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1 joel REVISTA MAIS EDUCAÇÃO 2 www.revistamaiseducacao.com E-mail: artigo@revistamaiseducacao.com Rua Manoel Coelho, nº 600, 3º andar sala 313|314 – Centro São Caetano do Sul – SP CEP: 09510-111 Tel.: (11) 95075-4417 EDITORA CENTRO EDUCACIONAL SEM FRONTEIRAS R454 Revista mais educação [recurso eletrônico] / [Editora chefe] Prof.ª Mestre Fatima Ramalho Lefone - Vol. 7, n. 7 (Setembro 2024) -. São Caetano do Sul: Editora Centro Educacional Sem Fronteiras, 2024 893: il. color Mensal Modo de acesso: ISSN:2595-9611 (on-line) DOI: https://doi.org/10.51778/2595-9611.v7i7 Data da publicação: 30/09/2024 1.Educação. 2. Pedagogia. I Ramalho Lefone, Fatima, ed. II. Título CDU: 37 CDD: 370 Gustavo Moura – Bibliotecário CRB-8/9587 REVISTA MAIS EDUCAÇÃO 3 EDITORIAL EDUCAÇÃO: O ALICERCE PARA UM FUTURO PROMISSOR A educação, há tempos reconhecida como o grande equalizador social, continua sendo um dos temas mais relevantes e desafiadores da nossa sociedade. Em um mundo cada vez mais globalizado e competitivo, a escola transcende seu papel tradicional de transmissão de conhecimento e se configura como um espaço de formação integral, onde os indivíduos desenvolvem habilidades, atitudes e valores essenciais para o exercício da cidadania e para a construção de um futuro mais justo e equitativo. Anísio Teixeira (1932), um dos pioneiros da educação no Brasil, nos lembrava que "a educação não é um privilégio de alguns, mas um direito de todos". Essa afirmação nos coloca diante de uma grande responsabilidade: a de garantir que todos tenham acesso a uma educação de qualidade, independentemente de sua origem social ou econômica. Ao longo dos anos, a educação brasileira tem passado por diversas reformas e transformações, buscando acompanhar as demandas de um mundo em constante mudança. No entanto, ainda há muito por fazer para garantir que todos tenham acesso a uma educação de qualidade. A desigualdade social, a falta de recursos e a defasagem tecnológica são alguns dos desafios que precisam ser superados para que possamos construir uma educação mais justa e inclusiva. É nesse contexto que a Revista Mais Educação se propõe a contribuir para o debate sobre a educação no Brasil. Através de artigos escritos por especialistas da área, a revista busca apresentar análises aprofundadas sobre os principais desafios e oportunidades da educação brasileira, além de oferecer propostas inovadoras para a melhoria do ensino. Acreditamos que a educação é a chave para um futuro mais promissor para o Brasil. Ao investir na formação de nossos jovens, estamos investindo no futuro do nosso país. Ao promover o debate sobre a educação, estamos contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa. Convidamos você, leitor, a se juntar a nós nessa jornada em busca de uma educação de qualidade para todos. Ao ler os artigos desta revista, você terá a oportunidade de conhecer diferentes perspectivas sobre a educação, de se informar sobre as últimas tendências e de participar ativamente desse debate. Juntos, podemos construir um futuro onde a educação seja um direito de todos e onde cada indivíduo tenha a oportunidade de desenvolver todo o seu potencial. Prof. Me. Rodrigo Gomes Mestre em Educação pela Universidade Metodista de São Paulo - UMESP. Especialista em Filosofia Contemporânea e História, Graduado em Sociologia e Política. Autor dos livros: Sertão Humano, Os sabores do mundo. Vontade poética CONSELHO EDITORIAL Rodrigo da Silva Gomes Patrícia Regina de Moraes Barillari Lindalva Freitas Lucinéia Contiero Jayson Magno da Silva Luiz Gonzaga Lapa Júnior Mário Cézar Amorim de Oliveira Marcos Serafim dos Santos Humberto Lourenção Marcus Vinicius de Melo Oliveira Alex Rodolfo Carneiro Hercules Guimarães Honorato William Bezerra Figueiredo Teresa da Glória Paulo Elias Rocha Gonçalves Gabriel Gomes de Oliveira Jónata Ferreira de Moura Mauro de Lima Souza Renan Antônio da Silva EDITORA-CHEFE Fatima Ramalho Lefone REVISÃO E NORMALIZAÇÃO DE TEXTOS Fatima Ramalho Lefone Rodrigo da Silva Gomes PROGRAMAÇÃO VISUAL E DIAGRAMAÇÃO Fabíola Larissa Tavares PROJETO GRÁFICO Mônica Magalnik COPYRIGTH REVISTA MAIS EDUCAÇÃO Editora Centro Educacional Sem Fronteiras (Setembro, 2024) - SP Publicação Mensal e multidisciplinar vinculada a Editora Centro Educacional Sem Fronteiras. Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não expressam, necessariamente, a opinião do Conselho Editorial É permitida a reprodução total ou parcial dos artigos desta revista, desde que citada a fonte. Rua Manoel Coelho, nº 600, 3º andar sala 313|314 - Centro São Caetano do Sul – SP CEP: 09510-111 REVISTA MAIS EDUCAÇÃO 4 SUMÁRIO 9 DISFUNÇÕES SOCIAIS E COGNITIVAS CAUSADAS A CRIANÇA PELO USO EXCESSIVO DA VIRTUALIDADE Fabiana dos Santos Murador 25 ANÁLISE DO IMPACTO DO CONSUMO DE CIGARRO DURANTE A PANDEMIA DA COVID-19 EM ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS Débora Eduarda Sobreira da Silva Lidiane Régia Pereira Braga de Britto 38 A EDUCAÇÃO INFANTIL ESCOLAR E O USO DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS Maria Dalva Almeida Marques 50 O USO DE PARQUES ADAPTADOS PARA CRIANÇAS Alessandra da Silva Vilela 62 O PODCAST COMO RECURSO PEDAGÓGICO DIGITAL PARA FORTALECIMENTO DE APRENDIZAGENS NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS – EJA Rildo Nedson Mota de Sousa 81 O PAPEL DO EDUCADOR NA FORMAÇÃO DA AUTONOMIA INFANTIL: ESTRATÉGIAS PARA INCENTIVAR A INDEPENDÊNCIA E A RESPONSABILIDADE DESDE A PRIMERIRA INFÂNCIA Maria do Socorro Lopes Fonseca 96 EVENTOS ESTRESSORES DE VIDA DIÁRIA E ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO EM ADOLESCENTES DO SEXO FEMININO Marcos da Silva Pacheco Paula Mello Pacheco 111 O ENVELHECIMENTO NA VISÃO DO IDOSO: CONSIDERAÇÕES EM DIFERENTES GÊNEROS E CLASSES SOCIAIS Marcos da Silva Pacheco Paula Mello Pacheco 124 O JOGO NA PERSPECTIVA TEÓRICA DA PSICOLOGIA GENÉTICA Vilma Fantinelli Gonzalez 130 A IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO COMO FERRAMENTA ESTRATÉGICA NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM Maria do Carmo Aparecida Marques dos Santos 139 A CONCEPÇÃO DE LÍNGUA E A ESCRITA NA ESCOLA: UMA ABORDAGEM DISCURSIVA Karen Osorio Gonzales 157 A HISTÓRIA DE LUTAS DAS MULHERES SUA IMPORTÂNCIA NA EDUCAÇÃO Maria Conceição de Sene Moreira 169 A PSICOMOTRICIDADE NA REABILITAÇÃO DE PESSOAS IDOSAS NO PÓS- QUEDA Leila Barbosa de Souza 186 A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA E DA ESCOLA NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL Rivania Holanda do Nascimento REVISTA MAIS EDUCAÇÃO 5 206 JOGO DA MEMÓRIA PARA O ENSINO DE MICOLOGIA Liza Mikaelly Feitosa Santana Danielle Barros Silva Fortuna Jorge Luiz Fortuna 226 TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE EM CRIANÇAS: ASPECTOS CLÍNICOS E EDUCACIONAIS INERENTES AO TRABALHO PEDAGÓGICO Janete Mione Moreira de Assis 241 ARTE NA EDUCAÇÃO Janete Mione Moreira de Assis 258 PRÁTICAS EDUCATIVAS E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA O ESPECTRO AUTISTA Janete Mione Moreira de Assis 271 EDUCAÇÃO BILÍNGUE PARA SURDOS: UMA ABORDAGEM INCLUSIVA E TRANSFORMADORA Célia Pereira Ramos Chaves 278 O NEGRO, SUA HISTÓRIA DE LUTAS E A EDUCAÇÃO Alessandra Nascimento Costa Nascimento 289 LINGUAGENS ARTÍSTICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS POR MEIO DA LINGUAGEM PLÁSTICA Carla de Moraes Domingues 302 DESAFIOS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA Bruna Daniela Sales Coelho 309 THE RIGHT TO PLAY IN EARLY CHILDHOOD EDUCATION Katia Josefa Martins Torres Couras 321 A IMPORTÂNCIA DA AFETIVIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL Patrícia Barros da Silva 334 A MOTRICIDADE LIVREE O BEBÊ Flávia Coutinho da Silva Lúcio 343 A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL Karen Aliete Pereira 349 DESENVOLVIMENTO COGNITIVO E PSICOMOTOR Henry