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Doenças imunopreviníveis e vacinação: 
Mariana Jordão Dias, TXVII. 
As vacinas são produtos imunobiológicos que estimulam a imunização ativa para proteção contra infecções. 
Elas são uma forma de imunização específica, diferente de contrair a doença. Ao pegar uma infecção, o corpo 
produz anticorpos IgM e IgG, que podem prevenir novas infecções. As vacinas, por outro lado, estimulam o 
sistema imunológico para evitar que uma pessoa contraia a doença. 
Normalmente, as vacinas são feitas de microrganismos inativados, vivos atenuados ou alguns desses 
microrganismos, levando a uma resposta antígeno-específica com produção de anticorpos (IgM e IgG) e ativação 
de células do sistema imunológico. Existem duas maneiras principais de fazer vacinas: uma utiliza vírus vivos 
atenuados, que são vírus enfraquecidos, e outro usa vírus mortos ou fragmentos deles. 
Os linfócitos B são essenciais, pois produzem anticorpos. A duração da imunidade 
depende da manutenção de células e células de memória, que são reativadas 
rapidamente diante do patógeno. Vacinas inativadas costumam fornecer 
imunidade por um período mais curto, necessitando de reforços regulares. Embora 
as vacinas de vírus vivos exijam menos doses, nem todas as infecções graves 
podem ser tratadas dessa forma. 
É crucial ter uma ampla cobertura vacinal para reduzir a quantidade de indivíduos suscetíveis e limitar a 
circulação do patógeno, o que destaca a importância das campanhas de vacinação. Por exemplo, ao tomar uma 
vacina, o organismo cria anticorpos específicos, o que permite combater o microrganismo com poucos ou 
nenhum sintoma em um novo contato. A vacina contra a gripe é um exemplo de vacina inativada que precisa ser 
atualizada anualmente devido a mutações dos vírus. 
As vacinas atenuadas contêm vírus vivos, mas em uma forma que foi enfraquecida, tornando-as geralmente 
seguras para a maioria das pessoas. No entanto, existem riscos associados, especialmente para pacientes 
imunossuprimidos, já que um vírus vivo pode causar problemas. Portanto, vacinas como a meningite são feitas 
com versões inativadas para evitar a introdução de um agente infeccioso ativo. 
As cepas naturais usadas nas vacinas atenuadas frequentemente provocam infecções subclínicas, resultando 
em alta imunogenicidade porque o vírus ainda está intacto e vivo. Os efeitos colaterais dessas vacinas podem 
ocorrer de 5 a 20 dias após a aplicação, com leves sintomas que às vezes não são facilmente atribuídos à vacina. 
Um ponto importante é que se forem necessárias duas vacinas atenuadas, elas devem ser aplicadas no mesmo 
dia ou com um intervalo de pelo menos 28 dias. Isso ocorre porque, se aplicada muito próxima, uma vacina pode 
interferir na resposta imunológica da outra. 
As contraindicações incluem gestantes, pois o vírus vivo pode ser transmitido ao feto, e pacientes que 
receberam transfusões ou imunoglobulinas recentemente, pois isso pode afetar a resposta imunológica à vacina. 
Exemplos de vacinas atenuadas incluem tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), varicela, febre amarela, 
herpes zóster, poliomielite oral, rotavírus e BCG. 
As vacinas inativadas, por sua vez, apresentam menor risco de causar a doença, pois contêm microrganismos 
mortos ou suas frações. Embora possa provocar reações como dor no corpo e febre, não causa infecções. Essas 
vacinas tendem a ser menos imunogênicas, pois não estimulam o sistema imunológico tão eficientemente 
quanto as vacinas vivas, frequentemente exigindo múltiplas doses para garantir a imunidade. 
As vacinas inativadas podem ter efeitos colaterais iniciais nas primeiras 24 horas, e não requerem intervalos 
entre as doses, permitindo, por exemplo, que uma vacina inativada seja aplicada em um dia e outro no dia 
seguinte. Elas são geralmente seguras para gestantes e imunossuprimidos. 
Para a produção de vacinas, várias substâncias são combinadas, incluindo o agente imunizante, um líquido para 
diluí-lo, conservantes para inibir o crescimento bacteriano, estabilizadores para manter a previsão do vírus vivo, 
substâncias antibióticas para prevenir contaminações e adjuvantes para aumentar a eficácia imunogênica da 
vacina. 
