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EXPEDIÇÃO
África: o meio natural
A África e o 
imperialismo europeu
África: população, 
regionalização 
e economia
A África no início 
do século XXI
25
26
27
28
PERCURSOS
Prepare-se para aprender 
sobre a África. Após estudar 
o meio natural, você verá 
como se deu a apropriação de 
territórios africanos por países 
europeus no século XIX e a 
implantação de colônias, fato 
que deixou profundas marcas 
nas sociedades africanas 
atuais. Conhecerá ainda duas 
regionalizações da África 
e entrará em contato com 
alguns problemas que a atingem 
neste início do século XXI.
África: heranças,
conflitos e
diversidades7
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RT
A nova classe média africana
Embora a África apresente alguns dos piores indicadores socio-
econômicos mundiais, seu recente crescimento econômico tem 
sido acompanhado pelo aumento da renda média per capita e 
pela redução da pobreza.
Alargamento da classe média
A classifi cação da sociedade em classes de acordo com níveis de 
consumo varia em diferentes contextos econômicos. Na África, pode 
ser considerado integrante da classe média quem gasta entre 2 e 
20 dólares por dia, segundo o Banco Africano de Desenvolvimento.
Renda média 
O aumento da renda e a sua distribuição contribuem para que parte 
da população africana ingresse na classe média.
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ANOS
CIDADES
África: distribuição da população por níveis de consumo 
diário per capita
Após um período de estagnação, 
a renda média anual per capita 
na África cresceu continuamente 
a partir de 2002 e mais que 
dobrou em dez anos.
230
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Verifique sua bagagem
1. A diminuição da pobreza na África pode ser 
explicada apenas pelo aumento da renda 
média per capita? Por quê?
2. Relacione o aumento da classe média na África 
ao processo de urbanização no continente.
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910 km
Fontes: ITU. Statistics. Disponível em: ; ONU. World Urbanization Prospects. The 2014 Revision. Disponível em: ; 
African Development Bank. The middle of the pyramid: dynamics of the middle class in Africa. Disponível em: ; African Development Bank. African Economic Outlook 2014. 
Disponível em: . Acessos em: 14 maio 2015.
Urbanização acelerada
Em 2014, a taxa de urbanização da África era 
de 40%, ou seja, a cada 100 habitantes 
40 viviam em cidades, ainda a menor 
entre os continentes. Mas, segundo 
a ONU, a África será o continente de 
mais rápida urbanização a partir de 2020, 
ultrapassando a Ásia.
Novos hábitos de vida
A urbanização e o aumento da renda mudam a maneira como as pessoas vivem e proporcionam novos hábitos de consumo. 
Nas cidades africanas, o consumo de bens e serviços vem aumentando.
África: assinaturas 
de telefonia celular – 
2006-2014
Nesse período, 
o número de 
assinaturas para cada 
100 habitantes subiu 
de 17,8 para 71,2.
De 2006 a 2014, a parcela da população africana 
com acesso à internet passou de 3,3% para 18,9%.
Abastecimento de água
O maior acesso à água potável nos últimos anos 
é outro indicador da melhoria das condições 
de vida na África. Em 1995, 58,3% dos africanos 
tinham água potável. Em 2012, o percentual 
havia passado para 68,8% – nas áreas urbanas 
a média era de 87%.
Em 1990, a única cidade 
com mais de 5 milhões 
de habitantes era 
Cairo, no Egito. Em 
2014, havia outras 4, 
e até 2030 haverá ao 
todo 18, sendo 6 delas 
megacidades, com 
mais de 10 milhões 
de habitantes.
Celulares
A África tem menos assinantes de telefonia celular que outros continentes, 
mas apresentou grande crescimento desse serviço nos últimos anos.
Evolução das maiores cidades 
africanas – 1990-2030*
Na representação ao lado, o tamanho dos 
círculos mostra o número de habitantes e 
as cores indicam o ano em que a população 
de cada cidade chegou ou chegará à 
quantidade indicada.
* Estimativa da ONU.
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MAIS DE
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CIDADES
Serviços
Parte da classe média africana vem 
empreendendo cada vez mais novos 
negócios, principalmente relacionados ao 
setor de serviços, como o comércio on-line.
África: número de usuários de internet – 2006 
e 2014
Em 2013, a África 
apresentava cerca 
de 1,1 bilhão de 
habitantes.
172 MILHÕES
2014
24 MILHÕES
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246 MILHÕES
366 MILHÕES 507 MILHÕES
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2008
2010 2012
2014
2006
231
1. Não, pois esse indicador consiste na divisão da renda nacional 
pelo número de habitantes e não mostra como a renda está 
distribuída entre a população. 
2. O aumento do percentual de população urbana indica o 
surgimento e o crescimento de cidades, onde a diversi ficação de 
atividades econômicas e a oferta de bens e serviços geram novos 
padrões de consumo.
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PERCURSO
25 África: o meio natural
 Extensão e localização
Com 30.216.362 km2 — cerca de 20% das terras emersas do globo 
terrestre (150.377.393 km2) —, a África é o terceiro maior continente 
em extensão territorial, superado pela América (42.192.781 km2) e pela 
Ásia (45.074.481 km2). 
A maior parte do continente africano se localiza na zona tropical: entre 
o Trópico de Câncer, ao norte, e o Trópico de Capricórnio, ao sul. Ao norte, 
o trópico atravessa os territórios de Egito, Líbia, Argélia, Mali, Mauritânia 
e Saara Ocidental, enquanto ao sul do continente abrange a Ilha de Mada-
gascar, Moçambique, África do Sul, Botsuana e Namíbia.
Ao norte, o continente africano é delimitado pelo Mar Mediterrâneo; a 
leste, pelo Mar Vermelho e pelo Oceano Índico; ao sul, pelo encontro das 
águas oceânicas índicas e atlânticas; e, a oeste, pelo Oceano Atlântico 
(figura 1).
Até o século XIX, a África esteve unida à Ásia por uma estreita faixa 
de terra localizada entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Vermelho, denomi-
nada istmo de Suez. A necessidade 
de articular o comércio entre o 
Mediterrâneo e o Índico resultou 
na construção doelaborado com base em IBGE. 
Atlas geográfico escolar. 6. ed. 
Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 45; BOST, 
François et al. Images économiques 
du monde: géopolitique-géoéconomie 
2014. Paris: Armand Colin, 2013. 
p. 262-271 e 294-344.
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20°L
0° EQUADOR
TRÓPICO DE CÂNCER
TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO
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MOÇAMBIQUE 
MARROCOS
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ARGÉLIA LÍBIA
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SOMÁLIA
QUÊNIA
TANZÂNIA
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MADAGASCAR
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BURKINA FASSO
GÂMBIA
DJIBUTI
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BENIN
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CENTRO -AFRICANA
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CONGO
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MAURÍCIO
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 DEMOCRÁTICA
DO CONGO
SENEGAL
SERRA LEOA
SAARA
OCIDENTAL
ÁFRICA 
DO SUL
Rabat
Argel Túnis
 Trípoli
Cairo
 Nuakchott
Bamaco Niamei
Ndjamena 
Cartum Dacar
Banjul
Bissau
Conacri
Freetown
Monróvia
 Abidjan
Uagadugu
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 Abuja
Malabo
 Iaundê
Bangui
Asmara 
Djibuti
Adis-Abeba
Mogadíscio
Libreville
Brazzaville
 Kinshasa
Campala
 Nairóbi 
Kigali
Bujumbura
Dodoma
Luanda
 Lusaca
 Lilongue
 Harare
 Windhoek Gaborone
Pretória
 Maputo
 Mbabane
Maseru 
Antananarivo
Moroni
Port Louis
Vitória
OCEANO 
ATLÂNTICO
SUDÃO
SUDÃO
DO SUL
Minerais
Agropecuários
Conjunto de países cujas economias
têm por base produtos primários
País com desenvolvimento industrial
Bloemfontein
Cidade do Cabo
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740 km
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Quem lê viaja mais
ARAUJO, Kelly Cristina. 
Áfricas no Brasil. São Paulo: 
Scipione, 2004. 
Nesse livro, você vai 
encontrar um panorama 
sobre a influência dos 
povos africanos na 
formação da identidade 
nacional brasileira.
Pausa para o cinema
Amor sem fronteiras. 
Direção: Martin Campbell. 
Estados Unidos: Mandalay 
Pictures, 2003. Duração: 
125 min.
Após conhecer um médico 
que se dedica às causas 
humanitárias na África, 
uma socialite se dispõe 
a ajudá-lo arrecadando 
medicamentos e comida 
para refugiados na Etiópia. 
Essa experiência vai mudar 
sua vida e sua maneira 
de encarar o mundo 
para sempre. 
252 EXPEDIÇÃO 7
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Figura 28. África do Sul: indústria e transporte – 2015
Muitos problemas, como a pobreza que atinge principalmente a 
população negra, persistem. Em 2015 a população total estimada era 
de 54,5 milhões de habitantes: 79% dela era constituída por negros de 
diversas etnias, 9% era de origem europeia (destacando-se os ingleses e 
holandeses), cerca de 9% de eurafricanos e 2,5% de asiáticos (principal-
mente descendentes de indianos) e outros (0,5%). A população branca, 
embora minoritária, detém cerca de 60% da renda nacional e usufrui das 
melhores condições de vida no país.
O grande desafio da África do Sul é enfrentar as heranças do apar-
theid e construir uma sociedade democrática de base multiétnica, menos 
desigual e sem preconceitos, além de erradicar a pobreza que atinge par-
te significativa dos sul-africanos (figuras 29 e 30).
Figura 30. Bairro residencial com 
boa infraestrutura na Cidade do 
Cabo, África do Sul (2013).
Quais são as 
principais 
atividades 
econômicas 
da cidade 
de Port 
Elizabeth?
Figura 29. Bairro pobre na periferia da Cidade do Cabo, 
África do Sul (2014).
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CHARLES O. CECIL/ALAMY/EASYPIX
Fonte: elaborado com base 
em Le Grand Atlas du XXIe 
Siécle. Paris: Gallimard, 
2013. p. 82.
ÁFRICA
DO SUL
NAMÍBIA
BOTSUANA
LESOTO
SUAZILÂNDIA
ZIMBÁBUE
MOÇAMBIQUE
Port ElizabethCidade 
do Cabo
Durban
Johanesburgo
Pretoria
OCEANO
ÍNDICO
TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO
OCEANO
ATLÂNTICO
30° L
U
Principais indústrias
e infraestrutura Aeroporto
internacional
Zona industrial
Estrada principal
Têxtil
Cobre UrânioU
Agroalimentar
Carvão
Ouro
Diamante
Indústria
automobilística
Reserva natural
300 km
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SO
Navegar é preciso
Casa das Áfricas
Centro de pesquisa e de 
promoção de atividades 
 culturais relacionadas ao 
continente africano que 
disponibiliza em seu site 
informações, fotos, vídeos 
e textos a respeito de 
diversos temas. 
Pausa para o cinema
Um grito de liberdade. 
Direção: Richard 
Attenborough. Reino 
Unido: Universal Pictures, 
1987. Duração: 119 min. 
Nos anos 1970, durante o 
apartheid, Daniel Woods, 
um jornalista branco, e 
Stephen Biko, importante 
ativista contrário ao regime 
político da África do Sul, 
tornam-se grandes amigos. 
Após a morte de Biko, 
Woods decide contar a sua 
história, desagradando 
o regime vigente. 
253
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Indústrias 
automobilística e 
agroalimentar.
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Figura 31. Egito: principais 
indústrias – 2012
Rio Nilo
30º L
30º N
EGITO
SUDÃO
LÍBIA
Alexandria
Suez
El Giza
Assuã
Cairo
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MAR MEDITERRÂNEO
Mecânica
Agroalimentar
Siderúrgica
Petróleo
Fosfato
Têxtil
Turismo
Aeroporto
internacional
Estradas principais
Zona industrial
Principais indústrias
e infraestrutura
Egito 
Chamado de “País do Nilo”, o Egito, em 2015, tinha 
91,5 milhões de habitantes. É o segundo país mais populo-
so da África, superado apenas pela Nigéria (182,2 milhões). 
Depois da África do Sul, o Egito é o país mais industriali-
zado do continente. As indústrias localizam -se ao longo do 
Vale do Nilo, desde a cidade de Assuã, ao sul, até Alexan-
dria, ao norte (figura 31). Essa cidade, localizada no delta 
do Nilo, abriga o principal porto do país. Em Assuã, encon-
tra-se a maior usina hidrelétrica do Egito, cuja construção 
impulsionou a industrialização do país ao garantir o for- 
necimento de energia necessário ao setor.
Duas concentrações industriais se destacam: uma locali-
zada na capital, Cairo, que, com as cidades vizinhas, forma 
uma grande aglomeração urbana com mais de 15,6 milhões 
de habitantes, e outra em Alexandria, que conta com mais de 
4,7 milhões de habitantes (2015). 
O principal setor industrial egípcio é o têxtil, no qual so-
bressaem as unidades de tratamento de algodão, cujos 
produtos são largamente exportados. São importantes 
também as indústrias química, moveleira, alimentícia, do vidro e da ce-
râmica, do papel, siderúrgicas de pequeno porte e refinarias de petróleo.
As principais jazidas de petróleo estão distribuí das ao longo da Penín-
sula do Sinai, no Mar Vermelho. Além de abastecer o mercado interno, o 
petróleo daí extraído destina-se à exportação, constituindo uma impor-
tante fonte de divisas para o país.
Em relação à agricultura, várias barragens foram construídas no Nilo 
no século XX, com a finalidade de represar as águas e controlar a vazão no 
decorrer do ano. Dessas barragens saem redes de canais que permitem a 
irrigação permanente das terras, possibilitando que sejam feitas várias se-
meaduras e colheitas no decorrer do ano (figura 32).
Plantam-se milho, algodão, gergelim, cana-de-açúcar, trigo e arroz, este úl-
timo cultivado principalmente no delta do Rio Nilo. Contudo, a produção da 
agricultura de produtos alimentares não é suficiente para atender às necessida-
des da população, fato que torna o Egito um importador de alimentos.
A pecuária é limitada pela falta de pastagens. Assim, a atividade res-
tringe-se a pequenos rebanhos de bovinos, ovinos, caprinos, bufalinos, 
asininos e cerca de 200 mil camelos.
Figura 32. Vista aérea de 
agricultura irrigada por meio 
de canais, com águas retiradasdo Rio Nilo, no Deserto do 
Saara, no Egito (2013).
Fonte: Le Grand Atlas du XXIe Siécle. 
Paris: Gallimard, 2013. p. 75.