Taiji Horibe 362 A RELEVÂNCIA DO LIDER NA GESTÃO ESCOLAR Marinete Ferreira de Araujo 370 O USO DOS EQUIPAMENTOS DE MULTIMÍDIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: INTEGRANDO TECNOLOGIA E APRENDIZAGEM Daniella Simões de Sousa 378 AS HISTÓRIAS INFANTIS POR MEIO DE UMA VISÃO PSICOPEDAGÓGICA Dalini de Barros Galvão Silva 389 O TEATRO COMO IMPULSOR NA EDUCAÇÃO INFANTIL Camila Keith Veras Silva 399 A IMPORTÂNCIA DO CONTEXTO HISTÓRICO DA INCLUSÃO ESCOLAR NO BRASIL Priscilla Lopes de Laia Almeida 415 A ARTE NAIF Julie Andrade dos Reis REVISTA MAIS EDUCAÇÃO 6 430 EDUCAÇÃO PÓS-TRAGÉDIA NA MITIGAÇÃO DOS IMPACTOS DE DESASTRE: UMA ANÁLISE DO EVENTO NO RIO GRANDE DO SUL Pollyana de Brito Pinheiro Viana 446 INTERVENÇÕES COMPORTAMENTAIS PARA CRIANÇAS COM TEA Marisa Franco Vieira 455 ANÁLISE COMPARATIVA DO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS EM ESCOLAS MONO E BILÍNGUES Leidiane Vieira 471 MUSICALIZAÇÃO NA AULA DE ARTES Adriana Comitre Faria da Silva Jussara Maria Rafael Lavra Michele Aparecida Oliveira 489 O ESTUDO DA HISTÓRIA E DA CULTURA AFRO-BRASILEIRA E AFRICANA NOS CURRÍCULOS ESCOLARES Gisele Marchezetti Petená 501 MATERIAIS HOLÌSTICOS DENTRO DO SISTEMA EDUCACIONAL Milena Rebouças Belmonth 511 AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM E DA ESCRITA NO ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO DE FORMA COLABORATIVA Sandra Vieira Peixoto Santos 525 O DESENVOLVIMENTO GLOBAL DAS CRIANÇAS POR MEIO DA BRINCADEIRA Vanessa Fonseca da Silva Feitosa 544 GESTÃO ESCOLAR DEMOCRATICA Eliene Pedro de Medeiros Farias 553 FORMAÇÃO PRÁTICA E PROFISSÃO DOCENTE Roseli Batista de Sousa Brito 571 A EDUCAÇÃO INFANTIL COMO INÍCIO DO PROCESSO DE APRENDIZAGEM: DESAFIOS E POSSIBILIDADES Elaine Aparecida Bidin Silva 590 O LÚDICO NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO Sonia Santos Carvalho 601 MATEMÁTICA, SUAS TECNOLOGIAS E O MUNDO DO TRABALHO Ricardo Lopes 606 AS REDES SOCIAIS ESTÃO SENDO USADAS COMO POTENTES FERRAMENTAS PARA ESTIMULAR A LEITURA DE JOVENS E ADULTOS NO BRASIL Fabiana Macedo Gonçalves 621 O CRESCENTE NÚMERO DE MULHERES ESCRITORAS CONTEMPORÂNEAS BRASILEIRAS E SUAS PUBLICAÇÕES LITERÁRIAS DE SUCESSO ROMPEM A INVISIBILIDADE E GANHAM RECONHECIMENTO NO MERCADO EDITORIAL Fabiana Macedo Gonçalves 632 O ESPAÇO LÚDICO NO PSICODIAGNÓSTICO: CONTRIBUIÇÕES TEÓRICAS E PRÁTICAS Denis Ferreira Campos de Almeida REVISTA MAIS EDUCAÇÃO 7 638 O USO DAS TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO COMO FERRAMENTA NO PROCESSO DE ENSINO- APRENDIZAGEM Dorilde de Fátima Pavan Francieli Vanin Marilidia Fachim Marisete Fátima da Costa Caroline Sander Douglas Herving Albano 650 A ARTE E O AVANÇO DA TECNOLOGIA Ângela Maria Cruz Rosa 661 A IMPORTÂNCIA DA MÚSICA PARA O PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM: LINGUAGEM, COMUNICAÇÃO E DESENVOLVIMENTO NA EDUCAÇÃO INFANTIL Adriana da Silva Cordeiro 669 APRENDIZAGENS E DESCOBERTAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: CONSTRUINDO AMBIENTES ACOLHEDORES E ESPAÇOS DE DESENVOLVIMENTO Priscila Rocha Siriano 677 CERTO OU ERRADO? ENTRE A LÍNGUA FALADA E A ESCRITA, COMO FICA O ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA? Tania de Togni 685 A PSICOMOTRICIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL: CONSTRUINDO APRENDIZAGENS À PARTIR DAS VIVÊNCIAS PRÁTICAS Fernanda Estrela de Matos Quadros 693 A EDUCAÇÃO INCLUSIVA CENTRADA NO ALUNO E NÃO NA DEFICIÊNCIA Maria Aparecida Bispo Leite 701 AUTORITARISMO BUROCRÁTICO COMO FORMA DE INTIMIDAÇÃO DE PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO Caroline de Moura 709 A EDUCAÇÃO INCLUSIVA E AUTISMO: PECULIARIDADES NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM Sandra Kettermann Zytkoski Francieli Vanin Dorilde de Fátima Pavan Marta Spada Moreschi Rosane Maria da Silva Kaoane da Silva 720 O PAPEL DO EDUCADOR NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA Débora Lais Honorato Ferreira 