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Unidade III Custos, Trade OFFs e Resuprimento Logística Empresarial Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria RODRIGO SOUZA DA COSTA AUTORIA Rodrigo Souza da Costa Sou o professor Rodrigo Souza da Costa e me sinto honrado por poder, de alguma forma, contribuir com sua formação. A área de gestão é um dos principais problemas (se não o principal) para o crescimento socioeconômico do país. Dessa forma, a importância de especializar-se fica cada vez mais evidente para quem busca uma posição de destaque no mercado. Nossa profissão é muito dinâmica. Mudanças nas formas de gestão nos coloca em constante uma busca constante por aprendizado e adaptação ao ambiente de competição das empresas. Quando me foi passada a tarefa de lhe acompanhar em parte desse aprendizado, procurei buscar subsídios em minha formação e atuação profissional que pudessem ser relevantes para o seu aprendizado. Entre os meus passos nessa formação destaco: • Sou graduado em Administração pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), realizei meu Mestrado em Administração pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e o Doutorado em Administração pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). • Atuo desde 2007 no ensino na graduação e Pós-graduação em diversas instituições do Sul do Brasil. • Realizo pesquisas na área de Administração, sobretudo no que tange a Estratégia Empresarial e Internacionalização de Empresas, tendo publicado mais de 40 artigos em periódicos e eventos nacionais e internacionais. Ministro as seguintes disciplinas: Teoria das Organizações, Estratégias Empresariais, Diagnóstico Organizacional, Gestão de Recursos Empresariais, Gestão da Produção, Gestão da Cadeia de Suprimentos, dentre outras. Espero que possa contribuir significativamente nessa etapa de sua formação. Bons estudos! ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO: para o início do desenvolvimento de uma nova competência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de apresentar um novo conceito; NOTA: quando necessárias observações ou complementações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento; REFLITA: se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido; ACESSE: se for preciso acessar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando uma competência for concluída e questões forem explicadas; SUMÁRIO Custos, Trade Offs e a Logística de Suprimentos ..........................10 Considerações sobre os Custos Logísticos ................................................................. 10 Custeio ABC ..................................................................................................................... 15 Considerações sobre os Trade Offs Logísticos .......................................................... 16 Trade Offs Logísticos no Transporte ............................................................. 16 O Custo Total ................................................................................................................... 18 O Sistema Total .............................................................................................................. 19 Logística de Suprimentos ........................................................................................................ 20 Métodos de Ressuprimento ....................................................................................................28 Método do Ponto de Ressuprimento ........................................................... 30 Método da Revisão Periódica ............................................................................ 31 Método da Curva ABC ou Diagrama de Pareto ....................................33 O Sistema MRP (Planejamento das Necessidades de Materiais) ............................................................................................................................34 Os Sistemas MRP II (Planejamento dos Recursos da Produção) .......................................................................................................................... 38 7 UNIDADE 03 Logística Empresarial 8 INTRODUÇÃO Olá, meu caro aluno! Tudo bem com você? A nossa disciplina tratará Logística Empresarial e, nesta unidade introdutória, o essencial é que você compreenda como se dá a relação da gestão de suprimentos com outra atividade essencial para o sucesso das empresas: a logística empresarial. A principal função da logística está relacionada à gestão estratégica de todos os processos relacionados à movimentação de materiais, desde a aquisição de insumos, passando pela movimentação e a armazenagem de todos os itens que a empresa possui, até os fluxos de informações que passam pela organização e todos os seus canais. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo! Logística Empresarial 9 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 3. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Definir as potencialidades do gerenciamento de custos nos macroprocessos logísticos; 2. Esclarecer o funcionamento do custeio logístico. 3. Identificar a logística de suprimentos como geradora de lucro; 4. Compreender o novo papel desta área na operação de um sistema logístico eficiente. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! Logística Empresarial 10 Custos, Trade Offs e a Logística de Suprimentos OBJETIVO: Os principais objetivos desta unidade recaem sobre a definição das áreas de atividade e seus requisitos para operação da logística de suprimentos, bem como identificar as principais armadilhas que devem ser evitadas para garantir o funcionamento eficaz dessa área. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Considerações sobre os Custos Logísticos Uma constatação está sendo feita pelos produtores mundiais, o custo de produção está baixando e os custos logísticos estão aumentando. A implantação de sistemas produtivos mais eficientes reduz os esforços para a produção, mas ao explorar canais de suprimento e de distribuição mais longos, imposição de um mercado globalizado, os gastos com logística crescem. Outro fator é o de que os clientes estão exigindo melhores níveis de serviço, mas ao mesmo tempo não estão dispostos a pagar mais por isso. Os produtos e seus preços estão nivelados e serviço agregado passa a ser o ponto de diferenciação. Nesse contexto, a missão da logística é a de agregar valor ao produto por meio dos serviços que pode ofertar. Exemplo: Dentre outros, podemos verificar como exemplo: rapidez na entrega; maior variedade de produtos; cumprimento dos prazos de entrega; menor índice de falta dos itens, lançamento de novos produtos e rapidez na assistência pós-vendas. O problema é que cada cliente valoriza mais um ou outro item, o que varia de acordo com suas necessidades. As