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1 
 
 
Biogeografia 
 
 
2 
 
 
 
 
3 
 
 
 
1. Definições, objeto e a relação com outras Ciências 
2. A Biosfera 
3. A Classificação geral dos Seres Vivos 
4. As Regiões e os fatores determinantes da 
Biogeografia 
5. Os Biomas do Mundo 
6. Meio Ambiente 
Referências Bibliográficas 
3 
 
 
4 
1. DEFINIÇÕES, OBJETO E A RELAÇÃO COM OUTRAS CIÊNCIAS 
A Biogeografia apresenta-se como uma ciência que faz a interação entre a Biologia e a 
Geografia. O prefixo BIO: “Vida” e o radical GEO e GRAFIA: “descrição da Terra” 
sintetizam uma terminologia epistemológica que merecem análise mais profunda para 
melhor compreensão. 
Iniciaremos pelas “Esferas Vitais” que constituem a essência da vida no planeta. A 
Litosfera (rocha-pedra); Atmosfera (ar, gases) e a Hidrosfera (água) constituem a 
Biosfera (vida), elementos que serão tratados na Unidade II, de forma específica. Diante 
dessa configuração, podemos compreender que existe uma dinâmica (movimento), a 
partir do “tempo e espaço”, que proporciona as inúmeras mudanças sobre a superfície 
terrestre. Essas relações se estabelecem através de uma concepção “sistêmica”, sendo 
matéria e energia componentes que serão discutidos na Unidade III. Ainda que de forma 
sucinta, exemplificaremos a configuração construtiva dessas relações citadas. Temos o 
Processo Erosivo como uma “chave” de vários conhecimentos que abrangem inúmeras 
categorias e conteúdo. Vejamos: 
Desgaste (D) + Transporte (T) + Sedimentação/acúmulo (S) = Erosão 
Contextualizando os elementos acima, a erosão é o resultado de intemperismo 
(químico, físico; biológico e/ou antrópico), pode-se verificar que existem movimentos de 
matéria e energia. O sistema aqui está entre as relações interdependentes entre os tipos 
de intemperismos, seus processos e causalidades. A partir dessa exemplificação e 
reflexão contextualizada do processo erosivo e reconhecendo essas bases conceituais, 
enfocaremos o conceito principal desse estudo. 
O conceito de Biogeografia para Troppmair (1995, p. 01): “estuda as interações, a 
organização e os processos espaciais, dando ênfase aos seres vivos – vegetais e 
animais – que habitam determinado local: biótopo – onde constituem geobiocenoses”. 
Martins (1985, p. 09) também conceitua Biogeografia como sendo a “ciência que estuda 
a distribuição geográfica dos seres vivos de acordo com as condições climáticas e na 
dependência das possibilidades de adaptação”. 
A distribuição vegetal e animal, como a existência de verdadeiras comunidades de 
plantas e animais constituem, por si mesma, realidades da Geografia, no sentido de 
contribuírem para diferenciar a superfície da Terra (WOOLDRIGE & EAST,1967, p.58). 
Observamos que, nesses conceitos, o espaço e a vida são elementos máximos para a 
compreensão das relações sistêmicas entre ambos, além das particularidades dos 
autores em estudos. 
Definido o objeto de estudo, exemplificaremos as inúmeras relações da Biogeografia 
com outros objetos de algumas ciências. Primeiro a Geologia que se destaca como uma 
das principais dessas ciências. Apresenta-se como importante estudo da estrutura da 
Terra, pois investiga os acontecimentos históricos ao longo da escala do tempo 
geológico. Os eventos naturais e/ou mesmo catastróficos revelam muitos elementos da 
vida terrestre. O grande exemplo é a Deriva Continental, com o movimento dos 
continentes muitas espécies sofreram modificações, separações ou mesmo migrações 
 
 
5 
devido às alterações, principalmente, climáticas no meio ambiente que permitiram 
posteriormente a divisão do planeta em grandes regiões biogeográficas. 
Podem-se observar as diversas configurações que as massas continentais sofreram nos 
últimos milhões de anos, desde a Pangea (Pan = todo e gea = Terra) até a constituição 
dos cinco continentes atuais. A relação direta desses movimentos com a Biogeografia 
se estabelece na diferenciação entre os corpos sólidos e líquidos, apresentando, assim, 
uma grande diversidade de vida em vários reinos e biomas. 
 
Para contextualizar, é importante observar a imagem que representa a Deriva 
Continental e analisar as diversas transformações ocorridas na crosta terrestre ao longo 
dos tempos. Estas modificações determinaram à Biogeografia que estudamos 
atualmente. 
A terceira ciência é a Geomorfologia que se enquadra com a Geologia e a Climatologia, 
pois discute os estudos da forma da superfície terrestre. O relevo se apresenta com 
suas altitudes em diferentes latitudes da Terra. Desde as cordilheiras e altas montanhas, 
aos fundos dos vales depressivos e as planícies aluvionares, pode-se observar, 
temperaturas diferentes, o que proporciona vidas diferentes. Lembremos da máxima 
geográfica que o relevo estabelece: “maior altitude, maior a pressão e menor a 
temperatura”. Essa ideia configura-se através de uma rica biodiversidade em alguns 
locais do planeta. A Geomorfologia é parte da Geografia Física. Aqui, também, faremos 
alguns questionamentos que envolvem a Geomorfologia: 
• As espécies se adaptam melhor em alta montanha ou em planícies? 
• Os solos aluvionares são realmente mais férteis? 
• Nas áreas depressivas, o acúmulo e sedimentação de materiais são 
favoráveis ao aparecimento de novos microrganismos? 
• Os processos erosivos atuam igualmente em áreas diferentes? 
 
 
6 
A quarta e última ciência que exemplificaremos aqui é a Ecologia que segundo Odum 
(1986, p.1), “La palabra ecología deriva del vocablo griego oikos”, que significa “casa” o 
“lugar onde se vive”. Essa Ecologia trata da Ecologia Animal e Ecologia Vegetal. Odum 
(1986), afirma que a palavra é proposta pela primeira vez pelo biólogo alemão Ernst 
Haeckel em 1869. 
Aqui, enceramos as exemplificações da Biogeografia com outras ciências, reforçando o 
seu caráter multidisciplinar. Além dessas quatro ciências citadas acima, podemos 
relacionar a Biogeografia com outras mais. Algumas delas apresentam uma relação 
direta, tendo seus conceitos e categorias com definições próximas à similaridade, e 
outras uma relação indireta, abordando alguns modelos e paradigmas teóricos mais 
universalistas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
2. A BIOSFERA 
A definição da biosfera (do grego Bios = vida e Sfaira = esfera; “esfera da vida”) foi 
amplamente discutida por diversas pesquisas e estudiosos ao longo da evolução dos 
estudos biogeográficos, apresentando suas multíplices abordagens de difícil 
conceituação. Também denominada de “teia da vida”, é formada pela junção de três 
esferas: a litosfera, atmosfera e a hidrosfera. 
É exatamente nesta porção do planeta, representada pela união indissociável entre as 
demais esferas, que se dá a atuação da Biogeografia. Segundo Ramade (1977), a 
biosfera é a “região” do planeta que compreende o conjunto de todos os seres vivos e 
na qual se faz possível sua existência. A biosfera é considerada ainda como uma tênue, 
frágil e complexa camada onde é possível a existência e interação entre os seres vivos. 
Tênue, porque é uma “estreita” parcela do planeta onde se podem apresentar as 
variadas formas de vida; frágil, porque qualquer desequilíbrio em suas estruturas e 
esferas pode afetar a vida como um todo; e complexa, porque a vida se apresenta de 
forma enigmática desde sua origem até suas transformações. Até o momento atual, 
novas descobertas e novas teorias constroem ou desconstroem afirmativas sobre a 
origem e manutenção da vida no nosso planeta. 
A complexidade que envolve o conceito de biosfera reside na interdependência dos 
fatores bióticos e abióticos presentes na hidrosfera, litosfera e atmosfera. A palavra 
“complexo” vem do latim complexus que significa “o que está tecido junto”, indica aquilo 
que abrange vários elementos ou partes, transmitindo, desta forma, a ideia de tecido, 
rede ou teia (MORIN, 1996). Este emaranhado de fatores interdependentes proporciona 
à vida, tanto animalo conceito de meio ambiente é muito amplo, pois pode incluir tanto a 
natureza com a sociedade. Além do mais, esse conceito também é maleável, haja vista 
que pode ser reduzido ou ampliado em função das necessidades específicas ou dos 
interesses envolvidos (SÁNCHEZ, 2008). Existem conceitos mais restritos como o de 
Guerra & Guerra (2001), que fala que o ambiente está intimamente ligado ao meio físico 
ou natural e que se constitui de rochas, relevo, solos, rios, climas e os tipos 
vegetacionais. 
Para Fonseca e Prado (2008), o ambiente natural é aquele que conserva a fisionomia e 
a dinâmica de funcionamento próximas da situação original e que apresenta poucos 
indícios das ações antrópicas. O ambiente antrópico, por outro lado, diz respeito ao 
conjunto de elementos artificiais resultantes da apropriação da natureza pelo homem. 
De acordo com Silva (2000), o meio ambiente é o produto da integração entre os 
elementos naturais, artificiais e culturais e que proporciona o desenvolvimento da vida 
em suas diferentes formas. 
De acordo com a legislação brasileira, meio ambiente é algo mais amplo e que se define 
como o “conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e 
biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas” (BRASIL, 1981). 
 
