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DIREITO PROCESSUAL PENAL 01 @RADEGONDESS 1 www.radegondesresumos.com SUMÁRIO CONSIDERAÇÕES INICIAIS .................................................................................................... 2 CONTEÚDO DO RESUMO ..................................................................................................... 3 DIREITO PROCESSUAL PENAL ............................................................................................... 5 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................ 5 SISTEMAS PROCESSUAIS PENAIS ............................................................................................... 6 GARANTISMO PENAL INTEGRAL................................................................................................ 7 PRINCÍPIOS DO DIREITO PROCESSUAL PENAL ........................................................................... 7 PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL ................................................................................. 8 PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO ................................................................................................ 9 PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA................................................................................................. 11 PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA ............................................................................. 11 PRINCÍPIO DA VERDADE REAL ................................................................................................. 12 PRINCÍPIO DA DISPONIBILIDADE DA AÇÃO PENAL DE INICIATIVA PRIVADA .......................... 12 PRINCÍPIO DA INTRANSCENDÊNCIA DA PENA ......................................................................... 13 PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL .................................................................................................. 14 PRINCÍPIO DA CONFIANÇA NO JUIZ DA CAUSA ....................................................................... 14 PRINCÍPIO DA OBRIGATORIEDADE DA AÇÃO PENAL PÚBLICA ................................................ 15 PRINCÍPIO DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO .......................................................................... 16 PRINCÍPIO DO NON BIS IN IDEM ............................................................................................. 17 PRINCÍPIO DA NÃO AUTOINCRIMINAÇÃO .............................................................................. 17 COMUNICAÇÃO DA PRISÃO .................................................................................................... 18 USO DE ALGEMAS ................................................................................................................... 19 DIREITO CANÔNICO ................................................................................................................. 20 EDIÇÃO DE MEDIDAS PROVISÓRIAS ........................................................................................ 20 INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO DA LEI PROCESSUAL PENAL ................................................ 21 APLICAÇÃO ANALÓGICA .......................................................................................................... 21 FONTES DO DIREITO PROCESSUAL PENAL .............................................................................. 22 APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL PENAL NO ESPAÇO .............................................................. 23 APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL PENAL NO TEMPO .............................................................. 24 CADERNO DE QUESTÕES DO TEC ........................................................................................ 25 http://www.radegondesresumos.com/ DIREITO PROCESSUAL PENAL 01 @RADEGONDESS 2 www.radegondesresumos.com CONSIDERAÇÕES INICIAIS Pessoal, é com muita satisfação que damos as boas-vindas ao nosso material de DIREITO PROCESSUAL PENAL. Sabemos que essa disciplina é extensa, com uma série de conceitos que muitas vezes podem gerar dúvidas e dificuldades na hora de estudar. Nossa equipe se dedicou ao máximo para garantir que esse material de estudo seja assertivo e eficiente. Selecionamos cuidadosamente os principais assuntos de acordo com sua relevância, incidência em provas, amplitude e complexidade. Além disso, nosso objetivo foi otimizar o tempo de estudo de vocês, fornecendo um material que seja de fácil compreensão. Para isso, incluímos comentários explicativos, esquemas visuais e exemplos práticos, tudo com o intuito de facilitar o entendimento dos temas abordados. Sabemos que a preparação para um concurso exige muito esforço e dedicação, e estamos aqui para auxiliá-los nessa jornada. Esperamos que esse material seja uma ferramenta valiosa em sua preparação, proporcionando um aprendizado consistente e eficaz. Nunca é demais lembrarmos que adotamos as seguintes premissas na elaboração deste material: ✓ Histórico de cobrança das principais bancas; e ✓ Exclusão de conceitos que não possuem histórico de cobrança relevante. Por fim, qualquer crítica ou sugestão envie um e-mail para: contato@radegondesresumos.com Desejamos a todos ótimos estudos! Equipe Radegondes http://www.radegondesresumos.com/ DIREITO PROCESSUAL PENAL 01 @RADEGONDESS 3 www.radegondesresumos.com CONTEÚDO DO RESUMO 01 Direito Processual Penal. Introdução. Sistemas Processuais Penais. Garantismo Penal Integral. Principais Princípios do Direito Processual Penal. Comunicação da Prisão. Uso de Algemas. Direito Canônico. Edição de Medidas Provisórias. Interpretação e Integração da Lei Processual Penal. Aplicação Analógica. Fontes do Direito Processual Penal. Aplicação da Lei Processual Penal no Espaço. Aplicação da Lei Processual Penal no Tempo. 