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1 O Público e o Privado na Gestão Social 2 3 Sumário Desenvolvimento sustentável e responsabilidade social A influência do desenvolvimento sustentável nas práticas de responsabilidade social Gestão de políticas sociais Princípios e boas práticas da gestão de políticas sociais Gestão do terceiro setor Técnicas e boas práticas de gestão no terceiro setor Tendências das políticas sociais no Brasil e no mundo Tendências das políticas sociais no contexto nacional Influências das políticas sociais no âmbito internacional Referências CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO 5 6 15 16 26 27 36 37 41 46 4 Objetivos Definição Explicando Melhor Você Sabia? Acesse Resumindo Nota Importante Saiba Mais Reflita Atividades Testando Para o início do desenvolvimento de uma nova competência; Se houver necessidade de se apresentar um novo conceito; Algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; Curiosidades indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forma necessárias; Se for preciso acessar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; Quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; Quando forem necessárias observações ou complementações para o seu conhecimento; As observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; Textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento; Se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido sobre; Quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada; Quando o desenvolvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas. 5 @faculdadelibano_ 1 Desenvolvimento sustentável e responsabilidade social 6 O Público e o Privado na Gestão Social Capitulo 1 Desenvolvimento sustentável e responsabilidade social A influência do desenvolvimento sustentável nas práticas de responsabilidade social Nos dias atuais, o movimento em torno do desenvolvimento sustentável e contra a degradação ambiental é enorme. Centenas de organizações não governamentais (ONGs) e praticamente todos os governos e órgãos oficiais do mundo lutam pelo controle da poluição e pela preservação da natureza como forma de assegurar a qualidade de vida no Planeta, explana Oliveira e Souza-Lima (2006). Mas o interesse por esse tema não é recente. Algumas conferências já eram realizadas pelo mundo há muito tempo, trazendo a importância em se observar as questões ambientais. Objetivos Ao término deste capítulo você será capaz de discernir sobre a influência do desenvolvimento sustentável nas práticas de responsabilidade social. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! 7 O Público e o Privado na Gestão Social Desenvolvimento sustentável e responsabilidade social Capitulo 1 De acordo com Chamusca et al. (2006) na década de 80 a Organização das Nações Unidas (ONU) criou a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Unced), conhecida como Comissão Brundtland. Essa comissão expôs um documento chamado de Relatório de Brundtland. É com base nesse relatório que muitos autores, inclusive Chamusca et al. (2006), utilizam a conceituação dada para o desenvolvimento sustentável, compreendido como “a forma como as atuais gerações satisfazem suas necessidades no presente sem, no entanto, comprometer a capacidade das futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades” Chamusca et al. (2006). Desse modo, podemos compreender, a partir do desenvolvimento sustentável (Figura 1), que devemos cuidar das nossas ações hoje para que o amanhã não seja prejudicado. Por isso, deve haver uma sensibilização da sociedade em relação à utilização dos recursos naturais, para que essa seja feita de forma racional e analisando os impactos causados. Você Sabia? O desenvolvimento sustentável está presente no Brasil desde 1913, quando foi criado o primeiro parque nacional brasileiro para preservação do meio ambiente, o Parque Nacional da Itatiaia, localizado na divisa do Rio de Janeiro com Minas Gerais. Em 1915, outros dois importantes parques foram instituídos, sendo eles as Cataratas do Iguaçu no Paraná e a Serra dos órgãos no Rio de Janeiro, informa Chamusca et al. (2006). 8 O Público e o Privado na Gestão Social Desenvolvimento sustentável e responsabilidade social Capitulo 1 A Constituição Federal de 1988 trouxe a importância do meio ambiente como uma determinação em seu texto, demonstrando sua relevância para a sociedade. Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. (BRASIL, 1998) Ainda, falando constitucionalmente temos que observar o reconhecimento feito pelo Supremo Tribunal Federal do desenvolvimento sustentável como princípio integrante da Constituição: O princípio do desenvolvimento sustentável, além de impregnado de caráter eminentemente constitucional, encontra suporte legitimador em compromissos internacionais assumidos pelo Estado brasileiro e representa fator de obtenção do justo equilíbrio entre as exigências da economia e as da ecologia, subordinada, no entanto, a invocação desse postulado, quando ocorrente situação de conflito entre valores constitucionais relevantes, a uma condição inafastável, cuja observância não comprometa nem esvazie o conteúdo essencial de um dos mais significativos direitos fundamentais: o direito à preservação do meio ambiente, que traduz bem de uso comum da generalidade das pessoas, a ser resguardado em favor das presentes e futuras gerações. (BRASIL, 2005, online) FIGURA 1 Desenvolvimento sustentável FONTE Freepik 9 O Público e o Privado na Gestão Social Desenvolvimento sustentável e responsabilidade social Capitulo 1 Assim, a preservação do meio ambiente por meio de práticas sustentáveis, não é uma simples vontade, mas sim um dever de toda a sociedade baseado em dispositivos constitucionais. Em seguida, sucessivas conferências da ONU confirmaram a utilização do conceito de desenvolvimento sustentável ressaltado no Relatório de Brundtland inclusive, denominando-os “Cúpulas para o desenvolvimento sustentável”, além de terem permitido vários avanços práticos. Como no caso do Rio 92 (ou ECO 92) em que aconteceu a formação da Comissão para Desenvolvimento Sustentável como resultado da Rio 92, realizada no Rio de Janeiro em 1992 e nas demais cúpulas e conferências que ocorreram em Joanesburgo em 2002, no Rio de Janeiro em 2012 e em Nova Iorque em 2015, no qual foram estabelecidos os objetivos do desenvolvimento sustentável (ODS), com prazo para serem alcançados até 2030 e que também ficou conhecido como Agenda 2030, descreve Campos (2020). Nessa agenda 2030 foram estabelecidos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável, que são: acabar com a pobreza, acabar com a fome, prover uma vida saudável, educação inclusiva e de qualidade, igualdade de gênero, gestão sustentável de água e saneamento, energia acessível, trabalho digno e crescimento econômico, industrialização inclusiva e inovação, redução das desigualdades, produção e consumo sustentáveis, ações no combate às mudanças climáticas, vida na água, vida na terra, sociedades pacíficas, acesso à justiça e instituições eficazes e parceria global (Brasil, 2016) Saiba Mais Aprofunde-se nesse tema conhecendo a agenda 2030 através do “Transformando Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável” (BRASIL). Disponível em: https://bit.ly/3cqBDYT. https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/Brasil_Amigo_Pesso_Idosa/Agenda2030.pdf 10 O Público e o Privado na Gestão Social Desenvolvimento sustentável e responsabilidade social Capitulo 1 Para que esses objetivos sejam alcançados é necessário que exista a cooperaçãopráticos, questões de concursos. São Paulo: Cengage Learning, 2020. SENNE, A. Políticas sociais no Brasil: uma reflexão preliminar. Universidade Federal de Santa Maria, 2017. Disponível em: https:// repositorio.ufsm.br/handle/1/2634?show=full Acesso em 08 mar 2021. TACHIZAWA, T. Gestão ambiental e responsabilidade social corporativa. São Paulo: Editora Atlas, 2019. TAYLOR, K.Y. Vidas negras importam e libertação negra. São Paulo: Editora elefante, 2019. VERÍSSIMO, C. Logística básico e conceitos da (NR 16 e 29). São Paulo: Clube de autores, 2018. 