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Programa de Educação
Continuada a Distância
Curso de
Enfermagem Obstétrica
Aluno:
EAD - Educação a Distância
Parceria entre Portal Educação e Sites Associados
Curso de
Enfermagem Obstétrica
MÓDULO I
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descritos na bibliografia consultada.
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CONTEÚDO PROGRAMÁTICO:
MÓDULO 1
1. Bases de Anatomia e Fisiologia do Sistema Reprodutor Feminino
2. Instalação da Prenhez
3. Diagnóstico de Gravidez
4. Modificações Maternas
5. Critérios de Avaliação para Risco Gestacional
MÓDULO 2
6. Consulta Pré Natal
7. Fluxograma para diagnóstico da Gravidez
8. Idade Gestacional e Data Provável do Parto
9. Exames Laboratoriais de Rotina
10. Exame Físico da Gestante
11. Mobilograma Fetal
12. Queixas freqüentes durante a Gestação
13. Alimentação da Gestante
MÓDULO 3
14. Crescimento e desenvolvimento fetal
15. Relações úteros-fetais: Nomenclaturas Obstétricas
16. Cardiotocografia
17. Complicações durante a Gravidez
MÓDULO 4
18. Gestação Múltipla ou Prenhez Gemelar
19. Assistência de Enfermagem ao Trabalho de Parto
20. Partograma
21. Mecanismos de Parto
22. Trabalho de Parto Prematuro
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23. Fórceps
24. Parto operatório
MÓDULO 5
25. Puerpério normal
26. Puerpério patológico
27. Aleitamento materno
28. Alojamento conjunto
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MÓDULO I
ANATOMIA DO SISTEMA REPRODUTOR FEMININO
O aparelho reprodutor feminino consiste em estruturas externas e internas.
Genitália Externa
A genitália externa, conhecida como vulva consiste em duas pregas
carnudas de pele: a mais externa e grossa são os grandes lábios e a mais interna e
delicada os pequenos lábios. Normalmente estão unidos de forma a proteger a
abertura vaginal, mas se forem afastados revelam os restantes órgãos sexuais
externos da mulher.
Numa mulher que nunca tenha tido relações sexuais, uma fina membrana, o
hímen, rodeia a abertura da vagina, tornando-a ainda menor. É muito raro que o
hímen bloqueie totalmente a vagina, mas se tal acontecer é necessária à realização
de uma pequena cirurgia.
Logo acima da abertura vaginal, num pequeno montículo carnudo, localiza-
se a abertura da uretra, ainda rodeada pelos pequenos lábios.
Do lado oposto da abertura vaginal encontram-se as aberturas das
glândulas de Bartolini, que produzem um fluido lubrificante da vagina durante o ato
sexual.
O clitóris é, para todos os efeitos, um pequeno pênis. Apresenta a mesma
estrutura básica com três tubos de tecido esponjoso ao longo do seu comprimento e,
quando a mulher é estimulada sexualmente, também fica ereto. É extremamente
sensível ao toque devido ao grande número de terminações nervosas, tal como a
glande do pênis do homem.
Estruturas Reprodutoras Internas
As estruturas internas consistem na vagina, útero, ovários e tubas ovarianas
ou de Falópio.
Vagina
A vagina tem a forma de um tubo e tem geralmente cerca de 10 centímetros
de comprimento. A sua extremidade inferior, que abre na vulva vai até o colo.
Anteriormente a ela estão à bexiga e a uretra e, posteriormente, encontra-se o reto.
As paredes anterior e posterior da vagina normalmente se tocam. A parte superior
da vagina, o fórnice, circunda o colo.
Útero
O útero, um órgão muscular em formato de pêra, tem cerca de 7,5 cm de
comprimento por 5 cm de largura em sua parte superior. Suas paredes possuem
cerca de 1,25cm de espessura. Situa-se posteriormente à bexiga e são mantidos
nessa posição por diversos ligamentos, dentre eles, os ligamentos redondos, largos
e uterossacrais.
O útero apresenta duas partes: o colo, que se projeta para dentro da vagina,
e uma parte superior maior, o fundo ou corpo, que é coberto posteriormente e, em
parte anteriormente pelo peritônio. A porção interna triangular estreita-se até um
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pequeno canal no colo, que possui constrições em cada extremidade, referidas
como óstio interno e óstio externo. As partes superiores do útero são chamadas de
cornos. A partir destes, as tubas uterinas estendem-se para fora, sendo suas luzes,
internamente, contínuas com a cavidade uterina.
Ovários
Os ovários são órgãos sexuais femininos.Eles têm uma região medular rica
em vasos e a cortical, onde se localizam os folículos. Eles têm a forma de amêndoa,
medindo até 5 cm em seu maior diâmetro e possui uma espessura máxima de 1,5
centímetro.
