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11 Milena Cerezoli CLÍNICA MÉDICA VIII DPOC ESTÁVEL 2 SUMÁRIO DPOC ESTÁVEL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 1. Definição. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 2. Epidemiologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 3. Fatores que influenciam o desenvolvimento e a progressão da DPOC . . . . . . . . . . . . 4 4. Fisiopatologia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 5. Quadro clínico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 6. Diagnóstico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 7. Exames complementares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 8. Diagnósticos diferenciais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 9. Estadiamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 10. Tratamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 10.1. Tratamento não farmacológico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 10.2. Tratamento farmacológico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 10.3. Escolha do tratamento farmacológico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 10.4. Tratamento cirúrgico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 10.5. Oxigenoterapia domiciliar prolongada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 Bibliografia consultada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 3 DPOC ESTÁVEL O QUE VOCÊ PRECISA SABER? u Reconhecer os fatores de risco, além do tabagismo. u Os principais sintomas são dispneia e tosse crônica e progressiva. u Diagnóstico espirométrico é dado pela relação VEF1/CVF 20 maços/ano) Baixo nível socioeconômico Mulheres, idosos Infecções respiratórias recorrentes Poluição (fogão a lenha e queima de biomassa) Trabalhadores de metalúrgica Desnutrição Prematuridade Hiperresponsividade brônquica/asma Bronquite crônica Infecção por Pseudomonas, HIV, tuberculose Fonte: Adaptado de Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease1. DIA A DIA MÉDICO Apesar de o tabagismo ser um fator relevante para doença pulmonar, apenas 20% dos tabagistas desenvolverão DPOC. É preciso realizar uma boa investigação e avaliar exposições ocupacionais, ambientais e fatores familia- res para não deixar de suspeitar de DPOC em pacientes com quadro clínico compatível apenas pela ausência de história de tabagismo. Devemos pensar em deficiência de alfa-1 antitripsina como causa do DPOC em pacientes com enfisema predominando em campos inferiores (enfisema panlobular), com idade inferior a 45 anos e com cirrose hepáticaassociada. 4. FISIOPATOLOGIA BASES DA MEDICINA A inflamação das vias aéreas na DPOC é caracterizada por um infiltrado celular composto predominantemente por neutrófilos e macrófagos, sendo a eosinofilia menos comum. Atualmente, a ação de linfócitos CD8 (supres- sores/citotóxicos) e monócitos/macrófagos vem sendo descrita como parte importante do processo inflamatório. Esse processo mediado por CD8 recruta neutrófilos e leva DPOC estável 5 à destruição de parede elástica por um desequilíbrio de elastase neutrofílica versus antielastase, sendo o principal mecanismo do componente enfisematoso da doença. Na DPOC, o estresse oxidativo também possui importante papel na lesão pulmonar e na resposta inflamatória. Esse mecanismo está intimamente relacionado ao tabagismo. As suas consequências são desequilíbrio de protease-an- tiprotease, sequestro de neutrófilos dos capilares para os alvéolos, lesão dos espaços aéreos e hipersecreção de muco. A fisiopatologia da DPOC engloba 3 mecanismos principais para a manifestação da doença: infla- mação crônica com desequilíbrio entre proteases, antiproteases e estresse oxidativo, os quais geram destruição dos alvéolos e capilares pulmonares, aprisionamento aéreo e aumento do espaço morto. Todos levam à inadequação da relação ventilação/ perfusão, hiperinsuflação pulmonar estática e dinâ- mica e culminam com o aparecimento dos sintomas. Essa inflamação crônica resulta na proliferação das células caliciais e hipertrofia das glândulas submucosas, causando, assim, hipersecretividade de muco e estreitamento das pequenas vias aéreas, aumentando sua resistência (Figura 1). A maior resistência das vias respiratórias aumenta o trabalho de respiração. A hiperinsuflação pulmonar, embora diminua a resistência das vias respiratórias, também aumenta o esforço respiratório. A força expiratória depende em grande parte da elasticidade pulmonar, que está diminuída na DPOC. Trata-se do fenômeno do aprisionamento de ar que promove um aumento do volume residual, da capacidade residual funcional e da capacidade pulmonar total. A dispneia durante o exercício no paciente com DPOC pode ser explicada pela hiperinsuflação dinâmica. A limitação ao fluxo aéreo dá-se por 2 mecanismos: doença de pequenas vias aéreas com inflamação e remodelamento; destruição do parênquima pul- monar com perda de recolhimento elástico e perda das ligações alveolares. As repercussões desse processo não se restringem apenas ao pulmão, podendo cursar com efeitos sistêmicos. Pacientes com DPOC têm maior risco de osteoporose, depressão, doenças cardiovas- culares, neoplasia pulmonar e doença do refluxo gastroesofágico. Figura 1. Ilustração demonstra o estreitamento da luz brônquica e hiperprodução de muco, características da doença pulmonar obstrutiva crônica. Fonte: Alila Medical Media/Shutterstock.com2. DPOC estável Pneumologia 6 DIA A DIA MÉDICO A DPOC é uma doença com múltiplos acometimentos sistêmicos, sendo importante a avaliação de todos os possíveis sítios de alteração. 5. QUADRO CLÍNICO Nas fases iniciais, o paciente pode apresentar apenas tosse e expectoração crônicas. Com a progressão da doença, surge dispneia de caráter progressivo, inicialmente aos grandes esforços (subir ladeira ou escada) e posteriormente aos médios (trocar de roupa, tomar banho, caminhar no plano) e pequenos (higiene pessoal, caminhar dentro de casa, alimentar-se). Habitualmente, a dispneia surge depois da tosse e expectoração. Por esses sinais se apresentarem frequentemente em pessoas sedentárias de mais de 40 anos, o can- saço é atribuído à idade ou ao sedentarismo pelo próprio paciente, que não procura auxílio médico. A dispneia mantém o estilo de vida sedentário (pois não tolera esforços) do paciente, reduzindo a capacidade física, a realização das atividades diárias e chegando, em casos muito graves, a restringir o paciente ao leito. Embora seja uma parte importante do atendimento ao paciente, o exame físico raramente auxilia no diagnóstico da DPOC, apresentando baixa sensi- bilidade e especificidade. Quando presentes, os sinais de DPOC incluem roncos, sibilos, uma fase expiratória prolongada da respiração; hiperinsu- flação pulmonar que se manifesta pela atenuação dos sons cardíacos e pulmonares; e aumento do diâmetro anteroposterior do tórax (tórax em tonel ou barril) (Figura 2). A doença avançada manifesta-se com sinais de esforço respiratório (lábios cerrados, uso de musculatura acessória, tiragem intercostal), retração paradoxal dos espaços intercostais (sinal de Hoover) e cianose. Os sinais de cor pulmonale incluem distensão das veias jugulares; desdobra- mento da segunda bulha cardíaca, com hiperfonese do componente pulmonar; sopro de insuficiência tricúspide; e edema periférico. Figura 2. Tórax em barril. Fonte: Nova Acta3. Existem dois estereótipos dos pacientes com DPOC: u Pink Puffers: corresponde aos pacientes enfi- sematosos. São magros, apresentam pletora e tórax em tonel. A dispneia é tipo expiratória e a ausculta pulmonar revela diminuição dos mur- múrios vesiculares. u Blue Bloaters: corresponde aos pacientes com bronquite crônica. Apresentam hipoxemia grave (cianose) associada à cor pulmonale, que leva à insuficiência ventricular direita e edema. A aus- culta pulmonar é rica em ruídos adventícios. Na maioria das vezes, os pacientes não se apre- sentam como um Pink Puffer ou Blue Bloater este- reotípico, mas sim com uma combinação das duas apresentações típicas da doença, e por isso esta nomenclatura não tem sido mais utilizada. DIA A DIA MÉDICO Baqueteamento digital não é um sinal de DPOC, mas sim de alguma outra doença associada (fibrose, neoplasia, abscesso…). Sempre que se esse achado estiver presente, um exame de imagem deve ser realizado. 