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A DO em PRÉ-COMEMORATIVA DO SESQUICENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA 1822 - 1972Quadrinização: Pedro Anísio Desenhos de texto e capa: Eugênio Colonnese EDITORA Rua Almério de Moura. 302-320 Rio de Janeiro - (ZC-08) 1970, por Editôra Brasil-América LimitadaA DO EM QUADRINHOS brancos e negros demonstram seu amor à Pátria e o desejo de unida e sua, lançando-se na luta pela expulsão dos invasores. A História da Independência do Brasil, cujo herói principal foi D. Pedro I, é uma espetacular aventura que começa quando DO a Raca Brasileira toma, aos poucos, A Insurreição Pernambucana, em contra os holan- consciência de sua formação. deses, é bem o simbolo do congraçamento dos vários san- gues para o ideal comum. o negro Henrique Dias, o nobre chamou Fernandes paraibano Negreiros, Filipe para e Grupo o (que dos André Vidal de o indio Poti se Antônio branco Vieira reuniram-se formar o sob a divisa de "Deus e a a palavra liberdade vibrava no coração da Raça.Em São Paulo, estourava a Guerra dos Emboabas, entre pau- listas e reinóis, nos princípios do século XVIII. o Norte voltou a revolucionar-se com a Guerra dos Mascates, onde o povo de E a liberdade Recife arrancou o pelourinho símbolo da autoridade real viria a se ampliar lusitana - e pensou em proclamar a República sob o govêrno ainda mais dos naturais da terra. com o correr dos tempos, então com os próprios filhos da terra brasileira ansiando livrá-la de qualquer jugo. o senhor de engenho Manuel Beckman (que o povo apelidou de em 1684, no Maranhão, rebelava-se contra as decisões da Coroa E a idéia da República ressurgiu em Minas, em 1720, pela qual foi sacrificado Filipe dos Santos, ferido e esquartejado tal qual vi- ria a ser Tiradentes, setenta e dois anos depois, pela mesma causa da liberdade. Fermentava, assim, cada vez mais, o ideal da Inde- 7 DO Com a chegada de D. João VI ao Brasil, em 1808, o Pais foi elevado à condição de Reino Unido a Portugal. Era o Na Bahia, em 1798, houve a "conspiração dos alfaiates" para a fundação fim da o de uma época de acontecimen- da República Baiense, sendo seus mártires quatro humildes artesãos tos decisivos para a libertação nacional. 4Foram morar no Paço. naquele edificio da Praça 15 de No- dia 8 de março de 1808, o Principe- vembro, onde agora, dependências dos Correios -Regente D. João chegou com a Côrte Por- e Telégrafos. Das janelas, o via o largo ao Rio de Janeiro, com veio um me- nino de nove anos de idade, seu filho Ló estão os escravos apanhando água no chafariz E quantos barcos há no cais De agora em diante, e no Pedro, viveremos nesta que é a tuo nova Era, decerto, uma vida para o menino turbulento, que ansiava por espaço maior para suas trope- lias. Mas não demorou muito e teve o que tanto desejava. Um rico negociante, Elias Lopes, deu de presente à familia real um palácio que mandara construir em São no meio de uma quinta belissima a Quinta da Boa Vista. Aqui, poderás brincar à vontade, E. na verdade, o pequeno Principe dar largas ao seu espi- meu filho rito correndo pelos bosques da Quinta, subindo nos cajueiros e encarapitando-se nas mangueiras Apanhe esta, que está madura! 5metendo-se em aventuras junto com os negrinhos, filhos No Palácio, ficavam alarmados à procura de Pedrinho. Aias e dos escravos pajens faziam queixas a D. João Vamos Senhor, até à praio ver Vamos! éle deve estar Alteza! metido com os pescodores? o os moleques desapareceu! da Quinta! Não se pode nos cega e, de repente, some! D. João inquietava-se Falarei E o menino continuava em sua vadiagem com Preciso ouvir Vamos ver as notícias quem chego Vamos primeiro Principe, logo? ouça o que diz jornal de Londres sôbre Napoleão Não quer isto dizer que éle não Estudava bas- Mas. nas horas de folga, aproveitava bem os tempos tante, era os mestres não podiam se queixar ditosos de sua infância, "ia colher as trepava de sua aplicação a tirar as mangas, brincava à beira do mar Alexandre Magno foi rei Quem