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INTERNET DAS COISAS - IOT Unidade 4 IOT: segurança, legislação e mercado CEO DAVID LIRA STEPHEN BARROS Diretora Editorial ALESSANDRA FERREIRA Gerente Editorial LAURA KRISTINA FRANCO DOS SANTOS Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria MARCELO DALSOCHIO DIPP JÉSSICA LAISA DIAS DA SILVA 4 INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 A U TO RI A Marcelo Dalsochio Dipp e Jéssica Laisa Dias da Silva Olá. Somos Marcelo Dalsochio Dipp e Jéssica Laisa Dias da Silva. Eu, Marcelo, sou formado em Técnico de Redes de Dados e Técnico em Informática pelo CTT Maxwell, Gestão de Tecnologia da Informação na UNISUL, onde atualmente estou cursando a segunda graduação de Licenciatura em Matemática, assim como possuo certificação em ITIL, com uma experiência técnico- profissional na área de Tecnologia de mais de 25 anos. Passei por empresas como a Tim Celular, Spread, Sonda do Brasil, SENAC, Instituto Federal do Sul do Brasil, Alcides Maya entre outros. Escrevo livros didáticos na área de informática e, atualmente, estou escrevendo um segundo livro. Ministro aulas há 7 anos. Sou apaixonado pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Eu, Jéssica, possuo graduação em Sistema da Informação e Mestrado em Sistema e Computação na UFRN. Tenho experiência na área de Informática na educação, com ênfase em Mineração de Dados Educacionais como também atual no estímulo dos jovens e crianças no estudo de ensino a programação. Realizo trabalhos e pesquisas voltados ao universo dos jogos digitais inseridos no contexto educacional, como incentivo no ensino dos jovens e aos professores. Atualmente, realizo pesquisas no contexto de disseminação do pensamento computacional para crianças e jovens. As áreas de interesse de estudo são: Educação, Engenharia de Software, Mineração de dados, Pensamento Computacional, Jogos Digitais Educativos e Gerenciamento de projeto. Por este motivo, fomos convidados pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estamos muito felizes em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte conosco! 5INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 ÍC O N ES OBJETIVO DEFINIÇÃO NOTA IMPORTANTE EXPLICANDO MELHOR VOCÊ SABIA? SAIBA MAIS ACESSE REFLITA RESUMINDO ATIVIDADES TESTANDO 6 INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 Nuvens ....................................................................................... 9 Nuvem .................................................................................................................... 9 Nuvem pública ....................................................................................................11 Nuvem Privada ...................................................................................................14 Nuvem híbrida ....................................................................................................16 Segurança na Internet das Coisas ......................................... 18 Internet das Coisas – Atração para criminosos virtuais ............................. 18 Importância da segurança de IoT para empresas desenvolvedoras de equipamentos ....................................................................................................21 Como melhorar a segurança de IoT ...............................................................23 Atualizar os equipamentos ................................................................23 Alterar a senha padrão dos dispositivos ........................................ 23 Testes Periódicos ................................................................................25 Criação de uma rede específica para os dispositivos IoT ............ 25 Antivírus, Firewall e Proxy ..................................................................26 Antivírus .................................................................................26 Firewall....................................................................................26 Proxy .......................................................................................27 Legislação de implementação do IoT .................................... 28 Marco Civil da Internet ......................................................................................28 LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados .......................................................30 Plano Nacional de Internet das Coisas ..........................................................33 O mercado de trabalho para IoT ............................................ 37 Indústria 4.0 ........................................................................................................37 Usuários Tecnológicos ......................................................................................39 Profissional Especializado ................................................................................41 Perspectiva do Mercado de IoT ......................................................................43 SU M Á RI O 7INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 A PR ES EN TA ÇÃ O Na última unidade desta disciplina, que é encantadora, iremos passear pelo universo das Clouds (nuvens), entendendo as diferenças entre as nuvens públicas, privadas e híbridas, assim como você entenderá um pouco mais sobre a segurança no âmbito da Internet das Coisas (IoT – Internet of the Things). Se tudo isso não fosse o suficiente, você entenderá sobre a legislação e regulamentação sobre Internet das Coisas que está em pauta para aprovação e implementação. Para finalizarmos esse nosso estudo, apresentaremos a você como está o mercado brasileiro sobre IoT. E então? Está pronto para essa etapa final da nossa disciplina? Vamos iniciar logo esta unidade. Conte conosco! 8 INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 O BJ ET IV O S Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 4. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Entender Nuvens Privadas, Públicas e Híbridas. 2. Conhecer sobre segurança no ambiente de IoT. 3. Saber sobre a legislação para IoT que o Brasil está pretendendo implementar. 