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E-book 4 André Thomáz GESTÃO DA PEQUENA E MÉDIA EMPRESA Neste E-Book: INTRODUÇÃO ���������������������������������������������� 3 MODELO DE NEGÓCIOS���������������������������4 Proposta de Valor e Planejamento �������������������������6 Segmentos de Clientes ����������������������������������������� 11 Canais e Relacionamentos com Clientes ������������ 18 Atividades-chave ��������������������������������������������������� 22 CONSIDERAÇÕES FINAIS ���������������������� 33 SÍNTESE ������������������������������������������������������� 35 2 INTRODUÇÃO Nesta Unidade você irá aprender sobre Plano de Negócios� É um assunto que traz à tona a necessida- de da profissionalização da atitude empreendedora, fundamental para o sucesso empresarial� Conhecer os processos, técnicas e ferramentas para aprimorar atividades ou desenvolver ideias de produ- tos e serviços para a criação de negócios empresa- riais, muitas vezes inovadores, pode contribuir para a assertividade do empreendedor na definição e na implantação de ações que conduzem ao sucesso. Atualmente, as ações de incentivo público e privado ao empreendedorismo têm aumentado na mesma proporção em que cresce o número de pessoas que se aventuram na fascinante jornada de criar uma nova empresa e conquistar a autorrealização pessoal e financeira. 3 MODELO DE NEGÓCIOS O poder de negociação dos fornecedores é a in- tensidade da pressão que eles podem exercer para obter vantagens nos contratos de fornecimento� Geralmente, pequenos volumes de compras favore- cem o fornecedor e lhe dão vantagem na negociação das condições comerciais. O fornecedor também é fortalecido quando o produto ou serviço que vende tem grande influência na composição dos custos do cliente. Por outro lado, a compra de produtos ou serviços padronizados e os processos de compra de produtos e serviços pela internet reduzem o po- der de negociação do fornecedor. Neste aspecto, a era do conhecimento trouxe uma autonomia muito grande para o cliente e mecanismos de equalização de informações comparativas entre fornecedores de um mesmo produto, reduzindo, de forma marcante, a influência do fornecedor na decisão de compra do cliente� O poder de negociação dos clientes é a intensidade da pressão que eles impõem em um processo de compra. Aplica-se, nesse caso, a mesma análise feita para o poder de barganha de fornecedores� Assim como as empresas tentam minimizar o poder de ne- gociação de seus fornecedores para obter vantagens nas negociações, como fornecedoras elas tentam maximizar seu poder de negociação para obter van- tagens nos momentos de decisão de compra. 4 A ameaça de entrada de novos competidores ocorre em mercados atrativos e sem barreiras significativas. Nesse contexto, a era da informação e do conheci- mento ampliou as possibilidades de as empresas atuarem como novos competidores em mercados ainda não explorados. O comércio virtual abriu fronteiras e ampliou a parti- cipação de mercado sem a necessidade de presen- ça física da empresa em determinados locais. Essa configuração de negócios trouxe como consequên- cias a perda de participação de empresas tradicio- nais no mercado e o incremento da necessidade de propaganda� A intensidade da rivalidade entre concorrentes ma- nifesta-se na “guerra” de preços, “batalhas” de pu- blicidade e frequentes lançamentos de produtos. Muitos negócios estão submetidos a intensos níveis de concorrência. Por outro lado, mercados com mui- tas empresas, pulverizados, ou com poucas, algumas vezes caracterizando oligopólios, têm esse compo- nente enfraquecido. Quanto maior o equilíbrio relativo entre os concorrentes, maior será a rivalidade. A pressão dos produtos substitutos é a crescente possibilidade de produtos ou serviços conceitual- mente diferentes – mas que desempenhem a mesma função substituírem os que já existem. Geralmente, esses produtos novos são adotados pelos consumi- dores em função de mudanças no comportamento social e inovações tecnológicas. Como exemplo, podemos citar uma mudança ocorrida no Brasil no 5 início dos anos 2000. Com a redução dos custos das passagens aéreas, muitas pessoas deixaram de viajar de ônibus e passaram a viajar de avião. Os serviços são completamente diferentes, transporte rodoviário e transporte aéreo, mas ambos oferecem a mesma função ao cliente: levá-lo de um lugar para outro. Podcast 1 Proposta de Valor e Planejamento Uma vez que o empreendedor começou o planeja- mento do empreendimento com a análise dos am- bientes externos e interno, é hora de entender os tipos de planos que deverão ser montados para que a empresa possa trilhar seu caminho para o sucesso� Os planos são diferenciados por meio de níveis de planejamento organizados em função do horizonte de tempo que cada plano considera� Podemos abordar aqui três níveis de planos organizacionais comumen- te utilizados pelos empreendedores para o planeja- mento do negócio: estratégico, tático e operacional. Os planos estratégicos são caracterizados por seu impacto em um horizonte de tempo de, geralmente, 5 anos, que é considerado de longo prazo. O em- preendedor traça objetivos, metas estratégicas e linhas gerais de atuação para que a empresa esteja, no futuro, em uma situação mercadológica melhor que a presente� 6 Os planos estratégicos definem os grandes assun- tos aos quais a empresa irá dedicar esforços para que sua visão se