empresas estão segmentando logisticamente seus clientes e customizando seus serviços logísticos. Desse modo, tentam equilibrar custos com nível de serviço desejado pelo cliente para se manterem lucrativas. Logística Empresarial 11 Duas informações passam a ser vitais: qual a lucratividadedo cliente e qual o custo logístico para atendê-lo. Como a maioria das empresas no Brasil não tem bons sistemas de custeio e se orientam pela contabilidade fiscal, as respostas são difíceis e, por vezes, equivocadas, o que gera uma série de erros, inviabilizando o processo de decisão. A contabilidade fiscal tem uma série de vieses. Destaca-se que ela é baseada no princípio de absorção total, a forma como os custos são alocados não permite uma análise das ineficiências, custos de oportunidade não são considerados e a determinação do esforço real para cada operação não é possível. É importante lembrar de que muito sobre isso é explicado pelo fato de que esta está direcionada à prestação de contas ao fisco e não à análise gerencial. Além de sua inadequação, os custos logísticos não podem ser determinados por esse método, pois não são concentrados em uma conta específica. Ao contrário ficam dispersos pelo plano de contas da empresa. O custo logístico é bastante complexo, pois pode variar por produto e por cliente. Assim, o mesmo produto pode apresentar vários níveis de custo, dependendo das características e exigências logísticas de diferentes clientes ou instalações de um mesmo cliente. Portanto, é necessário que se busque um conjunto de informações e um método mais preciso para que se possa determinar o custo logístico e, a partir disso, permitir que a tomada de decisão seja realizada em bases corretas. Fonte: Freepik Logística Empresarial 12 Assim a utilização de um sistema de custeio que esteja apto a responder a estas necessidades é uma condição que deve ser estabelecida, só assim as empresas saberão qual a vantagem ou desvantagem de oferecer um determinado nível de serviço a um cliente. O desafio é implantar um sistema de custeio que seja capaz de atender as necessidades da organização. Não existe uma solução pronta, precisam ser detalhadas as informações que se quer obter e o nível de agregação que se busca. REFLITA: Não se pode utilizar informações agregadas, que pouco contribuem para a análise e identificação de perdas. O mais indicado é que a empresa seja capaz de determinar o custo atender cada produto a cada cliente, o que pode ser muito caro. Portanto, cada empresa precisa analisar suas necessidades e buscar suas soluções. Não se pode esquecer que a logística é um processo que inclui fornecedores, a empresa e seu canal de distribuição, o que exige que o sistema de custeio abranja todo o processo logístico da empresa. Isso irá permitir uma otimização de recursos em todo o sistema e a análise considerará o impacto da decisão cada área e todos os aspectos elemento do sistema e não, apenas, de forma isolada. Portanto, cada atividade será analisada, porém, se manterá a ideia de se obter o menor custo total para o sistema. Na área de aquisição, a seleção de fornecedores, os lotes de compras e a política de estoques serão mais acertados. No passado, o objetivo de compras era a do menor preço unitário. Serviços adicionais e a qualidade dos fornecedores não eram considerados na comparação de propostas. Logística Empresarial 13 SAIBA MAIS: Como as relações eram eventuais e conflitantes, tinha-se elevado nível de estoque de materiais para garantir o suprimento da linha de produção, evitar falta e prevenir-se de atrasos ou de devoluções desses materiais. Essa política impedia os possíveis ganhos advindos da parceria com fornecedores e não os estimulava a oferecer melhores produtos e serviços. Atualmente, o preço de compra é visto apenas como um dos custos de aquisição, que considera os custos de colocação do pedido, transporte, recebimento e estoque de materiais. Portanto, fornecedores com preço maior, mas aptos a oferece maior frequência de entregas em menores quantidades, pontuais, confiáveis na disponibilidade e que garantam a qualidade de seus produtos, são capazes de superar esta desvantagem inicial e oferecer um custo total de aquisição menor. IMPORTANTE: Nas atividades de produção, o desafio é a alocação dos custos indiretos, que distorce a realidade, penalizando uns e favorecendo outros. A logística de produção está fortemente preocupada com o planejamento e controle de produção na definição dos tamanhos de lote e alocação da produção entre as plantas e as linhas de produção. Com a adoção da produção enxuta, a terceirização de muitas atividades, e a economia de escala trocada pela de escopo, que exige máquinas mais flexíveis e capazes de fabricar vários itens, o nível de custos indiretos aumentou. NOTA: Deve-se lembrar de que isto forçou a diminuição dos lotes produzidos e que se torna necessário garantir um fluxo mais ágil dos produtos. Assim, abriu-se mão do menor custo por unidade fabricada, obtido por longas corridas de fabricação, e passou a se pensar no menor custo total de produção. Logística Empresarial 14 Esse novo prisma exige que o sistema de custeio incorpore custos como o de armazenagem e que aloque corretamente os custos indiretos para que se possa decidir corretamente. Na distribuição física, o sistema precisa considerar todas as atividades, desde a saída da linha de produção até a entrega. Busca- se conseguir o levantamento e o rateio corretos dos custos do sistema logístico. Christopher propõe a adoção do que chama custeio por missão, onde os custos são alocados para mostrar o custo total de se atender a um cliente ou, até mesmo, a uma entrega. Assim é possível determinar o nível de serviço adequado às necessidades dos clientes e garantir a lucratividade da organização. SAIBA MAIS: Os custos logísticos são importantes para a determinação de preço, a simulação de cenários e o controle de custos. Modernamente, não se definem preços de venda com base só nos custos, é a lógica do posicionamento. Os custos são importantes e mostram um referencial que deve ser considerado, sobretudo no longo prazo. Alguns preços têm relação mais linear com o custo, o do frete de entrega é um exemplo. Decisões logísticas constantemente representam custos e exigem a decisão e análise sobre investimentos. Isso exige que se possam formar cenários para analisar várias alternativas e se escolher a melhor. Ou seja, aquela que garanta o serviço desejado ao menor custo. Qual modal utilizar? Distribuição direta ou um CD? Qual o mix ideal de produção? Os sistemas de custos ajudam no controle e podem mostrar as perdas e ineficiências do processo. Gastos excessivos com embalagens, altos custos de estoques, transporte ocioso são situações que podem ser detectadas pelo sistema e corrigidas pela empresa. Logística