50 Desenvolvimento sustentável e responsabilidade social A influência do desenvolvimento sustentável nas práticas de responsabilidade social Gestão de políticas sociais Princípios e boas práticas da gestão de políticas sociais Gestão do terceiro setor Técnicas e boas práticas de gestão no terceiro setor Tendências das políticas sociais no Brasil e no mundo Tendências das políticas sociais no contexto nacional Influências das políticas sociais no âmbito internacional Referênciasde toda a sociedade, do Poder Público e do setor privado. As organizações são essenciais nesse processo, visto que muitas vezes, seu setor produtivo acaba gerando resíduos prejudiciais ao meio ambiente. Por isso, métodos sustentáveis devem fazer parte das estratégias organizacionais. Nos dias atuais isso vem se tornando essencial como prática de responsabilidade social. Mas o que vem a ser responsabilidade social? A responsabilidade social, para Chiavenato (2014, p. 592), “signiflca o grau de obrigações que uma organização assume por meio de ações que protejam e melhorem o bem- estar da sociedade à medida que procura atingir seus próprios interesses”. Ela representa o dever da organização em implementar políticas e assumir decisões e ações que tragam benefícios para a sociedade. Essas ações devem ser voltadas para proteger e melhorar o bem-estar de toda a sociedade e os interesses organizacionais, complementa Chiavenato (2014). As empresas têm sido chamadas a dar suas contribuições ao enfrentamento das emergências socioambientais, tendo em vista seu poder econômico e consequente potencial e impacto, seja ele positivo ou negativo. Elas podem exercer um grande papel no sentido de realizar ações visando o enfrentamento das emergências socioambientais, sejam elas originárias da sua própria atuação ou não, informa Campos (2020). A realização dessas atividades pelas empresas pode ter duas motivações. Primeiro a considerada como reativa ou visando o cumprimento da lei, que é obedecer a legislação imposta ou por pressões por melhores práticas. Sobre as iniciativas voluntárias das empresas no sentido de desempenhar ações em busca do enfrentamento das emergências socioambientais, sempre que possível, é desejável que elas procurem alinhar as ações para gerar, além de impacto social e ambiental (Figura 2), resultados financeiros. Por fim, as empresas também podem propor e colaborar para a discussão de novas leis e políticas públicas de interesse público e que também afetem seus interesses, relata Campos (2020). 11 O Público e o Privado na Gestão Social Desenvolvimento sustentável e responsabilidade social Capitulo 1 Quando as organizações estão simplesmente cumprindo as determinações das leis elas não estão sendo responsáveis socialmente, visto que não estão adotando atitudes de forma voluntária. Para que as ações sejam consideradas de responsabilidade social elas devem ter caráter voluntário na promoção do bem-estar da sociedade. Conforme Fukunaga (2020), o desenvolvimento da responsabilidade social nas organizações é caracterizado por algumas questões que passaram a ser importantes ao se implantar a dimensão da sustentabilidade como base para a construção de uma nova onda de responsabilidade social. Nesse processo, tornou-se importante considerar a importância: • Da necessidade de líderes irem além dos lucros e de relações financeiras; • De uma visão clara dos impactos das operações na sociedade e no meio ambiente; • Da importância do desempenho dos trabalhadores no processo empresarial; • Da opção do consumidor sobre produtos menos nocivos ao meio ambiente a ao ser humano; • Da relevância cada vez maior da preservação de florestas e animais e uso racional de bens naturais para a própria existência da humanidade; • Da necessidade de diálogo com a sociedade e investidores, assim como com todos os outros interessados para a construção de produtos e serviços que beneficiem a empresa de forma econômica e que não a dispense das responsabilidades sociais e ambientais. FIGURA 2 Impacto social e ambiental FONTE Freepik 12 O Público e o Privado na Gestão Social Desenvolvimento sustentável e responsabilidade social Capitulo 1 A administração focada na sustentabilidade baseia suas ações em três aspectos: a prosperidade da organização, a equidade social das comunidades onde ela atua e a qualidade ambiental. Em outras palavras, uma organização é sustentável quando olha para si mesma, para a comunidade e para o meio ambiente com o objetivo de ter longevidade e lucratividade, além de contribuir eficazmente para a melhor utilização e conservação dos recursos naturais e o bem-estar de seus colaboradores e consumidores. Investir em sustentabilidade é bom para o negócio, para a comunidade e para o planeta, pois promove resultados como redução de custos, melhoria da imagem corporativa e da reputação, identificação e geração de novas oportunidades de negócios. (CHIAVENATO, 2014, p. 597) Desse modo, para ser sustentável, uma organização deve ser financeiramente viável, socialmente justa e ambientalmente responsável. É a sustentabilidade corporativa que integra esses vetores e possibilita que as empresas alcancem seus objetivos ao mesmo tempo em que adotam um papel social de preservação ambiental, explicita Guimarães, Oliveira e Xavier (2019). Verissimo (2018) explica que o conceito de responsabilidade social alcançou grande ênfase e desenvolvimento no cenário mundial contemporâneo, em que o relacionamento, a aproximação e os interesses da organização com a sociedade, pretende constituir uma gestão de compartilhamento comum, em que as organizações exerçam seus deveres sociais no ambiente que estão inseridas. Uma organização socialmente responsável, segundo Chiavenato (2014) desempenha as seguintes obrigações: • Acrescenta objetivos sociais no seu planejamento; • Emprega normas comparativas de outras organizações em seus programas sociais; • Exibe relatórios aos membros organizacionais e aos parceiros sobre os progressos na sua responsabilidade social; • Verifica diferentes abordagens sociais e o retorno dos investimentos em programas sociais. Integrar um esquema de responsabilidade social ao conceito de sustentabilidade gera um tripé muito conhecido que pode compreender diversas oportunidades de empresas melhorarem os resultados de forma integrada, ética e com o entendimento estabelecido 13 O Público e o Privado na Gestão Social Desenvolvimento sustentável e responsabilidade social Capitulo 1 pelas expectativas das partes envolvidas. Ao buscar a gestão da responsabilidade social como base do desenvolvimento sustentável deve-se considerar o modelo do tripé da sustentabilidade (Figura 3), lembra Fukunaga (2020). O tripé da sustentabilidade está dividido em três principais dimensões, econômica, ambiental e social. Esse conceito debate a forma equilibrada pela qual tais dimensões devem ser executadas. Também apresenta a interdependência dessas dimensões e a necessidade de incluir temas que estariam dentro da responsabilidade social e que, ao se enxergar essa condição, melhorariam o amadurecimento das organizações, a abordagem de temas fundamentalmente científicos e de outros de cunho social, entende Fukunaga (2020). A gestão ambiental e da responsabilidade social, para um desenvolvimentoquesejasustentáveleconômica, socialeecologicamente,precisa possuir executivos e profissionais nas organizações, públicas e privadas, que adicionem tecnologia de produção inovadora, regras de decisão organizadas e demais compreensões sistêmicas exigidas no contexto em que estão incluídos, esclarece Tachizawa (2019). Assim, a questão da responsabilidade social vai além da postura legal da organização, da prática filantrópica ou do apoio à comunidade. Significa mudança de atitude, numa perspectiva de gestão corporativa com foco da responsabilidade social das relações e na geração de valor para todos, ilustra Matos et al. (2007). FIGURA 3 Tripé da sustentabilidade FONTE Elaborado pela autora (2021). 