concretize. Neles são definidas as prioridades para a consolidação de sua posição mer- cadológica e a construção das bases de crescimento sustentável� O plano de nível estratégico deve considerar as ne- cessidades de todos os stakeholders da organização, que devem, de alguma forma, participar do proces- so de definição do plano estratégico, para que as ações definidas sejam aderentes também às suas necessidades� FIQUE ATENTO Stakeholders são todos aqueles com algum grau de relacionamento com a organização e que têm algum interesse nos resultados da organização (cotistas, acionistas, funcionários, clientes, for- necedores, comunidade, governo etc.). Um plano estratégico aborda questões críticas para a empresa, como por exemplo, adoção da qualidade como prática de negócio, compra de empresas con- correntes como estratégia de crescimento, decisão de ampliação de mercado ou de segmentos de atu- ação e lançamento de novos negócios, complemen- tares ou não aos negócios existentes. A velocidade de mudança nos ambientes externo e interno das empresas, em função da rápida inovação 7 tecnológica, das mudanças marcantes no ambiente socioeconômico e do avanço das legislações e re- gulações, tem feito com que alguns estudiosos da estratégia afirmem que o horizonte de tempo de 5 anos é muito longo. Sua argumentação é a de que um plano para um horizonte de tempo de 5 anos merecerá muitos processos de revisão em função das mudanças nos pressupostos ambientais sobre os quais foi elaborado� Muitas empresas da era do conhecimento têm adotado planos de longo prazo, ou seja, horizontes de 1 a 3 anos. A alta velocidade de mudança do ambiente compe- titivo tem levado empresas a adotarem o processo incremental de definição do plano estratégico. Da mesma forma que o processo formal de definição da estratégia, o processo incremental baseia-se em três etapas básicas de trabalho: 1. análise ambiental; 2. formulação de objetivos e estratégias; 3. implementação e controle do plano. O processo incremental difere do processo formal porque define a estratégia em um processo evolutivo, no qual as três etapas ocorrem simultaneamente, em um processo contínuo de avaliação e reavaliação ambiental, intercalado pela definição e redefinição de estratégias em função das mudanças ambientais e pela avaliação das implementações e dos resultados de alcance dos objetivos de longo prazo� 8 Outro nível de plano de trabalho a ser considerado é o nível tático, que contém ações que viabilizam a execução das ações estratégicas. Os planostáticos definem como será a prática de uma decisão estra- tégica. Dessa forma, se uma decisão estratégica é a aquisição de concorrentes para alavancar o cresci- mento do novo empreendimento, alguns anos após seu lançamento, as decisões táticas de nível geren- cial podem estar relacionadas à nova configuração da estrutura organizacional da empresa ou à linha de produtos que as empresas compradas apresentarão após a incorporação. Por exemplo, a decisão estraté- gica de iniciar um negócio pela internet e montar um portal de relacionamento para expansão do mercado demanda ações táticas relacionadas à infraestrutura tecnológica, à comunicação visual, ao portfólio de produtos, entre outras. O terceiro nível de plano para a nova empresa é o operacional, que tem o horizonte de execução de 1 ano e refere-se à operação rotineira e cotidiana das empresas� Geralmente, está relacionado ao cumprimento de orçamentos de vendas ou de custos, que integram os planos operacionais� Na implantação de um site de vendas, por exemplo, o plano operacional contará com ações que façam o negócio prover o resultado operacional em curto prazo. Serão definidos planos de vendas e um plano de despesas. O nível gerencial da empresa deverá executar os planos de curto prazo, prover o resultado 9 e encerrar o plano no final do período, geralmente de 1 ano. Para o ano seguinte, será traçado um novo plano operacional para o negócio� Se, por um lado, o plano tático implementa novas estruturas de trabalho baseadas nas ações estraté- gicas definidas pela diretoria, por outro, os planos operacionais deverão ser traçados e entregues para que o gerente e suas equipes executem as ações táticas no dia a dia� O plano de negócios, business plan ou business case, é um documento no qual o empreendedor consolida as informações relevantes que conduzirão à cria- ção, lançamento e operação de um novo negócio. Segundo Dornelas, o plano de negócios é um do- cumento que tem por função descrever o empre- endimento e o modelo de negócio que sustenta a empresa (SOUZA, 2018). Farah (2017) acrescenta que o plano de negócios tem a finalidade adicional de auxiliar o empreendedor a reduzir os riscos e as incertezas do negócio� O documento do plano de negócios possui uma es- trutura padronizada para auxiliar o entendimento das diversas pessoas e instituições que se utilizam dele para contribuir com a viabilização do empre- endimento (SOUZA, 2018). O documento também é conhecido como business plan ou business case. No plano de negócios, o empreendedor deve consi- derar os aspectos dos planos estratégicos, táticos e operacionais para oferecer uma visão consolidada da empresa, desde o período pré-operacional. 