Mecânica
Agroalimentar
Siderúrgica
Petróleo
Fosfato
Têxtil
Turismo
Aeroporto
internacional
Estradas principais
Zona industrial
Principais indústrias
e infraestrutura
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254 EXPEDIÇÃO 7
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•	 Países cuja base da economia 
são os produtos primários
Esse conjunto de países africanos pode ser dividido em dois sub- 
conjuntos: países de economia de base agrária e países de economia de 
base mineral.
Países de economia de base agrária
A produção agrícola na África se organiza em formas de produção di-
ferentes. De maneira geral, encontra-se a agricultura de subsistência e 
a agricultura comercial (plantation).
A agricultura de subsistência consiste em obter da terra uma pro-
dução de alimentos com o objetivo de suprir as necessidades alimen-
tares dos próprios produtores e suas famílias. Realiza-se geralmente 
em pequenas propriedades, com técnicas e instrumentos rudimentares. 
Porém, essa produção agrícola pode gerar excedentes, que são comercia-
lizados pelos camponeses.
Os principais produtos cultivados, em ambos os casos, são mandioca, 
milhete ou sorgo, arroz, inhame e batata. Como a alimentação de grande 
parte dos africanos baseia-se em carboidratos (amido ou farinha), a de-
ficiência de proteínas e vitaminas gera problemas de saúde em parte da 
população. A maior fonte de proteína 
animal, a carne, não é suficientemente 
disponível na África Subsaariana. Seu 
consumo é maior no norte da África. 
Como já vimos, a agricultura comer-
cial foi introduzida na África pelo co-
lonizador, sob a forma de plantation, 
destinada a abastecer de matérias-
-primas a indústria europeia (têxtil, 
alimentícia, de óleos vegetais, de cigar-
ros etc.). Assim, grandes plantations 
foram formadas para produzir: cacau, 
na Costa do Marfim, em Gana, Cama-
rões e Nigéria; café, na Costa do Mar-
fim, em Camarões, República do Congo, 
Etiópia, Quênia, Tanzânia etc.; algodão, 
no Egito, Chade, Togo, República Cen-
tro-Africana etc.; amendoim, na Gui-
né Bissau, Senegal, Sudão, Gâmbia etc.; 
chá, no Quênia, Ruanda etc.; tabaco, no 
Malauí, Egito etc.; cana-de-açúcar, na 
África do Sul, Angola e Moçambique. 
Nas áreas de clima mediterrâneo 
da África do Norte e da África do Sul, 
são cultivados trigo, oliveiras, cevada, 
centeio e frutas (figura 33).
Onde se localiza 
a principal área 
irrigada na África 
destinada à prática 
da agricultura?
Figura 33. África: economia
Fonte: elaborado com base em CHARLIER, 
Jacques (Org.). Atlas du 21e siècle 2013. 
Paris: Nathan, 2011. p. 165.
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MAURITÂNIA
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MADAGASCAR
SUAZILÂNDIA
MARROCOS
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CAMARÕES
BENIN
TOGO
NIGÉRIA
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DO CONGO
CONGOGABÃO
UGANDA
RUANDA
BURUNDI
QUÊNIA
MALAUÍ
TANZÂNIA
MOÇAMBIQUE
ZÂMBIA
ZIMBÁBUE
BOTSUANA
LESOTO
ANGOLA
NAMÍBIA
SOMÁLIA
DJIBUTI
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ATLÂNTICO
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MEDITERRÂNEO
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OCEANO
ÍNDICO
0º 30º L
Agricultura mediterrânea
Zona irrigada
Florestas ou savanas modificadas por culturas
de subsistência ou comerciais
Estepes modificadas por culturas
de subsistências ou comerciais para pecuária extensiva
Pecuária nômade, terras não cultivadas
Arroz
Cana-de-açúcar
Café
Cacau
Chá
Cítricos
Azeitona
Tamareira (Oásis)
Óleo de palma, amendoim
Vegetação e agropecuária
Algodão
Petróleo
Gás natural
Oleoduto
Gasoduto
Ferro
Ouro
Diamante
Região industrial
Alta tecnologia
Urânio
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Indústria e infraestrutura
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780 km
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Quem lê viaja mais
FERREIRA, Olavo Leonel. 
Egito: terra dos faraós. São 
Paulo: Moderna, 2005.
Breve relato sobre a história 
do Egito que apresenta 
as principais conquistas 
culturais, científicas, 
arquitetônicas, econômicas 
e políticas desse país.
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Ao longo do vale do 
Rio Nilo (Sudão, Sudão 
do Sul e Egito).
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Países de economia de base mineral
A África é um continente rico em recursos minerais (reveja a figura 33). 
Desde os primeiros anos do neocolonialismo e do imperialismo europeu na 
África, muitas “expedições científicas” foram organizadas para explorar 
o continente ou fazer o levantamento de seus recursos minerais. Nessas 
expedições, inúmeras jazidas de minérios foram descobertas, e sua ex- 
ploração contribuiu para o desenvolvimento industrial dos países euro-
peus colonialistas (França, Bélgica, Inglaterra, entre outros). Assim como 
os produtos da agricultura comercial, a atual produção de minérios tam-
bém destina-se à exportação. Em sua maioria, ela é processada ou benefi-
ciada no exterior, fato que impossibilita aos países africanos agregar maior 
valor às suas exportações de minérios e obter mais divisas.
Dos produtos minerais, um dos maiores destaques continua sendo 
o petróleo. Além de ser explorado no Egito, nas margens do Mar Ver-
melho e na Península do Sinai, é extraído na Líbia e na Argélia. Na Áfri-
ca Sub saariana, empresas petrolíferas atuam principalmente em Angola, 
no Congo, no Gabão, em Camarões e na Nigéria (figura 34). A Nigéria, 
além de ser o maior produtor de petróleo do continente, situa-se entre 
os doze maiores do mundo.
Diferentemente da estrutura empresarial da extração petrolífera, o 
garimpo é praticado em condições dramáticas em determinadas áreas 
da África (figura 35). Parte da mão de obra é constituída por crianças, 
muitas vezes submetidas à es-
cravidão e a condições de traba-
lho precárias. Há casos em que 
os próprios pais vendem os fi-
lhos a agenciadores de mão de 
obra infantil, com a crença na 
falsa promessa de que vão fre-
quentar escolas.
Figura 35. Trabalhadores em 
mina de ouro próximo a cidade 
de Bambari, no centro-sul da 
República Centro-Africana (2014).
Figura 34. Indústria de 
processamento de gás 
natural no delta do Rio 
Níger, na Nigéria (2013).
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No seu contexto
Existe trabalho infantil 
no Brasil? Você 
conhece algum caso?
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Espera-se que o aluno reconheça que 
ainda existe trabalho infantil no Brasil e, 
ao observar seu cotidiano, perceba que 
há crianças trabalhando no meio urbano 
no mercado informal como camelôs, 
vendedores ambulantes. No meio 
rural, o trabalho infantil é empregado 
na agricultura e em carvoarias, 
por exemplo. Para complementar, 
acrescente que, segundo dados da 
Pesquisa Nacional por Amostra de 
Domicílios (Pnad), do IBGE, o número 
de crianças de 5 a 13 anos que estavam 
em situação de trabalho infantil era de 
486 mil em 2013. A maior parte dessas 
crianças (96,4%) está na escola e 
trabalha na atividade agrícola (63,8%). 
Cumpre destacar, também, que muitas 
crianças são levadas por traficantes 
a trabalhar em atividades ilegais, 
como o tráfico de drogas.
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Como interpretaruma anamorfose
Na Geografia, anamorfose é uma técnica 
utilizada para representar um fenômeno em 
que a superfície dos espaços será proporcional 
a ele — como a quantidade de habitantes de 
um país — e não à sua área real. O continen-
te africano, por exemplo, possuirá maior popu-
lação que o americano, embora tenha menor 
área territorial. Uma anamorfose, nesse caso, 
representaria o continente africano maior que 
o americano.
Ainda que nas anamorfoses a localização 
relativa das localidades seja respeitada, esse 
tipo de representação não pode ser conside-
rado como mapa, pois, ao distorcer a superfí-
cie de uma região, essa técnica não permite o 
uso da escala.
O objetivo de uma anamorfose é transmitir 
a informação de maneira clara, de modo que 
sua visualização permita a compreensão do 
fenômeno representado. 
A leitura da anamorfose, porém, deve ser 
feita com atenção. Leia as instruções a seguir 
e, com base na anamorfose desta página, res-
ponda às questões.
Como fazer
1 Observe o título e o tema representado. 
2 Fique atento à deformação das 
áreas representadas. Alguns países 
necessariamente estarão representados 
de forma mais estreita, enquanto outros 
terão dimensões maiores; a dimensão 
revela a intensidade do fenômeno tratado. 
3 Repare na localização das regiões. Isso 
vai ajudá-lo a interpretar a anamorfose 
e distingui-las. Se necessário, recorra 
a um mapa político.
Mochila de ferramentas
Distribuição da população mundial – projeção para 2050
Fonte: Worldmapper. Disponível em: . Acesso em: 5 dez. 2015.
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1. Que continente apresentará a maior 
parcela da população mundial na 
projeção para 2050? Como você 
chegou a essa conclusão?
2. Entre os países da América do Sul, 
qual apresentará maior participação 
na população mundial segundo 
essa projeção? Explique como você 
descobriu essa informação.
3. Por que a anamorfose se assemelha 
a um mapa, mas não pode ser 
considerada como tal?
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PERCURSO
28 A África no início 
do século XXI
 Um continente fragilizado
A África iniciou o século XXI com graves problemas políticos, econômi-
cos e sociais. Após quase cinco séculos de exploração colonial e cerca de 
um pouco mais de cinquenta anos da descolonização ou da formação 
dos Estados nacionais, o continente vive uma difícil situação, tendo como 
causa vários fatores. 
A seguir, vamos analisar esses aspectos, abordando suas principais 
características. 
•	 Aspectos políticos
O recente processo de formação dos Estados nacionais africanos ainda 
não foi capaz de superar os efeitos negativos da arbitrária delimitação de 
territórios por parte do colonizador europeu. Dessa herança, o principal re-
flexo político são as guerras. Além disso, a corrupção administrativa e os 
governos ditatoriais são também complicadores da situação de muitos Es-
tados africanos.
As guerras civis e o Sudão do Sul
O fim das guerras de independência não representou o fim dos confli-
tos armados na África. Ao contrário, no período entre 1985 e 2010 ocor-
reram muitas guerras. As causas são diversas: rivalidades interétnicas 
(caso de Burundi e Ruanda, de Darfur, no Sudão etc.), luta por libertação 
de territórios subjugados a um poder central (a guerra entre a Eritreia e 
a Etiópia, por exemplo), luta pelo domínio político-econômico do Estado 
(guerra de Angola, Costa do Marfim etc.), disputas por recursos minerais, 
entre eles o petróleo, rivalidades religiosas etc.
Além de causarem milhares de mortes, os conflitos ar-
mados desorganizam a produção, aprofundam os pro-
blemas econômicos, consomem recursos financeiros que 
poderiam ser aplicados no desenvolvimento nacional e 
agravam os quadros de pobreza e miséria em muitos paí-
ses (figuras 36 e 37).
No Sudão, após cerca de 50 anos de guerra civil entre o 
norte, predominantemente seguidor do islamismo, e o sul, 
cristão e de crenças locais, em 9 de julho de 2011 o sul ob-
teve a independência. Nessa data, nasceu um novo país: o 
Sudão do Sul. Desmembrado do Sudão, tornou-se o 193o 
país-membro da ONU e o 54o do continente africano.
1 
Figura 36. Somalis, fugidos 
de conflitos armados na 
Somália, em campo de 
refugiados na cidade de 
Dadaab, no Quênia (2013).
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Quem lê viaja mais
PENNAFORTE, Charles. 
África: horizontes e desafios 
no século XXI.
São Paulo: Atual, 2006.
O autor fornece uma visão 
ampla da África abordando
desde o processo de 
colonização e suas 
implicações territoriais e 
culturais, passando pelas 
guerras civis, pelos seus 
recursos naturais, chegando 
a mostrar a África como 
um espaço de periferia do 
capitalismo.
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A corrupção e os governos ditatoriais
A falta de democracia, as fraudes nas eleições governamentais e 
as práticas de corrupção ocorrem em muitos Estados africanos. Apoia-
dos por oligarquias nacionais e por setores das forças armadas, gover-
nantes permanecem no poder por longo tempo, exercendo poderes 
ditatoriais. 
Os regimes ditatoriais são obstáculos ao desenvolvimento econômico 
e social, pois impedem que haja transparência nas decisões políticas, 
impõem leis restritivas à liberdade de expressão e permitem que os recur- 
sos nacionais sejam manipulados conforme os interesses dos ditadores e 
dos grupos que os apoiam.
Figura 37. Os conflitos na África – 1960-2013
Fonte: TÉTART, Frank (Org.). Grand 
Atlas 2014: comprendre le monde 
em 200 cartes. Paris: Éditions 
Autrement, 2013. p. 35.
Cite um país 
do Magreb 
tradicional que 
recentemente 
esteve envolvido 
em importante 
conflito.
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(1998-2000)
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(1977-1991)
(1998-2000)
SUDÃO
(1971-1972)
(1983-2005)
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(1976)
LÍBIA
(1976)
(2011)
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(1963)
(1992-2002)SAARA
OCIDENTAL
(1975-1991)
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NÍGER
(1991-1995)
(2007)
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(2012-2013)
GANA
COSTA
DO MARFIM
(2002-2007)
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(1989-2003)
SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE
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EQUATORIAL
GUINÉ
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(1991-2002)
GÂMBIA
GUINÉ
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MAURITÂNIA
COMORES
MADAGASCAR
SUAZILÂNDIA
MARROCOS
(1963)
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CAMARÕES
(1960-1972)
BENIN
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NIGÉRIA
(1967-1974)
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(1996-1997)
(1998-2003)
CONGO
(1993)
(1997)
(1998-1999)
GABÃO
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(1979)
RUANDA
(1990-2003)
BURUNDI
(1993-2001)
QUÊNIA
MALAUÍ
TANZÂNIA
(1979)
(1998-2006)
MOÇAMBIQUE
(1975-1992)
ZÂMBIA
ZIMBÁBUE
BOTSUANA
LESOTO
ANGOLA
(1975-2002)
NAMÍBIA
SOMÁLIA
(1991-2006)
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OCEANO
ATLÂNTICO
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MEDITERRÂNEO
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De 862.2% a 568.8%
Principais zonas de fome aguda após 1960
País envolvido em um conflito armado importante após 1960
Em curso
Terminada
Data na qual o país esteve envolvido
em um conflito armado importante
Operação de manutenção da paz da ONU (1960-2013)
(1976)
De 862.2% a 568.8%
Principais zonas de fome aguda após 1960
País envolvido em um conflito armado importante após 1960
Em curso
Terminada
Data na qual o país esteve envolvido
em um conflito armado importante
Operação de manutenção da paz da ONU (1960-2013)
(1976)
Pausa para o cinema
Hotel Ruanda. 