Algumas vacinas utilizam embriões de galinha em sua produção, o que pode causar reações em pacientes 
alérgicos a ovos. As três vacinas que contêm ovo são a tríplice viral, a vacina da febre amarela e a vacina contra 
a gripe. A tríplice viral é cultivada em fibroblastos de frango, resultando em uma quantidade muito pequena de 
ovo, permitindo sua administração a pacientes alérgicos, desde que permaneçam em observação por 2 a 4 horas 
após a vacinação. 
A vacina da gripe também é cultivada em ovos embrionados, e pacientes que tiveram apenas urticária leve em 
resposta ao ovo podem receber a vacina em ambiente de observação. Para aqueles com alergia grave, como 
anafilaxia, a decisão sobre a administração da vacina deve ser feita por um alergista. 
A vacina da febre amarela contém a maior quantidade de ovo em sua composição, então pacientes com anafilaxia 
ao ovo devem ser testados para alergia antes da vacinação. No que diz respeito à administração de vacinas, 
temos dois antígenos inativados, eles podem ser aplicados a qualquer momento, sem necessidade de intervalo. 
Se um dos antígenos for inativado e outro atenuado, também não há necessidade de intervalo. 
No entanto, para dois antígenos vivos atenuados, as vacinas devem ser administradas no mesmo dia ou com 
um intervalo de 4 semanas entre elas, especialmente em crianças menores de 2 anos, onde a tríplice viral e a 
febre amarela devem ser espaçadas por esse período para garantir uma imunogenicidade. 
Se a primeira dose de uma vacina for atrasada, não é necessário repetir todas as doses; Recomenda-se manter 
o intervalo, pois isso pode influenciar a resposta da vacina, mas se não for possível, pode-se retomar de onde 
parou. A vacinação deve ser evitada em casos de reações anafiláticas a doses anteriores ou a componentes da 
vacina, como a neomicina. 
Vacinas de vírus atenuados não são recomendadas para pessoas com imunodeficiência, gestantes, pacientes 
em altas doses de corticoides ou em uso de imunossupressores. Em casos de doenças agudas, é importante 
avaliar cada situação: se uma criança está em recuperação de um quadro viral leve, a vacina pode ser 
administrada, mas se estiver com febre alta, deve-se aguardar. 
Existem vacinas que podem ser administradas após a exposição a certos microrganismos, como sarampo, 
varicela, raiva, hepatite A e B, com protocolos específicos, como no caso de raiva. Quanto maior a taxa de 
vacinação na população, menor a probabilidade de transmissão da doença entre aqueles que não foram 
vacinados, já que o vírus não conseguirá circular com facilidade. 
VACINAS: 
1. TÉTANO, DIFTERIA E COQUELUCHE: 
É uma vacina inativada. O tétano através da vacina uma diminuição acentuada dos casos, mas ainda existe o 
tétano, que é uma doença muito grave, não tem tratamento. A difteria é uma doença praticamente eliminada no 
Brasil e os casos ocorrem em países que não fazem a vacina e seus reforços, a difteria causa uma infecção 
respiratória muito grave, é uma lesão bem acinzentada na garganta. 
A coqueluche ocorreu um aumento de casos por infecções de bebês pelos cuidadores, então a gente faz essa 
vacina nas gestantes com a tríplice bacteriana acelular, com mais ou menos 20 semanas – então essa mãe tomou 
pequena essa vacina, depois não tomou mais, daí tem o bebê e ela pega coqueluche pois a imunidade dela 
baixou, passa para o bebê, e a coqueluche é uma doença muito grave no bebê, ela vai causar o que chamamos 
de tosse comprida, é uma tosse muito grave, recorrente, e pode fazer cianose, apneia, e levar até a morte. 
A gente tem essa vacina na forma quíntupla, então tem a tríplice bacteriana de células inteira e aí junto temos 
hepatite B e Haemophilus influenzae. A gente tem também a tripla adulto para gestantes e profissionais de saúde,daí na gestante a gente faz a forma acelular para causar menos sintomas, e a gente tem a dupla bacteriana adulto 
que as vezes vamos ver fazer no pronto-socorro – paciente teve um corte e está com a vacina do atrasada, daí 
tem que ir fazer a dT pelo risco. No particular temos a forma acelular para quem quiser, ela causa menos febre, 
menos dor, menos reação. 
