Prévia do material em texto
1 Juhlen Maísa Michels Stange - jhls.dis@hotmail.com - CPF: 093.315.009-12 2 Você acaba de adquirir o Método CLQ de Direito Civil para o Concurso do TRE – Unificado, cargo: Analista Judiciário – Área Judiciaria. Esse material é totalmente focado no certame e aborda principais pontos dessa disciplina. Assim, trabalharemos os assuntos mais importantes para a sua prova, a partir de uma metodologia exclusiva, na qual você terá a teoria, a legislação cobrada pelo edital e ao final, questões de fixação do conteúdo. Ao escolher nosso material que combina a teoria, legislação e questões de fixação, você está garantindo uma preparação completa e eficiente. Essa abordagem integrada ajudará você a desenvolver um entendimento mais sólido e aprimorado do assunto, além de fornecer uma robusta base para alcançar resultados positivos no concurso. Desta forma, em um único material, você estudará pelos três pilares da aprovação! Caso tenha qualquer dúvida, você pode entrar em contato conosco enviando seus questionamentos para o seguinte e-mail: cadernomapeado@gmail.com. Bons Estudos! Rumo à Aprovação!! Juhlen Maísa Michels Stange - jhls.dis@hotmail.com - CPF: 093.315.009-12 mailto:cadernomapeado@gmail.com 3 SUMÁRIO CADERNO MAPEADO ................................................................................................................................... 4 LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO ............................................................ 4 1) Introdução.................................................................................................................................................. 4 2) Informações Gerais sobre a LINDB ...................................................................................................... 4 3) Estrutura da LINDB .................................................................................................................................. 4 3.1) Vigência das normas ............................................................................................................................ 5 3.2) Obrigatoriedade da norma ................................................................................................................. 6 3.3) Integração da norma ............................................................................................................................ 6 3.3.1) Métodos de Integração da norma ................................................................................................. 7 3.4) Interpretação da norma ...................................................................................................................... 9 3.5) Aplicação da lei no tempo .................................................................................................................. 9 3.6) Aplicação da lei no espaço.................................................................................................................. 9 4) Antinomia jurídica ou lacuna de colisão .......................................................................................... 10 4.1) Critérios básicos de solução dos choques entre as normas ...................................................... 10 4.2) Classificação das antinomias ............................................................................................................ 10 LEGISLAÇÃO MAPEADA............................................................................................................................. 12 LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO .......................................................... 12 QUESTÕES MAPEADAS .............................................................................................................................. 19 Gabarito Comentado .................................................................................................................................. 21 Juhlen Maísa Michels Stange - jhls.dis@hotmail.com - CPF: 093.315.009-12 4 CADERNO MAPEADO Iniciaremos os estudos do dia com a teoria, através do nosso Caderno Mapeado. Neste ponto inicial, te disponibilizamos a teoria esquematizada e facilitada para que você, concurseiro, entenda a matéria antes de estudar a lei orgânica. Importante a sua atenção durante o estudo, pois a nomenclatura utilizada pelo edital nem sempre é a mesma utilizada pela legislação, mas o material segue os temas cobrados no certame. LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO 1) Introdução Neste momento iniciaremos os estudos sobre a LINDB. 