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Santa Barbara D’Oeste 2022 Cida PAULA CAROLINE CARMONA PEREIRA RA 395123211679 A ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO AO PORTADOR DE ALZHEIMER Santa Barbara D’Oeste 2022 A ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO AO PORTADOR DE ALZHEIMER Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade Anhanguera, como requisito parcial para a obtenção do título de graduado em Enfermagem. Orientador: Camila Viera PAULA CAROLINE CARMONA PEREIRA PAULA CAROLINE CARMONA PEREIRA A ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO AO PORTADOR DE ALZHEIMER Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade Anhanguera, como requisito parcial para a obtenção do título de graduado em Enfermagem. BANCA EXAMINADORA Prof(a). Titulação Nome do Professor(a) Prof(a). Titulação Nome do Professor(a) Prof(a). Titulação Nome do Professor(a) Santa Barbara D’Oeste, de de 2022. CARMONA, Paula Caroline. Atuação do enfermeiro ao portador de Alzheimer. 2022. 21. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Enfermagem) – Universidade Anhanguera, Santa Barbara D’Oeste. RESUMO A Doença de Alzheimer (DA) é um transtorno neurodegenerativo progressivo e fatal que se manifesta pela deterioração cognitiva e da memória, comprometimento progressivo das atividades de vida diária e uma variedade de sintomas neuropsiquiátricos e de alterações comportamentais. Objetivos: diante das diversas consequências que o mal de Alzheimer traz consigo essa pesquisa tem como principal objetivo analisar as representações sociais do cuidado dos enfermeiros aos idosos com Doença de Alzheimer, bem como conhecer os aspectos e sintomas da doença. Metodologia: artigo baseou-se em pesquisas bibliográficas, buscando por informações e dados disponíveis em diversas publicações, como em artigos nacionais e internacionais, teses e materiais disponibilizados na internet. As bases de dados utilizadas fora: Scielo (Scientific Eletronic Library Online), Lilacs (Literatura Latino- Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), BVS (Biblioteca Virtual em Saude) e Google Scholar Considerações finais: Cabe à enfermagem realizar atividades de prevenção e na hospitalização, baseando se no processo de humanização onde analisa o paciente como um todo, não focando somente a patologia, mas sim visando seus valores, princípios, ideias e atitudes, proporcionando uma melhora na qualidade de vida. Palavras-chave: Doença de Alzheimer; Assistência de Enfermagem; Demência. CARMONA, Paula Caroline. Atuação do enfermeiro ao portador de Alzheimer. 2022. 21. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Enfermagem) – Universidade Anhanguera, Santa Barbara D’Oeste. ABSTRACT Alzheimer's disease (AD) is a progressive and fatal neurodegenerative disorder that manifests itself through cognitive and memory deterioration, progressive impairment of activities of daily living, and a variety of neuropsychiatric symptoms and behavioral changes. Objectives: Faced with the various consequences that Alzheimer's disease brings, this research has as its main objective to analyze the social representations of the care of nurses to the elderly with Alzheimer's disease, as well as to know the aspects and symptoms of the disease. Methodology: This article was based on bibliographic research, searching for information and data available in various publications, such as national and international articles, theses, and materials available on the Internet. The databases used were: Scielo (Scientific Eletronic Library Online), Lilacs (Latin American and Caribbean Literature on Health Sciences), VHL (Virtual Health Library) and Google Scholar. Final considerations: It is up to nursing to perform preventive activities during hospitalization, based on the humanization process where the patient is analyzed as a whole, not only focusing on the pathology, but also on their values, principles, ideas and attitudes, providing an improvement in quality of life. Keywords: Alzheimer's Disease; Nursing Care; Dementia, LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS DA Doença de Alzheimer ENF Emaranhados neurofibrilares FAD Familial Alzheimer’s Disease LOAD Late Onset Alzheimer’s Disease PS Placas senis 13 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................... 