14 O Público e o Privado na Gestão Social Desenvolvimento sustentável e responsabilidade social Capitulo 1 Outro normativo relevante e que devemos conhecer é a ISO 26000. Ashley (2019) afirma que a Norma internacional ISO 26000 se trata de uma norma de utilização voluntária e determina que a responsabilidade social é a responsabilidade de uma organização pelos impactos de suas decisões e atividadesna sociedade e no meio ambiente, através de um comportamento ético e transparente que: • Colabore para o desenvolvimento sustentável, inclusive a saúde e o bem-estar da sociedade; • Leve em conta as expectativas das partes interessadas; • Esteja de acordo com a legislação aplicável; • Seja sólida com as normas internacionais de comportamento; • Esteja integrada a toda a organização e seja exercitada em suas relações. Uma gestão ambiental e de responsabilidade social é o exame e a revisão das operações de uma organização da perspectiva da ecologia profunda ou do novo paradigma. É motivada por uma mudança nos valores da cultura empresarial da dominação para a parceria, da ideologia do crescimento econômico para a ideologia da sustentabilidade ecológica, explana Tachizawa (2019). Resumindo E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Neste capítulo você deve ter compreendido que existe atualmente uma grande mobilização em torno do desenvolvimento sustentável, mas que começaram a surgir há alguns anos atrás. Foi por meio desses movimentos que se estabeleceu o conceito de desenvolvimento sustentável através do Relatório de Brudtland, sustentado por várias outras conferências ocorridas pelo mundo, que significa que as gerações do presente devem se preocupar sobre como estão satisfazendo suas necessidades para que não comprometam as gerações futuras. Você também viu que em uma dessas conferências foram estabelecidos objetivos do desenvolvimento sustentável chamado de Agenda 2030. 15 @faculdadelibano_ 2 Gestão de políticas sociais 16 O Público e o Privado na Gestão Social Capitulo 2 Gestão de políticas sociais Princípios e boas práticas da gestão de políticas sociais Para que as políticas sociais sejam bem implementadas, elas precisam ser bem gerenciadas, por meio de práticas e princípios voltados para a concretização das ações sociais para quem necessita. A ideia de gestão está relacionada não só em montar ou conservar grupos de interesses, mas determinar consensos comunitários, com a adesão da sociedade. A ideia é ficar de olho nos sujeitos sobre os quais refletirão as ações. É preciso governar com a perspectiva democrática republicana em que o governo é do povo e para o povo, desempenhado por ele e para ele, aumentando a ideia de governo para um conceito mais expandido no qual não existem dois mundos separados. O governar precisa não só estar próximo do cotidiano do governado, mas ter a perspectiva que se aproxime ao máximo dos projetos das pessoas. Tal proposição não tem origem em si mesma senão mediante uma fomentação pela participação popular nos ambientes de discussão e definição de políticas sociais, explicita Braum (2009). A gestão dessas políticas de enfrentamento à questão social está intimamente associada à gestão das demandas que a sociedade traz, requerendo respostas para essas necessidades. Objetivos Neste capítulo iremos aplicar os princípios e boas práticas da gestão de políticas sociais. 17 O Público e o Privado na Gestão Social Gestão de políticas sociais Capitulo 2 O contexto social na contemporaneidade corrobora essas demandas, reconhecendo- as como direitos dos cidadãos, que encontram nas políticas sociais uma maneira de amenizar essas necessidades. Logo, ao mesmo tempo em que essas políticas atendem determinadas demandas, não extinguem as decorrências da questão social e a presença de carentes de direitos, relata Braum (2009). Segundo Rizzotti et al. (2017), o debate da gestão das políticas sociais deve fazer parte das atribuições do Estado, em especial na disponibilização dos direitos, assim como a estrutura pública e burocrática da organização e oferta das provisões das políticas sociais. Desse modo, é fundamental reconhecer que existem diferentes possibilidades de fazer gestão no campo público e que, ao longo da história, diferentes modelos vêm sendo seguidos, sempre com a pretensão de possibilitar supostos aprimoramentos. De certa forma, as políticas públicas são o Estado em ação; funcionam como filtros redistributivos de proteção social e desenvolvimento de seus cidadãos. No desenho e no conteúdo da política social, voltam-se as maiores expectativas por redução das desigualdades, enfrentamento da pobreza e oportunidade efetiva de inclusão social de grande parcela de sua população. (CARVALHO 2015, P. 34) O Estado, com o dever de prover as políticas sociais, o deve fazer com responsabilidade e transparência sempre pensando no bem comum e na busca pela resolução dos problemas sociais com ações planejadas e estratégicas. A gestão das políticas sociais constitui a gerência e direção da coisa pública. Este exercício de administrar e dirigir deve assegurar o acesso da sociedade a benefícios e serviços de natureza pública. Para tanto, verificar a gestão das políticas sociais indica referenciar a gestão de ações públicas como resposta às necessidades sociais que se originam na sociedade e são incluídas e processadas pelo Estado em diferentes esferas de poder, explana Santos e Zabdiele (2016). 18 O Público e o Privado na Gestão Social Gestão de políticas sociais Capitulo 2 Rizzotti et al. (2017) entende que a concepção da gestão social é que mais se adequa à perspectiva de avanços na gestão das políticas sociais, além de reconhecer a intrínseca relação entre o desenvolvimento econômico e social e ainda, fortalece a necessidade de aprofundamento da gestão democrática. A gestão social baseia-se na concepção de um Estado social de direito e, assim, comprometida com a cidadania de todos os cidadãos de uma nação. Apoia-se em princípios constitucionais que dão forma e conteúdo às políticas, aos programas e aos serviços públicos, legitimando o Estado como autoridade dirigente das ações públicas, esclarece Carvalho (2015). Nessa perspectiva, Carvalho (2015) demonstra que a gestão social possui um significado amplo, não se abreviando apenas à gerência técnico- administrativa de serviços e programas sociais. Trata-se essencialmente de: FIGURA 4 Gestão de políticas sociais FONTE Elaborado pela autora (2021). Importante Dessa forma, a gestão social possui, como matéria-prima as políticas públicas, seus componentes (o fazer político, a mobilização social, o investimento público e a regulação estatal), assim como seus desdobramentos: programas, benefícios, serviços e projetos, descreve Carvalho (2015). 19 O Público e o Privado na Gestão Social Gestão de políticas sociais Capitulo 2 • Governança das políticas e programas sociais públicos; • Qualidade de bem-estar oferecido à nação; • Cultura política impregnada ao fazer social. Secchi et al. (2020) informa que uma das principais tendências recentes no âmbito da gestão de políticas públicas é a chamada governança pública. Na literatura de administração pública e de ciências políticas, a governança pública é compreendida como um modelo de interação horizontal entre atores estatais e não estatais no processo de construção de políticas públicas. Para Massaro (2018), a governança pública é a maneira através da qual o poder é exercido na gestão dos recursos para o desenvolvimento econômico e social de um país. Uma boa governança pode ser entendida como a capacidade de reunir esforços em prol de objetivos políticos, mas que necessitam estar em consenso com princípios e valores éticos, com respeito às leis, com a transparência, a responsabilidade administrativa, bem como, com a eficiência na prestação dos serviços públicos. Logo, para que a gestão das políticas sociais seja eficaz é preciso que se tenha uma boa governança primando por esses princípios. Isso porque, quando se busca uma gestão transparente e responsável pode- se conseguir também confiança. Respeitar as leis não é apenas um dever com a justiça, mas com a própria sociedade. No processo de gestão social estão compreendidas diferentes instâncias (Figura 5) do gestor público tais como as várias secretarias municipais (assistênciasocial, saúde, educação, meio ambiente etc.) ou ministérios do governo federal responsáveis pela implementação e implantação de políticas sociais em diversas áreas e esferas. Mas também estão envolvidas diversas organizações da sociedade civil (terceiro setor) que agem como parceiras do Estado na operacionalização dessas políticas sociais junto aos mais variados segmentos da sociedade: criança e adolescente, idoso, famílias em situação de vulnerabilidade social, mulheres vítimas de violência, população de rua, entre outros, menciona Frossard (2020). 