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Ana Beatriz Figuerêdo Almeida - Medicina 2022.2 
Página | 1 
 
Ginecologia & Obstetrícia 
SP 2.3: FISIOLOGIA DA GESTAÇÃO 
1) DESCREVER A FISIOLOGIA DA GRAVIDEZ E AS 
PRINCIPAIS MODIFICAÇÕES GRAVÍDICAS LOCAIS E 
GERAIS DO ORGANISMO MATERNO; 
MATURAÇÃO E FERTILIZAÇÃO DO ÓVULO 
Enquanto ainda no ovário, o óvulo se encontra no 
estágio de oócito primário. Pouco antes de ser liberado 
do folículo ovariano, seu núcleo se divide por meiose, 
e o primeiro corpo polar é expelido do núcleo do 
oócito. O primeiro oócito, em seguida, torna-se o 
segundo oócito. Nesse processo, cada um dos 23 pares 
de cromossomos perde um de seus componentes, que 
se incorpora no corpo polar que é expelido, deixando 
23 cromossomos sem par no oócito secundário. É 
nesse momento que o óvulo, ainda no estágio de 
oócito secundário, é expelido para a cavidade 
abdominal. Em seguida, ele penetra quase 
imediatamente a terminação fimbriada de uma das 
trompas de Falópio. 
A Entrada do Óvulo na Trompa de Falópio (Tuba 
Uterina). Quando ocorre a ovulação, o óvulo, em 
conjunto com centena ou mais de células anexas da 
granulosa que constituem a coroa radiada, é expelido 
diretamente para a cavidade peritoneal e deve, então, 
entrar em uma das trompas de Falópio (também 
denominadas tubas uterinas) para chegar à cavidade 
uterina. As terminações fimbriadas de cada trompa de 
Falópio repousam naturalmente ao redor dos ovários. 
As superfícies internas dos tentáculos fimbriados são 
revestidas de epitélio ciliado, e os cílios são ativados 
pelo estrogênio ovariano, que faz com que eles batam 
na direção da abertura, ou óstio, da trompa de Falópio 
envolvida. Na verdade, é possível ver uma corrente de 
líquido fluindo lentamente na direção do óstio. Assim, 
o óvulo entra em uma das trompas de Falópio. 
Embora se possa suspeitar que muitos óvulos não 
consigam entrar nas trompas de Falópio, estudos de 
concepção sugerem que até 98% dos óvulos tenham 
sucesso nessa tarefa. Na verdade, em alguns casos 
registrados, mulheres que tiveram um ovário e a 
trompa de Falópio oposta removidos deram à luz vários 
filhos com relativa facilidade de concepção, 
demonstrando assim que os óvulos conseguem entrar 
até mesmo na trompa de Falópio oposta. 
A Fertilização do Óvulo. Depois que o homem ejacula 
sêmen na vagina da mulher durante a relação sexual, 
alguns espermatozoides são transportados, de 5 a 10 
minutos, na direção ascendente da vagina e através do 
útero e das trompas de Falópio até as ampolas das 
trompas de Falópio, próximas às terminações 
ovarianas das trompas. Esse transporte dos 
espermatozoides é auxiliado por contrações do útero e 
das trompas de Falópio, estimuladas por 
prostaglandinas no líquido seminal masculino e 
também por ocitocina liberada pela hipófise posterior 
da mulher durante o seu orgasmo. De quase metade 
dos bilhões de espermatozoides depositados na 
vagina, alguns milhares conseguirão chegar a cada 
ampola. 
A fertilização do óvulo ocorre normalmente na 
ampola de uma das trompas de Falópio, pouco depois 
de o espermatozoide e o óvulo entrarem na ampola. 
Entretanto, antes que o espermatozoide consiga entrar 
no óvulo, ele precisa primeiro penetrar as múltiplas 
camadas de células da granulosa anexadas ao exterior 
do óvulo (a coroa radiada) e, em seguida, se fixar e 
penetrar a zona pelúcida que circunda o óvulo. 
Uma vez que o espermatozoide tenha entrado no 
óvulo (que ainda se encontra no estágio de 
desenvolvimento de oócito secundário), o oócito se 
divide mais uma vez, formando o óvulo maduro, mais 
um segundo corpo polar, que é expelido. O óvulo 
maduro ainda carrega em seu núcleo (agora 
denominado pronúcleo feminino) 23 cromossomos. 
Um desses cromossomos é o cromossomo feminino, 
conhecido como cromossomo X. 
Nesse ínterim, o espermatozoide fertilizador também 
passa por alterações. Ao entrar no óvulo, sua cabeça 
incha, formando o pronúcleo masculino. 
Posteriormente, os 23 cromossomos sem pares do 
pronúcleo masculino e os 23 cromossomos sem pares 
do pronúcleo feminino alinham-se para formar o 
complemento final de 46 cromossomos (23 pares) no 
ovo fertilizado ou zigoto. 
 
 
Ana Beatriz Figuerêdo Almeida - Medicina 2022.2 
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O QUE DETERMINA O SEXO DO FETO QUE É CRIADO? 
Depois da formação do espermatozoide maduro, 
metade deles carrega em seu genoma o cromossomo X 
(o cromossomo feminino) e metade carrega o 
cromossomo Y (o cromossomo masculino). Portanto, 
se um cromossomo X de um espermatozoide 
combinar-se com o cromossomo X de um óvulo, 
gerando a combinação XX, nascerá uma criança do 
sexo feminino. Se o cromossomo Y do espermatozoide 
se combinar com o cromossomo X do óvulo, gerando a 
combinação XY, nascerá uma criança do sexo 
masculino. 
 
O TRANSPORTE DO OVO FERTILIZADO NA TROMPA DE 
FALÓPIO 
Depois de ocorrida a fertilização, normalmente são 
necessários outros 3 a 5 dias para o transporte do ovo 
fertilizado pelo restante da trompa de Falópio até a 
cavidade uterina. Esse transporte é feito, basicamente, 
pela fraca corrente de líquido na trompa, decorrente 
da secreção epitelial mais a ação do epitélio ciliado que 
reveste a trompa; os cílios sempre batem na direção do 
útero. Contrações fracas da trompa de Falópio também 
podem ajudar a passagem do ovo. 
As trompas de Falópio são revestidas de superfície 
criptoide rugosa, que impede a passagem do óvulo a 
despeito da corrente de líquido. Além disso, o istmo da 
trompa de Falópio (os últimos 2 centímetros antes da 
entrada da trompa no útero) permanece 
espasticamente contraído por cerca dos primeiros três 
dias após a ovulação. Depois desse tempo, a 
progesterona secretada cada vez mais rapidamente 
pelo corpo lúteo ovariano primeiro promove mais 
receptores de progesterona nas células do músculo liso 
da trompa de Falópio; em seguida, a progesterona 
ativa os receptores, exercendo um efeito de 
relaxamento tubular que permite a entrada do ovo no 
útero. 
Esse transporte lento do ovo fertilizado pela trompa 
de Falópio permite a ocorrência de diversos estágios de 
divisão celular antes que ele — agora denominado 
blastocisto, com cerca de 100 células — entre no útero. 
Durante esse tempo, as células secretoras da trompa 
de Falópio produzem grande quantidade de secreções 
usadas para nutrir o blastocisto em desenvolvimento. 
A IMPLANTAÇÃO DO BLASTOCISTO NO ÚTERO 
Depois de atingir o útero, o blastocisto em 
desenvolvimento, geralmente, permanece na cavidade 
uterina por mais 1 a 3 dias antes de se implantar no 
endométrio; assim, a implantação normalmente 
ocorre em torno do quinto ao sétimo dia depois da 
ovulação. Antes da implantação, o blastocisto obtém 
sua nutrição das secreções endometriais uterinas, 
denominadas “leite uterino”. 
A implantação resulta da ação de células 
trofoblásticas que se desenvolvem na superfície do 
blastocisto. Essas células secretam enzimas 
proteolíticas que digerem e liquefazem as células 
adjacentes do endométrio uterino. Parte do líquido e 
dos nutrientes liberados é transportada ativamente 
pelas mesmas células trofoblásticas no blastocisto, 
dando mais sustento ao crescimento. Uma vez tendo 
ocorrido a implantação, as células trofoblásticas e 
outras células adjacentes (do blastocisto e do 
endométrio uterino) proliferam rapidamente, 
formando a placenta e as diversas membranas da 
gravidez. 
 
NUTRIÇÃO INICIAL DO EMBRIÃO 
A progesterona secretada pelo corpo lúteo ovariano 
durante a última metade de cada ciclo sexual mensal 
tem efeito no endométrio uterino, convertendo as 
células do estroma endometrial em grandes células 
inchadas contendo quantidades extras de glicogênio, 
proteínas, lipídios e mesmo de alguns minerais 
necessários ao desenvolvimento do concepto (o 
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embrião e suas partes adjacentes ou membranas 
associadas). Então,quando o concepto se implanta no 
endométrio, a secreção contínua de progesterona faz 
com que as células endometriais inchem ainda mais e 
armazenem mais nutrientes. Essas células são agora 
chamadas células decíduas, e a massa total de células 
é denominada decídua. 
À medida que as células trofoblásticas invadem a 
decídua, digerindo-a e embebendo-a, os nutrientes 
armazenados na decídua são usados pelo embrião para 
crescimento e desenvolvimento. Na primeira semana 
após a implantação, esse é o único meio pelo qual o 
embrião consegue obter nutrientes; ele continua a 
obter pelo menos parte da sua nutrição, dessa forma, 
por até oito semanas, embora a placenta também 
comece a prover nutrição depois do 16 o dia após a 
fertilização (pouco mais de uma semana depois da 
implantação). O período trofoblástico da nutrição, 
gradualmente vai dando lugar à nutrição placentária. 
 
ANATOMIA E FUNÇÃO DA PLACENTA 
Enquanto os cordões trofoblásticos dos blastocistos 
estão se ligando ao útero, capilares sanguíneos 
crescem nos cordões do sistema vascular do novo 
embrião em formação. Em torno de 21 dias após a 
fertilização, o sangue também começa a ser bombeado 
pelo coração do embrião humano. Simultaneamente, 
sinusoides sanguíneos, supridos de sangue materno, 
desenvolvem-se em torno das partes externas dos 
cordões trofoblásticos. As células trofoblásticas enviam 
cada vez mais projeções, que se tornam vilosidades 
placentárias nas quais capilares fetais crescem. Assim, 
as vilosidades, carregando sangue fetal, são rodeadas 
por sinusoides que contêm sangue materno. 
Observe que o sangue fetal flui pelas duas artérias 
umbilicais, depois para os capilares das vilosidades e, 
finalmente, volta pela única veia umbilical para o feto. 
Ao mesmo tempo, o sangue materno flui de suas 
artérias uterinas para os grandes sinusoides maternos 
que circundam as vilosidades e, em seguida, volta para 
as veias uterinas da mãe. Há relação entre o sangue 
fetal de cada vilosidade placentária fetal e o sangue 
materno que circunda as partes exteriores da 
vilosidade na placenta totalmente desenvolvida. A área 
superficial total de todas as vilosidades da placenta 
madura é de apenas poucos metros quadrados — 
muitas vezes menor do que a área da membrana 
pulmonar nos pulmões. Contudo, nutrientes e outras 
substâncias atravessam essa membrana placentária 
basicamente por difusão, mais ou menos do mesmo 
modo como a difusão que ocorre através das 
membranas alveolares dos pulmões e das membranas 
capilares de outras partes do corpo. 
 
PERMEABILIDADE PLACENTÁRIA E CONDUTÂNCIA 
POR DIFUSÃO NA MEMBRANA 
A principal função da placenta é proporcionar difusão 
de nutrientes e oxigênio do sangue materno para o 
sangue do feto e difusão de produtos de excreção do 
feto de volta para a mãe. 
Nos primeiros meses de gravidez, a membrana 
placentária ainda é espessa porque não se desenvolveu 
completamente. Por conseguinte, sua permeabilidade 
é baixa. Além disso, a área superficial é pequena 
porque a placenta ainda não cresceu 
significativamente. Portanto, a condutância total por 
difusão é mínima, no primeiro momento. Por sua vez, 
mais tarde na gravidez, a permeabilidade aumenta 
devido ao afinamento das camadas de difusão da 
membrana e porque a área superficial se expande em 
muitas vezes, representando grande elevação na 
difusão placentária. 
Raramente, ocorrem “rupturas” na membrana 
placentária, o que permite que as células fetais passem 
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para a mãe, ou até menos comumente que as células 
maternas passem para o feto. Felizmente, é raro o feto 
sangrar gravemente na circulação materna devido a 
uma ruptura da membrana placentária. 
A Difusão de Oxigênio Através da Membrana 
Placentária. Quase os mesmos princípios de difusão de 
oxigênio através da membrana pulmonar são aplicados 
à difusão de oxigênio através da membrana 
placentária. O oxigênio, dissolvido no sangue dos 
grandes sinusoides maternos, passa para o sangue fetal 
por difusão simples, conduzido pelo gradiente de 
pressão do oxigênio do sangue materno para o sangue 
fetal. Perto do fim da gravidez, a média de pressão 
parcial de oxigênio (Po2) do sangue materno nos 
sinusoides placentários fica em torno de 50 mmHg, e a 
média de Po2 do sangue fetal, depois de oxigenado na 
placenta, é cerca de 30 mmHg. Portanto, o gradiente 
médio de pressão de difusão de oxigênio através da 
membrana placentária é de aproximadamente 20 
mmHg. 
Imagina-se como é possível que o feto obtenha 
oxigênio suficiente quando o sangue fetal que deixa a 
placenta tem Po2 de apenas 30 mmHg. Existem três 
razões por que essa Po2, mesmo baixa, seja ainda capaz 
de permitir que o sangue fetal transporte quase tanto 
oxigênio para os tecidos fetais quanto é transportado 
pelo sangue materno para seus tecidos. 
Em primeiro lugar, a hemoglobina do feto é 
basicamente hemoglobina fetal, tipo de hemoglobina 
sintetizada no feto antes do nascimento. A curva da 
hemoglobina fetal se desvia para a esquerda em 
relação à curva da hemoglobina materna. Isso significa 
que, com os níveis de Po2 mais baixos no sangue fetal, 
a hemoglobina fetal consegue carregar 20% a 50% mais 
oxigênio do que consegue a hemoglobina materna. 
Em segundo lugar, a concentração de hemoglobina 
do sangue fetal é aproximadamente 50% maior que a 
da mãe; assim, tratando-se de um fator ainda mais 
importante para intensificar a quantidade de oxigênio 
transportada aos tecidos fetais. 
Em terceiro lugar, o efeito Bohr, explicado em relação 
à troca de dióxido de carbono e oxigênio no pulmão, 
proporciona outro mecanismo de intensificação do 
transporte de oxigênio pelo sangue fetal. Ou seja, a 
hemoglobina consegue carregar mais oxigênio com um 
nível de PCO2 baixo do que consegue com um nível de 
PCO2 alto. O sangue fetal que entra na placenta carrega 
grande quantidade de dióxido de carbono, mas grande 
parte desse dióxido de carbono difunde-se do sangue 
fetal para o sangue materno. A perda de dióxido de 
carbono torna o sangue fetal mais alcalino, enquanto 
maior quantidade de dióxido de carbono no sangue 
materno o torna mais ácido. 
Essas mudanças fazem a capacidade de sangue fetal 
de se combinar com oxigênio aumentar e a de sangue 
materno diminuir, o que força ainda mais a saída do 
oxigênio do sangue materno, ao mesmo tempo em que 
intensifica a captação de oxigênio pelo sangue fetal. 
Assim, o desvio Bohr opera em uma direção no sangue 
materno e em outra direção no sangue fetal. Esses dois 
efeitos fazem com que o desvio Bohr seja duas vezes 
mais importante aqui do que a troca de oxigênio nos 
pulmões; portanto, chama-se duplo efeito Bohr. 
Por meio desses três mecanismos, o feto é capaz de 
receber mais do que a quantidade de oxigênio 
adequada através da membrana placentária, a 
despeito do fato de o sangue fetal que deixa a placenta 
ter PO2 de apenas 30 mmHg. 
A capacidade de difusão total de oxigênio de toda a 
placenta a termo é de aproximadamente 1,2 mililitro 
de oxigênio por minuto por milímetro de mercúrio de 
diferença de pressão de oxigênio pela membrana, um 
valor maior do que a difusão pulmonar dos pulmões do 
recém-nascido. 
 