foi nasceu Meu castelo de areio Alexandre no ano 356 antes de Cristo vai ser igual Magno? e morreu com trinto e três anos ao do Rei Artur de idade. Criou o maior Império e dos Cavaleiros do mundo unindo do Távolo o Oriente Ocidente! DO GMuito cedo, tornou-se um Upo, bom cavaleiro e se lançava em galopes loucos pelos caminhos de São e Gamboa Ai, bela donzela) Tinha dezessete anos, quando sua D. Maria I. Rainha de Portu- gal, morreu, e seu pai foi coroado Rei, com o de D. João E assim cresceu eu querio em Abre sua janela com um e olhe aquelo impetuoso Pedro, meu filho, espirito de és, agora, o Principe aventura. Herdeiro do esquecendo-se de Portugal. Muitas de que era um responsabilidades pesam principe real teus ombros da Casa de Gostava de se misturar com o povo e fazia serenatas para as lindas carioquinhas do tempo, escondidas por detrás das venezianas Procuro te interessar Não tardará que eu tenho de Deves, desde já, vivamente pelo regressor a Lisboa com a Côrte ir te preparando, do Reino, porque graves - e ficarás aqui, em meu lugar, porque, algum dia, acontecimentos como Principe Regente virós a ser o rei dêste se Pais DOA tudo D. Pedro ouvia em silêncio. Por fim, o Que quer dizer, Quero dizer que pai lhe disse meu precisas te casar! Um Principe Regente não pode viver só. É do interêsse da que Enviarei instruções ao Marquês Com quem? Acaso o senhor te cases com uma dama E quem será de Marialva, nosso encarregado já escolheu nobrezo européia, ela? de Negócios França para que Portugal se alie deverá ir Viena, espôsa para mim? outro reino poderoso pedir o mão de uma da para espôsa Porque Assim foi que, em 1817, o de Marialva apresentou-se com esplendor na Porque é do interêsse do Imperador Francisco II, em Viena e... uma princeso do Reino o união com Casa Venho em nome da Áustria de Majestade Dom João VI, pedir-vos mão Arquiduqueso Leopoldina Carolina Josefo Francisca Fernando Beatriz para Principe Dom Pedro de Francisco Antônio Carlos Xavier de Paula DO Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança, e Bourbon, herdeiro do trono de Portugal eMas a nossa futura primeira Imperatriz não pôde partir logo para o Brasil. o estava convulsionado. Estourara uma revolução em Pernambuco, de brasileiros contra alastrando-se por todo o Nordeste. Era o da Independência que viria cinco anos depois.. Em Pernambuco, os Sei sei brasileiros se rebelaram, Chegaram a proclamar Prepare-se, Princesa, para enfrentar e o Governador Caetano comigo momentos decisivos desta uma repúblico, A revolta Pinto Mirando Nação e formaram um govêrno de 1817 foi Montenegro capitulou, provisório, com o debelada, É uma Mojestade Capitão Domingos Teotônio, e D. Leopoldina jovem e bela! o Padre João Ribeiro, pôde viajar Orgulho-me de ti, Padre Miguelinho ao encontro do meu marido! real e mais outros D. Pedro tinha dezoito anos de idade quando se casou. Deixara de ser o jovem estouvado, para se tornar consciente do grande papel que lhe cabia na história de um povo.. Oficiais Os momentos Se me permitir, Uma constituição, decisivos não Estão com tropas meu pai, irei falar-lhes. como em Portugal! se fizeram esperar. no Largo do Julgo saber o que Em Portugal, Que farei? desejam. depois da expuisão das tropas de Napoleão, o povo exigiu um regime. Em 1820, em vez de reinado Portugal tornou-se Monarquia Constitucional, e tanto as guarnições como próprio povo começaram a exigir também uma Constituição para o Brasil. A 26 de fevereiro de 1821, no Rio 9Pois que seja! Exatamente, meu pai. Desejam sua adesão ao sistema que as Côrtes Selem Vai e fala organizaram em Portugal. um cavalo para em meu mim! E o Principe partiu a do palácio da Quinta da Boa Vista rumo ao Rossio, hoje Praça o fa- to é de grande impor- tância, porque marca a primeira intervenção pessoal de D. Pedro na vida politica do Brasil. Senhores, venho em nome do Rei! Trago-vos decreto assinado por Sua Majestade, pelo qual o Brasil adere ao sistema Monarquia Constitucional pelos Côrtes Da sacada do Teatro Real, o Principe Será nomeado um ministério provisório Vivo Viva e haverá convocação dos eleitores Dom João VI! para a formação de uma Constituinte Principe Uma aclamação Dom Pedro! Viva! pelos representantes vibrante do povo! percorreu as tropas acampadas no Rossio, ao mesmo tempo que o povo se entregava a enorme Uma Constituição própria para o Brasil, DO mesmo continuando éle unido ao Reino de Portugal, significava autonomia para a Nação. 