Sua região medular contem numerosos vasos sanguíneos e regular
quantidade de tecido conjuntivo frouxo, e a cortical, onde predominam os folículos
ovarianos, contendo os ovócitos.
FISIOLOGIA DO SISTEMA REPRODUTOR FEMININO
A ovulação -- a liberação do óvulo pelo ovário - é o evento mais importante
do ciclo fértil; ocorre somente uma vez num momento específico durante o ciclo,
mesmo quando há liberação de mais de um óvulo. O mecanismo ovulatório também
produz os dois hormônios ovarianos, estradiol ou estrogênio e progesterona.
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O estradiol é produzido somente pelo folículo em desenvolvimento, antes da
ovulação: ele estimula as glândulas do cérvix para secretar um tipo específico de
muco ("o muco com características férteis") que é essencial para a passagem dos
espermatozóides através do cérvix para alcançar o óvulo. O estradiol também
estimula o crescimento do endométrio revestindo o útero. Após a ovulação, a
progesterona e o estradiol são produzidos pelo corpo lúteo, que é formado a partir
do folículo rompido. Este progesterona causa a mudança abrupta no muco que
ocorre imediatamente após a ovulação, definindo o sintoma Ápice.
O progesterona também prepara o endométrio, já preparado pelo
estrogênio, para implantação do óvulo fertilizado. Na ausência da gravidez, a
produção de estradiol e progesterona começam a diminuir, aproximadamente sete
dias após a ovulação e isto resulta na descamação do endométriocomo
sangramento menstrual 11 a 16 dias após a ovulação.
As mudanças cíclicas da atividade ovariana são controladas pela secreção
de dois hormônios, pela glândula hipofisária, o hormônio folículo estimulante (FSH) e
o hormônio luteinizante (LH). A produção destes hormônios por sua vez é controlada
por uma área do cérebro chamada hipotálamo. O hipotálamo funciona como um
computador, analisando os sinais nervosos a partir de outras áreas do cérebro,
incluídas aquelas produzidas por emoções e fatores ambientais, tais como a luz e a
escuridão; também analisa sinais hormonais, produzidos pelos ovários e outras
glândulas endócrinas e conduzidas pela corrente sanguínea.
O ciclo ovariano segue por uma série de eventos bem ordenados. Durante a
última metade do ciclo anterior, a alta produção de estradiol e progesterona, agindo
via hipotálamo suprime a produção de FSH e LH pela hipófise. A produção
decrescente de estradiol e progesterona pelo corpo lúteo, no fim do ciclo, eliminam
esta supressão e os níveis de FSH se elevam.
Os folículos dentro dos ovários têm um limiar de requisito para o FSH,
abaixo do qual nenhuma estimulação ocorre. Inicialmente os níveis de FSH
encontram-se abaixo deste limiar, porém estes se elevam aos poucos até
ultrapassá-lo, após o qual um grupo de folículos é estimulado até o crescimento
ativo. Vários dias de crescimento são necessários, antes dos folículos iniciarem a
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produção de estradiol, que é secretado na corrente sangüínea e alcança o
hipotálamo para produzir o sinal de que o limiar foi atingido.
Também há um nível intermediário de produção de FSH que necessita ser
superado, antes que um folículo seja finalmente impulsionado para sua plena
resposta ovulatória. Um nível máximo de produção de FSH não pode ser
ultrapassado, a fim de evitar a estimulação de vários folículos e a ocorrência de
múltiplas ovulações. Este nível máximo se situa aproximadamente, apenas 20%
acima do limiar, assim é essencial um controle preciso de retroalimentação, ou
feedback da produção de FSH, feedback este fornecido pela produção de
estrogênios pelos folículos. À medida que o folículo dominante dispara até a
ovulação, ele produz rapidamente quantidade crescente de estradiol. Este estradiol
estimula a produção do muco cervical e também impede a produção do FSH, abaixo
do nível do limiar, removendo assim o apoio requerido pelos folículos menores, que
estão competindo na corrida para a ovulação.
A queda no FSH também induz o mecanismo de amadurecimento do
folículo dominante, e o torna receptivo para a segunda gonadotrofina hipofisária, LH.
Os altos níveis de estradiol também ativam o mecanismo de retroalimentação
positivo, dentro do hipotálamo, que leva a hipófise a liberar uma onda maciça do LH.
Essa onda de LH constitui o gatilho que inicia a ruptura do folículo (ovulação)
aproximadamente 37 horas após o início da onda de LH ou 17 horas após o seu
pico.