4. Conhecer o mercado brasileiro de IoT. 9INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 Nuvens OBJETIVO Ao término deste capítulo, você será capaz de entender a diferença das nuvens híbridas, pública e privada. Saberá o que as nuvens têm a ver com internet das coisas e por que elas são tão importantes neste assunto que envolve toda a tecnologia. E então? Motivado para desenvolver essa competência? Então vamos lá. Avante! Nuvem Primeiramente, vamos conhecer o conceito de nuvem e o que é que ela tem a ver com a internet. Imagem 4.1 - Nuvem Fonte: Pixabay A internet passou a ser desenhada como se fosse uma nuvem, pelo motivo que as nuvens são “coisas” abstratas, sem formas definidas, que podem ser pequenas ou imensas, podem estar localizadas somente em um local ou estar em todo o globo terrestre. 10 INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 Mas a definição de nuvem para a internet vem sendo alterada e deixando o desenho de “nuvem” para os serviços que são ofertados na própria World Wide Web (Internet). Entendendo que serviços são o que os usuários consomem na internet (desde um streaming de vídeo pelo YouTube, assinatura de filmes e séries na Netflix ou até mesmo um “disco virtual” oferecido pelo Google ou Dropbox), podemos definir agora que internet é a união de todas as nuvens disponíveis, ou no seu sentido literal Intercomunication of Networks (Intercomunicação de redes). As redes que são utilizadas para as nuvens podem ser classificadas de três tipos: Públicas, Privadas ou Híbridas (que veremos logo mais adiante). REFLITA Mas qual a relação das nuvens com Internet das Coisas? A respostaé simples: Tudo! Sim, a Internet das Coisas tem tudo a ver com nuvens, pois queremos que nossos equipamentos projetados sejam incorporados por alguma nuvem, e podemos dizer que hoje em dia já temos uma nuvem para cada residência ou empresa conectada à internet. Veja o seguinte exemplo: a maioria das casas atualmente possui internet e também uma impressora WiFi (Wireless Fidelity), sem fio, que está ligada a seu roteador Wireless. É possível você estando na rua, e tendo internet no seu celular ou usando o seu notebook e estando em seu trabalho, mandar imprimir alguma coisa na sua própria impressora, tudo isso através da internet. Logo, podemos dizer que as impressoras que estão conectadas 11INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 via redes são mais um equipamento do universo da Internet das Coisas e cada uma dessas impressoras está em uma nuvem. Notem que a impressora é apenas um dos equipamentos que podemos citar. Pensem comigo, máquinas de cartões de crédito e débito, relógios que controlam toda a sua agenda e ainda os seus batimentos cardíacos, podendo enviar diretamente ao seu cardiologista como está o seu coração, carros conectados que traçam rotas e calculam a melhor forma de economizar combustível, casas inteligentes e inúmeros outros “brinquedinhos” que podem ser conectados à internet para que façam as coisas por você. Imagem 4.2 - Raspberry Pi conectado à rede Fonte: Pixabay Na imagem anterior, podemos ver um Raspberry Pi conectado em uma rede e com o tom de brincadeira um lego operário comandando algo. Nuvem pública As nuvens públicas são os modelos mais utilizados tanto por empresas como pelas pessoas que se conectam à internet em suas casas. 12 INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 Normalmente, utilizam software como serviços. E um desses serviços que podemos citar é o Microsoft Office 365. O número 365 faz referência aos 365 dias do ano, pois o usuário ao invés de pagar uma licença vitalícia com um valor extremamente alto, paga apenas uma anuidade de direito de utilização por aquele período. A Microsoft criou uma nuvem própria para a utilização do referido pacote de “escritório”. Onde o seu usuário não utiliza apenas o Word, Excel ou PowerPoint instalado em seu computador, mas tem esses programas disponíveis na internet para que possam ser utilizados em qualquer lugar e tudo via internet, sem a necessidade mais de instalação do programa na máquina utilizada. Se não fosse o bastante, a empresa disponibiliza ainda um “disco” virtual para armazenamento de arquivos. Imagem 4.3 - Microsoft Fonte: Pixabay 13INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 Mas a Microsoft não é a única empresa que oferta esse serviço, na verdade, esse tipo de serviço de escritório começou com o Google oferecendo de graça a seus usuários, além do G-mail (abreviatura de Google Mail), o Google DOCS, uma plataforma totalmente virtual que tem um editor de textos, um editor de planilhas eletrônica, um apresentador de slides e, claro, um “disco” virtual. Tudo isso disponível em qualquer computador e equipamento que esteja conectado à internet e em qualquer lugar. Imagem 4.4 - Google Fonte: Pixabay Então, com isso, podemos dizer que as nuvens públicas não querem dizer que são só gratuitas, mas sim que estão à disposição de qualquer pessoa ou empresa que deseje utilizar seus serviços. Este tipo de nuvem conta com os alguns benefícios, como escalabilidade ilimitada, disponibilidade em tempo integral, recursos gerados sob demanda (isso quer dizer que se houver necessidade de mais recursos, a empresa ofertante dos 14 INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 serviços pode aumentar a disponibilidade para o usuário final), confiabilidade (pois a maioria das empresas sérias que ofertam os serviços de Cloud já estão estáveis no mercado e oferecem garantias) e o último benefício, mas não menos importante, é que a nuvem já está pronta e configurada, necessitando o usuário apenas fazer um cadastro e começar a utilizar seus serviços. Nuvem Privada Ao contrário da nuvem pública, a nuvem privada é uma rede inteiramente fechada, restrita somente a seus usuários, não sendo aberta a qualquer pessoa. Imagem 4.5 - Propriedade Privada Fonte: Pixabay As nuvens privadas permitem o que os administradores das redes possam instalar e disponibilizar a seus usuários. Nem todas as redes privadas são iguais. Algumas terão centenas de servidores, outras terão um ou dois servidores. Para que possa acessar às redes, é necessário ter normalmente 15INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 uma VPN (Virtual Private Network – Rede Privada Virtual), onde o usuário, independentemente do local em que está fisicamente, realiza uma conexão para sua empresa e através de uma criptografia é criada a VPN, onde a rede entenderá que este usuário está “fisicamente” na empresa. Além da diferença que a rede privada é restrita somente aos seus usuários (componentes da casa, funcionários, empregados) tem a outra característica que a nuvem necessita de uma infraestrutura de servidores conectados à internet. Estes