Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

1
O Público e 
o Privado na 
Gestão Social
2
3
Sumário
Desenvolvimento sustentável e responsabilidade social 
 A influência do desenvolvimento sustentável nas práticas de 
responsabilidade social 
Gestão de políticas sociais 
 Princípios e boas práticas da gestão de políticas sociais 
Gestão do terceiro setor 
 Técnicas e boas práticas de gestão no terceiro setor 
Tendências das políticas sociais no Brasil e no mundo 
 Tendências das políticas sociais no contexto nacional 
 Influências das políticas sociais no âmbito internacional 
Referências 
CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO
5
6
15
16
26
27
36
37
41
46
4
Objetivos Definição
Explicando Melhor Você Sabia?
Acesse Resumindo
Nota Importante
Saiba Mais Reflita
Atividades Testando
Para o início do 
desenvolvimento de uma 
nova competência;
Se houver necessidade 
de se apresentar um novo 
conceito;
Algo precisa ser melhor 
explicado ou detalhado;
Curiosidades indagações 
lúdicas sobre o tema em 
estudo, se forma necessárias;
Se for preciso acessar um 
ou mais sites para fazer 
download, assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
Quando for preciso se fazer 
um resumo acumulativo 
das últimas abordagens;
Quando forem necessárias 
observações ou 
complementações para o 
seu conhecimento;
As observações escritas 
tiveram que ser priorizadas 
para você;
Textos, referências 
bibliográficas e links para 
aprofundamento do seu 
conhecimento;
Se houver a necessidade 
de chamar a atenção 
sobre algo a ser refletido ou 
discutido sobre;
Quando alguma atividade 
de autoaprendizagem for 
aplicada;
Quando o desenvolvimento de 
uma competência for concluído 
e questões forem explicadas. 
5
@faculdadelibano_
1
Desenvolvimento 
sustentável e 
responsabilidade 
social
6
O Público e o Privado na Gestão Social Capitulo 1
Desenvolvimento sustentável 
e responsabilidade social
A influência do desenvolvimento sustentável nas práticas de 
responsabilidade social
Nos dias atuais, o movimento em torno do desenvolvimento sustentável e contra a 
degradação ambiental é enorme. 
Centenas de organizações não governamentais (ONGs) e praticamente todos os 
governos e órgãos oficiais do mundo lutam pelo controle da poluição e pela preservação 
da natureza como forma de assegurar a qualidade de vida no Planeta, explana Oliveira 
e Souza-Lima (2006).
Mas o interesse por esse tema não é recente. Algumas conferências já eram realizadas 
pelo mundo há muito tempo, trazendo a importância em se observar as questões 
ambientais.
Objetivos
Ao término deste capítulo você será capaz de discernir sobre a influência 
do desenvolvimento sustentável nas práticas de responsabilidade social. 
E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. 
Avante!
7
O Público e o Privado 
na Gestão Social
Desenvolvimento sustentável 
e responsabilidade social
Capitulo 1
De acordo com Chamusca et al. (2006) na década de 80 a Organização das Nações 
Unidas (ONU) criou a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento 
(Unced), conhecida como Comissão Brundtland. Essa comissão expôs um documento 
chamado de Relatório de Brundtland.
É com base nesse relatório que muitos autores, inclusive Chamusca et al. (2006), utilizam 
a conceituação dada para o desenvolvimento sustentável, compreendido como “a 
forma como as atuais gerações satisfazem suas necessidades no presente sem, no 
entanto, comprometer a capacidade das futuras gerações satisfazerem suas próprias 
necessidades” Chamusca et al. (2006).
Desse modo, podemos compreender, a partir do desenvolvimento sustentável (Figura 1), 
que devemos cuidar das nossas ações hoje para que o amanhã não seja prejudicado. 
Por isso, deve haver uma sensibilização da sociedade em relação à utilização dos 
recursos naturais, para que essa seja feita de forma racional e analisando os impactos 
causados.
Você Sabia?
O desenvolvimento sustentável está presente no Brasil desde 1913, quando 
foi criado o primeiro parque nacional brasileiro para preservação do 
meio ambiente, o Parque Nacional da Itatiaia, localizado na divisa do Rio 
de Janeiro com Minas Gerais. Em 1915, outros dois importantes parques 
foram instituídos, sendo eles as Cataratas do Iguaçu no Paraná e a Serra 
dos órgãos no Rio de Janeiro, informa Chamusca et al. (2006).
8
O Público e o Privado 
na Gestão Social
Desenvolvimento sustentável 
e responsabilidade social
Capitulo 1
A Constituição Federal de 1988 trouxe a importância do meio ambiente como uma 
determinação em seu texto, demonstrando sua relevância para a sociedade.
 
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de 
uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder 
Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e 
futuras gerações. (BRASIL, 1998)
Ainda, falando constitucionalmente temos que observar o reconhecimento feito pelo 
Supremo Tribunal Federal do desenvolvimento sustentável como princípio integrante da 
Constituição:
O princípio do desenvolvimento sustentável, além de impregnado de caráter 
eminentemente constitucional, encontra suporte legitimador em compromissos 
internacionais assumidos pelo Estado brasileiro e representa fator de obtenção do 
justo equilíbrio entre as exigências da economia e as da ecologia, subordinada, no 
entanto, a invocação desse postulado, quando ocorrente situação de conflito entre 
valores constitucionais relevantes, a uma condição inafastável, cuja observância 
não comprometa nem esvazie o conteúdo essencial de um dos mais significativos 
direitos fundamentais: o direito à preservação do meio ambiente, que traduz bem 
de uso comum da generalidade das pessoas, a ser resguardado em favor das 
presentes e futuras gerações. (BRASIL, 2005, online)
FIGURA 1
Desenvolvimento sustentável
FONTE
Freepik
 