 
32 
Para Troppmair (2004), o meio ambiente é um complexo formado por elementos e 
fatores físicos, químicos, biológicos e sociais que interagem entre si com reflexos 
recíprocos sobre os seres vivos. 
6.1 Proteção e Legislação Ambiental Brasileira 
6.1.1 Legislação Ambiental e Meio Ambiente No Brasil 
As leis que compõem o corpo jurídico voltado para o meio ambiente no Brasil se 
destacam como uma das melhores legislações ambientais do mundo. É notório que 
aconteceu um grande avanço da perspectiva legal do ambientalismo no Brasil nas 
últimas décadas, o que se reflete na participação do poder público, sociedade civil e 
empresários no envolvimento das questões ambientais. No entanto, o país ainda se vê 
diante de uma série de problemas ambientais ligados ao não cumprimento da legislação 
vigente. 
Nesse sentido, não é pela ausência de leis que alguns problemas ambientais se 
tornaram frequentes no Brasil e, sim, por uma série de fatores que favoreceram a 
perpetuação das ações criminosas sobre o meio ambiente. Assim, os mecanismos que 
burlam as leis acarretam impactos sobre os ecossistemas e desencadeiam uma série 
de problemas para a vida das pessoas no campo e nas cidades. 
Entre os diversos fatores que dificultam a aplicabilidade da legislação ambiental e que 
favorecem os impactos ambientais, destacam-se a falta de aparato técnico e 
infraestrutura dos órgãos gestores, a carência de uma cultura de legalidade associada 
à ganância de pessoas ligadas a certos setores produtivos e, por fim, as próprias 
mazelas sociais do povo brasileiro. 
A falta de infraestrutura física e a carência de profissionais para atuar na fiscalização de 
empreendimentos que possam causar impactos ambientais representam um dos 
principais desafios dos órgãos gestores do meio ambiente no Brasil. Áreas imensas, 
como a Floresta Amazônica, por exemplo, não dispõem de um corpo técnico com 
número suficiente de pessoas para fiscalizar e punir infratores. Quando se analisa a 
situação das unidades de conservação também se constata que os órgãos públicos não 
colocaram a maioria de nossas áreas protegidas em condições de cumprir a sua 
principal função: manter a integridade dos ecossistemas e preservar a biodiversidade. 
Na maioria dos casos, unidades de conservação imensas foram criadas no papel, mas 
ainda não dispõem de uma infraestrutura capaz de proteger as suas riquezas naturais, 
o que facilita a atuação de madeireiros, caçadores e pescadores em suas áreas. 
Ressalta-se também que no Brasil existe uma cultura do levar vantagem em tudo que 
leva pessoas movidas pela ganância do lucro fácil a cometerem crimes ambientais. 
Certas de que a impunidade e as brechas da lei vão favorecê-las, essas pessoas 
representam os mais perigosos agentes destruidores do meio ambiente, uma vez que 
possuem poder econômico e político capaz de facilitar a isenção de suas 
responsabilidades perante a prática de crimes cometidos contra o patrimônio natural. 
A pobreza e a miséria extrema vivenciadas pelas populações do campo e das periferias 
das grandes cidades também são fatores responsáveis de forma direta ou indireta pela 
 
 
33 
geração de impactos ambientais. A carência de recursos financeiros capazes de 
assegurarem a aquisição dos elementos essenciais para a manutenção de uma família 
leva muitos trabalhadores rurais a cometerem crimes ambientais, visando atenuar os 
efeitos da pobreza extrema. Nesse contexto, destacam-se práticas como a caça 
predatória para comércio, a captura de animais para serem repassados aos traficantes 
da fauna silvestre, a extração de fósseis dos sítios paleontológicos e o carvoejamento. 
Deve-se ressaltar que a prática da caça pra saciar a fome não é crime, mas o que têm 
ocorrido em regiões mais pobres do interior do Brasil é caça de animais silvestres por 
encomenda. 
Nesse tipo de crime ambiental, o caçador abate animais cuja carne possui valor 
comercial (tatus, veados, pacas, etc) e vende para atravessadores que repassam o 
animal abatido para os interessados. Outro tipo de crime ambiental relacionado à fauna 
se refere à captura de animais exóticos para serem vendidos no exterior, o que configura 
o crime de biopirataria. 
A extração de fósseis de animais e plantas pré-históricas é uma prática muito comum 
no nordeste do Brasil. As populações rurais aproveitam a falta de fiscalização em dos 
sítios paleontológicos e retiram essas riquezas para serem vendidas a preços irrisórios. 
Os compradores revendem as peças por preços altíssimos para colecionadores e 
museus no exterior. 
O problema do carvoejamento clandestino praticado por populações pobres mostra uma 
das faces mais cruéis deste problema ambiental que afeta as áreas Cerrado do Brasil. 
Como mostra Martino (2011), alguns proprietários realizam todo o processo para a 
obtenção de licenças ambientais para produzir carvão nativo, mas essas pessoas não 
produzem o carvão nativo de fato. Na verdade, elas vendem o direito de produzir para 
outras pessoas que possuem carvão ilegal produzido a partir da vegetação nativa em 
terrenos de pequenos lavradores. Desta maneira, o carvão clandestino é “esquentado” 
com documentação falsa. 
Nessa perspectiva de análise, que considera a relação entre populações carentes e a 
natureza, não se pode perder de vista os conflitos envolvendo comunidades tradicionais 
e poder público. Nesse contexto, muitas pessoas são indiciadas como infratoras por 
desenvolverem práticas associadas aos saberes tradicionais em áreas de unidades de 
conservação de proteção permanente como os parques nacionais e estaduais. Assim, 
muitas comunidades tradicionais são impedidas de dar continuidade às suas práticas 
seculares como a agricultura de vazante ou a coleta de frutos. 
Para Belém (2008), esse problema está relacionado ao fato de as unidades de 
conservação terem sido implantadas, sem levar em conta os interesses das 
comunidades tradicionais. Nesse sentido, o grande desafio dos instrumentos legais 
voltados para a proteção da biodiversidade consiste em estabelecer meios capazes de 
compatibilizar a preservação dos ecossistemas e a exploração de seus recursos 
naturais por populações tradicionais (CAMARGOS, 2005). Esse problema se agrava 
quando as unidades de conservação estão inseridas em regiões cujas populações são 
muito carentes e que dependem dos recursos naturais. 
 
 
34 
6.1.2 As Principais Leis De Proteção Ambiental Do Brasil 
Como foi discutido anteriormente, o Brasil possui uma legislação ambiental muito 
complexa que contempla as mais diversas questões relacionadas ao meio ambiente, 
seu funcionamento e os possíveisproblemas que possam afetá-lo em função das ações 
antrópicas. 
Dentro desse corpo jurídico extremamente amplo se destacam seis parâmetros legais 
que podem ser apontados como os principais marcos da legislação ambiental brasileira 
e que evidenciam o aumento da preocupação com as questões voltadas para a relação 
entre qualidade de vida da sociedade e o meio ambiente: a Lei 6938 que dispõe sobre 
a política Nacional de Meio Ambiente, os Títulos III (Capítulo II) e XIII (Capítulo VI) da 
Constituição Brasileira de 1988; a Lei 9433 de 1997 que estabelece a política nacional 
de recursos hídricos; a Lei 9605 de 1998 que dispõe sobre os crimes ambientais; a Lei 
do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) de 2000 que estabelece as 
normas para criação e gestão das unidades de conservação; e a Lei 4771 de 1965 que 
recentemente foi reformulada e aprovada como o Novo Código Florestal Brasileiro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
35 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
CARVALHO, Carla Juliana Aguiar de & GONTIJO Bernardo Machado. A Biogeografia 
brasileira no âmbito de trabalhos publicados nos Simpósios de Geografia Física no 
período de 1997 a 2007. 
LEBON, J.H.G. Introdução à Geografia Humana. Tradução de Christiano Monteiro 
Oiticica. Coleção - A Terra e o Homem - Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1970. 
MARTINS, Celso. Biogeografia e ecologia. 5. ed. São Paulo: Nobel, 1985. 
ODUM, Eugene P. Ecologia. Traducido al español por el Sr. Carlos Gerhard 
Ottenwaelder.Tercera edición. Edicion Revolucionaria, 1986. 
RAMOS, Cristhiane da Silva. Visualização cartográfica e cartografia multimídia: 
conceitos e tecnologias. São Paulo: Editora UNESP, 2005. 
RICKLEFS,Robert E. A economia da natureza. Rio de Janeiro: Editora Guanabara 
Koogan, 2003. 
RIOS, Ricardo Bahia. Licenciatura em Geografia – Biogeografia. Faculdade de 
Tecnologia e Ciências - FTC. Educação a Distância - EaD.1. ed. Disponível em: 
www.ftc.br/ead. ROSA, Roberto. Introdução ao sensoriamento remoto. 7. ed. 
Uberlândia: EDUFU , 2009. 
TROPPMAIR, Helmut. Biogeografia e Meio Ambiente. 4. ed. Rio Claro: Impresso Graf-
Set, 1995. 
WOOLDRIDGE, S.W; EAST W. Gordons. Espírito e propósitos da Geografia. Tradução 
de Thomaz Newlands Neto. Coleção - A Terra e o Homem. Rio de Janeiro: Zahar 
Editores, 1967. 
BRASIL. SNUC - Sistema Nacional de Unidades de Conservação. Lei Federal Nº 
9.985 de 18 de julho de 2000. 
FIGUEIREDO, Lisa V. R.; NEVES, Sérgio L. S. Área de Proteção Ambiental e 
Intervenções socioambientais locais: algumas considerações sobre a APA de 
Pandeiros - MG. In: Colóquio Internacional Recursos na luta contra a pobreza. 
ANAIS... Montes Claros: UNIMONTES, 2010. 
FIGUEIREDO, Lisa V.R. Percepção ambiental em uma Unidade de Conservação de 
proteção Integral. 2011. Dissertação de mestrado. Universidade Estadual de Montes 
Claros, Montes Claros, 2011 
 
 
36quanto vegetal, no planeta. De maneira geral, pode-se dizer que a 
biosfera é a parte do planeta Terra onde se encontram os seres vivos. Ela compreende 
a superfície terrestre e a porção inferior da atmosfera, prolongando-se até o fundo dos 
oceanos. Para Troppmair (1987, p. 21) a biosfera, é ocupada de forma contínua, pois 
mesmo nos desertos quentes e frios ou nas grandes profundezas dos oceanos há vida. 
As geobiocenoses formam um mosaico na superfície terrestre, existindo áreas com altas 
concentrações de vida como as florestas equatoriais, enquanto em outras, como nos 
desertos e polos, a vida é rarefeita. 
Fisicamente, além da hidrosfera (água, ambiente líquido), atmosfera (camada de gás 
que envolve a Terra como o ar e seus componentes) e a litosfera (parte sólida da terra 
acima do nível das águas, como as rochas e o solo) a biosfera depende da fonte de 
energia que é o sol. A energia solar possibilita a existência da vida no planeta da maneira 
pela qual a percebemos. Essas características nos permitem considerar que a biosfera 
é única no universo, sendo a vida, exclusividade do planeta até onde a conhecemos. A 
energia solar é distribuída de forma variada pela superfície da Terra, em face de fatores 
geográficos como altitude, latitude, distribuição das águas e terras, influi nos sistemas 
climáticos e, consequentemente, nos demais elementos abióticos, mas interfere 
principalmente no meio biótico (TROPPMAIR, 1987, p. 21). 
Essa complexa teia de elementos interdependentes se revela em um grande conjunto 
de comunidades terrestre e aquática. Desta forma, torna-se de grande relevância o 
entendimento da biosfera como um sistema dinâmico e suas interdependências, bem 
como suas relações, funcionamento e evolução para os estudos biogeográficos. 
 