A produção ovariana de estradiol cai abruptamente durante este intervalo
antes da ovulação. Após a ovulação, o folículo rompido se transforma no corpo lúteo
e a produção do segundo hormônio ovariano, a progesterona, aumenta rapidamente
junto com o estradiol. O progesterona causa a mudança abrupta nas características
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do muco cervical, que definirá o sintoma Ápice; sua queda no fim do ciclo causa um
sangramento - a menstruação.
Todos estes mecanismos descritos acima requerem períodos de tempo que
são praticamente constantes em cada ciclo e em cada mulher. Todavia, a ascensão
da produção do FSH até o limiar e os níveis intermediários pode estar sujeita os
atrasos. Durante o ciclo normal de 28 dias, o limiar é atingido aproximadamente no
dia 5, mas em mulheres com ciclos mais longos, pode levar vários meses, até
aproximadamente 23 dias antes da próxima menstruação. Não ocorre nenhum
desenvolvimento folicular até que o limiar seja atingido e, assim, a secreção de
estradiol é muito pequena e não há produção de muco. A mulher experimenta uma
sucessão de dias "secos" durante este período. Os valores de FSH aumentam
eventualmente até ultrapassar o limiar e o desenvolvimento folicular se inicia, a
menos que a mulher tenha atingido a menopausa ou tenha amenorréia permanente.
Durante o ciclo normal, o aumento da produção de FSH acima do limiar continua
sem interrupção com a ultrapassagem do nível intermediário, dentro de alguns dias,
e o folículo dominante recebe suficiente estimulação para ser impulsionado até a
ovulação, sendo que o intervalo de tempo entre a superação do limiar e a ovulação é
de 7 a 10 dias. Contudo, a ascensão pode ser interrompida antes de superar o nível
intermediário, deixando os folículos permanecerem em estado de estimulação
crônica.
As quantidades de estradiol secretadas estabilizam-se em níveis inferiores
àqueles do pico pré-ovulatório e são suficientes para estimular o muco cervical com
características mais férteis, permanecendo neste estado enquanto os níveis de
estradiol são constantes e até que o folículo dominante seja impulsionado até a
ovulação com níveis altos de estradiol. O estradiol estimula o endométrio uterino
podendo resultar, com o passar do tempo, em sangramento de disrupção. Isto é a
causa habitual de sangramento intermenstrual ou manchas de sangue.
Eventualmente os mecanismos de retroalimentação ou "feedback" levam a
um aumento dos níveis de FSH acima do nível intermediário, e a ovulação ocorrerá
prontamente em sete dias. A anotação de dias "secos" ou sinais de muco durante a
fase pré-ovulatória de ciclos prolongados é, na verdade, o registro de níveis de FSH
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que estão respectivamente abaixo ou acima do limiar, assim como a ausência ou
presença de folículos com produção de estradiol.
Uma vez que o folículo dominante tem sido impulsionado para a ovulação,
os eventos resultantes ocorrem dentro de seqüências fixas de tempo. A fase de
impulso leva três dias, o tempo entre o pico de produção do estradiol e a ovulação
leva 1 ½ dias e o intervalo entre a ovulação e a próxima menstruação é de 11 a 16
dias. A redução deste último intervalo para menos de 11 dias denota um ciclo infértil,
e um prolongamento, significa gravidez. Os sintomas máximos da produção do muco
com características férteis são observados no dia pico de produção de estradiol que
precede o sintoma Ápice do muco, e a ovulação. A mudança rápida, após o sintoma
ápice do muco, ocorre muito perto do dia da ovulação e é devida a produção
crescente de progesterona nesta época. O início do próximo sangramento
menstrual, na ausência de gravidez, é altamente previsível a partir destes eventos.
INSTALAÇÃO DA PRENHEZ
A instalação da prenhez é precedida por fenômenos complexos biofísico-
químicos representados por:
x Espermatogênese
x Ovogênese
x Ciclo mênstruo-endometrial
x Capacitação
x Migração
x Nidação ovular
Ovogênese: é o que dá origem ao gameta feminino, ou ovócito. A
ovogênese refere-se a toda seqüência deeventos pelas quais as ovogônias
transformam-se em óvulos maduros. Esse processo de maturação começa antes do
nascimento, mas só é completada na puberdade. Os ovócitos primários
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permanecem em prófase suspensa (dictióteno), por vários anos até que a
maturidade sexual seja alcançada na puberdade e comecem os ciclos reprodutivos.
Captação Ovular e Fecundação: Deve-se a ejaculação, é depositada cerca
de 2 a 6 ml de sêmen no fundo do saco vaginal. Por ocasião da ovulação, as
fímbrias tubárias se acoplam sobre a superfície ovariana, particularmente na área do
estigma. O óvulo expulso é captado pela trompa. Será encaminhado para a zona
ampolar, graças à atividade rítmica ciliar e às contrações tubárias, que o
encaminharão no sentido do óstio tubo uterino. Apesar do imenso número de
espermatozóides encontrado no material ejaculado, apenas uma parte deles
consegue atingir a trompa, e só poucas centenas alcançam o local de fecundação.