Empresarial 15 Custeio ABC Conforme vimos, custear a logística não é simples, pois são muitas as atividades, há muitos custos indiretos e é preciso segmentar por produto e cliente. O Custeio Baseado em Atividades (ABC) é uma alternativa que está sendo adotada por algumas empresas, já que permite uma análise de custos mais voltada às necessidades gerenciais. Alguns consideram sua implantação trabalhosa, pelo mapeamento das atividades e pelos dados necessários. O custeio ABC, primeiro etapa, aloca os custos dos recursos às atividades e, depois, aloca os custos das atividades produtos, clientes, etc. O sistema ABC tem uma visão de processos e está orientado para as atividades. Entre outras vantagens, também se podem destacar: • A alocação dos custos indiretos e despesas de overhead de maneira mais criteriosa, evitando os subsídios cruzados de custo; • O controle e monitoramento voltado para as atividades, permitindo um gerenciamento mais eficiente dos processos da empresa; • A flexibilidade para trabalhar com diferentes objetos de custos, permitindo mensurar os custos de produtos, serviços, canais de distribuição, clientes etc. Além das vantagens mencionadas, o ABC aplicado às atividades logísticas permite a extensão do sistema por toda a cadeia de suprimento, possibilitando a propagaçãodesses benefícios para todas as empresas que a compõem. Nesse caso, seria também um facilitador para minimizar o Custo total da cadeia de Suprimento, não analisando os custos de maneira fragmentada por empresa. No Brasil, esse sistema vem sendo aplicado em uma série de empresas; contudo, são poucas as aplicações focadas nas atividades logísticas. Em contrapartida a essa tendência, o movimento ECR Brasil criou um subcomitê, do qual participam 18 empresas dos setores da indústria e do varejo, cujos primeiros resultados foram apresentados no congresso ECR Brasil, realizado em novembro de 1998. Logística Empresarial 16 Numa das seções do congresso, foi apresentado um projeto piloto realizado pelas empresas Sonae/Cândida, Coca-Cola/Panamco-Spal (Unidade Engarrafadora que atua em São Paulo) e Copersucar-União. Esse projeto piloto foi baseado na metodologia ABC e considera o processo desde a saída da linha de produção até a disponibilização dos produtos nas gôndolas dos varejistas. Esse pode ser o início de uma conscientização da importância do tema para as empresas que operam no Brasil. Considerações sobre os Trade Offs Logísticos Trade-off logístico, conhecido como compensação de custos, é um dos mais importantes conceitos para a logística. O trade off mostra que os custos das atividades logísticas, muitas vezes, são conflitantes entre si. Por exemplo, um maior número de depósitos diminui o custo de transporte. Com grandes cargas para os armazéns os custos de fretes caem e a distância percorrida para as entregas do armazém aos clientes é reduzida, diminuindo o custo do transporte na distribuição. Portanto, os custos de transporte para os armazéns cai com o aumento da quantidade de depósitos. Já com os custos de estoque e de processamento de pedidos acontece o contrário. Maior número de armazéns demanda mais estoque para garantir o mesmo nível de disponibilidade do que quando há menor número de depósitos. Custos de processamento de pedidos também aumentam porque os depósitos servem como pontos de processamento de pedidos. Para determinar o número de depósitos, o administrador deve tentar balancear ou compensar estes trade offs para se obter o menor custo total no sistema logístico. Trade Offs Logísticos no Transporte Na logística existem vários trade offs, como o de que um lote de compras maior permite negociar um custo unitário menor, porém irá aumentar as despesas com armazenagem. Foi escolhido o transporte por que este representa, geralmente, a maior parcela dos custos logísticos de uma empresa. Logística Empresarial 17 Para se encontrar o custo logístico de transporte é necessário levantar para cada opção de modal o seguinte: o custo de frete, o custo de estoque, custos financeiros de estoques na empresa, estoques em trânsito e estoque no destino. A soma de todos estes custos é o custo total modal. Fonte: Freepik O trade off de transporte e estoques é um dos mais conhecidos na logística. Ao optar por um modal ágil e rápido é possível diminuir os estoques em trânsito e o estoque no destino. Em suma, um maior custo de frete, que permite maior número de ressuprimento em menores quantidades, pode ser balanceado por um custo menor com estoques. Portanto devem ser considerados todos os custos como mostra a fórmula abaixo: Custo Total de Transporte = custo de frete + custo de processamento do pedido + custo do estoque em trânsito + custo do estoque médio na origem + custo do estoque médio no destino REFLITA: Cabe lembrar que as opções consideradas de modais devem ser capazes de oferecer o nível serviço ao cliente desejado, pois a logística deve ser vista como uma forma de agregar valor. Logística Empresarial 18 O problema é que, muitas vezes, o tomador de decisão considera apenas o custo de frete e isso pode levá-lo a cometer erros ao desconsiderar os demais fatores relacionados, como mostra a fórmula acima. Modais com baixo custo de frete apresentam elevado tempo de trânsito, gerando uma necessidade de estoques elevada. A figura abaixo mostra outro trade-off comum num sistema logístico de distribuição, já anteriormente citado e explicado, o qual relaciona custo de transporte com o número de armazéns. A figura mostra que com um maior número de depósitos o custo de transporte cai, em contrapartida, o custo de estoques aumenta pela necessidade de se oferecer um nível adequado de disponibilidade de produtos em vários locais. Fonte: O autor. O Custo Total DEFINIÇÃO: O conceito de compensação gera o conceito do custo total que se baseia na ideia de que os custos individuais exibem comportamentos conflitantes, devendo ser examinados coletivamente e balanceados no ótimo. O custo total para um número de armazéns é a soma dos custos de transporte, armazenagem e separação de pedidos e que formam a curva do custo total. Logística Empresarial 19 O ponto de custo total mínimo não é a soma do custo de transporte mínimo e dos custos de estoque ou processamento de pedidos mínimos. O ponto de mínimo custo fica num lugar intermediário entre eles. Analisar transportes, estoque e processamento de pedidos conjuntamente poderia levar a reduções no custo total comparado com a minimização dos custos individuais destas atividades. O custo total mostra que o gerenciamento integrado da logística é uma necessidade. O Sistema Total DEFINIÇÃO: O conceito de sistema total é uma extensão do conceito do custo total que considera o efeito de uma decisão em todos os elementos de um sistema. Por exemplo, ao escolher o transporte, o conceito do custo total pode