computadores têm que estar em um ambiente controlado, onde não pode ser qualquer pessoa com acesso ao mesmo, questões de segurança, controle de acesso, controle de banda de internet, em suma, um ambiente parecido com a imagem a seguir. Imagem 4.6 - Servidores Fonte: Pixabay Claro que nem sempre é possível ter este tipo de ambiente, onde até mesmo o ar-condicionado é controlado para que se tenha uma temperatura correta e controle de umidade. Mas ter equipamentos destinados a fins de serviços específicos é o mais importante, mesmo sendo um desktop mais velho, um notebook não mais utilizado ou até mesmo um RaspBerry Pi. 16 INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 Como benefícios desta nuvem, podemos citar uma maior confiabilidade, pois está sendo criada internamente, um controle totalmente interno e maior dos servidores e recursos e um suporte local mais acessível. Nuvem híbrida As nuvens híbridas mesclam os dois tipos de nuvens citados anteriormente. Normalmente, tenta-se implementar o melhor da nuvem privada e pública. Possibilitando que se obtenha uma maior praticidade de serviços considerados públicos e serviços mais personalizados, como as redes privadas. Podemos criar uma analogia aos carros híbridos, que possuem motores a combustão e motores elétricos. Imagem 4.7 - Carro Híbrido Fonte: Pixabay No exemplo dos carros, os veículos mantêm uma potência com o motor à combustão e geram a economia com o motor 17INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 elétrico, e se juntar os dois motores em sincronia aumentam ainda mais a sua potência. É o que ocorrerá nas nuvens híbridas. Você poderá manter alguns serviços nas redes públicas, como por exemplo o uso do Office 365, da Microsoft, ou então o uso do Google Docs, da Google, o uso de um espaço virtual de armazenamento, como o Google Drive, ou DropBox e porque não pensar até em um serviço de hospedagem do próprio site. Mas além do serviço público, pode utilizar serviços privados, como um acesso ao setor financeiro, estando restrito somente aos funcionários do departamento financeiro, ou então um serviço que controle um equipamento que tem que estar conectado à internet, por exemplo, um respirador hospitalar, que se qualquer pessoa tiver acesso pode desligá-lo, então para não correr este risco, é necessário estar em um ambiente altamente controlado, um ambiente privado. RESUMINDO E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que não existe o melhor tipo de nuvem, mas a nuvem que melhor cabe às suas necessidades. Pode utilizar de nuvem públicas para todos os seus serviços e não ter a necessidade de criar uma infraestrutura particular para eles, ou utilizar uma nuvem privadae totalmente fechada, altamente controlada, mas sendo necessário dispor de equipamentos e equipe própria ou ainda utilizar dos dois tipos de serviços escolhendo o que será público e o que será privado, criando assim uma rede híbrida. Bom, agora que revisamos, partiremos para o nosso próximo capítulo, continue junto e pode contar sempre conosco. 18 INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 Segurança na Internet das Coisas OBJETIVO Ao término deste capítulo, você será capaz de entender sobre segurança embarcada e aplicada na internet das Coisas, como elas podem ou não ser vulneráveis e como proteger os nossos equipamentos. Veremos também o por que o IoT é alvo de criminosos virtuais e dicas para melhorar a segurança com IoT. E então? Motivado para desenvolver essa competência? Então vamos lá. Avante! Internet das Coisas – Atração para criminosos virtuais Você certamente já viu ou mesmo utiliza um adesivo sobre a câmera do seu notebook, mas pergunto para você: por que coloca este adesivo sobre sua câmera, como na imagem a seguir? Imagem 4.8 - Adesivo sobre a câmera Fonte: Acervo da autoria (2023) 19INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 Muitos dirão que é porque famosos colocam também, outros porque não querem que vejam o que é digitado (mesmo a câmera não conseguindo pegar o teclado), outros ainda dirão que o próprio Mark Zuckerberg apareceu em uma imagem com uma fita na frente da câmera em seu notebook, e em outra parcela dirão que não querem ser espionados por cyber criminosos, os “hackers”. De todas as desculpas citadas, a mais aceitável é a de que alguém possa estar espionando. Sim, nossas câmeras podem ser alvos de Cyber criminosos, mas não as câmeras de notebooks e sim as câmeras de segurança, câmeras essas que hoje em dia estão conectadas à internet, oferecendo imagens diretamente para o mundo inteiro. O que temos que fazer é implementar sistemas de segurança que impeçam esses criminosos virtuais de terem acesso a estes dados. Claro que vamos muito mais além do que as câmeras, atualmente utilizamos relógios que controlam os batimentos cardíacos, fazem o controle de temperatura do ambiente, portas que têm controle de acesso não mais por chave, mas por um sistema conectado à internet que possibilita que alguém de fora possa habilitar outra pessoa para entrar em determinado ambiente ou não e inúmeros outros gadgets (aparelhos eletrônicos) conectados à internet. 20 INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 Imagem 4.9 - Hacker Fonte: Freepik SAIBA MAIS O termo hacker é utilizado para profissionais que criam, modificam e melhoram códigos e sistemas, já o termo cracker é o indivíduo que realiza a quebra de sistemas de segurança, almejando roubo, sequestro ou extermínio de informações digitais. Portanto, um criminoso virtual é um Cracker e não um Hacker. De acordo com HSC Brasil (2020) Um dos maiores inimigos da segurança cibernética é o excesso de confiança. Os dispositivos de IoT, independentemente de seu uso, complexidade ou grau são um alvo atraente para os cibercriminosos, já que coletam informações privadas sobre o comportamento do usuário em certas áreas: financeira, saúde e educação. 21INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 Dando continuidade aos nossos estudos, veremos no tópico a seguir a importância da segurança de IoT para as empresas desenvolvedoras de equipamentos. Importância da segurança de IoT para empresas desenvolvedoras de equipamentos Claro que os usuários de coisas que possam estar conectadas à internet devem estar atentos ao que estas “coisas” estão transmitindo de informações, mas o que é que estes equipamentos têm que você não presta muita atenção? Vamos ver, por exemplo, um gadget chamado Google Home, na qual através dele podemos interligar toda a nossa casa e para abrir a porta é necessário apenas que exista um microfone na porta para reconhecimento de voz e permitir a entrada. Até aí seria maravilhoso, não sendo necessário mais a chave da porta, e sim apenas um comando de voz: “Google, abra a porta!”