02 Inquérito Policial. Competências do Juiz das Garantias. Finalidade da Polícia Judiciária. Início do Inquérito Policial. Reprodução Simulada dos Fatos. Prazo do Inquérito. Instrumentos do Crime. Dados e Informações Cadastrais. Arquivamento do Inquérito Policial. Crimes que Não Cabem Ação Penal Pública. Remessa dos Autos ao Juiz Competente. Denúncia Anônima. 03 Da Ação Penal. Ação Penal Pública Condicionada X Incondicionada. Procedimento para a Ação Penal Pública. Iniciativa do Ministério Público por Meio de Provocação. Procedimento Após o Arquivamento do Inquérito Policial. Acordo de Não Persecução Penal (ANPP). Ação Penal Privada Subsidiária da Pública. Decadência do Direito de Queixa. Desistência da Ação Penal pelo MP. Renúncia ao Exercício do Direito de Queixa. Concessão do Perdão pelo Ofendido. Perempção da Ação Penal. 04 Da Competência. Da Competência Pelo Lugar da Infração. Da Competência Pelo Domicílio ou Residência do Réu. Da Competência Por Distribuição. Da Competência Por Conexão ou Continência. Continência Por Cumulação Objetiva. Disposições Especiais. 05 Da Prova – Parte 01. Convicção do Juiz Formada Pela Livre Apreciação da Prova. Das Provas Inadmissíveis. Das Fontes Independentes. Do Exame de Corpo de Delito. Da Cadeia de Custódia. Do Laudo Pericial. Falta de Exame Complementar. Negação da Realização de Perícia. Dos Documentos. Teoria da Descoberta Inevitável. 06 Da Prova – Parte 02. Do Interrogatório do Acusado. Da Confissão. Do Ofendido. Das Testemunhas. Testemunha Que Deixa de Comparecer à Audiência. Do Reconhecimento de Pessoas e Coisas. Da Acareação. Dos Documentos. Da Busca e da Apreensão. Do Território de Jurisdição Alheia. http://www.radegondesresumos.com/ DIREITO PROCESSUAL PENAL 01 @RADEGONDESS 4 www.radegondesresumos.com 07 Da Prisão – Parte 01. Das Medidas Cautelares. Modalidades de Prisão. Da Prisão em Flagrante. Da Audiência de Custódia. Da Prisão Preventiva. Revogação da Prisão Preventiva. Garantia Constitucional. 08 Da Prisão– Parte 02. Da Prisão Domiciliar. Da Substituição da Prisão Preventiva pela Domiciliar. Das Outras Medidas Cautelares. Da Liberdade Provisória, com ou sem Fiança. Da Fiança. Cassação da Fiança. Quebra da Fiança. Quando Couber Fiança. 09 Bônus. Jurisprudências Relevantes. http://www.radegondesresumos.com/ DIREITO PROCESSUAL PENAL 01 @RADEGONDESS 5 www.radegondesresumos.com DIREITO PROCESSUAL PENAL INTRODUÇÃO O Direito Processual Penal é a parte do ordenamento jurídico que regula os procedimentos e trâmites a serem seguidos no âmbito do processo penal, ou seja, define as regras que devem ser observadas desde a investigação até a execução da sentença em um processo criminal. EXEMPLO: Um exemplo de aplicação do Direito Processual Penal seria uma denúncia oferecida pelo Ministério Público contra um indivíduo por homicídio. Neste caso, o processo penal seguiria uma série de ritos estabelecidos pela legislação penal vigente. De forma resumida, podemos considerar a sequência das etapas abaixo: Todas essas etapas seriam regidas pelo Direito Processual Penal, garantindo o devido processo legal e respeitando os direitos e garantias fundamentais do acusado. INQUÉRITO POLICIAL MINISTÉRIO PÚBLICO (MP) OFERECIMENTO DA DENÚNCIA PELO MP RECEBIMENTO DA DENÚNCIA PELO JUIZ INSTRUÇÃO PROCESSUAL DEBATES ENTRE DEFESA E ACUSAÇÃO DECISÃO DO JUIZ http://www.radegondesresumos.com/ DIREITO PROCESSUAL PENAL 01 @RADEGONDESS 6 www.radegondesresumos.com SISTEMAS PROCESSUAIS PENAIS Os sistemas processuais penais se diferenciam principalmente quanto à distribuição de funções entre as partes (autor e réu) e ao papel do juiz na condução do processo. SISTEMA PROCESSUAL PENAL ACUSATÓRIO No sistema acusatório, as funções de acusar, defender e julgar são separadas e exercidas por diferentes sujeitos: ✓ O Ministério Público acusa; ✓ A defesa defende; e ✓ O juiz julga de forma imparcial. Esse é o sistema adotado no Brasil. INQUISITIVO No sistema inquisitivo, o juiz concentra em si a investigação, a acusação e o julgamento, assumindo um papel mais ativo e diretivo no processo. MISTO No sistema misto, há uma combinação dos dois anteriores. Nesse sistema, o juiz possui tanto um papel mais ativo na instrução do processo, como também respeita os princípios do contraditório e da ampla defesa. QUESTÃO-EXEMPLO (QUESTÃO) O sistema processual penal acusatório antagoniza o sistema inquisitivo, entre outras razões, por vedar a substituição probatória do órgão de acusação pelo juiz. (CERTO) COMENTÁRIO: O sistema processual penal acusatório antagoniza (opõe-se) o sistema inquisitivo, entre outras razões, por vedar (proibir) a substituição probatória do órgão de acusação (ex.: Ministério Público) pelo juiz. Isso significa que o juiz não pode substituir as provas apresentadas pelo Ministério Público durante o processo penal. Ou