Numerosos espermatozóides envolvem o óvulo no local da fecundação. No processo
de penetração ovular, surgem no acrossomo (parte anterior da cabeça do
espermatozóide) pequenos poros por onde são excretadas enzimas: acrosina,
neuraminidase e hialuronidases, com capacidade de lisar e afastar as estruturas da
zona pelúcida e da corona radiata.
Migração e Nidação Ovular: À medida que o zigoto passa pela tuba este vai
sofrendo divisões celulares mitóticas (clivagem). O transporte do ovo pela trompa se
faz à custa da atividade sinérgica da contratilidade, do aparelho ciliar e das
secreções tubárias. Dura em torno de 3-4 dias. O zigoto na forma de blastocisto
chega à cavidade endometrial em torno de 6-7 dias após fecundação. Cerca de 4
dias fica livre sem capacidade de implantar devido o trofoblasto imaturo. Atingida
essa capacidade o trofoblasto segrega enzimas proteolíticas que lisam as células do
endométrio, forçando a penetração do zigoto no endométrio.
Há uma coincidência com as condições endométrio-deciduais favorecendo a
nidação. É uma perfeita sincronia entre a receptividade endometrial e a capacidade
de implantação do trofoblasto. Nos 11º-12º dias, o blastocisto se apresenta
completamente incluído no endométrio. Hormônios elaborados pelo trofoblasto
(gonadotrofinas coriônicas) invadem a circulação materna. Atuando sobre o corpo
lúteo menstrual (ação luteotrófica), provocam seu maior desenvolvimento, com
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conseqüente maior produção de progesterona e transformação de endométrio
secretor em decídua gravídica. Favorecendo o desenvolvimento embrionário. A
decídua gravídica ocorre em toda a cavidade uterina. Forma uma barreira mecânica
e imunológica contra qualquer invasão adicional da parede uterina pelo embrião.
Funciona como órgão endócrino, produz: prolactina, relaxina, prostaglandinas,
outras moléculas com ação sobre os músculos do útero e sobre as membranas
fetais (córion e âmnion).
Placenta: O desenvolvimento começa no momento da implantação, isto é,
no 6º dia quando o blastocisto inicia a invasão do endométrio. No término da 2º
semana, o blastocisto penetrou completamente o endométrio, momento que o local
não estava bem reepitelizado. Esta data coincide com 28º dia do ciclo, podendo
induzir ao erro, achando ser menstrual. O trofoblasto se adelgaça formando as
vilosidades primárias. No decurso da terceira semana, formam-se as vilosidades
secundárias. No 20º dia após concepção aparecem os primeiros capilares fetais,
concluindo as vilosidades terciárias. Logo após o estabelecimento da circulação fetal
intraplacentária, determinada pelo aparecimento das vilosidades terciárias, o sangue
materno mantém contato com o sangue fetal pela barreira placentária. No final do 3º
mês, a placenta se apresenta com forma discóide, fixada na parede uterina pela face
materna (placa basal). Sua face fetal (placa corial) fica na direção da cavidade
amniótica. O sangue fetal flui por duas artérias umbilicais, seguindo pelos capilares
das vilosidades e, por fim, de volta ao feto através de veia umbilical única. As
dimensões da placenta oscilam de 15 a 20 cm, e a espessura, de 1 a 3 cm. O peso
médio de 450 g (no termo). A placenta tem três funções principais:
1) Metabólica: Principalmente no início da gestação, a placenta sintetiza
glicogênio, colesterol e ácidos graxos, e muito provavelmente, funciona como
reservatório de nutrientes e de energia para o embrião. Seu papel metabólico está
vinculado às outras funções primordiais, endócrinas e de trocas.
2) Endócrina: A gravidez se acompanha de modificações endócrinas nos
compartimentos materno, placentário e fetal que se relacionam intimamente. A
placenta elabora hormônios protéicos e esteróides. É um órgão incompleto, pois
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para sintetizá-los necessita de precursores não só maternos, mas principalmente,
fetais.
3) De trocas: A principal função da placenta consiste em propiciar a difusão de
nutrientes e oxigênio do sangue materno para o sangue fetal, bem como difusão de
produtos de excreção do feto para a mãe.
DIAGNÓSTICO DE GRAVIDEZ
O diagnóstico de gravidez vem se tornando cada vez mais precoce e
seguro. Na última década, o desenvolvimento de técnicas imunológicas e o emprego
da ultra-sonografia transvaginal possibilitam o diagnóstico correto de gestação, já na
falha menstrual. O diagnóstico de gravidez pode ser dividido em diagnóstico clínico,
laboratorial e ultra-sonográfico.