Direção: Terry George. 
Reino Unido/Estados 
Unidos/Itália/África do 
Sul: United Artists, 2004. 
Duração: 128 min.
Em meio ao conflito entre 
hutus e tutsis, ocorrido em 
Ruanda na década de1990, Paul Rusesabigina 
abriga no hotel em que 
trabalha o maior número 
possível de pes soas, 
mesmo diante de muitas 
dificuldades. O filme 
se baseia em fatos reais.
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Tunísia, em 2010. Remeta 
os alunos à figura 22, 
na página 250, para 
que recordem o que é 
o Magreb tradicional.
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stação Cidadania
Primavera Árabe?
“No segundo semestre de 2010, enquan-
to ocorriam rebeliões populares na Tunísia e 
no Egito, o mundo celebrou a ‘Primavera Ára-
be’ — a democracia que chegava ao centro do 
Islã. De repente, todos, não importavam quais 
fossem seus interesses de classe e de nação, 
estavam de acordo. O Ocidente parecia haver 
esquecido que fora o Império, que desde me-
ados do século XIX havia imposto sua vonta-
de ao Oriente Médio e, assim, limitado suas 
possibilidades de desenvolvimento econômi-
co e político; os intelectuais democráticos e 
progressistas se enchiam de esperança; e os 
islâmicos permaneciam calados. Todos espe-
ravam a democracia. Hoje […] vários gover-
nos foram derrubados — uns, pelo povo; o 
da Líbia, pelo Ocidente —, mas a democracia 
ainda não chegou em parte alguma, e, diante 
das vitórias eleitorais dos partidos islâmicos 
na Tunísia e no Egito, o Ocidente começou a 
se perguntar se a primavera não foi realmen-
te um inverno, porque os partidos islâmicos 
são nacionalistas. […]
[…] Mas, como é impossível escapar da 
história, o pressuposto é que esta se divide 
em duas fases: uma ‘atrasada’ ou tradicio-
nal, na qual domina o autoritarismo, e outra 
‘moderna’, liberal e democrática. A passagem 
de uma fase para a outra se faz através da de-
cisão da sociedade civil de estabelecer o esta-
do de direito e o direito de votar e ser votado, 
ou, em outras palavras, os direitos civis e os 
direitos políticos, implantando, assim, a de-
mocracia. O obstáculo a ser enfrentado são os 
governantes ditatoriais e geralmente corrup-
tos que governam os países atrasados.
Foi essa visão das transições e consolida-
ções democráticas que levou o Ocidente a 
receber de forma favorável as rebeliões dos 
países árabes. Mas não compreendeu que os 
revoltosos não queriam apenas a democra-
cia; queriam também o desenvolvimento, ou, 
em uma linguagem que eles compreendem 
melhor, queriam emprego e bem-estar eco-
nômico. [...] Não foi, portanto, surpreenden-
te quando nas duas primeiras eleições que 
se seguiram, na Tunísia e no Egito, partidos 
nacionalistas islâmicos venceram por ampla 
margem, e a esperança ingênua do Ocidente 
se transformou em desconcerto. Afinal, pare-
ce que não é tão simples assim a democrati-
zação de uma sociedade. […]”
BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. Democracia, revolução
capitalista e Primavera Árabe. Política Externa, Artigos,
v. 21, n. 4, abr.-maio-jun. 2013. p. 135-141. Disponível em: 
. Acesso em: 5 dez. 2015.
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Interprete
1. De que forma a sociedade 
civil pode contribuir para 
a instauração da democracia?
Argumente
2. Explique por que o autor do 
texto a� rma que o que foi 
denominado de “primavera” 
tornou-se “inverno”.
O dia 11 de fevereiro de 2011 foi 
histórico para o Egito. Milhares de 
pessoas se reuniram na Praça Tahrir, 
no centro do Cairo, e reivindicaram a 
saída do então presidente do país, Hosni 
Mubarak. No mesmo dia, ele renunciou, 
depois de 30 anos no poder. 
260 EXPEDIÇÃO 7
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Com o professor de História, sugerimos desenvolver o tema da “Primavera Árabe”, fazendo um retrospecto da formação dos países 
citados no texto, principalmente quanto à questão do poder político e econômico e o peso que o Islamismo exerce sobre esses países.
Esclareça que, no segundo semestre de 2010, alguns países do mundo árabe, no norte da África e no Oriente Médio, vivenciaram a 
eclosão de movimentos populares contrários aos governos opressores e à estagnação econômica, que ficaram conhecidos como 
Ética
“Primavera Árabe”. Entretanto, nem tudo 
se consolidou, como mostra o texto desta 
Estação Cidadania.
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•	 Aspectos sociais
As condições desfavoráveis em que se encontram muitas sociedades 
africanas refletem, em parte, o legado de exclusão e desigualdade socioeco- 
nômica gerado durante a colonização e mantido por governos posterior-
mente instalados.
Epidemias
As epidemias e doenças são o resultado da pobreza em que vive gran-
de parcela da população africana. Em 2014, a África concentrou mais de 
92% dos casos de malária registrados no mundo e mais de 23% dos ca-
sos de tuberculose. Nesse mesmo ano, a epidemia do vírus ebola matou 
mais de 6 mil africanos.
A epidemia de aids é também alarmante na África. De cada 100 pes-
soas infectadas no mundo com HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana, 
em inglês), 70 estão no continente africano. 
A precariedade do ensino, a falta de educação sexual, a pobreza da 
população, os serviços públicos de saúde inadequados e precários, o ele-
vado custo dos medicamentos e a pouca determinação por parte de al-
guns governos em combater a aids são fatores que contribuem para a 
disseminação dessa enfermidade em algumas regiões da África.
Nos últimos anos, alguns países africanos fizeram progressos im-
portantes no combate à aids, implantando, por exemplo, programas 
de tratamento à base de medicamentos — como feito no Brasil —, o 
que reduziu o contágio e as mortes. Em Botsuana e na África do Sul, por 
exemplo, os programas de combate à aids têm sido bastante eficazes 
(figura 38).
Figura 38. Mulheres portadoras de HIV trabalham na prevenção da aids 
em subúrbio da cidade de Johanesburgo, na África do Sul (2013).
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Navegar é preciso
Unaids – Programa 
Conjunto das Nações 
Unidas sobre HIV/Aids
Conheça o Programa 
das Nações Unidas que 
mobiliza e apoia os países 
para alcançar o acesso 
universal à prevenção, ao 
tratamento e aos cuidados 
no que se refere ao HIV.
Pausa para o cinema
O jardineiro fiel. 
Direção: Fernando 
Meirelles. Reino Unido: 
UK Film Council, 2005. 
Duração: 105 min.
No Quênia, uma ativista 
é encontrada morta. Seu 
marido decide investigar 
e acaba descobrindo 
uma série de crueldades 
e crimes praticados por 
indústrias farmacêuticas 
europeias contra 
a população africana.
261PERCURSO 28
Com o professor de Ciências, sugerimos desenvolver projeto sobre os vírus e as doenças ou infecções por eles causadas, com destaque para a 
aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) e a febre hemorrágica ebola. Poderão ser abordadas noções relacionadas a virologia, fisiopatologia, 
epidemiologia, diagnóstico, prevenção e tratamento, entre outras.
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Desnutrição 
A África é o continente com maior ocorrência de desnutrição. Tanto 
a fome crônica, decorrente da ingestão diária insuficiente de calorias e 
nutrientes para a manutenção da saúde, como a fome aguda, caracteri-
zada pela falta quase absoluta de alimentos, resultam de causas sociais, 
econômicas e políticas (guerras entre Estados, guerras civis etc.), agrava- 
das por adversidades naturais (secas, inundações e pragas nas lavouras). 
Observe a figura 39. 
Como exemplo, há o caso da Somália. Nos anos 1990, esse país este-
ve envolvido em guerras étnicas internas. Além disso, grandes secas di-
zimaram plantações e criações de gado, impondo à população grandes 
dificuldades de acesso aos alimentos. Como a ajuda humanitária coor-
denada pela ONU não pôde chegar com eficiência aos necessitados, em 
virtude do conflito armado, milhares de pes soas morreram de inanição.•	 Aspectos econômicos
De modo geral, os países africanos não conseguiram se inserir no 
processo de globalização que marcou o mundo nos últimos vinte anos. A 
África integra o comércio mundial predominantemente como exportadora 
de produtos primários e importadora de bens industrializados. 
Uma das causas dessa posição dos países africanos na economia global 
é a carência de energia elétrica e de infraestrutura de transporte e comu-
nicação — fatores fundamentais para o desenvolvimento industrial —, 
que limita os investimentos na produção. As redes de transportes mais 
modernas restringem-se a ligar zonas produtoras agrícolas e minerais 
aos portos de exportação.
Com exceção da África do Sul e do Egito, os países africanos apresen-
tam baixo nível de industrialização e de investimento em pesquisa cien-
tífica e formam pouca mão de obra especializada.
A seguir, veremos alguns indicadores que demonstram a inserção 
periférica da África na globalização. 
Figura 39. Por causa da 
guerra civil iniciada em 
1991 na Somália, milhares 
de pessoas necessitam 
de ajuda humanitária. Na 
foto, mulheres recebem 
alimentos em Mogadíscio, 
Somália (2015).
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Quem lê viaja mais
VISENTINI, Paulo G. 
Fagundes; RIBEIRO, Luiz 
Dario Teixeira; PEREIRA, 
Analúcia Danilevicz. 
Breve história da África. Porto 
Alegre: Leitura XXI, 2007.
O livro mostra que, apesar 
das marcas profundas da 
exploração europeia da 
África, o continente está em 
desenvolvimento.
Navegar é preciso
Programa de Aquisição 
de Alimentos (PAA)
Acesse e veja a iniciativa 
conjunta para promover 
segurança alimentar e 
nutricional entre o Brasil 
e a África. 
262 EXPEDIÇÃO 7
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O comércio exterior
As exportações da África representaram em 2014, aproximadamen-
te, 3,0% do total mundial, contra 1,7% em 1996, 3,1% em 1970 e 6% em 
1960, o que demonstra sua posição secundária na globalização em curso. As 
importações representaram apenas 3,4% do total mundial. Desse modo, a 
África é o continente com o menor valor de operações no comércio exterior.
O PIB africano
Em 2014, a soma do PIB de todos os países africanos correspondeu a 
2,4 trilhões de dólares. No mesmo ano, o PIB brasileiro foi de 2,3 trilhões 
de dólares.
Nesse ano, a África respondeu por aproximadamente 3% do PIB mun-
dial. Dentro do continente, destacam-se África do Sul, Egito e Nigéria, 
com cerca de 50% do PIB africano.
Os investimentos diretos estrangeiros (IDE)
As empresas transnacionais realizam operações financei-
ras para adquirir empresas ou implantar filiais em diversos 
países do mundo. Essas operações são chamadas de inves-
timentos diretos estrangeiros (IDE). A análise do IDE indica 
quanto um país está inserido no processo de globalização.
Na África, esses investimentos, dirigidos prioritariamen-
te para o setor extrativo mineral, são modestos se compa- 
rados aos de outras grandes zonas do mundo (figura 40). 
Os países mais contemplados são: África do Sul, que apresen-
ta economia diversificada, e, graças à exploração do petróleo, 
Egito, Sudão, Líbia, Guiné Equatorial e Angola.
O sistema de comunicação
O baixo número de usuários com acesso à internet (figura 
41) e os números reduzidos de linhas telefônicas e de assinan-
tes de telefonia móvel também indicam a limitada inserção 
dos países africanos na globalização.
Fonte: elaborado com base 
em FERREIRA, Graça M. L. Atlas 
geográfico: espaço mundial. 4. ed. 
São Paulo: Moderna, 2013. p. 55.
Figura 41. Mundo: acesso à internet – 2011
Em relação ao Brasil, 
como se apresentaram os 
países africanos quanto ao 
número de usuários com 
acesso à internet em 2011?
59-m-EG9-U07-G
Mundo: acesso à internet - 
2012
0º
0º
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Menos de 3,0
De 3,1 a 10,0
De 10,1 a 30,0
De 30,1 a 50,0
De 50,1 a 92,0
Sem dados 
Usuários com acesso à
internet a cada 100 habitantes
TRÓPICO DE CÂNCER
CÍRCULO POLAR ÁRTICO
CÍRCULO POLAR ÁRTICO
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Fonte: elaborado com base em UNCTAD. World Investment 
Report 2015: Reforming International Investment 
Governance. Estados Unidos: United Nations Publication, 
2015. p. 2 e 4.
Figura 40. IDE por grandes zonas 
e países do mundo – 2014
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No Brasil, o acesso à internet situava-se 
entre 30,1 e 50 usuários a cada 100 
habitantes. Na África, esses números 
caem drasticamente. Em um terço 
do continente, o número de usuários 
com acesso à internet era inferior a 3 
a cada 100 habitantes. No continente 
africano, apenas Marrocos e Tunísia 
apresentavam entre 50,1 e 92,0 usuários 
com acesso à internet.
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Atividades dos percursosAtividades dos percursos 27 e 28
264264
Revendo conteúdos
1 Em relação à regionalização do continen-
te africano em África do Norte e África 
Subsaariana, responda às questões.
a) Explique as diferenças étnicas e cultu-
rais existentes entre as duas regiões.
b) O Magreb é uma sub-região de qual 
dessas grandes regiões? Que países o 
compõem e por que recebe essa deno-
minação?
c) Que paisagem natural “separa” a África 
do Norte da África Subsaariana?
2 Explique por que, apesar de a maior 
parte da população da África Subsaa-
riana se dedicar à agricultura, a região 
sofre de déficit de alimentos.
3 O fato de ser o país mais industrializado 
do continente faz com que a África do Sul
esteja isenta dos problemas econômi-
cos e sociais comuns aos demais países 
africanos? Explique.
4 Aponte as principais causas dos atuais 
conflitos no continente africano.
5 Diferencie fome crônica de fome aguda.
6 Quais fatores estão relacionados dire-
tamente à dificuldade de inserção dos paí-
ses africanos no processo de globalização?
7 Explique com suas palavras:
a) o que são investimentos diretos estran-
geiros (IDEs).
b) a situação da África em relação aos 
investimentos diretos estrangeiros e o 
que isso significa para a economia do 
continente.
8 Aponte as participações do continente 
africano no comércio e no PIB, em 2014, 
em relação ao mundo. Que conclusão 
podemos tirar desses dados?