seja, o juiz não pode buscar ou determinar a produção de provas que não foram apresentadas pela acusação, devendo se limitar a analisar as provas já apresentadas e argumentos feitos pela parte acusadora. Isso garante a imparcialidade do juiz e o devido processo legal, evitando que ele atue de forma parcial na condução do processo. http://www.radegondesresumos.com/ DIREITO PROCESSUAL PENAL 01 @RADEGONDESS 7 www.radegondesresumos.com GARANTISMO PENAL INTEGRAL O garantismo penal integral no processo penal brasileiro consiste em assegurar que os direitos fundamentais do réu, da vítima e os interesses da sociedade sejam equilibrados durante todo o processo. EXEMPLO: Um exemplo disso seria o respeito ao princípio da presunção de inocência, que garante que o réu seja considerado inocente até que sua culpa seja comprovada de forma conclusiva. Este princípio protege o direito do réu a um julgamento justo e imparcial, garantindo que ele não seja tratado de forma arbitrária ou injusta durante o processo penal. Ao mesmo tempo, garante-se que a vítima também tenha seus direitos respeitados, recebendo proteção e assistência adequadas durante todo o processo. O garantismo penal integral busca, portanto, equilibrar esses direitos e interesses, a fim de garantir um processo penal justo e equitativo para todas as partes envolvidas. PRINCÍPIOS DO DIREITO PROCESSUAL PENAL Os princípios do Direito Processual Penal são fundamentos que orientam a aplicação das normas e garantem a proteção dos direitos fundamentais no processo criminal. Dentre os principais princípios estão: ✓ Princípio do devido processo legal; ✓ Princípio do contraditório; ✓ Princípio da ampla defesa; ✓ Princípio da presunção de inocência; ✓ Princípio da verdade real; ✓ Princípio da disponibilidade da ação penal de iniciativa privada; ✓ Princípio da intranscendência da pena; ✓ Princípio do juiz natural; ✓ Princípio da confiança do juiz na causa; entre outros; ✓ Princípio do duplo grau de jurisdição; ✓ Princípio do Non Bis in Idem; ✓ Princípio da não autoincriminação. http://www.radegondesresumos.com/ DIREITO PROCESSUAL PENAL 01 @RADEGONDESS 8 www.radegondesresumos.com PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL O princípio do devido processo legal é uma garantia constitucional que assegura que todas as partes envolvidas em um processo legal tenham o direito a um julgamento justo e imparcial, com todas as garantias necessárias para a defesa de seus direitos. CONSTITUIÇÃO FEDERAL Art. 5º. (...) LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; EXEMPLO: Um exemplo prático do princípio do devido processo legal é garantir que o réu tenha o direito de se defender, apresentar provas e testemunhas, ser assistido por um advogado, e que todas as provas sejam produzidas de forma legal e válida, respeitando os direitos fundamentais do acusado. Este princípio também garante que o juiz seja imparcial e que as partes sejam ouvidas de forma equânime durante todo o processo. OBSERVAÇÕES 01 O sigilo do processo não constitui corolário do princípio do devido processo legal, ou seja, o sigilo do processo não é uma consequência direta do princípio do devido processo legal. 02 Como corolário (consequência direta) do princípio do contraditório, podemos afirmar que o Ministério Público deve ser intimado de um documento novo juntado aos autos pela defesa. http://www.radegondesresumos.com/ DIREITO PROCESSUAL PENAL 01 @RADEGONDESS 9 www.radegondesresumos.com PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO O princípio do contraditório é um dos princípios fundamentais do processo penal, que garante às partes o direito de se manifestarem, apresentarem provas e contradizerem os argumentos da parte adversa. Ou seja, é o direito de o acusado ter ciência de todas as provas produzidas no processo e de se manifestar sobre elas, bem como de contestar as alegações do Ministério Público. CONSTITUIÇÃO FEDERAL Art. 5º. (...) LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; EXEMPLO: O réu tem o direito de ser intimado para participar de todos os atos do processo, como depoimentos de testemunhas, juntada de documentos e alegações finais. Dessa forma, o réu tem a oportunidade de se defender e contestar as acusações feitas contra si, garantindo a igualdade de armas entre as partes. QUESTÃO-EXEMPLO (QUESTÃO) Sobre a possibilidade de imposição de astreintes no processo penal, visando conferir efetividade às decisões judiciais, é correto afirmar que não viola o princípio do contraditório a constrição de numerário por meio do sistema BacenJud quando o devedor, após deixar de cumprir determinação judicialanterior e de realizar o pagamento de multa diária cominada, é alertado do risco de adoção de outras medidas cautelares. (CERTO) COMENTÁRIO: As astreintes são multas diárias aplicadas pelo descumprimento de uma ordem judicial, visando compelir o devedor a cumprir a determinação judicial. Essa medida não viola o princípio do contraditório, pois o réu foi alertado previamente sobre as consequências do não pagamento das multas diárias e teve a oportunidade de se manifestar ou contestar a decisão judicial antes que outras medidas cautelares fossem adotadas. Assim, o réu teve a chance de participar do processo e se defender, garantindo-se o contraditório. EXEMPLO: Imagine que um réu em um processo penal foi condenado a pagar uma multa diária por descumprimento