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PREFEITURA MUNICIPAL DE PORTO ALEGRE – PMPA FUNDAÇÃO DE ASSISTENCIA SOCIAL E CIDADANIA – FASC 1. IDENTIFICAÇÃO Nome do Projeto: Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para Idosos - SCFVI Responsável Técnico: Coordenação de Proteção Social Básica Data: Janeiro de 2015 (atualizado em julho de 2022) 2. INTRODUÇÃO A Fundação de Assistência Social e Cidadania - FASC, em sua história na cidade de Porto Alegre registra ações destinadas à população idosa, há mais de 30 anos. O atendimento aos idosos iniciou em 1976, na então denominada Fundação de Educação Social e Comunitária – FESC, órgão municipal subordinado à Secretaria Municipal de Educação – SMED, através da formação do primeiro grupo de convivência da rede pública na Cidade, nucleado no Centro Comunitário da Vila Floresta – CECOFLOR. O objetivo do trabalho destinava-se a organizar ações na área de lazer e recreação, principais interesses do grupo naquela época. Em 1984, através do Programa de Promoção ao Idoso, ”Pró-Idoso”, a SMED incentivou a criação de grupos de convivência nos nove Centros Comunitários, com a diretriz de educação 2 permanente, lazer, recreação, atividades físicas e ações comunitárias, ampliando o trabalho destinado à população idosa na cidade. Em 1994, com a aprovação da Lei Municipal 7414/94, a FESC passou a ser o órgão gestor da Política de Assistência Social de Porto Alegre, e no ano de 2000, através da Lei nº 8509, a FESC, passou a denominar-se Fundação de Assistência Social e Cidadania - FASC, consolidando sua missão institucional em Porto Alegre, após um amplo processo de mobilização da sociedade e de revisão da tradicional concepção de Assistência Social, cujos avanços estão consubstanciados na Lei Orgânica de Assistência Social – LEI nº 8742/ 93. A partir desta nova identidade, coube a FASC implantar e implementar programas e serviços relativos à Política de Assistência Social e assessorar a rede de serviços conveniados, executados por entidades não governamentais. Após o estabelecimento destas novas atribuições institucionais, o trabalho com idosos na FASC ampliou-se, passando de 9 para 21 grupos de convivência da rede própria e 15 grupos da rede conveniada, a criação de um Centro de Convivência na região Noroeste, e o conveniamento com 5 Casas de Longa Permanência para abrigagem de idosos sem vínculos familiares. No ano de 2004, com a aprovação da Política Nacional de Assistência Social – PNAS, por meio do Sistema Único de Assistência Social – SUAS, consolida-se a política pública de Assistência Social como direito do cidadão, expressando a transformação da proteção social. O SUAS é, portanto, o sistema responsável pela regulação e organização das ações de proteção social. A partir da implantação do SUAS, os serviços destinados à proteção e atenção à população idosa têm por foco o desenvolvimento de atividades destinadas à promoção de um envelhecimento saudável e digno, à conquista da autonomia individual e coletiva, ao fortalecimento dos vínculos familiares e do convívio comunitário e à prevenção de situações de risco social. A intervenção social deve estar pautada nas características, interesses e demandas dessa faixa etária e devem considerar a vivência em grupo, as experimentações artísticas, culturais, esportivas, de lazer e a valorização das experiências vividas pelos idosos. O serviço de atenção à população idosa na FASC ampliou-se de forma significativa após a implementação do SUAS, atingindo a nucleação de 34 grupos de convivência nos 22 Centros de 3 Referência da Assistência Social - CRAS e, de 18 grupos na rede conveniada, num total de 1.700 idosos com atendimento semanal. Respeitando as orientações da Resolução nº 109, de 11 de novembro de 2009, que aprova a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais e organiza os serviços por níveis de complexidade do SUAS, a Proteção Social Básica apresentou no Conselho Municipal da Assistência Social, a nova redação do projeto Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para Idosos – SCFVI, aprovada pelo Conselho Pleno, em 02/05/2010, Resolução nº 084. Em abril de 2013, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome – MDS organiza e define o Reordenamento do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, visando unificar e equalizar as regras para oferta qualificada do serviço às faixas etárias de 0 a 17 anos e acima de 60 anos, possibilitar o planejamento da oferta de acordo com a demanda local, garantir serviços continuados, otimizar os recursos humanos, materiais e financeiros, unificar a lógica de cofinanciamento e estimular a inserção do público identificado nas situações prioritárias. Os documentos orientadores apresentam a concepção de convivência e fortalecimento de vínculos na lógica da Política de Assistência Social e o traçado metodológico do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos – SCFV a ser implementado na rede socioassistencial. No que tange a relevância e importância do desenvolvimento de ações voltadas à população idosa pela Política de Assistência Social, os dados demonstram que este ciclo de vida vem crescendo em âmbito mundial. Em 1950 eram cerca de 204 milhões e, já em 1998, quase cinco décadas depois, este contingente alcançava 579 milhões, aproximadamente 8 milhões de idosos por ano. Conforme as pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, de 2010, a população de idosos no mundo atingiu 760 milhões, ou seja, 10,85% em relação à população total. Para o ano de 2050 as projeções indicam que a população idosa será de 1 bilhão e 900 milhões de pessoas. No Brasil, o aumento desta faixa etária passou a ser significativa a partir da década de 70. Segundo as pesquisas, a proporção de idosos no país passou de 11 milhões (7,6%) em 1991, para 14 milhões (9%) em 2000 e, no ano de 2010 o IBGE registra 20 milhões de idosos brasileiros (10,85%). Nos próximos 20 anos a população idosa no Brasil poderá ultrapassar 30 milhões de pessoas com mais de 60 anos e poderá representar quase 13% da população brasileira ao final 4 deste período. Tal aumento colocará o Brasil, em termos absolutos, como a 6ª população de idosos do mundo. Em termos de população gaúcha, o Censo Demográfico IBGE de 2000, refere que 10,4% dos indivíduos pertenciam à faixa etária com 60 anos ou mais, ou seja, cerca de 1.063.869 de pessoas idosas e, de acordo com o censo de 2010, o Rio Grande do Sul atingiu o número de 1.460.626 de idosos, o que significa 13,7% em relação à população total do Estado. Em Porto Alegre, de acordo com as pesquisas do