Diagnóstico Clínico
É feito através de dados obtidos pela anamnese, inspeção, palpação, toque,
ausculta e pela medida da temperatura basal. Esses sinais são considerados de
probabilidade, quando relacionados ao organismo materno.
Anamnese - durante a anamnese, nos dados colhidos das pacientes
podem-se salientar os seguintes:
x Atraso menstrual: A principal causa de atraso da menstruação em
mulheres em idade reprodutiva é a gravidez. O atraso menstrual é o sinal mais
precoce da gravidez. Portanto, deve-se sempre pensar nesse diagnóstico em
mulheres sexualmente ativas que apresentarem atraso menstrual, devendo-se
procurar orientação médica para avaliação da melhor conduta a seguir.
x Náuseas e vômitos: sem causa justificável, são freqüentes até a 10ª
semana da gestação.
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x Polaciúria: relacionada com a compressão da bexiga pelo corpo
uterino.
x Cólicas leves no hipogástrio: semelhantes a cólicas menstruais.
x Sialorréia: aparece no primeiro trimestre.
x Mastalgia bilateral: sensação de aumento no volume das mamas.
x Movimentação fetal: é relativamente tardia, ocorre nas multíparas em
torno da 16ª-18ª semanas, e nas nulíparas entre a 18ª-20ª semanas.
Inspeção – após a 8ª semana, observa-se coloração arroxeada do vestíbulo
e da parede vaginal anterior em decorrência da congestão venosa local.
Palpação – a partir da 10ª-12ª semanas o corpo uterino pode ser palpado na
área hipogástrica. E na expressão das mamas pode-se perceber o escoamento do
colostro, após a 10ª semana.
Toque vaginal - O toque no início da gestação auxiliano diagnóstico
obstétrico (amolecimento do colo ou sinal de Hegar), útero aumentado e globoso
(sinal de Nobel-Budin), corpo uterino amolecido, etc. No trabalho de parto apreciam-
se as condições da vagina, se é permeável e se há presença de septos, as
características do colo (dilatação, espessura, esvaecimento e centralização) e
através dele, a bolsa das águas, se integra ou rota, e neste caso, a cor do líquido
amniótico. Pelo toque confirmam-se a apresentação, a posição e sua variedade. Por
último, verificam-se as condições da bacia, particularmente o conjugado diagonal (e,
por conseguinte, o conjugado verdadeiro), o arco anterior, as espinhas ciáticas e o
cóccix. É de boa técnica fazer o toque vaginal com as mãos rigorosamente lavadas e
revestidas de luvas esterilizadas, entreabrindo-se a vulva com os dedos de uma das
mãos, e obedecidos os preceitos de assepsia e anti-sepsia.
Ausculta - A ausculta dos BCFs é diagnóstico de certeza de gravidez e pode
ser feita pelo sonar doppler a partir da 10ª semana e pelo uteroscópio Pinard com
18-20 semanas (a ausculta é obrigatória após 16 semanas).
Temperatura Basal - A elevação da temperatura basal por mais de 16 dias
sugere fecundação.
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Diagnóstico laboratorial
O diagnóstico de gravidez é obtido por meio de aumento dos índices de
hormônio (hCG) na urina ou no sangue da mulher. Somente após a implantação do
embrião no útero, o hormônio irá atingir concentração suficiente para ser detectado
com segurança na urina. Dessa forma, a detecção por meio desse exame pode ser
feita já a partir do primeiro dia de atraso menstrual.
O HCG é um hormônio glicoprotéico produzido pelas células do
sinciciotrofoblasto da placenta. A molécula de HCG é composta por duas
subunidades: alfa e beta. A subunidade beta é a que confere a especificidade, uma
vez que a subunidade alfa é comum a outros hormônios como o LH, o FSH e o TSH.
Além das subunidades livres, outras moléculas HCG-relacionadas podem estar
presentes, tanto no soro como na urina de mulheres grávidas. Essas moléculas
podem apresentar grandes variações estruturais e são reconhecidas diferentemente
por diversos imunoensaios para HCG.
Alguns ensaios detectam apenas a molécula inteira, que é o hormônio
biologicamente ativo, uma vez que, isoladamente, nenhuma das subunidades exerce
efeito hormonal. Outros detectam tanto a molécula inteira quanto a fração beta livre.
Outros, ainda, detectam, além das frações livres, todas as moléculas HCG-
relacionadas.
Diagnóstico Ultra-sonográfico
O diagnóstico ultra-sonográfico consiste em visualizar o saco gestacional/
embrião/ feto, dependendo da idade gestacional. O mais precoce de se visualizar é
o saco gestacional, a partir da 4ª ou 5ª semana, no transvaginal ou no pélvico,
respectivamente.