de uma ordem judicial, como por exemplo, não comparecer a uma audiência. Após deixar de cumprir essa determinação e acumular uma certa quantidade de http://www.radegondesresumos.com/ DIREITO PROCESSUAL PENAL 01 @RADEGONDESS 10 www.radegondesresumos.com multas, o sistema judicial emite um alerta ao réu de que outras medidas cautelares podem ser adotadas caso ele não efetue o pagamento das astreintes. Nesse caso, o sistema BacenJud, que permite a constrição de numerário (bloqueio de valores em contas bancárias) para garantir o pagamento das dívidas judiciais, pode ser acionado. O QUE É O BACENJUD? O BacenJud é um sistema que interliga a Justiça ao Banco Central e às instituições bancárias, para agilizar a solicitação de informações e o envio de ordens judiciais ao Sistema Financeiro Nacional, via internet. STJ. AgRg no RMS 54.038 Não viola o princípio do contraditório a constrição de numerário por meio do sistema BacenJud quando o devedor, após deixar de cumprir determinação judicial anterior e de realizar o pagamento de multa diária cominada, é alertado do risco de adoção de outras medidas cautelares. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO Garante o direito à informação Seja por intermédio da citação ou da intimação A fim de que se possa efetivamente participar do processo e do procedimento instaurados @RADEGONDESS http://www.radegondesresumos.com/ DIREITO PROCESSUAL PENAL 01 @RADEGONDESS 11 www.radegondesresumos.com PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA O princípio da ampla defesa é um dos princípios fundamentais do Direito Processual Penal, garantindo a possibilidade de o acusado se manifestar, apresentar provas, contraprovar acusações e participar efetivamente de todo o processo judicial. EXEMPLO: Um exemplo de aplicação do princípio da ampla defesa pode ser observado quando o acusado é intimado para apresentar sua defesa prévia antes do recebimento da denúncia pelo juiz. Neste momento, ele tem a oportunidade de apresentar argumentos que possam contestar as acusações feitas pelo Ministério Público e demonstrar sua inocência. Além disso, durante todo o curso do processo, o acusado tem o direito de impugnar provas, arrolar testemunhas e interpor recursos, sempre visando garantir a sua defesa de forma ampla e eficaz. PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA O princípio da presunção de inocência é um dos pilares do sistema jurídico penal, e parte do pressuposto de que uma pessoa é considerada inocente até que se prove o contrário. Isso significa que cabe ao Estado a prova da culpa do acusado, e não ao acusado provar sua inocência. EXEMPLO: Imagine o caso de um indivíduo que é acusado de cometer um crime, mas ainda não foi julgado e condenado. Nesse caso, ele é considerado inocente perante a lei, mesmo que haja fortes indícios de sua participação no crime. A presunção de inocência garante que ele só poderá ser considerado culpado após a conclusão do devido processo legal e a apresentação de provas concretas de sua culpa. http://www.radegondesresumos.com/ DIREITO PROCESSUAL PENAL 01 @RADEGONDESS 12 www.radegondesresumos.com PRINCÍPIO DA VERDADE REAL O princípio da verdade real é um princípio do Direito Processual Penal que orienta os juízes a buscar a verdade dos fatos de forma ampla e completa, sem se ater apenas às provas produzidas pelas partes durante o processo. Assim, a busca pela verdade real tem como objetivo garantir a justiça e a correta aplicação do direito no caso concreto. EXEMPLO: O juiz pode determinar a realização de diligências investigativas ou a produção de novas provas, mesmo que não tenham sido requeridas pelas partes, com o intuito de esclarecer os fatos e chegar à verdade dos acontecimentos. Isso pode acontecer, por exemplo, em um caso de homicídio em que novas testemunhas surgem durante o processo e trazem informações relevantes para esclarecer o crime. Nesse caso, o juiz pode determinar a oitiva (depoimento) dessas testemunhas, mesmo que não tenham sido arroladas inicialmente pelas partes, para garantir a busca pela verdade real. PRINCÍPIO DA DISPONIBILIDADE DA AÇÃO PENAL DE INICIATIVA PRIVADA O princípio da disponibilidade da ação penal de iniciativa privada significa que, nos casos em que a lei permite que a vítima ou seu representante legal decida se quer, ou não, dar início ao processo penal, o ofendido (vítima) possui a disponibilidade da ação penal, ou seja, isso quer dizer que a vítima tem a liberdade de escolher se quer ou não mover a ação penal em relação ao crime cometido contra si, podendo desistir da ação a qualquer momento se assim desejar. EXEMPLO: João (querelante) ingressou com uma queixa-crime, no contexto das ações penais de iniciativa privada, em face de Jonatas (querelado), ao argumento de que o último o teria injuriado. No entanto, no curso da persecução penal em juízo, João perdoou o querelado (Jonatas), com a aceitação do último. Com efeito, houve a extinção de punibilidade e o encerramento do processo. Nesse caso, podemos afirmar que o perdão de João, no curso da relação processual, é uma manifestação do princípio da disponibilidade da ação penal de iniciativa privada. No entanto, é importante ressaltar que a disponibilidade da ação penal não se aplica a todos os tipos de crimes, estando limitada a determinadas situações previstas em lei. http://www.radegondesresumos.com/ DIREITO PROCESSUAL PENAL 