9
O Público e o Privado 
na Gestão Social
Desenvolvimento sustentável 
e responsabilidade social
Capitulo 1
Assim, a preservação do meio ambiente por meio de práticas sustentáveis, não é uma 
simples vontade, mas sim um dever de toda a sociedade baseado em dispositivos 
constitucionais.
Em seguida, sucessivas conferências da ONU confirmaram a utilização do conceito 
de desenvolvimento sustentável ressaltado no Relatório de Brundtland inclusive, 
denominando-os “Cúpulas para o desenvolvimento sustentável”, além de terem 
permitido vários avanços práticos. 
Como no caso do Rio 92 (ou ECO 92) em que aconteceu a formação da Comissão para 
Desenvolvimento Sustentável como resultado da Rio 92, realizada no Rio de Janeiro em 
1992 e nas demais cúpulas e conferências que ocorreram em Joanesburgo em 2002, 
no Rio de Janeiro em 2012 e em Nova Iorque em 2015, no qual foram estabelecidos os 
objetivos do desenvolvimento sustentável (ODS), com prazo para serem alcançados até 
2030 e que também ficou conhecido como Agenda 2030, descreve Campos (2020).
Nessa agenda 2030 foram estabelecidos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável, que 
são: acabar com a pobreza, acabar com a fome, prover uma vida saudável, educação 
inclusiva e de qualidade, igualdade de gênero, gestão sustentável de água e saneamento, 
energia acessível, trabalho digno e crescimento econômico, industrialização inclusiva 
e inovação, redução das desigualdades, produção e consumo sustentáveis, ações no 
combate às mudanças climáticas, vida na água, vida na terra, sociedades pacíficas, 
acesso à justiça e instituições eficazes e parceria global (Brasil, 2016)
Saiba Mais
Aprofunde-se nesse tema conhecendo a agenda 2030 através do 
“Transformando Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento 
Sustentável” (BRASIL). Disponível em: https://bit.ly/3cqBDYT.
https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/Brasil_Amigo_Pesso_Idosa/Agenda2030.pdf
10
O Público e o Privado 
na Gestão Social
Desenvolvimento sustentável 
e responsabilidade social
Capitulo 1
Para que esses objetivos sejam alcançados é necessário que exista a cooperaçãopráticos, questões de 
concursos. São Paulo: Cengage Learning, 2020.
SENNE, A. Políticas sociais no Brasil: uma reflexão preliminar. Universidade Federal de 
Santa Maria, 2017. Disponível em: https:// repositorio.ufsm.br/handle/1/2634?show=full 
Acesso em 08 mar 2021.
TACHIZAWA, T. Gestão ambiental e responsabilidade social corporativa. São Paulo: 
Editora Atlas, 2019.
TAYLOR, K.Y. Vidas negras importam e libertação negra. São Paulo: Editora elefante, 
2019.
VERÍSSIMO, C. Logística básico e conceitos da (NR 16 e 29). São Paulo: Clube de autores, 
2018.
50
	Desenvolvimento sustentável e responsabilidade social
	A influência do desenvolvimento sustentável nas práticas de responsabilidade social
	Gestão de políticas sociais
	Princípios e boas práticas da gestão de políticas sociais
	Gestão do terceiro setor
	Técnicas e boas práticas de gestão no terceiro setor
	Tendências das políticas sociais no
	Brasil e no mundo
	Tendências das políticas sociais no contexto nacional
	Influências das políticas sociais no âmbito internacional
	Referênciasde 
toda a sociedade, do Poder Público e do setor privado. As organizações são essenciais 
nesse processo, visto que muitas vezes, seu setor produtivo acaba gerando resíduos 
prejudiciais ao meio ambiente. Por isso, métodos sustentáveis devem fazer parte das 
estratégias organizacionais. Nos dias atuais isso vem se tornando essencial como prática 
de responsabilidade social.
Mas o que vem a ser responsabilidade social?
A responsabilidade social, para Chiavenato (2014, p. 592), “signiflca o grau de obrigações 
que uma organização assume por meio de ações que protejam e melhorem o bem-
estar da sociedade à medida que procura atingir seus próprios interesses”.
Ela representa o dever da organização em implementar políticas e assumir decisões e 
ações que tragam benefícios para a sociedade. Essas ações devem ser voltadas para 
proteger e melhorar o bem-estar de toda a sociedade e os interesses organizacionais, 
complementa Chiavenato (2014).
As empresas têm sido chamadas a dar suas contribuições ao enfrentamento das 
emergências socioambientais, tendo em vista seu poder econômico e consequente 
potencial e impacto, seja ele positivo ou negativo. 
Elas podem exercer um grande papel no sentido de realizar ações visando o 
enfrentamento das emergências socioambientais, sejam elas originárias da sua própria 
atuação ou não, informa Campos (2020).
A realização dessas atividades pelas empresas pode ter duas motivações. Primeiro a 
considerada como reativa ou visando o cumprimento da lei, que é obedecer a legislação 
imposta ou por pressões por melhores práticas. 
Sobre as iniciativas voluntárias das empresas no sentido de desempenhar ações em 
busca do enfrentamento das emergências socioambientais, sempre que possível, é 
desejável que elas procurem alinhar as ações para gerar, além de impacto social e 
ambiental (Figura 2), resultados financeiros. Por fim, as empresas também podem propor 
e colaborar para a discussão de novas leis e políticas públicas de interesse público e 
que também afetem seus interesses, relata Campos (2020).
11
O Público e o Privado 
na Gestão Social
Desenvolvimento sustentável 
e responsabilidade social
Capitulo 1
Quando as organizações estão simplesmente cumprindo as determinações das leis 
elas não estão sendo responsáveis socialmente, visto que não estão adotando atitudes 
de forma voluntária. Para que as ações sejam consideradas de responsabilidade social 
elas devem ter caráter voluntário na promoção do bem-estar da sociedade.
Conforme Fukunaga (2020), o desenvolvimento da responsabilidade social nas 
organizações é caracterizado por algumas questões que passaram a ser importantes 
ao se implantar a dimensão da sustentabilidade como base para a construção de uma 
nova onda de responsabilidade social. Nesse processo, tornou-se importante considerar 
a importância:
• Da necessidade de líderes irem além dos lucros e de relações financeiras;
• De uma visão clara dos impactos das operações na sociedade e no meio ambiente;
• Da importância do desempenho dos trabalhadores no processo empresarial;
• Da opção do consumidor sobre produtos menos nocivos ao meio ambiente a ao ser 
humano;
• Da relevância cada vez maior da preservação de florestas e animais e uso racional 
de bens naturais para a própria existência da humanidade;
• Da necessidade de diálogo com a sociedade e investidores, assim como com todos 
os outros interessados para a construção de produtos e serviços que beneficiem a 
empresa de forma econômica e que não a dispense das responsabilidades sociais 
e ambientais.
 
FIGURA 2
Impacto social e ambiental
FONTE
Freepik
12
O Público e o Privado 
na Gestão Social
Desenvolvimento sustentável 
e responsabilidade social
Capitulo 1
A administração focada na sustentabilidade baseia suas ações em três aspectos: 
a prosperidade da organização, a equidade social das comunidades onde ela 
atua e a qualidade ambiental. Em outras palavras, uma organização é sustentável 
quando olha para si mesma, para a comunidade e para o meio ambiente com o 
objetivo de ter longevidade e lucratividade, além de contribuir eficazmente para 
a melhor utilização e conservação dos recursos naturais e o bem-estar de seus 
colaboradores e consumidores. Investir em sustentabilidade é bom para o negócio, 
para a comunidade e para o planeta, pois promove resultados como redução de 
custos, melhoria da imagem corporativa e da reputação, identificação e geração 
de novas oportunidades de negócios. (CHIAVENATO, 2014, p. 597)
Desse modo, para ser sustentável, uma organização deve ser financeiramente viável, 
socialmente justa e ambientalmente responsável. É a sustentabilidade corporativa que 
integra esses vetores e possibilita que as empresas alcancem seus objetivos ao mesmo 
tempo em que adotam um papel social de preservação ambiental, explicita Guimarães, 
Oliveira e Xavier (2019).
Verissimo (2018) explica que o conceito de responsabilidade social alcançou grande 
ênfase e desenvolvimento no cenário mundial contemporâneo, em que o relacionamento, 
a aproximação e os interesses da organização com a sociedade, pretende constituir 
uma gestão de compartilhamento comum, em que as organizações exerçam seus 
deveres sociais no ambiente que estão inseridas.
Uma organização socialmente responsável, segundo Chiavenato (2014) desempenha 
as seguintes obrigações:
• Acrescenta objetivos sociais no seu planejamento;
• Emprega normas comparativas de outras organizações em seus programas sociais;
• Exibe relatórios aos membros organizacionais e aos parceiros sobre os progressos 
na sua responsabilidade social;
• Verifica diferentes abordagens sociais e o retorno dos investimentos em programas 
sociais.
Integrar um esquema de responsabilidade social ao conceito de sustentabilidade gera 
um tripé muito conhecido que pode compreender diversas oportunidades de empresas 
melhorarem os resultados de forma integrada, ética e com o entendimento estabelecido 
13
O Público e o Privado 
na Gestão Social
Desenvolvimento sustentável 
e responsabilidade social
Capitulo 1
pelas expectativas das partes envolvidas. Ao buscar a gestão da responsabilidade social 
como base do desenvolvimento sustentável deve-se considerar o modelo do tripé da 
sustentabilidade (Figura 3), lembra Fukunaga (2020).
O tripé da sustentabilidade está dividido em três principais dimensões, econômica, 
ambiental e social. Esse conceito debate a forma equilibrada pela qual tais dimensões 
devem ser executadas. Também apresenta a interdependência dessas dimensões e 
a necessidade de incluir temas que estariam dentro da responsabilidade social e que, 
ao se enxergar essa condição, melhorariam o amadurecimento das organizações, a 
abordagem de temas fundamentalmente científicos e de outros de cunho social, 
entende Fukunaga (2020).
A gestão ambiental e da responsabilidade social, para um 
desenvolvimentoquesejasustentáveleconômica, socialeecologicamente,precisa possuir 
executivos e profissionais nas organizações, públicas e privadas, que adicionem tecnologia 
de produção inovadora, regras de decisão organizadas e demais compreensões 
sistêmicas exigidas no contexto em que estão incluídos, esclarece Tachizawa (2019).
Assim, a questão da responsabilidade social vai além da postura legal da organização, 
da prática filantrópica ou do apoio à comunidade. Significa mudança de atitude, numa 
perspectiva de gestão corporativa com foco da responsabilidade social das relações e 
na geração de valor para todos, ilustra Matos et al. (2007).
FIGURA 3
Tripé da sustentabilidade
FONTE
Elaborado pela autora (2021).
 