observa o impacto da decisão nos estoques da empresa. O conceito do sistema total exige que se avalie o estoque do comprador. O enfoque do sistema total observa os problemas com maior abrangência para mostrar pontos que poderiam levar às decisões sub ótimas. Na logística, isso é fundamental, pois o sistema logístico abrange outras áreas funcionais da empresa e os parceiros externos. A logística poderia ser definida também, como a ciência dos trade offs, pois estes sempre estarão presentes na maioria das decisões nesta área. O que se deseja mostrar é que a logística poderia ser comparada a uma complexa rede ou teia e que ao se mexer em algum de seus fios outros serão afetados. O importante é que o gestor esteja apto a identificar os trade offs existentes e mensurá-los de forma precisa, o que às vezes é difícil pela falta ou incorreção das informações disponíveis. Assim, poderá tomar uma decisão que otimize o sistema, respeitando o conceito de custo total. O gestor logístico deve possuir uma visão sistêmica, como mostra o conceito de sistema total, pois os trade offs podem estar fora dos limites da empresa. Portanto, em logística não se pode decidir analisando apenas Logística Empresarial 20 uma variável, pois, muitas vezes, um menor custo inicial de uma atividade poderá representar um acréscimo de gastos para o sistema. Fonte: Freepik Como resultado, essa complexidade é o que torna a gestão logística desafiadora e exige que o gestor desta área tenha aptidão técnica e comportamental para ser um integrador de interesses e um agente de mudanças, frequentemente, reconhecer um trade-off irá significar sub otimizar uma atividade para se atingir a máxima eficiência no todo. Sem essa visão e coragem o gestor não irá conseguir atingir a excelência logística necessária para ser competitivo no mercado global. Logística de Suprimentos Ainda hoje é muito comum encontrar empresas que tem a política de suprimentos focada somente em barganhar o menor preço unitário para os materiais que compra. Portanto, a estratégia de compras é a de possuir o maior número de fornecedores para poder promover um verdadeiro leilão com o objetivo de forçar a baixa dos preços. O objetivo é tirar o máximo de vantagem possível sem se importar em prejudicar a outra parte. Logística Empresarial21 Isso é um erro, no médio e longo prazo, pois os custos e problemas causados ao fornecedor, mais cedo ou mais tarde, irão ser repassados ao comprador. Em suma, todos perdem e ninguém obtém benefícios reais e duradouros. Para se estabelecer a cooperação e ajuda mútua é preciso que as partes estejam satisfeitas e que exista um ambiente favorável. REFLITA: O principal desafio nessa área é mudar a cultura ao adotar uma visão inovadora ao estabelecer parcerias com fornecedores e, ao invés de obter ganhos individuais, buscar estratégias que propiciem vantagens mútuas e otimizem o desempenho de todo. Ou seja, transformar as compras numa área estratégica do negócio e que propicie o aumento da lucratividade da empresa e de seus parceiros. Não se está dizendo que o preço não seja um fator importante, mas não deve ser o único fator para a escolha de um fornecedor. A proposta é para que se busquem caminhos para a cooperação e parceria de modo a aumentar a eficiência de todos. Isso acontece pelo questionamento da maneira atual pela qual as operações estão sendo realizadas. Assim, serão propostas inovações e melhorias nos produtos e serviços que sejam capazes de melhorar a capacidade competitiva de toda a cadeia de suprimentos. Em outras palavras, colocar em prática o conceito de sistema total e explorar os trade offs ao longo da cadeia para minimizar o seu custo total. Como o relacionamento precisa ser mais próximo e de confiança mútua, o que demanda mais tempo, as empresas estão se direcionando para fornecedores mais eficientes e alinhados com a filosofia da empresa. EXPLICANDO MELHOR: Essa redução permite explorar melhor as oportunidades de ganho mútuo, que se dá pelo conhecimento das necessidades e possibilidades de melhoria de cada um. Como se reduz o número de transações, o controle fica mais fácil e os custos de aquisição são reduzidos. Logística Empresarial 22 Portanto, relacionamentos de curto prazo, frutos da compra eventual, resultado de um processo de cotação serão transformados em relações de longo prazo. Os critérios de avaliação devem refletir o papel de cada um e sua importância. Transparência nas atitudes, o compartilhamento das informações e, principalmente, o alinhamento dos objetivos é fundamental para o sucesso. Muitos cometem um erro, ter a redução do número de fornecedores como um objetivo em si. Esta deve ser fruto de uma política onde, com o passar do tempo e através de um processo de constante avaliação, a relação com os melhores fornecedores se torne mais estreita e evolua gradativamente para a parceria. NOTA: Após estabelecer fontes de suprimento confiáveis e comprometidas pelo consenso entre as partes, poderá ser estabelecido um contrato de fornecimento com condições claramente definidas. Os esforços serão para eliminar ou, no mínimo, racionalizar todas as atividades que não agregam valor. Isso é mais difícil do que apenas tentar diminuir o preço do fornecedor, pela pechincha na hora da compra, que por vezes pouco adianta, pois não elimina as ineficiências e não trará esforço de melhoria. O que se pretende é projetar e implementar, em conjunto, um sistema logístico realmente eficiente na redução de custos e aumento da margem final do produto. Desse modo, esforços devem ser recompensados e os benefícios do aumento da lucratividade divididos com os demais elos da cadeia com o intuito de garantir o estímulo às melhorias e às inovações. Caso contrário, existirá uma sensação de dolo, os fornecedores se entenderão como enganados, a confiança será quebrada e levará ao abandono da postura cooperativa e ao retorno à filosofia da queda de braço. Logística Empresarial 23 NOTA: Para melhorar sua competitividade as empresas devem ter uma abordagem estratégica ao selecionar e gerenciar fornecedores, o que se justifica pelo fato de que não é possível que os planos e estratégias escolhidas possam vir a ser implementadas, com pleno sucesso, sem a cooperação dos fornecedores. Portanto, a avaliação da competitividade atual e futura dos fornecedores é indispensável para a sua seleção. Como estratégia, devem ser escolhidos os fornecedores que irão manter ou melhorar sua posição competitiva em termos de seus produtos e serviços. Esse fator assegura que a empresa irá comprar insumos de qualidade/custo adequados ou superiores de modo a assegurar sua própria competitividade. De modo similar, a escolha de fornecedores que continuarão em condições de atender as necessidades da empresa minimizará os custos com a troca de fornecedores. Fonte: Freepik