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Cárie dentária: etiologia, diagnostico e abordagens não invasivas. Odontopediatria 1 – aula 3.1 22/03/2024 · Conceito: · Doença carie x lesão de carie. · Doença carie é o desiquilíbrio nas constantes trocas de minerais entre os tecidos dentais e o meio bucal PACIENTE. · Lesão de carie é a consequência desse desiquilíbrio, quando há perda substancial dos minerais do esmalte e/ou da dentina DENTE. · Doença carie – desiquilíbrio entre o processo de desmineralização e remineralizarão. Sempre que nos alimentamos, principalmente alimentos açucarados, as bactérias do nosso biofilme metabolizam esses alimentos e produzem ácidos que diminui o pH do dente, começando o processo de desmineralização. Depois de algum tempo, a saliva tem a capacidade tampão que retorna esse pH para um valor mais próximo do neutro, promovendo essa remineralizarão. Então, quando há muita desmineralização e a remineralizarão não acompanha, temos o processo da doença carie. · A lesão é o que detectamos no dente. Na imagem tem muito acumulo de biofilme, então é um paciente que esta falhando na higiene bucal e consigo ter uma noção sobre a dieta do paciente. Esse biofilme espesso, pegajoso, fica dessa forma por estar exposto a açucares, como sacarose na dieta. A sacarose (açucares livres), faz com que as bactérias, principalmente mutans, metabolizem a sacarose produzindo além do ácido, polissacarídeos extracelulares funcionam na matriz do biofilme, como arcabouço, deixando esse biofilme espesso. Importante, pois demonstra uma alta ingestão de doces, açúcar. Como consequência do metabolismo, há a produção de ácidos que ficam presos entre o biofilme e o dente, diminui o pH e traz a solubilização dos minerais. Queda do pH com a ingestão de açúcar. Em valores abaixo de 6,5 é o pH crítico para dissolução da dentina. Significa que se tenho dentina exposta no meio bucal, será exposta a desmineralização. Abaixo de 5,5 é a desmineralização do esmalte (porque esmalte é mais mineralizado). Dentina fica muito mais tempo exposta a DES do que o esmalte, então, se já tenho uma lesão, é provável que vá evoluir mais rápido. Vou ter a doença quando tiver desiquilíbrio. · Etiologia depende de: · HOSPEDEIRO – presença de dentes/superfícies dentarias. · MICROBIOTA – microrganismos presentes no biofilme dentário. · SUBSTRATO – exposição aos açucares da dieta, em especial a sacarose. · Fatores modificadores: · Componentes salivares. · Fluxo salivar. · Capacidade tampão da saliva. · Hábitos de higiene bucal. · Hábitos de dieta (potencial cariogênico). · Fase de maturação pós-eruptiva do esmalte. · Alterações de posição dentaria ou período de erupção (Infra-oclusão). · Uso de aparelhos ortodônticos. Fator momentâneo. Carie não é infeciosa, nem transmissível. Tem mais relação com dieta e hábito. Disbiose – desiquilíbrio. Patobiontes – microrganismos que já existem na boca. · Diagnostico: Importante para o tratamento. Por isso diagnosticar o quanto antes. Leva um tempo com o paciente com esse desiquilíbrio para que eu consiga ver clinicamente o processo de perda. Começo da doença ainda é difícil diagnosticar. · As primeiras alterações dentarias decorrentes da carie são ultra estruturais e imperceptíveis a olho nu. · Inicialmente, a lesão de mancha branca só é visível com a superfície dentaria seca. · Em estágio mais avançado, a lesão torna-se clinicamente detectável mesmo com o dente molhado. · não existe nenhum método único que seja capaz de reunir todos os requisitos ideias para a detecção da carie. · Para a detecção de lesões de carie, deve-se utilizar em conjunto os procedimentos visual-tátil-radiográfico. Diagnóstico clínico, visual, radiográfico tem indicações. Se não tenho sinal de doença na boca, não peço radiografia. Uso mais visual e tátil. · 1. Separar todos os materiais