1 - Lei: vigência; aplicação da lei no tempo e no espaço; integração e interpretação. Lei de introdução às normas do Direito Brasileiro. 2) Informações Gerais sobre a LINDB A LINDB era chamada de Lei de Introdução ao Código Civil, ou LICC, a qual, havia sido promulgada pelo Decreto-Lei n. 4.657 de 1942. A LICC era entendida como conjunto de normas de introdução ao Direito Civil/privado, entretanto, as normas não tratavam apenas do Direito Civil/ privado, tais normas se tratavam de uma teoria geral do direito. Por este motivo, foi promulgada a Lei nº 12.376 de 2010 que alterou a LICC, a qual, passou a se chamar de Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB). A LINDB possui 30 artigos, que abordam a vigência da lei, a aplicação da norma jurídica no tempo e no espaço, fontes do direito, dentre outros temas que estudaremos mais adiante. 3) Estrutura da LINDB De acordo com a doutrina a LINDB pode ser dividida da seguinte maneira: Vigência das normas: artigos 1° e 2°; Obrigatoriedade das normas: artigo 3°; Integração das normas: artigo 4°; Interpretação das normas: artigo 5°; Juhlen Maísa Michels Stange - jhls.dis@hotmail.com - CPF: 093.315.009-12 5 Aplicação da lei no tempo: artigo 6°; Aplicação da lei no espaço: artigos 7° a 19; Normas sobre segurança jurídica e eficiência na criação e na aplicação do direito público: artigos 20 a 30. Essa divisão ajuda na memorização da lei. 3.1) Vigência das normas Em primeiro lugar, é necessário saber que há diferença entre existência e vigência de uma lei, muitas vezes esses conceitos são confundidos. A existência de uma lei começa quando ela for promulgada, ou seja, ela já existe formalmente no mundo jurídico, mas não possui força coercitiva. Não se pode confundir a existência com vigência, pois após a promulgação há o tempo em que a norma necessita para ficar conhecida. Esse lapso temporal entre a lei ser publicada e entrar em vigência é chamado de vacatio legis. De acordo com a LINDB a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada. No período de vacatio legis a lei existe, mas ainda não é vigente. Entretanto, a Lei Complementar 95/98 fez uma modificação no art. 1º da LNDB e diz o seguinte: Art. 8º, LC 95/98 – a vigência da lei será indicada de forma expressa e de modo a contemplar prazo razoável para que dela se tenha amplo conhecimento, reservada a cláusula "entra em vigor na data de sua publicação" para as leis de pequena repercussão. Ou seja, a norma legal deve, obrigatoriamente, cumprir um período de vacatio legis. Esse prazo precisa corresponder ao número de dias necessários para que todos conheçam a legislação. Contudo essa norma é imperfeita, pois não há nenhuma sanção caso ela não seja cumprida. A contagem da vacatio legis segue a seguinte regra, inclui-se o primeiro e o último dia, entrando a lei em vigor no dia subsequente a consumação integral do prazo. No período de vacatio legis a lei existente, mas que ainda não está vigente poderá ser modificada. Entretanto, essa modificação precisa ser feita por uma nova lei. Já a mera correção de errospode ser feita por meio da simples republicação da lei com as devidas correções. Quando houver republicação da lei, o prazo de vacatio legis volta a correr do zero somente para a parte que foi retificada, as outras partes continuam com o prazo contando normalmente. Juhlen Maísa Michels Stange - jhls.dis@hotmail.com - CPF: 093.315.009-12 6 De acordo com o artigo 2º da LINDB, não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. No Brasil só se admite a revogação de uma lei por meio de outra lei, que revogará expressa ou tacitamente, no todo ou em parte a lei antiga. A revogação é gênero e a ab-rogação e derrogação são espécies. Além do mencionado, existe também o instituto da repristinação, que se dá quando são restabelecidos os efeitos de uma lei que foi revogada pela revogação da lei revogadora. Ex.: Lei X - Lei Y - Lei Z. A Lei Z revoga a Lei Y, os efeitos da Lei X não serão restabelecidos. No Brasil não se admite a repristinação como um instituto, entretanto, é aceita a existência de efeito repristinatório quando estiver expresso. 