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MODIFICAÇÕES MATERNAS
Durante a gravidez várias mudanças ocorrem no corpo da mulher.
O Primeiro Trimestre
Os trimestres são um meio conveniente de medir a gravidez. Entretanto,
eles têm durações desiguais, e o terceiro trimestre varia de acordo com o tempo total
da gravidez. O corpo da mulher faz um grande esforço durante o primeiro trimestre
(1-12 semanas) para se adaptar ao embrião e à placenta em desenvolvimento.
- A taxa metabólica aumenta em 10-25% , de modo que o corpo acelera
todas as suas funções.
- O rítmo cardíaco aumenta e o rítmo respiratório também aumenta à
medida que mais oxigênio tem que ser levado ao feto e que mais dióxido de carbono
é exalado.
- As fibras musculares do útero ficam rapidamente maiores e mais
grossas, e o útero em expansão tende a pressionar a bexiga, aumentando a vontade
de urinar.
- O tamanho e peso dos seios aumentam rapidamente.
- Os seios tornam-se mais sensíveis logo nas primeiras semanas de
gravidez.
- Surgem novos ductos lactíferos.
- As auréolas dos seios escurecem, e as glândulas nelas situados,
chamadas tubérculos de Montgomery, aumentam em número e tornam-se mais
salientes.
- Com o aumento do envio de sangue para os seios, as veias se tornam
mais visíveis.
O Segundo Trimestre
Vai da 13ª à 24ª semana. No início desse trimestre, o útero em expansão
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ultrapassa a borda da pelve, o que resulta na perda gradual de cintura.
- A musculatura do trato intestinal relaxa, provocando diminuição das
secreções gástricas; a comida fica mais tempo no estômago.
- Há menos evacuação, pois o músculo intestinal está mais relaxado que
o habitual.
- Os seios podem formigar e ficar doloridos.
- A pigmentação da pele tende a aumentar principalmente em áreas já
pigmentadas como sardas, pintas, mamilos.
- Pode aparecer a linea nigra
- As gengivas podem se tornar um tanto esponjosas devido à ação
aumentada dos hormônios da gravidez.
- O refluxo do esôfago pode provocar azia, devido ao relaxamento do
esfíncter no alto do estômago.
- O coração trabalha duas vezes mais do que o de uma mulher não
grávida, e faz circular 6 litros de sangue por minuto.
- O útero precisa de mais 50% de sangue que habitualmente.
- Os rins precisam de mais 25% de sangue do que habitualmente.
O Terceiro Trimestre
Durante este trimestre (da 25ª semana em diante), o feto em crescimento
pressiona e restringe o diafragma. Por isso a mulher grávida respira mais rápido e
profundamente, aspirando mais ar com cada inalação, o que aumenta o consumo de
oxigênio.
- A taxa de ventilação aumenta cerca de 40% , passando dos 7 litros de
ar por minuto da mulher não - grávida para 10 litros por minuto, enquanto o consumo
de oxigênio aumenta apenas 20%. A maior sensibilidade das vias respiratórias aos
elevados níveis de dióxido de carbono no sangue pode resultar em falta de ar.
- À medida que o feto cresce e o abdome aumenta de tamanho, as
costelas inferiores da mulher são empurradas para fora.
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- Os ligamentos inclusive da pelve e dos quadris, ficam distendidos, o
que pode causar desconforto ao caminhar.
- Mãos e pés inchados, além de causarem desconforto, pode ser um
sinal de pré-eclâmpsia.
- Podem ocorrer dores nas costas, causadas pela mudança do centro de
gravidade do corpo e por um ligeiro relaxamento das articulações pélvicas.
- Os mamilos podem secretar colostro.
- Aumenta a freqüência e a vontade de urinar.
- Aumenta a necessidade de repousar e dormir.
O peso do útero aumenta cerca de 20 vezes durante a gravidez, de cerca
de 60 g antes da gestação, para cerca de 1000 g, ao termo, e aumenta de tamanho
de cinco a seis vezes. Ao fim da gravidez o útero tem de 30 a 35 cm de
comprimento, de 20 a 25 cm de largura e cerca de 22 cm de profundidade. Sua
capacidade terá aumentado de 700 a 1000 vezes, de aproximadamente 4 ml para de
4000 a 5000 ml.
Durante a gravidez o suprimento sangüíneo uterino aumenta de 20 a 40
vezes. As artérias uterinas, que são as principais fontes do suprimento uterino, são
ramos das ilíacas internas; passam para dentro e ao longo dos ligamentos largose
penetram no útero aproximadamente ao nível do orifício interno do colo. Sobem
então por cada lado do útero e formam uma rede de arteríolas espirais que fornecem
um amplo suprimento de sangue.