A Difusão de Dióxido de Carbono Através da 
Membrana Placentária. O dióxido de carbono é 
formado continuamente nos tecidos do feto da mesma 
maneira que é formado nos tecidos maternos, e o 
único meio de excretar esse dióxido de carbono fetal é 
através da placenta para o sangue materno. A pressão 
parcial de dióxido de carbono (PCO2) do sangue fetal é 
2 a 3 mmHg maior que a do sangue materno. Esse 
pequeno gradiente pressórico do dióxido de carbono 
pela membrana é mais do que suficiente para permitir 
a difusão adequada do dióxido de carbono, porque a 
solubilidade extrema do dióxido de carbono na 
membrana placentária permite que elese difunda 
cerca de 20 vezes mais rápido que o oxigênio. 
Ana Beatriz Figuerêdo Almeida - Medicina 2022.2 
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A Difusão de Nutrientes Através da Membrana 
Placentária. Outros substratos metabólicos 
necessários ao feto se difundem no sangue fetal da 
mesma maneira que o oxigênio. Por exemplo, nos 
últimos estágios da gravidez, o feto usa mais glicose 
que todo o corpo da mãe. Para fornecer esse alto nível 
de glicose, as células trofoblásticas que revestem as 
vilosidades placentárias proporcionam difusão 
facilitada de glicose através da membrana placentária, 
ou seja, a glicose é transportada por moléculas 
transportadoras nas células trofoblásticas da 
membrana. Ainda assim, o nível de glicose no sangue 
fetal é 20% a 30% menor que no sangue materno. 
Devido à alta solubilidade dos ácidos graxos nas 
membranas celulares, eles também se difundem do 
sangue materno para o sangue fetal, porém mais 
lentamente do que a glicose, de modo que a glicose é 
usada mais facilmente pelo feto para sua nutrição. 
Além disso, substâncias como corpos cetônicos e íons 
potássio, sódio e cloreto se difundem com relativa 
facilidade do sangue materno para o sangue fetal. 
A Excreção de Resíduos Através da Membrana 
Placentária. Da mesma maneira que o dióxido de 
carbono se difunde do sangue fetal para o sangue 
materno, outros produtos excretores formados no feto 
também se difundem através da membrana 
placentária para o sangue materno e, então, são 
excretados em conjunto com os produtos excretores 
da mãe. Eles incluem especialmente os produtos 
nitrogenados não proteicos, como ureia, ácido úrico e 
creatinina. O nível de ureia no sangue fetal é apenas 
ligeiramente maior que o do sangue materno porque a 
ureia se difunde através da membrana placentária com 
grande facilidade. Entretanto, a creatinina, que não se 
difunde tão facilmente, tem concentração no sangue 
fetal consideravelmente maior que no sangue 
materno. Portanto, a excreção do feto depende, 
principalmente, se não de forma total, dos gradientes 
de difusão pela membrana placentária e sua 
permeabilidade. Como há concentrações mais 
elevadas de produtos excretores no sangue fetal do 
que no sangue materno, ocorre difusão contínua 
dessas substâncias do sangue fetal para o materno. 
FATORES HORMONAIS NA GRAVIDEZ 
Na gravidez, a placenta forma quantidades 
especialmente grandes de gonadotropina coriônica 
humana, estrogênios, progesterona e 
somatomamotropina coriônica humana, e as três 
primeiras, e provavelmente também a quarta, são 
essenciais à gravidez normal. 
A GONADOTROPINA CORIÔNICA HUMANA CAUSA 
PERSISTÊNCIA DO CORPO LÚTEO E EVITA A 
MENSTRUAÇÃO 
A menstruação normalmente ocorre em mulher não 
grávida cerca de 14 dias depois da ovulação, época em 
que grande parte do endométrio uterino descama-se 
da parede uterina e é expelido para fora do útero. Se 
isso ocorresse após a implantação do ovo, a gravidez 
seria terminada. Entretanto, essa descamação é 
evitada pela secreção de gonadotropina coriônica 
humana pelos tecidos embrionários em 
desenvolvimento. 
Simultaneamente ao desenvolvimento das células 
trofoblásticas do ovo recém-fertilizado, o hormônio 
gonadotropina coriônica humana é secretado pelas 
células trofoblásticas sinciciais para os líquidos 
maternos. A secreção desse hormônio pode primeiro 
ser medida no sangue, 8 a 9 dias após a ovulação, 
pouco depois do blastocisto se implantar no 
endométrio. Em seguida, a secreção aumenta 
rapidamente, atingindo nível máximo em torno de 10 a 
12 semanas de gestação e diminuindo novamente a 
valor mais baixo, por volta de 16 a 20 semanas, 
continuando nesse nível pelo restante da gravidez. 
A Função da Gonadotropina Coriônica Humana. A 
gonadotropina coriônica humana é uma glicoproteína 
com peso molecular aproximado de 39.000 e grande 
parte da mesma estrutura e função molecular do 
hormônio luteinizante secretado pela hipófise. A sua 
função mais importante é evitar a involução do corpo 
lúteo ao final do ciclo sexual feminino mensal. Em vez 
disso, faz com que o corpo lúteo secrete quantidades 
ainda maiores de seus hormônios sexuais — 
progesterona e estrogênios — pelos próximos meses. 
Esses hormônios sexuais impedem a menstruação e 
fazem com que o endométrio continue a crescer e 
armazenar grandes quantidades de nutrientes, em vez 
de se descamar em produto menstrual. Por 
conseguinte, as células semelhantes às células 
deciduais, que se desenvolvem no endométrio durante 
o ciclo sexual feminino normal, transformam-se, na 
verdade, em células deciduais verdadeiras — bastante 
inchadas e nutritivas — mais ou menos na mesma 
época em que o blastocisto se implanta. 
Sob a influência da gonadotropina coriônica, o corpo 
lúteo no ovário materno cresce para cerca de duas 
vezes seu tamanho inicial, por volta de um mês depois 
do início da gravidez. E sua secreção contínua de 
estrogênios e progesterona mantém a natureza 
decidual do endométrio uterino, o que é necessário 
para o desenvolvimento inicial do feto. 
Ana Beatriz Figuerêdo Almeida - Medicina 2022.2 
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Se o corpo lúteo for removido antes de 
aproximadamente sete semanas de gestação, quase 
sempre ocorrerá aborto espontâneo, às vezes até a 12ª 
semana. Depois dessa época, a placenta secreta 
quantidades suficientes de progesterona e estrogênios 
para manter a gravidez pelo restante do período 
gestacional. O corpo lúteo involui lentamente depois 
da 13ª a 17ª semana de gestação. 
A Gonadotropina Coriônica Humana Estimula a 
Produção de Testosterona pelos Testículos Fetais do 
Macho. A gonadotropina coriônica humana também 
exerce efeito estimulador das células intersticiais nos 
testículos do feto masculino, resultando na produção 
de testosterona em fetos masculinos até o nascimento. 
Essa pequena secreção de testosterona durante a 
gestação é que faz com que os órgãos sexuais 
masculinos cresçam no feto em vez de órgãos sexuais 
femininos. Perto do final da gestação, a testosterona 
secretada pelos testículos fetais também faz com que 
os testículos desçam para o saco escrotal. 
 
A SECREÇÃO DE ESTROGÊNIOS PELA PLACENTA 
A placenta, assim como o corpo lúteo, secreta tanto 
estrogênios quanto progesterona. Estudos 
histoquímicos e fisiológicos mostram que esses dois 
hormônios, como a maioria dos hormônios 
placentários, são secretados pelas células sinciciais 
trofoblásticas da placenta. 
Perto do final da gestação, a produção diária de 
estrogênios placentários aumenta em cerca de 30 
vezes o nível de produção materna normal. Entretanto, 
a secreção de estrogênios pela placenta é bem 
diferente da secreção pelos ovários. E, o mais 
importante, os estrogênios secretados pela placenta 
não são sintetizados de novo a partir de substratos 
básicos na placenta. Em vez disso, eles são formados 
quase inteiramente dos compostos esteroides 
androgênicos, desidroepiandrosterona e 16- 
hidroxidesidroepiandrosterona, formados tanto nas 
glândulas adrenais da mãe quanto nas glândulas 
adrenais do feto. Esses fracos androgênios são 
transportados pelo sangue para a placenta e 
convertidos pelas células trofoblásticas em estradiol, 
estrona e estriol. (Os córtices das glândulas adrenais do 
feto são extremamente grandes, e cerca de 80% 
consistem na chamada zona fetal, cuja função primária 
parece ser secretar desidroepiandrosterona durante a 
gravidez.) 
A Função do Estrogênio na Gravidez. Os estrogênios 
exercem basicamente função proliferativa na maioria 
dos órgãos reprodutores e anexos da mulher. Durante 
a gravidez, as quantidades extremas de estrogênios 
causam (1) aumento do útero materno; (2) aumento 
das mamas maternas e crescimento da estrutura dos 
ductos da mama; e (3) aumento da genitália externa 
feminina da mãe. 
Os estrogênios também relaxam os ligamentos 
pélvicos da mãe, assim as articulações sacroilíacas 
ficamrelativamente maleáveis; e a sínfise pubiana, 
elástica. Essas mudanças facilitam a passagem do feto 
pelo canal de parto. Existem fortes razões para 
acreditarmos que os estrogênios também afetam 
muitos aspectos gerais do desenvolvimento fetal 
durante a gravidez, como, por exemplo, a intensidade 
da reprodução celular no embrião inicial. 
A SECREÇÃO DE PROGESTERONA PELA PLACENTA 
A progesterona é também essencial para uma 
gravidez bem-sucedida; na verdade, é tão importante 
quanto o estrogênio. Além de ser secretada em 
quantidade moderada pelo corpo lúteo no início da 
gravidez, é secretada posteriormente em quantidades 
enormes pela placenta. 
Os efeitos especiais da progesterona, essenciais à 
progressão normal da gravidez, são os seguintes: 
1. A progesterona faz com que células deciduais se 
desenvolvam no endométrio uterino. Essas células têm 
papel importante na nutrição do embrião inicial. 
2. A progesterona diminui a contratilidade do útero 
grávido, evitando, assim, que contrações uterinas 
causem aborto espontâneo. 
3. A progesterona contribui para o desenvolvimento do 
concepto mesmo antes da implantação, pois 
especificamente aumenta as secreções das trompas de 
Falópio e do útero, proporcionando material nutritivo 
apropriado para o desenvolvimento da mórula (massa 
esférica, de 16 a 32 blastômeros, formada antes da 
blástula) e do blastocisto. Existem ainda razões para 
acreditarmos que a progesterona afeta a clivagem 
celular no embrião em desenvolvimento inicial. 
Ana Beatriz Figuerêdo Almeida - Medicina 2022.2 
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4. A progesterona, secretada durante a gravidez, ajuda 
o estrogênio a preparar as mamas da mãe para a 
lactação. 
SOMATOMAMOTROPINA CORIÔNICA HUMANA 
A somatomamotropina coriônica humana é um 
hormônio proteico com peso molecular de 
aproximadamente 22.000, que começa a ser secretada 
pela placenta em torno da quinta semana de gestação. 
A secreção desse hormônio aumenta 
progressivamente durante todo o restante da gravidez, 
em proporção direta ao peso da placenta. Embora as 
funções da somatomamotropina coriônica sejam 
incertas, ela é secretada em quantidade muitas vezes 
maior do que todos os outros hormônios da gravidez 
combinados. E tem também diversos possíveis efeitos 
importantes. 
Primeiro, quando administrada a diversos tipos de 
animais, a somatomamotropina coriônica humana 
causa pelo menos desenvolvimento parcial das mamas 
animais e, em alguns casos, causa lactação. Uma vez 
que esta foi sua primeira função a ser descoberta, o 
hormônio foi chamado primeiro lactogênio placentário 
humano, e acreditava-se que tinha funções 
semelhantes às da prolactina. Entretanto, tentativas de 
seu uso para promover a lactação em humanos não 
foram bem-sucedidas. 
Em segundo lugar, esse hormônio tem fracas ações, 
semelhantes às do hormônio do crescimento, 
causando a formação de tecidos proteicos, da mesma 
maneira como faz o hormônio do crescimento. Tem 
ainda estrutura química semelhante à do hormônio do 
crescimento, mas é preciso 100 vezes mais 
somatomamotropina coriônica humana do que 
hormônio do crescimento para promover o 
crescimento. 
Em terceiro lugar, a somatomamotropina coriônica 
humana diminui a sensibilidade à insulina e a utilização 
de glicose pela mãe, disponibilizando, assim, 
quantidades maiores de glicose ao feto. Como a glicose 
é o principal substrato usado pelo feto para fornecer 
energia ao seu crescimento, a possível importância 
desse efeito hormonal é óbvia. Ademais, o hormônio 
promove a liberação de ácidos graxos livres das 
reservas de gordura da mãe, assim, proporcionando 
essa fonte alternativa de energia para o metabolismo 
materno durante a gravidez. Portanto, parece que a 
somatomamotropina coriônica humana é um 
hormônio metabólico geral, com implicações 
nutricionais específicas tanto para a mãe quanto para 
o feto. 
 