IBGE de 2010, existiam 211 mil pessoas idosas, representando 15,04% da população total da cidade. Segundo as estimativas da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio/IBGE (1º trimestre) em 2020 o número de pessoas idosas em Porto Alegre passou para 344.274, representando 23,2% da população total. A expectativa de vida ao nascer em Porto Alegre cresceu 2,8 anos na última década, passando de 73,7 anos, em 2000, para 76,4 anos, em 2010, conforme dados do IBGE. Embora, Porto Alegre seja considerada uma das capitais brasileiras de melhor qualidade de vida, ainda apresenta marcantes contrastes sociais. Assim é comum, para uma significativa parcela da população, o acúmulo de dificuldades sociais ao longo da vida, com agravamento substancial do avançar da idade. A ausência de apoio familiar, a falta de aceso aos espaços públicos, a carência de programas preventivos e serviços que garantam os direitos e as necessidades dos idosos sob o ponto de vista físico, psíquico e social, os tornam socialmente vulneráveis, acentuando as fragilidades naturais do envelhecimento. Nos dados de janeiro de 2015, o MDS registra que em Porto Alegre, há 10.701 pessoas com mais de 65 anos beneficiárias do Beneficio de Prestação Continuada – BPC. De acordo com o documento “Diagnóstico Socioterritorialde Porto Alegre: Análise dos Territórios Vulneráveis das 17 Regiões do Orçamento Participativo” sistematizado em 2019 pela Vigilância Socioassistencial da FASC, os idosos beneficiários do BPC se localizam em maior número das regiões Centro Sul, Centro, Leste e Partenon e estão presentes na totalidade das 17 regiões do OP. O BPC cumpre objetivos de proteção básica por meio da segurança de rendimentos para o atendimento das necessidades de sobrevivência. No entanto, este benefício não é um fim em si mesmo, é necessário considerar outras necessidades para que os beneficiários alcancem um 5 padrão de vida com dignidade. Privilegiar a atenção e o cuidado com idosos beneficiários do BPC é pensar em formas de acompanhamento socioassistencial, definindo assim um novo lugar para o BPC na Política de Assistência Social, propiciando o protagonismo dos beneficiários, com vistas à emancipação. O total de pessoas idosas inscritas na Consulta, Seleção e Extração de Informações do Cadastro Único - CECAD em setembro de 2019 é de 26.825, representando 11,13% do total de indivíduos cadastrados. Em relação aos idosos em situação de rua inscritos no CECAD no ano de 2019 constata-se um total de 197 indivíduos acima de 60 anos nesta condição, sendo que as regiões Centro (108) e Humaitá Navegantes (34) são as que apresentam o maior número de idosos. Outro dado a ser destacado no documento “Diagnóstico Socioterritorial de Porto Alegre: Análise dos Territórios Vulneráveis das 17 Regiões do Orçamento Participativo” de 2019 é a renda da população idosa cadastrada de até R$ 89,00, representando 23,42% dos idosos inscritos; 1,9% entre R$ 85,00 e R$ 178,00; 18% entre R$ 178,00 e meio salário mínimo e 56,68% acima de ½ salário mínimo. A região que concentra o maior número de pessoas idosas com renda inferior a R$ 89,00 é a Restinga (644), Centro (543), Eixo Baltazar (528) e Centro Sul (524). Neste contexto, a Política de Assistência Social do município assume a função de promover, subsidiar e coordenar serviços e ações através da sua rede socioassistencial, de modo a garantir condições concretas de dignidade e cidadania para o segmento da população idosa. O presente projeto apresenta uma proposta de inclusão social para idosos através do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para Idosos, complementando e articulando as demais ações do Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família – PAIF. 3. JUSTIFICATIVA O envelhecimento carrega consigo duas idéias complementares e opostas: a primeira é a de desgaste, diminuição, enfraquecimento; a segunda é a de acréscimo, maturação e sabedoria. Envelhecer é perder e ganhar. Porém em nossa cultura a intensidade recai sobre as perdas. 6 Na tradição ocidental, o conceito de velhice surge na passagem do século XVIII para o século XIX, quando o envelhecimento passou a ser sinônimo de degeneração e decadência. Até o século XVIII, a velhice não se encontrava discriminada, a longevidade não implicava abandono das atividades produtivas nem afastamento das relações sociais. Nas sociedades tradicionais, o envelhecimento era concebido como sabedoria. Foi na esteira da Revolução Industrial e de suas conseqüências que a velhice começou a conhecer o banimento e a segregação. Há uma perversidade que parece inerente às sociedades modernas. Buscam incessantemente o novo e, neste ímpeto de mudanças, acabam por igualar bens, objetos e homens. Para elas, o tempo é rápido e linear; o passado não conta nem os indivíduos que o representam. Aprende-se, desde cedo, a associar a ação do tempo à deterioração. Em nome disto, valoriza-se tudo o que é novo e despreza-se aquilo que é velho. Valoriza a individualidade e a competitividade, o novo e o atual, a produtividade e o lucro, tendendo a não gostar de seus velhos. A sociedade moderna privilegia valores como o respeito à vida, à cidadania, à justiça social e o direito à felicidade, mas não os aplica aos idosos. Convida-os, muito cedo, a ceder seus lugares aos mais jovens. A sociedade atual passa por grandes modificações à medida que as pessoas vivem mais, a tecnologia avança a passos largos, os meios de comunicação bombardeiam com fatos e dados, as mudanças acontecem muito rapidamente, a vida é cada vez mais agitada, o tempo cada vez menor e as condições econômicas são mais difíceis. Isto tudo exige a introdução de novos conceitos e maneiras diferentes de viver e uma grande flexibilidade e capacidade de adaptação que o idoso nem sempre tem ou consegue, o que o leva a ter perdas como: Perdas diversas: que vão da condição econômica ao poder de decisão, à perda de parentes e amigos, da independência, da autonomia, resultando no isolamento social, o qual é um dos problemas que mais afeta o bem estar dos idosos. As situações de isolamento social facilitam a ocorrência de processos de solidão que leva a estados depressivos e regressivos, às doenças somáticas e inclusive à morte quando o distanciamento se torna muito acentuado. 