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Normas e Práticas de Auditoria Aula 02 Estrutura conceitual de trabalhos de asseguração Objetivos Específicos • Compreender a estrutura conceitual de trabalhos de asseguração. Temas Introdução 1 Origem do termo “auditoria” e principais definições 2 Asseguração razoável X asseguração limitada 3 Conclusão do auditor nos relatórios emitidos em trabalhos de asseguração 4 Aceitação de um trabalho de asseguração 5 Elementos de um trabalho de asseguração 6 Principais questões a serem analisadas Considerações finais Referências Professora Autora Andréia Davanço Augusto Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Normas e Práticas de Auditoria 2 Introdução Para compreendermos um pouco mais sobre a importância da auditoria externa no mundo capitalista em que vivemos hoje, precisamos, primeiramente, estudar alguns dos principais conceitos que fundamentam essa atividade. Assim, é requerido que entendamos a necessidade de que esses profissionais tenham um nível adequado de independência em relação à entidade auditada, de modo a garantir a credibilidade de sua opinião. Além disso, devemos aprender sobre os diferentes tipos de escopo de trabalho passíveis de execução pelos auditores independentes e a sua abrangência. Também trataremos, nesta aula, dos procedimentos que garantem a obtenção de evidências adequadas para a emissão da conclusão dos trabalhos dos auditores independentes e a responsabilidade desses profissionais na amplitude dos trabalhos, ou seja, até qual período subsequente à data de sua auditoria se estende a responsabilidade do auditor. Por fim, apresentaremos os tipos de relatórios que podem ser emitidos e os seus significados. É importante ressaltarmos que há Normas Brasileiras de Contabilidade (NBCs) que orientam o trabalho do profissional da área. Sendo assim, baseamo-nos, principalmente, na Norma de Asseguração Não Histórica (NBC TO 3000), aprovada pela Resolução do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) nº 1.160/2009. Lembrando que NBC TO são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas à asseguração, convergentes às Normas Internacionais de Asseguração emitidas pela International Federation of Accountants (IFAC). 1 Origem do termo “auditoria” e principais definições O termo auditoria tem sua origem no latim audire, o qual significa ouvir. No entanto, foram os ingleses que, inicialmente, adotaram a terminologia “auditing” como definição para o conjunto de procedimentos técnicos cujo objetivo maior era o de garantir a adequada utilização das Normas e Práticas Contábeis pelas empresas. Dessa forma, é correto definirmos a auditoria contábil como um conjunto de procedimentos técnicos específicos aplicados de forma independente, objetivando emitir a opinião de profissionais externos, com adequado nível de reputação técnica, sobre a validade e a integridade das informações contábeis divulgadas. 1.1 A independência profissional Watts e Zimmerman (1983) afirmam que os auditores independentes auxiliam a relação profissional firmada entre investidores e administradores, uma vez que garantem a credibilidade das demonstrações financeiras elaboradas. Entretanto, o monitoramento por meio de auditoria externa somente é válido se esses profissionais forem de fato independentes, ou seja, se não houver conflitos de agência entre auditores e acionistas. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Normas e Práticas de Auditoria 3 Assim, apresenta-se o primeiro importante conceito que norteia a profissão de auditoria externa: a independência profissional. A auditoria fornece informações quase sempre deduzidas como verdades incontestáveis pelos usuários de seus relatórios, pois estes acreditam que os trabalhos foram desenvolvidos por profissionais com independência de interesses sobre o objeto analisado, o que oferece segurança na tomada de decisões (SAMPAIO, 2003). O fato é que essa independência é necessária para garantir a confiança do usuário, seja externo ou interno, na opinião dada pelo auditor independente acerca de um determinado relatório. 2 Asseguração razoável X asseguração limitada Há diversos tipos possíveis de trabalhos que podem ser prestados pelos auditores externos, auditores independentes; assim, faz-se necessário classificá-los, de acordo com a NBC TO 3000, em dois tipos: • asseguração razoável; • asseguração limitada. Ao optar pela contratação de um trabalho cujo escopo é de asseguração razoável, o auditor precisa executar procedimentos que reduzam o risco de uma opinião inadequada a um nível aceitavelmente baixo. Por outro lado, ao optar por um trabalho de asseguração limitada, o auditor buscará reduzir o risco de trabalho com procedimentos mais superficiais, que garantam um nível de confiança em sua conclusão, porém, menor do que em um trabalho de asseguração razoável. Ou seja, na prática, o auditor independente concluirá que não tem conhecimento de nenhuma modificação relevante a ser feita nas informações sujeitas à asseguração limitada. 