20 O Público e o Privado na Gestão Social Gestão de políticas sociais Capitulo 2 Desse modo, a governança pública concretiza-se com parcerias- público privadas, coordenação interorganizacional de implementação de políticas públicas e com instrumentos participativos de deliberação e avaliação das políticas públicas, ilustra Secchi et. al. (2020). A implantação integrada das diversas políticas sociais não depende somente da vontade política de quem contém o poder ou os recursos disponíveis, uma vez que cada política setorial abrange seus interesses e práticas. Portanto, efetuar um projeto articulado das políticas sociais demanda a mudança de práticas, padrões, valores, enfim, da cultura organizacional das instituições públicas gestoras das políticas sociais ou ainda, a incorporação de organizações autônomas privadas voltadas para os interesses coletivos capazes de dar maior eficácia à gestão das políticas sociais, afirmam Corá e Motta (2019). Com isso, podemos compreender que a gestão de políticas sociais nos dias atuais não tem se configurado como primazia do Estado e, sim, precisam da participação ativa da sociedade nos processos de formulação e controle social da realização dessas políticas assim como de entidades que tenham esse propósito. A gestão de políticas sociais na atualidade busca cada vez mais a articulação entre as diferentes políticas e a democratização dos processos decisórios responsáveis pelo estabelecimento de prioridades e formas de gestão de políticas e programas FIGURA 5 Instâncias do processo de gestão social FONTE Elaborado pela autora (2021). 21 O Público e o Privado na Gestão Social Gestão de políticas sociais Capitulo 2 sociais. Esse campo não é mais de um ator centralizador, mas um espaço cada vez mais democratizado, compreendendo vários atores sociais que, supostamente, devem representar interesses cada vez mais universais nas decisões a serem adotadas. Nessa perspectiva, os conselhos e as conferências, com representação paritária, legitimam a participação social na gestão, implementação e implantação de políticas sociais, afirma Braum (2009). O Estado, enquanto descentraliza seu poder, permite a criação de novos formatos organizacionais, de novos espaços públicos, possibilitando novas respostas da sociedade civil às demandas de alguns dos seus segmentos, lembra Corá e Motta (2019). A democratização expande os ambientes de decisão e gestão de políticas de cunho social. Abre também possibilidade para participação de novos sujeitos sociais, aumentando assim a necessidade de construção de mediações nos interesses políticos a serem negociados nesse campo, em que muitas vezes, ocorre a manipulação dos fundos sem a devida pactuação dos diferentes representantes dos segmentos sociais, relata Braum (2009). Conforme Frossard (2020), o planejamento é um importante mecanismo para a gestão pública e para o fomento de políticas públicas orientadas para o desenvolvimento integral de um município, de um estado e de uma nação. Entre essas políticas públicas, as políticas sociais ocupam importante espaço, colaborando para o desenvolvimento social. Importante A participação da sociedade tem se mostrado cada vez mais uma referência obrigatória na questão da gestão de políticas sociais na contemporaneidade. A estratégia da democracia surgiu como uma possibilidade de avançar em direção às ideias mais socialistas, com ideias de direitos e cidadania, indicando forte ênfase na participação popular como estratégia de enfrentamento ao neoliberalismo, demonstra Braum (2009). 22 O Público e o Privado na Gestão Social Gestão de políticas sociais Capitulo 2 Através do planejamento podem ser definidos os objetivos, quais os programas que deverão ser executados, as metas que deverão ser alcançadas para conseguir chegar ao maior número possível de pessoas, as estratégias que serão utilizadas, ou seja, como se fará para chegar nesses objetivos, assim como poderão ser previstos os recursos necessários para sua consecução. Esses recursos não incluem apenas os financeiros, mas também os pessoais que serão indispensáveis para seu alcance. A complexidade da questão social brasileira, configurada sob as mais variadas expressões que se materializaram no dia a dia de pessoas que vivem a condição de exclusão social e de diferentes vulnerabilidades, as colocam em situação de contínuo risco social. Para o enfrentamento dessas expressões, o Estado possui a responsabilidade de criar, fomentar e financiar políticas sociais no âmbito federal, estadual e municipal, cuja proposta atual é de que sejam implantadas e realizadas de forma participativa e acarretando as mudanças necessárias na direção do desenvolvimento social, explica Frossard (2020). Nessas políticas operam profissionais de diferentes áreas com o propósito de enfrentamento de inúmeras expressões da questão social, colaborando muito com o processo político, teórico e metodológico do planejamento social, seja na esfera municipal, estadual ou federal, complementa Frossard (2020). O Estado e seus mecanismos buscam novos modelos, democratizando suas relações, dando preferência ao controle social e a outras estratégias que possam atender a população com suas demandas da maneira mais resolutiva possível. Assim sendo, a gestão intersetorial das políticas se configura como uma perspectiva importante. Isso porque assinala para uma visão integrada dos problemas sociais e de suas soluções, visto que a sua complexidade não se esgota no domínio de uma única política social. A integração de diferentes políticas sociais é uma maneira de abordar o sujeito em sua totalidade, buscando melhoria para a sua qualidade de vida. A intersetorialidade demonstra a compreensão sobre a necessidade de procurar outras saídas para lidar com incertezas e a complexidade dos problemas sociais, que surgem dos diferentes aspectos da questão social, explana Braum (2009). 23 O Público e o Privado na Gestão Social Gestão de políticas sociais Capitulo 2 Essa intersetorialidade determina uma articulação, não só de pessoas, mas de instituições, que constituem relações, compondo uma rede de relações estabelecendo acordos de cooperação intersetorial no enfrentamento de questões que uma política sozinha muitas vezes não consegue resolver, esclarece o autor Braum (2009). O governar na contemporaneidade implica também em possuir a habilidade de articulações, prestações de serviços por meio de parceiras com a sociedade civil ou o setor público na gestão daquilo que é de todos. É preciso entrelaçar os diferentes setores, sendo este um grande desafio. Estabelecer uma instituição que oferta um determinado serviço específico é fácil, o difícil é organizar o serviço de rede intersetorial de maneira bem articulada. É muito importante se lembrar que para o usuário dos serviços, a realidade não é fatiada em setores e que sua qualidade de vida deve ser vista e abordada de maneira integral. O que fará o diferencial na gestão é justamente essa articulação, em oposição às sobreposições de ações, explicita Braum (2009). A descentralização compreende mudanças, um novo processo de articulação entre estado e sociedade, entre o poder público e a realidade social. Apesar da relevância do desempenho do Estado, ele não pode substituir a sociedade em qualquer que seja o sistema e vice-versa. Daí a importância em saber o que transferir e para quemtransferir, lembra Corá e Motta (2019). FIGURA 6 Gestão intersetorial das políticas FONTE Elaborado pela autora (2021). 24 O Público e o Privado na Gestão Social Gestão de políticas sociais Capitulo 2 A intersetorialidade é uma prática que compartilha conhecimentos, ações e responsabilidade, determinando do gestor o esforço para o estabelecimento de relações horizontais, na medida que compartilham os saberes em uma dada situação. Dentro dessa rede de intersetorialidade, fazem parte as instituições, famílias, municípios, estados, todos mobilizados em função de uma ideia abraçada coletivamente. A descentralização e a intersetorialidade são elementos que não apresentam mais volta no plano de gestão. A descentralização ocorre enquanto o poder é transferido para junto dos que aproveitam os serviços prestados e a intersetorialidade ocorre enquanto integra a gestão de políticas públicas, articulando não apenas as políticas sociais. Esse processo permite articular a prestação de serviços e os cidadãos, acarretando uma nova relação de poder entre os múltiplos atores. Seguir esses pressupostos possibilita modelar uma nova estrutura organizacional, novas práticas, novas formas de gestão da cidade e de seus serviços, tornando-os mais democráticos e eficazes, informa Braum (2009). Deste modo, o conceito de gestão intersetorial e de rede estabelece novas possibilidades de intervenção, provocando em cada um de seus membros a participação que viabiliza a reconstrução da sociedade civil. Acarreta a criação de respostas novas aos problemas sociais, tornando cada vez mais eficaz a gestão social, que se caracteriza por ser intersetorial, articulando instituições e pessoas para construírem projetos, recuperar a vida e os sonhos, elucida Corá e Motta (2019). A gestão de políticas sociais não pode se ater ao fato de que elas existem, mas deve procurar consolidar-se sobre a estratégia de diretrizes que predominem pelo controle social e a prática de intersetorialidade como estratégia de resolubilidade e garantia de acesso aos direitos fundamentais dos usuários, analisa Braum (2009). 