o segundo como uma vigilância voltada para o controle das doenças transmissíveis e o terceiro como uma vigilância de riscos e danos. A prática da VE é centrada no controle de doenças e agravos, direcionada para o indivíduo e operada de modo fragmentado. As ações de prevenção da doença se sobrepõem à promoção da saúde, numa clara organização do trabalho centrada no atendimento de uma demanda quase sempre espontânea, não se intervindo nos fatores determinantes do processo saúde- doença. A concepção e o valor que é dado pela equipe quanto ao fazer da VE, na verdade foram considerados como uma prática secundária na organização do processo de trabalho. As capacitações técnicas foram consideradas pelos como um aspecto positivo para a descentralização. Entretanto, é necessário que as capacitações abordem uma dimensão coletiva do processo saúde-doença, para que a compreensão sobre a VE possa ser ampliada, no sentido de que se deve percebê- la como uma prática que permeia todas as outras práticas de saúde. É necessário também um investimento continuado e pedagogicamente diferente, especialmente para os agentes comunitários de saúde e auxiliares de enfermagem, que demonstraram pouco entendimento sobre as práticas de vigilância epidemiológica. A forma como se originou a VE contribuiu para ancorar a representação de que as suas ações devem ser assumidas por técnicos especializados, e que as atividades estão restritas ao controle das doenças. Isso significa que os processos de capacitação não levam tal aspecto em conta ou não contribuem para remover tal compreensão. Pode-se concluir que a descentralizaçãoda VE para a ESF contribuiu para a melhoria de alguns indicadores de saúde, confirmando o pressuposto do estudo quando afirma que descentralizar a VE para as ESF implica valorizar a realidade locorregional, identificando os problemas e criando possibilidades de aumentar a capacidade de intervenção sobre estes. 26 No entanto, constatam que a descentralização ainda não está implantada, se caracterizando muito mais como uma desconcentração de atividades. No entanto para que ocorra a descentralização de forma efetiva é fundamental o apoio, no processo de implantação, tanto dos gestores quanto dos profissionais de saúde. É necessário o estabelecimento de um projeto político que assuma efetivamente a descentralização da VE como uma estratégia para reorganização da atenção a saúde nos municípios. O estudo aponta para a necessidade de participação ativa dos atores no processo de repensar a política de descentralização da VE para um micro espaço de intervenção que é a Estratégia de Saúde da Família, de forma a definir os objetivos, as metas, as estratégias de implantação e os mecanismos de avaliação, buscando identificar os avanços e superar os entraves numa intervenção complexa e fundamental para mudar o estado de saúde da população. 27 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Goodman RA, Buehler JW, Koplan JP. The epidemiologic field investigation: science and judgement in public health practice. American Journal of Epidemiology 1990;132(1):9-16. Buss P, Labra E 1995. Sistemas de Saúde: Continuidades e Mudanças. Hucitec/Fiocruz, São Paulo, Rio de Janeiro. CLAP-OPAS/OMS. Centro Latino-Americano de Perinatologia e Desenvolvimento Humano. Organização Pan Americana de Saúde. Organização Mundial de Saúde. Saúde perinatal. Tradução de artigos selecionados de Salud Perinatal; Tradução Thais de Azevedo. Montevidéu: OPAS/OMS, 1988. 179 p. KALE, P. L.; COSTA, A. J. L.; LUIZ, R. R. Medidas de Associação e Medidas de Impacto. In: MEDRONHO, R. de A. et al. Epidemiologia. 2 . ed. São Paulo: Atheneu, 2009. cap. 9, p. 181–19 PEREIRA, M. G. Epidemiologia: teoria e prática. Rio de Janeiro: Guanabara, Koogan, 1995. PEREIRA, M. G. Epidemiologia: teoria e prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013. Rose G. Individuos enfermos y poblaciones enfermas. En: El Desafío de la Epidemiología. Problemas y lecturas seleccionadas. Organización Panamericana de la Salud; Washington DC, 1988. - Centers for Disease Control and Prevention. Principles of epidemiology. An introduction to applied epidemiology and biostatistics (self-study programme). 2 nd edition,1992. ROUQUAYROL, M. Z; ALMEIDA FILHO, N. de. (Orgs.). Epidemiologia & saúde. 6. ed. Rio de Janeiro: MEDSI, 2003. 728 p. ROUQUAYROL, M. Z; BARBOSA, L. de M. 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