 
8 
Essa interdependência dos elementos que compõem a biosfera torna as ações do ser 
humano no planeta ameaçadoras. Isto porque o homem, na atualidade, vem alterando 
significativamente os ecossistemas e suas dinâmicas na Terra. O conceito de 
ecossistema foi utilizado pela primeira vez na década de 1934, pelo ecólogo britânico 
Arthur Tansley, quando passou a denominar um ambiente específico povoado por seres 
vivos e o conjunto destes seres vivos que povoam este mesmo ambiente, de 
“ecossistema”. Desta maneira, os ecossistemas são unidades dinâmicas e 
interdependentes da biosfera. Cada uma destas unidades, em função de suas 
especificidades resultantes das combinações entre os elementos bióticos e abióticos 
(água, ar, solo, energia do sol) apresentam manifestações distintas de vida, constituindo, 
desta forma, diferentes ecossistemas. A presença humana e suas atividades atribuem 
características adicionais aos ecossistemas naturais, sejam nos ecossistemas urbanos 
ou nos agroecossistemas. 
Na biosfera, todos os seres vivos dependem mutuamente uns dos outros, consolidando 
um sistema onde cada elemento contribui para a permanência da vida dos demais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9 
3. A CLASSIFICAÇÃO GERAL DOS SERES VIVOS 
Você seria capaz de imaginar a quantidade e diversidade de seres vivos presentes na 
biosfera? Agora imaginemos estudar cada exemplar isoladamente, seria extremamente 
complicado, daí a necessidade científica de catalogar e classificar os seres vivos das 
mais variadas maneiras, permitindo o conhecimento específico de cada ecossistema e 
espécies. 
Ao longo da evolução dos estudos biogeográficos e da botânica sistemática, milhares 
de espécies e suas regiões geográficas foram identificadas e analisadas, permitindo, 
através da classificação um melhor entendimento de suas atuações, interações e 
desenvolvimento dentro de determinado ecossistema 
A quantidade de espécies, seja animal ou vegetal, no mundo, aumenta 
significativamente em direção à região equatorial e diminui para os polos. Mas o que 
explicaria os motivos de existirem mais espécies em direção ao equador e menos em 
direção aos polos? Para explicar as razões, existem diversas conjecturas. Dentre as 
hipóteses, podemos apontar: 
• A Hipótese da Estabilidade climática: Os trópicos sofrem menos perturbações 
nas diferentes eras geológicas, passando por menos glaciações. 
• A Hipótese da Competição: Nos trópicos há maior competição entre os 
organismos, induzindo a “especialização” no uso dos recursos disponíveis, 
favorecendo a adaptação. 
• A Hipótese Espacial: Em habitats diversos existem maior probabilidade de 
combinações de nichos ecológicos. Nos trópicos, os ecossistemas de grande 
biodiversidade contêm habitats variados que abrigam diferentes formas de vida 
e de endemismo. Pode-se citar, por exemplo, o Cupinzeiro no bioma cerrado, 
que abriga e alimenta inúmeras espécies. 
Isto nos ajudaria a compreender porque em determinadas regiões do planeta, como nas 
regiões temperadas, as espécies tanto da fauna quanto da flora são praticamente 
conhecidas em sua totalidade, enquanto que em outras, como as áreas intertropicais, 
especialmente a região equatorial, existem ainda uma diversidade de espécies ainda 
não identificadas (TROPPMAIR, 1987, p. 28). 
Para os estudos dos seres vivos, a Biogeografia, tradicionalmente, divide-se em 
Zoogeografia (estudos dos animais) e Fitogeografia (estudos das plantas). 
A Zoogeografia se dedica à investigação das características dos animais tanto passadas 
quanto no presente, analisando suas adaptações e distribuição destes nas regiões do 
planeta. Já a Fitogeografia se preocupa com os vegetais, suas interrelações nos biomas 
e fatores que determinarão a distribuição das espécies vegetais na Terra. 
Percebe-se que os estudos zoogeográficos não têm a mesma atenção e dedicação dos 
geógrafos, conforme Kuhlmann (1977), isso se deve ao fato da maior influência dos 
vegetais nas paisagens se comparados com os animais que pouco a alteram. Esta área 
da Biogeografia, porém, se torna especialmente importante para os geógrafos quando 
há uma evidente interferência dos animais na vida humana, na sociedade e no meio 
 
 
10 
ambiente. Como exemplo disto, podem ser citadas as pragas para as lavouras; os 
mosquitos e aves migratórias responsáveis pela proliferação de doenças; os insetos 
polinizadores responsáveis pela manutenção de diversas espécies vegetais; os animais 
de caça que motivaram a fixação de comunidades em determinadas regiões do planeta, 
ou que impulsionaram a economia local como a pesca em rios e mares e o turismo nas 
savanas africanas. Além das descobertas científicas para as indústrias farmacêuticas 
como, por exemplo, o veneno extraído das serpentes utilizado para produção de soro 
antiofídico, ou da pele de rã (Rana catesbiana shaw) utilizada para o tratamento de 
queimaduras entre diversos outros produtos. 
Os desequilíbrios no ambiente, provocados pelas ações antrópicas e ou naturais, 
causam alterações na forma de vida dos animais influenciando diretamente as 
paisagens e os seres humanos, intensificando a importância dos estudos zoobiográficos 
também para a Geografia. 
A Fitogeografia compreende o estudo das distribuições das plantas sobre o planeta, as 
causas que levaram a esta distribuição, bem como os fatores que as mantêm em uma 
determinada região. Esta disciplina relaciona-se também com outras ciências como a 
Climatologia e a Pedologia. O enfoque da Fitogeografia é dado à análise da vegetação, 
do ambiente e da flora. Um dos precursores da Fitogeografia foi Alexander Von 
Humboldt que dedicava, em suas viagens pelo mundo, a caracterização das plantas, 
sua evolução e distribuição, correlacionando-as com o meio local. 
3.1 Classificação científica 
Além dos botânicos, ecólogos, zoólogos etc, os geógrafos também usam as 
classificações naturais para empregar as espécies da fauna e flora. Linée (1758) propôs 
uma nomenclatura universal para estas classificações: 
a) Nome da espécie latino ou latinizado; 
b) Devendo obrigatoriamente possuir no mínimo doisnomes, sendo o primeiro 
designando o gênero e o segundo designando a espécie; 
c) O gênero devidamente designado por um substantivo e escrito com inicial 
maiúscula, a espécie é designada por um adjetivo com inicial minúscula; 
d) Se houver necessidade, um terceiro nome deverá indicar a variedade ou 
subespécie. 
Observamos no que os organismos vivos são distribuídos em grupos sistemáticos de 
maior ou menor extensão: sendo eles o reino, o filo, a classe, ordem, família, gênero e 
espécie, além das suas subdivisões (MARTINS, 1992, p. 20). Especificaremos, a seguir, 
cada uma delas: 
• Espécie e gênero: A espécie é o conjunto de indivíduos semelhantes entre si, 
onde é possível o cruzamento que gerará descendentes férteis. Para melhor 
compreensão, daremos o exemplo do cavalo e da égua. Deles é possível o 
cruzamento que pode gerar um descendente fértil, logo, eles são da mesma 
espécie. Já do cruzamento de um jumento com uma égua não acontece o 
mesmo. Destes, nascerá um burro ou uma mula, ambos estéreis, 
impossibilitando originar novos descendentes. Sendo assim, o jumento e a égua 
 
 
11 
não são da mesma espécie, porém aparentados. Do mesmo modo ocorre com 
cães, lobos e coiotes. São semelhantes entre si, mas não são da mesma 
espécie. A estes “parentescos”, classifica-se como gênero, ou seja, o conjunto 
de espécies semelhantes. Linée classificou o cão: Canis familiaris e o lobo: Canis 
lupus. A primeira palavra designa o gênero: Canis (sempre escrita com a inicial 
maiúscula) e a segunda, a espécie: lupus ou familiaris. 
• Família: é o agrupamento dos gêneros mais semelhantes, formando uma família. 
Exemplo: o cão, coiote, lobo e a raposa fazem parte da família dos canídeos – 
Canidae. 
• Ordem: é o agrupamento das famílias mais “aparentadas” entre si. O conjunto 
destas famílias forma uma ordem. Ainda com o exemplo passado, o cão, lobo, 
raposa e o coiote, da família dos Canideos e o leão da família dos Felidae 
(felídeos), formam as ordem dos Carnívora (carnívoros). 
• Classe: consiste no agrupamento de ordens, ou seja, é o conjunto de organismos 
de ordem mais “aparentados” entre si, formando uma classe. Nisto, diferentes 
animais para nós, podem ser semelhantes e formarem uma classe. Exemplo: A 
raposa da ordem dos carnívoros, os seres humanos e os macacos dos primatas, 
os roedores como o rato, estes são mamíferos e, portanto, fazem parte da classe 
Mammalia. 
• Filo: o filo é formado a partir do agrupamento de classes mais semelhantes entre 
si. Por exemplo: o sapo (da classe Amphibia), o pássaro (da classe das Aves), 
os mamíferos e outras classes. Estes se assemelham por possuírem, ainda 
quando embriões, a “notocorda”, que é uma estrutura que tem a função de 
sustentação, podendo desaparecer posteriormente ou se transformar, por 
exemplo, na coluna vertebral. 
• Reino: Engloba o agrupamento dos filos, mais semelhantes. Semelhantes por 
serem pluricelulares, heterotróficos e com tecidos especializados. 
3.2 Os grandes reinos da natureza 
Por longo período, os seres vivos foram agrupados em dois grandes reinos: o reino 
vegetal e o reino animal. 
Com a evolução dos estudos biogeográficos e de aparelhos como o microscópio foi 
possível conhecer outras espécies que não se enquadravam nos critérios de 
classificação dos dois reinos anteriormente citados. Um exemplo disto são os 
microorganismos que se locomovem, mas que também apresentam clorofila, não sendo 
possível classificá-los como um vegetal ou como um animal somente por estas 
características. Surge então a necessidade de novos reinos para outros agrupamentos 
e seus critérios de classificações. 
O Reino é a maior das categorias taxonômicas, inclui maior número de espécies que as 
demais categorias e reúne filos (tipos) com características comuns a todos, mesmo 
quando existem grandes diferenças. Ao longo do tempo, a classificação dos seres vivos 
em reinos sofreu diversas modificações, de acordo com os critérios seguidos na 
classificação dos seres vivos. Atualmente, são cinco os grandes reinos que agrupam as 
espécies por suas características: Reino Monera, Reino Protista, Reino Fungi, Reino 
Plantae e Reino Animália. 
 