Logística Empresarial 24 As cadeias que quiserem obter sucesso devem buscar os arranjos de fornecimento que propiciem o melhor funcionamento ao seu sistema logístico. Para tal fim, o profundo conhecimento de seu mercado, a criatividade e a capacidade de alinhar os objetivos e os esforços de cada um dos elos são elementos necessários para atender cada vez melhor o cliente final e aumentar a lucratividade. À seguir serão levantados alguns pontos importantes para se ter um bom funcionamento da área de aquisição. Para se obter a máxima contribuição é necessário que cada caso seja analisado para alinhar os objetivos de compras com o objetivo do negócio. Os itens listados não esgotam todos os pontos importantes, mas servem de diretrizes para um checklist das principais áreas desta atividade: 1) ÁREA DE SISTEMAS E PROCESSOS: Codificação dos materiais; Codificação dos fornecedores; Sistemas de informação integrados; Hardwares e softwares dimensionados adequadamente; Processos integrados com os dos fornecedores; Modelos de custos baseados na metodologia ABC (Custeio Baseado em Atividades). 2) ÁREA ORGANIZACIONAL: Estratégias de suprimento adequadas a cada grupo de suprimentos; Avaliação e classificação de fornecedores; Análise de contratos; Posicionamento da área de compras e sua organização; Controladoria de compras; Times multifuncionais de trabalho. 3) ÁREA DE RECURSOS HUMANOS: Incentivos motivacionais; Experiências multidisciplinares do pessoal de compras; Treinamento contínuo; Senioridade e flexibilidade; Espírito de equipe; Alto nível educacional. O quadro a seguir serve para que a empresa possa avaliar como está o seu desempenho. Ao se classificar como excelência ou tradicional é possível detectar os pontos fortes e fracos e determinar os fatores críticos que devem ser corrigidos para a melhoria da sua logística de suprimentos. Logística Empresarial 25 Enfoque tradicional Atividade Estágio de excelência Fornecedores locais Tipo de fornecedores Fornecedores globais, mundialmente competitivos. Negociação, confl ituosa e contínua – arm’s length Negociação com fornecedores Dependência mútua e congruência de objetivos Vários fornecedores Seleção de fornecedores Melhores do mercado selecionados Competição entre fornecedores baseada em preço. Seleção de fornecedores Seleção baseada em desempenho Falta de integração multifuncional Participação das áreas Participação de todas as áreas envolvidas Divulgação mínima de informações Exposição das informações Troca intensa de informações Contatos telefônicos frequentes e dependentes do comprador Forma de contato Uso crescente de sistemas interligados e acesso ao usuário das informações Pedidos em curto prazo e entregas programadas Tamanho do lote Acordos de longo prazo e entregas frequentes Inspeção do cliente Inspeção de entrada Qualidade assegurada pelo fornecedor Especifi cação imposta pelo cliente Defi nição da especifi cação Especifi cação construída a duas mãos Tolerância de defeitos Avaliação de fornecedores Zero defeito O menor preço de compra Decisão do fornecedor O menor custo total da cadeia logística Logística Empresarial 26 Nesse caminho em direção ao estágio de excelência, será extremamente fundamental a empresa evitar cair em algumas armadilhas potenciais,as quais são descritas a seguir. Evitar a solução única. Ou seja, adotar a mesma solução para todos os fornecedores indiscriminadamente e não reconhecer requisitos específicos de negócios distintos. A empresa deve ter estratégias de suprimento distintas para cada grupo de suprimento/fornecedores que levem em consideração as diferenças de cada negócio e suas características específicas. Fazer da racionalização da base de fornecedores um objetivo- fim em vez de um objetivo-meio podendo resultar em desnecessários relacionamentos de monopólio. Essa redução deve resultar da estratégia de suprimento escolhida. Selecionar fornecedores com base essencialmente em capacitações técnicas e critérios de qualidade. Desconsiderar o efeito dos custos ou não ter entendimento adequado dos determinantes e implicações de custo em toda a cadeia logística pode acarretar um viés de seleção. Em suma evitar o viés de seleção. Dada a posição de importância e o tamanho em relação aos fornecedores, a empresa transfere custos e problemas a eles ao invés de juntos viabilizarem sua eliminação. Deve-se sair de uma negociação ganha-perde para um perfil ganha-ganha. Não usar estratégias solo, aquelas desenvolvidas independentemente dos fornecedores, sem seu envolvimento ou comprometimento. Essas estratégias não decolam. Ao se ponderar sobre esses pontos é possível evitar que aconteçam muito dos problemas mais comuns verificados na área de suprimento. Porém, percebe-se a necessidade da mudança de cultura e a aplicação de uma visão mais moderna e sistêmica, sem a qual os velhos paradigmas da pechincha e do conflito irão impedir a obtenção de economias reais baseadas na eliminação dos desperdícios. Logística Empresarial 27 NOTA: Saliento a importância do estabelecimento da parceria com fornecedores. Além dos pontos anteriormente levantados, cabe salientar alguns benefícios resultantes da integração com fornecedores que são: • Parceiros mais fortes e para todo o negócio; • Foco comum na qualidade; • Confiabilidade de entregas mais estáveis e repetitivas; • Baixos níveis de estoque; • Menos burocracia; • Melhor controle do processo; • Dependência mútua e congruência de objetivos; • Custos da cadeia logística reduzidos. O potencial da área de suprimentos é enorme. Os custos de fornecimento em empresas industriais podem chegar a 50% do custo total de um produto. Ao se ampliar este pensamento por toda a cadeia e constatar as tendências de terceirização de atividades, conhecida como horizontalização, percebe-se que sua importância e participação no desempenho da empresa da logística de suprimentos tende a aumentar. Fonte: Freepik Logística Empresarial 28 Portanto, planejar estrategicamente os processos, as atividades e o pessoal de suprimentos é uma obrigação dos gestores. O que se lamenta é que muitas empresas ainda não perceberam esse fator, e como estão despreparadas não conseguem se beneficiar dos possíveis ganhos que esta importante área pode trazer, pois redução nas despesas de compras significa lucro certo para o negócio. Métodos de Ressuprimento A atividade de ressuprimento exige uma abordagem estratégica que concilie os interesses de todas as áreas da empresa e os direcione para o cliente. Para ser bem feito e atender aos objetivos são necessárias a integração funcional e a colaboração para que o foco seja o atendimento da demanda sem falta ou excesso de produtos em estoque. SAIBA MAIS: Um estudo mostra quatro estágios evolutivos da integração entre os departamentos no processo de previsão de vendas. No primeiro, cada um de