737 OS NOVOS E EFICIENTES MODELOS FORMATIVOS: DAS DESCONTINUIDADES CURRICULARES AO PRATICISMO TECNICISTA EM UM MUNICÍPIO MINEIRO Patrícia Duarte Claudino Maria Célia Borges 754 ARTES RUPESTRES: IMAGENS, REPRESENTAÇÕES E DISPOSITIVOS PARIETAIS Danilo Alexandre Galhardo 761 A ARTE E A MÚSICA COMO FERRAMENTAS DO APRENDIZADO NA EDUCAÇÃO INFANTIL Rosane Maria da Silva Cleciana Barros Camara Rubia de Fátima Batu Senara Helena Moraes Lucia Adriana Rodrigues Cabreira Marta Spada Moreschi REVISTA MAIS EDUCAÇÃO 8 778 A EJA NA CIDADE DE SÃO PAULO- A PRESENÇA DO EDUCANDO MIGRANTE Alan Nicolaev 788 INCLUSÃO SOCIAL DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA NO MERCADO DE TRABALHO Marcia Teresa Scolar 808 ABORDAGENS INTRÍNSECAS E EXTRÍNSECAS DA MOTIVAÇÃO Ana Raquel Abelha Cavenaghi 818 ARTES VISUAIS NA EDUCAÇÃO INFANTIL Andréia Aparecida Gonçalves 828 AS DOENÇAS E OS RISCOS PSICOLÓGICOS EM DECORRÊNCIA DO USO ABUSIVO DE TELAS PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES Luciana Aparecida de Souza Paiva 848 O PAPEL DA MEDIAÇÃO DO PROFESSOR NO ENSINO DE LEITURA NAS AULAS DE LÍNGUA PORTUGUESA NOS ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL Analine Aparecida dos Passos Pinheiro 861 SOPHIA, A ALEGRIA DA CASA: SOPHIA É APRESENTADA À ECONOMIA Ubirajara de Lima Ferreira 879 O PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO Neide Pereira de Oliveira da Silva REVISTA MAIS EDUCAÇÃO 389 O TEATRO COMO IMPULSOR NA EDUCAÇÃO INFANTIL THEATER AS A DRIVER IN EARLY CHILDHOOD EDUCATION Camila Keith Veras Silva1 RESUMO Este artigo apresenta como estudo a importância do teatro para a evolução e desenvolvimento da criança nos seus anos de educação infantil, como ferramenta de estudo e apoio no desenvolvimento da imaginação, na alfabetização e na criatividade da criança, utilizando o teatro nas práticas pedagógicas aplicadas em sala de aula, fazendo do processo metodológico-pedagógicos uma ação educativa também no processo de alfabetização das crianças. Palavras-chave: Educação Infantil; Teatro; Alfabetização. 1 Professora de Educação Infantil e Ensino Fundamental I na Rede Municipal de São Paulo. Graduação: Licenciatura em Pedagogia; Especialização em Alfabetização. REVISTA MAIS EDUCAÇÃO 390 ABSTRACT This article presents as a study the importance of theater for the evolution and development of children during their early childhood education years, as a study tool and support in the development of imagination, literacy and creativity of children, using theater in pedagogical practices applied in the classroom, making the methodological- pedagogical process an educational action also in the process of children's literacy. Keywords: Early Childhood Education; Theater; Literacy. REVISTA MAIS EDUCAÇÃO 391 INTRODUÇÃO O teatro é uma das artes mais antigas da humanidade, que atravessa séculos expressando seus sentimentos, emoções, pensamentos, contando histórias, narrando encantos, uma arte que enfrentou e ainda enfrenta diversas dificuldades para se manter viva e continuar tendo seu verdadeiro valor. O teatro vai muito além da interpretação, ele usa artifícios como a criatividade, a expressão facial, corporal, a compreensão de emoções. São muitos os benefícios desse trabalho. É uma arte que se desenvolve a todo o momento, e está sempre levando além da arte, mas a beleza toda do palco para as pessoas. O teatro surgiu em meados do século IX, a.C. na Grécia Antiga, e atravessou as fronteiras migrando para Egito, Índia, e na China, como uma forma do homem interpretar suas emoções e sentimentos resguardados. Com sua evolução, e avanço por diferentes culturas, ele cresceu, acrescentou em sua forma outras artes como a música, a dança e a poesia, e de acordo com cada época expandiu grandiosamente.Dentro desse caminho de revisitação histórica do teatro trazemos a importância dela na formação da criança pré-escolar. A Base Nacional Comum Curricular - BNCC (2017), toda