10 Apesar da afirmação de Farah (2017) de que o plane- jamento financeiro do empreendimento deve conside- rar um período de 3 anos de operação, que configura uma visão tática do negócio, é fundamental que o empreendedor desenhe e projete uma visão estraté- gica e de longo prazo para o empreendimento, con- siderando um horizonte de tempo entre 3 e 5 anos. O plano de negócios possui uma estrutura adequada ao meio empresarial, a qual é apresentada por Souza (2018) de forma organizada e racional. Segmentos de Clientes Os empreendedores que adotam um posicionamento estratégico baseado em diferenciação têm como premissas a oferta e a entrega de produtos ou servi- ços com relevante nível de diferenciação em relação à concorrência. Mas o que é a diferenciação? Essa pode ser obtida, por exemplo, por meio do fortaleci- mento da marca da empresa e da imagem do produto ou do serviço, conferindo a ele um status de exclusi- vidade, ineditismo ou seletividade. Outra possibilidade de diferenciação é a excelência na qualidade, relacionada ao maior desempenho, durabilidade ou confiabilidade do produto em relação aos concorrentes. Empresas de pequeno porte, sem capacidade de escala de fornecimento ao mercado, podem optar por esse tipo de estratégia para angariar e fidelizar clientes. 11 Outro caminho de diferenciação se dá por meio do projeto do produto ou do serviço, que pode conferir ao produto um status de modernidade e funciona- lidade superior ao do concorrente, ou de inovação nos aspectos de usabilidade� Por fim, produtos ou serviços podem ser diferentes nas formas de suporte oferecido, traduzido em for- mas inovadoras de garantias, redes de assistência técnica, centros de treinamento, qualificação e apoio técnico ao usuário, entre outros. O empreendedor Alexandre da Costa percebeu que o mercado de chocolates no Brasil era dominado por dois modelos de negócios� Para aproveitar a oportunidade de propor um terceiro modelo, abriu a empresa Cacau Show, que é uma das líderes em seu segmento (Biagio, 2016). Antes da Cacau Show, o pri- meiro segmento era elitizado, com preço e qualidade elevados, tendo como um dos principais players a empresa Kopenhagen. O segundo era massificado, com poucos diferenciais entre as marcas concorren- tes e preço baixo. Nesse modelo de negócio estão as marcas Nestlé, Lacta e Garoto. O empreendedor percebeu no mercado um grupo de clientes de classe média que não queria comprar produtos massifica- dos, mas sem renda suficiente para consumir pro- dutos elitizados. Sua proposta é a diferenciação em relação aos produtos massificados, com uma marca forte, um produto com mais qualidade, um design de embalagens e pontos de vendas que valorizam a marca. Essas características integradas conferiram à empresa uma imagem positiva e inovadora, que 12 atingiu direta e positivamente o mercado-alvo que o empreendedor buscou� Quando uma empresa adota o caminho estratégico da diferenciação, sua visão de alocação de recursos passa a ser direcionada para a criação de inovações que ofereçam produtos únicos, cujos diferenciais são obtidos através da alocação de recursos financeiros nas áreas de pesquisa e desenvolvimento, marketing de produto e publicidade da marca� Quando o empreendedor opta por estratégias de li- derança em custos, suas ações são direcionadas à busca de vantagens competitivas que proporcionem uma posição mercadológica na qual seus produtos e serviços, quando comparados àqueles similares ofertados pela concorrência, apresentem o melhor preço para o cliente. Assim, a empresa inicia uma busca incessante pela eficiência operacional, aumento da escala de for- necimento e eliminação ou redução de atividades internas ou de funcionalidades do produto que não agregam valor para o cliente e que, consequente- mente, contribuem para uma elevação dos custos e do preço final. Nesse caminho estratégico, o empreendedor tende a não privilegiar a inovação de produtos ou serviços, mas, sim, a inovação em métodos e técnicas para a produção e entrega de forma mais eficaz, econômica e rápida� 13 Os recursos direcionados ao marketing de publici- dade são utilizados para enfatizar as vantagens de preço do produto ou serviço que não possui design inovador ou vantagens adicionais relacionadas ao suporte ao cliente� A estratégia competitiva de enfoque leva em con- sideração a escolha de atuação mercadológica em um nicho de mercado muito restrito, formado por clientes com necessidades específicas. Dependendo da posição competitiva do nicho de mercado, a empresa poderá adotar um posiciona- mento de diferenciação ou de liderança em custos. Do ponto de vista dos investimentos e da rentabili- dade, as estratégias de liderança em custo somente poderão ser adotadas se o tamanho do nicho permitir o fornecimento de produção atrativo. Caso contrário, é necessária a diferenciação como caminho estraté- gico para maximizar a relação custo-receita. Nichos pequenos devem ser abordados por empre- sas que forneçam produtos ou serviços à margem do mercado de massificação, o que pressupõe custos maiores e, consequentemente, preços mais elevados. A reputação é um patrimônio sobre o qual se cons- troem grandes negócios. É a maneira mais eficaz de transmitirinformações aos consumidores em um relacionamento comercial� Quando os compradores procuram e experimentam produtos ou serviços, o fornecedor quer demonstrar qualidade, iniciando uma 14 sequência de transações que possibilita a construção de um relacionamento de longo prazo� A reputação é construída por meio da própria expe- riência do consumidor com determinado produto, pelos sinais de qualidade