As alterações dos vasos sangüíneos revertem rapidamente após o parto.
Uma semana após, os vasos já retornaram ao seu tamanho primitivo. Modificações
acentuadas ocorrem nas mamas durante a gravidez, devido ao desenvolvimento de
tecido glandular quiescente. As mamas aumentam de tamanho e firmeza, e ficam
nodulares. Freqüentemente aparecem estriações na pele. O aumento é perceptível
algumas semanas após a concepção e continua por toda a gestação. Há também
um aumento considerável na vascularização das mamas no início da gravidez, e as
veias superficiais ficam mais proeminentes. Essas alterações são freqüentemente
acompanhadas por uma sensação de dor, formigamento e peso nas mamas, no
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início da gestação, e são considerados sinais presuntivos de gravidez. Os mamilos
ficam mais móveis, e será mais fácil para o bebê apreendê-los para mamar. As
glândulas de Montgomery ficam maiores.
Há uma grande variação individual no aumento do tamanho das mamas,
mas o aumento médio é de cerca de 700 g para cada mama. Uma alteração
considerável ocorre dentro do próprio tecido mamário: (1) há proliferação do tecido
glandular e (2) as células alveolares diferenciam-se, tornando-se secretoras. À
medida que ocorrem as modificações proliferativas, os ductos intramamários se
alongam e ramificam. Alvéolos e lóbulos desenvolvem-se nas pontas de muitos dos
ramos, até, finalmente, haver uma grande glândula composta de cada mama, com
muitos lóbulos e alvéolos.
Há uma proliferação progressiva do tecido glandular durante a gravidez. Os
dutos alongam-se muito e os alvéolos e lóbulos desenvolvem-se nas extremidades
de muitos dos ramos. Com o aumento da atividade secretória ao fim da gravidez, os
alvéolos e dutos ficam distendidos pelo colostro. Na mama em lactação os alvéolos
e dutos ficam distendidos por leite.
Após certo estágio de proliferação do tecido glandular durante o primeiro
trimestre, as células alveolares começam a diferenciar-se no segundo. Muitas
dessas células tornar-se-ão secretórias e serão capazes de secretar leite. Pelo fim
do segundo trimestre, uma pequena quantidade de líquido fino e amarelado,
chamado colostro é secretado para os dutos.
O abdome modifica de contorno à medida que o Útero em crescimento
estende-se para dentro da cavidade abdominal, ocupando-a cada vez mais, ata que
o feto contido pelo útero fica completamente dentro dela. Os músculos abdominais
sustentam grande parte do peso do feto.
Durante a última parte da gravidez, estrias ondulares, irregulares e
discretamente deprimidas se desenvolvem freqüentemente na pele do abdome e, às
vezes, também nas das mamas, quadris e parte superior das coxas. Essas estrias
são chamadas de estrias gravídicas. As recentes são de coloração rosa pálido ou
azuladas. Após o parto adquirem o aspecto prateado brilhante de tecido cicatricial.
Em uma mulher que tenha tido filhos poderá haver estrias novas e antigas, sendo as
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resultantes das primeiras gestações prateadas e brilhantes, e chamadas de estriae
albicantes, ao passo que as novas são rosadas ou azuladas.
As estrias surgem nas áreas de distensão máxima: o abdome, as mamas e
as coxas. A gordura subcutânea aumenta na gravidez, e distende a pele acima dela.
Um considerável aumento de peso na gestação, a obesidade desde o início da
gravidez, uma distensão incomum da pele abdominal e a retenção hídrica e o edema
generalizado, todos esses fatores têm probabilidade de aumentar a distensão da
pele. Algumas mulheres são muito mais susceptíveis do que outras à separação do
tecido conjuntivo da pele; é por isso que têm muitas estrias, ao passo que outras,
com distensão igual, têm poucas ou nenhuma.
Estrias abdominais em mulheres não grávidas podem estar ocasionalmente
associadas à distensão abdominal, a um acentuado aumento da gordura ou a um
tumor abdominal as dos quadris e coxas podem ser devidas às alterações pós-
puberais normais.
CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO PARA RISCO GESTACIONAL
Toda gestação traz em si mesmo risco para a mãe ou para o feto. No
entanto, em pequeno número delas esse risco está muito aumentado e é então
incluído entre as chamadas gestações de alto-risco. Desta forma, pode-se
conceituar gravidez de alto risco "aquela na qual a vida ou saúde da mãe e/ou do
feto e/ou do recém-nascido, têm maiores chances de serem atingidas que as da
média da população considerada". Em outras palavras, definimos gestação de alto-
risco aquela gravidez que carrega, em conseqüência de um determinado atributo,
maior risco de dano para a mãe e/ou para seu filho, quando comparada à outra
gestação que não possua este referido atributo.