atividade do ser humano acontece na interação, tendo a linguagem como elemento mediador. Assim podemos entender linguagem como todas as maneiras de se comunicar e interagir com o mundo, sendo que o teatro ocupa um espaço importante nesse processo. Na educação infantil, o teatro pode ser um instrumento de desenvolvimento das habilidades e criatividade, a qual a criança ampliará diversas áreas do cérebro, trabalhando a sensibilidade e capacidade de concentração, ritmo e disciplina. O teatro faz parte do convívio das crianças, quando cantam, dançam e realizam atividades envoltas a imaginação e a criatividade, sendo uma linguagem universal que atinge todas as crianças independentes de suas condições sociais, emocionais ou biológicas. A vivência da criança com o teatro na educação infantil contribui para uma aprendizagem ativa, auxiliando o professor no caminho de uma nova maneira de educar. Ao seu primeiro contato com o teatro, a criança já aciona estímulos que ampliam sua visão e principalmente sua percepção. Esse contato abre para a criança REVISTA MAIS EDUCAÇÃO 392 as portas da sua imaginação colaborando para que ela comece a trabalhar sua criatividade e desenvolva conceitos e habilidades que resultam na sua formação. Para a criança o teatro reproduz uma forma de expressão e integração, um ambiente seguro para se desenvolver. EDUCAÇÃO INFANTIL E SEU INÍCIO De acordo com a prática de ensinar e aprender acontece por fases conforme o desenvolvimento do ser humano. É um processo que se inicia na infância onde a criança inicia seu conhecimento com o mundo exterior e precisa de estímulos para se desenvolver. É uma fase muito importante onde a criança cria laços e se inspira no seu educador para manifestar seu potencial e percorrer o caminho do aprendizado. Nessa fase, a criança passa a desenvolver habilidades como coordenação motora, fala, e até desenvolver seu lado cognitivo. Passa a iniciar o seu processo de independência e trabalhar a questão do conhecimento e identificação. Os reflexos comportamentais vão se modificando e com um mês e meio de vida a criança já é capaz de identificar objetos e pessoas, amadurecendo inicialmente suas estruturas cognitivas. Elas são formadas através da construção da coordenação sensório- motora (Palagana, 2001, p.24). Nessa fase, a evolução da criança também possibilita a caracterização conjunta de um alicerce intelectual que serviram como base para o desenvolvimento da percepção e associação. Ela passa para outra fase, aproximadamente aos 3 anos de idade, demonstrando habilidades diferentes como comunicação oral, desenvolvimento de raciocínio e comportamental. A criança também se expressa e compreende melhor, seguindo o processo de aprendizado cada fase um novo avanço e novos esquemas mentais irão se formar. Por volta dos 8 anos, à criança apresenta ações mais lógicas e independentes, neste período acontece à troca constante de representações mentais, ocasionando a aquisição, modificação e ampliação de informações decorrentes do processo contínuo de aprendizagem. REVISTA MAIS EDUCAÇÃO 393 Agora ela procurará desenvolver um pensamento que seja transmitido diante uma argumentação compreendida e considerada por todos em seu meio. O último estágio, denominado de período das operações formais, se dá dos 12 anos em diante. Nesta fase a criança passa a ampliar as suas habilidades e capacidades adquiridas na fase anterior e já consegue raciocinar usando hipóteses e idéias abstratas. A criança adquire a capacidade de analisar e avaliar criticamente a realidade social (Silva, 2008, p.395). É importante, na educação infantil, que o processo de aprendizado seja aplicado desde cedo estimulando o aprender a aprender, pois desde cedo à criança traça um caminho satisfatório e de desenvolvimento proveitoso. O TEATRO E A ESCOLA O teatro é uma arte considerada mágica e encantadora por muitas pessoas. Ao adentrar esse mundo, o palco torna-se não apenas o local