apresentados, pelas de- monstrações, degustações e amostras grátis, por recomendações boca a boca, e pela aprovação de pessoas influentes. Uma vez estabelecida a reputa- ção, sua manutenção requer poucos recursos, des- de que a qualidade do produto ou serviço não seja comprometida� Explorar a força desse relacionamento é um caminho estratégico inteligente e eficaz. SAIBA MAIS Nestlé, Lacta, Volvo e Sony são exemplos de em- presas que estabeleceram sua reputação por meio da demonstração de solidez e dos senti- mentos de confiança e segurança que despertam nos clientes� As empresas que adotam a inovação alcançam um status de empresas de vanguarda, de modernidade, e atraem muitos clientes pioneiros, que estão inte- ressados em adquirir novas tecnologias. Porém, a inovação é um processo caro e arriscado, porque a empresa enfrenta o dilema de não poder prever se a demanda permanecerá adequada ou se haverá um aumento da concorrência� 15 O jogo do covarde é aquele em que dois motoris- tas dirigem em rota de colisão: um deve desviar ou ambos morrerão no acidente. Mas, se um motorista desvia e o outro não, vai ser chamado de covarde. A essência desse jogo é que alguém tem que des- viar, pois não há espaço suficiente para ambos. Se considerarmos que uma inovação terá sucesso, o resultado das possíveis decisões de dois competi- dores será melhor somente quando um deles decidir parar. Se a inovação falhar, no entanto, a empresa que continuou será arruinada. O jogo do covarde é muito comum na indústria farmacêutica, na qual a inovação é muito presente. O jogo dos padrões ocorre em um mercado em que os produtos exigem complementação, por exemplo, empreendedores que iniciam negócios relacionados ao desenvolvimento de hardware e software. Não importa qual deles se torna o padrão. Quando não há um padrão, todos perdem; e quando há, todos ganham. A Microsoft definiu o padrão de sistema operacional para computadores pessoais nas dé- cadas de 1980 e 1990. Sobre esse padrão, foram desenvolvidos software e hardware� O uso do modelo de capacidades distintivas de Kay identifica as vantagens competitivas das organiza- ções, produtos ou serviços e permite que os gestores obtenham um maior entendimento dos sucessos e fracassos� Com objetivo similar, mas formato diferente, o mo- delo de competências essenciais é uma ferramenta 16 estratégica para determinar os recursos exclusivos que podem ser usados para criar e oferecer valor aos clientes. O ponto de partida desse modelo é o entendimento das competências essenciais que uma empresa precisa ter para a produção da mercadoria, atendendo às seguintes condições: fornecer benefí- cios para os consumidores; não ser fácil de ser co- piado pelos concorrentes e poder ser amplamente alavancado para muitos produtos e mercados� Para desenvolver a capacidade de planejamento, os gestores precisam: ● considerar a empresa um conjunto de competên- cias essenciais, ou seja, de conhecimentos aplicados que são únicos e valiosos, e não um conjunto de unidades de negócios; ● determinar quais são ou deveriam ser as com- petências singulares da empresa, considerando a maneira como ela funciona e seu desempenho em determinados processos, produtos e serviços. Como exemplo, podemos citar o caso da Volvo, que não é considerada apenas uma fabricante de car- ros, mas também uma empresa com competências singulares no design dos produtos, na proteção e segurança humanas e em testes de veículos. Outro exemplo para a compreensão desses aspectos é a General Electric (GE), que era inicialmente uma tradicional fabricante de motores e turbinas de avião. Percebendo sua competência essencial na área de engenharia de mecanismos de transformação de 17 energia, a empresa prospectou e venceu em um novo e diferente mercado: o de turbinas de usinas hidroelétricas. O ponto a ser considerado nos dois exemplos não se refere ao tipo de produto ou serviço entregue aos clientes, mas ao tipo de conhecimento aplicado para isso e como esses conhecimentos aplicados po- deriam ser usados para novos negócios� Por este motivo, a estratégia focada nos potenciais da em- presa e do produto é mais fácil de ser aplicada na elaboração de planos de negócios de empresas já existentes. Nesse sentido, as organizações identi- ficam as capacidades distintivas e competências essenciais existentes e que podem ser exploradas em novos negócios� Como base no exposto no capítulo, pode-se perceber a importância do planejamento para a realização de um novo negócio. A concretização do plano de negócios e a reflexão sobre as estratégias organi- zacionais devem ser realizadas para aumentar as possibilidades de sobrevivência e sucesso de uma empresa� Canais e Relacionamentos com Clientes Ao elaborar o plano de negócios de um novo em- preendimento, ou de um novo negócio para uma or- ganização existente, o empreendedor deve refletir e 18 planejar as questões mercadológicas relacionadas à atividade que será realizada� Assim, ele enfrenta o desafio de consolidar sua em- presa no mercado como a melhor escolha do con- sumidor no processo de compra� Entender os conceitos relacionados ao mercado, suas variáveis e mecanismos de operação passa a ser primordial no processo de estruturação do negó- cio. Mas o que são essas questões mercadológicas? Elas envolvem uma série de variáveis, como: con- correntes, consumidores, produtos/serviços, preço, distribuição, comunicação, entre outros. Dessa