6. DIAGNÓSTICO BASES DA MEDICINA Medidas importantes da espirometria: W CVF: Capacidade Vital Forçada. Também conhecido como volume expiratório forçado, é o volume máximo DPOC estável 7 de gás exalado com o esforço máximo, partindo do estado de inspiração máxima forçada. W VEF1: Volume Expiratório Forçado no Primeiro Segundo. Refere-se ao volume máximo de ar exalado no primeiro segundo de uma expiração forçada que segue uma inspiração forçada. Seu parâmetro de normalidade é > 80% do valor predito. O diagnóstico de DPOC é confirmado pela presença de limitação persistente ao fluxo aéreo, inferida a partir da identificação à espirometria de uma relação VEF1/CVF pós-broncodilatadorde pulmão e cardiopatias. Nas fases iniciais, a radio- grafia de tórax pode ser normal ou com pequenas alterações de aumento da trama broncovascular. Nos casos mais avançados e com enfisema, a radiografia de tórax pode demonstrar retificação das cúpulas diafragmáticas, aumento do diâmetro anteroposterior do tórax, aumento dos espaços intercostais e do espaço retroesternal (> 2,5 cm), afilamento mediastinal e redução da vasculatura pulmonar (Figura 3). A tomografia de tórax pode demonstrar redução da atenuação pulmonar e do diâmetro dos vasos pulmonares nas áreas acometidas por enfisema, espessamento das paredes das vias aéreas, áreas de enfisema centrolobular, parasseptal ou panlo- bular (Figura 4). Figura 3. Radiografia de tórax em incidência posteroanterior, revelando sinais de hiperinsuflação pulmonar. Fonte: Willer et al.4 DPOC estável Pneumologia 8 Figura 4. Tomografia computadorizada de tórax, revelando áreas de baixa atenuação compatíveis com enfisema centrolobular. Fonte: Choromańska5. O hemograma permite identificar poliglobulia (hema- tócrito acima de 55%), achado comum em pacientes de DPOC hipoxêmicos. A gasometria arterial é indicada para avaliar distúrbios de trocas gasosas, podendo revelar hipoxemia, hipercapnia (secun- dária à hipoventilação alveolar, que corresponde à doença avançada) e distúrbios metabólicos, além de permitir diferenciar entre doença estável e em exacerbação. Está indicada a sua realização para qualquer paciente com DPOC que apresente satu- ração periférica de O2 ≤ 92% (detectada a partir de oxímetro de pulso) para confirmação da existência ou não de hipoxemia arterial significativa. A investigação de deficiência de alfa-1 antitripsina deverá ser realizada nos seguintes casos: u enfisema pulmonar com início em adulto jovem de atividade física domiciliar, ou seja, aqueles com mais sintomas, hipoxêmicos, com comorbidades ou pacientes mais graves. 10 .1 .4 . Cessação do tabagismo A principal medida para melhorar a sobrevida dos pacientes portadores de DPOC é a cessação do tabagismo. É o principal modificador da doença. Abordagem em todas as consultas e encaminha- mento para grupo multidisciplinar quando o paciente apresentar dificuldade em cessar o tabagismo é DPOC estável 11 obrigatória. E exposição à fumaça de biomassa também deve ser retirada. As medidas que potencialmente reduzem morta- lidade em pacientes com DPOC são a interrupção do tabagismo e a oxigenoterapia. 10 .1 .5 . Vacinação Vacinação anti-influenza é recomendada anual- mente para todos os pacientes com DPOC. A vacina antipneumocócica polissacarídica está indicada nos pacientes com mais de 50 anos com necessidade de uma dose extra após 5 anos. A vacina pneumo- cócica conjugada 13-valente é feita em dose única, não necessitando de reforço. 