14
O Público e o Privado 
na Gestão Social
Desenvolvimento sustentável 
e responsabilidade social
Capitulo 1
Outro normativo relevante e que devemos conhecer é a ISO 26000.
Ashley (2019) afirma que a Norma internacional ISO 26000 se trata de uma norma de 
utilização voluntária e determina que a responsabilidade social é a responsabilidade 
de uma organização pelos impactos de suas decisões e atividadesna sociedade e no 
meio ambiente, através de um comportamento ético e transparente que:
• Colabore para o desenvolvimento sustentável, inclusive a saúde e o bem-estar da 
sociedade;
• Leve em conta as expectativas das partes interessadas;
• Esteja de acordo com a legislação aplicável;
• Seja sólida com as normas internacionais de comportamento;
• Esteja integrada a toda a organização e seja exercitada em suas relações.
Uma gestão ambiental e de responsabilidade social é o exame e a revisão das operações 
de uma organização da perspectiva da ecologia profunda ou do novo paradigma. É 
motivada por uma mudança nos valores da cultura empresarial da dominação para a 
parceria, da ideologia do crescimento econômico para a ideologia da sustentabilidade 
ecológica, explana Tachizawa (2019).
Resumindo
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? 
Neste capítulo você deve ter compreendido que existe atualmente uma 
grande mobilização em torno do desenvolvimento sustentável, mas 
que começaram a surgir há alguns anos atrás. Foi por meio desses 
movimentos que se estabeleceu o conceito de desenvolvimento 
sustentável através do Relatório de Brudtland, sustentado por várias 
outras conferências ocorridas pelo mundo, que significa que as gerações 
do presente devem se preocupar sobre como estão satisfazendo suas 
necessidades para que não comprometam as gerações futuras. Você 
também viu que em uma dessas conferências foram estabelecidos 
objetivos do desenvolvimento sustentável chamado de Agenda 2030. 
15
@faculdadelibano_
2
Gestão de 
políticas sociais
16
O Público e o Privado na Gestão Social Capitulo 2
Gestão de políticas sociais
Princípios e boas práticas da gestão de políticas sociais
Para que as políticas sociais sejam bem implementadas, elas precisam ser bem 
gerenciadas, por meio de práticas e princípios voltados para a concretização das ações 
sociais para quem necessita.
A ideia de gestão está relacionada não só em montar ou conservar grupos de interesses, 
mas determinar consensos comunitários, com a adesão da sociedade. A ideia é ficar de 
olho nos sujeitos sobre os quais refletirão as ações. 
É preciso governar com a perspectiva democrática republicana em que o governo é do 
povo e para o povo, desempenhado por ele e para ele, aumentando a ideia de governo 
para um conceito mais expandido no qual não existem dois mundos separados. 
O governar precisa não só estar próximo do cotidiano do governado, mas ter a perspectiva 
que se aproxime ao máximo dos projetos das pessoas. 
Tal proposição não tem origem em si mesma senão mediante uma fomentação pela 
participação popular nos ambientes de discussão e definição de políticas sociais, 
explicita Braum (2009).
A gestão dessas políticas de enfrentamento à questão social está intimamente 
associada à gestão das demandas que a sociedade traz, requerendo respostas para 
essas necessidades. 
Objetivos
Neste capítulo iremos aplicar os princípios e boas práticas da gestão de 
políticas sociais.
17
O Público e o Privado na Gestão Social Gestão de políticas sociais Capitulo 2
O contexto social na contemporaneidade corrobora essas demandas, reconhecendo-
as como direitos dos cidadãos, que encontram nas políticas sociais uma maneira de 
amenizar essas necessidades. Logo, ao mesmo tempo em que essas políticas atendem 
determinadas demandas, não extinguem as decorrências da questão social e a 
presença de carentes de direitos, relata Braum (2009).
Segundo Rizzotti et al. (2017), o debate da gestão das políticas sociais deve fazer parte 
das atribuições do Estado, em especial na disponibilização dos direitos, assim como 
a estrutura pública e burocrática da organização e oferta das provisões das políticas 
sociais. 
Desse modo, é fundamental reconhecer que existem diferentes possibilidades de fazer 
gestão no campo público e que, ao longo da história, diferentes modelos vêm sendo 
seguidos, sempre com a pretensão de possibilitar supostos aprimoramentos.
De certa forma, as políticas públicas são o Estado em ação; funcionam como filtros 
redistributivos de proteção social e desenvolvimento de seus cidadãos. No 
desenho e no conteúdo da política social, voltam-se as maiores expectativas por 
redução das desigualdades, enfrentamento da pobreza e oportunidade efetiva de 
inclusão social de grande parcela de sua população. (CARVALHO 2015, P. 34)
O Estado, com o dever de prover as políticas sociais, o deve fazer com responsabilidade 
e transparência sempre pensando no bem comum e na busca pela resolução dos 
problemas sociais com ações planejadas e estratégicas.
A gestão das políticas sociais constitui a gerência e direção da coisa pública. Este 
exercício de administrar e dirigir deve assegurar o acesso da sociedade a benefícios e 
serviços de natureza pública. 
Para tanto, verificar a gestão das políticas sociais indica referenciar a gestão de ações 
públicas como resposta às necessidades sociais que se originam na sociedade e são 
incluídas e processadas pelo Estado em diferentes esferas de poder, explana Santos e 
Zabdiele (2016).
18
O Público e o Privado na Gestão Social Gestão de políticas sociais Capitulo 2
Rizzotti et al. (2017) entende que a concepção da gestão social é que mais se adequa à 
perspectiva de avanços na gestão das políticas sociais, além de reconhecer a intrínseca 
relação entre o desenvolvimento econômico e social e ainda, fortalece a necessidade 
de aprofundamento da gestão democrática.
A gestão social baseia-se na concepção de um Estado social de direito e, assim, 
comprometida com a cidadania de todos os cidadãos de uma nação. Apoia-se em 
princípios constitucionais que dão forma e conteúdo às políticas, aos programas e aos 
serviços públicos, legitimando o Estado como autoridade dirigente das ações públicas, 
esclarece Carvalho (2015).
Nessa perspectiva, Carvalho (2015) demonstra que a gestão social possui um significado 
amplo, não se abreviando apenas à gerência técnico- administrativa de serviços e 
programas sociais. Trata-se essencialmente de:
FIGURA 4
Gestão de políticas sociais
FONTE
Elaborado pela autora (2021).
 
Importante
Dessa forma, a gestão social possui, como matéria-prima as políticas 
públicas, seus componentes (o fazer político, a mobilização social, 
o investimento público e a regulação estatal), assim como seus 
desdobramentos: programas, benefícios, serviços e projetos, descreve 
Carvalho (2015).
19
O Público e o Privado na Gestão Social Gestão de políticas sociais Capitulo 2
• Governança das políticas e programas sociais públicos;
• Qualidade de bem-estar oferecido à nação;
• Cultura política impregnada ao fazer social.
Secchi et al. (2020) informa que uma das principais tendências recentes no âmbito da 
gestão de políticas públicas é a chamada governança pública. 
Na literatura de administração pública e de ciências políticas, a governança pública é 
compreendida como um modelo de interação horizontal entre atores estatais e não 
estatais no processo de construção de políticas públicas.
Para Massaro (2018), a governança pública é a maneira através da qual o poder é exercido 
na gestão dos recursos para o desenvolvimento econômico e social de um país. Uma 
boa governança pode ser entendida como a capacidade de reunir esforços em prol 
de objetivos políticos, mas que necessitam estar em consenso com princípios e valores 
éticos, com respeito às leis, com a transparência, a responsabilidade administrativa, 
bem como, com a eficiência na prestação dos serviços públicos.
Logo, para que a gestão das políticas sociais seja eficaz é preciso que se tenha uma boa 
governança primando por esses princípios. Isso porque, quando se busca uma gestão 
transparente e responsável pode- se conseguir também confiança. Respeitar as leis 
não é apenas um dever com a justiça, mas com a própria sociedade.
No processo de gestão social estão compreendidas diferentes instâncias (Figura 5) do 
gestor público tais como as várias secretarias municipais (assistênciasocial, saúde, 
educação, meio ambiente etc.) ou ministérios do governo federal responsáveis pela 
implementação e implantação de políticas sociais em diversas áreas e esferas.
 Mas também estão envolvidas diversas organizações da sociedade civil (terceiro setor) 
que agem como parceiras do Estado na operacionalização dessas políticas sociais 
junto aos mais variados segmentos da sociedade: criança e adolescente, idoso, famílias 
em situação de vulnerabilidade social, mulheres vítimas de violência, população de rua, 
entre outros, menciona Frossard (2020).
20
O Público e o Privado na Gestão Social Gestão de políticas sociais Capitulo 2
Desse modo, a governança pública concretiza-se com parcerias- público privadas, 
coordenação interorganizacional de implementação de políticas públicas e com 
instrumentos participativos de deliberação e avaliação das políticas públicas, ilustra 
Secchi et. al. (2020).
A implantação integrada das diversas políticas sociais não depende somente da vontade 
política de quem contém o poder ou os recursos disponíveis, uma vez que cada política 
setorial abrange seus interesses e práticas. Portanto, efetuar um projeto articulado 
das políticas sociais demanda a mudança de práticas, padrões, valores, enfim, da 
cultura organizacional das instituições públicas gestoras das políticas sociais ou ainda, 
a incorporação de organizações autônomas privadas voltadas para os interesses 
coletivos capazes de dar maior eficácia à gestão das políticas sociais, afirmam Corá e 
Motta (2019).
Com isso, podemos compreender que a gestão de políticas sociais nos dias atuais não 
tem se configurado como primazia do Estado e, sim, precisam da participação ativa da 
sociedade nos processos de formulação e controle social da realização dessas políticas 
assim como de entidades que tenham esse propósito.
A gestão de políticas sociais na atualidade busca cada vez mais a articulação entre 
as diferentes políticas e a democratização dos processos decisórios responsáveis 
pelo estabelecimento de prioridades e formas de gestão de políticas e programas 
FIGURA 5
Instâncias do processo de gestão social
FONTE
Elaborado pela autora (2021).
 