01 @RADEGONDESS 13 www.radegondesresumos.com PRINCÍPIO DA INTRANSCENDÊNCIA DA PENA O princípio da intranscendência da pena estabelece que a responsabilidade penal é pessoal e intransmissível, ou seja, a pena não pode ultrapassar o condenado para atingir terceiros, sejam eles familiares, amigos ou qualquer outra pessoa. Dessa forma, a punição imposta ao indivíduo não pode ser estendida a outras pessoas que não tenham participado do delito. Este princípio visa garantir que a culpa e a responsabilidade pelos atos praticados sejam individualizadas e que cada pessoa responda somente pelos seus próprios atos perante a justiça. EXEMPLO: João, após ser condenado em diversos processos criminais, com sentenças transitadas em julgado, pela prática de crimes contra o patrimônio, veio a falecer. João fora condenado a penas: ✓ Privativa de liberdade; ✓ De prestação de serviços à comunidade; e ✓ De ressarcir os danos que causara aos lesados. Em razão desse quadro, seus herdeiros ficaram preocupados com a possibilidade de terem de cumprir as penas aplicadas a João e ainda não cumpridas. Ao procurarem a orientação de um advogado, foi corretamente informado aos herdeiros que somente podem vir a cumprir a medida 3 (ressarcir os danos que João causara aos lesados), tendo em vista que a Constituição Federal, em seu art. 5º, inciso XLV, dispõe que: ✓ Nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano (ressarcir os danos) e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contraeles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido. http://www.radegondesresumos.com/ DIREITO PROCESSUAL PENAL 01 @RADEGONDESS 14 www.radegondesresumos.com PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL O princípio do juiz natural é um dos pilares do devido processo legal e assegura que o julgamento de um caso seja realizado por um juiz imparcial e competente, previamente estabelecido pela lei. Ou seja, o princípio do juiz natural garante que o acusado seja julgado por juiz determinado por regras de fixação de competência editadas antes do fato criminoso. Esse princípio visa garantir a segurança jurídica e a justiça nos processos criminais. EXEMPLO: Imagine que um juiz seja vítima de um crime e ele mesmo fosse escolhido como juiz para julgar o réu. Nesse caso, a vítima (juiz) não teria imparcialidade para conduzir o processo de forma justa, ferindo assim o princípio do juiz natural, que garante que o julgamento seja realizado por um juiz imparcial, competente e previamente estabelecido por lei, garantindo assim a segurança jurídica e o devido processo legal. PRINCÍPIO DA CONFIANÇA NO JUIZ DA CAUSA O princípio da confiança no juiz da causa significa que se parte do pressuposto que o juiz possui competência e imparcialidade para julgar cada caso de forma justa. No entanto, em alguns casos, essa confiança pode ser abalada quando a decisão judicial não apresenta uma justificativa clara e fundamentada, deixando dúvidas sobre a imparcialidade do julgador. De forma técnica, podemos conceituar o princípio da confiança no juiz da causa como um suposto princípio que viola o dever de motivação e fundamentação das decisões judiciais, sendo invocado nos casos em que resta ausente suporte adequado na decisão impugnada. EXEMPLO: Em um processo de divórcio, o juiz decide pela guarda compartilhada dos filhos sem apresentar fundamentos que justifiquem essa decisão. Nesse caso, o princípio da confiança no juiz da causa é questionado, pois a falta de motivação da sentença deixa dúvidas sobre a imparcialidade do magistrado. http://www.radegondesresumos.com/ DIREITO PROCESSUAL PENAL 01 @RADEGONDESS 15 www.radegondesresumos.com PRINCÍPIO DA OBRIGATORIEDADE DA AÇÃO PENAL PÚBLICA O princípio da obrigatoriedade da ação penal pública estabelece que o Ministério Público tem o dever de promover a ação penal, sempre que tiver conhecimento da prática de um crime. Ou seja, não é facultativo para o Ministério Público decidir se irá ou não processar criminalmente um indivíduo que cometeu um delito, ele é obrigado a fazê-lo. Isso impede a impunidade e garante a responsabilização dos culpados, fortalecendo a ordem jurídica e a segurança da sociedade. QUESTÃO-EXEMPLO (QUESTÃO) João é investigado pela suposta prática do crime de furto qualificado pelo rompimento de obstáculo, persequível mediante ação penal pública incondicionada. Preenchidos os requisitos legais, o Ministério Público celebrou, com João, Acordo de Não Persecução Penal, devidamente homologado pelo juízo competente, na persecução penal pré-processual. Nesse cenário, se caracteriza exceção ao seguinte princípio da ação penal pública: a) intranscendência; b) indisponibilidade; c) obrigatoriedade; d) indivisibilidade; e) oficialidade. COMENTÁRIO: O Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) é uma forma de resolução de conflitos fora do processo penal, em que o Ministério Público e o investigado firmam um acordo para evitar a instauração de um processo criminal. Nesse acordo, o Ministério Público pode propor medidas alternativas à prisão, como por exemplo, o pagamento de uma multa, a prestação de serviços à comunidade, entre outras. Contudo, mesmo que o crime de furto qualificado pelo rompimento de obstáculo seja perseguido mediante ação penal pública incondicionada, o Ministério Público, de acordo com o art. 28-A do Código de Processo Penal, tem a possibilidade de