10 .2 . TRATAMENTO FARMACOLÓGICO O tratamento farmacológico tem o objetivo de aliviar a dispneia e reduzir o risco de exacerbações. As classes farmacológicas que compõem o tratamento medicamentoso da DPOC são broncodilatadores, Corticoides Inalatórios (CI), roflumilaste, macrolídeos e N-acetilcisteína (Tabela 2). 10 .2 .1 . Broncodilatadores BASES DA MEDICINA Dentre os broncodilatadores, os β2-agonistas de longa duração produzem relaxamento na musculatura lisa da via aérea ao estimularem os receptores β2-adrenérgicos, e os anticolinérgicos de longa duração produzem relaxa- mento na musculatura lisa da via aérea ao bloquearem os receptores muscarínicos M3. Os broncodilatadores são a terapia de escolha na DPOC. Deve-se sempre optar pelos medicamentos inalatórios. São divididos em β2-agonistas de curta e longa ação e anticolinérgicos de curta e longa ação. Mesmo que o paciente não apresente resposta ao broncodilatador na espirometria, a mínima redu- ção da resistência nas vias aéreas contribui para a melhora da hiperinsuflação pulmonar, fenômeno responsável pela dispneia. Ao serem prescritos como tratamento de manutenção, além de redu- zirem os sintomas e melhorarem a qualidade de vida, os broncodilatadores são capazes de diminuir a frequência de exacerbações. Os β2-agonistas de longa duração (em inglês conhe- cidos como Long-acting β2 Agonist, LABA) têm como representantes o formoterol e salmeterol. São utilizados, em geral, a partir da GOLD B e promovem melhora dos sintomas e da tolerância aos esforços, reduzindo também a frequência de exacerbações. São administrados a cada 12 horas. Há alguns anos, foram lançados os ultra-LABA, que são β2-agonis- tas que podem ser administrados a cada 24 horas, tendo como representantes o indacaterol, olodaterol e vilanterol, com benefícios semelhantes aos LABA, porém com maior comodidade posológica. Os principais efeitos adversos são taquicardia, tremor de extremidade e hipocalemia (quando combinado com tiazídicos). Os anticolinérgicos de longa duração (em inglês, Long-acting Muscarinic Antagonist, com sigla LAMA) têm como representantes o tiotrópio, umeclidínio e o glicopirrônio. São administrados a cada 24 horas, podendo ser utilizados isoladamente ou em associação com LABA ou ultra-LABA. Também pro- movem melhora da dispneia e da capacidade física dos pacientes, além de reduzirem a frequência das exacerbações, sua principal indicação. Os principais efeitos adversos são boca seca e gosto metálico. DIA A DIA MÉDICO Os LAMAs são mais efetivos em reduzir exacerbação quando comparados com os LABAs, porém a combinação de LAMA e LABA tem maior redução de exacerbação e de sintomas, quando comparada à monoterapia. 10 .2 .2 . Xantinas BASES DA MEDICINA Representa uma classe de broncodilatadores orais, tendo como mecanismo de ação principal a inibição não seletiva das fosfodiesterases. DPOC estável Pneumologia 12 Metilxantinas (aminofilina, teofilina e bamifilina) devem ser usadas como última opção broncodi- latadora e sempre adicionadas às medicações inalatórias. Apresentam poucos benefícios clínicos e muitos efeitos colaterais. 10 .2 .3 . Corticoide inalatório Os Corticoides Inalatórios (CI) nunca devem ser utilizados de forma isolada e como única forma de tratamento do paciente com DPOC. Sua utilização sempre deve ser em conjunto com o LABA. Estão indicados para os pacientes com exacerbações frequentes (≥ 2 exacerbações moderadas ou uma hospitalização) que tenham eosinófilos sérico ≥ 100 células/µL e/ou pacientes com história de sobrepo- sição de asma. Paciente com eosinófilo no sangue ≥ 300 células/µL também apresenta boa reposta ao uso de CI. O CI pode ser descalonado ou modificado se há ausência de resposta, evolução com pneumonia ou sua indicação inicial for inapropriada. DIA A DIA MÉDICO O tratamento regular com CI aumenta o risco de pneu- monia, especialmente nos pacientes com doença grave. O risco versus o benefício dessa terapia deve ser sempre considerado. Também deve ser evitado em pacientes com história de infecção por qualquer micobactéria. 