7 Crise de identidade: provocada pela falta de papel social e familiar, levando à perda da autoestima. Diminuição dos contatos sociais: tornam-se reduzidos em função da dificuldade de acesso aos espaços públicos, circunstâncias financeiras e a realidade da violência social. Aposentadoria: o ato do indivíduo se aposentar nas sociedades capitalistas, por não se configurar em um “trabalho”, é percebido como “marginal”. A internalização desse estigma os leva a nutrir fortes sentimentos de impotência e desvalorização. A aposentadoria ou encerramento de alguma atividade leva a um sentimento de angústia, que precisa ser compensado com uma nova atividade que propicie à pessoa um novo sentido social de produção e utilidade. Com a aposentadoria, passam a ser vistos como meros dependentes dos fundos públicos e passam a serem vítimas das políticas do “mero custo” (Maffioletti). Considerando os aspectos teóricos acima, verificamos que a Política Nacional de Assistência Social, a Política Nacional do Idoso e o Estatuto do Idoso estão pautados em alguns princípios importantes a serem enfatizados: o idoso como ser total; o reconhecimento das múltiplas dimensões do envelhecimento e da velhice; a não segregação e marginalização do idoso com manutenção dos vínculos relacionais; o direito à segurança de sobrevivência, de acolhida e de convivência. Em decorrência destes princípios, a Assistência Social como Política de Seguridade, deve garantir ações protetivas com o objetivo de promover o reconhecimento da condição de vida, fortalecendo a relação familiar e comunitária, proporcionando um processo de envelhecimento ativo e saudável, motivando a construção de novos projetos de vida e prevenindo situações de vulnerabilidades e riscos sociais. Uma destas ações é o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para Idosos – SCFVI, ofertado nos Centros de Referência de Assistência Social – CRAS, tendo como base legal: Lei nº 8742, de 07 de dezembro de 1993, que cria a Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS, que apresenta como objetivo a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice. 8 Lei nº 8842, de 04 de janeiro de 1994, que dispõe da Política Nacional do Idoso, tem como objetivo assegurar os direitos sociais do idoso, criando condições para promover sua autonomia, integração e participação efetiva na sociedade. Lei nº 10.741, de 01 de outubro de 2003, que dispõe sobre o Estatuto do Idoso, destinado a regular os direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 anos. Resolução n.º 78, de 22 de junho de 2004, que dispõe sobre a Política Nacional de Assistência Social. Resolução nº 109, de 11 de novembro de 2009, que aprova a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais. Considerando os aspectos históricos do processo de envelhecimento acima descritos, osprincípios e diretrizes da Política de Assistência Social e a base legal que sustenta a implantação e implementação do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para Idosos na Fundação de Assistência Social, justifica-se o presente projeto. 4. OBJETIVO GERAL Viabilizar ações de convivência, de socialização, de integração e organização social, de forma complementar ao trabalho social com famílias, com vistas ao processo de um envelhecimento saudável, ao fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários, à prevenção de situações de risco social e à conquista de direitos da pessoa idosa. 5. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Viabilizar espaço de convivência promovendo a conquista dos direitos individuais e coletivos; Detectar necessidades e motivações, desenvolvendo potencialidades e capacidades para novos projetos de vida; Prevenir a institucionalização e a segregação de idosos, assegurando o direito à convivência familiar e comunitária; 9 Oportunizar o acesso às informações sobre direitos e sobre participação cidadã, estimulando o desenvolvimento do protagonismo dos idosos; Possibilitar acesso a experiências e manifestações artísticas, culturais, esportivas e de lazer, com vistas ao desenvolvimento de novas sociabilidades; Favorecer o desenvolvimento de atividades intergeracionais, propiciando trocas de experiências e vivências, fortalecendo o respeito, a solidariedade e os vínculos familiares e comunitários. Refletir sobre questões relacionadas à dinâmica familiar e/ou comunitária, que diga respeito à experiência e necessidades dos idosos, contribuindo para um processo de envelhecimento ativo, saudável e autônomo; Promover espaços de discussão e reflexão sobre temas referentes ao processo de envelhecimento; Estimular a participação do idoso em espaços comunitários e conselhos representativos, com vistas à conquista e efetivação de seus direitos; Propiciar vivências que valorizam as experiências e que estimulem e potencializem a condição de escolher e decidir, contribuindo para o desenvolvimento da autonomia e protagonismo social dos usuários; 6. IMPACTO SOCIAL ESPERADO O Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para Idosos deverá contribuir para: Melhoria da condição de sociabilidade das pessoas idosas; Redução e prevenção de situações de isolamento social e de institucionalização. 10 7. PÚBLICO USUÁRIO Pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, territorialmente referenciadas aos CRAS, em situação de vulnerabilidade social, em especial: Beneficiários do Benefício Prestação Continuada (BPC); Pertencentes a famílias beneficiárias de programas de transferências de renda; Com vínculos familiares e comunitários fragilizados; Com vivências de isolamento, violência, discriminação, preconceito, abandono e negligência; Por ausência de acesso a serviços e oportunidades de convívio familiar e comunitário e cujas necessidades, interesses e disponibilidade indiquem a inclusão no serviço. O Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome no documento intitulado Concepção de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (2013, pág. 27 a 35) apresenta os conceitos de vulnerabilidades sociais a fim de orientar a implementação do SCFV e de garantir o acesso dos indivíduos que se encontram em situação prioritária para atendimento. A seguir, algumas situações de vulnerabilidades relacionais recorrentes no último ciclo de vida, que não se restringem ao ambiente familiar, necessárias na identificação e avaliação técnica para encaminhamento ao SCFVI. Isolamento: situações de ausência de relacionamentos regulares e cotidianos, redução de capacidades de comunicação. No caso da pessoa idosa as limitações e restrições decorrentes do processo de envelhecimento, muitas vezes, levam familiares e/ou cuidadores a limitar e restringir ainda mais os relacionamentos e a comunicação. Assim, o isolamento resulta em várias restrições, dentre as quais a própria compreensão do mundo em que se vive e a experiência de ser reconhecido como importante para as pessoas. Viver essa situação