21
O Público e o Privado na Gestão Social Gestão de políticas sociais Capitulo 2
sociais. Esse campo não é mais de um ator centralizador, mas um espaço cada vez 
mais democratizado, compreendendo vários atores sociais que, supostamente, devem 
representar interesses cada vez mais universais nas decisões a serem adotadas. Nessa 
perspectiva, os conselhos e as conferências, com representação paritária, legitimam 
a participação social na gestão, implementação e implantação de políticas sociais, 
afirma Braum (2009).
O Estado, enquanto descentraliza seu poder, permite a criação de novos formatos 
organizacionais, de novos espaços públicos, possibilitando novas respostas da sociedade 
civil às demandas de alguns dos seus segmentos, lembra Corá e Motta (2019).
A democratização expande os ambientes de decisão e gestão de políticas de cunho 
social. Abre também possibilidade para participação de novos sujeitos sociais, 
aumentando assim a necessidade de construção de mediações nos interesses políticos 
a serem negociados nesse campo, em que muitas vezes, ocorre a manipulação dos 
fundos sem a devida pactuação dos diferentes representantes dos segmentos sociais, 
relata Braum (2009).
Conforme Frossard (2020), o planejamento é um importante mecanismo para a gestão 
pública e para o fomento de políticas públicas orientadas para o desenvolvimento 
integral de um município, de um estado e de uma nação. Entre essas políticas públicas, 
as políticas sociais ocupam importante espaço, colaborando para o desenvolvimento 
social.
Importante
A participação da sociedade tem se mostrado cada vez mais uma 
referência obrigatória na questão da gestão de políticas sociais na 
contemporaneidade. A estratégia da democracia surgiu como uma 
possibilidade de avançar em direção às ideias mais socialistas, com 
ideias de direitos e cidadania, indicando forte ênfase na participação 
popular como estratégia de enfrentamento ao neoliberalismo, demonstra 
Braum (2009).
22
O Público e o Privado na Gestão Social Gestão de políticas sociais Capitulo 2
Através do planejamento podem ser definidos os objetivos, quais os programas que 
deverão ser executados, as metas que deverão ser alcançadas para conseguir 
chegar ao maior número possível de pessoas, as estratégias que serão utilizadas, ou 
seja, como se fará para chegar nesses objetivos, assim como poderão ser previstos 
os recursos necessários para sua consecução. Esses recursos não incluem apenas os 
financeiros, mas também os pessoais que serão indispensáveis para seu alcance.
A complexidade da questão social brasileira, configurada sob as mais variadas 
expressões que se materializaram no dia a dia de pessoas que vivem a condição de 
exclusão social e de diferentes vulnerabilidades, as colocam em situação de contínuo 
risco social. 
Para o enfrentamento dessas expressões, o Estado possui a responsabilidade de criar, 
fomentar e financiar políticas sociais no âmbito federal, estadual e municipal, cuja 
proposta atual é de que sejam implantadas e realizadas de forma participativa e 
acarretando as mudanças necessárias na direção do desenvolvimento social, explica 
Frossard (2020).
Nessas políticas operam profissionais de diferentes áreas com o propósito de 
enfrentamento de inúmeras expressões da questão social, colaborando muito com 
o processo político, teórico e metodológico do planejamento social, seja na esfera 
municipal, estadual ou federal, complementa Frossard (2020).
O Estado e seus mecanismos buscam novos modelos, democratizando suas relações, 
dando preferência ao controle social e a outras estratégias que possam atender a 
população com suas demandas da maneira mais resolutiva possível. Assim sendo, a 
gestão intersetorial das políticas se configura como uma perspectiva importante.
 Isso porque assinala para uma visão integrada dos problemas sociais e de suas soluções, 
visto que a sua complexidade não se esgota no domínio de uma única política social. 
A integração de diferentes políticas sociais é uma maneira de abordar o sujeito em 
sua totalidade, buscando melhoria para a sua qualidade de vida. A intersetorialidade 
demonstra a compreensão sobre a necessidade de procurar outras saídas para lidar 
com incertezas e a complexidade dos problemas sociais, que surgem dos diferentes 
aspectos da questão social, explana Braum (2009).
23
O Público e o Privado na Gestão Social Gestão de políticas sociais Capitulo 2
Essa intersetorialidade determina uma articulação, não só de pessoas, mas de 
instituições, que constituem relações, compondo uma rede de relações estabelecendo 
acordos de cooperação intersetorial no enfrentamento de questões que uma política 
sozinha muitas vezes não consegue resolver, esclarece o autor Braum (2009).
O governar na contemporaneidade implica também em possuir a habilidade de 
articulações, prestações de serviços por meio de parceiras com a sociedade civil ou 
o setor público na gestão daquilo que é de todos. É preciso entrelaçar os diferentes 
setores, sendo este um grande desafio. 
Estabelecer uma instituição que oferta um determinado serviço específico é fácil, o difícil 
é organizar o serviço de rede intersetorial de maneira bem articulada. É muito importante 
se lembrar que para o usuário dos serviços, a realidade não é fatiada em setores e que 
sua qualidade de vida deve ser vista e abordada de maneira integral. O que fará o 
diferencial na gestão é justamente essa articulação, em oposição às sobreposições de 
ações, explicita Braum (2009).
A descentralização compreende mudanças, um novo processo de articulação entre 
estado e sociedade, entre o poder público e a realidade social. Apesar da relevância 
do desempenho do Estado, ele não pode substituir a sociedade em qualquer que seja o 
sistema e vice-versa. Daí a importância em saber o que transferir e para quemtransferir, 
lembra Corá e Motta (2019).
 
FIGURA 6
Gestão intersetorial das políticas
FONTE
Elaborado pela autora (2021).
 
24
O Público e o Privado na Gestão Social Gestão de políticas sociais Capitulo 2
A intersetorialidade é uma prática que compartilha conhecimentos, ações e 
responsabilidade, determinando do gestor o esforço para o estabelecimento de relações 
horizontais, na medida que compartilham os saberes em uma dada situação. 
Dentro dessa rede de intersetorialidade, fazem parte as instituições, famílias, municípios, 
estados, todos mobilizados em função de uma ideia abraçada coletivamente. A 
descentralização e a intersetorialidade são elementos que não apresentam mais volta 
no plano de gestão. 
A descentralização ocorre enquanto o poder é transferido para junto dos que aproveitam 
os serviços prestados e a intersetorialidade ocorre enquanto integra a gestão de políticas 
públicas, articulando não apenas as políticas sociais. 
Esse processo permite articular a prestação de serviços e os cidadãos, acarretando uma 
nova relação de poder entre os múltiplos atores. Seguir esses pressupostos possibilita 
modelar uma nova estrutura organizacional, novas práticas, novas formas de gestão da 
cidade e de seus serviços, tornando-os mais democráticos e eficazes, informa Braum 
(2009).
Deste modo, o conceito de gestão intersetorial e de rede estabelece novas possibilidades 
de intervenção, provocando em cada um de seus membros a participação que viabiliza 
a reconstrução da sociedade civil. 
Acarreta a criação de respostas novas aos problemas sociais, tornando cada vez mais 
eficaz a gestão social, que se caracteriza por ser intersetorial, articulando instituições e 
pessoas para construírem projetos, recuperar a vida e os sonhos, elucida Corá e Motta 
(2019).
A gestão de políticas sociais não pode se ater ao fato de que elas existem, mas deve 
procurar consolidar-se sobre a estratégia de diretrizes que predominem pelo controle 
social e a prática de intersetorialidade como estratégia de resolubilidade e garantia de 
acesso aos direitos fundamentais dos usuários, analisa Braum (2009).
25
O Público e o Privado na Gestão Social Gestão de políticas sociais Capitulo 2
Resumindo
Você deve ter visto neste capítulo que a gestão de políticas sociais deve 
estar voltada para o povo, preocupando-se com a adesão da sociedade 
e requerendo respostas para suas necessidades. No qual são incluídas 
e processadas pelo Estado em diferentes esferas do poder. Deve 
ter compreendido que uma das principais tendências no âmbito da 
gestão de políticas sociais trata-se da governança pública que busca 
reunir esforços para o alcance dos objetivos políticos que estejam de 
acordo com princípios e valores éticos, respeito às leis, transparência, 
responsabilidade administrativa e eficiência na prestação dos serviços 
públicos. E que estão compreendidas em diferentes instâncias nesse 
processo e também o envolvimento do terceiro setor, assim como este 
tipo de gestão deve buscar a democratização por meio da participação 
da sociedade. Por fim, entendeu que é necessário que exista um 
planejamento por parte do Estado dentro da gestão de políticas sociais e 
que a gestão intersetorial se configura como uma perspectiva importante 
e que estabelece novas possibilidades de intervenção, provocando em 
cada um de seus membros a participação que viabiliza a reconstrução 
da sociedade civil.
26
@faculdadelibano_
3
Gestão do 
terceiro setor
27
O Público e o Privado na Gestão Social Capitulo 3
Gestão do terceiro setor
Técnicas e boas práticas de gestão no terceiro setor
O terceiro setor é formado por entidades não estatais, ou sejam, aquelas que não fazem 
parte da administração pública direta nem indiretamente. 
Elas possuem personalidade jurídica de direito privado, mas não tem fins lucrativos e 
sua gestão é efetuada por pessoas da sociedade civil que prestam apoio ao Estado 
realizando atividades de utilidade pública.
Oliveira (2016) explica que enquanto o setor público refere-se à Administração Pública 
e o setor privado às pessoas jurídicas (individuais ou coletivas) estabelecidas com 
o objetivo comercial e lucrativo, o terceiro setor é a denominação adotada para as 
pessoas jurídicas constituídas sem objetivo econômico, isto é, não distribuem o lucro 
entre os sócios, mas o aplicam integralmente na sociedade para a efetivação de seu 
objeto, que deverá ser sempre uma finalidade ou objetivo público.
Objetivos
Neste capítulo iremos compreender e identificar as técnicas, as boas 
práticas e os modelos de gestão do terceiro setor.
28
O Público e o Privado na Gestão Social Gestão do terceiro setor Capitulo 3
Essas entidades do terceiro setor executam projetos de interesse do Estado com ações 
na busca de interesses primordialmente coletivos, realizando serviços não exclusivos, 
proporcionando o seu desenvolvimento e seguindo as determinações impostas por leis 
específicas para cada modalidade. Assim, quando esses requisitos são preenchidos 
recebem ajuda do Estado na sua execução.
No cenário de modernização econômica do Estado que, no Brasil, a reforma 
ganha força e as organizações sem fins lucrativos ganham espaço na cena 
política. Passam a constituir uma alternativa de eficácia à gestão das políticas 
sociais. O Estado sem eximir de sua responsabilidade transfere algumas de suas 
competências para organizações da sociedade civil, que passam a assumir, em 
caráter complementar e, em parceria, ações sociais que possibilitam oferecer à 
população melhores condições de vida. (JUNQUEIRA, 2001, p.6)
Essas organizações atuam nos espaços da cultura, lazer, assistência social, educação, 
saúde, pobreza, defesa dos direitos humanos, religião, ecologia e meio ambiente. Elas 
se caracterizam por uma gestão participativa, de caráter voluntário, com foco no lugar 
onde atuam. Para que se tornem viáveis, procuram parcerias com o governo e com as 
organizações socialmente responsáveis, esclarece Matos et al. (2007).
EXEMPLO: Entre essas entidades, destacam-se o Sistema S (Senai, Senac, SESI, SENAI, 
SEBRAE etc.), Organizações Sociais, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público 
e Entidades de Apoio.
FIGURA 7
Terceiro Setor
FONTE
Elaborado pela autora (2021).
 