celebrar o Acordo de Não Persecução Penal com o investigado. Dessa forma, o princípio da obrigatoriedade da ação penal pública, que geralmente exige que o Ministério Público prossiga com o processo criminal, pode ser excepcionado em casos específicos, quando o acordo é celebrado e homologado pelo juízo competente. GABARITO: C http://www.radegondesresumos.com/ DIREITO PROCESSUAL PENAL 01 @RADEGONDESS 16 www.radegondesresumos.com PRINCÍPIO DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO O princípio do duplo grau de jurisdição é um princípio fundamental do direito processual que estabelece o direito das partes de recorrer a uma instância superior para revisão da decisão proferida por um tribunal de primeira instância. Em outras palavras, esse princípio assegura que, após uma decisão ser tomada por um tribunal, as partes envolvidas têm o direito de recorrer a uma instância superior para que a decisão seja revisada, com a possibilidade de modificação ou confirmação. EXEMPLO: Vamos imaginar que uma pessoa tenha sido condenada por um tribunal de 1ª instância por um crime. Caso essa pessoa discorde da decisão e entenda que houve equívocos no julgamento ou na aplicação da lei, ela tem o direito de recorrer a um tribunal de 2ª instância. Nesse tribunal superior, os juízes revisarão o caso, examinando as provas apresentadas, os argumentos das partes e a aplicação correta da lei. Se o tribunal de 2ª instância entender que a decisão do tribunal de 1ª instância foi correta, a condenação será confirmada. No entanto, se houver falhas no processo ou na aplicação da lei, a decisão pode ser modificada ou anulada. Assim, o princípio do duplo grau de jurisdição é essencial para garantir a justiça e a imparcialidade no sistema judiciário, permitindo que as partes tenham a oportunidade de contestar decisões consideradas injustas ou equivocadas em uma instância superior. ATENÇÃO! O princípio do duplo grau de jurisdição tem previsão expressa na Convenção Americana sobre Direitos Humanos, contudo não possui previsão expressa na Constituição da República de 1988. http://www.radegondesresumos.com/ DIREITO PROCESSUAL PENAL 01 @RADEGONDESS 17 www.radegondesresumos.com PRINCÍPIO DO NON BIS IN IDEM O princípio do Non Bis in Idem, também conhecido como princípio da vedação à dupla punição, é um princípio fundamental do direito penal (ou processual penal) que proíbe que uma pessoa seja julgada ou punida mais de uma vez pelo mesmo fato ou pela mesma conduta. No Brasil, o princípio do Non Bis in Idem (princípio da proibição da dupla persecução penal ou da vedação à dupla incriminação) decorre implicitamente da Constituição da República de 1988. EXEMPLO: Suponha que uma pessoa seja julgada e condenada por roubo em um tribunal estadual. Após cumprir a pena imposta pelo tribunal estadual, essa mesma pessoa não poderá ser novamente processada e punida pelo mesmo roubo em um tribunal federal. O princípio do Non Bis in Idem impede que haja uma nova persecução penal pelo mesmo fato já julgado e punido. PRINCÍPIO DA NÃO AUTOINCRIMINAÇÃO O princípio da não autoincriminação, também conhecido como direito ao silêncio, é um dos pilares fundamentais do direito processual penal. Ele estabelece que nenhuma pessoa pode ser obrigada a produzir provas contra si mesma ou a se autoincriminar durante uma investigação ou processo criminal. EXEMPLO: Jurandir, casado com Maria e pai de Josué, de apenas 06 meses de idade, angustiado com a situação financeira da família após mais de sete meses desempregado, aceita convite de traficante da localidade onde reside para vender uma carga de entorpecentes e, com isso, receber R$500. Durante seu primeiro dia vendendo drogas, é abordado por policiais militares e preso em flagrante delito, sendo imediatamente apresentado à Autoridade Policial (delegado de polícia) quepassa a ouvi-lo, insistindo para Jurandir falar tudo o que ocorrera. Em relação à atuação do Delegado de Polícia, podemos afirmar que ele procedeu em desconformidade com o que dispõe o princípio da não autoincriminação, pois deveria obrigatoriamente informar Jurandir acerca de seu direito ao silêncio. http://www.radegondesresumos.com/ DIREITO PROCESSUAL PENAL 01 @RADEGONDESS 18 www.radegondesresumos.com COMUNICAÇÃO DA PRISÃO CONSTITUIÇÃO FEDERAL Art. 5º (...) LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada. CÓDIGO DE PROCESSO PENAL Art. 306. A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente, ao Ministério Público e à família do preso ou à pessoa por ele indicada. EXEMPLO: João ingressou em um ônibus e, mediante grave ameaça, consubstanciada no emprego de arma de fogo, exigiu a entrega dos telefones celulares dos passageiros. Ato contínuo, João se evadiu, vindo a ser capturado em flagrante por policiais que realizavam patrulhamento de rotina na região. Após os fatos, João foi encaminhado à Delegacia de Polícia. Nesse cenário, considerando as disposições constitucionais aplicáveis ao Direito Processual Penal, podemos afirmar que a prisão de João deverá ser comunicada imediatamente: ✓ Ao juiz competente; e ✓ À família do preso ou à pessoa por ele indicada. A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre Serão comunicados imediatamente: Ao juiz competente Ao Ministério Público À família do preso (ou à pessoa por ele indicada) @RADEGONDESS CPP: Art. 306 http://www.radegondesresumos.com/ DIREITO PROCESSUAL PENAL 01 @RADEGONDESS 19 www.radegondesresumos.com USO DE ALGEMAS De acordo com o STF (súmula vinculante 11), o uso de algemas em situações envolvendo pessoas detidas ou presas só é permitido em 3 casos: 1. PERIGO À INTEGRIDADE FÍSICA: Quando existe um risco real de que o detido ou outras pessoas possam sofrer danos físicos, seja por parte dele próprio ou de terceiros. 