10Para D. Pedro, o episódio representava o seu batismo nas lutas poli- Tu ficarás como Principe Regente Pelo que ticas da Pátria adotiva. Poucos dias depois, D. João VI declarava está acontecendo, meu filho, bem sei que ao filho o Brasil não tardará o separar-se de Portugal, tornando-se um reino livre Pedro, minho missão aqui está cumprida. A Côrte deve regressor a Lisboo Portanto, oconselho-te que, Começaram chegado o momento, os preparativos tu mesmo, Pedro, ponhas para o regresso a coroa em tuo cabeça antes da - um que algum aventureiro fabuloso: dela se aposse de quatro mil pessoas levando consigo tudo o que tinham Queremos Nas vésperas da Instale-se uma Constituição partida, D. João VI a Constituinte! para o Brasil! proclamou D. Pedro Principe Regente. Logo teve de quando, no dia 21 de abril de 1821, o povo reuniu-se em tumulto no edificio da Praça do Comércio, exigindo a imediata convocação da Constituinte. Esse edificio da antiga Praça do Comércio, ainda podem Tomando conhecimento do tumul- tal qual era na época, restaurado e considerado Patrimônio to, D. Pedro não vacilou. por muito tempo, funcionou a Alfändega e, atualmente, ali está o Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, perto da Igreja da Não tolerarei desordem! Dissolvam o ajuntamento à fôrça! DO 0 Q 11Com tal atitude, o Principe impunha pela primeira vez Cinco dias depois, a 26 de abril de 1821, Que Deus te proteja, sua autoridade e tomava nas mãos as rédeas dos aconte- D. João VI despedia-se do filho e embarcava meu filho. E lembra-te cimentos de volta para Portugal do meu conselho: Amo o povo, se alguém tiver que ser o Rei Pelo que fizeste, do Brasil, que sejo teu o trono meu pai, mas não Pedro, vejo que consentirei que me terás pulso para ameacem! governar. D. João VI regressava a Portugal depois de, durante treze ter dado ao Brasil um extraordinário desenvolvimento em todos os setores de sua vida artistica e cultural. Foi um grande rei. Gonçalves às claras Enquanto isso, no cenário do Brasil, surgia uma Uma das Quer logo a independência. figura extraordinária - José Bonifácio de Andrada e Silva. primeiras medidas de D. Pedro foi E isto não vai demorar muito, a de suspender tu verás a censura o monopólio da Imprensa Régia, o que possibilitou o aparecimento de panfletos e jornais nacionalistas. o mais importante foi o Constitucional Fluminense, de José Gonçalves e Padre Januário da Cunha Barbosa. Em São Paulo, os estavam exaltados e José Bonifácio procurou unir as correntes patrióticas em tôrno de um só ideal Senhores, neste momento é preciso que apoiemos o Principe Dom Pedro. Êle DO completo autonomia do Brasil! A 12em Portugal, a repercussão dos movimentos libertários e Revoguemos os podêres o prestigio que lhes dava o Principe Regente levaram as Côrtes Principe Regente que lhe foram dados a uma é o primeiro por Dom João VI a se insubordinar e ordenemos que contra o Metrópole! Dom Pedro venho para Brasil pretende Devemos Portugal! colocar-se acima voltor ao seu estado das nossas leis! simples de portuguêsa! Os ministros da Coroa falaram Isto fatalmente Uma guerra que com D. João VI, que lhes disse... levantaria todo o País certamente serio nós, numa conduzido por vosso próprio filho, Confesso; senhores, guerro Majestade achar uma temeridade tentar-se fazer do Brasil novamente uma colônia, depois que foi elevado à condição de Reino Unido o Portugal A pretexto de Não podemos ordenar que o Principe deixe povo do Brasil o Brasil alegando motivos Mas êsse estado de coisas ama o Principe políticos! Isto também não pode