14 2. CONTEXTUALIZAÇÃO: A DOENÇA DE ALZHEIMER .................................... 16 3. PRINCIPAIS SINTOMAS DA DOENÇA ............................................................ 19 4. CUIDADOS DE ENFERMAGEM AO PORTADOR DE ALZHEIMER ................ 21 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 24 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 25 14 1. INTRODUÇÃO O Alzheimer é um distúrbio cerebral progressivo e irreversível que afeta a memoria e as habilidades de pensamento e, em determinados casos a capacidade de realizar tarefas cotidianas, se divide em três estágios, sendo eles: o inicial, intermediário e avançado. Essa patologia afeta, geralmente, pessoas com 60 anos ou mais, entretanto pode acometer pessoas mais jovens também. A patologia é caracterizada pela degeneração do sistema cerebral ocasionando problemas na fala e linguagem, perda de memoria e diversos outros distúrbios cognitivos. Atinge mais de 2,5 milhões de pessoas, e sua prevalência varia de 1% a 1,5% entre as pessoas de 60 a 65 anos, e 45% nas pessoas com mais de 90 anos. Sua etiologia ainda é desconhecida, entretanto sabe-se que a doença tem uma duração media de 12 a 14 anos (de seu estagio inicial ate o fim da doença). Durante o tratamento da doença, é conhecido que o profissional enfermeiro possui a virtude de ser um facilitador por ser um profissional que estabelece um elo entre cuidado e paciente, cuidados próximos à pessoa adoecida e ao cuidador leigo, além de integrar com as ações educativas voltadas para o cuidado da saúde, e a educação em saúde. No estágio avançado da doença, a assistência de enfermagem se torna mais complexa, devido a somatória progressiva de limitações físicas e alterações emocionais, incluindo o comprometimento de identidade do paciente. Sendo a demência considerada uma das maiores causas de morbimortalidade, por possível dependência física, cognitiva e emocional, tendo a Doença de Alzheimer (DA) como distúrbio demencial mais frequente, surgiu a seguinte problemática norteadora dessa pesquisa: Com o aumento em grande escala da doença, existirão profissionais capacitados para cuidar dessas pessoas? Com o intuito de responder ao questionamento acima foram delimitados os seguintes objetivos: objetivo geral: analisar as representações sociais do cuidado dos enfermeiros aos idosos com Doença de Alzheimer; objetivos específicos: conhecer a doença do Alzheimer e como ela se desenvolve no sistema cerebral, saber os sintomas cognitivos, comportamentais e psicológicos, e estudar os cuidados técnicos utilizados no tratamento e cuidado dos portadores da patologia. Esse artigo baseou-se em pesquisas bibliográficas, buscando por informações e dados disponíveis em diversas publicações, como em artigos 15 nacionais e internacionais, teses e materiais disponibilizados na internet. O presente artigo vem a ser um estudo bibliográfico de caráter descritivo, utilizando o método da revisão integrativa da literatura para coleta e análise dos dados. As fontes para obtençãodas informações de busca basearam-se em bases de dados, acesso a sites, os quais continham revistas virtuais com publicações e periódicos que abordavam tais assuntos. Os descritores utilizados foram: Doença de Alzheimer; Assistência de Enfermagem; Demência, onde toda vez que tiver citações diretas ou indiretas, o autor será citado conforme a referência bibliográfica. 