2. RESISTÊNCIA: Quando o detido oferece resistência à prisão ou apresenta comportamento agressivo que justifique o uso das algemas para garantir a segurança dos envolvidos na operação. 3. FUNDADO RECEIO DE FUGA: Quando há motivos concretos que indiquem que o detido pode tentar fugir, como histórico de fugas anteriores ou circunstâncias que aumentem a possibilidade de evasão. STF. SÚMULA VINCULANTE Nº 11 Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado. EXEMPLO: Durante a realização de abordagem, guarnição composta por dois policiais militares do Batalhão de Polícia Rodoviária, no posto da Via Lagos, logrou identificar quatro agentes que transportavam em seu veículo expressiva quantidade de cocaína, acondicionada em tabletes, bem como, no forro do veículo, armas de fogo escondidas. Os abordados não ofereceram resistência ou se opuseram às ordens policiais. Os policiais militares, no entanto, efetuaram a algemação dos capturados, procedendo ao seu transporte até a unidade de Polícia Judiciária de plantão. O uso das algemas, no presente caso, é legal, diante do risco à integridade física dos policiais e de terceiros. MINEMÔNICO: PRF http://www.radegondesresumos.com/ DIREITO PROCESSUAL PENAL 01 @RADEGONDESS 20 www.radegondesresumos.com DIREITO CANÔNICO Na evolução do direito processual penal, percebe-se a influência de outros ramos do direito. O Direito Conônico deu uma atenção ao aspecto subjetivo do crime, combateu a vingança privada, humanizou as penas, reprimiu o uso de ordálias e introduziu as penas privativas de liberdade em substituição às patrimoniais. O Direito Canônico, também conhecido como direito eclesiástico, refere-se ao conjunto de normas jurídicas estabelecidas pela Igreja Católica para regulamentar diversos aspectos da vida eclesiástica e da conduta dos fiéis. EXEMPLO: Um exemplo histórico dessa influência do Direito Canônico no direito processual penal é a gradual substituição das penas corporais e pecuniárias por penas privativas de liberdade, que foi uma mudança significativa na abordagem punitiva adotada pelos sistemas jurídicos europeus ao longo da Idade Média e da Idade Moderna. Esse exemplo ilustra como os princípios e práticas introduzidos pelo Direito Canônico contribuíram para moldar a forma como o direito processual penal é concebido e aplicado até os dias de hoje. EDIÇÃO DE MEDIDAS PROVISÓRIAS A edição de medidas provisórias sobre matéria relativa a processo penal é constitucionalmente vedada. CONSTITUIÇÃO FEDERAL Art. 62. (...) § 1º. É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: I – relativa a: b) direito penal, processual penal e processual civil; http://www.radegondesresumos.com/ DIREITO PROCESSUAL PENAL 01 @RADEGONDESS 21 www.radegondesresumos.com INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO DA LEI PROCESSUAL PENAL A interpretação e integração da lei processual penal são métodos utilizados para compreender e aplicar as normas e princípios do direito processual penal em situações específicas. Esses métodos são fundamentais para garantir a correta aplicação da lei e a busca pela justiça em casos criminais. EXEMPLO: Vamos imaginar o caso de um crime cibernético que envolve a divulgação não autorizada de informações pessoais pela internet. Nesse caso, a legislação penal pode não fornecer uma definição precisa desse tipo de conduta, pois as leis muitas vezes não acompanham imediatamente o avanço da tecnologia. Nesse contexto, os operadores do direito (juízes e promotores) podem recorrer à interpretação extensiva das leis existentes sobre privacidade, violação de dados ou difamação para abranger essa conduta específica. Além disso, eles podem integrar a lei processual penal utilizando princípios gerais de proteção à privacidade, jurisprudência relacionada a crimes cibernéticos e doutrina especializada em direito digital para orientar suas decisões e garantir uma aplicação adequada da lei ao caso em questão. APLICAÇÃO ANALÓGICA No que concerne à interpretação e aplicação da Lei Processual Penal, podemos afirmar que o Código de Processo Penal (CPP) admite a aplicação analógica. A aplicação analógica é um método de interpretação jurídica no qual uma norma existente é estendida a uma situação não prevista expressamente na lei, mas que apresenta semelhanças relevantes com a situação regulada pela norma. Em termos práticos, isso significa que, quando uma situação não é abordada de forma direta pelo Código de Processo Penal, o intérprete pode recorrer à aplicação analógica para adaptar uma norma existente a essa situação semelhante. http://www.radegondesresumos.com/ DIREITO PROCESSUAL PENAL 01 @RADEGONDESS 22 www.radegondesresumos.com FONTES DO DIREITO PROCESSUAL PENAL As fontes imediatas do Direito Processual Penal são os documentos ou textos legais diretamente relacionados à disciplina do processo penal. Elas incluem: ✓ Constituição Federal ✓ Leis ✓ Tratados e Convenções Internacionais As fontes mediatas do Direito Processual Penal são os princípios gerais do direito, a doutrina