29
O Público e o Privado na Gestão Social Gestão do terceiro setor Capitulo 3
Essa nova vivência que está sendo constituída determina uma nova relação entre 
Estado e sociedade, entre público e privado. Se até um período próximo o Estado era 
agente exclusivo das políticas sociais essa realidade começou a mudar em função das 
demandas e pressões originárias das pessoas e dos grupos organizados, até mesmo 
dos organismos governamentais que buscam novas maneiras de gestão, novas formas 
de atender as necessidades sociais, explicita Corá e Motta (2019).
As organizações do terceiro setor, de acordo com Almeida (2012), ao definirem a área de 
atuação (a sua população-alvo) para a prestação de serviços, apresentam à sociedade 
sua representação particular do que entendem por questão social e atuam, a seu modo, 
para colaborar no desenvolvimento e crescimento da sociedade, especialmente nos 
estratos sociais menos privilegiados. Assim sendo, a contribuição do terceiro setor para 
a construção da cidadania está organizada em quatro campos de atuação:
• Inserção social e profissional;
• Serviços de utilidade comunitária;
• Produção do patrimônio coletivo;
• Atividades culturais.
O poder público e as organizações da sociedade civil instituem relações em regime 
de mútua cooperação (Figura 8) e desenvolvem ações de interesse recíproco com o 
propósito único de atender as demandas e interesses públicos, ou seja, desenvolver 
projetos que colaborem para a melhoria da qualidade de vida da população em todos 
os seus aspectos, explana Oliveira (2016).
Importante
Ao buscar parcerias, as organizações do terceiro setor são avaliadas pelos 
potenciais investidores, sendo um fator- chave o grau de envolvimento 
da comunidade,lembra Matos et al. (2007).
30
O Público e o Privado na Gestão Social Gestão do terceiro setor Capitulo 3
A parceria das organizações sem fins lucrativos na gestão das políticas sociais não 
apenas inova, alterando a lógica da gestão pública, como também pode inserir novas 
formas de gerenciar a política social, demonstram Corá e Motta (2019).
Elas são formadas para o atendimento dos interesses públicos, desse modo, a parceria 
estabelecida com o Estado tem um caráter complementar, visto que a gestão de ações 
sociais é de competência estatal, entendem Corá e Motta (2019).
Lemes (2018) entende que o gerenciamento de uma ONG não é diferente da 
administração com qualidade de gestão em uma empresa pública (primeiro setor) ou 
um empreendimento que tem como finalidade o lucro para poder sobreviver e crescer 
(segundo setor). Porém, talvez o terceiro setor tenha obrigação de ser mais competente 
do que os dois outros, devido à dificuldade de financiamento.
Dessa forma, uma boa gestão não é necessária apenas para conservar uma saúde 
financeira agradável e executar as atividades propostas como planejado, mas também 
para conseguir os recursos necessários para isso.
A gestão das organizações do terceiro setor é peculiar, pois deve ser capaz de 
compreender as interfaces institucionais com o Estado, os mercados e a sociedade civil 
e construir modos especiais de gestão baseados nos atributos da representatividade 
de interesses coletivos, democratização, qualidade e efetividade, visibilidade social, 
universalidade, cultura pública, autonomia e controle social e ainda, a defesa e proteção 
 
FIGURA 8
Mútua Cooperação entre o poder público e 
as organizações sociais
FONTE
Freepik
31
O Público e o Privado na Gestão Social Gestão do terceiro setor Capitulo 3
social, para assegurar a deliberação democrática dos públicos constituintes dotados 
de valores de interesse público, informa Cabral (2015).
Alves Junior et al. (2009) destaca que a gestão das organizações sem fins lucrativos 
emprega as funções administrativas (planejamento, organização, direção e controle), 
a fim de entregar às instituições o melhor desempenho relacionado com a eficiência, a 
eficácia e a efetividade.
Ou seja, elas buscam realizar suas atividades da melhor forma possível, com os recursos 
que possuem atendendo as expectativas da sociedade. Contudo, por não possuírem 
recursos próprios, precisam administrar bem os que possuem, sendo esta uma das 
preocupações no seu processo de gestão.
O planejamento é a ação de determinar a finalidade e os objetivos organizacionais 
e prever as atividades, os recursos e os meios que possibilitarão sua consecução ao 
longo de um período determinado. A organização é a ação de reunir pessoas e recursos, 
determinando atribuições, responsabilidades e relações entre indivíduos e grupos, de 
modo a alcançar os objetivos organizacionais. 
Estabelecer a direção é a ação de conduzir e motivar pessoas a realizarem suas tarefas 
a fim de alcançar os objetivos propostos. Já exercer o controle é a ação de comprar os 
objetivos estabelecidos e os recursos previstos com os resultados atingidos e os recursos 
realmente gastos, a fim de tomar decisões que possam corrigir ou modificar os rumos 
fixados, descreve Aragão (2013).
Para Frossard (2020), tanto as instituições públicas e as da sociedade civil, que operam 
em áreas como a da assistência social, educação e saúde, se por um lado colabora 
para a formulação e cumprimento das políticas sociais, por outro lado e, por isso mesmo, 
precisam de um direcionamento técnico e administrativo para o desenvolvimento de 
suas ações e serviços, desenvolvendo políticas garantidoras de direitos. Trata-se da 
gestão institucional cujo instrumento básico é o planejamento institucional.
As instituições públicas, seja na esfera federal, estadual ou municipal e as organizações 
de terceiro setor, precisam ser pensadas e entendidas em sua totalidade, estimulando 
o processo planejado de gestão institucional. 
32
O Público e o Privado na Gestão Social Gestão do terceiro setor Capitulo 3
Dessa forma, o planejamento é o instrumento para a concretização da política 
institucional que, em última instância, deve estar direcionada para a materialização das 
diretrizes e princípios das políticas sociais das áreas e segmentos na qual e com a qual 
atua, complementa Frossard (2020).
Gerenciar uma instituição do terceiro setor, a partir desta perspectiva, significa pensar a 
instituição como capaz de colaborar de forma autêntica com o processo de promoção 
social de indivíduos, grupos de famílias, segmentos e comunidades que, não raras vezes, 
contam com aquele serviço como o único recurso social a que realmente possuem 
acesso, cita Aragão e Costa (2013).
Dentro do pensamento da gestão estratégica e participativa o papel do gestor ultrapassa 
o planejar, organizar, dirigir e controlar. Implica em uma postura de diálogo com todos os 
setores internos e com o ambiente externo para uma real identificação da percepção dos 
dilemas e das questões estratégicas, importantes para o desenvolvimento institucional, 
complementam Aragão e Costa (2013).
FIGURA 9
Planejamento
FONTE
Elaborado pela autora (2021)
 