continuar, Regente revoltaria o povo. Majestade! Ordenai que Dom Pedro venha para Lisboa! Então, que DO venho para completar seus estudos 13Uma carta foi enviada a D. Pedro. o pai dizia-lhe que se tornava im- Que fazer, senão povo não aceitará periosa sua viagem para Portugal, a fim completar a educação obedecer? É uma tuo tenho ordem de meu pai certezo. Lêste a carta É um simples pretexto, de meu pai, já se vê, êste de que Leopoldina? vás para Lisboa terminar estudos memorial está assinado Portugal, ordenando que por oito mil brasileiros Principe deixe o Brasil, Em Minas, o do Rio, São Paulo e quer nos humilhar! movimento teve a mesma repercussão, Todos pedem a Dom Pedro enquanto que, no a Vossa Altezo que fique! Rio de Janeiro, que fique Dona Leopoldina o povo e os politicos no Brosil tinha razão. exigiam a Logo que permanência de a da ida D. Pedro no Brasil. do Principe E. no dia 9 de para Portugal janeiro de 1822, foi divulgada, José Clemente levantou-se Pereira, Presidente um clamor do Senado da público em Câmara do Rio todo o de Janeiro, entregou Em São Paulo, a D. Pedro uma José Bonifácio representação afirmava redigida por um grande sacerdote patriota - Frei Francisco de Sampaio. Então, D. Pedro deu a resposta que ficou célebre o gesto na História do Principe do Brasil.. Regente desagradou às tropas aquarteladas no Rio, denominadas Divisão Auxiliadora, sob DO o comando do General Jorge Como é para Avilez... bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto: diga ao povo que fico 14o Principe Mas o Principe não se intimidou. Pediu ajuda aos regimentos for- desobedece às ordens do Rei! mados por brasileiros, comandados pelo General Joaquim Xavier Obrigaremos Dom Pedro Curado. Logo uma grande de soldados e muitos civis, reu- a para Portugal! niu-se no Campo de Sant'Ana (hoje Praça da República) Desalojemos os portuguêses o do morro ficará do Castelo! no Vivo Dom Pedro! E a Divisão Auxiliadora ocupou o morro do Castelo, ameaçando a ci- dade, caso D. Pedro não embarcasse imediatamente para Lisboa. Marcharam para o morro, cercan- Era a primeira vitória de alta significação do Principe contra as do-o completamente. Vendo que Côrtes Para que essa vitória mais expressiva, não poderia vencer a luta, o General D. Pedro ordenou Avilez entregou-se Que o General Avilez e todos os seus soldados voltem para Portugal! Rendo-me! Mas não foi apenas no Rio que as tropas rebelaram- -se contra o Principe. Na Bahia, também os soldados do Briga- deiro Inácio Luis Madeira de Melo demonstraram seu provocando motins de rua Vivo Portugal! Brasil! 15No dia 19 de fevereiro de 1822, investiram contra o Convento As freiras, apavoradas com o que de Nossa Senhora Conceição da Lapa, em Salvador, derru- acontecia, rodearam a abadessa, bando os portões Soror Joana Angélica Há revoltosos Não tenham mêdo. escondidos pelos Madre! Rezem! Entremos freiras! Os soldados vão no convento! no convento! Por fim, as portas foram derrubadas e Prostaram-se, rezando, enquanto ouviam as machadadas Para trás! os soldados enfurecidos entraram no nas portas e o alarido da soldadesca desenfreada convento. Mas, no limiar encontraram Não profanem a casa Soror Angélica, de braços abertos, im- de Deus! pedindo-lhes a passagem Morram Ave Maria, os traidores cheia de graço, de Portugal! o Senhor é convosco da frente! Só entrarão Pois seja! E o soldado passando sôbre meu traspassou, cadáver! com a espada, coração de Soror Angélica, que rolou na entrada do Convento. Com a fúria dos soldados contra os as familias de Salvador procuraram refúgio nas aldeias vizinhas e na região chamada Baiano. 