ma- neira, este capítulo trata sobre esses elementos do plano de negócios� O negócio em fase de planejamento fará parte de um mercado. Mas o que é esse mercado? De acordo com Biagio (2016), o mercado compreende um grupo de compradores atuais e potenciais de um produto ou serviço. Já Souza (2018) afirma que mercado é o lugar no qual ocorrem as transações econômicas e operam as forças geradoras de preço, que é definido por quem oferta ou por quem procura determinado produto, dependendo do seu valor. Assim, o mercado compreende o conjunto de pes- soas e empresas que interagem para comprar e ven- der produtos e serviços a um preço estabelecido em função do valor dos demais produtos e serviços comercializados� 19 A análise da complexidade do mercado deve ser feita em termos de tempo de ciclo de inovação e manu- tenção da vantagem competitiva, aliada à visão de territorialidade de mercado� O território a ser consi- derado pode ser um bairro, uma cidade, uma região ou um país inteiro. A restrição da área geográfica afeta a abrangência do potencial de consumo de mercado, o que será uma desvantagem para o em- preendedor, pois o deixará exposto a concorrentes potencialmente mais agressivos na busca de supe- ração de vantagens competitivas. Como os clientes são uma “peça” essencial das em- presas, é imprescindível que o empreendedor planeje detalhadamente as ações ligadas ao mercado em que irá atuar� E esse planejamento pode ser realizado por meio de uma pesquisa de mercado e segmentação de mercado� Assim, ao identificar os objetivos principais da pes- quisa, o empreendedor pode seguir para a segunda etapa, a de planejamento da pesquisa para coleta de dados� Nessa etapa, devem ser planejadas as fontes de da- dos que serão utilizadas, como os dados serão cole- tados e analisados, em qual período a pesquisa será aplicada, entre outros. Quanto às fontes de dados, o empreendedor pode utilizar dados primários ou dados secundários. Os primários são informações coletadas especificamente para um determinado fim, no caso, a pesquisa. Já os dados secundáriossão 20 aqueles que já existem em alguma base, mas que foram coletados para outra finalidade (SOUZA 2018). Por exemplo, existem dados disponíveis em institui- ções governamentais, associações de classe, sindi- catos, entre outros, que podem servir como fonte de coleta de dados secundários� Na terceira etapa, os dados são coletados e analisa- dos� Caso o empreendedor opte por coletar dados primários, por exemplo, é nesta fase que serão apli- cados os questionários ou realizadas as entrevistas� Nessa etapa, os dados também devem ser analisa- dos, de modo a extrair insights que possam ajudar o planejamento do negócio� Por fim, na última etapa, o empreendedor deve in- terpretar os dados e apresentar os Resultados� Por exemplo, esses resultados podem ser apresentados de forma resumida no plano de negócios� Suponha que, com base na pesquisa realizada, foi identificado que 73% dos respondentes – que são clientes potenciais – estão localizados na parte sul do munícipio que a empresa atuará. Certamente, deve-se analisar a possibilidade de abrir o negócio num bairro próximo à região em que está localizada a maioria dos potenciais clientes da empresa. Além disso, na pesquisa, identificou-se que o principal gru- po de potenciais clientes compreende estudantes universitários com idade entre 17 e 25 anos. Com base nessa informação, o empreendedor pode definir as principais formas de comunicação para atingir o público-alvo. 21 Quando define os modelos de produtos e serviços a serem lançados no mercado, o empreendedor dedica esforços para a identificação das necessidades e desejos específicos de seus clientes. A diversidade de variáveis presentes no mercado de consumo pode ser uma aliada ou um elemento de di- ficuldade na definição de entrega de valor ao cliente. Essa diversidade de necessidades e desejos leva a comportamentos de consumo que valorizam produ- tos ou serviços que apresentam soluções individua- lizadas, adequadas a cada cliente, em uma situação ideal de oferta� Atividades-chave Os canais de distribuição envolvem as diversas ma- neiras que a empresa pode adotar para levar o pro- duto até o consumidor (DORNELAS, 2005). Além do canal de distribuição, é importante que o empreen- dedor entenda a forma de distribuição do produto. Farah (2017) enumera algumas possibilidades de distribuição: ● Da indústria diretamente para o consumidor; ● Da indústria para o varejista e, então, para o consumidor; ● Da indústria para o distribuidor, deste para o vare- jista e, então, para o consumidor; 22 ● Da indústria para o atacadista, deste para o distri- buidor, do distribuidor para o varejista e, finalmente, para o consumidor� A cadeia de distribuição e seus elos são responsáveis pela disponibilização do produto ao consumidor. Um ponto importante a ser ressaltado é que o comércio eletrônico reduziu a distância entre os elos da ca- deia de distribuição. A venda realizada por meio da internet permite que o produto seja mais facilmente disponibilizado para os consumidores� A promoção do produto ou serviço é uma ação im- portante para seu posicionamento no mercado de consumo. Dornelas (2005) define promoção como todo e qualquer esforço realizado com o intuito de persuadir as pessoas a comprar determinado produto ou serviço. O empreendedor pode utilizar algumas ações para favorecer a promoção do produto