Importante
O exercício da gestão é técnico e profissional, com destaque para 
a participação dos sujeitos institucionais e com um desempenho 
altamente dialogal.
33
O Público e o Privado na Gestão Social Gestão do terceiro setor Capitulo 3
As organizações do terceiro setor inserem-se no conjunto de expectativas criado 
pela governança pública. Por sua defesa de interesses entendidos como coletivos, as 
organizações do terceiro setor são chamadas para participar tanto na tomada de 
decisão como na implementação e avaliação das políticas públicas, menciona Secchi 
et al. (2020).
Conforme o IBGC e GIFE (2014, p. 18), a governança “é o sistema pelo qual as organizações 
são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo o relacionamento entre Conselho, 
equipe executiva e demais órgãos de controle”. Suas boas práticas transformam 
princípios em recomendações objetivas ordenando os interesses com o propósito de 
conservar a reputação da organização e aprimorar seu valor social, proporcionando 
seu acesso a recursos e colaborando para sua longevidade. Tem como princípios:
• Transparência – através da disponibilização das informações para as partes 
interessadas;
• Equidade – mediante o tratamento justo a todas as partes interessadas;
• Prestação de contas (accountability) – devem ser prestadas as contas das atuações;
• Responsabilidade – por meio do zelo pela sustentabilidade, introduzindo considerações 
de ordem social e ambiental em seus programas, projetos e operações.
As partes interessadas são todos aqueles que as organizações sem fins lucrativos 
atingem, que podem ser governo, comunidade, as pessoas beneficiadas, entre outros.
Aspectos típicos das organizações não-lucrativas do terceiro setor compreendem a 
motivação dos empregados voluntários, trabalhando com dirigentes e desenvolvendo 
um suporte financeiro e identificação com a comunidade, relata Matos et al. (2007).
Assim, para que essas entidades possam trabalhar com voluntários elas devem seguir as 
determinações da Lei nº 9.608/98, por meio de um termo de adesão específico, evitando 
desse modo, problemas com a justiça do trabalho.
O exercício da gestão institucional, consoante Aragão e Costa (2013), está apoiado na 
existência de um grupo de voluntariado organizado e participativo, pois no contexto do 
Terceiro Setor, este é um fator importante, constituindo-se em um dos elementos que o 
caracteriza. 
34
O Público e o Privado na Gestão Social Gestão do terceiro setor Capitulo 3
Compõe o quadro de recursos humanos, sem, no entanto, ser assalariado. São diretores 
e gestores que formam o esteio do trabalho institucional, realizando ações basicamente 
voltadas para manutenção e sobrevivência dessas instituições.
Devido às exigências e ao estabelecimento de critérios rígidosde organização e 
evidenciação dos resultados, criou-se a necessidade de investir na capacitação 
e profissionalização das pessoas comprometidas em atividades do terceiro setor, 
principalmente no que se refere à gestão tanto da organização quanto de seus recursos, 
já que, tendo em vista seus princípios de atuação, estas eram áreas de desempenho 
menos desenvolvidas pelas ONGs, demonstra Almeida (2012).
Importante também destacarmos que as entidades sem fins lucrativos não possuem 
proprietários, mas sim instituidores, como também podem ser formados por associados, 
dependendo do tipo e devem possuir um conselho.
Este deve ser eleito pelos associados, nas associações, ou escolhido pelo instituidor/
mantenedor ou pelos próprios conselheiros, nas fundações, sem perder de vista 
todas as demais partes interessadas, o objetivo social e a susten- tabilidade da 
organização no longo prazo. (IBGC e GIFE, 2014, p. 33)
Saiba Mais
Para se aprofundar mais nesse tema leia o Guia de Melhores Práticas 
de Governança para Institutos e Fundações Empresariais. Disponível em: 
https://bit.ly/39hRLKd
Aragão e Costa (2013) afirmam que dentro dessa nova perspectiva de gestão das 
organizações que se configuram como Terceiro Setor, a pilastra fundamental para a sua 
gestão são os recursos humanos, sejam eles os diretores, funcionários administrativos, 
técnicos, voluntários, todos são essenciais ao processo de planejamento e gerenciamento 
de programas, projetos e serviços institucionais.
https://www.fbb.org.br/images/Sobre_nos/005_Governanca/GIFE_Guia_Melhores_Praticas.pdf
35
O Público e o Privado na Gestão Social Gestão do terceiro setor Capitulo 3
Resumindo
Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o 
tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você 
deve ter aprendido o que vem a ser o terceiro setor e suas principais 
características e que elas executam projetos de interesse do Estado com 
ações na busca de interesses primordialmente coletivos e atuam nos 
espaços da cultura, lazer, assistência social, educação, saúde, pobreza, 
defesa dos direitos humanos, religião, ecologia e meio ambiente. Viu 
que a gestão das organizações do terceiro setor é peculiar pois deve 
compreender as interfaces do Estado, dos mercados e da sociedade 
civil baseada em aspectos como representatividade, visibilidade social 
universalidade, entre outros. Para isso precisam em empregar as funções 
administrativas de planejar, organizar, dirigir e controlar, bem como ter 
uma postura dialogal com todos os setores internos e com o ambiente 
externo para que se compreendam os dilemas e questões estratégicas 
importantes para o desenvolvimento institucional. Por fim, entendeu que 
essas organizações devem se preocupar com a governança pública e 
com seus princípios que são a transparência, equidade, prestação de 
contas e responsabilidade.
36
@faculdadelibano_
4
Tendências das 
políticas sociais no
Brasil e no mundo
37
O Público e o Privado na Gestão Social Capitulo 4
Tendências das políticas 
sociais no Brasil e no mundo
Tendências das políticas sociais no contexto nacional
Diversas mudanças ocorreram nos últimos anos relacionados com a implantação de 
políticas sociais no Brasil. Em todos os campos foram incluídos programas, muitos deles 
a partir da determinação da Constituição Federal de 1988. Programas voltados para a 
educação, assistência social, previdência, saúde, trabalho e renda, entre outros.
Contudo, muita coisa ainda precisa ser mudada ou até mesmo aperfeiçoada para que 
seja eficaz e tenha os resultados esperados.
O objetivo dessas políticas sociais é o bem-estar da população, mas vivemos em um 
país onde ainda existe muita pobreza, vulnerabilidade social, taxa de desemprego alta, 
assim como entraves na realização de programas.
De maneira geral, a Constituição de 1988 fez vários avanços, mas uma concepção 
que está embutida dá aos estados e municípios o direito a um determinado recurso 
na área da saúde, na área da educação, etc., mas não exige mostrar desempenho 
no uso desses recursos. O tratamento que o Bolsa Família, por exemplo, dá a uma 
família é o seguinte: “Te dou o dinheiro e você põe o teu filho na escola, se não, 
tiramos o dinheiro!”. 
Objetivos
Neste capítulo iremos avaliar as tendências das políticas sociais no 
contexto nacional e as influências das políticas sociais no âmbito 
internacional.
38
O Público e o Privado na Gestão Social Tendências das políticas sociais no Brasil e no mundo Capitulo 4
Por quais razões estados e municípios merecem um tratamento diferente desse? 
Então, deve- se levar o mesmo tipo de princípios do Bolsa Família para a relação do 
governo federal com estados e municípios, para tornar os programas consistentes. 
(OLIVEIRA, 2010, p. 78)
Segundo Senne (2017), a constituição dos direitos sociais de educação, saúde e proteção 
social, base da cidadania social, relaciona- se a uma estratégia de encarar a questão 
da desigualdade como ponto essencial no debate político das sociedades modernas.
O desemprego traz consigo vários outros problemas, pois sem uma renda a população 
não tem como se manter, podendo desencadear riscos sociais como elevação do 
número de pessoas em situação de rua (Figura 10) e de pobreza extrema. Também nos 
demonstra uma outra tendência que deverá ser analisada, quanto aos atendimentos de 
saúde, que mesmo com a atuação do SUS, não consegue suprir todas as necessidades 
da população brasileira.
Importante
De acordo com o site do IBGE, a taxa de desocupação no terceiro 
trimestre de 2020 estava em 13,1% (dados acessados em 08 mar 2021 
https://bit.ly/3fpO7Sa). Dados esses que atualmente devem estar bem 
maiores devido aos problemas de saúde enfrentados não apenas no 
Brasil, mas em todo o mundo.
 
