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Introdução O hipotireoidismo é um distúrbio endócrino caracterizado pela produção insuficiente de hormônios tireoidianos pela glândula tireoide. Esses hormônios—triiodotironina (T3) e tiroxina (T4)—são fundamentais para a regulação do metabolismo, crescimento e função de diversos órgãos. A doença pode afetar pessoas de qualquer idade, mas é mais comum em mulheres acima dos 50 anos. O hipotireoidismo pode ser primário (quando a disfunção está na própria tireoide), secundário (causado por disfunção da hipófise) ou terciário (causado por alterações no hipotálamo). Epidemiologia ● Acomete cerca de 5% da população geral, com maior prevalência em mulheres. ● A principal causa no mundo é a deficiência de iodo. ● Nos países desenvolvidos, a tireoidite de Hashimoto é a causa mais frequente. ● O hipotireoidismo congênito ocorre em 1 a cada 2.000-4.000 nascidos vivos. Fisiologia da Tireoide e Mecanismos do Hipotireoidismo A tireoide é regulada pelo eixo hipotálamo-hipófise-tireoide: 1. O hipotálamo secreta TRH (hormônio liberador de tireotropina). 2. A hipófise libera TSH (hormônio estimulante da tireoide). 3. A tireoide produz T3 e T4, que regulam o metabolismo corporal. Quando há disfunção nesse sistema, ocorre diminuição da produção hormonal, levando a um metabolismo mais lento. Classificação do Hipotireoidismo 1. Hipotireoidismo Primário (mais comum) ● Doença está na tireoide → aumento compensatório do TSH. ● Causas: ○ Tireoidite de Hashimoto (causa autoimune mais comum). ○ Deficiência de iodo (causa mais comum em países em desenvolvimento). ○ Pós-cirurgia tireoidiana (tireoidectomia total ou parcial). ○ Terapia com iodo radioativo (para hipertireoidismo prévio). ○ Uso de medicamentos (lítio, amiodarona). 2. Hipotireoidismo Secundário ● Disfunção da hipófise → produção insuficiente de TSH. ● Causas: ○ Tumores hipofisários. ○ Doença de Sheehan (necrose hipofisária pós-parto). ○ Irradiação craniana. 3. Hipotireoidismo Terciário ● Disfunção do hipotálamo → diminuição do TRH. ● Causas: ○ Tumores hipotalâmicos. ○ Traumatismo craniano. 4. Hipotireoidismo Congênito ● Presente ao nascimento devido a: ○ Disgenesia tireoidiana (agenesia ou ectopia). ○ Defeitos na síntese hormonal. Se não tratado, pode levar ao cretinismo, com retardo mental e baixa estatura irreversíveis. Manifestações Clínicas Os sintomas do hipotireoidismo são variáveis e se desenvolvem de forma lenta e progressiva. Sintomas Gerais ● Fadiga e fraqueza ● Ganho de peso (metabolismo lento) ● Intolerância ao frio ● Depressão e letargia ● Pele seca e fria ● Unhas frágeis e queda de cabelo ● Rouquidão Sintomas Cardiovasculares ● Bradicardia ● Hipotensão arterial ● Edema (mixedema) ● Aumento do colesterol LDL (associado a maior risco cardiovascular) Sintomas Neurológicos e Cognitivos ● Déficit de memória e raciocínio lento ● Reflexos tendinosos lentificados ● Parestesias e síndrome do túnel do carpo Sistema Gastrointestinal ● Constipação intestinal ● Diminuição do apetite Sistema Reprodutivo ● Irregularidades menstruais (ciclos longos ou amenorreia) ● Redução da libido ● Infertilidade Casos Graves (Coma Mixedematoso) ● Hipotermia severa ● Depressão do nível de consciência ● Hipoglicemia e hipoventilação ● Risco de morte se não tratado rapidamente com reposição hormonal e suporte intensivo. Diagnóstico O diagnóstico é feito através de exames laboratoriais: Exames Hormonais 1. TSH elevado + T4 livre reduzido → Hipotireoidismo primário 2. TSH baixo ou normal + T4 livre reduzido → Hipotireoidismo central (secundário ou terciário) Exames Complementares ● Anticorpos anti-TPO e anti-Tireoglobulina → indicam Hashimoto. ● Ultrassonografia da tireoide → útil para avaliar nódulos e tireoidite. ● Ressonância magnética de hipófise → em suspeita de hipotireoidismo central. Tratamento O tratamento consiste na reposição de hormônio tireoidiano com levotiroxina (T4 sintético). Doses e Ajustes ● Dose inicial: 1,6 mcg/kg/dia (ajustada conforme idade, peso e comorbidades). ● Monitoramento: TSH e T4 livre a cada 6-8 semanas até estabilização. ● Em idosos ou cardiopatas, iniciar com doses menores para evitar exacerbação de doenças cardíacas. Hipotireoidismo Congênito ● O tratamento deve ser iniciado nas primeiras semanas de vida para prevenir sequelas neurológicas. Coma Mixedematoso (Urgência Médica) ● Levotiroxina intravenosa + hidrocortisona (se insuficiência adrenal associada). ● Suporte ventilatório e hemodinâmico. Complicações ● Doença cardiovascular (hipercolesterolemia e aterosclerose). ● Infertilidade. ● Mixedema e coma mixedematoso (casos graves não tratados). Prevenção e Prognóstico ● Triagem neonatal obrigatória para diagnóstico precoce do hipotireoidismo congênito. ● Suplementação de iodo em áreas de deficiência. ● Adesão ao tratamento com levotiroxina → permite vida normal na maioria dos casos. Pacientes tratados adequadamente têm prognóstico