Outros Fatores Hormonais na Gravidez: 
Quase todas as glândulas endócrinas não sexuais 
maternas reagem também de modo acentuado à 
gravidez, o que resulta basicamente do aumento da 
carga metabólica da mãe, mas também, até certo 
ponto, dos efeitos dos hormônios placentários na 
hipófise e outras glândulas. A seguir, são descritos 
alguns dos efeitos mais notáveis. 
Secreção Hipofisária. A hipófise anterior da mãe 
aumenta pelo menos 50% durante a gravidez e 
aumenta sua produção de corticotropina, tireotropina 
e prolactina. Por sua vez, a secreção hipofisária do 
hormônio foliculoestimulante e do hormônio 
luteinizante é quase totalmente suprimida, como 
consequência dos efeitos inibidores dos estrogênios e 
progesterona da placenta. 
Secreção de Corticosteroide Aumentada. A secreção 
adrenocortical de glicocorticoides fica, 
moderadamente, elevada durante a gravidez. É 
possível que esses glicocorticoides ajudem a mobilizar 
aminoácidos dos tecidos maternos, de maneira que 
possam ser usados na síntese de tecidos no feto. 
Geralmente, a gestante apresenta aumento de cerca 
de duas vezes na secreção de aldosterona, atingindo o 
pico no final da gravidez. Isto, em conjunto com as 
ações dos estrogênios, causa tendência, mesmo na 
gestante normal, de reabsorver o excesso de sódio de 
seus túbulos renais e, portanto, reter líquido, levando 
ocasionalmente à hipertensão induzida pela gravidez. 
Secreção da Glândula Tireoide Aumentada. A glândula 
tireoide materna aumenta, em geral, até 50% durante 
a gravidez e eleva sua produção de tiroxina em 
quantidade correspondente. A maior produção de 
tiroxina é causada pelo menos parcialmente por efeito 
tireotrópico da gonadotropina coriônica humana, 
secretada pela placenta e por pequenas quantidades 
do hormônio específico estimulante da tireoide, a 
tireotropina coriônica humana, também secretada 
pela placenta. 
Secreção da Glândula Paratireoide Aumentada. As 
glândulas paratireoides maternas geralmente 
aumentam durante a gravidez; esse aumento é, 
sobretudo, verdadeiro se a mãe estiver sob dieta 
deficiente em cálcio. O aumento dessas glândulas 
causa absorção de cálcio dos ossos maternos, 
mantendo, assim, a concentração normal de íons cálcio 
no líquido extracelular materno, mesmo quando o feto 
remove cálcio para ossificar seus próprios ossos. Essa 
secreção do hormônio paratireóideo é ainda mais 
intensificada durante a lactação após o nascimento do 
Ana Beatriz Figuerêdo Almeida - Medicina 2022.2 
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bebê, porque o bebê em crescimento requer mais 
cálcio do que o feto. 
Secreção de “Relaxina” pelos Ovários e pela Placenta. 
Outra substância além dos estrogênios e da 
progesterona, um hormônio denominado relaxina, é 
secretada pelo corpo lúteo do ovário e pelos tecidos 
placentários. Sua secreção aumenta por efeito 
estimulador da gonadotropina coriônica humana, ao 
mesmo tempo em que o corpo lúteo e a placenta 
secretam grande quantidade de estrogênios e 
progesterona. 
A relaxina é um polipeptídeo de 48 aminoácidos, com 
peso molecular aproximado de 9.000. Esse hormônio, 
quando injetado, causa relaxamento dos ligamentos da 
sínfise pubiana em cobaias e ratos em estro. Seu efeito 
é fraco ou possivelmente até mesmo ausente na 
gestante. Em vez disso, esse papel provavelmente é 
desempenhado basicamente pelos estrogênios, que 
também ocasionam relaxamento dos ligamentos 
pélvicos. Também já se afirmou que a relaxina amolece 
o colo uterino da gestante no momento do parto. 
Acredita-se ainda que a relaxina atue como 
vasodilatador, contribuindo para aumentar o fluxo 
sanguíneo em vários tecidos, entre os quais os rins, e 
aumentando o retorno venoso e o débito cardíaco 
durante a gravidez. 
A Resposta do Corpo Materno à Gravidez: 
A mais aparente dentre as diversas reações da mãe 
ao feto e os altos níveis de hormônios da gravidez é o 
aumento de tamanho dos vários órgãos sexuais. Por 
exemplo, o útero aumenta de aproximadamente 50 
gramas para 1.100gramas, e as mamas quase dobram 
de tamanho. Ao mesmo tempo, a vagina aumenta, e o 
introito se expande mais. Além disso, os diversos 
hormônios podem causar mudanças acentuadas na 
aparência da gestante, às vezes resultando no 
desenvolvimento de edema, acne e traços masculinos 
ou acromegálicos. 
O Ganho de Peso na Gestante. Em média, a gestante 
engorda durante a gravidez cerca de 11 kg a 15 kg, e 
grande parte desse ganho de peso ocorre nos últimos 
dois trimestres. Desse peso adicional, cerca de 3,5 kg 
são do feto e 2 kg do líquido amniótico da placenta e 
das membranas fetais. O útero aumenta perto de 1,3 
kg, e as mamas outro 1 kg, ainda restando aumento 
médio de peso de 3,4 kg a 7,8 kg. Cerca de 2 kg são 
líquido extra no sangue e no líquido extracelular, e 
geralmente o restante 1,3 kg a 5,6 kg é acúmulo de 
gordura. O líquido extra é eliminado na urina, nos 
primeiros dias após o parto, ou seja, depois da perda 
dos hormônios retentores de líquido da placenta. 
Durante a gravidez, a mulher normalmente sente 
mais vontade de comer, em parte como consequência 
da remoção de substratos alimentares do sangue 
materno pelo feto e em parte devido a fatores 
hormonais. Sem o controle pré-natal apropriado da 
dieta, o ganho de peso da mulher pode ser tão grande 
quanto 34 kg, em vez dos usuais 11 kg a 15 kg. 
O Metabolismo Durante a Gravidez. Como 
consequência de maior secreção de muitos hormônios 
durante a gravidez, incluindo a tiroxina, hormônios 
adrenocorticais e hormônios sexuais, o metabolismo 
basal da gestante aumenta cerca de 15% na última 
metade da gravidez. Por conseguinte, frequentemente 
ela tem sensações de calor excessivo. Além disso, 
devido à carga extra que ela está carregando, precisa 
despender mais energia do que o normal na atividade 
muscular. A Nutrição Durante a Gravidez Sem dúvida, 
o maior crescimento do feto ocorre durante o último 
trimestre de gestação; seu peso quase duplica nos 
últimos dois meses da gestação. Comumente, a mãe 
não absorve proteínas, cálcio, fosfato e ferro 
suficientes de sua dieta, nos últimos meses de 
gestação, para suprir essas necessidades extras do 
feto. Entretanto, antecipando tais necessidades extras, 
o corpo da mãe já trata de armazenar essas substâncias 
— parte na placenta, mas a maioria nos depósitos 
normais da mulher. 
Se os elementos nutricionais apropriados não 
estiverem presentes na dieta da gestante, pode 
ocorrer uma série de deficiências maternas, 
especialmente de cálcio, fosfatos, ferro e vitaminas. 
Por exemplo, o feto precisa de cerca de 375 miligramas 
de ferro para formar seu sangue, e a mãe precisa de 
outros 600 miligramas para formar seu próprio sangue 
extra. A reserva normal de ferro não ligado à 
hemoglobina na mulher, no início da gravidez, 
geralmente fica em torno de 100 miligramas e quase 
nunca acima de 700 miligramas. Por isso, sem ferro 
suficiente na dieta, a gestante, muitas vezes, 
desenvolve anemia hipocrômica. Além disso, é 
particularmente importante que ela receba vitamina D 
porque, embora a quantidade total de cálcio usada 
pelo feto seja pequena, o cálcio normalmente é mal 
absorvido pelo trato gastrointestinal materno, sem 
vitamina D. Por fim, pouco antes de o bebê nascer, 
geralmente acrescenta-se vitamina K à dieta materna, 
de maneira que o bebê tenha protrombina suficiente 
para evitar hemorragia, particularmente hemorragia 
cerebral causada pelo processo do parto. 
 
Ana Beatriz Figuerêdo Almeida - Medicina 2022.2 
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As Mudanças no Sistema Circulatório Materno 
Durante a Gravidez: 
O Fluxo de Sangue Através da Placenta e o Débito 
Cardíaco Materno Aumentam Durante a Gravidez. 
Cerca de 625 mililitros de sangue fluem através da 
circulação materna da placenta a cada minuto, no 
último mês de gravidez. Esse fluxo, mais o aumento 
geral do metabolismo materno, aumenta o débito 
cardíaco materno de 30% a 40% acima do normal, na 
27 a semana de gestação; então, por razões 
inexplicadas, o débito cardíaco diminui até pouco 
acima do normal durante as últimas oito semanas de 
gravidez, independentemente do elevado fluxo 
sanguíneo uterino, indicando que o fluxo sanguíneo 
noutros tecidos possa ser reduzido. 
O Volume de Sangue Materno Aumenta Durante a 
Gravidez. O volume de sangue materno pouco antes do 
termo é cerca de 30% acima do normal. Esse aumento 
ocorre, principalmente, durante a última metade da 
gravidez. A causa desse aumento de volume, 
provavelmente, é devido, pelo menos em parte, à 
aldosterona e aos estrogênios, que elevam muito 
durante a gravidez, e à maior retenção de líquido pelos 
rins. Além disso, a medula óssea fica cada vez mais 
ativa e produz hemácias extras circulantes no excesso 
de volume de líquido. Portanto, na época do 
nascimento do bebê, a mãe tem por volta de 1 a 2 litros 
de sangue extra no seu sistema circulatório. Cerca de 
apenas um quarto desse montante é, normalmente, 
perdido através de sangramento, durante o trabalho 
de parto do bebê, sendo assim um fator de segurança 
considerável para a mãe. 
 