necessários para o exame clínico (escova de Robson, kit clínico, kit acadêmico, gaze, rolete de algodão, pote dappen de silicone). · 2. Primeira etapa: avaliação da higiene do paciente. · É uma etapa extremamente importante, pois o biofilme é um fator etiológico determinante para a carie. · Deve-se registrar no prontuário as informações sobre a presença de biofilme, em todas as consultas. · 3. Segunda etapa: profilaxia. · Realização da profilaxia de todos os dentes com escova de Robson em micromotor (baixa rotação) com pasta profilática (também pode ser usada uma mistura de pedra-pomes e água). · O exame clínico deve ser realizado com todos os dentes bem limpos, secos e com auxílio de boa iluminação. Esfera na ponta, ajuda a não fazer cavidade no dente com a ponta da sonda comum. Auxílio tátil. · No exame clínico tátil-visual devem ser observadas as seguintes características: · Integridade da superfície. · Textura. · Transluscência ou opacidade. · Local da lesão. · Cor da superfície. · Extensão da lesão. · Lesões de mancha branca: · Encontram-se nos locais de estagnação de biofilme. · Região do contorno da gengiva marginal. Margem gengival. Fundo de sulco na oclusal. · Quanto menor a perda mineral, mais desidratado deve estar o esmalte dentário para possibilitar sua detecção. · Nas situações de maior perda mineral (atingindo a subsuperfície), são visíveis mesmo com o esmalte úmido. · A aparência, localização e número de lesões são importantes para realizar o diagnostico diferencial. · Diagnóstico nas superfícies proximais: · Nas superfícies interproximais é difícil realizar a detecção das lesões apenas com o método tátil-visual. · Mesmo com a superfície limpa, seca e bem iluminada, o exame clínico tem pouca capacidade de identificar os estágios iniciais e intermediários da lesão. · Indica-se a realização de radiografias interproximais (bitewings). · Exceção – visualização direta, pois sem um dente, facilita a visualização. · As radiografias interproximais tem maior potencial de detectar lesões de carie proximais. · Fornece informações como: tamanho, extensão e profundidade das lesões. · Necessário cuidado para uma boa execução da técnica, a fim de evitar problemas que prejudiquem a qualidade da imagem. Se passo fio dental e ele esgarçar pode ser um alerta ou com muito sangramento e dentes já com outras lesões. Também posso usar elástico de separação ortodôntica (mas pode aumentar o desconforto e inflamação na região pela dificuldade de higienização). · Tratamento: ICDAS ajuda a determinar o tratamento. · Prevenção e controle da doença: · Atuação em relação ao controle dos modificadores determinantes e modificadores da doença. · Orientação dos pais/responsáveis. · Orientar os pais sobre o controle da dieta. · Reduzir o consumo de açucares (em especial a sacarose). Mais importante é ajustar a dieta. · Promoção e educação em saúde. · Controle mecânico e químico do biofilme dentário (instrução de higienização). · O controle eficiente do biofilme ajuda a evitar o desenvolvimento e a evolução da doença. · A conscientização e motivação do paciente e dos pais/responsáveis são fundamentais. · Os programas de prevenção e educação em saúde devem ser individualizadas. · Realizar a evidenciação do biofilme pode auxiliar no entendimento e atuar como fator de motivação para o paciente. · Deve ser realizado de acordo com a idade do paciente (indicações diferentes de acordo com diferentes faixas etárias). Bebes precisa dessa escovação desde a erupção do primeiro dente. Crianças até 8 anos, responsável precisa fazer essa higiene. · Uso de fluoretos. image7.jpeg image8.jpeg image9.jpeg image10.jpeg image11.jpeg image12.jpeg image13.jpeg image14.jpeg image15.jpeg image16.jpeg image17.jpeg image18.jpeg image19.jpeg image20.jpeg image2.jpeg image3.jpeg image4.jpeg image5.jpeg image6.jpeg