seus departamentos realiza suas próprias previsões de vendas. No segundo, as empresas já reconhecem a necessidade de coordenar as previsões de venda entre seus diversos departamentos. Isso é feito mediante reuniões periódicas com representantes de Marketing, Vendas, Finanças, Produção e Logística, sendo que um desses departamentos (geralmente, Marketing ou Finanças) é o responsável por realizar as previsões e coordenar os debates. No terceiro estágio, os departamentos buscam chegar ao consenso com relação à previsão de vendas, por meio de reuniões e debates que já reconhecem a existência de questões como, por exemplo, o fato dos departamentos de Marketing e Vendas normalmente ignorarem a limitação de capacidade dos recursos produtivos e de distribuição. No quarto e mais evoluído estágio as empresas deslocam o processo de previsão de vendas para uma área funcional independente das demais: o departamento de previsão de vendas. Logística Empresarial 29 Esse departamento reconhece as necessidades de planejamento dos demais departamentos e busca estabelecer a comunicação e a coordenação entre os mesmos pela adoção de sistemas de informação que permitam a manipulação e a triangulação de informações como: restrições de capacidade, promoções, etc. O processo de ressuprimento é bastante complexo, várias são as atividades que o compõem e, em muitas delas, existe incerteza, como na previsão de demanda e esse é sem dúvida o ponto inicial e fundamental de uma boa política de estoques. Conhecer e prever a demanda devem ser uma preocupação constante, já que a capacidade de um alto nível de disponibilidade de um mix cada vez maior suprir ao mercado é uma das maneiras de garantir a satisfação e contribuir para a fidelidade do cliente, está desafio aumenta na medida em que o consumidor está exigindo de itens. Schedule Fonte: Freepik A demanda de mercado e a sua previsão representam o ponto de partida par a implantação de uma política de estoques eficiente e eficaz que deve minimizar a quantidade, mas sem permitir que faltem produtos Logística Empresarial 30 ao consumidor. Assim, após um a correta previsão, o próximo passo é a da escolha da política e das ferramentas para a gestão de estoques. Muitas empresas usam o sistema de “empurrar”, também chamado de “estoque para demanda”. A ideia básica é manter os níveis de estoque proporcionais à sua demanda futura e baseia-se nos seguintes pontos: • Verificação da duração do tempo de ressuprimento para o item considerado; • Previsão da demanda do item em determinado período; • Determinação do período de segurança e considerar pela incerteza na previsão da demanda e o tempo de ressuprimento, necessário para compor o estoque de segurança. Método do Ponto de Ressuprimento Um dos modelos mais conhecidos do sistema de empurrar é chamado de Método do Ponto de Ressuprimento, conhecido também como método das quantidades fixas e datas variáveis, o qual objetiva otimizar os investimentos em estoque. Além disso, cuida de balancear a relação entre estoque elevado (que pode gerar maior custo de manutenção) e estoque baixo (que pode gerar risco de perda de vendas e/ou paradas na produção). A finalidade do ponto de ressuprimento é dar início ao processo de reposição com tempo suficiente para não ocorrer falta de material. Isso é garantido pela existência de quantidade em estoque que permita o abastecimento no tempo necessário para repor o material. A finalidade do ponto de reposição é dar início ao processo de ressuprimento com tempo hábil para não ocorrer falta de material. O PR é calculado como o produto entre o tempo de ressuprimento e o consumo previsto neste período. Se o tempo de ressuprimento for de duas semanas e o consumo previsto for de 100 unidades por semana, então o PR será de 200 unidades = 2 x 100. Logística Empresarial 31 O nível do PR auxilia a controlar a quantidade adicional de estoque, necessária como proteção contra oscilações de demanda e no lead time de ressuprimento. Ou seja, a probabilidade de falta é então reduzida. Suponhamos que o pedido de compra possa vir a demorar três semanas para chegar, em vez de duas, e o consumo nunca exceda 120 unidades semanais, o PR será de 360 unidades e dificilmente teremos falta de produto. Métododa Revisão Periódica No sistema de Revisão Periódica, o material é reposto periodicamente em ciclos de tempo iguais, chamados períodos de revisão. A quantidade pedida será a necessidade da demanda do próximo período. Considera-se também um estoque mínimo ou de segurança e ele deve ser dimensionado de forma que previna o consumo acima do normal e os atrasos de entrega durante o período de revisão e tempo de reposição. Fonte: Freepik Nesse sistema são programadas as datas em que deverão ser realizadas as reposições de material, e os intervalos são iguais. A análise Logística Empresarial 32 deverá ser feita considerando o estoque físico existente, o consumo no período, o tempo de reposição e o saldo de pedido no fornecedor do item. A dificuldade desse método é a determinação do período entre revisões; diversos aspectos devem ser analisados, sendo que: • Uma periodicidade pequena entre as revisões acarreta um estoque médio alto e como consequência um aumento no custo de estocagem e; • Uma periodicidade alta entre as revisões acarreta baixo estoque médio e como consequência um aumento no custo de pedido e risco de ruptura. IMPORTANTE: Para minimizar esses riscos devem ser calculadas revisões para cada material estocado ou para cada classe de materiais, de acordo com os objetivos operacionais e financeiros da empresa. A escolha de um calendário para as revisões é também de importância fundamental para: • Definir o volume dos materiais a comprar; • Listar os itens de uso comum para serem processados simultaneamente; • Executar um compra única e; • Efetuar compras e entregas programadas, optando pela determinação das periodicidades mais convenientes das necessidades. Uma grande vantagem desse método é que podemos adotar uma abordagem proativa. Em vez de usar a demanda histórica poderá se utilizar a previsão de demanda para os períodos futuros para ajustar adequadamente a quantidade comprada às necessidades que irão acontecer. Isso permitirá uma sintonia entre estoque e demanda, o que pode garantir redução de quantidades e garantia de disponibilidade e estes são os objetivos auxiliam a maximizar a lucratividade do negócio. Logística Empresarial 33 Método da Curva ABC ou Diagrama de Pareto NOTA: As diversas técnicas de controle de estoques apresentadas nos itens anteriores podem ser aplicadas a qualquer item do estoque e cada item será controlado com base na mesma disponibilidade desejada e será acompanhado constante ou periodicamente. Entretanto, tanto o capital empatado nos estoques como os custos operacionais podem ser diminuídos, se