A Respiração Materna Aumenta Durante a Gravidez. 
Devido ao aumento do metabolismo basal da gestante 
e por causa do aumento de tamanho da mãe, a 
quantidade total de oxigênio usado por ela, pouco 
antes do nascimento do bebê, é de aproximadamente 
20% acima do normal, e uma quantidade proporcional 
de dióxido de carbono é formada. Esses efeitos fazem 
com que a ventilação minuto da mãe aumente. 
Acredita-se também que os altos níveis de 
progesterona durante a gravidez elevem a ventilação 
minuto ainda mais, já que a progesterona aumenta a 
sensibilidade do centro respiratório ao dióxido de 
carbono. O resultado efetivo é o aumento da 
ventilação minuto de cerca de 50% e queda na PCO2 
arterial de vários milímetros de mercúrio, abaixo do 
que seria em uma mulher não grávida. 
Simultaneamente, o útero em crescimento pressiona 
os conteúdos abdominais para cima, fazendo pressão 
ascendente contra o diafragma; assim, a excursão total 
do diafragma diminui. Por conseguinte, a frequência 
respiratória aumenta para manter a ventilação extra. 
A Função Renal Materna Durante a Gravidez. A 
formação de urina na gestante geralmente é maior, 
devido ao aumento da ingestão de líquido e à maior 
carga de produtos excretores. Mas, além disso, várias 
alterações especiais ocorrem na função renal. 
Primeiro, a capacidade reabsortiva dos túbulos renais 
de sódio, cloreto e água aumenta até 50% em 
decorrência do aumento da produção de sal e água, 
que retêm hormônios, especialmente hormônios 
esteroides pela placenta e pelo córtex adrenal. 
Em segundo lugar, a filtração glomerular e o fluxo 
sanguíneo renal aumentam até 50% durante a gravidez 
normal devido à vasodilatação renal. Embora os 
mecanismos que causem essa vasodilatação renal na 
gravidez ainda não sejam claros, alguns estudos 
sugerem que os níveis elevados de óxido nítrico ou do 
hormônio ovariano relaxina podem contribuir para 
essas alterações. A filtração glomerular aumentada 
provavelmente ocorre, pelo menos em parte, como 
compensação pela maior reabsorção tubular de sal e 
água. Assim, a gestante normal acumula, em geral, 
apenas 2,2 kg de água e sal extras. 
Líquido Amniótico e sua Formação. Normalmente, o 
volume de líquido amniótico (o líquido dentro do útero 
no qual o feto flutua) fica entre 500 mililitros e 1 litro, 
mas pode ser de até poucos milímetros ou vários litros. 
Estudos com isótopos sobre a formação do líquido 
amniótico mostram que, em média, a água no líquido 
amniótico é substituída a cada 3 horas, e os eletrólitos 
sódio e potássio são repostos em média uma vez a cada 
15 horas. Grande porção do líquido deriva da excreção 
renal do feto. Da mesma maneira, determinada 
quantidade de absorção ocorre por meio do trato 
gastrointestinal e dos pulmões do feto. Entretanto, 
mesmo depois da morte intrauterinado feto, ainda se 
observa a presença de renovação de líquido amniótico, 
indicando que parte do líquido é formada e absorvida 
diretamente através das membranas amnióticas. 
Pré-eclâmpsia e Eclâmpsia 
Cerca de 5% de todas as gestantes apresentam 
hipertensão induzida pela gravidez, que é um rápido 
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aumento da pressão arterial em níveis hipertensivos 
nos últimos meses de gravidez. Isso também está 
associado à perda de grande quantidade de proteína 
na urina. Essa condição é denominada pré-eclâmpsia 
ou toxemia gravídica e se caracteriza por retenção 
excessiva de sal e água pelos rins maternos e pelo 
ganho de peso e desenvolvimento de edema e 
hipertensão na mãe. Além disso, há comprometimento 
da função do endotélio vascular, ocorrendo espasmo 
arterial em muitas partes do organismo materno, mais 
particularmente nos rins, cérebro e fígado. Tanto o 
fluxo sanguíneo renal quanto a filtração glomerular são 
menores, exatamente em oposição às mudanças que 
ocorrem nas gestantes normais. Esses efeitos renais 
incluem ainda espessamento dos tufos glomerulares, 
contendo depósito proteico nas membranas basais. 
Várias tentativas já foram feitas para provar que a 
pré-eclâmpsia é causada pela secreção excessiva de 
hormônios placentários ou adrenais, mas ainda não há 
provas de base hormonal. Outra teoria é que a pré-
eclâmpsia resulta de algum tipo de autoimunidade ou 
alergia na mulher causada pela presença do feto. Em 
apoio a essa hipótese, os sintomas agudos 
normalmente desaparecem poucos dias depois do 
nascimento do bebê. 
Há ainda evidências de que a pré-eclâmpsia seja 
desencadeada por suprimento insuficiente de sangue à 
placenta, resultando na liberação pela placenta de 
substâncias que causam disfunção difusa do endotélio 
vascular materno. Durante o desenvolvimento 
placentário normal, os trofoblastos invadem as 
arteríolas do endométrio uterino e remodelam 
inteiramente as arteríolas maternas em grandes vasos 
sanguíneos com baixa resistência ao fluxo de sangue. 
Em mulheres com pré-eclâmpsia, as arteríolas 
maternas não apresentam essas alterações 
adaptativas, por razões que ainda não estão claras, e 
não ocorre fornecimento de sangue suficiente à 
placenta. Isso, por sua vez, faz com que a placenta 
libere diversas substâncias que entram na circulação 
materna e comprometem a função endotelial vascular, 
causam menor fluxo de sangue aos rins, excesso de 
retenção de sal e água e aumento da pressão 
sanguínea. 
Muito embora os fatores que ligam o menor 
fornecimento sanguíneo placentário à disfunção do 
endotélio materno ainda sejam incertos, alguns 
estudos experimentais sugerem um papel para os 
níveis elevados de citocinas inflamatórias como o fator 
de necrose tumoral a e a interleucina 6. Os fatores 
placentários que impedem a angiogênese (crescimento 
de vasos sanguíneos) também têm mostrado 
contribuição no aumento de citocinas inflamatórias e 
pré-eclâmpsia. Por exemplo, as proteínas 
antiangiogênicas tirosina cinases relacionadas a fms 
solúvel 1 (s-Flt-1) e endoglina solúvel estão 
aumentadas no sangue de mulheres com pré-
eclâmpsia. Essas substâncias são liberadas pela 
placenta para a circulação materna em resposta à 
isquemia e hipoxia da placenta. A endoglina solúvel e 
as s-Flt-1 têm efeitos múltiplos que podem 
comprometer a função do endotélio vascular materno 
e resultam em hipertensão, proteinúria e as outras 
manifestações sistêmicas da pré-eclâmpsia. Porém, o 
papel preciso de vários fatores liberados pela placenta 
isquêmica que causam as múltiplas anormalidades nas 
mulheres com pré-eclâmpsia ainda é incerto. 
Eclâmpsia é um grau extremo de pré-eclâmpsia, 
caracterizada por espasmo vascular por todo o corpo; 
convulsões clônicas na mãe, às vezes seguidas por 
coma; grande redução do débito renal; disfunção 
hepática; geralmente hipertensão grave; e toxemia 
generalizada. Geralmente, ocorre pouco antes do 
nascimento do bebê. Sem tratamento, uma grande 
porcentagem de gestantes eclâmpticas falece. 
Entretanto, com o uso imediato e adequado de agentes 
vasodilatadores de ação rápida para reduzir a pressão 
arterial aos níveis normais, seguido pela interrupção 
imediata da gravidez (por cesariana, se necessário), a 
mortalidade, mesmo em gestantes eclâmpticas, tem 
sido reduzida a 1% ou menos. 
2) CARACTERIZAR AS MODIFICAÇÕES PSICOLÓGICAS 
MATERNAS DURANTE ESTE PERÍODO; 
OS FATORES EMOCIONAIS DURANTE A GESTAÇÃO 
Considerar a importância de entender a gestação e 
seus fatores emocionais para saúde da mulher, deve 
ser levado em consideração para que novas evidências 
fossem descobertas e mostradas aos profissionais da 
saúde, para que criassem grupos de apoio voltado para 
as gestantes, tendo em vista ajuda-las a passar por esse 
momento. 
No que refere as emoções, elas permeiam por meio 
das experiências, pois o núcleo das avaliações é regido 
de acordo com as experiências vivenciadas. As 
emoções possuem um papel significativo na gravidez 
uma vez que todo o relacionamento familiar é 
norteado por novas atitudes e responsabilidades, 
sendo estabelecidas no casal, as funções maternas e 
paternas. Os pais se percebem vulneráveis 
emocionalmente, sendo vivenciada uma mudança no 
papel social. 
A gestação e os fatores emocionais afetam o binômio 
mãe e bebê, essas vivencias de emoções geradas 
durante o processo da gestação podem acarretar um 
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desequilíbrio psicológico alterando as emoções e 
assim, podendo haver complicações no parto. 
De que modo os fatores emocionais podem trazer 
complicações durante a gestação tanto para mãe 
quanto para o bebê? 
Durante o período gestacional ocorrem muitas 
alterações no comportamento e nos sentimentos da 
gestante. É importante verificar se ocorrem sintomas 
depressivos, ansiosos ou estressantes, que são 
detalhes fundamentais para a saúde não apenas da 
mãe, mas do bebê que está por vir”. 
Contudo, as pesquisas revelam o quanto a depressão, 
ansiedade e a irritação tem sido maléficas para a saúde 
da gestante, suas relações intrafamiliares e inclusive 
com o neonato. Com isso, acaba ficando difícil 
estabelecer o vínculo entre a mãe e o bebê, o que 
desencadeia um prejuízo no desenvolvimento do bebê 
em diversos pontos. 
No que se refere a característica da ansiedade 
segundo o DSM-5 (Manual de Diagnósticos em Saúde 
Mental de 2014) a ansiedade é o transtorno que 
possuem características de medo e ansiedade em 
excesso como perturbação nos comportamentos 
relacionados. O medo é emocional, posta como uma 
resposta a ameaça real ou mesmo percebida, já a 
ansiedade é o posto como uma antecipação de uma 
ameaça futura. Estes dois estados se põem no qual o 
medo é frequente e permeia por um período que 
aumenta seja para luta ou mesmo par fuga, onde os 
pensamentos de perigo, onde a ansiedade está mais 
associada pela tensão muscular e um preparo por um 
perigo que venha a acorrer no futuro, onde a um 
comportamento de cautela. 
Já a característica da depressão segundo o DSM-5 
(2014) “é a presença de humor triste, vazio ou irritável, 
acompanhado de alterações somáticas e cognitivas 
que afetam significativamente a capacidade de 
funcionamento do indivíduo”. 
Ao comparar o estresse antes e depois o parto, as 
evidências nos mostram que o estresse é significativo e 
mais frequente por volta dos três últimos meses da 
gestação do que depois da fase do puerpério. Sendo 
que no puerpério as mulheres apresentam o estresse 
de forma menos acentuada do que na gestação, mas 
ainda assim um número significativo de gestantes se 
mostram estressadas. 
O estresse é definido por BVS (2015) como uma 
resposta normal do organismo, e que acontece quando 
experienciamos em ocasiões de risco. Esse recurso nos 
conduz para sermos cautelosos e atentos,desencadeando mudanças psíquicas e físicas. Essa 
resposta ao estresse é um comportamento orgânico 
imprescindível para a adequação a eventos novos. 
Uma das grandes ansiedades neste tempo está ligada 
à lactação, se terá ou não leite materno. A 
tranquilidade, segurança e equilíbrio ajudam no 
aleitamento, já o pavor, depressão, angústia, exaustão 
e ansiedade consegue gerar a frustação. Um espaço 
promissor que passe proteção e incentivo é importante 
à esta nova mãe. 
As alterações fisiológicas ocorridas durante a 
gravidez sejam elas sutis ou marcantes, estão entre as 
mais acentuadas que o corpo humano pode sofrer, 
gerando medos, dúvidas, angústias, fantasias ou 
simplesmente curiosidade em relação as 
transformações ocorridas no corpo. Durante o segundo 
e terceiro mês dá-se a formação da placenta que 
também gera algumas ansiedades. A ansiedade 
perante a percepção dos movimentos aparece 
conscientemente de várias maneiras: temor ao filho 
disforme, medo de morrer no parto. 
Durante a gravidez, 10% a 15% de todas as mulheres 
vivenciam sintomas de ansiedade e depressão leves a 
moderados. Os sintomas, em geral, são semelhantes 
aos que ocorrem na depressão em qualquer outro 
período da vida da mulher, tais como falta de apetite e 
de energia e sentimento de culpa. Além do sofrimento 
para a própria mulher, essas manifestações podem 
interferir no processo adequado de desenvolvimento 
fetal, aumentam o risco de eventos adversos na 
gestação para mãe e o feto como pré-eclâmpsia, 
podendo associar se a resultados obstétricos 
desfavoráveis como parto prematuro e baixo peso ao 
nascer. A depressão pode persistir no período pós-
parto comprometendo o comportamento parental, o 
relacionamento com o parceiro e familiares, o processo 
de formação do vínculo entre mãe e filho, o 
desenvolvimento cognitivo, motor e psicossocial da 
criança. 
Conforme o grau, as mudanças tendem a provocar 
graves prejuízos na relação sociável da mulher, 
surgindo questões sérias de convívio, prejudicando e, 
em alguns eventos, até afastar a grávida dos convívios 
sociais, por exemplo no emprego, podendo intervir em 
seu rendimento. 
Um dos sintomas que inicialmente surge na grávida é 
a hipersonia: que é a necessidade em dormir mais que 
o normal, pois o prolongamento do sono revela como 
uma defesa em negação dos impulsos tanto interno 
quanto externo, propondo ao corpo um repouso a 
mais, sendo fundamental para este processo que está 
iniciando. As mudanças físicas são existentes e variadas 
os seios aumentam, a ânsias de vômito, vontades, 
indisposição e formas alteradas do corpo. 
É o virar mãe que faz com que a mulher comece a 
deixar esta condição, para participar da qual ela 
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determinou para si, participando então de seus outros 
planos pessoais de mulher. Pois é neste momento em 
que precisa estar amparada pelo apoio grupal, que 
determina o estado e saúde da mulher. 
O VÍNCULO ENTRE A MÃE-FILHO NA GESTAÇÃO 
Ter o primeiro filho é uma fase da gestação em que 
se revela por meio das relações expostas durante este 
período, ter seu primogênito é uma nova fase que 
inicia para a mulher, em que é manifestado diversas 
sensações, criando, várias incertezas e os próprios 
desejos. 
Nos primeiros três meses, a gestante passa por um 
turbilhão de sentimentos como dúvidas, felicidade, 
ansiedade, e algumas vezes se desfaz do bebê e da 
ideia de estar grávida. Na fase dos seis meses, a grávida 
já consegue sentir o feto movimentando-se, e assim 
tendo uma labilidade em suas emoções, pois então ela 
fica convicta de sua realidade e de que há uma vida ali 
dentro, que tem um vínculo muito forte com ela. Nos 
últimos meses a chegada da hora do nascimento do 
bebê quando a mãe fica mais ansiosa para a chegada, 
e junto vem as mudanças de hábitos decorrentes disso, 
como a vida sexual da mulher, a assistência e atenção 
que tem que dar para o recém-nascido, sua vida 
pessoal e todos os outros fatores como sociais e suas 
relações. 
Perante as exposições manifestadas e ocorridas 
durante o período gravídico, e diante do primeiro filho, 
há também alterações psicológicas, uma vez que a 
mulher gestante procura compreender sua nova 
imagem. Esse fato histórico é observado e bem 
evidenciado nas primigestas”. Na maternidade 
ocorrem variações de sentimentos nos vínculos 
expostos na família, na alegria dos cônjuges e das 
crianças. 
Diante destas manifestações que ocorrem nesta fase 
da gestação, o vínculo que se estabelece entre mãe e 
bebê, são carências psíquicas e corporais dele, e que 
irão proporcionar ao bebê, aconchego e segurança. 
Com isso, entende-se que a mãe é a fonte mais segura 
para a criação das vinculações iniciais da criança, que 
refletirão posteriormente em suas relações com o 
meio. 
O vínculo afetivo entre a mãe e o feto, na gestação, é 
fundamental. Tanto a mãe quanto o feto possuem 
necessidades de adaptação às mudanças, a construção 
do vínculo materno-filial pode contribuir para a 
satisfação dessas necessidades”. 
O cuidado afetivo reflete ao bem-estar relacionado 
aos pensamentos e sonhos que contorna o bebê, ao 
convívio indireto e a relação com feto. A realidade da 
gestante em mostrar a alegria e a euforia por hábitos 
como acariciar a barriga e falar com o neném, indica o 
tamanho do cuidado materno-fetal. 
A preparação da gestante para o parto, assim como o 
acompanhamento do desenvolvimento do ciclo 
gravídico, é extremamente importante para mãe e 
bebê, pois além de evitar problemas clínicos também 
pode atuar em nível de tratamento quando necessário. 
A saúde psíquica da criança recebe influência direta 
na qualidade do vínculo entre eles estabelecido. Por 
isso, a relação entre ambos tem que ser afetuosa, 
íntima, e de forma continuada, proporcionando 
satisfação e bem-estar para os dois. No entanto, não 
ocorre de forma imediata e impulsiva. É um 
desenvolvimento, que começa no período inicial da 
gravidez, que a criança a qual ela imagina faz parte 
cada vez mais da rotina da mãe, sendo formado por 
ilusões, anseios, sonhos e ideais de se tornar mãe. A 
maneira como a mãe entende seu apego com o bebê 
se reflete na maneira que ela entende e atende as 
carências dele. Sendo assim, as relações entre os pais 
influenciam na essência do vínculo construído pelo 
bebê desde seu nascer. 
A gestação é com certeza uma fase bem complicada 
na vida da mulher, sendo uma ocasião que se cerca de 
alterações profundas, que tem como características 
mudanças no corpo, na mente e no meio social. O 
momento pós-nascimento do bebê é considerado 
como um período no qual o sofrer psíquico pode 
desencadear uma depressão, dando origem então à 
DPP (depressão pós-parto), que evidencia-se de uma 
forma intensa e variável, sendo um fator dificultoso 
para a formação segura de um vínculo entre mãe-bebê, 
podendo então interferir futuramente nos seus 
convívios interpessoais. 
Sobre o foco de um bebê recém-nascido, sabe-se da 
importância do afeto e do contato constante vindo da 
mãe, que é a figura no qual o bebê formará suas 
primeiras relações de apego, e que podem garantir e 
propiciar a construção de seus aspectos 
biopsicoafetivos. Se opondo ao que se era discutido 
nos séculos passados, os bebês, ao nascer, não são 
carentes de experiências sensitivas; eles já nascem com 
uma certa quantidade de sistema comportamental, 
onde eles podem ficar evidentes através de estímulos, 
como o contato pelo tato, o contato visual, as 
conversas e o reconhecimento das vozes, o cheiro da 
mãe, e o momento da amamentação. 
Durante anos, houve uma necessidade de analisar a 
saúde mental das grávidas por meio sistematizado, 
onde atenção era quase nenhuma, pelo fato de haver 
uma convicção de que é uma fase gravídica do 
aconchego e por um reconhecimento dos especialistas 
de que os transtornospsicóticos ocorre no pós-parto, 
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e assim tendo uma necessidade de internação. É 
preciso que haja um reconhecimento antecipado de 
sinais depressivos diante da gestação, pois 
proporcionará uma ajuda para análise de risco e 
urgência de encaminhamento, oferecendo ações 
adequadas e soluções materno-infantil próprios. 
As condições que surgem durante este período 
gestacional, ocorrem por motivos de diversos meios 
psicossociais, pois é nessa fase que há uma importância 
de um amparo por programas sociais, que contribui 
para uma melhor gestação e assim melhorar a 
qualidade em sua saúde. Assim, é viável que os 
programas atendam por meio de grupos de apoio as 
gestantes, atendimento esse voltado para a classe 
média e a comunidade em geral, onde existe uma 
necessidade de um amparo social. Ter um apoio social 
durante a vivência é essencial para amortecer tais 
acontecimentos que há no dia a dia, ainda mais no 
período que há transformações psicossociais, como 
também fisiológica, que é o fato da gravidez. 
O apoio sendo um fator importante para a gestante, 
o apoio emocional do companheiro e o apoio familiar 
podem contribuir para reduzir os estressores e 
proporcionar gravidez mais tranquila. A qualidade do 
vínculo da gestante é muito importante e pode 
funcionar como amortecedor decorrentes das 
mudanças dessa fase. 
O companheiro ao aceitar o bebê é significativo para 
que haja o desenvolver do apego da mãe com o bebê. 
Sua contribuição se dá, por meio à mulher na 
harmonização dos conflitos ocorridos na infância e que 
envolve o meio maternal. Pois, é perante a gravidez, 
que o envolvimento do pai deve ser visado de um 
modo peculiar, sendo que este vínculo entre o lado 
paterno e o bebê é de forma indireta, pois à uma 
mediação feita pela mãe. 
O apoio às gestantes ocorre através do programa de 
humanização, pois é perante o pré-natal que à uma 
ajuda em uma melhoria na saúde das gestantes. A 
humanização privilegia o bem-estar da mulher e do 
bebê ao considerar os processos fisiológicos, 
psicológicos e o contexto sociocultural, caracterizado 
pelo acompanhamento contínuo de gestação e 
parturição”. 
A melhor compreensão de suporte social e diversas 
causas com relação a depressão em gestantes, é de 
grande interesse na procura de métodos para a 
implantação de políticas de acompanhamento 
materno-infantil pelo Brasil. Assim, é importante 
compreender sobre esse conteúdo, através de 
pesquisas que ajudem melhorar a metodologia como a 
aplicação de instrumentos exclusivos e reconhecidos, 
para analisar ansiedade e a depressão, como também 
outras causas de riscos e índices representativos, além 
de lugares onde é possível acolher gestantes com 
gravidez ameaçada, diminuindo os tipos de seleção. 
3) DESCREVER O PRÉ-NATAL DE ACORDO COM AS 
ORIENTAÇÕES DO MINISTÉRIO DA SAÚDE, SUA 
IMPORTÂNCIA E PERIODICIDADE; 
O objetivo do acompanhamento pré-natal é 
assegurar o desenvolvimento da gestação, permitindo 
o parto de um recém-nascido saudável, sem impacto 
para a saúde materna, inclusive abordando aspectos 
psicossociais e as atividades educativas e preventivas. 
Talvez o principal indicador do prognóstico ao 
nascimento seja o acesso à assistência pré-natal. Os 
cuidados assistenciais no primeiro trimestre são 
utilizados como um indicador maior da qualidade dos 
cuidados maternos. 
Se o início precoce do pré-natal é essencial para a 
adequada assistência, o número ideal de consultas 
permanece controverso. Segundo a Organização 
Mundial da Saúde (OMS), o número adequado seria 
igual ou superior a 6 (seis). Pode ser que, mesmo com 
um número mais reduzido de consultas (porém, com 
maior ênfase para o conteúdo de cada uma delas) em 
casos de pacientes de baixo risco, não haja aumento de 
resultados perinatais adversos. Atenção especial 
deverá ser dispensada às grávidas com maiores riscos. 
As consultas deverão ser mensais até a 28ª semana, 
quinzenais entre 28 e 36 semanas e semanais no 
termo. Não existe alta do pré-natal. 
Quando o parto não ocorre até a 41º semana, é 
necessário encaminhar a gestante para a avaliação do 
bem-estar fetal, incluindo avaliação do índice do 
líquido amniótico e monitoramento cardíaco fetal. 
Estudos clínicos randomizados demonstram que a 
conduta de induzir o trabalho de parto em todas as 
gestantes com 41 semanas de gravidez é preferível à 
avaliação seriada do bem-estar fetal, pois se observou 
menor risco de morte neonatal e perinatal e menor 
chance de cesariana no grupo submetido à indução do 
parto com 41 semanas. 
10 PASSOS PARA O PRÉ-NATAL DE QUALIDADE NA 
ATENÇÃO BÁSICA 
1° PASSO: Iniciar o pré-natal na Atenção Primária à 
Saúde até a 12ª semana de gestação (captação 
precoce); 
2° PASSO: Garantir os recursos humanos, físicos, 
materiais e técnicos necessários à atenção pré-natal; 
3° PASSO: Toda gestante deve ter assegurado a 
solicitação, realização e avaliação em termo oportuno 
do resultado dos exames preconizados no 
atendimento pré-natal; 
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4° PASSO: Promover a escuta ativa da gestante e de 
seus(suas) acompanhantes, considerando aspectos 
intelectuais, emocionais, sociais e culturais e não 
somente um cuidado biológico: "rodas de gestantes"; 
5° PASSO: Garantir o transporte público gratuito da 
gestante para o atendimento pré-natal, quando 
necessário; 
6° PASSO: É direito do(a) parceiro(a) ser cuidado 
(realização de consultas, exames e ter acesso a 
informações) antes, durante e depois da gestação: 
"pré-natal do(a) parceiro(a)"; 
7° PASSO: Garantir o acesso à unidade de referência 
especializada, caso seja necessário; 
8° PASSO: Estimular e informar sobre os benefícios do 
parto fisiológico, incluindo a elaboração do "Plano de 
Parto"; 
9° PASSO: Toda gestante tem direito de conhecer e 
visitar previamente o serviço de saúde no qual irá dar 
à luz (vinculação); 
10° PASSO: As mulheres devem conhecer e exercer os 
direitos garantidos por lei no período gravídico-
puerperal. 
No contexto da assistência integral à saúde da 
mulher, a assistência pré-natal deve ser organizada 
para atender às reais necessidades da população de 
gestantes, mediante a utilização dos conhecimentos 
técnico-científicos existentes e dos meios e recursos 
disponíveis mais adequados para cada caso. 
As ações de saúde devem estar voltadas para a 
cobertura de toda a população-alvo da área de 
abrangência da unidade de saúde, assegurando 
minimamente 6 (seis) consultas de pré-natal e 
continuidade no atendimento, no acompanhamento e 
na avaliação do impacto destas ações sobre a saúde 
materna e perinatal. 
Para uma assistência pré-natal efetiva, deve-se 
procurar garantir: 
• Discussão permanente com a população da 
área (em especial com as mulheres) sobre a 
importância da assistência pré-natal na unidade de 
saúde e nas diversas ações comunitárias; 
• Identificação precoce de todas as gestantes na 
comunidade e o pronto início do acompanhamento 
pré-natal, para que tal início se dê ainda no 1º trimestre 
da gravidez, objetivando intervenções oportunas em 
todo o período gestacional, sejam elas preventivas 
e/ou terapêuticas. Deve-se garantir a possibilidade de 
que as mulheres realizem o teste de gravidez na 
unidade de saúde sempre que necessário. O início 
precoce da assistência pré-natal e sua continuidade 
requerem preocupação permanente com o vínculo 
entre os profissionais e a gestante, assim como com a 
qualidade técnica da atenção; 
• Acolhimento imediato e garantia de 
atendimento a todos os recém-natos e à totalidade das 
gestantes e puérperas que procurarem a unidade de 
saúde; 
• Realização do cadastro da gestante, após 
confirmada a gravidez, por intermédio do 
preenchimento da ficha de cadastramento do 
SisPreNatal ou diretamente no sistema para os serviçosde saúde informatizados, fornecendo e preenchendo o 
Cartão da Gestante; 
• Classificação do risco gestacional (em toda 
consulta) e encaminhamento, quando necessário, ao 
pré-natal de alto risco ou à urgência/emergência 
obstétrica; 
• Acompanhamento periódico e contínuo de 
todas as gestantes, para assegurar seu seguimento 
durante toda a gestação, em intervalos 
preestabelecidos (mensalmente, até a 28ª semana; 
quinzenalmente, da 28ª até a 36ª semana; 
semanalmente, no termo), acompanhando-as tanto 
nas unidades de saúde quanto em seus domicílios, bem 
como em reuniões comunitárias, até o momento do 
pré-parto/parto, objetivando seu encaminhamento 
oportuno ao centro obstétrico, a fim de evitar 
sofrimento fetal por pós-datismo. Toda gestante com 
41 semanas deve ser encaminhada para a avaliação do 
bem-estar fetal, incluindo avaliação do índice do 
líquido amniótico e monitoramento cardíaco fetal; 
• Incentivo ao parto normal e à redução da 
cesárea; 
• Realização de anamnese, exame físico e 
exames complementares indicados; 
• Imunização antitetânica e para hepatite B; 
• Oferta de medicamentos necessários (inclusive 
sulfato ferroso, para tratamento e profilaxia de 
anemia, e ácido fólico, com uso recomendado desde o 
período pré-concepcional e durante o primeiro 
trimestre de gestação); 
• Diagnóstico e prevenção do câncer de colo de 
útero e de mama; 
• Avaliação do estado nutricional e 
acompanhamento do ganho de peso no decorrer da 
gestação; 
• Atenção à adolescente conforme suas 
especificidades; 
• Realização de práticas educativas, abordando 
principalmente: (a) o incentivo ao aleitamento 
materno, ao parto normal e aos hábitos saudáveis de 
vida; (b) a identificação de sinais de alarme na gravidez 
e o reconhecimento do trabalho de parto; (c) os 
cuidados com o recém-nascido; (d) a importância do 
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acompanhamento pré-natal, da consulta de puerpério 
e do planejamento familiar; (e) os direitos da gestante 
e do pai; (f) os riscos do tabagismo, do uso de álcool e 
de outras drogas; e (g) o uso de medicações na 
gestação. Tais práticas podem ser realizadas de forma 
individual ou coletiva, por meio de grupos de 
gestantes, sala de espera, intervenções comunitárias 
etc.; 
• Identificação do risco de abandono da 
amamentação e encaminhamento da gestante aos 
grupos de apoio ao aleitamento materno e/ou ao 
banco de leite humano (BLH) de referência; 
• Oferta de atendimento clínico e psicológico à 
gestante vítima de violência, seja esta de qualquer tipo 
(doméstica, física, sexual, psicológica etc.), seja àquela 
em risco de depressão pós-parto, referenciando-a para 
equipes especializadas e/ou encaminhamento para 
serviços específicos, conforme fluxograma local; 
• Visita domiciliar às gestantes e puérperas, 
principalmente no último mês de gestação e na 
primeira semana após o parto, com o objetivo de 
monitorar a mulher e a criança, orientar cuidados 
adequados, identificar possíveis fatores de risco e 
realizar os encaminhamentos necessários; 
• Busca ativa das gestantes faltosas ao pré-natal 
e à consulta na primeira semana após o parto; 
• Sistema eficiente de referência e 
contrarreferência, objetivando garantir a continuidade 
da assistência pré-natal (em todos os níveis do sistema 
de saúde) para todas as gestantes, conforme a 
exigência de cada caso. Toda gestante encaminhada 
para um diferente serviço de saúde deverá levar 
consigo o Cartão da Gestante, bem como informações 
sobre o motivo do encaminhamento e os dados clínicos 
de interesse. Da mesma forma, deve-se assegurar o 
retorno da gestante à unidade básica de origem, que 
está de posse de todas as informações necessárias para 
o seu seguimento; 
• Vinculação das unidades básicas de saúde 
(UBS) aos hospitais, às maternidades, às casas de parto, 
às residências de parto domiciliar (feito por parteira) 
de referência e aos serviços diagnósticos, conforme 
definição do gestor local, além do registro do nome do 
hospital ou da maternidade ou da casa de parto ou das 
residências de parto domiciliar no Cartão da Gestante. 
Deve-se informar à gestante a possibilidade de realizar 
uma visita ao serviço de saúde onde provavelmente se 
realizará o parto e, caso seja de seu interesse, agendar 
a visita por volta do sexto mês de gestação. Toda 
gestante deve ser orientada a procurar o referido 
serviço quando apresentar intercorrências 
clínicas/obstétricas ou quando estiver em trabalho de 
parto; 
• Vinculação à central de regulação obstétrica e 
neonatal, quando existente, de modo a garantir a 
internação da parturiente e do recém-nascido nos 
casos de demanda excedente; 
• Transferência da gestante e/ou do neonato em 
transporte adequado (Samu), mediante vaga 
assegurada em outra unidade, quando necessário; 
• Atendimento às intercorrências obstétricas e 
neonatais, assim como controle de doenças crônicas e 
profilaxia de doenças infecciosas; 
• Registro das informações em prontuário, no 
Cartão da Gestante e no SisPreNatal, inclusive com 
preenchimento da Ficha Perinatal, abordando a 
história clínica perinatal, as intercorrências e as 
urgências/emergências que requeiram avaliação 
hospitalar; 
• Atenção à puérpera e ao recém-nascido na 
primeira semana após o parto e na consulta puerperal 
(até o 42º dia após o parto). 
4) DESCREVER A CONSULTA DE PRÉ -NATAL, 
CONSIDERANDO OS EXAMES CLÍNICOS, EXAMES 
SUBSIDIÁRIOS E PRINCIPAIS ORIENTAÇÕES; 
As consultas de pré-natal poderão ser realizadas na 
unidade de saúde ou durante visitas domiciliares. O 
calendário de atendimento durante o pré-natal deve 
ser programado em função dos períodos gestacionais 
que determinam maior risco materno e perinatal. 
O calendário deve ser iniciado precocemente (no 
primeiro trimestre) e deve ser regular, garantindo-se 
que todas as avaliações propostas sejam realizadas e 
que tanto o Cartão da Gestante quanto a Ficha de Pré-
Natal sejam preenchidos. 
O total de consultas deverá ser de, no mínimo, 6 
(seis), com acompanhamento intercalado entre 
médico e enfermeiro. Sempre que possível, as 
consultas devem ser realizadas conforme o seguinte 
cronograma: 
Até 28ª semana – mensalmente; 
Da 28ª até a 36ª semana – quinzenalmente; 
Da 36ª até a 41ª semana – semanalmente. 
A maior frequência de visitas no final da gestação visa 
à avaliação do risco perinatal e das intercorrências 
clínico-obstétricas mais comuns nesse trimestre, como 
trabalho de parto prematuro, pré-eclâmpsia e 
eclâmpsia, amniorrexe prematura e óbito fetal. Não 
existe “alta” do pré-natal antes do parto. 
Quando o parto não ocorre até a 41ª semana, é 
necessário encaminhar a gestante para avaliação do 
bem-estar fetal, incluindo avaliação do índice do 
líquido amniótico e monitoramento cardíaco fetal. 
Estudos clínicos randomizados demonstram que a 
conduta de induzir o trabalho de parto em todas as 
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gestantes com 41 semanas de gravidez é preferível à 
avaliação seriada do bem-estar fetal, pois se observou 
menor risco de morte neonatal e perinatal e menor 
chance de cesariana no grupo submetido à indução do 
parto com 41 semanas. 
O acompanhamento da mulher no ciclo grávido-
puerperal deve ser iniciado o mais precocemente 
possível e só se encerra após o 42º dia de puerpério, 
período em que a consulta de puerpério deverá ter sido 
realizada. 
Na primeira consulta, deve-se pesquisar os aspectos 
socioepidemiológicos, os antecedentes familiares, os 
antecedentes pessoais gerais, ginecológicos e 
obstétricos, além da situação da gravidez atual. Os 
principais componentes podem ser assim listados: (I) 
data precisa da última menstruação; (II) regularidade 
dos ciclos; (III) uso de anticoncepcionais; (IV) paridade; 
(V) intercorrências clínicas, obstétricas e cirúrgicas;(VI) 
detalhes de gestações prévias; (VII) hospitalizações 
anteriores; (VIII) uso de medicações; (IX) história 
prévia de doença sexualmente transmissível; (X) 
exposição ambiental ou ocupacional de risco; (XI) 
reações alérgicas; (XII) história pessoal ou familiar de 
doenças hereditárias/malformações; (XIII) 
gemelaridade anterior; (XIV) fatores socioeconômicos; 
(xv) atividade sexual; (XVI) uso de tabaco, álcool ou 
outras drogas lícitas ou ilícitas; (XVII) história infecciosa 
prévia; (XVIII) vacinações prévias; (XIX) história de 
violências. 
Na pesquisa de sintomas relacionados à gravidez 
também deverá ser questionada a existência de 
náuseas, vômitos, dor abdominal, constipação, 
cefaleia, síncope, sangramento ou corrimento vaginal, 
disúria, polaciúria e edemas. 
É importante sanar dúvidas e minimizar a ansiedade 
do casal. Informações sobre alimentação, hábito 
intestinal e urinário, movimentação fetal, assim como 
presença de corrimentos ou outras perdas vaginais 
ajudam a identificar situações de risco gestacional e 
orientam medidas educativas que devem ser 
enfatizadas durante o pré-natal. 
As anotações deverão ser realizadas tanto no 
prontuário da unidade (Ficha Clínica de PréNatal) 
quanto no Cartão da Gestante. Em cada consulta, o 
risco obstétrico e perinatal deve ser reavaliado. As 
ações da equipe devem contemplar as seguintes 
atividades: 
• Preenchimento da ficha de cadastramento da 
gestante no SisPreNatal ou diretamente no sistema 
para os serviços de saúde informatizados; 
• Preenchimento do Cartão da Gestante e da Ficha 
Clínica de Pré-Natal: identificação e demais dados 
da anamnese e exame físico; número do Cartão 
Nacional de Saúde; hospital de referência para o 
parto; 
• Verificação da situação vacinal e orientação sobre a 
sua atualização, se necessário; 
• Solicitação dos exames de rotina; 
• Realização dos testes rápidos; 
• Orientação sobre as consultas subsequentes, as 
visitas domiciliares e as atividades educativas. 
Os fatores de risco deverão ser identificados em 
destaque no Cartão da Gestante, uma vez que tal 
procedimento contribui para alertar os profissionais de 
saúde que realizam o acompanhamento pré-natal. 
História Clínica 
Identificação: 
• Nome; 
• Número do Cartão Nacional de Saúde; 
• Idade; 
• Cor; 
• Naturalidade; 
• Procedência; 
• Endereço atual; 
• Unidade de referência. 
Dados socioeconômicos: 
• Grau de instrução; 
• Profissão/ocupação (deve-se identificar fatores de 
risco); 
• Estado civil/união; 
• Número e idade de dependentes (deve-se avaliar a 
sobrecarga de trabalho doméstico); 
• Renda familiar; 
• Pessoas da família com renda; 
• Condições de moradia (tipo, nº de cômodos); 
• Condições de saneamento (água, esgoto, coleta de 
lixo); 
• Distância da residência até a unidade de saúde. 
Antecedentes familiares: 
• Hipertensão arterial; 
• Diabetes mellitus; 
• Malformações congênitas e anomalias genéticas; 
• Gemelaridade; 
• Câncer de mama e/ou do colo uterino; 
• Hanseníase; 
• Tuberculose e outros contatos domiciliares (deve-
se anotar a doença e o grau de parentesco); 
• Doença de Chagas; 
• Parceiro sexual portador de infecção pelo HIV. 
Antecedentes pessoais gerais: 
• Hipertensão arterial crônica; 
• Diabetes mellitus; 
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• Cardiopatias, inclusive doença de Chagas; 
• Doenças renais crônicas; 
• Anemias e deficiências de nutrientes específicos; 
• Desvios nutricionais (baixo peso, desnutrição, 
sobrepeso, obesidade); 
• Epilepsia; 
• Doenças da tireoide e outras endocrinopatias; 
• Viroses (rubéola, hepatites); 
• Hanseníase, tuberculose, malária, sífilis ou outras 
doenças infecciosas; 
• Portadora de infecção pelo HIV (deve-se anotar se a 
paciente está em uso de antirretrovirais e 
especificar o esquema utilizado); 
• Infecção do trato urinário; 
• Doenças neurológicas e psiquiátricas; 
• Cirurgia (tipo e data); 
• Transfusões de sangue; 
• Alergias (inclusive medicamentosas); 
• Doenças neoplásicas; 
• Vacinação; 
• Uso de medicamentos; 
• Uso de drogas, tabagismo e alcoolismo. 
Antecedentes ginecológicos: 
• Ciclos menstruais (duração, intervalo e 
regularidade; idade da menarca); 
• Uso de métodos anticoncepcionais prévios (quais, 
por quanto tempo e motivo do abandono); 
• Infertilidade e esterilidade (tratamento); - Doenças 
sexualmente transmissíveis, inclusive doença 
inflamatória pélvica (tratamentos realizados, 
inclusive pelo parceiro); 
• Cirurgias ginecológicas (idade e motivo); 
• Malformações uterinas; 
• Mamas (patologias e tratamento realizado); 
• Última colpocitologia oncótica (papanicolau ou 
“preventivo”, data e resultado). 
Sexualidade: 
• Início da atividade sexual (idade da primeira 
relação); 
• Dispareunia (dor ou desconforto durante o ato 
sexual); 
• Prática sexual na gestação atual ou em gestações 
anteriores; 
• Número de parceiros da gestante e de seu parceiro 
em época recente ou pregressa; 
• Uso de preservativos masculinos e/ou femininos 
(“uso correto” e “uso habitual”). 
Antecedentes obstétricos: 
• Número de gestações (incluindo abortamentos, 
gravidez ectópica, mola hidatiforme); 
• Número de partos (domiciliares, hospitalares, 
vaginais espontâneos, por fórceps, cesáreas –
indicações); 
• Número de abortamentos (espontâneos, 
provocados, causados por DST, complicados por 
infecções, relato de insuficiência istmo-cervical, 
história de curetagem pós-abortamento); 
• Número de filhos vivos; 
• Idade na primeira gestação; 
• Intervalo entre as gestações (em meses); 
• Isoimunização Rh; 
• Número de recém-nascidos: pré-termo (antes da 
37ª semana de gestação), pós-termo (igual ou mais 
de 42 semanas de gestação); 
• Número de recém-nascidos de baixo peso (menos 
de 2.500g) e com mais de 4.000g; 
• Número de recém-nascidos prematuros ou 
pequenos para a idade gestacional; 
• Mortes neonatais precoces: até sete dias de vida 
(número e motivo dos óbitos); 
• Mortes neonatais tardias: entre sete e 28 dias de 
vida (número e motivo dos óbitos); 
• Natimortos (morte fetal intraútero e idade 
gestacional em que ocorreu); 
• Recém-nascidos com icterícia, transfusão, 
hipoglicemia, ex-sanguíneo-transfusões; 
• Intercorrências ou complicações em gestações 
anteriores (deve-se especificá-las); 
• Complicações nos puerpérios (deve-se descrevê-
las); 
• Histórias de aleitamentos anteriores (duração e 
motivo do desmame). 
Gestação atual: 
• Data do primeiro dia/mês/ano da última 
menstruação – DUM (anotar certeza ou dúvida); 
• Peso prévio e altura; 
• Sinais e sintomas na gestação em curso; 
• Hábitos alimentares; 
• Medicamentos utilizados na gestação; 
• Internação durante a gestação atual; 
• Hábitos: fumo (número de cigarros/dia), álcool e 
drogas ilícitas; 
• Ocupação habitual (esforço físico intenso, 
exposição a agentes químicos e físicos 
potencialmente nocivos, estresse); 
• Aceitação ou não da gravidez pela mulher, pelo 
parceiro e pela família, principalmente se for 
adolescente; 
• Identificar gestantes com fraca rede de suporte 
social; 
• Cálculo da idade gestacional e data provável do 
parto. 
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Idade Gestacional. Os métodos para esta estimativa 
dependem da data da última menstruação (DUM), que 
corresponde ao primeiro dia de sangramento do último 
ciclo menstrual referido pela mulher. 
I. Quando a data da última menstruação (DUM) é 
conhecida e certa. É o método de escolha para se 
calcular a idade gestacional em mulheres com ciclos 
menstruais regulares e sem uso de métodos 
anticoncepcionais hormonais: 
• Uso do calendário: some o número de dias do 
intervalo entre a DUM e a data da consulta, 
dividindo o total por sete (resultado em semanas); 
• Uso de disco(gestograma): coloque a seta sobre o 
dia e o mês correspondentes ao primeiro dia e mês 
do último ciclo menstrual e observe o número de 
semanas indicado no dia e mês da consulta atual. 
II. Quando a data da última menstruação é 
desconhecida, mas se conhece o período do mês em 
que ela ocorreu. Se o período foi no início, meio ou fim 
do mês, considere como data da última menstruação 
os dias 5, 15 e 25, respectivamente. Proceda, então, à 
utilização de um dos métodos descritos. 
III. Quando a data e o período da última menstruação 
são desconhecidos. Quando a data e o período do mês 
não forem conhecidos, a idade gestacional e a data 
provável do parto serão, inicialmente, determinadas 
por aproximação, basicamente pela medida da altura 
do fundo do útero e pelo toque vaginal, além da 
informação sobre a data de início dos movimentos 
fetais, que habitualmente ocorrem entre 18 e 20 
semanas. 
Pode-se utilizar a altura uterina e o toque vaginal, 
considerando-se os seguintes parâmetros: 
• Até a 6ª semana, não ocorre alteração do tamanho 
uterino; 
• Na 8ª semana, o útero corresponde ao dobro do 
tamanho normal; 
• Na 10ª semana, o útero corresponde a três vezes o 
tamanho habitual; 
• Na 12ª semana, o útero enche a pelve, de modo que 
é palpável na sínfise púbica; 
• Na 16ª semana, o fundo uterino encontra-se entre 
a sínfise púbica e a cicatriz umbilical; 
• Na 20ª semana, o fundo do útero encontra-se na 
altura da cicatriz umbilical; 
• A partir da 20ª semana, existe relação direta entre 
as semanas da gestação e a medida da altura 
uterina. Porém, este parâmetro torna-se menos fiel 
a partir da 30ª semana de idade gestacional. 
Quando não for possível determinar clinicamente a 
idade gestacional, solicite o mais precocemente 
possível a ultrassonografia obstétrica. 
Cálculo da data provável do parto. Calcula-se a data 
provável do parto levando-se em consideração a 
duração média da gestação normal (280 dias ou 40 
semanas, a partir da DUM), mediante a utilização de 
calendário. 
Com o disco (gestograma), coloque a seta sobre o dia 
e o mês correspondentes ao primeiro dia e mês da 
última menstruação e observe a seta na data (dia e 
mês) indicada como data provável do parto. 
Outra forma de cálculo consiste em somar sete dias 
ao primeiro dia da última menstruação e subtrair três 
meses ao mês em que ocorreu a última menstruação 
(ou adicionar nove meses, se corresponder aos meses 
de janeiro a março). Esta forma de cálculo é chamada 
de Regra de Näegele. Nos casos em que o número de 
dias encontrado for maior do que o número de dias do 
mês, passe os dias excedentes para o mês seguinte, 
adicionando 1 (um) ao final do cálculo do mês. 
 