excelente, com normalização dos sintomas e metabolismo. Introdução O hipotireoidismo é um distúrbio endócrino caracterizado pela produção insuficiente de hormônios tireoidianos pela glândula tireoide. Esses hormônios—triiodotironina (T3) e tiroxina (T4)—são fundamentais para a regulação do metabolismo, crescimento e função de diversos órgãos. A doença pode afetar pessoas de qualquer idade, mas é mais comum em mulheres acima dos 50 anos. O hipotireoidismo pode ser primário (quando a disfunção está na própria tireoide), secundário (causado por disfunção da hipófise) ou terciário (causado por alterações no hipotálamo). Epidemiologia ●Acomete cerca de 5% da população geral, com maior prevalência em mulheres. ●A principal causa no mundo é a deficiência de iodo. ●Nos países desenvolvidos, a tireoidite de Hashimoto é a causa mais frequente. ●O hipotireoidismo congênito ocorre em 1 a cada 2.000-4.000 nascidos vivos. Fisiologia da Tireoide e Mecanismos do Hipotireoidismo A tireoide é regulada pelo eixo hipotálamo-hipófise-tireoide: 1.O hipotálamo secreta TRH (hormônio liberador de tireotropina). 2.A hipófise libera TSH (hormônio estimulante da tireoide). 3.A tireoide produz T3 e T4, que regulam o metabolismo corporal. Quando há disfunção nesse sistema, ocorre diminuição da produção hormonal, levando a um metabolismo mais lento. Classificação do Hipotireoidismo 1. Hipotireoidismo Primário (mais comum) ●Doença está na tireoide → aumento compensatório do TSH. ●Causas: ○Tireoidite de Hashimoto (causa autoimune mais comum). ○Deficiência de iodo (causa mais comum em países em desenvolvimento). ○Pós-cirurgia tireoidiana (tireoidectomia total ou parcial). ○Terapia com iodo radioativo (para hipertireoidismo prévio). ○Uso de medicamentos (lítio, amiodarona). 2. Hipotireoidismo Secundário ●Disfunção da hipófise → produção insuficiente de TSH. ●Causas: ○Tumores hipofisários. ○Doença de Sheehan (necrose hipofisária pós-parto). ○Irradiação craniana. 3. Hipotireoidismo Terciário ●Disfunção do hipotálamo → diminuição do TRH. ●Causas: ○Tumores hipotalâmicos. ○Traumatismo craniano. 4. Hipotireoidismo Congênito ●Presente ao nascimento devido a: ○Disgenesia tireoidiana (agenesia ou ectopia). ○Defeitos na síntese hormonal. Se não tratado, pode levar ao cretinismo, com retardo mental e baixa estatura irreversíveis. Manifestações Clínicas Os sintomas do hipotireoidismo são variáveis e se desenvolvem de forma lenta e progressiva. Sintomas Gerais ●Fadiga e fraqueza ●Ganho de peso (metabolismo lento) ●Intolerância ao frio ●Depressão e letargia ●Pele seca e fria ●Unhas frágeis e queda de cabelo ●Rouquidão Sintomas Cardiovasculares ●Bradicardia ●Hipotensão arterial ●Edema (mixedema) ●Aumento do colesterol LDL (associado a maior riscocardiovascular) Sintomas Neurológicos e Cognitivos ●Déficit de memória e raciocínio lento ●Reflexos tendinosos lentificados ●Parestesias e síndrome do túnel do carpo Sistema Gastrointestinal ●Constipação intestinal ●Diminuição do apetite Sistema Reprodutivo ●Irregularidades menstruais (ciclos longos ou amenorreia) ●Redução da libido ●Infertilidade Casos Graves (Coma Mixedematoso) ●Hipotermia severa ●Depressão do nível de consciência ●Hipoglicemia e hipoventilação ●Risco de morte se não tratado rapidamente com reposição hormonal e suporte intensivo. Diagnóstico O diagnóstico é feito através de exames laboratoriais: Exames Hormonais 1.TSH elevado + T4 livre reduzido → Hipotireoidismo primário 2.TSH baixo ou normal + T4 livre reduzido → Hipotireoidismo central (secundário ou terciário) Exames Complementares ●Anticorpos anti-TPO e anti-Tireoglobulina → indicam Hashimoto. ●Ultrassonografia da tireoide → útil para avaliar nódulos e tireoidite. ●Ressonância magnética de hipófise → em suspeita de hipotireoidismo central. Tratamento O tratamento consiste na reposição de hormônio tireoidiano com levotiroxina (T4 sintético). Doses e Ajustes ●Dose inicial: 1,6 mcg/kg/dia (ajustada conforme idade, peso e comorbidades). ●Monitoramento: TSH e T4 livre a cada 6-8 semanas até estabilização. ●Em idosos ou cardiopatas, iniciar com doses menores para evitar exacerbação de doenças cardíacas. Hipotireoidismo Congênito ●O tratamento deve ser iniciado nas primeiras semanas de vida para prevenir sequelas neurológicas. Coma Mixedematoso (Urgência Médica) ●Levotiroxina intravenosa + hidrocortisona (se insuficiência adrenal associada). ●Suporte ventilatório e hemodinâmico. Complicações ●Doença cardiovascular (hipercolesterolemia e aterosclerose). ●Infertilidade. ●Mixedema e coma mixedematoso (casos graves não tratados). Prevenção e Prognóstico ●Triagem neonatal obrigatória para diagnóstico precoce do hipotireoidismo congênito. ●Suplementação de iodo em áreas de deficiência. ●Adesão ao tratamento com levotiroxina → permite vida normal na maioria dos casos. Pacientes tratados adequadamente têm prognóstico excelente, com normalização dos sintomas e metabolismo.