16 2. CONTEXTUALIZAÇÃO: A DOENÇA DE ALZHEIMER O sistema nervoso humano é o responsável pela percepção de estímulos externos e internos do corpo humano, tanto físicos quanto químicos. A partir dessa percepção há o desencadeamento de respostas musculares e glandulares. O sistema nervoso é formado essencialmente por células nervosas, os neurônios, que se interconectam de forma específica e precisa, formando os chamados circuitos neurais. Através desses circuitos, o organismo tem a capacidade de produzir respostas específicas que compõem os comportamentos fixos e invariantes, um exemplo são os reflexos, ou então produzir comportamentos variáveis em maior ou menor grau. (FALCO; CUKIERMAN; HAUSER-DAVIS, 2016) Quando uma patologia atinge o sistema nervoso a ponto de degenerá-lo, ou seja destruí-lo, é sempre considerado grave, pois como a maioria dos neurônios não se regeneram, com a progressão da doença diversas regiões do cérebro, importantes para a cognição, a linguagem, os movimentos, etc., vão sendo lesionadas o que, consequentemente, resulta em consequências cada vez maiores aos portadores da enfermidade. As demências são caracterizadas pela deterioração intelectual progressiva, que consiste no declínio do funcionamento intelectual, provocando perturbações na inteligência, no pensamento, na memória, na fala e coordenação motora, interferindo assim em todas as atividades rotineiras. A demência, não é uma doença por si própria e sim um grupo de sintomas que caracterizam certas doenças. (FALCO; CUKIERMAN; HAUSER-DAVIS, 2016) Uma das formas mais comuns onde à demência se apresenta é na doença de Alzheimer. A doença de Alzheimer (DA) foi descoberta no ano de 1906 pelo medico psiquiatra Alois Alzheimer, que descreveu pela primeira vez a patologia na forma de demência em uma paciente de 51 anos, essa paciente apresentou problemas na linguagem e memoria com uma piora progressiva durante o passar dos anos que a levou a morte poucos anos após as consultas. Realizada a autopsia da paciente, foi observado um acúmulo de placas amiloides no espaço extracelular e lesões neurofilamentares dentro dos neurônios por todo o córtex cerebral, características essas que são marcantes da doença de Alzheimer (assim foi apelidada tempos depois por um professor de psiquiatria, alemão, chamado Emil Kraepelin). (SOUZA; SANTOS; SILVA, 2021) 17 O Alzheimer é um dos mais de 60 tipos de demência, que pode ser definida como uma doença degenerativa, ou seja, um processo progressivo de perda das funções cerebrais mais nobres, como memória, comportamento, linguagem, atenção, capacidade de planejamento, representando um declínio do estado geral de uma pessoa em relação a um estado anterior e influenciando seu desempenho para as Atividades de Vida Diária (autocuidado, continência, transferências e alimentação). (CANINEU, 2022) A doença de Alzheimer se manifesta como uma demência progressiva, com perda crescente de memória e função intelectual e distúrbios de fala. Inicialmente as faculdades intelectuais se tornam menos aguçadas, o pensamento torna-se lento, a capacidade de atuação nas esferas social e econômica acaba por prejudicada e a memória mostra-se deficiente. É o tipo de demência mais comum, representando aproximadamente de 50 a 70% dos casos. (CANINEU, 2022) A causa da patologia ainda é desconhecida, entretanto existem duas hipóteses sobre a origem da doença. A primeira é relacionada com a proteína Tau, substância presente no citoesqueleto dos neurônios que devido a sua hiperfosforilação gera estruturas denominadas emaranhados neurofibrilares. Essa proteína fica enfileirada na célula nervosa e por algum motivo, ainda desconhecido, nos pacientes ela fica localizada nas extremidades dessa célula; alterando assim, sua geometria e provocando com isso, a morte do neurônio. Segundo alguns cientistas, a TAU seria apenas a consequência e não a causa do mal de Alzheimer. (FALCO; CUKIERMAN; HAUSER-DAVIS, 2016) A segunda hipótese, e a mais aceita pela maioria das pesquisas recentes, é a da formação das placas senis; elas são originadas através do acúmulo do peptídeo β-amilóide. Essas placas estão presentes em distintas regiões do cérebro e em grande quantidade nos pacientes com Alzheimer. Elas desencadeiam a neurotoxidade e a morte dos neurônios, pois envolvem essas células e impedem a comunicação entre elas. Com isso, reduzem as atividades do sistema nervoso (FALCO; CUKIERMAN; HAUSER-DAVIS, 2016) A patologia do Alzheimer ainda pode ser classificada de duas formas: a DA de início tardio (LOAD - do inglês, Late Onset Alzheimer's Disease) e a DA