 
12 
O Reino Animalia ou Metazoa abarca todos os seres vivos pluricelulares. São seres sem 
parede celular, multicelulares com progressiva diferenciação tecidual, heterótrofos, ou 
seja, não produzem seu próprio alimento, obtêm-no por ingestão e são macro 
consumidores. A maioria dos organismos pertencentes ao Reino animal é capaz de se 
locomover. Algumas que não se locomovem são aquáticas e absorvem os alimentos 
trazidos pela água. Nesse reino estão inseridos desde a esponja marinha até o ser 
humano. 
O Reino Plantae ou Vegetália compreende os organismos produtores, que apresentam 
células revestidas por uma membrana de celulose, são multicelulares, sintetizam, em 
maior parte, seu próprio alimento pela fotossíntese. Este reino engloba, desde as 
anêmonas ou algas verdes até as plantas superiores. 
No Reino Fungi estão os organismos multicelulares e apresentam muitas formas. São 
heterótrofos, portanto, não produzem seu próprio alimento, obtêm no por absorção e 
são micro consumidores. Nessa categoria estão presentes os cogumelos até os bolores. 
No Reino Protista estão presentes os organismos como algumas algas. São em maioria 
unicelulares, autótrofos (fotossíntese) ou heterótrofos, produtores ou consumidores. 
Já no Reino Monera estão os organismos procariotos (células sem núcleo organizado) 
englobam as bactérias. 
Uma vez classificados os seres vivos e agrupados em grandes reinos, novos estudos, 
sobretudo dos naturalistas do século XIX, favoreceu a classificação geográfica das 
espécies. Foram então estudadas as ocorrências dos indivíduos tanto animais quanto 
vegetais nas diversas regiões do planeta, bem como os principais fatores que 
possibilitaram a existência de determinadas espécies em determinados tipos de clima, 
solo etc. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
13 
4. AS REGIÕES E OS FATORES DETERMINANTES DA BIOGEOGRAFIA 
Os dados levantados pelos naturalistas do século XIX e suas pesquisas sobre a 
distribuição dos organismos pelo planeta, possibilitaram identificar, classificar e agrupar 
espécies em grandes regiões biogeográficas. O naturalista britânico Alfred Russel 
Wallace em 1876, durante suas análises da distribuição das espécies vegetais e 
animais, sobretudo dos mamíferos, propôs a divisão biogeográfica do planeta em 
grandes regiões. Estas regiões e suas sub-regiões são possuidoras de características 
físicas e biológicas que fornecem condições ambientais propícias para a adaptação e 
manutenção de determinadas espécies. 
 
Inicialmente a proposta de Wallace dividia a Terra em seis grandes regiões 
biogeográficas: Região Paleártica; Neoártica; Neotropical; Afro-tropical; Indomalaia e 
Região Australiana. Posteriormente, novas propostas surgiram (principalmente das sub-
regiões e de regionalização por áreas como em regiões Fitogeográficas e regiões 
Zoogeográficas) sendo acrescentadas à divisão de Wallace duas novas regiões: a 
Região Antártica e a Oceânica. 
• Região Paleártica: abrange todo o continente europeu, norte da África (incluindo 
o deserto do Saara), norte da Península Arábica e toda a Ásia (incluindo a China 
e Japão); 
• Região Neoártica: esta região compreende a América do Norte até a fronteira 
com o México; 
• Região Neotropical: compreende desde o centro do México até o extremo sul da 
América do Sul; 
• Região Etiópica (Afro-tropical): delimita toda a África sub-saariana e os dois 
terços mais ao sul da península arábica; 
• Região Australiana: Perpassa pelo leste da Indonésia, ilha de Nova Guiné, 
Austrália e Nova Zelândia; 
• Região Oceânica: corresponde às demais ilhas do oceano Pacífico; 
• Região Antártica: abrange todo o continente e o oceano com o mesmo nome. 
 
 
14 
• Região Indo-malaia: compreende o subcontinenteindiano, sul da China, 
Indochina, Filipinas e a parte ocidental da Indonésia; 
4.1 Fatores determinantes da Biogeografia 
Cada organismo que se origina na biosfera, este tende à ocupação de áreas favoráveis 
à sua existência, ou seja, onde os elementos bióticos e abióticos estejam em equilíbrio. 
A existência e o ritmo desta ocupação ficam totalmente dependentes deste equilíbrio 
que, por sua vez, está dependente de vários fatores determinantes. De acordo com 
Troppmair (1987), os principais fatores biogeográficos são: 
Fatores Geográficos: São fatores responsáveis pela distribuição dos organismos por 
toda a biosfera. Cada característica geográfica pode operar como um mecanismo de 
dispersão para determinadas espécies e ou como bloqueio, ou “barreira” para outras. 
Por exemplo, pode-se citar um acidente geográfico como cadeia de montanha, ou 
corpos d´águas como rios e mares que funcionam como rota de migração para espécies 
aquáticas e como barreira para as terrestres 
Fatores Edáficos: Os fatores edáficos são aqueles inerentes ao solo, ou que pelo solo 
são influenciados. Vários tipos de solos do planeta são também responsáveis pela 
distribuição da diversidade de espécies na biosfera. Algumas plantas são mais 
exigentes quanto às propriedades do solo, outras se mostram bastantes adaptadas a 
solos arenosos e pobres. Algumas espécies de animais inclusive de vida subterrânea, 
têm sua distribuição geográfica atrelada às características pedológicas como as 
minhocas em solos úmidos e lagartos de areia. 
Fatores Climáticos: O fator climático configura-se em um dos mais importantes na 
distribuição dos seres vivos. A vegetação, animais e os seres humanos têm um limite 
de tolerância em relação à temperatura, umidade e pluviosidade, etc. O desequilíbrio 
para mais ou para menos em uma destas medidas pode levar ao desaparecimento da 
espécie no ambiente, afetando o desenvolvimento do ciclo vital: germinação, 
crescimento, floração e frutificação. 
Um bom exemplo é a grande biodiversidade nos trópicos, por apresentar as condições 
climáticas ideais ao ciclo vital: incidência de luminosidade, umidade, temperaturas. Já 
nas regiões temperadas, as baixas temperaturas nos invernos rigorosos se tornam um 
fator dificultador para a proliferação das espécies, ocasionando uma menor diversidade 
biológica, se comparada com as regiões tropicais. 
Fatores bióticos: Já sabemos que o prefixo “bio” significa vida, logo, fatores bióticos 
estão associados aos organismos vivos e suas interações. Estes próprios organismos 
também desempenham um papel importante na distribuição das espécies pela 
superfície terrestre. Da mesma maneira, pode-se afirmar que a flora tem relevante 
participação na distribuição geográfica da fauna. 
A presença de alimentos em uma região contribui para que determinados animais se 
estabeleçam no mesmo local, definitivamente permaneçam por um período do ano. A 
ausência de luminosidade, provocada pelo sombreamento de grandes árvores em 
intensas florestas, pode impedir o aparecimento de outras espécies menores. Imagine 
 
 
15 
que: é através da cadeia alimentar que a fauna é naturalmente controlada, evitando uma 
superpopulação de uma ou mais espécies acarretando desequilíbrio ambiental. 
Deve-se considerar ainda o fator humano, que embora seja um fator também biótico, o 
ser humano, por suas características determinantes ao meio ambiente, merece 
destaque especial. O ser humano está distribuído por quase toda a biosfera, ele 
funciona como “regulador” das espécies, assim como também as distribui pelo planeta 
que há séculos proporcionam grandes alterações que afetam toda a dinâmica da vida. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
16 
5. OS BIOMAS DO MUNDO 
Em relação à classificação e mapeamento dos biomas do mundo, não existe consenso 
entre os pesquisadores, de modo que podem ser encontrados diversos mapeamentos 
apresentando nomes e quantidades de biomas que variam de um trabalho para outro. 
Neste caderno didático procurou-se fazer uma adaptação da classificação mais usada 
e que considera a existência de nove biomas no mundo. 
 
5.1 As florestas tropicais 
As Florestas Tropicais representam o mais importante banco genético do planeta e sua 
cobertura original se estende por toda faixa intertropical abrangendo uma área que vai 
da América do Sul e Central até o Sudeste Asiático, passando pela região Centro-
Ocidental africana. Entretanto, grande parte desse bioma já foi devastado em função 
das ações antrópicas que se intensificam devido às pressões demográficas, à expansão 
urbana e as crescentes necessidades por novos recursos naturais. 
De acordo com Brown e Lomolino (2006), as florestas tropicais úmidas são as mais ricas 
e mais produtivas dos biomas terrestres, pois abrigam cerca de 50% das espécies do 
planeta. Essa imensa biodiversidade se reflete na existência de várias formações 
florestais ora densas, ora mais abertas. No entanto, o predomínio das formações densas 
é uma realidade encontrada na maioria das Florestas Tropicais do globo devido às altas 
médias pluviométricas presentes nas baixas latitudes. Entre os países que apresentam 
as maiores áreas revestidas pela Floresta Tropical destacam-se o Brasil, o Peru, a 
Venezuela, o Congo, o Gabão e a Indonésia. 
Para Tyller e Miller (2008), as imensas árvores da Floresta Tropical Úmida formam um 
topo (dossel) denso e fechado que dificulta a passagem da luz até o chão, fazendo com 
que a vegetação presente no nível do solo seja escassa e as poucas plantas que se 
 
 
17 
desenvolvem nessa porção da floresta apresentem folhas grandes para capturar a 
mínima quantidade de luz. 
Encontrada entre as latitudes 10° Norte até 10° Sul, as Florestas Tropicais estão 
associadas a um clima equatorial quente e úmido com índices pluviométricos que 
podem alcançar 2.000 mm anuais. As plantas dominantes são árvores de grande porte 
que formam um dossel fechado que dificulta a passagem da luz solar, impedindo a 
proliferação de espécies herbáceas e arbustivas. Essas árvores podem alcançar 40 
metros de altura e a presença de epífitas e lianas é muito forte (BROWN & LOMOLINO, 
2006). 
A origem da distribuição das Florestas Tropicais úmidas tem gerado muita polêmica no 
meio científico e até hoje não existe um consenso geral em torno dessa questão. Sabe- 
-se que a gênese da distribuição dessas florestas possui uma íntima relação com a 
dinâmica das placas tectônicas e com as mudanças climáticas pleistocênicas (ocorridas 
há 18.000 anos). 
De acordo com Puig (2008), no Final da Era Paleozóica (a cerca de 245 milhões de 
anos), os continentes já estavam unidos, formando o Supercontinente de Pangéia que 
apresentava uma cobertura florestal diversificada bastante expressiva. Quando esse 
continente se abriu, cada fragmento levou consigo um pouco das floras existentes que 
em cada continente passaram a evoluir independentemente (PUIG, 2008). 
As florestas tropicais úmidas formam um bioma diversificado com diferentes 
fitofisionomias florestais, mas o tipo vegetacional predominante é a Floresta Ombrófila 
Densa de Terra firme que se caracteriza por apresentar árvores de grande porte com 
uma variedade imensa de lianas e epífitas. 
5.2 As Savanas 
A Savana é um bioma que se encontra no entorno das florestas tropicais e que ocorre 
principalmente na África, América do Sul e no sul da Ásia. A sua característica mais 
marcante se refere à presença de uma vegetação aberta com dois estratos bem 
definidos: um arbóreo e um herbáceo-arbustivo. O imenso tapete graminoso pontilhado 
por árvores e arbustos espaçados fazem das savanas um habitat preferencial para 
espécies animais de grande porte. 
Nesse sentido, as Savanas africanas com suas girafas, leões, rinocerontes e elefantes 
se tornaram conhecidas no mundo todo. No entanto, as savanas do Brasil, conhecidas 
como Cerrados, também apresentam uma riquezafaunística e florística de destaque, 
haja vista que esse bioma é um dos dois únicos Hotspots brasileiros. 
De acordo com Brown & Lomolino (2006), as Savanas tropicais são biomas dominados 
por uma fitomassa quase contínua de gramí- neas e árvores ou arbustos resistentes ao 
fogo. Em relação à localização, as Savanas ocorrem em latitudes intertropicais que se 
encontram entre 25° N e 25° S e são caracterizadas por uma notável sazonalidade de 
precipitações, com uma ou duas estações chuvosas, seguidas por intensas secas 
(BROWN & LOMOLINO, 2006). Essas precipitações apresentam índices que variam 
entre 500 e 1600 mm anuais. 
 