Exame Físico 
São indispensáveis os seguintes procedimentos: 
avaliação nutricional (peso e cálculo do IMC), medida 
da pressão arterial, palpação abdominal e percepção 
dinâmica, medida da altura uterina, ausculta dos 
batimentos cardiofetais, registro dos movimentos 
fetais, realização do teste de estímulo sonoro 
simplificado, verificação da presença de edema, exame 
ginecológico e coleta de material para colpocitologia 
oncótica, exame clínico das mamas e toque vaginal de 
acordo com as necessidades de cada mulher e com a 
idade gestacional. 
No exame físico, os mais importantes componentes 
que precisam ser incluídos na primeira visita pré-natal 
são os seguintes: peso, altura, pressão arterial, 
avaliação de mucosas, da tireoide, das mamas, dos 
pulmões, do coração, do abdome e das extremidades. 
No exame ginecológico/obstétrico, deve-se avaliar a 
genitália externa, a vagina, o colo uterino e, no toque 
bidigital, o útero e os anexos. Após a 12ª semana, deve-
se medir a altura do fundo uterino no abdome. A 
ausculta fetal será possível após a 10ª-12ª semana, 
com o sonar-doppler. 
Nas visitas subsequentes, torna-se obrigatório medir 
a altura uterina, pesar a paciente, mensurar a pressão 
arterial, verificar a presença de anemia de mucosas, a 
Ana Beatriz Figuerêdo Almeida - Medicina 2022.2 
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existência de edemas e auscultar os batimentos 
cardíacos fetais. Deve-se avaliar o mamilo para 
lactação. A definição da apresentação fetal deverá ser 
determinada por volta da 36ª semana. 
Exame físico geral: 
• Inspeção da pele e das mucosas; 
• Sinais vitais: aferição do pulso, frequência cardíaca, 
frequência respiratória, temperatura axilar; 
• Palpação da tireoide, região cervical, 
supraclavicular e axilar (pesquisa de nódulos ou 
outras anormalidades); 
• Ausculta cardiopulmonar; 
• Exame do abdome; 
• Exame dos membros inferiores; 
• Determinação do peso; 
• Determinação da altura; 
• Cálculo do IMC; 
• Avaliação do estado nutricional e do ganho de peso 
gestacional; 
• Medida da pressão arterial; 
• Pesquisa de edema (membros, face, região sacra, 
tronco). 
Exame físico específico (gineco-obstétrico): 
• Palpação obstétrica; 
• Medida e avaliação da altura uterina; 
• Ausculta dos batimentos cardiofetais; 
• Registro dos movimentos fetais; 
• Teste de estímulo sonoro simplificado (Tess); 
• Exame clínico das mamas; 
• Exame ginecológico (inspeção dos genitais 
externos, exame especular, coleta de material para 
exame colpocitopatológico, toque vaginal). 
Obs:. O exame físico das adolescentes deverá seguir as 
orientações do Manual de Organização de Serviços 
para a Saúde dos Adolescentes. 
Exames Laboratoriais 
Para um bom acompanhamento pré-natal, é 
necessário que a equipe de saúde efetue os 
procedimentos técnicos de forma correta e uniforme 
durante a realização dos exames complementares, 
assim como quando da realização dos exames clínico e 
obstétrico. Do contrário, ocorrerão diferenças 
significativas, prejudicando a interpretação dos dados 
e a comparação entre eles. Cabe aos profissionais de 
formação universitária promover a capacitação dos 
demais membros da equipe, a fim de garantir que 
todos os dados colhidos sejam fidedignos. 
É importante ressaltar, no contexto da qualidade da 
atenção e da proteção biológica, a necessidade da 
lavagem das mãos do examinador antes e após o 
atendimento à gestante e, especialmente, na 
eventualidade da realização de procedimentos. 
Devem ser solicitados na primeira consulta os 
seguintes exames complementares: 
• Hemograma; 
• Tipagem sanguínea e fator Rh; 
• Coombs indireto (se for Rh negativo); 
• Glicemia de jejum; 
• Teste rápido de triagem para sífilis e/ou VDRL/RPR; 
o Teste rápido diagnóstico anti-HIV; 
• Anti-HIV; 
• Toxoplasmose IgM e IgG; 
• Sorologia para hepatite B (HbsAg); 
• Exame de urina e urocultura; 
• Ultrassonografia obstétrica (não é obrigatório), com 
a função de verificar a idade gestacional; 
• Citopatológico de colo de útero (se necessário); 
• Exame da secreção vaginal (se houver indicação 
clínica); 
• Parasitológico de fezes (se houver indicação clínica); 
• Eletroforese de hemoglobina (se a gestante for 
negra, tiver antecedentes familiares de anemia 
falciforme ou apresentar história de anemia 
crônica). 
Exames Laboratoriais FEBRASGO 
• Tipagem sanguínea (ABO/Rh) e prova de Coombs 
indireta, se indicadas; 
• Hemograma e ferritina sérica; 
• Glicemia de jejum e hemoglobina glicada; 
• Urina tipo 1 com urocultura; 
• Sorologias: rubéola, toxoplasmose, sífilis, 
citomegalovírus, hepatite B, hepatite C e vírus da 
imunodeficiência humana (HIV); 
• TSH e T4 livre; 
• Citologia oncológica; 
• Teste oral de tolerância à glicose com 75g de 
dextrosol (entre 24 e 28 semanas). 
Exames de Imagem 
Ao lado da avaliação clínica, a imagem 
ultrassonográfica deve ser voltada para algumas 
informações básicas que a colocam como 
procedimento obrigatório na assistência pré-natal 
(FEBRASGO): 
• A avaliação precoce (seis a nove semanas de 
gestação) objetiva identificar a gestação tópica, 
única ou não, a vitalidade e as medidas do sacogestacional, que permitirão, com grande 
propriedade, estabelecer a idade gestacional em 
semanas. A via vaginal deverá ser a preferida pela 
riqueza de detalhes que oferece; 
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• A ultrassonografia morfológica de primeiro 
trimestre deve ser realizada entre a 11ª e a 14ª 
semana (comprimento cabeçanádega – CCN – de 45 
a 84 mm), via abdominal, com a complementação 
da Dopplervelocimetria, permitindo rastrear 
cromossomopatias (em particular a trissomia do 
21), por meio principalmente da medida de 
translucência nucal, do fluxo no ducto venoso e da 
identificação do ossículo nasal, além de outros 
marcadores ultrassonográficos. Esses achados 
podem ser complementados pela avaliação do 
perfil bioquímico (PAPP-A, fração livre β-hCG); 
• A ultrassonografia morfológica de segundo 
trimestre deve ser realizada entre a 18ª e a 24ª 
semana, de preferência na 22ª semana, e 
identificará toda a economia fetal em seus aspectos 
morfológicos. Normalmente, deve-se medir o 
comprimento do colo uterino, por via transvaginal, 
que tem importância preditiva de risco de trabalho 
de parto prematuro (normal ≥ 2,5 cm); 
• Entre a 34ª e a 36ª semana, com a 
Dopplerfluxometria das artérias uterinas, umbilical 
e da artéria cerebral média, se identificará o 
crescimento fetal, bem como sua vitalidade e 
volume do líquido amniótico. 
Condutas Gerais 
• Deve haver a interpretação dos dados da 
anamnese, o exame clínico/obstétrico e a 
instituição de condutas específicas; 
• Deve-se orientar a gestante sobre a alimentação e 
o acompanhamento do ganho de peso gestacional; 
o Deve-se incentivar o aleitamento materno 
exclusivo até os seis meses; 
• Deve-se fornecer todas as informações necessárias 
e respostas às indagações da mulher, de seu 
companheiro e da família; 
• Deve-se prescrever suplementação de sulfato 
ferroso (40mg de ferro elementar/dia) e ácido fólico 
(5mg/dia) para profilaxia da anemia; 
• Deve-se orientar a gestante sobre os sinais de risco 
e a necessidade de assistência em cada caso; 
• Deve-se referenciar a gestante para atendimento 
odontológico; 
• Deve-se encaminhar a gestante para imunização 
antitetânica (vacina dupla viral), quando a paciente 
não estiver imunizada; 
• Deve-se referenciar a gestante para serviços 
especializados quando o procedimento for 
indicado. Entretanto, mesmo com referência para 
serviço especializado, a mulher deverá continuar 
sendo acompanhada, conjuntamente, na unidade 
básica de saúde; 
• Deve-se realizar ações e práticas educativas 
individuais e coletivas. Os grupos educativos para 
adolescentes devem ser exclusivos dessa faixa 
etária, devendo abordar temas de interesse do 
grupo. Recomenda-se dividir os grupos em faixas de 
10-14 anos e de 15-19 anos, para obtenção de 
melhores resultados; 
• Deve-se agendar consultas subsequentes. 
Consultas Subsequentes 
Nas consultas subsequentes, devem ser realizados os 
seguintes procedimentos: 
• Anamnese atual sucinta: deve-se enfatizar a 
pesquisa das queixas mais comuns na gestação e 
dos sinais de intercorrências clínicas e obstétricas, 
com o propósito de se reavaliar o risco gestacional 
e de se realizar ações mais efetivas; 
• Exame físico direcionado (deve-se avaliar o bem-
estar materno e fetal); 
• Verificação do calendário de vacinação; 
• Deve-se avaliar o resultado dos exames 
complementares; 
• Devem ser feitas a revisão e a atualização do Cartão 
da Gestante e da Ficha de Pré-Natal. 
Além disso, devemos executar as seguintes tarefas: 
I. Controles maternos: 
• Cálculo e anotação da idade gestacional; 
• Determinação do peso e cálculo do índice de massa 
corporal (IMC): anote no gráfico e realize a 
avaliação nutricional subsequente e o 
monitoramento do ganho de peso gestacional; 
• Medida da pressão arterial (observe a aferição da 
PA com técnica adequada); 
• Palpação obstétrica e medida da altura uterina 
(anote os dados no gráfico e observe o sentido da 
curva para avaliação do crescimento fetal); 
• Pesquisa de edema; 
• Exame ginecológico, incluindo das mamas, para 
observação do mamilo. 
II. Controles fetais: 
• Ausculta dos batimentos cardiofetais; 
• Avaliação dos movimentos percebidos pela mulher 
e/ou detectados no exame obstétrico/ registro dos 
movimentos fetais; 
• Teste de estímulo sonoro simplificado (Tess), se 
houver indicação clínica. 
 