FIGURA 10
Pessoas em situação de rua
FONTE
Freepik
39
O Público e o Privado na Gestão Social Tendências das políticas sociais no Brasil e no mundo Capitulo 4
Deve-se buscar eficiência focalizando as políticas sociais, assim como as tais portas 
de saída da pobreza, através de mais opções. Na área social, em particular, temos 
dificuldades de fazer escolhas. O Brasil deve começar a escolher e a série dos últimos 
anos mostra com clareza, quais foram os avanços e quais foram os retrocessos. O 
interessante é que ambos são bem diferentes da série histórica do Estado brasileiro. O 
Brasil sempre foi um país que cresceu muito com desigualdade alta. 
Atualmente, somos um país que cresce pouco com desigualdade em queda. Estamos 
refazendo nossa história e devemos aproveitar e buscar uma história mais interessante. 
Podemos crescer mais, com redução da desigualdade. Para tanto, temos de fazer uma 
escolha: desativar o antigo regime de políticas sociais e apostar em um novo regime 
que busque mais os pobres e uma transformação em suas vidas, explana Oliveira (2010).
A política social brasileira forma-se e reorganiza-se, mantendo em sua realização a 
estrutura fragmentária, setorial e emergencial, sempre apoiada pela imprescindível 
necessidade de dar legitimidade aos governos que procuram bases sociais para 
conservar-se e acolhem seletivamente as reivindicações e até as pressões da sociedade, 
informa Senne (2017).
Ultimamente estamos vivendo uma crise sanitária devido ao Corona vírus, isso fez 
com que todos os níveis da federação buscassem meios para enfrentar esse período. 
Buscam-se medidas em todos os âmbitos e não apenas na saúde. 
Os meios educacionais tiveram que se adequar à essa nova realidade por meio de 
aulas remotas. Ações sociais mais direcionadas tiveram que ser adotadas, como por 
exemplo, criação de abrigos para moradores de rua com suspeita da doença na cidade 
de São Paulo.
Ainda, podemos citar o auxílio emergencial do governo federal, destinado às pessoas 
que ficaram sem renda, devido ao fechamento do comércio e das atividades não-
essenciais, servindo como uma ajuda financeira para conter o avanço da pobreza.
Por não existir um plano de gerenciamento de crisespara momentos como este, as 
ações tomadas nesse campo são emergenciais. Talvez fosse o momento de repensar 
as políticas sociais para que em momentos como esses existisse uma efetividade maior.
40
O Público e o Privado na Gestão Social Tendências das políticas sociais no Brasil e no mundo Capitulo 4
Dessa forma podemos verificar como a necessidade da política social, portanto, 
apresentam claro e inequívoco conteúdo de classe social, e respondem, em última 
instância, aos interesses das classes dominantes. Isto não significa que se deve, 
neste momento histórico, negar uma ou outra – ou ambas. O que é fundamental 
é o fortalecimento daqueles que se encontram fora dos processos decisórios que 
se dão, em última instância, no âmbito político. Os espaços políticos já existentes 
– sindicatos, associações, conselhos – e a busca incessante de criação de novos 
espaços de participação, podem se constituir em um caminho possível de 
fortalecimento dos indivíduos para que reconheçam sujeito coletivo e imponham 
mudanças importantes em ambas as políticas, 9 mudanças estas que venham a 
favorecer a maioria da população. (SENNE, 2017, p. 8)
Outro problema é compreender como implementar uma política social que atenda os 
princípios de eficiência e eficácia, isto é, que possa alcançar os objetivos indicados (Figura 
11), da forma mais econômica, no menor prazo possível e com justiça. Esta alternativa 
é racional por um lado, mas vai depender de aspectos como: tipo de Estado, tipo de 
governo, das características da sociedade, da orientação ideológica, da disponibilidade 
de recursos financeiros e dos condicionamentos impostos pela conjuntura internacional, 
esclarece Senne (2017).
FIGURA 11
Alcance dos objetivos indicados
FONTE
Freepik
 
41
O Público e o Privado na Gestão Social Tendências das políticas sociais no Brasil e no mundo Capitulo 4
Mas uma coisa é fundamental, estamos vivendo épocas de democratização, nas quais 
as pessoas querem participar mais da implementação dessas políticas, se preocupam 
mais e buscam melhores condições de vida, cobrando do Estado medidas efetivas, não 
apenas através de sindicatos, associações ou movimentos sociais, mas também usando 
meios sociais ou qualquer outro meio de ampla difusão buscando a adoção de políticas 
sociais universais, que garantam direitos para a parcela majoritária da população no 
lugar de programas concentrados que possibilitam o acesso precário a essas políticas.
Influências das políticas sociais no âmbito internacional
Os efeitos dos processos econômicos globalizados em termos de aumento das 
desigualdades sociais e agravamento do desequilíbrio entre blocos de nações vêm 
sendo reconhecidos até mesmo pelas instituições internacionais, cujas agendas passam 
a incorporar prioridades de combate à pobreza, de inclusão social e adoção de políticas 
de mitigação dos chamados riscos sociais, ainda que estes sejam considerados como 
subprodutos inevitáveis das políticas de ajustamento, entendem Alvim e Castro (2010).
Conforme Senne (2017), as políticas sociais são discutidas em espaços transnacionais, 
por meio de acordos firmados que acabam modificando e influenciando a realização e 
definição das políticas sociais.
As Nações Unidas desempenham um papel fundamental de influência nas políticas 
sociais, buscando meios para a erradicação da fome e de projetos sociais.
A criação da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1945, assinalou uma nova 
ordem internacional, em busca da manutenção da paz e segurança internacional, 
desenvolvimento de relações amistosas entre os Estados, baseadas no respeito 
à igualdade de direitos e autodeterminação dos povos, cooperação internacional 
no plano econômico, social e cultural, adoção de uma padrão internacional de 
saúde, proteção ao meio ambiente, criação de uma nova ordem econômica 
internacional e proteção internacional dos direitos humanos. (JUBILUT et al., 2016, 
p. 564)
42
O Público e o Privado na Gestão Social Tendências das políticas sociais no Brasil e no mundo Capitulo 4
Diversos instrumentos internacionais foram ratificados pelo Brasil. No âmbito da ONU 
alguns deles, de acordo com Jubilut et al. (2016), foram:
• Convenção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação racial;
• Convenção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação contra a mulher;
• Convenção contra a tortura e outros tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes;
• Convenção sobre os direitos da criança;
• Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência, entre vários outros.
A ampliação de programas assistenciais conta ainda com o estímulo dos organismos 
internacionais, com destaque para o Banco Mundial e o Programa das Nações Unidas 
para o Desenvolvimento (PNUD).
O Banco Mundial trata-se de uma instituição financeira formada por organizações 
distintas que têm como visão diminuir a pobreza e produzir prosperidade compartilhada 
de forma sustentável, servindo como fonte global de assistência para o desenvolvimento 
econômico no mundo.
No Brasil, o Banco Mundial representou, desde então, importante fonte de recursos. 
Com o financiamento de projetos nas mais diversas áreas e, por meio do 
desenvolvimento da globalização, o processo para captação desses recursos 
se tornou mais acessível. Portanto, atuando nas áreas da saúde, infraestrutura, 
inclusão social, educação, meio ambiente, dentre outras, percebe-se o Banco 
Mundial como grande atuante no investimento de projetos que o setor privado não 
se dispõe a financiar. Estratégias de financiamentos para projetos que possam 
beneficiar mais de um país ao mesmo tempo são destacadas, uma vez que o 
banco conta com países-membros que buscam certa forma de cooperação. 
(FROZZA, 2013, p.14)
Saiba Mais
Aprofunde-se mais nesse tema compreendendo mais um pouco sobre a 
ONU lendo a Carta das Nações Unidas. Disponível em: https://bit.ly/3fiPfac 
(Acesso em: 08 mar 2021).
43
O Público e o Privado na Gestão Social Tendências das políticas sociais no Brasil e no mundo Capitulo 4
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) é o organismo 
internacional que busca promover o desenvolvimento e eliminar a pobreza no mundo, 
produzindo relatórios e estudos sobre o desenvolvimento humano sustentável e as 
condições de vida das populações, assim como executa projetos que colaborem para 
melhorar as condições de vida dos países onde possui representação, explica Costa 
(2018).
Outro instrumento importante trata-se da Declaração Tripartite de Princípios sobre 
as Empresas Multinacionais e a Política Social que se baseia em uma recomendação 
aos governos, às organizações de empregadores e de trabalhadores e às empresas 
multinacionais para regulamentar a conduta das empresas multinacionais e estabelecer 
as condições. Devem orientar suas relações com os países que as acolham. Seu campo 
de aplicação é baseado nas convenções da Organização Internacional do Trabalho 
(OIT) e na declaração dos direitos humanos e compreende: a promoção do emprego, 
a igualdade de oportunidades e tratamento, a proibição do trabalho infantil (Figura 
12), a promoção da liberdade sindical e das negociações coletivas, a luta contra a 
discriminação no trabalho e a luta contra o trabalho forçado, complementa Costa (2018).
Pinheiro e Santos (2017) destacam a influência internacional nas políticas educacionais 
brasileiras, sobretudo por organizações que, no contexto da globalização, entram em 
cena nas políticas nacionais de educação. 
 