. Imagem 4.10 - Mini Google Home Wifi Fonte: Wikimedia Commons 22 INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 Porém, devemos lembrar que para estes equipamentos funcionarem é necessário estar com os microfones sempre ativos, ou seja, estão captando todas as palavras nossas e somente entrarão em operação se dissermos as palavras “mágicas”: “OK GOOGLE”! As empresas desenvolvedoras têm que sempre verificar os equipamentos que criam e testam para que não tenham informações expostas na internet ou até mesmo vazadas para outras pessoas e/ou concorrentes. Até agora comentamos para você mais a nível de pessoa física, mas vamos ampliar um pouco nossa visão, e entrar no mundo da indústria 4.0, ou seja, a indústria que está conectada à grande rede, que tem automação como fator diferencial. Entendendo que estas empresas têm que ter seu foco na segurança em primeiro lugar, as que fabricam máquinas e equipamentos autônomos têm que apresentar e provar que seus “brinquedos” são seguros e que não deixarão os dados vazarem na rede. Vamos analisar um exemplo de empresa 4.0, a Amazon, onde o cliente entra no site, clica sobre algo que quer comprar, emite a compra, confirma pagando. E agora? Neste momento, é encaminhando uma “mensagem” para um robô do estoque verificar se o produto solicitado tem disponível, e se tiver já buscar esse produto, encaixotá-lo, e colocar dentro de um caminhão de transporte. Sim, todo este processo é automatizado por robôs, não mais por pessoas. E agora, vamos criar um cenário hipotético: imagine que estes robôs têm um software de inteligência artificial (mais ou menos como o filme “Eu, Robô”, que foi baseado no livro “Eu, o robô” de Isaac Asimov) e que tem algum defeito em sua programação, possibilitando que uma pessoa possa controlar 23INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 este equipamento remotamente, tirando sua autonomia, ou ainda que este equipamento decida que um determinado cliente deve receber muito mais do que comprou, encaminhando mais itens para este cliente do que para outros. Parece uma coisa muito absurda de se pensar? Vou lhes informar que não é, e que é justamente estas as hipóteses que as empresas que criam equipamentos, robôs, gadgets que tem que estar conectados na internet, tem que pensar. Como melhorar a segurança de IoT Existem muitas formas de melhorar a segurança na nossa rede, seja da empresa ou até mesmo de nossa residência, mas vou expor para você algumas das principais melhorias que devem ser implementadas. Atualizar os equipamentos Qualquer equipamento que pode conectar na internet pode e deve ser sempre atualizado. Os fabricantes destes equipamentos podem vir a descobrir uma falha de segurança posteriormente a seu lançamento no mercado, por isso criam uma atualização para corrigir o devido software. Alterar a senha padrão dos dispositivos Praticamente todos têm um roteador em casa. É claro que neste roteador tem uma senha para acesso a ele, normalmente vem com a senha padrão do fabricante (não, não colocarei as senhas padrões neste e-book). O que muitas pessoas desconhecem é que estas senhas estão disponíveis e abertas na internet, ou seja, qualquer pessoa que tenha acesso à estas senhas, pode acessar seu roteador e deixá-lo vulnerável. 24 INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 Imagem 4.11 - Senha Fonte: Pixabay Agora, imagine que você colocou uma fechadura eletrônica em sua porta, cuidou para configurar senhas de acesso para todas as pessoas da casa, conectou o equipamento corretamente à sua rede e está funcionando perfeitamente, ou melhor, quase perfeitamente, pois você esqueceu de alterar duas senhas padrões, a do seu roteador e a da sua fechadura. Um cracker acessa o seu roteador, liberando acesso à sua internet e, consequentemente, à sua rede interna e à sua fechadura, acessa a central da fechadura e libera uma senha para ele acessar a suacasa. Pronto! O estrago está feito! Houve uma limpa no ambiente. E o pior é que não houve arrombamento, houve uma liberação de acesso por falta de atenção. As fechaduras eletrônicas são excelentes, não estou dizendo para não as comprar, mas estou apenas alertando para sempre alterarem a senha padrão dos seus dispositivos. 25INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 Uma forma de senha ideal é a chamada senha complexa, onde tem que ter pelo menos oito caracteres, letras maiúsculas, letras minúsculas e também caracteres especiais. Testes Periódicos Muitos usuários de IoT acham que, por seu dispositivo estar funcionando uma única vez, então não preciso testá-lo ao extremo periodicamente. Engano! No caso de um Google Home, um dispositivo criado pela maior empresa do mundo, o que pode ter de errado? Testem fazer perguntas do tipo: “Google, você ouve tudo que falamos? Quem está nos ouvindo Google?”. Claro que haverá respostas para este tipo de pergunta, mas se alguma vez estas respostas mudarem muito do padrão já conhecido, pode significar que tem algo de errado, principalmente se você não atualizou seu dispositivo. No caso de fechaduras, testem com senhas que não seria a de vocês, errem senhas. Isso fará vocês saberem também o que fazer em caso de esquecerem a senha de verdade. Criação de uma rede específica para os dispositivos IoT Ao invés de conectar o seu equipamento na sua rede normal, crie uma nova rede (estando WiFi como cabeada) nova, com um outro roteador, porém deixando esta rede oculta, não sendo exibida, e apenas configurada nos seus dispositivos IoT WiFi, desta forma, ainda terão acesso à rede, mas estarão de certa forma isolados. 