25 O Público e o Privado na Gestão Social Gestão de políticas sociais Capitulo 2 Resumindo Você deve ter visto neste capítulo que a gestão de políticas sociais deve estar voltada para o povo, preocupando-se com a adesão da sociedade e requerendo respostas para suas necessidades. No qual são incluídas e processadas pelo Estado em diferentes esferas do poder. Deve ter compreendido que uma das principais tendências no âmbito da gestão de políticas sociais trata-se da governança pública que busca reunir esforços para o alcance dos objetivos políticos que estejam de acordo com princípios e valores éticos, respeito às leis, transparência, responsabilidade administrativa e eficiência na prestação dos serviços públicos. E que estão compreendidas em diferentes instâncias nesse processo e também o envolvimento do terceiro setor, assim como este tipo de gestão deve buscar a democratização por meio da participação da sociedade. Por fim, entendeu que é necessário que exista um planejamento por parte do Estado dentro da gestão de políticas sociais e que a gestão intersetorial se configura como uma perspectiva importante e que estabelece novas possibilidades de intervenção, provocando em cada um de seus membros a participação que viabiliza a reconstrução da sociedade civil. 26 @faculdadelibano_ 3 Gestão do terceiro setor 27 O Público e o Privado na Gestão Social Capitulo 3 Gestão do terceiro setor Técnicas e boas práticas de gestão no terceiro setor O terceiro setor é formado por entidades não estatais, ou sejam, aquelas que não fazem parte da administração pública direta nem indiretamente. Elas possuem personalidade jurídica de direito privado, mas não tem fins lucrativos e sua gestão é efetuada por pessoas da sociedade civil que prestam apoio ao Estado realizando atividades de utilidade pública. Oliveira (2016) explica que enquanto o setor público refere-se à Administração Pública e o setor privado às pessoas jurídicas (individuais ou coletivas) estabelecidas com o objetivo comercial e lucrativo, o terceiro setor é a denominação adotada para as pessoas jurídicas constituídas sem objetivo econômico, isto é, não distribuem o lucro entre os sócios, mas o aplicam integralmente na sociedade para a efetivação de seu objeto, que deverá ser sempre uma finalidade ou objetivo público. Objetivos Neste capítulo iremos compreender e identificar as técnicas, as boas práticas e os modelos de gestão do terceiro setor. 28 O Público e o Privado na Gestão Social Gestão do terceiro setor Capitulo 3 Essas entidades do terceiro setor executam projetos de interesse do Estado com ações na busca de interesses primordialmente coletivos, realizando serviços não exclusivos, proporcionando o seu desenvolvimento e seguindo as determinações impostas por leis específicas para cada modalidade. Assim, quando esses requisitos são preenchidos recebem ajuda do Estado na sua execução. No cenário de modernização econômica do Estado que, no Brasil, a reforma ganha força e as organizações sem fins lucrativos ganham espaço na cena política. Passam a constituir uma alternativa de eficácia à gestão das políticas sociais. O Estado sem eximir de sua responsabilidade transfere algumas de suas competências para organizações da sociedade civil, que passam a assumir, em caráter complementar e, em parceria, ações sociais que possibilitam oferecer à população melhores condições de vida. (JUNQUEIRA, 2001, p.6) Essas organizações atuam nos espaços da cultura, lazer, assistência social, educação, saúde, pobreza, defesa dos direitos humanos, religião, ecologia e meio ambiente. Elas se caracterizam por uma gestão participativa, de caráter voluntário, com foco no lugar onde atuam. Para que se tornem viáveis, procuram parcerias com o governo e com as organizações socialmente responsáveis, esclarece Matos et al. (2007). EXEMPLO: Entre essas entidades, destacam-se o Sistema S (Senai, Senac, SESI, SENAI, SEBRAE etc.), Organizações Sociais, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público e Entidades de Apoio. FIGURA 7 Terceiro Setor FONTE Elaborado pela autora (2021). 29 O Público e o Privado na Gestão Social Gestão do terceiro setor Capitulo 3 Essa nova vivência que está sendo constituída determina uma nova relação entre Estado e sociedade, entre público e privado. Se até um período próximo o Estado era agente exclusivo das políticas sociais essa realidade começou a mudar em função das demandas e pressões originárias das pessoas e dos grupos organizados, até mesmo dos organismos governamentais que buscam novas maneiras de gestão, novas formas de atender as necessidades sociais, explicita Corá e Motta (2019). As organizações do terceiro setor, de acordo com Almeida (2012), ao definirem a área de atuação (a sua população-alvo) para a prestação de serviços, apresentam à sociedade sua representação particular do que entendem por questão social e atuam, a seu modo, para colaborar no desenvolvimento e crescimento da sociedade, especialmente nos estratos sociais menos privilegiados. Assim sendo, a contribuição do terceiro setor para a construção da cidadania está organizada em quatro campos de atuação: • Inserção social e profissional; • Serviços de utilidade comunitária; • Produção do patrimônio coletivo; • Atividades culturais. O poder público e as organizações da sociedade civil instituem relações em regime de mútua cooperação (Figura 8) e desenvolvem ações de interesse recíproco com o propósito único de atender as demandas e interesses públicos, ou seja, desenvolver projetos que colaborem para a melhoria da qualidade de vida da população em todos os seus aspectos, explana Oliveira (2016). Importante Ao buscar parcerias, as organizações do terceiro setor são avaliadas pelos potenciais investidores, sendo um fator- chave o grau de envolvimento da comunidade,lembra Matos et al. (2007). 30 O Público e o Privado na Gestão Social Gestão do terceiro setor Capitulo 3 A parceria das organizações sem fins lucrativos na gestão das políticas sociais não apenas inova, alterando a lógica da gestão pública, como também pode inserir novas formas de gerenciar a política social, demonstram Corá e Motta (2019). Elas são formadas para o atendimento dos interesses públicos, desse modo, a parceria estabelecida com o Estado tem um caráter complementar, visto que a gestão de ações sociais é de competência estatal, entendem Corá e Motta (2019). Lemes (2018) entende que o gerenciamento de uma ONG não é diferente da administração com qualidade de gestão em uma empresa pública (primeiro setor) ou um empreendimento que tem como finalidade o lucro para poder sobreviver e crescer (segundo setor). Porém, talvez o terceiro setor tenha obrigação de ser mais competente do que os dois outros, devido à dificuldade de financiamento. Dessa forma, uma boa gestão não é necessária apenas para conservar uma saúde financeira agradável e executar as atividades propostas como planejado, mas também para conseguir os recursos necessários para isso. A gestão das organizações do terceiro setor é peculiar, pois deve ser capaz de compreender as interfaces institucionais com o Estado, os mercados e a sociedade civil e construir modos especiais de gestão baseados nos atributos da representatividade de interesses coletivos, democratização, qualidade e efetividade, visibilidade social, universalidade, cultura pública, autonomia e controle social e ainda, a defesa e proteção FIGURA 8 Mútua