Para generalização dos conhecimentos, o primeiro passo era a
identificação, em determinada população, daquelas que tivessem fatores de risco.
Assim, surgiram inúmeras tabelas e escores na literatura mundial, diferente entre si,
por relatarem realidades de países ou mesmo regiões diferentes.
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No Brasil, por suas grandes dimensões e, principalmente pelas diferenças
sócio-econômico-culturais, evidenciam-se fatores de risco diversos para as várias
regiões. Partindo-se desta constatação, parece ser maior interesse listarem-se os
fatores mais comuns na população em geral. Assim os fatores geradores de risco
podem ser agrupados em quatro grandes grupos, que são:
(a) Características individuais e condições sócio-demográficas desfavoráveis;
(b) História reprodutiva anterior à gestação atual;
(c) Doenças obstétricas na gestação atual;
(d) Intercorrências clínicas.
Pode-se observar abaixo, as situações de risco, que devem ser abordadas
em atendimento especializado. De uma maneira geral, estas condições são
identificadas no nível primário (consultórios, ambulatórios gerais, etc.). Estes casos
devem ser referenciados posteriormente para níveis mais complexos de atenção. É
importante notar que na atenção às gestantes ditas de "baixo risco", deve-se atentar
para o aparecimento ou agravamento dos referidos fatores. É importante ressaltar
que a ausência de controle pré-natal, por si mesma, é um fator de risco para a
gestante e o recém-nascido.
Fatores de risco na gravidez
1- Características individuais e condições sócio-econômicas:
x Idade menor que 17 anos e maior que 35 anos
x Ocupação: esforço físico, carga horária, rotatividade de horários, exposição a
agentes físicos, químicos e biológicos nocivos, estresse.
x Situação conjugal insegura
x Baixa escolaridade
x Condições ambientais desfavoráveis
x Altura menor que 1.45m
x Peso menor que 45 kg e maior que 75 kg
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x Dependências de drogas lícitas ou ilícitas
2- História reprodutiva anterior:
x Morte perinatal explicada e inexplicada.
x Recém-nascido com crescimento retardado, pré-termo ou malformado.
x Abortamento habitualx Esterilidade/infertilidade
x Intervalo interpartal menor que 2 anos ou maior que 5 anos
x Nuliparidade e multiparidade
x Síndrome hemorrágica ou hipertensiva
x Cirurgia uterina anterior
3- Doença obstétrica na gravidez atual:
x Desvio quanto ao crescimento uterino, número de fetos e volume de líquido
amniótico.
x Trabalho de parto prematuro e gravidez prolongada
x Ganho ponderal inadequado
x Pré-eclâmpsia e eclâmpsia
x Diabetes gestacional
x Amniorrexis prematura
x Hemorragias da gestação
x Aloimunização
x Óbito fetal
4- Intercorrências clínicas:
x Hipertensão arterial
x Cardiopatias
x Pneumopatias
x Nefropatias
x Endocrinopatias
x Hemopatias
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x Epilepsia
x Doenças infecciosas
x Doenças autoimunes
x Ginecopatias.
De acordo com suas características particulares, as gestantes de alto risco
terão um controle pré-natal diferenciado tanto nos cuidados quanto no número de
consultas. Em geral, visitarão o serviço de saúde no mínimo uma vez por mês,
durante os seis primeiros meses de gravidez. Na fase final, no sétimo mês, estas
visitas devem acontecer a cada 15 dias; e, posteriormente, uma vez por semana, até
o momento do parto.
Dependendo da necessidade, poderão ser pedidos ou recomendados
exames suplementares e tratamentos específicos, bem como repouso, alimentação
e dietas especiais. Seu ganho de peso deverá manter-se entre 9 a 12 quilos; já que
engordar exageradamente é prejudicial tanto para a mãe quanto para o feto,
inclusive em condições normais de gravidez. É importante lembrar que a gestante
jamais deve tomar remédios por conta própria ou por conselho de amigas.
A gestante de alto risco tem seus direitos aos cuidados especiais garantidos
por lei. Nela deverão ser concentrados mais esforços sociais e familiares, para que
possa vir a ter uma boa gestação e um bebê saudável, sem comprometimento de
sua saúde. Se a participação do marido ou do companheiro já é indispensável na
gestação normal, torna-se ainda mais importante na de alto risco. A melhor maneira
de este ficar completamente informado sobre a situação é acompanhar a mulher ao
pré-natal e colaborar no que for possível para que esse período transcorra com
tranqüilidade.
FIM DO MÓDULO I
Genitália Externa