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1 Manoella Evelyn |Hab. Terapêuticas I – roteiro 8 
Antagonista colinérgico é um termo geral para os 
fármacos que se ligam aos colinoceptores (muscarínicos 
ou nicotínicos) e previnem os efeitos da acetilcolina (ACh) 
ou outros agonistas colinérgicos. Os fármacos deste 
grupo clinicamente mais úteis são os bloqueadores 
seletivos dos receptores muscarínicos. 
São denominados comumente de fármacos 
anticolinérgicos (um termo impróprio, pois antagonizam 
apenas os receptores muscarínicos), fármacos 
antimuscarínicos (termo mais preciso) ou 
parassimpaticolíticos. 
Os efeitos da inervação parassimpática são 
interrompidos, e as ações da estimulação simpática 
ficam sem oposição. Um segundo grupo de fármacos, os 
bloqueadores ganglionares, mostra preferência pelos 
receptores nicotínicos dos gânglios simpáticos e 
parassimpáticos. Clinicamente, são os fármacos menos 
importantes entre os anticolinérgicos. Uma terceira 
família de compostos, os bloqueadores neuromusculares 
(BNMs) (principalmente antagonistas nicotínicos), 
interferem com a transmissão dos impulsos eferentes 
aos músculos esqueléticos. Esses fármacos são 
empregados como adjuvantes que relaxam a 
musculatura esquelética na anestesia, durante a cirurgia, 
na intubação e em vários procedimentos ortopédicos. 
 
Comumente denominados de fármacos anticolinérgicos, 
os fármacos antimuscarínicos (p. ex., atropina e 
escopolamina) bloqueiam os receptores muscarínicos, 
causando inibição das funções muscarínicas. 
Além disso, bloqueiam os poucos neurônios simpáticos 
excepcionais que são colinérgicos, como os que inervam 
as glândulas salivares e sudoríparas. 
Como não bloqueiam os receptores nicotínicos, os 
fármacos antimuscarínicos têm pouca ou nenhuma ação 
nas junções neuromusculares (JNMs) ou nos gânglios 
autônomos. Os fármacos antimuscarínicos são úteis em 
uma variedade de situações clínicas. 
(Nota: vários anti-histamínicos e antidepressivos 
[principalmente os tricíclicos] também têm atividade 
antimuscarínica.) 
 
A atropina é um alcaloide amina terciária da beladona 
com alta afinidade pelos receptores muscarínicos. Liga-
se competitivamente à ACh e impede sua ligação a esses 
receptores. A atropina atua central e perifericamente. Em 
geral, seus efeitos duram cerca de 4 horas, exceto 
quando é aplicada topicamente no olho, onde seu efeito 
pode durar dias. Os órgãos neuroefetores têm 
sensibilidade variável à atropina. Os efeitos inibidores 
mais intensos ocorrem nos brônquios e nas secreções de 
suor e saliva. 
 
2 Manoella Evelyn |Hab. Terapêuticas I – roteiro 8 
 
1. AÇÕES: 
a. OLHO: A atropina bloqueia toda a atividade muscarínica 
no olho, resultando em midríase persistente (dilatação da 
pupila), ausência de resposta à luz e cicloplegia 
(incapacidade de focar a visão para perto). Em pacientes 
com glaucoma de ângulo fechado, a pressão intraocular 
pode aumentar perigosamente. 
b. TRATO GASTRINTESTINAL (TGI): A atropina (na forma do 
isômero ativo, l-hiosciamina) pode ser usada como 
antiespasmódico para reduzir a atividade do TGI. Atropina 
e escopolamina são provavelmente os antiespasmódicos 
mais potentes disponíveis. Embora a motilidade gástrica 
seja reduzida, a produção de ácido clorídrico não é 
afetada de forma significativa. Portanto, a atropina não é 
eficaz no tratamento da úlcera péptica. (Nota: a 
pirenzepina, um antagonista muscarínico M1, reduz a 
secreção gástrica em doses que não antagonizam outros 
sistemas.) Doses de atropina que reduzem os espasmos 
também diminuem a secreção salivar, a acomodação 
ocular e a micção. Esses efeitos diminuem a adesão à 
atropina. 
c. SISTEMA CARDIOVASCULAR: A atropina produz efeitos 
divergentes no sistema cardiovascular, dependendo da 
dose. Em doses baixas, o efeito predominante é a 
diminuição da frequência cardíaca. Esse efeito resulta do 
bloqueio dos receptores M1 nos neurônios pré-juncionais 
(ou pré-sinápticos) inibitórios, permitindo assim aumento 
da liberação de ACh. Dosagens mais altas de atropina 
causam aumento progressivo na frequência cardíaca 
pelo bloqueio dos receptores M2 no nódulo sinoatrial. 
d. SECREÇÕES: A atropina bloqueia os receptores 
muscarínicos nas glândulas salivares, produzindo 
xerostomia (secura da boca). As glândulas salivares são 
muito sensíveis à atropina. As glândulas sudoríparas e 
lacrimais são afetadas de modo similar. (Nota: a inibição 
da secreção de suor pode causar elevação da 
temperatura corporal, o que pode ser perigoso em 
crianças e idosos.) 
2. USOS TERAPÊUTICOS: 
a. OFTÁLMICO: No olho, a atropina tópica exerce efeito 
midriático e cicloplégico, permitindo a mensuração de 
erros de refração sem interferência da capacidade 
adaptativa do olho. Os antimuscarínicos de ação mais 
curta (ciclopentolato e tropicamida) substituíram 
amplamente a atropina devido à midríase prolongada que 
ela provoca (7-14 dias, contra 6-24 hora com os outros 
fármacos). 
b. ANTIESPASMÓDICO: A atropina é usada como 
antiespasmódico para relaxar o TGI. 
c. CARDIOVASCULAR: A atropina é usada para tratar 
bradicardias de várias etiologias. 
d. ANTISSECRETOR: Algumas vezes, a atropina é usada 
como antissecretora para bloquear as secreções do trato 
respiratório superior e inferior, previamente à cirurgia. 
e. ANTAGONISTA DE AGONISTAS COLINÉRGICOS: A 
atropina é usada no tratamento da intoxicação com 
organofosforados (inseticidas, gases de nervos), das 
dosagens excessivas de anticolinesterásicos usados na 
clínica (como a fisostigmina), e de alguns tipos de 
envenenamentos por cogumelos (certos cogumelos 
contém substâncias colinérgicas que bloqueiam as 
colinesterases). Doses maciças de atropina podem ser 
necessárias durante um longo período para neutralizar o 
envenenamento. A capacidade que a atropina tem de 
entrar no sistema nervoso central (SNC) é de particular 
importância no tratamento de efeitos tóxicos centrais de 
anticolinesterásicos. 
3. FARMACOCINÉTICA: A atropina é bem absorvida, 
parcialmente biotransformada no fígado e eliminada 
primariamente na urina. Tem uma meia-vida de cerca de 
4 horas. 
4. EFEITOS ADVERSOS: Dependendo da dose, a atropina 
pode causar xerostomia, visão turva, sensação de “areia 
nos olhos”, taquicardia e constipação. Os efeitos no SNC 
incluem intranquilidade, confusão, alucinações e delírio, 
podendo evoluir para depressão, colapso dos sistemas 
circulatório e respiratório e morte. Dosagens baixas de 
inibidores da colinesterase, como a fisostigmina, podem 
ser usadas para neutralizar a toxicidade por atropina. A 
 