familiar (FAD - do inglês, Familial Alzheimer's Disease ). A FAD é caracterizada por ser de surgimento prematuro, e, por isso também é chamada de DA de início precoce, ocorre antes dos 60 anos, com um forte componente genético (transmissão mendeliana autossômica dominante), e representando de 1% a 6% de todos os casos de DA. (MACHADO; CARVALHO; SOBRINHO, 2020) 18 Já a LOAD, a forma mais comum da doença, é caracterizada por ser de apresentação tardia, após os 60 anos, e possui um arquétipo muito complexo. Ambas as formas da doença são definidas pelas mesmas características patológicas, principalmente a perda das funções cognitivas, da memória recente, linguagem, capacidade de julgamento, e todos os sintoma que acompanham a doença. (MACHADO; CARVALHO; SOBRINHO, 2020) Canineu (2022) descreve que a DA se divide, também, em 3 estágios, sendo eles: estagio inicial, dura aproximadamente de 2 a 3 anos, possui a presença de sintomas vagos e difusos, se instala de forma lenta causando principalmente, alterações de memoria; estagio intermediário: tem duração de 3 a 5 anos, aproximadamente, se desenvolve progressiva e lentamente causando maior deterioração da memoria, alterações de julgamento e planejamento, ainda nessa etapa ocorre mudança de postura, marcha e tônus muscular; estagio avançado: a ultima e mais grave fase da doença tem uma duração variável, podendo durar longos anos, as funções do organismo do organismo já se encontram mais gravemente comprometidas. A fala já está prejudicada. Mais comumente se observa incontinência urinária e fecal, também pode ocorrer sintomas neurológicos graves. Essa fase evolui ate o estado vegetativo e morte. Como descrito nos estudos iniciais, a DA se caracteriza, do ponto de vista anatomopatológico, pela presença de placas senis (PS) e de emaranhados neurofibrilares (ENF). Essas alterações anatomopatológicas ainda hoje são os marcadores para o critério diagnóstico de doença definida. A patologia do Alzheimer é uma desordem progressiva e crônica, caracteriza-se pela destruição dos neurônios colinérgicos, sendo essa uma das principais causas de demência no mundo. (CAVALCANTI; ENGELHARDT, 2012) 19 3. PRINCIPAIS SINTOMAS DA DOENÇA Segundo Lucas et al. (2013) a doença de Alzheimer apresenta uma grande variedade de comportamentos e sintomas específicos. Um dos primeiros sintomas que surgem e indicam a doença são os déficits na memoria, que geram frustações e influenciam na capacidade do individuo realizar atividades cotidianas, o que consequentemente compromete a qualidade de vida. Com o avanço da doença, esse comprometimento acaba por deixar o paciente cada vez mais dependente de cuidados de terceiros. “Recentemente as investigações confirmaram que estes doentes apresentam um maior risco de depressão, sobretudo senão receberem apoio adequado da família, dos amigos e da comunidade.” (LUCAS et al. 2013 p. 3) As alterações da linguagem são consideradas uma das manifestações mais visíveis desta patologia, incluindo dificuldades para encontrar palavras, completar ideias ou seguir instruções, o que explica o fato de uma das queixas mais mencionadas por familiares e cuidadores ser a dificuldade em manter a comunicação eficiente e independente, acarretando problemas nos relacionamentos com familiares e outros interlocutores. (LUCAS et al. 2013) Sensações de confusão e perdas na capacidade de julgamento são igualmente características. Além disto, as perdas motivadas pela doença, podem também afetar as capacidades visuais, olfativas e gustativas, o que se revela muito complicado para o paciente e para a família, devendo assim ser empreendidas determinadas ações específicas tanto por parte do paciente como seus cuidadores e familiares. (CAETANO et al. 2017) [...] na fase inicial da doença os sintomas que mais prevalecem são a perda de memória, os esquecimentos, a desorientação no tempo e no espaço, a confusão face à localização de lugares familiares, a perda da espontaneidade e da iniciativa, bem como o descuido com a aparência pessoal e no trabalho. Além destes, ocorre maior dispêndio de tempo na realização de tarefas