 
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III. Condutas: 
• Interpretação dos dados da anamnese e do exame 
clínico/obstétrico e correlação com resultados de 
exames complementares; 
• Avaliação dos resultados de exames 
complementares e tratamento de alterações 
encontradas ou encaminhamento, se necessário; 
• Prescrição de suplementação de sulfato ferroso 
(40mg de ferro elementar/dia) e ácido fólico 
(5mg/dia), para profilaxia da anemia; 
• Oriente a gestante sobre alimentação e faça o 
acompanhamento do ganho de peso gestacional; 
• Incentive o aleitamento materno exclusivo até os 
seis meses; 
• Oriente a gestante sobre os sinais de risco e a 
necessidade de assistência em cada caso; 
• Faça o acompanhamento das condutas adotadas 
em serviços especializados, pois a mulher deverá 
continuar a ser acompanhada pela equipe da 
atenção básica; 
• Proceda à realização de ações e práticas educativas 
individuais e coletivas; 
• Faça o agendamento das consultas subsequentes. 
5) RELACIONAR AS MEDIDAS OBSTÉTRICAS REALIZADAS 
CLINICAMENTE COM A AVALIAÇÃO DO CRESCIMENTO E 
VITALIDADE FETAL; 
Palpação obstétrica e medida da altura uterina (AU) 
Objetivos: 
• Identificar o crescimento fetal; 
• Diagnosticar os desvios da normalidade a partir da 
relação entre a altura uterina e a idade gestacional; 
• Identificar a situação e a apresentação fetal. 
A palpação obstétrica deve ser realizada antes da 
medida da altura uterina. Ela deve iniciar-se pela 
delimitação do fundo uterino, bem como de todo o 
contorno da superfície uterina (este procedimento 
reduz o risco de erro da medida da altura uterina). A 
identificação da situação e da apresentação fetal é feita 
por meio da palpação obstétrica, procurando-se 
identificar os polos cefálico e pélvico e o dorso fetal, 
facilmente identificados a partir do terceiro trimestre. 
Pode-se, ainda, estimar a quantidade de líquido 
amniótico. 
A percepção materna e a constatação objetiva de 
movimentos fetais, além do crescimento uterino, são 
sinais de boa vitalidade fetal. 
Técnica para palpação abdominal (Manobras de 
Leopold). Consiste em um método palpatório do 
abdome materno em 4 passos: 
• Delimite o fundo do útero com a borda cubital de 
ambas as mãos e reconheça a parte fetal que o ocupa; 
• Deslize as mãos do fundo uterino até o polo inferior 
do útero, procurando sentir o dorso e as pequenas 
partes do feto; 
• Explore a mobilidade do polo, que se apresenta no 
estreito superior pélvico; 
• Determine a situação fetal, colocando as mãos sobre 
as fossas ilíacas, deslizando-as em direção à escava 
pélvica e abarcando o polo fetal, que se apresenta. As 
situações que podem ser encontradas são: 
longitudinal (apresentação cefálica e pélvica), 
transversa (apresentação córmica) e oblíquas. 
 