16Deixamos Havemos Seria de grande importância para o País se Vossa Alteza o cidade, de retomá-lo dos decretasse que não mais mos voltaremos! portuguêses! Enquanto isso, vigoram no Brasil as leis no Rio, D. Pedro de organizava um Ministério de brasileiros ilustres, convidando José Bonifácio para Ministro do Reino e dos Estrangeiros. Uma das primeiras medidas aconselhadas por Bonifácio era uma luva de desafio lançada a Portugal.. o direito de aceitarmos o Decreto foi aquelas que assinado a 4 sejam úteis de maio de 1822. Era o mesmo En a êste Reino que tornar o Brasil completamente autônomo. D. João VI apressou-se a escrever ao filho, criticando sua seja 20 atitude de insubmissão. has o Principe respondeu-lhe: disse que não mais poderia deter o movimento quare de emancipação no Brasil, A essa época, D. Pedro recebia a no- ticia da revolta dos na É um sacrilégio e um Bahia e do assassinato de Soror Joana Invadiram desafio a Vossa Alteza! Angélica. Indignado, o Principe não o Convento da Lapo Não podem ficar sem castigo se e mataram uma santa! o General Madeiro e seus soldados 17No dia 15 de junho, D. Pedro enviou uma carta ao General Vou expulsá-los Madeira de Melo, condenando do Brasil! a infâmia e ordenando-lhe que embarcasse com suas tropas de volta para Portugal. Ao mes- mo tempo, dirigiu uma procla- mação aos todos êles deveriam ligar-se aos demais brasileiros, do Norte e do para auxiliá-lo na grandeza do Em Lisboa, os acontecimentos do Brasil ecoa- vam fortemente e foi decidido o envio de tro- pas para auxiliar o General Madeira de Melo, na Bahia. Por seu lado, D. Pedro tomava Vou organizar uma Expedicionário sob o comando do General Pedro Labatut. A (quatro embarcações chefiadas pelo Comandante Rodrigo Antônio de Lamare) embarcou do Rio para a Bahia. Entretanto, o General Madeira enviara vários navios de guerra contra a frota conduzindo a expedicionária Esta foi obrigada a escapar, desembarcando em Alagoas. Ao mesmo tempo, as tropas mandadas de Lisboa chegavam a Salvador DO A situação era piorando ainda mais quando as Côrtes Nomeemos outro Ministro para (nome dado à seu lugar e processemos todos Assembléia os que assinaram o memorial resolveram A alma de tudo, induzindo Dom Pedro a ficar agir mais fortemente contra D. Pedro. Majestade, é o José Bonifácio, no desobedecendo à vosso Ministros falaram Ministro do Reino e dos ordem! E forcemos, de uma vez por ao Rei Estrangeiros, conselheiro a que o Principe venha 18 do Principe para Lisboa!Os decretos nesse Vossa deve sentido foram visitor as Provincias! assinados por Para acalmar D. João VI, os e manter que os enviou junto com harmonia entre mensagem os partidos ameaçadora A Princeso ao filho. Leopoldina ficará Enquanto isso, aqui, em vosso lugar, no Brasil, havia presidindo inquietações nas Regência de Minas de Ministros e São José Bonifácio aconselhou a D. E Principe, atendendo a José De volta de seguiu D. Pedro imediatamente para São partiu para Minas, onde foi acla- Mineiros, mais que Paulo, com o mesmo objetivo de pacificar os partidos poli- mado nunca, deveis vos ticos e moderar os arroubos patrióticos. manter unidos! Garanto-vos que as Côrtes Vou para Santos, não de onde subirei mais deliberarão para São Paulo, sôbre a vida no planalto brasileira! Ainda não tinha D. Pedro alcançado São Paulo, quando chegaram ao Rio opinião, Senhores Ministros, de Janeiro as mensagens do Rei e das Côrtes de Lisboa. Dada a gravidade do assunto, D. Leopoldina reuniu o Conselho de Ministros para deliberar é de que decretos enviados pelas sôbre o caminho a seguir Côrtes são uma suprema humilhação para o nosso Reino Senhores, bem vêdes que a situação é Ministro José Bonifácio vos exporá seu pensamento, que também é o meu 19A quer nos reduzir É hora de escolhermos entre a à escravidão novamente à condição de Colônia, ou o liberdade! o se acho em São Paulo, o que é um absurdo e um mas é necessário que volte insulto! imediatamente e tome uma decisão! momento perdido é uma desgraça! De com Tomei o liberdade de escrever Suo Alteza, ficou resolvido a mensagem a ser enviado Principe, que se envie mensagem na qual lhe digo as mesmas coisas ao Principe, dando-lhe que acabastes de ouvir conto humilhantes medidas Eis mensagem, Senhores Ministros que Lisboa pretende nos impor! Lida a mensagem, foi chamado o Correio do Paço, Paulo Ou antes, Paulo! Cem cavalos Bregaro, para levar a importantissima correspondência