2. DOENÇA MENINGOCÓCICA: 
O meningococo é uma bactéria gravíssima, ela mata em 24 a 48 horas, qualquer um de nós está suscetível mas 
principalmente as crianças abaixo de 2 anos. Tem uma alta mortalidade (50 a 60%) e quando não morre as vezes 
perde membros, então é bem grave, por isso é uma vacina super importante. Picos em menores de 1 ano e o 
adolescente assintomático pode passar para o bebê, e aí acontecem esses casos mais graves. 
A composição das vacinas é classificada de acordo com os sorotipos do meningococo, existem vários: A, B, C, 
Y, X e W, e de acordo com a região nós temos um meningococo prevalente. Hoje em dia, no Brasil a gente tem 
mais o meningococo C, e no Sul o mais prevalente é o B. 
No SUS temos somente a meningocócica C para o bebê. A vacina que seria interessante fazer particular é a 
Meningococo B, previne bastante, então vale a pena investir. Pelo SUS temos a meningococo C e existe a vacina 
ACWY só para os adolescentes de 11 a 12 anos. Se for fazer no particular tem a ACWY e tem a B. 
3. DOENÇA PNEUMOCÓCICA: 
O pneumococo pode causar pneumonia, bacteremia e meningite. É comum em menor de 2 anos e acima de 60 
anos, e tem vários fatores de risco: doença cardiovascular, pulmonar, doenças neurológicas, imunossuprimidos, 
diabéticos. Essa vacina existe em vários formatos, e é para prevenir a doença pneumocócica grave. 
No SUS as crianças vão se vacinar com a pneumo-10, tem 10 sorotipos, para grupos de risco, idosos a gente 
tem também a pneumocócica 23, ela tem 23 sorotipos. Para pacientes transplantados e oncológicos são os 
únicos que podem receber a 13 pelo posto de saúde. No particular tem a 10, 13, 15 e tem a 23. 
4. HEPATITE A: 
É uma hepatite viral comum em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, não é uma hepatite que 
cronifica mas é muito transmissível, em adultos os quadros podem ser mais graves. É uma vacina inativada e é 
recomendada com duas doses com intervalos de 6 e 12 meses, mas no nosso calendário só temos uma dose. É 
a mesma vacina, mas no SUS só temos uma dose, no particular geralmente são feitas duas doses. 
5. HEPATITE B: 
5% da população tem hepatite B cronificada. É uma vacina inativada, segura em imunossuprimidos e gestantes. 
Temos no SUS e no particular e é a mesma vacina também. 
6. FEBRE AMARELA: 
A febre amarela tem maior letalidade em crianças de baixa idade e idosos, 30 mil óbitos por ano, a gente tem o 
ciclo silvestre e urbano. Hoje, no Brasil, é mais o ciclo silvestre, e quem transmite é o Aedes aegypti. É um vírus 
vivo atenuado, então faz uma auto imunogenicidade, uma dose única aos 9 meses, e em menores de 5 anos 
recomenda-se duas doses. Não podemos vacinar gestante e nem lactantes porque pode passar pelo leite 
materno. Tem no PNI e particular e é a mesma vacina nos dois. 
7. HPV: 
O HPV é uma vacina relativamente nova, é do papiloma vírus humano. Os tipos 16 e 18 do papiloma vírus são os 
mais relacionados com o câncer (colo de útero, boca, ânus) e aí os sorotipos 6 e 11 são mais relacionados as 
verrugas genitais. A transmissão é sexual e a vacina é de vírus inativado. 
Pelo programa nacional de imunização nós temos a vacina do HPV que inclui os sorotipos 6, 11, 16 e 18 e para 
meninas de 9 a 14 anos está liberado no calendário e para os meninos de 11 a 14 anos, no esquema de duas 
doses: fez a primeira e depois de 6 meses vai repetir, é a mesma que tem no particular. 
Para pessoas que tem HIV ou transplantadas existe uma cobertura maior dessa vacina até 26 anos, no esquema 
de 3 doses se for um adulto, e ela pode ser feita também para essas idades no particular. 
8. HAEMOPHILUS INFLUENZAE B (Hib): 
É uma bactéria que causa uma doença grave em criança, é causador de meningite, pneumonia, sepse e epiglotite 
que é como se fosse um edema na epiglote e causa uma insuficiência respiratória muito grave. Hoje em dia 
vamos ver muito pouco casos de epiglotite, vamos ver bastante quadros de laringite viral que também faz 
estridor, pode ser um quadro grave mas geralmente não é de causar uma obstrução de via aérea, no caso do 
Haemophilus a gente tinha a epiglotite que fazia um edema tão grande que as vezes fazia realmente paradas 
respiratórias, hoje em dia a gente vê pouco. 