Leituras cartográficas
9 Observe o mapa — se necessário consulte 
o mapa político da África na página 232 —,
analise as proposições, assinale a correta 
e justifique sua resposta.
a) O título do mapa corresponde a uma 
região do continente africano que se 
inicia na altura da linha equatorial e
se prolonga até o extremo sul.
b) Uma das características da África Sub-
saariana é a implantação de uma rede 
ferroviária não integradora de todo seu 
espaço geográfico.
c) Entre os espaços onde se concentram 
investimentos na produção de petróleo 
destacam-se, principalmente, o Chade e 
o Senegal.
d) Entre os espaços onde se concentram 
investimentos na produção de minérios 
destacam-se, principalmente, o Quênia 
e a Etiópia.
África Subsaariana: alguns investimentos 
importantes
Fonte: elaborado com base em FERREIRA, Graça M. L. Atlas 
geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 82.
0º EQUADOR
TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO 
TRÓPICO DE CÂNCER
20º L
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MAR MEDITERRÂNEO
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Produção
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de minérios
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265265
10 Com base na figura 31, na página 254, 
responda. 
a) Por que a atividade econômica egípcia 
não se desenvolveu nas porções central, 
leste e sul do país?
b) Onde está a principal reserva petrolí-
fera do Egito?
Explore
11 Observe as pirâmides etárias abaixo.
12 Leia o texto a seguir e, depois, responda 
às questões.
“Doenças infecciosas, em sua maior 
parte, vitimam principalmente crianças e 
idosos. A epidemia de Aids na África tem 
efeitos similares aos da guerra, vitimando 
principalmente os adultos. Mas, diferen-
temente da guerra, a Aids atinge homens 
e mulheres em proporção semelhante. 
Do ponto de vista demográfico, ela ten-
de a produzir sociedades de adolescentes 
órfãos. Essas massas de jovens formam a 
base de recrutamento das milícias arma-
das que assolam o continente.”
MAGNOLI, Demétrio. Árvores da Aids. Folha de S.Paulo, 
Opinião, São Paulo, 25 nov. 2004. p. A3. Disponível em: 
. 
Acesso em: 6 dez. 2015.
a) Qual é a principal diferença entre os 
efeitos da aids e da guerra na África?
b) Quais são as implicações dessa diferença?
c) Em sua opinião, se essa situação for man-
tida sem alteração, quais serão as conse-
quências para o continente africano?
Pratique
13 Trabalhe com o mapa da figura 27, na 
página 252. Desenhe uma rosa dos ven-
tos em um papel transparente e proceda 
como indicado:
a) Coloque o centro da rosa dos ventos sobre 
a capital Bangui, da República Centro-
-Africana, de modo que o norte dela coin-
cida com o norte do mapa. Indique dois 
países africanos que se localizam a leste da 
República Centro-Africana, um a oeste, um 
a sudoeste e dois a noroeste.
b) Se deslocarmos o centro da rosa dos 
ventos para Dodoma, capital da Tanzâ-
nia, haverá alteração dos rumos ou dire-
ções? Explique.
c) Os países indicados no item a se encon-
tram em quais direções tendo por base 
a alteração do centro da rosa dos ventos 
realizada em b?
Fonte: U.S. Census Bureau. Disponível em: . Acesso em: 7 abr. 2016.
Zimbábue: pirâmide etária – 2017
Marrocos: pirâmide etária – 2017
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População (em milhões)
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Homem Mulher
População (em milhões)
Idade
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100 +
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75-79
70-74
65-69
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30-34
25-29
20-24
15-19
10-14
5-9
0-4
Homem Mulher
a) Compare as duas pirâmides e interpre-
te-as.
b) Essas pirâmides caracterizam que re- 
giões da África? Explique.
265PERCURSO 28
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266
Desembarque
em outras linguagens
DesembarqueDesembarqueDesembarque
em outras linguagens
Captando a condição humana
Fotografar não é apenas apertar o botão da câmera. Para 
registrar um momento único e singular é preciso sensibilida-
de artística. A fotografia nos permite uma leitura própria do 
mundo. Cabe ao observador, com base em seus conhecimen-
tos e sentimentos, interpretá-la.
Sebastião Salgado tem se dedicado a registrar a condição 
humana em diferentes regiões do mundo, em imagens não só 
Em muitas escolas 
somalis localizadas em 
territórios controlados 
por radicais islâmicos, 
os meninos e as meninas 
não estão autorizados a 
estudar juntos. As aulas 
acabam 10 minutos 
antes do meio-dia para 
que os alunos possam 
orar. Na foto, alunas 
de uma escola para 
meninas em Jamame, 
Somália (2001).
Nasce em Aimorés, 
Minas Gerais.
1944
1968
Conclui o mestrado 
em Economia na 
cidade de São Paulo. 
Termina o 
doutorado em Paris. 
Como economista, 
na África, trabalha 
na Organização 
Mundial do Café.
1971
Abandona a carreira de 
economista e adota a 
fotografia como profissão, 
com o lançamento de 
Outras Américas. Para ele, 
a fotografia revela melhor 
a realidade que os dados 
estatísticos.
1973
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SEBASTIÃO SALGADO:
GEOGRAFIA E FOTOGRAFIA
Sebastião Salgado nasceu na ci-
dade de Aimorés (MG), em 1944, 
e começou sua carreira como fotó-
grafo em 1973, com o livro Outras 
Américas, em que retratou a po-
breza na América Latina. Em 2001, 
recebeu o título de Embaixador da 
Boa Vontade do Fundo das Nações 
Unidas para a Infância (Unicef) por 
sua dedicação em demonstrar a 
realidade de povos excluídos em 
todo o mundo.
FR
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266 EXPEDIÇÃO 7
Pluralidade 
Cultural
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267267
Nesta seção, por uma questão de espaço, 
optamos por uma linha do tempo que não 
mantém a proporcionalidade da escala.
Refugiados ruandeses na região entre Kisangani 
e Ubundu, nordeste do Zaire, atual República 
Democrática do Congo (1997).
da cruel realidade dos povos, mas também de sua su-
peração. As cenas, em preto e branco, são resultado de 
meses de estudo, pesquisa e viagens. 
Na série intitulada África, além das belíssimas 
paisagens naturais e práticas culturais, Sebastião 
Salgado registrou guerras, fome e epidemias lamen-
tavelmente presentes nesse continente. Veja à es-
querda e abaixo duas imagens dessa série.
Publica Sahel: l’homme en détresse 
[Sahel: o homem em agonia], 
resultado de um trabalho de quinze 
meses na região com o apoio da 
organização de ajuda humanitária 
Médicos sem Fronteiras.
1986
Viaja pelo mundo para 
retratar a realidade dos povos 
migrantes. Esse trabalho 
resultou no aclamado livro 
Retratos de crianças do 
êxodo, lançado em 2000.
De 1993 a 1999
Publica África, que revela 
tanto a dignidade dos povos 
africanos como as injustiças, 
as guerras e a pobreza que 
assolam o continente.
2007
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Caixa de informações
1. Segundo o texto, que qualidade os 
fotógrafos devem ter para conseguir 
registrar imagens únicas e singulares?
2. Que características da obra de Sebastião 
Salgado podem ser identi� cadas nas 
fotogra� as apresentadas nesta seção?
Interprete
3. Em sua opinião, de que maneira a fotogra� a 
é, ao mesmo tempo, retrato da realidade 
e da visão de mundo do fotógrafo?
Mãos à obra
4. Com seus colegas, pense em 
particularidades do lugar em que 
você mora e busque retratá-las. 
Assim como Sebastião Salgado, fotografe 
tanto as di� culdades sociais como a 
sua superação, deixando a� orar sua 
sensibilidade. Com o grupo, escolha as 
fotos mais representativas, monte 
um painel e exponha-o na sala de aula.
267PERCURSO 28
Com base na obra de Sebastião Salgado, sugerimos desenvolver projeto interdisciplinar com o professor de Arte, 
abordando, por exemplo, técnicas do registro fotográfico e a fotografia como linguagem. O professor de História poderá 
aprofundar a fotografia como fonte documental e registro histórico. Com base em entrevistas, obras e documentários 
de autoria do fotógrafo ou sobre sua obra, o professor de Língua Portuguesa poderá trabalhar diferentes gêneros de 
linguagem, como a elaboração de artigos jornalísticos e de opinião, legendas de fotos e relato autobiográfico.
PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 267 01/06/16 01:39Canal de Suez, 
que, concluído em 1869, seccionou 
o istmo, permitindo a navegação 
através do Mar Vermelho.
Outro ponto estratégico do 
continente africano é o Estreito 
de Gibraltar. Com 51 km de com-
primento e 12 km de largura, é 
o ponto em que mais se aproxi-
mam territorialmente a África e a 
Europa. Ao norte do estreito, lo-
caliza-se o Território Britânico de 
Gibraltar, encravado no sudoes-
te da Espanha, e ao sul as cida-
des de Tânger (Marrocos) e Ceuta, 
enclave espanhol no território 
marroquino.
1 
Figura 1. África: político – 2015
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Fonte: elaborado com base em IBGE. 
Atlas geográfico escolar. 6. ed. 
Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 45.
 
 
SAARA
OCIDENTAL
SENEGAL
GÂMBIA
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 SERRA LEOA COSTA DO
MARFIM
GANA
GUINÉ
 EQUATORIAL 
NÍGER
ARGÉLIA
TUNÍSIA
MARROCOS
EGITO
ERITREIACHADE
LÍBIA
CONGO
GABÃO
 REPÚBLICA
CENTRO-AFRICANA
SUDÃO 
SUDÃO
DO SUL ETIÓPIA
SOMÁLIA
DJIBUTI
QUÊNIA
UGANDA
BURUNDI
RUANDAREPÚBLICA
DEMOCRÁTICA
DO CONGO
ANGOLA
TANZÂNIA
ZIMBÁBUE
BOTSUANA
NAMÍBIA
NIGÉRIA
 
M
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ÁFRICA
DO SUL
MAURITÂNIA
BURKINA
FASSO
CAMARÕES
MALICABO
VERDE
SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE
COMORES
MAURÍCIO
SUAZILÂNDIA
LESOTO
SEYCHELLES
MADAGASCAR
LIBÉRIA 
 BENIN 
TOGO 
 GUINÉ BISSAU 
MAR MEDITERRÂNEO 
EQUADOR
TRÓPICO DE CÂNCER 
0º
EUROPA
ÁSIA
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Estr. de
Gibraltar 
OCEANO
ATLÂNTICO
0º 30º L
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OCEANO
ÍNDICO
Golfo
 de Áden 
 TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO 
EGITO
 (PARTE
 ASIÁTICA)
Malabo
São Tomé
Iaundê
Juba
 
Bangui
Libreville
Brazzaville
Kinshasa
Adis-Abeba
Djibuti
Mogadíscio
Vitória
Nairóbi
Campala
Kigali
Bujumbura
Luanda
Dodoma
Moroni
Port Louis
Antananarivo
Lusaka
Lilongue
Harare
MaputoPretória
Mbabane
Gaborone
Windhoek
MaseruBloemfontein
Cidade do Cabo
Praia
Monróvia Acra
Abidjan
Uagadugu
Niamei
Cairo
Asmara
Cartum
Ndjamena
Abuja
El Aaiún 
Nuakchott
Dacar
Banjul
Bissau
Conacri
Freetown
Bamaco
Argel
Rabat
Túnis
Trípoli
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SO770 km
232 EXPEDIÇÃO 7
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 Relevo e hidrografia
No relevo da África destacam-se exten-
sos planaltos, cortados por rios caudalosos 
que formam planícies fluviais. A paisagem do 
continente é marcada também pela presença 
de regiões áridas, como os desertos do Saa-
ra, ao norte, e de Kalahari, ao sul (figura 2). 
•	 Os planaltos e o Rio Nilo
Nos planaltos africanos localizam-se as 
principais formações montanhosas do conti-
nente, entre elas a Cadeia do Atlas, cujo pon-
to culminante é o Tubkal, com 4.167 m de 
altitude, a Cadeia do Cabo ou Drakensberg, 
que chega à altitude de 3.650 m, o mon-
te Quilimanjaro, na Tanzânia, com 5.895 m 
de altitude — ponto culminante do território 
africano —, e os montes Quênia (5.199 m) e 
Ruwenzori (5.109 m). 
O Nilo, principal rio africano, é resultado 
da confluência de cursos de água que nas-
cem em planaltos. No planalto vulcânico da 
Etiópia, nasce o Rio Nilo Azul, que se deslo-
ca em direção noroeste, desaguando no Rio Nilo Branco, cuja nascen-
te está no Lago Vitória (Planalto dos Grandes Lagos), entre Quênia, 
Uganda e Tanzânia. Em Cartum, capital do Sudão, os dois rios se en-
contram e seguem em um só curso em direção ao norte, com o nome 
de Rio Nilo. Depois de atravessar o Deserto do Saara, o Nilo despe-
ja suas águas no Mar Mediterrâneo por meio de um grande delta. 
Desde o Egito Antigo, a fertilidade do Vale do Nilo — resultante da 
deposição de sedimentos de rochas vulcânicas provenientes do Pla-
nalto da Etiópia e transportados pelo Rio Nilo Azul — possibilita a 
produção agrícola (figura 3).
2 
Figura 3. Vista do Rio 
Nilo no Egito (2014), com 
agricultura em suas margens 
e retirada de água de seu 
leito para irrigação. 
Quais são as 
altitudes do vale e do 
delta do Rio Nilo?
Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed.
São Paulo: Moderna, 2013. p. 80.
Figura 2. África: físico
0° 10° 30° 40° 50° 60°
10°
20°
30°
20°
10°
10°
20°
30°
40°
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OCEANO
ATLÂNTICO
20°L
0°
TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO 
EQUADOR 
TRÓPICO DE CÂNCER 
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OCEANO
ÍNDICO
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Canal 
de
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 Zambeze 
Lago 
Tanganica
Lago 
Niassa
R.
 Limpopo 
R. Orange 
QUÊNIA
5.199 m
QUILIMANJARO
5.895 m
MADAGASCAR
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PLANALTO
DA
ETIÓPIA
PLANALTO
DOS
GRANDES LAGOS
PENÍNSULA
DA
SOMÁLIA
DESERTO DE 
KALAHARI
DESERTO
DA LÍBIA
CADEIA DO ATLAS
BACIA DO
CONGO
DRAKENSBERG 
Golfo da G
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TUBKAL
4.167 m
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4.620 m
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4.100 m RUWENZORI
5.109 m
Lago
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Lago
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3.000
1.500
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200
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Altitudes (metros)
Pico
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233PERCURSO 25
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Situam-se entre 0 e 
200 metros. 