 
18 
Para Dajoz (2006), as Savanas podem ser herbáceas com gramíneas de até 80 cm ou 
arbustivas com árvores esparsas. A Savana herbácea é muito representativa na África 
e caracteriza-se pelo predomínio das gramí- neas sobre os arbustos e árvores. Na 
América do Sul, as Savanas Herbáceas formam os lhanos da Venezuela (DAJOZ, 
2006). As Savanas Arbustivas, por outro lado, possuem muitas árvores com até 15 
metros de altura e uma casca espessa contendo muita cortiça resistente ao fogo. Na 
Savana Arbustiva africana se destacam árvores como o Baobá e a Acácia, enquanto na 
Austrália os Eucaliptos são abundantes (DAJOZ, 2006). 
5.3 As florestas temperadas decíduas 
As Florestas Temperadas Decíduas constituem o bioma mais devastado do planeta, 
pois grande parte da sua cobertura original se encontrava nas regiões que hoje são as 
mais industrializadas, populosas e antigas do mundo. Assim, esse bioma cobria a 
maioria dos territórios dos Estados Unidos, Europa Ocidental e China. 
Sabe-se que essas regiões são as mais industrializadas do planeta e que passaram por 
um processo de ocupação muito antigo, sobretudo, na Europa Ocidental e na China, o 
que explica esse quadro de devastação encontrado nessas áreas onde deveriam 
ocorrer Florestas Temperadas Decíduas. As poucas manchas ainda preservadas hoje 
ocorrem em unidades de conservação, como o parque que preserva a famosa Floresta 
de Sherwood na Inglaterra ou a Floresta Negra na Alemanha. 
Para Troppmair (2004), em algumas áreas, essa formação vegetação é praticamente 
artificial, uma vez que vêm ocorrendo reflorestamentos com espécies em sua área de 
ocorrência desde o século XVI. As suas árvores apresentam uma altura média de 20 
metros e as folhas são finas. Essas folhas caem no outono iniciando o período em que 
a vegetação entra em estado latente (TROPPMAIR, 2004). 
De acordo com Brown & Lomolino (2006), as Florestas decíduas temperadas são 
também denominadas como florestas decíduas verdes de verão, haja vista que têm um 
ritmo anual caracterizado pela presença de árvores que perdem as folhas no frio do 
inverno. O porte e a densidade da cobertura vegetal e a composição do sub-bosque 
variam muito, dependendo do clima local, tipo de solo e a frequência dos incêndios 
(BROWN & LOMOLINO, 2006). 
Entre as espécies arbóreas desse bioma merecem destaque a Faia (Fagus silvata), a 
Bétula (Carpinus betulus), o Carvalho (Quercus robus) e a Tília (Tilia cordata) 
(TROPPMAIR, 2004). 
5.4 A floresta Boreal 
A Floresta Boreal ou Taiga é um bioma que apresenta um dos mais altos índices de 
preservação entre todos os grandes ecossistemas terrestres, no entanto, constitui uma 
importante fonte de matéria-prima para as indústrias moveleira e de celulose em países 
como Canadá, Noruega, Suécia e Rússia. Sua ocorrência compreende uma ampla faixa 
que cruza o norte da América do Norte, Europa e Ásia. Essa faixa se encontra 
aproximadamente entre as latitudes 55° e 75° graus e marcam as regiões de clima 
 
 
19 
tipicamente frio com vegetação homogênea caracterizada pelo predomínio de pinheiro, 
faias e abetos (BROWN & LOMOLINO, 2006). 
Para Dajoz (2006), a Taiga ocupa cerca de 31% das florestas do globo e seu clima é 
marcado por quatro meses em que a temperatura média é superior a 10° C, o que 
permite o estabelecimento desse bioma. As espécies arbóreas adaptadas ao frio 
constituem um conjunto de coníferas, tais como o Pinheiro, o Abeto, o Espruce e o 
Lariço, todas misturadas a outros indivíduos arbóreos como a Bétula e o Salgueiro. 
As espécies coníferas da Taiga são geralmente marcadas pela presença de folhas 
aciculadas (em forma de agulha), cobertas por uma resina que suporta o frio intenso e 
a aridez do inverno quando a neve é abundante (TYLLER e MILLER , 2008). 
De acordo com Brown e Lomolino (2006), a Taiga também ocorre em regiões de maiores 
altitudes, como, por exemplo, ao sul das cordilheiras do oeste dos Estados Unidos na 
direção meridional do México. Os solos da área de ocorrência das Florestas Boreais 
são geralmente ácidos que, combinados com as temperaturas relativamente baixas, 
criam condições estressantes que limitam a diversidade de espécies arbóreas. 
Para Troppmair (2004), a acidez dos solos está associada à decomposição dos acículos 
que caem na superfície formando uma espessa camada de matéria orgânica rica em 
ácidos, fato que, associado aos longos invernos de baixa atividade bacteriana, contribui 
para a intensa podzolisação e redução do pH. 
5.5 Os desertos 
As áreas desérticas são ecossistemas frágeis marcados por condições geoclimáticas 
bastante adversas que exigem adaptações específicas das escassas formas de vida 
desses biomas. Os índices pluviométricos nos desertos são extremamente baixos e não 
ultrapassam 250 mm anuais. 
No entanto, deve-se ressaltar que os desertos podem ocorrer em áreas tropicais, 
subtropicais ou temperadas. Assim, existem desertos considerados como quentes e os 
desertos frios. Os desertos quentes apresentam médias térmicas relativamente altas ao 
longo do ano. Nesse sentido, essas áreas possuem uma amplitude térmica anual 
geralmente pequena (diferença entre o mês mais frio e o mês mais quente). 
Em relação à amplitude térmica diária, os desertos quentes apresentam variações 
térmicas muito elevadas ao longo das 24 horas do dia. À tarde, as temperaturas podem 
chegar a 45 °C e à noite, as temperaturas chegam a valores próximos de zero 0º C. No 
tocante à origem da aridez dos desertos, sabe-se que entre as principais causas da 
carência de chuvas nessas áreas se destaca o fato de a maioria dos desertos se 
encontrarem próximos à faixa subtropical e por essa razão sofrerem os efeitos da 
pressão vertical dos ventos secos vindos dos trópicos. 
Esses desertos se encontram em uma área de alta pressão atmosférica (áreas 
anticiclones), ou seja, eles ocorrem em uma grande faixa do globo que é marcada pela 
constante descida de ar seco que pressiona a superfície, dificultando a ascensão de 
 
 
20 
massas de ar que formam as chuvas. Além da pressão atmosférica, a aridez dos 
desertos também pode estar associada às correntes marinhas frias e ao relevo. 
Para Tyller e Miller (2008), os desertos estão associados às baixas precipitações e 
podem ser encontrados nas zonas tropical, temperada e polar. Nesse sentido, as 
regiões frias e áridas da Patagônia e da Antártida também devem ser consideradas 
como desérticas. Conclui-se que o que faz uma área ser considera da como desértica 
é a escassez pluviométrica e não as temperaturas. Assim, existem desertos frios e 
quentes, mas ambos não possuem uma precipitação anual superior a 250 mm. Para 
Brown & Lomolino (2006), a evaporação nos climas desérticos é tão intensa que muitas 
espécies têm adaptações especiais para absorver, armazenar e impedir a perda de 
água. Presença de espinhos, tubérculos nas raízes e caules esponjosos são exemplos 
de situações adaptativas nas regiões desérticas. 
Nas regiões menos áridas, a vegetação se caracteriza por apresentar pequenos 
arbustos, algumas vezes intercalados com cactáceas (BROWN & LOMOLINO, 2006). 
5.6 A tundra 
A Tundra é um bioma que ocorre nos polos e suas adjacências. Os rigores do clima 
polar fazem com que a vegetação da Tundra tenha uma duração de dois a três meses. 
Essa curtaduração está associada ao período em que os polos apresentam 
temperaturas um pouco mais elevadas, possibilitando o desenvolvimento de gramíneas, 
musgos e líquens. Os musgos e gramíneas da Tundra constituem importante fonte de 
alimento para a fauna herbívora que ocupa os círculos polares nas épocas favoráveis. 
Para Brown e Lomolino (2006), a Tundra é um bioma sem árvores, encontrado entre a 
Floresta boreal e a calota polar. Esse domínio apresenta condições ambientais mais 
estressantes do que a realidade encontrada nas florestas boreais, e a aridez é tão 
intensa que muitas vezes a precipitação é menor do que nos desertos quentes. 
De acordo com Troppmair (2004), a cobertura vegetal da Tundra está intimamente 
ligada às condições climáticas polares marcadas por invernos rigorosos e verões curtos 
e secos. Nesse sentido, a Tundra possui uma vegetação de curta duração que se 
desenvolve exatamente nos dois ou três meses mais quentes do verão. Em relação aos 
aspectos pedológicos, a Tundra apresenta um solo conhecido como Permafrost. Os 
horizontes superiores do Permafrost permanecem congelados durante grande parte do 
ano, formando uma camada impermeável responsável por encharcamentos durante o 
derretimento da neve (TROPPMAIR, 2004). 
De acordo com Brown & Lomolino (2006), o Permafrost é uma camada congelada e 
impermeável que se encontra a uma profundidade de aproximadamente um metro no 
verão. Por isso, a diversidade biológica da Tundra é muito modesta e chega a ser inferior 
à maioria de outros biomas terrestres (BROWN & LOMOLINO, 2006). 
5.7 As pradarias e estepes 
A Pradaria é um bioma encontrado nas faixas temperada e subtropical e que se 
caracteriza por apresentar um predomínio absoluto de espécies herbáceas. Sua 
 