e, assim, contribuir para seu posicionamento no mercado: a) Propaganda: qualquer forma paga de apresenta- ção do produto ou serviço ao consumidor. Pode ser feita por meio de canais de comunicação de massa ou da internet. Em geral, é uma forma cara de promo- ção do produto, com grande abrangência territorial. b) Relações públicas: geralmente é feita pela asses- soria de imprensa da empresa, que envia aos meios de comunicação informações sobre a empresa, seus produtos ou serviços, que, eventualmente, podem ser utilizadas em reportagens ou notícias, divulgando 23 assim a empresa com um custo mais baixo que a propaganda, por exemplo. c) Venda pessoal: apresentação oral para um ou mais compradores em potencial, com o objetivo de realizar a venda� d) Promoções de vendas: atividades destinadas a promover, estimular ou facilitar a venda. Nessas ações, incluem-se descontos, cupons de vantagens, amostras grátis, brindes, sorteios, entre outros. e) Merchandising: esforço de venda ou de apresen- tação do produto com utilização de degustadores, estandes de ofertas, displays em locais de compra para aumentar a visibilidade do produto por parte do cliente, entre outros. f) Mala direta: qualquer tipo de propaganda enviada pelo correio tradicional e por correio eletrônico� É importante salientar que as estratégias de comu- nicação adotadas pelo empreendedor devem estar alinhadas com sua capacidade de provimento do produto ou serviço ao mercado. Para Souza (2018), se um produto for anunciado pela televisão, mas a empresa que o produz não tiver a capacidade de produção necessária para atender à demanda gerada a partir dessa ação, isso pode “destruir” o produto. O incremento das ações de comunicação das empre- sas levou o consumidor moderno a ter consciência de forma instantânea sobre as diferenças entre fornece- dores e, assim, o cliente começou a usar esse poder para obter vantagens nos processos de compra� 24 Da mesma forma, empreendedores que possuem maiores vantagens de comercialização precisam explorar os canais de comunicação utilizados pelo cliente para divulgarem suas ofertas. Assim, empre- endedores com ofertas campeãs tendem a ter maior poder de penetração de mercado, encontrando os clientes que os procuram e fazendo mais negócios� Com a evolução da tecnologia da informação e das telecomunicações, especialmente a internet, o ma- rketing passou a utilizar ferramentas digitais para interagir com os consumidores. Assim, o marketing digital ou e-marketing é o conceito que expressa o conjunto de ações de marketing intermediadas por canais eletrônicos, em que o cliente controla a quan- tidade e o tipo da informação recebida. Uma vez que o cliente controla a quantidade e o tipo da informação recebida, uma questão importante que se coloca para o e-marketing é: Como fazer com que ele receba mais informações de determinada empre- sa? É nesse momento que surgem as estratégias de marketing digital� O primeiro ponto a ser observado é o tipo de oferta. Dois tipos de ofertas de mercado tornaram-se dis- poníveis na web: as de produtos “físicos” e as de produtos “virtuais” (SOUZA, 2018). Produtos físicos são ofertas físicas que têm presen- ça e forma determinada para o cliente, como uma ge- ladeira, um televisor, um fogão. Embora possam ser comunicados e vendidos pela internet, eles precisam ser fisicamente enviados ao cliente. No caso de pro- 25 dutos físicos, o produto final é idêntico ao comprado em uma loja física de varejo, mas a experiência de compra pode ser reforçada pelos serviços adicionais, a conveniência e o preço mais baixo. Os produtos virtuais, por sua vez, não têm forma física. Podem ser dados digitais agregados por meio eletrônico. Os produtos virtuais são perfeitamente adequados ao marketing pela internet, pois toda a cadeia de suprimentos pode ser gerenciada on-line� Pesquisas realizadas pelo Marketing Science Institute enumeram quatro falhas de conexão que podem ocorrer entre as expectativas dos consumidores de um site e suas experiências ao usá-lo (SOUZA, 2018): a) Lacuna nas informações de marketing: informa- ções insuficientes ou incorretas sobre os atributos desejados pelos consumidores, que influenciam a percepção dos consumidores sobre a qualidade do serviço. b) Lacuna no projeto: o conhecimento completo e correto sobre as preferências dos consumidores pode não estar refletido no projeto e na operação do site� c) Lacuna na comunicação: falta de entendimento entre a equipe de marketing sobre atributos, recursos e limitações do site. d) Lacuna no cumprimento das promessas:quan- do, por exemplo, a lacuna nas comunicações leva a empresa a fazer promessas para os clientes que 26 não podem ser mantidas ou cumpridas, como data de entrega, formas de pagamento etc. Além disso, no caminho de construção de negócios virtuais, tornam-se fundamentais os negócios entre empresas (também chamados B2B, que integram a cadeia de valor), para que sejam desenvolvidos negócios com maior valor agregado� Ainda, com o advento da tecnologia e a ampliação do uso da internet, cada vez mais as empresas estão utilizando ferramentas de marketing digital para co- municação dos seus produtos e serviços. Embora os gastos mundiais com comunicação de massa ainda sejam superiores, é crescente o mercado de comuni- cação digital (SOUZA, 2018). Por exemplo, no Brasil, os gastos com comunicação on-line cresceram 26% no ano de 2016 (UOL, 2017). Uma das