É uma vacina muito boa, é bem imunogênica apesar de ser inativada – essa vacina vem junto com a quíntupla, 
então vamos ter a tríplice bacteriana (difteria, tétano e pertussis) e junto vem essa do Haemophilus influenzae e 
da hepatite B. Ela é feita com 2 e 6 meses. 
9. INFLUENZA: 
O influenza é um mixovírus, a gente tem influenza A, B e C, causa a gripe com sintomas de febre, calafrio, cefaleia, 
tosse, fadiga, anorexia, ou até quadros mais graves de broncoespasmo e insuficiência respiratória. A gente tem 
a vacina trivalente com três cepas virais que são dos subgrupos A e um sorotipo B que é feito anualmente, essa 
vacina é renovada pela OMS e é reformulada de acordo com as cepas virais do último ano, e a gente tem a 
quadrivalente que geralmente não é fornecida pelo SUS, é feita pelo particular – então existe essa diferença da 
vacina da gripe no particular onde a gente inclui mais cepas na quadrivalente. 
Todas são muito efetivas, porém é uma vacina inativada e gera imunização durante um ano para as cepas 
especificas, no outro ano já temos novas cepas, IgG e IgM caindo, então todo ano ela tem que ser repetida. Então 
temos a trivalente e no SUS temos disponível para todas as crianças menores de 6 anos e os adultos maiores 
de 55 anos, ou pacientes que se incluem em algum grupo de risco: gestante, paciente com asma, câncer. 
10. POLIOMIELITE: 
A poliomielite é causada por um Poliovírus e existem três sorotipos principais, é uma doença muito infecciosa e 
potencialmente fatal, a poliomielite foi causadora de muitas paralisias infantis enquanto a gente não tinha 
imunização efetiva. O último caso descrito foi em 1989 e aí a gente tem duas vacinas disponíveis: a poliomielite 
oral que é um vírus vivo atenuado, que inclui os sorotipos 1 e 3, e temos a poliomielite injetável que é uma vacina 
inativada que inclui os subtipos 1,2 e 3. A gente chama popularmente de VOP que é a poliomielite oral e VIP que 
é a injetável. 
Antigamente no calendário era tudo poliomielite oral, desde os 2 meses, mas como ela é uma vacina de vírus 
vivo e ela tem uma particularidade de poder transmitir esse vírus através das fezes de quem toma essa vacina, 
então se tiver algum imunocomprometido na casa pode ser transmitido o vírus, a gente vai ver que no calendário 
agora as primeiras dosagens são todas VIP, só o reforço e as campanhas que a gente faz a VOP. A VOP, por ser 
um vírus vivo, pode levar a uma poliomielite paralitica derivada da vacina em quem recebe ou seus contatos. 
A VOP entra no reforço com 15 meses e 4 anos, e a VIP a gente tem um esquema de 2, 4 e 6 meses. Essa é a 
vacina do Zé gotinha que todo ano tem campanha. 
11. ROTAVÍRUS: 
O rotavírus é um vírus muito vilão dentro das diarreias agudas, ele é grave, claro que nem todo rotavírus é grave, 
mas como ele é altamente transmissível e pega um número muito grande de crianças, dependendo das 
condições socioeconômicas, uma criança que não tem acesso a saúde, já foi causa de muitas mortes no mundo, 
então por isso a necessidade dessa vacina. 
Ele é tão transmissível que a gente fala que até os 5 anos todas as crianças já vão ter sido infectadas pelo menos 
uma vez pelo rotavírus, então a vacina faz com que ocorra um quadro assintomático ou atenuado, mas antes da 
vacina toda criança até 5 anos tinha um quadro mais importante de diarreia por rotavírus. É uma vacinade vírus 
vivo atenuado. Ela também é oral, é feita com 2 e 4 meses. 
Existem duas vacinas de rotavírus: a monovalente, em que a gente faz só um sorotipo e acaba imunizando um 
pouco para os outros sorotipos, e é a que a gente tem no SUS, e temos a rotavírus pentavalente que temos na 
particular e ela inclui vários sorotipos (G1, G2, G3, G4 e P8). 