e os costumes. Elas são chamadas de mediatas porque não têm a mesma força normativa direta que as fontes imediatas, masinfluenciam a interpretação e aplicação do direito processual penal. São elas: ✓ Princípios gerais do direito ✓ Doutrina ✓ Costumes Essas fontes imediatas e mediatas do Direito Processual Penal trabalham juntas para garantir uma aplicação coerente e justa das normas processuais penais. FONTES DO DIREITO PROCESSUAL PENAL IMEDIATA Constituição Federal Leis Tratados e Convenções Internacionais MEDIATA Princípios gerais do direito Doutrina Costumes @RADEGONDESS http://www.radegondesresumos.com/ DIREITO PROCESSUAL PENAL 01 @RADEGONDESS 23 www.radegondesresumos.com APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL PENAL NO ESPAÇO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL Art. 1º. O processo penal reger-se-á, em todo o território brasileiro, por este Código, ressalvados: I - os tratados, as convenções e regras de direito internacional; II - as prerrogativas constitucionais do Presidente da República, dos ministros de Estado, nos crimes conexos com os do Presidente da República, e dos ministros do Supremo Tribunal Federal, nos crimes de responsabilidade (Constituição, arts. 86, 89, § 2º, e 100); III - os processos da competência da Justiça Militar; IV - os processos da competência do tribunal especial (Constituição, art. 122, no 17); V - os processos por crimes de imprensa. Parágrafo único. Aplicar-se-á, entretanto, este Código aos processos referidos nos incisos IV e V, quando as leis especiais que os regulam não dispuserem de modo diverso. COMENTÁRIO: O artigo 1º do Código de Processo Penal estabelece que o processo penal no Brasil será regido por esse código em todo o território nacional, com algumas exceções. São ressalvadas: 1. Tratados, convenções e regras de direito internacional, que prevalecem sobre as disposições do código em caso de conflito. 2. Prerrogativas constitucionais do Presidente da República, ministros de Estado e ministros do Supremo Tribunal Federal em casos específicos, como nos crimes conexos com os do Presidente da República ou nos crimes de responsabilidade. 3. Processos da competência da Justiça Militar. 4. Processos da competência do tribunal especial, conforme previsto na Constituição. 5. Processos por crimes de imprensa, que possuem normas específicas devido à sua natureza. EXEMPLO: Vamos imaginar o caso de um crime cometido pelo Presidente da República. Nesse caso, as prerrogativas constitucionais do Presidente da República seriam observadas, e o processo poderia seguir regras diferentes daquelas estabelecidas pelo Código de Processo Penal, conforme determina o artigo 1º, inciso II. http://www.radegondesresumos.com/ DIREITO PROCESSUAL PENAL 01 @RADEGONDESS 24 www.radegondesresumos.com APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL PENAL NO TEMPO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL Art. 2º. A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior. COMENTÁRIO: O artigo 2º do Código de Processo Penal (CPP) dispõe que a lei processual penal será aplicada imediatamente, desde o momento de sua entrada em vigor, sem que isso prejudique a validade dos atos processuais já realizados sob a vigência da lei anterior. Isso significa que, quando uma nova lei processual penal é promulgada, ela passa a ser aplicada de imediato a todos os processos em andamento, sem necessidade de aguardar o encerramento ou a renovação dos procedimentos judiciais. No entanto, os atos processuais que já foram realizados de acordo com a legislação anterior mantêm sua validade e eficácia. http://www.radegondesresumos.com/ DIREITO PROCESSUAL PENAL 01 @RADEGONDESS 25 www.radegondesresumos.com CADERNO DE QUESTÕES DO TEC Pessoal, terminamos a 1ª parte do resumo! A ideia deste material é fazer com que você tenha uma visão global do assunto para posteriormente resolver as questões, sempre “favoritando” aquelas que errar (ou ficar com dúvidas) para revisar depois. Nossa sugestão, nesse momento, é que você faça umas 15 questões sobre os assuntos estudados neste PDF. CADERNOS DE QUESTÕES DO ASSUNTO ESTUDADO LINK BANCA https://www.tecconcursos.com.br/s/Q3TsKF CESPE https://www.tecconcursos.com.br/s/Q3TsKP FCC + FGV + VUNESP https://www.tecconcursos.com.br/s/Q3TsKe IBFC + AOCP + IDECAN https://www.tecconcursos.com.br/s/Q3TsL4 OUTRAS AVISOS 1) Quando se deparar com questões polêmicas, ou aquelas em que o examinador cometeu algum erro na redação, aperte a tecla “R” e remova do seu caderno. Essas questões não são treináveis e mais atrapalham do que ajudam nos seus estudos. 2) Quando você estiver estudando as questões, no TEC CONCURSOS, caso se depare com alguma questão em que sua base teórica não esteja aqui neste resumo, vale a pena “favoritá-la” a fim de que ela possa fazer parte do seu material de revisão, ok!? 3) Quando você estiver estudando as questões, no TEC CONCURSOS, caso se depare com uma questão que errou ou que te deixou com dúvidas, também sugerimos “favoritá-la” ou anotá-la em algum lugar (seja no ANKI, seja no seu caderno físico, seja no seu Tablet). A ideia é fazer com que este assunto também possa fazer parte do seu material de revisão. http://www.radegondesresumos.com/ https://www.tecconcursos.com.br/s/Q3TsKF https://www.tecconcursos.com.br/s/Q3TsKP https://www.tecconcursos.com.br/s/Q3TsKe https://www.tecconcursos.com.br/s/Q3TsL4