questões que explica esse crescimento é o acesso às tecnologias, que possibilitam que as empresas comuniquem seus produtos e serviços de maneira mais assertiva. Por exemplo, quando o usuário realiza buscas de assuntos diversos por meio de seu smartphone, cria-se uma base de dados sobre o perfil desse usuário, o que possibilita que as empresas ofereçam produtos e serviços de acordo com as necessidades e interesses desse usuário� SAIBA MAIS O portal Booking.com é um site que oferece ser- viços de acomodações e viagens. Um dos filtros 27 que os usuários utilizam como critério de busca é a avaliação dos clientes. Ou seja, um novo con- sumidor pode escolher hotéis com base na ava- liação e depoimento de pessoas que já ficaram hospedadas nesses locais� Atualmente, em redes sociais como Facebook e Instagram, é possível observar a atuação de diversas organizações – desde micro e pequenas empresas até as grandes corporações – que têm como objetivo comunicar-se com os clientes de forma eficaz. Empreendimentos são resultado do esforço para, por meio de um trabalho em conjunto, gerar riqueza atendendo às necessidades de consumo das popu- lações. Esse atendimento é mais eficaz à medida que os empreendimentos são implantados de forma planejada� A visão tem por objetivo definir aonde a empresa quer chegar, o que pretende ser e como gostaria de ser reconhecida no futuro� Os objetivos decorrem da visão e da missão. Estabelecer objetivos é o primeiro passo a ser dado em direção a uma situação futura de sucesso� Para que sejam claramente entendidos por todos e gerem esforço para alcançá-los, é necessário que sejam definidos de forma específica. Isso só é pos- sível se alguns parâmetros importantes forem con- siderados no processo de definição: ● Variável que se quer medir: define a característica que se pretende utilizar para avaliar os resultados 28 organizacionais. Podem ser considerados o lucro, a receita, os custos, os defeitos e produtos, a satis- fação do cliente, a quantidade de novos produtos, enfim, qualquer característica que possa ser rela- cionada com o sucesso ou fracasso de iniciativas do negócio� ● Quantificação do resultado a ser medido: o objetivo deve ser quantitativo, expresso por uma unidade de valor que possa ser mensurada através de processos seguros. Por exemplo, os objetivos podem conter valores numéricos a serem atingidos em percentual, em quantidade unitária ou em valor monetário� ● Definição do tempo para ser alcançado: é a defi- nição do momento em que o objetivo deverá estar cumprido� A estrutura legal é uma informação fundamental, que também deve ser explicitada na descrição da empresa. Por exemplo, devem ser descritos os só- cios da empresa, qual será o tipo de empresa (MEI, sociedade limitada, sociedade por ações, entre ou- tras). Como anexo ao plano de negócios, pode ser colocada uma cópia do contrato social que detalha esses pontos, caso a empresa já esteja em operação. O empreendedor precisa definir um modelo funcional que agregue valor para o cliente na forma da melhor entrega do produto ou serviço, mas sem onerar o custo de produção ou de operação a ponto de com- prometer o preço. Neste subitem, vamos abordar os demais elementos do plano de negócios (comercial e 29 marketing; produção, logística e qualidade; recursos humanos; e financeiro). A crescente exigência dos clientes faz com que os produtos venham acompanhados de serviços, os quais são, muitas vezes, seus diferenciais. O for- necedor pode agregar serviços a seus produtos na forma de assistência para instalação, treinamento, facilidades de entrega, garantias, assistência técnica, acompanhamento do grau de satisfação do consu- midor, entre outros. A gestão de fornecedores está relacionada à garantia de provimento dos materiais e serviços necessários para que as atividades sejam executadas de forma a garantir que os objetivos de custo e de qualidade sejam atendidos, além de prover uma execução ali- nhada com os objetivos estratégicos da empresa e do cliente. E uma gestão adequada começa na com- preensão do que a empresa contratante espera da contratada. É fundamental realizar a especificação das características desejadas, como experiência no fornecimento, preço, padrões mínimos do produto ou serviço a ser fornecido, entre outras. A partir daí, começa o processo de seleção de for- necedores, que pode ser complexo, em função das características desejadas para o produto ou serviço a ser adquirido� A escolha dos fornecedores pode exigir muito tempo e análise, mas é fundamental para reduzir a complexidade da gestão de fornecimento após a contratação. 30 Essas necessidades devem ser expressas de forma tangível e mensurável, como por exemplo, prazos de entrega, nível de avaria em produtos transportados e armazenados, nível de customização da produção, segurança operacional do produto, nível de defeitos, entre outras� A tangibilidade dessas características determina a adoção de indicadores de desempenho com padrões mínimos a serem atingidos, chamados de especifi- cação da qualidade. Quando um padrão mínimo não é atingido, diz-se que o sistema operou com baixa qualidade� Assim, o planejamento da qualidade deve considerar a definição dos padrões de desempenho do serviço prestado e de indicadores para verificação do atingi- mento desses padrões, que devem ser direcionados às necessidades do cliente e também aos objetivos operacionais e estratégicos da