a Estafe uma dúzio D. Pedro. que sejam precisos, de mas corra Senhor Em menos de seis sem parar! José Bonifácio! Não perco tempo, Paulo Bregaro! dias o Principe Viajarei dia e noite! Destas mensagens as receberá, depende o destino Senhor Ministro! de nossa terra! DO E Paulo Bregaro partiu a todo o galope, estafando cavalos, os quais troca- va pelo caminho. Não sonhava o humilde mensageiro que, com aquela cavalgada louca, estava entrando para a História e para a 20Quero Grandes Bregaro chega a São Paulo... Ainda não, melhor cavalo e mais descansado! coisas devem estar mas estamos à sua Sou correio do Paço acontecendo o Sabemos que saiu de Santos em São Paulo Dom Pedro já está depois do meio-dia. Real! Que será? aqui? Paulo Bregaro lançou-se no caminho Vou encontrá-lo de Santos. Quando alcançou o alto Principe no caminho! da colina onde corria o regato Ipi- e suo comitiva! ranga, avistou Eram quatro horas e meia da tarde do dia 7 de setembro de 1822 Alteza! Trago-vos mensagens o Principe começou a ler do Senhor Ministro José as mensagens Bonifácio, de Suo Alteza da Princesa, e despachos do Ministro, de Lisboa! os comunicados da Assembléia e a carta do pai. Todos estavam presos à fisionomia do Principe Regente, que, pouco DO a pouco, ia se alterando, até transformar-se numa expressão de incontida revolta.. 21Dirigindo-se ao Padre Belchior, que Padre Belchior, fazia parte da comitiva, D. Pedro êles o querem, terão sua disse conta. As Côrtes me perseguem, chamam-me de "rapazinho" e de "brasileiro" Pois verão o quanto vale o rapazinho! De hoje em diante, estão quebradas as nossas relações. Nada mais quero do Voltou-se, então, para os Dra- Português da Guarda de Honra.. e proclamo o Brasil para sempre Amigos, as Côrtes separado de Portugal! querem e perseguem-nos! De hoje em diante, as nossas relações Desembainhou a os soldados fize- estão quebradas. ram o mesmo, repetindo o juramento Nenhum laço nos pronunciado por D. Pedro une mais! Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu- Deus, juro fazer a liberdade do Brasil! E. arrancando do chapéu o laço azul e branco, símbolo de Portugal, falou Laços fora, soldados! Vivo independência, liberdade separação do Brasil! DO 22Brasileiros, o nossa divisa, de hoje em diante, será Independência ou Morte! 23Viva a Independência! Em seguida, à frente da comitiva, galopou para Vivo São Paulo.. Dom Pedro, A notícia o Rei correu logo por tôda a parte Brasileiro! e o povo saiu para as ruas... No arrebatamento da hora, D. Pedro sentiu-se inspi- rado e, no palácio paulista onde se hospedou, compôs Já podeis da Pátria filhos o Hino da que, logo a seguir, mes- Ver contente mãe gentil, mo tocou na espineta, para um auditório de damas e Já raiou a liberdade cavalheiros No horizonte do Brasil Ou ficar o livre, Ou morrer pelo Brasil nove horas A 14 de setembro, chegava da noite, de volta ao recebido em surgiu no DO delirio pela população. Logo camarote instituiu as côres verde e do Teatro, amarela como simbolo na- sendo aclamado, cional. E. imediatamente, os e cantou soldados, empregados públi- Hino, cujo cos, o povo e todos os patrio- estribilho tas começaram a usar um foi repetido laço verde e amarelo como pela platéia distintivo. A 24No dia 18 de setembro, D. Pedro assinava decretos estabelecendo A Bandeira era um paralelogramo verde, com um losango, o escudo de armas e a Bandeira do Brasil Independente. As armas tendo no centro o escudo de armas do Brasil. eram uma esfera armilar de ouro, atravessada por uma cruz da Or- dem de Cristo. Rodeando a esfera, dezenove de prata em uma orla azul, representando as Sôbre o escudo, tendo nos lados dois ramos de café e fumo, ficava a coroa real. o Imperador entrou no palacete, dirigindo-se à varanda, onde o receberam os ministros e altos dignitários. José Cle- mente Pereira um discurso, depois do qual D. Pedro I Aceito o título de Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil, porque estou intimamente convencido de que é a vontade do Povo brasileiro. A 