3.2) Obrigatoriedade da norma De acordo com o artigo 3º da LINDB, ninguém pode se escusar de cumprir a lei, alegando o desconhecimento dela. Presume-se que toda pessoa tem o conhecimento da Lei. 3.3) Integração da norma Conforme estabelece o artigo 4º da LINDB, quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito. A integração é o meio pelo qual o juiz complementa a norma. Existe a necessidade de complementação da norma pelo legislador pois não é possível prever todas as situações possíveis no mundo fático. Além disso, o ordenamento jurídico veda o non liquet, ou seja, o juiz não pode alegar o desconhecimento ou lacuna para eximir-se de fazer o julgamento. Revogação ab-rogação é a revogação total da lei derrogação é a revogação parcial da lei Juhlen Maísa Michels Stange - jhls.dis@hotmail.com - CPF: 093.315.009-12 7 O artigo 4º traz um rol taxativo e preferencial de integração da norma. Dessa maneira, o juiz deve observar essa ordem. Quando houver uma lacuna o magistrado é obrigado utilizar o instituto da integração da norma. Além do mais, é presumido que o magistrado saiba todas as leis, dessa maneira, a parte somente precisa “narrar o fato para que o juiz de uma solução”. Tome nota! Exceções: o magistrado pode estipular que a parte interessada faça prova da existência e vigência da lei alegada em 4 circunstâncias direito municipal. direito estadual. direito estrangeiro. direito consuetudinário. Outro ponto são as espécies de Lacunas, de acordo com Maria Helena Diniz: a) Lacuna normativa: ausência total de norma para um caso concreto; b) Lacuna ontológica: presença de norma para o caso concreto, mas que não tenha eficácia social; c) Lacuna axiológica: presença de norma para o caso concreto, mas cuja aplicação seja insatisfatória ou injusta; d) Lacuna de conflito ou antinomia: choque de duas ou mais normas válidas, pendente de solução no caso concreto. 3.3.1) Métodos de Integração da norma O juiz deverá utilizar a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito, nesta ordem pois o art. 4º da LINDB estabeleceu um rol taxativo e preferencial. a) Analogia É a primeira maneira de integração. A lacuna da lei é preenchida por meio da comparação, ou seja, compara-se o que está previsto em lei com a situação não prevista na legislação. Juhlen Maísa Michels Stange - jhls.dis@hotmail.com - CPF: 093.315.009-12 8 Além disso, a analogia pode ser de duas maneiras: Analogia legis: comparação de um caso previsto e outro não previsto na legislação. Analogia iuris: onde a lacuna é preenchida com a comparação do caso com sistema jurídico como um todo. b) Costumes Os costumes são usos reiterados de um local. Podem ser de três tipos: Costumes contra legem: são práticas atentatórias a lei. No Brasil não são admitidos os costumes contra legem. Costumes secundum legem: são costumes de acordo com a lei, inclusive a utilização é expressa na própria legislação. Ex.: Art. 445, §2º, CC - tratando-se de venda de animais, os prazos de garantia por vícios ocultos serão os estabelecidos em lei especial, ou, na falta desta, pelos usos locais, aplicando-se o disposto no parágrafo antecedente se não houver regras disciplinando a matéria. Costumes praeter legem: não foram previstos na lei, servem para preencher lacunas. Alguns requisitos para a utilização dos costumes são: continuidade, uniformidade, diuturnidade, moralidade, obrigatoriedade. Dessa maneira, é necessário que o costume tenha um tempo de prática considerável, esteja enraizado na população. c) Princípios gerais de direito Os princípios gerais do direito somente são utilizados quando não foi possível decidir com base na lei, na analogia e nos costumes. Existem dois diferentes tipos de princípios: os princípios fundamentais e os princípios informativos do direito/ gerais. Princípios fundamentais: os princípios fundamentais detêm força normativa. Princípios gerais: são apenas recomendações, tem caráter propositivo, são universais e não possuem força normativa. Juhlen Maísa Michels Stange - jhls.dis@hotmail.com - CPF: 093.315.009-12 9 3.4) Interpretação da norma De acordo com o artigo 5º na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige a e as exigências do bem comum. Interpretar a norma é buscar o alcance e o sentido, ou seja, busca-se o sentido de uma norma que já existe. Além disso, a interpretação necessita atender aos fins sociais da destinação da norma. A interpretação pode ser ampliativa, declaratória ou restritiva. Vejamos: Interpretação ampliativa – normas que tratam sobre direitos fundamentais individuais ou sociais são submetidas a interpretação ampliativa. Interpretação declaratória – normas de direito administrativo se submetem a essa interpretação por conta do princípio da legalidade. Interpretação restritiva – são normas que estabelecem privilégio, sanção, renúncia, fiança e aval. 3.5) Aplicação da lei no tempo A regra do direito brasileiro é a irretroatividade da lei. Entretanto, admitem-se excepcionalmente, efeitos retroativos quando houver os seguintes requisitos: expressa disposição: é necessário que a lei diga que serão produzidos efeitos retroativos. que a retroatividade não prejudique o ato jurídico perfeito, a coisa julgada e o direito adquirido. Um ponto importante, é que não existe direito adquirido diante do poder constituinte, pois ele traz uma nova ordem jurídica. 