3 Manoella Evelyn |Hab. Terapêuticas I – roteiro 8 
atropina também pode causar incômoda retenção de 
urina. O fármaco pode ser perigoso para crianças, pois 
elas são sensíveis aos seus efeitos, em particular ao 
rápido aumento da temperatura corporal que ele pode 
causar. 
A escopolamina – outro alcaloide amina terciária de 
origem vegetal – produz efeitos periféricos similares aos 
da atropina. Contudo, a escopolamina tem maior ação no 
SNC (ao contrário da atropina, os efeitos do SNC são 
observados em dosagens terapêuticas) e duração de 
ação mais longa. Ela apresenta algumas ações especiais, 
como indicado a seguir. 
1. AÇÕES: A escopolamina é um dos fármacos 
anticinetóticos mais eficazes disponíveis. Ela também 
tem o efeito incomum de bloquear a memória de curta 
duração. Ao contrário da atropina, a escopolamina produz 
sedação, mas, em doses mais elevadas, pode produzir 
excitação. Ela pode causar euforia e é sujeita a abuso. 
2. USOS TERAPÊUTICOS: O uso terapêutico da 
escopolamina é limitado à prevenção da cinetose e de 
náuseas e emeses pós-cirúrgicas. Contra a cinetose, está 
disponível como adesivo tópico, eficaz por até 3 dias. 
3. FARMACOCINÉTICA E EFEITOS ADVERSOS: Esses 
aspectos são similares aos da atropina. 
Ipratrópio e tiotrópio são derivados quaternários da 
atropina. Esses fármacos estão aprovados comobroncodilatadores para o tratamento de manutenção do 
broncoespasmo associado com a doença pulmonar 
obstrutiva crônica (DPOC). O ipratrópio também é usado 
no tratamento agudo do broncoespasmo na asma. Ambos 
são administrados por inalação. 
Devido às suas cargas positivas, esses fármacos não 
entram na circulação sistêmica e nem no SNC, isolando 
seus efeitos no sistema pulmonar. O tiotrópio é 
administrado uma vez ao dia − sua principal vantagem 
sobre o ipratrópio, que requer dosagens de até quatro 
vezes ao dia. 
Esses fármacos são usados como soluções oftálmicas, 
para midríase e cicloplegia. A duração da ação é menor 
do que a da atropina. A tropicamida produz midríase por 
6 horas e o ciclopentolato, por 24 horas. 
Benzotropina e triexifenidila são úteis como 
complemento de outros antiparkinsonianos no 
tratamento do mal de Parkinson e outros tipos de 
síndromes parkinsonianas, incluindo sintomas 
extrapiramidais causados por antipsicóticos. 
Estes fármacos tipo atropina, sintéticos, são usados no 
tratamento da doença da bexiga superativa. Bloqueando 
os receptores muscarínicos na bexiga, diminui a pressão 
intravesical, aumenta a capacidade da bexiga e diminui a 
frequência de suas contrações. Os efeitos adversos 
desses fármacos incluem xerostomia, constipação e 
visão turva, o que limita a sua tolerância se forem usados 
continuamente. A oxibutinina está disponível como 
sistema transdérmico (adesivo cutâneo), que é mais bem 
tolerado porque causa menos xerostomia do que as 
formulações orais. A eficácia geral destes 
antimuscarínicos é similar.

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