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•	 As planícies
Localizadas na costa litorânea do Oceano Atlântico, do Oceano Índico e 
do Mar Mediterrâneo, as planícies avançam para o interior do continente 
acompanhando os vales dos rios, em especial aqueles mais caudalosos: 
Nilo, Níger, Congo, Zambeze e Limpopo (reveja a figura 2). Por causa 
da fertilidade dessas terras, a maior parte da população africana se 
concentra no baixo curso desses rios, principalmente do Nilo e do Níger.
•	 Os desertos
Dois desertos sobressaem na paisagem africana: o Saara e o Kalahari. 
Com cerca de 9.000.000 km2, o Deserto do Saara (figura 4) se estende 
por uma vasta área na porção setentrional do continente; é quase do ta-
manho da Europa (10.360.261 km2) e maior que o território brasileiro 
(8.514.876 km2). 
Na maior parte do Saara, a precipitação é de apenas 25 mm anuais; 
na porção leste, chega a ser quase nula, apenas 5 mm anuais. A concen-
tração populacional também está no entorno semiárido do deserto, onde 
o pastoreio nômade de cabras se destaca como atividade econômica.
O Deserto de Kalahari, com cerca de 600.000 km2 — área semelhan-
te à do estado de Minas Gerais (586.552 km2) —, localiza-se no sul do 
continente, estendendo-se pelos territórios de Botsuana e Namíbia, al-
cançando também Angola, Zâmbia e África do Sul. Em boa parte desse 
deserto, em que predomina a vegetação arbustiva, a precipitação média 
anual é 250 mm; em outras porções, a pluviosidade fica abaixo dos 
170 mm anuais, sendo, assim, menos seco que o Saara. É habitado por 
povos nômades que vivem da coleta e da caça (figura 5).
Figura 5. Bosquímanos, povo nômade que 
vive da caça, do pastoreio e da agricultura, 
no Deserto de Kalahari, Namíbia (2014).
Figura 4. Caravana de camelos 
conduzida por tuaregues, povo 
nômade do Deserto do Saara, 
Líbia (2014).
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Pausa para o cinema
Cinco semanas 
num balão.
Direção: Irwin Allen. 
Estados Unidos: Irwin Allen 
Productions, 1962. 
Duração: 101 min.
O filme, inspirado no livro 
de ficção de Júlio Verne, 
retrata a viagem de um 
explorador do século 
XIX em um território 
desconhecido na África 
a bordo de um balão. 
O objetivo dessa viagem 
é anexar a região ao 
império britânico.
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234 EXPEDIÇÃO 7
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Figura 8. Pretória (África do Sul): 
climograma
Figura 7. Assuã (Egito): climograma
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SO
N
 S
EC
CO
Precipitação
mm
Temperatura
°C
400
300
200
100
0
40
30
20
10
0
J JF M A A O DM J S N
Latitude 23° 57’ N
Longitude 32° 49’ L
 Clima
Com a maior parte do território localizada na zona de baixa latitude 
ou intertropical, a África se caracteriza, de modo geral, pelo clima quente. 
Entretanto, em virtude das maiores altitudes do relevo em determinadas 
porções (as montanhas) e por apresentar terras nas regiões extratro-
picais, o continente também possui clima temperado em algumas áreas 
(figuras 6, 7 e 8).
3 
O clima desértico apresenta as maiores amplitudes térmicas diárias 
no continente. Durante o dia, o calor é intenso, pois a temperatura pode 
chegar a 50 °C. À noite, em virtude da rápida perda de calor pela irradia-
ção, as temperaturas caem para 15 °C ou menos.
Figura 6. África: clima
ÁSIA
EUROPA
M
AR MEDITERRÂNEO 
20°L
0°
TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO 
 EQUADOR 
 TRÓPICO DE CÂNCER 
 Canal de Suez
OCEANO
ÍNDICO
OCEANO
ATLÂNTICO
M
A
R VERM
ELH
O
Equatorial
Tropical
Desértico
Semiárido
Mediterrâneo
Temperado
Qual é o tipo de clima 
dominante na região 
de menor latitude do 
continente africano?
Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Atlas 
geográfico: espaço mundial. 4. ed. 
São Paulo: Moderna, 2013. p. 22.
Que tipo 
de clima 
predomina em 
Assuã?
Fonte: Centro de Investigaciones Fitosociológicas. Sistema 
de clasificación bioclimática mundial. Disponível em: 
. Acesso em: 6 dez. 2015.
Indique as 
características 
térmicas de Pretória 
no inverno e da 
precipitação no verão.
Fonte: Atlas National Geographic: África II. 
São Paulo: Abril, 2008. p. 90.
Nota: O clima mediterrâneo é um 
clima temperado típico das regiões 
continentais de latitude 30° N-40° N 
e 30° S-40° S. Identificado inicialmente 
em trechos dos países banhados pelo 
Mar Mediterrâneo e posteriormente nos 
Estados Unidos (Califórnia), esse clima 
também recebeu essa denominação 
no Chile e na África do Sul. Apresenta, 
de modo geral, verões secos e 
quentes e invernos amenos e úmidos.
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TE
L
1.020 km
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EC
CO
Precipitação
mm
Temperatura
°C
250
200
150
100
50
0
25
20
15
10
5
0
J JF M A A O DM J S N
Latitude 25° 45’ S
Longitude 28° 11’ L
Latitude: 23° 57‘ N
Longitude: 32° 49‘ L
Latitude: 25° 45‘ S
Longitude: 28° 11‘ L
235PERCURSO 25
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Pretória, na África do Sul, tem 
médias térmicas baixas no inverno 
(junho, julho, agosto) em torno 
de 12 ºC. As maiores médias de 
precipitação ocorrem no final da 
primavera (novembro) e no verão 
(dezembro, janeiro, fevereiro e 
março), em torno de 140 mm 
mensais.
Clima equatorial.
A ausência de 
precipitação e a alta 
variação de temperatura 
(entre 35 ºC e 17 ºC) 
permitem concluir 
que se trata de clima 
desértico.
Remeta os alunos ao 
mapa da figura 31, na 
página 254, para que 
localizem Assuã.
Pode ser oportuno comentar com os 
alunos que a água é um regulador 
térmico fundamental. Sua ausência 
compromete a retenção de calor 
na atmosfera, resultando na grande 
amplitude térmica em regiões 
desérticas.
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 A vegetação natural e a ação antrópica
Pelo menos seis formações vegetais naturais podem ser encontradas 
na África. Observe o mapa da figura 9.
4 
Floresta equatorial: presente nas áreas de clima equatorial, onde o 
índice pluviométrico é mais elevado, como na Bacia do Rio Congo e em alguns 
trechos do litoral do Golfo da Guiné, Nigéria, Gana e Costa do Marfim. 
Apresenta grande variedade de espécies ve-
getais, e a exploração madeireira é intensa.
Savana: ocupa principalmente as áreas de 
ocorrência de clima tropical úmido. É encon-
trada ao norte e ao sul da floresta equatorial, 
a oeste da Ilha de Madagascar, Moçambique 
e em trechos da África do Sul. Apresenta o 
predomínio de vegetação herbácea, com 
árvores isoladas, e é hábitat de animais de 
grande porte, como elefantes, girafas, leões 
e rinocerontes (figura 10). Compreende cerca 
de 40% do território africano.
Fonte: FERREIRA, Graça M. L. 
Moderno atlas geográfico. 
São Paulo: Moderna, 1992. p. 6.
Figura 10. Girafas em meio 
à savana no Parque Nacional 
Kruger, na África do Sul (2014).
Figura 9. África: vegetação natural
OCEANO
ATLÂNTICO
20°L
0°
TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO 
EQUADOR 
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AR MEDITERRÂNEO 
 TRÓPICO DE CÂNCER 
OCEANO
ÍNDICO
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EUROPAEUROPAEUROPAEUROPA
Canal de Suez
Floresta equatorial
Vegetação de altitude
Vegetação mediterrânea
Vegetação desértica
Estepe
Savana
850 km
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No seu contexto
No Brasil, que 
formação vegetal 
corresponde à Floresta 
Equatorial africana? 
E à savana?
236 EXPEDIÇÃO 7
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Respectivamente, a Floresta Amazônica, 
também conhecida como Hileia 
Amazônica ou ainda Floresta Pluvial, 
e o Cerrado.
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Estepe: ocorre entre as savanas e os desertos, em trechos de menor índi-
ce pluviométrico e clima tropical seco. A vegetação de gramíneas, predomi-
nante nessa formação vegetal, é usada como pasto para a criação de gado.
Vegetação desértica: aparece nos desertos africanos em forma de pe-
quenos tufos de vegetação. Nos oásis, em virtude da maior umidade, há con-
centração e maior desenvolvimento de espécies, destacando-se a tamareira.
Vegetação mediterrânea: ocorre nas porções extratropicais da África, 
coincidindo com o clima mediterrâneo da África do Sul, Marrocos, Argélia e 
Tunísia. É formada, em alguns trechos, por florestas de pinheiros e carvalhos. 
Predominam as culturas de oliveiras, videiras e as árvores frutíferas. 
Vegetação de altitude: ocorre principalmente nas altas montanhas da 
Cadeia do Atlas, no planalto da Etiópia e no Planalto dos Grandes Lagos. 
Assim como na Ásia e na América, as florestas tropicais e equatoriais 
da África sofreram grande devastação no decorrer dos anos pela ação 
antrópica (figura 11). O desmatamento se deve à transformação dessas 
áreas em terras cultiváveis, à exploração madeireira e ao corte de árvo-
res e arbustos para a coleta de lenha etc.
De modo geral, a devastação das florestas tropicais africanas avan-
ça em ritmo muito mais rápido do que o reflorestamento e a reprodu-
ção natural, ameaçando as possibilidades de regeneração e manutenção 
dessa cobertura. 
O uso inadequado do solo é evidenciado na evolução dos processos 
de erosão, assoreamento de rios e destruição de ecossistemas, o que 
intensifica a ameaça de desertificação de grandes áreas do continente 
(figura 12).
Figura 11. África: alteração antrópica 
da vegetação natural
OCEANO 
ATLÂNTICO
OCEANO
ÍNDICO
MAR MEDITERRÂNEO 
M
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20°L
0°
EUROPA
ÁSIA
TRÓPICO DE CÂNCER
EQUADOR
TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO
KALAHARI
CONGO
SAARA
Alteração fraca ou pontual, 
meios pouco ou não 
transformados
Graus de alteração do meio
Alteração forte e contínua, meios
totalmente transformados
Alteração moderada ou 
descontínua, meios parcialmente 
transformados
Fonte: elaborado com base em 
KNAFOU, Rémy. Les hommes 
et la Terre. Paris: Belin, 1996. 
p. 144-145.
Figura 12. África: desertificação
OCEANO 
ATLÂNTICO
OCEANO
ÍNDICO
MAR MEDITERRÂNEO 
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20°L0°
EUROPA
ÁSIA
Trípoli
Rabat
TRÓPICO DE CÂNCER
EQUADOR
TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO
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Cairo
Dacar Niamei
Ndjamena
Cartum
Windhoek
Pretória
Cidade
do Cabo
Bloemfonteim
Deserto natural
Média
Alta
Muito alta
Ameaça de
desertificação
Fonte: elaborado com base em FISCHER, Peter et al. 
Mensch und Raum. Berlim: CVK und Schroedel, 1998. 
v. 7-8. p. 92. (Coleção Homem e Espaço).
OCEANO 
ATLÂNTICO
OCEANO
ÍNDICO
MAR MEDITERRÂNEO 
M
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20°L
0°
EUROPA
ÁSIA
TRÓPICO DE CÂNCER
EQUADOR
TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO
KALAHARI
CONGO
SAARA
Alteração fraca ou pontual, 
meios pouco ou não 
transformados
Graus de alteração do meio
Alteração forte e contínua, meios
totalmente transformados
Alteração moderada ou 
descontínua, meios parcialmente 
transformados
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1.050 km1.080 km FE
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SE
S
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Quem lê viaja mais
ORTIZ, Airton. 
Aventura no topo da África. 
Rio de Janeiro: Record, 1999.
O livro narra a jornada do 
autor em uma viagem ao 
cume do Quilimanjaro, na 
Tanzânia, apresentando 
características naturais, 
além de costumes e 
culturas dos povos que 
encontrou pelo caminho.
237PERCURSO 25
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98
.
Sugerimos que relacione o mapa da figura 11 com o da figura 20, na página 249, para observar que as áreas de maior alteração antrópica 
da vegetação ou do meio natural coincidem com as de maior densidade demográfica.
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PERCURSO
26 A África e o imperialismo 
europeu
 O início da apropriação 
de territórios pelos europeus 
Como resultado das grandes navegações marítimas, dos séculos 
XV e XVI, a América, a Ásia e a África foram incorporadas ao horizonte 
geográfico e comercial europeu. Em consequência, o colonialismo foi 
implantado e o comércio se mundializou (com exceção da Oceania, cuja incor-
poração ao mundo europeu somente ocorreu no século XVIII).
Para assegurar o desenvolvimento comercial ou o capitalismo comer-
cial, os europeus — particularmente portugueses, espanhóis, ingleses, 
franceses, holandeses e belgas — fundaram feitorias ou entrepostos co-
merciais na África (figura 13) e na Ásia e colônias na América. 
1 
Figura 13. África: século XVI
Que país contava com 
o maior número de 
feitorias na África 
no século XVI?
 TRÓPICO DE CÂNCER 
 TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO 
 
 EQUADOR
EUROPA
ÁSIA
MAR MEDITERRÂNEO
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OCEANO
ÍNDICOOCEANO
ATLÂNTICO
20°L
0°
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TUNÍSIA
ARGÉLIA Cairo
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SÃO TOMÉ
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LUANDA
SENEGÂMBIA
ASHANTI
YORUBA
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ESTADOS
HAUSSA
BORNU DARFUR
KORDOFAN
ABISSÍNIA
ÁFRICA
MADAGASCAR
LUNDA
HUMBE
XHOSA
ZANZIBAR
YUKUN
RUANDA
BURUNDI
KUBA
LUBA
BENA
DESERTO DO SAARA
Cidade do Cabo
Mogadíscio
FLORESTA 
EQUATORIAL 
DESERTO 
DE 
KALAHARI 
DESERTO
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Feitorias
árabes
francesas
holandesas
inglesas
portuguesas
Área de influência
Império Otomano 
árabe
Estados africanosFonte: elaborado com base em 
KINDER, Hermann; HILGEMANN, 
Werner. Atlas histórico mundial: 
de los orígenes a la Revolución 
Francesa. Madri: Istmo, 1970. p. 232.
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.
Sugerimos desenvolver projeto com 
o apoio do professor de História, abordando 
conteúdos que relacionem
a história e a cultura da África e dos
afro-brasileiros. Para esse objetivo, consultar 
os materiais disponíveis em: . 