 
O feto pode estar em situação longitudinal (mais 
comum) ou transversa. A situação transversa reduz a 
medida de altura uterina, podendo falsear sua relação 
com a idade gestacional. As apresentações mais 
frequentes são a cefálica e a pélvica. 
 
 
A situação transversa e a apresentação pélvica, ao 
final da gestação, podem significar risco no momento 
do parto. Nestas condições, a mulher deve ser referida 
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para a unidade hospitalar de referência que tenha 
condições de atender caso de distócia. 
Medida da Altura Uterina (AU) 
Objetivo: Visaao acompanhamento do crescimento 
fetal e à detecção precoce de alterações. Use como 
indicador a medida da altura uterina e sua relação com 
o número de semanas de gestação. 
Padrão de referência: curvas de altura uterina para 
idade gestacional desenhadas a partir dos dados do 
Centro Latino-Americano de Perinatologia (Clap). 
Existem, ainda, outras curvas nacionais e 
internacionais utilizadas por alguns serviços 
isoladamente. 
Ponto de corte: serão considerados parâmetros de 
normalidade para o crescimento uterino o percentil 10 
(para o limite inferior) e o percentil 90 (para o limite 
superior). 
Representação do indicador por meio de gráfico 
constituído de duas linhas: a inferior representa o 
percentil 10, e a superior, o percentil 90. 
O resultado estará adequado quando estiver contido 
entre as duas linhas: excessivo (acima do percentil 90) 
e deficiente (abaixo do percentil 10). 
 I. Técnica para medida da altura uterina 
• Posicione a gestante em decúbito dorsal, com o 
abdome descoberto; 
• Delimite a borda superior da sínfise púbica e o 
fundo uterino; 
• Por meio da palpação, procure corrigir a comum 
dextroversão uterina; 
• Fixe a extremidade inicial (0cm) da fita métrica, 
flexível e não extensível, na borda superior da 
sínfise púbica com uma das mãos, passando-a entre 
os dedos indicador e médio. 
• Deslize a fita métrica entre os dedos indicador e 
médio da outra mão até alcançar o fundo do útero 
com a margem cubital da mesma mão; 
• Proceda à leitura quando a borda cubital da mão 
atingir o fundo uterino; 
• Anote a medida (em centímetros) na ficha e no 
cartão e marque o ponto na curva da altura uterina. 
 
Entre as curvas inferiores e superiores → Siga o 
calendário de atendimento de rotina. 
Acima da curva superior → Atente para a possibilidade 
de erro de cálculo da idade gestacional (IG). 
A gestante deve ser vista pelo médico da unidade e 
deve ser avaliada a possibilidade de polidrâmnio, 
macrossomia, gestação gemelar, mola hidatiforme. 
Solicite ultrassonografia, se possível. Caso permaneça 
dúvida, marque retorno em 15 dias para reavaliação 
ou, se possível, faça o encaminhamento da paciente 
para o serviço de alto risco. 
Abaixo da curva inferior → Atente para a possibilidade 
de erro de cálculo da IG. 
A gestante deve ser vista pelo médico da unidade 
para se avaliar a possibilidade de feto morto, 
oligoidrâmnio, ou restrição de crescimento 
intrauterino. Solicite ultrassonografia, se possível. Caso 
permaneça dúvida, marque retorno em 15 dias para 
reavaliação ou, se possível, faça o encaminhamento da 
paciente para o serviço de alto risco. 
Consultas subsequentes, avaliação do traçado: 
 
Ausculta dos batimentos cardiofetais 
Objetivo: Constatar a cada consulta a presença, o 
ritmo, a frequência e a normalidade dos batimentos 
cardíacos fetais (BCF). Deve ser realizada com sonar, 
após 12 semanas de gestação, ou com Pinard, após 20 
semanas. 
É considerada normal a frequência cardíaca fetal 
entre 120 a 160 batimentos por minuto. 
Observação: após uma contração uterina, a 
movimentação fetal ou o estímulo mecânico sobre o 
útero, um aumento transitório na frequência cardíaca 
fetal é sinal de boa vitalidade. Por outro lado, uma 
desaceleração ou a não alteração da frequência 
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cardíaca fetal, concomitante a estes eventos, é sinal de 
alerta, o que requer aplicação de metodologia para 
avaliação da vitalidade fetal. Nestes casos, recomenda-
se referir a gestante para um nível de maior 
complexidade ou à maternidade. 
I. Técnica para ausculta dos batimentos cardiofetais 
• Posicione a gestante em decúbito dorsal, com o 
abdômen descoberto; 
• Identifique o dorso fetal. Além de realizar a 
palpação, deve-se perguntar à gestante em qual 
lado ela sente mais os movimentos fetais; o dorso 
estará no lado oposto; 
• Segure o estetoscópio de Pinard pelo tubo, 
encostando a extremidade de abertura mais ampla 
no local previamente identificado como 
correspondente ao dorso fetal; 
• Encoste o pavilhão da orelha na outra extremidade 
do estetoscópio; 
• Faça, com a cabeça, leve pressão sobre o 
estetoscópio e, só então, retire a mão que segura o 
tubo; 
• Quando disponível, utilize o sonar doppler; 
• Procure o ponto de melhor ausculta dos BCF na 
região do dorso fetal; 
• Controle o pulso da gestante para certificar-se de 
que os batimentos ouvidos são os do feto, já que as 
frequências são diferentes; 
• Conte os batimentos cardíacos fetais por um 
minuto, observando sua frequência e seu ritmo; 
• Registre os BCF na ficha perinatal e no Cartão da 
Gestante; 
• Avalie resultados da ausculta dos BCF 
 
Registro dos movimentos fetais 
Objetivo: Avaliação clínica do bem-estar fetal na 
gravidez a partir da 34ª semana gestacional. 
A presença de movimentos do feto sempre se 
correlacionou como sinal e constatação de vida; 
todavia, o monitoramento dos movimentos fetais 
como meio de avaliação do seu bem-estar é 
relativamente recente. 
Os padrões da atividade fetal mudam com a 
evolução da gravidez. Inicialmente, os movimentos 
são débeis e pouco frequentes, podendo ser 
confundidos pela gestante com outros fenômenos, 
como o peristaltismo. Gradativamente, à medida que 
prossegue a integração do sistema nervoso central 
com o sistema muscular do feto, os movimentos 
tornam-se rítmicos, fortes e contínuos. O ritmo da 
atividade fetal pode sofrer interferência tanto de 
fatores endógenos (como a presença de insuficiência 
placentária, isoimunização pelo fator Rh ou 
malformações congênitas) quanto de fatores 
exógenos (como a atividade materna excessiva, o uso 
de medicamentos sedativos, álcool e nicotina, entre 
outros). 
A presença de movimentos fetais ativos e frequentes 
é tranquilizadora quanto ao prognóstico fetal. Dada a 
boa correlação entre a subjetividade da percepção 
materna e a ultrassonografia em tempo real, resulta 
lógica a utilização do controle diário de movimentos 
fetais (mobilograma), realizado pela gestante, como 
instrumento de avaliação fetal simples, de baixo custo, 
que não requer instrumentalização e não tem 
contraindicações. 
Não existe na literatura padronização quanto ao 
método de registro. O importante é utilizar técnica 
simples e por período de tempo não muito longo, para 
não se tornar exaustivo e facilitar a sua realização 
sistemática pela mulher. Em gestação de baixo risco, o 
registro diário dos movimentos fetais pode ser 
iniciado a partir da 34ª semana gestacional. Existem 
vários métodos descritos. 
Método de registro diário de movimentos fetais 
(RDMF) 
O método descrito já foi testado e é utilizado em 
vários serviços. A gestante recebe as seguintes 
orientações: 
• Escolha um período do dia em que possa estar mais 
atenta aos movimentos fetais; 
• Alimente-se previamente ao início do registro; o 
• Sente-se com a mão sobre o abdome; 
• Registre os movimentos do feto nos espaços 
demarcados pelo formulário, anotando o horário 
de início e de término do registro. 
A contagem dos movimentos é realizada por período 
máximo de uma hora. Caso a gestante consiga 
registrar seis movimentos em menos tempo, não é 
necessário manter a observação durante uma hora 
completa. Entretanto, se após uma hora ela não foi 
capaz de contar seis movimentos, deverá repetir o 
procedimento. Se na próxima hora não sentir seis 
movimentos, deverá procurar imediatamente a 
Ana Beatriz Figuerêdo Almeida - Medicina 2022.2 
Página | 24 
 
unidade de saúde. Assim, considera-se como 
“inatividade fetal” o registro com menos de seis 
movimentos por hora, em duas horas consecutivas. 
Para favorecer a cooperação materna em realizar o 
registro diário dos movimentos fetais, é importante 
que a gestante receba orientações adequadas quanto 
à importância da atividade do feto no controle de seubem-estar. Outro fator que interfere na qualidade do 
registro é o estímulo constante dado a cada consulta 
de pré-natal pelo profissional de saúde. 
1º Alimente-se antes de começar o registro; 
2º Fique em posição semi-sentada, com a mão no 
abdome; 
3º Marque o horário de início; 
4º Registre seis movimentos e marque o horário do 
último; 
5º Se, em uma hora, o bebê não se mexer seis vezes, 
pare de contar os movimentos. Repita o registro. Se 
persistir a diminuição, procure a unidade de saúde. 
 