10 .2 .4 . Inibidores de fosfodiesterase O roflumilaste é um inibidor da fosfodiesterase 4 e está indicado para pacientes com VEF1CI + LABA Formoterol/budesonida Pó inalatório: aerocaps, aerolizer, turbuhaler 6/200 a 12/400 mcg a cada 12 horas Inalador dosimetrado Formoterol/ beclometasona Pó inalatório: nexthaler 6/100 a 6/200 mcg a cada 12 horasInalador dosimetrado Salmeterol/propionato de fluticasona Pó inalatório: diskus 50/250 mcg a cada 12 horas Inalador dosimetrado 25/125 a 25/250 mcg a cada 12 horas Vilanterol/propionato de fluticasona Pó inalatório: ellipta 25/100 mcg a cada 24 horas CI + LABA + LAMA Propionato de fluticasona/ umeclidínio/vilanterol Pó inalatório: ellipta 100/62,5/25 mcg a cada 24 horas Dipropionato de beclometasona/ fumarato de formoterol/ glicopirrônio Inalador dosimetrado 100/6/12,5 mcg a cada 12 horas Fonte: Adaptada de Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease1. 10 .3 . ESCOLHA DO TRATAMENTO FARMACOLÓGICO Para pacientes com menor intensidade de dispneia (mMRC 55%). O período mínimo de uso diário é de 15 horas, sendo o ideal durante 24 horas. Essa medida, assim como a cessação do tabagismo, aumenta sobrevida dos pacientes com DPOC. DPOC estável 17 REFERÊNCIAS 1. Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease. Global Strategy for the Diagnosis Management, and Prevention of Chronic Obstructive Pulmonary Disease (GOLD). [Internet]; 2022. [acesso em 26 de junho de 2022]. Disponível em: https://goldcopd.org/2022-gold-reports-2/. 2. Imagem utilizada sob licença da Shutterstock.com, disponível em: . Acesso em: 19 de julho de 2022. 3. Nova Acta. O que é hiperinsuflação pulmonar. [Internet]; 2022. [acesso em 26 de junho de 2022]. Disponível em: http://airblog-pg.blogspot.com/2015/08/770-o-que-e- -hiperinsuflacao-pulmonar.html. 4. Willer K, Fingerle AA, Noichl W, Marco de F, Frank M, Urban T et al. X-ray dark-field chest imaging for detection and quantification of emphysema in patients with chronic obstructive pulmonary disease: a diagnostic accuracy study. Lancet Digit Health. 2021; 3(11): e733–e744. 5. Choromańska A, Macura KJ. Role of computed tomo- graphy in quantitative assessment of emphysema. Pol J Radiol. 2012; Jan;77(1):28-36. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease. Global Strategy for the Diagnosis Management, and Pre vention of Chronic Obstructive Pulmonary Disease (GOLD). [Internet]; 2021. [acesso em 18 de julho de 2022]. Disponível em: https:// goldcopd.org/2021-gold-reports/. Lynch DA, Austin JHM, Hogg JC, Grenier PA, Kauczor HU, Bankier AA, et al. CT-Definable Subtypes of Chronic Obs- tructive Pulmonary Disease: A Statement of the Fleischner Society. Radiol. 2015;277(1): 193-205. Washko GR. Imaging to predict therapeutic outcomes. Am J Respir Crit Care Med. 2015; 191(7): 724-5. DPOC estável Pneumologia 18 QUESTÕES COMENTADAS Questão 1 (SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SÃO PAULO - SP - 2021) Quanto à doença pulmonar obstrutiva crônica, jul- gue os itens a seguir. I - Na gasometria sem suporte de O2, uma PaO2 80%. ⮩ > 50%. ⮪arterial em ar ambiente. ⮧ Redução de capacidade de difusão de monóxi- do de carbono. ⮨ Enfisema centrolobular na tomografia de tórax. ⮩ Padrão obstrutivo na espirometria pós-bronco- dilatador. Questão 10 (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - SP - 2019) Homem, 58 anos de idade, tem antecedente de tabagismo de 30 ma- ços-ano, rinite alérgica e exposição ambiental a pássaros em casa e na praça que frequenta. Há um mês apresenta falta de ar diariamente quando realiza exercícios. Procurou