3.6) Aplicação da lei no espaço Via de regra, em território brasileiro se aplica a lei brasileira. De acordo com a LINDB, as leis, atos e sentenças de outro país, bem como quaisquer declarações de vontade, não terão eficácia no Brasil, quando ofenderem a soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes. Entretanto, existem algumas situações excepcionais que a própria LINDB admite que seja aplicada a lei estrangeira no território brasileiro. Sendo assim, o Brasil adotou a teoria da territorialidade mitigada, via de regra, aplica-se ao crime cometido no território nacional a lei brasileira, entretanto, de maneira excepcional, a lei estrangeira é aplicável a delitos cometidos total ou parcialmente em território nacional, quando determinarem os tratados e convenções internacionais. Juhlen Maísa Michels Stange - jhls.dis@hotmail.com - CPF: 093.315.009-12 10 Para que seja aplicada a lei estrangeira no território nacional é necessário que haja uma regra de conexão, a qual, é chamada de estatuto pessoal – onde se aplica a lei do domicílio do interessado. A LINDB prevê 07 hipóteses de aplicação da lei estrangeira no território brasileiro: nome, personalidade, capacidade,direito de família, bens móveis que o interessado traz consigo, penhor, capacidade sucessória. Além do mencionado, existem três hipóteses em que a LINDB admite a aplicação da lei estrangeira sem a obediência do domicílio do interessado, quais sejam: Conflito sobre bens imóveis: aplica-se a lei do lugar em que está situado o imóvel. Lei sucessória mais benéfica ao cônjuge ou aos filhos. Lugar da obrigação: caso de contratos internacionais se aplica a lei de residência do proponente. 4) Antinomia jurídica ou lacuna de colisão A antinomia é a presença de duas normas que conflitam, são válidas e emanadas de autoridade competente. 4.1) Critérios básicos de solução dos choques entre as normas 4.2) Classificação das antinomias a) Antinomia de 1º grau Envolve apenas um dos critérios citados acima. b) Antinomia de 2º grau Critérios Critério cronológico A norma posterior prevalece sobre a anterior. Critério da especialidade A norma especial prevalece sobre a norma geral. Critério hierárquico A norma superior prevalece sobre a inferior. Juhlen Maísa Michels Stange - jhls.dis@hotmail.com - CPF: 093.315.009-12 11 Quando envolve dois ou mais critérios analisados, ou quando não houver a possibilidade de solução pelos demais critérios. c) Antinomia aparente Pode ser solucionada pelos critérios da especialidade, hierarquia e cronológico. Quando a própria legislação mencionar o critério para a solução do conflito. d) Antinomia real É aquela que não pode ser resolvida pelos critérios mencionados acima. Juhlen Maísa Michels Stange - jhls.dis@hotmail.com - CPF: 093.315.009-12 12 LEGISLAÇÃO MAPEADA Após o estudo da teoria iniciaremos o estudo dos dispositivos da legislação para a sua prova. Trata- se de um estudo fundamental em busca da sua aprovação e, portanto, requer muita atenção. LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO Art. 1º Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país 45 dias depois de oficialmente publicada. § 1º Nos Estados, estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, se inicia 3 meses depois de oficialmente publicada. § 2º (Revogado pela Lei nº 12.036, de 2009). § 3º Se, antes de entrar a lei em vigor, ocorrer nova publicação de seu texto, destinada a correção, o prazo deste artigo e dos parágrafos anteriores começará a correr da nova publicação. § 4º As correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova. Comentário: VACATIO LEGIS Lapso temporal entre a publicação da norma e o momento em que produzirá efeitos. A própria norma poderá estabelecer o prazo para sua vigência, mas caso não faça, serão obedecidos os seguintes prazos: Brasil 45 dias – salvo disposição em contrário Estado estrangeiro 3 meses Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. Juhlen Maísa Michels Stange - jhls.dis@hotmail.com - CPF: 093.315.009-12 13 § 3º Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. Art. 3º Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. Art. 4º Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito. Art. 5º Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum. Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. § 1º Reputa-se ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. § 2º Consideram-se adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém por ele, possa exercer, como aqueles cujo começo do exercício tenha termo pré-fixo, ou condição pré-estabelecida inalterável, a arbítrio de outrem. § 3º Chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso. Comentário: VIGÊNCIA X VIGOR Vigência Vigor Período de validade da norma Período de real produção de efeitos Duração Força vinculante Questão meramente temporal Questão de efetiva eficácia Art. 7º A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família. § 1º Realizando-se o casamento no Brasil, será aplicada a lei brasileira quanto aos impedimentos dirimentes e às formalidades da celebração. § 2º O casamento de estrangeiros poderá celebrar-se perante autoridades diplomáticas ou consulares do país de ambos os nubentes. Juhlen Maísa Michels Stange - jhls.dis@hotmail.com - CPF: 093.315.009-12 14 § 3º Tendo os nubentes domicílio diverso, regerá os casos de invalidade do matrimônio a lei do primeiro domicílio conjugal. § 4º O regime de bens, legal ou convencional, obedece à lei do país em que tiverem os nubentes domicílio, e, se este for diverso, a do primeiro domicílio conjugal. § 5º - O estrangeiro casado, que se naturalizar brasileiro, pode, mediante expressa anuência de seu cônjuge, requerer ao juiz, no ato de entrega do decreto de naturalização, se apostile ao mesmo a adoção do regime de comunhão parcial de bens, respeitados os direitos de terceiros e dada esta adoção ao competente registro. § 6º O divórcio realizado no estrangeiro, se um ou ambos os cônjuges forem brasileiros, só será reconhecido no Brasil depois de 1 (um) ano da data da sentença, salvo se houver sido antecedida de separação judicial por igual prazo, caso em que a homologação produzirá efeito imediato, obedecidas as condições estabelecidas para a eficácia das sentenças estrangeiras no país. O Superior Tribunal de Justiça, na forma de seu regimento interno, poderá reexaminar, a requerimento do interessado, decisões já proferidas em pedidos de homologação de sentenças estrangeiras de divórcio de brasileiros, a fim de que passem a produzir todos os efeitos legais. § 7º Salvo o caso de abandono, o domicílio do chefe da família estende-se ao outro cônjuge e aos filhos não emancipados, e o do tutor ou curador aos incapazes sob sua guarda. § 8º Quando a pessoa não tiver domicílio, considerar-se-á domiciliada no lugar de sua residência ou naquele em que se encontre. Art. 8º Para qualificar os bens e regular as relações a eles concernentes, aplicar-se-á a lei do país em que estiverem situados. § 1º Aplicar-se-á a lei do país em que for domiciliado o proprietário, quanto aos bens moveis que ele trouxer ou se destinarem a transporte para outros lugares. § 2º O penhor regula-se pela lei do domicílio que tiver a pessoa, em cuja posse se encontre a coisa apenhada. Art. 9º Para qualificar e reger as obrigações, aplicar-se-á a lei do país em que se constituírem. § 1º Destinando-se a obrigação a ser executada no Brasil e dependendo de forma essencial, será esta observada, admitidas as peculiaridades da lei estrangeira quanto aos requisitos extrínsecos do ato. § 2º A obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no lugar em que residir o proponente. Art. 10. A sucessão por morte ou por ausência obedece à lei do país em que domiciliado o defunto ou o desaparecido, qualquer que seja a natureza e a situação dos bens. § 1º A sucessão de bens de estrangeiros, situados no País, será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, ou de quem os represente, sempre que não lhes seja mais favorável a leipessoal do de cujus. Juhlen Maísa Michels Stange - jhls.dis@hotmail.com - CPF: 093.315.009-12 15 § 2º A lei do domicílio do herdeiro ou legatário regula a capacidade para suceder. Art. 11. As organizações destinadas a fins de interesse coletivo, como as sociedades e as fundações, obedecem à lei do Estado em que se constituírem. § 1º Não poderão, entretanto ter no Brasil filiais, agências