diárias, falta de atenção e de concentração, problemas para lidar com dinheiro e pagamentos, capacidade de julgamento empobrecida, motivando decisões erradas, perda da espontaneidade e espírito de iniciativa, alterações de humor e de personalidade e ainda, aumento da ansiedade ou agressividade. (LUCAS et al. 2013 p. 4) Os sintomas neuropsiquiátricos como agitação, disforia, apatia, irritabilidade, comportamento motor aberrante, delírios, alucinações, desinibição, depressão e distúrbios de sono são frequentemente observados em pacientes com demência e tendem a aumentar conforme avança a doença. Tais sintomas estão diretamente 20 associados com aumento da sobrecarga nos cuidadores e podem aumentar o risco de institucionalização precoce do paciente. (CAVALCANTI, 2012) Acredita-se que sintomas como humor depressivo clinicamente significativo, diminuição de prazer aos contatos sociais ou usuais, isolamento ou retraimento social, alteração do apetite e do ciclo vigília-sono, alterações psicomotoras, irritabilidade, fadiga e sentimento de inutilidade, desesperança ou culpa excessiva e inapropriada, pensamentos recorrentes de morte e ideação suicida estejam presentes, associados ou isolados, em pacientes com demência de Alzheimer, o que pode resultar em incapacidade física e morte prematura. (CAETANO et al. 2017) A depressão também é considerada como um processo multifatorial da Doença de Alzheimer, ou seja, desencadeada por diferentes aspectos: sociais, psíquicos, cognitivos e físicos. Dessa forma, tornam-se difíceis o diagnóstico e o tratamento desses pacientes, sendo viável a associação de diferentes tratamentos de caráter farmacológico e não farmacológico. (CAETANO et al. 2017) Para Machado et al. (2020) a sintomatologia desta doença envolve uma série de eventos graduais, começando com perda de memória episódica e podendo chegar até deterioração da memória, do comportamento e da execução de movimentos, com dependência permanente de cuidados familiares e profissionais. O diagnóstico é clínico, utilizando como critérios o início do declínio das habilidades acima citadas, e o tempo de evolução da doença. O uso de exames de neuroimagem, como a ressonância magnética, auxilia na confirmação diagnóstica. Atualmente, não há tratamentos que interrompam ou retardem a progressão da doença, e as terapias farmacológicas disponíveis aos pacientes apenas fornecem alívio sintomático. Por a doença do Alzheimer ser uma patologia que gera incapacitação nos sujeitos, existem certos princípios que podem ser úteis, nomeadamente a prevenção dos riscos, a adaptação ao ambiente e a redução do perigo, com a finalidade de promover um aumento da independência dos mesmos. Posto isto, os cuidadores devem ter em consideração que novos ambientes, odores e sons, bem como mudanças na rotina diária, são fatores que podem aumentar a confusão e que provocam agitação num indivíduo com Alzheimer. (FALCO, 2016) 21 4. CUIDADOS DE ENFERMAGEM AO PORTADOR DE ALZHEIMER Em muitas vezes os pacientes que se encontram nos estágios iniciais da doença não recebem nenhum tipo de cuidado específico por parte da área de saúde, por não procurarem o médico ou nem mesmo se internarem. Esses pacientes preferem ficar em casa aos cuidados do acaso, parentes ou amigos sem nenhum tipo de conhecimento necessário ao paciente, mas o lado afetuoso é bem trabalhado com relação afetuosa de amor entre parentes e amigos. (GUIMARÃES et al, 2020) A decisão da internação é do paciente ou familiar. A enfermagem contribui neste caso, pelo fator de preparação dos familiares, apoiando e até mesmo auxiliando no cuidado direto com o paciente. A reação do paciente à doença pode variar, esta é uma da parte importante e indispensável à enfermagem, pois o tipo de tratamento oferecido no momento internação influenciará todo o desenvolvimento clínico do paciente ao longo da vida, sendo este cuidado também preciso aos familiares e amigos. (GUIMARÃES et al, 2020) Pelos pacientes, pode ocorrer variação na personalidade, depressão, agitação grave, paranoia, delírio, ansiedade, raiva, culpa, isolamento, recolhimento devido à