12 de outubro, foi aclamado Imperador Cons- titucional do Brasil, com o título de D. Pedro I. Era dia de seu aniversário. A cerimônia reali- zou-se no Campo de Sant'Ana, em palacete espe- cialmente construído no centro da praça para a solenidade. Chovia, mas o povo compareceu em massa para o Imperador che- gou num cortejo aberto por uma guarda de hon- ra de paulistas e fluminenses (como se chama- vam os cariocas no passado). Oito soldados da mesma guarda vinham em seguida, além de moços de estribeira - um indio, um mulato e um negro. Por fim, o côche puxado por oito ca- DO valos, conduzindo o Imperador, a Imperatriz Leopoldina e a Princesinha Maria da Glória, de anos de idade.. 25D. Pedro I não podia conter a emoção: seus Logo se ouviram aclamações delirantes da multidão, olhos estavam cheios de lágrimas Completava enquanto ecoava a salva de cento e um tiros, segui- vinte e quatro anos de idade e era aclamado da de três descargas de cavalaria Imperador de um grande País Depois da Aclamação, veio a Co- roação, a 1 de dezembro, realizada com grande pompa na Capela Imperial. DO 26Já dirigiu-se ao Paço da Cidade e, de uma das janelas, o juramento Mas, com a coroação de D. Pedro I, não havia terminado ainda o grande drama da Independência do Brasil. As continuavam resistindo em algumas Juro defender - no Pará, Constituição que no Maranhão, na Cisplatina e, está por ser feita, principalmente se fôr do Brasil na Bahia. e de mim A Cisplatina viria a ser, depois, a República do Uruguai. A luta no Baiano ganhava grandeza de epopéia. Dela emergiram vultos heróicos, como o de Aprendi a atirar Maria Quitéria de Jesus. caçando passarinhos. Agora, no Batalhão dos Periquitos, caço "pés-de-chumbo" "Pé-de-chumbo" era a alcunha que os baianos davam aos por- Recordam-se vocês dos quatro barcos que levavam a expedicionária, comandados pelo General francès Labatut? Foram perseguidos por navios de guerra do General Madeira, mas, mesmo conseguiram alcançar Alagoas. Ali, os soldados brasileiros desembarcaram, marchando para a Bahia. Labatut organizou as patriotas baianas reunidas no DO entre elas o Batalhão dos Periquitos, onde se achava Maria Quitéria. Uma jovem do povo, simples, simpática e sem nenhu- ma instrução, viu-se tocada pelo patriotismo. Vestiu- -se de homem, alistou-se no Batalhão de Periquitos e foi enfrentar os soldados do General Madeira 27Os patriotas lutaram denodadamente contra os comanda- dos pelo General Madeira, defendendo principalmente a ilha de Itaparica não a ilha, que é a chave do Houve também combates Um dos heróis dessas bata- Os patriotas já haviam se entrincheirado em próximo ape- lhas foi o Tenente João Botas, que, com apenas uma canhoneira, nas duas léguas da capital da Bahia. o General Madeira de Melo sustentou fogo durante três horas contra onze navios de guerra ficou desolado portuguêses. Finalmente, ao ver que não era possível tomar Itaparica, o General Madeira ordenou que suas tropas inves- tissem contra o interior do Baiano, para cortar o abastecimento de e homens aos batalhões brasileiros. É inútil continuarmos Na ilha de os patriotas vibraram lutando no interior. Tratemos de defender cidade estão se retirando! Fugiram! Vivo Bahia! Vivo Brasil! DO Mesmo com os reforços recebidos de Madeira não conse- guia romper a resistência baiana, que aumentou ainda mais depois da proclamação da Era necessária expulsar defini- tivamente os soldados do Brasil. Para tal fim, D. Pe- 28 dro I armou uma esquadraMajestade, o Almirante inglês A esquadra brasileira era composta de nove navios, tendo todos êles Lorde Alexandre Thomas Cochrane nomes expressivos - D. Pedro, Maria da Glória (em ho- é um grande marinheiro, menagem à filhinha do Imperador), Liberal, Real Pedro, Guarani, experimentado em Niterói e mais dois outros. Nos últimos dias de abril de 1823, Lorde batalhas navais, Cochrane alcançou a Bahia e bloqueou a esquadra lusitana. sempre saindo vitorioso Impediremos a saída de qualquer barco! Preparem-se para a batalha