torna a pessoa mais insegura e vulnerável. Violência (física ou psicológica): indivíduos ou grupos são impedidos ou compelidos a ações em desacordo com sua vontade e interesse, por vezes tendo a vida ameaçada. Do 11 ponto de vista relacional, a violência física e/ou psicológica é uma questão complexa, pois muitas das situações ocorrem entre pessoas que têm laços familiares. Constantemente verificam-se situações de violência por parte dos filhos adultos, ameaçando e obrigando o familiar idoso a dar suas economias, comprometendo sua renda mensal. O constrangimento e medo colocam a pessoa idosa em situação de fragilidade e de dependência em relação ao agressor. Preconceito/Discriminação: modos de vida e características pessoais e/ou étnicas desvalorizadas; origem e local de moradia para os quais se atribui menor valor. As situações de preconceito e discriminação negativa são marcadas por uma vivência relacional em que um atributo ou condição concreta, de uma pessoa ou grupo, é tomada como um qualificador desvalorizante, ou seja, não só têm menos valor, mas também podem menos. No caso da pessoa idosa aposentada as situações de preconceito se agravam por ser considerada “inativa”, “improdutiva” e, portanto, “incapaz”, levando-a a vivências de angústia, impotência, isolamento, exclusão e depressão. O processo do envelhecimento físico vivenciado pelas pessoas idosas, caracterizado pelos cabelos brancos, rugas, perda da audição, perda da visão, dificuldade de locomoção, é visto como sinônimo de término de vida e, portanto, sujeito a constantes situações de preconceito e discriminação. Abandono / Negligência: pessoas com necessidades de atenção são descuidadas por familiares e/ou grupos. As situações de abandono são vividas de forma grave, pois implicam relações de proximidade e responsabilidade negligenciada, restringindo as capacidades vitais das pessoas ou grupos que sofrem esta ação. 8. METODOLOGIA O Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para Idosos faz parte do conjunto de serviços e ações da Rede de Proteção Social Básica, realizado no CRAS ou em Organizações da Sociedade Civil (OSC), registradas no Conselho Municipal do Idoso – COMUI e no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS. Possui articulação com o Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família – PAIF, que é o responsável pela avaliação e indicação do idoso ao 12 serviço próprio ou parceiro com a FASC. O SCFVI tem caráter complementar ao PAIF com vistas ao fortalecimento das relações familiares e à garantia da matricialidade sociofamiliar da Política de Assistência Social. Segundo a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais, O Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos tem a seguinte definição geral: Serviço realizado em grupos, organizado a partir de percursos, de modo a garantir aquisições progressivas aos seus usuários, de acordo com seu ciclo de vida, a fim de complementar o trabalho social com famílias e prevenir a ocorrência de situações de risco social. Forma de intervenção social planejada que cria situações desafiadoras, estimula e orienta usuários na construção e reconstrução de suas histórias e vivências individuais e coletivas, na família e no território. Organiza-se a ampliar trocas culturais e de vivências, desenvolver o sentimento de pertença e de identidade, fortalecer vínculos familiares e incentivar a socialização e a convivência comunitária. Possui caráter preventivo e proativo, pautado na defesa e afirmação dos direitos e no desenvolvimento de capacidades e potencialidades, com vistas ao alcance de alternativas emancipatórias para o enfrentamento da vulnerabilidade social. (Brasil, 2009, p. 9) A Tipificação dispõe sobre a descrição doServiço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para cada público, de acordo com o ciclo de vida. No caso do serviço para pessoas idosas, consta a seguinte descrição: O Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para Idosos tem por foco o desenvolvimento de atividades que contribuam no processo de envelhecimento saudável, no desenvolvimento da autonomia e de sociabilidades, no fortalecimento dos vínculos familiares e do convívio comunitário e na prevenção de situações de risco social. A intervenção social deve estar pautada nas características, interesses e demandas dessa faixa etária e considerar que a vivência em grupo, as experimentações artísticas, culturais, esportivas e de lazer e a valorização das experiências vividas constituem formas privilegiadas de expressão, interação e proteção social. Devem incluir vivências que valorizam suas experiências e que estimulem e potencializem a condição de escolher e decidir. (Brasil, 2009, p.11) 13 Além de proporcionar o convívio entre os idosos, o SCFVI deve ser também um espaço de estímulo à integração de gerações, de percepção de potencialidades, de inclusão e de respeito às diferenças individuais e coletivas. Busca contribuir no reforço do vínculo familiar, na qualificação das relações e no reconhecimento da identidade e do papel do idoso no meio familiar, comunitário e social. Uma das principais funções do serviço de convivência é a prevenção, seja como alternativa para a redução de vulnerabilidades como nos processos de isolamento e de asilamento, na medida em que o idoso poderá vir a conquistar sua independência, auto-estima e autonomia. O principal recurso metodológico do SCFVI é o trabalho em grupo. Cada grupo do serviço de convivência para idosos deve ter no máximo 25 pessoas idosas. A indicação deste número de participantes permite o alcance dos objetivos previstos, facilitando a circulação da palavra, a atenção às particularidades do coletivo, o acompanhamento às necessidades individuais, a mediação das situações de conflitos grupais, garantindo a efetiva convivência e o fortalecimento dos vínculos relacionais. Para que os objetivos do serviço sejam alcançados são necessários compreensão e conhecimento de processos grupais, a capacidade de intervenção nas mediações de relações de poder e conflitos, abertura para expressão das discordâncias, possibilitando transformações, afirmando identidades, potencializando a participação e produzindo uma convivência mais plena e plural. As diferenças e divergências são forças criativas e produtoras de movimento, necessárias à vida social e democrática e para o desenvolvimento do indivíduo. Neste sentido, as atividades que compõem a rotina do grupo de convivência devem ser diversificadas, pois o grupo caracteriza-se como espaço de escuta, de informação, de apoio individual e grupal. A