3 Conclusão do auditor nos relatórios emitidos em trabalhos de asseguração De modo geral, o objetivo de um trabalho de auditoria independente é emitir opinião técnica sobre a demonstração financeira elaborada por uma determinada entidade. Essa opinião sempre deve ser emitida de maneira clara e formal, que não gere dúvidas aos usuários no seu uso para a tomada de decisão. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Normas e Práticas de Auditoria 4 Os relatórios podem ser “limpos”, ou seja, quando o auditor está de acordo com todas as divulgações da demonstração financeira, porém, nem sempre esta é a conclusão; assim, se algum desvio relevante for identificado, o relatório deve conter conclusões com ressalvas, conclusões adversas e abstenção de conclusão. 3.1 Preparação do relatório de asseguração O auditor independente deve garantir que foram obtidas as evidências adequadas e com a abrangência e a profundidade suficientes para fundamentar a sua opinião, a qual deverá ser emitida de forma clara, e por escrito, através de um relatório formal. Vejamos, a seguir, algumas das principais informações que devem ser incluídas nesse relatório. Quadro 1 – Relatório de asseguração TÍTULO E DESTINATÁRIO Importante que se esclareça ao usuário que se trata de relatório cujo escopo foi de asseguração razoável ou asseguração limitada. Além disso, é necessário definir para quem o relatório de asseguração é dirigido. CONCLUSÃO DO AUDITOR Sempre que apropriado, a conclusão do auditor deve informar o contexto em que ela deve ser lida. A NBC TO 3000 traz o seguinte exemplo para este caso: “A presente conclusão foi formulada com base em... e está sujeita às limitações inerentes, apresentadas neste relatório de asseguração independente”. Tal parágrafo é apropriado para relatórios que incluam explicação das características particulares do escopo sobre as quais usuários previstos devem estar cientes. IDENTIFICAÇÃO DO OBJETO E DESCRIÇÃO DE INFORMAÇÕES (i) data-base ou período objeto da análise; (ii) nome da entidade analisada; e (iii) explicação do escopo ou outras informações por meio dos quais os usuários devem ter ciência do uso adequado dos documentos para sua tomada de decisão. DESCRIÇÃO DE LIMITAÇÃO SIGNIFICATIVA Descrever qualquer limitação significativa associada à avaliação ou à mensuração do escopo. DECLARAÇÃO PARA RESTRINGIR O USO DO RELATÓRIO Caso o auditor tenha sido contratado para emitir um relatório com destinação específica, deve-se incluir declaração restringindo o uso do relatório de asseguração a usuários específicos ou para determinada finalidade. RESUMO DO TRABALHO REALIZADO Objetiva informar, aos usuários, a natureza da segurança proporcionada pelo relatório de asseguração (razoável ou limitada). Atentemos ao fato de que as normas sobre Parecer dos Auditores Independentes sobre Demonstrações Contábeis e de Revisão de Demonstrações Contábeis dão orientações específicas sobre o resumo adequado. Noentanto, quando não existir norma específica para orientar sobre procedimentos de obtenção de evidências para determinado objeto, o resumo pode incluir descrição mais detalhada dos trabalhos realizados. Fonte: Elaborado pela autora (2015). Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Normas e Práticas de Auditoria 5 Complementando o quadro anterior, em trabalhos de asseguração razoável, a conclusão deve ser, em outro exemplo também apresentado pela NBC TO 3000: “Em nossa opinião, os controles internos são eficazes, em todos os seus aspectos relevantes, de acordo com os critérios XYZ” (CFC, 2009). Para casos de asseguração limitada, a conclusão deve ser apresentada, de acordo com a NBC TO 3000, da seguinte forma: Com base em nosso trabalho, descrito neste relatório, não temos conhecimento de nenhum fato que nos leve a acreditar que os controles internos não são eficazes, em todos os seus aspectos relevantes, de acordo com os critérios XYZ (CFC, 2009). Sempre que o auditor independente emitir conclusão com ressalvas, o relatório de asseguração deve conter descrição clara de todas as razões: • a data do relatório, que busca informar aos usuários que o auditor independente considerou efeitos relevantes, caso haja, de fatos ocorridos desde a data-base até a sua emissão; • o nome da firma e do auditor independente responsável técnico, bem como os números de seus respectivos registros profissionais e o local de emissão do relatório. 