naval! Seguirei seu conselho, Senhor Marquês de Barbacena. Entregarei Lorde Cochrane o comando da nossa esquadra. Os navios não aceitaram a luta e se refugiaram no pôrto da Bahia. Sitiado pelo mar, o General Madeira de Melo pro- curou reagir na cidade, mas seus soldados estavam moralmente arrasados. Estou cansado Nada guerro sem fim! mais temos Quero voltar a fazer aqui. Ante a revolta de suas próprias tropas, o General Madeira orde- o Portugal! Tudo está nou finalmente perdido! Embarque geral! Abandonemos o Brasil! DO 29E, no dia 2 de julho de 1823, as tropas reembarcaram A uma hora da tarde, as tropas brasileiras entravam na capital para Portugal. Terminara a resistência e se consolidava a Inde- da Bahia, sob a aclamação do povo pendência brasileira. o povo delirou nas ruas de Salvador Vitória! Vitória! Vivo o Exército brasileiro! Os portuguêses estão indo Viva o Brasil Dom independente! Pedro Primeiro, Imperador do Brasil! No meio das tropas, desfilava garbosa- mente um jovem soldado que logo foi reconhecido pela multidão Viva Maria Quitéria! Libertada a Bahia, Lorde Cochrane seguiu com sua esquadra para o Maranhão, onde a luta ainda continuava. DO Chegou a São Luis no dia 26 de julho - e, a 1 de os maranhenses tiveram a mesma alegria de ver os soldados partindo 30Ao mesmo tempo, o Almi- Mas com apenas rante Cochrane ordenava ao um navio de guerro, Capitão John Pascoe Green- É o Vá Belém do Pará Almirante? fell Capitão e expulse os lusitanos Greenfell. daquela E. realmente, foi necessário apenas um navio com tropas nacionais para expulsar de Belém os últimos soldados em solo Em de 1823, no Palácio Impe- rial, D. Pedro I recebeu Maria Quité- ria, que lhe foi levar pessoalmente uma Majestade, vim vos dizer que não há mais nenhum soldado português em território baiano! DO 31Maria Quitéria de Jesus, representais patriotismo e a da mulher brasileira! Em seguida, condeco- A Independência do Brasil estava consolidada. rou-a com a mais alta Pelos vossos feitos de heroismo, distinção do Im- Mas levou ainda algum tempo para que a nova eu vos condecoro com pério. Nação livre fôsse reconhecida pelos outros pai- Insígnia Imperial da Ordem ses do o primeiro Estado europeu a re- do Cruzeiro! conhecer o Império Brasileiro foi o Vaticano, pela palavra do Sumo Leão XII. DO 32Ao ser proclamada o Independência naquela tarde luminosa de 7 de se- tembro de 1822, vultos esta- vam presentes às margens do ranga - Caramuru e João Rama- lho, Anchieta Nóbrega, Estácio de e Borba Gato e Fernão Dias Pais, o Zumbi dos Palmares, Poti, Henrique Dias e Vidal de Negreiros, Filipe dos San- DO tos e Tiradentes - uma legião de criaturas predestinados que, com amor, sangue, sonho e es- tabeleceram os alicerces de uma Nação jovem e livre, para um futuro de grandeza glória. 34ORDEM E PROGRESSO de 1889 Pavilhão Nacional - criado por decreto do Marechal Deodoro da Fonseca. no dia 19 de temais impias falanges hostil: Mal soou na serra ao longe Não apresentam face braços grito varonil, Vossos vossos HINO DA Nosso Nos imensos ombros logo bis São muralhas do Brasil. A cabeça do Brasil Estribilho INDEPENDENCIA Estribilho Brava gente brasileira! Brava gente brasileira! Etc. DO BRASIL Etc. Revoavam tristes sombras Os grilhões que nos ardil forjava Da cruel guerra civil, Mas fugiram apressados de EVARISTO FERREIRA Letra 1837) da VEIGA Da mão mais poderosa: perfídia astuta bis Vendo o anjo do Brasil Zombou Houve dèles o Brasil. Estribilho (1799 de D. 1834) PEDRO I Estribilho Brava gente brasileira! (1798 Brava gente brasileira! Etc. Etc. brasileiros! podeis, da Pátria filhos, gentil; o Real Herdeiro Augusto vil, Já, universo entre as com garbo Já Ver contente a mãe raiou a liberdade bis Conhecendo o engano tiranos Em despeito dos Brasil } bis Do Resplandeco a do Já No horizonte do Brasil. Quis ficar no seu Estribilho Estribilho Estribilho Brava gente brasilei Brava gente brasileira! Brava gente brasileira! Etc. Longe vá, temor servil: livre ficar a Pátria bis Etc. Ou Ou morrer pelo Brasil