entendermos que nem todos os itens estocados merecem a mesma atenção pela administração ou precisam manter a mesma disponibilidade para satisfazer aos clientes. Além disso, os requisitos de marketing não são uniformes para toda a gama de produtos em linha. Alguns deles sofrem mais concorrência que outros, ou são mais rentáveis, ou podem ter clientes que exigem melhor nível de serviços. Por este raciocínio, cada produto deve ser classificado de acordo com seus requisitos antes de estabelecermos uma política adequada de estoque. O método da curva ABC atende a esse propósito. Esse método é um dos mais antigos, conhecidos e aplicados, em muitas indústrias. A curva ABC baseia-se no raciocínio do diagrama de Pareto, em que nem todos os itens têm a mesma importância e a maior atenção deve ser dada para os mais significativos. Pareto mostra que ao analisar um parâmetro, como valor dos estoques, uma parcela de 20% da quantidade de itens é responsável por 80% do valor do item. Portanto, 20% dos clientes da empresa representam 80% das vendas realizadas; 20% dos produtos comprados são responsáveis por 80% dos gastos com a compra dos produtos. Para a política de estoque, dizemos que 20% dos itens em estoque são responsáveis por 80% do valor em estoque. A linha completa de itens em estoque pode ser classificada desde o item de maior valor até o de menor valor. Logística Empresarial 34 Para se calcular a representatividade de cada item de estoque, basta multiplicar o consumo anual de cada item por seu respectivo custo. Em seguida, listar em ordem decrescente de valor e calcular o percentual relativo de cada item em relação ao custo total de estoque (100%). A experiência serve como referência para determinar quais produtos são designados como os do grupo A, B e C. Entretanto, uma separação em 20-30-50% dos itens em estoque que representam 80-15- 5% do valor do estoque pode ser usada como fronteira dos grupos A, B e C, respectivamente. EXPLICANDO MELHOR: Estamos em posição de estabelecer uma política de estoque baseada na curva ABC. Podemos decidir que a empresa terá níveis diferenciados de serviço aos clientes para os três distintos grupos. Por exemplo, 99% para itens A, 95% para itens B e 85% para itens C. Isso reduzirá o capital total empatado em estoque. O Sistema MRP (Planejamento das Necessidades de Materiais) No cenário atual, clientes exigem nível de serviço, pedidos mais frequentes e trabalham no sentido de manter os níveis de estoque exatamente na medida de suas necessidades. Os consumidores, por sua vez, querem maior variedade e conformidade nos produtos. Essas forças do mercado exercem forte pressão sobre as indústrias. Maior número de produtos com menores ciclos de vida dificultam o planejamento da produção. As pressões de custo e limitações de capacidade produtiva, por sua vez, tornam ainda mais complexos os sistemas de planejamento e controle. Logística Empresarial 35 PLANNING Fonte: Freepik Os sistemas de Planejamento de Materiais preocupam-se basicamente com o dimensionamento correto dos estoques. Reduções de custo ou maximização de lucro, provenientes de uma perfeita adequação dos estoques ao tamanho das necessidades. Um dos sistemas de planejamento e controle de materiais mais divulgados é o MRP (Materials Requirements Planning). Originalmente conhecido através de Joseph Orlick, O MRP lida especialmente com suprimento de peças e componentes cujas demandas dependem de determinado produto final. EXPLICANDO MELHOR: Os conceitos básicos do MRP existem há muito tempo, porém, apenas recentemente computadores e sistema de informação têm permitido a empresa beneficiar-se dos métodos do MRP. O MRP, mais precisamente definido, é um sistema que estabelece uma série de procedimentos e regras de decisão, de modo a atender as necessidades de produção numa sequência de tempo logicamente determinada para cada item componente do produto final. O sistema MRP é capaz de replanejar as necessidades de materiais a cada alteração na programação de produção, registros de inventários Logística Empresarial 36 ou composição de produtos. Em outras palavras, trata-se de um sistema que se propõe a definir as quantidades necessárias e o tempo exato para utilização dos materiais na fabricação dos produtos finais. Podemos apresentar os objetivos do MRP como sendo: • Garantir a disponibilidade de materiais, componentes e produtos para atendimento ao planejamento da produção e às entregas dos clientes; • Manter os inventários no nível mais baixo possível; • Planejar atividade de manufatura, de suprimento e de programação de entregas. O processo inicia-se a partir da informação de “quanto” e “quando” o cliente deseja consumir. O MRP, então, “explode”, essas informações para cada item componente do produto final. A figura a seguir, nos permite visualizar a operação do sistema MRP. Conheceremos agora os elementos que interagem com o MRP propriamente dito. Pedidos em Lista de Materiais Programa mestre de Produção Programa MRP Previsões de Demanda Registros de Saídas e Relatórios O Programa-mestre de produção é baseado na carteira de pedidos dos clientes e nas previsões de demanda, o programa-mestre de produção, orienta todo o Seu horizonte de planejamento é normalmentede um ano, dividido em semanas. Logística Empresarial 37 A lista de materiais contém as quantidades exatas de matérias- primas, componentes e sub-rotinas que determinarão a confecção do produto final. Além de especificar, as listas de materiais determinam o momento em que os materiais devem estar disponíveis e identificam suas relações de dependência com outros materiais e com o produto final. Registros de Inventário: permitem a identificação, em qualquer momento, das posições de estoque e pedidos em aberto, de modo que se possam obter as necessidades líquidas de materiais. Os registros de inventário também contêm informações sobre estoques de segurança e lead times. Programa MRP: baseado nas necessidades do produto final especificadas no programa-mestre de produção e nas informações provenientes das listas de materiais, o programa MRP transforma a demanda do produto final em necessidades brutas para cada item ou componente. A partir das informações constantes nos registros de inventário, são calculadas as necessidades líquidas e liberadas as ordens de compra ou fabricação. As ordens correspondem às necessidades em termos de quantidade e tempo relativos à sua aplicação no produto final. Relatórios e Dados de Saída: completado o ciclo do programa MRP, o sistema produz alguns relatórios e informações, úteis no gerenciamento do processo logístico e de manufatura. DEFINIÇÃO: Um conceito importante na concepção do sistema MRP é o da natureza da demanda, que pode ser chamada de dependente ou independente. A demanda de um item é dita dependente quando este item vai fazer