onde se encena uma peça, ou se conta uma história, mas também como se fosse uma ponte que une dois mundos, um mundo real e o outro onde tudo é possível. Esse encontro passa a desenvolver e trabalhar com a imaginação de quem está na plateia, usando a emoção como forma de criatividade envolvendo assim as crianças. É nesse encontro, onde também, a criança desenvolve a escuta, sua hora de se manifestar, a atenção, trabalhar com outras crianças respeitando seu momento, sua vez, superando suas dificuldades e compreendendo melhor suas emoções. Segundo Alves (2009, p. 13), “se o contador estiver confiante, à hora do conto se torna mágica”. São muitas as formas de inserir o teatro na educação infantil, tanto que muita escola hoje tem em sua grade o teatro como atividade extra. Para esse momento é preciso profissionais bem preparados, que tenham o tato para trabalhar, mexer e envolver o emocional das crianças de forma educativa e que tenha como foco principal o desenvolvimento da criança. O teatro pode ser inserido de muitas formas na educação infantil, como num momento de contar uma história, imitar um personagem, colocar uma fantasia, ou até mesmo encenar uma parte da história, um trecho de um filme. O educador precisa ter em mente, a contribuição para desenvolvimento da linguagem, observação, estimular REVISTA MAIS EDUCAÇÃO 394 a autonomia e o cognitivo da criança, de forma que fique bem entendido a diferença entre o ser e o interpretar. Os teatros são fontes maravilhosas de experiências, trazem sensações de alegria para que junto às crianças, possam chegar ao maravilhoso mundo da literatura. É por meio duma história que se podem descobrir outros lugares, outros tempos, outros jeitos de agir e de ser, outra ética, outra ótica... É ficar sabendo História, Geografia, Filosofia, Política, Sociologia, sem precisar saber o nome disso tudo e muito menos achar que tem cara de aula. (Abramovich, 1995, p. 17). Ao trabalhar com o teatro, utilizado como ferramenta na educação infantil, ale de desenvolver a própria criança, é possível também ampliar o conhecimento em diversas disciplinas, como literatura, história, onde o universo lúdico desperta na criança o interesse pelo universo educativo. De acordo com Sisto (2019): O lúdico, a magia e a fantasia são envolvimentos que a criança tem ao se encantar por uma história sem que seja algo completo com a única finalidade de ser um instrumento didático ou autoritário. [...] se a literatura fosse como um presente, uma festa, um banquete. Se a literatura fosse o ingrediente saboroso ao alcance de qualquer leitor [...] depois de preenchidos esses requisitos, o professor poderia fazer o que quisesse como a literatura, inclusive, explorá-la como material didático! Aí o leitor já estaria encantado e conquistado [...] (Sisto, 2009, p. 68). Quando o professor utiliza o teatro na educação infantil, estimula a criança a aprender e buscar o conhecimento. De acordo com Reverbel (1997): O ensino do teatro é fundamental, pois, através dos jogos de imitação e criação, a criança é estimulada a descobrir gradualmente a si própria, ao outro e ao mundo que a rodeia. E ao longo do caminho das descobertas vai se desenvolvendo concomitantemente a aprendizagem da arte e das demais disciplinas.(Reverbel, 1997). Quando o professor usa o teatro como aprendizado, trabalha o lúdico, desenvolve a imaginação da criança, o interesse pela educação passando a contribuir efetivamente para sua vida escolar de forma alegre e participativa. O teatro, a dança, o canto, a expressão corporal, ou simplesmente a arte por si, é uma fonte de energia e revigorante para nosso dia a dia. REVISTA MAIS EDUCAÇÃO395 Ouvir música, aprender uma canção, brincar de roda, realizar brinquedos rítmicos, jogos de mãos etc., são atividades que despertam, estimulam e desenvolvem o gosto pela atividade, além de atenderem a necessidades de expressão que passam pela esfera afetiva, estética e