26 INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 Antivírus, Firewall e Proxy Para alguns, estes programas acima são completamente desconhecidos, mas eles são os que evitam que pessoas indesejáveis invadam sua rede e tenham acesso, tanto aos seus dados como também a seus equipamentos e dispositivos. Antivírus O melhor Antivírus é aquele com que você saiba trabalhar. Segundo Marcos (2020), o melhor antivírus de 2020 é o Kaspersky, pois em seus testes conseguiu bloquear todas as ameaças e não indicou nenhum “falso-positivo”, ou seja, identificar um vírus em um arquivo seguro. Só que não adianta ter ou comprar este antivírus se não souber utilizá-lo ou configurá-lo, sendo preferível ter um gratuito que você sabe manusear. Firewall O Firewall é um sistema, como o nome diz (muro de fogo em inglês), para bloquear quem quer entrar indesejavelmente. Serve para bloquear as portas não usadas da sua internet. Mas voltamos a mesma questão do antivírus: não adianta comprar o melhor dos firewalls e não saber como configurar ou como usar, podendo inclusive até bloquear toda a internet para a sua rede (sim, é possível configurar para bloquear tudo, como se ninguém tivesse internet). Sempre uma excelente opção é conversar com um profissional da área de redes para verificar o que está sendo feito e como trabalhar com aquele sistema. 27INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 Proxy Por último, temos o Proxy, que nada mais é do que o personagem que verifica tudo que sai ou entra da internet, se é ou não permitido (a nível de conteúdo, já que o firewall é a nível de acesso). É possível comparar um Proxy a um controle de pais, dizendo quais são os sites que são permitidos serem acessados ou quais são os sites que são estritamente proibidos de serem acessados. RESUMINDO E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a segurança para o IoT vai muito além do que proteger um equipamento de um possível roubo, estamos falando de roubo de informações, invasões, espionagem de dados e até mesmo das câmeras. Claro que não podemos deixar pairar sobre nossas mentes uma “neura” de que nada é seguro, pelo contrário, temos que fazer com que as coisas sejam seguras para que possamos usufruir dessa tecnologia que está vindo para ficar e facilitar ainda mais nossa vida. Cuidar da segurança é sempre verificar como estão nossas senhas, quem está acessando, como estão usando e, acima de tudo, se nosso equipamento está atualizado. Bom, agora que revisamos partiremos para o nosso próximo capítulo, continue junto e pode contar sempre conosco, afinal acabamos a metade deste e-book. 28 INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 Legislação de implementação do IoT OBJETIVO Ao término deste capítulo, você será capaz de entender sobre que até o presente momento não existe nenhuma legislação em específico para Internet das Coisas, o que existe atualmente é a Lei Geral de Proteção dos Dados e o Marco Civil da Internet. Especificamente sobre IoT existe o Decreto Presidencial que institui o Plano Nacional de Internet das Coisas. E então? Motivado para desenvolver essa competência? Então vamos lá. Avante! Marco Civil da Internet Até a data de 23 de abril de 2014 não existia nenhuma lei que regulamentasse os princípios, garantias, direitos e deveres para o uso de internet no Brasil. Nesta data foi aprovada e assinada a Lei nº 12.965, também mais conhecida como Marco Civil da Internet. ACESSE Para acessar o conteúdo completo desta Lei, leia o QR code. O Marco Civil é considerado como uma constituição da internet no Brasil. Nele está regulamentado, através de uma espécie de carta de princípios, os direitos e deveres dos usuários, http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l12965.htm 29INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 sites, provedores e Estado. Em suma, diz o que é certo e o que é errado no mundo virtual. Na Lei do Marco Civil, é abordado o direito à Liberdade de Expressão, a questão da privacidade do usuário e a neutralidade da rede. Falando um pouco sobre a liberdade de expressão, esta lei garante ao usuário a livre liberdade de expressão desde que se respeite a Lei de Direitos Autorais, ou de que impliquem ofensa à inviolabilidade e ao sigilo das comunicações privadas através da internet. Outra questão que o Marco Civil aborda é sobre a privacidade do usuário e, para falar sobre isso, lanço uma pergunta: sabe quando você entra em um site e ele mostra uma janelinha (normalmente) dizendo que o site contém “cookies” e que estes serão gravados? Normalmente todos aceitamos. Mas porque a pergunta e o que é que são efetivamente os “Cookies”? Imagem 4.12 - Cookies Fonte: Pixabay Os sites são obrigados a informar que estão gravando cookies, pois estes cookies são arquivos que armazenam informações dos usuários, como por exemplo as preferências de pesquisas, onde você está naquele momento (atualmente o próprio GPS do celular já comunica com o navegador de internet), 30 INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 endereços eletrônicos, históricos de navegação, sem contar algumas senhas que não são criptografadas. Não é errado os sites solicitares estes arquivos, pois estão pedindo ao usuário sua permissão. Mais ou menos é como os contratos que os usuários assinam na internet para usufruírem de um determinado serviço. Normalmente, ninguém lê os contratos e simplesmente assinam, e com isso dizem que estão cientes de tudo que o provedor pode ou não fazer com os seus dados. Após o Marco Civil, e até a data de 13 de agosto de 2018, não houve nenhuma outra lei que se relacionasse à internet. LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados Claro que esta Lei não é para uso exclusivo na internet, mas abrange também esta gigante rede de computadores. Em 13 de agosto de 2018, o então Presidente em exercício Michel Temer, assina a LGPD, mas que só entrará em vigor a partir de agosto de 2020. Dentre os objetivos da Lei estão: • Proteção à Privacidade; • Transparência sobre o tratamento de dados pessoais; • Fomentar o desenvolvimento tecnológico; • Controlar e padronizar o tratamentode coleta de dados pessoais; • Fortalecer o ambiente jurídico para o titular dos dados; • Favorável à concorrência, facilitando a portabilidade dos dados; e 31INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 • Estabelecer as etapas claras quando há vazamento de informações. REFLITA Mas o que é que a LGPD tem a ver com IoT? De acordo com Leite e Gasparino (2020), a Lei Geral de Proteção dos Dados pode vir a criar alguns obstáculos às empresas de IoT. Por exemplo: se um gadget que necessita dos dados do usuário para gerar uma decisão, e necessita que o usuário fique autorizando-o, tornará inviável o seu aproveitamento, não conseguirá utilizar o seu benefício máximo. Outro entrave que pode vir a acontecer é que a cada atualização que ocorrer por parte dos softwares dos dispositivos, será necessária uma nova aprovação, por parte do usuário, dos dados para utilização pelo