Cooperação entre o poder público e as organizações sociais FONTE Freepik 31 O Público e o Privado na Gestão Social Gestão do terceiro setor Capitulo 3 social, para assegurar a deliberação democrática dos públicos constituintes dotados de valores de interesse público, informa Cabral (2015). Alves Junior et al. (2009) destaca que a gestão das organizações sem fins lucrativos emprega as funções administrativas (planejamento, organização, direção e controle), a fim de entregar às instituições o melhor desempenho relacionado com a eficiência, a eficácia e a efetividade. Ou seja, elas buscam realizar suas atividades da melhor forma possível, com os recursos que possuem atendendo as expectativas da sociedade. Contudo, por não possuírem recursos próprios, precisam administrar bem os que possuem, sendo esta uma das preocupações no seu processo de gestão. O planejamento é a ação de determinar a finalidade e os objetivos organizacionais e prever as atividades, os recursos e os meios que possibilitarão sua consecução ao longo de um período determinado. A organização é a ação de reunir pessoas e recursos, determinando atribuições, responsabilidades e relações entre indivíduos e grupos, de modo a alcançar os objetivos organizacionais. Estabelecer a direção é a ação de conduzir e motivar pessoas a realizarem suas tarefas a fim de alcançar os objetivos propostos. Já exercer o controle é a ação de comprar os objetivos estabelecidos e os recursos previstos com os resultados atingidos e os recursos realmente gastos, a fim de tomar decisões que possam corrigir ou modificar os rumos fixados, descreve Aragão (2013). Para Frossard (2020), tanto as instituições públicas e as da sociedade civil, que operam em áreas como a da assistência social, educação e saúde, se por um lado colabora para a formulação e cumprimento das políticas sociais, por outro lado e, por isso mesmo, precisam de um direcionamento técnico e administrativo para o desenvolvimento de suas ações e serviços, desenvolvendo políticas garantidoras de direitos. Trata-se da gestão institucional cujo instrumento básico é o planejamento institucional. As instituições públicas, seja na esfera federal, estadual ou municipal e as organizações de terceiro setor, precisam ser pensadas e entendidas em sua totalidade, estimulando o processo planejado de gestão institucional. 32 O Público e o Privado na Gestão Social Gestão do terceiro setor Capitulo 3 Dessa forma, o planejamento é o instrumento para a concretização da política institucional que, em última instância, deve estar direcionada para a materialização das diretrizes e princípios das políticas sociais das áreas e segmentos na qual e com a qual atua, complementa Frossard (2020). Gerenciar uma instituição do terceiro setor, a partir desta perspectiva, significa pensar a instituição como capaz de colaborar de forma autêntica com o processo de promoção social de indivíduos, grupos de famílias, segmentos e comunidades que, não raras vezes, contam com aquele serviço como o único recurso social a que realmente possuem acesso, cita Aragão e Costa (2013). Dentro do pensamento da gestão estratégica e participativa o papel do gestor ultrapassa o planejar, organizar, dirigir e controlar. Implica em uma postura de diálogo com todos os setores internos e com o ambiente externo para uma real identificação da percepção dos dilemas e das questões estratégicas, importantes para o desenvolvimento institucional, complementam Aragão e Costa (2013). FIGURA 9 Planejamento FONTE Elaborado pela autora (2021) Importante O exercício da gestão é técnico e profissional, com destaque para a participação dos sujeitos institucionais e com um desempenho altamente dialogal. 33 O Público e o Privado na Gestão Social Gestão do terceiro setor Capitulo 3 As organizações do terceiro setor inserem-se no conjunto de expectativas criado pela governança pública. Por sua defesa de interesses entendidos como coletivos, as organizações do terceiro setor são chamadas para participar tanto na tomada de decisão como na implementação e avaliação das políticas públicas, menciona Secchi et al. (2020). Conforme o IBGC e GIFE (2014, p. 18), a governança “é o sistema pelo qual as organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo o relacionamento entre Conselho, equipe executiva e demais órgãos de controle”. Suas boas práticas transformam princípios em recomendações objetivas ordenando os interesses com o propósito de conservar a reputação da organização e aprimorar seu valor social, proporcionando seu acesso a recursos e colaborando para sua longevidade. Tem como princípios: • Transparência – através da disponibilização das informações para as partes interessadas; • Equidade – mediante o tratamento justo a todas as partes interessadas; • Prestação de contas (accountability) – devem ser prestadas as contas das atuações; • Responsabilidade – por meio do zelo pela sustentabilidade, introduzindo considerações de ordem social e ambiental em seus programas, projetos e operações. As partes interessadas são todos aqueles que as organizações sem fins lucrativos atingem, que podem ser governo, comunidade, as pessoas beneficiadas, entre outros. Aspectos típicos das organizações não-lucrativas do terceiro setor compreendem a motivação dos empregados voluntários, trabalhando com dirigentes e desenvolvendo um suporte financeiro e identificação com a comunidade, relata Matos et al. (2007). Assim, para que essas entidades possam trabalhar com voluntários elas devem seguir as determinações da Lei nº 9.608/98, por meio de um termo de adesão específico, evitando desse modo, problemas com a justiça do trabalho. O exercício da gestão institucional, consoante Aragão e Costa (2013), está apoiado na existência de um grupo de voluntariado organizado e participativo, pois no contexto do Terceiro Setor, este é um fator importante, constituindo-se em um dos elementos que o caracteriza. 34 O Público e o Privado na Gestão Social Gestão do terceiro setor Capitulo 3 Compõe o quadro de recursos humanos, sem, no entanto, ser assalariado. São diretores e gestores que formam o esteio do trabalho institucional, realizando ações basicamente voltadas para manutenção e sobrevivência dessas instituições. Devido às exigências e ao estabelecimento de critérios rígidosde organização e evidenciação dos resultados, criou-se a necessidade de investir na capacitação e profissionalização das pessoas comprometidas em atividades do terceiro setor, principalmente no que se refere à gestão tanto da organização quanto de seus recursos, já que, tendo em vista seus princípios de atuação, estas eram áreas de desempenho menos desenvolvidas pelas ONGs, demonstra Almeida (2012). Importante também destacarmos que as entidades sem fins lucrativos não possuem proprietários, mas sim instituidores, como também podem ser formados por associados, dependendo do tipo e devem possuir um conselho. Este deve ser eleito pelos associados, nas associações, ou escolhido pelo instituidor/ mantenedor ou pelos próprios conselheiros, nas fundações, sem perder de vista todas as demais partes interessadas, o objetivo social e a susten- tabilidade da organização no longo prazo. (IBGC e GIFE, 2014, p. 33) Saiba Mais Para se aprofundar mais nesse tema leia o Guia de Melhores Práticas de Governança para Institutos e Fundações Empresariais. Disponível em: https://bit.ly/39hRLKd Aragão e Costa (2013) afirmam que dentro dessa nova perspectiva de gestão das organizações que se configuram como Terceiro Setor, a pilastra fundamental para a sua gestão são os recursos humanos, sejam eles os diretores, funcionários administrativos, técnicos, voluntários, todos são essenciais ao processo de planejamento e gerenciamento de programas, projetos e serviços institucionais. https://www.fbb.org.br/images/Sobre_nos/005_Governanca/GIFE_Guia_Melhores_Praticas.pdf 35 O Público e o Privado na Gestão Social Gestão do terceiro setor Capitulo 3 Resumindo Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido o que vem a ser o terceiro setor e suas principais características e que elas executam projetos de interesse do Estado com ações na busca de interesses primordialmente coletivos e atuam nos espaços da cultura, lazer, assistência social, educação, saúde, pobreza, defesa dos direitos humanos, religião, ecologia e meio ambiente. Viu que a gestão das organizações do