3.2 Conclusões com ressalvas, adversas e abstenção de conclusão O auditor externo não deve expressar opinião sem ressalvas quando não for possível obter evidências necessárias para reduzir o risco do trabalho de asseguração a um nível adequado; nesse caso, o relatório do auditor deve conter conclusão com ressalva, ou, ainda, diante da relevância do caso, abstenção de conclusão. Conclusão com ressalvas, ou conclusão adversa, deve ser emitida nos casos nos quais não tenha sido devidamente apresentada documentação que suporte a opinião e/ou informações/documentos apresentados contiverem distorção significativa em relação ao adequado. Segundo a NBC TO 3000, um exemplo de como apresentar tal conclusão seria: “Em nossa opinião, exceto quanto [descrever a exceção], os controles internos são eficazes, em todos os aspectos relevantes, de acordo com os critérios XYZ”. 4 Aceitação de um trabalho de asseguração Entre outras condições, o auditor externo não deve aceitar ou manter o contrato firmado com determinada entidade para trabalho de asseguração se houver indícios de que as exigências impostas pelo Código de Ética Profissional e/ou das normas aplicáveis não poderão ser cumpridas, ou, ainda, de acordo com seu entendimento, o trabalho não tiver as seguintes características: Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Normas e Práticas de Auditoria 6 • objeto apropriado; • critérios adequados e disponíveis aos usuários previstos; • acesso apropriado e suficiente às evidências que respaldarão sua conclusão; • a sua conclusão, quer seja em forma de “Asseguração Razoável” ou “Asseguração Limitada”, puder estar contida em relatório escrito; • há um propósito racional para o trabalho. O auditor independente também deve considerar se o contratante tem a intenção de associar o nome do auditor ao objeto de maneira não apropriada e, se a parte contratante não for a responsável pelo objeto, quais as consequências de possíveis limitações no acesso a registros, documentação e outras informações necessárias para concluir o seu trabalho. Adicionalmente, é imprescindível que o auditor externo somente deva aceitar (ou manter, se for o caso) o trabalho de asseguração se tiver certeza de que as pessoas que realizarão o trabalho possuem, em seu conjunto, as competências profissionais necessárias. 5 Elementos de um trabalho de asseguração Há alguns elementos essenciais para que o auditor independente possa executar seu trabalho de maneira a atingir seu resultado com a qualidade e no tempo adequados. O planejamento do trabalho é a primeira etapa, porém, este somente é concluído na emissão formal do relatório. A execução de trabalho pode ser definida como o ato da equipe de auditoria, composta por profissionais com diferentes níveis de experiência e conhecimento que realizam testes e análises previstos no planejamento, sempre agindo com o adequado ceticismo profissional (termo que aprenderemos a seguir). Próxima à emissão do relatório, considera-se a necessidade de obtenção de cartas de representações formais da administração da entidade auditada e a consideração, pelo auditor, de eventos subsequentes à data-base do trabalho, porém, ocorridos antes da emissão de sua opinião. 5.1 Planejamento e execução do trabalho O auditor independente deve planejar o trabalho para que este seja executado com eficiência e eficácia. O planejamento inclui aspectos como definição do alcance dos testes, ênfase, época a ser executada cada fase das análises, extensão dos procedimentos para obtenção de evidências apropriadas, além das razões para a sua seleção etc. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Normas e Práticas de Auditoria 7 O plano de trabalho elaborado adequadamente classifica as áreas importantes, identifica riscos e eventuais problemas, de forma tempestiva, além de organizar e gerenciar a execução das tarefas de maneira adequada. Um bom planejamento também é essencial para manter a correta coordenação das atividades realizadas por profissionais especialistas em determinadas áreas, já que, em alguns trabalhos de asseguração, podem ser necessários conhecimentos profundos na obtenção e na avaliação de evidências. Assim, o auditor independente deve recorrer ao trabalho de pessoas de outras áreas profissionais, chamados especialistas, os quais possuam o conhecimento e as habilidades apropriados, sempre que julgar necessário. Vale ressaltar que o planejamento não é uma fase isolada, que ocorre apenas no início do trabalho, mas, sim, um processo contínuo e mutável, desde a contratação até a data de sua entrega ao contratante, sendo que o auditor independente pode necessitar fazer alterações em sua estratégia e no plano de trabalho, em razão de imprevistos, alterações de condições ou evidências obtidas por meio de testes e análises, e, consequentemente, a natureza, a época e a extensão planejadas dos procedimentos restantes. 