o pronto-socorro duas vezes no último mês por piora da falta de ar. O exame clínico no momento está normal e a saturação de oxigênio é de 96%. Fez radiografia de tórax que estava normal. Há dois dias, realizou prova de função pulmonar e o eletrocardiograma, apresentados a seguir. Qual é a conduta em longo prazo para este paciente? ⮦ Metotrexate e corticoide por via oral. ⮧ Beta dois agonista de longa duração e tiotrópio. ⮨ Corticoide inalatório e tiotrópio. ⮩ Corticoide inalatório e beta dois agonista de longa duração. Resultados Predito Limite inferior Pré‑Bronco‑ dilatador Pré‑Bron‑ codilatador % Predito Pós‑Bron‑ codilatador Pré‑Bron‑ codilatador % Predito % variação CVF (L) 2,98 2,43 1,85 62 1,70 57 −8 VEF1 (L) 2,33 1,90 0,71 30 0,67 29 −5 VEF1 /CVF 0,79 0,71 0,38 49 0,39 50 3 DPOC estável 21 GABARITO E COMENTÁRIOS Questão 1 dificuldade: Y Dica do professor: O que muda mortalidade na DPOC são: prescrição de oxigênio quando indicado e cessação do tabagismo. Assertivas I e II: VERDADEIRAS. Quando avaliamos as diretrizes de DPOC, encontramos que a indica- ção para a introdução da oxigenoterapia domiciliar contínua é PaO2 ≤ 55 mmHg ou SatO2 ≤ 88% em repouso ou PaO2 56–59 + policitemia (Ht > 55%) ou cor pulmonale. Assertiva III: FALSA. Os broncodilatadores são a base do tratamento medicamentoso para contro- le de sintomas e redução de risco de exacerbação na DPOC, mas não são foram capazes de reduzir a mortalidade nesses pacientes. Assertiva IV: FALSA. A classificação D da GOLD é para aquele paciente mais grave, com mais de duas exa- cerbações no ano, ou com uma internação e muito sintomática (mMRC ≥ 2). ✔ resposta: ⮨ Questão 2 dificuldade: Y Dica do professor: O diagnóstico da DPOC é confir- mado somente após realização de espirometria com evidência de padrão obstrutivo irreversível (relação VEF1/CVF pós-broncodilatador 100 células/uL e exacerbações frequentes. Fique atento! Alternativa A: INCORRETA. O LAMA é superior ao LABA para pacientes exacerbadores (ou seja, clas- se C ou D). Alternativa B: INCORRETA. Terapia tripla até pode ser uma opção de tratamento, desde que o paciente continue exacerbando. Válido começar com LAMA e ir associando conforme resposta clínica. Alternativa C: INCORRETA. O roflumilaste deve ser ini- ciado somente se não há resposta adequada com o LAMA + LABA inicialmente e, aqui, o paciente ain- da não tinha sido exposto a qualquer tratamento. Alternativa D: CORRETA. O LAMA é a grande droga no paciente exacerbador, como dito acima. Alternativa E: INCORRETA. Antileucotrieno é uma droga para asma! Não confunda as coisas, jamais! ✔ resposta: ⮩ Questão 5 dificuldade: Y Dica do professor: O que temos de alterado nessa gasometria: PaO2 e SatO2 baixas, PaCO2 e bicar- bonato elevados. A gasometria arterial pode estar cronicamente alterada em pacientes com DPOC, geralmente nos casos mais avançados de doença. O dado mais comumente encontrado é a hipoxe- mia (PaO2 300 células/mcL). Assim, o paciente em questão não apresenta indicação ao uso da budesonida, que deve ser suspensa, e o formoterol mantido, uma vez que reduziu dispneia do paciente, além de ser capaz de reduzir exacerbações. Alternativa A: INCORRETA. O paciente não possui indicação para corticoide inalatório, e, como men- cionado na dica, este está associado a um maior risco de desenvolvimento de pneumonia. Alternativa B: INCORRETA. A associação da azitromi- cina é indicada para pacientes que continuam exa- cerbando mesmo após o uso de terapia tripla (β2 agonista de longa duração + β2-agonista de curta duração + corticoide inalatório), o que não é o caso do nosso paciente. Alternativa C: CORRETA. Conforme a dica do professor. Alternativa D: INCORRETA. O roflumilaste é um inibi- dor da fosfodiesterase 4, indicado para pacientes com VEF1de nosso paciente. Alternativa E: INCORRETA. O paciente não apresenta dispneia persistente ou