É importante, pois, no Brasil, a partir da 
promulgação da Lei no 10.639/2003 e das 
Diretrizes Curriculares Nacionais para a 
Educação das Relações Étnico-Raciais 
e para o Ensino de História e Cultura 
Afro-brasileira e Africana, foi estabelecido 
um marco legal, político e pedagógico 
de reconhecimento e valorização das 
influências africanas na formação da 
sociedade brasileira e do protagonismo 
da população afro-brasileira na formação 
social, política e econômica do país. 
De modo complementar, o professor de 
História poderá contribuir na abordagem 
sobre o tema descolonização africana.
Portugal, com 21 feitorias 
concentradas no litoral africano 
do Atlântico e do Índico. 
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•	 O comércio de escravos
O comércio de escravos africanos já era praticado por árabes. Porém, 
com a chegada dos europeus, nos séculos XV e XVI, essa atividade se in-
tensificou, pois a mão de obra escravizada foi utilizada na agricultura 
(cana-de-açúcar, tabaco, algodão etc.) e na exploração mineral (ouro, pra-
ta etc.) implantadas pelo colonizador europeu nas colônias americanas.
Durante quase quatro séculos, a África exerceu o papel de principal 
fornecedora de mão de obra escravizada na América. Segundo alguns 
autores, cerca de 10 milhões de escravos desembarcaram em nosso con-
tinente, já descontados desse total os que morreram durante a viagem 
pelo Atlântico — número que provavelmente excedeu a 1 milhão — e 
aqueles que, ao resistirem ao aprisionamento, morreram em combate.
 A apropriação do território
No século XIX, com o desenvolvimento do capitalismo industrial e da 
crescente necessidade de matérias-primas para sustentar o processo 
de industrialização, alguns Estados europeus transformaram a maior par-
te do continente africano e das feitorias existentes em colônias europeias.
•	 A Conferência de Berlim (1884) e a partilha 
da África
Em meados do século XVIII, percebeu-se que a grande fonte de rique-
za não era mais exclusivamente o comércio ou a acumulação de ouro, como 
pregavam os defensores do capitalismo comercial, mas, sim, a produção de 
mercadorias.
Desse modo, o domínio de técnicas de produção em escala (gran-
de quantidade) tornou-se a meta de alguns países europeus, levando-
-os a realizar as Revoluções Industriais (séculos XVIII a XX) e a implantar o 
capitalismo industrial.
Iniciada na Inglaterra, em meados do século XVIII, a Revolução Indus-
trial propagou-se por França, Bélgica, Alemanha, Rússia, Itália, Estados 
Unidos e Japão. À medida que a Inglaterra deixava de ser a única “oficina 
do mundo”, acirrava-se a competição entre as potências pelo controle de 
fontes de abastecimento de matérias-primas (especialmente minérios) 
para a indústria, mercados compradores e áreas para o investimento de 
capitais excedentes.
Dessa maneira, as feitorias implantadas na África, como também na 
Ásia, já não atendiam plenamente aos interesses da burguesia industrial 
e dos Estados colonialistas europeus. Assim, eles se apropriaram de ter-
ritórios africanos e implantaram colônias (isso também ocorreu na Ásia). 
Para dar caráter legal à partilha da África e regulamentá-la, os países co-
lonialistas europeus convocaram a Conferência de Berlim, em 1884. Nessa 
conferência, ficou decidido que o direito de posse do país europeu sobre o 
território conquistado na África seria respeitado e reconhecido pelos demais 
e cada território ocupado teria uma autoridade representando o país con-
quistador. Assim, a Conferência estabeleceu princípios ou regras para evitar 
conflitos entre as potências colonialistas europeias na partilha do continente.
2 
Pausa para o cinema
Amistad. 
Direção: Steven 
Spielberg. Estados 
Unidos: DreamWorks 
SKG, 1997. 
Duração: 154 min.
O filme conta a história 
de africanos escravizados 
embarcados no navio 
La Amistad em direção 
à América. Revoltados, 
dominam o navio, mas 
este acaba chegando aos 
Estados Unidos, onde, 
presos, enfrentam um 
julgamento dramático.
Capital excedente 
Quantia de bens ou de 
valoresque extrapola o 
necessário à manutenção 
da produção e pode ser 
investida em outras áreas 
ou mesmo na melhoria 
do sistema produtivo.
239PERCURSO 26
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MAR MEDITERRÂNEO 
I. Madeira (POR)
Is. Canárias (ESP)
EUROPA
ÁSIA
ARGÉLIA
EGITO
SENEGAL
GÂMBIA
GUINÉ
PORTUGUESA
SERRA
LEOA (FRA) COSTA
DO OURO
(FRA)
(ESP)
GABÃO
(FRA)
ANGOLA
REPÚBLICA
SUL-AFRICANA
ESTADO LIVRE
DE ORANGE
BECHUANALÂNDIA
MADAGASCAR
 (FRA)
(FRA)
(FRA)
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MOÇAMBIQUE
Colônia
do Cabo
Trípoli
Ceuta (ESP) Melila (ESP)
Ifni (ESP)
Túnis
Kita (FRA)
Bamaco (FRA)
Lagos
OCEANO 
ATLÂNTICO
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EQUADOR
TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO
TRÓPICO DE CÂNCER
20°L
0°
OCEANO
ÍNDICO
•	 A apropriação formal
Após a Conferência de Berlim, as potências europeias lançaram-se avi-
damente na conquista neocolonial. Os progressos técnicos advindos da 
Revolução Industrial deram aos europeus um poderio bélico esmagador 
diante dos africanos (isso também ocorreu na conquista colonial da 
Ásia). As guerras coloniais tornaram-se um incentivo à produção indus-
trial, estimulando a fabricação de ferro, aço, navios, locomotivas, vagões, 
pólvora, armas etc. 
Servindo-se de poderosos exércitos, as potências colonialistas europeias 
invadiram territórios africanos (e também asiáticos), transformando-os 
em colônias. Assim, do controle informal ou indireto que exerciam com as 
feitorias, passaram para o controle formal, direto (figuras 14 e 15).
No entanto, essa apropriação não foi marcada pela submissão africa-
na. Vários povos resistiram. No Império Mandingo, por exemplo, que se 
estendia por uma vasta região da África Ocidental, destacou-se Samori 
Touré, um dos chefes que se opunham à dominação francesa e que, du-
rante dezessete anos, resistiu com seu povo à invasão europeia. Touré 
morreu em 1900, depois de ter sido aprisionado pelas forças colonialis-
tas e desterrado para o Gabão.
Figura 14. África – 1880
Fonte: O Correio da Unesco. Rio de Janeiro: Fundação 
Getulio Vargas, ano 12, n. 7, jul. 1984. p. 15. 
Figura 15. África – 1914
Fonte: O Correio da Unesco. Rio de 
Janeiro: Fundação Getulio Vargas, 
ano 12, n. 7, jul. 1984. p. 14.
TRÓPICO DE CÂNCER
OCEANO 
ATLÂNTICO
ITÁLIA
ESPANHAPORTUGAL
Açores
(POR)
FRANÇA
GRÃ-BRETANHA
ALEMANHA
BÉLGICA
Gibraltar
(GB)
Canárias
(ESP)
Djibuti
(FRA)
ÁSIAÁ
MARROCOS
TUNÍSIA
ARGÉLIA
SAARA 
OCIDENTAL
 
ÁFRICA OCIDENTAL FRANCESA
GÂMBIA SUDÃO
ANGLO-EGÍPCIO
ERITREIA
GUINÉ
PORTUGUESA NIGÉRIA 
SERRA LEOA
COSTA 
DO
OURO
TOGO
CAMARÕES
ÁFRICA 
ORIENTAL 
BRITÂNICACONGO
BELGA ÁFRICA 
ORIENTAL
ALEMÃ
ANGOLA
RODÉSIA
 DO SUL
ÁFRICA DO 
SUDOESTE 
ALEMÃ
BECHUANALÂNDIA 
SUAZILÂNDIA
UNIÃO DA 
ÁFRICA
DO SUL
BASUTOLÂNDIA
EGITO
Is. de
Cabo Verde
(POR)
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MADAGASCAR
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(GB)
MAR
 MEDITERRÂNEO 
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OCEANO
ÍNDICO
TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO
20°L
EQUADOR
0°
França (FRA)
Potências dominadoras
Itália (ITA)
Portugal (POR)
Bélgica (BEL)
Espanha (ESP)
Condomínio anglo-egípcio
Alemanha (ALE)
Grã-Bretanha (GB)
França (FRA)
Potências dominadoras
Itália (ITA)
Portugal (POR)
Bélgica (BEL)
Espanha (ESP)
Condomínio anglo-egípcio
Alemanha (ALE)
Grã-Bretanha (GB)
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1.300 km
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Possessões britânicas (RUN)
Possessões francesas (FRA)
Possessões espanholas (ESP)
Possessões portuguesas (POR)
Possessões turcas
Repúblicas bôeres independentes
Reinos e grupos tradicionais africanos
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 O impacto do neocolonialismo na África
O impacto do neocolonialismo dos séculos XIX e XX na África não foi 
exclusivamente negativo. Contudo, vale destacar que os aspectos po-
sitivos decorreram no geral de providências destinadas a proteger os 
interesses dos colonizadores. É o caso da implantação de ferrovias e ro-
dovias, cujos traçados ligavam zonas de exploração mineral e de produ-
tos agrícolas com os portos. Essa infraestrutura era voltada à exportação 
da produção para a Europa e não à integração territorial. O mesmo se 
aplica à experiência administrativa e aos serviços de saúde implantados 
pelos europeus no continente.
Os impactos negativos são numerosos: vão do enfrentamento militar, 
com o saldo de muitas mortes de africanos, ao aparato policial e repres-
sor implantado pelo europeu. 
Merece destaque ainda o impacto no sistema produtivo artesanal, 
destruído em grande parte pela entrada dos produtos industrializados 
europeus. A manufatura africana foi desencorajada pelas metrópoles, às 
quais interessava vender seus produtos industrializados. Artigos como 
velas, fósforos, louças e óleo de cozinha, que poderiam ser fabricados lo-
calmente, vinham das metrópoles. 
O sistema produtivo agrícola africano, que estava organizado para 
atender às necessidades alimentares de seu povo, foi desmontado pelo co- 
lonizador, que se apropriava das melhores terras, e substituído pela 
plantation, ou seja, pela grande propriedade agrícola monocultora de 
produtos destinados à exportação (algodão, café, amendoim, cacau 
etc.). Quando os colonizadores não se apropriavam das melhores ter-
ras, as elites políticas e econômicas locais, em estreita aliança com os eu-
ropeus, o faziam e nelas também desenvolviam a agricultura comercial 
de exportação. Quando as colônias se transformaram em países inde-
pendentes, a agricultura comercial de exportação continuou sendo pri- 
vilegiada em detrimento da agricultura de produtos alimentares (figura 16), 
o que explica em parte a desnutrição, a fome e a desigualdade que de-
vastam o continente. 
A criação de fronteiras políticas ar-
tificiais pelo colonizador na África foi 
outro impacto desfavorável. Ao fixa-
rem as fronteiras das colônias segundo 
seus interesses, os europeus ignoraram 
o fato de que povos com línguas, tradi-
ções e costumes diferentes, até mesmo 
historicamente rivais, seriam confina-
dos em um mesmo território. Após a 
independência das colônias, as frontei-
ras foram mantidas, e conflitos étnicos e 
disputas pelo poder passaram a assolar 
a África, explicando as inúmeras guer-
ras civis que ainda ocorrem hoje no con-
tinente africano.
3 
Figura 16. Carregamento 
de sacos de grãos de 
cacau, destinados à 
exportação, no porto de 
Abidjan, maior cidade 
e sede do governo da 
Costa do Marfim (2015). 
Quem lê viaja mais
OLIC, Nelson Bacic; 
CANEPA, Beatriz. 
África: terra, sociedades 
e conflitos. São Paulo: 
Moderna, 2004.
Nessa obra, você vai 
descobrir a multiplicidade 
de idiomas, etnias e 
tradições do continente 
africano, além de entender 
de que maneira o potencial 
econômico dos países que 
compõem a região é ainda 
subaproveitado.
BERND, Zilá. 
O que é negritude. 
São Paulo: Brasiliense, 1998. 
(Coleção Primeiros Passos).
O livro discorre sobre a 
tomada de consciência da 
população negra e sobre 
a valorização da cultura 
africana.
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 O racismo: outro legado do colonialismo
Entre as mazelas deixadas pelo colonialismo, o racismo é uma das mais 
brutais. Para justificar a dominação ou a legitimidade da conquista, o colo-
nizador apoiou-se em um conjunto de ideias ou ideologias preconceituosas 
e ligadasà intolerância, que ainda não foram completamente superadas.
Pregou a superioridade do homem branco e, ao mesmo tempo, a in-
ferioridade do colonizado, destacando a “missão civilizatória” que o pri-
meiro tinha a realizar. Assim, no processo de colonização africana, os 
brancos criaram comunidades próprias, separadas da população negra 
(segregação).
•	 A política do apartheid
Um exemplo cruel e violento de racismo ocorreu na África do 
Sul. O país esteve sob regime oficial de segregação racial até as elei-
ções multirraciais realizadas em abril de 1994, nas quais Nelson 
Mandela foi eleito o primeiro presidente negro do país (figura 17). 
Antes das eleições, a minoria branca (14% de uma população total de 
41 milhões, em 1994) detinha o poder político e econômico e, amparada 
em leis por ela criadas — conhecidas pelo nome de apartheid (separa- 
ção) —, dominava a maioria negra (75% da população total) e os 11% 
restantes formados por outras etnias ou povos. 
Entre as leis que sustentavam o apartheid, estavam: a proibição do 
casamento inter-racial, a obrigatoriedade do registro da raça na certidão de 
nascimento, a proibição ao negro de comprar terras, a proibição de greve 
para a população negra e a divisão dos serviços públicos (escola, hospi-
tal, praça pública, estádio esportivo etc.) em locais para brancos e locais 
para negros, a necessidade de o negro portar um “passe”, ou seja, um 
documento de identificação que o autorizava a ir e vir, e a proibição ao 
negro de votar. 
Essas leis foram abolidas entre 1984 e 1993, mas, ao longo de vários 
anos, a política do apartheid reprimiu os movimentos que lutavam por 
igualdade de direitos entre brancos e negros e provocou milhares de mor-
tes, marcando profundamente a sociedade sul-africana até os dias atuais.
4 
Figura 17. Preso entre 
os anos de 1964 e 1990, 
acusado de se envolver em 
ações contra o apartheid, 
Nelson Mandela (1918-2013) 
tornou-se o símbolo 
da igualdade racial da 
África do Sul. Por seu papel 
de liderança na luta pela 
igualdade, ganhou o Prêmio 
Nobel da Paz em 1993. 