diversificação das ações possibilita a promoção integral do indivíduo, tendo em vista que a vulnerabilidade social apresenta-se de formas diferentes e sob múltiplos aspectos, tais como: afetivos, cognitivos, econômicos e sociais. É fundamental a realização de atividades criativas, lúdicas e reflexivas, podendo ser desenvolvidas através de debates, palestras, oficinas culturais, físicas, recreativas, ações de solidariedade na comunidade, encontros sociais e de integração junto aos demais serviços ofertados no CRAS, na comunidade e na cidade. O grupo de convivência para idosos terá suas regras e atividades escolhidas num processo de construção coletiva. Envolvem encontros periódicos com um conjunto de 14 pessoas que vivenciam questões de interesse comum, questões estas que serão compartilhadas e refletidas coletivamente através de metodologias diversas e enfatizando a dimensão da convivência. Segundo o Traçado Metodológico do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para Idosos, o mesmo está organizado em percursos, desenhados para compor um ciclo com duração de doze meses, que compreende o planejamento das atividades e organização do serviço. O ciclo objetiva dar sentido de movimento, buscando um modo integrado e orgânico de funcionar, reproduzindo três etapas, com duração aproximada de dois meses cada: o início do Serviço com o Percurso I, que objetiva constituir o grupo; o desenvolvimento do Serviço com os Percursos II, III e IV, que objetiva aprofundar os temas transversais propostos; e a conclusão do Serviço com o Percurso V, que objetiva encerrar o processo do ciclo metodológico e criar outras possibilidades de convívio e de projetos pessoais para as pessoas idosas. Assim, a ideia é que o serviço expresse este movimento cíclico, mas que ao final do último percurso, este se abra para outras possibilidades, representando um movimento que seria mais próximo de um espiral do que de um círculo. 8.1 Encaminhamento ao Serviço Os encaminhamentos ao SCFVI inserem-se na lógica de complementaridade do trabalho social com famílias realizado pelo Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família – PAIF e/ou Serviço de Proteção e Atendimento Especializado às Famílias e Indivíduos – PAEFI, executados respectivamente no CRAS e no CREAS. Assim, cabe às equipes técnicas dos referidos serviços identificar e avaliar as situações de prioridade vivenciadas pelos usuários, como critérios de ingresso no serviço, acompanhando diretamente este processo. As famílias dos usuários vinculados ao serviço também devem ser referenciadas ao PAIF/PAEFI. As informações de acompanhamento destas famílias do SCFVI são partilhadas e discutidas entre as referências dos serviços (SCFVI/PAIF/SAF/PAEFI), através de reuniões sistemáticas, na perspectiva de um atendimento integrado à família. 15 8.2 O acesso ao serviço ocorrerá por: Demanda espontânea dos idosos e/ou familiares; Busca ativa; Encaminhamento realizado pela rede socioassistencial dos níveis de proteção social básica e especial de média e alta complexidade; Serviços das demais políticas públicas. 8.3 As ações que compõem o SCFV para Idosos são as seguintes: Encontros regulares do grupo de convivência e fortalecimento de vínculos com periodicidade semanal e duração de até duas horas (um encontro por semana de até duas horas); Atividades de convívio de livre participação, realizadas no mínimo uma vez por semana (uma ou mais atividades de convívio); Oficinas que aprofundem os temas abordados nos encontros regulares, realizadas pelo menos duas ao ano, com duração mínima de oito horas. 8.3.1 Encontros Regulares Os encontros regulares são constituídos por atividades reflexivas e vivenciais realizadas com periodicidade semanal, de até 2 horas, com a participação das pessoas idosas que integram o mesmo grupo. As atividades a serem desenvolvidas estão propostas em um ciclo organizado de 05 percursos, com duração de 12 meses, devendo ser planejadas, sistematizadas e avaliadas de forma contínua, com a participação das pessoas idosas. Os assuntos a serem abordados em cada percurso apresentam-se de forma organizada a partir de 03 eixos estruturantes e de 06 temas transversais. 16 Eixos Estruturantes Os eixos estruturantes visam planejar e organizar o serviço de modo que as atividades sejam desenvolvidas de maneira integrada e orgânica e se constituam em situações criativas e desafiadoras, visando alcançar os objetivos do SCFV para Idosos. Convivência Social e Intergeracionalidade: Visa o desenvolvimento de ações de sociabilidades, o estímulo a vivências coletivas, o estar em grupo em ralação com o outro, privilegiando a convivência intergeracional, de modo a fortalecer os vínculos familiares e comunitários e prevenir riscos sociais como a segregação e o isolamento. A intergeracionalidade deve ser pensada não só na perspectiva familiar, mas também na comunitária. A convivência intergeracional valoriza a contribuição da pessoa idosa para a sociedade,reduz os preconceitos, produz novos sentidos e papéis sociais para as pessoas idosas, promove trocas afetivas e culturais, fortalece o sentimento de utilidade e enriquece o aprendizado das novas gerações com a vivência e experiência de pessoas mais velhas. Envelhecimento Ativo e Saudável: Traduz a concepção do direito ao processo de envelhecer com dignidade e congrega uma visão da velhice ativa e saudável, através do desenvolvimento de ações orientadoras sobre práticas de autocuidado. Por meio deste eixo o SCFV para Idosos tem como objetivo a realização de atividades que tratem do processo de envelhecimento, de ser pessoa idosa, das perdas e ganhos advindos com a idade, produzindo espaços de reflexão, debate e vivências que permitam ressignificar experiências, desenvolver habilidades, capacidades, novas motivações e possibilitem a construção de projetos de vida. Autonomia e Protagonismo: Objetiva fortalecer o processo de autonomia e independência da pessoa idosa e seu protagonismo social. Busca desenvolver a autonomia por meio de situações que proporcionem a realização de atividades que potencializem a capacidade pessoal de produção, de escolha e decisão, valorizando experiências de independência, fortalecendo a auto-estima, a identidade, o sentimento de liberdade e a sensação de domínio e controle sobre a própria vida. 17 Temas Transversais: Além dos três eixos estruturantes propostos para o SCFV para Idosos apresentam-se a seguir, seis temas transversais a serem trabalhados com os grupos em atividades planejadas, de acordo com os objetivos do Serviço. Envelhecimento e Direitos Humanos e Socioassistenciais: Aborda a concepção da pessoa idosa como sujeito de direitos, cidadã, participante ativa da sociedade, com direitos e deveres, através de ações práticas e reflexivas, baseadas nos conteúdos da Política Nacional de Assistência Social, da Política Nacional do Idoso, do Estatuto do Idoso, além de documentos de referência. Este tema contempla, informações sobre a importância da participação da pessoa idosa em conselhos e em outras instâncias de controle social. Orientações sobre serviços e programas sociais de proteção aos idosos são apresentados neste tema transversal, incluindo conteúdos que tratem da prevenção de riscos sociais, como a violência, isolamento e negligência contra a pessoa idosa. Envelhecimento Ativo e Saudável: Aborda conteúdos sobre o processo de envelhecimento e as características biológicas, psicológicas, emocionais, espirituais e sociais da pessoa idosa. A concepção da velhice como uma fase do desenvolvimento humano, com suas perdas e ganhos, influenciada por aspectos culturais e sociais constituem a base para o debate neste tema transversal. Também são abordados conteúdos sobre a sexualidade, finitude humana e espiritualidade. São propostas atividades físicas, de esporte e lazer, através de recursos pedagógicos, lúdicos, esportivos e recreativos. Memória, Arte e Cultura: Trabalha a importância da memória na vida da pessoa idosa, a arte e a cultura enquanto manifestação individual e coletiva. São propostas atividades práticas como roda de conversa sobre histórias de vida e da comunidade, o desenvolvimento de oficinas que estimulem habilidades artísticas e culturais, utilizando recursos lúdicos e pedagógicos. Pessoa Idosa, Família e Gênero: Aborda a temática da família na contemporaneidade e a relação com a pessoa idosa, visando o fortalecimento de vínculos familiares e incentivando a convivência familiar. A questão da 18 feminilidade da velhice também será tema de reflexão, abrangendo as diferenças de gênero nesta etapa da vida, abordando a atribuição social e cultural da mulher, inclusive a idosa, nas atividades de cuidado. Como atividade prática deste tema transversal, serão privilegiadas atividades intergeracionais compostas por pessoas de mesma família, incluindo a utilização de recursos audiovisuais, lúdicos e pedagógicos. Envelhecimento e Participação Social: O tema Envelhecimento e Participação Social objetiva suscitar o debate e a reflexão sobre o papel e o lugar da pessoa idosa na sociedade e suas possibilidades de contribuição. Desta maneira, abordará conteúdos que possibilitem o exercício da cidadania, estimulem o protagonismo, a participação social da pessoa idosa, desenvolvendo autonomia, habilidades e capacidades, fortalecendo, assim, sua identidade, seu autocontrole e seu sentimento de sentir-se útil e capaz. Serão propostas atividades que proporcionem à pessoa idosa uma ampliação do conhecimento sobre a localidade em que mora, de modo a fortalecer vínculos comunitários, estimular trocas e interação social, e instigar a construção de novos projetos de vida e a participação cidadã. Envelhecimento e Temas da Atualidade: O tema transversal Envelhecimento e Temas da Atualidade irá propor conteúdos e atividades relacionados à contemporaneidade, assuntos inovadores e característicos da sociedade atual, tais como o uso da tecnologia, meios de comunicação, meio ambiente e desenvolvimento sustentável, entre outros. Desta maneira, além de trazer informações sobre assuntos recentes, proporá atividades práticas como de inclusão digital, uso de novas tecnologias como cartão de banco e caixa automático, além de oficinas sobre temas relacionados ao meio ambiente como a relação com a natureza, reciclagem de lixo, produtos orgânicos e sustentáveis. Todos os temas transversais pretendem ter uma centralidade que os caracterizem, mas de modo aberto e processual que permitam uma contínua construção. O tema transversal Envelhecimento e Temas da Atualidade, por estar em sintonia com as inovações e assuntos da contemporaneidade, tem uma ênfase 19 maior neste processo de construção conjunta e coletiva em que o papel do facilitador do grupo e a participação das pessoas idosas, com seus interesses, são fundamentais. 8.3.2 Atividades de Convívio Consistem em atividades livres, recreativas, esportivas, culturais e de lazer, que visam à interação social das pessoas idosas e destas com a comunidade, como também o desenvolvimento de práticas de vida saudáveis, por meio da realização de atividades físicas e culturais. Deverá ser ofertada no mínimo uma atividade, com duração de duas horas semanais. Podem ser desenvolvidas várias atividades de convívio, de acordo com as possibilidades profissionais e de infraestrutura da unidade onde o Serviço é ofertado. 8.3.3 Oficinas As oficinas visam aprofundar um tema desenvolvido no grupo, preferencialmente de maneira prática, utilizando uma carga horária maior que os encontros semanais, por exemplo, de oito horas, abrangendo atividades durante um dia inteiro ou por duas manhãs ou tardes, semestralmente. As oficinas devem abordar um tema específico e ser organizadas e planejadas para atingir objetivos determinados. Elas podem envolver apenas os participantes do grupo ou, dependendo de seus propósitos, pode ter a participação de outras pessoas. 8.4 Planejamento e Avaliação O planejamento não deve ser compreendido como algo estático que só se realiza no início de um trabalho, perdendo seu sentido quando este é desenvolvido e conduzido pelo ritmo da realidade. Ele deve acompanhar a natureza mutável da realidade, aproximar-se de sua concretude, indicando novos horizontes, alimentando os sonhos, motivando para direções desejadas, baseado nas especificidades de cada território. A avaliação também deve ser concebida como atividade diária, incorporada em uma cultura de trabalho com qualidade. No SCFV para Idosos é indicado o processo 20 avaliativo por meio de atividades lúdicas e criativas. Vale à pena acrescentar também a avaliação do usuário do serviço, ou seja, a avaliação da pessoa idosa sobre a atividade realizada, do atendimento recebido pelo profissional ou pela unidade. É um momento de reflexão que trazinformações úteis sobre o que está sendo avaliado. O mais importante é que tenha sentido para os idosos, que constituam em subsídios necessários para o aprimoramento do trabalho, oportunidade de gerar mudanças, novos aprendizados para aperfeiçoar e superar dificuldades e obstáculos. A avaliação deve ser feita de forma contínua e processual e, para isso, o ideal é que sejam aplicados instrumentos de registro que permitam uma sistematização das atividades, da experiência das pessoas e do grupo. Pode-se utilizar vários recursos de registro, desde a simples anotação, realização de painéis, cartazes, diários de registros, a recursos audiovisuais, como fotografia e filmagem. Este material forma um conjunto importante para o processo de avaliação e sendo produzido periodicamente e com a participação das pessoas idosas e do profissional responsável pelo grupo, reflete a vida do grupo, expressando uma riqueza de vivência que por si só já constitui em um processo de aprendizado. 