5.2 Ceticismo profissional Um profissional cético é aquele que possui uma atitude incrédula, fruto de uma mente interrogativa, que indaga, questiona e atua de forma sempre alerta aos fatos e/ou condições que possam indicar uma possível distorção do esperado, decorrente de uma avaliação crítica. Ou seja, é aquele que avalia as evidências, corrobora as informações a atua com criticismo. O auditor externo deve planejar e realizar o trabalho com ceticismo profissional, reconhecendo, dessa forma, que podem existir circunstâncias que façam com que as informações sobre o objeto estejam significativamente incorretas. Essa atitude de ceticismo profissional significa que o auditor independente realiza uma avaliação crítica e questionadora da validade da evidência obtida e fica alerta em relação às evidências que contradizem ou coloca em questão a confiabilidade dos documentos ou das declarações feitas pela parte responsável pelo objeto. 5.3 Obtenção de evidência O auditor independente deve obter evidências adequadas e suficientes para fundamentar a sua conclusão, e, assim, fazer uso de seu julgamento profissional e exercer o seu ceticismo Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Normas e Práticas de Auditoria 8 para a avaliação da quantidade e qualidade das evidências, e, portanto, da sua suficiência e adequação, para fundamentar o relatório de asseguração. Asseguração razoável não proporciona segurança absoluta, mas é imprescindível que o auditor estabeleça um plano de trabalho que busque reduzir significativamente o risco do trabalho de asseguraçãoatravés: • do uso de testes seletivos; • de análises apropriadas das limitações inerentes dos controles internos; • do uso de julgamento na obtenção e na avaliação de evidências, bem como na formação de conclusões com base nessas evidências. Tanto os trabalhos de asseguração razoável quanto aqueles cujo escopo seja de asseguração limitada requerem a aplicação de procedimentos para a obtenção de evidências adequadas, o que inclui a obtenção de entendimento do objeto e de outras circunstâncias do trabalho. No entanto, convém ressaltarmos que a extensão dos procedimentos para a obtenção de evidências, em trabalho de asseguração limitada, é reduzida em relação à de asseguração razoável. No caso de alguns objetos, podem existir normas específicas de orientação sobre os procedimentos para a obtenção de evidências adequadas e suficientes para o trabalho de asseguração limitada – no caso de Revisão Limitada das Demonstrações Financeiras, por exemplo, há a NBC TR 2400 –, Trabalhos de Revisão de Demonstrações Contábeis. Na falta de regulamentação específica, esses procedimentos variam conforme as circunstâncias do trabalho, em particular, o objeto e as necessidades dos usuários previstos e do contratante, inclusive limitações pertinentes de tempo e de custo. 5.4 Representação da parte responsável O auditor independente deve obter, da parte responsável pelo objeto, representações formais apropriadas. A ausência de declaração por escrito, sempre que solicitada pelo auditor, habitualmente deve resultar em uma conclusão com ressalvas ou em abstenção de conclusão devido à limitação do alcance do trabalho. Constituem exemplos de carta de representação a NBC TA 580 – Representações Formais. 5.5 Consideração de eventos subsequentes O auditor independente deve considerar a relevância de quaisquer eventos ocorridos entre a data-base do trabalho de asseguração até a data do relatório de asseguração. A relevância desses eventos subsequentes está substancialmente ligada à possibilidade de que tais eventos possam afetar as informações sobre o objeto, bem como possam alterar a conclusão do auditor independente. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Normas e Práticas de Auditoria 9 No entanto, em alguns trabalhos de asseguração, não são levados em conta eventos subsequentes; por exemplo, quando o trabalho requer uma conclusão sobre a exatidão de dado estatístico em determinado momento, os eventos que ocorrem entre esse momento e a data do relatório de asseguração podem não afetar a conclusão nem exigir sua divulgação no dado estatístico ou no relatório de asseguração. 6 Principais questões a serem analisadas Dentro do contexto do trabalho de auditoria independente, há dois tópicos que requerem atenção especial. Um deles é a importância de o auditor preparar a documentação adequada tempestivamente, suficiente para suportar a opinião emitida. Por outro lado, o atendimento dos requisitos que garantam a independência dessa opinião a faz ter credibilidade no mercado; assim, qualquer fato que coloque em dúvida se a opinião do auditor foi influenciada pelo seu interesse próprio faz com que sua opinião perca a relevância. 