parte ou se transformar em outro, ou seja, é dependente porque depende dos planos de produção de outro item, que é chamado de pai. Logística Empresarial 38 A demanda é chamada de independente quando não podemos determiná-la por meio de cálculos, e sim através de previsões, como é o caso dos produtos acabados. O MRP caracteriza-se como um método de “empurrar” estoques, preferencialmente aplicável a partes de componentes cuja demanda dependa da demanda de outro produto. Outra característica do MRP é responder rapidamente a alterações na demanda do produto final, ou seja, tão logo recebam os inputs, partes e componentes são recalculados e o processo é refinado. Podem ser destacadas algumas vantagens e limitações do sistema MRP: Vantagens Limitações • Manutenção de níveis razoáveis de estoques de segurança e minimização ou eliminação de inventários quando for possível. • Possibilidade de identifi cação de problemas nos processos. • Programação de produção baseada na demanda real ou previsão de vendas do produto fi nal. • Coordenação das colocações de ordens entre os pontos do sistema logístico da empresa. • Adequação à produção por lotes ou processos de montagens • Processamentos computacionais pesados e de difícil interferência quando em operação. • Não avaliação dos custos de colocação de ordens e de transportes que podem crescer na medida da redução dos inventários e tamanhos de lotes de compra. • Sistema não muito sensível às fl utuações de curto prazo da demanda. • Em algumas situações, o sistema torna-se muito complexo e não funciona como o esperado. Os Sistemas MRP II (Planejamento dos Recursos da Produção) Assim como o MRP, o sistema MRP II (Manufacturing Resources Planning) baseia-se na lógica do cálculo de necessidades, cujo objetivo Logística Empresarial 39 principal é o planejamento da compra e produção de itens componentes para que ocorram nas quantidades e momentos necessários, sem faltas ou excessos. Entretanto, o sistema MRP II estende o sistema do MRP, permitindo a integração do planejamento financeiro com o operacional. DEFINIÇÃO: O MRP II caracteriza-se como excelente ferramenta de planejamento estratégico em áreas como logística, manufatura, marketing e finanças. É útil nas análises de cenários e auxilia na definição dos fluxos estratégicos de estocagem dentro do sistema logístico da empresa. A utilização do MRP II permite o gerenciamento de todos os recursos da empresa. Em relação à base do MRP original, que somente dispunha de informações sobre itens (dados cadastrais e tempos de ressuprimento), estruturas de produtos e posições de estoque ao longo o tempo, foram acrescentadas novas informações relativas aos recursos produtivos e suas participações na produção unitária de cada item. Para os cálculos das necessidades de outros recursos, foi acrescido ao MRP um módulo, denominado, por alguns, de planejamento das necessidades de capacidade produtiva ou CRP (Capacity Requirements Planning). Outro módulo agregado ao MRP foi o chamado controle de chão de fábrica ou SFC (Shop Floor Control). Através do SFC, as atividades de liberação de ordens são acompanhadas, comparando-se o que foi planejado com o executado na fábrica. IMPORTANTE: O CRP permite que seja feita uma avaliação inicial do programa-mestre, no sentido de se identificar inviabilidades em relação aos recursos de produção. Não existindo impedimento, o programa-mestre poderá ser utilizado até seus níveis mais detalhados. Logística Empresarial 40 Conforme vimos anteriormente, o MRP é um sistema em que a colocação de uma ordem de compra ou de produção de um item de demanda dependente é determinado pelo momento de sua utilização no respectivo estágio de produção. Quando as decisões ligadas ao MRP envolvem sistemas de planejamento da capacidade ou de controle de chão de fábrica, chamamos a essa ampliação do MRP, de MRP de ciclo fechado. No MRP II, funções financeiras são juntadas às funções operacionais, proporcionando uma abordagem mais ampla ao sistema. No MRP II, o programa-mestre de produção, da mesma forma que no MRP, é explodido em partes e componentes. As ordens de compra ou fabricação, em cada estágio de produção, são convertidas em valores, utilizando-se dados de custos unitários. As necessidades de materiais definidas no MRP para cada estágio de produção são, no MRP II, convertidas em unidades monetárias. Temos, então, para cada categoria de produto, dentro do horizonte planejado e devidamente valorizado, os inventários, as necessidades de compra, estimativas de mão-de-obra e orçamentos de cada departamento. Isso permite que as áreas financeiras e de produção, em conjunto, tornem os recursos disponíveis apenas na medida das necessidades de fabricação dos produtos finais. ALOE VERA 100% ALOE VERA Fonte: Freepik Logística Empresarial 41 Além da área financeira, o sistema MRP II facilita o entendimento da produção com o marketing. A interface começa ainda no MRP, onde as previsões de venda são entradas do sistema e as decisões sobre alterações de tamanhos de lotes, cancelamentos ou adiantamento de ordens são tomadas em conjunto e podem determinar modificações nos programas-mestres de produção. Com o MRP II, a interface é ampliada e, juntas, as áreas de marketing, finanças e produção podem decidir sobre o mix de produtos, planos agregados de produção, necessidades financeiras e estratégias de preços. A proposta do sistema MRP II é, portanto, ser utilizado como ferramenta na coordenação dos esforços de Produção, Finanças, Marketing, Engenharia e Departamento Pessoal, na direção de um planejamento único para o negócio. Logística Empresarial 42 REFERÊNCIAS BALLOU, R. H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2001. BOWERSOX, D. J.; CLOSS, D. J. Logística empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimento. São Paulo: Atlas, 2001. CHITALE, A.K. e GUPTA, R.C. Materials Management: Text and Cases (2. edition). Nova Delhi: PHI, 2011. CHRISTOPHER, M., Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos. São Paulo: Pioneira, 1997. DIAS, M. A. P. Administração de materiais: uma abordagem logística. São Paulo: Atlas, 2010. POZO, H. Administraçãode recursos materiais e patrimoniais: uma abordagem logística. São Paulo: Atlas, 2001. VIANA, J. J. Administração de Materiais: um enfoque prático. São Paulo: Atlas, 2011. Logística Empresarial Custos, Trade Offs e a Logística de Suprimentos Considerações sobre os Custos Logísticos Custeio ABC Considerações sobre os Trade Offs Logísticos Trade Offs Logísticos no Transporte O Custo Total O Sistema Total Logística de Suprimentos Métodos de Ressuprimento Método do Ponto de Ressuprimento Método da Revisão Periódica Método da Curva ABC ou Diagrama de Pareto O Sistema MRP (Planejamento das Necessidades de Materiais) Os Sistemas MRP II (Planejamento dos Recursos da Produção)