 
21 
ocorrência está associada às condições climáticas e pedológicas das extensas planícies 
do meio-oeste dos Estados Unidos, dos pampas argentinos e uruguaios e de grande 
parte da região central da Rússia. Os solos de alta fertilidade natural que geralmente 
ocorrem nessas áreas submeteram as pradarias a um intenso processo de ocupação 
que desencadeou sérios problemas ambientais, tais como a salinização e a 
desertificação. 
De acordo com Brown & Lomolino (2006), a Pradaria é o domínio herbáceo que se 
encontra entre os desertos e as florestas temperadas e que ocupa uma faixa localizada 
entre as latitudes 30° e 60°. 
Essa vegetação rasteira passa a impressão de que a biomassa da pradaria é pequena, 
o que não é verdade, uma vez que a rede de raízes das plantas perenes constitui um 
grande volume de biomassa (BROW & LOMOLINO, 2006). Quanto aos aspectos 
pedológicos, esses autores destacam que os prados temperados tendem a ter solos de 
alta acumulação de matéria orgânica e significativa fertilidade natural, o que tem atraído 
diversas atividades agrícolas para essas áreas. 
Em relação à Estepe, deve-se ressaltar que esse ecossistema se refere a uma pradaria 
marcada pelo predomínio de gramíneas e pequenos arbustos, mas que ocorre em áreas 
com índices pluviométricos mais baixos, chegando às condições de semiaridez. Essa 
situação pode ser constatada no entorno do Mar de Aral no Cazaquistão ou no norte da 
Mongólia. 
5.8 Os biomas semiáridos 
Os biomas Semiáridos apresentam uma larga distribuição na superfície terrestre e são 
geralmente encontrados no entorno das regiões desérticas ao longo das zonas tropical, 
subtropical e temperada. Apresentam índices pluviométricos que variam entre 300 e 750 
mm ao longo do ano e que refletem a existência de formações vegetais marcadas pela 
presença de espécies xerófilas como cactáceas e bromélias entremeadas por arbustos 
e pequenas árvores. Em algumas regiões da Ásia Central o bioma Semiárido se faz 
presente através de grandes pradarias secas denominadas como Estepes. 
Alguns autores definem as Estepes como um bioma que pode ser considerado como 
sinônimo de pradaria, enquanto que outros associam as Estepes a todas as formações 
semiáridas. Nesse sentido, Dajoz (2006), estabelece que o bioma Semiárido ou Estepe 
seja um domínio que se distingue das Savanas por apresentar uma cobertura herbácea 
descontínua marcada pela presença de plantas lenhosas espinhosas. Assim, esse 
bioma apresenta fitofisionomias herbáceas ou herbáceo-lenhosas com árvores 
espinhentas e suculentas (DAJOZ, 2006). 
Ainda em relação às ideias de Dajoz (2006), os domínios Semiáridos mais expressivos 
ocorrem na região do Sahel africano e no Nordeste do Brasil, onde as formações 
semiáridas compõem o bioma Caatinga. 
Por fim, deve-se ressaltar que as formações semiáridas têm sido submetidas a um 
processo de ocupação humana que, nas últimas décadas, desencadeou a 
desertificação de expressivas áreas. Na região do Sahel africano, por exemplo, a 
 
 
22 
desertificação tem feito com que a área do deserto do Saara seja expandida pelas 
bordas. Da mesma forma, grandes áreas do sertão semiárido brasileiro também têm 
sofrido os efeitos da desertificação. 
5.9 Altas montanhas 
O bioma Altas Montanhas se refere ao conjunto de ecossistemas que se localiza nas 
altitudes mais elevadas das grandes cordilheiras montanhosas do globo. 
São formações vegetais que, devido aos efeitos da altitude e da pressão atmosférica, 
apresentam características únicas e especiais. 
De acordo com Dajoz (2006), o ar rarefeito das grandes altitudes afeta 
significativamente a radiação solar, a temperatura e a umidade relativa, fazendo com 
que o desenvolvimento da vegetação seja totalmente influenciado por esses fatores. 
Assim, à medida que a altitude aumenta, vão se sucedendo várias zonas de vegetação 
cujos limites altitudinais variam de acordo com as regiões (DAJOZ, 2006). No entanto, 
as variações com suas respectivas características variam de uma montanha para outra. 
Nessa perspectiva, Troppmair (2004) considera para a Cordilheira dos Andes a 
existência de quatro ambientes que variam em função da altitude: a Terra quente com 
floresta até 1.100 metros de altitude, a Terra Temperada com floresta aberta entre 1.100 
e 2.200 metros, a Terra Fria entre 2.200 e 3.300 metros com pequenas árvores e 
coníferas e a Terra Gelada em altitudes superiores a 3.300 metros. Na Terra Gelada a 
vegetação arbórea desaparece, dando lugar às gramíneas e às camadas de neve. 
Os tipos vegetacionais encontrados nas grandes altitudes são fortemente influenciados 
pela temperatura e pela pressão atmosférica formando um gradiente fitofisionômico 
caracterizado pelo aumento da biomassa vegetal de cima para baixo. Nessa 
perspectiva, praticamente todas as grandes cordilheiras montanhosas não apresentam 
vegetação em seus topos, mas apenas rocha e neve devido aos rigores climáticos que 
caracterizam essas áreas. 
5.10 Os biomas do Brasil 
O Brasil possui uma grande extensão territorial que se reflete na diversidade de biomas 
com suas respectivas fitofisionomias associadas às mais variadas condições 
geológicas, geomorfológicas e edáficas. Em relação ao mapeamento dos biomas 
brasileiros existe muita polêmica no tocante à diferenciação entre os mapas de biomas 
e os mapas da vegetação brasileira. 
 
 
23 
 
O mapa da vegetação é constituído de fitofisionomias ou formações vegetais, enquanto 
o mapa de biomas é formado por várias fitofisionomias agrupadas formando grandes 
conjuntos. Esse problema se origina no tratamento simplista que muitos autores de 
livros didáticos conferem aos biomas brasileiros. Ao se referirem ao bioma Cerrado, por 
exemplo, esses livros tratam apenas de uma ou duas formações vegetais presentes 
nesse domínio extremamente complexo e diversificado. 
Também existe muita controvérsia em torno do número de biomas brasileiros. A maioria 
dos autores reconhece a presença de sete biomas no território brasileiro: Floresta 
Amazônica, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Campos Naturais, Pantanal e Mangue. 
No último mapeamento dos biomas brasileiros feito pelo Instituto Brasileirode Geografia 
e Estatística – IBGE em 2004 o bioma Mangue não foi individualizado, mas esse 
trabalho é o mais importante registro cartográfico sobre os biomas brasileiros, sendo 
muito usado no ensino básico e superior. 
5.11 Floresta Amazônica 
A Floresta Amazônica é o maior bioma brasileiro em extensão e ocupa quase metade 
do território nacional, ou seja, cerca de 49,29% de todo o país (IBGE, 2004). Sendo 
também a mais expressiva reserva de diversidade biológica do mundo, a Floresta 
Amazônica também ocupa 2/5 da América do Sul e 5% da superfície terrestre (IBGE, 
2004). Além do mais, sua área de aproximadamente 6,5 milhões de quilômetros 
quadrados, abriga a maior rede hidrográfica do planeta, o que constitui uma das maiores 
 
 
24 
reservas de água doce do mundo. Para o IBGE (2004), esse bioma imenso em tamanho 
e riquezas naturais ocupa a totalidade de cinco unidades da federação (Acre, Amapá, 
Amazonas, Pará e Roraima), grande parte de Rondônia (98,8%), mais da metade de 
Mato Grosso (54%), além de parte de Maranhão (34%) e Tocantins (9%). 
No meio acadêmico se discute muito sobre a diversidade vegetacional da Amazônia. 
Por outro lado, entre as pessoas comuns ou no âmbito do ensino básico, percebe-se 
uma noção de Amazônia formada por uma massa vegetacional constituída de árvores 
do mesmo tamanho sem nenhuma diversidade ambiental ou fitofisionômica. 
Mas o bioma Amazônico, na verdade, compreende um verdadeiro mosaico de 
formações vegetais condicionadas por fatores edáficos, geomorfológicos e climáticos. 
Para Rizzini (1997), na Amazônia existem três tipos florestais básicos: a Floresta de 
Igapó, a Floresta de Várzea e a Floresta de Terra Firme. 
A Floresta de Igapó é aquela que permanece sempre alagada ao longo do ano. Em 
outras palavras, o Igapó é uma mata pantanosa, aberta, baixa e pobre. A Floresta de 
Várzea se alaga apenas em determinadas épocas do ano e em relação ao porte, é bem 
mais desenvolvida do que a Mata de Igapó. No entanto, as Florestas de Várzeas 
próximas aos rios barrentos (bacia do Solimões) são mais ricas e desenvolvidas do que 
as florestas da bacia do Rio Negro que se assentam sobre solos muitos arenosos e 
distróficos. 
A Floresta de Terra Firme, por outro lado, não apresenta acúmulo da água na superfície 
em nenhuma época do ano. É a formação florestal mais exuberante e de maior porte 
em toda a Amazônia (RIZZINI, 1997). 
Ainda em relação às formações florestais o bioma Floresta Amazônica também possui 
outra fitofisionomia muito peculiar, a Campinarama. Essa formação vegetal ocorre nas 
áreas mais chuvosas do extremo Norte do Brasil, ou seja, nas bacias dos rios Negro e 
Branco onde os índices pluviométricos podem chegar a 4.000 mm anuais (RIZZINI, 
1997). Para Ferri (1980), a Campinarama é uma fitofisionomia florestal aberta e 
perenifólia que está associada aos solos pobres, arenosos e extremamente lixiviados 
pelas constantes chuvas que ocorrem na região. 
A Amazônia também apresenta formações campestres, principalmente no estado de 
Roraima, representadas pelas disjunções do bioma Cerrado incrustadas no bioma 
Floresta Amazônica. Essas formações são localmente conhecidas como Campos do Rio 
Branco que ora caracterizam-se como um Campo Limpo ora como um Campo Cerrado 
com árvores espaçadas. 
Por fim, quando o assunto é Amazônia muito se discute sobre a fertilidade dos solos 
que sustentam sua exuberante floresta. Nessa perspectiva, Lepsch (2002), constata que 
os primeiros exploradores do norte do Brasil acreditavam que a grandiosa floresta 
amazônica estava associada a solos naturalmente muito férteis. Entretanto, sabe-se 
que a grande maioria dos solos amazônicos é pobre em nutrientes e que a maior parte 
dos elementos minerais necessários às plantas são oriundos da própria floresta 
(LEPSCH, 2002). 
 