empresa. Empresas que operam com estratégias de diferen- ciação de serviços, por exemplo, podem optar por padrões de qualidade relacionados à capacidade de entregas customizadas e de baixo volume. Isso faz com que a empresa obtenha maior especialização em relação à região em que atua e em relação ao produto que comercializa� A qualidade do serviço deve agregar valor ao produ- to, o que só é possível quando ela complementa a qualidade do produto� 31 Quando empresas optam por estratégias relacio- nadas à liderança em custo, os padrões de quali- dade devem estar relacionados a prazos e níveis contratados de deterioração de produtos nos pro- cessos de produção, armazenamento e transporte, em operações massificadas. É a busca incessante pela eficiência operacional para reduzir os custos causados pela baixa qualidade. Esses indicadores também estão presentes em empresas de estratégia de diferenciação, porém, com um peso menor, uma vez que o valor é provido por variáveis adicionais de serviço. O planejamento da qualidade é uma atividade de integração da cadeia de suprimentos e não pode ser elaborado sem que se considere as demais empresas com as quais o empreendedor se relaciona. O nível de qualidade, suas características e seus indicado- res de controle são elementos compartilhados entre duas ou mais organizações da cadeia, contribuindo para o resultado empresarial que garanta resulta- dos compartilhados entre as empresas da cadeia de suprimentos� A liderança em custo pressupõe elevada escala e necessidade de prospecção de clientes que ope- ram alinhados com esta estratégia. Indicadores dequalidade podem ser afetados por características de operação que buscam reduções de custo, como a utilização de empresas terceirizadas. Podcast 2 32 CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade foram abordados os aspectos merca- dológicos do plano de negócios e a relevância desses elementos para o sucesso da empresa. Assim, a rea- lização de atividades como pesquisas de marketing, segmentação de mercado e elaboração das estraté- gias do mix de marketing – produto, preço, praça e promoção – são essenciais para o bom andamento do negócio� Em uma visão operacional, os custos empresariais representam um desafio para a gestão, uma vez que a premissa para os administrar pressupõe reduções contínuas. Do ponto de vista estratégico, os custos devem ser encarados como elementos viabilizadores da exe- cução empresarial buscada pelo empreendedor. Os recursos alocados e despendidos para capacitar a geração de produtos e serviços de valor são os gera- dores de receita e de posicionamento da empresa em um patamar mercadológico de destaque, conforme sua orientação estratégica. Considerar os custos como recursos para atingir os objetivos da empresa é uma boa prática, que pode ser adotada em outras áreas (marketing, produção, operações, finanças ou logística, por exemplo). Os custos relacionados às áreas funcionais ligadas aos processos principais da empresa podem ser 33 vistos tanto do ponto de vista operacional quanto estratégico. Sempre que o empreendedor efetuar o planejamento financeiro dos custos, deve utilizar ambas as cono- tações para obter vantagens para o negócio. 34 SÍNTESE Já o ambiente interno de uma empresa está relacionado aos aspectos e variáveis internas, que podem ser alterados com maior facilidade que as variáveis do ambiente externo� Nesse sentido, as capacidades e recursos são elementos do ambiente interno e podem representar forças ou fraquezas da organização� Por exemplo, uma equipe altamente especializada numa empresa prestadora de serviços de engenharia elétrica pode ser um recurso que representa um ponto forte da empresa, pois o conhecimento dessas pessoas propiciará que a organização ofereça ao mercado serviços de alta qualidade� A análise do ambiente externo tem por objetivo entender as oportunidades e ameaças oriundas de elementos econômicos, sociais, tecnológicos e legais aos quais a empresa está submetida� Esses componentes do ambiente externo têm uma rápida evolução e definem as condições macroeconômicas, sociais e mercadológicas em que a empresa opera� O ponto de partida do empreendedor para a definição de um adequado planejamento corporativo é uma análise completa dos ambientes em que a empresa está ou estará inserida� Pode-se considerar dois tipos básicos de ambiente: externo e interno� É necessário que o planejamento estratégico leve em consideração a nova realidade da era do conhecimento, seus pressupostos, suas vantagens e ameaças impostas às empresas� Nesse contexto, o planejamento do empreendimento baseado em técnicas de planejamento estratégico é fundamental para o sucesso da nova empresa� O sucesso de um empreendimento não pode depender somente da sorte ou do acaso� O êxito de uma empresa é – entre outras variáveis – fruto do planejamento dos caminhos que a organização quer trilhar para atingir seus objetivos� Elaborar um bom planejamento do negócio deve ser uma das ações realizadas pelo empreendedor� É essencial que as decisões tomadas pelos empreendedores sejam baseadas em análises prévias de cenários e possibilidades futuras da empresa, visando aumentar a probabilidade de sucesso do empreendedor e consequentemente do seu negócio� GESTÃO DE PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS Referências Bibliográficas & Consultadas BIAGIO, L. 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