8.5 Desligamento A saída da pessoa idosa do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos poderá ocorrer durante o andamento do grupo, em razão de mudança de endereço, inserção em outros serviços ou atividades, desistência espontânea, superação de vulnerabilidade, entre outros. Essa situação deverá ser acompanhada pela equipe técnica do PAIF para compreender os motivos que levaram à desistência da participação e, assim, avaliar a decisão da pessoa idosa e suas demandas, que poderão ensejar a inserção em outro serviço de proteção e promoção. É possível que a saída da pessoa idosa gere uma demanda de acompanhamento, caso o motivo de sua saída esteja relacionado ao agravamento da situação de vulnerabilidade e risco social. Assim, as equipes do SCFVI 21 e do PAIF devem prever fluxos de comunicação e encaminhamento deste tipo de situação, prioritariamente na reunião de equipe do CRAS. A saída da pessoa idosa do SCFVIdosos ao término do último percurso não é obrigatória. Os idosos devem ser informados sobre a possibilidade de sua saída dos encontros regulares, em razão da finalização do ciclo. Havendo o desligamento, este deverá ser precedido de uma avaliação individual com a pessoa idosa e registrado formalmente. Dependendo da avaliação a pessoa idosa poderá ser desligada apenas da participação dos encontros regulares e permanecer frequentando as atividades de convívio culturais, sociais e de lazer, possibilitando a continuidade da convivência e da participação na vida comunitária. 9. RECURSOS 9.1 Recursos Humanos O Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para Idosos é organizado através de Encontros Regulares, Atividades de Convívio e Oficinas. O desenvolvimento dessas ações é executado pelo Educador Social, profissional com no mínimo nível médio de escolaridade, deve estar presente no cotidiano do grupo, facilitando as dinâmicas grupais e promovendo situações que possibilitem reflexões sobre a atuação e os papéis de cada indivíduo. Para tal, favorecerá o desenvolvimento de vínculos, de circulação e ampliação da comunicação, de promoção do sentimento de pertencimento, de convivência e respeito às diferenças, de mediação de conflitos, de cooperação e produção de um saber coletivo, de espaço criativo, visando a descoberta de potencialidades individuais e grupais. Ações do Educador Social no SCFVIdosos: Organizar e desenvolver a ação do Encontro Regular, 1 vez por semana, ocupando 1 turno, para atendimento a cada grupo de 25 pessoas idosas; 22 Organizar e desenvolver a ação de Atividade de Convívio, 1 vez por semana, ocupando 1 turno, para atendimento a cada grupo de 25 pessoa idosas; Acompanhar, orientar e monitorar os usuários na execução das atividades; Apoiar na organização de eventos artísticos, lúdicos, sociais e culturais nas unidades e na comunidade; Participar das reuniões de equipe para a organização e planejamento das ações, avaliação de processos de trabalho, de fluxos e resultados; Acompanhar e registrar a assiduidade dos usuários por meio de instrumentais específicos. Acompanhar e registrar as conquistas dos usuários na superação das vulnerabilidades sociais, bem como, as dificuldades agravadas ao longo do processo de trabalho. Desenvolver atividades que contribuam na prevenção de rompimentos de vínculos familiares e comunitários, possibilitando a superação de situações de fragilidade social vivenciadas. Acompanhar o ingresso, frequência e o processo de convivência dos usuários nas atividades externas aos quais são encaminhados. 9.2 Recursos Físicos Sala com capacidade para 25 pessoas idosas, com iluminação, ventilação, piso antiderrapante, ambiente limpo, salubridade, conservação e privacidade; Local de fácil acesso aos idosos; Instalações sanitárias acessíveis e com equipamentos de apoio adaptados para idosos; Estrutura para preparo do lanche. 23 9.3 Recursos Materiais Recursos materiais de caráter permanente para atendimento a um grupo de convivência com 25 idosos. Material pedagógico de consumo para o desenvolvimento das ações metodológicas. Material esportivo de recreação e lazer para o desenvolvimento das Atividades de Convívio. Utensílios de cozinha para o preparo e oferta do kit lanche. Produtos de alimentação para a confecção do lanche ofertado aos integrantes do SCFVIdosos. 10. RECURSOS 10.1 Humanos – Requisito mínimo para execução do SCFVIdosos Profissional Descrição Carga Horária Agenda da semana de 20h 1 Educador Social Profissional de nível superior que atue na área da Assistência Social 20h para atendimento a 50 idosos nucleados em 2 grupos de 25 idosos cada 2 turnos para realização do Encontro Regular (1 turno para cada grupo). 2 turnos para realização da Atividade de Convívio (1 turno para cada grupo) 1 turno para reunião de planejamento e avaliação. 24 10.2 Materiais de Consumo Indicativo de materiais de consumo e materiais permanentes para execução do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para Idosos. 10.2.1 Material de consumo pedagógico Material Descrição Unidade Quant. Balões Cores diversas, nº03, pac./100 unidades pc 10 Borracha Borracha macia e suave, aplicável sobre diversos tipos de superfície e para qualquer graduação de grafite, apaga lápis e lapiseira, 3,3 x 2,3 x 0,08cm, 10/15gr, pc com 40 unid. cx 01 Caneta Caneta esferográfica, azul, ponta média(1,0mm), cx com 50 unidades cx 01 Caneta Hidrocor Pilot Ponta fina, conj.c/12 cores cj 10 Cartolina Cor branca, formato 55x73cm un 30 Clips Nº08, niquelado, c/25 peças cx 02 Cola Branca líquida, secagem rápida, tubo plástico c/40g tb 10 Cordão Algodão natural, nº 8/6, rolo rolo com 400m rl 04 Envelope Plástico Incolor, transparente, s/furo, 240x330 ev 50 EVA Pacote de placas de E.V.A., 1mm, 48x40, com 10 folhas, cores diversas pc 05 Fita Adesiva, cor branca, em papel crepe, tam 50x50 rl 10 25 Grampeador Metálico para papéis, pequeno, metálico, grampos 26/6 pç 01 Grampo p/grampeador Tam 26/6, cobreados, galvanizados, cx c/500 unidades cx 02 Lápis preto Número 2 (HB), sem borracha pç 25 Papel A4 Cor branca, 210x297mm pac 