terceiro setor é peculiar pois deve compreender as interfaces do Estado, dos mercados e da sociedade civil baseada em aspectos como representatividade, visibilidade social universalidade, entre outros. Para isso precisam em empregar as funções administrativas de planejar, organizar, dirigir e controlar, bem como ter uma postura dialogal com todos os setores internos e com o ambiente externo para que se compreendam os dilemas e questões estratégicas importantes para o desenvolvimento institucional. Por fim, entendeu que essas organizações devem se preocupar com a governança pública e com seus princípios que são a transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade. 36 @faculdadelibano_ 4 Tendências das políticas sociais no Brasil e no mundo 37 O Público e o Privado na Gestão Social Capitulo 4 Tendências das políticas sociais no Brasil e no mundo Tendências das políticas sociais no contexto nacional Diversas mudanças ocorreram nos últimos anos relacionados com a implantação de políticas sociais no Brasil. Em todos os campos foram incluídos programas, muitos deles a partir da determinação da Constituição Federal de 1988. Programas voltados para a educação, assistência social, previdência, saúde, trabalho e renda, entre outros. Contudo, muita coisa ainda precisa ser mudada ou até mesmo aperfeiçoada para que seja eficaz e tenha os resultados esperados. O objetivo dessas políticas sociais é o bem-estar da população, mas vivemos em um país onde ainda existe muita pobreza, vulnerabilidade social, taxa de desemprego alta, assim como entraves na realização de programas. De maneira geral, a Constituição de 1988 fez vários avanços, mas uma concepção que está embutida dá aos estados e municípios o direito a um determinado recurso na área da saúde, na área da educação, etc., mas não exige mostrar desempenho no uso desses recursos. O tratamento que o Bolsa Família, por exemplo, dá a uma família é o seguinte: “Te dou o dinheiro e você põe o teu filho na escola, se não, tiramos o dinheiro!”. Objetivos Neste capítulo iremos avaliar as tendências das políticas sociais no contexto nacional e as influências das políticas sociais no âmbito internacional. 38 O Público e o Privado na Gestão Social Tendências das políticas sociais no Brasil e no mundo Capitulo 4 Por quais razões estados e municípios merecem um tratamento diferente desse? Então, deve- se levar o mesmo tipo de princípios do Bolsa Família para a relação do governo federal com estados e municípios, para tornar os programas consistentes. (OLIVEIRA, 2010, p. 78) Segundo Senne (2017), a constituição dos direitos sociais de educação, saúde e proteção social, base da cidadania social, relaciona- se a uma estratégia de encarar a questão da desigualdade como ponto essencial no debate político das sociedades modernas. O desemprego traz consigo vários outros problemas, pois sem uma renda a população não tem como se manter, podendo desencadear riscos sociais como elevação do número de pessoas em situação de rua (Figura 10) e de pobreza extrema. Também nos demonstra uma outra tendência que deverá ser analisada, quanto aos atendimentos de saúde, que mesmo com a atuação do SUS, não consegue suprir todas as necessidades da população brasileira. Importante De acordo com o site do IBGE, a taxa de desocupação no terceiro trimestre de 2020 estava em 13,1% (dados acessados em 08 mar 2021 https://bit.ly/3fpO7Sa). Dados esses que atualmente devem estar bem maiores devido aos problemas de saúde enfrentados não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. FIGURA 10 Pessoas em situação de rua FONTE Freepik 39 O Público e o Privado na Gestão Social Tendências das políticas sociais no Brasil e no mundo Capitulo 4 Deve-se buscar eficiência focalizando as políticas sociais, assim como as tais portas de saída da pobreza, através de mais opções. Na área social, em particular, temos dificuldades de fazer escolhas. O Brasil deve começar a escolher e a série dos últimos anos mostra com clareza, quais foram os avanços e quais foram os retrocessos. O interessante é que ambos são bem diferentes da série histórica do Estado brasileiro. O Brasil sempre foi um país que cresceu muito com desigualdade alta. Atualmente, somos um país que cresce pouco com desigualdade em queda. Estamos refazendo nossa história e devemos aproveitar e buscar uma história mais interessante. Podemos crescer mais, com redução da desigualdade. Para tanto, temos de fazer uma escolha: desativar o antigo regime de políticas sociais e apostar em um novo regime que busque mais os pobres e uma transformação em suas vidas, explana Oliveira (2010). A política social brasileira forma-se e reorganiza-se, mantendo em sua realização a estrutura fragmentária, setorial e emergencial, sempre apoiada pela imprescindível necessidade de dar legitimidade aos governos que procuram bases sociais para conservar-se e acolhem seletivamente as reivindicações e até as pressões da sociedade, informa Senne (2017). Ultimamente estamos vivendo uma crise sanitária devido ao Corona vírus, isso fez com que todos os níveis da federação buscassem meios para enfrentar esse período. Buscam-se medidas em todos os âmbitos e não apenas na saúde. Os meios educacionais tiveram que se adequar à essa nova realidade por meio de aulas remotas. Ações sociais mais direcionadas tiveram que ser adotadas, como por exemplo, criação de abrigos para moradores de rua com suspeita da doença na cidade de São Paulo. Ainda, podemos citar o auxílio emergencial do governo federal, destinado às pessoas que ficaram sem renda, devido ao fechamento do comércio e das atividades não- essenciais, servindo como uma ajuda financeira para conter o avanço da pobreza. Por não existir um plano de gerenciamento de crisespara momentos como este, as ações tomadas nesse campo são emergenciais. Talvez fosse o momento de repensar as políticas sociais para que em momentos como esses existisse uma efetividade maior. 40 O Público e o Privado na Gestão Social Tendências das políticas sociais no Brasil e no mundo Capitulo 4 Dessa forma podemos verificar como a necessidade da política social, portanto, apresentam claro e inequívoco conteúdo de classe social, e respondem, em última instância, aos interesses das classes dominantes. Isto não significa que se deve, neste momento histórico, negar uma ou outra – ou ambas. O que é fundamental é o fortalecimento daqueles que se encontram fora dos processos decisórios que se dão, em última instância, no âmbito político. Os espaços políticos já existentes – sindicatos, associações, conselhos – e a busca incessante de criação de novos espaços de participação, podem se constituir em um caminho possível de fortalecimento dos indivíduos para que reconheçam sujeito coletivo e imponham mudanças importantes em ambas as políticas, 9 mudanças estas que venham a favorecer a maioria da população. (SENNE, 2017, p. 8) Outro problema é compreender como implementar uma política social que atenda os princípios de eficiência e eficácia, isto é, que possa alcançar os objetivos indicados (Figura 11), da forma mais econômica, no menor prazo possível e com justiça. Esta alternativa é racional por um lado, mas vai depender de aspectos como: tipo de Estado, tipo de governo, das características da sociedade, da orientação ideológica, da disponibilidade de recursos financeiros e dos condicionamentos impostos pela conjuntura internacional, esclarece Senne (2017). FIGURA 11 Alcance dos objetivos indicados FONTE Freepik 41 O Público e o Privado na Gestão Social Tendências das políticas sociais no Brasil e no mundo Capitulo 4 Mas uma coisa é fundamental, estamos vivendo épocas de democratização, nas quais as pessoas querem participar mais da implementação dessas políticas, se preocupam mais e buscam melhores condições de vida, cobrando do Estado medidas efetivas, não apenas através de sindicatos, associações ou movimentos sociais, mas também usando meios sociais ou qualquer outro meio de ampla difusão buscando a adoção de políticas sociais universais, que garantam direitos para a parcela majoritária da população no lugar de programas concentrados que possibilitam o acesso precário a essas políticas. Influências das políticas sociais no âmbito internacional Os efeitos dos processos econômicos globalizados em termos de aumento das desigualdades sociais e agravamento do desequilíbrio