FIGURA 12
Proibição do trabalho infantil
FONTE
Wikicommons
44
O Público e o Privado na Gestão Social Tendências das políticas sociais no Brasil e no mundo Capitulo 4
A ONU, através da UNESCO e a UNICEF, assim como o Banco Mundial são agências 
especializadas em educação que promoveram conferências das quais o Brasil participou, 
assinando declarações e assumindo compromissos referentes à educação brasileira.
As políticas internacionais influenciam diretaou indiretamente a formação 
curricular e assim o processo de ensino-aprendizagem, tendo em vista que este 
não se encontra aquém das fronteiras de mudanças do universo contemporâneo. 
A escola, como um organismo social, sofre tanto a influência das diversidades 
da economia, da política e da sociedade, como outra instituição governamental. 
(BORDIN, 2015, p. 4)
Contudo, alguns movimentos específicos também se tornaram relevantes para o campo 
das políticas sociais no Brasil. Giovanella et al. (2012) afirmam que os movimentos sociais 
na esfera internacional passaram a enfocar a compreensão da saúde como direito 
humano, a necessidade de debater sobre os determinantes sociais e políticos mais 
extensos, sobre a saúde e também a necessidade de definir políticas de desenvolvimento 
inclusivas, apoiadas por compromissos financeiros e de legislação, para diminuir as 
desigualdades e alcançar equidade em saúde.
O Movimento para a Saúde dos Povos reúne parte dessas iniciativas com ativistas 
de saúde de todas as partes do mundo para compartilhar experiências e fomentar a 
ação de organizações da sociedade civil na luta pelo direito universal à saúde, relatam 
Giovanella et al. (2012).
Um movimento mais recente dos Estados Unidos e que causou influência significativa 
no Brasil trata-se do “Movimento Vidas Negras Importam” que teve como foco o abuso 
generalizado da polícia, o qual fazem parte contínuos espancamentos, mutilações e 
assassinatos de negros, reestabelecendo uma base para fortalecimento de diretrizes de 
fiscalização e medidas contra a discriminação, explica Taylor (2020).
45
O Público e o Privado na Gestão Social Tendências das políticas sociais no Brasil e no mundo Capitulo 4
Resumindo
Neste capítulo você deve ter compreendido que as políticas sociais 
buscam o bem-estar da população com a promulgação da 
Constituição Federal de 1988. Mas, ainda falta muito para acabar com 
as vulnerabilidades sociais atuais, por isso deve-se buscar eficiência 
escolhendo com clareza os avanços e retrocessos por meio de um 
novo regime que busca mais os pobres e uma transformação em suas 
vidas. Entendeu também as influências das políticas sociais no campo 
internacional como no caso das Nações Unidas que o Brasil ratifica 
diversos instrumentos em várias áreas sociais, contando ainda com 
estímulos do Banco Mundial e do Programa das Nações Unidas para o 
Desenvolvimento e ainda, da Declaração Tripartite de princípios sobre 
as Empresas Multinacionais e a Política Social. Viu ainda a participação 
da Unesco e da Unicef nas políticas educacionais. Por fim, conheceu 
alguns movimentos sociais internacionais com influência no Brasil como 
o Movimento para a Saúde dos Povos e o Movimento Vidas Negras 
Importam.
46
O Público e o Privado na Gestão Social
Referências
ALMEIDA, V.E.; ESPEJO, R.A. Contabilidade no terceiro setor. Curitiba: IESDE Brasil, 2012.
ALVES JUNIOR, M.D.; FARIA, M.V.C.M.; FONTENELE, R.E.S. Gestão nas Organizações do Terceiro 
Setor: Contribuição para um Novo Paradigma nos Empreendimentos Sociais. SÃO PAULO: 
ANPAD, 2009. Disponível em: http://www.anpad.org.br/admin/pdf/EOR1546.pdf Acesso: 05 
mar 2021.
ALVIM, A.T.B.; CASTRO, L.G.R. Avaliação de políticas urbanas: contexto e perspectivas. 
São Paulo: Universidade Presbiteriana Mackenzie. São Paulo: Mackpesquisa e Romano 
Guerra Editora, 2010.
ARAGÃO, P.S. COSTA, S.F. Serviço social e terceiro setor. São Paulo: Pearson Education, 2013.
ASHLEY, P.A. Ética, reponsabilidade social e sustentabilidade nos negócios: (des)
construindo limites e possibilidades. São Paulo: Saraiva Educação, 2019.
BORDIN, T.M. Influências das políticas educacionais internacionais o currículo: algumas 
incursões. ISSN 1984-3879, SABERES, Natal – RN, v. 1, n. 11, fev. 2015, 78-93. Disponível em: 
https://periodicos.ufrn.br/saberes/ article/view/6526 Acesso em: 08 mar 2021.
BRASIL. Transformando Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento 
Sustentável. Disponível em: https://www.undp. org/content/dam/brazil/docs/
agenda2030/undp-br-Agenda2030- completo-pt-br-2016.pdf: Acesso em: 03 mar. 2021.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 3540. 2005. 
Disponível em: http:// www .stf .jus.br / portal/ pe ticao Inicial/ v erP e ticao Inicial. 
asp?base=ADI&documento=&s1=3540&numProcesso=3540. Acesso em: 03 mar. 2021.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, 
DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988. Disponível em: Acesso em: 25 mar. 2021.
47
O Público e o Privado na Gestão Social Referências
BRAUM, E. Fundamentos de gestão em serviço social: serviço social. São Paulo: Pearson 
Education, 2009.
CABRAL, E.H.S. Terceiro setor: gestão e controle social. São Paulo: Saraiva, 2015.
CAMPOS, J.G.F. Sustentabilidade nas organizações. São Paulo: Editora Senac, 2020.
CARVALHO, M.C.B. Gestão social e trabalho social: desafios e percursos metodológicos. 
São Paulo: Cortez, 2015.
CHAMUSCA, A.I. et al. Responsabilidade social das empresas: a contribuição das 
universidades. Peirópolis: Instituto Ethos, 2006.
CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração. 9 ed. São Paulo: Manole, 2014.
COSTA, T. O mundo da qualidade: um compendio da padronização e normalização pelo 
mundo. São Paulo: Clube de Autores, 2018.
FROSSARD, S. O planejamento na gestão de organizações que atuam com políticas 
sociais. Curitiba: Appris, 2020.
FROZZA, C.G.B. Organismos internacionais para o financiamento do desenvolvimento: a 
atuação do Banco Mundial na área da educação no Brasil. Florianópolis: Universidade 
Sul de Santa Catarina, 2013.
FUKUNAGA, E. Gestão da responsabilidade social. São Paulo: Editora Senac, 2020.
GIOVANELLA, L.; ESCOREL, S.; LOBATO, L.V.C.; NORONHA, J.C.; CARVALHO, A.I. Políticas e 
sistema de saúde o Brasil. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2012.
GUIMARAES, P.B.; OLIVEIRA, A.C.S; XAVIER, Y.M.A. Sustentabilidade e Cidadania: o meio 
ambiente na Era Digital. Natal: Editora Motres, 2019
48
O Público e o Privado na Gestão Social Referências
IBGC,Instituto Brasileiro de Governança Corporativa e GIFE. Guia das melhores práticas 
de governança para fundações e institutos empresariais. São Paulo: IBGC e GIFE, 2014. 
Disponível em https://www. fbb.org.br/images/Sobre_nos/005_Governanca/GIFE_Guia_
Melhores_ Praticas.pdf Acesso 05 mar 2021
JUBILUT, L.L.; SILVA, J.C.J.; RAMINA, L. A ONU aos 70: contribuições, desafios e perspectivas. 
Boa Vista: Editora da UFRR, 2016.
JUNQUEIRA, L.A.P. Gestão das políticas sociais e o terceiro setor. ANPAD. 2001. Disponível 
em: http://www.anpad.org.br/admin/pdf/ enanpad2001-gpg-1122.pdf Acesso em: 04 
mar 2021.
CORÁ, M.A.J.; MOTTA, R.G. Intersetorialidade e redes: a trajetória do intelectual Luciano 
Antonio Prates Junqueira. São Paulo: Labrador, 2019.
LEMES, G.B. Atuação profissional: o que fazer após a faculdade? São Paulo: Clube de 
Autores, 2018.
MASSARO, V. Os principais fundamentos da nova governança pública e modelos de 
sucesso. São Paulo: Clube de autores, 2018.
MATOS, J.G.R.; MATOS, R.M.B.; ALMEIDA, J.R. Análise do ambiente corporativo: do caos 
organizado ao planejamento estratégico das organizações. Rio de Janeiro: E-papers, 
2007.
OLIVEIRA, C. O marco do terceiro setor: doutrina e prática. Jundiaí: Paco Editorial, 2016.
OLIVEIRA, G.B.; SOUZA-LIMA, J.E. O desenvolvimento sustentável em foco: uma contribuição 
multidisciplinar. São Paulo: Annablume, 2006.
PINHEIRO, J.M.; SANTOS, S.A. Educação matemática: pesquisa, tendencias e propostas. 
Porto Alegre: Canto-Cultura e Arte, 2017.
RIZZOTTI, M.L.A.; CORDEIRO, S.M.A.; PASTOR, M. Gestão de políticas sociais: território 
usado, intersetorialidade e participação. Londrina: Eduel, 2017.
49
O Público e o Privado na Gestão Social Referências
SECCHI, L.; COELHO, F.S.; PIRES, V. Políticas públicas: conceitos, casos

Mais conteúdos dessa disciplina