Obs.: A rotina de avaliação da movimentação fetal não 
deve ser recomendada. Não existem parâmetros na 
literatura médica para quantificar a normalidade dos 
movimentos fetais. A movimentação deve ser 
valorizada de acordo com a situação clínica de cada 
paciente. Há evidências contrárias à realização da 
cardiotocografia anteparto em gestações de baixo 
risco (em torno de 50% de falsos positivos). 
6) DISCUTIR A RELAÇÃO DO MÉDICO COM A PACIENTE 
GRÁVIDA, FRENTE À SUA LABILIDADE EMOCIONAL; 
PRIMEIRA CONSULTA DO PRÉ-NATAL 
Ao procurar o médico para a primeira consulta de 
pré-natal, pressupõe-se que a mulher já pôde realizar 
uma série de elaborações diante do impacto do 
diagnóstico da gravidez. Nesse momento, de certa 
maneira, já ocorreram decisões mais conscientes 
quanto a dar continuidade à gestação. No entanto, 
existem inseguranças e no primeiro contato com o 
médico a gestante busca: confirmar sua gravidez; 
amparo nas suas dúvidas e ansiedades; certificar-se de 
que tem um bom corpo para gestar, certificar-se de 
que o bebé está bem: e apoio para seguir nessa 
"aventura". 
Sendo importante nessa fase: 
• Reconhecer o estado normal de ambivalência 
frente à gravidez. Toda gestante quer estar grávida 
e não quer estar grávida. É um momento em que 
muitas ansiedades e medos primilivos afloram, daí 
a necessidade de compreender essa ambivalência 
sem julgamentos; 
• Acolher as dúvidas que surjam na gestante quanto 
a sua capacidade de gerar um bebe saudável, de vir 
a ser mãe e desempenhar esse novo papel de forma 
adequada; 
• Reconhecer as condições emocionais dessa 
gestação se a gestante tem um companheiro ou 
está sozinha, se tem outros filhos, se conta com o 
apoio da família, se teve percas gestacionais, se 
desejou conscientemente engravidar e se planejou 
a gravidez. Enfim, o contexto em que essa gravidez 
ocorreu, e as repercussões dela na pertente; 
• Perceber esse estado de maior vulnerabilidade os 
quica da gestante e acolhe-la, sem banalizar suas 
queixas com o famoso "isso é normal"; Perceber 
que a gestante encontra-se psiquicamente 
regredida, buscando uma figura de apoio, assim, o 
médico fica muito idealizado e, por isso, passa a ser 
constantemente procurado e às vezes por dúvidas 
que possam ser insignificantes para ele, mas 
terrivelmente ameaçadoras para ela; 
• Estabelecer uma relação de confiança e respeito 
mútuos para que a empatia necessária ocorra e 
favoreça, por si só, a elaboração de muitas das 
fantasias da gestante; 
• Permitir um espaço para a participação do parceiro 
na consulta, para que ele possa também envolver-
se no processo gravídico-puerperal ativamente, 
favorecendo um equilibrio adequado nas novas 
relações estabelecidas com a vinda de um novo 
membro da família. 
CONSULTAS SUBSEQUENTES 
Dando continuidade ao pré-natal, observam-se ao 
longo da gestação, algumas ansiedades típicas, 
ordenadas segundo uma divisão de trimestres. 
Ressalta-se, no entanto, que essa divisão é para efeito 
didático, pois o aparecimento dessas ansiedades - 
embora mais frequentes em determinados momentos, 
não estão necessariamente restritos a eles. 
No primeiro trimestre são frequentes a ambivalência 
(querer e não querer a gravidez), o medo de abortar, 
as oscilações do humor (aumento da irritabilidade), as 
primeiras modificações corporais e alguns 
desconfortos: náuseas, sonolência, alterações na maria 
o cansaço e os desejos e aversões por determinados 
alimentos. No segundo trimestre a ansiedade é de 
caráter quanto a introversão e passividade, a alteração 
do desejo e do desempenho sexual e a alteração do 
esquema corporal, e a percepção dos movimentos 
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fetais e seu impacto (presença do filho é 
concretamente sentida). E o terceiro trimestre é 
caracterizado pelas ansiedades que se intensificam 
com a proximidade do parto, os temores do parto 
(medo da dor e da morte) e consequentemente no um 
aumento das queixas físicas. 
Assim, neste momento é importante evitar o excesso 
de tecnicismo, estando atento também para essas 
características comuns das diferentes etapas da 
gravidez, criando condições para uma escuta 
acolhedora, continente, onde os sentimentos bons e 
ruins possam aparecer. Deve-se observar e respeitar a 
diferença de significado da ecografia para a mãe e para 
o médico. Os médicos relacionam a ecografia com a 
embriologia do feto e os pais com as características e 
personalidade do filho. Eles necessitam ser guiados o 
esclarecidos durante o exame pelo especialista e pelo 
obstetra. É de extrema importância fornecer 
orientações antecipatórias sobre a evolução do 
gestação e do parto: contrações, dilatação, perda do 
tampão mucoso, rompimento da bolsa. Deve, no 
entanto, evitar informações excessivas, procurando 
transmitir orientações simples e claras e observar o seu 
impacto em cada paciente, na sua individualidade. E 
por último deve preparar a paciente para os 
procedimentos médicos do pré-parto para aliviar as 
vivências negativas que causam mais impacto. 
7) CARACTERIZAR GESTAÇÃO DE BAIXO E ALTO RISCO E 
IDENTIFICAR AS SITUAÇÕES EM QUE ELAS OCORREM. 
A gestação é um fenômeno fisiológico e deve ser vista 
pelas gestantes e equipes de saúde como parte de uma 
experiência de vida saudável que envolve mudanças 
dinâmicas do olhar físico, social e emocional. No 
entanto, devido a alguns fatores de risco, algumas 
gestantes podem apresentar maior probabilidade de 
evolução desfavorável. São as chamadas “gestantes de 
alto risco”. 
Com o objetivo de reduzir a morbimortalidade 
materno-infantil e ampliar o acesso com qualidade, é 
necessário que se identifiquem os fatores de risco 
gestacional o mais precocemente possível. Dessa 
forma, o acolhimento com classificação de risco 
pressupõe agilidade no atendimento e definição da 
necessidade de cuidado e da densidade tecnológica 
que devem ser ofertadas às usuárias em cada 
momento. 
De maneira geral, o acolhimento, em especial à 
gestante, objetiva fornecer não um diagnóstico, mas 
uma prioridade clínica, o que facilita a gestão da 
demanda espontânea e, consequentemente, permite 
que haja impacto na história natural de doenças 
agudas graves e potencialmente fatais, que, se não 
atendidas como prioridades, podem levar à morte, por 
exemplo, uma gestante com síndrome hipertensiva. 
Portanto, é indispensável que a avaliação do risco 
seja permanente, ou seja, aconteça em toda consulta. 
Em contrapartida, quando são identificados fatores 
associados a um pior prognóstico materno e perinatal, 
a gravidez é definida como de alto risco, passando a 
exigir avaliações mais frequentes, muitas vezes 
fazendo-se uso de procedimentos com maior 
densidade tecnológica. 
Nos casos em que não há necessidade de se utilizar 
alta densidade tecnológica em saúde e nos quais a 
morbidade e a mortalidade materna e perinatal são 
iguais ou menores do que as da população em geral, as 
gestações podem ser consideradas como de baixo 
risco. Assim definida, a gravidez de baixo risco somente 
pode ser confirmada ao final do processo gestacional, 
após o parto e o puerpério. O processo dinâmico e a 
complexidade das alterações funcionais e anatômicas 
que ocorrem no ciclo gestacional exigem avaliações 
continuadas e específicas em cada período. 
A atenção básica deve ser entendida como porta deentrada da Rede de Atenção à Saúde, como 
ordenadora do sistema de saúde brasileiro. Nas 
situações de emergência obstétrica, a equipe deve 
estar capacitada para diagnosticar precocemente os 
casos graves, iniciar o suporte básico de vida e acionar 
o serviço de remoção, para que haja a adequada 
continuidade do atendimento para os serviços de 
referência de emergências obstétricas da Rede de 
Atenção à Saúde. Dessa forma, a classificação de risco 
é um processo dinâmico de identificação dos pacientes 
que necessitam de tratamento imediato, de acordo 
com o potencial de risco, os agravos à saúde ou o grau 
de sofrimento. 
A caracterização de uma situação de risco, todavia, 
não implica necessariamente referência da gestante 
para acompanhamento em pré-natal de alto risco. As 
situações que envolvem fatores clínicos mais 
relevantes (risco real) e/ou fatores evitáveis que 
demandem intervenções com maior densidade 
tecnológica devem ser necessariamente referenciadas, 
podendo, contudo, retornar ao nível primário, quando 
se considerar a situação resolvida e/ou a intervenção já 
realizada. De qualquer maneira, a unidade básica de 
saúde deve continuar responsável pelo seguimento da 
gestante encaminhada a um diferente serviço de 
saúde. É importante que a equipe de atenção básica se 
baseie em sua experiência clínica para o 
encaminhamento da paciente. 
 
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FATORES DE RISCO QUE PERMITEM A REALIZAÇÃO DO 
PRÉ-NATAL PELA EQUIPE DE ATENÇÃO BÁSICA 
I. Fatores relacionados às características individuais e 
às condições sociodemográficas desfavoráveis: 
• Idade menor do que 15 e maior do que 35 anos; 
• Ocupação: esforço físico excessivo, carga horária 
extensa, rotatividade de horário, exposição a 
agentes físicos, químicos e biológicos, estresse; 
• Situação familiar insegura e não aceitação da 
gravidez, principalmente em se tratando de 
adolescente; 
• Situação conjugal insegura; 
• Baixa escolaridade (menor do que cinco anos de 
estudo regular); 
• Condições ambientais desfavoráveis; 
• Altura menor do que 1,45m; 
• IMC que evidencie baixo peso, sobrepeso ou 
obesidade. 
II. Fatores relacionados à história reprodutiva 
anterior: 
• Recém-nascido com restrição de crescimento, pré-
termo ou malformado; 
• Macrossomia fetal; 
• Síndromes hemorrágicas ou hipertensivas; 
• Intervalo interpartal menor do que dois anos ou 
maior do que cinco anos; 
• Nuliparidade e multiparidade (cinco ou mais 
partos); 
• Cirurgia uterina anterior; 
• Três ou mais cesarianas. 
III. Fatores relacionados à gravidez atual: 
• Ganho ponderal inadequado; 
• Infecção urinária; 
• Anemia. 
FATORES DE RISCO QUE PODEM INDICAR 
ENCAMINHAMENTO AO PRÉ-NATAL DE ALTO RISCO 
O pré-natal de alto risco abrange cerca de 10% das 
gestações que cursam com critérios de risco, o que 
aumenta significativamente nestas gestantes a 
probabilidade de intercorrências e óbito materno e/ou 
fetal. Atenção especial deverá ser dispensada às 
grávidas com maiores riscos, a fim de reduzir a 
morbidade e a mortalidade materna e perinatal. 
I. Fatores relacionados às condições prévias: 
• Cardiopatias; 
• Pneumopatias graves (incluindo asma brônquica); 
• Nefropatias graves (como insuficiência renal crônica 
e em casos de transplantados); 
• Endocrinopatias (especialmente diabetes mellitus, 
hipotireoidismo e hipertireoidismo); 
• Doenças hematológicas (inclusive doença 
falciforme e talassemia); 
• Hipertensão arterial crônica e/ou paciente que faça 
uso de anti-hipertensivo (PA>140/90mmHg antes 
de 20 semanas de idade gestacional – IG); 
• Doenças neurológicas (como epilepsia); 
• Doenças psiquiátricas que necessitam de 
acompanhamento (psicoses, depressão grave etc.); 
• Doenças autoimunes (lúpus eritematoso sistêmico, 
outras colagenoses); 
• Alterações genéticas maternas; 
• Antecedente de trombose venosa profunda ou 
embolia pulmonar; 
• Ginecopatias (malformação uterina, miomatose, 
tumores anexiais e outras); 
• Portadoras de doenças infecciosas como hepatites, 
toxoplasmose, infecção pelo HIV, sífilis terciária 
(USG com malformação fetal) e outras DSTs 
(condiloma); 
• Hanseníase; 
• Tuberculose; 
• Dependência de drogas lícitas ou ilícitas; 
• Qualquer patologia clínica que necessite de 
acompanhamento especializado. 
II. Fatores relacionados à história reprodutiva 
anterior: 
• Morte intrauterina ou perinatal em gestação 
anterior, principalmente se for de causa 
desconhecida; 
• História prévia de doença hipertensiva da gestação, 
com mau resultado obstétrico e/ou perinatal 
(interrupção prematura da gestação, morte fetal 
intrauterina, síndrome Hellp, eclâmpsia, internação 
da mãe em UTI); 
• Abortamento habitual; 
• Esterilidade/infertilidade. 
III. Fatores relacionados à gravidez atual: 
• Restrição do crescimento intrauterino; 
• Polidrâmnio ou oligoidrâmnio; 
• Gemelaridade; 
• Malformações fetais ou arritmia fetal; 
• Distúrbios hipertensivos da gestação (hipertensão 
crônica preexistente, hipertensão gestacional ou 
transitória); 
Obs.: É necessário que haja evidência de medidas 
consecutivas que sugiram hipertensão. Nestas 
situações, não se deve encaminhar o caso com medida 
isolada. Em caso de suspeita de pré-
eclâmpsia/eclâmpsia, deve-se encaminhar a paciente à 
emergência obstétrica. 
• Infecção urinária de repetição ou dois ou mais 
episódios de pielonefrite (toda gestante com 
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pielonefrite deve ser inicialmente encaminhada ao 
hospital de referência, para avaliação); 
• Anemia grave ou não responsiva a 30-60 dias de 
tratamento com sulfato ferroso; 
• Portadoras de doenças infecciosas como hepatites, 
toxoplasmose, infecção pelo HIV, sífilis terciária 
(USG com malformação fetal) e outras DSTs 
(condiloma); 
• Infecções como a rubéola e a citomegalovirose 
adquiridas na gestação atual; 
• Evidência laboratorial de proteinúria; 
• Diabetes mellitus gestacional; 
• Desnutrição materna severa; 
• Obesidade mórbida ou baixo peso (nestes casos, 
deve-se encaminhar a gestante para avaliação 
nutricional); 
• NIC III (nestes casos, deve-se encaminhar a gestante 
ao oncologista); 
• Alta suspeita clínica de câncer de mama ou 
mamografia com Bi-rads III ou mais (nestes casos, 
deve-se encaminhar a gestante ao oncologista); 
• Adolescentes com fatores de risco psicossocial. 
FATORES DE RISCO PARA ENCAMINHAMENTO À 
URGÊNCIA/EMERGÊNCIA OBSTÉTRICA 
Os profissionais de saúde dos hospitais regionais e da 
emergência obstétrica deverão avaliar as gestantes 
encaminhadas e confirmar, ou não, o diagnóstico 
inicial, assim como determinar a conduta necessária 
para cada caso: internação hospitalar, referência ao 
pré-natal de alto risco ou contrarreferência para 
acompanhamento pela atenção básica. 
São fatores de risco: 
• Síndromes hemorrágicas (incluindo descolamento 
prematuro de placenta, placenta prévia), 
independentemente da dilatação cervical e da 
idade gestacional; 
• Suspeita de pré-eclâmpsia: pressão arterial > 
140/90, medida após um mínimo de 5 minutos de 
repouso, na posição sentada. Quando estiver 
associada à proteinúria, pode-se usar o teste rápido 
de proteinúria; 
Obs.: Edema não é mais considerado critério 
diagnóstico (grau de recomendação C). 
• Sinais premonitórios de eclâmpsia em gestantes 
hipertensas: escotomas cintilantes, cefaleia típica 
occipital, epigastralgia ou dor intensa no 
hipocôndrio direito; 
• Eclâmpsia (crises convulsivas em pacientes com 
pré-eclâmpsia); 
• Crise hipertensiva (PA > 160/110); 
• Amniorrexe prematura: perda de líquido vaginal 
(consistência líquida, em pequena ou grande 
quantidade, mas de forma persistente), podendo 
ser observada mediante exame especular com 
manobra de Valsalva e elevação da apresentaçãofetal; 
• Isoimunização Rh; 
• Anemia grave (hemoglobina < 8); 
• Trabalho de parto prematuro (contrações e 
modificação de colo uterino em gestantes com 
menos de 36 semanas); 
• IG a partir de 41 semanas confirmadas; 
• Hipertermia (Tax > = 37,8C), na ausência de sinais 
ou sintomas clínicos de Ivas; 
• Suspeita/diagnóstico de abdome agudo em 
gestantes; 
• Suspeita/diagnóstico de pielonefrite, infecção 
ovular ou outra infecção que necessite de 
internação hospitalar; 
• Suspeita de trombose venosa profunda em 
gestantes (dor no membro inferior, edema 
localizado e/ou varicosidade aparente); 
• Investigação de prurido gestacional/icterícia; 
• Vômitos incoercíveis não responsivos ao 
tratamento, com comprometimento sistêmico com 
menos de 20 semanas; 
• Vômitos inexplicáveis no 3º trimestre; 
• Restrição de crescimento intrauterino; 
• Oligoidrâmnio; 
• Casos clínicos que necessitem de avaliação 
hospitalar: cefaleia intensa e súbita, sinais 
neurológicos, crise aguda de asma etc. Nos casos 
com menos de 20 semanas, as gestantes podem ser 
encaminhadas à emergência clínica. 
Óbito fetal 
Uma vez encaminhada para acompanhamento em 
um serviço de referência especializado em pré-natal de 
alto risco, é importante que a gestante não perca o 
vínculo com a sua equipe de atenção básica onde 
iniciou o seu acompanhamento de pré-natal. É 
importante também que a equipe seja informada a 
respeito da evolução da gravidez e dos tratamentos 
administrados à gestante por meio da 
contrarreferência, assim como são importantes a 
busca ativa e o acompanhamento das gestantes em sua 
área de abrangência, por meio da visita domiciliar 
mensal do ACS.

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