 
25 
5. 12 O Cerrado 
O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro em área, apenas superado pela Floresta 
Amazônica. Trata-se de um complexo vegetacional com cerca de 2,0 Milhões de km², o 
que representa cerca de 23% do território nacional (FERRI, 1980; RIBEIRO e WALTER, 
2008). Localizado basicamente no Brasil central, esse bioma abrange como área 
contínua os estados de Goiás, Tocantins e o Distrito Federal, além de parte dos estados 
da Bahia, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Piauí, 
Rondônia e São Paulo (RIBEIRO & WALTER, 2008). 
O bioma Cerrado ainda ocorre como disjunções vegetacionais nos estados do Amapá, 
Amazonas, Pará e Roraima. Para Chagas et al. (1997), o bioma Cerrado é um complexo 
vegetacional formado por várias fitofisionomias em que se destaca o Cerrado Típico, 
que, do ponto de vista fisionômico, caracteriza-se por apresentar uma estrutura definida 
pela presença de dois estratos: um arbóreo-arbustivo e outro herbáceo. 
A padronização da nomenclatura vegetacional é uma tarefa muito difícil, pois diversos 
autores usam critérios e escalas distintas. De acordo com a terminologia usada por 
Ribeiro & Walter (2008), o bioma Cerrado possui 10 tipos fitofisionômicos distribuídos 
em três grupos vegetacionais: as formações florestais: Mata Ciliar, Mata Seca ou 
Floresta Estacional Decidual e o Cerradão; as formações savânicas: Cerrado sentido 
restrito ou Cerrado Típico, Campo Cerrado, Palmeiral e Vereda; e as campestres: 
Campo Sujo, Campo Limpo e Campo Rupestre. 
No tocante à fisionomia, as formações florestais são aquelas que apresentam o 
predomínio de espécies arbóreas e onde há a formação de dossel contínuo ou 
descontínuo. Nesse grupo se inserem as Matas Ciliares, as Matas de Galeria, a Mata 
Seca e o Cerradão. 
A expressão savana se refere a uma vegetação com árvores e arbustos esparsos e 
distribuídos sobre um estrato de gramíneas, sem a formação de dossel contínuo. Nesse 
sentido, as formações savânicas se referem a fitofisionomias abertas, tais como o 
Cerrado Típico, o Palmeiral, a Vereda, o Cerrado Rupestre e o Cerrado Denso. 
O termo campo se refere às áreas com predomínio de herbáceas e algumas arbustivas. 
Portanto, as formações campestres são constituídas de fitofisionomias em que a 
presença de árvores é extremamente escassa e onde a vegetação rasteira é 
predominante. 
O Cerrado típico ou Cerrado Senso Restrito é a mais importante formação vegetal do 
Bioma Cerrado. É uma fitofisionomia que ocorre em solos arenosos, geralmente ácidos 
e deficientes de matéria orgânica e macronutrientes como o cálcio, magnésio, fósforo e 
potássio (BELÉM, 1997). De acordo com Ferri (1980), o Cerrado típico é uma vegetação 
com dois estratos bem definidos: um arbóreo-arbustivo e outro herbáceo. As árvores e 
os arbustos geralmente apresentam caules e galhos tortuosos, cascas grossas, folhas 
coriáceas (cerosas) ou pilosas (com pêlos). O estrato arbóreo do Cerrado típico varia 
de 3 a 8 metros de altura. De acordo com Belém (1997), entre as espécies arbóreas 
predominantes nesta formação, destacam-se Caryocar brasiliense (pequizeiro), 
 
 
26 
Eugenia Dysentérica (Cagaita), Stryphnodendron adstringens (Barbatimão), Hymenaea 
stigonocarpa (Jatobá), entre outras. 
A Mata Seca ou Floresta Estacional Decidual pode se definida como a vegetação que 
se caracteriza por apresentar um longo período biologicamente seco, apresentando o 
estrato arbóreo predominantemente caducifólio, com mais de 50% dos indivíduos 
desprovidos de folhagem na época desfavorável (IBGE, 1996). O Cerradão é uma 
formação florestal associada a solos profundos, arenosos, de média a baixa fertilidade. 
Entretanto, a fertilidade do Cerradão é superior à encontrada nas áreas de Cerrado 
Típico. De acordo com Ribeiro& Walter (2008), do ponto de vista fisionômico, o Cerradão 
é uma floresta com florística similar a um Cerrado Típico. 
O Campo Cerrado é uma formação savâ- nica que ocorre nos solos pedregosos e 
cascalhentos das áreas em declive (BRANDÃO, 2000). Ocorre geralmente nas 
vertentes de colinas convexas e é muito raro nasáreas planas. A vereda é uma 
fitofisionomia savânica que ocorre nas depressões alagadas presentes no topo ou no 
sopé das escarpas das chapadas areníticas. Os solos são mal drenados, arenosos e 
com matéria orgânica (Neossolos hidromórficos). O Campo Rupestre é uma 
fitofisionomia que ocorre geralmente em altitudes superiores a 900 metros e que se 
caracteriza pela presença de um estrato herbáceo-arbustivo, com presença eventual de 
arvoretas pouco desenvolvidas (RIBEIRO e WALTER, 2008). 
A Mata Ciliar é uma formação florestal que acompanha os rios de médio e grande porte 
da região do Cerrado (BRANDÃO, 2000). Trata-se de uma vegetação que exerce um 
papel extremamente importante na dinâmica ecológica existente na relação entre os 
rios, o lençol freático e os solos das margens. De acordo com Brandão (2000), o Campo 
Sujo é constituído por um campo graminoso, no qual aparecem algumas arvoretas e 
arbustos muito afastados entre si. O Palmeiral é uma fitofisionomia savânica que ocorre 
em solos bem drenados das áreas mais elevadas, mas que também pode ocorrer em 
depressões alagadas (RIBEIRO & WALTER, 2008). 
5.13 A Caatinga 
A Caatinga é um bioma exclusivamente brasileiro que possui uma área de 844.000 Mil 
km², o que representa cerca de 11% do território nacional (FERRI, 1980). Localizado no 
domínio semi-árido, esse bioma abrange os estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do 
Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e Minas Gerais. A Caatinga se 
destaca no cenário nacional por ser o bioma menos conhecido e o menos protegido. 
Nesse sentido, está entre os mais ameaçados, uma vez que a intensidade da pressão 
antrópica sobre a região é diretamente proporcional à presença de pesquisas e 
unidades de conservação. 
Ao se analisar a etimologia da palavra Caatinga, de origem tupi, nota-se que o seu 
significado é Mata Branca. O motivo para esta denominação reside no fato de 
apresentar-se a caatinga verde somente no inverno, época das chuvas de curta 
duração. E esse aspecto esbranquiçado é o mais duradouro, pois a estiagem persiste 
por muito mais tempo (FERRI, 1980). 
 
 
27 
De acordo com Ferri (1980), não podemos supor que a Caatinga seja uma vegetação 
uniforme e homogênea. Ao contrário, a Caatinga é um substantivo que precisa ser 
qualificado pela adição de adjetivos que definirão os diversos tipos de Caatinga (FERRI, 
1980). 
Para Prado (2005), a Caatinga pode ser definida como um conjunto de formações que 
podem ser caracterizadas como florestas arbóreas ou arbustivas, compreendendo 
principalmente árvores e arbustos baixos, muitos dos quais apresentam espinhos e 
algumas características xerofíticas. Compreende um mosaico vegetacional bastante 
diversificado e formado por fisionomias muito variadas. Assim, a Caatinga possui 
formações que variam de florestas altas e secas com até 15-20 metros de altura, a 
caatinga arbórea típica de solos mais férteis (a verdadeira caatinga dos índios Tupi), até 
afloramentos de rochas com arbustos baixos esparsos e espalhados, com cactos e 
bromeliáceas nas fendas (PRADO, 2005). 
5.14 A Mata Atlântica 
Para o IBGE (2004), O bioma Mata Atlântica constitui o conjunto de formações florestais 
que cobriam quase toda a costa brasileira no início do século XVI. Originalmente, esse 
bioma ocupava inteiramente três estados - Espírito Santo, Rio de Janeiro e Santa 
Catarina - e 98% do Paraná, além de parte de outras 11 unidades da federação. 
O bioma Mata Atlântica é um domínio extremamente devastado em função do processo 
de ocupação do território brasileiro iniciado na faixa litorânea brasileira a partir 1530 com 
ciclo do Pau-Brasil. Do século XVI até hoje, a Mata Atlântica sofreu todos os impactos 
das atividades econômicas vinculadas a esse processo de ocupação. Assim, o bioma 
perdeu praticamente tudo da sua cobertura vegetacional original. 
Assim, dos 1,3 Milhões de Km² de área, que cobriam grande parte da faixa litorânea e 
boa parte de Minas Gerais, só restaram cerca de 5%. A Mata Atlântica possui diversas 
fitofisionomias ainda preservadas em manchas espalhadas por vários estados 
brasileiros, tais como Floresta Tropical perenifólia, a Floresta Subtropical, a Floresta 
Tropical Semi-Decidual e a Floresta Estacional Decidual ou Mata Seca. 
Para Ferri (1980), o bioma Mata Atlântica pode ser definido como um conjunto de 
Florestas Latifoliadas Higrófilas costeiras bastante semelhantes aos tipos fisionômicos 
da Floresta Amazônica. De acordo com Rizzini (1997), a Mata Atlântica apresenta quatro 
formações florestais distintas: a Floresta Pluvial 
5.14.1 Montana, a floresta pluvial baixo-montana, a floresta de araucária e a floresta pluvial ripária 
A Floresta Pluvial Montana reveste os relevos com altitudes entre 800 e 1.500 metros. 
É a fitofisionomia mais densa e alta do bioma Mata Atlântica, podendo apresentar 
árvores de até 40 metros de altura. A Floresta Pluvial Baixo Montana encontra-se entre 
300 e 800 metros e é uma formação que ocorre no Mar de Morros dos estados de Minas 
Gerais e Espírito Santo e também nas áreas mais baixas próximas ao litoral do 
Nordeste. As árvores dessa fitofisionomia não ultrapassam os 25 metros e se encontram 
em uma região com uma estação seca de 4 a 5 meses, por isso são florestas 
subcaducifólias. A Floresta Riparia está associada aos cursos de rios e córregos. 
 