entre blocos de nações vêm sendo reconhecidos até mesmo pelas instituições internacionais, cujas agendas passam a incorporar prioridades de combate à pobreza, de inclusão social e adoção de políticas de mitigação dos chamados riscos sociais, ainda que estes sejam considerados como subprodutos inevitáveis das políticas de ajustamento, entendem Alvim e Castro (2010). Conforme Senne (2017), as políticas sociais são discutidas em espaços transnacionais, por meio de acordos firmados que acabam modificando e influenciando a realização e definição das políticas sociais. As Nações Unidas desempenham um papel fundamental de influência nas políticas sociais, buscando meios para a erradicação da fome e de projetos sociais. A criação da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1945, assinalou uma nova ordem internacional, em busca da manutenção da paz e segurança internacional, desenvolvimento de relações amistosas entre os Estados, baseadas no respeito à igualdade de direitos e autodeterminação dos povos, cooperação internacional no plano econômico, social e cultural, adoção de uma padrão internacional de saúde, proteção ao meio ambiente, criação de uma nova ordem econômica internacional e proteção internacional dos direitos humanos. (JUBILUT et al., 2016, p. 564) 42 O Público e o Privado na Gestão Social Tendências das políticas sociais no Brasil e no mundo Capitulo 4 Diversos instrumentos internacionais foram ratificados pelo Brasil. No âmbito da ONU alguns deles, de acordo com Jubilut et al. (2016), foram: • Convenção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação racial; • Convenção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação contra a mulher; • Convenção contra a tortura e outros tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes; • Convenção sobre os direitos da criança; • Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência, entre vários outros. A ampliação de programas assistenciais conta ainda com o estímulo dos organismos internacionais, com destaque para o Banco Mundial e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O Banco Mundial trata-se de uma instituição financeira formada por organizações distintas que têm como visão diminuir a pobreza e produzir prosperidade compartilhada de forma sustentável, servindo como fonte global de assistência para o desenvolvimento econômico no mundo. No Brasil, o Banco Mundial representou, desde então, importante fonte de recursos. Com o financiamento de projetos nas mais diversas áreas e, por meio do desenvolvimento da globalização, o processo para captação desses recursos se tornou mais acessível. Portanto, atuando nas áreas da saúde, infraestrutura, inclusão social, educação, meio ambiente, dentre outras, percebe-se o Banco Mundial como grande atuante no investimento de projetos que o setor privado não se dispõe a financiar. Estratégias de financiamentos para projetos que possam beneficiar mais de um país ao mesmo tempo são destacadas, uma vez que o banco conta com países-membros que buscam certa forma de cooperação. (FROZZA, 2013, p.14) Saiba Mais Aprofunde-se mais nesse tema compreendendo mais um pouco sobre a ONU lendo a Carta das Nações Unidas. Disponível em: https://bit.ly/3fiPfac (Acesso em: 08 mar 2021). 43 O Público e o Privado na Gestão Social Tendências das políticas sociais no Brasil e no mundo Capitulo 4 O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) é o organismo internacional que busca promover o desenvolvimento e eliminar a pobreza no mundo, produzindo relatórios e estudos sobre o desenvolvimento humano sustentável e as condições de vida das populações, assim como executa projetos que colaborem para melhorar as condições de vida dos países onde possui representação, explica Costa (2018). Outro instrumento importante trata-se da Declaração Tripartite de Princípios sobre as Empresas Multinacionais e a Política Social que se baseia em uma recomendação aos governos, às organizações de empregadores e de trabalhadores e às empresas multinacionais para regulamentar a conduta das empresas multinacionais e estabelecer as condições. Devem orientar suas relações com os países que as acolham. Seu campo de aplicação é baseado nas convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e na declaração dos direitos humanos e compreende: a promoção do emprego, a igualdade de oportunidades e tratamento, a proibição do trabalho infantil (Figura 12), a promoção da liberdade sindical e das negociações coletivas, a luta contra a discriminação no trabalho e a luta contra o trabalho forçado, complementa Costa (2018). Pinheiro e Santos (2017) destacam a influência internacional nas políticas educacionais brasileiras, sobretudo por organizações que, no contexto da globalização, entram em cena nas políticas nacionais de educação. FIGURA 12 Proibição do trabalho infantil FONTE Wikicommons 44 O Público e o Privado na Gestão Social Tendências das políticas sociais no Brasil e no mundo Capitulo 4 A ONU, através da UNESCO e a UNICEF, assim como o Banco Mundial são agências especializadas em educação que promoveram conferências das quais o Brasil participou, assinando declarações e assumindo compromissos referentes à educação brasileira. As políticas internacionais influenciam diretaou indiretamente a formação curricular e assim o processo de ensino-aprendizagem, tendo em vista que este não se encontra aquém das fronteiras de mudanças do universo contemporâneo. A escola, como um organismo social, sofre tanto a influência das diversidades da economia, da política e da sociedade, como outra instituição governamental. (BORDIN, 2015, p. 4) Contudo, alguns movimentos específicos também se tornaram relevantes para o campo das políticas sociais no Brasil. Giovanella et al. (2012) afirmam que os movimentos sociais na esfera internacional passaram a enfocar a compreensão da saúde como direito humano, a necessidade de debater sobre os determinantes sociais e políticos mais extensos, sobre a saúde e também a necessidade de definir políticas de desenvolvimento inclusivas, apoiadas por compromissos financeiros e de legislação, para diminuir as desigualdades e alcançar equidade em saúde. O Movimento para a Saúde dos Povos reúne parte dessas iniciativas com ativistas de saúde de todas as partes do mundo para compartilhar experiências e fomentar a ação de organizações da sociedade civil na luta pelo direito universal à saúde, relatam Giovanella et al. (2012). Um movimento mais recente dos Estados Unidos e que causou influência significativa no Brasil trata-se do “Movimento Vidas Negras Importam” que teve como foco o abuso generalizado da polícia, o qual fazem parte contínuos espancamentos, mutilações e assassinatos de negros, reestabelecendo uma base para fortalecimento de diretrizes de fiscalização e medidas contra a discriminação, explica Taylor (2020). 45 O Público e o Privado na Gestão Social Tendências das políticas sociais no Brasil e no mundo Capitulo 4 Resumindo Neste capítulo você deve ter compreendido que as políticas sociais buscam o bem-estar da população com a promulgação da Constituição Federal de 1988. Mas, ainda falta muito para acabar com as vulnerabilidades sociais atuais, por isso deve-se buscar eficiência escolhendo com clareza os avanços e retrocessos por meio de um novo regime que busca mais os pobres e uma transformação em suas vidas. Entendeu também as influências das políticas sociais no campo internacional como no caso das Nações Unidas que o Brasil ratifica diversos instrumentos em várias áreas sociais, contando ainda com estímulos do Banco Mundial e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e ainda, da Declaração Tripartite de princípios sobre as Empresas Multinacionais e a Política Social. Viu ainda a participação da Unesco e da Unicef nas políticas educacionais. Por fim, conheceu alguns movimentos sociais internacionais com influência no Brasil como o Movimento para a Saúde dos Povos e o Movimento Vidas Negras Importam. 46 O Público e o Privado na Gestão Social Referências ALMEIDA, V.E.; ESPEJO, R.A. Contabilidade no terceiro setor. Curitiba: IESDE Brasil, 2012. ALVES JUNIOR, M.D.; FARIA, M.V.C.M.; FONTENELE, R.E.S. Gestão nas Organizações do Terceiro Setor: Contribuição para um Novo Paradigma nos Empreendimentos Sociais. SÃO PAULO: ANPAD, 2009. 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