12. SARAMPO, CAXUMBA E RUBÉOLA: 
Geralmente fazemos com 1 ano de vida. O sarampo é uma doença potencialmente grave, altamente contagiosa, 
com risco de complicações secundárias, e a gente ainda tem um pouco de circulação viral, em 2017 e 2018 voltou 
a circular no Brasil devido a alguns indivíduos susceptíveis por campanhas antivacina, não cobertura vacinal, 
esse vírus voltou. 
A caxumba é a doença clássica de uma parotidite infecciosa que geralmente acomete adolescente e adultos 
jovens, ocorre em surto, vai fazer alteração da parótida, edema, dor, nos meninos pode ocorrer a transmissão 
para o testículo, e ainda existe caxumba, em uma incidência muito menor, mas ainda não é uma cobertura 100% 
e ainda existem casos. 
A rubéola é altamente contagiosa, faz um quadro leve mas o risco maior é nas gestantes por poder causar 
malformações, aborto e alterações importantes. Então essa vacina vem combinada: sarampo, caxumba e 
rubéola, é de vírus vivo e é feita com 1 ano de vida. É uma vacina atenuada, então não pode ser feita em gestante 
ou imunossuprimidos. 
A gente tem pelo SUS a tríplice viral, que é igual no particular. E a tetraviral a gente tem também pelo SUS, mas 
ela é feita uma dose, e na tetraviral a gente tem a varicela junto que não está na tríplice. No particular é possivel 
fazer sempre a tetraviral, e aí a gente faz uma viragem sorológica melhor para varicela. 
13. TUBERCULOSE (BCG): 
A BCG foi uma das primeiras vacinas que foram formuladas, e ela foi formulada devido a quadros mais graves 
de tuberculose, que é uma tuberculose mais disseminada, a TB miliar que causa lesões pulmonares e 
extrapulmonares e pode levar a meningite por tuberculose. A tuberculose ainda é um grave problema de saúde 
publica no Brasil, principalmente em populações encarceradas, a gente ainda tem muitos casos de tuberculose. 
A BCG é a mesma do particular e do programa de imunização do SUS, e ela vai prevenir doenças graves. Então 
são bacilos vivos atenuados do Mycobacterium bovis que vai fazer uma reação de imunização para quadros 
mais graves de tuberculose, e a BCG a gente faz já ao nascimento, e é a que a gente tem a marquinha no braço 
– a cicatriz que fica na verdade é pelo processo de imunização que ocorre ali, não é no dia que faz que vai já 
formar uma ferida, ela vai cicatrizando e vai formar uma lesão secundária e vai ficar essa marca da BCG. 
Existem algumas contraindicações para fazer, porque ela é feita com 2 dias de vida, o paciente sai da 
maternidade e já vai fazer a BCG. As contraindicações temporárias é quando o bebê não tem 2 kg ainda, então 
um prematuro, que nasceu muito pequeno, a gente espera atingir 2 kg para fazer essa vacina; e pacientes que 
tem lesões dermatológicas muito extensas, muito graves, a gente aguarda um pouco fazer o diagnóstico. 
Contraindicação absoluta é se o paciente tiver alguma imunodeficiência congênita ou adquirida, geralmente isso 
não ocorre porque até fazer o diagnóstico da imunodeficiência a criança já fez a vacina, as vezes já até teve 
alguma complicação da vacina, mas em casos que se tem o diagnóstico intraútero ou ao nascimento nós 
impedimos que faça a BCG. Pacientes expostos ao HIV ou recebem ao nascimento, e caso não tenha feito nos 
primeiros dias de vida eles só recebem caso eles se mantiverem assintomáticos e sem imunossupressão. 
A gente tem essa cicatrização e geralmente fica uma marquinha. Até 2018 o bebê que chegava com 10 meses e 
não tinha a marquinha a gente repetia a vacina acreditando que não imunizou corretamente, mas depois de uma 
revisão de literatura foi pegado todos os casos que não tinha a marca da BCG, e concluiu-se que mesmo sem a 
marca, geralmente esse paciente está sim imunizado e então a gente não repete a vacina. 
14. VARICELA: 
Pode ser feita ou de forma isolada ou junto com a tríplice viral. A varicela é causada pelo vírus da varicela zoster, 
ela é muito contagiosa, a gente geralmente tem os pródromos virais de febre, indisposição, e aí já vem lesões 
bem características, como macula, pápula, vesícula, crosta, e geralmente são lesões polimórficas então a gente 
vê todos os formatos de lesão na criança. 