Na foto, Nelson Mandela 
cumprimenta seus partidários 
na cidade de Mmabatho, 
África do Sul (1994).
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Navegar é preciso
Embaixada da África 
do Sul no Brasil
Conheça mais sobre a 
África do Sul depois do fim 
da política do apartheid 
lendo a nova Constituição 
do país. É possível obter 
informações turísticas e 
econômicas e conhecer 
algumas de suas paisagens 
na galeria de fotos. 
Pausa para o cinema
Mandela: luta pela 
liberdade. 
Direção: Bille August. 
Bélgica: Banana Films, 
2007. Duração: 140 min.
Sob o pano de fundo da 
África do Sul durante o 
regime do apartheid, narra 
a história de um carcereiro 
branco que considera os 
negros seres inferiores. 
O que ele não espera é 
conhecer Nelson Mandela, 
fato que mudará sua vida.
242 EXPEDIÇÃO 7
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stação História
África do Sul
“De 1948 a 1991 a África do Sul viveu sob 
o regime do apartheid, ou ‘desenvolvimento 
separado’. Tratava-se, na verdade, de um sis-
tema de segregação racial no qual a maioria 
negra não dispunha de direito algum e era 
dominada pela minoria branca. As rela-
ções entre brancos e negros eram proibi-
das. As independências africanas e o fim da 
segregação racial nos Estados Unidos, no
final dos anos 1960, fizeram desse regime uma 
anomalia histórica inaceitável; a África do Sul 
foi isolada e acabou tornando-se um ‘Estado 
pária’. [...] O endureci mento das sanções norte-
-americanas, o isolamento sob a influência da 
opinião pública, e notadamente dos negros, as-
sim como o fim da guerra fria privaram a Áfri-
ca do Sul de qualquer perspectiva futura, caso 
se manti vesse o apartheid. [...]. O desmantela-
mento do apartheid efetivou-se, assim, em ju-
nho de 1991. O caráter negociado e tranquilo 
da transição e a chegada ao poder de Nelson 
Mandela, eleito presidente em 1994, mais dese-
joso de reconciliação do que de vingança, da-
riam uma legitimidade moral à África do Sul em 
escala mundial. Nelson Man dela era prova-
velmente o político mais respeitado do mundo. 
A África do Sul estava enfim em condi ções de 
usar seus recursos, notadamente suas imensas 
riquezas minerais e sua base industrial. A eco-
nomia sul-africana repre senta 50% do PIB da 
África Subsaariana, e 90% dos internautas des-
sa região são sul -africanos. Candidata (assim 
como a Nigéria) a um assento de membro per-
manente do Conselho de Segurança da ONU, a 
África do Sul se vê como líder regional africano 
e potência mundial emergente. Envolve-se em 
diferentes operações de mediação e manuten-
ção da paz na África, onde prefe riria não assistir 
à interferência estratégica de potências exterio-
res, ainda que possa se beneficiar com a pre-
sença delas para a estabilidade do con tinente, 
em caso de extrema necessidade. A África do 
Sul pretende ser um exemplo democrático para 
o continente, bem como uma locomotiva eco-
nômica. Deseja ser uma das principais potências 
do Sul, defendendo o multilateralismo, o direito 
dos povos de dispor de si mesmos e a afirmação 
econômica e estratégica dos países do Sul.”
BONIFACE, Pascal; VÉDRINE, Hubert. Atlas do mundo global.
São Paulo: Estação Liberdade, 2009. p. 127.
Estado pária
País excluído pela comunidade 
internacional.
Manifestação na África do Sul contra o regime do 
apartheid. Na faixa, em primeiro plano, está escrito: 
“Abaixo o apartheid” (1952).
PO
PP
ER
FO
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TY
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A
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ES Interprete
1. Quais posturas adotadas por 
Nelson Mandela tornaram-no 
um dos políticos mais respeitados 
em todo o mundo e deram prestígio 
à África do Sul após o � m do 
apartheid?
Argumente
2. Em sua opinião, quais são as 
consequências sociais de um 
regime como o apartheid?
Viaje sem preconceitos
3. Diante de um regime de 
segregação racial, ou de qualquer 
outro tipo de opressão, qual seria 
sua postura?
243PERCURSO 26
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Com o apoio do professor de História, o tema do apartheid na África do Sul poderá ser aprofundado mostrando como 
esse sistema atingiu e ainda atinge a sociedade sul-africana nos dias atuais.
Pluralidade 
Cultural
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 A descolonização africana
A África é predominantemente formada por países que romperam 
com a condição de colônias europeias há cerca de cinquenta anos. Do 
ponto de vista histórico, trata-se de um fato recente.
Ao terminar a Segunda Guerra Mundial, em 1945, existiam apenas 
quatro países independentes no continente africano: Libéria, Etiópia, Egi-
to e União Sul-Africana, posteriormente denominada África do Sul (figu-
ra 18). A independência desses países, no entanto, era apenas formal. 
Etiópia, Egito e África do Sul estavam sob influência política, econômica e 
militar da Grã-Bretanha, e a Libéria, dos Estados Unidos.
A independência de Gana, antiga Costa do Ouro, em 1957, desen-
cadeou uma onda de independências no continente africano. Kuame 
Nkrumah, líder político de Gana, pregou durante muito tempo o fim do 
colonialismo e lutou por uma África unida e socialista. Nkrumah era de-
fensor da ideia de que “é melhor ser livre para governar bem ou mal a 
si próprio do que ser governado por outro”. Segundo ele, a independên-
cia de Gana não estaria completa até que toda a África estivesse livre. 
Pregava também o pan-africanismo, um projeto de unidade política das 
nações africanas. O exemplo de Gana influenciou outros povos do conti-
nente a lutar pela independência. Dessa maneira, entre 1960 e 1970, a 
maioria das colônias africanas livrou-se do domínio europeu. 
No decorrer da década de 1970, 
ocorreu ainda a independênciade 
Guiné Bissau, Angola, Moçambique, 
Somália Francesa e do território de 
Afar e Issa, que, saindo da domina- 
ção francesa, tornou-se a Repú-
blica do Djibuti. E, em 1990, após 
105 anos de ocupação estrangei-
ra, a Namíbia também conquistou a 
independência.
A descolonização dos países 
africanos, de modo geral, não acon-
teceu de forma pacífica. Houve ca-
sos, como o da Argélia, em que a 
independência foi obtida por meio 
de longa luta armada contra a do-
minação francesa. Reveja o mapa 
“África: político – 2015”, figura 1, 
página 232, que mostra a configu-
ração atual do continente.
5 
Fonte: DUBY, Georges. Atlas historique. 
Paris: Larousse, 1987. p. 257.
Figura 18. África: político – 1947
EQUADOR
20°L
0°
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO 
ÍNDICO
 MAR MEDITERRÂNEO 
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ESPANHOLTÂNGER
(Zona Internacional)
TUNÍSIA
MARROCOS
ARGÉLIA
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LÍBIA EGITO
ÁFRICA OCIDENTAL FRANCESA
GÂMBIA SUDÃO
ANGLO-EGÍPCIO
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COSTA
DO
OURO
PORTO
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BRITÂNICA
SOMALILÂNDIA
FRANCESA
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DO
NORTE 
MADAGASCAR
RODÉSIA
DO
SUL
BECHUANALÂNDIA
TOGO
ZANZIBAR
Ilhas Comores
(FRANÇA)
Maiote
(FRANÇA)
SUAZILÂNDIA
BASUTOLÂNDIA
RIO MUNI
CABINDA
(PORTUGAL)
FERNANDO PO
SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE
(PORTUGAL)
RIO DE ORO
ÁFRICA
DO
SUDOESTE
BAÍA DE
WALVIS
(UNIÃO DA
ÁFRICA DO SUL) UNIÃO
ÁFRICA DO SUL
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UE 
Português
Britânico
Francês
Espanhol
Belga
Território sob
responsabilidade da ONU
Independente
Domínio
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Quem lê viaja mais
YAZBEK, Mustafa. 
Argélia: a guerra e a 
independência. São Paulo: 
Brasiliense, 1983. (Coleção 
Primeiros Passos).
A obra aborda a luta 
dos argelinos pela 
independência do país 
em relação à França.
244 EXPEDIÇÃO 7
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Outras rotas
Nova Biblioteca de Alexandria
“A primeira biblioteca
A mais célebre biblioteca de todos os tem-
pos, a Biblioteca Real de Alexandria, foi es-
tabelecida por volta do século terceiro a.C., 
durante o reinado de Ptolomeu II. Deme-
trius Phalereus de Atenas, discípulo de 
Aristóteles, foi o primeiro curador da biblio-
teca, que nessa ocasião já abrigava cerca de 
700 mil manuscritos e pergaminhos. Duran-
te séculos, a biblioteca manteve-se erguida, 
mas a sua destruição, que muitos acreditam 
ter ocorrido por volta do século III d.C., sem-
pre gerou controvérsias. Outros acreditam 
que ela tenha sido destruída durante o rei-
nado do imperador romano Aureliano, e há 
ainda aqueles que defendem a tese de ela ter 
sido destruída acidentalmente na invasão de 
Júlio César, entre os anos 47 e 48 a.C.
A nova biblioteca
Essa foi a primeira biblioteca do mundo, 
cuja construção foi patrocinada globalmente, 
que tem o objetivo de guardar e manter todo 
o conhecimento escrito da humanidade. Um 
grande e talvez inatingível sonho, mas sem 
dúvida uma missão honrosa. Portanto, nada 
seria mais apropriado que construir a Nova 
Biblioteca de Alexandria em um local próxi-
mo àquele em que foi erguida a mais célebre 
biblioteca da Antiguidade clássica. A ideia 
inicial de reavivar a biblioteca surgiu na Uni-
versidade de Alexandria, em 1974. […] Na oca-
sião da abertura do complexo, em outubro de 
2002, o projeto havia custado US$ 220 milhões, 
sendo que US$ 100 milhões vieram de doações 
estrangeiras e os outros US$ 120 milhões do 
governo do Egito.
Obra-prima
A apenas 40 metros do Mar do Mediterrâ-
neo, próximo da Universidade, a biblioteca de 
11 andares consiste em um círculo inclinado 
para o mar; com 160 metros de diâmetro, par-
cialmente submerso em uma piscina, a fim de 
contra-atacar a alta umidade da parte norte 
do Egito. O telhado truncado permite mini-
mizar os danos dos ventos marítimos e deixa 
a luz natural entrar. […] Como a biblioteca 
contém um acervo valioso e as consequên-
cias de um incêndio seriam devastadoras, o 
edifício conta com os mais atuais equipa-
mentos de prevenção contra o fogo.
A sala principal de leitura tem capacidade 
para acomodar até 1.700 pessoas distribuídas 
nos oito terraços. O telhado abobadado per-
mite a entrada indireta de luz solar no edi-
fício e oferece belas vistas do porto e do mar.”
AHEARN, Alison et al. 100 maravilhas do mundo moderno. 
São Paulo: Ciranda Cultural, 2008. p. 147.
Vista externa da Nova Biblioteca de Alexandria,
no Egito (2013).
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Curador
Encarregado de 
administrar.
Pergaminho
Escrito ou 
documento feito 
de pele de ovino 
ou caprino.
Abobadado
Que tem o formato 
de abóbada; 
abaulado.
Interprete
1. Quantos séculos separam a existência 
da primeira Biblioteca de Alexandria 
da nova construção?
Argumente
2. Você acha importante a existência 
de bibliotecas? Por quê? 
Contextualize
3. Na cidade ou no bairro onde você 
mora existe(m) biblioteca(s)? Você 
a(s) frequenta? Caso sua resposta seja 
positiva, que gênero de livros você 
costuma ler? Caso sua resposta seja 
negativa, aponte a razão de não viver 
essa experiência.
245PERCURSO 26
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Atividades dos percursosAtividades dos percursos 25 e 26
246246
África: línguas e etnias
Revendo conteúdos
1 Uma agência de viagem especializada em 
pacotes para a África disponibiliza em seu 
catálogo as seguintes opções de passeio:
c) Que clima predomina na região do paco-
te B? Que paisagem o turista verá princi-
palmente ao final do passeio? Explique.
2 Explique a relação entre a fome ou a sub-
nutrição que assola milhões de habitantes 
na África e o colonialismo europeu.
3 Em relação à Conferência de Berlim, 
responda às questões.
a) Quando ocorreu e quais eram seus 
objetivos?
b) Quais foram os impactos dessa confe-
rência no continente africano?
Leituras cartográficas
4 Observe o mapa abaixo e responda às 
questões. 
a) Cite uma etnia principal para cada grupo 
linguístico.
b) A delimitação das fronteiras dos Esta-
dos africanos realizada pelos europeus 
respeitou a distribuição das etnias ou 
dos grupos linguísticos africanos? Dê 
exemplos. Se necessário, recorra ao 
mapa da figura 1, na página 232.
• Com base em seus conhecimentos, res-
ponda às questões.
a) Em qual pacote o turista terá a oportu-
nidade de conhecer a savana africana?
b) Quais montes o turista que optar pelo 
pacote A vai avistar? Onde eles se 
localizam?
Tanzânia e Quênia 
Nos safáris, veja 
de perto elefantes, 
rinocerontes, 
girafas e leões. 
Em um passeio 
de balão, aviste 
os dois montes 
de maior altitude do 
continente africano 
e o Lago Vitória.
PACOTE DE 15 DIAS
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CRUZEIRO PELO RIO NILO 
Partindo da fronteira do Egito com o Sudão 
e navegando pelo Rio Nilo em direção ao seu 
delta, você vai conhecer os principais templos 
egípcios, como o Templo de Ísis, o Templo 
de Karnak e o Templo de Luxor.
PACOTE DE 7 DIAS 
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OCEANO
ATLÂNTICO
EQUADOR 
20ºL
Berbere
Mouro Bambara
Tuaregue Bedja
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Fulbe
FulbeFulbe Mossi
Hauças
Hauças
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Ioruba
Ibo
Ewe
GallaAchanti Banda
Bedja
Fang Kikongo
Tutsi
Hutu
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Pigmeu
Pigmeu
TongaKhoisan
Bosquímano
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Ovambo
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TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO
TRÓPICO DE CÂNCER
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(africâner, inglês, francês,
português etc.)
semita
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sudanês
banto
malaio-polinésia
Etnia principalZulu
Línguas
Fonte: elaborado com base em FERREIRA, Graça M. L. Atlas 
geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 83. 
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1.130 km
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246 EXPEDIÇÃO 7
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247247
c) Quais foram os resultados dessa política 
colonialista europeia?
d) Você sabe quais são os países africanos 
que, com o Brasil, formam a Comuni-
dade dos Países de Língua Portuguesa?