exacerbações recorrentes da DPOC para associarmos medicações, e sim DPOC estável 23 apresenta efeito colateral do corticoide inalatório (pneumonia) que contraindica a manutenção de seu uso. ✔ resposta: ⮨ Questão 7 dificuldade: Y Dica do professor: Em uma questão, não podemos ter dúvidas, pelas informações clínicas, se estamos frente a um quadro de DPOC ou asma. São muito distintos! Aqui, o paciente é idoso, tem história de piora progressiva de dispneia e tosse e, o principal, fator de risco para DPOC (tabagismo). Bingo! Esta- mos frente a quadro de DPOC. Ponto final. Alternativa A: CORRETA. Paciente com VEF1 pós- -BD entre 50 e 80% é classificado como GOLD 2. Na avaliação combinada, temos dispneia mMRC 3 (caminha 100 metros) e não há descrição de exa- cerbação (lembre-se de que quadro de pneumonia não é igual a exacerbação de DPOC… é somente um quadro de pneumonia em portador de DPOC), ou seja, grupo B. Nesse cenário, é indicado um bron- codilatador de longa duração, independentemente de qual seja a droga. Alternativa B: INCORRETA. Já entendemos que não estamos frente a um quadro de asma. Essa dúvida não deve fazer parte mais da sua vida! Na asma, a questão geralmente traz pacientes com sintomas intermitentes e variáveis, sem progressão a longo prazo, mais jovens, com quadros sobrepostos de atopia na maioria das vezes. Alternativa C: INCORRETA. Como vimos na alternativa A, o paciente é classificado como GOLD 2. Alternativa D: INCORRETA. Não vou comentar mais sobre isso! Asma é totalmente oposta do quadro de DPOC em provas. Alternativa E: INCORRETA. A clínica é soberana e podemos sim diferir asma e DPOC apenas no ce- nário clínico! ✔ resposta: ⮦ Questão 8 dificuldade: Y Dica do professor: Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma doença prevenível e tra- tável, caracterizada por obstrução persistente e progressiva ao fluxo aéreo, não totalmente rever- sível, e associada à resposta inflamatória crônica das vias aéreas a gases e partículas nocivas. O tratamento da DPOC, além de broncodilatadores, inclui oferta de oxigênio, quando necessária, com alvo de saturação 88-92%. Alternativa A: CORRETA. Na indicação de oxigênio dos pacientes com DPOC, deve-se incluir PaO2 ≤ 55 mmHg ou saturação ≤ 88% ou naqueles com PaO2 entre 55 e 59 mmHg que apresentem sinais de cor pulmonale (insuficiência cardíaca direita) ou policitemia (eritrocitose). Alternativa B: CORRETA. Vide comentário acima. Alternativa C: INCORRETA. O oxigênio deve ser indi- cado por período mínimo de 15 horas ao dia para benefício na sobrevida dos pacientes hipoxêmicos. Não há indicação ou benefício de uso de oxigênio isolado durante o sono. Alternativa D: CORRETA. A cessação do tabagismo é fator que impacta na sobrevida dos pacientes, assim como oxigenoterapia. Alternativa D: CORRETA. O alvo de saturação em pa- cientes com DPOC deve variar entre 88% a 92%, com média de 90%. ✔ resposta: ⮨ Questão 9 dificuldade: Y Dica do professor: Em paciente idoso, tabagista, com história de dispneia progressiva, devemos sempre pensar na hipótese diagnóstica de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Alternativa A: INCORRETA. A hipoxemia pode ser um achado em pacientes com DPOC avançado, mas não faz parte dos critérios diagnósticos. Alternativa B: INCORRETA. A redução da capacida- de de difusão de CO pode ocorrer naqueles com DPOC e enfisema, mas não faz parte dos critérios diagnósticos. Alternativa C: INCORRETA. O enfisema pode ser en- contrado em pacientes com DPOC, mas não é um achado universal e não faz parte dos critérios diag- nósticos obrigatórios. Alternativa D: CORRETA. O diagnóstico da DPOC é feito pela associação da clínica (sintomas respiratórios DPOC estável Pneumologia 24 crônicos e progressivos) com fatores de risco (ex- posição a fumo ou outros gases nocivos) e espiro- metria evidenciando distúrbio ventilatório obstrutivo com relação VEF1/CVF