dispositivo. Leia uma citação de Leite e Gasparino (2020): Portanto, toda empresa que realize esse tipo de atividade deve se organizar de maneira que saiba onde e como os dados pessoais foram obtidos e manipulados. Além disso, devem estar preparadas para disponibilizar, de forma imediata, relatórios sobre tais ações, quando solicitadas pelos titulares. No entanto, em se tratando de Internet das Coisas, como o intercâmbio de dados é o insumo para a efetivação dos seus objetivos, a implementação da referida exigência gera um alto custo às empresas, que devem investir em 32 INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 setores de monitoramento e armazenamento dos dados de cada consumidor nas mais diversas funcionalidades que ocorrem em simultaneidade nesse ambiente. Em suma, as empresas têm que além de administrar o seu dispositivo, o software dele, também os dados de todos os usuários que os utilizam. Para concluir sobre a LGPD, relacionando as empresas de IoT, existe uma maneira de estas empresas não serem prejudicadas quanto às regras impostas por esta Lei tão importante, que é criar uma classificação dos dados nas políticas de segurança da empresa. Nunca se pode esquecer o tipo de informação que será coletada do usuário e qual a real necessidade de tais informações. Pensem nos aplicativos de celulares, onde a maioria dos aplicativos informa que vai necessitar do uso de câmera, acesso às imagens e contatos, mesmo sendo um aplicativo de joguinho simples, mas qual o motivo de tamanha solicitação? Provavelmente, é um aplicativo que coletará dados do usuário e os postará em alguma rede social sem a sua prévia autorização. A LGPD vem de encontro a isso para, e este é o ponto mais importante para todos, desde as empresas desenvolvedoras de programas como criadoras de dispositivos de IoT, PROTEGER o seu usuário final. ACESSE Para acessar o conteúdo completo da lei, leia o QR code . http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13709.htm 33INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 Mesmo esta lei tendo sido escrita em 2018 e só entrando em vigor a partir de agosto de 2020, surge em 2019 mais um instrumento, agora sim voltado para Internet das Coisas. Plano Nacional de Internet das Coisas Em 25 de junho de 2019, o então Presidente Jair Bolsonaro, emite o Decreto nº 9.854, que institui o Plano Nacional de Internet das Coisas, com a finalidade de implementar e desenvolver a Internet das Coisas no país. ACESSE Para acessar o conteúdo na íntegra, leia o QR code . Os principais objetivos para o decreto do Plano Nacional de Internet das Coisas são: • Para melhorar a qualidade de vida das pessoas através da implementação de soluções em coisas conectadas na internet; • Criar novas formas de capacitação profissional, com foco no IoT, dessa forma gerando novos empregos na área de tecnologia e economia digital; • Favorecer a competitividade entre as empresas brasileiras desenvolvedoras de IoT; https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/decreto/d9854.htm 34 INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 • O governo criar parcerias do setor público e privado para colocar a IoT em foco; e • Fazer com que o país apareça ainda mais no cenário internacional, através da participação em fóruns de padronização, cooperação de pesquisa internacional, desenvolvimento e inovações de soluções em IoT criadas no País. Com os computadores utilizando de programações de Inteligências Artificiais, é possível que eles consigam cada vez mais distinguir as emoções dos seres humanos, ou seja, criando assim uma computação chamada de afetiva, em que as máquinas passam a interagir de acordo com o comportamento das pessoas. Além disso, as máquinas também já leem os movimentos dos corpos, fazendo com que interpretem o que pode vir a ser feito e auxiliar as pessoas também. Imagem 4.13 - Inteligência Artificial Fonte: Pixabay 35INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 A ideia principal do Plano Nacional de Internet das Coisas (PNIoT) é regulamentar o funcionamento da tecnologia aplicada sobre os dispositivos e não sobre o dispositivo em si. De acordo com a matéria de Zaramela (2020), no site do CanalTech, foi realizada uma entrevista com o Coordenador do Comitê de IoT da Associação Brasileira das Empresas de Software, Werter Padilha, que expõe um exemplo prático de como funcionará tanto o PNIoT como a LGPD em conjunto. Pensando em câmeras de filmagem colocadas em Shopping, filmando qualquer pessoa que passe em frente a sua lente, será possível identificar o tamanho da pessoa, o sexo dela e passar essas informações para um sistema que apresentará em um monitor de propagandas voltadas para aquelas pessoas que estão transitando. Isso será o que o PNIoT definirá que é possível ser feito. Porém, se esta câmera além de identificar o sexo e altura, também conseguir identificar a pessoa em si, como o nome completo, idade, endereço e outros dados e repassar estas informações para outros sistemas, sem a prévia autorização das pessoas que ali transitam, aí estará sendo infringida a LGPD. Como podem ver, o Plano Nacional de Internet das Coisas vem para definir o que o equipamento pode fazer e não definir o que como ele agirá com os dados obtidos. 36 INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 RESUMINDO E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que até o ano de 2014 não existia nenhuma legislação ou regulamentação para o ambiente da internet, porém, a partir desta data, surge o Marco Civil da Internet, Lei nº 12.965/14, que regula e define os direitos e deveres de todas as partes da internet, seja o internauta ou o provedor de serviços, em 2018 é criada uma segunda Lei, que entrará em vigor só a partir de agosto de 2020, que é a Lei Geral de Proteção de Dados, que diz como é que os dados devem ou podem ser manipulados e em 2019 é emitido um Decreto Presidencial do Plano Nacional de Internet das Coisas para definir como os dispositivos devem trabalhar. Bom, agora que revisamos, partiremos para o nosso próximo capítulo, continue junto e pode contar sempre conosco, afinal, falta pouco para acabarmos este e-book, apenas um capítulo. Não desista agora. 37INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 O mercado de trabalho para IoT OBJETIVO Ao término deste capítulo, você será capaz de entender como está o mercado de trabalho para o ambiente de Internet das Coisas, como os profissionais estão tendo que se qualificar e como os usuários estão avançando cada vez mais para utilizar equipamentos conectados na internet, sem contar a chamada Indústria 4.0. E então? Motivado para desenvolver essa competência? Então vamos lá. Avante! Indústria 4.0 Antes de mais nada, vamos entender o que é a tão falada “Indústria 4.0”. Imagem 4.14 - Industria 4.0 Fonte: Pixabay Com a ideia de aumentar a produtividade e competitividade com relação aosprodutos asiáticos, a Alemanha cria a chamada Indústria 4.0, que vem a ser uma transformação na esfera de produção industrial pela tecnologia digital e internet. 38 INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 O termo 4.0 é com relação à quarta Revolução Industrial, e esta Revolução é motivada principalmente por três grandes mudanças no cenário mundial. Segundo Romano (2020), as mudanças são: • Avanço exponencial da capacidade dos computadores (entendendo por computadores todos os periféricos que realizam processamento de dados); • Imensa quantidade de informação digitalizada; e • Novas estratégias de inovação. Com isso tudo é possível integrar todo o processo de manufatura de qualquer produto, desde o produto, distribuidores, fornecedores e até mesmo as unidades de fabricações. Claro que o mercado de Internet das Coisas vem totalmente de encontro à ideia de Indústria 4.0, pois fará com que os equipamentos comecem a se integrar, se comunicar, independentemente da ação humana, estarão todos conversando 24 horas por dia 7 dias por semana. Atualmente, uma empresa não pode simplesmente chegar ao final do expediente e desligar todo o seu maquinário, cenário que até algum tempo atrás era o que tinha de ser feito, pois isso faria economizar energia elétrica, e deixar ligado seria desperdício, pois as máquinas necessitavam de humanos para serem operadas. 39INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 Imagem 4.15 - Humanos operários Fonte: Pixabay As máquinas atuais da indústrias, não são puramente mecânicas, são eletrônicas, são “inteligentes”, pois verificam o estoque, verificam a demanda de pedidos que entra no sistema, calculam o mínimo de desperdício, geram relatórios e operam praticamente toda a empresa de modo autônomo, deixando a cargo dos humanos o gerenciamento de pessoal e capacitação de pessoal para conseguir trabalhar com essas máquinas, fazendo delas mais como um colega de trabalho do que uma ferramenta para sua produtividade. Usuários Tecnológicos Claro que como a indústria está passando por mais esta quarta Revolução Industrial, a ponta da cadeia de produção, o usuário final, não poderia ser diferente. Está se modernizando e tornando-se cada vez mais tecnológico. 40 INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 Imagem 4.16 - Homem lendo Jornal Fonte: Pixabay Atualmente, as pessoas estão buscando cada vez mais estarem conectadas, o que me faz lembrar uma frase do filme “Piratas do Vale do Silício”, a cena onde Steve Wozniak tem que ofertar à HP a sua ideia de computador pessoal, e como resposta tem a marcante frase: “Steve, acha que uma pessoa comum iria querer um computador para que?”. Qualquer pergunta que se faça será que alguém teria interesse no equipamento que estou desenvolvendo? Para que alguém iria querer este ou aquele produto? E a resposta a todas as perguntas é: sempre terá mercado para todos os produtos, e quanto mais inovador e novo, mais mercado terá. Até 2018, pouco se falava sobre as Smartbands (pulseiras inteligentes), mas no momento que elas começam a ter comunicação com celulares, deixando de ser apenas relógios, controlando os batimentos cardíacos e inúmeras outras funções, 41INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 passam a ser as “queridinhas” de grande parte da população, substituindo os relógios antigos. Outro exemplo, e vivenciado por este professor que vos escreve, é em uma época que trabalhava em uma empresa de telefonia celular e estavam implementando internet nos aparelhos. Praticamente todos que me rodeavam (de fora da empresa, isso incluía família e amigos) me questionavam: qual a utilidade de internet em um aparelho de telefone? Hoje eu é que pergunto se alguém vive sem internet em seu telefone? Qual é a sua resposta? Logo, nunca subestime o que alguém pode ou não querer. Steve Jobs sempre criou os equipamentos mais caros e melhores do mundo, não para que quisessem naquele momento, mas para que desejassem aquele produto a ponto de o desejo se tornar um “querer” suficiente para comprá-lo. Imagina se quando Wozniak foi oferecer à HP o computador, se eles tivessem gostado da ideia, o que é que seria da Apple? Os consumidores estão sempre em busca de produtos cada vez mais tecnológicos, conectados e inteligentes possíveis. Profissional Especializado O profissional envolvido com Internet das Coisas não pode ser apenas um especialista em Redes, ou um técnico de Informática, ou ainda somente um programador. Não! Tem que ser um profissional que entenda de todas as áreas, incluindo robótica, mecânica, mecatrônica, conhecedor do mercado de TI, um eterno curioso. Os especialistas em Internet das Coisas conseguem vagas em pelo menos seis mercados distintos: • Segurança para IoT; 42 INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 • Redes LP SP e LP WAN; • Processadores e Microcontroladores; • Sistemas Operacionais de tempo real e de Cloud; • Padronizações; e • Ecossistemas. O especialista em Internet das Coisas também tem que estar envolvido com o meio ambiente, pois quando menos o equipamento afetar o ambiente, mais será querido pelos consumidores e aceito pela população mundial. Imagem 4.17 - Profissional de TI Fonte: Freepik Ao olhar a imagem anterior, nos remete um pouco ao filme “Minority Report”, este filme está totalmente ligado com a Internet das Coisas. Equipamentos que conseguem ler ondas cerebrais, carros autônomos, sistemas de localização em tempo real (mesmo para a época do filme não era algo tão comum). 43INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 Não acredito que sejamos um país de “terceiro” mundo. Temos toda a tecnologia necessária para criarmos uma competitividade com qualquer país melhor colocado em ranking de tecnologia. Para os profissionais da área de tecnologia da informação, sempre haverá um lugar ao sol, basta que se adeque às necessidades do mercado e crie suas próprias oportunidades, buscando aperfeiçoamento, qualificação, certificações. Perspectiva do Mercado de IoT De acordo com Gartner (2020), há uma possibilidade de crescimento do mercado corporativo de Internet das Coisas para 2020, em torno de 21% com relação à 2019, traduzindo em números, algo em torno de 5,8 bilhões de dispositivos para 2020. REFLITA Mas o que esperar do mercado de IoT? Pensem em um equipamento, algo que realmente gostariam muito, que trabalhasse sozinho para você, que fizesse essa ou aquela tarefa, seja na sua casa ou até mesmo em seu local de trabalho. Pensou? Deixa informá-lo de que mesmo sem saber o que você pensou, posso afirmar que este produto já existe. Estamos em um momento que o mercado de IoT nos oferece tudo, absolutamente tudo, o que os consumidores querem. 44 INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 Quem não lembra da Robô Rose, do desenho animado Jetsons? Era o sonho de qualquer família, e este robô que limpa a casa sozinho já existe, claro que não do tamanho da “Rose”, hoje eles são pequenos, discretos e se carregam sozinhos. Estamos falando dos aspiradores e limpadores de chão autônomos. Claro que não podemos deixar de pensar no carro voador. Muitos, certamente, falarão que não existe, mas de acordo com a Gazeta Brazilian News (2020), já foi apresentado em uma exposição em Miami (EUA) o carro voador pessoal, um híbrido de carro com helicóptero, com valor estimado em mais de meio milhão de dólares. Lógico que não temos como comparar com os carros dos Jetsons com capota fechada em forma de bolha e transparente (característica de design da década de 1970 e 1980). Ainda podemos pensar no mercado de IoT para diversas áreas: saúde, meio ambiente, varejo, e qualquer outra área. Vamos analisar agora os supermercados, onde estamos acostumados a entrar, pegar o que necessitamos, ou queremos, passar no caixa, onde alguém pegará item por item, registrará e empacotará para que possamos levar assim que pagarmos. Este é um cenário que está mudando, pois em outros países (volto a afirmar que oBrasil tem a tecnologia, mas não temos a cultura) já existem supermercados que os clientes pegam o carrinho (que já conta com sacolas) e conforme vai colocando os itens no carrinho já está sendo contabilizado o valor total. Ao sair da loja o próprio carrinho faz a cobrança do valor colocado em seu interior, através de cartão de crédito ou débito, e o cliente vai para casa sem passar por nenhum caixa. 45INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 Imagem 4.18 - Supermercado inteligente Fonte: Pixabay Com a crise da pandemia instaurada em 2020 no mundo, do coronavírus, a população do Brasil começou a adotar medidas que antes não eram “naturais” à nossa cultura, como home office, realizar compras de comidas via internet, entre outras coisas. RESUMINDO E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a indústria está sofrendo uma nova Revolução Industrial, chamada de indústria 4.0, ou seja, a indústria conectada de ponta a ponta, onde do pedido do cliente até a entrega deste pedido tudo é monitorado e as máquinas trabalham de modo autônomo, através do IoT. Além das indústrias, outro personagem está modificando o mercado para o IoT, os usuários ditos geeks, ou tecnológicos, que buscam cada vez mais novidades no universo de automação. Claro que para que tudo funcione e exista, é necessário que se tenha um profissional altamente qualificado para dar o devido suporte a este mercado que está em constante evolução e com muita sede de crescimento de tecnologias. Bom, agora que revisamos o último capítulo, esperamos que tenha gostado de todo o e-book e aumentado seu conhecimento. Nos vemos em uma próxima unidade. Até logo! 46 INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 RE FE RÊ N CI A S ÂNGELO, F. Mercado de IoT projeta movimentar US$ 8 bílhoes no Brasil em 2018. Convergência Digital, 17 de out. de 2018. Disponpivel em: https://www.convergenciadigital.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/ start.htm?UserActiveTemplate=site&infoid=49230&sid=17. Acesso em: 25 mai. 2020. APORTE de r$ 160 milhões turbina iot em 2020. JORNAL DO COMÉRCIO, 19 de jan. de 2020. Disponível em: https:// www.jornaldocomercio.com/_conteudo/colunas/mercado_ digital/2020/01/720853-aporte-de-r-160-milhoes-turbina-iot- em-2020.html. Acesso em: 25 mai. 2020. BRASIL. Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014. Estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da Internet no Brasil. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/_Ato2011- 2014/2014/Lei/L12965.htm. Acesso em: 29 mai. 2020. BRASIL. Decreto nº 9.854, de 25 de junho de 2019. Institui o Plano Nacional de Internet das Coisas e dispõe sobre a Câmara de Gestão e Acompanhamento do Desenvolvimento de Sistemas de Comunicação Máquina a Máquina e Internet das Coisas. Brasília: Presidência da República, [2019]. Disponível em: http://planalto. gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/decreto/D9854.htm. Acesso em: 29 mai. 2020. BRASIL. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Brasília, DF: Presidência da República, [2020]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l14020.htm. Acesso em: 29 mai. 2020. GARTNER Says 5.8 Billion Enterprise and Automotive IoT Endpoints Will Be in Use in 2020. GARTNER, 29 de ago. de 2019. Disponível em: https://www.gartner.com/en/newsroom/press-releases/2019-08- 29-gartner-says-5-8-billion-enterprise-and-automotive-io. Acesso em: 25 maio. 2020. 47INTERNET DAS COISAS - IOT U ni da de 4 GAZETA NEWS. Exposto em Miami, carro voador chega ao mercado por US$ 599 mil. GAZETA BRAZILIAN NEWS, 05 de dez. de 2019. Disponível em: https://gazetanews.com/exposto-em-miami-carro- voador-chega-ao-mercado-por-us-599-mil/. Acesso em: 25 mai. 2020. HSC BRASIL. 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Nuvens Nuvem Nuvem pública Nuvem Privada Nuvem híbrida Segurança na Internet das Coisas Internet das Coisas – Atração para criminosos virtuais Importância da segurança de IoT para empresas desenvolvedoras de equipamentos Como melhorar a segurança de IoT Atualizar os equipamentos Alterar a senha padrão dos dispositivos Testes Periódicos Criação de uma rede específica para os dispositivos IoT Antivírus, Firewall e Proxy Antivírus Firewall Proxy Legislação de implementação do IoT Marco Civil da Internet LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados Plano Nacional de Internet das Coisas O mercado de trabalho para IoT Indústria 4.0 Usuários Tecnológicos Profissional Especializado Perspectiva do Mercado de IoT