Explore
5 Ali A. Mazrui, historiador africano, assim 
descreveu os africanos:
“Os africanos [...] não são forçosamente o 
povo mais maltratado, mas são com certeza o 
mais humilhado da história moderna”.
 BOAHEN, Albert Adu. O legado do colonialismo. 
O Correio da Unesco. Rio de Janeiro: 
Fundação Getulio Vargas, ano 12, n. 7, jul. 1984, p. 37.
• Explique em quais fatos da história 
africana o historiador pode ter se inspi-
rado para escrever esse texto.
6 O texto abaixo foi proferido pelo rei Ma- 
chemba, chefe do yaos de Tanganica (atual 
Tanzânia), ao oficial alemão Hermann von 
Wissmann, que comandava uma investida 
militar na região em 1890.
“Escutei tuas palavras, mas não vi qual-
quer motivo para obedecer-te — antes pre-
feriria morrer. [...] Se o que queres é amizade, 
estou pronto a oferecer-te, hoje e sempre; 
mas, quanto a ser teu súdito [...], isso nunca! 
[…] Se o que queres é a guerra, estou pron-
to para ela, mas ser teu súdito, jamais! Não 
cairei a teus pés, porque és uma criatura de 
Deus, assim como eu sou [...]. Sou sultão aqui 
na minha terra. Tu és sultão lá na tua. Então, 
vê bem, não digo que tens de obedecer-me, 
porque sei que és um homem livre. Quanto a 
mim, não irei ao teu encontro; se és bastante 
forte, vem tu ao meu.”
BOAHEN, Albert Adu. A África sob dominação colonial: 
1880-1935. O Correio da Unesco. Rio de Janeiro: Fundação 
Getulio Vargas, ano 12, n. 7, jul. 1984, p. 14-15.
a) Qual é a postura do rei Machemba pe- 
rante o oficial alemão?
b) Qual terá sido a atitude do conquistador 
europeu para motivar essa fala do rei 
Machemba?
7 Observe as fotos e faça o que se pede.
a) Identifique e descreva o tipo de clima 
e vegetação associado a cada uma das 
paisagens.
b) Redija um parágrafo explicando a diver-
sidade de paisagens existente no conti-
nente africano.
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Foto B. Habitações às margens do Rio Congo, 
República Democrática do Congo (2013).
Foto A. Búfalos no Parque Nacional do Vale Kidepo, 
Uganda, no leste da África (2015).
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247PERCURSO 26
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PERCURSO
27
Figura 19. Continentes: população – 2015
África: população, 
regionalização e economia
 África: o segundo continente 
mais populoso
A África é considerada o berço da humanidade. As mais antigas evi-
dências da presença do gênero Homo foram encontradas na região dos 
Grandes Lagos, na África Oriental, em terras hoje pertencentes ao Quê-
nia e à Tanzânia.
Depois da Ásia, a África é o continente mais populoso. Em 2015, tinha 
1,186 bilhão de habitantes, o equivalente a 16,1% da população mun-
dial, estimada, nesse ano, em 7,349 bilhões (figura 19).
1 
 A distribuição da população
A exemplo dos demais continentes, a África apresenta regiões de maior 
e de menor concentração populacional. A distribuição da população é condi-
cionada por vários fatores, entre eles o clima, o relevo, o solo, a infraestrutura 
de transportes e comunicações instalada e a disponibilidade de recursos téc-
nicos e de capitais para superar as adversidades do meio natural. 
Os desertos do Saara e de Kalahari, em decorrência da aridez, dificul-
tam a fixação humana. Nessas áreas, as densidades demográficas são in-
feriores a 1 hab./km2 (figura 20). Já em trechos do Vale do Rio Nilo e do 
baixo curso do Rio Níger, em razão da presença de terras férteis, as den-
sidades demográficas são superiores a 100 hab./km2. Em muitos trechos 
das fachadas litorâneas tanto do Mar Mediterrâneo como dos oceanos 
Atlântico e Índico, locais de contato histórico entre o mundo europeu e o 
asiático, e onde se localizam muitas capitais africanas, as densidades de-
mográficas são mais elevadas.
2 
Fonte: elaborado com base 
em ONU. World Population 
Prospects: The 2015 Revision, 
key findings and advance 
Tables. New York: ONU, 2015.
p. 1. Disponível em: . Acesso em: 5 dez. 2015.
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Quem lê viaja mais
SOUZA, Marina de Mello e.
África e Brasil africano.
São Paulo: Ática, 2013.
Mostra a diversidade de 
culturas africanas e sua 
inserção nas economias 
colonial e neocolonial, 
como também o 
desenvolvimento da 
cultura afro-brasileira em 
decorrência da escravidão.
13,5%
10,1%
0,5%
59,8%
16,1%
Ásia
África
América
Europa
Oceania
África: diferentes 
culturas, diferentes 
paisagens
Multimídia 
interativa
248 EXPEDIÇÃO 7
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A África apresenta duas aglomerações urbanas com mais de 10 mi-
lhões de habitantes: Cairo, capital do Egito (figura 21), e Lagos, capital 
da Nigéria. 
Fonte: Atlante Geografico Metodico 
De Agostini. Novara: Istituto 
Geografico De Agostini, 2014. p. 118.
Figura 20. África: densidade demográfica – 2013
Onde se situa o maior 
vazio demográ� co 
da África?
Figura 21. O Cairo forma a 
maior aglomeração urbana do 
continente. Na foto, vista da 
cidade às margens do Rio Nilo, 
Egito (2013).
0º
Rabat
Casablanca
Fes
DESERTO DO SAARA
ÁSIA
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DESERTO
DE KALAHARI
Dacar
Lago
Chade
Lago
Tanganica
Lago
Vitória
Lago
Niassa
Abidjan Acra Iaundê
Brazzaville
Lusaka
Harare
Antananarivo
Adis-Abeba
Cartum
Maputo
Pretória
Johanesburgo
Durban
Port ElizabethCidade
do Cabo
Lagos
Argel Túnis
Trípoli
Cairo
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TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO
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OCEANO
ÍNDICO
TRÓPICO DE CÂNCER
De 862.2% a 568.8%
De 0.189 a 0.150
De 50 a 100
De 25 a 50
De 100 a 200
De 10 a 25
0.0 De 1 a 10
Até 1
Mais de 200
Densidade da população
(número de habitantes por km2)
Área não habitada
De 1.000.000 a 2.500.000
Mais de 10.000.000
De 2.500.000 a 5.000.000
Residentes em áreas urbanas 
ou metropolitanas
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Pausa para o cinema
Os deuses devem estar 
loucos. 
Direção: Jamie Uys. 
Botsuana/África do Sul: 
CAT Films, 1980. Duração: 
108 min. 
Nessa comédia, você vai 
se divertir e conhecer 
diferentes aspectos 
culturais dos bosquímanos, 
grupo étnico que vive em 
comunidades nômades no 
Deserto de Kalahari.
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249PERCURSO 27
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Em um trecho leste do deserto do 
Saara, que abrange áreas do 
sudeste do território da
Líbia, do sudoeste do Egito, 
do nordeste do Chade e do 
noroeste do Sudão.
É oportuno recordar a noção de 
“aglomeração urbana ou área 
metropolitana”, que é diferente de 
municípioou cidade. Chame a atenção 
dos alunos para o mapa da figura 20.
PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 249 01/06/16 01:38
 A regionalização com base no critério 
étnico ou cultural
Com base no critério étnico ou cultural, o continente africano pode ser 
regionalizado em dois conjuntos: África do Norte e África Subsaariana 
(figura 22).
•	 África do Norte
A África do Norte compreende sete 
unidades políticas. São seis Estados 
independentes e um território que busca 
a independência — o Saara Ocidental, ex-
-Saara Espanhol, ocupado pelo Marrocos 
desde 1975.
Com a invasão dos árabes nos séculos 
VII e VIII, ocorreu a arabização da África do 
Norte. Esse fato explica, portanto, a predo-
minância regional da população árabe, da 
língua árabe e da prática do islamismo. 
Destaca-se na África do Norte a sub-
-região denominada Magreb. Em árabe,
“Marhribou Maghrib” significa “o Poente”,
ou seja, “onde o sol se põe”, em relação ao
centro do islamismo, situado na Península 
Arábica (atual Arábia Saudita). O Magreb 
tradicional compreende o Marrocos, a Ar-
gélia e a Tunísia, que pertenceram ao im-
pério colonial francês.
A Cadeia do Atlas favorece o povoamento na África do Norte, espe-
cialmente no Magreb. Entre o Atlas e o Mar Mediterrâneo, estendem-se 
planícies férteis de clima mediterrâneo, densamente povoadas, onde 
se cultivam vários produtos, como cereais, uva, oliveiras (figura 23), 
e ocorre a exploração mineral de fosfato. Ao sul da Cadeia do Atlas surge 
o Deserto do Saara, cujo principal recurso mineral é o petróleo.
3 
Figura 22. África: regionalização étnica e cultural – 2015
 TRÓPICO DE CÂNCER 
TTTRTRT ÓPICCCOO DE CACAC PRPRP ICÓRNIO
 EQUADOR
20° L
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REPÚBLICA
CENTRO-AFRICANA
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RUANDA
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MADAGASCAR
BURUNDI
ZIMBÁBUE
ZÂMBIA
REP. DEM. 
DO CONGO
COMORES
África do Norte
África Subsaariana
Magreb
Sahel*
Fontes: elaborado com base em ROSA, 
Jussara Vaz; GIRARDI, Gisele. Novo atlas 
geográfico do estudante. São Paulo: 
FTD, 2005. p. 101; L’atlas Gallimard 
Jeunesse. Paris: Gallimard Jeunesse, 
2002. p. 122-123.
O Magreb tradicional abrange os 
países indicados no mapa. Essa 
denominação, no entanto, foi 
estendida ao Saara Ocidental, à 
Líbia e à Mauritânia, cujo conjunto 
formou a União do Magreb Árabe 
(UMA) em 1989.
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Figura 23. Ao fundo, Cadeia
do Atlas no Marrocos e,
em primeiro plano, oásis 
com plantações (2013).
* Palavra árabe que significa “costa 
do deserto”, ou margem; corresponde 
a uma faixa de terras de extensão 
variável, entre o Deserto do Saara ao 
norte e a zona de estepes e savanas 
ao sul, que se estende de leste a 
oeste, desde a Etiópia até o Senegal.
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•	 África Subsaariana
Essa região, que abrange os países da 
África situados ao sul do Deserto do Saara, 
apresenta população predominantemente 
negra (figura 24) e minorias brancas des-
cendentes dos colonizadores europeus e asi-
áticos (indianos, chineses, indonésios etc.). 
Destaca-se aí a multiplicidade de crenças e 
religiões — islamismo, cristianismo, judaís-
mo, crenças tradicionais africanas etc.
Além dos aspectos culturais e étnicos 
apresentados, a África Subsaariana se ca-
racteriza por ser uma região do continente 
africano onde a pobreza atinge grande par-
cela da população. É aí que se localizam os 
países com os menores IDH do mundo em 
2014, como Níger (0,348), República Cen-
tro-Africana (0,350), Eritreia (0,391) e Cha-
de (0,392).
Embora cerca de 60% da população eco-
nomicamente ativa da África Subsaariana se 
dedique à agricultura, o déficit de alimentos 
gera subnutrição e fome. Essa situação é agravada pelas secas na região 
do Sahel e pelas guerras civis, que arrasam plantações e dificultam a en-
trega de alimentos pela ajuda humanitária.
A agricultura na África Subsaariana apresenta uma distorção: en-
quanto as plantations (cacau, café, algodão, amendoim, chá, bana-
na etc.), controladas principalmente por empresas europeias, ocupam 
cerca de 40% da superfície agrícola, abrangendo as melhores terras 
cultiváveis, a agricultura de subsistência ocupa as terras menos férteis 
e convive com a falta de crédito e de assistência técnica, apresentando 
baixa produtividade. A oposição entre a agricultura de exportação e a 
agricultura de subsistência é uma herança do colonialismo que perdura 
nos dias atuais (figuras 25 e 26). 
Fonte: elaborado com base 
em CHARLIER, Jacques (Org.). 
Atlas du 21e siècle 2013. Paris: 
Nathan, 2011. p. 164.
Figura 25. Máquinas em um campo de trigo, 
na Argélia (2013).
Figura 26. Trabalhadores em agricultura 
de subsistência, na Tanzânia (2014).
Figura 24. África: participação da população negra 
na população total
 TRÓPICO DE CÂNCER 
 TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO 
 EQUADOR0º
20°L
EUROPA
ÁSIA
MAR MEDITERRÂNEO
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OCEANO
ÍNDICOOCEANO
ATLÂNTICO
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ARGÉLIA
TUNÍSIA
MARROCOS
SAARA
OCIDENTAL
LÍBIA
SENEGAL
MAURITÂNIA
GÂMBIA
GUINÉ
BISSAU GUINÉ
LIBÉRIA
SERRA
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COSTA
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NIGÉRIA
CAMARÕES REPÚBLICA
CENTRO-AFRICANA
GUINÉ
EQUATORIAL
SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE GABÃO
SUDÃO
SUDÃO
DO SUL
DJIBUTI
ERITREIA
ETIÓPIA
SOMÁLIA
QUÊNIA
UGANDA
CONGO
ANGOLA
NAMÍBIA
SUAZILÂNDIA
MOÇAMBIQUE
TANZÂNIA
BOTSUANA
ÁFRICA
DO SUL
LESOTO
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MADAGASCAR
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DO CONGO
COMORES
Até 20
Parte da população
negra na população
total (%)
De 21 a 40
De 41 a 60
De 61 a 80
Mais de 81
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Figura 27. África: regionalização com base na economia – 2015
 A regionalização com base na economia
É possível regionalizar a África tendo por base a economia dos paí-
ses que a compõem. Assim, podem-se distinguir dois conjuntos: países 
com desenvolvimento industrial e países cuja base da economia são os 
produtos primários (figura 27).
4 
•	 Países com desenvolvimento industrial
África do Sul e Egito são os dois países mais industrializados da África. 
Conheça a seguir as principais características de cada um deles.
África do Sul
A África do Sul é o país de economia mais desenvolvida da África. Fa-
vorecido pela abundância de recursos minerais em seu território e por in-
vestimentos estrangeiros, esse país desenvolveu uma atividade industrial 
diversificada, com indústrias de bens de consumo (têxtil, alimentícia, de ves-
tuário etc.) e indústrias de bens de produção (máquinas, equipamentos, me-
talúrgica, siderúrgica, química etc.), além de indústria naval, de armamentos, 
automobilística e outras. Destaca-se ainda como primeiro produtor mundial 
de cromo e de platina e o quinto de ouro (2013). As principais cidades do 
país concentram os maiores centros industriais (figura 28).
Fontes:

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