doença ou acompanhado pela mesma. O tratamento destes males, está aliado com o tratamento da Doença de Alzheimer. A enfermagem busca maneiras opcionais de cuidar do paciente com Alzheimer, acompanhando os estágios da doença e trabalhando de maneira terapêutica o déficit causado pela doença. (SOARES et al. 2014,) Este trabalho é considerado eficaz quando o acompanhamento se estabelece no hospital junto com uma equipe multidisciplinar, onde a enfermagem tem maior relevância pelo fato da função primária do cuidar. A enfermagem assiste e trata o paciente, com responsabilidade aos cuidados físicos, psicológicos e sociais do paciente, sua função se torna de maior relevância a medida em que progride e o paciente torna-se dependente total de necessidades básicas. (SALES et al. 2019) [...] como integrante da equipe de saúde, o enfermeiro deve apresentar aos cuidadores meios para a instrumentalização da assistência e orientações acerca do processo de adaptação destes no contexto familiar, no que se refere à evolução da doença e dependência gradual do idoso por conta da mesma. Os profissionais de saúde devem promover e executar consultas de enfermagem, visitas em domicílio, realização de grupos de autoajuda e /ou ajuda mútua, contribuindo de forma significativa com as partes envolvidas no cuidado. (SOARES et al. 2014, p.29) 22 O modo de cuidar varia muito, de acordo com o estágio em que o paciente se encontra e, consequentemente, de acordo com suas necessidades. Alguns dos pacientes ainda conseguem se comunicar, embora em vários momentos apresentem um declínio na memória, demonstrado por incapacidade de reconhecer os próprios filhos e dificuldade de finalizar diálogos como, por exemplo, começam a falar do conjuge e de repente acham que estão falando do pai. Outros pacientes, já em estágio avançado da doença, demonstram afasia (perda da fala), apraxia (incapacidade de levar a cabo um gesto ou ação previamente aprendido), disfagia (dificuldade de deglutição) e total incapacidade de locomoção. (GUIMARÃES et al, 2020) Faz parte do lado profissional de enfermagem assistir as áreas afetivas do paciente, como carinho, compreensão, solidariedade, respeito e entender os medos e tristezas. Entender o paciente de maneira holística, e humanizado, com atenção especial ao portador deste mal. É atribuição de o enfermeiro formar grupos deajuda a parentes e pessoas próximas a fim de minimizar o sofrimento e preparar a família. Deve-se proporcionar convívio familiar e social do paciente. Recursos terapêuticos consiste em: Estratégias de comunicação entre enfermeiro e cliente: No estágio inicial do Alzheimer, deve-se usar vocabulário simples, devagar, frases curtas e diretas com linguagem literal, uso terapêutico com pistas multisensoriais como visão, olfato, audição, tato e gustação. Utilização de uma instrução por vez, se necessário repetir, falar de frente pro paciente com contato visual, buscar conversas, fotos e álbum para terapêutica de lembranças, usarem diários, calendário e estabelecer rotina. Na fase moderada adiciona-se atividades prazerosas para estimular a comunicação. E na fase final, usar toques, contato visual, correlacionar o nome com o objeto. (SALES et al. 2019) A doença de Alzheimer não é típica da velhice, nem todo velho precisa apresentar-se demente, mas é necessário prestar os devidos cuidados a este cliente. A enfermagem contribui em boa parte destes cuidados, e se faz necessário desenvolver novas estratégias sobre este assunto. As pesquisas demonstram que será cada vez maior o número de idosos, tornando-se ainda mais relevante o cuidado em todo o tratamento. Pacientes com transtornos psicóticos prévios, e que começam a apresentar prejuízo progressivo da cognição (integração da consciência), evoluem muito mais rapidamente para a demência. Havendo alguma 23 doença mental anterior à Doença de Alzheimer, principalmente doenças do tipo psicose, fará com que o paciente apresente maiores alterações comportamentais, tais como delírios, alucinações, agressividade, agitação, furor, mudanças de. personalidade, alterações sexuais e perda das noções de