Geralmente ela é benigna, mas podem ter complicações secundarias, pneumonia, pode ter uma encefalite. A 
complicação mais comum da varicela é infecção secundária de pele e na gestação que pode levar a síndrome da 
varicela congênita e é uma doença também grave que a gente viu nas doenças congênitas. 
É um vírus atenuado, por isso ela é feita junto com a tríplice viral. Então temos no programa nacional de saúde 
ou ela isolada em que a gente faz uma dose até aos 4 anos de vida, ou na tetraviral que a gente faz aos 15 meses 
no calendário. No particular tem as duas disponíveis. 
Essa vacina pode ser usada para conter surtos em hospitais, UTI neonatais, mas existe também uma 
imunoglobulina hiper imune que é como se fosse um pool de anticorpos que a gente pode dar para o paciente 
que teve um contato com a varicela nas ultimas horas e que ele não pode desenvolver por ser um prematuro, ou 
ser uma gestante, então a gente pode fazer essa imunoglobulina hiper imune que pode ser usada até 96 horas 
após o contato da doença quando ele apresenta um risco mais grave, desde que tenha havido um contato com 
a varicela. 
A imunoglobulina hiper imune está indicada para imunossuprimido, gestantes, RN em que as mães começaram 
com sintomas de varicela nos últimos 5 dias da gestação ou até 48 horas após o nascimento do bebê, prematuro 
de 28 semanas ou mais cujas mães não tiveram varicela, e bebês abaixo de 28 semanas sempre é indicada a 
imunoglobulina hiper imune pelo risco de transmissão para o bebê. 
CALENDÁRIO PNI: 
Quando o bebe nascer, vamos fazer a BCG em dose única, e ao nascer é feita também uma dose de hepatite B. 
Aos 2 meses vamos fazer a primeira dose da pentavalente (tríplice bacteriana, hepatite B, Haemophilus), a VIP, 
pneumocócica 10 e rotavírus. 
Aos 3 meses vamos fazer a primeira dose da meningocócica C. Aos 4 meses vamos fazer a segunda dose da 
pentavalente (tríplice bacteriana, hepatite B, Haemophilus), a VIP, pneumocócica 10 e rotavírus. 
Aos 5 meses vamos fazer a segunda dose da meningocócica C. Aos 6 meses vamos fazer a terceira dose da 
pentavalente e da VIP. E aí se esse bebê estiver em abril/maio ele já entra na campanha para fazer a vacina da 
influenza, a primeira vez que o bebê faz a vacina da gripe ele tem que fazer duas doses. 
Aos 7 meses o bebê precisa fazer a segunda dose da influenza. Aos 9 meses vamos fazer a primeira dose da 
febre amarela. Aos 12 meses vamos ter reforço da pneumocócica 10, reforço da meningocócica também, e a 
primeira dose da tríplice viral. 
Aos 15 meses a gente vai fazer um reforço da tríplice bacteriana, também temos a VOP. Temos a primeira dose 
de hepatite A, e fazemos também uma dose da tetraviral. Aos 4 anos a gente vai reforçar algumas vacinas. Então 
vamos fazer a tríplice bacteriana novamente, a VOP para reforçar, e aí para o bebê que não fez a tetraviral tem 
disponível a varicela com 4 anos que pode ser feita em dose única. A febre amarela nós vamos fazer o reforço – 
depois desse reforço teoricamente a gente não precisa mais ficar tomando vacina. 
Dos 9 aos 19 anos a hepatite B de três doses não é para todo mundo, é para aquela criança que não completou 
o esquema, ou tem um anticorpo anti-hepatite B negativo e precisa fazer essa vacina são três doses, a gente tem 
que ver o histórico vacinal da criança mas se for começar novamente tem que fazer três doses. 
Existe uma vacina chamada meningocócica ACWY que não é liberada para todasas crianças, mas tem uma dose 
pelo SUS com 11 a 12 anos, que são os adolescentes que passam a meningite para os bebês pequenos. A partir 
dos 5 anos de idade febre amarela só uma dose e aí serve para a vida toda. 
A tríplice viral tem que fazer até os 29 anos duas doses, e aí dos 30 aos 59 é dose única. HPV a gente faz em 
meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos duas doses, 0 e 6 meses após a primeira dose. A dupla adulto, 
que é a difteria e tétano, a gente faz normalmente se não temos o histórico vacinal do paciente e ele teve um 
corte, teve que suturar, não sabemos se essa vacina está completa, aí fazemos três doses da dupla adulto, e a 
cada 10 anos temos que tomar a dT novamente.

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