6.1 Documentação O auditor independente deve documentar os assuntos significativos que propiciem evidências para fundamentar o relatório de asseguração. Essa documentação deve incluir, obrigatoriamente, evidências das análises do auditor independente sobre aspectos importantes que exijam o exercício de julgamento e respectivas conclusões. Não é necessário documentar todos os assuntos considerados pelo auditor independente em suas análises. Ao aplicar seu julgamento profissional para avaliar a extensão da documentação a ser elaborada, bem como arquivada como evidência, o auditor externo pode e deve considerar o que é necessário para proporcionar, a outro auditor independente, sem experiência prévia do trabalho, entendimento do trabalho realizado e a base das principais decisões tomadas. 6.2 Perda de independência Determinadas situações caracterizam a perda de independência da firma de auditoria em relação à entidade para a qual está sendo prestado o trabalho de asseguração, e, se isso acontecer, o trabalho deve ser interrompido. A NBC PA 290 define que a independência do auditor pode ser comprometida pelos seguintes fatores: • Interesse próprio: a existência de algum interesse, seja ele financeiro ou não, que influencie de forma inadequada o julgamento ou o comportamento do auditor na emissão de uma opinião. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Normas e Práticas de Auditoria 10 • Autorrevisão: o auditor não avaliará adequadamente os resultados de serviço prestado por ele anteriormente, ou por outro profissional pertencente à mesma firma de auditoria, mesmo que um consultor. Exemplos de algumas dessas atividades que resultam em perda de independência: (i) o auditor externo não deve auditar, revisar ou prestar outros serviços de asseguração em relação ao seu próprio trabalho; (ii) o auditor independente não pode exercer quaisquer funções gerenciais na entidade auditada; (iii) o auditor independente não pode promover interesses da entidade auditada. • Defesa de interesse do cliente: a possibilidade de que o auditor promoverá ou defenderá a posição da entidade auditada de modo a comprometer sua objetividade. • Familiaridade: em decorrência de um longo ou mesmo próximo relacionamento com a entidade auditada, o auditor externo torne-se solidário aos seus interesses ou aceitará seu trabalho sem muito questionamento. • Intimidação: a possibilidade de que o auditor será persuadido a tomar atitudes decorrentes de pressões reais ou aparentes, incluindo tentativas da administração da entidade auditada de exercer influência inadequada sobre o auditor. Considerações finais Nesta aula, pudemos aprender um pouco mais sobre o trabalho de auditoria independente e os conceitos que norteiam essa profissão. Também estudamos as diferenças de escopo entre um trabalho de asseguração razoável e de asseguração limitada. Suas características principais tratam da elaboração do planejamento do trabalho; da obtenção de um nível adequado de evidência, que atenda à mitigação do risco no nível adequado; e da utilização de serviços de especialistas e emissão de relatórios, sejam estes com ou sem ressalvas, de conclusões adversas, e aqueles que denotam abstenção de opinião. Referências CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Resolução CFC nº 1.160/09. Aprova a NBC TO 3000 – Trabalho de Asseguração Diferente de Auditoria e Revisão. Disponível em: . Acesso em: 4 jun. 2015. ______. Resolução CFC nº 1.169/09. Aprova a NBC NBC TO 01 – Trabalho de Asseguração Diferente de Auditoria e Revisão (3000). Disponível em: . Acesso em: 4 jun. 2015. ______. Resolução CFC nº CFC 1.227/09. Aprova a NBC TA 580 REPRESENTAÇÕES FORMAIS. Disponível em: . Acesso em: 04 jun. 2015. ______. Resolução CFC nº 1.275/10. Aprova a NBC TR 2400 TRABALHOS DE REVISÃO DE DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS . Disponível em: . Acesso em: 4 jun. 2015.______. Resolução CFC nº Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Normas e Práticas de Auditoria 11 1.311/10. Aprova a NBC PA 290 – Independência. Disponível em: . Acesso em: 4 jun. 2015. SAMPAIO, H. Uma abordagem sobre o conflito entre a ética na auditoria externa e os interesses comerciais. 2003. Trabalho de Conclusão de Curso (Gradução em Ciências Contábeis) – UFPE, 2003. WATTS, R. L.; ZIMMERMAN, J. L. Agency problems, auditing, and the theory of the firm: some evidence. The Journal of Law and Economics, Chicago, v. 26, n. 3, p. 613-633, oct. 1983. _GoBack Introdução 1 Origem do termo “auditoria” e principais definições 2 Asseguração razoável X asseguração limitada 3 Conclusão do auditor nos relatórios emitidos em trabalhos de asseguração 4 Aceitação de um trabalho de asseguração5 Elementos de um trabalho de asseguração 6 Principais questões a serem analisadas Considerações finais Referências