cognitiva. Aprender música significa integrar experiências que envolvam a vivência, a percepção e a reflexão, encaminhando-as para níveis cada vez mais elaborados (Brasil, 1998, p.47). Assim, se a intenção em sala de aula for dos alunos aprenderem Arte, aprenderem teatro é necessária uma proposta que envolva diversidade a fim de que se torne possível ao aluno conhecer variadas manifestações de linguagem. De Acordo com o Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil (1998), documento organizado para direcionar a prática de ensino as crianças, a música podem ser utilizadas no sistema de educação infantil como instrumento de desenvolvimento afetivo, emocional e social. ”A cultura dentro referencial curricular é entendida de forma a ampliar conteúdos dentro de seus códigos e produções simbólicas.” (RCNEI, 1998, p. 46). O teatro como instrumento de aprendizado dentro do ambiente educacional, forma um ser pensador, questionador que busca novos conhecimentos, valores e costumes. É fundamental que o professor, como condutor nesse momento, apresente o teatro com alegria e entusiasmo de forma a se conectar com seus alunos e fazer com que eles também respondam a essa à conexão. Por isso é que, na formação permanente dos professores, o momento fundamental é da reflexão crítica sobre a prática. É pensando criticamente a prática de hoje, ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática (Freire, 2002, p.39). Como professores e educadores, essa tarefa pode ser vista a princípio como um grande desafio. E realmente é. É preciso um planejamento detalhado, conhecimento, e disposição para fazer funcionar. Como já pudemos observar, a arte como o teatro na escola ajuda no desenvolvimento, não apenas no cantar, dançar, interpretar, imaginar, mas ajuda no processo de desenvolver a criatividade e a capacidade de aprendizagem da criança. Nos meios de comunicação, como televisão e internet, existem muitas atrações que são de grande intuito educativo. Desenhos onde os personagens manifestam questões sobre o meio-ambiente, sistema solar, alimentos, por exemplo, sempre REVISTA MAIS EDUCAÇÃO 396 acompanham uma encenação que dão ênfase as descobertas dos personagens. Essa encenação é facilmente memorizada pelas crianças e estimulam a associação da cena com o seu cotidiano. Isto é importante para os educadores se atentarem na hora de planejar as aulas, pois poderão trazer músicas, instrumentos (se foi viável) e sons que os alunos já conhecem para a partir daí apresentar algo novo, diferente. Porém, além disso, ter ciência daquilo que a criança já sabe minimiza as chances de não dar importância ao meio sociocultural dela, algo que pode levá-la ao desinteresse pela educação musical (Godoi, 2011, p.18). Sobre as práticas musicais é importante destacar trabalhos com sensações e sentimentos como alegria e tristeza, baseando nos sons que o professor apresentar em sala, sem esquecer-se de também estimular os alunos a liberarem suas próprias emoções. Buscar músicas onde as letras trabalhem com membros superiores e inferiores e o tronco, assim as crianças começam a identificar o seu corpo, ter conhecimento das funções de cada membro e suas importâncias. Criar brincadeiras e jogos que envolvam atividades cotidianas, como escovar os dentes, pentear os cabelos, lavar as mãos. Inserir atividades cantadas como a ciranda, para exercitar espaço e direções. Filmes e teatro também são uma excelente opção para conhecimento de sons. Nunca se esqueça disso ao pensar nas atividades para desenvolver com eles, assim como não se pode deixar de lado que música na educação infantil não se restringe ao aspecto musical, mas também ao aspecto cognitivo e motor, o que promove o desenvolvimento do sujeito no todo (Godoi, 2011, p.21). É importante usar o teatro como um meio de conduzir as crianças no processo de aprendizado sem perder a sua essência e a personalidade de cada uma. Segundo Araújo (1996): “O conceito de