02 Papel Kraft Puro, monolúcido, 60g/m2, largura 60cm,16kg rl 02 Pasta Pasta de polionda, com elástico, 34x252 cm pç 30 Régua Em pvc, 30cm, incolor, c/ divisão centímetros e milímetros pç 05 Tesouras Para uso geral, em aço inox, 18cm 662/7N 1 pç 05 10.2.2 Material de consumo / esportivo, lazer e recreação: Material Descrição Unidade Quant. Bola Plástica Grande Kit de 10 Bolas Bolão, Vinil/plástico, 40cm aprox., cores variadas. cj 02 Bola de borracha Borracha, nº12, 18,5cm pç 10 Baralho Jogo de cartas, 57x89mm,com 52 cartas cx 05 Dominó Tradicional, 28 peças,em madeira, 16x13x3,5cm ou similar (de osso) jg 04 Colchonetes Colchonete para ginástica revestido em napa Cicap, na cor disponível no mercado, densidade aglomerado AG pç 25 26 100, dimensões aproximadas 95 x 44 x 3cm, peso aproximado 1,3kg. Bola de volei Bola de vôlei adulto, 22cm de diâmetro, couro sintético. pç 02 Bambolê Material plástico, 65 cm, kit com 10 bambolês, cores diversas. cj 03 10.2.4 Material de Consumo / Utensílios para lanche Utensílio Descrição Unidade Quant. Bandeja Bandeja “Multi-Service”, de polipropileno, de 44x31x2cm, na cor branca. pç 05 Caneca Caneca de vidro transparente, altura 10,3cm, diâmetro 7,5cm, comprimento com alça 11cm, espessura 3mm, capacidade 300ml, peso 270ml. pç 25 Chaleira Chaleira de alumínio polido, 100% puro, com capacidade de 5 litros, com pegador anatômico e antitérmico e com fundo usinado. pç 01 Colher Colher de servir industrial, material de aço inox, de 32,5cm. pç 01 Garfo Garfo para sobremesa com dentes longos, em aço inox. pç 25 Garrafa Térmica Garrafa térmica, capacidade de 5 litros, quente e frio, com torneira, alça para transporte, com bocal prático. pç 01 Jarra Jarra plástica, com tampa térmica, capacidade de 4 litros. Medidas: 16cm de largura e 26cm de altura. pç 01 Leiteira Leiteira em alumínio, de 6 litros, com cabo baquelite de 20cm. pç 01 Pano de Prato Pano de prato, tecido 100% algodão. Medidas: 45cm x 80cm. pç 10 Porta Filtro Porta filtro de café de plástico Nº 103 pç 01 27 Potes Potes para mantimentos de 05 peças, em plástico, com tampa. Composição: 01 pote com capacidade de 1,2 litros; 01 pote com capacidade de 1,94 litros; 01 pote com capacidade de 3,88 litros; 01 pote com capacidade de 5,66 litros; 01 pote com capacidade de 8,45 litros. cj 01 Prato Prato de sobremesa de vidro, refratário, cor marrom, liso, resistente a impacto, tipo Duralex. pç 25 10.2.5 Material de Consumo / Lanche mensal para 01 grupo de 25 idosos: Item Quantidade Bolo 50g 25 unid. Cuca 50g 25 unid. Biscoito doce 40g 1 kg Biscoito salgado 40g 1 kg Café 1 cx Leite 20 litros Açúcar 1 kg Adoçante 1 unid. Chá 12 cx 28 10.3 Material permanente Material Descrição Unidade Quant. Cadeira Cadeiras em polipropileno, cor disponível no mercado, alt. 860mm, compr. 500mm, larg. 420mm, peso 2,32 kg, sem braço pç 30 Mesa Mesas em polipropileno, resistentes, nas seguintes dimensões: larg. 70 x alt.70,5 x compr. 70, peso 3590 gr. Cor disponível no mercado. pç 10 Armário Armário de aço, com duas portas, quatro prateleiras, porta com dobradiças internas, fechadura com duas chaves e maçaneta. Tratamento antiferrugem, pintado na cor padrão. Medidas: 198 x 100 x 45 cm. Confeccionado chapa nº 16 (suporte das dobradiças), nº 18 (batente das portas), nº 20 (rodapés), nº 22 (lataria, tampo, fundo, costas, portas, reforços de lataria e das portas), peso aproximado 53 kg. pç 02 Aparelho de som completo Carregador DC Power; Display de LED integrado; funcionalidade caixa de som portátil; potência rms 300RMS; impedância40; alto- falante 12”; subwoofer 12”x1; Tweeter 5”x1; compatibilidade USB, cartão de memória TF, Rádio FM, AUX e microfone; tecnologia Bluetooth; Rádio FM frequência 88 – 108 MHz; formato de áudio MP3/WMA; entrada microfone/guitarra – P10, 1xRCA, Alimentação 12V-VA DC; tempo de carregamento 12 V6 600mAh; duração da bateria até 6 a *hs (80% do volume); tamanho da caixa de som 37x55x31 cm; peso líquido 7,5kg; peso bruto 9,2Kg. Itens inclusos na embalagem: Caixa de Som Portátil, Microfone, controle remoto, carregador DC Power e manual do usuário. pç 01 29 10.4 Quadro geral de recursos orçamentários para execução do SCFVIdosos : DESCRIÇÃO VALOR PARA DOIS GRUPOS (50 IDOSOS) PERIODICIDADE Recursos Humanos R$ 2.550,00 Mensal Material de Consumo Alimentação/Lanche R$ 448,06 Mensal Material de Consumo Pedagógico R$ 1.237,84 Recurso para implantação do serviço. Material de Consumo Esportivo, Lazer e Recreação R$ 1.731,60 Recurso para implantação do serviço. Material de Consumo Utensílios para lanche R$ 810,91 Recurso para implantação do serviço. Material Permanente R$ 5.184,36 Recurso para implantação do serviço. Planilha detalhada em anexo. 30 11. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA BRASIL, Lei nº 8742 de 07 de dezembro de 1993. Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS). BRASIL, Lei nº 8842 de 04 de dezembro de 1994. Política Nacional do Idoso. BRASIL, Lei nº 10.741 de 01 de outubro de 2003. Estatuto do Idoso. BRASIL, Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome. Resolução nº 109 de 11 de novembro de 2009. Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais. BRASIL, Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome. Orientações Técnicas: Centro de Referência de Assistência Social – CRAS. 1ª ed. – Brasília: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, 2009. Diagnóstico Socioterritorial de Porto Alegre: análise dos territórios vulneráveis das 17 Regiões do Orçamento Participativo, setembro de 2020, Assessoria de Planejamento/Vigilância Socioassistencial, FASC/PMPA INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, dados de 2010 MAFFIOLETTI, Virgínia Lúcia Reis. Velhice Família: Reflexões Clínicas. Revista Psicologia, Ciência e Profissão. Página 8. Universidade Federal do Rio de Janeiro, RJ, 2005. PERGUNTAS E RESPOSTAS – SERVIÇO DE CONVIVÊNCIA E FORTALECIMENTO DE VÍNCULOS/MDS, Brasília, agosto de 2014. PROJETO TÉCNICO DO PROGRAMA DE ATENÇÃO AO IDOSO – PAI, Fundação de Assistência Social e Cidadania, PMPA, julho de 2004. PROJETO TÉCNICO DO CENTRO DE REFERÊNCIA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – CRAS, Fundação de Assistência Social e Cidadania, PMPA, janeiro de 2010. PROJETO TÉCNICO DO SERVIÇO DE PROTEÇÃO E ATENDIMENTO INTEGRAL À FAMÍLIA – PAIF, Fundação de Assistência Social e Cidadania, PMPA, janeiro de 2010. 31 REORDENAMENTO DO SERVIÇO DE CONVIVÊNCIA E FORTALECIMENTO DE VÍNCULOS – PASSO A PASSO, Brasília, abril de 2013. SERVIÇO DE CONVIVÊNCIA E FORTALECIMENTO DE VÍNCULOS – ORIENTAÇÕES TÉCNICAS/MDS, Brasília, dezembro de 2012.