higiene. (SALES et al. 2019) Cuidar de uma pessoa com Alzheimer pode ser considerado complicado em certos momentos. Requer dos profissionais características voltadas para, principalmente, o amor, solidariedade, paciência, dedicação e, sobretudo uma assistência que requer uma divisão de tarefas, já que esse paciente necessita cuidados diurnos e noturnos, e se não for feita essa divisão acarretará em desgaste físico e emocional ao cuidador. (FALCO, 2016) 24 CONSIDERAÇÕES FINAIS O Mal de Alzheimer é um distúrbio cerebral progressivo e irreversível para o qual não existe nenhuma causa definida, nenhum tratamento definitivo e, até o momento, nenhuma cura previsível. O termo Doença de Alzheimer em amplo sentido corresponde a uma síndrome clínica caracterizada pela alteração progressiva e irreversível das funções cognitivas, acompanhada de modificações neurológicas particulares, compreendendo degeneração neurofibrilar e placas senis. Esta patologia pode se apresentar clinicamente antes ou depois do 65 anos. O diagnóstico positivo da doença é feito em duas fases: primeiro o da síndrome demência; e, em seguida, o da DA. No início, trata-se, na maioria dos casos, de uma crise de amnésia que raramente é identificada pelo portador, mas, por aqueles que o rodeiam. Geralmente são queixas em relação ao trabalho, como diminuição no desempenho, podendo ocorrer repetição de erros não habituais, dentre outros. Conforme a Doença de Alzheimer avança, ocorre o aumento da perda cognitiva e o paciente passa a ser dependente para a realização de suas atividades diárias. O paciente passa a precisar de ajuda para sua higiene pessoal, vestir-se, alimentar-se, além de perder a capacidade de sorrir, sustentar a cabeça ele, provavelmente, ficará acamado necessitando de cuidados especiais para prevenção de escaras, encurtamentos e dores. O papel do técnico é muito importante para o paciente com DA, este profissional deve ser alguém preparado para realizar diversos procedimentos, que apresente uma postura ética e busque constantemente humanizar o atendimento ao paciente e a família. Cabe à enfermagem realizar atividades de prevenção e na hospitalização, baseando se no processo de humanização onde analisa o paciente como um todo, não focando somente a patologia, mas sim visando seus valores, princípios, ideias e atitudes, proporcionando uma melhora na qualidade de vida. A modalidade de cuidados e o tipo de assistência variam individualmente para cada pessoa com Alzheimer, pois depende do seu estágio da doença, seu grau de autonomia, comprometimento físico e/ou cognitivo de seu grau de dependência. 25 REFERÊNCIAS CANINEU, Dr Rafael Brandão. O que é Alzheimer, sintomas e causas da doença. Alta Diagnósticos, 2022. Disponível em: https://altadiagnosticos.com.br/saude/alzheimer-sintomas-e-causas CAVALCANTI, José Luiz de Sá; ENGELHARDT, Eliasz. Aspectos da fisiopatologia da doença de Alzheimer esporádica. Rio de Janeiro, Revista Brasileira de Neurologia » V.48 » Nº 4, 2012. Disponível em: http://files.bvs.br/upload/S/0101- 8469/2012/v48n4/a3349.pdf CAETANO, Liandra Aparecida Orlando ; SILVA Felipe Santos da; SILVEIRA, Cláudia Alexandra Bolela. Alzheimer, sintomas e grupos: uma revisão integrativa. VINCULO – Revista do NESME, V.14 N. 2. 2017. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/1394/139454198010.pdf FALCO, Anna De; CUKIERMAN, Daphne Schneider; HAUSER-DAVIS, Rachel A.; REY Nicolás A. Doença de Alzheimer: hipóteses etiológicas e perspectivas de tratamento. Quím. Nova v.39 n.1, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.5935/0100- 4042.20150152 GUIMARÃES Tânia Maria Rocha; SILVA, Karla Naiara França; CAVALCANTI, Heloíza Gabrielly de Oliveira. 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Assistência de enfermagem ao portador de Alzheimer e aos seus cuidadores: revisão integrativa do período 2005-2013. Revista Enfermagem Contemporânea, [S. l.], v. 3,n. 1, 2014. DOI: 10.17267/2317-3378rec.v3i1.313. Disponível em: https://www5.bahiana.edu.br/index.php/enfermagem/article/view/313 https://www5.bahiana.edu.br/index.php/enfermagem/article/view/313