infância deve considerar o contexto temporal e cultural da criança, atrelado a fase de desenvolvimento e seus possíveis avanços na aprendizagem.” Dessa forma, podemos estabelecer uma cultura e preparar as escolas para essas experiências e vivencias com qualidade e profissionalismo. REVISTA MAIS EDUCAÇÃO 397 CONSIDERAÇÕES FINAIS Compreende-se o quanto é importante e favorável o ensino de artes, mais especificamente o teatro, na educação infantil como pode contribuir para o aprendizado e socialização da criança. O teatro é admirada no mundo todo tem capacidade de estimular a criança em todos seu cotidiano e afazeres, e desta forma ela expressa sua imaginação e sentimentos, suas habilidades e emoções. Podemos utilizá-lo como instrumento e ferramenta no processo de conhecimento para as crianças. Ele está em toda parte. O teatro é um complemento na vida das pessoas, ele impulsiona e direciona, move nosso corpo e nos energiza a todo o momento. Para trabalhar com o teatro na escola, deve ser conscientizada a todos os envolvidos a importância desse instrumento como impulso para o crescimento educacional. Professores e coordenadores enfatizam que o teatro pode ser utilizada e trabalhada em diversos ambientes escolar favorecendo o processo de encenação e maneira intuitiva, pelo lúdico, envolvendo brincadeiras e exercícios que reforcem o desenvolvimento infantil. Por fim, colocamos como objetivo desse trabalho, alcançar e identificar a importância do ensino teatral na criatividade, sensibilidade e imaginação. Apesar de algumas instituições não contarem com recursos suficientes e às vezes nem são qualificados para desempenhar esse trabalho, por isso esse processo precisa ser pensando numa ordem crescente, vindo por parte da direção oferecendo aos profissionais e professores um preparo e conhecimento, para oferecer o melhor para os alunos. O professor por sua vez, também pode desenvolver sua imaginação e criatividade buscar auxílio, idéias e inspiração em diálogos com colegas e pesquisas, com o intuito de oferecer as crianças o mesmo desempenho na busca, na troca também. Observa-se também que o teatro tem diversas possibilidades de contribuir e a missão do educador é propor, construir e contribuir, junto com os alunos, visando à aprendizagem pedagógica com atenção e assim traçar o plano de educação e método lúdico no processo pedagógico. REVISTA MAIS EDUCAÇÃO 398 REFERÊNCIAS ALVES, Debora Regina. A arte de contar histórias: uma abordagem prática da literatura na educação infantil. Varginha: UNIS/MG, 2009. ARAÚJO, Vânia Carvalho de. Criança: do reino da necessidade ao reino da liberdade. Edufes: Vitória, 1996 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 1998. BRASIL. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brasília: Mec/SEF, 1998, p.46. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Saberes Necessários a Prática Educativa. Rio de Janeiro. Editora Paz e Terra. 2002. GODOI, Luís Rodrigo. A importância da música na Educação Infantil. Trabalho de Conclusão de curso. Londrina, UEL, 2011. PALANGANA, Isilda Camper.A concepção de Jean Piaget / Isilda Campanr Palagana. Desenvolvimento e aprendizagem em Piaget e Vygotsky: a relevância social – 3. Ed. – São Paulo: Summus, 2001. Capítulo I. p. 13 - 31. REVERBEL, Olga. Um caminho do teatro na escola. São Paulo: Scipione, 1997. SILVA, José Barbosa da. A Infância Começa a se fazer importante. Rossi Edna et al. Trilhas do Aprender – Volume 3. João Pessoa: Ed. Universitária/UFPB, 2008. p.395 – 396. SISTO,Celso. A literatura frequenta a escola: mas quem conta as histórias. In: PAROLIN, Isabel (Org.). Professor: formação de professor formador. Curitiba: Positivo, 2009. p. 67-72. REVISTA MAIS EDUCAÇÃO www.revistamaiseducacao.com E-mail: contato@revistamaiseducacao.com Rua Manoel Coelho, nº 600, 3º andar sala 313|314 - Centro São Caetano do Sul – SP CEP: 09510-111 Tel.: (11) 95075-4417 EDITORA CENTRO EDUCACIONAL SEM FRONTEIRAS