 
28 
Correspondem às matas ciliares que ocorrem na Caatinga e no Cerrado. A Floresta de 
Araucária é uma comunidade florestal mista em que indivíduos da espécie Araucária 
angustifólia (Pinheiro do Paraná) se associam a outras espécies das demais 
fitofisionomias do Bioma Mata Atlântica (RIZZINI, 1997). 
Para o IBGE (2004), o bioma Mata Atlântica constitui um mosaico formado por cinco 
fitofisionomias: a Floresta Ombrófila densa, a Floresta Ombrófila mista, a 
Floresta Ombrófila aberta, a Floresta Semi-Decidual e a Floresta Decidual. A Floresta 
Ombrófila densa ocorre do Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul. A Floresta 
Ombrófila aberta ocorre em uma faixa que vai da Paraíba a Alagoas e também no leste 
de Minas Gerais. A Floresta Ombrófila Mista aparece em São Paulo e na Região Sul 
(Araucárias). As Florestas Semideciduais ou subcaducifólias são encontradas 
principalmente nas regiões centro-leste de Minas Gerais, ao passo que as Florestas 
Estacionais Deciduais ocorrem como manchas na Bahia e no Nordeste de Minas Gerais. 
Para Troppmair (2004), a Mata Atlântica é o mais devastado dos biomas brasileiros e 
sua biodiversidade chega a ser maior do que a da Amazônia. Essa intensa diversidade 
biológica se explica pela existência de diferentes ambientes proporcionados pela 
extensão latitudinal e as diferenças de altitude encontradas dentro do domínio. Essa 
biodiversidade, associada ao grau de endemismo e ao fato de a Mata Atlântica ter 
perdido mais de 90% da cobertura original, faz com esse bioma seja um dos dois Hots 
spots brasileiros. 
5.15 O Pantanal 
O Bioma Pantanal é um complexo vegetacional associado a uma imensa planície fluvial 
com uma área de 220 km2 distribuídos pelos estados do Mato Grosso do Sul e Mato 
Grosso (IBGE, 2004). O termo “Complexo do Pantanal” está associado ao fato da área 
apresentar uma complexidade de tipos vegetacionais condicionados por diversas 
condições ambientais (FERRI, 1980). 
Para Ferri (1980), o Pantanal apresenta vários tipos de vegetação sendo que as 
principais fitofisionomias são o Campo Limpo, o Campo Cerrado, o Cerrado Típico, a 
Florestas Subcaducifólia que acompanha a margem dos rios e as Florestas Estacionais 
de afloramentos calcários. 
De acordo com Fernandes (1998), o Pantanal é uma das áreas de maior riqueza 
biológica do Brasil e que apresenta uma importância ecológica que transcende os limites 
do país. 
A importância ecológica do Pantanal reside-se principalmente no fato da sua área 
constituir um imenso ecossistema natural em perfeito equilíbrio com os regimes de 
cheias e vazantesque marcam o clima regional (BRANCO,1988). Para esse autor, os 
rios do Pantanal são os grandes transportadores e fornecedores dos nutrientes que 
garantem o crescimento da vegetação e a incrível produção de peixes, jacarés e aves 
aquáticas que povoam a região. Assim, os rios que cortam o Pantanal inundam 
periodicamente imensas planícies, fertilizando os solos e garantindo a sobrevivência da 
vegetação que assegura o alimento da fauna. 
 
 
29 
De acordo com o site da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA, o 
Pantanal não é único, mas, sim, um conjunto de pantanais com características próprias 
de solo, vegetação e clima. Estudos efetuados pela Embrapa Pantanal identificaram 11 
pantanais: Cáceres, Poconé, Barão de Melgaço, Paraguai, Paiaguás, Nhecolândia, 
Abobral, Aquidauana, Miranda, Nabileque e Porto Murtinho. Nesses onze pantanais 
foram identificadas quase duas mil espécies de plantas com potencial para forrageiras, 
produção de mel, frutíferas e madeireiras. 
Nas três últimas décadas toda a riqueza do Pantanal tem sido ameaçada pelas 
atividades econômicas que vêm sendo implantadas nos planaltos do entorno da planície 
pantaneira. 
A agricultura mecanizada desenvolvida nessas áreas tem favorecido a intensificação 
dos processos erosivos que assoreiam os rios do Pantanal, além de contaminarem suas 
águas com agrotóxicos. Para Branco (1988), o turismo ecológico planejado tem se 
destacado como uma atividade econômica que contribui para a preservação do 
Pantanal. Além do mais, essa vertente do turismo tem favorecido o aumento da 
sensibilização da população local no sentido de proteger o Pantanal e evitar a 
exploração predatória. 
5.16 O Manguezal 
O Manguezal ou Mangue é um bioma encontrado na transição entre o ambiente marinho 
e o terrestre e que, de acordo com Troppmair (2004), é o único domínio intertropical com 
características vegetacionais homogêneas. As plantas do Manguezal possuem um 
sistema radicular complexo formado por raízes respiratórias e raízes escora que 
compõem um emaranhado que contribui em muito para a fixação de sedimentos do 
litoral (TROPPMAIR, 2004). 
Os Mangues também possuem uma importância muito grande para a dinâmica 
ecológica da biota marinha, uma vez que esses ambientes funcionam como verdadeiros 
berçários de espécies de peixes e crustáceos. Entretanto, os Mangues não têm sido 
valorizados, haja vista o ataque indiscriminado que esses ecossistemas vêm sofrendo 
das pessoas que transformaram essas áreas em depósitos de lixo e esgoto, além dos 
desmatamentos e aterros realizados com fins imobiliários (TROPPMAIR, 2004). 
Os Manguezais possuem outra característica peculiar: a presença de espécies halófilas 
que se adaptaram ao ambiente salobro típico do contato continente/oceano. Para 
Viadana (2010), esse aspecto dos manguezais constitui uma adaptação equilibrada 
entre a vegetação e as marés com sua salinidade e pequena quantidade de oxigênio 
dissolvido. 
Essa salinidade explica a presença de plantas com raízes respiratórias (pneumatóforas) 
constituídas de delgadas estruturas que não mergulham por completo no solo 
encharcado e lamacento do Mangue. Devido a essa característica, Ab’Saber (2009) 
define os Mangues como helobiomas de água salobra em função da constante invasão 
de águas salinas durante a maré alta. 
 
 
30 
5.17 Os campos naturais 
Os Campos Naturais constituem o bioma herbáceo do Rio Grande do Sul. O domínio 
das pradarias brasileiras é mais complexo do que o nome possa significar. Para 
Ab’Saber (2009), os campos naturais Sul-Riograndenses também podem ser 
denominados de pradarias mistas que se assentam sobre as coxilhas (colinas) 
onduladas do sudoeste do Rio Grande do Sul. 
De acordo com Fernandes (1998), todo o território do Rio Grande do Sul deveria ser 
revestido por florestas subtropicais, haja vista que a região possui índices pluviométricos 
capazes de proporcionar esse tipo de vegetação, mas o componente edáfico do 
sudoeste do estado não é favorável ao desenvolvimento de formações florestais devido 
ao fato de os solos serem bastante arenosos. Esse autor também ressalta que os 
Campos Naturais do Sul não são formados apenas por um imenso tapete de gramíneas. 
Essas pradarias são marcadas por outras formações vegetais que pontuam os campos 
quebrando a monotonia herbácea. Assim, nos campos também existem as formações 
palustres (de brejos), as matas galeria que margeiam os rios e nas áreas de nascentes 
ocorrem Capões (FERNANDES, 1998). 
Os Campos Naturais do Rio Grande do sul são conhecidos regionalmente como pampas 
gaúchos e apresentam diversos tipos de gramíneas em que se destacam as espécies 
dos gêneros Paspalum, Andropogon, Aristida e Briza (FERNANDES ,1998). 
Deve-se ressaltar que, ao longo do processo de ocupação do sul do Brasil, essa 
vegetação foi alterada através da pecuária e da agricultura mecanizada. Como os solos 
dos pampas gaúchos são muitos arenosos e suscetíveis à erosão, essas atividades 
intensificaram o processo de arenização de uma imensa área localizada entre os 
municípios de Itaqui, Alegrete e Quaraí, desencadeando uma série de impactos 
socioambientais na região (SUERTEGARAY, 2000). Em algumas áreas a degradação 
dos solos e a presença de areia é tão grande que alguns autores têm considerado que 
a área está sendo desertificada. Em Alegrete, por exemplo, existe o famoso “Deserto de 
São João” ou Saara dos Pampas”. 
De acordo com Suertegaray (2000), o emprego do termo desertificação não é 
apropriado para os processos que ocorrem no sudoeste do Rio Grande do Sul, pois a 
região não apresenta índices pluviométricos baixos. Neste caso, mesmo que esses 
“areais” assumam feições desérticas, o emprego do termo desertificação não é correto. 
Por outro lado, o emprego do termo desertificação ao Nordeste Brasileiro ou ao Sahel 
africano é adequado em função das condições climáticas dessas regiões 
(SUERTGARAY, 2000). 
 
 
 
 
 
31 
6. MEIO AMBIENTE 
O vocábulo meio ambiente tem sido muito usado pelos meios de comunicação na 
atualidade para designar uma grande variedade de situações causando, assim, certa 
confusão no tocante à apreensão do verdadeiro significado dos termos. Constata-se, 
portanto, que se criou um esvaziamento do conceito científico e legal de meio ambiente 
(FONSECA e PRADO, 2008). 
Sabe-se que o termo meio ambiente é muito comum na Biogeografia e em diversas 
ciências afins, mas a terminologia empregada nas ciências ambientais com um todo é 
muito ampla e alguns conceitos não possuem consenso entre os profissionais, fazendo 
com que certas definições sejam permeadas por significados imbuídos de senso 
comum. Nesse sentido, faz-se necessário uma breve revisão sobre esses conceitos 
para facilitar a compreensão da terminologia que será usada nesse caderno. 
De acordo com Melo (2007), o meio ambiente consiste em algo que está ao redor de 
um centro e que o mesmo é formado por diversos elementos, tais como, rochas, solos 
luz, água, plantas, animais, o homem, entre outros. Assim, toda a vida do planeta se 
hospeda na natureza ou que se pode chamar de meio ambiente (MELO, 2007). Nessa 
perspectiva, esse autor vai além e conceitua meio ambiente como o espaço onde estão 
presentes as condições necessárias para que a vida se desenvolva, ou seja, o meio 
ambiente corresponde à biosfera. Nessa mesma linha de raciocínio, Oliveira (1982) 
considera o meio ambiente como um conjunto de componentes bióticos, abióticos e 
bióticos-abióticos. Os elementos abióticos correspondem às rochas, ao relevo e ao 
clima, enquanto os bióticos dizem respeito à flora e fauna, incluindo o homem. O biótico- 
-abiótico corresponde aos solos, um componente intermediário importantíssimo para a 
vida (OLIVEIRA, 1982). 
Para Miller Jr. (2007), o meio ambiente é algo extremamente complexo cujo 
funcionamento afeta todas as formas de vida do planeta. Com base nas ideias de 
Sánchez (2008),

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