ou estabelecimentos antes de serem os atos constitutivos aprovados pelo Governo brasileiro, ficando sujeitas à lei brasileira. § 2º Os Governos estrangeiros, bem como as organizações de qualquer natureza, que eles tenham constituído, dirijam ou hajam investido de funções públicas, não poderão adquirir no Brasil bens imóveis ou susceptíveis de desapropriação. § 3º Os Governos estrangeiros podem adquirir a propriedade dos prédios necessários à sede dos representantes diplomáticos ou dos agentes consulares. Art. 12. É competente a autoridade judiciária brasileira, quando for o réu domiciliado no Brasil ou aqui tiver de ser cumprida a obrigação. § 1º Só à autoridade judiciária brasileira compete conhecer das ações relativas a imóveis situados no Brasil. § 2º A autoridade judiciária brasileira cumprirá, concedido o exequatur e segundo a forma estabelecida pela lei brasileira, as diligências deprecadas por autoridade estrangeira competente, observando a lei desta, quanto ao objeto das diligências. Art. 13. A prova dos fatos ocorridos em país estrangeiro rege-se pela lei que nele vigorar, quanto ao ônus e aos meios de produzir-se, não admitindo os tribunais brasileiros provas que a lei brasileira desconheça. Art. 14. Não conhecendo a lei estrangeira, poderá o juiz exigir de quem a invoca prova do texto e da vigência. Art. 15. Será executada no Brasil a sentença proferida no estrangeiro, que reúna os seguintes requisitos: a) haver sido proferida por juiz competente; b) terem sido os partes citadas ou haver-se legalmente verificado à revelia; c) ter passado em julgado e estar revestida das formalidades necessárias para a execução no lugar em que foi proferida; d) estar traduzida por intérprete autorizado; e) ter sido homologada pelo Supremo Tribunal Federal. Parágrafo único. (Revogado pela Lei nº 12.036, de 2009) Juhlen Maísa Michels Stange - jhls.dis@hotmail.com - CPF: 093.315.009-12 16 Art. 16. Quando, nos termos dos artigos precedentes, se houver de aplicar a lei estrangeira, ter-se- á em vista a disposição desta, sem considerar-se qualquer remissão por ela feita a outra lei. Art. 17. As leis, atos e sentenças de outro país, bem como quaisquer declarações de vontade, não terão eficácia no Brasil, quando ofenderem a soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes. Art. 18. Tratando-se de brasileiros, são competentes as autoridades consulares brasileiras para lhes celebrar o casamento e os mais atos de Registro Civil e de tabelionato, inclusive o registro de nascimento e de óbito dos filhos de brasileiros ou brasileira nascido no país da sede do Consulado. § 1º As autoridades consulares brasileiras também poderão celebrar a separação consensual e o divórcio consensual de brasileiros, não havendo filhos menores ou incapazes do casal e observados os requisitos legais quanto aos prazos, devendo constar da respectiva escritura pública as disposições relativas à descrição e à partilha dos bens comuns e à pensão alimentícia e, ainda, ao acordo quanto à retomada pelo cônjuge de seu nome de solteiro ou à manutenção do nome adotado quando se deu o casamento. § 2º É indispensável a assistência de advogado, devidamente constituído, que se dará mediante a subscrição de petição, juntamente com ambas as partes, ou com apenas uma delas, caso a outra constitua advogado próprio, não se fazendo necessário que a assinatura do advogado conste da escritura pública. Art. 19. Reputam-se válidos todos os atos indicados no artigo anterior e celebrados pelos cônsules brasileiros na vigência do Decreto-lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942, desde que satisfaçam todos os requisitos legais. Parágrafo único. No caso em que a celebração desses atos tiver sido recusada pelas autoridades consulares, com fundamento no artigo 18 do mesmo Decreto-lei, ao interessado é facultado renovar o pedido dentro em 90 (noventa) dias contados da data da publicação desta lei. Art. 20. Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá com base em valores jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão. Parágrafo único. A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da medida imposta ou da invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, inclusive em face das possíveis alternativas. Art. 21. A decisão que, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, decretar a invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa deverá indicar de modo expresso suas consequências jurídicas e administrativas. Parágrafo único. A decisão a que se refere o caput deste artigo deverá, quando for o caso, indicar as condições para que a regularização ocorra de modo proporcional e equânime e sem prejuízo aos interesses gerais, não se podendo impor aos sujeitos atingidos ônus ou perdas que, em função das peculiaridades do caso, sejam anormais ou excessivos. Juhlen Maísa Michels Stange - jhls.dis@hotmail.com - CPF: 093.315.009-12 17 Art. 22. Na interpretação de normas sobre gestão pública, serão considerados os obstáculos e as dificuldades reais do gestor e as exigências das políticas públicas a seu cargo, sem prejuízo dos direitos dos administrados. § 1º Em decisão sobre regularidade de conduta ou validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, serão consideradas as circunstâncias práticas que houverem imposto, limitado ou condicionado a ação do agente. § 2º Na aplicação de sanções, serão consideradas a natureza e a gravidade da infração cometida, os danos que dela provierem para a administração pública, as circunstâncias agravantes ou atenuantes e os antecedentes do agente. § 3º As sanções aplicadas ao agente serão levadas em conta na dosimetria das demais sanções de mesma natureza e relativas ao mesmo fato. Art. 23. A decisão administrativa, controladora ou judicial que estabelecer interpretação ou orientação nova sobre norma de conteúdo indeterminado, impondo novo dever ou novo condicionamento de direito, deverá prever regime de transição quando indispensável para que o novo dever ou condicionamento de direito seja cumprido de modo proporcional, equânime e eficiente e sem prejuízo aos interesses gerais. Parágrafo único. (VETADO). Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. Parágrafo único. Consideram-se orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. Art. 25. (VETADO). Art. 26. Para eliminar irregularidade, incerteza jurídica ou situação contenciosa na aplicação do direito público, inclusive no caso de expedição de licença, a autoridade administrativa poderá, após oitiva do órgão jurídico e, quando for o caso, após realização de consulta pública, e presentes razões de relevante interesse geral, celebrar compromisso com os interessados, observada a legislação aplicável, oqual só produzirá efeitos a partir de sua publicação oficial. § 1º O compromisso referido no caput deste artigo: I - buscará solução jurídica proporcional, equânime, eficiente e compatível com os interesses gerais; II – (VETADO); III - não poderá conferir desoneração permanente de dever ou condicionamento de direito reconhecidos por orientação geral; Juhlen Maísa Michels Stange - jhls.dis@hotmail.com - CPF: 093.315.009-12 18 IV - deverá prever com clareza as obrigações das partes, o prazo para seu cumprimento e as sanções aplicáveis em caso de descumprimento. § 2º (VETADO). Art. 27. A decisão do processo, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, poderá impor compensação por benefícios indevidos ou prejuízos anormais ou injustos resultantes do processo ou da conduta dos envolvidos. § 1º A decisão sobre a compensação será motivada, ouvidas previamente as partes sobre seu cabimento, sua forma e, se for o caso, seu valor. § 2º Para prevenir ou regular a compensação, poderá ser celebrado compromisso processual entre os envolvidos. Art. 28. O agente público responderá pessoalmente por suas decisões ou opiniões técnicas em caso de dolo ou erro grosseiro. § 1º (VETADO). § 2º (VETADO). § 3º (VETADO). Art. 29. Em qualquer órgão ou Poder, a edição de atos normativos por autoridade administrativa, salvo os de mera organização interna, poderá ser precedida de consulta pública para manifestação de interessados, preferencialmente por meio eletrônico, a qual será considerada na decisão. § 1º A convocação conterá a minuta do ato normativo e fixará o prazo e demais condições da consulta pública, observadas as normas legais e regulamentares específicas, se houver. § 2º (VETADO). Art. 30. As autoridades públicas devem atuar para aumentar a segurança jurídica na aplicação das normas, inclusive por meio de regulamentos, súmulas administrativas e respostas a consultas. Parágrafo único. Os instrumentos previstos no caput deste artigo terão caráter vinculante em relação ao órgão ou entidade a que se destinam, até ulterior revisão. Juhlen Maísa Michels Stange - jhls.dis@hotmail.com - CPF: 093.315.009-12 19 QUESTÕES MAPEADAS Finalizaremos os estudos do tema com algumas questões de fixação! Responder as questões de fixação é importante para consolidar os conhecimentos adquiridos. Não tenha medo de errar, pois agora estamos treinando! Vamos lá! Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro 1 – (Inédito 2023) De acordo com a LINDB, a lei começa a vigorar em todo o país 60 dias depois de oficialmente publicada. ( ) Certo ( ) Errado 2 – (Inédito 2023) Nos Estados, estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, se inicia 6 meses depois de oficialmente publicada. ( ) Certo ( ) Errado 3 – (Inédito 2023) A vacatio legis é o lapso temporal entre a publicação da norma e o momento em que produzirá efeitos. ( ) Certo ( ) Errado 4 – (Inédito 2023) A lei revogada se restaura quando a lei revogadora perde a vigência. ( ) Certo ( ) Errado 5 – (Inédito 2023) Uma pessoa poderá descumprir a lei e alegar que não tinha conhecimento sobre ela. ( ) Certo ( ) Errado 6 – (Inédito 2023) Quando a pessoa não tiver domicílio, considerar-se-á domiciliada no lugar de sua residência ou naquele em que se encontre. ( ) Certo ( ) Errado Juhlen Maísa Michels Stange - jhls.dis@hotmail.com - CPF: 093.315.009-12 20 7 – (Inédito 2023) A sucessão por morte ou por ausência obedece à lei do país em que domiciliado o defunto ou o desaparecido, qualquer que seja a natureza e a situação dos bens. ( ) Certo ( ) Errado 8 – (Inédito 2023) É competente a autoridade judiciária estrangeira, quando for o réu domiciliado no Brasil ou aqui tiver de ser cumprida a obrigação. ( ) Certo ( ) Errado 9 – (Inédito 2023) As leis, atos e sentenças de outro país, bem como quaisquer declarações de vontade, terão eficácia no Brasil, mesmo quando ofenderem a soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes. ( ) Certo ( ) Errado 10 – (Inédito 2023) O agente público responderá pessoalmente por suas decisões ou opiniões técnicas em caso de dolo ou erro grosseiro. ( ) Certo ( ) Errado Juhlen Maísa Michels Stange - jhls.dis@hotmail.com - CPF: 093.315.009-12 21 Gabarito Comentado 1 – De acordo com a LINDB, a lei começa a vigorar em todo o país 60 dias depois de oficialmente publicada. Gabarito: Errado. Comentário: Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país 45 dias depois de oficialmente publicada. 2 – Nos Estados, estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, se inicia 6 meses depois de oficialmente publicada. Gabarito: Errado. Comentário: Nos Estados, estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, se inicia 3 meses depois de oficialmente publicada. 3 – A vacatio legis é o lapso temporal entre a publicação da norma e o momento em que produzirá efeitos. Gabarito: Correto. Comentário: De acordo com a LINDB a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada. 4 – A lei revogada se restaura quando a lei revogadora perde a vigência. Gabarito: Errado. Comentário: Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. 5 – Uma pessoa poderá descumprir a lei e alegar que não tinha conhecimento sobre ela. Gabarito: Errado. Comentário: Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. 6 – Quando a pessoa não tiver domicílio, considerar-se-á domiciliada no lugar de sua residência ou naquele em que se encontre. Juhlen Maísa Michels Stange - jhls.dis@hotmail.com - CPF: 093.315.009-12 22 Gabarito: Correto. Comentário: Está de acordo com o art. 7º, §8º da LINDB. 7 – A sucessão por morte ou por ausência obedece à lei do país em que domiciliado o defunto ou o desaparecido, qualquer que seja a natureza e a situação dos bens. Gabarito: Correto. Comentário: Está de acordo com o art. 10 da LINDB. 8 – É competente a autoridade judiciária estrangeira, quando for o réu domiciliado no Brasil ou aqui tiver de ser cumprida a obrigação. Gabarito: Errado. Comentário: É competente a autoridade judiciária brasileira, quando for o réu domiciliado no Brasil ou aqui tiver de ser cumprida a obrigação. 9 – As leis, atos e sentenças de outro país, bem como quaisquer declarações de vontade, terão eficácia no Brasil, mesmo quando ofenderem a soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes. Gabarito: Errado. Comentário: As leis, atos e sentenças de outro país, bem como quaisquer declarações de vontade, não terão eficácia no Brasil, quando ofenderem a soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes. 10 – O agente público responderá pessoalmente por suas decisões ou opiniões técnicas em caso de dolo ou erro grosseiro. Gabarito: Correto. Comentário: Está de acordo com o art. 28 da LINDB. Juhlen Maísa Michels Stange - jhls.dis@hotmail.com - CPF: 093.315.009-12